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	<title>Arquivos Gabriel García Márquez &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A Cabeça do Santo: quando o sagrado perde a cabeça</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Mar 2026 13:00:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<category><![CDATA[Bianca Costa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Bianca Costa  Uma mãe em seu leito de morte faz um último pedido ao filho: que encontre o pai e a avó que nunca conheceu. É a partir desse pedido que se desenrola A Cabeça do Santo, de Socorro Acioli, um romance onde o sagrado e o profano se entrelaçam por suas páginas e pela &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-cabeca-do-santo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Cabeça do Santo: quando o sagrado perde a cabeça"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37001" aria-describedby="caption-attachment-37001" style="width: 517px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-37001" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/download-11-517x800.jpeg" alt="" width="517" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/download-11-517x800.jpeg 517w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/download-11.jpeg 564w" sizes="(max-width: 517px) 85vw, 517px" /><figcaption id="caption-attachment-37001" class="wp-caption-text">O romance acontece entre o sagrado e o profano, com uma boa dose de brasilidade e um realismo mágico que tem tudo a ver com Gabriel García Márquez (Foto: Companhia Das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Bianca Costa </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma mãe em seu leito de morte faz um último pedido ao filho: que encontre o pai e a avó que nunca conheceu. É a partir desse pedido que se desenrola </span><i><span style="font-weight: 400;">A Cabeça do Santo</span></i><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/colaborador/03573/socorro-acioli?srsltid=AfmBOopg0c0_l00zg6rxNR8Ckafa6dkBFmG0oa8LrBFdDWseqotMwmGr"><span style="font-weight: 400;">Socorro Acioli</span></a><span style="font-weight: 400;">, um romance onde o sagrado e o profano se entrelaçam por suas páginas e pela cidade de Candeia. Essa contemporânea obra brasileira – exemplo de </span><a href="https://www.ufmg.br/espacodoconhecimento/a-solidao-latino-americana-e-o-realismo-magico-na-literatura/"><span style="font-weight: 400;">realismo mágico</span></a><span style="font-weight: 400;"> – entrega tudo aquilo que um verdadeiro clássico da literatura tem direito: uma conexão verdadeira com o leitor, capaz de transcender o tempo.  </span></p>
<p><span id="more-37000"></span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Foi a morte que me ensinou. O tempo de sonhar é em cima da terra” – </span><span style="font-weight: 400;">A Cabeça do Santo</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a angústia causada pela dor da perda de sua mãe, Samuel decide cumprir sua promessa. Assim, deixa Juazeiro do Norte para trás e percorre a pé um sofrido trajeto de dezoito quilômetros, acompanhado apenas pela secura impiedosa do sertão cearense. Alcançando, enfim, o destino traçado por sua mãe – o município de Candeia. Era uma cidade comum, até Samuel precisar se abrigar em uma gruta, refúgio que à luz da manhã revela ser, na verdade, uma cabeça imensa de </span><a href="https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2024-06/dia-de-santo-antonio-renan-dantas-12-junho-2024.html"><span style="font-weight: 400;">Santo Antônio</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas as estranhezas não param aí: Samuel começa a escutar uma confusão de vozes femininas apenas quando está dentro da cabeça. Assustado, se dá conta de que aquilo são orações de </span><a href="https://www.metro1.com.br/noticias/radio-metropole/151452,dia-dos-namorados-historiador-explica-por-que-santo-antonio-e-conhecido-como-casamenteiro"><span style="font-weight: 400;">mulheres que pedem amor ao santo</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><span style="font-weight: 400;">O romance tempera fé, cotidiano e tradição nordestina com uma escrita simples e envolvente, carregada de simbolismos culturais e políticos. </span></p>
<figure id="attachment_37002" aria-describedby="caption-attachment-37002" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37002" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/imagem-2-800x532.jpg" alt="" width="800" height="532" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/imagem-2-800x532.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/imagem-2-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/imagem-2.jpg 995w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37002" class="wp-caption-text">Em Caridade, a cabeça da estátua de Santo Antônio foi montada no chão e nunca unida novamente ao corpo (Foto: Fantástico/Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado em 2014 pela </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535923698/a-cabeca-do-santo?srsltid=AfmBOopHWnUR__jXc2ksctnIKnD04rmHKVyE_qBGji8U0iXuMAwwZuq1"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">A cabeça do Santo</span></i><span style="font-weight: 400;"> conquista críticos e leitores há onze anos por sua originalidade e pela forma como resgata elementos do folclore, montando uma verdadeira dança das cadeiras entre o sagrado e o profano, premissas opostas e mistura ousada que abraça contrastes tão inerentes na cultura popular brasileira.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“[&#8230;] porque às vezes nem Deus livra o homem de enlouquecer. O demônio é artista”</span><span style="font-weight: 400;"> – </span><span style="font-weight: 400;">A Cabeça do Santo</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O toque de realismo mágico que perdura por cada página, clássico de </span><a href="https://mobile.publishnews.com.br/materias/2024/04/16/conheca-seis-obras-essenciais-de-gabriel-garcia-marquez"><span style="font-weight: 400;">Gabriel García Márquez</span></a><span style="font-weight: 400;">, não é por acaso. </span><span style="font-weight: 400;">Em 2006, </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/album/2014/04/18/escritora-brasileira-participou-de-workshop-com-gabriel-garcia-marquez-em-cuba.htm?foto=1"><span style="font-weight: 400;">Socorro Acioli</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi a única mulher e brasileira selecionada para a oficina de </span><i><span style="font-weight: 400;">Como contar um conto</span></i><span style="font-weight: 400;">, que seria mais tarde a última </span><a href="https://g1.globo.com/ceara/noticia/2014/04/apos-oficina-escritora-cearense-fala-de-convivencia-com-garcia-marquez.html"><span style="font-weight: 400;">oficina</span></a><span style="font-weight: 400;"> de escrita ministrada por Márquez. A proposta que apresentou foi baseada em um caso real, uma estátua de </span><a href="https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2015/03/11/estatua-sem-cabeca-leva-culpa-por-divorcios-em-cidade-do-ce.htm?foto=1"><span style="font-weight: 400;">Santo Antônio</span></a><span style="font-weight: 400;"> inacabada, erguida no município de Caridade, também no interior do Ceará, onde a cabeça permanece abandonada há quase quarenta anos. </span></p>
<figure id="attachment_37003" aria-describedby="caption-attachment-37003" style="width: 599px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-37003" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/img-3.png" alt="" width="599" height="336" /><figcaption id="caption-attachment-37003" class="wp-caption-text">A autora Socorro Acioli e Gabriel García Márquez dando luz ao realismo mágico (Foto: Arquivo pessoal de Socorro)</figcaption></figure>
<p><a href="https://g1.globo.com/google/amp/ce/ceara/noticia/2021/11/29/estatua-de-santo-antonio-espera-cabeca-ha-35-anos-no-alto-de-um-monte-em-caridade-no-ceara.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Essa curiosa história</span></a><span style="font-weight: 400;"> que deu origem ao livro, começou em 1984, quando o prefeito da cidade contratou um escultor para erguer uma imensa estátua de Santo Antônio. A obra começou como foco de grande expectativa, mas logo foi interrompida, e a cabeça, já pronta, jamais chegou a ser erguida junto ao corpo. Pesada demais e sem recursos para ser transportada, acabou esquecida no chão, entre ruas e casas, virando parte da paisagem local. Logo, tornou-se alvo de lendas e superstições que associavam a ‘degola’ do santo aos problemas da cidade. Essa imagem poderosa – a cabeça abandonada de um santo, separada do corpo – impressionou Acioli e fez os olhos de García Márquez brilharem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://g1.globo.com/ceara/noticia/2013/10/vencedora-do-jabuti-socorro-acioli-comemora-e-fala-da-proxima-obra.html"><span style="font-weight: 400;">premiada</span></a><span style="font-weight: 400;"> escrita de Acioli é simples, marcada pelo ritmo envolvente, parecendo uma conversa, do jeitinho brasileiro. Mas esse estilo direto não diminui a densidade da obra, pelo contrário, permite que os símbolos e personagens ganhem força sem excessos. Samuel, o protagonista, encontra dentro da cabeça do santo tanto prisão quanto abrigo, uma metáfora para sua busca de identidade e pertencimento. Já as vozes femininas que ele escuta simbolizam a presença coletiva e invisível dessas mulheres, silenciadas na vida pública, porém, persistentes em suas preces. A cidade, por sua vez, é quase um personagem, marcada pela dependência dos milagres e pelo abandono material.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A consciência da solidão doía mais que qualquer outra dor.”</span><span style="font-weight: 400;"> – A Cabeça do Santo</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Os </span><a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/termos/80212-simbolismo-na-literatura"><span style="font-weight: 400;">simbolismos</span></a><span style="font-weight: 400;"> são a chave do romance. A cabeça de Santo Antônio inacabada revela como o divino convive com o ordinário. O sertão, sempre presente, é metáfora da falta material, mas também da resistência. O silêncio de Samuel, contraposto às vozes femininas, mostra como a escuta pode ser mais poderosa do que a palavra. É nessa brincadeira entre o místico e o real que a narrativa encontra sua singularidade. </span></p>
<p><figure id="attachment_37004" aria-describedby="caption-attachment-37004" style="width: 367px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37004" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/imagem-4.png" alt="" width="367" height="486" /><figcaption id="caption-attachment-37004" class="wp-caption-text">Socorro Acioli dentro da verdadeira “cabeça do santo” [Foto: Reprodução Instagram da autora (@socorroacioli)]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">O livro de Acioli, além de contar uma história sobre destino e milagres, também expõe como a fé é usada como instrumento de poder, como o sertão é abandonado pelo Estado e como as mulheres resistem pelo silêncio de suas preces. Com personagens de um realismo que ultrapassa o papel, o cenário reflete a aridez e a esperança do sertão nordestino. </span><span style="font-weight: 400;">Além de se revelar como uma das obras mais marcantes da literatura brasileira contemporânea, A Cabeça do Santo teve seus direitos comprados e vai virar um </span><a href="https://g1.globo.com/google/amp/ce/ceara/noticia/2023/09/17/cabeca-gigante-de-santo-antonio-vai-virar-filme-brasileiro-conheca-a-historia.ghtml"><span style="font-weight: 400;">filme</span></a><span style="font-weight: 400;">, ainda que sem data de estreia</span><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com doze anos desde sua publicação, o romance de Socorro Acioli marcou presença na </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/confira-a-lista-dos-10-livros-mais-vendidos-de-2025/#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">lista</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos livros de ficção mais vendidos no Brasil em 2025, revelando o potencial da literatura nacional, capaz de reinventar tradições, dar voz ao silêncio e transformar uma história local em um ‘suco de brasilidades’, onde até Santo Antônio perde a cabeça.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Estante do Persona – Fevereiro de 2023</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Mar 2023 22:10:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#8220;Quantos psicólogos me tomariam por louca se eu lhes dissesse que sou afetada pelo que acontece fora de mim? Que a aceleração do desastre me petrifica? Que tenho a impressão de não ter mais controle sobre nada? &#8211; Nastassja Martin Após acompanhar o melancólico Aos prantos no mercado, de Michelle Zauner, em Fevereiro o Clube &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-fevereiro-de-2023/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Fevereiro de 2023"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30623" aria-describedby="caption-attachment-30623" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30623" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/estante_wp.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/estante_wp.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/estante_wp-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/estante_wp-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30623" class="wp-caption-text">Em Fevereiro, o Clube do Livro mergulhou em Escute as feras (Foto: Editora 34/Arte: Aryadne Xavier/Texto de abertura: Bruno Andrade)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">&#8220;Quantos psicólogos me tomariam por louca se eu lhes dissesse que sou afetada pelo que acontece fora de mim? Que a aceleração do desastre me petrifica? Que tenho a impressão de não ter mais controle sobre nada?</p>
<p style="text-align: right;"><em>&#8211; <span style="font-weight: 400;">Nastassja Martin</span></em></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Após acompanhar o melancólico </span><a href="https://personaunesp.com.br/em-aos-prantos-no-mercado-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Aos prantos no mercado</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Michelle Zauner, em Fevereiro o Clube de Leitura do Persona deu continuidade a nossa tradição de ler autoras – nesse caso, também com uma escrita melancólica. </span><a href="https://editora34.com.br/detalhe.asp?id=1111"><i><span style="font-weight: 400;">Escute as feras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Nastassja Martin, foi a escolha da vez.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mergulhando nesse relato autobiográfico, narrado e construído como um texto de ficção, <a href="https://quatrocincoum.folha.uol.com.br/br/noticias/flip/cinco-curiosidades-sobre-nastassja-martin">Nastassja Martin</a> nos prende do inicio ao fim em seu trágico relato de quando, durante uma pesquisa de campo, foi atacada por um urso e teve parte do rosto desfigurado. No entanto, a antropóloga entende que, em sua trajetória de cura, precisa perdoar o animal e retornar à vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No único encontro do Clube, aspectos da construção textual e uma possível ligação com a autossociobiografia de <a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/">Annie Ernaux</a> – sendo as duas autoras francesas – chamou a atenção. As referências culturais, antropológicas e místicas também foram abordadas: para alguns povos originários, os quais Martin estava se dedicando a pesquisar durante o ocorrido, ser atacado por um urso e sobreviver coloca o indivíduo em um estado de &#8220;entre-vida&#8221;, habitando duas dimensões simultaneamente – o texto da autora, que <a href="https://www.youtube.com/watch?v=bZps99Q5cs4">veio à Flip</a> no final de 2022, se constrói um pouco nessa dimensão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto os próximos conteúdos do mundo literário não chegam, o</span><b> Estante do Persona de Fevereiro de 2023</b><span style="font-weight: 400;"> segue com seus comentários e Dicas do Mês.</span></p>
<p><span id="more-30605"></span></p>
<h3>Livro do Mês</h3>
<figure id="attachment_30611" aria-describedby="caption-attachment-30611" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30611 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/escute-as-feras-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Escute as feras. A capa é toda branca com uma foto de um urso em preto e branco centralizada na porção inferior. O animal está uivando com o focinho apontado para cima. O nome da obra está escrito na parte direita superior em fonte simples na cor preta. O nome da autora aparece no lado esquerdo também na parte superior com uma fonte menor." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/escute-as-feras-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/escute-as-feras-1-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/escute-as-feras-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/escute-as-feras-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/escute-as-feras-1.jpg 1707w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30611" class="wp-caption-text">Sob garras e dentes, Escute as feras dilacera a animalização do ser humano (Foto: Editora 34)</figcaption></figure>
<p><b>Nastassja Martin &#8211; Escute as feras (112 páginas, Editora 34)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A antropologia estuda o ser humano, suas origens e afirmação enquanto ser social, biológico e cultural. Para a antropóloga </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/11/nastassja-martin-vai-a-flip-elaborar-sua-metamorfose-no-urso-que-quase-a-matou.shtml"><span style="font-weight: 400;">Nastassja Martin</span></a><span style="font-weight: 400;">, a busca pelas respostas se alinhou a níveis acima do esperado. Viajando pelo leste siberiano para entender os costumes dos nativos evenki, a autora enfrentou um urso em um movimento que poderia ser descrito como um ataque, mas, ao longo do texto, a palavra se mostra um equívoco. Com a mandíbula despedaçada e o osso zigomático aos frangalhos, o rosto, vítima da mordida, se choca com uma verdade dolorosa: lutar com um urso parece um abraço quando comparado ao tratamento recebido dos próprios semelhantes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sentir a carne se desfazendo da própria face antecipa o movimento inesperado no qual o urso desiste de tê-la como presa. Sentido como uma quase empatia da parte daquele que chamam de fera, poupá-la tem um tom que foge à crueldade e é comparar isso com os eventos vividos depois da mordida que dão origem ao livro. Sendo cambaleada entre médicos e hospitais, a mulher assiste os profissionais da saúde em momentos de verdadeira selvageria, longe da tal habilidade pacificadora de conflitos supostamente detida por eles enquanto racionais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É imerso nessa dualidade do ser e as reflexões do ponto que realmente diferencia os mamíferos chamados de homens dos demais, que </span><i><span style="font-weight: 400;">Escute as feras</span></i><span style="font-weight: 400;"> se torna uma ruptura. Como uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-paixao-segundo-gh-critica/"><span style="font-weight: 400;">epifania</span></a><span style="font-weight: 400;">, a antropologia e a literatura se misturam em linhas descritivas e extremamente metafóricas para revelar que as verdadeiras feras são humanas. Virando a chave na cabeça de quem lê, Martin nos mostra que encontrar um urso pode não ser um sinal de azar. </span></p>
<hr />
<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_30613" aria-describedby="caption-attachment-30613" style="width: 684px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30613 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71QLwli7GUL-684x1024.jpg" alt="A capa do livro A Metamorfose tem o fundo todo branco com o nome do autor, Franz Kafka, escrito no topo em preto e em letras grandes. Embaixo do autor há o nome do livro, A Metamorfose, também escrito em preto mas em letras menores, e, mais abaixo, riscos pretos formando um quadrado quase abstrato." width="684" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71QLwli7GUL-684x1024.jpg 684w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71QLwli7GUL-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71QLwli7GUL-768x1150.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71QLwli7GUL-1026x1536.jpg 1026w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71QLwli7GUL-1200x1797.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71QLwli7GUL.jpg 1324w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30613" class="wp-caption-text">“Recordava-se da família com emoção e amor. Sua opinião de que precisava desaparecer era, se possível, ainda mais decidida que a da irmã.” (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Franz Kafka &#8211; A Metamorfose (104 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao despertar, Gregor Samsa nota uma <a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788571646858/a-metamorfose">metamorfose</a> monstruosa ao observar seu corpo que, misteriosamente, havia perdido a humanidade. A narrativa da ficção kafkiana segue acompanhando a nova, drástica e angustiante rotina de Gregor, o jovem que teve sua dignidade roubada mas apenas conseguia se preocupar em não perder seu emprego e desapontar sua família.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A simbologia da obra pende para a comédia ao passo em que o protagonista se adapta ao novo corpo e começa a agir com uma normalidade quase absurda diante do acontecimento.  É assim que <a href="https://www.estadao.com.br/alias/franz-kafka-tem-suas-apreensoes-reveladas-na-biografia-de-reiner-stach/">Kafka</a> retrata o processo de transformação até sua conclusão, no qual a individualidade de Gregor é retirada de si completamente e o, agora, inseto gigante, deixa de ser filho e irmão e se torna apenas um animal. </span><b>&#8211; Amábile Zioli</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_30610" aria-describedby="caption-attachment-30610" style="width: 661px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30610 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/O-Amor-Nos-Tempos-do-Colera-1-661x1024.jpg" alt="A capa do livro O Amor Nos Tempos do Cólera é composta por um fundo preto sobreposto com cartas amarradas com fotos em um laço vermelho no canto superior direito e inferior esquerdo. No meio, também sobreposto e em uma espécie de papel envelhecido vemos em letras maiúsculas pretas de tamanho pequeno, o escrito “PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA” Logo abaixo, vemos “GABRIEL” em letras maiúsculas douradas e “GARCÍA MÁRQUEZ” em letras maiúsculas na cor vinho. Abaixo, em letras minúsculas cursivas, está escrito “o amor nos tempos do cólera”" width="661" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/O-Amor-Nos-Tempos-do-Colera-1-661x1024.jpg 661w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/O-Amor-Nos-Tempos-do-Colera-1-516x800.jpg 516w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/O-Amor-Nos-Tempos-do-Colera-1-768x1190.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/O-Amor-Nos-Tempos-do-Colera-1-992x1536.jpg 992w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/O-Amor-Nos-Tempos-do-Colera-1.jpg 1603w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30610" class="wp-caption-text">Obra é a primeira do autor após o Nobel de Literatura de 1982 por Cem Anos de Solidão (Foto: Record)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel García Márquez &#8211; O Amor Nos Tempos do Cólera (492 páginas, Record)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O próprio autor já afirmava que “</span><i><span style="font-weight: 400;">todo bom romance deveria ser uma transposição poética da realidade”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Nessa obra, <a href="https://www.estadao.com.br/cultura/literatura/garcia-marquez-e-mais-traduzido-no-mundo-que-cervantes-no-seculo-21/">Gabriel García Márquez</a> condensa suas vivências amorosas, mesclando com a história de como seus pais se conheceram. </span><i><span style="font-weight: 400;">O Amor Nos Tempos do Cólera</span></i><span style="font-weight: 400;"> aborda a jornada de Florentino Avina, um telegrafista, violinista e poeta que se apaixona perdidamente por Fermina Daza. Devido a proibição do pai da garota, Florentino passa dois anos trocando correspondências com ela, e após um último bilhete sem resposta pedindo sua mão em casamento, espera mais de meio século na esperança de reencontrar seu amor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra é uma quebra de paradigmas no seu próprio gênero. Quando se fala no romance literário, automaticamente se lembra daquelas obras que colocam borboletas no estômago e te fazem querer amar ainda mais. Em </span><a href="https://institutoling.org.br/explore/no-clube-de-leitura-um-amor-que-demorou-mais-de-cinquenta-anos-para-ser-vivido"><i><span style="font-weight: 400;">O Amor Nos Tempos do Cólera</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">o amor é cru, é nu, melancólico, demorado, angustiante, frustrante, inconstante e até não garantido. Mas, acima de tudo, ele é humano e nos faz lembrar que amar nos torna mais humanos. </span><b>&#8211; Guilherme Veiga</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_30609" aria-describedby="caption-attachment-30609" style="width: 691px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30609 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/redoma-de-vidro-1-691x1024.jpg" alt="A capa do livro A Redoma de Vidro tem o fundo na cor rosa. O nome da autora, SYLVIA PLATH, posiciona-se no canto superior direito da capa na cor roxa, e no canto inferior esquerdo temos o escrito A REDOMA DE VIDRO na cor branca. Abaixo do título, há, na cor branca também, o escrito ROMANCE. Todos os escritos estão em caixa baixa e no minúsculo. Sobrepondo o título, há a ilustração de uma flor. No canto inferior esquerdo, há o logotipo da Biblioteca Azul na cor roxa. " width="691" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/redoma-de-vidro-1-691x1024.jpg 691w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/redoma-de-vidro-1-540x800.jpg 540w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/redoma-de-vidro-1-768x1138.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/redoma-de-vidro-1-1037x1536.jpg 1037w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/redoma-de-vidro-1.jpg 1728w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30609" class="wp-caption-text">“Acontece que eu não estava conduzindo nada, nem a mim mesma.” (Foto: Biblioteca Azul)</figcaption></figure>
<p><b>Sylvia Plath &#8211; A Redoma de Vidro (280 páginas, Biblioteca Azul)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sylvia Plath consegue, dentro de todos os futuros que nunca serão vividos e de todos os projetos que nunca irão sair do papel, encontrar as exatas palavras para definir algumas angústias do próprio viver. Em um relato com muitas referências autobiográficas, <a href="https://deliriumnerd.com/2023/03/22/sylvia-plath-diarios-a-redoma-de-vidro/"><em>A Redoma de Vidro</em></a>, único romance da autora, é um mergulho em todas as pressões sociais, os julgamentos, as expectativas e os fracassos de uma jovem nos anos 60.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado semanas antes de sua morte, em 1963, é importante ressaltar que a história de Esther pode gerar gatilhos sobre depressão e suicídio. Ler <a href="https://www.estadao.com.br/alias/sylvia-plath-e-a-importancia-dos-diarios/">Sylvia Plath</a> é como vislumbrar todo o seu interior: seus pensamentos, tormentos, críticas, medos e felicidades que todos nós, em algum momento, já experimentamos, mas que não conseguimos encontrar as palavras exatas para definir. </span><b>&#8211; Clara Sganzerla</b></p>
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<figure id="attachment_30608" aria-describedby="caption-attachment-30608" style="width: 699px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30608 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Rainha-de-Copas-1-699x1024.jpg" alt="Capa do livro Rainha de Copas. No centro da imagem está uma garota branca com o cabelo ruivo preso em um penteado alto; veste um vestido vermelho com uma grande gola branca; em suas mãos há um coração. Ao fundo, é possível ver alguns galhos e folhagens de outono. Ao centro na parte superior está o nome da autora e na parte inferior o título da obra e o nome do editora" width="699" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Rainha-de-Copas-1-699x1024.jpg 699w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Rainha-de-Copas-1-546x800.jpg 546w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Rainha-de-Copas-1-768x1125.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Rainha-de-Copas-1-1048x1536.jpg 1048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Rainha-de-Copas-1.jpg 1747w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30608" class="wp-caption-text">Rainha de Copas traz uma nova perpetuar para um dos contos de fadas mais famosos da história (Foto: Universo dos Livros)</figcaption></figure>
<p><b>College Oakes &#8211; Rainha de Copas (216 páginas, Universo dos Livros)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Alice no País das Maravilhas</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um clássico da literatura e reconhecido no mundo todo pelas aventuras mágicas vividas pela garota loira que caiu no buraco do coelho. Mas como era o País das Maravilhas antes da chegada de Alice? É exatamente isso que </span><i><span style="font-weight: 400;">Rainha de Copas</span></i><span style="font-weight: 400;"> explora, a vida da princesa Dinah antes de se tornar uma vilã sedenta pelo corte de algumas cabeças. A história é sombria e familiar na medida certa, faz o leitor mergulhar nos novos desafios e mistérios que fizeram a garota desenvolver sua personalidade explosiva. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das partes mais interessantes do livro é notar como personagens tão famosos como o Chapeleiro Maluco, o Gato de Cheshire e o Coelho Branco se desenvolvem nessa nova versão do universo de Lewis Carroll. Todos esses indivíduos têm características e vivências totalmente inéditas, mas suas personalidades marcantes se mantiveram presentes honrando a história original. </span><i><span style="font-weight: 400;">Rainha de Copas</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o primeiro livro de uma trilogia intensa que promete muitas reviravoltas e um novo ponto de vista do conto que encantou gerações. </span><b>&#8211; Gabrielli Natividade </b></p>
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<figure id="attachment_30607" aria-describedby="caption-attachment-30607" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30607 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/O-Codigo-da-Vinci-1-712x1024.jpg" alt="Capa do livro O Código da Vinci. Na imagem, um pedaço rasgado do quadro Monalisa de Leonardo da Vinci ocupa espaço no meio de um fundo vermelho. O pedaço tem a parte dos olhos da mulher, que parecem estar direcionados para a direita. O nome do livro está disposto na parte inferior da capa em letras douradas e o nome do autor aparece logo após escrito em branco." width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/O-Codigo-da-Vinci-1-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/O-Codigo-da-Vinci-1-556x800.jpg 556w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/O-Codigo-da-Vinci-1-768x1105.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/O-Codigo-da-Vinci-1-1068x1536.jpg 1068w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/O-Codigo-da-Vinci-1.jpg 1780w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30607" class="wp-caption-text">Tirando o cristianismo do pedestal, O Código da Vinci performa conspiração e mistério (Foto: Arqueiro)</figcaption></figure>
<p><b>Dan Brown &#8211; O Código da Vinci (432 páginas, Arqueiro)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vinte anos após sua primeira publicação, </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/2022/historia-real-o-codigo-da-vinci-fato-falso.html"><i><span style="font-weight: 400;">O Código da Vinci</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">se mantém como uma das produções literárias mais polêmicas já produzidas. Descrita como um mistério, a obra mistura os traços investigativos a uma versão remodelada da história de Jesus Cristo. Enfrentar uma instituição com tanta força quanto a Igreja Católica foi uma escolha ousada da parte de Dan Brown, mas ainda assim atingiu o alvo com perfeição e, entre críticas e retaliações, o texto se destaca pelo seu tom questionador e certeiro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob as artimanhas de um bom suspense, o livro nos conduz pelo desejo de resolver uma incógnita que se mostra muito mais extensa do que o esperado. Através das pistas escondidas em obras do Leonardo da Vinci, toda a construção do catolicismo se revira sobre linhas ocultas. Assim, </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2018/nov/18/4am-starts-and-spinach-smoothies-da-vinci-codes-dan-brown-on-how-to-write-a-bestseller"><span style="font-weight: 400;">Brown</span></a><span style="font-weight: 400;"> foge das cadeias simplistas de detetives com charutos e bloquinhos para repousar em uma linha ficcional que quase beira uma sociedade secreta, mas ainda guarda seus graus de coerência. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Código da Vinci</span></i><span style="font-weight: 400;">, a maior obra de arte é a exposição do mais bem sucedido sistema de dominação social já visto: a igreja. </span><b>&#8211; Jamily Rigonatto</b></p>
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		<title>Estante do Persona – Outubro de 2021</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Nov 2021 23:31:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“Há livros escritos para evitar espaços vazios na estante.” &#8211;  Carlos Drummond de Andrade Para poder valorizar cada vez mais a Literatura, parte tão importante e fundamental da cultura do nosso e de qualquer outro país, o Persona começa, agora, a preencher sua própria estante.  O mês de outubro marcou o início do nosso Clube &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2021/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Outubro de 2021"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24611" aria-describedby="caption-attachment-24611" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24611" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/estante-do-persona-wordpress-capa-800x420.jpg" alt="Arte retangular com fundo vermelho. Ao centro há uma estante de livros branca em formato retangular. Acima dela está escrito ESTANTE em fonte preta. Na primeira prateleira, na divisória esquerda, há o símbolo do Persona (desenho de um olho com a íris vermelha e um símbolo de play no lugar da pupila) ao lado da palavra DO em fonte preta. Na divisória da direita, está escrito PERSONA em fonte preta. Na segunda prateleira, há três divisórias, em que, na do meio, há a capa do livro A Paixão Segundo G.H., de Clarice Lispector. Na terceira e última prateleira, também há 3 divisórias, em que, na da ponta direita, há um troféu com o formato do símbolo do Persona. " width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/estante-do-persona-wordpress-capa-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/estante-do-persona-wordpress-capa-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/estante-do-persona-wordpress-capa.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-24611" class="wp-caption-text">A primeira edição do Estante do Persona discute a obra A Paixão segundo G.H., de Clarice Lispector, e traz indicações dos membros do Clube do Livro (Foto: Reprodução/Arte: Ana Júlia Trevisan e Jho Brunhara/Texto de Abertura: Vitória Silva)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">“Há livros escritos para evitar espaços vazios na estante.”</span></p>
<p style="text-align: right;"><em><span style="font-weight: 400;">&#8211;  Carlos Drummond de Andrade</span></em></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Para poder valorizar cada vez mais a Literatura, parte tão importante e fundamental da cultura do nosso e de qualquer outro país, o Persona começa, agora, a preencher sua própria estante. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mês de outubro marcou o início do nosso Clube do Livro, formado por membros da Editoria, que tem o intuito de promover a leitura compartilhada e encontros para discussão de alguma obra sugerida. Ao final do mês, o Clube ainda se reúne para montar o </span><b>Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;">, com um comentário que sintetize as ideias sobre a leitura realizada e uma </span><i><span style="font-weight: 400;">playlist </span></i><span style="font-weight: 400;">de músicas que se relacionem com a mesma, além de uma indicação de cada membro sobre algum livro marcante ou que mereça ser compartilhado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como primeira leitura, o Clube do Livro teve a honra de poder prestigiar </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/12/10/cultura/1544426497_594113.html"><span style="font-weight: 400;">uma das maiores autoras</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Literatura brasileira. </span><a href="https://www.amazon.com.br/Paix%C3%A3o-Segundo-G-H-Clarice-Lispector/dp/853250809X"><i><span style="font-weight: 400;">A Paixão segundo G.H.</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Clarice Lispector, é narrado em primeira pessoa pela personagem que tem suas duas iniciais presentes no título da obra. Uma mulher, moradora do Rio de Janeiro, que, ao desempenhar a tarefa de limpar o “quartinho dos fundos” de seu apartamento, mergulha em um fluxo de pensamento contínuo simbolizado por um monólogo de reflexões existencialistas, uma das grandes marcas da escrita da autora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E nada mais simbólico do que estrear essa publicação especial num mês com acontecimentos tão marcantes para o meio literário. Além de no dia 29 de outubro ser celebrado o </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/datas-comemorativas/dia-nacional-livro.htm"><span style="font-weight: 400;">Dia Nacional do Livro</span></a><span style="font-weight: 400;">, as semanas anteriores também foram marcadas por grandes eventos. No dia 7, ocorreu a cerimônia de entrega do </span><a href="https://g1.globo.com/ciencia/noticia/2021/10/04/premio-nobel.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Nobel</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Literatura 2021, que foi concedido ao autor </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/de-refugiado-ao-nobel-da-literatura-quem-e-o-autor-abdulrazak-gurnah/"><span style="font-weight: 400;">Abdulrazak Gurnah</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nascido na ilha de Zanzibar, atual Tanzânia, em 1948, o escritor é </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1446162399069884427"><span style="font-weight: 400;">especialista em Literatura pós-colonial e na temática de refugiados</span></a><span style="font-weight: 400;">, colecionando em sua carreira títulos como </span><a href="https://www.amazon.com.br/Paradise-Abdulrazak-Gurnah/dp/1565841638"><i><span style="font-weight: 400;">Paradise</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.amazon.com.br/Afterlives-Abdulrazak-Gurnah/dp/1526615851"><i><span style="font-weight: 400;">Afterlives</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais ao final do mês, no dia 20, foi realizada a entrega do </span><a href="https://www.bn.gov.br/explore/premios-literarios/premio-camoes-literatura"><span style="font-weight: 400;">Prêmio Camões</span></a><span style="font-weight: 400;">, para a moçambicana </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2016/09/21/a-escrita-sagrada-da-romancista-mocambicana-paulina-chiziane"><span style="font-weight: 400;">Paulina Chiziane</span></a><span style="font-weight: 400;">. Tão simbólica quanto a vitória de Gurnah, Chiziane é a </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1451639528716898306"><span style="font-weight: 400;">primeira mulher</span></a><span style="font-weight: 400;"> a publicar um romance em Moçambique,</span> <a href="https://www.amazon.com.br/Balada-Amor-Vento-Paulina-Chiziane/dp/9722128159"><i><span style="font-weight: 400;">Balada de Amor ao Vento</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em que o fez depois da independência. Com a figura da mulher moçambicana e africana no centro de sua escrita, a autora dedica-se a explorar os problemas enfrentados pela mesma no meio social, e tem como uma de suas obras de maior prestígio </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/literatura/niketche-uma-historia-de-poligamia.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Niketche: Uma História de Poligamia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em que uma mulher decide conhecer as outras esposas de seu marido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No clima desse mês repleto de grandes feitos na Literatura, você confere as indicações do Clube do Livro na primeira edição do </span><b>Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-24591"></span></p>
<h2>Livro do Mês</h2>
<figure id="attachment_24593" aria-describedby="caption-attachment-24593" style="width: 538px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24593 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-a-paixao-538x800.jpg" alt=" A imagem é a foto da capa do livro A Paixão segundo G.H.. Com um fundo na cor creme com linhas de distorção, é possível ver no canto superior direito dunas de areia e edifícios que remetem à arquitetura árabe. Abaixo, está escrito Clarice Lispector em letra cursiva e na cor vermelha e o título do livro em caixa alta e na cor bege. No canto inferior esquerdo, abaixo do título, há o desenho de uma moça branca, com cabelos castanhos longos presos em um rabo de cavalo baixo; ela veste uma blusa azul clara de mangas compridas. " width="538" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-a-paixao-538x800.jpg 538w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-a-paixao.jpg 668w" sizes="auto, (max-width: 538px) 85vw, 538px" /><figcaption id="caption-attachment-24593" class="wp-caption-text">A Paixão segundo G.H. ganhou uma adaptação para o Cinema em 2020, dirigida por Luiz Fernando Carvalho e com Maria Fernanda Cândido no papel principal (Foto: Rocco)</figcaption></figure>
<p><b>Clarice Lispector &#8211; A Paixão segundo G.H. (175 páginas, Rocco)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado em 1964, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Paixão segundo G.H.</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um passeio pelo mais profundo íntimo do ser humano. Em seu apartamento no Rio de Janeiro, a protagonista, reconhecida apenas pelas duas iniciais, decide limpar o quarto da empregada, logo após demitir a mesma. O que parece ser uma tarefa banal como tirar pó do armário, desencadeia uma série de reflexões existencialistas e contestações sobre decisões passadas, ao ponto que, ao esmagar uma barata em meio ao processo, G.H. engata em um relato sobre a perda da sua individualidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conhecida por utilizar recursos como análise psicológica e monólogo interior, o presente livro é o mais puro suco que poderíamos ter da </span><a href="https://www.ebiografia.com/clarice_lispector/"><span style="font-weight: 400;">Literatura de Clarice Lispector</span></a><span style="font-weight: 400;">, que ainda se encontra com o teor de obras de </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/25/cultura/1516835051_025456.html"><span style="font-weight: 400;">Virginia Woolf</span></a><span style="font-weight: 400;"> e até mesmo </span><a href="https://www.culturagenial.com/livro-a-metamorfose-de-franz-kafka/"><i><span style="font-weight: 400;">A Metamorfose</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Franz Kafka. Os capítulos não possuem marcações definidas, mas funcionam como sequências sistemáticas, em que cada um se inicia com a frase que encerrou o anterior. Esse aspecto cíclico também é notório no início e final do livro, em que a protagonista termina a narrativa chegando ao mesmo ponto que a desencadeou inicialmente, em um retrato perfeito do que é o complexo processo do pensar humano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de lançada no século passado, a obra de Clarice também dialoga com produções do presente, como, por exemplo, a série </span><a href="https://personaunesp.com.br/fleabag-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que tem uma protagonista que enfrenta dilemas e conflitos internos na mesma proporção e, coincidentemente, também não tem seu nome revelado para o público. Por mais que, às vezes, seja um pouco repetitiva ou até mesmo de difícil compreensão em certas passagens, é impossível não se encontrar com pelo menos um trecho de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Paixão segundo G.H.</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com grandes sacadas de gênia da autora, pensamentos até então nunca questionados são transpostos em simples palavras ou frases, que encontram-se poeticamente e se tornam tudo que precisávamos ler, mas ainda não sabíamos. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Todo momento de achar é um perder-se a si próprio”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: A Paixão segundo G.H. - Clube do Livro Outubro de 2021" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/1NT9TGmh6mbP2gnkf5cs3S?si=c6c81412a4914958&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<h2></h2>
<h2>Dicas do Mês</h2>
<figure id="attachment_24594" aria-describedby="caption-attachment-24594" style="width: 534px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24594" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-desonra-534x800.jpg" alt="Capa do livro Desonra, de J.M. Coetzee. Na imagem, vemos diversas linhas em cor vermelha e verde, assemelhando-se a um labirinto. Ao centro, há uma faixa de cor verde. Dentro dessa faixa, na extremidade direita, está escrito J.M. Coetzee, em fonte de cor branca. Abaixo, também em fonte de cor branca, está escrito Desonra. Ainda dentro dessa faixa, na parte inferior esquerda, está escrito Prêmio Nobel Companhia das Letras, em fonte de cor branca. Há uma coroa de louros de cor branca desenhada entre as palavras Prêmio e Nobel." width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-desonra-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-desonra-684x1024.jpg 684w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-desonra-768x1150.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-desonra.jpg 1002w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-24594" class="wp-caption-text">Lançado em 1999, Desonra foi a obra citada para a vitória de J.M. Coetzee no Nobel de Literatura de 2003 (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>J.M. Coetzee &#8211; Desonra (248 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><a href="https://www.blogdacompanhia.com.br/conteudos/visualizar/5-razoes-para-ler-Desonra-de-J-M-Coetzee-em-clubes-de-leitura9"><i><span style="font-weight: 400;">Desonra</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foi publicado em 1999, e é considerado o grande clássico de </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/livros/jmcoetzee-comenta-autores-classicos-menos-conhecidos-em-ensaios-24841120"><span style="font-weight: 400;">J.M. Coetzee</span></a><span style="font-weight: 400;">, escritor sul-africano que recebeu o </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1446162399069884427"><i><span style="font-weight: 400;">Nobel </span></i><span style="font-weight: 400;">de Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2003. A obra foi tão impactante que fez o autor levar o prêmio </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/livros/mia-couto-primeiro-autor-de-lingua-portuguesa-na-final-do-man-booker-international-prize-15683781"><i><span style="font-weight: 400;">Man Booker</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">pela segunda vez — ele já havia recebido em 1983, pelo livro </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2806200314.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Vida e Época de Michael K</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> —, sendo o único a ter recebido duas vezes a honraria. O título original é </span><i><span style="font-weight: 400;">Disgrace</span></i><span style="font-weight: 400;">, porém o tradutor José Rubens Siqueira optou por um caminho mais amplo e, talvez, mais poético. Mas, afinal, do que se trata o livro? No mais puro sentido, trata-se de um homem que cai em desgraça. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estamos situados em uma África do Sul </span><a href="https://www.politize.com.br/nelson-mandela-e-a-luta-contra-o-apartheid/"><span style="font-weight: 400;">pós-</span><i><span style="font-weight: 400;">apartheid</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e enxergamos esse cenário sob a visão de David Lurie, professor de Literatura na Universidade da Cidade do Cabo. A percepção afiada de Coetzee nos faz vislumbrar como ninguém a sociedade fraturada que se desenvolveu no país, na qual qualquer relação afetiva verdadeira está fadada ao fracasso. Após uma sucessão de acontecimentos dramáticos, abalando profundamente a vida do professor Lurie, ele se vê obrigado a retornar à propriedade rural da filha, Lucy, a fim de encontrar um ponto de equilíbrio entre a sua formação humanista e as normas sociais pré-estabelecidas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somente nesse cenário precário, muito distante da pacata vida acadêmica que estava habituado, ele entende o verdadeiro significado de brutalidade e sofrimento. Com uma narrativa envolvente, através de capítulos curtos — que mostram a habilidade do escritor na escolha das palavras —, o livro nos mantém presos e estimulados do começo ao fim. </span><i><span style="font-weight: 400;">Desonra</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi adaptado ao Cinema pelo diretor Steve Jacobs, no </span><a href="http://www.revistacinetica.com.br/disgrace.htm"><span style="font-weight: 400;">filme homônimo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 2008, e traz </span><a href="https://personaunesp.com.br/estou-pensando-em-acabar-com-tudo-critica/"><span style="font-weight: 400;">John Malkovich</span></a><span style="font-weight: 400;"> no papel de David Lurie. No Brasil, a editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i><span style="font-weight: 400;"> publica a obra completa de J.M. Coetzee. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_24595" aria-describedby="caption-attachment-24595" style="width: 525px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24595 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario-525x800.jpg" alt=" Capa do livro Amigo Imaginário. Em frente a um fundo preto, vemos, na parte superior central, as palavras “Amigo Imaginário” em caixa alta, em uma fonte branca e estilizada, e, no canto superior direito, o logo da Editora Record.. Na parte central, vemos uma árvore, com o tronco iluminado e com uma escada pendurada. À frente da árvore, vemos a silhueta preta de uma pessoa, aparentemente uma criança. Ao lado dela, vemos a frase “Autor do best-seller”, em uma fonte branca cursiva e, abaixo, a frase “As Vantagens de Ser Invisível”, na mesma fonte branca, em caixa alta e estilizada do título. Na parte inferior central, vemos as palavras “Stephen” e logo abaixo, “Chbosky”, ambas em caixa alta, na mesma fonte branca estilizada do título." width="525" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario-525x800.jpg 525w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario-672x1024.jpg 672w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario-768x1171.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario-1007x1536.jpg 1007w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario-1343x2048.jpg 1343w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario-1200x1830.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario.jpg 1679w" sizes="auto, (max-width: 525px) 85vw, 525px" /><figcaption id="caption-attachment-24595" class="wp-caption-text">Com tradução de José Roberto O’Shea, Amigo Imaginário foi publicado em 2019 (Foto: Record)</figcaption></figure>
<p><b>Stephen Chbosky &#8211; Amigo Imaginário (767 páginas, Record)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se Christopher não construir uma casa da árvore no bosque da cidade antes do Natal, sua mãe e os moradores de Mill Grove morrerão. Pelo menos é o que diz a voz na cabeça do menino, que começou a acompanhá-lo desde que ele desapareceu na mata e retornou seis dias depois, intacto e sem memória do que havia acontecido. Nas quase 800 páginas de </span><a href="https://www.bibliotecadoterror.com.br/2019/12/amigo-imaginario-livro-de-horror-de.html"><i><span style="font-weight: 400;">Amigo Imaginário</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, as histórias de Christopher e sua mãe, Kate, se entrelaçam a dos moradores do local e do caso não resolvido que intriga a cidade há décadas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do mesmo autor de </span><i><span style="font-weight: 400;">As Vantagens de Ser Invisível</span></i><span style="font-weight: 400;">, as semelhanças entre as </span><a href="https://themercury.com/ap/entertainment/why-dear-evan-hansen-is-a-sibling-to-stephen-chboskys-the-perks-of-being-a/article_c48071b1-1413-54b9-9775-3385dbfa3aa8.html"><span style="font-weight: 400;">obras de Stephen Chbosky</span></a><span style="font-weight: 400;"> acabam por aí. Diferente do sensível </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i><span style="font-weight: 400;">, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Amigo Imaginário</span></i><span style="font-weight: 400;">, o escritor cria uma narrativa assombrosa, cheia de suspense, terror psicológico e fantasia, com muitas metáforas e um forte simbolismo religioso. O excesso de reviravoltas prolonga o livro mais do que o necessário e faz com que o calhamaço se arraste nas páginas finais, mas a habilidade do </span><a href="https://cinebuzz.uol.com.br/noticias/livros/autor-de-vantagens-de-ser-invisivel-stephen-chbosky-lanca-primeiro-livro-em-20-anos.phtml"><span style="font-weight: 400;">autor</span></a><span style="font-weight: 400;"> em enganar o leitor, assim como faz com o protagonista, torna os caminhos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Amigo Imaginário </span></i><span style="font-weight: 400;">surpreendentes e envolventes do início até (quase) o fim. </span><b>&#8211; Vitória Lopes Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_24596" aria-describedby="caption-attachment-24596" style="width: 518px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24596" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao-518x800.jpg" alt="Capa do livro Cem Anos de Solidão. Na parte inferior vemos folhas verdes e azuis em um fundo rosa pink. Todo o fundo restante da capa é azul. Na parte central superior lê-se em branco PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA. Abaixo lê-se em pink GABRIEL. Abaixo lê-se em verde GARCÍA. Abaixo lê-se em verde MARQUEZ. Abaixo lê-se em branco cem anos de solidão." width="518" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao-518x800.jpg 518w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao-662x1024.jpg 662w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao-768x1187.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao-994x1536.jpg 994w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao-1325x2048.jpg 1325w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao-1200x1855.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao.jpg 1605w" sizes="auto, (max-width: 518px) 85vw, 518px" /><figcaption id="caption-attachment-24596" class="wp-caption-text">Para não se perder na história, recomenda-se que você tenha a árvore genealógica dos Buendía ao lado do livro (Foto: Record)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel García Marquez &#8211; Cem Anos de Solidão (448 páginas, Record)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O colombiano Gabriel García Marquez é um dos escritores mais traduzidos no mundo, e, em outubro de 1982, ganhou o </span><a href="https://homoliteratus.com/solidao-da-america-latina-discurso-de-garcia-marquez-no-nobel-de-literatura/"><span style="font-weight: 400;">Prêmio </span><i><span style="font-weight: 400;">Nobel</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo conjunto de sua obra. Entre seus manuscritos que refletem sobre os rumos políticos e sociais da América Latina, </span><a href="https://super.abril.com.br/cultura/conheca-a-historia-de-cem-anos-de-solidao-que-vai-virar-serie-na-netflix/"><i><span style="font-weight: 400;">Cem Anos de Solidão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é o livro mais monumental, sendo também considerado o mais importante de sua coleção. </span><i><span style="font-weight: 400;">Cem Anos de Solidão </span></i><span style="font-weight: 400;">é muito mais que uma simples narrativa, é uma experiência imersiva nas sete gerações da família Buendía. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientada em Macondo, acompanhamos a formação, ascensão e queda da cidade fundada por José Arcádio e Úrsula Iguarán, os pais da família </span><a href="https://medium.com/@torresclark853/la-familia-buend%C3%ADa-7a5e8c021b81"><span style="font-weight: 400;">Buendía</span></a><span style="font-weight: 400;">. O apego pelo livro acontece exponencialmente, o passar do tempo nos faz reconhecer os fatos vividos pela estirpe condenada a cem anos de solidão. Denso de informações e acontecimentos, a obra mostra seus personagens relegados à solidão construindo um paralelo indireto com a América Latina.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Cem Anos de Solidão</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem um início mais realista que se reflete na última metade mais fantástica, tudo construído com o empenho do autor em não perder a essência em que sua </span><a href="https://www.bonde.com.br/entretenimento/literatura/gabriel-garcia-marquez-conta-seus-segredos-38980.html"><span style="font-weight: 400;">avó materna</span></a><span style="font-weight: 400;"> lhe contava histórias, tornando cada objeto ainda mais vivo. Seu final mostra que a solidão, em todos seus dobramentos, é cíclica e intrínseca ao ser humano. </span><i><span style="font-weight: 400;">Cien Años de Soledad</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, com certeza, um dos melhores livros já escritos. </span><b>&#8211; Ana Júlia Trevisan</b></p>
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<figure id="attachment_24597" aria-describedby="caption-attachment-24597" style="width: 462px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24597" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/5-os-miseraveis.jpg" alt="Capa do livro Os miseráveis mostra o perfil de uma menina branca e loira de expressão triste. Ao fundo da cena há alguns lampiões e no topo da foto está escrito Os Miseráveis em dourado e Victor Hugo em baixo em branco." width="462" height="664" /><figcaption id="caption-attachment-24597" class="wp-caption-text">Com tradução no Brasil de Regina Célia de Oliveira, Os Miseráveis apresenta, em suas 1511 páginas, injustiças sociais, revoluções e drama (Foto: Martin Claret)</figcaption></figure>
<p><b>Victor Hugo &#8211; Os Miseráveis (1511 páginas, Martin Claret)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Os Miseráveis</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um dos maiores clássicos da Literatura francesa. Publicada em 1862, a narrativa percorre a vida de várias pessoas pobres financeiramente ou de espírito, como forma de </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/literatura/victor-hugo.htm"><span style="font-weight: 400;">Victor Hugo</span></a><span style="font-weight: 400;"> denunciar a injustiça social tão presente na civilização humana. Como protagonista desta trama histórica temos Jean Valjean, um ex-presidiário condenado a 19 anos de reclusão por roubar um pão. Nesse mesmo plano temporal está Cosette, uma menina que vive em um estado deplorável na moradia dos </span><span style="font-weight: 400;">Thénardier, um casal grotesco que extorque as economias da mãe da criança que não pode criá-la.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após presenciar a morte de Fantine, mãe de Cosette, Jean Valjean parte em busca da residência dos Thénardier para resgatar a menina. A partir daí, o ex-presidiário assume a paternidade da criança. Anos depois, a realidade dos personagens vira de cabeça para baixo. O casal avarento perde todas as suas economias, enquanto que Valjean e Cosette ascendem socialmente. No meio dessa trama de classes, eclodem diversas manifestações sociais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirado por revoluções como </span><span style="font-weight: 400;">o evento de </span><a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/a-revolucao-1830.htm"><span style="font-weight: 400;">Junho de 1832</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/historiag/batalha-de-waterloo.htm"><span style="font-weight: 400;">Batalha de Waterloo</span></a><span style="font-weight: 400;">, Victor Hugo relata em seu romance diversos eventos históricos marcantes e simbólicos. </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Miseráveis</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresenta como ponta pé inicial personagens em situações de vida deploráveis, que se desdobram em diversas manifestações sociais. Essa teia de narrativas profundas permitiu com que fossem realizadas diversas adaptações da obra, como filmes, peças de teatro e paródias literárias. </span><b>&#8211; Gabriel Gatti</b></p>
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<figure id="attachment_24598" aria-describedby="caption-attachment-24598" style="width: 557px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24598" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland-557x800.jpg" alt="Capa do livro Nomadland. A capa é azul e tem alguns escritos em branco. No topo da capa, lemos “Livro que baseou o vencedor do Oscar de Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Atriz de 2021”. Abaixo, lemos “Jessica Bruder” e “Nomadland”. Abaixo disso: “Sobrevivendo na América no século XXI”. No meio, vemos a foto de um trailer, estacionado em uma estrada de terra e mato, com o azul da capa se mesclando ao azul do céu. Na parte de baixo da capa, também em branco, está o nome da Editora Rocco. " width="557" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland-1425x2048.jpg 1425w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland-1200x1725.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 557px) 85vw, 557px" /><figcaption id="caption-attachment-24598" class="wp-caption-text">Anos depois de ser publicado, a belíssima história de Nomadland rendeu alguns Oscars, ressaltando a força da Literatura de Não-Ficção dentro da Arte (Foto: Rocco)</figcaption></figure>
<p><b>Jessica Bruder &#8211; Nomadland &#8211; Sobrevivendo na América no século XXI (304 páginas, Rocco)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pelas palavras de Jessica Bruder, nasce a Terra Nômade. Resultado de um trabalho extenso e vivido na pele pela jornalista, o livro de não-ficção se centra nas pessoas que vivem à margem da sociedade, desamparadas pelo governo e invisíveis para o mundo. Sem apontar soluções ou culpados diretos, </span><a href="https://www.amazon.com.br/Nomadland-Sobrevivendo-Estados-Unidos-s%C3%A9culo/dp/6555321059"><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland &#8211; Sobrevivendo na América no século XXI</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ruma pelas estradas norte-americanas, na companhia de Linda May, uma senhora de idade que encontra subsídio em empregos braçais e temporários. Sem casa, mas não sem lar, a nômade moderna é um dos inúmeros objetos de estudo da autora, que chegou a viver em uma </span><i><span style="font-weight: 400;">van</span></i><span style="font-weight: 400;">, para ter a experiência completa de sua história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado originalmente em 2017, o livro-reportagem chegou ao Brasil alguns meses atrás, traduzido por Ryta Vinagre e com a célebre frase </span><i><span style="font-weight: 400;">“Livro que baseou </span></i><a href="http://personaunesp.com.br/nomadland-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">o vencedor do Oscar</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Atriz de 2021”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sensível e carregado visual e tematicamente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland </span></i><span style="font-weight: 400;">é leitura obrigatória para quem almeja encontrar o </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-56640345"><span style="font-weight: 400;">meio-termo entre a Literatura e o Jornalismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, usufruindo de conhecimento dos dois campos e, na jornada, criando uma linguagem muito única e singular que não apenas denuncia a irresponsabilidade do Estado para com seus idosos, mas também celebra o senso de comunidade que as dificuldades podem fazer nascer nos indivíduos. Se Chloé Zhao conseguiu emocionar com a vida real ficcionalizada, </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/o-filme-e-o-livro-sao-criaturas-bem-distintas-diz-autora-de-nomadland/"><span style="font-weight: 400;">Jessica Bruder foi a primeira</span></a><span style="font-weight: 400;"> a encontrar esse tesouro. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_24599" aria-describedby="caption-attachment-24599" style="width: 500px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24599 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/7-Cafe-da-Manha.jpeg" alt="Capa do livro Café da Manhã dos Campeões exibe um drinque numa taça." width="500" height="751" /><figcaption id="caption-attachment-24599" class="wp-caption-text">Um dos maiores best-sellers de Vonnegut também é um de seus livros mais engraçados (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Kurt Vonnegut &#8211; Café da Manhã dos Campeões (400 páginas, Intrínseca) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Kilgore Trout é um escritor de ficção científica que descobre que Dwayne Hoover, um vendedor de carros aparentemente normal, está ficando maluco por causa de um de seus livros. Essa é a premissa inicial de </span><a href="https://www.amazon.com.br/Caf%C3%A9-Manh%C3%A3-Campe%C3%B5es-Kurt-Vonnegut/dp/8551005804"><i><span style="font-weight: 400;">Café da Manhã dos Campeões</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a obra-prima de </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/Livros/noticia/2020/11/4-livros-essenciais-para-conhecer-obra-e-historia-de-kurt-vonnegut.html"><span style="font-weight: 400;">Kurt Vonnegut</span></a><span style="font-weight: 400;">, que aproveita sua história nada convencional para fazer uma crítica bem-humorada e ácida dos comportamentos da sociedade norte-americana. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a presença dos famosos desenhos do autor, é uma leitura extremamente divertida, fluida e repleta de metalinguagem. Kurt Vonnegut escreve com um senso de humor e uma sagacidade tão apaixonantes que é impossível parar de ler. </span><i><span style="font-weight: 400;">Café da Manhã dos Campeões </span></i><span style="font-weight: 400;">insere a ampla criatividade da ficção científica em um contexto familiar, aproveitando para mostrar o quanto algumas ideias que tomamos como “inquestionáveis” na sociedade são, na verdade, bem absurdas. Não é engraçado? </span><b>&#8211; Caio Machado </b></p>
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<figure id="attachment_24600" aria-describedby="caption-attachment-24600" style="width: 554px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24600 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel-554x800.jpg" alt="Capa do livro Alif, o invisível, da autora G. Willow Wilson. No centro da capa está o título do livro, em letras grandes e verde escuras, sob um fundo verde claro. Dentro da palavra “Alif”, escrita em letras curvadas, há pequenos circuitos eletrônicos verdes claros. Abaixo dela, “o invisível” está escrito em letras pretas e retas. Na parte inferior da capa, o nome da autora, em letras maiúsculas e verde escuras, e o logo da editora, Fantástica Rocco, com uma chave estilizada no lugar do “F”. As bordas da capa são estilizadas com padrões quadriculares verde escuros." width="554" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel-554x800.jpg 554w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel-709x1024.jpg 709w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel-768x1110.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel-1063x1536.jpg 1063w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel-1418x2048.jpg 1418w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel-1200x1734.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel.jpg 1772w" sizes="auto, (max-width: 554px) 85vw, 554px" /><figcaption id="caption-attachment-24600" class="wp-caption-text">Alif é a primeira letra do alfabeto árabe, representada com um único traço vertical (Foto: Fantástica Rocco)</figcaption></figure>
<p><b> G. Willow Wilson &#8211; Alif, o invisível (349 páginas, Fantástica Rocco)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de ficar conhecida como uma das co-criadoras da </span><a href="https://feededigno.com.br/curiosidades/conheca-kamala-khan-a-ms-marvel/"><span style="font-weight: 400;">primeira heroína muçulmana</span></a><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel Comics</span></i><span style="font-weight: 400;">, G. Willow Wilson já havia se provado uma das autoras de ficção mais indispensáveis da atualidade. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Alif, o invisível</span></i><span style="font-weight: 400;">, seu talento para criar mundos complexos e irresistíveis se faz presente na junção entre o moderno e o místico, na caracterização de uma distopia </span><a href="https://www.infoescola.com/generos-literarios/literatura-cyberpunk/"><i><span style="font-weight: 400;">cyberpunk</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> tão palpável que desafia as distinções entre o real e o imaginário, visível e invisível.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Caçado pelo censor de um </span><a href="https://www.conjur.com.br/2020-mar-29/embargos-culturais-estado-excecao-anormalidade-constitucional"><span style="font-weight: 400;">estado de exceção</span></a><span style="font-weight: 400;"> não-nomeado do </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-55379502"><span style="font-weight: 400;">Oriente Médio</span></a><span style="font-weight: 400;">, o jovem </span><i><span style="font-weight: 400;">hacker</span></i><span style="font-weight: 400;"> Alif guarda consigo as chaves para a criação do aparato de repressão máximo, fruto da mágoa de seu coração partido. Após sua amada, Intisar, revelar que havia sido prometida a outro homem, Alif cria um programa para ocultar sua presença, na esperança de que ela nunca mais possa vê-lo ou contatá-lo pela </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">. Intisar, então, envia um livro misterioso que abre seus olhos para o mundo oculto dos </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/G%C3%AAnio_(mitologia_%C3%A1rabe)"><i><span style="font-weight: 400;">djinn</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, expandindo o escopo da luta de Alif contra sua própria dor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Graças à </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/917985-devemos-ver-o-mundo-com-nossos-olhos-diz-convertida-ao-isla.shtml"><span style="font-weight: 400;">perspectiva única</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Wilson, a ficção do livro se transforma junto com seu protagonista desafortunado, assumindo as muitas facetas de um mundo destinado a não se conhecer até que esteja preparado para entender suas muitas diferenças. Seu mundo é construído como um castelo de areia no meio de um deserto, na abundância de detalhes em meio ao desconhecido e na fragilidade da vida de suas personagens, capazes de serem apagadas com um sopro do destino. </span><i><span style="font-weight: 400;">Alif, o invisível</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma ficção madura e envolvente, e o trabalho de uma escritora no pico de sua criatividade e habilidade. </span><b>&#8211; Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
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<figure id="attachment_24592" aria-describedby="caption-attachment-24592" style="width: 533px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24592" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/9-mrs-dalloway-533x800.jpg" alt="Capa do livro Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf. Dois terços da imagem são compostos por uma ilustração, que mostra uma mulher sentada numa cama lendo um livro. Ela está inclinada para o lado esquerdo da imagem e apoia os cotovelos na cama para segurar o livro na frente dos seus olhos. A mulher ilustrada é branca, tem cabelos curtos pretos e lisos. Ela usa um vestido preto de bolinhas brancas e o livro em suas mãos é num tom de terracota, com uma flor estampando a capa. Atrás dela, existe uma parede com estampa floral de fundo azul escuro, e os travesseiros atrás das costas da mulher também são estampados, bem como a colcha da cama onde ela está. Na linha inferior da capa, existe uma faixa fina branca, onde está escrito “Penguin Companhia” em preto e caixa alta, e no meio das palavras, existe o desenho de um pinguim laranja. Abaixo, existe uma faixa maior preta, onde, primeiro, está escrito “Clássicos” em branco, e logo abaixo, está escrito o nome da autora numa fonte laranja e o nome do livro em branco. " width="533" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/9-mrs-dalloway-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/9-mrs-dalloway-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/9-mrs-dalloway-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/9-mrs-dalloway.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 533px) 85vw, 533px" /><figcaption id="caption-attachment-24592" class="wp-caption-text">A edição mais popular de Mrs. Dalloway no Brasil é traduzida por Claudio Alves Marcondes (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Virginia Woolf &#8211; Mrs. Dalloway (235 páginas, Penguin Companhia)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Literatura de Clarice Lispector sabe como ninguém apreciar a companhia de Virginia Woolf. Então, farei as honras de aproximá-las na primeira Estante do Persona. A obra escolhida para figurar ao lado da </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/12/10/cultura/1544426497_594113.html"><span style="font-weight: 400;">voz marcante do Modernismo no Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;"> é precursora do movimento na Literatura, que ostenta as palavras da autora inglesa como uma das suas maiores e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4vIs9JDPKSk"><span style="font-weight: 400;">mais importantes obras</span></a><span style="font-weight: 400;">. Primeiro grande sucesso de Woolf, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mrs. Dalloway</span></i><span style="font-weight: 400;"> não poderia ficar de fora da seleção guiada pela genialidade de Lispector em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Paixão segundo G.H</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A referência de </span><a href="https://homoliteratus.com/woolf-e-lispector-o-ser-tudo-ou-ser-nada/"><span style="font-weight: 400;">Virginia em Clarice</span></a><span style="font-weight: 400;"> já deve sugerir o que esperar do romance, que, como toda boa obra moderna, não tem medo de seguir seu próprio caminho. Estamos falando de uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4vIs9JDPKSk"><span style="font-weight: 400;">Literatura radical</span></a><span style="font-weight: 400;">, que extrai tudo o que pode das palavras através de técnicas narrativas como o fluxo de consciência, discurso indireto livre e narração onisciente, originando assim precisas </span><a href="https://livroecafe.com/2015/01/21/10-motivos-para-ler-mrs-dalloway/"><span style="font-weight: 400;">análises sociais</span></a><span style="font-weight: 400;">, perfeitos registros históricos e potentes ensaios filosóficos. Para realizar tudo isso, Virgina Woolf precisou de apenas um dia da vida de Clarissa Dalloway na cidade de Londres em 1925. O resto, é história. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_24602" aria-describedby="caption-attachment-24602" style="width: 557px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24602" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul-557x800.jpg" alt="Capa do livro Vermelho, Branco e Sangue Azul. A imagem é retangular vertical. O fundo é na cor rosa bebê. Na parte superior, lê-se em azul: “Um romance entre a Casa Branca e o Palácio de Buckingham”. Abaixo, lê-se “Vermelho, Branco e Sangue Azul”. Na parte inferior, há duas ilustrações dos personagens Alex e Philip. Alex está na esquerda. Ele é um homem jovem, negro de pele clara, e veste uma roupa despojada: camisa polo branca, calça jeans, e sapato vermelho. Philip está na direita. Ele é um homem jovem branco, de cabelos ruivos, e veste uma roupa militar britânica. Entre os dois, há o nome da autora, Casey McQuiston. No canto inferior direito, há o logo da editora, “Seguinte”. " width="557" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul-1425x2048.jpg 1425w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul-1200x1725.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 557px) 85vw, 557px" /><figcaption id="caption-attachment-24602" class="wp-caption-text">Vermelho, Branco e Sangue Azul foi traduzido para o português por Guilherme Miranda (Foto: Seguinte)</figcaption></figure>
<p><b>Casey McQuiston &#8211; </b><b>Vermelho, Branco e Sangue Azul </b><b>(</b><b>392</b><b> páginas, Seguinte)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A vida não deveria ser feita só de leituras sérias, e </span><a href="https://www.editoraseguinte.com.br/titulo/index.php?codigo=55186"><i><span style="font-weight: 400;">Vermelho, Branco e Sangue Azul</span></i> </a><span style="font-weight: 400;">se encaixa perfeitamente nessa categoria. Em suas quase quatrocentas páginas, a narrativa que Casey McQuiston desenvolve é extremamente ágil e dinâmica. A história parte de encontros puramente diplomáticos entre Alex Claremont-Diaz, o filho da presidenta dos Estados Unidos, e Philip, o príncipe britânico, que acabam se transformando em um gato e rato </span><a href="https://meowbookblog.com/2021/03/15/1-cliche-5-livros-enemies-to-lovers/"><i><span style="font-weight: 400;">enemies to lovers</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">de inimigos para amantes</span></i><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A relação entre Alex e Philip é igualmente insuportável e viciante, e &#8211; entre o emaranhado de romance, sexo, drama e a burocracia desse relacionamento &#8211; acompanhamos a campanha de reeleição da mãe de Claremont-Diaz e toda a política envolvida em um movimento dessa magnitude. Ao mesmo tempo, Philip precisa se entender com uma família real extremamente tradicional e conservadora. Apesar de se encaixar como uma leitura </span><a href="https://personaunesp.com.br/enquanto-eu-nao-te-encontro-critica/"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vermelho, Branco e Sangue Azul </span></i><span style="font-weight: 400;">é muito mais que apenas uma história de amor entre a Casa Branca e o Palácio de Buckingham, é uma trama completa e instigante de sentimentos humanos tentando encontrar espaço no cenário diplomático mundial. </span><b>&#8211; Jho Brunhara</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_24603" aria-describedby="caption-attachment-24603" style="width: 553px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24603" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/alucinadamente-2-553x800.jpg" alt="A imagem é a foto da capa do livro Alucinadamente Feliz. Um Livro Engraçado Sobre Coisas Horríveis, da autora Jenny Lawson. Ao centro, sob um fundo amarelo que remete a feno, há o desenho de um guaxinim em pé, com os braços dianteiros levantados para cima e um sorriso no rosto. Em cima do seu peito, está escrito ALUCINADAMENTE FELIZ, em caixa alta e fonte branca. Logo embaixo, em Times New Roman e fonte branca, está escrito UM LIVRO ENGRAÇADO SOBRE COISAS HORRÍVEIS. Abaixo disso, está o nome da autora, JENNY LAWSON, novamente em caixa alta e fonte branca." width="553" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/alucinadamente-2-553x800.jpg 553w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/alucinadamente-2.jpg 685w" sizes="auto, (max-width: 553px) 85vw, 553px" /><figcaption id="caption-attachment-24603" class="wp-caption-text">Amiga próxima do renomado Neil Gaiman, Jenny Lawson se tornou amplamente conhecida por seus relatos no blog The Bloggess (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Jenny Lawson &#8211; Alucinadamente Feliz: Um Livro Engraçado Sobre Coisas Horríveis (352 páginas, Intrínseca)</b></p>
<p><a href="https://www.amazon.com.br/Alucinadamente-Feliz-Engra%C3%A7ado-Coisas-Horr%C3%ADveis/dp/8580579317"><i><span style="font-weight: 400;">Alucinadamente Feliz: Um Livro Engraçado Sobre Coisas Horríveis</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é o que acontece quando uma pessoa completamente pirada (no melhor sentido da palavra) decide escrever um livro. </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/autor/307/"><span style="font-weight: 400;">Jenny Lawson</span></a><span style="font-weight: 400;">, autora </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">The New York Times</span></i><span style="font-weight: 400;">, teve uma das ideias mais geniais para lidar com seus diversos </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2014/09/26/sociedad/1411730295_336861.html"><span style="font-weight: 400;">distúrbios mentais e desgraças do dia a dia</span></a><span style="font-weight: 400;">: compartilhá-los com o resto do mundo. Pode se esperar que a vida de alguém depressiva altamente funcional com transtorno de ansiedade grave, depressão clínica moderada, distúrbio de automutilação brando, transtorno de personalidade esquiva e um ocasional transtorno de despersonalização, além de tricotilomania (que é a compulsão de arrancar os cabelos), seja um fardo impossível de carregar, mas Jenny consegue como ninguém fazer uso do bom e velho ditado </span><i><span style="font-weight: 400;">rir para não chorar</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado em 2015, e traduzido para o português por Andrea Gottlieb de Castro Neves, o livro traz em cada capítulo uma história diferente sobre o cotidiano da autora. Abordando desde questões pessoais até o seu casamento, trabalho, família, afeição esquisita por animais empalhados ou qualquer outro puro e simples episódio banal da sua vida, todos carregam uma mesma característica: finais trágicos, ou no mínimo vergonhosos. Isso tudo narrado com um tom </span><a href="https://personaunesp.com.br/bo-burnham-inside-critica/"><span style="font-weight: 400;">irônico e autodepreciativo</span></a><span style="font-weight: 400;"> medido em doses exatas, que transformam qualquer acontecimento horrível em um bom entretenimento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O grande prazer de </span><i><span style="font-weight: 400;">Alucinadamente Feliz</span></i><span style="font-weight: 400;"> é lembrar a cada segundo que se tratam de relatos puramente reais. E, por mais específicos que sejam cada um deles, e por mais particular que seja a mente conturbada de Jenny, é quase natural se encontrar com as maluquices que ela descreve em um mundo em que a cada dia estamos mais malucos. Dessa forma, a moral final da história é apenas uma: você não está sozinho. </span><b>&#8211; Vitória Silva </b></p>
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		<title>Ficções: a obra aberta de Jorge Luis Borges</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Jun 2021 13:37:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade Nos círculos literários, os autores são geralmente mensurados por seus romances. O tempo demandado, a prosa, a estética, o intuito, tudo isso é levado em consideração. Mas diferente dos romances — e parafraseando Julio Cortázar —, os contos não vencem por pontos, e sim por nocaute. Mesmo sem nunca ter escrito um romance, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/jorge-luis-borges-morte-35-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Ficções: a obra aberta de Jorge Luis Borges"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_21199" aria-describedby="caption-attachment-21199" style="width: 957px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21199" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM1.jpg" alt="Foto em preto e branco do escritor Jorge Luis Borges. Ele é um homem caucasiano, de cabelos brancos, veste terno preto, camisa branca e gravata preta. Ele mantém a cabeça ereta, enquanto olha para a frente" width="957" height="918" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM1.jpg 957w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM1-800x767.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM1-768x737.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21199" class="wp-caption-text">Ficções é considerado um dos livros mais importantes na carreira do escritor argentino, que faleceu há 35 anos (Foto: Ferdinando Scianna/Magnum Photos)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos círculos literários, os autores são geralmente mensurados por seus romances. O tempo demandado, a prosa, a estética, o intuito, tudo isso é levado em consideração. Mas diferente dos romances — e parafraseando </span><a href="https://personaunesp.com.br/todos-os-fogos-o-fogo-escrita-abrasadora-cortazar/"><span style="font-weight: 400;">Julio Cortázar</span></a><span style="font-weight: 400;"> —, os contos não vencem por pontos, e sim por nocaute. Mesmo sem nunca ter escrito um romance, Jorge Luis Borges figura na lista dos maiores escritores de todos os tempos. Falecido em 14 de junho de 1986, a morte do autor completa 35 anos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Borges nasceu em 24 de agosto de 1899 — fato que permitiu ao escritor classificar-se como </span><i><span style="font-weight: 400;">“um homem do século 19”</span></i><span style="font-weight: 400;"> —, em Buenos Aires. Antes de aprender o espanhol, foi alfabetizado em inglês. Começou sua carreira como poeta, publicando seu primeiro livro, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fervor de Buenos Aires</span></i><span style="font-weight: 400;">, em 1923. Depois publicou ensaios e, mais tarde, em 1935, publicou sua primeira coleção de contos, </span><a href="https://deusmelivro.com/critica/historia-universal-da-infamia-jorge-luis-borges-15-4-2015/#.YLpq3oWSnDc"><i><span style="font-weight: 400;">História universal da infâmia</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">A obra que daria projeção internacional ao autor seria publicada em 1944, cujo nome não poderia ser mais apropriado:</span> <a href="https://recortelirico.com.br/2016/11/ficcoes-de-jorge-luis-borges/"><i><span style="font-weight: 400;">Ficções</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i></p>
<p><span id="more-21197"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O título do livro já demanda interpretações. Sabe-se que, em literatura, a ficção não é sinônimo de mentira. Trata-se de um relato pessoal, muitas vezes realista, sobre determinados temas e assuntos que só expressam verdade dentro do texto. Portanto, desde o início, Borges anuncia que o livro não é um relato fidedigno, mas uma alusão à forma literária. A grandiosidade dos contos de Jorge Luis Borges está justamente na habilidade de transformar em fantástico — através dos gêneros narrativos — aquilo que nos passa despercebido. A ficção em Borges está fantasiada de veracidade.</span></p>
<figure id="attachment_21201" aria-describedby="caption-attachment-21201" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21201 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM2-683x1024.jpg" alt="Arte da capa brasileira do livro Ficções. A capa contém formas triangulares na cor preta e na cor vermelha. O título do livro, nome do autor e marca da editora estão na cor branca" width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM2-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM2-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM2-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM2-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM2-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM2-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM2.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-21201" class="wp-caption-text">Capa da edição brasileira, publicada pela Companhia das Letras em 2007, com tradução de Davi Arrigucci Júnior (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra de Jorge Luis Borges é, atualmente, publicada pela editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i><span style="font-weight: 400;">, e os livros </span><i><span style="font-weight: 400;">Ficções </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="http://www.blogletras.com/2019/08/a-descoberta-da-realidade-em-o-aleph-de.html"><i><span style="font-weight: 400;">O Aleph</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(outro livro importante em sua carreira) foram traduzidos por Davi Arrigucci Jr.. O livro é constituído por 16 contos, conhecidos pela profundidade filosófica, e divididos em duas partes. A primeira, </span><i><span style="font-weight: 400;">O jardim de veredas que se bifurcam</span></i><span style="font-weight: 400;">, foi publicada isoladamente em 1941. A segunda, </span><i><span style="font-weight: 400;">Artifícios, </span></i><span style="font-weight: 400;">era inédita até a publicação da coletânea em 1944. Os contos, embora distintos, oferecem certa coesão nos temas: espelhos, labirintos, memória, eternidade e o tempo. A perplexidade de Borges diante das ficções do imposto mundo real pode ser identificada logo no primeiro prólogo (Borges era conhecido por seus prólogos e chegou a publicar uma coletânea deles; </span><i><span style="font-weight: 400;">Ficções </span></i><span style="font-weight: 400;">possui dois), no qual escreve: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Desvario trabalhoso e empobrecedor o de compor vastos livros; o de espraiar em quinhentas páginas uma ideia cuja perfeita exposição oral cabe em poucos minutos”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O argentino é considerado por muitos um autor pós-moderno, e, embora não se tenha clareza, uma das problemáticas da pós-modernidade é a suposição de que não existem novidades. Há certa sensação de que tudo foi criado, e, portanto, não há mais obras originais. Nesse ponto de vista, Jorge Luis Borges se aproveita da banal realidade cotidiana e enxerga nela o mítico, acrescentando à rotina características fantásticas. Entre as muitas realidades míticas presentes nos contos borgianos, </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-tlon-uqbar-orbis-tertius-de-jorge-luis-borges/"><i><span style="font-weight: 400;">Tlön, Uqbar, Orbis Tertius</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">— primeiro conto da coletânea — questiona se algo realmente existe sem que alguém o perceba. No conto, </span><i><span style="font-weight: 400;">Tl</span></i><i><span style="font-weight: 400;">ön </span></i><span style="font-weight: 400;">é um mundo imaginário — encontrado por Borges em uma enciclopédia —, onde os habitantes reconhecem apenas o que é visível e negam qualquer realidade oculta. Mais do que um princípio religioso, o conto discute a percepção, pois, na obra do autor, a realidade possui uma essência onírica. </span></p>
<figure id="attachment_21198" aria-describedby="caption-attachment-21198" style="width: 1195px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21198" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM3.png" alt="Foto em preto e branco do escritor Jorge Luis Borges. Ele é um homem de cabelos brancos, veste terno e gravata, e está sentado em uma cadeira enquanto segura uma bengala. Está com a cabeça inclinada para trás, olhando para cima" width="1195" height="1259" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM3.png 1195w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM3-759x800.png 759w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM3-972x1024.png 972w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM3-768x809.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21198" class="wp-caption-text">Borges começou a ficar cego na infância, devido a uma degeneração genética herdada do pai; esse fator foi decisivo para sua obra (Foto: Ferdinando Scianna/Magnum Photos)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Adolfo Bioy Casares, escritor e amigo de Borges, escreve no prólogo de </span><a href="http://jornalismojunior.com.br/antologia-da-literatura-fantastica/"><i><span style="font-weight: 400;">Antologia da Literatura Fantástica</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1940) — coletânea de contos fantásticos feita em colaboração com Silvina Ocampo e com o próprio Borges — que ele </span><i><span style="font-weight: 400;">“criou um novo gênero literário, que partilha do ensaio e da ficção”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Desde suas primeiras publicações, o escritor impôs o desconcerto e a dúvida, nos fazendo questionar se a obra recém-lida é realmente uma ficção ou um ensaio literário. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À moda de Hemingway, os contos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ficções</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem precisão milimétrica, como se fossem encaixados peça por peça. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Biblioteca de Babel</span></i><span style="font-weight: 400;">, o autor apresenta um paradoxo. A linguagem é um instrumento universal, mas não pode resumir todas as experiências da vida, que, muitas vezes, dependem exclusivamente de nossas interpretações. A biblioteca nada mais é do que o universo, dado que, no conto, o mundo é concebido através dela. Os bibliotecários buscam alguém que consiga compreender todas as obras presentes na biblioteca, o que poderíamos enxergar como um deus. Se analisarmos pela teoria do filósofo </span><a href="https://personaunesp.com.br/obra-ficcional-umberto-eco-historia-ignorancia/"><span style="font-weight: 400;">Umberto Eco</span></a><span style="font-weight: 400;"> — que, inclusive, criou um personagem em </span><i><span style="font-weight: 400;">O nome da rosa </span></i><span style="font-weight: 400;">(1980) chamado Jorge de Burgos, em homenagem a Borges —, lembramos de seu conceito de obra aberta. Tendo como horizonte o </span><a href="https://personaunesp.com.br/bloomsday-desafio-ulysses/"><i><span style="font-weight: 400;">Finnegans Wake, </span></i><span style="font-weight: 400;">de James Joyce</span></a><span style="font-weight: 400;">, Eco diz que a obra de arte contemporânea é aberta a interpretações, e seu conceito remete justamente à noção de infinitude do texto literário. A experiência literária está refém das experiências pessoais do leitor, e não pode conceber uma interpretação exata.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1961, Borges venceu com Samuel Beckett o Prêmio</span><i><span style="font-weight: 400;"> Formentor de las Letras </span></i><span style="font-weight: 400;">pela publicação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ficções. </span></i><span style="font-weight: 400;">Para o autor, esse foi o momento decisivo para sua fama internacional. Fato é que sua influência na literatura é inegável, criando, para alguns críticos, um momento de ruptura — um </span><i><span style="font-weight: 400;">“antes e depois”</span></i><span style="font-weight: 400;"> de sua obra. O escritor chileno Roberto Bolaño disse, em entrevista, que seus livros derivam de </span><i><span style="font-weight: 400;">“uma dívida eterna com Jorge Luis Borges e Julio Cortázar”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Para </span><a href="https://personaunesp.com.br/utopia-da-realidade-horrenda-ainda-nos-restam-50-anos-de-solidao/"><span style="font-weight: 400;">Gabriel García Marquez</span></a><span style="font-weight: 400;">, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, a obra do autor o intimidava pela sua genialidade. O norte-americano </span><a href="http://personaunesp.com.br/graca-infinita-critica/"><span style="font-weight: 400;">David Foster Wallace</span></a><span style="font-weight: 400;"> também foi influenciado por Borges e chegou a resenhar para o </span><a href="https://www.nytimes.com/2004/11/07/books/review/borges-on-the-couch.html"><i><span style="font-weight: 400;">The New York Times</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">sua biografia. </span></p>
<figure id="attachment_21200" aria-describedby="caption-attachment-21200" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21200" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM4-1.jpg" alt="Foto do escritor Jorge Luis Borges e do escritor Adolfo Bioy Casares. Os dois são homens caucasianos de cabelos brancos, estão sentados em cadeiras de madeira, vestem terno e gravata, e algumas pessoas estão em volta. Jorge Luis Borges veste um terno preto e segura uma bengala, enquanto Adolfo Bioy Casares veste um terno cinza claro, utiliza um suéter verde por cima da camisa e mantém o braço direito sobre uma mesa de madeira. Ao fundo, alguns livros estão em uma estante" width="1600" height="817" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM4-1.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM4-1-800x409.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM4-1-1024x523.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM4-1-768x392.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM4-1-1536x784.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM4-1-1200x613.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21200" class="wp-caption-text">Jorge Luis Borges e Adolfo Bioy Casares tinham um projeto literário extremamente racional, acompanhado de muitas correções e edições, mas que aparentava casualidade por seu ar fantástico (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro grande admirador da obra borgiana foi o crítico norte-americano </span><a href="https://personaunesp.com.br/macbeth-ambicao-sangue-furia/"><span style="font-weight: 400;">Harold Bloom</span></a><span style="font-weight: 400;">, e escreveu que, no trabalho do argentino, </span><i><span style="font-weight: 400;">“a perda foi sempre a ênfase criativa [&#8230;]: só se pode perder aquilo que nunca se teve, é esse o refrão que se encontra ao longo de toda a sua obra”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Esse comentário faz alusão a cegueira de Borges — um dos fatores cruciais para entender a dimensão de seus contos —, que ocorreu gradualmente em decorrência de uma doença hereditária. Aos 55 anos já estava completamente cego, e as obras publicadas após a cegueira foram narradas pelo autor e transcritas pela mãe ou pela esposa, María Kodama. Em entrevista concedida a Roberto d’Ávila para a TV brasileira, um ano antes de morrer, Borges diz que ficar cego </span><i><span style="font-weight: 400;">“é incômodo, mas sendo gradual não é trágico”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Na ocasião, o escritor completa dizendo que nasceu ficando cego, e perdeu completamente a visão quando aprendeu a enxergar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitas vezes, os leitores se perdem no encanto dos temas abordados por Jorge Luis Borges, e deixa-se passar que sua prosa é considerada uma das melhores do século XX — mérito defensável através do tradutor. Como o autor aponta nos dois prólogos do livro, o foco está na maneira de narrar e em suas formas. Borges anuncia que </span><i><span style="font-weight: 400;">O jardim de veredas que se bifurcam </span></i><span style="font-weight: 400;">é um conto policial, bem como em </span><i><span style="font-weight: 400;">Exame da obra de Herbert Quain </span></i><span style="font-weight: 400;">encontram-se notas sobre um livro imaginário. Essa transição entre gêneros, muitas vezes dentro do mesmo conto, demonstra a maestria do autor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com mais de 75 anos desde sua publicação, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ficções </span></i><span style="font-weight: 400;">ainda cativa e estimula diversos leitores por sua dimensão filosófica e construção concisa. A obra do autor — que chegou a influenciar Michel Foucault, conforme o próprio escreveu no prefácio de </span><i><span style="font-weight: 400;">As palavras e as coisas </span></i><span style="font-weight: 400;">(1966) — continua despertando curiosidade e estranheza. Borges apontou para os caminhos que se bifurcam, e nos ensinou a questionar todas as possibilidades — ele foi todos, e nenhum.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Entrevista de Jorge Luis Borges" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/8VZ-ykJARhs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A utopia da realidade horrenda: Ainda nos restam 50 anos de solidão</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Aug 2017 22:41:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Cem Anos de Solidão]]></category>
		<category><![CDATA[César Cabral]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>César Cabral Cem Anos de Solidão, ganhador do 79º Nobel de Literatura, em 1982, do escritor colombiano Gabriel García Márquez, reúne acontecimentos reais e ficcionais &#8211; incestos, frieza, tapetes voadores, guerras civis, fantasmas e crianças com rabo de porco &#8211; que nos causam estranhamento. É um romance do gênero  realismo fantástico, ou seja, uma história &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/utopia-da-realidade-horrenda-ainda-nos-restam-50-anos-de-solidao/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A utopia da realidade horrenda: Ainda nos restam 50 anos de solidão"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_8393" aria-describedby="caption-attachment-8393" style="width: 415px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-8393" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/08/imagem-03-e1502749030881.jpg" alt="Edição especial de 50 anos de Cem Anos de Solidão, da editora Record." width="415" height="600" /><figcaption id="caption-attachment-8393" class="wp-caption-text">Edição especial de 50 anos de Cem Anos de Solidão, da editora Record.</figcaption></figure>
<p><strong>César Cabral</strong></p>
<p><em>Cem Anos de Solidão</em>, ganhador do 79º Nobel de Literatura, em 1982, do escritor colombiano Gabriel García Márquez, reúne acontecimentos reais e ficcionais &#8211; incestos, frieza, tapetes voadores, guerras civis, fantasmas e crianças com rabo de porco &#8211; que nos causam estranhamento. É um romance do gênero  realismo fantástico, ou seja, uma história em que elementos mágicos, irreais acontecem e são aceitos de forma natural.</p>
<p><span id="more-8390"></span></p>
<p>O livro conta a história da família Buendía, fundadora da cidade de Macondo, na Colômbia, e suas sete gerações de membros com nomes iguais.  A trama, que é narrada durante cem anos, conta sobre o apogeu, declínio e uma maldição da família, simbolizado pela sua casa e a forma com que cada familiar ajudou nesse processo. Cada membro da família tem o seu destino já traçado de acordo com seu nome. Os inúmeros Aurelianos tendem a ser solitários e autoritários e os inúmeros José Arcádios a serem mais desprendidos e a morrerem de um jeito um tanto quanto misterioso, inexplicável.</p>
<figure id="attachment_8395" aria-describedby="caption-attachment-8395" style="width: 840px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-8395" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/08/imagem-01-1-1024x791.jpg" alt="Gabriel García Márquez tentando se lembrar que Aureliano é esse. Fonte: Agência EFE" width="840" height="649" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/08/imagem-01-1-1024x791.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/08/imagem-01-1-300x232.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/08/imagem-01-1-768x594.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/08/imagem-01-1-1200x927.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/08/imagem-01-1.jpg 2008w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-8395" class="wp-caption-text">Gabriel García Márquez tentando se lembrar que Aureliano é esse. Fonte: Agência EFE</figcaption></figure>
<p>Na narrativa, absurdos são aceitos sem qualquer estranhamento, até os nossos absurdos reais. García Márquez usou muito de sua vivência &#8211; produto da realidade latino-americana, mas em especial a da Hispanoamérica &#8211;  para escrever aquilo que se tornaria <em>Cem Anos de Solidão</em> . O misticismo das Américas sempre fez-se presente.<a href="http://thomasvconti.com.br/2014/discurso-de-gabriel-garcia-marquez-ao-receber-o-premio-nobel-de-literatura/" target="_blank"> Em seu discurso para o Prêmio Nobel</a>, Gabriel cita muitos casos que parecem ter sido inventados pela sua própria imaginação, e que poderiam muito bem ter sido postos em seu livro: <a href="http://www.afcaxias.com.br/blog/216/guerra_dos_pasteis" target="_blank">o general e ditador mexicano António Lopes de Santa Anna</a>, que fez um funeral para sua perna direita (perdida na Guerra dos Pastéis); o genocídio de camponeses por um ditador salvadorenho, o general Maximiliano Hernández Martínez , que além de genocida, foi inventor de um pêndulo que supostamente revelava se algum alimento havia sido envenenado; e a incrível cogitação de se construir uma ferrovia no Panamá usando trilhos feitos de ouro. Isso sem contar outros casos como guerras civis, diversos golpes de estado, ditaduras execráveis e milhares de refugiados cujo número é maior que algumas populações europeias.</p>
<figure id="attachment_8391" aria-describedby="caption-attachment-8391" style="width: 700px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-8391" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/08/imagem-4.jpg" alt="Foto montagem de Gabriel e Fidel Castro, que servira de revisor para os manuscritos de seu amigo escritor." width="700" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/08/imagem-4.jpg 700w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/08/imagem-4-300x214.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-8391" class="wp-caption-text">Foto montagem de Gabriel e Fidel Castro, que servira de revisor para os manuscritos de seu amigo escritor.</figcaption></figure>
<p>Um dos elementos mais lúcidos da história, e a meu ver uma das personagens em que nada de estranho lhe é habitual, é Úrsula Iguarán, matriarca da família. Ela poderia muito bem ser considerada a protagonista em detrimento de outros, e até certo ponto quem afirma isso está certo, já que ela torna-se o pilar principal da ordem. Úrsula é a mantenedora do status quo durante muito tempo. Porém, o livro não gira em torno dela &#8211; as coisas não acontecem para ela única e exclusivamente, como forma de expiação. Úrsula faz parte do universo e é influenciada pelos seus acontecimentos, reagindo ao que estiver a seu alcance, assim como os demais. Em outras palavras, o destino determinado.</p>
<p>O fato de os personagens fazerem parte do universo, e não o universo ter sido criado para os eles, faz com que a história ganhe uma característica polifônica, isto é, cada personagem tem destaque e importância em algum momento. Isto gera uma falta de trama central clara para quem não se preocupou em ler a sinopse.</p>
<p>Ademais, a história se assemelha à mitologia grega em questão de riqueza de detalhes &#8211; e até mesmo coisas &#8220;anormais” &#8211; como por exemplo a Guerra de Tróia e a Odisseia. Isso mostra que Gabriel soube tecer muito bem os diversos acontecimentos, interligando-os mesmo depois. Não existem acasos, tudo é “a causa ignorada de um efeito conhecido”, como disse certa vez Voltaire. Todas as causas têm suas consequências, que eventualmente tornam-se causas e assim por diante. Aureliano, o primeiro, jamais teria se tornado um velho coronel solitário se não tivesse sido afetado pelas trinta e duas guerras que promoveu, após discutir sobre política com seu sogro sobre a tensão entre Conservadores e Liberais que estava acontecendo naquela época.</p>
<figure id="attachment_8392" aria-describedby="caption-attachment-8392" style="width: 840px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-8392" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/08/imagem-05-1024x519.jpg" alt="O príncipe troiano, Paris, escolhendo Atena como a mulher mais bela dentre as três. Atena prometeu a ele a mulher mais bela do reino. Tal mulher seria Helena, e seu rapto por ele desencadearia a Guerra de Troia." width="840" height="426" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/08/imagem-05-1024x519.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/08/imagem-05-300x152.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/08/imagem-05-768x389.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/08/imagem-05-1200x608.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/08/imagem-05.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-8392" class="wp-caption-text">O príncipe troiano, Paris, escolhendo Atena como a mulher mais bela dentre as três. Atena prometeu a ele a mulher mais bela do reino. Tal mulher seria Helena, e seu rapto por ele desencadearia a Guerra de Troia. <em>O Julgamento de Páris</em>, 1639- Peter Paul Rubens &#8211;  Museu do Prado</figcaption></figure>
<p>José Arcádio Buendia proferiu “este é o grande invento do nosso tempo” ao referir-se ao gelo que os ciganos levaram a Macondo. Descontextualizada, tal frase pode muito bem ser utilizada para se referir a Cem Anos de Solidão.<a href="http://personaunesp.com.br/todos-os-fogos-o-fogo-escrita-abrasadora-cortazar/"> García Márquez juntou o mítico com o real</a>, criando um dos mais importantes livros latino-americanos e muito merecedor de seu Nobel de literatura. E a nós, da realidade horrenda, não temos ideia de quanto tempo durará nossa maldição não proferida.</p>
<figure id="attachment_8397" aria-describedby="caption-attachment-8397" style="width: 480px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-8397" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/08/imagem-02.jpg" alt="Aureliano José, filho de Aureliano Buendía e irmão de mais 17 Aurelianos. Todos sobrinhos de José Arcádio e netos de José Arcadio Buendía. Fonte: Facebook/Obras literárias com capas de memes genuinamente brasileiros" width="480" height="729" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/08/imagem-02.jpg 480w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/08/imagem-02-198x300.jpg 198w" sizes="auto, (max-width: 480px) 85vw, 480px" /><figcaption id="caption-attachment-8397" class="wp-caption-text">Aureliano José, filho de Aureliano Buendía e irmão de mais 17 Aurelianos. Todos sobrinhos de José Arcádio e netos de José Arcadio Buendía. Fonte: Facebook/Obras literárias com capas de memes genuinamente brasileiros</figcaption></figure>
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