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	<title>Arquivos Festival de Veneza &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Babygirl não decepciona no que promete, mas falta profundidade</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Feb 2025 17:00:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Thaís França O longa-metragem com direção de Halina Reijn (Morte Morte Morte) acompanha uma CEO de uma empresa, Romy, interpretada por Nicole Kidman, casada com o personagem de Antonio Banderas, Jacob. Os dois têm duas filhas e vivem o que parece ser uma família ideal, com boas condições financeiras sustentadas pelo cargo de grande importância &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/babygirl-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Babygirl não decepciona no que promete, mas falta profundidade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_34770" aria-describedby="caption-attachment-34770" style="width: 924px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-34770" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image1.png" alt="A imagem mostra Nicole Kidman e Harris Dickinson em um momento íntimo dentro de um ambiente corporativo. Nicole, com pele clara e cabelos loiros presos em um rabo de cavalo solto, veste um blazer claro e está de olhos fechados, aparentando relaxamento e entrega. Harris, com pele clara e cabelo curto, usa uma camisa azul e gravata escura. Ele se inclina em direção a ela, com o rosto próximo ao dela, como se estivesse sussurrando ou prestes a beijá-la. A cena transmite tensão e proximidade emocional, com um fundo desfocado que sugere um escritório ou espaço empresarial." width="924" height="616" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image1.png 924w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image1-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image1-768x512.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34770" class="wp-caption-text">Romy (Nicole Kidman) se envolve com Samuel (Harris Dickinson), um homem mais jovem em Babygirl [Foto: A24]</figcaption></figure><strong>Thaís França</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa-metragem com direção de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dRfVGEGXPqM&amp;t=26s"><span style="font-weight: 400;">Halina Reijn</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Morte Morte Morte</span></i><span style="font-weight: 400;">) acompanha uma </span><i><span style="font-weight: 400;">CEO</span></i><span style="font-weight: 400;"> de uma empresa, Romy, interpretada por Nicole Kidman, casada com o personagem de Antonio Banderas, Jacob. Os dois têm duas filhas e vivem o que parece ser uma família ideal, com boas condições financeiras sustentadas pelo cargo de grande importância que a protagonista carrega. Porém, sua vida vira de cabeça para baixo quando Samuel, interpretado por Harris Dickinson, aparece como estagiário em sua empresa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme tem fortes inspirações em </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> eróticos dos da década de 1990, como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ilHcUTydCrs"><i><span style="font-weight: 400;">Instinto Selvagem</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1992) e </span><a href="https://m.youtube.com/watch?v=vsYyUnqh1TA&amp;pp=ygUaUHJvcG9zdGEgaW5kZWNlbnRlIHRyYWlsZXI="><i><span style="font-weight: 400;">Proposta Indecente</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1993), ambos marcados por suas tramas de sedução, desejo e manipulação. Assim como essas obras, </span><i><span style="font-weight: 400;">Babygirl</span></i><span style="font-weight: 400;"> explora a tensão psicológica entre os personagens, utilizando o jogo de poder e a dinâmica entre os gêneros como motor central da história, onde os personagens enfrentam as consequências de suas escolhas impulsivas e os limites da exploração de poder no contexto de suas relações íntimas e profissionais. </span><i><span style="font-weight: 400;">Babygirl</span></i><span style="font-weight: 400;">, assim, revisita esses elementos de forma moderna, mantendo a tensão e a exploração do desejo como temas centrais</span></p>
<p><span id="more-34769"></span><br />
<span style="font-weight: 400;">A personagem principal parece ter tudo, uma carreira de sucesso, uma sólida reputação e uma família estável e amorosa. Mas por trás das aparências, Romy sofre com seus próprios </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/entre-telas/filmes/sexo-e-o-que-de-fato-move-nicole-kidman-no-polemico-babygirl,86f735a1ceb74bdc5929358eb7f2243d7x2ur9dr.html"><span style="font-weight: 400;">desejos reprimidos</span></a><span style="font-weight: 400;">, que parecem estar desafiando seus sentimentos em relação a seu marido. Para reparar isso, entra em cena Samuel, um estagiário com o perfil desafiador e subversivo. O primeiro contato dos dois se dá na rua, onde Romy se depara com um cachorro aparentemente agressivo, que corre em direção a ela, mas é contido por um assovio do jovem, que demonstra ter autoridade em adestramento – fato que revela um pouco do que veremos nas próximas horas.</span></p>
<figure id="attachment_34771" aria-describedby="caption-attachment-34771" style="width: 1008px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34771" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image2.png" alt=" A imagem mostra Harris Dickinson e Nicole Kidman em uma cena íntima, com uma atmosfera sombria e emocional. Harris, usando uma regata branca que revela uma tatuagem no braço, segura delicadamente o rosto de Nicole com uma das mãos enquanto a encara intensamente. Nicole, com cabelos loiros soltos e pele iluminada, veste uma roupa de alça amarela e mantém os olhos fechados, demonstrando entrega e vulnerabilidade. O fundo escuro, com tons azulados, reforça a tensão emocional e a intensidade da conexão entre os personagens." width="1008" height="626" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image2.png 1008w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image2-800x497.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image2-768x477.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34771" class="wp-caption-text">Em Babygirl, Nicole Kidman explora os cantos obscuros do prazer feminino (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As primeiras interações entre a </span><i><span style="font-weight: 400;">CEO</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o estagiário já evidenciam uma dinâmica notável, marcada pela audácia do jovem: ele se manifesta sem ser solicitado, oferece opiniões sem que sejam requisitadas e, de forma quase impositiva, força Romy a assumir o papel de sua </span><a href="https://tecnosolo.com.br/negocios/o-papel-do-mentor-no-estagio/#:~:text=Durante%20um%20est%C3%A1gio%2C%20a%20figura%20do%20mentor%20%C3%A9%20essencial%20para%20o%20desenvolvimento%20profissional%20do%20estagi%C3%A1rio."><span style="font-weight: 400;">mentora</span></a><span style="font-weight: 400;">. Apesar de demonstrar, inicialmente, indignação diante de sua insolência, há algo em sua postura que sugere fascínio ou, no mínimo, uma curiosidade latente em relação a ele.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante todo o </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> erótico, percebemos que ambos demonstram uma falta. Assim, toda a narrativa gira em torno de desejo, poder e submissão, enquanto o erotismo é construído a partir dos impactos psicológicos e </span><a href="https://www.psicologo.com.br/blog/traumas-psicologicos/"><span style="font-weight: 400;">traumas</span></a><span style="font-weight: 400;"> do passado de cada um. A trama mergulha nas nuances dessas dinâmicas, abordando também as </span><a href="https://m.youtube.com/watch?v=gSuTMEXQRBQ&amp;pp=ygUWbmljb2xlIGtpZG1hbiBiYWJ5Z2lybA=="><span style="font-weight: 400;">complexidades</span></a><span style="font-weight: 400;"> das relações marcadas por diferenças de idade no ambiente corporativo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A contradição na dinâmica dos personagens é evidente e provoca uma tensão que permeia toda a narrativa. Romy, uma figura de poder e autoridade como </span><i><span style="font-weight: 400;">CEO</span></i><span style="font-weight: 400;"> de uma empresa de renome, assume uma postura de controle e racionalidade em sua vida pública. Por outro lado, o jovem estagiário ocupa uma posição subalterna no ambiente corporativo, claramente em desvantagem hierárquica. Contudo, essa disparidade é radicalmente invertida no âmbito íntimo. Na cama, ele assume o controle, invertendo os papéis tradicionais e desafiando as expectativas. Essa troca revela um lado mais vulnerável de Romy e um comportamento surpreendentemente confiante do estagiário. A tensão entre suas identidades públicas e privadas reforça a ideia de que os </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/papeis-sociais.htm"><span style="font-weight: 400;">papéis sociais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e emocionais nem sempre se alinham, adicionando camadas de profundidade à trama.</span></p>
<figure id="attachment_34773" aria-describedby="caption-attachment-34773" style="width: 816px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34773" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image4.jpg" alt="A imagem é uma cena do filme BabyGirl, mostrando Nicole Kidman e Harris Dickinson. Nicole Kidman aparece com o rosto machucado, olhos semicerrados e expressão de dor ou desconforto, enquanto Harris Dickinson segura seu rosto com força, forçando algo em sua boca. Ele está muito próximo dela, usando um terno claro e um fone discreto no ouvido. A iluminação quente e escura cria uma atmosfera tensa e opressiva." width="816" height="376" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image4.jpg 816w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image4-800x369.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image4-768x354.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34773" class="wp-caption-text">Cenas quentíssimas de Nicole Kidman e ator 29 anos mais jovem chocam fãs em primeiro trailer de filme (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, o filme dá grande ênfase para a atriz Nicole Kidman, que assume uma personagem que não apenas sustenta a narrativa, mas que tem que manter uma imagem pública e ser completamente oposta no privado, e conciliar as duas, coisa que Kidman faz muito bem, não à toa que sua atuação ganha grande destaque em premiações, ganhando como Melhor Atriz no </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2024/09/07/nicole-kidman-leva-premio-de-melhor-atriz-no-festival-de-veneza-por-babygirl.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cinema de Veneza</span></a><span style="font-weight: 400;">,  recebendo indicações ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Atriz em Filme de Drama, entre outros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A diretora não quer fazer um filme sobre punição, julgamento, ética e nem mesmo </span><a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/filosofia/moralidade.htm"><span style="font-weight: 400;">moralidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Embora esses temas passem pela cabeça do espectador, a trama é apenas sobre poder e desejo, que nos envolve de maneira cativante e fazem o público assistir na borda da poltrona. A química entre os dois funciona muito bem e o personagem de Harris Dickinson, por ser um jovem complexo e diferente, resulta em uma atuação bem autêntica e sedutora que convence, te colocando na posição da personagem principal, sentindo até mesmo uma culpa sobre esse fascínio que criamos por Samuel. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, a obra se leva muito mais a sério do que realmente é, pois não traz tanto o sentimento de perigo e provocação que se é esperado. Percebemos um desenvolvimento emocional dos personagens, com grande possessividade dentro da relação, contudo, isso não é bem desenvolvido na trama. As cenas são gráficas, o que não é um problema, mas por conta da dinâmica do casal, que se mostra em algumas vezes </span><a href="https://www.psicologosberrini.com.br/blog/o-que-e-desumanizacao-e-as-suas-formas/"><span style="font-weight: 400;">desumanizante</span></a><span style="font-weight: 400;"> – ele a trata como um animal a ser domesticado –, causa certo desconforto e constrangimento. </span></p>
<figure id="attachment_34772" aria-describedby="caption-attachment-34772" style="width: 1008px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34772" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image3.png" alt="Harris, vestindo um suéter azul com camisa xadrez por baixo, encara Nicole de perto, com expressão séria e postura firme. Nicole, usando um vestido escuro de gola alta com detalhes florais, está com o cabelo preso em um coque bagunçado. Ela segura o suéter de Harris com as mãos, enquanto o encara intensamente, com uma expressão que mistura determinação e vulnerabilidade. O fundo iluminado e neutro sugere que a cena ocorre durante o dia, em um ambiente interno com janelas amplas, reforçando o clima de confronto emocional." width="1008" height="672" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image3.png 1008w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image3-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image3-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34772" class="wp-caption-text">Babygirl rendeu o prêmio de Melhor Atriz a Kidman no Festival de Veneza deste ano (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ademais, </span><i><span style="font-weight: 400;">Babygirl</span></i><span style="font-weight: 400;"> funciona no que se propõe. A produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresenta uma dinâmica interessante – </span><a href="https://www.blogdehollywood.com.br/streaming/6-filmes-sobre-romances-entre-mulheres-mais-velhas-e-homens-mais-jovens/"><span style="font-weight: 400;">mas não tão original</span></a><span style="font-weight: 400;"> – de duas pessoas que encontram um no outro algo perturbador, que se compõe e expõe uma verdade no espectador, despertando sentimentos contraditórios e levando a reflexões sobre poder, desejo e os limites das relações humanas. A trama nos confronta com perguntas incômodas sobre até onde somos capazes de ir para preencher nossas lacunas emocionais e como as dinâmicas de controle e submissão podem refletir nossas próprias inseguranças e traumas. Apesar de suas falhas, o filme oferece uma experiência provocativa, que permanece com o público muito depois dos créditos finais.</span></p>
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		<title>A Sobrevivência da Bondade mostra que nem ela está viva</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Nov 2023 21:12:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Reencontrar sentido em seus recomeços. É o que a sinopse de A Sobrevivência da Bondade propõe. Na trama, exibida na seção Perspectiva Internacional da 47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e vencedora do Prêmio da Crítica do Festival de Berlim, uma mulher negra é abandonada no deserto dentro de uma jaula. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-sobrevivencia-da-bondade-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Sobrevivência da Bondade mostra que nem ela está viva"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31782" aria-describedby="caption-attachment-31782" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31782" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1.jpg" alt="Cena do filme A Sobrevivência da Bondade. Na cena, que se passa durante o dia, podemos ver, ao fundo, uma estrutura de tijolos, que aparenta ser uma casa abandonada. Em um primeiro plano, ao centro, vemos uma mulher preta, de aparentemente 50 anos, com cabelos curtos e castanhos claros, vestindo uma camisa xadrez bege com listras pretas. Ela encara algo a direita da imagem, que não podemos ver." width="1999" height="1125" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31782" class="wp-caption-text">Presente no Festival de Cannes, Veneza e Berlim, A Sobrevivência da Bondade também integrou a programação da 47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Fandango Sales)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Reencontrar sentido em seus recomeços. É o que a sinopse de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Sobrevivência da Bondade </span></i><span style="font-weight: 400;">propõe. Na trama, exibida na seção Perspectiva Internacional da 47ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e vencedora do Prêmio da Crítica do Festival de Berlim, uma mulher negra é abandonada no deserto dentro de uma jaula. Conseguindo milagrosamente escapar depois de dias, ela cruza a paisagem árida em busca de salvação, para encontrar ainda mais barbárie na civilização. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sinopse busca por recomeços, mas, a cada novo cenário apresentado, essa ideia parece mais distante. BlackWoman &#8211; como a protagonista é chamada nos créditos finais, uma vez que o longa-metragem praticamente não tem diálogos &#8211; cruza campos arenosos sem sinal de vida, cidades abandonadas por uma suposta guerra e trilhas em </span><a href="https://www.smh.com.au/culture/movies/apocalypse-meets-astonishing-beauty-in-rolf-de-heer-s-latest-work-20230503-p5d571.html"><span style="font-weight: 400;">ambientes hostis</span></a><span style="font-weight: 400;">, com o inimigo caminhando poucos metros à frente. A mulher não tem outro objetivo senão a sobrevivência e, para o espectador, o tom é contemplativo. O que estaria acontecendo ali? E, acima de tudo, o que isso significa?</span></p>
<p><span id="more-31780"></span></p>
<figure id="attachment_31784" aria-describedby="caption-attachment-31784" style="width: 1417px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31784" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4.jpg" alt="Cena do filme A Sobrevivência da Bondade. A cena é a paisagem de um deserto, em um plano aberto. Ao longe, à esquerda, vemos uma pequena gaiola com duas rodas. Ao lado direito, vemos, ao longe, uma mulher andando na direção oposta." width="1417" height="796" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4.jpg 1417w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-800x449.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-1024x575.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-768x431.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-1200x674.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31784" class="wp-caption-text">O diretor Rolf de Heer não é novato na Mostra de São Paulo: os longas-metragens Bad Boy Bubby (1993) e Dez Canoas (2006) também chegaram ao Brasil pelo evento (Foto: Fandango Sales)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Sobrevivência da Bondade </span></i><span style="font-weight: 400;">dispensa a bondade em questão. Desde o início, no entanto, o diretor </span><a href="https://47.mostra.org/diretores/rolf-de-heer"><span style="font-weight: 400;">Rolf de Heer</span></a><span style="font-weight: 400;"> (que já teve passagens vitoriosas pelo Festival de Veneza e Cannes) explicita uma aura fabulesca e fantasiosa que acompanhará os eventos dali em diante. Abrindo o trabalho com uma cena em que corpos mortos por pessoas mascaradas se revela, na verdade, a decoração de um bolo em algum tipo de comemoração, o desenrolar já anuncia que não será explicativo, mas interpretativo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A proximidade do real, inclusive, fica a cargo de quem assiste. Enquanto vagueia pela </span><a href="https://nit.com.au/20-04-2023/5674/emerging-indigenous-film-crew-help-create-rolf-de-heers-film-the-survival-of-kindness"><span style="font-weight: 400;">diversa paisagem australiana</span></a><span style="font-weight: 400;">, fotografada belamente por Maxx Corkindale para enfatizar a solidão e a hostilidade do cenário, BlackWoman se depara com tragédias e sofrimento humano, sem escolha a não ser seguir em frente. Se o retratado ali é uma alegoria para a realidade, a sobrevivência se mostra mais importante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao finalmente se deparar com uma cidade, a personagem troca as ameaças da natureza pela ameaça do homem. Em uma situação em que ela tem de pintar o rosto com tinta para se passar por uma pessoa branca por debaixo da máscara de gás e poder andar pelas ruas </span><a href="https://personaunesp.com.br/infiltrado-na-klan-critica/"><span style="font-weight: 400;">sem ser capturada</span></a><span style="font-weight: 400;">, o refúgio se mostra em duas crianças igualmente excluídas da parcela social considerada aceitável ali. O objetivo deles, novamente, recai em se manter vivos, uma vez que mudar a realidade parece impossível.</span></p>
<figure id="attachment_31783" aria-describedby="caption-attachment-31783" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31783" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2.jpg" alt="Cena do filme A Sobrevivência da Bondade. A cena se passa em um local escuro, iluminado apenas pela luz de uma vela, que está ao centro. Ao lado esquerdo da vela, vemos, em um primeiro plano, a silhueta de um menino de costas, deitado de bruços no chão. Ao centro, vemos, de frente, uma mulher preta, de aparentemente 50 anos, com cabelos curtos e vestindo um sobretudo, de bruços no chão, segurando a vela. À direita, vemos a silhueta de uma menina de costas, de bruços deitada no chão." width="1999" height="1125" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31783" class="wp-caption-text">Gravado na pandemia, A Sobrevivência da Bondade retrata uma doença contagiosa que determina quem vive e quem morre, podendo ser uma alegoria ampla para a nossa realidade (Foto: Fandango Sales)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Longas-metragens anteriores do holandês naturalizado australiano </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2023/apr/22/rolf-de-heer-on-his-radical-new-film-it-made-no-sense-to-make-it-with-old-middle-class-codgers"><span style="font-weight: 400;">Rolf de Heer</span></a><span style="font-weight: 400;"> já haviam o consolidado como um diretor autoral e de abordagens experimentais. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Survival of Kindness</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele parece propor mais uma reflexão do que uma narrativa fechada e com significados consolidados. Ao passo que BlackWoman caminha e transpassa desafios, ela encontra novos e, cada vez mais, se aproxima de situações sem humanidade e aparentemente sem saída.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio ao racismo, à escravidão moderna e a um vírus contagioso (ao qual somente as pessoas brancas mascaradas têm direito à proteção), de Heer cria situações que podem servir de alegoria à realidade. Sem denotar um recorte temporal ou uma contextualização que ancore o filme no mundo em que vivemos, as </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2023/11/04/israel-ataca-comboio-de-ambulancias-e-escola-estou-horrorizado-diz-secretario-geral-da-onu"><span style="font-weight: 400;">violências</span></a><span style="font-weight: 400;"> abordadas ali são paralelas ao que lemos no noticiário. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um exemplo disso é a própria BlackWoman. Interpretada pela estreante </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2023/feb/17/the-survival-of-kindness-actor-mwajemi-hussein-rolf-de-heer"><span style="font-weight: 400;">Mwajemi Hussein</span></a><span style="font-weight: 400;">, atriz congolesa que escapou de seu país em meio a um conflito civil e passou por um campo de refugiados na Tanzânia até conseguir abrigo na Austrália, a personagem enfrenta as provações em seu caminho como quem não tem escolha a não ser perseverar. A produção não traduz seus poucos diálogos &#8211; presentes nos raros momentos em que ela não está sozinha -, mas palavras não são necessárias para mostrar a determinação e a resiliência da caminhada, cheias de emoção a cada gesto ou passo dado.</span></p>
<figure id="attachment_31781" aria-describedby="caption-attachment-31781" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31781" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1.jpg" alt="Cena do filme A Sobrevivência da Bondade.  A cena se passa durante o dia em uma paisagem verde, com vegetação rasteira e rochas no chão. Em um primeiro plano, à esquerda, vemos uma mulher negra do busto para cima. Ela veste um chapéu de caubói marrom, um pano preto sobre a boca e o nariz e um sobretudo cinza, e segura a corda amarrada em uma menina. A menina está ao lado direito. Ela é uma jovem indiana, aparentando cerca de 15 anos, com cabelos castanhos longos e lisos, vestindo uma camiseta bege rasgada e coberta com uma manta azul. Ela tem ferimentos vermelhos em todo o rosto e está sendo amarrada pela mulher à esquerda." width="1999" height="1125" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31781" class="wp-caption-text">Além de Hussein, os jovens irmãos Deepthi e Darsan Sharma integram o elenco (Foto: Fandango Sales)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final, porém, a mensagem se amplifica &#8211; ou cai por terra. Sem mudar a mesma realidade que a colocou em uma jaula para morrer no deserto, </span><a href="https://www.abc.net.au/listen/programs/afternoons/rolf-de-heer/102289006"><span style="font-weight: 400;">BlackWoman</span></a><span style="font-weight: 400;"> retorna para o local de onde veio, abandonando os resquícios de luta que passaram pelo seu caminho. Talvez a batalha seja continuar viva ou, ainda, apenas ceder. Talvez a fábula seja conformista, apenas um mero retrato de uma realidade em que não há como vencer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As possibilidades da trajetória se revelaram piores do que a morte. Não há sentido em lutar se não houver como vencer? </span><i><span style="font-weight: 400;">A Sobrevivência da Bondade </span></i><span style="font-weight: 400;">recusa o que seu próprio título propõe e escancara um mundo de violências &#8211; e, se houver um significado por trás de todas elas, cabe ao espectador decidir. Ainda que o ritmo não seja arrastado, a sensação final é que uma hora e meia se estendem, em golpes duros de absorver. Porque, se a bondade existe, ela não sobreviveu.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Official Trailer | The Survival of Kindness" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/YEh_rH8HM54?start=5&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Até os Ossos é a comprovação de que existe amor a primeira vítima</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Mar 2023 16:48:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ludmila Henrique  Existem infinitas histórias no interior da cinematografia, das mais doces e inocentes como o primeiro amor até os temores e a repulsa dos filmes de terror. Luca Guadagnino, cineasta renomado em contabilizar narrativas sobre o amadurecimento e suas vertentes &#8211; como abordado no filme Me Chame Pelo Seu Nome (2017)  e na série &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ate-os-ossos-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Até os Ossos é a comprovação de que existe amor a primeira vítima"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30569" aria-describedby="caption-attachment-30569" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30569" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-1-Ate-os-Ossos.jpg" alt="Cena do filme Até os Ossos. Na imagem temos o personagem Lee, interpretado por Timothée Chalamet, um jovem branco, magro e de cabelos castanhos encaracolados com mechas na cor rosa. Vestindo uma camiseta rosa com detalhes brancos e uma bermuda jeans. Ao lado dele temos Maren Yearly, interpretada por Taylor Russell, uma jovem negra de cabelos ondulados na cor preta, vestindo uma blusa branca e uma saia jeans. Ambos estão em pé nas montanhas, enquanto observam o pôr do sol. " width="750" height="479" /><figcaption id="caption-attachment-30569" class="wp-caption-text">Ovacionado pelo público no Festival de Veneza, Até os Ossos rendeu ao cineasta italiano Luca Guadagnino o prêmio Leão de Prata de Melhor Diretor e a estatueta de Melhor Atriz Revelação para Taylor Russell (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><b>Ludmila Henrique </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existem infinitas histórias no interior da cinematografia, das mais doces e inocentes como o primeiro amor até os temores e a repulsa dos filmes de terror. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rPBXobWTTFA"><span style="font-weight: 400;">Luca Guadagnino</span></a><span style="font-weight: 400;">, cineasta renomado em contabilizar narrativas sobre o amadurecimento e suas vertentes &#8211; como abordado no filme </span><i><span style="font-weight: 400;">Me Chame Pelo Seu Nome </span></i><span style="font-weight: 400;">(2017)  e na série </span><a href="https://personaunesp.com.br/we-are-who-we-are-hbo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">We Are Who We Are</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2020) &#8211; , retorna às telas com </span><i><span style="font-weight: 400;">Até os Ossos</span></i><span style="font-weight: 400;">, longa-metragem que une gêneros clássicos do Cinema, para conduzir o romance entre dois canibais marginalizados pela sociedade em busca de pertencimento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Adaptando o romance de Camille DeAngelis, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bones And All </span></i><span style="font-weight: 400;">segue a trajetória de Maren Yearly (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rltla_yRxKw"><span style="font-weight: 400;">Taylor Russell</span></a><span style="font-weight: 400;">), jovem recém abandonada pelo pai após um incidente em uma festa do pijama. Frank (André Holland), desolado pelo resultado desse acontecimento e perdido sobre o que fazer, decide fugir, deixando a filha apenas com uma fita cassete, compondo gravações pertinentes sobre uma particularidade natural da garota. A jovem, diferente de outros indivíduos, dispõe da incessante necessidade de provar carne humana.</span></p>
<p><span id="more-30565"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao se encontrar sozinha, ausente de respostas e lidando com seus instintos, Maren então percorre um caminho sinuoso em busca de outro vínculo familiar, como o de sua mãe Janelle (Chloe Sevigny). Em meio à nova realidade e euforia, ela esbarra com outras personalidades que guardam a mesma circunstância conflituosa, como o intrigante Lee (Timothée Chalamet), sujeito com o qual se identifica de imediato. Isso, não somente por compartilharem desse impulso </span><a href="https://letterboxd.com/journal/all-consuming-romance-bones-and-all/"><span style="font-weight: 400;">canibal</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas também por ambos vivenciarem uma luta por identidade, tentando desesperadamente encontrar seu lugar no mundo.</span></p>
<figure id="attachment_30568" aria-describedby="caption-attachment-30568" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30568" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-2-Ate-os-Ossos.jpg" alt="Cena do filme Até os Ossos. Na imagem temos o personagem Lee, interpretado por Timothée Chalamet, um jovem branco, magro e de cabelos castanhos encaracolados com mechas na cor rosa. Vestindo uma jaqueta marrom com franjas e detalhes brancos. Lee está sentado em uma das mesas de uma lanchonete e segurando uma xícara branca de café." width="1200" height="628" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-2-Ate-os-Ossos.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-2-Ate-os-Ossos-800x419.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-2-Ate-os-Ossos-1024x536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-2-Ate-os-Ossos-768x402.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30568" class="wp-caption-text">Visceral e apaixonante, Até os Ossos explora as múltiplas indagações do amadurecimento (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Distante do verão italiano de </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-me-chame-pelo-seu-nome/"><i><span style="font-weight: 400;">Me Chame Pelo Seu Nome</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">road movie </span></i><span style="font-weight: 400;">explora o meio-oeste norte americano em meados da década de 1980. Compondo fotografias inteiramente interioranas, o retrato de Arseni Khachaturan divaga pela vegetação rochosa dos apalaches, interligando breves cidades daquela região, com suas mercadorias e eventos locais, sem a intensa agitação das grandes metrópoles. Enquanto Lee e Maren adentram na excursão em busca de Janelle, é visível o amadurecimento e comprometimento dos jovens ao longo da trama, além do crescimento afetivo entre eles.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A conexão entre os dois protagonistas é marcada, sobretudo, pela trilha sonora de Atticus Ross e Trent Reznor, na qual a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=plSbcQqgqSQ"><span style="font-weight: 400;">musicalidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> anuncia os avanços do relacionamento entre os dois conforme entra em cena. Mas notoriamente, a trama </span><i><span style="font-weight: 400;">gore</span></i><span style="font-weight: 400;"> entre dois canibais que se apaixonaram não poderia ser bem arquitetada em tela, com a atenção e a delicadeza necessária, sem a atuação excepcional de atores que compreendessem a fundo esse cenário, algo que foi ministrado brilhantemente por Russell e Chalamet. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lee é um arruaceiro, distante de seguir um sistema social e exercendo suas próprias leis para </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Bp3b6flNEM4"><span style="font-weight: 400;">sobreviver</span></a><span style="font-weight: 400;">. Um personagem quase amorfo, ele apropria-se de elementos de suas vítimas e os toma como seus, integrando-os em sua personalidade plural. Contrário a isso, em virtude de sua situação fugitiva, Maren contém um estilo desconfiado e observador, que não sabe quais pessoas são suscetíveis para se aproximar, tanto por preocupação pela sua segurança, quanto para poder ajudá-la em seu propósito. Apesar de constituírem particularidades distintas, os dois jovens à margem da sociedade partilham da mesma ansiedade de se encontrar no olhar de outra pessoa e de fazer parte de algo que foi retirado deles de alguma forma.</span></p>
<figure id="attachment_30567" aria-describedby="caption-attachment-30567" style="width: 4000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30567 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-3-Ate-os-Ossos.jpg" alt="Cena do filme Até os Ossos. Na imagem temos o personagem Lee, interpretado por Timothée Chalamet, um jovem branco, magro e de cabelos castanhos encaracolados com mechas na cor rosa. Vestindo uma camiseta com mangas compridas na cor branca e uma calça jeans. Ao lado dele temos Maren Yearly, interpretada por Taylor Russell, uma jovem negra de cabelos ondulados na cor preta, vestindo uma jaqueta marrom. Ambos estão ao ar livre, encostados em um tronco de árvore." width="4000" height="2666" /><figcaption id="caption-attachment-30567" class="wp-caption-text">A divulgação da obra entra na nova onda de produções que tratam sobre a mesma temática do canibalismo, como a série Dahmer: Um Canibal Americano, da Netflix, e o O Menu (2022), dirigido por Mark Mylod (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Marcando o horror e os ápices disformes do </span><a href="https://darkside.blog.br/filmes-sobre-canibalismo/"><span style="font-weight: 400;">canibalismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> em tela, o personagem de Mark Rylance, Sully, expele desde sua roupagem até os trejeitos tudo que há de mais esdrúxulo em todo o filme. Em gênese, Sully incorpora um tremor memorável durante sua aparição, enquadrando uma personalidade nauseante, complexa e cheia de camadas. Sendo, provavelmente, o “</span><i><span style="font-weight: 400;">eater</span></i><span style="font-weight: 400;">” mais velho encontrado por Maren, ele representa um modelo de como o canibalismo pode afligir uma pessoa a longo prazo. </span><i><span style="font-weight: 400;">Até os Ossos </span></i><span style="font-weight: 400;">mostra como a solidão é presente entre os antropófagos, levando cada indivíduo a viver da forma que dá, procurando preencher todos os vãos da solitude e desejando sistematicamente o vínculo com outras pessoas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Guadagnino, diferente dos demais cineastas que já abordaram a antropofagia em seus filmes &#8211; como o desconcertante </span><i><span style="font-weight: 400;">Holocausto Canibal</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1980), dirigido por Ruggero Deodato, e o prestigiado </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Lr3OavheNu0"><i><span style="font-weight: 400;">Hannibal</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2001), de Ridley Scott -, opta por capturar particularmente a intensidade da tentação que move os “comedores” a realizarem o ato, ao invés da selvageria. Obviamente, a visceralidade está presente no cenário, mas não é a única em cena. O diretor, em um olhar poético sobre a trama, por vezes afasta, com muita sensatez, a brutalidade da câmera, para que a violência não domine por completo o longa-metragem, ocasionando extremos ou desconversando quando a narrativa regressa novamente para o lado mais sensível e romântico do casal.</span></p>
<figure id="attachment_30566" aria-describedby="caption-attachment-30566" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30566" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-4-Ate-os-Ossos.webp" alt="Cena do filme Até os Ossos. Na imagem temos o personagem Lee, interpretado por Timothée Chalamet, um jovem branco, magro e de cabelos castanhos encaracolados com mechas na cor rosa. Vestindo uma camiseta e bermuda bege. Ao lado dele temos Maren Yearly, interpretada por Taylor Russell, uma jovem negra de cabelos ondulados na cor preta, vestindo uma regata e um shorts bege. Ambos estão ao ar livre, encostados em uma rocha, perto de um riacho." width="1024" height="601" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-4-Ate-os-Ossos.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-4-Ate-os-Ossos-800x470.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-4-Ate-os-Ossos-768x451.webp 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30566" class="wp-caption-text">Maren e Lee compartilham um momento transformador e significativo em meio à realidade que assombra a jornada (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pjMt1MIk2EA"><i><span style="font-weight: 400;">Até os Ossos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é paraíso e Inferno na mesma proporção. Uma brincadeira imersiva entre os padrões clássicos, uma carta de amor para os amantes apaixonados e um balde de sangue para os adoradores de </span><i><span style="font-weight: 400;">thrillers</span></i><span style="font-weight: 400;">. Marcante do início ao fim, inteirando uma narrativa tanto desesperançada quanto acolhedora, o filme dança ao passo de uma só nota. Um memorial do arrebatamento da juventude e dos direcionamentos que nos levam a sermos quem somos, e as consequências disso. </span></p>
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		<title>Argentina, 1985 é um grito de basta às mazelas da ditadura</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Feb 2023 13:51:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gomes Santana “Eu não sou advogado de ninguém, meu papel como promotor de justiça é acusar”. Assim se impôs Julio Strassera, responsável por um dos julgamentos mais importantes para a democracia ocidental e protagonista de Argentina, 1985. Baseado em fatos reais, o longa dirigido por Santiago Mitre traz à tona o processo que condenou &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/argentina-1985-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Argentina, 1985 é um grito de basta às mazelas da ditadura"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29717" aria-describedby="caption-attachment-29717" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29717" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-3.png" alt="Cena do filme Argentina, 1985, em que Ocampo (à esquerda) e Strassera (à direita) se reúnem em uma lanchonete para discutir sobre as estratégias de acusação que serão utilizadas no julgamento . Na imagem podemos ver as feições de Moreno Ocampo e Júlio Strassera sentados (um de frente para o outro), lado a lado, enquanto pedem dois lanches em uma bancada de restaurante. Ocampo é um jovem branco (aparentemente com os seus 30 anos de idade), ruivo, cabelo e barba encaracolados. Strassera é um senhor no auge de seus 65 anos, branco, cabelo liso preto, possui bigode denso e usa óculos garrafais. Strassera está com um cigarro aceso em mãos fazendo gestos para chamar a atenção de seu colega promotor, Moreno Ocampo. O jovem está com o olhar fixo prestando atenção nas palavras de Júlio." width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-29717" class="wp-caption-text">Mais do que um filme, Argentina, 1985 é uma aula de dever à cidadania e exemplo de compromisso público com a democracia (Foto: Prime Video)</figcaption></figure>
<p><strong>Gabriel Gomes Santana</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu não sou advogado de ninguém, meu papel como promotor de justiça é acusar</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Assim se impôs Julio Strassera, responsável por um dos julgamentos mais importantes para a democracia ocidental e protagonista de </span><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i><span style="font-weight: 400;">. Baseado em fatos reais, o longa dirigido por Santiago Mitre traz à tona o processo que condenou os crimes contra os direitos humanos cometidos pelos ex-comandantes da ditadura no País. Disponível na plataforma de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming </span></i><span style="font-weight: 400;">da </span><a href="https://www.primevideo.com/detail/0HM2CPRAN241K811SGWRRH09BF/ref=atv_dp_share_cu_r"><i><span style="font-weight: 400;">Amazon Prime</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a obra expõe a coragem e persistência de agentes públicos que se comprometeram a enfrentar um sistema repressivo e assassino.</span></p>
<p><span id="more-29716"></span></p>
<p><b>Ficção e realidade se misturam</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na tentativa de se aproximar da realidade, o filme apresenta um panorama histórico completo e bem aprofundado sobre o período de recente democratização do país </span><i><span style="font-weight: 400;">hermano</span></i><span style="font-weight: 400;">. Instaurada na Argentina de 1976 a 1983, a </span><a href="https://paineira.usp.br/memresist/?page_id=239"><span style="font-weight: 400;">última ditadura</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a nação enfrentou ficou marcada por um regime autoritário, repressivo, sangrento e que deixou traumas e feridas abertas até hoje. Ainda que pairasse no ar um sentimento de retomada do poder popular, já com o fim dos governos militares, todos os crimes cometidos até aquela ocasião deixavam perguntas sem respostas através de um sentimento de injustiça dominante perante a sociedade platina. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como aconteceu na Segunda Guerra, no caso do imprescindível </span><a href="https://www.politize.com.br/tribunal-de-nuremberg/"><span style="font-weight: 400;">Tribunal de Nuremberg</span></a><span style="font-weight: 400;">, mais do que dar um basta à barbárie, era necessário encontrar os culpados pelas torturas, assassinatos e massacres. Afinal, não é ao acaso que a estimativa sobre o número de assassinados pelo comando militar argentino ultrapassa a casa dos </span><a href="https://operamundi.uol.com.br/hoje-na-historia/3368/hoje-na-historia-1976-golpe-militar-instaura-ditadura-na-argentina"><span style="font-weight: 400;">30 mil </span></a><span style="font-weight: 400;"> durante os sete anos de sua cruel permanência. Ainda que tentasse esconder, uma boa parcela da população ansiava por um julgamento que criminalizasse os </span><a href="https://www.scielo.br/j/civitas/a/nDGjYwxgPF6j8s5fX4fMMVK/?lang=pt&amp;format=pdf"><span style="font-weight: 400;">engenheiros deste caos</span></a><span style="font-weight: 400;">. É a partir daí que a trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i><span style="font-weight: 400;"> se inicia.</span></p>
<figure id="attachment_29718" aria-describedby="caption-attachment-29718" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29718" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-4.png" alt="Cena do filme Argentina, 1985, em que Strassera e Ocampo conversam com uma senhora de idade, ativista do movimento das Mães da Praça de Maio. Strassera aparece apoiando seu braço em um dos bancos do público que acompanha a sessão do julgamento, enquanto uma senhora, que está sentada olhando para Strassera atentamente se inclina para escutar o que o promotor tem a dizer. Esta senhora aparenta ter uma idade avançada, na casa dos 70 anos de idade e usa um lenço típico das ativistas que protestam pelo desaparecimento de seus filhos e netos, vítimas da perseguição imposta pelo autoritarismo de Videla." width="512" height="384" /><figcaption id="caption-attachment-29718" class="wp-caption-text">Nada mais desesperador do que uma mãe que clama por seu filho (Foto: Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1983, ano da retomada eleitoral argentina, o então candidato Raúl Alfonsín se elegera através de um discurso que evocava angústia sobre o desaparecimento de milhares de pessoas, tendo o apoio das </span><a href="https://www.socialistamorena.com.br/para-nao-esquecer-a-historia-das-maes-da-plaza-de-mayo-na-argentina/"><span style="font-weight: 400;">Mães da Praça de Maio</span></a><span style="font-weight: 400;">. O movimento foi crucial para que os argentinos se sensibilizassem com a dor de mães e avós que procuravam o paradeiro de seus filhos e netos (muitas continuam em busca de respostas até hoje). Quando Alfonsín assumiu a cadeira presidencial, a imprensa acreditou que, em um primeiro momento, seu governo teria um caráter conciliador, mas ele provou o contrário, sendo bastante afrontoso: colocou nove ex-comandantes militares no banco dos réus para responderem sobre crimes contra humanidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por conta desta brilhante e corajosa decisão, dois anos depois do decreto, a figura do promotor Julio Strassera se fez presente. No longa, ele nos envolve em uma aventura judicial que vai atrás de provas concretas, aliadas a fortes depoimentos de vítimas sobreviventes das sessões de torturas físicas e psicológicas empreendidas por </span><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/morre-aos-87-anos-o-ex-ditador-argentino-jorge-rafael-videla-eguinkcv3uy8hnirb2fzltc26/#:~:text=Videla%20governou%20o%20pa%C3%ADs%20sul,argentina%20(1976%2D1983)."><span style="font-weight: 400;">Videla</span></a><span style="font-weight: 400;"> e seus sucessores. O </span><i><span style="font-weight: 400;">gran finale</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i><span style="font-weight: 400;"> estabelece um basta às atrocidades da ditadura. Pelo menos, esse é o sentimento que o filme traz e que, infelizmente, </span><a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/especiais/arquivo-s/ha-40-anos-lei-de-anistia-preparou-caminho-para-fim-da-ditadura"><span style="font-weight: 400;">não ocorreu da mesma maneira no Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas que pôde dar luz a algumas dicotomias.</span></p>
<figure id="attachment_29721" aria-describedby="caption-attachment-29721" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29721" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-1.png" alt="Cena do filme Argentina, 1985, em que uma mulher é chamada para dar seu testemunho sobre a tortura que sofreu na época do regime. Ela aparece de pé em frente a dois microfones de depoimento, bem centralizada em primeiro plano da imagem. Ao fundo podemos ver a bancada das pessoas que assistem ao julgamento. Ela é uma mulher branca, magra, de cabelo curto, com uma expressão séria e com olhar fixado em direção à câmera frontal. Ela veste um blazer caramelo formal, específico dos anos 1980, junto a uma camisa social de gola V por baixo. Ela carrega uma bolsa preta no ombro esquerdo" width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-29721" class="wp-caption-text">Nada como um relato angustiante e terrível para expor os erros que não devem ser repetidos (Foto: Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A principal destas contradições diz respeito à </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/explicado/2021/02/21/Lei-de-Anistia-do-al%C3%ADvio-na-reabertura-%C3%A0-impunidade-militar"><span style="font-weight: 400;">Lei de Anistia</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma vez que livrou perseguições políticas, mas deixou as atrocidades militares por debaixo dos panos da história. A grande reflexão por trás da película diz respeito ao </span><i><span style="font-weight: 400;">modus operandi </span></i><span style="font-weight: 400;">reforçado em não apagar memórias. À sua maneira, diversos trechos da narrativa abordam como o país consegue discutir suas dívidas com o passado, demonstrando como a defesa democrática passa, antes de tudo, por uma isonomia de direitos e respeita a atuação autônoma entre os poderes do Executivo e Judiciário. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nossos </span><i><span style="font-weight: 400;">hermanos</span></i><span style="font-weight: 400;"> estão longe de ser um povo sem defeitos, mas é justamente a coragem de lidar com o desagradável e expô-lo para a opinião pública que lhes sobra resiliência para seguir em frente debatendo temas cruciais. Recentemente, a </span><a href="https://g1.globo.com/hora1/noticia/2022/09/20/as-raizes-da-crise-economica-argentina-entenda-o-historico-da-economia-no-pais.ghtml"><span style="font-weight: 400;">dura crise financeira</span></a><span style="font-weight: 400;"> que o país enfrenta pode ser um exemplo disso. Apesar de todas as discussões (extremamente necessárias) acerca do cenário sociopolítico, o futebol mostrou, mais uma vez, o quanto o povo se </span><a href="https://medium.com/o-contra-ataque/de-palco-da-copa-do-mundo-a-pris%C3%A3o-pol%C3%ADtica-aee820532e94"><span style="font-weight: 400;">une em prol de um mesmo objetivo</span></a><span style="font-weight: 400;">. A cultura popular tem o papel fundamental de estímulo à superação, assim como </span><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985 </span></i><span style="font-weight: 400;">também cumpre essa missão ao exemplificar aquilo que jamais deve ser tolerado.</span></p>
<figure id="attachment_29720" aria-describedby="caption-attachment-29720" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29720" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-2.png" alt="Cena do filme ‘Argentina, 1985’ em que Strassera aparece junto de sua equipe investigadora na promoção do inquérito que reuniu as denúncias e provas contra as juntas militares argentinas. Na imagem estão presentes, além de Ocampo e Strassera, mais 8 pessoas que participam da equipe auxiliar dos promotores. As dez pessoas que aparecem nesta imagem são brancas. Destas, apenas 3 são mulheres, uma possui cabelo ruivo e cacheado. Strassera aparece centralizado e à frente dos demais colegas." width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-29720" class="wp-caption-text">O sorriso daqueles que defendem a democracia é diferente (Foto: Prime Video)</figcaption></figure>
<p><b>O grande trunfo </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitas produções cinematográficas apostam suas fichas em um </span><a href="https://esportes.yahoo.com/noticias/morreu-promotor-julgamento-hist%C3%B3rico-chefes-ditadura-argentina-152727144.html?guccounter=1&amp;guce_referrer=aHR0cHM6Ly93d3cuZ29vZ2xlLmNvbS8&amp;guce_referrer_sig=AQAAALsKt18Xem5PEdwdAbDwVDHttWkyS4NoOaBW42RupPZJYY1PC5_QRRz0Jti5CsxRQ74UzGAo8iThEH7HHuET8Meb7Als0dUH4vnnbwqlq6hVGrAZxZctk5qOx6AjbUuDE67qgd7CpTcne7CI3i6TJQBIaCzHIBp3rEGWPARarptC"><span style="font-weight: 400;">elemento técnico que se sobressai</span></a><span style="font-weight: 400;"> com sutileza e vigor. A grosso modo, musicais, por exemplo, tendem a valorizar a escolha de uma trilha sonora de impacto e que vá de encontro com a proposta original e estética. No caso do longa, o grande trunfo se baseia na caracterização e atuação dos personagens. Interpretados por Ricardo Darín e Juan Pedro Lanzani, as figuras de Júlio Strassera e Luís Ocampo, respectivamente, são idênticas aos promotores originais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além da semelhança física com as pessoas reais que estiveram à frente do processo, é impressionante analisar o perfil satírico e dramático presentes em ambas personalidades na ficção. </span><a href="https://esportes.yahoo.com/noticias/morreu-promotor-julgamento-hist%C3%B3rico-chefes-ditadura-argentina-152727144.html?guccounter=1&amp;guce_referrer=aHR0cHM6Ly93d3cuZ29vZ2xlLmNvbS8&amp;guce_referrer_sig=AQAAALsKt18Xem5PEdwdAbDwVDHttWkyS4NoOaBW42RupPZJYY1PC5_QRRz0Jti5CsxRQ74UzGAo8iThEH7HHuET8Meb7Als0dUH4vnnbwqlq6hVGrAZxZctk5qOx6AjbUuDE67qgd7CpTcne7CI3i6TJQBIaCzHIBp3rEGWPARarptC"><span style="font-weight: 400;">Strassera é um homem experiente</span></a><span style="font-weight: 400;">, com um olhar atento a tudo e a todos. Porém, seu temperamento frágil o coloca em situações embaraçosas que, embora demonstrem seriedade diante das ameaças sofridas, são um tanto quanto cômicas devido a sua reação, tentando transmitir controle e calma, só que de um jeito desgovernado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ocampo, por outro lado, é o ‘aprendiz caxias’, esforçado em trazer resultados para as incógnitas complexas dos problemas apresentados pelas testemunhas. É curioso notar o quanto ele acaba quebrando a cara ao entender que nem tudo é tão simples e racional quanto parece, sobretudo diante de uma </span><a href="https://periodicos.unb.br/index.php/les/article/view/7534"><span style="font-weight: 400;">sociedade ainda fragilizada pelo medo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma tirania tão influente no imaginário coletivo da época. Parente de militares, o jovem promotor adjunto representa o clichê necessário do ‘</span><a href="https://www.polifonia.com.br/blogpoli/2018/1/9/luke-skywalker-e-a-jornada-do-heri"><span style="font-weight: 400;">padawan</span></a><span style="font-weight: 400;">’ ansioso que se espelha num sábio ‘jedi’ atrapalhado. </span></p>
<figure id="attachment_29722" aria-describedby="caption-attachment-29722" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29722" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image.png" alt="Fotografia original do julgamento que condenou os ex-generais do exército argentino no ano de 1985. Na imagem podemos ver as feições de Moreno Ocampo e Júlio Strassera sentados (ao canto direito da foto), lado a lado, enquanto encaram os militares, centralizados na imagem, que estão alinhados no banco dos réus. Ocampo é um jovem branco (aparentemente com os seus 30 anos de idade), ruivo, cabelo e barba encaracolados. Strassera é um senhor no auge de seus 65 anos, branco, cabelo liso preto, possui bigode denso e usa óculos garrafais. Os ex-comandantes que estão ao centro são todos homens brancos e, aparentemente, mais velhos." width="512" height="353" /><figcaption id="caption-attachment-29722" class="wp-caption-text">Ocampo e Strassera olhando fixamente para os responsáveis da tortura (Foto: BBC News Brasil)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O Teatro possivelmente contribuiu para uma das maiores e mais difíceis habilidades no campo da atuação: a improvisação. Mesmo que no Cinema o produto final seja gravado e editado em cortes, é possível observar quando uma equipe ensaiou uma sequência cênica e quando não. A </span><a href="https://revistadecinema.com.br/2014/08/a-importancia-dos-dialogos-para-a-narrativa-cinematografica/"><span style="font-weight: 400;">espontaneidade dos diálogos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i><span style="font-weight: 400;"> alia-se à autonomia de Mitre em escolher trechos que, assustadoramente, poderiam acontecer na vida real sem serem previamente pensados. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diversas cenas do filme reproduzem o recurso da improvisação e trazem um toque magistral ao aproximar o espectador ao elenco da trama. Os relatos das vítimas e testemunhas parecem ser direcionados a quem assiste, tornando-os ainda mais comoventes e </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-convidadas-critica/"><span style="font-weight: 400;">emocionantes</span></a><span style="font-weight: 400;">. Da mesma forma são os diálogos da família Strassera, dando a impressão de que o quinto elemento participante das discussões seja a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kNKSPMj-B5w"><span style="font-weight: 400;">quarta parede</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Em nenhum momento a obra tem a intenção de quebrar essa barreira. Estes detalhes são fruto de uma qualidade fílmica ímpar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No Brasil, o público tem o hábito de classificar todo longa-metragem que não tenha os padrões hollywoodianos como alternativos e </span><i><span style="font-weight: 400;">cult</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i><span style="font-weight: 400;"> está longe disso. Os parâmetros criativos adotados pelos roteiristas Santiago Mitre e Mariano Llinás, se não superam, são equivalentes a qualquer </span><a href="https://apostiladecinema.com.br/tempo-de-matar/"><span style="font-weight: 400;">clássico de embate jurídico</span></a><span style="font-weight: 400;">. Não à toa, desde que foi lançada no segundo semestre de 2022, a obra tem percorrido os principais </span><a href="https://portalpopline.com.br/campanha-filme-argentina-1985-oscar/"><span style="font-weight: 400;">festivais internacionais de Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">, dentre eles, um dos principais: Veneza.</span></p>
<figure id="attachment_29719" aria-describedby="caption-attachment-29719" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29719" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Darin-e-Mitre.png" alt="Fotografia de Ricardo Darín (protagonista da obra) e Santiago Mitre (diretor e produtor) juntos recebendo o Globo de Ouro, prêmio do festival ‘Golden Globe Awards’. Ambos aparecem de smoking, sorridentes e abraçados. Darin está à esquerda e Mitre aparece à direita carregando a estatueta vencedora da categoria de melhor filme estrangeiro. Santiago Mitre é um homem branco, alto, de cabelo liso e barba falhada. Ao fundo da imagem há um banner de identificação do evento." width="512" height="384" /><figcaption id="caption-attachment-29719" class="wp-caption-text">Vencedores do Globo de Ouro, Darín e Mitre celebraram o Globo de Ouro em clima de Copa do Mundo (Foto: Uol)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Indicado e candidato favorito ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2023</span></a><span style="font-weight: 400;"> na categoria de Melhor Filme Internacional, a obra é representatividade máxima na América Latina. O trabalho empenhado pelas lentes de Mitre não apenas foi aplaudido pelos críticos durante nove minutos, quando exibido pela primeira vez na cidade italiana, como também consagrou-se vencedor do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/globo-de-ouro/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Depois da Copa do Mundo, é uma grande alegria</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;, comemorou </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/entre-telas/filmes/ricardo-darin-comemora-globo-de-ouro-de-argentina-1985-em-clima-de-copa-do-mundo,07550f609cda05bf974e86b920ed5cf4uelgxydv.html"><span style="font-weight: 400;">Ricardo Darín</span></a><span style="font-weight: 400;">, cheio de emoção. Pode-se dizer que tal feito é semelhante à comparação do ator, uma vez que se destacou entre potentes internacionais, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Decision to Leave</span></i><span style="font-weight: 400;"> (Coréia do Sul), </span><i><span style="font-weight: 400;">RRR </span></i><span style="font-weight: 400;">(Índia) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/nada-de-novo-no-front-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (Alemanha).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vanguarda na arte de fazer excelentes filmes, a Argentina se destaca como um dos países que são referência quando </span><a href="https://www.institutodecinema.com.br/mais/conteudo/10-filmes-para-conhecer-o-cinema-argentino"><span style="font-weight: 400;">o assunto é Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">. Embora cada obra, diretor, produtor e roteirista tenham perspectivas singulares e distintas, é interessante destacar como a cultura local consegue executar com maestria a transparência dos estereótipos de seu povo. O combo de ricas emoções, contradições e um jeito peculiar de dramatizar assuntos sérios através de um alívio cômico, faz do enredo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985 </span></i><span style="font-weight: 400;">o mais puro </span><a href="https://universoesporte.com.br/maradona-a-despedida-de-um-genio/"><span style="font-weight: 400;">suco argentino possível</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Maradona</span></i><span style="font-weight: 400;">, série bibliográfica sobre o grande ícone e camisa 10 </span><i><span style="font-weight: 400;">hermano</span></i><span style="font-weight: 400;"> é outro exemplo disso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez seja por essa razão que a originalidade e talento dos atores envolvidos no filme</span> <span style="font-weight: 400;">tenha atraído o carisma dos espectadores, sobretudo dos países latinos. Trazer à tona as lembranças de um passado sombrio, infelizmente comum aos países do Cone Sul, é fundamental, não apenas por uma questão de representatividade. Também, para que as sociedades civis destas nações jamais se esqueçam como se deu a </span><a href="https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2023/01/08/bolsonaristas-congresso-policia.htm"><span style="font-weight: 400;">conjuntura golpista</span></a><span style="font-weight: 400;"> que elevou as desigualdades sociais e, ainda hoje, colocam em risco a democracia. </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/ensaio/2022/12/10/E-se-o-filme-%E2%80%98Argentina-1985%E2%80%99-inspirasse-o-Brasil-de-2023"><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não traz uma história inusitada sobre uma trama de ficção. Ele simboliza o quanto o povo, quando protegido por agentes públicos sérios, é capaz de defender direitos sem passar </span><a href="https://portal.unila.edu.br/editora/livros/e-books/cinelatino.pdf"><span style="font-weight: 400;">panos quentes na história</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>Don’t Worry Darling: nós não nos preocupamos o suficiente</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Nov 2022 20:02:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Laura Ferreira Para além de roteiro, atuação, direção e produção, parte importante do que faz um filme ser ou não um sucesso quando entra em cartaz é o seu marketing. Mas o que acontece quando aqueles que encabeçam a obra estão tão preocupados com sua imagem na mídia que o longa fica em segundo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/dont-worry-darling-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Don’t Worry Darling: nós não nos preocupamos o suficiente"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29229" aria-describedby="caption-attachment-29229" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29229" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-1.jpg" alt="A imagem mostra Florence Pugh, mulher branca, de cabelos loiros e olhos claros, em um close. Seu rosto está enquadrado bem ao centro da imagem e suas duas mãos aparecem na frente. Ela tem os cabelos bagunçados e suados." width="1200" height="491" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-1-800x327.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-1-1024x419.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-1-768x314.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29229" class="wp-caption-text">Não Se Preocupe, Querida chegou aos cinemas brasileiros no dia 22 de setembro (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Laura Ferreira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além de roteiro, atuação, direção e produção, parte importante do que faz um filme ser ou não um sucesso quando entra em cartaz é o seu </span><i><span style="font-weight: 400;">marketing</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mas o que acontece quando aqueles que encabeçam a obra estão tão preocupados com sua imagem na mídia que o longa fica em segundo plano? A resposta para isso pode ser facilmente vista e destrinchada com o desenvolvimento de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=FgmnKsED-jU"><i><span style="font-weight: 400;">Não Se Preocupe, Querida</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dirigido por Olivia Wilde e protagonizado por Florence Pugh, que tem seus pontos positivos contados nos dedos de uma mão.</span></p>
<p><span id="more-29224"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme traz a história de Alice e Jack, interpretados por Florence e </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=Harry+Styles"><span style="font-weight: 400;">Harry Styles</span></a><span style="font-weight: 400;">, um casal modelo que vive o melhor de sua relação. Alice é a típica dona de casa dos anos cinquenta: lava, passa e cozinha enquanto o marido sai para trabalhar no Projeto Vitória, do qual ela pouco sabe. Entretanto, as coisas começam a fugir do controle ao que Margareth, personagens de Kiki Layne, desperta questionamentos naquela comunidade exemplar. E é entre segredos escondidos debaixo dos panos que a narrativa se desenrola.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Citando diretamente </span><a href="https://personaunesp.com.br/folklore-critica/"><span style="font-weight: 400;">Taylor Swift</span></a><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">eu acho que já vi esse filme, e não gostei do final</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Apesar de ter um roteiro com grande potencial, é na mesmice que o longa apoia seu desenvolvimento, confortável com a previsibilidade de seus acontecimentos para promover rostos que não são tão importantes para o enredo. Após a cabine de imprensa do </span><a href="https://www.omelete.com.br/festival-de-veneza/2022-destaques-selecao"><span style="font-weight: 400;">Festival de Veneza de 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">, no qual a obra teve sua primeira exibição, as críticas se mantiveram medianas. Inclusive, podendo ser resumidas na resenha do jornal </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2022/sep/05/dont-worry-darling-review-panic-harry-styles-drama-offers-cause-for-concern"><i><span style="font-weight: 400;">The Guardian</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que descreveu </span><i><span style="font-weight: 400;">Don’t Worry Darling, </span></i><span style="font-weight: 400;">título original, como “</span><i><span style="font-weight: 400;">um filme abandonado em um deserto de falta de originalidade – e o deserto não floresce</span></i><span style="font-weight: 400;">.&#8221;</span></p>
<figure id="attachment_29233" aria-describedby="caption-attachment-29233" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29233" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/21dwd1-1-ae92-superJumbo.jpg" alt="Florence Pugh, mulher branca, aparece com uma roupa branca e os cabelos loiros presos. Ela está de perfil. Ao lado dela está Harry Styles, homem branco, de cabelos castanhos curtos e olhos claros, usando um terno preto. Ele está com o cotovelo apoiado em uma mesa à frente deles, e mexe em um copo. Ele tem um anel dourado no dedo indicador. Ao fundo há uma janela e um abajur." width="2048" height="1365" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/21dwd1-1-ae92-superJumbo.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/21dwd1-1-ae92-superJumbo-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/21dwd1-1-ae92-superJumbo-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/21dwd1-1-ae92-superJumbo-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/21dwd1-1-ae92-superJumbo-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/21dwd1-1-ae92-superJumbo-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29233" class="wp-caption-text">No índice Rotten Tomatoes, o filme atingiu apenas 38% de aprovação da crítica especializada (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, há uma unanimidade entre a crítica especializada e o público, e ela é </span><a href="https://personaunesp.com.br/viuva-negra-critica/"><span style="font-weight: 400;">Florence Pugh</span></a><span style="font-weight: 400;">. Uma das atrizes mais promissoras de sua geração, Pugh é capaz de fazer milagres com quase nada, em sua atuação digna de </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mesmo com diálogos fracos, um desenvolvimento maçante e pouco espaço para que os personagens criem personalidades próprias, Florence faz de Alice um farol em meio ao mar de falta de criatividade, prendendo nossa atenção por todo o longa. É fato dizer que sem ela não existiria filme, já que poucos atores e atrizes teriam talento e desenvoltura suficientes para carregar uma narrativa desse tipo nas costas &#8211; e ainda como se não fizessem esforço.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um contraste maior do que os fãs do cantor esperavam encontrar, está Harry Styles, intérprete do antagonista do longa &#8211; mas que poderia ser facilmente esquecido depois de 20 minutos de duração. A atuação de Styles não é horrível, muito menos maravilhosa: se mantém na média para o contexto do ator iniciante, um </span><i><span style="font-weight: 400;">expert </span></i><span style="font-weight: 400;">no ramo da música. O que mais prejudica nossa conexão com Jack é a falta de modulação vocal e facial para dar intensidade às cenas: ele parece manter sempre a mesma reação, tornando-o esquecível em meio ao enredo. Se no fim Jack não fosse tão crucial para o desfecho da história, as críticas sobre ele também não seriam tão pesadas. Porém, é importante destacar que um trabalho de direção mais intenso por parte de Wilde poderia ter prevenido e melhorado boa parte das cenas de Styles, como aconteceu em </span><a href="https://personaunesp.com.br/dunkirk-critica-nolan/"><i><span style="font-weight: 400;">Dunkirk</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2017),</span> <span style="font-weight: 400;">sob os comandos de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tenet-critica/"><span style="font-weight: 400;">Christopher Nolan</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Não Se Preocupe, Querida</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda conta com diversos nomes de peso em seu elenco, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/eternos-critica/"><span style="font-weight: 400;">Gemma Chan</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/mulher-maravilha-1984-critica/"><span style="font-weight: 400;">Chris Pine</span></a><span style="font-weight: 400;">, os quais são pouco utilizados ou aprofundados. Esse chega a ser um argumento redundante quando todos os problemas do filme se resumem em uma falta de aprofundamento. O roteiro não é explorado o suficiente, os personagens não são bem construídos, o</span><i><span style="font-weight: 400;"> plot twist</span></i><span style="font-weight: 400;"> é previsível e pouco inovador porque não se desenvolve, e assim caímos em um ciclo tedioso por mais de duas horas.</span></p>
<figure id="attachment_29230" aria-describedby="caption-attachment-29230" style="width: 4448px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29230" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/gemma-chan-dont-worry-darling.png" alt="Gemma Chan, mulher de origem asiática cabelos médios castanhos e olhos escuros, aparece ao centro da imagem com um vestido florido. Ela sorri e ao fundo há algumas montanhas, uma escultura cubista azul, algumas espreguiçadeiras amarelas e uma árvore." width="4448" height="2669" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/gemma-chan-dont-worry-darling.png 4448w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/gemma-chan-dont-worry-darling-800x480.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/gemma-chan-dont-worry-darling-1024x614.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/gemma-chan-dont-worry-darling-768x461.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/gemma-chan-dont-worry-darling-1536x922.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/gemma-chan-dont-worry-darling-2048x1229.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/gemma-chan-dont-worry-darling-1200x720.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29230" class="wp-caption-text">O roteiro de Don’t Worry Darling foi assinado por Katie Silberman, de Plano Imperfeito e Booksmart, também dirigido por Wilde (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, o que torna </span><i><span style="font-weight: 400;">Don’t Worry Darling</span></i><span style="font-weight: 400;"> ruim não é sua superficialidade, já que muitos filmes &#8211; como </span><a href="https://personaunesp.com.br/de-volta-aos-15-critica/"><span style="font-weight: 400;">comédias românticas clichês</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; conseguem se manter divertidos e nos entreter mesmo com essas características, mas sim a frustração causada por ele. Construído em uma cadência que nunca chega ao seu ápice, nos vemos durante todo o longa a espera de um grande acontecimento, que fica apenas para os últimos 15 minutos e, ainda assim, não supre as necessidades que a própria obra cria no telespectador. Também é frustrante ver papéis como o de Margareth &#8211; que vale constar, é a única personagem negra com importância narrativa &#8211; ser morta logo no primeiro ato e esquecida pelo resto da trama, quando tinha tanto a oferecer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Kiki Layne, a atriz por trás da figura, </span><a href="https://oquartonerd.com.br/30-09-2022-cenas-de-kiki-layne-em-dont-worry-darling-teriam-sido-cortadas/"><span style="font-weight: 400;">chegou a se pronunciar</span></a><span style="font-weight: 400;"> em seu </span><i><span style="font-weight: 400;">Instagram </span></i><span style="font-weight: 400;">sobre como boa parte de suas cenas foram cortadas para a exibição final. Layne tinha mais a nos mostrar, assim como a Shelly de Gemma Chan, que passa o longa inteiro escondida por uma falta de destaque narrativo, quando na verdade tinha em suas mãos o poder de dar a </span><i><span style="font-weight: 400;">Não Se Preocupe, Querida</span></i><span style="font-weight: 400;"> o refresco de originalidade que tanto precisávamos. A frustração apenas se completa quando vemos personagens sem importância alguma para o enredo, como Bunny (interpretada pela própria diretora, Olivia Wilde), ganharem tantos momentos tediosos, roubando o lugar dos verdadeiros protagonistas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A enrolação de mais de uma hora e meia, com a justificativa de um suposto desenvolvimento que roda e roda sem sair do lugar, acaba causando ao filme mais um problema. Pontas soltas não são necessariamente algo ruim, e produções como </span><a href="https://personaunesp.com.br/midsommar-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Midsommar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019)</span> <span style="font-weight: 400;">são a prova disso. É realmente divertido sair do cinema teorizando e revisitando uma obra várias vezes em nossa memória para encontrar uma solução. Entretanto, produções bem construídas entregam as perguntas e também os caminhos para chegarmos às conclusões nós mesmos. Já </span><i><span style="font-weight: 400;">Don’t Worry Darling </span></i><span style="font-weight: 400;">apenas abre vários questionamentos e encerra sem nenhuma resposta, adicionando mais um desapontamento à lista.</span></p>
<figure id="attachment_29231" aria-describedby="caption-attachment-29231" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29231" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4795976.jpg-r_1280_720-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Florence Pugh, mulher branca, de cabelos loiros presos em um coque, aparece de costas para a imagen e de frente para um espelho. Ela usa uma roupa de balé preta. No reflexo do espelho há Kiki Layne, mulher negra, de cabelos compridos castanhos e olhos castanhos, usando um vestido rosa claro. Kiki imita o movimento de Florence com a mão direita erguida. No reflexo há também outras bailarinas ao fundo." width="1280" height="638" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4795976.jpg-r_1280_720-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4795976.jpg-r_1280_720-f_jpg-q_x-xxyxx-800x399.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4795976.jpg-r_1280_720-f_jpg-q_x-xxyxx-1024x510.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4795976.jpg-r_1280_720-f_jpg-q_x-xxyxx-768x383.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4795976.jpg-r_1280_720-f_jpg-q_x-xxyxx-1200x598.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29231" class="wp-caption-text">O portal Cine+ definiu Não Se Preocupe, Querida “como se Olivia Wilde assistisse Corra e sentisse que poderia fazer a versão da mulher branca” (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além do que podemos ver em tela, um dos grandes responsáveis pelo desfecho do filme foram as fofocas de bastidores, que ganharam mais destaque que a própria narrativa. Depois de mudanças na interpretação do personagem Jack &#8211; em um primeiro momento, cotado para ser vivido por </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/2022/shia-labeouf-mentiu-vitima-abuso-crianca.html"><span style="font-weight: 400;">Shia LaBeouf</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e um vai e vem de informações cruzadas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Não Se Preocupe, Querida</span></i><span style="font-weight: 400;"> furou a bolha do nicho de </span><i><span style="font-weight: 400;">thrillers </span></i><span style="font-weight: 400;">ao gerar imensa curiosidade sobre como seria o desenvolvimento em cena dos ânimos exaltados fora dela. As expectativas não foram atingidas, fazendo dos </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-165582/"><span style="font-weight: 400;">burburinhos</span></a><span style="font-weight: 400;"> apenas mais um ponto negativo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E é exatamente aproveitando-se deles que o filme é vendido. A exemplo prático, desde o início da promoção do longa, Wilde fez questão de reafirmar que estaria trazendo, segundo ela, </span><a href="https://www.vogue.com/article/olivia-wilde-cover-january-2022/amp"><span style="font-weight: 400;">a mística feminina de maneira revolucionária</span></a><span style="font-weight: 400;">. Porém, o que vemos é a mística das &#8220;</span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/salasocial-53640392"><span style="font-weight: 400;">Karen&#8217;s</span></a><span style="font-weight: 400;">&#8220;, já que a obra não vai além da visão de mundo da mulher branca de classe média alta, sem se preocupar com questões sociais enquanto vive em sua bolha de privilégios. As problemáticas crescem a partir daí, construindo uma narrativa que finge ligar para pontos como o feminismo, quando, na verdade, apenas justifica atos machistas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">(SPOILER!) Porém, dentre os diversos problemas, o mais preocupante deles é como Wilde vendeu a obra sob uma perspectiva de mostrar o ‘prazer feminino’ como ninguém jamais havia feito, para no fim descobrirmos que tudo se tratava de cenas de estupro. Enquanto Alice se encontra em um coma induzido e fantasia com o que acha ser a realidade, o longa confunde prazer sexual com conexão afetiva, e insere duas cenas desnecessárias e sem nenhuma função narrativa, apenas para usá-las posteriormente como um mal intencionado </span><a href="https://netflix-news.atsit.in/br/?p=118466"><i><span style="font-weight: 400;">click bait</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Florence, que se pronunciou poucas vezes sobre a obra, teve a preocupação de </span><a href="https://www.purebreak.com.br/midia/florence-pugh-fala-que-cenas-de-sexo-com-491535.html"><span style="font-weight: 400;">deixar claro</span></a><span style="font-weight: 400;"> que o filme é muito mais que suas passagens de sexo. Assim, reduzi-lo a elas chega a ser uma ofensa a todos que trabalharam na produção.</span></p>
<figure id="attachment_29232" aria-describedby="caption-attachment-29232" style="width: 1454px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29232" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/screen-shot-2022-05-02-at-5-35-01-pm-1.jpg" alt="Florence Pugh, mulher branca, de cabelos loiros e compridos, aparece debruçada sobre um carro sem capota. Ela usa uma camisa branca. Dentro do carro, Harry Styles, homem branco e de cabelos castanhos escuros, aparece de costas com um terno azul. Ele está usando óculos de sol e tocando a boca de Florence. Ao fundo há uma paisagem com palmeiras." width="1454" height="818" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/screen-shot-2022-05-02-at-5-35-01-pm-1.jpg 1454w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/screen-shot-2022-05-02-at-5-35-01-pm-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/screen-shot-2022-05-02-at-5-35-01-pm-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/screen-shot-2022-05-02-at-5-35-01-pm-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/screen-shot-2022-05-02-at-5-35-01-pm-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29232" class="wp-caption-text">Após as fofocas de bastidores, os jornalistas que participaram da press conference no Festival de Veneza foram orientados a não perguntarem sobre a situação com Shia LaBeouf e Florence Pugh; a atriz não esteve presente (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além da atuação de Pugh, não seria justo deixar de destacar o primoroso trabalho do</span><i><span style="font-weight: 400;"> design</span></i><span style="font-weight: 400;"> de produção de Katie Byron em </span><i><span style="font-weight: 400;">Não Se Preocupe, Querida</span></i><span style="font-weight: 400;">, bem como a fotografia de Matthew Libatique. Visualmente, o filme é lindo, e suas cores naturais intensas, como o sol do deserto, em contraste com a paleta mais clara adotada para elementos como roupas e casas, criam uma harmonia confortável de ser assistida. A trilha sonora de </span><a href="https://open.spotify.com/album/7vd9ogxIg5CSBFuvHE60LZ?si=P12cDhEyTa2ujL5xYIZ9wg"><span style="font-weight: 400;">John Powell</span></a><span style="font-weight: 400;"> também é essencial para nos manter minimamente conectados com a obra e tensos nos momentos em que o roteiro não consegue fazê-lo sozinho.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Don’t Worry Darling</span></i><span style="font-weight: 400;"> é decepcionante. Sua previsibilidade e falta de originalidade poderiam passar despercebidas e fazer dele mais um longa em meio à multidão se não fosse por sua arrogância desmedida. Ele se vende como algo revolucionário e entrega mais do mesmo, enquanto pensa se igualar a grandes produções recentes do gênero, como o </span><a href="https://personaunesp.com.br/corra-filme-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Corra!</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Jordan Peele. É realmente triste acompanhar o desperdício do que poderia ser excelente, mas se rendeu aos caprichos de seus cinco minutos de fama ao invés de almejar um lugar na posteridade.</span></p>
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		<title>A Terceira Guerra Mundial começa e acaba na impotência</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Nov 2022 15:04:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez “A História não se repete, mas costuma rimar.” A sinopse de Terceira Guerra Mundial, por mais extensa que seja, sequer provoca para a experiência completa da obra. Candidato ao Oscar 2023 pelo Irã e parte da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo na seção Perspectiva Internacional, o filme segue Shakib, um &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/terceira-guerra-mundial-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Terceira Guerra Mundial começa e acaba na impotência"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29103" aria-describedby="caption-attachment-29103" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29103" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/WWIII-4-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/WWIII-4-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/WWIII-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/WWIII-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/WWIII-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/WWIII-4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/WWIII-4-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/WWIII-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29103" class="wp-caption-text">Mais um dos nomes vindos do Festival de Veneza, Terceira Guerra Mundial integra a lista da seção Perspectiva Internacional da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Iranian Independents)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">A História não se repete, mas costuma rimar</span></i><span style="font-weight: 400;">.” A sinopse de </span><i><span style="font-weight: 400;">Terceira Guerra Mundial</span></i><span style="font-weight: 400;">, por mais extensa que seja, sequer provoca para a experiência completa da obra. Candidato ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2023 pelo Irã e parte da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo na seção Perspectiva Internacional, o filme segue Shakib, um trabalhador braçal, sem-teto e sem família, que, ao ser envolvido contra a sua vontade na produção de um longa-metragem, tem uma oportunidade de recomeço. Quando Ladan, a mulher com que se relaciona, vem a seu encontro em busca de ajuda, uma sequência de acontecimentos testa as relações de poder da vida do protagonista.</span></p>
<p><span id="more-29100"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo de início, a obra contextualiza o personagem que irá estrelar essa </span><i><span style="font-weight: 400;">Terceira Guerra Mundial</span></i><span style="font-weight: 400;">: Shakib, interpretado tão aflitivamente por Mohsen Tanabandeh a ponto de vencer Melhor Ator na seção Horizontes do </span><a href="https://www.tehrantimes.com/news/476633/Director-Hooman-Seyyedi-star-Mohsen-Tanabandeh-see-World-War"><span style="font-weight: 400;">Festival de Veneza</span></a><span style="font-weight: 400;">, perdeu a mulher e o filho em um terremoto. Ele não se recuperou do luto e seus dias se resumem a realizar trabalhos braçais, se relacionar com Ladan (Mahsa Hejazi) e dormir na casa de um amigo. Nos dias frios e chuvosos que são paisagem para o filme, o protagonista consegue um trabalho fixo como faz-tudo em uma obra, o </span><i><span style="font-weight: 400;">set </span></i><span style="font-weight: 400;">de um longa sobre a Segunda Guerra Mundial.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Analogicamente a um campo de concentração nazista, os trabalhadores são obrigados a servirem como figurantes, sem sua autorização ou aviso prévio. Eles são forçados a vestir macacões listrados, correr e se despir em frente à câmera, jogados para lá e para cá, prisioneiros da promessa de um salário ao final do dia. Até que o ator principal da peça metalinguística &#8211; sim, o intérprete de Hitler &#8211; tem um infarto e deve ser hospitalizado. Nem frente à morte de sua maior figura o </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">pode parar e o escolhido para substituí-lo é </span><a href="https://personaunesp.com.br/um-heroi-asghar-farhadi-critica/"><span style="font-weight: 400;">Shakib</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_29102" aria-describedby="caption-attachment-29102" style="width: 1021px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29102" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/presskit0009.jpg" alt="" width="1021" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/presskit0009.jpg 1021w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/presskit0009-800x564.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/presskit0009-768x542.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29102" class="wp-caption-text">Terceira Guerra Mundial também venceu como Melhor Filme na seção Horizontes do Festival de Veneza (Foto: Iranian Independents)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como é característico do </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/podcast/2021/10/15/Como-come%C3%A7ar-a-ver-cinema-iraniano"><span style="font-weight: 400;">Cinema iraniano</span></a><span style="font-weight: 400;">, o longa dirigido por Houman Seyedi parte de uma situação improvável para ampliar seu horizonte de acontecimentos. Como cozinheiro e assistente, o homem ganha um canto frio, alagado e sem energia para passar a noite; como ator, tem direito a absolutamente nenhuma mordomia a mais, mas pelo menos pode dormir na casa principal do </span><i><span style="font-weight: 400;">set</span></i><span style="font-weight: 400;">. Se nem o contratado para interpretar a estrela do filme é motivo de preocupação o suficiente para o diretor e o produtor, as péssimas condições de trabalho e o contrato abusivo com Shakib também não serão. Do chão frio e molhado a poder almoçar na mesa do produtor, o protagonista tem uma chance de melhora na vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zAJ6_lmr_HQ"><span style="font-weight: 400;">Shakib</span></a><span style="font-weight: 400;"> sempre será ‘o que foi tirado da lama’. Mesmo que, com muita insistência, aceite interpretar o personagem principal da produção, ele é tratado como o veêm: apenas um trabalhador braçal, mandado por quem quiser, aceitando as migalhas que vierem. Para ele, é o suficiente. Até que Ladan vai a seu encontro. A mulher com quem o protagonista se relaciona está fugindo de seu empregador, um cafetão, e fica abrigada no </span><i><span style="font-weight: 400;">set</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ele, que foi contratado para a obra por não ter uma família ou vínculos externos ao trabalho, não ousa em exigir o mínimo, e esconde a mulher sob as tábuas da locação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Daí em diante, as bombas começam a cair na </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4BnUJCousqY"><i><span style="font-weight: 400;">Terceira Guerra Mundial</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Os cafetões perseguem a dupla e ameaçam machucá-los se não forem pagos uma quantia milionária. Shakib mente e exige o dinheiro do produtor, reconhecendo que, afinal, ele é parte importante do processo conduzido ali e tem poder de negociação. Quando está fora tratando com os golpistas, o </span><i><span style="font-weight: 400;">set </span></i><span style="font-weight: 400;">é incendiado, como parte do filme; ninguém sabia que uma mulher morava ali e Ladan, surda e muda, não poderia notar a movimentação. O protagonista também não fora avisado das intenções da produção &#8211; não era considerado relevante o suficiente para algo além de ser dirigido em cena &#8211; e, agora, a locação poderia ser uma cena de crime.</span></p>
<figure id="attachment_29104" aria-describedby="caption-attachment-29104" style="width: 1120px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29104" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1tmYEFFI.jpg" alt="" width="1120" height="746" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1tmYEFFI.jpg 1120w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1tmYEFFI-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1tmYEFFI-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1tmYEFFI-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29104" class="wp-caption-text">Apesar de denso, Terceira Guerra Mundial também sabe ser cômico e não perde o dinamismo (Foto: Iranian Independents)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da sequência de baques que move o denso roteiro de Seyedi, Arian Vazir Daftari e Azad Jafarian, </span><i><span style="font-weight: 400;">Jang-E Jahani Sevom </span></i><span style="font-weight: 400;">(título original do filme) apresenta mais do que uma cadência de situações frenéticas. Aqui, o estudo sobre relações de poder desponta. Uma comparação objetiva da </span><a href="https://personaunesp.com.br/nada-de-novo-no-front-critica/"><span style="font-weight: 400;">Alemanha</span></a><span style="font-weight: 400;"> nazista da Segunda Guerra a qualquer situação atual seria cruel e desaprovada, portanto o longa traça paralelos afiados entre as dinâmicas sociais do conflito às de dentro do </span><i><span style="font-weight: 400;">set</span></i><span style="font-weight: 400;">. Shakib testa o limite dessas relações, pressionando o produtor e diretor do filme pelo mínimo. Nem a possibilidade de uma fatalidade é o bastante para fazê-los olhar além do lucro e da ganância pelo seu almejado produto final.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Possibilidade porque em nenhum momento </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mdEVouZ94Js"><i><span style="font-weight: 400;">Terceira Guerra Mundial</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é didático ou explícito quanto ao destino de Ladan. As tentativas de encobrir um possível crime na propriedade levantam a dúvida: tamanha a canalhice do produtor em se livrar das evidências para não lidar com as consequências ou a mulher realmente conseguiu escapar? Durante as quase duas horas, o longa suscita questionamentos quanto ao caráter da moça, que admite ter procurado Shakib por sua nova residência, mas declara ter se apaixonado posteriormente, para aprofundar ainda mais as incertezas. Sem descanso na derrocada, o conflito em aberto acertadamente alavanca para um terceiro ato ainda mais catártico.</span></p>
<figure id="attachment_29101" aria-describedby="caption-attachment-29101" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29101" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/WWIII-2.jpg" alt="" width="2000" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/WWIII-2.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/WWIII-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/WWIII-2-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/WWIII-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/WWIII-2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/WWIII-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29101" class="wp-caption-text">O Irã é velho conhecido da Mostra de São Paulo; em 2021, Um Herói, também selecionado como submissão oficial do país ao Oscar, estreou no Brasil no festival (Foto: Iranian Independents)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quantos abusos Shakib pode aguentar? O protagonista é engolido pelo seu entorno e pela impotência frente às violências. Até que decide não mais só aceitá-las. </span><i><span style="font-weight: 400;">World War III</span></i><span style="font-weight: 400;">, título da distribuição internacional e que pode ser pronunciado pelo </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/cinema,oscar-2023-filme-marte-um-vai-representar-o-brasil-na-categoria-melhor-longa-internacional,70004142320"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, não constrói a trajetória de um herói nem de um vilão: corretas ou errôneas, as atitudes do protagonista resultam do acúmulo de socos &#8211; alguns metafóricos, outros não &#8211; os quais aguenta desde o início. No figurino de Hitler, a alma envenenada de Shakib se impõe. Dá-se fim à</span><i><span style="font-weight: 400;"> Terceira Guerra Mundial</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="&#039;World war III&#039;: first trailer for Houman Seyedi&#039;s Venice Horizons title" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/4BnUJCousqY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Para voar, basta Nezouh se decidir</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Nov 2022 20:41:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Zeina, Mutaz e Hala são os últimos moradores de Damasco e têm horas para sair da cidade sitiada antes que esta seja invadida. A família composta por pai, mãe e filha permaneceu no local durante o cerco, mas encarou a decisão de deixar ou não seu lar quando um míssil abre buracos na &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/nezouh-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Para voar, basta Nezouh se decidir"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29078" aria-describedby="caption-attachment-29078" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29078" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/nezouh-1.jpg" alt="" width="1024" height="536" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/nezouh-1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/nezouh-1-800x419.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/nezouh-1-768x402.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29078" class="wp-caption-text">Vencedor do Prêmio do Público da seção Horizontes Extra do Festival de Veneza, Nezouh participa da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo na seção Perspectiva Internacional (Foto: MK2 Films)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Zeina, Mutaz e Hala são os últimos moradores de Damasco e têm horas para sair da cidade sitiada antes que esta seja invadida. A família composta por pai, mãe e filha permaneceu no local durante o cerco, mas encarou a decisão de deixar ou não seu lar quando um míssil abre buracos na moradia e os expõem ao mundo sem a segurança de suas quatro paredes. É através do olhar inocente e esperançoso de Zeina, de 14 anos, que acompanhamos o dilema do trio de </span><i><span style="font-weight: 400;">Nezouh, </span></i><span style="font-weight: 400;">que integra a seção Perspectiva Internacional da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-29054"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra é uma coprodução de Reino Unido, Síria, França e Catar, e tem a cidade síria de Damasco como palco. Cidade esta que já foi cenário para produções anteriores da diretora e roteirista Soudade Kaadan: seu longa-metragem de estreia, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gi8qlOefajM"><i><span style="font-weight: 400;">The Day I Lost my Shadow</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2018), acompanha o percurso de uma mãe que sai do município, também sitiado, em busca de gás de cozinha para preparar uma refeição ao filho. Diferentemente do filme anterior, aqui a cineasta concede uma visão do mundo e da guerra sob a perspectiva da caçula da família, que se preocupa tanto com sua sobrevivência frente ao iminente ataque quanto com Amer (Nizar Alani), filho dos vizinhos e com quem ela cria uma amizade platônica.</span></p>
<figure id="attachment_29080" aria-describedby="caption-attachment-29080" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29080" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/nezouh-by-soudade-kaadan-mk2-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1382" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/nezouh-by-soudade-kaadan-mk2-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/nezouh-by-soudade-kaadan-mk2-800x432.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/nezouh-by-soudade-kaadan-mk2-1024x553.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/nezouh-by-soudade-kaadan-mk2-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/nezouh-by-soudade-kaadan-mk2-1536x829.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/nezouh-by-soudade-kaadan-mk2-2048x1106.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/nezouh-by-soudade-kaadan-mk2-1200x648.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29080" class="wp-caption-text">The Day I Lost my Shadow venceu o Leão do Futuro de melhor longa de estreia no Festival de Veneza (Foto: MK2 Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com escolhas de ângulos e movimentações de câmera incomuns para uma obra em um cenário de combate, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nezouh </span></i><span style="font-weight: 400;">logo se revela peculiar. As panorâmicas da cidade destruída, pouco contrastadas na fotografia de Helene Louvart e Burrak Kanbir, se mesclam aos devaneios fantasiosos de mãe e filha, que cortam a ambientação. Acertadamente, o longa reconhece que de produções de guerra o Cinema já está cheio e, ao optar por uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-noiva-critica/"><span style="font-weight: 400;">nova abordagem</span></a><span style="font-weight: 400;">. O filme pode não se arriscar o suficiente a ponto de atingir um </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-estranho-caso-de-jacky-caillou-critica/"><span style="font-weight: 400;">surrealismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; mais do que bem-vindo e verdadeiramente inovador no tema &#8211; e, entre o retrato da realidade nua e crua e o mundo visto por detrás dos olhos espontâneos de uma adolescente puberal, escolhe postar-se em cima do muro.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Nezouh </span></i><span style="font-weight: 400;">não carece de personalidade, mas de coragem. Tomando lugar majoritariamente em um apartamento e em questão de poucas noites, a obra não aproveita de seu roteiro quase </span><a href="https://personaunesp.com.br/antigona-442-a-c-critica/"><span style="font-weight: 400;">teatral</span></a><span style="font-weight: 400;">, responsabilidade também de </span><a href="https://www.raiplay.it/video/2022/09/Venezia-79---TVCALL---NEZOUH----03092022-25353325-a9dd-46d7-8b53-419e7ae037da.html"><span style="font-weight: 400;">Kaadan</span></a><span style="font-weight: 400;">, para realizar um estudo de personagem, como poderia. Pelo contrário, Mutaz, o pai da família, é tão irritante e cabeça dura quanto o retrato de um homem machista poderia ser. Se recusando a sair da cidade sitiada e se tornar um “</span><a href="https://personaunesp.com.br/distopia-critica/"><span style="font-weight: 400;">deslocado</span></a><span style="font-weight: 400;">”, como os refugiados são chamados ao partirem de suas terras-natais, o personagem vivido por Samer al Masri se contenta em apresentar apenas uma camada: a contextualização dos motivos do pai é tão escassa e superficialmente interpretada que até a reta final do filme, quando uma mudança no movimento do patriarca indica seu arrependimento, parece pouco crível e forçada a favor de um final feliz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já as figuras vividas pelas atrizes Hala Zein e Kinda Alloush &#8211; Zeina e Hala respectivamente -, também saem pouco da obviedade, mas ganham um senso crítico e uma independência admirável. Zeina, principalmente, encarna a curiosidade adolescente de uma jovem que, com nenhuma autonomia, explora as poucas migalhas de liberdade a partir do buraco que o </span><a href="https://brasil.un.org/pt-br/174932-onze-anos-depois-siria-continua-sendo-maior-crise-de-deslocamento-forcado-do-mundo"><span style="font-weight: 400;">míssil</span></a><span style="font-weight: 400;"> abre em seu teto. Em uma amizade platônica com Amer, a garota passa a olhar para o que o mundo fora de suas quatro paredes guarda. </span></p>
<figure id="attachment_29079" aria-describedby="caption-attachment-29079" style="width: 1130px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29079" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/nezouh-mostra-sp-1130x590-1.jpg" alt="" width="1130" height="590" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/nezouh-mostra-sp-1130x590-1.jpg 1130w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/nezouh-mostra-sp-1130x590-1-800x418.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/nezouh-mostra-sp-1130x590-1-1024x535.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/nezouh-mostra-sp-1130x590-1-768x401.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29079" class="wp-caption-text">Termo empregado pejorativamente por Mutaz, Nezouh significa deslocado (Foto: MK2 Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como Zeina, a corajosa matriarca mantém a mente aberta, se impõe ao marido inflexível e é compreensiva quanto aos devaneios da filha. Hala até </span><a href="https://personaunesp.com.br/paloma-critica/"><span style="font-weight: 400;">ousa a sonhar</span></a><span style="font-weight: 400;"> junto dela, enxergando o mar além dos muros arrasados de Damasco, o oceano através da janela da cozinha e um passarinho fazendo lar em seu próprio, destruído. Aqui, mais uma vez, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nezouh </span></i><span style="font-weight: 400;">peca por não se decidir: a fantasia aparece como forma de escape do duro </span><a href="https://personaunesp.com.br/colmeia-critica/"><span style="font-weight: 400;">cotidiano das mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;"> da família, mas os poucos momentos aquém da realidade são tão raros que causam um estranhamento, ao invés de encantarem pela inventividade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Abraçando a imaginação e a aura jovial e </span><a href="https://personaunesp.com.br/joyland-critica/"><span style="font-weight: 400;">esperançosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> mesmo em meio aos destroços de uma guerra, a obra poderia triunfar por rumos inesperados. Ao jogar seguro, o terreno em cima do muro acaba se tornando tão seguro quanto a residência de Mutaz, Zeina e Hala: uma hora ou outra, o trio tem de tomar uma decisão; a inércia não basta. Na reta final, mesmo que a família escolha seu caminho, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nezouh </span></i><span style="font-weight: 400;">ainda não se decide. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Trailer | BIFF2022 추방된 사람들 Nezouh | 아시아영화의 창" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/HLxd0uX5SLY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A Noiva não escolhe lados</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Oct 2022 21:30:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez O Cinema político sempre encontrou solo fértil no Brasil. Por aqui, não falta o que retratar: ditaduras, questões trabalhistas, de distribuição de renda, alimentos e moradia, golpes de Estado e por aí vai. Até um dos mais básicos processos democráticos, as eleições e os seus ecos na sociedade brasileira, têm sido tema de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-noiva-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Noiva não escolhe lados"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29043" aria-describedby="caption-attachment-29043" style="width: 2126px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29043" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/anoiva1-copy.jpg" alt="" width="2126" height="1181" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/anoiva1-copy.jpg 2126w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/anoiva1-copy-800x444.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/anoiva1-copy-1024x569.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/anoiva1-copy-768x427.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/anoiva1-copy-1536x853.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/anoiva1-copy-2048x1138.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/anoiva1-copy-1200x667.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29043" class="wp-caption-text">A Noiva estreou no Brasil na seção Perspectiva Internacional da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: FAUX)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitória Gomez</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Cinema político sempre encontrou solo fértil no Brasil. Por aqui, não falta o que retratar: ditaduras, questões trabalhistas, de distribuição de renda, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eUEfBLRT37k"><span style="font-weight: 400;">alimentos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=a5EQUG-RMI8"><span style="font-weight: 400;">moradia</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/alvorada-critica/"><span style="font-weight: 400;">golpes de Estado</span></a><span style="font-weight: 400;"> e por aí vai. Até um dos mais básicos processos democráticos, as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6SRjI6mI_Cg"><span style="font-weight: 400;">eleições</span></a><span style="font-weight: 400;"> e os seus ecos na sociedade brasileira, têm sido tema de poderosas metáforas na produção nacional, com a crescente ameaça à democracia sob a premissa de defesa dos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zdeTdHqCMGg"><span style="font-weight: 400;">bons costumes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e do patriotismo. Voltando os olhos para o outro lado do oceano Atlântico, Sérgio Tréfaut, cineasta brasileiro que viveu em Portugal e na França, joga luz sobre o fenômeno do recrutamento de jovens sobretudo franceses para se juntarem às linhas de luta do Estado Islâmico. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Noiva</span></i><span style="font-weight: 400;">, que estreou no país na seção Perspectiva Internacional da  46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, o conflito é pincelado através da vivência de Bárbara, viúva de um jihadista.</span></p>
<p><span id="more-29042"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Interpretada profundamente por Joana Bernardo, a noiva que dá nome e estampa a capa do filme não está noiva. Na verdade, em poucos minutos, seu marido, um homem francês que lutava no grupo </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-42020312"><span style="font-weight: 400;">Daesh</span></a><span style="font-weight: 400;">, é executado pelo exército do Iraque junto a outros membros, de diferentes nacionalidades. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Noiva </span></i><span style="font-weight: 400;">não é didático, mas aqui cabe a contextualização: frente à instabilidade política no Iraque, o Estado Islâmico (EI) foi proclamado em 2003, mas só em 2014 ganhou esse nome. Sob o pretexto de defender o Islamismo, o grupo armado, que não representa a totalidade da religião, se reorganizou e estendeu sua atuação ao Oriente Médio e a alguns países da América e Europa com atos terroristas e ações de recrutamento. O termo </span><i><span style="font-weight: 400;">jihad</span></i><span style="font-weight: 400;">, inclusive, significa luta em seu sentido mais amplo, mas é interpretado pelo Grupo como a luta armada, e os guerrilheiros ficaram internacionalmente conhecidos como </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/12/141211_jihadismo_entenda_cc"><span style="font-weight: 400;">Jihadistas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Recentemente, o EI passou por baixas. É no enfraquecimento da organização que os homens foram capturados e as viúvas dos Jihadistas se viram em julgamento por sua afiliação.</span></p>
<figure id="attachment_29046" aria-describedby="caption-attachment-29046" style="width: 2101px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29046" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/anoiva-copy.jpg" alt="" width="2101" height="1181" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/anoiva-copy.jpg 2101w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/anoiva-copy-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/anoiva-copy-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/anoiva-copy-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/anoiva-copy-1536x863.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/anoiva-copy-2048x1151.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/anoiva-copy-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29046" class="wp-caption-text">A Noiva foi exibido na seção Horizontes do Festival de Veneza (Foto: FAUX)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na produção de Portugal, a jovem lusitana Bárbara se casou com um francês </span><a href="https://news.un.org/pt/story/2022/08/1797752"><span style="font-weight: 400;">recrutado para o Daesh</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, com a captura e execução do marido, se vê trancafiada em um campo de prisioneiros. Junto a outras viúvas do </span><i><span style="font-weight: 400;">Jihad</span></i><span style="font-weight: 400;">, a protagonista aguarda o julgamento na corte iraquiana. Enquanto os homens sequer passam por uma audiência nas mãos do exército do país, as mulheres e crianças são poupadas, podendo ser condenadas à mesma sentença se não se declararem arrependidas pelos feitos. Sob um olhar quase jornalístico, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Noiva </span></i><span style="font-weight: 400;">acompanha a trajetória da moça com seus dois filhos pequenos e grávida do terceiro, até ser julgada, passando pelo seu cotidiano no campo e pelos deslocamentos forçados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra poderia facilmente se passar por um documentário. A câmera nunca estática de João Ribeiro, responsável por uma fotografia de poucos contrastes, mesmo em meio ao deserto, filma os dias da viúva quase como um observador. Com exceção de poucos momentos em que os planos intencionalmente destacam as movimentações e expressões da protagonista, os longos </span><i><span style="font-weight: 400;">takes</span></i><span style="font-weight: 400;">, ainda que por ora cansativos, sustentam a noção de realidade ali proposta.</span> <span style="font-weight: 400;">Ao longo de quase uma hora e meia, apenas acompanhamos Bárbara e suas </span><a href="https://pt.euronews.com/2018/03/30/qual-o-futuro-das-viuvas-dos-jihadistas-mortos-na-siria-"><span style="font-weight: 400;">companheiras</span></a><span style="font-weight: 400;"> de aprisionamento comendo, se banhando, rezando e sendo transportadas de um lugar para outro durante a noite sem sequer terem sido avisadas.</span></p>
<figure id="attachment_29044" aria-describedby="caption-attachment-29044" style="width: 737px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29044" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/a-noiva-4.png" alt="" width="737" height="413" /><figcaption id="caption-attachment-29044" class="wp-caption-text">Sérgio Tréfaut se destacou na modalidade dos documentários; ele dirigiu Lisboetas, sobre os imigrantes em Lisboa, e A Cidade dos Mortos, sobre os cemitérios do Cairo (Foto: FAUX)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a sessão da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, na qual o Persona esteve presente, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2VCOcqaEl9I"><span style="font-weight: 400;">Sérgio Tréfaut</span></a><span style="font-weight: 400;"> participou de uma breve apresentação de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Noiva</span></i><span style="font-weight: 400;"> e respondeu a um par de perguntas dos telespectadores após a exibição. Ele afirmou não gostar de filmes que se explicam e, por isso, a obra opta pelo caráter de não se parecer com uma ficção, apesar de ser. Sérgio também contou que o aspecto jovial, quase infantil, da protagonista foi escolhido propositalmente entre mais de 100 atrizes que participaram da audição: segundo ele, a produção, a mais recente de sua extensa carreira, pretende mostrar a dualidades dessas garotas, que saem de suas cidades e países para se juntarem ao Grupo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor ainda destacou que </span><i><span style="font-weight: 400;">A Noiva </span></i><span style="font-weight: 400;">surgiu de sua curiosidade acerca do fenômeno do recrutamento, em uma época em que muitos jovens europeus estavam se convertendo ao Islamismo, e de sua indignação com a cobertura jornalística ocidental, que agia mais como um tribunal do que como veículos noticiosos. Tréfaut viveu em Portugal e na França e se destacou na produção de documentários, formato pelo qual pretendia retratar tal movimento em direção aos grupos. Em visita ao Iraque pela primeira vez em 2012, a intenção era filmar a realidade da região, “</span><a href="https://www.jb.com.br/cadernob/cinema/2022/09/1039465-o-filme-a-noiva-de-sergio-trefaut-tem-premiere-mundial-no-festival-de-veneza.html"><i><span style="font-weight: 400;">procurando desmontar</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> a falsidade da teoria de Estado norte-americana, segundo a qual uma imprensa independente e eleições livres transformariam o Iraque num país democrático e pacífico</span></i><span style="font-weight: 400;">”. O recuo do exército norte-americano e consequentemente a ocupação da cidade de Mossul impossibilitaram os registros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na sessão da Mostra Internacional de São Paulo, o diretor ainda contou que o longa foi gravado tranquilamente na região do Curdistão, mas que, em momentos que cruzavam a fronteira de volta ao Iraque, a equipe teve de ser escoltada, sendo possível sentir a tensão no local. Apesar de abordar o tema diretamente no debate com os espectadores presentes no Reserva Cultural, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Noiva </span></i><span style="font-weight: 400;">é mais sorrateiro e apenas pincela o que Sérgio falou tão abertamente na sala de cinema. O panorama geral do conflito que assola o Oriente Médio há mais de uma década é personificado por Bárbara, ao passo que acompanhamos as pequenas ações do seu dia a dia até o </span><a href="https://www.wort.lu/pt/portugal/viuvas-do-daesh-querem-voltar-a-portugal-5cb2073cda2cc1784e341ec6"><span style="font-weight: 400;">julgamento</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que provoca a empatia do telespectador.</span></p>
<figure id="attachment_29045" aria-describedby="caption-attachment-29045" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29045" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Sergio-Trefaut-2.jpeg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Sergio-Trefaut-2.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Sergio-Trefaut-2-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Sergio-Trefaut-2-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Sergio-Trefaut-2-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Sergio-Trefaut-2-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29045" class="wp-caption-text">Antes de A Noiva, Tréfaut dirigiu Raiva, que também se aproveita da ficção para discorrer sobre uma situação real</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Justamente pela complexidade do tema, porém, por vezes a obra deixa a sensação de estar recortando demais um panorama geral infinitamente mais amplo, pouco explorado aqui. Por outro lado, ao direcionar a câmera à protagonista, Tréfaut, que também foi responsável pelo roteiro de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Fv-aMKeHkfo"><i><span style="font-weight: 400;">A Noiva</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, aborda um conceito tão familiar a ele mesmo: o da transnacionalidade. Bárbara fala português, francês e um pouco de árabe, e, a caminho do julgamento na corte iraquiana por suas ações em nome de uma nova pátria, a qual se converteu, ela também se vê confrontada com sua nacionalidade, sobretudo com a visita do pai português. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nisso, o longa-metragem triunfa em representar as dualidades que Sérgio propôs: longe de colocar na protagonista o rótulo de inocente ou culpada pelo seu envolvimento com o grupo, o cineasta a posiciona como um camaleão. Ora Bárbara apela à Embaixada francesa por seus direitos; ora reza junto às mulheres muçulmanas e afirma acreditar que o pai das crianças, guerrilheiro do Daesh, foi um herói; ora indica querer voltar para casa junto ao próprio pai. Acompanhando a personagem principal, o conflito deixa de ser dividido em lados inimigos. Aqui, a superficialidade na abordagem de um contexto geral dá lugar a uma </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/08/150824_ei_tatica_radical_fd"><span style="font-weight: 400;">vivência específica</span></a><span style="font-weight: 400;">: </span><i><span style="font-weight: 400;">A Noiva </span></i><span style="font-weight: 400;">não almejar ir além de sua protagonista. Ao final, seja na ficção ou no documentário, o lugar do Cinema sempre foi representar a realidade. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="A NOIVA  - trailer PT" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Fv-aMKeHkfo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A individuação de Annie Ernaux é O Acontecimento de todas nós</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Sep 2022 20:01:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“Simplesmente isso não se vê. (&#8230;) Nos tomamos por pessoas, mas não somos pessoas. Somos, à nossa maneira, pequenos acontecimentos.” &#8211; Gilles Deleuze em aula ministrada no ano de 1980 no Centro Universitário de Vincennes, em Paris, na França. Raquel Dutra Quando, em 2000, Annie Ernaux intitulou o livro que abriria pela primeira vez ao &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A individuação de Annie Ernaux é O Acontecimento de todas nós"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28782" aria-describedby="caption-attachment-28782" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-28782" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/clubelivrowordpressaaaaaaa-800x420.jpg" alt="" width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/clubelivrowordpressaaaaaaa-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/clubelivrowordpressaaaaaaa-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/clubelivrowordpressaaaaaaa.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28782" class="wp-caption-text">O mês de Julho foi marcado pela discussão acerca dos direitos reprodutivos das mulheres no Brasil e no mundo, e o Clube do Livro do Persona acompanhou o movimento com a escolha de leitura de O Acontecimento, de Annie Ernaux (Foto: Fósforo/Arte: Ana Clara Abbate)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;">Simplesmente isso não se vê. (&#8230;) Nos tomamos por pessoas, mas não somos pessoas. Somos, à nossa maneira, pequenos acontecimentos.</span><span style="font-weight: 400;">”</span></p>
<p style="text-align: right;"><em><span style="font-weight: 400;">&#8211; Gilles Deleuze em aula ministrada no ano de 1980 no Centro Universitário de Vincennes, em Paris, na França.</span></em></p>
</blockquote>
<p><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando, em 2000, Annie Ernaux intitulou o livro que abriria pela primeira vez ao mundo a sua experiência com uma gravidez indesejada e um aborto clandestino na França de 1960, ela com certeza estava ciente da referência filosófica que marcaria a sua obra, mas não imaginava com a mesma intensidade a dimensão da sua representação – e, por consequência, o rompimento que </span><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i><span style="font-weight: 400;"> provocaria com suas próprias conceituações. É que, enquanto o termo do título evoca a ideia de uma experiência de individuação (como o próprio detentor da “<a href="http://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/ricultsociedade/article/view/12998">filosofia do acontecimento</a>”definiu</span><span style="font-weight: 400;">), todo o desenvolvimento do livro trata de uma história particular vivida a nível universal (mais precisamente, presente em </span><a href="https://www.dw.com/pt-br/quase-metade-das-gravidezes-no-mundo-%C3%A9-indesejada-aponta-onu/a-61322325#:~:text=A%20cada%20ano%2C%20cerca%20de,de%20acordo%20com%20o%20UNFPA."><span style="font-weight: 400;">quase metade</span></a><span style="font-weight: 400;"> das vivências em questão do mundo).</span></p>
<p><span id="more-28766"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O exercício de desenvolver as referências filosóficas e leituras sociais de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i><span style="font-weight: 400;">, no entanto, são ocorrências restritas ao lugar do leitor. Na linguagem da escritora e professora francesa nascida em 1940 e vista como uma das </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/05/conheca-annie-ernaux-que-escreveu-para-apagar-uma-traicao-e-se-tornou-best-seller.shtml"><span style="font-weight: 400;">principais vozes feministas</span></a><span style="font-weight: 400;"> da contemporaneidade, não existe nenhuma pretensão. Seu instrumento como literata é a palavra direta e substantiva (como bem traduzem os títulos de seus livros), cujo objetivo é “</span><i><span style="font-weight: 400;">resistir ao lirismo da cólera ou da dor”</span></i><span style="font-weight: 400;"> a fim de construir a verossimilhança da sua experiência, que ela transforma em livro quarenta anos depois. A partir de suas memórias do período registradas em seus diários, Ernaux retorna aos seus 23 anos, quando, depois de deixar um contexto familiar marcado pelo cotidiano interiorano da classe operária francesa do século XX, engravidou contra a sua vontade em meio aos seus estudos sobre Literatura Moderna na Universidade de Rouen, no auge de sua juventude. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas palavras da autora, uma das mais importantes da França na atualidade, a história cria o pano de fundo para um texto que se aproxima de um ensaio, tratando sobre a onipresença da lei e os imperativos que regem o corpo das mulheres ao longo dos anos. Essa prática singular em analisar as relações que existem entre o público e o privado, o concreto e o abstrato, é só o primeiro dos muitos méritos do décimo livro de Annie, que como característica principal da sua Literatura, agraciada com o </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/06/annie-ernaux-faz-da-memoria-um-admiravel-prazer-literario.shtml"><span style="font-weight: 400;">Prêmio Marguerite Duras</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2008, já tem até o seu nome próprio cunhado pelos estudiosos de sua obra: </span><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/catalogo/o-lugar-annie-ernaux/"><i><span style="font-weight: 400;">autosociobiografia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Em julho de 2022, cinco meses depois da publicação do livro no Brasil pela tradução de Isadora de Araújo Pontes, e quando o Clube do Livro Persona o escolheu como a sua décima leitura, nada se mostrou tão socialmente atual quanto as experiências de Ernaux em 1963.</span></p>
<p><figure id="attachment_28767" aria-describedby="caption-attachment-28767" style="width: 1640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28767 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-1-2.jpg" alt="Fotografia em preto e branco da autora Annie Ernaux. Ela é uma mulher de meia idade, branca, tem cabelos lisos claros. Annie está alinhada à esquerda e olha para a câmera. Sua mão direita está apoiada no rosto e ela veste uma camisa em tom médio. Ao fundo, existe uma sala desfocada." width="1640" height="1100" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-1-2.jpg 1640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-1-2-800x537.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-1-2-1024x687.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-1-2-768x515.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-1-2-1536x1030.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-1-2-1200x805.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28767" class="wp-caption-text">“(&#8230;) A única escrita correta me pareceu ser a recusa de toda ficção, mais tarde chamada de ‘autosociobiografia’, porque quase sempre me baseio numa relação de mim mesma com a realidade sócio-histórica”, refletiu Annie sobre seu quarto livro, O Lugar [Foto: Babelio]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">No dia 24 de Junho, a Suprema Corte dos Estados Unidos votou de maneira contrária à manutenção do entendimento do aborto como </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2022/06/entenda-o-que-muda-apos-a-decisao-da-suprema-corte-dos-eua-sobre-aborto.shtml"><span style="font-weight: 400;">direito fundamental</span></a><span style="font-weight: 400;">, até então definido pela lei nacional desde 1973. Na prática, isso quer dizer que o país não tem mais o compromisso de fornecer o método como serviço de saúde pública de maneira universal, o que significa que cada estado fica livre para criar sua própria legislação e entendimento para a questão – e segundo estudos, pelo menos metade deles deve retroceder no que diz respeito à legalização do aborto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É fato que as decisões na chamada “</span><i><span style="font-weight: 400;">Terra da Liberdade”</span></i><span style="font-weight: 400;"> impactam os debates dos demais países do globo, mas no Brasil o assunto surgiu de maneira ainda mais urgente: por meio do jornal </span><a href="https://theintercept.com/2022/06/20/video-juiza-sc-menina-11-anos-estupro-aborto/"><i><span style="font-weight: 400;">The Intercept Brasil</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, tornou-se público um caso de uma menina grávida em decorrência de um estupro aos 11 anos, que foi não só impedida de realizar um aborto legal (embora a atual legislação do país esteja sempre ameaçada), como também orientada pela juíza de seu próprio processo a desistir do procedimento.</span></p>
<p><figure id="attachment_28768" aria-describedby="caption-attachment-28768" style="width: 984px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28768 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-2-4.jpg" alt="Fotografia de um protesto pela legalização do aborto na Colômbia. A imagem mostra uma mulher em segundo plano segurando uma bandeira verde, que em espanhol, diz “poder decidir”" width="984" height="656" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-2-4.jpg 984w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-2-4-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-2-4-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28768" class="wp-caption-text">Na América Latina, o debate se amplia, com destaque para a recente descriminalização do aborto até a 24ª semana de gestação na Colômbia, em Janeiro deste ano, além das legislações já consolidadas da Argentina (2020) e Uruguai (2012) [Foto: Luisa Gonzalez/Reuters]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Desta forma, quando a obra da autora foi colocada em foco diante do mundo novamente, especialmente por conta do sucesso da </span><a href="https://mulhernocinema.com/especiais/premiado-em-veneza-o-acontecimento-retrata-solidao-do-aborto/"><span style="font-weight: 400;">adaptação cinematográfica</span></a><span style="font-weight: 400;"> dirigida por Audrey Diwan, o intervalo de tempo e espaço entre a experiência particular de Ernaux e o aqui e agora não apresentava diferença. Mas antes de qualquer ocorrência de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i><span style="font-weight: 400;"> se reproduzir na vida real, a voz do livro já identificava o tal fenômeno da atemporalidade através da permanência de suas próprias palavras.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;">Acabo de achar entre meus papéis essa cena, escrita há vários meses. Percebo que eu tinha usado as mesmas palavras (&#8230;). Essa impossibilidade de dizer as coisas com palavras diferentes, essa união definitiva da realidade passada e de uma imagem que exclui qualquer outra, me parecem a prova de que realmente vivi assim o acontecimento.</span><span style="font-weight: 400;">”</span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Como evidência da importância que a experiência tem para a história e obra autosociobiográfica de Annie Ernaux, existe a própria </span><a href="https://www.livrariamegafauna.com.br/colunistas/rita-palmeira/um-peso-no-ventre/"><span style="font-weight: 400;">presença do assunto</span></a><span style="font-weight: 400;">, que é debatido desde a primeira vez que a autora assinou um livro. </span><i><span style="font-weight: 400;">Les Armoires Vides</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Os Armários Vazios</span></i><span style="font-weight: 400;">, numa tradução livre), seu romance de estreia publicado na França em 1974, já trazia uma narrativa autobiográfica que introduziu os temas de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i><span style="font-weight: 400;"> com uma conjuração temporal impressionante: um ano antes da interrupção voluntária da gravidez ser legalizada no país.</span></p>
<figure id="attachment_28769" aria-describedby="caption-attachment-28769" style="width: 1881px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28769 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-3-1-scaled-e1663607239820.jpg" alt="Cena do filme O Acontecimento. A imagem mostra a personagem principal esterilizando uma longa agulha com o fogo de um isqueiro. Está de noite e a chama ilumina a foto, capturada por cima do ombro da personagem. O cenário é um quarto." width="1881" height="1382" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-3-1-scaled-e1663607239820.jpg 1881w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-3-1-scaled-e1663607239820-800x588.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-3-1-scaled-e1663607239820-1024x752.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-3-1-scaled-e1663607239820-768x564.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-3-1-scaled-e1663607239820-1536x1129.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-3-1-scaled-e1663607239820-1200x882.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28769" class="wp-caption-text">Em 2021, a adaptação cinematográfica dirigida e roteirizada por Audrey Diwan foi apreciada com o Leão de Ouro, prêmio máximo do Festival de Veneza (Foto: Zeta Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a História e a biografia já são esferas inicialmente distintas aproximadas pela Literatura de Ernaux, não é desafio nenhum para a autora mesclar um </span><a href="https://rascunho.com.br/noticias/annie-ernaux-escreve-autobiografia-impessoal-em-os-anos/"><span style="font-weight: 400;">caráter metalinguístico</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao livro a fim de refletir sobre seu ofício. Nesse sentido, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i><span style="font-weight: 400;"> parte de maneira nada linear de um lugar de observação das relações que as mulheres mantêm sobre si mesmas para analisar a dimensão de poder que a escritora constrói com seu próprio texto – pois essa é a identidade singular de Annie Ernaux, muito influenciada pelas suas formadoras francesas: observar a si mesma para melhor observar o mundo ao seu redor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A consciência direta disso vem junto das suas tomadas de conclusão mais profundas. No nível radical que o texto de Ernaux atinge com </span><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i><span style="font-weight: 400;">, a autora não só relembra com criticidade a terrível prática da Arte de seguir o hábito da sociedade de não ver valor de representação e legitimidade em determinadas histórias, como coloca toda a relevância de seu ofício justamente nesse lugar. A personagem principal </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/06/annie-ernaux-faz-da-memoria-um-admiravel-prazer-literario.shtml"><span style="font-weight: 400;">é ela mesma</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma jovem em um processo de exercício profundo de suas liberdades, que vive em um embate com as restrições impostas a ela no mundo externo. Assim, Annie toma como trabalho o reportar essa vida de uma mulher que não corresponde aos padrões socialmente impostos ao seu gênero, desde suas motivações até seus arrependimentos.  </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;">Eliminei a única culpa que senti a respeito desse acontecimento &#8211; que ele tenha acontecido e que eu não tenha feito nada dele. (&#8230;) Pois, para além de todas as razões sociais e psicológicas que pude encontrar naquilo que vivi, existe uma da qual estou mais certa do que tudo: as coisas aconteceram comigo para que eu as conte. E o verdadeiro objetivo da minha vida talvez seja apenas este: que meu corpo, minhas sensações e meus pensamentos se tornem escrita, isto é, algo inteligível e geral, minha existência completamente dissolvida na cabeça e na vida dos outros.</span><span style="font-weight: 400;">”</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_28772" aria-describedby="caption-attachment-28772" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28772 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-4-1.jpg" alt="Fotografia de Annie Ernaux. A autora está ao centro, num sofá azul. Ela usa uma camisa preta, seus cabelos são claros e lisos. Annie sorri levemente para a foto. Ao fundo, existe uma estante de livros. " width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-4-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-4-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-4-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/imagem-4-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28772" class="wp-caption-text">No Brasil, apenas outras duas obras de Annie Ernaux foram publicadas: Os Anos e O Lugar, ambas de 2021 (Foto: Ulf Andersen/AFP)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É no ínterim de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i><span style="font-weight: 400;"> que Ernaux verbaliza e nomeia de maneira objetiva a sua própria identidade literária, mas foi em seu quarto livro que a autora consolidou sua órbita ao redor de ideais de emancipação e rompimento. </span><a href="https://www.plural.jor.br/colunas/papel-maquina/o-lugar-annie-ernaux/"><i><span style="font-weight: 400;">O Lugar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, obra vencedora do prêmio Renaudot em 1983, que traz sua família para o centro da história, firmou o nome de Annie em seu lugar de relevância para a Literatura contemporânea com uma narrativa firme de distanciamento de suas raízes, um processo realizado em prol de se tornar quem se almeja ser. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, nenhum símbolo pode dizer mais sobre emancipação e liberdade do que o que marca a narrativa de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i><span style="font-weight: 400;"> – não à toa, ele é nomeado assim, de maneira um pouco mais subjetiva do que os títulos costumeiros de Annie Ernaux. Muito mais do que um processo concreto que confere a uma mulher o poder sobre o seu próprio corpo, a autora insere mais uma camada à sua mistura de biografia, história e sociologia, entendo o aborto a partir de uma </span><a href="https://www.revistas.usp.br/nonplus/article/view/149189"><span style="font-weight: 400;">ótica quase filosófica</span></a><span style="font-weight: 400;">: uma experiência plenamente humana, que permite acesso ao ciclo e aos extremos completo da vida, desde seu início, até o seu fim. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;">Sei que hoje eu precisava dessa provação e desse sacrifício para desejar ter filhos. Para aceitar essa violência da reprodução no meu corpo e me tornar, por minha vez, lugar de passagem das gerações.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Terminei de pôr em palavras isso que se revela para mim como uma experiência humana total, da vida e da morte, do tempo, da moral e do interdito, da lei, uma experiência vivida de um extremo a outro pelo corpo.</span><span style="font-weight: 400;">”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre aspirações, significações e conclusões tão amplas sobre a sua experiência, a autora não deixa de sentir o que lhe foi particularmente marcante daquela época: </span><a href="https://revistarosa.com/5/a-dor-da-clandestinidade"><span style="font-weight: 400;">a solidão e o desamparo</span></a><span style="font-weight: 400;">, em nível legal, social, institucional e cultural. O choque vem da simples dificuldade da jovem Annie em enxergar as diferenças de gênero através de seu olhar tão livre e independente, que não vê outro lugar para si mesma se não aquele de completa igualdade com os demais. Nada disso, no entanto, define </span><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma vez que a obra não existe de maneira a transformar a vida de Annie Ernaux em – literalmente – um livro aberto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inevitavelmente, é o que acontece, mas seus relatos íntimos, reflexões metalinguísticas e críticas sociais estão na obra com um objetivo bem definido: destacar a maneira como, além de tudo, essa experiência universal de desapropriação de si mesma causa uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/never-rarely-sometimes-always-critica/"><span style="font-weight: 400;">uniformização violenta</span></a><span style="font-weight: 400;"> das nossas identidades – o que vai na direção contrária do nosso movimento de emancipação individual e coletivo. No mundo em que vivemos, nenhuma história sobre aborto é só uma história sobre aborto, e nenhuma experiência de violência de gênero </span><a href="https://diplomatique.org.br/quem-sao-elas-o-perfil-das-mulheres-que-abortam-no-brasil/"><span style="font-weight: 400;">é individualizada</span></a><span style="font-weight: 400;"> em seu alvo da vez. E as palavras de Annie Ernaux parecem ser as únicas possíveis para compreender que </span><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i><span style="font-weight: 400;"> dela nunca foi – e nunca será – só dela.</span></p>
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		<title>Quem são as mães das filhas perdidas?</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Mar 2022 15:40:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Silva Dos tipos de representações que temos em relação à maternidade no Cinema e na TV, podemos citar vários. A mãe superprotetora, a mandona, a descolada, e, é claro, a clássica mãe que abdica de todas as suas vivências pessoais pelas conquistas dos filhos, ou até mesmo para encontrá-los no mundo. Pense em quantas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-filha-perdida-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Quem são as mães das filhas perdidas?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26968" aria-describedby="caption-attachment-26968" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26968" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/0534956-800x450.jpg" alt="Cena do filme A Filha Perdida. Nela, a atriz Jessie Buckley, que interpreta Leda, está abraçando duas meninas, em que não é possível ver seus rostos. Jessie é uma mulher branca, de cabelos castanhos claros. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/0534956-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/0534956-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/0534956-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/0534956-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/0534956-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/0534956.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26968" class="wp-caption-text">Após levar o Leão de Ouro de Melhor Roteiro em Veneza, A Filha Perdida garantiu 3 indicações no Oscar 2022 (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Silva</b></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">Dos tipos de representações que temos em relação à maternidade no Cinema e na TV, podemos citar vários. A mãe superprotetora, a mandona, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/gilmore-girls-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">descolada</span></a><span style="font-weight: 400;">, e, é claro, a clássica mãe que abdica de todas as suas vivências pessoais pelas conquistas dos filhos, ou até mesmo para </span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-de-mae-critica/"><span style="font-weight: 400;">encontrá-los no mundo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Pense em quantas personagens mães você conhece, e quantas delas não estão associadas diretamente ao papel materno que as nutre. E, quando o renegam, na maior parte das vezes são movidas por uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/carrie-a-estranha-45-anos/"><span style="font-weight: 400;">maldade sobrenatural</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou pela construção de um </span><a href="https://personaunesp.com.br/enrolados-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">aspecto vilanesco</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua personalidade. Afinal, que tipo de mãe não amaria seus filhos incondicionalmente?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Transpondo para a realidade, a retórica continua a mesma. Em </span><a href="https://personaunesp.com.br/elena-ferrante-a-filha-perdida-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Filha Perdida</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a misteriosa Elena Ferrante mergulha por inteiro neste que é apenas um dos papéis da feminilidade presentes em sua Literatura. E Maggie Gyllenhaal decide abraçar a mesma narrativa para construir o que seria a sua primeira obra na direção. A trama do filme homônimo segue Leda, interpretada pela magnífica </span><a href="https://personaunesp.com.br/meu-pai-critica/"><span style="font-weight: 400;">Olivia Colman</span></a><span style="font-weight: 400;">, que decide passar um período em uma ilha paradisíaca da Grécia, após deixar suas duas filhas, Bianca e Martha, com o ex-marido no Canadá.</span></p>
<p><span id="more-26967"></span></p>
<figure id="attachment_26974" aria-describedby="caption-attachment-26974" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26974" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_2-800x453.jpg" alt="Cena do filme A Filha Perdida. Nela, a atriz Olivia Colman, que interpreta Leda, está olhando para trás, por cima do seu ombro direito. Leda é uma mulher branca de meia-idade, de cabelos castanhos curtos; ela veste um maiô azul-marinho. " width="800" height="453" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_2-800x453.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_2-1024x580.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_2-768x435.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_2.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26974" class="wp-caption-text">Olivia Colman é uma das atrizes da atualidade que carrega uma das melhores carreiras pós-vitória no Oscar, somando 3 indicações e 1 vitória nos últimos 4 anos de premiação (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Aproveitando o tempo consigo mesma, suas pacatas férias acabam sendo tomadas por lembranças antigas apenas pela súbita chegada de uma família no local. Nela, conhece Nina (Dakota Johnson) e sua filha Elena (Athena Martin Anderson), que de imediato desencadeiam memórias da protagonista em relação a sua própria experiência materna, o que a leva a uma estranha obsessão pela jovem mãe. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sinopse ou o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=s63AZRGzUtc"><i><span style="font-weight: 400;">trailer</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do filme podem enganar, por também não ser simples traduzir em poucas palavras ou minutos a </span><a href="https://azmina.com.br/colunas/elena-ferrante-por-que-so-se-fala-nela/"><span style="font-weight: 400;">hipnotizante experiência que Elena Ferrante criou</span></a><span style="font-weight: 400;"> com </span><i><span style="font-weight: 400;">A Filha Perdida</span></i><span style="font-weight: 400;">. Assim como o livro, a produção não tem grandes ganchos narrativos, que prendem a atenção pelo desfecho ou em acompanhar as conquistas da personagem. Aliás, o que a obra mais faz é deixar finais de seus capítulos em aberto, o que foi fidelizado nas cenas do longa. Se podemos definir o que de fato fixa nossos olhos na tela, só poderia ser o trabalho de Olivia Colman. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/retrato-omelete-olivia-colman-de-diarista-a-rainha-elizabeth-nas-telas"><span style="font-weight: 400;">vencedora do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> compõe a peculiar Leda de forma que parecemos estar lendo letra por letra das descrições de Ferrante. Unida à atuação de </span><a href="https://personaunesp.com.br/estou-pensando-em-acabar-com-tudo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jessie Buckley</span></a><span style="font-weight: 400;">, que interpreta a versão mais jovem da protagonista, criam, juntas, um dualismo perfeito das mudanças sofridas nas fases da vida da professora. Tudo isso não seria possível sem a condução de Gyllenhaal, tanto pelas lentes quanto pela escrita do roteiro, que consegue traduzir até mesmo as entrelinhas da obra da escritora napolitana em frente aos nossos olhos. O que não é uma tarefa nem um pouco fácil, tendo em vista a composição de fluxos de consciência em que a história original foi construída. </span></p>
<figure id="attachment_26972" aria-describedby="caption-attachment-26972" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26972" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/The-Lost-Daughter-800x475.jpg" alt="Cena do filme A Filha Perdida. Nela, está a atriz Dakota Johnson, que interpreta Nina, deitada em uma espreguiçadeira na praia, olhando para o lado. Nina é uma mulher branca, de cabelos escuros e compridos; ela veste um maiô colorido." width="800" height="475" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/The-Lost-Daughter-800x475.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/The-Lost-Daughter-1024x608.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/The-Lost-Daughter-768x456.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/The-Lost-Daughter-1536x912.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/The-Lost-Daughter-1200x712.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/The-Lost-Daughter.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26972" class="wp-caption-text">Enquanto Colman foi deixada para escanteio, Buckley conseguiu uma indicação ao BAFTA como Melhor Atriz Coadjuvante (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não demora muito para a aproximação entre Leda e Nina ter uma virada de chave, quando a protagonista decide roubar a boneca da pequena Elena. E, assim, engata no acontecimento que perdura como pano de fundo durante toda a produção. A recepção para quem assiste </span><i><span style="font-weight: 400;">A Filha Perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode vir como uma avalanche de quebras de expectativas, talvez por esperar que a família de Toni (</span><a href="https://personaunesp.com.br/residencia-hill-critica/"><span style="font-weight: 400;">Oliver Jackson-Cohen</span></a><span style="font-weight: 400;">), marido de Nina, apontada como perigosa por motivos nunca declarados, fosse realizar algum ato direto contra a personagem; alguma filha fosse ser, de fato, perdida, ou qualquer outra reviravolta que em concepções gerais seja considerada crucial para o desenrolar da narrativa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas o resultado final não poderia ser outro. Tanto a obra de Ferrante quanto de Gyllenhaal é composta por dosagens significativas de simbolismos, que, no cerne da palavra, não precisam ser entregues de bandeja. Diante disso, a provocação pela busca de respostas é gritante. Afinal, por que Leda decidiu roubar a boneca? Foi por inveja da relação de Nina com Elena? Como forma de ensinamento por a jovem ter cometido os mesmos erros que ela durante seu casamento? Ou até mesmo para tirar de Elena a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G3yLgETnBBo"><span style="font-weight: 400;">imposição do anseio materno</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ela tanto negou durante a vida? </span></p>
<figure id="attachment_26975" aria-describedby="caption-attachment-26975" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26975" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_5-800x450.jpeg" alt="Cena do filme A Filha Perdida. Nela, vemos uma boneca, que está sendo segurada pelas mãos de Leda. A boneca é branca, com cabelos castanhos claros e veste um vestido azul claro." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_5-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_5-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_5-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_5-1200x675.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_5.jpeg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26975" class="wp-caption-text">Maggie Gyllenhaal já havia sido indicada ao careca dourado anteriormente, mas por sua atuação em Coração Louco, em que interpreta uma mãe solo (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sentir qualquer empatia ou apego pela história da protagonista não é algo natural quando analisamos a narrativa apenas pelo que ela nos entrega explicitamente. Mesmo que com a frieza amenizada pela interpretação de Colman, Leda não é agradável, quem dirá simpática. Não podemos esperar qualquer afeição positiva por uma mulher de meia-idade que decide viajar sozinha apenas para gozar de sua liberdade. Ao decorrer da história, também descobrimos que afeto nenhum poderia vir por uma mãe que abandonou suas filhas por três anos e sentiu que </span><i><span style="font-weight: 400;">“foi maravilhoso”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mesmo que seu ex-marido tivesse realizado feito semelhante somando os finais de semana que precisava viajar a trabalho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A regra é clara, e a personagem Nora Fanshaw, que rendeu um </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">para Laura Dern em </span><a href="https://personaunesp.com.br/historia-de-um-casamento-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">História de um Casamento</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, resume bem: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Nós os amamos (os pais) por suas falhas, mas as pessoas absolutamente não aceitam essas mesmas falhas nas mães. Não a aceitamos estruturalmente e não a aceitamos espiritualmente. Porque a base da nossa baboseira judaico-cristão é Maria, Mãe de Jesus, e ela é perfeita”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Se formos avaliar a cinematografia como um todo, a figura da mulher adulta é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kkM_kbZbRVY"><span style="font-weight: 400;">inerente à questão materna</span></a><span style="font-weight: 400;">. Se ela não tem filhos, por que não quer ter? E, se tem, onde eles estão?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais do que isso, é algo intocável. E, é claro, que o mesmo não é comparável aos pais. Na Televisão, basta contestar o fato do porquê costumam estranhar a falta dos comentários ou ações de Midge (Rachel Brosnahan) em relação aos seus filhos em </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-marvelous-mrs-maisel-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Marvelous Mrs. Maisel</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, enquanto personagens masculinos como Kendall Roy (</span><a href="https://personaunesp.com.br/os-7-de-chicago-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jeremy Strong</span></a><span style="font-weight: 400;">), de </span><i><span style="font-weight: 400;">Succession</span></i><span style="font-weight: 400;">, sequer são lembrados como pai ou contestados por sua presença nada paterna. Mesmo com todas as suas questões, Bianca e Martha continuam sendo a principal referência de Leda para qualquer aspecto. Quando conversa com Will (</span><a href="https://personaunesp.com.br/normal-people-critica/"><span style="font-weight: 400;">Paul Mescal</span></a><span style="font-weight: 400;">) e ele conta a sua idade, a primeira coisa que ela faz é associar a de sua filha. O papel materno que lhe foi empurrado goela abaixo a vida inteira continua sendo intrínseco a ela. </span></p>
<figure id="attachment_26973" aria-describedby="caption-attachment-26973" style="width: 1400px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26973" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-lost-daughter-dancing-1.webp" alt="Cena do filme A Filha Perdida. Nela, Leda, interpretada por Olivia Colman, está dançando em uma festa com Lyle, interpretado por Ed Harris. Leda é uma mulher branca de meia-idade, com cabelos castanhos curtos e escuros, ela usa um vestido rosa de mangas compridas. Lyle é um senhor branco, ele usa uma boina marrom, um casaco marrom escuro, e calças bege claro. É possível ver outros casais dançando ao redor deles. " width="1400" height="700" /><figcaption id="caption-attachment-26973" class="wp-caption-text">Essa edição marca a primeira vez que duas atrizes concorrem ao Oscar pela mesma personagem em um mesmo filme (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em sua estreia, o que Maggie Gyllenhaal faz é digno de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar+2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A primazia com que transpôs a narrativa de Ferrante, e até deu novos significados a ela, ganhou sua merecida indicação em Roteiro Adaptado. A profundidade de Leda em tela também, em dose dupla, com Olivia Colman, que já virou figurinha carimbada na premiação, e Jessie Buckley estreando na categoria. No circuito independente, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Lost Daughter</span></i><span style="font-weight: 400;"> levou a melhor nas principais premiações do meio, o </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-162650/"><i><span style="font-weight: 400;">Spirit</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e o </span><a href="https://ew.com/awards/2022-gotham-awards-winners-list/"><i><span style="font-weight: 400;">Gotham Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. No </span><a href="https://www.omelete.com.br/festival-de-veneza/festival-veneza-vencedores"><span style="font-weight: 400;">Festival de Veneza</span></a><span style="font-weight: 400;">, a diretora ainda ganhou Melhor Roteiro, sinalizando um vindouro reconhecimento da indústria para seu trabalho atrás das câmeras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A genialidade da narrativa nós deixamos para Ferrante, mas o trabalho sagrado de popularizar ela tem o mérito total de Gyllenhaal. Das representações maternas que temos culturalmente, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Filha Perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma das únicas que encara a questão com sinceridade e respeito a quem ocupa aquele lugar. Apesar da falta de representatividade no audiovisual, Leda está em todos os lugares, com as imperfeições, traumas e dificuldades que carrega. Daí a coragem de Olivia, Jessie, Dakota, Maggie e Elena em conseguirem retratar uma figura com tanta honestidade. De mães, e também filhas perdidas. </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/a-filha-perdida-critica/">Quem são as mães das filhas perdidas?</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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