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	<title>Arquivos Festival de Toronto &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Coração de Lutador traz Dwayne Johnson enfrentando o silêncio depois do ringue</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Oct 2025 19:14:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Arthur Caires Da glória nos ringues da World Wrestling Entertainment (WWE) ao domínio em franquias blockbusters milionárias de ação, Dwayne Johnson consolidou-se como um ícone do entretenimento. Mas todo herói carrega, em silêncio, uma fissura. O que falta a alguém que já parece ter conquistado tudo? Coração de Lutador faz dessa pergunta seu eixo narrativo, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/coracao-de-lutador-traz-dwayne-johnson-enfrentando-o-silencio-depois-do-ringue/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Coração de Lutador traz Dwayne Johnson enfrentando o silêncio depois do ringue"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35849" aria-describedby="caption-attachment-35849" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-35849" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-800x450.png" alt="Uma cena do filme Coração de Lutador, vista de dentro de um ringue de luta, focada em quatro personagens em um momento de alta tensão. Da esquerda para a direita: Bas Rutten, como um treinador, é um homem mais velho, careca, vestindo uma camiseta verde-escura. Ele se inclina para a frente com uma expressão de intensa preocupação e seriedade, olhando para o lutador. Atrás do lutador, Ryan Bader o segura firmemente pelos ombros. Ele está vestido de preto e seu rosto também mostra foco e preocupação, como se estivesse tentando conter ou dar apoio. No centro da imagem, sentado em um banco vermelho no corner do ringue, está o lutador Mark Kerr, interpretado por Dwayne Johnson. Ele está sem camisa, exibindo um físico musculoso, e veste shorts de luta brancos com detalhes em vermelho e uma joelheira preta. Sua expressão é de angústia e exaustão; seus olhos estão arregalados e fixos, e sua boca está entreaberta. À direita, do lado de fora das cordas, está Dawn, interpretada por Emily Blunt. Com cabelos longos e escuros e vestindo uma regata branca, ela olha para a cena com uma expressão de profunda tristeza, angústia e preocupação." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35849" class="wp-caption-text">Dwayne Johnson no centro da narrativa de Coração de Lutador, entre força física e fragilidade emocional (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Arthur Caires</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Da glória nos ringues da </span><a href="https://comandogeek.com.br/blog/glossario/o-que-e-wwe-world-wrestling-entertainment/?srsltid=AfmBOoo-1H2uz_K7hpmz4UCbCznitvyan_jRyBLskMxcXI6qw9-wqZoY"><i><span style="font-weight: 400;">World Wrestling Entertainment</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (WWE) ao domínio em franquias </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbusters </span></i><span style="font-weight: 400;">milionárias de ação, Dwayne Johnson consolidou-se como um ícone do entretenimento. Mas todo herói carrega, em silêncio, uma fissura. O que falta a alguém que já parece ter conquistado tudo? </span><i><span style="font-weight: 400;">Coração de Lutador</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz dessa pergunta seu eixo narrativo, atravessando a persona inquebrantável de The Rock para revelar </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/reportagem/mark-kerr-veja-a-historia-do-lutador-que-sera-interpretado-por-the-rock.phtml"><span style="font-weight: 400;">Mark Kerr</span></a><span style="font-weight: 400;">, lutador real que habita a zona de instabilidade entre a vitória pública e a masculinidade frágil.</span></p>
<p><span id="more-35846"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao levar essa história ao </span><a href="https://www.instagram.com/p/DOuFzy6kt9n/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igsh=MzRlODBiNWFlZA=="><i><span style="font-weight: 400;">Festival de Toronto</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a própria presença de Kerr no evento, diante das câmeras, ecoa o gesto de reconhecimento que o filme encena: agora, sua vida ganha o rosto e a voz de uma das figuras mais conhecidas de Hollywood. Nas mãos do diretor Benny Safdie, esse encontro entre biografia e performance não se reduz a mero espetáculo esportivo; ao contrário, se abre para tensões sobre identidade e companheirismo. O resultado é uma obra que olha para além do ícone musculoso, em busca do homem que aprende a lidar com suas dores, dependências e amores – e que, nesse processo, talvez encontre o que realmente significa ser visto.</span></p>
<figure id="attachment_35848" aria-describedby="caption-attachment-35848" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35848" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-800x450.png" alt="Em uma cena do filme Coração de Lutador, o ator Dwayne Johnson, interpretando o lutador Mark Kerr, celebra uma vitória. Ele está em pé, sem camisa, com o corpo musculoso e brilhando de suor. Uma toalha branca está casualmente jogada sobre seu ombro esquerdo. Com a mão direita, ele ergue um grande cinturão de campeão, que tem uma faixa preta e uma placa central dourada com detalhes em relevo. Dwayne Johnson olha para cima e para o lado com um sorriso largo e radiante, expressando pura alegria e triunfo. O fundo é caloroso e festivo, preenchido com luzes douradas e desfocadas que criam um efeito brilhante (bokeh). À esquerda, mãos de pessoas aplaudem, e à direita, o rosto de uma mulher sorrindo é parcialmente visível, completando a atmosfera de comemoração." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35848" class="wp-caption-text">Johnson encontra nos gestos sutis a dimensão humana de seu personagem, revelando vulnerabilidade e autenticidade (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em sua primeira incursão solo, </span><a href="https://www.ingresso.com/noticias/benny-safdie-conquista-leao-de-prata-coracao-de-lutador-the-smashing-machine-festival-veneza-lista-premiados?city=sao-paulo&amp;partnership=needext&amp;ing_source=api&amp;ing_medium=link-filme&amp;ing_campaign=needext&amp;ing_content=deuses-da-peste"><span style="font-weight: 400;">Safdie</span></a><span style="font-weight: 400;"> parece mais interessado em auscultar a respiração de seus personagens do que em celebrar a glória das batalhas. A câmera recusa a perspectiva frontal e prefere se infiltrar pelos cantos, como quem espiona uma intimidade que não deveria ser vista. Há algo de documental, uma aproximação que dissolve a fronteira entre encenação e realidade, transformando a rotina de Mark Kerr em matéria de observação. Não se trata apenas de uma coreografia de socos, mas o registro do corpo cansado, do silêncio entre as falas, da tensão que persiste quando as luzes já se apagaram.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor constrói quase um </span><i><span style="font-weight: 400;">reality</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde a vida se expõe sem filtros: cortes bruscos, planos longos e hesitações que permanecem em quadro. A cena do longa que acompanha Kerr do ringue ao vestiário é exemplar nesse sentido – um fluxo contínuo que revela não apenas o atleta, porém o homem em suspensão, ainda sem saber como reagir à própria derrota. Longe da grandiosidade de lutas ultra coreografadas, </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cx2x8y9e2p8o"><i><span style="font-weight: 400;">Coração de Lutador</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> faz o detalhe ser sua maior força, o instante em que a vulnerabilidade rasga o mito e deixa ver aquilo que o espetáculo tantas vezes encobre: a solidão de existir sob os olhos de todos.</span></p>
<figure id="attachment_35847" aria-describedby="caption-attachment-35847" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35847" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-800x450.png" alt="Um close-up do ator Dwayne Johnson no filme Coração de Lutador, interpretando Mark Kerr em uma cena de conversa. Ele está vestindo uma camisa polo azul-escura, que evidencia seus braços e ombros extremamente musculosos, e usa um boné de beisebol branco. Um par de óculos de sol está pendurado na gola da camisa. Com uma expressão séria e pensativa, ele olha para o lado, como se estivesse ouvindo atentamente ou falando com alguém fora da câmera. A cena se passa em um ambiente interno com iluminação suave, possivelmente um restaurante ou um clube, com um abajur e outras pessoas desfocadas ao fundo, criando uma atmosfera mais casual e íntima." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35847" class="wp-caption-text">A câmera de Benny Safdie observa o cotidiano de Kerr com intimidade e naturalidade, longe do espetáculo (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dwayne Johnson encontra a chance de despir-se de sua persona e se arriscar em territórios de fragilidade. Seu corpo ainda impõe a presença de um ídolo de ação, mas é no vacilo do olhar, no quietude após a queda, que ele se reinventa como ator. Há momentos que parecem terem sido feitos para uma certa </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4gw7vqrwp8o"><span style="font-weight: 400;">premiação</span></a><span style="font-weight: 400;"> que acontece no começo de todo ano, no entanto o que realmente se destaca são as atitudes miúdas: a cumplicidade com o personagem de </span><a href="https://www.espn.com.br/mma/artigo/_/id/13658349/ryan-bader-anuncia-pausa-carreira-lutador-para-atuar-filme-the-rock"><span style="font-weight: 400;">Ryan Bader</span></a><span style="font-weight: 400;">, lutador profissional que se arrisca na atuação, as fraturas miúdas de uma rotina atravessada pelo vício e aqueles gestos mínimos – fugas e hesitações – que, dentro de uma relação, carregam um peso desproporcional. Nesses momentos, Johnson prova que pode ser mais do que um rosto para cartazes, que ele pode ser, de fato, um ator atravessado por uma história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se Johnson oferece a brecha para enxergar Kerr em sua dimensão íntima, </span><a href="https://personaunesp.com.br/oppenheimer-critica/"><span style="font-weight: 400;">Emily Blunt</span></a><span style="font-weight: 400;"> sustenta o eixo emocional que mantém o filme pulsando. Como Dawn, ela encarna a exaustão de uma relação marcada pelo vício e pela dependência. Sua presença é firme até quando o texto a empurra para diálogos banais, transformando pequenas expressões em densidade. Se há ecos de História de um Casamento na dinâmica conjugal em ruína, aqui os personagens soam mais crus, menos complexos, até irritantes – e talvez seja justamente essa dureza que os torna verossímeis. Blunt, que já fez muitas produções farofas, parece finalmente se encaminhar para o reconhecimento merecido: o de uma atriz eclética e carismática.</span></p>
<figure id="attachment_35850" aria-describedby="caption-attachment-35850" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35850" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image4-800x450.png" alt="Uma cena noturna do filme Coração de Lutador que mostra Dwayne Johnson e Emily Blunt caminhando juntos por uma rua movimentada no Japão. O casal está de mãos dadas no centro da imagem, ambos com expressões sérias e focadas. Dwayne Johnson, à direita, veste uma camiseta cinza-escura justa que acentua seu físico extremamente musculoso, combinada com calça jeans. Emily Blunt, à esquerda, usa um vestido branco longo e justo e segura uma jaqueta escura em seu braço. O cenário é o destaque da imagem: a rua está iluminada por dezenas de lanternas de papel redondas, com listras brancas e alaranjadas, penduradas em fios sobre suas cabeças, criando uma iluminação quente e atmosférica. Ao fundo, letreiros verticais com caracteres japoneses e outras luzes urbanas complementam a cena vibrante. A imagem é capturada de uma perspectiva que inclui elementos desfocados em primeiro plano, dando a sensação de que estamos observando o casal de perto." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image4-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image4-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image4-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image4-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image4-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image4.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35850" class="wp-caption-text">Emily Blunt sustenta o eixo emocional do filme, transformando pequenos gestos em densidade dramática (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Coração de Lutador</span></i><span style="font-weight: 400;"> é menos sobre vitórias no ringue do que sobre a impossibilidade de existir sem dor – física, emocional e cotidiana. Nesse percurso, a identidade do herói se constrói na repetição de seu próprio nome, como se a validação dependesse de ser lembrado, nomeado, visto. Entre a dependência dos </span><a href="https://ge.globo.com/combate/noticia/2025/09/10/mike-tyson-revela-uso-de-fentanil-no-auge-era-como-heroina.ghtml"><span style="font-weight: 400;">opioides</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a busca por estabilidade, a história insiste no companheirismo como chave de resistência: não são os cinturões que sustentam Mark Kerr, e sim os vínculos frágeis e insistentes com Dawn, o treinador e com aqueles que permanecem ao seu lado quando o </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">termina.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É tentador enquadrar a produção na categoria ‘cara de </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">’: cinebiografias que apostam em histórias de superação e quedas redentoras. Porém, Benny Safdie parece menos interessado em forjar um épico premiável do que em cultivar uma intimidade desconfortável. A obra escapa do artifício do </span><a href="https://www.omelete.com.br/oscar/o-que-e-oscar-bait"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar-bait</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, como se vê em produções como </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-baleia-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Baleia</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2022), porque não se ancora na glória esportiva nem na catarse fácil; prefere o gesto paciente de uma câmera que observa e que acolhe silêncios.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa encontra sua força justamente onde o espetáculo costuma se desfazer. Não se trata das vitórias que consagram, mas das quedas que revelam nossa humanidade. Dwayne Johnson, que </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/em-cartaz/o-choro-do-durao-the-rock-ao-ser-aplaudido-no-festival-de-veneza/"><span style="font-weight: 400;">chorou</span></a><span style="font-weight: 400;"> após ser aplaudido no </span><a href="https://www.instagram.com/p/DOcAGfuErmj/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igsh=MzRlODBiNWFlZA=="><i><span style="font-weight: 400;">Festival de Veneza</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, entrega aqui a prova de uma maturidade artística que recusa a caricatura. </span><i><span style="font-weight: 400;">Coração de Lutador</span></i><span style="font-weight: 400;"> deixa de ser apenas a crônica de um herói para se tornar a observação de uma experiência humana crua, feita de fragilidade e da busca incessante por ser reconhecido.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Coração de Lutador - The Smashing Machine | Trailer Oficial Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/nQGxDYNW3Wg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Quiz Lady une irmãs com comédia padrão e elenco incrível</title>
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		<pubDate>Wed, 15 May 2024 17:00:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Marina Iwashita Canelas Com elenco de peso, Jessica Yu volta após seis anos desde o seu último longa-metragem com Quiz Lady, que tem como missão unir duas irmãs distantes para pagarem a dívida deixada pela mãe e salvarem o cachorro de Anne, Mr. Linguini. As atrizes Sandra Oh (Jenny) e Awkwafina (Anne) são escaladas nessa &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/quiz-lady-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Quiz Lady une irmãs com comédia padrão e elenco incrível"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33192" aria-describedby="caption-attachment-33192" style="width: 900px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33192" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image2-1.png" alt="Cena do Filme Quiz Lady. A imagem mostra duas mulheres asiáticas no centro. A da esquerda possui brincos rosa, cabelo preto, com franjas e mechas roxas presos no topo da cabeça. Ela veste uma blusa justa rosa com magas bufantes até o cotovelo e uma calça jeans clara com um cinto turqueza. No seu ombro direito se encontra uma bolsa prata e uma garrafinha presa em um cordão. Sua feição é alegre e sorriso largo com a boca aberta. A mulher da direita, possui cabelo preto liso e com franja. Sua feição é relaxada, com os olhos mais fechados e um sorriso largo. Ela veste um moletom tie dye e uma calça na cor creme. No fundo da imagem temos um prédio e uma rua com duas pessoas na calçada. Elas se encontram no meio da rua próximas a um carro prateado sedan localizado a direita da imagem. " width="900" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image2-1.png 900w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image2-1-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image2-1-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33192" class="wp-caption-text">A comédia Quiz Lady traz duas irmãs opostas e distantes em um programa de quiz que pode ser a solução dos problemas delas (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><b>Marina Iwashita Canelas</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com elenco de peso, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.jessicayu.net/">Jessica Yu</a></span><span style="font-weight: 400;"> volta após seis anos desde o seu último longa-metragem com </span><span style="font-weight: 400;"><i>Quiz Lady</i></span><span style="font-weight: 400;">, que tem como missão unir duas irmãs distantes para pagarem a dívida deixada pela mãe e salvarem o cachorro de Anne, Mr. Linguini. As atrizes </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/umma-critica/">Sandra Oh</a></span><span style="font-weight: 400;"> (Jenny) e </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://awkwafina.com/">Awkwafina</a></span><span style="font-weight: 400;"> (Anne) são escaladas nessa trama que dá papel à representatividade asiática, ressignificando e mostrando a força da família e do amor.</span></p>
<p><span id="more-33188"></span><span style="font-weight: 400;">Apesar de ser uma comédia padrão que segue um estilo </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/poker-face-1a-temp-critica/"><i>road-trip movie</i></a></span><span style="font-weight: 400;"><i>, </i></span><span style="font-weight: 400;">o que nos prende desde o início é a boa atuação das personagens. Awkwafina e Oh são irmãs totalmente opostas. Enquanto a primeira repete o estereótipo que a </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RofpAjqwMa8">pôs no mapa</a></span><span style="font-weight: 400;"> de Hollywood com Anne – que tem falas rápidas, postura curvada e olhar para baixo, sendo mais introvertida e ranzinza, além de amante desde criança do programa </span><span style="font-weight: 400;"><i>Can’t Stop The Quiz </i></span><span style="font-weight: 400;">–, a segunda, por outro lado, atua entre o drama e a comédia com uma versatilidade em todos os níveis de atuação, dando vida à uma Jenny carismática que, apesar de ser a irmã mais velha, age como a mais nova e irresponsável. Para quem conhece a atriz pelos seus </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/greys-anatomy-17a-temp-critica/">papéis mais clássicos</a></span><span style="font-weight: 400;">, a mudança nítida de estilo de personagem choca pela boa atuação.</span></p>
<figure id="attachment_33190" aria-describedby="caption-attachment-33190" style="width: 668px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33190" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/imagem-2.jpg" alt="Cena do Filme Quiz Lady. A imagem mostra duas mulheres asiáticas no centro. A da esquerda possui cabelo preto, franja, mechas roxas e maria-chiquinha no cabelo. Está usando óculos de grau no topo da cabeça, um colar dourado no pescoço e uma roupa decotada preta. Sua feição é atenta, com sobrancelhas retraídas e boca aberta. Sua postura está curvada devido à mão direita estar na sua cintura. A mulher da direita, possui cabelo preto liso e com franja. Sua feição é atenta, também, com as sobrancelhas retraídas e boca fechada. Sua postura é curvada e ela usa um suéter bege com quadriculados em marrom e branco na frente." width="668" height="330" /><figcaption id="caption-attachment-33190" class="wp-caption-text">A roteirista Jen D’Angelo se inspirou na relação com o seu irmão para construir a dinâmica entre as protagonistas (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro busca trazer paradas ao longo da viagem das irmãs pelo país para Anne participar do seu programa favorito, colocando à prova a relação desfalcada e com traumas delas. Além disso, o texto conta com </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://youtu.be/QNEAWdanxr8?si=9uDMnOWNivZ8mNp2">improvisações</a></span><span style="font-weight: 400;"> e piadas de mulheres asiáticas, como a fala de Jenny: “</span><span style="font-weight: 400;"><i>Ah, é tão difícil ser uma mulher asiática na América!</i></span><span style="font-weight: 400;">”, sem pesar na trama. Isso porque as protagonistas são cômicas sobre elas mesmas, sem se levar tanto a sério, principalmente Oh com sua personagem mais dramática.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><i>Quiz Lady</i></span><span style="font-weight: 400;"> ainda traz a participação de ótimos atores coadjuvantes. </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.gq.com/story/this-was-the-year-jason-schwartzman-made-every-movie-better">Jason Schwartzman</a></span><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, é o competidor determinado e egocêntrico Ron Heacock, que busca bater o recorde do programa; </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.estadao.com.br/emais/tv/abracadabra-2-disney-divulga-nova-previa-com-irmas-sanderson/">Tony Hale</a></span><span style="font-weight: 400;"> é o cômico Benjamin Franklin, dono de uma pousada temática; e </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/hollywood-netflix-critica/">Holland Taylor</a></span><span style="font-weight: 400;">, a idosa vizinha de Anne que tem </span><span style="font-weight: 400;"><i>crush </i></span><span style="font-weight: 400;">em um cara que ela acha que é ator, mas não é. Com esse elenco de peso, vemos as personagens tendo interações orgânicas e naturais, quase como se conhecessem há muito tempo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vindo do recente </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/barbie-critica/"><i>Barbie</i></a></span><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://vejasp.abril.com.br/coluna/filmes-e-series/will-ferrell-paul-rudd-psiquiatra-ao-lado/">Will Ferrell</a></span><span style="font-weight: 400;"> estrela como o apresentador do quiz, Terry McTeer, e tem destaque entre os coadjuvantes. Companheiro de todas as noites de Anne há muito tempo, ele é quase o apresentador do programa </span><span style="font-weight: 400;"><i>Jeopardy!</i></span><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.jeopardy.com/about/cast/alex-trebeks-legacy-1940-2020">Alex Trebek</a></span><span style="font-weight: 400;">, mas com uma energia mais ingênua, gerando uma proximidade entre apresentador e espectador. Por conta disso, Anne parece vê-lo como uma figura paterna desde sua infância traumática. </span></p>
<figure id="attachment_33196" aria-describedby="caption-attachment-33196" style="width: 498px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33196" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/gif-quiz-lay-1.gif" alt="Cena do Filme Quiz Lady. A imagem animada mostra um homem branco no centro com uma peruca com calvice na frente e cabelos até o ombro lisos e grisalhos. O homem usa óculos no meio do nariz e tem uma feição irritada, falando pausadamente. Sua roupa é parecida com a do século XVIII. Ele usa um casaco cinza, gravata branca enrolada no pescoço formando uma cascata na frente até a região do peito e uma blusa cinza escura. À sua frente tem um balcão de madeira escura, com um pote de pães. Duas mulheres estão na frente do balcão e de costas para a imagem. A da esquerda tem cabelo preto em um rabo de cavalo, uma blusa branca e a alça de uma bolsa na cor prata. A da direita à imagem, tem cabelo preto e uma blusa listrada branca, bege e cinza. A imagem possui o texto em legenda amarelo dizendo: “I… am Ben Franklin”, ou em português “eu sou o Ben Franklin”. O fundo da imagem conta com uma parede na cor bege, uma porta branca atrás do homem e um armário marrom escuro com chaves e cartazes à direita." width="498" height="193" /><figcaption id="caption-attachment-33196" class="wp-caption-text">Tony Hale disse que a sua personagem leva as críticas sobre ele e sua pousada muito a sério, porque ser o Ben Franklin é seu modo de vida (GIF: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A luta de Anne na seletiva para participar do </span><span style="font-weight: 400;"><i>Can’t Stop The Quiz </i></span><span style="font-weight: 400;">é árdua. Isso porque a personagem tem ansiedade e não gosta de interagir com outras pessoas. Jenny acaba tendo um papel central como </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://youtube.com/shorts/U7NQvc2Ql-U?si=s_YlNI7lUBMHNKA2">irmã mais velha</a></span><span style="font-weight: 400;">, ajudando-a a passar por essa etapa desafiadora da vida para que consigam de volta o Sr. Linguini. É nesse período também que vemos ela ficando mais responsável e crescendo na vida adulta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde o início do encorajamento e proximidade das personagens, vemos as irmãs ensinando coisas uma para outra. As duas atrizes nos fazem sentir que, de fato, existem temas do passado não resolvidos entre elas, portanto, quando momentos de conversas íntimas e de reaproximação acontecem, a vida real é realmente </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://encurtador.com.br/fowSX">refletida no longa</a></span><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_33191" aria-describedby="caption-attachment-33191" style="width: 980px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33191" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/Imagem-4.jpg" alt="Cena do Filme Quiz Lady. A imagem mostra uma mulher amarela no centro com cabelos pretos e franjas. Sua expressão é de medo, com a boca meio aberta e olhos em choque. Seus braços estão levantados e seu suéter azul claro com botões mostra todo seu suor na área das axilas. Na sua frente, vemos uma mulher amarela de perfil com óculos escuros e brincos redondos grossos. Ela possui cabelos pretos com franja em um rabo de cavalo. Sua roupa é rosa claro com ombreiras bufantes. Podemos ver uma alça de bolsa verde turquesa em seu ombro. No fundo da imagem temos uma escada rolante à esquerda e um cavalete azul com um poster com várias tonalidades de azul à direita. " width="980" height="490" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/Imagem-4.jpg 980w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/Imagem-4-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/Imagem-4-768x384.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33191" class="wp-caption-text">Quiz Lady teve sua première mundial no Festival de Toronto de 2023 (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;"><i>Quiz Lady</i></span><span style="font-weight: 400;"> cumpre seu papel de comédia. Apesar de ser previsível, traz personagens divertidos e únicos que nos entretém durante toda a evolução pessoal que cada ator tem no seu papel. Para quem tem irmãos, o filme toca em uma parte mais sensível e pessoal de cada um, o que torna o longa realmente mais especial. Com um bom senso de humor, Jessica Yu consegue fazer de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Quiz Lady</i></span><span style="font-weight: 400;"> um bom </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/tag/comfort-movie/"><i>comfort movie</i></a></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Quiz Lady | Official Trailer | Hulu" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/4OzaexEqDa8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Há luz nos Olhos de Tammy Faye</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Mar 2022 19:55:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Júlia Trevisan A Televisão é, ainda hoje, um dos meios de comunicação mais eficientes já criado pelo homem. No Brasil, disputando com novelas e programas jornalísticos, muitos canais cedem espaço para que pastores vendam a cura e tirem os demônios de seus devotos via satélite. Entretanto, o pioneirismo vem dos Estados Unidos com Jim &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-olhos-de-tammy-faye-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há luz nos Olhos de Tammy Faye"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26850" aria-describedby="caption-attachment-26850" style="width: 1224px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26850 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem1-osolhosdetammyfaye.jpg" alt="Cena do filme Os Olhos de Tammy Faye. Ao centro vemos uma mulher branca de cabelos curtos e loiros. Ela usa uma maquiagem bem marcada, com sombra azul escura, rímel preto e batom vermelho queimado. Ela usa brincos e vestido branco. Há um microfone de lapela preto em sua gola. Ela está segurando o choro. Ela está sentada num sofá laranja e na imagem é visível a cabeceira da poltrona. O fundo é desfocado, parede cor creme e folhas verdes. " width="1224" height="688" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem1-osolhosdetammyfaye.jpg 1224w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem1-osolhosdetammyfaye-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem1-osolhosdetammyfaye-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem1-osolhosdetammyfaye-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem1-osolhosdetammyfaye-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26850" class="wp-caption-text">Indicado em duas categorias do Oscar 2022, o filme teve sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Toronto no ano passado (Foto: Disney Germany)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Júlia Trevisan</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Televisão é, ainda hoje, um dos meios de comunicação mais eficientes já criado pelo homem. No Brasil, disputando com novelas e programas jornalísticos, muitos canais cedem espaço para que pastores vendam a cura e tirem os demônios de seus devotos via satélite. Entretanto, o pioneirismo vem dos Estados Unidos com Jim Bakker (Andrew Garfield) e outros tantos religiosos como Jerry Falwell e Pat Robertson, homens, brancos, ricos que usam da boa oratória para transformar o Cristianismo em </span><i><span style="font-weight: 400;">showbiz</span></i><span style="font-weight: 400;">, lucrando à custa da fé dos espectadores. A narrativa é familiar, mas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eMMLRnXPPJk&amp;ab_channel=SearchlightPictures"><i><span style="font-weight: 400;">Os Olhos de Tammy Faye</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> enxerga a figura singular da televangelista que batiza o filme de maneira humanizada, dando um passo além da extorsão.</span></p>
<p><span id="more-26848"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Adaptado do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=A6aGqvkYcO8&amp;ab_channel=gaymoviereviews"><span style="font-weight: 400;">documentário homônimo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 2000, que foi comandado por Fenton Bailey e Randy Barbato, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Olhos de Tammy Faye</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem a missão divina de levar ao Cinema a ordinária história da televangelista autonomeada. A ideia de redescobrir a biografia nasce guiada pela voz de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/rupaul/"><span style="font-weight: 400;">RuPaul</span></a><span style="font-weight: 400;">, narrador da produção original, e do encantamento de Jessica Chastain pela crônica que estava sendo contada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2012, a atriz se imaginou vivendo a personagem e comprou os direitos do doc, optando por uma reprodução ficcional. Nessa quase uma década desde que separa a decisão e a estreia do filme, a direção ficou nas mãos de Michael Showalter. Enquanto o roteiro ficou a cargo de Abe Sylvia, que cresceu durante o clímax da história do casal Faye-Bakker, e usa seu conhecimento e fascínio para delinear os bastidores dos escândalos. </span></p>
<figure id="attachment_26851" aria-describedby="caption-attachment-26851" style="width: 1245px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26851 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem2-osolhosdetammyfaye.jpg" alt="Cena do filme Os Olhos de Tammy Faye. Ao centro vemos uma mulher branca de cabelos curtos e loiros. Ela usa uma maquiagem bem marcada, com sombra azul escura, rímel preto e batom vermelho queimado. Ela usa brincos e vestido branco. Há um microfone de lapela preto em sua gola. Ela está chorando. Ela está sentada num sofá laranja e na imagem é visível a cabeceira da poltrona. O fundo é desfocado, parede cor creme e folhas verdes. " width="1245" height="700" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem2-osolhosdetammyfaye.jpg 1245w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem2-osolhosdetammyfaye-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem2-osolhosdetammyfaye-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem2-osolhosdetammyfaye-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem2-osolhosdetammyfaye-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26851" class="wp-caption-text">Após sua separação de Jim Bakker, Tammy Faye se casou com Roe Messner e foi posteriormente diagnosticada com câncer, falecendo em 2007 (Foto: Disney Germany)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo em que o documentário de 2000 ajuda a reconstruir a sórdida imagem de Tammy Faye e resgata sua biografia do fogo eterno, o longa de Michael Showalter (</span><a href="https://personaunesp.com.br/love-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Love</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) caminha desde a faculdade bíblica em Minneapolis, onde Tammy conheceu e se apaixonou pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">showman</span></i> <a href="https://cm-ob.pt/where-is-jim-bakker-now"><span style="font-weight: 400;">Jim Bakker</span></a><span style="font-weight: 400;">, até a consagração do casal no ministério televisivo nos anos 70 e 80. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Eyes of Tammy Faye</span></i><span style="font-weight: 400;"> foca em apresentar um lado mais ingênuo da missionária, construindo seu relacionamento com Bakker e deixando claro desde o primeiro ato as percepções da direção sobre os protagonistas: Tammy, </span><a href="http://www.newnownext.com/rupaul-eyes-of-tammy-faye/09/2016/"><span style="font-weight: 400;">mulher fervorosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, conhecedora dos sacramentos bíblicos e ingênua. Já a montagem de Jim liga o sinal de alerta de que o bom samaritano futuramente se desviará da moral e dos bons costumes cristãos. O filme pinta uma imagem redentora que deixa para o público decidir até que ponto a cônjuge sabia sobre as atividades fraudulentas de seu marido.</span></p>
<figure id="attachment_26852" aria-describedby="caption-attachment-26852" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26852 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem3-osolhosdetammyfaye.jpg" alt="Cena do filme Os Olhos de Tammy Faye. Ao centro está Tammy, uma mulher branca de cabelos ondulados na altura dos ombros. Ela veste uma roupa roxa. Está sentada se maquiando. Em sua mão direita ela está segurando um pincel para passar blush nas bochechas. Em sua mão direita está o pote de blush. Suas unhas estão pintadas de vermelho. A frente, em primeiro plano, há um espelho de mesa redondo. Ele reflete o queixo e parte da blusa de Tammy. Ao fundo, desfocada, está a mãe de Tammy. Uma senhora de cabelos grisalhos e curtos, vestindo um vestido marrom claro e casaco de tricô marrom." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem3-osolhosdetammyfaye.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem3-osolhosdetammyfaye-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem3-osolhosdetammyfaye-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem3-osolhosdetammyfaye-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem3-osolhosdetammyfaye-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26852" class="wp-caption-text">Rachel LaValley, mãe de Tammy Faye, é interpretada pela vencedora do Tony e do Emmy Cherry Jones (Foto: Disney Germany)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A potência televisiva de Jim Bakker e Tammy Faye se deve a emissora que eles criaram: a </span><a href="https://www.vulture.com/news/the-ptl-club/"><i><span style="font-weight: 400;">PTL</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Aqui o filme exerce seu papel de apresentar o que acontecia por trás das câmeras nas negociações de criação de um dos maiores canais televangelicos dos EUA, cujo programa principal era comandado por seus fundadores. Para além do sagrado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Olhos de Tammy Faye</span></i><span style="font-weight: 400;"> serve para exibir as profanidades que aconteciam nos bastidores da </span><i><span style="font-weight: 400;">PTL</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O patrimônio milionário foi construído somente com doações dos fiéis, que eram explorados financeiramente até em cenários pecaminosos. Não havia história cabeluda o suficiente que Jim Bakker e os ‘</span><a href="https://www.observatoriodaimprensa.com.br/educacao-e-cidadania/caderno-da-cidadania/um-novo-fenomeno-do-televangelismo/"><span style="font-weight: 400;">grandões</span></a><span style="font-weight: 400;">’ do televangelismo não transformassem em notas de dólar. A direito, a produção mostra que eles esbanjaram todo esse dinheiro. Tammy era uma mulher extravagante que ostentava joias, acessórios e roupas caras, maquiagens pesadas e morava com Jim em uma mansão. Ele, por sua vez, apesar de ser mais discreto, desmantelou o império com denúncias de corrupção e escândalos sexuais.</span></p>
<figure id="attachment_26853" aria-describedby="caption-attachment-26853" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26853 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem4-osolhosdetammyfaye.jpg" alt="Bastidor de Os Olhos de Tammy Faye. Ao centro está uma mulher branca de cabelos curtos, volumosos e vermelho. Ela está com o olhar voltado para cima. Veste um vestido branco e usa maquiagem prata marcante. Ao seu redor há três homens maquiadores retocando o trabalho em seu rosto." width="1024" height="535" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem4-osolhosdetammyfaye.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem4-osolhosdetammyfaye-800x418.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem4-osolhosdetammyfaye-768x401.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26853" class="wp-caption-text">The Eye of Tammy Faye saiu vitorioso no BAFTA e no Critics’ Choice Awards na categoria de Melhor Cabelo e Maquiagem (Foto: Disney Germany)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A maquiagem pesada, principalmente em seus olhos, tornou-se marca de Tammy. Os cílios quilométricos, as sobrancelhas com traços acentuados e as pálpebras marcadas; o sorriso corajoso mas tomado por uma angústia psíquica ao lado de seu marido. Esse é o erguimento mais marcante da imagem de Faye e transmitido com louvor pelo afinado trabalho da equipe de maquiagem integrada por Linda Dowds, Stephanie Ingram e Justin Raleigh. Com seu apogeu nas décadas de 60 e 70, a cinebiografia se esforçar para apanhar fragmentos que interligam os trinta anos de matrimônio e o trabalho que concorre ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-cabelo-e-maquiagem/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Cabelo e Maquiagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> lida de forma convincente com a passagem cronológica de décadas, vendendo a imagem pastoral de </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2021/09/09/deus-patria-familia-bolsonaro-usa-lema-da-acao-integralista-brasileira-em-carta-a-nacao"><span style="font-weight: 400;">Deus, Pátria e Família</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/tick-tick-boom-critica/"><span style="font-weight: 400;">Andrew Garfield</span></a><span style="font-weight: 400;">, conhecidíssimo dessa temporada de premiações, envelhece seguindo um compasso natural divino com a sutileza dos cabelos embranquecendo. Por outro lado, a mudança em Tammy se reflete de maneira espalhafatosa, cada violação &#8211; própria ou alheia &#8211; dos mandamentos bíblicos grita em cabelos mais volumosos ou maquiagens carregadas e de traços permanentes que cumprem o papel de causar leve desconforto pela personagem que briga por afeição. A caracterização é feita para incomodar, mesmo que de certo ângulo o maxilar quadrado pareça caxumba é o exagero que dá a dimensão dos pecados do casal Bakker.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A maquiagem pesada ainda serve de catalisador para que </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/jessica-chastain-5-producoes-para-conhecer-vencedora-do-sag-awards-2022-interestelar-cenas-de-um-casamento-e-mais-lista/"><span style="font-weight: 400;">Jessica Chastain</span></a><span style="font-weight: 400;"> entregue a atuação mais importante de sua carreira. Concorrendo a categoria de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-atriz/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Atriz</span></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, prêmio que já venceu pelo mesmo papel no </span><i><span style="font-weight: 400;">SAG</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Critics&#8217; Choice Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022, Chastain esbanja carisma e mostra o domínio pelo roteiro que tem em mãos, exercendo deslumbramento e incômodo na mesma moeda. A tentativa do filme de humanizar Tammy Faye do ridículo se completa através da alma que Chastain imprime por baixo de todo pó compacto, revelando o credo em Deus e na magia dos fantoches que a mulher de </span><a href="https://www.cafemaisgeek.com/cinema/os-olhos-de-tammy-faye-vem-deus-mas-nao-vem-o-marido-a-por-o-dinheiro-ao-bolso/"><span style="font-weight: 400;">voz de Betty Boop</span></a><span style="font-weight: 400;"> carregava. Os </span><i><span style="font-weight: 400;">olhos </span></i><span style="font-weight: 400;">de Tammy Faye voltam a brilhar através das íris de Jessica Chastain, que com o olhar perdido livra Faye do caricato e denota uma mulher que merece simpatia e não ostracismo.</span></p>
<figure id="attachment_26854" aria-describedby="caption-attachment-26854" style="width: 1082px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26854 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem5-osolhosdetammyfaye.jpg" alt="Cena de Os Olhos de Tammy Faye. No canto esquerdo vê-se o rosto cansado de uma mulher branca de cabelos loiros e curtos. Ela está usando sombra escura. No canto superior direito vê-se um homem em pé. Ele é branco e com cabelos castanhos e alguns fios brancos. Ele veste roupas pretas. Há um telefone em sua mão direita, o mesmo está na altura das orelhas. Entre os dois vê-se um sofá rosa. A imagem tem os cantos borrados para dar a sensação de movimento e tontura. " width="1082" height="715" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem5-osolhosdetammyfaye.jpg 1082w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem5-osolhosdetammyfaye-800x529.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem5-osolhosdetammyfaye-1024x677.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem5-osolhosdetammyfaye-768x508.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26854" class="wp-caption-text">Em outubro de 1989, Jim foi condenado por 24 acusações de fraude e conspiração, e mais tarde naquele ano, recebeu a sentença de 45 anos na prisão (Foto: Disney Germany)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Poupando os pecados do roteiro, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Eyes of Tammy Faye</span></i><span style="font-weight: 400;"> se edifica por sua impecável estética. O </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos anos 70 e 80 extravasa pelas telas de forma nostálgica, destacando a alta costura e a luz amarela. Do ambiente iluminado por luz natural quando Tammy luta por um espaço na mesa dos cristãos ímpios onde o pastor conservador Jerry Falwell (</span><a href="https://personaunesp.com.br/gaviao-arqueiro-critica/"><span style="font-weight: 400;">Vincent D&#8217;Onofrio</span></a><span style="font-weight: 400;">) detém o voto de minerva, até a ascensão de Jim com </span><i><span style="font-weight: 400;">The 700 Club </span></i><span style="font-weight: 400;">moldada em uma atmosfera que mais se aproxima do mundano do que o sagrado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Olhos de Tammy Faye</span></i><span style="font-weight: 400;"> está longe de fazer milagre, mas pode se apoiar na louvável direção de fotografia de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tempo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Mike Gioulakis</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em proveito das aparências, nada passa imune a soberba de Bakker que apela para confissões chorosas na TV sobre como &#8211; após os escândalos sexuais &#8211; o casal de bem é perseguido e, acompanhado pelos vocais da esposa, clama aos paroquianos aumento em suas doações.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que definitivamente falta no filme é enfatizar a </span><a href="https://www.natgeo.pt/historia/2022/03/aquela-entrevista-transformou-as-pessoas-o-que-fez-tammy-faye-e-porque-foi-importante"><span style="font-weight: 400;">importância da evangelista</span></a><span style="font-weight: 400;"> para a comunidade LGBTQIA+. </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Olhos de Tammy Faye</span></i><span style="font-weight: 400;"> dá a ciência de seu apoio à causa, mas a cena da missionária entrevistando um homem portador do vírus da </span><a href="https://www.nbcnews.com/video/tammy-faye-bakker-s-groundbreaking-1985-interview-with-aids-patient-121068613697"><span style="font-weight: 400;">AIDS</span></a><span style="font-weight: 400;">, no auge da epidemia, só não se perde pelo forte peso emocional que carrega em mostrar uma serva do Senhor defendendo a comunidade. A conversa com </span><a href="https://lgbtqreligiousarchives.org/profiles/stephen-pieters"><span style="font-weight: 400;">Steven Pieters</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Randall P. Havens) parece mais comovente por causa de quão direto ela acontece no longa, no entanto, a apresentação não convence que a mulher seguidora dos dogmas religiosos realmente apoia a causa enquanto a Igreja prega a morte de homossexuais. O ambiente, até hoje!, hostil da instituição, se vincula às outras prioridades do roteiro que acaba por rebaixar à uma nota de rodapé o ato raro e parte notável do legado da mulher que abraçou ativamente a comunidade gay.</span></p>
<p><figure id="attachment_26856" aria-describedby="caption-attachment-26856" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26856 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem6-osolhosdetammyfaye.jpg" alt="Cena de Os Olhos de Tammy Faye. Ao centro está o rosto de uma mulher branca de cabelos curtos e vermelhos. Seu olhar está voltado para cima. Sua maquiagem prata e preta é bem marcada nos olhos. Seu batom vinho e o contorno preto também. Suas mãos estão unidas em prece na altura da boca. Suas unhas estão pintadas de vermelho. O fundo é desfocado em tons de azul." width="1280" height="689" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem6-osolhosdetammyfaye.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem6-osolhosdetammyfaye-800x431.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem6-osolhosdetammyfaye-1024x551.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem6-osolhosdetammyfaye-768x413.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem6-osolhosdetammyfaye-1200x646.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26856" class="wp-caption-text">Essa é a terceira indicação ao Oscar da Jessica Chastain, Histórias Cruzadas (2011) e A Hora Mais Escura (2012) foram as produções que acarretaram as nomeações no currículo da ruiva [Foto: Disney Germany]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Nas entrelinhas Abe Sylvia (</span><a href="https://personaunesp.com.br/disque-amiga-para-matar-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Disque Amiga para Matar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Nurse Jackie</span></i><span style="font-weight: 400;">) diligencia a </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/escandalos-sexuais-e-financeiro-o-imperio-dos-televangelistas-jim-e-tammy-faye-bakker.phtml"><span style="font-weight: 400;">culpa cristã</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em momento algum a vilania é colocada no alicerce da Igreja ou nos ombros do Espírito Santo, o roteiro denuncia o </span><i><span style="font-weight: 400;">showbiz </span></i><span style="font-weight: 400;">dos homens brancos, ricos, poderosos e miseráveis. As cenas de Jim Bakker são revestidas pela ganância. Além disso, o mérito não é escondido, a pessoa que serviu de muletas para que o pastor desse o primeiro passo junto aos podres para conseguir investidores e assim construir seu império tem nome e sobrenome: Tammy Faye.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Os Olhos de Tammy Faye</span></i><span style="font-weight: 400;"> definitivamente não é um filme sobre religião, mesmo com a fé de uma mulher e o televangelismo sendo suas maiores bases de apoio da narrativa. O que acontece aqui é a </span><a href="https://escotilha.com.br/cinema-tv/central-de-cinema/filme-os-olhos-de-tammy-faye-michael-showalter-resenha-critica/"><span style="font-weight: 400;">deliberação de um caso</span></a><span style="font-weight: 400;"> em específico, sem partir para uma generalização que não se sustentaria e ainda correria o risco de colocar a produção em praça pública sob as tochas e os gritos de heresia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao fim, resta o purgatório. A decisão de deixar nas mãos do público o termômetro de culpabilidade de Faye ludibria toda narrativa criada a seu favor &#8211; mesmo sua traição faz com que asco caia sobre Jim, provando o favoritismo da produção, contribuindo para que ela ficasse de fora das premiações nas categorias de roteiro. No juízo final, o veredito é que </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Olhos de Tammy Faye </span></i><span style="font-weight: 400;">convence que a protagonista pode até não merecer retenção plena, mas merece ter sua história contada de maneira harmoniosa e com o cuidado para retratar toda a complexidade humana por trás dos extravagantes cílios. Seu ex-marido &#8211; e os televangelistas que veem a fé como exclusiva fonte de lucro &#8211; tem direito apenas ao pão que o diabo amassou, aliás, as gravações do filme terminaram em 2019, e um ano depois, Jim Bakker tentou vender </span><a href="https://revistamarieclaire.globo.com/Noticias/noticia/2021/06/pastor-e-condenado-pagar-r-765-mil-por-divulgar-falso-produto-para-cura-da-covid-19.html"><span style="font-weight: 400;">prata coloidal</span></a><span style="font-weight: 400;"> às pessoas como uma cura para a covid-19. E por último Jessica Chastain aguentou o peso da cruz e cumpriu sua missão com louvor, tem passagem direta aos céus &#8211; ou quem sabe ao palco do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, mesmo que ela </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/oscar-2022-jessica-chastain-prefere-perder-tapete-vermelho-premio-de-melhor-maquiagem-entenda/"><span style="font-weight: 400;">pule o tapete vermelho</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
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		<title>Belfast: vá agora e não olhe para trás</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Mar 2022 16:48:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Lopes Gomez “Belfast ainda estará aqui quando você voltar”. Dito e feito: o bom filho à casa torna e o ator, diretor, roteirista e produtor Kenneth Branagh usou seu espaço na Sétima Arte para reviver a infância na sua familiar vizinhança. Irlandês, o cineasta se mudou para a Inglaterra aos nove anos de idade, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/belfast-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Belfast: vá agora e não olhe para trás"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26584" aria-describedby="caption-attachment-26584" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26584 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/belfast-4-800x450.jpg" alt="Cena do filme Belfast. Na cena, em preto e branco, da esquerda para a direita, vemos a personagem de Judi Dench, Buddy e o personagem de Ciarán Hinds sentados em um sofá, em uma sala de estar de uma casa. Judi Dench é uma mulher branca de cerca de 80 anos, com cabelos curtos e lisos, usando óculos de grau, um casaco escuro e um vestido claro, sentada na ponta esquerda do sofá e segurando um jornal aberto. Sentado no meio do sofá, vemos Buddy, um menino de cabelos claros, aparentando cerca de 9 anos, vestindo um suéter e um casaco escuro. Ele tem seus pés esticados sob uma mesa, à frente dele. Na ponta direita do sofá, vemos o personagem de Ciarán Hinds, um homem branco, de cerca de 70 anos, vestindo um casaco, suéter e calça escuros. Ele encara Buddy e tem um jornal aberto sob suas pernas." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/belfast-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/belfast-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/belfast-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/belfast-4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/belfast-4-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/belfast-4.jpg 1670w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26584" class="wp-caption-text">Vencedor do importante Prêmio do Público no Festival de Toronto, Belfast chega como um forte concorrente no Oscar 2022 (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Lopes Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Belfast ainda estará aqui quando você voltar</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Dito e feito: o bom filho à casa torna e o ator, diretor, roteirista e produtor Kenneth Branagh usou seu espaço na Sétima Arte para reviver a infância na sua familiar vizinhança. Irlandês, o cineasta se mudou para a Inglaterra aos nove anos de idade, em um período em que seu país e cidade natal enfrentavam os conflitos entre católicos e protestantes. Branagh, um dos principais </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/noticias/kenneth-branagh-planeja-animacao-baseada-em-shakespeare/"><span style="font-weight: 400;">entusiastas</span></a> <i><span style="font-weight: 400;">shakespearianos </span></i><span style="font-weight: 400;">da indústria cinematográfica, entre outras </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/kenneth-branagh-agatha-christie-terceira-adaptacao"><span style="font-weight: 400;">diversas produções no currículo</span></a><span style="font-weight: 400;">, se voltou, agora, à sua própria história. Com um molde autobiográfico, </span><i><span style="font-weight: 400;">Belfast </span></i><span style="font-weight: 400;">relembra os dias de seu idealizador na cidade, mesmo que a nostalgia não seja tão simples.</span></p>
<p><span id="more-26583"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No filme, também roteirizado por Kenneth Branagh, acompanhamos o desenrolar dos ataques e o cotidiano de uma família através da perspectiva de Buddy (Jude Hill). Assim como a narrativa, o garoto, de cerca de nove anos, é </span><a href="https://www.newsweek.com/kenneth-branagh-interview-belfast-true-story-troubles-1647311"><span style="font-weight: 400;">inspirado no diretor</span></a><span style="font-weight: 400;"> e funciona como sua versão mais nova. É pelos olhos dele que </span><i><span style="font-weight: 400;">Belfast </span></i><span style="font-weight: 400;">se desenrola. Sem contextualização prévia, os eventos do </span><a href="https://www.dw.com/pt-br/1968-in%C3%ADcio-da-guerra-civil-na-irlanda-do-norte/a-649054"><span style="font-weight: 400;">The Troubles</span></a><span style="font-weight: 400;">, como ficou conhecido o movimento separatista étnico-religioso que aterrorizou a Irlanda do Norte dos anos 60 aos 90, somos tão inocentes quanto a criança em presenciar a mudança daquela vizinhança, de pacífica e aconchegante a hostil e ameaçadora.</span></p>
<figure id="attachment_26585" aria-describedby="caption-attachment-26585" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26585 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/belfast-3-800x333.jpeg" alt="Cena do filme Belfast. A cena, em preto e branco, se passa em uma sala de cinema e vemos pessoas sentadas em poltronas em um segundo, terceiro e quarto plano. Acima delas, um projetor reflete luz. No primeiro plano, vemos uma família na primeira fila do cinema. Sentados da esquerda para a direita, vemos um mulher branca, aparentando cerca de 35 anos, com cabelos na altura do ombro, vestindo camiseta clara e um casaco escuro; um homem de cerca de 35 anos, de cabelos escuros curtos, vestindo camisa branca, casaco e calça escuros; uma mulher branca de cerca de 80 anos, boquiaberta, usando um chapéu escuro, vestindo casaco escuro e um vestido claro; um menino branco, de cabelos claros, aparentando cerca de 9 anos, vestindo suéter, casaco e bermuda escuros; e, na ponta direita da fileira, um menino branco de cerca de 15 anos, boquiaberto, vestindo um suéter e casaco escuros por cima de uma camisa branca e uma gravata, e calça escura." width="800" height="333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/belfast-3-800x333.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/belfast-3-1024x427.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/belfast-3-768x320.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/belfast-3.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26585" class="wp-caption-text">A fotografia em preto e branco, responsabilidade de Haris Zambarloukos, rendeu comparações com Roma, filme inspirado na infância do diretor Alfonso Cuarón (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Belfast </span></i><span style="font-weight: 400;">não tem pretensão de entregar um drama de época. A brusca virada na vida de seus personagens, que reflete no dia a dia e pauta o desenrolar da obra, é significativa para contar a história e o olhar de Buddy, não para dar aula ou conscientizar acerca de um evento histórico. Nisso, o filme tem seu ponto alto. Somado a direção e a visão de Branagh, que imprime pessoalidade e carinho a cada um dos 98 minutos, o ator mirim </span><a href="https://www.dailymail.co.uk/femail/article-10564053/How-Jude-Hill-Belfasts-mesmerising-child-star-showed-acting-talent-aged-FOUR.html"><span style="font-weight: 400;">Jude Hill</span></a><span style="font-weight: 400;"> cria um Buddy mais do que capaz de nos convencer que sua paixão de infância, interpretada pela adorável Olive MacDonald, e seu dever de casa de matemática são tão importantes quanto as explosões e batalhas porta afora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Afinal, para ele &#8211; e para um Kenneth Branagh de nove anos &#8211; talvez sejam. O roteiro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Belfast </span></i><span style="font-weight: 400;">foi uma carta cheia de afeto não só à cidade do título, que aparece primeiro em cores vivas, nos dias de hoje, mas também à beleza da infância. Até os ângulos de filmagem &#8211; incomuns, a princípio &#8211; expõe a forma como o garoto enxerga o mundo, com a inocência, ingenuidade e esperança de uma criança. A maneira com que Buddy vê os pais também explicita isso: apesar de ausente, o pai é quase um herói para ele, nobre, corajoso e sempre simpático com os outros. Já a Mãe/Ma de </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2022/jan/23/caitriona-balfe-star-of-belfast-on-family-late-fame-and-her-amazing-fan-club"><span style="font-weight: 400;">Caitriona Balfe</span></a><span style="font-weight: 400;">, apesar de estar sobrecarregada com a criação dele e do irmão, Will (Lewis McAskie), raramente quebra a postura de forte e nem por um momento aparece desarrumada, mas sempre bonita e elegante aos olhos do filho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Brannagh, com seu visível amor pelo Cinema, aproveitou a oportunidade para rechear o filme com as delicadezas e os toques atenciosos de quem conta a própria história. A admiração pela beleza da cinematografia, inclusive, se estende por diferentes gêneros e por produções diversas, na longa lista de trabalhos do irlandês. O artista já passeou pela cena dos heróis, no comando de </span><a href="https://personaunesp.com.br/thor-marvel-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Thor</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a estreia do Rei do Trovão nos cinemas, e até pelo mundo da magia, interpretando Gilderoy Lockhart, o professor pilantra de Hogwarts, em </span><a href="https://personaunesp.com.br/harry-potter-20-anos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Harry Potter</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> e a Câmara Secreta</span></i><span style="font-weight: 400;">. Agora, além de </span><i><span style="font-weight: 400;">Belfast</span></i><span style="font-weight: 400;">, também está em cartaz com </span><i><span style="font-weight: 400;">Morte no Nilo</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme adaptado do livro homônimo de </span><a href="https://personaunesp.com.br/assassinato-no-expresso-do-oriente-critica/"><span style="font-weight: 400;">Agatha Christie</span></a><span style="font-weight: 400;">, que dirigiu e em que segue interpretando o detetive Hercule Poirot.</span></p>
<figure id="attachment_26586" aria-describedby="caption-attachment-26586" style="width: 680px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26586" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/belfast-1.png" alt="Cena do filme Belfast. Na cena, em um plano geral em preto e branco, vemos à esquerda, um menino branco de cerca de 15 anos, com cabelos escuros curtos, vestindo um suéter e casaco escuros por cima de uma camisa branca, e calça escura, em pé e boquiaberto. À direita, vemos um homem branco de cerca de 35 anos, com cabelos escuros curtos, vestindo uma camisa branca, casaco, calça e sapatos escuros, em pé. Por trás deles, em um segundo plano da imagem, vemos soldados em uma fila, usando máscaras, uniformes pretos, segurando armas e escudos." width="680" height="400" /><figcaption id="caption-attachment-26586" class="wp-caption-text">No Oscar 2022, a surpresa foi a indicação de Judi Dench e não de Caitriona Balfe, que anos atrás já havia sido reconhecida por sua atuação em Outlander no Globo de Ouro e no BAFTA Awards, mas também foi esnobada pelo Emmy (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para recriar sua própria trajetória, Kenneth Branagh, o coração por trás de </span><i><span style="font-weight: 400;">Belfast</span></i><span style="font-weight: 400;">, investiu em seu elenco. </span><a href="https://people.com/movies/jamie-dornan-belfast-scene-that-led-to-floods-of-tears-during-filming/"><span style="font-weight: 400;">Jamie Dornan</span></a><span style="font-weight: 400;">, o intérprete do Pai/Pa, realmente encarna a postura de corajoso e protetor, esbanjando carisma. Em algumas cenas, inclusive, a visão de Buddy coloca o progenitor em situações (muito provavelmente) ficcionais, que surgiram mais da admiração da criança do que de um acontecimento real. Quando o personagem salva a família da gangue local, em uma cena à la faroeste, a idealização da figura paterna destoa. O mesmo acontece com os avós. O Avô/Pop de </span><a href="https://deadline.com/2021/12/ciaran-hinds-belfast-focus-features-dialogue-oscars-magazine-1234886383/"><span style="font-weight: 400;">Ciarán Hinds</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Avó/Granny de </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-features/judi-dench-interview-belfast-grandmother-kenneth-branagh-1235081234/"><span style="font-weight: 400;">Judi Dench</span></a><span style="font-weight: 400;"> são compreensíveis, aconchegantes e familiares, servindo o tempo todo como o apoio e o conforto de Buddy &#8211; e do telespectador. Em meio às incertezas da vida do garoto, ambos, junto dele, protagonizam os momentos mais memoráveis e emocionantes do filme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não por menos, o elenco de </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-160586/"><i><span style="font-weight: 400;">Belfast </span></i><span style="font-weight: 400;">foi reconhecido</span></a><span style="font-weight: 400;">. No </span><i><span style="font-weight: 400;">Hollywood Critics Association</span></i><span style="font-weight: 400;">, organização formada por críticos cinematográficos, os integrantes do filme saíram vitoriosos como Melhor Elenco, além do troféu de Melhor Ator Estreante para o pequeno Jude Hill. No </span><a href="https://cinepop.com.br/belfast-leva-para-casa-o-premio-de-melhor-roteiro-no-globo-de-ouro-2022-328106/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e no </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">, outras importantes premiações do Cinema, Balfe, Dornan e Hinds também foram considerados, todos nas categorias de atores coadjuvantes. Já no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, tido como uma das maiores honrarias do meio, o Avô foi indicado como Melhor Ator Coadjuvante e a Avó como Melhor Atriz Coadjuvante. Judi Dench, inclusive, já tem outras </span><a href="https://www.omelete.com.br/oscar/oscar-2022-sete-indicados-vencedores"><span style="font-weight: 400;">passagens pela premiação</span></a><span style="font-weight: 400;"> e esse troféu não seria o primeiro: ela venceu como Melhor Atriz por seu trabalho em </span><i><span style="font-weight: 400;">Shakespeare Apaixonado</span></i><span style="font-weight: 400;">, em 1999.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de seu peso, o elenco, formado exclusivamente por pessoas brancas e europeias, não é uma novidade em uma indústria cinematográfica que sempre os reconhece, no lugar de profissionais tão bons &#8211; ou ainda melhores &#8211; de outras etnias, nacionalidades e minorias sub-representadas. No </span><i><span style="font-weight: 400;">SAG Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que foi indicado na mesma categoria, o filme perdeu para </span><a href="https://personaunesp.com.br/no-ritmo-do-coracao-coda-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">No Ritmo do Coração</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com o Sindicato dos Atores de Hollywood reconhecendo um elenco principal majoritariamente surdo.</span></p>
<figure id="attachment_26588" aria-describedby="caption-attachment-26588" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26588" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/belfast-2-800x506.jpg" alt="Cena do filme Belfast. Ao centro da cena, em preto e branco, vemos Buddy dos ombros para cima. Ele é um menino branco, de cerca de 9 anos, com cabelos claros, curtos e lisos, boquiaberto. Em um segundo plano da imagem, vemos duas pessoas, uma de cada lado da cabeça dele, desfocadas." width="800" height="506" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/belfast-2-800x506.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/belfast-2-768x486.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/belfast-2.jpg 885w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26588" class="wp-caption-text">Indicado em Melhor Canção Original com Down to Joy, a trilha sonora de Belfast foi de responsabilidade de Van Morrison, cantor que causou polêmicas durante a pandemia por posicionamentos <a href="https://rollingstone.uol.com.br/musica/van-morrison-e-processado-por-discurso-anti-isolamento-entenda/">anti-isolamento</a> e anti-vacina (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro, a direção e a produção também receberam suas piscadelas da premiação, estabelecendo um novo </span><a href="https://www.omelete.com.br/oscar/kenneth-branagh-recorde#:~:text=O%20cineasta%20Kenneth%20Branagh%2C%20de,As%20informa%C3%A7%C3%B5es%20s%C3%A3o%20do%20Deadline."><span style="font-weight: 400;">recorde para Kenneth Branagh</span></a><span style="font-weight: 400;">, que se torna o artista mais indicado em diferentes categorias no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; são 7 ao longo da carreira, mas até agora sem nenhuma vitória. É claro, a narrativa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Belfast</span></i><span style="font-weight: 400;"> não foge muito do que </span><a href="https://www.opovo.com.br/vidaearte/2019/03/39809-as-preferencias-da-academia-do-oscar.html"><span style="font-weight: 400;">atrai a Academia</span></a><span style="font-weight: 400;">, sendo um dos mais tradicionais da edição: o filme está cotado para levar o careca dourado em Melhor Roteiro Original, Melhor Filme e Melhor Direção, todos para Brannagh. Além dos </span><a href="https://personaunesp.com.br/oscar-2022-present-all-23-artigo/"><span style="font-weight: 400;">prêmios tradicionais</span></a><span style="font-weight: 400;">, que levarão os artistas aos palcos do Teatro Dolby em Los Angeles, a obra também foi nomeada na categoria Melhor Som. Entre os creditados pela sonoplastia, a vitória na categoria entregaria o totem dourado a uma mulher negra, Denise Yarde, que também é apenas uma das duas mulheres concorrendo na </span><a href="https://mulhernocinema.com/destaques/pela-segunda-vez-em-94-anos-uma-mulher-vai-disputar-o-oscar-de-direcao-de-fotografia/-2015-nenhuma-diretora-concorre-ao-oscar-de-filme-estrangeiro/"><span style="font-weight: 400;">modalidade</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com os poucos avanços de </span><i><span style="font-weight: 400;">Belfast</span></i><span style="font-weight: 400;">, e seguido de um ano que concedeu o troféu máximo a uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><span style="font-weight: 400;">obra sul-coreana</span></a><span style="font-weight: 400;"> com críticas ao capitalismo e ao imperialismo, e uma edição que premiou uma cineasta chinesa explorando as rachaduras do </span><a href="https://personaunesp.com.br/nomadland-critica/"><span style="font-weight: 400;">sonho americano</span></a><span style="font-weight: 400;">, quão relevante é um drama sobre a infância na Europa, por mais difícil que esta pode ter sido? Entre alguns de seus concorrentes a Melhor Filme no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2022</span></a><span style="font-weight: 400;">, tampouco o filme é um destaque. </span><a href="https://personaunesp.com.br/ataque-dos-caes-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ataque dos Cães</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, faroeste que explora masculinidade tóxica e é dirigido por uma mulher (ninguém mais, ninguém menos que a brilhante Jane Campion); </span><i><span style="font-weight: 400;">Drive My Car</span></i><span style="font-weight: 400;">, drama japonês e o único em uma língua não-inglesa a disputar na categoria; </span><i><span style="font-weight: 400;">CODA</span></i><span style="font-weight: 400;">, outra produção com uma história sobre família, mas protagonizado por pessoas com deficiência auditiva; e </span><i><span style="font-weight: 400;">King Richard: Criando Campeãs</span></i><span style="font-weight: 400;">, com um elenco majoritariamente negro, são melhores opções para uma premiação </span><a href="https://mulhernocinema.com/noticias/pela-primeira-vez-desde-2015-nenhuma-diretora-concorre-ao-oscar-de-filme-estrangeiro/"><span style="font-weight: 400;">tradicional</span></a><span style="font-weight: 400;"> que se comprometeu em avançar na </span><a href="https://www.omelete.com.br/oscar-2021/oscar-regras-representatividade-2024"><span style="font-weight: 400;">representatividade</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seus indicados.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Belfast - Trailer Oficial 2" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/xztdJxC1UwA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Belfast </span></i><span style="font-weight: 400;">não deixa de ser tocante. O carinho que Kenneth Branagh imprime na obra é indiscutível e os dias de menino de Buddy, a versão ficcionalizada do diretor, revelam a beleza da infância até em preto e branco. Para além da </span><a href="https://www.breakingnews.ie/entertainment/kenneth-branagh-film-inspired-by-20-seconds-where-the-world-turned-upside-down-1246201.html"><span style="font-weight: 400;">memória afetiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> da vizinhança irlandesa, o filme também homenageia o Cinema, uma constante na vida do menino. Em algumas das cenas mais emocionantes do longa, a família protagonista se diverte e se impressiona com o poder da Sétima Arte, e traduzem a influência desta na vida do cineasta, que, hoje, trabalha como ator, diretor, roteirista e produtor. Ao final, tanto Buddy quanto Branagh deixaram Belfast, mas voltaram melhores do que saíram, como sua avó avisou. Bastava ir e não olhar para trás.</span></p>
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		<title>Persona Entrevista: Anita Rocha da Silveira</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Dec 2021 20:42:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Diretora de Medusa relembra o processo de produção do filme e comenta sobre a experiência no Festival de Cannes Caroline Campos e Vitor Evangelista Em formato híbrido, a 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo possibilitou oportunidades de ouro para a equipe do Persona. Entre cabines de imprensa de filmes com sonho de reconhecimento &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/entrevista-anita-rocha-da-silveira/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Persona Entrevista: Anita Rocha da Silveira"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">Diretora de Medusa relembra o processo de produção do filme e comenta sobre a experiência no Festival de Cannes</span></i></p>
<figure id="attachment_25478" aria-describedby="caption-attachment-25478" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25478 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/medusa-wp.jpg" alt="Arte retangular horizontal de fundo vermelho. No lado esquerdo, foi adicionado o texto &quot;PERSONA ENTREVISTA&quot; na vertical, repetidas vezes. No centro, foi adicionada uma foto em preto e branco da diretora Anita Rocha da Silveira. No lado direito, foi adicionada uma imagem do poster de seu filme, Medusa, e acima, foi adicionado seu nome, &quot;anita rocha da silveira&quot;." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/medusa-wp.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/medusa-wp-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/medusa-wp-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25478" class="wp-caption-text">Finalizando os trabalhos de cobertura da 45ª Mostra de Cinema em São Paulo, o Persona Entrevista recebe Anita Rocha da Silveira, diretora de Medusa (Foto: Reprodução/Arte: Jho Brunhara)</figcaption></figure>
<p><b>Caroline Campos e Vitor Evangelista</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em formato híbrido, a 45ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo possibilitou oportunidades de ouro para a equipe do Persona. Entre </span><a href="https://personaunesp.com.br/deserto-particular-critica/"><span style="font-weight: 400;">cabines de imprensa</span></a><span style="font-weight: 400;"> de filmes com sonho de reconhecimento no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">e um esperado </span><a href="https://www.instagram.com/p/CV6droXMAnS/"><span style="font-weight: 400;">encontro presencial</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos membros da Editoria, tivemos a oportunidade de não apenas conferir a </span><a href="https://personaunesp.com.br/medusa-critica/"><span style="font-weight: 400;">vibração descomunal de </span><i><span style="font-weight: 400;">Medusa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, como também de entrevistar sua realizadora, a majestosa diretora </span><a href="https://www.exibidor.com.br/noticias/mercado/12057-cineasta-anita-rocha-da-silveira-volta-a-cannes-com-longa-sobre-violencia-nas-relacoes-entre-mulheres"><span style="font-weight: 400;">Anita Rocha da Silveira</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-25459"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Narrando a história de Mariana, uma jovem que se rebela frente a um ambiente conservador e tóxico marcado pelo extremismo religioso, o segundo longa da carioca se pauta na revolta e na reverência às figuras femininas que povoam os quatro cantos da tela. O roteiro começou a ser escrito em 2016, conta Anita, iluminada pelo sol do fim de tarde. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Toda essa onda conservadora que ocasionou na eleição dele, já tava tudo desenhado lá”</span></i><span style="font-weight: 400;">, confidencia, referindo-se ao presidente e às consequências do </span><a href="https://personaunesp.com.br/alvorada-critica/"><span style="font-weight: 400;">processo de </span><i><span style="font-weight: 400;">impeachment</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de Dilma Rousseff que vêm se acumulando nos últimos anos.</span></p>
<figure id="attachment_25460" aria-describedby="caption-attachment-25460" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25460 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4XJqBWEA-scaled.jpeg" alt="A imagem retangular é uma cena do filme Medusa. À frente já uma piscina azul claro e logo acima e no centro várias mulheres estão sentadas observando uma mulher loira sentada no centro com um dos pés mergulhados na piscina. De fundo há uma casa branca com muitas plantas ao redor." width="2560" height="1703" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4XJqBWEA-scaled.jpeg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4XJqBWEA-800x532.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4XJqBWEA-1024x681.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4XJqBWEA-768x511.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4XJqBWEA-1536x1022.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4XJqBWEA-2048x1363.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4XJqBWEA-1200x798.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25460" class="wp-caption-text">O roteiro começou a ser escrito em 2016, mas o processo só acabou na hora das filmagens: “a história é a mesma desde 2017”, confirma Anita (Foto: Bananeira Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A ideia primária era desenvolver a relação do conceito de bela, recatada e do lar, com o sentimento de submissão pelo qual as mulheres religiosas, nesse caso neopentecostais, se viam inseridas. </span><a href="https://claudia.abril.com.br/noticias/anita-rocha-da-silveira-e-forca-feminina-dentro-do-ambiente-sexista-do-cinema-brasileiro/"><span style="font-weight: 400;">Anita queria cutucar</span></a><span style="font-weight: 400;"> o ideal de </span><i><span style="font-weight: 400;">“um certo modelo de mulher submissa ao homem como algo positivo, algo a ser seguido”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mas tudo começou um pouco antes do processo de escrita, em 2015, quando leu uma história de um grupo de meninas que se juntaram para bater em uma colega por conta de fotos vulgares.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com isso, a diretora acabou se deparando também com o </span><a href="https://www.historiadasartes.com/sala-dos-professores/cabeca-de-medusa-caravaggio/#:~:text=Conta%20a%20lenda%20que%20Medusa,um%20artif%C3%ADcio%20para%20engan%C3%A1%2Dla.&amp;text=Caravaggio%20pintou%20duas%20vers%C3%B5es%20da,presumivelmente%2C%20em%201597%2F8."><span style="font-weight: 400;">mito da Medusa</span></a><span style="font-weight: 400;">, figura mitológica amaldiçoada por Atena depois de se deitar com Poseidon – em algumas versões, ser estuprada pelo deus dos mares –, eternizada a viver com cobras no lugar de cabelo e transformando em pedra qualquer um que ousasse cruzar olhares consigo. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Fiz o filme para falar do machismo estrutural, como ele é parte da sociedade e como ele é projetado em todos nós de alguma maneira”,</span></i><span style="font-weight: 400;"> resgata Anita.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre Medusa e Mariana, a letra M vira constante nesse conto moderno de terror. </span><i><span style="font-weight: 400;">“É o M de Mulher, né? Como se cada uma fosse uma parte, onde uma se reflete na outra. E no final passa a mensagem de uma certa união feminina, como se todas fossem parte de um todo”</span></i><span style="font-weight: 400;">, comenta a diretora, revelando sua inspiração em </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/criticas/539999/critica-suspiria-1977-a-estetica-do-medo/"><i><span style="font-weight: 400;">Suspiria</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Dario Argento, que envolve uma complexa relação entre mulheres e alguns trocadilhos com a letra S.</span></p>
<figure id="attachment_25461" aria-describedby="caption-attachment-25461" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25461 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/IMdi-VQU-1024x1024.jpeg" alt="A imagem quadrada é uma foto da diretora Anita Rocha da Silveira. Centralizada, Anita é uma mulher branca, jovem, magra, de cabelos curtos e penteados. Ela está com um grande sorriso no rosto, possui sobrancelhas finas e um rosto longo. Ela segura com sua mão direita um caderno e pode ser vista da cintura para cima, enquanto usa uma camiseta preta. Ao fundo vemos um set de filmagens com outros integrantes da direção." width="840" height="840" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/IMdi-VQU-1024x1024.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/IMdi-VQU-800x800.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/IMdi-VQU-150x150.jpeg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/IMdi-VQU-768x768.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/IMdi-VQU-1536x1536.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/IMdi-VQU-2048x2048.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/IMdi-VQU-1200x1200.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25461" class="wp-caption-text">Anita já é nome conhecido entre cineastas brasileiros de Terror (Foto: Anita Rocha da Silveira)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E como se tornou costume nas entrevistas que detalham os </span><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-rian-cordova-e-leonardo-menezes/"><span style="font-weight: 400;">processos criativos do Cinema nacional</span></a><span style="font-weight: 400;">, a questão de financiamento e verba não foi fácil na concepção de </span><i><span style="font-weight: 400;">Medusa</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com dinheiro reduzido, a equipe resolveu prosseguir mesmo assim, rodando todo o longa em apenas 28 dias. A resposta imediata veio em uma cidadezinha francesa que atende por Cannes e respira Arte todo meio de ano. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O retorno para o </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/07/medusa-unico-brasileiro-a-competir-em-cannes-afronta-o-extremismo-evangelico.shtml"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cannes</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi também o momento de entrar em uma sala de cinema, sentar na poltrona e ser fisgado pela catarse coletiva. Para isso, a equipe precisou ficar em quarentena por duas semanas, mas tudo valeu a pena, de acordo com Anita, que sorria ao detalhar a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ln4KwaPYocQ"><span style="font-weight: 400;">aclamação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Medusa</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">no antigo continente. Depois de lá, o longa foi prestigiado no Festival de Toronto, fez uma passagem exclusiva com direito a ingressos esgotados na Mostra de São Paulo e, agora, está fincando sua máscara branca no </span><a href="http://www.festivaldorio.com.br/br/filmes/medusa"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando tocamos na tecla do </span><a href="https://www.guiadasemana.com.br/cinema/galeria/filmes-sobre-futuros-distopicos"><span style="font-weight: 400;">ar distópico</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Medusa</span></i><span style="font-weight: 400;">, a diretora prefere definir sua criação como ambientada em um universo paralelo, porque tem muitos exageros óbvios, mas baseados no mundo real. As falas ditas pelo personagem de Thiago Fragoso são todas retiradas de sermões existentes e disponíveis em vídeos na </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">. Consciente de como transmitir sua mensagem, a diretora define que </span><i><span style="font-weight: 400;">Medusa </span></i><span style="font-weight: 400;">se passa num lugar isolado, mas que reflete o Brasil como um todo.</span></p>
<figure id="attachment_25462" aria-describedby="caption-attachment-25462" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25462 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/swAo3zuA-scaled.jpeg" alt="A imagem retangular é uma cena do filme Medusa. Centralizado à direita há uma mulher com uma roupa toda branca e uma máscara branca que mostra apenas seus olhos. Ela está coberta por uma luz vermelha e está num lugar escuro e com muitas folhas." width="2560" height="1703" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/swAo3zuA-scaled.jpeg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/swAo3zuA-800x532.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/swAo3zuA-1024x681.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/swAo3zuA-768x511.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/swAo3zuA-1536x1022.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/swAo3zuA-2048x1363.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/swAo3zuA-1200x798.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25462" class="wp-caption-text">“Prefiro dizer que é um filme situado num universo paralelo, mas que se passa atualmente” (Foto: Bananeira Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seu filme de estreia, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MskWriChuXs"><i><span style="font-weight: 400;">Mate-Me Por Favor</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Anita optou por inundar a </span><a href="https://macabra.tv/diretoras-macabras-o-luto-e-a-morte-pelo-olhar-de-anita-rocha-da-silveira/"><span style="font-weight: 400;">conclusão em melancolia</span></a><span style="font-weight: 400;">, e quase repetiu a fórmula na produção de 2021. No esboço inicial, o final era pessimista, mas a realidade brasileira </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-04-16/inacao-e-desinformacao-do-governo-bolsonaro-agravam-a-pandemia-no-brasil.html"><span style="font-weight: 400;">se tornou tão sombria</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ela quis fazer algo positivo. Quando evoca uma libertação física e emocional das mulheres protagonistas, o filme sublinha a imagem de Medusa no imaginário popular, uma figura berrante, que dá um grito de raiva e não de medo. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Para mim, é um final de mudança, de transformação. Como despertar e liberar tudo aquilo que está reprimindo”</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela complementa. A cicatriz é elemento de transformação, não de vergonha ou prisão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E, infelizmente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Medusa </span></i><span style="font-weight: 400;">bebe das mais </span><a href="https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2020/03/07/pais-terrivelmente-evangelico-e-projeto-de-poder-ou-preconceito-da-elite.htm"><span style="font-weight: 400;">pútridas águas</span></a><span style="font-weight: 400;"> dessa tal realidade. Assistindo ao avanço neopentecostal para dentro das entranhas da política brasileira, movimento responsável por grande parte do diálogo com a atual onda conservadora, a cineasta ressalta o quão perigoso essa relação íntima pode vir a ser. O problema, segundo Anita, está em </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/10/extremismo-evangelico-e-perigoso-e-potencializa-violencias-historicas-diz-pastor.shtml"><span style="font-weight: 400;">interpretar a Bíblia</span></a><span style="font-weight: 400;"> a seu bel prazer, de uma maneira machista, homofóbica e que leva apenas o ódio ao diferente. Se a nossa libertação vier assim como nos momentos conclusivos de Michele e as Preciosas, só nos resta esperar pelos créditos finais.</span></p>
<figure id="attachment_25463" aria-describedby="caption-attachment-25463" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25463 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/FSm1bG_Q-scaled.jpeg" alt="A imagem retangular é uma cena do filme Medusa. Ao centro vemos duas mulheres mais ao fundo da foto, sendo parcialmente cobertas por um matagal. À esquerda há uma mulher branca, loiro e de cabelos longos e encaracolados, ela está com uma feição amedrontada e abraça sua amiga à direita, uma mulher negra, de cabelos pretos, enrolados e longos, que também possui uma feição preocupada e com medo. Ao fundo vemos uma floresta enquanto está de noite." width="2560" height="1703" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/FSm1bG_Q-scaled.jpeg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/FSm1bG_Q-800x532.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/FSm1bG_Q-1024x681.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/FSm1bG_Q-768x511.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/FSm1bG_Q-1536x1022.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/FSm1bG_Q-2048x1363.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/FSm1bG_Q-1200x798.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25463" class="wp-caption-text">Melissa, de Bruna Linzmeyer, se torna a Medusa amaldiçoada por suas iguais (Foto: Bananeira Filmes)</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Se você pudesse escolher 3 mulheres para trabalhar junto em um filme, vivas ou mortas, quem seriam e por quê?</b></p>
<p><b>Anita:</b> <i><span style="font-weight: 400;">“Vou ter que parar para pensar agora. A Madonna, por que não? Se pode sonhar alto, por que não a Madonna? Que está aí inovando desde sempre. Quem mais? A primeira que me veio à mente foi a Madonna. Adoraria trabalhar um dia com a Fernanda Montenegro, que eu acho uma grande atriz. E com a Viola Davis, sonhei alto, hein”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Se você pudesse adaptar outro mito histórico, qual seria?</b></p>
<p><b>Anita:</b> <i><span style="font-weight: 400;">&#8220;Não sei agora (risos), acho que vou por outro caminho”.</span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Quais são seus próximos passos depois de Medusa?</b></p>
<p><b>Anita:</b><i><span style="font-weight: 400;"> “Estou começando a desenvolver dois projetos ao mesmo tempo, mas muito embrionários. Um já mais caro, então acho que na situação atual do Brasil, que os lançamentos são quase inexistentes para o Cinema, seria complicado. Eu comecei a desenvolver um outro, mas de momento eu estou, enfim, tentando me estabilizar como diretora, alguns outros trabalhos como diretora, porque até então eu tenho trabalhado mais como roteirista e agora, com o segundo longa, vou também tentar conseguir trabalhos em séries e pros outros, dirigindo, porque a minha paixão está mesmo no set. Enquanto isso estou desenvolvendo esses dois projetos, mas o financiamento é complicado no Brasil e, para mim, ter liberdade criativa é algo essencial. Daqui a pouco eu vou escolher qual dos dois eu vou tocar, mas eu sou uma pessoa que não consigo fazer mais de um projeto ao mesmo tempo não. Só faço um de cada vez”.</span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de passar por Cannes, Toronto e pela Mostra de SP, </span><i><span style="font-weight: 400;">Medusa </span></i><span style="font-weight: 400;">está em exibição no Festival do Rio.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="MEDUSA (Anita Rocha da Silveira, Brazil, 2021)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/RsVrK5WM4rY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Nenhuma amnésia é o bastante para o Fruto da Memória</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Nov 2021 18:05:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>João Batista Signorelli As memórias são fundamentais para a constituição da identidade humana. Se parte essencial de um indivíduo é construída a partir de suas experiências, o que acontece se ele perde o elo de sua mente com elas? Explorando as relações entre identidade e as lembranças, Fruto da Memória, coprodução entre a Grécia, Polônia &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/fruto-da-memoria-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Nenhuma amnésia é o bastante para o Fruto da Memória"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24509" aria-describedby="caption-attachment-24509" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24509" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/fruto-da-memoria-1.jpg" alt="Cena do filme Fruto da Memória. A foto mostra um homem branco de cabelos grisalhos e sobretudo marrom no canto inferior esquerdo da imagem, de frente tirando uma foto com uma câmera polaroid antiga. No resto da imagem há uma vegetação verde-escuro desfocada." width="1440" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/fruto-da-memoria-1.jpg 1440w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/fruto-da-memoria-1-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/fruto-da-memoria-1-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/fruto-da-memoria-1-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/fruto-da-memoria-1-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24509" class="wp-caption-text">Fruto da Memória foi exibido na seção Perspectiva Internacional da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Synapse Distribution)</figcaption></figure>
<p><strong>João Batista Signorelli</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As memórias são fundamentais para a constituição da identidade humana. Se parte essencial de um indivíduo é construída a partir de suas experiências, o que acontece se ele perde o elo de sua mente com elas? Explorando as relações entre identidade e as lembranças, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fruto da Memória</span></i><span style="font-weight: 400;">, coprodução entre a Grécia, Polônia e a Eslovênia exibida na 45ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, apresenta uma pandemia onde qualquer um pode contrair uma amnésia repentina permanente, expondo a vulnerabilidade da identidade humana protegida pelas próprias recordações. </span></p>
<p><span id="more-24508"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Trata-se do primeiro longa-metragem dirigido por Christos Nikou, que iniciou sua carreira como assistente de direção, trabalhando com outros diretores como </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-sacrificio-do-cervo-sagrado-critica/"><span style="font-weight: 400;">Yorgos Lanthimos</span></a><span style="font-weight: 400;"> em </span><i><span style="font-weight: 400;">Dente Canino</span></i><span style="font-weight: 400;">, e até </span><a href="https://personaunesp.com.br/antes-do-amanhecer-25-anos/"><span style="font-weight: 400;">Richard Linklater</span></a><span style="font-weight: 400;"> em </span><i><span style="font-weight: 400;">Antes da Meia-Noite. </span></i><span style="font-weight: 400;">Rodando o mundo em festivais internacionais em 2020, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fruto da Memória</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi exibido em Toronto e integrou a Mostra Horizontes do Festival de Veneza. Selecionado pela Grécia para </span><a href="https://news.gtp.gr/2020/11/12/greece-submits-apples-official-film-entry-2021-oscars/"><span style="font-weight: 400;">representar o país</span></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar 2021 </span></i><span style="font-weight: 400;">para Melhor Filme Internacional, o filme não alcançou a pré-lista da categoria, e finalmente chega ao Brasil estreando na Mostra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na história, um homem contrai a amnésia em um ônibus. Sem documento, e após dias de estadia no hospital sem que algum familiar vá procurá-lo, ele entra para um programa governamental de recuperação para não-identificados, que o ajuda a construir novas memórias. Sendo guiado a registrar suas vivências em fotografias, ele se aproxima de uma mulher que participa do mesmo programa, mas as vivências “forçadas” parecem não ser o suficiente para que o protagonista recupere uma plena reintegração à sociedade, levando-nos a questionar: é possível reescrever nossa identidade?</span></p>
<figure id="attachment_24511" aria-describedby="caption-attachment-24511" style="width: 1800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24511" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/fruto-da-memoria-2-1.jpg" alt="Cena do filme Fruto da Memória. A foto mostra um homem branco de barba sentado de frente para a esquerda em uma poltrona, com uma mulher branca de saia curta brilhante e top escuro em pé inclinada na direção do homem. A imagem é inteira banhada por uma luz vermelha." width="1800" height="1350" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/fruto-da-memoria-2-1.jpg 1800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/fruto-da-memoria-2-1-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/fruto-da-memoria-2-1-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/fruto-da-memoria-2-1-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/fruto-da-memoria-2-1-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/fruto-da-memoria-2-1-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24511" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">Na Mostra, o filme teve apenas exibições presenciais (Foto: Synapse Distribution)</span></i></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A fotografia de Bartosz Świniarski restringe o nosso campo de visão com a proporção 4:3 e a câmera impassivelmente estática, traduzindo para a imagem a ideia de que a ausência da memória pode limitar a nossa capacidade de enxergar e entender os espaços, e o mundo como um todo. Os tons acinzentados sugam a vida da imagem do mesmo modo que as lembranças do protagonista, e mesmo as eventuais cores intensas que surgem aqui e ali, aparecem chapadas, sem ter com o que contrastar e adquirir vivacidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora a trama pareça razoavelmente previsível até determinada parte do filme, é quando o protagonista é exposto a situações emocionais mais intensas que o roteiro assinado pelo diretor junto com Stavros Raptis começa a mostrar de fato ao que veio. O esforço em lembrar desdobra-se no desejo de esquecer. A </span><a href="https://personaunesp.com.br/memoria-critica/"><span style="font-weight: 400;">memória</span></a><span style="font-weight: 400;"> é ora saborosa, ora dolorida, mas em qualquer um dos casos, inescapável. A maçã do título original </span><i><span style="font-weight: 400;">Mila</span></i><span style="font-weight: 400;">, e do inglês, </span><i><span style="font-weight: 400;">Apples</span></i><span style="font-weight: 400;">, é a grande chave: o saboroso e amargo fruto do conhecimento, que ao prová-lo, mesmo que doa, coloca o indivíduo de frente consigo mesmo, um alguém do qual é impossível fugir, quanto mais esquecer.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Apples - Official Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/EbyVi5DQjBM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Yuni!</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Nov 2021 21:01:56 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24482" aria-describedby="caption-attachment-24482" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24482" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuniyni.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuniyni.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuniyni-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuniyni-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuniyni-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuniyni-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24482" class="wp-caption-text">O drama adolescente da cineasta Kamila Andini é parte da seção Perspectiva Internacional da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e a aposta da Indonésia para representar o país no Oscar 2022 (Foto: Cercamon)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O nome do novo filme de Kamila Andini é exclamado em muitos momentos dentro dos 90 minutos que o abrigam. Não é para menos, afinal, as reações à figura que o batiza: uma adolescente cheia de sonhos, perspicácia e incertezas que vive no interior conservador e religioso da Indonésia. Antes de chegar na 45ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Yuni</span></i><span style="font-weight: 400;"> gerou o mesmo sentimento no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/festival-de-toronto/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Toronto</span></a><span style="font-weight: 400;"> 2021, de onde saiu com uma recepção muito positiva e agraciada com </span><i><span style="font-weight: 400;">Platform Prize</span></i><span style="font-weight: 400;">, que reconhece filmes com </span><i><span style="font-weight: 400;">“alto mérito artístico”</span></i><span style="font-weight: 400;"> e que também apresentam</span><i><span style="font-weight: 400;"> “uma forte visão de direção”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-24481"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os aplausos para o trabalho da diretora indonésia são mais do que dignos. </span><i><span style="font-weight: 400;">Yuni</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um daqueles raros dramas adolescentes que sabe encontrar o lugar perfeito entre a irreverência e a seriedade, que aqui, cria uma ilustração da forma como as </span><a href="https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2017/11/10/o-que-esta-por-tras-da-historia-de-que-menina-amadurece-mais-cedo.htm"><span style="font-weight: 400;">normas sociais do patriarcado</span></a><span style="font-weight: 400;"> interferem na vida de meninas que são empurradas em direção ao amadurecimento precoce. Impulsionado pela ousadia e sensibilidade de sua protagonista, o filme de </span><a href="https://www.mpa-apac.org/2020/06/the-many-lives-of-indonesian-director-kamila-andini/"><span style="font-weight: 400;">Kamila Andini</span></a><span style="font-weight: 400;"> usa como cenário um dos lugares mais religiosos do país que possui a maior população islâmica do mundo, para assim tocar em questões de gênero, sexualidade e amadurecimento numa obra que vai além das narrativas </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/coming-of-age/"><i><span style="font-weight: 400;">coming-of-age</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> hegemônicas do eixo Estados Unidos-Europa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao lado de Andini, quem também assina o sucesso do filme é </span><a href="https://www.instagram.com/arawindak/"><span style="font-weight: 400;">Arawinda Kirana</span></a><span style="font-weight: 400;"> com a genialidade que dá vida à Yuni. A personagem está no último ano da escola (que tenta implementar testes de virgindade obrigatórios e proibir expressões musicais por ser algo fora da conformidade dos ensinamentos islâmicos), e sob a tutela da avó (ou do abraço aconchegante porém conservador de Nazla Thoyib) enquanto os pais trabalham na distante capital Jakarta. Ela é considerada uma das melhores alunas da turma e também vista como uma das melhores pretendentes da cidade, vivendo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=s1TgZHJgUCQ"><span style="font-weight: 400;">o auge de sua adolescência</span></a><span style="font-weight: 400;"> em meio a profundos dilemas que surgem dessa interseção de costumes tradicionais e aspirações modernas.</span></p>
<figure id="attachment_24483" aria-describedby="caption-attachment-24483" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24483" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Yuni_05.jpg" alt="" width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Yuni_05.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Yuni_05-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Yuni_05-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Yuni_05-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24483" class="wp-caption-text">O prêmio que Yuni recebeu no Festival de Toronto já agraciou obras como Jackie, de Pablo Larraín em 2016, e Martin Eden, Pietro Marcello em 2019 (Foto: Cercamon)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro de Kamila Andini e </span><a href="https://twitter.com/primarus"><span style="font-weight: 400;">Prima Rusdi</span></a><span style="font-weight: 400;"> não foge de nada, e a vibrância de Kirana se choca com incertezas que Yuni encontra em todos os cantos. Primeiro, o pressuposto da universidade existe desde que suas notas e seu estado civil permaneçam como estão, pois só assim ela terá a chance de conquistar uma bolsa universitária e viver sua liberdade e autonomia. No entanto, ela tem um pé atrás com a questão do casamento, já que </span><a href="https://www.brasileiraspelomundo.com/julho-indonesia-casamentos-e-suas-tradicoes-290859645"><span style="font-weight: 400;">os mitos locais</span></a><span style="font-weight: 400;"> dizem que se uma jovem rejeitar dois pedidos, será praticamente impossível ela encontrar um marido depois.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A saída da personagem é manter todas as opções em aberto, e o filme concentra seu desenrolar na corrida de Yuni em direção ao seu sonho universitário antes que a terceira proposta de casamento destrua os rumos de sua vida. Na escola, a única dificuldade dela é encaixar sua mente lógica nos sentimentos aflorados pela Literatura, disciplina ministrada por Sr. Damar (</span><a href="https://www.instagram.com/dimsad77/?hl=pt-br"><span style="font-weight: 400;">Dimas Aditya</span></a><span style="font-weight: 400;">), o professor que é sua paixão secreta. Então, ela conta com a ajuda do tímido Yoga (</span><a href="https://mubi.com/pt/cast/kevin-ardilova"><span style="font-weight: 400;">Kevin Ardilova</span></a><span style="font-weight: 400;">), que direciona o encanto que tem por Yuni na poesia. A narrativa cheia de personalidade de Andini sabe usar clichês, e a paixão inicialmente unilateral floresce em algo muito mais significativo.</span></p>
<figure id="attachment_24484" aria-describedby="caption-attachment-24484" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24484" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-2.jpg" alt="" width="1200" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-2-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-2-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-2-768x384.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24484" class="wp-caption-text">O filme é dedicado à memória do mestre da poesia indonésia Sapardi Djoko Damono (Foto: Cercamon)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como o prêmio de Toronto bem notou, </span><i><span style="font-weight: 400;">Yuni</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um trabalho de arte. Parcialmente inspirado em </span><i><span style="font-weight: 400;">Hujan Bulan Juni </span></i><span style="font-weight: 400;">(conhecido como</span><i><span style="font-weight: 400;"> A June Rain</span></i><span style="font-weight: 400;">, “chuva de junho”, numa tradução literal), o precioso poema de amor do reverenciado indonésio </span><a href="https://www.poemhunter.com/sapardi-djoko-damono/"><span style="font-weight: 400;">Sapardi Djoko Damono</span></a><span style="font-weight: 400;">, Kamila Andini cria reviravoltas trazendo a poesia para o filme, tanto na forma quanto no conteúdo, tanto objetiva quanto subjetivamente. O movimento só funciona graças à vastidão emocional, verossimilhança e simpatia que Arawinda Kirana cria para a protagonista, mesmo nos momentos em que Yuni mergulha nos momentos contraditórios orientados pela confusão sentimental da juventude.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O próprio roteiro brinca com noções estéticas, significados culturais e hábitos da adolescência com sua protagonista </span><a href="https://www.shutterstock.com/pt/blog/o-espectro-do-simbolismo-o-significado-das-cores-ao-redor-do-mundo"><span style="font-weight: 400;">obcecada por roxo</span></a><span style="font-weight: 400;"> (&#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">todo mundo sabe que quando uma coisa roxa some, você deve ter roubado</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;, implora a diretora da escola para que Yuni deixe seus “maus” comportamentos influenciados pelas suas manias “bobas”). A cor costumeiramente associada ao poder, sabedoria e espiritualidade é amplamente conhecida na Indonésia como o tom que representa e consola as viúvas enlutadas, o que satiricamente muda os olhares direcionados à Yuni quando ela é vista dirigindo sua moto púrpura ou ostentando mechas lilases no cabelo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A câmera de Teoh Gay Hian, por sua vez, é muito bem orientada para reparar nos detalhes, e a composição de Budi Riyanto Karung sabe exatamente o que precisa expressar. Seja quando o grupo de amigas de Yuni chora pela </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/cortei-meus-pulsos-porque-nao-tinha-opcao-o-drama-das-meninas-obrigadas-a-se-casar.ghtml"><span style="font-weight: 400;">pressão do casamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> compulsório no cenário do quarto adolescente, ou quando a protagonista explode um momento de caos emocional jogando todas as quinquilharias roxas potencialmente furtadas para fora do seu armário, ou quando todas as garotas estão apenas conversando sem rodeios sobre o que envolve </span><a href="https://azmina.com.br/reportagens/como-os-adolescentes-lidam-com-sexo-e-identidade-de-genero/?gclid=CjwKCAjwiY6MBhBqEiwARFSCPlU9Lg3T89XAray90KAbay2Wm7CQceCWzg6TKXgcJlR0zbzC0b-EFhoC1zkQAvD_BwE"><span style="font-weight: 400;">o mundo delas</span></a><span style="font-weight: 400;"> naquele momento, tudo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Yuni</span></i><span style="font-weight: 400;"> existe para construir uma única mensagem que sua criadora identificou lá no início.</span></p>
<figure id="attachment_24485" aria-describedby="caption-attachment-24485" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24485" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-4.jpg" alt="" width="1600" height="1100" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-4.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-4-800x550.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-4-1024x704.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-4-768x528.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-4-1536x1056.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-4-1200x825.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24485" class="wp-caption-text">A estreia da cineasta foi com o aclamado The Mirror Never Lies, em 2011, que a colocou no radar mundial como um dos nomes mais promissores do Cinema do sudeste asiático (Foto: Cercamon)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O tema recorrente do </span><a href="https://valkirias.com.br/greta-gerwig-lady-bird-frances-ha/"><span style="font-weight: 400;">Cinema feito por mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos últimos anos, que reflete sobre a nossa </span><a href="https://personaunesp.com.br/assim-como-no-ceu-critica/https://personaunesp.com.br/assim-como-no-ceu-critica/"><span style="font-weight: 400;">realidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e os nossos </span><a href="https://personaunesp.com.br/lady-bird-critica/"><span style="font-weight: 400;">caminhos</span></a><span style="font-weight: 400;"> em contextos de persistência do patriarcalismo,  encontra aqui um naturalismo gracioso, despreocupado, convincente e sem julgamentos. Podemos não saber exatamente o que queremos, mas </span><a href="https://womenandhollywood.com/tiff-2021-women-directors-meet-kamila-andini-yuni/"><span style="font-weight: 400;">sabemos exatamente o que não queremos</span></a><span style="font-weight: 400;">. E quando o filme de Kamila Andini desenha isso diante dos nossos olhos através da jornada de sua protagonista, é a hora da maior exclamação de todas. </span><i><span style="font-weight: 400;">Yuni!</span></i><span style="font-weight: 400;"> Apenas <em>Yuni!</em></span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="YUNI Trailer | TIFF 2021" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/s1TgZHJgUCQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Em Grave, Julia Ducournau está faminta por você</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Oct 2021 15:52:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Oliveira F. Arruda Antes de adentrarmos mais uma vez na cabeça da diretora e roteirista Julia Ducournau para falar sobre Titane, vale a pena olhar cinco anos para trás e comentar seu poderoso filme de estreia, Grave. A mistura elegante de drama coming-of-age com terror corporal dá um sabor inteiramente próprio à obra, subvertendo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/grave-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Grave, Julia Ducournau está faminta por você"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24075" aria-describedby="caption-attachment-24075" style="width: 1919px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24075" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/grave-1.png" alt="Cena do filme Grave. Justine (Garance Marillier) está no colo de Adrien (Rabah Nait Oufella), com a cabeça apoiada em seu ombro esquerdo, mordendo fortemente seu próprio braço direito. Justine é caucasiana, de cabelos pretos e longos. Ela está nua, e a câmera captura seu olhar animalesco conforme sangue se acumula em seu braço e escorre para a cama. Adrien é caucasiano, tem o cabelo escuro raspado e sua expressão não é visível, sua cabeça apoiada na cama. Ele gentilmente alisa o cabelo de Justine com a mão esquerda. Atrás deles, o resto do quarto está desfocado, mas podemos identificar alguns livros empilhados e roupas espalhadas." width="1919" height="806" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/grave-1.png 1919w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/grave-1-800x336.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/grave-1-1024x430.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/grave-1-768x323.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/grave-1-1536x645.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/grave-1-1200x504.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24075" class="wp-caption-text">Sim, você (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de adentrarmos mais uma vez na cabeça da diretora e roteirista Julia Ducournau para falar sobre </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=T975nUk_uNA"><i><span style="font-weight: 400;">Titane</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, vale a pena olhar cinco anos para trás e comentar seu poderoso filme de estreia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Grave</span></i><span style="font-weight: 400;">. A mistura elegante de drama </span><i><span style="font-weight: 400;">coming-of-age</span></i><span style="font-weight: 400;"> com terror corporal dá um sabor inteiramente próprio à obra, subvertendo clichês dos dois gêneros e clamando para si seu lugar na cultura cinematográfica como um dos filmes mais perturbadores dos últimos tempos.</span></p>
<p><span id="more-24074"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Carregando consigo a expectativa dos desmaios provocados durante sua abertura no </span><a href="https://pipocamoderna.com.br/2016/09/grave-terror-canibal-causa-desmaios-no-festival-de-toronto/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Toronto</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2016, a produção franco-belga narra a chegada da vegetariana Justine (Garance Marillier) à faculdade de Veterinária, onde ela encontra com sua irmã, Alexa (Ella Rumpf) e os estranhos ritos da maturidade acabam acordando nela uma fome por carne nunca antes vista. A partir daí, o longa explora as similaridades entre o ensino superior e o reino animal e os </span><a href="https://filmschoolrejects.com/raw/"><span style="font-weight: 400;">rituais tribais</span></a><span style="font-weight: 400;"> que envolvem a passagem da adolescência para a vida adulta. E claro, uma dose saudável de canibalismo.</span></p>
<figure id="attachment_24076" aria-describedby="caption-attachment-24076" style="width: 1919px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24076" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/grave-2.png" alt="Cena do filme Grave. É dia, Justine (Garance Marillier) está coberta de sangue falso, olhando estupefata para frente do lado dos outros calouros. Justine é caucasiana, tem cabelos pretos e longos e usa um jaleco de laboratório branco. A câmera está próxima, focando em sua expressão. Há sangue falso cobrindo sua testa, sua bochecha esquerda, a ponta de seu nariz e parte do queixo, além de todo seu cabelo. Atrás dela, vemos outros calouros, todos caucasianos, em situação similar, só que a maioria deles está sorrindo. " width="1919" height="806" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/grave-2.png 1919w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/grave-2-800x336.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/grave-2-1024x430.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/grave-2-768x323.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/grave-2-1536x645.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/grave-2-1200x504.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24076" class="wp-caption-text">A faculdade é um banho de sangue (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">À primeira vista, a parte verdadeiramente aterrorizante de </span><i><span style="font-weight: 400;">Grave </span></i><span style="font-weight: 400;">é o quanto ele não parece um filme de terror. Justine parece só uma adolescente ansiosa e assustada por finalmente seguir os passos da família (seus pais também foram à mesma faculdade que ela e a irmã), com a </span><a href="https://open.spotify.com/album/3yn5ErPkS1Okw4LAwPogph?si=KnuzAgeCRC-xK7oXzc8kzA"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora suave e reconfortante</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Jim Williams nos deixando seguros de que tudo está, por um momento, bem. À noite, quando essa trilha acaba, as coisas começam a ficar mais estranhas: os veteranos tratam os calouros literalmente como gado, forçando-os a andar de quatro enquanto juram fidelidade aos mais velhos, antes de serem conduzidos à uma festa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Várias das cenas mais deslumbrantes do filme são ambientadas em festas, com a câmera de Ruben Impens sempre pressionando sua personagem principal para frente, em um plano sequência caótico e preciso em igual medida, explorando intimamente a pele e os sentimentos de Justine conforme estes se transformam. Plano esse que termina com a figura sinistra de um carneiro de pelúcia sendo enforcado enquanto os estudantes em volta dele festejam como se não houvesse amanhã.</span></p>
<figure id="attachment_24077" aria-describedby="caption-attachment-24077" style="width: 1919px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24077" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/grave-3.png" alt="Cena do filme Grave. Justine (Garance Marillier) está observando uma festa, sentada em cima de uma mesa com uma expressão hipnotizada. Justine é caucasiana, de cabelos longos e pretos, usando um vestido sem mangas azul com um cinto dourado e meias-calças pretas e um pouco rasgadas. Seu pé direito está em cima da mesa enquanto o esquerdo está no chão, fora de vista. Atrás dela, garrafas de álcool e copos se mesclam com vidros de laboratório na bancada atrás de Justine e na mesa. Justine olha fixamente para a câmera. Em ambos os lados das telas há mulheres caucasianas loiras com vestidos verdes brilhantes. Seus rostos não aparecem. A cena está iluminada com uma luz vermelha." width="1919" height="805" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/grave-3.png 1919w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/grave-3-800x336.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/grave-3-1024x430.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/grave-3-768x322.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/grave-3-1536x644.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/grave-3-1200x503.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24077" class="wp-caption-text">Você é o que você come (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a faculdade é então a transição de presa para predador, o próximo passo é o consumo. Em um ritual posterior, Alexa e os outros veteranos pressionam Justine para que ela coma a carne de um animal preservado em vidro. A </span><a href="https://ea.fflch.usp.br/conceito/liminaridade-e-communitas-victor-turner"><span style="font-weight: 400;">liminaridade</span></a><span style="font-weight: 400;"> da condição de Justine, sem fazer parte de sua família ou de seus colegas, marca a performance de Marillier, que anda na corda bamba entre a ansiedade e a arrogância de alguém que sabe que tem que pertencer para sobreviver.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Até mesmo em seu primeiro curta, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XmZ8XEW7bfM"><i><span style="font-weight: 400;">Junior</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (com Garance Marillier no papel de uma pré-adolescente também chamada Justine), a preferência de Ducournau por personagens em situações transitórias já se fazia presente, assim como seu talento para traduzir experiências familiares em estéticas macabras. Após dar a primeira mordida, algo surge em Justine; primeiro como uma curiosidade, mas depois como uma fome.</span></p>
<figure id="attachment_24078" aria-describedby="caption-attachment-24078" style="width: 1919px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24078" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/grave-4.png" alt="Cena do filme Grave. Justine (Garance Marillier), com as mãos e a boca ensanguentadas, morde um dedo decepado, os olhos fechados de prazer. Ela está à esquerda, sentada no chão, apoiada contra um armário branco. Justine é caucasiana, tem cabelos pretos e longos e usa uma regata azul-marinho. Suas pernas estão dobradas para cima e uma mancha de sangue cobre sua coxa direita. Atrás dela e fora de foco, sua irmã, Alexa (Ella Rumpf), começa a se levantar e olhar fixamente para ela. Alexa é caucasiana, tem cabelos pretos curtos e usa uma regata cinza. A parede atrás delas é amarela e apoiados contra ela estão uma escrivaninha e uma cama, ambas desorganizadas. Um abajur fixado na parede joga luz entre a escrivaninha e a cama. Acima do abajur, um quadro quadrados com cores brancas e pretas, também fora de foco." width="1919" height="806" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/grave-4.png 1919w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/grave-4-800x336.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/grave-4-1024x430.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/grave-4-768x323.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/grave-4-1536x645.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/grave-4-1200x504.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24078" class="wp-caption-text">Delicioso (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A linguagem do Terror em </span><i><span style="font-weight: 400;">Raw</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode ser simplesmente descrita em agonia. Conforme acompanhamos as transformações físicas pelas quais a protagonista passa, a intimidade da câmera nos obriga a adentrar essa metamorfose em seus mínimos detalhes, podendo apenas observar enquanto Justine se coça obsessivamente até ficar quase em carne viva. Cada virada brusca que a personagem dá é sentida pela audiência vividamente, nos deixando alertas a cada detalhe da atuação de Marillier e de outras personagens, culminando na infame cena que envolve depilação íntima e um dedo decepado, onde a </span><a href="https://open.spotify.com/track/3QEMTm2SlbsJKkNfCsvKVF?si=8d20b8a2663b4a45"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Williams mais uma vez se transforma para refletir os horrores que acontecem na cena:</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Eu usei uma linguagem musical reconhecível (do início do Barroco) que tem um estrito código harmônico de dissonância contínua e resolução que vai contra ao caos gentil que está na tela. A estrutura sólida da música levanta um espelho para o colapso moral da cena, mas, para que se alinhasse com o choque da audiência eu usei uma instrumentação distorcida, bastante violenta.”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8211; Jim Williams em entrevista para </span><a href="https://filmmusicinstitute.com/interview-with-jim-williams/"><span style="font-weight: 400;">The Film Music Institute</span></a></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Como diz o ditado, você é aquilo que você come, e o que Julia Ducournau ousa perguntar é </span><i><span style="font-weight: 400;">“o que você é quando come outra pessoa?”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Talvez a parte mais perturbadora de toda a experiência seja como, mesmo depois desse “colapso moral”, o filme se recusa a tratar suas personagens como monstros, porque o interesse de Ducournau em rituais que ilustram a maturidade a impede de cair nos clichês do gênero e isolar completamente o horror de sua audiência. A todo momento sua fotografia coloca humanos e animais em um paralelo aterrador, nos implorando para realmente interrogar a diferença entre um a outro, deixando de lado nossas pré-concepções sobre civilização e sociedade. Se você está assustado enquanto vê </span><i><span style="font-weight: 400;">Grave</span></i><span style="font-weight: 400;">, você na verdade está sentindo medo de si mesmo:</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Você tem essa sensação quando morde o braço de alguém brincando, de que você quer ir um pouco além, mas você não o faz porque tem um modelo moral. Essa coisa está em nós, apenas não queremos vê-la. Então eu pensei, já que meus personagens sempre parecem ser monstros lá no fundo, eu queria que a audiência se sentisse como um monstro também, e que entendesse o que ela fazia. Porque afinal, todos nós somos monstros.”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8211; Julia Ducournau em entrevista para o </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2017/mar/30/raw-director-julia-ducournau-cannibalism-is-part-of-humanity"><span style="font-weight: 400;">The Guardian</span></a></p></blockquote>
<figure id="attachment_24079" aria-describedby="caption-attachment-24079" style="width: 1919px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24079" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/grave-5.png" alt="Cena do filme Grave. Justine (Garance Marillier) está deitada na cama, com a face pressionada no colchão, gritando de olhos fechados. Justine é caucasiana, de cabelos pretos longos e desgrenhados. Seu rosto está na parte esquerda enquanto seu corpo está na direita, progressivamente fora de foco. Sua mão esquerda está pressionada contra o colchão e a direita está embaixo do corpo, com a palma virada para cima. Ela usa uma camiseta regata escura. A cena é iluminada por uma luz azul e, acima dela, vemos o lençol claro cobrindo seu corpo." width="1919" height="807" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/grave-5.png 1919w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/grave-5-800x336.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/grave-5-1024x431.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/grave-5-768x323.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/grave-5-1536x646.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/grave-5-1200x505.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24079" class="wp-caption-text">Nada corta mais fundo do que a fome (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Há algo incrivelmente intoxicante em </span><i><span style="font-weight: 400;">Grave</span></i><span style="font-weight: 400;">. Algo que se insere no seu corpo sem ser convidado, que grava o </span><i><span style="font-weight: 400;">frame</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Garance Marillier sentada no chão delicadamente mordendo a carne de um dedo decepado </span><a href="https://horrorobsessive.com/2020/08/19/raw-pushing-the-boundaries-of-acceptable-violence-on-film/"><span style="font-weight: 400;">como se fosse um churrasquinho</span></a><span style="font-weight: 400;">. Poderíamos passar horas discutindo individualmente cada um de seus aspectos, mas é na integração de seus diferentes elementos que sua sinergia se encontra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sua construção se assemelha, de muitas maneiras, ao preparo de um prato de comida em um restaurante cinco estrelas. Não há excessos; cada ingrediente é utilizado com a medida exata e proporcional, sua mistura é precisa, sutil e crocante. Tudo na mesa te prepara para consumir algo fino e superior e, assim que você dá a primeira mordida, a cozinheira chega perto do seu ouvido e revela que você está consumindo a si mesmo. É uma experiência bizarra, familiar, deliciosa e enojante, estranha e elegante de todas as maneiras que não combinam, mas que juntas tornam algo que já seria memorável em uma obsessão instantânea e apetitosa. Cinco anos depois de ser lançado, há poucos filmes que encham o paladar tanto quanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Grave</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Bon appétit.</span></i></p>
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