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	<title>Arquivos David Lynch &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Os Fabelmans pensa no passado pela sensibilidade de seu próprio diretor</title>
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					<description><![CDATA[<p>Pedro Yoshimatu O desafio de contar uma história é repleto de decisões difíceis, e o de contar a sua própria é um desafio ainda maior. Essa é, no entanto, é a tarefa de Steven Spielberg em seu novo filme, Os Fabelmans, uma semi-autobiografia que utiliza de elementos narrativos fictícios para refletir na própria relação do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-fabelmans-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os Fabelmans pensa no passado pela sensibilidade de seu próprio diretor"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29985" aria-describedby="caption-attachment-29985" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-29985" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem1-800x450.jpeg" alt="Cena do filme Os Fabelmans. Gabriel LaBelle, que interpreta o jovem Sammy Fabelman, é um jovem branco com cabelos castanhos utilizando uma camisa xadrez e observando o visor de uma câmera. A cena ocorre durante o dia, com um cenário desértico ao fundo." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem1-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem1-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem1-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem1-1200x675.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem1.jpeg 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29985" class="wp-caption-text">Os Fabelmans, a nova produção de Steven Spielberg, coloca a vida do cineasta no centro da trama (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Pedro Yoshimatu</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O desafio de contar uma história é repleto de decisões difíceis, e o de contar a sua própria é um desafio ainda maior. Essa é, no entanto, é a tarefa de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/steven-spielberg/"><span style="font-weight: 400;">Steven Spielberg</span></a><span style="font-weight: 400;"> em seu novo filme, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Fabelmans</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma semi-autobiografia que utiliza de elementos narrativos fictícios para refletir na própria relação do diretor com a sua narrativa pessoal, sua família e sua paixão pelo Cinema.</span></p>
<p><span id="more-29984"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra, acompanhamos a história de Sammy Fabelman (Mateo Zoryan, durante a infância, e Gabriel LaBelle ao longo da trama), que se apaixona pela Sétima Arte após assistir uma exibição de </span><a href="https://cinemaemcena.com.br/critica/filme/6900/o-maior-espetaculo-da-terra"><i><span style="font-weight: 400;">O Maior Espetáculo da Terra</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um drama épico de 1952 dirigido por Cecil B. DeMille. O protagonista, inicialmente receoso sobre a experiência, assiste o filme com seus pais e tenta replicar uma cena particularmente impactante com um trem em miniatura e a câmera da família. Sua mãe Mitzi (Michelle Williams), uma pianista e entusiasta das artes, entende logo de início a sensibilidade e a paixão de seu filho pelo Cinema. Seu pai Burt (Paul Dano), no entanto, é um pragmático engenheiro que tem dificuldade em considerar tais interesses como algo mais do que um hobby.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/3PlX5uD3LYI?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa tensão entre paixão e pragmatismo é uma constante na vida familiar dos Fabelmans. Um elemento importante no desenvolvimento da narrativa é quando o tio de Sammy (Judd Hirsch), um antigo profissional dos circos e do cinema, visita a família e traz junto à sua excêntrica personalidade uma visão intrigante — ao mesmo tempo que problemática e marcada pela dor — do que é a </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/colunas/roberto-sadovski/2023/01/12/os-fabelmans-spielberg-revisita-suas-origens-em-carta-de-amor-ao-cinema.htm"><span style="font-weight: 400;">arte</span></a><span style="font-weight: 400;">, a paixão individual de cada um e como ter um chamado pode causar muita separação entre seus entes queridos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os eventos na vida pessoal de Sammy progridem e acompanhamos alguns eventos dramáticos no desenvolvimento da história: após uma viagem de acampamento, o patriarca da família pede a seu filho que produza um registro da excursão, com o intuito de elevar os ânimos de Mitzi após o falecimento de sua mãe. É durante a edição e montagem do filme que o protagonista percebe uma relação muito afetuosa entre sua mãe e o melhor amigo de seu pai, o engenheiro Bennie (Seth Rogen), que gera atritos entre os Fabelmans e eventualmente leva a um divórcio dos pais. Muitos desses eventos têm contrapartidas reais na </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2023/01/14/o-que-e-verdade-e-o-que-e-ficao-em-os-fabelmans.htm"><span style="font-weight: 400;">biografia de Spielberg</span></a><span style="font-weight: 400;">, que utiliza da narrativa como forma de compreender e dialogar com seu próprio passado.</span></p>
<figure id="attachment_29986" aria-describedby="caption-attachment-29986" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-29986" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem2-800x533.jpg" alt="Cena do filme Os Fabelmans. Judd Hirsch, que interpreta o tio Boris, é um idoso branco com barbas e cabelos grisalhos, que observa seu sobrinho-neto Sammy com ambos sentados em uma mesa de jantar com toalha azul. Boris utiliza uma camisa social, com colete marrom e gravata, enquanto Sammy está de costas utilizando uma camisa marrom." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem2-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem2.jpg 2048w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29986" class="wp-caption-text">Boris, o tio de Sammy, é visto como um mau agouro para a família (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa adentra em diversos debates interessantes da vida do diretor, como sua experiência com o </span><a href="https://exame.com/mundo/judeus-ainda-enfrentam-antissemitismo-diz-steven-spielberg/"><span style="font-weight: 400;">antissemitismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, o desenvolver inicial de sua vida amorosa na adolescência e o papel do Cinema na sua personalidade e relações pessoais. Quando Sammy é convidado a dirigir um filme sobre uma excursão escolar para a praia, ele encontra seu protagonista em um dos seus principais </span><i><span style="font-weight: 400;">bullies</span></i><span style="font-weight: 400;">, o atleta Logan (Sam Rechner). Após a exibição da produção, Logan confronta Sammy sobre o motivo pelo qual ele havia sido retratado de maneira tão positiva quando atormentava o garoto de tantas formas; o jovem diretor hesita na resposta, dizendo que a decisão tornaria seu filme melhor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sequência final de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Fabelmans — </span></i><span style="font-weight: 400;">título original da semi-autobiografia —  mostra um Sammy mais velho, em crise pelas dificuldades de se inserir no mercado cinematográfico. Ao ser convidado para uma entrevista de emprego, ele recebe a oportunidade de conhecer o lendário diretor </span><a href="https://www.austinfilm.org/2014/12/wheres-the-horizon-when-15-year-old-steven-spielberg-met-john-ford/"><span style="font-weight: 400;">John Ford</span></a><span style="font-weight: 400;"> (David Lynch), uma grande influência pessoal de Spielberg, que de fato o conhecera em sua juventude. Ford dá uma aula ao jovem utilizando duas pinturas em seu escritório, afirmando que uma cena pode ser interessante quando o horizonte se encontra acima ou abaixo da imagem, mas nunca ao centro. Toda a montagem, conduzida por </span><a href="https://www.thewrap.com/the-fabelmans-steven-spielberg-film-editors-interview/"><span style="font-weight: 400;">Michael Khan</span></a><span style="font-weight: 400;">, é uma experiência interessante de metalinguística, contrapondo o papel narrativo do diretor experiente com a própria linguagem do filme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O estilo narrativo do novo longa de Steven Spielberg é muito compatível com a maneira como o diretor está acostumado a contar histórias, como nas </span><a href="https://personaunesp.com.br/oscar-2022-cerimonia-artigo/"><span style="font-weight: 400;">premiadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> paixões de uma Nova Iorque repleta de gangues em </span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-sublime-amor-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Amor, Sublime Amor</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: um protagonista comum, de fácil  identificação com o público e que  perpassa e lida com  problemas sociais dentro de suas próprias limitações humanas. A tradução  desse estilo para uma narrativa de acontecimentos semi autobiográficos é o grande desafio em </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Fabelmans </span></i><span style="font-weight: 400;">que</span><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> aguardado por </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-features/steven-spielberg-paul-dano-michelle-williams-interview-the-fabelmans-1235253097/"><span style="font-weight: 400;">muitos anos</span></a><span style="font-weight: 400;">, é concluído com o sincero tom autoral marcante da </span><a href="https://www.central3.com.br/filmografando-a-carreira-de-steven-spielberg/"><span style="font-weight: 400;">filmografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> do cineasta.</span></p>
<figure id="attachment_29987" aria-describedby="caption-attachment-29987" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29987" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem3-800x430.jpeg" alt="Cena do filme Os Fabelmans. David Lynch, que interpreta o diretor John Ford, é um idoso branco que usa óculos com um tapa-olho sobreposto, e veste um casaco e um boné verdes. Ele está em seu escritório, acendendo um charuto com um fósforo." width="800" height="430" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem3-800x430.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem3-1024x551.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem3-768x413.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem3-1536x827.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem3-1200x646.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem3.jpeg 2048w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29987" class="wp-caption-text">David Lynch interpreta o mitológico John Ford, que serviu de mentor para Spielberg (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Recipiente do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/globo-de-ouro/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> para Melhor Filme de Drama, o longa utiliza dos aspectos autobiográficos de seu diretor para traçar uma narrativa cativante sobre equilíbrio entre ambições e relações pessoais, ao mesmo tempo que usa de sua base familiar para construir personagens muito interessantes e fascinantes. </span><a href="https://www.omelete.com.br/webstories/paul-dano-essencial/"><span style="font-weight: 400;">Paul Dano</span></a><span style="font-weight: 400;"> se destaca, retratando um Burt Fabelman apaixonado por sua família, mas conservador em seus modos, com uma dificuldade profunda de entender os desejos de sua esposa e de seus filhos. Além disso, Judd Hirsch e Michelle Williams também foram agraciados com nomeações na premiação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><span style="font-weight: 400;">Oscars 2023</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Fabelmans </span></i><span style="font-weight: 400;">foi indicado a sete categorias, incluindo a de Melhor Filme, mas também de Melhor Diretor, para Steven Spielberg, Melhor Roteiro Original, para Spielberg e Tony Kushner, Melhor Atriz, para Michelle Williams, Melhor Ator Coadjuvante, para Judd Hirsch, Melhor Trilha Sonora, para </span><a href="https://www.omelete.com.br/oscar/john-williams-recorde-idade"><span style="font-weight: 400;">John Williams</span></a><span style="font-weight: 400;">, e Melhor Design de Produção, para Rick Carter e Karen O’Hara. A história é um retrato complexo da relação de um autor com sua criação, sua personalidade, seus anseios e suas aspirações. O consagrado diretor utiliza de sua constatada experiência na arte de contar histórias para ser bem-sucedido, de maneira elegante, em um desafio muito pessoal: o de narrar a sua própria.</span></p>
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		<title>Uma década da viagem inesquecível para a mitológica e misteriosa Gravity Falls</title>
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					<description><![CDATA[<p>Nathan Sampaio Não há tempo mais mágico do que as férias escolares. Nesse período, podemos conhecer novas pessoas, formar amizades e laços duradouros, sejam com amigos ou familiares, aprender novas atividades e conhecer o mundo. Essa é, com certeza, a época mais agradável para uma criança. Gravity Falls, série que completa 10 anos em 2022, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/gravity-falls-10-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Uma década da viagem inesquecível para a mitológica e misteriosa Gravity Falls"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28114" aria-describedby="caption-attachment-28114" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28114" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-1-1.jpg" alt="Imagem da série animada Gravity Falls. Tem quatro pessoas na imagem, Da direita para a esquerda aparece Stanley, um homem idoso, brnco, com cabelos grisalhos, olhos pretos e barba grisalha, ele usa um óculos quadrado, um chapéu marrom, uma camisa branca e um colete salva-vidas azul e verde. Ele segura um livro vermelho nas mãos. Ao seu lado aparece Mabel, uma menina, branca, ela tem cabelos longos e castanhos, olhos pretos e usa aparelho nos dentes, ela usa um chapéu escrito “Mabel”, uma blusa rosa, um colete salva-vidas amarelo e uma saia azul. Ela sorri. Do seu lado tem Soos, um homem adulto e branco, ele tem olhos pretos, usa um boné marrom, uma camiseta verde, um colete salva-vidas amarelo e um shorts bege, ele está falando e gesticulando. Soos abraça Dipper. Dipper é um menino, branco, ele tem cabelos castanhos e olhos pretos, ele usa um chapéu bege com seu nome, uma camiseta laranja, um colete salva-vidas amarelo, um shorts verde e tênis preto. Todos estão num barco." width="1000" height="563" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-1-1.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-1-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-1-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28114" class="wp-caption-text">A sensação aconchego que a família Pines traz é tão boa que é fácil se sentir parte dela (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><b>Nathan Sampaio</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não há tempo mais mágico do que as férias escolares. Nesse período, podemos conhecer novas pessoas, formar amizades e laços duradouros, sejam com amigos ou familiares, aprender novas atividades e conhecer o mundo. Essa é, com certeza, a época mais agradável para uma criança. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=E_4M5adKJMA"><i><span style="font-weight: 400;">Gravity Falls</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, série que completa 10 anos em 2022, nos faz recordar com carinho das férias escolares no mesmo momento que adentra em uma grande investigação cativante. </span></p>
<p><span id="more-28113"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama, os irmãos </span><a href="https://gravityfallsbr.fandom.com/pt-br/wiki/Dipper_Pines"><span style="font-weight: 400;">Dipper</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Jason Ritter) e </span><a href="https://gravityfallsbr.fandom.com/pt-br/wiki/Mabel_Pines"><span style="font-weight: 400;">Mabel</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Kristen Schaal) vão passar as férias de verão numa cidade chamada </span><i><span style="font-weight: 400;">Gravity Falls</span></i><span style="font-weight: 400;">, local onde mora seu tio-avô Stanley (Alex Hirsch), um homem picareta que chefia a Cabana do Mistério, uma loja que lucra em cima das lendas locais. O que pode parecer entediante se torna muito mais interessante quando os irmãos encontram o diário perdido de um homem relatando que todos os mitos da região são reais e podem ser perigosos, e essa descoberta fará os protagonistas entrarem numa grande conspiração. </span></p>
<figure id="attachment_28115" aria-describedby="caption-attachment-28115" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28115" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-2-1.jpg" alt="Imagem da série animada Gravity Falls. Há uma pessoa e uma criatura na imagem. Na direita aparece Dipper, ele usa um boné branco e azul com a estampa de um pinheiro, ele veste uma camiseta laranja e um colete salva-vidas amarelo. Ele segura uma câmera fotográfica com as mãos. Atrás dele, aparece o monstro do lago, um réptil com pescoço alongado e barbatanas no pescoço, em sua boca tem quatro dentes grandes e seus olhos são amarelados. No fundo tem pinheiros." width="1000" height="563" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-2-1.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-2-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-2-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28115" class="wp-caption-text">Diversas lendas do mundo real recebem uma nova roupagem na animação (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A premissa das férias escolares é muito utilizada em séries animadas, tanto que há exemplos como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rDcXnrHyB_c"><i><span style="font-weight: 400;">Phineas e Ferb</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I2-8ZWTBUco"><i><span style="font-weight: 400;">O Mundo de Greg</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que também usam desse ponto de partida. Porém, o diferencial de </span><i><span style="font-weight: 400;">Gravity Falls</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a gradativa expansão dos mistérios que rondam a cidade e os personagens. Essa trama começa simples, e aos poucos se torna tão complexa que é impossível o espectador não teorizar sobre o que está acontecendo em tela. Algo parecido ocorre com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Pm_i-EgDSZ4"><i><span style="font-weight: 400;">Hora de Aventura</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que possui uma mitologia pós-apocalíptica, mas mascarada pela trama infantil.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ponto mais divertido do desenho é que ele convida o espectador para participar da investigação, pois os segredos do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0E42cnd-T5U"><span style="font-weight: 400;">diário</span></a><span style="font-weight: 400;"> vão sendo descobertos junto com Dipper e Mabel. No entanto, esse é apenas o terceiro diário, e há mais dois que estão perdidos. O próprio livro contém segredos, como linguagens antigas, runas, tinta que só aparece na luz negra, entre outros detalhes.</span></p>
<figure id="attachment_28116" aria-describedby="caption-attachment-28116" style="width: 960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28116" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-3-1.jpg" alt="Imagem da série animada Gravity Falls. Há três pessoas na imagem. Da esquerda para a direita aparece Mabel, ela usa uma blusa laranja e uma tiara laranja. Do seu lado está Stanley, ele usa um terno preto e uma camisa branca, em sua cabeça tem uma chéchia com a estampa de um peixe. Os dois estão comemorando. No canto esquerdo aparece o mago, ele é albino, tem uma barba branca longa e olhos pretos, ele usa um manto azul e um turbante preto com uma pedra azul no centro. Eles olham para uma pequena vila cheia de orcs desmaiados." width="960" height="540" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-3-1.jpg 960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-3-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-3-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28116" class="wp-caption-text">Cada episódio apresenta uma aventura única, que sempre leva a caminhos inusitados e inesperados (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O interessante é que essa </span><a href="https://eoh.com.br/7-motivos-para-se-encantar-com-o-mundo-misterioso-de-gravity-falls/"><span style="font-weight: 400;">busca por respostas</span></a><span style="font-weight: 400;"> cativa aos poucos, e ao final ela se torna compensatória. A trama sobre os livros é muito complexa e envolve diversos personagens da cidade, além de ser uma ameaça gigantesca a todo o planeta. Logo, essa jornada, além de gostosa de acompanhar, é ameaçadora e perigosa, dando um peso muito maior às ações dos personagens.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, não existe somente essa narrativa. Cada episódio tem seu próprio mistério e sua aventura, tornando cada momento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Gravity Falls</span></i><span style="font-weight: 400;"> algo gostoso de se ver. Em todo capítulo, o criador </span><a href="https://umveraodemisterios.fandom.com/pt-br/wiki/Alex_Hirsch"><span style="font-weight: 400;">Alex Hirsch</span></a><span style="font-weight: 400;"> propõe situações inusitadas e que se relacionam com algum mito ou história do mundo real, criando situações malucas e criativas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Algo genial que o desenho possui é que, além de seus mistérios durante a história, a própria animação carrega seus segredos. Todo episódio possui </span><a href="https://gravityfallsmisterios.fandom.com/pt-br/wiki/Lista_de_Criptogramas/Epis%C3%B3dios"><span style="font-weight: 400;">criptogramas</span></a><span style="font-weight: 400;">, símbolos e palavras escondidas que remetem a algo da história ou fazem referência ao mundo real, e estão ali simplesmente para serem decifrados pelo público. Até mesmo a icônica abertura da animação apresenta alguns presságios do que acontecerá durante toda a série.    </span></p>
<p><figure id="attachment_28117" aria-describedby="caption-attachment-28117" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28117" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-4.jpg" alt="Imagem da série animada Gravity Falls. No centro da imagem aparece um robô gigante. O robô é igual ao personagem Gideão.Um menino baixo, branco, de cabelo branco em um topete alto. O robô tem olhos amarelos, manchas vermelhas na bochecha e veste um terno azul, com uma camisa preta e uma gravata branca. No peito do robô aparece a bandeira dos Estados Unidos. O robô está correndo. No fundo tem pinheiros. " width="1440" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-4.jpg 1440w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-4-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-4-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-4-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-4-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28117" class="wp-caption-text">Gideão (Thurop Van Orman) foi um grande vilão da história, sendo uma forte ameaça aos protagonistas [Foto: Disney]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Como uma animação infantil, </span><i><span style="font-weight: 400;">Gravity Falls</span></i><span style="font-weight: 400;"> possui muito </span><a href="https://thenexus.one/gravity-falls-as-frases-mais-engracadas-de-cada-protagonista"><span style="font-weight: 400;">humor</span></a><span style="font-weight: 400;">, tão bem feito que pode facilmente arrancar gargalhadas de adultos e crianças ao mesmo tempo e na mesma medida. A intenção de Hirsch foi criar uma série animada que conquistasse todos os públicos, e por causa da infinidade de possibilidades que a animação carrega, é possível criar situações hilárias e inusitadas.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitas das loucuras e mistérios de </span><i><span style="font-weight: 400;">Gravity Falls</span></i><span style="font-weight: 400;"> vem da sua influência: o seriado </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Zwn9ou_nf-I"><i><span style="font-weight: 400;">Twin Peaks</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, criado por </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/artistas/david-lynch/"><span style="font-weight: 400;">David Lynch</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos anos noventa. É possível ver essa referência em vários episódios, pois a equipe de animação recria diversos cenários e momentos da série precursora. Além disso, o nome dos protagonistas remetem ao título desse programa, afinal eles são os irmãos Pines, ou </span><i><span style="font-weight: 400;">Twin Pines</span></i><span style="font-weight: 400;"> no original, e até mesmo Lynch foi chamado para dublar o vilão Bill Cipher, mas acabou recusando a proposta.</span></p>
<figure id="attachment_28118" aria-describedby="caption-attachment-28118" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28118" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-5-1.jpg" alt="Imagem da série animada Gravity Falls. Há uma pessoa no centro da imagem aparecendo de corpo inteiro. Essa pessoa é o monstro do Summerween. Ele é alto, suas mãos e seu rosto são pretos, no lugar do seu rosto tem um emoji sorrindo. Ele usa um chapéu marrom, e um terno marrom, seu sapato é preto. Ele está iluminado por um poste em uma rua residencial deserta e escura." width="1440" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-5-1.jpg 1440w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-5-1-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-5-1-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-5-1-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-5-1-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28118" class="wp-caption-text">Mesmo com a abordagem infantil, Gravity Falls é capaz de criar inimigos e cenas muito macabras (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Grande parte do carisma da série animada vem de seus personagens, que conquistam o coração do público logo nas primeiras cenas. </span><a href="https://www.amazon.com/Gravity-Falls-Misterio-Diversao-Portugues/dp/8550303968"><span style="font-weight: 400;">Dipper e Mabel</span></a><span style="font-weight: 400;"> são protagonistas incríveis, muito diferentes entre si, mas que se complementam perfeitamente, e o carinho que eles têm um pelo outro é palpável e lindo de se observar. Também é incrível que ambos crescem muito com o passar dos capítulos, e, ao final do seriado, são pessoas novas e que mudaram por causa dessas experiências.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dipper é um menino estudioso e que adora quebra-cabeças, por isso os segredos do diário o intrigam tanto, porém, por mais que ele queira parecer maduro, ele ainda precisa lidar com muitas situações amorosas e que vão ensinar lições de amor e amizade, provando a qualidade de seu arco. Já Mabel é o coração do seriado, com suas atitudes emotivas e carinhosas, ela cria laços de amizade muito verdadeiros, e ensina sobre empatia e sobre o amor em si. Uma </span><a href="https://www.aficionados.com.br/curiosidades-gravity-falls/"><span style="font-weight: 400;">curiosidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> interessante é que os protagonistas foram inspirados no criador e em sua própria irmã. </span></p>
<figure id="attachment_28119" aria-describedby="caption-attachment-28119" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28119" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-6.jpg" alt="Imagem da série animada Gravity Falls. Há duas pessoas na imagem. Na esquerda tem um lutador, ele é homem adulto, branco, com cabelos loiros e olhos pretos, ele usa uma faixa vermelha, um tapa olho no olho esquerdo, faixas brancas no antebraço, uma faixa vermelha na cintura e uma calça azul. O desenho dele é formato de pixel art. Na direita, aparece Dipper, ele usa um boné branco e azul com um desenho de um pinheiro, uma camiseta rosa, um colete azul, um shorts bege e um tênis preto. No fundo tem uma cozinha." width="1440" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-6.jpg 1440w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-6-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-6-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-6-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-6-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28119" class="wp-caption-text">Em alguns episódios, os animadores conseguem sair da “caixinha” e misturar o traço da série com outros estilos de animação (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://umveraodemisterios.fandom.com/pt-br/wiki/Stanley_Pines"><span style="font-weight: 400;">tio-avô Stanley</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um dos personagens mais divertidos, carismáticos e enigmáticos do desenho, tanto por ele ser protagonista de vários mistérios quanto por possuir uma personalidade única. Suas atitudes trambiqueiras rendem situações muito divertidas e caóticas, e o carinho que ele possui por Dipper e a Mabel é muito verdadeiro. Ele acaba funcionando como uma figura paterna para ambos, ensinando e estando presente quando eles mais precisam.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há outros coadjuvantes que ganham muito destaque durante o seriado, como </span><a href="https://umveraodemisterios.fandom.com/pt-br/wiki/Soos_Ramirez"><span style="font-weight: 400;">Soos Ramirez</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Alex Hirsch), que, embora pareça um personagem bobo, tem muito carinho por todos ao seu redor, além de ganhar um episódio próprio que é muito dramático. </span><a href="https://umveraodemisterios.fandom.com/pt-br/wiki/Wendy_Corduroy"><span style="font-weight: 400;">Wendy Corduroy</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><span style="font-weight: 400;">Linda Cardellini</span><span style="font-weight: 400;">) é outra coadjuvante que rouba a cena. Ela vem de uma família muito peculiar de lenhadores e tem uma relação bacana com Dipper, auxiliando no arco desse personagem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre os personagens de maior destaque, há o vilão da série, </span><a href="https://umveraodemisterios.fandom.com/pt-br/wiki/Bill_Cipher"><span style="font-weight: 400;">Bill Cipher</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><span style="font-weight: 400;">Alex Hirsch</span><span style="font-weight: 400;">). Seu </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> é muito peculiar: uma pirâmide com um olho central, usando cartola e bengala. Pode parecer extremamente inofensivo, mas que, magistralmente, o desenho usa deformidades da animação para torná-lo ameaçador. Além disso, seus poderes e voz demonstram uma imponência grande, causando medo tanto nos personagens quanto no espectador. </span></p>
<figure id="attachment_28120" aria-describedby="caption-attachment-28120" style="width: 960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28120" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-7.jpg" alt="Imagem da série animada Gravity Falls. Tem uma pessoa e uma criatura na imagem. Na esquerda aparece Bill Cipher, uma pirâmide amarela com braços e pernas pretas, um grande olho no centro, ele usa uma cartola preta e uma gravata borboleta preta. Na direita tem Stanley, ele usa uma chéchia vermelha com a estampa de um peixe, uma regata branca, um shorts verde e chinelos pretos. Ele está sentado em uma poltrona amarela. O fundo está cheio de chamas azuis, Bill está assustado. " width="960" height="540" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-7.jpg 960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-7-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-7-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28120" class="wp-caption-text">Bill é um vilão tão icônico que logo se tornou reconhecido e já pode ser alçado como um dos melhores antagonistas dos desenhos animados (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro toque mágico de </span><i><span style="font-weight: 400;">Gravity Falls</span></i><span style="font-weight: 400;"> é que o desenho possui mais uma dezena de personagens que são carismáticos e únicos, fazendo com que a cidade pareça muito viva, com seus vários habitantes. O seriado aproveita esses personagens para incluir diversas participações especiais na dublagem, como </span><a href="https://www.infoescola.com/biografias/neil-degrasse-tyson/"><span style="font-weight: 400;">Neil deGrasse Tyson</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-60344/filmografia/"><span style="font-weight: 400;">Nathan Fillon</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-32799/"><span style="font-weight: 400;">J.K. Simmons</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/homem-aranha-sem-volta-para-casa-critica/"><span style="font-weight: 400;">Alfred Molina</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/star-wars/"><span style="font-weight: 400;">Mark Hamill</span></a><span style="font-weight: 400;">, entre outros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitos dos fatores que fazem de </span><i><span style="font-weight: 400;">Gravity Falls</span></i><span style="font-weight: 400;"> um desenho tão bacana é o fato da cidade-título ser tão rica de lendas, histórias, personagens e localidades, e o mais legal é que parte da culpa da sua riqueza narrativa vem de uma </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/lista/10-fatos-e-curiosidades-sobre-gravity-falls.html"><span style="font-weight: 400;">inspiração na vida real</span></a><span style="font-weight: 400;">. Hirsch, quando criança, passava suas férias de verão na cidade de </span><span style="font-weight: 400;">Boring </span><span style="font-weight: 400;">(entediante, na tradução do inglês), no </span><span style="font-weight: 400;">Oregon</span><span style="font-weight: 400;">, e esse local serviu de base para construir o povoado visto e explorado no desenho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Comemorando 10 anos de sua estreia em 2012, </span><i><span style="font-weight: 400;">Gravity Falls</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um desenho cheio de coração e criatividade, elaborando um mistério magistral ao mesmo tempo que desenvolve seus personagens e relações. Essa aventura é tão gostosa que, assim como o Dipper e a Mabel, nos perdemos no tempo e nas histórias daquela cidadezinha. Quando chega a hora de dizer adeus, a despedida é muito triste, mas fica a sensação agradável de que aquela viagem foi inesquecível e que não seremos os mesmos novamente. </span></p>
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		<title>Twin Peaks: 30 anos de um universo onde as corujas não são o que parecem</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Oct 2020 15:45:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gatti Em 1990, o mundo queria saber: quem matou Laura Palmer? Criada por Mark Frost e David Lynch, Twin Peaks foi um dos maiores marcos da televisão mundial. A série se passa em uma cidadezinha pacata que fica na fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá, onde ocorreu o terrível assassinato de uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/twin-peaks-30-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Twin Peaks: 30 anos de um universo onde as corujas não são o que parecem"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_16169" aria-describedby="caption-attachment-16169" style="width: 961px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-16169 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-1.jpg" alt="" width="961" height="641" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-1.jpg 961w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16169" class="wp-caption-text">Letreiro da cidade em que se passa a história (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Gatti</b></p>
<p>Em 1990, o mundo queria saber: quem matou Laura Palmer? Criada por Mark Frost e David Lynch, <i>Twin Peaks</i> foi um dos maiores marcos da televisão mundial. A série se passa em uma cidadezinha pacata que fica na fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá, onde ocorreu o terrível assassinato de uma estudante, Laura Palmer (Sheryl Lee). O episódio piloto começa com o morador local Pete Matell (Jack Nance) saindo para pescar e encontrando o corpo da jovem envolto em plástico às margens do lago. Em decorrência do assassinato, o agente nada convencional do <em>FBI</em>, Dale Cooper (Kyle MacLachlan), vai a Twin Peaks para investigar o caso.</p>
<p><span id="more-16168"></span></p>
<p>A trama da série se desenvolve de maneira sensorial e única para os padrões televisivos da época. A partir do primeiro contato com <i>Twin Peaks </i>já é perceptível a complexidade dos personagens, como Nadine Hurley (Wendy Robie), que é obcecada pelas cortinas da sala, e Margaret Lanterman (Catherine E. Coulson), andando sempre com um tronco que possui respostas para diversos segredos. A narrativa se desenvolve de modo surrealista e, com isso, acabou pegando os telespectadores da época de calças curtas, já que estes não esperavam algo daquela magnitude.</p>
<p>A construção do clima delirante de <i>Twin Peaks</i> ocorre desde o início com a abertura. A trilha sonora da série, composta por Angelo Badalamenti, traz melodias lentas e sombrias que casam perfeitamente com a narrativa alucinante. A faixa <i>Falling</i>, por exemplo, interpretada pela cantora Julee Cruise, coloca ritmo à agonia de Laura que não suportava mais se atormentada pelo espírito Bob quando a música diz “<i>Don&#8217;t let yourself be hurt this time</i>” (“Não deixe que você se machuque dessa vez”).</p>
<figure id="attachment_16170" aria-describedby="caption-attachment-16170" style="width: 592px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16170" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-2.jpg" alt="" width="592" height="394" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-2.jpg 592w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-2-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 592px) 85vw, 592px" /><figcaption id="caption-attachment-16170" class="wp-caption-text">Cooper sonha com o Black Lodge (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>A história apresenta seu primeiro momento surreal quando Cooper sonha que está em um ambiente com chão de padrão branco e preto e com cortinas vermelhas, que mais tarde viria a ser chamado de <i>Black Lodge</i>. No local, ele encontra um anão de terno vermelho e uma moça que se parece com Laura Palmer. Nesse ambiente louco, em que as falas dos personagens são ao contrário e desconexas, a jovem sussurra no ouvido de Cooper a identidade do assassino de Laura Palmer. Ao acordar, o agente do <em>FBI</em> esquece quem cometeu o crime, mas compartilha com seus companheiros da polícia, que passam, desse modo, a investigar o caso de forma inusitada.</p>
<p>Em sua primeira temporada <i>Twin Peaks</i> apresenta seu lado sombrio e misterioso, intensificado pela fotografia e pela trilha sonora da série. O roteiro se balanceia com certos momentos de humor, ressaltando a complexidade da história. Além disso, um recurso muito utilizado por Lynch e Frost é o <a href="https://hqscomcafe.com.br/index.php/2018/02/20/o-que-e-cliffhanger/"><i>cliffhanger</i></a>, e, desse modo, os criadores da narrativa conseguiram prender seus telespectadores para a segunda temporada.</p>
<p>O desenrolar da trama se desenvolve como uma narrativa <i>nonsense </i>em que a realidade e os sonhos se misturam. O auge da série ocorre quando finalmente o assassino de Laura Palmer é revelado, na metade da segunda temporada. No entanto, após a revelação surpreendente, a história toma um rumo monótono focado no cotidiano dos moradores de Twin Peaks. Esse fator causou uma queda abrupta na audiência, que não tinha mais um grande mistério nas mãos. Por outro lado, outras figuras como Denise Bryson (David Duchovny) e Windom Earle (Kenneth Welsh), que surgiram com o fim da trama principal, contribuíram para o decorrer da história.</p>
<figure id="attachment_16171" aria-describedby="caption-attachment-16171" style="width: 622px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16171" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-3.jpg" alt="" width="622" height="415" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-3.jpg 622w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-3-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-16171" class="wp-caption-text">Cena do diálogo de Laura Palmer com Cooper no fim da segunda temporada (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>Embora Lynch e Frost tenham arrastado a história durante a segunda temporada após revelar quem matou Laura Palmer, a trama oferece ótimos momentos misteriosos e surrealistas. Um marco da série, por exemplo, foi quando Cooper entra no <i>Black Lodge </i>durante o último episódio. A cena rendeu grande espetáculo para a teledramaturgia, com jogos de luzes, suspense e várias falas marcantes. Uma delas foi a impactante<em> “eu vejo você de novo em 25 anos”</em>, dita por Laura para o agente do <em>FBI</em>.</p>
<p>Nesse meio de tempo, foi lançado o filme <a href="https://www.planocritico.com/critica-twin-peaks-os-ultimos-dias-de-laura-palmer/"><i>Twin Peaks: Fire Walk With Me</i></a>, em referência à frase encontrada no diário de Laura Palmer na série. O longa exibe o cotidiano da jovem durante seus últimos dias de vida. A trama abordada no filme traduziu bem a agonia da jovem que vivia seus últimos dias rodeadas de espíritos malevolentes. Além disso, a história contou com a participação do cantor David Bowie para interpretar Philip Jeffries, um agente do <em>FBI</em> que desaparece misteriosamente. No entanto, a crítica julgou o longa como uma narrativa confusa e com isso, em 2014, produziram <a href="https://www.buzzfeed.com/jacelacob/twin-peaks-the-missing-pieces-fire-walk-with-me"><i>Twin Peaks: The Missing Pieces</i></a>, que divulga cenas cortadas do filme.</p>
<p>Ao longo de duas temporadas e um <a href="http://personaunesp.com.br/critica-ultimos-dias-de-laura-palmer/">longa metragem</a>, Lynch e Frost contam a história do assassinato de uma jovem que todos gostavam, mas que ninguém conhecia direito. A obscuridade da vida de Laura traz uma narrativa sensorial interessante sobre não conhecer direito as pessoas ao redor. No caso da série, a moradora de Twin Peaks frequentava lugares e conhecia pessoas que seus próprios pais desconheciam. A atuação de Sheryl Lee contribuiu muito para a intensificação das emoções da personagem. Inclusive, Lynch ficou tão satisfeito com o trabalho da atriz que mais tarde incluiu Maddy Ferguson na narrativa, uma prima de Laura que também fora interpretada por Lee.</p>
<figure id="attachment_16172" aria-describedby="caption-attachment-16172" style="width: 977px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16172" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-4.jpg" alt="" width="977" height="651" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-4.jpg 977w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-4-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-4-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16172" class="wp-caption-text">Bob, o espírito que atormentou Laura Palmer durante seus últimos dias de vida (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>Todos os traços complexos e surrealistas que <i>Twin Peaks</i> apresenta refletem muito o estilo cinematográfico característico de David Lynch, que estreou no cinema como diretor com <a href="http://personaunesp.com.br/critica-eraserhead-david-lynch/"><i>Eraserhead </i></a>em 1977. O longa metragem desenvolve uma narrativa <i>nonsense</i> que apresenta Henry Spencer (Jack Nance), um pai que tem criar seu filho sozinho após ser abandonado pela esposa. No entanto o comportamento da criança, representada por uma criatura semelhante à um feto mal formado, reforça a sensação de desconforto de Spencer com seu filho.</p>
<p>A estreia de Lynch trouxe uma história interessante que faz uma analogia ao sentimento de quando teve sua primeira filha. Depois de <i>Eraserhead</i>, o diretor foi responsável por outras grandes produções cinematográficas como <i>O Homem Elefante </i>(1980), <i>Veludo Azul</i> (1986) e <i>Coração Selvagem </i>(1990).</p>
<p>No entanto, muito antes desse estilo <a href="http://personaunesp.com.br/twin-peaks/"><em>lynchiano</em></a> surgir, a diretora surrealista, Maya Deren já produzia obras cinematográficas sensoriais. O curta metragem experimental <a href="https://medium.com/@thaisbvieira/maya-deren-arte-contesta%C3%A7%C3%A3o-e-independ%C3%AAncia-no-cinema-c92f0e026978"><i>Tramas do Entardecer</i></a> (1943), por exemplo, desenvolve uma narrativa surreal acerca de como funciona a mente de um suicida. Nele, Deren utiliza de tomadas de câmera e luzes ousadas para a época que intensificam a agonia da protagonista que confunde o sonho com a realidade. Essa trajetória onírica desenvolvida pela diretora foi fonte de inspiração para Lynch ao produzir o segundo filme da sua trilogia de <i>Hollywood</i>, <i>Mulholland Drive</i> (2001), sendo os demais <i>A Estrada Perdida</i> (1997) e <i>Império dos Sonhos </i>(2006).</p>
<figure id="attachment_16173" aria-describedby="caption-attachment-16173" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16173" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/meshes_600.jpg" alt="" width="600" height="337" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/meshes_600.jpg 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/meshes_600-300x169.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-16173" class="wp-caption-text">Protagonista do curta Tramas do Entardecer confunde sonho com realidade (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>O impacto causado pela série foi tanto que diversas produções a adotaram como fonte de inspiração. Nomes como David Chase (<i>Família Soprano</i>, 1999- 2007), Damon Lindelof (<i>Lost</i>, 2004 &#8211; 2010) e Matthew Weiner (<i>Mad Men</i>, 2007 &#8211; 2015) foram diretamente influenciados por <i>Twin Peaks</i>.</p>
<p>Além desses, diversos programas de TV já fizeram referência à <i>Twin Peaks</i>. Durante o episódio <em>Quem matou o Sr. Burns? parte 2</em> da série <i>Os Simpson</i>, por exemplo, o chefe de polícia Clancy Wiggum (Hank Azaria) sonha com um ambiente similar ao <i>Black Lodge</i> enquanto tenta desvendar a trama. Além desse, outros programas como <i>Vila Sésamo</i>, <i>Scooby Doo</i> e <i>Gravity Falls</i> também já apresentaram referências à <i>Twin Peaks</i> em algum episódio.</p>
<p>Não apenas a série e o filme, foram publicados alguns livros sobre <i>Twin Peaks. The Secret Diary of</i> <i>Laura Palmer</i>, por exemplo, que foi escrito por Jennifer Lynch, faz alusão ao diário da personagem que é encontrado durante a série. Nele são feitas revelações sombrias e perturbadoras sobre a jovem, que escreveu nele desde seus 12 anos de idade até os 17, quando foi morta. Já <i>The Autobiography of F.B.I. Special Agent Dale Cooper: My Life, My Tapes</i>, transcreve mensagens de áudio gravadas por Cooper, como <em>&#8220;me ocorreu noite passada&#8230;eu não sei o sobrenome de Diane (secretária de Cooper)”</em>, que apresenta peculiaridades sobre o agente do <em>FBI</em>. Outro livro publicado é <i>Welcome to Twin Peaks: An Access Guide to the Town</i>, que destaca certos pontos sobre a cidade, porém dá mais ênfase ao seu lado excêntrico, do que ao lado sombrio.</p>
<figure id="attachment_16174" aria-describedby="caption-attachment-16174" style="width: 597px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16174" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-6-1.jpg" alt="" width="597" height="398" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-6-1.jpg 597w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-6-1-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 597px) 85vw, 597px" /><figcaption id="caption-attachment-16174" class="wp-caption-text">Livros publicados sobre o universo de Twin Peaks (Foto: Crystal Ro / BuzzFeed)</figcaption></figure>
<p>Por fim, houve o tão esperado retorno. 25 anos após a exibição da série original, <i>Twin Peaks </i>retornou para a sua terceira temporada. O<i> comeback </i>realizado por Lynch e Frost foi algo único para a história da TV, já que a narrativa seguiria como uma continuação e não como um <i>remake. </i>Para isso, os criadores da série modernizaram o <em>show</em> e passaram a exibir a história de lugares fora da cidadezinha de Twin Peaks<i>. </i>O próprio Dale Cooper, que passou a maior parte da série como Dougie Jones, só retornou para a pacata cidade nos últimos episódios. Outro fator que contribuiu para a modernização de <i>Twin Peaks </i>foram as filmagens aéreas que introduziram o local onde seria exibido a cena seguinte e o filtro utilizado de tom meio acinzentado.</p>
<p>Além disso, a nova temporada apresentou um lado ainda mais complexo do<i> Black Lodge. </i>Nela, Lynch deu ênfase à história de diversos espíritos bizarros que habitavam a sala, como o Bombeiro (Carel Struycken),  Mike (Al Strobel) e o Braço, interpretado originalmente por Michael J. Anderson e no retorno por uma criatura computadorizada amorfa. Outro ponto alto da série foi a explosão da primeira bomba atômica no Novo México em 1945. Como resultado, o espírito chamado Senhora Dido (Joy Nish) envia Laura Palmer para a Terra.</p>
<p>No entanto, <a href="http://personaunesp.com.br/twin-peaks-2017-critica/"><i>Twin Peaks: O Retorno</i></a> também teve seus pontos fracos. Diversos personagens novos surgem nesse universo, muitos como filhos de outros da série original, como no caso de Becky Burnett (Amanda Seyfried), filha de Shelly Briggs (Mädchen Amick) e Bobby Briggs (Dana Ashbrook). Porém a narrativa se constrói principalmente em cima dos antigos personagens, deixando a geração mais nova de lado, que, desse modo, não acrescentou muito na narrativa. Outro ponto negativo foi a forma que a história de Audrey Horne (Sherilyn Fenn) foi tratada. A personagem aparece pela primeira vez mais para o final da série e, além disso, envolvida numa trama que pouco se relaciona com o ponto que sua narrativa parou em 1991.</p>
<figure id="attachment_16175" aria-describedby="caption-attachment-16175" style="width: 684px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16175" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-7.jpg" alt="" width="684" height="456" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-7.jpg 684w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-7-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-16175" class="wp-caption-text">Elenco original de Twin Peaks, 25 anos após a exibição da série (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>O retorno de <i>Twin Peaks </i>foi a cartada final para a consagração dessa série <i>cult</i> como uma das melhores produções já exibidas na TV. O piloto parte de uma história cativante, narrada de forma única acerca de um assassinato numa cidadezinha pacata, que se desenvolve orquestradamente, revelando um lado muito mais profundo no surrealismo <em>lynchiano</em>. E, por fim, 30 anos depois, o que a faz tão especial é que nem tudo precisa necessariamente fazer sentido para contar uma grande história.</p>
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		<title>As melhores séries de 2017</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Dec 2017 20:31:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Até mesmo depois de ampliarmos as listas de final de ano para 10 itens e deixar a cargo de cada participante escrever sobre o seu destaque pessoal, a lista de séries surpreendeu pela variedade: apenas uma obra permaneceu da lista de 2016. Muita coisa boa ficou de fora, inclusive a animação que ilustra o post &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/as-melhores-series-de-2017/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "As melhores séries de 2017"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-9181" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/persona-melhore-series.gif" alt="" width="890" height="501" /></p>
<p>Até mesmo depois de ampliarmos as listas de final de ano para 10 itens e deixar a cargo de cada participante escrever sobre o seu destaque pessoal, a lista de séries surpreendeu pela variedade: apenas uma obra permaneceu da<a href="http://personaunesp.com.br/melhores-series-2016/" target="_blank" rel="noopener"> lista de 2016</a>.</p>
<p>Muita coisa boa<a href="http://personaunesp.com.br/mindhunter-critica/" target="_blank" rel="noopener"> ficou de fora</a>, inclusive a animação que ilustra o post (<a href="https://www.reddit.com/r/Copicola/comments/7101x1/voc%C3%AA_precisa_ter_um_qi_muito_alto_para_entender/" target="_blank" rel="noopener">e que proporcionou um dos melhores memes do ano</a>). Mas nossas escolhas refletem um ano cheio de produções promissoras, ótimas temporadas de séries antigas e fortes traços autorais.</p>
<p><span id="more-9090"></span></p>
<hr />
<h3><strong>American Gods</strong> (1ª temporada)</h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-9236" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/american-gods-melhores-1024x576.jpg" alt="" width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/american-gods-melhores-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/american-gods-melhores-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/american-gods-melhores-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/american-gods-melhores-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/american-gods-melhores.jpg 1440w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p>Imagine os Estados Unidos da América sendo preenchid0 em sua construção identitária por imigrantes. Foram milhões que, a muito trabalho e sangue, fizeram o país ser o que é: uma terra de retalhos étnicos, culturais e religiosos. Imagine todas essas fatias trazendo consigo seus próprios mitos passados por gerações e gerações, alimentados pela fé de seus sucessores. Agora, finalmente, imagine isso encerrado no século XXI, destruído invisivelmente pelo Tinder, iPhone e a ascensão da Internet.</p>
<p>Se você não consegue estabelecer as relações, a primeira temporada de <a href="http://personaunesp.com.br/critica-american-gods/"><i>American Gods</i></a> foi feita para ligar esses pontos. Baseado no livro de Neil Gaiman, o absurdo da série está em sua capacidade de colocar em camadas o colapso da construção  da identidade americana. Criativa e visualmente atrativa, sua primeira temporada não é só um estudo da queda da fé nos deuses que fizeram os Estados Unidos grande, mas também um retrato do que é feit0 o país que, atualmente, boia na mão dos mimados <em>millennials</em> e daqueles que ignoram seu passado e querem fazê-lo <i>great again</i>. &#8211; <strong>Adriano Arrigo</strong></p>
<hr />
<h3><strong>Big Little Lies</strong> (1ª temporada)</h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-9233" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/big-little-lies-melhores-1024x512.jpg" alt="" width="840" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/big-little-lies-melhores-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/big-little-lies-melhores-300x150.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/big-little-lies-melhores-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/big-little-lies-melhores-1200x600.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/big-little-lies-melhores.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p>Um assassinato. Cinco mulheres. Uma cidade no interior da Califórnia. <em>Big Little Lies</em>, minissérie da HBO, contraria o recente histórico da emissora em produções megalomaníacas com histórias de época e repleta de efeitos visuais e nos entrega dramas familiares, passados nebulosos e traumas vividos na pequena cidade de Monterey. Para o projeto, a HBO montou um elenco de peso com nomes como Nicole Kidman, Alexander Skarsgård, Laura Dern, além de Shailene Woodley e Reese Witherspoon.</p>
<p>Inspirada em um livro de Liane Moriarty, a minissérie de David Kelley, que termina em 2018, toca em temas provocantes vividos pelas famílias de Monterey. Ao longo de 7 episódios, o espectador encontra-se submerso em um enredo cheio de tensão que torna claro o grande trunfo da produção nesse ano. A obra é eficaz em criar uma atmosfera de suspense que prende a audiência à tela pela natureza de seus assuntos &#8211; que vão de intrigas entre famílias à violência doméstica e estupro &#8211; e pela sensibilidade que adota ao tratá-los.</p>
<p><em>Big Little Lies</em> dá voz às vítimas para expor seus traumas, mas também dá força para combaterem a situação em que se encontram. A receita não poderia ter dado mais certo e é um respiro no ambiente tóxico de Hollywood: a série foi a grande agraciada do Emmy 2017, levando 8 estatuetas para casa. Entre elas, a de melhor minissérie do ano. &#8211; <strong>Matheus Rodrigo</strong></p>
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<h3><strong>The Deuce </strong>(1ª temporada)</h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-9234" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/the-deuce-melhores.jpeg" alt="" width="780" height="520" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/the-deuce-melhores.jpeg 780w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/the-deuce-melhores-300x200.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/the-deuce-melhores-768x512.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" />Só quem assistiu a <em>The Wire</em> (HBO, 2002-2008), série criada e roteirizada por David Simon, entende a comoção que se deu pelo anúncio de sua nova empreitada na TV, <em>The Deuce</em>. A esperança era de que o minucioso estudo em forma de ficção que foi <em>The Wire</em> para a temática do tráfico de drogas fosse também aplicado à premissa da nova produção: o início da indústria pornográfica em Nova York na década de 1970.</p>
<p>Felizmente, David Simon não abandonou o viés sociológico e na primeira temporada de <em>The Deuce</em> apresentou um sistema rico de personagens e setores da sociedade. A série demora para adentrar na temática da pornografia, só para mostrar como prostitutas, cafetões, policiais, a máfia, intelectuais e outros atores sociais se relacionavam e criaram condições para a comercialização do sexo. Mas ao contrário do começo vagaroso de <em>The Wire</em>, a nova série de Simon tem uma atração pelo espetáculo, visto que é estrelado e produzido por Maggie Gyllenhaal e James Franco. &#8211; <strong>Lucas Marques</strong></p>
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<h3><strong>The Handmaid&#8217;s Tale</strong> (1ª temporada)</h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-9134" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/handmaids-tale1-1024x512.jpeg" alt="" width="840" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/handmaids-tale1-1024x512.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/handmaids-tale1-300x150.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/handmaids-tale1-768x384.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/handmaids-tale1-1200x600.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p>Com a posse de Donald Trump e o caos político generalizado, as distopias artísticas ganharam força novamente. Clássicos tiveram <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2017/01/26/cultura/1485423697_413624.html" target="_blank" rel="noopener">números expressivos de venda</a>, obras novas logo entraram nos<em> trending topics</em>. <em>The Handmaid&#8217;s Tale</em> pode ser considerado o melhor de dois mundos neste cenário: a série, transmitida pela Hulu em 2017, é baseada no livro homônimo lançado por Margaret Atwood em 1985.</p>
<p>Os dez episódios da primeira temporada introduzem um futuro misógino, onde a violência simbólica se concretiza de modo assustador. O fanatismo religioso comanda os Estados Unidos, e as mulheres férteis só cumprem a função de perpetuar a raça humana &#8211; <em>bela, recatada e do lar</em>. Nesse cenário, debates sobre prostituição, estupro, mutilação genital, tráfico de crianças, escravidão e espionagem são dispostos em narrativa feminista pungente. O espectador não é poupado da brutalidade, seja explicitamente gráfica ou sutil (os planos fechados são constantes, e tão sufocantes quanto no clássico <em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QK25W23Hjj8" target="_blank" rel="noopener">A Paixão de Joana D&#8217;Arc</a></em>).</p>
<p>Com atuações fortíssimas, <em>mise-en-scène</em> e fotografia matadoras, <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2017/09/18/cultura/1505694271_781358.html" target="_blank" rel="noopener">as premiações no Emmy </a>são mais que justificadas. Que a segunda temporada seja ainda melhor, <a href="https://scontent.cdninstagram.com/t/s640x640/16228564_1293822860663896_5881122950618284032_n.jpg" target="_blank" rel="noopener">mas permaneça ficção</a>. Pesada e necessária, <em>The Handmaid&#8217;s Tale</em> é pauta obrigatória nas conversas sobre grandes séries no ano. &#8211;<strong> Nilo Vieira</strong></p>
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<h3><strong>House of Cards</strong> (5ª temporada)</h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-9228" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/house-of-card-melhores-1024x538.jpg" alt="" width="840" height="441" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/house-of-card-melhores-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/house-of-card-melhores-300x158.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/house-of-card-melhores-768x403.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/house-of-card-melhores.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p>Uma corrida contra o tempo pela presidência dos Estados Unidos. Esse é o ponto principal da quinta temporada de <em>House of Cards</em>. O casal Underwood (Kevin Spacey e Robin Wright) está disposto a ir ainda mais longe em busca dos seus objetivos, doa a quem doer. Contra eles, está o governador e típico pai de família, Will Conway (Joel Kinnaman) que sentirá na pele o efeito dos Underwoods.</p>
<p><a href="http://personaunesp.com.br/critica-house-of-cards-quinta-temporada/" target="_blank" rel="noopener">A nova temporada</a> marcou o ano por trazer manobras políticas tão semelhantes com as que os Estados Unidos viveu com as eleições de Donald Trump e o Brasil com o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff. Talvez a realidade tenha sido uma inspiração para os roteiristas da série. Ou, então, apenas uma mera coincidência.</p>
<p>Ainda neste final de ano, as denúncias de assédio sexual por Kevin Spacey abalaram não só os fãs de <em>House of Cards</em>, mas o roteiro de sua última temporada. Sem Spacey na série, 2018 é o ano das expectativas para o desfecho desse castelo de cartas.- <strong>Heloísa Manduca</strong></p>
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<h3><strong>How to Get Away with Murder</strong> (4ª temporada)</h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-9229" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/how-to-get-away-1024x684.jpg" alt="" width="840" height="561" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/how-to-get-away-1024x684.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/how-to-get-away-300x201.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/how-to-get-away-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/how-to-get-away-1200x802.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p>A quarta temporada de <em>How to Get Away with Murder</em>, como já é de praxe, começa com o gancho encerrado na terceira temporada (no caso, revelando quem foi o(a) mandante do incêndio que matou Wes). No entanto, a série toma novos rumos quando Annalise Keating resolve desfazer seu vínculo empregatício com seus outros quatro alunos. E nisso está a graça da nova temporada.</p>
<p>Ao mostrar a tentativa de independência de Connor, Laurel, Michaela e Asher da mentora, a série acerta em tramas que discutem, entre outras coisas, machismo e dependência química. Porém, ao tentarem ser livres de Annalise, seus ex-alunos descobrem que não conseguem se desligar de sua mestra. O mistério da temporada, que será tradicionalmente revelado no episódio 9, como sempre é instigante e conta com sequências fortes, já que Annalise tenta salvar o bebê (provavelmente) morto de Laurel. Para quem não assistiu a temporada até então, dá tempo de fazer uma maratona. Quem já viu, só resta esperar o próximo dia 18, data de exibição do próximo episódio. &#8211; <strong>Guilherme Hansen</strong></p>
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<h3><strong>The Leftovers</strong> (3ª temporada)</h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-9230" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/leftovers-melhores.png" alt="" width="825" height="464" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/leftovers-melhores.png 825w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/leftovers-melhores-300x169.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/leftovers-melhores-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p>O terceiro e último ano de <em>The Leftovers</em> trazia muita apreensão sobre que fim teriam os mistérios da série roteirizada por Damon Lindelof, responsável por <em>Lost</em>. Os fãs foram recompensados com uma temporada que não só responde os questionamentos deixados nas anteriores, mas transcende o <em>plot</em> inicial da “partida repentina” com outros mistérios ao longo de sua extensão reduzida, contando com apenas 8 episódios (diferente dos 10 habituais).</p>
<p>A série, que é uma das melhores e menos conhecidas da HBO, traz ao longo de suas três temporadas uma pesada carga dramática e, ao mesmo tempo, a leveza dos momentos de esperança em meio ao caos da realidade vivenciada pelas personagens. O que nos leva a admirar o elenco talentoso, que consegue passar a complexidade de suas emoções e o peso de suas decisões, se tornando sem dúvida um dos pontos mais fortes da produção. Você sofre, fica confuso e respira aliviado com cada um dos personagens. <em>The Leftovers</em> recebeu um final tão bom quanto foram suas duas outras temporadas e merece ser considerada uma das melhores séries do ano. &#8211; <strong>Gabriel Regis Soldeira</strong></p>
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<h3><strong>Nathan for You </strong>(4ª temporada)</h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-9231" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/nathan-for-you-finding.jpg" alt="" width="768" height="430" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/nathan-for-you-finding.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/nathan-for-you-finding-300x168.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p>Na quarta temporada do<em> reality</em> de comédia, as ideias de Nathan Fielder para ajudar negócios em crise foram ainda mais absurdas e complexas, indo de um <a href="https://www.youtube.com/watch?v=1_iZBmkQ0fg" target="_blank" rel="noopener">traje térmico especial</a> feito para vender comida dentro de estádios à uma <a href="https://www.youtube.com/watch?v=n6BNE62xGqE" target="_blank" rel="noopener">banda criada especificamente</a> para popularizar o detector de fumaça como instrumento musical, de forma a baixar os impostos, em uma paródia das próprias lógicas do capitalismo.</p>
<p>O toque inesperado de genialidade veio no último episodio, &#8220;Finding Frances&#8221;, lançado como um especial de duas horas. No <em>gran finale</em>, seguimos um sósia de Bill Gates (ou seria um sósia de um sósia?) na sua busca para reencontrar um amor perdido de seis décadas atrás. São nos momentos mais humanos e sinceros que a série atinge seu auge, e &#8220;Finding Frances&#8221; é permeado pelo sentimento de solidão de todos os personagens e o constrangimento que o acompanha, que chega a níveis brutais com o relacionamento de Nathan com uma acompanhante paga e as descobertas sobre o passado de Bill, muito diferente do relatado pelo próprio.</p>
<p>Com um questionamento de realidade, &#8220;realidade&#8221; e ficção que não fica atrás de obras-primas como <em>Close-Up</em>, e o apoio de mestres do ofício como Errol Morris (<em>Thin Blue Lines</em>, <em>Fog of War</em>), <a href="https://www.newyorker.com/culture/culture-desk/the-nathan-for-you-finale-my-new-favorite-love-story" target="_blank" rel="noopener">que escreveu para a New Yorker relatando o porquê do episódio ser sua nova história de amor favorita</a>, &#8220;Finding Frances&#8221; não é só o melhor da TV, mas também do documentário e talvez até do cinema nesse ano que passou. &#8211; <strong>Matheus &#8220;Copa&#8221; Fernandes</strong></p>
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<h3><strong>Stranger Things 2</strong></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-9232 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/twin-peaks-2-e1514493281100.jpg" alt="" width="800" height="450" /></p>
<p>Após o sucesso da <a href="http://personaunesp.com.br/stranger-things-anos-80-geracao-netflix/" target="_blank" rel="noopener">primeira temporada</a>, os novos episódios de <em>Stranger Things</em> corresponderam às expectativas dos fãs. A segunda parte da série de suspense dirigida pelos irmãos Matt e Ross Duffner manteve as características da produção anterior e se aproveitou de fragmentos da primeira temporada para voltar às aventuras no mundo invertido. Mas o grande feito de <a href="http://personaunesp.com.br/critica-stranger-things-2/" target="_blank" rel="noopener"><em>Stranger Things 2</em></a> reside no desenvolvimento de personagens.</p>
<p>A jovem superpoderosa Eleven e o policial Jim Hopper são esmiuçados ao espectador, enquanto o núcleo adolescente composto por Nancy Wheeler e Steve Harrington evolui de forma adequada. Os quatro amigos, Mike , Lucas, Dustin e Will, também mostram profundidade revelando caráteres contraditórios. Destaque para Will, que agora se integra ao protagonismo da série com uma atuação impressionante de Noah Schnapp. &#8211; <strong>Victor Pinheiro</strong></p>
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<h3><strong>Twin Peaks</strong> (3ª temporada)</h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-9235" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/twin-peaks-melhores-1024x577.jpg" alt="" width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/twin-peaks-melhores-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/twin-peaks-melhores-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/twin-peaks-melhores-768x433.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/twin-peaks-melhores.jpg 1136w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p>Depois de 25 anos de perguntas sem respostas, a dupla dinâmica Frost-Lynch volta com autonomia total para o universo de <a href="http://personaunesp.com.br/raf-simons-aw-16-nightmares-dreams/" target="_blank" rel="noopener"><em>Twin Peaks</em></a>. Apesar do afeto pelo inexplicável, poucos fãs previram a mistura de sensações que os 18 episódios trouxeram. A cidade de Twin Peaks, por exemplo, não é mais o antro de perfeição que se desfaz com a revelação dos segredos das temporadas anteriores. A completa atmosfera da cidadezinha está desregulada: crimes em todo lugar, personagens importantes deixados de lado, franquias invadindo os restaurantes locais etc.</p>
<p><a href="http://personaunesp.com.br/twin-peaks/" target="_blank" rel="noopener">A primeira</a> e segunda temporadas – assim como <a href="http://personaunesp.com.br/critica-ultimos-dias-de-laura-palmer/" target="_blank" rel="noopener">o filme</a> -, focavam em um caso específico: a investigação da morte de Laura Palmer, que levou a descoberta de um outro mundo com espíritos do “bem” e do “mal”, com <em>doppelgangers</em> e creme de milho; assim como a perda de um dos personagens mais invencíveis no processo.</p>
<p><a href="http://personaunesp.com.br/twin-peaks-2017-critica/" target="_blank" rel="noopener">Na terceira</a>, a prisão desse personagem é usada como premissa, enquanto o universo criado pela dupla se torna muito maior. Ao final do episódio 18, a mitologia se expande para além do controle dos artistas e o seu desfecho repentino acontece como a única solução possível. Faz todo o sentido perceber vários elementos dos <a href="http://personaunesp.com.br/critica-eraserhead-david-lynch/" target="_blank" rel="noopener">filmes surrealistas</a> de <a href="http://personaunesp.com.br/loveless-mulholland-drive/" target="_blank" rel="noopener">David Lynch</a>, já que grande parte dos episódios parece ser o mais puro vislumbre da criatividade do diretor. Diferente de qualquer série ou filme, a última temporada de Twin Peaks inverte o <em>fan service</em> e dá curtos alívios somente para destruir o conceito de zona de conforto. Nostalgia não existe na nova Twin Peaks e a arte flui livre. &#8211; <strong>Gabriel Rodrigues de Mello</strong></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/as-melhores-series-de-2017/">As melhores séries de 2017</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Sonhos e pesadelos na Twin Peaks de Raf Simons</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 May 2017 22:54:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artes Visuais]]></category>
		<category><![CDATA[Moda]]></category>
		<category><![CDATA[David Lynch]]></category>
		<category><![CDATA[Matheus Fernandes]]></category>
		<category><![CDATA[Twin Peaks]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Matheus Fernandes David Lynch, Angelo Badalamenti, Cindy Sherman e Martin Margiela. Essas são as influências que guiam Nightmare and Dreams, coleção do designer belga Raf Simons apresentada em 2016 na edição outono/inverno da semana de moda de Paris, a primeira após sua saída da Dior. Após coleções inspiradas por Kraftwerk (A/W 98 Radioactivity), Manic Street &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/raf-simons-aw-16-nightmares-dreams/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Sonhos e pesadelos na Twin Peaks de Raf Simons"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/raf-simons-aw-16-nightmares-dreams/">Sonhos e pesadelos na Twin Peaks de Raf Simons</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-7920" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/raf-simons-nightmare-dreams.jpg" alt="raf-simons-nightmare-dreams" width="700" height="394" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/raf-simons-nightmare-dreams.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/raf-simons-nightmare-dreams-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/raf-simons-nightmare-dreams-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/raf-simons-nightmare-dreams-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/raf-simons-nightmare-dreams-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p><strong>Matheus Fernandes</strong></p>
<p>David Lynch, Angelo Badalamenti, Cindy Sherman e Martin Margiela. Essas são as influências que guiam <em>Nightmare and Dreams</em>, coleção do designer belga Raf Simons apresentada em 2016 na edição outono/inverno da semana de moda de Paris, a primeira após sua saída da Dior.<span id="more-7914"></span></p>
<p>Após coleções inspiradas por Kraftwerk (A/W 98 <em>Radioactivity</em>), Manic Street Preachers (A/W 01 <em>Riot Riot Riot</em>) e Joy Division (A/W 04 <em>Closer</em>) é natural a escolha de outro elemento da cultura pop, a série <a href="http://personaunesp.com.br/twin-peaks/" target="_blank">Twin Peaks</a>, cujo auge de popularidade coincide com o período da faculdade do designer, como fio condutor do desfile.</p>
<p>Em sua essência, Twin Peaks segue o arquétipo da ficção de terror: uma cidade pequena e pacata que esconde uma série de segredos, revelados a partir da morte da rainha do baile de formatura. A diferença se dá na condução de David Lynch e Mark Frost, dando <a href="http://personaunesp.com.br/loveless-mulholland-drive/" target="_blank">tons oníricos</a> e surrealistas à trama, sem perder o ar novelesco. Não é a toa que outros clássicos autorais do terror surgem como inspiração para Simons, como <em>Halloween</em> (1978), <a href="http://personaunesp.com.br/ironico-autoconsciente-como-panico-mudou-para-sempre-genero-terror/" target="_blank"><em>Pânico</em></a> (1996) e <em>A Hora do Pesadelo</em> (1984), esse também marcado pela mescla entre sonho e realidade.</p>
<figure id="attachment_7922" aria-describedby="caption-attachment-7922" style="width: 756px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-7922 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/untitled-123-756x1024.jpg" alt="Untitled #153, de Cindy Sherman" width="756" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/untitled-123-756x1024.jpg 756w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/untitled-123-222x300.jpg 222w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/untitled-123-768x1040.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/untitled-123-1200x1625.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-7922" class="wp-caption-text">Untitled #153, de Cindy Sherman</figcaption></figure>
<p>Cindy Sherman é outro nome que aparece como inspiração central. A fotógrafa se tornou central no mundo da arte há décadas com seus intrincados auto-retratos que capturam de forma onírica tanto o comum (como a clássica garota adolescente em Untitled  #96) quanto o monstruoso. Em sua série “Disasters and Fairy Tales” (notem a semelhança de título), o macabro ganha tons de estranha beleza, como em uma de suas imagens-chave, Untitled #123, que retrata um jovem cadáver sujo de terra, não muito diferente do que dá origem à série de Lynch.</p>
<figure id="attachment_7919" aria-describedby="caption-attachment-7919" style="width: 682px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-7919 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/RAF-SIMONS-FALL-16-LOOK01-682x1024.jpg" alt="RAF SIMONS - FALL 16 - LOOK01" width="682" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/RAF-SIMONS-FALL-16-LOOK01-682x1024.jpg 682w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/RAF-SIMONS-FALL-16-LOOK01-200x300.jpg 200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/RAF-SIMONS-FALL-16-LOOK01-768x1154.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/RAF-SIMONS-FALL-16-LOOK01.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-7919" class="wp-caption-text">Modelo de Nightmares and Dreams</figcaption></figure>
<p>No desfile, os modelos caminham desorientados por um ambiente tão misterioso quanto o Black Lodge dos sonhos de Cooper. A trilha inicial é a <a href="https://www.youtube.com/watch?v=rgXLEM8MhJo" target="_blank">catártica descrição</a> de Badalamenti do processo de composição de “Laura Palmer’s Theme”, seguida por “Blue Moon”, na versão de Elvis Presley, e “Crimson &amp; Clover”, de Tommy James. Como na trilha de Blue Velvet, as canções tomam ar assustador ao serem recontextualizadas.</p>
<p>Elementos característicos do figurino da série, assinado por Sara Markowitz, são frequentes no desfile. Da onipresente knitwear aos padrões xadrez, que aqui aparecem em casacos e lenços.</p>
<figure id="attachment_7918" aria-describedby="caption-attachment-7918" style="width: 682px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-7918 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/RAF-SIMONS-FALL-16-LOOK11-682x1024.jpg" alt="RAF SIMONS - FALL 16 - LOOK11" width="682" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/RAF-SIMONS-FALL-16-LOOK11-682x1024.jpg 682w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/RAF-SIMONS-FALL-16-LOOK11-200x300.jpg 200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/RAF-SIMONS-FALL-16-LOOK11-768x1154.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/RAF-SIMONS-FALL-16-LOOK11.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-7918" class="wp-caption-text">A knitwear destruída é o principal elemento da coleção</figcaption></figure>
<p>As peças-chave aqui são os suéteres oversized repletos de apliques de letras, insignias de escotismo e listras coloridas, símbolo supremo do estilo de vida das high schools. Ainda assim, essas peças estão corroídas e com as letras desalinhadas, mostrando o lado pesadelo do sonho americano, a profanação da inocência juvenil, como o corpo sem vida de Laura Palmer à beira do rio.</p>
<figure id="attachment_7916" aria-describedby="caption-attachment-7916" style="width: 840px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-7916 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/raf-simons-campaign-1024x668.jpg" alt="A campanha da coleção, referência direta ao trabalho de Sherman" width="840" height="548" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/raf-simons-campaign-1024x668.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/raf-simons-campaign-300x196.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/raf-simons-campaign-768x501.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/raf-simons-campaign-1200x783.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/raf-simons-campaign.jpg 1800w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-7916" class="wp-caption-text">A campanha da coleção, referência direta ao trabalho de Sherman</figcaption></figure>
<p>A ligação do designer com os uniformes escolares é antiga, desde sua primeira temporada, em 1995, com o tema sendo retomado frequentemente em suas coleções. Em 1997, foi a vez da versão punk dos blazers associados às faculdades de elite. Em <em>Nightmare and Dreams</em>, a rebelião não é inspirada mais nos jovens de terno dos internatos europeus, mas nos atletas, como Andrew Clark, de <a href="http://personaunesp.com.br/30-anos-curtindo-a-vida-adoidado-carreira-vitoriosa-john-hughes/" target="_blank">Clube dos Cinco</a>, filme que recebe menção nas notas nos shows.</p>
<figure id="attachment_7923" aria-describedby="caption-attachment-7923" style="width: 550px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-7923" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/nadine-mike.png" alt="Nadine e Mike, inspiração nos uniformes da série." width="550" height="404" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/nadine-mike.png 550w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/nadine-mike-300x220.png 300w" sizes="auto, (max-width: 550px) 85vw, 550px" /><figcaption id="caption-attachment-7923" class="wp-caption-text">Nadine e Mike, inspiração nos uniformes da série.</figcaption></figure>
<p>Em sua coleção <em>Virginia Creeper</em> (A/W 04), que também tem como localidade o interior da América, o estilista já jogava com as varsity jackets, ainda que em um contexto militarista, mostrando a reapropriação de seus próprios temas.</p>
<figure id="attachment_7924" aria-describedby="caption-attachment-7924" style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-7924" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/kanye1.jpg" alt="Fear Generation, coleção que já jogava com sobreposições oversized." width="600" height="921" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/kanye1.jpg 666w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/kanye1-195x300.jpg 195w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-7924" class="wp-caption-text">Fear Generation, coleção que já jogava com sobreposições oversized.</figcaption></figure>
<p>Outro exemplo da auto-inspiração é a escolha pelas silhuetas massivas. Simons é creditado (junto do minimalista alemão Helmut Lang) pela ascensão do terno skinny, mas também foi um dos popularizadores do oversized, ainda que não na mesma proporção, em coleções como sua obra definitia <em>Woe unto those who spit on the fear generation…</em> (S/S 02). Essa opção remete ainda ao trabalho do belga Martin Margiela, maior influência de Raf e de toda a moda contemporânea.</p>
<figure id="attachment_7921" aria-describedby="caption-attachment-7921" style="width: 643px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-7921 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/MARTIN-MARGIELA-SPRING-1999-RTW-23-643x1024.jpg" alt="Maison Martin Margiela, 1999" width="643" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/MARTIN-MARGIELA-SPRING-1999-RTW-23-643x1024.jpg 643w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/MARTIN-MARGIELA-SPRING-1999-RTW-23-188x300.jpg 188w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/MARTIN-MARGIELA-SPRING-1999-RTW-23-768x1223.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/MARTIN-MARGIELA-SPRING-1999-RTW-23-1200x1911.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/MARTIN-MARGIELA-SPRING-1999-RTW-23.jpg 1884w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-7921" class="wp-caption-text">Maison Martin Margiela, 1999</figcaption></figure>
<p>As silhuetas, elemento chave de sua costura à partir de sua mudança para a maison Jil Sander, dão o tom apocalíptico do desfile, com o contraste de uma parte de cima alongada e uma parte de baixa justa, composta de calças de alfaiataria skinny e botas militares com detalhes em camurça, peça que captura bem o espírito de rebeldia com beleza e sensibilidade que norteia sua obra.</p>
<figure id="attachment_7917" aria-describedby="caption-attachment-7917" style="width: 682px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-7917 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/RAF-SIMONS-FALL-16-LOOK31-682x1024.jpg" alt="As jaquetas massivas da coleção." width="682" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/RAF-SIMONS-FALL-16-LOOK31-682x1024.jpg 682w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/RAF-SIMONS-FALL-16-LOOK31-200x300.jpg 200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/RAF-SIMONS-FALL-16-LOOK31-768x1154.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/RAF-SIMONS-FALL-16-LOOK31.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-7917" class="wp-caption-text">As jaquetas massivas da coleção.</figcaption></figure>
<p>Da juventude techno europeia, sai a bubble jacket, a jaqueta longa com insulamento térmico próprio para o frio, hit noventista junto de Air Max 97s, item que marcou presença em coleções recentes da marca streetwear Supreme e da Vetements de Demna Gvasalia. O artefato se tornou o maior hit da coleção fora das passarelas, sendo adotada por celebridades como a cantora Rihanna.</p>
<p>Posteriormente, o belga assumiu a direção criativa da Calvin Klein, e, com sua mudança para os Estados Unidos passou a se dedicar integralmente à americana. <em>Nightmares and Dreams</em>, porém, continua um de seus principais trabalhos recentes, combinando as duas fases de sua carreira: a juventude e as referências pop de seus primórdios, que o tornaram destaque mundial, e o cuidado com a construção do período pós-2004, em uma obra de beleza inquietante.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/SO3w8LNeenk?rel=0" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>A terceira temporada de Twin Peaks: Muito além da pequena cidade</title>
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		<pubDate>Sat, 27 May 2017 00:18:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Bárbara Alcântara]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[David Lynch]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[Twin Peaks]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Bárbara Alcântara Mistério, assassinato, violência e uma dose de nudez desnecessariamente explícita – tudo isso coroado por cenas que transitam entre o sonho, o pesadelo e uma bad trip de LSD. Esses foram os dois primeiros episódios da terceira temporada de Twin Peaks: muito Lynch e pouca nostalgia. A nova temporada, lançada no dia 21 &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/twin-peaks-2017-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A terceira temporada de Twin Peaks: Muito além da pequena cidade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7871" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/dale-cooper-2017.jpg" alt="dale-cooper-2017" width="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/dale-cooper-2017.jpg 839w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/dale-cooper-2017-300x150.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/dale-cooper-2017-768x384.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><strong>Bárbara Alcântara</strong></p>
<p>Mistério, assassinato, violência e uma dose de nudez desnecessariamente explícita – tudo isso coroado por cenas que transitam entre o sonho, o pesadelo e uma bad trip de LSD. Esses foram os dois primeiros episódios da terceira temporada de <em>Twin Peaks</em>: muito Lynch e pouca nostalgia.<span id="more-7868"></span></p>
<p>A nova temporada, lançada no dia 21 de maio nos Estados Unidos, traz alguns rostos e lugares familiares, mas os horizontes se ampliam. O cenário deixou de se reservar à pacata cidade que dá nome à série, e outros personagens e novas tramas foram incorporadas às antigas.</p>
<p>A continuação marca o retorno de David Lynch. Após mais de uma década sem dar indícios de novos projetos em andamento, ele mostra que o tempo distante da indústria cinematográfica foi mais do que benéfico ao seu trabalho e, com uma visão renovada, promete uma temporada menos maçante do que a segunda.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7869" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/twin-peaks-25-years.jpg" alt="twin-peaks-25-years" width="550" height="357" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/twin-peaks-25-years.jpg 550w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/twin-peaks-25-years-300x195.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 550px) 85vw, 550px" /></p>
<p>A retomada da trama flui com tanta naturalidade que dá a impressão de que tudo foi esquematizado duas décadas e meia atrás. Mas a promessa feita por Laura Palmer a Dale Cooper no <a href="http://personaunesp.com.br/critica-ultimos-dias-de-laura-palmer/" target="_blank">filme de 1992</a>, “<em>See you in 25 years</em>” (Vejo você em 25 anos, em tradução literal), foi muito mais profética do que premeditada, já que nem Lynch ou Mark Frost tinham a intenção de cumpri-la. O que foi pensado, entretanto, foi entregar aos fãs o que eles esperavam do longa: respostas para alguns dos mistérios pendentes da <em>season finale</em>.</p>
<p>As soluções são dadas, <em>pero no mucho.</em> Lynch e Frost dão um alívio passageiro aos fãs. O <em>cliffhanger</em> da cena final é usado apenas para dar sequência à história. Sutilmente, somos transportados para uma nova <em>Twin Peaks</em> – uma com seus próprios enigmas a serem desvendados. Personagens marcantes reaparecem, como Dale Cooper (Kyle MacLachlan), a velha do tronco (Catherine Coulson) e o próprio tronco (que provavelmente foi substituído nesta temporada). Mas a cidade é observada sob um outro ângulo: os takes externos são priorizados, contrariando as temporadas anteriores, que retratavam apenas os ambientes privados.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/khwuhgxjoXU?rel=0" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Os roteiristas colocam personagens novos em cenários antigos, e elementos antigos em cenários novos. Não apenas por maturidade, mas porque sabem que o saudosismo puro não seria suficiente para manter o interesse do público. É como se tivesse dado um tiro no próprio pé: nos anos 90, <a href="http://personaunesp.com.br/twin-peaks/" target="_blank">ele revolucionou a forma como as séries eram produzidas até então</a>. E em 25 anos, muita coisa se desenvolveu. Agora é preciso competir com as séries que beberam de sua própria fonte (e que provavelmente nem mesmo existiriam não fosse por <em>Twin Peaks</em>).</p>
<p>No entanto, Lynch, novamente diretor da série, não mostra relutância em utilizar as ferramentas e tecnologias da indústria cultural e mescla o saudosismo à inovação. Ao mesmo tempo em que expande o cenário para outras cidades e cria uma narrativa linear, acrescenta elementos bizarros e, a princípio, desconexos, que não só causam estranhamento mas também instigam e atiçam a curiosidade do público.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7870" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/twin-peaks-2017.jpg" alt="twin-peaks-2017" width="740" height="350" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/twin-peaks-2017.jpg 740w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/twin-peaks-2017-300x142.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p>A terceira temporada repete a receita que fez de <em>Twin Peaks</em> icônica e, até então, acerta no ponto. Faz algo raro: agrada aos saudosos, ao revisitar cenários e rostos e dar continuidade a tramas antigas, e cria a possibilidade de atrair novos fãs, já que os novos mistérios parecem ser independentes das duas outras temporadas.</p>
<p>Agora resta aguardar os outros 16 episódios saírem para saber se a receita será seguida à risca ou se em algum ponto vão errar a mão. De qualquer forma, a única certeza é a de que, daqui para frente, as segundas-feiras serão acompanhadas por muito café.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7874" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/twin-peaks-cafe.gif" alt="twin-peaks-cafe" width="500" height="353" /></p>
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		<title>Os Últimos Dias de Laura Palmer: uma outra Twin Peaks</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 May 2017 15:21:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[David Lynch]]></category>
		<category><![CDATA[Lucas Marques]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O filme foi mal recebido em 1992, mas hoje recebe uma nova apreciação. Diferente o bastante da série para incomodar alguns fãs, David Lynch apresenta uma outra perspectiva do universo Twin Peaks. Lucas Marques O longa-metragem Twin Peaks: Os Últimos Dias de Laura Palmer, de 1992, era, até este ano, o último vislumbre do universo da &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-ultimos-dias-de-laura-palmer/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os Últimos Dias de Laura Palmer: uma outra Twin Peaks"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O filme foi mal recebido em 1992, mas hoje recebe uma nova apreciação. Diferente o bastante da série para incomodar alguns fãs, David Lynch apresenta uma outra perspectiva do universo Twin Peaks.</em></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-7826 aligncenter" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/TwinPeaksFireWalkWithMe-600x300.jpg" alt="TwinPeaksFireWalkWithMe-600x300" width="600" height="300" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/TwinPeaksFireWalkWithMe-600x300.jpg 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/TwinPeaksFireWalkWithMe-600x300-300x150.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p><strong>Lucas Marques</strong></p>
<p>O longa-metragem<em> Twin Peaks: Os Últimos Dias de Laura Palmer</em>, de 1992, era, até este ano, o último vislumbre do universo da série de David Lynch e Mark Frost. Um último gole nada fácil de digerir: Lynch frustra a espera por respostas aos questionamentos <a href="http://personaunesp.com.br/twin-peaks/">deixados em 1991</a>, situando o filme antes da narrativa da série. A obra possui uma estranha relação interna, pois tanto depende que o expectador conheça o material de origem, quanto pede que nós o tratemos como um produto único, quase que desvinculado do seriado. David Lynch, ao quebrar expectativas, reafirma a posição de autor na época mais popular de sua carreira.</p>
<p><span id="more-7824"></span></p>
<p>Hoje soa como exagero o filme ser vaiado em Cannes e malhado pela crítica da época, mas não é como se Lynch não estivesse provocando: Laura Palmer, a protagonista, só aparece depois de 30 minutos de exibição. Antes disso, a espécie de prólogo mostra agentes da FBI investigando um caso que futuramente se ligaria ao assassinato de Laura. Mas, em vez de tomar a perspectiva da personagem mais carismática da série, o agente especial Dale Cooper (interpretado por Kyle MacLachlan), o longa insere dois novos personagens: uma dupla de investigador e legista, representados por Chris Isaac e Kieth Sunderland.</p>
<p>O duo é tão charmoso quanto as melhores criações de Lynch. A mescla pós-moderna de gêneros que marca Twin Peaks está na própria essência das personagens: Isaac é o agente experiente, bonito, de tiro curto e direto; Sunderland faz o papel do calouro inexperiente, um nerd com tendência a criar constrangimentos. É o modus operandi do diretor utilizar desses clichês que remontam a gêneros populares do cinema, exibindo-os com ironia e orgulho. O resultado, como na maioria das vezes, é inesperado, divertido e estranho. Além de MacLachlan, o próprio Lynch retorna com seu agente Gordon Cole – retirado diretamente da comédia-pastelão – e <a href="http://personaunesp.com.br/camaleao-telas/">David Bowie faz uma participação curta</a>, mas marcante.</p>
<figure id="attachment_7827" aria-describedby="caption-attachment-7827" style="width: 758px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-7827 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/gordon-cole-lynch.jpg" alt="gordon cole lynch" width="758" height="426" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/gordon-cole-lynch.jpg 758w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/gordon-cole-lynch-300x169.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-7827" class="wp-caption-text">David Lynch, o agente de FBI mais paspalhão que você conhece!</figcaption></figure>
<p>O prólogo tem pouca ligação com o restante do longa, até porque nenhuma personagem volta à trama, ao menos viva. Mas os primeiros minutos fundamentam alguns elementos recorrentes do filme. O primeiro diz repeito aos cenários, quase todos pouco ou não explorados na série. Da central do FBI ao colégio de Twin Peaks, esses ambientes, que antes estavam apenas nos diálogos, se materializam com a força do cinema: filmados em película, mais ricos em cores e escopo do que na TV, eles adquirem um caráter mitológico.</p>
<p>O outro elemento comum do filme está relacionado aos símbolos, empregados pelo diretor não só nesse universo, mas sistematicamente em toda filmografia. Não é de se espantar que Lynch,<a href="http://personaunesp.com.br/critica-eraserhead-david-lynch/"> um cineasta psicoanalista</a>, tenha sua própria gramática de imagens, complicada, mas prazerosa de ser estudada. A eletricidade, que está já nos créditos iniciais de <em>Os Últimos Dias de Laura Palmer</em>, é um elemento ligado a iminência da morte. O fogo – o título original do filme é “Fire Walk with Me” &#8211; representa que o mal, como entidade, está presente.</p>
<p><em>Os Últimos dias de Laura Palmer</em> é uma das obras que mais possuem imagens dos dois elementos. Consequentemente, é um dos mais dolorosos e medonhos do diretor, talvez só equiparável nesses aspectos a seu último filme,<em> Império dos Sonhos</em>, de 2006. Junto com <em>Veludo Azul</em>, de 1986, e <em>Coração Selvagem</em>, de 1990, o longa está situado na fase em que Lynch tem como missão abordar temas polêmicos da psicanálise: a família, o sexo (os abusos sexais, principalmente) e o incesto.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Angelo Badalamenti - Theme from Twin Peaks Fire Walk With Me" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/3hOERnIuvbg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p style="text-align: center;"><em>A trilha sonora de Angelo Badalamenti para o filme possui reimaginações dos temas da série, além de músicas originais</em></p>
<p>Se nos outros filmes citados, apesar de toda a maldade, existe esperança no final, <em>Os Últimos Dias de Laura Palmer</em> carrega, já no título, a tragédia irreversível. O que resta é o processo de deterioramento de Laura, um ciclo de pressão social, vício em cocaína e abusos já em estado tardio. Na série Laura é uma espécie de MacGuffin – ela só existe porque o enredo dedica-se ao mistério de seu assassino -, o filme, diferentemente, humaniza a personagem. A realidade de Laura, magistralmente interpretada por Sheryl Lee, reverbera toda a produção; melancólica, estridente nos momentos de pânico, a obra de Lynch que mais se encaixa ao gênero terror.</p>
<p>O horror aparece em uma perspectiva do mal diferente da série: nas duas temporadas, a obscuridade, representada pela personagem Bob, aparenta ser uma entidade independente, que se apodera do indivíduo. Já no filme Leland (Ray Wise), pai da Laura, é responsável pelos abusos. A entidade do mal é menos uma possessão do que uma manifestação da subjetividade. O extraordinário da série é abdicado em favor do terror do cotidiano, amplificado pelo expressionismo de Lynch.</p>
<p><em>Os Últimos Dias de Laura Palmer</em> não merece as vaias de Cannes, mas tampouco merece ser chamado de uma “obra-prima perdida” &#8211; como a apreciação com distância possibilitou aos críticos atuais -, apesar de ser sim um filme subestimado. Algumas das cenas mais poderosas esteticamente – como a cena do prostíbulo ou do engarrafamento – de Lynch estão no longa. Entretanto, a relação de dependência com o seriado cai às vezes em uma armadilha conceitual: a começar pela troca da atriz da personagem Donna, de Lara Flyn Boyle para Moira Kelly, o filme pede a toda hora que você se lembre de alguns elementos e descarte outros. Ao final, fica difícil analisar a obra por si só, assim como situá-la ao lado do produto televisivo. A própria existência do filme é estranha, não que seja algo ruim. Jogar com Lynch é complicado, até quando parece fácil. Mas a experiência é sempre recompensadora.</p>
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		<title>A maravilhosa e estranha Twin Peaks</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 May 2017 03:57:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[David Lynch]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Rodrigues de Mello]]></category>
		<category><![CDATA[Twin Peaks]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Rodrigues de Mello É inimaginável pensar no atual cenário de seriados de televisão sem considerar a influência que sobre ele teve Twin Peaks. Lançada em 1990, a série assinada por David Lynch (Eraserhead, Veludo Azul) e Mark Frost (Hill Street Blues) enfeitiçou milhares de pessoas ao redor do mundo com a sua originalidade, mescla &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/twin-peaks/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A maravilhosa e estranha Twin Peaks"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-7791" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Imagem-1.png" alt="twin peaks angelo badalamenti david lynch laura palmer" width="700" height="526" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Imagem-1.png 1023w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Imagem-1-300x225.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Imagem-1-768x577.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p><strong>Gabriel Rodrigues de Mello</strong></p>
<p>É inimaginável pensar no atual cenário de seriados de televisão sem considerar a influência que sobre ele teve <i>Twin Peaks</i>. Lançada em 1990, a série assinada por David Lynch (<a href="http://personaunesp.com.br/critica-eraserhead-david-lynch/" target="_blank"><i>Eraserhead</i></a>, <i>Veludo Azul</i>) e Mark Frost (<i>Hill Street Blues</i>) enfeitiçou milhares de pessoas ao redor do mundo com a sua originalidade, mescla de gêneros e muito café.<span id="more-7789"></span></p>
<p>Situada na pequena Twin Peaks, a narrativa começa com a descoberta de um cadáver enrolado em plástico na costa gélida do rio da cidade. Para a surpresa do xerife Harry Truman (Michael Ontkean) e do médico legista Hayward (Warren Frost), o corpo pertencia a Laura Palmer (Sheryl Lee): uma jovem de 18 anos, popular, rainha do baile, bela, amigável e de aparente perfeição. O peculiar agente do FBI Dale Cooper (Kyle MacLachlan) então chega à cidade, maravilhado com as árvores, a comida e a idiossincrática população.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-7792 aligncenter" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Imagem-2-1-1024x767.jpg" alt="laura palmer quem matou" width="840" height="629" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Imagem-2-1-1024x767.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Imagem-2-1-300x225.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Imagem-2-1-768x575.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Imagem-2-1-1200x898.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Imagem-2-1.jpg 1520w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p>A imagem imaculada que os habitantes do município tinham de Laura Palmer se esvaía ao passo em que seus segredos iam sendo descobertos. O mesmo ocorreu com outros personagens secundários e, assim, a cidade inteira, aparentemente simpática, se tornou um emaranhado de mistérios aos olhos do público.</p>
<p>Era possível notar, já pelo piloto, que a série adotava características novelescas, ligadas à temática do romance, melodrama e mistério, ou à estrutura, com subtramas interconectadas e <i>cliffhangers</i> (recurso de roteiro que interrompe a trama em um momento climático, instigando o telespectador a assistir o próximo episódio).</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed?uri=spotify:album:6iGX2bbzKEocRY0HzdQ9zX&amp;theme=white" width="300" height="380" frameborder="0"></iframe></p>
<p>É injusto falar de <i>Twin Peaks</i> sem reconhecer a importância de sua trilha sonora. A música composta por Angelo Badalamenti, colaborador de longa data de Lynch, captura a essência da série: ora instrumental variando entre jazz, dream pop e blues; ora acompanhada pela doce e melancólica voz de Julee Cruise. O jazz engrandece a sensualidade cinquentista dos personagens e o blues revela o lado suspeito de cada morador da cidade. Grande parte dessa precisão emocional se dá pela química entre Badalamenti e Lynch (como bem mostra o vídeo abaixo).</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/rgXLEM8MhJo" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Na época de seu lançamento, era praticamente inexistente um programa que realmente se rendia ao seu lado artístico em meio a uma mídia tão comercial que era &#8211; e ainda é &#8211; a televisão. Sem desmerecer a escrita de Mark Frost, Lynch transportou a ideia de <i>auteurism </i>(teoria de cinema que denota as características marcantes de uma obra a um só artista) para a televisão. Isso é, pela primeira vez, uma série de TV pôde ser denominada como autoral, no caso: “lynchiana”.</p>
<figure id="attachment_7793" aria-describedby="caption-attachment-7793" style="width: 700px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-7793" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Imagem-3.jpg" alt="david lynch " width="700" height="468" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Imagem-3.jpg 1022w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Imagem-3-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Imagem-3-768x513.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-7793" class="wp-caption-text">David Lynch: a mente (perturbada) por trás da obra</figcaption></figure>
<p>Hoje em dia, vários artistas têm seus estilos reconhecidos através de suas obras televisivas. Por exemplo, Damon Lindelof (<i>Lost</i>, <i>The Leftovers</i>) tem o costume de deixar várias questões de suas obras abertas ao público. Outro caso conhecido é o de Cary Fukunaga, que através de sua direção sufocante, compôs a atmosfera pantanosa da primeira temporada de <i>True Detective</i>.</p>
<p>A influência de <i>Twin Peaks </i>foi tão imediata que <i>Arquivo X</i>, três anos depois, já demonstrava o culto à mitologia de cidade pequena, além da natureza similar configurada nas primeiras temporadas – e é claro, <a href="https://omelete.uol.com.br/series-tv/noticia/twin-peaks-david-duchovny-diz-que-gostaria-de-retornar-a-serie/">o divertido David Duchovny</a>. Ademais, David Chase, criador de <i>Família Soprano</i>, afirma sua admiração pela atmosfera misteriosa que se dava, não pela investigação policial, mas pelo “clima, as árvores, as rosquinhas”. Chase, cerca de dez anos depois, usaria o sonho como ferramenta narrativa na série que inauguraria a atual era de ouro da televisão.</p>
<p>Outra herança que marcou a série é o seu caráter intrincado e interpretativo. David Lynch, familiar desde <i><a href="http://personaunesp.com.br/critica-eraserhead-david-lynch/" target="_blank">Eraserhead</a> (1977)</i> com o surrealismo, espera de cada telespectador uma investigação pessoal para com as questões propostas pela obra. Desse modo, o formato episódico foi usado como uma oportunidade de entregar indagações ao público semanalmente, designando a esse ângulo do surrealismo, uma natureza sistemática. A réplica do público foi uma teorização em massa: pessoas do mundo inteiro discutiam entre si quem matara Laura Palmer, qual o significado do sonho de Cooper, porque tantas tortas de cereja, etc.</p>
<p><i>Lost</i>, uma década depois, usufruiu do mesmo tipo de efeito. No entanto, já na era da internet, obteve uma resposta muito mais direta por meio dos fóruns <i>online.</i> Esse fator, contudo, exige uma desenvoltura por parte dos criadores da série na criação de expectativa, habilidade que os roteiristas de <i>Lost</i> não souberam utilizar. Nesse caso, sua queda de audiência esteve ligada diretamente à falta de soluções para vários enigmas; no caso de <i>Twin Peaks </i>essa perda<i> </i>foi devida, justamente, com a resposta à questão fundamental.</p>
<figure id="attachment_7794" aria-describedby="caption-attachment-7794" style="width: 840px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-7794 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Imagem-4-1024x767.png" alt="A reação mais comum do público quanto à segunda temporada" width="840" height="629" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Imagem-4-1024x767.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Imagem-4-300x225.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Imagem-4-768x575.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Imagem-4.png 1026w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-7794" class="wp-caption-text">A reação mais comum do público quanto à segunda temporada</figcaption></figure>
<p>A febre que dominou o mundo, <a href="http://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-128850/" target="_blank">chegando até à rainha Elizabeth II</a>, chegou ao fim quando, em meio à segunda temporada, foi revelada a identidade do assassino de Laura Palmer. Embora o episódio da revelação em si tenha sido um dos mais aterrorizantes e intensos de toda a obra, o resto da temporada se perdeu entre uma cadeia de subtramas desinteressantes e um novo eixo central que, mesmo ligado ao mistério de Palmer, nem de perto foi tão cativante quanto.</p>
<p>Foi nesse momento que a pressão da ABC venceu o esforço artístico de Lynch e Frost. A dupla entregou o elemento essencial que atraía os telespectadores e os desorientavam entre as escuras, mas mágicas, ruas de Twin Peaks. “Quem matou Laura Palmer? ’ era uma questão que nós nunca realmente gostaríamos de responder”, <a href="https://www.theguardian.com/film/2014/jul/24/-sp-david-lynch-laura-palmer-twin-peaks-unseen-fire-walk-with-me" target="_blank">Lynch disse em uma entrevista recente</a>. “Aquele era o ganso que colocou estes ovos dourados, e era como se então tivéssemos sido cobrados para cortar sua cabeça fora”.</p>
<p>Depois de quinze episódios tomados pela extravagância novelesca e eventos banais, David Lynch retornou ao seu posto de diretor e entregou um <em>season finale</em> que, até certo ponto, compensou as frivolidades anteriores. Um episódio que consolidou a estética onírica e se despediu bruscamente dos personagens. A bizarrice simpática – tão presente na primeira temporada – se inseriu no final como um canto do cisne; logo, é válido pensar na cruel sequência de <i>cliffhangers </i>que encerrou a série como um ato subversivo contra as exigências comerciais: a última risada foi da arte verdadeira.</p>
<p><i>Twin Peaks</i> fez com que a televisão ganhasse respeito no meio artístico através de seus personagens únicos, de sua trilha sonora, de suas perguntas sem respostas, do senso de humor escrachado ao terror desconcertante. Atualmente, mais de 25 anos depois, séries como <i>Breaking Bad, The Leftovers, Boardwalk Empire, Louie, The Americans</i>, entre muitas outras, elevaram o nível de exigência de qualidade na TV. Mas a questão agora se volta para a pequena cidade, e seus novos 18 episódios assinados pela mesma dupla dinâmica original &#8211; será que ela aprendeu com seu próprio legado ou se sustenta somente pela nostalgia?</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/JL7WZwWd7h4" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Eraserhead: a grotesca história de um pesadelo real</title>
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		<pubDate>Mon, 22 May 2017 14:07:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[David Lynch]]></category>
		<category><![CDATA[Elisa Dias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Elisa Dias Quarenta anos atrás, David Lynch lançava ao mundo seu primeiro longa-metragem: Eraserhead. Com roteiro de 21 páginas e cinco anos de filmagens, devido a problemas de financiamento, o filme já começa a revelar, mesmo que de maneira não intencional, uma onda de contrastes &#8211; que vão desde a oposição entre claro e escuro &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-eraserhead-david-lynch/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Eraserhead: a grotesca história de um pesadelo real"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-7757" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Eraserhead1-1024x555.jpg" alt="Eraserhead1" width="840" height="455" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Eraserhead1-1024x555.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Eraserhead1-300x163.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Eraserhead1-768x416.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Eraserhead1-1200x650.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Eraserhead1.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p><strong>Elisa Dias</strong></p>
<p>Quarenta anos atrás, David Lynch lançava ao mundo seu primeiro longa-metragem: <i>Eraserhead</i>. Com roteiro de 21 páginas e cinco anos de filmagens, devido a problemas de financiamento, o filme já começa a revelar, mesmo que de maneira não intencional, uma onda de contrastes &#8211; que vão desde a oposição entre claro e escuro aos universos do onírico e do real.<span id="more-7747"></span></p>
<p>De maneira ridiculamente simplificada, a obra nos conta a história de Henry Spencer (Jack Nance) e de como sua vida se torna tumultuada ao engravidar a namorada Mary (Charlotte Stewart). Essa narrativa é o fator de sustentação de toda a obra, que se mostra imprescindivelmente metafórica e simbológica – aspectos consequentes das influências estéticas do diretor.</p>
<figure id="attachment_7753" aria-describedby="caption-attachment-7753" style="width: 840px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-7753" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Eraserhead2-1024x557.jpg" alt="Ainda não sabemos se é realmente um bebê” – fica aí a dúvida" width="840" height="457" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Eraserhead2-1024x557.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Eraserhead2-300x163.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Eraserhead2-768x418.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Eraserhead2-1200x653.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Eraserhead2.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-7753" class="wp-caption-text">Ainda não sabemos se é realmente um bebê” – fica aí a dúvida</figcaption></figure>
<p>Claude Beylie, em seu livro <i>As obras primas do cinema</i>, afirma que <i>Eraserhead</i> é o “pesadelo experimental nascido de um cruzamento de <em>Frankenstein</em> com <a href="https://www.youtube.com/watch?v=054OIVlmjUM" target="_blank"><em>Um cão andaluz</em></a>”. O que temos aqui é a fusão de características expressionistas e surrealistas, que resultam no tom obscuro e bizarro observado no longa. A divisão entre real e ilusório, por exemplo, é de certa forma indistinguível, pois não há como entender de que maneira essa divisão se daria no universo do filme em questão. Observa-se que a influência da luz e da sombra é essencial para demarcar sensações e pensamentos das personagens, e ainda encontramos, mesmo que de maneira muito sutil, a brincadeira com reflexos, seja em janelas ou poças de água (influência de pintores surrealistas, especialmente René Magritte).</p>
<figure id="attachment_7756" aria-describedby="caption-attachment-7756" style="width: 400px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-7756" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Magritte3.jpg" alt="A Reprodução Interdita – Retrato de Edward James (1934), de Magritte" width="400" height="513" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Magritte3.jpg 400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Magritte3-234x300.jpg 234w" sizes="auto, (max-width: 400px) 85vw, 400px" /><figcaption id="caption-attachment-7756" class="wp-caption-text">A Reprodução Interdita – Retrato de Edward James (1934), de Magritte</figcaption></figure>
<p>Além dessa profusão de aspectos estéticos, há também a relação com o público. Em todas as entrevistas em que perguntam a Lynch sobre o significado de seus filmes, ele responde com o mesmo argumento: a interpretação que importa é a do público, não faz sentido revelar uma (única e pessoal) visão do que lhes é mostrado. Essa ideia dá liberdade para o espectador que, apoiado na discreta linearidade narrativa já mencionada, vê a possibilidade de entender <em>Eraserhead</em> à sua maneira, ou sentir-se perdido junto com Henry. Ademais, as reações e olhares de espanto, confusão e incredulidade dos atores assemelham-se muito aos de quem acompanha de fora a história, o que resulta num sentimento de identificação não explícita com as personagens.</p>
<p>Ligada à interpretatividade do longa também está uma pesada simbologia. Os significados da moça no radiador, do planeta e seu maquinista, do bebê de Henry e Mary, da sequência da cabeça de borracha entre tantas outras são incertos, contribuindo para a caracterização bizarra e obscura do filme. Muito dessa simbologia se associa ao grotesco, ponto que, de acordo com Tom Gunning, é herança do que ele chama de “cinema de atrações”, vinculado a qualidades circenses, exóticas e ao exibicionismo. A alegorização também aparece como ferramenta metafórica, principalmente nas figuras da vizinha de Henry (Judith Anna Roberts) e da moça do radiador (Laurel Near).</p>
<p>A vizinha, inclusive, é um dos símbolos menos complexos do longa. Ela se relaciona aos aspectos sexuais e carnais de Henry, aparecendo em momentos de afastamento de Mary ou de confusão da personagem principal. O apelo sexual é muito explorado por Lynch no longa, seja de maneira óbvia (a própria vizinha) ou menos aparente (primeiros minutos de filme, frango na mesa de jantar da casa de Mary, etc). Muitas vertentes interpretativas de <i>Eraserhead</i> tomam esse apelo como ponto chave para o entendimento da obra.</p>
<figure id="attachment_7754" aria-describedby="caption-attachment-7754" style="width: 840px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-7754" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Eraserhead4-1024x576.png" alt="A cena de sexo mais conceitual que você respeita" width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Eraserhead4-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Eraserhead4-300x169.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Eraserhead4-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Eraserhead4-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Eraserhead4.png 1366w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-7754" class="wp-caption-text">A cena de sexo mais conceitual que você respeita</figcaption></figure>
<p>Elementos cômicos também são recorrentes em toda a extensão do filme. Ao contrário do que se pode pensar, eles não rompem com o grotesco &#8211; muitos deles, aliás, estão vinculados, além de se relacionarem com a sensação de incômodo. Podemos tomar como exemplos claros a porta do elevador em uma das primeiras cenas, que demora demais para se fechar, ou o tocar compulsivo da campainha da empresa de borrachas por Paul (um empregado) para chamar seu chefe. São momentos engraçados, mas que não funcionam como os alívios cômicos recorrentes por exemplo nos blockbusters atuais, pois de maneira alguma quebram a tensão e estranheza propostas.</p>
<figure id="attachment_7755" aria-describedby="caption-attachment-7755" style="width: 840px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-7755" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Eraserhead5-1024x557.png" alt="Não recomendável para pessoas ansiosas" width="840" height="457" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Eraserhead5-1024x557.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Eraserhead5-300x163.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Eraserhead5-768x418.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Eraserhead5-1200x653.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Eraserhead5.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-7755" class="wp-caption-text">Não recomendável para pessoas ansiosas</figcaption></figure>
<p>Lynch serve-se de todas as possibilidades para criar essa gama de símbolos, chegando a recorrer ao âmbito técnico. A estaticidade da câmera nas cenas, por exemplo, quase como se antecipasse o movimento das personagens, cria a impressão de que ela nada mais é do que parte do cenário, prendendo o olhar do público à sua própria visão – quadrada e limitada. Henry sente-se preso, seu quarto é pequeno e apertado, a única extensão do lugar é o interior claustrofóbico do radiador, e a única janela que existe é de frente para um muro. A câmera aqui tem função, além da filmagem em si, de passar o aprisionamento sentido por Henry como sensação real ao espectador.</p>
<p>E assim como a angulação e movimentação de câmeras, os sons foram muito bem pensados pelo diretor. Os ruídos e chiados causam tensão e estranhamento, bem como os silêncios prolongados, e os barulhos do ambiente causam impressões de nojo e horror. Há de se notar também que um dos momentos mais icônicos do filme – a cena em que a moça do radiador se apresenta para Henry – ganha sua carga de significação por meio de uma música (<i>In Heaven</i>, escrita e cantada por Peter Ivers). A canção é tão expressiva que até a banda Pixies fez sua versão.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/qwOxdoJRaeM?rel=0" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p><i>Eraserhead</i> foi importantíssimo para o estabelecimento das ideias de David Lynch, que seriam desenvolvidas em seus próximos projetos. Apesar de certo caráter experimental, o filme constitui um argumento contrário àqueles que acreditam que o primeiro longa de qualquer diretor pode chegar a ser no máximo mediano. Aliás, a obra é considerada uma das melhores de Lynch, e continua causando o mesmo impacto de quatro décadas atrás.</p>
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		<title>Loveless e Mulholland Drive: a estética moderna do onírico</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Nov 2016 16:51:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[David Lynch]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nilo Vieira A relação de produções artísticas com o onírico é intrínseca desde as primeiras tentativas humanas em se expressar. De lá pra cá, artistas nos mais diversos segmentos marcaram época utilizando a estética dos sonhos em seus trabalhos: o pintor Salvador Dalí, o cineasta Luis Buñuel e o músico Jimi Hendrix são alguns exemplos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/loveless-mulholland-drive/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Loveless e Mulholland Drive: a estética moderna do onírico"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-6759" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/mbvloveless.jpeg" alt="mbvloveless" width="600" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/mbvloveless.jpeg 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/mbvloveless-150x150.jpeg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/mbvloveless-300x300.jpeg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p><strong>Nilo Vieira</strong></p>
<p>A relação de produções artísticas com o onírico é intrínseca desde as primeiras tentativas humanas em se expressar. De lá pra cá, artistas nos mais diversos segmentos marcaram época utilizando a estética dos sonhos em seus trabalhos: o pintor Salvador Dalí, o cineasta Luis Buñuel e o músico Jimi Hendrix são alguns exemplos mais básicos e conhecidos de arte surrealista, mas seria possível ficar meses comentando obras menos conhecidas que também merecem atenção. Por hora, vamos nos ater a duas, aniversariantes recentes: o disco <i>Loveless</i>, da banda My Bloody Valentine, e o filme <i>Mulholland Drive</i> (no Brasil, virou <i>Cidade dos Sonhos</i>), do cineasta David Lynch.<span id="more-6712"></span></p>
<p>De cara, tais trabalhos já fisgam a atenção pelos títulos, aspecto muitas vezes pouco explorado. Ao passo em que <i>Cidade dos Sonhos</i> &#8211; uma tradução péssima: além de obviamente não ser literal, pode servir de <i>spoiler</i> para os mais atentos &#8211; faz jus à obra profundamente psicanalítica elaborada por Lynch, <i>Loveless</i> segue a deixa de seu elogiado antecessor, <i>Isn’t Anything </i>(“não é nada”, em tradução livre), e se mostra bastante contraditório; como um álbum que custou uma fortuna, quase faliu uma gravadora e demorou mais de dois anos para ficar pronto poderia ser chamado de “sem amor”?</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/oiomcuNlVjk?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></div>
<p>Essa impressão só se confirma ao dar o play. Mesmo com <a href="https://everydayguitargear.wordpress.com/2012/03/25/kevin-shields/" target="_blank">vários pedais de efeito e distorções de guitarra</a> encobrindo os outros instrumentos numa primeira ouvida, é palpável o intimismo profundo de <i>Loveless</i>. Ao mesmo tempo em que as camadas etéreas permitem uma apreciação mais lisérgica, a produção rigorosa esconde detalhes que só uma audição atenta pode captar. No entanto, alguns aspectos ainda permanecem um mistério (as letras, por exemplo, nunca foram transcritas oficialmente) mesmo para os mais familiarizados. Quem se deixar levar perceberá que a magia do disco é justamente essa contradição. Os aspectos enigmáticos não demandam uma explicação lógica universal, e sim interpretações pessoais sujeitas à mudanças. A icônica capa é bastante sugestiva, e cabe o paralelo: o desafio aqui não é como enxergar através da névoa, e sim o que se visualiza dentro dela.</p>
<p><i>Cidade dos Sonhos</i> trabalha de maneira semelhante. A “solução” mais comum &#8211; pesquisa imediata no Google após a primeira assistida &#8211; para o final do filme pode satisfazer a mente contorcida por um instante, mas nem de longe consegue abranger o longa em sua integridade. Quando cobrado por uma explicação formal sobre a obra, David Lynch recusou e afirmou o que já devia ser óbvio: cada um deveria formar sua própria interpretação. Todavia, ao contrário do aconchego proporcionado por <i>Loveless</i>, <i>Mulholland Drive </i>mostra a faceta sombria do onírico. Assim como em <a href="http://personaunesp.com.br/persona-silencio-fala/" target="_blank">Persona</a> (1966), o escapismo é retratado de maneira perturbadora e detalhista, extraindo o sobrenatural do cotidiano.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-6760 aligncenter" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/mulhollanddriveposter.jpg" alt="mulhollanddriveposter" width="650" height="975" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/mulhollanddriveposter.jpg 650w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/mulhollanddriveposter-200x300.jpg 200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p>Elementos tidos como fundamentais são subvertidos em ambas as obras. Em <i>Loveless</i>, a percussão é majoritariamente composta por <i>samples </i>e soa um tanto tímida de modo geral. Na contramão dos parâmetros de bateria pro rock, essa opção dá total liberdade para as guitarras ditarem o ritmo e estas, ao encobrirem as batidas, descartam a necessidade de uma sustentação terrena: o intuito aqui é flutuar, sem se preocupar com as direções. O volume estrondoso dos amplificadores é convertido em um instrumento de alto caráter melódico e torna-se um elo de comunicação para com o ouvinte, contrastando com a postura tímida das linhas vocais &#8211; herança da seminal banda escocesa The Jesus and Mary Chain, cuja presença de palco renderia o rótulo para o som executado por eles: <i>shoegaze </i>(olhar os sapatos).</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="My Bloody Valentine&#039;s Loveless (in 5 Minutes) | Liner Notes" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/giNSnVpclqg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>Já algumas atuações em <i>Cidade dos Sonhos</i> parecem ser caricaturais de propósito, tanto para mostrar que a realidade pode ser bem bizarra como para demonstrar o quão pérfidos somos em nossas projeções inconscientes. Como o filme também é metalinguístico, <i>Mulholland Drive</i> ganha alto nível de complexidade e abrange diversos gêneros cinematográficos &#8211; há um quê de comédia absurdista, elementos de máfia, um trecho <i>trash</i> violento que poderia ser assinado por Quentin Tarantino, homenagens à era de ouro de Hollywood, clima <i>neo-noir</i> e, claro, o drama psicológico herdado de Ingmar Bergman &#8211; a ponto de ser difícil falar de seu enredo sem dar grandes <i>spoilers</i>. Mesmo assim, a película escolhe por não ser totalmente impenetrável, o que exerce uma atração singular no espectador: a escuridão está ali, mas ela se apresenta de maneira muito convidativa. Nesse quesito, merece menção a bela trilha sonora composta por Angelo Badalamenti, que já havia colaborado com Lynch no famoso seriado <em>Twin Peaks</em>.</p>
<figure id="attachment_6761" aria-describedby="caption-attachment-6761" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-6761 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/naomiwattsmulhollanddrive-1024x550.jpg" alt="naomiwattsmulhollanddrive" width="840" height="451" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/naomiwattsmulhollanddrive-1024x550.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/naomiwattsmulhollanddrive-300x161.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/naomiwattsmulhollanddrive-768x413.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/naomiwattsmulhollanddrive-1200x645.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/naomiwattsmulhollanddrive.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-6761" class="wp-caption-text">Reação de pessoas normais ao filme</figcaption></figure>
<p>Ainda que não tenham conseguido grande sucesso comercial, o impacto dessas obras foi grande e é sentido até hoje. <i>Loveless </i>elevou os padrões de produção musical a outro patamar, e sua sonoridade distinta inspirou desde o Smashing Pumpkins (Billy Corgan ficou tão impressionado que contratou um dos engenheiros de som para a elaboração de <i>Siamese Dream</i>) até bandas de <a href="https://rateyourmusic.com/list/nospaulatu/chuck_schuldiners_personal_cd_collection/" target="_blank">metal extremo</a>, <a href="https://rateyourmusic.com/genre/Blackgaze/" target="_blank">especialmente no black metal</a>, além de &#8220;Sometimes&#8221; ter entrado no filme <em>Lost in Translation </em>(2003). Ainda no cinema, pode-se citar o mais recente filme do diretor Nicolas Winding Refn, <i>The Neon Demon</i> (2016), como prova da longevidade dos mistérios de <i>Mulholland Drive</i>, além das constantes citações em listas de publicações respeitadas &#8211; <a href="https://www.theguardian.com/film/2016/aug/23/mulholland-drive-david-lynch-21st-century-top-films-bbc-poll" target="_blank">em agosto deste ano, foi eleito pela BBC como melhor filme do século 21</a>.</p>
<p>O baque também atingiu os próprios criadores: Lynch demorou cinco anos para lançar seu próximo (e, até o momento, último) longa-metragem, o colossal <i>Inland Empire</i>, enquanto a trupe de Kevin Shields só entregaria um sucessor para <i>Loveless</i> em 2013, com <i>m b v</i>. Duas sequências que trilham muito os caminhos de seus antecessores, ainda que possuam suas peculiaridades e tenham sido elogiadas.</p>
<p>Os conceitos dos dois trabalhos são copiados a rodo até hoje, mas jamais foram igualados. Aliás, curioso notar que, mesmo tendo conquistado uma sólida base de fãs no <i>underground</i> independente ao longo dos tempos, nunca chegaram às grandes massas. Nem mesmo no gosto do universitário <i>indie</i> médio, tido como super antenado com alternativismos, parecem ter caído; pelo contrário, a preferência ainda recai em obras bem mais simplificadas, tal qual a psicodelia requentada do Tame Impala ou o surrealismo <em>teen</em> de <em>Donnie Darko</em> (2001). Ainda que dignos, os supracitados passam longe de apresentar qualquer inovação que justifique tamanha fama.</p>
<p>Se isso se deve puramente por fator de gosto ou não, pouco vem ao caso. Fato é que, respectivamente após 25 e 15 anos depois, <em>Loveless</em> e <em>Mulholland Drive </em>sobreviveram ilesos ao teste do tempo e permanecem como clássicos irretocáveis &#8211; daqueles delírios que, conscientemente ou não, adoramos revisitar.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/20YQiWvyD8Yi7Xge7ukVrm" width="300" height="380" frameborder="0" allowtransparency="true"></iframe></p>
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