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	<title>Arquivos Cult &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Flux Gourmet é um delicioso banquete difícil de digerir</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Oct 2022 18:22:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga  Cozinhar, definitivamente, é uma Arte. Mesmo não estando inclusa entre as sete, a gastronomia sabe emular todas as sensações que as outras conseguem, às vezes de forma mais impactante e convincente que as demais. Seja pelo conforto e ternura de uma comida feita pela mãe, seja pela explosão sensorial do prato principal feito &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/flux-gourmet-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Flux Gourmet é um delicioso banquete difícil de digerir"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28902" aria-describedby="caption-attachment-28902" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-28902 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1.jpg" alt="Cena do filme Flux Gourmet. Nela, vemos os três integrantes que compõem o coletivo artístico-culinário. Ao centro temos o personagem Billy interpretado por Asa Butterfield, um jovem branco de cabelos pretos com uma grande franja. Ele usa uma jaqueta jeans, camiseta vinho e calça jeans. Sua cabeça está arqueada e sua boca levemente aberta. Mais atrás, dos lados direito e esquerdo, temos duas mulheres, a da direita, loira e a da esquerda, de cabelo castanho cor de mel. As duas estão de costas, fazem movimentos com as mãos na altura do rosto e vestem uma espécie de vestido fúnebre na cor preta. Ao fundo, há uma parede que reflete uma luz azul." width="2560" height="1384" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1-2048x1107.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1-1200x649.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28902" class="wp-caption-text">O filme chega em terras brasileiras através da seção Perspectiva Internacional da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Bankside Films)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cozinhar, definitivamente, é uma Arte. Mesmo não estando inclusa entre as </span><a href="https://abra.com.br/artigos/quais-sao-as-7-artes/"><span style="font-weight: 400;">sete</span></a><span style="font-weight: 400;">, a gastronomia sabe emular todas as sensações que as outras conseguem, às vezes de forma mais impactante e convincente que as demais. Seja pelo conforto e ternura de uma comida feita pela mãe, seja pela explosão sensorial do prato principal feito em um restaurante três estrelas </span><i><span style="font-weight: 400;">Michelin</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou até mesmo pela agonia que é experimentar algum ingrediente exótico. São essas experiências que </span><i><span style="font-weight: 400;">Flux Gourmet</span></i><span style="font-weight: 400;">, co-produção entre Reino Unido, Estados Unidos e Hungria, em cartaz na Perspectiva Internacional da 46ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, e que estreou no </span><a href="https://www.instagram.com/p/Cgc1Di6MEkf/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Berlim</span></a><span style="font-weight: 400;">, busca instigar.</span></p>
<p><span id="more-28901"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigida pela nova sensação do </span><i><span style="font-weight: 400;">cult </span></i><span style="font-weight: 400;">bizarro inglês, </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/peter-strickland"><span style="font-weight: 400;">Peter Strickland</span></a><span style="font-weight: 400;">, a obra presta homenagens, em uma espécie de miscelânea, ao Cinema, Teatro e Gastronomia. O longa segue a história de um coletivo artístico-culinário em seu período de ensaios e apresentações, pelo olhar de um escritor, encarregado de documentar o processo. A premissa, por si só, já é um antro de bizarrices, sendo muito difícil sequer contemplar esse conceito. Porém, </span><i><span style="font-weight: 400;">Flux Gourmet</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue, e muito bem, escalonar suas ideias ao máximo.</span></p>
<figure id="attachment_28903" aria-describedby="caption-attachment-28903" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-28903 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-2.jpg" alt="Cena do filme Flux Gourmet. Nela vemos a personagem Elle di Elle, uma mulher branca de meia idade e de cabelos castanhos cor de mel. Ela está nua e aparece somente do ombro para cima, completamente ensanguentada. Ela segura um microfone contra sua testa e ao fundo, há uma plateia observando." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-2.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28903" class="wp-caption-text">A curta carreira do diretor já é marcada pelo horror presente em seus filmes (Foto: Bankside Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A obsessão artística sempre foi uma tônica do Cinema, a exemplos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Whiplash </span></i><span style="font-weight: 400;">(2014), </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/cisne-negro-critica"><i><span style="font-weight: 400;">Cisne Negro</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2010) e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=n7kPKVxuz6k&amp;ab_channel=20thCenturyStudiosBrasil"><i><span style="font-weight: 400;">Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">[2014]. E essas obras sempre flertaram &#8211; umas mais, outras bem menos &#8211; entre o suspense e o horror. Como o pano de fundo do longa de Strickland já tendo uma aura perturbadora para chamar de sua, a escrita tem maior liberdade para destrinchar essa obsessão, o que é muito beneficiada também pelo caráter de experimentação que o Teatro naturalmente tem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, o idealizador consegue sair do arroz e feijão desse subgênero, traçando uma discussão sobre a Arte através da própria Arte, além de passear por outros entraves como o patriarcado e a exposição, tudo isso de forma muito consciente, engrossando o caldo de seu assunto-órbita que é a gastronomia. Aliás, é muito interessante como a obra usa esse fio condutor da comida para te conquistar pela barriga &#8211; só que, nesse caso, através de sequenciais socos no estômago.</span></p>
<figure id="attachment_28904" aria-describedby="caption-attachment-28904" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-28904 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-3.jpg" alt="Cena do filme Flux Gourmet. Nela vemos a personagem Elle di Elle. Ela está vestindo uma camisola branca e aparece somente do ombro para cima, com a cara posicionada na direita, numa espécie de close da câmera. Ela segura um liquidificador com a mão esquerda e a tampa dele com a direita. Ele está aberto e vazando um líquido branco. Ao fundo, uma parede que reflete uma luz azul." width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-3-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-3-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-3-768x403.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28904" class="wp-caption-text">O tempo todo, o filme sabe trabalhar a agonia no telespectador (Foto: Bankside Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É muito bem aproveitado pelo longa seus diferentes aspectos e a forma como eles são inseridos na narrativa. A fotografia, pelas lentes de </span><a href="https://www.instagram.com/sidsidell/"><span style="font-weight: 400;">Tim Sidell</span></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, sabe usar muito bem da parte documental, centralizando e aproximando em uma quase simetria os personagens que conduzem o estudo. Já a parte teatral dá uma outra ótica para o filme, com planos mais abertos que enfatizam a inserção dos personagens no cenário e exaltam o jogo de luzes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda no Teatro, a produção usa muito bem o seu </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> de som, de autoria de Tim Harrison. Durante os ensaios, a inserção de sons sob a improvisação dos personagens ajuda no processo de imersão do espectador. Já durante as apresentações, relembrando as </span><i><span style="font-weight: 400;">jam sessions</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos grupos mais progressivos e </span><a href="https://timba.nics.unicamp.br/engsom/index.php/leituras-e-ponteiros/historia-da-musica-ocidental/musica-experimental/"><span style="font-weight: 400;">experimentais</span></a><span style="font-weight: 400;"> do século passado, as </span><i><span style="font-weight: 400;">pick-ups</span></i><span style="font-weight: 400;"> plugadas nos mais diferentes tipos de comida criam uma atmosfera única, que amplifica ainda mais a estranheza da obra.</span></p>
<figure id="attachment_28905" aria-describedby="caption-attachment-28905" style="width: 1880px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28905 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-4.jpg" alt="Cena do filme Flux Gourmet. Nela, temos a personagem Elle di Elle. Ela aparece do tronco para cima usando um vestido preto. Ela está encarando uma pessoa e em sua mão direita, além de um anel de pedra, está segurando um cigarro pela metade. Ao fundo, uma prateleira com potes de vidro que contém temperos." width="1880" height="974" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-4.jpg 1880w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-4-800x414.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-4-1024x531.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-4-768x398.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-4-1536x796.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-4-1200x622.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28905" class="wp-caption-text">A entrega do elenco é primordial para a criação de mundo da história (Foto: Bankside Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos pontos de maior destaque do filme, além do roteiro, sem dúvidas é o elenco. A liberdade que a escrita dá permite que os atores consigam espremer ao máximo todo o suco de sua atuação. Contidos na hora que precisam ser e extremamente expansivos quando lhes é exigido tal expansividade, as atuações funcionam tanto em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oHraElR_v60&amp;ab_channel=IFCFilms"><span style="font-weight: 400;">conjunto</span></a><span style="font-weight: 400;"> como separadas. Fatma Mohammed, musa de Strickland com quem já trabalhou em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Vestido Maldito </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Duque de Burgundy</span></i><span style="font-weight: 400;">, rouba os holofotes para si e preenche todo o longa na difícil tarefa metalinguística de interpretar uma atriz. Já Asa Butterfield (</span><a href="https://personaunesp.com.br/sex-education-3a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), Gwendoline Christie (</span><a href="https://personaunesp.com.br/game-of-thrones-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Game of Thrones</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), Ariane Labed (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Lagosta</span></i><span style="font-weight: 400;">) e Makis Papadimitriou entregam atuações concisas e bem trabalhadas, que vão crescendo de acordo com o desenrolar da obra.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Flux Gourmet</span></i><span style="font-weight: 400;"> talvez não seja o melhor feito de Peter Strickland, mas sem dúvidas é a mais sensorial de sua carreira. Como um bom </span><i><span style="font-weight: 400;">cult</span></i><span style="font-weight: 400;"> de festival, o longa sabe chocar, a exemplo da cena do exame de colonoscopia feito em público, ou a performance a princípio envolvendo excrementos que serviria de prato cheio para a máquina de disseminação de</span><i><span style="font-weight: 400;"> fake news</span></i><span style="font-weight: 400;"> da </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/09/30/padre-kelmon-peca-macaquinhos.htm"><span style="font-weight: 400;">direita conservadora brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas é interessante notar como o diretor não usa o choque somente pelo choque, mas sim para desenvolver uma reflexão sobre o limite da Arte e o uso dessa impressionabilidade na mesma, enquanto o próprio filme é uma peça artística. Como qualquer comida, o longa talvez não seja para todos os paladares e muito menos para todos os estômagos, mas, ainda assim, tem um alto valor, seja ele nutritivo ou como experiência.</span></p>
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		<title>Alan Wake Remastered é mais do que uma luz no fim do túnel</title>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Oliveira F. Arruda e João Paulo de Oliveira Mais de uma década após seu lançamento original no Xbox 360, o pesadelo cult da Remedy Entertainment toma nova forma em Alan Wake Remastered, entregando a experiência definitiva da obra idealizada por Sam Lake. Inicialmente amaldiçoado por um período de desenvolvimento caótico, uma janela de lançamento &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/alan-wake-remastered-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Alan Wake Remastered é mais do que uma luz no fim do túnel"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24228" aria-describedby="caption-attachment-24228" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24228" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-1.jpeg" alt="Cena do jogo Alan Wake Remastered. Alan Wake está de costas para a câmera, no meio de uma estrada, encarando um tornado de energia escura que avança e levanta carros, barris e outros objetos. Alan possui cabelos negros e usa um paletó cinza de tweed com um capuz de moletom abaixado por cima. Na mão esquerda ele segura uma lanterna apontada para o chão. À sua esquerda está um edifício baixo envolto por uma cerca de madeira baixa. Mais a frente, a silhueta de um poste elétrico aparece contra a floresta mais a frente, iluminado por uma fonte de luz vindo de algum lugar dessa floresta. À direita de Alan, uma árvore silvestre se ergue e podemos ver outra cerca circundando o outro lado da estrada. A cena toda está ocupada por uma névoa densa e sobrenatural. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-1.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-1-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-1-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-1-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-1-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24228" class="wp-caption-text">“O mistério sem resposta é o que fica na cabeça, e é dele que nos lembraremos no fim” (Foto: Remedy Entertainment)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Oliveira F. Arruda e João Paulo de Oliveira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais de uma década após seu lançamento original no </span><i><span style="font-weight: 400;">Xbox 360</span></i><span style="font-weight: 400;">, o pesadelo </span><i><span style="font-weight: 400;">cult</span></i><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">Remedy Entertainment</span></i><span style="font-weight: 400;"> toma nova forma em </span><i><span style="font-weight: 400;">Alan Wake Remastered</span></i><span style="font-weight: 400;">, entregando a experiência definitiva da obra idealizada por Sam Lake. Inicialmente amaldiçoado por um período de desenvolvimento caótico, uma janela de lançamento inoportuna e um grande número de versões piratas, o </span><i><span style="font-weight: 400;">remaster</span></i><span style="font-weight: 400;"> chega como uma segunda chance para que a franquia alcance </span><a href="https://www.gamevicio.com/noticias/2021/10/remedy-entertainment-fala-sobre-os-motivos-que-levaram-a-volta-de-alan-wake-no-mercado/"><span style="font-weight: 400;">o sucesso que sempre mereceu</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-24227"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Atualizada para a nova geração de consoles com a ajuda do estúdio </span><a href="https://d3tltd.com/new-project-announcement-alan-wake-remastered-coming-october-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">d3t</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a remasterização é fruto de uma parceria com a </span><i><span style="font-weight: 400;">publisher </span></i><a href="https://www.epicgames.com/store/pt-BR/news/epic-games-publishing-announcement?lang=pt-BR"><i><span style="font-weight: 400;">Epic Games</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, descrita como o menor dentre dois projetos. Apesar de não haver mais informações sobre o segundo produto, é altamente provável que seja uma sequência de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PT5yMfC9LQM&amp;t=2s"><i><span style="font-weight: 400;">Control</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, título anterior da </span><i><span style="font-weight: 400;">Remedy</span></i><span style="font-weight: 400;"> que trouxe de volta o protagonista titular de </span><i><span style="font-weight: 400;">Alan Wake</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais do que uma segunda chance para a franquia, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Remastered </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma reintrodução de um dos títulos mais importantes da última década, responsável por introduzir preceitos visuais e </span><a href="https://www.tweaktown.com/news/70847/alan-wake-was-originally-an-episodic-game-series/index.html"><span style="font-weight: 400;">narrativos</span></a><span style="font-weight: 400;"> que se tornaram via de regra em diversas camadas da indústria. A jornada do escritor Alan Wake por uma cidade pacata no Noroeste Pacífico lutando contra as forças sinistras da Escuridão ganha uma nova roupagem, abrindo as águas de seu profundo lago para uma nova leva de teorias e expectativas para seu futuro.</span></p>
<figure id="attachment_24229" aria-describedby="caption-attachment-24229" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24229" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-2.jpeg" alt="Imagem promocional do jogo Alan Wake Remastered. Alan Wake está de pé no lado direito da imagem, virado para nós, apontando uma lanterna para a câmera com a mão esquerda e um revólver na mão direita, apontando para baixo. Alan é um homem caucasiano de cabelos pretos e curtos e uma barba rala. Ele usa um terno de tweed bege por cima de um moletom, com um capuz nas costas. Atrás dele, a silhueta de uma região montanhosa com uma floresta se estendendo à frente. Na parte esquerda da imagem, uma fumaça escura preenche o espaço." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-2.jpeg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-2-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-2-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-2-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-2-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-2-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24229" class="wp-caption-text">O novo modelo do personagem principal reflete melhor a performance do ator Matthew Porretta (Foto: Remedy Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Muito antes do formato episódico de jogos ser popularizado por títulos como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RtkkHAmgYWs"><i><span style="font-weight: 400;">The Walking Dead</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AURVxvIZrmU"><i><span style="font-weight: 400;">Life is Strange</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Sam Lake e Mikko Rautalahti</span> <span style="font-weight: 400;">já experimentavam com uma ideia similar. É fácil ver como os roteiristas da </span><i><span style="font-weight: 400;">Remedy</span></i><span style="font-weight: 400;"> se inspiraram em narrativas surrealistas, a exemplo </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/twin-peaks/"><i><span style="font-weight: 400;">Twin Peaks</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Além da Imaginação</span></i><span style="font-weight: 400;">, para criar a pitoresca cidade de Bright Falls, e como o formato episódico serviu como uma luva na hora de estruturar a história do jogo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desenvolvido por cerca de três anos como um jogo de sobrevivência em mundo aberto, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Alan Wake</span></i><span style="font-weight: 400;"> original foi </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AoHkGDu0_Hw"><span style="font-weight: 400;">completamente retrabalhado</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo estúdio entre 2008 e 2010, de modo a construir uma experiência mais fechada e tensa do que eles planejavam. Porém, detalhes como o </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> meticuloso da cidade e os seus arredores ainda mostram sinais das ambições de seus realizadores. Apesar de podermos apreciar a beleza rústica de Bright Falls apenas de maneira linear, a obra passa um senso de lugar bastante convincente, limitando ao máximo a quantidade de elementos não-diegéticos na tela para garantir a imersão dos jogadores. A perspectiva </span><a href="https://www.gameinformer.com/2019/03/11/how-controls-gameplay-differs-from-past-remedy-games"><span style="font-weight: 400;">não-linear</span></a><span style="font-weight: 400;"> seria mais bem desenvolvida em </span><i><span style="font-weight: 400;">Control</span></i><span style="font-weight: 400;">, que coloca os jogadores dentro de um gigantesco edifício </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7n7ylXPueYE"><span style="font-weight: 400;">brutalista</span></a><span style="font-weight: 400;"> para batalhar contra forças extradimensionais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Alan Wake</span></i><span style="font-weight: 400;">, o terror e o sobrenatural assumem </span><a href="https://youtu.be/Iupwc2vuwxM"><span style="font-weight: 400;">formas mais arquetípicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e reconhecíveis, mas que nos envolvem através da maneira misteriosa com que são apresentadas. Após chegarem na cidade e conhecerem alguns de seus curiosos habitantes, Alan (Matthew Porretta) e sua esposa, Alice (Brett Madden), são atacados por uma força sombria e incorpórea que parece infectar o ambiente, arrastando Alice para dentro de um lago e forçando seu marido à mergulhar atrás dela. Depois disso, Alan acorda atrás do volante de um carro na beira de um penhasco, sem memórias do que aconteceu na última semana, mas encontrando páginas de uma história que descreve os eventos que acontecem ao seu redor, aparentemente escrita por ele mesmo.</span></p>
<figure id="attachment_24230" aria-describedby="caption-attachment-24230" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24230" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-3.jpg" alt="Cena do jogo Alan Wake Remastered. Alan Wake está de costas para nós, na parte esquerda da tela, de pé na grama, olhando para uma estação de rádio à sua frente. Alan é um homem caucasiano de cabelos curtos. Ele usa um terno de tweed claro com um moletom por baixo, o capuz visível pendendo nas costas. Ele segura uma espingarda na mão direita e uma lanterna com a esquerda, apontando-a para a estação. Na parte direita da tela, a estação de rádio, um edifício de madeira branca em formato de “L”, com um letreiro em neon vermelho na parte de cima dizendo “Radio Station” em letras maiúsculas. À esquerda da estação, um pequeno outdoor com três anúncios ilegíveis se ergue, iluminado por lanternas na parte de baixo. Atrás deles, algumas silhuetas de árvores silvestres se erguem. A luz da lua ilumina parte da cena, com o astro semi-visível na parte de cima, no meio da tela." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-3.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-3-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24230" class="wp-caption-text">No mundo sombrio de Alan Wake Remastered, a luz vai ser seu guia (Foto: Remedy Entertainment)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Alan Wake </span></i><span style="font-weight: 400;">é certamente um conto de Terror (a introdução começa com uma citação do próprio mestre do gênero, </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/stephen-king/"><span style="font-weight: 400;">Stephen King</span></a><span style="font-weight: 400;">), colocando o  jogador no papel de alguém sem preparo e com equipamentos extremamente limitados, dando ênfase na tensão de cada encontro, e construindo aos poucos um envolvente </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller </span></i><span style="font-weight: 400;">de ação cinematográfico. Mas ele também é, em sua estrutura e narrativa, uma história sobre contar histórias, um metatexto sobre a própria </span><i><span style="font-weight: 400;">Remedy</span></i><span style="font-weight: 400;"> e seu processo de reinvenção nos anos 2000.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Descrito como um escritor prolixo, Alan Wake é responsável pela saga de livros policiais estrelando o detetive Alex Casey, mas que está sofrendo com um bloqueio criativo há cerca de dois anos, desde que encerrou a série, junto com a vida de seu detetive fictício. Similarmente, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Remedy </span></i><span style="font-weight: 400;">ficou famosa no início do milênio pela série de jogos de ação </span><a href="https://meups.com.br/noticias/max-payne-remedy-comemora-20-anos-da-serie/"><i><span style="font-weight: 400;">Max Payne</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que te colocam na pele de um ex-policial obcecado por vingança. A procura de Alan por sua próxima inspiração se tornou então uma maneira do próprio estúdio lidar com seu futuro, tendo de encontrar uma nova direção para levar suas ideias.</span></p>
<figure id="attachment_24231" aria-describedby="caption-attachment-24231" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24231" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-4.jpg" alt="Cena do jogo Alan Wake Remastered. Alan Wake está do lado de uma porta de madeira branca fechada, dentro de um edifício. A ponta de um machado arrebenta parte da porta, com a lâmina enferrujada soltando farpas pelo ar. A cena faz referência ao filme O Iluminado. Alan está na parte direita da tela e o machado arrebentando a porta está na esquerda, na frente dele. Alan é um homem caucasiano de cabelos pretos curtos e barba rala. Ele possui um corte na parte direita da testa que está sangrando e escorrendo pela bochecha. Atrás de Alan há uma grade quadriculada, e atrás da grade há uma janela em que vislumbramos o céu noturno." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-4.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24231" class="wp-caption-text">O jogo carrega suas inspirações com orgulho (Foto: Remedy Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na transição da ação para o terror e suspense, eles trouxeram várias de suas experiências anteriores, na mesma medida que retrabalharam outras. Ao invés do infame </span><a href="https://www.bol.uol.com.br/fotos/2019/07/23/max-payne-faz-18-anos-conheca-mais-10-jogos-que-usam-efeitos-bullet-time.htm?foto=9"><i><span style="font-weight: 400;">bullet time</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Max Payne</span></i><span style="font-weight: 400;">, que permite que o jogador desacelere o tempo de modo a atirar em mais pessoas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Alan Wake</span></i><span style="font-weight: 400;"> recompensa os jogadores com uma câmera lenta ao desviar dos inimigos ou quando um golpe especialmente bem dado atinge mais de um de uma vez.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É tudo sobre </span><i><span style="font-weight: 400;">timing </span></i><span style="font-weight: 400;">e conservação de energia. Para lutar contra a Escuridão, Alan precisa, antes de tudo, de uma lanterna: o item mundano é um dos mais importantes e é o único que vai sendo constantemente melhorado ao longo das quase </span><a href="https://howlongtobeat.com/game?id=319"><span style="font-weight: 400;">15 horas</span></a><span style="font-weight: 400;"> do título. Para que suas armas tenham efeito contra os habitantes possuídos, ele precisa primeiro apontar sua lanterna contra eles e esperar que a camada sombria que os cobre se dissipe. Com essa fórmula, cada embate torna-se uma dança de desvios e pausas críticas onde cada movimento conta.</span></p>
<figure id="attachment_24232" aria-describedby="caption-attachment-24232" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24232" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-5.jpg" alt="Cena do jogo Alan Wake Remastered. Alan luta contra os habitantes possuídos pela Escuridão no meio de um campo de exploração de madeira dentro de uma floresta. Alan é um homem caucasiano de cabelos pretos e curtos, usando um terno de tweed com um moletom por baixo, com o capuz pendendo nas costas. Ele está na parte esquerda da tela, apontando uma lanterna contra um dos possuídos com a mão esquerda enquanto a direita segura uma espingarda apontando para baixo. Na parte direita da tela, três possuídos caminham em sua direção. O mais próximo, usando um colete e um equipamento de proteção laranjas, se prepara para lançar um martelo em Alan. O segundo, em que Alan está apontando a lanterna, também usa o mesmo tipo de roupa e, onde a luz o toca, fagulhas luminescentes surgem. Um terceiro está vindo pela esquerda, usando uma camisa quadriculada e um chapéu vermelho. Atrás deles, toras de madeira cortadas estão empilhadas, com um trator estacionado à esquerda preparado para retirá-las. No plano de fundo, há uma floresta iluminada pela luz do luar e um poste de luz atrás do trator. " width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-5.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-5-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-5-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-5-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24232" class="wp-caption-text">A luz é a sua melhor arma (Foto: Remedy Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como enfatizado pelo próprio diretor criativo da </span><i><span style="font-weight: 400;">Remedy</span></i><span style="font-weight: 400;">, Sam Lake, em um de seus comentários que podem ser habilitados dentro do próprio título, um “</span><i><span style="font-weight: 400;">remaster</span></i><span style="font-weight: 400;">” foca em melhorar graficamente um jogo, deixando sua aparência mais próxima dos jogos da geração atual, mas sem alterar aspectos da estrutura em si. </span><i><span style="font-weight: 400;">Alan Wake Remastered</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz diversas dessas atualizações gráficas, como a resolução 4K e a tecnologia do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8uV83Zm745Q"><i><span style="font-weight: 400;">DLSS</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, acessível apenas em computadores que possuem placas de vídeo da marca </span><i><span style="font-weight: 400;">Nvidia </span></i><span style="font-weight: 400;">a partir da geração </span><i><span style="font-weight: 400;">RTX</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O aumento da resolução é algo muito perceptível para quem possui um monitor com resolução maior que 1920&#215;1080 </span><i><span style="font-weight: 400;">pixels</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em contrapartida, esse aumento gráfico acaba fazendo com que o jogo possa apresentar travamentos em computadores menos potentes. Como forma de driblar eles, a remasterização de </span><i><span style="font-weight: 400;">Alan Wake</span></i><span style="font-weight: 400;"> possui a tecnologia </span><i><span style="font-weight: 400;">DLSS</span></i><span style="font-weight: 400;">, que, de forma resumida, processa o jogo em uma resolução menor e elimina, através de inteligência artificial, o </span><i><span style="font-weight: 400;">“embaçamento”</span></i><span style="font-weight: 400;"> que a imagem teria ao ser esticada para a resolução do seu monitor, dando um produto final muito próximo do que seria a resolução se o </span><i><span style="font-weight: 400;">DLSS </span></i><span style="font-weight: 400;">não estivesse ativado, mas exigindo um menor processamento do computador.</span></p>
<figure id="attachment_24233" aria-describedby="caption-attachment-24233" style="width: 740px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24233" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-6.png" alt="Uma comparação entre as cenas de Alan Wake Remastered e o Alan Wake original. Ambas as cenas retratam Alan Wake, um homem caucasiano usando um terno tweed com um moletom por baixo, o capuz pendendo nas costas, de perfil, olhando para a direita e um carro vermelho ao fundo, com sua esposa, Alice, no volante. Alice é uma mulher caucasiana e loira, usando uma jaqueta de couro marrom. Na imagem da direita, retratando o jogo remasterização, a resolução está melhor, as texturas estão mais definidas e os detalhes da iluminação na roupa do personagem e no carro estão mais bonitos. A cena é iluminada pela luz do entardecer." width="740" height="416" /><figcaption id="caption-attachment-24233" class="wp-caption-text">Mudanças na iluminação e nas texturas fazem o título reluzir (Foto: GameRant)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além dessas tecnologias implementadas, ganhamos muito mais profundidade no jogo pela escolha do estúdio em refazer todas as </span><i><span style="font-weight: 400;">cutscenes</span></i><span style="font-weight: 400;">, dando mais </span><a href="https://segmentnext.com/face-model-alan-wake-remastered/"><span style="font-weight: 400;">expressão e vida</span></a><span style="font-weight: 400;"> para as personagens, visto que podemos perceber ainda mais a interpretação dos atores, criando uma atmosfera até mais envolvente que a presente no jogo original. Porém, é bem perceptível a falta do cuidado fora dessas cenas, onde a movimentação dos personagens ainda é travada, gerando um certo estranhamento ao passar rapidamente de uma das sequências para o jogo normal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em termos de história, ela se mantém fiel ao original, apesar da confirmação do universo compartilhado entre </span><i><span style="font-weight: 400;">Alan Wake</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Control</span></i><span style="font-weight: 400;"> mudar a perspectiva que temos sobre alguns dos acontecimentos e seus personagens. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Control</span></i><span style="font-weight: 400;">, temos uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qlyr-aH0ZHY"><i><span style="font-weight: 400;">DLC</span></i><span style="font-weight: 400;"> inteira</span></a><span style="font-weight: 400;"> fazendo referência aos eventos que acontecem em Bright Falls durante </span><i><span style="font-weight: 400;">Alan Wake</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas na remasterização essa ligação é extremamente sutil e apenas perceptível para os jogadores mais atentos. Alguns</span><i><span style="font-weight: 400;"> QR codes</span></i><span style="font-weight: 400;">, que no jogo original eram simples </span><i><span style="font-weight: 400;">easter eggs</span></i><span style="font-weight: 400;">, aqui são substituídos por </span><i><span style="font-weight: 400;">links </span></i><span style="font-weight: 400;">para alguns vídeos que mostram o próprio Alan escrevendo diretamente do “</span><i><span style="font-weight: 400;">Dark Place</span></i><span style="font-weight: 400;">”, local onde ele estaria preso desde o final do jogo original, dez anos atrás , </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/voxel/214809-alan-wake-2-remedy-epic-trabalham-juntas-sequencia-rumor.htm"><span style="font-weight: 400;">reforçando os rumores</span></a><span style="font-weight: 400;"> de que a tão esperada sequência para o título de 2010 esteja finalmente em desenvolvimento.</span></p>
<figure id="attachment_24234" aria-describedby="caption-attachment-24234" style="width: 1800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24234" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-7.jpeg" alt="Cena do jogo Alan Wake Remastered. Alan Wake está sentado na frente de uma escrivaninha antiga em uma cabana, de costas para nós. Alan é um homem caucasiano usando um terno de tweed com um moletom por baixo, o capuz pendendo nas costas. A cabana, a escrivaninha e a cadeira são feitas de madeira, com a luz do dia entrando por uma janela acima dela. Em cima da escrivaninha vemos um abajur antigo, de forma quadrada, desligado. Dos lados da janela vemos cortinas azuis escuras abertas. Do lado de fora, a figura de uma montanha preenche quase toda a janela. " width="1800" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-7.jpeg 1800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-7-800x400.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-7-1024x512.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-7-768x384.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-7-1536x768.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-7-1200x600.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24234" class="wp-caption-text">Não é um lago, Alan (Foto: Remedy Entertainment)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Alan Wake Remastered </span></i><span style="font-weight: 400;">é um pacote bastante humilde, revitalizando um dos jogos </span><i><span style="font-weight: 400;">single-player</span></i><span style="font-weight: 400;"> mais importantes da última década e trazendo suas excelentes expansões, sem revisar a experiência, escolhendo manter ela da maneira que foi concebida. Com enfoque em atualizar seu visual para algo aceitável em consoles e computadores modernos, a remasterização está sendo vendida por um preço que reflete essa humildade, passando bem </span><a href="https://meups.com.br/noticias/alan-wake-remastered-data-preco-edicoes/"><span style="font-weight: 400;">longe do valor</span></a><span style="font-weight: 400;"> de jogos contemporâneos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2010, o mundo talvez não estivesse preparado para tudo que </span><i><span style="font-weight: 400;">Alan Wake</span></i><span style="font-weight: 400;"> almejava alcançar. Uma narrativa surreal e transmídia, contada não só pelo jogo, mas por HQs, </span><i><span style="font-weight: 400;">webséries </span></i><span style="font-weight: 400;">e até mesmo álbuns musicais, o título estava quase destinado a fracassar num primeiro momento, </span><a href="https://www.vg247.com/alan-wake-control-universe-sam-lake"><span style="font-weight: 400;">prosperando nas sombras</span></a><span style="font-weight: 400;"> conforme mais e mais pessoas descobriam o prazer dos segredos de Bright Falls e suas muitas faces, se afundando em seu oceano de teorias e conspirações.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já em 2021, a versão </span><i><span style="font-weight: 400;">Remastered</span></i><span style="font-weight: 400;"> oferece a experiência completa e definitiva do título,  reunindo o conteúdo adicional dos episódios </span><i><span style="font-weight: 400;">The Signal</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">The Writer</span></i><span style="font-weight: 400;">, dando à velhos fãs a chance de rever o clássico com novos olhos e possibilitando que uma nova geração de jogadores se apaixone por seu Terror atmosférico e sua narrativa episódica. Por mais que ofereça poucos novos recursos além dos comentários de Sam Lake, é um pacote que mais do que justifica seu valor e insere novas baterias na lanterna do escritor mais famoso dos </span><i><span style="font-weight: 400;">videogames</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>Quem tem medo de Jennifer Check?: Garota Infernal e o verdadeiro inimigo</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Oct 2021 16:56:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ayra Mori Se em 2009 Garota Infernal foi considerado um crasso fracasso, após uma década de seu lançamento o filme se restabeleceu como Terror cult feminista à frente de seu tempo. Escrito por Diablo Cody, dirigido por Karyn Kusama e protagonizado pela dupla Megan Fox e Amanda Seyfried, Garota Infernal é um estudo de caso &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/garota-infernal-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Quem tem medo de Jennifer Check?: Garota Infernal e o verdadeiro inimigo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24203" aria-describedby="caption-attachment-24203" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24203" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img1.jpg" alt="Cena do filme Garota Infernal. Megan Fox, que interpreta Jennifer Check, é uma mulher branca, de olhos azuis e cabelos pretos. Jennifer é uma adolescente no colegial. Ela se olha no espelho de um armário azul marinho, típico dos colégios estadunidenses. O espelho é arredondado com strass prata e rosa em sua volta. Na lateral superior esquerda e na lateral inferior direita do espelho estão colados dois adesivos de desenhos orgânicos, também em rosa. Não se vê nada na cena além da vista do rosto de Jennifer refletido no espelho e o fundo azul marinho do armário." width="1280" height="692" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img1-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img1-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img1-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img1-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24203" class="wp-caption-text">Fracasso comercial, Garota Infernal pouco a pouco se restabeleceu como terror cult feminista (Foto: Fox/Dune Entertainment)</figcaption></figure>
<p><b>Ayra Mori</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se em 2009 </span><a href="https://youtu.be/C8azftM5puI"><i><span style="font-weight: 400;">Garota Infernal</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foi considerado um crasso fracasso, após uma década de seu lançamento o filme se restabeleceu como </span><a href="https://www.vox.com/culture/2018/10/31/18037996/jennifers-body-flop-cult-classic-feminist-horror"><span style="font-weight: 400;">Terror </span><i><span style="font-weight: 400;">cult </span></i><span style="font-weight: 400;">feminista</span></a><span style="font-weight: 400;"> à frente de seu tempo. Escrito por Diablo Cody, dirigido por Karyn Kusama e protagonizado pela dupla Megan Fox e Amanda Seyfried, </span><i><span style="font-weight: 400;">Garota Infernal</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um estudo de caso sobre como um roteiro perspicaz, um enquadramento subversivo da câmera e personagens autoconscientes são capazes de transfigurar o olhar masculino predominante no gênero, pondo em foco a </span><a href="https://www.instagram.com/p/CVTmHYPrAAc/?utm_medium=share_sheet"><span style="font-weight: 400;">perspectiva feminina</span></a><span style="font-weight: 400;"> quanto às violações do corpo através de Jennifer e, </span><span style="font-weight: 400;">bem, “</span><a href="https://www.npr.org/2021/09/16/1037893623/olivia-rodrigo-jennifers-body-good-4-u-teenage-girls-anger"><i><span style="font-weight: 400;">O inferno é uma garota adolescente</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span id="more-24202"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após o sucesso do encantador </span><a href="https://youtu.be/K0SKf0K3bxg"><i><span style="font-weight: 400;">Juno</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, primeiro filme de Cody que lhe rendeu uma vitória no </span><a href="https://www.esqueletosnoarmario.com/post/redescobrindo-garota-infernal"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Roteiro Original</span></a><span style="font-weight: 400;">, um misto de expectativa e incerteza pairava acima do próximo projeto da roteirista – seria talento ou sorte de principiante? Assim, concedida total liberdade criativa pelos grandes estúdios, Cody decidiu abraçar suas ideias mais perversas ao escrever um horror pastiche que centralizasse personagens mulheres, explorasse amizades femininas e, principalmente, que fosse sobre uma garota canibal comedora de homens.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, historicamente, o </span><a href="https://judao.com.br/explorando-o-exploitation/"><i><span style="font-weight: 400;">exploitation</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">carrega consigo uma </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2009/nov/02/jennifers-body-feminist-exploitation"><span style="font-weight: 400;">má reputação</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nele, sobretudo nas décadas de 1950 à 1970, o papel das mulheres se reduzia basicamente ao prazer de sua dor, </span><i><span style="font-weight: 400;">voyeurizado </span></i><span style="font-weight: 400;">pelo</span> <a href="https://blogfca.pucminas.br/ccm/male-gaze-e-a-prevalencia-da-visao-masculina/"><i><span style="font-weight: 400;">olhar masculino</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (termo conhecido como </span><i><span style="font-weight: 400;">male gaze</span></i><span style="font-weight: 400;">, em inglês). E se o gênero por si só já é definido</span><span style="font-weight: 400;"> como “lixo”, um filme cuja narrativa concentra-se na transformação de uma garota popular em demônio que se alimenta especificamente de homens – além de ser encabeçado por uma equipe de mulheres –, certamente seria um desafio comercial na época.</span></p>
<figure id="attachment_24204" aria-describedby="caption-attachment-24204" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24204" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img2.png" alt="Cena do filme Garota Infernal. Megan Fox, que interpreta Jennifer Check, é uma mulher branca, de olhos azuis e cabelos pretos. Jennifer é uma adolescente no colegial. Ela está nua, nadando em um lago. As águas do lago refletem a luz do fim da tarde, num tom azul escuro. As partes não refletidas da água estão em tom preto. No enquadramento da cena, Jennifer está centralizada encarando a câmera. Ao seu redor só é possível ver o lago." width="1920" height="1048" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img2.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img2-800x437.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img2-1024x559.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img2-768x419.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img2-1536x838.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img2-1200x655.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24204" class="wp-caption-text">Assim como Jennifer Check, Megan Fox sentia-se violada, traçando paralelos entre o rito satânico do filme à indústria cinematográfica (Foto: Fox/Dune Entertainment)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Garota Infernal</span></i><span style="font-weight: 400;"> ultrapassou os limites do véu que separa arquétipos igualmente condenatórios da “lésbica frígida” à “burra promíscua”, inaugurando um debate quanto à </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/por-que-megan-fox-acredita-que-garota-infernal-esta-frente-do-tempo/"><span style="font-weight: 400;">misoginia internalizada em Hollywood</span></a><span style="font-weight: 400;">. Jennifer Check (Megan Fox) não é casta, inocente e muito menos é modelo de feminismo, pelo contrário, ela é rude, egoísta e maldosa. Ela está longe de ser a vítima perfeita e, acertadamente, isso não importa no filme. Cody não entrega ao público uma mocinha fácil de se torcer, porém, em momento algum sugere que mesmo alguém tão desprezível como Jennifer mereça passar pelas agonias que passou.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Jennifer acaba sozinha dentro de uma </span><i><span style="font-weight: 400;">van</span></i><span style="font-weight: 400;">, rodeada por desconhecidos, o tom de inevitabilidade é indigesto. Ao finalmente se dar conta do que está por vir, não há mais nada que a personagem possa fazer. Ela se desespera, questiona e fracassadamente implora por piedade à banda </span><i><span style="font-weight: 400;">indie </span></i><span style="font-weight: 400;">medíocre que, em busca do triunfo </span><i><span style="font-weight: 400;">à la</span></i><span style="font-weight: 400;"> Maroon 5, é capaz de sacrificá-la em dois segundos. Todavia, a cena, carregada de efeitos visuais alucinantes, traz o ponto de vista de Jennifer, de como ela se sente no momento. A visão dos assassinos não importa e Cody nos estende sua lente, nos encorajando a entender e respeitar Jennifer. Não há fetichização em seu sofrimento e, aqui, a </span><a href="https://www.facebook.com/diasdecinefilia/posts/2650699001682110/"><span style="font-weight: 400;">escrita sensível de Cody</span></a><span style="font-weight: 400;"> brilha. Por não ser virgem, o sacrifício dá errado e agora, súcubo, Jennifer inicia uma série de matanças em </span><i><span style="font-weight: 400;">Devil’s Kettle</span></i><span style="font-weight: 400;"> que estremece a relação com sua melhor amiga Needy (Amanda Seyfried).</span></p>
<figure id="attachment_24205" aria-describedby="caption-attachment-24205" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24205" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img3.jpg" alt="Cena do filme Garota Infernal. Megan Fox, que interpreta Jennifer Check, é uma mulher branca, de olhos azuis e cabelos pretos. Jennifer é uma adolescente no colegial. No enquadramento, ela está centralizada, sorrindo e encarando a câmera com um olhar obsessivo. Ela está com o rosto encardido de sujeira, maquiagem borrada e sangue na boca. Ela veste uma jaqueta branca, também suja e manchada de sangue, e argolas médias em prata. É noite e não há luz no fundo. O fundo é a casa da amiga de Jennifer, Needy, completamente escura." width="1280" height="692" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img3.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img3-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img3-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img3-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img3-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24205" class="wp-caption-text">O corpo grotesco de Jennifer foi um dos artifícios utilizados por Diablo Cody e Karyn Kusama para negar o male gaze (Foto: Fox/Dune Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os paralelos com as </span><a href="https://personaunesp.com.br/thelma-e-louise-30-anos/"><span style="font-weight: 400;">dinâmicas abusivas de poder</span></a><span style="font-weight: 400;"> na indústria </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodiana </span></i><span style="font-weight: 400;">parecem ser óbvias. No entanto, </span><i><span style="font-weight: 400;">Garota Infernal</span></i><span style="font-weight: 400;"> não foi produzido na era do </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/06/movimento-metoo-gera-417-acusacoes-de-assedio-em-empresas-diz-consultoria.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">#MeToo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e muita coisa mudou em 10 anos. Se esses debates de gênero e violência sexual – infelizmente atemporais –, ganharam repercussão em 2019, no ano de 2009 pouco se discutia a questão. Revelando em entrevistas as próprias </span><a href="https://youtu.be/u2JLRtWlq0o"><span style="font-weight: 400;">experiências pessoais</span></a><span style="font-weight: 400;"> pré-</span><i><span style="font-weight: 400;">#MeToo</span></i><span style="font-weight: 400;">, Fox chegou a comparar o sacrifício de Jennifer ao da própria carreira: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu sentia que estava sendo sacrificada por seus ganhos, quase sem nenhuma preocupação com meu bem-estar físico. [&#8230;] O que quer que eles precisassem fazer de mim ou me colocar, eles fariam</span></i><span style="font-weight: 400;">.”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E, de fato, escalada como estrela do filme, a </span><a href="https://www.indiewire.com/2018/12/karyn-kusama-jennifers-body-marketing-misogynistic-1202026860/"><span style="font-weight: 400;">estratégia de </span><i><span style="font-weight: 400;">marketing</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">se voltou à hiperssexualização do corpo de Fox. O estigma de que o terror não agrada garotas definiu o público alvo de maneira equivocada e </span><i><span style="font-weight: 400;">Garota Infernal</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi vendido para garotos adolescentes como um filme totalmente diferente do que realmente era. A divulgação consistiu apenas no apelo sexual quase pornográfico de Fox, voltado exclusivamente ao </span><i><span style="font-weight: 400;">olhar masculino</span></i><span style="font-weight: 400;"> – justamente o que Cody e Kusama propunham negar. Não há nudez explícita, Jennifer parece estar doente na metade do filme e o </span><a href="https://macabra.tv/o-medo-da-carne-nos-filmes-de-horror-corporal/"><i><span style="font-weight: 400;">horror corporal</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não é a melhor definição de </span><i><span style="font-weight: 400;">sexy</span></i><span style="font-weight: 400;">. O desastre foi fatal.</span></p>
<figure id="attachment_24206" aria-describedby="caption-attachment-24206" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24206" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img4.jpg" alt="Cena do filme Garota Infernal. Na cena estão Amanda Seyfried, que interpreta Needy, e Megan Fox, que interpreta Jennifer, em ordem. Amanda Seyfried é uma mulher branca de cabelos loiros longos. Ela usa óculos, regata lilás e calça preta. Megan Fox é uma mulher branca de cabelos pretos longos. Ela veste uma blusa branca com manga média cinza escuro, shorts e meias listradas em cinza, branco e vermelho. Ambas estão conversando em cima de uma cama com lençol bege e coberta estampada em tons alaranjados queimados. A cama está centralizada no enquadramento, assim como as personagens. Acima da cama está uma janela com cortina de voil, onde é possível ver que é noite. À frente da janela está pendurada um pisca-pisca de luz amarelada. O fundo da imagem é um quarto. As laterais do quarto possuem forro chanfrado em branco, paredes com papel de parede floral em dourado e vermelho e cabeceiras verdes cheias de objetos. Megan Fox, que interpreta Jennifer Check, é uma mulher branca, de olhos azuis e cabelos pretos. Jennifer é uma adolescente no colegial." width="1280" height="692" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img4.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img4-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img4-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img4-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img4-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24206" class="wp-caption-text">Needy, a amiga nerd devota, Jennifer, a garota demônio mais cobiçada da escola (Foto: Fox/Dune Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Falhando em atrair o público feminino e decepcionando o masculino, a reprovação foi consensual. Tanto a crítica especializada quanto o público, ambos compostos majoritariamente por homens cis, héteros e brancos, repudiou o filme. As </span><a href="https://www.indiewire.com/2020/09/megan-fox-jennifers-body-feminist-1234589224/"><span style="font-weight: 400;">avaliações eram negativas, até misóginas</span></a><span style="font-weight: 400;">, numa época em que artistas como Megan Fox, Salma Hayek e Angelina Jolie, por exemplo, eram tratadas explicitamente como </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/celebridades/megan-fox-critica-machismo-em-hollywood-me-viam-como-um-casco-vazio-60767"><span style="font-weight: 400;">mercadorias sexuais</span></a><span style="font-weight: 400;">, vistas mais como um rosto bonito do que atrizes talentosas. Para mais, com o advento da </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">blogs </span></i><span style="font-weight: 400;">de fofoca, perseguição de </span><i><span style="font-weight: 400;">paparazzis</span></i><span style="font-weight: 400;">, o ataque à Fox foi intensificado pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">cyberbullying</span></i><span style="font-weight: 400;">, culminando na sua reclusão, junto com a de Cody, que desencadeou problemas psicológicos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas para além do legado injusto que o filme suportou por efeito das circunstâncias externas que o envolveram, </span><i><span style="font-weight: 400;">Garota Infernal</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma história sobre a </span><a href="https://mulhernocinema.com/especiais/vida-de-menina-5-filmes-sobre-juventude-estrelados-dirigidos-e-escritos-por-mulheres/"><span style="font-weight: 400;">perda da inocência</span></a><span style="font-weight: 400;"> e novas descobertas. O sacrifício de Jennifer pode ter ressuscitado-a, mas seu antigo eu foi morto, sepultado. Ela não é mais a mesma, ela se sente vazia. A amizade platônica entre Jennifer e Needy (tradução de </span><i><span style="font-weight: 400;">“carente”</span></i><span style="font-weight: 400;">, o astucioso apelido é derivado de Anita) é um dos indicativos centrais desse amadurecimento. Logo, ainda que a relação entre as melhores amigas tenha sido sempre nociva, é somente quando Jennifer se torna demônio que Needy finalmente se dá conta da ambiguidade dessa “amizade”.</span></p>
<figure id="attachment_24207" aria-describedby="caption-attachment-24207" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24207" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img5.jpg" alt="Cena do filme Garota Infernal. Na cena estão Amanda Seyfried, que interpreta Needy, e Megan Fox, que interpreta Jennifer, em ordem. Elas estão frente a frente prestes a se beijar. Só é possível ver o recorte dos narizes às bocas das personagens. Elas são refletidas por uma meia-luz em tom quente alaranjado. O fundo, que contorna o perfil das personagens, é totalmente preto." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img5.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img5-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24207" class="wp-caption-text">A cena de beijo entre Needy e Jennifer foi desconfortável para as ambas atrizes, que temiam a fetichização dela (Foto: Fox/Dune Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Inicialmente, Needy olha para Jennifer com admiração. Ela deixa o namorado para seguir a amiga assim que lhe é ordenado e a tensão entre ambas é inquestionável, crescendo gradativamente até o estopim do subtexto sexual insinuado na narrativa, quando as amigas se beijam. A cena não dura mais de um minuto e traz à tona a confusão de Needy sobre seus sentimentos reprimidos. O </span><a href="https://gizmodo.com/the-real-horror-of-jennifers-body-toxic-friends-5361181"><span style="font-weight: 400;">relacionamento codependente</span></a><span style="font-weight: 400;"> delas é claramente mais intenso do que simples amizade, oscilando num complicado espectro que varia entre as melhores e piores sensações do amor e ódio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, a </span><a href="https://periodicos.ufba.br/index.php/revistaperiodicus/article/view/24822"><span style="font-weight: 400;">leitura </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">sobre o relacionamento delas não propõe, nem ao menos tenta, ser exemplo de uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/rua-do-medo-1666-parte-3-critica/"><span style="font-weight: 400;">representação sáfica</span></a><span style="font-weight: 400;"> positiva. Ao invés disso, Cody explora a maneira como, instruídas a competir pelo pouco espaço disponível, as alianças femininas são corrompidas pelo patriarcado, ainda que reluzam sinais de paixão. Por fim, o inimigo se torna outras garotas, não o sistema em si. O brilho do olho de Needy ao olhar Jennifer, antes cintilante, agora se apaga.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Revisitando a obra com olhos contemporâneos, é inegável que </span><i><span style="font-weight: 400;">Jennifer’s Body</span></i><span style="font-weight: 400;"> reivindicou a estrutura primária do </span><a href="https://deliriumnerd.com/2020/11/19/uma-reflexao-sobre-rape-revenge-e-falso-feminismo/"><i><span style="font-weight: 400;">rape-revenge</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> por protagonistas que não se limitam aos arquétipos habituais do Terror – a vítima é cruel, a mocinha se corrompe. A cereja do bolo é o ar </span><i><span style="font-weight: 400;">camp </span></i><span style="font-weight: 400;">nostálgico que remete um universo passado com filtro de cores saturadas no qual pessoas usavam o </span><i><span style="font-weight: 400;">MySpace </span></i><span style="font-weight: 400;">e penduravam pôsteres de bandas </span><i><span style="font-weight: 400;">emo </span></i><span style="font-weight: 400;">nos quartos. Sem qualquer moralização, o filme traça metáforas ácidas sobre o trauma, onde o patriarcado é tão vil quanto o monstro demoníaco enjaulado dentro de uma adolescente canibal. E, infelizmente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Garota Infernal</span></i><span style="font-weight: 400;"> provou na pele o poder do sistema, questionando: quem tem medo de Jennifer Check?</span></p>
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		<title>The Rocky Horror Picture Show não cabe em nenhuma caixinha</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Oct 2021 18:45:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Lopes Gomez Nota mental: nunca tentar definir o gênero cinematográfico e nem descrever o roteiro de The Rocky Horror Picture Show. O longa musical dirigido por Jim Sharman e baseado na peça teatral homônima levou às telas a essência satírica e tumultuada de comédia, terror e ficção científica todos juntos e misturados, com muita &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-rocky-horror-picture-show-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "The Rocky Horror Picture Show não cabe em nenhuma caixinha"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23955" aria-describedby="caption-attachment-23955" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23955" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-1.jpg" alt="Cena do filme The Rocky Horror Picture Show. Na imagem, em um primeiro plano, vemos o braço flexionado e musculoso do personagem Rocky, um homem branco e loiro, que está de costas e só aparece parcialmente. Em um segundo plano, atrás do braço de Rocky, vemos, da esquerda para a direita, Janet e Brad, uma mulher e um homem brancos, ambos aparentando cerca de 30 anos e vestindo roupões brancos; à frente deles, Magenta, uma mulher branca de cabelos encaracolados vestindo um vestido preto e de lado para a câmera; Frank, o personagem principal, vestindo um corset preto e maquiagem e flexionando os braços; e Riff Raff, um homem branco, de cabelos loiros e longos somente na lateral da cabeça, segurando uma toalha e encarando Frank. " width="1080" height="651" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-1.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-1-800x482.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-1-1024x617.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-1-768x463.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23955" class="wp-caption-text">The Rocky Horror Picture Show surgiu porque o criador Richard O’Brien, que também interpreta Riff Raff, estava entediado e insatisfeito com seus papéis no teatro (Foto: 20th Century Fox)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Lopes Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nota mental: nunca tentar definir o gênero cinematográfico e nem descrever o roteiro de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror Picture Show</span></i><span style="font-weight: 400;">. O longa musical dirigido por Jim Sharman e baseado na peça teatral homônima</span> <span style="font-weight: 400;">levou às telas a essência satírica e tumultuada de comédia, </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/terror/"><span style="font-weight: 400;">terror</span></a><span style="font-weight: 400;"> e ficção científica todos juntos e misturados, com muita música, irreverência e atrevimento. Assim como os </span><a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/o-que-sao-filmes-b/"><span style="font-weight: 400;">filmes B</span></a><span style="font-weight: 400;"> que se propôs a homenagear, a rebelde produção </span><a href="https://www.rogerebert.com/reviews/the-rocky-horror-picture-show-1976"><span style="font-weight: 400;">foi criticada</span></a><span style="font-weight: 400;">, deixada de lado e jogada para as exibições com menor audiência. Entre o público das sessões, o propositalmente ridículo e contracultural </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror Picture Show </span></i><span style="font-weight: 400;">foi compreendido e, justamente por causa dos renegados, se tornou o clássico </span><a href="https://canaltech.com.br/entretenimento/o-que-torna-um-filme-cult-186269/"><i><span style="font-weight: 400;">cult</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">definitivo e atemporal que é hoje.</span></p>
<p><span id="more-23954"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama do filme, Brad (Barry Bostwick) e Janet (Susan Sarandon) são um jovem casal apaixonado e recatado que decide pegar a estrada para contar as boas novas a um amigo em comum: eles noivaram! Isso até que uma tempestade e um pneu furado atrapalham a viagem e os deixam presos no meio do nada. Obrigados a pedirem ajuda no único lugar possível, um castelo macabro, o casal só queria </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZCZDWZFtyWY"><span style="font-weight: 400;">fazer uma ligação e voltar para o carro</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas toca a campainha em uma noite especial. Os dois são conduzidos ao salão principal pelo misterioso e antipático mordomo Riff Raff (Richard O’Brien) e quando veem, já estão envolvidos no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-w0WPkB3XJ4"><span style="font-weight: 400;">excêntrico evento</span></a><span style="font-weight: 400;"> marcado para acontecer naquela data.</span></p>
<figure id="attachment_23956" aria-describedby="caption-attachment-23956" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23956" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-2.gif" alt="Cena do filme The Rocky Horror Picture Show. Em frente a uma tela branca no que aparenta ser uma biblioteca, vemos, ao centro, um homem branco, de cabelos brancos curtos, aparentando cerca de 50 anos, vestindo um terno preto, com a mão levantada segurando um cigarro e inclinando a cabeça enquanto fala." width="650" height="398" /><figcaption id="caption-attachment-23956" class="wp-caption-text">“Eu gostaria, se eu puder, de te levar em uma estranha jornada” (GIF: 20th Century Fox)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uSSlYwVEMSM"><span style="font-weight: 400;">abertura</span></a><span style="font-weight: 400;">, o número musical e os convidados extravagantes já não derrubaram a ficha de que </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror Picture Show </span></i><span style="font-weight: 400;">é algo além do convencional, chega o anfitrião da festa, o Dr. Frank-N-Furter. Entrada triunfal é pouco: de meia arrastão e batom vermelho, ele desce por um elevador engatando em uma envolvente e divertida performance, se apresenta como um Doce Travesti da Transsexual Transilvânia e convida o casal para o laboratório, onde revelará seu mais novo experimento: um homem feito por ele para satisfazer seus desejos. Logo de cara, o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G5sTIGLo79g"><span style="font-weight: 400;">protagonista de Tim Curry</span></a><span style="font-weight: 400;"> já é estonteante &#8211; Janet e Brad que o digam.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Daí para frente, com o Frankenstein musculoso e de sunguinha do Doutor Furter ganhando vida, um ex-amante retornando e o casal tendo que passar a noite no castelo, é impossível prever os rumos que a premissa toma e a cada curva o caminho fica mais estranho &#8211; e mais divertido. </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror </span></i><span style="font-weight: 400;">está ciente de sua bizarrice e não liga. Ao contrário, a produção aproveita o rótulo </span><a href="http://jornalismojunior.com.br/o-mundo-trash-uma-breve-introducao-a-um-genero-incompreendido/"><i><span style="font-weight: 400;">trash</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">para ser mais escrachada ainda: os números musicais extravagantes, os figurinos coloridos e ultrajados e as performances excessivas criam a atmosfera debochada, cômica e despreocupada que fez da produção um verdadeiro </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-news/tim-curry-once-got-thrown-out-of-a-rocky-horror-picture-show-screening-4168625/"><span style="font-weight: 400;">espetáculo</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Rocky Horror Picture Show (1975) - Sweet Transvestite Scene (3/5) | Movieclips" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ZCZDWZFtyWY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Literalmente um espetáculo. Depois de passar pelos palcos de Londres e Los Angeles, a peça escrita e composta por Richard O’Brien ganhou uma adaptação cinematográfica, o </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror Picture Show </span></i><span style="font-weight: 400;">como o conhecemos. Nas telas, a produção inicialmente </span><a href="https://didyouknow.org/rocky-horror-picture-show-flopped-on-release/"><span style="font-weight: 400;">não decolou</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas foram justamente nas sessões da meia noite que o que era um ousado e estranho longa se transformou em um fenômeno: é impossível não querer cantar e dançar com a animada trilha sonora e os espectadores começaram a performar junto dos números.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas madrugadas, as exibições viraram ponto de encontro de fãs, que compareciam fantasiados como os personagens e se </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-T3wrbOr68w"><span style="font-weight: 400;">levantavam para encenar</span></a><span style="font-weight: 400;"> assim que os créditos iniciais passavam. O impacto da produção superou as telas e fez de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror Picture Show </span></i><span style="font-weight: 400;">um fenômeno cultural. Não por menos, o filme é até hoje o de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hefomj2O7PQ"><span style="font-weight: 400;">maior rodagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> em salas de cinemas, cravou imagens e </span><a href="https://tidibits.wordpress.com/2020/10/28/os-labios-de-man-ray-e-rock-horror-show/"><span style="font-weight: 400;">referências</span></a><span style="font-weight: 400;"> no imaginário popular e vira e mexe ganha homenagens em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0hqtEvVVrvk"><span style="font-weight: 400;">séries</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=axcECZzlPVI"><span style="font-weight: 400;">filmes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e até um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XZE54I5zmVc"><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com a participação do genial intérprete de Frank como o criminologista narrador da história.</span></p>
<figure id="attachment_23957" aria-describedby="caption-attachment-23957" style="width: 1170px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23957" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-3.jpg" alt=" Cena do filme The Rocky Horror Picture Show. Em frente a uma cortina vermelha em um palco, vemos, da esquerda para a direita, Columbia, uma mulher branca, aparentando cerca de 30 anos, usando maquiagem e vestindo um traje e um chapéu coloridos e brilhantes; ao centro, em uma cadeira que imita um trono, vemos Frank, vestindo um corset, salto alto e maquiagem e deitado de lado; acima dele, apoiada na cadeira, Magenta, uma mulher branca, aparentando cerca de 30 anos, de cabelos encaracolados e castanhos, com o rosto pintado de branco e maquiado; e, à direita, Riff Raff, um homem branco, com cabelos loiros longos somente na lateral da cabeça, vestindo uma roupa toda preta e com luvas pretas, apoiado na cadeira em que Frank está." width="1170" height="780" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-3.jpg 1170w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-3-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23957" class="wp-caption-text">Grande parte do elenco do filme, incluindo o brilhante Tim Curry, já participava de The Rocky Horror quando a produção ainda era uma peça independente nos teatros de Londres (Foto: 20th Century Fox)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E falando de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror</span></i><span style="font-weight: 400;">, Tim Curry merece um destaque inteiro só para ele. Seus companheiros de elenco são divertidos e fundamentais à trama &#8211; no final, então&#8230; &#8211; mas é o cientista maluco que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mjHksjW4XQk"><span style="font-weight: 400;">rouba todos os holofotes</span></a><span style="font-weight: 400;">. O Frank-N-Furter de Curry é inigualável e sua presença em cena, hipnótica. O ator cria uma atmosfera misteriosa, instigante e sedutora a partir do exótico de seu personagem, e ascende como a força central do filme. Isso para não começar nos vocais: a voz potente e extasiante do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G5sTIGLo79g"><span style="font-weight: 400;">artista</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma atração à parte a cada número musical (e são muitos) e tornam o protagonista ainda mais arrebatador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além das </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wb1HDnYPPoo"><span style="font-weight: 400;">músicas grudentas</span></a><span style="font-weight: 400;">, do visual estimulante e das fantasias de </span><i><span style="font-weight: 400;">Halloween</span></i><span style="font-weight: 400;"> que não envelhecem, o apelo de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror </span></i><span style="font-weight: 400;">não é difícil de entender. Mais do que puro e simples entretenimento, o longa de Jim Sharman foi acolhedor ao reconhecer as diferenças e as abraçar. Orgulhosa de sua própria bizarrice, a produção assume sua despretensão e extravagância e a usa para ser, também, transgressora.</span></p>
<figure id="attachment_23958" aria-describedby="caption-attachment-23958" style="width: 1791px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23958" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-4.png" alt="Cena do filme The Rocky Horror Picture Show. Na imagem, em frente a um pano de fundo azul com uma torre e letras, vemos, da esquerda para a direita, Frank, vestindo um corset vermelho e usando maquiagem; Janet e Brad, que segura na cintura de Janet. Ambos vestem corset preto e usam maquiagem no rosto." width="1791" height="1077" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-4.png 1791w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-4-800x481.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-4-1024x616.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-4-768x462.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-4-1536x924.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-4-1200x722.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23958" class="wp-caption-text">Escalar Barry Bostwick e Susan Sarandon nos papéis de Brad e Janet foi uma exigência do estúdio, que queria que o casal principal fosse estadunidense (Foto: 20th Century Fox)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1975, nem uma década depois da </span><a href="https://www.cadaminuto.com.br/noticia/2019/10/18/a-censura-em-hollywood-e-o-codigo-hays"><span style="font-weight: 400;">censura dos bons costumes</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Cinema ter sido abolida, o filme não poupou na sensualidade. Na pele dos novatos Susan Sarandon e Barry Bostwick, a inocente Janet e o quadradão Brad estavam se guardando para depois do casamento, até que ambos foram seduzidos e (de bom grado) deixaram ser corrompidos pelo inebriante Frank. Se o casal era casto até conhecê-lo, o anfitrião já deixava claro suas intenções e desejos, sem firulas no assunto. Até o recém-nascido Rocky, criado unicamente para satisfazer seu criador, já </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tdufVsPXtCE"><span style="font-weight: 400;">vem ao mundo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sunga apertada e, por mais ingênuo que seja, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oHv0VrAUYLY"><span style="font-weight: 400;">cheio de tesão</span></a><span style="font-weight: 400;"> por Janet.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como já pregava o lema “</span><i><span style="font-weight: 400;">Entregue-se ao prazer absoluto</span></i><span style="font-weight: 400;">”, em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LnYBwampG8U"><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Picture Show</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não existe espaço para falso moralismo ou conservadorismo tolo. Com sua aura erótica e provocativa, o filme tirou sarro dos bons costumes da época, mas também jogou o holofote em temas como liberdade sexual e sexualidade. Nesta última, apesar dos anos 70 terem sido uma </span><a href="https://educacao.uol.com.br/noticias/2021/06/28/o-que-foi-a-rebeliao-de-stonewall-inn-que-deu-origem-ao-dia-do-orgulho-gay.htm"><span style="font-weight: 400;">época próspera</span></a><span style="font-weight: 400;"> para essas discussões, o tabu estava longe de ser quebrado e Tim Curry em um </span><i><span style="font-weight: 400;">corset</span></i><span style="font-weight: 400;">, cantando abertamente sobre seus desejos carnais e levando Brad e Janet para a cama foi revolucionário. </span></p>
<figure id="attachment_23959" aria-describedby="caption-attachment-23959" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23959" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-5.jpg" alt="Cena do filme The Rocky Horror Picture Show. Na imagem, em frente a uma porta aberta e com muita fumaça em volta, vemos ao centro, da esquerda para a direita, Riff Raff, um homem pintado de branco, com os cabelos presos para cima, vestindo um traje prateado com uma estética futurista e segurando o que aparenta ser uma arma também futurista; e Magenta, uma mulher pintada de branco, com os cabelos penteados para o alto e com uma mecha prateada, vestindo um traje igual o de Riff Raff, com as mãos na cintura." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-5.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-5-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23959" class="wp-caption-text">Criador do roteiro original e intérprete de Riff Raff, Richard O’Brien também compôs a inesquecível trilha sonora de The Rocky Horror Show e The Rocky Horror Picture Show (Foto: 20th Century Fox)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tempo presente, </span><a href="https://www.theatlantic.com/entertainment/archive/2015/09/after-40-years-rocky-horror-has-become-mainstream/407491/"><span style="font-weight: 400;">décadas depois</span></a><span style="font-weight: 400;"> da estreia. O debate sobre gênero e sexualidade avançou e até as pautas mudaram, mas a relevância da produção sobreviveu ao tempo, assim como suas sátiras ao conservadorismo. No contexto do lançamento, </span><i><span style="font-weight: 400;">TRHPS </span></i><span style="font-weight: 400;">foi subversivo e quebrou com os padrões da época. Em qualquer outro, como o agora, a mensagem de rebeldia e de desobediência do comum permanece atemporal, mais um dos motivos para olharmos para a produção com ainda mais carinho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final, se os cem minutos anteriores já não foram fascinantes e tresloucados o suficiente, a conclusão do filme aceita o desafio de tornar tudo ainda mais maluco e nada prepara para o grande desfecho. </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/comedia/"><span style="font-weight: 400;">Comédia</span></a><span style="font-weight: 400;">, terror, </span><a href="https://personaunesp.com.br/super-8-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">ficção científica</span></a><span style="font-weight: 400;">, musical, tudo se bagunça, se mistura e se caçoa. Afinal, no caleidoscópio de cores, sons, reviravoltas, sentidos e experiências, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror </span></i><span style="font-weight: 400;">já havia mostrado que não cabe em nenhuma caixinha pré-definida e que é só si próprio &#8211; e daí seu sucesso e seu merecido </span><i><span style="font-weight: 400;">status</span></i><span style="font-weight: 400;"> definitivo. Como os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EcPZZ_hPVPA"><span style="font-weight: 400;">personagens cantam em coro</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror Picture Show </span></i><span style="font-weight: 400;">não sonha em ser, é.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: The Rocky Horror Picture Show - Original Soundtrack" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/4QviryaneolcRmDB57SLco?si=TyoeSKc7SHCWoNwWsgJf6g&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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