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	<title>Arquivos Cinema Brasileiro &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>25 anos de O Auto da Compadecida: humor, tradição e cultura nordestina</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Nov 2025 13:00:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Sinara Martins Baseado na obra de Ariano Suassuna, O Auto da Compadecida é considerado um clássico do cinema nacional não à toa. Lançado em 2000, o filme une a cultura popular nordestina, a literatura de cordel e tradições religiosas para contar as aventuras de João Grilo e Chicó. Entre astúcias, trapalhadas e denúncias sociais, a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/25-anos-de-o-auto-da-compadecida-humor-tradicao-e-cultura-nordestin/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "25 anos de O Auto da Compadecida: humor, tradição e cultura nordestina"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35966" aria-describedby="caption-attachment-35966" style="width: 737px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-35966" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-1.jpg" alt="Obra de arte de estilo sacro representando uma cena celestial. No centro, a Virgem Maria aparece de pé, vestida com túnica vermelha e manto azul, irradiando luz dourada. Acima de sua cabeça, dois anjos seguram uma coroa dourada. Ao redor, há santos e figuras religiosas com auréolas douradas, entre eles homens e mulheres em posição de oração ou contemplação. Dois anjos de túnicas vermelhas, posicionados abaixo, empunham lanças contra figuras demoníacas monstruosas que surgem em meio às chamas, com dentes afiados e expressões agressivas. O fundo é azul, repleto de estrelas douradas, reforçando a atmosfera celestial e simbólica de vitória do bem sobre o mal." width="737" height="416" /><figcaption id="caption-attachment-35966" class="wp-caption-text">A narrativa aclamada alcança uma harmonia única entre a cultura popular e a riqueza da criação literária (Foto: Globo Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Sinara Martins</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baseado na obra de Ariano Suassuna, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Auto da Compadecid</span></i><span style="font-weight: 400;">a é considerado um clássico do cinema nacional não à toa. Lançado em 2000, o filme une a cultura popular nordestina, a </span><a href="https://www.educacao.sp.gov.br/voce-conhece-a-literatura-de-cordel/"><span style="font-weight: 400;">literatura de cordel</span></a><span style="font-weight: 400;"> e tradições religiosas para contar as aventuras de João Grilo e Chicó. Entre astúcias, trapalhadas e denúncias sociais, a narrativa conquista o público ao mesmo tempo em que valoriza a identidade cultural do Nordeste, faz críticas e reafirma a força do imaginário popular brasileiro.</span></p>
<p><span id="more-35962"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama é dividida em três atos: a apresentação, o conflito e o julgamento. O roteiro equilibra a comédia e a emoção, que se junta com a essência do Nordeste. É o tipo de filme que grita ‘Brasil’. A desigualdade está nas falas e trejeitos dos personagens, tão inesquecíveis. Expressões populares, </span><a href="https://portal.unit.br/blog/noticias/fala-nordestina-e-preconceito-linguistico/"><span style="font-weight: 400;">sotaques</span></a><span style="font-weight: 400;"> marcados e gestos simples refletem a vida de quem precisa improvisar para driblar as injustiças sociais, tornando o humor também um retrato crítico das desigualdades do país.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como na </span><a href="https://www.todamateria.com.br/comedia-dell-arte/"><i><span style="font-weight: 400;">commedia dell’arte</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – um tipo de teatro popular surgido na Itália no século XVI, em que os atores interpretavam personagens fixos e usavam muita improvisação, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Auto da Compadecida</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz figuras do povo que enfrentam os poderosos com astúcia e humor. Ariano Suassuna adapta essa tradição ao sertão nordestino: João Grilo é o malandro esperto que se salva pela inteligência, enquanto Chicó é o sonhador medroso e ingênuo. Essa influência dá ritmo e leveza à obra, unindo o riso popular italiano ao humor criativo e tipicamente brasileiro.</span></p>
<figure id="attachment_35965" aria-describedby="caption-attachment-35965" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35965" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-2-800x450.jpg" alt="Cena em ambiente árido do sertão, com chão de terra seca e vegetação esparsa ao fundo. Dois homens vestidos com roupas simples e gastas aparecem em primeiro plano. O da esquerda, João Grilo, sorri e segura um galho de madeira em forma de cruz acima da cabeça do companheiro. O da direita, Chicó, está ajoelhado, com expressão séria e olhar voltado para cima, também segurando um pedaço de madeira em formato de cruz. Atrás deles há uma carroça de madeira puxada por um animal, sugerindo um contexto rural e de pobreza." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-2-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-2.jpg 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35965" class="wp-caption-text">Grande parte das cenas foi gravada em Cabaceiras (PB). Depois do sucesso do filme, a cidade virou praticamente um cenário fixo de produções brasileiras e ganhou fama nacional (Foto: Globo Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">João Grilo, interpretado de forma brilhante por </span><a href="https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-28570/filmografia/"><span style="font-weight: 400;">Matheus Nachtergaele</span></a><span style="font-weight: 400;">, é sagaz e irresistivelmente carismático. Sua inteligência perspicaz o ajuda a superar situações complicadas e a enganar figuras poderosas, como o severo padre e o arrogante major. Já Chicó, vivido por </span><a href="https://extra.globo.com/tv-e-lazer/selton-mello-sobre-chico-de-auto-da-compadecida-papel-mais-popular-da-minha-vida-24174625.html#:~:text=%E2%80%9CUm%20trabalho%20que%20at%C3%A9%20hoje,antes%20e%20depois%20de%20Chic%C3%B3%E2%80%9D.&amp;text=%E2%80%94%20%C3%89%20algo%20t%C3%A3o%20poderoso%2C%20que,minha%20vida%20%E2%80%94%20declara%2Dse."><span style="font-weight: 400;">Selton Mello</span></a><span style="font-weight: 400;">, é covarde e sentimental, oferecendo alívio cômico em momentos de tensão. A química entre os dois protagonistas é vibrante e memorável. Esse contraste de personalidades enriquece a obra com leveza e dinamismo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais do que simples cenários, o filme traz uma representação autêntica do Nordeste. As paisagens áridas e as </span><a href="https://pointer.com.br/blog/a-historia-e-as-caracteristicas-da-arquitetura-nordestina/amp/"><span style="font-weight: 400;">casas humildes</span></a><span style="font-weight: 400;"> revelam tanto as dificuldades econômicas quanto a força e a beleza de um povo resistente. A fotografia, sempre cuidadosa, valoriza os detalhes culturais e transforma cada plano em uma imersão na vida sertaneja.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já o roteiro se destaca pela inteligência e pelo equilíbrio entre humor e crítica. Os diálogos espirituosos, que mesclam poesia com linguagem popular, dão ritmo à narrativa e aproximam o público da cultura regional. Situações absurdas e mal-entendidos garantem risadas, mas também abrem espaço para reflexões sobre</span><a href="https://vendoteatro.com/criticas/sobre-a-moral-e-os-bons-costumes-critica-de-o-auto-da-compadecida/2020/02/13/"><span style="font-weight: 400;"> moralidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, justiça e religião, usando o riso como ferramenta para questionar preconceitos e hierarquias sociais.</span></p>
<figure id="attachment_35964" aria-describedby="caption-attachment-35964" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-35964" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-2.jpg" alt="Imagem de uma cena teatral com dois personagens em trajes elaborados. Um personagem, representada pela Compadecida, veste uma túnica azul com detalhes brancos e vermelhos, segurando o rosto do outro personagem. O segundo personagem, representado por Jesus, está vestido com uma túnica branca adornada com ouro e um coração vermelho no peito, usando uma coroa de espinhos. O fundo é amarelo com ornamentos arquitetônicos, sugerindo um ambiente de palco." width="750" height="375" /><figcaption id="caption-attachment-35964" class="wp-caption-text">A obra foi a primeira produção realizada integralmente pela Globo Filmes, desde a concepção da ideia até sua execução (Foto: Diocese de Crato)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O desfecho, por sua vez, surpreende pela carga simbólica. Fé, justiça e humanidade se encontram na figura da Compadecida, interpretada por Fernanda Montenegro, que representa misericórdia e equilíbrio diante das falhas humanas. A jornada de João Grilo e Chicó se encerra com valores de astúcia, solidariedade e compaixão, num final que mistura emoção, crítica social e </span><a href="https://pt.linkedin.com/pulse/n%C3%A3o-sei-s%C3%B3-que-foi-assim-um-breve-passeio-pela-obra-de-silva-7iynf"><span style="font-weight: 400;">comédia refinada</span></a><span style="font-weight: 400;"> – deixando no espectador a sensação de encantamento e reflexão duradoura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Considerado um marco do </span><a href="https://infograficos.oglobo.globo.com/cultura/top10-filmes-brasileiros.html"><span style="font-weight: 400;">cinema brasileiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Auto da Compadecida</span></i><span style="font-weight: 400;"> permanece vivo no imaginário coletivo. Sua mistura de comédia, drama e fantasia consegue ser leve e profunda ao mesmo tempo, enquanto revela um retrato afetuoso e crítico do povo nordestino. Produzida como minissérie em 1998 na </span><i><span style="font-weight: 400;">Rede Globo</span></i><span style="font-weight: 400;">, a produção fez tanto sucesso que ganhou versão para o cinema, com 100 minutos a menos que a original. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2024, a obra ganhou uma continuação – </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-auto-da-compadecida-2-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Auto da Compadecida 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A estreia do novo filme confirma a força e o impacto duradouro da criação de Ariano Suassuna. Passados 25 anos do lançamento original, a história segue emocionante e necessária, ao tratar de temas universais como desigualdade, fé, justiça e sobrevivência, que continuam a dialogar intensamente com a sociedade brasileira.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="O Auto da Compadecida 2 | Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ke4x5ywVhiw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A Longa Viagem do Ônibus Amarelo é guiada por gestos de Cinema</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Nov 2023 22:44:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Enzo Caramori É incerto se a noite afora, que entrava em um pequeno corredor na rua Augusta, é que invadia uma sala escura com seus barulhos, ou se seria o novo filme do diretor Júlio Bressane que venta e, acima de tudo, uiva. Na sessão de A Longa Viagem do Ônibus Amarelo (2023) na 47ª &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-longa-viagem-do-onibus-amarelo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Longa Viagem do Ônibus Amarelo é guiada por gestos de Cinema"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31860" aria-describedby="caption-attachment-31860" style="width: 744px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-31860 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Captura-de-tela-2023-11-16-193340.png" alt="" width="744" height="543" /><figcaption id="caption-attachment-31860" class="wp-caption-text">A viagem de Júlio Bressane recupera desde antigos filmes familiares feitos em Super 8 e versões brutas de seus filmes até imagens amadoras feitas durante a pandemia de Covid-19 (Foto: TB Produções)</figcaption></figure>
<p><b>Enzo Caramori</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É incerto se a noite afora, que entrava em um pequeno corredor na rua Augusta, é que invadia uma sala escura com seus barulhos, ou se seria o novo filme do diretor Júlio Bressane que venta e, acima de tudo, uiva. Na sessão de </span><a href="https://43.mostra.org/br/filme/10783-A-Longa-Viagem-do-Onibus-Amarelo"><i><span style="font-weight: 400;">A Longa Viagem do Ônibus Amarelo</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2023)</span> <span style="font-weight: 400;">na 47ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, algo de misterioso ressoava durante a experiência de quatrocentos minutos, sete horas e variados tempos. O resgate, pelo próprio diretor em conjunto com seu montador Rodrigo Lima, de sua vasta filmografia e de seu acervo íntimo de imagens, instaura uma determinada fantasmagoria do que é, realmente, uma experiência de Cinema. </span></p>
<p><span id="more-31859"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A palavra monumento, que atravessa as descrições do longa e do trabalho de Bressane, é o índice que dá a essência do que o diretor busca em uma corrente de fragmentos de imagens que nunca se apossam de valor narrativo algum, mas se multiplicam, refazem e se repetem, exigindo do espectador não necessariamente o assistir; mas o olhar. Da mesma forma que se pode flanear, distrair-se e olhar de diversos ângulos para um monumento, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Longa Viagem do Ônibus Amarelo </span></i><span style="font-weight: 400;">convoca uma viagem estética por imagens, domando o tempo e restituindo a vertigem de um passado distante. É um monumento para além de sua duração de uma tarde, mas por se construir pelo </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/10/o-cinema-esta-oculto-nos-filmes-diz-julio-bressane-premiado-na-mostra-de-sp.shtml"><span style="font-weight: 400;">desvelamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> da montagem – a estrutura verdadeiramente primal dos filmes – em construir uma vasta estrutura quase arquivística, em que tudo que Bressane produziu, sendo um dos maiores realizadores brasileiros de Cinema, eterniza-se em um ritmo onírico, descontínuo e poético da Memória.</span></p>
<figure id="attachment_31861" aria-describedby="caption-attachment-31861" style="width: 721px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31861" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Captura-de-tela-2023-11-16-193645.png" alt="" width="721" height="442" /><figcaption id="caption-attachment-31861" class="wp-caption-text">Júlio Bressane foi o autor homenageado na 47ª edição da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: TB Produções)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez o enquadramento de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Longa Viagem do Ônibus Amarelo </span></i><span style="font-weight: 400;">em uma sinopse fechada possa atribuir como elemento central o que o Cinema e a vivência com imagens surte à experiência vivida. No entanto, nessa lógica, qualquer cobrança de comentário do autor sobre o que registrou e viveu – como a viagem que dá nome ao filme, realizada com sua companheira Rosa Dias e o cineasta Andrea Tonacci – não entende o que, verdadeiramente, reverbera seu fluxo e seu ritmo de imagens que parecem muito mais almejar o gesto do que o sentido. Variadas </span><a href="https://cinemarama.wordpress.com/2023/04/22/bafici-2023-a-longa-viagem-do-onibus-amarelo/"><span style="font-weight: 400;">sequências</span></a><span style="font-weight: 400;"> são suscitadas por movimentos, objetos e espaços que desencadeiam a montagem: a claquete, uma câmera na mão, o subir, a língua e o descer de uma escada são alguns dos exemplos de imagens postas em sequências com um teor infinito e espiralar. Procuradas e escavadas nos filmes do diretor, essas cenas, aqui, não são referenciadas em uma condição de índices a suas próprias histórias, mas simplesmente a suas propriedades enquanto gestos de Cinema.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Produzido no processo de restauração de seu </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/06/julio-bressane-sintetiza-seus-quase-60-filmes-em-obra-de-7-horas-com-cenas-ineditas.shtml"><span style="font-weight: 400;">material fílmico</span></a><span style="font-weight: 400;">, o caráter de sua montagem promove o toque mútuo de suas filmagens amadoras e familiares com suas peças ficcionais, que não constroem nenhum novo gênero ou algo híbrido como uma autoficção. Até mesmo essas categorias – de ficção ou documentário – são diluídas a favor de uma dinâmica intrincada, em que seus longas ficcionais são colocados em uma seara íntima e o íntimo é proposto a ficcionalização, funcionando numa ordem de montagem e de percepção em que são colocados a uma mesma condição.</span></p>
<p><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/julio-bressane-sera-homenageado-na-mostra-internacional-de-cinema"><span style="font-weight: 400;">Júlio Bressane</span></a><span style="font-weight: 400;"> percebe imagens por imagens, não pelo que elas possam construir em significado pela integridade e unidade, mas enquanto palimpsestos nos quais o tempo se imprime e se apaga novamente pela maneira elétrica em que a memória não somente individual, mas do filme – mídia e entidade de criação – se faz em sua vida. É mais um </span><a href="https://limiterevista.com/2023/07/11/conversa-com-julio-bressane-i/"><span style="font-weight: 400;">biografema</span></a><span style="font-weight: 400;"> do que uma biografia, enredando a partir da ficção e da não literalidade da memória a uma adaptação do real em imagens que avançam e retrocedem e que parecem, em um certo momento, serem um </span><i><span style="font-weight: 400;">making-of </span></i><span style="font-weight: 400;">não só da vida particular, mas de uma escritura específica do Cinema Brasileiro.</span></p>
<figure id="attachment_31862" aria-describedby="caption-attachment-31862" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31862" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/UzMBFQBpZmZyLmZpb25hLW9ubGluZS5uZXQ0AGF0dGFjaG1lbnRzL2ZmMGMyZGYyLWQ4N2ItNDFlYi05YzgxLTlhN2ZiNDI1NTI1Zi5qcGc-1-800x450.webp" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/UzMBFQBpZmZyLmZpb25hLW9ubGluZS5uZXQ0AGF0dGFjaG1lbnRzL2ZmMGMyZGYyLWQ4N2ItNDFlYi05YzgxLTlhN2ZiNDI1NTI1Zi5qcGc-1-800x450.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/UzMBFQBpZmZyLmZpb25hLW9ubGluZS5uZXQ0AGF0dGFjaG1lbnRzL2ZmMGMyZGYyLWQ4N2ItNDFlYi05YzgxLTlhN2ZiNDI1NTI1Zi5qcGc-1-1024x576.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/UzMBFQBpZmZyLmZpb25hLW9ubGluZS5uZXQ0AGF0dGFjaG1lbnRzL2ZmMGMyZGYyLWQ4N2ItNDFlYi05YzgxLTlhN2ZiNDI1NTI1Zi5qcGc-1-768x432.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/UzMBFQBpZmZyLmZpb25hLW9ubGluZS5uZXQ0AGF0dGFjaG1lbnRzL2ZmMGMyZGYyLWQ4N2ItNDFlYi05YzgxLTlhN2ZiNDI1NTI1Zi5qcGc-1-1536x864.webp 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/UzMBFQBpZmZyLmZpb25hLW9ubGluZS5uZXQ0AGF0dGFjaG1lbnRzL2ZmMGMyZGYyLWQ4N2ItNDFlYi05YzgxLTlhN2ZiNDI1NTI1Zi5qcGc-1-1200x675.webp 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/UzMBFQBpZmZyLmZpb25hLW9ubGluZS5uZXQ0AGF0dGFjaG1lbnRzL2ZmMGMyZGYyLWQ4N2ItNDFlYi05YzgxLTlhN2ZiNDI1NTI1Zi5qcGc-1.webp 2048w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31862" class="wp-caption-text">O recorte de uma História específica do país e do própria filmografia de Bressane se dá pela presença de personagens como Gal Costa, Haroldo de Campos e Grande Otelo (Foto: TB Produções)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O Cinema não se lembra como as enciclopédias e os dicionários, e também não se esquece como os </span><a href="https://olhave.com.br/2018/10/atlas-mnemosyne-busca-infinita-por-arquivar-imagens-e-pensamentos/"><span style="font-weight: 400;">arquivos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mais contempla, internamente, dentro de seus blocos de ações, o mundo que o rodeia. Especialmente, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Longa Viagem do Ônibus Amarelo </span></i><span style="font-weight: 400;">faz que, mesmo dispondo-se de títulos de linguagem cinematográfica complexa e sofisticada, os filmes apenas sejam pares de olhos comuns descobrindo novas paisagens e combinações de sentido, numa viagem-captura em que até mesmo o que não pertence ao espectador – a História íntima – desperte o esplendor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os rastros de uma montagem que beira o caráter confessional, expondo as obsessões estéticas e conceituais da grande autoria de Júlio Bressane, situa além de um caráter ontológico do Cinema, em que o silêncio inaugura a obra. Como um preâmbulo aos sentidos imagináveis, uma elegia não a suas seis décadas de produção, mas à memória registrada e seu suporte, como a vida, tão efêmera, mas ao mesmo tempo eterna, na forma de Arte.</span></p>
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		<title>Mussum, o Filmis: o samba e o humor brasileiro agradecem</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Nov 2023 19:44:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Mussum, o Filmis chegou às telas em uma safra fértil para as personalidades brasileiras: alguns meses depois de Nosso Sonho, junto do documentário Elis e Tom, Só Tinha de Ser com Você e Meu Nome é Gal, e pouco antes de Meu Sangue Ferve por Você. Haja cultura e diversidade em um ano &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/mussum-o-filmis-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Mussum, o Filmis: o samba e o humor brasileiro agradecem"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31839" aria-describedby="caption-attachment-31839" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31839" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586.jpg" alt="" width="1280" height="531" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586-800x332.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586-1024x425.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586-768x319.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586-1200x498.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31839" class="wp-caption-text">Maior estreia nacional em 2023, Mussum, o Filmis integrou a programação da 47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Downtown Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegou às telas em uma safra fértil para as personalidades brasileiras: alguns meses depois de </span><a href="https://personaunesp.com.br/nosso-sonho-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nosso Sonho</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, junto do documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">Elis e Tom, Só Tinha de Ser com Você </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eV1cJ560K2E"><i><span style="font-weight: 400;">Meu Nome é Gal</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e pouco antes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Meu Sangue Ferve por Você</span></i><span style="font-weight: 400;">. Haja cultura e diversidade em um ano em que, independentemente dos desempenhos individuais de cada obra, o Cinema nacional mostrou a potência que é &#8211; e que poderia ser ainda maior com </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/08/as-cotas-de-tela-sao-positivas-para-o-cinema-brasileiro-e-precisam-ser-retomadas.shtml"><span style="font-weight: 400;">políticas públicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que verdadeiramente valorizassem esse potencial. Para melhorar, a envolvente cinebiografia do sambista, ator e comediante Mussum, eternamente conhecido pelo seu papel como um dOs Trapalhões, arranca risadas fáceis e, não por menos, estreou com seis Kikitos do Festival da Gramado na bagagem, além de passagens pelo Festival do Rio 2023 e pela 47ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, na seção Mostra Brasil.</span></p>
<p><span id="more-31833"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">veio com um desafio: adaptar para as telas, em pouco menos de duas horas, a vida de uma personalidade polivalente, que se destacou na Música, na TV e no Cinema. Logo aqui, o roteiro de Paulo Cursino toma uma decisão importante de focar menos no extenso currículo pelo qual o profissional é conhecido e mais em Antônio Carlos Bernardes Gomes, nome real de </span><a href="https://gshow.globo.com/tudo-mais/tv-e-famosos/noticia/ailton-graca-explica-origem-do-apelido-mussum-e-um-peixe.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Mussum</span></a><span style="font-weight: 400;">. É por esse título (ou melhor, Carlinhos) que ele era conhecido em sua faceta artística preferida, a de sambista, e o apelido da Televisão vira coadjuvante em uma história que mostra os bastidores pessoais do Trapalhão.</span></p>
<figure id="attachment_31834" aria-describedby="caption-attachment-31834" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31834" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-2.jpg" alt="" width="750" height="421" /><figcaption id="caption-attachment-31834" class="wp-caption-text">Estreando na direção de longas-metragem em Mussum, Silvio Guindane é mais conhecido por seu trabalho como ator, tendo participado Bom Dia, Verônica e É Fada (Foto: Downtown Filmes)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">é pau para toda obra: entre comédia e drama, a obra entrega excelência, risadas e emoções. Além de transitar entre os dois gêneros, o longa-metragem &#8211; o primeiro de Silvio Guindane na direção -, passeia entre a </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/noticia/2023/10/22/ailton-graca-mussum-e-um-personagem-tao-grande-que-precisa-de-tres-atores-para-dar-vida.ghtml"><span style="font-weight: 400;">vida pessoal de Carlinhos</span></a><span style="font-weight: 400;"> desde a infância até o auge da carreira na Rede Globo, esquivando até de alguns clichês. Por exemplo, a origem humilde do menino, que cresceu com uma mãe solo diarista e sem pai por perto no Rio de Janeiro, ganha tons de comédia com uma mãe mestre em arrancar sorrisos. Interpretada por Cacau Protásio em um primeiro momento, Malvina ensina o filho que estudar é o mais importante na vida e que, como jogador de futebol ou sambista, ele não vai dar certo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O erro é claro. O doce Carlinhos, até aqui vivido por um carismático Thawan Lucas Bandeira, vai para um colégio interno e vira militar. Pelo menos, isso é o que a versão jovem adulta de </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/entrevistas/mussum-o-filmis-todo-mundo-brinca-que-foi-uma-parada-espiritual-que-o-mussum-baixou-em-mim-naquele-momento-revela-yuri-marcal/"><span style="font-weight: 400;">Yuri Marçal</span></a><span style="font-weight: 400;"> conta. Cheio de caras e bocas, o protagonista é apresentado como um sambista de primeira e, mesmo que minta para mãe sobre seu paradeiro, ganha a vida tocando junto de Elza Soares e fazendo mais dinheiro do que ele poderia imaginar, o que o faz largar o Exército e investir de vez na carreira. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">é econômico em como ele chegou até ali, mas, mais para frente, mostra que a economia na verdade era sucintez.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fato é: a formação que tocou com a rainha da Música brasileira era </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rvuNLJX1Pt8&amp;pp=ygUZb3JpZ2luYWlzIGRvIHNhbWJhIHRlcmV6YQ%3D%3D"><span style="font-weight: 400;">Os Originais do Samba</span></a><span style="font-weight: 400;">, grupo de Antônio Carlos que se tornou notório no gênero musical. No entanto, por mais que Carlinhos estivesse satisfeito com o título de musicista dividindo uma roda de samba com Cartola, a sorte (ou o acaso) o chamou. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mussum</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostra como, em uma apresentação na Rede Globo, o artista foi notado pelo diretor e, de um segundo para o outro, estava dividindo o palco com Grande Otelo e ganhando o apelido que o acompanharia pelo resto de seus dias.</span></p>
<figure id="attachment_31835" aria-describedby="caption-attachment-31835" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31835" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-4.jpg" alt="" width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-31835" class="wp-caption-text">O longa-metragem foi sucesso de bilheteria e, logo no dia da estreia, arrecadou R$ 640 mil, se tornando a maior estreia nacional do ano (Foto: Downtown Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse momento, Carlinhos já é </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/ailton-graca-sobre-mussum-o-racismo-cria-estereotipos-para-homem-preto"><span style="font-weight: 400;">Ailton Graça</span></a><span style="font-weight: 400;">. As transições cheias de estilo, que combinam com o tom descontraído que o longa propõe, engolem alguns eventos importantes da vida de Mussum, sem um controle certo do tempo. Porém, o roteiro admite (e acerta) que não tenta abraçar o mundo com as mãos. Passagens como o primeiro e o segundo casamento do artista, sua relação com os filhos e até o início da colaboração com a </span><a href="https://oglobo.globo.com/blogs/ancelmo-gois/post/2023/10/mussum-o-filmis-sera-exibido-na-quadra-da-mangueira-grande-paixao-do-humorista.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Estação Primeira de Mangueira</span></a><span style="font-weight: 400;"> passam batido, mas compensam o espectador com outros momentos igualmente emocionantes. É impossível não se emocionar com o pequeno ensinando a mãe a escrever o nome ou sentir que está vendo a história se desenrolando ao testemunhar o comediante e a cantora Alcione (</span><span style="font-weight: 400;">Clarice Paixão</span><span style="font-weight: 400;">) no mesmo quadro, ou Chico Anysio (Vanderlei Bernardino) criando o dialeto que deixou o personagem caricato na Escolinha do professor Raimundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem carrega toda essa emoção é Graça. O veterano da TV e do Cinema fecha o trio de ouro com a versão mais velha de Mussum, vivendo sua ascensão na frente das câmeras e na Música, desde a descoberta até a crise no grupo de samba e a entradas n</span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/televisao/em-1983-lucro-exorbitante-de-renato-aragao-provocou-rebeliao-em-os-trapalhoes-39202"><span style="font-weight: 400;">Os Trapalhões</span></a><span style="font-weight: 400;">. O filme deixa claro como o carisma e o bom humor de Antônio Carlos &#8211; e não Mussum &#8211; o alçou ao estrelato, chamando atenção inclusive de Anysio e Renato Aragão (Gero Camilo), que posteriormente o convidaria para integrar o quarteto mais famoso do domingo. Nisso, o ator igualmente carismático usa da sua maestria para preencher todos os espaços em que adentra, seja pela extravagância de sua risada, seu jeito cômico e magnético de falar ou por sua personalidade real, que o levaria a conflitos pessoais.</span></p>
<p><figure id="attachment_31837" aria-describedby="caption-attachment-31837" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31837" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-2.jpg" alt="" width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-31837" class="wp-caption-text">No Festival de Gramado, as atuações de Mussum, o Filmis renderam ao longa os troféus de Melhor Ator (Ailton Graça), Melhor Atriz Coadjuvante (Neusa Borges) e Melhor Ator Coadjuvante (Yuri Marçal) [Foto: Downtown Filmes]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Tais conflitos, inclusive, ganham mais ou menos importância dentro das quase duas horas. A trama elege o que prioriza, deixando um quê de dúvida sobre o que ficou de fora e o que foi </span><a href="https://gshow.globo.com/tudo-mais/tv-e-famosos/noticia/silvio-guindane-diz-que-fora-das-telas-mussum-nao-bebia-como-personagem-nao-era-a-parada-dele-nunca-foi.ghtml"><span style="font-weight: 400;">romantizado</span></a><span style="font-weight: 400;"> na vida de Mussum para as telas. A crise no primeiro casamento e a paternidade do artista, por exemplo, recebem menos atenção do que as brigas dentro do grupo musical ou entre Trapalhões em ascensão. Já o </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/entrevistas/mussum-o-filmis-quem-filma-o-preto-como-sofredor-e-o-branco-a-gente-nao-se-acha-coitado-por-isso-queria-falar-desse-amor-de-mae-e-filho-revela-o-diretor-silvio-guindane/"><span style="font-weight: 400;">racismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> aparece de forma sutil, mas a comédia não esquece do tom social: Carlinhos tem um letramento racial desde a infância, graças à mãe, e já mais velho pontua situações incômodas às quais é submetido dentro do programa de TV no domingo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa se balanceia e se redime em outros pontos. Recriando as cenas do programa na TV e das performances dOs Originais do Samba, trazendo figurinos da época e incluindo grandes nomes da cultura popular brasileira, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">acerta na nostalgia, na identificação da cultura nacional e na dinamicidade, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=d2qyEAzpBso"><span style="font-weight: 400;">deixando a própria história se contar</span></a><span style="font-weight: 400;">. Afinal, até os mais novos sabem quem é Didi, Boni ou Alcione. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já um dos pontos altos da sucintez do roteiro é o foco especial entre o conflito de interesses de Antônio Carlos e a relação com a mãe. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">faz jus à carreira de sambista do comediante e mostra como ele optou continuar na TV, mas sempre sonhando em retornar ao samba. Já na relação com a matriarca, a transição da juventude para a idade adulta traz Neusa Borges como a versão mais velha de Malvina. O retrato do afeto entre mãe e filho, com </span><a href="https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2023/08/20/mussum-o-filmis-e-o-grande-vencedor-do-51o-festival-de-cinema-de-gramado.ghtml"><span style="font-weight: 400;">cenas comoventes</span></a><span style="font-weight: 400;"> toda vez que Graça e Borges contracenam, mostram que o </span><i><span style="font-weight: 400;">Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">realmente não é sobre a carreira de Mussum, mas quem sempre esteve por trás dela.</span></p>
<p><figure id="attachment_31836" aria-describedby="caption-attachment-31836" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31836" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-3.jpg" alt="" width="750" height="421" /><figcaption id="caption-attachment-31836" class="wp-caption-text">Mussum, o Filmis foi o grande vencedor de Gramado e, além dos prêmios de atuação, levou Melhor Filme, Melhor Trilha Musical (Max de Castro) e Melhor Filme do júri popular [Foto: Downtown Filmes]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Alguns clichês são inevitáveis em todos os gêneros e, em cinebiografias, a tentativa de conectar a vida do artista retratado com o público pode enforcar a obra, criando momentos de emoção que simplesmente não vão para frente. Talvez por se tratar de uma história nacional e tão próxima de casa (ou melhor, da TV da sala), </span><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">tem tudo para encantar qualquer audiência &#8211; ela só tem que ser corajosa o suficiente para deixar a </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;"> de lado e </span><a href="https://almapreta.com.br/sessao/cultura/mussum-o-filmis-tem-a-maior-estreia-no-cinema-nacional-em-2023/"><span style="font-weight: 400;">valorizar o Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;"> e as personalidades brasileiras. </span></p>
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		<title>Nosso Sonho é coisa de Cinema</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Sep 2023 16:55:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Se o Cinema é um modo divino de contar a vida, as cinebiografias são a vida passando na frente dos nossos olhos. No entanto, assim como acontece com os documentários, realidade e ficção se misturam e o ponto de vista sempre se sobressai. Por que não usar isso a seu favor? É o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/nosso-sonho-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Nosso Sonho é coisa de Cinema"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31483" aria-describedby="caption-attachment-31483" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31483" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/nosso-sonho-1.jpg" alt="" width="768" height="284" /><figcaption id="caption-attachment-31483" class="wp-caption-text">Nosso Sonho esteve entre os cotados para representar o Brasil como Melhor Filme Internacional no Oscar 2024 (Foto: Manequim Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se o Cinema é um modo divino de contar a vida, as cinebiografias são a vida passando na frente dos nossos olhos. No entanto, assim como acontece com os documentários, realidade e ficção se misturam e o </span><a href="https://personaunesp.com.br/navalny-critica/"><span style="font-weight: 400;">ponto de vista</span></a><span style="font-weight: 400;"> sempre se sobressai. Por que não usar isso a seu favor? É o que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=u-HjfQ4am88&amp;pp=ygUlanVhbiBwYWl2YSBsdWNhcyBwZW50ZWFkbyBwZXJmb3JtYW5jZQ%3D%3D"><i><span style="font-weight: 400;">Nosso Sonho: A História de Claudinho e Buchecha</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> faz: o longa-metragem que reconta a trajetória da maior dupla de funk nacional abraça de vez o sentimento e mostra que, por trás das coreografias inusitadas e das letras contagiantes, o que prevalecia era a amizade entre os dois.</span></p>
<p><span id="more-31479"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama, Buchecha (Juan Paiva) &#8211; na época Claucirlei &#8211; conhece Claudinho (Lucas ‘Koka’ Penteado) enquanto ainda eram crianças, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro. Depois de uma separação, os dois se reencontram no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iN9ZxfjjfR0"><span style="font-weight: 400;">Salgueiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> (local que foi tema da primeira música dos artistas) e retomam a amizade de infância mais forte do que antes. Entre bailes funks e partidas de futebol torcendo para o Flamengo, os jovens decidem formar uma dupla de MCs. E o resto é história.</span></p>
<figure id="attachment_31482" aria-describedby="caption-attachment-31482" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31482" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/nosso-sonho-2.jpg" alt="" width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/nosso-sonho-2.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/nosso-sonho-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/nosso-sonho-2-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31482" class="wp-caption-text">Na versão mais jovem, Claudinho e Buchecha são interpretados por Boca de 09 e Gustavo Coelho, respectivamente (Foto: Manequim Filmes)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Nosso Sonho </span></i><span style="font-weight: 400;">logo de cara já indica o que está por vir: para reviver uma dupla tão emocionante, a imparcialidade não será o forte. Nessa empreitada, quem assume a tarefa de exprimir tal emoção é o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yK7_GthAlMc"><span style="font-weight: 400;">próprio Buchecha</span></a><span style="font-weight: 400;">, tomando para si o lugar de narrador da história e personagem principal. Nisso, a entrega de Juan Paiva não falha na tarefa, perdendo lugar talvez apenas para o protagonista absoluto de Lucas ‘Koka’ Penteado, na pele de Claudinho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto o intérprete do segundo nome da dupla é quem leva a história para frente, tanto em narração como em ponto de vista, e fica com a responsabilidade das cenas dramáticas, Penteado ilumina o ambiente a cada segundo que aparece em tela. Os maneirismos e a língua presa do cantor são </span><a href="https://metropolitanafm.com.br/televisao/series-e-filmes/nosso-sonho-lucas-penteado-e-juan-paiva-revelam-desafios-em-interpretar-claudinho-e-buchecha"><span style="font-weight: 400;">reproduzidos fielmente</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo ator, que brilha em todos os momentos e faz jus à figura de Claudinho pintada pelo longa. Se na obra o cantor é representado como a força motriz da dupla, ‘Koka’ incorpora a essência de tal papel e rende desde passagens emocionais até boas risadas nas duas horas de duração do filme.</span></p>
<figure id="attachment_31480" aria-describedby="caption-attachment-31480" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31480" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/nosso-sonho-4.jpg" alt="" width="1600" height="591" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/nosso-sonho-4.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/nosso-sonho-4-800x296.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/nosso-sonho-4-1024x378.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/nosso-sonho-4-768x284.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/nosso-sonho-4-1536x567.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/nosso-sonho-4-1200x443.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31480" class="wp-caption-text">Momentos cômicos e dramáticos tornam Nosso Sonho uma montanha-russa de emoções (Foto: Manequim Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme não escapa de alguns clichês, mas justifica sua escolha. O roteiro &#8211; assinado pelo grupo formado por </span><a href="https://telaviva.com.br/25/09/2023/para-diretor-cinebiografia-de-claudinho-e-buchecha-resgata-natureza-afetuosa-do-brasileiro/"><span style="font-weight: 400;">Eduardo Albergaria</span></a><span style="font-weight: 400;">, Daniel Dias, Mauricio Lissovsky e Fernando Velasco &#8211; opta por uma narração batida, que por vezes denota algumas previsibilidades de como a história se sairá. Ao final, por exemplo, a reflexão de Buchecha sobre o impacto do amigo em sua vida não requer explicações. No entanto, o que poderia ser uma armadilha para uma dissertação sobre os eventos da vida dos dois, ao invés de mostrá-los, se revela o trunfo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Nosso Sonho</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É regra do gênero que as cinebiografias vão </span><a href="https://personaunesp.com.br/bohemian-rhapsody-critica/"><span style="font-weight: 400;">além da carreira</span></a><span style="font-weight: 400;"> do artista retratado e exploram a vida pessoal de seus objetos. O longa muda a estratégia: aqui, a trajetória de vida de Cláudio e Claucirlei constrói não apenas um panorama da carreira de ambos, mas uma declaração de amor a Claudinho. Sob a direção de Albergaria (que também assina o roteiro), cenas que poderiam ganhar tons didáticos viram emotivas e </span><a href="https://extra.globo.com/entretenimento/noticia/2023/09/nando-cunha-o-pai-de-buchecha-no-filme-nosso-sonho-diz-que-este-e-o-melhor-papel-de-sua-vida-fizemos-muitas-cenas-crueis.ghtml"><span style="font-weight: 400;">íntimas</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; desde a infância juntos até a ideia de formar a dupla, das composições ao nervosismo de subir ao palco pela primeira vez, da ideia da divertida coreografia até as conquistas no auge da fama. </span></p>
<figure id="attachment_31484" aria-describedby="caption-attachment-31484" style="width: 984px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31484" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/nossonho-sonho-4.webp" alt="" width="984" height="738" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/nossonho-sonho-4.webp 984w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/nossonho-sonho-4-800x600.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/nossonho-sonho-4-768x576.webp 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31484" class="wp-caption-text">A atuação de Nando Cunha como Buchechão, o pai de Buchecha, é um dos destaques de Nosso Sonho e foi descrita pelo ator como o melhor papel de sua carreira (Foto: Manequim Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não por menos, a direção e roteiro igualmente atenciosos ganharam a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ojILlmz2XXo&amp;pp=ygUianVhbiBwYWl2YSBsdWNhcyBwZW50ZWFkbyBzw7MgbG92ZQ%3D%3D"><span style="font-weight: 400;">benção do próprio Buchecha</span></a><span style="font-weight: 400;">, que assina parte da direção musical e, trazendo de volta </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mK_Hz3P2rJw&amp;pp=ygUgY2x1YWRpbmhvIGUgYnVjaGVjaGEgbm9zc28gc29uaG8%3D"><i><span style="font-weight: 400;">hits</span></i><span style="font-weight: 400;"> da dupla</span></a><span style="font-weight: 400;">, torna tudo ainda mais envolvente. Unida a eles, a direção de fotografia de João Atala também se sobressai. Com passagens naturalistas dos dois no dia a dia, desde em casa até o ônibus a caminho do trabalho, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nosso Sonho </span></i><span style="font-weight: 400;">salta aos olhos quando ambos frequentam os bailes </span><i><span style="font-weight: 400;">funks</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou sobem aos palcos como Claudinho &amp; Buchecha. As cores e a animação da dupla em frente à câmera criam uma atmosfera imersiva que torna impossível não mergulhar no sonho dos maiores expoentes do </span><i><span style="font-weight: 400;">funk melody</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda, reproduzindo imagens de arquivo, como as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mBAMRc_3y0Y&amp;pp=ygUdY2x1YWRpbmhvIGUgYnVjaGVjaGEgc8OzIGxvdmU%3D"><span style="font-weight: 400;">performances</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos dois, o filme cria um tom nostálgico até para quem não acompanhou de perto a ascensão da dupla. Os figurinos característicos e chamativos e as expressões cheias de personalidade se somam ao belo trabalho do longa-metragem, que seria um concorrente à altura caso tivesse sido o escolhido para representar o Brasil no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2024 &#8211; a </span><a href="https://olhardigital.com.br/2023/09/12/cinema-e-streaming/retratos-fantasmas-de-kleber-mendonca-filho-representara-o-brasil-no-oscar-2024/"><span style="font-weight: 400;">vaga</span></a><span style="font-weight: 400;"> ficou com </span><i><span style="font-weight: 400;">Retratos Fantasmas</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Kleber Mendonça Filho.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="NOSSO SONHO | Cena 1 | 21 de setembro nos cinemas" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/NbmnT0IILL4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final, o filme não faz milagre. A história não se encerra na morte de Claudinho &#8211; o cantor faleceu em um acidente de carro em 2002 em uma rodovia em Seropédica, no Rio de Janeiro, voltando de um show da dupla &#8211; e respeita o que foi construído até ali: a ligação intensa dos dois não terminaria com o fim da parceria musical, mas a </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/nosso-sonho-claudinho-buchecha"><span style="font-weight: 400;">amizade</span></a><span style="font-weight: 400;">, os ensinamentos e a conexão é eterna. Mesmo jogando seguro, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nosso Sonho: A História de Claudinho e Buchecha </span></i><span style="font-weight: 400;">faz jus a maior dupla brasileira do gênero. Acima de tudo, presta homenagem a um artista, ídolo de uma geração e amigo.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: BAILE DO NOSSO SONHO" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/5dkH51vDLYo6wkUPbSLHSK?si=80f96861b8834e22&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Capitu e o Capítulo: Júlio Bressane não trai Machado de Assis e exalta o romance Dom Casmurro</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Aug 2023 15:28:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo  Das discussões de sala de aula às do Twitter, Capitu traiu ou não Bentinho? Narrado pelo protagonista, a ausência de veredito provoca o clássico embate da obra de Machado de Assis. Em Capitu e o Capítulo, adaptação de Dom Casmurro, o diretor Júlio Bressane mantém o olhar subjetivo do narrador enquanto passeia entre &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/capitu-e-o-capitulo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Capitu e o Capítulo: Júlio Bressane não trai Machado de Assis e exalta o romance Dom Casmurro"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31347" aria-describedby="caption-attachment-31347" style="width: 1992px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31347" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image3-1.jpg" alt="Cena do filme Capitu e o Capítulo. Capitu, interpretada por Mariana Ximenes, está no centro da imagem. Os olhos lacrimejados, ela está séria, encostada em uma parede branca de aspecto áspero. Mariana Ximenes é uma mulher branca, de olhos verdes e cabelos loiros. " width="1992" height="1184" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image3-1.jpg 1992w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image3-1-800x476.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image3-1-1024x609.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image3-1-768x456.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image3-1-1536x913.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image3-1-1200x713.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31347" class="wp-caption-text">Capitu e o Capítulo foi exibido no Festival do Rio em 2021, mas só chegou aos cinemas em 2023 devido à pandemia e às janelas de filmes brasileiros, que precisam dividir espaço com produções americanas (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Das discussões de sala de aula às do </span><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i><span style="font-weight: 400;">, Capitu traiu ou não Bentinho? Narrado pelo protagonista, a ausência de veredito provoca o clássico embate da obra de Machado de Assis. Em </span><a href="https://youtu.be/Jre3293igmA"><i><span style="font-weight: 400;">Capitu e o Capítulo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, adaptação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dom Casmurro</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">o diretor Júlio Bressane mantém o olhar subjetivo do narrador enquanto passeia entre a dúvida e a ilusão. Na trama, Bentinho (Vladimir Brichta) acredita que sua esposa Capitu (Mariana Ximenes) o traiu com Escobar (Saulo Rodrigues), seu melhor amigo. </span></p>
<p><span id="more-31346"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de ajustar a história do maior adultério do país para a linguagem visual, Bressane já havia feito sua própria versão de outro romance machadiano, </span><a href="https://youtu.be/CnAUE4j0TOU"><i><span style="font-weight: 400;">Brás Cubas</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1985), releitura de </span><i><span style="font-weight: 400;">Memórias Póstumas de Brás Cubas</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Narrando através de imagens de mares, esqueletos e lapsos da infância do protagonista, o diretor criou sua versão com autoria. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Capitu e o Capítulo</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele mantém seu estilo e cria uma unidade para as adaptações do escritor brasileiro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como na obra original, as memórias são contadas pelo protagonista em sua versão mais velha, agora chamado de Dom Casmurro (</span><a href="https://www.museudatv.com.br/biografia/enrique-diaz/"><span style="font-weight: 400;">Enrique Díaz</span></a><span style="font-weight: 400;">), que inicia seu relato com a seguinte frase: “</span><i><span style="font-weight: 400;">nesse livro que aqui escrevo, eu confessarei tudo que importar à minha história</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Só entra na confissão aquilo que ele acha relevante. O enredo segue a versão contada por Bento e também a conjuntura de Machado de Assis em como realizar a grande questão de traidora ou vítima. </span></p>
<figure id="attachment_31350" aria-describedby="caption-attachment-31350" style="width: 1979px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31350" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image4.jpg" alt="Cena do filme Capitu e o Capítulo. As personagens Capitu (Mariana Ximenes) e Bentinho (Vladimir Brichta) estão de perfil. Ela (à esquerda) com os olhos semicerrados, desafia-o. Ele (à direita) a encara com olhar piedade. Capitu veste um vestido azul claro, estampado com flores laranjas. Bentinho usa terno preto com gravata borboleta. Mariana Ximenes é uma mulher branca, de cabelos loiros e olhos verdes. Vladimir Brichta é um homem branco, alto, de cabelos lisos de cor castanha e possui muita barba ao redor do rosto. Entre eles há uma pintura de retrato, que pode ser de Capitu pela semelhança nas aparências, a mulher do quadro é branca, cabelos loiros, olhos claros e usa uma vestimenta de cor azul. " width="1979" height="1189" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image4.jpg 1979w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image4-800x481.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image4-1024x615.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image4-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image4-1536x923.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image4-1200x721.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31350" class="wp-caption-text">Além de atuar no Cinema, Mariana Ximenes também dá vida para outras personagens em novelas; em 2023, ela interpretou a vilã Gilda na novela Amor Perfeito (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir de arquivos de vídeo, como os da água do mar, o esqueleto e o microfone, o diretor monta novas significações aos acervos usados em </span><i><span style="font-weight: 400;">Brás Cubas </span></i><span style="font-weight: 400;">de 1985. Machado de Assis deu forma a sua </span><a href="https://youtu.be/9_cQ3Nc-U2A"><span style="font-weight: 400;">fluída escrita</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao não priorizar descrições, fazer capítulos curtos e ser inventivo. Assim, o escritor se fez singular no seu tempo, sendo muito difícil de encaixá-lo dentro de uma escola literária. O cineasta também recria a façanha ao não adaptar nos moldes ‘copia e cola’, mas entendendo o autor e o que faz do clássico ser considerado tal, o assimilando ao seu estilo de direção e fazendo um exercício da linguagem cinematográfica. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio aos devaneios de Casmurro, ele evita verborragia com vídeos sugestivos que (talvez) possam adentrar no subjetivo do crânio de cada personagem. Bressane também recria o conflito do adultério, ainda que deixe claro sua posição a favor de </span><a href="https://youtu.be/P5_0X72Ocec"><span style="font-weight: 400;">Capitu</span></a><span style="font-weight: 400;"> através das iluminações escuras do rosto de Dom Casmurro, ao carinho que filma Ximenes e às cores que compõem seus </span><i><span style="font-weight: 400;">takes</span></i><span style="font-weight: 400;"> de flores &#8211; tranquilas, frias e ornamentais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como na obra original, a direção permite o espectador tirar sua própria conclusão e o induz a cair na paranoia através de um vestido vermelho que não cobre a região dos trapézios. Isso acontece até mesmo quando Capitu fica entre paredes, oprimida pela bela casa fruto do matrimônio que coloca o homem no cume do guarda-chuva, embora os mesmos cantos também possam encurralar uma </span><a href="https://youtu.be/Fg3XSHMOeto"><span style="font-weight: 400;">adúltera</span></a><span style="font-weight: 400;"> quando descobrem seu maior segredo. </span></p>
<figure id="attachment_31351" aria-describedby="caption-attachment-31351" style="width: 960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31351" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image5.jpg" alt="Foto da página de número 114 do livro Memórias Póstumas de Brás Cubas. A folha é branca, nela está escrito (à esquerda) na parte do superior Capítulo 55 (LV em números romanos) O velho diálogo de Adão e Eva. O restante da página são as falas dos personagens Brás Cubas e Virgília que se constituem apenas de pontuação, como reticências, exclamações e interrogações." width="960" height="1280" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image5.jpg 960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image5-600x800.jpg 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image5-768x1024.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31351" class="wp-caption-text">Forma como Machado de Assis narra o sexo de suas personagens (Foto: Luiz Miguel Masson/Acervo pessoal)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa parece ter sido convencido pelas indagações de Casmurro, ao produzir, através do título, um </span><a href="https://www.todamateria.com.br/paronomasia/"><span style="font-weight: 400;">paronomásia</span></a><span style="font-weight: 400;"> com as palavras “Capitu” e “capítulo”. Aquela é um substantivo próprio, esta possui muitos significados: a divisão de um livro em partes, como também o ato de caracterizar alguém ou até mesmo um artigo acusatório. A primeira definição faz sentido quando se relaciona a um filme que adapta um livro, um trecho de um romance. A escolha do título </span><i><span style="font-weight: 400;">Capitu e o Capítulo</span></i><span style="font-weight: 400;"> é de suma importância para já adentrar o espectador na história, que ora é uma pequena parte da vida sob a ótica de Bentinho, ora um artigo que define e acusa a esposa de ser adúltera, infiel e lasciva. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As personagens femininas, Capitu e Sancha (Djin Sganzerla), estão confortáveis consigo e suas vontades. Elas falam abertamente sobre sexo e querem ser tocadas (e não de uma forma romântica, mas para sentirem os prazeres da carne). Isso a coloca numa dissonância de expressões, principalmente da esposa em comparação à Bentinho, calado e reprimido sexualmente; colocou ilusões na cabeça. Bressane nos permite conhecer personagens para além do que o narrador conta. Não só o diretor faz isso, como também os </span><a href="https://natelinha.uol.com.br/colunas/tvxtv/2023/07/16/atuacao-da-semana-mariana-ximenes-faz-publico-odiar-gilda-com-maestria-199526.php"><span style="font-weight: 400;">atores</span></a><span style="font-weight: 400;">, que conseguem dialogar com o público sobre as partes omitidas por Bentinho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mariana Ximenes dá vida a esposa de Bentinho: cigana de </span><a href="https://youtu.be/K_Q7COiaDsw"><span style="font-weight: 400;">olhos oblíquos</span></a><span style="font-weight: 400;">, sensual e afrontosa. Porém, a atriz mergulha nos infelizes olhos de cor verde, dentro da vastidão de um mar, mostrando-se incompleta e querendo ser tocada, sentida e viva. Os </span><i><span style="font-weight: 400;">closes </span></i><span style="font-weight: 400;">na paulistana e a transposição de imagens modificam o discurso do paranoico, a distanciando do que seu marido pensa que ela é. Não é à toa que ela não completa o rosto pálido do amado no início do filme.</span></p>
<figure id="attachment_31348" aria-describedby="caption-attachment-31348" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31348" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1-1.png" alt="Cena do filme Capitu e o Capítulo. No centro da imagem está Bentinho (Vladimir Brichta) junto a um homem tocando violino. Bentinho toca no violino. Os dois homens estão de terno preto. No fundo à esquerda, Capitu (Mariana Ximenes) está sentada observando o violinista. Ela usa um vestido azul marinho estampado com flores. Ao fundo, na parede há o desenho de uma mulher branca. Vladimir é um homem branco, alto, de cabelos lisos e castanhos e tem barba no rosto. O violinista é branco, cabelos loiros, lisos e também usa barba. Mariana é uma mulher branca e loira." width="1280" height="853" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1-1.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1-1-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1-1-1024x682.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1-1-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1-1-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31348" class="wp-caption-text">O longa foi premiado nas categorias de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Ator Coadjuvante para Enrique Díaz, Melhor Figurino e Melhor Filme pelo Júri da Crítica no 16° Fest Aruanda, o festival do audiovisual da Paraíba (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Capitu e o Capítulo</span></i><span style="font-weight: 400;">, Ximenes diz o que não é dito com sua atuação. A intérprete já demonstrou ser uma grande artista versátil, seja no drama de Machado de Assis, como a </span><a href="https://youtu.be/DwLVP7yyccY"><span style="font-weight: 400;">vilã amedrontadora da novela </span><i><span style="font-weight: 400;">Passione</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2010)</span> <span style="font-weight: 400;">ou a pureza que evolui para o rancor de sua </span><a href="https://youtu.be/Ye7YcZ8X6gI"><span style="font-weight: 400;">Aninha em </span><i><span style="font-weight: 400;">Chocolate com Pimenta </span></i></a><span style="font-weight: 400;">(2003). A Capitu da atriz é quase definitiva, impondo na voz a grandiosidade vista por Bento e colocando os holofotes para si em todas as cenas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/bingo-o-rei-das-manhas-critica"><span style="font-weight: 400;">Vladimir</span></a><span style="font-weight: 400;"> Brichta encarna um Bentinho paranoico, com forte linguagem corporal: sempre curvado e com expressões de atrapalhado, até quase ingênuo, como se ainda não fosse adulto. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Capitu e o Capítulo</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele se mostra totalmente imaturo, numa </span><a href="https://youtu.be/jHdJQ7AkRec"><span style="font-weight: 400;">representação da elite brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;"> que o escritor propôs no século XIX &#8211; e que em 2023, na atemporalidade do texto do escritor carioca, ganha a ideia dos homens do nosso tempo. </span></p>
<figure id="attachment_31349" aria-describedby="caption-attachment-31349" style="width: 1992px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31349" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-1.jpg" alt="Cena do filme Capitu e o Capítulo. Capitu (Mariana Ximenes) desenha a silhueta de Bentinho (Vladimir Brichta) através de sua sombra. Ele está à direita, parado com olhar sério. Ela está à esquerda de costas, desenhando numa parede branca. No canto esquerdo há uma planta de cor verde. Mariana veste um vestido azul claro estampado com flores laranjas. Ela é uma mulher branca e loira. Vladimir usa um terno preto com gravata borboleta. Ele é um homem branco, alto de cabelos lisos e castanhos. " width="1992" height="1192" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-1.jpg 1992w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-1-800x479.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-1-1024x613.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-1-768x460.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-1-1536x919.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-1-1200x718.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31349" class="wp-caption-text">Capitu já foi adaptada para a TV pela Rede Globo, série homônima, dirigida por Luiz Fernando Carvalho em 2008 (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dom Casmurro esconde-se em paredes de livros, lendo poesias que não viveu sob um quarto escuro. Ele fita e admira grandes poetas de outrora que morreram jovens, como Junqueira Freire e Álvares de Azevedo. Estes, exagerados e melancólicos, como define um dos versos da </span><a href="https://objdigital.bn.br/Acervo_Digital/Livros_eletronicos/Lira%20dos%20Vinte%20Anos.pdf"><i><span style="font-weight: 400;">Lira dos vinte anos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Foi poeta &#8211; sonhou &#8211; e amou na vida</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Será que Bentinho também não foi um grande sonhador? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de Dom Casmurro começar a enunciar, existe outra história sendo contada por meio de chapéus. Esses acessórios reaparecem em outras cenas e são objetos de foco, indicando &#8211; por uma revelação da trama &#8211; que os donos sejam Escobar e Bentinho. O cineasta conta uma história que o protagonista esconde. Há um jogo de investigação sútil e sugestivo acontecendo em </span><i><span style="font-weight: 400;">Capitu e o Capítulo</span></i><span style="font-weight: 400;">, transgredindo a versão do narrador, executada por toda uma produção e direção que conhece &#8211; e ama &#8211; o material original e, para além disso, que domina muito bem a </span><a href="https://youtu.be/0ZTbplUw_-A"><span style="font-weight: 400;">linguagem do Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, tudo isso pode ser mera interpretação. O que fica é a proposta de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/06/julio-bressane-sintetiza-seus-quase-60-filmes-em-obra-de-7-horas-com-cenas-ineditas.shtml"><span style="font-weight: 400;">Júlio Bressane</span></a><span style="font-weight: 400;">, que, assim como Machado de Assis, deixou para gerações decidirem se a protagonista do título traiu ou não para patamares não só de conteúdo, como também forma. Muito pode ser discutido da execução do diretor: escolhas de enquadramentos, figurinos, montagem, ângulos ou se alguma personagem no meio disso só é bastante insegura. </span></p>
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		<title>Em Vai Ter Troco, as diversas facetas do brasileiro são representadas na dinâmica patrão x empregado</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Aug 2023 15:25:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Machado Leal A música Xibom Bombom do grupo As Meninas é marcada pelo padrão de vida de pobres e ricos. Nela, os versos “Quero me livrar dessa situação precária” e “onde o pobre cada vez fica mais pobre e o rico cada vez fica mais rico” explicitam um tema recorrentemente abordado na cultura brasileira: &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/em-vai-ter-troco-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Vai Ter Troco, as diversas facetas do brasileiro são representadas na dinâmica patrão x empregado"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31310" aria-describedby="caption-attachment-31310" style="width: 1284px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31310" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image4.png" alt="Cena do filme Vai Ter Troco. Nela, observa-se as personagens Zildete (à esquerda) e Tonha (à direita). Ambas estão com um uniforme cinza com faixas brancas, além de usarem uma espécie de touca branca. Zildete usa óculos." width="1284" height="688" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image4.png 1284w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image4-800x429.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image4-1024x549.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image4-768x412.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image4-1200x643.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31310" class="wp-caption-text">Em Vai Ter Troco, Nany People e Evelyn Castro esbanjam carisma com suas personagens Zildete e Tonha (Foto: Amaia Produções)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Machado Leal</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A música </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/3DRSpgSfeQlPVqPQ7YQiK3?si=58b3e25e0cba4816"><i><span style="font-weight: 400;">Xibom Bombom</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do grupo As Meninas é marcada pelo padrão de vida de pobres e ricos. Nela, os versos “</span><i><span style="font-weight: 400;">Quero me livrar dessa situação precária</span></i><span style="font-weight: 400;">” e “</span><i><span style="font-weight: 400;">onde o pobre cada vez fica mais pobre e o rico cada vez fica mais rico</span></i><span style="font-weight: 400;">” explicitam um tema recorrentemente abordado na cultura brasileira: a desigualdade social. Produtos audiovisuais sobre esse assunto são vastos, mas o que diferencia </span><i><span style="font-weight: 400;">Vai Ter Troco</span></i><span style="font-weight: 400;"> de tudo que já foi explorado? O filme dirigido por Maurício Eça (</span><a href="https://personaunesp.com.br/a-menina-que-matou-os-pais-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Menina que Matou os Pais</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) é centrado em duas protagonistas carismáticas: Tonha (Evelyn Castro), uma mulher com pavio curto, e Zildete (Nany People), uma senhora dócil e piedosa. Juntas, elas trabalham na casa dos ricaços Sarita (Miá Mello) e Afonso (Marcos Veras) &#8211; um casal superficial à décima potência. </span></p>
<p><span id="more-31309"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São esses quatro personagens que ditam a relação entre patrão e empregado durante os quase 90 minutos do longa. Tonha e Zildete estão há meses sem receber e vivem dias de cão na mansão de seus chefes, que a todo custo adiam o pagamento. Após observarem a vida luxuosa dos dois, elas decidem cobrá-los e, sem sucesso, são humilhadas e forçadas a trabalharem a troco de nada. É nesse ponto que a mais nova comédia nacional apresenta a sua vantagem: as incoerências entre o que os patrões dizem e fazem, algo visto até mesmo fora da ficção. Com dois filhos extremamente fúteis, vividos pelos talentosos Nicholas Torres e Giovanna Grigio (</span><a href="https://personaunesp.com.br/as-five-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">As Five</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), a família privilegiada tem o seu mundo virado de cabeça para baixo quando o patriarca é preso por corrupção.</span></p>
<figure id="attachment_31313" aria-describedby="caption-attachment-31313" style="width: 582px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31313" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image3.png" alt="Foto da atriz Nany People. Ela possui um cabelo loiro e curto, está sorrindo e usando cinza brilhante com lantejoulas" width="582" height="543" /><figcaption id="caption-attachment-31313" class="wp-caption-text">Com outras três produções &#8211; todas comédias &#8211; para o ano de 2023, Nany People se aventura no gênero com maestria (Foto: Sérgio Cyrillo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por conta do crime cometido, os funcionários são interrogados ao longo da história, que é contada em </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks </span></i><span style="font-weight: 400;">e se utiliza desse tipo de narrativa para criar situações de humor. A partir do momento em que o patrão vai preso, as personagens optam por tratá-los como realmente são: pessoas desprezíveis. As passagens entre os dias de trabalho na mansão e o interrogatório podem ser ainda mais aproveitadas com a </span><a href="https://www.mauricioeca.com/feature-films"><span style="font-weight: 400;">direção de Eça</span></a><span style="font-weight: 400;">. Compras em marcas renomadas, aplicações de preenchimento labial e vida de influencer são três das inúmeras regalias observadas por Tonha e Zildete. Para ambas, é inconcebível a desproporcionalidade entre o trabalho árduo feito e o tratamento recebido pelos patrões. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o ótimo tempo de comédia, pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fppgImt8F70&amp;list=PLT0Smhj8chMWpECLKRlNVgSU5VyNi8FV3&amp;index=18"><span style="font-weight: 400;">sua experiência no famoso </span><i><span style="font-weight: 400;">Porta dos Fundos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Evelyn Castro entrega ao público uma personagem principal relacionável e genuinamente engraçada. Isso, no gênero das comédias brasileiras, é custoso encontrar devido aos estereótipos explorados de pessoas pobres. No entanto, por mais que haja atores conhecidos pelo seu trabalho no humor, o texto não consegue aproveitar o elenco, já que algumas piadas são espremidas até onde não devem, a fim de divertir o público. Em diversos momentos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Vai Ter Troco</span></i><span style="font-weight: 400;">, há a linha tênue entre ‘estou rindo por que é engraçado?’ e ‘estou com vergonha disso, pois não tem graça alguma’. O espectador é levado a rir, mesmo que não tenha vontade.</span></p>
<figure id="attachment_31311" aria-describedby="caption-attachment-31311" style="width: 1284px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31311" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image5.png" alt="Cena do filme Vai Ter Troco. Nela, observa-se a personagem Sarita fazendo preenchimento labial em um consultório. Ela tem um cabelo castanho, usa um batom rosa e está de olhos fechados." width="1284" height="706" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image5.png 1284w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image5-800x440.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image5-1024x563.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image5-768x422.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image5-1200x660.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31311" class="wp-caption-text">Viciada em procedimentos estéticos, Sarita, a megera e matriarca da família rica, é interpretada pela talentosa Miá Mello (Foto: Amaia Produções)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Aliás, esse ponto específico pode distanciar algumas pessoas da história, dado que é preciso comprar a proposta para não colocá-la na mesma prateleira de filmes como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-4Tl5k9khe0"><i><span style="font-weight: 400;">O Candidato Honesto</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DrqlbnpfW4c"><i><span style="font-weight: 400;">Até Que a Sorte nos Separe 3</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ambos recheados de escolhas desleixadas em suas narrativas. As tramas citadas, por exemplo, fazem sátiras ao cenário político brasileiro, mas é aqui que essa discussão é feita de maneira mais inteligente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alinhando termos conhecidos nos últimos anos, como a famosa rachadinha e a delação premiada, com a aparência superficial apresentada nas redes sociais, temos uma história imersa no imaginário daquela minoria da sociedade brasileira &#8211; a elite sem escrúpulos do sudeste do país. Focar nesses personagens e nas suas baboseiras torna a obra irônica e afiada no seu texto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vale também reconhecer o talento de </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/edmilson-filho-conquistou-o-cinema-nacional-e-agora-mira-hollywood/"><span style="font-weight: 400;">Edmilson Filho</span></a><span style="font-weight: 400;">, conhecido por </span><i><span style="font-weight: 400;">Cine Holliúdy</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Cabras da Peste</span></i><span style="font-weight: 400;">, o ator, de todo o elenco, é o que possui as cenas mais engraçadas. Com tiradas de fazer o público gargalhar, o personagem Nivaldo, motorista de Afonso, é um dos funcionários que também está sem o seu salário pago e, por isso, recorre a um segundo emprego para não ficar no prejuízo. Há uma cena cômica entre Nivaldo e John John (Nicholas Torres) que mostra a diferença entre os dois núcleos principais: enquanto um sempre trabalhou e se desdobrou para ter o mínimo de dinheiro, o outro possui muito para gastar sem nunca ao menos ter colocado o pé para fora de casa. São nessas relações que o longa-metragem se destaca dentre os incontáveis lançamentos nacionais, fazendo com que o espectador se importe com aquelas pessoas.</span></p>
<figure id="attachment_31312" aria-describedby="caption-attachment-31312" style="width: 1284px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31312" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2.png" alt="Cena do filme Vai Ter Troco. Nela, observa-se a personagem Tonha em uma interrogatório em uma delegacia. De frente para ela, há o detetive. Ela usa uma blusa florida, está com o rosto sério e tem cabelo preto médio. " width="1284" height="667" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2.png 1284w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-800x416.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-1024x532.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-768x399.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-1200x623.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31312" class="wp-caption-text">O filme tem como recurso de humor o uso das dinâmicas tradicionais de um interrogatório (Foto: Amaia Produções)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos motivos para frisar a diferença de </span><i><span style="font-weight: 400;">Vai Ter Troco</span></i><span style="font-weight: 400;"> no que se relaciona às outras comédias brasileiras é que o filme engloba diversos tipos de narrativa (geralmente exploradas de formas individuais) em um produto só. Há a comédia, mas também possui o tom de dramaticidade que a história precisa. É claro que o clássico brasileiro retratado </span><a href="https://www.uai.com.br/app/noticia/comportamento/2021/02/17/interna-comportamento,268367/por-que-o-brasileiro-gosta-tanto-de-novelas.shtml#:~:text=Novelas%20fazem%20sucesso%20porque%20s%C3%A3o,personagens%2C%20sejam%20protagonista%20ou%20coadjuvantes%20."><span style="font-weight: 400;">nas novelas das nove</span></a><span style="font-weight: 400;"> está lá &#8211; no entanto com uma malícia vinda das injustiças cometidas pelos patrões. Na verdade, há momentos em que os mocinhos possuem atitudes de vilões, agregando para a narrativa &#8211; visto que, se a história se concentrasse apenas em bons vs. maus e patrões vs. empregados, seria apenas mais uma obra cinematográfica já abordada em outros meios.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A relação entre Miranda (</span><a href="https://revistaquem.globo.com/Entrevista/noticia/2021/08/giovanna-grigio-sobre-carreira-internacional-nunca-vi-como-um-sonho-impossivel.html"><span style="font-weight: 400;">Giovanna Grigio</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Zildete pode ser considerada, mais uma vez, uma das tramas que interligam as disparidades sociais. Por ter passado anos da sua vida dedicada a entregar o melhor, a empregada sempre teve muito respeito pelos seus chefes e enxerga a garota como uma filha, mas Miranda pouco se importa com isso. Dessa forma, quando é focado nessas relações interpessoais &#8211; vivenciadas por muitos brasileiros -, o longa cresce, indo além de um retrato paródico da população, uma vez que são imensuráveis os casos de funcionários que são mais próximos da família a quem eles prestam o serviço se comparados aos seus patrões. </span></p>
<figure id="attachment_31314" aria-describedby="caption-attachment-31314" style="width: 1284px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31314" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1.png" alt="Cena do filme Vai Ter Troco. Nela, observa-se o personagem Afonso gesticulando. Ele usa uma camisa branca e um terno cinza por cima. Ele está apreensivo em uma cozinha." width="1284" height="662" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1.png 1284w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1-800x412.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1-1024x528.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1-768x396.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1-1200x619.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31314" class="wp-caption-text">Afonso, vivido por Marcos Veras, é o clássico homem de negócios que planeja desvios de dinheiro para o seu próprio bem (Foto: Amaia Produções)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar dos pontos favoráveis, a comédia tem uma exceção de tramas que, somadas, não resultam em um arco fechado de narrativa. A presença desnecessária de </span><a href="https://caras.uol.com.br/atualidades/ludmilla-mostrou-talento-como-atriz-antes-de-velozes-e-furiosos-relembre.phtml"><span style="font-weight: 400;">Ludmilla</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, mais precisamente, do cantor Falcão, são inúteis e poderiam ser descartadas por completo da edição final. O pouco número de cenas ambientadas nas casas de Tonha e Zildete também contribuem para a falta de coerência com alguns conceitos mencionados no início, mas que são deixados de lado ao longo do desenrolar da trama. Além disso, os diálogos com piadas expositivas afastam o público pelas repetições dispensáveis e pelo exagero de cenas não tão necessitadas de humor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com um terceiro ato inusitado e não tão convencional, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vai Ter Troco</span></i><span style="font-weight: 400;"> vale a pena ser assistido em uma tela de cinema. Infelizmente, devido ao histórico de obras carregadas de pré-concepções acerca do imaginário popular, o humor brasileiro é colocado em cheque de uma forma muito rigorosa. No entanto, vale a pena soltar as amarras estadunidenses </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/seminariosfolha/2021/08/um-terco-da-populacao-do-pais-ainda-rejeita-filme-brasileiro.shtml"><span style="font-weight: 400;">e dar uma chance a um filme inofensivo</span></a><span style="font-weight: 400;">, como fazemos &#8211; mais do que imaginamos &#8211; com os selos que vêm de Hollywood. Às vezes, o tradicional feijão com arroz, contado de maneira fiel, é tudo que precisamos. As protagonistas, afinal de contas, deram troco em seus patrões? Não há como saber, mas, assim como elas, você também pode pagar para ver e descobrir o final dessa história.</span></p>
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		<title>Atravessando gerações, O Homem Cordial está sempre à espreita</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Jul 2023 14:54:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Na tentativa de entender o Brasil da década de 1930, com as aspirações nacionalistas e a valorização da cultura brasileira, o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda propõe a ideia do “homem cordial”. O conceito definia um cidadão movido pelo coração, afeto e pelo sentimentalismo em detrimento da razão, que extrapola o âmbito pessoal &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-homem-cordial-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Atravessando gerações, O Homem Cordial está sempre à espreita"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31275" aria-describedby="caption-attachment-31275" style="width: 2154px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31275" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_02.png" alt="Cena do filme O Homem Cordial. A cena se passa durante a noite em um bar, desfocado ao fundo. No primeiro plano, vemos à esquerda um homem branco de cerca de 50 anos, com cabelos e barba grisalhos, vestindo uma jaqueta preta e com a mão apoiada em um balcão. Do lado esquerdo, vemos uma mulher negra de cerca de 25 anos, com cabelos escuros presos em tranças, vestindo uma jaqueta jeans. Os dois olham para frente, para algo que está fora do quadro." width="2154" height="914" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_02.png 2154w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_02-800x339.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_02-1024x435.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_02-768x326.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_02-1536x652.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_02-2048x869.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_02-1200x509.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31275" class="wp-caption-text">A semelhança do título com o conceito sociológico do Homem Cordial não é mera coincidência (Foto: O2 Play)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na tentativa de entender o Brasil da década de 1930, com as aspirações nacionalistas e a valorização da cultura brasileira, o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda propõe a ideia do “homem cordial”. O conceito definia um cidadão movido pelo coração, afeto e pelo sentimentalismo em detrimento da razão, que extrapola o âmbito pessoal e o aplica no coletivo. Para Buarque de Holanda, essa seria a razão pela qual o brasileiro adota uma figura paternalista, familiar e passional. No entanto, é a mesma pessoa que se esconde por trás da face da cordialidade até que a hostilidade tome conta. Mais de oito décadas depois, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem Cordial </span></i><span style="font-weight: 400;">busca a </span><a href="https://ciceronogueira.com.br/homem-cordial-9df1a2f48ff3"><span style="font-weight: 400;">revitalização dessa ideia</span></a><span style="font-weight: 400;"> durante uma única e violenta noite em São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-31269"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama, Aurélio (</span><a href="https://jornaldebrasilia.com.br/blogs-e-colunas/hashtag-cinema/ibere-carvalho-e-paulo-miklos-falam-sobre-o-filme-o-homem-cordial/"><span style="font-weight: 400;">Paulo Miklos</span></a><span style="font-weight: 400;">) é vocalista de uma banda de </span><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">que fez sucesso nos anos 1980, mas, no </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">de reencontro do grupo, é linchado ao entoar canções de cunho social. Mais cedo, ele havia defendido um menino negro de uma acusação de assalto, que culminou na morte de um policial. O vídeo da abordagem viralizou e, de um lado, o artista é rechaçado pelo público, em defesa do suposto agente da lei. Do lado contrário, o menor de idade está desaparecido e não recebe a mesma comoção. Nas próximas horas, o personagem de Miklos enfrenta a pressão social, o radicalismo, a dor da família do garoto e, ele mesmo, a violência policial.</span></p>
<figure id="attachment_31271" aria-describedby="caption-attachment-31271" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31271" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_16.jpg" alt="Cena do filme O Homem Cordial. Ao centro da imagem, vemos Aurélio do peito para cima durante um show. Ele é um homem branco, aparentando cerca de 50 anos, com cabelos e barba grisalhos. Ela usa uma camiseta branca e está suado enquanto canta em um microfone. Vemos uma bateria desfocada atrás dele." width="1920" height="802" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_16.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_16-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_16-1024x428.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_16-768x321.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_16-1536x642.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_16-1200x501.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31271" class="wp-caption-text">O longa estreou em 2019 no Cairo International Film Festival e chegou aos cinemas brasileiros em maio de 2023 (Foto: O2 Play)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Homem Cordial </span></i><span style="font-weight: 400;">foi mais uma das obras brasileiras que sofreu com o </span><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/cinema-brasileiro-desejado-ou-rejeitado/"><span style="font-weight: 400;">atraso no lançamento</span></a><span style="font-weight: 400;">: o filme estreou em 2019, mas só alcançou as telas nacionais em 2023. À época, o extremismo que permeava o país, fruto da recente eleição de Jair Bolsonaro, normalizava a barbárie e o ódio, sobretudo nas redes sociais. Afinal, é a partir de um vídeo viral na </span><i><span style="font-weight: 400;">internet </span></i><span style="font-weight: 400;">que Aurélio se torna o novo alvo de um grupo radical, que fará de tudo para culpabilizá-lo por ter o mínimo de humanidade diante da injustiça social.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na produção, o </span><a href="https://www.cartacapital.com.br/politica/a-ira-dos-bolsonaristas-nao-poupa-nem-os-influenciadores-da-direita/"><span style="font-weight: 400;">linchamento</span></a><span style="font-weight: 400;">, tanto ao cantor quanto à vítima, é o ponto de partida. A ação é simbólica em externalizar o ódio e preconceito (antes) contido e que, no governo passado, ganhava tons de normalidade em prol de uma falsa proteção à pátria e aos valores tradicionais. A situação em que o menino é repetidamente hostilizado acontece justamente em um bairro de classe média alta de São Paulo, onde sua presença é vista como ameaçadora. Ali, ele é culpado até que se prove o contrário &#8211; e nem assim.</span></p>
<figure id="attachment_31273" aria-describedby="caption-attachment-31273" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31273" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_10.jpg" alt="Cena do filme O Homem Cordial. A imagem é uma avenida vazio durante a noite. Do lado esquerdo, em segundo plano, vemos um carro amarelo com os faróis ligados. Ao centro, em um primeiro plano, vemos uma pessoa com jaqueta vermelha e capacete preto dirigindo uma moto, como se estivesse sendo perseguida pelo carro." width="1920" height="805" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_10.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_10-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_10-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_10-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_10-1536x644.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_10-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31273" class="wp-caption-text">Os roteiristas contaram que o filme estava praticamente pronto, mas jogaram o roteiro fora e começaram do zero após ataques contra o cantor Chico Buarque em um restaurante no Rio de Janeiro, em 2015 (Foto: O2 Play)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se tivesse sido lançado no ano em que estreou, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem Cordial </span></i><span style="font-weight: 400;">assumiria um tom de urgência ao retratar uma parcela da sociedade que se sentia confortável com a </span><a href="https://personaunesp.com.br/alvorada-critica/"><span style="font-weight: 400;">violência</span></a><span style="font-weight: 400;">, inclusive encorajada a usá-la como meio e fim &#8211; e tendo o </span><a href="https://personaunesp.com.br/medida-provisoria-critica/"><span style="font-weight: 400;">aval das autoridades</span></a><span style="font-weight: 400;"> para fazê-la. Quatro anos e uma eleição depois, a história escrita pelo sociólogo e diretor Iberê Carvalho e pelo cineasta Pablo Stoll permanece relevante de ser discutida (com os ecos da eleição de 2018 e do que a seguiu, nunca deixará de ser), mas perde parte do seu impacto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Resultado esse que, com o lançamento em seu devido ano, seria potencializado pela condução frenética da obra, já que horas de uma única noite são suficientes para </span><a href="https://www.nytimes.com/2023/01/08/world/americas/brazil-election-protests-bolsonaro.html?unlocked_article_code=Iap5HJeAXfc5QEjc1a60YQadCauvMeMb30GFcRXvKyqdlJesf4hxjd6Zr_5gAZXYub8NHHOk0MgVqxWBFhWk_d--TYHt7afjSmzUEo8J3FAYmX_hYBN9jamnGa49XALvdwEINhLx-Ho_F9-FHpLycHrIthmD8XTZUA-HrJ_SBsINGiMuZGRTrGoHKBG9Q3f0j3LZy4VJaWzmvLgzbetQOIyxu6TM62T45kjbLKiqNWBmnt2JpVnyGJHKEPNfR3U5VEvshy1am-UkXu_-kbx5O_7efzCUSrd_pg4XeyBWzniX3bP0bPBvfXYUsuZi4rjO2ZjQ_sb_7KGl-9kQdRrcP19Te5fzVVT2yCWQh_xzK8k_9DB6"><span style="font-weight: 400;">levar a situação ao extremo</span></a><span style="font-weight: 400;">. No decorrer da trama, Aurélio vai de um artista bem-sucedido em um </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">de reencontro a perder contratos e ser seguido por civis enraivecidos, defensores de uma autoridade criminosa. Quando uma jornalista o aborda para saber do paradeiro do menino desaparecido, ele se envolve na investigação jornalística e passa a, ele mesmo, ser alvo da polícia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na pele do ator e </span><a href="https://personaunesp.com.br/cabeca-dinossauro-35-anos/"><span style="font-weight: 400;">Titã</span></a><span style="font-weight: 400;"> Paulo Miklos, o musicista surge como uma tela em branco. As informações acerca de seu passado e do envolvimento com o acontecido vêm aos poucos, e somos inseridos na caoticidade junto do cantor &#8211; exceto que ele sabe do que tudo se trata. Com a breve contextualização, a atenção é dividida entre acompanhar o rumo do artista durante aquela noite e se situar no próprio espaço e tempo, uma vez que, durante a primeira metade do filme, a frenética câmera na mão de Pablo Baião nunca tira os olhos do personagem.</span></p>
<figure id="attachment_31272" aria-describedby="caption-attachment-31272" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31272" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_12.jpg" alt="Cena do filme O Homem Cordial. A cena se passa no que aparenta ser uma praça, durante a noite. Do lado esquerdo, vemos uma mulher de perfil. Ela é negra, tem os cabelos presos em uma trança e aparenta ter cerca de 25 anos. Ela encara um homem que está à direita do quadro. Também de perfil, ele é branco, aparenta ter cerca de 50 anos, tem cabelo castanho curto e barba grisalha." width="1920" height="807" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_12.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_12-800x336.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_12-1024x430.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_12-768x323.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_12-1536x646.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_12-1200x504.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31272" class="wp-caption-text">O trabalho da Dandara de Morais como a jornalista Helena é um destaques da atuação junto de Paulo Miklos (Foto: O2 Play)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Experiente, Miklos não coloca o carro na frente dos bois, em uma performance reconhecida como Melhor Ator no Festival de Cinema de Gramado. O ator sabe como a banda toca e, mesmo com o desenvolvimento desordenado de seu protagonista, dá espaço suficiente para a trama prevalecer. </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem Cordial </span></i><span style="font-weight: 400;">é menos sobre Aurélio e mais sobre o </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2023/04/18/erika-hilton-sao-paulo-vive-crise-humanitaria-sob-gestao-de-tarcisio-e-ricardo-nunes"><span style="font-weight: 400;">contexto social</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a própria cidade de </span><a href="https://g1.globo.com/globonews/conexao-globonews/video/padre-julio-lancellotti-situacao-da-populacao-de-rua-e-uma-crise-humanitaria-em-sao-paulo-10235483.ghtml"><span style="font-weight: 400;">São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, que, segundo o próprio diretor, é uma dos personagens principais da história: a metrópole que nunca dorme está sempre de olho no que todos fazem e é impossível fugir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É a partir do envolvimento com a família e a comunidade do menino desaparecido que o filme</span> <span style="font-weight: 400;">aprofunda a relação com o </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/cinema/protagonista-de-o-homem-cordial-paulo-miklos-reforca-que-toda-arte-e-politica"><span style="font-weight: 400;">presente da época</span></a><span style="font-weight: 400;">. Inicialmente uma narrativa sobre discursos de ódio e como as redes sociais criam um ambiente propício para a violência, que passa a se materializar na vida real, os roteiristas se viram obrigados a tratar também sobre o racismo, já que a normalização da barbárie tem impactos diferentes de acordo com o grupo étnico-racial e social.</span></p>
<figure id="attachment_31276" aria-describedby="caption-attachment-31276" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31276" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_28_Foto-de-Marcello-Vitorino-1-scaled.jpg" alt="Cena do filme O Homem Cordial. A imagem se passa em um ambiente de uma casa. À esquerda, vemos um homem branco, aparentando ter cerca de 50 anos, com cabelo castanho e barba grisalha, vestindo uma jaqueta preta e camiseta branca em pé e com a mão apoiada em uma mesa. Ele olha para o jovem ao centro da imagem, um homem de cerca de 25 anos, vestindo uma camisa e touca e que mexe em um laptop. À direita, uma mulher também encara o computador. Ela é negra, aparenta ter cerca de 25 anos, tem cabelos pretos presos em tranças e veste uma jaqueta jeans." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_28_Foto-de-Marcello-Vitorino-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_28_Foto-de-Marcello-Vitorino-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_28_Foto-de-Marcello-Vitorino-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_28_Foto-de-Marcello-Vitorino-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_28_Foto-de-Marcello-Vitorino-1-1536x1024.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31276" class="wp-caption-text">No Festival de Gramado, O Homem Cordial também levou o troféu de Trilha Musical (Foto: O2 Play)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com Paulo Miklos, eles optam pela perspectiva de um homem branco. Por um lado, a escolha permite que nos coloquemos como espectadores da violência e não o alvo dela. Para os realizadores, aqui a intenção é discutir qual o papel da branquitude na luta antirracista, ponto no qual </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem Cordial </span></i><span style="font-weight: 400;">sucede: apesar da perseguição inicial, o linchamento de Aurélio após sair em defesa do menino vira o foco, enquanto a dor e dúvida da família quanto ao paradeiro do garoto não ganha nenhuma atenção. É só ao cutucar a </span><a href="https://ponte.org/somos-o-legado-de-marielle-afirma-angela-davis-icone-do-feminismo-negro-e-da-luta-antirracista/"><span style="font-weight: 400;">impunidade da força policial</span></a><span style="font-weight: 400;"> durante a investigação jornalística que o musicista entra na mira das autoridades. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, o personagem de Béstia (Thaíde), um velho amigo do protagonista, lembra que “</span><i><span style="font-weight: 400;">o mundo visto pelos olhos de branco devem ser lindos</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Afinal, Aurélio só se envolve com o caso depois de muita insistência e da perturbação de sua própria paz. O trunfo do diretor se apoia em justamente admitir que não entende a </span><a href="https://personaunesp.com.br/falas-negras-critica/"><span style="font-weight: 400;">perspectiva do outro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, no final das contas, realmente vê o mundo por trás de seus privilégios até que estes são abalados, sem pretensão de equiparar a falta de sossego com a dor de uma família. </span></p>
<figure id="attachment_31274" aria-describedby="caption-attachment-31274" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31274" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_07.jpg" alt="Cena do filme O Homem Cordial. A cena se passa a noite e os personagens no quadro estão contra a luz de um automóvel, desfocado em segundo plano. Do lado esquerdo, vemos dos ombros para cima um homem branco careca, aparentando cerca de 50 anos. Ao centro, vemos uma arma encostada no pescoço do personagem à direita, um homem branco de cerca de 50 anos, com cabelos e barba grisalhos." width="1920" height="809" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_07.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_07-800x337.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_07-1024x431.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_07-768x324.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_07-1536x647.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_07-1200x506.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31274" class="wp-caption-text">O “cordial” do conceito de Buarque de Holanda vem do latim Cordis, que significa coração (Foto: O2 Play)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sérgio Buarque de Holanda propôs a ideia do homem cordial em 1936. Quase uma década depois, a observação do conceito na prática soa pertinente &#8211; afinal, o filme partiu do </span><a href="https://www.metropoles.com/brasil/chico-buarque-bate-boca-com-jovens-em-frente-a-restaurante-no-rio-de-janeiro"><span style="font-weight: 400;">episódio de linchamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> do seu descente direto, </span><a href="https://personaunesp.com.br/chico-buarque-construcao-50-anos/"><span style="font-weight: 400;">Chico Buarque</span></a><span style="font-weight: 400;">. Inegavelmente a obra foi prejudicada pela dinâmica de lançamento, que já submeteu outras </span><a href="https://personaunesp.com.br/marighella-critica/"><span style="font-weight: 400;">produções brasileiras</span></a><span style="font-weight: 400;"> à mesma condição e chegou sem o senso de urgência que a própria história almeja. No final, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem Cordial </span></i><span style="font-weight: 400;">soa como um estudo de anos passados, mas também como um alerta: não nos livramos de nada e a parcela da sociedade que normaliza a selvageria está sempre à espreita.</span></p>
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		<title>Os curtas brasileiros do 28º Festival É Tudo Verdade</title>
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		<pubDate>Wed, 03 May 2023 22:46:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Entre os dias 13 e 23 de abril, o Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade voltou totalmente às salas presenciais dos cinemas espalhados em São Paulo e Rio de Janeiro. Com exibições gratuitas no Centro Cultural São Paulo, Cine Marquise, Cinemateca Brasileira, Sesc 24 de Maio e IMS Paulista, o festival teve também Sessões &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cobertura-festival-e-tudo-verdade-2023/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os curtas brasileiros do 28º Festival É Tudo Verdade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30837" aria-describedby="caption-attachment-30837" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30837 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/etudovddwordpress.jpg" alt="" width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/etudovddwordpress.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/etudovddwordpress-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/etudovddwordpress-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30837" class="wp-caption-text">Na 28ª edição do Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade, o Persona acompanhou os filmes da Competição Brasileira de Curtas-Metragens (Foto: Hans Gunter Flieg/Acervo Instituto Moreira Salles/É Tudo Verdade/Arte: Ana Clara Abbate/Texto de abertura: Bruno Andrade)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre os dias 13 e 23 de abril, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-festival-e-tudo-verdade-2022/"><span style="font-weight: 400;">Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade</span></a><span style="font-weight: 400;"> voltou totalmente às salas presenciais dos cinemas espalhados em São Paulo e Rio de Janeiro. Com exibições gratuitas no Centro Cultural São Paulo, Cine Marquise, Cinemateca Brasileira, Sesc 24 de Maio e IMS Paulista, o festival teve também Sessões Especiais virtuais, exibindo nas plataformas de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming </span></i><span style="font-weight: 400;">Itaú Cultural Play e Sesc Digital sete dos nove filmes da Competição Brasileira de Curtas-Metragens e dois longas da Mostra Foco Latino-Americano (</span><i><span style="font-weight: 400;">Beleza Silenciosa</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Jasmín Mara Lópeza, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Hot Club de Montevideo</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Maximiliano Contenti).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com 72 títulos de 34 países, o festival – fundado em 1996 por </span><a href="https://www.amazon.com.br/Cinema-Real-Cole%C3%A7%C3%A3o-Port%C3%A1til-26/dp/8540506475/ref=sr_1_2?qid=1682964097&amp;refinements=p_27%3AAmir+Labaki&amp;s=books&amp;sr=1-2"><span style="font-weight: 400;">Amir Labaki </span></a><span style="font-weight: 400;">– homenageou dois grandes cineastas na sua 28ª edição: </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/04/curtas-de-humberto-mauro-deslumbram-pelo-talento-do-velho-cineasta.shtml"><span style="font-weight: 400;">Humberto Mauro</span></a><span style="font-weight: 400;"> (1897–1983), “</span><i><span style="font-weight: 400;">um dos inventores do Brasil cinematográfico</span></i><span style="font-weight: 400;">”, que “</span><i><span style="font-weight: 400;">impõe-se quando o próprio país e logo seu Cinema enfrentam nova reconstrução</span></i><span style="font-weight: 400;">”, exibindo dez de seus filmes e dois documentários; e </span><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/materia/pelo-contrario/"><span style="font-weight: 400;">Jean-Luc Godard</span></a><span style="font-weight: 400;"> (1930–2022), com a apresentação dos oito episódios da sua série documental </span><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/catalogo/historias-do-cinema/"><i><span style="font-weight: 400;">História(s) do Cinema</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1987-1998),</span><span style="font-weight: 400;"> considerada a obra-prima da última parte de sua carreira, cujo conteúdo foi constantemente retrabalhado pelo autor e cuja produção durou cerca de dez anos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O alcance do É Tudo Verdade, o maior festival de Documentários do mundo, é reconhecido pela</span><a href="https://personaunesp.com.br/oscar-2022-cerimonia-artigo/"> <span style="font-weight: 400;">Academia de Artes e Ciências Cinematográficas</span></a><span style="font-weight: 400;">, que classifica diretamente os filmes vencedores dos prêmios dos júris nas Competições Brasileiras e Internacionais de Longas/Médias e de Curtas-Metragens para apreciação ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-curtas-do-oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do próximo ano. </span><span style="font-weight: 400;">Longe das sessões presenciais, o </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> assistiu à distância os curtas-metragens brasileiros disponíveis no </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">. Dos sete filmes da Competição Brasileira de Curtas exibidos remotamente, quatro tiveram sua estreia mundial no <a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/03/e-tudo-verdade-exibe-serie-celebre-de-godard-e-filmes-sobre-guerra-da-ucrania.shtml">É Tudo Verdade</a>, que também expôs, apenas presencialmente, </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/50869-Ferro%60s-bar"><i><span style="font-weight: 400;">Ferro’s Bar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;"> (Menção Honrosa na categoria)</span><span style="font-weight: 400;">, dirigido por Aline A. Assis, Fernanda Elias, Nayla Guerra e Rita Quadros, e </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/50465-O-Materialismo-Historico-da-Flecha-contra-o-Relogio"><i><span style="font-weight: 400;">O Materialismo Histórico da Flecha Contra o Relógio</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Carlos Adriano.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Mãri hi – A Árvore do Sonho</span></i><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2023/04/25/primeiro-cineasta-yanomami-ganha-premio-em-festival-internacional-de-documentarios.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Morzaniel Ɨramari</span></a><span style="font-weight: 400;">, além de ter sua estreia mundial no É Tudo Verdade, foi o grande vencedor da Competição Brasileira de Curtas-Metragens, recebendo também o Prêmio Mistika. Produzido em parceria da </span><i><span style="font-weight: 400;">ARUAC Filmes</span></i><span style="font-weight: 400;"> com a Hutukara Associação Yanomami, o curta do cineasta yanomami aborda o conhecimento de seu povo sobre os sonhos, com a participação e narração da liderança indígena e xamã, </span><a href="https://ea.fflch.usp.br/autor/davi-kopenawa"><span style="font-weight: 400;">Davi Kopenawa</span></a><span style="font-weight: 400;">. “</span><i><span style="font-weight: 400;">A luta yanomami vai continuar até o fim</span></i><span style="font-weight: 400;">”, disse Ɨramari.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Abaixo, você fica com a curadoria do <strong>Persona </strong>feita por </span><b>Bruno Andrade</b><span style="font-weight: 400;">, </span><b>Enzo Caramori</b><span style="font-weight: 400;">, </span><b>Guilherme Veiga</b><span style="font-weight: 400;">, </span><b>Jamily Rigonatto</b><span style="font-weight: 400;">, </span><b>Nathalia Tetzner</b><span style="font-weight: 400;"> e </span><b>Vitória Gomez</b>, que deixam su<span style="font-weight: 400;">as impressões </span><span style="font-weight: 400;">sobre <strong>Os curtas brasileiros do </strong></span><strong>28º Festival É Tudo Verdade</strong><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-30777"></span></p>
<h2>Curtas-metragens</h2>
<figure id="attachment_30786" aria-describedby="caption-attachment-30786" style="width: 739px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30786" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/images.jpeg" alt="Cena do documentário Mãri hi - A Árvore do Sonho. Na imagem, duas mulheres indígenas de cabelos e olhos escuros parecem observar algo no céu. Uma delas segura uma criança no colo. A luz do Sol ainda está iluminando a paisagem. Ao fundo, o cenário é a aldeia onde vivem." width="739" height="415" /><figcaption id="caption-attachment-30786" class="wp-caption-text">“Vamos compartilhar este pensamento para juntos ficarmos mais sábios”, diz Davi Kopenawa Yanomami (Foto: ARUAC Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Mãri hi &#8211; A Árvore do Sonho (Morzaniel Ɨramari, 17’, 2023)</b></p>
<p><a href="https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2023/04/25/primeiro-cineasta-yanomami-ganha-premio-em-festival-internacional-de-documentarios.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Morzaniel Ɨramari</span></a><span style="font-weight: 400;"> enfrenta na pele os efeitos nocivos da exploração do garimpo desde os seus primeiros anos de vida. No Cinema, ele encontrou uma forma de registrar a história de seu povo, atravessada pela constante luta por direitos. Com o curta-documentário </span><a href="https://www.google.com/amp/s/www.estadao.com.br/amp/cultura/p-de-pop/morzaniel-iramari-filma-a-luta-yanomami/%3ftype=post"><i><span style="font-weight: 400;">Mãri hi &#8211; A Árvore do Sonho</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,  o primeiro yanomami a se tornar diretor foi selecionado para o Festival </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-festival-e-tudo-verdade-2022/"><span style="font-weight: 400;">É Tudo Verdade</span></a><span style="font-weight: 400;">, em que venceu a categoria de Melhor Documentário da Competição Brasileira de Curtas-Metragens. A obra trata da relação mística entre os moradores da &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">terra-floresta</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221; e a semente de árvore que concede os sonhos ao mundo de todos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Carregado de um olhar intimista e da narração precisa de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5byN3rhbZKs"><span style="font-weight: 400;">Davi Kopenawa</span></a><span style="font-weight: 400;">, Ɨramari não pretende explicar o linguajar característico ou as tradições cultivadas pela sua cultura, mas sim fazer o público experienciar algo único. Em meio ao clima monótono, é a composição sensível de alguém que vivencia tal realidade que transforma a atmosfera do filme em algo </span><a href="https://sumauma.com/os-xamas-sonham-e-falam-que-a-floresta-esta-chorando-porque-esta-destruida/"><span style="font-weight: 400;">brutalmente mágico</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao passo em que Kopenawa escreve em seu caderno e os desenhos das crianças yanomami colorem a tela, a conclusão caminha para um tema um tanto quanto universal, afinal, &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">com árvore do sonho nós sonhamos longe”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_30782" aria-describedby="caption-attachment-30782" style="width: 886px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30782 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/cama-vazia-e1682968412948.png" alt="" width="886" height="626" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/cama-vazia-e1682968412948.png 886w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/cama-vazia-e1682968412948-800x565.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/cama-vazia-e1682968412948-768x543.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30782" class="wp-caption-text">No curta de cinco minutos, vemos imagens de Jean-Claude Bernardet durante seu tratamento de câncer, que ganha tons assombrosos e desesperançosos (Foto: Fábio Rogério e Jean-Claude Bernardet)</figcaption></figure>
<p><b>Cama Vazia (Fábio Rogério e Jean-Claude Bernardet, 5’, 2023)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Pior que eu tenho pavor da velhice</span></i><span style="font-weight: 400;">” – </span><i><span style="font-weight: 400;">Cama Vazia </span></i><span style="font-weight: 400;">se inicia com um áudio em fundo preto; trata-se da voz de Sônia Silk, a personagem interpretada por Helena Ignez em </span><i><span style="font-weight: 400;">Copacabana Mon Amour </span></i><span style="font-weight: 400;">(1970), de <a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa15983/rogerio-sganzerla">Rogério Sganzerla</a>. O Cinema marginal de Sganzerla, marcado principalmente pela ironia, emerge como referência no curta de 5 minutos dirigido por Fábio Rogério e </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/06/jean-claude-bernardet-fala-de-aids-e-de-cancer-em-livro-sem-meias-palavras.shtml"><span style="font-weight: 400;">Jean-Claude Bernardet</span></a><span style="font-weight: 400;">. Acompanhando um homem idoso – o próprio Bernardet – em tratamento de uma doença que nunca é explicitada, enxergamos o que poderia ser sua aparente decomposição social, visto que, no pequeno filme, essa desintegração não é apenas corporal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Montado como uma sequência de fotografias, não demora para percebermos que </span><i><span style="font-weight: 400;">Cama Vazia</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a documentação do tratamento contra o câncer de Jean-Claude Bernardet, também exposto por ele no livro </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559210480/o-corpo-critico"><i><span style="font-weight: 400;">O Corpo Crítico</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021), em que aborda a “</span><i><span style="font-weight: 400;">faceta robótica</span></i><span style="font-weight: 400;">” dos médicos e enfermeiros durante a terapia. É essa característica desoladora que mais fica em evidência no curta-metragem, pois sua narração compreende que seu &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">corpo octogenário, aidético e canceroso”</span></i><span style="font-weight: 400;">, como ele mesmo descreve, é apenas um mecanismo, uma possibilidade de lucro e uma máquina que carrega o câncer, que preocupa mais os médicos do “</span><i><span style="font-weight: 400;">que o portador do tumor</span></i><span style="font-weight: 400;">”. No curta, o desencanto da obra é, também, um desencanto do próprio autor – negando-se a dar seguimento ao processo terapêutico –, que liga sua condição ao capitalismo e constrói, junto a Fábio Rogério, um ensaio sobre a morte na pós-modernidade. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_30796" aria-describedby="caption-attachment-30796" style="width: 959px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30796 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Captura-de-tela-2023-04-28-125221.png" alt="" width="959" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Captura-de-tela-2023-04-28-125221.png 959w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Captura-de-tela-2023-04-28-125221-800x449.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Captura-de-tela-2023-04-28-125221-768x431.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30796" class="wp-caption-text">A expulsão dos habitantes do Morro Castello são registradas pela lente de Guilherme dos Santos, em arquivos recentemente recuperados por instituições da memória brasileira e revisitados por França (Foto: Instituto Moreira Salles/Rio Memórias)</figcaption></figure>
<p><b>BAMBAMBÃ (Andréa França, 12’, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É tradicional do exercício da prática do Cinema de Arquivo a segmentação de imagens de </span><a href="https://brapci.inf.br/index.php/res/v/203561"><i><span style="font-weight: 400;">found footage</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">em seus míseros detalhes para descobrir, assim, algo que transpareça a realidade de um coletivo. Em</span> <a href="https://ims.com.br/filme/no-intenso-agora/"><i><span style="font-weight: 400;">No Intenso Agora</span></i> </a><span style="font-weight: 400;">(2017)</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">o diretor João Moreira Salles olha a uma babá que fica no último plano de um filme familiar para entender as condições de classe da sociedade carioca; já em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OyThQGBZFMI"><i><span style="font-weight: 400;">BAMBAMBÃ</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> Andréa França faz uma compilação de uma categoria específica de imagens – as das mudanças urbanas que atravessaram a metrópole no início do século – como uma tentativa de orientar o olhar do espectador ao seu tema de estudo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com Patrícia Machado na pesquisa, a diretora do curta, também </span><a href="http://www.pos.com.puc-rio.br/br/texto/259/curta-produzido-por-professoras-do-ppgcom-e-selecionado-para-o-festival-e-tudo-verdade"><span style="font-weight: 400;">professora</span></a><span style="font-weight: 400;"> universitária, mistura a teoria histórico-sociológica ao estudo do momento estético das imagens fotográficas e do panorama cultural da época. Assim, os movimentos gentrificadores como o &#8220;</span><a href="https://ims.com.br/exposicao/moderna-pelo-avesso_ims-paulista/"><span style="font-weight: 400;">bota-abaixo</span></a><span style="font-weight: 400;">&#8221; e o início da favelização do Rio de Janeiro são diretamente relacionados ao plano civilizatório de uma modernidade brasileira – que culmina nas tantas </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2022/02/17/excludente-elitista-e-patriarcal-pesquisadora-amplia-olhar-critico-sobre-semana-de-22"><span style="font-weight: 400;">contradições</span></a><span style="font-weight: 400;"> que envolvem a </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-mulheres-da-semana-de-22-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Semana de Arte de 22</span></a> <span style="font-weight: 400;">–</span><span style="font-weight: 400;">, tudo através da análise da natureza das fotografias da época: registros amadores, por homens da elite, de uma sociedade tradicional em desaparecimento. </span><b>&#8211; Enzo Caramori</b></p>
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<figure id="attachment_30834" aria-describedby="caption-attachment-30834" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30834" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Vanh-Go-To-Laklano.png" alt="" width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Vanh-Go-To-Laklano.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Vanh-Go-To-Laklano-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Vanh-Go-To-Laklano-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Vanh-Go-To-Laklano-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Vanh-Go-To-Laklano-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30834" class="wp-caption-text">A construção da barragem do Norte dividiu os povos indígenas locais em 10 aldeias diferentes (Foto: Calêndula Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Vãnh Gõ Tõ Laklãnõ (Barbara Pettres, Flávia Person e Walderes Coctá Priprá, 25’, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A barragem Norte de José Boiteux é a maior obra de contenção de cheias no Brasil. A inauguração, em 1972, deu oportunidades de trabalho a imigrantes e reduziu as inundações no Vale do Itajaí. Do outro lado, porém, desde então alaga boa parte das terras Laklãnõ/Xokleng. Os povos indígenas do local, em Santa Catarina, são mais antigos que qualquer construção ou processo social de imigração e, ainda assim, vêem sua cultura ser </span><a href="https://www.uol.com.br/ecoa/ultimas-noticias/2020/06/02/o-que-e-o-marco-temporal-e-como-ele-impacta-indigenas-brasileiros.htm"><span style="font-weight: 400;">diluída</span></a><span style="font-weight: 400;">. Do idioma às escolas evacuadas por condições precárias, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AX1giw-b62g"><i><span style="font-weight: 400;">Vãnh Gõ Tõ Laklãnõ</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">remonta a história dos povos ali situados, com focos sensíveis e atentos a quem fez parte de sua construção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É através da visão de seus próprios integrantes que o curta-metragem documental reconstrói os Laklãnõ/Xokleng: um pastor indígena que prega a fé evangélica em sua língua nativa para que esta continue viva; uma </span><a href="https://ccs2.ufpel.edu.br/wp/2019/11/13/alunos-se-reunem-com-primeira-indigena-de-formacao-arqueologica-do-pais/"><span style="font-weight: 400;">arqueóloga</span></a><span style="font-weight: 400;">, Walderes Coctá Priprá (uma das diretoras da obra), discute como o preconceito do povo branco estereotipa os indígenas para minimizá-los de seus direitos: um poeta recita as consequências da instalação da barragem para os moradores locais: “</span><i><span style="font-weight: 400;">de uma utilidade imensa, mas também prejudicial</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Com um trabalho de som que imerge na natureza e no cotidiano local, e uma escuta sincera a quem expõe sua verdade, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vãnh Gõ Tõ Laklãnõ </span></i><span style="font-weight: 400;">venceu o Prêmio Canal Brasil de Curtas do festival, e </span><span style="font-weight: 400;">mostra o impacto e importância do Marco Temporal no país. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_30781" aria-describedby="caption-attachment-30781" style="width: 1288px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30781 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/retratos-de-piratininga.png" alt="" width="1288" height="624" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/retratos-de-piratininga.png 1288w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/retratos-de-piratininga-800x388.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/retratos-de-piratininga-1024x496.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/retratos-de-piratininga-768x372.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/retratos-de-piratininga-1200x581.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30781" class="wp-caption-text">Com Retratos de Piratininga, André Manfrim reflete sobre as narrativas presentes nos monumentos de São Paulo (Foto: Filmes de Taipa)</figcaption></figure>
<p><b>Retratos de Piratininga (André Manfrim, 17’, 2023)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2021, a queima da estátua de Borba Gato, na Zona Sul de São Paulo, reacendeu o debate sobre a memória colonial amplamente resguardada na História da Arte. Rapidamente rechaçado por líderes conservadores e pela polícia, o ato apontou para apenas uma faceta da memória conservada nos espaços públicos. Fato é que o tipo de história que se quer contar – ou lembrar – também diz respeito ao tipo de sociedade que se quer criar. Borba Gato, líder bandeirante, foi apenas um dos homenageados pelas ruas da capital: no centro velho de São Paulo – região onde se encontra a Praça da Sé –, estão as estátuas do jesuíta José de Anchieta, Apóstolo Paulo (que dá nome a cidade) e Tibiriçá, indígena que se converteu ao cristianismo.</span> <span style="font-weight: 400;">O diretor </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ByN9DTDXDvE&amp;ab_channel=piquebandeirafilmes"><span style="font-weight: 400;">André Manfrim</span></a><span style="font-weight: 400;"> parte desses monumentos para tentar enxergar o que eles nos dizem sobre o passado e, principalmente, sobre o presente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com narração de André Abujamra, </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/51504-Retratos-de-Piratininga"><i><span style="font-weight: 400;">Retratos de Piratininga</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é um filme lento, visivelmente artesanal, com caráter quase didático. Através de pesquisa sobre as obras filmadas, o curta-metragem cria um diálogo entre as imagens gravadas e a voz de Abujamra, que nos confidencia os segredos guardados pelos monumentos. Há, portanto, um filme ensaio, que parte da análise e reflexão sobre a memória preservada após a colonização – memória essa, muitas vezes, romantizada nas Artes. Trata-se de um curta que desmonta as narrativas da formação da cidade de São Paulo, que integram nosso imaginário e que, nos meandros da História, se revelam marcadas pela fé e pela violência. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_30802" aria-describedby="caption-attachment-30802" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30802 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Todavia-sinto.jpg" alt="Cena do curta-metragem Todavia Sinto. Na imagem, a protagonista olha o seu reflexo em um espelho. Ela é uma mulher negra de cabelos crespos presos e segura o espelho entre as pernas." width="1024" height="574" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Todavia-sinto.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Todavia-sinto-800x448.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Todavia-sinto-768x431.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30802" class="wp-caption-text">Poético e doloroso, Todavia Sinto, co-produzido na Espanha e em Cuba, ganhou o Prêmio EDT, da Associação de Profissionais de Edição Audiovisual, para Melhor Montagem no Festival É Tudo Verdade de 2023 (Foto: EICTV)</figcaption></figure>
<p><b>Todavia Sinto (Evelyn Santos, 9’, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que acontece quando o positivo chega? Qual é o peso de uma decisão? Alguém é capaz de verdadeiramente entender? Sob a direção de Evelyn Santos, o concorrente da Competição Brasileira de Curta-Metragem na 28ª edição do </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/pag/vencedores2023"><span style="font-weight: 400;">Festival É Tudo Verdade</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Todavia Sinto</span></i><span style="font-weight: 400;">, não se compromete a responder, mas fomentar as perguntas que afogam uma pessoa quando a gravidez se torna uma realidade. Debaixo das águas turbulentas de emoções tão singulares, a produção mostra o ar se esvaindo de um corpo que perde sua individualização sem deixar de estar completamente sozinho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com as imagens misturando o movimento agressivo das ondas e os </span><i><span style="font-weight: 400;">frames</span></i><span style="font-weight: 400;"> detalhistas da construção da imagem da mulher grávida, assistir o curta é uma experiência brilhante e extremamente sufocante. Enquanto escutamos as perguntas e opiniões de quem está fora da anatomia que carrega o feto, as escolhas parecem cada vez mais pessoais e tomadas por uma dor intransferível, inserida no telespectador como a laceração de uma faca afiada. Seja na escolha de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/"><span style="font-weight: 400;">abortar</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou seguir a gestação, os olhares externos jamais deixariam de expor seus pensamentos próprios e, por mais que tentem, compreender plenamente é uma tarefa impossível. Em um oceano de complexidades, nada é capaz de dividir a verdade vivente na humanidade de quem, todavia, sente. </span><b>– Jamily Rigonatto </b></p>
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<figure id="attachment_30787" aria-describedby="caption-attachment-30787" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30787 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Aos-Mortos-Um-Lugar-para-Habitar.jpeg" alt="Cena do curta-documental Aos Mortos, Um Lugar para Habitar. Nela vemos um arquivo pessoal que mostra Sandra Maria Costa Barbosa, personagem central da obra. Sandra era uma mulher branca, de meia idade, de cabelos castanhos e olhos pretos. A imagem, que por ser de arquivo, emula a estética de um VHS, dá um close em Sandra, que devido ao sol, olha para o lado com os olhos cerrados. Ao fundo, vemos uma praia." width="1920" height="1228" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Aos-Mortos-Um-Lugar-para-Habitar.jpeg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Aos-Mortos-Um-Lugar-para-Habitar-800x512.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Aos-Mortos-Um-Lugar-para-Habitar-1024x655.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Aos-Mortos-Um-Lugar-para-Habitar-768x491.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Aos-Mortos-Um-Lugar-para-Habitar-1536x982.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Aos-Mortos-Um-Lugar-para-Habitar-1200x768.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30787" class="wp-caption-text">O curta é a tentativa mais singela e certeira de dar rosto aos números (Foto: Orla Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Aos Mortos, Um Lugar para Habitar (Victor Costa Lopes, 7’, 2023)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">A melhor maneira de garantir que os mortos não causarão desordem é, não apenas enterrá-los, mas enterrar também seus restos, os seus destroços. Arquivos são uma parte desses restos e destroços</span></i><span style="font-weight: 400;">”. É com a frase do filósofo camaronês </span><a href="https://www.politize.com.br/necropolitica-o-que-e/"><span style="font-weight: 400;">Achille Mbembe</span></a><span style="font-weight: 400;"> que </span><i><span style="font-weight: 400;">Aos Mortos, Um Lugar para Habitar</span></i><span style="font-weight: 400;">, do diretor cearense Victor Costa Lopes, se ambienta a partir do relatório base da CPI da pandemia, que teve início ainda em 2021, um dos anos de pico da doença.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muito mais que um minuto de silêncio, o curta é uma invocação de sete minutos à memória de Sandra Maria Costa Barbosa, uma das mais de 700 mil vítimas da covid-19 aqui no Brasil. Por mais que pareça pessoal, a produção é consciente ao florescer um sentimento único a cada um de nós, que, de uma forma ou de outra, fomos afetados não só pela pandemia mas também pelo descaso do governo Bolsonaro, fazendo que a Sandra e suas lembranças se transmutem em diferentes faces.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É fato que a memória é a última coisa de nossos entes que permanece viva em nós, mas </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/51539-Aos-Mortos--um-Lugar-para-Habitar"><i><span style="font-weight: 400;">Aos Mortos, Um Lugar para Habitar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> mostra que, devido a uma condução criminosa da pandemia, tudo que a precede nos foi tirado. Desde um diagnóstico preciso, um enterro honroso e até mesmo um tratamento confortável e digno para algo que podia ou não ser iminente. Os mortos? Foram escorraçados, e o único lugar seguro para habitar foi a nossa memória. </span><b>&#8211; Guilherme Veiga</b></p>
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		<title>6 diretoras para apreciar no Dia do Cinema Brasileiro</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Jun 2022 23:00:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Para marcar a data em um ano tão simbólico como 2022, o Persona se juntou à ACI Faac para homenagear as mulheres que fizeram, fazem e farão a História do Cinema brasileiro.  Em um Brasil que ainda vende suas salas de cinema para blockbusters estadunidenses e faz de tudo menos proteger seu próprio Cinema &#8211; &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/6-diretoras-para-apreciar-no-dia-do-cinema-brasileiro-artigo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "6 diretoras para apreciar no Dia do Cinema Brasileiro"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em><span style="font-weight: 400;">Para marcar a data em um ano tão simbólico como 2022, o Persona se juntou à ACI Faac para homenagear as mulheres que fizeram, fazem e farão a História do Cinema brasileiro. </span></em></p>
<p><figure id="attachment_27948" aria-describedby="caption-attachment-27948" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27948" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/capa-wordpress-dia-do-cinema.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/capa-wordpress-dia-do-cinema.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/capa-wordpress-dia-do-cinema-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/capa-wordpress-dia-do-cinema-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27948" class="wp-caption-text">Entre tantos nomes importantes para o cinema nacional, selecionamos diretoras que contemplam as diversidades do Brasil de ontem, hoje e amanhã [Foto: Reprodução/Arte: Jho Brunhara (Persona) e Laís Yokota (ACI Faac)/Texto de Abertura: Letícia Ramalho (ACI Faac) e Vitória Lopes Gomez (Persona)]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Em um Brasil que ainda vende suas salas de cinema para </span><a href="https://www.exibidor.com.br/clipping/link.php?u=aHR0cHM6Ly9vZ2xvYm8uZ2xvYm8uY29tL2N1bHR1cmEvZmlsbWVzL25vdGljaWEvMjAyMi8wNS9kb3V0b3ItZXN0cmFuaG8tZXN0cmVpYS1lbS1xdWFzZS03MHBlcmNlbnQtZG9zLWNpbmVtYXMtYnJhc2lsZWlyb3MtZS1tZWRpZGEtcHJvdmlzb3JpYS1wZXJkZS1tZXRhZGUtZGFzLXNhbGFzLmdodG1s"><i><span style="font-weight: 400;">blockbusters</span></i><span style="font-weight: 400;"> estadunidenses</span></a><span style="font-weight: 400;"> e faz de tudo </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2021/07/19/regular-o-streaming-nao-e-apenas-sobre-o-dinheiro.htm"><span style="font-weight: 400;">menos proteger</span></a><span style="font-weight: 400;"> seu próprio Cinema &#8211; e seus </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/04/12/atraso-e-boicote-medida-provisoria-sofreu-ataques-antes-da-estreia.htm"><span style="font-weight: 400;">próprios cineastas</span></a><span style="font-weight: 400;"> -, os artistas sempre impuseram resistência. A situação das mulheres na Sétima Arte ao redor do mundo, porém, não destoa tanto do que vemos hoje: a </span><a href="https://entretenimento.r7.com/prisma/keila-jimenez/cinema-nacional-exclui-mulheres-negras-diz-estudo-da-ancine-29082019"><span style="font-weight: 400;">invisibilidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> ainda as condena ao esquecimento e ao segundo lugar de profissionais homens &#8211; que cá entre nós, também </span><a href="https://brasil.elpais.com/babelia/2020-05-16/kleber-mendonca-filho-os-estados-unidos-tiveram-sorte-com-trump-em-comparacao-a-bolsonaro.html"><span style="font-weight: 400;">não estão em um lugar muito melhor</span></a><span style="font-weight: 400;"> por aqui. Mas parando para pensar… de cabeça, quantas diretoras mulheres você consegue citar? No Dia do Cinema Brasileiro, tomamos esse momento para refletirmos: </span><a href="https://antigo.ancine.gov.br/pt-br/sala-imprensa/noticias/ancine-publica-informe-sobre-diversidade-de-g-nero-e-ra-no-cinema-em-2016"><span style="font-weight: 400;">quem são</span></a><span style="font-weight: 400;"> as cineastas que construíram e continuam construindo a trajetória do Cinema no país?</span></p>
<p><span id="more-27912"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há quase um século, Cléo de Verberena inaugura essa história, como a primeira </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2018/03/31/mulheres-cineastas-comentam-a-importancia-de-mais-mulheres-na-direcao"><span style="font-weight: 400;">mulher</span></a><span style="font-weight: 400;"> de quem se tem conhecimento a dirigir um longa-metragem no Brasil, em 1931. Avançando quase meia década no tempo, Helena Solberg, nos anos 60, e Adélia Sampaio, nos 70, </span><a href="https://cbnmaringa.com.br/noticia/brasil-tem-nova-safra-de-cineastas"><span style="font-weight: 400;">continuaram abrindo portas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e se tornaram &#8211; mesmo depois de tanto tempo em relação à primeira &#8211; pioneiras. Ambas marcaram o Cinema Novo em suas últimas gerações e foram uma das poucas (talvez </span><a href="https://agenciauva.net/2018/08/05/helena-solberg-releva-que-desconhecia-ser-a-unica-mulher-do-cinema-novo/"><span style="font-weight: 400;">únicas</span></a><span style="font-weight: 400;">) representantes mulheres do movimento brasileiro. Precursoras também, Ana Carolina e Suzana Amaral: com temáticas diferentes, ambas usaram o meio cinematográfico para discutir o </span><a href="https://www.aicinema.com.br/mulheres-no-audiovisual-uma-reflexao/"><span style="font-weight: 400;">lugar da mulher</span></a><span style="font-weight: 400;"> na sociedade. Entre os longas mais famosos das duas, a primeira dirigiu </span><i><span style="font-weight: 400;">Das Tripas Coração </span></i><span style="font-weight: 400;">(1982) e a segunda, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Hora da Estrela </span></i><span style="font-weight: 400;">(1985), além de curtas-metragens e documentários.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://medium.com/guiamariafirmina/5-filmes-de-diretoras-negras-brasileiras-para-conhecer-1f7318b38c1f"><span style="font-weight: 400;">resistência</span></a><span style="font-weight: 400;"> por parte das mulheres, porém, não se limitava à sua presença no Cinema. Diretoras como Tereza Trautman e Lúcia Murat levaram a luta &#8211; política em sua essência &#8211; à frente de suas claquetes, abordando temas sociais em tom </span><a href="https://personaunesp.com.br/medusa-critica/"><span style="font-weight: 400;">contestatório</span></a><span style="font-weight: 400;">. Lúcia, inclusive, continua na ativa: seu longa de estreia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Que Bom Te Ver Viva</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1989), misturava histórias de resistência às suas memórias da prisão na ditadura; seu último trabalho até agora, </span><i><span style="font-weight: 400;">Praça Paris </span></i><span style="font-weight: 400;">(2017), ainda discorre sobre a violência brasileira. Mais recentemente, </span><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-anita-rocha-da-silveira/"><span style="font-weight: 400;">cineastas</span></a><span style="font-weight: 400;"> como Maria Augusta Ramos, com </span><i><span style="font-weight: 400;">O Processo </span></i><span style="font-weight: 400;">(2018), Anna Muylaert, com </span><a href="https://personaunesp.com.br/alvorada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Alvorada</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2021), e Petra Costa, com </span><a href="https://personaunesp.com.br/democracia-em-vertigem-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Democracia em Vertigem</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2019), tomaram o jogo político para si, em documentários pertinentes ao Brasil atual.</span></p>
<figure id="attachment_27913" aria-describedby="caption-attachment-27913" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27913" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/helena.jpg" alt="Fotografia da cineasta Helena Ignez. A imagem captura apenas o seu rosto e é e preto e branco. Ela está de frente, é uma mulher branca, de cabelos loiros ondulados e soltos, e tem uma franja fina sobre a testa. Helena usa uma maquiagem escura ao redor dos olhos e de seu lábio inferior escorre um líquido preto." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/helena.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/helena-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/helena-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/helena-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/helena-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/helena-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27913" class="wp-caption-text">A atriz e cineasta Helena Ignez, que foi esposa de Rogério Sganzerla, comandou curtas-metragens autorais e foi uma importante força criativa nos filmes do diretor, apesar de nunca ter sido oficialmente creditada (Foto: Belair Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outras, preferem retratar o seu ponto de diferentes formas. Viviane Ferreira (</span><i><span style="font-weight: 400;">O dia de Jerusa</span></i><span style="font-weight: 400;">), Laís Bodanzky (</span><i><span style="font-weight: 400;">Bicho de Sete Cabeças</span></i><span style="font-weight: 400;">) Juliana Rojas (</span><i><span style="font-weight: 400;">As Boas Maneiras</span></i><span style="font-weight: 400;">), Gabriela Amaral Almeida (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Animal Cordial</span></i><span style="font-weight: 400;">), Grace Passô (</span><i><span style="font-weight: 400;">República</span></i><span style="font-weight: 400;">), Eliane Caffé (</span><i><span style="font-weight: 400;">Era o Hotel Cambridge</span></i><span style="font-weight: 400;">), Larissa Fulana de Tal (</span><i><span style="font-weight: 400;">Cinzas</span></i><span style="font-weight: 400;">), Caru Alves de Souza (</span><i><span style="font-weight: 400;">De Menor</span></i><span style="font-weight: 400;">) e </span><a href="https://www.cartacapital.com.br/diversidade/maya-da-rin-um-pais-serio-teria-um-ministerio-so-para-politicas-indigenas/"><span style="font-weight: 400;">Maya Da-Rin</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">A Febre</span></i><span style="font-weight: 400;">) são apenas alguns dos nomes que, na ativa, levam um subtexto crítico da realidade atual às suas produções. E o tom, infelizmente, não poderia ser menos acertado: a</span><span style="font-weight: 400;">tualmente, o Cinema nacional está em fase de recuperação depois do baque pandêmico e dos desmontes que o governo Bolsonaro permitiu aos projetos de incentivo à cultura, como novas regras de adesão ao financiamento pela </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/06/02/o-que-e-a-lei-rouanet.htm"><span style="font-weight: 400;">Lei Rouanet</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De acordo com </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/seminariosfolha/2019/08/entenda-como-o-cinema-brasileiro-vem-sendo-financiado-ate-agora.shtml"><span style="font-weight: 400;">pesquisa da Agência Nacional do Cinema (Ancine)</span></a><span style="font-weight: 400;">, em 2019, 167 filmes brasileiros chegaram às telas de cinema, o que correspondeu a 37% das obras exibidas, e apenas 13,6% de todos os ingressos vendidos. Os longas-metragem de produção nacional mais assistidos naquele ano foram </span><i><span style="font-weight: 400;">Minha Mãe é Uma Peça 3</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nada a Perder 2</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Hebe &#8211; A Estrela do Brasil</span></i><span style="font-weight: 400;">  e</span><i><span style="font-weight: 400;"> Minha Vida em Marte</span></i><span style="font-weight: 400;">, sendo este último o único com direção feminina. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De modo geral, podemos observar que os filmes que chegam ao circuito de exibição popular, além de não serem preferência do público brasileiro, são em sua grande maioria </span><a href="https://personaunesp.com.br/marighella-critica/"><span style="font-weight: 400;">dirigidos por homens</span></a><span style="font-weight: 400;">. Portanto, neste Dia do Cinema Brasileiro, cabe lembrar e destacar as mulheres que estiveram e ainda estão na linha de frente na luta pela valorização do Cinema nacional, sobretudo aquelas que não receberam a devida valorização. Seja no terror, no drama, no pseudodocumentário ou na ficção, o Cinema brasileiro resiste e <a href="https://exame.com/casual/mulheres-na-direcao-elas-bateram-recorde-nos-sets-de-filmagem-em-2020/">as cineastas também</a>. Em 2022, o Persona e a ACI Faac se juntaram em uma parceria inédita para homenagear as cineastas que fazem parte da História do audiovisual brasileiro.</span></p>
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<figure id="attachment_27914" aria-describedby="caption-attachment-27914" style="width: 351px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27914" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/cleo-de-verberena.jpg" alt="Fotografia em preto e branco de Cleo de Verberena. Ela é uma mulher branca, de cabelos escuros curtos e ondulados. Ela é fotografada da altura do peito para cima. Cleo usa um vestido de mangas longas e gola v estampado e também escuro. Seu pescoço e pulso estão cobertos de joias. Sua mão esquerda está apoiada no ombro direito. Ela está usando maquiagem escura ao redor dos olhos, batom também escuro e suas sobrancelhas são finas, arqueadas e marcadas." width="351" height="478" /><figcaption id="caption-attachment-27914" class="wp-caption-text">Dentre as influências da primeira diretora do Brasil, estão o ator, produtor e diretor Fred Niblo e a atriz vencedora do Oscar Greta Garbo (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Cleo de Verberena </b><span style="font-weight: 400;">por</span><b> Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Primeiro, a primeira: Cleo de Verberena, nome artístico de Jacyra Martins da Silveira, foi </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4qXUipA0k4A"><span style="font-weight: 400;">a primeira</span></a><span style="font-weight: 400;"> mulher a dirigir um filme no Brasil. O feito veio através do título </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2bibJUB0GYo"><i><span style="font-weight: 400;">O Mystério do Dominó Preto</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que em 1931 colocou o país junto do resto da América Latina em suas primeiras produções cinematográficas assinadas por diretoras, um movimento iniciado na década de 10 na Argentina e impulsionado pelas tendências modernistas e de desenvolvimento cultural, ideias todas muito bem recebidos pelo nosso continente a partir dos anos 20.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas o sentido carregado do termo “</span><a href="https://personaunesp.com.br/as-mulheres-da-semana-de-22-artigo/"><span style="font-weight: 400;">moderna</span></a><span style="font-weight: 400;">” ainda é pouco para definir a visão de Cleo, que almejava explorar a direção audiovisual muito antes de estar diante de uma câmera pela primeira vez. Ainda adolescente, a cineasta nascida em 1909 na cidade de Amparo, no interior de São Paulo, deixou seu seio familiar para desbravar a capital, sempre inóspita aos novatos e especialmente hostil às jovens repletas de aspirações. Depois de ascender como atriz de teatro, ela vende tudo o que tem para realizar </span><a href="https://www.museudatv.com.br/biografia/cleo-de-verberena/"><span style="font-weight: 400;">o seu grande sonho</span></a><span style="font-weight: 400;"> e fazer história no Cinema brasileiro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa em questão é totalmente centrado em Verberena e </span><a href="https://mulheresdeluta.com.br/cleo-de-verberna/"><span style="font-weight: 400;">seu talento</span></a><span style="font-weight: 400;"> como diretora, roteirista, produtora e atriz, trazendo sua assinatura em todas as esferas de criação. Mesmo sendo o marco inicial de uma trajetória longeva findada com o seu falecimento em 1972, quando Cleo tinha 68 anos, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mystério do Dominó Preto</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi o único filme que ela dirigiu, pois a sua segunda produção (</span><i><span style="font-weight: 400;">Canção do Destino</span></i><span style="font-weight: 400;">, iniciada logo depois da primeira, ainda em 1931) não foi concluída. O seu projeto de vida, no entanto, foi continuado por todas as diretoras que vamos conhecer abaixo, seguindo vivo até hoje, pelo trabalho das mulheres que se inspiram pela ousadia de Verberena ao reivindicar o Cinema como </span><a href="https://epocanegocios.globo.com/Brasil/noticia/2020/03/no-brasil-20-dos-filmes-sao-dirigidos-apenas-por-mulheres.html"><span style="font-weight: 400;">a sua Arte</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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<figure id="attachment_27915" aria-describedby="caption-attachment-27915" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27915" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/ana-carolina.jpg" alt="Fotografia de Ana Carolina num set de gravação. A imagem mostra a cineasta sentada, atrás de uma câmera que manipula. Ela é uma mulher branca, de cabelos escuros ondulados e curtos, e olha para a direita, fora da imagem. Ana Carolina veste uma calça jeans azul e uma blusa azul, e apoia o rosto com a mão esquerda. Sua expressão é séria e pensativa. Ao fundo, existe um campo esverdeado e muitas pessoas ao seu redor." width="1200" height="780" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/ana-carolina.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/ana-carolina-800x520.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/ana-carolina-1024x666.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/ana-carolina-768x499.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27915" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">Um dos nomes mais importantes não só para a história das mulheres no Cinema brasileiro como também para a história do Cinema documental no país, Ana Carolina foi a homenageada da 27ª edição do </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-festival-e-tudo-verdade-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">É Tudo Verdade</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, o maior festival de Cinema de não-ficção do mundo </span></i>(Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Carolina</b><span style="font-weight: 400;"> por </span><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando o assunto é o trabalho de mulheres no Cinema brasileiro, o nome daquela cujo olhar sempre prestou atenção na </span><a href="https://www.mulheresdocinemabrasileiro.com.br/site/mulheres/visualiza/421/Ana-Carolina/4"><span style="font-weight: 400;">experiência feminina</span></a><span style="font-weight: 400;"> do nosso país é um dos mais sobressalentes. Ana Carolina Teixeira Soares precisou de apenas os seus dois primeiros nomes e o que havia essencialmente dentro de si para deixar sua marca na produção cinematográfica brasileira. É que sua linguagem audiovisual é ancorada pelo olhar crítico para a questão de gênero, perfeitamente visível em sua trilogia mais apreciada, composta por </span><a href="https://www.primevideo.com/dp/amzn1.dv.gti.85bbe54e-6730-4caa-a675-c26bf1242082?autoplay=1&amp;ref_=atv_cf_strg_wb"><i><span style="font-weight: 400;">Mar de Rosas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1977), </span><a href="https://www.primevideo.com/dp/amzn1.dv.gti.51cae7fd-146c-475f-b618-0f5eff6b78cb?autoplay=1&amp;ref_=atv_cf_strg_wb"><i><span style="font-weight: 400;">Das Tripas Coração</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1982) e </span><a href="https://www.primevideo.com/dp/amzn1.dv.gti.2da45d6c-f98c-4dbb-9174-a15e5fc5b6c7?autoplay=1&amp;ref_=atv_cf_strg_wb"><i><span style="font-weight: 400;">Sonho de Valsa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1987), cujo fio narrativo é o acompanhar das vivências femininas ao longo das etapas da vida (infância, adolescência e maturidade, respectivamente).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para chegar em sua identidade ímpar, carregada de valor visual e riqueza intertextual, a paulistana nascida em 1945 começou trabalhando com nada mais nada menos do que a quintessência da Sétima Arte: </span><a href="https://cpdoc.fgv.br/memoria-documentario/ana-carolina"><span style="font-weight: 400;">o gênero documental</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Lavra-dor</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1967), ela se envolve com Cinema pela primeira vez, depois de passar pelas faculdades de Medicina e Ciências Sociais, como co-diretora e roteirista de Paulo Rufino. Então, em 1974 ela dirigiu seu primeiro longa, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YOrCGHwToFY"><i><span style="font-weight: 400;">Getúlio Vargas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, aos 20 anos da morte do ex-presidente, para encerrar a primeira fase de sua carreira e mergulhar na ficção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lá foi que a carreira de Ana Carolina deslanchou com apreço internacional: em 1978 ela participou do júri do Festival de Berlim, e depois estreou com seu filme de 1982 no Festival de Cannes. Com foco para a vida familiar e análises sociais da vida privada, ela recorre aos artifícios inteligentes do humor e da hipérbole e mergulha no psicológico de seus personagens, a fama de “</span><a href="https://www.mulheresdocinemabrasileiro.com.br/site/mulheres/visualiza/421/Ana-Carolina/4"><span style="font-weight: 400;">a mais autoral cineasta brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;">” é mais do que justa para a primeira mulher que reproduziu a vastidão da mulher brasileira numa tela de Cinema.</span></p>
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<figure id="attachment_27916" aria-describedby="caption-attachment-27916" style="width: 1170px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27916" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/2-adelia-sampaio.jpg" alt="Foto de Adélia Sampaio. Em frente a um fundo desfocado, vemos Adélia Sampaio do peito para cima. Ela é uma mulher negra, de cabelos grisalhos curtos e encaracolados, aparentando cerca de 70 anos. Ela usa óculos de grau marrom e quadrado, veste um paletó preto e um lenço vermelho no pescoço e tem seus braços levantados, com as mãos fazendo um gesto como se enquadrasse algo." width="1170" height="648" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/2-adelia-sampaio.jpg 1170w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/2-adelia-sampaio-800x443.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/2-adelia-sampaio-1024x567.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/2-adelia-sampaio-768x425.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27916" class="wp-caption-text">Como forma de democratizar e difundir suas produções, Adélia Sampaio disponibilizou algumas de suas obras em seu canal do YouTube (Foto: Criadoras Negras RS)</figcaption></figure>
<p><b>Adélia Sampaio </b><span style="font-weight: 400;">por</span><b> Vitória Lopes Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">O cinema é elitista. Chega uma preta, filha de empregada doméstica e quer fazer filmes? Claro que foi difícil.</span></i><span style="font-weight: 400;">” “Difícil” sequer dá conta de definir o início da trajetória de </span><a href="https://catarinas.info/adelia-sampaio-e-o-pioneirismo-cinematografico-de-amor-maldito/"><span style="font-weight: 400;">Adélia Sampaio</span></a><span style="font-weight: 400;">: quando criança, a futura cineasta mudou de cidade e foi separada da mãe à força, junto da irmã. Aos 18 anos, sofreu um grave ataque e perdas às vésperas do golpe militar de 1964, e, mais velha, viu o marido ser injustamente acusado e tornar-se um preso político durante a ditadura. Quase 20 anos depois, </span><i><span style="font-weight: 400;">Amor Maldito </span></i><span style="font-weight: 400;">mudou seu caminho. Apesar dos empecilhos para ser lançado, como todo filme à frente do seu tempo, o primeiro e único longa-metragem de Adélia até então a </span><a href="https://revistatrip.uol.com.br/tpm/adelia-sampaio-a-primeira-mulher-negra-a-dirigir-um-longa-metragem-no-brasil"><span style="font-weight: 400;">eternizou na história</span></a><span style="font-weight: 400;"> como a primeira mulher negra a dirigir um filme no Brasil.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O enredo do filme, de 1984, trata a relação romântica de duas mulheres. Quando uma delas comete suicídio, a outra é acusada e julgada como a principal suspeita da morte. Já nos anos 80, a diretora levou a discussão da homofobia às telas, em uma obra </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GwbENSgRzr8"><span style="font-weight: 400;">revolucionária</span></a><span style="font-weight: 400;"> tanto por seu conteúdo quanto pelos responsáveis pela sua concepção. Como qualquer produção transgressora, </span><i><span style="font-weight: 400;">Amor Maldito </span></i><span style="font-weight: 400;">foi recusado pela Embrafilme, produtora estatal brasileira, até mesmo depois de convites para exibição em festivais de Cinema no exterior. Resistindo, o </span><a href="https://www.youtube.com/channel/UCVcvsoqRG6qC09VU-KV5rCw"><span style="font-weight: 400;">filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi lançado através de um sistema de cooperação entre os profissionais envolvidos e, para receber atenção do público, teve que ceder à propaganda das Pornochanchadas da época.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo assim, por mais revolucionários e transgressores que tenham sido, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BSlu-PRHPhs"><span style="font-weight: 400;">Adélia Sampaio</span></a><span style="font-weight: 400;">, assim como </span><i><span style="font-weight: 400;">Amor Maldito</span></i><span style="font-weight: 400;">, só começou a ganhar o devido reconhecimento recentemente, após anos de </span><a href="https://mulhernocinema.com/para-ler/conheca-adelia-sampaio-diretora-negra-que-marcou-o-cinema-nacional/"><span style="font-weight: 400;">racismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, apagamento e invisibildade. A cineasta trabalhou em outras áreas do Cinema desde o lançamento do filme e dirigiu documentários e curtas-metragens, mas passou um tempo afastada e </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/primeira-negra-dirigir-um-longa-no-brasil-adelia-sampaio-volta-ao-cinema-22201730"><span style="font-weight: 400;">retornou</span></a><span style="font-weight: 400;"> à Sétima Arte há pouco tempo. Em 2017, lançou seu </span><a href="https://mulhernocinema.com/noticias/de-volta-a-direcao-adelia-sampaio-estreia-novo-filme-no-festival-de-curtas-de-sp/"><span style="font-weight: 400;">curta</span></a><i><span style="font-weight: 400;"> O Mundo de Dentro</span></i><span style="font-weight: 400;"> e foi redescoberta. Desde então, Adélia é homenageada em eventos e festivais pela sua carreira e obra, inclusive na Mostra Lugar de Mulher É no Cinema, é frequentemente convidada para falar sobre sua trajetória e sobre sua influência como cineasta negra, e, quase 40 anos depois, é finalmente reconhecida como uma referência do Cinema brasileiro.</span></p>
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<figure id="attachment_27917" aria-describedby="caption-attachment-27917" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27917" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/tizuka-yamasaki.jpg" alt="Fotografia da diretora Tizuka Yamasaki em set de direção. Ela é uma mulher de ascendência japonesa, com cabelos lisos escuros que estão na altura o ombro. Ela veste uma regata preta e óculos laranja. Tizuka esta atrás de uma câmera, falando com alguém enquanto gesticula suas orientações. Ela está virada para o lado direito da imagem." width="640" height="419" /><figcaption id="caption-attachment-27917" class="wp-caption-text">Em 2000, Tizuka Yamasaki recebeu a Ordem do Mérito Cultural do Ministério da Cultura, uma homenagem do Governo para pessoas e instituições que se destacam em trabalhos prestados à cultura brasileira (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Tizuka Yamasaki </b><span style="font-weight: 400;">por</span><b> Vitor Evangelista</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Filha e neta de imigrantes japoneses, </span><a href="https://www.instagram.com/yamasakitizuka/"><span style="font-weight: 400;">Tizuka Yamasaki</span></a><span style="font-weight: 400;"> sempre sentiu um bloqueio cultural entre ela e o país em que nasceu. Foi apenas em 1980, quando escreveu e dirigiu </span><i><span style="font-weight: 400;">Gaijin &#8211; Os Caminhos da Liberdade</span></i><span style="font-weight: 400;">, que a cineasta conseguiu exercitar sua Arte e se entender com sua identidade. O filme, premiado com o grande louro no Festival de Gramado e dono de uma menção honrosa em Cannes, trata das dificuldades de imigrantes japoneses em uma fazenda de café no início do século XX.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, antes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Gaijin</span></i><span style="font-weight: 400;">, Yamasaki cursava Arquitetura na Universidade de Brasília. Quando a faculdade fechou, ela decidiu estudar Cinema na UFF. O resultado foi um encontro com Nelson Pereira dos Santos, com quem trabalhou na função de continuísta e fotógrafa em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Amuleto de Ogum</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1974). Quatro anos mais tarde, </span><a href="https://institutodecinema.com.br/mais/conteudo/mulheres-no-cinema-tizuka-yamasaki"><span style="font-weight: 400;">fundou a produtora CPC</span></a><span style="font-weight: 400;">, que bancou obras como </span><i><span style="font-weight: 400;">Bar Esperança</span></i><span style="font-weight: 400;"> (Hugo Carvana), </span><i><span style="font-weight: 400;">Rio Babilônia </span></i><span style="font-weight: 400;">(Neville De Almeida) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Idade da Terra</span></i><span style="font-weight: 400;"> (último filme de Glauber Rocha). Em 83, comandou </span><i><span style="font-weight: 400;">Parahyba Mulher Macho</span></i><span style="font-weight: 400;">, retratando a vida da poetisa feminista Anaíde Beneriz. No ano seguinte, uniu ficção e documentário na confecção de </span><i><span style="font-weight: 400;">Patriamada</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme que se mescla à História por ter sido captado em meio aos protestos das Diretas Já. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre 89 e 90, pulou para as telinhas com </span><i><span style="font-weight: 400;">Kananga do Japão</span></i><span style="font-weight: 400;">, novela precursora em borrar a linha entre a TV e o Cinema. E foi a partir da década de noventa que Yamasaki passou a comandar obras voltadas para o público infantil, com destaque para</span><i><span style="font-weight: 400;"> Lua de Cristal</span></i><span style="font-weight: 400;">, estreia de Xuxa no meio cinematográfico. Seja estudando as relações dos imigrantes em um Brasil em ebulição, seja emprestando sua visão para a Rainha dos Baixinhos brilhar entre mágicas, a obra e a Arte de Tizuka Yamasaki, hoje no auge de seus 73 anos, permanecem relevantes e dignas de celebração, por mais que </span><a href="https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2021/09/21/algo-transformador-cineasta-tizuka-yamasaki-fala-da-experiencia-de-filmar-obra-sobre-o-misticismo-da-amazonia.ghtml"><span style="font-weight: 400;">seu currículo recente</span></a><span style="font-weight: 400;"> mostre uma ou outra produção televisiva, longe do reconhecimento e da adoração que são suas por direito. </span></p>
<hr />
<figure id="attachment_27918" aria-describedby="caption-attachment-27918" style="width: 1632px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27918" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/larissa-tukano.jpg" alt=" Selfie tirada pela cineasta Larissa Ye&#96;padiho Duarte Tukano, mulher indígena do povo Tukano. Ela olha diretamente para câmera e sorri sem mostrar os dentes enquanto segura uma câmera fotográfica. Ela veste uma camiseta na cor cinza e está numa paisagem com o Rio Negro desfocado." width="1632" height="1224" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/larissa-tukano.jpg 1632w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/larissa-tukano-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/larissa-tukano-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/larissa-tukano-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/larissa-tukano-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/larissa-tukano-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27918" class="wp-caption-text">Em 2027, Larissa Ye`padiho Duarte Tukano, diretora indígena do Alto Rio Negro, participou do sexto festival de cinema indígena, Cine Kurumin, com seu primeiro curta-metragem, Wehsé Darasé &#8211; Trabalho da Roça (Foto: Larissa Ye`padiho Duarte Tukano)</figcaption></figure>
<p><b>Larissa Ye’padiho Duarte Tukano </b><span style="font-weight: 400;">por</span><b> Letícia Ramalho</b></p>
<p><a href="https://www.itaucultural.org.br/conheca-cineastas-indigenas"><span style="font-weight: 400;">Larissa Ye`padiho Duarte Tukano</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma mulher indígena do povo Tukano, da região do Alto do Rio Negro, perto de São Gabriel da Cachoeira, a cidade com maior concentração de indígenas do Brasil, localizada do Amazonas. Sendo seu pai uma liderança do povo Tukano, Larissa cresceu no meio das discussões e lutas para que a terra no Alto Rio Negro fosse área protegida demarcada, dessa forma, ela diz que amadureceu conhecendo os mundos e sendo ensinada a não desistir de sua cultura indígena para viver uma não-indígena. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por meio de suas obras, Larissa busca trazer </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4M20IeXz-fc"><span style="font-weight: 400;">reflexões</span></a><span style="font-weight: 400;"> a respeito das mudanças culturais, esquecimentos e absorções que os jovens indígenas estão sofrendo em contato com as cidades. Filma em destaque as mulheres porque, de acordo com sua experiência, as mulheres indígenas sofrem as opressões e violências das relações machistas nas aldeias, porém dentro das casas, elas dominam e direcionam os homens com seus conhecimentos e sabedorias. A jovem se dedica a resgatar e valorizar a cultura de roça, a pintura e a arte Tukano, bem como a língua nativa de seu povo, que está presente na narração de seu primeiro trabalho audiovisual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cineasta começou sua atuação na área por volta de 2015, depois de participar da Oficina de Audiovisual pera Salvaguarda do Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro, promovida pela Foirn. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3iIkVrYMMH4"><i><span style="font-weight: 400;">Wehsé Darasé &#8211; Trabalho da Roça</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foi seu primeiro documentário. O curta-metragem, lançado em 2016, apresenta a vida cotidiana de sua família, em especial a relação das mulheres mais velhas com as mais novas em torno do trabalho na roça, que exige atravessar rios e a mata densa da floresta amazônica e uma jornada de trabalho intenso para colheita, descasque, ralação, entre outras etapas para o preparo da maneva, também conhecida como mandioca.</span><i><span style="font-weight: 400;"> &#8220;Quando eu filmei o trabalho da roça, eu não estava só filmando o espaço físico, entende? A maneva, a terra, a senhora. É toda cosmologia envolvida dentro desse filme&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;">, relatou a diretora para o Itaú Cultural.</span></p>
<hr />
<figure id="attachment_27919" aria-describedby="caption-attachment-27919" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27919 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/julia-katherine.jpg" alt="Fotografia da cineasta Julia Katharine recebendo o Prêmio Helena Ignez. A imagem a mostra à direita, na frente de uma projeção do prêmio. Julia é uma mulher branca, de cabelos lisos castanhos, e usa roupas pretas. Ela segura o prêmio com as mãos e sorri levemente para frente. " width="1000" height="509" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/julia-katherine.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/julia-katherine-800x407.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/julia-katherine-768x391.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27919" class="wp-caption-text">Em 2018, Julia Katharine foi a primeira mulher trans a receber o prêmio Helena Ignez, entregue anualmente pela Mostra de Cinema de Tiradentes com o objetivo de destacar o trabalho das mulheres no Cinema brasileiro (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Julia Katherine </b><span style="font-weight: 400;">por </span><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde o início da história das mulheres no Cinema brasileiro, quase 100 anos se passaram até que as nossas telas recebessem o primeiro filme assinado por uma </span><a href="https://mulhernocinema.com/videos/julia-katharine-escolhe-5-filmes-com-representatividade-trans/"><span style="font-weight: 400;">diretora trans</span></a><span style="font-weight: 400;">. O marco se deu com Julia Katharine e o curta </span><a href="https://deliriumnerd.com/2019/01/27/julia-katharine-entrevista-curta-tea-for-two-mostra-de-tiradentes/"><i><span style="font-weight: 400;">Tea For Two</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que estreou no nosso circuito comercial em fevereiro de 2019 apresentando uma história semi-autobiográfica com foco para um relacionamento entre duas mulheres. Antes, ela protagonizou e roteirizou</span> <a href="http://mulhernocinema.com/videos/veja-julia-katharine-no-trailer-de-lembro-mais-dos-corvos/"><i><span style="font-weight: 400;">Lembro Mais dos Corvos</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2019), de seu amigo de longa data Gustavo Vinagre, o que inaugurou oficialmente sua carreira no Cinema.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A experiência só confirmou a aspiração que a cineasta sempre teve em seu coração. O primeiro envolvimento da paulistana </span><a href="https://www.mulheresdocinemabrasileiro.com.br/site/entrevistas_depoimentos/visualiza/223/Julia-Katharine"><span style="font-weight: 400;">autodidata</span></a><span style="font-weight: 400;"> nascida em 1977 com o Cinema foi uma figuração em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Crime Delicado</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2006, de Beto Brant). Então, idas e vindas a levaram até para fora do Brasil antes de definitivamente realizar um filme seu, por incentivo do seu círculo de amizades e com o apoio de editais de incentivo à Cultura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse, aliás, é o aspecto que Julia mais destaca quando perguntada em entrevistas sobre temas relacionados à representatividade e a presença das mulheres trans na produção audiovisual brasileira. De frente com a produção do seu primeiro longa-metragem, ela </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2019/02/21/julia-katharine-primeira-cineasta-trans-brasileira-a-entrar-no-circuito-comercial"><span style="font-weight: 400;">não deixa ninguém desistir</span></a><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">É o momento de resistir, de seguir em frente e de buscar novas formas de fazer cinema. Criarmos redes de apoio, de acolhimento, para que a gente possa ajudar umas às outras a suportar (&#8230;)</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
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		<title>Medida Provisória: uma distopia iminente se anuncia</title>
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		<pubDate>Mon, 23 May 2022 15:00:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gomes Santana Em um Brasil distópico, mas não muito distante da presente realidade, resgatar as origens deixa de ser uma opção e passa a ser uma lei. É diante desse bizarro cenário que Medida Provisória, primeiro longa dirigido por Lázaro Ramos, se desenvolve e quebra recordes de bilheteria nacional. O filme trata de uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/medida-provisoria-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Medida Provisória: uma distopia iminente se anuncia"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27678" aria-describedby="caption-attachment-27678" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27678" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-MP.png" alt="Cena do filme Medida Provisória. A foto exibe dois atores negros com olhares atentos em um ambiente noturno, cena de um momento de tensão do filme. À esquerda aparece o personagem Antônio, interpretado pelo ator Alfred Enoch. Ele é um rapaz alto, com cerca de 1,90 de altura, usa barba e cavanhaque e está encapuzado com uma jaqueta preta. Ao lado esquerdo da imagem temos o personagem André, interpretado pelo ator Seu Jorge. Ele é um pouco menor que Antônio, usa bigode e cavanhaque, carrega um colar por cima de uma jaqueta preta. Diferente de Antônio, André não veste um capuz. " width="800" height="467" /><figcaption id="caption-attachment-27678" class="wp-caption-text">Conduzido por uma direção inédita e uma trilha sonora composta por nomes como Elza Soares, Rincon Sapiência, Baco Exu do Blues, Cartola e Liniker, Medida Provisória chega aos cinemas quebrando paradigmas, emocionando e alarmando para um futuro não tão distante (Foto: Elo Company)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Gomes Santana</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um Brasil distópico, mas não muito distante da presente realidade, resgatar as origens deixa de ser uma opção e passa a ser uma lei. É diante desse bizarro cenário que </span><i><span style="font-weight: 400;">Medida Provisória</span></i><span style="font-weight: 400;">, primeiro longa dirigido por </span><a href="https://personaunesp.com.br/falas-negras-critica/"><span style="font-weight: 400;">Lázaro Ramos</span></a><span style="font-weight: 400;">, se desenvolve e quebra recordes de bilheteria nacional. O filme trata de uma tragicomédia, que aborda o que há de pior em nosso jeitinho brasileiro de mascarar problemas profundos dos porões racistas e cordiais, nos quais Gilberto Freyre de maneira dualista e polêmica tanto criticou em </span><a href="https://www.anpocs.com/index.php/papers-39-encontro/gt/gt28/9704-casa-grande-e-senzala-e-o-mito-da-democracia-racial/file"><i><span style="font-weight: 400;">Casa Grande e Senzala</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-27677"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se procurarmos no dicionário jurídico, uma </span><a href="https://www.politize.com.br/medida-provisoria/"><span style="font-weight: 400;">Medida Provisória (MP)</span></a><span style="font-weight: 400;"> nada mais é do que uma ação emergencial que tem uma força representativa de lei, sem necessariamente a aprovação do Poder Legislativo. Ela só entrará como lei oficial da nação a partir de uma posterior votação na Câmara; e é justamente através desse artifício de poder, sem a consulta daqueles que serão impactados, que a narrativa apresenta, na ficção, a decisão do governo brasileiro em deportar todas as pessoas consideradas negras, ou como o próprio filme cita, </span><i><span style="font-weight: 400;">“pessoas de melanina acentuada”</span></i><span style="font-weight: 400;">, para o continente africano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ideia de trazer essa história para as telonas surgiu do próprio Lázaro Ramos, mas o diretor admite que o roteiro foi inspirado, em grande parte, numa adaptação da peça teatral</span> <a href="https://www.researchgate.net/publication/270404417_Back_to_the_roots_-_Namibia_Nao_de_Aldri_Anunciacao"><i><span style="font-weight: 400;">Namíbia Não!</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, obra escrita por Aldri Anunciação (que também é roteirista do filme) e dirigida por Lázaro. Na peça, André é um advogado que entra com um processo contra o Estado Brasileiro pelo tempo de escravidão e ganha uma indenização bizarra: passagem só de ida para Namíbia. Apesar de sofrer algumas alterações, sobretudo no que diz respeito ao elenco, a película representou fielmente a essência bizarra e espetacular da peça.</span></p>
<figure id="attachment_27679" aria-describedby="caption-attachment-27679" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27679" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-2-MP.png" alt="Foto do ator Lázaro Ramos. Ele é um homem negro, barbudo, de estatura média. Ele aparece de camisa branca e boné azul e branco. Na imagem, Lázaro aparece atrás de uma tela que faz parte dos equipamentos de filmagem. Ao fundo, em segundo plano, uma mulher negra que usa óculos e que, provavelmente trabalha junto à equipe, aparece conversando com um rapaz de boné." width="800" height="533" /><figcaption id="caption-attachment-27679" class="wp-caption-text">Em seu primeiro trabalho como diretor de Cinema, Lázaro Ramos admitiu em entrevista ao Podpah que a princípio não tinha nenhuma pretensão de comandar Medida Provisória, pois o artista considera que seu maior trunfo está na arte da atuação (Foto: GQ Brasil)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Composto por um núcleo de estrelas nacionais e internacionais, </span><i><span style="font-weight: 400;">Medida Provisória </span></i><span style="font-weight: 400;">conta com 77 atores e atrizes negros, se destacando assim como a produção cinematográfica com maior representatividade negra da história do Cinema nacional. Além disso, a equipe técnica dos bastidores também é predominantemente preta. No time principal, nomes como Alfred Enoch (Antonio), Taís Araújo (Capitú), Seu Jorge (André), Aldri Anunciação (Ivan), Adriana Esteves (Isabel) e Renata Sorrah (Dona Izildinha) protagonizam o longa-metragem. Há também diversas participações especiais, como é o caso de figuras como </span><a href="https://personaunesp.com.br/amarelo-emicida-critica/"><span style="font-weight: 400;">Emicida</span></a><span style="font-weight: 400;">, Tia Má e Luis Miranda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Basicamente, podemos dividir o enredo em três partes: cômica, trágica e dramática, em uma narrativa que prende a atenção do espectador do início ao fim. Seja pelos absurdos, como também pelo apego sentimental aos personagens, </span><i><span style="font-weight: 400;">Medida Provisória</span></i><span style="font-weight: 400;"> acaba nos colocando como torcida da resistência de Antônio e André. No filme, ambos são irmãos inseparáveis que protestam contra todas as terríveis </span><a href="https://technewsbrasil.com.br/historia-real-que-inspirou-olhos-que-condenam-da-netflix/"><span style="font-weight: 400;">ações estatais racistas</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas apesar de serem indivíduos combativos, suas personalidades diferem bastante, o que traz maior sinergia para as cenas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Caso a abordagem crítica de Lázaro apontasse apenas uma perspectiva de narrativa dramática, o filme por si só já seria digno de boas avaliações. No entanto, impressiona positivamente a maneira como a narrativa consegue alarmar assuntos sérios e importantes, de um jeito leve e descontraído. Essa mescla é feita à perfeição, já que instiga a refletir a respeito de uma autocrítica coletiva, sem desrespeitar causas tão relevantes, quanto a questão do </span><a href="https://www.politize.com.br/equidade/blogpost/o-que-e-racismo-estrutural/"><span style="font-weight: 400;">racismo estrutural</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_27680" aria-describedby="caption-attachment-27680" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27680" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3-MP.png" alt="Foto dos bastidores do filme Medida Provisória. Antônio, Capitu (Taís Araújo) e André se divertem em um bar. A imagem ilustra uma mesa cheia de canecas de chopp e alguns petiscos. O casal Antônio e Capitu está abraçado e sentado, enquanto André está de pé, se curvando para conversar com o casal," width="800" height="450" /><figcaption id="caption-attachment-27680" class="wp-caption-text">Os olhares desse trio nesta cena dizem muito a respeito da conexão dos atores nas gravações, chave fundamental para o sucesso de qualquer filmagem (Foto: Elo Company)</figcaption></figure>
<p><b>A terrível semelhança entre ficção e realidade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É bem perceptível que </span><i><span style="font-weight: 400;">Medida Provisória </span></i><span style="font-weight: 400;">explora temáticas sensíveis de nossa cruel e preconceituosa contemporaneidade. É válido destacar, porém, que o filme não denuncia exclusivamente as mazelas do racismo estrutural, já que o roteiro também aponta características ligadas aos demais estigmas e comportamentos preocupantes. A exemplo disso podem ser citados os obstáculos enfrentados pela personagem </span><a href="https://personaunesp.com.br/falas-femininas-critica/"><span style="font-weight: 400;">Capitu (Taís Araújo)</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por ser uma mulher negra, médica de um hospital particular, a mesma tem de lidar com diversos preconceitos que, assim como a questão racial, também estão enraizados em nossa sociedade. Outro ponto se dá pelas semelhanças envolvendo as duas antagonistas brancas da narrativa: Isabel (Adriana Esteves) e Dona Izildinha (Renata Sorrah). Enquanto Isabel inferniza a vida daqueles que são considerados de </span><i><span style="font-weight: 400;">“melanina acentuada”</span></i><span style="font-weight: 400;">, Izildinha busca a todo momento se sentir útil e notável para as pessoas (da maneira errada, é claro).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tanto Isabel quanto Izildinha representam o perfil de indivíduos que têm o prazer em constranger outrem. São pessoas ressentidas e preocupadas com o mal estar alheio que, ao depositarem todo o seu ódio em terceiros, tentam mascarar os assuntos pessoais mal resolvidos. Isabel possui uma </span><a href="https://blogbr.clear.sale/contas-falsas#:~:text=Para%20as%20plataformas%20de%20m%C3%ADdias,em%20preju%C3%ADzos%20financeiros%20e%20psicol%C3%B3gicos."><span style="font-weight: 400;">conta </span><i><span style="font-weight: 400;">fake</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">na </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde expõe amarguradamente comentários racistas. Ao mesmo tempo, a personagem se vê refém de si mesma quando passa a ser desprezada e ignorada por seu chefe e por seu assessor. Já Izildinha não vê sua família há anos, algo que diz bastante sobre o seu </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-52922015"><span style="font-weight: 400;">comportamento repugnante</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_27681" aria-describedby="caption-attachment-27681" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27681" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-MP.png" alt="Cena do filme Medida Provisória. Capitu (Taís Araújo) está centralizada à frente de uma multidão que a observa com olhares desconfiados e surpresos. Ela veste uma regata branca e uma saia de estampa. Ao seu lado esquerdo, há dois soldados com trajes pretos (um deles porta uma metralhadora). À direita, Isabel (Adriana Esteves) aparece com um paletó executivo roxo. Capitu está com uma expressão facial de angústia e forte emoção." width="800" height="420" /><figcaption id="caption-attachment-27681" class="wp-caption-text">As expressões faciais dessa cena são autoexplicativas e ricas em detalhes (Foto: Elo Company)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais esdrúxula que seja a Medida Provisória que intitula o filme, ela infelizmente não está tão longe de nossa realidade. Com um Estado que </span><a href="https://www.cartacapital.com.br/cultura/crise-na-ancine-impede-que-centenas-de-novos-filmes-sejam-lancados/"><span style="font-weight: 400;">ameaça e boicota</span></a><span style="font-weight: 400;"> o campo da Cultura, que incentiva a prática violenta das polícias, reprime movimentos sociais e legitima ataques de ódio e mentira, sobretudo pelas redes sociais, certamente um futuro semelhante ao da ficção se torna um risco cada vez mais iminente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, felizmente ainda prevalece uma esperança em meio ao caos. Antes mesmo de sua estreia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Medida Provisória </span></i><span style="font-weight: 400;">foi indicada a diversos</span><a href="https://gshow.globo.com/Famosos/noticia/lazaro-ramos-ganha-seu-primeiro-premio-internacional-com-medida-provisoria.ghtml"><span style="font-weight: 400;"> prêmios internacionais</span></a><span style="font-weight: 400;">. Saiu vencedor do Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa (FESTin) nas categorias de Melhor Realizador e Melhor Ator; foi o Melhor Roteiro </span><i><span style="font-weight: 400;">Indie do </span></i><span style="font-weight: 400;">Memphis Film Festival; e ainda campeão do Prêmio Manuel Barba, do Festival de Cinema Ibero-americano de Huelva. Diante dessa maravilhosa repercussão, é possível enxergar com bons olhos o impacto de milhares de pessoas que prestigiam o Cinema nacional.</span></p>
<figure id="attachment_27682" aria-describedby="caption-attachment-27682" style="width: 716px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27682" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-5-MP.png" alt="Cena do filme Medida Provisória. Os atores Aldri Anunciação e Diva Guimarães aparecem juntos em um dos momentos mais marcantes do filme. O enquadramento da imagem reflete uma luz potente emergindo em um ambiente escuro. Diva é uma senhora idosa negra, na casa de seus 80 anos, com cabelo crespo grisalho. Ela veste uma camisa amrela tom mostarda e usa colar.Aldri é um homem negro, na casa de seus 45 anos, com cabelo dread. Ele veste um colete verde escuro. Aldri é mais alto que Diva e leva uma tatuagem no pescoço." width="716" height="800" /><figcaption id="caption-attachment-27682" class="wp-caption-text">É como diz o poeta Jorge Aragão: “E quando pisar no terreiro, procure primeiro saber quem eu sou, respeite quem pôde chegar aonde a gente chegou” (Foto: Elo Company)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para entender melhor sobre as propostas críticas dessa obra, nada melhor do que interpretar as falas de </span><a href="https://elastica.abril.com.br/especiais/medida-provisoria-filme-racismo-tais-araujo-lazaro-ramos-alfred-enoch/"><span style="font-weight: 400;">Lázaro Ramos</span></a><span style="font-weight: 400;"> a respeito do contexto com o qual ela se insere: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Estamos falando de um filme que foi baseado em uma peça de teatro escrita em 2011. O roteiro foi escrito em 2015 com o propósito de alertar sobre problemas e questões que a gente não gostaria que acontecesse. Depois disso, várias delas aconteceram. É um sinal de que não podemos calar debates importantes para a gente melhorar enquanto sociedade e comunidade”.</span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Medida Provisória</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um grito de alerta, mas também de </span><a href="https://mundonegro.inf.br/lazaro-ramos-explica-a-presenca-de-dona-diva-em-medida-provisoria-um-simbolo-de-potencia/"><span style="font-weight: 400;">esperança </span></a><span style="font-weight: 400;">em meio ao caos. Não podemos desconsiderar que se trata de uma dramatização surgida num momento de rivalidades, disputas eleitorais e todo chorume desse desgoverno que flerta com situações antes consideradas impensáveis (no pior sentido da palavra). Nada é mais mirabolante que uma bela dramatização que escracha nossa condição. Os problemas são apresentados de maneira confortavelmente incômoda. É rir de si mesmo, sabendo os defeitos que precisam ser superados, sobretudo em momentos de transição. É daí que vem a esperança.</span></p>
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