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	<title>Arquivos Asa Butterfield &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>O final de Sex Education tocou nos pontos certos e chegou lá</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Apr 2024 18:58:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Freire Ambientada em uma visão extremamente colorida do ensino médio, Sex Education sempre ancorou sua narrativa em um ditado simples, mas poderoso: o sexo e toda a ansiedade que o envolve são fundamentais para o senso de identidade de cada adolescente. Ao abraçar sem pudores o potencial didático de sua premissa, cumprindo a promessa &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/sex-education-4a-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O final de Sex Education tocou nos pontos certos e chegou lá"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32972" aria-describedby="caption-attachment-32972" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-32972" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-1-2.jpg" alt="Cena da quarta temporada de Sex Education. Na imagem, à esquerda, vemos o personagem Eric, um homem negro com cabelo rente à cabeça e que veste uma camiseta de tricô verde, um colete amarelo com flores rosas e carrega uma mochila com a alça marrom nas costas. Ele olha levemente para sua direita enquanto ri com a mão direita em cima de seu peito. À direita, vemos o personagem Otis, um homem branco com cabelos pretos que veste uma camisa xadrez vermelha, uma jaqueta nas cores bege, vermelho e azul, e carrega uma mochila com a alça marrom nas costas. Assim como Eric, ele olha levemente para sua direita enquanto ri com sua mão esquerda dentro do bolso da jaqueta. O fundo da imagem está desfocado; à esquerda, há uma construção e, à direita, algumas árvores." width="1600" height="1062" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-1-2.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-1-2-800x531.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-1-2-1024x680.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-1-2-768x510.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-1-2-1536x1020.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-1-2-1200x797.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32972" class="wp-caption-text">A quarta e última temporada de Sex Education chegou ao catálogo da Netflix em Setembro de 2023 (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Freire</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientada em uma visão extremamente colorida do ensino médio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;"> sempre ancorou sua narrativa em um ditado simples, mas poderoso: o sexo e toda a ansiedade que o envolve são fundamentais para o senso de identidade de cada adolescente. Ao abraçar sem pudores o potencial didático de sua premissa, cumprindo a promessa provocativa do título em cada um de seus episódios, a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=427VTigFcNg"><span style="font-weight: 400;">quarta e última temporada</span></a><span style="font-weight: 400;"> da série encerra organicamente o ciclo e enfatiza que seu espaço no topo foi conquistado desde o início, o que muitos já sabiam.</span></p>
<p><span id="more-32970"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um dos títulos que fizeram parte da saga da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> em lançar dezenas de séries por ano para rechear seu portfólio com produções originais, a fim de tornar o catálogo terceirizado obsoleto. Para atingir isso, o nível das obras precisaria ser indiscutível, o que não acontece com todos os gêneros – e as obras adolescentes são um grande exemplo. Indo contra a maré e em meio a títulos como </span><a href="https://personaunesp.com.br/13-reasons-why-segunda-temporada/"><i><span style="font-weight: 400;">13 Reasons Why</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Everything Sucks</span></i><span style="font-weight: 400;">, a criação de Laurie Nunn triunfou desde a primeira temporada, tornando-se um </span><a href="https://www.businessinsider.com/netflixs-latest-british-tv-series-sex-education-is-a-hit-2019-1"><span style="font-weight: 400;">sucesso</span></a><span style="font-weight: 400;"> tanto em público quanto em crítica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Grande parte de sua aclamação se dá graças ao seu </span><a href="https://www.elle.com/uk/life-and-culture/culture/a45265137/sex-education-season-four-laurie-nunn-interview/"><span style="font-weight: 400;">roteiro</span></a><span style="font-weight: 400;">. Qualquer pessoa que já assistiu pelo menos duas séries adolescentes reconhece um padrão e sabe tudo o que pode encontrar nesse universo; se não forem tratadas com inteligência, as tramas clássicas deste estilo se resumem ao ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">cntrl C</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">cntrl V</span></i><span style="font-weight: 400;">’. É com isso em mente que </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;"> define sua estratégia de passear por vários assuntos comuns no gênero tendo a catarse como alvo. Assim, mesmo que os personagens passem por crises, as epifanias e resoluções positivistas entregam um transe catártico a quem assiste.</span></p>
<figure id="attachment_32973" aria-describedby="caption-attachment-32973" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-32973" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-2-2.jpg" alt="Cena da quarta temporada de Sex Education. Na imagem, vemos a personagem Maeve, uma mulher branca com cabelos castanhos e franjas que veste uma camisa xadrez nas cores roxo, preto e branco. Ela está sentada em uma mesa dentro do que aparenta ser uma biblioteca, já que o fundo é composto por prateleiras repletas de livros. Em cima da mesa há alguns livros abertos, seu celular e seu computador, que, dentre os adesivos que estão colados nele, um que está escrito “BAD GIRLS GET IT DONE.” se destaca. Ela olha levemente para sua direita e apresenta uma expressão séria, com os braços apoiados na mesa e as mãos cruzadas apoiadas no queixo." width="1600" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-2-2.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-2-2-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-2-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-2-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-2-2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-2-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32973" class="wp-caption-text">Maeve não teve o destino amoroso que grande parte dos fãs esperava e isso é exatamente o que deveria acontecer (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No decorrer de suas temporadas, a série teve o cuidado de não designar os títulos de mocinho e vilão a nenhum de seus personagens. Ao assistir aos dois pontos de vista de discussões cada vez mais complexas e cheias de nuances, torna-se impossível não compreender os dois lados e enxergar essas </span><a href="https://culturadoria.com.br/por-que-sex-education-e-uma-serie-que-conquista-nossos-coracoes/"><span style="font-weight: 400;">pessoas como pessoas</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que só melhorou a experiência de acompanhar a jornada até o seu fim.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como nas temporadas anteriores, a quarta e última também é gloriosamente </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> e não pensa duas vezes antes de colocar personagens LGBTQIA+ à frente, tal qual </span><a href="https://personaunesp.com.br/heartstopper-1a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Heartstopper</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Escritos por Nunn, Troy Hunter, Krishna Istha, Ethan Harvey, Annalisa Dinnella, Bella Heesom e Thara Popoola, os últimos capítulos da série podem ser vistos como uma despedida poderosa, sincera e profundamente emocional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um movimento curioso para o último ano de um seriado – mas que aprofunda o foco difuso que sempre teve –, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;"> abraça um novo cenário, novos marcos e novos personagens. Maeve (</span><a href="https://www.vogue.co.uk/article/emma-mackey-beauty-interview"><span style="font-weight: 400;">Emma Mackey</span></a><span style="font-weight: 400;">) está nos Estados Unidos estudando para ser uma escritora, Adam (</span><a href="https://www.instagram.com/connor_swindells/"><span style="font-weight: 400;">Connor Swindells</span></a><span style="font-weight: 400;">) está a procura de um trabalho e a maioria da turma passou a frequentar uma nova escola, a Cavendish College, um paraíso de educação consciente em um campus com tecnologia de ponta que é muito mais progressista do que a heterossexual Moordale Secondary. Além disso, Otis (</span><a href="https://www.hungertv.com/editorial/asa-butterfield-on-what-the-end-of-sex-education-could-mean-for-him-all-good-things-need-to-come-to-an-end/"><span style="font-weight: 400;">Asa Butterfield</span></a><span style="font-weight: 400;">) se depara com uma terapeuta sexual, O (</span><a href="https://www.instagram.com/thaddeagraham/"><span style="font-weight: 400;">Thaddea Graham</span></a><span style="font-weight: 400;">), e passa a lutar com ela por espaço.</span></p>
<figure id="attachment_32974" aria-describedby="caption-attachment-32974" style="width: 1399px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-32974" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-3-2.jpg" alt="Cena da quarta temporada de Sex Education. Na imagem, vemos os personagens Aisha, Roman e Abbi. Aisha, localizada à esquerda, é uma mulher negra com cabelos pretos presos em um rabo de cavalo e que veste um macacão verde claro, uma jaqueta florida nas cores amarelo, branco, rosa e verde, e possui uma espécie de bolsa marrom claro pendurada em seu ombro. Roman, ao centro, é um homem trans com cabelos castanhos e cacheados que veste uma camiseta azul, uma camisa estampada nas cores azul e branca, um colete jeans e a mesma espécie de bolsa marrom claro pendurada em um de seus ombros. Abbi, à direita, é uma mulher trans branca com cabelos ondulados rosa claro e que veste um shorts jeans, uma camiseta roxa e uma jaqueta no mesmo tom, com pompons roxos no final das mangas e nos ombros. Ela carrega uma pequena mochila lilás nas costas. Os personagens olham levemente para a direita deles enquanto sorriem. Eles se encontram no estacionamento para bicicletas da escola e o fundo, com algumas pessoas e plantas, está desfocado." width="1399" height="788" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-3-2.jpg 1399w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-3-2-800x451.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-3-2-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-3-2-768x433.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-3-2-1200x676.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32974" class="wp-caption-text">“Todos os gays em todos os lugares!” (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A esse ponto, existe um consenso entre os fãs da série de que a atuação de </span><a href="https://variety.com/2023/tv/news/ncuti-gatwa-eric-sex-education-healing-undid-internalized-hate-1235712583/"><span style="font-weight: 400;">Ncuti Gatwa</span></a><span style="font-weight: 400;"> como o icônico, magnífico, vulnerável e profundamente apaixonado Eric Effiong é impecável. Gatwa é abertamente </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LVzDACNVuTY"><span style="font-weight: 400;">espontâneo, sem filtros e teatral</span></a><span style="font-weight: 400;"> toda vez que entra em cena ou precisa internalizar a frustração ou a empolgação do personagem, sendo sempre um dos pontos altos do episódio. Entretanto, para além de seus monólogos exasperados, o ator leva Eric para um campo complexo e filosófico nesta temporada com sua complicada jornada por ser gay e religioso. O relacionamento dele com sua fé, sua família e sua comunidade cristã se torna um dos arcos mais convincentes da temporada, ao passo que </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;"> se apoia no surrealismo para retratar seus encontros espirituais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, essa é a primeira vez que o personagem possui um grupo sólido de amigos </span><i><span style="font-weight: 400;">queers</span></i><span style="font-weight: 400;">. À medida que Eric é abraçado por eles, deixa seu verdadeiro eu voar – tanto em seu guarda-roupa quanto em seu coração. O jovem encontra apoio e compreensão especialmente em Abbi (</span><a href="https://www.instagram.com/anthony.lexa/"><span style="font-weight: 400;">Anthony Lexa</span></a><span style="font-weight: 400;">), enquanto os dois refletem sobre o que significa ser cristão e fazer parte da comunidade LGBTQIA+, sentindo-se incapaz de viver sua verdade e tendo que “</span><i><span style="font-weight: 400;">esconder partes de mim com as quais os outros talvez não se sintam confortáveis</span></i><span style="font-weight: 400;">”. É muito satisfatório ver um personagem tão querido encontrar um </span><a href="https://revistahush.com/sex-education-temporada-4-eric/"><span style="font-weight: 400;">lugar seguro</span></a><span style="font-weight: 400;"> para questões tão profundas e pessoais, ainda que isso tenha acontecido de forma tardia.</span></p>
<figure id="attachment_32975" aria-describedby="caption-attachment-32975" style="width: 1248px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32975" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-4.jpg" alt="Cena da quarta temporada de Sex Education. Na cena, vemos o personagem Eric, um homem negro com cabelo rente à cabeça que veste uma regata verde com algumas aberturas no peito, uma espécie de suspensório nas cores amarelo e laranja, e um choker nas mesmas cores, com um arco de miçangas coloridas pendurado. Suas pálpebras estão repletas de strass e ele sorri, olhando levemente para sua direita. Ele está em uma balada; então, é possível ver algumas pessoas no fundo desfocado e luzes nas cores verde e roxo destacam a foto." width="1248" height="702" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-4.jpg 1248w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32975" class="wp-caption-text">Eric Effiong é, sem dúvidas, o maior acerto de Sex Education (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Emma Mackey também é excelente como a rebelde e taciturna Maeve, lidando com a desconexão de seu lar juntamente com as complexidades do privilégio e da pressão acadêmica da faculdade norte-americana. Embora a história da personagem a tenha levado a lugares sombrios durante toda a série, na quarta temporada, a atriz a leva </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VahF-k4-4Wo"><span style="font-weight: 400;">ao limite</span></a><span style="font-weight: 400;"> por meio da perda e da tragédia em sua família disfuncional, e poucas conseguiriam fazer isso com tanta maestria. Em uma das melhores cenas da temporada, um momento raro e vulnerável entre Jean (Gillian Anderson) e Maeve traz à tona o melhor das duas estrelas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro nome que merece destaque é o de </span><a href="https://www.instagram.com/aimeelouwood/"><span style="font-weight: 400;">Aimee Lou Wood</span></a><span style="font-weight: 400;">. Navegando pelos sentimentos recém-descobertos por uma paixão inesperada enquanto ainda se recupera de seu trauma, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fcAKaijtSXs"><span style="font-weight: 400;">Aimee</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma joia inabalável. Wood deixa escapar sem esforço os pensamentos não filtrados da personagem e se conecta alegremente com a tendência dela de </span><a href="https://collider.com/sex-education-season-4-aimee/"><span style="font-weight: 400;">criar alegria em tempos sombrios</span></a><span style="font-weight: 400;">, à medida em que encontra uma maneira de processar sua agressão por meio da Arte. Enquanto a cena catártica de união no ônibus na segunda temporada a levantou do chão, colocar fogo em suas calças era o que Aimee precisava para seguir em frente sem olhar para trás.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das histórias mais silenciosas e mais </span><a href="https://www.rollingstone.com/tv-movies/tv-movie-features/sex-education-season-4-transgender-rights-netflix-terf-uk-1234830399/"><span style="font-weight: 400;">poderosas</span></a><span style="font-weight: 400;"> da temporada segue a experiência de Cal com a disforia de gênero, em uma atuação admirável de </span><a href="https://www.instagram.com/doitlikedua/?hl=pt"><span style="font-weight: 400;">Dua Saleh</span></a><span style="font-weight: 400;">. O sentimento de isolamento e, em última análise, de aversão a si mesmo é devastador, e Saleh impregna seu personagem com a sensação de querer desaparecer a todo momento. Ao acompanhar seu tratamento com testosterona, a série mostra o impacto direto que o tempo de espera que adolescentes trans e não binários enfrentam para receber atendimento de afirmação de gênero pode ter na saúde mental, e essa representatividade no audiovisual é fundamental.</span></p>
<figure id="attachment_32976" aria-describedby="caption-attachment-32976" style="width: 980px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32976" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-5-1.jpg" alt="Cena da quarta temporada de Sex Education. Na imagem, vemos a personagem Aimee, uma mulher branca com cabelos loiros que veste uma camisa de manga bufante branca, um vestido sem mangas preto, colar e pulseira de pérolas e brincos dourados. Ela está em seu quarto, cujo papel de parede é branco com detalhes rosa e o jogo de cama também é branco, com vários desenhos de boca coloridos. Diante de um armário marrom com a porta aberta, ela está segurando um par de calças jeans escuro, e olha para ele com um sorriso leve no rosto." width="980" height="642" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-5-1.jpg 980w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-5-1-800x524.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-5-1-768x503.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32976" class="wp-caption-text">A ‘jornada de cura’ de Aimee é um dos processos mais belos e genuínos de se acompanhar (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é exagero dizer que a presença de personagens deficientes e a forma como eles são tratados é um dos grandes </span><a href="https://movieweb.com/sex-education-season-4-disability/"><span style="font-weight: 400;">acertos</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;"> não apenas escalou atores com algum tipo de deficiência, mas desenvolveu seus personagens como individuais e multidimensionais, sem entrar em tropos problemáticos e colocando-os em contextos românticos e sexuais na tela – o que não costuma acontecer. A experiência de Isaac (</span><a href="https://www.instagram.com/georgerossrobinson/"><span style="font-weight: 400;">George Robinson</span></a><span style="font-weight: 400;">) com a sexualidade na terceira temporada foi muito bem representada e, na quarta, amplia essa representação com sua nova paixão e os vários relacionamentos de Aisha (</span><a href="https://www.instagram.com/miss_sassyalex/"><span style="font-weight: 400;">Alexandra James</span></a><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, a série peca ao </span><a href="https://screenrant.com/sex-education-season-4-characters-actors-not-returning/"><span style="font-weight: 400;">ausentar</span></a><span style="font-weight: 400;"> personagens que tiveram importância significativa na narrativa. Ao mesmo tempo que separar os personagens em pequenas jornadas individuais seja algo positivo, essa escolha faz com que algumas histórias se percam no meio do caminho. Jakob e Ola, por exemplo, não deveriam ter desaparecido totalmente depois de terem brincado de ‘casinha’ com Jean e Otis, além de que ignorar os alunos da Moordale Secondary, cujas vivências sustentaram temporadas, não parece justo.</span></p>
<figure id="attachment_32977" aria-describedby="caption-attachment-32977" style="width: 1399px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32977" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-6.jpg" alt="Cena da quarta temporada de Sex Education. Na imagem, vemos o personagem Isaac, um homem branco com cabelos e barba castanhos e cadeirante. Ele veste uma camisa listrada nas cores cinza, rosa, azul e branco, e uma calça jeans escura. Na sua cadeira de rodas, uma mochila preta está pendurada. A foto foi tirada em meio a uma fala, e ele olha levemente para cima e para sua direita. O fundo, desfocado, é sua escola, e é possível ver algumas pessoas paradas, ouvindo-o." width="1399" height="788" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-6.jpg 1399w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-6-800x451.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-6-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-6-768x433.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-6-1200x676.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32977" class="wp-caption-text">O final da popular comédia sexual britânica é repleta de risos e lágrimas, oferecendo um ingresso à vida adulta aos seus personagens (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em vez de forçar qualquer resolução para seus personagens, como muitos programas de TV optam por fazer em suas temporadas finais, o pontapé inicial dos oito últimos episódios escava um </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/streaming/netflix/sex-education-explicamos-o-final-emocionante-da-4a-temporada/"><span style="font-weight: 400;">fechamento emocional</span></a><span style="font-weight: 400;">. Basicamente, nenhuma história em </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;"> ganhou um ponto final bem definido e permanente.</span> <span style="font-weight: 400;">Porém, para uma série que prega os benefícios da terapia da conversa em todos os aspectos da vida de um indivíduo, poderia ter sido de outra forma?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma resposta moderna aos vídeos institucionais desatualizados forçados em muitas salas de aula, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;"> teceu explicações por meio de suas narrativas encontrando humanidade em cenas de sexo e se aprofundando em áreas sub-representadas de todos os ângulos possíveis de um adolescente. A série abordou ISTs e saúde sexual, gravidez na adolescência e aborto, masturbação e </span><i><span style="font-weight: 400;">slut-shaming</span></i><span style="font-weight: 400;">, além de tratar conversas sobre agressão sexual, vícios e saúde mental com muita sensibilidade. Muito mais do que uma série sobre sexo, </span><a href="https://www.bbc.com/culture/article/20230920-sex-education-the-show-that-changed-sex-on-tv-forever#:~:text=The%20ground%2Dbreaking%20comedy%2Ddrama,productions%20to%20hire%20a%20dedicated"><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é sobre amizade, companheirismo e um empurrão para nos conhecermos como nós somos – tudo isso enquanto é constantemente hilária.</span></p>
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		<title>Flux Gourmet é um delicioso banquete difícil de digerir</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Oct 2022 18:22:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga  Cozinhar, definitivamente, é uma Arte. Mesmo não estando inclusa entre as sete, a gastronomia sabe emular todas as sensações que as outras conseguem, às vezes de forma mais impactante e convincente que as demais. Seja pelo conforto e ternura de uma comida feita pela mãe, seja pela explosão sensorial do prato principal feito &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/flux-gourmet-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Flux Gourmet é um delicioso banquete difícil de digerir"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28902" aria-describedby="caption-attachment-28902" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28902 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1.jpg" alt="Cena do filme Flux Gourmet. Nela, vemos os três integrantes que compõem o coletivo artístico-culinário. Ao centro temos o personagem Billy interpretado por Asa Butterfield, um jovem branco de cabelos pretos com uma grande franja. Ele usa uma jaqueta jeans, camiseta vinho e calça jeans. Sua cabeça está arqueada e sua boca levemente aberta. Mais atrás, dos lados direito e esquerdo, temos duas mulheres, a da direita, loira e a da esquerda, de cabelo castanho cor de mel. As duas estão de costas, fazem movimentos com as mãos na altura do rosto e vestem uma espécie de vestido fúnebre na cor preta. Ao fundo, há uma parede que reflete uma luz azul." width="2560" height="1384" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1-2048x1107.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28902" class="wp-caption-text">O filme chega em terras brasileiras através da seção Perspectiva Internacional da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Bankside Films)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cozinhar, definitivamente, é uma Arte. Mesmo não estando inclusa entre as </span><a href="https://abra.com.br/artigos/quais-sao-as-7-artes/"><span style="font-weight: 400;">sete</span></a><span style="font-weight: 400;">, a gastronomia sabe emular todas as sensações que as outras conseguem, às vezes de forma mais impactante e convincente que as demais. Seja pelo conforto e ternura de uma comida feita pela mãe, seja pela explosão sensorial do prato principal feito em um restaurante três estrelas </span><i><span style="font-weight: 400;">Michelin</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou até mesmo pela agonia que é experimentar algum ingrediente exótico. São essas experiências que </span><i><span style="font-weight: 400;">Flux Gourmet</span></i><span style="font-weight: 400;">, co-produção entre Reino Unido, Estados Unidos e Hungria, em cartaz na Perspectiva Internacional da 46ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, e que estreou no </span><a href="https://www.instagram.com/p/Cgc1Di6MEkf/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Berlim</span></a><span style="font-weight: 400;">, busca instigar.</span></p>
<p><span id="more-28901"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigida pela nova sensação do </span><i><span style="font-weight: 400;">cult </span></i><span style="font-weight: 400;">bizarro inglês, </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/peter-strickland"><span style="font-weight: 400;">Peter Strickland</span></a><span style="font-weight: 400;">, a obra presta homenagens, em uma espécie de miscelânea, ao Cinema, Teatro e Gastronomia. O longa segue a história de um coletivo artístico-culinário em seu período de ensaios e apresentações, pelo olhar de um escritor, encarregado de documentar o processo. A premissa, por si só, já é um antro de bizarrices, sendo muito difícil sequer contemplar esse conceito. Porém, </span><i><span style="font-weight: 400;">Flux Gourmet</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue, e muito bem, escalonar suas ideias ao máximo.</span></p>
<figure id="attachment_28903" aria-describedby="caption-attachment-28903" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28903 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-2.jpg" alt="Cena do filme Flux Gourmet. Nela vemos a personagem Elle di Elle, uma mulher branca de meia idade e de cabelos castanhos cor de mel. Ela está nua e aparece somente do ombro para cima, completamente ensanguentada. Ela segura um microfone contra sua testa e ao fundo, há uma plateia observando." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-2.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28903" class="wp-caption-text">A curta carreira do diretor já é marcada pelo horror presente em seus filmes (Foto: Bankside Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A obsessão artística sempre foi uma tônica do Cinema, a exemplos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Whiplash </span></i><span style="font-weight: 400;">(2014), </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/cisne-negro-critica"><i><span style="font-weight: 400;">Cisne Negro</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2010) e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=n7kPKVxuz6k&amp;ab_channel=20thCenturyStudiosBrasil"><i><span style="font-weight: 400;">Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">[2014]. E essas obras sempre flertaram &#8211; umas mais, outras bem menos &#8211; entre o suspense e o horror. Como o pano de fundo do longa de Strickland já tendo uma aura perturbadora para chamar de sua, a escrita tem maior liberdade para destrinchar essa obsessão, o que é muito beneficiada também pelo caráter de experimentação que o Teatro naturalmente tem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, o idealizador consegue sair do arroz e feijão desse subgênero, traçando uma discussão sobre a Arte através da própria Arte, além de passear por outros entraves como o patriarcado e a exposição, tudo isso de forma muito consciente, engrossando o caldo de seu assunto-órbita que é a gastronomia. Aliás, é muito interessante como a obra usa esse fio condutor da comida para te conquistar pela barriga &#8211; só que, nesse caso, através de sequenciais socos no estômago.</span></p>
<figure id="attachment_28904" aria-describedby="caption-attachment-28904" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28904 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-3.jpg" alt="Cena do filme Flux Gourmet. Nela vemos a personagem Elle di Elle. Ela está vestindo uma camisola branca e aparece somente do ombro para cima, com a cara posicionada na direita, numa espécie de close da câmera. Ela segura um liquidificador com a mão esquerda e a tampa dele com a direita. Ele está aberto e vazando um líquido branco. Ao fundo, uma parede que reflete uma luz azul." width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-3-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-3-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-3-768x403.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28904" class="wp-caption-text">O tempo todo, o filme sabe trabalhar a agonia no telespectador (Foto: Bankside Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É muito bem aproveitado pelo longa seus diferentes aspectos e a forma como eles são inseridos na narrativa. A fotografia, pelas lentes de </span><a href="https://www.instagram.com/sidsidell/"><span style="font-weight: 400;">Tim Sidell</span></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, sabe usar muito bem da parte documental, centralizando e aproximando em uma quase simetria os personagens que conduzem o estudo. Já a parte teatral dá uma outra ótica para o filme, com planos mais abertos que enfatizam a inserção dos personagens no cenário e exaltam o jogo de luzes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda no Teatro, a produção usa muito bem o seu </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> de som, de autoria de Tim Harrison. Durante os ensaios, a inserção de sons sob a improvisação dos personagens ajuda no processo de imersão do espectador. Já durante as apresentações, relembrando as </span><i><span style="font-weight: 400;">jam sessions</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos grupos mais progressivos e </span><a href="https://timba.nics.unicamp.br/engsom/index.php/leituras-e-ponteiros/historia-da-musica-ocidental/musica-experimental/"><span style="font-weight: 400;">experimentais</span></a><span style="font-weight: 400;"> do século passado, as </span><i><span style="font-weight: 400;">pick-ups</span></i><span style="font-weight: 400;"> plugadas nos mais diferentes tipos de comida criam uma atmosfera única, que amplifica ainda mais a estranheza da obra.</span></p>
<figure id="attachment_28905" aria-describedby="caption-attachment-28905" style="width: 1880px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28905 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-4.jpg" alt="Cena do filme Flux Gourmet. Nela, temos a personagem Elle di Elle. Ela aparece do tronco para cima usando um vestido preto. Ela está encarando uma pessoa e em sua mão direita, além de um anel de pedra, está segurando um cigarro pela metade. Ao fundo, uma prateleira com potes de vidro que contém temperos." width="1880" height="974" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-4.jpg 1880w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-4-800x414.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-4-1024x531.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-4-768x398.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-4-1536x796.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-4-1200x622.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28905" class="wp-caption-text">A entrega do elenco é primordial para a criação de mundo da história (Foto: Bankside Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos pontos de maior destaque do filme, além do roteiro, sem dúvidas é o elenco. A liberdade que a escrita dá permite que os atores consigam espremer ao máximo todo o suco de sua atuação. Contidos na hora que precisam ser e extremamente expansivos quando lhes é exigido tal expansividade, as atuações funcionam tanto em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oHraElR_v60&amp;ab_channel=IFCFilms"><span style="font-weight: 400;">conjunto</span></a><span style="font-weight: 400;"> como separadas. Fatma Mohammed, musa de Strickland com quem já trabalhou em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Vestido Maldito </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Duque de Burgundy</span></i><span style="font-weight: 400;">, rouba os holofotes para si e preenche todo o longa na difícil tarefa metalinguística de interpretar uma atriz. Já Asa Butterfield (</span><a href="https://personaunesp.com.br/sex-education-3a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), Gwendoline Christie (</span><a href="https://personaunesp.com.br/game-of-thrones-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Game of Thrones</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), Ariane Labed (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Lagosta</span></i><span style="font-weight: 400;">) e Makis Papadimitriou entregam atuações concisas e bem trabalhadas, que vão crescendo de acordo com o desenrolar da obra.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Flux Gourmet</span></i><span style="font-weight: 400;"> talvez não seja o melhor feito de Peter Strickland, mas sem dúvidas é a mais sensorial de sua carreira. Como um bom </span><i><span style="font-weight: 400;">cult</span></i><span style="font-weight: 400;"> de festival, o longa sabe chocar, a exemplo da cena do exame de colonoscopia feito em público, ou a performance a princípio envolvendo excrementos que serviria de prato cheio para a máquina de disseminação de</span><i><span style="font-weight: 400;"> fake news</span></i><span style="font-weight: 400;"> da </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/09/30/padre-kelmon-peca-macaquinhos.htm"><span style="font-weight: 400;">direita conservadora brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas é interessante notar como o diretor não usa o choque somente pelo choque, mas sim para desenvolver uma reflexão sobre o limite da Arte e o uso dessa impressionabilidade na mesma, enquanto o próprio filme é uma peça artística. Como qualquer comida, o longa talvez não seja para todos os paladares e muito menos para todos os estômagos, mas, ainda assim, tem um alto valor, seja ele nutritivo ou como experiência.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Flux Gourmet - Official Trailer | HD | IFC Midnight" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/oHraElR_v60?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Sex Education: identidade e irreverência pautam excelente terceira temporada</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Nov 2021 17:27:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Laís David Com centenas de lançamentos por mês, é cada vez mais fatigante encontrar uma série adolescente interessante na Netflix. De clichês entediantes até os cancelamentos iminentes, a plataforma luta para conversar com esse público da maneira correta. Um dos maiores acertos dos últimos anos, no entanto, foi a excelentíssima Sex Education. Com sua despretensiosa &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/sex-education-3a-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Sex Education: identidade e irreverência pautam excelente terceira temporada"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24903" aria-describedby="caption-attachment-24903" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24903" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-1-1.jpg" alt="Cena da série Sex Education. Asa Butterfield e Mimi Keene como Otis e Ruby. Otis é um homem branco de estatura média. Seus cabelos são pretos, ele veste uma jaqueta branca e vermelha e está virado olhando para Ruby. Virada levemente para a direta e olhando para Otis, Ruby veste uma jaqueta amarela e um vestido colorido. Seus cabelos estão presos para trás com uma fivela lilás. Ela usa brincos coloridos em formato de pêra." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-1-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-1-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-1-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-1-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24903" class="wp-caption-text">Terceira temporada chegou no fim de setembro na Netflix e liderou o Top 10 do Brasil (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Laís David</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com centenas de lançamentos por mês, é cada vez mais fatigante encontrar uma série adolescente interessante na </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. De </span><a href="https://personaunesp.com.br/elite-4a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">clichês entediantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> até os </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-society-critica/"><span style="font-weight: 400;">cancelamentos iminentes</span></a><span style="font-weight: 400;">, a plataforma luta para conversar com esse público da maneira correta. Um dos maiores acertos dos últimos anos, no entanto, foi a excelentíssima </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com sua despretensiosa narrativa </span><i><span style="font-weight: 400;">teen</span></i><span style="font-weight: 400;"> e complexa gama de personagens, a obra conseguiu conquistar seu espaço na lista de melhores produções do </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, em 2021, entrega sua terceira temporada com ainda mais encanto.</span></p>
<p><span id="more-24902"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se as duas primeiras temporadas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;"> representam a introdução ao universo divertidíssimo de Otis (Asa Butterfield), Maeve (Emma Mackey) e Eric (Ncuti Gatwa), a terceira dá espaço a todos os outros personagens de forma igualitária e conexa. O início do primeiro episódio nos traz de volta ao infame colégio de Moordale, agora conhecido nacionalmente como </span><i><span style="font-weight: 400;">Escola do Sexo</span></i><span style="font-weight: 400;">. A célebre clínica sexual de Otis e Maeve e o inquietante surto de clamídia na escola causaram um escândalo midiático, que, como sempre, desagradou os superiores do local.</span></p>
<figure id="attachment_24907" aria-describedby="caption-attachment-24907" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24907" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-2-1.jpg" alt="Cena da série Sex Education. Aimee Lou Wood e Emma Mackey como Aimee Gibbs e Maeve Wiley. Aimee é uma mulher branca de cabelos loiros e médios. Ela está de pé, virada para a frente, com uma expressão confusa. Ela veste o uniforme cinza da escola Moordale e uma blusa social azul. Ao seu lado, Maeve está de pé com uma expressão confusa. Ela é uma mulher branca, de cabelos castanhos e presos para trás. Ela usa uma franja acima das sobrancelhas. Maeve veste uma jaqueta de couro preta e uma blusa social azul. Em suas mãos, ela segura um celular preto." width="1200" height="680" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-2-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-2-1-800x453.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-2-1-1024x580.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-2-1-768x435.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24907" class="wp-caption-text">Oito episódios formaram uma excelente e consistente temporada (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É aí que o problema começa: na tentativa de reverter a reputação da instituição, os investidores de Moordale resolvem demitir o irascível Michael Groff (Alistair Petrie) e contratam uma nova diretora para substituí-lo. Apresentada inicialmente como uma líder feminista e intuitiva, Hope Haddon (Jemima Kirke) tenta convencer os jovens a se renderem a regras milenares com sua personalidade jovial e leviana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em poucos momentos, já é possível enxergar as verdadeiras cores da diretora. Hope se revela uma mulher racista, homofóbica e preconceituosa. Seja ao assumir que Adam Groff (Connor Swindells) era o líder estudantil apenas por ser branco ou ao reprimir a individualidade dos alunos do colégio, as </span><a href="https://dialogopsi.com.br/blog/microagressao-como-funciona/"><span style="font-weight: 400;">microagressões</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Hope nos fazem até sentir falta do carrasco Michael Groff. Quem diria que </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;"> conseguiria captar as nuances problemáticas do </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/estante/trechos/2021/08/13/%E2%80%98Feminismo-branco%E2%80%99-como-o-movimento-pode-ser-excludente"><span style="font-weight: 400;">feminismo branco</span></a><span style="font-weight: 400;"> de forma tão simples?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A terceira temporada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;"> também introduziu Cal, a primeira personagem </span><a href="https://medium.com/@nicknagari/guia-b%C3%A1sico-da-n%C3%A3o-binariedade-97de1d9bc84d"><span style="font-weight: 400;">não-binárie</span></a><span style="font-weight: 400;"> da série. Cal (Dua Saleh) é artística, liberal e independente. Seu romance com Jackson Marchetti (Kedar Williams-Stirling) trata de dúvidas importantes sobre pronomes, gênero e orientação sexual de maneira leve e delicada. É raro encontrar representações tão justas e respeitosas na mídia, e a série acertou em cheio. Outro momento enternecedor da temporada é a cena íntima entre Maeve e Isaac (George Robinson): narrativas que retratam pessoas com deficiência como sexualmente ativas são quase inexistentes, e a equipe de roteiristas repara esse histórico com </span><a href="https://www.independent.co.uk/arts-entertainment/tv/features/sex-education-isaac-disabled-maeve-b1926241.html"><span style="font-weight: 400;">cuidado e compostura</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_24906" aria-describedby="caption-attachment-24906" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24906" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-4.jpeg" alt="Cena da série Sex Education. Gillian Anderson como Jean Milburn. Em um consultório médico, aparecem duas cadeiras azuis. A esquerda está vazia. Na cadeira direita, Jean está sentada. Jean é uma mulher branca de cabelos loiros presos para trás com um sutil topete. Ela veste um vestido verde esmeralda com flores amarelas e vermelhas, além de uma jaqueta vermelha. Ela está grávida e segura um formulário azul." width="2000" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-4.jpeg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-4-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-4-1024x682.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-4-768x512.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-4-1536x1024.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-4-1200x800.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24906" class="wp-caption-text">Terceira temporada da série é a melhor até então (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O impacto do abuso sexual em Aimee (Aimee Lou Wood) também é formosamente trabalhado ao longo dos oito episódios. Longe de reduzir a personagem a seu agressor ou apagar o problema de sua existência, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;"> dialoga com as consequências psicológicas de um assédio e também prova que, no final do dia, Aimee é muito mais do que seu trauma.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os episódios também serviram para desenrolar excelentes tramas que não tinham tanto espaço no passado. O verdadeiro destaque da temporada vai para Ruby (Mimi Keene), que desconstrói o arquétipo de </span><a href="https://www.ranker.com/list/best-queen-bees-movies/eric-vega"><i><span style="font-weight: 400;">Queen Bee</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> da melhor forma possível. Sua perversidade unilateral nunca a representou por completo; pelo contrário, sua identidade fascinante finalmente teve tempo de ser desenvolvida. Impossível não se emocionar ao ver a jovem se declarar para Otis, para, então, ser rejeitada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se Eric foi o grande destaque das primeiras duas temporadas, aqui ele fica de escanteio. No entanto, sua narrativa não deixa de ser cativante: a viagem familiar de sua família até a Nigéria reflete muito bem sua necessidade de liberdade, atributo que seu atual relacionamento não tem nada. A dualidade entre a recente descoberta da bissexualidade de Adam e a extensa experiência e aceitação de Eric como homem homossexual é deslumbrante, e, ao mesmo tempo, desastrosa.</span></p>
<figure id="attachment_24904" aria-describedby="caption-attachment-24904" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24904" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-3-1.jpg" alt="Cena da série Sex Education. Asa Butterfield e Mimi Keene como Otis e Ruby. Ruby olha para a frente com um grande sorriso e tem seus cabelos presos para trás com uma fivela roxa, enquanto Otis levanta suas sobrancelhas com atenção. Ruby usa um vestido colorido, enquanto Otis veste uma blusa bege listrada." width="1200" height="592" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-3-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-3-1-800x395.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-3-1-1024x505.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-3-1-768x379.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24904" class="wp-caption-text">Otis e Ruby se tornaram um dos casais mais amados pelo público (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A série também não se reduz a tramas adolescentes, e isso a eleva a um outro patamar. Os dilemas da gravidez de risco de Jean (Gillian Anderson) ou a independência recente de Maureen Groff (Samantha Spiro) encantam tanto quanto qualquer problema dos estudantes de Moordale. Gillian é excepcional e rouba todas as cenas &#8211; por aqui, fingimos que seu recente prêmio </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3epLj6ZStsw&amp;ab_channel=TelevisionAcademy"><span style="font-weight: 400;">Melhor Atriz Coadjuvante em Série de Drama</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi também pela sua impecável atuação como a matriarca e terapeuta sexual de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que deixa a desejar é a necessidade persistente do romance intragável de Otis e Maeve. O casal até era interessante nas primeiras temporadas, mas agora ele é nada mais que o resultado da narrativa incessante que os colocou ali. Os anos 2000 já se foram, e ninguém mais espera por um relacionamento de idas e vindas como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dfuPBC-v5NE&amp;ab_channel=HBOMax"><span style="font-weight: 400;">Ross e Rachel</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou </span><a href="https://gilmoregirls.com.br/15-vezes-em-que-luke-e-lorelai-nos-fizeram-acreditar-no-amor/"><span style="font-weight: 400;">Lorelai e Luke</span></a><span style="font-weight: 400;">: a dualidade de Otis e Ruby, por exemplo, entretém muito mais do que o relacionamento maçante do jovem com Maeve.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que mais encanta em </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a graciosidade em seus personagens. Se afastando da dicotomia entre pessoas bons e ruins, ela trata dos piores assuntos da forma mais humana possível. A desestigmatização de diversas pautas identitárias não soa como um </span><a href="https://www.studiobinder.com/blog/what-is-a-plot-device-definition-examples/"><i><span style="font-weight: 400;">plot device</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">involuntário, mas sim uma narrativa natural e coesa.</span></p>
<figure id="attachment_24905" aria-describedby="caption-attachment-24905" style="width: 1284px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24905" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-5.jpg" alt="Cena da série Sex Education. Ncuti Gatwa e Connor Swindells como Eric e Adam. Em uma floresta, o casal dá as mãos e caminha com felicidade. Eric é um homem negro e de cabelos raspados, e veste uma blusa com estampas de onça. Sua calça é verde-água e vermelha. Ao seu lado, Adam usa uma calça jeans, uma blusa laranja com uma listra branca e marrom, além de uma jaqueta marrom. Adam é um homem branco de cabelos castanhos e curtos. Ele carrega um pequeno pote preto e laranja. " width="1284" height="856" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-5.jpg 1284w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-5-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-5-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Foto-5-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24905" class="wp-caption-text">Quarta temporada já foi confirmada pelos produtores (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de três excelentes temporadas, ficou claro que </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma das melhores produções originais da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sexualmente positiva e insanamente irreverente, a série se equilibra entre o humor e o drama e entrega um excelente produto final: um excerto fantástico e agridoce do melhor que uma série adolescente tem a oferecer.</span></p>
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		<title>Sex Education: na segunda temporada, é preciso amadurecer</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Mar 2021 19:29:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Marcílio Após o imenso sucesso da primeira temporada, Sex Education tinha uma grande missão a ser cumprida: manter o mesmo nível, sem perder a essência. Ter um enredo adolescente e não ser mais do mesmo é um desafio e tanto. Apesar disso, a criação de Laurie Nunn conseguiu ser inovadora, trazendo o amadurecimento do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/sex-education-2a-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Sex Education: na segunda temporada, é preciso amadurecer"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_19331" aria-describedby="caption-attachment-19331" style="width: 1050px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19331" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem1-1.jpg" alt=" Imagem promocional da segunda temporada de Sex Education. Na imagem, vemos nove personagens da trama. Da esquerda para a direita, está Adam, um homem branco de cabelos raspados. Está sentado em uma mala e tem um cachorro ao seu lado; Aimee é uma mulher branca de cabelos louros e está de pé ao seu lado. Ela segura um taco de beisebol, está usando uma jaqueta vermelha e calça jeans; Maeve, mulher branca de cabelos escuros, está sentada com a mão direita segurando o rosto. Ela usa uma jaqueta escura com franjas e meia-calça preta; Otis é um homem branco de cabelos castanhos, está de costas, usando uma jaqueta azul e vermelha e tem lenços brancos no bolso traseiro de sua calça; Eric, homem negro com cabelo raspado, está segurando o ombro de Otis com expressão de surpresa. Ele usa uma jaqueta azul e uma calça xadrez; Jean, uma mulher branca de cabelos louros, está ao seu lado, com um caderno em mãos. Ela está usando um vestido azul; Ola é uma mulher negra com cabelos cacheados e curtos, ela está agachada à frente. Usa uma jaqueta verde e uma blusa listrada colorida; Lily está ao seu lado, deitada de lado em um banco. Ela é uma mulher branca, com cabelos castanhos, em dois coques. Ela usa camiseta colorida e calça laranja; Jackson é um homem negro retinto de cabelo raspado. Ele está de pé atrás de Lily, usando uma jaqueta vermelha com um M, símbolo da escola Moordale, e uma tipoia no braço." width="1050" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem1-1.jpg 1050w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem1-1-300x171.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem1-1-1024x585.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem1-1-768x439.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19331" class="wp-caption-text">A segunda temporada de Sex Education é madura e inovadora (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Marcílio</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após o imenso sucesso da </span><a href="https://personaunesp.com.br/sex-education-critica/"><span style="font-weight: 400;">primeira temporada</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Sex Education </span></i><span style="font-weight: 400;">tinha uma grande missão a ser cumprida: manter o mesmo nível, sem perder a essência. Ter um enredo adolescente e não ser mais do mesmo é um desafio e tanto. Apesar disso, a criação de Laurie Nunn conseguiu ser inovadora, trazendo o amadurecimento do roteiro para os seus personagens. </span></p>
<p><span id="more-19330"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com enfoque maior nas relações familiares, a série explora diversos sentimentos e relações, ao ponto que </span><a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-hbo-critica/"><span style="font-weight: 400;">aborda alguns tabus</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas entrelinhas. A segunda temporada retoma a descoberta da mãe de Otis (Asa Butterfield), Jean (Gillian Anderson), quanto às suas consultas com colegas de turma. Simultaneamente, a </span><a href="https://matracacultural.com.br/2019/04/16/como-a-serie-sex-education-ajuda-na-discussao-sobre-a-educacao-em-sexualidade/"><span style="font-weight: 400;">desinformação a respeito das ISTs</span></a><span style="font-weight: 400;"> cria uma histeria em massa entre os alunos de Moordale, a qual resulta na inversão de papéis entre mãe e filho, em que Jean se torna a nova terapeuta sexual da escola. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa sagacidade do roteiro é muito bem aproveitada no desenvolvimento da temporada. Jean e Otis apresentam personalidades contrastantes, o que reflete nas atitudes do jovem, trazendo uma nova perspectiva para o enredo. Além disso, conhecemos mais um pouco do seu pai, Remi (James Purefoy), que será a grande questão do filho durante os episódios. O adolescente tem medo de ser como ele, enquanto reproduz atitudes cada vez mais parecidas. Particularmente, acho interessante essa escolha de aprofundar o mocinho que, até então, era apenas um adolescente sem muitos conflitos, reforçando a ideia de que não existem vilões, mas sim escolhas. Outrossim, a descoberta sexual do personagem é bem explorada, tendo uma interação excepcional com a Ruby (Mimi Keene), após perder sua virgindade e ter uma conversa íntima sobre suas vidas &#8211; confesso que </span><i><span style="font-weight: 400;">shippei </span></i><span style="font-weight: 400;">o casal. </span></p>
<figure id="attachment_19332" aria-describedby="caption-attachment-19332" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19332" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem2.jpg" alt="Cena da série Sex Education. Asa Butterfield, que interpreta Otis, é um jovem branco de cabelos escuros e veste uma jaqueta vermelha e azul. Ele olha para Mimi Keene, que interpreta Ruby, ao seu lado. Ela é uma jovem branca, com cabelos lisos e castanhos, usa uma jaqueta rosa e segura um refrigerante. Ambos estão em um campo." width="640" height="330" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem2.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem2-300x155.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-19332" class="wp-caption-text">Otis e Ruby tem química, mas a roteirista não está preparada para essa conversa (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ademais, a inversão de papéis reflete na relação do trio principal, composto também por Maeve Wiley (Emma Mackey) e Eric Effiong (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IYkURxtVJLk"><span style="font-weight: 400;">Ncuti Gatwa</span></a><span style="font-weight: 400;">). A interação entre os três dá lugar ao foco no arco de cada um, permitindo que o espectador conheça mais dos personagens. O amadurecimento é palpável, principalmente nas relações de Maeve, que encara todos os seus problemas familiares frente a frente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A presença da mãe viciada, no momento em que ela decide mudar, dá à personagem uma amplitude nova. Sem deixar de ser a menina rebelde, Maeve permite que sua sensibilidade seja vista, possibilitando que a enxerguem de verdade. Ela é responsável por vários momentos emocionantes da temporada, desde a prisão da mãe ao apoio à amiga Aimee (Aimee Lou Wood). Sua trajetória no grupo de alunos destaque é o sincretismo perfeito da </span><i><span style="font-weight: 400;">bad girl</span></i><span style="font-weight: 400;"> à </span><i><span style="font-weight: 400;">nerd </span></i><span style="font-weight: 400;">das </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-garota-de-rosa-shocking-35-anos/"><span style="font-weight: 400;">comédias adolescentes</span></a><span style="font-weight: 400;">, sem perder sua autenticidade nas situações vividas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A outra parte do trio se encontra em meio a um triângulo amoroso. Com a chegada de Rahim (Sami Outalbali), novo aluno estrangeiro, e a volta de Adam (Connor Swindells) do colégio militar, Eric é pressionado a decidir entre ambos. Apesar de ser uma trama interessante, as relações são bem polêmicas. O novo aluno gosta do trombonista desde sua primeira aparição, sendo uma participação quase insignificante para o restante da história. Já Adam é bastante controverso, visto que praticou </span><i><span style="font-weight: 400;">bullying </span></i><span style="font-weight: 400;">com</span> <span style="font-weight: 400;">Effiong anteriormente. Mesmo assim, o enredo consegue explorar temas importantes, como a descoberta da bissexualidade do valentão e a religiosidade de Eric. A </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/series-e-tv/2020/01/netflix-acerta-ao-deixar-eric-com-spoiler-em-sex-education"><span style="font-weight: 400;">reviravolta final</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi tema de discussões entre os fãs de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;">, criando o gancho perfeito para </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2021/02/03/sex-education-terceira-temporada-otis.htm"><span style="font-weight: 400;">a terceira temporada</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_19334" aria-describedby="caption-attachment-19334" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19334" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem3.jpg" alt="Cena da série Sex Education. Na imagem, George Robinson, que interpreta Isaac; ele é um homem branco de cabelos castanhos. George veste uma blusa lilás, com jaqueta azul por cima, e uma calça jeans escura. Ele é portador de deficiência física e está em uma cadeira de rodas. Ao seu redor existem trailers e plantas." width="768" height="512" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem3.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem3-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-19334" class="wp-caption-text">George Robinson é um dos novos atores da segunda temporada (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de Rahim, outros dois personagens entraram nessa temporada. Viv (Chinenye Ezeudu) é uma das alunas destaque e par romântico de Jackson (Kedar Williams-Stirling). Completamente opostos, o casal se constrói nos pequenos detalhes, sendo um dos pontos fortes dos episódios. Para mais, Isaac (George Robinson) foi outra surpresa incrível. Além de trazer a </span><a href="https://www.teenvogue.com/story/sex-education-george-robinson-isaac"><span style="font-weight: 400;">representatividade que faltava na série</span></a><span style="font-weight: 400;">, o personagem participa do arco de Maeve, que abre uma nova fase no relacionamento dela e Otis. Com diálogos inteligentes, revela-se uma grande chave para o terceiro ano da série. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como na primeira temporada, os temas relacionados ao </span><a href="https://claudia.abril.com.br/blog/mulheres-polemica-atualidade/sex-education-e-o-debate-sobre-o-que-une-as-mulheres/"><span style="font-weight: 400;">feminismo e à resistência feminina</span></a><span style="font-weight: 400;"> estão presentes. Dessa vez, a história se desenrola em torno de Aimee, que, enquanto está a caminho da escola, sofre um episódio de assédio. A atriz sabe interpretar o turbilhão de sentimentos da personagem, tornando, então, palpável ao público todo o desenrolar desse trauma. A partir disso, a narrativa apresenta as cenas com a sensibilidade necessária, principalmente ao mostrar a união das meninas para enfrentar juntas tal acontecimento, protagonizando uma cena incrível dentro do ônibus. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além das garotas, observamos a união feminina também na esfera adulta de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Surpreendentemente, Maureen Groff (Samantha Spiro), mãe de Adam, recebe mais tempo de tela acompanhada de Jean, que a ajudará na redescoberta da sua sexualidade. Após anos ao lado do autoritário Mr. Groff (Alistair Petrie), Mrs. Groff decide pedir o divórcio, enquanto vive um processo de autoconhecimento. A amizade entre ela e a terapeuta tem seus momentos cômicos, mas também traz algumas discussões sérias à trama, como a liberdade sexual. Um perfeito exemplo do que é </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;">: a junção do riso ao imprescindível. </span></p>
<figure id="attachment_19333" aria-describedby="caption-attachment-19333" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19333 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem4.jpeg" alt="Cena da série Sex Education. Na imagem, há seis personagens mulheres. Da esquerda para a direita, está Ola, que é uma mulher negra de cabelos cacheados curtos. Ela usa um macacão jeans e olha para o lado direito; ao seu lado, está Lily, que é uma mulher branca, tem cabelos castanhos em dois coques. Ela usa uma blusa rosa claro e olha para o lado esquerdo; em seguida, está Olivia, que é uma mulher marrom de cabelo preto cacheado. Ela usa uma blusa verde e olha para a direita; Aimee, uma mulher branca de cabelos louros, sorri ao seu lado. Ela usa uma jaqueta vermelha e está abraçada a sua mochila; Maeve, mulher branca de cabelos castanhos, segura a mão de Aimee. Ela sorri e olha para frente. Veste uma jaqueta escura com franjas; Viv é uma mulher negra, tem tranças em seu cabelo. Ela segura sua mochila e sorri olhando para frente. Elas estão sentadas no fundo de um ônibus." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem4.jpeg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem4-300x169.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem4-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem4-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem4-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem4-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19333" class="wp-caption-text">A cena do ônibus ficou entre os destaques nas redes sociais pela sua sensibilidade (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na atualização, os personagens secundários ganham ainda mais notoriedade. Entre Otis e Maeve, Ola (Patricia Allison) era força e autocontrole. Porém, sua postura de indomável é colocada em cheque em meio ao triângulo da primeira temporada. Como alguém imperfeito, Ola precisa reconhecer suas próprias inseguranças e isso resulta na análise do relacionamento com o pseudoterapeuta sexual. Frente ao término, o público é abraçado por um desenvolvimento novo. Agora, sua amizade com Lily (Tanya Reynolds) toma rumos diferentes assim que percebe ter sentimentos pela amiga. </span><a href="https://www.vogue.pt/sex-education-entrevista-tanya-reynolds-patricia-allison"><span style="font-weight: 400;">As duas</span></a><span style="font-weight: 400;"> são responsáveis por um dos beijos mais fofos da temporada, revelando muita compreensão e verdadeira troca no relacionamento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já no último episódio, ambas reescrevem e produzem a peça de William Shakespeare, </span><a href="https://www.omelete.com.br/netflix/sex-education-musical-romeu-julieta"><i><span style="font-weight: 400;">Romeu e Julieta</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com toques da imaginação de Lily. Em meio a tentáculos, figurinos exuberantes e genitálias, encerra-se uma temporada forte e, verdadeiramente, única. </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;"> cumpre sua missão de forma brilhante, com a atenção do espectador em todos os momentos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por meio de novos enredos, Laurie nos mostra que é preciso amadurecer e encarar, até mesmo, seus maiores fantasmas. Apesar disso, a sua essência sempre estará com você. É preciso se entregar para viver e sonhar com outras pessoas, mas crescer para viver e sonhar sozinho.</span></p>
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		<title>Sex Education encanta pela gentileza</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Jan 2020 18:40:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Asa Butterfield]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[Sex Education]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista  ‘Vivemos como sonhamos, sozinhos’. A frase de Joseph Conrad, que ilustra a redação de Maeve, cai como uma luva na micronarrativa da britânica Sex Education. Quando o pensador vincula a ideia do onírico ao mundo real, ele também acaba revelando uma faceta importante de nossa relações humanas: a incessante necessidade de ter alguém &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/sex-education-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Sex Education encanta pela gentileza"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_13359" aria-describedby="caption-attachment-13359" style="width: 682px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-13359" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/01/um.jpg" alt="" width="682" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/01/um.jpg 682w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/01/um-300x198.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-13359" class="wp-caption-text">Sex Education segue a vida de Otis que começa a dar conselhos de terapia sexual para os colegas do Ensino Médio (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista </strong></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">‘Vivemos como sonhamos, sozinhos’</span></i><span style="font-weight: 400;">. A frase de Joseph Conrad, que ilustra a redação de Maeve, cai como uma luva na micronarrativa da britânica </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;">. Quando o pensador vincula a ideia do onírico ao mundo real, ele também acaba revelando uma faceta importante de nossa relações humanas: a incessante necessidade de ter alguém para dividir momentos. E, como boa série </span><i><span style="font-weight: 400;">teen</span></i><span style="font-weight: 400;"> que é, o sucesso da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> caminha gentilmente em territórios poéticos ao nos apresentar as vivências e amores dos estudantes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Moordale</span></i><span style="font-weight: 400;">, no Reino Unido. Tudo regado a um texto sincero, desbocado e que transborda honestidade. </span></p>
<p><span id="more-13358"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da forte carga de verdade que o seriado carrega, o que alavanca a produção para um requinte maior é o comando quase que todo </span><a href="https://www.imdb.com/name/nm5677403/?ref_=ttfc_fc_wr1"><span style="font-weight: 400;">feminino</span></a><span style="font-weight: 400;"> por trás das câmeras. O roteiro é assinado, em sua maioria, por mulheres, e a direção e criação seguem a máxima. Esse tato único resulta numa óptica que molda chavões e estereótipos à uma primeira camadas mas logo na cena seguinte se encarrega de injetar personalidade àqueles representados em tela. Ainda que o protagonista Otis (o charmoso Asa Butterfield) seja branco e heterossexual, todos os problemas que o garoto enfrenta saem da casinha comum e desbravam áreas antes restritas em produções adolescentes.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;"> une o espírito britânico da ótima </span><i><span style="font-weight: 400;">Skins</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">(2007 &#8211; 2013)</span></i><span style="font-weight: 400;">, recheia a mistura com a </span><a href="http://personaunesp.com.br/euphoria-hbo-critica/"><span style="font-weight: 400;">arrojada abordagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria (2019)</span></i><span style="font-weight: 400;"> e brinda um resultado final que não deve nada a ninguém; com bom humor, auto-consciência e, o mais notável, praticando a simpatia com seu espectador. O texto soa simples e até mesmo óbvio, mas as construções de adolescentes para adolescentes transformam o batido em potente. Seja Otis discursando sobre como não devemos forjar relacionamentos, ou sua fala a respeito de não controlarmos nossos sentimentos. O roteiro do seriado se esbalda em ilustrar personagens carismáticos passando por situações relacionáveis a nós, fora da tela. Essa familiaridade constrói empatia, não a toa que as figuras que frequentam aquele </span><i><span style="font-weight: 400;">high school</span></i><span style="font-weight: 400;"> são tão interessantes de serem assistidas, seja pro bem ou pro mal.</span></p>
<figure id="attachment_13360" aria-describedby="caption-attachment-13360" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-13360" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/01/2.jpg" alt="" width="700" height="438" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/01/2.jpg 700w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/01/2-300x188.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-13360" class="wp-caption-text">Sex Education contou com uma coordenadora das cenas de sexo para deixar o ambiente confortável aos atores envolvidos (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A simples premissa da série logo afoga suas intenções e cresce em grau e número. Sem medo de desenvolver os jovens, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;"> é latente em suas entrelinhas. Existem escolhas narrativas que, por si só, dizem muito. O exemplo mais crasso é o aborto, apresentado logo de cara no início da temporada; essa problemática é resolvida sem imediações ou postergações. O terceiro episódio é responsável tanto por ‘normalizar’ essa </span><a href="https://capricho.abril.com.br/famosos/7-coisas-que-aprendemos-com-sex-education/"><span style="font-weight: 400;">espécie de tabu</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao mesmo passo que introduz uma cara menos sisuda ao trabalhar com ele. A desconstrução dos clichês foge do óbvio e do plástico, o texto e a direção cavam fundo nas motivações e consequências dos personagens, sempre engrandecendo suas figuras centrais e nunca relegando-os a simples coadjuvantes da história de outros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eric (Ncuti Gatwa) representa tudo que </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;"> oferece de melhor. Descendente de africanos, o personagem nos é apresentado como o melhor amigo negro barra gay do protagonista, o Robin de seu Batman. Todavia, é quando o garoto se afasta da linha principal que sua trama ganha </span><a href="https://www.huffpostbrasil.com/entry/sex-education-ncuti-gatwa_br_5c5db1c7e4b0650f4c0d7fd7"><span style="font-weight: 400;">sustância</span></a><span style="font-weight: 400;">. Resiliente e introspectivo, Eric encontra no pai uma figura doce e sensível, mas sempre protetora, ao lidar com sua sexualidade e expressão. As figuras masculinas e paternais de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Ed</span></i><span style="font-weight: 400;"> passeiam pela diversidade que o seriado com êxito abraçou. Aliás, mesmo sendo britânica, a produção se joga em inspirações norte-americanas, além de contar com um elenco rico em cor e forma.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto Eric cultiva bons frutos em casa, Adam (Connor Swindells) é refém de uma relação abusiva com sua figura paterna. Filho do diretor do colégio, ele é o primeiro a enfrentar problemas sexuais e recorrer à ajuda de Otis e sua clínica de terapia informal. Adam veste a carapuça da homofobia e da dureza, mas a série se encarrega de desengatilhar suas pré-definições, e sua personalidade, motivações e traumas são dissecados. Até mesmo Otis enxerga distância emocional na relação com o pai, e eventualmente reflexos de um passado ruim vem à tona, sempre num nota singela e que abraça sua vítima. É notável a preocupação do seriado em rimar figuras masculinas distintas, e como nossa criação se desenvolve falha ou manca em vista de comportamentos de nossos pais.</span></p>
<figure id="attachment_13361" aria-describedby="caption-attachment-13361" style="width: 739px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-13361" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/01/3.jpg" alt="" width="739" height="415" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/01/3.jpg 739w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/01/3-300x168.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-13361" class="wp-caption-text">Asa Butterfield ficou famoso ao interpretar Hugo Cabret, no filme de 2011 (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a figura paterna de Otis ressoa distante, sua mãe é quase uma luz no seriado. Interpretada pela brilhante e magnífica Gillian Anderson (que logo, logo </span><a href="https://www.omelete.com.br/netflix/the-crown-gillian-anderson-margaret-thatcher"><span style="font-weight: 400;">dará as caras</span></a><span style="font-weight: 400;"> em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Crown</span></i><span style="font-weight: 400;">), a terapeuta sexual Jean é o coração de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;">. Não fosse por sua formação profissional ou seu nariz enxerido, Otis não abraçaria o posto de conselheiro que o coloca no mapa no colégio. Jean é sagaz, astuta, sexualmente ativa e inibida de pudores. Sua construção versa uma figura divina na vida daqueles que a rodeiam. Os cabelos grisalhos refletem, a atitude despojada conduz e o roteiro reafirma, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=kHLHSlExFis">concordando</a> com Ariana Grande, que </span><i><span style="font-weight: 400;">Deus é uma mulher</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Figuras periféricas à trama principal ganham fôlego ao longo dos oito episódios da série, isso resultado da construção sem um grande clímax do seriado. Estratégia de roteiro que poderia ser traiçoeira e cair num desânimo de texto e direção, mas não aqui. A criadora Laurie Nunn equilibra todos seus personagens e, capítulo atrás de capítulo, serve momentos impactantes e essenciais em seu desenvolvimento. Isso rima com a decisão do aborto logo de cara, ou do baile do colégio não ser o fecho da temporada. </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;"> respeita suas peças de xadrez, deixa espaço para respiro e não se cansa de ampará-las. Os personagens servem à trama, e não o contrário. </span></p>
<figure id="attachment_13362" aria-describedby="caption-attachment-13362" style="width: 739px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-13362" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/01/4.jpg" alt="" width="739" height="415" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/01/4.jpg 739w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/01/4-300x168.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-13362" class="wp-caption-text">Assim como no seriado, Asa Butterfield tem uma mãe terapeuta (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O que fisga a atenção, além do bom humor e das atuações que emprestam veracidade a quem assiste, é a união do usual com o formidável. Quando </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;"> se presta a discutir relacionamentos amorosos ou sexuais, os assuntos recaem em duas esferas. Primeiro, a do conhecido pelo público geral, e aqui se filtram as tramas que envolvem corações partidos, sexualidade, rejeições. E lado a isso, o seriado navega em mares de descoberta e do inédito, quando toca nos pontos do sexo. Explicações teóricas e filosóficas de problemas de desempenho ou entrega, apetite e ápice. Tudo que enche os olhos de quem assiste, finalmente ligando lé-com-crê, rindo de situações já conhecidas e descobrindo mais uma porção delas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os dilemas de Aimee (Aimee Lou Wood) e seu desbravar íntimo vendem autenticidade, enquanto os fardos que Jackson (Kedar Williams-Stirling) é obrigado a carregar são força maior em suas atitudes e ações. </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;"> não dá ponto sem nó e até figuras como Ruby (Mimi Keene) protagonizam momentos emocionais. </span><i><span style="font-weight: 400;">It’s my vagina</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ola (Patricia Allison) é o florescer de toda a segurança e o autocontrole que Otis tanto almeja, mesmo sem admitir. E a admirável Maeve (Emma Mackey) começa numa acústica </span><i><span style="font-weight: 400;">a lá </span></i><a href="https://capricho.abril.com.br/famosos/8-curiosidades-sobre-a-serie-sex-education-da-netflix/"><span style="font-weight: 400;">John Hughes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e termina o seriado à mercê de sentimentos que jamais imaginaria ter. Enquanto descasca a </span><i><span style="font-weight: 400;">bad girl</span></i><span style="font-weight: 400;"> do colégio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;"> aloca suas mulheres </span><a href="https://www.minhaserie.com.br/novidades/46029-10-curiosidades-sobre-sex-education"><span style="font-weight: 400;">à frente</span></a><span style="font-weight: 400;"> de suas próprias histórias e, mesmo que tudo gire ao redor de Otis e da clínica, os acontecimentos coexistentes são o que dão vigor e energia para o seriado.</span></p>
<figure id="attachment_13363" aria-describedby="caption-attachment-13363" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-13363" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5.jpg" alt="" width="640" height="360" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5-300x169.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-13363" class="wp-caption-text">Sex Education usa o sexo como artifício tanto de humor quanto de drama, ao dar mais camadas de personalidade aos envolvidos; nada é gratuito ou exagerado demais (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">‘Vivemos como sonhamos, sozinhos’</span></i><span style="font-weight: 400;">. A frase que abre o texto retorna com outros olhares ao fim do oitavo episódio. A série otimiza suas nuvens escuras mas sempre assegura de que nada é imutável. O discurso do amor romântico e da parceria de vida são ecos fortes das produções adolescentes produzidas atualmente. Filmes que se aproveitam de clichês e </span><a href="http://personaunesp.com.br/13-reasons-why-segunda-temporada/"><span style="font-weight: 400;">coincidências de gênero,</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ilustram belas relações que protagonizariam comerciais de margarina. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não tem nada errado em sonhar. Muito menos sonhar acompanhado de outros. A citação de Joseph Conrad pode transmitir negatividade ou pessimismo, mas em contrapartida, pode ser encarada com uma forma de proteção. Como </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;"> não resiste em dizer, se nós não nos amarmos, como conseguiremos amar outra pessoa?, a frase que reúne o imaginário com o mundano se torna continuação a isso tudo. Ao ponto de que ao conseguirmos sonhar sozinhos, encontrar alguém para dividir o onírico será tarefa simples.</span></p>
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