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	<title>Arquivos Arthur Caires &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Arthur Caires &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>O fantástico enquadramento do vazio: A pretensão do Cinema minimalista em A Mensageira</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Mar 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Gomes e Arthur Caires O cinema latino-americano possui uma longa tradição em buscar o fantástico nas frestas do cotidiano. Obras como Suçuarana (2024), de Clarissa Campolina e Sérgio Borges, exemplificam como o insólito – ali manifestado pela relação de comunidade que ronda o pragmatismo da paisagem industrial – pode aprofundar o peso da realidade. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-fantastico-enquadramento-do-vazio-a-pretensao-do-cinema-minimalista-em-a-mensageira/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O fantástico enquadramento do vazio: A pretensão do Cinema minimalista em A Mensageira"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37091" aria-describedby="caption-attachment-37091" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-37091" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-3-800x433.jpg" alt="Cena de A Mensageira. Em primeiro plano há as mãos e parte do rosto de Myriam segurando o celular e fotografando a cena. No centro, Anika sorri e aponta para uma placa que exibe a ilustração de um cachorro com auréola e os dizeres &quot;El Cielo - Cementerio de mascotas a 300 mt&quot; com uma seta para a esquerda. " width="800" height="433" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-3-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-3-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-3-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-3-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-3-1200x649.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-3.jpg 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37091" class="wp-caption-text">O longa aborda, às vezes de forma irônica, o uso da capacidade médium de uma criança para obtenção de dinheiro (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Gomes e Arthur Caires</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cinema latino-americano possui uma longa tradição em buscar o fantástico nas frestas do cotidiano. Obras como </span><a href="https://personaunesp.com.br/sucuarana-demonstra-que-o-caminho-tambem-pode-ser-o-destino/"><i><span style="font-weight: 400;">Suçuarana</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2024), de Clarissa Campolina e Sérgio Borges, exemplificam como o insólito – ali manifestado pela relação de comunidade que ronda o pragmatismo da paisagem industrial – pode aprofundar o peso da realidade. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Mensageira</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2025), o diretor argentino Iván Fund tenta capturar essa mesma força ao nos apresentar Anika (Anika Bootz), uma jovem do interior com o dom de traduzir os pensamentos da fauna local, do luto de um ouriço à jornada solitária de uma capivara. </span></p>
<p><span id="more-37089"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vencedor do </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2025/02/22/o-ultimo-azul-vence-o-premio-silver-bear-no-festival-de-berlim.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Urso de Prata</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Júri no Festival de Berlim, o diretor usou o espaço para celebrar o cinema argentino e expressar a sua opinião quanto ao atual contexto de seu país, especialmente no que diz respeito à produção cultural. Nada incomum para o festival, que é reconhecido como um dos eventos do meio mais sócio e politicamente engajados – pelo menos até as </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2026/02/18/mais-de-80-artistas-criticam-festival-de-berlim-por-silencio-sobre-genocidio-em-gaza/"><span style="font-weight: 400;">polêmicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> envolvendo a edição de 2026.</span></p>
<figure id="attachment_37090" aria-describedby="caption-attachment-37090" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37090" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4-1-800x422.jpg" alt="Fotografia em preto e branco. Uma menina de cabelos curtos vista de costas, em pé em um campo de mato alto. Ela está de frente para uma capivara. Ao fundo, um horizonte com céu nublado." width="800" height="422" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4-1-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4-1-1024x540.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4-1-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4-1-1536x811.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4-1-1200x633.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4-1.jpg 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37090" class="wp-caption-text">O encontro entre Anika e a fauna local traz a premissa de realismo animista que acaba esvaziada pela repetição narrativa (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa se estrutura como um </span><a href="https://personaunesp.com.br/thelma-e-louise-30-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">road movie</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de amadurecimento que abraça o naturalismo com toques de fantasia. Em A Mensageira, acompanhamos a garota e seus tutores, interpretados por Mara Bestelli e Marcelo Subiotto, cruzando a zona rural da Argentina, fazendo paradas estratégicas em locais como cemitérios de animais para vender os serviços da jovem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O casal, cuja natureza da relação com Anika é incerta no início, traz à memória os pais da muito amada </span><a href="https://www.google.com/search?client=safari&amp;rls=en&amp;q=matilda+persona+unesp&amp;ie=UTF-8&amp;oe=UTF-8"><i><span style="font-weight: 400;">Matilda</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1996), uma comparação que não vai muito além da aparência física e das capacidades sobrenaturais de ambas as protagonistas. Isso porque, constrói-se uma narrativa centrada no cotidiano, com um estilo documentarista, cuja proposta não envolve se aprofundar nas possíveis tramas que poderiam surgir dessa relação peculiar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No papel, essa investigação sobre a exploração soa como uma tese do diretor. </span><a href="https://www.batimes.com.ar/news/culture/a-girl-who-talks-to-animals-ivan-funds-work-in-san-sebastian.phtml#:~:text=Argentina%20experiencing%20'an%20extreme%20situation,bonds%2C%E2%80%9D%20the%20director%20explains."><span style="font-weight: 400;">Fund</span></a><span style="font-weight: 400;">, com um currículo que já carrega o peso da mostra </span><i><span style="font-weight: 400;">Un Certain Regard </span></i><span style="font-weight: 400;">em Cannes, propõe uma reflexão dura sob uma embalagem meramente poética. A fotografia de Gustavo Schiaffino, capturada em um preto e branco contemplativo, cria uma atmosfera propositalmente lenta e meditativa, buscando extrair beleza da aridez da estrada e dos rostos exaustos de seus protagonistas.</span></p>
<figure id="attachment_37092" aria-describedby="caption-attachment-37092" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37092" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-1-800x433.jpg" alt="Cena do filme A Mensageira Myriam, uma mulher branca de cabelos loiros cacheados, está de perfil, com os braços cruzados, olhando para a paisagem. Ela usa uma camisa clara aberta no colo e brincos grandes. A expressão dela é séria." width="800" height="433" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-1-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-1-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-1-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-1-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-1-1200x649.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-1.jpg 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37092" class="wp-caption-text">Apesar da seriedade habitual, a personagem de Bastelli sempre se mostra calorosa em relação a Anika (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os diálogos são escassos e o silêncio é construído pelos elementos citados, mas também pela trilha sonora (Mauro Morelos) perfeitamente elaborada para o enredo. Em um determinado momento, a personagem de </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/mara-bestelli"><span style="font-weight: 400;">Bastelli</span></a><span style="font-weight: 400;"> fala para um dos clientes que é preciso genuinamente escutar o que Anika – e os animais – têm a dizer. Assim, o debate sobrenatural está para os tutores de </span><i><span style="font-weight: 400;">pets, </span></i><span style="font-weight: 400;">assim como a música está para o espectador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A escolha do diretor quanto ao desenrolar do roteiro pode causar estranheza, uma vez que ao escutar sobre o filme, o público possa se preparar para uma história sobre abuso e maus tratos, ou mesmo sobre </span><a href="https://crid.fmrp.usp.br/noticias/charlatanismo-por-que-ainda-nos-encantamos-com-respostas-simples-demais/"><span style="font-weight: 400;">charlatanismo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Apesar do fato de adultos se aproveitarem financeiramente de uma pessoa vulnerável e dependente, afastada da escola e da sociedade, ainda que para falar animais, seja um tipo de abuso por si só.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No meio da trama, o reduzido grupo de personagens faz uma visita a um hospital psiquiátrico, onde a filha de Myriam está internada – o que dá a entender que Anika seria sua neta. Nesse momento, a mais velha deixa que a criança se encontre com a mãe, mas se recusa a fazê-lo, como se aquilo fosse doloroso demais, enquanto Roger (</span><a href="https://mubi.com/pt/cast/marcelo-subiotto"><span style="font-weight: 400;">Marcelo Subiotto</span></a><span style="font-weight: 400;">) apresenta um olhar compreensivo, no entanto, distante. Momentos como esse revelam a potência das atuações do trio como um todo, para além da jovem Anika, que é destaque do início ao fim.</span></p>
<figure id="attachment_37093" aria-describedby="caption-attachment-37093" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37093" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-2-800x422.jpg" alt="Fotografia em preto e branco. Close do perfil do rosto de uma menina com cabelos lisos e curtos. Ela olha de forma pensativa, com semblante sério, através da janela de um veículo. A luz natural ilumina parte do seu rosto." width="800" height="422" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-2-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-2-1024x540.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-2-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-2-1536x811.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-2-1200x633.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-2.jpg 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37093" class="wp-caption-text">Os belos enquadramentos de Iván Fund reforçam uma atmosfera meditativa que, aos poucos, dá lugar à inércia (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre a intenção e a execução, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Mensageira</span></i><span style="font-weight: 400;"> esbarra nas próprias ambições estéticas. O filme parece refém de </span><a href="https://complemento.veja.abril.com.br/entretenimento/a-formula-do-oscar/#:~:text=A%20f%C3%B3rmula%20do%20Oscar%20%7C%20VEJA.com"><span style="font-weight: 400;">fórmulas de prestígio</span></a><span style="font-weight: 400;">, priorizando a contemplação vazia em detrimento da narrativa. Após estabelecer seu intrigante ponto de partida, a obra sofre de uma inércia paralisante. Não há um fio condutor que costure as cenas ou ofereça um senso de progressão dramática; o que temos na tela assemelha-se a um ‘não-filme’, uma sucessão de belas imagens desprovidas de movimento, urgência ou conflito real.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A redundância logo se torna o maior inimigo da produção. O roteiro, assinado por Fund e Martín Felipe Castagnet, entrega a sua mensagem sobre a corrupção da inocência logo nos primeiros atos, porém insiste em mastigá-la repetidas vezes ao longo da projeção, subestimando o espectador. A sutileza que o tema exigia é frequentemente atropelada por escolhas bruscas e silêncios vazios, uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/no-limiar-da-denuncia-colonial-transamazonia-permanece-a-beira-do-confronto/"><span style="font-weight: 400;">pretensão poética</span></a><span style="font-weight: 400;"> que soa forçada.</span></p>
<p><a href="https://www.berlinale.de/en/2025/programme/202504623.html"><i><span style="font-weight: 400;">A Mensageira</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">aborda diversas temáticas delicadas, das quais é de se esperar algum posicionamento. Assim, é provável que a opção pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">carpe diem</span></i><span style="font-weight: 400;"> acima de tudo, possa não agradar a todos os públicos. A sutileza da obra não deixa de ter qualidades, no entanto, as discussões mereciam mais densidade ou até menos ambiguidade. Assim como os tutores da protagonista, Iván Fund tenta extrair lucro – aqui, de ordem intelectual e emocional – de um milagre inicial, entregando ao público uma obra que é belíssima de se observar, mas impossível de se sentir.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="A Mensageira | Trailer Oficial Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/CRq0J34YW38?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Qual é o seu filme de terror favorito? Definitivamente não é Pânico 7</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Mar 2026 16:35:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: O texto contém alguns spoilers Guilherme Machado Leal e Arthur Caires Três décadas após a primeira aventura de Sidney Prescott (Neve Campbell), a franquia Pânico chega ao seu sétimo capítulo. Entre requels (obras que são sequência e reinício) – como o quinto filme –, novos personagens e tramas, o mundo criado por Wes Craven &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/qual-e-o-seu-filme-de-terror-favorito-definitivamente-nao-e-panico-7/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Qual é o seu filme de terror favorito? Definitivamente não é Pânico 7"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso: </i></b><i><span style="font-weight: 400;">O texto contém alguns spoilers</span></i></p>
<figure id="attachment_36968" aria-describedby="caption-attachment-36968" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36968" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4.png" alt="Texto Alternativo: O vilão Ghostface em destaque no centro da imagem. Ele usa sua icônica máscara branca de expressão alongada e túnica preta com capuz. Ele segura uma faca de caça de forma ameaçadora em um ambiente externo noturno, com colunas de pedra e iluminação quente ao fundo." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36968" class="wp-caption-text">Três décadas depois, o Ghostface ressurge em 2026 com um novo alvo, a filha da final girl original (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Machado Leal e Arthur Caires</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Três décadas após a primeira aventura de Sidney Prescott (Neve Campbell), a franquia </span><a href="https://personaunesp.com.br/panico-25-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">chega ao seu sétimo capítulo. Entre </span><i><span style="font-weight: 400;">requels </span></i><span style="font-weight: 400;">(obras que são sequência e reinício) – como o quinto filme –, novos personagens e tramas, o mundo criado por </span><a href="https://time.com/4017195/wes-craven-remembrance/"><span style="font-weight: 400;">Wes Craven</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 1996 se adaptou pelas décadas. Dessa vez, o icônico vilão </span><i><span style="font-weight: 400;">Ghostface</span></i><span style="font-weight: 400;">, dirigido pelas lentes de </span><a href="https://www.independent.co.uk/arts-entertainment/films/features/kevin-williamson-scream-interview-b1968631.html"><span style="font-weight: 400;">Kevin Williamson</span></a><span style="font-weight: 400;"> (roteirista do primeiro, segundo e quarto longas), tem como objetivo atacar a filha da</span><i><span style="font-weight: 400;"> final girl</span></i><span style="font-weight: 400;">, Tatum Evans (Isabel May). </span></p>
<p><span id="more-36964"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cena inicial de </span><a href="https://www.teenvogue.com/story/emma-roberts-on-scream-4-and-what-really-scares-her"><i><span style="font-weight: 400;">Pânico 4</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> faz piada sobre como as inúmeras sequências de Facada – produção de dentro do longa que retrata a vida da protagonista e dos amigos – se perdem com o tempo, tornando-se sátiras. Paralelamente a isso, a história também se desencontrou ao longo dos anos: depois de tantas revelações do mascarado, fica difícil acreditar que ainda exista alguém que queira machucar Sidney. E isso não é um esgotamento do subgênero. Pelo contrário, o </span><i><span style="font-weight: 400;">slasher </span></i><span style="font-weight: 400;">tem a capacidade de utilizar qualquer cenário, rotina e grupo de pessoas para contar uma narrativa plausível, o problema mesmo é a engrenagem enferrujada que domina as decisões criativas desse universo.</span></p>
<figure id="attachment_36965" aria-describedby="caption-attachment-36965" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36965" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-800x533.png" alt="Texto Alternativo: Fotografia de bastidores em um cenário de bar mal iluminado. O diretor Kevin Williamson, um homem de meia-idade com cabelos curtos, aparece de perfil gesticulando com a mão enquanto orienta a cena. Ao fundo, luzes neon azuis e ventiladores de teto criam uma atmosfera sombria." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-1024x682.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-1200x800.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1.png 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36965" class="wp-caption-text">Kevin Williamson, roteirista original da franquia, assume as lentes de Pânico 7 em uma tentativa de resgatar a essência de Wes Craven (Foto: Jessica Miglio)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Inveja de um membro da família, o desejo de ser famoso ou a vingança por um ente querido já foram justificativas para aqueles que vestiram a roupa do assassino. O momento da revelação de quem estava por trás dos ataques sempre se comportou como um deleite para os fãs da franquia. No sétimo filme o </span><a href="https://www.vulture.com/article/scream-ghostface-killers-ranked.html"><i><span style="font-weight: 400;">Ghostface</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não importa, tampouco seus ataques. Não é como se a estrutura fosse diferente: ainda temos um grupo de personagens que será atacado aos poucos até que Sidney o enfrente no terceiro ato. No entanto, a falta de necessidade em ter mais uma sequência é tanta que os coadjuvantes dessa história são descartáveis e imemoráveis dentro da própria narrativa e no universo estabelecido como um todo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, as discussões a respeito de quem seria o autor das mortes, bem como a sua motivação, eram cenas que faziam </span><i><span style="font-weight: 400;">Pânico </span></i><span style="font-weight: 400;">ser </span><i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i><span style="font-weight: 400;">. A metalinguagem, marca registrada e (até então) muito bem consolidada desses filmes, definia uma das discussões mais interessantes: entender a psiquê dos assassinos e a relação doentia que eles possuíam com a figura de Prescott que, nesse mundo, é o símbolo do que é ser herói na vida real. Agora, a motivação não se sustenta com a revelação do porquê os assassinos do sétimo capítulo querem ir atrás da </span><a href="https://www.backstage.com/magazine/article/final-girl-horror-movies-explained-77788/"><i><span style="font-weight: 400;">final girl</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e de seus conhecidos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O retorno de outros personagens da franquia também não melhora a situação: Gale (</span><a href="https://personaunesp.com.br/friends-25-anos-aniversario/"><span style="font-weight: 400;">Courteney Cox</span></a><span style="font-weight: 400;">) foi demitida após os ataques em Nova York e voltou à cobertura local – semelhante a que realizava no longa de 1996 – e os irmãos Mindy (</span><a href="https://personaunesp.com.br/yellowjackets-2a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jasmin Savoy Brown</span></a><span style="font-weight: 400;">) E Chad Meeks-Martin (Mason Gooding) se juntaram à equipe da jornalista. Diferente do uso do trio nas sequências anteriores, aqui a inclusão é desnecessária, pois não acrescenta algo à história. Fora isso, os ataques direcionados a eles são fracos e não trazem a sensação de perigo. Você sabe, no final da narrativa, que os personagens-legado não serão mortos.</span></p>
<figure id="attachment_36966" aria-describedby="caption-attachment-36966" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36966" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-800x533.png" alt="Texto Alternativo: Neve Campbell, interpretando Sidney Prescott, está sentada em um sofá bege com uma expressão séria e pensativa. À sua frente, o diretor Kevin Williamson está ajoelhado no tapete, segurando folhas de papel que parecem ser o roteiro, enquanto conversa com a atriz." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-1024x682.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-1200x800.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2.png 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36966" class="wp-caption-text">Neve Campbell retorna como Sidney Prescott após a ausência no sexto filme, contracenando com as orientações diretas de Williamson (Foto: Jessica Miglio)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No quinto e </span><a href="https://personaunesp.com.br/panico-6-critica/"><span style="font-weight: 400;">sexto</span></a><span style="font-weight: 400;"> filmes, Mindy era a responsável por instigar a </span><i><span style="font-weight: 400;">skin</span></i><span style="font-weight: 400;"> ‘detetive’ em seus colegas: saber quem seria o provável assassino e o motivo, sempre citando momentos icônicos da franquia. Infelizmente, esse recurso é utilizado mais uma vez em </span><i><span style="font-weight: 400;">Pânico 7</span></i><span style="font-weight: 400;">, algo que já estava desgastado desde a produção anterior. Não é como se a estrutura ou dinâmicas que fazem os fãs identificarem uma cena de </span><i><span style="font-weight: 400;">Scream </span></i><span style="font-weight: 400;">– nome original da franquia – fossem apagadas nessa nova jornada. Na verdade, tudo está lá: a protagonista, o assassino e a metalinguagem. A diferença é que agora não nos importamos mais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No papel, a trama de um </span><i><span style="font-weight: 400;">Ghostface </span></i><span style="font-weight: 400;">atrás da filha de Sidney Prescott não é de todo mal. Entretanto, a ausência da protagonista em </span><i><span style="font-weight: 400;">Pânico 6</span></i><span style="font-weight: 400;"> possui um sentimento remanescente no filme atual. Por conhecermos a família dela à essa altura do campeonato, a importância dada pelo público a esses personagens é ínfima e, sinceramente, insignificante. Wes Craven, que comandou a trilogia original e a obra de 2011, estabeleceu ao longo de 15 anos as regras e narrativas desse mundo. Ou melhor: mostrou em quatro tentativas a versatilidade do </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/slasher-gore-trash-e-mais-conheca-os-principais-subgeneros-do-terror/"><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Aqui, o fazer Terror se despede – algo que já era perceptível no longa anterior – e dá lugar ao jogo de fazer dinheiro. Essa característica era inata desde Craven, mas ele ao menos tinha o talento de encontrar algo original e filmá-lo com qualidade. Pelo sucesso de bilheteria da produção anterior, </span><i><span style="font-weight: 400;">Scream 7 </span></i><span style="font-weight: 400;">(título original) chegou aos cinemas em 2026. Mas será que precisava mesmo?</span></p>
<figure id="attachment_36967" aria-describedby="caption-attachment-36967" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36967" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-800x450.png" alt="Texto Alternativo: A atriz Isabel May (Tatum Evans) está deitada de bruços em uma cama com roupas de cama claras. Ela veste um casaco lilás e segura um celular com as duas mãos, olhando para o lado com uma expressão de preocupação ou alerta. O quarto está decorado com luzes quentes e pequenos quadros ao fundo." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36967" class="wp-caption-text">Isabel May interpreta Tatum Evans, a filha de Sidney, que se torna o centro das atenções do assassino (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa sensação de falta de propósito e vazio narrativo é o resultado direto de uma grande crise nos bastidores de produção. A </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/melissa-barrera-diz-que-demissao-de-panico-7-foi-chocante/"><span style="font-weight: 400;">demissão</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Melissa Barrera em 2023, após suas postagens em apoio à Palestina, e a </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/jenna-ortega-explica-por-que-abandonou-franquia-panico/"><span style="font-weight: 400;">saída</span></a><span style="font-weight: 400;"> subsequente de Jenna Ortega em solidariedade, deixaram um buraco que o roteiro tenta tapar com nostalgia barata. Ao descartar as protagonistas que sustentaram o renascimento da franquia em</span><i><span style="font-weight: 400;"> Pânico 5</span></i><span style="font-weight: 400;">, os criadores já cavaram seu próprio fracasso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O episódio reflete um momento sintomático e gélido em </span><i><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde o silêncio é a moeda de troca para a estabilidade na carreira. Enquanto Barrera afirma que &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">o silêncio não é uma opção</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221; ao usar sua voz para </span><a href="https://variety.com/2026/film/news/protest-scream-7-premiere-melissa-barrera-paramount-1236673201/"><span style="font-weight: 400;">questionar</span></a><span style="font-weight: 400;"> crises globais, a indústria respondeu com o silenciamento corporativo. Esse cenário de vigilância ideológica cria um clima de medo onde temas sensíveis tornam-se tabus intransponíveis para atores que preferem a segurança do contrato ao risco da opinião. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim das contas, a volta de Neve Campbell soa mais como um plano de gerenciamento de crise do que como um retorno triunfal. A saída de </span><a href="https://personaunesp.com.br/hurry-up-tomorrow-alem-dos-holofotes/"><span style="font-weight: 400;">Ortega</span></a><span style="font-weight: 400;">, que admitiu ao </span><i><span style="font-weight: 400;">The Cut</span></i><span style="font-weight: 400;"> que &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">tudo estava desmoronando</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221; após a saída de sua equipe original, prova que a alma da produção se perdeu no processo. </span><i><span style="font-weight: 400;">Pânico 7 </span></i><span style="font-weight: 400;">torna-se, assim, um exemplo do conformismo hollywoodiano: um filme que prefere reciclar o que já conhecemos a permitir que seus artistas se posicionem sobre as dores de um mundo que, fora das telas, é muito mais assustador do que qualquer </span><i><span style="font-weight: 400;">Ghostface</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Pânico 7 | Trailer Oficial Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/2NaFySKZyrk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/qual-e-o-seu-filme-de-terror-favorito-definitivamente-nao-e-panico-7/">Qual é o seu filme de terror favorito? Definitivamente não é Pânico 7</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Luísa Sonza faz um bom trabalho em Bossa Sempre Nova, mas prestígio não se ganha com tanta facilidade</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Feb 2026 13:00:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Arthur Caires]]></category>
		<category><![CDATA[Bossa Sempre Nova]]></category>
		<category><![CDATA[Luisa Sonza]]></category>
		<category><![CDATA[MPB]]></category>
		<category><![CDATA[Roberto Menescal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Arthur Caires A Bossa Nova sempre foi mais do que um gênero musical. É um ideal de sofisticação e elegância que remonta os primórdios da música e do nosso contexto social. Desde que surgiu, carrega consigo a promessa de um Brasil cosmopolita, delicado e exportável – um imaginário que atravessou décadas e segue sendo sinônimo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/luisa-sonza-faz-um-bom-trabalho-em-bossa-sempre-nova-mas-prestigio-nao-se-ganha-com-tanta-facilidade/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Luísa Sonza faz um bom trabalho em Bossa Sempre Nova, mas prestígio não se ganha com tanta facilidade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36837" aria-describedby="caption-attachment-36837" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36837" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-1.jpg" alt="A imagem é a capa do álbum Bossa Sempre Nova. Luísa Sonza aparece deitada de forma elegante em uma espreguiçadeira de design curvo com assento de palha, vestindo um longo vestido de cetim roxo escuro. Ela apoia a cabeça na mão direita e olha diretamente para a câmera. Ao fundo, vê-se uma paisagem litorânea paradisíaca com mar azul, ilhas ao longe e folhas de palmeira no canto direito. No topo, em tipografia retrô, lê-se o título do álbum e, no rodapé, os nomes: Roberto Menescal, Luísa Sonza e Toquinho." width="640" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-1.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-1-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36837" class="wp-caption-text">Capa de Bossa Sempre Nova busca evocar a sofisticação e o imaginário cosmopolita do gênero (Foto: Pam Martins)</figcaption></figure>
<p><b>Arthur Caires</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://memoriasdaditadura.org.br/cultura/bossa-nova/"><span style="font-weight: 400;">Bossa Nova</span></a><span style="font-weight: 400;"> sempre foi mais do que um gênero musical. É um ideal de sofisticação e elegância que remonta os primórdios da música e do nosso contexto social. Desde que surgiu, carrega consigo a promessa de um Brasil cosmopolita, delicado e exportável – um imaginário que atravessou décadas e segue sendo sinônimo de credibilidade artística. É a partir desse desejo que </span><i><span style="font-weight: 400;">Bossa Sempre Nova </span></i><span style="font-weight: 400;">se apresenta. Para além de um disco, o álbum se impõe como uma estratégia: a de uma cantora </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">contemporânea que decide vestir essa herança, buscando nela um repertório e, principalmente, um reposicionamento. A pergunta que paira, então, não é apenas se Luísa Sonza canta bem bossa nova, porém o que significa, hoje, querer caber dentro dela.</span></p>
<p><span id="more-36836"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A carreira de Luísa é marcada por muitos altos e baixos. Em seu início, era claro uma tentativa de se inserir no mercado do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">nacional seguindo as fórmulas já conhecidas do grupo Hitmaker e da dupla Umberto Tavares e Jefferson Junior – compositores dos grandes sucessos de Anitta, Ludmilla, Lexa e diversos outros artistas brasileiros. Com o lançamento de </span><a href="https://personaunesp.com.br/luisa-sonza-doce-22-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">DOCE 22</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021), a gaúcha iniciou um processo de importar as características da indústria internacional, traduzindo-as para o nosso contexto, o que funcionou por um bom tempo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A grande questão que faz o ouvinte médio se afastar do trabalho de Luísa Sonza é a sua persona. A cantora já se provou capaz de entregar músicas de qualidade e ao mesmo tempo comerciais, no entanto seus posicionamentos e atitudes causam certa aversão. Seja o caso de </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/luisa-sonza-comenta-caso-de-racismo-em-documentario-demorei-a-ter-entendimento/"><span style="font-weight: 400;">racismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a assombra até hoje, as polêmicas envolvendo </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2023/09/20/leia-texto-completo-de-luisa-sonza-sobre-termino-com-chico-moedas.ghtml"><span style="font-weight: 400;">ex-namorados</span></a><span style="font-weight: 400;">, porém, principalmente, as suas tentativas extensas de se promover como </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2022/08/01/luisa-sonza-cazuza-cassia-eller/"><span style="font-weight: 400;">subversiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> e extraordinariamente artística. O problema da autopromoção é exatamente esse: não se ganha prestígio dizendo que é bom, mas fazendo algo bom.</span></p>
<figure id="attachment_36839" aria-describedby="caption-attachment-36839" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36839" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-2-800x450.png" alt="Foto em plano médio de Luísa Sonza. Ela está de costas, virando o tronco e o rosto para olhar a câmera por cima do ombro esquerdo. Seus cabelos são loiros, longos e com franja. Ela veste uma blusa de manga longa com listras verticais em verde e preto, que deixa as costas nuas, revelando pequenas tatuagens. O fundo está levemente desfocado, mostrando o mar azul, céu claro e vegetação tropical à esquerda." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-2-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-2-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-2.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36839" class="wp-caption-text">Apostando em uma estética clássica, a cantora busca um reposicionamento de sua persona pública (Foto: Pam Martins)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É nesse impasse – entre capacidade técnica e um desejo de legitimação – que </span><i><span style="font-weight: 400;">Bossa Sempre Nova</span></i><span style="font-weight: 400;"> começa a fazer sentido. O mercado </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">brasileiro vive um momento particularmente receptivo a projetos de resgate e celebração de gêneros nacionais, especialmente quando mediados por artistas já consolidados. Trabalhos como </span><a href="https://personaunesp.com.br/batidao-tropical-vol-2-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Batidão Tropical</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021) ou</span> <a href="https://personaunesp.com.br/numanice-3-ao-vivo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Numanice</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2020) mostram como esses ‘desvios de rota’ funcionam tanto como homenagem quanto como diversificação de repertório.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Soma-se a isso um dado geracional recente: a MPB – e, por extensão, a Bossa Nova – voltou a circular com força entre jovens de 18 a 24 anos, impulsionada sobretudo pelo streaming e pelas dinâmicas de redescoberta promovidas pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">TikTok</span></i><span style="font-weight: 400;">. Segundo </span><a href="https://billboard.com.br/geracao-z-impulsiona-consumo-mpb-spotify/"><span style="font-weight: 400;">dados do Spotify</span></a><span style="font-weight: 400;">, o consumo do gênero cresceu 47% entre 2022 e 2024, e essa mesma faixa etária respondeu por 64% desse aumento. Nomes como ANAVITÓRIA, Liniker, Seu Jorge e Marisa Monte figuram entre os mais ouvidos pelos jovens, enquanto fusões com rap e funk – como nos trabalhos de Criolo, Emicida e Djonga – ajudam a atualizar essas referências.</span></p>
<figure id="attachment_36838" aria-describedby="caption-attachment-36838" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36838" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-1-800x450.png" alt="Luísa Sonza e Roberto Menescal sentados confortavelmente em um sofá de couro bege claro. Eles estão em uma sala com uma grande janela de vidro ao fundo, que oferece vista para o mar e ilhas. Luísa, à esquerda, usa o vestido roxo da capa e sorri olhando para a frente. Roberto Menescal, à direita, veste uma camisa marrom e uma boina; ele segura um violão de madeira no colo e olha para a paisagem externa com um leve sorriso." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-1.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36838" class="wp-caption-text">A produção do disco se apoia na presença histórica de Roberto Menescal (à direita), que divide os arranjos com Douglas Moda e Toquinho (Foto: Pam Martins)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando finalmente chegamos ao disco, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bossa Sempre Nova</span></i><span style="font-weight: 400;"> entrega exatamente o que promete, e talvez esse seja tanto seu mérito quanto sua limitação. São 14 faixas que seguem à risca o estereótipo do LP desse gênero: standards já revisitados inúmeras vezes, como </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/5fsKCeU6lBCsG5z8ITORZ1?si=2872e7350d14434c"><i><span style="font-weight: 400;">O Barquinho</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/1Ir4ixntD7SXBLK1OZI2fr?si=606ca7b456094786"><i><span style="font-weight: 400;">Onde Anda Você</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, algumas escolhas menos óbvias e apenas uma canção inédita, </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/53OZRiDh8xAQZ0F0B8LRS1?si=e57b3413e5824f09"><i><span style="font-weight: 400;">Um Pouco de Mim</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, assinada pela própria cantora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção é elegante e detalhada, escorada nos violões, arranjos e na presença histórica de </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/veja-gente/como-roberto-menescal-expulsou-roberto-carlos-da-bossa-nova/"><span style="font-weight: 400;">Roberto Menescal</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2025/09/a-musica-nunca-mudou-a-historia-de-um-pais-de-nada-afirma-cantor-toquinho.shtml"><span style="font-weight: 400;">Toquinho</span></a><span style="font-weight: 400;">, que dividem a coprodução com Douglas Moda. Luísa, por sua vez, canta bem, talvez melhor do que nunca. Sua voz soa mais confortável, menos tensionada como anteriormente. O projeto flui, é agradável, bem-acabado e tecnicamente irrepreensível. Funciona. Mas é aí que surge o ‘porém’. É justamente nesse excesso de cuidado que Bossa Sempre Nova começa a travar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A reverência à tradição é tanta que o disco evita qualquer gesto de risco. A seleção do repertório e a execução se mantêm sempre em terreno seguro. Ao longo da história da MPB, álbuns de releitura também funcionaram como reinterpretações propriamente ditas, capazes de tensionar o passado a partir de uma assinatura autoral muito clara. É o caso de </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/6fBP4q8gYKo4LU9V6zVT3i?si=7Rdj0ffmS82G3ubFUjO61A"><i><span style="font-weight: 400;">Fina Estampa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1994), de Caetano Veloso, </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/2mRhLxYcKuQpXwYSxq0gCS?si=SAguQxArS320OvkyNf7sIg"><i><span style="font-weight: 400;">Gal Bossa Tropical</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2002), de Gal Costa, e </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/0mTRjtWGKiGmfEDmzcpII6?si=dDSod-HwRRGD8ptXlGTvXA"><i><span style="font-weight: 400;">As Canções que Você Fez para Mim</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1993), de Maria Bethânia – trabalhos que dialogam com a tradição sem abdicar de uma leitura pessoal. Na obra de Luísa, essa assinatura se dilui. Não há atualização, fricção geracional ou ponto de vista que justifique revisitar canções já regravadas inúmeras vezes.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Luísa Sonza, Roberto Menescal - Um Pouco de Mim" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/RN5t10px07w?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse apego à tradição ganha contornos ainda mais contraditórios quando colocado em diálogo com a imagem pública recente de Luísa Sonza. Em 2025, a cantora esteve no centro da polêmica envolvendo </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/sina-de-ofelia-versao-ia-de-musica-de-taylor-swift-e-derrubada/"><i><span style="font-weight: 400;">Sina de Ofélia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, versão abrasileirada de </span><a href="https://personaunesp.com.br/um-espelho-quebrado-por-expectativas-a-complacencia-de-taylor-swift-em-the-life-of-a-showgirl/"><i><span style="font-weight: 400;">The Fate of Ophelia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Taylor Swift, criada com o uso de inteligência artificial sem autorização, que reproduzia a voz de Luísa. A faixa viralizou rapidamente no </span><i><span style="font-weight: 400;">TikTok</span></i><span style="font-weight: 400;">, e chegou a atingir números suficientes para figurar no top de </span><i><span style="font-weight: 400;">singles </span></i><span style="font-weight: 400;">do Brasil e de Portugal, sendo posteriormente banida pela Associação Fonográfica Portuguesa por violação de direitos autorais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Luísa, longe de ignorar o fenômeno, reagiu publicamente com bom humor, brincou com a versão em vídeos e ajudou a amplificar sua circulação, mesmo diante das implicações éticas e legais do caso. Em entrevista para a </span><a href="https://www.instagram.com/reel/DTiJydtkZeO/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igsh=MzRlODBiNWFlZA=="><span style="font-weight: 400;">NovaBrasil FM</span></a><span style="font-weight: 400;">, durante o evento de divulgação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bossa Sempre Nova</span></i><span style="font-weight: 400;">, ao ser questionada se a Inteligência Artificial na Música a preocupa, a cantora defendeu a ideia de um “</span><i><span style="font-weight: 400;">disco orgânico, artesanal e feito praticamente ao vivo</span></i><span style="font-weight: 400;">” como sua resposta simbólica à automatização da criação artística. Mesmo assim, sua fala se perde entre a naturalização de um produto gerado por IA que instrumentaliza sua própria voz e um álbum que se ancora no passado mais canonizado da música brasileira como prova de autenticidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim das contas, o projeto cumpre a função a que se propõe, ainda que essa função seja mais estratégica do que artística. O disco ajuda a reposicionar Luísa Sonza, suaviza arestas da sua </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/01/13/luisa-sonza-canta-bossa-nova-com-fluencia-e-reverencia-em-grande-album-dissociado-do-som-da-geracao-da-artista.ghtml"><span style="font-weight: 400;">imagem pública</span></a><span style="font-weight: 400;"> e reafirma uma competência vocal que nunca esteve exatamente em dúvida. Como gesto de carreira, faz sentido; como obra, fica aquém do que poderia ser. No esforço de soar elegante, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bossa Sempre Nova</span></i><span style="font-weight: 400;"> acaba esquecendo que prestígio não se clama, se recebe.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Bossa Sempre Nova" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/5GD7XtF06kvgZZSkdUM1xU?si=0bLa2ah0QMuC7RFOCwLHJQ&amp;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Entre Transamazônia e Ainda Estou Aqui, da TV ao teatro: Philipp Lavra reflete sobre sua trajetória como ator</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Jan 2026 15:00:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Arthur Caires Há trajetórias de atores que se constroem menos por mudanças bruscas e mais por deslocamentos sucessivos, entre linguagens, territórios e modos de estar em cena. A de Philipp Lavra é atravessada por esse movimento constante: do teatro ao cinema, da televisão a produções independentes, sempre em busca de experiências que o tirem do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/entre-transamazonia-e-ainda-estou-aqui-da-tv-ao-teatro-philipp-lavra-reflete-sobre-sua-trajetoria-como-ator/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Entre Transamazônia e Ainda Estou Aqui, da TV ao teatro: Philipp Lavra reflete sobre sua trajetória como ator"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36695" aria-describedby="caption-attachment-36695" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36695" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-1-800x450.png" alt="Close de Philipp Lavra de frente para a câmera em meio a uma floresta. Ele tem cabelos escuros, bigode e aparenta estar suado. Usa uma camisa xadrez bege sem mangas com os botões abertos. O fundo é um desfoque de folhagens verdes e luz solar filtrada." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-1.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36695" class="wp-caption-text">O ator reflete sobre o estranhamento e os desafios físicos de filmar na região amazônica (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<p><b>Arthur Caires</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há trajetórias de atores que se constroem menos por mudanças bruscas e mais por deslocamentos sucessivos, entre linguagens, territórios e modos de estar em cena. A de </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2025/04/7130300-artes-nao-se-afastam-se-integram-afirma-o-ator-e-fotografo-philipp-lavra.html"><span style="font-weight: 400;">Philipp Lavra</span></a><span style="font-weight: 400;"> é atravessada por esse movimento constante: do teatro ao cinema, da televisão a produções independentes, sempre em busca de experiências que o tirem do lugar confortável da repetição. Mais do que acumular papéis, sua carreira parece se organizar a partir do encontro com contextos específicos e da escuta atenta ao espaço em que cada história se inscreve.</span></p>
<p><span id="more-36691"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse desejo de atravessar linguagens e territórios se manifesta de forma especialmente nítida nos projetos que o levam para fora dos grandes centros e dos formatos mais convencionais. Ao longo dos últimos anos, Philipp tem se envolvido em produções que exigem não apenas preparo técnico, mas também disposição para lidar com o estranhamento, seja ele cultural, geográfico ou simbólico – movimento que convive, inclusive, com sua passagem recente pela televisão aberta, na novela </span><a href="https://gshow.globo.com/novelas/garota-do-momento/personagem/orlando/"><span style="font-weight: 400;">Garota do Momento</span></a><span style="font-weight: 400;"> (2024), exibida pela Globo.</span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/no-limiar-da-denuncia-colonial-transamazonia-permanece-a-beira-do-confronto/"><span style="font-weight: 400;">Transamazônia</span></a><span style="font-weight: 400;"> surge, então, como um desses encontros. Dirigido pela sul-africana, Pia Marais, o filme carrega um contraste fundamental: uma coprodução internacional que se propõe a encenar conflitos históricos, ambientais e espirituais no território brasileiro, marcado por disputas e feridas abertas. Para Philipp Lavra, que interpreta Júnior, um madeireiro envolvido nas tensões que atravessam a narrativa, a curiosidade surgiu do estranhamento.</span></p>
<h3><b>O primeiro contato com o projeto</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando a proposta de Transamazônia chegou até Philipp Lavra, o primeiro sentimento foi de curiosidade. O projeto ainda estava em circulação entre testes e conversas iniciais quando ele ouviu que se tratava de </span><b>“</b><b><i>um filme gringo</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;"> ambientado na transamazônia. A combinação soou inesperada. </span><b>“</b><b><i>Um filme gringo na transamazônia? Curioso</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">, lembra. O estranhamento inicial, porém, não funcionou como barreira, ao contrário, abriu espaço para o interesse em compreender melhor o que estava em jogo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À medida que foi se aproximando do material e do contexto da produção, a desconfiança deu lugar à percepção de que aquele deslocamento fazia parte da própria natureza do filme. A história de um madeireiro inserido em uma região de conflito, atravessada por tensões políticas, ambientais e culturais, ganhou outra densidade quando Philipp entendeu também os limites concretos da realização. </span></p>
<figure id="attachment_36692" aria-describedby="caption-attachment-36692" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36692" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-1-800x450.png" alt="Plano médio mostra Philipp Lavra debruçado na janela de um carro, olhando para a direita. Ele usa uma camisa azul clara sem mangas e tem bigode. Ao fundo, fora de foco, o ator Rômulo Braga observa a cena com expressão séria." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-1.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36692" class="wp-caption-text">Philipp Lavra interpreta Júnior em Transamazônia, personagem marcado pela relação hierárquica e conflituosa com o irmão, vivido por Rômulo Braga (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<h3><b>Família, trabalho e ruína</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">No filme, o personagem Júnior é definido pela relação com o irmão mais velho, interpretado por </span><a href="https://gq.globo.com/artes-e-cultura/noticia/2025/05/ator-revela-como-foi-gravar-cena-de-abuso-em-filme-perguntei-se-estava-tudo-bem.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Rômulo Braga</span></a><span style="font-weight: 400;">. Uma dinâmica atravessada por afeto, conflito e hierarquia, tanto familiar quanto profissional. </span></p>
<blockquote><p><b><i>“O nome Júnior, no Brasil, carrega um peso grande”</i></b><span style="font-weight: 400;">, observa Philipp. </span><b><i>“Ele é Júnior porque carrega o nome do pai, mas também porque é o irmão mais novo. É um duplo lugar.”</i></b></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse detalhe serviu como ponto de partida para a construção do personagem. </span><b>“</b><b><i>O personagem do Rômulo vive um conflito enorme, e isso faz com que a família comece a se fragmentar</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">, explica. No filme, trabalho e laço familiar se confundem, reproduzindo uma lógica comum no contexto brasileiro. </span><b>“</b><b><i>A gente tentou mostrar esse ambiente familiar que está ruindo e que também é um ambiente de trabalho. Aqui, essas coisas estão muito unidas</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<h3><b>O sentimento de ser estrangeiro</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de brasileiro, Philipp descreve a experiência de filmar na Amazônia como um confronto direto com a própria ideia de pertencimento. </span><b>“</b><b><i>Eu sou sudestino, isso eu já sei. Mas quando você chega lá, você vê o tamanho da dimensão do Brasil</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">, conta. Em determinado momento das filmagens, a percepção se tornou coletiva. </span></p>
<blockquote><p><b><i>“O elenco internacional falava: ‘é muito difícil para a gente, porque somos estrangeiros aqui’. E eu falei: ‘eu também’. Todo mundo ali era estrangeiro.”</i></b></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.instagram.com/reel/DTajU6bDrGE/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igsh=MzRlODBiNWFlZA=="><span style="font-weight: 400;">constatação</span></a><span style="font-weight: 400;">, longe de ser apenas geográfica, revela uma fratura simbólica: a distância entre o imaginário nacional e a realidade amazônica. </span><b>“</b><b><i>Mesmo sendo brasileiro, lá no meio a gente também parece estrangeiro</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">, diz. Para ele, esse reconhecimento só foi possível a partir da vivência. </span><b>“</b><b><i>Eu não tinha entendido isso antes de estar lá</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa sensação de estrangeiridade também se materializou nas escolhas da produção. </span><b>“</b><b><i>A gente só filmou na Guiana Francesa porque dentro do território brasileiro nenhuma madeireira aceitou fazer. Ninguém aceitou que a gente filmasse dentro das madeireiras</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">, relata. Além de um obstáculo logístico, a decisão expôs os limites de acesso e os interesses em jogo na região, reforçando a percepção de que Transamazônia lidava com tensões que extrapolavam a ficção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Philipp, o cuidado com o território foi um ponto central do processo. </span><b>“</b><b><i>A gente sabe que o cinema, às vezes, atropela o lugar</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">, reflete. Ainda assim, ele destaca o esforço da equipe em estabelecer uma relação de </span><a href="https://forbes.com.br/forbeslife/2025/02/turismo-cinematografico-como-a-industria-do-cinema-impacta-os-destinos-de-viagem/"><span style="font-weight: 400;">respeito com o espaço</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>“</b><b><i>Achei que houve muito cuidado, uma ligação muito forte entre as equipes para fazer o melhor trabalho possível</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_36694" aria-describedby="caption-attachment-36694" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36694" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-800x450.png" alt="Plano aberto mostra uma casa de madeira desgastada sobre palafitas. No terreiro de terra batida à frente da casa, Philipp Lavra e Rômulo Braga caminham lado a lado. Há um quadriciclo verde estacionado à direita e barris azuis e rosados à esquerda." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36694" class="wp-caption-text">Os irmãos representam a ruína das relações de exploração (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<h3><b>A cena quase cortada de Ainda Estou Aqui</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">No meio das filmagens de Transamazônia, Philipp Lavra viveu uma situação-limite que quase o afastou de uma das cenas mais emblemáticas de </span><a href="https://personaunesp.com.br/ainda-estou-aqui-critica/"><span style="font-weight: 400;">Ainda Estou Aqui</span></a><span style="font-weight: 400;"> (2024), dirigido por Walter Salles. A sequência do fotógrafo, que mais tarde ganharia grande repercussão nas redes, dependia de um detalhe incontrolável: a luz natural.</span> <b>“</b><b><i>Era a cena da foto, e no dia fez um dia horrível. Fechou o tempo</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">, relembra. Para o diretor, a luz era inegociável. </span><b>“</b><b><i>O Walter queria muito uma luz natural, e não dava</i></b><b>”</b><b><i>.</i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O impasse ganhou contornos ainda mais delicados por causa do cronograma. A cena estava prevista para uma segunda-feira, enquanto a viagem de Philipp para a Amazônia aconteceria poucos dias depois. Com a gravação cancelada, a possibilidade de refazer a cena parecia cada vez menor. </span><b>“</b><b><i>Eu já estava preparado para não fazer. Falei: ‘bom, então não vai dar, porque eu viajo no domingo’</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">, conta. A equipe, no entanto, insistiu em tentar uma última alternativa. Contra as previsões, a gravação foi remarcada para o sábado seguinte. </span></p>
<blockquote><p><b><i>“Tinha que ser aquele sábado. E foi um dia lindo, fez um sol maravilhoso no Rio de Janeiro. A gente conseguiu filmar. Eu viajei no dia seguinte, mas quase não fiz. Foi por muito pouco mesmo.”</i></b></p></blockquote>
<p><b>“</b><b><i>São dois filmes completamente diferentes</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">, observa. </span><b>“</b><b><i>Uma produção no Rio, com toda a familiaridade que eu tenho, e a outra 100% novidade</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">No intervalo apertado entre um set e outro, o ator se viu atravessado por ritmos, linguagens e territórios opostos, uma experiência intensa, mas que ele define, sem hesitar, como </span><b>“</b><b><i>bem legal</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_36693" aria-describedby="caption-attachment-36693" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36693" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-800x450.png" alt="Philipp Lavra, à direita, sorri levemente enquanto manuseia uma câmera fotográfica antiga de médio formato sobre um tripé. Ele veste camisa azul clara. Ao seu lado, um homem negro de terno marrom observa. O cenário é um jardim ensolarado com muro branco e plantas verdes." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36693" class="wp-caption-text">A cena do fotógrafo em Ainda Estou Aqui que quase foi cancelada devido a conflitos de agenda (Foto: Globoplay)</figcaption></figure>
<h3><b>Criar laços, mesmo sem pertencer</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao pensar no futuro, Philipp não fala em formatos específicos, mas em deslocamentos. </span><b>“</b><b><i>Eu gosto muito de viajar pelo Brasil</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">, diz. Filmes que se debruçam sobre culturas e territórios específicos despertam seu interesse justamente pela possibilidade de troca. </span><b>“</b><b><i>Conhecer e, depois, poder passar essa palavra</i></b><b>”</b><b><i>.</i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A experiência se repetiu inclusive, no ano seguinte à Transamazônia, ele voltou à região para filmar em Cametá, no Pará. </span><b>“</b><b><i>Fiquei 40 dias na Amazônia. Você não se torna uma pessoa daquele lugar, mas cria laços com o espaço, com as pessoas. Laços afetivos</i></b><b>”</b><b><i>.</i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez seja aí que o Cinema, para Philipp Lavra, encontre sua função mais honesta: não a de explicar territórios complexos, mas a de atravessá-los com atenção, reconhecendo limites, distâncias e vínculos possíveis. Porque, às vezes, estar presente, mesmo como estrangeiro, já é um gesto de escuta.</span></p>
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		<title>No limiar da denúncia colonial, Transamazônia permanece à beira do confronto</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Jan 2026 17:43:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Arthur Caires A Amazônia, no cinema internacional, costuma surgir como superfície de projeção: um espaço onde fantasias espirituais, dilemas morais e impasses civilizatórios são encenados a partir de um olhar estrangeiro. Transamazônia, quarto longa-metragem da diretora sul-africana Pia Marais, se insere diretamente nessa tradição. Estreado no Festival de Locarno em 2024 e apresentado no Brasil &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/no-limiar-da-denuncia-colonial-transamazonia-permanece-a-beira-do-confronto/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "No limiar da denúncia colonial, Transamazônia permanece à beira do confronto"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36676" aria-describedby="caption-attachment-36676" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36676" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/35-800x450.png" alt="Uma paisagem de floresta tropical densa, úmida e nebulosa. No centro da imagem, sobre o chão lamacento e escuro, veem-se destroços metálicos retorcidos, aparentemente de uma pequena aeronave acidentada. Raios de luz solar filtram através da neblina e das grandes folhas de palmeiras." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/35-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/35-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/35-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/35-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/35-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/35.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36676" class="wp-caption-text">A trama parte da sobrevivência de Rebecca aos destroços de um acidente aéreo (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<p><b>Arthur Caires</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Amazônia, no cinema internacional, costuma surgir como superfície de projeção: um espaço onde fantasias espirituais, dilemas morais e impasses civilizatórios são encenados a partir de um olhar estrangeiro. </span><i><span style="font-weight: 400;">Transamazônia</span></i><span style="font-weight: 400;">, quarto longa-metragem da diretora sul-africana Pia Marais, se insere diretamente nessa tradição. Estreado no Festival de Locarno em 2024 e apresentado no Brasil no </span><a href="https://www.festivaldorio.com.br/br/noticias/pia-marais-fala-sobre-transamazonia-filme-que-retrata-exploracao-da-fe-e-da-floresta"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio</span></a><span style="font-weight: 400;"> – onde integrou a Mostra COP 30 em 2025 –, o filme carrega consigo o peso simbólico de falar sobre fé, meio ambiente e povos indígenas a partir de uma coprodução intercontinental (França, Alemanha, Suíça, Tailândia e Brasil). Desde a gênese do projeto, inspirada livremente na história real de Juliane Koepcke – a única sobrevivente de um acidente aéreo na Amazônia peruana em 1971 –, a obra se constrói sobre deslocamentos: culturais, geográficos e narrativos.</span></p>
<p><span id="more-36669"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama acompanha Rebecca (Helena Zengel), jovem que sobrevive à queda de um avião na floresta amazônica e passa a ser vista como um milagre vivo pela comunidade religiosa pentecostal liderada por seu pai, o missionário estrangeiro Lawrence Byrne (Jeremy Xido). A partir desse ponto, </span><i><span style="font-weight: 400;">Transamazônia </span></i><span style="font-weight: 400;">articula três vertentes narrativas: a relação entre pai e filha, marcada por manipulação e silêncio; a aculturação religiosa como prática histórica de dominação; e o embate entre </span><a href="https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2025/07/08/madeireiros-ilegais-lucram-com-projetos-de-credito-de-carbono-na-amazonia.ghtml"><span style="font-weight: 400;">madeireiros ilegais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e uma comunidade indígena que protege seu território. A ambição da obra está justamente em fazer esses eixos colidirem, mas sua fragilidade aparece quando nenhum deles é aprofundado o suficiente para sustentar o peso das questões que levanta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No centro emocional da narrativa está a relação entre Rebecca e Lawrence. A ascensão da jovem como figura milagrosa, capaz de fazer pessoas voltarem a andar ou despertarem de um coma, é instrumentalizada pelo pai como capital simbólico de sua igreja. </span><a href="https://www.lagoanerd.com.br/post/a-lenda-de-ochi-fantasia-da-a24-ganha-novos-cartazes"><span style="font-weight: 400;">Helena Zengel</span></a><span style="font-weight: 400;"> entrega uma performance contida, que sugere fissuras internas mais interessantes do que se é permitido explorar no roteiro, assinado por Pia Marais, Willem Droste e Martin Rosefeldt. Já Jeremy Xido constrói um Lawrence ambíguo, dividido entre fé, poder e paternidade, mas limitado por um arco dramático que frequentemente soa mal resolvido. Revelações tardias e pouco orgânicas, como segredos familiares descobertos de maneira abrupta, enfraquecem o conflito íntimo que poderia funcionar como espelho das ruínas morais provocadas pela ganância humana.</span></p>
<figure id="attachment_36675" aria-describedby="caption-attachment-36675" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36675" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/34-800x450.png" alt="Sob uma iluminação fria e azulada, Rebecca (Helena Zengel) e seu pai Lawrence (Jeremy Xido) estão de pé, lado a lado, segurando microfones próximos à boca. Ambos vestem roupas brancas e parecem cantar ou orar de olhos fechados ou baixos. O fundo é composto por uma cortina branca translúcida." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/34-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/34-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/34-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/34-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/34-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/34.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36675" class="wp-caption-text">A ascensão da jovem Rebecca como figura &#8220;milagrosa&#8221; é instrumentalizada pelo pai missionário como capital simbólico para sua igreja pentecostal (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob a perspectiva de Pia Marais, a aculturação religiosa surge como um costume que o Brasil conhece desde os primeiros anos da colonização. O missionarismo de Lawrence além de prática espiritual, é uma forma de reorganizar o ambiente, os corpos e as crenças locais. O filme acerta ao apontar esse mecanismo como parte de um novo colonialismo, no qual </span><a href="https://www.jornalopcao.com.br/colunas-e-blogs/faltou-dizer-colunas-e-blogs/juros-aos-ceus-existe-uma-linha-tenue-entre-fe-lucro-e-manipulacao-697496/"><span style="font-weight: 400;">fé, lucro e poder</span></a><span style="font-weight: 400;"> caminham juntos. No entanto, permanece no limiar da denúncia: identifica o problema, mas evita tensioná-lo até as últimas consequências, preferindo uma abordagem ambígua que nunca se transforma em confronto direto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mesmo ocorre no eixo ambiental. Filmado majoritariamente no território indígena </span><a href="https://cop.dol.com.br/belem-para/povo-asurini-lanca-plano-de-gestao-ambiental-para-terra-indigena-koatinemo/7046/"><span style="font-weight: 400;">Asurini do Xingu</span></a><span style="font-weight: 400;">, com sequências rodadas também na Guiana Francesa, em áreas liberadas para o desmatamento, </span><i><span style="font-weight: 400;">Transamazônia </span></i><span style="font-weight: 400;">apresenta o conflito entre madeireiros ilegais e povos originários como pano de fundo constante. Há momentos de forte presença dos personagens indígenas, como o Silas, interpretado por Hamã Sateré, descendente das etnias Tikuna e Sateré-Mawé, cuja performance se destaca justamente pela economia de palavras e intensidade corporal. Ainda assim, esses personagens raramente têm voz narrativa própria. O longa opta por observá-los à distância, reduzindo sua participação a reações de raiva ou resistência, sem lhes conceder perspectiva, discurso ou centralidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa escolha revela um problema estrutural que atravessa seus 112 minutos. O conflito se organiza, em grande medida, como o embate entre dois grupos de personagens brancos – missionários e exploradores – tendo os povos indígenas como objeto da disputa, e não como sujeitos da narrativa. O resultado é uma sensação de déjà-vu: esse conceito já foi explorado inúmeras vezes pelo Cinema, e a expectativa era por uma abordagem mais revolucionária. Em vez disso, a produção flerta perigosamente com a lógica do </span><a href="https://mundonegro.inf.br/o-complexo-do-branco-salvador-no-cinema-norte-americano/"><i><span style="font-weight: 400;">white savior</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Se a intenção era escapar dessa armadilha, o resultado final não consegue se desvencilhar dela.</span></p>
<figure id="attachment_36670" aria-describedby="caption-attachment-36670" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36670" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-800x532.jpg" alt="Um close-up na floresta mostra Silas (Hamã Sateré), um jovem indígena de cabelos escuros e colar de contas olhando seriamente para a esquerda, ao lado de Rebecca (Helena Zengel), uma jovem branca de cabelos loiros cacheados olhando para a direita. Ela usa um colar com uma pequena cruz dourada. O fundo é uma vegetação densa e desfocada." width="800" height="532" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-800x532.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-1200x799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1.jpg 1202w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36670" class="wp-caption-text">Os personagens indígenas, apesar de performances intensas, por vezes são observados à distância, sem centralidade narrativa (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Formalmente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Transamazônia </span></i><span style="font-weight: 400;">é dirigido com segurança. A fotografia de Mathieu de Montgrand constrói uma Amazônia imersiva e atmosférica, frequentemente celebrada pela crítica por sua beleza e força sensorial. A floresta garante uma atmosfera sobrenatural, conferindo à obra um tom entre o thriller ambiental e o drama espiritual. No entanto, essa mesma atmosfera, em alguns momentos, se sobrepõe à densidade dramática: a forma engole o conflito, e o impacto estético não se converte em aprofundamento narrativo. O elenco de apoio – que inclui os brasileiros </span><a href="https://gq.globo.com/artes-e-cultura/noticia/2025/05/ator-revela-como-foi-gravar-cena-de-abuso-em-filme-perguntei-se-estava-tudo-bem.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Rômulo Braga</span></a><span style="font-weight: 400;">, com sua presença sempre sólida, e Philipp Lavra – reforça essa sensação de potencial subutilizado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final, </span><i><span style="font-weight: 400;">Transamazônia </span></i><span style="font-weight: 400;">se revela um filme de intenções claras e execução contida. As três vertentes que estruturam a narrativa coexistem, mas não se atravessam com a força que prometem. Ainda assim, por mais que o longa não aprofunde plenamente esses tópicos, ele é suficiente para colocar holofotes sobre discussões urgentes, especialmente no contexto contemporâneo de exploração ambiental e fé lucrativa. Pia Marais entrega um retrato </span><a href="https://agenciadecomunicacao.uneb.br/primeira-escola-brasileira-do-pensamento-decolonial-inicia-atividades-na-uneb-programacao-vai-ate-30-08/"><span style="font-weight: 400;">anticolonial</span></a><span style="font-weight: 400;"> que permanece à beira de seu verdadeiro potencial: observando fissuras importantes, mas hesitando em atravessá-las.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Transamazônia - Trailer Nacional " width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/maVmquAkRs0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Os Dardenne e o olhar de dignidade sobre a maternidade precoce em Jovens Mães</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Jan 2026 17:42:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Arthur Caires]]></category>
		<category><![CDATA[Festival de Cannes]]></category>
		<category><![CDATA[Irmãos Dardenne]]></category>
		<category><![CDATA[Jean-Pierre Dardenne]]></category>
		<category><![CDATA[Jovens Mães]]></category>
		<category><![CDATA[Luc Dardenne]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Arthur Caires A câmera dos irmãos Dardenne se aproxima com discrição em Jovens Mães. O objetivo não é espetacularizar a maternidade precoce, mas acompanhá-la. O filme observa adolescentes que ainda estão aprendendo a existir enquanto já assumem a responsabilidade de cuidar de outra vida. O cotidiano do abrigo, os choros, os silêncios e os olhares &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-dardenne-e-o-olhar-de-dignidade-sobre-a-maternidade-precoce-em-jovens-maes/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os Dardenne e o olhar de dignidade sobre a maternidade precoce em Jovens Mães"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36667" aria-describedby="caption-attachment-36667" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36667" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-800x450.png" alt="Uma cena em plano médio mostra uma área comum de um abrigo. Uma mulher vestindo um jaleco branco segura uma prancheta e conversa com uma jovem negra de jaqueta vermelha. Ao fundo, outras três jovens brancas estão presentes: uma sentada segurando um bebê no colo, uma em pé visivelmente grávida, e outra sentada à mesa olhando para a direita. O ambiente é doméstico e iluminado por luz natural." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36667" class="wp-caption-text">O filme observa o cotidiano do abrigo em Liège, onde o cuidado profissional e as políticas públicas oferecem suporte à realidade complexa (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Arthur Caires</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A câmera dos </span><a href="https://revistadecinema.com.br/2025/10/mostra-de-cinema-de-sao-paulo-homenageia-os-irmaos-dardenne-e-exibe-seu-novo-filme/"><span style="font-weight: 400;">irmãos Dardenne</span></a><span style="font-weight: 400;"> se aproxima com discrição em </span><i><span style="font-weight: 400;">Jovens Mães</span></i><span style="font-weight: 400;">. O objetivo não é espetacularizar a maternidade precoce, mas acompanhá-la. O filme observa adolescentes que ainda estão aprendendo a existir enquanto já assumem a responsabilidade de cuidar de outra vida. O cotidiano do abrigo, os choros, os silêncios e os olhares cansados constroem uma história que prefere escutar do que impactar. Não há esforço em emocionar o espectador; há a escolha de permanecer próximo dessas jovens.</span></p>
<p><span id="more-36665"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Premiado no </span><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/cinema/irmaos-dardenne-apresentam-filme-sobre-jovens-maes-solteiras-no-festival-de-cannes/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cannes</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo roteiro, assinado pelos diretores, o longa se insere de forma coerente na trajetória de Jean-Pierre e Luc Dardenne, cineastas que há décadas trabalham com um realismo atento às margens sociais. Ambientado em um refúgio para mães adolescentes em Liège, na Bélgica, a narrativa acompanha Jessica (Babette Verbeek), Perla (Lucie Laruelle), Julie (Elsa Houben), Ariane (Janaïna Halloy Fokan) e Naïma (Samia Hilmi), meninas atravessadas por histórias de abandono, precariedade econômica e afetos interrompidos. O peso de ser mãe chega cedo demais e exige delas uma maturidade para a qual não estavam preparadas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme poderia facilmente recorrer ao melodrama ou à punição simbólica dessas personagens, caminhos comuns em produções sobre maternidade fora da norma. Os </span><a href="https://ihu.unisinos.br/categorias/652662-jean-pierre-e-luc-dardenne-cineastas-a-missao-da-ficcao-e-oferecer-uma-alternativa-a-realidade"><span style="font-weight: 400;">Dardenne</span></a><span style="font-weight: 400;">, no entanto, recusam esse lugar. Não há julgamento moral nem tentativa de oferecer lições edificantes. As decisões das meninas não são idealizadas, mas compreendidas dentro de um contexto que impõe limites severos e, ainda assim, exige responsabilidade. Ao reconhecer a complexidade dessas escolhas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Jovens Mães</span></i><span style="font-weight: 400;"> aposta na dignidade como princípio narrativo.</span></p>
<figure id="attachment_36666" aria-describedby="caption-attachment-36666" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36666" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-800x450.png" alt="Em um quarto com pouca luz, duas jovens mulheres estão de pé, de frente uma para a outra, cada uma segurando um bebê pequeno apoiado no ombro. A jovem da esquerda é negra e veste uma camiseta branca; a da direita tem cabelo loiro curto e veste uma camiseta cinza. Elas se olham nos olhos com expressões sérias e cansadas. Ao fundo, uma parede com fotos coladas e uma cortina escura." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36666" class="wp-caption-text">Longe de espetacularizar a maternidade precoce, a câmera se aproxima com discrição dos momentos de silêncio (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa postura também se manifesta na forma. O cinema dos Dardenne se constrói nesse espaço de observação contínua do cotidiano. A direção de câmera permanece próxima, acompanha os gestos, as hesitações e os erros das personagens. A ausência de </span><a href="https://megatraxbrasil.com.br/a-evolucao-das-trilhas-sonoras-no-cinema-e-na-publicidade/"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> evita conduzir emocionalmente o espectador, reforçando a sensação de convivência com aquelas vidas. Não há grandes arcos de redenção nem momentos de catarse. Os personagens existem fora de qualquer maniqueísmo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O abrigo onde as jovens vivem funciona como um ambiente de cuidado. Sustentado por </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2025/11/7290200-com-155-das-familias-do-df-faltam-politicas-publicas-para-maes-solo.html"><span style="font-weight: 400;">políticas públicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de assistência social, ele oferece acolhimento sem apagar os conflitos e as limitações dessas trajetórias. O filme aponta, de maneira discreta, para a importância do Estado como agente de proteção social, especialmente em contraste com realidades que ainda tratam a maternidade precoce como falha individual. O cuidado aparece como prática concreta, exercida diariamente por funcionárias, familiares e pelas próprias meninas entre si.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Jovens Mães</span></i><span style="font-weight: 400;"> não promete felicidade nem soluções definitivas. O que oferece é a possibilidade de futuros menos marcados pela dor, dentro do que é realisticamente possível. Ao acompanhar essas meninas, os Dardenne reafirmam um </span><a href="https://personaunesp.com.br/guarde-o-coracao-na-palma-da-mao-e-caminhe-critica/"><span style="font-weight: 400;">Cinema que acredita na empatia</span></a><span style="font-weight: 400;"> como ferramenta política e narrativa. Um Cinema que não busca fechar feridas, mas reconhecê-las. Em um cenário dominado por discursos simplificadores, escolher permanecer ao lado dessas histórias já é, por si só, um gesto significativo.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Jovens Mães | Trailer Oficial Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/1pexEkzDJJ4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Nada de neve nem pijamas combinando: O Natal dos Silva mostra como o brasileiro realmente celebra o espírito natalino</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Dec 2025 19:31:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Aisha Brunno]]></category>
		<category><![CDATA[André Novais Oliveira]]></category>
		<category><![CDATA[Arthur Caires]]></category>
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		<category><![CDATA[Rejane Faria]]></category>
		<category><![CDATA[Rimenna Procópio]]></category>
		<category><![CDATA[Robert Frank]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Arthur Caires Em todo 24 de dezembro, existe uma coreografia que se repete na maioria dos lares brasileiros: pratos empilhados na mesa; cadeiras puxadas às pressas e pessoas que não se veem há meses comprimidas numa mesma foto anual. É um ritual feito de afeto e atrito, tão nosso quanto a farofa que nunca falta &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/nada-de-neve-nem-pijamas-combinando-em-o-natal-dos-silva-gabriel-martins-mostra-como-o-brasileiro-realmente-celebra-o-espirito-natalino/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Nada de neve nem pijamas combinando: O Natal dos Silva mostra como o brasileiro realmente celebra o espírito natalino"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36528" aria-describedby="caption-attachment-36528" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36528" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-2-800x534.png" alt="Uma mulher negra mais velha, usando um vestido vermelho, segura e exibe um quadro com uma fotografia antiga em preto e branco de duas meninas. Ela sorri enquanto outra mulher ao seu lado olha para a foto. Ao fundo, um homem idoso de camisa polo cinza está sentado, observando a cena. O ambiente é um pátio iluminado por luzes de Natal." width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-2-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-2-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-2.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36528" class="wp-caption-text">Bel, o eixo emocional que tenta manter a família unida, segura um retrato que evoca a presença da matriarca ausente (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<p><b>Arthur Caires</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em todo 24 de dezembro, existe uma coreografia que se repete na maioria dos lares brasileiros: pratos empilhados na mesa; cadeiras puxadas às pressas e pessoas que não se veem há meses comprimidas numa mesma foto anual. É um ritual feito de afeto e atrito, tão nosso quanto a farofa que nunca falta ou o parente inconveniente que sempre chega atrasado. Curiosamente, essa experiência coletiva quase nunca encontra espaço no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-bem-no-natal-que-vem-critica/"><span style="font-weight: 400;">audiovisual nacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> – e, quando encontra, raramente tem a cor, o sotaque e a geografia do país que de fato celebra essa data. </span></p>
<p><span id="more-36525"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Natal dos Silva</span></i><span style="font-weight: 400;"> vem para ocupar justamente essa lacuna. Se</span><i><span style="font-weight: 400;"> Marte Um </span></i><span style="font-weight: 400;">(2022) já havia confirmado Gabriel Martins como uma das vozes proeminentes do cinema brasileiro atual, sua nova produção expande esse gesto para a TV – a primeira investida da </span><a href="https://www.filmesdeplastico.com.br/"><span style="font-weight: 400;">Filmes de Plástico</span></a><span style="font-weight: 400;"> no formato. Exibida no Canal Brasil e no Globoplay Premium, a minissérie nasce de um esforço coletivo – Martins assina o primeiro e o último episódios, enquanto Maurílio Martins e André Novais Oliveira conduzem o miolo da história.</span></p>
<figure id="attachment_36529" aria-describedby="caption-attachment-36529" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36529" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-1-800x534.png" alt="Um plano aberto mostrando um grande grupo de cerca de dez adultos reunidos em um quintal ou laje à noite. Alguns estão sentados ao redor de uma mesa redonda com garrafas de cerveja, enquanto outros estão de pé conversando. O local é decorado com varais de luzes coloridas e enfeites natalinos simples." width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-1-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-1-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-1-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-1-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-1-1200x800.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-1.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36529" class="wp-caption-text">Com um elenco numeroso onde cada presença é necessária, a produção abraça o caos natalino brasileiro (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Natal dos Silva</span></i><span style="font-weight: 400;">, a morte recente da matriarca dona Zelina paira como um motor que nunca aparece em cena, mas move tudo ao redor – um luto que reverbera nos gestos e nas brigas pequenas demais para serem só brigas. Bel, filha de Zelina e vivida com entrega absoluta por </span><a href="https://oglobo.globo.com/play/noticia/2025/11/25/rejane-faria-a-chica-de-tres-gracas-estrelara-serie-de-natal-do-canal-brasil.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Rejane Faria</span></a><span style="font-weight: 400;">, é o eixo emocional que tenta costurar as pontas soltas da família – ainda que o faça com mãos trêmulas e um humor azedo que nasce mais da dor do que de convicção. Dividida entre a tradição que herdou e a perda que ainda não sabe nomear, ela encarna a figura da mãe brasileira que tenta manter a casa de pé enquanto tudo ao redor ameaça ruir. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se Bel representa o fio tenso da tradição, Lin – interpretada com delicadeza por </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/cinema/atrizes-criam-ponte-entre-teatro-e-cinema-com-filme-sobre-amizade"><span style="font-weight: 400;">Aisha Brunno</span></a><span style="font-weight: 400;"> – chega como a rachadura que faz a estrutura inteira tremer e revelar o que sempre foi mantido em silêncio. Sua presença escancara a naturalização do preconceito como uma perturbação diária, que se manifesta em olhares tortos, comentários ditos ‘no privado’ e uma hospitalidade que nunca é plena. A dinâmica com Luciano (Robert Frank), filho de Bel, mistura afeto, vergonha e tentativa de mediação, enquanto a série se recusa a transformar a transfobia em espetáculo: ela existe, porém não define Lin. </span></p>
<figure id="attachment_36526" aria-describedby="caption-attachment-36526" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36526" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-2-800x480.png" alt="Quatro adultos negros estão de pé em uma área externa à noite, sob luzes pisca-pisca azuis e brancas desfocadas. Uma mulher de vestido vermelho no centro está de braços cruzados e expressão séria, olhando para a esquerda, assim como os dois homens ao seu lado. A tensão é visível em seus rostos." width="800" height="480" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-2-800x480.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-2-1024x615.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-2-768x461.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-2-1536x922.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-2-1200x720.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-2.png 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36526" class="wp-caption-text">Sob a sombra do luto recente pela matriarca Dona Zelina, a dinâmica familiar dos Silva oscila constantemente (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto ao tom narrativo, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Natal dos Silva</span></i><span style="font-weight: 400;"> abraça o caos natalino, oscilando entre humor e drama com a mesma naturalidade com que uma família alterna piadas internas e discussões amargas em questão de minutos. É aí que a série mais acerta e, às vezes, tropeça: o humor, suave e de cantos arredondados, conversando com tensões profundas que nem sempre encontram o melhor equilíbrio. Ainda assim, a direção aposta numa estética do detalhe e constrói cenas em camadas, onde o segundo plano revela tanto quanto o diálogo em destaque. O episódio 2, inteiramente em </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-adolescencia/"><span style="font-weight: 400;">plano-sequência</span></a><span style="font-weight: 400;">, cristaliza essa proposta: a câmera passeia pela casa como se estivesse se esgueirando por uma reunião de família real, ouvindo conversas picotadas e testemunhando afeto e descontrole no mesmo fôlego. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E, se a casa nunca para, é porque a série nunca deixa de ser atravessada por gente – </span><a href="https://personaunesp.com.br/oppenheimer-critica/"><span style="font-weight: 400;">muita gente</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com um elenco que ultrapassa vinte atores, a produção faz com que cada presença pareça necessária. Não há sensação de figuração perdida no fundo; todos estão construindo o mesmo cenário. Esse dinamismo constante reforça a percepção de que estamos diante não apenas de uma minissérie, mas de uma reunião familiar que transborda para fora da tela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção de arte, feita por </span><a href="https://www.instagram.com/p/DRcpMQ3AYTV/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igsh=MzRlODBiNWFlZA=="><span style="font-weight: 400;">Rimenna Procópio</span></a><span style="font-weight: 400;">, de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Natal dos Silva</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um dos primeiros convites para entrar na casa, e talvez o mais caloroso. A abertura, cheia de textura, ritmo e inventividade, já anuncia que este é um Natal brasileiro: a toalha de mesa que já viveu outras festas, o pisca-pisca que insiste em falhar e os enfeites que parecem saídos de uma lembrança infantil. Nada aqui é estetizado como um cartão-postal importado. </span></p>
<figure id="attachment_36527" aria-describedby="caption-attachment-36527" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36527" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-2.png" alt="Uma família negra brasileira, composta por um homem sentado, uma mulher de pé e duas crianças, está reunida ao redor de uma mesa de jantar modesta. Sobre a toalha estampada vermelha, há pratos de comida e uma pequena árvore de Natal decorativa vermelha no centro. A mulher de pé olha para a criança sentada à direita." width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-36527" class="wp-caption-text">A direção de arte da série aposta em uma estética realista, longe dos clichês importados (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como estreia no formato seriado, a produção acerta muito mais do que erra, e seus méritos são visíveis desde os primeiros minutos: há originalidade na forma de filmar o </span><a href="https://personaunesp.com.br/happiest-season-critica/"><span style="font-weight: 400;">Natal</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas, também há limitações – um desequilíbrio ocasional de tom, momentos em que o humor mina a tensão ou em que o drama pesa além do necessário. No entanto, nada disso diminui a força do conjunto. Ao final da ceia – e da série – voltamos à imagem inicial do Natal como união: essa reunião anual em que as diferenças se tornam mais nítidas, porém onde, por alguma razão, insistimos em permanecer. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Natal dos Silva</span></i><span style="font-weight: 400;"> funciona como registro íntimo de uma família ficcional que, por metonímia, ecoa tantas outras famílias brasileiras, especialmente aquelas que enfrentam um país que nem sempre lhes oferece espaço. Filmá-lo hoje é, de certo modo, desafiar o </span><a href="https://personaunesp.com.br/roussil-a-liberdade-da-imaginacao-prova-que-o-cinema-e-uma-das-principais-armas-contra-o-esquecimento/"><span style="font-weight: 400;">apagamento</span></a><span style="font-weight: 400;">: é dizer que essas histórias importam, que esses corpos e esses afetos também merecem estar na tela. E, ao fechar a porta da casa dos Silva, fica a pergunta que carregamos para a próxima ceia: que memórias e sentimentos vão permanecer quando o caos baixar?</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="O Natal Dos Silva Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/vi9G3KOhwmQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Dez anos após participar do The Voice Brasil, Ayrton Montarroyos fala sobre criar e viver sem concessões</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Dec 2025 19:07:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Arthur Caires Entre reflexões sobre o ofício e pequenas ironias sobre o tempo, Ayrton Montarroyos fala como quem compõe: entre pausas, silêncios e lampejos de lucidez. Na coletiva de imprensa realizada com os alunos do curso de Jornalismo Musical: da Arte da Entrevista à Construção do Texto, ministrado pela jornalista Adriana Del Ré, o cantor &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/dez-anos-apos-participar-do-the-voice-brasil-ayrton-montarroyos-fala-sobre-criar-e-viver-sem-concessoes/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Dez anos após participar do The Voice Brasil, Ayrton Montarroyos fala sobre criar e viver sem concessões"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36512" aria-describedby="caption-attachment-36512" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36512" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-1-800x450.png" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-1.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36512" class="wp-caption-text">Ayrton Montarroyos carrega o ar de quem já está na estrada há tempos e que sabe exatamente o que quer (Foto: Luan Cardoso; Arte: Arthur Caires)</figcaption></figure>
<p><b>Arthur Caires</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre reflexões sobre o ofício e pequenas ironias sobre o tempo, Ayrton Montarroyos fala como quem compõe: entre pausas, silêncios e lampejos de lucidez. Na coletiva de imprensa realizada com os alunos do curso de Jornalismo Musical: da Arte da Entrevista à Construção do Texto, ministrado pela jornalista Adriana Del Ré, o cantor pernambucano transformou o encontro em algo além de uma entrevista – um diálogo sobre coerência, criação e permanência.</span></p>
<p><span id="more-36511"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A voz que se revelou ao Brasil em 2015, quando chegou à final do </span><i><span style="font-weight: 400;">The Voice Brasil</span></i><span style="font-weight: 400;">, já não carrega a inquietação dos palcos da TV, mas a serenidade de quem aprendeu a lidar com a própria medida. Nascido em Recife, Ayrton José Montarroyos de Oliveira Pires começou a cantar aos 11 anos e, desde então, tem se dedicado a lapidar o gesto da interpretação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Das lembranças do passado e das críticas à pressa do presente, Ayrton reflete sobre o papel do artista que escolhe permanecer íntegro mesmo quando o mundo se move rápido demais. Para ele, o rigor é mais do que uma virtude estética – é uma forma de resistência.</span></p>
<blockquote><p><b><i>“Eu acho que é muito difícil a gente se manter rigoroso na época de hoje. Tanto que os meus vídeos que eu fazia pro Instagram é uma coisa que eu parei de fazer, porque está todo mundo fazendo e eu não quero ser visto como qualquer um de todo mundo.”</i></b></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A frase, dita em tom sereno, revela mais do que uma preocupação com imagem: expressa o cansaço de quem prefere o silêncio ao ruído, a consistência à pressa.</span></p>
<h3><b>A arte de ser íntegro num tempo de excesso</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Ayrton também discorre sobre o ofício de quem o entrevista. Ele demonstra respeito sincero pela profissão do jornalista e, ao mesmo tempo, critica a afobação que a tem corroído. </span><b><i>“O jornalismo padece de um mal do tempo”</i></b><span style="font-weight: 400;">, disse, com a cadência de quem pondera as palavras. </span></p>
<p><b><i>“A gente precisa hoje de muito assunto toda hora. Mesmo um bom jornalista. Nem Nelson Rodrigues conseguiria manter a genialidade e o vigor diante dessa demanda.”</i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo da conversa, ele também lembra de experiências em que se viu diante de repórteres despreparados, apressados, que o abordavam sem conhecer sua trajetória. “</span><b><i>Às vezes, o jornalista me liga e você sente claramente que ele não teve interesse, ou não teve tempo. Abriu ali na redação e pensou: ‘ah, é aquele ex-The Voice que lançou um disco, foda-se’”.</i></b><span style="font-weight: 400;"> O comentário soava menos como desabafo e mais como diagnóstico de uma geração acostumada à urgência e desatenta à escuta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Ayrton, o bom jornalismo e, por extensão, a boa Arte nascem do mesmo princípio: o vigor e o rigor. Dois pilares que, segundo ele, sustentam tanto o ofício de escrever quanto o de cantar. </span><b><i>“É muito difícil se manter rigoroso na época de hoje”</i></b><span style="font-weight: 400;">, repetiu.</span><b><i> “Mas é isso que nos separa da massa: o cuidado, o estudo, o interesse real”.</i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre elogios aos jornalistas que se dedicam a ouvir e críticas à superficialidade que ronda as redes, Ayrton parece reivindicar um espaço de prestígio perdido. </span></p>
<blockquote><p><b><i>“Hoje, qualquer um pode ser ouvido. Mas ainda precisamos de lugares que tragam respeito, de pessoas cuja opinião importe. Quando um jornalista especializado diz ‘ouçam esse disco’, pode ser que não fale para o Brasil inteiro, mas fala para quem realmente quer ouvir.”</i></b></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Em sua fala, o artista traçava um paralelo entre o desaparecimento das referências e a diluição das vozes críticas. Se a era dos grandes cronistas e dos colunistas musicais chegou ao fim, ainda há, para ele, uma tarefa essencial: recuperar o sentido da palavra “escuta” – tanto na música quanto na imprensa.</span></p>
<h3><b>O mistério da criação e o peso do processo</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando o assunto é</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Lira do Povo</span></i><span style="font-weight: 400;">, disco lançado em junho de 2024, Ayrton muda o tom. </span><b><i>“Cada trabalho tem seu processo”</i></b><span style="font-weight: 400;">, começou. </span></p>
<blockquote><p><b><i>“É sempre muito misterioso. Apesar de ser uma pessoa muito cética, até em relação a Deus, há um mistério na Arte: a possibilidade de ser tudo aquilo que você pensou e de não ser nada do que você pensou, ou os dois ao mesmo tempo.”</i></b></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Para ele, a criação soa como um exercício de entrega. Ele diz gostar mais do percurso do que do resultado. </span><b><i>“Eu gostaria de ganhar dinheiro só para fazer o trabalho até ele ficar pronto”</i></b><span style="font-weight: 400;">, confessou, rindo. </span><b><i>“Gravou o disco, eu nunca mais tenho que fazer um show daquele”.</i></b><span style="font-weight: 400;"> No caso de A Lira do Povo, o processo foi quase monástico: mais de 20 ensaios, cada um com cerca de cinco horas, até que as canções deixassem de ser apenas ideias e se tornassem corpo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O estúdio, para ele, é um lugar de rito. </span><b><i>“Eu sou um cantor que gravo muito rápido. Entro, mando dar um ‘rec’ e digo: vai gravando como se fosse um show”</i></b><span style="font-weight: 400;">, contou. </span><b><i>“Gravamos toda a banda em um dia e todas as vozes no outro. Depois parei, fumei um cigarro e gravei de novo tudo”.</i></b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Lira do Povo</span></i><span style="font-weight: 400;"> nasceu de um acúmulo. De anos de anotações em cadernos, de músicas guardadas, de escutas pacientes. “</span><b><i>Tenho cadernos com mais de 300 canções”</i></b><span style="font-weight: 400;">, contou.</span><b><i> “Quando vou fazer um trabalho, volto a eles e começo a ouvir tudo o que esqueci. É dali que a Lira surgiu, de uma pesquisa de quatro, cinco anos, de uma vida inteira, talvez”.</i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre uma lembrança e outra, ele citava nomes que o acompanharam nessa travessia – Maria Bethânia, Villa-Lobos, as canções populares que ecoam no sertão e no mar. Falava do cuidado com o relevo sonoro, da monotonia calculada, do ponto exato em que a música respira. </span><b><i>“Esse processo me apraz muito. Tenho muita paixão por fazer isso”.</i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais do que um disco, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Lira do Povo</span></i><span style="font-weight: 400;"> parece ter sido, para Ayrton, uma forma de reafirmar que a Arte é também trabalho, método e fé. Uma espécie de tentativa de conciliar o mistério e o ofício: aquilo que nasce sem explicação e o que exige paciência até o último acorde.</span></p>
<figure id="attachment_36513" aria-describedby="caption-attachment-36513" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36513" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-1-800x450.png" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-1.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36513" class="wp-caption-text">Durante seu show, Ayrton Montarroyos gosta de criar um espetáculo sem fôlegos (Foto: Murilo Alvesso)</figcaption></figure>
<h3><b>Entre o palco e o silêncio: o ritual do show</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Se no estúdio, Ayrton é o arquiteto meticuloso que constrói sons, no palco ele se transforma em diretor de um ritual. O espetáculo é, para ele, além de um espaço de exibição, um lugar de experiência. Quando questionado sobre a recepção do público, Ayrton sorriu:</span><b><i> “Se eu te disser que não me importo, é mentira. Mas eu me importo muito pouco”. </i></b><span style="font-weight: 400;">A frase resume o paradoxo de quem deseja emocionar, porém não está disposto a negociar o próprio gesto artístico para agradar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Lira do Povo</span></i><span style="font-weight: 400;">, essa tensão se tornou forma. Ayrton concebeu o show como uma encenação sensorial: quando o teatro começava a receber o público, o artista já estava sentado entre as cadeiras; um defumador acendia-se lentamente, e o ar se enchia do cheiro de mato. </span><b><i>“Tocava Floresta do Amazonas, de Villa-Lobos, e uma luz verde cobria a plateia”</i></b><span style="font-weight: 400;">, descreveu. O cantor então levantava-se e lia um livro antes de começar a cantar. Sem aviso, sem terceiro sinal, apenas começava: </span><b><i>“Lá vai o trem sem destino”</i></b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<blockquote><p><b><i>“O show terminava como quando a vida acontece, sem que as pessoas percebessem nada. Eu queria que esse folclore se realizasse no palco. Às vezes as pessoas não aplaudiam, ficavam com aquela cara de quem não sabe se acabou ou não. Eu voltava para casa pensando: puxa vida, será que foi mais ou menos?”</i></b></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Ayrton saía pela plateia, cruzava o teatro e desaparecia pela rua, ainda cantando. </span><b><i>“As pessoas não entendiam”</i></b><span style="font-weight: 400;">, contou. “</span><b><i>Na terceira vez, eu parei. Porque o público é também o nosso cliente. Não pode sair achando que algo deu errado”.</i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse equilíbrio entre a entrega total e o desconforto calculado parece mover sua relação com o palco. Ayrton não quer ser o cantor que coleciona aplausos fáceis, tampouco ignora o olhar de quem o escuta. </span><b><i>“Em algum nível importa, sim”</i></b><span style="font-weight: 400;">, admitiu. </span><b><i>“Mas eu não deixo que isso seja preponderante”.</i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fundo, há algo de pedagógico em sua forma de apresentar: a tentativa de ensinar o público a ouvir, de devolver ao concerto o caráter de cerimônia. O palco, para ele, é menos um lugar de espetáculo e mais um espaço de encontro – entre quem canta, quem ouve e o instante que se forma entre os dois.</span></p>
<h3><b>Crítica, dissonância e respeito</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao tecer comentários sobre o rigor da Arte e o esgotamento das referências, Ayrton volta a falar sobre o jornalismo – desta vez, com o olhar de quem já viveu os dois lados da vitrine. Contou, com humor e admiração, o episódio em que recebeu uma crítica dura do jornalista Mauro Ferreira, conhecido por sua precisão e franqueza. </span><b><i>“Cantei meio mal naquele dia”</i></b><span style="font-weight: 400;">, lembrou. </span><b><i>“Estava nervoso, era um show com Edu Lobo e Mônica Salmaso… quando vi, a voz não saiu. No dia seguinte, lá estava o texto do Mauro, certeiro.”</i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A reação, no entanto, não foi a esperada.</span><b><i> “Eu liguei para ele e agradeci”</i></b><span style="font-weight: 400;">, contou. </span><b><i>“Disse: ‘você tem toda razão, eu realmente não estava bem’. E ele ficou com medo de eu brigar, achando que eu ia voar no pescoço dele”.</i></b><span style="font-weight: 400;"> O gesto, simples, pareceu revelar algo mais profundo: a crença de que a crítica é parte vital do ciclo artístico. </span><b><i>“Para que o trabalho da gente exista, o crítico precisa existir”</i></b><span style="font-weight: 400;">, afirmou.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Falando sobre o episódio, Ayrton fez um contraponto à geração que, segundo ele, confunde crítica com ataque. </span><b><i>“Vivemos um tempo em que todo mundo gosta de tudo. Ninguém pode mais dizer que não gostou de uma coisa sem ser acusado de algo terrível”.</i></b><span style="font-weight: 400;"> Ele mencionou, como exemplo, a repercussão de uma crítica negativa escrita por Mauro Ferreira sobre a cantora Liniker. </span><b><i>“As pessoas começaram a chamar o Mauro de transfóbico. Isso é um absurdo. A Arte precisa conviver com a dissonância”.</i></b></p>
<blockquote><p><b><i>“Se o crítico desqualifica alguém por ser gay, mulher ou preto, aí é absurdo. Mas, se ele faz uma análise técnica, a partir de conceitos estéticos, o artista e o público precisam saber ouvir.”</i></b></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A fala soa como um manifesto contra a fragilidade contemporânea e em defesa do debate qualificado. </span><b><i>“É bom quando o crítico fala mal da gente”</i></b><span style="font-weight: 400;">, disse, rindo. </span><b><i>“A matéria é mais lida. As pessoas vão lá ver, discordar, pensar. Isso é ótimo.”</i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessa defesa da crítica, há também um elogio ao diálogo – o reconhecimento de que a arte só cresce quando é questionada. Ao reivindicar a escuta, Ayrton parecia reafirmar o que já havia dito no início da conversa: que o rigor e o vigor continuam sendo as únicas formas de resistir à pressa e à indiferença.</span></p>
<figure id="attachment_36514" aria-describedby="caption-attachment-36514" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36514" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-1-800x450.png" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-1.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36514" class="wp-caption-text">Ayrton não dita regras e não segue as impostas (Foto: Luan Cardoso)</figcaption></figure>
<h3><b>Coerência e permanência</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando perguntado sobre o preço de manter-se fiel à própria Arte, Ayrton sorriu antes de responder, um sorriso breve, entre o cansaço e a convicção. </span><b><i>“Eu estaria muito pior se não estivesse fazendo isso”</i></b><span style="font-weight: 400;">, disse. </span></p>
<blockquote><p><b><i>“Uma vez perguntei ao Edu Lobo se ele achava que tinha pago um preço por não fazer concessões. Ele respondeu: ‘Quem pagou o preço foram os que fizeram’. E eu acho que é isso mesmo.”</i></b></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Na fala do cantor, a coerência não é virtude, é sobrevivência. Ele descreve a trajetória como um caminho lento, feito de escolhas conscientes e pequenas renúncias.</span><b><i> </i></b></p>
<blockquote><p><b><i>“Às vezes me entristece ver o rumo das coisas, uma geração muito desinteressada, que quer chegar rápido demais. Mas eu não sinto que perdi nada. Pelo contrário, acho que só cheguei até aqui porque escolhi o caminho mais difícil.”</i></b></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa fidelidade a si mesmo é também uma forma de se proteger da lógica do sucesso. </span><b><i>“Tenho muito pouco talento”</i></b><span style="font-weight: 400;">, disse, rindo de si. </span><b><i>“Mas foquei no pouco que eu tinha e fui. Não dá pra ser o mais bonito, então vamos ser o mais interessante.” </i></b><span style="font-weight: 400;">A frase, dita em tom leve, resumia a ética de quem aprendeu a transformar fragilidade em assinatura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre lembranças de shows e parcerias, Ayrton voltou a falar sobre o risco das concessões. Contou sobre o episódio em que foi convidado a cantar com Cláudia Leitte, durante um carnaval em Recife.</span><b><i> “Achei que seria ótimo, um público enorme, outra energia. Foi horrível”</i></b><span style="font-weight: 400;">, confessou. </span><b><i>“Eu vi o quanto é difícil fazer o que ela faz. Requer outro tipo de talento, outro tipo de corpo. E eu não tenho isso”.</i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história, narrada com humor, parecia traduzir um princípio maior: o de que a Arte só existe quando se sabe o próprio lugar.  </span><span style="font-weight: 400;">Ayrton parece distanciar-se da ideia de estrelato para reivindicar outra forma de permanência – aquela que se mede pelo tempo e pela memória. </span><b><i>“O artista busca em vida a imortalidade”</i></b><span style="font-weight: 400;">, disse. </span><b><i>“Quando eu ouço Dalva de Oliveira, ela está viva. Quando ouço Tom Jobim, a música dele está viva. É isso que importa”.</i></b></p>
<h3><b>O encontro e o futuro</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao falar sobre o futuro, Ayrton não usou o verbo ‘planejar’ – preferiu ‘encontrar’. As parcerias, para ele, não são fruto de estratégia, mas de afinidade. </span><b><i>“A coisa mais rica e engrandecedora é a troca entre artistas”</i></b><span style="font-weight: 400;">, disse. </span><b><i>“A gente aprende muito. E o que oferecemos ao outro também faz parte da nossa formação.”</i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ele enumera as colaborações com a naturalidade de quem fala sobre amizades: Arthur Verocai, Edu Lobo, Nelson Ayres, Cristóvão Bastos, Kiko Dinucci, Rodrigo Campos, Mônica Salmaso. Cada nome surge como um capítulo de aprendizado. </span></p>
<blockquote><p><b><i>“Eu lido muito bem em grupo. Trago uma ideia, mas não imponho. Escuto, levo pra casa, deixo amadurecer. Às vezes, quando acho que algo não funciona, tento resolver com jeitinho, sem ferir o outro. Mas quase sempre nem preciso, a música se resolve sozinha.”</i></b></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre risos, contou que a vizinha e cantora <em><strong>&#8220;Aninha&#8221;</strong></em> Frango Elétrico vive cobrando para produzir um trabalho seu: </span><b><i>“Ela me encontra e diz: ‘cadê nosso disco?’. E eu digo: ‘calma, vai sair’.”</i></b><span style="font-weight: 400;"> Em outro momento, falou sobre a oportunidade de cantar com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), na Sala São Paulo – um sonho antigo, que aceitou mesmo com o cachê baixo. </span><b><i>“Meu empresário não queria que eu fizesse. Mas eu disse: eu vou. Eu pagaria pra tocar com a Osesp. É um curso que estão me pagando pra fazer.”</i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De menino que cantava aos 11 anos ao intérprete maduro que aprendeu a ouvir antes de falar, Ayrton Montarroyos reafirma no presente o mesmo princípio que o guia desde sempre: o rigor de criar e a serenidade de escutar. Mais do que planos de carreira, suas palavras revelam uma devoção ao aprendizado. </span></p>
<blockquote><p><b><i>“Eu preciso estudar, preciso aprender como se faz isso. A música é a tradição do encontro. Ninguém nunca fez música sozinho.”<br />
</i></b></p></blockquote>
<p><iframe title="Spotify Embed: A Lira do Povo" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/2XwOgIZXrxI4KRvitxRYZV?si=d4856fec3e3242da&amp;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe: O filme em que Sepideh Farsi rompe a fronteira que nos separa de Gaza</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Nov 2025 14:19:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Documentário]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Arthur Caires]]></category>
		<category><![CDATA[Gaza]]></category>
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		<category><![CDATA[Persona Entrevista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes e Arthur Caires Há filmes que nascem de uma escolha estética, outros de uma inquietação pessoal, e há obras que só podem existir porque uma vida insiste em não ser apagada. Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe, documentário dirigido por Sepideh Farsi, nasce no centro de uma das maiores tragédias &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/guarde-o-coracao-na-palma-da-mao-e-caminhe-o-filme-em-que-sepideh-farsi-rompe-a-fronteira-que-nos-separa-de-gaza/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe: O filme em que Sepideh Farsi rompe a fronteira que nos separa de Gaza"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36495" aria-describedby="caption-attachment-36495" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36495" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-24-800x450.png" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-24-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-24-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-24-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-24-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-24-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-24.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36495" class="wp-caption-text">A diretora iraniana utilizou do Cinema como uma forma de ponte para um conflito que não parece chegar ao fim (Foto: Sepideh Farsi; Arte: Arthur Caires)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes e Arthur Caires</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há filmes que nascem de uma escolha estética, outros de uma inquietação pessoal, e há obras que só podem existir porque uma vida insiste em não ser apagada. Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe, documentário dirigido por </span><a href="https://letterboxd.com/director/sepideh-farsi/"><span style="font-weight: 400;">Sepideh Farsi</span></a><span style="font-weight: 400;">, nasce no centro de uma das maiores tragédias humanas deste século: a ofensiva militar israelense em Gaza, que desde 2023 transformou ruas, casas e escolas em escombros e submeteu toda uma população ao cerco, à fome e ao apagamento sistemático de suas vozes.</span></p>
<p><span id="more-36493"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi a partir desse silêncio forçado que a produção encontrou seu caminho. De Paris, do lado de fora de uma fronteira militarizada que impede a entrada de jornalistas e cineastas, ela buscava uma maneira de testemunhar o que estava acontecendo. Do outro lado, em Gaza, estava Fatima Hassouna, jovem fotógrafa, poeta e sobrevivente de um bombardeio diário que reconfigurava a vida a cada amanhecer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Separadas por um bloqueio que não permitia que se encontrassem, mas unidas por videochamadas que rasgavam o isolamento imposto, a diretora iraniana e Fatem (nome artístico) construíram uma relação que ultrapassa o gesto documental. A cada ligação, entre falhas de conexão, cortes de energia e a possibilidade constante da interrupção final, as duas criavam uma narrativa que nasceu como registro, mas se transformou em ponte: uma forma de vencer o cerco que mantinha Sepideh do lado de fora e Fatima do lado de dentro – e de afirmar, contra a lógica da guerra, que a vida insiste.</span></p>
<h3><b>Entre a dor e a luminosidade </b></h3>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma obra cercada de escuridão, mas que encontra luz no sorriso de Fatima. Apesar do seu entorno cada vez pior, a fotógrafa encontrava um motivo para se alegrar toda vez que falava com sua amiga, o que trazia uma beleza mesmo nos momentos mais tristes.</span></p>
<blockquote><p><b>“Eu sinto que é um filme difícil de ver, pois, como espectador, você sente empatia por Fatima. O espectador se sente na minha posição, o que é muito íntimo. É claro que é triste, pois você sabe desde o início o que está passando com ela, mas ela é tão vibrante e tem tanta luz, então eu acho que o filme vai mais em direção a vida do que a tragédia ou a morte.”</b></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Sepideh Farsi também comentou sobre o ponto de vista que ela emprega, de forma que não resuma Fatima apenas a condição de vítima, e também da força que a amiga demonstra, para que em nenhum momento isso seja considerado.</span></p>
<blockquote><p><b>“Ela não é uma vítima, ela não se considera uma vítima, assim como eu também não. É claro que ela é vítima do genocídio, do cerco militar, assim como todos os outros palestinos. Ainda assim, ela tem tanta força e resiliência que consegue ir além dessas limitações, e foi isso que tentamos mostrar juntas.”</b></p></blockquote>
<h3><b>O impacto que ela sentiu</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Um filme como este sempre causará impacto, principalmente por aqueles que fizeram e pela maneira como foi feita. Mesmo com a distância em relação a sua ‘personagem’, o contato recorrente da diretora com Fatima e o vínculo que se formou entre as duas, certamente a modificou de alguma forma. Sepideh falou um pouco sobre como tudo o que aconteceu na produção do longa está afetando-a.</span></p>
<blockquote><p><b>“Nós realmente nos tornamos amigas, então, quando eu a perdi, quando ela foi assassinada pelo exército israelense, isso obviamente me impactou. O filme mudou, o significado mudou, e o sentido de fazê-lo mudou também. Mas eu acho que junto com ela, nós fizemos algo muito especial. Isso realmente transmite seu testemunho para o mundo à fora. Eu acho que eu ainda preciso de tempo para entender como me modificou, foi muito recente, mas com certeza me mudou.”</b></p></blockquote>
<figure id="attachment_36494" aria-describedby="caption-attachment-36494" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36494" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-25-800x450.png" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-25-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-25-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-25-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-25-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-25-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-25.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36494" class="wp-caption-text">O olhar de Fatem sobre sua própria realidade compõe o eixo emocional do filme (Foto: Filmes do Estação/Divulgação)</figcaption></figure>
<h3><b>A história conduzida por uma relação improvável</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando perguntada sobre o equilíbrio delicado entre documentar e não forçar uma narrativa sobre alguém que vive sob um constante risco de morte, Sepideh responde com a sinceridade de quem se permitiu confiar no fluxo.</span></p>
<blockquote><p><b><i>“Não estava pensando em quem guiava o filme. Foi um processo muito fluido. Eu a questionava, claro, mas cortei a maior parte das minhas perguntas na montagem. Era muito mais interessante ouvir as respostas dela.”</i></b></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O pacto entre elas era simples: Fatem enviaria vídeos, textos, fotografias – aquilo que desejasse dividir. Sepideh conduziria o resto.</span></p>
<blockquote><p><b><i>“Ela não estava envolvida no processo de filmagem como cineasta. E ela também não queria assistir às imagens. Acho que queria se proteger. É complicado estar sob bombas e ainda refletir sobre como você dirige a si mesma.”</i></b></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A primeira videochamada do filme, comenta, foi o primeiro encontro entre as duas. Não havia preparação, apenas o acaso que cria destino. </span><b><i>“Eu nunca esperava me aproximar dela tão rápida e profundamente”</i></b><span style="font-weight: 400;">, diz. </span><b><i>“Aconteceu. É humano. Foi um milagre, de certa forma.”</i></b></p>
<h3><b>O que permanece após o fim</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto à mensagem final, Sepideh responde que já sabe exatamente o que irá permanecer. </span><b><i>“O que vai ficar é a luz dela. O sorriso dela, que é inesquecível. Você não esquece seu rosto depois de encontrá-la.”</i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, Sepideh vai além: deseja que o filme ajude o público a compreender a força do povo palestino e a necessidade urgente de agir. </span><b><i>“Os palestinos são extremamente resilientes. Não se colocam no lugar de vítima. Estão sempre olhando adiante, com esperança, mesmo sob cerco, mesmo durante o genocídio.”</i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cinema, para ela, pode ser um ponto de virada. Um convite à responsabilidade. </span><b><i>“Espero que o filme funcione como um gatilho para que as pessoas encontrem maneiras de lutar, de mudar a narrativa dominante. Temos o dever de ajudar os palestinos a superar isso.”</i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de encerrar, ela recupera algo que Fatem lhe disse: </span><b><i>“Se o conflito na Palestina terminar, muitos outros terminarão.” </i></b><span style="font-weight: 400;">Na época, Farsi duvidou. Hoje, acredita.</span></p>
<blockquote><p><b><i>“Agora vejo que é um conflito central no nosso tempo. Ele está na encruzilhada entre capitalismo, colonialismo e dominação cultural ocidental. Se conseguirmos mudar essa história – se houver justiça, se houver um fim digno para os palestinos – isso se tornará um precedente para outras lutas. É isso que eu quero que as pessoas levem do filme.”</i></b></p></blockquote>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe | Trailer Nacional" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/KIZ957T49AU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Em Delírios, aprendemos que o passado é a casa que nunca nos deixa partir</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Nov 2025 13:00:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Alexandra Latishev Salazar]]></category>
		<category><![CDATA[Arthur Caires]]></category>
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		<category><![CDATA[Esteban Chinchilla]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Arthur Caires Há casas que respiram, e em Delírios, cada parede guarda o som abafado de um segredo. Alexandra Latishev Salazar transforma o lar – esse espaço de suposta segurança – em um organismo adoecido, feito de memórias que se recusam a morrer. Masha, uma menina de onze anos, muda-se com a mãe para cuidar &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/em-delirios-aprendemos-que-o-passado-e-a-casa-que-nunca-nos-deixa-partir/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Delírios, aprendemos que o passado é a casa que nunca nos deixa partir"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36251" aria-describedby="caption-attachment-36251" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36251" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-6-800x450.png" alt="Cena do filme Delírios (2024). Uma menina de cabelos curtos e expressão assustada espreita pela fresta de uma porta verde com uma cruz de ferro pregada no alto. O ambiente é escuro e frio, com um banco de madeira e vasos de plantas secas ao lado. A iluminação destaca a textura da madeira, criando um clima de suspense e isolamento." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-6-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-6-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-6-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-6-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-6-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-6.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36251" class="wp-caption-text">Em Delírios, o medo se esconde nas frestas. Masha observa o mundo do lado de dentro, onde o silêncio pesa mais que qualquer ameaça (Foto: Cyan Prods)</figcaption></figure>
<p><b>Arthur Caires</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há casas que respiram, e em </span><i><span style="font-weight: 400;">Delírios</span></i><span style="font-weight: 400;">, cada parede guarda o som abafado de um segredo. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZpVJQVBlZD4"><span style="font-weight: 400;">Alexandra Latishev Salazar</span></a><span style="font-weight: 400;"> transforma o lar – esse espaço de suposta segurança – em um organismo adoecido, feito de memórias que se recusam a morrer. Masha, uma menina de onze anos, muda-se com a mãe para cuidar da avó doente, e o que deveria ser um gesto de afeto se converte em um ritual de exorcismo. A cada instante, o passado parece infiltrar-se pelos cantos, até que a casa se torna uma extensão da mente: um labirinto onde o medo e a lembrança convivem.</span></p>
<p><span id="more-36249"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A diretora escolhe observar em vez de mostrar. Assim como em </span><a href="https://personaunesp.com.br/em-nada-adriano-guimaraes-transforma-o-invisivel-em-presenca/"><span style="font-weight: 400;">Nada</span></a><span style="font-weight: 400;"> (2024), de Adriano Guimarães, a câmera persegue o invisível, aguardando que algo se revele por entre sombras. O som – feito de rangidos, respirações, portas que não se fecham – é o guia dessa travessia. Nada explode; tudo se acumula. É um horror que não grita, apenas se insinua, e que encontra sua força no que é reprimido. Mas, há um preço nessa contenção: a repetição de gestos e enquadramentos transforma o suspense em uma espera interminável. O filme, aos poucos, parece aprisionado pela própria atmosfera que construiu.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse cenário, três corpos femininos sustentam a narrativa de </span><a href="https://grupoestacao.com.br/filme/delirio/"><i><span style="font-weight: 400;">Delírios</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">como espelhos de uma mesma dor. Helena Calderón conduz Masha com pureza – o olhar infantil que enxerga o que os adultos fingem esquecer. Liliana Biamonte, como Elisa, transita entre o cansaço e a ternura, enquanto tenta proteger a filha do mesmo mal que a devora. Já Anabelle Ulloa, a avó Dinia, oscila entre fragilidade e descontrole, compondo um retrato de decadência que nunca soa teatral. Juntas, as três desenham o ciclo do trauma: herança, negação e repetição.</span></p>
<figure id="attachment_36250" aria-describedby="caption-attachment-36250" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36250" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-9-800x450.png" alt="Cena do filme Delírios (2024). Uma menina lê um livro sentada na cama enquanto sua avó dorme ao lado, coberta por um mosquiteiro translúcido. A luz suave e as paredes brancas criam uma atmosfera íntima e melancólica. A rede de tule envolve as duas como se fosse uma fronteira entre o afeto e o confinamento." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-9-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-9-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-9-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-9-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-9-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-9.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36250" class="wp-caption-text">Entre o cuidado e o medo, o amor também se transforma em vigília e o horror habita o gesto de quem tenta proteger e, sem perceber, repete o trauma (Foto: Cyan Prods)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A casa revela suas feridas por meio de símbolos discretos: cruzes nas paredes, marcas que nunca desaparecem e janelas que não deixam entrar a luz. Latishev insere a </span><a href="https://darkside.blog.br/por-que-terror-e-religiao-costumam-andar-juntos/"><span style="font-weight: 400;">religiosidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> não como crença, e sim como vigilância – o peso da culpa observando o cotidiano. Há ecos do vampírico, do fantasmagórico, mas o que realmente assombra é o passado; um pai ausente que causa a dor herdada de uma tentativa constante de purificar o que já está impregnado. O horror se manifesta como o eco de gerações tentando limpar as mesmas manchas com gestos diferentes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se </span><i><span style="font-weight: 400;">Delírios </span></i><span style="font-weight: 400;">impressiona pelo rigor estético, ou seja, a fotografia hipnótica de </span><a href="https://estebanchinchilla.xyz/"><span style="font-weight: 400;">Esteban Chinchilla</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a direção de arte de Federico Montealegre que mistura o sagrado e o doméstico – a obra também se perde dentro de si. O mistério, por vezes, se sobrepõe à emoção. A narrativa prefere o símbolo à confissão, e o resultado é um filme emocionalmente distante. Há fascínio em cada quadro, porém também uma sensação de que o delírio permanece contido, protegido demais para realmente nos ferir. É o tipo de obra que exige entrega, paciência e disposição para habitar o silêncio junto com seus personagens.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Delírios </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma obra que olha para o trauma não como uma ferida aberta, porém como uma memória em repouso. Algo que se instala nos gestos mais banais, se disfarça nas paredes e volta a pulsar quando o corpo menos espera. Nesse sentido, Latishev compreende que o horror mais profundo não grita, ele sussurra. Por isso, ao fim, não há redenção nem susto, apenas o reconhecimento de que viver é conviver com o que nos assombra, e talvez o maior </span><a href="https://personaunesp.com.br/lorde-morre-simbolicamente-em-virgin-so-para-experimentar-a-ressurreicao/"><span style="font-weight: 400;">delírio</span></a><span style="font-weight: 400;"> seja acreditar que um dia poderemos escapar completamente desse passado.<br />
</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Delirio | Trailer Nacional" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/SaDEjv77iAE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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