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	<title>Arquivos Anos 50 &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>O visual deslumbrante e vazio não salva Blonde do sadismo de Andrew Dominik</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Mar 2023 18:33:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Alerta de gatilho: abuso, violência doméstica, estupro, aborto, suicídio.  Giovanna Freisinger Blonde, produção que reimagina a história de Marilyn Monroe, proporcionou a Ana de Armas sua primeira indicação ao Oscar. Concorrendo pelo título de Melhor Atriz por sua interpretação da personagem, ela desponta como forte candidata ao prêmio. Apesar da citação não vir como uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/blonde-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O visual deslumbrante e vazio não salva Blonde do sadismo de Andrew Dominik"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em><span style="font-weight: 400;">Alerta de gatilho: abuso, violência doméstica, estupro, aborto, suicídio. </span></em></p>
<figure id="attachment_30096" aria-describedby="caption-attachment-30096" style="width: 967px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-30096" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-1.jpg" alt="Cena do filme Blonde. A imagem mostra as costas da personagem Marilyn Monroe com a parte de baixo de seu vestido levantada, em uma interpretação de sua icônica cena no filme O Pecado Mora ao Lado. Imagem em preto e branco. " width="967" height="544" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-1.jpg 967w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-1-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30096" class="wp-caption-text">Em Blonde, a primeira cena sugere qual será a abordagem de Marilyn Monroe, que o levou ao Oscar (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Giovanna Freisinger</b></p>
<p><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/blonde-ana-de-armas-trailer-netflix-marilyn"><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, produção que reimagina a história de Marilyn Monroe, proporcionou a Ana de Armas sua primeira indicação ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Concorrendo pelo título de Melhor Atriz por sua interpretação da personagem, ela desponta como forte candidata ao prêmio. Apesar da citação não vir como uma surpresa, após indicações em outras premiações importantes, como o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/globo-de-ouro/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/indicados-sag-awards-2023-lista-completa"><i><span style="font-weight: 400;">SAG Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e o </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/bafta-2023-indicados"><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, as respostas do público à essa nomeação foram divididas. Isso não em relação ao merecimento da atriz por sua performance, mas à inclusão do filme na premiação em primeiro lugar, cedendo visibilidade e prestígio à obra, que, para muitos, faria melhor ao mundo sendo esquecida.</span></p>
<p><span id="more-30092"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">60 anos após sua morte, o nome e a imagem de Marilyn Monroe ainda são distorcidos a fim de se encaixarem na fantasia de terceiros. Há uma noção sobre a qual essas pessoas se apoiam, de que elas têm esse direito, como se, por ter sido uma figura muito pública, a identidade de Marilyn estivesse disponível para quem quiser projetar seus desejos e crenças sobre ela. </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/andrew-dominik"><span style="font-weight: 400;">Andrew Dominik</span></a><span style="font-weight: 400;">, diretor e roteirista de </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;">, se provou uma dessas pessoas, demonstrando que, mesmo após pesquisar extensivamente sobre a vida da atriz, não nutre respeito algum pela sua história e identidade, ao fazer um filme de péssimo gosto, emprestando sua relevância cultural.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Blonde </span></i><span style="font-weight: 400;">não é mais um filme biográfico. É uma história de ficção, baseada no </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/sem-categoria/blonde-conheca-os-livros-que-inspiraram-o-filme-sobre-marilyn-monroe.phtml"><span style="font-weight: 400;">livro de mesmo nome</span></a><span style="font-weight: 400;">, escrito por </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/05/joyce-carol-oates-triunfa-ao-narrar-destruicao-de-lacos-familiares.shtml"><span style="font-weight: 400;">Joyce Carol Oates</span></a><span style="font-weight: 400;"> e publicado em 2000. A história aproveita aspectos da vida real de Monroe e a visão do público sobre ela para discutir questões psicológicas e sociais mais abrangentes. Sob esse pretexto, Dominik direciona a narrativa para servir suas intenções questionáveis. A familiarização prévia da audiência com a personagem o permite explorar apenas os aspectos mais sombrios da biografia (como uma compilação de seus piores momentos), sem oferecer contexto ou contraste com as demais partes da vida dela. O livro original tem 738 páginas, das quais muitos aspectos, reais e fictícios, foram descartados na seleção do autor do que achava relevante contar em sua obra.</span></p>
<figure id="attachment_30097" aria-describedby="caption-attachment-30097" style="width: 967px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-30097" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-2.jpg" alt="Cena do filme Blonde. Marilyn de costas, do tronco para cima, olhando para trás por cima do ombro e sorrindo. Em seu vestido branco para O Pecado Mora ao Lado. Foto em preto e branco" width="967" height="725" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-2.jpg 967w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-2-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-2-768x576.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30097" class="wp-caption-text">Ana de Armas entrega a performance de sua carreira a uma personagem dramática, mas sem dimensões (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O problema de </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;"> não está na ficção, mas em nenhum dos trechos inventados servir para elevar a personagem ou a narrativa além de uma representação extremamente redutora de uma mulher icônica. As cenas são resumidas à sexualização e à </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cwaCDRwHp8k"><span style="font-weight: 400;">tortura</span></a><span style="font-weight: 400;"> da protagonista, muitas vezes com essas se sobrepondo, deixando a audiência desconfortável durante toda a duração do filme, sem entregar compensação nenhuma alheia ao valor de choque. Durante todo o longa, o esforço aplicado transparece para que o espectador sinta algo. Esforço esse que não encontra resultados satisfatórios perante à abordagem rasa tomada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com menos de 20 minutos, temos a primeira cena de abuso sexual. Ao realizar um teste de elenco, Monroe é estuprada por Sr. Z (</span><span style="font-weight: 400;">David Warshofsky)</span><span style="font-weight: 400;">,</span><span style="font-weight: 400;"> personagem que faz referência implícita a </span><a href="https://deadline.com/2017/10/will-academy-weinstein-meeting-be-haunted-by-zanuck-ghost-1202188246/"><span style="font-weight: 400;">Darryl F. Zanuck</span></a><span style="font-weight: 400;">, então chefe da </span><i><span style="font-weight: 400;">Fox</span></i><span style="font-weight: 400;">, emissora em que conseguiu seu primeiro emprego. </span><span style="font-weight: 400;">Zanuck é, hoje, conhecidamente um agressor sexual, que violou muitas atrizes que trabalhavam para sua companhia. No entanto, não há qualquer registro de que esse tenha sido o caso de Marilyn &#8211; nem com ele, nem com qualquer outro produtor. O que há, na verdade, são diversos registros da atriz prestando um papel essencial na luta contra o </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/famosos/2018/08/marilyn-monroe-lutou-contra-o-teste-do-sofa-em-hollywood"><span style="font-weight: 400;">teste do sofá</span></a><span style="font-weight: 400;">, prática, infelizmente, típica para a década de 50.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir daí, a narrativa se modela com base nos relacionamentos da protagonista. O </span><a href="https://epipoca.com.br/blonde-chaplin-jr-e-eddy-tiveram-mesmo-um-caso-com-marilyn-monroe/"><span style="font-weight: 400;">trisal</span></a><span style="font-weight: 400;"> formado com Charlie Chaplin Jr. (Xavier Samuel) e Edward G. Robinson Jr. (Evan Williams), apesar de completamente fictício, parece apresentar um escape para a personagem, como uma forma de atribuir mais controle a ela sobre o que quer. A relação é apresentada a partir da ideia de que eles são os únicos que a veem por quem ela é, a Norma Jeane por trás do mito da Marilyn Monroe e, em retorno, ela os vê apesar do estigma de seus pais famosos. Essa talvez seja a concepção mais interessante do roteiro, mas promete algo que não entrega. O breve tempo do relacionamento na tela não é expandido para muito além das </span><a href="https://www.metroworldnews.com.br/entretenimento/2022/09/15/cenas-de-sexo-explicito-em-blonde-deixam-ate-a-critica-em-choque/"><span style="font-weight: 400;">cenas de sexo</span></a><span style="font-weight: 400;">, privando a audiência dessas facetas além da fama.</span></p>
<figure id="attachment_30098" aria-describedby="caption-attachment-30098" style="width: 967px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-30098" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8.jpg" alt="Cena do filme Blonde. Da esquerda para a direita: Edward G. Robinson Jr, Marilyn Monroe e Charlie Chaplin Jr. Edward segura o rosto de Marilyn a sua frente enquanto eles se olham e Charlie está por trás dela seu rosto encostado no cabelo dela" width="967" height="725" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8.jpg 967w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-768x576.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30098" class="wp-caption-text">Dominik mostra, de maneira vergonhosa, o quão preso está ao corpo de Marilyn, capaz de ignorar por completo sua mente, mesmo declarando ser esse o foco de sua produção (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A violência doméstica mostrada em seu casamento com o jogador de beisebol </span><a href="https://www.mercurynews.com/2022/09/30/joe-dimaggio-is-lovestruck-controlling-and-abusive-in-new-marilyn-monroe-biopic/"><span style="font-weight: 400;">Joe DiMaggio</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Bobby Cannavale) realmente corresponde aos acontecimentos da vida real, mas, ainda assim, é impossível ignorar a fetichização da mulher fragilizada nessas cenas, o que torna essa abordagem do tema difícil de engolir. Mais adiante, sua famosa relação com o então presidente John F. Kennedy (Caspar Phillipson) é abordada brevemente, representada de forma fria e violenta, enquanto, fora da ficção, não há qualquer relato de o </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/o-que-e-verdade-sobre-o-relacionamento-entre-marilyn-monroe-e-john-f-kennedy.phtml"><span style="font-weight: 400;">contato</span></a><span style="font-weight: 400;"> tenha sido abusivo ou não consensual, e esse nem é um rumor comum, o que faz a interpretação parecer, mais uma vez, as mãos de Dominik sobre ela. Ver o filme culpá-la por seu destino e retirar suas escolhas, ao mesmo tempo, é no mínimo estranho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da violência de seus relacionamentos e os contrapontos da fama, uma das principais questões que permeiam </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a maternidade e, como se pode imaginar, a abordagem soa terrível vindo do roteiro de um homem. A personagem passa por três abortos, todos acompanhados de sequências aterrorizantes. Os dois não espontâneos foram forçados a ela por terceiros, a colocando perante a violação das suas vontades e do seu corpo. O espontâneo é antecipado por uma simulação do feto em CGI, com um diálogo telepático bizarro que a coloca em uma espiral de culpa, diante de uma propaganda, não tão bem velada, </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2022/10/blonde-contributes-to-anti-abortion-propaganda-says-planned-parenthood"><span style="font-weight: 400;">anti-aborto</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30095" aria-describedby="caption-attachment-30095" style="width: 1438px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30095" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10.jpg" alt="Cena do filme Blonde. Representação virtual de um feto dentro da barriga. Tronco, mãos e rosto do feto no plano." width="1438" height="1079" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10.jpg 1438w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30095" class="wp-caption-text">Durante sua vida, Marilyn sofreu pelo menos dois abortos espontaneos e uma gravidez ectópica, possivelmente por conta de sua batalha contra a endometriose; não há qualquer registro de aborto voluntário (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A frequência e a intensidade das cenas com o teor apelativo e violento tornam o filme, supostamente sobre os danos experienciados por um </span><a href="https://firstcuriosity.com/news/how-did-marilyn-monroe-become-the-ultimate-sex-symbol-did-she-like-the-title/#:~:text=She%20was%20an%20American%20actress,of%20the%20era's%20sexual%20revolution."><i><span style="font-weight: 400;">sex symbol</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em Hollywood e a psique humana, no condescendente rebaixamento de uma mulher notória, sob uma visão moralista de que sua queda é decorrência de sua promiscuidade, que arruina sua vida e seus relacionamentos. Somos, enquanto audiência, convidados a assisti-la sofrer e a alimentar essa fantasia de punição. Para um projeto que conversa com o modo como a indústria tratou a protagonista, falta autoconsciência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante dessas circunstâncias, perdemos qualquer aspecto de quem foi Marilyn Monroe além de seu rosto, seu corpo e seus traumas. Ela foi a mulher mais importante de Hollywood da sua época, </span><a href="https://www.opovo.com.br/vidaearte/2022/09/24/entenda-como-marilyn-monroe-se-tornou-um-icone-da-cultura.html"><span style="font-weight: 400;">senão de todos os tempos</span></a><span style="font-weight: 400;">, e não graças a seu rosto bonito (como sempre existiram milhares), mas ao seu talento transcendente, que captava o público.</span> <span style="font-weight: 400;">Marilyn sempre soube o que estava fazendo diante das câmeras. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, é tão </span><span style="font-weight: 400;">desconcertante acompanhar</span><span style="font-weight: 400;"> um filme que empresta sua imagem, se baseia em sua história e despreza o que a levou ao sucesso. Talvez, </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;">, como um todo, fique menos confuso diante do que o autor tem a dizer. </span><a href="https://www.estadao.com.br/emais/tv/diretor-de-blonde-e-criticado-por-fala-machista-sobre-classico-estrelado-por-marilyn-monroe/"><span style="font-weight: 400;">Em entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> à jornalista Christina Newland, para a revista do Instituto de Cinema Britânico, Dominik afirma que Monroe se tornou um ícone cultural estrelando em vários filmes que “</span><i><span style="font-weight: 400;">ninguém realmente assiste</span></i><span style="font-weight: 400;">” e se referiu a </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Homens Preferem as Loiras</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; obra estimada quase que de forma unânime entre críticos de Cinema, como uma das melhores comédias já feitas &#8211; como um filme sobre “</span><i><span style="font-weight: 400;">vadias bem vestidas</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<figure id="attachment_30094" aria-describedby="caption-attachment-30094" style="width: 967px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30094" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-4.jpg" alt="Cena do filme Blonde. A imagem mostra uma sala de cinema, escura, com a tela em posição central e para frente e a plateia de costas. A plateia está lotada. Na tela, Marilyn a frente de um fundo vermelho, com um vestido rosa, luvas rosas, uma pulseira, um colar e um brinco de diamantes e batom vermelho" width="967" height="725" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-4.jpg 967w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-4-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-4-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30094" class="wp-caption-text">Lançado em 1953, Os Homens Preferem as Loiras foi bem-recebido pela crítica e pelo público, se tornando um dos filmes com maior bilheteria do ano (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Grande parte do apelo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;">, junto à atuação incontestável da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LPp-Oo2t_Wo"><span style="font-weight: 400;">Ana de Armas</span></a><span style="font-weight: 400;"> na pele da protagonista, é seu visual, com imagens lindas e escolhas estilísticas ousadas de direção de câmera, responsabilidade do diretor de fotografia Chayse Irvin, e arte, graças ao diretor de arte Peter Andrus, junto a toda a equipe de efeitos visuais. Porém, não há nada para sustentá-las. Além dos jogos de câmera, luz e efeitos especiais, pode-se reparar que a proporção de tela não é estável e as cenas alternam entre coloridas e preto e branco. Quando questionado por Newland sobre o propósito dessas escolhas, o diretor explicou que não há razão para a narrativa, o que ele queria era apenas reproduzir fotografias famosas. Assim, seguiu seus formatos, como uma forma de conhecer a vida da personagem, visualmente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, houve um empenho para adequar Ana de Armas ao papel, desde as </span><a href="https://twitter.com/netflix/status/1575878135064641541?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1575878135064641541%7Ctwgr%5E71a8f7f47f8046db67b076918358ff66c813e805%7Ctwcon%5Es1_&amp;ref_url=https%3A%2F%2Fportalpopline.com.br%2Fblonde-video-transformacao-ana-de-armas-marilyn-monroe%2F"><span style="font-weight: 400;">mudanças físicas</span></a><span style="font-weight: 400;">, com o cabelo e a maquiagem, nos departamento comandados por </span><span style="font-weight: 400;">Jaime Leigh McIntosh</span><span style="font-weight: 400;"> e </span><span style="font-weight: 400;">Tina Roesler Kerwin,</span><span style="font-weight: 400;"> até o treinamento de sua </span><a href="https://www.metropoles.com/colunas/claudia-meireles/veja-os-segredos-para-transformar-ana-de-armas-em-marilyn-monroe"><span style="font-weight: 400;">voz, sotaque e maneirismos</span></a><span style="font-weight: 400;">. O esforço de </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde </span></i><span style="font-weight: 400;">para se assemelhar à realidade não é incomum em histórias biográficas &#8211; mas, novamente, não se trata de uma história biográfica. </span><span style="font-weight: 400;">Se dedicar a alcançar a memória coletiva, para então alterá-la, pintando sobre ela tragédias e misturando os </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/e-tudo-historia/blonde-o-que-e-fato-e-o-que-e-ficcao-no-filme-sobre-marilyn-monroe/"><span style="font-weight: 400;">limites entre verdade e ficção</span></a><span style="font-weight: 400;">, não parece a forma mais ética de abordar uma história baseada em uma vida real, mesmo que dentro de sua liberdade criativa.</span></p>
<figure id="attachment_30099" aria-describedby="caption-attachment-30099" style="width: 728px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30099" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-5.webp" alt="À direita: cena do filme Blonde. À esquerda: fotografia real da Marilyn Monroe. Comparação lado a lado entre a releitura e a foto. Em ambas, uma mulher de cabelo curto, óculos e blusa listrada, por trás de Marilyn, ajusta a roupa da atriz. Um macacão branco curto, sem mangas e colado ao corpo. Marilyn se inclina para frente, com as mãos na cintura e olhando para o lado. Foto em preto e branco" width="728" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-30099" class="wp-caption-text">Dominik explica que a ideia visual do filme é referenciar a memória coletiva, como um “déjà vu estranho”, mas com outro sentido às imagens (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>O descaso com a representação de problemas psicológicos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Andrew Dominik, </span><a href="https://www.bfi.org.uk/sight-and-sound/interviews/im-not-interested-reality-im-interested-images-andrew-dominik-blonde"><span style="font-weight: 400;">em sua entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> com Newland, contou que, inicialmente, queria contar uma história sobre como os dramas da infância moldam a percepção de um adulto sobre o mundo e que viu em </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde </span></i><span style="font-weight: 400;">essa história. Porém, ele peca no desempenho dessa ideia ao centralizar toda a narrativa nos traumas vividos pela personagem. Isso resulta em um roteiro ineficiente, já que, sem a contemplação dos contrastes e nuances, o trauma e os conflitos apresentados ficam, além de rasos, irrealistas, como uma experiência que só poderia ter sido fabricada para propósitos dramáticos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir dessa representação, o diretor cria também uma relação desonesta de dicotomia, sob a qual uma pessoa levada ao </span><a href="https://igormiranda.com.br/2022/08/marilyn-monroe-morte-ultimos-dias/"><span style="font-weight: 400;">suícidio</span></a><span style="font-weight: 400;"> não poderia ser nada além de trágica. Com isso, ele reduz a humanidade da personagem a seus problemas e a mantém refém do papel de vítima em seu roteiro, tomando dela o controle sobre sua vida. </span></p>
<figure id="attachment_30093" aria-describedby="caption-attachment-30093" style="width: 1436px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30093" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8.png" alt="Cena do filme Blonde. Marilyn, já sem vida, deitada em sua cama, sem roupa, enrolada no lençol branco e com um travesseiro sobre seu braço direito. De seu lado esquerdo, um telefone desconectado, debaixo da sua mão" width="1436" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8.png 1436w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-800x602.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-1024x770.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-768x578.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-1200x903.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30093" class="wp-caption-text">O pai é a última visão de Marilyn antes de morrer, atribuindo sua morte ao que a obra atribuiu à sua vida: um homem, ou a falta de um (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na conversa com Newland, ele também defende sua abordagem redutora com afirmações como “</span><i><span style="font-weight: 400;">qualquer pessoa que se mata não é uma figura de empoderamento feminino</span></i><span style="font-weight: 400;">”, demonstrando as limitações de seu ponto de vista. Marilyn foi uma </span><a href="https://www.smh.com.au/entertainment/movies/marilyn-monroe-the-unlikely-feminist-20180628-p4zo89.html"><span style="font-weight: 400;">figura de empoderamento feminino</span></a><span style="font-weight: 400;">, ao mesmo tempo que foi uma história de alerta às mulheres sobre os efeitos de uma sociedade patriarcal. Ela foi e ainda é ambos, justamente porque não era um arquétipo de personagem, mas uma pessoa real.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para um artista que se propõe desde o princípio a produzir uma obra sobre questões psicológicas, suas origens e seus efeitos na vida adulta, a representação de Dominik é fraca e caricata, ao reduzir pessoas deprimidas a indivíduos unidimensionais. A menção do longa entre os reconhecidos pelo </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2023</span></a><span style="font-weight: 400;"> é, realmente, impressionante quando além de ser insincero, é extremamente entediante assistir uma personagem rasa como Marilyn é em </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>O drama de My Policeman: Nem meu, nem seu, nem dele mesmo</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Feb 2023 15:23:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Freire Há um ditado popular que diz que mais vale um pássaro na mão do que dois voando, o que, em outras palavras, quer dizer que a garantia é melhor do que a expectativa. Até que ponto isso é real? Qual é o preço a ser pago por escolher contar com aquilo que já &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/my-policeman-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O drama de My Policeman: Nem meu, nem seu, nem dele mesmo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29695" aria-describedby="caption-attachment-29695" style="width: 3900px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29695 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-1-7.jpg" alt="Cena do filme My Policeman, retratada na década de 1950. David Dawson, que interpreta Patrick, é um homem branco com cabelos curtos e castanhos e veste um terno cinza. Sua mão direita está estendida ao que ele explica uma obra de arte para Emma Corrin, que interpreta Marion, e Harry Styles, que interpreta Tom. Ela é uma mulher branca com cabelos loiros na altura dos ombros que veste um casaco vinho e tem seus olhos direcionados para o lado esquerdo, atenta à explicação. Ele é um homem branco com cabelos curtos e castanhos que veste uma jaqueta azul sob um colete cinza e olha fixamente para frente. Os três estão dentro de um museu, de costas para uma parede roxa em que diversos quadros estão pendurados.]" width="3900" height="2601" /><figcaption id="caption-attachment-29695" class="wp-caption-text">My Policeman teve sua estreia no Festival Internacional de Cinema de Toronto e chegou ao Prime Video no dia 4 de novembro de 2022 (Foto: Amazon Studios)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Freire</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há um ditado popular que diz que mais vale um pássaro na mão do que dois voando, o que, em outras palavras, quer dizer que a garantia é melhor do que a expectativa. Até que ponto isso é real? Qual é o preço a ser pago por escolher contar com aquilo que já se tem e abrir mão da possibilidade do que se pode vir a ter? O futuro é incerto, claro, mas qual é o sentido da vida quando nos conformamos com a nossa realidade? Essas são questões que vivem no subconsciente de Tom Burgess (Harry Styles, em sua versão mais nova, e Linus Roache, na mais velha) em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xAEgWXOH1mY"><i><span style="font-weight: 400;">My Policeman</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, nova obra dirigida por </span><a href="https://www.britannica.com/biography/Michael-Grandage"><span style="font-weight: 400;">Michael Grandage</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-29694"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O melodrama, baseado no romance homônimo de </span><a href="https://www.amazon.com.br/Meu-Policial-Bethan-Roberts/dp/6555393696/ref=asc_df_6555393696/?tag=googleshopp00-20&amp;linkCode=df0&amp;hvadid=379792191002&amp;hvpos=&amp;hvnetw=g&amp;hvrand=3763997360807205295&amp;hvpone=&amp;hvptwo=&amp;hvqmt=&amp;hvdev=c&amp;hvdvcmdl=&amp;hvlocint=&amp;hvlocphy=9100694&amp;hvtargid=pla-1598995814308&amp;psc=1"><span style="font-weight: 400;">Bethan Roberts</span></a><span style="font-weight: 400;">, cuja narrativa se inspirou no </span><a href="https://www.tatler.com/article/the-real-story-behind-my-policeman-and-the-heartbreaking-complexity-of-em-forsters-most-defining-relationship"><span style="font-weight: 400;">triângulo amoroso</span></a><span style="font-weight: 400;"> vivido pelo romancista E.M. Foster, conta a história de uma professora, um curador de museu e o homem que ambos amam. Ambientado na cidade de Brighton em uma época em que a homossexualidade era considerada um crime, o roteiro de Ron Nyswaner não falha ao retratar o turbilhão de sentimentos que esses personagens carregam – esses que são frustrados no amor, censurados por lei e por suas próprias repressões emocionais, que os impossibilitam de pedir em voz alta o que realmente querem em seus relacionamentos.</span></p>
<figure id="attachment_29697" aria-describedby="caption-attachment-29697" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29697" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-10-scaled.jpg" alt="Cena do filme My Policeman, retratada na década de 1950. Harry Styles, que interpreta Tom, é um homem branco com cabelos curtos e castanhos. Emma Corrin, que interpreta Marion, é uma mulher branca com cabelos loiros na altura dos ombros. Os dois estão dentro de uma piscina, apoiando suas cabeças em suas mãos na beirada, e olham um para o outro enquanto sorriem. No fundo, há várias pessoas tanto dentro quanto fora da piscina e é um dia ensolarado." width="2560" height="1384" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-10-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-10-800x432.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-10-1024x553.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-10-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-10-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-10-2048x1107.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-10-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29697" class="wp-caption-text">Em entrevista à revista <a href="https://vogue.globo.com/lifestyle/cultura/noticia/2022/01/autora-de-livro-my-policeman-fala-sobre-escrever-o-triangulo-amoroso-que-inspirou-filme-com-harry-styles.html">Vogue</a>, a autora diz que a conversa sobre a adaptação do livro começou em 2013 (Foto: Amazon Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O enredo de </span><i><span style="font-weight: 400;">My Policeman </span></i><span style="font-weight: 400;">tem como base a perspectiva de apenas dois dos três personagens principais, além de ser contado em duas épocas distintas: os finais das décadas de 50 e 90. O primeiro ato do filme é apresentado através do ponto de vista de Marion, uma professora aposentada interpretada por Gina McKeen. Através de suas lembranças, vemos como seu eu mais jovem (interpretado por </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-crown-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Emma Corrin</span></a><span style="font-weight: 400;">) conheceu e se apaixonou por seu marido, Tom (</span><a href="https://mubi.com/pt/cast/linus-roache"><span style="font-weight: 400;">Linus Roache</span></a><span style="font-weight: 400;">), um ex-policial vivido por </span><a href="https://personaunesp.com.br/harrys-house-critica/"><span style="font-weight: 400;">Harry Styles</span></a><span style="font-weight: 400;"> na juventude. Essas memórias também dão a entender que a amizade do casal com Patrick, um curador de museu interpretado por Rupert Everett na velhice e </span><a href="https://squaremile.com/culture/film-tv/david-dawson-actor-interview/"><span style="font-weight: 400;">David Dawson</span></a><span style="font-weight: 400;"> na juventude, é totalmente inocente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, após a Marion de </span><a href="https://www.theguardian.com/stage/2022/oct/20/i-wouldnt-admit-i-was-an-actor-i-once-said-i-was-a-tree-surgeon-gina-mckee-on-confidence-class-and-metoo"><span style="font-weight: 400;">McKeen</span></a><span style="font-weight: 400;"> acolher o Patrick de </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/rupert-everett"><span style="font-weight: 400;">Everett</span></a><span style="font-weight: 400;"> em sua casa, já com uma idade avançada, ela começa a secretamente ler alguns dos diários escritos por ele nos anos 50. Quando a personagem o faz, o filme muda o ponto de vista para aquele de Dawson e revela o relacionamento mantido em segredo que ele teve com Tom durante muitos anos. A partir daí, as múltiplas perspectivas de </span><i><span style="font-weight: 400;">My Policeman</span></i><span style="font-weight: 400;"> começam a se misturar, revelando lenta e seguramente como a amizade entre os três acabou sendo destruída.</span></p>
<figure id="attachment_29696" aria-describedby="caption-attachment-29696" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29696" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-3-9.jpg" alt="Cena do filme My Policeman, retratada na década de 1950. Harry Styles, que interpreta Tom, é um homem branco com cabelos curtos e castanhos. Ele veste seu uniforme de policial azul-marinho e olha para frente com uma expressão séria, posando. Ele está dentro de um quarto, cuja parede é azul-escura com listras verde-escura. Há um grande espelho com moldura marrom atrás dele e um abajur da mesma cor a alguns metros à sua direita. Um desenho do rosto de um homem feito a lápis em um pedaço pequeno e quadricular de papel está pendurado na parede, ao lado do espelho." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-3-9.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-3-9-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-3-9-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-3-9-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-3-9-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-3-9-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29696" class="wp-caption-text">“Pessoas comuns têm os melhores rostos” (Foto: Amazon Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A inteligente estrutura do roteiro permite que a história se torne gradualmente mais estratificada e complexa ao longo de seus 113 minutos de duração. Essa cronologia nos leva ao passado e ao presente dos personagens, do início ao fim, sem revelar o que tem de mais importante no meio até que estes detalhes apareçam. O longa até mesmo mina uma surpreendente quantidade de tensão e intriga ao revelar as memórias de Marion sobre a relação de seu marido com Patrick, na maneira e no ritmo como é feita. Dessa forma, a </span><a href="https://www.cafehistoria.com.br/o-homossexual-no-cinema-o-dilema-da-representacao/"><span style="font-weight: 400;">narrativa previsível</span></a><span style="font-weight: 400;"> – fadada ao insucesso do casal gay devido aos regimes sociais da época – não passa a ser maçante de se acompanhar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso também ocorre graças à ambientação caprichosa da obra. Desde a </span><a href="https://open.spotify.com/album/3HLGJ4yTtnjUtVjNbg2vcl?si=a_NZ6_J_SOeSuhzghcmUWQ"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> temporalmente marcante até as vestimentas de época, a homofobia e o sentimento de alerta que ela nos causa durante toda a trama destina nossa mente aos anos 50, de forma tão intensa que é capaz de gerar angústia e medo, ainda que estejamos são e salvos no conforto de nossas casas. O filme caminha a passos lentos e pequenos, nos apresentando aos personagens e às situações incômodas cuidadosamente, demorando a revelar a relação que uma pessoa tem com a outra.</span></p>
<figure id="attachment_29700" aria-describedby="caption-attachment-29700" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29700" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-4-6-scaled.jpg" alt="Cena do filme My Policeman, retratada na década de 1990. Gina McKeen, que interpreta Marion, é uma mulher branca e idosa com cabelos grisalhos na altura dos ombros. Ela veste um grande casaco azul-bebê e está com um dos braços apoiado na cadeira de rodas em que Rupert Everett, que interpreta Patrick, está sentado. Ele é um homem branco e idoso e está usando uma boina cinza e um casaco marrom. Eles estão em uma praia, mas o fundo são as pedras cinzas da mesma. Ambos olham para frente em direção ao mar." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-4-6-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-4-6-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-4-6-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-4-6-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-4-6-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-4-6-2048x1365.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-4-6-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29700" class="wp-caption-text">Todo o elenco de My Policeman foi homenageado com o prêmio Tributo por Performance no Festival Internacional de Cinema de Toronto; é a primeira vez que isso acontece (Foto: Amazon Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A transição entre o elenco mais velho e o mais jovem convence e, nesse sentido, é possível afirmar que ambas as versões de Marion, Tom e Patrick foram muito bem alinhadas entre os atores fora das telas. O núcleo maduro de </span><i><span style="font-weight: 400;">My Policeman</span></i><span style="font-weight: 400;"> entrega performances ao nível similar de intensidade, sem sobressair ou ceder grande parte dos holofotes aos atores mais jovens. Por outro lado, o mesmo não acontece entre Corrin, Dawson e Styles. Tom Burgess é um personagem muito complexo e com muitas camadas para ser interpretado por um ator pouco experiente, ainda mais quando esse atua ao lado de profissionais com mais estrada do que ele. Independentemente disso, não é exagero afirmar que o vencedor do </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=Grammy"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> apresenta melhores condições do que em seu </span><a href="https://personaunesp.com.br/dont-worry-darling-critica/"><span style="font-weight: 400;">último trabalho</span></a><span style="font-weight: 400;">, mostrando uma conexão genuína com o seu personagem pela primeira vez desde o início de sua carreira como ator, no longa </span><a href="https://personaunesp.com.br/dunkirk-critica-nolan/"><i><span style="font-weight: 400;">Dunkirk</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2017).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como citado por Styles durante a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=t99J1u-cSkY"><span style="font-weight: 400;">coletiva de imprensa</span></a><span style="font-weight: 400;"> do filme no </span><a href="https://www.instagram.com/p/CUbBdvQMRqQ/?igshid=YmMyMTA2M2Y%3D"><span style="font-weight: 400;">Festival Internacional de Cinema de Toronto</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">My Policeman</span></i><span style="font-weight: 400;"> é sobre tempo perdido e sobre pensar no que poderia ter sido quando já é tarde demais. Nenhum personagem da história conseguiu ter o que queria e todos eles passaram uma vida tentando lidar com o arrependimento e com a culpa, sentimentos que são frutos de seus corações partidos. Às vezes, um pássaro na mão pode realmente valer mais do que dois voando, mas não podemos esquecer que nenhum pássaro sobrevive por muito tempo em um lugar que não lhe pertence. No fim, essa é uma obra sobre mãos vazias e pássaros que, contra vontade, voam em direções opostas para não deixarem de ser.</span></p>
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		<title>O Amor de Sylvie e as histórias que não foram contadas</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Sep 2021 16:51:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>João Batista Signorelli Quando o assunto é romance, os anos 50 e 60 estão cheios de clássicas histórias de amor, dos melodramas de Douglas Sirk, à comédia romântica de Bonequinha de Luxo. Caso tivesse sido lançado há 60 anos atrás, O Amor de Sylvie facilmente poderia se disfarçar em meio a esse cânone, não fosse &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-amor-de-sylvie-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Amor de Sylvie e as histórias que não foram contadas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23088" aria-describedby="caption-attachment-23088" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23088" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/amor-de-sylvie-1.jpeg" alt=" Cena do filme O Amor de Sylvie. A foto mostra uma mulher e um homem jovens e negros, em pé de frente um para o outro com os corpos próximos e com as mãos juntas, no meio de uma rua à noite com vários carros estacionados próximos da calçada. Eles vestem roupas da década de 50." width="2000" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/amor-de-sylvie-1.jpeg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/amor-de-sylvie-1-800x432.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/amor-de-sylvie-1-1024x553.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/amor-de-sylvie-1-768x415.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/amor-de-sylvie-1-1536x829.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/amor-de-sylvie-1-1200x648.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23088" class="wp-caption-text">O Amor de Sylvie é uma das duas apostas da Amazon, ao lado de Tio Frank, para a categoria de Melhor Telefilme no Emmy 2021 (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><b>João Batista Signorelli</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando o assunto é romance, os anos 50 e 60 estão cheios de clássicas histórias de amor, dos melodramas de </span><a href="https://www.bfi.org.uk/features/where-begin-with-douglas-sirk"><span style="font-weight: 400;">Douglas Sirk</span></a><span style="font-weight: 400;">, à comédia romântica de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yrfYQDwC_I8"><i><span style="font-weight: 400;">Bonequinha de Luxo</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">Caso tivesse sido lançado há 60 anos atrás, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Amor de Sylvie </span></i><span style="font-weight: 400;">facilmente poderia se disfarçar em meio a esse cânone, não fosse um diferencial importante: o casal principal é formado por atores negros, algo simplesmente inexistente na filmografia </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodiana </span></i><span style="font-weight: 400;">da época. Mas a atenção para vivências não contadas do passado é apenas um dos méritos de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Amor de Sylvie</span></i><span style="font-weight: 400;">: uma história de amor tecnicamente impecável e com uma atmosfera deliciosamente nostálgica. </span></p>
<p><span id="more-23087"></span></p>
<p><a href="https://deadline.com/2020/02/sylvies-love-amazon-takes-worldwide-rights-to-tessa-thompson-pic-sundance-1202851681/"><span style="font-weight: 400;">Adquirido pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">durante o Festival de Sundance do ano passado, o filme de Eugene Ashe foi lançado timidamente pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon Prime Video </span></i><span style="font-weight: 400;">no natal, acompanhado de uma série de indicações em premiações para filme televisivo. No </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021</span></a><span style="font-weight: 400;"> não foi esquecido, e chega à premiação como o </span><a href="https://www.goldderby.com/article/2021/sylvies-love-amazon-emmy-best-tv-movie/"><span style="font-weight: 400;">favorito</span></a><span style="font-weight: 400;"> na categoria de Melhor Telefilme, ainda que seja a sua única indicação. Esquecido nas categorias técnicas onde competiria com Séries Limitadas de peso como </span><a href="https://personaunesp.com.br/wandavision-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">WandaVision</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-gambito-da-rainha-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Gambito da Rainha</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Amor de Sylvie</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem grandes chances de superar </span><a href="https://personaunesp.com.br/oslo-hbo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Oslo</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/tio-frank-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tio Frank</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, garantindo o troféu na categoria. </span></p>
<figure id="attachment_23089" aria-describedby="caption-attachment-23089" style="width: 2400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23089" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/amor-de-sylvie-2.jpg" alt="Cena do filme O Amor de Sylvie. A imagem mostra um homem jovem e negro de camiseta branca em pé diante de um balcão atrás do qual está sentada uma jovem negra de cabelos curtos e roupas das cores branco e preto. Atrás dela há uma televisão antiga exibindo um programa em preto-e-branco e uma parede vermelha com diversos recortes de jornais e quadros de artistas de jazz." width="2400" height="1296" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/amor-de-sylvie-2.jpg 2400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/amor-de-sylvie-2-800x432.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/amor-de-sylvie-2-1024x553.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/amor-de-sylvie-2-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/amor-de-sylvie-2-1536x829.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/amor-de-sylvie-2-2048x1106.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/amor-de-sylvie-2-1200x648.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23089" class="wp-caption-text">A paixão pelo jazz une o casal protagonista (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor Eugene Ashe encontrou inspiração na contradição que </span><a href="https://discussingfilm.net/2020/12/27/eugene-ashe-on-crafting-the-aesthetics-of-sylvies-love-exclusive-interview/"><span style="font-weight: 400;">identificou</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao comparar clássicos como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CKvBvWb0Wzg"><i><span style="font-weight: 400;">Nosso Amor de Ontem</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> com as fotos antigas de sua família, da mesma época. Ao mesmo tempo que, com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=59LQvDqS1to"><span style="font-weight: 400;">raríssimas exceções</span></a><span style="font-weight: 400;">, os romances daquele período não traziam atores negros em seu elenco, as </span><a href="https://personaunesp.com.br/judas-e-o-messias-negro-critica/"><span style="font-weight: 400;">obras contemporâneas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que retratam a experiência negra norte-americana na década de 60 têm focado nos movimentos pelos direitos civis e nas importantes transformações sociais, raramente retratando o cotidiano e as experiências da vida privada como as encontradas nas fotos da família de Ashe. Com isso, sua principal intenção em </span><i><span style="font-weight: 400;">Sylvie’s Love </span></i><span style="font-weight: 400;">é narrar agora uma das muitas histórias que lá atrás poderiam ter sido vividas e pelo Cinema retratadas, mas que as circunstâncias culturais e sociais infelizmente não permitiram. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Acompanhando o relacionamento entre Robert Halloway, um saxofonista de </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz </span></i><span style="font-weight: 400;">em ascensão (Nnamdi Asomugha), e Sylvie Parker, uma aspirante a produtora de televisão (uma elegantíssima Tessa Thompson), o filme segue o casal e seus obstáculos para permanecerem juntos ao longo de vários anos entre as décadas de 50 e 60. Embalados pela </span><a href="https://open.spotify.com/album/6RCViO44ZdN4fB9BlV7oIj"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz </span></i><span style="font-weight: 400;">somada a um banho de referências à Música daquele período, o amor do casal principal é desafiado pelas próprias carreiras e sonhos de ambos, que para se manterem juntos precisam entender onde realmente querem estar. Conforme repete Robert várias vezes, </span><i><span style="font-weight: 400;">“a vida é curta demais para desperdiçar o tempo com coisas que você não ama absolutamente”</span></i><span style="font-weight: 400;">, e sua história com Sylvie é justamente sobre ambos fazendo essa escolha.</span></p>
<figure id="attachment_23090" aria-describedby="caption-attachment-23090" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23090" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/amor-de-sylvie-3.jpg" alt="Cena do filme O Amor de Sylvie. A foto mostra uma mulher negra com penteado estilizado, maquiagem, brincos e um vestido verde-água. Ela olha para além da câmera, segurando uma bolsa branca e um ingresso de teatro. Ao fundo à esquerda há uma grande porta com dobradiça no meio, e à direita algumas pessoas entrando por ela e um porteiro vestindo roupas vermelho e amarelo. " width="1600" height="1066" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/amor-de-sylvie-3.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/amor-de-sylvie-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/amor-de-sylvie-3-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/amor-de-sylvie-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/amor-de-sylvie-3-1536x1023.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/amor-de-sylvie-3-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23090" class="wp-caption-text">Tessa Thompson: tão glamourosa quanto Grace Kelly ou Audrey Hepburn (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A história do casal e o amadurecimento dos personagens são atravessados por um período de grandes transformações, seja na moda, na Música, na cultura em geral, ou nos direitos e oportunidades para as minorias sociais. Na narrativa, elas surgem de modo orgânico, ganhando evidência nos contrastes das duas partes do filme, separadas por um intervalo de 5 anos, tempo suficiente para que o universo externo e interno de Robert e Sylvie pudesse ser completamente transformado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se no início o sonho de Sylvie de construir uma carreira na Televisão parecia mera utopia distante, e a banda de Robert se encontra em seus dias de glória, a década  seguinte subverte os seus destinos, participando da vida do casal de modo ambíguo. Sylvie vai aos poucos ascendendo como produtora de TV em sua tão sonhada carreira, ao mesmo tempo que o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kgRcCyey1hM"><i><span style="font-weight: 400;">cool jazz</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de Robert vai perdendo relevância para novos gêneros e artistas que despontavam naquela década. As inevitáveis mudanças acompanham o desenvolvimento do casal, ao mesmo tempo que eles se adaptam e se transformam com elas. </span></p>
<figure id="attachment_23091" aria-describedby="caption-attachment-23091" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23091" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/amor-de-sylvie-4.jpg" alt="Cena do filme O Amor de Sylvie. A foto mostra em destaque à esquerda um casal formado por um jovem e uma jovem negros, próximos um do outro, segurando as mãos, dançando um com o outro. Ela usa um vestido preto e luvas, e ele veste um terno preto sobre uma camisa branca. À direita mais ao fundo, outro casal de jovens negros dançando um com o outro. O ambiente do bar é preenchido por uma luz intensa azul." width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/amor-de-sylvie-4.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/amor-de-sylvie-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/amor-de-sylvie-4-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23091" class="wp-caption-text">As cores vivas dão um tom ainda mais nostálgico para o filme (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção de arte, a iluminação e os figurinos também são elementos essenciais para a construção da representação dessa passagem de épocas distintas, e da própria situação de vida e relacionamento dos personagens. O passado </span><i><span style="font-weight: 400;">glamouroso </span></i><span style="font-weight: 400;">do auge da paixão é banhado de vermelhos e azuis sedutores e vibrantes, enquanto na fase seguinte predominam o amarelo, o laranja e o verde em tons mais domésticos. As cores vívidas somadas à fotografia granulada em </span><i><span style="font-weight: 400;">16mm</span></i><span style="font-weight: 400;"> constroem perfeitamente a atmosfera nostálgica que Eugene Ashe pretende criar, transportando-nos de volta àquela era das histórias de amor inocentes. </span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SbjakuJZgww"><i><span style="font-weight: 400;">O Amor de Sylvie </span></i></a><span style="font-weight: 400;">é uma bela homenagem ao Cinema clássico </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodiano</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas não se limita à simples veneração do passado. Pelo contrário, o filme vem justamente para preencher uma lacuna, e contar uma história simples e singela como tantas, mas de uma forma que as estruturas da indústria cinematográfica da época ignoravam a importância. É uma história de amor como tantas outras já vistas centenas de vezes na tela, mas que, ao ser contada de uma perspectiva singular, evidencia que a mais familiar das narrativas merece sim ser contada se a História, em qualquer momento que seja, não o tenha permitido. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Sylvie&#039;s Love - Official Trailer | Prime Video" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/SbjakuJZgww?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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