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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Do interior à metrópole, Marina Sena se arrisca com Vício Inerente</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Jun 2023 16:07:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos Em seu segundo álbum, Vício Inerente, Marina Sena apresenta uma evolução em relação ao seu álbum de estreia, De Primeira, que fez tanto barulho no cenário brasileiro em 2021. Com influências de gêneros como reggaeton, drill, trap e funk, a artista experimenta novas sonoridades e se arrisca em texturas eletrônicas, resultado de uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/vicio-inerente-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Do interior à metrópole, Marina Sena se arrisca com Vício Inerente"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31088" aria-describedby="caption-attachment-31088" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-31088" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3.jpg" alt="Capa do álbum Vício Inerente. Nela está a cantora Marina Sena sentada ao meio em uma estrutura reflexiva metálica que aparenta ser uma caixa com fundo de uma cidade. Ela está com meias longas pretas sentada acima de suas panturrilhas. Enquanto segura uma concha brilhante em seus ouvidos, seus cabelos longos e pretos aparentam movimento esvoaçante e sua pele clara é iluminada por sua maquiagem. Em seu rosto está marcado uma sombra prateada em seus olhos fechados. Acima à esquerda o símbolo MS que nomeia a artista." width="1024" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3-768x768.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31088" class="wp-caption-text">Marina Sena participou do projeto Foundry do YouTube Music em 2021, focado em impulsionar e divulgar artistas no começo da carreira (Foto: Sony Music)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seu segundo álbum, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vício Inerente</span></i><span style="font-weight: 400;">, Marina Sena apresenta uma evolução em relação ao seu álbum de estreia, </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-discos-de-2021/#:~:text=Marina%20Sena%20%E2%80%93-,De%20Primeira,-N%C3%A3o%20h%C3%A1%20nada"><i><span style="font-weight: 400;">De Primeira</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que fez tanto barulho no cenário brasileiro em 2021. Com influências de gêneros como </span><i><span style="font-weight: 400;">reggaeton</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">drill</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">trap</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">funk</span></i><span style="font-weight: 400;">, a artista experimenta novas sonoridades e se arrisca em texturas eletrônicas, resultado de uma colaboração estreita com seu produtor Iuri Rio Branco, que a acompanha desde o início. Aqui, a cantora apresenta um som mais maduro e coeso, consolidando sua posição no cenário </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> nacional.</span></p>
<p><span id="more-31086"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A mineira multitalentosa se mostra ainda mais experiente e segura de si, capaz de criar sonoridades hipnotizantes e profundas que são marcadas pela inovação e pela busca por novas possibilidades estéticas a fim de incrementar seu repertório, que transita entre gêneros pouco explorados no</span><i><span style="font-weight: 400;"> mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;"> nacional, como o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/reggaeton/"><i><span style="font-weight: 400;">reggaeton</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e o </span><i><span style="font-weight: 400;">trip hop</span></i><span style="font-weight: 400;">. Composta por doze faixas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vício Inerente </span></i><span style="font-weight: 400;">conta com parcerias importantes, como Fleezus, nome importante do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/brime/"><i><span style="font-weight: 400;">brime</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> paulistano e ídolo da cantora. No entanto, nem todas as canções apresentam o mesmo refinamento: algumas se mostram mais cruas que outras, como em seu </span><i><span style="font-weight: 400;">debut</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas transparecem escolhas conscientes e ousadas dessa mistura.</span></p>
<figure id="attachment_31089" aria-describedby="caption-attachment-31089" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31089" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4.jpg" alt="Foto da cantora Marina Sena. A artista está em pé com um vestido entrelaçado em seu corpo cheio de lantejoulas que brilham refletindo as luzes de um cenário de prédios e instalações urbanas que dão o tom noturno ao fundo da imagem. Seus braços estão apoiados em um fio, enquanto prédios cenográficos estão caídos aos seus pés. A artista de cabelos longos e pretos está olhando para a direita e mantendo a cabeça à frente." width="1024" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4-768x768.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31089" class="wp-caption-text">Marina Sena fez o primeiro show de Vício Inerente na Audio, casa de shows na Zona Oeste de São Paulo (Foto: Sony Music)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A cantora não tem medo de se aventurar no cenário nacional e de explorar novas sonoridades em seu segundo álbum, afirmando que ser artista significa experimentar e ousar, sem medo de errar. Ela não se preocupa em seguir as convenções do mercado musical e está sempre em busca de novas possibilidades estéticas e sonoras, como disse à </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/04/marina-sena-troca-carroca-por-carrao-em-disco-repleto-de-flerte-e-jogo-de-seducao.shtml"><span style="font-weight: 400;">Folha de São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Tudo isso se concretiza em uma obra irreverente a todas as críticas infundadas e maliciosas. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Quero que as pessoas entendam de uma vez por todas que eu sou foda</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;, Sena diz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">De Primeira</span></i><span style="font-weight: 400;">, a cantora apresenta uma série de letras sobre amor e relacionamentos, com um tom que oscila entre a sensualidade e a vulnerabilidade. As histórias retratadas nas músicas são, em sua maioria, vivências pessoais, traduzidas em canções </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> chicletes e refrões cativantes, interessantemente construídos com muita naturalidade. As letras são marcadas pela utilização de gírias e </span><a href="https://harpersbazaar.uol.com.br/cultura/de-primeira-marina-sena-canta-sobre-fases-do-amor-em-batidas-dancantes/"><span style="font-weight: 400;">regionalismos</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que confere ao disco uma certa proximidade tocante. Além disso, a produção do álbum é minimalista, com destaque para sua voz anasalada e para a presença de elementos percussivos.</span></p>
<figure id="attachment_31090" aria-describedby="caption-attachment-31090" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31090" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image1.jpg" alt="Foto da cantora Marina Sena. Ela está debruçada na traseira de um carro com luzes roxas iluminando todo seu ambiente. Ao fundo estão as luzes de uma cidade. Ela está vestida com uma saia com lantejoulas e topless apoiada no carro. Seus cabelos lisos e pretos estão para trás. Em seu braço direito estão joias que refletem as luzes." width="1024" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image1-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image1-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image1-768x768.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31090" class="wp-caption-text">A canção Por Supuesto, do primeiro álbum de Marina Sena, viralizou no TikTok e alcançou o 5º lugar da lista 50 mundial do Spotify (Foto: Sony Music)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O novo álbum de Marina Sena mostra que sua ambição não se limita às fronteiras de Minas Gerais, seu estado natal. Seu reconhecimento surgiu logo antes de se mudar para São Paulo. Como um grande sucesso, suas músicas se tornaram virais no </span><i><span style="font-weight: 400;">TikTok</span></i><span style="font-weight: 400;">, gerando muitos </span><i><span style="font-weight: 400;">shows</span></i><span style="font-weight: 400;"> para a artista. Além disso, o álbum causou mudanças significativas na vida da cantora, a levando a se mudar de Taiobeiras, </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/rica-morando-em-sp-e-com-gravadora-marina-sena-aposta-em-novo-estilo-para-2o-album-esse-e-pra-dancar/"><span style="font-weight: 400;">enricando</span></a><span style="font-weight: 400;"> e permitindo que ela conhecesse outras personalidades musicais, além de assinar um contrato com a </span><i><span style="font-weight: 400;">Sony</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, sua carreira, apesar do que muitos pensam, não começou </span><i><span style="font-weight: 400;">De Primeira</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Ainda</span> <span style="font-weight: 400;">em Montes Claros (MG), ela montou a banda </span><i><span style="font-weight: 400;">A Outra Banda da Lua</span></i><span style="font-weight: 400;"> e mais tarde integrou o grupo </span><a href="https://www.google.com/search?q=rosa+neon+musica&amp;newwindow=1&amp;sxsrf=APwXEdeKvO3VnB2GZ-yUv1pMRpQwWSIFcA%3A1684041926311&amp;ei=xnBgZNzSEoew5OUP9capoAQ&amp;ved=0ahUKEwjczbeGifT-AhUHGLkGHXVjCkQQ4dUDCBA&amp;uact=5&amp;oq=rosa+neon+musica&amp;gs_lcp=Cgxnd3Mtd2l6LXNlcnAQAzIFCAAQgAQyBggAEBYQHjIGCAAQFhAeOgoIABBHENYEELADOgoIABCKBRCwAxBDOg0IABDkAhDWBBCwAxgBOg8ILhCKBRDIAxCwAxBDGAI6BQguEIAEOgcIABCKBRBDOgcILhCKBRBDOhMILhCABBCXBRDcBBDeBBDgBBgDOggIABAWEB4QD0oECEEYAFBAWP0GYMgHaAFwAXgAgAGTAYgBugaSAQMwLjaYAQCgAQHIARLAAQHaAQYIARABGAnaAQYIAhABGAjaAQYIAxABGBQ&amp;sclient=gws-wiz-serp#fpstate=ive&amp;vld=cid:e1978db4,vid:i14xgbxCMwM"><i><span style="font-weight: 400;">Rosa Neon</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Já com seu disco de estreia, a artista recebeu quatro indicações ao Prêmio Multishow 2021, ficando atrás só de Anitta, agraciada com cinco menções. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A amizade de Marina Sena com os </span><i><span style="font-weight: 400;">rappers</span></i> <a href="https://personaunesp.com.br/jovem-og-critica/"><span style="font-weight: 400;">Febem</span></a><span style="font-weight: 400;">, Fleezus e  DJ Cesrv, após sua chegada a São Paulo e seu trabalho no álbum </span><i><span style="font-weight: 400;">Brime!</span></i><span style="font-weight: 400;">, inspirou os elementos de </span><i><span style="font-weight: 400;">afrobeat</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">funk</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">trap</span></i><span style="font-weight: 400;"> presentes em seu novo trabalho. Sena o ouvia o tempo todo enquanto produzia seu novo trabalho, afirmando que é o que mais consome e está apaixonada. A participação de Fleezus na faixa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PJPcrXaJz_c"><i><span style="font-weight: 400;">Que Tal</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é o único dueto em todas as composições, demonstrando a importância do trabalho do trio em sua carreira. Ela também afirmou que, sempre que sai para algum rolê na cidade, vai assistir algum </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> do que considera a coisa mais fresca no cenário musical brasileiro. Esse frescor é bem traduzido na mistura de tantos gêneros em </span><i><span style="font-weight: 400;">Vício Inerente</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_31087" aria-describedby="caption-attachment-31087" style="width: 1793px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31087" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2.jpg" alt="Foto da cantora Marina Sena. A artista está de pé a frente de um telão vermelho em um palco, ela veste uma saia jeans com uma grande fivela pendurada que compõe a saia, e uma jaqueta cropped no mesmo material e cor da saia. A artista de cabelos longos e pretos esvoaçantes está olhando para a direita com o microfone em sua mão enquanto canta." width="1793" height="1196" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2.jpg 1793w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2-1536x1025.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31087" class="wp-caption-text">“Nacional… Anitta! Internacional seria a Rosalía, amo as duas!”, disse a artista sobre suas colaborações dos sonhos à revista Cláudia (Foto: Henrique Marinhos/Acervo Pessoal)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As três primeiras músicas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Vício Inerente</span></i><span style="font-weight: 400;"> já demonstram as diferenças em relação ao seus trabalhos anteriores, que eram muito característicos e mantinham uma solidez muito maior em seus versos e melodias. Enquanto isso, o mais recente marca principalmente um trabalho experimental, com inspirações de artistas como Rosalía, Doja Cat, Nathy Peluso, Djavan, </span><a href="https://personaunesp.com.br/nenhuma-dor-gal-costa-critica/"><span style="font-weight: 400;">Gal Costa</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Jards Macalé. Ambos tiveram seus propósitos alcançados, em sucesso e conceito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como uma fatídica história de crescimento profissional em metrópoles, a intensa experiência que </span><i><span style="font-weight: 400;">Vício Inerente</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz é uma proposta mais do que pessoal, e há quem se identifique. Assim como seu antecessor, o disco marca uma trajetória e uma personalidade que a artista trabalha com muito esmero, transbordando sua marca. Confiante e sem medo de errar, seu sonho é ser uma das representantes da música </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> brasileira </span><a href="https://revistaogrito.com/entrevista-com-marina-sena-que-lanca-disco-de-estreia-meu-som-e-o-brasil-moderno-brasil-pra-exportacao/#:~:text=%22Quero%20muito%20que%20meu%20som%20ultrapasse%20a%20barreira%20da%20l%C3%ADngua%20e%20atinja%20no%20mundo%20inteiro%20pessoas%20que%20v%C3%A3o%20se%20levar%20pelo%20ritmo%2C%20pela%20melodia%2C%20e%20que%20v%C3%A3o%20entender%20a%20m%C3%BAsica%20s%C3%B3%20no%20sentir%E2%80%9D"><span style="font-weight: 400;">para o mundo</span></a><span style="font-weight: 400;">, levando a música nacional para todo o planeta. E que, entre erros e acertos, continue nesse caminho que tem se aberto à ela.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Vício Inerente" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/13TC44Gy2ClqvvwxGOQ6pr?utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Ao fim de Chegamos Sozinhos em Casa, Tuyo encontra lar no outro</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Nov 2021 15:47:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enrico Souto Não há medo mais apavorante do que o da solidão. Construímos nosso entendimento de mundo baseado em nossas conexões afetivas e, logo com a chegada da vida adulta, nos deparamos com a instância de trilhar um caminho tortuoso por conta própria. Nesse temor pelo desconhecido e por não pertencer, Machado, Lay e Lio &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/chegamos-sozinhos-em-casa-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Ao fim de Chegamos Sozinhos em Casa, Tuyo encontra lar no outro"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_24765" aria-describedby="caption-attachment-24765" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24765" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-1.webp" alt="Texto alternativo: Capa do CD “Chegamos Sozinhos em Casa”, da banda Tuyo. Fotografia quadrada e colorida. Nela, vemos três pessoas em frente a um grande rancho, com telhados marrom e pintura branca. O céu é limpo e azul, e eles se apresentam em pé, num gramado verde-escuro. Os três olham para a câmera, com um semblante sério. Primeiro, à esquerda, está Jean. Um homem negro, de barba cheia, com cabelos crespos da cor preta, raspados nas laterais e com um grande volume no topo, que se divide em dois. Ele veste um sobretudo azul escuro, uma camiseta branca, uma calça azul-escuro e tênis brancos. Ao seu lado, no centro, está Lay. Uma mulher negra, de cabelos crespos raspados e tingidos em loiro. Ela veste uma espécie de quimono azul-escuro, com grandes ombreiras nos braços, e com uma saia que se estende apenas até as coxas. Além disso, ela também veste meias de cano longo brancas e tênis brancos. Por fim, ao lado direito, está Lio. Uma mulher negra, de cabelos crespos volumosos da cor preta. Ela veste um grande vestido azul-escuro de mangas longas, que se estende até seus pés, e que se divide no meio em botões fechados. Nos pés, ela também usa tênis brancos." width="1000" height="1000" /><figcaption id="caption-attachment-24765" class="wp-caption-text">Depois dos magnânimos Pra Doer (2017) e Pra Curar (2018), Tuyo retorna com um projeto extraordinário, cuja ousadia foi contemplada por uma indicação ao Grammy Latino de 2021 [Foto: Tuyo]</figcaption></figure><b>Enrico Souto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não há medo mais apavorante do que o da solidão. Construímos nosso entendimento de mundo baseado em nossas conexões afetivas e, logo com a chegada da vida adulta, nos deparamos com a instância de trilhar um caminho tortuoso por conta própria. Nesse temor pelo desconhecido e por não pertencer, Machado, Lay e Lio – ou Tuyo, como os conhecemos juntos – </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=K8yJ8710OGc&amp;t=400s"><span style="font-weight: 400;">encheram sua casa</span></a><span style="font-weight: 400;"> de gente, para não se sentirem sozinhos. Diante disso, </span><a href="https://open.spotify.com/album/0mYYhNhBOsSkL7zYyvOmVg?si=4b0ySSZVQoaX9PDMQMoqLw"><i><span style="font-weight: 400;">Chegamos Sozinhos em Casa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o novo projeto artístico da banda, imerge na psique de seus integrantes, explorando o instante em que essas pessoas voltam para onde vieram, ou criam seus novos espaços, e o que sobra da gente quando, enfim, estamos sós. </span></p>
<p><span id="more-24764"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Chegamos Sozinhos em Casa</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma aposta ambiciosa por parte da Tuyo, que distingue-se de qualquer coisa que já fizeram, ainda que continue respirando a personalidade artística que os formaram até o presente. Um projeto </span><a href="https://www.take.net/blog/inovacao/o-que-e-transmidia/"><span style="font-weight: 400;">transmidiático</span></a><span style="font-weight: 400;">, construído no entorno de quase dois anos, e lançado pelo período de pelo menos um semestre. Consistindo em </span><a href="https://open.spotify.com/album/1MDUUXOOqEuB4opvlHISpe?si=1O9Hcp7mT_K6aunCRkKbwQ"><span style="font-weight: 400;">dois álbuns</span></a><span style="font-weight: 400;">, que se unem em uma versão </span><a href="https://open.spotify.com/album/0mYYhNhBOsSkL7zYyvOmVg?si=NEKFWWH3QjKX6Ebxpwz2ZA"><i><span style="font-weight: 400;">Deluxe</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de 19 faixas, lançada em conjunto com </span><i><span style="font-weight: 400;">Chegamos Sozinhos em Casa &#8211; Fragmentos</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma </span><a href="https://www.papelpop.com/2021/09/tuyo-estreia-chegamos-sozinhos-em-casa-fragmentos-serie-documental-musicada/"><span style="font-weight: 400;">série documental</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PLR4rrOEEvQHtvdw9twbR40GDkFm4t0mZt"><span style="font-weight: 400;">oito episódios</span></a><span style="font-weight: 400;"> publicada no </span><i><span style="font-weight: 400;">YouTube</span></i><span style="font-weight: 400;">. Havia muita história para ser contada, e não é de se surpreender que a banda, que jamais poderia ser reduzida a um nicho musical, chamou a atenção no mundo inteiro. O ápice disso foi em setembro deste ano, quando eles receberam sua </span><a href="https://gshow.globo.com/RPC/noticia/banda-tuyo-comenta-sobre-indicacao-ao-grammy-latino-estamos-no-processo-de-entender-aceitar-e-comemorar.ghtml"><span style="font-weight: 400;">primeira indicação</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy Latino</span></i><span style="font-weight: 400;">, pelo </span><a href="https://open.spotify.com/album/3RAsslo5W29pWGYf3lxLO1?si=GqVJy2XrTIqAwskQxO_rYQ"><i><span style="font-weight: 400;">Volume 1</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do disco, em Melhor Álbum de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pop </span></i><span style="font-weight: 400;">Contemporâneo em Língua Portuguesa.</span></p>
<figure id="attachment_24766" aria-describedby="caption-attachment-24766" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24766" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2-6.jpg" alt="Texto alternativo: Imagem de divulgação do Volume 1 do álbum “Chegamos Sozinhos em Casa”, da banda Tuyo. Nela, vemos três pessoas presentes em uma sala fechada, iluminada por uma luz difusa, com vários quadros pela parede e um grande sofá azul no centro. Os três olham para a câmera, sérios. Primeiro, à esquerda, está Jean. Um homem negro, de barba por fazer, com cabelos crespos, raspados nas laterais e com um grande volume no topo, tingidos em loiro. Ele usa brincos prateados nas orelhas, veste uma jaqueta azul-escuro, uma calça azul-escuro e, nos pés, meias brancas de cano longo e um tênis branco. Ele senta na ponta esquerda do sofá, com as pernas cruzadas e as mãos sobre a coxa. Também sentada no sofá, à direita, está Lio. Uma mulher negra, com cabelos escuros trançados em longas box-braids com mechas da cor bege. Ela veste um grande vestido azul-escuro de mangas longas, que se estende até seus pés, e que se divide no meio em um botão fechado. Nos pés, ela veste tênis brancos, e apoia seus braços no sofá, o esquerdo no encosto, e o direito no meio do móvel. Por fim, no meio deles, posicionada atrás do sofá, está Lay. Uma mulher negra, com cabelos raspados tingidos em roxo. Ela veste um blazer azul-escuro, preso em sua cintura por um laço da mesma cor. Ela também usa um top azul-escuro no dorso, e apoia os dois braços sobre o sofá." width="2560" height="1444" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2-6.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2-6-800x451.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2-6-1024x578.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2-6-768x433.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2-6-1536x866.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2-6-2048x1155.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2-6-1200x677.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24766" class="wp-caption-text">Além disso, a Tuyo também angariou uma indicação no Prêmio Multishow 2021 pela música Sonho da Lay, na categoria Canção do Ano, acurada pelo Superjúri do evento (Foto: Juh Almeida)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3J9Ua_FU73Y"><span style="font-weight: 400;">Performances</span></a><span style="font-weight: 400;"> em eventos estrangeiros, reconhecimento em </span><a href="https://www.nytimes.com/2021/03/22/arts/music/sxsw-music-festival.html"><span style="font-weight: 400;">grandes veículos</span></a><span style="font-weight: 400;"> da imprensa internacional, indicações em </span><a href="https://portalpopline.com.br/premio-multishow-confira-a-lista-completa-de-indicados/"><span style="font-weight: 400;">premiações enormes</span></a><span style="font-weight: 400;">; Tuyo já é </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, furou a bolha da cena independente, e agora passa a ocupar espaços que não poderia alcançar antes. Porém, ao mesmo tempo que se </span><a href="https://www.instagram.com/p/CUYkyqFLQl3/?utm_medium=copy_link"><span style="font-weight: 400;">permitem celebrar</span></a><span style="font-weight: 400;"> tais conquistas, elas não são fáceis de lidar para os membros da banda. </span><i><span style="font-weight: 400;">“[Eu tenho a impressão que] nenhum de nós, nem os nossos iguais, foram autorizados por alguém”</span></i><span style="font-weight: 400;">, diz Lio, no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CG4eTP7l6T0"><span style="font-weight: 400;">primeiro episódio</span></a><span style="font-weight: 400;"> da série </span><i><span style="font-weight: 400;">Fragmentos</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Parece que tinha uma parte da cerca que estava aberta, e a gente começou a passar”</span></i><span style="font-weight: 400;">. E isso torna-se evidente quando, por exemplo, percebe-se que, na categoria em que foram indicados no </span><i><span style="font-weight: 400;">Latin Grammy Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">, Lio, Lay e Machado são os únicos artistas pretos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Devido a isso, o álbum passa, em várias ocasiões, por um lugar de questionamento e hesitação, do receio que dele surge, na necessidade de confrontar um trajeto ainda inaugural e o seu destino final. Neste caso, trata-se da individualidade, do olhar para dentro, que, para a Tuyo, também é uma vivência muito nova. Usufruir da solidão e do prazer de estar só é um privilégio e uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YCF3f81pDIE"><span style="font-weight: 400;">condição elitizada</span></a><span style="font-weight: 400;">. Afinal, para quem precisa constantemente se preocupar em sobreviver, pouco espaço sobra para pensar sobre o que isso significa. Nesse sentido, </span><i><span style="font-weight: 400;">Chegamos Sozinhos em Casa</span></i> <span style="font-weight: 400;">reflete sobre o momento em que, após muita construção, essa experiência passa a atravessá-los, e como ela os afeta, eles vindo de onde vieram.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É curioso, portanto, que um projeto que comenta tanto sobre um processo individual e particular também seja o primeiro que a banda </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/tuyo-propoe-novos-dialogos-e-desdobramentos-em-chegamos-sozinhos-em-casa-e-um-experimento-de-popularizacao-da-nossa-linguagem-entrevista/"><span style="font-weight: 400;">compõe em conjunto</span></a><span style="font-weight: 400;">, em um espaço compartilhado, ao invés de seus discos anteriores, em que as faixas nasciam a partir de construções mais individualizadas. O resultado disso é um processo que nasce de fora para dentro. Uma </span><a href="https://harpersbazaar.uol.com.br/cultura/trio-curitibano-tuyo-lanca-album-chegamos-sozinhos-em-casa/"><span style="font-weight: 400;">produção coletiva</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas que, por fim, se reduz a um estudo íntimo e um mergulho nas singularidades de cada uma das partes que compõem o que conhecemos como Tuyo. Cria-se um processo de desvencilhamento, para que, finalmente, eles possam se reencontrar em seu </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=K8yJ8710OGc&amp;t=769s"><span style="font-weight: 400;">estado cru e pleno</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Tuyo - Abismo (Clipe Oficial)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/TI522R3g99I?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Posto isso, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fragmentos</span></i><span style="font-weight: 400;"> se torna uma ferramenta de enriquecimento desse processo. A série documental apresenta diferentes interpretações de </span><i><span style="font-weight: 400;">Chegamos Sozinhos em Casa</span></i><span style="font-weight: 400;">. Primeiro, sobre o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CG4eTP7l6T0"><span style="font-weight: 400;">conceito geral</span></a><span style="font-weight: 400;"> do disco e, mais tarde, sobre </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7fKkAezFMEs"><span style="font-weight: 400;">canções específicas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Contudo, de jeito algum eles pretendem explicar sua obra e </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-babadook-critica/"><span style="font-weight: 400;">restringi-la</span></a><span style="font-weight: 400;"> a apenas uma leitura. Pelo contrário, os três constroem identidades únicas, separadas uns dos outros, e trazem suas perspectivas individuais sobre o trabalho, que se chocam e entram em divergência o tempo todo. E eles estão cientes disso. Não só cientes, como também prezam por essa dissonância. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Tá tudo dito lá, dentro do disco. Mas às vezes as pessoas querem entender os desdobramentos das metáforas, porque hoje parece que não basta a metáfora. Ou talvez ela nunca tenha bastado.”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">– Lio</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso se comprova na </span><i><span style="font-weight: 400;">tracklist</span></i><span style="font-weight: 400;"> quando, apesar de partirem de uma composição coletiva, várias músicas irão focar em vivências e relatos próprios de cada um dos integrantes. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Pg3k_F5m7nA"><i><span style="font-weight: 400;">Vitória Vila Velha</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> trata sobre a cidade natal de Machado e a saudades que ele guarda daquelas memórias, e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ObSzUlXaO5s"><i><span style="font-weight: 400;">O Que Você Diria Agora</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> comenta </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=t2UNySZwWNM"><span style="font-weight: 400;">o ressentimento e a raiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ele construiu pelo pai. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aISS_jZXPSs"><i><span style="font-weight: 400;">Pronta Pra Cair</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qsGuJc_kMRM"><i><span style="font-weight: 400;">Turvo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> versam sobre a autoestima da Lay, e como isso reverbera em sua </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=05TLKf0O3LE"><span style="font-weight: 400;">autoimagem</span></a><span style="font-weight: 400;">, ganhando camadas ainda mais </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JEzySdBB7G0"><span style="font-weight: 400;">profundas e multiformes</span></a><span style="font-weight: 400;"> em </span><i><span style="font-weight: 400;">Fragmentos</span></i><span style="font-weight: 400;">. Enquanto </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ITAgOK4Fnz0"><i><span style="font-weight: 400;">O Jeito É Ir Embora</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WtNgq-2mNnc"><i><span style="font-weight: 400;">Tem Dias</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> abordam experiências muito pessoais de Lio sobre </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7fKkAezFMEs"><span style="font-weight: 400;">amor e desvencilhamento</span></a><span style="font-weight: 400;">, em suas mais </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YCF3f81pDIE"><span style="font-weight: 400;">variadas formas</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_24767" aria-describedby="caption-attachment-24767" style="width: 1078px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24767" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-3-5.jpg" alt="Texto alternativo: Capa do primeiro episódio da série documental “Chegamos Sozinhos em Casa - Fragmentos”, da banda Tuyo. Fotografia retangular e colorida. Nela, vemos três pessoas em pé, atrás de um carro azul. As três olham seriamente para a câmera. Primeiro, do lado esquerdo, está Lio. Uma mulher negra, de cabelos crespos volumosos da cor preta. Ela veste um grande vestido azul-escuro de mangas longas, que se estende até seus pés, e que se divide no meio em botões fechados. Ela se apoia no capô do carro pelo cotovelo direito. Do lado dela, no centro, está Jean. Um homem negro, de barba cheia, com cabelos crespos da cor preta, raspados nas laterais e com um grande volume no topo, que se divide em dois. Ele veste um sobretudo azul escuro, uma camiseta branca e uma calça azul-escuro. Além disso, ele também usa um brinco prateado na orelha direita. Por fim, do lado direito, está Lay. Uma mulher negra, de cabelos crespos raspados e tingidos em loiro. Ela veste uma espécie de quimono azul-escuro, com grandes ombreiras nos braços, e com uma saia que se estende apenas até as coxas. Além disso, ela também veste meias de cano longo brancas e se apoia no capô do carro com sua mão direita. O fundo é o de uma floresta com várias árvores, e o cenário é dia." width="1078" height="765" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-3-5.jpg 1078w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-3-5-800x568.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-3-5-1024x727.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-3-5-768x545.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24767" class="wp-caption-text">As canções em que Machado canta continuam marcando presença, mais memoráveis do que nunca, incluindo a faixa-título do projeto, o ápice emocional do final do disco (Foto: Vitor Augusto/Petrobras Cultural)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Acompanhamos o trajeto emocional de Tuyo. Porém, o que encontra-se no final dessa estrada? Eles chegam aonde? Para quem foi definido a vida inteira por uma falta de identidade, pelo não-pertencimento, esse lugar não existe. A alternativa, nesse caso, é munir-se dessa designação, ressignificá-la e torná-la tangível. Aqui, Tuyo transforma o </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-viagem-de-chihiro-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">não-lugar</span></a><span style="font-weight: 400;"> em conceito, e se apropria dele como uma identidade totalmente nova. Se lhes foi negado o direito de pertencimento, o que restou a eles foi pavimentar essa estrada </span><a href="https://personaunesp.com.br/dolores-dala-guardiao-do-alivio-critica/"><span style="font-weight: 400;">do zero</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um exemplo é </span><a href="https://vogue.globo.com/lifestyle/cultura/Musica/noticia/2021/09/tuyo-acompanhe-o-making-e-relato-exclusivo-do-visual-album-chegamos-sozinhos-em-casa-fragmentos.html"><i><span style="font-weight: 400;">Fragmentos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que está na limiar de inúmeros gêneros do audiovisual. É documentário? É drama? É performance ao vivo? A série não se preocupa em definir isso, e a direção de </span><a href="https://laisdantas.46graus.com/"><span style="font-weight: 400;">Laís Dantas</span></a><span style="font-weight: 400;"> brinca o tempo todo com os formatos que dispõe. Ora ela irá usar uma proporção de câmera cinematográfica, com planos longos e contemplativos, ora ela irá explorar uma estética nostálgica de </span><i><span style="font-weight: 400;">videotapes</span></i><span style="font-weight: 400;"> noventistas, com as imagens de bastidores. Não há limites criativos para a produção, o que torna assistí-la uma experiência envolvente e nunca monótona.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para isso, a banda procura no passado as inspirações e influências que os moldaram no passado, a fim de compreender o presente e vislumbrar o futuro. Toda a discografia do projeto é uma amálgama das referências que formaram a sonoridade do que é hoje sua música. A Tuyo nunca se limitou pelas restrições de um gênero musical específico. Seja </span><i><span style="font-weight: 400;">folk</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">hip-hop</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">indie</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou MPB, eles sempre souberam bem como apanhar os melhores elementos de cada estilo e transformá-los em um som novo, mais próximo de como se </span><a href="https://noize.com.br/entrevista-conheca-o-afrofolk-futurista-da-tuyo/"><span style="font-weight: 400;">enxergam</span></a><span style="font-weight: 400;"> e do que almejam comunicar </span><a href="https://noize.com.br/entrevista-conheca-o-afrofolk-futurista-da-tuyo/"><span style="font-weight: 400;">artisticamente</span></a><span style="font-weight: 400;">. Então, misturando </span><i><span style="font-weight: 400;">beats</span></i><span style="font-weight: 400;"> com instrumentos acústicos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Chegamos Sozinhos em Casa</span></i><span style="font-weight: 400;"> extrapola esse experimento estético como nunca antes.</span></p>
<figure id="attachment_24768" aria-describedby="caption-attachment-24768" style="width: 2500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24768" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-4-3.jpg" alt="Imagem de bastidores da produção da série documental “Chegamos Sozinhos em Casa - Fragmentos”, da banda Tuyo. Nela, vemos um grupo de cinco pessoas dentro do sótão de madeira no andar de cima de um casarão, durante o dia. Eles se reúnem sentados no chão em roda, com diversos fios e equipamentos musicais no centro. Primeiro, no centro, está Jean. Um homem negro, de cabelos crespos escuros, com as laterais raspadas e volumoso no topo, que veste uma camisa branca. Ele está de costas para a câmera, de maneira que não podemos ver seu rosto, e segura um baixo em mãos. Todos os outros ao seu redor estão virados para a câmera, e riem enquanto olham para ele. Primeiramente, à esquerda da roda, vemos Lucas Romero. Um homem branco, de barba feita, com cabelos curtos tingidos de louro, que veste um suéter azul e uma calça branca. Ele veste óculos de armação redonda no rosto, fones de cabeça nos ouvidos e tem os joelhos apoiados no chão. Depois, seguindo o sentido horário, está Lay. Uma mulher negra de cabelos crespos escuros e raspados. Ela usa dois grandes brincos nas orelhas e um forte batom vermelho nos lábios, vestindo também uma regata branca e uma calça azul-escura. Ela senta no chão, com as duas mãos fechadas e coladas sobre suas coxas. Ao lado dela, também está Lio. Uma mulher negra, com cabelos escuros trançados sobre a raíz de seu couro cabeludo. Ela veste um top branco e um grande saia azul-escura, e se senta sobre o chão, enquanto coloca sua mão esquerda sobre a orelha. E, por fim, ao lado de Lio e Jean, fechando a roda, está Luís Fernando Diogo. Um homem negro, de barba cheia, com cabelos escuros trançados em longos dreads, presos em um coque no topo de sua cabeça. Ele usa fones de cabeça nos ouvidos, vestindo uma blusa branca e calça branca." width="2500" height="1667" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-4-3.jpg 2500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-4-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-4-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-4-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-4-3-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-4-3-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-4-3-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24768" class="wp-caption-text">“A ideia da série foi muito pautada nessa questão do espetáculo, de como é que a gente consegue replicar, de alguma forma, um pouco do que sentimos quando tá ao vivo”, diz Lio, a respeito de Chegamos Sozinhos em Casa &#8211; Fragmentos (Foto: Vitor Augusto/Petrobras Cultural)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em diversos momentos, parece haver um exercício ativo da banda de sair da sua zona de conforto. É o caso de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TbOco3aDRj8"><i><span style="font-weight: 400;">Sonho da Lay</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um dos </span><i><span style="font-weight: 400;">singles</span></i><span style="font-weight: 400;"> de divulgação do </span><i><span style="font-weight: 400;">Volume 1</span></i><span style="font-weight: 400;">. Trata-se de uma viagem cinematográfica entre os devaneios emergidos na mente de Lay, refletindo sua inquietude e vontade de desaparecer. A estrutura da faixa é de uma legítima música eletrônica, com uma construção de ambiente minuciosa no verso, para então elevar-se à uma grande catarse instrumental. É uma faixa marcante, com uma identidade própria, totalmente diferente de tudo que a Tuyo já fez, mas que ainda carrega em si a essência do trio. Já entre as referências que citam </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/tuyo-propoe-novos-dialogos-e-desdobramentos-em-chegamos-sozinhos-em-casa-e-um-experimento-de-popularizacao-da-nossa-linguagem-entrevista/"><span style="font-weight: 400;">terem sido</span></a><span style="font-weight: 400;"> cruciais para a concepção do disco, estão </span><a href="https://extra.globo.com/famosos/legado-marilia-mendonca-deixa-mais-de-300-musicas-projetos-serem-lancados-inspiracao-para-nova-leva-do-feminejo-25274714.html"><span style="font-weight: 400;">Marília Mendonça</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/02/kamasi-washington-e-rara-celebridade-no-jazz-e-refuta-a-ideia-de-crise-do-genero.shtml"><span style="font-weight: 400;">Kamasi</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NB3gWkhLkxM"><span style="font-weight: 400;">The Internet</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.omelete.com.br/linkin-park/como-hybrid-theory-mudou-apos-a-morte-de-chester-bennington"><span style="font-weight: 400;">Linkin Park</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wRwId2RfmfA"><span style="font-weight: 400;">Kirk Franklin</span></a><span style="font-weight: 400;"> e outros artistas que, à primeira vista, jamais poderiam ser fundidos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, essas inspirações ultrapassam o plano das ideias e se manifestam nas colaborações vocais, que não eram do feitio da banda em projetos </span><i><span style="font-weight: 400;">solo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Desde os versos melodiosos e envolventes de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WISpREAkEO0"><span style="font-weight: 400;">Luccas Carlos</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2014/03/16/interna_diversao_arte,417672/cantor-lenine-conta-ao-correio-em-entrevista-detalhes-sobre-a-vida.shtml"><span style="font-weight: 400;">Lenine</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://todosnegrosdomundo.com.br/drik-barbosa/"><span style="font-weight: 400;">Drik Barbosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, os </span><i><span style="font-weight: 400;">backing vocals</span></i><span style="font-weight: 400;"> leves, mas poderosos de </span><a href="https://culturadoria.com.br/jaloo/"><span style="font-weight: 400;">Jaloo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/sua-alegria-foi-cancelada-critica/"><span style="font-weight: 400;">Lucas Silveira</span></a><span style="font-weight: 400;"> – que também é creditado na </span><a href="https://revistabalaclava.com/lucas-silveira-feliz-divas-pop/"><span style="font-weight: 400;">produção</span></a><span style="font-weight: 400;"> do projeto –, e as rimas fortes e contundentes da lenda </span><a href="https://www.bocadaforte.com.br/materias/entrevistas/kamau-respeitar-e-meu-compromisso"><span style="font-weight: 400;">Kamau</span></a><span style="font-weight: 400;">, até os arranjos únicos que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0SJ76fOXaPg"><span style="font-weight: 400;">RDD</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/06/quem-e-jonathan-ferr-o-pianista-de-madureira-que-quer-tirar-o-elitismo-do-jazz.shtml"><span style="font-weight: 400;">Jonathan Ferr</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Shuna (da </span><a href="https://veja.abril.com.br/blog/veja-gente/na-rua-voce-precisa-conquistar-seu-espaco-diz-dupla-youn/"><span style="font-weight: 400;">Yoùn</span></a><span style="font-weight: 400;">) oferecem, nas respectivas faixas que assinam. Todos são pessoas </span><a href="https://www.instagram.com/p/CPHUgTPLu9U/"><span style="font-weight: 400;">abertamente presentes</span></a><span style="font-weight: 400;"> na vida dos três integrantes, e os auxiliam a pincelar as arestas de sua Música.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Tuyo - Sonho da Lay feat. Luccas Carlos (Clipe Oficial)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/TbOco3aDRj8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Tuyo também olha para o passado de maneira mais prática. </span><i><span style="font-weight: 400;">Chegamos Sozinhos em Casa</span></i><span style="font-weight: 400;"> versa sobre os trabalhos passados da banda, reinterpretando sua mensagem. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dPqKsoTUKkU"><i><span style="font-weight: 400;">Pra Curar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o exemplo mais explícito, recebe o nome do </span><a href="https://open.spotify.com/album/3HjKk0aYQYuMFWDBS40amc"><span style="font-weight: 400;">primeiro disco</span></a><span style="font-weight: 400;"> de estúdio do trio. Porém, ao contrário do que se imaginaria, a música se coloca quase como uma sátira de seu antecessor. Se o álbum de 2018 procura encontrar esperança em um ambiente de dor, compreendendo que o caminho para alcançar a cura não é fácil, a canção de 2021 se posiciona em um </span><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2021-09/pfizer-pesquisa-revela-impacto-da-pandemia-na-saude-mental-de-jovens"><span style="font-weight: 400;">contexto catastrófico</span></a><span style="font-weight: 400;">, de completa desilusão, e abraça essa angústia. O refrão, que repete o mantra </span><i><span style="font-weight: 400;">“nenhuma dor é pra curar”</span></i><span style="font-weight: 400;">, atesta o que Lio afirmou para a </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/tuyo-propoe-novos-dialogos-e-desdobramentos-em-chegamos-sozinhos-em-casa-e-um-experimento-de-popularizacao-da-nossa-linguagem-entrevista/"><i><span style="font-weight: 400;">Rolling Stone</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, logo depois do lançamento do primeiro volume: </span><i><span style="font-weight: 400;">“às vezes tem processo que dói e só dói, é dor pela dor mesmo”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O movimento de revisitação proposto aqui passa, igualmente, por um território metalinguístico. Em todo episódio de </span><i><span style="font-weight: 400;">Fragmentos</span></i><span style="font-weight: 400;">, a banda apresenta um </span><i><span style="font-weight: 400;">setlist</span></i><span style="font-weight: 400;"> diferente das músicas do disco, reinterpretadas e rearranjadas. O </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CG4eTP7l6T0"><span style="font-weight: 400;">primeiro episódio</span></a><span style="font-weight: 400;"> chega com os dois pés na porta, entregando uma versão refrescante das principais faixas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Chegamos Sozinhos em Casa</span></i><span style="font-weight: 400;">, em uma estética escancaradamente </span><a href="https://www.academia.org.br/nossa-lingua/nova-palavra/afrofuturismo"><span style="font-weight: 400;">afrofuturista</span></a><span style="font-weight: 400;">, bebendo do </span><i><span style="font-weight: 400;">house</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">dance hall </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">EDM</span></i><span style="font-weight: 400;"> no melhor estilo </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/grammy-2021-conheca-kaytranada-dj-indicado-na-categoria-artista-revelacao/"><span style="font-weight: 400;">KAYTRANADA</span></a><span style="font-weight: 400;">. Outros episódios também retomam momentos anteriores da carreira da Tuyo, como no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=t2UNySZwWNM"><span style="font-weight: 400;">sétimo</span></a><span style="font-weight: 400;">, quando eles performam as canções inolvidáveis da </span><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/caderno-g/colunistas/acordes-locais/simonami-e-a-dor-de-uma-cancao-307sx88uiwl0tqwg19sj5aq1a/"><span style="font-weight: 400;">Simonami</span></a><span style="font-weight: 400;">, projeto musical anterior que Lay, Lio e Machado fizeram parte, ou no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JEzySdBB7G0"><span style="font-weight: 400;">sexto</span></a><span style="font-weight: 400;">, em que o trio interpreta </span><i><span style="font-weight: 400;">remixes</span></i><span style="font-weight: 400;"> de algumas de suas músicas, dando outra cara a elas e uma autenticidade ímpar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Compreender o lançamento dividido em dois volumes também é fundamental para assimilar o que aspira o projeto. </span><i><span style="font-weight: 400;">“O primeiro volume está condensando uma demarcação bastante territorial. A gente abre o disco falando de memória, de origem, com ‘Vitória Vila Velha’, cidade natal do Machado. E, seguimos falando sobre retornos, partidas, chegadas, reencontros… o segundo volume concentra um outro aspecto menos pragmático desses ritos contemporâneos”</span></i><span style="font-weight: 400;">, comenta a banda, </span><a href="https://br.nacaodamusica.com/posts/entrevista-tuyo-chegamos-sozinhos-em-casa/"><span style="font-weight: 400;">em entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> para o </span><i><span style="font-weight: 400;">site Nação da Música</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mesmo que ambos os volumes se oponham e inclusive se contentem sozinhos, quando se unem, alcançam a proporção exata que esse trabalho pedia.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Tuyo - O Jeito É Ir Embora (Clipe Oficial)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ITAgOK4Fnz0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Visto isso, em questão de temática, </span><i><span style="font-weight: 400;">Chegamos Sozinhos em Casa</span></i><span style="font-weight: 400;"> é repleto de contrastes. O exemplar mais forte musicalmente são as duas colaborações de Jonathan Ferr no álbum. Ambas finalizam os dois volumes e são essencialmente instrumentais. Ao passo que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oBo4kD4VSnQ"><i><span style="font-weight: 400;">Toda Vez Que Eu Chego Em Casa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é de longe a mais longa da </span><i><span style="font-weight: 400;">tracklist</span></i><span style="font-weight: 400;">, introduzindo pacientemente cada um de seus elementos e transmitindo uma energia lúdica e doce, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=etGHkE3Ykqg"><i><span style="font-weight: 400;">Pouco Espaço</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> exala uma sensação constante de claustrofobia. Ela é frenética, urgente, e grita uma necessidade de se libertar, ainda que essas amarras não tenham uma definição clara.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa oposição também se manifesta em nível emocional. Ao relatar seu processo agridoce de amadurecimento, a Tuyo não tem medo de expor essas emoções da maneira mais sincera e verdadeira possível, seja em suas boas ou más fases. Se </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WtNgq-2mNnc"><i><span style="font-weight: 400;">Tem Dias</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RGB5uHXaF-s"><i><span style="font-weight: 400;">Do Lado de Dentro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> compreendem uma perspectiva mais positiva, reafirmando o amor e o autoamor, e entendendo como tal amor molda nossa percepção do outro, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TI522R3g99I"><i><span style="font-weight: 400;">Abismo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – faixa extra da versão </span><i><span style="font-weight: 400;">Deluxe</span></i><span style="font-weight: 400;"> –, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=g7TCfhVX_bQ"><i><span style="font-weight: 400;">Fracasso</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=H4LdeC5kbYg"><i><span style="font-weight: 400;">Hoje Eu Quero Chorar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> aceitam a melancolia, se fundem à dor e a assumem como parte de si. O projeto nunca confina esses pontos de vista em ideias superficiais de bem e mal, apenas os entende como sentimentos complexos e parte de um processo que muitas vezes vai muito além da nossa compreensão.</span></p>
<figure id="attachment_24769" aria-describedby="caption-attachment-24769" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24769" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-5.jpeg" alt="Imagem retirada do videoclipe da música “O Jeito É Ir Embora”, da banda Tuyo. Fotografia retangular e preto e branco. Nela, vemos três pessoas rodeando um carro rústico, enquanto olham sérios para a câmera. Primeiro, apoiando seu braço sobre o capô, está Lio. Uma mulher negra, com cabelos trançados em longas box braids escuras, vestindo um largo macacão e saltos brancos nos pés. Ao seu lado, apoiando um dos braços sobre a porta aberta do carro e o outro sobre o teto, está Lay. Uma mulher negra, com cabelos curtos tingidos de uma cor clara, vestindo uma camisa de botões com manga curta, uma calça escura e tênis brancos. Por fim, ao lado dela, agachado sobre suas pernas, está Jean. Um homem negro, de barba cheia e cabelos crespos escuros, raspados nas laterais, e com um grande volume no topo, divido ao meio. Ele tem brincos de argola nas orelhas e veste uma camisa branca, uma bermuda clara e tênis brancos nos pés. Além disso, ele ainda usa um moletom escuro preso no seu torso pelas mangas longas, cruzando do seu torso até seu ombro. O cenário é uma rua arborizada, com muros pichados e árvores crescendo sobre o chão de concreto." width="2560" height="1753" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-5.jpeg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-5-800x548.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-5-1024x701.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-5-768x526.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-5-1536x1052.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-5-2048x1402.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-5-1200x822.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24769" class="wp-caption-text">Diferente do que se esperaria de uma colaboração com Lenine, Fracasso é um R&amp;B denso com retoques de trap, evidenciando também o interesse da banda em tirar seus colaboradores de sua zona de conforto (Foto: Felipe Mazzucatto)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O contraste nasce não só na ambiguidade do sentir, mas também na necessidade de se diferenciar do outro. Lio aborda isso mais assertivamente no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=K8yJ8710OGc"><span style="font-weight: 400;">quarto episódio</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Fragmentos</span></i><span style="font-weight: 400;">: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Parece que, não importa o que a gente tava escrevendo, a gente tava falando sobre isso. Sobre a vontade de desenhar na gente um contraste entre nós e o que acontecia ao nosso redor”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">O apogeu disso é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qsGuJc_kMRM"><i><span style="font-weight: 400;">Turvo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, provavelmente a peça de maior impacto de </span><i><span style="font-weight: 400;">Chegamos Sozinhos em Casa</span></i><span style="font-weight: 400;">. O ‘turvo’ do título parece se referir ao momento em que você cria uma dependência tão grande sobre quem te rodeia, que o limite entre o ‘ego’ e o ‘outro’ se confunde, ao ponto de que encontrar o ‘eu’ ali torna-se quase inconcebível. Dessa forma, a faixa – e todo o álbum, em certa medida – retrata o desespero para, nesse cenário, se localizar em si e encontrar autossuficiência.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Chegamos Sozinhos em Casa</span></i><span style="font-weight: 400;"> é sobre várias coisas, e delimitar seus significados é uma tarefa impossível. A própria Tuyo não conseguiu, ainda menos uma crítica como essa. Contudo, no fim das contas, esse é o atestado da grandiosidade do projeto. O trabalho que a banda construiu é mutável, se molda ao prisma de quem ouve e se imortaliza no coração de quem o sente. E isso também afeta a percepção de quem deu vida à obra. </span><i><span style="font-weight: 400;">Fragmentos</span></i><span style="font-weight: 400;"> narra várias situações em que algum dos três membros tiveram uma epifania sobre o sentido íntimo de uma canção, geralmente despertado por um elemento externo. É o caso de Lay com </span><i><span style="font-weight: 400;">Turvo</span></i><span style="font-weight: 400;">, quando </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JEzySdBB7G0&amp;t=545s"><span style="font-weight: 400;">uma amiga</span></a><span style="font-weight: 400;"> traz à tona a questão da </span><a href="https://claudia.abril.com.br/sua-vida/a-mulher-negra-nao-e-vista-como-um-sujeito-para-ser-amado/"><span style="font-weight: 400;">solidão da mulher negra</span></a><span style="font-weight: 400;">, alterando completamente a ótica com que ela enxergava a música. E, agora, com essa perspectiva sendo exposta em tela, alterando a nossa também.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Tuyo - Sem Mentir (Videoclipe Oficial)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/4-ZfX3PvnVM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Um tópico que sempre foi </span><a href="https://br.nacaodamusica.com/posts/tuyo-sonho-da-lay-luccas-carlos/"><span style="font-weight: 400;">reforçado</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela banda, desde o anúncio do </span><i><span style="font-weight: 400;">Volume 1</span></i><span style="font-weight: 400;">, foi a busca por democratizar a sua linguagem e expressão artística. De tornar acessível temáticas densas e difíceis, sem que elas percam sua dimensão e profundidade. E pode-se dizer que, nesse projeto, ela a alcançou. Desta vez, eles partem de uma premissa resoluta – discutir crise de identidade, e o amadurecimento que vêm com a fase adulta – ao mesmo tempo que é hermética e tridimensional. Não abandona seus floreios e lírica poética, mas sempre trata seus temas com firmeza e ternura. A Tuyo já </span><a href="https://gq.globo.com/Cultura/noticia/2019/08/conheca-tuyo-banda-curitibana-que-traduz-em-musica-um-manifesto-afrofuturista-pop.html"><span style="font-weight: 400;">conquistou o coração</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos ouvidos que passou, e sua mensagem se expandirá cada vez mais e mais, com a validação de uma </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/musica/grammy-latino-expoe-antigos-dilemas-culturais-entre-brasil-e-seus-vizinhos,3d7ae725e9ce1ae79dfb8891995d8406fkqtg21l.html"><span style="font-weight: 400;">premiação internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> – já conhecida pelo </span><a href="https://tracklist.com.br/racismo-xenofobia-grammy/93117"><span style="font-weight: 400;">histórico problemático</span></a><span style="font-weight: 400;"> de suas decisões – ou não.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De todo modo, pode-se dizer que </span><i><span style="font-weight: 400;">Chegamos Sozinhos em Casa</span></i><span style="font-weight: 400;"> procura beleza na solidão. Entende que amadurecer implica que certos laços sejam desatados, para que espaços novos sejam abertos. Que é necessária a construção de um espaço particular, para que possamos nos entender como indivíduo único, dotado de autoestima, que se ama e que se basta. Mas também compreende a importância de quem nos acompanha para que esse processo de autoconhecimento ocorra – de quem segura nossas pontas até que possamos levantar voo sozinhos. Para a construção de um </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/cultura/2021/06/01/interna_cultura,1272172/banda-tuyo-transforma-as-dificuldades-de-convivencia-em-disco.shtml"><span style="font-weight: 400;">vínculo saudável</span></a><span style="font-weight: 400;">, distinguir-se do outro é primordial, pois é apenas se encontrando que podemos encontrar a quem nos cerca. E é assim que Lio </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=K8yJ8710OGc&amp;t=748s"><span style="font-weight: 400;">parafraseia</span></a><span style="font-weight: 400;"> Machado, na frase que sintetiza o núcleo emocional do disco: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu acredito que a casa onde a gente chegou foi um no outro”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>Em um universo de dores, Rico Dalasam nos entrega um alívio</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Apr 2021 14:00:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enrico Souto Rico Dalasam foi o primeiro rapper gay a ganhar grande projeção na cena do hip-hop nacional, e um dos principais expoentes do gênero queer rap no Brasil, que contudo hoje se mostra um termo limitado demais para o que ele representa. Em suas palavras, “depois que você lança uma música e vai existindo, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/dolores-dala-guardiao-do-alivio-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em um universo de dores, Rico Dalasam nos entrega um alívio"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_19487" aria-describedby="caption-attachment-19487" style="width: 940px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19487" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-1-4.jpg" alt="Capa do álbum Dolores Dala Guardião do Alívio, de Rico Dalasam. Fotografia quadrada com um céu azul ao fundo. Na imagem, ao centro, Rico Dalasam, um homem negro, de barba e cabelo preto em dreads na altura dos ombros, usando uma maquiagem dourada com detalhes em azul. Vestindo um sobretudo branco semitransparente de gola dourada com detalhes em azul, ele ergue os braços esticados para os lados, com as palmas das mãos viradas para frente, enquanto está em cima de um carro pelo teto solar, em movimento. Na parte superior há três símbolos minimalistas em branco: uma lua minguante, uma rosa e uma lua cheia, respectivamente, intercalados por quatro símbolos de espadas, dois com corações na ponta à esquerda, e dois com gotas na ponta à direita. Na parte inferior, centralizado, pode-se ler a sigla “DDGA”, escrita na vertical." width="940" height="940" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-1-4.jpg 940w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-1-4-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-1-4-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-1-4-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19487" class="wp-caption-text">Capa do álbum Dolores Dala Guardião do Alívio, lançamento mais recente do artista (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Enrico Souto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Rico Dalasam foi o </span><a href="https://www.otempo.com.br/diversao/magazine/conheca-o-rapper-rico-dalasam-negro-rapper-e-gay-1.978021"><span style="font-weight: 400;">primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> gay</span></a><span style="font-weight: 400;"> a ganhar grande projeção na cena do </span><i><span style="font-weight: 400;">hip-hop</span></i><span style="font-weight: 400;"> nacional, e um dos principais expoentes do gênero </span><a href="https://www.revistas.usp.br/crioula/article/view/143071"><i><span style="font-weight: 400;">queer rap</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> no Brasil, que contudo hoje se mostra um termo limitado demais para o que ele representa. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UQ9PHNTCsog&amp;t=525s"><span style="font-weight: 400;">Em suas palavras</span></a><span style="font-weight: 400;">, “</span><i><span style="font-weight: 400;">depois que você lança uma música e vai existindo, as coisas tomam caminhos que uma tag não suporta</span></i><span style="font-weight: 400;">”. E acredite, nenhuma </span><i><span style="font-weight: 400;">tag</span></i><span style="font-weight: 400;"> suporta Dalasam. E caso ainda houvesse dúvidas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Dolores Dala Guardião do Alívio </span></i><span style="font-weight: 400;">vem para cravar o artista como um dos nomes mais relevantes da música brasileira atual.</span></p>
<p><span id="more-19484"></span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emicida/"><span style="font-weight: 400;">Emicida</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=D31FaSCwSok"><span style="font-weight: 400;">em entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Roda Viva</span></i><span style="font-weight: 400;"> em julho de 2020, ao ser perguntado sobre o envolvimento da comunidade LGBTQ+ no movimento do </span><i><span style="font-weight: 400;">hip-hop</span></i><span style="font-weight: 400;">, citou Rico, que colaborou com o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper </span></i><span style="font-weight: 400;">em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mC_vrzqYfQc"><i><span style="font-weight: 400;">Mandume</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, como “</span><i><span style="font-weight: 400;">um dos melhores letristas que nós temos hoje</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span><a href="https://youtu.be/G8W0Fc2XEBE"><span style="font-weight: 400;">E de fato</span></a><span style="font-weight: 400;">. Depois de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2020/06/nao-posso-idiotizar-meu-processo-para-ser-o-top-50-do-spotify-diz-rico-dalasam-cansado-do-pop.shtml"><span style="font-weight: 400;">alguns anos de hiato</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://g1.globo.com/musica/noticia/pabllo-vittar-tem-musica-todo-dia-retirada-do-youtube-apos-rico-dalasam-reclamar-de-contrato.ghtml"><span style="font-weight: 400;">polêmicas que reverberam até hoje</span></a><span style="font-weight: 400;">, o cantor e compositor retorna com os dois pés na porta com um álbum extremamente conciso, maduro e de identidade visual marcante, acompanhando 11 faixas e um curto clipe de quase 2 minutos que introduz as temáticas abordadas no disco e sintetiza a mensagem proposta.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="DOLORES DALA GUARDIÃO DO ALÍVIO - O FILME" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/sgbHd8FM0uw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Anteriormente lançado como um </span><a href="https://www.papelpop.com/2020/05/rico-dalasam-lanca-o-poderoso-ep-dolores-dala-o-guardiao-do-alivio/"><i><span style="font-weight: 400;">EP</span></i><span style="font-weight: 400;"> de cinco faixas</span></a><span style="font-weight: 400;"> em maio de 2020, dessa vez sua premissa é elevada à décima potência, transformando-se em uma experiência imersiva e em uma viagem pelas emoções, vivências e pensamentos do autor, resultando no trabalho mais sensível e intimista de sua carreira, e com certeza um tiro acertado. O disco, de cerca de 26 minutos, pode até ser consideravelmente curto para a duração padrão de um </span><i><span style="font-weight: 400;">LP</span></i><span style="font-weight: 400;"> hoje, mas, em compensação, ele não tem uma grama de gordura. Como um legítimo </span><a href="http://mediabox.observatoriodoaudiovisual.com.br/2020/07/o-que-torna-um-album-conceitual-seja.html"><span style="font-weight: 400;">álbum conceitual</span></a><span style="font-weight: 400;">, todas as faixas têm papel crucial e relevante para o resultado da obra final. Tanto sua estrutura narrativa quanto a forma com que as faixas são agrupadas não são por acaso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com produções assinadas por </span><a href="https://www.instagram.com/digroove/"><span style="font-weight: 400;">Dinho</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/mahal-pita-lanca-1oepisodio-de-seu-projeto-de-ficcao-documental-assista/"><span style="font-weight: 400;">Mahal Pita</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.instagram.com/moiguimaraes/?hl=pt-br"><span style="font-weight: 400;">Moi Guimarães</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oh1gvWlQ5E8"><span style="font-weight: 400;">Netto Galdino</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/3ZoPLWUM1ywVcOg4EMHmAu?si=PZSAhNwGSyihat_5NFS7ng&amp;nd=1"><span style="font-weight: 400;">Pedrowl</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://gq.globo.com/Cultura/Musica/noticia/2020/09/do-attooxxa-ao-mundo-rafa-dias-anuncia-projeto-solo-internacional.html"><span style="font-weight: 400;">RDD</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.instagram.com/chorachibatinha/"><span style="font-weight: 400;">Chibatinha</span></a> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=M5PHsl03kBI"><span style="font-weight: 400;">(ÀTTØØXXÁ)</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Dolores Dala Guardião do Alívio </span></i><span style="font-weight: 400;">nos conduz à jornada emocional de Rico, através de uma fábula envolvida por versos poéticos e rimas instigantes, de alguém que incessantemente procura a calmaria em um mundo hostil. Enquanto </span><a href="https://open.spotify.com/album/3yqRnAKjkXRUzguNjMKxi8?si=uMRlXfwlTDKMQuh1ZPEs8Q"><i><span style="font-weight: 400;">Orgunga</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, álbum anterior do </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;">, é “</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UQ9PHNTCsog&amp;t=772s"><i><span style="font-weight: 400;">o orgulho que vem depois da vergonha</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, aqui ele nos revela</span> <span style="font-weight: 400;">o alívio que vem depois da dor.</span></p>
<figure id="attachment_19488" aria-describedby="caption-attachment-19488" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19488 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-2-2.jpg" alt="magem do rapper Rico Dalasam, homem negro de barba e cabelo preto preso em dreads. Ele está sem camisa, usando apenas uma calça da cor marrom presa por um cinto de balas, com uma corrente repleta de pequenas chaves pendurada em sua lateral direita. Ainda usa um grande colar composto de várias franjas de seda da cor vermelha, algumas pulseiras de palha em seu pulso direito e um brinco em sua orelha direita, com uma pequena pedra branca em formato circular pendurada. Além disso, ele tem uma corda de alho pendurada sobre seu ombro direito, envolvendo toda a lateral do seu tronco. Ele está em pé, com os dois cotovelos apoiados no teto de um humilde carro cinza. O seu semblante é sério. O ambiente é um campo verdejante durante um anoitecer nublado. Na parte inferior, centralizado, pode-se ler reticências." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-2-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-2-2-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-2-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-2-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-2-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19488" class="wp-caption-text">A recepção do disco foi extremamente positiva, já totalizando quase <a href="https://www.instagram.com/p/CMuIgzhsurH/">cinco milhões de plays no Spotify</a> (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A música de abertura é a </span><i><span style="font-weight: 400;">intro</span></i> <a href="https://genius.com/Rico-dalasam-ddga-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">DDGA</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, faixa em </span><a href="http://laspretas.com.br/slam-spoken-word-e-poesia-marginal/"><i><span style="font-weight: 400;">spoken word</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">que apresenta um eu-lírico absorto e contemplativo, olhando para trás depois de um longo caminho percorrido e refletindo sobre sua trajetória, essa que acompanharemos nas 10 faixas que virão a seguir. Entre todo o texto que é recitado, uma frase ecoa em destaque:</span> <span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">não falaria de alívio se não tivesse doído tanto</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Aqui, Rico evoca as duas máximas que irão ditar o curso que sua narrativa percorrerá: dor e alívio. Essa dualidade é exposta e será posta em constante conflito até que ela ache seu equilíbrio para, desse modo, abrir passagem para a cura. Afinal de contas, depois de tudo o que ele passou, simplesmente não há como continuar o mesmo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em contraponto à faixa anterior, voltamos à estaca zero e somos levados à </span><a href="https://genius.com/Rico-dalasam-expresso-sudamericah-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Expresso Sudamericah</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Dessa vez, ao invés de</span> <span style="font-weight: 400;">ouvirmos um discurso auspicioso e otimista, nos deparamos com o manifesto de um homem confuso, angustiado, largado sozinho na estação, procurando sentido em sua caminhada. Acompanhamos o seu raciocínio junto às batidas compassadas, de quem questiona sua posição no mundo e as responsabilidades que essa posição lhe infere. Como uma carta para o seu público, vinda direto de um período em que o próprio Rico, depois de sofrer constantes ataques por unicamente </span><a href="https://www.papelpop.com/2020/03/rico-dalasam-e-produtores-entram-em-acordo-sobre-direitos-autorais-de-todo-dia-da-pabllo-vittar/"><span style="font-weight: 400;">reivindicar um direito trabalhista</span></a><span style="font-weight: 400;">, perguntava-se qual era o </span><a href="https://www.instagram.com/p/B37OGESBDdc/"><span style="font-weight: 400;">seu papel como músico</span></a><span style="font-weight: 400;"> em uma indústria tão opressiva e sufocante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas ali ele encontra uma resposta. Ou, senão uma resposta, uma faísca de esperança. Dalasam usa a sua experiência individual como </span><a href="https://personaunesp.com.br/moonlight-kendrick-lamar/"><span style="font-weight: 400;">homem, negro, gay</span></a><span style="font-weight: 400;"> e latino para comentar todo o processo de </span><a href="https://periodicos.ufpe.br/revistas/cadernosdehistoriaufpe/article/view/110015"><span style="font-weight: 400;">henrança colonial</span></a><span style="font-weight: 400;"> da América do Sul, posicionando-se no centro desse cenário. Não é à toa que, durante o refrão, ele se dirija diretamente ao ouvinte: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Alô parceiro, passageiro”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Afinal, ele não caminha sozinho. E, no fim das contas, não adianta de nada produzir um </span><i><span style="font-weight: 400;">hit </span></i><span style="font-weight: 400;">de milhões se isso significar se render à ordem vigente e tornar-se ainda mais refém desses poderes. Ele, enfim, conclui que </span><a href="https://www.polemicaparaiba.com.br/entretenimento/rico-dalasam-e-linchado-na-internet-apos-retirada-de-videoclipe-todo-dia/"><span style="font-weight: 400;">não importa o quanto tentem calá-lo</span></a><span style="font-weight: 400;">, ele mesmo abrirá o seu caminho para o topo, traçando seu propósito: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Tô desenhando um coração onde todo dia apagam um monte”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_19489" aria-describedby="caption-attachment-19489" style="width: 1800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19489" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-3-5-1024x682.jpg" alt="Imagem de divulgação do disco Dolores Dala Guardião do Alívio, do rapper Rico Dalasam. Ele é um homem negro, de barba e cabelo preto em dreads na altura dos ombros, usando uma maquiagem da cor dourada com detalhes em azul. Ele está dentro de um carro da cor cinza com rodas amarelas, apoiando a cabeça e os braços sobre a porta do motorista. Usando um sobretudo branco, ele olha diretamente para a câmera. Ainda usa um anel colorido em formato de flor no dedo do meio de sua mão direita e duas pulseiras de palha em seu pulso direito, com uma pequena pedra branca pendurada em uma delas. Ao fundo, observamos um campo verdejante." width="1800" height="1199" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-3-5-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-3-5-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-3-5-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-3-5-1536x1023.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-3-5-1200x799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-3-5.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19489" class="wp-caption-text">“Porque a melhor de nós nunca foi na agonia, na confusão dos ódios, na distração dos brancos” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse artifício de utilizar vivências individuais para comentar um fenômeno social coletivo rege toda a estrutura de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Dolores Dala Guardião do Alívio</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em </span><a href="https://genius.com/Rico-dalasam-nao-e-comigo-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Não é Comigo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é introduzido, através de um áudio de </span><i><span style="font-weight: 400;">WhatsApp</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">um dos arcos centrais a serem abordados: um </span><a href="https://personaunesp.com.br/bom-crioulo-125-anos/"><span style="font-weight: 400;">relacionamento interracial</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-026X2006000100007&amp;script=sci_arttext&amp;tlng=pt"><span style="font-weight: 400;">homoafetivo</span></a><span style="font-weight: 400;">, e as </span><a href="https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0102-69092006000100013"><span style="font-weight: 400;">implicações disso</span></a><span style="font-weight: 400;"> para ele como homem negro. Rico então atravessa um importante tópico: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4Cwu4MD_dwU&amp;t=41s"><span style="font-weight: 400;">a solidão do gay negro</span></a><span style="font-weight: 400;">, constantemente </span><a href="https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/28294/1/Hiperssexualiza%C3%A7%C3%A3oNegrosIndustria.pdf"><span style="font-weight: 400;">hiperssexualizado</span></a><span style="font-weight: 400;"> e idealizado em fantasias e fetiches sexuais, porém nunca considerado digno de </span><a href="https://www.geledes.org.br/notas-sobre-amor-afeto-e-solidao-do-gay-negro/"><span style="font-weight: 400;">amor e afeto genuíno</span></a><span style="font-weight: 400;">. O </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper </span></i><span style="font-weight: 400;">decide enfrentar diretamente esse imagético e coloca o seu parceiro – evidentemente branco – contra a parede ao questionar o motivo dele não assumi-lo para seus familiares e amigos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal temática continua se estendendo na faixa que sucede, </span><a href="https://genius.com/Rico-dalasam-ultima-vez-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Última Vez</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Musicalmente, essa é a que mais se diferencia do resto do álbum: um </span><i><span style="font-weight: 400;">afrobeat </span></i><span style="font-weight: 400;">que abusa de </span><a href="https://academiadebeats.com.br/blog/808-historia/"><i><span style="font-weight: 400;">808’s</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e arranjos eletrônicos, predominantes no gênero do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0n2BCNuyFm8"><i><span style="font-weight: 400;">trap</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – o que se encaixa perfeitamente com a </span><a href="https://elle.com.br/cultura/trap-estilo-e-estetica"><span style="font-weight: 400;">estética densa e soturna</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a música quer transmitir –. No entanto, ela também opta por </span><a href="https://www.instagram.com/p/CMvQihJF3os/"><span style="font-weight: 400;">batidas mais orgânicas</span></a><span style="font-weight: 400;">, somadas a </span><a href="https://www.instagram.com/p/CMs7VovHPm7/"><span style="font-weight: 400;">suaves dedilhados de cavaco</span></a><span style="font-weight: 400;"> em segundo plano, fazendo com que sua sonoridade, ainda que destoante, continue soando familiar com o resto da </span><i><span style="font-weight: 400;">tracklist</span></i><span style="font-weight: 400;">. Além disso, com sua voz sustentada por um </span><a href="https://kondzilla.com/m/explicando-em-detalhes-o-que-e-auto-tune"><i><span style="font-weight: 400;">autotune</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> modesto, porém marcante, e um </span><i><span style="font-weight: 400;">flow</span></i><span style="font-weight: 400;"> melódico </span><i><span style="font-weight: 400;">à la</span></i> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=OowU_3dTPis"><span style="font-weight: 400;">Beli Remour</span></a><span style="font-weight: 400;">, Rico explora sua extensão vocal como nunca antes, expressando sentimentos que vão da agressividade à melancolia.</span></p>
<figure id="attachment_19490" aria-describedby="caption-attachment-19490" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19490 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-4-2.jpg" alt="Imagem do rapper Rico Dalasam, homem negro de barba e cabelo preto preso em dreads. Ele está sem camisa, usando apenas uma calça da cor marrom, com uma corrente repleta de pequenas chaves pendurada em sua lateral direita. Ainda usa um grande colar composto de várias franjas de seda da cor vermelha e algumas pulseiras de palha em seu pulso direito. Ele está agachado em frente a uma pequena mesa circular encoberta por um tecido preto. Em cima da mesa há um prato branco, que carrega um objeto preto com o formato de um coração humano, com duas pequenas espadas de cor prata inseridas em sua lateral direita. O homem está com a cabeça abaixada inclinado sobre o prato, olhando para ele, com a mão esquerda segurando o objeto e a mão direita segurando uma terceira espada, enquanto a insere na lateral direita do objeto junto às outras. O ambiente é um campo de terra. É noite e o redor está completamente escuro, exceto pela luz de um holofote que ilumina a cena. Na parte inferior, centralizado, lê-se os dizeres “por causa de um amor?”." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-4-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-4-2-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-4-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-4-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-4-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19490" class="wp-caption-text">“Você vai peitar 500 anos de uma parada, por causa de um amor? De um suposto amor, você nem tem certeza” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por meio de rimas ríspidas, cruas e diretas, Rico se localiza e deixa claro: </span><a href="https://www.initiavia.com/post/sobre-a-solid%C3%A3o-do-gay-preto-de-rafael-porto-francisco"><span style="font-weight: 400;">ele não será cativo de ninguém</span></a><span style="font-weight: 400;">. Frases como</span><i><span style="font-weight: 400;"> “quer meter, mas não quer manter”</span></i><span style="font-weight: 400;"> o colocam em uma posição ativa e reforçam a sua ofensiva, de alguém que sofreu calado por tempo demais. De tônica semelhante, a faixa </span><a href="https://genius.com/Rico-dalasam-mudou-como-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Mudou Como?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um </span><i><span style="font-weight: 400;">afropop </span></i><span style="font-weight: 400;">enérgico que cativa logo na primeira ouvida, relata o momento em que essa relação adquire um caráter abusivo, fatalmente repercutindo as dinâmicas de uma </span><a href="https://www.eco.unicamp.br/images/arquivos/artigos/497/06-Schwartz.pdf"><span style="font-weight: 400;">hierarquia colonial</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nos deparamos com um eu-lírico complexo e impotente, em conflito com a contradição de ainda desejar permanecer em uma condição que o faz tão mal. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o intuito de realizar um mergulho mais íntimo sobre esse romance e seus efeitos tanto internos quanto externos, o primeiro single de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dolores Dala Guardião do Alívio</span></i><span style="font-weight: 400;"> e seu maior </span><i><span style="font-weight: 400;">hit</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://genius.com/Rico-dalasam-braille-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Braille</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é conduzido por um </span><a href="https://blog.planetamusica.net/voce-sabe-o-que-e-sample/"><i><span style="font-weight: 400;">sample</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">notável de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XnbsIl2BnWw"><i><span style="font-weight: 400;">Chanel</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do Frank Ocean, acompanhado por um singelo pandeiro, culminando, no refrão, em um dos clímax mais memoráveis que o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper </span></i><span style="font-weight: 400;">já nos proporcionou. Seu talento como compositor se manifesta em versos intensos e frases icônicas que tratam da forma mais franca possível os infortúnios vivenciados com seu parceiro.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Rico Dalasam feat. Dinho - Braille [HORIZONTE SESSIONS]" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Ga4LerPmyrk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">E então, finalmente, depois de tantos tormentos e anseios, </span><a href="https://genius.com/Rico-dalasam-supstah-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Supstah</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é uma quebra que vem como um balde de água fria, um momento de respiro diante de tantas perturbações. </span><i><span style="font-weight: 400;">Supstah </span></i><span style="font-weight: 400;">é a utopia de Rico Dalasam, quando, nem que seja por um breve instante, ele se entrega aos seus sonhos e se permite descolar de sua existência material, idealizando um mundo diferente para si e para os seus. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez, exatamente por ser um momento mais brando e menos urgente, essa também seja uma das faixas de menor destaque de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dolores Dala Guardião do Alívio</span></i><span style="font-weight: 400;">. Porém, independente do seu impacto dentro do panorama geral, esse ainda é um dos </span><i><span style="font-weight: 400;">takes </span></i><span style="font-weight: 400;">mais bonitos feitos no disco. Visto isso, faz sentido que, na faixa seguinte, o interlúdio </span><a href="https://genius.com/Rico-dalasam-circular-3-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Circular 3</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, protagonizado pela mãe de Rico, o vejamos comentando, através da metáfora de uma espera em um ponto de ônibus, sobre a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LcHTeDNIarU"><span style="font-weight: 400;">cultura imediatista</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma geração superexposta, sedenta por controle, que recebe estímulos de todos os cantos e não consegue mais enxergar valor nas pequenas coisas.</span></p>
<figure id="attachment_19491" aria-describedby="caption-attachment-19491" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19491 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-5-1.jpg" alt="Imagem de divulgação do disco Dolores Dala Guardião do Alívio, do rapper Rico Dalasam. Ele é um homem negro, de barba e cabelo preto em dreads na altura dos ombros, usando uma maquiagem da cor dourada com detalhes em azul. Ele veste um sobretudo branco, de gola dourada com detalhes. Ainda usa um anel colorido em formato de flor no dedo do meio de sua mão direita. O homem, olhando diretamente para a câmera, toca as palmas das mãos, colocando a palma esquerda abaixo da palma direita, mantendo-as levantadas na altura de seu tronco. Ele está sentado no capô de um carro da cor cinza, com várias rosas brancas agrupadas verticalmente ao seu redor, também em cima do capô. Nas duas pontas superiores do teto, se equilibram dois vasos brancos. Ao fundo é possível observar um campo verdejante, com um céu nublado." width="1200" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-5-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-5-1-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-5-1-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-5-1-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-5-1-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19491" class="wp-caption-text">O hit Braille ainda marcou presença em premiações ao ganhar o Prêmio Multishow de <a href="https://siterg.uol.com.br/cultura/2020/11/12/premio-multishow-2020-veja-a-lista-completa-dos-vencedores/">Canção do Ano</a> em 2020 (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Voltando à realidade, agora em busca de tornar essa utopia tangível, </span><a href="https://genius.com/Rico-dalasam-vividir-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Vividir</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">chega como uma revisita nostálgica a um local e tempo distantes. Dalasam inicia citando elementos importantes de um período longínquo de sua vida: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Um pedaço de colo/Um gole de café/Uma foto de um ano/Que eu não lembro qual é”</span></i><span style="font-weight: 400;">, até que por fim ele tenha que confrontar o fato inevitável de que as coisas mudaram e, não importa o quanto ele queira, elas nunca voltarão a ser o que eram antes: </span><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><i><span style="font-weight: 400;">Onde era minha casa não é mais/Onde era minha escola não é mais/Onde era a minha vida não é mais/Cadê?”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mas, afinal, já que não temos controle sobre o que acontece ao nosso redor, o que fazer a respeito?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É isso que Rico tenta responder no interlúdio </span><a href="https://genius.com/Rico-dalasam-outros-finais-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Outros Finais</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma ponte para o final da grande odisseia de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dolores Dala Guardião do Alívio</span></i><span style="font-weight: 400;">. O texto, declamado por </span><a href="https://www.instagram.com/pellegrinicaah/?hl=pt-br"><span style="font-weight: 400;">Camilla Pellegrini</span></a><span style="font-weight: 400;">, que transcende o concreto e sugere uma conexão etérea, divina e espiritual com sua ancestralidade, é introduzido ressoando a frase </span><i><span style="font-weight: 400;">“Ninguém está mais no mesmo lugar”</span></i><span style="font-weight: 400;">, como se contestasse diretamente as indagações feitas previamente em </span><i><span style="font-weight: 400;">Vividir</span></i><span style="font-weight: 400;">. Dalasam então, através de sua fé, encontra as respostas de que precisa, pavimentando o caminho para seu encontro consigo mesmo em </span><a href="https://genius.com/Rico-dalasam-estrangeiro-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Estrangeiro</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_19492" aria-describedby="caption-attachment-19492" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19492 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-6-1.jpg" alt="Imagem do rapper Rico Dalasam, um homem negro de cabelo preto em dreads na altura dos ombros. Usando um sobretudo branco, ele está de costas, caminhando por um campo verdejante durante uma tarde nublada, enquanto segura um vaso branco em sua mão direita. Na parte inferior, centralizado, é possível ler os dizeres “O trato era”." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-6-1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-6-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-6-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-6-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-6-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19492" class="wp-caption-text">“O trato era: seus braços ser meu travesseiro, amor” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa música, mais do que uma reconciliação e um término pacífico </span><span style="font-weight: 400;">– </span><a href="https://www.instagram.com/p/CM0LWjKMJxZ/"><span style="font-weight: 400;">ainda que não menos crítico</span></a><span style="font-weight: 400;"> –</span><span style="font-weight: 400;"> para aquele romance tão atribulado, representa o Rico respeitando seu próprio tempo e, enfim, se chocando com a possibilidade da cura. Representa sua tomada de consciência de que aquele não é o seu lugar, e a retomada de sua busca por um espaço que é de seu direito. </span><i><span style="font-weight: 400;">Estrangeiro </span></i><span style="font-weight: 400;">não marca o fim de sua jornada, e sim o fechamento de um ciclo para a abertura de um novo. Libertando-se das correntes dessa relação tóxica, ele sai desse episódio amadurecido e em paz com sua decisão. Em virtude disso, não é por acaso que a frase que marque o desfecho dessa história seja: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Fui, porque acabou a fé/Não, porque acabou o amor”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma coisa é certa: </span><i><span style="font-weight: 400;">Dolores Dala Guardião do Alívio </span></i><span style="font-weight: 400;">é </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/academico/2021/03/25/Como-o-rap-ganhou-seu-espa%C3%A7o-em-S%C3%A3o-Paulo-nos-anos-1990"><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – </span><i><span style="font-weight: 400;">Rhythm and Poetry </span></i><span style="font-weight: 400;">– em sua essência. Transbordando poesia, talvez essa faceta de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dalaboy</span></i><span style="font-weight: 400;"> nunca tenha estado tão escancarada antes, no melhor dos sentidos. Entretanto, o álbum não se restringe a isso. Construindo uma colcha de retalhos, ele bebe de diversos gêneros afrolatinos distintos – do </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/06/18/Como-o-dancehall-vem-ganhando-espa%C3%A7o-nos-bailes-da-periferia"><i><span style="font-weight: 400;">dance hall</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/samba/"><span style="font-weight: 400;">samba</span></a><span style="font-weight: 400;"> e pagode –, pincelando doce e gentilmente sua obra por temas pesados como colonialismo, homossexualidade, afetos e negritude, elevando-a a uma experiência lúdica e acessível, sem diminuir o impacto, relevância e seriedade dessas questões.</span></p>
<figure id="attachment_19493" aria-describedby="caption-attachment-19493" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19493 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-7_Easy-Resize.com_.jpg" alt="Imagem do rapper Rico Dalasam em foto de divulgação de seu disco Dolores Dala Guardião do Alívio. Rico Dalasam é um homem negro, de barba e cabelo preto em dreads na altura dos ombros, usando uma maquiagem da cor dourada com detalhes em azul. Aparecendo apenas do tronco para cima, ele usa um sobretudo branco semitransparente, de gola dourada com detalhes em azul. Ele olha diretamente para a câmera enquanto ergue os dois braços esticados para os lados, com as palmas das mãos para cima. Ainda usa um anel colorido em formato de flor no dedo do meio de sua mão direita e várias pulseiras de palha no pulso direito, com uma pequena pedra branca pendurada em uma delas. Ao fundo, observamos um céu azul limpo." width="1600" height="1142" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-7_Easy-Resize.com_.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-7_Easy-Resize.com_-300x214.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-7_Easy-Resize.com_-1024x731.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-7_Easy-Resize.com_-768x548.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-7_Easy-Resize.com_-1536x1096.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMAGEM-7_Easy-Resize.com_-1200x857.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19493" class="wp-caption-text">“Você é parte da minha parte viva, ô, e a gente ainda é a parte viva do mundo” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E, ao fazer isso, ele passa a destoar ainda mais dos seus </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1c9LlYtXcdk"><span style="font-weight: 400;">trabalhos anteriores</span></a><span style="font-weight: 400;"> e das tendências musicais do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QcS9ZndErHc"><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">atual</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas, apesar disso, continua soando aconchegante e convidativo para quem acompanha o artista desde </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tQ_2iTybtaI"><i><span style="font-weight: 400;">Modo Diverso</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. É um retrato tão pessoal e tão singular, mas que, ao mesmo tempo, de alguma forma, consegue soar completamente abrangente. </span><a href="https://www.papelpop.com/2021/03/entrevista-com-rico-dalasam-do-abismo-tambem-se-pode-ecoar-as-coisas/"><span style="font-weight: 400;">Tal qual o próprio Rico pontua</span></a><span style="font-weight: 400;">, alguns dos contos e versos apresentados poderiam muito bem serem cantados pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JPWjJlNtE_w"><span style="font-weight: 400;">Marília Mendonça</span></a><span style="font-weight: 400;">, porque amor, desilusão e rompimento são conceitos universais e identificáveis para qualquer um. No entanto, calhou por serem cantados por ele, o que é potente e político por si só.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, bem como a sua capa sugere, esse álbum é um abraço acolhedor. É a proposta de um alívio para um período tão doloroso quanto o que estamos passando ao, </span><a href="https://www.instagram.com/p/CAoVnwOhhb9/"><span style="font-weight: 400;">como ele mesmo define</span></a><span style="font-weight: 400;">, “</span><i><span style="font-weight: 400;">desenhar um coração dentro de um corpo preto sul-americano</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Coração esse que, não importa o quanto seja golpeado, continuará pulsando e resistindo obstinadamente. Assim sendo, me parece que a </span><a href="https://www.instagram.com/p/CLZVp0plD3l/"><span style="font-weight: 400;">rosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> é o signo perfeito para a sua fábula: algo tão bonito, ao mesmo tempo que potencialmente perigoso – Rico Dalasam consegue encontrar beleza em uma realidade espinhosa, e não poderia haver posição mais revolucionária do que essa.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Dolores Dala Guardião do Alívio" width="300" height="380" allowtransparency="true" frameborder="0" allow="encrypted-media" src="https://open.spotify.com/embed/album/5hEHhvlgbM3PmNflPbmoZg?si=i7T38_l_R6iAXPtSQWorLQ"></iframe></p>
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