<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos A Estrutura da Bolha de Sabão &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/a-estrutura-da-bolha-de-sabao/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/a-estrutura-da-bolha-de-sabao/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Wed, 06 Jul 2022 06:10:36 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0.4</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos A Estrutura da Bolha de Sabão &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/a-estrutura-da-bolha-de-sabao/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>O mergulho subversivo de Lygia Fagundes Telles em A Estrutura da Bolha de Sabão</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/a-estrutura-da-bolha-de-sabao-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/a-estrutura-da-bolha-de-sabao-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Jun 2022 19:34:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[1978]]></category>
		<category><![CDATA[2010]]></category>
		<category><![CDATA[A Confissão de Leontina]]></category>
		<category><![CDATA[A Estrutura da Bolha de Sabão]]></category>
		<category><![CDATA[A Fuga]]></category>
		<category><![CDATA[A Medalha]]></category>
		<category><![CDATA[A Missa do Galo]]></category>
		<category><![CDATA[A Testemunha]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Clube do Livro]]></category>
		<category><![CDATA[Coletânea]]></category>
		<category><![CDATA[Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Filhos Pródigos]]></category>
		<category><![CDATA[Gaby]]></category>
		<category><![CDATA[Hilda Hilst]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Livro]]></category>
		<category><![CDATA[Lygia Fagundes Telles]]></category>
		<category><![CDATA[Machado de Assis]]></category>
		<category><![CDATA[Nathalia Tetzner]]></category>
		<category><![CDATA[O Espartilho]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=27768</guid>

					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner O cenário é um café-da-manhã entre esposa e marido. Ele conta de um amigo físico que mora nas construções góticas de Paris e estuda a estrutura da bolha de sabão. Ela se espanta com a possibilidade de alguém se dedicar em investigar algo que conhece desde seus primeiros anos de vida e que, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-estrutura-da-bolha-de-sabao-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O mergulho subversivo de Lygia Fagundes Telles em A Estrutura da Bolha de Sabão"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/a-estrutura-da-bolha-de-sabao-critica/">O mergulho subversivo de Lygia Fagundes Telles em A Estrutura da Bolha de Sabão</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27818" aria-describedby="caption-attachment-27818" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-27818 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/AESTRUTURADABOLHADESABAO_WORDPRESS.jpg" alt="Arte em rosa claro com a imagem do livro A Estrutura da Bolha de Sabão no centro. Capa do livro A Estrutura da Bolha de Sabão da escritora brasileira Lygia Fagundes Telles. Na imagem, há uma arte com diversas texturas e formatos, entre eles, contornos de flores. A arte vibra nas cores azul, vermelho, verde, marrom, roxo e rosa. No canto inferior esquerdo, um quadro branco com o nome da autora escrito em preto, o nome do livro escrito em roxo e o nome da editora, Companhia das Letras, escrito em azul. No topo à esquerda, vemos o olho do Persona com a íris rosa e no canto inferior direito está o logo do Clube do Livro do Persona." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/AESTRUTURADABOLHADESABAO_WORDPRESS.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/AESTRUTURADABOLHADESABAO_WORDPRESS-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/AESTRUTURADABOLHADESABAO_WORDPRESS-768x404.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27818" class="wp-caption-text">A Estrutura da Bolha de Sabão foi a leitura do <a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-abril-de-2022/">Clube do Livro do Persona</a> durante o mês de abril de 2022 (Foto: Companhia das Letras/Arte: Ana Clara Abbate)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário é um café-da-manhã entre esposa e marido. Ele conta de um amigo </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/artes,jean-oury-fala-sobre-jean-vigo,431566"><span style="font-weight: 400;">físico</span></a><span style="font-weight: 400;"> que mora nas construções góticas de Paris e estuda a estrutura da bolha de sabão. Ela se espanta com a possibilidade de alguém se dedicar em investigar algo que conhece desde seus primeiros anos de vida e que, por isso, sabe que não possui estrutura alguma. O tempo passa e quando o gato do casal sobe na mesa dela, finalmente há uma resposta para sussurrar: </span><i><span style="font-weight: 400;">“a bolha de sabão é o amor”. </span></i><span style="font-weight: 400;">Nascia nesse momento </span><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma coletânea de contos escrita pela dama da Literatura brasileira, Lygia Fagundes Telles. </span></p>
<p><span id="more-27768"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançada originalmente em 1978 sob o título de </span><i><span style="font-weight: 400;">Filhos Pródigos</span></i><span style="font-weight: 400;">, a obra foi reeditada na década de 90 quando passou a carregar o nome do texto de maior sucesso. Em 2010, ela ganhou uma nova roupagem para uma série especial da editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i><span style="font-weight: 400;">. Porém, em meio às infinitas edições disponíveis no mercado, é o conteúdo que destaca a sua singularidade perante toda a bibliografia de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tgaX90Fo3YU"><span style="font-weight: 400;">Telles</span></a><span style="font-weight: 400;">. Dessa vez, a autora conhecida por banhar os seus romances com o realismo convida o leitor para um mergulho na fantasia onde ele é sempre o último a desvendar as nuances.</span></p>
<blockquote><p>“Inclinou-se para apanhar a bolsa que caiu. Catou vacilante o pente e o espelho, quis ainda alcançar o lápis que rolou no assoalho, desistiu do lápis, Ih!&#8230;Levantou-se apertando a bolsa contra o peito, a outra mão apoiada na maçaneta da porta. Respirou penosamente, a boca aberta.</p>
<p>Encarou a mulher. Tudo bem?</p>
<p>— Tudo bem. Adriana. Tenho é muita pena desse moço. Seu noivo. Casar com uma coisa dessas, imagine.”</p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Repleta de fluxos de consciências e ambientada com uma dose de tensão constante, a leitura de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é nem um pouco confortável, consequência natural da abordagem esférica da temática feminina, fator sempre presente nos escritos da autora. Banhados por uma atmosfera misteriosa, os oito contos remetem de alguma forma ao </span><a href="https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2022/04/03/lygia-fagundes-telles-4-licoes-da-obra-da-dama-da-literatura-as-mulheres.htm"><span style="font-weight: 400;">papel da mulher</span></a><span style="font-weight: 400;"> na sociedade. Seja na materialização de uma jovem cheia de rebeldia para a sua época ou na subjetividade presente em um diálogo entre dois homens, Lygia Fagundes Telles explora todos os tons da feminilidade com a genialidade de quem está acostumada a ser uma força em sua caminhada pessoal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A terceira mulher a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras estudou Direito e Educação Física porque acreditava que não seria capaz de viver da </span><a href="https://www.uol.com.br/universa/colunas/natalia-timerman/2022/04/03/lygia-fagundes-telles-era-uma-mulher-escrevendo-sobre-e-como-mulher.htm"><span style="font-weight: 400;">Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> e se negava a depender financeiramente de um matrimônio. Ela e todo o seu lirismo foram exceção em relação ao pós-modernismo, movimento literário que se deu início na década de 70, período em que a figura masculina ainda era a maioria entre os autores de grande apelo. Assim como Adriana em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XyIRQJgY3a8"><i><span style="font-weight: 400;">A Medalha</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a filha subversiva à mãe e ao seu tempo farto de conservadorismos, Telles é também dona de uma trajetória transgressora e parece ter bebido da sua própria fonte para retratar com tanta fidelidade a angústia da personagem.</span></p>
<figure id="attachment_27769" aria-describedby="caption-attachment-27769" style="width: 964px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-27769" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-1.jpeg" alt="Fotografia de Hilda Hilst e Lygia Fagundes Telles em preto e branco. Hilst, à esquerda, segura um cigarro com a mão enquanto sorri olhando para o lado. Telles, à direita, sorri olhando para o lado oposto. As duas são mulheres brancas de cabelos escuros." width="964" height="806" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-1.jpeg 964w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-1-800x669.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-1-768x642.jpeg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27769" class="wp-caption-text">Escritora do movimento pós-modernista e amiga pessoal de <a href="https://www.opovo.com.br/vidaearte/2022/04/03/morte-de-lygia-fagundes-telles-lembre-amizade-da-escritora-com-hilda-hilst.html">Hilda Hilst</a>, Telles abordou a feminilidade como tema central de suas obras (Foto: Acervo Instituto Hilda Hilst)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Encarregado de ser o texto mais perturbador da coletânea, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Espartilho</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz com que o leitor se sinta sufocado pelo ambiente regrado da década de 40. Ana Luíza é o nome da protagonista que causa uma inquietação digna de filmes de terror como </span><a href="https://personaunesp.com.br/mae-filme-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Mãe!</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2017)</span></a><span style="font-weight: 400;">, em que o suspense psicológico reina. O olhar de despertencimento dela ao encarar o álbum de fotos de sua família, após finalmente descobrir a verdade brutal por trás das faces pálidas apertadas por espartilhos, é estarrecedor. A experiência é um ponto fora da curva do que a escritora costuma produzir e provoca uma metáfora sensível sobre o uso de cintas modeladoras e a prisão emocional que acarreta a trama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quase mitológicos, os contos </span><i><span style="font-weight: 400;">A Testemunha</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">A Fuga</span></i><span style="font-weight: 400;"> começam e permanecem um mistério. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vgMn9NjYYT8"><span style="font-weight: 400;">Lygia Fagundes Telles</span></a><span style="font-weight: 400;"> nitidamente não se importou em deixar explícito o que cada figura de linguagem significa, há de se explorar as páginas para encontrar os sentidos do livro. De fato, a confusão mental de Miguel em busca de respostas e a insistência de Rolf em afirmar não saber de nada é, por si só, uma interessante bagunça de diálogos que acorrentam em um eterno ciclo não só os dois amigos, mas qualquer um que entra em contato com as linhas de Telles. Já no segundo texto, o clima de névoa é descrito com um intenso detalhismo que tem o poder de cegar e confundir Rafael e todo o público leitor.</span></p>
<blockquote><p>“— Não vai me dizer, Rolf?</p>
<p>— Dizer o quê rapaz?</p>
<p>— O que aconteceu ontem.</p>
<p>— Ora, o que aconteceu! Mas então você não sabe?</p>
<p>— Não, não sei. Não me lembro de nada, nada.</p>
<p>— Mas como não se lembra?</p>
<p>— Não me lembro, simplesmente não lembro — repetiu Miguel torcendo as mãos muito brancas. Fechou-as contra o peito.”</p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Não há nada tão hipocritamente perfeito quanto uma coleção de páginas em que a existência de conjuntos geniais diminuem a sagacidade de outros. Esse é o caso de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Missa do Galo </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Gaby</span></i><span style="font-weight: 400;">, a releitura do clássico de Machado de Assis e a incoerente falta de ritmo em uma conversa de bar colocam os dois contos em uma posição menos inspirada em relação aos outros momentos de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ambos são um exagero passional e, para o bem e para o mal, somente permitem concluir que não há conclusão. A </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vVTpCDG7LuY"><span style="font-weight: 400;">dama da Literatura brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;"> deixa neles o dito pelo não dito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em contrapartida, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Confissão de Leontina</span></i><span style="font-weight: 400;"> se consagra como o maior ato da obra. Longo e profundo, a narração em primeira pessoa relata o </span><a href="https://favodomellone.com.br/a-confissao-de-leontina-de-volta-o-conto-de-lygia-fagundes-telles/"><span style="font-weight: 400;">drama</span></a><span style="font-weight: 400;"> vivido por quem deixa uma cidade pequena em busca de oportunidades nas grandes capitais do país. Sempre incompreendida, a personagem principal do conto atrai todos os olhares para o seu infortúnio, o que consequentemente resulta no sentimento de identificação com o leitor. É fácil se emocionar com as palavras certeiras escolhidas pela autora, especialista em captar com excelência os aspectos do cotidiano urbano com o papel e a caneta na mão.</span></p>
<figure id="attachment_27770" aria-describedby="caption-attachment-27770" style="width: 940px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-27770" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-1.jpg" alt="Fotografia de Lygia Fagundes Telles. Na imagem, os cabelos grisalhos de Telles contam que o tempo passou para a escritora. Ela, uma mulher branca de olhos claros, direciona o seu olhar para a lente de quem a fotografa. Ao fundo, o que parece ser um ambiente aconchegante, mas desfocado" width="940" height="504" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-1.jpg 940w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-1-800x429.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-1-768x412.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27770" class="wp-caption-text">A dama da Literatura nacional vive em seu <a href="https://www.em.com.br/app/noticia/pensar/2022/04/08/interna_pensar,1358573/escritoras-brasileiras-ressaltam-o-legado-de-lygia-fagundes-telles.shtml">legado</a> (Foto: Renato Parada)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, como uma coletânea de contos, a expressão artística de Lygia Fagundes Telles mais complexa e brilhante desde o lançamento de </span><a href="https://istoe.com.br/lygia-fagundes-telles-driblou-a-censura-militar-no-romance-as-meninas/"><i><span style="font-weight: 400;">As meninas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 1973. Os recursos linguísticos utilizados no romance certamente continuaram a inspirá-la até a criação do conjunto de textos. Já, como um conto, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão</span></i><span style="font-weight: 400;"> se tornou maior do que si mesmo. Afinal, a quem interessa estudar a estrutura de uma bolha de sabão? A falta de explicações uma vez questionada ganha sentido com o término pungente da obra de Telles.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A dama da Literatura brasileira descobriu em vida que a bolha de sabão é o amor e estudá-la é fundamental. Ela, incoerentemente gentil e caridosa como as ondas do mar, compartilhou a descoberta com o mundo depois de um mergulho nas profundezas do fantasioso. Lygia Fagundes Telles faleceu em </span><a href="https://jornal.unesp.br/2022/04/04/dona-de-uma-carreira-premiada-lygia-fagundes-telles-deixa-solido-legado-literario-diz-diretor-da-editora-unesp/"><span style="font-weight: 400;">2022</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, assim como fez em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão</span></i><span style="font-weight: 400;">, a sua partida do mundo material somente pode significar que ela resolveu permanecer de vez ao lado da subjetividade da vida. </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/a-estrutura-da-bolha-de-sabao-critica/">O mergulho subversivo de Lygia Fagundes Telles em A Estrutura da Bolha de Sabão</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/a-estrutura-da-bolha-de-sabao-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">27768</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Estante do Persona – Abril de 2022</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-abril-de-2022/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-abril-de-2022/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 May 2022 21:18:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[2022]]></category>
		<category><![CDATA[A Construção de Mim Mesma]]></category>
		<category><![CDATA[A Estrutura da Bolha de Sabão]]></category>
		<category><![CDATA[As Coisas]]></category>
		<category><![CDATA[Ática]]></category>
		<category><![CDATA[Ava Dellaira]]></category>
		<category><![CDATA[Barba ensopada de sangue]]></category>
		<category><![CDATA[Bruno Andrade]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Drummond de Andrade]]></category>
		<category><![CDATA[Cartas de Amor aos Mortos]]></category>
		<category><![CDATA[Clube do Livro]]></category>
		<category><![CDATA[Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Daniel Galera]]></category>
		<category><![CDATA[Enzo Caramori]]></category>
		<category><![CDATA[Estante do Persona]]></category>
		<category><![CDATA[Estante do Persona Abril de 2022]]></category>
		<category><![CDATA[Jamily Rigonatto]]></category>
		<category><![CDATA[Letícia Lanz]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Lúcia Machado de Almeida]]></category>
		<category><![CDATA[Lygia Fagundes Telles]]></category>
		<category><![CDATA[Nathalia Tetzner]]></category>
		<category><![CDATA[O Escaravelho do Diabo]]></category>
		<category><![CDATA[O Observador no Escritório]]></category>
		<category><![CDATA[Objetiva]]></category>
		<category><![CDATA[Raquel Dutra]]></category>
		<category><![CDATA[Record]]></category>
		<category><![CDATA[Seguinte]]></category>
		<category><![CDATA[Tobias Carvalho]]></category>
		<category><![CDATA[Vitor Evangelista]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=27520</guid>

					<description><![CDATA[<p>“Aprendi desde cedo que fazer higiene mental era não fazer nada por aqueles que despencam no abismo. Se despencou, paciência, a gente olha assim com o rabo do olho e segue em frente.” &#8211; Lygia Fagundes Telles O mês de Abril de 2022 marca a data de falecimento de Lygia Fagundes Telles, uma das maiores &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-abril-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Abril de 2022"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-abril-de-2022/">Estante do Persona – Abril de 2022</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27522" aria-describedby="caption-attachment-27522" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27522 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/capa_wordpress_estante_do_persona-1.jpg" alt="Arte retangular de cor rosa pastel. Ao centro há uma estante branca com três prateleiras. A primeira prateleira é dividida ao meio, a segunda prateleira é dividida em três e a terceira prateleira é dividida em três. Na parte superior lê-se em preto 'estante’, na primeira prateleira lê-se em preto 'do persona', à direita nessa prateleira está a logo do Persona, um olho com íris magenta. Na segunda prateleira, ao meio, está a capa do livro “A estrutura da bolha de sabão”. Na terceira prateleira, à direita, está o troféu com a logo do persona. Na parte inferior lê-se em branco ‘abril de 2022'." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/capa_wordpress_estante_do_persona-1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/capa_wordpress_estante_do_persona-1-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/capa_wordpress_estante_do_persona-1-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27522" class="wp-caption-text">Em abril, o Clube do Livro do Persona se debruçou sobre os conscientes e inconscientes da antologia de contos A Estrutura da Bolha de Sabão, da eterna Dama da Literatura brasileira, Lygia Fagundes Telles (Foto: Reprodução/Arte: Ana Clara Abbate/Texto de Abertura: Jamily Rigonatto)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">“Aprendi desde cedo que fazer higiene mental era não fazer nada por aqueles que despencam no abismo. Se despencou, paciência, a gente olha assim com o rabo do olho e segue em frente.” </span></p>
<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">&#8211; Lygia Fagundes Telles</span></i></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O mês de Abril de 2022 marca a data de falecimento de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vVTpCDG7LuY"><span style="font-weight: 400;">Lygia Fagundes Telles</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma das maiores escritoras do país. A autora é considerada uma referência na Literatura pós-</span><a href="https://personaunesp.com.br/1922-2022-o-que-e-ser-moderno-no-brasil-artigo/"><span style="font-weight: 400;">modernista</span></a><span style="font-weight: 400;">, e usou as vozes de personagens femininas e suas múltiplas nuances como protagonistas em muitos de seus escritos. Lygia foi a terceira mulher a ocupar uma cadeira na ABL (Academia Brasileira de Letras), recebeu o Prêmio Camões em 2005 e chegou a ser a primeira mulher brasileira indicada ao Prêmio Nobel de Literatura, aos 96 anos de idade. </span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/ciranda-de-pedra-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ciranda de Pedra</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Verão no Aquário</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">As Meninas</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Seminário dos Ratos</span></i><span style="font-weight: 400;"> são alguns dos títulos mais conhecidos da escritora, e apesar de sua destreza como romancista, os contos foram o grande destaque de sua carreira. Diante da grandeza de Lygia Fagundes e seu recente falecimento, a atual leitura do Persona não poderia ser diferente. Por isso, o escolhido da vez foi o compilado de contos </span><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão</span></i><span style="font-weight: 400;">. Publicado pela primeira vez sob o nome de </span><i><span style="font-weight: 400;">Filhos Pródigos</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 1978, o livro junta oito contos narrados por personagens variados, em que a grande brincadeira fica por conta das transições entre realidade e pensamento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No único encontro do mês, os membros do Clube discutiram as entrelinhas do texto e tentaram desvendar os encantos por trás do ar enigmático da </span><a href="https://www.unicamp.br/unicamp/ju/noticias/2022/04/11/lygia-fagundes-telles-paixao-da-palavra"><span style="font-weight: 400;">linguagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> utilizada pela autora. Entre os comentários, a sutileza ao emparelhar o intrínseco dos personagens e o mundo externo a suas individualidades, os leitores do Persona destacaram a objetividade com a qual Lygia especulava a complexidade humana. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A capacidade de organizar as palavras como charadas condutoras de uma narrativa particularmente imprevisível e aberta a tantas possibilidades também foi um dos destaques da discussão. Além disso, as reflexões sobre o fator que unia tantas histórias diferentes em um produto só deu espaço para os leitores criarem suas próprias teorias. E seja pela tensão que ronda as relações interpessoais e intimistas ou pela certeza dos desenlaces decepcionantes, a conclusão foi que, se Lygia descobriu os segredos da estrutura da bolha de sabão, ela não pretendia deixá-la às claras. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A política e discussões socioculturais abraçadas pela obra não foram esquecidas, e os retratos de conflitos, preconceitos e desigualdade reafirmaram a imagem de uma autora ousada e sabiamente desafiadora. Ainda, a leitura de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão </span></i><span style="font-weight: 400;">resgatou nas memórias as narrativas de Hilda Hilst e </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-paixao-segundo-gh-critica/"><span style="font-weight: 400;">Clarice Lispector</span></a><span style="font-weight: 400;">, mostrando como mesmo seus pontos em comum se exprimem com uma singularidade incomparável.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A leitura do mês expulsou a temida Lygia dos vestibulares e deu a sua obra um passe para a imortalidade. Nesse cenário tomado por despedidas e eternização, a Literatura não pretende deixar saudade, então fique agora com as indicações dos membros do Clube do Livro para o </span><b>Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;"> de Abril.</span></p>
<p><span id="more-27520"></span></p>
<h3><b>Livro do Mês</b></h3>
<figure id="attachment_27523" aria-describedby="caption-attachment-27523" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27523 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro A Estrutura da Bolha de Sabão, de Lygia Fagundes Telles. Na imagem, vemos diversas formas geométricas coloridas, que se sobrepõem. As cores predominantes são verde, rosa, azul, branco e amarelo. Existem quatro flores desenhadas à direita. Abaixo, mais à esquerda, está um retângulo vertical de cor branca. Dentro dele, está escrito Lygia Fagundes Telles, em fonte de cor preta, abaixo está escrito A estrutura da bolha de sabão, em fonte de cor rosa, seguido pela palavra contos, em fonte de cor cinza. Mais abaixo, ainda dentro deste retângulo e de forma centralizada, está o logo da editora Companhia das Letras." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27523" class="wp-caption-text">Na obra, Lygia Fagundes Telles retrata a vida como algo frágil, fugaz e misterioso, tal qual uma bolha de sabão (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Lygia Fagundes Telles &#8211; A Estrutura da Bolha de Sabão (184 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma coleção de contos da escritora símbolo do movimento </span><a href="https://personaunesp.com.br/1922-2022-o-que-e-ser-moderno-no-brasil-artigo/"><span style="font-weight: 400;">pós-modernista</span></a><span style="font-weight: 400;">, Lygia Fagundes Telles. Guiada por um clima de tensão, não há como relaxar durante a leitura que se faz </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XyIRQJgY3a8"><span style="font-weight: 400;">genialmente desconfortável</span></a><span style="font-weight: 400;"> a todo o momento. Publicada pela primeira vez em 1978 sob o título </span><i><span style="font-weight: 400;">Filhos Pródigos</span></i><span style="font-weight: 400;">, a obra ganhou o nome do seu conto homônimo para o relançamento em 1991. Àquela época, o texto que encerra a seleção já havia se tornado um destaque na carreira de Telles. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/pensar/2022/04/08/interna_pensar,1358556/lygia-fagundes-telles-por-ela-mesma-eu-luto-com-a-palavra.shtml"><span style="font-weight: 400;">dama da literatura brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma romancista realista, quando ela se apropria da persona contista, não falta espaço para o fantasioso. Afinal, nos oito contos, através da sua constante abordagem da consciência humana, a autora aproveitou para usufruir sem medo algum do intenso fluxo de pensamentos das personagens. Para além, a sua característica visão sobre as grandes cidades e os vícios que acarretam a </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/colunas/pagina-cinco/2022/04/03/lygia-fagundes-telles-escritora-obra-importancia.htm"><span style="font-weight: 400;">humanidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> permaneceu singular e atraente para o leitor, sem esquecer da tradicional sinestesia da cor verde que marcou presença em alguns trechos do livro.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Não conte a ninguém, mas descobri, a bolha de sabão é o amor.” </span></i><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/pensar/2022/04/08/interna_pensar,1358573/escritoras-brasileiras-ressaltam-o-legado-de-lygia-fagundes-telles.shtml"><span style="font-weight: 400;">Lygia Fagundes Telles</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos deixou no mês de abril e, assim como ela demorou para compreender a existência de um físico que estudava a bolha de sabão, há ainda muito a desvendar sobre uma das autoras mais importantes que o Brasil já teve. Se </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tgaX90Fo3YU"><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> significa algo, esse algo é a infinitude e a eternidade do poder de suas palavras que causam sentimentos tão fortes quanto o amor.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: A Estrutura da Bolha de Sabão - Clube do Livro Abril 2022" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/3JxIVFMTZ7woZ8YyHSgjVY?si=db615094896a4cf1&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<hr />
<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_27524" aria-describedby="caption-attachment-27524" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27524 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro A Construção de Mim Mesma. A capa é branca e tem uma borboleta roxa no centro. No topo da imagem, lemos o nome da autora, Letícia Lanz, e abaixo da borboleta está o título do livro: A Construção de Mim Mesma. Abaixo, está o subtítulo, em fonte menor: Uma história de transição de gênero. Abaixo, vemos o logo da editora Objetiva." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27524" class="wp-caption-text">Autora de A Construção de Mim Mesma, Letícia Lanz é psicanalista, palestrante, ativista e foi candidata à prefeitura de Curitiba em 2020 (Foto: Objetiva)</figcaption></figure>
<p><b>Letícia Lanz &#8211; A Construção de Mim Mesma (112 páginas, Objetiva)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos nomes de maior relevância para a </span><a href="https://centrodepesquisaeformacao.sescsp.org.br/atividade/leticia-lanz-e-o-complexo-mundo-transgenero"><span style="font-weight: 400;">comunidade trans no Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;">, Letícia Lanz decide por contar sua própria história no sincero </span><i><span style="font-weight: 400;">A Construção de Mim Mesma</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com o subtítulo </span><i><span style="font-weight: 400;">Uma história de transição de gênero</span></i><span style="font-weight: 400;">, a obra de não-ficção transita entre o espaço e o tempo para que Letícia, uma mulher já na terceira idade, se apresente ao mundo da maneira que sempre o fez no individual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A honestidade se junta à brevidade da escrita da autora, sempre buscando situar quem lê na mente de alguém que nasceu em estado de discordância do gênero a que foi atribuída no nascimento. Do </span><a href="https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2021/10/31/transicionei-aos-50-anos-apos-sofrer-um-infarto.htm"><span style="font-weight: 400;">apoio que recebeu da esposa</span></a><span style="font-weight: 400;"> até a parceria que firmou com diversas amigas da comunidade </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, Lanz faz sua rede de apoio se estender para além das páginas. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_27525" aria-describedby="caption-attachment-27525" style="width: 729px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27525 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/O-Escaravelho-do-Diabo-1-729x1024.jpg" alt=" Imagem da capa do livro O Escaravelho do Diabo. A arte de capa consiste em um fundo amarelado na parte superior e em um fundo verde a partir do meio da altura do livro. No fundo amarelado na parte superior, está escrito o nome da escritora, Lúcia Machado de Almeida, seguido do título da obra, O Escaravelho do Diabo. Ambos os nomes estão em caixa alta na cor verde. No fundo verde a partir do meio da altura do livro, está um desenho de um besouro de cor vermelha. Na parte inferior do livro, também de fundo verde, estão localizados os logos da Editora Ática em tom amarelado." width="729" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/O-Escaravelho-do-Diabo-1-729x1024.jpg 729w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/O-Escaravelho-do-Diabo-1-569x800.jpg 569w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/O-Escaravelho-do-Diabo-1-768x1079.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/O-Escaravelho-do-Diabo-1.jpg 926w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27525" class="wp-caption-text"><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/foi-um-risco-diz-diretor-sobre-adaptar-o-escaravelho-do-diabo/">O Escaravelho do Diabo</a> foi adaptado para as telas do Cinema em 2016 (Foto: Editora Ática)</figcaption></figure>
<p><b>Lúcia Machado de Almeida &#8211; O Escaravelho do Diabo (128 páginas, Ática)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos meados da década de 70, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Editora Ática</span></i><span style="font-weight: 400;"> lançou no Brasil a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BV_0jlXFWss"><i><span style="font-weight: 400;">Coleção Vaga-Lume</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma série de livros voltada para o público infantojuvenil. Facilmente reconhecidos pelas artes de capa emolduradas, grande parte dos títulos se tornaram clássicos que marcaram gerações. Entre eles, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Escaravelho do DiaboI,</span></i><span style="font-weight: 400;"> da autora mineira </span><a href="https://www.otempo.com.br/diversao/biografia-repassa-a-vida-da-escritora-e-mecenas-lucia-machado-de-almeida-1.2465632"><span style="font-weight: 400;">Lúcia Machado de Almeida</span></a><span style="font-weight: 400;">, foi e ainda é um dos principais responsáveis por despertar o interesse pelo suspense policial na literatura nacional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientada em uma pequena cidade do interior, a narrativa sobre a sequência de assassinatos de pessoas ruivas e a sua relação com besouros é repleta de mistério. Por se tratar de uma obra de leitura simples e por marcar presença nas estantes de leitura jovem das bibliotecas, </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2016/04/o-escaravelho-do-diabo-veja-10-curiosidades-da-serie-vaga-lume.html"><i><span style="font-weight: 400;">O Escaravelho do Diabo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> sempre entrou em contato com os leitores mais precoces. Por isso, não é exagero admitir que os escritos de Almeida formam e ensinam desde a sua primeira publicação. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_27533" aria-describedby="caption-attachment-27533" style="width: 663px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27533 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1-663x1024.jpg" alt="Reprodução da capa do livro As coisas de Tobias Carvalho. A capa é de um vermelho escuro e, por apenas um traço fino e preto, se forma um desenho de um rosto. Acima do título, que encontra-se no centro da capa, em letras brancas, encontra-se o nome do autor, escrito também em branco. Abaixo, informa-se que é um livro de contos e sua vitória no Prêmio Sesc de Literatura 2018. No canto inferior direito, o selo do Grupo Editorial Record." width="663" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1-663x1024.jpg 663w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1-518x800.jpg 518w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1-768x1186.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1-995x1536.jpg 995w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1-1326x2048.jpg 1326w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1-1200x1853.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1.jpg 1607w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27533" class="wp-caption-text">As Coisas, vencedor do Prêmio Sesc de Literatura, tece, em inúmeros fios, as aventuras de homens gays na vivência do desejo e da identidade (Foto: Grupo Editorial Record)</figcaption></figure>
<p><b>Tobias Carvalho &#8211; As Coisas (144 páginas, Record)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro de estreia do porto-alegrense Tobias Carvalho é uma abertura ao universo de encontros e desencontros de seus personagens, homens gays, moradores de Porto Alegre e engajados na negociação de suas afetividades na </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em seus contos, Carvalho traz momentos da vida cotidiana enclausurados em texto, levando o leitor até mesmo a se perguntar o que ocorreu realmente ao autor ou o que foi simplesmente uma conversa de bar guardada com um preciosismo digno de um item de colecionador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">As Coisas</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">o que pulsa é a vida desses homens em relação ao mundo exterior que os abraça e hostiliza simultaneamente. Desde uma discussão de relacionamento em mensagens de texto a sucessivas transas mediadas pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Grindr </span></i><span style="font-weight: 400;">em um dia de tédio, as experiências gays são contempladas e esmiuçadas como pequenas joias de uma realidade muitas vezes escondida na Literatura </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">que parece ainda negar as formas que pessoas homossexuais se </span><a href="https://www.record.com.br/as-coisas-de-tobias-carvalho/#:~:text=Mas%20acho%20tamb%C3%A9m%20que%20d%C3%A1%20para%20virar%20a%20p%C3%A1gina%2C%20falar%20sobre%20o%20que%20vem%20a%20partir%20da%C3%AD%2C%20naturalizar%20que%20as%20rela%C3%A7%C3%B5es%20homossexuais%20existem%2C%20mas%20estar%20atento%20%C3%A0s%20particularidades%20que%20elas%20trazem."><span style="font-weight: 400;">relacionam fora da ficção</span></a><span style="font-weight: 400;">, assim construindo a mesma e velha estória amparada na descoberta sexual e do jogo sedutor do sigilo. </span><b>&#8211; Enzo Caramori</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_27527" aria-describedby="caption-attachment-27527" style="width: 668px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27527 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1-668x1024.jpg" alt="Capa do livro Cartas de Amor aos Mortos. A capa apresenta um degradê de cima para baixo com as cores preto, azul escuro, tons de azul mais claro, roxo, lilás e coral. Entre as cores aparecem nuvens esbranquiçadas e estrelas de tamanhos variados, representando o céu. O título está centralizado e as palavras “Cartas”, “Amor” e “Mortos” tem fontes maiores em relação às outras. “Mortos” está grafado na cor preta e há uma menina sentada na primeira letra O com os pés apoiados na letra T, ela veste uma camiseta com short jeans e está escrevendo em um caderno. Na porção inferior da capa aparece o nome da autora e a editora, já na porção superior há um pequeno texto com a opinião de Stephen Chbosky sobre o livro." width="668" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1-668x1024.jpg 668w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1-522x800.jpg 522w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1-768x1178.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1-1001x1536.jpg 1001w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1-1335x2048.jpg 1335w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1-1200x1840.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1.jpg 1617w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27527" class="wp-caption-text">“Ninguém pode salvar ninguém, não de verdade. Não de si mesmo” (Foto: Editora Seguinte)</figcaption></figure>
<p><b>Ava Dellaira &#8211; Cartas de Amor aos Mortos (344 páginas, Seguinte)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado em 2014, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cartas de Amor aos Mortos</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o romance de estreia da norte- americana Ava Dellaira. Escrito em narrativa </span><a href="https://personaunesp.com.br/dracula-critica/"><span style="font-weight: 400;">epistolar</span></a><span style="font-weight: 400;">, o texto nos guia pelas palavras de Laurel, uma adolescente desestabilizada lidando com o luto gerado pela misteriosa morte de sua irmã mais velha, May. Tentando se reinventar, a protagonista começa o Ensino Médio em uma escola nova, e em suas aulas de Inglês recebe a curiosa tarefa de escrever uma carta para um morto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Motivada pela atividade, Laurel passa a escrever cartas para artistas como Kurt Cobain, </span><a href="https://personaunesp.com.br/pearl-janis-joplin-50-anos/"><span style="font-weight: 400;">Janis Joplin</span></a><span style="font-weight: 400;">, Heath Ledger, Judy Garland, Elizabeth Bishop e </span><a href="https://personaunesp.com.br/amy-winehouse-morte-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">Amy Winehouse</span></a><span style="font-weight: 400;">. Escrever para os mortos se torna um portal, não um que desvenda os segredos da morte, mas que guarda os da vida. Entre questionamentos sobre a trajetória das celebridades e reflexões geradas pelo seu próprio dia a dia, cada carta revela uma parte do consternante amontoado de angústias residentes na personagem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto dedica seus monólogos letrados a uma celebridade ou outra, Laurel mostra a verdade, e seus medos, inseguranças, traumas, amores e individualidade ganham espaço nas grafias. Assim, dos dramas às conquistas, a autora entrega uma descrição moldada por palavras tão sinceras e palpáveis que permitem ao leitor a experimentação mais genuína e aflitiva da empatia. Em suma, </span><a href="https://www.meon.com.br/meonjovem/alunos/resenha-cartas-de-amor-aos-mortos"><i><span style="font-weight: 400;">Carta de Amor aos Mortos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é apaixonante ao destrinchar a controversa dor do amor. </span><b>&#8211; Jamily Rigonatto</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_27528" aria-describedby="caption-attachment-27528" style="width: 686px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27528 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1-686x1024.jpg" alt="Capa do livro Barba ensopada de sangue. Na imagem, há um fundo vermelho com pequenas manchas em cor branca, simulando fios de barba. À direita, está escrito “Barba ensopada de sangue” em fonte de cor branca. Abaixo, está o logo da editora Companhia das Letras, em fonte de cor branca, e à esquerda está escrito “Daniel Galera”, também em fonte de cor branca." width="686" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1-686x1024.jpg 686w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1-536x800.jpg 536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1-768x1147.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1-1029x1536.jpg 1029w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1-1371x2048.jpg 1371w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1-1200x1792.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1.jpg 1664w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27528" class="wp-caption-text">Barba ensopada de sangue é o 4º romance de Daniel Galera, e completa 10 anos em Maio de 2022 (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Daniel Galera &#8211; Barba ensopada de sangue (424 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nascido em São Paulo, mas radicado em Porto Alegre, </span><a href="https://danielgalera.info/#livros"><span style="font-weight: 400;">Daniel Galera</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi um dos fundadores da editora </span><a href="https://periodicos.unb.br/index.php/estudos/article/view/37422"><i><span style="font-weight: 400;">Livros do Mal</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2001-2004) – junto a </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=13510"><span style="font-weight: 400;">Daniel Pellizzari</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Guilherme Pilla. Além de escritor de fôlego, é também ensaísta e tradutor literário, tendo vertido para o português obras de </span><a href="https://personaunesp.com.br/graca-infinita-critica/"><span style="font-weight: 400;">David Foster Wallace</span></a><span style="font-weight: 400;">, Zadie Smith e Chris Ware. Em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=12453"><i><span style="font-weight: 400;">Barba ensopada de sangue</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – seu quarto e premiado romance, que completa 10 anos de lançamento em 2022 –, acompanhamos um protagonista sem nome (por vezes chamado de “nadador”), um professor de Educação Física que, após o suicídio do pai, se muda para Garopaba, cidade litorânea de Santa Catarina. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse personagem possui uma condição: não é capaz de memorizar faces. Dessa forma, se esquece também de suas próprias feições, percebendo posteriormente que são similares à do seu avô, assassinado no passado, cujas circunstâncias do crime seguem obscurecidas. Ao estilo das obras de </span><a href="https://www.theguardian.com/culture/2022/mar/09/cormac-mccarthy-two-new-novels-coming-in-2022-16-years-after-the-road"><span style="font-weight: 400;">Cormac McCarthy</span></a><span style="font-weight: 400;">, vagamos através da história como espectros, guiados por narrações em terceira pessoa e diálogos reveladores. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em alguns momentos, a observação excessiva sobre pequenos detalhes reafirma a condição do protagonista – única voz que nos apresenta a narrativa –, evidenciando aquilo que ele próprio vê: um emaranhado de acontecimentos cometidos por pessoas sem rosto, lembradas por seus gestos e particularidades. </span><i><span style="font-weight: 400;">Barba ensopada de sangue</span></i><span style="font-weight: 400;"> é potente ao revelar as diversas situações e condições que se somam para constituir a identidade, além de apontar para uma certa hereditariedade de acontecimentos que sucedem nossas vidas. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_27529" aria-describedby="caption-attachment-27529" style="width: 668px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27529 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador-668x1024.jpg" alt="Capa do livro O Observador no Escritório, de Carlos Drummond de Andrade. A imagem tem fundo branco, que recebe uma fotografia em preto e branco do autor, ocupando a metade inferior da capa. Ele é um homem branco, usa óculos grossos arredondados e um terno escuro. Carlos está sentado à frente de uma mesa, com as mãos repousadas sobre uma máquina de escrever. Ele olha para o lado direito, fora da imagem. Na linha superior, está escrito o nome do livro, em fonte simples e caixa alta, num tom de verde médio. Embaixo do título, está o nome do autor, no mesmo estilo de fonte, porém em preto. No canto inferior direito da capa, existe o logo da editora, também em preto sob o fundo branco." width="668" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador-668x1024.jpg 668w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador-522x800.jpg 522w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador-768x1177.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador-1002x1536.jpg 1002w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador-1336x2048.jpg 1336w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador-1200x1839.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador.jpg 1618w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27529" class="wp-caption-text">Reza a lenda que por pouco os diários pessoais de Carlos Drummond de Andrade perderam-se para sempre antes de se transformarem no livro lançado em 1985, sendo um alvo desejado e material quase findado pela tesoura crítica do autor (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Carlos Drummond de Andrade &#8211; O Observador no Escritório (272 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A medida que os fantasticamente ordinários contos de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão</span></i><span style="font-weight: 400;"> eram manifestos na linguagem crua e radical de Lygia Fagundes Telles, o fundo bruto de realidade da Dama da Literatura brasileira parecia evocar uma aproximação com a capacidade analítica criativa do nosso </span><i><span style="font-weight: 400;">poeta de sete faces</span></i><span style="font-weight: 400;">. O fenômeno ainda está em fase de compreensão, mas para compor a mais recente Estante do Persona, não pude deixar de atender ao clamor de Carlos Drummond de Andrade e de sua obra diarista, que ao construir suas observações de mundo com a perspicácia de sempre e um humor refresco, se coloca, de uma forma intrigante e bem específica, mais uma vez ao lado de sua querida </span><a href="https://personaunesp.com.br/1922-2022-o-que-e-ser-moderno-no-brasil-artigo/"><span style="font-weight: 400;">parceira modernista</span></a><span style="font-weight: 400;"> com </span><i><span style="font-weight: 400;">O Observador no Escritório</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É fato que a amizade entre </span><a href="https://vermelho.org.br/2012/11/20/lygia-fagundes-telles-ele-me-estendeu-a-mao/"><span style="font-weight: 400;">Telles e Drummond</span></a><span style="font-weight: 400;"> já detém &#8211; literalmente &#8211; a licença poética necessária para esse tipo de referência. Mas algo especial acontecia quando Carlos encerrava seu hábito de tomar notas pessoais, mantido desde 1943, em setembro de 1977 &#8211; dez anos antes de sua morte e um ano antes do lançamento da referida obra de Lygia. Ela, emergindo suas palavras nas camadas profundas das relações humanas, recorria à ficção. Ele, atento e envolvido em um período de intensas mudanças no país, se encarregava de retratá-lo com sinceridade e riqueza de linguagem. E quando um dos auges da ficcionalização dela se relaciona com o centro da realidade dele, o resultado é um daqueles eventos celestes tão estrondosos quanto misteriosos, que só o universo da Literatura pode conceber. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-abril-de-2022/">Estante do Persona – Abril de 2022</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-abril-de-2022/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">27520</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
