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	<title>Arquivos 2020 &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos 2020 &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Há 5 anos, Taylor Swift transformava isolamento em enredo e silêncio em poesia com folklore</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Aug 2025 13:00:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Marcela Jardim Cinco anos atrás, em julho de 2020, Taylor Swift surpreendia o mundo ao lançar folklore, um disco inesperado em todos os sentidos. Lançado sem anúncio prévio, no auge do isolamento pandêmico, o álbum marcava uma guinada radical em sua estética musical e narrativa. Longe da grandiosidade colorida de Lover (2019) ou da pulsação &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ha-5-anos-taylor-swift-transformava-isolamento-em-enredo-e-silencio-em-poesia-com-folklore/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 5 anos, Taylor Swift transformava isolamento em enredo e silêncio em poesia com folklore"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35479" aria-describedby="caption-attachment-35479" style="width: 900px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-35479" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image3-3.png" alt="Capa do álbum folklore. Fotografia em preto e branco de uma floresta alta e densa envolta por neblina, com árvores longilíneas e um ambiente silencioso e etéreo. No centro inferior da imagem, Taylor Swift aparece sozinha, de pé entre as árvores, vestindo um longo sobretudo xadrez de estilo vintage. Sob o casaco, vislumbra-se um vestido fluido. Seu cabelo está solto, levemente ondulado e natural, caindo sobre os ombros. Ela mantém uma postura estática e contemplativa, com os braços relaxados ao lado do corpo. Sua figura humana se funde ao cenário melancólico, evocando introspecção e solidão bucólica." width="900" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image3-3.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image3-3-150x150.png 150w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-35479" class="wp-caption-text">folklore é o 8° álbum de estúdio da cantora (Foto: Universal Republic Records)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Jardim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cinco anos atrás, em julho de 2020, Taylor Swift surpreendia o mundo ao lançar folklore, um disco inesperado em todos os sentidos. Lançado sem anúncio prévio, no auge do isolamento pandêmico, o álbum marcava uma guinada radical em sua estética musical e narrativa. Longe da grandiosidade colorida de </span><a href="https://personaunesp.com.br/aniversario-lover-5anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Lover</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019) ou da pulsação icônica de </span><i><span style="font-weight: 400;">Reputation </span></i><span style="font-weight: 400;">(2017), </span><i><span style="font-weight: 400;">folklore </span></i><span style="font-weight: 400;">é cinza, úmido e contido. Um mergulho no íntimo. Em meio ao silêncio coletivo que marcava aquele momento da história, Swift parecia responder com um disco que não gritava, mas sussurrava. Que não seduzia com batidas, mas encantava com palavras, texturas e histórias fragmentadas. A obra é, antes de tudo, um disco de escuta – não para tocar no carro em movimento, e sim para ouvir como quem lê um diário escondido entre folhas velhas.</span></p>
<p><span id="more-35476"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao lado de Aaron Dessner (</span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/artist/2cCUtGK9sDU2EoElnk0GNB?si=MT2aVesYTGeJkpcpQpAKXg"><i><span style="font-weight: 400;">The National</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-tortured-poets-department-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jack Antonoff</span></a><span style="font-weight: 400;">, Swift trocou os refrões brilhantes por melodias etéreas e minimalistas. Os arranjos soam como se estivessem sendo tocados dentro de uma cabana de madeira, entre ecos e passos lentos. O piano é o protagonista discreto de muitas faixas, acompanhado por cordas delicadas e sintetizadores ambientes que criam um clima de suspensão. Em vez da intensidade emocional à flor da pele, </span><a href="https://personaunesp.com.br/folklore-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">folklore</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> trabalha com a memória, com a ausência, com o que foi e não volta. A ausência de espetáculo visual e a estética </span><i><span style="font-weight: 400;">cottagecore </span></i><span style="font-weight: 400;">ajudaram a cimentar a imagem de um disco feito fora do tempo e das exigências da indústria. Entretanto, por trás dessa escolha está também um gesto artístico: Taylor Swift deixa de se colocar no centro e escolhe contar histórias – às vezes suas, às vezes de personagens imaginados, e muitas vezes uma mistura de ambos.<br />
</span></p>
<figure id="attachment_35478" aria-describedby="caption-attachment-35478" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35478" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image2-2-800x450.png" alt="Imagem em preto e branco, em plano fechado, com fundo desfocado de natureza banhada por luz suave. Taylor Swift aparece em destaque, olhando sobre o ombro em direção à câmera com expressão serena e levemente melancólica. Seu cabelo está preso em um coque solto, com mechas onduladas caindo suavemente ao redor do rosto. Ela usa um vestido de alça fina, e sua pele reflete a luz natural com delicadeza. Uma das mãos toca o rosto num gesto suave, criando uma atmosfera de intimidade, fragilidade e contemplação." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image2-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image2-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image2-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image2-2.png 1077w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35478" class="wp-caption-text">hoax e the 1 foram as últimas músicas adicionadas no disco (Foto: Beth Garrabrant)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse impulso narrativo ganha forma exemplar no núcleo mais comentado do disco: o triângulo amoroso formado pelas faixas </span><i><span style="font-weight: 400;">cardigan</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">august</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">betty</span></i><span style="font-weight: 400;">. Nas três músicas, Swift constrói uma mesma história sob diferentes pontos de vista, como se pedisse ao ouvinte que montasse o quebra-cabeça com as peças que ela oferece. Em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/4R2kfaDFhslZEMJqAFNpdd?si=c6d5e94c4b9f4b3e"><i><span style="font-weight: 400;">cardigan</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, temos a jovem Betty, traída e melancólica, lembrando como foi descartada e depois procurada de novo. A canção é um lamento doce, com um piano melódico que acompanha o ressentimento contido da personagem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/3hUxzQpSfdDqwM3ZTFQY0K?si=b7956d9bc0234da3"><i><span style="font-weight: 400;">august</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> a narrativa muda: agora ouvimos a voz da garota com quem James – o elo do triângulo – viveu um caso de verão. Ela não é a vilã: é apenas alguém que acreditou em promessas não ditas, alguém que se entregou à ilusão com os pés descalços na areia. Por fim, </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/5kI4eCXXzyuIUXjQra0Cxi?si=c0cc126837604f31"><i><span style="font-weight: 400;">betty</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> apresenta o lado de James, em uma tentativa de desculpas juvenil, marcada por insegurança, culpa e nostalgia. É uma canção </span><i><span style="font-weight: 400;">country-pop </span></i><span style="font-weight: 400;">que parece resgatar a loirinha adolescente dos primeiros discos, mas com a maturidade narrativa de uma artista que agora compreende a complexidade emocional de todos os envolvidos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao construir esse triângulo, Swift rompe com a lógica binária das relações afetivas – não há heróis ou vilões, apenas pessoas tentando lidar com as consequências de seus atos. Essa escolha revela um amadurecimento não apenas lírico, como também ético. A cantora, que antes narrava suas relações com clareza autobiográfica, agora opta por ficcionalizar, e, ao fazer isso, amplia o escopo de sua arte. Mais do que expor suas dores, ela oferece ao ouvinte a experiência de habitar outras subjetividades. É um gesto que exige escuta e empatia. </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/0PZ7lAru5FDFHuirTkWe9Z"><i><span style="font-weight: 400;">folklore</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, portanto, não é apenas um disco sobre sentimentos, é sobre perspectivas, sobre a instabilidade das verdades afetivas e sobre a beleza de contar histórias que nunca podem ser totalmente lineares.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Taylor Swift - cardigan" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/K-a8s8OLBSE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Da mesma forma, há duas faixas centrais de </span><i><span style="font-weight: 400;">folklore</span></i><span style="font-weight: 400;"> que dialogam com as ideias de narrativa, ficcionalização e crítica social: </span><i><span style="font-weight: 400;">mad woman</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">the last great american dynasty</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ambas revelam uma faceta sagaz de Taylor Swift: a da cronista que observa estruturas de poder, gênero e memória com ironia e precisão. Em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/2QDyYdZyhlP2fp79KZX8Bi?si=7d08a16a91fe4839"><i><span style="font-weight: 400;">mad woman</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> ela retoma um dos temas mais recorrentes de sua obra – a demonização da mulher raivosa –, porém aqui o faz com sutileza e veneno contido. A música é um sussurro ácido sobre a forma como a raiva feminina é sempre lida como loucura, enquanto a violência masculina é banalizada ou justificada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/2Eeur20xVqfUoM3Q7EFPFt?si=0d9f31520b5e498c"><i><span style="font-weight: 400;">the last great american dynasty</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é, talvez, o experimento narrativo mais ousado do álbum. Inspirada na vida de </span><a href="https://www.vogue.com/article/the-outrageous-life-of-rebekah-harkness-taylor-swifts-high-society-muse"><span style="font-weight: 400;">Rebekah Harkness</span></a><span style="font-weight: 400;">, antiga proprietária da mansão comprada por Swift em Rhode Island, a música transforma uma figura histórica marginalizada em personagem de uma pequena epopeia feminista. A canção narra os escândalos que marcaram a vida de Rebekah com um tom quase jornalístico até que, no fim, a intérprete vira a lente para si mesma e traça um paralelo entre elas. Ao se colocar como herdeira simbólica daquela mulher ‘difamada’, a compositora afirma a continuidade de um ciclo: mulheres que ousam viver fora das regras continuam sendo chamadas de ‘erradas’ e ‘problemáticas’. Essas duas canções, portanto, não apenas aprofundam o caráter literário de </span><i><span style="font-weight: 400;">folklore</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas também o politizam.<br />
</span></p>
<figure id="attachment_35481" aria-describedby="caption-attachment-35481" style="width: 400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-35481" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image5-1.png" alt="Foto em preto e branco de um campo gramado com árvores ao fundo, parcialmente ocultas pela névoa. Taylor Swift está em pé no centro da imagem, usando um vestido leve de tecido xadrez com decote em “V”, por baixo de um longo casaco também xadrez. Seu cabelo está solto, com franjas e ondas suaves, compondo um visual natural e descomplicado. Ela segura as lapelas do casaco com ambas as mãos, enquanto seu olhar está voltado para o horizonte, com uma expressão calma e distante. A imagem evoca uma estética rural, silenciosa e nostálgica, com um ar de delicadeza melancólica." width="400" height="491" /><figcaption id="caption-attachment-35481" class="wp-caption-text">my tears ricochet foi a única música do disco escrita 100% pela intérprete (Foto: Beth Garrabrant)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, há espaço para autorreferência e introspecção, marcas que Taylor Swift nunca abandonou, mesmo em sua fase mais ficcional. Em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/0ZNU020wNYvgW84iljPkPP?si=f98272cc95b648f5"><i><span style="font-weight: 400;">mirrorball</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ela se revela como uma artista frágil, refletindo as expectativas alheias como uma bola de espelhos que só existe enquanto gira. A metáfora é clara: Swift vive da performance constante, moldando-se ao olhar do público, ainda quando isso fere sua própria identidade. </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/7kt9e9LFSpN1zQtYEl19o1?si=a6d010d8eda0423a"><i><span style="font-weight: 400;">this is me trying</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> amplia essa exposição emocional. Nela, a narradora – talvez um personagem, talvez ela mesma – confessa arrependimentos profundos, como quem carrega o peso de seu potencial desperdiçado. É uma canção sobre o esforço silencioso de continuar, na mesma forma quando tudo parece perdido, e sua atmosfera rarefeita transmite um cansaço emocional difícil de nomear.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já <a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/1MgV7FIyNxIG7WzMRJV5HC?si=a0b24b0adc6c4f12"><i>my tears ricochet</i></a> mergulha em um território ainda mais sombrio, frequentemente lido como um lamento direcionado à antiga gravadora da cantora, após a disputa pelos <a href="https://www.bbc.com/news/articles/cp3n799d0v5o">direitos de suas masters</a>. Mas, Swift transforma esse conflito empresarial em um funeral simbólico, onde ressentimentos ganham forma poética. A música não trata apenas de rupturas profissionais, e sim de de traições profundas, da dor de ter sua história tomada e recontada por outros. Juntas, essas faixas formam um eixo mais íntimo dentro de <i>folklore</i>, um espaço onde a artista deixa que suas próprias falhas, mágoas e cicatrizes apareçam – mesmo que envoltas por sussurros e metáforas. São momentos em que a ficção recua, e a vulnerabilidade se impõe.<br />
</span></p>
<figure id="attachment_35480" aria-describedby="caption-attachment-35480" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35480" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image4-1-800x453.png" alt="Imagem em preto e branco mostrando um campo extenso de vegetação alta, com árvores ao fundo suavemente embaçadas pela luz intensa. Taylor Swift aparece no centro da composição, de perfil, olhando por cima do ombro direito. Ela usa um vestido longo, claro e esvoaçante, com mangas bufantes e detalhes delicados, em um estilo romântico e campestre. Seus cabelos estão presos em um coque baixo e solto, e a luz cria uma aura difusa ao seu redor, quase etérea. A imagem evoca uma atmosfera de sonho, contemplação e afastamento." width="800" height="453" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image4-1-800x453.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image4-1-1024x579.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image4-1-768x435.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image4-1-1536x869.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image4-1-1200x679.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image4-1.png 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35480" class="wp-caption-text">No Spotify, folklore teve o maior número de streams de abertura por um álbum em 2020, com mais de 80,6 milhões de reproduções globais no primeiro dia (Foto: Beth Garrabrant)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as canções mais comoventes de </span><i><span style="font-weight: 400;">folklore</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">epiphany</span></i><span style="font-weight: 400;"> se destaca por seu tom quase sacral e sua carga simbólica. A faixa é uma das mais atmosféricas e lentas do álbum, construída sobre camadas etéreas de sintetizadores e vocais distantes, como se estivesse sendo cantada de dentro de um sonho. Aqui, Taylor Swift costura duas narrativas: a do avô materno, Dean Swift, que lutou na Batalha de Guadalcanal na Segunda Guerra Mundial, e a dos profissionais de saúde que atuavam na linha de frente da pandemia de COVID-19. </span><a href="https://www.teenvogue.com/story/taylor-swift-called-out-people-who-wont-wear-masks-covid-19"><span style="font-weight: 400;">Segundo a própria artista</span></a><span style="font-weight: 400;">, a canção foi escrita como uma homenagem àqueles que, em tempos de guerra ou de crise sanitária, encaram o sofrimento humano com coragem silenciosa, muitas vezes sem reconhecimento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em versos como </span><i><span style="font-weight: 400;">“Only twenty minutes to sleep / But you dream of some </span></i><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/08fa9LFcFBTcilB3iq2e2A?si=77ec5016f3a04eac"><i><span style="font-weight: 400;">epiphany</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> / Just one single glimpse of relief,”</span></i><span style="font-weight: 400;"> ela traduz o esgotamento físico e emocional de médicos e enfermeiros, capturando com delicadeza a solidão e a carga psíquica desses profissionais durante o colapso hospitalar de 2020. Ao fazer essa conexão entre gerações e formas de cuidado, Swift amplia o escopo temático do disco, mostrando que </span><i><span style="font-weight: 400;">folklore</span></i><span style="font-weight: 400;"> também é uma crônica do tempo em que foi criado, e que mesmo nas canções mais etéreas, pulsa um comentário agudo sobre o mundo real.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado,</span><i><span style="font-weight: 400;"> exile </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">illicit affairs</span></i><span style="font-weight: 400;">, são dois dos momentos mais pungentes de </span><i><span style="font-weight: 400;">folklore</span></i><span style="font-weight: 400;">, explorando diferentes formas de distanciamento afetivo. Em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/4pvb0WLRcMtbPGmtejJJ6y?si=c72aac336a204bbd"><i><span style="font-weight: 400;">exile</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um dueto com Justin Vernon (</span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/artist/4LEiUm1SRbFMgfqnQTwUbQ?si=uJXj3n9ARWmeVZH6JyjSxg"><span style="font-weight: 400;">Bon Iver</span></a><span style="font-weight: 400;">), Swift constrói uma conversa entre dois ex-amantes que já não se entendem mais, como se falassem línguas diferentes. A troca de vozes, quase teatral, transforma a canção em um confronto resignado, em que mágoas antigas são ditas com frieza. Já </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/2NmsngXHeC1GQ9wWrzhOMf?si=ddaf05d25d95406b"><i><span style="font-weight: 400;">illicit affairs</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é uma narrativa contida, delicada, sobre o desgaste de um romance clandestino, onde o amor dá lugar à vergonha e ao autoapagamento. A canção começa suave, quase cúmplice, entretanto culmina em um dos momentos mais intensos do álbum, quando Swift canta com amargura: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Don’t call me kid / Don’t call me baby.”</span></i><span style="font-weight: 400;"> Ambas as faixas falam de relações condenadas, cada uma à sua maneira – uma como fim inevitável, outra como ruína emocional.<br />
</span></p>
<figure id="attachment_35477" aria-describedby="caption-attachment-35477" style="width: 400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-35477" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image1-2.png" alt="Foto em preto e branco capturada de costas, com Taylor Swift correndo por um campo de grama alta. Ela veste um vestido claro e fluido, com barra ondulando ao vento, parcialmente coberto por um casaco escuro e largo que cai sobre os ombros. Seus cabelos estão presos em um coque baixo e bagunçado. A imagem captura o movimento da fuga ou da liberdade, com um ar de espontaneidade e melancolia bucólica. A floresta desfocada ao fundo completa o cenário natural e introspectivo." width="400" height="536" /><figcaption id="caption-attachment-35477" class="wp-caption-text">folklore e evermore, o álbum lançado meses depois, são considerados irmãos pelos fãs e pela própria artista (Foto: Beth Garrabrant)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em novembro de 2020, Taylor Swift deu um passo além com a estreia de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eHwZL17duJY"><i><span style="font-weight: 400;">folklore: The Long Pond Studio Sessions</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney+</span></i><span style="font-weight: 400;">. Dirigido e produzido por ela, este documentário-concerto íntimo foi gravado no </span><i><span style="font-weight: 400;">Long Pond Studio</span></i><span style="font-weight: 400;">, no interior de Nova York. O projeto apresenta versões acústicas de todas as 17 faixas originais, intercaladas por conversas descontraídas entre Swift, Aaron Dessner e Jack Antonoff, seja à beira de lareira ou com whisky e vinho à mão, revelando detalhes inéditos do processo de composição e produção. Além disso, durante a gravação, a artista aproveitou o momento para escrever novas músicas fora das câmeras, que mais tarde seriam incluídas em </span><a href="https://personaunesp.com.br/evermore-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">evermore</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, seu álbum lançado logo em seguida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cinco anos depois, </span><i><span style="font-weight: 400;">folklore</span></i><span style="font-weight: 400;"> segue como uma das obras mais reverberantes da discografia de Swift, não apenas pelo impacto imediato que teve, como o </span><a href="https://www.grammy.com/news/taylor-swift-wins-album-year-folklore-2021-grammys"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Álbum do Ano, por exemplo, mas por sua permanência afetiva e estética. É um disco que envelhece como uma carta escrita à mão: quanto mais o tempo passa, mais ele parece dizer. Sua influência estética também foi profunda: abriu caminho para obras como </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/5jmVg7rwRcgd6ARPAeYNSm"><i><span style="font-weight: 400;">evermore</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e inspirou outras artistas a adotarem uma postura mais narrativa, melancólica e silenciosa em meio ao ruído constante da era digital.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">folklore</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, enfim, um marco de reinvenção, não apenas como movimento estratégico de carreira. Ele representa uma inflexão emocional, uma pausa no ritmo, um retorno à escuta. Ao trocarem o palco iluminado por uma cabana de lembranças, </span><a href="https://personaunesp.com.br/aniversario-lover-5anos/"><span style="font-weight: 400;">Taylor Swift</span></a><span style="font-weight: 400;"> e seus personagens nos ensinaram que a ficção também pode ser uma forma de dizer a verdade. E que, muitas vezes, há mais honestidade em um sussurro bem contado do que em um grito confessional. É por isso que, meia década depois, ainda ouvimos o disco</span> <span style="font-weight: 400;">como quem entra devagar em uma casa antiga: sabendo que ali, no meio do silêncio e da madeira, há histórias que continuam pulsando.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: folklore (deluxe version)" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/1pzvBxYgT6OVwJLtHkrdQK?si=mV4KXgAMSTq_o1wb6Q3ZpQ&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Há 5 anos, a 7ª temporada de Brooklyn Nine-Nine trazia novos personagens e uma fase inédita de Peraltiago</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Apr 2025 16:46:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Marcela Jardim O gênero das sitcoms policiais ganhou um novo fôlego com Brooklyn Nine-Nine, série criada por Michael Schur e Dan Goor, que conquistou o público ao mesclar humor afiado e críticas sociais relevantes. Estreando sua sétima temporada há cinco anos, em 2020, a produção já havia passado por momentos turbulentos, como o cancelamento pela &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-7a-temporada-de-brooklyn-nine-nine/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 5 anos, a 7ª temporada de Brooklyn Nine-Nine trazia novos personagens e uma fase inédita de Peraltiago"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35202" aria-describedby="caption-attachment-35202" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35202" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image1-5-800x400.png" alt="Cena da série Brooklyn Nine-Nine. Na imagem, há sete pessoas alinhadas em uma sala da delegacia, todas vestindo camisetas de manga comprida azul-marinho com o distintivo da polícia de Nova York no lado esquerdo do peito. À esquerda, Holt, que é um homem negro e careca, mantém uma expressão séria, enquanto ao seu lado Scully, um homem branco de cabelo curto grisalho, parece surpreso, com a boca entreaberta. No centro, Rosa, uma mulher de cabelos longos e escuros, está de braços cruzados, transmitindo confiança. Ao lado dela, Jake, um homem branco de cabelo castanho curto também mantém os braços cruzados, com uma expressão firme. Mais à direita, Amy, uma mulher de cabelos escuros presos sorri levemente, e ao seu lado, Hitchcock, um homem branco careca aparece parcialmente visível e parece confuso. À extrema direita, Debbie, uma mulher branca de cabelos ruivos curtos sorri abertamente, parecendo a mais descontraída do grupo. Todos estão observando algo à frente, sugerindo que aguardam alguma instrução ou estão prestes a entrar em ação." width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image1-5-800x400.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image1-5-1024x512.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image1-5-768x384.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image1-5-1200x600.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image1-5.png 1400w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35202" class="wp-caption-text">A série quase foi cancelada, porém, os direitos foram comprados pela NBC (Foto: NBC)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Jardim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O gênero das </span><i><span style="font-weight: 400;">sitcoms</span></i><span style="font-weight: 400;"> policiais ganhou um novo fôlego com </span><a href="https://personaunesp.com.br/brooklyn99-7a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Brooklyn Nine-Nine</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, série criada por Michael Schur e Dan Goor, que conquistou o público ao mesclar humor afiado e críticas sociais relevantes. Estreando sua sétima temporada há cinco anos, em 2020, a produção já havia passado por momentos turbulentos, como o cancelamento pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Fox </span></i><span style="font-weight: 400;">e o subsequente resgate pela </span><i><span style="font-weight: 400;">NBC</span></i><span style="font-weight: 400;">. Esse novo ciclo veio em um momento de transição, trazendo desafios narrativos e estruturais para o seriado, que precisava manter sua identidade ao mesmo tempo em que lidava com mudanças significativas. </span></p>
<p><span id="more-35201"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com menos episódios, a sétima fase buscou equilibrar sua comédia característica com um desenvolvimento mais maduro de seus personagens e relações. Tais transformações já podem ser percebidas nos capítulos iniciais, que abordam a luta de Holt (Andre Braugher) para recuperar sua posição como capitão e a adaptação do time a essa nova dinâmica. Além disso, Jake (</span><a href="https://personaunesp.com.br/palm-springs-critica/"><span style="font-weight: 400;">Andy Samberg</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Amy (Melissa Fumero) iniciam um novo momento da vida de casados: a tentativa de ter filhos.</span></p>
<figure id="attachment_35204" aria-describedby="caption-attachment-35204" style="width: 780px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35204" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image3-5.png" alt="Cena da série Brooklyn Nine-Nine. Na imagem, um grupo de cinco pessoas está reunido em uma delegacia, todos com expressões sérias e posturas fechadas. À esquerda, Rosa, uma mulher de cabelos longos e escuros, veste uma jaqueta preta sobre uma blusa preta. Ao lado dela, Holt, um homem negro, careca, usa uma camisa branca de mangas longas com insígnias da polícia e uma gravata preta, transmitindo uma presença autoritária. No centro, Jake, um homem branco de cabelos curtos e castanhos veste uma camisa xadrez azul sob um moletom escuro, com os braços cruzados. À sua direita, Amy, uma mulher de cabelos escuros presos, veste um uniforme policial preto e segura uma prancheta contra o peito. Por fim, à extrema direita, Charles, um homem branco de cabelo curto veste uma camisa bege de manga curta com uma gravata marrom e mantém as mãos nos quadris, parecendo atento à conversa." width="780" height="438" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image3-5.png 780w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image3-5-768x431.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35204" class="wp-caption-text">Stephanie Beatriz fez o teste para interpretar Amy Santiago, enquanto Melissa Fumero também era cotada para o papel (Foto: NBC)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A etapa, até então inédita, teve um começo movimentado com </span><i><span style="font-weight: 400;">Manhunter</span></i><span style="font-weight: 400;">, no qual o esquadrão lida com um atentado, enquanto Holt enfrenta desafios como oficial de patrulha e tem dificuldade de não estar em uma posição de liderança. Para mais, Amy desconfia que está grávida e pede a ajuda de Rosa (</span><a href="https://personaunesp.com.br/encanto-critica/"><span style="font-weight: 400;">Stephanie Beatriz</span></a><span style="font-weight: 400;">). Em seguida, </span><i><span style="font-weight: 400;">Captain Kim</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresenta uma nova comandante que tenta ganhar a confiança do time, mas Peralta e o capitão desconfiam da sua real intenção, enquanto Santiago faz de tudo para que ela se sinta bem vinda à delegacia. O humor caótico volta com força em </span><i><span style="font-weight: 400;">Pimemento</span></i><span style="font-weight: 400;">, trazendo um antigo amigo de Jake e Charles (Joe Lo Truglio) com amnésia e mergulhando em situações absurdas e perigosas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessa nova fase, a série retoma elementos clássicos que marcaram o esquadrão, equilibrando humor com doses de emoção e desenvolvimento pessoal, como em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Jimmy Jab Games II</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">The Takeback</span></i><span style="font-weight: 400;">, com a volta de Doug Judy (</span><a href="https://personaunesp.com.br/the-office-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">Craig Robinson</span></a><span style="font-weight: 400;">). As competições internas e as dinâmicas entre personagens trazem um senso de continuidade e nostalgia, ao mesmo tempo em que exploram as transformações dos protagonistas diante de novas responsabilidades, como o amadurecimento do protagonista ao construir uma família com a esposa abordado em </span><i><span style="font-weight: 400;">Trying</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ainda que alguns conflitos pareçam reciclados, a temporada se sustenta ao misturar bem a leveza das interações cômicas com momentos mais sensíveis, como dilemas pessoais e reviravoltas inesperadas dentro da delegacia.</span></p>
<figure id="attachment_35205" aria-describedby="caption-attachment-35205" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35205" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image4-2-800x450.png" alt="Cena da série Brooklyn Nine-Nine. Na imagem, Jake, um homem branco de cabelos castanhos curtos veste uma camisa xadrez azul e um colete à prova de balas com a sigla &quot;NYPD&quot; estampada na frente. Ele também tem um distintivo preso ao colete e exibe uma expressão confusa ou preocupada enquanto conversa com outra pessoa, que aparece de costas. Essa segunda pessoa também veste um colete idêntico, com a mesma sigla policial, e parece estar ouvindo atentamente o que o homem à sua frente está dizendo. O cenário ao fundo sugere um evento ou cerimônia policial, com faixas azuis e inscrições que remetem a uma campanha ou evento oficial." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image4-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image4-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image4-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image4-2-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image4-2-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image4-2.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35205" class="wp-caption-text">Andy Samberg realmente é apaixonado por Duro de Matar, por isso seu personagem faz tantas referências na série (Foto: NBC)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na segunda metade da sequência, a série tentou diversificar suas narrativas. </span><i><span style="font-weight: 400;">Dillman </span></i><span style="font-weight: 400;">trouxe um novo personagem, que já trabalhou com </span><a href="https://canaltech.com.br/entretenimento/andre-braugher-melhores-filmes-series/"><span style="font-weight: 400;">Holt</span></a><span style="font-weight: 400;"> anteriormente, para desvendar quem foi o responsável por uma pegadinha que danificou a evidência de um caso importante. Além disso, essa etapa também trouxe episódios mais emocionantes, como</span><i><span style="font-weight: 400;"> Admiral Peralta</span></i><span style="font-weight: 400;">, que aprofunda a relação conturbada de Jake com seu pai, que teve os mesmos problemas com o avô, isso tudo enquanto tentam preparar o chá de bebe do primeiro filho do casal principal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Obviamente teve a volta do </span><a href="https://rollingstone.com.br/entretenimento/brooklyn-nine-nine-todos-os-episodios-de-halloween-do-pior-para-o-melhor-lista/#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">Roubo de Halloween</span></a><span style="font-weight: 400;"> em </span><i><span style="font-weight: 400;">Valloweaster</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">que, desta vez, foi transformado em um Roubo de Dia dos Namorados e Páscoa, mantendo a essência da competição entre os detetives. </span><i><span style="font-weight: 400;">Ransom </span></i><span style="font-weight: 400;">trouxe uma trama mais inusitada ao colocar Cheddar, o amado cachorro do capitão, no centro de um sequestro desesperador para os pais do cãozinho. Ao mesmo tempo, Rosa entra numa competição contra o ex-namorado entediante e chato de Amy. Por fim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Lights Out</span></i><span style="font-weight: 400;"> encerra a temporada com um apagão caótico no Brooklyn, culminando no aguardado nascimento do filho de Peralta e Santiago. Apesar de algumas tramas parecerem menos inovadoras, a etapa conseguiu equilibrar humor e desenvolvimento dos personagens, consolidando sua transição para um tom mais maduro.</span></p>
<figure id="attachment_35203" aria-describedby="caption-attachment-35203" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35203" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image2-5-800x457.jpg" alt="Cena da série Brooklyn Nine-Nine. Na imagem, Jake, um homem branco de cabelos castanhos curtos veste uma camisa xadrez azul e vermelha e sorri abertamente, Ao seu lado, Amy, uma mulher de cabelos escuros presos, veste um uniforme policial preto e também sorri animadamente. Ao fundo, nota-se uma bandeira dos EUA, uma parede azul clara e duas janelas." width="800" height="457" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image2-5-800x457.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image2-5-1024x585.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image2-5-768x439.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image2-5.jpg 1050w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35203" class="wp-caption-text">Durante as gravações da terceira temporada da série, a atriz Melissa Fumero ficou grávida do primeiro filho (Foto: NBC)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Cinco anos depois, a sétima temporada permanece como um ponto de inflexão na trajetória da trama, marcando sua reta final e preparando o terreno para os desafios da oitava e última parte. A necessidade de adaptação foi evidente, mas nem todas as escolhas narrativas agradaram ao público, que esperava uma estabilidade maior entre novidades e continuidade. Apesar disso, a série conseguiu preservar seu espírito original, garantindo momentos marcantes e reforçando a importância de seus personagens para a </span><a href="https://www.zinecultural.com/blog/series-sitcom"><span style="font-weight: 400;">cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">televisiva</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O legado de </span><a href="https://personaunesp.com.br/brooklyn99-6a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Brooklyn Nine-Nine</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> segue vivo, consolidando a produção como uma das mais relevantes do gênero nos últimos anos. Seu impacto vai além da comédia, abordando temas como diversidade, justiça e relações interpessoais com sensibilidade e sagacidade. Mesmo com altos e baixos, a sétima etapa do seriado contribuiu para a tradição da trama, reforçando seu lugar na história das </span><i><span style="font-weight: 400;">sitcoms</span></i><span style="font-weight: 400;"> contemporâneas. Ao revisitar esse período, fica claro que ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">B99</span></i><span style="font-weight: 400;">’</span> <span style="font-weight: 400;">não foi apenas uma sátira policial, é também uma obra que soube equilibrar riso e reflexão de forma única.</span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zTL7c50cz2E"><span style="font-weight: 400;" data-rich-links="{&quot;fple-t&quot;:&quot;Brooklyn Nine-Nine Season 7 Teaser Trailer (HD)&quot;,&quot;fple-u&quot;:&quot;https://www.youtube.com/watch?v=zTL7c50cz2E&quot;,&quot;fple-mt&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;first-party-link&quot;}">Brooklyn Nine-Nine Season 7 Teaser Trailer (HD)</span></a></p>
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		<title>5 anos da 1.ª temporada de Outer Banks: a divertida e desastrosa busca pelo Royal Merchant</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Apr 2025 20:55:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: o seguinte texto discursa sobre temas que podem se tornar gatilhos para algumas pessoas que sofrem/sofreram com dependência química e abuso verbal Livia Queiroz “The Outer Banks, paradise on earth” (“Outer Banks, o paraíso na terra”, em tradução livre). Há cinco anos, ouvimos pela primeira vez, de muitas, a narração de John B. Routledge &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/1a-temporada-outer-banks-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "5 anos da 1.ª temporada de Outer Banks: a divertida e desastrosa busca pelo Royal Merchant"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso: </i></b><i><span style="font-weight: 400;">o seguinte texto discursa sobre temas que podem se tornar gatilhos para algumas pessoas que sofrem/sofreram com dependência química e abuso verbal</span></i></p>
<figure id="attachment_35171" aria-describedby="caption-attachment-35171" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35171" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image2-3.jpg" alt="Dentro de um barco em meio ao mar e uma planície inundada, da esquerda para a direita, Kie, uma garota morena de cabelos bem ondulados; JJ, loiro bronzeado cheio de acessórios e com musculatura bem definida por fora da regata; John B, de cabelo tapado pelo boné rosa desgastado e bandana envolta do pescoço e Pope, menino negro de boné azul escuro e blusa de botões abertos, estranham o que avistam a frente. " width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image2-3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image2-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image2-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image2-3-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-35171" class="wp-caption-text">Outer Banks é uma das séries produzidas pela Netflix mais bem sucedidas, seguindo para a sua quinta e última temporada (Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Livia Queiroz</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">The Outer Banks, paradise on earth</span></i><span style="font-weight: 400;">” (“</span><i><span style="font-weight: 400;">Outer Banks, o paraíso na terra</span></i><span style="font-weight: 400;">”, em tradução livre). Há cinco anos, ouvimos pela primeira vez, de muitas, a narração de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=w44nARz0uOE"><span style="font-weight: 400;">John B. Routledge</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tGwM8N0Lj5M"><span style="font-weight: 400;">Chase Stokes</span></a><span style="font-weight: 400;">) pela série original da </span><a href="https://www.netflix.com/br/title/80236318"><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uk_hFfUFXh4"><i><span style="font-weight: 400;">Outer Banks</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Com um total de dez episódios, ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">OBX</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">1</span></i><span style="font-weight: 400;">’</span> <span style="font-weight: 400;">é um projeto divertido que trata sobre um grupo de amigos que se envolvem em uma caça ao tesouro – antes iniciada pelo pai do personagem principal – enquanto vivem a vida como adolescentes. O seriado é, com certeza, um dos maiores sucessos originais da plataforma, seguindo para a 5.ª e última temporada com muita adesão do público, apesar das críticas à decadência na qualidade do roteiro e enredo ao longo de suas atualizações. </span></p>
<p><span id="more-35170"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com um aspecto de desenho animado, o seriado inicia por meio de um </span><a href="https://www.studiobinder.com/blog/what-is-voice-over-definition/"><i><span style="font-weight: 400;">voice over</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> para a introdução de seus personagens iniciais. As características e personalidades de cada um são muito bem definidas, com alguns deles representando temas polêmicos como John B, o protagonista e líder do grupo de </span><a href="https://www.coxinhanerd.com.br/pogues-kooks-outer-banks/"><i><span style="font-weight: 400;">pogues</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que apresenta </span><a href="https://exame.com/bussola/cristiano-zanetta-a-sindrome-do-heroi/"><span style="font-weight: 400;">síndrome de herói</span></a><span style="font-weight: 400;"> e busca respostas pelo desaparecimento e suposta morte de seu pai, e </span><a href="https://screenrant.com/outer-banks-jj-best-worst-things-he-does-moments/"><span style="font-weight: 400;">JJ</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://www.elle.com/culture/movies-tv/a32597356/who-is-rudy-pankow-jj-outer-banks-netflix/"><span style="font-weight: 400;">Rudy Pankow</span></a><span style="font-weight: 400;">), o popular que se dá bem com as garotas, é leal à suas amizades e apresenta ‘</span><a href="https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2023/08/13/daddy-issues-entenda-termo-usado-nas-redes-para-descrever-herancas-emocionais-deixadas-pela-relacao-paterna.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">daddy issues</span></i></a><span style="font-weight: 400;">’, mas procura sempre apagar esse lado com seu bom humor e carisma contagiantes, por exemplo. Apesar de serem muito bem desenvolvidos ao longo da obra, algumas personas são indicadas como menos importantes graças à falta de destaque, como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9HahZO0o6m8"><span style="font-weight: 400;">Pope</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wgGKS19zEMs"><span style="font-weight: 400;">Jonathan Daviss</span></a><span style="font-weight: 400;">), o inteligente que procura mudar de vida por meio dos estudos, fiel aos amigos mesmo que tenha que infringir seus princípios, e Kiara (</span><a href="https://www.them.us/story/madison-bailey-outer-banks-season-3-interview"><span style="font-weight: 400;">Madison Bailey</span></a><span style="font-weight: 400;">), uma garota de classe média e preocupada com o meio ambiente. Portanto, são os típicos estereótipos encontrados sempre em grupos de amigos de obras norte-americanas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, temos os </span><a href="https://criticalhits.com.br/cinema-e-tv/tudo-que-voce-precisa-saber-sobre-os-pogues-e-os-kooks-de-outer-banks/#google_vignette"><i><span style="font-weight: 400;">kooks</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que representam o lado rico do lugar. As principais personas dessa classe são os irmãos Cameron, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=toSNRMgdgmU"><span style="font-weight: 400;">Sarah</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=v3ohyHjJy3M"><span style="font-weight: 400;">Madelyn Cline</span></a><span style="font-weight: 400;">) – que posteriormente fará parte dos </span><i><span style="font-weight: 400;">pogues</span></i><span style="font-weight: 400;"> – e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UrJ8QKd2kok"><span style="font-weight: 400;">Rafe</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://capricho.abril.com.br/entretenimento/8-curiosidades-sobre-drew-starkey-ator-de-outer-banks-e-queer"><span style="font-weight: 400;">Drew Starkey</span></a><span style="font-weight: 400;">), sendo o pai deles, </span><a href="https://www.netflix.com/tudum/articles/outer-banks-season-3-finale-ward-big-john-death"><span style="font-weight: 400;">Ward Cameron</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SZzkeBQcqrI"><span style="font-weight: 400;">Charles Esten</span></a><span style="font-weight: 400;">), o vilão da trama. Nesse contexto, é possível extrair uma crítica à desigualdade social e a </span><a href="https://habitatbrasil.org.br/segregacao-socioespacial/"><span style="font-weight: 400;">segregação socioespacial</span></a><span style="font-weight: 400;"> dentro da série. Tal divisão é o que move os conflitos dentro do programa e John B deixa isso muito claro mostrando seu desprezo, tirando sarro na introdução do primeiro episódio quando diz “</span><i><span style="font-weight: 400;">Esse é o tipo de lugar que você tem dois empregos ou duas casas</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span><i><span style="font-weight: 400;">  </span></i></p>
<figure id="attachment_35172" aria-describedby="caption-attachment-35172" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35172" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image3-2.png" alt="Cena dos pogues descansando no barco de John B com chinelos jogados pelo chão, Kiara sentada no assento dianteiro com suas mãos juntas e seu colo enquanto os meninos estão deitados. " width="600" height="299" /><figcaption id="caption-attachment-35172" class="wp-caption-text">Inicialmente, Chase Stokes rejeitou o papel na série após ler o roteiro, pois acreditava ser uma imitação de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=hJ2j4oWdQtU">The Goonies</a> (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><i>Outer Banks</i>, então, tornou-se na prática uma obra que, apesar de mostrar energia e descontração em sua essência, possui diversas críticas sociais envolvidas. Outro exemplo de convicções inseridas no roteiro é a corrupção policial. Há cinco anos, os roteiristas e produtores <a href="https://www.tvguide.com/celebrities/dan-dworkin/credits/3000015261/">Dan Dworkin</a>, <a href="https://www.tvguide.com/celebrities/jay-beattie/credits/3030446328/">Jay Beattie</a>, <a href="https://gardenandgun.com/articles/outer-banks-co-creator-josh-pate-shares-the-stories-behind-the-netflix-hit/">Josh e Jonas Pate</a>, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=WvwAkWXO47g">Shannon Burke</a> e <a href="https://newplayexchange.org/users/4521/keith-josef-adkins">Keith Josef Adkins</a> evidenciaram em tela internacional os esquemas por trás de ambientes de forças armadas com profissionais menos fiscalizados, com o corpo policial sempre voltando a atenção aos ricos e ignorando ou até reprimindo os mais pobres (além de roubarem dinheiro em uma cena de investigação). A única personagem de escape dentro dessa armação – para esclarecer que existem policiais que prestam seus serviços de forma correta – é a <a href="https://www.cbr.com/outer-banks-who-shot-sheriff-peterkin/">xerife Peterkin</a>.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, a série alerta sobre abusos em relacionamentos, sejam eles amorosos ou familiares. </span><a href="https://hollywoodlife.com/2020/04/17/outer-banks-jj-father-relationship-season-2-hopes-rudy-pankow-interview/"><span style="font-weight: 400;">JJ e seu pai</span></a><span style="font-weight: 400;"> são uma clara representação de abuso parental, por exemplo, com violência física e verbal e manipulação, com a inclusão de cenas até pesadas demais para o teor que a obra do </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> pretende retratar. Tais episódios incomodam, não só pela intensidade da humilhação do pai para com seu filho, mas pela ótima atuação de ambos atores; Rudy Pankow principalmente, com suas cenas de choro que são de quebrar o coração de qualquer espectador. Além disso, o abuso verbal e </span><a href="https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2021/01/28/gaslighting-como-identificar-a-manipulacao-psicologica-em-relacionamentos.htm"><i><span style="font-weight: 400;">gaslighting</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> também são apresentados no relacionamento de Sarah e </span><a href="https://screenrant.com/outer-banks-topper-season-2-villain-twist-return/"><span style="font-weight: 400;">Topper</span></a><span style="font-weight: 400;">. Esses, que mostram a realidade de que ninguém é só bom ou somente ruim, já que, por um lado, Sarah traiu seu namorado e ele viveu manipulando a adolescente, um ponto que mostra a autenticidade da obra ao humanizar todos os personagens.   </span></p>
<figure id="attachment_35173" aria-describedby="caption-attachment-35173" style="width: 740px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35173" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image1-3.jpg" alt="Foto dos atores da série Outer Banks na filmagem da primeira temporada, todos caracterizados em seus personagens, sendo da direita para a esquerda, JJ, loiro de boné vermelho, Pope, moreno de boné verde, Kiara, morena com colares de miçangas e John B, castanho de olho roxo. " width="740" height="463" /><figcaption id="caption-attachment-35173" class="wp-caption-text">A equipe optou por trocar o local das filmagens da série para Charleston, como protesto a lei estadual que impede as cidades da Carolina do Norte de aprovar leis que protegem o acesso de transgêneros a acomodações públicas (Foto: Madison Bailey)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, a série que se popularizou na pandemia de 2020 não se trata somente de reflexões e críticas indiretas, a temporada é, com certeza, um equilíbrio quase perfeito entre leveza e tensão. Apesar da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> ter um evidente problema em escalar atores condizentes com a idade da qual irão interpretar, as personas foram muito bem representados, se mostrando – dentro da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=o_x_gTugVs0"><span style="font-weight: 400;">espontaneidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=o_x_gTugVs0"><span style="font-weight: 400;">improviso</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos profissionais – com hábitos e trejeitos da juventude atual, com fantasias sobre o futuro, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jMpU_zm4PDE"><span style="font-weight: 400;">brincadeiras bobas</span></a><span style="font-weight: 400;">, ideias inconsequentes e atos de rebeldia. Além da ótima sacada – que em próximas temporadas virá a ser um exagero – de saturar as cenas de filmagens para cores mais quentes, a fim de causar ao espectador a sensação de calor do verão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de uma boa atuação do elenco geral, é preciso destacar Drew Starkey. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VULC3YTVmFs"><span style="font-weight: 400;">Joseph Andrew Starkey</span></a><span style="font-weight: 400;"> conseguiu emplacar todas as atuações da série com sua transformação em um viciado em cocaína, tanto na forma de agir como falar ele mostrou-se energético (no sentido ruim da palavra), ansioso e teimoso, além de improvisar pensamentos agressivos e intrusivos que trouxeram ainda mais veracidade as filmagens, provando seu potencial como ator. Por isso, vem ganhando tanto holofote na mídia e entrando em papéis grandes como no filme </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ltinrfX03S4"><i><span style="font-weight: 400;">Queer</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2024) de </span><a href="https://personaunesp.com.br/rivais-critica/"><span style="font-weight: 400;">Luca Guadagnino</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cinco anos depois de seu lançamento, tudo o que os </span><i><span style="font-weight: 400;">pogues</span></i><span style="font-weight: 400;"> pensavam ser possível e impossível aconteceu. Além de encontrarem o ouro do </span><a href="https://screenrant.com/outer-banks-royal-merchant-sunken-ship-real-fiction/"><span style="font-weight: 400;">Royal Merchant</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o perderem para Ward Cameron, Sarah torna-se oficialmente uma </span><i><span style="font-weight: 400;">pogue</span></i><span style="font-weight: 400;">; o grupo de adolescentes encontra uma </span><a href="https://www.netflix.com/tudum/articles/outer-banks-treasure-hunt-explained"><span style="font-weight: 400;">cruz de ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a perdem para a família Cameron novamente; os amigos moram por um mês em uma ilha; encontram o tesouro de </span><a href="https://observatoriodocinema.com.br/streaming/el-dorado-e-real-a-historia-real-da-cidade-de-outer-banks/"><span style="font-weight: 400;">El Dourado</span></a><span style="font-weight: 400;">; os pais de Sarah e John B morrem; a </span><a href="https://screenrant.com/outer-banks-jj-john-jackson-real-name-mystery-solve/"><i><span style="font-weight: 400;">backstory</span></i><span style="font-weight: 400;"> de JJ</span></a><span style="font-weight: 400;"> é revelada, mas ele morre no final da quarta temporada pelo seu próprio pai. Em 2026, com </span><i><span style="font-weight: 400;">Outer Banks</span></i><span style="font-weight: 400;"> encaminhando para sua última temporada, é de se esperar momentos de vingança e luto – diferentes de acordo com cada personalidade –  pela morte de JJ. Dentro disso, uma mudança no objetivo do grupo, que antes era ficarem ricos por meio do ouro encontrado, agora é prender ou até mesmo matar </span><a href="https://criticalhits.com.br/cinema-e-tv/outer-banks-quem-chandler-groff-realmente-e/"><span style="font-weight: 400;">Chandler Groff</span></a><span style="font-weight: 400;">, o verdadeiro pai do </span><i><span style="font-weight: 400;">pogue</span></i><span style="font-weight: 400;"> loiro. </span></p>
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		<title>Há 5 anos, Fiona Apple deixava uma mensagem que o mundo precisa ainda hoje: Fetch The Bolt Cutters!</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Mar 2025 19:05:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Arthur Caires Se a discografia de Fiona Apple sempre carregou nuances de raiva e angústia sobre a experiência de ser mulher, Fetch the Bolt Cutters (2020) surge como a obra em que ela finalmente rompe qualquer amarra que pudesse suavizar sua fúria. Neste álbum, a crueza e a violência emocional não são filtradas – são &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/fetch-the-bolt-cutters-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 5 anos, Fiona Apple deixava uma mensagem que o mundo precisa ainda hoje: Fetch The Bolt Cutters!"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34964" aria-describedby="caption-attachment-34964" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34964" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/fetch-the-bolt-cutters-imagem-1-scaled.webp" alt="A capa do álbum Fetch the Bolt Cutters apresenta um fundo preto com uma fotografia em preto e branco no centro. A foto mostra um close-up do rosto de Fiona Apple, com expressão divertida e olhar arregalado. Acima da imagem, o nome &quot;Fiona Apple&quot; aparece em letras roxas desenhadas à mão, com um pequeno cachorro marrom inserido entre as palavras. Abaixo da foto, o título do álbum, Fetch the Bolt Cutters, também está escrito à mão, em letras roxas e irregulares, dando um ar cru e artesanal à arte. Dois raios dourados cortam as laterais da capa." width="2560" height="2560" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/fetch-the-bolt-cutters-imagem-1-scaled.webp 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/fetch-the-bolt-cutters-imagem-1-800x800.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/fetch-the-bolt-cutters-imagem-1-1024x1024.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/fetch-the-bolt-cutters-imagem-1-150x150.webp 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/fetch-the-bolt-cutters-imagem-1-768x768.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/fetch-the-bolt-cutters-imagem-1-1536x1536.webp 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/fetch-the-bolt-cutters-imagem-1-2048x2048.webp 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/fetch-the-bolt-cutters-imagem-1-1200x1200.webp 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34964" class="wp-caption-text">O nome Fetch The Bolt Cutters é tirado diretamente de uma fala de Gillian Anderson na série The Fall (Foto: Epic Records)</figcaption></figure>
<p><b>Arthur Caires</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a discografia de Fiona Apple sempre carregou nuances de raiva e angústia sobre a experiência de ser mulher, </span><a href="https://personaunesp.com.br/fetch-the-bolt-cutters-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Fetch the Bolt Cutters</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2020) surge como a obra em que ela finalmente rompe qualquer amarra que pudesse suavizar sua fúria. Neste álbum, a crueza e a violência emocional não são filtradas – são expostas sem reservas. A faixa-título evidencia exatamente esse espírito de libertação: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Pegue os alicates, estou aqui há muito tempo/Não importa o que aconteça</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Ou seja, arranque as barras dessa minha prisão e me deixe falar.</span></p>
<p><span id="more-34963"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O disco é o seu quinto lançamento e marcou seu retorno após oito anos desde </span><i><span style="font-weight: 400;">The Idler Wheel…</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2012). Com exceção de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ladies</span></i><span style="font-weight: 400;">, todas as faixas foram escritas exclusivamente por Apple. Já na produção, a compositora contou com o apoio de sua banda, composta por Sebastian Steinberg, David Garza e Amy Aileen Wood. </span><i><span style="font-weight: 400;">Fetch the Bolt Cutters</span></i><span style="font-weight: 400;"> não só se tornou seu trabalho mais aclamado, como também entrou para a história ao receber da renomada revista </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/albums/fiona-apple-fetch-the-bolt-cutters/"><i><span style="font-weight: 400;">Pitchfork</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">o selo </span><i><span style="font-weight: 400;">Best New Music</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a cobiçada nota 10; um reconhecimento reservado a poucos artistas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante cinco anos, Fiona Apple se isolou de novos lançamentos musicais e transformou sua própria casa em estúdio para dar vida ao álbum. Gravado inteiramente dentro de seu lar, o disco incorpora o ambiente como um instrumento vivo – dos sons do cotidiano aos </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2020/04/18/fiona-apple-creditos-novo-disco/"><span style="font-weight: 400;">latidos de seus cachorros</span></a><span style="font-weight: 400;">, cada ruído espontâneo se torna parte da experiência. A ausência de polimento sonoro não é descuido, mas sim uma escolha deliberada, refletindo o realismo cru e a sensação de libertação que permeiam o trabalho.</span></p>
<figure id="attachment_34965" aria-describedby="caption-attachment-34965" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34965" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/fetch-the-bolt-cutters-imagem-2.webp" alt="Fiona Apple está sentada em um sofá de cor vinho, com um olhar contemplativo e expressão séria. Ela veste uma blusa preta e calça preta, com meias estampadas e tênis escuros. Suas mãos estão entrelaçadas, e seus longos cabelos castanhos caem soltos sobre os ombros. O ambiente tem um tom aconchegante e íntimo, com paredes brancas revestidas de madeira e uma prateleira acima dela, onde estão apoiados quadros e discos de vinil, incluindo o álbum Pata Pata, de Miriam Makeba, e um livro infantil sobre cachorros. O tapete sob o sofá exibe padrões florais em tons escuros." width="2560" height="2157" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/fetch-the-bolt-cutters-imagem-2.webp 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/fetch-the-bolt-cutters-imagem-2-800x674.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/fetch-the-bolt-cutters-imagem-2-1024x863.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/fetch-the-bolt-cutters-imagem-2-768x647.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/fetch-the-bolt-cutters-imagem-2-1536x1294.webp 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/fetch-the-bolt-cutters-imagem-2-2048x1726.webp 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/fetch-the-bolt-cutters-imagem-2-1200x1011.webp 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34965" class="wp-caption-text">“Eu sei que um som ainda é um som quando ninguém está por perto” (Foto: Malerie Marder)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Fetch the Bolt Cutters</span></i><span style="font-weight: 400;"> se constrói a partir de três pilares centrais: a trajetória de Fiona Apple, reflexões sobre o passado e incisivas denúncias feministas. Sua jornada na Música ganha destaque na faixa-título, onde a artista revisita os desafios de sua carreira e a luta contra expectativas impostas. Referenciando </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wp43OdtAAkM"><span style="font-weight: 400;">Kate Bush</span></a><span style="font-weight: 400;">, ela expõe a pressão de se encaixar em padrões que nunca foram seus: &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu cresci no lugar que eles me disseram que eu poderia me encaixar/Sapatos que não foram feitos para subir aquela colina/E eu preciso subir aquela colina/Eu irei, eu irei, eu irei</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WBUxinJhntk"><i><span style="font-weight: 400;">Under the Table</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Shameika</span></i><span style="font-weight: 400;">, a artista remonta experiências antigas que a fizeram quem ela é hoje. Um jantar forçado com pessoas desagradáveis em que Apple percebe que não consegue ficar quieta ao ouvir absurdos ou uma colega de classe que lhe disse “</span><i><span style="font-weight: 400;">Você tem potencial</span></i><span style="font-weight: 400;">” – um mantra que lhe ocorre de tempos em tempos –; essas são algumas memórias que a compositora percebe como momentos que definiram sua personalidade. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu sou irritada, engraçada e amigável/Eu sou um bom homem em uma tempestade</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em entrevista à </span><a href="https://www.vulture.com/2020/04/fiona-apple-fetch-the-bolt-cutters-songs.html"><i><span style="font-weight: 400;">Vulture</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Fiona Apple declarou: &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Este álbum trata de não permitir que os homens nos mantenham separadas umas das outras para que eles possam controlar a mensagem</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;. A fala remete à música </span><i><span style="font-weight: 400;">Ladies</span></i><span style="font-weight: 400;">, que coloca em xeque a rivalidade feminina tão amplamente encorajada pela sociedade. Além disso, na faixa </span><i><span style="font-weight: 400;">For Her</span></i><span style="font-weight: 400;">, a artista transforma indignação em denúncia ao narrar um caso de assédio, inspirado na revolta que sentiu ao ver </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2018/10/06/brett-kavanaugh-toma-posse-como-juiz-da-corte-suprema-dos-eua.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Brett Kavanaugh</span></a><span style="font-weight: 400;"> – acusado de má conduta sexual – ser nomeado para a Suprema Corte dos EUA em 2018, durante o governo Trump. A faixa carrega a linha mais brutal do álbum: &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Você me estuprou na mesma cama em que sua filha nasceu</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Fiona Apple - Shameika (Official Music Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/yM63Tzv-uZg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Cinco anos depois, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fetch the Bolt Cutters</span></i><span style="font-weight: 400;"> segue tão necessário quanto no dia de seu lançamento. Em um mundo onde a opressão persiste e novas </span><a href="https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2025/03/12/governo-trump-restringe-uso-de-quase-200-termos-como-feminismo-diversidade-e-lgbtq-em-agencias-federais.ghtml"><span style="font-weight: 400;">formas de silenciamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> se impõem, o disco continua a soar como um grito de libertação. E não é apenas na letra que essa urgência se manifesta. É também na voz de Fiona Apple, que oscila entre o sussurro e o berro, entre a ironia e a raiva crua. Sua entrega vocal é tão visceral que não permite que a mensagem passe despercebida. O grito não pode mais ser contido. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se, lá em 2020, o álbum nos chamava para arrancar as correntes e dizer tudo o que precisa ser dito, hoje, esse chamado é ainda mais urgente. O mundo precisa, mais do que nunca, de vozes que não aceitem amarras, de artistas que, como Fiona Apple, se recusem a falar baixo para não incomodar. Porque, como bem disse </span><a href="https://personaunesp.com.br/rita-lee-uma-autobiografia-critica/"><span style="font-weight: 400;">Rita Lee</span></a><span style="font-weight: 400;">, &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">não é sinal de saúde estar bem-adaptado a uma sociedade doente</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Fetch The Bolt Cutters" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/0fO1KemWL2uCCQmM22iKlj?si=K2bOiIkYR1KzomrJLTFjvA&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Há 5 anos, Adoráveis Mulheres definia o que é irmandade</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Jan 2025 20:56:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Machado Leal Em 2019, Greta Gerwig lançou a sua versão do clássico Mulherzinhas. A obra, baseada no romance escrito por Louisa May Alcott, é uma das inúmeras adaptações da história que acompanha as irmãs March durante a Guerra de Secessão nos Estados Unidos. Por ser uma trama que já foi retratada nos cinemas  e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/adoraveis-mulheres-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 5 anos, Adoráveis Mulheres definia o que é irmandade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34690" aria-describedby="caption-attachment-34690" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34690" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2.png" alt="Cena do filme Adoráveis Mulheres. Na imagem, há quatro mulheres abraçadas. Elas estão na sala de casa, que possui decorações de natal. Da esquerda para direita, há uma mulher branca de cabelos castanhos escuros com uma blusa bege, uma mulher branca de cabelos ruivos e curtos com uma blusa azul, uma mulher branca usando uma blusa cinza com listra amarela e de cabelos ruivos com franja e uma mulher ruiva de cabelos longos utilizando uma blusa com estampa azul e laranja." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34690" class="wp-caption-text">Relação entre irmãs é introdução, desenvolvimento e referência no universo repaginado por Greta Gerwig (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Machado Leal</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2019, </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2019-12-22/greta-gerwig-o-feminismo-de-mulherzinhas-nao-e-excludente-todos-os-homens-e-mulheres-ganham.html"><span style="font-weight: 400;">Greta Gerwig</span></a><span style="font-weight: 400;"> lançou a sua versão do clássico </span><i><span style="font-weight: 400;">Mulherzinhas</span></i><span style="font-weight: 400;">. A obra, baseada no romance escrito por Louisa May Alcott, é uma das inúmeras adaptações da história que acompanha as irmãs March durante a Guerra de Secessão nos Estados Unidos. Por ser uma trama que já foi retratada nos cinemas  e na Televisão, a diretora tinha um caminho árduo a percorrer: ampliar a discussão acerca dos temas discutidos pela autora. No mundo das </span><a href="https://personaunesp.com.br/adoraveis-mulheres-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Adoráveis Mulheres</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a generosidade é quem dita a ação das personagens.</span></p>
<p><span id="more-34686"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jo (Saoirse Ronan), Meg (</span><a href="https://personaunesp.com.br/harry-potter-e-o-prisioneiro-de-azkaban-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">Emma Watson</span></a><span style="font-weight: 400;">), Beth (Eliza Scanlen) e Amy (</span><a href="https://personaunesp.com.br/todo-tempo-que-temos-critica/"><span style="font-weight: 400;">Florence Pugh</span></a><span style="font-weight: 400;">) são as apaixonantes protagonistas de seus respectivos amadurecimentos. Com a força da mãe-natureza, mais conhecida como Marmee March (Laura Dern), a forma de ver o mundo das honestas e delicadas garotas é o guia narrativo para aqueles que se perguntam sobre a efemeridade da juventude. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Não acredito que a infância acabou</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span> <span style="font-weight: 400;">é uma das frases proferidas por uma delas. O motivo do impacto da sentença? O sentimento de irmandade estabelecido pelo quarteto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Arte tem o poder de transmitir em tela o que acontece na realidade. Mais do que isso, às vezes, ela mostra, seja com diálogos expositivos ou em cenas de pura contemplação, aquilo que não há como dar nome. O sentir, aqui, é universal. Por que o </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/vitrine/historia-livro-mulherzinhas.phtml"><span style="font-weight: 400;">cotidiano de quatro jovens</span></a><span style="font-weight: 400;"> em meio ao caos que os norte-americanos viviam é tão relacionável? Quando mexe com amor, não tem como não se identificar. É uma sensação inexplicável, ainda mais quando há o envolvimento de um dos bens mais preciosos que um ser humano pode ter: a família. </span></p>
<figure id="attachment_34688" aria-describedby="caption-attachment-34688" style="width: 1841px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34688" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image3.png" alt="Cena do filme Adoráveis Mulheres. Na imagem, há quatro mulheres brancas em uma praia. Da esquerda para a direita, há uma mulher branca de cabelos castanhos escuros utilizando um vestido verde e segurando uma toalha de mesa, há uma mulher branca de cabelos loiros usando um vestido rosa e com uma cesta, há uma mulher branca de cabelos ruivos segurando uma cesta e utilizando um vestido azul com uma blusa bege por cima e uma mulher branca de cabelos ruivos com vestido rosa com uma cesta. " width="1841" height="1037" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image3.png 1841w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image3-800x451.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image3-1024x577.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image3-768x433.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image3-1536x865.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image3-1200x676.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34688" class="wp-caption-text">Longa-metragem foi indicado a seis categorias no Oscar 2020, incluindo Melhor Atriz para Saoirse Ronan e Melhor Atriz Coadjuvante para Florence Pugh (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora em </span><i><span style="font-weight: 400;">Little Women</span></i><span style="font-weight: 400;"> (título original), o núcleo familiar apresentado seja tradicional, composto por um pai, uma mãe e seus filhos, tanto os mais afortunados emocionalmente quanto aqueles que encontram nos amigos o sentimento de ser amado podem achar refúgio na obra. Jo, a escritora entre as March, é quem comanda essa história. Pela ida do patriarca, interpretado por </span><a href="https://personaunesp.com.br/better-call-saul-6a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">Bob Odenkirk</span></a><span style="font-weight: 400;">, ao conflito que assola os Estados Unidos, ela assume a responsabilidade de cuidar daquele lar com Marmee. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O envolvimento da jovem com a escrita é o que dá gás à trama centrada no século XIX. Através do traquejo dela com seus textos, que são realizados nos momentos de descanso, a difícil trajetória das irmãs ganha um tom dócil e mais ameno. Não é que a personagem romantize a pobreza em sua casa, ela apenas vê além disso e decide documentar, por meio de suas escrituras, a rotina vivida. No contexto em que viviam, mulheres deveriam respeitar seus maridos e só poderiam ascender socialmente se optassem pelo matrimônio. Entretanto, na sua história, as </span><a href="https://comportese.com/2020/02/04/adoraveis-mulheres-as-molduras-relacionais-na-complexidade-do-ser/"><i><span style="font-weight: 400;">Mulherzinhas</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">são o que elas quiserem ser.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do mesmo modo que Alteridade significa a capacidade de se colocar no lugar do outro, embora não tenha vivência em determinada ocasião, o que torna </span><i><span style="font-weight: 400;">Adoráveis Mulheres </span></i><span style="font-weight: 400;">atemporal são as discussões em torno de suas ambições pessoais. Casar e ter filhos, se tornar uma artista renomada, escrever sobre os seus ou apenas cuidar de seu lar são os diferentes sonhos que cercam a vida do quarteto. Assim, a forma com que cada uma delas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HKvPWuqOGMo"><span style="font-weight: 400;">enxerga o mundo</span></a><span style="font-weight: 400;"> é o que as coloca de igual para igual. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Só porque meus sonhos são diferentes dos seus, não significa que eles não são importantes</span></i><span style="font-weight: 400;">”, diz Meg em um certo ponto do longa-metragem.</span></p>
<figure id="attachment_34689" aria-describedby="caption-attachment-34689" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34689" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1.png" alt="Cena do filme Adoráveis Mulheres. Na imagem, há um homem branco sentado e vestindo uma camisa branca de manga longa com uma espécie de macacão cinza por cima. Ele está sentado, à espera para ser retratado em uma pintura. Ao seu lado esquerdo, há uma estátua de mármore com uma planta em cima. " width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34689" class="wp-caption-text">Embora tenha interpretado o personagem com competência, Timothée Chalamet não foi reconhecido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas como Melhor Ator Coadjuvante na 92ª edição (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em todas as versões do clássico, há sempre ânimo ao descobrir quem viverá o atraente e charmoso Laurie. Na adaptação de Gerwig, </span><a href="https://personaunesp.com.br/duna-parte-2-critica/"><span style="font-weight: 400;">Timothée Chalamet</span></a><span style="font-weight: 400;"> dá vida ao personagem. Sobrinho de Mr. Laurence (Chris Cooper) e vizinho da família March, o jovem, assim como o público, se encanta com o lar feminino. Amigo de Jo, a quem é apelidado carinhosamente como Teddy, ele tem tudo o que elas não possuem: poder aquisitivo. No entanto, o conforto familiar trazido pelas colegas não tem preço e, por isso, estar ao lado delas auxilia em seu desenvolvimento pessoal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=i10aNmmXYsQ"><i><span style="font-weight: 400;">Eu quero ser ótima, ou nada</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, frase dita por Amy, expressa um dos maiores medos da juventude: o de ‘não dar certo na vida’. Pressão social, o imediatismo e a espetacularização dos atos que marcam a jornada não são temas abordados apenas na atualidade. Na obra, o receio de ‘não se tornar ninguém’ faz parte do dia a dia daquelas garotas; “</span><i><span style="font-weight: 400;">Ninguém se esquecerá de Jo March</span></i><span style="font-weight: 400;">”, diz a própria. Juntas ou não, sendo colegas de quarto ou morando em continentes diferentes, a irmandade é o caminho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em</span><i><span style="font-weight: 400;"> Adoráveis Mulheres</span></i><span style="font-weight: 400;">, a ambição e a generosidade andam lado a lado. Não tem nada errado em ser gentil e, ao mesmo tempo, desejar ter </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gQ-she8Xneo"><span style="font-weight: 400;">mais</span></a><span style="font-weight: 400;">. Os personagens desse universo são colocados à prova a todo momento. Se irão escolher o caminho doloroso ou a trajetória maquiada, isto fica a cargo de seu próprio senso crítico. Na verdade, para as </span><i><span style="font-weight: 400;">Mulherzinhas</span></i><span style="font-weight: 400;">, o necessário é viver o tempo – curto –  à maneira como ele deve ser sentido: com aqueles que moldam nosso caráter. Em certo devaneio, uma jovem perguntou se ela seria alguém. Bem, por aqui, ninguém a esqueceu.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Adoráveis Mulheres | Trailer Legendado | 09 de janeiro nos cinemas" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/7nc1GE_hnLs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>The Owl House escancara o dilema da representatividade LGBTQIA+ na Disney</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Jun 2022 17:45:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Marina Llata The Owl House (A Casa Coruja) é uma série animada criada por Dana Terrace. Lançada em janeiro de 2020, acompanha a trajetória de Luz Noceda (Sarah-Nicole Robles), uma adolescente que tem dificuldade de se encaixar e fazer amigos e, ao encontrar um portal para as Ilhas Escaldadas, localizadas em uma dimensão habitada por &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-owl-house-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "The Owl House escancara o dilema da representatividade LGBTQIA+ na Disney"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27924" aria-describedby="caption-attachment-27924" style="width: 2551px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27924" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1.png" alt="Cena da série The Owl House. Amity, adolescente de cabelo lilás e curto, beija a boca de Luz, adolescente de cabelo castanho e curto. Luz está com seus olhos abertos e apresenta expressão de surpresa. Amity veste um vestido preto e calça vinho. Luz veste uma jaqueta marrom e bege e uma calça bege e tem uma mochila azul nas costas. Ao fundo vemos uma porta de sacada rodeada por galhos verdes e flores rosas. " width="2551" height="1433" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1.png 2551w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-800x449.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-1024x575.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-768x431.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-1536x863.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-2048x1150.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-1200x674.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27924" class="wp-caption-text">The Owl House segue padrões bastante similares a Gravity Falls em sua construção e estética (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><b>Marina Llata</b></p>
<p><a href="https://www.rottentomatoes.com/tv/the_owl_house/s01"><i><span style="font-weight: 400;">The Owl House</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">A Casa Coruja</span></i><span style="font-weight: 400;">) é uma série animada criada por Dana Terrace. Lançada em janeiro de 2020, acompanha a trajetória de Luz Noceda (Sarah-Nicole Robles), uma adolescente que tem dificuldade de se encaixar e fazer amigos e, ao encontrar um portal para as Ilhas Escaldadas, localizadas em uma dimensão habitada por bruxas e demônios, escolhe passar um tempo nesse mundo fantástico ao invés de ir ao Acampamento de Realidade no verão. Lá, ela encontra Eda (Wendie Malick), uma bruxa rebelde, e seu amigo King (Alex Hirsch), um demônio muito fofo, sendo acolhida pelos dois e se tornando aprendiz de Eda. </span></p>
<p><span id="more-27923"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O estilo do desenho é bastante único e pode-se arriscar dizer que inédito na </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">, com ênfase em elementos obscuros e de horror misturados a alguns outros fofos em contraposição. Apesar de uma animação e </span><i><span style="font-weight: 400;">backgrounds</span></i><span style="font-weight: 400;"> bem detalhados, Terrace disse em entrevista à </span><a href="https://collider.com/owl-house-disney-dana-terrace-interview-ricky-cometa/"><i><span style="font-weight: 400;">Collider</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que, inicialmente, o </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos personagens e artes conceituais eram mais minuciosos, o que não foi possível de ser mantido devido a uma questão prática de produção. Além disso, a criadora e </span><i><span style="font-weight: 400;">showrunner</span></i><span style="font-weight: 400;"> já comentou em diversas outras entrevistas e também em sua conta no </span><a href="https://twitter.com/DanaTerrace?s=20&amp;t=a-AT3vrOjZuROvUET4xS4g"><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> sobre como a ideia inicial para o tom e estilo da série era mais gráfica e obscura, mas teve que ser modificada para se enquadrar melhor na marca e seu público.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Owl House</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue ser profunda não apenas no quesito visual, mas também em seus tópicos e temas abordados, tratando de questões como não se sentir pertencente, algo que se mostra presente na vida de Luz até que ela encontra as Ilhas Escaldadas. Também são abordados problemas familiares, mostrados no caso de Amity (Mae Whitman), com sua mãe </span><a href="https://youtu.be/gUoUQNvlLtE"><span style="font-weight: 400;">manipuladora</span></a><span style="font-weight: 400;"> e narcisista, o processo de auto descoberta de King, o empoderamento de Willow (Tati Gabrielle), que antes se sentia inferior e fraca, o desenvolvimento emocional de Hunter (Zeno Robinson), que passa a confiar em outras pessoas. Além disso, a série aborda a questão da ansiedade, mostrada de forma metafórica em um episódio focado no personagem Gus (Issac Ryan Brown), e ainda o totalitarismo, representado pelo tirano Belos (Matthew Rhys), contra quem Eda é rebelde.</span></p>
<figure id="attachment_27925" aria-describedby="caption-attachment-27925" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27925" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2.png" alt="Ilustração promocional da série The Owl House. Luz, adolescente de cabelo curto e castanho, vestindo uma capa longa e roxa, caminha olhando para trás com feição preocupada e segura um cajado de coruja. King, ser fictício que se assemelha a um cachorro com um crânio no lugar da cabeça está no ombro de Luz também com feição preocupada e olhando para trás. Eda, mulher de cabelo volumoso, longo e branco, vestindo um vestido vermelho com uma jóia preta anexada no peito, caminha ao lado de Luz e King. Eda usa sua mão direita para segurar seu braço esquerdo, que está deformado e com penas. A iluminação é avermelhada e escura, com uma leve névoa. Ao fundo vemos figuras petrificadas e algumas pessoas assustadas e correndo. Vemos uma figura com chifres e uma capa em cima de uma ponte e mais atrás da figura vemos uma caveira vermelha gigante. " width="1920" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-800x500.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-1024x640.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-768x480.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-1536x960.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-1200x750.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27925" class="wp-caption-text">Dana Terrace tem um estilo artístico horrorífico e detalhista, muito de The Owl House foi inspirado em obras de Hieronymus Bosch, pintor dos séculos XV e XVI (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos aspectos que ganhou notoriedade a respeito da série é sua ampla </span><a href="https://lesbout.com.br/the-owl-house-onde-a-fantasia-e-a-representatividade-se-completam/"><span style="font-weight: 400;">representatividade</span></a><span style="font-weight: 400;">, que inclusive é inovadora se pensarmos nos </span><a href="http://gaytravelandfun.embarquenaviagem.com/disney-financiou-politicos-que-apoiam-lei-anti-lgbt/"><span style="font-weight: 400;">padrões da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A série conta com uma protagonista bissexual e retrata abertamente o primeiro relacionamento homoafetivo em um desenho animado da empresa. Além de contar com ume personagem não-binarie, e diversidade racial, com personagens diversos culturalmente e de distintos tipos físicos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, recentemente uma pauta constante no </span><i><span style="font-weight: 400;">fandom </span></i><span style="font-weight: 400;">tem sido o famigerado </span><a href="https://epipoca.com.br/criadora-de-a-casa-coruja-explica-por-que-disney-cancelou-a-serie/"><span style="font-weight: 400;">cancelamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Owl House</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e quais seriam seus motivos. Quando finalmente pudemos ver avanços consideráveis a respeito de inclusão e diversidade na indústria de animação por parte da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">, a marca volta a dar passos para trás? Em outubro de 2021, Dana Terrace esclareceu que não acredita que o motivo do cancelamento tenha sido a abordagem da temática LGBTQIA+. </span><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;Por mais que nós tenhamos tido problemas em ir ao ar em alguns países, eu não vou supor má fé das pessoas com quem eu trabalho em LA&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;">, disse a criadora em </span><a href="https://www.digitalspy.com/tv/ustv/a37915254/owl-house-disney-cancellation-reason/"><span style="font-weight: 400;">entrevista à </span><i><span style="font-weight: 400;">DigitalSpy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><figure id="attachment_27926" aria-describedby="caption-attachment-27926" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27926" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-1.png" alt="Cena da série The Owl House. Na cena vemos Raine, pessoa negra, de cabelo azulado e curto. Raine usa óculos redondos, um brinco em sua orelha direita e uma capa branca. Raine sorri olhando para baixo e segura um objeto redondo e vermelho." width="2048" height="1152" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-1.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27926" class="wp-caption-text">Raine Whispers é ê primeire personagem trans (não-binarie) da Disney [Foto: Disney]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Ela afirma que a decisão da produtora também não foi necessariamente por causa de orçamento ou avaliações da crítica, mas que não lhe foi dada ao menos a opção de desenvolver uma quarta temporada pós-pandemia ou sequer foi permitida participar das reuniões em que foram tomadas as decisões. </span><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;Até mesmo os três episódios de consolo da </span></i><a href="https://www.hitc.com/en-gb/2022/05/28/the-owl-house-season-3-confirmed-but-theres-a-devastating-catch-for-fans/"><i><span style="font-weight: 400;">terceira temporada</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> foram difíceis, aparentemente&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;">, disse Dana. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É visível a tentativa de Terrace de amenizar os boatos sobre uma</span><i><span style="font-weight: 400;"> Disney queerfóbica</span></i><span style="font-weight: 400;">, afinal ela tem um contrato vigente com a empresa, mas também é visível sua </span><a href="https://twitter.com/almanaquedisney/status/1501265028564992003?t=ReWFj7LSAnFEv0YCkfvgKQ&amp;s=19"><span style="font-weight: 400;">frustração</span></a><span style="font-weight: 400;">. E ela não é a primeira a passar por essa situação de censura vinda da marca, Alex Hirsch foi </span><a href="https://twitter.com/_AlexHirsch/status/1292328558921003009?s=20"><span style="font-weight: 400;">impedido</span></a><span style="font-weight: 400;"> de representar em tela um casal gay em </span><i><span style="font-weight: 400;">Gravity Falls</span></i><span style="font-weight: 400;">, ao passo que Daron Nefcy teve que manter um casal sáfico </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9upXebY8zpI"><span style="font-weight: 400;">subentendido</span></a><span style="font-weight: 400;"> e há evidências de que ela não pôde colocar em </span><i><span style="font-weight: 400;">Star vs. As Forças do Mal</span></i><span style="font-weight: 400;"> uma </span><a href="https://www.reddit.com/r/StarVStheForcesofEvil/comments/kqd6ep/in_the_storyboards_for_ransomgram_one_of_the/"><span style="font-weight: 400;">personagem transgênero</span></a><span style="font-weight: 400;">. Os três criadores já se pronunciaram algumas vezes em suas redes sociais a respeito da censura que produtores executivos da empresa impõem. </span></p>
<p><figure id="attachment_27927" aria-describedby="caption-attachment-27927" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27927" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-1.jpg" alt="Tweet de Alex Hirsch. O tweet diz &quot;Disney privately: cut the gay scene! We might lose precious pennies from Russia and China! Disney publicly: [emoji de palhaço] Honk honk we put rainbow bumper sticker on Lightning McQueen today CONSUME OUR PRODUCTS TEENS&quot;. Tradução: “Disney em particular: cortem a cena gay! Nós podemos perder moedas preciosas da Rússia &amp; China! Disney publicamente: Honk honk nós colocamos um adesivo de arco-íris no Relâmpago McQueen hoje CONSUMAM NOSSOS PRODUTOS JOVENS”" width="800" height="361" /><figcaption id="caption-attachment-27927" class="wp-caption-text">“Disney em particular: cortem a cena gay! Nós podemos perder moedas preciosas da Rússia &amp; China! Disney publicamente: Honk honk nós colocamos um adesivo de arco-íris no Relâmpago McQueen hoje CONSUMAM NOSSOS PRODUTOS JOVENS” (Foto: @_AlexHirsch/Twitter)</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Desde 2012, ano de lançamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Gravity Falls</span></i><span style="font-weight: 400;">, muitas coisas mudaram e o cenário atual nem se compara com o de antes, considerando o que foi permitido ser incluído em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Owl House</span></i><span style="font-weight: 400;">, no entanto a representatividade LGBTQIA+ continua em falta nas mídias, principalmente quando se trata daquelas direcionadas ao público infantil ou infanto-juvenil. Infelizmente, os fãs, assim como a equipe de Dana, terão que lidar com o fato de que teremos uma terceira (e última) temporada reduzida a </span><a href="https://www.hitc.com/en-gb/2022/05/28/the-owl-house-season-3-confirmed-but-theres-a-devastating-catch-for-fans/"><span style="font-weight: 400;">apenas três episódios</span></a><span style="font-weight: 400;"> especiais e esperar que a representatividade e a diversidade cresçam cada vez mais, alcançando espaços que hoje não é capaz.</span></p>
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		<title>Vitorianas Macabras: histórias de medo sempre foram coisa de mulher</title>
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		<pubDate>Thu, 31 Mar 2022 23:23:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Lopes Gomez “Se ser mulher na era Vitoriana já era uma tarefa difícil, tornava-se ainda mais penosa para as que desafiavam o status quo. Um dos traços marcantes do período vitoriano é a luta pela emancipação das mulheres e pelo voto feminino”. É assim que Vitorianas Macabras, coletânea de contos de autoras de suspense &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/autoras-horror-era-vitoriana-artigo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Vitorianas Macabras: histórias de medo sempre foram coisa de mulher"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27110" aria-describedby="caption-attachment-27110" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27110 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/era_vitoriana_capa_wordpress-800x420.jpg" alt="A imagem é uma colagem de imagens em preto e branco contornadas por rosa, em frente a um fundo preto. A foto da esquerda é uma mulher branca, aparentando cerca de 50 anos, vestindo um casaco. A foto do meio é uma mulher branca, aparentando cerca de 50 anos, usando uma coroa de rainha, jóias no pescoço e um traje de rainha. A foto da direita é uma mulher branca, de cerca de 30 anos, vestindo um vestido de manga longa preto, e com uma coruja branca apoiada sob seu ombro esquerdo." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/era_vitoriana_capa_wordpress-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/era_vitoriana_capa_wordpress-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/era_vitoriana_capa_wordpress.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27110" class="wp-caption-text">Vitorianas Macabras foi publicado pela Darkside Books em 2020, e é o primeiro de três livros do selo Macabra (Arte: Ana Clara Abbate)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Lopes Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Se ser mulher na era Vitoriana já era uma tarefa difícil, tornava-se ainda mais penosa para as que desafiavam o status quo. Um dos traços marcantes do período vitoriano é a luta pela emancipação das mulheres e pelo voto feminino”</span></i><span style="font-weight: 400;">. É assim que </span><i><span style="font-weight: 400;">Vitorianas Macabras</span></i><span style="font-weight: 400;">, coletânea de contos de autoras de suspense e terror da era vitoriana,</span> <span style="font-weight: 400;">lembra de suas inspirações. Em uma época marcada pelo fantasmagórico e pelo mórbido, pela precariedade da qualidade de vida e por uma predileção pelo macabro, as escritoras representaram o “</span><i><span style="font-weight: 400;">entusiasmo pelo </span></i><a href="https://gizmodo.uol.com.br/ciencia-falsa-salva-vidas-londres-vitoriana/"><i><span style="font-weight: 400;">progresso</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, com contribuições marcantes para a época, desde a literatura até a luta pela emancipação feminina, inclusive com o movimento sufragista.</span></p>
<p><span id="more-27101"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No livro, publicado pela editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Darkside</span></i><span style="font-weight: 400;">, a organização e a tradução de Marcia Heloisa é peça chave para nos levar de volta aos assombros e às peculiaridades da Era Vitoriana. Em uma introdução, também dela, a apresentadora fornece o panorama necessário para contextualizar a época e nos lembra do porquê devemos exaltar as autoras, destaques em um período &#8211; e em um </span><a href="https://www.nacabeceira.com.br/2020/10/monster-she-wrote.html"><span style="font-weight: 400;">gênero literário</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; marcados pela </span><a href="https://www.ultius.com/ultius-blog/entry/the-7-most-epic-literary-writers-of-the-victorian-era.html"><span style="font-weight: 400;">presença masculina</span></a><span style="font-weight: 400;">. Como ela justifica, o volume busca reparar uma injustiça histórica, dando visibilidade às mulheres que “</span><i><span style="font-weight: 400;">desafiaram convenções, batalharam contra todo tipo de diversidade e combateram os mais arraigados preconceitos</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Então, Heloisa nos faz mergulhar na antologia de contos de Horror das treze escritoras escolhidas.</span></p>
<figure id="attachment_27102" aria-describedby="caption-attachment-27102" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27102 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/vitorianas-macabras-1-800x480.jpg" alt="Na foto, em frente a uma cortina vermelha, vemos um livro vermelho, ao centro. A capa do livro tem o desenho contornado de uma mulher em preto, cobras e uma cabra preta, e letras brancas estilizadas. Ao redor do livro, na parte direita e esquerda da imagem, vemos fotografias impressas em preto e branco, mostrando retratos pintados de mulheres." width="800" height="480" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/vitorianas-macabras-1-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/vitorianas-macabras-1-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/vitorianas-macabras-1-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/vitorianas-macabras-1.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27102" class="wp-caption-text">Como em outras obras da editora Darkside, as ilustrações e a diagramação do livro são um show à parte (Foto: Darkside Books)</figcaption></figure>
<p><b>A Rainha Vitória e sua Era Vitoriana</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem dá o nome a uma das eras mais </span><a href="https://macabra.tv/13-filmes-assustadores-era-vitoriana/"><span style="font-weight: 400;">famosas do meio cultural</span></a><span style="font-weight: 400;"> é a Rainha Vitória. A quinta da linha de sucessão, era improvável que a candidata a monarca de fato vestisse a coroa, mas seu tio, o Rei, apesar de ter tido filhos, nunca foi oficialmente casado e não possuía herdeiros legítimos. Assim, ela, que perdeu o pai quando ainda era bebê, assumiu o trono da Inglaterra aos 18 anos, rodeada de homens desconhecidos por ela e sem o devido preparo para seu novo posto. Antes, a mãe de Vitória até chegou a tentar prepará-la para ocupar o cargo, com uma criação rigorosa pautada pelo Sistema de Kensington, um conjunto de regras para educá-la. O que aconteceu, porém, foi que a </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/personagens/rainha-vitoria.html"><span style="font-weight: 400;">Rainha</span></a><span style="font-weight: 400;"> permaneceu vigiada e isolada pela maior parte de sua vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desamparada, após uma sucessão de governantes homens e com uma </span><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2021/04/familia-real-rainha-vitoria-monarquia-britanica-era-vitoriana-reino-unido"><span style="font-weight: 400;">monarquia enfraquecida</span></a><span style="font-weight: 400;">, a Rainha Vitória começou seu reinado em 1837. Rapidamente, ela se casou com o príncipe Albert, que morreu subitamente de febre tifóide não muitos anos depois. Ela, profundamente apaixonada e previamente marcada pelas perdas em sua vida, mergulhou no luto pelo resto de seus dias, levando a Inglaterra junto dela. Foi nessa época e contexto que o país viu sua curiosidade e </span><a href="https://www.historyextra.com/period/victorian/the-weird-and-wonderful-world-of-victorian-entertainment/"><span style="font-weight: 400;">predileção pelo macabro</span></a><span style="font-weight: 400;"> aflorar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde a morte do marido, a Rainha passou a vestir preto o tempo todo e seguiu com seus rituais de luto. Vitória mantinha os funcionários do palácio agindo como se Albert ainda estivesse vivo, diariamente levando água e sua bengala ao antigo cômodo do príncipe, e mandava pintar e pendurar quadros com o retrato dele. Mas a atmosfera sinistra ia além das paredes do castelo: nas ruas da Inglaterra, a obsessão pela morte, o culto aos falecidos e a curiosidade pelo além tornava o país assombroso. Assim, apesar de por definição compreender somente os anos em que esteve no poder, a Era Vitoriana transpassou o período de reinado da Rainha, de 1837 a 1901, mas ficou marcado por seu hábitos e </span><a href="https://darkside.blog.br/o-fascinio-da-era-vitoriana-pelo-macabro/"><span style="font-weight: 400;">características destacáveis</span></a><span style="font-weight: 400;">, que ressoam até hoje no imaginário popular.</span></p>
<figure id="attachment_27103" aria-describedby="caption-attachment-27103" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27103 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/vitorianas-macabras-2.jpg" alt="Retrato em preto e branco da Rainha Vitória. Em frente a uma sala de um palácio, ao centro, vemos a Rainha Vitória de perfil, sentada sob uma cadeira posando. Rainha Vitória é uma mulher branca, de cabelos escuros lisos, presos por um véu branco, aparentando cerca de 40 anos, usando brincos e colares de pérolas, e vestindo um traje de Rainha, um vestido de manga longa." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/vitorianas-macabras-2.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/vitorianas-macabras-2-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27103" class="wp-caption-text">No Reinado de Vitória, a colonização britânica e industrialização prosperaram até sua morte, em 1901 com 81 anos (Retrato: Alexandre Bassano)</figcaption></figure>
<p><b>A Era Vitoriana nas ruas da Inglaterra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não bastasse sua monarca mergulhada em uma aura fantasmagórica própria, a população da Inglaterra teve outros incentivos para embarcar na sombria Era Vitoriana. Em uma onda de espiritualismo, os médiuns, cartomantes e pessoas que supostamente encarnavam mortos viram um </span><a href="https://www.cultura930.com.br/freak-show-um-entretenimento-na-era-vitoriana/"><span style="font-weight: 400;">cenário propício</span></a><span style="font-weight: 400;"> para prosperarem, inclusive dentro do palácio real. Nisso, os fenômenos paranormais também se juntaram à lista de </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2016/apr/30/penny-dreadfuls-victorian-equivalent-video-games-kate-summerscale-wicked-boy"><span style="font-weight: 400;">interesses dos ingleses:</span></a><span style="font-weight: 400;"> gabinetes de curiosidade, com artefatos assombrados em exposição, demonstrações mesméricas, casas de crueldades, </span><a href="https://the-line-up.com/freak-show-peculiar-attraction-victorian-era"><i><span style="font-weight: 400;">freak shows</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e sessões de espiritismo e reencarnação faziam sucesso no país, onde que os cidadãos alimentavam a curiosidade pelo bizarro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As precárias condições de vida justificavam o fascínio inglês pela morte. </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/em-1892-pandemia-matou-neto-da-rainha-vitoria.phtml"><span style="font-weight: 400;">Epidemias</span></a><span style="font-weight: 400;">, acidentes, falta de assistência médica, péssimas condições sanitárias e de higiene contribuíram para que a expectativa média de vida de um homem não passasse dos 45 anos. Mulheres e crianças sequer chegavam a isso. O cenário era tão </span><a href="https://www.historyextra.com/period/victorian/the-surprising-history-of-victorian-dog-shows/"><span style="font-weight: 400;">deplorável</span></a><span style="font-weight: 400;"> que o </span><a href="https://www.megacurioso.com.br/misterios/114891-o-grande-fedor-de-1858-que-quase-intoxicou-londres.htm"><span style="font-weight: 400;">Grande Fedor</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Rio Tâmisa virou um evento, com um dos rios mais famosos do país virando um esgoto a céu aberto &#8211; inclusive, em uma </span><a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/retrato-falado-jack-o-estripador-o-pai-dos-serial-killers/"><span style="font-weight: 400;">leva de crimes</span></a><span style="font-weight: 400;"> na época, até corpos decapitados chegaram a boiar por lá. A morte rondava a Inglaterra.</span></p>
<figure id="attachment_27104" aria-describedby="caption-attachment-27104" style="width: 425px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27104 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a.png" alt="Quadrinho em preto e branco da Era Vitoriana. Na parte superior, vemos a frase “Boys murder their murder” e “Revolting crime at plaistow-shocking details” em fontes pretas serifadas. Abaixo, vemos a página divida em 6 quadrinhos, 3 na parte superior e 3 na parte inferior. O primeiro quadrinho mostra um menino esfaqueando uma mulher em cima de uma cama, em um quarto. O segundo quadrinho, redondo, mostra um homem parado em pé em frente a uma casa. O terceiro quadrinho mostra uma mulher inclinada sobre dois meninos em uma mesa. Nos quadrinhos de baixo, o primeiro mostra duas mulheres observando uma terceira mulher morta deitada em uma cama. O segundo quadrinho mostra dois meninos de terno em um tribunal de julgamento. O terceiro quadrinho mostra dois meninos de cabeça baixa ao lado de um homem, aparentemente um guarda." width="425" height="497" /><figcaption id="caption-attachment-27104" class="wp-caption-text">Além dos freak shows e penny dreadfuls, entretenimentos da época, a sociedade vitoriana também frequentava casas de ópio, que apareceram em outras obras do período &#8211; personagens como Sherlock Holmes e Dorian Gray já passaram por nesses lugares (Foto: The British Library)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O corpo humano também era tópico de interesse dos ingleses da época. Nem as insalubres condições de higiene e vida impediram os cidadãos da Era Vitoriana de realizarem experimentos e atingirem avanços na ciência. O fascínio era tamanho que ladrões de covas e gangues que sequestravam pessoas para roubar órgãos se tornaram comuns, alguns até ganhando fama, como os </span><a href="https://www.geriwalton.com/the-london-burkers-body-snatchers-of-the-1830s/"><span style="font-weight: 400;">London Burkers</span></a><span style="font-weight: 400;">. Hospitais psiquiátricos &#8211; na época, chamados de hospícios &#8211; e </span><a href="https://www.viator.com/pt-BR/tours/London/The-Madness-and-Marvels-of-Victorian-London-with-Highgate-Cemetery/d737-62043P5"><span style="font-weight: 400;">cemitérios</span></a><span style="font-weight: 400;"> também se popularizaram. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar das estranhezas que cativavam os vitorianos, a Era não foi só conservadorismo e repressão, mas um período propício para descobertas e progresso no campo da Ciência, da Literatura, das Artes e das reivindicações sociais. O movimento sufragista é um exemplo de pauta em alta na época, inclusive com autoras e outras personalidades conhecidas somando à luta. As características daqueles 74 anos de reinado também marcaram a produção literária, com o gênero do Horror, as influências góticas e a popularização dos </span><a href="https://www.estantediagonal.com.br/2020/10/o-que-foram-as-penny-dreadfuls.html"><i><span style="font-weight: 400;">penny dreadfuls</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, os contos e histórias marcadas pela violência e pelo aumento dos </span><a href="https://www.bbc.com/news/uk-england-berkshire-39330793#:~:text=%22Baby%20farming%22%20was%20a%20practice,get%20rid%22%20of%20their%20baby."><span style="font-weight: 400;">crimes</span></a><span style="font-weight: 400;">, e 13 das importantes expoentes dessas influências foram homenageadas em </span><i><span style="font-weight: 400;">Vitorianas Macabras</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Este volume busca reparar uma injustiça histórica, trazendo para os leitores brasileiros um pouco da vida e obra de treze mulheres que prestaram uma contribuição extraordinária à literatura. Mulheres que desafiaram as convenções, batalharam contra todo tipo de diversidade e combateram os mais arraigados preconceitos”</span></i></p></blockquote>
<p><b>As Vitorianas Macabras</b></p>
<p><a href="https://www.queridoclassico.com/2020/10/vitorianas-macabras.html"><i><span style="font-weight: 400;">Vitorianas Macabras</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">faz jus ao seu nome e, com a devida contextualização, foca nelas: as mulheres da Era Vitoriana movidas pelo medo. Por mais que tenham sido negligenciadas no decorrer da história, as escritoras deixaram sua marca na Literatura de gênero da Era, em produções que serviram de inspiração e pairam sobre nosso imaginário da época até hoje. No livro, Marcia Heloisa organiza uma coletânea (antologia, como ela chama) de contos de cada autora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São 13, de 13 escritoras diferentes. Entre líderes do movimento sufragista e donas de casa que só receberam seu reconhecimento muito tempo depois do que mereciam, cada uma se destaca com seu próprio estilo, tema, ritmo de escrita e narrativa. Ao final, o único elemento em comum entre as mulheres vitorianas é o Horror. E reforçando a proposta da obra, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-mulheres-da-semana-de-22-artigo/"><span style="font-weight: 400;">lembrar as personalidades femininas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que marcaram a Era Vitoriana, cabe aqui citar seus nomes, um por um.</span></p>
<p><b>Charlotte Riddell</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de escritora de mais de 50 livros, foi proprietária e editora da </span><i><span style="font-weight: 400;">St. James’s Magazine</span></i><span style="font-weight: 400;">, importante revista literária da época. Riddell foi uma das poucas que conseguiu viver de seu trabalho como autora e ser reconhecida em vida. Na obra, seu conto </span><i><span style="font-weight: 400;">A Porta Sinistra</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1882, acompanha um rapaz recém-desempregado investigando o </span><a href="https://personaunesp.com.br/historias-extraordinarias-critica/"><span style="font-weight: 400;">mistério</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma porta que não para fechada em uma mansão mal-assombrada.</span></p>
<figure id="attachment_27105" aria-describedby="caption-attachment-27105" style="width: 486px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27105 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/aa.png" alt="Foto de um livro aberto. O livro tem páginas pretas. Na parte esquerda do livro aberto, vemos uma moldura vermelha, com um retrato de uma mulher dentro. Na página direita do livro aberto, vemos, na parte superior central, as palavras “vitorianas macabras” em caixa alta, em uma fonte branca, com o logo, um M vermelho, entre as palavras. Logo abaixo, vemos as palavras &quot;Charlotte Riddell” em uma fonte em vermelho, em caixa alta. Abaixo, vemos palavras em uma letra cursiva, em branco. Ao centro, vemos as palavras “A EDITORA”, em uma fonte em vermelho e caixa alta. Abaixo, vemos os número 1832-1906 em vermelho. Na parte inferior, vemos um bloco de texto em uma fonte em branco." width="486" height="488" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/aa.png 486w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/aa-150x150.png 150w" sizes="auto, (max-width: 486px) 85vw, 486px" /><figcaption id="caption-attachment-27105" class="wp-caption-text">&#8220;Vitorianas Macabras comprova que o sangue é cor-de-rosa. Os contos aqui reunidos oferecem uma oportunidade única de descobrir que as histórias de medo sempre foram coisa de mulher.&#8221; &#8211; Gabriela Amaral (Foto: Darkside Books)</figcaption></figure>
<p><b>Louisa Baldwin</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao contrário da sua antecessora no livro, Louisa Baldwin veio de uma família ligada aos negócios do Rei, e seu casamento, assim como o de suas três irmãs, foram destaque na história dela. Pelo menos no que dizem as biografias, já que a autora escreveu diversos poemas, romances e uma coletânea de </span><a href="https://darkside.blog.br/conheca-5-autoras-macabras-que-desafiaram-as-regras-de-seu-tempo/"><span style="font-weight: 400;">contos de horror</span></a><span style="font-weight: 400;">. No livro, a obra escolhida para representá-la foi o conto </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mistério do Elevador</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1895, um dos mais curtos e mais envolventes de toda a coletânea da </span><i><span style="font-weight: 400;">Darkside</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><b>Edith Nesbit</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de ter escrito mais de 60 livros infantis, contos de horror, romances e poemas, foi co-fundadora de um movimento socialista londrino, precursor do Partido Trabalhista. Foi politicamente engajada, frequentando círculos sociais e literários da época, e tornou-se professora convidada da Escola de Economia e Ciência Política em Londres. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Vitorianas Macabras</span></i><span style="font-weight: 400;">, é homenageada com a inclusão de seu conto </span><i><span style="font-weight: 400;">Mortos em Mármore</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1887, que mistura o terror sobrenatural ao suspense psicológico.</span></p>
<p><b>Violet Hunt</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Filha de personalidades famosas da pintura e da literatura da época, Violet Hunt cresceu em um universo artístico. Foi autora de romances e contos, membro da Liga Sufragista de Autoras e Clube Internacional de Escritores PEN, além de ter participado do movimento sufragista. Se manteve em atividade até morrer e, no livro, tem sua participação com o conto </span><i><span style="font-weight: 400;">A Prece</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1911, em que a protagonista revive um falecido e reforça o fascínio da </span><a href="https://www.gestaoeducacional.com.br/era-vitoriana-o-que-foi/#:~:text=A%20classe%20m%C3%A9dia%20vitoriana,o%20auge%20da%20Revolu%C3%A7%C3%A3o%20Industrial."><span style="font-weight: 400;">Era Vitoriana</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela morte e pelo que existe além.</span></p>
<figure id="attachment_27107" aria-describedby="caption-attachment-27107" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27107 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Louisa-Baldwin-1024x538-1-800x420.png" alt="Ao fundo da foto, vemos papéis espalhados sob uma mesa. Do lado esquerdo da imagem, vemos o desenho de um bode e uma caneta tinteiro vermelha. Ao centro, vemos um cartão postal com o retrato em preto e branco de uma mulher. Na parte inferior direito do retrato, vemos as palavras “LOUISA BALDWIN” em branco, em caixa alta. Do lado direito da mesa, vemos fotos em preto e branco cortadas pelo enquadramento da foto." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Louisa-Baldwin-1024x538-1-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Louisa-Baldwin-1024x538-1-768x404.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Louisa-Baldwin-1024x538-1.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27107" class="wp-caption-text">Amelia B. Edwards publicou seu primeiro poema aos sete anos; sua obra O Coche Fantasma permanece um dos contos mais clássicos de terror até hoje (Foto: Darkside Books)</figcaption></figure>
<p><b>Amelia B. Edwards</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A lista de cargos de Amelia B. Edwards é longa: escritora, jornalista, pesquisadora e egiptologista. Ao contrário de outras autoras da antologia, que tiveram de conseguir reconhecimento por suas obras como forma de ganharem independência, o sucesso das obras de Edwards a incentivou a deixar a Inglaterra e partir em execuções, se dedicando a relatá-las em outras produções, além de contribuições ao estudo do Egito. Ela foi declaradamente feminista e, muito politizada, foi vice-presidente de uma sociedade sufragista. Amelia B. Edwards também é uma das ícones da </span><a href="https://morningstaronline.co.uk/article/amelia-edwards-lesbian-and-egyptologist"><span style="font-weight: 400;">história LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;"> inglesa: viveu por anos com sua companheira e as duas foram enterradas juntas, em um cemitério considerado patrimônio histórico LGBT no país. Na obra, participa com o conto </span><i><span style="font-weight: 400;">O Coche Fantasma</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1864.</span></p>
<p><b>Charlotte Bronte</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O sobrenome de Charlotte é famoso o suficiente para dispensar grandes apresentações: a autora foi uma das irmãs Bronte, as três grandes escritoras da Era Vitoriana. Junto de </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/emily-bronte-a-curiosa-vida-da-autora-de-o-morro-dos-ventos-uivantes/"><span style="font-weight: 400;">Emily</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Anne, financiaram a publicação de uma coletânea de poemas, com pseudônimos masculinos, e a partir daí, conseguiram publicar seus próprios trabalhos. A escrita de Charlotte, inclusive, foi elogiada pela Rainha Vitória. Em três páginas, seu conto </span><i><span style="font-weight: 400;">Napoleão e o Espectro </span></i><span style="font-weight: 400;">consegue ser cômico e sombrio, ao mesmo tempo.</span></p>
<p><b>Elizabeth Gaskell</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Romancista, contista e biógrafa, teve trabalhos publicados e reconhecidos ainda em vida, como o romance </span><i><span style="font-weight: 400;">Mary Barton</span></i><span style="font-weight: 400;">, artigos e a biografia da família Bronte, por ser melhor amiga de Charlotte. Sua casa virou um museu dedicado a sua vida e obra, e, em </span><a href="https://darkside.blog.br/a-macabra-filmes-e-a-darkside-books-apresentam-vitorianas-macabras/"><i><span style="font-weight: 400;">Vitorianas Macabras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Conto da Velha Ama</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1852, aborda o terror psicológico com uma ama recordando acontecimentos sinistros de sua juventude em uma mansão assombrada.</span></p>
<figure id="attachment_27108" aria-describedby="caption-attachment-27108" style="width: 620px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27108 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/bronte.jpg" alt="A imagem é uma pintura. A pintura retrata três mulheres brancas e jovens, lado a lado. À esquerda, vemos, do peito para cima, uma mulher de cabelos castanhos presos, usando um vestido verde e um laço rosa. Ao centro, em pé, vemos uma mulher de cabelos castanhos curtos usando um vestido lilás. À direita, sentada, vemos, da cintura para cima, uma mulher de cabelos loiros usando um vestido bege e um laço azul." width="620" height="356" /><figcaption id="caption-attachment-27108" class="wp-caption-text">Na imagem, as irmãs Bronte: Anne, Emily e Charlotte (Pintura: Edwin Landseer)</figcaption></figure>
<p><b>Mary Elizabeth Brandon</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez a de maior reconhecimento literário na época, Mary Elizabeth Brandon publicou mais de 80 livros e um deles, </span><a href="https://stringfixer.com/pt/Lady_Audley's_Secret"><i><span style="font-weight: 400;">O Segredo de Lady Audley</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1862) se tornou </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com o sucesso, ela conquistou a devida fama e independência financeira para seguir com suas publicações. Posteriormente, a obra foi adaptada para o rádio, para o cinema e para os palcos, alavancando ainda mais o alcance de Brandon na sociedade vitoriana. No livro, seu conto de horror </span><i><span style="font-weight: 400;">A Sombra da Morte</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1879. abusa do terror psicológico.</span></p>
<p><b>Margareth Oliphant</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao contrário do restante das personalidades da coletânea, Margareth Oliphant, autora de romances, contos, artigos, ensaios, biografias e críticas literárias, só dedicou-se a seu trabalho de escritora após a morte de seu marido, como uma forma de sustentar os filhos. Casou-se novamente, com um editor de uma prestigiada revista literária da época, e continuou produzindo sem descanso até sua morte. Segundo </span><i><span style="font-weight: 400;">Vitorianas Macabras</span></i><span style="font-weight: 400;">, “</span><i><span style="font-weight: 400;">a crítica moderna afirma que, se pudesse trabalhar menos e criar mais, Margareth teria sido um dos bastiões da Literatura britânica</span></i><span style="font-weight: 400;">”. No livro, seu conto </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=B1b7p5mtX78"><i><span style="font-weight: 400;">A Janela da Biblioteca</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 1896, uma jovem de férias na casa de sua família na Escócia descobre um nefasto segredo e uma janela para o desconhecido.</span></p>
<p><b>Rhoda Broughton</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sobrinha de um </span><a href="https://www.tor.com/2022/03/30/completely-natural-explanations-j-sheridan-le-fanus-carmilla-part-4/"><span style="font-weight: 400;">grande escritor</span></a><span style="font-weight: 400;"> da época, Rhoda Broughton teve apoio do tio no início da carreira e publicou dois romances na sua prestigiada revista literária. A partir daí, caiu no gosto do público e se tornou uma autora popular no século XIX, com seu romances e contos inventivos e sensacionalista sobre personagens femininas que desafiavam o decoro vitoriana. A coletânea conta que sua popularidade foi tamanha que outros escritores famosos no período, como Oscar Wilde e Lewis Caroll, se sentiram intimidados por ela, e há boatos de que Margareth Oliphant a repudiava por sua ousadia nas histórias. Trabalhou incansavelmente até sua morte e, na antologia, aparece com o conto </span><i><span style="font-weight: 400;">A verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1868.</span></p>
<figure id="attachment_27109" aria-describedby="caption-attachment-27109" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27109 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Vernon-Lee-1024x538-1-800x420.png" alt="Ao fundo da foto, vemos papéis espalhados sob uma mesa. Do lado esquerdo da imagem, vemos o desenho de um bode e uma caneta tinteiro vermelha. Ao centro, vemos um cartão postal com o retrato em preto e branco de uma mulher de perfil, vestindo um terno e olhando para fora de uma janela. Na parte inferior direito do retrato, vemos as palavras “VERNON LEE” em branco, em caixa alta. Do lado direito da mesa, vemos fotos em preto e branco cortadas pelo enquadramento da foto." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Vernon-Lee-1024x538-1-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Vernon-Lee-1024x538-1-768x404.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Vernon-Lee-1024x538-1.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27109" class="wp-caption-text">A peça teatral Satanás, o Devastador, em oposição à Primeira Guerra Mundial, é considerada uma obra-prima vanguardista de Vernon Lee (Foto: Darkside Books)</figcaption></figure>
<p><b>H.D. Everett</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente das colegas com que divide as páginas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Vitorianas Macabras</span></i><span style="font-weight: 400;">, H.D. Everett permaneceu um mistério por boa parte de sua vida. Começou a escrever somente após os 44 anos e publicou seus primeiros livros sob um pseudônimo masculino, o de Theo Douglas. Sua identidade só foi revelada em 1910, pouco mais de uma década antes de morrer, e caiu no esquecimento com o passar dos anos. Suas obras e sua escrita, porém, foram elogiadas por escritores famosos da Literatura de Horror, com suas histórias que mesclam terror e ficção científica, combinando temas vitorianos a toques modernos do início do século XX. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Maldição da Morta</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1920, conto com que marca presença no livro, pode-se notar os </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/vitrine/de-jane-eyre-crimes-vitorianos-e-mais-6-obras-surpreendentes-sobre-era-vitoriana.phtml"><span style="font-weight: 400;">elementos comuns</span></a><span style="font-weight: 400;"> da sua literatura em uma narrativa cheia de terror espiritual, com um viúvo assombrado por sua falecida mulher.</span></p>
<p><b>Vernon Lee</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vernon Lee fez tudo e desafiou tudo. Escritora, dramaturga e ensaísta, ela publicou mais de 50 livros, entre contos, romances, peças e ensaios, e se tornou notável por suas histórias de horror. Ela também ficou famosa por suas contribuições aos estudos de Filosofia e Estética, e por sua luta política &#8211; como uma ávida pacifista e antimilitarista, se opôs à Primeira Guerra Mundial e escreveu uma trilogia teatral de protesto. </span><a href="https://www.theparisreview.org/blog/2018/04/03/between-me-and-my-real-self-on-vernon-lee/"><span style="font-weight: 400;">Ela</span></a><span style="font-weight: 400;"> também desafiou os costumes da sociedade vitoriana: lésbica, assumia e vivia seu relacionamentos às claras, tendo permanecido com sua companheira até a morte, e se vestia em trajes tipicamente masculinos em provocação. No livro, participa com </span><i><span style="font-weight: 400;">Amor Dure</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1887, um dos contos mais longos, envolventes e poéticos da coletânea, sobre um jovem historiador que se apaixona por uma jovem italiana morta há séculos.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Somos herdeiros das transformações e contradições vitorianas, adotamos e aperfeiçoamos seus avanços científicos e tecnológicos, exaltamos suas descobertas, apreciamos suas expressões artísticas, reverenciamos suas figuras ilustres</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></p></blockquote>
<p><b>May Sinclair</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A última, mas não menos importante, das macabras vitorianas lembradas na antologia de contos, May Sinclair foi romancista, contista, poeta, tradutora e crítica literária, com mais de 23 romances e dezenas de outras produções publicadas. Cedo na vida, ela teve de largar seus estudos para cuidar da mãe e dos irmãos, e se tornou autodidata. Ganhou destaque na Liga Sufragista das Autoras e também contribuiu com a psicanálise, em uma sociedade de pesquisa sobre fenômenos psíquicos e paranormais. Suas histórias de terror psicológico e tramas sobrenaturais foram chamativas e, no livro, entra com o conto </span><a href="https://www.stuckinabook.com/uncanny-stories-may-sinclair/"><i><span style="font-weight: 400;">Onde o fogo não se apaga</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 1923.</span></p>
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		<title>Calambre sonoriza a revolução que Nathy Peluso incorpora</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Mar 2022 20:36:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Vulcano Inúmeros são os prismas musicais de origem latina que despontam na indústria atual. A efervescência emergida de tantos ritmos vira elixir não somente rompendo com a hegemonia maçante da língua inglesa nos centros de visibilidade, como também investindo em criar, revisitar e renovar leituras artísticas. No entanto, mesmo ascendida nesse cenário difusor de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/calambre-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Calambre sonoriza a revolução que Nathy Peluso incorpora"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26926" aria-describedby="caption-attachment-26926" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26926" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-9-800x800.jpg" alt="Capa do álbum Calambre. Nathy Peluso, uma mulher branca de cabelos castanhos e longos, está centralizada na imagem. Ela salta em posição de espacate enquanto segura, com os dois braços acima de sua cabeça, um fio branco com tomada em uma das extremidades. Nathy ainda veste bandagens em várias partes do corpo. Ao fundo, uma parede branca com a sombra da cantora." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-9-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-9.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-9-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-9-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26926" class="wp-caption-text">“Sou eu quem pega o plugue e causa o choque &#8211; de paixão, alegria, o que quer que seja. Quero agitar a coragem das pessoas de tal forma que elas não consigam se conter” (Foto: JP Bonino)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Vulcano</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inúmeros são os prismas musicais de </span><a href="https://www.billboard.com/music/latin/all-latin-artist-on-the-rise-2021-1235011030/"><span style="font-weight: 400;">origem latina</span></a><span style="font-weight: 400;"> que despontam na indústria atual. A efervescência emergida de tantos ritmos vira elixir não somente </span><a href="https://tracklist.com.br/musica-latina-2020/100786"><span style="font-weight: 400;">rompendo</span></a><span style="font-weight: 400;"> com a hegemonia maçante da língua inglesa nos centros de visibilidade, como também investindo em criar, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PTDgP3BDPIU"><span style="font-weight: 400;">revisitar</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=34z8YXldqNk"><span style="font-weight: 400;">renovar</span></a><span style="font-weight: 400;"> leituras artísticas. No entanto, mesmo ascendida nesse cenário difusor de novidades, Nathy Peluso surpreende no mínimo e no estrondoso desde o início de sua carreira. </span></p>
<p><span id="more-26925"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Das </span><i><span style="font-weight: 400;">mixtapes </span></i><span style="font-weight: 400;">autônomas aos </span><a href="https://tn.com.ar/musica/estrellas/2022/02/21/nathy-peluso-la-chica-de-lujan-con-ojos-bicolor-que-llego-a-la-tapa-de-vogue/"><span style="font-weight: 400;">visuais ousados</span></a><span style="font-weight: 400;">, a cantora e compositora de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JzJdpXZHaRM&amp;t=49s"><span style="font-weight: 400;">Luján</span></a><span style="font-weight: 400;"> nunca deixou de abraçar o imprevisível e, analogamente, personalizar seu lugar de destaque. Catapultada para a </span><a href="https://www.ambito.com/espectaculos/musica/nicki-nicole-y-nathy-peluso-seran-las-primeras-argentinas-participar-del-festival-coachella-n5351103"><span style="font-weight: 400;">história</span></a><span style="font-weight: 400;"> mundial, alastrada em </span><i><span style="font-weight: 400;">Calambre</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, por fim, participante dos indicados ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/grammy-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">: sua essência ardente é banhada na </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ciMMqCd9p2U"><span style="font-weight: 400;">revolução</span></a><span style="font-weight: 400;"> da autoafirmação.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Nathy Peluso - CORASHE (Video Oficial)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/vkvMgp_7swk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Nascida em berço argentino, Peluso explorou a juventude em solos espanhóis. Entre os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6C0GCYMp_zw"><i><span style="font-weight: 400;">covers</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em hotéis e restaurantes e as declamações de </span><a href="https://twitter.com/JulianMarin/status/1462515489075249160?s=20"><span style="font-weight: 400;">poesia improvisada</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas ruas, sua trajetória foi introduzida por pura diversidade expressiva. Foi assim que, munida de sequentes estudos universitários em dança e artes visuais, a </span><a href="https://open.spotify.com/album/7iuGQ0MTUur0HleAhXJizz?si=AR2R5F0JRFaypSiU9uGHDg"><span style="font-weight: 400;">estreia</span></a><span style="font-weight: 400;"> independente da artista esbanjou sua surgente competência na combinação </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ttlEgFOu6HI"><span style="font-weight: 400;">colorida</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">hip-hop</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">trap</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A investida mais robusta de extrapolar amiúdes veio em 2019, com </span><a href="https://www.urbandictionary.com/define.php?term=sandunguera"><i><span style="font-weight: 400;">La Sandunguera</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Os gêneros musicais já aproveitados foram apimentados pela cativação de </span><i><span style="font-weight: 400;">soul</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> no novo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=s2LSW9Si2Gw"><i><span style="font-weight: 400;">EP</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dando a Nathy projeção gritante para embarcar em sua primeira turnê, se apresentar em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9M_KuyXq2lE"><span style="font-weight: 400;">grandes festivais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, enfim, assumir contratos com a renomada </span><i><span style="font-weight: 400;">Sony Music</span></i><span style="font-weight: 400;">. Cravada com peso no amplo mercado, a jovem decidiu incorporar a </span><a href="https://www.citynightsdisco.co.uk/fusion-genre-taking-world-music/#:~:text=In%20fact%2C%20much%20of%20the,we%20call%20it%20a%20fusion."><span style="font-weight: 400;">melodia fusionista</span></a><span style="font-weight: 400;"> por inteiro e continuar liderando sua narrativa imponente </span><i><span style="font-weight: 400;">–</span></i><span style="font-weight: 400;"> agora, em um </span><a href="https://www.urbandictionary.com/define.php?term=major%20label"><i><span style="font-weight: 400;">major</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> álbum.</span></p>
<figure id="attachment_26927" aria-describedby="caption-attachment-26927" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26927" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-9-800x533.jpg" alt="A imagem mostra a cantora Nathy Peluso, uma mulher branca de cabelos castanhos e longos presos em um rabo de cavalo. Ela veste uma blusa preta bufante de transparência nas mangas bufantes, além de corpete, shorts e botas igualmente pretos. Seu corpo está totalmente virado para frente e sustentado na posição por sua mão esquerda, posicionada ao chão. Seu braço direito está posicionado na extremidade oposta, levantado acima de sua cabeça." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-9-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-9-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-9.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26927" class="wp-caption-text">“E, se haviam barreiras, essas não existirão; como soa linda a amiga liberdade”: a afirmativa que anuncia o lançamento, em 2020, de Calambre (Foto: Berta Pfirsich)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> de capa motivado pela </span><a href="https://faroutmagazine.co.uk/how-grace-jones-created-the-cover-for-island-life/"><span style="font-weight: 400;">ilhota</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Grace Jones, o projeto cumpre expectativas ao não restringir sua internacionalidade às gravações intercambiadas entre América do Sul, Norte e Europa. Mesclando do farfalhar urbano ao reluzir clássico, o atrevimento mais envolvente do primogênito de Peluso é o de se completar pelo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4kxzirj2QyU"><span style="font-weight: 400;">pluralismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, sem designar focos de atenção. Essa atmosfera potente, tensionada propositalmente no intercalar de arranjos multi-instrumentais, é devidamente monopolizada pelos gênios artísticos e pessoais da argentina.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diversão e solidão, amor e luxúria, imediato e nostálgico: todos são antagonismos ambiciosos entrelaçados nas fibras de </span><a href="https://www.grimygoods.com/2020/10/06/nathy-peluso-displays-a-raw-vulnerability-and-sensuality-that-defies-conformity-on-calambre/"><i><span style="font-weight: 400;">Calambre</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O batismo é bruto </span><i><span style="font-weight: 400;">–</span></i><span style="font-weight: 400;"> cãibra em tradução literal </span><i><span style="font-weight: 400;">–</span></i><span style="font-weight: 400;"> justamente por representar o golpe eletrizante desenvolvido e conectado por suas dezenas de facetas. Emitindo </span><a href="https://viapais.com.ar/urbano/nathy-peluso-conto-como-compone-sus-canciones-nunca-fui-pretenciosa-a-la-hora-de-escribir/"><span style="font-weight: 400;">chamas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e atormentando </span><a href="https://twitter.com/La1_tve/status/1489005192012079108?s=20&amp;t=23z_YoifdIdp5D4xV3zFWQ"><span style="font-weight: 400;">regularidades</span></a><span style="font-weight: 400;">, a dúzia de faixas sabe calibrar movimento físico e mental. E a variedade de estados contemplados nesse processo diminui </span><a href="https://twitter.com/NathyPeluso/status/1464492299124097025?s=20"><span style="font-weight: 400;">as muralhas da cantora</span></a><span style="font-weight: 400;"> para mostrar que sentir se torna uma obrigação do chocar.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Nathy Peluso Is Trusting Her Destiny" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/9ZedZEsLDrY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Estruturar um conjunto tão imersivo e complexo exige a legitimação ditada, aqui, pela união de produção versátil à composição enfática. A primeira ficou quase totalmente nas mãos premiadas de </span><a href="https://www.lanacion.com.ar/espectaculos/musica/rafa-arcaute-productor-musical-del-momento-spinetta-nid2505607/"><span style="font-weight: 400;">Rafa Arcaute</span></a><span style="font-weight: 400;">, conhecido por dirigir realizações de Shakira a Ricky Martin. O domínio da última é resultado da presença de Nathy em todas as letras do </span><i><span style="font-weight: 400;">LP</span></i><span style="font-weight: 400;">, o que a permite conceituar </span><a href="https://www.vogue.es/celebrities/articulos/nathy-peluso-portada-vogue-diciembre-2021"><span style="font-weight: 400;">personagens e atitudes</span></a><span style="font-weight: 400;"> de si mesma em perspectiva expandida. Consequentemente, a materialização dessa equação é declarada já nos momentos iniciais da jornada de </span><a href="https://youtu.be/C66UUbJ3b2k"><span style="font-weight: 400;">celebração</span></a><span style="font-weight: 400;"> da artista: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eles me prometeram muita abundância/Mas eu me recusei a ser sua presa</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando o </span><i><span style="font-weight: 400;">trap</span></i><span style="font-weight: 400;"> regado a violinos de </span><i><span style="font-weight: 400;">CELEBRÉ</span></i><span style="font-weight: 400;"> se dissipa, a avidez categórica </span><i><span style="font-weight: 400;">–</span></i><span style="font-weight: 400;"> assinatura de </span><a href="https://youtu.be/0OkiUUU3Odw"><span style="font-weight: 400;">longa data</span></a><span style="font-weight: 400;"> da cantora </span><i><span style="font-weight: 400;">–</span></i><span style="font-weight: 400;"> permanece vibrante. Referenciando </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pCHfz-WMwyo"><span style="font-weight: 400;">uma das lendas</span></a><span style="font-weight: 400;"> do folclore argentino, o sentimento entoa pelo misto de </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">reggaeton</span></i><span style="font-weight: 400;"> que é </span><a href="https://youtu.be/1qrW5N-_7WA"><i><span style="font-weight: 400;">AMOR SALVAJE</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Tão provocativa quanto seu título, a discussão amorosa parte de melindres clichês e esmorece no calor da intimidade corporal, encenando trechos da comicidade que se apaixonar perdidamente causa (e Peluso </span><a href="https://youtu.be/o3766wFOG_Q"><span style="font-weight: 400;">adora reproduzir</span></a><span style="font-weight: 400;">). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A teatralidade, sobretudo, tem uma sondagem especial nas canetadas espelhadas pelo teto de vidro da jovem. Avançando feito constante nas eloquências do disco, os ímpetos imaginativos focam na audácia de enfrentar inquietudes e iniciativas de Nathy diante da plateia pública. E </span><a href="https://youtu.be/BA0EKm_C2rs"><i><span style="font-weight: 400;">TRÍO</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> consegue ser a captura máxima desse viés. Revelada de improvisos e protagonizada por fantasias sexuais, a canção também sintoniza </span><i><span style="font-weight: 400;">rhythm and blues</span></i><span style="font-weight: 400;"> noventistas a uma cadência similar a batimentos cardíacos. Nas minúcias das intimidades destrinchadas, a </span><a href="https://www.harpersbazaar.com/culture/art-books-music/a34730877/nathy-peluso-latin-grammys-interview/"><span style="font-weight: 400;">transmissão</span></a><span style="font-weight: 400;"> do motor sinceridade é eficaz o bastante para se dilatar na tenacidade posterior de </span><i><span style="font-weight: 400;">Calambre</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_26928" aria-describedby="caption-attachment-26928" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26928" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-1-5-800x420.jpg" alt="A imagem mostra a cantora Nathy Peluso, uma mulher branca de cabelos castanhos e longos. Ela veste uma blusa roxa de gola alta e mangas longas junto a anéis brilhantes em ambas as mãos, as quais estão entrelaçadas no centro da fotografia. Nathy também usa unhas decoradas longas. Ao fundo, cortinas lilases. " width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-1-5-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-1-5-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-1-5-768x403.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-1-5.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26928" class="wp-caption-text">“Não quero fazer apenas o que sei que funciona, mas o que me apaixona” (Foto: Kito Muñoz)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Técnica </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=K9U1lRD3Onk"><span style="font-weight: 400;">assídua</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Peluso, o balanceamento da febre de performances artísticas à delicadeza da vulnerabilidade expressiva reverbera no álbum. Seja na miscelânea harmoniosa concebida por </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">hip-hop,</span></i><span style="font-weight: 400;"> que emerge da autoestima salpicada em </span><a href="https://youtu.be/hSo2XshK1Rw"><i><span style="font-weight: 400;">SUGGA</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou através da aura misteriosa e paradoxal de </span><a href="https://youtu.be/N7DDG990olc"><i><span style="font-weight: 400;">ARRORÓ</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma balada melancólica </span><i><span style="font-weight: 400;">à la</span></i> <a href="https://personaunesp.com.br/el-mal-querer-rosalia-critica/"><span style="font-weight: 400;">ROSALÍA</span></a><span style="font-weight: 400;">, o destino da artista não se consolida. Ser autocentrada vira seu incentivo para vasculhar o fervor do mundo. Entre a segurança (“</span><i><span style="font-weight: 400;">Com um caramelo na boca, ela o forçou a sonhar</span></i><span style="font-weight: 400;">”) e a fragilidade emocional (“</span><i><span style="font-weight: 400;">Como você pôde quebrar a promessa?/Como você se foi se minha alma te beija?</span></i><span style="font-weight: 400;">”), o ego aprende, no ato, a se redescobrir e se fascinar por versos generosamente humanos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além do lirismo concentrado, vertentes políticas rasgam, fugazes, a óptica múltipla do </span><i><span style="font-weight: 400;">CD</span></i><span style="font-weight: 400;">. Tributo a </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2021/11/24/mercedes-sosa-e-mais-relevante-do-que-nunca-diz-autora-da-1-biografia-da-cantora-em-portugues"><span style="font-weight: 400;">Mercedes Sosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, crítica explícita ao </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/business/sob-protestos-camara-argentina-aprova-projeto-de-refinanciamento-de-divida-com-fmi/"><span style="font-weight: 400;">Fundo Monetário Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> e reinterpretação de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EWTQUGmuuEQ"><span style="font-weight: 400;">cantigas infantis</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Argentina </span><i><span style="font-weight: 400;">–</span></i> <a href="https://youtu.be/JqJBIPE5Trk"><i><span style="font-weight: 400;">SANA SANA</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> tange a História para ressignificar o país latino-americano. Repetindo o refrão como mantra, a cantora exalta suas habilidades e muitos elementos culturais de seu povo, enquanto mistura ironia e afronta à precisão de um </span><i><span style="font-weight: 400;">trap</span></i><span style="font-weight: 400;"> rítmico. Longe da passividade, ela entrega um diálogo sobre </span><a href="https://www.clashmusic.com/features/i-decided-to-be-honest-with-myself-nathy-peluso-is-unstoppable"><span style="font-weight: 400;">pertencimento</span></a><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Nossa nação tem um longo e doloroso histórico, com muitas dívidas, mas também com perseverança</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Nathy Peluso - SANA SANA | A COLORS SHOW" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/pICv0qQIbeY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Usando e abusando de gêneros altamente radiofônicos, a concepção do </span><i><span style="font-weight: 400;">LP</span></i><span style="font-weight: 400;"> se influencia por </span><a href="https://www.harpersbazaar.com/culture/art-books-music/a33004381/best-2000s-songs/"><i><span style="font-weight: 400;">hits</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> cozinhados nos anos 2000 e evidentes até na </span><a href="https://mais.opovo.com.br/jornal/vidaearte/2022/03/08/tiktok-entenda-a-influencia-da-rede-social-no-consumo-de-musica.html"><span style="font-weight: 400;">era </span><i><span style="font-weight: 400;">TikTok</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Tático nesse contexto, o reciclar do desejo exacerbado sendo aludido a um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XfFvBp5ocHo"><span style="font-weight: 400;">crime</span></a><span style="font-weight: 400;"> é a aposta que transpira comercialidade, em um quadro louvável e nítido: preservando a autoria de Nathy. Apesar de mirar em rotas mais destemidas que a vendável, </span><i><span style="font-weight: 400;">Calambre</span></i><span style="font-weight: 400;"> se dá ao luxo certeiro de interpolar essas memórias férteis para enriquecer e determinar ainda mais a prosa exposta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inevitavelmente, a desvinculação de pretensões do passado (ou do óbvio) para o engrandecimento de emoções atemporais também se sucede. Pela percepção sensorial do embate travado entre soledade e </span><a href="https://personaunesp.com.br/revelacion-critica/"><span style="font-weight: 400;">solitude</span></a><span style="font-weight: 400;">, o despencar de Peluso na epifania se salienta em deleitosos convites coletivos. </span><a href="https://youtu.be/O8BLUzAxNmQ"><i><span style="font-weight: 400;">BUENOS AIRES</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> equilibra o taciturno do silêncio a reflexões libertadoras, sempre conduzida pela claridade do </span><i><span style="font-weight: 400;">neo-soul </span></i><span style="font-weight: 400;">e ornamentada por leves contribuições de </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;">. Na mesma toada sonora, </span><a href="https://youtu.be/ZomiJBu9n2Y"><i><span style="font-weight: 400;">LLAMAME</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> tenta esboçar a inspiração genuína vista na representação da capital argentina e termina insuficiente </span><i><span style="font-weight: 400;">– </span></i><span style="font-weight: 400;">o que explica porquê só </span><a href="https://fb.watch/bwNB08Hrkm/"><span style="font-weight: 400;">uma das faixas</span></a><span style="font-weight: 400;"> promoveu o disco na </span><a href="https://flaunt.com/content/nathy-peluso"><span style="font-weight: 400;">vitrine</span></a><span style="font-weight: 400;"> das cerimônias musicais.</span></p>
<figure id="attachment_26929" aria-describedby="caption-attachment-26929" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26929" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-2-2-800x450.jpg" alt="A imagem mostra a cantora Nathy Peluso, uma mulher branca de cabelos castanhos e longos. Ela veste um vestido de alcinhas e veludo azul, enquanto seu braço esquerdo se estende reto ao chão e sua mão direita se posiciona à frente de seu tronco. De olhos fechados, Nathy ainda arqueia a cabeça para cima. Ao fundo, uma parede verde." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-2-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-2-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-2-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-2-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-2-2-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-2-2.jpg 1800w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26929" class="wp-caption-text">Maior reconhecimento para a Música na Argentina, os Prêmios Gardel 2021 concederam 4 vitórias à Peluso, incluindo Melhor Nova Artista (Foto: Lucas Garrido)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de proclamar a plenos pulmões que </span><a href="https://youtu.be/VE241132KKU"><span style="font-weight: 400;">não pede perdão nem permissão</span></a><span style="font-weight: 400;">, Nathy inaugurou sua última era lutando para reduzir a pó o falatório e a injúria. </span><a href="https://youtu.be/Hd61PqRJapU"><i><span style="font-weight: 400;">BUSINESS WOMAN</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i><span style="font-weight: 400;"> e clímax do álbum, é bem mais que o triunfo estilístico ao seu </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> eloquente. Alegorizando autoconfiança, malícia, sucesso e poder, a autoridade da jovem é a de se acomodar na fogueira com seus deslizes e virtudes, sabendo que a combustão de tantos pormenores só a vilaniza no curso de intenções meritórias e próprias. Letal e sugestiva, patinando por espanhol e inglês, ela é o diabo </span><a href="https://genius.com/Nathy-peluso-business-woman-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">se quiser</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Pergunte-se o quanto me odeia, o quanto me ama/Não vim te dar lições nem fazer sua cama</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://youtu.be/jN6J-w4fk6w"><span style="font-weight: 400;">dimensões</span></a><span style="font-weight: 400;"> passadas, a argentina já formulava contundência e perspicácia em </span><a href="https://www.europafm.com/noticias/famosos/discurso-feminista-nathy-peluso-ocho-frases-gorda-esta-triunfando_2021121461b88f0e454389000144cac0.html"><span style="font-weight: 400;">discursos</span></a><span style="font-weight: 400;"> naturalizados no feminismo. </span><i><span style="font-weight: 400;">Calambre</span></i><span style="font-weight: 400;"> por si só floresce do movimento. Mas, o auge da irreverência resplandece no êxtase de </span><i><span style="font-weight: 400;">BUSINESS WOMAN</span></i><span style="font-weight: 400;"> pela expansividade deliciosa das reivindicações. Debruçada na notoriedade de uma musicalidade feita à base de </span><a href="https://personaunesp.com.br/j-cole-the-off-season-critica/"><span style="font-weight: 400;">denúncias</span></a><span style="font-weight: 400;"> e cada vez mais nutrida de </span><a href="https://personaunesp.com.br/montero-lil-nas-x-critica/"><span style="font-weight: 400;">transformações</span></a><span style="font-weight: 400;">, a cantora exala uma obstinação que só pôde ser provada pela nobreza de não enclausurar suas composições em formato de </span><a href="https://www.ultimahora.es/noticias/cultura/2021/10/06/1306833/nathy-peluso-feminismo-puede-ser-moda-porque-algo-pasajero.html"><span style="font-weight: 400;">tendências passageiras</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="NATHY PELUSO - BUSINESS WOMAN" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/4B614TAin4s?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">O dueto responsável por encerrar os enérgicos quarenta minutos caminha pelos poros abertos resgatando, com fôlego de virada, as raízes da artista. Afinal, tratando-se de Nathy e Argentina, o </span><a href="https://youtu.be/uISyLdhtngM"><span style="font-weight: 400;">ciclo</span></a><span style="font-weight: 400;"> é retroalimentar. O fervor que despertou a jovem regenera sua relação com a Música e o universo e, simultaneamente, as faixas também funcionam como simulacro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Calambre</span></i><span style="font-weight: 400;">. O término não pontua linearidade ou finda trilhas. É o enaltecimento da </span><a href="https://www.elpais.com.uy/domingo/nathy-peluso-cantar-bares-madrid-ganar-grammy-latino.html"><span style="font-weight: 400;">profusão</span></a><span style="font-weight: 400;"> despejada por toda a obra.</span></p>
<p><a href="https://youtu.be/aHmV2sAqxfQ"><i><span style="font-weight: 400;">PURO VENENO</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">AGARRATE</span></i><span style="font-weight: 400;"> funcionam como fotografias dos estágios de um luto romântico, buscando estampar um renascimento particular, muito pleno no decorrer do projeto. O começo da passagem transita entre negação e barganha, confundindo a toxicidade palpável ao prazer de ser amada. A impureza que induz ao desejo dilacerante de escape é comunicada pela </span><i><span style="font-weight: 400;">salsa</span></i><span style="font-weight: 400;">, evocando o </span><a href="https://animal.mx/entretenimiento/nathy-peluso-entrevista-calambre-letras/"><span style="font-weight: 400;">imaginário melodramático</span></a><span style="font-weight: 400;"> de um tipo musical ideal para fundir dança e dor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A surpreendente </span><a href="https://youtu.be/X5pf7-Ra2oY"><span style="font-weight: 400;">canção final</span></a><span style="font-weight: 400;"> mergulha sua introdução no ínfimo da tristeza, deixando o lado mais sombrio do tango coreografar o ritmo lento e aturdido de perda. &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">E, agora, meus beijos te pedem perdão/Por acreditarem que havia luz nessas mãos/Por saberem antes de você que isso tinha acabado</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;. Contudo, choradas as lamúrias, as sobreposições de </span><i><span style="font-weight: 400;">hip-hop</span></i><span style="font-weight: 400;"> se manifestam rapidamente na metade seguinte, transfigurando os pesares em insubordinação: &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Você acha que sabe sobre vida e dinheiro/Mas não experimentou mulheres como eu</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;. A ruptura é ironicamente intuitiva: culminando no agridoce processo curativo, expurga tudo o que não condiz com o </span><a href="https://youtu.be/iB57JQQbmiw"><span style="font-weight: 400;">reflexo</span></a><span style="font-weight: 400;"> ressurgido da artista.</span></p>
<figure id="attachment_26930" aria-describedby="caption-attachment-26930" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26930" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5-1-4-800x449.jpg" alt=" A imagem mostra a cantora Nathy Peluso, uma mulher branca de cabelos castanhos e longos. Ela usa um vestido preto de veludo e alças, além de um chapéu azul marinho felpudo na cabeça. Nathy também usa brincos, colar, pulseira e anéis dourados, além de longas unhas decoradas vermelhas. Sua mão esquerda está posicionada em sua cintura, enquanto sua mão direita segura um gramofone, prêmio dado aos vencedores do Grammy. Ela esboça felicidade e surpresa no rosto. Ao fundo, um totem azul com símbolos de gramofones desenhados. " width="800" height="449" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5-1-4-800x449.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5-1-4-768x431.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5-1-4.jpg 1010w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26930" class="wp-caption-text">Dona de outras cinco nomeações ao Grammy Latino, Peluso conquistou seu primeiro gramofone na edição de 2021, através de Calambre, em Melhor Álbum de Música Alternativa (Foto: Getty Images)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Vasto no desvendar da sonoridade e arrebatador no trâmite lírico, </span><i><span style="font-weight: 400;">Calambre</span></i><span style="font-weight: 400;"> celebra o primor do </span><a href="https://tracklist.com.br/nathy-peluso/122873"><span style="font-weight: 400;">ecletismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e não esgota nem sua própria modelação. É a evolução autêntica e de visível </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_1z8gqtyUOQ"><span style="font-weight: 400;">extensão</span></a><span style="font-weight: 400;"> que possibilitou a Nathy Peluso rechaçar temáticas badaladas do </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;"> quase de maneira vanguardista, engolindo forças e vícios do meio e convertendo-os em recursos ostensivos. O estraçalhar criativo do disco ainda estabelece sua melhor dádiva no todo: em cristalizadas contradições, a cantora se dá inteira e única. A assertividade foi tamanha que, colhendo os </span><a href="https://www.papelpop.com/2021/12/nao-da-para-discutir-2021-foi-o-ano-da-mafiosa-nathy-peluso/#:~:text=Tudo%2C%20%C3%A9%20claro%2C%20n%C3%A3o%20passa,de%202021%20sua%20est%C3%A9tica%20extravagante."><span style="font-weight: 400;">frutos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua curadoria, ela tem se realçado como </span><a href="https://www.latercera.com/culto/2022/02/25/nathy-peluso-la-antidiva-del-pop-hispano-va-a-la-conquista-de-nuevos-mundos/"><span style="font-weight: 400;">subversão</span></a><span style="font-weight: 400;"> necessária no tabuleiro musical.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Polemizando na </span><i><span style="font-weight: 400;">bachata</span></i><span style="font-weight: 400;"> com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Y9WJOopLYBQ"><span style="font-weight: 400;">C. Tangana</span></a><span style="font-weight: 400;"> e deslanchando no </span><i><span style="font-weight: 400;">savvy-pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-5l4Xx5eCcs"><span style="font-weight: 400;">Christina Aguilera</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1PeVA5wQWAY"><span style="font-weight: 400;">Karol G</span></a><span style="font-weight: 400;">, sua figura já é magnética em parcerias de ouro. Recorrente nas listas do </span><a href="https://www.latingrammy.com/pt/videos/nathy-peluso-mejor-lbum-de-m-sica-alternativa"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Latino</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> desde 2020, seu nome alcançou a primeira indicação na 64ª </span><a href="https://www.grammy.com/awards/64th-annual-grammy-awards-2021"><span style="font-weight: 400;">versão estadunidense</span></a><span style="font-weight: 400;"> da premiação, em Melhor Álbum Latino de </span><i><span style="font-weight: 400;">Rock </span></i><span style="font-weight: 400;">ou Música Alternativa. Com uma individualidade incendiária e pronta para mais, o legado da artista argentina cresce tão vívido quanto o motim incitado por ela e ressoado por </span><i><span style="font-weight: 400;">Calambre</span></i><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">está tudo bem em reconhecer o que você </span></i><a href="https://www.papelpop.com/2021/02/entrevista-o-hip-hop-para-nenas-de-nathy-peluso/"><i><span style="font-weight: 400;">sabe</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> fazer”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Calambre" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/0HvKhpJzjmC5wloza8MjXF?si=kt_kCZC8SsCnpyhwyFCg2A&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>A esperança é o antídoto para o vício em Four Good Days</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Mar 2022 20:53:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Sabrina G. Ferreira A narrativa de Four Good Days tinha tudo para ser óbvia e seguir o roteiro clássico de um filme com essa abordagem, entretanto o que se vê é um show de atuações, e um recorte instigante do problema apresentado. Baseado em fatos reais, o longa dirigido por Rodrigo García (Em Terapia, Questão &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/four-good-days-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A esperança é o antídoto para o vício em Four Good Days"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26680" aria-describedby="caption-attachment-26680" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26680" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-5.jpg" alt="Cena do filme Four Good Days. Na imagem, vemos uma mulher de meia idade à esquerda; de cabelos loiros com franja, lisos e curtos; e pele clara. Ela está usando uma camisa de mangas longas, estampada de marrom e amarelo, uma calça bege, e está com os braços cruzados. Ela está sentada em uma cadeira verde escura estofada, com as pernas cruzadas, com uma expressão de preocupação, olhando para a moça que está sentada ao seu lado direito. Ao lado dela, à direita, está uma mulher jovem. Ela tem cabelos compridos, loiros, lisos e soltos. Ela está usando uma camisa xadrez cinza de mangas longas, com outra camiseta cinza por baixo, e calça preta; está olhando séria para a senhora que está sentada à sua esquerda, com as mãos fechadas sobre as pernas. Atrás delas há uma parede azul clara, com um quadro de tamanho médio. Elas estão em ambiente interno." width="1200" height="732" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-5.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-5-800x488.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-5-1024x625.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-5-768x468.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26680" class="wp-caption-text">Indicado ao Oscar 2022, Four Good Days mostra-nos a realidade do consumo excessivo de substâncias ilícitas e como esse abuso pode destruir os laços familiares mais fortes, como o de mãe e filha (Foto: Vertical Entertainment)</figcaption></figure>
<p><b>Sabrina G. Ferreira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A narrativa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Four Good Days</span></i><span style="font-weight: 400;"> tinha tudo para ser óbvia e seguir o roteiro clássico de um filme com essa abordagem, entretanto o que se vê é um </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">de atuações, e um recorte instigante do problema apresentado. Baseado em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1S4M5Xi5IJ4"><span style="font-weight: 400;">fatos reais</span></a><span style="font-weight: 400;">, o longa dirigido por </span><a href="https://www.latimes.com/entertainment-arts/books/story/2021-07-29/rodrigo-garcia-farewell-to-gabo-and-mercedes-book-club"><span style="font-weight: 400;">Rodrigo García</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://personaunesp.com.br/in-treatment-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Em Terapia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.nytimes.com/2005/10/14/movies/nine-women-and-nine-intense-moments-in-their-lives.html"><i><span style="font-weight: 400;">Questão de Vida</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), mostra a trajetória de Molly (</span><a href="https://www.glamour.com/story/mila-kunis-hilariously-reignited-that-whole-bathing-her-kids-debate"><span style="font-weight: 400;">Mila Kunis</span></a><span style="font-weight: 400;">), uma mulher jovem viciada em drogas, que retorna para a casa da sua mãe, Deb (</span><a href="https://pagesix.com/2021/05/21/glenn-close-says-shes-traumatized-after-cult-upbringing/"><span style="font-weight: 400;">Glenn Close</span></a><span style="font-weight: 400;">), em busca de ajuda para vencer sua dependência química. Após levar a filha à reabilitação, pela 15ª vez, elas descobrem um método novo e intensivo de cura para o vício, mas para iniciar o tratamento, Molly precisa ficar quatro dias sem usar nenhum tipo de droga.</span></p>
<p><span id="more-26679"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta é a premissa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Four Good Days</span></i><span style="font-weight: 400;">, que fez sua pré-estreia no </span><a href="https://www.sundance.org/projects/four-good-days"><i><span style="font-weight: 400;">Festival de Sundance</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 2020, e agora concorre ao </span><a href="https://www.oscars.org/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2022</span></a><span style="font-weight: 400;"> na categoria de Melhor Canção Original com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=r_sSxlIjDzE"><i><span style="font-weight: 400;">Somehow You Do</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, composta por </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/quem-e-diane-warren-a-eterna-favorita-ao-oscar-de-melhor-cancao/"><span style="font-weight: 400;">Diane Warren</span></a><span style="font-weight: 400;">, mulher mais nomeada aos prêmios da Academia sem nunca ter ganho. Graças ao trabalho de longa data na área de trilhas sonoras, com as faixas icônicas </span><a href="https://www.magazine-hd.com/apps/wp/historia-oscares-diane-warren-cancoes/7/"><i><span style="font-weight: 400;">There You’ll Be</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pearl Harbor</span></i><span style="font-weight: 400;">, e </span><a href="https://www.radiorock.com.br/2021/02/08/dont-wanna-miss-thing-aerosmith-foi-feita-para-ser-cantada-por-uma-mulher-diz-compositora/"><i><span style="font-weight: 400;">I Don’t Want To Miss A Thing</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Armagedom</span></i><span style="font-weight: 400;">;</span> <span style="font-weight: 400;">até o momento foram 13 indicações, e infelizmente, nenhuma vitória.</span></p>
<figure id="attachment_26681" aria-describedby="caption-attachment-26681" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26681" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-6.jpg" alt="Cena do filme Four Good Days. Na imagem, vemos uma mulher jovem à esquerda; de cabelos loiros, lisos, amarrados em um coque; e pele clara. Ela está usando um vestido comprido de cor verde, estampado com flores pequenas, uma camiseta verde escura de mangas longas, e está com os braços cruzados, enquanto olha para baixo. Ao lado dela, à direita, está uma mulher de meia idade. Ela tem cabelos curtos, loiros, lisos e com franja. Ela está usando uma camisa jeans de mangas longas, com outra camiseta vermelha por baixo, e calça preta; está olhando séria para a moça que está à sua esquerda. Ambas estão em pé, paradas em uma calçada na rua. Atrás delas há algumas casas e algumas árvores. Está de dia e está sol." width="2048" height="1363" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-6.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-6-800x532.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-6-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-6-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-6-1536x1022.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-6-1200x799.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26681" class="wp-caption-text">A trama é baseada em história real publicada no Washington Post em 2016, escrita pelo premiado jornalista <a href="https://www.youtube.com/watch?v=jm2RIu9R7Ks">Eli Saslow</a> (Foto: Vertical Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da trama previsível e sem grandes surpresas, o destaque mesmo é a dupla de protagonistas. Mila Kunis e Glenn Close desempenham seus papéis </span><a href="https://www.cbr.com/glenn-close-mila-kunis-four-good-days-review/"><span style="font-weight: 400;">de forma impecável</span></a><span style="font-weight: 400;">, recriando uma dinâmica familiar repleta de emoções, que vão desde o passado até o presente, envolvendo decisões, erros e perdão por parte das duas, enfatizando o relacionamento de ambas e criando várias cenas comoventes de mãe para filha (e vice-versa).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto temos Glenn Close interpretando uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4KNss3wyEpE"><span style="font-weight: 400;">mãe traumatizada</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelas ações de sua filha no passado &#8211; é perceptível pela sua casa, que é toda é acionada por alarmes &#8211; e até mesmo culpada por ter abandonado a família quando as filhas eram adolescentes e necessitavam de uma figura materna, Mila Kunis vive a filha que tinha tudo para ter um futuro promissor. Mas, após um acidente esportivo, se vê submetida a um tratamento à base de opióides e agora, se encontra dependente e totalmente destruída pelas drogas, em uma circunstância que lhe arruinou a vida e o casamento, e que a afastou dos dois filhos, e frequentemente, </span><a href="https://www.indiewire.com/2021/04/four-good-days-review-glenn-close-mila-kunis-1234634212/"><span style="font-weight: 400;">culpa a mãe</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela falta de apoio e seu vício na adolescência.</span></p>
<figure id="attachment_26682" aria-describedby="caption-attachment-26682" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26682" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-7.jpg" alt="Cena do filme Four Good Days. Na imagem, vemos quatro pessoas sentadas em uma mesa de madeira. No canto à esquerda, está um garoto de cabelos lisos e pretos, pele clara, vestindo uma camiseta cinza; ele tem as mãos fechadas sobre a mesa. Ao lado dele está uma garotinha, de cabelos loiros, ondulados e compridos, soltos sobre os ombros, com uma flor rosa na cabeça. Ela está vestindo uma blusa rosa de mangas longas, está olhando para baixo, e tem os braços cruzados sobre a mesa. Do lado direito dela há um homem, de boné cinza, pele clara, barba por fazer e vestindo uma camiseta cinza de mangas longas. Ele está olhando para a garota, com as mãos sobre a mesa. Do outro lado da mesa há uma moça, de cabelos loiros, lisos, amarrados em um coque. Ela usa um vestido verde, com uma camiseta verde escura de mangas longas por baixo. Ela também está olhando para a garota, e tem as mãos sobre a mesa. Há uma toalha estreita e fina no meio da mesa. O ambiente é interno, com paredes beges, e alguns móveis de madeira e quadros atrás deles. Está de dia e aparenta estar sol." width="1024" height="681" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-7.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-7-800x532.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-7-768x511.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26682" class="wp-caption-text">Fica claro o desconforto e o estranhamento dos filhos diante da mãe (Foto: Vertical Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para quem está acostumado com o semblante de Mila Kunis em outros trabalhos como em </span><a href="http://revistamarieclaire.globo.com/Revista/Common/0,,ERT213250-17642,00.html"><i><span style="font-weight: 400;">Cisne Negro</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é assustadora a imagem da atriz, que com o auxílio de maquiagem, e um corpo exageradamente magro e curvado, na condição de alguém que já não consegue suportar o peso de seu próprio esqueleto, parece realmente uma pessoa devastada pela dependência química. Fica evidente o sofrimento da protagonista quando o ex-marido, papel de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8cDUWCJpNfw"><span style="font-weight: 400;">Joshua Leonard</span></a><span style="font-weight: 400;">, traz seus filhos para uma visita e vemos um vislumbre da vida que ela poderia ter tido se tivesse seguido outros rumos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto ao roteiro do vencedor do </span><a href="https://www.pulitzer.org/winners/eli-saslow"><span style="font-weight: 400;">Prêmio </span><i><span style="font-weight: 400;">Pulitzer</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 2014, Eli Saslow, e do próprio García, o texto não é nem um pouco diferente de outras </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2018/sep/08/beautiful-boy-review-timothee-chalamet-shines-in-grim-addiction-drama"><span style="font-weight: 400;">produções recentes</span></a><span style="font-weight: 400;"> que tratam desta mesma temática, muitas vezes exagerando ao mostrar a verdade nua e crua de uma família que vive inúmeros problemas por ter um filho viciado em drogas. As situações são quase sempre as mesmas, e qualquer pessoa com conhecimento deste tipo de comportamento já deduz tudo o que virá no decorrer da narrativa. Entretanto, não deixa de ser um tema complicado e pesado e ao mesmo tempo importante de ser sempre lembrado e exposto.</span></p>
<figure id="attachment_26683" aria-describedby="caption-attachment-26683" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26683" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-7.jpg" alt="Cena do filme Four Good Days. Na imagem, vemos uma moça abraçando uma senhora. A senhora está sentada em uma cadeira, de frente para uma mesa de madeira, com algumas taças em cima. Ela tem cabelos curtos, loiros, lisos e com franja, e veste uma blusa roxa de mangas longas; está com uma das mãos sobre a mesa, enquanto a outra está sobre o braço da outra mulher. A moça que está abraçando a senhora tem cabelos loiros, lisos e compridos e pele clara. Ela veste uma camisa marrom de mangas longas e calça jeans. Atrás delas, há um armário de madeira com portas de vidro, com algumas peças de porcelana dentro. Elas estão em ambiente fechado." width="1200" height="798" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-7.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-7-800x532.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-7-1024x681.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-7-768x511.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26683" class="wp-caption-text">A história desfaz a visão de que problemas como esse são enfrentados por quem não teve boas oportunidades na vida (Foto: Vertical Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No desfecho, após as várias tentativas e a irredutível crença de Deb na </span><a href="https://www.nytimes.com/2021/04/29/movies/four-good-days-review.html"><span style="font-weight: 400;">recuperação da filha</span></a><span style="font-weight: 400;"> quando mais ninguém acreditava, temos por fim a concretização de um final feliz. Depois de uma recaída e uma overdose, Molly consegue se desintoxicar das drogas e ter a chance de lutar pelo seu futuro como filha e como mãe. </span><i><span style="font-weight: 400;">Four Good Days</span></i><span style="font-weight: 400;"> é sobre a impaciente amargura de que tudo o que foi conquistado poderá acabar assim, do nada. O milagre da cura para o vício seria a espera durar um pouco mais, e os dias tornarem-se meses, e anos. </span><a href="https://www.freep.com/story/entertainment/movies/julie-hinds/2021/05/20/glenn-close-film-addiction-based-metro-detroit-mom-and-daughter/5162558001/"><span style="font-weight: 400;">As mães continuarão acreditando</span></a><span style="font-weight: 400;">, e os filhos seguirão tentando.</span></p>
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		<title>A identificação com o caos e o retrato tragicômico da juventude em Shiva Baby</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Jan 2022 13:00:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Nicastro e Vitória Vulcano Um funeral. Familiares fazendo perguntas pessoais. Sobre seu futuro, sua profissão (que eles não levam muito a sério), seus relacionamentos, seus estudos (não tão credibilizados também)&#8230; sim, tudo aquilo que você não gostaria de comentar no momento. E se, além disso, uma paixão antiga está presente, e o romance não &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/shiva-baby-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A identificação com o caos e o retrato tragicômico da juventude em Shiva Baby"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25689" aria-describedby="caption-attachment-25689" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25689" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-1-7-800x336.jpg" alt="Fotografia do filme Shiva Baby. A imagem é retangular e exibe o rosto da personagem Danielle, interpretada por Rachel Sennott, em plano fechado. Rachel é uma mulher branca, jovem adulta, de cabelos castanhos-claros ondulados. Seus cabelos estão presos em um coque. Ela bebe um gole de uma taça de vinho com sua mão direita. Seu olhar é angustiado e está voltado para a esquerda da personagem. Ela usa uma camisa social branca. O fundo está desfocado, mas é possível ver atrás dela um grande quadro abstrato em azul, amarelo e vermelho. " width="800" height="336" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-1-7-800x336.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-1-7-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-1-7-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-1-7-1536x644.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-1-7-1200x503.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-1-7.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25689" class="wp-caption-text">O longa pode parecer um experimento para entender quais os efeitos psicológicos que uma quantidade extrema de pressão pode exercer em alguém (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Nicastro e Vitória Vulcano</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um funeral. Familiares fazendo perguntas pessoais. Sobre seu futuro, sua profissão (que eles não levam muito a sério), seus relacionamentos, seus estudos (não tão credibilizados também)&#8230; sim, tudo aquilo que você </span><i><span style="font-weight: 400;">não </span></i><span style="font-weight: 400;">gostaria de comentar no momento. E se, além disso, uma paixão antiga está presente, e o romance não terminou tão bem? Parece uma situação desconfortável, certo? E se seu ficante, que, na verdade, é o seu </span><a href="https://gay.blog.br/cultura/filmes-tv-e-series/bissexual-bancada-por-sugar-daddy-e-enredo-de-shiva-baby-que-estreia-no-streaming/"><i><span style="font-weight: 400;">sugar daddy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, aparece no local? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ah, mas tem a cereja do bolo! E se ele leva a esposa e um bebê, que você nem sabia que existiam? E, é claro, que todos os seus parentes querem te apresentar a essa linda e simpática família! Esse é o cenário caótico, curioso, intrigante, sufocante, angustiante e singular representado em </span><i><span style="font-weight: 400;">Shiva Baby</span></i><span style="font-weight: 400;">. Um filme ousado, que mescla perfeitamente </span><a href="https://www.revistabula.com/42656-10-comedias-dramaticas-na-netflix-para-equilibrar-e-suavizar-2021/"><span style="font-weight: 400;">a comédia e a tragédia social</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span id="more-25684"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa é uma coprodução internacional entre Estados Unidos e Canadá, lançada, no Brasil, pela plataforma </span><i><span style="font-weight: 400;">MUBI</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">em abril de 2021. Escrita e dirigida por Emma Seligman, que aqui estreia na direção, a obra é uma expansão adaptada do </span><a href="https://vimeo.com/262386141"><span style="font-weight: 400;">curta-metragem</span></a><span style="font-weight: 400;">, de mesmo nome, desenvolvido por ela em 2018. O curta foi seu projeto de tese enquanto estudante na NYU (Universidade de Nova York) e, ainda que a cineasta não soubesse se seria possível estendê-lo, essa </span><a href="https://mubi.com/notebook/posts/the-current-debate-the-jewishness-of-shiva-baby"><span style="font-weight: 400;">sempre foi sua intenção</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_25687" aria-describedby="caption-attachment-25687" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25687" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-2-8-800x450.jpg" alt="Fotografia do filme Shiva Baby. A imagem é retangular e exibe o busto da personagem Danielle, interpretada por Rachel Sennott. Rachel é uma mulher branca, jovem adulta, de cabelos castanhos-claros ondulados. Seus cabelos estão presos em um coque. Apenas a mecha de sua franja está solta. Ela usa uma camisa branca e um blazer preto, por cima. Uma de suas mãos está erguida ao lado de seu rosto e ela segura uma pequena torta. Sua expressão é de irritação, enquanto come. O fundo está desfocado, mas é possível identificar três silhuetas que usam roupas sociais. Elas pertencem a dois homens e uma mulher, e os três estão conversando. São respectivamente do pai, de Max e da mãe de Danielle. O pai é um homem branco, baixo, tem barba e usa óculos e um quipá na cabeça. Max é alto, branco, usa barba e tem cabelos enrolados. A mãe de Danielle está de costas e seus cabelos são castanhos, lisos e vão até abaixo dos ombros. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-2-8-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-2-8-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-2-8-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-2-8-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-2-8.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25687" class="wp-caption-text">Shiva Baby garantiu o prêmio de “Revelação” para Emma Seligman no <a href="https://detroitfilmcritics.com/awards/">Detroit Film Critics Society Awards 2021</a> (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Acompanhamos tudo pelo ponto de vista da jovem Danielle, interpretada por </span><a href="https://www.harpersbazaar.com/culture/film-tv/a36299914/rachel-sennott-on-the-rise-video/"><span style="font-weight: 400;">Rachel Sennott</span></a><span style="font-weight: 400;">. A universitária é uma garota judia e bissexual em sua missão de administrar o fim de uma graduação, os planos de seu futuro profissional e </span><i><span style="font-weight: 400;">–</span></i><span style="font-weight: 400;"> secretamente </span><i><span style="font-weight: 400;">–</span></i><span style="font-weight: 400;"> ser uma </span><i><span style="font-weight: 400;">sugar baby </span></i><span style="font-weight: 400;">em meio período. O enredo a leva até um </span><a href="https://www.maayan.org.br/templates/articlecco_cdo/aid/4864031/jewish/Shiva.htm"><span style="font-weight: 400;">shivá</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma reunião judaica para família e amigos, em um momento de luto. Lá, a personagem de Sennott se vê presa em um dia de puro terror ao encontrar seu </span><i><span style="font-weight: 400;">sugar daddy</span></i><span style="font-weight: 400;"> Max (Danny Deferrari), e ser obrigada a manter a postura enquanto tudo ao seu redor parece conspirar contra sua estabilidade emocional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em sua essência, o que a trama busca representar é a </span><a href="https://www.urbandictionary.com/define.php?term=Coming%20of%20age"><span style="font-weight: 400;">iminência da vida adulta</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seria ela um incômodo ou um convite? A pergunta ecoa por diversas situações dentre os 77 minutos de duração da obra, parecendo clamar por uma resposta durante todos os momentos em que Danielle é atacada por emergências familiares e amorosas (e um bebê grita desesperadamente, em segundo plano). </span></p>
<figure id="attachment_25688" aria-describedby="caption-attachment-25688" style="width: 800px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25688" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-3-5-800x335.jpg" alt="Fotografia do filme Shiva Baby. A imagem é retangular e apresenta as personagens Maya e Danielle, respectivamente. Ambas são mulheres jovens e brancas. Maya usa um vestido preto de mangas compridas enquanto segura uma caixa de papelão e olha, com expressão boquiaberta, para Danielle. Danielle, por sua vez, usa camisa branca sobreposta por terno preto. Os cabelos dela estão presos em um coque de franjas soltas, e ela caminha com nítido desânimo no rosto. Ao fundo, uma rua repleta de paisagens verdes, carros e rua e calçada asfaltadas." width="800" height="335" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-3-5-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-3-5-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-3-5-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-3-5-1536x643.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-3-5-1200x503.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-3-5.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25688" class="wp-caption-text">O espectador consegue viver diversas epifanias enquanto está preso à realidade passivo-agressiva de Danielle (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://directorsnotes.com/2021/06/07/emma-seligman-shiva-baby/"><span style="font-weight: 400;">motivação para a história</span></a><span style="font-weight: 400;"> partiu, primeiramente, da diretora, judia e bissexual como a protagonista gerada por ela. Seligman se viu em um fogo cruzado entre pressão familiar e opressão sexual, sentindo necessidade de confrontar essas ansiedades em um papel de dualidade </span><i><span style="font-weight: 400;">–</span></i><span style="font-weight: 400;"> uma menina legal e muito inclinada aos pais, mas, também, jovem e sexy com seu </span><i><span style="font-weight: 400;">sugar daddy</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, aqui, os incentivos da criação são bem familiares. Emma assistiu </span><a href="https://www.queridocinefilo.com/post/palo-alto"><i><span style="font-weight: 400;">Palo Alto</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> muitas vezes enquanto elaborava </span><i><span style="font-weight: 400;">Shiva Baby</span></i><span style="font-weight: 400;">, ressaltando que nunca conheceu uma obra tão certeira em retratar a sufocante e debilitante natureza das inseguranças das mulheres jovens. Os longas de </span><a href="https://blogdoims.com.br/o-cinema-visceral-de-john-cassavetes/"><span style="font-weight: 400;">John Cassavetes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e os </span><i><span style="font-weight: 400;">thrillers</span></i><span style="font-weight: 400;"> psicológicos, como </span><a href="https://prensa.li/prensa/cisne-negro-entre-perfeicao-e-loucura/"><i><span style="font-weight: 400;">Cisne Negro</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, também ajudaram a construir o roteiro do filme. Outras inspirações vieram de </span><i><span style="font-weight: 400;">Krisha</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Transparent</span></i><span style="font-weight: 400;">, produções que exploram da comédia ao drama. Esses reflexos são muito evidentes nos fluxos e variantes entre pânico e ironia, presentes nas catarses da diretora.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;">Para muitas mulheres jovens, tentar serem meninas legais com carreiras seguras à frente enquanto ainda tentam ser independentes e ter liberdade sexual pode ser um caminhar para insanidade. Espero que elas consigam assistir esse filme e se sentirem vistas em suas inseguranças e reconhecidas por suportarem as pressões contraditórias e sufocantes pelas quais precisam passar. Espero que consigam encontrar um pouco de humor e alívio nessa história</span><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8211; <a href="https://womenandhollywood.com/tiff-2020-women-directors-meet-emma-seligman-shiva-baby/"><em>Emma Seligman em </em><em>entrevista para </em><em>a</em> Women and Hollywood</a></span></p></blockquote>
<figure id="attachment_25690" aria-describedby="caption-attachment-25690" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25690" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-4-4-800x335.jpg" alt="Fotografia do filme Shiva Baby. A imagem é retangular e apresenta o pai de Danielle, a própria Danielle e a mãe dela, respectivamente. O pai da jovem é branco e parcialmente calvo, com cabelos castanhos e grisalhos também em sua barba. Ele veste camisa azul, gravata vermelha com desenhos verdes e terno ocre. Danielle, uma menina branca, usa camisa branca e seu cabelo castanho preso em um coque de franjas soltas. A mãe da garota, uma mulher branca, tem cabelos castanhos até os ombros, combinando óculos e vestido de mangas longas, ambos pretos. Ao fundo, a ambientação de uma casa de visual familiar, onde ocorre a shivá na qual os personagens participam." width="800" height="335" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-4-4-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-4-4-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-4-4-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-4-4-1536x643.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-4-4-1200x503.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-4-4.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25690" class="wp-caption-text">Mesmo tendo estreado recentemente, Shiva Baby é clássico ao abordar o amadurecimento (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A cineasta ainda exalta que sempre teve a preocupação de </span><a href="https://twitter.com/mrwillw/status/1306927587470594048?s=21"><span style="font-weight: 400;">escalar artistas judeus</span></a><span style="font-weight: 400;"> para o elenco, mas que não necessariamente precisava de uma totalidade. A própria escalação de Dianna Agron é um pouco controversa: uma atriz judia que, mesmo assim, atua como a única personagem que não participa da religião. </span><a href="https://www.refinery29.com/en-gb/2020/09/10022022/shiva-baby-movie-tiff-jewish-sugar-daddy"><span style="font-weight: 400;">Nas palavras da própria diretora</span></a><span style="font-weight: 400;">, o mais importante era que ela sentisse conexão entre os atores e personagens, uma compreensão entre a mensagem da história e quem deveria interpretá-la.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de Dianna, Danny Deferrari e Molly Gordon completam o elenco contracenando com momentos dolorosos e divertidos. O destaque, entretanto, está nas mãos de Rachel Sennott, que lidera a </span><a href="https://biblioteca.pucrs.br/curiosidades-literarias/voce-sabe-o-que-e-mise-en-scene/"><i><span style="font-weight: 400;">mise-en-scène</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> com destreza. É possível compreender seus sentimentos mesmo sem uma única palavra sendo dita. Nervosismo, vergonha, ódio, incômodo </span><i><span style="font-weight: 400;">–</span></i><span style="font-weight: 400;"> são algumas das diversas emoções perfeitamente traduzidas pela atriz. </span></p>
<figure id="attachment_25686" aria-describedby="caption-attachment-25686" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25686" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-5-3-800x610.jpg" alt="Fotografia do elenco do filme Shiva Baby, tirada nos bastidores. A imagem retrata seis atores posando nos degraus de uma escada, três estão à frente, três atrás. Todos estão sorrindo. Atrás, da esquerda para a direita, estão Polly Draper, Fred Melamed e Danny Deferrari. Polly é uma mulher branca, que tem os cabelos castanhos, lisos, cortados na altura dos ombros. Ela usa óculos e uma camisa preta. Fred é um homem na casa dos 60 anos, branco, calvo, que usa barba e óculos. Por fim está Danny. Ele é um homem branco, alto, que tem barba e cabelos castanhos e enrolados. Usa terno e gravata. Na frente, da esquerda para a direita, estão Molly Gordon, Rachel Sennott e Dianna Agron. Molly é uma mulher jovem, branca, de cabelos lisos e castanhos, que vão até um pouco abaixo dos ombros. Ela usa um vestido preto e tem as mãos entrelaçadas na frente do corpo. Rachel é uma mulher branca, jovem adulta, de cabelos castanhos-claros ondulados. Seus cabelos estão presos em um coque. Apenas as mechas de sua franja estão soltas. Ela usa uma camisa branca e uma saia preta. Dianna, por sua vez, é uma mulher branca, na casa dos 30 anos. Ela tem cabelos lisos e loiros e usa um vestido preto, sem mangas." width="800" height="610" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-5-3-800x610.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-5-3-768x585.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-5-3.jpg 828w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25686" class="wp-caption-text">A <a href="https://personaunesp.com.br/tag/dramedia/">hibridização de gêneros cinematográficos</a> em Shiva Baby torna a obra leve e reconfortante, caótica e dramática (Foto: Instagram <a href="https://www.instagram.com/p/CFSUYNChAkI/">@shivababymovie</a>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama do filme também instala uma </span><a href="https://www.talkhouse.com/how-rachel-sennott-changed-my-life/"><span style="font-weight: 400;">ansiedade inebriante</span></a><span style="font-weight: 400;">, que induz a uma atmosfera conhecida: a representação sufocante da família. Como se já não bastassem os questionamentos internos, a protagonista é constantemente obrigada a lidar com o desconforto de pais invasivos, que enxergam a proximidade afetiva com a filha como premissa para tomarem decisões por ela. A </span><a href="https://ew.com/movies/shiva-baby-exclusive-trailer/"><span style="font-weight: 400;">saturação mental</span></a><span style="font-weight: 400;"> a qual Danielle é conduzida ao longo da narrativa encontra sua força motriz nesse empenho exacerbado em exigir da garota mais do que ela pode ou deve confabular.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As situações que </span><i><span style="font-weight: 400;">Shiva Baby</span></i><span style="font-weight: 400;"> entrega se desenrolam em aleatoriedades constrangedoras, realizadas com fluidez. O longa também evoca </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/vert-cul-59307240"><span style="font-weight: 400;">risos de desespero</span></a><span style="font-weight: 400;">, constrangimento e preocupação pela protagonista. Beirando a insanidade, os diálogos são muito realistas, mobilizando a perturbação e o alívio a atingem o espectador com punhaladas emocionais, diluídas e pontuais. </span></p>
<figure id="attachment_25691" aria-describedby="caption-attachment-25691" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25691" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/gif-1-imagem-6.gif" alt="Gif do filme Shiva Baby. Ele retrata uma cena do filme em que Danielle, sua família, Maya e a família de Max estão dentro de um mesmo carro. Todos estão em dois bancos traseiros. Em um primeiro momento, o gif mostra Kim, à esquerda, e Max sentado ao seu lado no carro, à direita, segurando um bebê que chora no colo. Eles são interpretados respectivamente por Dianna Agron e Danny Deferrari. Dianna é uma mulher branca, na casa dos 30 anos. Ela tem cabelos lisos e loiros. Seu rosto é fino e ela carrega uma expressão de ansiedade. Danny é um homem branco, alto, que tem barba e cabelos castanhos e enrolados. Ele usa terno e gravata e aparenta estar tranquilo enquanto tenta consolar o bebê. Em um segundo momento, o gif corta para a imagem de três pessoas sentadas no banco atrás do casal. Da direita para a esquerda estão as jovens Maya e Danielle e, por último, Maureen, uma senhora idosa. Maya é interpretada por Molly Gordon. Molly é uma mulher jovem, branca, de cabelos lisos e castanhos, que vão até um pouco abaixo dos ombros. No Gif ela olha para baixo e depois dá um pequeno sorriso. Danielle é interpretada por Rachel Sennott. Rachel é uma mulher branca, jovem adulta, de cabelos castanhos-claros ondulados. Seus cabelos estão presos em um coque. Apenas as mechas de sua franja estão soltas. Ela está com a maquiagem dos olhos borrada e olha fixamente para baixo enquanto dá um suspiro e também sorri. Maureen é o papel de Sondra James, uma senhora de cabelos cacheados e castanhos que está dormindo no banco. " width="800" height="385" /><figcaption id="caption-attachment-25691" class="wp-caption-text">O título do filme faz referência tanto a Danielle quanto a Rose, o bebê levado para a shivá (GIF: <a href="https://everythingdaily.tumblr.com/post/654819835939815424/shiva-baby-2020-dir-emma-seligman">Everything Daily</a>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os acontecimentos são sucedidos praticamente em tempo real e na </span><a href="https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/5-filmes-com-roteiros-impecaveis-e-que-se-passam-em-um-unico-cenario/"><span style="font-weight: 400;">mesma localidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Tudo ocorre quase inteiramente em um velório, dentro de uma casa, o que contribui para a ideia de claustrofobia e reforça o aprisionamento de Danielle na tribulação em questão. Assim, pela variedade de gêneros cinematográficos abordados e produções tidas como base para a concepção do longa, o trabalho de gravação e montagem (a cargo de Hanna A. Park) precisou ser </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HI7nrlZMt94&amp;t=2s"><span style="font-weight: 400;">minuciosamente desenvolvido</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O uso de </span><a href="https://www.primeirofilme.com.br/site/o-livro/niveis-da-linguagem-cinematografica/"><span style="font-weight: 400;">planos subjetivos</span></a><span style="font-weight: 400;"> marca a fotografia de Maria Rusche. As proximidades datadas por ela são íntimas o bastante para refletir, no público, as emoções afloradas em tela. Nos conectamos com a angústia, a raiva e o medo </span><a href="https://scriptmag.com/reviews/understanding-screenwriting-leftovers"><span style="font-weight: 400;">através dos olhos de Danielle</span></a><span style="font-weight: 400;">, já que são eles que comandam os cortes de cena. Por se aproximar tanto do espectador, a angulação de câmera ainda o equipara às dúvidas e aos anseios da protagonista. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trilha sonora de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QIloMJ4kPDQ"><span style="font-weight: 400;">Ariel Marx</span></a><span style="font-weight: 400;"> merece destaque igualmente. Toda a </span><a href="https://www.aicinema.com.br/por-que-a-trilha-sonora-no-cinema-faz-toda-a-diferenca-entenda/"><span style="font-weight: 400;">musicalidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> é pensada para coreografar a versatilidade dos momentos ao ambiente tensional e não deixar de fisgar quem assiste. Esse conjunto desencadeia a empatia televisiva, o humor em situações bizarras e o suor da ebulição caótica. Afinal, dançar conforme a música é um dos fantasmas de Danielle.</span></p>
<figure id="attachment_25685" aria-describedby="caption-attachment-25685" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25685" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-7-1-800x335.jpg" alt="Fotografia do filme Shiva Baby. A imagem é retangular. Ela retrata em um plano fechado os rostos de Kim, à esquerda, e Max, à direita, um pouco mais atrás de Kim, mas ainda bastante próximo dela. Eles são interpretados respectivamente por Dianna Agron e Danny Deferrari. Dianna é uma mulher branca, na casa dos 30 anos. Ela tem cabelos lisos e loiros. Seu rosto é fino e ela usa um brinco dourado. Danny é um homem branco, alto, que tem barba e cabelos castanhos e enrolados. Ele usa terno e gravata. O fundo está desfocado e um pouco trêmulo, mas é possível ver um abajur atrás de Kim. O abajur emite uma luz laranja-avermelhada que ilumina os rostos do casal. " width="800" height="335" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-7-1-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-7-1-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-7-1-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-7-1-1536x643.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-7-1-1200x503.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-7-1.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25685" class="wp-caption-text">Risos precisam de timing assim como sustos: a atmosfera criada é tão bem orquestrada que drama e comédia funcionam de forma excepcional (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A complexa mira assertiva da tecnicidade de </span><i><span style="font-weight: 400;">Shiva Baby</span></i><span style="font-weight: 400;"> não contribui apenas para figurar morte, adultério e as muitas formas de independência buscadas por Danielle em </span><a href="https://www.girlsontopstees.com/read-me/2020/9/19/shivas-sugaring-and-sexual-validation-in-conversation-with-emma-seligman-on-shiva-baby"><span style="font-weight: 400;">apreensão cênica</span></a><span style="font-weight: 400;">. Temas como maternidade e distúrbios alimentares conseguem ser sutilmente aproximados e lançados com inteligência, considerando o espaço disponível para outras importâncias no conjunto. E tratar de </span><a href="https://aframe.oscars.org/news/post/sugar-baby-at-a-shiva"><span style="font-weight: 400;">tópicos tão distintos e relevantes</span></a><span style="font-weight: 400;">, sem pecar pela banalidade de discursos prontos ou pelo esgotamento criativo, é uma dádiva que Seligman soube alcançar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma realidade tão exaustiva e controladora, a produção também surpreende pelo espectro escolhido para </span><a href="https://slate.com/culture/2020/11/shiva-baby-emma-seligman-bisexual-representation.html"><span style="font-weight: 400;">retratar a sexualidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. O vínculo entre Danielle e Maya é ressuscitado com muita naturalidade, primeiramente pelos ataques rancorosos de orgulhos feridos, e posteriormente pela paixão remanescente. E, no leque de dúvidas e preocupações da protagonista, sua bissexualidade jamais participa. O amor nutrido por Maya é um dos poucos </span><a href="https://www.queermediamatters.com//post/outfest-2020-a-young-woman-confronts-her-past-and-present-in-the-very-funny-shiva-baby"><span style="font-weight: 400;">refúgios guardados</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela personagem de Sennott, o que o torna o que precisa ser: admirável, consolador, livre.</span></p>
<figure id="attachment_25692" aria-describedby="caption-attachment-25692" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25692" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/gif-2-imagem-8.gif" alt="Gif do filme Shiva Baby. Ele é retangular e mostra uma cena do filme em que as personagens Danielle e Maya se beijam. Maya está à esquerda da câmera e Danielle à direita. Maya é interpretada por Molly Gordon, que é uma mulher jovem, branca, de cabelos lisos e castanhos, que vão até um pouco abaixo dos ombros. No Gif Danielle a surpreende com um beijo e ela a abraça. Danielle é interpretada por Rachel Sennott. Rachel é uma mulher branca, jovem adulta, de cabelos castanhos-claros ondulados. Seus cabelos estão presos em um coque. Apenas as mechas de sua franja estão soltas." width="800" height="336" /><figcaption id="caption-attachment-25692" class="wp-caption-text">A química entre Danielle e Maya é quase instantânea, fato engraçado já que as atrizes <a href="http://www.solzyatthemovies.com/2020/09/14/toronto-2020-emma-seligman-talks-shiva-baby/">só se conheceram um dia antes das filmagens começarem</a> (GIF: <a href="https://shesnake.tumblr.com/post/631867503031812096/shiva-baby-2020-dir-emma-seligman">She Snake</a>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://dmtalkies.com/shiva-baby-summary-analysis-ending-2021-film/"><span style="font-weight: 400;">panorama geral</span></a><span style="font-weight: 400;"> induz à idealização de uma combustão sem precedentes, conforme o longa caminha para seu clímax: pancadaria, gritos e até uma casa em chamas. Mas a explosão simplesmente não acontece, e o filme esboça mais um riso no espectador. Todas as </span><a href="https://youtu.be/sPq1rX11KSQ"><span style="font-weight: 400;">irregularidades</span></a><span style="font-weight: 400;">, visíveis ou não, se chocam na van que abriga os personagens principais ao término da narrativa. Com os esperneios permanentes da bebê Rose tilintando pelas janelas do automóvel, presenciamos o desfecho sabendo que não foi a decisão mais expressiva para o momento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, apesar de omitir a merecida exploração dos minutos finais, a obra mantém regularmente sua proposta central junto à efervescência descompassada. Uma combinação eficaz para vivificar o enredo, principalmente aos </span><a href="https://www.thetimes.co.uk/article/shiva-baby-review-comedy-of-errors-with-sweetly-psychotic-undertow-6z22jp5l9"><span style="font-weight: 400;">olhos da crítica</span></a><span style="font-weight: 400;">. Grande parte da </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2021/jun/09/shiva-baby-review-black-comedy-is-a-festival-of-excruciating-embarrassment"><span style="font-weight: 400;">aclamação</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Shiva Baby</span></i><span style="font-weight: 400;"> também é fruto da representação judaica e bissexual condizente e capaz de fazer públicos de fora dessas comunidades entenderem a trama e se interessarem por ela.</span></p>
<figure id="attachment_25693" aria-describedby="caption-attachment-25693" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25693" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-9-800x400.jpeg" alt="Fotografia dos bastidores do filme Shiva Baby. A imagem é retangular e retrata a atriz Rachel Sennott e a diretora Emma Seligman conversando. Rachel é uma mulher branca, jovem adulta, de cabelos castanhos-claros ondulados. Seus cabelos estão presos em um coque. Apenas as mechas de sua franja estão soltas. Ela usa um blazer preto e aparece um pouco de costas para a câmera enquanto fala com a diretora. Emma é uma mulher branca, jovem, que tem cabelos castanhos escuros, longos e ondulados. Ela usa uma camiseta branca e equipamentos de som presos ao seu corpo, além de um fone de ouvido pendurado no pescoço. Atrás delas está um carro preto estacionado na rua." width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-9-800x400.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-9-1024x512.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-9-768x384.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-9-1200x600.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/imagem-9.jpeg 1400w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25693" class="wp-caption-text">Os embates juvenis de Shiva Baby, em um mundo paralelo, poderiam ser descritos como a linha tênue entre os <a href="https://youtu.be/Azqv46WFxZE">anseios melancólicos</a> de SZA e o <a href="https://youtu.be/DyDfgMOUjCI">vigor rebelde</a> de Billie Eilish (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">debut</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Emma Seligman como diretora acontece em </span><a href="https://mulhernocinema.com/entrevistas/emma-seligman-fala-sobre-inspiracoes-e-desafios-da-celebrada-comedia-indie-shiva-baby/"><span style="font-weight: 400;">turbulências de veias cômicas e incômodas</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que torna seu trabalho ainda mais profundo e cuidadoso. Escancarando tabus e fundindo estilos cinematográficos, a canadense não se desilude em mesmices e usa sua criatividade para contabilizar novas trajetórias na indústria. Em suma, nem mesmo o fim pouco chocante de </span><i><span style="font-weight: 400;">Shiva Baby</span></i><span style="font-weight: 400;"> desperdiça a imersão impactante que ele consegue produzir. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mergulhamos na trama porque, buscando a racionalidade ou tropeçando em melodramas, todos compartilhamos do caos que constrói Danielle. A </span><a href="http://atl.clicrbs.com.br/infosfera/2018/05/25/porque-amamos-um-personagem/"><span style="font-weight: 400;">identificação</span></a><span style="font-weight: 400;"> com a protagonista transita por muitas camadas, mas termina no mesmo lugar: a miscelânea emocional que é a juventude. Muitas experiências nos perpassam e, em certo ponto, precisamos escolher quais nos moldarão de verdade. No final do dia, somos o que somos e lutamos para que continue a ser assim. Pode não ser obrigatoriamente reconfortante, mas te lembra que está vivo. Aqui ou em um shivá, existe algo mais tragicômico que isso?</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Shiva Baby Trailer #1 (2021) | Movieclips Indie" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/3y9Da-91t-I?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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