<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos 2000 &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/2000/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/2000/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 03 Apr 2026 21:48:55 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0.2</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos 2000 &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/2000/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>25 anos de Figure 8: entre figuras, sons e despedidas que ainda reverberam</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/figure-8-25-anos/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/figure-8-25-anos/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 13:00:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[2000]]></category>
		<category><![CDATA[25 anos]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Autumn de Wilde]]></category>
		<category><![CDATA[Better Be Quiet Now]]></category>
		<category><![CDATA[Bye]]></category>
		<category><![CDATA[Elliott Smith]]></category>
		<category><![CDATA[Figure 8]]></category>
		<category><![CDATA[Happiness/The Gondola Man]]></category>
		<category><![CDATA[Rob Schnapf]]></category>
		<category><![CDATA[Somebody That I Used to Know]]></category>
		<category><![CDATA[Son of Sam]]></category>
		<category><![CDATA[Tom Rothrock]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=37175</guid>

					<description><![CDATA[<p>Débora Munhoz A voz que Elliott Smith construiu e consolidou durante os anos 90, desde o lançamento de Roman Candle (1994) até a popularização de Either/Or (1997), abriu caminho para o nascimento de sua obra mais complexa: Figure 8. O álbum surge como uma espécie de síntese, mas também como um transbordamento de tudo que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/figure-8-25-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "25 anos de Figure 8: entre figuras, sons e despedidas que ainda reverberam"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/figure-8-25-anos/">25 anos de Figure 8: entre figuras, sons e despedidas que ainda reverberam</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37177" aria-describedby="caption-attachment-37177" style="width: 510px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-37177 size-full" style="font-weight: bold; background-color: transparent; text-align: inherit;" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image2-1.png" alt="Fotografia quadrada colorida. Elliott Smith está em pé, no centro da imagem, de frente para a câmera. Um homem branco, com cabelo castanho curto e expressão neutra. Veste camiseta marrom com estampa no peito, jaqueta escura aberta e calça vermelha. Atrás dele há um grande mural pintado com faixas curvas seguindo um padrão nas cores preta, branca e vermelha, em alto contraste, que ocupam todo o fundo da imagem. O ambiente é externo." width="510" height="522" /><figcaption id="caption-attachment-37177" class="wp-caption-text">Elliott diante do mural surgiu por acaso, durante uma longa caminhada com sua amiga Autumn de Wilde por Los Angeles (Foto: Autumn de Wilde)</figcaption></figure>
<p><b>Débora Munhoz</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A voz que Elliott Smith construiu e consolidou durante os anos 90, desde o lançamento de </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/0vgbFgcYqm2B0csVXvo8d5?flow_ctx=938aeb10-9eaa-4009-aa54-a79c41a58410%3A1768983167"><i><span style="font-weight: 400;">Roman Candle</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1994) até a popularização de </span><a href="https://open.spotify.com/album/5hryhrT7wEdLnZCbJX9F6L"><i><span style="font-weight: 400;">Either/Or</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1997), abriu caminho para o nascimento de sua obra mais complexa: </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/albums/7267-figure-8/"><i><span style="font-weight: 400;">Figure 8</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O álbum surge como uma espécie de síntese, mas também como um transbordamento de tudo que ele vinha construindo, agora com um domínio mais seguro e maduro sobre sua própria linguagem. Nele, o músico se reinventa sem se afastar de si mesmo, mantendo a vulnerabilidade que sempre o caracterizou, porém a expandindo em novas direções, a tornando mais complexa. Foi o momento em que sua discografia deixou de apenas refletir o caos interno e passou a organizá-lo musicalmente, em um equilíbrio bonito entre confissão e composição.</span></p>
<p><span id="more-37175"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ele nos presenteia com um trabalho praticamente intocável, cru no que diz respeito à verbalização dos sentimentos, minucioso em sua construção sonora e saudoso em relação a uma serenidade que talvez nunca tenha existido. Quando pensamos no compositor, é comum associá-lo à </span><a href="https://hazlitt.net/feature/elliott-smith-sad-you"><span style="font-weight: 400;">melancolia</span></a><span style="font-weight: 400;"> e à desesperança, mas aqui, pela primeira vez, essas sombras parecem se reorganizar. Há um outro tipo de luz atravessando suas composições, uma espécie de reconciliação entre o que dói e o que permanece &#8211; como se o artista tivesse, enfim, encontrado uma forma mais precisa de existir dentro da própria confusão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Gravado majoritariamente entre o </span><a href="https://faroutmagazine.co.uk/the-10-best-albums-recorded-sunset-sounds/"><i><span style="font-weight: 400;">Sunset Sound</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e o </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2025/09/08/musicas-incriveis-gravadas-estudios-abbey-road/#google_vignette"><i><span style="font-weight: 400;">Abbey Road Studios</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Figure 8</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, sem dúvidas, o seu álbum mais ambicioso em termos de produção. Ao lado dos engenheiros Tom Rothrock e Rob Schnapf &#8211; que já haviam trabalhado com ele em </span><i><span style="font-weight: 400;">Either/Or</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">XO</span></i><span style="font-weight: 400;"> -, o cancionista levou ainda mais longe o uso de camadas vocais, texturas de guitarra e arranjos orquestrais, criando um som mais denso sem perder a intimidade marcante de suas obras. E, ainda assim, nada soa distante ou impessoal. Mesmo gravando em estúdios lendários, ele mantinha o controle quase artesanal sobre cada pequeno detalhe, do timbre dos violões às suas famosas sobreposições de voz. É por isso que o disco parece respirar grandeza sem nunca perder a intimidade que Elliott sempre guiou &#8211; ou que sempre guiou Elliott.</span></p>
<figure id="attachment_37176" aria-describedby="caption-attachment-37176" style="width: 484px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-37176" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image1.png" alt="Fotografia retangular horizontal em preto e branco. A imagem foca em um piano ao lado direito no primeiro plano. Elliott Smith está sentado diante dele, posicionado na lateral esquerda da imagem. Ele é um homem branco, magro, com cabelo castanho curto, inclinado em direção às teclas. Sua mão direita está suspensa próxima ao teclado, enquanto seu corpo se inclina para frente. Ele veste uma camiseta escura com estampa desenhada no centro. O fundo é escuro e desfocado, sugere um ambiente de estúdio musical." width="484" height="325" /><figcaption id="caption-attachment-37176" class="wp-caption-text">Grande parte da densidade sonora de Figure 8 nasce da sobreposição manual de vozes e instrumentos (Foto: Autumn de Wilde)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A lendária capa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Figure 8</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi fotografada por </span><a href="https://archive.org/details/elliottsmith0000wild"><span style="font-weight: 400;">Autumn de Wilde</span></a><span style="font-weight: 400;">, amiga próxima do músico e alguém em quem ele confiava tanto profissional quanto pessoalmente. A intimidade entre os dois transparece: Elliott está leve, quase absorvido pelo cenário, como se aquela parede já fosse uma velha conhecida. A imagem acabou se tornando inseparável da memória do disco, mostrando o cantor diante do </span><a href="https://laist.com/news/entertainment/photographer-describes-how-ugliest"><span style="font-weight: 400;">mural</span></a><span style="font-weight: 400;"> de faixas vermelhas, pretas e brancas na Sunset Boulevard, em Los Angeles &#8211; um local que, após sua morte, se transformou em um memorial à vida do homem por trás dessas canções. As curvas e cores do mural parecem caracterizar uma extensão dos redemoinhos e dualidade sonoras do projeto, quase como se o ambiente traduzisse a própria mente do cantor e sua obra final, eternizando visualmente sua complexidade inata.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A primeira faixa, </span><a href="https://youtu.be/afeAUndotas?si=z_R2frtAUA34-gij"><i><span style="font-weight: 400;">Son of Sam</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, nos lembra que o refinamento técnico de Elliott não sacrifica nenhuma natureza emocional. As camadas de harmonias vocais, desde delicadas e sussurradas até fortes e incisivas, criam uma densidade que pede atenção, como se cada detalhe da gravação fosse parte de uma conversa pessoal entre ele e o interlocutor. A escolha das progressões de violão, o cuidado com o tempo e a sutileza das pausas transmitem a sensação de que cada nota foi deliberadamente escolhida para provocar um efeito específico diferente em cada ouvinte, quase como pequenos presentes secretos e íntimos. É essa combinação de destreza e vulnerabilidade que define </span><i><span style="font-weight: 400;">Figure 8</span></i><span style="font-weight: 400;"> e reforça a ideia de que o autor não apenas compõe canções, mas constrói experiências sonoras que se permanecem na memória e criam novas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo do álbum, canções como </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/4xfAVJL8R7mVYbDk8a9xOY?si=3b57ae2ec01b41ac"><i><span style="font-weight: 400;">Somebody That I Used to Know</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/3aU2ui8JQOtmgHYH0g1qFL?si=8380386da7984c3c"><i><span style="font-weight: 400;">Happiness/The Gondola Man</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> expandem a cartela emocional do artista, rompendo com a percepção tradicional de tristeza constante. Há espaço para ironia, sorrisos contidos e reflexões que alternam e confundem nostalgia e aceitação, como quando, em </span><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><span style="font-weight: 400;">Eu tinha sentimentos ternos que você endureceu</span><i><span style="font-weight: 400;">”</span></i><span style="font-weight: 400;">, o eu lírico de </span><i><span style="font-weight: 400;">Somebody That I Used to Know</span></i><span style="font-weight: 400;"> expõe um término com uma franqueza quase seca, revelando não apenas dor, mas uma percepção irônica das próprias fragilidades. A produção meticulosa, aliada ao apego por camadas vocais e arranjos densos, permite que a sensação de melancolia seja transformada em algo mais complexo: não é sofrimento gratuito, mas uma exploração quase científica da condição humana. A música se torna uma ferramenta de introspecção, convidando o ouvinte a perceber sutilezas que talvez tivessem passado despercebidas em trabalhos anteriores e, consequentemente, perceber suas próprias sutilezas sentimentais.</span></p>
<figure id="attachment_37178" aria-describedby="caption-attachment-37178" style="width: 349px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-37178" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image3.png" alt="Fotografia quadrada colorida. Elliott Smith está posicionado em uma calçada ao lado esquerdo da imagem, de frente para a câmera. Ele é um homem branco, com cabelo castanho curto e expressão alegre, com um sorriso sutil no rosto. Veste um terno cinza claro, uma camisa também cinza claro e uma camiseta branca com estampa vermelha, as mãos seguram as lapelas do paletó, abrindo-o. O homem está com o cotovelo apoiado em uma caixa de jornal azul com a frase “hate you” escrita em letras brancas, posicionada ao lado direito da imagem. Ao fundo, aparecem carros estacionados e um prédio de fachada rosada, indicando um ambiente urbano. A luz é natural e as cores são suaves." width="349" height="349" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image3.png 349w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image3-150x150.png 150w" sizes="(max-width: 349px) 85vw, 349px" /><figcaption id="caption-attachment-37178" class="wp-caption-text">Entre as camadas emocionais de Figure 8, existia também um Elliott leve e bem-humorado, como relatam amigos próximos (Foto: Autumn de Wilde)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Grande parte da essência de </span><i><span style="font-weight: 400;">Figure 8</span></i><span style="font-weight: 400;"> é como Elliott domina a narrativa pessoal. Ele consegue transformar sentimentos íntimos em histórias universais, tornando cada faixa tão dele quanto nossa &#8211; como sugere o verso da canção </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/6FgOoDeZOU7N6DK32ERX5R"><i><span style="font-weight: 400;">Better Be Quiet Now</span></i></a> <i><span style="font-weight: 400;">“If I didn&#8217;t know the difference, living alone would probably be okay”</span></i><span style="font-weight: 400;"> (“Se eu não soubesse a diferença, viver sozinho provavelmente estaria tudo bem”), em que a reflexão aparentemente privada carrega uma dimensão relacional incontornável: a solidão só se torna perceptível porque um dia houve presença. Ao deslocar uma experiência individual para um território de reconhecimento coletivo, Elliott constrói uma linguagem emocional que ultrapassa a autobiografia e passa a operar como espelho sensível de outras vivências. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O zelo com as letras, a escolha de palavras e a maneira como elas se entrelaçam com a melodia revelam um artista que entendeu o peso e a responsabilidade da expressão pessoal e que agora se diverte navegando entre esses mundos. Esse domínio textual não foi pontual; é a fundação sobre a qual se construiu grande parte do que é o </span><i><span style="font-weight: 400;">indie </span></i><span style="font-weight: 400;">contemporâneo. Qualquer artista </span><i><span style="font-weight: 400;">indie </span></i><span style="font-weight: 400;">que se debruce sobre camadas vocais delicadas, arranjos acústicos precisos e letras introspectivas relacionáveis carrega, ainda que indiretamente, a marca de </span><a href="https://www.newyorker.com/culture/cultural-comment/the-lingering-beauty-of-elliott-smith"><span style="font-weight: 400;">Elliott Smith</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/04KHyqdGs5sVEWX6UnukF2?si=0370d7d729e44a20"><i><span style="font-weight: 400;">Mind Loaded</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, colaboração entre </span><i><span style="font-weight: 400;">Blood Orange</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Lorde</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Caroline Polachek</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Mustafa</span></i><span style="font-weight: 400;">, presente no álbum </span><i><span style="font-weight: 400;">Essex Honey</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2025), o tributo a Elliott Smith é direto e preciso. </span><a href="https://personaunesp.com.br/lorde-pure-heroine-10-anos/#comment-596"><i><span style="font-weight: 400;">Lorde</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> canta o verso </span><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/6YNfrgCOy1dCXZKKRUuZVq?si=971c4f17bc5143ba"><i><span style="font-weight: 400;">everything means nothing to me</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">” </span></i><span style="font-weight: 400;">(nada parece significar algo para mim), repetindo-o no mesmo ritmo e tom da canção homônima de </span><i><span style="font-weight: 400;">Figure 8</span></i><span style="font-weight: 400;">. Porém, a homenagem não se encerra na citação: a própria atmosfera da faixa &#8211; as camadas de vozes que se sobrepõem, o ritmo pausado, a entrega quase falada – carrega ecos diretos do estilo do músico. Nesse conjunto de artistas contemporâneos, sua influência não parece algo do passado, mas uma continuidade viva, uma permanência, um lembrete de que a fragilidade e a delicadeza ainda podem ser o coração de uma canção.</span></p>
<figure id="attachment_37179" aria-describedby="caption-attachment-37179" style="width: 477px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37179" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image4.png" alt="Fotografia retangular horizontal em preto e branco. A imagem mostra um close no rosto de Elliott Smith, enquadrado do nariz para cima. O foco está em seu olho direito, aberto e voltado levemente para a esquerda da imagem, com expressão concentrada. Fios da franja de cor escura caem sobre a testa. A textura da pele é visível, com poros, linhas abaixo dos olhos e pequenas marcas em destaque. A luz é suave, criando contraste delicado entre sombras e áreas claras." width="477" height="316" /><figcaption id="caption-attachment-37179" class="wp-caption-text">Elliott declarava não ter interesse em ser visto – ainda assim, Figure 8 continua nos olhando de volta (Foto: Autumn de Wilde)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao fim do álbum, na curta </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/4JosyubgIpErAsvMKwph8n?si=1fb86b58bc734ac5"><i><span style="font-weight: 400;">Bye</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Elliott se despede de forma contida, porém carregado de intensidade e de mensagens que só ele seria capaz de transmitir em uma música instrumental. Nela, cada vibração parece guardar muita memória, cada nota tocada traz o peso de algo que se encerra. É impossível ouvir a canção sem sentir que ele sabia, em algum nível, que este seria seu último presente para o mundo. O piano carrega uma complexidade emocional imensa – ainda que pareça modesto –, enquanto o silêncio entre as notas nos atinge tanto quanto a própria canção. E é nessa quietude que ainda sentimos a presença do acalanto que o compositor deixou após sua partida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O impacto da produção transcende o álbum em si, tocando a forma como a música </span><i><span style="font-weight: 400;">indie </span></i><span style="font-weight: 400;">é tratada e o funcionamento da reflexão sonora e lírica atualmente. A identidade sensível de Elliott, aliada à sua </span><a href="https://tapeop.com/interviews/4/elliot-smith"><span style="font-weight: 400;">técnica impecável</span></a><span style="font-weight: 400;">, redefiniu padrões e criou um espaço seguro para o experimentalismo emocional. Uma a uma, as faixas apresentam um compositor que rompe barreiras entre cantor e ouvinte, criando uma experiência que nasce, se repete e se multiplica na memória coletiva. A obra não é apenas um souvenir condensador do trabalho de Elliott Smith, mas um marco cultural que ainda ressoa, 25 anos depois.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao ouvir </span><i><span style="font-weight: 400;">Figure 8</span></i><span style="font-weight: 400;"> hoje, entramos num pacto silencioso: deixamos que o disco nos toque, e ele, por sua vez, mantém seu autor vivo por toda parte. O trabalho permanece como uma doce reverberação de despedida, mas também como um convite à contemplação, à reinvenção dele, de nós mesmos. A obra inteira respira, vive e nos permite atravessar suas sombras e luminosidades com o artista como guia. Ela é complexa e singela, íntima e compartilhada, e principalmente sagrada na maneira como verbaliza a existência. Ao celebrar seus 25 anos honramos a profundidade de seu legado, um </span><a href="https://www.jup.pt/cultura/artigo/jup-bau-elliott-smith-phoebe-bridgers-musica-legado.aspx"><span style="font-weight: 400;">legado</span></a><span style="font-weight: 400;"> que continua a estruturar os caminhos da música </span><i><span style="font-weight: 400;">indie</span></i><span style="font-weight: 400;">, da vulnerabilidade e da poesia em música. </span><span style="font-weight: 400;">Uma herança que nos permite ter Elliott Smith ao nosso lado, não como lembrança, mas como figura de companhia.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Figure 8" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/7DC0pE943VR5tAKIvQXHts?si=KuKm7GWHQTyMjvCD7LjjDg&amp;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/figure-8-25-anos/">25 anos de Figure 8: entre figuras, sons e despedidas que ainda reverberam</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/figure-8-25-anos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">37175</post-id>	</item>
		<item>
		<title>25 anos de Gladiador: Quando o Cinema reviveu Roma e nos lembrou que até impérios podem sangrar</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/gladiador-25-anos/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/gladiador-25-anos/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 May 2025 23:58:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2000]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Aniversário de 25 anos]]></category>
		<category><![CDATA[Arthur Max]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Gladiador]]></category>
		<category><![CDATA[Joaquin Phoenix]]></category>
		<category><![CDATA[John Mathieson]]></category>
		<category><![CDATA[Marcos Henrique]]></category>
		<category><![CDATA[Ridley Scott]]></category>
		<category><![CDATA[Russell Crowe]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=35272</guid>

					<description><![CDATA[<p>Marcos Henrique Sabe quando tomamos uma decisão que, à primeira vista, parecia extremamente difícil, mas que, depois de feita, começa a se mostrar a escolha óbvia e certa? Essa é a história de Ridley Scott com o roteiro de Gladiador (2000), filme que marcou a virada do século com o retorno do gênero épico aos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/gladiador-25-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "25 anos de Gladiador: Quando o Cinema reviveu Roma e nos lembrou que até impérios podem sangrar"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/gladiador-25-anos/">25 anos de Gladiador: Quando o Cinema reviveu Roma e nos lembrou que até impérios podem sangrar</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35274" aria-describedby="caption-attachment-35274" style="width: 728px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-35274 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/movie-gladiator-wallpaper-preview.jpg" alt="Cena do filme Gladiador.Na imagem, o personagem Maximus aparece de costas, do lado direito da imagem, caminhando pelos campos dourados em direção à sua família, que o aguarda ao fundo da imagem. Ele veste sua armadura de gladiador e está nos Campos Elíseos, representando sua passagem para o pós-vida. Máximus é um homem adulto, de pele branca e cabelos pretos. " width="728" height="410" /><figcaption id="caption-attachment-35274" class="wp-caption-text">“O que fazemos em vida ecoa na eternidade” (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Marcos Henrique</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sabe quando tomamos uma decisão que, à primeira vista, parecia extremamente difícil, mas que, depois de feita, começa a se mostrar a escolha óbvia e certa? Essa é a história de Ridley Scott com o </span><a href="https://www.curioteca.com.br/2022/05/20-curiosidades-sobre-o-filme-gladiador-2000.html#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">roteiro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Gladiador</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2000), filme que marcou a virada do século com o retorno do gênero épico aos cinemas e nos apresentou a poética e grandiosa jornada de Maximus Decimus Meridius (Russell Crowe).</span><span id="more-35272"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A princípio, o diretor não aprovou a ideia de dirigir a produção, pois estava focado em trabalhar nas sequências de outras franquias, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/alien-romulus-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Alien</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/blade-runner-2049-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Blade Runner</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. No entanto, em uma visita a Roma, ao vislumbrar a arquitetura da cidade e as pinturas de gladiadores em combate, sua decisão tomou um rumo diferente. Após este contato profundo com a cultura greco-romana, Ridley Scott aceitou fazer o longa.</span></p>
<figure id="attachment_35275" aria-describedby="caption-attachment-35275" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35275" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/on-the-set-of-gladiator-behind-the-scenes-2000-v0-mda1dlmqfg9a1.png" alt="Cena de bastidores do filme GladiadorNa imagem, Russell Crowe, caracterizado como Maximus com roupas sujas e ferimentos cenográficos no ombro, conversa e sorri com o diretor Ridley Scott nos bastidores do filme. Scott, um homem mais velho de barba branca e boné vermelho, gesticula com as mãos enquanto fala. A cena se passa em um set ao ar livre, com figurantes ao fundo. " width="640" height="359" /><figcaption id="caption-attachment-35275" class="wp-caption-text">Ridley Scott e Russell Crowe, embora discutissem constantemente nos bastidores, formaram uma das parcerias mais marcantes do Cinema (Foto: Variety)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">25 anos após o lançamento, ainda podemos nos emocionar com a história do escravo que desafiou um império. </span><i>Gladiador </i><span style="font-weight: 400;">nos conta a jornada de Maximus, o maior general de Roma e braço direito de </span><a href="https://estoicismopratico.com/blog/quem-foi-marco-aurelio-o-imperador-filosofo"><span style="font-weight: 400;">Marco Aurélio</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Richard Harris), o imperador da época. Ao longo das conquistas do império, o general se tornou uma figura extremamente importante e essencial para a glória da cidade, o que o tornou o sucessor perfeito para o trono. Porém, </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/reportagem/historia-quem-foi-o-imperador-comodo-filho-de-marco-aurelio.phtml"><span style="font-weight: 400;">Cômodo</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Joaquin Phoenix), filho do imperador e herdeiro do trono, não aceita o desprezo do próprio pai e o assassina a sangue frio, assumindo o título de imperador e ordenando a execução de Maximus e sua família. Mas ele sobrevive e, após ver sua família morta, passa o resto de seus dias em busca de vingança.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">A direção de Ridley Scott, somado à fotografia de John Mathieson e o impecável design de produção liderado por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jE9Iajvm0vo"><span style="font-weight: 400;">Arthur Max</span></a><span style="font-weight: 400;">, remontam a Roma Antiga até nos mínimos detalhes, desde os figurinos ornamentados até a grandiosidade do Coliseu. Uma curiosidade interessante é a de que não foi permitido fazer as gravações na capital da Itália, onde o enredo se passa. Por isso, a produção decidiu explorar outras extensões do </span><a href="https://rotunnocidadania.com.br/blog/imperio-romano/"><span style="font-weight: 400;">Império Romano</span></a><span style="font-weight: 400;"> antes de sua queda. Um bom exemplo foi a réplica do anfiteatro erguida em Malta, feita de madeira compensada e gesso. A fotografia retrata uma Roma grandiosa e transmite, de forma assertiva, a aura do império tal como ele era imaginado. No entanto, em termos históricos, a narrativa não compactua com a realidade e se permite contar uma jornada original, com personagens que nem sequer existiram na vida real.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Historiadores de todo o mundo criticam o filme pela péssima precisão histórica. Entretanto, esquecem que </span><i><span style="font-weight: 400;">Gladiador</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, acima de tudo, uma obra de ficção, sem compromisso com a realidade, o que não o diminui como Arte. Não se trata de um livro de história ou de um documentário sobre a Roma Antiga, mas de uma jornada de vingança, que busca envolver o público por meio de personagens fortemente inspirados em grandes figuras romanas. O protagonista, por exemplo, foi inspirado em </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/287178-gladiador-filme-iconico-anos-2000-baseado-historia-real.htm"><span style="font-weight: 400;">Narciso</span></a><span style="font-weight: 400;">, um atleta romano historicamente conhecido por ter matado o imperador Cômodo em 192 d.C.</span></p>
<figure id="attachment_35277" aria-describedby="caption-attachment-35277" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35277" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/469263991_1083871893219296_7276898956452254921_n-800x568.jpg" alt=" Cena do filme Gladiador. Na imagem, o imperador Cômodo, interpretado por Joaquin Phoenix, encara o gladiador Maximus dentro da arena. Cômodo veste uma armadura negra ornamentada com detalhes dourados e pratas, com uma coroa de louros, enquanto Máximus usa uma armadura prateada danificada e está ferido. Ao fundo, guardas romanos armados com escudos observam a cena. Phoenix é um homem branco, jovem e de cabelos pretos. " width="800" height="568" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/469263991_1083871893219296_7276898956452254921_n-800x568.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/469263991_1083871893219296_7276898956452254921_n-1024x727.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/469263991_1083871893219296_7276898956452254921_n-768x545.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/469263991_1083871893219296_7276898956452254921_n.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35277" class="wp-caption-text">Mais de 10.000 trajes foram criados pela equipe de figurino para vestir o elenco e os figurantes (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/o-exorcismo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Russell Crowe</span></a><span style="font-weight: 400;">, no papel de Maximus, entrega um dos melhores trabalhos de sua carreira. O roteiro é ótimo ao nos fazer simpatizar com a causa do personagem, mas é Crowe quem nos conquista a cada olhar e fala. Fazia apenas quatro meses que o ator havia ganhado 40 kg para seu papel no filme “</span><i><span style="font-weight: 400;">O</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Informante” (1999)</span></i><span style="font-weight: 400;">. E foi preciso que ele perdesse todo esse peso para interpretar Maximus. Seu personagem é cheio de pérolas de sabedoria, incluindo frases de Marco Aurélio, que, além de imperador, foi um grande pensador romano.</span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/coringa-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Joaquin Phoenix</span></a><span style="font-weight: 400;">, como Cômodo, é nojento e assustador. O ator encarna um personagem oposto ao protagonista, é possível notar pela própria </span><a href="https://signsalad.com/our-thoughts/what-is-semiotics/"><span style="font-weight: 400;">semiótica</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos figurinos: Maximus, no início do filme, usa vestes em tons avermelhados, enquanto Cômodo está sempre com cores mais frias, como o azul. O personagem é um retrato da ambição, inveja e ganância, remetendo a vários outros tiranos que o mundo já conheceu. O ator, como já fez muitas vezes em sua carreira, quase desistiu de seu papel no filme, mas Ridley Scott </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/gladiador-joaquin-phoenix-tentou-largar-filme-relembra-diretor/#:~:text=De%20acordo%20com%20o%20diretor,%2C%20'Isso%20%C3%A9%20extremamente%20anti%C3%A9tico."><span style="font-weight: 400;">não permitiu</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o convenceu a continuar no projeto.</span></p>
<figure id="attachment_35278" aria-describedby="caption-attachment-35278" style="width: 468px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35278" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/gladiator-4.jpg" alt=" Cena do filme Gladiador. Na imagem, Maximus está em uma arena romana, sob a luz intensa do sol. Ele está ao centro da imagem, gritando com expressão de fúria. Enquanto segura uma espada na mão direita e mantém o braço esquerdo estendido em desafio. Usa uma armadura de couro escura e está cercado pela grandiosidade da arena. " width="468" height="286" /><figcaption id="caption-attachment-35278" class="wp-caption-text">“Vocês não estão entretidos?!” (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Gladiador</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem uma carga política relevante até os dias de hoje. A famosa estratégia do </span><a href="https://dicas.vestibulares.com.br/politica-do-pao-e-circo/"><span style="font-weight: 400;">“pão e circo”</span></a><span style="font-weight: 400;">, usada em Roma como forma de manipular as massas, é explorada na obra com um subtexto bem interessante. O circo ganha vida no Coliseu, com as batalhas entre gladiadores, onde os romanos esquecem os abusos do império ao se entreterem com o sangue derramado na arena. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cidade sempre foi fascinada por essa brutalidade, isso se reflete não apenas em seu circo, mas também em sua própria </span><a href="https://www.historiadomundo.com.br/idade-antiga/imperio-romano.htm"><span style="font-weight: 400;">história</span></a><span style="font-weight: 400;">. Roma é fruto dessa violência, e é nisso que eles acreditam. O próprio Senado, embora lute pela queda do Império, entende que o verdadeiro coração pulsante da cidade nunca foi o mármore de seus palácios, mas sim a areia do Coliseu.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Maximus, guiado pelo ódio e pelo desejo de vingança, torna-se a principal atração deste espetáculo romano, sendo peça fundamental em estratégias políticas. No entanto, o general não se limita ao puro ódio, pois se lembra de um sonho, tão frágil que apenas poderia ser sussurrado. O sonho de uma Roma livre do império, uma </span><a href="https://www.scielo.br/j/topoi/a/NGKCsSP96cXgKmmfWSrDQpB/"><span style="font-weight: 400;">república</span></a><span style="font-weight: 400;"> próspera e justa. Esse era o ideal de Marco Aurélio, e cabia a Máximus, com os dias que lhe restavam, a missão de realizá-lo.</span></p>
<figure id="attachment_35279" aria-describedby="caption-attachment-35279" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35279" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/derek-jaocobi-gladiator-673f71d92f5e1-800x600.jpg" alt="Cena do filme Gladiador.Na imagem, dois senadores romanos, Gracco e Falco, observam atentamente uma batalha na arena. Ambos usam túnicas brancas e acessórios dourados, como pulseiras e anéis. Gracco (à esquerda), de pele branca e cabelos grisalhos, transmite seriedade; Falco (à direita), um homem pardo de meia-idade com cabelos pretos, parece mais contido. Ao fundo, o Coliseu aparece cheio, sob a luz do dia. " width="800" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/derek-jaocobi-gladiator-673f71d92f5e1-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/derek-jaocobi-gladiator-673f71d92f5e1-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/derek-jaocobi-gladiator-673f71d92f5e1-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/derek-jaocobi-gladiator-673f71d92f5e1.jpg 1086w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35279" class="wp-caption-text">“O coração batendo de Roma não é o mármore do Senado, é a areia do Coliseu. Ele vai trazê-los a morte, e eles vão amá-lo por isso” (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, a icônica cena em que o gladiador pergunta ao público se eles estão entretidos marca o momento em que o personagem entende a posição em que está e como pode usá-la para alertar Roma sobre sua distração. Uma cena curiosa, que parece flertar com a ideia de quebrar a quarta parede e nos fazer perguntar: será que o filme </span><i><span style="font-weight: 400;">Gladiador</span></i><span style="font-weight: 400;">, enquanto grande obra do entretenimento atual, também faz parte dessa política e tenta nos alertar de que o </span><a href="https://estuda.com/arte-ou-entretenimento-o-cinema-como-uma-ferramenta-cultural/#:~:text=Assim%2C%20podemos%20dizer%20perfeitamente%20que,%C3%A9%20oferecer%20lazer%20%C3%A0s%20pessoas."><span style="font-weight: 400;">Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">, principalmente </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodiano</span></i><span style="font-weight: 400;">, pode ser um mecanismo de controle que nos distrai das questões importantes?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Hollywood vem, há quase 100 anos, dominando o </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;"> do audiovisual e ocupando todas as salas de cinema em diversos países. Muitas de suas produções seguem um padrão que parece buscar, acima de tudo, a maior bilheteria possível. Trata-se de um Cinema que, pouco a pouco, perde sua expressão e autenticidade, preso a objetivos puramente comerciais que sufocam </span><a href="https://www.em.com.br/emfoco/2025/03/08/cinema-independente-vs-hollywood-saiba-como-filmes-independentes-estao-conquistando-grandes-premios/"><span style="font-weight: 400;">produções independentes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e controlam um público que, de sessão em sessão, busca cegamente por ‘entretenimento’. </span><i><span style="font-weight: 400;">Gladiador </span></i><span style="font-weight: 400;">faz parte do </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Hollywood, mas o utiliza de forma inteligente, tal como Maximus usou a ferramenta de controle do império como arma de destruição do mesmo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fato é que o filme</span> <span style="font-weight: 400;">se consolidou como um marco na história do Cinema, conquistando cinco estatuetas no</span> <a href="https://www.oscars.org/oscars/ceremonies/2001/memorable-moments"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: Melhor Filme, Melhor Figurino, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Som e Melhor Ator para Russell Crowe. Além disso, gerou um movimento apelidado de “efeito </span><i><span style="font-weight: 400;">Gladiador”,</span></i><span style="font-weight: 400;"> que aumentou as vendas de livros sobre a Roma antiga e pavimentou o caminho para que filmes como </span><i><span style="font-weight: 400;">Tróia (2004), Rei Arthur (2004), 300 (2006)</span></i><span style="font-weight: 400;"> e outros épicos pudessem surgir. </span><i><span style="font-weight: 400;">Gladiador</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma obra grandiosa, emocionante e sensível, um épico cujos ensinamentos ainda ressoam e continuarão a ecoar pela eternidade.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/gladiador-25-anos/">25 anos de Gladiador: Quando o Cinema reviveu Roma e nos lembrou que até impérios podem sangrar</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/gladiador-25-anos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">35272</post-id>	</item>
		<item>
		<title>As mulheres de Amy Sherman-Palladino</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/as-mulheres-de-amy-sherman-palladino-artigo/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/as-mulheres-de-amy-sherman-palladino-artigo/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Mar 2022 23:40:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Televisão]]></category>
		<category><![CDATA[2000]]></category>
		<category><![CDATA[2017]]></category>
		<category><![CDATA[A Maravilhosa Sra. Maisel]]></category>
		<category><![CDATA[Alex Borstein]]></category>
		<category><![CDATA[Alexis Bledel]]></category>
		<category><![CDATA[Amazon Prime Video]]></category>
		<category><![CDATA[Amy Sherman-Palladino]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Comédia]]></category>
		<category><![CDATA[Comediantes]]></category>
		<category><![CDATA[Daniel Palladino]]></category>
		<category><![CDATA[Drama]]></category>
		<category><![CDATA[Dramédia]]></category>
		<category><![CDATA[Edward Herrmann]]></category>
		<category><![CDATA[Gilmore Girls]]></category>
		<category><![CDATA[Jackson Douglas]]></category>
		<category><![CDATA[Keiko Agena]]></category>
		<category><![CDATA[Kelly Bishop]]></category>
		<category><![CDATA[Lauren Graham]]></category>
		<category><![CDATA[Liz Torres]]></category>
		<category><![CDATA[Liza Weil]]></category>
		<category><![CDATA[Melissa McCarthy]]></category>
		<category><![CDATA[Michael Winters]]></category>
		<category><![CDATA[Midge Maisel]]></category>
		<category><![CDATA[Milo Ventimiglia]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres na TV]]></category>
		<category><![CDATA[Rachel Brosnahan]]></category>
		<category><![CDATA[Sally Struthers]]></category>
		<category><![CDATA[Scott Patterson]]></category>
		<category><![CDATA[Seriado]]></category>
		<category><![CDATA[Série]]></category>
		<category><![CDATA[Stars Hollow]]></category>
		<category><![CDATA[The Marvelous Mrs. Maisel]]></category>
		<category><![CDATA[TV]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória Silva]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=27051</guid>

					<description><![CDATA[<p>Criadora de Gilmore Girls e The Marvelous Mrs. Maisel, Amy Sherman-Palladino deu um novo olhar para as mulheres na Comédia Vitória Silva Cidade de Stars Hollow, fundada em 1779. Uma jovem mulher senta-se em uma mesa na cafeteria do Luke, após implorar para o mesmo por mais uma xícara de café, que ele responde com &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/as-mulheres-de-amy-sherman-palladino-artigo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "As mulheres de Amy Sherman-Palladino"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/as-mulheres-de-amy-sherman-palladino-artigo/">As mulheres de Amy Sherman-Palladino</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">Criadora de Gilmore Girls e The Marvelous Mrs. Maisel, Amy Sherman-Palladino deu um novo olhar para as mulheres na Comédia</span></i></p>
<figure id="attachment_27054" aria-describedby="caption-attachment-27054" style="width: 800px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27054 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-1-11-800x420.jpg" alt="Arte com fundo preto. Nela, estão 3 mulheres, com uma margem rosa em volta de suas silhuetas, simulando um recorte. À esquerda, está Lauren Graham, que interpreta Lorelai em Gilmore Girls. Ela é uma mulher branca, de cabelos castanhos lisos e compridos, ela veste uma camiseta branca e jaqueta preta. Ao centro, está a roteirista Amy Sherman-Palladino. Ela é uma mulher branca, de cabelos castanhos presos em coque baixo; ela usa um chapéu preto em sua cabeça, uma blusa com um terno preto e segura duas estatuetas do Emmy, uma em cada mão. À direita, está Rachel Brosnahan, que interpreta Midge Maisel. Ela é uma mulher branca, de cabelos castanhos claros curtos. Ela veste um chapéu no tom amarelo, óculos escuros e um vestido com listras claras." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-1-11-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-1-11-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-1-11.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27054" class="wp-caption-text">Aos 56 anos, a roteirista já fez história como a primeira pessoa a levar o Emmy na categoria de Roteiro e Direção em Série de Comédia (Arte: Ana Clara Abbate)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitória Silva</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cidade de Stars Hollow, fundada em 1779. Uma jovem mulher senta-se em uma mesa na cafeteria do Luke, após implorar para o mesmo por mais uma xícara de café, que ele responde com um olhar zangado &#8211; enquanto pega mais café para ela. Um cara flerta com ela e é rapidamente driblado por seu sarcasmo, e com a jogada de que ela está esperando alguém. Esse alguém entra pela porta, é a sua filha, Rory, chateada porque perdeu seu </span><i><span style="font-weight: 400;">CD </span></i><span style="font-weight: 400;">da Macy Gray e </span><i><span style="font-weight: 400;">“precisa de cafeína”</span></i><span style="font-weight: 400;">. E é essa mesma rotina que você vai observar pelos próximos 153 episódios de </span><a href="https://personaunesp.com.br/gilmore-girls-20-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Gilmore Girls</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos grandes sucessos da Televisão norte-americana nos anos 2000, o seriado surgiu da curiosa mente de </span><a href="https://www.imdb.com/name/nm0792371/"><span style="font-weight: 400;">Amy Sherman-Palladino</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nascida no dia 17 de janeiro de 1966, em Los Angeles, filha do comediante Don Sherman e de Maybin Hewes, seus primeiros passos no meio artístico vieram &#8211; acredite ou não &#8211; por meio da dança. Treinada no balé clássico, e com possibilidade até de estrelar o musical </span><a href="https://personaunesp.com.br/cats-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Cats</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a californiana não pensou duas vezes quando precisou largar sua carreira para integrar a equipe de roteiro da série </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt0094540/"><i><span style="font-weight: 400;">Roseanne</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A partir disso, começou a trilhar seus primeiros passos no que se tornaria uma longa caminhada na comédia.</span></p>
<p><span id="more-27051"></span></p>
<figure id="attachment_27055" aria-describedby="caption-attachment-27055" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27055" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2-12-800x490.jpg" alt="" width="800" height="490" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2-12-800x490.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2-12-1024x627.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2-12-768x470.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2-12.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27055" class="wp-caption-text">Amy Sherman-Palladino disse que foi “mais ou menos” criada como judia (Foto: El País)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela integrou a equipe do programa para escrever sua terceira temporada, que foi ao ar em 1990, e saiu em 1994, após a sexta. A partir disso, continuou participando de diversos outros seriados, colecionando uma série de sucessos e fracassos, com </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt0259787/"><i><span style="font-weight: 400;">Love and Marriage</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt0118420/?ref_=nm_flmg_prd_8"><i><span style="font-weight: 400;">Over the Top</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt0118506/?ref_=nm_flmg_prd_7"><i><span style="font-weight: 400;">Veronica’s Closet</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Como tentativa final para finalmente poder criar uma obra própria, Amy apresentou a ideia de criar uma série sobre mãe e filha, mas em que </span><i><span style="font-weight: 400;">“elas são mais como melhores amigas”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Pronto, foi o golpe fatal para conseguir comprar todos os executivos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, as ruas e casas da </span><a href="https://gilmoregirls.com.br/23-coisas-que-voce-nao-sabia-sobre-gilmore-girls/"><span style="font-weight: 400;">fictícia cidadezinha de Stars Hollow</span></a><span style="font-weight: 400;"> passaram a ser construídas. Como centro da narrativa de sua estreia, estavam as garotas Gilmore: Lorelai (Lauren Graham) e sua filha Rory (Alexis Bledel). Explorar a boa relação entre mãe e filha já é acolhedor por si só, quem dirá em uma cidadezinha onde tudo e todos parecem ser extremamente acolhedores. Em meio aos caricatos habitantes e a rotina extremamente peculiar do município, Sherman-Palladino ergueu o cenário do que seria o grande </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/tv/por-que-as-gilmore-girls-perduram,6d4971cd36aa2c12bc81b0122d3417747kc7zf9r.html"><span style="font-weight: 400;">ato de sua carreira</span></a><span style="font-weight: 400;">, e, como estrela principal, a personagem que se tornaria um dos maiores ícones da comédia televisiva. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lorelai Gilmore é uma mulher vinda de uma família da alta sociedade, e viveu um dos principais imprevistos que qualquer jovem garota é ensinada a temer: a gravidez na adolescência. Diante da repulsa da família, ela fugiu para a pacata cidade para criar sua filha, também Lorelai &#8211; apelidada no seriado como Rory, é claro. E sua grande motivação em vida é criá-la para que ela não cometa os mesmos erros provenientes de sua própria  rebeldia. O desenrolar da primeira temporada se dá na tentativa de reatar laços com seus pais, Richard (Edward Herrmann) e Emily (Kelly Bishop), com o objetivo de que eles pudessem pagar pelos estudos da neta.</span></p>
<figure id="attachment_27056" aria-describedby="caption-attachment-27056" style="width: 2000px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27056" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3.webp" alt="" width="2000" height="1360" /><figcaption id="caption-attachment-27056" class="wp-caption-text">Apesar de fictícia, Stars Hollow é baseada na cidade Washington Depot, localizada no estado de Connecticut (Foto: Vogue)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo que sob um plano de fundo de drama familiar, o que move os episódios da trama é o tradicional cotidiano de tomar café no </span><i><span style="font-weight: 400;">Luke’s</span></i><span style="font-weight: 400;">, ir nas reuniões da cidade, observar as polêmicas do Taylor (Michael Winters) com os habitantes, e por aí vai. O pilar que sustenta tudo isso é a relação entre Rory e Lorelai, que viria a constituir o que seria o âmago da comédia de Amy Sherman-Palladino: a rapidez. Com um</span><i><span style="font-weight: 400;"> timing</span></i><span style="font-weight: 400;"> cômico extremamente apurado, a roteirista e também produtora-executiva do seriado constrói </span><a href="https://gilmoregirls.com.br/o-segredo-do-sucesso-de-gilmore-girls/"><span style="font-weight: 400;">diálogos extremamente velozes</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre mãe e filha, repletos de tiradas e dezenas e dezenas (e dezenas) de </span><a href="https://www.vogue.com/article/gilmore-girls-netflix-pop-culture-quotes"><span style="font-weight: 400;">referências à cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, tornando a dinâmica entre as duas fascinante por si só. A simplicidade com que são incorporadas as dosagens de alusões a filmes e seriados da época faz com que, caso não entenda a que o diálogo se refere, o problema com certeza é você. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo isso é ancorado na figura da atraente Lorelai. Uma mulher sensual, no auge da beleza dos seus 30 anos, mas que jamais assume essas características como o seu principal atrativo, já que ele se encontraria em nada mais, nada menos, que o sarcasmo. E é nessa personalidade que Sherman-Palladino originaria um dos atos mais subversivos que os anos 2000 poderiam trazer, ao centrar todos os holofotes da comicidade de sua produção em uma mulher. Se atualmente já é difícil associar personagens femininas como grandes figuronas da Comédia, imagine o cenário há 20 anos. </span></p>
<figure id="attachment_27057" aria-describedby="caption-attachment-27057" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27057" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-11-800x534.jpg" alt="" width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-11-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-11-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-11-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-11-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-11-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-11.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27057" class="wp-caption-text">Devido aos apressados diálogos entre os personagens da série, um roteiro de Gilmore Girls costumava ter o dobro de páginas quando comparado ao de outras produções de mesma duração (Foto: The WB)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se as luzes brilham para Lorelai, talvez o oposto ocorra com Rory. Por mais que complete perfeitamente a sagacidade de sua mãe, a irreverência da mesma com certeza não é uma característica herdada. Mas a sina da personagem talvez seja as condições completamente utópicas da vida em que foi criada. Rory é a filha, a neta e a namorada perfeita. A criança prodígio, capaz de conquistar tudo que estivesse ao seu alcance apenas por sua inteligência e dedicação. E, mesmo assim, ela consegue tomar as piores decisões possíveis a todo momento. Daí outro grande ato que Amy Sherman-Palladino viria criar:  rompendo com idealismos aos quais as “boas garotas” sempre foram condicionadas, ela origina uma personagem que é uma verdadeira divisora de opiniões. Nas grandes expectativas que a envolvem, Rory erra incessante e irritantemente, mas não erramos todas nós? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fale pela rapidez cômica, mas o grande dom da roteirista está, com certeza, na construção de </span><a href="https://www.buzzfeed.com/danicreahan/ranking-amy-sherman-palladinos-fast-talking-women"><span style="font-weight: 400;">suas personagens femininas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Vamos tratar não apenas de Rory e Lorelai, mas também de Emily, Lane (Keiko Agena), Paris (Liza Weil), Sookie (Melissa McCarthy) Miss Patty (Liz Torres), Babette (Sally Struthers)&#8230; Todas as mulheres que em seu próprio espectro constituem as personalidades mais interessantes de qualquer momento que entram em cena. E os homens? São facilmente ocultados e deixados para escanteio, geralmente servindo apenas de apoio romântico e no que podem fazer de melhor no universo Sherman-Palladino: serem bonitões. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas nem eles acabam sendo reduzidos apenas ao seu aspecto galanteador na narrativa, muito menos a uma imagem sexualizada. Mesmo priorizando o desenvolvimento de figuras femininas, e muitas vezes utilizando os personagens masculinos apenas para fins muito específicos, a roteirista ainda consegue dar um </span><a href="https://valkirias.com.br/relacionamentos-amorosos-em-gilmore-girls/"><span style="font-weight: 400;">devida profundidade a esses componentes</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mais do que pais, namorados ou amigos, eles têm uma importância significativa a favor do desenvolvimento das personagens mulheres, e nunca o contrário. Como exemplo disso, temos Richard, Jess (</span><a href="https://personaunesp.com.br/this-is-us-5a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">Milo Ventimiglia</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Luke (Scott Patterson), que, mesmo oscilando em alguns momentos na vida das protagonistas, sempre surgem com participações necessárias para o seu amadurecimento pessoal ou em pontos decisivos de suas trajetórias. </span></p>
<figure id="attachment_27061" aria-describedby="caption-attachment-27061" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27061" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-8-1-800x531.jpg" alt="" width="800" height="531" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-8-1-800x531.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-8-1-1024x680.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-8-1-768x510.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-8-1-1536x1020.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-8-1-1200x797.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-8-1.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27061" class="wp-caption-text">Mostrando o teor quase autobiográfico de suas produções, a personagem Lane é baseada na melhor amiga de Amy, Helen Pai, tanto que o nome da banda Hep Alien é o dela embaralhado (Foto: The WB)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após seu grande ato televisivo, que se encerrou em uma </span><a href="https://snews.pro/pt/p/gilmore-girls-por-que-amy-sherman-palladino-deixou-o-programa-apos-a-6-temporada-15257382"><span style="font-weight: 400;">sexta temporada extremamente anti-climática</span></a><span style="font-weight: 400;">, Amy Sherman-Palladino deu origem ao seu novo seriado, em 2008, intitulado </span><i><span style="font-weight: 400;">O Retorno de Jezebel James</span></i><span style="font-weight: 400;">. Um fracasso completo, que foi cancelado 10 dias após sua estreia e três episódios irem ao ar. Alguns anos depois de continuar na geladeira, em 2012, lançou um novo título: </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt2006848/"><i><span style="font-weight: 400;">Bunheads</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Novamente reciclando aspectos de sua vida pessoal, a trama centrava-se na história de uma ex-bailarina no fim de sua carreira, que acaba se mudando para uma pequena cidade. Apesar de ter conseguido finalizar uma temporada completa, a série não foi renovada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando parecia estar imersa no próprio fracasso, Amy decidiu fugir de sua tendência de focar em tramas da contemporaneidade e retornou para o passado, mais especificamente aos anos 50. É assim que surgiu o que seria a grande consagração de sua carreira, </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-marvelous-mrs-maisel-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Marvelous Mrs. Maisel</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Fugindo por completo das pequenas cidades fictícias, sua nova obra é ambientada na antiga Nova York. Ao centro dela, está Miriam “Midge” Maisel (Rachel Brosnahan), uma dona de casa que decide ingressar no ramo da comédia </span><i><span style="font-weight: 400;">stand-up</span></i><span style="font-weight: 400;"> após se divorciar do marido. Quase uma antepassada das Gilmore, Sherman-Palladino ganha de vez a sua licença poética para constituir uma personagem extremamente desbocada e que foge dos costumes da época. </span></p>
<figure id="attachment_27059" aria-describedby="caption-attachment-27059" style="width: 1499px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27059" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-6.webp" alt="" width="1499" height="1000" /><figcaption id="caption-attachment-27059" class="wp-caption-text">Antes de interpretar o papel de sua carreira, Alex Borstein já havia participado de Gilmore Girls como as personagens Drella e Miss Celine, e ela também foi casada com Jackson Douglas, intérprete de Jackson (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O fascínio da narrativa já é de esperar, pela continuidade dos diálogos extremamente ritmados e com o sarcasmo e ironia balanceados na medida certa. Além de, é claro, o ambiente totalmente familiar, nos levando a rotina dos Weissman, uma família judaica da classe alta. Mas para não se banhar no mesmo mar que lhe rendeu o seu último e único sucesso até então, a roteirista decide traçar críticas mais profundas à estrutura patriarcal da época, e que tem seus significativos respingos até os dias atuais. Retratar uma das primeiras mulheres a ingressar no ramo da Comédia já é simbólico por si só, mas além das injustiças que Midge sofre em sua carreira apenas por ser mulher, há também a repulsa de seus pais diante de seu novo trabalho, os padrões estéticos a que ela estava aprisionada e a conduta materna que paira sobre a própria.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais uma vez, Sherman-Palladino consegue subverter por completo os papéis femininos ainda retratados no meio televisivo, mesmo que em tempos mais recentes. Isso tudo sem precisar mergulhar em dramas densos e que busquem escancarar o sofrimento que as mulheres estão condenadas &#8211; o qual não precisamos ir muito longe para encontrar no mundo real &#8211; apenas para conseguir chocar e, assim, de fato, gerar algum tipo de reflexão no público. Os méritos da produção são incontáveis, e foram o que levaram a produtora a fazer história no principal prêmio da Televisão americana, como a primeira mulher, e também primeira artista no geral, a </span><a href="https://mulhernocinema.com/noticias/amy-sherman-palladino-e-a-1a-mulher-a-ganhar-emmy-de-roteiro-e-direcao-de-comedia/"><span style="font-weight: 400;">levar o </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">na categoria de Roteiro e Direção em série de comédia</span></a><span style="font-weight: 400;">, em 2018. Um triunfo que apenas reflete sua tamanha importância no meio, ainda mais levando em consideração que seu seriado mais popular nunca havia dado as caras na premiação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/tv/por-que-as-gilmore-girls-perduram,6d4971cd36aa2c12bc81b0122d3417747kc7zf9r.html"><span style="font-weight: 400;">relevância de Amy Sherman-Palladino</span></a><span style="font-weight: 400;"> para a figura das mulheres na Televisão é tremenda, mas também cabe uma importante reflexão sobre quem são essas protagonistas que ela está retratando na tela, que, no caso, são sempre brancas. Já é nítido que a autora se reflete nas personagens que escreve, basta observar a semelhança com Midge, ambas de família judaica e com um gosto peculiar por chapéus extravagantes. No entanto, dos poucos personagens não-brancos que traz para suas narrativas, nenhum deles recebe uma devida profundidade em suas histórias pessoais. A exemplo temos Lane, que só surge na trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">Gilmore Girls</span></i><span style="font-weight: 400;"> para servir de apoio a amiga Rory, e ganha um desenrolar de sua história pessoal apenas quando é conveniente, mas que perde a mão por completo na reta final da série &#8211; justiça por Lane Kim!</span></p>
<figure id="attachment_27060" aria-describedby="caption-attachment-27060" style="width: 2560px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27060" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-7.webp" alt="" width="2560" height="1710" /><figcaption id="caption-attachment-27060" class="wp-caption-text">Já em sua quarta temporada, The Marvelous Mrs. Maisel é a verdadeira glória de Amy Sherman-Palladino, com a série tendo conquistado <a href="https://www.emmys.com/shows/marvelous-mrs-maisel">20 Emmys ao todo</a> (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O único personagem negro da série também tem a sua participação beirando a superficialidade e as suas tiradas icônicas, diferente de Sookie, que encontra-se no mesmo círculo social de Lorelai. Michel Gerard (Yanic Truesdale) foi, inclusive, alvo de questionamentos diante da </span><a href="https://www.radiotimes.com/tv/comedy/gilmore-girls-a-year-in-the-life-made-a-major-change-to-a-fan-favourite-character/"><span style="font-weight: 400;">representatividade LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;">, já que o programa nunca trouxe à tona personagens abertamente gays, o que não é um peso carregado apenas pela sua criadora, que queria que a cozinheira do hotel fosse lésbica mas teve a ideia negada pela </span><i><span style="font-weight: 400;">The WB</span></i><span style="font-weight: 400;"> na época. Essa falta total de abordagem diante da questão </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> se tornou piada mais tarde, no </span><i><span style="font-weight: 400;">revival Gilmore Girls: Um Ano para Recordar</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que Taylor Doose reclama da falta de membros da comunidade para participarem da parada do orgulho do município: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Não há gays o suficiente em Stars Hollow!”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vindo para sua produção mais recente, as questões raciais e também </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">acabam sendo mais abordadas na figura de Shy Baldwin (LeRoy McClain) ao longo da terceira temporada. Agora, no quarto ano de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Marvelous Mrs. Maisel</span></i><span style="font-weight: 400;">, a cota de personagens racializados fica nas costas de Mei (Stephanie Hsu), se é que vamos conseguir observar algo mais profundo que os negócios de sua misteriosa família &#8211;</span><i><span style="font-weight: 400;"> afinal, eles são sua família?</span></i><span style="font-weight: 400;"> Por outro lado, a representatividade LGBTQIA+ ainda apresenta uma certa relutância em ser de fato declarada em componentes da trama como, por exemplo, a </span><a href="https://www.autostraddle.com/make-susie-gay-you-cowards-on-the-marvelous-mrs-maisels-lesbian-problem-443802/"><span style="font-weight: 400;">rabugenta Susie</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Alex Borstein). Em meio às inúmeras críticas diretas sobre a sexualidade da mesma, a principal fica no fato de que, se todos os personagens heterossexuais têm obrigatoriamente interesses amorosos, por que ela também não pode ter sequer uma menção em torno do assunto?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Críticas e elogios a parte, uma coisa é fato: o caminho iniciado por Amy Sherman-Palladino a mais de 20 anos atrás foi essencial para que, hoje, outras mulheres desbocadas pudessem vir para a superfície com maior facilidade, como é o caso da magnífica (e qualquer outro adjetivo que possa fazer jus a sua grandiosidade) </span><a href="https://personaunesp.com.br/fleabag-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Phoebe Waller-Bridge. Não foi primordial só apenas na produção da Comédia, mas também pelo feito de poder encorajar uma legião de jovens mulheres a entenderem que, acima de qualquer artifício estético, o sarcasmo pode sim ser sua principal forma de defesa. </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/as-mulheres-de-amy-sherman-palladino-artigo/">As mulheres de Amy Sherman-Palladino</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/as-mulheres-de-amy-sherman-palladino-artigo/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">27051</post-id>	</item>
		<item>
		<title>É claro que seu filme de terror favorito é Pânico</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/panico-25-anos/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/panico-25-anos/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Oct 2021 14:15:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[#MeToo]]></category>
		<category><![CDATA[1996]]></category>
		<category><![CDATA[1997]]></category>
		<category><![CDATA[2000]]></category>
		<category><![CDATA[2011]]></category>
		<category><![CDATA[25 anos]]></category>
		<category><![CDATA[A Punhalada]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Júlia Trevisan]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Aniversário]]></category>
		<category><![CDATA[Anthony Anderson]]></category>
		<category><![CDATA[Cotton Weary]]></category>
		<category><![CDATA[Courteney Cox]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[David Arquette]]></category>
		<category><![CDATA[Derek Feldman]]></category>
		<category><![CDATA[Dewey Riley]]></category>
		<category><![CDATA[Drew Barrymore]]></category>
		<category><![CDATA[Ehren Kruger]]></category>
		<category><![CDATA[Emma Roberts]]></category>
		<category><![CDATA[Gale Weathers]]></category>
		<category><![CDATA[Ghostface]]></category>
		<category><![CDATA[Harvey Weinstein]]></category>
		<category><![CDATA[Hayden Panettiere]]></category>
		<category><![CDATA[Horror]]></category>
		<category><![CDATA[Jada Pinkett Smith]]></category>
		<category><![CDATA[Jamie Kennedy]]></category>
		<category><![CDATA[Jenny McCarthy]]></category>
		<category><![CDATA[Jerry O'Connell]]></category>
		<category><![CDATA[Kevin Williamson]]></category>
		<category><![CDATA[Laurie Metcalf]]></category>
		<category><![CDATA[Liev Schreiber]]></category>
		<category><![CDATA[Marley Shelton]]></category>
		<category><![CDATA[Matthew Lillard]]></category>
		<category><![CDATA[Maureen Prescott]]></category>
		<category><![CDATA[Miramax]]></category>
		<category><![CDATA[Neve Campbell]]></category>
		<category><![CDATA[O Grito]]></category>
		<category><![CDATA[Omar Epps]]></category>
		<category><![CDATA[Pânico]]></category>
		<category><![CDATA[Pânico 2]]></category>
		<category><![CDATA[Pânico 3]]></category>
		<category><![CDATA[Pânico 4]]></category>
		<category><![CDATA[Parker Posey]]></category>
		<category><![CDATA[Patrick Dempsey]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Roger L. Jackson]]></category>
		<category><![CDATA[Rory Culkin]]></category>
		<category><![CDATA[Rose McGowan]]></category>
		<category><![CDATA[Scream]]></category>
		<category><![CDATA[Scream 2]]></category>
		<category><![CDATA[Scream 3]]></category>
		<category><![CDATA[Scream 4]]></category>
		<category><![CDATA[Serial killer]]></category>
		<category><![CDATA[Sidney Prescott]]></category>
		<category><![CDATA[Skeet Ulrich]]></category>
		<category><![CDATA[Slasher]]></category>
		<category><![CDATA[Stab]]></category>
		<category><![CDATA[Terror]]></category>
		<category><![CDATA[Wes Craven]]></category>
		<category><![CDATA[Woodsboro]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=23907</guid>

					<description><![CDATA[<p>Ana Júlia Trevisan Você com certeza já viu essa máscara em algum lugar. Pode não saber sobre o que se trata ou não conhecer o roteiro do filme, mas é certo que conhece a Ghostface. Esse é o efeito Pânico: ser um divisor de águas e marcar de maneira inabalável o Terror apenas por sua &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/panico-25-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "É claro que seu filme de terror favorito é Pânico"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/panico-25-anos/">É claro que seu filme de terror favorito é Pânico</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23930" aria-describedby="caption-attachment-23930" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23930" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/18454859.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Cena do filme Pânico. Nela vemos uma pessoa vestindo um capuz preto e uma máscara branca com olhos pretos e a boca aberta. Há uma faca na mão direita. Na sua frente, e de costas da câmera, há uma mulher loira de cabelo na altura dos ombros. Ela veste um suéter bege. Na mão direita está um telefone branco que ela segura contra a orelha. Há um vidro entre os dois. O fundo é uma sala de jantar." width="600" height="400" /><figcaption id="caption-attachment-23930" class="wp-caption-text">Em 2021, Pânico celebra 25 anos de sua estreia no mundo do slasher (Foto: Dimension Films)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Júlia Trevisan</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Você com certeza já viu essa </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/filmes/2016/12/panico-artes-revelam-que-mascara-de-ghostface-originalmente-seria-mais-assustadora"><span style="font-weight: 400;">máscara</span></a><span style="font-weight: 400;"> em algum lugar. Pode não saber sobre o que se trata ou não conhecer o roteiro do filme, mas é certo que conhece a </span><i><span style="font-weight: 400;">Ghostface</span></i><span style="font-weight: 400;">. Esse é o efeito </span><i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i><span style="font-weight: 400;">: ser um divisor de águas e marcar de maneira inabalável o Terror apenas por sua identidade visual. Você está sozinha em casa à noite, fazendo pipoca e esperando seu namorado chegar. De repente, o telefone começa a tocar e você se vê dentro de um jogo macabro onde o fim é a morte. Essa é a fenomenal introdução de </span><i><span style="font-weight: 400;">Scream</span></i><span style="font-weight: 400;">, a franquia de </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/um-tributo-a-wes-craven-o-criador-de-pesadelos#:~:text=Custou%20apenas%2015%20milh%C3%B5es%20de,o%20fil%C3%A3o%20que%20havia%20adquirido."><span style="font-weight: 400;">Wes Craven</span></a><span style="font-weight: 400;"> que colocou o </span><a href="https://www.tudosobreseufilme.com.br/2019/10/o-que-e-slasher.html"><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de volta no radar e desmistificou que o subgênero do Horror estava em decadência.</span></p>
<p><span id="more-23907"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Convenhamos que os anos 90 não foram fáceis para os filmes de Terror. Com o incalculável sucesso das décadas de 70 e 80, personagens como o monstruoso Jason Voorhees de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EXnSl-0epo4&amp;ab_channel=NerdClub"><i><span style="font-weight: 400;">Sexta-Feira 13</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o assassino de criancinhas Freddy Krueger do icônico </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-hora-do-pesadelo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Hora do Pesadelo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e Michael Myers do imortal </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ek1ePFp-nBI&amp;ab_channel=UniversalPictures"><i><span style="font-weight: 400;">Halloween</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> marcaram toda uma era do Horror. Mas, presos na fórmula mágica de suas próprias criações, as franquias não souberam o momento de dar um basta e continuaram produzindo, incansavelmente, sequências que não passam de mais do mesmo. Com </span><i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1996), Wes Craven vem para criticar essa produção em larga escala e nada conteudista, e rejuvenescer o</span><i><span style="font-weight: 400;"> slasher</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_23932" aria-describedby="caption-attachment-23932" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-23932" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/442207.png-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-800x450.jpg" alt="Cena do filme Pânico. Nela vemos uma pessoa vestindo um capuz preto e uma máscara branca com olhos pretos e a boca aberta. Sua mão direita está num interruptor. Atrás tem uma porta marrom e a parede cinza da garagem." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/442207.png-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/442207.png-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/442207.png-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/442207.png-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/442207.png-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-23932" class="wp-caption-text">De início, o roteiro não falava sobre a aparência do assassino, apenas citava que ele usaria uma máscara (Foto: Dimension Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem dá início ao </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a brilhante </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/a-dura-infancia-de-drew-barrymore-quando-tinha-oito-anos-eu-bebi-duas-tacas-de-champanhe.phtml"><span style="font-weight: 400;">Drew Barrymore</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ansiando alavancar sua carreira e não ser apenas o rostinho de Charlie McGee em </span><i><span style="font-weight: 400;">Firestarter</span></i><span style="font-weight: 400;">, a atriz apostou em cheio na </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wSHCV45rF8U&amp;ab_channel=JoshGrey"><span style="font-weight: 400;">introdução de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Pânico</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A ideia de ser relevante mesmo com poucos minutos de cena foi um acerto em cheio de Barrymore, e sua agonia na primeira presença do </span><i><span style="font-weight: 400;">Ghostface</span></i><span style="font-weight: 400;"> estampou a cara da produção de 1996. Aliás, a cena inicial de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Scream</span></i><span style="font-weight: 400;">, pensando todo o conjunto da franquia, é sempre um espetáculo à parte. Seja no cinema ou sendo um filme dentro do filme, os primeiros minutos da produção são cruciais para catapultar a atenção do espectador nas quase duas horas de terror e suspense que o aguardam. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história da protagonista Sidney, firmemente interpretada por </span><a href="https://personaunesp.com.br/jovens-bruxas-critica/"><span style="font-weight: 400;">Neve Campbell</span></a><span style="font-weight: 400;">, começa fora do foco do </span><i><span style="font-weight: 400;">serial killer.</span></i><span style="font-weight: 400;"> A personagem é uma jovem que vive com seu pai em Woodsboro, na Califórnia. Sua mãe, Maureen Prescott, foi violentada e assassinada um ano antes dos acontecimentos do primeiro filme, por um amante que Sidney ajudou a reconhecer, prender e agora está no corredor da morte. Casey (Drew Barrymore), que foi morta no início de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i><span style="font-weight: 400;">, era colega de classe da protagonista, e a corrida por informações que liguem alguém à sua trágica morte gera um engarrafamento de jornalistas e policiais na porta do colégio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, somos introduzidos a mais dois rostos conhecidos por imortais dentro da franquia: primeiro, Gale Weathers (</span><a href="https://personaunesp.com.br/friends-25-anos-aniversario/"><span style="font-weight: 400;">Courteney Cox</span></a><span style="font-weight: 400;">). A jornalista regional acredita na inocência de Cotton Weary (Liev Schreiber) &#8211; suposto assassino de Maureen &#8211; e topa qualquer sujeira para estar com sua câmera ligada focada em seu rosto; enquanto Dewey Riley (David Arquette) é um policial novato e nem um pouco respeitado, mas que é sempre o primeiro a aparecer quando o assunto é proteção à Sidney Prescott.</span></p>
<figure id="attachment_23933" aria-describedby="caption-attachment-23933" style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23933" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/giphy.gif" alt="" width="500" height="250" /><figcaption id="caption-attachment-23933" class="wp-caption-text">“Qual seu filme de terror favorito?” (GIF: Dimension Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não demora muito para que a protagonista receba a ligação do mascarado perguntando </span><i><span style="font-weight: 400;">“Qual seu filme de terror favorito?”</span></i><span style="font-weight: 400;">. A ideia do assassino é fazer um jogo com suas vítimas, um </span><i><span style="font-weight: 400;">quiz</span></i><span style="font-weight: 400;"> sobre filmes de terror onde qualquer erro pode levar à morte. Mas a cada pergunta respondida corretamente, uma nova é feita, e logo </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/lista/panico-filmes.html#list-item-4"><i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostra que não está de brincadeira</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a meta é não deixar ninguém vivo. Os cômodos da casa inabitados, combinados aos movimentos da câmera, dão a certeza de que não somos o único par de olhos a observar as personagens.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o melhor exemplo de que </span><a href="https://www.instagram.com/p/CU0umTkr2w0/?utm_medium=copy_link"><span style="font-weight: 400;">filmes de terror não precisam dar susto</span></a><span style="font-weight: 400;"> em seu público para serem produções excepcionais. Construído a tensão vagarosamente, cena após cena, predominado por adolescentes que estão com energia de sobra para estarem nos locais errados fazendo besteiras, </span><i><span style="font-weight: 400;">Scream</span></i><span style="font-weight: 400;"> é sagaz e inteligente, criando-se como um filme dentro de um filme para satirizar seu próprio subgênero. Personagens como Randy Meeks (Jamie Kennedy) fazem com que a narrativa tenha uma conversa íntima com os fãs do </span><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i><span style="font-weight: 400;">, gerando uma linha direta com as expectativas e previsões do público e provando que entende das </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/colunas/196785/entendendo-as-regras-dos-quatro-filmes-da-franquia-panico/#:~:text=Regra%201%3A%20Voc%C3%AA%20n%C3%A3o%20vai,4%3A%20Todo%20mundo%20%C3%A9%20suspeito."><span style="font-weight: 400;">regras básicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos longas de terror.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não demorou muito para o medo se instaurar na pacata cidade de Woodsboro, que decretou toque de recolher. Mas que tipo de adolescente não acha esse o momento ideal para uma festinha? Nessa altura do campeonato, a fantasia de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ghostface</span></i><span style="font-weight: 400;"> já havia se popularizado e todos tinham fácil acesso a um capuz preto e uma máscara branca que lembrava </span><a href="https://www.culturagenial.com/quadro-o-grito-de-edvard-munch/"><i><span style="font-weight: 400;">O Grito</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Essa festa gera uma das mortes mais memoráveis entre os quatro filmes: </span><a href="https://cinepop.com.br/panico-completa-20-anos-saiba-20-curiosidades-sobre-o-filme-de-1996-133259/"><span style="font-weight: 400;">Tatum Riley</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Rose McGowan), a melhor amiga da Sidney, debocha na cara do </span><i><span style="font-weight: 400;">Ghostface</span></i><span style="font-weight: 400;"> por não acreditar que ele era real, sendo morta em açodamento na porta da garagem. </span><i><span style="font-weight: 400;">Pânico </span></i><span style="font-weight: 400;">já havia avisado que não estava para brincadeira.</span></p>
<figure id="attachment_23934" aria-describedby="caption-attachment-23934" style="width: 534px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23934" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/19906210.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Cena do filme Pânico. À esquerda está Sidney. Uma jovem branca, de cabelo preto na altura do ombro e com franja. Ela veste uma camiseta laranja. Em sua mão esquerda está um telefone com fio branco. A sua mão direita está apoiada em seu pescoço. À esquerda está Tatum. Uma jovem branca, de cabelo loiro e amarrado em um rabo de cavalo. Ela veste uma camisa de pijama azul com nuvens brancas. Ela está encarando Sidney." width="534" height="350" /><figcaption id="caption-attachment-23934" class="wp-caption-text">Antes de fazer suas vítimas, o Ghostface liga para bater um papinho sobre filmes de terror (Foto: Dimension Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.proibidoler.com/cinema/cinemanalise-a-franquia-panico/"><span style="font-weight: 400;">genialidade de </span><i><span style="font-weight: 400;">Scream</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> vai além de sua metalinguagem e referência direta a grandes clássicos &#8211; mesmo que na maioria das vezes seja satirizando suas continuações. Ela se dá pelo choque de previsão e a revelação de dois assassinos, e tudo é minimamente plantado para que os próximos filmes da franquia possam se esbanjar na fonte de seu primogênito sem se afogarem na mesmice das sequências.    </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Banhado a sangue, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Pânico </span></i><span style="font-weight: 400;">de 96 é o berço de toda a franquia e sempre reverenciado nas sequências. Seus personagens entram em voga nos roteiros &#8211; sejam vivos ou mortos, afinal os fantasmas de Woodsboro nunca pararam de assombrar Sidney Prescott. A dupla Gale e Dewey (esse segundo graças ao </span><a href="https://minhaseriefavorita.com/2019/12/14/panico-as-melhores-curiosidades/"><span style="font-weight: 400;">carisma do policial</span></a><span style="font-weight: 400;">) batem ponto em todos os filmes, amparando a produção para fazer essa viagem de reembarque às raízes. Autoconsciente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Scream</span></i><span style="font-weight: 400;"> renovou o </span><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i><span style="font-weight: 400;"> por ser completamente imprevisível para a época e por trazer não um assassino imbatível, mas um assassino atrapalhado que antes de matar leva muita porrada.</span></p>
<figure id="attachment_23935" aria-describedby="caption-attachment-23935" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-23935" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/EdqSxiVX0AA8CyD-800x450.jpg" alt="Cena do filme Pânico. Nela vemos uma sala de cinema lotada. A maioria das pessoas usa a máscara branca com olhos pretos e a boca aberta." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/EdqSxiVX0AA8CyD-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/EdqSxiVX0AA8CyD-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/EdqSxiVX0AA8CyD-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/EdqSxiVX0AA8CyD.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-23935" class="wp-caption-text">Wes Craven <a href="https://www.youtube.com/watch?v=L6fAsHCKHTU&amp;ab_channel=LawrisZ">aparece</a> em Pânico com as roupas de sua outra grande criação, o vermelho e verde de Freddy Krueger (Foto: Dimension Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de ter chegado aos cinemas em 1997, o </span><a href="https://cinepop.com.br/panico-2-completa-23-anos-confira-dez-curiosidades-sobre-a-producao-276204/"><span style="font-weight: 400;">segundo filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> se passa dois anos depois dos acontecimentos do primeiro. O combustível da continuação é um </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i><span style="font-weight: 400;"> sensacionalista escrito por Gale sobre os acontecimentos da maldita festa. A jornalista vivida por Courteney Cox é a personificação da mídia </span><i><span style="font-weight: 400;">“que </span></i><a href="https://medium.com/singular-plural/sensacionalismo-na-m%C3%ADdia-uma-cr%C3%ADtica-a-responsabilidade-jornal%C3%ADstica-46e13e38708e"><i><span style="font-weight: 400;">se espremer sai sangue</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">”</span></i><span style="font-weight: 400;">: ao invés de repudiar os assassinatos, ela causou efeito contrário, fazendo com que a fantasia de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ghostface</span></i><span style="font-weight: 400;"> vire tendência entre os jovens que lotaram a sessão de estreia de </span><a href="https://scream.fandom.com/wiki/Stab"><i><span style="font-weight: 400;">Stab</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. E por falar nele, é aqui que somos introduzidos a sequência de filmes baseados no livro de Gale, que perduram durante toda a franquia e imortalizam tudo que aconteceu naquela fatídica noite em Woodsboro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A popularização da fantasia, nutrida pelo distanciamento cinematográfico do massacre, dá a brecha para que o roteiro inove na construção do assassino, fazendo com que todo o filme seja um mistério a ser solucionado sobre a real identidade por trás da máscara de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ghostface</span></i><span style="font-weight: 400;">. A famosa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uwwfKb3PpE8&amp;ab_channel=popularhorrorslut"><span style="font-weight: 400;">primeira cena</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma morte no cinema &#8211; na sala de </span><i><span style="font-weight: 400;">Stab</span></i><span style="font-weight: 400;">, é claro -, e, tentando consertar da forma mais furada possível a ausência de personagens negros no primeiro filme, a abertura traz novos rostos em cotidiana situação para </span><i><span style="font-weight: 400;">Scream 2</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_23936" aria-describedby="caption-attachment-23936" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23936" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/18454864.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Cena do filme Pânico 2. À direita está uma mulher negra. Ela tem cabelo preto raspado, usa brinco e pulseira prata. Veste uma blusa de alça fina marrom e está sorrindo. Na sua esquerda está um homem negro mais alto. Ele é careca. Veste jaqueta de couro preta. Ao fundo, à esquerda vemos um pôster de filme. Nele há a mesma máscara branca e embaixo lê-se em branco STAB." width="600" height="400" /><figcaption id="caption-attachment-23936" class="wp-caption-text">O Ghostface é inspirado na história real do Estripador de Gainesville (Foto: Dimension Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dewey volta para proteger Sidney, que nessa altura já espera o telefonema do mascarado, e Gale retorna atrás de um furo de reportagem e quem sabe para até mesmo escrever um novo livro. Cotton &#8211; que foi inocentado em 1996 &#8211; aparece tentando uma entrevista televisionada ao lado de Sidney, isso visando o dinheiro que a conversa renderia. Quem também dá as caras no segundo filme é o amigo fissurado em Terror, Randy. Mas todo seu conhecimento sobre o assunto não traz tanta sorte, e ele é uma das primeiras vítimas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pânico 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LWWlt6aUwEc&amp;ab_channel=Miramax"><span style="font-weight: 400;">perda bruta</span></a><span style="font-weight: 400;"> que fez os roteiristas passarem dois futuros filmes tentando arrumar a besteira que fizeram. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Gale se torna uma persona ainda mais complexa em</span> <span style="font-weight: 400;">1997, agindo como causa e consequência tanto para o início como para o fim da trama. Ela, que agora tem até uma tiete, é a primeira a notar que o assassino está repetindo as mortes de Woodsboro. Seu protegido Cotton leva fama de herói, algo que abriu os caminhos para o terceiro filme da franquia ser iniciado. E para não deixar de citar </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CLAZijxbISc&amp;ab_channel=Miramax"><span style="font-weight: 400;">Derek Feldman</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Jerry O&#8217;Connell), o personagem pode ser sintomático do dedo podre de Sidney ou um elemento de construção de narrativa, mas o namorado da protagonista já nasce com cara de suspeito.</span></p>
<figure id="attachment_23937" aria-describedby="caption-attachment-23937" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-23937" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/scream-2-campbell-cox-800x534.jpg" alt="Cena do filme Pânico 2. À esquerda está Sidney. Uma jovem branca, de cabelo preto na altura do ombro. Ela veste uma blusa cinza, uma jaqueta marrom e uma calça preta. À direta está Gale, uma mulher branca de cabelo preto na altura do ombro. Ela veste uma blusa branca, calça preta, cinto e no seu braço esquerdo tem um relógio prata. O fundo é desfocado em tons de amarelo." width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/scream-2-campbell-cox-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/scream-2-campbell-cox-1024x684.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/scream-2-campbell-cox-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/scream-2-campbell-cox-1200x802.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/scream-2-campbell-cox.jpg 1497w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-23937" class="wp-caption-text">Para evitar o vazamento do roteiro de Pânico 2, o elenco só descobriu a identidade do assassino no dia da gravação (Foto: Dimension Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Scream 2</span></i><span style="font-weight: 400;">, Wes Craven e o roteirista Kevin Williamson acertaram mais uma vez ao serem autoconscientes e em saberem qual ferida do gênero eles queriam abrir, com a convicção de que são pertencentes ao meio, e com ainda mais local de fala para discutir as continuações desenfreadas. Assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pânico 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> sabe aproveitar da </span><a href="http://jornalismojunior.com.br/metalinguagem-nos-filmes-de-terror/"><span style="font-weight: 400;">metalinguagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu antecessor para se guiar, fugindo de ser apenas uma sequência barata. Pelo contrário, foi graças a esse longa que a verba para o próximo rendeu. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A fama de herói de Cotton desemboca na sequência da franquia, que sabe como iniciar o terceiro filme &#8211; não de forma unânime como das duas primeiras vezes -, mas não se salva de ser considerado o pior da saga. Inferior, </span><i><span style="font-weight: 400;">Scream 3 </span></i><span style="font-weight: 400;">(2000) é fiel a sua narrativa que satiriza as franquias que se perdem. Mesmo com um enredo coeso, o roteiro força a barra do prelúdio para encerrar sua trilogia, e isso se deve a troca de roteiristas: no lugar de </span><a href="https://www.omelete.com.br/netflix/dawsons-creek-netflix-maratona"><span style="font-weight: 400;">Kevin Williamson</span></a><span style="font-weight: 400;">, quem assina o texto é o até então iniciante Ehren Kruger.</span></p>
<figure id="attachment_23938" aria-describedby="caption-attachment-23938" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-23938" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/scream-3-dewey-sid-800x450.jpg" alt="Cena do filme Pânico 3. À direita está Sidney. Uma jovem branca, de cabelo preto na altura do ombro. À esquerda está Dewey. Um homem branco, de cabelo preto e curto e bigode. Ele veste jaqueta branca. Ele e Sidney estão ajoelhados e a cena mostra apenas a parte superior de ambos, que estão olhando para a direita. O fundo é um chão de grama e arbustos verdes." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/scream-3-dewey-sid-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/scream-3-dewey-sid-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/scream-3-dewey-sid-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/scream-3-dewey-sid.jpg 1031w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-23938" class="wp-caption-text">Mesmo com socos, tiros e facadas, Dewey sempre aguenta o tranco para o próximo filme (Foto: Dimension Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dessa vez, o assassino deixa fotos de uma mulher nos locais onde cometeu seus crimes. Essa mulher é reconhecida por Gale Weathers &#8211; sempre ela &#8211; como </span><a href="https://nerdist.com/article/scream-3-maureen-prescott/"><span style="font-weight: 400;">Maureen Prescott</span></a><span style="font-weight: 400;">, mãe da Sidney e que havia sido assassinada antes das mortes em série do primeiro filme. Não demora muito para a bomba cair no colo de Sidney, que vive, por motivos óbvios, isolada do mundo sob um pseudônimo, e trabalhando como telefonista em uma linha especial que recebe ligações de mulheres vítimas de abuso. Um vilão que liga para suas vítimas e uma heroína telefonista: é colocando o enredo na primeira marcha que o filme faz a protagonista tocar o carro em rumo ao perigo.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Scream 3</span></i><span style="font-weight: 400;"> se passa no</span><i><span style="font-weight: 400;"> set </span></i><span style="font-weight: 400;">de gravações de </span><i><span style="font-weight: 400;">Stab 3</span></i><span style="font-weight: 400;">, e a escolha de fazer seu terceiro filme simultâneo com o terceiro da saga de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Punhalada</span></i><span style="font-weight: 400;"> poderia ser o ponto alto da produção. Porém, ao ser mal aproveitado, tornou-se apenas um espetáculo de matança de personagens desimportantes, que não interferiam no seguimento dos originais da franquia. Com uma revelação menos chocante, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wby7MI5TNYE&amp;ab_channel=PlanetaTerror"><i><span style="font-weight: 400;">Pânico 3</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é o único a ter apenas um </span><i><span style="font-weight: 400;">Ghostface</span></i><span style="font-weight: 400;">, que ainda revela que sua fome por sangue advém de laços fraternos e que toda a combustão se dá pelo desejo de podar a árvore genealógica. Craven sabe muito bem que o terceiro filme é o fim de uma trilogia e que por tabela ele remete ao primeiro, deixando claro desde o início que isso está sendo feito de maneira consciente. Mesmo não sendo um primor, o longa de 2000</span> <span style="font-weight: 400;">não deixa pontas soltas e sabe como interligar sua narrativa </span></p>
<figure id="attachment_23939" aria-describedby="caption-attachment-23939" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-23939" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Scream-3-Ghostface-800x342.jpg" alt="Cena do filme Pânico 3. Nela vemos uma pessoa vestindo um capuz preto e uma máscara branca com olhos pretos e a boca aberta. Na sua mão tem uma aparelho redondo e prata que serve para modificar a voz. Ele está olhando para um homem branco de cabelos pretos e camiseta branca que está deitado. O fundo é um teto branco." width="800" height="342" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Scream-3-Ghostface-800x342.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Scream-3-Ghostface-1024x438.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Scream-3-Ghostface-768x328.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Scream-3-Ghostface-1536x657.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Scream-3-Ghostface-1200x513.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Scream-3-Ghostface.jpg 1909w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-23939" class="wp-caption-text">Entre as cenas de Scream 3, sobra espaço para <a href="https://www.youtube.com/watch?v=hQL6_NbLwtk&amp;t=6s&amp;ab_channel=Movieclips">Carrie Fisher</a> dar canja numa hilária participação (Foto: Dimension Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse momento, é preciso abrir um parêntese para dizer que apesar de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pânico 3</span></i><span style="font-weight: 400;"> não chegar nem perto de tudo que era esperado do orçamento milionário do filme, existe pleno respeito por sua importância imprescindível dentro da franquia. Aqui, Wes Craven decide denunciar, antes do movimento </span><a href="https://personaunesp.com.br/bela-vinganca-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">#MeToo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, toda a asquerosidade de Hollywood, principalmente a de </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-51553491"><span style="font-weight: 400;">Harvey Weinstein</span></a><span style="font-weight: 400;">. Junto dos filmes de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/quentin-tarantino/"><span style="font-weight: 400;">Quentin Tarantino</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Scream</span></i><span style="font-weight: 400;"> era a joia preciosa na estante da </span><i><span style="font-weight: 400;">Miramax</span></i><span style="font-weight: 400;">. O nome de Weinstein se escondia nos créditos de produção, mas hoje, mais de 20 anos após sua estreia, sabemos muito bem tudo que Craven queria exteriorizar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em</span><i><span style="font-weight: 400;"> Pânico 3,</span></i><span style="font-weight: 400;"> é revelado que a origem de todos os assassinatos que aconteceram e os que viriam a acontecer, foi o estupro de uma atriz em uma festa comandada por poderosos produtores. Na vida real, o desprezível Harvey Weinstein, um dos produtores de </span><i><span style="font-weight: 400;">Scream</span></i><span style="font-weight: 400;">, é culpado por vários estupros, e a notícia vir à tona causou o </span><a href="https://medium.com/@mlletristecoeur/efeito-weinstein-d2519dc14766"><span style="font-weight: 400;">efeito Weinstein</span></a><span style="font-weight: 400;">, dando voz para que vítimas de abusos sexuais e suas denúncias. </span><i><span style="font-weight: 400;">Pânico 3</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi o único projeto com o qual o executivo se envolveu significativamente, entrando em sua própria simbiose parasita com a realidade, apontando para um comportamento pelo qual ele mais tarde foi acusado e condenado.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i><span style="font-weight: 400;"> se imortaliza por sua genialidade transcender as telas. Não apenas como um dos filmes mais inteligentes dos anos 90 por seu autoconhecimento como Terror dentro do subgênero </span><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas também por saber trabalhar elementos cotidianos, tornando Woodsboro mais real e menos peça gráfica. Desde a mídia louca para transformar sangue em audiência até o </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/metoo-os-figuroes-que-perderam-o-emprego-depois-de-abusos-escancarados/"><span style="font-weight: 400;">estupro cometido por poderosos</span></a><span style="font-weight: 400;"> no ambiente </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodiano</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pânico </span></i><span style="font-weight: 400;">encontra forças para se renovar, olhar para os problemas do hoje, digeri-los e transformá-los em texto.</span></p>
<figure id="attachment_23940" aria-describedby="caption-attachment-23940" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-23940" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/19560697.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-800x533.jpg" alt="" width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/19560697.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/19560697.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/19560697.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/19560697.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-23940" class="wp-caption-text">Emma Roberts, Kristen Bell e Lucy Hale são alguns dos rostinhos que podem ser vistos em Pânico 4 (Foto: SND)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2011, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pânico 4</span></i><span style="font-weight: 400;"> se redime do anterior e quita todos seus pecados &#8211; talvez o corte de cabelo de Courteney Cox tenha sido o maior deles. E nada mais justo do que uma versão moderna de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Scream </span></i><span style="font-weight: 400;">sair das mãos de seu próprio criador, com a dupla dinâmica Wes Craven e Kevin Williamson se reencontrando para conduzir o </span><i><span style="font-weight: 400;">Ghostface</span></i><span style="font-weight: 400;"> de volta a Woodsboro. Se </span><i><span style="font-weight: 400;">Scream 3 </span></i><span style="font-weight: 400;">trouxe a cena de abertura menos surpreendente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pânico 4</span></i><span style="font-weight: 400;"> retorna o bom gosto da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=n-FY3wO_CUU&amp;ab_channel=Scott17luvbtvsscream"><span style="font-weight: 400;">facada impactante</span></a><span style="font-weight: 400;"> da primeira cena e ainda encontra espaço para brincar com as continuações de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Stab</span></i><span style="font-weight: 400;">, que em 2011 já está em seu sétimo filme. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo no começo, o roteiro já avisa que o bom filho à casa torna. Mais de uma década pode ter se passado, mas a produção continua demonstrando que não está para brincadeira e o sarcasmo promete comer solto mais uma vez. Sidney volta para Woodsboro às vésperas do aniversário do primeiro massacre para o lançamento de seu livro </span><a href="https://scream.fandom.com/wiki/Out_of_Darkness"><i><span style="font-weight: 400;">Saindo da Escuridão</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Antes mesmo dela pegar na caneta para dar os primeiros autógrafos, uma cena de crime se instala na cidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir daí, até o espectador se torna suspeito e Sidney não pode sair do local enquanto o delito não for solucionado. Gale e Dewey, na </span><a href="https://www.thethings.com/why-was-courteney-cox-and-david-arquettes-divorce-settlement-so-cheap/"><span style="font-weight: 400;">contramão da vida real</span></a><span style="font-weight: 400;">, estão casadinhos e vivendo na cidade. Ele se tornou xerife e ela deixou a vida de repórter para se tornar uma escritora de ficção, mas que vive um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=irndvCCzbDI&amp;ab_channel=MichelleRodriguezBrazil"><span style="font-weight: 400;">bloqueio criativo</span></a><span style="font-weight: 400;">. A nova onda de assassinatos, no entanto, destrava a mente da jornalista, que volta a relembrar os velhos tempos e ansiar pela caótica busca pela pessoa que está por trás da máscara branca.</span></p>
<figure id="attachment_23941" aria-describedby="caption-attachment-23941" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-23941" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/19699883.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-800x589.jpg" alt="Cena de Pânico 4. À esquerda e em primeiro plano está Emma Roberts, uma jovem branca de cabelo preto e longo. Ela veste blusa de manga comprida branca com listras pretas e finas. Usa também uma medalhinha dourada. Ao fundo, em segundo plano, está uma pessoa vestindo um capuz preto e uma máscara branca com olhos pretos e a boca aberta. Na sua mão esquerda ele carrega uma faca." width="800" height="589" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/19699883.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-800x589.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/19699883.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-1024x754.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/19699883.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-768x566.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/19699883.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 1086w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-23941" class="wp-caption-text">Além de ser uma das figuras principais de Pânico 4, em 2015 Emma Roberts protagonizou Scream Queens (Foto: SND)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Complementando o impacto dos rostos jovens e conhecidos que trazem um novo ar para </span><i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i><span style="font-weight: 400;">, a sacada da franquia, quinze anos após sua estreia, foi brincar com os </span><i><span style="font-weight: 400;">reboots</span></i><span style="font-weight: 400;">. Randy ganha uma versão feminina: Kirby Reed (Hayden Panettiere) é amante do Horror e das sextas-feira 13, e tem veia de ser a única a driblar o jogo do </span><i><span style="font-weight: 400;">Ghostface</span></i><span style="font-weight: 400;">. A família de Sidney ganha holofote com sua prima e sua tia abrigando o anjo da morte. Aqui, a protagonista original se distancia da figura de </span><a href="https://poltronanerd.com.br/filmes/conheca-as-final-girls-as-sobreviventes-dos-filmes-de-terror-122884"><i><span style="font-weight: 400;">final girl</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que teve na trilogia e cede espaço para que outra mulher assuma o posto. No fim? Cabe a Sidney Prescott, mais uma vez, fugir à regra da adolescência ingênua e virgem que sobrevive, ainda com tempo de dar um tiro na testa do assassino. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se em 1996 ter um celular te colocava no topo da lista de suspeitos, em 2011 todos andam com seu aparelho no bolso, vivendo uma vida </span><i><span style="font-weight: 400;">on-line</span></i><span style="font-weight: 400;"> gerada por</span><i><span style="font-weight: 400;"> views</span></i><span style="font-weight: 400;">, compartilhamentos e curtidas. A franquia respeita sua </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/estripador-de-gainesville-verdadeira-historia-do-assassino-que-inspirou-o-classico-panico.phtml"><span style="font-weight: 400;">temporalidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, olhando para a atualidade e condizendo com os monstros que assombram a juventude e os usando de ignição para um diálogo direto com o público, denunciando quem cruzar com seu roteiro. Ou seja, fazendo aquilo que </span><i><span style="font-weight: 400;">Scream</span></i><span style="font-weight: 400;"> sabe fazer de melhor.</span></p>
<figure id="attachment_23942" aria-describedby="caption-attachment-23942" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23942" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/19917547.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Cena de Pânico 4. Nela está Sidney. Uma mulher branca, de cabelo liso, preto e na altura dos ombros. Ela veste uma regata azul marinho e um casaco azul titânio. Sua mão esquerda está apoiada no batente da porta e sua mão direita está segurando uma faca. O fundo é uma cozinha desfocada." width="650" height="434" /><figcaption id="caption-attachment-23942" class="wp-caption-text">Scream 4 produz três das melhores mortes de toda a franquia (Foto: SND)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Pânico 4</span></i><span style="font-weight: 400;"> serve um banquete para apresentar a história à nova geração, onde os fãs de longos anos tem espaço especial na mesa, degustando tudo de melhor que </span><i><span style="font-weight: 400;">Scream</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem a oferecer: nostalgia, sarcasmo, originalidade, sangue, busca pelo assassino, Sidney, Dewey e Gale, e uma revelação chocante, que embrasa por deixar os figurantes aquém da verdade. Coloco minha mão no fogo para dizer que essa talvez seja uma das </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=j6VN8i1K6ZM&amp;ab_channel=SimminHay"><span style="font-weight: 400;">melhores revelações</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos quinze anos que guardamos filmes da saga.</span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/ironico-autoconsciente-como-panico-mudou-para-sempre-genero-terror/"><i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é uma franquia que não se perde. A produção deixa claro que os três primeiros longas foram uma trilogia que já encerrou um ciclo. Marca insubstituível dentro da cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Scream</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem uma veia crítica e inteligente que dialoga com o público enquanto tira sarro da própria classe. </span><i><span style="font-weight: 400;">Scream 4</span></i><span style="font-weight: 400;">, por sua vez, foi o começo próspero de uma nova era na produção, que foi celebrada e referenciada, e que depois de uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/scream-1a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">série de TV</span></a><span style="font-weight: 400;">, agora volta para seu quinto filme com o elenco original, mas sem Wes Craven (que faleceu em 2015) e com Kevin na produção executiva. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A expectativa em relação a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=H_t9EhGLfUY&amp;ab_channel=Ingresso.com"><i><span style="font-weight: 400;">Pânico 5</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é alta, e a volta de Neve Campbell, Courteney Cox e David Arquette serve como suspeita que o roteiro segue o alto padrão do passado. Se será tão bom quanto os anteriores saberemos apenas em janeiro de 2022, por enquanto fica o lembrete: </span><i><span style="font-weight: 400;">nunca mexa com a porra do original!</span></i></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/panico-25-anos/">É claro que seu filme de terror favorito é Pânico</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/panico-25-anos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">23907</post-id>	</item>
		<item>
		<title>20 anos de A Nova Onda do Imperador: a experiência inusitada da Disney</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/a-nova-onda-do-imperador-20-anos/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/a-nova-onda-do-imperador-20-anos/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Dec 2020 19:50:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[20 Anos]]></category>
		<category><![CDATA[2000]]></category>
		<category><![CDATA[A Nova Onda do Imperador]]></category>
		<category><![CDATA[Animação]]></category>
		<category><![CDATA[Aniversário]]></category>
		<category><![CDATA[Caroline Campos]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Demônio Lhama]]></category>
		<category><![CDATA[Disney]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
		<category><![CDATA[Kronk]]></category>
		<category><![CDATA[Kuzco]]></category>
		<category><![CDATA[Lhama]]></category>
		<category><![CDATA[Pacha]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Yzma]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://personaunesp.com.br/?p=17155</guid>

					<description><![CDATA[<p>Caroline Campos Todos nós conhecemos o padrão Disney de clássicos irrefutáveis &#8211; um protagonista justo e merecedor que passa por um grande desafio contra um vilão maquiavélico e acaba retomando a paz de seu insira aqui: vilarejo, país, reino, entre outros. No entanto, logo após o fim da Era da Renascença no início do séc. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-nova-onda-do-imperador-20-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "20 anos de A Nova Onda do Imperador: a experiência inusitada da Disney"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/a-nova-onda-do-imperador-20-anos/">20 anos de A Nova Onda do Imperador: a experiência inusitada da Disney</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_17156" aria-describedby="caption-attachment-17156" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-17156" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-1928.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-1928.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-1928-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-1928-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-1928-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-1928-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-1928-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17156" class="wp-caption-text">Uma lhama?! Era pra ele morrer! (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Caroline Campos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todos nós conhecemos o padrão </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney </span></i><span style="font-weight: 400;">de clássicos irrefutáveis &#8211; um protagonista justo e merecedor que passa por um grande desafio contra um vilão maquiavélico e acaba retomando a paz de seu </span><i><span style="font-weight: 400;">insira aqui: vilarejo, país, reino, entre outros</span></i><span style="font-weight: 400;">. No entanto, logo após o fim da Era da Renascença no início do séc. XXI, surge uma sequência de filmes que não se encaixaram muito bem com o que o ratinho nos apresentava anteriormente e encabeçaram a chamada </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/lista/conheca-todas-as-eras-de-animacao-da-walt-disney.html"><span style="font-weight: 400;">Era da Experimentação</span></a><span style="font-weight: 400;">. Entre eles, talvez o que faz mais jus ao nome do período em que pertence, está </span><i><span style="font-weight: 400;">A Nova Onda do Imperador</span></i><span style="font-weight: 400;">, que completa 20 anos no ano de 2020.</span></p>
<p><span id="more-17155"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mz3SLqlmahw"><span style="font-weight: 400;">produção problemática</span></a><span style="font-weight: 400;"> repleta de atrasos, demissões e remanejamentos em cima da hora, o que antes era para ser um filme épico aos moldes de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Rei Leão (1994)</span></i><span style="font-weight: 400;">, acabou se tornando uma comédia não-musical cheia de improvisos e personagens fora do esquema do estúdio do castelo mágico. Com apenas um número de cantoria &#8211; performado por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vuFqZlnp0EE"><span style="font-weight: 400;">Ed Motta</span></a><span style="font-weight: 400;"> na versão brasileira -, conhecemos Kuzco, um imperador inca que resolve construir seu palácio de férias, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Kuzcotopia</span></i><span style="font-weight: 400;">, bem em cima da vila de Pacha, um camponês íntegro e bondoso que é intimado a ir até a residência de seu governante apenas para ser humilhado. </span></p>
<figure id="attachment_17157" aria-describedby="caption-attachment-17157" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-17157" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-5680.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-5680.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-5680-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-5680-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-5680-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-5680-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-5680-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17157" class="wp-caption-text">Kuzco e Pacha como um dos melhores casais da Disney (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, a grande vilã de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Nova Onda do Imperador </span></i><span style="font-weight: 400;">é Yzma, conselheira do imperador que está sempre com a faca preparada para cravar nas costas de seu superior. Ao contrário dos </span><a href="http://procrastination.com.br/cinema/15-viloes-mais-crueis-disney"><span style="font-weight: 400;">vilões marcantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> que vimos em tela, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-rei-leao-critica/"><span style="font-weight: 400;">Scar</span></a><span style="font-weight: 400;">, Frollo, John Clayton e Malévola, Yzma não é nem um pouco assustadora ou vilanesca. Muito pelo contrário, na verdade, a mulher é constantemente alvo de zombarias e só depois que é demitida por Kuzco que resolve dar um fim a seu império. Com a ajuda de Kronk, seu parceiro gostosão e extremamente tapado, ela cria um plano para matar o imperador que, obviamente, dá errado e ele é transformado em uma lhama. Isso mesmo, o animal mais hilário que as mentes envolvidas no filme puderam escolher.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como se não fosse o suficiente, a dupla dos menos engenhosos antagonistas do cinema acaba jogando um Kuzco desmaiado na carroça de Pacha, que não fazia ideia do que transportava ao voltar para casa. Enquanto a viagem se desenrola, o que mais chama a atenção no filme é, de longe, a quebra da quarta parede (</span><a href="https://personaunesp.com.br/fleabag-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, temos visitas) que nosso protagonista arrogante executa a todo momento. A fim de enfatizar constantemente que o filme é sobre </span><i><span style="font-weight: 400;">ele</span></i><span style="font-weight: 400;">, a lhama desenha, circula e rabisca na tela gritando pela atenção que, cá entre nós, fica bem dividida entre os personagens a essa altura.</span></p>
<figure id="attachment_17158" aria-describedby="caption-attachment-17158" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-17158" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-2792.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-2792.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-2792-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-2792-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-2792-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-2792-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-2792-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17158" class="wp-caption-text">A quarta parede é quebrada toda vez que Kuzco quer inflar seu ego (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente dos protagonistas anteriores do estúdio, Kuzco não é altruísta, não possui uma grande jornada traçada, muito menos é dotado de valores e princípios. O imperador é mimado, egoísta e sem um </span><i><span style="font-weight: 400;">background</span></i><span style="font-weight: 400;"> triste e meloso que justifique seus atos. Sua personalidade nos faria questionar acerca da verdadeira face do vilão da história senão fosse sua transformação em lhama, já que, mesmo continuando imoral, o imperador-lhama é um dos personagens mais irreverentes e carismáticos do mundo </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sua trajetória de redenção não é fácil e, mesmo assim, ele demora para se jogar de cabeça e aceitar que pode melhorar sua personalidade por fim. Quando pensamos que as coisas estão caminhando, Kuzco deixa Pacha pendurado por cordas em uma ponte quebrada a metros do chão e admite que havia enganado o camponês sobre a sua ajuda para voltar ao palácio em troca da não-construção de seu </span><i><span style="font-weight: 400;">playground</span></i><span style="font-weight: 400;"> de férias &#8211; </span><i><span style="font-weight: 400;">Kuzcotopia </span></i><span style="font-weight: 400;">ainda iria acontecer, e seu dono não estava nem aí.</span></p>
<figure id="attachment_17159" aria-describedby="caption-attachment-17159" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-17159" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-4899.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-4899.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-4899-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-4899-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-4899-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-4899-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-4899-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17159" class="wp-caption-text">No final do filme, essa técnica é retomada para garantir a vitória (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse bate-rebate, essa teimosia do personagem em dialogar com a sua </span><i><span style="font-weight: 400;">bondade</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">interior </span></i><span style="font-weight: 400;">acaba tornando suas interações com Pacha, que é o oposto total de seu companheiro de aventura, um paradoxo irresistível de assistir. A dupla parece querer se estrangular o filme todo, mas a parceria nos momentos-chave e a insistência de Pacha em provar que o imperador, no fundo, tem coração é o que dá o clima </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> para </span><i><span style="font-weight: 400;">A Nova Onda do Imperador</span></i><span style="font-weight: 400;">. A comédia escrachada que Mark Dindal escolheu para ditar seu longa é deliciosa e nos dá um descanso depois de tantas histórias dramáticas, intensas e cheias de música que estávamos acostumados a ver no cinema.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com apenas 78 minutos, o filme não foi um fracasso mas também não foi um sucesso. Apostando em um </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2D mais simples, sem muitas inovações em decorrência de seu </span><i><span style="font-weight: 400;">deadline</span></i><span style="font-weight: 400;"> com o estúdio, a crítica o recepcionou bem, exaltando seu roteiro humorístico e a mudança de ares que gerou. Os louros vão para Kronk, que conseguiu ganhar uma continuação com seu nome &#8211; </span><i><span style="font-weight: 400;">A Nova Onda do Kronk (2005).</span></i><span style="font-weight: 400;"> Além de ser um coadjuvante incrível, o personagem ainda cozinha, fala com esquilos, é escoteiro e ajuda os mocinhos no final. Impossível não se apaixonar.</span></p>
<figure id="attachment_17160" aria-describedby="caption-attachment-17160" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-17160" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-7458.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-7458.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-7458-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-7458-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-7458-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-7458-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-7458-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17160" class="wp-caption-text">Kronk, talvez o primeiro gostosão burro das animações, tira sarro da própria narrativa (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, o motivo pelo qual o filme fez um sucesso estrondoso em terras brasileiras foi sua dublagem incrível. Selton Mello dá a voz de Kuzco com toda a petulância que o protagonista merece, acompanhado de Humberto Martins como o pacífico Pacha, Marieta Severo sendo Yzma e o maravilhoso Guilherme Briggs como Kronk. Adaptando vários termos populares aqui no Brasil como em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NwFDHP2mKiI"><i><span style="font-weight: 400;">“tu é muito gente fina, bacana pra chuchu”</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e outras pérolas do tipo. O maior charme que um filme sobre civilizações pré-colombianas poderia ter.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">20 anos depois, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Nova Onda do Imperador</span></i><span style="font-weight: 400;"> não integra o </span><i><span style="font-weight: 400;">hall </span></i><span style="font-weight: 400;">de grandes clássicos da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney, </span></i><span style="font-weight: 400;">infelizmente. Mesmo assim, com a sua chegada no </span><a href="https://personaunesp.com.br/hamilton-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Disney+</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, podemos reassisti-lo incansavelmente, do jeitinho que essa </span><a href="https://cebolaverde.com.br/filmes/tbo-a-nova-onda-do-imperador-o-filme-certo-na-era-errada/"><span style="font-weight: 400;">obra a frente de seu tempo</span></a><span style="font-weight: 400;"> merece. Afinal, esse nível de sarcasmo maquiado e ironia absurda estão longe de existir em algum outro filme do estúdio. Depois de um final agridoce, os habitantes do império de Kuzco, dessa vez, não precisarão ter medo de cortar a sua onda. </span><i><span style="font-weight: 400;">Demônio lhama!</span></i></p>
<figure id="attachment_17161" aria-describedby="caption-attachment-17161" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-17161" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-8582.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-8582.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-8582-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-8582-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-8582-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-8582-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/emperors-new-groove-disneyscreencaps.com-8582-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17161" class="wp-caption-text">E é isso que nós sempre queremos: um bom final feliz (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/a-nova-onda-do-imperador-20-anos/">20 anos de A Nova Onda do Imperador: a experiência inusitada da Disney</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/a-nova-onda-do-imperador-20-anos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">17155</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
