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	<title>Arquivos 20 Anos &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos 20 Anos &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>20 anos de Hannah Montana: o segredo que uma geração inteira guardou</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Mar 2026 13:00:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Televisão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Flávia Ferracini Em 2004, a Disney Channel já buscava sua próxima grande aposta para o público adolescente: uma série capaz de unir identificação e fantasia, dois pilares fundamentais da cultura jovem. A proposta parecia simples, mas carregava um potencial narrativo poderoso: contar a história de uma garota que vivia entre dois mundos, equilibrando a vida &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/hannah-montana-20-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "20 anos de Hannah Montana: o segredo que uma geração inteira guardou"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37108" aria-describedby="caption-attachment-37108" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-37108" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image5-2-800x450.png" alt="A personagem Hannah Montana, jovem loira sorrindo para a câmera, usando uma blusa com brilho dourado e fazendo sinal de paz com a mão em fundo neutro" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image5-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image5-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image5-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image5-2-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image5-2.png 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37108" class="wp-caption-text">O começo de tudo. Entre glitter, segredos e uma peruca loira, nascia não só uma personagem, mas uma das maiores fantasias coletivas de uma geração: a possibilidade de ser duas pessoas ao mesmo tempo (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><b>Flávia Ferracini</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2004, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney Channel</span></i><span style="font-weight: 400;"> já buscava sua próxima grande aposta para o público adolescente: uma série capaz de unir identificação e fantasia, dois pilares fundamentais da cultura jovem. A proposta parecia simples, mas carregava um potencial narrativo poderoso: contar a história de uma garota que vivia </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/6Z0F3Mqj7tq1CBZo5qMlUg?si=938c9d897d40420d"><span style="font-weight: 400;">entre dois mundos</span></a><span style="font-weight: 400;">, equilibrando a vida comum com o estrelato. O piloto foi gravado em 2006, porém a equipe criativa ainda não se sentia completamente convencida. Faltava algo que conectasse verdadeiramente a personagem ao público. Foi nesse momento que o acaso, ou talvez o </span><i><span style="font-weight: 400;">timing</span></i><span style="font-weight: 400;"> perfeito, entrou em cena.</span></p>
<p><span id="more-37104"></span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=N7H50gbmHgQ"><span style="font-weight: 400;">Miley Cyrus</span></a><span style="font-weight: 400;"> já havia tentado o papel dois anos antes da estreia da obra, enviando fitas de audição quando ainda era considerada jovem demais para o perfil buscado. Em 2006, recebeu um novo chamado, desta vez para um teste presencial. Há algo quase mítico nesse momento: Miley chega vestindo uma camiseta com a frase “</span><i><span style="font-weight: 400;">eu deveria ter meu próprio programa de TV</span></i><span style="font-weight: 400;">”. O gesto, que poderia parecer apenas ousadia adolescente, hoje soa como prenúncio. Sua performance não apenas garantiu o papel, como também redefiniu o projeto. A personagem, inicialmente chamada Zoe Stewart, foi renomeada como Miley – um reflexo direto da impossibilidade de separar intérprete e criador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No dia 24 de março de 2006, estreou Hannah Montana. Mais do que o lançamento de uma nova série, aquele momento marcou o início de um dos maiores fenômenos culturais da televisão infanto juvenil dos anos 2000. A premissa da vida dupla – Miley Stewart, adolescente comum, e Hannah Montana, </span><i><span style="font-weight: 400;">pop star </span></i><span style="font-weight: 400;">mundialmente famosa – capturava um desejo coletivo: o de viver simultaneamente o extraordinário e o cotidiano, sem abrir mão de quem se é. A icônica peruca loira não era apenas um elemento de figurino, mas um símbolo visual dessa divisão identitária que, ao longo dos anos, se tornaria ainda mais </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wORPTByghiw"><span style="font-weight: 400;">significativa</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Hannah Montana - The Best Of Both Worlds" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/uVjRe8QXFHY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A lógica da peruca tinha uma força assim como os óculos de Clark Kent, a máscara de Peter Parker ou a dualidade entre </span><a href="https://personaunesp.com.br/batman-35-anos/"><span style="font-weight: 400;">Bruce Wayne</span></a><span style="font-weight: 400;"> e seu alter ego.  Essa transformação de Miley em Hannah operava a partir de um código simples, quase ingênuo, mas profundamente simbólico. Bastava um acessório para criar outra versão de si e, com ela, uma nova forma de existir no mundo. No caso de Hannah Montana, essa lógica ganhava ainda mais força por não estar associada a superpoderes, mas a algo mais próximo da realidade. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Dentro da narrativa, o segredo da protagonista era protegido por um círculo restrito, composto por seu pai, interpretado por </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/artist/60rpJ9SgigSd16DOAG7GSa?si=nubvHND-SwyyeDxZsghq2w"><span style="font-weight: 400;">Billy Ray Cyrus</span></a><span style="font-weight: 400;">, e seu irmão Jackson, vivido por Jason Earles. Com o tempo, seus melhores amigos, Lily (Emily Osment) e Oliver (Mitchel Musso), descobrem a verdade e passam a compartilhar não apenas o segredo, mas as consequências emocionais de mantê-lo. Essa dinâmica constrói uma rede de apoio que humaniza a narrativa, mostrando que, por trás do glamour, existe sempre uma tentativa constante de pertencimento.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<figure id="attachment_37107" aria-describedby="caption-attachment-37107" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37107" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4-4-800x500.png" alt="Grupo de cinco personagens posando juntos e sorrindo, incluindo Hannah Montana, uma jovem loira ao centro, um homem adulto e três adolescentes, em frente a um fundo colorido com discos, representando o elenco da série." width="800" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4-4-800x500.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4-4-768x480.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4-4.png 832w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37107" class="wp-caption-text">Mais do que uma estrela, Hannah Montana sempre foi sobre laços. Entre família, amizade e cumplicidade, era nesse coletivo que o segredo deixava de ser peso e se tornava pertencimento. (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Exibida entre 2006 e 2011, a série se consolidou como uma das franquias mais bem-sucedidas da história do canal. Com episódios que chegaram a ultrapassar </span><a href="https://www.nickandmore.com/kids-tv-history/list-of-highest-rated-disney-channel-premieres/"><span style="font-weight: 400;">10 milhões de espectadores</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos Estados Unidos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Hannah Montana</span></i><span style="font-weight: 400;"> não apenas dominou a audiência, mas expandiu sua presença para além da televisão, criando um ecossistema de trilhas sonoras, </span><a href="https://capricho.abril.com.br/comportamento/os-eletronicos-mais-legais-da-linha-de-produtos-hannah-montana/"><span style="font-weight: 400;">produtos licenciados</span></a><span style="font-weight: 400;">, turnês internacionais e um longa-metragem. Esse modelo ajudou a redefinir a forma como o entretenimento juvenil era produzido e consumido, borrando as fronteiras entre ficção e realidade e transformando Miley Cyrus em uma estrela global.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O impacto cultural também se manifesta na forma como ela antecipou discussões contemporâneas sobre identidade e performance. A ideia de viver entre </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Lsa_XXX8-qM"><span style="font-weight: 400;">duas versões</span></a><span style="font-weight: 400;"> de si mesma ecoa diretamente na lógica atual das redes sociais, onde a construção de persona se tornou parte essencial da experiência digital. Muito antes dos influenciadores e da curadoria de imagem online, a </span><i><span style="font-weight: 400;">pop star</span></i><span style="font-weight: 400;"> já apresentava, de forma acessível, o conflito entre quem somos e quem mostramos ser.</span></p>
<figure id="attachment_37105" aria-describedby="caption-attachment-37105" style="width: 696px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37105" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-8.png" alt="A personagem Hannah Montana, jovem, loira, usando roupas rosas em fundo rosa mais escuro com discos rosas brilhantes. " width="696" height="464" /><figcaption id="caption-attachment-37105" class="wp-caption-text">Os visuais de Hannah redefiniram a moda dos anos 2000. (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No campo estético, o legado também é evidente. </span><a style="font-size: 16px;" href="https://www.youtube.com/watch?v=Mw382jRG0hA">O closet secreto</a><span style="font-weight: 400;">, as roupas com glitter, os figurinos exagerados e a peruca loira se tornaram símbolos de uma era. Essa estética, muitas vezes associada ao exagero do </span><i style="color: #1a1a1a; font-size: 16px;">pop</i><span style="font-weight: 400;"> dos anos 2000, retorna hoje como referência nostálgica, influenciando tendências de moda e comportamento. Mais do que isso, representa um momento em que a expressão individual podia ser, ao mesmo tempo, lúdica e aspiracional. </span><span style="font-weight: 400;">Musicalmente, a série também ultrapassou as expectativas de um produto voltado ao público </span><i><span style="font-weight: 400;">teen</span></i><span style="font-weight: 400;">. Canções como</span> <a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/7c223RltkvhN8wrxIqspM5?si=90ce34f6d5ab4b20"><i><span style="font-weight: 400;">Nobody’s Perfect</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, <a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/60c0p6GGnuwdKcQnmuM2zC?si=07589472467c4a3b"><em>I&#8217;ll Always Remember You </em></a></span><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/2kIq7Oq6YNfdUuTrmPC4w1?si=79401b7480f74a7c"><i><span style="font-weight: 400;">Ordinary Girl</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> carregam, sob uma camada </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> acessível, temas como crescimento, imperfeição e busca por identidade. Esse equilíbrio entre leveza e profundidade contribuiu para que a trilha sonora da série se mantivesse relevante ao longo dos anos, atravessando gerações.</span></p>
<figure style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i.pinimg.com/originals/78/a5/0d/78a50d469cb35583a485a4b62ec3fa3d.gif" alt=" A personagem Hannah Montana retirando sua peruca loira e assumindo a identidade Miley Stewart, com seu cabelo longo castanho. Ela está sentada em um programa de TV com instrumentos ao fundo. " width="500" height="268" /><figcaption class="wp-caption-text">O fim de uma era: Hannah tira sua peruca em rede nacional e revela sua real identidade como Miley Stewart. (GIF: Disney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assistir a </span><i><span style="font-weight: 400;">Hannah Montana</span></i><span style="font-weight: 400;"> nunca foi uma experiência passiva. Havia um pacto silencioso entre a personagem e o público. Ao longo dos episódios, sentíamos que também éramos guardiões </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DARByjEn9rI"><span style="font-weight: 400;">daquele segredo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Admirávamos a loira, com todo o brilho e reconhecimento que a fama trazia, mas nos víamos em Miley, nas suas inseguranças, nas escolhas difíceis e na tentativa constante de equilibrar expectativas externas e desejos internos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa dualidade se estendia também às relações afetivas da personagem. Ao longo da série, o público acompanhou seus envolvimentos amorosos, especialmente com </span><a href="https://www.threads.com/@tudomiley/post/DWAWKbYCRO6/miley-cyrus-revelando-que-realmente-namorou-cody-linley-jake-ryan-durante-as"><span style="font-weight: 400;">Jake Ryan</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Cody Linley) e Jesse (Drew Roy), criando torcidas que refletiam não apenas preferências românticas, mas interpretações diferentes sobre quem Miley realmente era, ou quem deveria ser. Esses relacionamentos funcionavam como extensões do conflito central da série: qual versão de si mesma deveria prevalecer?</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<figure id="attachment_37106" aria-describedby="caption-attachment-37106" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37106" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-10-800x512.png" alt="A personagem Miley Stewart, jovem de cabelos longos marrom escuro, sentada ao lado do personagem Jake Ryan, jovem loiro. Ambos trocam olhares. " width="800" height="512" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-10-800x512.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-10-768x492.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-10.png 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37106" class="wp-caption-text">Miley Stewart e Jake Ryan eram um dos casais mais queridos pelos fãs da série. (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2009, esse conflito ganhou novos contornos com </span><i><span style="font-weight: 400;">Hannah Montana: O Filme</span></i><span style="font-weight: 400;">, que leva a personagem de volta às suas raízes e aprofunda a discussão sobre pertencimento e autenticidade. Paralelamente, o fenômeno se consolidava nos palcos como com a </span><i><span style="font-weight: 400;">Best of Both Worlds Tour</span></i><span style="font-weight: 400;">, eternizada no filme-concerto</span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/2zJLYnSCi9TzjI7FaONPTC?si=XAyITXAlR4WCnAMDUKHqbQ"> <i><span style="font-weight: 400;">Hannah Montana &amp; Miley Cyrus: Best of Both Worlds Concert</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que capturou a dimensão global da franquia e a conexão intensa com o público.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto isso, fora da ficção, Miley Cyrus começava a afirmar sua própria identidade artística. O lançamento de</span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/69Pf9ExxwjhVFyosKsKWQu?si=vqforSXGR8GIbq1PznIfNQ"> <i><span style="font-weight: 400;">Can&#8217;t Be Tamed</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em 2010, marcou uma ruptura significativa com a imagem construída ao longo dos anos. A recepção foi polarizada, evidenciando a dificuldade do público e da indústria em aceitar a transição de uma artista que crescia diante das câmeras e buscava redefinir sua narrativa. O encerramento da série, em 2011, cristaliza esse processo. Ao retirar a peruca e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=FOOsx9ytTzg&amp;list=RDFOOsx9ytTzg&amp;start_radio=1"><span style="font-weight: 400;">revelar sua identidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> em rede nacional, Miley Stewart encerra simbolicamente a divisão entre suas duas vidas. A cena, profundamente emotiva, representa não apenas o fim da série, mas o fechamento de um ciclo para milhões de espectadores que cresceram acompanhando essa jornada.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Miley Cyrus - The Climb" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/NG2zyeVRcbs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos anos seguintes, Miley Cyrus se distanciou da imagem de Hannah Montana, e a própria </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney </span></i><span style="font-weight: 400;">também buscou reforçar essa separação. Durante um período, parecia necessário romper completamente com o passado para que uma nova identidade pudesse emergir. A artista chegou a revelar que, após deixar o canal, sequer tinha </span><a href="https://gshow.globo.com/cultura-pop/musica/noticia/miley-cyrus-revela-ter-sido-proibida-de-cantar-as-musicas-de-hannah-montana-apos-deixar-a-serie.ghtml?utm_source=chatgpt.com"><span style="font-weight: 400;">permissão para cantar as músicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> da personagem e que, naquele momento, isso já não fazia sentido dentro da identidade que tentava construir. Mais do que rejeitar Hannah, Miley parecia precisar existir fora dela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, mesmo no auge desse distanciamento, a relação nunca foi completamente rompida. Em 2021, no aniversário de 15 anos da série, Miley publica uma </span><a href="https://www.instagram.com/p/CMzx-DIpQ_i/?utm_source=ig_embed&amp;ig_rid=b7dce9ac-160f-4c23-bffe-8a3742861c35"><span style="font-weight: 400;">carta aberta</span></a><span style="font-weight: 400;"> diretamente para Hannah Montana, e o tom já não é de rejeição, mas de confronto e reconhecimento. Ao escrever que, embora Hannah fosse vista como um alter ego, houve um tempo em que ela “</span><i><span style="font-weight: 400;">tinha mais identidade em sua luva</span></i><span style="font-weight: 400;">” do que a própria Miley, a artista explicita o desequilíbrio entre persona e indivíduo. A metáfora se aprofunda quando descreve essa relação como uma troca: Hannah ofereceu fama, enquanto ela cedia anonimato. E talvez o trecho mais simbólico venha na imagem do foguete, uma força que a impulsionou até a lua, mas nunca a trouxe completamente de volta, revelando o impacto irreversível dessa personagem em sua trajetória.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o tempo, essa relação passou por um processo de ressignificação. O que antes era afastamento se transformou em reconhecimento. Em 2024, aos 31 anos, Miley Cyrus se tornou a artista mais jovem a receber o título de </span><a href="https://people.com/miley-cyrus-tears-up-while-being-named-youngest-disney-legend-hannah-montana-8693463?utm_source=chatgpt.com"><span style="font-weight: 400;">“Lenda da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em seu discurso, reconheceu publicamente a importância de Hannah Montana em sua trajetória e afirmou que continua orgulhosa de ter sido a personagem, não mais como algo a ser superado e sim como parte essencial de quem se tornou. O momento simbolizou uma reconciliação e um reencontro entre passado e presente.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<figure id="attachment_37109" aria-describedby="caption-attachment-37109" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37109" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image6-800x420.png" alt="Miley Cyrus, mulher adulta loira com expressão confiante, usando roupa clara e joias, com luzes desfocadas ao fundo, segurando o dedo próximo aos lábios em pose de segredo." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image6-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image6-1024x538.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image6-768x403.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image6.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37109" class="wp-caption-text">Vinte anos depois, Miley retorna a personagem que lhe deu fama global. (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse movimento se projeta diretamente no presente. Ao comentar sobre a celebração dos 20 anos da série, Miley expressa o desejo de que os fãs </span><a href="https://rollingstone.com.br/entretenimento/miley-cyrus-sobre-os-20-anos-de-hannah-montana-quero-que-os-fas-se-sintam-realmente-representados/?utm_source=chatgpt.com"><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">se sintam vistos</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></a><span style="font-weight: 400;">, como se, ao olhar para Hannah Montana, cada pessoa pudesse reconhecer uma parte de si: ser visto é existir plenamente, o reencontro com essa história deixa de ser apenas nostalgia e se transforma em validação, não só da personagem, mas de toda uma geração que cresceu entre versões de si mesma.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Duas décadas após sua estreia, Hannah Montana permanece como um marco cultural, não apenas pelo sucesso que alcançou, porém pelo impacto duradouro que deixou. E, como toda história que se recusa a terminar, esse ciclo encontra agora uma nova continuidade com o especial de 20 anos que será lançado no</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QBjEeCFdc2o"> <i><span style="font-weight: 400;">Disney+</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, no dia 24 de março de 2026, revisitando memórias, personagens e significados que atravessaram o tempo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez esse seja o verdadeiro legado de Hannah Montana: nos ensinar, ainda muito jovens, que não precisamos escolher entre versões de nós mesmos. Que é possível existir nas contradições, nos excessos e nas transformações. E que, no fim, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/hannah-montana-15-anos/"><span style="font-weight: 400;">melhor dos dois mundos</span></a><span style="font-weight: 400;"> sempre foi, e continua sendo, simplesmente ser quem somos. E talvez isso vá além da ficção: a própria Miley Cyrus, não a personagem, mas a artista, também passou por esse processo diante do público, se reinventando, rompendo expectativas e construindo uma identidade única e muito forte. No fim, Hannah ensinou, mas Miley viveu e isso torna esse legado ainda mais real e potente.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: This Is Hannah Montana" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/37i9dQZF1DZ06evO4n32BG?si=aLnAL359QxSCCjD9f1cdUg&amp;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>20 anos atrás Star Wars: Episódio III &#8211; A Vingança dos Sith aceitava a inevitabilidade da tragédia</title>
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		<pubDate>Fri, 09 May 2025 15:53:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes Depois da trilogia original, a volta de Star Wars nos anos 2000 causou grande alvoroço. Eram muitas expectativas para a história de origem de Darth Vader, que, na época, não foram atendidas (ainda que o último capítulo tenha sido poupado). A mudança de tom pode explicar tal aversão a trilogia prequel. Se a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/20-anos-atras-star-wars-episodio-iii-a-vinganca-dos-sith-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "20 anos atrás Star Wars: Episódio III &#8211; A Vingança dos Sith aceitava a inevitabilidade da tragédia"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35227" aria-describedby="caption-attachment-35227" style="width: 652px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35227" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/image2.png" alt="O cenário é de uma sala futurista. Anakin está ao centro, ele está de lado, mas olhando para a câmera. Ele usa um capuz marrom escuro que cobre parte de seu rosto. Seus olhos estão amarelos e demonstram ódio." width="652" height="320" /><figcaption id="caption-attachment-35227" class="wp-caption-text">Star Wars: Episódio III &#8211; A Vingança dos Sith voltou aos cinemas em comemoração ao seu aniversário de 20 anos (Foto: LucasFilm)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois da trilogia original, a volta de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cdxyo8dxiEk&amp;t=3s"><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">nos anos 2000 causou grande alvoroço. Eram muitas expectativas para a história de origem de </span><i><span style="font-weight: 400;">Darth Vader</span></i><span style="font-weight: 400;">, que, na época, não foram atendidas (ainda que o último capítulo tenha sido poupado). A mudança de tom pode explicar tal aversão a trilogia </span><i><span style="font-weight: 400;">prequel</span></i><span style="font-weight: 400;">. Se a original conservava um espírito aventuresco, esta foi tomada por uma dramaticidade muito teatral. Contudo, 20 anos depois, a trajetória de Anakin Skywalker (Hayden Christensen) e, principalmente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars: Episódio III &#8211; A Vingança dos Sith </span></i><span style="font-weight: 400;">está sendo revisitada e entendida como é: um grande conto sobre destino e tragédia greco-romana.</span></p>
<p><span id="more-35225"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentro do contexto da </span><a href="https://multiplotcinema.com.br/2011/08/a-nova-hollywood-em-25-filmes/"><i><span style="font-weight: 400;">Nova Hollywood</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e do surgimento dos primeiros </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbusters</span></i><span style="font-weight: 400;">, os episódios IV, V e VI adotaram um teor heróico que estava em voga entre alguns cineastas do período, como Steven Spielberg, Robert Zemeckis e o próprio George Lucas, que assinou apenas o primeiro capítulo da saga. A jornada de Luke Skywalker (Mark Hamill), não apenas está inserida dentro desse cenário, como também foi um dos pilares desse momento do Cinema norte-americano e mundial.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta vez, o criador dirigiu todos os três filmes, o que deu uma maior consistência para essa saga. Não necessariamente em questão de qualidade, mas, sim, em questões estilísticas: havia uma ideia clara de com o que trabalhar, e como a derrocada de Anakin aconteceria. </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/star-wars-a-vinganca-dos-sith-bilheteria"><i><span style="font-weight: 400;">A Vingança dos Sith</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é o ápice qualitativo, em que a teatralidade assume totalmente o tom, com o intuito de valorizar as concepções de tragédia e destino, algo muito associado ao Teatro Grego e, neste caso, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Édipo Rei</span></i><span style="font-weight: 400;"> (427 a.C).</span></p>
<figure id="attachment_35228" aria-describedby="caption-attachment-35228" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35228" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/image3-800x533.png" alt="O cenário é um planeta cheio de lava. A iluminação é predominantemente vermelha. Na parte esquerda, em primeiro plano, está Anakin, ele olha em direção a câmera expressando ódio. A parte direita do seu rosto está iluminada, e a outra metade está pouco iluminada. Do lado direito, ao fundo, está Obi Wan. Ele olha com certa preocupação para Anakin." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/image3-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/image3-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/image3-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/image3.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35228" class="wp-caption-text">“Você era o Escolhido. Deveria destruir os Sith, não se juntar a eles!” (Foto: LucasFilm)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra de </span><a href="https://www.culturagenial.com/edipo-rei/"><span style="font-weight: 400;">Sófocles</span></a><span style="font-weight: 400;">, o Oráculo de Delfos prevê que Édipo irá matar seu pai, o Rei de Tebas, e se casar com sua mãe. A fim de driblar o destino, eles o enviam para a morte. Entretanto, a criança sobreviveu e foi adotada por outra família. Anos depois, já adulto, o herói descobre sobre a Profecia a qual está ligado e, como consequência, decide abandonar sua cidade, também com o intuito de evitá-la. No meio de sua jornada, Édipo se desentende com um homem e o mata, sem saber que aquele era seu pai biológico. Assim, a primeira parte da profecia se cumpre. Chegando a sua cidade natal, encontra uma esfinge que lhe faz uma pergunta, até então, nunca solucionada. Ao acertá-la, ele é bem visto por todos e, desta forma, é proclamado o Rei, se casando com a sua mãe, a Rainha. Ao consultar o Oráculo pela última vez, Édipo descobre que o seu destino se concretizou e, vendo todo este horror, decide arrancar os próprios olhos, enquanto a matriarca se suicida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Vingança dos Sith</span></i><span style="font-weight: 400;">, Anakin tem sonhos com a morte de Padmé (</span><a href="https://ovicio.com.br/natalie-portman-reage-a-repercussao-em-relancamento-de-a-vinganca-dos-sith/"><span style="font-weight: 400;">Natalie Portman</span></a><span style="font-weight: 400;">) durante o parto. Uma vez que a vida de sua esposa e filhos estão ameaçadas, ele busca a qualquer custo evitar a fatalidade. No entanto, seu empenho pela salvação o leva cada vez mais ao “</span><i><span style="font-weight: 400;">lado escuro da força</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A história de Skywalker se associa a de Édipo, na medida em que, quanto mais eles tentam fugir de sua sina, mais seus caminhos os levam a ela. Assim como a Rainha se suicidou, Padmé perdeu a vontade de viver e, assim como o Rei arrancou os seus olhos, o Jedi perdeu vários membros de seu corpo, desta forma, selando seu destino trágico.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente de outras histórias de origem, que estão interessadas apenas em retratar a transformação de um personagem, essa se destaca por pensar no como contar. A inspiração em Sófocles não está apenas no enredo e, sim, na narrativa; no tom adotado. O público já sabe o final da história, mas o que interessa é a abordagem. A criação de </span><a href="https://cinemaweb.com.br/a-inspiracao-por-tras-de-darth-vader/#google_vignette"><i><span style="font-weight: 400;">Darth Vader</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não é uma consequência, é um destino que deve ser cumprido. É uma tragédia grega, inevitável, reforçada pela teatralidade da obra.</span></p>
<figure id="attachment_35226" aria-describedby="caption-attachment-35226" style="width: 736px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35226" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/image1.png" alt="O cenário está quase todo escurecido. A única luz ilumina Darth Vader em uma maca, que agora está em pé. A luz vem de cima para baixo. Darth Vader está do lado esquerdo da imagem, e usa um traje preto e futurista. Ao seu lado, pouco visível, está Palpatine usando um capuz preto." width="736" height="552" /><figcaption id="caption-attachment-35226" class="wp-caption-text">O terceiro capítulo da saga reencena um momento clássico do quinto episódio (Foto: LucasFilm)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">George Lucas sabe muito bem conciliar o surgimento de Luke e Leia (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GOY78Ui9AyY"><span style="font-weight: 400;">Carrie Fisher</span></a><span style="font-weight: 400;">), com a criação do Sith. São contrastes que vão muito além de dar coesão ao universo, eles dão força à narrativa. É a gênese de um herói, com a de um vilão. Falece o pai, nasce o filho. Cai o falso profeta, enquanto ascende o verdadeiro. Vários paralelos são concebidos em poucas cenas, é uma carga emocional que foi trabalhada durante as duas horas do longa-metragem. A construção do Lorde Vader representa a destruição total de Anakin. Some o humano, intenso, imprevisível, cheio de personalidade, em detrimento da máquina, fria, arrogante, inócua, burocrática e perfeita. A persona de Skywalker é queimada para surgir o Lorde Sith. Ele morreu para renascer de outra forma.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A teatralidade está impregnada na obra, não apenas pela história, mas principalmente pela forma. A maneira como a câmera de David Tattersall dramatiza o protagonista, muito por </span><i><span style="font-weight: 400;">closes</span></i><span style="font-weight: 400;"> e com uma iluminação que realça os olhares. Ademais, os cenários de Piero Di Giovanni e Richard Roberts o transformam, enquanto o templo dos jedis tem cores mais amenas, e a sua casa tons mais românticos, o escritório do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oykg7wVYcb8"><span style="font-weight: 400;">Senador Palpatine</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Ian McDiarmid) é vermelho vivo, assim como o planeta da batalha final. Outro ponto que chama a atenção são as atuações. Os atores colocam mais energia nas falas do que na fisionomia, além de expressarem seus sentimentos de forma mais intensa, o que é muito típico do Teatro.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars: Episódio III &#8211; A Vingança dos Sith</span></i><span style="font-weight: 400;">, em conjunto com seus dois antecessores, talvez sejam os que melhor entendem as verdadeiras qualidades da franquia. Contemporâneo à </span><i><span style="font-weight: 400;">Indiana Jones</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1981)</span> <span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Taxi Driver</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1976), a saga de Luke Skywalker não consegue acompanhar o senso aventuresco do longa de Steven Spielberg, nem o discurso político de Martin Scorsese. Nesse sentido, a trilogia </span><i><span style="font-weight: 400;">prequel </span></i><span style="font-weight: 400;">entendeu que sua maior força está na análise da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9GXrm2K1KOM"><span style="font-weight: 400;">jornada do herói</span></a><span style="font-weight: 400;"> e coloca a aventura como motor do filme, além de emular a política da Roma Antiga para fortalecer essa relação teatral. De Anakin a Luke, e de Luke a Kylo Ren (Adam Driver) e Rey (Daisy Ridley), é sobre figuras que, popularmente, se tornam lendas, mas falham constantemente, afinal, são todos humanos. É a jornada do herói que é, simultaneamente, idealizada, humana e </span><i><span style="font-weight: 400;">shakespeariana</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>Duas décadas depois, De Repente 30 é apenas para os nostálgicos</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Dec 2024 16:06:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Costanza Guerriero 30 é a idade do sucesso! Essa era a ideia que as páginas da revista Poise apresentavam para a jovem Jenna Rink (Christa B. Allen), em meio às cores, hits e looks da década de 1990. A imagem de mulheres magérrimas, elegantes, sensuais, e ainda, donas de suas próprias carreiras: a mulher de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/de-repente-30-20-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Duas décadas depois, De Repente 30 é apenas para os nostálgicos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34530" aria-describedby="caption-attachment-34530" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34530" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-1--800x450.webp" alt="Cena do filme De Repente 30. Uma menina e uma mulher estão lado a lado dentro de um elevador de paredes de madeira. Do lado esquerdo, está a atriz Renee Olstead interpretando Becky, uma menina branca, de lábios e bochechas coradas, de cabelos longos castanhos. Ela veste um vestido polo preto e uma bolsa marrom do lado esquerdo do corpo. Ela olha para a mulher que está do seu lado direto. A mulher é a atriz Jennifer Garner interpretando a personagem Jenna Rink. Ela é uma mulher branca que usa batom cor de rosa e está com os cabelos castanhos presos em dois birotes. Ele usa um vestido regata Versace, nas cores verde, verde água e com uma faixa em marrom. no seu colo tem um colar em formato de borboleta verde. ela carrega do seu lado esquerdo uma bolsa pequena roxa. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-1--800x450.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-1--1024x576.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-1--768x432.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-1--1200x675.webp 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-1-.webp 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34530" class="wp-caption-text">&#8220;Eu não quero ser original, eu quero ser descolada&#8221; (Foto: Columbia Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Costanza Guerriero</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">30 é a idade do sucesso! Essa era a ideia que as páginas da revista Poise</span> <span style="font-weight: 400;">apresentavam para a jovem Jenna Rink (</span><span style="font-weight: 400;">Christa B. Allen), em meio às cores,</span><i><span style="font-weight: 400;"> hits </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">looks</span></i><span style="font-weight: 400;"> da década de 1990. A imagem de mulheres magérrimas, elegantes, sensuais, e ainda, donas de suas próprias carreiras: a mulher de 30 anos faz tudo e de tudo, enquanto uma jovem de 13 anos pode apenas tirar péssimas fotos para o livro do ano e encher os sutiãs com papel higiênico. </span><a href="https://www.vogue.com/article/jennifer-garner-judy-greer-13-going-on-30-20th-anniversary"><span style="font-weight: 400;">Vinte anos</span></a><span style="font-weight: 400;"> depois, </span><span style="font-weight: 400;">as paredes da casa dos sonhos já estão um pouco desbotadas, mas será que ainda restam o </span><i><span style="font-weight: 400;">glitter</span></i><span style="font-weight: 400;"> e pó do desejo nos quais </span><a href="https://youtu.be/5UrCaXLBN30?si=6nxT3BPBKI5Mv9OY"><i><span style="font-weight: 400;">De Repente 30</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> estava envolto em 2004? </span></p>
<p><span id="more-34528"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">13 going on 30</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original) chegou aos cinemas brasileiros em Agosto daquele ano e marcou uma geração que cresceu na era de ouro das comédias românticas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;">, junto de seus contemporâneos: </span><i><span style="font-weight: 400;">O Diário da Princesa</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Como se Fosse a Primeira Vez</span></i><span style="font-weight: 400;">. O longa-metragem, estrelado por Jennifer Garner e Mark Ruffalo, narra a história de Jenna (</span><span style="font-weight: 400;">Christa B. Allen)</span><span style="font-weight: 400;">, que no seu desastroso décimo terceiro aniversário desejou tão fortemente ter 30 anos, que foi transportada para dezessete anos depois. Na badalada cidade de Nova York, ela tem tudo que sempre sonhou: um enorme apartamento, um </span><i><span style="font-weight: 400;">closet</span></i><span style="font-weight: 400;"> recheado de grifes e o cargo de editora na revista que lia quando pré-adolescente. O que ela não esperava, é que a Jenna adulta (Garner) não é uma pessoa tão legal quanto ela imaginava e seu melhor amigo Matt (Ruffalo) não fala com ela há tempos. </span></p>
<figure id="attachment_34534" aria-describedby="caption-attachment-34534" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34534" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-2-1-800x533.jpg" alt="Cena do filme De Repente trinta. Na imagem estão os atores Christa B. Allen e Sean Marquette, sentados no chão sob um carpete cinza,em volta de uma casa de bonecas cor de rosa. A atriz interpreta Jenna Rink, ela é uma garota branca, com cabelos loiros presos e uma franja volumosa. Ela veste um top azul cravejado com pedras redondas, um cinto com o fecho em formato de flor e uma saia preta com bolinhas amarelas, roxas e azuis. Do seu lado esquerdo, está o ator mirim, um garoto branco com cabelos castanhos lisos, ele veste um casaco vermelho de ziper. Ela está despejando a purpurina de um saquinho laranja, sobre a casa de bonecas. " width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-2-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-2-1-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-2-1-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-2-1.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34534" class="wp-caption-text">Diferentemente de Como Perder Um Homem em 10 dias, o longa não tem nenhuma perspectiva de reboot, mas o elenco se reuniu em uma videoconferência para celebrar seus vinte anos (Foto: Columbia Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Distribuída pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Columbia Pictures</span></i><span style="font-weight: 400;">, a produção apostou em um tom divertido, no qual a química entre Ruffalo e Garner acontece no plano futuro, como se fosse uma espécie de sonho da protagonista – o que parece ser insinuado no primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">take</span></i><span style="font-weight: 400;"> do filme com um céu azul ensolarado envolto de purpurina cor-de-rosa. Uma das principais críticas feitas pelo espectador de 2024 é apontar que Matt teria se apaixonado por uma garota de 13 anos no </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/o-que-de-repente-30-e-pobres-criaturas-tem-em-comum-veja-semelhancas/"><span style="font-weight: 400;">corpo de uma mulher</span></a><span style="font-weight: 400;">. Tal acontecimento não é ponderado quando se olha pela perspectiva de que tudo seria fruto da imaginação da menina. Contudo, enquanto parte do público atual busca problematizar a trama, a outra metade ainda continua completamente deslumbrada por um dos mais consagrados </span><a href="https://seacrowbooks.com/blog/friends-to-lovers"><i><span style="font-weight: 400;">friends to lovers</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do Cinema. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto o romance entre Jenna e Matty é trazido sem malícia, algumas outras cenas de Garner com o coadjuvante Samuel Ball, intérprete do namorado da Jenna de 30  anos, refletem o estranhamento que uma adolescente teria com um homem mais velho fazendo </span><i><span style="font-weight: 400;">streaptease</span></i><span style="font-weight: 400;">. Garner </span><a href="https://youtu.be/i-S4kvxHqgw?si=QXav5YhPJ9DYUQVf&amp;t=633"><span style="font-weight: 400;">conta</span></a><span style="font-weight: 400;"> que, na época, o desconforto da personagem era o que ela de fato estava sentindo ao gravar a cena, mesmo tendo a mesma faixa etária do colega de elenco. A forma como Jenna rejeita o namorado que sua versão adulta havia escolhido, deixa claro o que seria inapropriado e pouco atraente para uma menina, e a inocência do amor sentido na adolescência floresce quando ela valida o carinho e a diversão que vive com seu melhor amigo, mesmo que tudo ocorra na sua imaginação. </span></p>
<figure id="attachment_34529" aria-describedby="caption-attachment-34529" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34529" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/unnamed-7.jpg" alt="Cena do filme De Repente 30. Um close dos atores Jennifer Garner e Mark Ruffalo conversando. Do lado esquerdo a atriz Garner interpreta Jenna Rink, uma mulher branca de cabelos castanhos, presos na lateral por uma presilha em forma de flor branca. Ela veste um vestido tomara que caia branco florido rosa, e usa um colar em formato de flor pequeno e laranja. Seus prazos estão cruzados sobre o peito e em um dos seus pulso ela veste um relógio. Ela está sorrindo, olhando para o ator Ruffalo, que interpreta Matt Flamhaff. Ele é um homem branco com cabelos castanhos escuros, veste uma camiseta marrom e está gesticulando com as mãos. ao fundo se-se uma tenta com araras e cabides com roupas, uma pessoa é vista em desfoque, próximo a equipamentos de filmagem como um autofalante. " width="800" height="440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/unnamed-7.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/unnamed-7-768x422.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34529" class="wp-caption-text">Garner e Ruffalo trabalharam juntos novamente no filme O Projeto Adam, de 2022 (Foto: Columbia Pictures)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">De Repente 30</span></i><span style="font-weight: 400;"> carrega ainda outra </span><a href="https://gamarevista.uol.com.br/semana/ta-saindo-com-alguem/estereotipos-de-genero-e-raca-comedia-romantica/"><span style="font-weight: 400;">problemática</span></a><span style="font-weight: 400;"> comum à época ao reforçar o estereótipo do corpo ideal magro e esbelto. O audiovisual da década de 2000 indubitavelmente foi um poderoso soldado da ditadura da beleza, que assombrou toda a geração millennial e que, hoje, é combatida com maior responsabilidade quando distúrbios de imagem e alimentares são retratados nas produções. Ainda que o filme reconheça o problema nesse discurso, mostrando como a substituição de mulheres reais por modelos causa a baixa autoestima de jovens mulheres e o que o </span><i><span style="font-weight: 400;">bullying</span></i><span style="font-weight: 400;"> deve ser condenado, a mensagem fica pouco explícita, da mesma forma que ocorre em obras contemporâneas a ele como</span> <a href="https://personaunesp.com.br/critica-meninas-malvadas/"><i><span style="font-weight: 400;">Mean Girls</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (Ano de lançamento) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Confissões de uma Adolescente em Crise</span></i><span style="font-weight: 400;"> (Ano de lançamento).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">bullying</span></i><span style="font-weight: 400;"> está bem representado no clichê das ‘</span><a href="https://evoke.ie/2024/04/24/extra/13-things-you-didnt-know-about-13-going-on-30"><span style="font-weight: 400;">Seis Gatinhas</span></a><span style="font-weight: 400;">’, o ‘grupinho’ das meninas populares que Jenna tanto sonhava em fazer parte. A líder delas, Tom-tom (Alexandra Kyle) ou no salto temporal conhecida como Lucy (Judy Greer), acaba por ser </span><a href="https://www.collinsdictionary.com/pt/dictionary/english/frenetical"><span style="font-weight: 400;">aminimiga</span></a><span style="font-weight: 400;"> da protagonista, mas, apesar de quando criança ser um projeto de Regina George, na versão adulta, ganha a sagacidade de Greer, dando um toque cômico e irônico para a vilã. A qualidade do elenco é admirável, sobretudo quando se fala na escolha dos atores, crianças e adultos, não apenas pela incrível semelhança entre Greer e Kyle, mas também das próprias intérpretes de Jenna. A escolha foi tão certeira que Christina B. Allen chegou a interpretar, novamente, a versão mais jovem de Garner no filme </span><i><span style="font-weight: 400;">Minhas Adoráveis Ex-Namoradas</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 2009. Vinte anos depois, Allen ainda é a cara de Garner, como mostra em seu </span><a href="https://hugogloss.uol.com.br/filmes/de-repente-30-christa-b-allen-recria-seu-look-de-jenna-em-video-nostalgico-e-impressiona-com-semelhanca-com-jennifer-garner-vem-ver/"><i><span style="font-weight: 400;">Tik Tok</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_34531" aria-describedby="caption-attachment-34531" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34531" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-4-1-800x336.jpg" alt="Cena do filme De Repente 30. A atriz Garner interpretando Jenna está em foco, com cara de assustada. Ela é uma mulher branca de cabelos médios castanhos e lisos. Seu rosto marca uma expressão de susto, com a boca bem aberta e as sobrancelhas juntas. Ela veste uma camisola de cetim rosa e um tapa olho colorido ,que está posicionado em sua testa. Ela segura os seios com as duas mãos. Ao fundo vemos uma estante lateral com livros e vasos. " width="800" height="336" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-4-1-800x336.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-4-1-1024x430.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-4-1-768x323.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-4-1-1536x645.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-4-1-2048x860.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-4-1-1200x504.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34531" class="wp-caption-text">O diretor, Gary Winick, contou que, obviamente, não sabia nada sobre o que era ser uma ‘garotinha’ de treze anos, mas sabia o que era ter um desejo atendido depois de muito pedir e isso foi suficiente para nos convencer (Foto: Columbia Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigido por Gary Winick e roteirizado por Josh Goldsmith e Cathy Yuspa, o longa-metragem bebeu da fonte de filmes como </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mágico de Oz</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1939), </span><i><span style="font-weight: 400;">A Felicidade não Se Compra </span></i><span style="font-weight: 400;">(1946) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Quero ser Grande</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1988), mas, apesar de se inspirar em renomados </span><a href="https://variety.com/2023/film/global/13-going-on-30-musical-adaptation-london-1235739109/"><span style="font-weight: 400;">musicais</span></a><span style="font-weight: 400;">, não se enquadra no gênero. O que ocorre é uma magnífica </span><a href="https://youtu.be/1RLIkL_hnJY?si=h5QclNtKXFHAF8i1"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> envolvente, assinada por </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Theodore_Shapiro"><span style="font-weight: 400;">Theodore Shapiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, trabalhando com a nostalgia de uma geração, que hoje são considerados clássicos do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> e também das comédias românticas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A dança ao som de </span><i><span style="font-weight: 400;">Thriller</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">de Michael Jackson, que anima a todos na festa da revista Poise, já é consagrada como uma das melhores cenas da produção, mas antes de chegar lá, temos a icônica cena de Jenna descobrindo seu </span><i><span style="font-weight: 400;">closet </span></i><span style="font-weight: 400;">repleto de sapatos, vestidos e maquiagens ao som de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eH3giaIzONA"><i><span style="font-weight: 400;">I Wanna Dance with Somebody</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, na versão de Whitney Houston. Desse modo, o espectador é envolto por uma seleção musical que automaticamente o transporta para o final da década de 1990 e início de 2000, com</span><i><span style="font-weight: 400;"> Ice Ice Baby</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Vanilla Ice e </span><i><span style="font-weight: 400;">Love is a Battlefield</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Pat Benatar.</span></p>
<figure id="attachment_34535" aria-describedby="caption-attachment-34535" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34535" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-5-800x450.jpg" alt="Cena do filme De repente 30. A atriz Garner interpretando Jenna está em um quarto, em pé sobre a cama. Ela está com os braços e lábios abertos, como se cantasse uma música. Ela veste um conjunto de pijama cor de rosa e um cachecol rosa. Seus cabelos castanhos estão presos em um rabo de cavalo. Em torno da cama vemos quatros garotas com pijamas e roupas engraçadas, como casaco de pele animal print, sutiã por cima da camiseta e bolsas com pijama. o quarto tem as parede bege e um quadro horizontal acima da cama. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-5-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-5-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-5-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-5-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34535" class="wp-caption-text">Na época, a trilha sonora do longa ficou no top 50 da parada musical estadunidense BIllboard 200 nos Estados Unidos (Foto: Columbia Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não podemos deixar de citar Rick Springfield, o maior ídolo de Jenna, aparecendo em vários momentos, como na televisão de tubo no seu aniversário de treze anos e, até mesmo, em miniatura dentro da casa dos sonhos, que Matty constrói para ela. </span><i><span style="font-weight: 400;">Jessie&#8217;s Girl</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem seu momento especial em um dos cortes derradeiros, quando a protagonista está na sua </span><a href="https://youtu.be/Ww9svfjRWxY?si=VaHsR0eC5ivoz5_u"><span style="font-weight: 400;">clichê cena</span></a><span style="font-weight: 400;"> de perseguição do amor verdadeiro antes que ele se case com outra, em meio ao trânsito de táxis amarelos em Nova York. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://people.com/13-going-on-30-wardrobe-revisited-20-years-later-costume-designer-interview-exclusive-8634320"><span style="font-weight: 400;">figurino</span></a><span style="font-weight: 400;"> da produção é algo que cintila até os anos atuais. Não deve-se passar um mês sem que as redes sociais façam referência ao vestido colorido </span><i><span style="font-weight: 400;">Versace</span></i><span style="font-weight: 400;">, cuja réplica foi utilizada por Ariana Grande em um episódio do </span><i><span style="font-weight: 400;">The Voice </span></i><span style="font-weight: 400;">(2021) e por Bruna Marquezine, em 2023. A estética </span><i><span style="font-weight: 400;">Y2K</span></i><span style="font-weight: 400;"> carregada pela peça retomou atenção nos anos dois mil e vinte, de modo que não apenas o </span><a href="https://www.cnn.com/2024/04/23/style/13-going-on-30-versace-dress-jennifer-garner/index.html"><span style="font-weight: 400;">icônico vestido</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas também os acessórios coloridos, jóias extravagantes e enfeites de cabelo pontiagudos utilizados por Jenna sejam corriqueiramente lembrados. A extravagância das lantejoulas e a lucidez do colar de borboletas utilizados no início da trama, aos poucos, vão sendo substituídos por </span><i><span style="font-weight: 400;">looks</span></i><span style="font-weight: 400;"> mais sutis, vestidos floridos e calças </span><i><span style="font-weight: 400;">jeans</span></i><span style="font-weight: 400;">, acompanhando o desenvolvimento e amadurecimento da personagem, que para de acreditar nas modelos estampadas na fictícia revista</span> <span style="font-weight: 400;">Poise e passa a se compreender como uma pessoa de verdade.</span></p>
<figure id="attachment_34569" aria-describedby="caption-attachment-34569" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34569" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/unnamed-9-800x508.jpg" alt="Cena do filme De Repente 30. As atrizes Garner e Greer, estão apoiadas em um balcão em uma festa. Do lado esquerdo a atriz Garner interpreta Jenna e usa um vestido colorido , com as cores predominantes azul, verde, rosa e marrom. ela tem os cabelos castanhos presos e segura na frente do seu corpo uma bolsa pequena rosa. Do lado direto, a atriz interpreta Lucy, uma mulher branca com cabelos médios lisos e loiros. Ela usa um vestido sereia verde com rendas em preto. Ela está com as duas mãos posicionadas na cintura e olha para o lado. " width="800" height="508" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/unnamed-9-800x508.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/unnamed-9-1024x651.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/unnamed-9-768x488.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/unnamed-9-1200x762.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/unnamed-9.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34569" class="wp-caption-text">A figurinista do longa afirma em entrevista para People Magazine que o verdadeiro vestido Versace foi perdido, mas que o restante do guarda-roupa ainda continua preservado<br />(Foto: Columbia Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.instyle.com/reviews-coverage/13-going-30-outfits-15th-anniversary"><span style="font-weight: 400;">figurinista</span></a><span style="font-weight: 400;"> Susie DeSantos, em uma entrevista a People Magazine, conta que não imaginava a tamanha referência da cultura</span><i><span style="font-weight: 400;"> pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> que o vestido </span><i><span style="font-weight: 400;">Versace</span></i><span style="font-weight: 400;"> seria, contudo, o</span><i><span style="font-weight: 400;"> making of </span></i><span style="font-weight: 400;">do filme, </span><a href="https://youtu.be/i-S4kvxHqgw?si=MiztUJPRLaJ7U57N"><i><span style="font-weight: 400;">Making of a Teen Dream</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, aponta o desejo do diretor </span><span style="font-weight: 400;">Winick em trabalhar com grandes marcas que, por fim, marcaram a década com suas coleções. Dentre elas, podemos citar </span><i><span style="font-weight: 400;">Dolce &amp; Gabbana</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Miu Miu</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Marc Jacobs</span></i><span style="font-weight: 400;">. Essas grifes não vestiram apenas Garner, como também </span><span style="font-weight: 400;">Greer em suas sensuais calças de cintura baixa e regatas de renda, além de Ruffalo, mesmo em suas simples vestes, que puderam refletir a personalidade introspectiva do fotógrafo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O desenvolvimento da protagonista é bem refletido pelas vestimentas ao longo do enredo com ajuda da trilha sonora. A música</span> <a href="https://youtu.be/3jL4S4X97sQ?si=g4dq-nC2j1CPPQ2d"><i><span style="font-weight: 400;">Vienna</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Billy Joel</span></a><span style="font-weight: 400;"> é centro da trama, quando Jenna percebe que mesmo tendo tudo aquilo que ela sempre sonhou na infância, de nada adiantava se ela as havia conquistado com mau caráter e longe das pessoas que verdadeiramente a amam. É o maior momento de </span><a href="https://youtu.be/4T2rWBNGliI?si=2Rve-mc3VQwE_XNB"><span style="font-weight: 400;">reflexão</span></a><span style="font-weight: 400;"> no filme, no qual todos os jovens adultos podem se identificar. Se lembram quando desejamos tanto sermos adultos? Pois bem, esse momento chegou e é muito mais difícil do que imaginávamos. Jenna se enfiando na cama para dormir com a mãe e comendo panquecas em formatos de ursinho, representa aquilo que todos desejamos no momento em que as coisas se complicam: voltar a ser criança por um instante, na segurança e no acolhimento dos pais. O arco de redenção da personagem ocorre no momento em que se destaca na apresentação da nova imagem da revista que trabalha.</span></p>
<figure id="attachment_34570" aria-describedby="caption-attachment-34570" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-34570 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/unnamed-8-800x600.jpg" alt="Cena do filme De Repente 30. A atriz Garner interpretando Jenna está no centro. Ela veste um conjunto de saia, camiseta e cardigan rosa claro. Seus cabelos castanhos estão soltos até a natura do ombro. ela segura uma bexiga cor de rosa. Ao fundo há três cartazes pretos com fotografias de beauty e moda, na sua frente há a beirada de uma mesa de mármore e a borda de um quadro branco aparece apoiado na mesa, com três bexigas nas cores rosa, amarelo e azul respectivamente." width="800" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/unnamed-8-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/unnamed-8-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/unnamed-8-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/unnamed-8-1200x900.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/unnamed-8.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34570" class="wp-caption-text">&#8220;Acho que todos nós queremos sentir alguma coisa que já esquecemos ou rejeitamos porque não percebemos o quanto estávamos deixando para trás&#8221; (Foto: Columbia Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://youtu.be/Ao9XR5a4uJA?si=G4iotOw85Dlykhcb"><span style="font-weight: 400;">monólogo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Jenna torna toda a mensagem do filme bem explícita, de uma forma até muito simplista, o que faz sentido considerando que a trama foi desenvolvida para o público juvenil. A jovem mulher propõe que a revista represente pessoas reais, do cotidiano das leitoras: como suas vizinhas; primas; meninas do colegial;  irmãs; entre outras. Assim, para que as garotas cresçam com representações de beleza real em cada etapa da vida e sejam incentivadas a aproveitar o que é bom em cada fase. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Duas décadas após sua estreia, </span><i><span style="font-weight: 400;">De Repente 30</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode não ser mais a primeira escolha do público para qual foi originalmente desenvolvido; os conceitos e as relações mudaram e muitas das referências já não fazem mais sentido. Contudo, a produção ainda é um excelente entretenimento para aqueles que cresceram assistindo ao filme na </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/tv/sessao-da-tarde-traz-de-repente-30-dumbo-e-mais-nesta-semana-confira-a-programacao-de-22-a-26-de-abril,a5038dd8952c31937d9473fcb6d2b6a5kuda59xo.html"><span style="font-weight: 400;">Sessão da Tarde</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span><span style="font-weight: 400;"> H</span><span style="font-weight: 400;">oje, disponível na </span><a href="https://www.netflix.com/br-en/title/60034573"><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> para sempre que precisarmos nos lembrar de desacelerar e celebrar quem um dia já fomos. </span></p>
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		<title>Há 20 anos, Meninas Malvadas determinava que às quartas-feiras usamos rosa</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Dec 2024 20:25:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Arthur Caires São muitas as frases icônicas que poderiam começar esse texto, então: ‘entre no carro, caro leitor, vamos entrar em uma viagem de volta ao começo da década de 2000’. Meninas Malvadas foi lançado em 2004 e dirigido por Mark Waters, um dominador das comédias românticas e adolescentes. Também foi roteirizado pela comediante do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/meninas-malvadas-20-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 20 anos, Meninas Malvadas determinava que às quartas-feiras usamos rosa"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34525" aria-describedby="caption-attachment-34525" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34525" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/IMAGEM-1-4-800x450.jpg" alt="Em um cenário composto por árvores de Natal, neve e luzes de LED, da esquerda para a direita, Gretchen, Regina, Cady e Karen estão posicionadas para começar sua dança de Jingle Bell Rock, usando toucas de Papai Noel e vestidos vermelhos com elementos brancos e luvas pretas." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/IMAGEM-1-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/IMAGEM-1-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/IMAGEM-1-4.jpg 967w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34525" class="wp-caption-text">A cena de Jingle Bell Rock em Meninas Malvadas é um marco da cultura pop (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Arthur Caires</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São muitas as frases icônicas que poderiam começar esse texto, então: ‘entre no carro, caro leitor, vamos entrar em uma viagem de volta ao começo da década de 2000’. </span><i><span style="font-weight: 400;">Meninas Malvadas</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi lançado em 2004 e dirigido por Mark Waters, um dominador das </span><a href="https://personaunesp.com.br/barraca-do-beijo-critica/"><span style="font-weight: 400;">comédias românticas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e adolescentes. Também foi roteirizado pela comediante do </span><i><span style="font-weight: 400;">Saturday Night Live</span></i><span style="font-weight: 400;">, Tina Fey, com base no livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Queen Bees and Wannabes </span></i><span style="font-weight: 400;">(Abelhas-Rainhas e Aspirantes, em tradução literal) de Rosalind Wiseman. </span><span id="more-34521"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história segue Cady Heron (Lindsay Lohan), uma adolescente que passou sua infância na África e que é a mais nova aluna de uma escola de Ensino Médio nos Estados Unidos. Ao entrar nesse novo ambiente, ela se depara com uma hierarquia um tanto quanto parecida com a selva que cresceu. No topo da cadeia alimentar, estão as garotas mais populares da escola, conhecidas como As Poderosas – tradução não tão marcante do original “</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MribRQNEPLQ"><i><span style="font-weight: 400;">The Plastics</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”– grupo comandado pela temida e idolatrada, o mal em figura de gente, a abelha rainha e estrela, </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/41G077moVwIPkFSO4Bt00L?si=92a279ecb371432d"><span style="font-weight: 400;">Regina George</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Rachel McAdams).</span></p>
<figure id="attachment_34524" aria-describedby="caption-attachment-34524" style="width: 612px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34524" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/IMAGEM-2.jpg" alt="Na imagem, ambientada em um shopping, da esquerda para a direita, Cady está usando uma camiseta rosa e calças jeans, Karen uma camisa e saia rosas, Gretchen está com uma camisa rosa e uma saia bege, segurando uma bebida e sua bolsa azul e Regina está em uma ligação pelo telefone, usando uma saia preta, camiseta branca e um cardigã rosa." width="612" height="380" /><figcaption id="caption-attachment-34524" class="wp-caption-text">A cor rosa é uma importante peça da história de Meninas Malvadas (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O sucesso de </span><i><span style="font-weight: 400;">Meninas Malvadas</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é por acaso. Ao contrário de produções como </span><i><span style="font-weight: 400;">Thor: Amor e Trovão</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2022) – ou a maioria dos filmes da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;">, salvo </span><a href="https://personaunesp.com.br/guardioes-da-galaxia-vol-2-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">exceções</span></a><span style="font-weight: 400;">, com suas piadas forçadas e sem contexto – o roteiro de Tina Fey é preciso, irônico e as anedotas contribuem para a narrativa. No momento que Janice diz à Cady “</span><a href="https://youtu.be/7pf7L9DLXoA?t=1241"><i><span style="font-weight: 400;">Você está cheirando igual a uma bebê prostituta</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">”</span></i><span style="font-weight: 400;">, seguido pelo “</span><i><span style="font-weight: 400;">Obrigada!</span></i><span style="font-weight: 400;">” da protagonista, é a pura essência do humor seco tão presente na Geração Z, que diz muito sobre a personagem naquele momento. Durante todo o longa, há inúmeros episódios como esse.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro fator que contribui para a longevidade de </span><i><span style="font-weight: 400;">Meninas Malvadas</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a recente onda de </span><a href="https://personaunesp.com.br/red-crescer-e-uma-fera-critica/"><span style="font-weight: 400;">nostalgia</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela década de 2000: uma época marcada por calças </span><i><span style="font-weight: 400;">jeans</span></i><span style="font-weight: 400;"> de cintura baixa, a série </span><a href="https://personaunesp.com.br/sex-and-the-city-o-filme-15-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Sex and the City</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/saude/cabeca-de-ozempic-entenda-consequencias-do-uso-do-remedio-para-emagrecer/"><span style="font-weight: 400;">magreza extrema</span></a><span style="font-weight: 400;">. O </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Missy Elliott, Kelis e Destiny&#8217;s Child dominavam a rádio, enquanto filmes como </span><i><span style="font-weight: 400;">10 Coisas que Eu Odeio em Você</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1999), </span><i><span style="font-weight: 400;">De Repente 30</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2004) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Ela É Demais</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1999) se juntavam a </span><i><span style="font-weight: 400;">Meninas Malvadas</span></i><span style="font-weight: 400;"> no panteão das comédias românticas e adolescentes que marcaram uma geração.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É possível perceber esse renascimento do começo do século em diversas produções culturais da atualidade. </span><i><span style="font-weight: 400;">Clube da Luta para Meninas</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2023), o </span><i><span style="font-weight: 400;">reboot</span></i><span style="font-weight: 400;"> de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Ela É Demais</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2021) e a adaptação de </span><a href="https://personaunesp.com.br/vermelho-branco-e-sangue-azul-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Vermelho, Branco e Sangue Azul</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2023) são alguns dos exemplos hollywoodianos que buscam recapturar a magia daquela época. A indústria da música também não fica de fora, com a volta do </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B </span></i><span style="font-weight: 400;">nostálgico. Doja Cat, em seu álbum </span><i><span style="font-weight: 400;">Scarlet</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2023), e Ariana Grande, em seu mais recente disco, </span><a href="https://personaunesp.com.br/eternal-sunshine-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">eternal sunshine</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2024), incorporam elementos do gênero em suas músicas. A dona do </span><i><span style="font-weight: 400;">hit Dangerous Woman</span></i><span style="font-weight: 400;">, inclusive, utiliza um </span><i><span style="font-weight: 400;">sample </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><a href="https://youtu.be/qSIOp_K5GMw?si=WH6WY3qfmYR0IhtS"><i><span style="font-weight: 400;">The Boy Is Mine</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1998), de Brandy &amp; Monica, em sua </span><a href="https://youtu.be/ZqCWXdZFc58?si=A4m2EyanGxo_RfBG"><span style="font-weight: 400;">faixa homônima</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_34523" aria-describedby="caption-attachment-34523" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34523" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/IMAGEM-3-1-800x571.jpg" alt="No ambiente da escola, rodeadas por pessoas, da esquerda para a direita, Cady, com uma jaqueta azul, saia estampada e segurando uma bolsa, olha para as outras meninas apreensiva. Karen está usando uma camiseta preta e uma saia branca estampada de corações rosas, Regina está olhando para frente irritada, usando uma camiseta rosa e saia preta e Gretchen está usando um vestido vermelho." width="800" height="571" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/IMAGEM-3-1-800x571.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/IMAGEM-3-1-1024x731.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/IMAGEM-3-1-768x549.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/IMAGEM-3-1.jpg 1134w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34523" class="wp-caption-text">Grande parte da narrativa de Meninas Malvadas pode ser observada pelos figurinos (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo depois de duas décadas do seu lançamento, </span><i><span style="font-weight: 400;">Meninas Malvadas</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda consegue abordar – entre acertos e deslizes – algumas pautas relevantes da atualidade. Do lado negativo, o filme apresenta comentários superficiais e questionáveis sobre gordofobia e distúrbios alimentares. Por outro lado, podemos destacar a representatividade </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, ainda que caricata, e a mensagem </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-meninas-malvadas/"><span style="font-weight: 400;">feminista</span></a><span style="font-weight: 400;"> que surge no final, questionando a rivalidade entre mulheres tão presente na sociedade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da já mencionada Tina Fey, também é necessário destacar a importância de Lindsay Lohan e </span><a href="https://personaunesp.com.br/questao-de-tempo-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">Rachel McAdams</span></a><span style="font-weight: 400;">, que interpretam Cady Heron e Regina George, respectivamente. As duas atrizes já vinham de longas de sucesso e logo então se consagraram como as </span><a href="https://www.inglesnapontadalingua.com.br/2010/07/o-que-significa-o-termo-it-girl.html#:~:text=Portanto%2C%20quando%20voc%C3%AA,raio%20de%20atua%C3%A7%C3%A3o."><i><span style="font-weight: 400;">it girls</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> dos filmes de Comédia romântica. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Meninas Malvadas</span></i><span style="font-weight: 400;">, Lohan e McAdams não só representam suas personagens, mas também definem suas características nos próprios termos. A estrela de </span><i><span style="font-weight: 400;">Operação Cupido </span></i><span style="font-weight: 400;">(1998) traz sagacidade à inocência de Cady e a protagonista de </span><i><span style="font-weight: 400;">Diário de uma Paixão</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2004) consegue fazer o público amar a malvadeza de Regina. É muito difícil não passar 80% do tempo falando sobre a performance de cada uma e os outros 20% esperando que alguém comente.</span></p>
<figure id="attachment_34522" aria-describedby="caption-attachment-34522" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34522" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/IMAGEM-4-800x333.jpg" alt="Na foto, Regina George, interpretada por Reneé Rapp, está dentro de um carro, no banco do motorista, com um dos braços apoiado no volante, olhando para frente, usando um óculos preto e uma camisa rosa estampada." width="800" height="333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/IMAGEM-4-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/IMAGEM-4-768x319.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/IMAGEM-4.jpg 967w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34522" class="wp-caption-text">Reneé Rapp conseguiu se igualar com a entrega de Rachel McAdams ao dizer “Get in loser” (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após 20 anos, como uma forma de celebrar o aniversário, o longa original ganhou um </span><i><span style="font-weight: 400;">remake </span></i><span style="font-weight: 400;">nas grandes telas. As novas gerações não precisavam desse lembrete da iconicidade de </span><i><span style="font-weight: 400;">Meninas Malvadas</span></i><span style="font-weight: 400;">, ainda assim a versão de 2024 consegue ser divertida. Baseado no musical da Broadway de mesmo nome, o novo filme é uma tentativa de trazer uma maior representatividade e transportar a narrativa já conhecida para o tempo do </span><i><span style="font-weight: 400;">Instagram </span></i><span style="font-weight: 400;">e do </span><i><span style="font-weight: 400;">TikTok</span></i><span style="font-weight: 400;">. As canções são divertidas e bem produzidas, o projeto não se leva a sério – de uma forma positiva – e é impossível tirar os olhos da atuação e dos vocais de </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-sex-lives-of-college-girls-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Reneé Rapp</span></a><span style="font-weight: 400;"> como Regina George. Porém, </span><a href="https://youtu.be/UI4HCVqaF3Y?t=304"><span style="font-weight: 400;">Angourie Rice</span></a><span style="font-weight: 400;"> não chega nem perto da Cady Heron de Lindsay Lohan, nem de expressar alguma emoção que não pareça forçada em sua performance – o que acaba prejudicando a energia do filme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as muitas lições finais de </span><i><span style="font-weight: 400;">Meninas Malvadas</span></i><span style="font-weight: 400;"> – como manteiga ser um carboidrato, evitar sexo se você não quer engravidar ou morrer, e não ficar com o ex-namorado da sua amiga – a mais significativa é que, independentemente de onde estamos, seja no Ensino Médio ou na vida adulta, estamos sempre em busca da aceitação e da nossa identidade. Esse processo é mutável e complexo, mas quando encontramos as pessoas certas, ele se torna muito mais fácil e agradável. Não há necessidade de competição: afinal, todos podemos ser parte da </span><a href="https://youtu.be/qL7grOZhEjc?t=130"><span style="font-weight: 400;">realeza</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>Depois de 20 anos, Homem-Aranha 2 continua um novelão melodramático</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Sep 2024 16:57:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo É muito difícil falar algo novo de Homem-Aranha 2 (2004) vinte anos depois de seu lançamento. Todo mundo já teceu algum comentário: sobre ele ser a adaptação definitiva de um quadrinho de super-herói, sobre suas cenas de ação de tirar o fôlego ou do enredo espetacular. De tudo já dito a respeito, pouco &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/homem-aranha-2-20-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Depois de 20 anos, Homem-Aranha 2 continua um novelão melodramático"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34029" aria-describedby="caption-attachment-34029" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-34029 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-4-800x333.jpg" alt="Cena do filme Homem-Aranha 2Na imagem, estão penduradas com cabides em uma barra de aço, o uniforme do Homem-Aranha e um terno com gravata, no meio dos dois há um cabide vazio. O uniforme está do lado esquerdo, ele é vermelho, mas possui detalhes em azul na parte inferior do braço e antebraço e também nas costelas. Ele possui uma aranha prateada no peito e teias em alto relevo por toda roupa. O terno é na cor azul. O armário é todo branco e tem aspecto de velho, no canto direito há uma luminária acesa apontada para cima" width="800" height="333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-4-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-4-1024x426.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-4-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-4-1200x500.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-4.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34029" class="wp-caption-text">Homem-Aranha 2 teve uma versão estendida lançada para DVD em 2007, chamada de Homem-Aranha 2.1, com oito minutos a mais que a versão de cinema (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É muito difícil falar algo novo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha 2 </span></i><span style="font-weight: 400;">(2004) vinte anos depois de seu lançamento. Todo mundo já teceu algum comentário: sobre ele ser a adaptação definitiva de um quadrinho de super-herói, sobre suas cenas de ação de tirar o fôlego ou do enredo espetacular. De tudo já dito a respeito, pouco se fala – principalmente no meio </span><i><span style="font-weight: 400;">nerd</span></i><span style="font-weight: 400;">, que foca apenas em fidelidade para com a obra original – do melodrama. Para comemorar as duas décadas do filme que marcou e ainda marca gerações, ligue a Televisão e lembre-se do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/novela/"><span style="font-weight: 400;">horário das nove</span></a><span style="font-weight: 400;">, porque a sequência de </span><a href="https://personaunesp.com.br/doutor-estranho-no-multiverso-da-loucura-critica/"><span style="font-weight: 400;">Sam Raimi</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um ‘novelão’.</span></p>
<p><span id="more-34019"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, é imprescindível falar sobre o responsável pela produção. Sam Raimi é um diretor muito autoral, é fácil identificar seus trejeitos e estilos desde seu primeiro longa lá no distante ano de 1981, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Morte do Demônio</span></i><span style="font-weight: 400;">, com os </span><i><span style="font-weight: 400;">close-up</span></i><span style="font-weight: 400;">, câmera hiperativa e as longas sequências com poucos cortes. Na década de 1990, ele experimentou um pouco de tudo: um herói trágico com estética </span><i><span style="font-weight: 400;">noir </span></i><span style="font-weight: 400;">em </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-darkman-vinganca-sem-rosto/"><i><span style="font-weight: 400;">Darkman &#8211; Vingança sem Rosto</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1990); </span><i><span style="font-weight: 400;">Um Plano Simples </span></i><span style="font-weight: 400;">(1998), um </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> inquieto e silencioso; dirigiu um romance em </span><i><span style="font-weight: 400;">Por Amor </span></i><span style="font-weight: 400;">(1999) e, até mesmo, desbravou as terras do Velho Oeste com o </span><i><span style="font-weight: 400;">bang-bang Rápida e Mortal</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1995. Como consequência, a trilogia do Homem-Aranha, idealizada por Raimi, acaba sendo uma somatória de tudo que ele já havia feito antes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, em 2002, depois de </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/2023/morte-do-demonio-filme-experimental-se-tornou-classico-horror.html"><span style="font-weight: 400;">tantos esforços</span></a><span style="font-weight: 400;"> para fazer filmes, Sam Raimi foi chamado para comandar o primeiro grande </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster</span></i><span style="font-weight: 400;"> do aracnídeo da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;"> – o seu herói favorito desde a infância. Com orçamento e equipes maiores, o autor fez de </span><a href="https://personaunesp.com.br/homem-aranha-20-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">daquele mesmo ano, um belo retrato de Nova York. Os becos do município – espaços estreitos e normalmente sujos – são lugares para o amor, o tesão, a descoberta, o luto e o amadurecimento. São vias de transformação: Peter Parker (</span><a href="https://personaunesp.com.br/babilonia-critica/"><span style="font-weight: 400;">Tobey Maguire</span></a><span style="font-weight: 400;">) passa por várias etapas da vida em vielas, o que mostra como a cidade é viva e presente. O peso entre a metrópole nova-iorquina e sua população ficou mais sensível depois dos ataques às Torres Gêmeas em 11 de Setembro de 2001. Por isso, ver um herói que veste as cores da bandeira americana cuidando do povo foi catártico.</span></p>
<figure id="attachment_34027" aria-describedby="caption-attachment-34027" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34027" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-5-800x333.jpg" alt="Cena do filme Homem-Aranha 2 Na imagem, vemos em primeiro plano no canto inferior direito uma lixeira cor prata, dentro dela está a fantasia do Homem-Aranha, saindo para fora da lata, e com a máscara de cabeça para baixo. O uniforme é na cor vermelha, com lentes prateadas no rosto, assim como uma aranha no peito e teias em relevo por toda roupa. Em segundo plano está o personagem Peter Parker, no escuro, desfocado e de costas, indo embora. O cenário é um beco e está de noite." width="800" height="333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-5-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-5-1024x426.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-5-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-5-1200x500.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-5.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34027" class="wp-caption-text">O longa é uma adaptação de Spider-Man: No More!, quadrinho escrito por Stan Lee e ilustrado por John Romita (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Contrastando com a mansão de seu melhor amigo, Harry Osborn (</span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/james-franco-volta-telas-4-anos-apos-acusacoes-de-assedio-sexual/"><span style="font-weight: 400;">James Franco</span></a><span style="font-weight: 400;">), o público acaba frequentando pouco a residência. Raimi sempre filma ela de longe e nunca a encaixa inteira na câmera – diferentemente da casa de Peter que, em um quadro, já podemos vê-la por completo. Os objetos em cena, como máscaras tribais, quadros e assentos caros afastam a família Osborn do espectador, e o aproximam da simplicidade dos Parker. O cineasta registra as diferenças de classe através das imagens, afinal, Cinema é uma Arte Visual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir disso, cria-se um personagem mais verossímil, que mora em bairros comuns e frequenta ambientes relacionáveis. Nos extras do DVD de </span><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha </span></i><span style="font-weight: 400;">(2002), o diretor de arte Neil Spisak conta que a ideia era realmente fazer da cidade um personagem, diferentemente das fictícias </span><a href="https://personaunesp.com.br/titas-3a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Gotham</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/batman-x-superman-licao-umberto-eco-sobre-mitos-contemporaneos/"><i><span style="font-weight: 400;">Metrópolis</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O Cabeça de Teia acaba por ser um ótimo herói para isso, porque além da intenção de filmar os lugares em comum da cidade, a produção quis levar os nova-iorquinos para regiões inacessíveis, como o pico de um prédio. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa perpetra seu protagonista como fruto da cidade e concentra elementos humanos no filme todo, tais como: ciúmes, ausência de dinheiro, escola, figuras paternas e “</span><i><span style="font-weight: 400;">como toda história que se preze, é sobre uma garota</span></i><span style="font-weight: 400;">”, cita Peter Parker (Tobey Maguire) </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XZKmcG5K9lo"><span style="font-weight: 400;">em sua primeira fala</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com todo material-base estabelecido, qual era o caminho para </span><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha 2</span></i><span style="font-weight: 400;">? Sam Raimi responde: o melodrama.</span></p>
<figure id="attachment_34022" aria-describedby="caption-attachment-34022" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34022" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image6-800x450.png" alt="Cena do filme Homem-Aranha 2Na imagem, estão em primeiro plano os personagens Mary Jane e Peter Parker se beijando na boca. Mary Jane está do lado esquerdo com as mãos no rosto de Peter. Ela é uma mulher branca de cabelos ruivos. Usa um vestido de noiva na cor branca e um brinco de brilhos. Peter é um homem branco de cabelos lisos na cor castanho escuro. Ele veste uma camiseta cinza. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image6-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image6-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image6-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image6-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image6.png 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34022" class="wp-caption-text">Homem-Aranha 2 lucrou 789 milhões de dólares em bilheteria mundial (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, afinal, o que é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Cw0ES-jUpQg"><span style="font-weight: 400;">melodrama</span></a><span style="font-weight: 400;">? Para entender a narrativa melodramática, é preciso voltar alguns séculos na história. Ela surge no fim do século XVIII com a Revolução Francesa e a popularização do Teatro para o povo. Neste movimento, a Arte afasta-se da aristocracia, então é preciso contar histórias que a população quer ouvir. A tragédia grega com seus heróis nobres e dignos de atitudes que dimensionam toda a humanidade não interessa à burguesia e às classes populares, daí surge o melodrama: histórias cotidianas e personagens identificáveis. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Misturado ao drama moderno altamente subjetivo, muitos autores </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XIEbT0gF-e8"><span style="font-weight: 400;">vão definir</span></a><span style="font-weight: 400;"> algumas características ao melodrama. Além da natureza trivial, há a forte presença da visualidade, uso de móveis e objetos habituais, assim como um tratamento maniqueísta do ‘mocinho’, ‘mocinha’ e vilões. As atuações tendem ao exagero, são corporais e expressivas. No Cinema contemporâneo, a forma de contar uma história, dificilmente é ou será purista, não seguirá à risca a cartilha dos elementos que fazem de um texto parte de um gênero. Um filme de terror pode ter fragmentos do </span><a href="https://personaunesp.com.br/mirai-no-mirai-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">coming-of-age</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, assim como um suspense pode ser pitoresco. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha 2</span></i><span style="font-weight: 400;">, é possível identificar características do melodrama, das peças gregas, francesas de outrora e das novelas brasileiras.</span></p>
<figure id="attachment_34023" aria-describedby="caption-attachment-34023" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34023" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image7-800x333.jpg" alt="Cena do filme Homem-Aranha 2 Na imagem, o personagem Doutor Octopus está de costas, com os braços levantados e preso à sua coluna há 4 braços mecânicos, 2 de cada lado, possuindo 3 garras cada um. Os braços são na cor dourado e prata metálico, presos a uma cintura de metal com faixa no meio imitando uma coluna. Doutor Octopus é um homem branco, na faixa dos 40 anos, ele veste uma regata branca e está com uma calça cinza. Ele está em um laboratório, na sua frente estão muitas pessoas vestidas com ternos e vestidos. Ao fundo há uma grande janela de vidro e nos cantos estão computadores. " width="800" height="333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image7-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image7-1024x426.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image7-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image7-1200x500.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image7.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34023" class="wp-caption-text">Para criar os barulhos dos braços mecânicos, a equipe de som utilizou correntes de bicicleta e cordas de piano (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De partida, as personagens da sequência não são unidimensionais. Peter Parker (Tobey Maguire) enfrenta dilemas e assume erros. O antagonista, Doutor Octopus (</span><a href="https://personaunesp.com.br/homem-aranha-sem-volta-para-casa-critica/"><span style="font-weight: 400;">Alfred Molina</span></a><span style="font-weight: 400;">), é composto de complexidades dificilmente presentes em filmes de quadrinhos. Apresentado ao público como homem nobre, de filosofias altruístas e ideias científicas que ajudarão a humanidade, a faceta do personagem vai sendo subvertida com a rolagem dos minutos do longa, indo de benfeitor a vilão que despreza a vida e vai cometer crimes para realizar seu sonho, e de benevolente a egocêntrico. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ‘mauricinho ‘favorito dos fãs do Teioso, Harry Osborn, também tem suas próprias motivações. Crédulo de que seu pai, Norman Osborn (</span><a href="https://personaunesp.com.br/pobres-criaturas-critica/"><span style="font-weight: 400;">Willem Dafoe</span></a><span style="font-weight: 400;">), foi morto pelo Homem-Aranha (Tobey Maguire), o jovem fica obcecado na ideia de matar o herói. O amor paterno sempre lhe foi negado e agora ele acredita que vingar a sua morte trará orgulho para ele. Mary Jane (</span><a href="https://personaunesp.com.br/ataque-dos-caes-critica/"><span style="font-weight: 400;">Kirsten Dunst</span></a><span style="font-weight: 400;">) também continua vagando por relacionamentos com homens de sobrenome importante para impressionar o pai. A trilogia de Sam Raimi é um grande </span><a href="https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2023/08/13/daddy-issues-entenda-termo-usado-nas-redes-para-descrever-herancas-emocionais-deixadas-pela-relacao-paterna.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">daddy issue</span></i><span style="font-weight: 400;">s</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_34025" aria-describedby="caption-attachment-34025" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34025" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-8-800x450.png" alt="Cena do filme Homem-Aranha 2Na imagem, Homem-Aranha e um rapaz estão dentro de um elevador. Ambos estão parados, esperando o elevador chegar ao destino. Homem-Aranha está na direita, vestindo seu uniforme.O uniforme é vermelho, mas possui detalhes em azul na parte inferior do braço e antebraço e também nas costelas. Ele possui uma aranha prateada no peito e teias em alto relevo por toda roupa. O homem do seu lado é branco, na faixa dos trinta anos, cabelos escuros e lisos, usa topete. Ele está vestindo um terno preto com a camisa e gravata por dentro na cor azul marinho. Ele está olhando para cima com expressão séria. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-8-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-8-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-8-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-8-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-8.png 1366w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34025" class="wp-caption-text">A cena do elevador teve outra versão antes do corte final: o rapaz fica empolgado com a presença do Homem-Aranha (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro elemento do personagem também se equipara à tragédia grega. Quando Peter desiste de ser herói, todo o peso dos crimes, acidentes e calamidades que decorrem em Nova York é atribuído à escolha dele. A </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mg5IUsHH2ls&amp;t=14s"><span style="font-weight: 400;">cena do incêndio</span></a><span style="font-weight: 400;"> ilustra a presença do gênero grego na história; após salvar (como cidadão comum) uma ‘garotinha’ de sua casa em chamas, o protagonista descobre, pelos bombeiros, que um homem ficou preso e morreu queimado. Parker, então, faz recair a culpa sobre seus ombros. Como Homem-Aranha, ele poderia ter salvado todos ter feito mais. A cena se contrapõe a um outro incêndio que ocorreu durante os eventos do primeiro filme; na ocasião, o herói salvou todo mundo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isto posto, onde as </span><a href="https://personaunesp.com.br/vai-na-fe-critica/"><span style="font-weight: 400;">novelas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que nossas mães e avós assistem se encaixam nisso tudo? Em telenovelas brasileiras, podemos fazer um </span><i><span style="font-weight: 400;">checklist </span></i><span style="font-weight: 400;">de elementos melodramáticos: as tramas do cotidiano, ‘mocinha’ e vilão definidos com exatidão, núcleos populares e de alta identificação – ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">olha só, aquela personagem lembra nossa vizinha, nossa tia</span></i><span style="font-weight: 400;">’ como também a direção, já que a cenografia da teledramaturgia é muito visual, expressiva e corporal, bem diferente do Cinema Hollywoodiano. E todas essas referências estão em </span><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, além de todo mérito solo do filme, essa semelhança pode ser um grande fator os brasileiros terem tanto afeto por ele.</span></p>
<figure id="attachment_34028" aria-describedby="caption-attachment-34028" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34028" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-4-800x333.jpg" alt="Cena do filme Homem-Aranha 2 Na imagem, o personagem Robbie segura a máscara do Homem-Aranha. Em plano detalhe, bem próximo das mãos, a imagem não mostra o rosto do personagem, apenas o peito. Ele veste um terno cinza, com gravata bege com vários losangos. Ele é um homem negro. Em seu pulso há uma pulseira de ouro. A máscara é vermelha, com lentes prateadas e teias em relevo. " width="800" height="333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-4-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-4-1024x426.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-4-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-4-1200x500.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-4.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34028" class="wp-caption-text">O personagem Robbie, interpretado por Bill Nunn, faz parte do núcleo do Clarim Diário (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">‘Correria’ do trabalho, festas de aniversário, atrasos em compromissos importantes, humilhação no banco, relações familiares, ida ao médico, faculdade, problemas amorosos e ‘grana’ curta. Todas essas cenas são da sequência de 2004. Quantos desses uma pessoa brasileira se identifica? E quantos desses já não se tornaram arcos de personagens de novelas? Sam Raimi e os roteiristas compreendem o conceito do aracnídeo é ser esse personagem que qualquer um poderia vestir a máscara – como repercutido em </span><a href="https://personaunesp.com.br/homem-aranhaverso-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Aranhaverso</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2018) – e enxergam no melodrama, no Teatro popular, o estilo narrativo ideal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além da explosiva cena no trem ou a de terror no hospital, outros momentos são marcantes na produção. Dois se referem à família do protagonista e outro a uma banalidade da vida. Neste, Ursula (Mageina Tovah) oferece um bolo a Peter em um momento delicado da vida dele, esta pequena cena humaniza e nos aproxima da história. As outras duas são protagonizadas pela Tia May (</span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/lista/10-coisas-que-talvez-voce-nao-saiba-sobre-homem-aranha-2-de-sam-raimi.html#list-item-3"><span style="font-weight: 400;">Rosemary Harris</span></a><span style="font-weight: 400;">), em uma é negado um empréstimo no banco e na outra ela dá dinheiro como presente de aniversário ao sobrinho, mesmo que momentos antes eles tivessem dialogado sobre atrasos na hipoteca. É muito difícil ver um filme de super-herói fazendo algo semelhante, o que torna a obra singular e atemporal. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É comum vermos familiares se dobrar para deixar sobrinhos, netos, filhos felizes, ainda que somente em datas comemorativas. O filme coloca Peter Parker em um problema financeiro que superpoder algum consegue resolver &#8211; claro, ao menos que ele usasse-os para seu benefício. Desenvolvendo assim, o arco do personagem incapaz de solucionar os contratempos da vida comum, seguindo na proposta de fazer o espectador se ver na tela.</span></p>
<p><figure id="attachment_34024" aria-describedby="caption-attachment-34024" style="width: 760px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34024" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image8.png" alt="Cena do filme Homem Aranha 2 Na imagem, a personagem Tia May está olhando para o lado esquerdo, sorrindo. Ela é uma mulher de 70 anos, de pele branca e cabelos brancos. Ela está vestindo uma jaqueta xadrez na cor cinza de botões abertos. Dentro há uma camisa preta. Na sua mão ela segura um sapato preto. Atrás dela, na direita, há uma porta verde aberta. " width="760" height="398" /><figcaption id="caption-attachment-34024" class="wp-caption-text">A veterana Rosemary Harris já havia trabalhado com Sam Raimi em O Dom da Premonição (2000) [Foto: Sony Pictures]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://personaunesp.com.br/avenida-brasil-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Avenida Brasil</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2012), Carminha (Adriana Esteves) revela a Tufão (Murilo Benício) que Nina (Débora Falabella) é Rita. O efeito de congelamento foca em Tufão e, assim, se encerra o 152º capítulo &#8211; e todos os outros 178 &#8211; da novela: com um gancho. O suspense dos rumos que a trama vai seguir é o grande chamariz que vai fazer o público querer ver o episódio do próximo dia. O </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EtjQLOqjpjw"><i><span style="font-weight: 400;">cliffhanger</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, no inglês, é um recurso de roteiro comum no melodrama e faz parte da arte de contar novelas. Mas não só delas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha 2 </span></i><span style="font-weight: 400;">também se encerra (ou quase) assim. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A penúltima cena se dá em um grande gancho para a terceira parte da trilogia. No final do antecessor, Harry diz a Peter – no enterro de Norman – que a única coisa que resta a ele é Parker e o Aranha, este como objeto de vingança e o outro como família (que, ironicamente, são a mesma pessoa). O remanescente da família Osborn fica todo o segundo filme fissurado no herói, até que descobre a sua identidade secreta: é o seu melhor amigo. Na sequência disso, ele </span><a href="https://youtu.be/CL56aH-p_us?si=pZVXILIq3kBd04xN"><span style="font-weight: 400;">descobre o arsenal</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Duende Verde e o <em>alter ego</em> do vilão: seu pai. Então, é inserido um efeito de </span><i><span style="font-weight: 400;">fade out</span></i><span style="font-weight: 400;">, passando para outra cena. O que não passa é a ansiedade em saber quais serão as decisões de Harry Osborn.  </span></p>
<figure id="attachment_34026" aria-describedby="caption-attachment-34026" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34026" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-9-800x400.png" alt=" Cena do filme Homem-Aranha 2 Na imagem, o personagem Harry Osborn está com expressão zangada e segura um punhal na mão direita. Ele é um homem branco, na faixa dos 25 anos, de pele branca e cabelos ondulados na cor castanha com algumas mechas loiras. Ele está vestindo uma camisa social de botões e gola na cor azul. Dentro há uma camiseta branco. O punhal que ele segura é prata. " width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-9-800x400.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-9-1024x512.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-9-768x384.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-9-1200x600.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-9.png 1400w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34026" class="wp-caption-text">O maneirismo de Raimi impera sobre a cena da revelação, em que até trovões são adicionados para efeito dramático (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em telenovelas, os monólogos de vilões contando planos maléficos ao espelho já são marca registrada. As personagens divagam sozinhas e, curiosamente, o protagonista do épico de quadrinhos também faz isso. Assim como a presença de núcleos narrativos, de humor, da roça, do salão de beleza, novelas possuem tramas que podem ou não se encontrar, é comum seguirem paralelas. E não é que toda trilogia do veterano de terror também tem isso? O </span><a href="https://marvel.fandom.com/pt-br/wiki/Clarim_Di%C3%A1rio_(O_CD!)_(Terra-616)"><i><span style="font-weight: 400;">Clarim Diário</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é um núcleo de humor que não tem tanta interferência na trama, mas que está sempre presente na vida do protagonista. Ver uma cena na redação do jornal é se preparar para o riso, assim como quando vemos o Leleco (Marcos Caruso) em </span><i><span style="font-weight: 400;">Avenida Brasil</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sam Raimi consegue lidar com todos esses dilemas na primeira uma hora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha 2</span></i><span style="font-weight: 400;">, momento que Parker não tem sossego e sua vida parece uma sucessão de desgraças – até no seu aniversário –, sem deixar o filme denso e cansativo. O </span><a href="https://personaunesp.com.br/fleabag-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">humor autodepreciativo</span></a><span style="font-weight: 400;"> suaviza as cenas, exemplo é a sequência no planetário em que Peter apanha de seu melhor amigo, precisa tirar foto de pessoas ricas, leva um fora de Mary Jane ao mesmo tempo que vê ela sendo pedida – e aceitando – em casamento. No passo de tantas desventuras, há uma piada acontecendo: Peter não consegue pegar um </span><i><span style="font-weight: 400;">drink</span></i><span style="font-weight: 400;">. Quando a taça não está vazia, alguém pega antes. É um humor que continua a narrativa de pobre coitado, mas que equilibra o tom do filme. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cineasta sempre foi </span><a href="https://www.chippu.com.br/noticias/sam-raimi-da-explicacao-emocionante-sobre-suas-razoes-para-dirigir-a-trilogia-homem-aranha"><span style="font-weight: 400;">muito fã do personagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> e quis relembrar o porquê amamos tanto aquela história; por meio das personagens e cenários que podem nos espelhar. O filme é para quem cresceu com a trilogia criada pelo mestre do terror, que na infância sonhou em escalar paredes e atirar teias por aí, mas, quando se tornou adulto, percebeu que é muito mais Peter Parker do que Homem-Aranha. No Brasil, os longas ganharam mais carinho por serem tão próximos da nossa realidade e das obras que crescemos assistindo. Em 20 anos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha 2</span></i><span style="font-weight: 400;">, o Cinema de Herói mudou, as novelas mudaram, mas o amor por essa obra e ela por nós continua sólido.</span></p>
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		<title>Há 20 anos, Beatrix rompia seu ciclo de violência em Kill Bill – Volume 2</title>
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		<pubDate>Tue, 28 May 2024 17:00:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes Apostar em uma maior cadência depois do sucesso do primeiro filme, que foi inspirado no clássico Lady Snowblood, é um desafio. No entanto, Kill Bill – Volume 2 mostra que essa foi uma escolha acertada ao encerrar a saga dando mais substância à protagonista. Quentin Tarantino nos surpreende ao diminuir a violência em tela, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/kill-bill-volume-2-20-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 20 anos, Beatrix rompia seu ciclo de violência em Kill Bill – Volume 2"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33451" aria-describedby="caption-attachment-33451" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33451" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/kill-bill-1-800x533.jpg" alt="Cena do filme Kill Bill - Volume 1. Na imagem, vemos a personagem de Uma Thurman, vestida com um uniforme amarelo, com alguns detalhes em preto e manchado de sangue. Ela está segurando uma espada para enfrentar a personagem de Lucy Liu, que também segura uma espada e está vestida toda de branco. Elas estão em um jardim, está de noite e nevando." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/kill-bill-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/kill-bill-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/kill-bill-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/kill-bill-1.jpg 1170w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33451" class="wp-caption-text">O uniforme todo branco de O-Ren lembra o da Yuki, principal personagem de Lady Snowblood (Foto: Miramax Films)</figcaption></figure>
<p><strong>Guilherme Moraes</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apostar em uma maior cadência depois do sucesso do primeiro filme, que foi inspirado no clássico </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dQCaaNqaajo"><i><span style="font-weight: 400;">Lady Snowblood</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span><span style="font-weight: 400;"> é um desafio. No entanto, </span><i><span style="font-weight: 400;">Kill Bill – Volume 2</span></i> <span style="font-weight: 400;">mostra que essa foi uma escolha acertada ao </span><span style="font-weight: 400;">encerrar a saga dando mais substância à protagonista. </span><span style="font-weight: 400;">Quentin Tarantino nos surpreende ao diminuir a violência em tela, mostrando que o caminho que a personagem trilhava era em direção ao fim do ciclo sangrento em que ela vivia, mas que, paradoxalmente, exigia o sacrifício de mais alguns personagens.</span></p>
<p><span id="more-33447"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No primeiro filme, o diretor nos apresenta a história de Beatrix Kiddo (</span><a href="https://br.ign.com/cinema-tv/122080/news/e-o-maior-arrependimento-da-minha-vida-tarantino-se-culpa-por-essa-cena-de-kill-bill-com-uma-thurman"><span style="font-weight: 400;">Uma Thurman</span></a><span style="font-weight: 400;">), uma mulher que ficou quatro anos à beira da morte após ser atacada no dia do seu casamento, enquanto estava grávida, por seus ex-colegas assassinos e seu antigo mentor, amante e pai de sua filha, Bill (David Carradine). Após despertar do coma, a personagem começa sua busca por vingança e, ainda no primeiro volume, ela consegue se vingar de dois de seus algozes. O longa se encerra com a revelação de que a filha de Beatrix, diferente do que se pensava, está viva.</span></p>
<figure id="attachment_33450" aria-describedby="caption-attachment-33450" style="width: 676px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33450" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/kill-bill-2.png" alt="Cena do filme Kill Bill - Volume 2. Fotografia em preto em branco. Na imagem, vemos Bill de terno, encarando Beatrix. Ela está com um vestido de noiva e encara Bill. Ela está com a mão em seu rosto. A cabeça de ambos está sendo iluminada de cima para baixo." width="676" height="372" /><figcaption id="caption-attachment-33450" class="wp-caption-text">Bill aparece no ensaio de casamento de Beatrix (Foto: Miramax Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WTt8cCIvGYI"><span style="font-weight: 400;">segundo volume</span></a><span style="font-weight: 400;"> da saga começa mostrando o que aconteceu momentos antes do ataque. É revelado, pela primeira vez, o rosto de Bill, além do motivo do atentado, que foi uma forma de vingança por Kiddo tê-lo deixado. A primeira metade da fita segue os moldes da anterior, mas com uma diferença fundamental: os outros dois sobreviventes do Esquadrão Assassino de Víboras Mortais não serão mortos pela noiva. Isso gera um certo estranhamento no público, e é nesse sentido que o filme se mostra mais contido que o primeiro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quentin Tarantino e Uma Thurman, os roteiristas do longa, desenharam uma jornada menos mortífera para Beatrix, o que possibilita à personagem uma </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-kill-bill-volume-2/"><span style="font-weight: 400;">mudança de paradigma</span></a><span style="font-weight: 400;">. No entanto, essa abordagem não torna a jornada da protagonista menos perigosa; pelo contrário, já que é nesse filme que a vemos, pela primeira vez, impotente ao enfrentar seus algozes.</span></p>
<figure id="attachment_33449" aria-describedby="caption-attachment-33449" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33449" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/kill-bill-3-800x450.jpg" alt="Cena do filme Kill Bill - Volume 2. Na imagem, vemos Bill vestido com uma roupa preta e atacando Beatrix com uma espada. Beatrix se defende usando a própria espada. Ela está vestida com uma calça verde e uma blusa laranja. Ambos estão sentados em uma cadeira e separados por uma mesa." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/kill-bill-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/kill-bill-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/kill-bill-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/kill-bill-3-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/kill-bill-3.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33449" class="wp-caption-text">Beatrix mata Bill com golpe chamado Cinco Pontos que Explodem o Coração (Foto: Miramax Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As figuras em tela são movidas pela crueldade e pela morte, como se fosse algo cotidiano e natural a eles. Budd (Michael Madson) mantém a espada de </span><a href="https://coisasdojapao.com/2023/03/conheca-a-historia-de-hattori-hanzo-o-ninja-mais-famoso-do-japao/"><span style="font-weight: 400;">Hattori Hanzo</span></a><span style="font-weight: 400;">, independente de sua situação financeira ou ganância, como se fosse parte de sua essência, e Elle (Daryl Hannah) se diverte vendo o personagem agonizando antes do veneno fazer efeito. O que melhor explicita esse ciclo de violência, no entanto, são as cenas de Bill. Da presença de espadas na sala às conversas sobre vida e morte ou dos filmes violentos às brincadeiras de armas, o antagonista nem mesmo percebe que está naturalizando na sua filha, B.B. (Perla Haney-Jardine), essa vida bárbara.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O capítulo final de </span><i><span style="font-weight: 400;">Kill Bill</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o mais interessante, e isso se reflete na escolha de colocar Bill e Beatrix em um embate psicológico. Aqui, a protagonista se vê forçada a encarar seus sentimentos pelo vilão e, mais que isso, sua própria brutalidade, ao admitir que matar seus algozes lhe trouxe satisfação. No entanto, apesar do que a personagem sente, ela também enxerga a inevitabilidade de uma luta até a morte, pois enquanto o pai de sua filha estivesse vivo, armas, sangue e </span><a href="https://centrocultural.sp.gov.br/tarantino-e-a-violencia-pornografica/"><span style="font-weight: 400;">violência</span></a><span style="font-weight: 400;"> seriam cotidianos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dessa forma, a jornada se torna contraditória, pois Kiddo precisaria encerrar o ciclo de violência com mais violência. Mas, então, surge a questão: como ela conseguiria proteger sua filha desse mundo se ela mesma não consegue lutar contra sua própria natureza? Essa jornada Tarantino deixa que elas </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/quentin-tarantino-descarta-kill-bill-3"><span style="font-weight: 400;">trilhem sozinhas</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas Beatrix já busca uma mudança para B.B., trocando os ‘ninjas assassinos’ por desenhos infantis.</span></p>
<figure id="attachment_33448" aria-describedby="caption-attachment-33448" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33448" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/kill-bill-4-800x449.jpeg" alt="Cena do filme Kill Bill - Volume 2. Na imagem, Beatrix está abraçada com sua filha. Ambas são brancas e loiras e estão sorrindo." width="800" height="449" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/kill-bill-4-800x449.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/kill-bill-4-1024x574.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/kill-bill-4-768x431.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/kill-bill-4-1536x861.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/kill-bill-4-1200x673.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/kill-bill-4.jpeg 1778w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33448" class="wp-caption-text">Uma Thurman e Quentin Tarantino já haviam trabalhado juntos quase dez anos antes em Pulp Fiction (Foto: Miramax Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quentin Tarantino é um cineasta que deixa suas referências muito evidentes. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Kill Bill</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele faz cenas de ação que assumem um tom mais farsesco com movimentos mais bruscos, prezando mais pela plasticidade dos combates do que pelo realismo. Além disso, ele traz uma sanguinolência evidentemente falsificada que é atípica no cinema americano pós anos 2000. Essas características são clássicas dos filmes de ação do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XC5mW9q7XZA"><span style="font-weight: 400;">cinema de Hong Kong</span></a><span style="font-weight: 400;">, especialmente nas obras de </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/john-woo-como-assistir#59"><span style="font-weight: 400;">John Woo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2013/07/nos-40-anos-da-morte-de-bruce-lee-veja-carreira-do-ator-no-cinema-e-tv.html"><span style="font-weight: 400;">Bruce Lee</span></a><span style="font-weight: 400;">. Esse misto de referências, estilos, culturas e gêneros é o que torna essa obra marcante até os dias de hoje, apresentando alguns conceitos do cinema oriental para um público massivo no ocidente, convidando tal público a conhecer algo diferente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com um final menos sangrento do que o esperado, mas não menos marcante, a saga se despede num filme que mescla diálogos interessantes, com direito a referências da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I_cEoK1mXms"><span style="font-weight: 400;">cultura pop</span></a><span style="font-weight: 400;"> e muitas cenas de ação visualmente ricas. Beatrix teve uma jornada longa e perigosa – assim como Uma Thurman, que se acidentou durantes as filmagens –, mas </span><i><span style="font-weight: 400;">Kill Bill &#8211; Volume 2, </span></i><span style="font-weight: 400;">finalmente,</span> <span style="font-weight: 400;">oferece à protagonista um pouco de paz e sossego ao lado de sua filha.</span></p>
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		<title>Como Perder um Homem em 10 Dias: 20 anos do clássico que uniu humor e emoção em uma aposta oculta de paixão</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Dec 2023 18:41:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Luiza Lopes Gomez Inspirado em um quadrinho de comédia, Como Perder um Homem em 10 Dias comemora seus 20 anos de lançamento no ano de 2023. Conhecido como uma das maiores romcoms da atualidade, o longa mantém sua relevância atemporal, mesmo sendo alvo de certa necessidade de reparação mediante concepções antigas e sexistas perpetuadas na &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/como-perder-um-homem-em-10-dias-20-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Como Perder um Homem em 10 Dias: 20 anos do clássico que uniu humor e emoção em uma aposta oculta de paixão"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32202" aria-describedby="caption-attachment-32202" style="width: 606px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32202" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image4-5.png" alt="Cena do filme Como Perder um Homem em 10 Dias. Um homem segura o rosto de uma mulher com suas duas mãos. Ambos estão sorrindo e próximos um do outro. Observa-se os dois de perfil, virados de lado e se olhando. De fundo, uma avenida com carros passando pode ser observada, assim como uma porta de táxi próxima da mulher." width="606" height="455" /><figcaption id="caption-attachment-32202" class="wp-caption-text">Com sucesso enorme de bilheteria desde seu lançamento, a clássica comédia romântica protagonizada por Kate Hudson e Matthew McConaughey comemora seus 20 anos de renome em 2023 (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Luiza Lopes Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirado em um quadrinho de comédia,</span> <a href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-29087/trailer-19355732/"><i><span style="font-weight: 400;">Como Perder um Homem em 10 Dias </span></i></a><span style="font-weight: 400;">comemora seus 20 anos de lançamento no ano de 2023. Conhecido como uma das </span><a href="https://glamour.globo.com/entretenimento/filmes-e-series/noticia/2022/06/as-10-melhores-comedias-romanticas-de-todos-os-tempos-segundo-a-redacao-da-glamour.ghtml"><span style="font-weight: 400;">maiores </span><i><span style="font-weight: 400;">romcoms</span></i><span style="font-weight: 400;"> da atualidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, o longa mantém sua relevância atemporal, mesmo sendo alvo de certa necessidade de reparação mediante concepções antigas e sexistas perpetuadas na época de sua criação. Manter sua notabilidade não é um problema para o filme de Donald Petrie graças ao desenvolvimento de personagens comuns e identificáveis, estrelados pelos renomados atores Kate Hudson e Matthew McConaughey, que formam um par romântico imperfeito, porém certeiro.</span></p>
<p><span id="more-32200"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A dinâmica amorosa de protagonistas tão parecidos, porém, com propósitos diferentes, marca uma trama repleta de reviravoltas e superações, capazes de promover o riso e a tensão de forma síncrona. Andie Anderson (Hudson), uma jornalista e colunista da revista feminina </span><i><span style="font-weight: 400;">Composure</span></i><span style="font-weight: 400;">, batalha pela possibilidade de ser uma autora livre e séria e se libertar da posição de garota </span><i><span style="font-weight: 400;">how to</span></i><span style="font-weight: 400;">, responsável por responder os problemas femininos. Benjamin Barry (McConaughey) é um publicitário do ramo de esportes que almeja participar de uma nova campanha de diamantes promovida por seu escritório. Os dois se unem através de um fator: uma aposta. Andie precisa de um homem para </span><a href="https://www.thecut.com/2014/12/how-i-tried-to-lose-a-guy-in-10-days.html"><span style="font-weight: 400;">largá-la em 10 dias</span></a><span style="font-weight: 400;"> e fazer com que ela comprove os defeitos das mulheres em relacionamentos, e Ben necessita que uma mulher se apaixone por ele nos mesmos 10 dias para que conquiste a campanha milionária.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra de 2003 possui um impacto iminente nas comédias românticas, com rumores ainda de um possível </span><a href="https://www.omelete.com.br/amp/series-tv/como-perder-um-homem-em-10-dias-ganhara-reboot-em-serie"><i><span style="font-weight: 400;">reboot</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Com a aparição do famoso vestido amarelo e apresentação de músicas memoráveis, não é à toa que o filme se mantém influente após duas décadas. Conseguir alcançar a relação de carinho e fidelidade do público em relação à trama, personagens e seu ‘final feliz’ um tanto quanto inesperado realmente é algo que </span><i><span style="font-weight: 400;">Como Perder um Homem em 10 Dias</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz de forma brilhante. Marcado nas trajetórias dos </span><a href="https://lorena.r7.com/categoria/celebridades/Kate-Hudson-afirma-que-aceitaria-participar-de-uma-sequencia-do-filme-Como-perder-um-homem-em-10-dias"><span style="font-weight: 400;">atores</span></a><span style="font-weight: 400;"> e guardado nas lembranças de fãs assíduos, essa comédia romântica estilo </span><i><span style="font-weight: 400;">hot-n-cold, </span></i><span style="font-weight: 400;">com toda a intensidade e efervescência de um amor em construção, consegue conectar entretenimento e ainda certas reflexões sobre as ilusões atreladas à existência de relacionamentos perfeitos.</span></p>
<figure id="attachment_32205" aria-describedby="caption-attachment-32205" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32205 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image5-3.jpg" alt=" Um casal, homem e mulher, encontra-se sentado de frente para uma mesa. A mulher, sorridente, possui cartas na mão e se situa à direita do homem. O homem possui feição sorridente e aponta para algo na imagem, com uma carta em sua outra mão. Na mesa observam-se copos, uma garrafa de cerveja e mais cartas. De fundo, tem-se uma praia e, em segundo plano, mais próximo do casal, um homem e um bebê em uma cadeira mais afastada." width="640" height="419" /><figcaption id="caption-attachment-32205" class="wp-caption-text">Atingindo alcance mundial, Como Perder um Homem em 10 Dias deixa um legado extenso: vestidos icônicos, músicas marcantes e risadas contínuas (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><a href="https://revistamonet.globo.com/filmes/noticia/2023/02/matthew-mcconaughey-revela-que-fez-comedia-romantica-com-kate-hudson-por-causa-de-vidente.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Destino</span></a><span style="font-weight: 400;"> não é bem o nome certo para descrever o encontro entre os dois personagens. É a partir de um plano por parte de duas publicitárias da empresa de Ben, que estão encarregadas da campanha de joias pela qual ele tenta concorrer, que eles se encontram em um bar. As concorrentes do galã, sabendo da nova matéria de Andie, buscam colocar Benjamin em um caminho com fim já definido, pensando na nova performance requisitada pela colunista. Por outro lado, é em um momento inicial da interação entre o par que a questão do destino é questionada: uma conexão e correspondência pode ser logo percebida em suas tentativas de encantar um ao outro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O desenvolvimento da história cria </span><a href="https://multiversocomicon.com.br/como-perder-um-homem-em-10-dias/"><span style="font-weight: 400;">cenas memoráveis</span></a><span style="font-weight: 400;"> de um romance rodeado de loucuras, que vai desde seu primeiro encontro com Ben perdendo a final do jogo de futebol americano para buscar a </span><i><span style="font-weight: 400;">Coca-Cola</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Diet</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Andie, até a aquisição de um cachorro e de uma “</span><i><span style="font-weight: 400;">planta do amor</span></i><span style="font-weight: 400;">” para o casal. Cada um luta para atingir seu propósito final, sem desconfiar dos absurdos protagonizados pelo outro, porém impressionando-se com a capacidade de insistência de ambos. A situação conturbada e correlacionada à narrativa de ‘inimigos à amantes’ assinala a atratividade do longa-metragem que, mostrando os pontos de vista de ambos os personagens, caminha por clichês, mas escapa da obviedade. </span></p>
<figure id="attachment_32204" aria-describedby="caption-attachment-32204" style="width: 249px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32204 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2.gif" alt="Vídeo curto de uma mulher e um homem frente a frente em um banheiro. Ela aparece levantando os braços, em um gesto para o homem tirar sua blusa. Ele aparece em seguida, sorrindo com o cabelo molhado e sentado em frente a mulher." width="249" height="180" /><figcaption id="caption-attachment-32204" class="wp-caption-text">Com rumores de produção de um reboot para o filme de 2003, uma possível série deixa a multidão de fãs do clássico em êxtase (GIF: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A percepção da relação entre dois indivíduos com gostos semelhantes e contextos complicados é construída ao longo do filme de modo a ressaltar a dificuldade em se portarem de forma diferente. Por outro lado, a conexão entre dois solteiros manipuladores e altamente competitivos não seria desenvolvida de forma tão brilhante sem as dicotomias de sua relação única e pouco provável no contexto da obra. Observar a formação de laços reais entre ambos, indo de encontro a todas as tentativas incessantes de se desvincularem durante alguns dias, cresce o sentimento de </span><a href="https://revistamonet.globo.com/Filmes/noticia/2020/08/kate-hudson-diz-como-estaria-sua-personagem-em-comedia-romantica-17-anos-depois.html"><span style="font-weight: 400;">paixão</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a importância de suas devidas apostas torna-se cada vez menor e ainda mais intrigante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo que as comicidades da trama envolvem o telespectador, temáticas importantes são colocadas em pauta, citando a baixa autoestima feminina e o poder masculino como fatores de discussão, mesmo que abordados de forma um tanto quanto superficial. Os </span><a href="https://gamarevista.uol.com.br/semana/ta-saindo-com-alguem/estereotipos-de-genero-e-raca-comedia-romantica/"><span style="font-weight: 400;">estereótipos</span></a><span style="font-weight: 400;"> acerca das atitudes femininas e suas tendências de apego emocional e despreparo racional são constantes na obra, sendo ainda tema da matéria de Andie, que, por outro lado, esconde a seriedade e contradição do tema em meio a incentivos de mudança por parte de outras mulheres. De tal forma, é nítida a dicotomia contemporânea presente no clássico dos anos 2000, visto que paralelamente ao uso da manipulação da parceira como forma de controle do relacionamento, temos a inferiorização de seus comportamentos e quaisquer erros em relações atrelados a suas falhas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, o clichê do homem herói que salva a garota após os problemas é, de certa forma, contraposto na narrativa a partir de atitudes machistas retratadas por um personagem masculino que reproduz estereótipos e </span><a href="https://segundovies.mk1.com.br/representacao-mulher-comedias-romanticas/"><span style="font-weight: 400;">hierarquias sexistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> em momentos isolados, fato capaz de ser observado até mesmo na forma de lidar com a garota imperfeita criada por Andie. Por outro lado, sua postura por vezes agressiva e com ar de superioridade é deixada em segundo plano devido sua insistência no relacionamento e o início de sua paixão verdadeira pela jornalista. No fim, pode-se dizer que o clichê é conquistado, com o ar heroico voltando para o publicitário à medida que luta pela manutenção de sua relação.</span></p>
<figure id="attachment_32201" aria-describedby="caption-attachment-32201" style="width: 620px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32201" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-5.jpg" alt="Uma mulher e um homem em cima de uma motocicleta. Com fundo de mar, espécie de um píer, caminham em cima de um chão de madeira. A mulher está pilotando. Usa um capacete, regata branca e calça jeans. O homem está logo atrás dela, na garupa da moto, com o braço levantado de forma a indicar o que ela deve fazer. Usa uma roupa cinza, calça jeans e está falando com a mulher com a cabeça apoiada nela" width="620" height="387" /><figcaption id="caption-attachment-32201" class="wp-caption-text">Além de protagonistas renomados, Como Perder um Homem em 10 Dias reúne em seu elenco atrizes como Kathryn Hahn e Adam Goldberg (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A construção narrativa elaborada com base nos conflitos entre o casal, na chegada do décimo dia de teste e no desenvolvimento de sentimentos amorosos na relação é imprescindível no que diz respeito ao envolvimento do telespectador mediante à trama. É a partir da conquista de tal engajamento do público perante o casal e as cenas cômicas e em sintonia promovidas pelos protagonistas que </span><i><span style="font-weight: 400;">Como Perder um Homem em 10 Dias </span></i><span style="font-weight: 400;">torna-se um </span><a href="https://minhaseriefavorita.com/como-perder-um-homem-em-10-dias-filme/"><span style="font-weight: 400;">sucesso</span></a><span style="font-weight: 400;"> no ramo das comédias românticas. Além disso, a obra, que alcançou o prestígio no meio cinematográfico dos anos 2000, engrandece-se a partir da construção e quebra dos comportamentos pouco guiados pela moral de Andie e Ben, que não se enquadram totalmente na integridade geralmente protagonizada por personagens principais comuns.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, a exposição de certos </span><a href="https://collider.com/how-to-lose-a-guy-in-10-days-best-rom-com/"><span style="font-weight: 400;">desvios de caráter</span></a><span style="font-weight: 400;"> na personalidade dos protagonistas durante a elaboração e extensão do filme é esquecida em meio a culminância dos atos sendo encontrada no amor verdadeiro. Diferentemente de outras produções da época e da explosão de diversas comédias românticas no Cinema, a obra de Donald Petrie traz algo a mais para uma narrativa meramente cômica e superficial. Ao mesmo tempo que certas problemáticas são observadas na histórica, com a inferiorização feminina tomando espaço em meio aos conflitos da trama, também tem-se como diferencial a posição de ambos os personagens como indivíduos errôneos, dividindo a culpa dos conflitos provocados por comportamentos egoístas e despreocupados, o que geralmente é atribuído estritamente às atitudes das mulheres. Dito isso, a congruência entre ambos é ainda ressaltada como par romântico a partir de seus desvios e irresponsabilidades comuns, capazes de uni-los.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da sintonia eletrizante dos protagonistas, nota-se certa falta de aprofundamento em narrativas paralelas do filme, deixadas de lado em prol do romance. Mesmo com o enfoque estando na relação do casal, é certo apontar um deslize um tanto quanto significativo no que diz respeito à apresentação de novas dinâmicas secundárias na trama e seu pouco aprofundamento futuro. Um exemplo disto, que expõe o desinteresse na construção individual dos personagens, é observado na falta de aperfeiçoamento das questões como a futilidade no ramo jornalístico feminino e a dificuldade de inserção em cenários sérios e politizados por parte das mulheres. De tal maneira, a complexidade do </span><a href="http://www.cinefiloemserie.com.br/2018/09/o-machismo-nas-comedias-romanticas.html"><span style="font-weight: 400;">machismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> na narrativa e no contexto da época é, de certa forma, ignorada pela produção junto de uma possível pretensão de conscientização feminista. </span></p>
<figure id="attachment_32203" aria-describedby="caption-attachment-32203" style="width: 540px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32203" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-1.gif" alt=" Vídeo curto de uma mulher e um homem cantando um para o outro. A mulher encontra-se de vestido amarelo e com uma taça com bebida em uma mão e na outra um microfone. O homem, de terno, canta para a mulher com um microfone em sua mão e inclinando-se em direção dela, enquanto gesticula com a outra mão. De fundo, uma banda com baterista e saxofonista é capaz de ser observada." width="540" height="400" /><figcaption id="caption-attachment-32203" class="wp-caption-text">Mesmo com anos de lançamento, o par romântico Andie Anderson e Benjamin Barry continua atraindo novos fãs, com figurinos e cenas repercutindo na atualidade(GIF: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A personalidade de ambos os personagens é atrativa e provocante ao público, em uma constante tentativa de prever qual será o próximo dilema de uma aposta tumultuosa. Uma cena garante ainda certa exclusividade no que diz respeito a memória do filme, sendo repercutida e lembrada há anos pela sua junção de comicidade e tragédia. Essa, composta pela </span><a href="https://youtu.be/J9BZuizEOzY?si=dIIzwrV-Ha9MU1kE"><span style="font-weight: 400;">performance conjunta de Andie e Ben</span></a><span style="font-weight: 400;"> em meio ao evento promovido para a campanha tão sonhada pelo publicitário, é marcada pelo dueto desajeitado e tenso da canção </span><a href="https://youtu.be/j13oJajXx0M?si=DB5GLMIBfAkSUAr4"><i><span style="font-weight: 400;">You´re So Vain</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Carly Simon, já mencionada anteriormente na obra cinematográfica em meio a uma das declarações pegajosas de Andie seguindo seu plano de futura perda. Com muita emoção e declarações sobre o egoísmo e vaidade promovidos um pelo outro em meio a suas apostas, a cena é um dos pontos-chave da exposição das falhas e traições de ambos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seguindo a linha narrativa de um filme romântico, o público já tem noção de uma conquista futura do final perfeito, porém ainda é colocado à prova das lamentações e sofrimento provenientes de uma evidente, porém não mais desejada, desvinculação dos personagens. A expectativa de </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2023/02/how-to-lose-a-guy-in-10-days-oral-history"><span style="font-weight: 400;">reconciliação</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a forma pela qual essa se realizará permeia os telespectadores à medida que o conflito final de arrependimento, confissão da paixão e tentativa de fuga de uma realidade sofrida é protagonizado por Andie. Porém, a peça cinematográfica, como prometido, consegue entregar o clichê característico e tão esperado em seu fim, dando espaço para uma relação real, sem apostas ou fingimentos entre dois apaixonados e confusos jovens-adultos que não previam seu futuro, concretizando a batalha de sentimentos compartilhada entre obra e público.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após percorrer as complexidades e acertos de um filme reconfortante e leve, há de se ressaltar a </span><a href="https://www.indiewire.com/features/general/how-to-lose-a-guy-in-10-days-anniversary-feminist-1234804507/"><span style="font-weight: 400;">influência</span></a><span style="font-weight: 400;"> e alcance de uma obra que já alcança uma </span><a href="https://www.estrelando.com.br/foto/2022/04/19/confira-o-antes-e-depois-do-elenco-do-filme-como-perder-um-homem-em-10-dias-225941/foto-2"><span style="font-weight: 400;">trajetória de 20 anos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Além de cenas icônicas, momentos de pura mistura entre emoção e humor e um legado incontestável, </span><i><span style="font-weight: 400;">Como Perder um Homem em 10 Dias </span></i><span style="font-weight: 400;">carrega toda a potência de uma obra lotado de altos e baixos, pontos de virada e uma construção amorosa gradativa e efetiva, não conseguindo escapar de qualquer classificação que não o renomeie como um clássico dentro das comédias românticas. A união de todas suas potencialidades, com destaque no elenco e na performance impecável do casal principal, resulta na fama e carinho externalizado e perceptível advindo da produção, público e crítica. </span></p>
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		<title>Oldboy: 20 anos do mais belo trauma geracional</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Oct 2023 12:27:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner No cativeiro de Oh Dae-su (Choi Min-sik), papéis de parede repetidamente estampados com favo de mel, uma televisão de tubo em ótimo estado e um gás capaz de fazer adormecer compõem o cenário desconcertante. O quarto nunca é invadido pela luz natural, gotas de chuva ou o barulho da cidade, mas é penetrado &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/oldboy-20-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Oldboy: 20 anos do mais belo trauma geracional"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31579" aria-describedby="caption-attachment-31579" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31579" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-1.jpeg" alt="Cena do filme Oldboy. Na imagem, Oh Dae-su (Choi Min-sik) está sentado esperando sua refeição em um restaurante especializado em sushi. A câmera o captura a partir dos ombros e a sua figura está centralizada no plano. Ele é um homem sul-coreano de cabelos e olhos escuros. O protagonista veste uma camiseta de botões e mangas longas na cor preta. Um óculos de sol de armação dourada e lentes vermelhas encobre todo o seu olhar. Ao fundo, é possível observar alguns clientes sentados em mesas e quadros decorando o ambiente de iluminação baixa." width="2048" height="1137" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-1.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-1-800x444.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-1-1024x569.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-1-768x426.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-1-1536x853.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-1-1200x666.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31579" class="wp-caption-text">Oldeuboi ganhou o Grand Prix do Festival de Cannes de 2004 (Foto: Show East)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No cativeiro de Oh Dae-su (Choi Min-sik), papéis de parede repetidamente estampados com favo de mel, uma televisão de tubo em ótimo estado e um gás capaz de fazer adormecer compõem o cenário desconcertante. O quarto nunca é invadido pela luz natural, gotas de chuva ou o barulho da cidade, mas é penetrado por uma câmera de Cinema condicionada à perspectiva restrita do personagem, sufocando o espectador junto dele. Em 2003, o diretor sul-coreano </span><a href="https://aframe.oscars.org/news/post/park-chan-wook-oldboy-20th-anniversary-interview-exclusive"><span style="font-weight: 400;">Park Chan-wook</span></a><span style="font-weight: 400;"> lançou ao mundo a sua interpretação da série de mangá japonesa </span><i><span style="font-weight: 400;">Old Boy</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1996-1998) que, com uma paleta de tons verde, vermelho e roxo, se propôs a retratar a enorme prisão que acorrenta a sociedade e, principalmente, ocasionou o mais belo trauma geracional com um </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twist</span></i><span style="font-weight: 400;"> digno de calafrios.</span></p>
<p><span id="more-31578"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O protagonista pode até questionar “</span><i><span style="font-weight: 400;">se eles tivessem me contado que seriam 15 anos (de cativeiro), seria mais fácil de suportar ou não?</span></i><span style="font-weight: 400;">”, porém, para o público, </span><a href="https://www.looper.com/1013792/the-untold-truth-of-oldboy/"><i><span style="font-weight: 400;">Oldboy</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> nunca perde os efeitos colaterais nem um pouco suaves que somente Chan-wook é capaz de realizar. Completando 20 anos de </span><a href="https://dailyutahchronicle.com/2023/08/13/oldboy-remaster-korean-cinema/"><span style="font-weight: 400;">subversão</span></a><span style="font-weight: 400;">, o longa ganhou uma </span><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/cultura/duas-decadas-depois-o-estiloso-oldboy-volta-aos-cinemas-restaurado-em-4k/"><span style="font-weight: 400;">versão remasterizada</span></a><span style="font-weight: 400;">, distribuída no Brasil pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Pandora Filmes</span></i><span style="font-weight: 400;">, que prova como ele consegue ser ainda mais chocante quando assistido pela segunda ou centésima vez. Sendo o filho do meio da Trilogia da Vingança, também composta por </span><i><span style="font-weight: 400;">Mr. Vingança</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2002) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Lady Vingança</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2005), o filme carrega o uso da ultraviolência como em </span><i><span style="font-weight: 400;">Laranja Mecânica</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1972), de Stanley Kubrick. Dessa vez, o mandante não é a resposta, mas sim o motivo. </span></p>
<figure id="attachment_31581" aria-describedby="caption-attachment-31581" style="width: 1107px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31581" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-2.jpg" alt="Cena do filme Oldboy. Na imagem, Mi-do (Kang Hye-jeong) abraça Oh Dae-su (Choi Min-sik). A câmera captura ambos a partir dos ombros. Ela está de lado para a câmera, com o olhar para algo além e ele está de costas. Mi-do é uma mulher sul-coreana de cabelos e olhos escuros. O protagonista é um homem sul-coreano de cabelos e olhos escuros. Ela veste cachecol, gorro e luvas na cor vermelha enquanto ele veste um sobretudo preto. O cenário é de neve intensa." width="1107" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-2.jpg 1107w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-2-800x520.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-2-1024x666.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-2-768x500.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31581" class="wp-caption-text">Além de Seul e Busan, na Coreia do Sul, as filmagens também ocorreram na Nova Zelândia (Foto: Show East)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Repleto de diálogos como “</span><i><span style="font-weight: 400;">essa menina que chora por nada</span></i><span style="font-weight: 400;">” e “</span><i><span style="font-weight: 400;">ela era uma vadia</span></i><span style="font-weight: 400;">”, as reviravoltas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Oldboy </span></i><span style="font-weight: 400;">se sobressaem como um ótimo exemplo de homens falhando miseravelmente ao teorizar sobre como uma garota se sente em certas situações. Asas de anjo e alucinações com formigas voltando sozinha de madrugada no metrô constroem Mi-do, a figura feminina central do longa. Kang Hye-jeong é a atriz perfeita para o papel que, embora idealizado por uma maioria masculina, encontra um certo equilíbrio, aprimorado pelo diretor posteriormente em </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-criada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Criada</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2016). Ao final, a sua trajetória se conecta com mais duas mulheres, a hipnóloga Yoo Hyung-ja (Lee Seung-shin) e a leitora de Sylvia Plath, Lee Soo-ah (Yoon Jin-seo), que acaba levando a biografia da autora ao pé da letra. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Caso você fique à toa, em uma cabine telefônica em um dia de chuva e encontre um homem cuja face se esconde em uma sombrinha violeta, eu sugiro que você fique perto de uma TV</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Se a história de Nobuaki Minegishi e Garon Tsuchiya liberta Oh Dae-su para mostrar como o mundo do convívio social se trata de uma prisão rodeada por dilemas morais, o formado em filosofia Park Chan-wook mergulha até o fundo. Desde os delírios com uma comunidade de formigas até a relação íntima com o universo da Televisão – em que amor, educação e religião são encontrados com facilidade pelo controle remoto –, o cineasta tira sarro do protagonista ao passo em que se deixa levar pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/decisao-de-partir-critica/"><span style="font-weight: 400;">simetria e espelhamento de cenas</span></a><span style="font-weight: 400;">, elementos característicos que entregam para o público quem está no comando.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o parceiro de longa data Chung Chung-hoon na Fotografia, a película assume com intensidade as cores e os ângulos perturbadores que, juntamente de uma câmera em movimento constante, ditam a </span><a href="https://www.dazeddigital.com/film-tv/article/45401/1/exploring-the-fashion-in-park-chan-wook-oldboy"><span style="font-weight: 400;">atmosfera estilosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> desse clássico </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller neo-noir</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ryu Seong-hee, também envolvida em grande parte da filmografia de Chan-wook, traz para o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6YmMXwtp314"><span style="font-weight: 400;">design de produção</span></a><span style="font-weight: 400;"> o enjoo e a ansiedade causados pelos elementos que compõem os </span><a href="https://www.archdaily.com/358958/films-and-architecture-old-boy"><span style="font-weight: 400;">cenários</span></a><span style="font-weight: 400;">, desde o cativeiro extremamente decorado até a cobertura minimalista de Lee Woo-jin (Yoo Ji-tae). A trilha sonora de Jo Yeong-wook não destoa e é responsável por desencadear calafrios a cada acorde, ecoando os pensamentos mais impróprios dos personagens que, por sua vez, ressoam na consciência da audiência. </span></p>
<figure id="attachment_31582" aria-describedby="caption-attachment-31582" style="width: 1266px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31582" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-3.jpg" alt="Cena do filme Oldboy. Na imagem, Oh Dae-su (Choi Min-sik) se apoia nos ombros de Lee Woo-jin (Yoo Ji-tae). A câmera os captura a partir da cintura. Oh Dae-su é um homem sul-coreano de cabelos e olhos escuros que segura um pano na cabeça para estancar todo o sangue que escorre pelo terno preto. Lee Woo-jin é um homem sul-coreano de cabelos e olhos escuros que veste uma jaqueta azul fechada por cima de uma blusa roxa, além de um chapéu de pescador na cor cinza. Ao fundo, o cenário é uma rua movimentada pelo tráfego, porém desfocada, deixando os personagens em destaque na composição." width="1266" height="712" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-3.jpg 1266w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31582" class="wp-caption-text">A fanbase de Yoo Ji-tae se surpreendeu com a performance vilanesca do ator em Oldboy &#8211; Velho Amigo (Foto: Show East)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante de tantas qualidades, os pontos baixos da obra se concentram no excesso de </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> que colocam em dúvida o roteiro de Park Chan-wook, Lim Joon-hyung e Hwang Jo-yun. Atrelado ao uso dessa ferramenta, a narração do ‘eu do futuro’ facilita o trabalho dos escritores em explicarem uma narrativa complexa para o espectador. No entanto, mesmo que dotado de ressalvas, o trio amarra a história e proporciona o verdadeiro </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/oldboy-o-que-diretor-mudaria-no-classico-filme-sul-coreano/"><span style="font-weight: 400;">desenvolvimento do protagonista</span></a><span style="font-weight: 400;">, um homem inicialmente devotado em anotar os nomes de quem magoou em busca de respostas como um diário de prisão até perceber que está escrevendo uma autobiografia sobre seus </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UwOVu96gvc0"><span style="font-weight: 400;">atos perversos</span></a><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">seja uma pedra ou um grão de areia, na água eles afundam da mesma forma</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os acasos satíricos quase extraordinários, como o fato do primeiro humano que Oh Dae-su encontra após anos se tratar de um suicida, transformam o longa em um estudo sobre </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2022/oct/11/park-chan-wook-interview-decision-to-leave"><span style="font-weight: 400;">ética e salvação</span></a><span style="font-weight: 400;">. Na pele do encarcerado, o veterano Choi Min-sik é esplêndido. Seja comendo um polvo vivo ou lutando contra dezenas de homens com um martelo em um corredor estreito, o ator entrega a dramaticidade necessária. Tal poder é realçado quando Min-sik contracena com Yoo Ji-tae, intérprete do um tanto quanto ninfomaníaco Lee Woo-jin. Contrariando o mantra que eles repetem “</span><i><span style="font-weight: 400;">ria e o mundo rirá com você, chore e você chorará sozinho</span></i><span style="font-weight: 400;">”, ambos se completam em cena e choram juntos ao final, ainda que por instintos diferentes, tornando nebulosa a divisão entre o que define um mocinho e um vilão em </span><i><span style="font-weight: 400;">Oldboy</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_31583" aria-describedby="caption-attachment-31583" style="width: 1118px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31583" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-4.jpg" alt="Cena do filme Oldboy. Na imagem, Oh Dae-su (Choi Min-sik) segura um martelo nas cores preto e amarelo na direção da câmera que, por sua vez, o captura a partir dos ombros. O protagonista é um homem sul-coreano de cabelos e olhos escuros que veste terno na cor preta. Ele olha diretamente para a lente e, ao fundo, o cenário é marcado pelos tons esverdeados e arroxeados que compõem o corredor do local que serviu como cativeiro por 15 anos." width="1118" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-4.jpg 1118w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-4-800x515.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-4-1024x659.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-4-768x495.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31583" class="wp-caption-text">Choi Min-sik não usou dublês para as cenas de ação icônicas de Oh Dae-su no filme (Foto: Show East)</figcaption></figure>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">“Embora eu não passe de um animal… não tenho o direito de viver?”</span></i></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Vencedor do </span><i><span style="font-weight: 400;">Grand Prix</span></i><span style="font-weight: 400;"> do Festival de Cannes de 2004, onde arrancou elogios do presidente do júri, </span><a href="https://www.seattletimes.com/entertainment/tarantino-opens-doors-for-graphic-korean-filmmaker/"><span style="font-weight: 400;">Quentin Tarantino</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Oldboy</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Park Chan-wook é, sem dúvidas, a melhor adaptação do mangá original. Por ser uma produção fora de Hollywood, o filme não escapou de ter um </span><a href="https://www.indiewire.com/features/general/park-chan-wook-spike-lee-oldboy-remake-surreal-1234791474/"><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;"> questionável</span></a><span style="font-weight: 400;"> assinado por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vdQfLoMh1N0"><span style="font-weight: 400;">Spike Lee</span></a><span style="font-weight: 400;"> que somente alimenta a ânsia por vingança dos fãs do cineasta sul-coreano. Passadas duas décadas desde seu lançamento, a produção é </span><a href="https://filmustage.com/blog/a-philosophy-of-violence-park-chang-wook/"><span style="font-weight: 400;">explicitamente violenta</span></a><span style="font-weight: 400;">, porém, é a imaginação que causa o medo e as consequências em torno de Oh Dae-su e Lee Woo-jin, os dois alunos do Colégio Católico Sangnok reunidos pela página </span><i><span style="font-weight: 400;">online</span></i><span style="font-weight: 400;"> Evergreen Old Boys. Belíssimo, o longa é um trauma geracional tanto para a árvore familiar envolvida na trajetória dos personagens, quanto para o público.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Trailer oficial - Oldboy" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/WEi_RXR0jnA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Há 20 anos, Spike Lee e Edward Norton contavam A Última Noite de um homem em Nova York</title>
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		<pubDate>Tue, 23 May 2023 19:37:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathan Nunes Nos vinte anos que separam os dias atuais da estreia de A Última Noite (25th Hour) nos cinemas brasileiros, em 23 de Maio de 2003, talvez nenhuma cena tenha marcado tanto quanto o monólogo que Edward Norton (Glass Onion) recita em frente ao espelho de um banheiro, no qual reflete sobre como odeia &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-ultima-noite-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 20 anos, Spike Lee e Edward Norton contavam A Última Noite de um homem em Nova York"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30938" aria-describedby="caption-attachment-30938" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30938 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-1.png" alt="" width="1920" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-1.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-1-800x333.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-1-1024x427.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-1-768x320.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-1-1536x640.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-1-1200x500.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30938" class="wp-caption-text">Monty quase foi interpretado por Tobey Maguire, que, apesar de ter recusado o papel para estrelar Homem-Aranha, acabou sendo um dos produtores do longa (Foto: Touchstone Pictures/The Walt Disney Company)</figcaption></figure>
<p><b>Nathan Nunes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos vinte anos que separam os dias atuais da estreia de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Última Noite</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">25th Hour</span></i><span style="font-weight: 400;">) nos cinemas brasileiros, em 23 de Maio de 2003, talvez nenhuma cena tenha marcado tanto quanto o monólogo que Edward Norton (</span><a href="https://personaunesp.com.br/glass-onion-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Glass Onion</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) recita em frente ao espelho de um banheiro, no qual reflete sobre como odeia tudo e todos em sua cidade. Esse momento não estava presente no roteiro inicial de David Benioff, mas sim em seu livro homônimo, objeto da adaptação. O diretor Spike Lee (</span><a href="https://personaunesp.com.br/infiltrado-na-klan-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Infiltrado na Klan</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) encorajou o futuro </span><i><span style="font-weight: 400;">showrunner</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://personaunesp.com.br/game-of-thrones-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Game of Thrones</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> a colocá-lo de volta nos planos, além de tê-lo filmado a contragosto da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">, que o queria fora do corte final. </span></p>
<p><span id="more-30937"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em retrospecto, Lee estava pensando à frente, pois o &#8220;</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CTC7giT2ijI"><i><span style="font-weight: 400;">f*** monologue</span></i></a><i>”</i> <span style="font-weight: 400;">(batizado assim por Benioff) representa perfeitamente o estado de espírito dos dois protagonistas do filme. O primeiro é o homem que Norton interpreta, Monty, um ex-traficante de drogas que se encontra há 24 horas de distância dos sete anos futuros de sentença na prisão. O segundo é a sua própria cidade, Nova York, que, na época, estava se recuperando do trauma do 11 de Setembro, dentro e fora das telas.</span></p>
<figure id="attachment_30939" aria-describedby="caption-attachment-30939" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30939 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-2.png" alt="" width="1920" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-2.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-2-800x333.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-2-1024x427.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-2-768x320.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-2-1536x640.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-2-1200x500.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30939" class="wp-caption-text">Os ataques do 11 de Setembro de 2001 aconteceram durante a pré-produção do filme, que foi lançado nos Estados Unidos em 2002, e foram posteriormente adicionados à trama por Lee (Foto: Touchstone Pictures/The Walt Disney Company)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em sua estreia, o </span><a href="http://www.impawards.com/2002/twenty_fifth_hour.html"><span style="font-weight: 400;">pôster</span></a><span style="font-weight: 400;"> principal do longa indagava: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Você pode mudar sua vida inteira em um dia?”. </span></i><span style="font-weight: 400;">A pergunta vai além da sua própria natureza estratégica de </span><i><span style="font-weight: 400;">marketing</span></i><span style="font-weight: 400;">, unindo-se</span> <span style="font-weight: 400;">ao título original e traduzido em uma síntese das ideias a serem discutidas aqui. Assim como Nova York foi completamente transformada em 11 de Setembro de 2001, Monty também pode &#8211; na verdade, deve &#8211; escolher no que se transformar no único dia que lhe resta, enquanto a vigésima quinta hora não chega para dar fim a sua última noite de liberdade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lee e Benioff entendem perfeitamente os sentimentos que precisam transmitir aqui. O diretor, por exemplo, conduz a câmera sob a mesma perspectiva lúgubre de Monty, trocando sua agitação tradicional por uma decupagem mais contemplativa. Para atingir seus objetivos, ele é auxiliado pelos seus habituais colaboradores: Terence Blanchard (</span><a href="https://personaunesp.com.br/destacamento-blood-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Destacamento Blood</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), na trilha sonora fúnebre e melancólica, que lhe rendeu sua primeira e única indicação ao Globo de Ouro</span> <span style="font-weight: 400;">em 2003; e Barry Alexander Brown (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6qHGVTVHVdY&amp;pp=ygURbWFsY29sbSB4IG9wZW5pbmc%3D"><i><span style="font-weight: 400;">Malcolm X</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">) </span></i><span style="font-weight: 400;">na Montagem, responsável por equilibrar o passado e o presente da trama com harmonia. Nesse sentido específico, inclusive, chama atenção a Cinematografia de Rodrigo Prieto (</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-segredo-de-brokeback-mountain-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Segredo de Brokeback Mountain</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), que os diferencia através de um aspecto amarelado, quente e afetuoso para o passado, e outro esbranquiçado, gélido e duro para o presente.</span></p>
<figure id="attachment_30940" aria-describedby="caption-attachment-30940" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30940 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-3-1.png" alt="" width="1920" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-3-1.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-3-1-800x333.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-3-1-1024x427.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-3-1-768x320.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-3-1-1536x640.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-3-1-1200x500.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30940" class="wp-caption-text">Em 2016, a BBC colocou 25th Hour na 26ª posição do seu ranking dos melhores filmes do século XXI (Foto: Touchstone Pictures/The Walt Disney Company)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Benioff, por sua vez, entende o texto como um meio de realçar o drama de Monty, através do desenvolvimento das pessoas ao seu redor que mais lhe farão falta. Os coadjuvantes principais de sua vida incluem os amigos Frank (Barry Pepper, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/bravura-indomita-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Bravura Indômita</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Jacob (o saudoso Philip Seymour Hoffman, de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mestre</span></i><span style="font-weight: 400;">), o pai James (Brian Cox, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/succession-3a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Succession</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e, principalmente, a namorada Naturelle (Rosario Dawson, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-mandalorian-2a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Mandalorian</span></i></a><span style="font-weight: 400;">). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É interessante notar como cada um desses indivíduos possui seus próprios dilemas, que os aprofundam e os distanciam de uma visão unidimensional e maniqueísta. James, por exemplo, vê o alcoolismo de seu passado refletido nas barreiras para se relacionar com o filho. Já Naturelle oferece apoio evidente para o companheiro, mas tem sua lealdade constantemente questionada pelo próprio filme. Entre os amigos, Frank seria o equivalente da época aos &#8220;machos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=f00dEDFR82k&amp;pp=ygURMjV0aCBob3VyIG9wZW5pbmc%3D"><i><span style="font-weight: 400;">red pill</span></i></a><span style="font-weight: 400;"><i>”</i></span> <span style="font-weight: 400;">da atualidade, enquanto Jacob talvez carregue a maior incógnita ética do longa, ao ser posicionado no roteiro como um possível interesse amoroso de sua aluna menor de idade, Mary (Anna Paquin, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-irlandes-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Irlandês</span></i></a><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<figure id="attachment_30941" aria-describedby="caption-attachment-30941" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30941 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-4-1.png" alt="" width="1920" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-4-1.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-4-1-800x333.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-4-1-1024x427.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-4-1-768x320.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-4-1-1536x640.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-4-1-1200x500.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30941" class="wp-caption-text">O double-dolly shot, plano que Spike Lee utiliza como assinatura em quase todos os seus filmes, aparece em 25th Hour para representar a confusão de Jacob sobre seus sentimentos (Foto: Touchstone Pictures/The Walt Disney Company)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De certa forma, a escolha de Benioff por essa moralidade maleável nos coadjuvantes reflete o peso das escolhas de Monty, ao passo que nenhum de seus companheiros pagará seus pecados como ele pagou. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=i1euqSoTnLA&amp;pp=ygURMjV0aCBob3VyIG9wZW5pbmc%3D"><span style="font-weight: 400;">Lee</span></a><span style="font-weight: 400;"> potencializa as dores do longa, evidenciando o martírio do protagonista em detalhes desde os minutos iniciais, em que o acompanhamos resgatando o cachorro Doyle da morte. Em um diálogo mais adiante, Monty se diz orgulhoso de sua atitude, pois permitiu ao animal uma segunda chance de vida &#8211; justamente o que ele lamenta não poder ter para si próprio. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse sentido, é necessário olhar também para o trabalho fabuloso que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZFIQp9GiGsU&amp;t=789s&amp;pp=ygUTMjV0aCBob3VyIGRvZyBzY2VuZQ%3D%3D"><span style="font-weight: 400;">Edward Norton</span></a><span style="font-weight: 400;"> faz em cena, na pele de um dos personagens mais notáveis de sua carreira. Seja no olhar distante, no corpo curvado e no andar pesado, percebe-se um homem falhando ao tentar projetar o mínimo de resiliência, por não conseguir esconder a tristeza profunda que sente, bem como seus arrependimentos, dúvidas e medos. Trata-se da fragilidade de alguém que teve a vida virada de cabeça para baixo e agora a encontra por um fio, o que explica perfeitamente a importância de Nova York aqui.</span></p>
<figure id="attachment_30942" aria-describedby="caption-attachment-30942" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30942 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-5.png" alt="" width="1920" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-5.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-5-800x333.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-5-1024x427.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-5-768x320.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-5-1536x640.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-5-1200x500.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30942" class="wp-caption-text">O nome Monty é uma homenagem abreviada ao ator Montgomery Clift, a quem o filme descreve como um homem de futuro promissor, mas que perdeu tudo cedo demais, assim como o protagonista (Foto: Touchstone Pictures/The Walt Disney Company)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É fato que o monólogo proferido pelo ator no banheiro carrega uma veia intensa de raiva e ressentimento, em especial na forma como fala de outras culturas e personalidades da cidade: italianos, irlandeses, judeus, russos, coreanos, japoneses, negros, Wall Street, Harlem, ricos, pobres, golpistas e trabalhadores. Contudo, o que a câmera de Lee &#8211; urbana como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AgNB2Up2LcE&amp;pp=ygUac3Bpa2UgbGVlIGZpbG0gdGVjaG5pcXVlcyA%3D"><span style="font-weight: 400;">sempre</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; nos mostra são as particularidades dessas pessoas, bem como a importância delas para a vida do protagonista. Afinal de contas, uma cidade que engloba uma diversidade tão intensa em sua população pouco iria se importar com os crimes de um de seus cidadãos, da mesma maneira que Monty se importa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seu vídeo-ensaio </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xFpQBOopf84"><i><span style="font-weight: 400;">O Ingrediente Secreto da Trilogia Homem-Aranha</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">youtuber </span></i><span style="font-weight: 400;">americano Patrick H. Willems relaciona essa sequência com um espírito de reconstrução da autoestima nova iorquina pós-11 de Setembro, catapultado tanto por Lee, aqui, como por Sam Raimi (</span><a href="https://personaunesp.com.br/doutor-estranho-no-multiverso-da-loucura-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Doutor Estranho no Multiverso da Loucura</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) no primeiro filme do cabeça de teia. </span><i><span style="font-weight: 400;">25th Hour</span></i><span style="font-weight: 400;">, porém, vai além e faz seu protagonista sofrer a perda da cidade, lamuriar a despedida dos seus conterrâneos e visualizar uma selva de pedra tentando se recompor assim como ele, em uma intersecção de seus sentimentos com o de uma metrópole traumatizada.</span></p>
<figure id="attachment_30943" aria-describedby="caption-attachment-30943" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30943 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-6.png" alt="" width="1920" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-6.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-6-800x333.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-6-1024x427.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-6-768x320.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-6-1536x640.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-6-1200x500.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30943" class="wp-caption-text">Spike Lee voltou a abordar os impactos do 11 de setembro em Nova York no seu filme O Plano Perfeito, de 2006, e, mais recentemente, na série NYC Epicenters 9/11→2021½ (Foto: Touchstone Pictures/The Walt Disney Company)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No terço final de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Última Noite</span></i><span style="font-weight: 400;">, Monty parece querer ferir as pessoas que lhe importam involuntariamente, fazendo-os sofrer como ele. Frank é forçado a espancar o amigo por ele próprio, na angústia de chegar na prisão com um ‘rostinho bonito’, pronto para ser espancado pelos seus demais. Já Naturelle é negligenciada ao tentar ajudar o namorado com seus ferimentos, sendo ao menos recompensada pelo filme com uma composição memorável de seu último abraço frente a porta de separação, com Paul Newman os observando à direita, aprisionado no pôster de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cxKUupk0kbY&amp;pp=ygUWY29vbCBoYW5kIGx1a2UgdHJhaWxlcg%3D%3D"><i><span style="font-weight: 400;">Rebeldia Indomável</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1967)</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">longa em que interpretou justamente um presidiário. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seguida, James viaja com o filho rumo à penitenciária, incumbido de decidir se o deixa cumprir sua sentença ou o leva para um novo futuro, longe dos perigos da cidade grande. </span><i><span style="font-weight: 400;">25th Hour </span></i><span style="font-weight: 400;">prefere deixar aberta ao público a interpretação sobre o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LYR1Tip0x00&amp;pp=ygUTMjV0aCBob3VyIGJlZ2lubmluZw%3D%3D"><span style="font-weight: 400;">destino</span></a><span style="font-weight: 400;"> escolhido, mas, independente desse critério, mantém o sentimento de melancolia. A vida de Monty até pode ser mudada, mas a um custo irremediável: com as vidas que fizeram parte da sua própria, seja de amigos, familiares, amores e, até mesmo, conhecidos de pouca intimidade. Em suma, o mesmo preço que Nova York pagou mais de duas décadas atrás.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="25th Hour Official Trailer #1 (2002) - Edward Norton Movie HD" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/2qZVGJd6-rI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>20 anos de Harry Potter e a Câmara Secreta: em Hogwarts, o Basilisco é a chave de um segredo</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Dec 2022 18:56:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Felipe Nunes No auge da juventude, Harry Potter e a Câmara Secreta completa seus 20 anos de idade. Responsável por dar continuidade ao sucesso estrondoso de seu antecessor, Harry Potter e a Pedra Filosofal, que apresentou o mundo mágico de Hogwarts aos telespectadores livres de magia, os apelidados ‘trouxas’, o longa-metragem manteve as características infantis, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/harry-potter-e-a-camara-secreta-20-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "20 anos de Harry Potter e a Câmara Secreta: em Hogwarts, o Basilisco é a chave de um segredo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29516" aria-describedby="caption-attachment-29516" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29516" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-1-7.jpg" alt=" Cena do filme Harry Potter e a Câmara Secreta, na qual estão os três personagens principais. O fundo da foto é a estrutura da escola de magia e bruxaria de Hogwarts pertencente à ficção dos livros de J.K Rowling.. Na parte esquerda, está Hermione Granger (Emma Watson). Jovem branca, com cabelos castanhos ondulados e que sorri. Ela veste uma capa preta, com broche e gravata nas cores vermelho e amarelo. Na parte central e direita, estão Harry (Daniel Radcliffe) e Rony (Rupert Grint) se abraçando e sorrindo. Harry é branco, usa óculos redondos, possui cabelos lisos pretos e uma cicatriz em forma de raio na testa. Rony é branco e tem cabelos ruivos. Os dois garotos também vestem capa preta e gravatas listradas em vermelho e amarelo." width="600" height="400" /><figcaption id="caption-attachment-29516" class="wp-caption-text">Há 20 anos, Harry, Hermione e Rony se encontravam para começar o segundo ano letivo em Hogwarts (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><b>Felipe Nunes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No auge da juventude, </span><i><span style="font-weight: 400;">Harry Potter e a Câmara Secreta</span></i> <span style="font-weight: 400;">completa seus 20 anos de idade. Responsável por dar continuidade ao sucesso estrondoso de seu antecessor, </span><a href="https://personaunesp.com.br/harry-potter-e-a-pedra-filosofal-20-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Harry Potter e a Pedra Filosofal</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que apresentou o mundo mágico de Hogwarts aos telespectadores livres de magia, os apelidados ‘trouxas’, o longa-metragem manteve as características infantis, fantasiosas e misteriosas presentes no primeiro filme. Dessa vez, a obra conta sobre o segundo ano estudantil do famoso bruxo Harry Potter (Daniel Radcliffe) na escola de feitiçaria de Alvo Dumbledore (Richard Harris).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os primeiros momentos da produção são carregados pela mágica que tanto encanta o público fã do universo desenvolvido pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Warner Bros</span></i><span style="font-weight: 400;">. Bruxos voando em vassouras, criaturas místicas, monstros assustadores e muitos feitiços acompanham as narrativas impressionantes construídas no </span><a href="https://marciatravessoni.com.br/entretenimento/20-anos-de-harry-potter-e-a-camara-secreta-veja-cenas-iconicas-do-segundo-filme/"><span style="font-weight: 400;">segundo longa</span></a><span style="font-weight: 400;">. No meio de todo esse encantamento, o enredo central é explorado com a abertura da Câmara Secreta, a qual, segundo as lendas contadas nos pátios de Hogwarts, aprisiona um dos seres mais temidos de todo o mundo bruxo: </span><span style="font-weight: 400;">o </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/iharry-potter-e-a-camara-secretai"><span style="font-weight: 400;">Basilisco</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-29515"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, até que essa história se confirme, as dúvidas atormentam não somente os personagens, mas também os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cf0rRYvDuys"><span style="font-weight: 400;">espectadores</span></a><span style="font-weight: 400;">. O mistério é uma das grandes apostas da obra, que, embora carregue um aspecto infantilizado no roteiro de Steve Kloves, prende a atenção nos desdobramentos amedrontadores aos alunos e professores da escola. Afinal de contas, todos querem saber quem é o autor dos ataques que deixaram Hermione Granger (Emma Watson), o fantasma Nick Quase Sem Cabeça (John Cleese) e até mesmo a gata Madame Nora petrificados.</span></p>
<figure id="attachment_29517" aria-describedby="caption-attachment-29517" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29517 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-2-4-800x522.jpg" alt="Cena do filme Harry Potter e a Câmara Secreta, na qual estão os três personagens principais.O fundo da foto é a área hospitalar da escola de magia e bruxaria de Hogwarts pertencente à ficção dos livros de J.K Rowling. Na parte esquerda, está Harry (Daniel Radcliffe), garoto branco, que usa óculos redondos, possui cabelos lisos pretos e uma cicatriz em forma de raio na testa, segurando um papel. Ele está sentado na maca onde Hermione Granger (Emma Watson), jovem branca, com cabelos castanhos ondulados, está petrificada. Atrás da maca em que Hermione está petrificada, há Rony (Rupert Grint), que é branco e tem cabelos ruivos. Todos vestem capa preta, com broche e gravata nas cores vermelho e amarelo. Na parte direita, há um vaso de flores brancas desfocadas." width="800" height="522" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-2-4-800x522.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-2-4-1024x668.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-2-4-768x501.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-2-4.jpg 1104w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29517" class="wp-caption-text">Embora estivesse petrificada, Hermione Granger ajudou a resolver o mistério do monstro aprisionado na Câmara Secreta (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em 2002, o filme tem a direção de Chris Columbus &#8211; o mesmo diretor de </span><i><span style="font-weight: 400;">Harry Potter e a Pedra Filosofal</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e é marcado pela qualidade dos efeitos especiais, considerados de alto nível levando em conta a tecnologia da época. Por isso, as duas primeiras produções carregam tantas semelhanças que se desfazem em </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/iharry-potter-e-o-prisioneiro-de-azkabani"><i><span style="font-weight: 400;">Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e nas outras sequências cinematográficas da saga, desde a composição das narrativas até outros aspectos, como a trilha sonora, a adaptação do roteiro e a própria atuação do elenco.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Harry Potter e a Câmara Secreta</span></i><span style="font-weight: 400;">, a proximidade dos intérpretes com os personagens é explícita. Emma Watson, Daniel Radcliffe e Rupert Grint nasceram para vivenciarem Hermione, Harry e Rony, respectivamente. A seleção do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=FhJx6bNBlTY"><span style="font-weight: 400;">elenco</span> </a><span style="font-weight: 400;">foi certeira e, neste filme especificamente, a conexão entre os atores é nítida. Como protagonistas, o trio sustenta todos os arcos apresentados. O tempo de tela é bem dividido e, ainda que Harry seja o centro das atenções, Hermione e Rony também ganham destaque e mostram que somente unidos eles conseguem vencer os monstros e vilões que assombram os bruxos e os trouxas.</span></p>
<figure id="attachment_29518" aria-describedby="caption-attachment-29518" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29518 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-3-5-800x429.jpg" alt="Cena do filme Harry Potter e a Câmara Secreta. O fundo da foto é desfocado. Na direita, há o tronco e a cabeça de Fawkes, pássaro de plumas vermelhas e com plumas em tons alaranjados perto de seus olhos e seu bico. Do outro lado, na direita, está o jovem Harry Potter (Daniel Radcliffe), garoto branco, que usa óculos redondos, possui cabelos lisos pretos e uma cicatriz em forma de raio na testa, encarando o pássaro." width="800" height="429" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-3-5-800x429.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-3-5-1024x550.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-3-5-768x412.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-3-5.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29518" class="wp-caption-text">Fawkes, fênix de Dumbledore, salvou Harry Potter de ser petrificado pelo Basilisco (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da dinâmica trabalhada com os personagens já conhecidos, novas histórias são apresentadas nas telonas. O segundo filme é a porta de entrada de figuras inesquecíveis. É aqui que somos apresentados ao</span><a href="https://gizmodo.uol.com.br/pais-de-gales-implora-aos-fas-de-harry-potter-que-nao-deixem-meias-para-dobby-na-praia/"> <span style="font-weight: 400;">famoso elfo Dobby</span></a><span style="font-weight: 400;">, dublado por Toby Jones, uma das personalidades mais queridas entre o público. No longa, ele é o autor de todos os obstáculos que Harry enfrenta ao voltar para Hogwarts &#8211; que, para o bruxinho, já não é mais uma escola e sim um lar. Em meio às travessuras de Dobby, Lúcio Malfoy (Jason Isaacs) também é apresentado como o senhor do elfo, não poupando as crueldades para seu servo e fazendo jus à paternidade de Draco Malfoy (Tom Felton). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse clima de apresentações, também chega a vez da chorona Murta que Geme (Shirley Henderson) ajudar o trio e deixar claro que não está ali apenas para chorar &#8211; embora ela faça isso em todas as cenas que aparece. Dessa forma, ainda que seja exageradamente dramática, é através de Murta que Hermione é socorrida depois de um erro na Poção Polissuco e que Harry e Rony encontram a Câmara Secreta. Outra aparição que não poderia deixar de ser comentada é sobre aquele que, naquela época, não deveria ser nomeado. Pela primeira vez, a história do tenebroso </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/254281-harry-potter-10-melhores-teorias-mundo-bruxo.htm"><span style="font-weight: 400;">Voldemort</span> </a><span style="font-weight: 400;">é contada com mais detalhes. </span></p>
<figure id="attachment_29519" aria-describedby="caption-attachment-29519" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29519 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-4-5-800x428.jpg" alt="Cena do filme Harry Potter e a Câmara Secreta. O fundo da foto é desfocado com pessoas passando. No centro, está  Hermione Granger (Emma Watson), jovem branca, com cabelos castanhos ondulados, dando um leve sorriso com os lábios. Ela veste uma capa preta sobre uma blusa de gola azul." width="800" height="428" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-4-5-800x428.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-4-5-1024x548.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-4-5-768x411.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-4-5-1200x642.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-4-5.jpg 1468w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29519" class="wp-caption-text">“Ainda não inventaram nenhum feitiço que nossa Hermione não seja capaz de executar”, assegura Rúbeo Hagrid (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Lord Voldemort (Christian Coulson) tem uma de suas primeiras revelações: Tom Riddle é seu verdadeiro nome. Com um diário, que no futuro é mostrado como uma Horcrux, Harry visita o passado de Tom e, sem saber que ele é o temível vilão, descobre sobre a possível primeira abertura da</span> <a href="https://www.papodecinema.com.br/filmes/harry-potter-e-a-camara-secreta/"><span style="font-weight: 400;">Câmara Secreta</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">e sobre a punição que deixou Hagrid (Robbie Coltrane) sem sua varinha &#8211; o maior medo de qualquer bruxo. Isso porque o guarda-caça foi culpabilizado pelos transtornos no castelo quando, na verdade, todas as artimanhas haviam sido feitas por Riddle.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio a descobertas sobre o passado de Hogwarts, a cultura do mundo bruxo é contada aos espectadores. Pó de Flu, mandrágoras, carros voadores, monstros, poções de transformação corpórea e muitos feitiços são responsáveis por aprofundar a magia no segundo filme da saga e enfatizar que os detalhes cinematográficos nunca serão os mesmos dos livros. A </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-harry-potter-e-a-camara-secreta-de-j-k-rowling/"><span style="font-weight: 400;">adaptação do texto</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma das maiores dificuldades em obras audiovisuais criadas a partir de livros e nas produções de J.K. Rowling isso não é diferente. Condensar todos os acontecimentos do segundo livro em uma única adaptação deixou muitos pontos soltos ao vento, sem desenvolvimento e sem desfecho.</span></p>
<figure id="attachment_29520" aria-describedby="caption-attachment-29520" style="width: 780px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29520 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-5-4.jpg" alt="Cena do filme Harry Potter e a Câmara Secreta. Na parte esquerda, está o tronco e a cabeça de Harry Potter. Em sua frente, na parte esquerda, está Tom Riddle (Christian Coulson), jovem branco, com cabelos castanhos escuros e que veste capa preta e gravata com listras verdes escuras. Sua expressão é séria." width="780" height="438" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-5-4.jpg 780w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-5-4-768x431.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29520" class="wp-caption-text">Antes de ter o nome temido por todos os bruxos, aquele que não deve ser nomeado se chamava Tom Riddle (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ação e fantasia quase se equilibram e, por isso, suavizam as lacunas das narrativas. Porém, como temos um ‘quase’ entre esses gêneros, isso significa que os elementos não são o suficiente para impedirem que a sensação de correria se mantenha presente no </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2022/10/5042734-harry-potter-e-a-camara-secreta-vai-retornar-aos-cinemas-em-novembro.html"><span style="font-weight: 400;">longa</span></a><span style="font-weight: 400;">. A relação entre Potter ser ofidioglota &#8211; ter a habilidade de se comunicar com cobras &#8211;  e sua cicatriz, os presságios que pareciam rotulá-lo como o herdeiro de Salazar Slytherin e os motivos que o fazem não ser da Sonserina pertencem aos segmentos que não foram desenvolvidos e escancaram o descuido com o roteiro. O conforto de já ter apresentado grande parte dos personagens em </span><i><span style="font-weight: 400;">Harry Potter e a Pedra Filosofal </span></i><span style="font-weight: 400;">contribuiu com essa despreocupação em não concluir arcos que foram expostos e que mereciam atenção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas polêmicas que cercam a obra, é impossível não associar os posicionamentos transfóbicos da autora que deu vida ao universo mágico, os quais foram responsáveis por </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-154697/"><span style="font-weight: 400;">afastá-la do elenco principal</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nem mesmo no especial que reuniu a equipe nos 20 anos de Harry Potter, ela compareceu. J.K Rowling age na contramão da saga que ela mesmo criou. Se pelo lado ficcional temos uma história repleta de inclusão que prega a harmonia e a diversidade entre bruxos, monstros e trouxas, pelo lado real que transcende os livros e filmes temos uma autora que difunde preconceitos e suja a própria produção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob a direção de Columbus e o roteiro assinado por Steve Kloves,  </span><i><span style="font-weight: 400;">Harry Potter e a Câmara Secreta</span></i><span style="font-weight: 400;"> completa</span> <a href="https://personaunesp.com.br/comemoracao-de-20-anos-de-harry-potter-de-volta-a-hogwarts-critica/"><span style="font-weight: 400;">20 anos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de lançamento como uma obra nostálgica, ótima de assistir e ainda mais deliciosa de se rever. É a sensação de tomar o sorvete preferido da infância em um dia feliz e ensolarado. Formado por um elenco magistral, a sequência expande o universo dos bruxos, apresenta novos personagens e reforça o poder que a amizade tem em ultrapassar qualquer feitiço ou maldição.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/harry-potter-e-a-camara-secreta-20-anos/">20 anos de Harry Potter e a Câmara Secreta: em Hogwarts, o Basilisco é a chave de um segredo</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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