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	<title>Arquivos Séries &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Em O Cavaleiro dos Sete Reinos, Westeros finalmente olha para baixo</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Aug 2026 14:28:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Eduardo Dragoneti Há uma cena no primeiro episódio de O Cavaleiro dos Sete Reinos – O Cavaleiro Andante – em que um dragão de marionete aparece em quadro visivelmente menor do que o protagonista, Ser Duncan, o Alto (Peter Claffey). E como nada é por acaso no universo das Crônicas de Gelo e Fogo (1996 &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-cavaleiro-dos-sete-reinos-critica-2/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em O Cavaleiro dos Sete Reinos, Westeros finalmente olha para baixo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37439" aria-describedby="caption-attachment-37439" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-37439" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image4-1-800x532.png" alt="Cena da série O Cavaleiro dos Sete Reinos. Em um acampamento ao ar livre, um homem jovem de cabelos claros segura uma criança no colo enquanto ambos comemoram. O homem, vestindo uma túnica simples esverdeada, ergue o punho fechado e grita com entusiasmo. A criança, careca e vestida com roupa marrom rústica, levanta o braço com o punho cerrado, sorrindo amplamente. Ao redor, diversas pessoas também celebram, algumas com braços erguidos e outras se abraçando. Ao fundo, tendas de tecido claro e árvores verdes compõem o cenário." width="800" height="532" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image4-1-800x532.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image4-1-1024x681.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image4-1-768x511.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image4-1-1200x798.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image4-1.png 1526w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37439" class="wp-caption-text">As novelas que inspiraram a série foram publicadas entre 1998 e 2010 e sempre se destacaram por mostrar Westeros sob uma perspectiva mais cotidiana deste universo (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><b style="color: #1a1a1a; font-size: 16px;">Eduardo Dragoneti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há uma cena no primeiro episódio de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://exame.com/pop/o-cavaleiro-dos-sete-reinos-o-que-muda-do-livro-para-a-serie-da-hbo/"><i>O Cavaleiro dos Sete Reinos</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> – </span><span style="font-weight: 400;"><i>O Cavaleiro Andante</i></span><span style="font-weight: 400;"> – em que um dragão de marionete aparece em quadro visivelmente menor do que o protagonista, Ser Duncan, o Alto (</span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://gshow.globo.com/cultura-pop/series/noticia/ex-jogador-de-rugbi-peter-claffey-diz-que-esporte-ajudou-em-cavaleiro-dos-sete-reinos.ghtml">Peter Claffey</a></span><span style="font-weight: 400;">). E como nada é por acaso no universo das </span><span style="font-weight: 400;"><i>Crônicas de Gelo e Fogo </i></span><span style="font-weight: 400;">(1996 – atualmente), a escolha da </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/o-homem-do-norte-critica/">direção artística (John Merry)</a></span><span style="font-weight: 400;"> é certeira. A cena é a série inteira resumida num único plano. Depois de anos retratando os Targaryens incendiarem cidades e </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-1000188797/">dragões</a></span><span style="font-weight: 400;"> rasgarem o céu de Westeros, a </span><span style="font-weight: 400;"><i>HBO</i></span><span style="font-weight: 400;"> escolheu contar a história do homem que cabe no mesmo enquadramento que o símbolo máximo de poder deste mundo, apostando que isso seria suficiente para nos prender por seis episódios (e </span><span style="font-weight: 400;"><i>spoiler</i></span><span style="font-weight: 400;">: foi além do esperado).</span></p>
<p><span id="more-37470"></span><br />
<span style="font-weight: 400;">A obra foi lançada em janeiro de 2026 com uma divulgação mais tímida do que </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/a-casa-do-dragao-1a-temp-critica/"><i>A Casa do Dragão</i></a></span> <span style="font-weight: 400;">(2022 – Atualmente),</span> <span style="font-weight: 400;">sem abertura grandiloquente com uma trilha icônica e episódios de 30 a 35 minutos que terminam antes que você perceba. A série adapta as novelas homônimas de George R.R. Martin e se passa cerca de noventa anos antes dos eventos de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/game-of-thrones-10-anos/"><i>Game of Thrones</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> (2011). No centro da trama está o </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://rollingstone.com.br/entretenimento/o-cavaleiro-dos-sete-reinos-confirma-importante-teoria-de-game-of-thrones/">cavaleiro errante</a></span><span style="font-weight: 400;">, sem senhor, brasão respeitável e sem a menor ideia de quem é ou pode vir a ser. Ao seu lado, um garoto de cabeça raspada chamado </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://rollingstone.com.br/entretenimento/entenda-a-profecia-sombria-sobre-egg-em-o-cavaleiro-dos-sete-reinos/">Egg</a></span><span style="font-weight: 400;"> (Dexter Sol Ansell), que carrega um segredo considerável no sobrenome que finge não ter. A </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://exame.com/casual/o-cavaleiro-dos-7-reinos-a-prova-de-que-menos-e-muito-mais-em-westeros/">premissa</a></span><span style="font-weight: 400;"> é despretensiosa, tornando a produção única neste universo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é coincidência que a série seja a adaptação de Martin que mais lembra o autor. O </span><span style="font-weight: 400;"><i>showrunner</i></span><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://rollingstone.com.br/entretenimento/o-cavaleiro-dos-sete-reinos-showrunner-revela-curiosidades-e-fala-sobre-futuro-da-serie/">Ira Parker</a></span><span style="font-weight: 400;">, construiu com o escritor das novelas uma parceria respeitosa e enriquecedora, prezando pela coerência com a história original. Isso contrasta veementemente com a relação abismal entre o autor e </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/a-casa-do-dragao-george-r-r-martin-detona-showrunner-ryan-condal">Ryan Condal</a></span><span style="font-weight: 400;">, produtor de </span><span style="font-weight: 400;"><i>A Casa do Dragão</i></span><span style="font-weight: 400;">. Com Parker, o escritor chegou a compartilhar esboços de doze </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-1000187572/">histórias inéditas</a></span><span style="font-weight: 400;"> de Dunk e Egg ainda não publicadas em nenhum de seus livros e rasga elogios para ele em </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://georgerrmartin.com/notablog/2025/10/07/dunk-egg-take-the-big-apple/">seu blog</a></span><span style="font-weight: 400;">. Pela primeira vez desde a </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.omelete.com.br/game-thrones/especial-game-of-thrones-relembrando-a-sexta-temporada">sexta temporada</a></span><span style="font-weight: 400;"> de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Game of Thrones</i></span><span style="font-weight: 400;">, a sensação é que o universo na tela e o universo na cabeça do escritor estão apontando para o mesmo lugar.</span></p>
<figure id="attachment_37441" aria-describedby="caption-attachment-37441" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37441" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image6-1-800x532.png" alt="Cena da série O Cavaleiro dos Sete Reinos. Em um campo aberto coberto por névoa, um cavaleiro montado em um cavalo escuro encara uma criança à sua frente. O cavaleiro usa armadura metálica completa e segura uma lança verticalmente. A criança, de baixa estatura e cabeça raspada, veste roupas escuras e toca a lança com uma das mãos, olhando para cima. Ao redor, outros homens observam a cena à distância, e bandeiras tremulam suavemente no ambiente enevoado." width="800" height="532" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image6-1-800x532.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image6-1-1024x681.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image6-1-768x511.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image6-1-1200x798.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image6-1.png 1523w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37441" class="wp-caption-text">Fãs e críticos teorizam que a duração dos episódios de 30 a 35 minutos pode servir para posicionar a série na categoria de comédia no Emmy, onde enfrentaria menos concorrência do que no drama (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem ter para onde voltar após a morte de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.ign.com/articles/yes-ser-arlan-pennytrees-formidable-weapon-in-a-knight-of-the-seven-kingdoms-nude-scene-was-a-10-prosthetic-heres-how-the-sausage-was-made">Ser Arlan de Pennytree</a></span><span style="font-weight: 400;"> – o homem que foi sua figura paterna – Duncan enterra seu mestre sem jamais ter recebido dele o título de cavaleiro, mas vê no </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://youtu.be/BnDceuP8LNI?si=6tGT1p3S-4g21huw">torneio de Vaufreixo</a></span><span style="font-weight: 400;"> uma chance de se convencer de que pode ser o que sempre quis. A lealdade que o ancora se tornará uma bússola reconhecível cem invernos depois, em </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.bnewssaopaulo.com.br/noticias/entretenimento/o-cavaleiro-dos-sete-reinos-qual-e-a-ligacao-entre-sor-duncan-e-brienne-de-tarth.html">Brienne de Tarth</a></span><span style="font-weight: 400;">, quando ela percorre os mesmo caminhos de seu antepassado em busca de um lorde a proteger. Um questionamento, porém, acompanha Dunk por toda a temporada: qual seria o jeito certo de ser cavaleiro num mundo que não recompensa a decência?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vale um parêntese aqui para o </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://youtu.be/epeuOSZDo9E?si=pRxdaROUD-f5gPLO">design de produção</a></span><span style="font-weight: 400;"> (Tom McCullagh) como um todo, que merece mais reconhecimento do que tem recebido. O simples figurino de Duncan no primeiro episódio, por exemplo, faz o Mestre dos Jogos do torneio dizer que ele está vestido como um fazendeiro, zombando da vontade do protagonista em querer batalhar como cavaleiro. Já nos últimos episódios da série, os fãs dos livros são presenteados com armaduras brilhantes e ornamentadas, como descrito nas histórias originais. Mostrando mais uma vez o </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://pt.ign.com/a-knight-of-the-seven-kingdoms/154195/news/a-knight-of-the-seven-kingdoms-nao-repetira-erro-de-game-of-thrones-garante-showrunner">respeito à obra</a></span><span style="font-weight: 400;"> de Martin.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O contraste do protagonista com </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://criticalhits.com.br/cinema-e-tv/quem-e-lyonel-baratheon-o-tempestade-risonha-em-o-cavaleiro-dos-sete-reinos/">Sor Lyonel Baratheon</a></span><span style="font-weight: 400;"> (Daniel Ings), que precisa de chifres enormes de veado – símbolo da casa Baratheon – fixados em sua coroa para anunciar sua importância, não poderia ser mais preciso (e cômico) para apresentar essa ideia.</span> <span style="font-weight: 400;">Com um </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://rollingstone.com.br/entretenimento/como-o-cavaleiro-dos-sete-reinos-escondeu-seu-orcamento-curto-no-5o-episodio/">orçamento</a></span><span style="font-weight: 400;"> menor do que o de </span><span style="font-weight: 400;"><i>A Casa do Dragão</i></span><span style="font-weight: 400;"> – que frequentemente parece gastar o equivalente ao PIB de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://gameofthrones.fandom.com/pt-br/wiki/Essos">Essos</a></span><span style="font-weight: 400;"> em dragões de </span><span style="font-weight: 400;"><i>CGI</i></span><span style="font-weight: 400;"> –, </span><span style="font-weight: 400;"><i>O Cavaleiro dos Sete Reinos</i></span><span style="font-weight: 400;"> entrega um cenário e figurino impecáveis do início ao fim: do vestido de Lady Gwyn Ashford (Cara Harris) a armadura de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/602955-quem-sao-os-targaryens-de-o-cavaleiro-dos-sete-reinos-conheca-os-personagens.htm">Aerion Chama Viva</a></span><span style="font-weight: 400;"> (Finn Bennett), tão extravagante que parece ter saído diretamente dos livros.</span></p>
<figure id="attachment_37440" aria-describedby="caption-attachment-37440" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37440" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image5-1-800x532.png" alt="Cena da série O Cavaleiro dos Sete Reinos. Um cavaleiro imponente veste uma armadura negra ornamentada e segura uma lança enquanto monta um cavalo igualmente protegido por uma armadura com formato de cabeça de dragão. O elmo do cavaleiro possui detalhes pontiagudos e fecha completamente o rosto. No peito, um escudo com o símbolo de um dragão em tons avermelhados se destaca. Ao fundo, uma construção de pedra e uma estátua parcialmente visível reforçam o ambiente medieval." width="800" height="532" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image5-1-800x532.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image5-1-1024x682.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image5-1-768x511.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image5-1-1200x799.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image5-1.png 1522w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37440" class="wp-caption-text">A primeira temporada de O Cavaleiro dos Sete Reinos adaptou o primeiro conto da série de novelas de George R. R. Martin, intitulado O Cavaleiro Andante (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das decisões mais inteligentes da série é o que ela faz – ou melhor, o que ela não faz – com a </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://mashable.com/article/a-knight-of-the-seven-kingdoms-targaryen-family-tree">dinastia Targaryen</a></span><span style="font-weight: 400;">. Sem dragões há quase noventa anos, a família que governou Westeros nas chamas agora precisa governar com palavras, intrigas, politicagem e a memória do que um dia foram. Despidos da criatura que os tornava aterrorizantes, os Targaryen são apenas homens. Alguns gentis, como </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://ocinemae.com.br/artigos/baelor-quebralancas-o-principe-que-quase-foi-rei/">Baelor &#8220;Quebra-Lanças&#8221;</a></span><span style="font-weight: 400;"> (Bertie Carvel), outros patéticos, como Aerion &#8220;Chama Viva&#8221;, e alguns refratários, como Egg (ou </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://mixdeseries.com.br/o-cavaleiro-dos-sete-reinos-ep-3-explicado">Aegon Targaryen</a></span><span style="font-weight: 400;">), que não se dobra às expectativas impostas pelo sobrenome que carrega e não absorve a lógica de superioridade de sua família.</span><br />
<span style="font-weight: 400;">A </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://br.ign.com/o-cavaleiro-dos-sete-reinos/150315/news/sempre-temos-essa-conversa-sou-eu-o-relacionamento-de-dunk-e-egg-em-o-cavaleiro-dos-sete-reinos-e-ta">química</a></span><span style="font-weight: 400;"> entre os atores principais é um belo triunfo da produção. O irlandês, Peter Claffey, conhecido pelo longa </span><span style="font-weight: 400;"><i>Pequenas Coisas como Estas</i></span><span style="font-weight: 400;"> (2024) e o seriado </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/vikings-critica/"><i>Vikings Valhalla</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> (2022), constrói um Duncan equilibrado com seus valores, mas que ainda está procurando onde se encaixar. Já o carismático Dexter, que encantou os fãs desde sua revelação como Egg, já tinha aparecido no distópico universo de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Jogos Vorazes</i></span><span style="font-weight: 400;">, interpretando Cornelius Snow durante sua infância em </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/jogos-vorazes-a-cantiga-dos-passaros-e-das-serpentes-critica/"><i>A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> (2023). O garoto constrói um Aegon bem fiel às novelas, transitando entre a astúcia de quem precisa mentir para viver da forma que quer e a ingenuidade de ainda ser apenas uma criança.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Juntos, os dois fazem com que a relação entre cavaleiro e escudeiro se torne, inevitavelmente, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/series/astros-de-nova-game-of-thrones-usam-estrategia-inusitada-para-construir-amizade-144660">amizade</a></span><span style="font-weight: 400;">. Ao longo dos episódios, são as interações de Dunk e Egg que sustentam momentos em que a trama se apoia mais na emoção, que expõe a vulnerabilidade dos personagens, do que na ação. Essa química conquistou o público desde o ínicio, mas foi na </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://youtu.be/kHwJTEJwPh4?si=xFw_DQ6_D1ebsQtM"><i>CCXP</i></a></span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://youtu.be/kHwJTEJwPh4?si=xFw_DQ6_D1ebsQtM"> de 2025</a></span><span style="font-weight: 400;">, quando o elenco e a equipe da série vieram ao Brasil, que os atores puderam compreender a ansiedade dos fãs para ver a dupla na tela, sendo recebidos com muito carinho e aos gritos pelos entusiastas deste universo.</span></p>
<div class="mceTemp"></div>
<figure id="attachment_37443" aria-describedby="caption-attachment-37443" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37443" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image2-2-800x532.png" alt="Cena da série O Cavaleiro dos Sete Reinos. Em primeiro plano, uma criança de cabeça raspada olha para trás com expressão preocupada. Ela veste uma roupa escura com detalhes sutis em vermelho. Ao fundo, desfocado, uma grande estrutura em chamas ilumina a cena com tons alaranjados, criando contraste com o céu acinzentado e o clima tenso do momento." width="800" height="532" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image2-2-800x532.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image2-2-1024x681.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image2-2-768x511.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image2-2.png 1194w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37443" class="wp-caption-text">Egg (Aegon Targaryen) é tetraneto de Rhaenyra Targaryen, protagonista de A Casa do Dragão (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a série peca em algum ponto, é no uso do </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://revistamonet.globo.com/series/noticia/2026/01/george-r-r-martin-autor-de-game-of-thrones-revela-que-tentou-tirar-cena-escatologica-de-primeiro-episodio-do-novo-spin-off-mas-nao-foi-ouvido.ghtml">humor corporal</a></span><span style="font-weight: 400;">. A nudez sempre foi parte das adaptações das crônicas para a TV, em </span><span style="font-weight: 400;"><i>Game of Thrones</i></span><span style="font-weight: 400;"> era frequentemente carregada de subtexto político, relações de poder e feminismo. Em O Cavaleiro dos Sete Reinos, ela migra para o território da comédia, o que faz sentido dado o tom da série, todavia em alguns momentos ultrapassa o limite e quebra a atmosfera que a produção demora a construir. Dunk defecando de forma grotesca logo no primeiro episódio e Sor Arlan urinando numa piada sobre o tamanho de sua </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/602965-a-arma-gigante-de-arlan-pennytree-em-cavaleiro-dos-sete-reinos-e-real-entenda.htm">“</a></span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/602965-a-arma-gigante-de-arlan-pennytree-em-cavaleiro-dos-sete-reinos-e-real-entenda.htm"><i>espada</i></a></span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/602965-a-arma-gigante-de-arlan-pennytree-em-cavaleiro-dos-sete-reinos-e-real-entenda.htm">”</a></span><span style="font-weight: 400;"> são cenas expositivas demais, que beiram o grotesco, e acabaram por dividir a opinião dos fãs sobre a produção inteira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vale dizer que a cena escatológica tem uma </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/602898-cena-bizarra-com-abertura-de-got-em-cavaleiro-dos-sete-reinos-esconde-grande-significado.htm">justificativa</a></span><span style="font-weight: 400;">, já que acontece logo após a trilha icônica da série principal começar a tocar, criando a expectativa de uma abertura grandiosa como nas produções anteriores – uma espera que é deliberadamente frustrada pelo corte seco seguido do momento em questão. O próprio Parker explicou a escolha lembrando que o personagem ainda não conquistou nada que justifique uma trilha majestosa. Enquanto alguns desses excessos podem </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/ator-revela-bastidor-de-cena-escatologica-no-inicio-de-o-cavaleiro-dos-sete-reinos/">comprometer a experiência</a></span><span style="font-weight: 400;"> de espectadores mais sensíveis, os abertos a um humor menos convencional vão, no máximo, franzir a testa.</span><br />
<span style="font-weight: 400;">A honradez do protagonista encontra sua prova de fogo quando Aerion agride </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.gizmodo.com.br/dunk-e-tanselle-podem-se-reencontrar-em-o-cavaleiro-dos-sete-reinos-se-a-serie-continuar-alem-dos-livros-45893">Tanselle</a></span><span style="font-weight: 400;"> (Tanzyn Crawford), uma titieira </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/603187-segunda-temporada-de-o-cavaleiro-dos-sete-reinos-levara-personagens-para-dorne.htm">dornesa</a></span><span style="font-weight: 400;"> por quem o personagem se apaixona, intervindo sem calcular as consequências de contrariar um príncipe. Para salvar Dunk da retaliação do irmão, Egg revela que é </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-1000190568/">Aegon Targaryen</a></span><span style="font-weight: 400;">, porém a descoberta abala a relação dos dois tanto quanto a agressão, já que o protagonista percebe que seu escudeiro o enganou desde o início.</span></p>
<figure id="attachment_37438" aria-describedby="caption-attachment-37438" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37438" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image1-3-800x533.png" alt="Cena da série O Cavaleiro dos Sete Reinos. Em um grande salão de madeira iluminado por velas, várias figuras estão reunidas ao redor de uma longa mesa retangular. Ao centro, um homem de aparência nobre, com barba e vestes escuras, ocupa a posição de destaque. Outros homens e mulheres, também trajando roupas formais e de época, estão sentados ou em pé ao redor da mesa. Candelabros pendurados e um grande entalhe na parede ao fundo compõem o ambiente solene, enquanto guardas posicionados nas laterais reforçam a atmosfera de poder e formalidade." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image1-3-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image1-3-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image1-3-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image1-3-1200x800.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image1-3.png 1521w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37438" class="wp-caption-text">O nome do quinto episódio faz referência à Mãe dos Sete – a deusa da compaixão no universo de Martin (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A série não tem um </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://geekintellect.com.br/aerion-targaryen-cavaleiro-sete-reinos/">vilão tradicional</a></span><span style="font-weight: 400;">. Embora Aerion seja cruel e tenha seu embate com Dunk, ele é pequeno demais para sustentar o papel de antagonista de uma temporada inteira. O verdadeiro obstáculo do protagonista é o </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-1000190280/">sistema</a></span><span style="font-weight: 400;"> – a estrutura de poder que decide que sua vida vale menos que a de um príncipe, que a verdade não se firma em fatos, mas na vontade de quem governa, e que a honra é algo que, para as </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/229741-game-of-thrones-9-casas-membros-principais.htm">grandes casas</a></span><span style="font-weight: 400;">, se compra e se vende conforme a conveniência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É justamente a honradez verdadeira de Duncan que o leva à ponta da espada Targaryen, quando os príncipes Targaryen e Lorde Ashford se reúnem para decidir o destino do personagem. Logo, Aerion sugere um </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://exame.com/pop/o-cavaleiro-dos-sete-reinos-entenda-o-julgamento-dos-sete-na-nova-serie-de-game-of-thrones/">Julgamento dos Sete</a></span><span style="font-weight: 400;">. Uma variação do clássico </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://rollingstone.com.br/noticia/fas-de-game-thrones-querem-decidir-custodia-com-julgamento-por-combate/">Julgamento por Combate</a></span><span style="font-weight: 400;"> que vemos nas outras produções desse universo. Nesta versão especial, cada um dos duelistas escolhem mais seis pessoas para lutarem ao seu lado, até que todos os combatentes de um dos lados estejam mortos ou um dos líderes desista da queixa. Isso significa que o confronto pode ser mais longo e sangrento, e é justamente isso que acontece no aclamado </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://rollingstone.com.br/entretenimento/como-o-cavaleiro-dos-sete-reinos-escondeu-seu-orcamento-curto-no-5o-episodio/"><i>Em Nome da Mãe</i></a></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baelor decide compor o time de Duncan numa escolha corajosa, já que lutaria contra seu próprio sobrinho e seu irmão, e Carvel entrega cada nuance desse </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/603122-cavaleiro-dos-sete-reinos-o-que-acontece-com-a-linha-de-sucessao-depois-do-tragico-episodio-5.htm">príncipe bondoso</a></span><span style="font-weight: 400;"> com uma contenção que torna sua presença em cena mais poderosa que qualquer discurso poderia ser. É também no quinto episódio que a série mais se arrisca: o Julgamento dos Sete é filmado em grande parte do ponto de vista do protagonista dentro do capacete, com a </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://youtu.be/9465Z_ZtJsM?si=pFW44DiOFaQT_suX">visão recortada</a></span><span style="font-weight: 400;"> pelas frestas do elmo e o som abafado pelos golpes, colocando o espectador no mesmo estado de desorientação do personagem, sem a distância confortável de uma câmera épica.</span></p>
<figure id="attachment_37444" aria-describedby="caption-attachment-37444" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37444" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image3-1-800x618.jpg" alt="Página dupla da HQ O Cavaleiro Andante, adaptação em quadrinhos da obra de George R.R. Martin. Na imagem, uma grande cena de torneio medieval é retratada em perspectiva panorâmica, com dois grupos de cavaleiros armados se aproximando um do outro em campo aberto, Caixas de texto em inglês no canto superior esquerdo narram a ação em primeira pessoa, descrevendo o galope e o impacto físico da corrida. No grupo ao fundo, que avança de frente para o leitor, destacam-se cavaleiros com armaduras e mantos coloridos: um com escudo vermelho com maçã dourada, outro com manto xadrez em amarelo e preto, e um terceiro com armadura negra e ornamentos em laranja e vermelho, montado em um cavalo escuro. No grupo em primeiro plano, visto de costas, os cavaleiros também exibem armaduras elaboradas: à esquerda, um cavaleiro com manto e proteção xadrez em vermelho e branco; ao centro, um com elmo encimado por chifres de cervo e manto amarelo-ocre; à direita, um cavaleiro em armadura preta com detalhes em vermelho, e outro com vestes em listras pretas e douradas. Caixas de texto no canto inferior direito continuam a narração em primeira pessoa, descrevendo a tensão física do combate e o calor sufocante dentro do elmo." width="800" height="618" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image3-1-800x618.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image3-1-1024x792.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image3-1-768x594.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image3-1-1536x1187.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image3-1-1200x928.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image3-1.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37444" class="wp-caption-text">Todas as novelas de Dunk e Egg foram adaptadas em quadrinhos entre 2008 e 2017 (Foto: Mike S. Miller/Image Comics)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://rollingstone.com.br/entretenimento/o-cavaleiro-dos-sete-reinos-confirma-importante-teoria-de-game-of-thrones/"><i>flashback</i></a></span> <span style="font-weight: 400;">da Baixada das Pulgas coloca o tempero perfeito para a narrativa do episódio. A lama mostrada na infância e a lama da batalha se tornam a mesma coisa, dando força para Dunk se levantar. No entanto, é quando o personagem tira o elmo para conseguir respirar e enxergar que todos os estereótipos do que é ‘ser cavaleiro’ se quebram. A </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://youtu.be/kiPyP2qLu4U?si=sTyKJLNj9AN_QUne">armadura</a></span><span style="font-weight: 400;"> que deveria fazê-lo guerreiro é literalmente o que o impede de lutar, enquanto Aerion, coberto de metal elaborado, é quem pede rendição.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A vitória no Julgamento dos Sete é o momento em que os próprios deuses formalizam o que Sor Arlan nunca fez – Duncan é cavaleiro, reconhecido pelo combate e pela honra que o sustentou até o fim. A tragédia é que esse reconhecimento vem embalado na </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/o-cavaleiro-dos-sete-reinos-criador-explica-morte-chocante-episodio-5">morte de Baelor Targaryen</a></span><span style="font-weight: 400;"> que, ao ter o elmo removido, revela o golpe na cabeça que o levará. Ali vai junto a maior promessa da casa do dragão e um dos poucos nobres que enxergou Duncan como igual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vale o pensamento: </span><span style="font-weight: 400;"><i>Game of Thrones</i></span><span style="font-weight: 400;"> provavelmente não existiria como o conhecemos se Baelor tivesse assumido o trono. Ele era justo, popular, sábio e, como seu pai – o rei Daeron –, bom. Maekar, que agora é o herdeiro à coroa, sabe que as comparações com seu irmão com certeza vão atormentá-lo durante seu futuro reinado, porém algo ainda mais perturbador o corrói por dentro. Foi ele quem o </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://mixdeseries.com.br/o-cavaleiro-dos-sete-reinos-maekar-matou-baelor">matou</a></span><span style="font-weight: 400;">. Não intencionalmente, mas defendendo seu filho, Aerion.</span></p>
<div class="mceTemp"></div>
<figure id="attachment_37445" aria-describedby="caption-attachment-37445" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37445" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image8-800x532.png" alt="Cena da série O Cavaleiro dos Sete Reinos. Na imagem, dois guerreiros se enfrentam em um campo de batalha enlameado e nebuloso. À esquerda, um homem vestido com cota de malha e túnica cinza empunha uma espada com as duas mãos, em postura de ataque, com o rosto tenso e sujo. À direita, uma figura coberta por uma armadura escura e imponente segura um escudo com detalhes em vermelho e uma espada. Ao fundo, cavaleiros montados em cavalos brancos avançam em meio à névoa, próximos a um arco de pedra." width="800" height="532" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image8-800x532.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image8-1024x681.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image8-768x511.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image8-1200x798.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image8.png 1527w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37445" class="wp-caption-text">Em entrevista, Parker explicou que para as cenas com cavaleiros, armaduras e cavalos, contratou dublês e cavaleiros de nível mundial (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No velório de Baelor, o príncipe </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://miscelana.com/2026/01/26/baelor-e-valarr-a-tragedia-dos-targaryen-em-seven-kingdoms/">Valarr Targaryen</a></span><span style="font-weight: 400;"> (Oscar Morgan) – com sua mecha branca característica, exatamente como descrito nas novelas – contempla o corpo do pai sendo cremado e faz a pergunta que a série vai carregar para as próximas temporadas: por que os deuses levaram seu pai e pouparam um cavaleiro tão insignificante como Duncan? É a mesma pergunta que o protagonista faz para si mesmo, e o </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-1000185962/">espectador</a></span><span style="font-weight: 400;"> que não conhece os livros também. A questão, ainda sem resposta, é um convite para as fases futuras da produção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto Duncan lida com o peso da morte de Baelor, Egg carrega a dor de não conseguir escapar da </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-1000187473/">sombra do irmão</a></span><span style="font-weight: 400;">, e Dexter entrega essa âncora emocional com excelência. O nível de atuação do jovem ator torna a cena em que Maekar o impede de matar Aerion, uma das mais angustiantes da temporada, e reconhece que a única saída é dar ao filho o que ele deseja: seguir Dunk como seu escudeiro. Ele oferece ao cavaleiro um espaço em Solarestival para treinar Egg mediante juramento à coroa, mas o protagonista recusa, pois quer ensinar a vida real ao príncipe, não servir preso em um castelo – e os dois acabam encontrando, cada um à sua maneira, o mesmo caminho.</span></p>
<figure id="attachment_37442" aria-describedby="caption-attachment-37442" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37442" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image7-800x533.png" alt="Cena da série O Cavaleiro dos Sete Reinos. Na imagem, dois personagens cavalgam lado a lado por uma trilha em meio a colinas verdes e exuberantes. À esquerda, uma jovem de pele clara usa uma capa com capuz em tom verde-escuro e carrega uma pá presa à sela de seu cavalo marrom. À direita, um homem adulto de porte físico imponente e com muitos hematomas no rosto veste uma ampla capa bege e monta um cavalo de pelo mais escuro, olhando levemente para o lado. O cenário ao fundo remete a uma paisagem rural medieval, com vegetação abundante e céu nublado." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image7-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image7-1024x682.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image7-768x511.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image7-1200x799.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image7.png 1520w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37442" class="wp-caption-text">A segunda temporada da série já está em produção e tem previsão de estreia para o primeiro semestre de 2027 (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim, Egg foge do pai e segue junto de Duncan. Os dois partem para explorar os </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://br.ign.com/o-cavaleiro-dos-sete-reinos/150366/news/o-cavaleiros-dos-sete-reinos-por-que-o-titulo-muda-para-o-cavaleiro-dos-nove-reinos">nove</a></span><span style="font-weight: 400;"> – e não sete – reinos sem um destino certo, unidos por uma escolha mútua de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://youtu.be/VfUsF_iy3Og?si=giAX_YU067QtDwj9">seguir em frente</a></span><span style="font-weight: 400;">. Esse final retrata exatamente o cerne da produção: não é a grandeza de Westeros – inspiradas nas crônicas ou em </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://tribunahoje.com/noticias/entretenimento/2026/02/26/179003-a-casa-do-dragao-ja-tem-data-para-retornar-com-a-3a-temporada"><i>Fogo e Sangue</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> – que está na tela, mas sim dois improváveis que decidem cravar sua moeda na árvore, como Sor Arlan ensinou Dunk a fazer sempre que um cavaleiro sai em uma nova aventura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><i>O Cavaleiro dos Sete Reinos</i></span><span style="font-weight: 400;"> não tenta competir com o gigantismo de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Game of Thrones</i></span><span style="font-weight: 400;"> nem se compromete a uma trama cheia de reviravoltas como </span><span style="font-weight: 400;"><i>A Casa do Dragão</i></span><span style="font-weight: 400;">. Ela faz algo mais difícil: oferece uma </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://flixlandia.com.br/o-cavaleiro-dos-sete-reinos-episodio-6-critica-da-serie/">história menor</a></span><span style="font-weight: 400;">, mais íntima e mais humana, provando que Westeros tem espaço para narrativas mais curtas e fechadas, capazes de passar uma mensagem tão nítida quanto as grandes produções do universo de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/o-cavaleiro-dos-sete-reinos-george-r-r-martin-vai-colaborar-ate-o-fim">George R.R. Martin</a></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O saldo é muito positivo e deixa um gostinho de quero mais. Mesmo com ressalvas ao </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://rollingstone.com.br/entretenimento/o-cavaleiro-dos-sete-reinos-por-que-aquela-cena-emblematica-e-o-coracao-da-serie/">humor corporal</a></span><span style="font-weight: 400;"> que pontua alguns episódios, os fãs levaram a produção ao </span><span style="font-weight: 400;"><i>top 10</i></span><span style="font-weight: 400;"> da </span><span style="font-weight: 400;"><i>HBO Max</i></span><span style="font-weight: 400;"> em todas as semanas de estreia e atraíram novos interessados por Westeros. Seja para acompanhar as </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/o-cavaleiro-dos-sete-reinos-2-temporada-quando-sai">próximas temporadas</a></span><span style="font-weight: 400;"> de Dunk e Egg pelo mundo, ou revisitar </span><span style="font-weight: 400;"><i>Game of Thrones</i></span><span style="font-weight: 400;">, porém sem a esperança de um final agradável, como se espera de </span><span style="font-weight: 400;"><i>O Cavaleiro dos Sete Reinos</i></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="O Cavaleiro dos Sete Reinos | Trailer Oficial Dublado | HBO Max" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/uLsL3e4Vlpg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>10 anos depois, My Hero Academia ainda redefine o que é ser herói</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Aug 2026 13:00:05 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Anime]]></category>
		<category><![CDATA[Boku no Hero Academia]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica de Anime]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura Pop]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Lara Fagundes Izuku Midoriya quer se tornar o maior herói de todos, mas o que é ser ‘super’ em um mundo em que quase todos possuem superpoderes? A história de Kohei Horikoshi teve seu desfecho no mangá em 2024, e sua adaptação animada foi finalizada em dezembro de 2025. A narrativa se consolidou como referência &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/10-anos-depois-my-hero-academia-ainda-redefine-o-que-e-ser-heroi/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "10 anos depois, My Hero Academia ainda redefine o que é ser herói"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37260" aria-describedby="caption-attachment-37260" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37260" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image4-1-800x444.jpg" alt=" A imagem mostra um frame do anime. Um menino aparece ao centro, com pele branca, cabelo verde bagunçado e olhos da mesma cor, vestindo um uniforme azul com detalhes brancas e luvas verdes. Ele está sentado no chão, apoiado em uma das mãos, enquanto a outra está erguida, como se precisasse alcançar algo. A expressão no rosto dele é séria e determinada. Ao fundo, vemos um terreno alaranjado e desgastado." width="800" height="444" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image4-1-800x444.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image4-1-768x427.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image4-1.jpg 828w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37260" class="wp-caption-text">O primeiro episódio do anime foi exibido em 3 de abril de 2016 (Imagem: Bones Inc)</figcaption></figure>
<p><b>Lara Fagundes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Izuku Midoriya quer se tornar o maior herói de todos, mas o que é ser ‘super’ em um mundo em que quase todos possuem superpoderes? A história de Kohei Horikoshi teve seu desfecho no mangá em 2024, e sua adaptação animada foi finalizada em dezembro de 2025. A narrativa se consolidou como referência ao explorar conceitos clássicos sob uma nova perspectiva, tornando-se um dos maiores marcos dos animes de ação. Comemorar os dez anos de </span><a href="https://www.crunchyroll.com/pt-br/news/quizzes/2025/10/27/anime-my-hero-academia-melhores-momentos"><i><span style="font-weight: 400;">My Hero Academia</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é, acima de tudo, reconhecer seu simbolismo na modernização do estilo </span><i><span style="font-weight: 400;">shounen</span></i><span style="font-weight: 400;">, somado à sua notável construção de universo e desenvolvimento de personagens.</span></p>
<p><span id="more-37255"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A premissa inicial é simples: um protagonista, nascido sem poderes, vai para uma Academia de Heróis (UA, sigla em inglês da instituição) em busca de seu sonho, inspirado pelo herói número um do Japão, </span><a href="https://br.ign.com/my-hero-academia/143149/news/superman-ou-all-might-criador-de-boku-no-hero-tem-palpite-de-quem-venceria-crossover-poderoso"><span style="font-weight: 400;">All Might</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao acompanharmos sua jornada para se tornar alguém digno do título que admira, somos apresentados não apenas a um cenário onde a maioria da população possui ‘individualidades’ (os poderes desse universo), mas também a todo um sistema social, político e econômico que gira em torno delas. Uma ambientação verossímil e funcional, que enriquece a narrativa e envolve com coerência – o principal diferencial da série.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente de animes </span><a href="https://personaunesp.com.br/ha-25-anos-nos-tornamos-chapeus-de-palha-em-busca-do-lendario-one-piece/"><i><span style="font-weight: 400;">shounen</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">tradicionais, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Naruto </span></i><span style="font-weight: 400;">ou </span><i><span style="font-weight: 400;">Dragon Ball</span></i><span style="font-weight: 400;">, que costumam mostrar figuras inabaláveis, </span><i><span style="font-weight: 400;">My Hero Academia </span></i><span style="font-weight: 400;">não retira a humanidade, na verdade, se ancora nela. Temos uma sociedade que transforma o heroísmo em profissão, criando regulamentações, competitividade, relações de poder e envolvimento midiático. Assim, a trajetória de Midoriya precisa lidar com limitações físicas e emocionais, e com um sistema que, inicialmente, não foi criado para ele. A partir disso, é desenvolvido o questionamento: o que faz de alguém um herói?</span></p>
<figure id="attachment_37257" aria-describedby="caption-attachment-37257" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37257" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image1-3-800x446.jpg" alt="A imagem mostra um frame do anime. À esquerda, vemos um menino loiro de pele branca usando uma máscara preta com detalhes laranjas nas pontas afiadas que chegam até suas orelhas. Ele usa um uniforme preto com um marcas laranjas e ombros cinzas, luvas com as mesmas cores e calça preta, ao redor de sua cintura está um cinto com pequenas bombas. Ele olha com uma expressão agressiva para o personagem ao seu lado. À direita, está um menino de pele branca, cabelo verde bagunçado e olhos da mesma cor, vestindo um uniforme verde com detalhes brancos, luvas brancas, um capuz verde e uma máscara cinza. Ele está com uma das mãos sobre a boca, rindo. Ao fundo, vemos chão e paredes de pedra." width="800" height="446" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image1-3-800x446.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image1-3-768x429.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image1-3.jpg 828w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37257" class="wp-caption-text">Para iniciar a história, o criador buscou inspiração nos heróis dos quadrinhos ocidentais (Imagem: Bones Inc)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentro dessa questão, </span><a href="https://www.crunchyroll.com/pt-pt/news/features/2023/6/5/my-hero-academia-e-como-o-homem-aranha-ajudou-kohei-horikoshi-a-criar-seu-mundo-espetacular-de-super-herois?srsltid=AfmBOorjobkElKq_3C4vLkR6erVdD6FaA_c1SQ4LZNF4t0WrWeKmmg6i"><span style="font-weight: 400;">Horikoshi</span></a><span style="font-weight: 400;"> explora diferentes motivações e formatos para seguir esse caminho. Partindo da desigualdade com pessoas nascidas sem individualidade, há também uma abordagem sobre aqueles que escolhem ajudar por outros meios. Alguns dos exemplos são: </span><i><span style="font-weight: 400;">Recovery Girl</span></i><span style="font-weight: 400;">, que se torna médica com seu poder de cura, Mei Hatsume, que cria equipamentos, e os professores da UA dedicados na criação da nova geração. Além dos que veem apenas de modo profissional e bem remunerado, como Ochako Uraraka, que busca trazer auxílio financeiro para a família – algo simples, mas que dialoga diretamente com a normalização dos superpoderes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, são as trajetórias marcadas por conflitos internos e relações interpessoais que se destacam, com cada personagem contribuindo para o enredo à sua maneira. A dualidade na relação de </span><a href="https://omaringa.com.br/coluna/animes-online/guia-do-episodio-tudo-sobre-izuku-midoriya-origem-em-boku-no-hero-academia/amp/"><span style="font-weight: 400;">Midoriya</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Katsuki Bakugou é um caso que ilustra inspirações semelhantes, mas motivações opostas. Enquanto o primeiro representa o ideal altruísta, o outro surge movido pela competitividade e o poder, passando por um arco que desconstrói o orgulho aos poucos e traz reflexões sobre ego e medo de fracasso. A evolução dele contribui para os acontecimentos e o crescimento em equipe, sem perder a origem do personagem, que mantém sua ambição até o fim.</span></p>
<figure id="attachment_37259" aria-describedby="caption-attachment-37259" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37259" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image3-3-800x450.png" alt="A imagem mostra um frame do anime. Um menino aparece ao centro, com pele branca e cabelo repartido ao meio. Ao lado esquerdo, seu cabelo é da cor branca, com um olho castanho, ao lado direito, o cabelo é vermelho, com um olho azul. Ao redor do olho azul, ele possui uma cicatriz vermelha que vai até o topo de seu rosto. Ele usa um uniforme azul com detalhes cinzas. Está com uma expressão séria. Ao fundo, vemos uma parede bege com o rodapé verde claro." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image3-3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image3-3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image3-3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image3-3-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image3-3-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image3-3.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37259" class="wp-caption-text">My Hero Academia traz estilos de luta inspirados em artes marciais reais (Imagem: Bones Inc)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para uma oposição ainda maior, temos Shoto Todoroki, que é forçado a participar da Academia pelo pai, </span><a href="https://criticalhits.com.br/anime/endeavor-merecia-um-final-pior-do-que-o-que-recebeu-em-my-hero-academia/"><span style="font-weight: 400;">Endeavor</span></a><span style="font-weight: 400;">, veterano do ramo. A família possui uma das tramas mais densas, aprofundando a discussão sobre o que é salvar o mundo pelo ‘motivo certo’ e a possibilidade de escolher o vilanismo ou simplesmente não gostar de heróis. Por conta da relação parental conturbada, Shoto e os irmãos possuem uma certa rejeição à própria identidade, e seu genitor quebra a idealização ao retratar alguém falho e moralmente questionável. A tensão construída adiciona uma camada complexa dentro da carreira heroica, que pode ser marcada por contradições.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa união de perspectivas apresenta uma novidade no gênero e se consolida ao longo da trajetória da animação ao explorar os </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/lista/liga-dos-viloes-todos-membros-my-hero-academia.html"><span style="font-weight: 400;">supervilões</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que torna os conflitos ainda mais impactantes. Os protagonistas encaram antagonistas complexos, com motivos que se tornam denúncias ao contexto do anime. Ao mesmo tempo, a representatividade feminina também cria debates sociais durante partes do enredo. Embora não escape da sexualização comum ao </span><i><span style="font-weight: 400;">shounen </span></i><span style="font-weight: 400;">– que é voltado ao público masculino – existe um esforço perceptível na obra em tornar as mulheres relevantes, colocando-as em posições de destaque: Mirko, entre os cinco melhores heróis do Japão, e Nejire, entre os três alunos mais fortes da UA.</span></p>
<figure id="attachment_37258" aria-describedby="caption-attachment-37258" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37258" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image2-7-800x419.png" alt="A imagem mostra um frame do anime. Uma menina aparece ao centro, com pele branca, cabelos curtos castanhos e olhos da mesma cor. Ela está próxima da câmera, suas bochechas são rosadas e ela olha para o lado esquerdo, com uma expressão determinada. Podemos ver a gola cor de rosa de sua roupa, com ombros em um rosa mais claro. Ao fundo, é possível ver uma parede de pedras." width="800" height="419" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image2-7-800x419.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image2-7-1024x536.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image2-7-768x402.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image2-7.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37258" class="wp-caption-text">Para comemorar uma década, um episódio especial foi anunciado para maio de 2026 (Imagem: Bones Inc)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem se destaca é Uraraka, que aparenta ser apenas um interesse romântico no início, mas depois se torna progressivamente relevante. Ela se torna um papel essencial na batalha final, sem se apoiar no protagonista para conquistar sua narrativa independente. Apesar das meninas não serem tão exploradas quanto os meninos, as mesmas não seguem </span><a href="https://br.ign.com/demon-slayer/147842/news/por-mais-repetitivo-que-seja-este-arquetipo-de-personagem-em-animes-sempre-arrepia"><span style="font-weight: 400;">arquétipos</span></a><span style="font-weight: 400;"> comuns de donzelas em perigo: lutam suas batalhas, são reconhecidas conforme evoluem e, diferente de grande parte dos </span><i><span style="font-weight: 400;">shounen</span></i><span style="font-weight: 400;">, podemos vê-las estabelecendo relações entre si e enfrentando figuras masculinas em competições. Assim, ainda que não seja revolucionário, demonstra um certo avanço na forma como representa personagens femininas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final, </span><i><span style="font-weight: 400;">My Hero Academia </span></i><span style="font-weight: 400;">abandona a fórmula do herói central que supera desafios sozinho e mostra que o verdadeiro diferencial está na compreensão do poder. O anime celebra indivíduos que conduzem as próprias histórias e as amizades que contribuem para isso, indo além de apenas grandes duelos. Horikoshi constrói uma sociedade a partir da reflexão sobre o que significa ser extraordinário em um mundo onde isso se torna cotidiano, tendo seu legado de </span><a href="https://www.crunchyroll.com/pt-br/news/latest/2025/12/20/my-hero-academia-anime-episodio-extra-10-aniversario?srsltid=AfmBOorl6-xXVpHPzigcetpTMcG5TWukUCjGxpNk9uZySoucN8babYyV"><span style="font-weight: 400;">10 anos</span></a><span style="font-weight: 400;"> marcado no próprio universo ao reimaginar o </span><i><span style="font-weight: 400;">shounen </span></i><span style="font-weight: 400;">e seus conceitos clássicos, ultrapassando protagonistas masculinos inabaláveis.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="MY HERO ACADEMIA( trailer oficial dublado em PT BR)!" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/kUtQw_r7oFY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Tremembé: quando o crime vira espetáculo</title>
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		<pubDate>Fri, 08 May 2026 13:00:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Televisão]]></category>
		<category><![CDATA[Elize Matsunaga]]></category>
		<category><![CDATA[Nathalia Helen]]></category>
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		<category><![CDATA[True Crime Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Ulisses Campbell]]></category>
		<category><![CDATA[Vera Egito]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Helen Lançada em Outubro de 2025 pelo Prime Video, Tremembé chegou como uma das produções brasileiras mais comentadas do ano. A série mergulha no universo de crimes reais e na rotina da Penitenciária Doutor José Augusto César Salgado – mais conhecida como a ‘prisão das celebridades’ – para revisitar histórias que marcaram a memória &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/tremembe-quando-o-crime-vira-espetaculo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Tremembé: quando o crime vira espetáculo"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/tremembe-quando-o-crime-vira-espetaculo/">Tremembé: quando o crime vira espetáculo</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_37288" aria-describedby="caption-attachment-37288" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37288" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image4-800x450.jpg" alt="[Texto alternativo: Elenco principal de Tremembé reunido atrás das grades. Homens e mulheres aparecem lado a lado, vestindo roupas de presidiários em tons terrosos. A fotografia em amarelo e sépia reforça a sensação de aprisionamento e vigilância, representando o ambiente opressor da penitenciária.]" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image4-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image4.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37288" class="wp-caption-text">Tremembé é baseada no livro homônimo de Ulisses Campbell (Foto: Prime Video)</figcaption></figure><b>Nathalia Helen</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançada em Outubro de 2025 pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Prime Video</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Tremembé</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegou como uma das produções brasileiras mais comentadas do ano. A série mergulha no universo de crimes reais e na rotina da Penitenciária Doutor José Augusto César Salgado – mais conhecida como a ‘</span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/sp/tremembe-entenda-de-onde-surgiu-fama-de-presidio-dos-famosos/"><span style="font-weight: 400;">prisão das celebridades</span></a><span style="font-weight: 400;">’ – para revisitar histórias que marcaram a memória coletiva do país. Sob a direção de </span><a href="https://academiabrasileiradecinema.com.br/socios-acad/vera-egito/"><span style="font-weight: 400;">Vera Egito</span></a><span style="font-weight: 400;">, a minissérie propõe um olhar instigante sobre o cotidiano de detentos famosos, transformando casos trágicos e violentos em uma trama envolvente e provocadora.</span></p>
<p><span id="more-37284"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com apenas cinco episódios, </span><i><span style="font-weight: 400;">Tremembé</span></i><span style="font-weight: 400;"> recria o convívio entre figuras conhecidas como </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-menina-que-matou-os-pais-a-confissao-critica/"><span style="font-weight: 400;">Suzane von Richthofen</span></a><span style="font-weight: 400;">, Anna Carolina Jatobá, </span><a href="http://personaunesp.com.br/elize-matsunaga-era-uma-vez-um-crime-critica/"><span style="font-weight: 400;">Elize Matsunaga</span></a><span style="font-weight: 400;">, os irmãos Cravinhos, Alexandre Nardoni e Sandrão. Baseada nos livros do jornalista Ulisses Campbell – </span><i><span style="font-weight: 400;">Elize Matsunaga: a mulher que esquartejou o marido</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2021) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Suzane: assassina e manipuladora</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2020) – a minissérie combina pesquisa jornalística rigorosa e licença artística, resultando em uma narrativa que mistura fatos e imaginação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O enredo se desenrola dentro dos muros da penitenciária, alternando cenas da rotina prisional com </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos crimes que levaram cada um até ali. Apesar de revisitar atos brutais, a direção evita o </span><a href="https://www.significados.com.br/gore/"><i><span style="font-weight: 400;">gore</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> gratuito, preferindo sugerir o horror em vez de exibi-lo. A estética é marcada por tons acinzentados e iluminação fria, reforçando a atmosfera sufocante do cárcere. A montagem acelerada e o ritmo pulsante mantêm o espectador em constante alerta, ainda que por vezes essa velocidade sacrifique a profundidade emocional.</span></p>
<p><figure id="attachment_37285" aria-describedby="caption-attachment-37285" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37285" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image1-1-800x450.jpg" alt="[Texto alternativo: Cena promocional de Tremembé. Três personagens posam para fotos de ficha criminal, segurando placas com seus nomes e penas: Daniel Cravinhos, Suzane von Richthofen e Cristian Cravinhos. O fundo branco com marcações de altura remete ao registro policial, evidenciando o aspecto realista e documental da série.]" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image1-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image1-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image1-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image1-1.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37285" class="wp-caption-text">Tremembé possui elenco de peso com Carol Garcia, Felipe Simas, Kelner Macêdo e Marina Ruy Barbosa (Foto: Prime Video)</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Há algo fascinante e incômodo na maneira como </span><i><span style="font-weight: 400;">Tremembé</span></i><span style="font-weight: 400;"> transforma criminosos reais em personagens quase mitológicos. As protagonistas femininas surgem com letreiros de introdução dignos de vilãs de quadrinhos, em um jogo visual que ironiza e ao mesmo tempo reforça o fascínio midiático que o público cultiva por essas figuras. O resultado é um </span><a href="https://mundotruecrime.com/o-que-e-true-crime-historia-brasil/"><i><span style="font-weight: 400;">true crime</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que flerta com o absurdo, oscilando entre drama carcerário e a sátira do espetáculo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa abordagem, embora criativa, levanta dilemas éticos. Ao priorizar o entretenimento, a série acaba negligenciando o peso das vítimas e o impacto social dos </span><a href="https://exame.com/pop/tremembe-quem-e-quem-na-serie-conheca-os-crimes-cometidos-por-cada-personagem/"><span style="font-weight: 400;">crimes retratados</span></a><span style="font-weight: 400;">. O que poderia ser uma reflexão sobre a espetacularização da violência se torna, em certos momentos, um exercício de voyeurismo polido – agradável de assistir, mas desconfortavelmente superficial. O julgamento moral é deixado para a audiência, como se a produção se eximisse da responsabilidade de propor uma leitura crítica mais consistente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo assim, a obra acerta em alguns aspectos. A atuação de </span><a href="https://www.imdb.com/pt/name/nm1773139/"><span style="font-weight: 400;">Marina Ruy Barbosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> merece destaque: seus olhares precisos e postura calculada recriam a frieza da personagem real sem cair na caricatura. O elenco coadjuvante, porém, nem sempre acompanha o mesmo nível – alguns papéis soam como figuras decorativas, criadas apenas para preencher o espaço da prisão. Ainda assim, as caracterizações físicas e visuais são notavelmente fiéis, o que contribui para o realismo da obra.</span></p>
<p><figure id="attachment_37286" aria-describedby="caption-attachment-37286" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37286" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image2-800x450.jpg" alt="[Texto alternativo: Foto da série Tremembé, do Prime Video. Quatro detentas estão em uma cela de paredes verde-água, com camas de alvenaria e ambiente desgastado. Todas usam uniformes em tons de bege e marrom. O clima é tenso e introspectivo, destacando a rotina e o confinamento dentro da penitenciária feminina.]" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image2-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image2.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37286" class="wp-caption-text">Tremembé transforma a penitenciária em palco psicológico (Foto: Prime Video)</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Outro acerto está na trilha sonora, que traz escolhas ousadas como a versão de </span><a href="https://open.spotify.com/artist/4v1mao101nIWvxzotCSKyz?si=f_AaKTjYRw-yWmoutLe1Ig"><span style="font-weight: 400;">Ana Canãs</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://open.spotify.com/track/0qR80nfDDv3QNNvepCHunM?si=jqTs7hTiQMiNCHQTqE9cEA"><i><span style="font-weight: 400;">Perigosa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A canção embala cenas de manipulação e rivalidade com um toque de ironia </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, misturando leveza e tensão em doses precisas. Essa combinação reforça o tom ácido e às vezes cômico que permeia a série, em especial nas interações entre as detentas, repletas de rivalidades e segredos velados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É impossível não traçar paralelos entre Tremembé e a premiada </span><a href="https://personaunesp.com.br/oitnb-temp-final/"><i><span style="font-weight: 400;">Orange Is the New Black</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021), seriado norte-americano que também explorou o universo prisional feminino. Enquanto a produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">apostava na diversidade e na crítica social como eixos centrais, </span><i><span style="font-weight: 400;">Tremembé</span></i><span style="font-weight: 400;"> opta por um caminho mais estético e espetacularizado, focando nas tensões pessoais e nas relações de poder entre mulheres marcadas pela fama. Essa diferença torna a série brasileira mais teatral e menos sociológica, porém também mais ousada em sua mistura de humor afiado e tragédia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da força estética, </span><i><span style="font-weight: 400;">Tremembé</span></i><span style="font-weight: 400;"> tropeça quando tenta equilibrar suas duas frentes narrativas: o presídio feminino, intenso e cheio de conflitos, e o masculino, – que soa quase como uma reunião de bar –, sem o mesmo peso dramático. A divisão de foco dilui o impacto do conjunto e prejudica o desenvolvimento de personagens que poderiam render mais. Essa escolha narrativa reforça a ideia de que o interesse do público – e da direção – recai sobre as figuras femininas, transformadas em </span><a href="https://ricardodourado.com.br/mulheres-assassinas-uma-1mersao-nos-crimes-que-chocaram-o-brasil/"><span style="font-weight: 400;">ícones midiáticos</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><figure id="attachment_37287" aria-describedby="caption-attachment-37287" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37287" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image3-1-800x450.jpg" alt="[Texto alternativo: Cena de Tremembé mostrando Elize Matsunaga e Sandra Ruiz posando para fichas criminais. Ambas seguram placas com seus nomes e penas. O olhar firme das personagens reforça a tensão entre arrependimento e frieza, um dos temas centrais da narrativa.]" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image3-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image3-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image3-1.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37287" class="wp-caption-text">Dirigida por Vera Egito, a série mistura tensão e energia em cada cena (Foto: Prime Video)</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Ao escolher não justificar os crimes, e também evitar um debate mais profundo sobre o sistema prisional, a série se mantém em um terreno confortável. Questões como </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/sp/superlotacao-presidios-de-sp-operam-54-acima-da-capacidade/"><span style="font-weight: 400;">superlotação</span></a><span style="font-weight: 400;">, tratamento desigual e o papel da mídia na criação de ‘celebridades do crime’ aparecem apenas de forma tangencial. Assim, o potencial de crítica social se perde entre as intrigas pessoais, e o espetáculo se sobrepõe à análise.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Tremembé</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma produção esteticamente refinada e instigante, contudo, moralmente ambígua. É fácil de </span><a href="https://www.otempo.com.br/opiniao/diego-almeida/2025/11/5/tremembe-se-torna-a-serie-mais-assistida-da-historia-do-prime-video"><span style="font-weight: 400;">maratonar</span></a><span style="font-weight: 400;"> – seu formato enxuto e ritmo dinâmico prendem a atenção –, no entanto deixa um eco de frustração em quem busca profundidade. Ao transformar o confinamento físico em metáfora para prisões psicológicas e sociais, a produção revela que o verdadeiro cárcere talvez não esteja apenas entre as grades, mas sim na maneira como a sociedade consome e glamouriza a tragédia alheia.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Tremembé | Trailer Oficial | Prime Video" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ntEbzX0wzxQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Há cinco anos, Julie and the Phantoms chegava à beira da perfeição mas foram impedidos de continuar brilhando</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Apr 2026 13:00:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Charlie Gillespie]]></category>
		<category><![CDATA[Julie and The Phantoms]]></category>
		<category><![CDATA[Kenny Ortega]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Marcela Jardim Cinco anos após sua estreia, Julie and the Phantoms permanece como um dos casos mais emblemáticos, e talvez frustrantes, da cultura pop adolescente recente. Cancelada pela Netflix mesmo diante de números expressivos, engajamento orgânico e forte apelo musical, a série se tornou símbolo de uma era em que sucesso nem sempre garante continuidade. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ha-cinco-anos-julie-and-the-phantoms-chegava-a-beira-da-perfeicao-mas-foram-impedidos-de-continuar-brilhando/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há cinco anos, Julie and the Phantoms chegava à beira da perfeição mas foram impedidos de continuar brilhando"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36924" aria-describedby="caption-attachment-36924" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36924" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4-3-800x450.png" alt="Cena de Julie and the Phantoms. A cena mostra um grupo musical de quatro jovens, composto por três homens e uma mulher, performando em um palco iluminado. A mulher, Julie, é negra e tem cabelos cacheados volumosos, está no centro, vestindo um vestido roxo com saia de tule e jaqueta brilhante. Os homens, brancos, usam roupas estilosas: Reggie com colete vermelho com tachas, Luke com jaqueta azul marinho e sem mangas e Alex com um blazer rosa claro. Todos seguram microfones e estão cantando, com expressões de empolgação. O palco é iluminado por um fundo de luzes vibrantes em tons de vermelho e branco, simulando fogos de artifício. A cena é vista de um ângulo baixo, com a plateia desfocada em primeiro plano, indicando um show ao vivo. A iluminação é intensa e colorida, criando uma atmosfera enérgica e festiva. A composição é dinâmica, com os artistas posicionados de forma a enfatizar a energia da performance." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4-3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4-3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4-3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4-3-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4-3.png 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36924" class="wp-caption-text">Todos os atores do elenco principal realmente tocam os instrumentos de seus personagens (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Jardim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cinco anos após sua estreia, </span><a href="https://personaunesp.com.br/julie-and-the-phantoms-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Julie and the Phantoms</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> permanece como um dos casos mais emblemáticos, e talvez frustrantes, da cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">adolescente recente. Cancelada pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">mesmo diante de números expressivos, engajamento orgânico e forte apelo musical, a série se tornou símbolo de uma era em que sucesso nem sempre garante continuidade. O encerramento precoce deixou um rastro de pontas soltas e narrativas que impedem a obra de atingir seu pleno potencial, transformando o carinho do público em uma nostalgia agridoce. Mais do que um seriado interrompido, </span><i><span style="font-weight: 400;">Julie and the Phantoms</span></i><span style="font-weight: 400;"> virou um luto coletivo compartilhado por seus fãs.</span></p>
<p><span id="more-36920"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Parte desse impacto vem da força de suas músicas, que extrapolaram a tela e se consolidaram como o maior legado da produção. Canções como </span><i><span style="font-weight: 400;">Bright</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Finally Free</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Edge of Great </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://youtu.be/Qbwa0SY4kCs"><i><span style="font-weight: 400;">Stand Tall</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não funcionam apenas como números musicais isolados, mas como demonstrações de que a banda fictícia tinha uma identidade sonora sólida, coerente e carismática. O entrosamento entre os integrantes fazia cada performance parecer legítima, quase documental, reforçando a ideia de que aquele grupo realmente existia e merecia continuar existindo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, outro fator que sustenta a força emocional e estética da obra é a bagagem de Kenny Ortega, diretor que carrega no currículo clássicos formadores de gerações como </span><i><span style="font-weight: 400;">High School Musical </span></i><span style="font-weight: 400;">(2006) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Descendentes </span></i><span style="font-weight: 400;">(2015). Sua experiência em unir narrativa juvenil, música e emoção é evidente em cada escolha, desde a coreografia até a forma como as canções avançam a trama. Ortega aposta em performances intensas, números musicais grandiosos e uma sensibilidade rara ao lidar com temas como luto, pertencimento e identidade.</span></p>
<figure id="attachment_36923" aria-describedby="caption-attachment-36923" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36923" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-5-800x500.png" alt="Cena de Julie and the Phantoms. A cena mostra a banda do seriado, composta por três homens e uma mulher, se apresentando em um palco em um bar. Julie está no centro, segurando um microfone e cantando com expressão apaixonada. Ela veste uma blusa azul turquesa com detalhes brilhantes, shorts prateados e botas pretas com cadarços. Ao seu lado direito, Luke toca guitarra elétrica. Ele usa uma regata preta, calças escuras e tênis pretos e brancos, com uma corrente pendurada na calça. Reggie, no canto esquerdo, toca baixo com uma jaqueta sem mangas, calças rasgadas e cabelo escuro. A bateria e Alex estão no fundo. O palco é iluminado por luzes de palco e uma bola de espelhos pendurada no teto. As paredes são de tijolos, decoradas com luzes de natal. A composição é um plano aberto, com foco nítido nos artistas. A atmosfera é animada e energética." width="800" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-5-800x500.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-5-1024x640.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-5-768x480.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-5-1536x960.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-5-1200x750.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-5.png 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36923" class="wp-caption-text">Madison Reyes e Charlie Gillespie escreveram e produziram a canção Perfect Harmony (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O sucesso da produção também se traduziu em trajetórias individuais, ainda que de forma desigual. </span><a href="https://youtu.be/CMjCOp6bRwg"><span style="font-weight: 400;">Charlie Gillespie</span></a><span style="font-weight: 400;"> acabou sendo o único do elenco a continuar com certo destaque na indústria do cinema e música, enquanto os demais seguiram caminhos mais discretos. Ainda assim, o vínculo entre os atores permanece forte até hoje, com encontros, interações públicas e declarações de afeto que reforçam a sensação de que </span><i><span style="font-weight: 400;">Julie and the Phantoms</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi mais do que um trabalho passageiro: foi uma experiência formadora, tanto para quem fez quanto para quem assistiu.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No Brasil, a nostalgia ganhou uma camada extra graças à </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/tudo-sobre/julie-e-os-fantasmas"><span style="font-weight: 400;">versão nacional</span></a><span style="font-weight: 400;">, que ajudou a ampliar o alcance do seriado e criou uma relação afetiva ainda mais profunda com o público local. A produção também marcou uma espécie de retorno à estética das séries dos anos 2010, apostando em cores vibrantes, trilhas </span><i><span style="font-weight: 400;">pop-rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> e uma narrativa emocionalmente direta. Esse resgate, longe de soar datado, permitiu que o seriado dialogasse com diferentes gerações, alcançando crianças, adolescentes e adultos em busca de conforto emocional.</span></p>
<figure id="attachment_36922" aria-describedby="caption-attachment-36922" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36922" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-6-800x463.png" alt="Cena de Julie and the Phantoms. A cena mostra Alex, Luke e Reggie, que estão em um ambiente interno com paredes claras. O da esquerda, Alex, com cabelo loiro, usa uma jaqueta jeans cinza desgastada, uma camiseta rosa, calças pretas e uma bolsa preta transversal. Ele tem uma expressão sorridente e parece estar acenando. O do meio, Luke, com cabelo castanho, veste uma jaqueta jeans tie-dye azul e branca com detalhes vermelhos, sobre uma camiseta branca com estampa e calças pretas. Ele também sorri e acena com os braços abertos. O da direita, Reggie, com cabelo preto, usa uma jaqueta de couro preta, uma camiseta branca e calças pretas, com uma expressão animada e lábios entreabertos. Eles parecem estar no centro da imagem. O enquadramento é em plano médio, mostrando os homens da cintura para cima. A iluminação é difusa, provavelmente de fontes de luz naturais, com uma atmosfera alegre e descontraída. " width="800" height="463" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-6-800x463.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-6-1024x593.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-6-768x445.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-6-1536x890.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-6-1200x695.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-6.png 1852w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36922" class="wp-caption-text">O nome da banda Sunset Curve é uma referência à famosa curva em Sunset Boulevard em Los Angeles (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Exibida em plena pandemia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Julie and the Phantoms</span></i><span style="font-weight: 400;"> se destacou pela forma sensível com que abordou o luto, sem cair em melodrama excessivo. A série entende a dor da perda como algo contínuo, que não se resolve facilmente, e aposta nas amizades como ferramenta fundamental para atravessar esse processo. A música surge como ponte entre mundos, entre vivos e mortos, entre passado e presente, um conceito que ecoa em outras produções contemporâneas, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/stranger-things-4-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Stranger Things</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2016), especialmente na associação entre música e alma vista no arco da Maldição do Vecna, por exemplo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, o cancelamento impediu que relações centrais fossem desenvolvidas com a profundidade necessária. A falta de evolução da dinâmica entre Julie e Luke é particularmente dolorosa, sobretudo diante da química evidente dos dois em </span><a href="https://youtu.be/YduFDvZqIhQ"><i><span style="font-weight: 400;">Perfect Harmony</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O que poderia se tornar um dos romances mais memoráveis da televisão juvenil ficou suspenso no tempo, reforçando a sensação de incompletude que acompanha a série desde seu fim abrupto.</span></p>
<figure id="attachment_36921" aria-describedby="caption-attachment-36921" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36921" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-7.png" alt="Cena de Julie and the Phantoms. A cena mostra um grupo de cinco adolescentes de etnias variadas reunido em um ginásio. No canto esquerdo, Flynn, uma jovem negra com cabelo trançado, usa uma jaqueta vermelha com estampa de leopardo sobre uma blusa rosa, uma minissaia jeans e tênis rosa choque, de braços cruzados e olhar fixo. Ao seu lado, Julie, uma jovem com pele escura e cabelos cacheados, usa um macacão camuflado com patches e tênis rosa, com uma expressão de surpresa. O terceiro, Luke, é um jovem caucasiano de pele clara e cabelo castanho, usa uma regata cinza com uma estampa e calças pretas, com um gorro laranja. O quarto, Alex, é um jovem loiro, usa uma camisa cinza sobre uma camisa lilás e uma pochete preta e o último jovem, Reggie, também caucasiano, veste uma camisa xadrez vermelha e preta sobre uma camiseta preta, calças pretas e uma corrente. Todos parecem estar olhando para algo fora da imagem com expressões de surpresa ou expectativa. O fundo mostra um ginásio com um escudo esportivo na parede, com iluminação clara, provavelmente artificial, e um tom geral jovial e vibrante. A composição é em plano fechado, com os jovens em pé, levemente descentralizados." width="800" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-7.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-7-768x480.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36921" class="wp-caption-text">Cheyenne Jackson (Caleb Convington), Jadah Marie (Flynn) e Booboo Stewart (Willie), trabalharam anteriormente com Kenny Ortega em Descendentes 3 (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Visualmente, </span><a href="https://youtu.be/3ZoRPHprFOw?si=i6GbNkAfTjlb7y3P"><i><span style="font-weight: 400;">Julie and the Phantoms</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> também deixou sua marca. Os </span><i><span style="font-weight: 400;">looks </span></i><span style="font-weight: 400;">maximalistas, cheios de camadas, brilho, estampas e personalidade, se destacaram em uma era dominada pelo minimalismo e acabaram influenciando tendências entre fãs. Essa estética dialogava diretamente com a proposta da produção: celebrar a expressão individual, a emoção exagerada e a intensidade juvenil, valores que também se refletem em suas músicas motivacionais e energéticas, além de referenciar o estilo dos anos 2000.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, o maior fantasma que assombra </span><i><span style="font-weight: 400;">Julie and the Phantoms</span></i><span style="font-weight: 400;"> são suas inúmeras perguntas sem resposta. Qual é, afinal, o assunto inacabado de Willie e dos meninos da </span><a href="https://youtu.be/Q6bFYaVXMiY?si=bl8_sn-ue5VyMui1"><span style="font-weight: 400;">Sunset Curve</span></a><span style="font-weight: 400;">? O que explica o fato de Julie conseguir tocá-los após a apresentação no Orpheum? Qual a real conexão deles com a mãe da protagonista? E, talvez a mais intrigante: de onde vêm e até onde vão os poderes de Caleb? Cinco anos depois, essas lacunas infelizmente continuam abertas, transformando a série em um eterno ‘quase’, uma obra que provou sua força, mas foi privada do direito de se concluir.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Julie and the Phantoms | Trailer da temporada 01 | Dublado (Brasil) [HD]" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/6ewpnbl3FEo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A 2º temporada de Doctor Who mostra que nem viagens do tempo impedem a aventura de acabar cedo demais</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Apr 2026 13:00:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Atenção: o texto a seguir contém spoilers que nem Senhores do Tempo conseguem evitar! Iris Italo Marquezini Doctor Who possui um legado bastante complicado de lidar. A natureza quase ilimitada do storytelling da série permite narrativas situadas tanto no passado quanto no futuro do planeta Terra e de todo o espaço sideral. Essa obra existe &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/2o-temporada-doctor-who-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A 2º temporada de Doctor Who mostra que nem viagens do tempo impedem a aventura de acabar cedo demais"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Atenção:</em> </strong><em>o texto a seguir contém spoilers que nem Senhores do Tempo conseguem evitar!</em></p>
<figure id="attachment_37008" aria-describedby="caption-attachment-37008" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37008" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-1-1-800x533.jpg" alt="Na imagem, Doutor e Belinda estão em primeiro plano dentro de um cinema antigo com várias fileiras de cadeiras vermelhas. Doutor é um homem negro jovem de cabelo curto escuro e bigode. Ele usa um terno azul por cima de uma camisa branca e uma gravata rosa no colarinho. Belinda está ao lado esquerdo. Ela é uma mulher de pele escura com cabelo moreno penteado no estilo dos anos 60. Ela usa um vestido da mesma época em cor salmão. Ambos os personagens olham diretamente para a câmera." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-1-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-1-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-1-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-1-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-1-1-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-1-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37008" class="wp-caption-text">O Doutor e Belinda fazem uma excursão incrível pelos confins da galáxia para terminar viajando na maionese (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><b><i>Iris Italo Marquezini</i></b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Doctor Who</span></i><span style="font-weight: 400;"> possui um legado bastante complicado de lidar. A natureza quase ilimitada do </span><i><span style="font-weight: 400;">storytelling</span></i><span style="font-weight: 400;"> da série permite narrativas situadas tanto </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ubTJI_UphPk"><span style="font-weight: 400;">no passado</span></a><span style="font-weight: 400;"> quanto no futuro do planeta Terra e de todo o espaço sideral. Essa obra existe desde 1963 e, após o  famoso período de </span><i><span style="font-weight: 400;">hiatus</span></i><span style="font-weight: 400;">, o seriado voltou em 2005 e conquistou fãs novos e antigos pela nova versão. As aventuras propiciadas pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oM4VPJJ4yrs"><i><span style="font-weight: 400;">TARDIS</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, nave com formato de cabine telefônica inglesa, e pelo alienígena da espécie dos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0e71KWwE5Fk"><span style="font-weight: 400;">Senhores do Tempo</span></a><span style="font-weight: 400;">, o Doutor, trouxeram histórias emocionantes e inspiradoras durante décadas. Em 2022, a </span><i><span style="font-weight: 400;">BBC</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/doctor-who-criador-revela-os-episodios-com-surpresas-aos-fas-classicos/"><i><span style="font-weight: 400;">Disney+</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> anunciaram uma parceria para o que, a princípio, seria um recomeço para atrair novos públicos, estrelando </span><a href="https://jovemnerd.com.br/noticias/series-e-tv/doctor-who-entrevista-nova-temporada-2025-ncuti-gatwa"><span style="font-weight: 400;">Ncuti Gatwa</span></a><span style="font-weight: 400;">, conhecido por </span><a href="https://personaunesp.com.br/sex-education-4a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2019-2023) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/barbie-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Barbie</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2023)</span><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> como o protagonista. Com o orçamento mais alto e a volta do </span><i><span style="font-weight: 400;">showrunner </span></i><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/doctor-who-no-brasil-criador-fala-a-cnn-sobre-segunda-temporada/"><span style="font-weight: 400;">Russell T. Davies</span></a><span style="font-weight: 400;">, as novas tramas, iniciadas em 2023, pareciam retornar positivamente para a estrutura episódica de antigamente, diferente da proposta vista anteriormente na temporada-evento </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bwsODWA_uzI"><i><span style="font-weight: 400;">Flux</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo. Entretanto, toda a novidade e brilhantismo foram encerradas abruptamente.</span></p>
<p><span id="more-36998"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mais recente ano de de </span><i><span style="font-weight: 400;">Doctor Who</span></i><span style="font-weight: 400;"> começa de forma </span><a href="https://variety.com/2025/tv/reviews/doctor-who-season-2-review-ncuti-gatwa-starts-strong-rumors-1236358633/"><span style="font-weight: 400;">excelente</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com a coadjuvante</span> <span style="font-weight: 400;">Belinda Chandra (</span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/tela-plana/atriz-de-doctor-who-rebate-criticos-que-chamam-a-serie-de-doctor-woke/"><span style="font-weight: 400;">Varada Sethu</span></a><span style="font-weight: 400;">), o público vislumbrou uma personagem mais alinhada aos moldes de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2y2Vqyo5c1M"><span style="font-weight: 400;">Ace</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Sophie Aldred), Donna Noble (Catherine Tate) e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lnh0VwshPc8"><span style="font-weight: 400;">Bill Potts</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Pearl Mackie). Ou seja, a amiga aparece como alguém sem medo de desafiar as ideias do Doutor. Belinda é enfermeira e não está nada feliz com as jornadas muitas vezes inconsequentes do colega. O objetivo dela não é se aventurar mais vezes no espaço, mas voltar para casa, seguindo a narrativa aos moldes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Star Trek Voyager</span></i><span style="font-weight: 400;">. Essa relação, somada ao mistério sobre a identidade de </span><a href="https://www.radiotimes.com/tv/sci-fi/doctor-who-mrs-flood-the-rani-explained/"><span style="font-weight: 400;">Mrs. Flood</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Anita Dobson), trouxe um ano com o melhor que o show tem a oferecer.</span></p>
<figure id="attachment_37009" aria-describedby="caption-attachment-37009" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37009" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-2-1-800x450.jpg" alt="Na imagem, Belinda e Doutor sorriem olhando à esquerda para algo fora de enquadramento. Ela segura o pulso dele. Belinda usa um macacão azul escuro e cabelo enrolado caído sobre os ombros. Doutor está de camiseta laranja de botões e calça xadrez vermelha. Atrás deles há lâmpadas de cores neon futuristas. À direita está a TARDIS, uma cabine telefônica azul com janelas brancas." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-2-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-2-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-2-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-2-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-2-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-2-1.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37009" class="wp-caption-text">Varada Sethu e Ncuti Gatwa fizeram história como a primeira dupla de Doctor Who composta por duas pessoas de etnias não brancas (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apostar na estrutura episódica foi o maior acerto desse segundo ano. </span><i><span style="font-weight: 400;">Doctor Who </span></i><span style="font-weight: 400;">volta aos moldes da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7xt7k1QubIc"><span style="font-weight: 400;">antiga televisão</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos anos 1990, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Além da Imaginação </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Arquivo X</span></i><span style="font-weight: 400;">, com a exploração de tramas antológicas parece aproveitar cada segundo da quase uma hora de atenção da audiência. Ainda que as narrativas apresentadas pequem pela falta de </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2025/04/13/mesmo-com-criticas-doctor-who-e-sobre-robo-com-raio-laser-diz-produtor.htm"><span style="font-weight: 400;">sutileza</span></a><span style="font-weight: 400;"> presente também na primeira temporada, tudo se compensa a partir de episódios aventurescos e com as </span><i><span style="font-weight: 400;">performances</span></i><span style="font-weight: 400;"> enérgicas de Gatwa e Sethu. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto o 15º Doutor é emocional e explosivo, Belinda complementa essas ações com determinação e esperteza, principalmente pelo fato de ser enfermeira e suas habilidades em medicina serem relevantes para a trama, como em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Poço</span></i><span style="font-weight: 400;">. Esse detalhe a diferencia da abordagem injusta dada à graciosa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iEzgegoHG_s"><span style="font-weight: 400;">Yaz Khan</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Mandip Gill) em outras aparições dela, já que se trata de uma policial com poucos roteiros aproveitando as habilidades vindas dessa profissão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A performance de Ncuti Gatwa já marcou o seriado. O ruandês é o primeiro Doutor abertamente </span><a href="https://www.bbc.com/news/articles/c04edqyzlv2o"><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e a segunda pessoa negra a ganhar o papel, após Jo Martin como a Doutora Fugitiva. O Senhor do Tempo desta vez é profundamente marcado pela emoção, charme e humor. O ator consegue transitar entre as camadas do personagem muito bem, fazendo com que a audiência nunca se esqueça da profundidade milenar dos conhecimentos do viajante do tempo. Além disso, consegue demonstrar sentimentos de carinho sinceros pela humanidade, ainda mais claro comparado a outros atores da versão moderna.</span></p>
<figure id="attachment_37010" aria-describedby="caption-attachment-37010" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37010" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-3-800x427.png" alt="Na imagem, Doutor e Belinda estão em cima de um palco olhando para um personagem animado e pequenino. Doutor está agachado à esquerda, sorrindo, de terno turquesa dos anos 60. Belinda está olhando para baixo de vestido salmão com detalhes brancos dos anos 60 também. O personagem animado tem pele azul, nariz vermelho arredondado e um traje formal roxo e amarelo. O estilo do desenho remete às animações do começo dos anos 30." width="800" height="427" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-3-800x427.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-3-1024x546.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-3-768x410.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-3.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37010" class="wp-caption-text">Lux possui diversas reviravoltas cada vez mais impressionantes e criativas (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa empolgação toda de Gatwa aparece principalmente em  </span><i><span style="font-weight: 400;">Lux,</span></i><span style="font-weight: 400;"> talvez o melhor episódio da nova era junto com </span><i><span style="font-weight: 400;">73 Jardas </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Ladino</span></i><span style="font-weight: 400;">. Neste capítulo mistura-se </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=O2Js71aNBhc"><span style="font-weight: 400;">animação com </span><i><span style="font-weight: 400;">live action</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Doctor Who abraça</span></i><span style="font-weight: 400;"> o próprio legado como uma das séries mais antigas da televisão. Há brincadeiras com os clichês desse meio, tal qual </span><a href="https://personaunesp.com.br/wandavision-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Wandavision</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 2021, com quebras da quarta parede, piadas metalinguísticas e misturas de mídias bastante condizentes com o potencial criativo do seriado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outros destaques da temporada ficam para </span><i><span style="font-weight: 400;">O Poço</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.bbc.com/news/articles/cq54d4w5131o"><i><span style="font-weight: 400;">A História e o Motor</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O primeiro reformula um inimigo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DUpKuUko0-w"><span style="font-weight: 400;">enfrentado anteriormente</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo Doutor em um capítulo aos moldes do Suspense e do Terror, com a </span><i><span style="font-weight: 400;">performance</span></i><span style="font-weight: 400;"> fenomenal de Annabel Brook como a desconfiada Hanno Yeft. O segundo apresenta segue a estrutura de </span><a href="https://www.newsweek.com/entertainment/tv/review-doctor-who-story-engine-tells-messy-tale-good-ending-2070253"><i><span style="font-weight: 400;">Mil e uma Noites</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> combinado a lendas africanas, reviravoltas, mistérios e desafios genuínos para os protagonistas. Ambas as tramas se beneficiam das boas atuações e dos conceitos de Ficção Científica explorados, desafiando toda a inteligência, emoção e inseguranças da dupla principal.</span></p>
<figure id="attachment_37012" aria-describedby="caption-attachment-37012" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37012" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-4-1-800x450.png" alt="Na imagem, da esquerda para a direita, há 3 homens sentados em um banco e outro em pé atrás deles. Estão em uma barbearia com paredes verdes e quadros diversos ao fundo. O homem mais à esquerda possui pele negra, cabelo crespo grisalho, barba preta e está com as mãos juntas com semblante pensativo. O homem sentado no meio é o Doutor, com roupa amarela típica da Nigéria, colete bronze e um filá escuro na cabeça. Ele está com um semblante assustado. O homem mais à direita possui pele negra, cabelo moreno em topete e camiseta laranja. Por fim, o homem de pé atrás possui pele negra, cabelo e barba morena e está com camiseta preta." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-4-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-4-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-4-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-4-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-4-1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-4-1.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37012" class="wp-caption-text">Gravado e ambientado na Nigéria, episódio A História e o Motor trouxe alegria para os whovians nigerianos (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro diferencial da temporada foi o retorno de </span><a href="https://rollingstone.com.br/cinema/doctor-who-perde-um-de-seus-protagonistas-antes-da-estreia-da-14-temporada/"><span style="font-weight: 400;">Ruby Sunday</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Millie Gibson). Enquanto em outros anos as </span><i><span style="font-weight: 400;">co-stars</span></i><span style="font-weight: 400;"> voltam para participações especiais, Ruby regressa como personagem casual. Com tramas e arcos próprios, a intérprete mostrou o quanto ainda tinha a oferecer, ganhando inclusive o criativo </span><i><span style="font-weight: 400;">Dia de Sorte</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que os traumas de viajar com o Doutor florescem e a relação tóxica com um </span><i><span style="font-weight: 400;">stalker</span></i><span style="font-weight: 400;"> trazem tensão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Havia esperança de que Rogue (</span><a href="https://personaunesp.com.br/frozen-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">Jonathan Groff</span></a><span style="font-weight: 400;">), mercenário do episódio paródia de </span><a href="https://personaunesp.com.br/bridgerton-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bridgerton</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, aparecesse tanto quanto Ruby, aparecendo em missões paralelas ou para ajudar diretamente a dupla principal. O interesse romântico poderia funcionar de forma parecida a melhor personagem do seriado: River Song (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QIDeOUsULhw"><span style="font-weight: 400;">Alex Kingston</span></a><span style="font-weight: 400;">), a esposa – e também viajante do tempo – do protagonista. No entanto, esses retornos casuais do trambiqueiro não ficaram para este universo, que apareceu  em uma única cena e sem muitas chances de retorno. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, o brilho se mantém, pois </span><i><span style="font-weight: 400;">Doctor Who</span></i><span style="font-weight: 400;"> também se beneficiou do alto orçamento. A trilha sonora composta por Murray Gold continua excelente como sempre. Os efeitos especiais, figurinos e cenários extremamente complexos são inéditos para a série antes limitada em todos os seus aspectos. O </span><i><span style="font-weight: 400;">Festival Interestelar da Canção</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, ganha cenas épicas beirando o horror cósmico. Todos esses episódios citados possuem referências diretas a acontecimentos de outras temporadas, mas utilizam  direções competentes para não apelar demais para os </span><i><span style="font-weight: 400;">fan services</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou confundir fãs novos. A participação especial da </span><a href="https://www.radiotimes.com/tv/sci-fi/doctor-who-jo-martin-fugitive-doctor-return-newsupdate/"><span style="font-weight: 400;">Doutora Fugitiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi um desses momentos bem feitos.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_37018" aria-describedby="caption-attachment-37018" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37018" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-4-800x450.jpg" alt="Na imagem, há três pessoas, da esquerda para a direita, a personagem Yeft, Belinda e Doutor. Os três olham para trás com o olhar assustado. Yeft é uma menina branca com cabelo loiro liso. Ela está de camisa branca suja e o cabelo desarrumado. Doutor e Belinda usam trajes espaciais justos na cor azul e com detalhes pretos." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-4.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37018" class="wp-caption-text">O showrunner Russel T. Davies aproveitou para reimaginar tramas elaboradas por ele mesmo há duas décadas atrás (Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O capítulo de estreia, </span><a href="https://jovemnerd.com.br/noticias/series-e-tv/doctor-who-entrevista-nova-temporada-2025-varada-sethu"><i><span style="font-weight: 400;">A Revolução Robô</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e os posteriores, são inventivos, experimentais e contidos em si, com apenas alguns acenos para reviravoltas maiores,  como se não houvesse tempo a perder. Em alguns momentos, toda a sutileza vai embora e a audiência é diretamente informada sobre as mensagens que a série procura trazer. Até mesmo o arco de Belinda, ao se aproximar da amizade com o Doutor, acontece rápido demais – logo se estabelecendo como grandes amigos poucas aventuras depois de se conhecerem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa clareza é explicada pela curta duração da temporada. Somando ambos os anos do show na Disney+, Gatwa teve somente 19 capítulos para chamar de seus. Mesmo contando a participação pontual no final de </span><i><span style="font-weight: 400;">Risadinha,</span></i><span style="font-weight: 400;"> com David Tennant, e o fraco especial de Natal, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fQWylgnY9es"><i><span style="font-weight: 400;">Joy to the World</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com Nicola Coughlan (Bridgerton), ainda se tem um número bem abaixo de episódios comparado com as passagens de Matt Smith e Jodie Whittaker no papel, por exemplo. O astro deu a impressão de aproveitar cada segundo dessa oportunidade, a audiência não deixa de notar sua antecipada saída do papel. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A abordagem da série estava boa até então, com tramas endereçando </span><a href="https://www.bbc.com/news/articles/cm2edrp1e2no"><span style="font-weight: 400;">problemas contemporâneos</span></a><span style="font-weight: 400;">, como a toxicidade do movimento </span><i><span style="font-weight: 400;">redpill</span></i><span style="font-weight: 400;">, o combate à homofobia, ao </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/doctor-who-ncuti-gatwa-diz-que-foi-essencial-abordar-questao-racial/"><span style="font-weight: 400;">racismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a busca por ancestralidade. Todavia, tudo começa a desandar quando, de repente, a narrativa mais episódica é deixada  de lado para abordar as dezenas de pontas soltas lançadas nos últimos anos,  tudo em somente dois únicos capítulos finais.</span></p>
<figure id="attachment_37013" aria-describedby="caption-attachment-37013" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37013" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-5-800x450.jpeg" alt="Na imagem, Conrad e Ruby Sunday estão ajoelhados em um escritório moderno, sorrindo um para o outro enquanto organizam papéis espalhados no chão. Ruby é uma mulher branca, loira e jovem. Ela está com roupa social preta, incluindo casaco marrom escuro. Conrad é um homem branco de cabelo moreno e usa roupa social azul com uma jaqueta preta e cinza e mochila quadrada nas costas, o cenário inclui sofá laranja e portas de vidro." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-5-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-5-1024x575.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-5-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-5-1200x674.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-5.jpeg 1420w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37013" class="wp-caption-text">O arco de Ruby Sunday remete à dificuldade de voltar ao cotidiano que a companion Rose Tyler também enfrentou no passado (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">finale,</span></i><span style="font-weight: 400;"> dividido em duas partes, é frustrante, embora abranja a estética </span><i><span style="font-weight: 400;">Kafkiana</span></i><span style="font-weight: 400;"> e distópica interessante, a primeira metade faz muitas perguntas sem dar sinais de </span><a href="https://www.doctorwho.tv/news-and-features/russell-t-davies-there-are-very-definite-answers-it-may-raise-more-questions-as"><span style="font-weight: 400;">respostas.</span></a><span style="font-weight: 400;"> A volta de </span><a href="https://www.bbc.com/articles/c93ygdz92v7o"><span style="font-weight: 400;">Rani</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Archie Panjabi), da Era Clássica (1963–1989), é completamente desperdiçada ao descaracterizar a cientista e torná-la basicamente uma substituta de outros antagonistas genéricos. Essa decisão gastou de forma anticlimática o </span><a href="https://gizmodo.com/doctor-who-the-rani-explained-bbc-disney-2000606614"><span style="font-weight: 400;">potencial</span></a><span style="font-weight: 400;"> enorme dessa vilã. Até mesmo Belinda foi deixada de lado nos últimos capítulos, limitando-se a ficar confusa dentro de uma caixa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não só isso, como essa temporada final tentou dar um tom épico para a história anterior, usando a estrutura batida e cheia de </span><i><span style="font-weight: 400;">fan services</span></i><span style="font-weight: 400;"> utilizada a cada </span><i><span style="font-weight: 400;">season finale</span></i><span style="font-weight: 400;"> da produção e especiais desde </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CDvS5yNd7W8&amp;list=PLKEzuOOEQvYNf1xvRn8D6bEN5JbvJXraV&amp;index=5"><i><span style="font-weight: 400;">O Poder da Doutora</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2022). </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mundo do Desejo </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://gizmodo.com/doctor-who-spoilers-the-rani-russell-t-davies-2000605713"><i><span style="font-weight: 400;">Guerra da Realidade</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não possuem nem metade da nuance, coesão narrativa ou expansões interessantes para justificar o tom grandioso escolhido. O capítulo de despedida da brilhante </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qmxW9rFncLk"><span style="font-weight: 400;">Jodie Whittaker</span></a><span style="font-weight: 400;"> como 13ª Doutora, apesar dos </span><a href="https://www.independent.co.uk/arts-entertainment/tv/reviews/doctor-who-review-jodie-whittaker-b2207918.html"><span style="font-weight: 400;">problemas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que sua personagem teve ao longo de seus anos no programa, ainda foi infinitamente mais satisfatório e emocionante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É previsível sentir saudade da conclusão do 12º Doutor (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yJqsPBWbtjk"><span style="font-weight: 400;">Peter Capaldi</span></a><span style="font-weight: 400;">) também.  </span><i><span style="font-weight: 400;">Twice upon a time (2017) </span></i><span style="font-weight: 400;">teve o intuito de se afastar do tom épico e focar no embate pequeno de salvar algumas dezenas de refugiados do ataque dos </span><i><span style="font-weight: 400;">cybermen</span></i><span style="font-weight: 400;">. Essa decisão ajudou a realçar a personalidade do Doutor de se importar com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xnouj9Yz-Gs"><span style="font-weight: 400;">cada alma viva</span></a><span style="font-weight: 400;"> possível. Comparado aos capítulos finais de Gatwa, é como se a obra estivesse se esquecendo dos passos interessantes que a fizeram evoluir e continuar relevante ao longo do tempo.</span></p>
<figure id="attachment_37015" aria-describedby="caption-attachment-37015" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37015" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-6-800x450.jpg" alt="Na imagem, Rani e Mrs. Flood encaram a câmera com expressão séria. Rani é uma mulher de pele parda e cabelos morenos escuros e penteados. Ela veste jaqueta vermelha com ombros cravejados de dourado. Mrs. Flood é uma mulher branca, mais velha, de cabelos brancos e usa roupa formal preta com gola branca. Ambas estão em um corredor futurista iluminado em tons quentes." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-6-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-6-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-6-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-6-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-6-2048x1151.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-6-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37015" class="wp-caption-text">Rani apareceu pela primeira vez em 1985 e foi interpretada pela premiada atriz britânica Kate O’ Mara (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, o único momento em o </span><i><span style="font-weight: 400;">fan service </span></i><span style="font-weight: 400;">funciona e se justifica, é o icônico encontro entre o 15º Doutor e a 13ª Doutora. A cena possui diálogos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hO9WWdmg2EQ"><span style="font-weight: 400;">realmente criativos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e já característico de outros momentos, tanto da série quanto do universo expandido, de duas encarnações do personagem se unir para ajudar uma à outra. Esses instantes são </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0SuDVcTv25g"><span style="font-weight: 400;">sempre especiais</span></a><span style="font-weight: 400;">, justamente por essas uniões não serem tão </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4I76p1cZbq4"><span style="font-weight: 400;">frequentes</span></a><span style="font-weight: 400;">. O tom divertido e melancólico da conversa consegue trazer profundidade para o bate-papo entre duas versões de uma mesma pessoa já cientes do próprio destino. O protagonista precisava de um ombro amigo e é ótimo ter a Doutora como escolha para desempenhar essa função, já que o universo criativo da obra </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DLjJwW1lFxI"><span style="font-weight: 400;">permite encontros</span></a><span style="font-weight: 400;"> como esse. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, o </span><i><span style="font-weight: 400;">crossover</span></i><span style="font-weight: 400;"> não chocou tanto quanto a reviravolta da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mb6hbGQPtik"><span style="font-weight: 400;">regeneração</span></a><span style="font-weight: 400;"> inesperada do 15º Doutor, na qual uma nova pessoa entra para o papel de protagonista. A atriz Billie Piper, intérprete da </span><i><span style="font-weight: 400;">companion</span></i> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=a8HoZlhenZ4"><span style="font-weight: 400;">Rose Tyler</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas primeiras temporadas da era moderna da série, é a nova face do programa. Rostos repetidos já foram escolhidos anteriormente, como foi o caso de Colin Baker e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WDwxTXypdlE"><span style="font-weight: 400;">Peter Capaldi</span></a><span style="font-weight: 400;">, ambos atuando como personagens secundários em </span><i><span style="font-weight: 400;">Doctor Who</span></i><span style="font-weight: 400;"> antes de aparecerem oficialmente como Doutores. A decisão é bem mais </span><a href="https://collider.com/doctor-who-season-2-finale-billie-piper-twist-video/"><span style="font-weight: 400;">chocante</span></a><span style="font-weight: 400;"> desta vez, já que Rose foi protagonista desde o piloto do </span><i><span style="font-weight: 400;">reboot</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2005. Essa escolha, justamente por ser feita pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">showrunner </span></i><span style="font-weight: 400;">Russell T. Davies, traz uma camada de ressalvas enorme.</span></p>
<figure id="attachment_37016" aria-describedby="caption-attachment-37016" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37016" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-7-800x400.png" alt="Na imagem, o 15º Doutor e a 13ª Doutora estão dentro da TARDIS e sorriem para a câmera. A TARDIS possui um interior futurista, com escadas e decorações prateadas e iluminações em círculos na parede. A 13ª Doutora é uma mulher branca, loira e está com expressão carismática e casaco branco e azul. O Doutor está de colete azul com listras brancas e botões por cima da camiseta branca." width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-7-800x400.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-7-1024x512.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-7-768x384.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-7-1536x768.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-7-1200x600.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-7.png 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37016" class="wp-caption-text">O retorno de Jodie Whittaker foi uma dica sutil de que felizmente o seriado teria outra mulher no papel de Doutora (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Davies é conhecido por comandar as </span><a href="https://www.publico.pt/2025/04/11/culturaipsilon/entrevista/russell-t-davies-doctor-who-star-trek-star-wars-nao-podem-2129356"><span style="font-weight: 400;">primeiras temporadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> da série moderna (2005-2023), estreladas por Christopher Eccleston, David Tennant, Billie Piper, Freema Agyeman e Catherine Tate brilharam nos papéis principais. Fãs notaram o detalhe de </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/doctor-who-saiba-quem-e-o-novo-doctor-apos-ncuti-gatwa/"><span style="font-weight: 400;">Billie Piper</span></a><span style="font-weight: 400;"> não ser creditada com o título de 16ª Doutora nos créditos do capítulo – algo que aconteceu em regenerações passadas. Mesmo com o potencial enorme de  Piper entregar boas abordagens como Doutora, não está claro qual a identidade dessa nova persona em tela. Nessa lógica, a profissional poderia receber um novo título e seguir um caminho maléfico, por exemplo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim, a impressão é a de uma possível volta do 14º Doutor também, já que devido à bizarra </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ACYdbadw1fA"><span style="font-weight: 400;">birregeneração</span></a><span style="font-weight: 400;">, continua em Londres. Assim, novas aventuras utilizando </span><a href="https://www.thepopverse.com/tv-doctor-who-the-reality-war-spoilers-fifteenth-doctor-ncuti-gatwa-regeneration-rumor"><span style="font-weight: 400;">ambos os atores</span></a><span style="font-weight: 400;"> das primeiras temporadas seriam possíveis. </span><a href="https://www.manchestereveningnews.co.uk/news/tv/doctor-who-fans-speechless-ncuti-31763130"><span style="font-weight: 400;">Muitos fãs</span></a><span style="font-weight: 400;"> compararam essa decisão com a volta de Robert Downey Jr à </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel </span></i><span style="font-weight: 400;">como Doutor Destino (2026) após o papel de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0_4JkQSI28c"><span style="font-weight: 400;">Homem de Ferro</span></a><span style="font-weight: 400;"> (2008-2019), uma justificativa forçada e ridícula para indicar o retorno aos  “bons tempos” da obra. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas a </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney </span></i><span style="font-weight: 400;">dificilmente abandonaria o universo de </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-quarteto-fantastico-primeiros-passos/"><span style="font-weight: 400;">super-heróis</span></a><span style="font-weight: 400;"> no momento atual. </span><i><span style="font-weight: 400;">Doctor Who</span></i><span style="font-weight: 400;">, por outro lado,</span> <span style="font-weight: 400;">não teve essa sorte. A parceria entre a </span><i><span style="font-weight: 400;">BBC</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a plataforma de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi encerrada por falta do retorno esperado e uma suposta vertente </span><a href="https://www.avclub.com/doctor-who-too-woke-disney-trump"><span style="font-weight: 400;">progressista</span></a><span style="font-weight: 400;"> demais para ser </span><a href="https://ovicio.com.br/disney-largou-doctor-who-por-ser-uma-serie-woke-e-impossivel-de-ser-marvelizada-diz-site/"><span style="font-weight: 400;">“Marvelizada”</span></a><span style="font-weight: 400;">. Um novo </span><a href="https://ovicio.com.br/doctor-who-saiba-qual-era-o-valor-total-do-acordo-com-a-disney/"><span style="font-weight: 400;">especial de natal</span></a><span style="font-weight: 400;">, porém, foi anunciado para 2026 e a série está com o </span><a href="https://www.doctorwho.tv/news-and-features/bbc-confirms-future-of-doctor-who-and-a-new-christmas-special-in-2026"><span style="font-weight: 400;">futuro garantido</span></a><span style="font-weight: 400;">, mesmo fora da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">. A próxima era do seriado terá de fechar as pontas soltas com a confirmação ou não da nova atriz como 16ª Doutora. Além disso, a saudade do protagonista pela neta </span><a href="https://comicbook.com/tv-shows/news/doctor-who-season-2-series-15-original-ending-changes-explained-susan-foreman/"><span style="font-weight: 400;">Susan</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o romance com Rogue. Colocar Piper como </span><a href="https://screenrant.com/doctor-who-susan-granddaughter-time-lord-infertility-impossible/"><span style="font-weight: 400;">válvula de escape</span></a><span style="font-weight: 400;"> para resolver essas </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/doctor-who-criador-tem-ideias-para-proximos-anos-da-franquia/"><span style="font-weight: 400;">pontas soltas</span></a><span style="font-weight: 400;"> é prejudicar tanto a narrativa anterior quanto a que está por vir.</span></p>
<figure id="attachment_37017" aria-describedby="caption-attachment-37017" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37017" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-8-800x533.png" alt="Na imagem, Rose Tyler sorri diretamente para a tela enquanto feixes de luz dourados do processo de &quot;regeneração&quot; cercam todo o corpo dela. Rose é uma mulher branca de cabelos loiros e olhos castanhos." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-8-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-8-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-8-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-8-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-8-1200x800.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Imagem-8.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37017" class="wp-caption-text">Ainda não é certeza se Billie Piper carregará o título de Doutora ou se a protagonista ganhará uma nova identidade (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, todos os furos de roteiro parecem ficar em segundo plano quando, na verdade, a maior dificuldade da obra nos próximos anos será manter a própria essência em meio às ondas </span><a href="https://pp.nexojornal.com.br/ponto-de-vista/2024/04/09/juventude-e-conservadorismo-qual-a-contradicao"><span style="font-weight: 400;">conservadoras</span></a><span style="font-weight: 400;">, contradizendo tantas décadas de história. A única tristeza de </span><i><span style="font-weight: 400;">Doctor Who </span></i><span style="font-weight: 400;">possivelmente voltar a ter um </span><a href="https://deadline.com/2025/10/why-disney-ditched-doctor-bbc-1236601181/"><span style="font-weight: 400;">orçamento menor</span></a><span style="font-weight: 400;"> futuramente é a diminuição de contratações de </span><a href="https://ovicio.com.br/doctor-who-saiba-qual-era-o-valor-total-do-acordo-com-a-disney/"><span style="font-weight: 400;">profissionais</span></a><span style="font-weight: 400;"> do audiovisual para o show, já que narrativamente os efeitos especiais eram meros detalhes da produção cheia de momentos icônicos e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=epc-Z974eiQ"><span style="font-weight: 400;">emocionantes</span></a><span style="font-weight: 400;">. A série derivada, </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/doctor-who-vai-ganhar-spin-off-conheca-the-war-between-the-land-and-the-sea/"><i><span style="font-weight: 400;">The War Between The Land And The Sea</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é o encerramento genuíno da parceria com a </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney+</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas ainda assim, a produção sequer chegou a ser distribuída </span><a href="https://www.gizmodo.com.br/parceria-fragmentada-entre-disney-e-bbc-deixa-derivado-de-doctor-who-em-limbo-e-causa-atraso-global-no-lancamento-34019"><span style="font-weight: 400;">globalmente</span></a><span style="font-weight: 400;"> como planejado.</span></p>
<p><a href="https://www.bbc.com/news/articles/clyvzy82l4no"><span style="font-weight: 400;">Ncuti Gatwa</span></a><span style="font-weight: 400;">, Varada Sethu e Millie Gibson saíram dos próprios papéis cedo demais. Chega a ser </span><a href="https://open.spotify.com/episode/5hSMOM07bC0ixMnzy31Sr7?si=92e3bbb928cb475a"><span style="font-weight: 400;">desrespeitoso</span></a><span style="font-weight: 400;"> com a </span><i><span style="font-weight: 400;">performance</span></i><span style="font-weight: 400;"> do ator entrar e sair do papel de Doutor entre regenerações feitas puramente em apelo à nostalgia. Embora os especiais de </span><i><span style="font-weight: 400;">Tennant</span></i><span style="font-weight: 400;"> tenham sido justificados pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/doctor-who-60-anos/"><span style="font-weight: 400;">inusitada</span></a><span style="font-weight: 400;"> surpresa de encerrar toda a história até então, a volta de Piper evidencia o perigo do</span> <span style="font-weight: 400;">seriado esquecer seu </span><a href="https://www.thepopverse.com/tv-doctor-who-the-reality-war-spoilers-fifteenth-doctor-ncuti-gatwa-regeneration-rumor"><span style="font-weight: 400;">caráter criativo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e retroceder na abordagem do </span><i><span style="font-weight: 400;">soft reboot</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com o fim do acordo com a </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">, a distribuição do programa também ficará prejudicada, uma péssima notícia para os </span><i><span style="font-weight: 400;">whovians</span></i><span style="font-weight: 400;">  – nome dado à fanbase da obra – brasileiros, já que a </span><a href="https://jovemnerd.com.br/noticias/series-e-tv/doctor-who-deixa-catalogo-streaming-sbt"><span style="font-weight: 400;">série</span></a><span style="font-weight: 400;"> e conteúdos do </span><a href="https://www.doctorwho.tv/news-and-features/coming-soon-new-adventures-for-the-fifteenth-doctor-and-belinda-from-titan-comics"><span style="font-weight: 400;">universo expandido</span></a><span style="font-weight: 400;"> sequer chegam oficialmente ao país.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ninguém pediu um </span><a href="https://www.telegraph.co.uk/tv/0/doctor-who-ncuti-gatwa-what-went-wrong/"><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Doctor Who</span></i><span style="font-weight: 400;">. É inevitável notar a ironia da presença do selo da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> nas telas da série quando esta parece seguir o mesmo caminho que as últimas </span><a href="https://collider.com/doctor-who-disney-seasons/"><span style="font-weight: 400;">produções fracas</span></a><span style="font-weight: 400;"> do estúdio. Todas as temporadas passadas tiveram uma dose considerável de problemáticas, entretanto acreditar na repetição de tramas, personagens e atores como se essa fosse a solução para manter uma das produções </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9PXdwqlJ19U"><span style="font-weight: 400;">mais criativas</span></a><span style="font-weight: 400;"> da história da TV relevante, é trocar uma viagem por toda a vastidão do espaço por um passeio simples e seguro no parque de diversões. A obra hoje é divertida, mas operar na linha do aceitável é correr o risco de ser facilmente substituída por qualquer outra mídia sem medo de fazer diferente, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Doctor Who </span></i><span style="font-weight: 400;">fez </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LtesEeqRsy4"><span style="font-weight: 400;">tantas vezes</span></a><span style="font-weight: 400;"> no passado.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Doctor Who | Season 2 Official Trailer | Disney+" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/IN7nAyeeN5Q?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Em sua segunda temporada, Percy Jackson e Os Olimpianos encontra seu equilíbrio no temido Mar de Monstros</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Apr 2026 13:00:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Stephanie Cardoso Uma das maiores preocupações sempre que uma adaptação literária é divulgada é sobre o quão fiel será ao material original. Anunciada em 2020, a série Percy Jackson e os Olimpianos veio como uma chama de esperança para os fãs após os criticados filmes feitos pela Fox na década passada. Entretanto, às vezes, o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-percy-jackson-e-os-olimpianos-o-mar-de-monstros/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em sua segunda temporada, Percy Jackson e Os Olimpianos encontra seu equilíbrio no temido Mar de Monstros"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37059" aria-describedby="caption-attachment-37059" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37059" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-4.png" alt="Cena da série Percy Jackson e os Olimpianos. Na imagem, um jovem branco com cabelos loiros cacheados, com uma mochila preta e vermelha, está ao lado de uma jovem negra com cabelos longos em tranças. Ambos seguram espadas e estão em uma área de floresta durante o dia" width="750" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-37059" class="wp-caption-text">Percy Jackson prova mais uma vez que a escolha de Leah Jeffries e Walker Scobell para os papéis de Annabeth Chase e Percy foram mais que acertadas (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><b>Stephanie Cardoso</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das maiores preocupações sempre que uma adaptação literária é divulgada é sobre o quão fiel será ao material original. Anunciada em 2020, a série </span><a href="https://personaunesp.com.br/percy-jackson-e-os-olimpianos-1a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Percy Jackson e os Olimpianos</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">veio como uma chama de esperança para os fãs após os </span><a href="https://recreio.com.br/noticias/entretenimento/por-que-rick-riordan-nao-gosta-dos-filmes-de-percy-jackson.phtml"><span style="font-weight: 400;">criticados</span></a><span style="font-weight: 400;"> filmes feitos pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Fox </span></i><span style="font-weight: 400;">na década passada. Entretanto, às vezes, o desejo é como uma faca de dois gumes. Durante sua primeira temporada, o que era pra se tornar o seu maior triunfo veio como o seu maior defeito: fidelidade ao extremo. Apesar de finalmente honrar o legado da saga, a produção acabou pagando o preço ao não conseguir traduzir a obra para uma linguagem de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> – o que ocasionou em cenas avulsas que não faziam tanto sentido para o audiovisual. </span></p>
<p><span id="more-37056"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Agora, com o seu </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-a-2a-temporada-de-percy-jackson/"><span style="font-weight: 400;">segundo ano</span></a><span style="font-weight: 400;"> vindo ao ar, a saga sobre o filho de Poseidon conseguiu alcançar o que faltou antes: equilíbrio. Desta vez, acompanhamos Percy Jackson (Walker Scobell) um ano depois dos eventos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ladrão de Raios </span></i><span style="font-weight: 400;">e da revelação da traição de Luke Castellan (Charlie Bushnell). De volta ao Acampamento Meio Sangue junto de Annabeth Chase </span><span style="font-weight: 400;">(Leah Jeffries) e seu meio-irmão Tyson (Daniel Diemer),</span><span style="font-weight: 400;"> ele terá a missão de resgatar o seu amigo Grover Underwood </span><span style="font-weight: 400;">(Aryan Simhadri)</span><span style="font-weight: 400;">, e de quebra, salvar o acampamento. Sua nova jornada tem um cenário bastante conhecido – e temido – pelos heróis gregos e lar do famoso Velocino de Ouro: o Mar de Monstros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ciente de seu compromisso de superar sua temporada anterior, a nova leva de episódios não mediu esforços para se livrar de todas as desconfianças de sua antecessora. Com episódios focados e enredos mais interessantes, a série se destaca pela dupla </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/romance-annabeth-percy-jackson-e-os-olimpianos-segunda-temporada"><span style="font-weight: 400;">Percy e Annabeth</span></a><span style="font-weight: 400;">. A química entre eles parece saltar da tela, marcada por olhares e palavras ditas – afinal, comunicação não é um problema entre eles por agora. Capítulos como </span><a href="https://youtu.be/uKH6W2LH6eU?si=C7b3B3q8C95drT65"><i><span style="font-weight: 400;">Damos entrada no Spa e Resort C.C.</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> mostram ainda mais a parceria e cumplicidade entre o par, onde o bem estar um do outro é sempre o mais importante. Dá para sentir o cuidado que a produção tem com esses personagens tão amados pelo público. Leah e Walker são um fenômeno à parte, com performances que nos fazem perceber o carinho e entendimento que têm por seus papéis. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="PERCY JACKSON: Elenco fala sobre o amor do Brasil, 2ª temporada e conexão com os livros | Entrevista" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/G9Jk7JsTK6M?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Apresentar novos membros ao </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">nem sempre é uma tarefa fácil, mas </span><i><span style="font-weight: 400;">Percy Jackson e os Olimpianos </span></i><span style="font-weight: 400;">conseguiu fazer isso com maestria. </span><a href="https://youtu.be/Nk3UVNow-W0?si=ov2GEbJ6VdGTvask"><span style="font-weight: 400;">Tyson</span></a><span style="font-weight: 400;">, um dos novos integrantes da trama, nos consegue fazer sentir uma enorme afeição por ele desde os primeiros momentos. Apesar de ser um </span><a href="https://super.abril.com.br/especiais/monstros-e-criaturas-fantasticas-da-mitologia-grega/"><span style="font-weight: 400;">‘monstro’</span></a><span style="font-weight: 400;"> na percepção dos semideuses, seu jeito inocente rouba a cena, mesmo perto de personagens já consolidados na história. Sua primeira aparição também é um ponto alto, já que nos deixa em expectativa para saber quem é que acompanhou o protagonista em seu ano escolar. Mesmo não tendo recebido o melhor dos tratamentos por parte de seu irmão – o que nos faz querer entrar na tela e dar um chacoalhão em Perseus – ainda é leal e faz de tudo para o ajudar e ser útil.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra nova adição que merece destaque é </span><a href="https://youtu.be/JQhAozc8W6Y?si=hQKMreo6RvK2CWuy"><span style="font-weight: 400;">Thalia Grace</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Tamara Smart). Ainda que seja mencionada no ciclo anterior, sua aparição nos fez realmente perceber a sua importância. Entre </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks </span></i><span style="font-weight: 400;">e menções, a sua presença nos fez se sentir mais ansiosos a cada minuto para entender o quão grandiosa será a sua influência nos eventos tantos passados, quanto futuros. Como filha do principal Deus Olimpiano, Grace é uma possível outra ‘criança da profecia’, e com isso, responsável pelo futuro do Olimpo. E apesar de não estar presente fisicamente nos últimos anos, é motor para as maiores decisões da trama – como a traição de Luke, por exemplo. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Episódio 4 | A História de Origem de Luke e Thalia | Percy Jackson e os Olimpianos - Podcast Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/E60rbz3wGeU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Sua relevância já era demonstrada por meio de diálogos, mas entender o porquê é algo que faz a série chegar ao seu ápice. É interessante ver como a produção não deixou tão claro a função dela na narrativa: não se sabe se vai ser uma provável vilã ou heroína – nem os próprios protagonistas conseguem ter essa certeza. A </span><a href="https://mais.opovo.com.br/jornal/vidaearte/2025/10/05/vilas-ou-apenas-humanas-como-a-dualidade-dos-antagonistas-impacta-a-recepcao-do-publico.html"><span style="font-weight: 400;">dualidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> dessa escolha é o que nos deixa mais curiosos sobre o seu futuro, sobretudo após a sua cena final.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não dá pra falar da filha de </span><a href="https://recreio.com.br/noticias/entretenimento/por-que-a-2a-temporada-de-percy-jackson-conta-com-um-novo-zeus.phtml"><span style="font-weight: 400;">Zeus</span></a><span style="font-weight: 400;"> sem falar sobre as mudanças ao adaptar o segundo livro da saga. Seu arco foi quase totalmente mudado durante a temporada, em comparação com a obra original. Entretanto, isso não fez qualquer diferença, pelo contrário, deixou a história ainda mais interessante. Às vezes, os roteiristas de uma adaptação precisam entender que não é fidelidade de página a página que faz algo ser fiel e sim sobre manter a essência – afinal, não é tudo que faz sentido no livro que vai funcionar nas telas. Pelo menos, parece que </span><a href="https://youtu.be/AqUsZ5EBmv4?si=OrB2wGYZ16CxlOR_"><span style="font-weight: 400;">Rick Riordan</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Jon Steinberg finalmente entenderam o recado.</span></p>
<figure id="attachment_37058" aria-describedby="caption-attachment-37058" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37058" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-5.png" alt="Cena da série Percy Jackson e os Olimpianos. Na imagem, vemos uma jovem negra com cabelos cacheados pretos, usando jaqueta de couro preta e camiseta escura. Ela segura um escudo metálico e está em uma floresta com clima noturno" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-5.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-5-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37058" class="wp-caption-text">Mesmo com o pouco tempo de tela, Tamara Smart rouba a cena quando aparece na segunda temporada (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A traição de </span><a href="https://youtu.be/36RdhgGkV0s?si=CVJSPc-gLEnlLrC5"><span style="font-weight: 400;">Luke Castellan</span></a><span style="font-weight: 400;">, já impactante no primeiro ano, ganha ainda mais força nos novos episódios. Ao lado de </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/mitologia/cronos.htm"><span style="font-weight: 400;">Cronos</span></a><span style="font-weight: 400;">, o temido titã, o filho de Hermes parte em busca do Velocino de Ouro. Castellan se torna um dos personagens mais bem aproveitados do enredo, com atos que mostram que ele já está no caminho para ser um bom antagonista. Suas cenas mais marcantes são com Annabeth, onde há todo um drama emocional envolto. Se em algum momentos houve alguma esperança para algum arco de redenção, o final nos mostra que não há nenhuma chance. Luke – com toda a sua ambição fria – assume, sem medo, o papel de vilão por acreditar em sua causa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A descoberta de novos traidores no Acampamento foi algo importante para a narrativa, em especial para </span><a href="https://youtu.be/w_fhIXhnYK0?si=laxaQkvNCuAOI6bZ"><span style="font-weight: 400;">Clarisse La Rue</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Dior Goodjohn). Com ainda mais importância nessa temporada – se tornando praticamente uma das protagonistas – a filha de Áries conseguiu se provar para o pai e também para o público. Com atitudes mais do que questionáveis durante o ano anterior – entre elas tentar afogar a cabeça de Percy na privada, por exemplo –, a campista teve um arco próprio e entendemos melhor o porquê dela agir de maneira mais fechada. Com cenas variando entre engraçadas e dramáticas, La Rue foi um pilar dessa fase, participando de momentos pertinentes como a leva do Velocino de Ouro para o acampamento. Sua evolução é destaque, com jeitos que demonstram quem é a verdadeira Clarisse – mesmo que nem ela saiba direito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de a maior parte dos protagonistas terem sido bem aproveitados durante a temporada, não se pode dizer o mesmo sobre </span><a href="https://youtu.be/4NxehKCYOo4?si=xDQGlD9wpd0KuvPn"><span style="font-weight: 400;">Grover Underwood</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com o seu arco resumido a cenas cômicas, não houve uma tentativa de aprofundamento em seu enredo. Acabou se tornando alguém esquecível para a trama, mesmo que fosse uma das maiores motivações para a principal missão dessa temporada. Ainda que tenha sido essencial para o ano anterior, desta vez foi resumido a um mero </span><a href="https://youtu.be/D-Bcg6BCsiE?si=kwAUbaO_TA9Yw6Gu"><span style="font-weight: 400;">vestido de noiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> – o que não é justo para um personagem tão interessante.</span></p>
<figure id="attachment_37057" aria-describedby="caption-attachment-37057" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37057" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-5-800x535.png" alt="Foto da premiere brasileira da série Percy Jackson e os Olimpianos. Na imagem, quatro jovens atores posam sorridentes em frente a um painel com o logo da série. Dois rapazes com cabelos escuros e curtos vestem uniformes amarelos da seleção brasileira de futebol. Entre eles, uma jovem negra com cabelos longos e ondulados usa uma jaqueta cropped branca e calça branca. Ao lado deles, um rapaz branco de cabelos loiros e encaracolados sorri para a câmera. Todos os rapazes estão com a camisa da seleção brasileira" width="800" height="535" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-5-800x535.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-5-1024x684.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-5-768x513.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-5-1536x1027.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-5-1200x802.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-5.png 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37057" class="wp-caption-text">Os atores Aryan Simhadri, Leah Jeffries, Walker Scobell e Charlie Bushnell estiveram no Brasil em dezembro para a CCXP (Foto: Andy Santana/Brasil News)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da evolução dos integrantes da trama, não tem como deixar de mencionar a do próprio </span><a href="https://youtu.be/VQG_x28dr3I?si=GXqvHEc4oY2z4Eoi"><span style="font-weight: 400;">roteiro</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com um melhor entendimento e mais seguro de si, o enredo consegue andar com mais naturalidade sem precisar se apoiar totalmente no livro ou no conhecimento dos fãs. Sem cenas paralelas ou que não agregassem na história, a série parece finalmente ter entendido qual sentido quer ter. A direção de </span><a href="https://youtu.be/m7vIyo4dSOw?si=1vi6SgmGIkJNH5Ip"><span style="font-weight: 400;">James Bobin</span></a><span style="font-weight: 400;"> acompanha esse crescimento com uma estética mais segura e consistente. A produção parece mais confortável no próprio universo visual. Há bons enquadramentos, ritmo bem controlado e uma identidade que começa a se encontrar. Momentos grandiosos, como a corrida de bigas ou a </span><a href="https://youtu.be/eFJASAHPJUk?si=IWe4bn3zDf6pNrVZ"><span style="font-weight: 400;">Ilha de Circe</span></a><span style="font-weight: 400;">, são conduzidos com energia e clareza. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Percy Jackson e os Olimpianos</span></i><span style="font-weight: 400;"> retorna com uma temporada que sem sombra de dúvidas, consegue superar em tudo a sua primeira. Dá para notar que a produção fez a sua lição de casa e ouviu os fãs. Com um final de expectativas, os espectadores já podem contar nos dedos para a estreia de seu </span><a href="https://imprensa.disney.com.br/novidades/percy-jackson-e-os-olimpianos-retornam-para-sua-terceira-temporada-no-fim-deste-ano-no-disney+"><span style="font-weight: 400;">terceiro ano</span></a><span style="font-weight: 400;">, que já foi confirmado e tem previsão de estreia para o final do ano. Se ousar um pouco mais, a série não só cumprirá sua promessa de fazer jus a obra original, como tem tudo para se tornar memorável.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Percy Jackson e os Olimpianos | Trailer Oficial 3 Dublado | Disney+" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/KppxTMh05Xs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/critica-percy-jackson-e-os-olimpianos-o-mar-de-monstros/">Em sua segunda temporada, Percy Jackson e Os Olimpianos encontra seu equilíbrio no temido Mar de Monstros</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Há 20 anos, Percy Jackson provava que ser diferente também é ser herói</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Mar 2026 13:00:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Helen Os livros de Percy Jackson marcaram profundamente uma geração de leitores, e celebrar 20 anos do início da saga é também celebrar o impacto emocional que as histórias tiveram ao longo do tempo. Desde o lançamento de O Ladrão de Raios em 2005, o autor Rick Riordan abriu portas para um universo onde &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/percy-jackson-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 20 anos, Percy Jackson provava que ser diferente também é ser herói"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/percy-jackson-critica/">Há 20 anos, Percy Jackson provava que ser diferente também é ser herói</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36993" aria-describedby="caption-attachment-36993" style="width: 566px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36993" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/ima1-566x800.jpg" alt="A imagem é a capa do livro O Ladrão de Raios, e mostra Percy de costas, caminhando pelo mar agitado em direção a uma grande cidade ao fundo. Ele segura uma espada dourada na mão direita. À frente dele, há uma cidade grande com prédios altos, parcialmente coberta por névoa. O céu está escuro e nublado, e um raio cai próximo aos prédios, indicando uma tempestade. As cores predominantes são verde, azul e tons escuros, transmitindo uma sensação de perigo, aventura e mistério, que combina com a história do livro." width="566" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/ima1-566x800.jpg 566w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/ima1-724x1024.jpg 724w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/ima1-768x1086.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/ima1-1086x1536.jpg 1086w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/ima1.jpg 1131w" sizes="auto, (max-width: 566px) 85vw, 566px" /><figcaption id="caption-attachment-36993" class="wp-caption-text">Publicado em 2005, O Ladrão de Raios deu início a uma das séries mais influentes da literatura juvenil do século XXI (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Helen</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os livros de </span><a href="https://rickriordan.com/series/percy-jackson-and-the-olympians/"><i><span style="font-weight: 400;">Percy Jackson</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> marcaram profundamente uma geração de leitores, e celebrar 20 anos do início da saga é também celebrar o impacto emocional que as histórias tiveram ao longo do tempo. Desde o lançamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Ladrão de Raios</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2005, o autor Rick Riordan abriu portas para um universo onde a mitologia grega deixou de ser algo distante, recorrente nos livros escolares e passou a fazer parte do cotidiano de jovens leitores ao redor do mundo. Para muitos, foi o primeiro contato com deuses, monstros e heróis – mediados por humor, aventura e identificação.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span id="more-36992"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Percy Jackson nunca foi o herói perfeito. Ele começa sua história como um menino confuso, impulsivo e deslocado, sem saber exatamente onde pertence – sentimento familiar de quem lê a saga durante os anos formativos. Logo no início da história, por exemplo, Percy é constantemente punido na escola, sendo diagnosticado com TDAH e dislexia e rotulado como problemático, e desenvolve sua trajetória inicial sem entender porque parece não se encaixar em lugar nenhum. Ao se descobrir filho de Poseidon, o protagonista precisa lidar não só com monstros e missões perigosas, como também com questões de identidade, amizade e responsabilidade. Essa humanidade é um dos grandes motivos pelos quais a série continua contemporânea mesmo duas décadas depois, ganhando diversas </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-melhores-series-de-2023/"><span style="font-weight: 400;">adaptações</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_36994" aria-describedby="caption-attachment-36994" style="width: 550px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36994" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/ima2.jpg" alt="A imagem mostra o box da série Percy Jackson e os Olimpianos, composta por cinco livros. À esquerda e ao centro, ilustram-se figuras mitológicas aladas marrons sendo montadas, semelhantes aos cavalos, envoltos por tons de verde, dourado e azul, transmitindo a atmosfera fantástica e antiga. À direita, os cinco livros estão alinhados lado a lado, com lombadas em tons de azul-esverdeado e detalhes em cobre e cinza, formando uma imagem contínua de ondas e estruturas que lembram a cidade de Nova York estilizada. Na parte inferior, o logotipo da editora Intrínseca." width="550" height="750" /><figcaption id="caption-attachment-36994" class="wp-caption-text">Ao misturar mitologia grega com o mundo contemporâneo, Rick Riordan apresentou os deuses do Olimpo a uma nova geração de leitores (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra original é composta por </span><a href="https://www.goodreads.com/series/40736-percy-jackson-and-the-olympians"><span style="font-weight: 400;">cinco livros</span></a><span style="font-weight: 400;"> publicados entre 2005 e 2009: </span><i><span style="font-weight: 400;">O Ladrão de Raios</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mar de Monstros </span></i><span style="font-weight: 400;">(2006), </span><i><span style="font-weight: 400;">A Maldição do Titã </span></i><span style="font-weight: 400;">(2007), </span><i><span style="font-weight: 400;">A Batalha do Labirinto</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2008) e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Último Olimpiano </span></i><span style="font-weight: 400;">(2009). Ao longo das histórias, acompanhamos o crescimento de Percy e seus amigos, Annabeth e Grover, enquanto enfrentam profecias cada vez mais sombrias e ameaçadoras, que colocam em risco tanto o mundo dos deuses quanto o dos mortais. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Batalha do Labirinto</span></i><span style="font-weight: 400;">, a trama gira em torno da expansão de um labirinto mágico criado por Dédalo, um notável arquiteto e inventor, que serve como rota de invasão para inimigos do Olimpo, obrigando os semideuses a assumir responsabilidades maiores. A cada volume, os desafios se intensificam, assim como as consequências das escolhas feitas pelos personagens. O leitor cresce e amadurece junto com eles, criando um vínculo que torna o desfecho da saga ainda mais marcante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro elemento que fortalece a série é a maneira como Rick Riordan reintroduz a </span><a href="https://super.abril.com.br/cultura/percy-jackson-quem-e-perseu-na-mitologia-grega/"><span style="font-weight: 400;">mitologia grega</span></a><span style="font-weight: 400;"> para o público jovem, usando referências clássicas em situações contemporâneas. Deuses antigos passam a ocupar espaços do mundo moderno, enquanto monstros e desafios mitológicos surgem em cenários cotidianos, como escolas, estradas e cidades comuns. Essa abordagem criativa transformou a saga na porta de entrada para o estudo da mitologia e o incentivo à leitura entre jovens leitores.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo dos anos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Percy Jackson</span></i><span style="font-weight: 400;"> deixou de ser apenas uma saga de livros e se transformou em um universo literário expansivo. Novas sagas, como </span><a href="https://www.goodreads.com/series/51379-the-heroes-of-olympus"><i><span style="font-weight: 400;">Os Heróis do Olimpo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2010) e </span><a href="https://www.goodreads.com/series/162088-the-trials-of-apollo"><i><span style="font-weight: 400;">As Provações de Apolo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2016), aprofundaram personagens já conhecidos e apresentaram novos heróis, mantendo o interesse dos fãs e mostrando que esse mundo ainda tem muitas histórias a serem contadas. Mesmo assim, a pentalogia segue sendo o coração desse universo.</span></p>
<figure id="attachment_36995" aria-describedby="caption-attachment-36995" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36995" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/ima3-800x622.jpg" alt="A imagem mostra um menino adolescente sentado à noite em uma floresta. Ele tem cabelos cacheados claros e usa uma camiseta laranja por baixo de um casaco cinza com capuz. O garoto olha para baixo com expressão pensativa, iluminado por uma luz quente que parece vir de uma fogueira fora de cena. À sua frente, sobre um tronco, há uma lata aberta e um saco plástico transparente. O fundo é escuro, com tons azulados e verdes, referindo-se a vegetação, criando um clima silencioso e introspectivo." width="800" height="622" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/ima3-800x622.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/ima3-1024x796.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/ima3-768x597.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/ima3.jpg 1170w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36995" class="wp-caption-text">O Acampamento Meio-Sangue se tornou um dos cenários mais reconhecíveis da literatura juvenil moderna (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Progressivamente, a epopeia moderna também encontrou novos públicos por meio de adaptações. Em 2023, </span><i><span style="font-weight: 400;">Percy Jackson e os Olimpianos</span></i><span style="font-weight: 400;"> ganhou uma série no </span><a href="https://www.disneyplus.com/pt-br/browse/entity-f1c31566-ec05-4d30-b23f-3177442233f4?msockid=27ddb89c734367331d80ad7472956627"><i><span style="font-weight: 400;">Disney+</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, estrelada por Walker Scobell (Percy Jackson), Leah Sava Jeffries (Annabeth Chase) e Aryan Simhadri (Grover Underwood), reacendendo o carinho dos fãs antigos e apresentando a história a uma nova geração. A primeira temporada adapta </span><i><span style="font-weight: 400;">O Ladrão de Raios</span></i><span style="font-weight: 400;">, acompanhando a jornada de Percy após se descobrir um semideus e sua missão para recuperar o raio-mestre de Zeus, impedindo uma guerra entre os deuses do Olimpo. Esta é a adaptação mais fiel aos livros e ajudou a reforçar a relevância da obra, além de trazer novamente Percy para o centro da cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Celebrar os 20 anos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Percy Jackson</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é apenas lembrar de quando o primeiro livro foi publicado, mas reconhecer como ele </span><a href="https://guiadoestudante.abril.com.br/dica-cultural/20-anos-apos-o-lancamento-por-que-ainda-vale-ler-percy-jackson/?utm"><span style="font-weight: 400;">continua influenciando leitores</span></a><span style="font-weight: 400;"> até os dias atuais. É evidente que muitos espectadores releem a saga com outro olhar, agora mais velhos, e percebem novas camadas em cada personagem e interpretam de forma diversificada mensagens sobre amizade, pertencimento e coragem. Enquanto isso, outros a descobrem pela primeira vez, provando que boas histórias realmente atravessam o tempo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo após duas décadas, Percy Jackson continua correndo pelos corredores do Acampamento Meio-Sangue, enfrentando deuses mal-humorados e lembrando aos leitores que ser diferente não é uma fraqueza – é uma força. A longevidade da </span><a href="https://rickriordan.com/book/the-court-of-the-dead/"><span style="font-weight: 400;">história</span></a><span style="font-weight: 400;"> mostra que, mais do que aventuras mitológicas, os livros oferecem acolhimento, identificação e a sensação de que sempre haverá um lugar onde pertencemos, mesmo que esteja escondido entre o mundo mortal e o Olimpo.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Você, Percy… você é parte deus, parte humano. Vive em ambos os mundos </span><span style="font-weight: 400;">[&#8230;]. É isso que torna os heróis tão especiais. Você transporta as esperanças da humanidade para a esfera do eterno” –</span><span style="font-weight: 400;"> O Mar de Monstros (2006)</span></p></blockquote>
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		<title>The Buccaneers entrega vestidos lindos, romances arrastados e menos alma feminina em sua 2º temporada</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Mar 2026 13:00:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Alisha Boe]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
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		<category><![CDATA[The Buccaneers]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Stephanie Cardoso A segunda temporada de The Buccaneers, série original da Apple TV+, chega tentando manter o charme, mas tropeça justamente onde era mais potente: a amizade entre mulheres. O que na estreia parecia um manifesto delicado sobre juventude feminina, pertencimento e afeto – aquele calor de girlhood, para usar o termo consagrado nos círculos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/thebuccaneers-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "The Buccaneers entrega vestidos lindos, romances arrastados e menos alma feminina em sua 2º temporada"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36934" aria-describedby="caption-attachment-36934" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36934" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Buccaneers1.png" alt=" Imagem promocional da série The Buccaneers. Cinco mulheres estão deitadas de costas em um campo verde cheio de pequenas flores brancas. Elas usam vestidos de cores suaves e românticas, com flores presas no cabelo. Elas estão dispostas em círculo com as cabeças próximas e olhando para cima" width="512" height="384" /><figcaption id="caption-attachment-36934" class="wp-caption-text">A amizade e irmandade feminina – que era pra ser o foco da série – acabou sendo deixado para segundo plano na nova temporada (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><b>Stephanie Cardoso</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A segunda temporada de </span><a href="https://bravo.abril.com.br/cinema-tv/the-buccaneers-o-que-e-diferente-do-livro-original-de-edith-wharton/"><i><span style="font-weight: 400;">The Buccaneers</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, série original da </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple TV+</span></i><span style="font-weight: 400;">, chega tentando manter o charme, mas tropeça justamente onde era mais potente: a amizade entre mulheres. O que na estreia parecia um manifesto delicado sobre juventude feminina, pertencimento e afeto – aquele calor de </span><a href="https://blog.paraisofeminino.com.br/girlhood-a-tendencia-ultra-feminina-que-veio-para-ficar/"><i><span style="font-weight: 400;">girlhood</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, para usar o termo consagrado nos círculos culturais – agora vira pano de fundo para intrigas românticas e melodramas em câmera lenta. Visualmente, continua um deslumbre, porém, narrativamente é como trocar um diário íntimo por uma coluna social de revista de época.</span></p>
<p><span id="more-36932"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirada no romance inacabado de Edith Wharton – publicado postumamente em 1938 – </span><i><span style="font-weight: 400;">The Buccaneers</span></i><span style="font-weight: 400;"> tinha tudo para ser uma adaptação literária com fôlego crítico e emoção à flor da pele. A escritora, conhecida por obras como </span><a href="https://youtu.be/0uPg36iMlGU?feature=shared"><i><span style="font-weight: 400;">A Época da Inocência</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1993) – que foi adaptada por Martin Scorsese – e </span><i><span style="font-weight: 400;">A Casa da Alegria </span></i><span style="font-weight: 400;">(1995), já explorava as tensões entre </span><a href="https://youtu.be/eCa459WluZg?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">mulheres e sociedade</span></a><span style="font-weight: 400;"> com rara sofisticação. A primeira temporada honra esse legado – garotas americanas ricas invadindo a aristocracia britânica com vestidos ousados, atitudes mais ainda, e uma solidariedade de fazer inveja a muitos clubes de cavalheiros. Havia ternura, tensão, pequenas revoluções cotidianas e falava de </span><i><span style="font-weight: 400;">girlhood</span></i><span style="font-weight: 400;"> – essa experiência densa, confusa, brilhante e, por vezes, sombria de ser jovem mulher num mundo que te julga antes mesmo de você se descobrir.</span></p>
<figure id="attachment_36935" aria-describedby="caption-attachment-36935" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36935" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Buccanners2.jpg" alt="Cena da série The Buccaneers. Vemos na imagem Nan, uma mulher branca, de cabelo preso para trás, usando um vestido vermelho elegante e tomara que caia. Ela está de perfil para a direita e tem um batom vermelho. Ao fundo, há um grupo de pessoas vestidas formalmente em trajes de época, em um jardim com vegetação verde " width="512" height="222" /><figcaption id="caption-attachment-36935" class="wp-caption-text">A produção foi a segunda adaptação da obra literária, sendo a primeira uma série em 1995 (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A nova temporada parece desconfortável com o próprio silêncio. Tudo precisa ser resolvido com escândalo, cartas escondidas ou paixões proibidas. O núcleo da </span><a href="https://youtu.be/FaDFty5ipEg?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">amizade</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre Nan (Kristine Froseth), Conchita (Alisha Boe), Jinny (Imogen Waterhouse), Lizzy (Aubri Ibrag) e Mabel (Josie Totah) – o coração da história – praticamente evapora. Em seu lugar, surgem rivalidades forçadas, decisões passionais e um clima de ‘vale tudo pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twist</span></i><span style="font-weight: 400;">’. A sensibilidade dá lugar ao choque, e o olhar delicado sobre o feminino vira vitrine para dilemas de novela das cinco com produção de </span><a href="https://personaunesp.com.br/ainda-estou-aqui-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><a href="https://youtu.be/rdSajlISTRM?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Kristine Froseth</span></a><span style="font-weight: 400;"> perde parte da força que a tornava tão magnética, a personagem que antes parecia movida por princípios, agora age com hipocrisia e uma certa arrogância disfarçada de empoderamento. Ela cobra dos outros uma honestidade emocional que a própria não pratica. Diz lutar por liberdade e autonomia, mas manipula os sentimentos de Guy (Matthew Broome) e Theo (Guy Remmers) com uma ambiguidade moral desconcertante. Ao esconder verdades importantes e seguir tomando decisões impulsivas – algumas que afetam diretamente a vida das pessoas ao redor – se torna menos uma heroína feminista e mais uma anti-heroína mimada. A série parece não perceber essa virada de tom e continua tratando suas atitudes como grandes gestos de coragem, quando na verdade são, muitas vezes, apenas egoísmo disfarçado de protagonismo.</span></p>
<figure id="attachment_36936" aria-describedby="caption-attachment-36936" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36936" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Buccaneers3.jpg" alt="Cena da série The Buccaneers. Vemos Nell (Leighton Meester), uma mulher branca com cabelo ruivo, preso em cachos e enrolado ao redor da cabeça. Ela usa um chapéu azul decorado com flores e um vestido azul claro com detalhes em renda preta, gola alta com babados brancos. O fundo está desfocado e escuro" width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-36936" class="wp-caption-text">Uma das surpresas da temporada foi ver Leighton Meester interpretar a mãe biológica de Nan – e tentar não lembrar da Blair de Gossip Girl enquanto assistia os episódios (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse descompasso fica ainda mais evidente em seu arco com a sua mãe biológica, </span><a href="https://youtube.com/shorts/_cBtAvwsNqw?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Nell</span></a><span style="font-weight: 400;"> (vivida por Leighton Meester, a Blair de </span><a href="https://personaunesp.com.br/gossip-girl-15-anos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Gossip Girl</span></i></a><span style="font-weight: 400;">). O reencontro entre elas tinha tudo para ser emocionalmente devastador, um mergulho nas origens e nas contradições sociais que cercam a trajetória de Nan. Contudo a produção passa por isso com pressa, sem dar tempo para a dor, o confronto, a reconciliação ou mesmo para o conflito real. O que poderia ser um dos momentos mais ricos da temporada se dilui em cenas rápidas, quase esquecíveis, que tratam com superficialidade um tema que merecia muito mais densidade. A impressão é de que até esse pedaço da história foi sacrificado para abrir espaço para mais um drama romântico qualquer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez por isso, quem vem roubando os holofotes nesta temporada é a personagem vivida por </span><a href="https://youtu.be/b-uRjOwewpU?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Aubri Ibrag</span></a><span style="font-weight: 400;">. Lizzy, que antes orbitava discretamente a história principal, ganhou corpo, carisma e uma profundidade emocional mais convincente que a da própria protagonista. Nas redes sociais, o culto a personagem cresceu a cada episódio: vídeos, </span><i><span style="font-weight: 400;">fan edits</span></i><span style="font-weight: 400;"> e discussões exaltam sua sensatez, sua trajetória silenciosa e sua autenticidade – tudo o que parece ter evaporado do arco de Nan. É como se o público tivesse encontrado nela aquilo que a série prometeu com a protagonista, entretanto, não entregou: uma mulher jovem, complexa, ética e que amadurece sem precisar passar por cima dos outros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além das presenças femininas da obra, a figura do </span><a href="https://youtu.be/-6BvnK7slWM?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Theo</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma das poucas surpresas agradáveis. Durante a temporada, seu arco entrega um dos raros momentos de sinceridade emocional ao passar dos episódios. Já Guy, o antigo amor de Nan, vira quase um mártir passivo, preso numa </span><a href="https://youtu.be/d2Q5uh35up4?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">dinâmica</span></a><span style="font-weight: 400;"> injusta onde o afeto nunca é retribuído com a mesma integridade. A série parece querer que o público torça por sua ex-parceira a qualquer custo, contudo ignora o quanto ela se afasta da empatia e da ética em nome de sua própria narrativa.</span></p>
<figure id="attachment_36933" aria-describedby="caption-attachment-36933" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36933" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Buccaneers4.png" alt="Cena da série The Buccaneers. Cinco mulheres estão em pé, lado a lado, segurando suas saias ou mãos, olhando para a direita. Elas vestem roupas de época em tons pastel e terrosos, com detalhes bordados ou rendados. O jardim atrás delas tem plantas verdes e uma casa antiga parcialmente visível " width="512" height="341" /><figcaption id="caption-attachment-36933" class="wp-caption-text">O que era pra ser uma série sobre amizade e empatia feminina se tornou tudo menos isso (Foto: Angus Pigott/Apple TV+/The Forge Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, não dá para dizer que </span><a href="https://youtu.be/4wzf9W-utdc?feature=shared"><i><span style="font-weight: 400;">The Buccaneers</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> virou um desastre, a obra ainda é belíssima, tem um elenco com química e apresenta momentos isolados de potência – como as tramas centradas em </span><a href="https://youtu.be/GTQzCDp5qI8?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Jinny</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://youtu.be/nALMKoHEHl8?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Mabel</span></a><span style="font-weight: 400;">, que falam de temas como abuso e sexualidade com alguma coragem. Mas tudo isso parece surgir em meio ao caos, como relances de um seriado que já foi mais consciente de si mesma. Há menos escuta entre as personagens, afeto genuíno e espaço para as pequenas revoluções que antes costuravam cada episódio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez o problema seja justamente o tom, a série parece querer crescer junto com suas personagens, entretanto confunde o amadurecimento com o abandono de suas raízes. O foco deslocado da amizade para o drama romântico esvazia o que havia de mais revolucionário: mulheres que se escolhem, se defendem e se reconhecem. Sem isso, sobra só o que vemos em outras dezenas de </span><a href="https://personaunesp.com.br/bridgerton-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">dramas de época</span></a><span style="font-weight: 400;">: bailes, vestidos, beijos proibidos. Bonito? Sempre. Original? Nem tanto.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Buccaneers </span></i><span style="font-weight: 400;">seguiu os passos da primeira temporada</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">ou</span> <span style="font-weight: 400;">seja</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">continuou sendo um deleite visual. Porém, para uma produção que começou com promessas de romper padrões e recontar o feminino com nuance e afeto, essa </span><a href="https://youtu.be/ebLFnnSEpkE?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">segunda temporada</span></a><span style="font-weight: 400;"> parece ter trocado a alma pelo verniz – e uma protagonista complexa por uma figura contraditória que se recusa a lidar com suas próprias falhas. Ainda há tempo para voltar a navegar com propósito, mas, por enquanto, o navio parece à deriva – lindo, caro, porém sem bússola.</span></p>
<p><a href="https://youtu.be/3p6ZMqvw3XY?si=Iengf-qpQzj9GMbz"><span style="font-weight: 400;">The Buccaneers &#8211; trailer 2° temporada</span></a></p>
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		<title>Sem nenhuma previsibilidade, Pluribus conta uma boa história e serve de respiro em meio a produções medianas</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Feb 2026 13:00:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Talita Mutti Imagine viver em um mundo feliz, sem guerras, sem qualquer tipo de preconceito e com uma consciência coletiva que trabalha em prol do bem do próximo e do planeta. Parece um sonho? Um mundo utópico que nunca será possível de alcançar? Talvez. Mas, para Carol Sturka (Rhea Seehorn), isso resume seu pior pesadelo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pluribus-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Sem nenhuma previsibilidade, Pluribus conta uma boa história e serve de respiro em meio a produções medianas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36906" aria-describedby="caption-attachment-36906" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36906" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-2-800x339.jpg" alt="Rhea Seehorn, mulher branca, loira e de olhos azuis, está posicionada no centro da imagem. Ela veste uma camisa azul escura com um casaco preto aberto por cima. A foto foi tirada em um ângulo que destaca o chão de pedras como fundo principal. No canto superior direito, aparecem algumas plantas." width="800" height="339" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-2-800x339.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-2-1024x433.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-2-768x325.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-2-1536x650.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-2-1200x508.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-2.jpg 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36906" class="wp-caption-text">Rhea Seehorn em “Pluribus”, já disponível no Apple TV (Foto: AppleTV)</figcaption></figure>
<p><b>Talita Mutti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Imagine viver em um mundo feliz, sem guerras, sem qualquer tipo de preconceito e com uma consciência coletiva que trabalha em prol do bem do próximo e do planeta. Parece um sonho? Um mundo utópico que nunca será possível de alcançar? Talvez. Mas, para Carol Sturka (Rhea Seehorn), isso resume seu pior pesadelo em </span><i><span style="font-weight: 400;">Pluribus</span></i><span style="font-weight: 400;">, série da </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-estudio-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Apple TV</span></i></a><span style="font-weight: 400;">  lançada em novembro de 2025. </span><a href="https://personaunesp.com.br/breaking-bad-15-anos/"><span style="font-weight: 400;">Vince Gilligan</span></a><span style="font-weight: 400;">, criador do seriado, conquistou o público pela trama envolvente e misteriosa e também pela ausência de respostas fáceis, fazendo com que a produção se tornasse a série mais assistida da história da plataforma. Talvez esse sucesso venha justamente do respiro em meio a alguns lançamentos do ano, que funcionam à base de explicações óbvias e finais tediosos, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/stranger-things-4-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Stranger Things</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2016).</span></p>
<p><span id="more-36905"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após uma descoberta feita por um astrônomo, algo começa a fugir do controle e a infectar a humanidade com o que parece ser um ‘vírus da felicidade’. O planeta passa por uma </span><a href="https://www.instagram.com/reel/DQ7UwDZktM-/"><span style="font-weight: 400;">mudança drástica</span></a><span style="font-weight: 400;">, na qual cada ser humano passa a fazer parte de um todo. De alguma forma, todas as mentes se conectam e, a partir disso, compreendem como trabalhar por um mundo melhor. Todos compartilham conhecimentos, experiências, crenças e gostos, porém, funcionam em uníssono, sem priorizar ninguém, apenas o bem-estar do próximo. Entre bilhões de pessoas ‘infectadas’, 13 não se juntam a essa consciência única. Uma delas é a protagonista, escritora frustrada e rabugenta que perdeu a esposa no dia da infecção e que, agora, precisa conviver com essa nova realidade perturbadora.</span></p>
<figure id="attachment_36908" aria-describedby="caption-attachment-36908" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36908" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-800x339.jpg" alt="Rhea Seehorn está de costas, posicionada no canto esquerdo da imagem, vestindo um agasalho de fundo branco com traços em verde, amarelo, azul e rosa. À frente, Karolina Wydra, mulher branca de cabelos castanhos e olhos castanhos, está sentada usando um agasalho com traços em rosa e azul. Ao fundo, há um cenário de inverno; as paredes de vidro deixam ver árvores, duas cadeiras e a neve do lado de fora." width="800" height="339" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-800x339.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-1024x433.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-768x325.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-1536x650.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-1200x508.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3.jpg 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36908" class="wp-caption-text">Karolina Wydra já interpretou Dominika Petrova na série americana House MD (Foto: AppleTV)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos momentos mais </span><a href="https://www.youtube.com/shorts/gSoLVRg5xrM"><span style="font-weight: 400;">simbólicos</span></a><span style="font-weight: 400;"> acontece quando Carol e a maioria dos não infectados se reúnem à mesa para tentar entender o que aconteceu com a humanidade. Ela, a única pessoa branca entre eles, parece encarar a situação como uma afronta à própria identidade e liberdade. Já os demais, de diferentes nacionalidades e etnias não brancas, veem esse novo mundo como um espaço pacífico, no qual não existe dor, racismo ou qualquer elemento que condene a própria existência. Todos conseguem conviver com suas famílias mesmo nessa condição, menos ela e Manousos (Carlos Manuel Vesga), um homem latino que se agarra ao conservadorismo do mundo antigo e sequer se faz presente à mesa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-last-of-us-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">pós-apocalíptico</span></a><span style="font-weight: 400;"> é completamente diferente do que costuma aparecer em séries e filmes de ficção científica. Trata-se de um espaço organizado e limpo, que serve de palco para os movimentos orquestrados dos ‘contaminados’. O mais comum nessa temática é o questionamento sobre a origem do fenômeno, o que o causou e quem foi o responsável. Foram alienígenas? O foco da primeira temporada de Pluribus não está nisso, apesar de oferecer pequenas explicações, ainda que pouco claras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em determinado momento, é apresentada não apenas a perspectiva de Carol, mas também a de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=F5dCqf_NKwc"><span style="font-weight: 400;">Manousos</span></a><span style="font-weight: 400;">, que vai em busca da escritora na tentativa de reverter a situação. Um dos defeitos da trama está justamente no encontro entre eles. Algo que construiu muita expectativa, principalmente pelo fato de ambos pensarem de forma semelhante, acaba se concretizando de maneira infantil, como se fossem adolescentes desconhecidos. Além disso, o encontro não é dos mais produtivos, já que não há qualquer avanço ou tentativa real de acordo. Aqui, a acidez constante de Carol e agressividade de Manousos falam mais alto.</span></p>
<figure id="attachment_36907" aria-describedby="caption-attachment-36907" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36907" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-2-800x533.jpg" alt="Rhea Seehorn aparece vestindo uma camisa bege e calça jeans, segurando um celular à frente de Manousos, um homem branco com cabelo curto e castanho que usa camiseta cinza, calça social e relógio, enquanto segura um guarda-chuva rosa. Ao fundo, há vegetação seca que se encontra com o céu azul, sem nuvens." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-2-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-2.jpg 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36907" class="wp-caption-text">O encontro entre Manousos e Carol marca último episódio da 1ª temporada de Pluribus (Foto: AppleTV)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A atuação de Rhea Seehorn é um ponto crucial nessa teia de perguntas sem respostas, especialmente nos monólogos que revelam momentos de emoção e, ao final, apresentam pontos de virada. Algo muito característico de outros </span><a href="https://www.google.com/search?q=pluribus+interview&amp;num=12&amp;sca_esv=e0108723e50a180c&amp;udm=39&amp;biw=1280&amp;bih=585&amp;aic=0&amp;sxsrf=ANbL-n7Y9f_B3xLaCjOF0rimuEsNesqUfw%3A1768325802501&amp;ei=qoJmacGqHpCG5OUPqKuS-A4&amp;ved=0ahUKEwjBp7j6homSAxUQA7kGHaiVBO8Q4dUDCBI&amp;uact=5&amp;oq=pluribus+interview&amp;gs_lp=Eh1nd3Mtd2l6LW1vZGVsZXNzLXNob3J0LXZpZGVvcyIScGx1cmlidXMgaW50ZXJ2aWV3MgUQABiABDIIEAAYgAQYywEyCBAAGBYYChgeMgYQABgWGB4yBhAAGBYYHjIGEAAYFhgeMgYQABgWGB4yBhAAGBYYHjIIEAAYgAQYogQyCBAAGIAEGKIESOMZUKIIWNcYcAF4AJABAJgBqAGgAbcKqgEEMC4xMLgBA8gBAPgBAZgCC6AClQvCAg0QABiABBixAxgUGIcCwgIQEAAYgAQYsQMYQxiDARiKBcICDRAAGIAEGLEDGEMYigXCAgoQABiABBhDGIoFwgIGEAAYBxgewgILEAAYgAQYsQMYgwHCAggQABiABBixA8ICChAAGIAEGBQYhwLCAgwQABiABBixAxgKGAuYAwCIBgGSBwQxLjEwoAfoP7IHBDAuMTC4B5ALwgcGMi0xMC4xyAdDgAgA&amp;sclient=gws-wiz-modeless-short-videos#fpstate=ive&amp;ip=1&amp;vld=cid:384dd4bb,vid:hGk4VGCL3tU,st:0"><span style="font-weight: 400;">protagonistas </span></a><span style="font-weight: 400;">das séries criadas por Gilligan, como em </span><a href="https://personaunesp.com.br/breaking-bad-15-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Breaking Bad </span></i></a><span style="font-weight: 400;">(2008). Não é à toa que a atriz faturou o prêmio de Melhor Atriz de Série de Drama no </span><a href="https://revistaoeste.com/cultura/rhea-seehorn-e-a-melhor-atriz-de-serie-de-drama-no-globo-de-ouro/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://inmagazine.ig.com.br/cinema-tv/rhea-seehorn-serie-drama/amp"><span style="font-weight: 400;">Critics Choice Awards</span></a><span style="font-weight: 400;">. É possível sentir a solidão da personagem, mesmo antes do dia em que o mundo virou de ponta-cabeça. Uma escritora que enfrenta um bloqueio criativo, no entanto parece ter sentido uma faísca dentro de si em meio ao caos. Não é como se ela se sentisse viva novamente, porém ao menos passa a valorizar a própria existência e aquilo que perdeu, como a esposa. Algo que serve de estratégia para que Zosia possa se aproximar e se relacionar com Carol.</span> <span style="font-weight: 400;">É uma dinâmica estranha, considerando que todos no planeta estão ali no corpo de Zosia ao se envolver com Carol, mas, ao mesmo tempo, parece real. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de o encerramento da temporada não ter sido dos melhores, justamente por conta do encontro indiferente entre Carol e Manousos, há a abertura de caminhos que podem ser explorados na segunda temporada, já confirmada por Gilligan. O próprio diretor afirma que </span><a href="https://ew.com/pluribus-season-2-release-will-take-a-while-vince-gilligan-11873854"><span style="font-weight: 400;">não há pressa</span></a><span style="font-weight: 400;"> para concluir o futuro da produção e que trabalhará o tempo que for necessário. Não há pontos negativos nisso. </span><i><span style="font-weight: 400;">Pluribus</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma série em que cada detalhe precisa ser cuidadosamente articulado para o desenvolvimento da trama. Não são apenas </span><i><span style="font-weight: 400;">easter eggs</span></i><span style="font-weight: 400;"> que alimentam teorias entre o público,  e sim particularidades narrativas que se encaixam para construir uma contextualização o menos óbvia possível. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Pluribus — Official Trailer | Apple TV" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/a6lzvWby9UE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Na pele de Marjorie Estiano, Ângela Diniz não pede para ser amada, mas exige liberdade – assim como todas as mulheres</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Feb 2026 13:00:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Bezerra O final de 2025 foi marcado por um clima de luto. Enquanto as festividades se aproximavam, as histórias de alguns nomes femininos começaram a ocupar as redes sociais e ganharam mais tempo de audiência nos jornais. Infelizmente, os comentários e matérias não se tratavam do sucesso profissional dessas mulheres, ou de alguma história &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-angela-dinizassassinada-e-condenada/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Na pele de Marjorie Estiano, Ângela Diniz não pede para ser amada, mas exige liberdade – assim como todas as mulheres"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36802" aria-describedby="caption-attachment-36802" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36802" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-3-800x450.jpg" alt="Cena de Ângela Diniz: Assassinada e Condenada. Ângela, uma mulher de pele clara aparece em ambiente externo, durante o dia. Ela tem cabelo castanho ondulado e solto. Ela sorri enquanto ergue um dos braços, parecendo estar dançando. Na outra mão, segura uma taça com Champagne. Usa um vestido bege com listras brilhosas, sem mangas e com decote profundo, além de brincos grandes e um cordão. Ao fundo, há outras pessoas desfocadas e árvores e plantas que compõem a paisagem." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-3-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-3.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36802" class="wp-caption-text">A série foi inspirada na história de Ângela Diniz, a socialite a frente de seu tempo vítima de feminicídio (Fonte: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Bezerra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O final de 2025 foi marcado por um clima de luto. Enquanto as festividades se aproximavam, as histórias de alguns nomes femininos começaram a ocupar as redes sociais e ganharam mais tempo de audiência nos jornais. Infelizmente, os comentários e matérias não se tratavam do sucesso profissional dessas mulheres, ou de alguma história curiosa ou cativante de suas vidas; não ouvimos sobre o brilho delas ou sobre suas paixões. Isso só foi ouvido depois, e das bocas dos amigos e familiares que, em busca de justiça, relembram a coragem, os sorrisos e sonhos daquelas mulheres que tiveram as vidas roubadas pelo </span><a href="https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2025/12/01/brasil-tem-mais-de-mil-casos-de-feminicidio-registrados-em-2025.ghtml"><span style="font-weight: 400;">feminicídio</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-36801"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No mesmo período, estreou</span><i><span style="font-weight: 400;"> Ângela Diniz: Assassinada e Condenada</span></i><span style="font-weight: 400;">. A série retrata a história da </span><i><span style="font-weight: 400;">socialite</span></i><span style="font-weight: 400;"> brasileira conhecida como ‘A Pantera de Minas’, que nos anos 1970 ocupava os tabloides com narrativas sobre a sua beleza avassaladora e seu jeito livre de ser. A produção é baseada no podcast </span><a href="https://radionovelo.com.br/originais/praiadosossos/"><i><span style="font-weight: 400;">Praia dos Ossos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, da Rádio Novelo, cujo título carrega o nome do local onde o brilho de Ângela (Marjorie Estiano) chegou ao fim. Em 30 de dezembro de 1976, ela foi assassinada pelo namorado Raul Fernando do Amaral Street (Emílio Dantas) com quatro tiros na Praia do Ossos, na Armação de Búzios, no Rio de Janeiro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Pantera teve sua história interrompida pela maldade e possessividade do companheiro, mas, ainda que não parecesse ter consciência disso, construiu um legado eterno; a lembrança de sua figura irreverente foi marcante no julgamento do crime: mais determinado a condená-la por seu estilo de vida do que em punir de forma efetiva o seu assassino. Sem metáforas ou eufemismos: em um tribunal cujo juiz era homem, os advogados eram homens e a maior parte do júri também, a defesa, baseado na legislação da época, afirmou que Doca matou Ângela em um ato de </span><a href="https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/tese-da-legitima-defesa-da-honra-e-inconstitucional/"><span style="font-weight: 400;">legítima defesa de sua honra</span></a><span style="font-weight: 400;">, como se ela fosse a verdadeira culpada.</span></p>
<figure id="attachment_36804" aria-describedby="caption-attachment-36804" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36804" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-4-800x450.jpg" alt="Cena de Ângela Diniz: Assassinada e condenada. Ângela, uma mulher de pele clara está próxima a uma porta azul. Ela tem cabelo castanho escuro, veste um biquíni e apresenta uma expressão tensa, olhando para um homem à sua frente. Doca, de costas para a câmera, tem cabelo escuro e veste uma camisa marrom escuro. O cenário inclui alguns móveis e objetos ao fundo." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-4-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-4.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36804" class="wp-caption-text">O roteiro faz um bom trabalho ao criar uma narrativa completa sobre a relação violenta de Ângela e seu assassino, afim de esclarecer a sequência de abusos que termina em tragédia (Fonte: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Cinco décadas depois, pensando com otimismo, era de se esperar que a série ressoasse como um olhar ao passado, uma lembrança do que não se pode repetir. No entanto, o luto e a revolta que ainda levam milhares de mulheres às ruas, especialmente nos últimos meses de 2025, mostraram que a misoginia enfrentada por Ângela – ainda em vida e após a sua morte – segue mais viva do que nunca. Diante disso, a pertinência da produção seria suficiente para instigar os espectadores, contudo, além disso, de antemão, o elenco da obra agregou um grande valor a ela. Mais uma vez, Marjorie Estiano entrega uma performance da mais alta qualidade, acompanhada de nomes como Emílio Dantas, </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/foi-dificil-dormir-a-noite-diz-atriz-de-angela-diniz/"><span style="font-weight: 400;">Camila Mardila</span></a><span style="font-weight: 400;">, Renata Gaspar, Thiago Lacerda e Antônio Fagundes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A série, dividida em 6 episódios, é absolutamente honesta, não deixa nada de fora; as polêmicas, as atitudes intempestivas, as festas, os casos, o divórcio e a sede por diversão e liberdade de Ângela. Ao fazer isso, o roteiro de Elena Soárez, Pedro Perazzo e Thais Tavares e a direção de Andrucha Waddington – que dirigiu Marjorie no filme </span><i><span style="font-weight: 400;">Sob Pressão</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2016) – constroem uma narrativa extremamente coerente, que nos fazem compreender todo o contexto que tornava a protagonista </span><i><span style="font-weight: 400;">persona non grata</span></i><span style="font-weight: 400;"> no imaginário social coletivo </span><a href="https://youtu.be/UIA2V7W8a3c?si=4D9sLtqtbmF9V0Z9&amp;t=136"><span style="font-weight: 400;">conservador</span></a><span style="font-weight: 400;"> e tradicional da época. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo no primeiro episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Quero Me Separar</span></i><span style="font-weight: 400;">, é retratado o divorcio da protagonista, que representou uma significativa ruptura dos padrões da época. Para Ângela, não era importante manter as aparências, mas sim ser genuinamente feliz, e é claro que ela pagou as consequências emocionais e sociais pelo pensamento à frente de seu tempo. Nesse sentido, a ambientação e as discussões trazidas foram delicadamente pensadas para construírem a atmosfera do período e a complexidade de Ângela, sem deixar que a sua imagem caísse no discurso estereotipado que assassina repetidamente as vítimas de violência de </span><a href="https://personaunesp.com.br/maid-critica/#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">gênero</span></a><span style="font-weight: 400;"> mesmo após a sua morte.</span></p>
<figure id="attachment_36805" aria-describedby="caption-attachment-36805" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36805" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-800x390.jpg" alt="Cena de Ângela Diniz: Assassinada e Condenada. Duas mulheres estão em um ambiente interno bem iluminado, com quadros pendurados na parede ao fundo. À esquerda, Ângela, uma mulher de pele clara e cabelo castanho ondulado preso lê um livro, olhando para baixo. Ela usa um vestido azul-marinho sem mangas. À direita, um pouco mais ao fundo, outra mulher de pele clara e cabelos castanhos curtos observa a leitura. Ela usa óculos e veste uma camisa clara com um colete em tons de vermelho e laranja. No fundo, aparece uma parede branca com quadros pendurados. " width="800" height="390" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-800x390.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-1024x500.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-768x375.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4.jpg 1178w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36805" class="wp-caption-text">Renata Gaspar interpreta Gilda Ribeiro, uma amiga de Ângela, intelectual e feminista, que representa a diferenca entre uma suposta imagem militante com a verdadeira figura da protagonista (Fonte: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela era livre, e também era uma mãe, filha e amiga apaixonada; ela era tudo isso, e, ao mesmo tempo, também era intempestiva e, pode ser vista como insensível pelas esposas dos homens casados com os quais se envolveu. Era independente, no entanto, também foi refém de uma relação essencialmente abusiva. Ângela é uma revolução, que vivia sua sexualidade livremente, como queria e com quem queria, mas não era uma </span><a href="https://elle.com.br/cultura/marjorie-estiano-angela-diniz"><span style="font-weight: 400;">feminista</span></a><span style="font-weight: 400;"> convicta, não se importava com a teoria, ou com as intelectuais que discutiam o porque mulheres como ela mesma podiam viver como viviam. Apenas queria viver conforme desejasse.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A genialidade do roteiro, diga-se de passagem, é acompanhada de uma curadoria musical feita a dedo, que embala a narrativa assertivamente. Além disso, o figurino (</span><a href="https://www.imdb.com/name/nm1315505/?ref_=ttfc_fcr_10_1"><span style="font-weight: 400;">Marcelo Pies</span></a><span style="font-weight: 400;">) também merece destaque. Desde o glamour das festas no Rio de Janeiro até a funebridade do julgamento de Doca – ou de Ângela. Tudo colabora para que essa seja uma produção primorosa e quase resolutiva para a protagonista e para todas as mulheres: criou-se uma imagem poderosa e repleta de camadas para a personagem de Marjorie, contudo, nunca pejorativa, e ainda, sem se dar ao trabalho de forjar uma figura imaculada. O que </span><i><span style="font-weight: 400;">Ângela Diniz: Assassinada e Condenada</span></i><span style="font-weight: 400;"> diz, ou melhor, grita tão alto quanto as vítimas de violência é: por que a sua régua moral determina se eu </span><a href="https://auniao.pb.gov.br/noticias/colunistas/sandra-raquew-azevedo/estereotipo-e-feminicidio"><span style="font-weight: 400;">merecia</span></a><span style="font-weight: 400;"> morrer ou não?</span></p>
<figure id="attachment_36803" aria-describedby="caption-attachment-36803" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36803" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-3-800x539.jpg" alt="Cena de Ângela Diniz: Assassinada e Condenada. Grupo de mulheres reunidas em protesto em frente a um prédio com colunas. Ao fundo, uma grande faixa com os dizeres &quot;Quem ama não mata&quot;. No centro, uma mulher abraça outra emocionada. Algumas manifestantes aplaudem e uma segura um cartaz escrito ‘Eu não quero ser a próxima’ em vermelho." width="800" height="539" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-3-800x539.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-3-1024x690.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-3-768x518.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-3.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36803" class="wp-caption-text">A série recria cenas de protestos organizados nos anos 1980 (Fonte: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Doca Street saiu do Tribunal de Cabo Frio após o primeiro julgamento em 1979, o fez como um homem livre, pois já havia cumprido um terço da pena decretada pelo juiz. Cinco anos depois, o Ministério Público recorreu e Doca e o novo </span><span style="font-weight: 400;">veredicto</span><span style="font-weight: 400;"> foi uma pena de 15 anos que foi cumprida em sua totalidade. Nessa época, o movimento feminista, fortemente atuando e em processo de organização, foi essencial para essa decisão. Elas carregavam o lema “</span><a href="https://catarinas.info/quem-ama-nao-mata-40-anos-de-luta/"><i><span style="font-weight: 400;">Quem ama, não mata</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, uma referência à tese jurídica do crime passional. Na série, Camila Márdila e Renata Gaspar entregam performances emocionantes, carregadas de dor e revolta, como amigas de Ângela que estariam à frente de manifestações. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Angela Diniz: Assassinada e Condenada</span></i><span style="font-weight: 400;"> – e os boletins de ocorrência brasileiros – escancaram que, na realidade em que vivemos, toda e qualquer mulher pode ser considerada merecedora de sofrimento e que não há nenhuma tentativa de rendição aos padrões que possa salvá-la. </span><a href="https://personaunesp.com.br/capitu-e-o-capitulo-critica/#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">Machado de Assis</span></a><span style="font-weight: 400;">, em 1899, no clássico </span><i><span style="font-weight: 400;">Dom Casmurro</span></i><span style="font-weight: 400;">, já nos alertava sobre isso: em uma história narrada por homens, é fácil criar a imagem da “</span><i><span style="font-weight: 400;">cigana dos olhos de ressaca</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Ou seja, é urgente celebrar a liberdade, parar de tentar justificar o injustificável e tomar as rédeas do ponto de vista.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Ângela Diniz: Assassinada e Condenada | Trailer | Nova Série | HBO Max" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/3AUUI4sejs8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/critica-angela-dinizassassinada-e-condenada/">Na pele de Marjorie Estiano, Ângela Diniz não pede para ser amada, mas exige liberdade – assim como todas as mulheres</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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