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	<title>Arquivos William Jackson Harper &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Os 5 anos de The Good Place nos deixam uma pergunta: o que devemos uns aos outros?</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Oct 2021 15:14:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gina Zapparoli Nunca é esperado que alguém tome notas de ações boas e ruins que fazemos durante o tempo em que as pessoas passam na Terra, correto? Talvez colar em uma prova importante a qual você queira muito passar ou comprar uma &#8220;mistura de margarita para mulheres solitárias&#8221; para passar o fim de semana não &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-good-place-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os 5 anos de The Good Place nos deixam uma pergunta: o que devemos uns aos outros?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23763" aria-describedby="caption-attachment-23763" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-23763" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/tgp-1.png" alt="Cena da série The Good Place. A imagem mostra os seis personagens principais dentro de um balão, eles sorriem e olham para a câmera. " width="650" height="292" /><figcaption id="caption-attachment-23763" class="wp-caption-text">Seis narrativas diferentes que trazem uma história única (Foto: NBC)</figcaption></figure>
<p><b>Gina Zapparoli</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nunca é esperado que alguém </span><a href="https://youtu.be/ut0ai4s4mjU"><span style="font-weight: 400;">tome notas de ações boas e ruins</span></a><span style="font-weight: 400;"> que fazemos durante o tempo em que as pessoas passam na Terra, correto? Talvez colar em uma prova importante a qual você queira muito passar ou comprar uma </span><a href="https://youtu.be/og0WTK4sobY"><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;mistura de margarita para mulheres solitárias&#8221;</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> para passar o fim de semana não parecem ser opções tão ruins vez ou outra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, </span><a href="http://personaunesp.com.br/the-good-place-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Good Place</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> mostra que há sempre uma pessoa anotando seus erros e acertos e que, bem, isso poderá te dar uma futura dor de cabeça. A narrativa da série se baseia em como as decisões dos personagens principais Eleanor Shellstrop (Kristen</span> <span style="font-weight: 400;">Bell), Tahani Al-Jamil (Jameela Jamil), Jason Mendoza (Manny Jacinto) e Chidi Anagonye (William Jackson Harper), por mais bobas que sejam, tragam grandes consequências para os mesmos.</span></p>
<p><span id="more-23762"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além dos quatro protagonistas, a história ainda acompanha Michael (</span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/170185-ted-danson-comenta-sobre-o-destino-de-seu-personagem-em-the-good-place.htm"><span style="font-weight: 400;">Ted Danson</span></a><span style="font-weight: 400;">), o suposto arquiteto que planejou toda a vizinhança que geraria o Bom</span> <span style="font-weight: 400;">Lugar</span><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> e sua assistente que possui conhecimento de tudo, Janet (</span><a href="https://feededigno.com.br/serie/the-good-place-darcy-carden-fala-sobre-despedida-da-serie/"><span style="font-weight: 400;">D’Arcy Carden</span></a><span style="font-weight: 400;">). Ambos personagens trazem ao grupo o “ar” fantasioso que a série brinca &#8211; principalmente ao considerar que Janet é alguém que detém todo conhecimento do mundo, enquanto Michael consegue produzir lugares para o pós-vida.</span></p>
<figure id="attachment_23766" aria-describedby="caption-attachment-23766" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-23766" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/tgp-2.png" alt="Cena da série The Good Place. A imagem mostra os personagens principais abraçados uns aos outros. O do meio, um homem caucasiano de cabelos grisalhos e óculos, olha diretamente para a câmera, enquanto os outros mantém um sorriso e olhos fechados. " width="650" height="390" /><figcaption id="caption-attachment-23766" class="wp-caption-text">Cada um dos personagens traz consigo seus próprios demônios &#8211; por mais literais que possam ser (Foto: NBC)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama inicial gira em torno de Eleanor percebendo que não pertence a vizinhança, já que este é basicamente o lugar onde todas as auras bondosas e benfeitoras do mundo foram alocadas no pós-vida. E, bem… Ela está meio longe de fazer parte dessa minoria de pessoas que causaram uma real mudança nele. Chidi acaba sendo puxado para dentro dessa bagunça criada por Eleanor ao receber o papel de sua “</span><a href="https://youtu.be/NKuTyKuSla0"><span style="font-weight: 400;">alma-gêmea</span></a><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É importante frisar que Eleanor e Chidi são como faces opostas da mesma moeda. Ela é impulsiva e não consegue ter tanta empatia pelos outros, enquanto ele se baseia em pensar demais e é sua gentileza que faz com que a farsa de Eleanor continue. Michael, mais adiante na série, admite que o pareamento dos dois era para incomodá-los, mas eles fazem com que tudo aquilo dê certo.</span></p>
<figure id="attachment_23767" aria-describedby="caption-attachment-23767" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-23767" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/tgp-3.png" alt="Cena da série The Good Place. Na cena estão duas pessoas olhando com expressões incrédulas uma para a outra." width="650" height="390" /><figcaption id="caption-attachment-23767" class="wp-caption-text">Chidi e Eleanor são a resposta (Foto: NBC)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir daí, a história se desenrola. Eleanor passa por bons bocados durante a primeira temporada, enquanto tenta se alocar aos </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/vert-fut-52928657"><span style="font-weight: 400;">padrões éticos</span></a><span style="font-weight: 400;"> que Chidi a ensina. Ao mesmo passo, a protagonista tenta ser ajudante de Michael para que ele não a descubra como uma “penetra” na vizinhança.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As coisas se tornam mais complicadas, quando Eleanor descobre que o monge Jianyu, na verdade, é um aspirante a </span><i><span style="font-weight: 400;">DJ</span></i><span style="font-weight: 400;"> originário da Flórida. O grande clímax da história é que, ao Michael descobrir a existência de Jason e da Eleanor “falsa”, como ela passa a ser chamada, ele precisa mandá-los para o Lugar Ruim. Mas… Surpresa! </span><a href="https://youtu.be/JWd1m83fptY"><span style="font-weight: 400;">Eles já estavam lá</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_23768" aria-describedby="caption-attachment-23768" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23768" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/tgp-4.gif" alt="GIF da série The Good Place, na qual uma das personagens diz ao outro que ‘este é o lugar ruim’ enquanto abre os braços para demonstrar a descoberta." width="650" height="325" /><figcaption id="caption-attachment-23768" class="wp-caption-text">Ninguém esperava por essa, nem mesmo o próprio Michael (GIF: NBC)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E sim, eles realmente estavam no Lugar Ruim. Toda a farsa sobre o Bom Lugar era um plano novo de tortura que Michael gostaria de apresentar para seu chefe e seus companheiros de trabalho. Ao ser descoberto, o até então arquiteto apaga a mente das pessoas de seu experimento, incluindo Janet. E, com isso, a primeira temporada termina.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas o objetivo dessa resenha não é discorrer  sobre como as quatro temporadas são desenvolvidas &#8211; já que isso daria um texto muito grande. Ela é voltada para os pontos positivos que faz dessa série única. Um deles é baseado na escolha narrativa da obra, sendo a série toda pautada em filosofia. Até o conceito da tortura proposta por Michael é baseado em uma teoria filosófica apresentada por </span><a href="https://guiadoestudante.abril.com.br/especiais/jean-paul-sartre/"><span style="font-weight: 400;">Jean-Paul Sartre</span></a><span style="font-weight: 400;"> de que </span><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;o Inferno são os outros&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; essa frase se dá pela peça, </span><a href="https://www.bonslivrosparaler.com.br/livros/resenhas/entre-quatro-paredes/5361"><i><span style="font-weight: 400;">Entre Quatro Paredes (Huis Clo)</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> do filósofo. </span></p>
<figure id="attachment_23769" aria-describedby="caption-attachment-23769" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23769" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/tgp-5.png" alt="Foto em preto e branco do filósofo Jean-Paul Sartre, na foto ele segura um cachimbo e o seu fundo é composto por vários livros." width="650" height="366" /><figcaption id="caption-attachment-23769" class="wp-caption-text">Jean-Paul Sartre é uma das maiores influências da série e um dos nomes mais conhecidos do Existencialismo (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A peça se baseia na ideia de três pessoas que convivem entre quatro paredes e basicamente se torturam psicologicamente, enquanto discutem sobre seus pecados. Toda essa ideia é bem próxima da primeira temporada da </span><a href="https://minhaseriefavorita.com/2019/06/01/sitcom-seriado-serie-diferenca/"><i><span style="font-weight: 400;">sitcom</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, lançada em 2016</span><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não apenas a tese de Sartre é discutida. Durante os anos seguintes, novas teorias são levantadas e comentadas, de maneira cômica e até educativa. Filósofos como </span><a href="https://monografias.brasilescola.uol.com.br/administracao-financas/platao-aristoteles.htm"><span style="font-weight: 400;">Aristóteles e Platão</span></a><span style="font-weight: 400;"> são citados, como nomes para a construção da moral e da ética. E truques de filosofia, no qual se destaca </span><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;</span></i><a href="https://youtu.be/9xpnaYrtO3A"><i><span style="font-weight: 400;">o problema do bonde</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;</span></i><span style="font-weight: 400;">, são colocados para fazerem analogia com o contexto que os personagens passam.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span><i><span style="font-weight: 400;">The Good Place</span></i><span style="font-weight: 400;"> se torna uma aventura de auto-descoberta </span><a href="https://youtu.be/stHk4_VePds"><span style="font-weight: 400;">filosófica da ética e da moral</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos próprios telespectadores. A questão da possibilidade de mudança também é um assunto bastante discutido, sendo mostrado que várias vezes, por mais difícil que seja, é possível mudar.</span></p>
<figure id="attachment_23770" aria-describedby="caption-attachment-23770" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23770" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/tgp-6.gif" alt="GIF da série The Good Place onde é apresentado a uma personagem feminina. No GIF está escrito: “é uma grande confusão lá embaixo, sabe?”, se referindo a terra. A personagem usa roupas estereotipadas de um juiz nos Estados Unidos. " width="650" height="332" /><figcaption id="caption-attachment-23770" class="wp-caption-text">A vida humana é tão confusa que nem a Juíza consegue entender (GIF: NBC)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em todas temporadas, existe esse </span><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;</span></i><a href="https://youtu.be/brZtP21eLrs"><i><span style="font-weight: 400;">reboot</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;</span></i><span style="font-weight: 400;"> da realidade, tendo que começar de novo e de novo os universos alternativos que os personagens passam.  Em todas as tentativas, eles crescem juntos &#8211; tanto que é isso que arruína várias e várias vezes os planos de Michael em torturá-los, já que sempre que tentava apertar as feridas dos protagonistas, eles se juntam e se reerguem, cada vez melhores.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Good Place</span></i><span style="font-weight: 400;"> constantemente questiona o </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/determinismo.htm"><span style="font-weight: 400;">determinismo</span></a><span style="font-weight: 400;">. São várias as vezes que ela demonstra que até mesmo uma Zé Ninguém de Phoenix pode ser alguém moralmente boa &#8211; mesmo que essa pessoa tenha nascido em uma casa desestruturada e sem pessoas eticamente boas para guiá-la. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ver Eleanor ajudar a mãe Donna Shellstrop (Leslie Grossman), com quem ela tem uma </span><a href="https://youtu.be/1spMbeEPF_w"><span style="font-weight: 400;">parede emocional</span></a><span style="font-weight: 400;"> grande e se sente inferior já que não recebeu o amor materno o qual ela desejava, é doloroso. Mas, ao mesmo passo, mostra como a personagem cresceu de uma ladra de camarões em festa, para uma personagem que consegue sentir empatia e se colocar em segundo plano para salvar quem ama.</span></p>
<figure id="attachment_23771" aria-describedby="caption-attachment-23771" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23771" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/tgp-7.gif" alt="GIF da série The Good Place onde uma personagem feminina expressa a dor quanto a cena passada. No GIF está escrito: “isso significa que ela sempre foi capaz de mudança”. A mulher usa uma jaqueta jeans e uma blusa com listras coloridas." width="650" height="289" /><figcaption id="caption-attachment-23771" class="wp-caption-text">A dor da rejeição materna é grande demais, ainda mais quando a mesma sempre pôde mudar (GIF: NBC)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Good Place</span></i><span style="font-weight: 400;"> também discorre temas sociais, como o desenvolvimento do capitalismo, as questões penais e de gênero e sexualidade. A série traz essa última em um tom leve e sem muita profundidade, mas em vários momentos é possível ver Eleanor comentando sobre bissexualidade e demonstrando interesses em pessoas de gêneros opostos &#8211; tanto que em um dos </span><i><span style="font-weight: 400;">reboots</span></i><span style="font-weight: 400;">, sua alma gêmea é Tahani e ela já comentou sobre se atrair por Janet. Além é claro, de Janet, que se intitula como </span><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;not a girl&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; remetendo a possibilidade da ajudante de Michael ser uma representação </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/Comportamento/noticia/2021/05/o-que-e-genero-nao-binario-e-como-usar-linguagem-neutra-no-dia-dia.html"><span style="font-weight: 400;">não-binária</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda neste tópico, é possível ver problemas reais como o abandono maternal e negligência familiar &#8211; tanto no caso de Eleanor quanto no de Jason e Tahani, além do </span><a href="https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/ansiedade-transtorno-de-ansiedade-generalizada/"><span style="font-weight: 400;">transtorno de ansiedade</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Chidi. Esse último caso é relatado em  por volta de 19 milhões de brasileiros, segundo uma </span><a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2020/12/06/ansiedade-e-o-transtorno-mais-comum-entre-os-brasileiros-sintomas-pioraram-durante-a-pandemia.ghtml"><span style="font-weight: 400;">reportagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> do <em>Fantástico</em>. Tais situações próximas da realidade de muitas pessoas, faz com que a representação desses personagens seja mais “crua” e, logo, mais próxima de se tornar identificável.</span></p>
<figure id="attachment_23772" aria-describedby="caption-attachment-23772" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23772" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/tgp-8.gif" alt="GIF da série The Good Place onde são apresentados uma personagem, possivelmente, não-binária e um rapaz. No GIF está escrito: “Não quero perder você, garota”, seguido por: “Eu não sou uma garota”. " width="650" height="277" /><figcaption id="caption-attachment-23772" class="wp-caption-text">A diversidade apresentada na série é algo que a destaca (GIF: NBC)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O quê anti-capitalista também é presente na série. Durante as várias idas e vindas do grupo, descobrimos que ninguém sobe para o Bom Lugar há mais de quinhentos anos e, ainda nesse episódio, é apresentado que a vida contemporânea é complicada, </span><a href="https://youtu.be/hY-Rzou38k4"><span style="font-weight: 400;">porque o capitalismo faz com que ela o seja</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ato de dar uma flor no passado causava pontos positivos; enquanto a mesma ação, nos dias atuais, faz com que a pessoa os perca, já que o mercado é algo volátil e que muitas vezes não colabora com o meio ambiente ou com a sociedade em uma esfera maior &#8211; o exemplo dado na série, por exemplo, faz com que o personagem possua uma desvantagem por ter contribuído com o trabalho em condições insalubres e com um empresário acusado por assédio, mesmo que o comprador de uma simples flor não soubesse disso. No fim, </span><a href="https://youtu.be/R8m_5HDZF7w"><span style="font-weight: 400;">não há uma ética no capitalismo</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As questões penais também pesam durante a quarta e última temporada, onde os personagens são julgados a quase serem apagados da história, já que o novo experimento conduzido por Michael, dessa vez para salvar a humanidade, dá errado. </span><a href="https://ferlap.pt/good-placeseason-4-episode-10-review"><i><span style="font-weight: 400;">Você mudou, cara</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (You’ve Changed, Man)</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um ótimo episódio que discorre sobre como o sistema judicial poderia reintegrar e re-educar as pessoas que já foram punidas por ele mesmo.</span></p>
<figure id="attachment_23774" aria-describedby="caption-attachment-23774" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23774" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/tgp-9.png" alt="Cena da série The Good Place onde os quatro personagens principais estão meio agachados, conversando entre si. No fundo está uma personagem olhando para cima e esperando o grupo acabar o diálogo." width="650" height="433" /><figcaption id="caption-attachment-23774" class="wp-caption-text">Os personagens não desistem da humanidade, por mais falha e complicada que ela seja (Foto: NBC)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim, tudo dá certo. O Bom Lugar passa por uma nova </span><a href="https://youtu.be/cWrYyvXJRHI"><span style="font-weight: 400;">reforma estrutural</span></a><span style="font-weight: 400;"> e passa a ser o objetivo de todos, que colocam um processo de reeducação dos erros cometidos na vida passada. Aquela realidade parece perfeita, os personagens finalmente tem aqueles minutinhos de paz para só aproveitarem tudo que alcançaram até ali. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Até que eles percebem que a eternidade não é tudo isso, ainda mais em um lugar utópico como o que estão. Um por um, os protagonistas conseguem reparar que já atingiram sua meta naquele lugar e, vendo que não existe mais a necessidade de ajudarem outras pessoas ou aproveitarem o suposto paraíso, os personagens se </span><a href="https://youtu.be/l1IchzbtNj0"><span style="font-weight: 400;">despedem</span></a><span style="font-weight: 400;"> para voltarem ao universo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao se ver solitário naquela utopia que Michael criou, ele decide </span><a href="https://youtu.be/YeWBBBVFQyI"><span style="font-weight: 400;">desistir do paraíso em que vivia e tentar viver de forma humana</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; por mais que ele saiba as dificuldades, as questões de ter um trabalho e de possuir glândulas sudoríparas. Dando assim, um fim ao ciclo. Fechando os pontos soltos das histórias: Tahani conseguindo ser alguém importante sem estar a sombra de sua irmã, Chidi se contentando com as coisas ao seu redor e Jason desistindo de todos os objetivos bobões que ele possuía, tendo Janet ao seu lado.</span></p>
<figure id="attachment_23775" aria-describedby="caption-attachment-23775" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23775" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/tgp-10.gif" alt="GIF da série The Good Place onde mostra uma mulher andando em uma floresta, em direção a um portal composto por árvores. " width="650" height="314" /><figcaption id="caption-attachment-23775" class="wp-caption-text">O encerramento da série mostra o crescimento pessoal de todos os personagens, principalmente de Eleanor (GIF: NBC)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Eleanor também se </span><a href="https://youtu.be/hDAczwSmzRU"><span style="font-weight: 400;">despede</span></a><span style="font-weight: 400;"> do lugar, dando adeus para seus pensamentos mesquinhos, dias solitários e a autossuficiência que desenvolveu como mecanismo de defesa. É um arco que completa a personagem, que agora entende a importância de ouvir e ser ouvida.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Good Place</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz questões importantes de </span><a href="https://www.uai.com.br/app/noticia/series-e-tv/2019/12/06/noticias-series-e-tv,253864/the-good-place-da-uma-aula-de-filosofia-por-meio-do-humor.shtml"><span style="font-weight: 400;">forma gostosa de se acompanhar</span></a><span style="font-weight: 400;">, trazendo um humor leve e inteligente que faz com que o entendimento de bases filosóficas antigas e acadêmicas seja mais acessível e amplo. Sua narrativa, vez ou outra, soa liberal, mas não diminui as questões sociais e ético-morais que a série nos apresenta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história possui personagens envolventes que crescem e nos fazem rir e chorar junto. Questões como não se sentir o suficiente para ser amado, as dificuldades envolvendo a ansiedade de Chidi, da inferioridade de Tahani, a vontade de Jason de ser uma pessoa melhor. Sua narrativa é acolhedora e nos ensina que todos somos capazes de mudança e de melhora.</span></p>
<figure id="attachment_23776" aria-describedby="caption-attachment-23776" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23776" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/tgp-11.gif" alt="GIF da série The Good Place onde mostra dois personagens, a primeira estende a mão para o segundo, que em seguida a abraça. " width="650" height="289" /><figcaption id="caption-attachment-23776" class="wp-caption-text">Às vezes, sentimos que não somos dignos de mudanças, mas sempre há a possibilidade de melhora (GIF: NBC)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além, é claro, de Chidi e Eleanor. É realmente possível acreditar na questão de </span><a href="https://youtu.be/Uzsa1Nc4CaM"><span style="font-weight: 400;">almas-gêmeas</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao vê-los se reencontrando tantas vezes e, em todas elas, conseguindo manter um elo forte e seguro. Um ajudando o outro com suas falhas, havendo o aprendizado de ambos os lados, possuindo a vontade de sempre se encontrarem. É um amor </span><a href="https://maestrovirtuale.com/william-shakespeare-biografia-generos-e-estilo/"><span style="font-weight: 400;">estilo </span><i><span style="font-weight: 400;">shakespeariano</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas que parece dar certo em seus próprios moldes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, a pergunta que fica é: </span><a href="https://mosteirodoconhecimento.wordpress.com/2020/01/08/o-que-nos-devemos-aos-outros-o-contratualismo-moral-de-t-m-scanlon/"><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;o que devemos uns aos outros?&#8221;</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; outra vertente da filosofia que a série usa como esqueleto, mas que também serve como questionamento para o dia a dia: o que se pode aprender da pessoa com quem você convive? E o que pode ensinar? Por ora, o ensinamento que esse texto tem a dar é: reassista </span><i><span style="font-weight: 400;">The Good Place</span></i><span style="font-weight: 400;">, ainda há muito que os 5 anos da série podem lhe entregar.</span></p>
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		<title>O solstício de verão nunca foi tão aterrorizante quanto em Midsommar</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Oct 2021 17:20:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Nicastro Midsommar &#8211; O Mal Não Espera a Noite é a prova de que, quando seu sexto sentido diz que é melhor ficar em casa, ao invés de ir naquele rolê duvidoso, é melhor escutá-lo. Mas, afinal, o que um festival de verão florido, em um campo bonito e agradável, repleto de anfitriões simpáticos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/midsommar-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O solstício de verão nunca foi tão aterrorizante quanto em Midsommar"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23860" aria-describedby="caption-attachment-23860" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23860" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-1-1.png" alt="Cena do filme Midsommar. A foto é retangular e retrata o rosto da personagem Dani, rodeado por flores. Dani é interpretada por Florence Pugh. Florence é uma mulher branca, seus cabelos são loiros e estão presos. Ela tem uma expressão triste. Há uma coroa de flores coloridas enorme em sua cabeça, que rodeia todo seu rosto. Abaixo de seu pescoço também está completamente coberto por flores coloridas." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-1-1.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-1-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-1-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-1-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-1-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-1-1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23860" class="wp-caption-text">Utilizando elementos do folk horror com excelência, Ari Aster entrega uma obra completa, incômoda e sinistra (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Nicastro</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Midsommar &#8211; O Mal Não Espera a Noite </span></i><span style="font-weight: 400;">é a prova de que, quando seu sexto sentido diz que é melhor ficar em casa, ao invés de ir naquele rolê duvidoso, é melhor escutá-lo. Mas, afinal, o que um </span><a href="https://vidanasuecia.blog/2020/06/18/midsommar-solsticio-de-verao/"><span style="font-weight: 400;">festival de verão</span></a><span style="font-weight: 400;"> florido, em um campo bonito e agradável, repleto de anfitriões simpáticos e felizes, comidas e bebidas aos montes e tradições pagãs podem oferecer de mau? Talvez, sob um primeiro olhar, nada. Mas nem tudo é o que parece, e uma armadilha macabra pode se esconder muito bem por trás de flores, danças e a promessa de férias tranquilas.</span></p>
<p><span id="more-23858"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado no Brasil em 19 de setembro de 2019, pela </span><a href="https://elle.com.br/a24-o-sucesso-da-produtora-de-minari-e-outros-filmes-premiados/o-farol-2019-telecine"><i><span style="font-weight: 400;">A24 Films</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o filme já chamou a atenção com sua produtora e </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/3-motivos-para-amar-ari-aster-diretor-de-hereditario-e-midsommar/"><span style="font-weight: 400;">diretor</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ambos têm marcado seus nomes na Sétima Arte com obras espetaculares, com destaque para as criações inovadoras e surpreendentes de horror. </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-hereditario/"><i><span style="font-weight: 400;">Hereditário</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2018), igualmente escrito e dirigido pelo talentoso Ari Aster, e também lançado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i><span style="font-weight: 400;">, já tinha ganhado o público. Assim, era de se esperar que, com o sucesso da obra que o antecedeu, </span><i><span style="font-weight: 400;">Midsommar </span></i><span style="font-weight: 400;">atraísse logo de cara.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aqui, Aster entrega uma história bastante curiosa dentro do </span><a href="https://macabra.tv/8-filmes-folk-horror-condado-maldito/"><i><span style="font-weight: 400;">folk horror</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, gênero do terror que se utiliza de folclores e seus elementos. O filme tem como protagonista Dani (</span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/lista/florence-pugh-filmes.html#list-item-6"><span style="font-weight: 400;">Florence Pugh</span></a><span style="font-weight: 400;">), que viaja com seu namorado e mais alguns amigos da universidade para um festival de solstício de verão na comunidade de Hårga, na Suécia, denominado Midsummer ou </span><a href="https://macabra.tv/as-bases-ritualisticas-de-midsommar-o-novo-pesadelo-de-ari-aster/"><span style="font-weight: 400;">Midsommar</span></a><span style="font-weight: 400;">. Logo, ela percebe que a celebração oculta a verdadeira intenção do que atraiu seus amigos até ali e todos se veem presos e cercados por um ritual sombrio que coloca suas vidas em risco. </span></p>
<figure id="attachment_23972" aria-describedby="caption-attachment-23972" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23972 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-2-1.png" alt="Cena do filme Midsommar. Nela, é possível ver as personagens de Dani e Christian de costas, andando de mãos dadas. A câmera os capta apenas dos joelhos para cima. Eles estão em um campo aberto bastante florido e colorido. Christian anda mais a frente, à direita. Ele é interpretado por Jack Reynor, um homem branco, de cabelos curtos e castanhos. Ele usa uma camiseta na cor vinho e uma calça jeans. Mais atrás dele, à esquerda, está Dani. Ela é interpretada por Florence Pugh. Florence é uma mulher branca. Seus cabelos são loiros, curtos e estão presos em um rabo de cavalo. Ela usa uma camiseta cor de rosa e calça cinza. O céu está azul e ambos caminham para uma roda de pessoas, mais distantes, que usam roupas brancas e dançam ao redor de um mastro alto e florido." width="1920" height="1226" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-2-1.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-2-1-800x511.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-2-1-1024x654.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-2-1-768x490.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-2-1-1536x981.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-2-1-1200x766.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23972" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">Além dos cenários coloridos e imersivos, vale destacar também os efeitos especiais usados no filme, já que a produção passou longe do </span></i><a href="https://canaltech.com.br/software/O-que-e-CGI-e-computacao-grafica/"><span style="font-weight: 400;">CGI</span></a><i><span style="font-weight: 400;"> e do famoso </span></i><a href="https://astronautasfilmes.com.br/videos-dicas/entenda-o-funcionamento-do-chroma-key-em-verde-azul-e-vermelho/"><i><span style="font-weight: 400;">fundo verde</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, e optou por maquiagens e bonecos de silicone </span></i><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/conheca-o-mundo-incrivel-dos-efeitos-especiais-de-midsommar-e-nada-foi-tela-verde/"><i><span style="font-weight: 400;">moldados a mão</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (Foto: A24)</span></i></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Evidenciando o talento do roteirista e diretor, a obra mistura </span><a href="https://aodisseia.com/critica-midsommar-o-fim-de-um-relacionamento-abusivo/"><span style="font-weight: 400;">metáforas sobre relacionamentos abusivos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a superação de traumas com o terror psicológico. Dani já carrega uma bagagem consigo ao chegar no vilarejo, o que não é atenuado considerando as atitudes egoístas (mesmo que sutis) de seu namorado Christian (Jack Reynor). Com isso, nós, espectadores, sentimos desde as primeiras cenas o desconforto constante da garota, que se acentua com as atitudes estranhas dos moradores da comunidade, e com a sensação de que sair dali não será tão simples.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa situação pela qual a protagonista passa, ganha outras proporções com a atuação impecável de Florence Pugh. Antes mesmo de se tornar o mais novo </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/florence-pugh-assume-legado-de-scarlett-na-marvel-responsabilidade/"><span style="font-weight: 400;">queridinho rosto da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> após seu papel como Yelena Belova em </span><a href="https://personaunesp.com.br/viuva-negra-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Viúva Negra</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021), ela encarnava uma garota completamente assustada e desconfiada em seu papel como Dani. Florence é muito expressiva e é capaz de traduzir todos os seus sentimentos sem falar uma única palavra. Ela brilha e entrega uma performance memorável, principalmente em suas cenas mais dramáticas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Acompanhar os acontecimentos do filme é simplesmente angustiante e assustador. As estranhezas, a violência e o </span><a href="https://www.maioresemelhores.com/filmes-de-terror-psicologico/"><span style="font-weight: 400;">terror psicológico</span></a><span style="font-weight: 400;"> crescem conforme o desenvolvimento do longa. Como se isso não bastasse, a aflição ao percebermos que os personagens estão presos naquela emboscada contribui para sustentar o horror que Ari Aster quis provocar. </span></p>
<figure id="attachment_23973" aria-describedby="caption-attachment-23973" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23973" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-1.png" alt="Cena do filme Midsommar. Ela retrata oito mulheres sentadas no chão de madeira de um ambiente fechado. Elas estão sendo vistas de lado. Todas usam vestidos brancos com desenhos coloridos bordados. Elas encostam nas costas umas das outras e todas demonstram expressões de dor. O destaque é para as duas mulheres no centro. Uma delas é a protagonista Dani, à direita. Ela é interpretada por Florence Pugh. Florence é uma mulher branca. Seus cabelos são loiros, curtos e estão presos. A outra é Hanna, personagem de Louise Peterhoff. Louise é uma mulher branca, de cabelos castanhos, que estão presos no alto da cabeça. Dani está apoiada com os dois braços no chão enquanto Hanna segura seu rosto com as suas duas mãos. A imagem tem um tom frio e azulado." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-1.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23973" class="wp-caption-text">Midsommar fornece shows de atuações, com cenas impactantes e dramáticas, como aquelas em que a comunidade age como um único ser (Foto: <i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Personagens presos em ciladas, que perpetuam por todo o longa, são extremamente funcionais no terror psicológico, e têm sido bastante reproduzidas em outras histórias recentes do gênero. </span><a href="http://personaunesp.com.br/corra-filme-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Corra!</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2017) é um grande exemplo, assim como a obra setentista </span><a href="https://aodisseia.com/o-homem-de-palha-como-o-classico-pode-influenciar-midsommar/"><i><span style="font-weight: 400;">O Homem de Palha</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1973), dirigida por Robin Hardy, que claramente serviu como inspiração para o roteiro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Midsommar &#8211; O Mal Não Espera a Noite</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto que vale destacar são os cenários nos quais a história se passa. Chocando os clichês de terror e contrariando a ideia de que a maioria das obras desse gênero precisam ocorrer à noite, para surtir efeito sobre os telespectadores, esta (como sugere o nome) se passa </span><a href="https://youtu.be/dwhDUi7ZZJo"><span style="font-weight: 400;">à luz do dia</span></a><span style="font-weight: 400;">. Aliás, não só sob a luz do dia, mas também com cenários coloridos, floridos e festivos da pequena vila. Sem contar o figurino alegre da comunidade, quase sempre em branco e com simpáticas tiaras de flores na cabeça. É tudo agradável até</span><i><span style="font-weight: 400;"> demais</span></i><span style="font-weight: 400;">. Tão agradável, que desconfiamos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo nas cenas em que o sol brilha alto no céu azul, é inevitável a sensação de incômodo durante o filme. De que algo está errado, com a </span><a href="https://trilhadomedo.com/2019/09/gritos-e-gemidos-na-trilha-sonora-de-midsommar/"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> inquieta e perturbadora de Bobby Krlic. De que os moradores daquele local são perigosos, mesmo que de forma sugestiva, com pequenos diálogos estranhos. De que algo ruim está para acontecer. E é claro, que se tratando de um filme de terror, todas essas suspeitas vão se confirmando aos poucos. </span></p>
<figure id="attachment_23974" aria-describedby="caption-attachment-23974" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23974" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-1.png" alt="Cena do filme Midsommar. A imagem mostra três personagens do filme, com a câmera apontando levemente de baixo para cima. Mais à esquerda está Dani, personagem de Florence Pugh. Florence é uma mulher branca, seus cabelos são loiros e estão presos. Ela usa uma camiseta cor de rosa e uma calça cinza e carrega uma mochila de viagem em suas costas. Um pouco mais atrás, e no centro, está Pelle, interpretado por Vilhelm Blomgren. Ele é um homem branco, alto, de cabelos cacheados que vão até os ombros. Ele usa uma camiseta azul e calça cinza e leva uma mochila às costas. Por último, mais à direita, está Christian, personagem de Jack Reynor. Jack é um homem branco e alto. Ele tem os cabelos curtos, barba, usa uma camiseta roxa e calça jeans. Também leva uma mochila em suas costas. Ao fundo, é possível ver parte de um grande arco de madeira, que os personagens acabaram de atravessar, e também várias árvores de uma floresta. Parte do céu, bem azul, também aparece." width="2048" height="1365" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-1.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-1-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-1-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-1-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-1-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-1-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23974" class="wp-caption-text">Os longos períodos de claridade proporcionados pelo verão sueco provam que, de fato, o mal não espera a noite (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A fotografia de </span><a href="http://www.pawelp-dp.com"><span style="font-weight: 400;">Pawel Pogorzelski</span></a><span style="font-weight: 400;">, também responsável pelas imagens marcantes (e chocantes) de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hereditário</span></i><span style="font-weight: 400;">, é bonita, instigante e contrasta perfeitamente com a atmosfera da trama. É interessante também a forma como a direção se utiliza das imagens turvas e da câmera levemente caótica quando algum personagem entra em transe, sob efeito de algum entorpecente. Assim compreendemos tanto quanto eles o que ocorre ao redor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos muitos acertos do filme diz respeito à sugestividade, seja nos diálogos, nas ações dos personagens ou nos cenários. Já assistiu a um filme de terror e pensou “</span><i><span style="font-weight: 400;">eu acho que tem algo ali</span></i><span style="font-weight: 400;">” ou “</span><a href="https://trilhadomedo.com/2019/09/rostos-escondidos-em-midsommar/"><i><span style="font-weight: 400;">parece ter um rosto entre as árvores</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”? Neste longa, você com certeza não está imaginando coisas! Ele é repleto de </span><a href="https://youtu.be/loOqTSdObWk"><i><span style="font-weight: 400;">easter eggs</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que, quando percebidos, contribuem ainda mais para a criação de uma ambientação hostil e assustadora, planejada pela direção. Alguns, até mesmo dão </span><a href="https://www.littlebrownmouse.com.br/toca-do-mouse/os-easter-eggs-em-midsommar/"><span style="font-weight: 400;">dicas sobre o futuro</span></a><span style="font-weight: 400;"> da trama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E ainda que não seja uma obra gratuitamente repleta de sangue, ela é violenta e extremamente explícita quando assim deseja ser. </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2019/09/13/perturbador-midsommar-justifica-classificacao-18-e-exige-estomago-forte.htm"><span style="font-weight: 400;">Chocante</span></a><span style="font-weight: 400;">, ela, de fato, é em todos os aspectos e nas mais diversas formas e ocasiões. </span><i><span style="font-weight: 400;">Midsommar </span></i><span style="font-weight: 400;">é tudo isso e mais um pouco. Uma obra-prima de Ari Aster que foge de padrões e excede expectativas. Com sua identidade e características singulares, o filme torna-se memorável. E, tranquilamente, se consagra como um dos </span><a href="https://www.portalitpop.com/2019/12/lista-terror-decada.html"><span style="font-weight: 400;">melhores filmes de terror das últimas décadas</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>The Underground Railroad circunscreve o cruzamento entre o bruto e o sensível</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Sep 2021 16:24:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Quando um premiado cineasta decide migrar para as telinhas, é sinal de que sua Arte está em expansão. Não apenas no escopo narrativo, já que a TV abre espaço para histórias volumosas e intrincadas, mas também no campo da linguagem, considerando também que o formato seriado testa limites, que vão desde a criação &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-underground-railroad-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "The Underground Railroad circunscreve o cruzamento entre o bruto e o sensível"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23170" aria-describedby="caption-attachment-23170" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23170" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-3-scaled.jpg" alt="Cena da minissérie The Underground Railroad. A cena mostra dois jovens negros agachados e encostados um no outro. Cora é uma mulher, de cabelo preso num coque e Caesar é um homem de olhos claros, barba e cabelos pretos e veste roupas marrons. " width="2560" height="1920" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-3-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-3-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-3-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-3-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-3-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-3-2048x1536.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-3-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23170" class="wp-caption-text">Disputando em 2 importantes categorias na noite principal do Emmy 2021, The Underground Railroad merecia muito mais (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando um premiado cineasta decide </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-05-16/barry-jenkins-a-historia-dos-eua-foi-contada-de-um-unico-ponto-de-vista-durante-demasiado-tempo.html"><span style="font-weight: 400;">migrar para as telinhas</span></a><span style="font-weight: 400;">, é sinal de que sua Arte está em expansão. Não apenas no escopo narrativo, já que a TV abre espaço para histórias volumosas e intrincadas, mas também no campo da linguagem, considerando também que o formato seriado testa limites, que vão desde a criação de personagens e ritmo até sua inevitável conclusão. Por isso, o </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/reuters/2021/05/10/barry-jenkins-diz-que-temeu-filmar-drama-sobre-escravidao-the-underground-railroad.htm"><span style="font-weight: 400;">deleite de assistir Barry Jenkins</span></a><span style="font-weight: 400;"> anunciar seu envolvimento em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Underground Railroad</span></i><span style="font-weight: 400;"> apenas premeditou aquele que seria o trabalho mais coerente, sufocante e crucial de 2021.</span></p>
<p><span id="more-23169"></span></p>
<p><a href="https://www.amazon.com.br/Underground-Railroad-Caminhos-Para-Liberdade/dp/8595080291"><i><span style="font-weight: 400;">Os Caminhos Para a Liberdade</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um livro escrito por Colson Whitehead, em 2016, e </span><a href="https://www.pulitzer.org/winners/colson-whitehead"><span style="font-weight: 400;">vencedor do </span><i><span style="font-weight: 400;">Pulitzer</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> no ano seguinte. Essa é a base para o projeto imprescindível de Jenkins, que vem trabalhando para que grandes autores negros tenham suas obras adaptadas para o audiovisual. A estreia de Jenkins no Cinema </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream,</span></i><span style="font-weight: 400;"> em </span><i><span style="font-weight: 400;">Moonlight,</span></i><span style="font-weight: 400;"> usa a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=m8RT62PUoZ0"><span style="font-weight: 400;">peça de teatro de Tarell Alvin McCraney</span></a><span style="font-weight: 400;"> como ponto de partida para discursar sobre escolhas e sobre o amor, quando se é negro e não se tem muitas possibilidades. </span><i><span style="font-weight: 400;">Moonlight</span></i><span style="font-weight: 400;"> venceu 3 </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscars</span></i><span style="font-weight: 400;">, entre eles, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kTEi8Cf04FY"><span style="font-weight: 400;">Roteiro Adaptado</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GCQn_FkFElI&amp;t=393s"><span style="font-weight: 400;">Melhor Filme</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Se a Rua Beale Falasse</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a adaptação do </span><a href="https://www.amazon.com.br/rua-Beale-falasse-James-Baldwin/dp/8535931945/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&amp;dchild=1&amp;keywords=Se+a+Rua+Beale+Falasse&amp;qid=1631806633&amp;s=books&amp;sr=1-1"><span style="font-weight: 400;">livro homônimo</span></a><span style="font-weight: 400;"> do lendário James Baldwin, e mostra um Jenkins mais seguro no posto de diretor, guiando suas cenas não por simples diálogos ou ações, mas deixando que a emoção da trágica história de um romance interrompido dê as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CQXSforT_qQ"><span style="font-weight: 400;">batidas narrativas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que levaram o longa ao palco do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, vencendo a estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante para </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WXebOFhT9Og"><span style="font-weight: 400;">Regina King</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com </span><i><span style="font-weight: 400;">The Underground Railroad</span></i><span style="font-weight: 400;">, entretanto, o caminho não será o mesmo. A Série Limitada original do </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon Prime Video</span></i><span style="font-weight: 400;"> não foi reconhecida da maneira que deveria no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">, portanto, tornando impossível que sua coroação aconteça da mesma maneira que trabalhos anteriores do cineasta o fizeram.</span></p>
<figure id="attachment_23171" aria-describedby="caption-attachment-23171" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23171" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2-scaled.jpeg" alt="Cena da série The Underground Railroad. A cena mostra Mabel, uma mulher negra retinta adulta, vestido uma camisola branca, segurando um bebê negro no colo." width="2560" height="1706" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2-scaled.jpeg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2-1024x683.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2-768x512.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2-1536x1024.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2-2048x1365.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2-1200x800.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23171" class="wp-caption-text">A passagem de Jenkins do Cinema para a TV casa sua direção cuidadosa com a pegada de realismo mágico do livro original, transformando as quase 10 horas de duração da série em um estudo da extensão da liberdade (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Foram apenas 7 menções para a produção, que já </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1437463854041243649"><span style="font-weight: 400;">perdeu cinco delas</span></a><span style="font-weight: 400;"> no fim de semana do </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">Técnico, e não tem muita chance de vencer na noite principal do </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;">. A falta de campanha por parte do </span><i><span style="font-weight: 400;">Prime Video</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o primeiro fator que desemboca na miséria e na ausência do prestígio, mas o buraco é mais embaixo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Comandado pela </span><a href="https://www.wmagazine.com/culture/thuso-mbedu-underground-railroad-isthunzi-interview"><span style="font-weight: 400;">novata Thuso Mbedu</span></a><span style="font-weight: 400;">, o elenco não escalou nomes grandes da indústria. Isso, em adição a um ano extremamente tumultuado na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-serie-limitada-ou-antologia/"><span style="font-weight: 400;">corrida das Séries Limitadas</span></a><span style="font-weight: 400;">, resultou em seu reconhecimento na categoria principal e também de Jenkins pelo conjunto da obra em Melhor Direção. Mas que falta faz uma menção para Mbedu como Atriz, ou para os exímios coadjuvantes </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6UleXgmF3N4"><span style="font-weight: 400;">Aaron Pierre</span></a><span style="font-weight: 400;">, William Jackson Harper, Joel Edgerton e a inacreditável Sheila Atim.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo de dez episódios, todos dirigidos por Jenkins, acompanhamos a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4cte9XhQ0Do"><span style="font-weight: 400;">jornada de Cora</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Mbedu), uma escrava fugitiva, que parte em busca da ferrovia do título. Ao longo das tempestuosas aventuras, descobrimos ao lado dela que esses trilhos são tão reais quanto metafóricos. Ela se apaixona, se frustra, teme e não esconde sua personalidade. Por ser uma jovem de pouca idade e muito trauma, os silêncios se tornam rotina e a minissérie usa e abusa deles, tornando a </span><a href="https://personaunesp.com.br/normal-people-critica/"><span style="font-weight: 400;">linguagem da ausência</span></a><span style="font-weight: 400;"> uma das mais importantes ferramentas na hora de contar essa história.</span></p>
<figure id="attachment_23172" aria-describedby="caption-attachment-23172" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23172" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/3-3.jpg" alt="Cena da série The Underground Railroad. A cena mosta Caesar e Cora sentados, posando para a foto. Eles são jovens e negros. Ele é um homem de pele negra clara, olhos azuis e veste terno cinza e chapéu oval escuro. Ela tem a pele mais escuro e usa chapéu e vestido amarelos." width="1440" height="960" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/3-3.jpg 1440w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/3-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/3-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/3-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/3-3-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23172" class="wp-caption-text">A obra original usa de elementos reais, com a existência dessa rede subterrânea de trilhos, mas engrandece esse aspecto, dando vida e personalidade para a ferrovia, que é realisticamente mágica (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Underground Railroad</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi o primeiro trabalho de visibilidade maior de Thuso, que tem no currículo produções televisivas de nicho. Sob a tutela de Jenkins, a atriz sul-africana cria metamorfoses em tela, eclodindo de uma cápsula protetora para a seguinte e, no caminho, protege aqueles a seu redor, em especial as duas jovens escravas com quem encontra na trama. </span><a href="https://www.latimes.com/entertainment-arts/awards/story/2021-06-22/thuso-mbedu-underground-railroad-barry-jenkins"><span style="font-weight: 400;">Mbedu engrandece a minissérie</span></a><span style="font-weight: 400;">, dá-lhe vida, potência e magnetismo. Sua performance evoca dor e perdão, ao mesmo tempo em que lida com a culpa e com a saudade da mãe Mabel (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=g1XdIgRIZNo"><span style="font-weight: 400;">Sheila Atim</span></a><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sheila rouba a cena mesmo figurando em poucos vislumbres da produção. Seu holofote é aceso quase no fim do túnel, em </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt8515570/?ref_=ttep_ep10"><i><span style="font-weight: 400;">Chapter 10: Mabel</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que rebobina as ações de Cora e nos transporta para o período em que ela não passava de uma criança e ainda vivia na fazenda escravocrata junto da família. Sem muito espaço para expandir essa narrativa conclusiva, Barry Jenkins decide pausar o avanço de Cora para que entendamos a raiz de suas questões de desconfiança e desamparo. Mabel é tão benevolente como a filha, e paga caro por cultivar esse senso materno de empatia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse é mais um dos limites traçados pelo roteiro do time comandado por Jihan Crowther: a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_Pq5Usc_JDA"><span style="font-weight: 400;">linha tênue entre o cruel e o sensível</span></a><span style="font-weight: 400;">, entre a morte e a vida, entre a poesia de partir e a amargura da incerteza. A cena que conclui cruelmente a jornada de Mabel traduz com clareza o âmago de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Underground Railroad</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sequência carinhosas divididas entre Cora e Caesar (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=FkY3exKqPV4"><span style="font-weight: 400;">Aaron Pierre</span></a><span style="font-weight: 400;">) são pontuadas pela dor do contexto, quando Jenkins se importa o suficiente com os personagens para lhes amenizar com doses cavalares de afeto, mas se importa mais ainda com a veracidade desse excruciante conto, que se passa alguns anos antes da </span><a href="https://www.battlefields.org/learn/articles/10-facts-what-everyone-should-know-about-civil-war"><span style="font-weight: 400;">Guerra Civil</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_23173" aria-describedby="caption-attachment-23173" style="width: 1284px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23173" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/4-2.jpg" alt="Cena da série The Underground Railroad. A cena mostra Grace, uma criança negra, com vestido vermelho e cabelo black power, olhando para fora, parada em uma porta." width="1284" height="856" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/4-2.jpg 1284w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/4-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/4-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/4-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/4-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23173" class="wp-caption-text">A jovem Fanny Briggs ganha o protagonismo no único episódio que foge da duração comum: em apenas 20 minutos, o sétimo capítulo ressignifica a morte e a crença no futuro (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O papel de Caesar é catalisador de emoções na primeira trinca de episódios, mas sua ausência é logo suprida por outros dois homens. Primeiro, somos apresentados ao caçador de escravos Ridgeway, interpretado com a tenacidade de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=K0ZTwIp9rDk"><span style="font-weight: 400;">Joel Edgerton</span></a><span style="font-weight: 400;">. Acompanhado do escravo Homer (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kNVO_eLm-fQ"><span style="font-weight: 400;">Chase W. Dillon</span></a><span style="font-weight: 400;">), uma mera criança que tem suas noções deturpadas pelo racista a quem pertence, Ridgeway caça Cora ao longo de toda a temporada, não dando sossego para ninguém no caminho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história acontece por ele e através dele, e muito da personagem Cora é resultado desse jogo doentio. O quarto episódio, </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt8515558/?ref_=ttep_ep4"><i><span style="font-weight: 400;">The Great Spirit</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, onde a narrativa se transmuta de uma mera “antologia” para o golfo magnético de permissão e aflição, é focado no jovem Ridgeway, que testa os limites humanos para que sua sede de carne seja devidamente saciada. No fim, não importa quantos chicotes estalassem ou quantos grilhões selasse, ele nunca estaria satisfeito.</span></p>
<figure id="attachment_23174" aria-describedby="caption-attachment-23174" style="width: 1300px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23174" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5-2.jpg" alt="Cena da série The Underground Railroad. A cena mostra Cora e Caesar dançando. Eles são jovens e negros, ele usa terno e ela usa um vestido claro e luvas brancas. Eles se olham nos olhos." width="1300" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5-2.jpg 1300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5-2-800x492.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5-2-1024x630.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5-2-768x473.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5-2-1200x738.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23174" class="wp-caption-text">Os episódios, extremamente densos e atmosféricos, oscilam entre vinte e oitenta minutos, provando que The Underground Railroad se beneficiaria muito mais de uma exibição semanal (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A segunda figura masculina, e que agracia a parcela final da série, é o personagem de William Jackson Harper (</span><a href="https://personaunesp.com.br/the-good-place-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Good Place</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), Royal. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gHff3h6xndk"><span style="font-weight: 400;">Maduro e nada inconsequente</span></a><span style="font-weight: 400;">, é ele quem apresenta Cora ao “paraíso”, e ao conceito de liberdade dentro desse ambiente escravocrata e permeado pelos limites de felicidade e prazer. A indecisão de Cora fala mais alto, ao passo que os episódios destinados às estações de Indiana pavimentam o suspense que explode na pragmática cena do tiroteio da igreja. Os conceitos cristãos cruzam um sobre os outros, a casa de Deus é palco de uma carnificina e, honrando as escrituras sagradas, os sonhos morrem, o sangue escorre e o Céu cai.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O resultado da falência divina é a vingança tardia. Cora enfrenta seu captor, seu bicho-papão e seu demônio pessoal. Ridgeway é engrandecido pelo trabalho de Edgerton, que brilha como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aXnwpVLuEyU"><span style="font-weight: 400;">outros atores brancos</span></a><span style="font-weight: 400;"> já o fizeram no exercício de dar vida a monstros racistas. Não é coincidência que, quando as primeiras reações à série saíram, o comum acordo era reconhecer a brutalidade do ator em cena. Nessa leva, Barry Jenkins, acompanhado de uma equipe técnica formosa, não dá tanta atenção ao barulhento, preferindo iluminar as performances mais </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7G4nVlTaCZM"><span style="font-weight: 400;">singelas e internas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de suas mulheres.</span></p>
<figure id="attachment_23175" aria-describedby="caption-attachment-23175" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23175" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/6-2.jpg" alt="Cena dos bastidores de The Underground Railroad. A foto mostra o diretor Barry Jenkins, um homem negro de óculos, de pé em meio a uma plantação. Ao seu redor, vemos atores e pessoas operando as câmeras." width="1200" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/6-2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/6-2-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/6-2-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/6-2-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23175" class="wp-caption-text">Barry Jenkins nos dá indícios que vai construir uma narrativa quase antológica, com Cora partindo de uma pequena trama para outra, mas o decorrer da série é engolido por uma atmosfera fúnebre e ilusória (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">2021, nenhuma delas foi reconhecida. Thuso ficou de fora da disputa de Atriz, assim como seus colegas coadjuvantes. As nomeações vieram coroando os trabalhos das equipes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Mixagem </span></i><span style="font-weight: 400;">e Edição de Som, além da direção de elenco e a fotografia de James Laxton. Também citada, a </span><a href="https://open.spotify.com/album/2dCTpR2osQnVMvbCeiKPkC"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora mística de Nicholas Britell</span></a><span style="font-weight: 400;">, parceiro de Jenkins desde </span><i><span style="font-weight: 400;">Moonlight</span></i><span style="font-weight: 400;">, é o grande feitiço da produção, que honra e enobrece as composições visuais e artísticas filmadas em cada uma das impressionantes locações. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na toada de transmitir a dor e a perda de maneira nada gratuita ou agressiva à toa, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Underground Railroad</span></i><span style="font-weight: 400;"> não quer que sua trama seja um espetáculo dos horrores. 2021 já </span><a href="https://personaunesp.com.br/them-critica/"><span style="font-weight: 400;">nos amaldiçoou</span></a><span style="font-weight: 400;"> com </span><i><span style="font-weight: 400;">Them</span></i><span style="font-weight: 400;">, produção também do </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon Prime Video</span></i><span style="font-weight: 400;">, que vê graça no sofrimento de pessoas negras. Comandado pela mente digna de um homem destinado (e </span><a href="https://deadline.com/2020/09/the-lion-king-sequel-barry-jenkins-moonlight-director-disney-1234586787/"><span style="font-weight: 400;">já desfrutando</span></a><span style="font-weight: 400;">) da grandeza e das honras, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Caminhos para a Liberdade</span></i><span style="font-weight: 400;"> são imersivos, árduos, recompensadores e memoráveis. A receita perfeita para a construção de um clássico.</span></p>
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