<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Vanessa Kirby &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/vanessa-kirby/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/vanessa-kirby/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 12 Aug 2025 18:46:51 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Vanessa Kirby &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/vanessa-kirby/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>Quarteto Fantástico: Primeiros Passos é familiar, fantasioso, divertido e, de fato, fantástico</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/critica-quarteto-fantastico-primeiros-passos/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/critica-quarteto-fantastico-primeiros-passos/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Aug 2025 13:00:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2025]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Ebon Moss-Bachrach]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[Joseph Quinn]]></category>
		<category><![CDATA[Julia Garner]]></category>
		<category><![CDATA[Lançamento]]></category>
		<category><![CDATA[Marcela Jardim]]></category>
		<category><![CDATA[Marvel]]></category>
		<category><![CDATA[Matt Shakman]]></category>
		<category><![CDATA[MCU]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Pascal]]></category>
		<category><![CDATA[Ralph Ineson]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[UCM]]></category>
		<category><![CDATA[Vanessa Kirby]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=35521</guid>

					<description><![CDATA[<p>Aviso: O texto contém alguns spoilers Marcela Jardim Quase vinte anos depois da versão morna de 2005 e do desastre completo de 2015, Quarteto Fantástico: Primeiros Passos (2025) chega como a reinvenção mais ambiciosa da equipe que, por tanto tempo, parecia amaldiçoada no cinema. Sob uma Marvel Studios mais madura, o filme surpreende ao deslocar &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-quarteto-fantastico-primeiros-passos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Quarteto Fantástico: Primeiros Passos é familiar, fantasioso, divertido e, de fato, fantástico"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/critica-quarteto-fantastico-primeiros-passos/">Quarteto Fantástico: Primeiros Passos é familiar, fantasioso, divertido e, de fato, fantástico</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso: </i></b><i><span style="font-weight: 400;">O texto contém alguns spoilers </span></i></p>
<figure id="attachment_35526" aria-describedby="caption-attachment-35526" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-35526" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image5-800x447.png" alt="A imagem mostra os quatro integrantes do Quarteto Fantástico — Reed Richards, Sue Storm, Johnny Storm e Ben Grimm — em uma rua da cidade, ao lado de um veículo futurista azul. Distribuídos em diferentes pontos da cena, os heróis exibem poses de alerta e nervosismo, encarando um novo desafio. A atmosfera é fria e dramática, reforçada pelo cenário de cidade grande em pleno inverno. Usam uniformes azul-claro com variações de branco e o número 4 em destaque no peito, reforçando a identidade do grupo. Reed, esguio e sério, veste um traje inteiramente azul; Sue, de postura atlética e serena, tem gola branca no uniforme e aparência etérea; Johnny, jovem e confiante, exibe braços e gola brancos, com chamas vivas nas mãos; Ben, corpulento e coberto por pele rochosa alaranjada, usa faixas brancas até os cotovelos e roupas de estilo retrô. O fundo é urbano, com tonalidade azulada, e a iluminação clara e uniforme destaca os detalhes dos trajes e os efeitos visuais, criando uma atmosfera neutra e moderna centrada na apresentação dos heróis." width="800" height="447" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image5-800x447.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image5-768x429.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image5.png 888w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35526" class="wp-caption-text">O filme marca o retorno do Quarteto Fantástico ao MCU, após a aquisição da Fox pela Disney em 2019 (Foto: Marvel Studios)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Jardim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quase vinte anos depois da versão morna de 2005 e do desastre completo de 2015, </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarteto Fantástico: Primeiros Passos</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2025) chega como a reinvenção mais ambiciosa da equipe que, por tanto tempo, parecia amaldiçoada no cinema. Sob uma </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel Studios </span></i><span style="font-weight: 400;">mais madura, o filme surpreende ao deslocar o foco da ação pela ação e propor uma narrativa centrada na ideia de família como núcleo emocional e político, sem abandonar o tom aventureiro típico do gênero. A aposta é clara: em vez de heróis distantes e inatingíveis, o longa apresenta figuras profundamente humanas, cujos poderes servem mais como extensão de seus vínculos do que como ferramentas de ego. Em conjunto com </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-superman/"><i><span style="font-weight: 400;">Superman</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (2025)</span></i><span style="font-weight: 400;">, o longa veio para aquecer os corações – nerds ou não –, trazendo uma boa adaptação e com mensagens sensíveis.</span></p>
<p><span id="more-35521"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa centralidade na família não se traduz em sentimentalismo raso ou em convenções batidas sobre laços sanguíneos. Ao contrário, o roteiro utiliza a estrutura familiar como motor ético, político e afetivo da narrativa. Cada integrante do Quarteto é posicionado não apenas como um herói com habilidades específicas, mas como parte de uma engrenagem emocional complexa, onde o cuidado, o conflito e o afeto se entrelaçam. Sue Storm (</span><a href="https://personaunesp.com.br/fechando-com-coroa-de-ouro-the-crown-nos-da-adeus-apos-seis-temporadas/"><span style="font-weight: 400;">Vanessa Kirby</span></a><span style="font-weight: 400;">) é o coração dessa construção: mais do que uma presença maternal, ela atua como uma liderança estratégica, sensível e, sobretudo, racional. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://marvel-cosmic.fandom.com/pt-br/wiki/Mulher_Invis%C3%ADvel"><span style="font-weight: 400;">Mulher Invisível</span></a><span style="font-weight: 400;"> não é reduzida à figura de cuidadora de forma passiva ou sacrificial. Pelo contrário, ela organiza a equipe, toma decisões cruciais e sustenta a estabilidade emocional de todos, sem abrir mão da assertividade. É uma feminilidade que rompe com o binarismo entre força e sensibilidade, apresentando a mãe como símbolo de resistência lúcida. A frase </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu não vou sacrificar o meu filho por esse mundo, nem sacrificar esse mundo pelo meu filho</span></i><span style="font-weight: 400;">” prova isso.</span></p>
<figure id="attachment_35524" aria-describedby="caption-attachment-35524" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35524" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-800x523.png" alt="A imagem retrata os quatro personagens principais, em poses estáticas sobre um palco circular de cor clara. Vestem trajes azuis semelhantes, com detalhes brancos e o número 4 estampado, uma estética de super-herói. Com expressões neutras e composição simétrica, a cena sugere formalidade e apresentação. O fundo apresenta formas geométricas e um grande símbolo circular azul, verde e branco, reforçando o tema heroico. O estilo visual combina modelagem 3D com design de pôster, com iluminação uniforme, atmosfera neutra e poucos elementos ambientais." width="800" height="523" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-800x523.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-768x502.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2.png 924w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35524" class="wp-caption-text">Ao contrário de versões anteriores, o longa não reconta a origem da equipe, os heróis já estão estabelecidos (Foto: Marvel Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Já Reed Richards (</span><a href="https://personaunesp.com.br/the-last-of-us-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Pedro Pascal</span></a><span style="font-weight: 400;">), historicamente retratado como um cientista frio, lógico e quase desumano, passa por uma transformação surpreendente e bem-vinda. A paternidade não apenas o suaviza como também o humaniza. Ao ser confrontado com as fragilidades de quem tem algo a perder que não cabe em cálculos, Reed aprende a falhar, a hesitar, a ouvir. Ele deixa de ser o homem que busca salvar o mundo com fórmulas perfeitas e passa a ser alguém que reconhece os limites da própria genialidade. Sua vulnerabilidade, longe de ser uma fraqueza, se revela como uma nova forma de inteligência: emocional, ética, relacional. Nesse sentido, o filme rompe com a lógica do herói solitário e aposta em uma visão de salvação coletiva, construída na escuta, na confiança mútua e no reconhecimento de que o vínculo afetivo é tão crucial quanto qualquer superpoder.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa estrutura familiar se completa com Ben Grimm, o Coisa (</span><a href="https://personaunesp.com.br/the-bear-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Ebon Moss-Bachrach</span></a><span style="font-weight: 400;">), cuja dureza exterior contrasta com uma interioridade profundamente tocante. Sua condição corporal, frequentemente tratada em adaptações anteriores como objeto de autopiedade ou piada, aqui é encarada com mais delicadeza e humanidade. Ele não está ligado ao grupo por laços de sangue, mas por laços de cuidado e lealdade, o que reforça uma noção de família escolhida. Em vez de ser o ‘fortão da equipe’, Ben é retratado como aquele que mais sente, escuta e oferece acolhimento em silêncio. Sua presença é menos sobre força bruta e mais sobre solidez emocional: ele é a âncora afetiva de um grupo em constante tensão entre o caos e a esperança. Tanto que foi Ben quem percebeu que Sue e Reed estavam esperando por um bebê.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por sua vez, Johnny Storm (</span><a href="https://personaunesp.com.br/stranger-things-4-critica/"><span style="font-weight: 400;">Joseph Quinn</span></a><span style="font-weight: 400;">), tradicionalmente reduzido a uma caricatura do jovem impulsivo e vaidoso, finalmente ganha camadas mais complexas. O filme o apresenta como alguém que usa o humor como defesa, mas cuja inteligência e inventividade são centrais para o desenrolar da trama. Mais do que o ‘bonitão mulherengo’, Johnny é agora um cientista em formação, inquieto, curioso e engajado. O personagem foi essencial para entender e conhecer a Surfista Prateada, até mesmo para a redenção da serva de Galactus. Ao longo da narrativa, o Tocha Humana se revela como um personagem que deseja pertencer, contribuir e ser levado a sério. Seu arco é, portanto, de uma maturidade afetiva, em que ele deixa de performar apenas charme e passa a assumir responsabilidades reais dentro do grupo e da missão.</span></p>
<figure id="attachment_35525" aria-describedby="caption-attachment-35525" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35525" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3-1-800x360.png" alt="A imagem mostra o Coisa, com uma roupa azul e branca, em um ambiente doméstico. O fundo da imagem é composto por uma parede de cor neutra e um telefone vermelho de botão. A iluminação parece suave, sem fortes contrastes. Coisa é a figura principal, com pele de cor marrom-terra e um visual robusto. O seu traje é azul e branco com detalhes que lembram roupas dos anos 60/70. O ambiente parece ser um apartamento ou uma cozinha, com elementos de decoração clássicos de décadas anteriores. A iluminação é natural e homogênea, sem sombras acentuadas e a cor de fundo é um tom suave e quase monocromático." width="800" height="360" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3-1-800x360.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3-1-1024x460.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3-1-768x345.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3-1-1200x540.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3-1.png 1210w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35525" class="wp-caption-text">H.E.R.B.I.E., o clássico robô auxiliar, aparece pela primeira vez em live action, após cenas planejadas em 2005 terem sido cortadas (Foto: Marvel Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora a introdução de Galactus (</span><a href="https://personaunesp.com.br/a-bruxa-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Ralph Ineson</span></a><span style="font-weight: 400;">) e da nova Surfista Prateada (</span><a href="https://personaunesp.com.br/inventando-anna-critica/"><span style="font-weight: 400;">Julia Garner</span></a><span style="font-weight: 400;">) prometa uma ameaça cósmica com potencial filosófico, o filme falha em desenvolver de fato seus antagonistas. A trajetória de redenção da Surfista, marcada pela culpa e pela escolha de se rebelar contra a entidade que a criou, carrega um forte simbolismo de autonomia e resistência, distanciando-se da passividade da versão de 2007. No entanto, sua transição de antagonista a aliada acontece de forma abrupta, esvaziando o impacto de suas ações. Assim, o longa desperdiça a chance de construir uma tensão dramática robusta: o perigo nunca parece palpável, e o clímax se resolve sem verdadeiro sacrifício — uma ameaça estética, mas não emocional, que impede a catarse prometida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, a produção sofre com uma inconstância visual que compromete parte da experiência. Embora os efeitos especiais acertem em momentos cruciais — como nas sequências que envolvem distorções do espaço-tempo e os poderes elásticos de Reed —, há cenas onde o </span><i><span style="font-weight: 400;">CGI </span></i><span style="font-weight: 400;">parece apressado ou artificial demais, com texturas mal renderizadas, movimentos plastificados e iluminação que não se integra ao ambiente. Isso é especialmente evidente em </span><a href="https://cbn.globo.com/cultura/noticia/2025/07/29/quem-e-franklin-richards-o-heroi-mais-poderoso-do-universo-marvel.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Franklin</span></a><span style="font-weight: 400;">, filho de Sue e Reed, e nos confrontos de grande escala, onde o caos visual engole a clareza da ação. Em um </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster </span></i><span style="font-weight: 400;">desse porte, essa irregularidade tira um pouco força do espetáculo, mas não compromete a experiência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, um dos grandes acertos do longa é sua ambientação visual ousada, que bebe diretamente da ficção científica dos anos 1960, evocando desde a estética das capas </span><i><span style="font-weight: 400;">pulp </span></i><span style="font-weight: 400;">até os traços das primeiras HQs da </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-thunderbolts/"><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O longa opta por uma paleta desbotada, com cenários tecnológicos de aparência analógica e design de produção que mescla o vintage com o especulativo, criando uma identidade distinta dentro do </span><i><span style="font-weight: 400;">MCU</span></i><span style="font-weight: 400;">. Essa escolha confere uma certa singularidade — um gesto estético que assume o legado do Quarteto como produto de outra era, mas o transporta para uma narrativa emocional contemporânea. O figurino, os interiores dos laboratórios e até a forma como o espaço é representado remetem à ideia de futuro como utopia perdida, o que combina com o tom mais melancólico da trama. </span></p>
<figure id="attachment_35522" aria-describedby="caption-attachment-35522" style="width: 736px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35522" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image4-1.jpg" alt="A imagem mostra Sue e um Franklin, próximos um do outro, em um momento de afeição e carinho. A composição da imagem é centrada no encontro próximo entre a mulher e o bebê. A mulher está olhando para o bebê, seus rostos estão próximos. O bebê está sendo segurado pela mulher. O foco está principalmente nos rostos da mulher e do bebê, enquanto o fundo é desfocado. A imagem sugere intimidade e carinho. Seu rosto e expressões demonstram emoção e carinho. Franklin é um bebê, de pele clara e cabelos claros. Seu rosto é incrivelmente expressivo e mostra um sorriso suave e genuíno, expressando alegria. A luz natural cria um ambiente suave e aconchegante, focando na conexão entre as duas pessoas. A atmosfera é de ternura e afeto materno." width="736" height="414" /><figcaption id="caption-attachment-35522" class="wp-caption-text">A escolha do número Earth‑828 faz referência ao aniversário de Jack Kirby – 28 de agosto –, o quadrinista, co-criador da equipe (Foto: Marvel Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em contraste com o ritmo acelerado típico dos filmes de super-herói, </span><a href="https://rollingstone.com.br/cinema/quarteto-fantastico-se-torna-a-maior-bilheteria-de-um-filme-dos-herois/"><i><span style="font-weight: 400;">Quarteto Fantástico: Primeiros Passos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> adota uma abordagem contemplativa e ponderada, permitindo que a narrativa respire. O longa dá espaço para silêncios, olhares prolongados e hesitações, privilegiando o desenvolvimento emocional dos personagens, sobretudo Reed e Sue. Essa cadência convida o espectador a mergulhar na intimidade das crises individuais e na complexidade dos vínculos afetivos que os unem. No entanto, essa escolha estilística não é livre de riscos: especialmente no segundo ato, o ritmo desacelera de forma excessiva, comprometendo o dinamismo da trama e gerando uma sensação de estagnação. Ainda assim, essa pausa intencional entre os grandes eventos do enredo representa um respiro bem-vindo em um gênero cada vez mais marcado por ação ininterrupta — aqui, a humanidade vem antes da explosão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa sensibilidade emocional só se sustenta graças às atuações consistentes do elenco principal. </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-mandalorian-3a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">Pedro Pascal</span></a><span style="font-weight: 400;"> entrega um Reed Richards emocionalmente desgastado, dividido entre o raciocínio lógico e a vulnerabilidade da paternidade, enquanto Vanessa Kirby constrói uma Sue Storm firme, inteligente e afetiva, tornando-a o centro emocional do grupo. Joseph Quinn e Ebon Moss-Bachrach também trazem complexidade aos seus personagens: Johnny Storm, com sua inteligência subestimada por trás da impulsividade, e Ben Grimm, cuja dureza externa esconde feridas profundas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, o plano megalomaníaco e fantasioso de </span><a href="https://marvel.fandom.com/wiki/Reed_Richards_(Earth-616)"><span style="font-weight: 400;">Reed Richards</span></a><span style="font-weight: 400;"> deixa a desejar tanto no âmbito científico quanto emocional. Do ponto de vista narrativo, a proposta de alinhar dispositivos quânticos em escala global para conter uma entidade cósmica beira o absurdo — não apenas por ser impossível, mas por destoar completamente da lógica interna que o próprio filme vinha estabelecendo. A suspensão de descrença, essencial em obras do gênero, aqui é levada ao limite sem o devido preparo dramático, transformando o clímax em um espetáculo visual vazio de consequência real. O resultado é uma conclusão grandiosa, porém desconectada — um final que mira no épico, mas acerta no genérico.</span></p>
<figure id="attachment_35523" aria-describedby="caption-attachment-35523" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35523" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-800x450.png" alt="A imagem mostra Sue Storm, uma mulher loira de olhos azuis, envolta por um fundo abstrato com efeitos de luz e cores vibrantes, representando seu campo de força. Com expressão determinada, ela veste um traje azul e branco. O fundo é composto por um turbilhão de tons intensos que criam uma atmosfera dinâmica e energética, sugerindo ação/habilidades sobre-humanas. O estilo visual é moderno e experimental, com uso expressivo de luz e cor para enfatizar a força e o foco da personagem em um ambiente surreal." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1.png 1366w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35523" class="wp-caption-text">A figurinista Alexandra Byrne criou mais de 90 uniformes inspirados em designs dos anos 1960 (Foto: Marvel Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, </span><a href="https://jovemnerd.com.br/noticias/filmes/quarteto-fantastico-queda-bilheteria"><i><span style="font-weight: 400;">Quarteto Fantástico: Primeiros Passos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> propõe um plano mirabolante para salvar o planeta, envolvendo a união coordenada de líderes mundiais, cientistas e até vilões convertidos. Idealista até a medula, a proposta de Reed Richards extrapola os limites da plausibilidade, tanto científica quanto emocional. O alinhamento de dispositivos quânticos ao redor do globo para conter uma entidade cósmica soa fantasioso, beirando o absurdo, e transforma o clímax em um espetáculo desconectado da lógica interna construída ao longo da trama. Ainda assim, esse irrealismo não enfraquece por completo a experiência: o plano funciona menos como solução técnica e mais como metáfora — um chamado simbólico à cooperação em tempos de crise, especialmente diante dos dilemas ambientais e políticos contemporâneos. Nesse sentido, o filme não tenta convencer pela ciência, mas pela esperança.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim das contas, </span><a href="https://www.otempo.com.br/entretenimento/2025/8/5/quarteto-fantastico-primeiros-passos-bate-recorde-e-tem-maior-bilheteria-da-equipe"><i><span style="font-weight: 400;">Primeiros Passos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se assume como uma fábula emocional — não como ficção científica rigorosa. Sua força está na reinvenção afetiva dos personagens e na escolha consciente de valorizar vínculos em vez de fórmulas. Entre rachaduras no céu e buracos narrativos, o que prevalece é a potência do coletivo, a força de um grupo que se recusa a ceder à lógica individualista. A esperança aqui não vem como bravata, mas como construção diária, ética e vulnerável. Mesmo com soluções previsíveis e antagonistas pouco desenvolvidos, a produção conquista ao reafirmar que, no fim, ninguém se salva sozinho — e talvez, nesse gesto, esteja o verdadeiro heroísmo.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Quarteto Fantástico: Primeiros Passos | Trailer Oficial Dublado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/CcSIvhDlYWw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/critica-quarteto-fantastico-primeiros-passos/">Quarteto Fantástico: Primeiros Passos é familiar, fantasioso, divertido e, de fato, fantástico</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/critica-quarteto-fantastico-primeiros-passos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">35521</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Deus Salve a Rainha: os 5 glamourosos anos de The Crown</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/the-crown-5-anos/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/the-crown-5-anos/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Nov 2021 03:24:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Televisão]]></category>
		<category><![CDATA[2016]]></category>
		<category><![CDATA[5 anos]]></category>
		<category><![CDATA[Adriano Goldman]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Aniversário]]></category>
		<category><![CDATA[Charles Dance]]></category>
		<category><![CDATA[Claire Foy]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Emerald Fennell]]></category>
		<category><![CDATA[Emma Corrin]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy]]></category>
		<category><![CDATA[Gillian Anderson]]></category>
		<category><![CDATA[Helena Bonham Carter]]></category>
		<category><![CDATA[Jared Harris]]></category>
		<category><![CDATA[John Lithgow]]></category>
		<category><![CDATA[Josh O'Connor]]></category>
		<category><![CDATA[Júlia Caroline Fonte]]></category>
		<category><![CDATA[Lady Diana]]></category>
		<category><![CDATA[Margaret Thatcher]]></category>
		<category><![CDATA[Matt Smith]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[Olivia Colman]]></category>
		<category><![CDATA[Peter Morgan]]></category>
		<category><![CDATA[Príncipe Charles]]></category>
		<category><![CDATA[Queen Elizabeth II]]></category>
		<category><![CDATA[Rainha Elizabeth II]]></category>
		<category><![CDATA[Realeza]]></category>
		<category><![CDATA[Reino Unido]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Rupert Gregson-Williams]]></category>
		<category><![CDATA[Streaming]]></category>
		<category><![CDATA[The Crown]]></category>
		<category><![CDATA[Tobias Menzies]]></category>
		<category><![CDATA[TV]]></category>
		<category><![CDATA[Vanessa Kirby]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=24584</guid>

					<description><![CDATA[<p>Júlia Caroline Fonte Há 5 anos, os portões do Buckingham Palace foram abertos ao público, revelando os segredos obscuros e os dramas da família real britânica, como também nos aproximando de uma das figuras mais conhecidas da história. The Crown, série criada por Peter Morgan, que, de início, não tinha tanta aclamação e atenção do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-crown-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Deus Salve a Rainha: os 5 glamourosos anos de The Crown"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/the-crown-5-anos/">Deus Salve a Rainha: os 5 glamourosos anos de The Crown</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24585" aria-describedby="caption-attachment-24585" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24585" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-1-5.jpg" alt="Cena da série The Crown. É uma imagem com as bordas escura e bem iluminada ao centro para destacar, em plano médio, a personagem principal: Elizabeth II, uma mulher branca, magra, de cabelos castanhos presos para trás em um penteado baixo com uma grande coroa acima, prateada e composta de cristais. Ela tem grandes olhos azuis e está em pé andando para a esquerda, olhando para a direita e sorrindo sem mostrar os dentes. Ela veste um vestido de tecido brilhante branco e prata, com um pequeno detalhe aparente de tecido azul turquesa na saia e um pedaço de um detalhe em prata na cintura do vestido. Ela cruza os braços na direção da cintura para enrolar um estola de pelos braços pela parte superior do corpo, que cobre toda a frente da roupa e deixa apenas um pequeno pedaço dos ombros e do colo à mostra. Ela usa luvas brancas que cobrem até acima dos cotovelos, já no braço esquerdo, carrega uma pequena bolsa branca, em seu pescoço há um grande colocar brilhante com pérolas e nas orelhas, há brincos compridos e brilhantes. Atrás dela e levemente ao fundo, do lado direito da imagem e levemente desfocado está Philip, um homem branco, magro e alto, de cabelos loiro médio, ele se encontra na mesma posição de corpo que ela, ele veste um smoking preto, com um lenço branco no bolso, e por baixo uma camisa branca com uma gravata borboleta da mesma tonalidade, ele aparenta estar com os braços atrás do corpo. Ao fundo atrás da personagem há dois grandes pilares cor de areia, e em frente a eles, à esquerda da imagem, há um pequeno grupo de pessoas, da esquerda para a direita: uma mulher branca, magra, de cabelos castanhos com um lenço cor de areia escuro cobrindo-os, deixando apenas o topo aparente, ela usa batom vermelho e veste um sobretudo marrom de estampa xadrez, ela sorri sem mostrar os dentes e aplaude. Um pouco atrás dela há um homem alto, branco de cabelos loiro escuro, usa um terno preto com uma camisa branca e uma gravata bege clara, só é possível ver a a parte superior do corpo acima da cintura; em frente a ele há um homem um pouco mais baixo, branco, de cabelos pretos e sobrancelhas grossas, ele veste um sobretudo cinza azulado e na cabeça usa uma boina da mesma cor, embaixo do sobretudo, veste uma camada um pouco mais escura acima de uma blusa branca, as duas mãos estão juntas em frente ao corpo. Atrás de Elizabeth é possível ver apenas o rosto de um homem branco de cabelos castanhos que olha em sua direção, assim como todos os figurantes. Ao fundo à esquerda há mais algumas pessoas não distinguíveis e a direita um prédio pouco iluminado com paredes cinzas, janelas grandes e de pelo menos dois andares." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-1-5.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-1-5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-1-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-1-5-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-1-5-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24585" class="wp-caption-text">“O país precisa ser liderado por alguém forte” (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Júlia Caroline Fonte</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há 5 anos, os portões do Buckingham Palace foram abertos ao público, revelando os segredos obscuros e os </span><a href="https://sobresagas.com.br/the-crown-realidade-e-ficcao-nas-temporadas/"><span style="font-weight: 400;">dramas</span></a><span style="font-weight: 400;"> da família real britânica, como também nos aproximando de uma das figuras mais conhecidas da </span><a href="https://super.abril.com.br/blog/contaoutra/guia-historico-para-entender-a-serie-the-crown/"><span style="font-weight: 400;">história</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">The Crown</span></i><span style="font-weight: 400;">, série criada por Peter Morgan, que, de início, não tinha tanta aclamação e atenção do público, logo tornou-se um sucesso e, prestes a lançar sua </span><a href="https://revistaglamour.globo.com/Lifestyle/Cultura/noticia/2021/08/crown-5-temporada-elenco-data-de-estreia-filmagens-e-mais-detalhes-da-producao.html"><span style="font-weight: 400;">quinta temporada</span></a><span style="font-weight: 400;">, a série da <em>Netflix</em> conta com o </span><a href="https://www.revistabula.com/22150-as-10-series-mais-caras-ja-produzidas-pela-netflix/"><span style="font-weight: 400;">maior orçamento da plataforma</span></a><span style="font-weight: 400;">, a altura de suas personagens e de sua luxuosa produção. </span></p>
<p><span id="more-24584"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I9Nw6dcgbDY"><span style="font-weight: 400;">fofocas e polêmicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> dignas de um romance da corte francesa, a série consegue conquistar o espectador logo de cara apenas com sua protagonista, a rainha </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=byfY4k684DI"><span style="font-weight: 400;">Elizabeth II</span></a><span style="font-weight: 400;">, no início interpretada pela talentosa </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/09/17/eps/1537208573_433702.html"><span style="font-weight: 400;">Claire Foy</span></a><span style="font-weight: 400;">. Sendo um dos principais elementos para garantir esse sucesso, a atriz entrega o papel de forma surpreendente, trazendo à tona uma visão que dificilmente teríamos da soberana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é surpresa que as </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2016/11/14/cultura/1479129061_832619.html"><span style="font-weight: 400;">mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;"> enfrentaram &#8211; e ainda enfrentam &#8211; enormes </span><a href="https://www.fendageek.com/post/an%C3%A1lise-the-crown-temporada-04-mulheres-poderosas-s%C3%A3o-o-foco-da-hist%C3%B3ria"><span style="font-weight: 400;">obstáculos</span></a><span style="font-weight: 400;"> para assumirem sua posição e poder, e a trajetória da personagem Lilibeth procura evidenciar esse problema. Uma figura prestes a completar </span><a href="https://brasil.elpais.com/estilo/2021-06-03/os-planos-de-elizabeth-ii-para-os-70-anos-de-reinado-4-dias-de-festa-megashow-e-1400-soldados.html"><span style="font-weight: 400;">70 anos de reinado</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; o primeiro monarca do Reino Unido a conquistar esse feito &#8211; é retratada na série como uma jovem que não foi preparada para governar, mesmo que sua posição de </span><a href="https://guiadoestudante.abril.com.br/blog/atualidades-vestibular/entenda-a-diferenca-entre-chefe-de-governo-e-chefe-de-estado/"><span style="font-weight: 400;">Chefe de Estado</span></a><span style="font-weight: 400;"> já estivesse prevista desde criança.</span></p>
<figure id="attachment_24586" aria-describedby="caption-attachment-24586" style="width: 1110px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24586" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-2-4.jpg" alt="Cena da série The Crown. A imagem é um plano geral fechado, mostra uma sala do palácio, com paredes bege claras e cinco janelas, duas nas laterais e três ao centro (que formam meio hexágono), todas com cortinas brancas com bandô volumoso vermelho escuro. Em frente, há cadeiras beges com detalhes dourados, e dois pilares finos e beges claro de cada lado; no chão há um tapete vermelho de tom mais claro que a cortina e no teto há um lustres de cristais. Em frente e em destaque na foto há 9 personagens em pé posando para a foto e olhando para a câmera sérios, todos são brancos, da esquerda para a direita: A primeira é a Rainha Mãe, com as mãos juntas em frente ao corpo, uma mulher entre 40/50 anos, de cabelo grisalho escuro preso, magra de estatura média ela está com o corpo um pouco virada para a direita da foto, ela usa um vestido reto, longo e de manga longa, de cor salmão, e tecido um pouco pesado, por cima do vestido, ela usa uma faixa diagonal azul, com algumas medalhas penduradas, e como acessórios ela usa brincos um colar prateados de pedras e um grande chapéu com plumas do mesmo tom e tecido do vestido. Ao lado está a rainha Mary, com as mãos também juntas em frente ao corpo, que usa um vestido longo, de mangas longas e cinza azulado, de tecido um pouco mais leve e estampa de bolinhas, ela também usa a faixa azul de medalhas e um chapéu combinando com o vestido, ele é quase cilíndrico e com plumas, além de luvas brancas diversos colares prateados e de pérolas no pescoço, bem como um brinco de pérolas; Ela é uma mulher idosa, magra, um pouco mais baixa, entre 80 e 90 anos, tem cabelos brancos cacheados e também presos em um penteado baixo. Em seguida vem o Duque de Windsor, um homem alto, magro, entre 50 e 60 anos, de cabelos brancos levemente grisalhos e curtos, ele está com os braços para trás, ele veste um terno cinza, com textura e um leve xadrez amarelo, no terno há um flor branca próxima ao ombro esquerdo, um lencinho de cor creme no bolso, e por baixo, ele veste uma camisa branca e uma gravata cor de areia, nos pés, usa um sapato preto com detalhes brancos na parte superior. Depois há o príncipe Philip, um homem alto, magro, de cabelos loiros e curto, penteados para trás, ele usa um terno militar azul marinho escuro, com botões dourados na frente medalhas próximas ao ombro esquerdo e uma corda dourada ao lado direito, além de ombreiras douradas, por baixo ele usa uma camisa branca e gravata preta e sapatos pretos. Ele está com as mãos para trás e levemente inclinado para Elizabeth que vem em seguida, uma mulher de estatura média, magra, de cabelos castanhos curtos, e olhos azuis, ela está inclinada para Philipe com as duas mãos em frente ao corpo; ela usa um vestido longo branco, com saia volumosa e um corpete sem alça, que tem uma renda que desce até o meio da saia, ela também usa a faixa azul com medalhas, colar e brincos de pedras prateados, e na cabeça uma coroa grande e prateada. Ao lado há a princesa Margaret, a única que apresenta um leve sorriso, é uma mulher alta, magra, de cabelos castanhos curtos e olhos azuis, ela está levemente virada para a esquerda da imagem e está com as mãos do lado do corpo, usa um vestido longo com uma saia menos volumosa que a da irmã e também um corpete sem alça, o vestido é cinza bordado em roxo e com um cinto bege na cintura, ela usa uma echarpe lilás enrolada nos braços e que desce até o chão, ela usa luvas que cobrem quase o braço todo da mesma cor do vestido, usa um colar prateado com pedras roxas e um pequeno brinco prateado. Logo atrás dela está Peter Townsend. um homem magro, alto e de cabelos pretos, que veste um uniforme militar de alfaiataria, composto de calça e blazer, que contém medalhas e um cinto com listras douradas, por baixo ele usa uma camisa branca e uma gravata preta; a mão esquerda segura uma espada prata e marrom que está presa a cintura. Por fim há dois primeiros ministros, o penúltimo é Winston Churchill é um homem baixo, gordo, por volta de 60 ou 70 anos, de cabelos brancos, ele usa um smoking preto, e por baixo há uma camisa branca com um colete preto, e uma gravata borboleta preta e sapato preto, ele está levemente virado para a direita da imagem, a mão esquerda segura o smoking e a direita se apoia em uma bengala preta. E por último Anthony Eden, um homem magro, por volta de 70 anos, com cabelos grisalhos e bigode, ele está levemente inclinado para a esquerda e tem as duas mãos para trás do corpo, ele veste um terno cinza médio, com textura, botões pretos e um lencinho branco no bolso, por baixo há uma camisa branca, uma gravata prateada, e usa um sapato preto." width="1110" height="588" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-2-4.jpg 1110w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-2-4-800x424.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-2-4-1024x542.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-2-4-768x407.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24586" class="wp-caption-text">The Crown conseguiu conquistar o público com uma história envolvente, grande atuações e um retrato charmoso da realeza britânica (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/criticas/588840/critica-the-crown-netflix-1a-2a-e-3a-temporadas-retrato-brilhante-de-uma-instituicao-superflua/"><i><span style="font-weight: 400;">The Crown</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> tem um papel social importante: reconhecer o legado de Elizabeth como uma das mulheres que comandou um país que sempre esteve à frente de diversas outras nações. Ela prova que por mais que inúmeras forças a desacreditem e tentem derrubá-la durante sua trajetória, uma mulher tem o poder de sentar a uma grande mesa com homens velhos de terno, e é capaz de decidir o rumo de uma grande potência econômica. A monarca é hoje um símbolo que traz força para diversas figuras femininas influentes que foram </span><a href="https://brasil.elpais.com/sociedad/2021-03-08/as-mulheres-esquecidas-pela-historia-na-america.html"><span style="font-weight: 400;">jogadas à margem</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao longo da história.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, essa representatividade histórica não apaga todas as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=v9CgagyIRGg"><span style="font-weight: 400;">controvérsias</span></a><span style="font-weight: 400;"> e condutas nocivas relacionadas à essa </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/veja-quem-e-quem-na-casa-de-windsor-e-a-linha-de-sucessao-ao-trono-britanico/"><span style="font-weight: 400;">poderosa família</span></a><span style="font-weight: 400;">, que são ofuscadas por muita </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2020-12-06/deveria-a-netflix-alertar-que-the-crown-nao-e-real.html"><span style="font-weight: 400;">romantização</span></a><span style="font-weight: 400;"> de todos os seus movimentos. Suas cenas muito bem escritas expõem o lado difícil de viver sobre o peso de um poderoso legado e, tentam envolver o espectador em um sentimento de empatia quando </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/princesa-margaret-e-peter-townsend-o-primeiro-grande-escandalo-da-irma-de-elizabeth-ii.phtml"><span style="font-weight: 400;">Margaret</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/oscar-2021-4-producoes-para-conhecer-vanessa-kirby-indicada-melhor-atriz-por-pieces-woman-lista/"><span style="font-weight: 400;">Vanessa Kirby</span></a><span style="font-weight: 400;">) não pode viver um simples e forte romance ou Elizabeth tem que abrir mão da sua vida de mãe presente para focar nos difíceis cuidados do novo filho: </span><a href="https://rainhastragicas.com/2020/12/20/a-rainha-elizabeth-ii-e-sua-luta-de-70-anos-para-salvar-a-casa-de-windsor-parte-vii-final/"><span style="font-weight: 400;">seu reinado</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa visão passa a rondar as </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2017/12/08/cultura/1512726370_363973.html?rel=mas"><span style="font-weight: 400;">duas primeiras temporadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> exibidas em 2016 e 2017 e tem sua inversão nas duas seguintes, principalmente na mais recente, lançada ano passado, em que uma </span><a href="https://rainhastragicas.com/2021/07/25/princesa-diana-60-anos-a-vida-do-maior-icone-do-seculo-xx/"><span style="font-weight: 400;">jovem plebeia</span></a><span style="font-weight: 400;"> adentra as muralhas da realeza. A clássica </span><a href="https://espalhafactos.com/2019/11/17/critica-the-crown/"><span style="font-weight: 400;">mudança de elenco</span></a><span style="font-weight: 400;"> a cada dois anos marca uma grande transformação na narrativa da monarquia. Algo podre começa a emergir das paredes do palácio, e então passamos a mergulhar ainda mais em um lado frio e sombrio dos personagens, principalmente Elizabeth, que na terceira temporada </span><a href="https://www.revistalofficiel.com.br/hommes/a-conflituosa-e-fria-relacao-do-principe-charles-e-a-rainha-elizabeth"><span style="font-weight: 400;">prepara seu herdeiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> de modo apático. A visão do belo passa a dar lugar ao início de uma imagem deteriorada para público, e a empatia e encanto sentidos no começo iniciam sua lenta partida.</span></p>
<figure id="attachment_24587" aria-describedby="caption-attachment-24587" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24587" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-3-4.jpg" alt="Cena da série The Crown. A imagem está em plano médio, em frente e na ponta esquerda está o príncipe Charles, com um olhar preocupado olhando para baixo a esquerda, um homem branco, magro, alto e de cabelo castanho curto, ele veste uma grande capa, aparentemente de veludo, de cor vinho escuro, com uma pelúcia branca até o abdômen e na abertura do centro, com um fecho dourado, toda essa parte tem bolas pretas também em pelúcia, ele usa uma coroa grande, com a borda feita da mesma pelúcia, seguida de ouro com um adorno no centro da cabeça também em dourado formado por uma bola e uma cruz, e no meio é preenchida por um tecido vinho escuro, ela é toda adornada com cruzes douradas, as mãos dele saem do meio da capa e seguram um papel branco com escritos, na mão esquerda há um anel dourado com uma pedra escura; em frente a ele, há um microfone duplo cinza com espuma preta. Na lateral direita da imagem está a rainha Elizabeth, agora ela aparenta estar entre 40 ou 50 anos, ela está sentada e na imagem está embaixo e aparece em plano próximo, ela veste uma roupa de cor areia clara de mangas longas, ela usa colares de pérolas, batom vermelho e um chapéu que cobre a cabeça como um capacete, ele é da mesma cor da roupa e adornado com pérolas, ela olha para o mesmo local que o filho e está séria. Ao fundo, há uma platéia desfocada que cobre toda a imagem, nela há diversos militares que vestem seus uniformes pretos, há homens de terno preto ou cinza e mulheres com roupas clássicas e monocromáticas, variando em verde água, amarelo, rosa azul pastel, são todos adultos e estão aplaudindo" width="2048" height="1536" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-3-4.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-3-4-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-3-4-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-3-4-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-3-4-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-3-4-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24587" class="wp-caption-text">“E que bando de monstros insensíveis é minha família. Como são frios e maldosos, grosseiros e chatos. Sem alegria e sem amor” (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É também na terceira parte que </span><i><span style="font-weight: 400;">The Crown</span></i><span style="font-weight: 400;"> começa lentamente a se perder em sua protagonista e esfacelar seu enredo com tantos personagens embaralhando-se, entregando para o público uma das </span><a href="https://valkirias.com.br/critica-the-crown-3/"><span style="font-weight: 400;">temporadas mais lentas e arrastadas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Porém, sua </span><a href="https://valkirias.com.br/critica-the-crown-as-tradicoes-e-as-amarras-da-familia-real/"><span style="font-weight: 400;">quarta temporada</span></a><span style="font-weight: 400;"> é salva por uma das figuras mais importantes para a realeza: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CWrW6apwe8w"><span style="font-weight: 400;">Lady Di</span></a><span style="font-weight: 400;">. Reacendendo a imagem na família real na década de 80 e </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/quebrando-regras-como-lady-di-mudou-regras-da-familia-real.phtml"><span style="font-weight: 400;">quebrando protocolos</span></a><span style="font-weight: 400;">, a jovem traz a </span><a href="https://veja.abril.com.br/mundo/quem-foi-a-princesa-diana-e-porque-ela-se-tornou-um-icone/"><span style="font-weight: 400;">atenção do público</span></a><span style="font-weight: 400;"> de volta à série. O protagonismo entre ela e Elizabeth começa a ficar mais dividido, consolidando o problema do ano anterior. Apesar disso, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Crown </span></i><span style="font-weight: 400;">ainda se garante como uma excelente história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para a decepção de muitos, a vida da </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/entenda-como-diana-ficou-conhecida-como-a-princesa-do-povo/"><span style="font-weight: 400;">Princesa do Povo</span></a><span style="font-weight: 400;"> é mostrada de modo rápido e razoável. Mesmo não sendo a protagonista, a duquesa, assim como em vida, sempre consegue </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/como-diana-se-tornou-a-mulher-mais-fotografada-do-mundo.phtml"><span style="font-weight: 400;">atrair todos os holofotes para si</span></a><span style="font-weight: 400;">, bem como os espectadores, que sempre anseiam por mais Diana. Com a atenção à protagonista se perdendo, o desejo de adentrar cada vez mais a vida da jovem aumenta entre o público, que precisa se contentar com poucos momentos. No entanto, estes não deixam de ser notáveis, graças a </span><a href="https://elle.com.br/cultura/quem-e-emma-corrin-a-princesa-diana-de-the-crown/o-estilo-de-emma-corrin"><span style="font-weight: 400;">Emma Corrin</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-10-11/josh-oconnor-o-principe-charles-de-the-crown-ele-pode-achar-que-o-interpreto-mal.html"><span style="font-weight: 400;">Josh O’Connor</span></a><span style="font-weight: 400;"> interpretando, respectivamente, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=apE0ACpta88"><span style="font-weight: 400;">Diana</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Charles.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesta quarta temporada, a família real passa a ter um </span><a href="https://www.purepeople.com.br/noticia/relacao-polemica-de-diana-e-rainha-elizabeth-ii-e-confirmada-por-ex-funcionario-saiba_a306887/1"><span style="font-weight: 400;">papel de vilã</span></a><span style="font-weight: 400;"> para a jovem plebeia que tem a vida retratada de modo trágico. Com um </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/matrimonio-condenado-charles-disse-que-nao-amava-diana-um-dia-antes-do-casamento.phtml"><span style="font-weight: 400;">marido</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a abusa emocionalmente e tendo que dividi-lo com a amante </span><a href="https://brasil.elpais.com/estilo/2020-12-30/camilla-enfrenta-o-fantasma-de-lady-di.html"><span style="font-weight: 400;">Camilla Parker Bowles</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Emerald Fennell), a família real se mostra </span><a href="https://hugogloss.uol.com.br/famosos/royals/the-crown-membros-da-realeza-estariam-extremamente-chateados-com-nova-temporada-da-serie-o-retrato-mais-cruel-injusto-e-horrivel-de-quase-todos-eles/"><span style="font-weight: 400;">indiferente</span></a><span style="font-weight: 400;"> e como sempre, apenas tentando garantir as </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/a-familia-real-sobrevivera-sem-elizabeth-denuncias-de-meghan-reacendem-o-debate/"><span style="font-weight: 400;">aparências</span></a><span style="font-weight: 400;">. Esse é um dos motivos que fizeram com que </span><i><span style="font-weight: 400;">The Crown</span></i><span style="font-weight: 400;"> sempre estivesse envolvida em </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/03/13/cultura/1520964513_326651.html"><span style="font-weight: 400;">polêmicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> com a </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/o-que-familia-real-pensa-sobre-o-seriado-crown.phtml"><span style="font-weight: 400;">realeza britânica</span></a><span style="font-weight: 400;">, porém, sua quarta parte garantiu o </span><a href="https://sobresagas.com.br/the-crown-netflix-recusa-alerta-de-ficcao/"><span style="font-weight: 400;">aumento da tensão</span></a><span style="font-weight: 400;">, principalmente com aqueles próximos a </span><a href="https://brasil.elpais.com/gente/2020-11-19/principe-charles-se-enfurece-com-sua-imagem-retratada-em-the-crown.html"><span style="font-weight: 400;">Charles</span></a><span style="font-weight: 400;"> que se incomodaram com sua representação.</span></p>
<figure id="attachment_24588" aria-describedby="caption-attachment-24588" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24588" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-4-1.jpg" alt="Cena da série The Crown. A imagem é um plano médio da personagem princesa Diana, ela está um pouco à direita da imagem, ela está com o corpo quase em perfil, andando para a esquerda e olhando observadora para algo à direita. Diana é uma mulher jovem de 19 anos, magra estatura média, branca, cabelo liso, loiro e curto, repicado abaixo das orelhas, ela tem grandes olhos azuis que estão maquiados com um leve esfumado preto. Ela veste um conjunto de alfaiataria amarelo, sendo a parte de baixo uma saia mais soltinha e de cima uma blusa de mangas 7/8 com botões à frente, no ombro direito, carrega uma bolsa branca pequena de alça fina e longa, a mão que segura a bolsa exibe um anel com uma pedra azul escuro com contorno branco. Ao fundo e desfocado há uma rua da cidade de Londres, há um prédio cinza claro com grandes portas cinzas com vidros, algumas árvores e carros, na rua há uma scooter antiga bege dirigida por um homem desfocado que veste uma calça jeans e um casco azul. Na calçada em que Diana está há pilares médios cinza escuro, e logo atrás dela há diversos fotógrafos desfocados, os dois mais aparentes estão um logo atrás da princesa, com câmera cobrindo o rosto, vestindo calça jeans clara, um casaco marrom escuro e um capacete de moto antigo na cor prata, a esquerda há outro fotógrafo, ele usa uma calça e um casaco cinza escuro, com uma bolsa lateral de tom próximo. Na ponta esquerda da imagem, há um homem quase totalmente de perfil, ele aparenta ter por volta de 40 anos e está usando um terno azul marinho bem escuro de gola preta, aparece a gola de uma camisa branca, usa uma gravata azul escura com listra finas douradas e uma cartola pequena preta na cabeça cobrindo o cabelo preto curto; ele caminha sério para a esquerda." width="2048" height="1364" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-4-1.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-4-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-4-1-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-4-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-4-1-1536x1023.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-4-1-1200x799.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24588" class="wp-caption-text">O destaque da quarta temporada não foi apenas Diana, mas também sua intérprete, Emma Corrin, já que o papel lhe rendeu um Globo de Ouro de Melhor Atriz em Série de Drama (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de sua excepcional narrativa, a série criada por </span><a href="https://emais.estadao.com.br/noticias/tv,criador-de-the-crown-afirma-que-serie-nao-falara-de-harry-e-meghan,70003406930"><span style="font-weight: 400;">Peter Morgan</span></a><span style="font-weight: 400;"> também não deixa de dar um espetáculo em seus aspectos técnicos. A direção de fotografia do brasileiro </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2020/11/saiba-quem-e-o-brasileiro-que-deu-a-the-crown-a-sua-fotografia-deslumbrante.shtml"><span style="font-weight: 400;">Adriano Goldman</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi fundamental para transmitir a mensagem da série e garantir seu visual deslumbrante junto com a direção de arte, que não poupou dinheiro e esforços ao </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2020/11/12/the-crown-recriou-looks-iconicos-de-diana-e-thatcher-veja-comparacao.htm"><span style="font-weight: 400;">recriar</span></a><span style="font-weight: 400;"> a vida das personagens. A trilha sonora também se destaca, com a maior parte das músicas de autoria de Rupert Gregson-Wiliams combinadas a outros elementos sonoros, criando a atmosfera ideal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É difícil ressaltar a qualidade de </span><a href="https://sobresagas.com.br/the-crown-meghan-markle-e-principe-harry-serao-abordados-na-serie/"><span style="font-weight: 400;">The Crown</span></a><span style="font-weight: 400;"> sem mencionar seu </span><a href="https://buzzfeed.com.br/post/o-elenco-da-serie-the-crown-vs-a-familia-real-britanica-da-vida-real"><span style="font-weight: 400;">elenco</span></a><span style="font-weight: 400;">, que brilhou não apenas por causa de Claire Foy. Em sua primeira fase, a série nos presenteia com os atores Matt Smith no papel do </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-04-10/o-impetuoso-philip-descoberto-por-the-crown.html"><span style="font-weight: 400;">Príncipe Philip</span></a><span style="font-weight: 400;"> e John Lithgow que reviveu o prestigiado </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-47293747"><span style="font-weight: 400;">Winston Churchill</span></a><span style="font-weight: 400;">; além de outro grande destaque: Vanessa Kirby, que nos encantou com sua rebelde e intensa </span><a href="https://rainhastragicas.com/2021/01/29/subvertendo-o-conto-de-fadas-margaret-rose-os-anos-dourados-de-uma-princesa-rebelde/"><span style="font-weight: 400;">Princesa Margaret</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Crown - Trailer principal - Só na Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/dFZC-_T_irA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Já em sua segunda fase temos a versão mais velha dos personagens, com a aclamada </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/oscar-2021-5-papeis-para-conhecer-olivia-colman-indicada-como-melhor-atriz-coadjuvante-lista/"><span style="font-weight: 400;">Olivia Colman</span></a><span style="font-weight: 400;"> vivendo Elizabeth, Tobias Menzies, como seu marido,  Helena Bonham Carter, dando voz à polêmica irmã, e Gillian Anderson como a famosa </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/Historia/noticia/2021/10/por-que-margaret-thatcher-era-chamada-de-dama-de-ferro.html"><span style="font-weight: 400;">Dama de Ferro</span></a><span style="font-weight: 400;">. Um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=29Vg0o34Hx0"><span style="font-weight: 400;">elenco</span></a><span style="font-weight: 400;"> de peso que, contudo, não supera seus antecessores, deixando nítida a divisão entre os dois períodos retratados, com algumas diferenças na personalidade de suas personagens e suas </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/o-dia-em-que-helena-bonham-carter-disse-ter-conversado-com-o-fantasma-da-princesa-margaret-irma-de-elizabeth-ii.phtml"><span style="font-weight: 400;">próprias versões</span></a><span style="font-weight: 400;"> das mesmas. E é claro, uma </span><a href="https://veja.abril.com.br/blog/isabela-boscov/terceira-temporada-de-the-crown-no-reino-da-discordia/"><span style="font-weight: 400;">brusca diferença física</span></a><span style="font-weight: 400;">, principalmente para as duas irmãs, que ficaram marcadas pelos grandes olhos azuis das atrizes, ignorados pela produção.</span></p>
<p><a href="https://sobresagas.com.br/the-crown-netflix-confirma-elenco-da-5a-temporada-gravacoes-comecam-em-julho/"><span style="font-weight: 400;"><em>The Crown</em></span></a><span style="font-weight: 400;"> completa seus 5 anos como uma já consagrada e singular obra. Nos proporcionando a experiência única de acompanhar e nos aproximar pelo menos um pouco da realeza deste século. A série, que já garantiu diversos </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-09-20/netflix-se-consagra-pela-primeira-vez-no-emmy-com-os-premios-para-the-crown-e-o-gambito-da-rainha.html"><span style="font-weight: 400;">prêmios e indicações</span></a><span style="font-weight: 400;"> em seu caminho (e fez história vencendo todas as estatuetas de Drama no </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">2021), vem instigando as expectativas dos fãs para as </span><a href="https://www.omelete.com.br/tudum-netflix/the-crown-quinta-temporada-estreia"><span style="font-weight: 400;">próximas temporadas</span></a><span style="font-weight: 400;">, que começam a caminhar para o final de sua história; e anunciando mais uma vez um </span><a href="https://sobresagas.com.br/the-crown-netflix-confirma-elenco-da-5a-temporada-gravacoes-comecam-em-julho/"><span style="font-weight: 400;">grande elenco</span></a><span style="font-weight: 400;">, ela se encerrará com um dos </span><a href="https://vogue.globo.com/lifestyle/cultura/noticia/2020/04/5-temporada-de-crown-data-de-lancamento-elenco-e-surpresas.html"><span style="font-weight: 400;">períodos</span></a><span style="font-weight: 400;"> bem críticos para a realeza, que com certeza será retratado com a mesma excelência que vimos até então.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/the-crown-5-anos/">Deus Salve a Rainha: os 5 glamourosos anos de The Crown</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/the-crown-5-anos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">24584</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Pieces of a Woman, a fragmentação do feminino e os paradoxos patriarcais</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/pieces-of-a-woman-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/pieces-of-a-woman-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Apr 2021 20:36:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2021]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Ellen Burstyn]]></category>
		<category><![CDATA[Festival de Veneza]]></category>
		<category><![CDATA[Kata Wéber]]></category>
		<category><![CDATA[Kornél Mundruczó]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Atriz]]></category>
		<category><![CDATA[Molly Parker]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar 2021]]></category>
		<category><![CDATA[Raquel Dutra]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Shia LaBeouf]]></category>
		<category><![CDATA[Vanessa Kirby]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=20239</guid>

					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra E se eu te pedisse para imaginar o seu maior pico de amor, seu maior pico de adrenalina e seu maior pico de dor? Numa generalização grosseira, digo que provavelmente sua mente reconstituiria três momentos diferentes da sua vida, com um intervalo de tempo considerável entre eles. Acertei? Agora fazendo um recorte mais &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pieces-of-a-woman-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Pieces of a Woman, a fragmentação do feminino e os paradoxos patriarcais"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/pieces-of-a-woman-critica/">Pieces of a Woman, a fragmentação do feminino e os paradoxos patriarcais</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_20241" aria-describedby="caption-attachment-20241" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-20241" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-1-4-1024x554.jpg" alt="" width="840" height="454" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-1-4-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-1-4-300x162.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-1-4-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-1-4-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-1-4-2048x1107.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-1-4-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20241" class="wp-caption-text">A atuação brutal de Vanessa Kirby foi o que fez o filme não passar em branco pelo Oscar 2021, alcançando apenas uma indicação na categoria de Melhor Atriz (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E se eu te pedisse para imaginar o seu maior pico de amor, seu maior pico de adrenalina e seu maior pico de dor? Numa generalização grosseira, digo que provavelmente sua mente reconstituiria três momentos diferentes da sua vida, com um intervalo de tempo considerável entre eles. Acertei? Agora fazendo um recorte mais atencioso, se você for </span><a href="https://personaunesp.com.br/bela-vinganca-critica/"><span style="font-weight: 400;">uma mulher</span></a><span style="font-weight: 400;">, é muito mais provável que eu tenha errado minha previsão invasiva e que esses três momentos emocionalmente distintos sejam dolorosamente próximos para você. Tem espaço para os dois casos aqui, mas se você se enquadrar no segundo, é especialmente bem-vinda a </span><a href="https://www.netflix.com/watch/81128745?source=35"><i><span style="font-weight: 400;">Pieces of a Woman</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span id="more-20239"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme escrito por Kata Wéber e dirigido por Kornel Mundruczó se concentra no processo de luto de Martha (</span><a href="https://personaunesp.com.br/the-crown-critica/"><span style="font-weight: 400;">Vanessa Kirby</span></a><span style="font-weight: 400;">), que perde a bebê que esperava junto de seu companheiro Sean (Shia LaBeouf) logo depois do parto, realizado em casa com ajuda da doula Eve (Molly Parker). Ilustrando como o fim de algo tão esperado afeta o sistema de todos que aguardavam sua chegada, a força motriz de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pieces of a Woman</span></i><span style="font-weight: 400;"> pondera, obviamente, sobre maternidade, luto e recuperação. A chave, porém, está em sua abordagem, feita através da existência feminina, que </span><a href="https://www.blogs.unicamp.br/pemcie/2018/03/15/mulher-um-ato-politico/"><span style="font-weight: 400;">nunca é apolítica</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É assim que se justifica aplicar questões de gênero numa história que cutuca temas tão religiosamente intocáveis e imaculáveis para a sociedade como a tragédia, a morte e </span><a href="https://tab.uol.com.br/edicao/maternidade/"><span style="font-weight: 400;">a gestação</span></a><span style="font-weight: 400;">. Sob a </span><a href="https://militanciamaterna.com.br/precisamos-falar-sobre-socializa%C3%A7%C3%A3o-das-meninas-156590c4ee01"><span style="font-weight: 400;">socialização feminina</span></a><span style="font-weight: 400;">, nada na vida (nem mesmo o fim ou o início dela) pode ser compreendido de forma isolada. Por que um filme sobre tudo isso se chamaria </span><i><span style="font-weight: 400;">Pedaços de uma Mulher</span></i><span style="font-weight: 400;">, então, oras? Porque mesmo feminina, a vida (incluindo tanto seu fim como seu início) ainda é regida pelo </span><a href="https://www.hypeness.com.br/2021/03/o-que-e-patriarcado-e-como-ele-mantem-as-desigualdades-de-genero/"><span style="font-weight: 400;">patriarcado</span></a><span style="font-weight: 400;">, que por sua vez, não se interessa por mulheres vivendo sua completude.</span></p>
<figure id="attachment_20242" aria-describedby="caption-attachment-20242" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-20242" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-2-1024x553.jpeg" alt="" width="840" height="454" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-2-1024x553.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-2-300x162.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-2-768x415.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-2-1536x830.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-2-1200x649.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-2.jpeg 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20242" class="wp-caption-text">A dupla que criou o filme é um casal na vida real que passou pelo mesmo trauma irreparável de Martha e Sean (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O pretexto de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pieces of a Woman</span></i><span style="font-weight: 400;"> exalta muitos ânimos antes mesmo de qualquer leitura se encaixar com muito custo em algum lugar no meio de toda sua subjetividade. Não é para menos, afinal, a escrita de Kata Wéber também não via a hora de dar as cartas de seu drama, baseado em um trauma que </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/filmes/2021/01/netflix-conta-historia-real-em-pieces-of-a-woman-veja-a-verdade"><span style="font-weight: 400;">ela mesma viveu</span></a><span style="font-weight: 400;">. Contrariando as estruturas narrativas clássicas do Cinema, a roteirista coloca o ápice do filme logo em seus 30 primeiros &#8211; e famosíssimos &#8211; minutos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentro deles, se concretiza </span><a href="https://www.anothermag.com/design-living/13036/pieces-of-a-woman-reviews-vanessa-kirby-interview"><span style="font-weight: 400;">o parto</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Yvette, a filha de Martha e Sean que nunca ouviu seu nome fora do ventre da mãe e que marcou sua existência no mundo externo numa lápide. Neste momento, pela primeira e única vez, nossa protagonista não está despedaçada. O pai até sai de cena uma hora ou outra para atender alguma necessidade do momento, mas a personagem de Vanessa está 100% presente, vivendo o que só ela pode viver em sua totalidade, ininterruptamente e sem pausa ou cortes. Sem </span><i><span style="font-weight: 400;">pedaços</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de servir como uma demonstração dos talentos de sua roteirista, de seu elenco e de seu diretor &#8211; sim, um homem, e logo chegaremos lá -, o plano sequência do parto toma uma função quase documental à medida em que </span><i><span style="font-weight: 400;">Pieces of a Woman</span></i><span style="font-weight: 400;"> avança e os rumos dos personagens se tornam cada vez mais inconsistentes, confusos e borrados. Aqui, depois de tudo terminar da forma mais trágica possível e o nome do filme surgir na tela, </span><a href="https://screen-queens.com/2021/01/11/interview-kata-weber-pieces-of-a-woman/"><span style="font-weight: 400;">Kata Wéber</span></a><span style="font-weight: 400;"> já parece sussurrar: “</span><i><span style="font-weight: 400;">não tem como compreender algo em sua completude se ele está despedaçado”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_20243" aria-describedby="caption-attachment-20243" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-20243" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-3-3-1024x554.jpg" alt="" width="840" height="454" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-3-3-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-3-3-300x162.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-3-3-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-3-3-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-3-3-2048x1107.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-3-3-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20243" class="wp-caption-text">O filme estreou no Festival de Cinema de Veneza de 2020 e lá Vanessa Kirby foi premiada com o prêmio principal de Melhor Atriz (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir disso, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pieces of a Woman</span></i><span style="font-weight: 400;"> avança rapidamente mês a mês sem levar adiante a tensão dos primeiros minutos. O drama conscientemente se distancia cada vez mais do clímax de sua abertura porque prefere acompanhar a montanha-russa de sua protagonista ante qualquer certeza narrativa. Reproduzindo a mesma </span><a href="https://oglobo.globo.com/celina/luto-perinatal-dor-silenciosa-de-maes-que-perdem-seus-bebes-ainda-na-barriga-1-23639528"><span style="font-weight: 400;">vivência emocional de Martha</span></a><span style="font-weight: 400;">, o filme não é linear, e primeiro, existem os picos de felicidade e amor, depois, a adrenalina, e então, o buraco negro do vazio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, o drama também não é totalmente solto e imprevisível. </span><i><span style="font-weight: 400;">Pieces of a Woman</span></i><span style="font-weight: 400;"> se equilibra quando pega carona na marcação das estações do ano, estabelecendo paralelos temporais, narrativos e simbólicos: ao decorrer do outono, do inverno e da primavera, observa-se, em cada um dos elementos do filme, o desmoronamento, a esterilidade e o florescimento. Tudo, no entanto, continua a ser apresentado através de registros recortados dos momentos dos personagens dentro de cada um daqueles intervalos temporais, ao contrário do prólogo do filme, que oferecia uma janela completa e direta para a quase-família.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pieces of a Woman</span></i><span style="font-weight: 400;"> se transforma numa sinestesia. Ele estimula o visual, nos cenários quentes prontos para receber a bebê que depois são desmontados e substituídos por cemitérios e lápides; o olfato, na obsessão que Martha tem com o cheiro que guarda na memória da bebê; o paladar, em todas as vezes que a protagonista engole em seco ou sente </span><a href="https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2018/12/13/mulheres-contam-como-vencer-a-dor-depois-de-enfrentar-o-luto-gestacional.htm"><span style="font-weight: 400;">o gosto amargo da dor</span></a><span style="font-weight: 400;"> tornar a brotar nas suas falas; e até o tato, no cuidado que abriga os gestos da mulher fragilizada, e na agressividade da frustração do quase-pai.</span></p>
<figure id="attachment_20244" aria-describedby="caption-attachment-20244" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-20244" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-4-1024x683.jpg" alt="" width="840" height="560" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-4-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-4-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-4-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-4.jpg 1161w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20244" class="wp-caption-text">A cinematografia é assinada por Benjamin Loeb, a edição é de Dávid Jancsó e a direção de arte é feita por Mette Haukeland (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A orquestra da dor é regida pela performance radical de </span><a href="https://vogue.globo.com/lifestyle/cultura/Cinema/noticia/2021/01/uma-das-favoritas-ao-oscar-de-melhor-atriz-vanessa-kirby-fala-sobre-seu-papel-em-pieces-woman.html"><span style="font-weight: 400;">Vanessa Kirby</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela é a mulher em pedaços, que tem de lidar com o despedaçar de tudo ao seu redor, primeiro se entregando de forma brutal à dor. Depois, segue compreendendo sua realidade fragmentada aos poucos, tentando encontrar qualquer maneira de remendar-se seguir em frente enquanto o peso de voltar à vida depois de tamanho padecimento a puxa para baixo. No ínterim da recuperação, na conformidade do sofrimento e na diferença entre ter (um bebê) e ser (uma mãe), Kirby não constrói uma personagem de extremos e Martha não busca compensação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que gradativamente dissolve a conexão absoluta que um dia existiu entre ela e o companheiro. Enquanto Vanessa trabalha transformando a dor e tristeza profundas em um sentimento cínico, incrédulo, desistente e apático, Shia LaBeouf está na impaciência destrutiva e </span><a href="https://mortesemtabu.blogfolha.uol.com.br/2018/08/11/pai-desabafa-sobre-luto-gestacional-e-neonatal-um-luto-invisivel/"><span style="font-weight: 400;">passiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Sean, cujo olhar apaixonado e ansioso se transforma num abismo de sofrimento, angústia e rancor. Ele busca consolo e superação do trauma em elementos externos, mas Martha está recolhida em si mesma e no que sobrou de sua filha. Logo, todos dentro ou fora da tela, percebem que assim não tem como as coisas darem certo. </span></p>
<figure id="attachment_20245" aria-describedby="caption-attachment-20245" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-20245" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-5-1024x554.jpg" alt="" width="840" height="454" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-5-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-5-300x162.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-5-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-5-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-5-2048x1107.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-5-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20245" class="wp-caption-text">Impecável em Pieces of a Woman, Ellen Burstyn infelizmente não está dentre as indicadas a Melhor Atriz Coadjuvante no Oscar 2021 (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os altos e baixos de Martha e Sean ainda são atravessados pelos pitacos da família, partindo na maioria das vezes de quem seria a avó da história, a implacável Elizabeth de </span><a href="https://vogue.globo.com/lifestyle/cultura/Cinema/noticia/2021/03/ellen-burstyn-de-pieces-woman-temos-mais-mulheres-diretoras-produtoras-e-cabecas-de-estudio-estou-bem-feliz-com-essa-mudanca.html"><span style="font-weight: 400;">Ellen Burstyn</span></a><span style="font-weight: 400;">. A mãe da quase-mãe se revela uma sobrevivente em um dos poucos momentos inflamados do filme pós-parto, e por isso, sua postura diante do trauma é combativa e inconformada, completamente diferente dos caminhos que sua filha toma. No meio das duas, que infelizmente não chegaram juntas ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2021</span></a><span style="font-weight: 400;">, nasce o conflito que segura </span><i><span style="font-weight: 400;">Pieces of a Woman</span></i><span style="font-weight: 400;"> como uma obra mais complexa do que um drama de tribunal. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Elizabeth pressiona Martha para levar o caso à justiça, mas a filha não quer encaixar sua dor numa tentativa de compensação. Aliás, além das discussões de gênero e maternidade que o filme pode suscitar, outra questão forte é a inevitabilidade da dor e a impossibilidade de projeção. Não importa encontrar um culpado, </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-ghost-story-critica/"><span style="font-weight: 400;">não tem muito o que falar sobre o luto</span></a><span style="font-weight: 400;">, nada vai preencher o buraco da perda. Nem toda a justiça do mundo é capaz de alimentar o olhar vazio da mãe que morreu junto com seu bebê.</span></p>
<figure id="attachment_20248" aria-describedby="caption-attachment-20248" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-20248" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/804ced50cd87e87e9040603bf39bcda2-e1619382704634-1024x494.png" alt="" width="840" height="405" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/804ced50cd87e87e9040603bf39bcda2-e1619382704634-1024x494.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/804ced50cd87e87e9040603bf39bcda2-e1619382704634-300x145.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/804ced50cd87e87e9040603bf39bcda2-e1619382704634-768x370.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/804ced50cd87e87e9040603bf39bcda2-e1619382704634-1536x741.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/804ced50cd87e87e9040603bf39bcda2-e1619382704634-1200x579.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/804ced50cd87e87e9040603bf39bcda2-e1619382704634.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20248" class="wp-caption-text">Recentemente, Shia LaBeouf foi denunciado por agressão e abuso sexual, e claro, além das consequências para a mulher que reportou a violência, sobrou polêmica para a mulher que no momento tinha sua imagem associada a ele (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Voltando ao casal central da história, o desenvolvimento dos personagens de Kata Wéber é incomodamente desproporcional. Comparando homem e mulher principais de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pieces of a Woman</span></i><span style="font-weight: 400;">, pode-se observar que Martha, ainda que dividindo tamanha profundidade emocional conosco, é uma completa desconhecida. Não sabemos quem ela era, qual era sua ocupação (mesmo seu local de trabalho aparecendo em uma das primeiras cenas do filme), e nenhum amigo aparece para prestar apoio no momento mais difícil de sua vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sean, no entanto, é apresentado. Sabemos que ele tem problemas de relacionamento com a mãe de Martha, sabemos o que ele faz no trabalho, sabemos que ele está feliz em ser pai. Sabemos também como seu luto e dor se manifestam, sabemos até de suas lutas pessoais, seus defeitos e falhas de caráter. Enquanto isso, a personagem principal de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pieces of a Woman</span></i><span style="font-weight: 400;"> segue afogada em dor, e mesmo que sua condição emocional seja incontestável e absolutamente compreensível, ninguém, em momento algum, pergunta o que ela quer fazer ou como deseja prosseguir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Narrativamente, ao passo em que Sean se mostra um personagem completo, Martha é totalmente reduzida ao seu sofrimento. E </span><i><span style="font-weight: 400;">Pieces of a Woman</span></i><span style="font-weight: 400;"> não parece fazer isso na única intenção de mergulhar a história na questão do luto materno, já que outras provocações surgem daqui, e o pulso da roteirista é firme, mais predominante até mesmo que o de seu diretor. O drama sabe da profundidade do tema que aborda, sabe como é a experiência de mães e mulheres na sociedade e sabe que nada pode ser isolado. Então, desenha o exato oposto disso na tela para que seja claro que não é assim que as contas se fecham.</span></p>
<figure id="attachment_20249" aria-describedby="caption-attachment-20249" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-20249" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/pieces-of-a-woman-1024x640.png" alt="" width="840" height="525" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/pieces-of-a-woman-1024x640.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/pieces-of-a-woman-300x188.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/pieces-of-a-woman-768x480.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/pieces-of-a-woman-1200x750.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/pieces-of-a-woman.png 1396w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20249" class="wp-caption-text">Por Pieces of a Woman, Vanessa Kirby também foi indicada ao Globo de Ouro, Critics Choice Awards, SAG e BAFTA (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de tanto despedaçar sua personagem, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pieces of a Woman</span></i><span style="font-weight: 400;"> encontra seu desfecho justamente no ato de se completar. Martha junta seus cacos, expressa como se sente, vive uma epifania e redefine o destino de outra mulher. Ela junta as cinzas da bebê e um objeto do pai, resolve suas desavenças com a mãe, e assim consegue seguir em frente. Assim é que o filme deixa claro que o conflito surge porque a existência feminina não pode ser fragmentada. Em Martha, </span><a href="https://blog.psicologiaviva.com.br/luto-perinatal/#:~:text=Luto%20perinatal%20e%20a%20atua%C3%A7%C3%A3o%20do%20psic%C3%B3logo%3A%20tudo%20que%20voc%C3%AA%20precisa%20saber,-Publicado%20em%2030&amp;text=A%20morte%20para%20muitos%20ainda,haviam%20depositado%20sobre%20o%20beb%C3%AA."><span style="font-weight: 400;">amor e dor são inacreditavelmente próximos</span></a><span style="font-weight: 400;"> um do outro, e o movimento de tentar se separar para se encaixar em caixinhas que não são sequer suas é certamente destrutivo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A protagonista de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pieces of a Woman</span></i><span style="font-weight: 400;"> também briga com a </span><a href="http://repositorio.unesc.net/handle/1/5322"><span style="font-weight: 400;">idealização da mulher</span></a><span style="font-weight: 400;">, que em termos práticos, não é benéfica como tenta ser. Martha não quer ser uma força da natureza, uma heroína, um exemplo de superação ou de luta por justiça. Aqui o filme reproduz um paradoxo imposto à existência feminina, já que já que o ‘</span><a href="https://www.migalhas.com.br/depeso/318483/sexo-fragil"><span style="font-weight: 400;">sexo frágil</span></a><span style="font-weight: 400;">’ na verdade precisa ser incansável. A nossa personagem não corresponde a isso. Ela, inclusive, falha. Sua mãe também falha, a mulher mais próxima dela em um dos momentos mais importantes de sua vida também falha. Mais uma vez se distanciando dos extremos, </span><a href="https://valor.globo.com/eu-e/noticia/2021/02/05/pieces-of-a-woman-e-enorme-refletem-sobre-novos-papeis-sociais.ghtml"><span style="font-weight: 400;">a saída é compreender a totalidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, entre erros e acertos, amores e dores, lutas e desistências. E se nada disso ainda for convincente, o filme coloca seu final feliz depois de tanto sofrimento como algo possível apenas quando Martha segue a vida sozinha. </span></p>
<figure id="attachment_20246" aria-describedby="caption-attachment-20246" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-20246" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Pieces_of_a_Woman_01_45_23_10-1024x554.jpg" alt="" width="840" height="454" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Pieces_of_a_Woman_01_45_23_10-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Pieces_of_a_Woman_01_45_23_10-300x162.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Pieces_of_a_Woman_01_45_23_10-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Pieces_of_a_Woman_01_45_23_10-1200x649.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Pieces_of_a_Woman_01_45_23_10.jpg 1400w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20246" class="wp-caption-text">Pieces of a Woman é o primeiro filme em inglês do casal do cinema húngaro Kornél Mundruczó e Kata Wéber (Foto: Netlfix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com tanto pano pra manga de um </span><a href="https://www.npr.org/2021/01/13/956392207/promising-young-woman-and-pieces-of-a-woman-examine-trauma-and-revenge"><span style="font-weight: 400;">debate de gênero</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma direção também feminina pode ser o pedaço que falta no filme. É entendível, no entanto, que um casal que viveu algo parecido com o tema de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pieces of Woman</span></i><span style="font-weight: 400;"> tenha escolhido contar essa história em conjunto, a partir da escrita pessoal de Wéber. Ela, aliás, é a maior marca técnica do filme. É curioso observar, mas à medida em que a roteirista trabalha com crueza a experiência feminina, o diretor não despedaça o texto de sua esposa, compreendendo que a realidade já deve fazer isso com ela. É claro e contundente que sua </span><a href="https://www.vogue.co.uk/arts-and-lifestyle/article/pieces-of-a-woman-true-story"><span style="font-weight: 400;">história pessoal e sua vivência feminina</span></a><span style="font-weight: 400;"> estão ali, no filme. Se não estivessem, eu também não estaria aqui, nesse texto.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/pieces-of-a-woman-critica/">Pieces of a Woman, a fragmentação do feminino e os paradoxos patriarcais</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/pieces-of-a-woman-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">20239</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
