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	<title>Arquivos The New Yorker &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Em Aos prantos no mercado, Michelle Zauner chora entre temperos e memórias</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Mar 2023 21:08:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“Parecia que o mundo tinha se dividido em dois tipos diferentes de pessoas, as que haviam sentido dor e as que ainda iriam sentir” (pág. 192) Bruno Andrade Com a morte da mãe, Michelle Zauner passou a enfrentar uma terrível nostalgia ao entrar no H Mart, supermercado especializado em comida asiática. Embora seja amargo lembrar &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/em-aos-prantos-no-mercado-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Aos prantos no mercado, Michelle Zauner chora entre temperos e memórias"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30601" aria-describedby="caption-attachment-30601" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-30601" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/AOSPRANTOSNOMERCADO_WORDPRESS.jpg" alt="Imagem retangular de fundo branco. No canto superior, está centralizado a logo do Persona, um olho com íris na cor amarela e pupila em preto no formato triangular de play. No lado direito dessa logo, está escrito &quot;Clube do Livro do Persona&quot; preenchido por um fundo preto e com letras transparentes que correspondem à cor do fundo branco. Abaixo está escrito “Em Aos prantos no mercado, Michelle Zauner chora entre temperos e memórias” em letras pretas, sendo &quot;Aos prantos do mercado&quot; em letras amarelas. Mais abaixo, no canto esquerdo, há uma imagem retangular da capa do livro de fundo vermelho. No topo da capa, de forma centralizada, está escrito o nome da autora &quot;Michelle Zauner&quot; na cor branca e, logo abaixo, uma ilustração de uma sequência de quadrinhos. O primeiro quadrinho mostra uma cesta cheia de mercado, o segundo mostra um vaso de flor, o terceiro mostra uma laranja sendo descascada e o último mostra a preparação de uma refeição com muitos ingredientes postos sobre uma mesa. Na parte inferior da capa, de forma centralizada, está escrito o título do livro &quot;Aos prantos no mercado&quot; em letras amarelas. Ao lado direito da imagem, está escrito &quot;À medida que Zauner se aliena ao preparar as refeições para a mãe, com a garantia de que Chongmi recebe as calorias suficientes para sobreviver, o seu próprio apetite diminui, consequência da 'esperança desesperada de que a escuridão não fosse invadir'.&quot; em letras pretas. Abaixo do texto está escrito “Por&quot; em letras pretas, seguido de &quot;Bruno Andrade&quot; em letras amarelas. No canto inferior há um sombreado amarelo que está iluminando o escrito &quot;Crítica&quot;, também em amarelo." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/AOSPRANTOSNOMERCADO_WORDPRESS.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/AOSPRANTOSNOMERCADO_WORDPRESS-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/AOSPRANTOSNOMERCADO_WORDPRESS-768x404.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30601" class="wp-caption-text">Lançado no Brasil em 2022, com tradução de Ana Ban, Aos prantos no mercado foi a obra debatida no Clube do Livro do Persona em Janeiro de 2023 (Foto: Fósforo/Arte: Ana Cegatti)</figcaption></figure>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;">Parecia que o mundo tinha se dividido em dois tipos diferentes de pessoas, as que haviam sentido dor e as que ainda iriam sentir”</span><em><span style="font-weight: 400;"> (pág. 192)</span></em></p></blockquote>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a morte da mãe, </span><a href="https://personaunesp.com.br/japanese-breakfast-jubilee-critica/"><span style="font-weight: 400;">Michelle Zauner</span></a><span style="font-weight: 400;"> passou a enfrentar uma terrível nostalgia ao entrar no </span><i><span style="font-weight: 400;">H Mart</span></i><span style="font-weight: 400;">, supermercado especializado em comida asiática. Embora seja amargo lembrar de quando sua matriarca, Chongmi, morreu vitimada por um câncer em 2014, ela pode se lembrar com tranquilidade do gosto que sua mãe tinha para comida: entre o salgado e o “</span><i><span style="font-weight: 400;">fumegando de quente</span></i><span style="font-weight: 400;">”, que, por algumas razões, definiam sua forma de exercer a maternidade. &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Por mais crítica ou cruel que ela pudesse parecer – sempre me forçando a atender a suas expectativas obstinadas –, eu sempre sentia o afeto dela irradiando das merendas que ela preparava para eu levar à escola e das refeições que ela cozinhava para mim bem do jeito que eu gostava&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;">. As peregrinações repletas de tristeza sustentam o primeiro capítulo de</span> <a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-janeiro-de-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Aos prantos no mercado</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, livro lançado em 2022 no Brasil pela editora <em>Fósforo</em>, cujo primeiro capítulo é o ensaio homônimo publicado na </span><i><span style="font-weight: 400;">The New Yorker</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-30597"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente do que se pode imaginar, Zauner decidiu escrever o livro somente depois de ter </span><a href="https://www.newyorker.com/culture/culture-desk/crying-in-h-mart"><span style="font-weight: 400;">publicado o ensaio</span></a><span style="font-weight: 400;">. A repercussão avassaladora do texto na revista foi reproduzida na obra literária, que ficou 14 semanas seguidas nas listas de mais vendidos do </span><i><span style="font-weight: 400;">The New York Times</span></i><span style="font-weight: 400;">. Para a escritora coreana-americana, artista musical e fundadora da banda Japanese Breakfast, a comida é um portal. Na praça de alimentação do </span><i><span style="font-weight: 400;">H Mart</span></i><span style="font-weight: 400;">, Zauner chora ao consumir seu almoço, enquanto percebe que todos estão sentados, comendo em silêncio, porque estão “</span><i><span style="font-weight: 400;">em busca de um pedacinho do nosso lar, de um pedacinho de nós mesmos. Procuramos um gostinho disso nos pedidos de comida que fazemos e nos ingredientes que compramos. Então nos separamos. Levamos as compras para o alojamento da faculdade ou para uma cozinha suburbana e recriamos o prato que não poderia ser preparado sem essa viagem&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30598" aria-describedby="caption-attachment-30598" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-30598" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-5.jpg" alt="" width="2048" height="1472" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-5.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-5-800x575.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-5-1024x736.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-5-768x552.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-5-1536x1104.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-5-1200x863.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30598" class="wp-caption-text">“O amor dela era mais do que inflexível. Era brutal, com força industrial” (Foto: Michelle Zauner/The New York Times)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Michelle Zauner se mudou com a família para Eugene, nos Estados Unidos, quando tinha nove meses de idade. Aos 15 anos, após ver uma apresentação de Karen O – a vocalista do Yeah Yeah Yeahs –, ganhou a primeira guitarra da mãe que, pouco depois, se arrependeu do presente. Mas, mesmo que a Música tenha sido um refúgio para a adolescente deprimida, Zauner foi influenciada textualmente por Joan Didion, Philip Roth, Vladimir Nabokov e pela HQ </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-fevereiro-de-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Fun Home</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2006), de Alison Bechdel, decidindo, então estudar Escrita Criativa na Bryn Mawr College. Na faculdade, escreveu majoritariamente textos de ficção – foi lá, inclusive, que iniciou os primeiros projetos musicais, consolidados em Japanese Breakfast. Aos 25 anos, após concluir a graduação, Zauner viveu ostensivamente sem roteiro, se “</span><i><span style="font-weight: 400;">debatendo com a realidade, vivendo a vida de uma artista sem sucesso</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Nesse período, Chongmi ficou doente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sua primeira publicação musical foi <em>June </em></span><span style="font-weight: 400;">(2013), um disco amador resultado da parceria com Rachel Gagliardi, criado a partir das canções disponibilizadas diariamente no mês de Junho de 2013 em uma página do </span><a href="http://rachelandmichelledojune.tumblr.com"><i><span style="font-weight: 400;">Tumblr</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Mas é em </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/albums/21629-psychopomp/"><i><span style="font-weight: 400;">Psychopomp</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2016), o primeiro disco de estúdio de Japanese Breakfast e a primeira publicação após a morte de Chongmi, que Zauner enfrenta abertamente a perda da mãe, cujo título tem origem na história mitológica dos psicopompos, que tem a missão de guiar as almas dos mortos para o pós-vida.</span></p>
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<p><span style="font-weight: 400;">No fim da vida da mãe, os papéis parecem se inverter. À medida que Zauner se aliena ao preparar as refeições para a mãe, com a garantia de que Chongmi receberá as calorias suficientes para sobreviver, o seu próprio apetite diminui, consequência da “</span><i><span style="font-weight: 400;">esperança desesperada de que a escuridão não fosse invadir</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Talvez, se ela pudesse carregar a </span><a href="https://www.nytimes.com/interactive/2022/06/06/magazine/michelle-zauner-interview.html"><span style="font-weight: 400;">dor da mãe</span></a><span style="font-weight: 400;"> e realizar o “</span><i><span style="font-weight: 400;">ritual da filha única</span></i><span style="font-weight: 400;">”, haveria a possibilidade de intermediar uma cura, na expectativa de fazer as pazes com a rebeldia adolescente de uma jovem com anseios desvinculados dos interesses maternos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A bem da verdade, o que </span><a href="https://www.npr.org/2021/04/20/988665726/a-daughter-grieves-her-mom-and-finds-herself-in-crying-in-h-mart"><i><span style="font-weight: 400;">Crying in H Mart</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(no original)</span> <span style="font-weight: 400;">esclarece é que os principais momentos de conexão legítima entre Zauner e Chongmi se davam através da comida; principalmente por isso, a tristeza ressurge ao entrar no mercado. A prosa íntima do livro é, ao mesmo tempo, autodepreciativa e atenta, com descrições texturizadas das qualidades estéticas e sentidas dos momentos vividos pela artista. Trata-se de um livro de memórias muito ancorado no ensaio, cujas ligações entre experiências pessoais de luto e identidade ganham corpo em todo o texto. </span></p>
<figure id="attachment_30599" aria-describedby="caption-attachment-30599" style="width: 980px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30599" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-1.jpg" alt="" width="980" height="653" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-1.jpg 980w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30599" class="wp-caption-text">“Falei sobre como o amor era uma ação, um instinto, uma reação suscitada por momentos não planejados e pequenos gestos, uma inconveniência a favor de outra pessoa” (Foto: Rebecca Sapp)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A morte e a melancolia perpassam toda a obra de Michelle Zauner, talvez resultado da vida fragmentada da artista, dividida entre a ancestralidade sul-coreana e a vivência contemporânea nos Estados Unidos. O sentimento de ausência parece presente em toda a obra – seja pela morte da mãe, propriamente, ou seja na morte simbólica de um tipo de cultura. Não por acaso, suas melhores canções representam estados avançados de autoconsciência, mesmo em faixas que compõem </span><a href="https://personaunesp.com.br/japanese-breakfast-jubilee-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Jubilee</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021), álbum descrito por Zauner como seu projeto “</span><i><span style="font-weight: 400;">mais alegre</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em adaptação para o Cinema por </span><a href="https://www.papelpop.com/2023/03/will-sharpe-de-the-white-lotus-vai-dirigir-adaptacao-do-livro-aos-prantos-no-mercado/"><span style="font-weight: 400;">Will Sharpe</span></a><span style="font-weight: 400;">, ator de </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-white-lotus-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The White Lotus</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com roteiro assinado pela própria Michelle Zauner, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aos prantos no mercado </span></i><span style="font-weight: 400;">não é necessariamente um livro difícil de ler, mas uma obra melancólica. No final do livro, Zauner nos conta que decidiu fazer um casamento de última hora em seu próprio quintal, sabendo que sua mãe poderia não viver muito tempo. Parece que, ao compartilhar suas experiências, Michelle Zauner constrói uma ode à memória de Chongmi – e nos permite enxergar sob seus olhos e consciência por algumas páginas.</span></p>
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		<title>Estante do Persona – Janeiro de 2023</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Feb 2023 23:35:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“Às vezes, meu luto é igual a ter sido deixada sozinha em uma sala sem porta nenhuma. Toda vez que eu lembro que a minha mãe morreu, parece que estou batendo contra uma parede que se recusa a ceder. Não há escapatória, só uma superfície dura contra a qual eu me choco vez após outra, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-janeiro-de-2023/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Janeiro de 2023"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30005" aria-describedby="caption-attachment-30005" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30005 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/CAPA_WP_ESTANTE.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/CAPA_WP_ESTANTE.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/CAPA_WP_ESTANTE-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/CAPA_WP_ESTANTE-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30005" class="wp-caption-text">Para começar 2023, Aos Prantos no Mercado desbota os cinzas e pretos da dor do luto no Clube do Livro do Persona (Arte: Nathália Mendes/Texto de abertura: Jamily Rigonatto)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="font-weight: 400;">“Às vezes, meu luto é igual a ter sido deixada sozinha em uma sala sem porta nenhuma. Toda vez que eu lembro que a minha mãe morreu, parece que estou batendo contra uma parede que se recusa a ceder. Não há escapatória, só uma superfície dura contra a qual eu me choco vez após outra, um lembrete da realidade imutável de que eu nunca mais vou voltar a vê-la.”</span></p>
<p style="text-align: right;"><em><span style="font-weight: 400;">&#8211; Michelle Zauner</span></em></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/clube-do-livro/"><span style="font-weight: 400;">Clube do Livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Persona deu início ao ciclo de 2023 com direito a todas as emoções presentes nos processos do luto. Com a leitura de </span><i><span style="font-weight: 400;">Aos Prantos no Mercado</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Michelle Zauner, nossos leitores experimentaram a dor, as memórias e os afetos através das prateleiras do </span><i><span style="font-weight: 400;">H Mart </span></i><span style="font-weight: 400;">em Nova York. Abrindo portas para a intimidade, a obra da vocalista da </span><a href="https://personaunesp.com.br/japanese-breakfast-jubilee-critica/"><span style="font-weight: 400;">Japanese Breakfast</span></a><span style="font-weight: 400;"> caminha, entre temperos e lágrimas, pelas reflexões desencadeadas na artista após a morte da mãe.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde as primeiras páginas do livro, há o gosto de uma experiência sensorial. Enquanto narra a passagem pelos corredores de um </span><a href="https://www.hmart.com/"><span style="font-weight: 400;">mercado de comidas coreanas</span></a><span style="font-weight: 400;">, a artista evoca cheiros, texturas e cores para ilustrar as questões que marcaram suas lembranças. A cada embalagem vista, o resultado é um conjunto de reações lacrimosas misturadas aos </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> de sensações e momentos em que a comida representava a ligação entre mãe e filha. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro, publicado em outubro de 2022, é a continuação das páginas expostas na revista </span><a href="https://www.newyorker.com/culture/culture-desk/crying-in-h-mart"><i><span style="font-weight: 400;">The New Yorker</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 2018. A versão final da obra trouxe o ensaio na forma do primeiro capítulo das 288 páginas que compõem o conjunto. No Brasil, a editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Fósforo </span></i><span style="font-weight: 400;">foi a responsável pela publicação, com tradução de Ana Ban e capa ilustrada pela quadrinista </span><a href="https://www.inglee.art/"><span style="font-weight: 400;">Ing Lee</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Através de suas palavras, a cantora e escritora consegue expor não só como funcionava a relação com a própria mãe, como também gerar pensamentos sobre o amor e as formas singulares sob as quais esse sentimento se porta. Assim, as relações não ganham um tom de perfeição, mas mostram o apreço entre os gestos e atitudes. A austeridade e rigidez que envolvem a criação de </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/musica/noticia/2022/09/prestes-a-estrear-nos-palcos-do-brasil-michelle-zauner-tera-livro-lancado-no-pais.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Michelle</span></a><span style="font-weight: 400;"> ainda abrem espaço para as ponderações de sua visão acerca da mudança de perspectiva visível entre a adolescência e a vida adulta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O texto também traz a </span><a href="https://yuuggoto.medium.com/a-birracialidade-e-o-n%C3%A3o-pertencimento-ab9ea99b5261"><span style="font-weight: 400;">birracialidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> como pauta e explora os impactos dessa condição na própria concepção do ser e pertencer. Em diversos momentos, as pontas soltas da ideia de não se sentir inteira étnica e culturalmente passeiam ao redor das angústias proporcionadas pela perda. Zauner, que é filha de mãe coreana e pai estadunidense, percorre a trilha das fragilidades de suas tradições e relações com os Estados Unidos e a Coréia do Sul.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em sua estreia literária, a </span><a href="https://tanojukeboxblog.wordpress.com/2021/07/04/a-versatilidade-unica-de-japanese-breakfast/"><span style="font-weight: 400;">cantora</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 33 anos é pessoal e trabalha o processo de luto de um aspecto já apresentado em seus </span><a href="https://open.spotify.com/album/1uD1kdwTWH1DZQZqGKz6rY?si=L16boa_oRPqi5xO68ypgZw"><span style="font-weight: 400;">trabalhos musicais</span></a><span style="font-weight: 400;">. Aqui, somos convidados em um universo extremamente particular e humano. Seja na tristeza, na raiva ou na inveja, tudo soa em notas de singularidade escritas de forma extremamente descritiva, e o uso da linguagem remonta as imagens em vivacidade na cabeça de quem lê. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas como os aspectos de sentir são vorazes, o que não falta é experimentação, melancolia, possibilidades em mundos reais ou ficcionais. Por isso, como de costume, a nossa editoria deixa sua lista de selecionados nas mãos de quem busca mais lágrimas ou prefere se moldar às páginas bem humoradas com as indicações de Janeiro no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/estante-do-persona/"><b>Estante do Persona</b></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-29988"></span></p>
<h3>Livro do Mês</h3>
<figure id="attachment_29998" aria-describedby="caption-attachment-29998" style="width: 701px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29998 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/michelle-1-701x1024.jpg" alt="" width="701" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/michelle-1-701x1024.jpg 701w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/michelle-1-548x800.jpg 548w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/michelle-1-768x1121.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/michelle-1-1052x1536.jpg 1052w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/michelle-1-1403x2048.jpg 1403w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/michelle-1-1200x1752.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/michelle-1.jpg 1618w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29998" class="wp-caption-text">Lançado no Brasil em 2022, Aos Prantos no Mercado é uma investigação sobre o luto (Foto: Fósforo)</figcaption></figure>
<p><b>Michelle Zauner &#8211; Aos Prantos no Mercado (288 páginas, Fósforo)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Michelle Zauner, a comida é uma espécie de máquina no tempo. Em </span><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/catalogo/aos-prantos-no-mercado/"><i><span style="font-weight: 400;">Aos Prantos no Mercado</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é através dos alimentos que a artista rememora os momentos com a mãe, que faleceu em 2014, vítima de câncer. Isso ocorre, mais especificamente, quando Zauner vai ao <em>H Mart</em>, supermercado estadunidense especializado em comida coreana, onde compartilha experiências sensoriais de luto e identidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessas </span><a href="https://www.newyorker.com/culture/culture-desk/crying-in-h-mart"><span style="font-weight: 400;">memórias</span></a><span style="font-weight: 400;">, ter uma dupla origem é como viver uma fratura. Sendo a comida sua principal ligação com a Coréia do Sul, é também na comida que Zauner encontra uma das bases na educação sentimental, superando traumas da infância que dão lugar a uma nova responsabilidade sobre as escolhas da vida adulta. A autora aborda temas como perda, amor, saudade e família com uma sensibilidade tocante e um tipo de humor sutil.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma linguagem poética e envolvente, a vocalista de </span><a href="https://personaunesp.com.br/japanese-breakfast-jubilee-critica/"><span style="font-weight: 400;">Japanese Breakfast</span></a><span style="font-weight: 400;"> conduz o leitor por outros momentos marcantes de sua vida, como o relacionamento com seu pai e o processo de descoberta da Música, ao ganhar sua primeira guitarra da mãe – que logo se arrepende. </span><i><span style="font-weight: 400;">Aos Prantos no Mercado </span></i><span style="font-weight: 400;">também traz reflexões importantes sobre a cultura coreana e o impacto da imigração na formação da identidade.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Aos prantos no mercado - Clube do Livro Janeiro de 2023" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/60OmGVaVvzQffjkuBBgZSN?si=71718a3a80f5407c&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_29994" aria-describedby="caption-attachment-29994" style="width: 674px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29994 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/se-deus-me-chamar-nao-vou-1-674x1024.jpg" alt="Capa do livro Se deus me chamar não vou, de Mariana Salomão Carrara, publicado pela editora Nós. Na imagem, de fundo rosa pink, há um ziguezague horizontal na cor laranja pastel que se faz presente em toda sua totalidade. Na parte superior, vemos o título centralizado e escrito em letras minúsculas na cor azul escuro. Na parte inferior, também centralizado, vemos o nome da autora escrito em letras maiúsculas na cor branca. Um pouco abaixo, no lado inferior esquerdo, vemos uma espécie de etiqueta da mesma cor que o título com o nome da editora dentro, escrito em letras maiúsculas na cor branca." width="674" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/se-deus-me-chamar-nao-vou-1-674x1024.jpg 674w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/se-deus-me-chamar-nao-vou-1-526x800.jpg 526w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/se-deus-me-chamar-nao-vou-1-768x1167.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/se-deus-me-chamar-nao-vou-1-1011x1536.jpg 1011w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/se-deus-me-chamar-nao-vou-1-1347x2048.jpg 1347w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/se-deus-me-chamar-nao-vou-1.jpg 1477w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29994" class="wp-caption-text">“Acho que vem daí a palavra solidão, pessoas tão sólidas que ninguém vem checar se estão ruindo” (Foto: Nós)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Salomão Carrara &#8211; Se deus me chamar não vou (160 páginas, Nós)</b></p>
<p><a href="https://editoranos.com.br/produto/se-deus-me-chamar-nao-vou/"><i><span style="font-weight: 400;">Se deus me chamar não vou</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> faz parte do pequeno grupo de obras que possuem a capacidade de nos transportar de volta para determinadas fases da vida. Não é exagero dizer que a grande qualidade do livro é a incrível habilidade que a autora tem de reviver a idade dos onze anos – aquela que, como Maria Carmem esclarece com precisão, é uma espécie de limbo e se mostra como o suficiente para perder o medo de morrer e ter vontade de saltar de guarda-chuva pela janela de vez em quando. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Onze anos é a pior idade do universo, dura pelo menos cinco anos”</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela escreve.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O romance de </span><a href="https://marianacarrara.com/sobre-a-autora/"><span style="font-weight: 400;">Mariana Salomão Carrara</span></a><span style="font-weight: 400;"> acompanha os escritos da própria protagonista e expõe a sensibilidade de uma criança que tem sua costumeira solidão potencializada por uma nova presença em seu cotidiano, o que atravessa sua vida, suas relações e seus pensamentos e acaba por trazer transformações conflitantes. Ao experienciar o que é ser invisível justamente por ser visível demais, é no eco criado pela ausência das pessoas que a cercam que suas palavras reverberam. Densa e leve ao mesmo tempo, essa é uma leitura que permanece conosco mesmo após seu fim; afinal, todos nós estamos familiarizados com o turbilhão de sentimentos que acompanha a pior idade do mundo. </span><b>&#8211; Raquel Freire</b></p>
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<figure id="attachment_29991" aria-describedby="caption-attachment-29991" style="width: 656px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29991 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/81-mjbjbRRL-656x1024.jpg" alt="" width="656" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/81-mjbjbRRL-656x1024.jpg 656w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/81-mjbjbRRL-513x800.jpg 513w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/81-mjbjbRRL-768x1198.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/81-mjbjbRRL-985x1536.jpg 985w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/81-mjbjbRRL-1313x2048.jpg 1313w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/81-mjbjbRRL.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29991" class="wp-caption-text">O conto A loteria foi publicado na prestigiada revista The New Yorker em 1948 e é considerado referência na Literatura norte-americana (Foto: Alfaguara)</figcaption></figure>
<p><b>Shirley Jackson &#8211; A loteria e outros contos (264 páginas, Alfaguara)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Grande referência na Literatura de Horror e tendo inspirado </span><a href="https://personaunesp.com.br/carrie-a-estranha-45-anos/"><span style="font-weight: 400;">autores</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/residencia-hill-critica/"><span style="font-weight: 400;">cineastas</span></a><span style="font-weight: 400;"> contemporâneos, o trabalho de Shirley Jackson é &#8211; não misteriosamente &#8211; menos conhecido do que o dos homens do gênero. Resgatando a única coletânea publicada em vida pela escritora americana, </span><i><span style="font-weight: 400;">A loteria e outros contos </span></i><span style="font-weight: 400;">reúne contos curtos e horripilantes, que demonstram o poder de Jackson de criar uma atmosfera tensa com poucas palavras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No curtíssimo </span><i><span style="font-weight: 400;">A Bruxa</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, a </span><a href="https://www.metropoles.com/colunas/guilherme-amado/os-eua-profundos-de-shirley-jackson"><span style="font-weight: 400;">Rainha do Mistério</span></a><span style="font-weight: 400;"> tensiona o leitor em um simples encontro no vagão: mãe e filho trombam com um desconhecido, que assusta a criança com a história de um assassinato. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Renegada</span></i><span style="font-weight: 400;">, a cadela de uma dona de casa passou a matar galinhas e os vizinhos não vêem alternativa a não ser ‘dar um jeito nela’. Com cenários breves e personagens bem contextualizados, a crescente tensão dos contos-capítulos de </span><i><span style="font-weight: 400;">A loteria e outros contos </span></i><span style="font-weight: 400;">mostram o porquê de </span><a href="https://personaunesp.com.br/shirley-critica/"><span style="font-weight: 400;">Shirley</span></a><span style="font-weight: 400;"> Jackson inspirar o Terror. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_29995" aria-describedby="caption-attachment-29995" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29995 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/O-queijo-e-os-vermes-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro O queijo e os vermes. Na parte superior da capa, de fundo verde esmaecido, está escrito o nome do autor Carlo Ginzburg centralizado, em branco e com um sublinhado em vermelho. Logo abaixo, está escrito o título do livro “O queijo e os vermes” centralizado e em amarelo. No centro da capa, há uma imagem de uma cesta com tipos variados de queijo. Na parte inferior, está escrito “O cotidiano e as ideias de um moleiro perseguido pela Inquisição” centralizado e em branco, seguido pela logo da editora Companhia das Letras." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/O-queijo-e-os-vermes-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/O-queijo-e-os-vermes-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/O-queijo-e-os-vermes-1-768x1151.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/O-queijo-e-os-vermes-1-1025x1536.jpg 1025w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/O-queijo-e-os-vermes-1.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29995" class="wp-caption-text">O queijo e os vermes é um alerta de gatilho à consciência da Igreja (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Carlo Ginzburg &#8211; O queijo e os vermes (271 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Carlo Ginzburg coloca uma lupa sobre uma trama que, tradicionalmente, passaria despercebida pelo olhar </span><a href="https://www.scielo.br/j/rbedu/a/k5MsKMHv6ZQvPsF5vqvdkpB/?format=pdf&amp;lang=pt"><span style="font-weight: 400;">macro-histórico</span></a><span style="font-weight: 400;">, ou seja, </span><i><span style="font-weight: 400;">O queijo e os vermes </span></i><span style="font-weight: 400;">é a degustação da individualidade a qual pouco aparecia no cardápio da Idade Média. Publicado pela primeira vez na Itália em 1976 e lançado no Brasil pela Companhia das Letras em 1987, o livro assume o compromisso de manter o tema da Inquisição relevante em um mundo que luta para esquecê-lo, ou melhor, abafá-lo.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O queijo e os vermes </span></i><span style="font-weight: 400;">é um retrato do cotidiano monótono e, ao mesmo tempo, tenso da Idade Média sob a perspectiva de Menocchio, um moleiro que tinha, literalmente, a faca e o queijo na mão e não hesitou em usá-los contra a Igreja. Em outros termos, a obra percorre as crueldades difundidas pela Inquisição, assim como a </span><a href="https://www.scielo.br/j/topoi/a/gc5jqgYDkS7YVPJLdCs5yKG/?lang=pt"><span style="font-weight: 400;">ousadia</span></a><span style="font-weight: 400;"> do protagonista em enfrentar o Tribunal do Santo Ofício com apenas uma ideia herege e um sonho. O assunto da liberdade religiosa ainda segue em pauta e a Igreja, apesar de alegar estar diferente, fez mudanças significativas apenas na moda, trocando túnicas por ternos. </span><b>&#8211; Ana Cegatti</b></p>
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<figure id="attachment_29993" aria-describedby="caption-attachment-29993" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29993 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Se-nao-eu-quem-vai-fazer-voce-feliz-1-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Se não eu, quem vai fazer você feliz?: Minha história de amor com Chorão da escritora Graziela Gonçalves. Na arte de capa, uma imagem de Graziela e Chorão é sobreposta por um filtro azul e vermelho. Ela é uma mulher branca de cabelos e olhos claros. Ele é um homem branco de cabelos escuros e olhos claros. Ambos sorriem. Na parte superior centralizada, o título principal do livro “Se não eu, quem vai fazer você feliz?” está escrito em letras garrafais vermelhas. Logo abaixo, o subtítulo “Minha história de amor com Chorão” está escrito em letras garrafais brancas. Na parte inferior e centralizada está escrito o nome da autora “Graziela Gonçalves” em letras vermelhas." width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Se-nao-eu-quem-vai-fazer-voce-feliz-1-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Se-nao-eu-quem-vai-fazer-voce-feliz-1-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Se-nao-eu-quem-vai-fazer-voce-feliz-1-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Se-nao-eu-quem-vai-fazer-voce-feliz-1-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Se-nao-eu-quem-vai-fazer-voce-feliz-1.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29993" class="wp-caption-text">O livro de memórias de Graziela Gonçalves foi lançado 5 anos após o falecimento de Chorão (Foto: Paralela)</figcaption></figure>
<p><b>Graziela Gonçalves &#8211; Se não eu, quem vai fazer você feliz? Minha história de amor com Chorão (262 páginas, Paralela)</b></p>
<p><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2018/10/01/interna_diversao_arte,709469/viuva-de-chorao-fala-sobre-livro-sobre-lider-do-charlie-brown.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">Se não eu, quem vai fazer você feliz? Minha história de amor com Chorão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é o primeiro e único livro de Graziela Gonçalves, viúva de uma das vozes mais célebres da Música brasileira, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/chorao-marginal-alado-critica/"><span style="font-weight: 400;">Chorão</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com uma escrita sincera, vulnerável e apaixonante, a musa de grande parte das composições do vocalista do Charlie Brown Jr. transborda as emoções deixadas por uma trajetória não somente marcada pelo romance, mas também pela decepção e pelo amadurecimento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O conjunto de memórias é repleto de fotografias inéditas e revelações. A leitura, que precisa ser cadenciada para a total compreensão de fatos atordoantes, faz com que a curiosidade não se torne o foco da obra, mas sim os sentimentos guardados no olhar de quem partiu deste plano e que, incrivelmente, permanece intenso. Com a sensibilidade de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_JO21XUnHwY"><span style="font-weight: 400;">Gonçalves</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Se não eu, quem vai fazer você feliz? </span></i><span style="font-weight: 400;">traz a realidade de uma das histórias de amor mais </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TJRIZS4Z7Mw"><span style="font-weight: 400;">cantadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> do país. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_29992" aria-describedby="caption-attachment-29992" style="width: 682px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29992 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/91aWIRWYfnL-682x1024.jpg" alt="Capa do livro Jurassic Park de Michael Crichton, Editora Aleph o título do livro está centralizado no meio da capa, em vermelho, com uma faixa branca dentro das letras. Ao fundo há o desenho de um fóssil de Tiranossauro Rex na vertical" width="682" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/91aWIRWYfnL-682x1024.jpg 682w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/91aWIRWYfnL-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/91aWIRWYfnL-768x1154.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/91aWIRWYfnL-1023x1536.jpg 1023w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/91aWIRWYfnL.jpg 1651w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29992" class="wp-caption-text">O clássico filme dos anos 90 tem inspiração literária (Foto: Aleph)</figcaption></figure>
<p><b>Michael Crichton &#8211; Jurassic Park (525 Páginas, Aleph)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspiração para o filme</span> <a href="https://personaunesp.com.br/jurassic-park-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Jurassic Park</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1993) de Steven Spielberg, o livro homônimo de Michael Crichton é uma aventura científica estonteante que nos leva a uma versão menos Family Friendly do já famoso parque dos dinossauros. Desta vez o suspense e o terror se misturam em um alerta importante sobre a manipulação genética e quão longe a ciência moderna pode ir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ian Malcolm, Alan Grant e Ellie Sattler também são os protagonistas </span><a href="https://editoraaleph.com.br/produto/box-jurassic-park-capa-dura/"><span style="font-weight: 400;">no livro</span></a><span style="font-weight: 400;">, e são eles que irão desvendar os segredos sobre a clonagem e proteger os netos do bilionário John Hammond, dono do parque, quando as criaturas pré-históricas fugirem do controle. O romance nos traz uma versão mais completa e filosoficamente profunda em relação ao filme clássico dos anos 1990. &#8211; </span><b>Guilherme Dias Siqueira</b></p>
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<figure id="attachment_29990" aria-describedby="caption-attachment-29990" style="width: 684px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29990 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/argonautas-684x1024.jpg" alt="" width="684" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/argonautas-684x1024.jpg 684w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/argonautas-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/argonautas-768x1150.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/argonautas-1025x1536.jpg 1025w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/argonautas.jpg 1653w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29990" class="wp-caption-text">Vencedor do National Book Critics Circle Award, o relato de Maggie Nelson foi colocado como um dos melhores livros do ano de 2015 pela revista New York Times (Foto: Autêntica)</figcaption></figure>
<p><b>Maggie Nelson &#8211; Argonautas (160 páginas, Autêntica)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cartas de amor, sejam na forma de poemas enamorados ou de romances epistolares, são construções recorrentes à Literatura. O que pouco se analisa é que a escrita de cartas de amor pouco são realmente um exercício de alteridade: são mais gestos narcísicos de quem escreve, tanto na tentativa de entender essa estranheza gigantesca do sentimento quanto de, minimamente, se fazer reconhecido e transparecer-se, um pouco, a quem lê.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirado na estrutura de </span><a href="https://www.jornalopcao.com.br/opcao-cultural/obra-prima-de-barthes-sobre-o-discurso-amoroso-mostra-se-renovada-e-pertinente-em-nova-traducao-205317/"><i><span style="font-weight: 400;">Fragmentos de um discurso amoroso</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1977), de Roland Barthes, a escrita em torrente de </span><a href="https://grupoautentica.com.br/autentica/autor/maggie-nelson/1581"><span style="font-weight: 400;">Maggie Nelson</span></a><span style="font-weight: 400;"> reconhece, em si mesma, esse traço monologuista que circunscreve, numa cronologia não linear, os limites de </span><i><span style="font-weight: 400;">Argonautas. </span></i><span style="font-weight: 400;">No entanto, a leitura de seu texto, que mistura um relato autobiográfico com um artigo teórico que movimenta, como guias a sua escrita, a filosofia de Ludwig Wittgenstein, </span><a href="https://www.scielo.br/j/cpa/a/hWcQckryVj3MMbWsTF5pnqn/?lang=pt&amp;format=pdf"><span style="font-weight: 400;">Eve Sedgwick</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Judith Butler, emula nada além de uma vital aproximação ao outro. A carta de amor de Maggie Nelson possui variados destinatários – do próprio ato de se escrever até os estudos de pediatria desenvolvidos por Winnicott –, mas seu remetente central se figura no corpo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No seu próprio corpo, atravessado pela mudanças da gravidez de seu filho, descrito como um evento magicamente </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde o que existe é a relação íntima e diferentemente radical entre si e o outro. No corpo de seu companheiro, uma pessoa não binária que a desafia a entender como se constroem as paixões e dinâmicas de uma união entre duas pessoas quando uma delas declara-se, como sempre ressalta Paul B. Preciado, um indivíduo </span><a href="https://medium.com/grifapodcast/grifo-nosso-cr%C3%B4nicas-da-travessia-de-paul-b-preciado-d0d394a976b5#:~:text=Paradoxalmente%2C%20renunciei%20%C3%A0,todas%20as%20dire%C3%A7%C3%B5es.%E2%80%9D"><i><span style="font-weight: 400;">em travessia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Contudo, é no corpo do texto que se enraíza a mais bela de suas reflexões: seriam as palavras capazes e boas o bastante para capturara complexidade de seu sentimento? São inúmeras as respostas, mas, em </span><a href="https://grupoautentica.com.br/autentica/livros/argonautas/1506"><i><span style="font-weight: 400;">Argonautas</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">Maggie Nelson prefere encontrar o amor na inexpressibilidade que suscita toda a sua escrita e em todas as palavras que, em tentativas falhas, tentam apanhar aquilo que lhes escapa. </span><b>&#8211; Enzo Caramori</b></p>
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<figure id="attachment_29997" aria-describedby="caption-attachment-29997" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29997 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/breves-entrevistas-1-683x1024.jpg" alt="" width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/breves-entrevistas-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/breves-entrevistas-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/breves-entrevistas-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/breves-entrevistas-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/breves-entrevistas-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/breves-entrevistas-1-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/breves-entrevistas-1.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29997" class="wp-caption-text">Traduzido por José Rubens Siqueira, o livro foi adaptado para os cinemas em 2009, no filme homônimo dirigido por John Krasinski (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>David Foster Wallace &#8211; Breves entrevistas com homens hediondos (376 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535906226/breves-entrevistas-com-homens-hediondos"><i><span style="font-weight: 400;">Breves entrevistas com homens hediondos</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1999) é marcado por uma questão primordial: trata-se da primeira obra publicada por </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-rei-palido-critica/"><span style="font-weight: 400;">David Foster Wallace</span></a><span style="font-weight: 400;"> após todo o barulho que </span><i><span style="font-weight: 400;">Infinite Jest</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1996; </span><a href="https://personaunesp.com.br/graca-infinita-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Graça Infinita</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, 2014) fez, quando, três anos antes, implodiu o mundo literário e abriu um horizonte de possibilidades linguísticas. Em 25 contos – alguns &#8220;minicontos&#8221;, como o primeiro de apenas oito linhas – caracterizados pela repetição e interrupção, o livro é marcado por novos experimentos de forma e linguagem, culminando nesse que possivelmente é o trabalho mais experimental do escritor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora Wallace force, em diversas ocasiões, o leitor a participar do exercício literário – exigindo reflexões agudas ou criando metanarrativas –, nada chega a ser “vazio” ou sem propósito. De fato, nada estaria tão longe de seu projeto literário, que primava pela sinceridade e honestidade. Esse processo, então, se sintetiza em contos como </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2016/09/3-reflexoes-de-david-foster-wallace-sobre-depressao.html"><i><span style="font-weight: 400;">A pessoa deprimida</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">– em que as notas de rodapé se expandem à medida que a protagonista se afunda ainda mais na depressão –, </span><i><span style="font-weight: 400;">Para sempre em cima</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou </span><i><span style="font-weight: 400;">Octeto</span></i><span style="font-weight: 400;">. Seu brilho especial reside nos diversos fragmentos de “entrevistas” espalhados pelo livro (que dão título à coletânea), nas quais as perguntas e réplicas da entrevistadora são suprimidas e só lemos as respostas de homens hediondos, que apresentam variados tipos de disfunções sociais. Por essas e outras razões, Wallace sempre vale a leitura. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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