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	<title>Arquivos Superação &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Em Aos prantos no mercado, Michelle Zauner chora entre temperos e memórias</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Mar 2023 21:08:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“Parecia que o mundo tinha se dividido em dois tipos diferentes de pessoas, as que haviam sentido dor e as que ainda iriam sentir” (pág. 192) Bruno Andrade Com a morte da mãe, Michelle Zauner passou a enfrentar uma terrível nostalgia ao entrar no H Mart, supermercado especializado em comida asiática. Embora seja amargo lembrar &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/em-aos-prantos-no-mercado-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Aos prantos no mercado, Michelle Zauner chora entre temperos e memórias"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30601" aria-describedby="caption-attachment-30601" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-30601" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/AOSPRANTOSNOMERCADO_WORDPRESS.jpg" alt="Imagem retangular de fundo branco. No canto superior, está centralizado a logo do Persona, um olho com íris na cor amarela e pupila em preto no formato triangular de play. No lado direito dessa logo, está escrito &quot;Clube do Livro do Persona&quot; preenchido por um fundo preto e com letras transparentes que correspondem à cor do fundo branco. Abaixo está escrito “Em Aos prantos no mercado, Michelle Zauner chora entre temperos e memórias” em letras pretas, sendo &quot;Aos prantos do mercado&quot; em letras amarelas. Mais abaixo, no canto esquerdo, há uma imagem retangular da capa do livro de fundo vermelho. No topo da capa, de forma centralizada, está escrito o nome da autora &quot;Michelle Zauner&quot; na cor branca e, logo abaixo, uma ilustração de uma sequência de quadrinhos. O primeiro quadrinho mostra uma cesta cheia de mercado, o segundo mostra um vaso de flor, o terceiro mostra uma laranja sendo descascada e o último mostra a preparação de uma refeição com muitos ingredientes postos sobre uma mesa. Na parte inferior da capa, de forma centralizada, está escrito o título do livro &quot;Aos prantos no mercado&quot; em letras amarelas. Ao lado direito da imagem, está escrito &quot;À medida que Zauner se aliena ao preparar as refeições para a mãe, com a garantia de que Chongmi recebe as calorias suficientes para sobreviver, o seu próprio apetite diminui, consequência da 'esperança desesperada de que a escuridão não fosse invadir'.&quot; em letras pretas. Abaixo do texto está escrito “Por&quot; em letras pretas, seguido de &quot;Bruno Andrade&quot; em letras amarelas. No canto inferior há um sombreado amarelo que está iluminando o escrito &quot;Crítica&quot;, também em amarelo." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/AOSPRANTOSNOMERCADO_WORDPRESS.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/AOSPRANTOSNOMERCADO_WORDPRESS-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/AOSPRANTOSNOMERCADO_WORDPRESS-768x404.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30601" class="wp-caption-text">Lançado no Brasil em 2022, com tradução de Ana Ban, Aos prantos no mercado foi a obra debatida no Clube do Livro do Persona em Janeiro de 2023 (Foto: Fósforo/Arte: Ana Cegatti)</figcaption></figure>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;">Parecia que o mundo tinha se dividido em dois tipos diferentes de pessoas, as que haviam sentido dor e as que ainda iriam sentir”</span><em><span style="font-weight: 400;"> (pág. 192)</span></em></p></blockquote>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a morte da mãe, </span><a href="https://personaunesp.com.br/japanese-breakfast-jubilee-critica/"><span style="font-weight: 400;">Michelle Zauner</span></a><span style="font-weight: 400;"> passou a enfrentar uma terrível nostalgia ao entrar no </span><i><span style="font-weight: 400;">H Mart</span></i><span style="font-weight: 400;">, supermercado especializado em comida asiática. Embora seja amargo lembrar de quando sua matriarca, Chongmi, morreu vitimada por um câncer em 2014, ela pode se lembrar com tranquilidade do gosto que sua mãe tinha para comida: entre o salgado e o “</span><i><span style="font-weight: 400;">fumegando de quente</span></i><span style="font-weight: 400;">”, que, por algumas razões, definiam sua forma de exercer a maternidade. &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Por mais crítica ou cruel que ela pudesse parecer – sempre me forçando a atender a suas expectativas obstinadas –, eu sempre sentia o afeto dela irradiando das merendas que ela preparava para eu levar à escola e das refeições que ela cozinhava para mim bem do jeito que eu gostava&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;">. As peregrinações repletas de tristeza sustentam o primeiro capítulo de</span> <a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-janeiro-de-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Aos prantos no mercado</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, livro lançado em 2022 no Brasil pela editora <em>Fósforo</em>, cujo primeiro capítulo é o ensaio homônimo publicado na </span><i><span style="font-weight: 400;">The New Yorker</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-30597"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente do que se pode imaginar, Zauner decidiu escrever o livro somente depois de ter </span><a href="https://www.newyorker.com/culture/culture-desk/crying-in-h-mart"><span style="font-weight: 400;">publicado o ensaio</span></a><span style="font-weight: 400;">. A repercussão avassaladora do texto na revista foi reproduzida na obra literária, que ficou 14 semanas seguidas nas listas de mais vendidos do </span><i><span style="font-weight: 400;">The New York Times</span></i><span style="font-weight: 400;">. Para a escritora coreana-americana, artista musical e fundadora da banda Japanese Breakfast, a comida é um portal. Na praça de alimentação do </span><i><span style="font-weight: 400;">H Mart</span></i><span style="font-weight: 400;">, Zauner chora ao consumir seu almoço, enquanto percebe que todos estão sentados, comendo em silêncio, porque estão “</span><i><span style="font-weight: 400;">em busca de um pedacinho do nosso lar, de um pedacinho de nós mesmos. Procuramos um gostinho disso nos pedidos de comida que fazemos e nos ingredientes que compramos. Então nos separamos. Levamos as compras para o alojamento da faculdade ou para uma cozinha suburbana e recriamos o prato que não poderia ser preparado sem essa viagem&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30598" aria-describedby="caption-attachment-30598" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-30598" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-5.jpg" alt="" width="2048" height="1472" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-5.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-5-800x575.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-5-1024x736.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-5-768x552.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-5-1536x1104.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-5-1200x863.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30598" class="wp-caption-text">“O amor dela era mais do que inflexível. Era brutal, com força industrial” (Foto: Michelle Zauner/The New York Times)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Michelle Zauner se mudou com a família para Eugene, nos Estados Unidos, quando tinha nove meses de idade. Aos 15 anos, após ver uma apresentação de Karen O – a vocalista do Yeah Yeah Yeahs –, ganhou a primeira guitarra da mãe que, pouco depois, se arrependeu do presente. Mas, mesmo que a Música tenha sido um refúgio para a adolescente deprimida, Zauner foi influenciada textualmente por Joan Didion, Philip Roth, Vladimir Nabokov e pela HQ </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-fevereiro-de-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Fun Home</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2006), de Alison Bechdel, decidindo, então estudar Escrita Criativa na Bryn Mawr College. Na faculdade, escreveu majoritariamente textos de ficção – foi lá, inclusive, que iniciou os primeiros projetos musicais, consolidados em Japanese Breakfast. Aos 25 anos, após concluir a graduação, Zauner viveu ostensivamente sem roteiro, se “</span><i><span style="font-weight: 400;">debatendo com a realidade, vivendo a vida de uma artista sem sucesso</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Nesse período, Chongmi ficou doente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sua primeira publicação musical foi <em>June </em></span><span style="font-weight: 400;">(2013), um disco amador resultado da parceria com Rachel Gagliardi, criado a partir das canções disponibilizadas diariamente no mês de Junho de 2013 em uma página do </span><a href="http://rachelandmichelledojune.tumblr.com"><i><span style="font-weight: 400;">Tumblr</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Mas é em </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/albums/21629-psychopomp/"><i><span style="font-weight: 400;">Psychopomp</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2016), o primeiro disco de estúdio de Japanese Breakfast e a primeira publicação após a morte de Chongmi, que Zauner enfrenta abertamente a perda da mãe, cujo título tem origem na história mitológica dos psicopompos, que tem a missão de guiar as almas dos mortos para o pós-vida.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Japanese Breakfast - Everybody Wants To Love You (Official Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/KNT7wuqaykc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim da vida da mãe, os papéis parecem se inverter. À medida que Zauner se aliena ao preparar as refeições para a mãe, com a garantia de que Chongmi receberá as calorias suficientes para sobreviver, o seu próprio apetite diminui, consequência da “</span><i><span style="font-weight: 400;">esperança desesperada de que a escuridão não fosse invadir</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Talvez, se ela pudesse carregar a </span><a href="https://www.nytimes.com/interactive/2022/06/06/magazine/michelle-zauner-interview.html"><span style="font-weight: 400;">dor da mãe</span></a><span style="font-weight: 400;"> e realizar o “</span><i><span style="font-weight: 400;">ritual da filha única</span></i><span style="font-weight: 400;">”, haveria a possibilidade de intermediar uma cura, na expectativa de fazer as pazes com a rebeldia adolescente de uma jovem com anseios desvinculados dos interesses maternos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A bem da verdade, o que </span><a href="https://www.npr.org/2021/04/20/988665726/a-daughter-grieves-her-mom-and-finds-herself-in-crying-in-h-mart"><i><span style="font-weight: 400;">Crying in H Mart</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(no original)</span> <span style="font-weight: 400;">esclarece é que os principais momentos de conexão legítima entre Zauner e Chongmi se davam através da comida; principalmente por isso, a tristeza ressurge ao entrar no mercado. A prosa íntima do livro é, ao mesmo tempo, autodepreciativa e atenta, com descrições texturizadas das qualidades estéticas e sentidas dos momentos vividos pela artista. Trata-se de um livro de memórias muito ancorado no ensaio, cujas ligações entre experiências pessoais de luto e identidade ganham corpo em todo o texto. </span></p>
<figure id="attachment_30599" aria-describedby="caption-attachment-30599" style="width: 980px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30599" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-1.jpg" alt="" width="980" height="653" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-1.jpg 980w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30599" class="wp-caption-text">“Falei sobre como o amor era uma ação, um instinto, uma reação suscitada por momentos não planejados e pequenos gestos, uma inconveniência a favor de outra pessoa” (Foto: Rebecca Sapp)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A morte e a melancolia perpassam toda a obra de Michelle Zauner, talvez resultado da vida fragmentada da artista, dividida entre a ancestralidade sul-coreana e a vivência contemporânea nos Estados Unidos. O sentimento de ausência parece presente em toda a obra – seja pela morte da mãe, propriamente, ou seja na morte simbólica de um tipo de cultura. Não por acaso, suas melhores canções representam estados avançados de autoconsciência, mesmo em faixas que compõem </span><a href="https://personaunesp.com.br/japanese-breakfast-jubilee-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Jubilee</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021), álbum descrito por Zauner como seu projeto “</span><i><span style="font-weight: 400;">mais alegre</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em adaptação para o Cinema por </span><a href="https://www.papelpop.com/2023/03/will-sharpe-de-the-white-lotus-vai-dirigir-adaptacao-do-livro-aos-prantos-no-mercado/"><span style="font-weight: 400;">Will Sharpe</span></a><span style="font-weight: 400;">, ator de </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-white-lotus-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The White Lotus</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com roteiro assinado pela própria Michelle Zauner, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aos prantos no mercado </span></i><span style="font-weight: 400;">não é necessariamente um livro difícil de ler, mas uma obra melancólica. No final do livro, Zauner nos conta que decidiu fazer um casamento de última hora em seu próprio quintal, sabendo que sua mãe poderia não viver muito tempo. Parece que, ao compartilhar suas experiências, Michelle Zauner constrói uma ode à memória de Chongmi – e nos permite enxergar sob seus olhos e consciência por algumas páginas.</span></p>
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		<title>O Pior de Mim: o palco como divã</title>
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		<pubDate>Thu, 26 May 2022 17:40:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mateus Conte Na noite de 13 de maio, um Teatro Municipal lotado recebeu, em Botucatu, a atriz Maitê Proença em seu monólogo O Pior de Mim. Redigida pela própria atriz e dirigida por Rodrigo Portella, a obra aborda de forma áspera a vida e a carreira da ex-global, que por diversas vezes percorreu os palcos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-pior-de-mim-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Pior de Mim: o palco como divã"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27707" aria-describedby="caption-attachment-27707" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27707 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1.jpeg" alt="A imagem apresenta um fundo todo preto destacando a atriz Maitê Proença, uma mulher branca e loira, que veste um vestido preto com bolinhas brancas sobre uma blusinha branca e calça vermelha, enquanto sorri e abre os braços olhando para cima" width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1.jpeg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-2048x1152.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27707" class="wp-caption-text">Maitê Proença transforma sua vida em texto e seu divã em peça (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Mateus Conte</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na noite de 13 de maio, um Teatro Municipal lotado recebeu, em Botucatu, a atriz Maitê Proença em seu monólogo </span><i><span style="font-weight: 400;">O Pior de Mim</span></i><span style="font-weight: 400;">. Redigida pela própria atriz e dirigida por Rodrigo Portella, a obra aborda de forma áspera a vida e a carreira da </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/maite-proenca-conta-como-soube-de-demissao-da-globo/"><span style="font-weight: 400;">ex-global</span></a><span style="font-weight: 400;">, que por diversas vezes percorreu os palcos do interior paulista com suas apresentações.</span></p>
<p><span id="more-27706"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo de início, a peça surpreende por sua sobriedade. O figurino aparenta vir diretamente do guarda-roupas da atriz, sendo os mesmos </span><i><span style="font-weight: 400;">looks</span></i><span style="font-weight: 400;"> que vemos nas atentas fotos da Revista </span><i><span style="font-weight: 400;">CARAS</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou nas páginas do finado </span><a href="http://ego.globo.com/famosos/noticia/2017/04/o-ego-se-despede-e-relembra-flagrantes-inesqueciveis-de-famosos.html"><i><span style="font-weight: 400;">Ego</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Seu objetivo é claro: trazer autenticidade aos relatos contados pela protagonista-autora, tornando sua imagem no palco o mais próximo possível da realidade cotidiana de Maitê.</span></p>
<figure id="attachment_27708" aria-describedby="caption-attachment-27708" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27708 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-2.png" alt="A imagem apresenta a atriz Maitê Proença, uma mulher branca e loira, de olhos verdes, que olha para cima enquanto toca um pano preto, mas transparente, que a cobre totalmente" width="840" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-2.png 840w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-2-656x800.png 656w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-2-768x936.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27708" class="wp-caption-text">A interação de Maitê com o tecido transparente no fundo do cenário nos remete ao véu que cobre aquilo que preferimos manter às escuras (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A luz, por sua vez, também é simples: sem muita pompa, a direção sabe o que fazer com o mínimo, apostando em um enfoque básico durante as falas e trocas repentinas de cores em momentos mais impactantes da trama, servindo como marcador temporal para passagem de um bloco narrativo para outro. Mérito de </span><a href="https://gpslifetime.com.br/conteudo/entretenimento/arte/80/diretor-rodrigo-portella-desembarca-em-brasilia-para-bate-papo"><span style="font-weight: 400;">Portella</span></a><span style="font-weight: 400;">, que também coordena a iluminação do espetáculo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas não só de trivialidade vive </span><i><span style="font-weight: 400;">O Pior de Mim</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em uma experiência rara no teatro </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;">, o próprio diretor entra em cena para filmar a protagonista. As imagens – em preto e branco, vale ressaltar – captadas pela câmera são exibidas automaticamente nas cortinas localizadas atrás do palco, em uma inovação narrativa recheada de significado: demonstra como a presença das lentes é constante na carreira da atriz, que </span><a href="http://teledramaturgia.com.br/dinheiro-vivo/"><span style="font-weight: 400;">estreou</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas novelas em 1979.</span></p>
<figure id="attachment_27709" aria-describedby="caption-attachment-27709" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27709 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3-1.png" alt="A imagem apresenta um fundo todo preto destacando a atriz Maitê Proença, uma mulher branca e loira, que veste um vestido preto com bolinhas brancas sobre uma blusinha branca e sapatos dourados, enquanto senta e olha sorrindo para a plateia" width="1024" height="683" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3-1.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3-1-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3-1-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27709" class="wp-caption-text">As tragédias da vida de Maitê Proença propiciam uma rápida identificação com a plateia (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tratando de artifícios pouco utilizados nas grandes </span><a href="https://personaunesp.com.br/quem-e-quem-teatro-critica/"><span style="font-weight: 400;">peças que vêm ao interior</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma logo chama a atenção dos espectadores: a não-linearidade da narrativa. Cada história se intercala com as outras, sem haver um ponto medular que as organize, trazendo a sensação de uma aparente confusão. Mas isso tem um porquê.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a peça, Maitê assume que, durante quatro horas por semana, fez terapia pelo período de quatro anos. Não há dúvidas que essa experiência de autoconhecimento foi transportada para o roteiro, transformando o palco em um </span><a href="https://midiamax.uol.com.br/variedades/saude/2018/saiba-porque-o-teatro-terapia-ajuda-a-tratar-timidez-estresse-e-depressao"><span style="font-weight: 400;">divã psicanalítico</span></a><span style="font-weight: 400;">. A intertextualidade com uma sessão de terapia se reflete até mesmo na duração do espetáculo: a peça dura escassos cinquenta minutos, o que não foge do tempo médio de um encontro marcado com um psicólogo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta psicanálise com a presença do público passa pelas mais trágicas histórias da vida da autora, o que tende a justificar os traumas e bloqueios mais profundos de sua mente ao longo da apresentação. Como nem tudo são espinhos, também há espaço para os </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/colunistas/renatokramer/2015/03/1596585-eu-nunca-fui-infeliz-diz-maite-proenca.shtml"><span style="font-weight: 400;">relatos de superação</span></a><span style="font-weight: 400;"> que Maitê passou para conseguir deixar todos esses obstáculos para trás.</span></p>
<figure id="attachment_27710" aria-describedby="caption-attachment-27710" style="width: 5497px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27710 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4.png" alt="A imagem apresenta a atriz Maitê Proença, uma mulher branca e loira, que veste um pijama branco com listras azuis. Ela está sentada em um sofá cinza e podem-se ver um quadro indiano e um quadro de uma pequena árvore na parede do fundo" width="5497" height="3665" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4.png 5497w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-2048x1365.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27710" class="wp-caption-text">A peça iniciou sua temporada de forma on-line durante a pandemia de covid-19 (Foto: Dalton Valério)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O teatro não é apenas o que se apresenta no palco, mas também aquilo que  </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/cultura/2019/11/10/interna_cultura,1099586/artistas-falam-das-razoes-e-dos-perrengues-de-interagir-com-a-plateia.shtml"><span style="font-weight: 400;">impacta na plateia</span></a><span style="font-weight: 400;">; ao vivo, ela acompanha ininterruptamente o espetáculo. Por isso, é impossível não perceber que, ainda que possam ser diferentes, sempre existem momentos nos quais o público se identifica com a atriz que está em cena.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um sentimento específico do público é, ao mesmo tempo, alimentado e escrachado pelo texto: o prazer em bisbilhotar os detalhes mais sórdidos da vida alheia, ainda mais quando se tratam de celebridades. Como diz a própria sinopse da peça, </span><i><span style="font-weight: 400;">“neste </span></i><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0408200609.htm"><i><span style="font-weight: 400;">voyeurismo</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> desenfreado, nos comparamos, para melhor compreendermos a nós mesmos. Não é assim? Venha espiar, eu deixo”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Esta descrição acompanha o espetáculo desde sua primeira exibição, realizada de forma totalmente </span><i><span style="font-weight: 400;">on-line</span></i><span style="font-weight: 400;">, no pandêmico ano de 2020.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta exposição das aflições vividas pela atriz, por trás das populares câmeras das inúmeras novelas que estrelou, evidencia o fato de que, antes de ser uma profissional, Maitê Proença é uma pessoa de carne, osso e sentimentos. Sentimentos, esses, que foram atingidos pela </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0204200807.htm"><span style="font-weight: 400;">exploração massiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> e impiedosa de sua vida privada por parte da imprensa e que, nesta peça </span><i><span style="font-weight: 400;">O Pior de Mim</span></i><span style="font-weight: 400;">, resolve escancarar para o mundo – mas, desta vez, a sua versão dos fatos. Maitê Proença, volte sempre!</span></p>
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		<title>De Volta à Itália? Era melhor ter ficado em casa!</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Jul 2021 03:23:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista De Volta à Itália, drama cômico que coloca pai e filho na vida real para contracenarem uma história quase biográfica, recebeu a cruel tarefa de se fazer presente na seleção do Festival do Rio 2021. Cruel pois, espremido entre os inquestionáveis, magnânimos e escaldantes Quo Vadis, Aida? e Dias Melhores, o filme de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/de-volta-a-italia-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "De Volta à Itália? Era melhor ter ficado em casa!"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_21789" aria-describedby="caption-attachment-21789" style="width: 1602px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21789" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/italia-1.png" alt="Cena do filme Made in Italy. A cena mostra Liam e seu filho Micheál no carro, eles sao brancos e está de dia." width="1602" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/italia-1.png 1602w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/italia-1-800x400.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/italia-1-1024x511.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/italia-1-768x384.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/italia-1-1536x767.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/italia-1-1200x599.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21789" class="wp-caption-text">Até agora, o sétimo filme do Festival do Rio 2021 é o menos interessante da seleção (Foto: Ingenious Media)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">De Volta à Itália</span></i><span style="font-weight: 400;">, drama cômico que coloca </span><a href="https://revistamonet.globo.com/Filmes/noticia/2021/03/liam-neeson-fala-sobre-frio-na-barriga-por-atuar-com-filho-apos-morte-tragica-da-mulher.html#:~:text=Atores%20vivem%20pai%20e%20filho%20em%20'Made%20in%20Italy'&amp;text=O%20ator%20Liam%20Neeson%2C%2068,em%20'Made%20in%20Italy'."><span style="font-weight: 400;">pai e filho na vida real</span></a><span style="font-weight: 400;"> para contracenarem uma história quase biográfica, recebeu a cruel tarefa de se fazer presente na seleção do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/festival-do-rio-2021/"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">. Cruel pois, espremido entre os inquestionáveis, magnânimos e escaldantes </span><a href="https://personaunesp.com.br/quo-vadis-aida-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Quo Vadis, Aida?</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/better-days-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Dias Melhores</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o filme de Liam Neeson soa como um exercício fracassado de emoção, entrega e conclusão. </span></p>
<p><span id="more-21788"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A parte boa é que assistir o congestionado filme inglês dá um descanso para a mente. Entre </span><a href="https://personaunesp.com.br/caros-camaradas-critica/"><span style="font-weight: 400;">revoltas russas</span></a><span style="font-weight: 400;">, situações de </span><a href="https://personaunesp.com.br/slalom-ate-o-limite-critica/"><span style="font-weight: 400;">violência no meio esportivo</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/druk-mais-uma-rodada-critica/"><span style="font-weight: 400;">bebedeira dinamarquesa</span></a><span style="font-weight: 400;"> e um </span><a href="https://personaunesp.com.br/edificio-gagarine-critica/"><span style="font-weight: 400;">prédio fantástico</span></a><span style="font-weight: 400;"> na França, nosso cérebro precisa de um arrego, por menor que seja (esse, especificamente, dura 90 minutos). A história coloca Liam Neeson para interpretar um artista, pai de </span><a href="https://www.thetimes.co.uk/article/micheal-richardson-interview-liam-neeson-my-dad-and-i-made-in-italy-9wxh6q0b6"><span style="font-weight: 400;">Micheál Richardson</span></a><span style="font-weight: 400;">, seu filho na vida real. </span></p>
<figure id="attachment_21790" aria-describedby="caption-attachment-21790" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21790" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/2-3.jpg" alt="Cena do filme Made in Italy. A cena mostra pai e filho se abraçando." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/2-3.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/2-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/2-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/2-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/2-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21790" class="wp-caption-text">A atriz <a href="https://www.nsctotal.com.br/noticias/familia-decide-desligar-aparelhos-e-anuncia-morte-da-atriz-natasha-richardson">Natasha Richardson</a>, falecida em 2009, pode ser lembrada por seu trabalho como a mãe das gêmeas em Operação Cupido (Foto: Ingenious Media)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na ficção, os dois moravam na Itália, e, em um descuido do personagem de Neeson, o renomado mas dormente pintor Robert, sua esposa sofreu um fatal acidente de carro. O garoto Jack, papel do mais-bonito-que-bom-ator Richardson, ressente o pai até hoje, mais de uma década depois do ocorrido. Na vida real, as tramas se encontram: Neeson foi casado com a atriz Natasha Richardson, com quem teve Micheál, por 15 anos. Em 2009, </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/cultura/2009/03/090319_natasha_obit_cq"><span style="font-weight: 400;">Natasha morreu</span></a><span style="font-weight: 400;">, deixando o marido e dois filhos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Retomando rimas dessa tragédia do mundo real, o diretor e roteirista </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/2015/agent-carter-james-darcy-fala-sobre-historia-de-jarvis.html"><span style="font-weight: 400;">James D’Arcy</span></a><span style="font-weight: 400;"> escala Neeson e Richardson para interpretarem quase a si mesmos, com toques de um humor</span><i><span style="font-weight: 400;"> Sessão da Tarde</span></i><span style="font-weight: 400;">, cheio de pratos italianos, romances de verão e uma bela e previsível história de superação e crescimento. Estreando atrás das câmeras, D’Arcy cozinha uma sopa sem sal, que sacia a vontade de quem a consome, mas, que dez minutos depois de ingerida, se perde na memória. </span></p>
<figure id="attachment_21791" aria-describedby="caption-attachment-21791" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21791" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/italia-3.jpg" alt="Cena do filme Made in Italy. A cena mostra 4 pessoas em um campo ensolarados: um idoso agachado com uma criança e um casal de adultos, todos brancos." width="1200" height="678" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/italia-3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/italia-3-800x452.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/italia-3-1024x579.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/italia-3-768x434.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21791" class="wp-caption-text">Você pode se lembrar do diretor James D’Arcy atuando como o mordomo Jarvis em Agent Carter, e também em uma pontinha em Vingadores: Ultimato (Foto: Ingenious Media)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;"> O currículo de D’Arcy como ator parece ter dado confiança suficiente a ele para colocar Neeson e Richardson em enrascadas da pesada, seguindo à risca a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SbUVNHdPE4w"><span style="font-weight: 400;">lista de clichês esperados</span></a><span style="font-weight: 400;"> em um filme que envolve uma casa abandonada que precisa de reforma, uma relação familiar mal-resolvida e a inevitável decisão de transformar em metáfora essas duas situações. Afinal, ao passo que o casarão ganha argamassa, tem seus buracos cobertos e se livra das doninhas, é óbvio que o convívio dos personagens melhorará na mesma medida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fora do escopo da ordinária abordagem derivada do diretor, Liam Neeson se move desinteressado pela tela, agindo de mau grado em toda e qualquer situação que atue. Quando chora, vende a verdade pela compaixão que nós, como público, temos por sua figura no Cinema, de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VrgX2oS5xbU"><span style="font-weight: 400;">Mestre Jedi</span></a><span style="font-weight: 400;"> a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZK_XxOuQ43U"><span style="font-weight: 400;">pai com sangue nos olhos</span></a><span style="font-weight: 400;">. O colírio Micheál Richardson é uma eterna promessa, construindo suas cenas com a leveza que </span><i><span style="font-weight: 400;">Made in Italy</span></i><span style="font-weight: 400;"> precisa, a fim de não se levar tão a sério. Muito mais uma viagem familiar de férias à ensolarada bota da Europa do que propriamente um filme com começo, meio e fim, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_E68yJohxTM"><i><span style="font-weight: 400;">De Volta à Itália</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> marcou presença no Festival do Rio 2021, e isso é o máximo que posso dizer. </span></p>
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