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	<title>Arquivos Stephanie Cardoso &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Stephanie Cardoso &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Em Homem-Aranha: Um Novo Dia todos se esqueceram de Peter Parker, incluindo o próprio</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Aug 2026 20:23:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: Este texto contém spoilers Stephanie Cardoso O que torna uma interpretação do Homem-Aranha realmente marcante? Em menos de 20 anos, o amado amigão da vizinhança já teve três adaptações cinematográficas completamente diferentes entre si. A primeira – e a mais referenciada – teve Tobey Maguire no papel principal, trazendo uma versão que ficou eternizada &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-homem-aranha-um-novo-dia/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Homem-Aranha: Um Novo Dia todos se esqueceram de Peter Parker, incluindo o próprio"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso: </i></b><i><span style="font-weight: 400;">Este texto contém spoilers</span></i></p>
<figure id="attachment_37425" aria-describedby="caption-attachment-37425" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-37425" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image2-1.jpg" alt="Cena do filme Homem-Aranha: Um Novo Dia. Na imagem, um jovem branco de cabelos castanhos curtos e molhados, com o rosto suado, veste um moletom verde com capuz sob uma jaqueta escura. Ele está em um ambiente com paredes de concreto ao fundo." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image2-1.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image2-1-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37425" class="wp-caption-text">O Homem-Aranha de Tom Holland volta a sua essência dos quadrinhos com este novo filme (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Stephanie Cardoso</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que torna uma interpretação do Homem-Aranha realmente marcante? Em menos de 20 anos, o amado amigão da vizinhança já teve três adaptações cinematográficas completamente diferentes entre si. A primeira – e a mais referenciada – teve </span><a href="https://personaunesp.com.br/homem-aranha-2-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">Tobey Maguire</span></a><span style="font-weight: 400;"> no papel principal, trazendo uma versão que ficou eternizada na mente do público. Já a segunda trouxe </span><a href="https://personaunesp.com.br/tick-tick-boom-critica/"><span style="font-weight: 400;">Andrew Garfield</span></a><span style="font-weight: 400;"> no papel do herói aracnídeo e, apesar de interpretar o mesmo personagem, apresentou uma proposta bastante diferente. Anunciado em 2015, </span><a href="https://youtu.be/Y8l37bHNp1U?si=T3EP8XYoMvEGmYRT"><span style="font-weight: 400;">Tom Holland</span></a><span style="font-weight: 400;"> teve que encarar o desafio de ser o terceiro intérprete do famoso super-herói. O desafio não era pequeno, principalmente porque o público já tinha uma visão muito bem definida do que esperava de um bom filme do Cabeça de Teia.</span></p>
<p><span id="more-37423"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as principais críticas à versão de Holland, destacava-se sua postura quase como um pupilo do </span><a href="https://youtu.be/2G-B5upjLjM?si=Cmhrw-l8VGwOxp27"><span style="font-weight: 400;">Homem de Ferro</span></a><span style="font-weight: 400;">, vivendo uma jornada considerada mais fácil quando comparada à de seus antecessores ou até mesmo à dos quadrinhos. Como resposta, o final de </span><a href="https://personaunesp.com.br/homem-aranha-sem-volta-para-casa-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021) entregou um desfecho agridoce para o personagem. Depois de perder tudo, Peter Parker precisou recomeçar do zero, completamente sozinho. Anos depois, o novo longa apresenta um protagonista que sobrevive, mas não vive de verdade. Sem amigos, sem família e sem ninguém que se lembre de quem ele é, resta apenas uma rotina marcada pela solidão, pelo trabalho como vigilante e pela tentativa constante de preencher um vazio que parece não ter fim.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É justamente nessa fase tão difícil da vida do personagem que a narrativa encontra o tom para entregar, sem dúvidas, o melhor filme da franquia atual. A </span><a href="https://www.boweryboyshistory.com/2026/07/tour-new-york-city-55-years-spider-man-comic-book-covers.html"><span style="font-weight: 400;">Nova York</span></a><span style="font-weight: 400;"> apresentada aqui parece mais viva do que nunca, muito por causa do trabalho do </span><a href="https://personaunesp.com.br/homem-aranhaverso-critica/"><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas, por trás disso, existe alguém que usa a máscara não apenas para proteger as pessoas, e sim também para fugir da própria realidade. A obra constrói uma interessante linha de raciocínio sobre a perda da identidade: para não encarar uma vida em que ninguém lembra seu nome, Peter deixa de viver como uma pessoa comum e passa a existir apenas como sua versão heróica. Aos poucos, o uniforme deixa de ser apenas um símbolo de heroísmo e se transforma na única forma que encontra para continuar seguindo em frente.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="CH Entrevista: Zendaya, Tom Holland e Destin Daniel Cretton revelam detalhes de Homem-Aranha" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/w1iiiQOWwjI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos maiores acertos da direção de </span><a href="https://youtu.be/5p1b4g38xL8?si=YCvdGzTkLBuqAu2a"><span style="font-weight: 400;">Destin Daniel Cretton</span></a><span style="font-weight: 400;"> – o mesmo diretor de </span><a href="https://personaunesp.com.br/shang-chi-e-a-lenda-dos-dez-aneis-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Shang Chi e a Lenda dos Dez Anéis</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021) – está na forma como o longa coloca o público ao lado do protagonista. Assumindo a franquia após a saída de </span><a href="https://www.omelete.com.br/homem-aranha/homem-aranha-4-jon-watts-explica-porque-nao-volta"><span style="font-weight: 400;">Jon Watts</span></a><span style="font-weight: 400;">, Cretton consegue fazer com que a câmera, os enquadramentos e o ritmo das cenas ajudem a transmitir exatamente o que Parker está sentindo. Ao mesmo tempo, a cidade deixa de ser apenas um cenário e volta a funcionar como parte importante da narrativa, fazendo com que o herói pareça realmente pertencer à cidade. A cena de abertura em que o herói luta com vários vilões diferentes, faz claras </span><a href="https://www.instagram.com/reel/Dblt-Y0jesv/?utm_source=ig_web_button_share_sheet"><span style="font-weight: 400;">referências</span></a><span style="font-weight: 400;"> aos quadrinhos e reforça a sensação de que este é, finalmente, o super-herói que muitos esperavam ver nas telas. Em nada adianta apenas fazer alusão às HQ &#8216;s, quando não se traz a essência do personagem para a tela. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro aspecto que merece destaque é a trilha sonora de </span><a href="https://youtu.be/BD3yPEL2fWg?si=u0_YcrJwUaOUKizv"><span style="font-weight: 400;">Michael Giacchino</span></a><span style="font-weight: 400;">. A música sabe exatamente quando crescer e quando dar espaço para que o silêncio fale por si. A cena na qual Peter leva MJ para casa após uma conversa devastada é um bom exemplo de quando a quietude do momento é bem aproveitada. O roteiro de Erik Sommers e Chris McKenna também acerta ao transformar essa crise de identidade no principal motor da evolução do personagem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pela primeira vez na franquia estrelada por Tom Holland, o amadurecimento acontece de forma realmente convincente. Seu crescimento não vem apenas das perdas que sofreu, mas das escolhas que precisa fazer diante delas. O conflito deixa de ser apenas derrotar um vilão e passa a ser encontrar um equilíbrio entre a responsabilidade de salvar pessoas e o direito de viver a própria vida. Essa talvez seja a melhor evolução de Peter Parker nos quatro filmes. Esse amadurecimento também transparece na atuação. Sua interpretação funciona tanto nos momentos mais silenciosos quanto nas cenas de maior carga emocional, mostrando o cansaço físico e emocional de alguém que já não consegue separar sua vida da missão de ser o </span><a href="https://youtu.be/__vLZslytN0?si=woxrIY16ODQpSow7"><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_37426" aria-describedby="caption-attachment-37426" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-37426" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image3-1.png" alt="Cena do filme Homem-Aranha: Um Novo Dia. Na imagem, uma jovem branca de cabelos longos e ruivos está ao ar livre, em um parque durante o dia. Ela veste um blusão azul-escuro, mantém os braços cruzados e olha para a câmera. Ao fundo, há árvores e uma área gramada desfocadas." width="640" height="359" /><figcaption id="caption-attachment-37426" class="wp-caption-text">Após o final de Stranger Things, Sadie Sink faz a sua estreia no MCU com uma personagem chave dos quadrinhos (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Pode-se dizer que o grande mistério desta vez era descobrir quem seria a personagem de </span><a href="https://youtu.be/hI7id8V3X2w?si=V6Jl-1XG5XWBK-Gl"><span style="font-weight: 400;">Sadie Sink</span></a><span style="font-weight: 400;">. Desde o anúncio de sua escalação, em 2025, a internet passou meses criando teorias sobre seu papel. Os rumores iam desde Jean Grey até personagens pouco prováveis, como a Garota Esquilo. Quando a revelação finalmente acontece, dificilmente surpreende quem acompanhou essas especulações. Ainda assim, isso não é nem um pouco um problema. O impacto não está em esconder sua identidade e sim no significado que ela </span><a href="https://time.com/article/2026/07/29/spider-man-brand-new-day-jean-grey-x-men/"><span style="font-weight: 400;">representa</span></a><span style="font-weight: 400;"> para o futuro do Universo Cinematográfico da Marvel.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Interpretando Jean Grey, Sink entrega uma das melhores atuações e rapidamente se torna um dos destaques. A atriz consegue transmitir a força e a vulnerabilidade que sempre marcaram a heroína nos quadrinhos, fazendo com que sua presença vá muito além de um simples gancho para o futuro da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mesmo sem explorar todo o potencial da mutante, nos é apresentada uma versão bastante promissora e que estabelece as bases para a chegada dos </span><a href="https://personaunesp.com.br/x-men-60-anos-artigo/"><span style="font-weight: 400;">X-Men</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sua química com Tom Holland funciona de forma natural e contribui para alguns dos melhores momentos. Uma das cenas de maior destaque acontece quando </span><a href="https://nexuspointnews.com/who-is-jean-grey-heres-everything-you-need-to-know/"><span style="font-weight: 400;">Jean</span></a><span style="font-weight: 400;"> entra na mente de Peter e os dois têm uma conversa que sintetiza o principal conflito da história. Um entende a dor do outro, sendo marcados e assombrados pelas mortes de pessoas importantes para cada um. Ao enxergar tudo o que ele vem carregando nos ombros desde os acontecimentos do </span><a href="https://youtu.be/JfVOs4VSpmA?is=ksM36cyMEKHFdGff"><span style="font-weight: 400;">último filme</span></a><span style="font-weight: 400;">, ela faz com que o protagonista finalmente encare a dor que passou tanto tempo tentando esconder atrás da máscara. É uma sequência íntima, que funciona muito mais pela sensibilidade do que pelos poderes da telepata.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Tom Holland, Zendaya &amp; Jacob Batalon Play Would You Rather" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/HHI9ovCKRpA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto isso, MJ e Ned (Jacob Batalon) acabam ocupando um espaço menor do que muitos poderiam imaginar. </span><a href="https://youtu.be/xlJP1v2j34I?si=8RpGc-Z_AdwhlAP-"><span style="font-weight: 400;">Zendaya</span></a><span style="font-weight: 400;"> continua muito bem no papel e entrega cenas carregadas de emoção ao lado do protagonista. A </span><a href="https://youtu.be/z_k1UGy4-qU?si=hoZhRVqodyqQAGNA"><span style="font-weight: 400;">conexão</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre os dois permanece convincente justamente porque o público acompanhou a construção desse relacionamento ao longo dos filmes anteriores. No entanto, ela acaba funcionando mais como uma lembrança da vida que foi perdida do que como alguém realmente importante para os acontecimentos da história. Ainda assim, cada interação entre os dois carrega um peso emocional que reforça tudo o que foi tirado do personagem desde os acontecimentos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sem Volta Para Casa</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O grande mérito do roteiro está em mostrar que o verdadeiro conflito não é derrotar o vilão, mas impedir que </span><a href="https://youtu.be/qnPISGzfZyM?si=qmD9LJub_HfVUThI"><span style="font-weight: 400;">Peter Parker</span></a><span style="font-weight: 400;"> desapareça por completo. Aos poucos, o Homem-Aranha deixa de ser apenas seu alter ego e passa a ocupar praticamente todo o espaço da sua vida. A máscara deixa de representar apenas responsabilidade e se transforma em uma forma de escapar da dor, da solidão e do vazio deixado por quem já não se lembra de sua existência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa proposta encontra seu melhor momento na cena final. A sequência do hospital ao final é simples, porém tem uma carga emocional. O momento funciona como um paralelo direto ao início da obra anterior, quando Peter era visto com desconfiança e responsabilizado por diversas tragédias. Agora, mesmo sem que ninguém saiba quem está por trás da máscara, a cidade finalmente reconhece o símbolo que ele representa. O momento traz tanto ao herói quanto ao público o sentimento de que tudo vai dar certo, e, de que, apesar de tantos obstáculos, </span><a href="https://deadline.com/gallery/spider-man-brand-new-day-cast-characters-mutants-avengers/"><span style="font-weight: 400;">amanhã</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um novo dia.</span></p>
<figure id="attachment_37424" aria-describedby="caption-attachment-37424" style="width: 780px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37424" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image1-1.png" alt="Cena do filme Homem-Aranha: Um Novo Dia. Na imagem, uma jovem de cabelos escuros e um jovem de cabelos curtos usando óculos de armação preta estão sentados lado a lado em um sofá, em uma sala iluminada de forma suave. Ambos olham para a frente, enquanto ao fundo é possível ver uma cozinha." width="780" height="438" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image1-1.png 780w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image1-1-768x431.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37424" class="wp-caption-text">A tristeza acompanha Peter todos estes anos, principalmente em relação a Ned e MJ (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A pergunta feita no início desta crítica era o que torna uma interpretação do </span><a href="https://youtu.be/4z8xSetKd0M?si=sDne7VpAKR_YX221"><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha</span></a><span style="font-weight: 400;"> realmente marcante. Durante anos, cada ator trouxe uma resposta diferente para essa questão. </span><a href="https://youtu.be/DusJt_WJkno?si=uoOvm7GqHKQar7Jj"><span style="font-weight: 400;">Tobey Maguire</span></a><span style="font-weight: 400;"> ficou marcado pelo peso da responsabilidade, </span><a href="https://youtu.be/0zwNZJbM-Gw?si=PSiSc2DEDqB56odf"><span style="font-weight: 400;">Andrew Garfield</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela humanidade e pelo lado mais emocional do Cabeça de Teia. Depois de quatro filmes, </span><a href="https://youtu.be/YG5fvuXl1yk?si=VoOK8VT5LCH5n6xt"><span style="font-weight: 400;">Tom Holland</span></a><span style="font-weight: 400;"> finalmente encontra sua própria versão. Ao mostrar um Peter Parker que perdeu tudo, mas todos os dias escolhe fazer a diferença, o ator entrega sua atuação mais completa e ajuda a transformar, este, sem dúvidas, o melhor capítulo de sua franquia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de uma grande obra de super-herói, é uma história genuína sobre identidade e sacrifício. Ao entender que ele só funciona quando nunca deixa seu lado humano de lado, o </span><a href="https://youtu.be/71nZWksYfQg?si=-L5-bgtwHMdvAkKi"><span style="font-weight: 400;">longa</span></a><span style="font-weight: 400;"> entrega uma das interpretações mais interessantes do herói nos cinemas, equilibrando ação e emoção de forma marcante. Ao resgatar sua essência, nos reafirma que não é à toa que o personagem ainda é uma das figuras mais amadas da cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Homem-Aranha: Um Novo Dia - Trailer Final (A Jornada de Peter) - Dublado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/bwt2-nyEP0A?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Louis Tomlinson não está com medo de sentir em How Did I Get Here?</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Apr 2026 13:00:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Stephanie Cardoso A história recente do pop tem mostrado que nem sempre a fama garante permanência. Muitos artistas descobrem, depois do auge, que sobreviver fora do fenômeno coletivo exige mais do que reconhecimento imediato. Para quem saiu de uma das maiores boybands, esse desafio se torna ainda mais visível. Louis Tomlinson, moldado pelo sucesso global &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/how-did-i-get-here-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Louis Tomlinson não está com medo de sentir em How Did I Get Here?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37204" aria-describedby="caption-attachment-37204" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37204" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/HDIGH2-800x500.png" alt=" Fotografia de Louis Tomlinson em um ambiente interno com iluminação em tons amarelos e azuis. O cantor, um homem branco de cabelos castanhos curtos e barba rala, aparece de perfil, levemente inclinado em um balcão. Seus braços estão em cima desse balcão e ao seu redor tem uma garrafa e um copo meio cheio. Ele veste uma camisa de tricô bege com listras pretas horizontais e tem diversas tatuagens visíveis nos braços." width="800" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/HDIGH2-800x500.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/HDIGH2-768x480.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/HDIGH2.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37204" class="wp-caption-text">Louis Tomlinson finalmente parece se encontrar em seu mais novo álbum (Foto: BMG)</figcaption></figure>
<p><b>Stephanie Cardoso</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história recente do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">tem mostrado que nem sempre a fama garante permanência. Muitos artistas descobrem, depois do auge, que sobreviver fora do fenômeno coletivo exige mais do que reconhecimento imediato. Para quem saiu de uma das maiores </span><i><span style="font-weight: 400;">boybands</span></i><span style="font-weight: 400;">, esse desafio se torna ainda mais visível. Louis Tomlinson, moldado pelo sucesso global do </span><a href="https://personaunesp.com.br/one-direction-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">One Direction</span></a><span style="font-weight: 400;">, passou os últimos anos tentando se desvincular da sombra de uma banda que definia tudo ao seu redor. Entre expectativas infladas, comparações constantes e uma carreira solo construída com passos cautelosos, sua identidade artística nunca pareceu totalmente resolvida. </span><i><span style="font-weight: 400;">How Did I Get Here</span></i><span style="font-weight: 400;"> nasce exatamente desse conflito: um álbum que questiona o percurso, revisita o passado e tenta, enfim, estabelecer um lugar próprio dentro da indústria atual.</span></p>
<p><span id="more-37203"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde o primeiro instante, o disco nos faz ficar completamente viciados.</span> <span style="font-weight: 400;">Nele, há a sensação de proximidade: é como se o artista estivesse falando diretamente com o </span><a href="https://youtu.be/Uzx4Uc1HbHo?si=03Itz4QevCx4aZwZ"><span style="font-weight: 400;">ouvinte,</span></a><span style="font-weight: 400;"> dividindo medos, esperanças e pequenas vitórias. A obra aposta em melodias envolventes, refrões que grudam e ritmos dançantes que mantêm a energia sempre em movimento. Mesmo quando as letras se inclinam para a vulnerabilidade, a música nunca se fecha em melancolia excessiva. Pelo contrário, encontra força justamente no contraste entre batidas vibrantes e confissões emocionais, equilibrando euforia e fragilidade com naturalidade – tudo isso, com uma lente cor de rosa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://youtu.be/eKs63M1cFts?si=nmXSUWYaPwdgRVw1"><i><span style="font-weight: 400;">Broken Bones</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, sétima faixa do disco, Tomlinson se revela como alguém que abraça as cicatrizes como parte inevitável de um grande desejo em viver intensamente. A canção não fala de um sofrimento passivo, mas de uma escolha: a de errar, cair e se machucar, desde que isso signifique sentir algo real. Quando ele canta sobre “</span><i><span style="font-weight: 400;">adorar uma briga”</span></i><span style="font-weight: 400;"> e preferir “</span><i><span style="font-weight: 400;">o sabor do perigo</span></i><span style="font-weight: 400;">” à segurança do tédio, fica claro que os ossos quebrados funcionam como metáfora para uma vida vivida sem anestesia. Mesmo com arrependimentos, ele faria tudo outra vez, e essa repetição funciona como um mantra, reforçando que os tropeços são apenas o preço de uma jornada que ainda vale a pena ser percorrida.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Eu me arrebentei, é, mas foda-se;</span></i><i><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Eu vou fazer tudo de novo, fazer tudo de novo;</span></i><i><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Não sei quando, mas;</span></i><i><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Eu vou fazer, vou fazer tudo de novo, fazer tudo de novo;</span></i><i><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Com você”</span></i></p>
<figure id="attachment_37205" aria-describedby="caption-attachment-37205" style="width: 681px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37205" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/HDIGH1.png" alt=" Fotografia de Louis Tomlinson em frente a um trailer, durante o dia. Na foto, ele aparece da cintura para cima, vestindo uma camisa polo vermelha e calça jeans clara. Louis está apoiado com as mãos em uma viga de madeira, olhando para o lado. Seus braços estão estendidos, exibindo várias tatuagens. Ao fundo, vê-se uma mesa vermelha" width="681" height="454" /><figcaption id="caption-attachment-37205" class="wp-caption-text">Em entrevista para a Beatroute, Louis disse que suas férias na Costa Rica foram usadas como inspiração para o álbum (Foto: Ed Cooke/Beatroute)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de seu novo trabalho, </span><a href="https://personaunesp.com.br/louis-tomlinson-world-tour-critica/"><span style="font-weight: 400;">Louis Tomlinson</span></a><span style="font-weight: 400;"> já vinha testando os limites de sua carreira solo. O caminho não foi imediato: </span><i><span style="font-weight: 400;">singles </span></i><span style="font-weight: 400;">com sucessos mornos e turnês como artista solo foram recebidos com curiosidade, mas também com expectativa crítica, em um cenário em que cada passo era comparado com o sucesso meteórico de sua antiga banda. Esse período de construção da identidade artística deixou claro que Louis precisava de consistência emocional e narrativa para que sua trajetória solo se consolidasse.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seus trabalhos anteriores, como </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/4F4wlAmPyUVCyISxlePFL9?si=p5EzRIaEQqKeHjemIWxnJw"><i><span style="font-weight: 400;">Walls</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2020) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/faith-in-the-future-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Faith In The Future</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2022), já indicavam essa tentativa de equilíbrio entre o </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">acessível e introspectivo. O primeiro transitava entre baladas sentimentais e faixas de </span><i><span style="font-weight: 400;">pop-rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> com pegada britânica, mostrando maturidade, mas também algumas hesitações em definir um estilo único. Era um disco que buscava firmar sua própria voz, mas ainda se apoiava em referências e estruturas já conhecidas. Com o álbum de 2022, Louis dá um passo adiante: seu trabalho amplia a energia e aposta em composições mais expansivas e otimistas, com refrões mais abertos e uma sonoridade que dialoga melhor com o palco e com o público. Em</span> <span style="font-weight: 400;">seu projeto atual, essa evolução parece mais consolidada, cada canção soa deliberada, com uma coerência temática e emocional que não estava tão evidente em seus últimos trabalhos, revelando um artista que aprendeu a lidar com expectativas, público e a própria vulnerabilidade.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Louis Tomlinson - Imposter (Official Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/rzuD5szQhso?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto alto do lançamento é </span><a href="https://youtu.be/pPkEU6vyJNc?si=F4OAFapX-DQW55rQ"><i><span style="font-weight: 400;">Imposter</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que coloca a crise de identidade no centro da narrativa. A canção mergulha no sentimento de inadequação e na paranoia de quem não se reconhece mais no papel que desempenha. Em cada um dos seus versos tem um toque de insegurança, na qual nos é mostrado o seu desconforto de não se reconhecer mais e de sentir que está interpretando um papel que já não é seu. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://youtu.be/QD-V0Q8LjV8?si=AwC3qpH0E4g4itNW"><span style="font-weight: 400;">letra</span></a><span style="font-weight: 400;"> cria um sentimento de empatia – afinal, quem nunca se sentiu deslocado? – que nos faz perceber que nem todo artista vive em um mundo cor de rosa, apesar da fama. No entanto, mais uma vez, a produção suaviza o impacto emocional, optando por uma sonoridade que acolhe em vez de confrontar. Em vez de realmente nos fazer entender que essa sensação exista, o artista foca mais em uma mensagem superficial, como se quisesse apenas dizer que existe esse problema mas sem de fato discuti-lo. O resultado é eficaz em termos de empatia, entretanto menos incisivo do que poderia ser. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Acho que há um estranho na minha cama</span></i><i><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Meu coração está batendo mais rápido</span></i><i><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Não consigo me livrar dessa sensação</span></i><i><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">De que eu sou o impostor”</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">o longo do </span><a href="https://youtu.be/vZdny43jOyc?si=s9aCBM0roMQEHnhU"><span style="font-weight: 400;">disco</span></a><span style="font-weight: 400;">, a coerência é um dos principais méritos. As faixas se conectam por temas como amadurecimento, pertencimento e reconstrução pessoal, e a produção mantém uma identidade clara do início ao fim. Em contrapartida, também expõe um limite: poucas músicas fogem do terreno já conhecido do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">. Falta, em alguns momentos, o risco que poderia transformar o álbum em um </span><i><span style="font-weight: 400;">statement</span></i><span style="font-weight: 400;"> mais forte dentro da discografia do artista. Além disso, a falta de profundidade lírica é um problema recorrente, já que a mensagem da maior parte das músicas é de uma perspectiva otimista que enfraquece o que foi dito.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Louis Tomlinson - Lemonade (Official Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ipVl6Tw52GA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><a href="https://youtu.be/02QyA29poAM?si=CpYULIjMz24ZWBnt"><i><span style="font-weight: 400;">Dark To Light</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">com certeza é uma das músicas de maior destaque desse trabalho. Nela, vemos uma sinceridade e honestidade diferente da apresentada até aquele momento. Na faixa, vemos o eu lírico dizendo que desejava que a pessoa a visse como ele a vê. Não existe um otimismo de que tudo vai ficar bem, só uma sensação de impotência, de que não há nada a ser feito. É uma letra sensível, que revela uma vulnerabilidade do artista, uma confissão escondida entre seus versos. Na internet, fãs teorizam que a música foi feita para Liam Payne, que também integrou o </span><i><span style="font-weight: 400;">One Direction,</span></i><span style="font-weight: 400;"> e que veio a falecer enquanto Tomlinson trabalhava neste projeto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de seu acerto lírico e conceitual, boa parte das músicas não surpreende. Diversas seguem caminhos previsíveis, oferecendo conforto onde poderia haver um risco maior – como por exemplo, nas canções </span><i><span style="font-weight: 400;">Lemonade</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Sunflower</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ainda assim, a coesão do projeto compensa a falta de risco absoluto, transformando-o em uma narrativa contínua. Dentro de sua carreira solo, seu mais atual projeto marca um ponto de consolidação. O </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-away-from-home-festival-critica/"><span style="font-weight: 400;">cantor</span></a><span style="font-weight: 400;"> não tenta apagar o passado nem se dissociar de suas raízes; ele reconhece a trajetória e constrói a própria voz a partir dela. O lançamento soa como um registro honesto de amadurecimento e autoafirmação, mais seguro em seu próprio território, mas sem perder a sensibilidade que conecta artista e público. O disco soa honesto, controlado e emocionalmente consistente – qualidades importantes, ainda que não revolucionárias. </span></p>
<p><a href="https://beatroutemedia.com/cover_stories/louis-tomlinson/?fbclid=PAT01DUAPwhERleHRuA2FlbQIxMABzcnRjBmFwcF9pZA81NjcwNjczNDMzNTI0MjcAAae0DuSNeLonwSC4g9BytYnw7xuNqTASjhrzhuPK9sOLSB5oQAYbco3F3MfI9A_aem_GDzr-0ZZSvvEIDfoW4WvIg"><i><span style="font-weight: 400;">How Did I Get Here</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não muda os rumos do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">atual, tampouco soa irrelevante. Seu valor está menos no impacto imediato e mais na construção de uma identidade que, finalmente, parece estável. É um álbum que prefere clareza a ousadia e maturidade a espetáculo – escolhas que talvez não gerem manchetes, porém sustentam uma carreira. Para Louis Tomlinson, isso não é pouco: é a confirmação de que ele sabe exatamente onde está.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: How Did I Get Here?" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/5Ihp8gEWnduyUdUqcxqkzB?si=yIkoBltQRWauI2rOelA5Sw&amp;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Em sua segunda temporada, Percy Jackson e Os Olimpianos encontra seu equilíbrio no temido Mar de Monstros</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Apr 2026 13:00:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Stephanie Cardoso Uma das maiores preocupações sempre que uma adaptação literária é divulgada é sobre o quão fiel será ao material original. Anunciada em 2020, a série Percy Jackson e os Olimpianos veio como uma chama de esperança para os fãs após os criticados filmes feitos pela Fox na década passada. Entretanto, às vezes, o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-percy-jackson-e-os-olimpianos-o-mar-de-monstros/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em sua segunda temporada, Percy Jackson e Os Olimpianos encontra seu equilíbrio no temido Mar de Monstros"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37059" aria-describedby="caption-attachment-37059" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37059" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-4.png" alt="Cena da série Percy Jackson e os Olimpianos. Na imagem, um jovem branco com cabelos loiros cacheados, com uma mochila preta e vermelha, está ao lado de uma jovem negra com cabelos longos em tranças. Ambos seguram espadas e estão em uma área de floresta durante o dia" width="750" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-37059" class="wp-caption-text">Percy Jackson prova mais uma vez que a escolha de Leah Jeffries e Walker Scobell para os papéis de Annabeth Chase e Percy foram mais que acertadas (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><b>Stephanie Cardoso</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das maiores preocupações sempre que uma adaptação literária é divulgada é sobre o quão fiel será ao material original. Anunciada em 2020, a série </span><a href="https://personaunesp.com.br/percy-jackson-e-os-olimpianos-1a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Percy Jackson e os Olimpianos</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">veio como uma chama de esperança para os fãs após os </span><a href="https://recreio.com.br/noticias/entretenimento/por-que-rick-riordan-nao-gosta-dos-filmes-de-percy-jackson.phtml"><span style="font-weight: 400;">criticados</span></a><span style="font-weight: 400;"> filmes feitos pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Fox </span></i><span style="font-weight: 400;">na década passada. Entretanto, às vezes, o desejo é como uma faca de dois gumes. Durante sua primeira temporada, o que era pra se tornar o seu maior triunfo veio como o seu maior defeito: fidelidade ao extremo. Apesar de finalmente honrar o legado da saga, a produção acabou pagando o preço ao não conseguir traduzir a obra para uma linguagem de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> – o que ocasionou em cenas avulsas que não faziam tanto sentido para o audiovisual. </span></p>
<p><span id="more-37056"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Agora, com o seu </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-a-2a-temporada-de-percy-jackson/"><span style="font-weight: 400;">segundo ano</span></a><span style="font-weight: 400;"> vindo ao ar, a saga sobre o filho de Poseidon conseguiu alcançar o que faltou antes: equilíbrio. Desta vez, acompanhamos Percy Jackson (Walker Scobell) um ano depois dos eventos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ladrão de Raios </span></i><span style="font-weight: 400;">e da revelação da traição de Luke Castellan (Charlie Bushnell). De volta ao Acampamento Meio Sangue junto de Annabeth Chase </span><span style="font-weight: 400;">(Leah Jeffries) e seu meio-irmão Tyson (Daniel Diemer),</span><span style="font-weight: 400;"> ele terá a missão de resgatar o seu amigo Grover Underwood </span><span style="font-weight: 400;">(Aryan Simhadri)</span><span style="font-weight: 400;">, e de quebra, salvar o acampamento. Sua nova jornada tem um cenário bastante conhecido – e temido – pelos heróis gregos e lar do famoso Velocino de Ouro: o Mar de Monstros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ciente de seu compromisso de superar sua temporada anterior, a nova leva de episódios não mediu esforços para se livrar de todas as desconfianças de sua antecessora. Com episódios focados e enredos mais interessantes, a série se destaca pela dupla </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/romance-annabeth-percy-jackson-e-os-olimpianos-segunda-temporada"><span style="font-weight: 400;">Percy e Annabeth</span></a><span style="font-weight: 400;">. A química entre eles parece saltar da tela, marcada por olhares e palavras ditas – afinal, comunicação não é um problema entre eles por agora. Capítulos como </span><a href="https://youtu.be/uKH6W2LH6eU?si=C7b3B3q8C95drT65"><i><span style="font-weight: 400;">Damos entrada no Spa e Resort C.C.</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> mostram ainda mais a parceria e cumplicidade entre o par, onde o bem estar um do outro é sempre o mais importante. Dá para sentir o cuidado que a produção tem com esses personagens tão amados pelo público. Leah e Walker são um fenômeno à parte, com performances que nos fazem perceber o carinho e entendimento que têm por seus papéis. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="PERCY JACKSON: Elenco fala sobre o amor do Brasil, 2ª temporada e conexão com os livros | Entrevista" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/G9Jk7JsTK6M?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Apresentar novos membros ao </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">nem sempre é uma tarefa fácil, mas </span><i><span style="font-weight: 400;">Percy Jackson e os Olimpianos </span></i><span style="font-weight: 400;">conseguiu fazer isso com maestria. </span><a href="https://youtu.be/Nk3UVNow-W0?si=ov2GEbJ6VdGTvask"><span style="font-weight: 400;">Tyson</span></a><span style="font-weight: 400;">, um dos novos integrantes da trama, nos consegue fazer sentir uma enorme afeição por ele desde os primeiros momentos. Apesar de ser um </span><a href="https://super.abril.com.br/especiais/monstros-e-criaturas-fantasticas-da-mitologia-grega/"><span style="font-weight: 400;">‘monstro’</span></a><span style="font-weight: 400;"> na percepção dos semideuses, seu jeito inocente rouba a cena, mesmo perto de personagens já consolidados na história. Sua primeira aparição também é um ponto alto, já que nos deixa em expectativa para saber quem é que acompanhou o protagonista em seu ano escolar. Mesmo não tendo recebido o melhor dos tratamentos por parte de seu irmão – o que nos faz querer entrar na tela e dar um chacoalhão em Perseus – ainda é leal e faz de tudo para o ajudar e ser útil.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra nova adição que merece destaque é </span><a href="https://youtu.be/JQhAozc8W6Y?si=hQKMreo6RvK2CWuy"><span style="font-weight: 400;">Thalia Grace</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Tamara Smart). Ainda que seja mencionada no ciclo anterior, sua aparição nos fez realmente perceber a sua importância. Entre </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks </span></i><span style="font-weight: 400;">e menções, a sua presença nos fez se sentir mais ansiosos a cada minuto para entender o quão grandiosa será a sua influência nos eventos tantos passados, quanto futuros. Como filha do principal Deus Olimpiano, Grace é uma possível outra ‘criança da profecia’, e com isso, responsável pelo futuro do Olimpo. E apesar de não estar presente fisicamente nos últimos anos, é motor para as maiores decisões da trama – como a traição de Luke, por exemplo. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Episódio 4 | A História de Origem de Luke e Thalia | Percy Jackson e os Olimpianos - Podcast Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/E60rbz3wGeU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Sua relevância já era demonstrada por meio de diálogos, mas entender o porquê é algo que faz a série chegar ao seu ápice. É interessante ver como a produção não deixou tão claro a função dela na narrativa: não se sabe se vai ser uma provável vilã ou heroína – nem os próprios protagonistas conseguem ter essa certeza. A </span><a href="https://mais.opovo.com.br/jornal/vidaearte/2025/10/05/vilas-ou-apenas-humanas-como-a-dualidade-dos-antagonistas-impacta-a-recepcao-do-publico.html"><span style="font-weight: 400;">dualidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> dessa escolha é o que nos deixa mais curiosos sobre o seu futuro, sobretudo após a sua cena final.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não dá pra falar da filha de </span><a href="https://recreio.com.br/noticias/entretenimento/por-que-a-2a-temporada-de-percy-jackson-conta-com-um-novo-zeus.phtml"><span style="font-weight: 400;">Zeus</span></a><span style="font-weight: 400;"> sem falar sobre as mudanças ao adaptar o segundo livro da saga. Seu arco foi quase totalmente mudado durante a temporada, em comparação com a obra original. Entretanto, isso não fez qualquer diferença, pelo contrário, deixou a história ainda mais interessante. Às vezes, os roteiristas de uma adaptação precisam entender que não é fidelidade de página a página que faz algo ser fiel e sim sobre manter a essência – afinal, não é tudo que faz sentido no livro que vai funcionar nas telas. Pelo menos, parece que </span><a href="https://youtu.be/AqUsZ5EBmv4?si=OrB2wGYZ16CxlOR_"><span style="font-weight: 400;">Rick Riordan</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Jon Steinberg finalmente entenderam o recado.</span></p>
<figure id="attachment_37058" aria-describedby="caption-attachment-37058" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37058" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-5.png" alt="Cena da série Percy Jackson e os Olimpianos. Na imagem, vemos uma jovem negra com cabelos cacheados pretos, usando jaqueta de couro preta e camiseta escura. Ela segura um escudo metálico e está em uma floresta com clima noturno" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-5.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-5-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37058" class="wp-caption-text">Mesmo com o pouco tempo de tela, Tamara Smart rouba a cena quando aparece na segunda temporada (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A traição de </span><a href="https://youtu.be/36RdhgGkV0s?si=CVJSPc-gLEnlLrC5"><span style="font-weight: 400;">Luke Castellan</span></a><span style="font-weight: 400;">, já impactante no primeiro ano, ganha ainda mais força nos novos episódios. Ao lado de </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/mitologia/cronos.htm"><span style="font-weight: 400;">Cronos</span></a><span style="font-weight: 400;">, o temido titã, o filho de Hermes parte em busca do Velocino de Ouro. Castellan se torna um dos personagens mais bem aproveitados do enredo, com atos que mostram que ele já está no caminho para ser um bom antagonista. Suas cenas mais marcantes são com Annabeth, onde há todo um drama emocional envolto. Se em algum momentos houve alguma esperança para algum arco de redenção, o final nos mostra que não há nenhuma chance. Luke – com toda a sua ambição fria – assume, sem medo, o papel de vilão por acreditar em sua causa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A descoberta de novos traidores no Acampamento foi algo importante para a narrativa, em especial para </span><a href="https://youtu.be/w_fhIXhnYK0?si=laxaQkvNCuAOI6bZ"><span style="font-weight: 400;">Clarisse La Rue</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Dior Goodjohn). Com ainda mais importância nessa temporada – se tornando praticamente uma das protagonistas – a filha de Áries conseguiu se provar para o pai e também para o público. Com atitudes mais do que questionáveis durante o ano anterior – entre elas tentar afogar a cabeça de Percy na privada, por exemplo –, a campista teve um arco próprio e entendemos melhor o porquê dela agir de maneira mais fechada. Com cenas variando entre engraçadas e dramáticas, La Rue foi um pilar dessa fase, participando de momentos pertinentes como a leva do Velocino de Ouro para o acampamento. Sua evolução é destaque, com jeitos que demonstram quem é a verdadeira Clarisse – mesmo que nem ela saiba direito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de a maior parte dos protagonistas terem sido bem aproveitados durante a temporada, não se pode dizer o mesmo sobre </span><a href="https://youtu.be/4NxehKCYOo4?si=xDQGlD9wpd0KuvPn"><span style="font-weight: 400;">Grover Underwood</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com o seu arco resumido a cenas cômicas, não houve uma tentativa de aprofundamento em seu enredo. Acabou se tornando alguém esquecível para a trama, mesmo que fosse uma das maiores motivações para a principal missão dessa temporada. Ainda que tenha sido essencial para o ano anterior, desta vez foi resumido a um mero </span><a href="https://youtu.be/D-Bcg6BCsiE?si=kwAUbaO_TA9Yw6Gu"><span style="font-weight: 400;">vestido de noiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> – o que não é justo para um personagem tão interessante.</span></p>
<figure id="attachment_37057" aria-describedby="caption-attachment-37057" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37057" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-5-800x535.png" alt="Foto da premiere brasileira da série Percy Jackson e os Olimpianos. Na imagem, quatro jovens atores posam sorridentes em frente a um painel com o logo da série. Dois rapazes com cabelos escuros e curtos vestem uniformes amarelos da seleção brasileira de futebol. Entre eles, uma jovem negra com cabelos longos e ondulados usa uma jaqueta cropped branca e calça branca. Ao lado deles, um rapaz branco de cabelos loiros e encaracolados sorri para a câmera. Todos os rapazes estão com a camisa da seleção brasileira" width="800" height="535" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-5-800x535.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-5-1024x684.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-5-768x513.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-5-1536x1027.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-5-1200x802.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-5.png 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37057" class="wp-caption-text">Os atores Aryan Simhadri, Leah Jeffries, Walker Scobell e Charlie Bushnell estiveram no Brasil em dezembro para a CCXP (Foto: Andy Santana/Brasil News)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da evolução dos integrantes da trama, não tem como deixar de mencionar a do próprio </span><a href="https://youtu.be/VQG_x28dr3I?si=GXqvHEc4oY2z4Eoi"><span style="font-weight: 400;">roteiro</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com um melhor entendimento e mais seguro de si, o enredo consegue andar com mais naturalidade sem precisar se apoiar totalmente no livro ou no conhecimento dos fãs. Sem cenas paralelas ou que não agregassem na história, a série parece finalmente ter entendido qual sentido quer ter. A direção de </span><a href="https://youtu.be/m7vIyo4dSOw?si=1vi6SgmGIkJNH5Ip"><span style="font-weight: 400;">James Bobin</span></a><span style="font-weight: 400;"> acompanha esse crescimento com uma estética mais segura e consistente. A produção parece mais confortável no próprio universo visual. Há bons enquadramentos, ritmo bem controlado e uma identidade que começa a se encontrar. Momentos grandiosos, como a corrida de bigas ou a </span><a href="https://youtu.be/eFJASAHPJUk?si=IWe4bn3zDf6pNrVZ"><span style="font-weight: 400;">Ilha de Circe</span></a><span style="font-weight: 400;">, são conduzidos com energia e clareza. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Percy Jackson e os Olimpianos</span></i><span style="font-weight: 400;"> retorna com uma temporada que sem sombra de dúvidas, consegue superar em tudo a sua primeira. Dá para notar que a produção fez a sua lição de casa e ouviu os fãs. Com um final de expectativas, os espectadores já podem contar nos dedos para a estreia de seu </span><a href="https://imprensa.disney.com.br/novidades/percy-jackson-e-os-olimpianos-retornam-para-sua-terceira-temporada-no-fim-deste-ano-no-disney+"><span style="font-weight: 400;">terceiro ano</span></a><span style="font-weight: 400;">, que já foi confirmado e tem previsão de estreia para o final do ano. Se ousar um pouco mais, a série não só cumprirá sua promessa de fazer jus a obra original, como tem tudo para se tornar memorável.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Percy Jackson e os Olimpianos | Trailer Oficial 3 Dublado | Disney+" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/KppxTMh05Xs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>The Buccaneers entrega vestidos lindos, romances arrastados e menos alma feminina em sua 2º temporada</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Mar 2026 13:00:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Stephanie Cardoso A segunda temporada de The Buccaneers, série original da Apple TV+, chega tentando manter o charme, mas tropeça justamente onde era mais potente: a amizade entre mulheres. O que na estreia parecia um manifesto delicado sobre juventude feminina, pertencimento e afeto – aquele calor de girlhood, para usar o termo consagrado nos círculos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/thebuccaneers-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "The Buccaneers entrega vestidos lindos, romances arrastados e menos alma feminina em sua 2º temporada"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36934" aria-describedby="caption-attachment-36934" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36934" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Buccaneers1.png" alt=" Imagem promocional da série The Buccaneers. Cinco mulheres estão deitadas de costas em um campo verde cheio de pequenas flores brancas. Elas usam vestidos de cores suaves e românticas, com flores presas no cabelo. Elas estão dispostas em círculo com as cabeças próximas e olhando para cima" width="512" height="384" /><figcaption id="caption-attachment-36934" class="wp-caption-text">A amizade e irmandade feminina – que era pra ser o foco da série – acabou sendo deixado para segundo plano na nova temporada (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><b>Stephanie Cardoso</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A segunda temporada de </span><a href="https://bravo.abril.com.br/cinema-tv/the-buccaneers-o-que-e-diferente-do-livro-original-de-edith-wharton/"><i><span style="font-weight: 400;">The Buccaneers</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, série original da </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple TV+</span></i><span style="font-weight: 400;">, chega tentando manter o charme, mas tropeça justamente onde era mais potente: a amizade entre mulheres. O que na estreia parecia um manifesto delicado sobre juventude feminina, pertencimento e afeto – aquele calor de </span><a href="https://blog.paraisofeminino.com.br/girlhood-a-tendencia-ultra-feminina-que-veio-para-ficar/"><i><span style="font-weight: 400;">girlhood</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, para usar o termo consagrado nos círculos culturais – agora vira pano de fundo para intrigas românticas e melodramas em câmera lenta. Visualmente, continua um deslumbre, porém, narrativamente é como trocar um diário íntimo por uma coluna social de revista de época.</span></p>
<p><span id="more-36932"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirada no romance inacabado de Edith Wharton – publicado postumamente em 1938 – </span><i><span style="font-weight: 400;">The Buccaneers</span></i><span style="font-weight: 400;"> tinha tudo para ser uma adaptação literária com fôlego crítico e emoção à flor da pele. A escritora, conhecida por obras como </span><a href="https://youtu.be/0uPg36iMlGU?feature=shared"><i><span style="font-weight: 400;">A Época da Inocência</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1993) – que foi adaptada por Martin Scorsese – e </span><i><span style="font-weight: 400;">A Casa da Alegria </span></i><span style="font-weight: 400;">(1995), já explorava as tensões entre </span><a href="https://youtu.be/eCa459WluZg?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">mulheres e sociedade</span></a><span style="font-weight: 400;"> com rara sofisticação. A primeira temporada honra esse legado – garotas americanas ricas invadindo a aristocracia britânica com vestidos ousados, atitudes mais ainda, e uma solidariedade de fazer inveja a muitos clubes de cavalheiros. Havia ternura, tensão, pequenas revoluções cotidianas e falava de </span><i><span style="font-weight: 400;">girlhood</span></i><span style="font-weight: 400;"> – essa experiência densa, confusa, brilhante e, por vezes, sombria de ser jovem mulher num mundo que te julga antes mesmo de você se descobrir.</span></p>
<figure id="attachment_36935" aria-describedby="caption-attachment-36935" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36935" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Buccanners2.jpg" alt="Cena da série The Buccaneers. Vemos na imagem Nan, uma mulher branca, de cabelo preso para trás, usando um vestido vermelho elegante e tomara que caia. Ela está de perfil para a direita e tem um batom vermelho. Ao fundo, há um grupo de pessoas vestidas formalmente em trajes de época, em um jardim com vegetação verde " width="512" height="222" /><figcaption id="caption-attachment-36935" class="wp-caption-text">A produção foi a segunda adaptação da obra literária, sendo a primeira uma série em 1995 (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A nova temporada parece desconfortável com o próprio silêncio. Tudo precisa ser resolvido com escândalo, cartas escondidas ou paixões proibidas. O núcleo da </span><a href="https://youtu.be/FaDFty5ipEg?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">amizade</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre Nan (Kristine Froseth), Conchita (Alisha Boe), Jinny (Imogen Waterhouse), Lizzy (Aubri Ibrag) e Mabel (Josie Totah) – o coração da história – praticamente evapora. Em seu lugar, surgem rivalidades forçadas, decisões passionais e um clima de ‘vale tudo pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twist</span></i><span style="font-weight: 400;">’. A sensibilidade dá lugar ao choque, e o olhar delicado sobre o feminino vira vitrine para dilemas de novela das cinco com produção de </span><a href="https://personaunesp.com.br/ainda-estou-aqui-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><a href="https://youtu.be/rdSajlISTRM?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Kristine Froseth</span></a><span style="font-weight: 400;"> perde parte da força que a tornava tão magnética, a personagem que antes parecia movida por princípios, agora age com hipocrisia e uma certa arrogância disfarçada de empoderamento. Ela cobra dos outros uma honestidade emocional que a própria não pratica. Diz lutar por liberdade e autonomia, mas manipula os sentimentos de Guy (Matthew Broome) e Theo (Guy Remmers) com uma ambiguidade moral desconcertante. Ao esconder verdades importantes e seguir tomando decisões impulsivas – algumas que afetam diretamente a vida das pessoas ao redor – se torna menos uma heroína feminista e mais uma anti-heroína mimada. A série parece não perceber essa virada de tom e continua tratando suas atitudes como grandes gestos de coragem, quando na verdade são, muitas vezes, apenas egoísmo disfarçado de protagonismo.</span></p>
<figure id="attachment_36936" aria-describedby="caption-attachment-36936" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36936" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Buccaneers3.jpg" alt="Cena da série The Buccaneers. Vemos Nell (Leighton Meester), uma mulher branca com cabelo ruivo, preso em cachos e enrolado ao redor da cabeça. Ela usa um chapéu azul decorado com flores e um vestido azul claro com detalhes em renda preta, gola alta com babados brancos. O fundo está desfocado e escuro" width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-36936" class="wp-caption-text">Uma das surpresas da temporada foi ver Leighton Meester interpretar a mãe biológica de Nan – e tentar não lembrar da Blair de Gossip Girl enquanto assistia os episódios (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse descompasso fica ainda mais evidente em seu arco com a sua mãe biológica, </span><a href="https://youtube.com/shorts/_cBtAvwsNqw?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Nell</span></a><span style="font-weight: 400;"> (vivida por Leighton Meester, a Blair de </span><a href="https://personaunesp.com.br/gossip-girl-15-anos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Gossip Girl</span></i></a><span style="font-weight: 400;">). O reencontro entre elas tinha tudo para ser emocionalmente devastador, um mergulho nas origens e nas contradições sociais que cercam a trajetória de Nan. Contudo a produção passa por isso com pressa, sem dar tempo para a dor, o confronto, a reconciliação ou mesmo para o conflito real. O que poderia ser um dos momentos mais ricos da temporada se dilui em cenas rápidas, quase esquecíveis, que tratam com superficialidade um tema que merecia muito mais densidade. A impressão é de que até esse pedaço da história foi sacrificado para abrir espaço para mais um drama romântico qualquer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez por isso, quem vem roubando os holofotes nesta temporada é a personagem vivida por </span><a href="https://youtu.be/b-uRjOwewpU?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Aubri Ibrag</span></a><span style="font-weight: 400;">. Lizzy, que antes orbitava discretamente a história principal, ganhou corpo, carisma e uma profundidade emocional mais convincente que a da própria protagonista. Nas redes sociais, o culto a personagem cresceu a cada episódio: vídeos, </span><i><span style="font-weight: 400;">fan edits</span></i><span style="font-weight: 400;"> e discussões exaltam sua sensatez, sua trajetória silenciosa e sua autenticidade – tudo o que parece ter evaporado do arco de Nan. É como se o público tivesse encontrado nela aquilo que a série prometeu com a protagonista, entretanto, não entregou: uma mulher jovem, complexa, ética e que amadurece sem precisar passar por cima dos outros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além das presenças femininas da obra, a figura do </span><a href="https://youtu.be/-6BvnK7slWM?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Theo</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma das poucas surpresas agradáveis. Durante a temporada, seu arco entrega um dos raros momentos de sinceridade emocional ao passar dos episódios. Já Guy, o antigo amor de Nan, vira quase um mártir passivo, preso numa </span><a href="https://youtu.be/d2Q5uh35up4?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">dinâmica</span></a><span style="font-weight: 400;"> injusta onde o afeto nunca é retribuído com a mesma integridade. A série parece querer que o público torça por sua ex-parceira a qualquer custo, contudo ignora o quanto ela se afasta da empatia e da ética em nome de sua própria narrativa.</span></p>
<figure id="attachment_36933" aria-describedby="caption-attachment-36933" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36933" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Buccaneers4.png" alt="Cena da série The Buccaneers. Cinco mulheres estão em pé, lado a lado, segurando suas saias ou mãos, olhando para a direita. Elas vestem roupas de época em tons pastel e terrosos, com detalhes bordados ou rendados. O jardim atrás delas tem plantas verdes e uma casa antiga parcialmente visível " width="512" height="341" /><figcaption id="caption-attachment-36933" class="wp-caption-text">O que era pra ser uma série sobre amizade e empatia feminina se tornou tudo menos isso (Foto: Angus Pigott/Apple TV+/The Forge Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, não dá para dizer que </span><a href="https://youtu.be/4wzf9W-utdc?feature=shared"><i><span style="font-weight: 400;">The Buccaneers</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> virou um desastre, a obra ainda é belíssima, tem um elenco com química e apresenta momentos isolados de potência – como as tramas centradas em </span><a href="https://youtu.be/GTQzCDp5qI8?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Jinny</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://youtu.be/nALMKoHEHl8?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Mabel</span></a><span style="font-weight: 400;">, que falam de temas como abuso e sexualidade com alguma coragem. Mas tudo isso parece surgir em meio ao caos, como relances de um seriado que já foi mais consciente de si mesma. Há menos escuta entre as personagens, afeto genuíno e espaço para as pequenas revoluções que antes costuravam cada episódio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez o problema seja justamente o tom, a série parece querer crescer junto com suas personagens, entretanto confunde o amadurecimento com o abandono de suas raízes. O foco deslocado da amizade para o drama romântico esvazia o que havia de mais revolucionário: mulheres que se escolhem, se defendem e se reconhecem. Sem isso, sobra só o que vemos em outras dezenas de </span><a href="https://personaunesp.com.br/bridgerton-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">dramas de época</span></a><span style="font-weight: 400;">: bailes, vestidos, beijos proibidos. Bonito? Sempre. Original? Nem tanto.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Buccaneers </span></i><span style="font-weight: 400;">seguiu os passos da primeira temporada</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">ou</span> <span style="font-weight: 400;">seja</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">continuou sendo um deleite visual. Porém, para uma produção que começou com promessas de romper padrões e recontar o feminino com nuance e afeto, essa </span><a href="https://youtu.be/ebLFnnSEpkE?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">segunda temporada</span></a><span style="font-weight: 400;"> parece ter trocado a alma pelo verniz – e uma protagonista complexa por uma figura contraditória que se recusa a lidar com suas próprias falhas. Ainda há tempo para voltar a navegar com propósito, mas, por enquanto, o navio parece à deriva – lindo, caro, porém sem bússola.</span></p>
<p><a href="https://youtu.be/3p6ZMqvw3XY?si=Iengf-qpQzj9GMbz"><span style="font-weight: 400;">The Buccaneers &#8211; trailer 2° temporada</span></a></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Persona Entrevista: Cíntia Domit Bittar</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Nov 2025 14:08:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[2025]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em conversa com o Persona, a diretora fala sobre o processo de criação de Virtuosas, filme premiado na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo Stephanie Cardoso Virtuosas (2025) apresenta um retrato inquietante do conservadorismo contemporâneo, conforme evidenciado em sua exibição na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, na seção Mostra Brasil. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/entrevista-cintia-domit-bittar/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Persona Entrevista: Cíntia Domit Bittar"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span id="docs-internal-guid-d6e903b1-7fff-f5ef-f267-cfe59e93393d"><span style="font-size: 11pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #000000; background-color: transparent; font-style: italic; font-variant-numeric: normal; font-variant-east-asian: normal; font-variant-alternates: normal; font-variant-position: normal; font-variant-emoji: normal; vertical-align: baseline; white-space-collapse: preserve;">Em conversa com o Persona, a diretora fala sobre o processo de criação de Virtuosas, filme premiado na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></span></p>
<figure id="attachment_36502" aria-describedby="caption-attachment-36502" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36502" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Persona-Entrevista-Mostra-2025-1-1-800x450.jpg" alt="Arte de Abertura. Na imagem há o texto &quot;Persona Entrevista: Cíntia Domit Bittar&quot;. Ao lado direito há uma foto da diretora, uma mulher branca de cabelos castanhos ondulados curtos e olhos castanhos. Ela está de perfil com uma feição séria. O fundo da arte é preto com detalhes em verde. Há ainda o logo do Persona e da 49ª Mostra de Cinema em São Paulo. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Persona-Entrevista-Mostra-2025-1-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Persona-Entrevista-Mostra-2025-1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Persona-Entrevista-Mostra-2025-1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Persona-Entrevista-Mostra-2025-1-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Persona-Entrevista-Mostra-2025-1-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Persona-Entrevista-Mostra-2025-1-1.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36502" class="wp-caption-text">O filme Virtuosas nos faz enxergar uma realidade que cada vez mais se torna presente na sociedade – mesmo que não percebamos (Arte: Arthur Caires)</figcaption></figure>
<p><b>Stephanie Cardoso</b></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/virtuosas-nos-mostra-uma-realidade-escondida-porem-em-ascensao/"><i><span style="font-weight: 400;">Virtuosas</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2025) apresenta um retrato inquietante do conservadorismo contemporâneo, conforme evidenciado em sua exibição na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, na seção Mostra Brasil. Dirigido por Cíntia Domit Bittar, o título conquistou o Prêmio Netflix, confirmando o reconhecimento de sua força narrativa. A obra mergulha no contexto dos grupos de ‘Mulheres Virtuosas’ no país. O longa acompanha Virginia (</span><a href="https://youtu.be/SSbNkMH0ob0?si=6GYG2Af6N_ODROz2"><span style="font-weight: 400;">Bruna Linzmeyer</span></a><span style="font-weight: 400;">), uma influenciadora que defende a submissão feminina e o cuidado exclusivo com a família, usando a retórica da moralidade para exercer controle. Por trás da aparente devoção, a personagem manipula, engana e silencia em nome de princípios ideológicos. </span></p>
<p><span id="more-36465"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A narrativa se desenrola em uma residência isolada, que, com conexão limitada e atividades que simulam espiritualidade, funciona como um microcosmo de poder. A tensão crescente entre as participantes, onde regras de perfeição se transformam em prisões psicológicas, serve como pano de fundo para a crítica comunitária. Esse ambiente se torna o palco de uma escalada de violência e superstições que reflete o quanto a coletividade opta por controlar figuras femininas em vez de questionar as estruturas que as restringem. Em entrevista, a diretora detalha a pesquisa que deu origem ao projeto, a ousada escolha do gênero </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/slasher-gore-trash-e-mais-conheca-os-principais-subgeneros-do-terror/"><span style="font-weight: 400;">Terror</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a construção das figuras que habitam este cenário de histeria e violência.</span></p>
<figure id="attachment_36501" aria-describedby="caption-attachment-36501" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36501" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-800x335.jpg" alt="Cena do filme Virtuosas. Cinco mulheres estão alinhadas em um palco com um painel de madeira ao fundo. Da esquerda para a direita: uma mulher loira de blusa de seda e saia longa marrom; uma mulher segurando um bebê, vestindo um vestido plissado rosa; uma mulher negra com blusa branca e saia longa bege; uma mulher de blusa estampada, saia verde e tiara branca, segurando um microfone; e uma mulher de túnica longa rosa e calça larga. Há decorações com plantas secas nas extremidades do palco." width="800" height="335" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-1536x643.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-1200x503.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36501" class="wp-caption-text">Virtuosas teve três sessões de exibição durante a 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Fotos: Novelo Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>De onde surgiu a ideia de fazer o filme </b><b><i>Virtuosas</i></b><b> e o que te levou a querer retratar o conservadorismo por esse olhar feminino?</b></p>
<p><b>Cíntia Domit Bittar</b><span style="font-weight: 400;">: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu já tinha um estudo bastante amplo sobre todo o panorama do conservadorismo. Por volta de 2016, o termo Trad Wife começou a ganhar visibilidade nos Estados Unidos e na Europa. Paralelamente, eu não encontrava algo relacionado exatamente a esse movimento no nosso país, com força. A pista surgiu quando Michele Bolsonaro, na época das joias, fez um post no Instagram com o início do Provérbios 31. Notei várias mulheres recitando essa passagem. Decidi investigar a expressão ‘mulher virtuosa’ e fiz uma conexão que é fortíssima: existe uma relação direta entre esses grupos brasileiros e o movimento Trad Wife Estrangeiro. É praticamente a mesma coisa, com a diferença de que, aqui, é um termo que ainda não ganhou notoriedade na imprensa. É surpreendente, pois são milhares e muito organizadas, com encontros e palestras”.</span></i></p>
<p><b>Na sua opinião, o movimento Virtuosas se esconde por trás do </b><b><i>Trad Wife</i></b><b>, já que não é muito conhecido aqui no Brasil?</b></p>
<p><b>Cíntia Domit Bittar:</b> <i><span style="font-weight: 400;">“Não acredito que seja uma questão de se esconder. O movimento Trad Wife demorou a se popularizar no nosso país, e, ao mesmo tempo, grupos de Mulheres Virtuosas já existiam. Isso está ligado ao ascenso do ultraconservadorismo no Ocidente de forma geral. Eles se manifestam de maneiras diversas, mas sempre unidos pela noção de submissão feminina, de ser dedicada ao lar, e de que o feminismo é visto como algo ‘quase satânico’. O alicerce é o cristianismo, seja ele católico ou neopentecostal”.</span></i></p>
<figure id="attachment_36500" aria-describedby="caption-attachment-36500" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36500" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-1-800x335.jpg" alt="Cena do filme Virtuosas. Close-up de uma mulher loira com o rosto coberto de sangue, chorando e com os olhos fechados. Ela usa um colar de pérolas e uma blusa branca com detalhes em pérolas, também manchada de sangue. Há uma luz suave iluminando seu rosto contra um fundo escuro." width="800" height="335" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-1-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-1-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-1-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-1-1536x643.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-1-1200x503.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-1.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36500" class="wp-caption-text">A atriz Lorena Lourenção é uma das grandes estrelas de Virtuosas (Foto: Novelo Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Como você chegou à decisão de usar o terror como gênero em seu filme?</b></p>
<p><b>Cíntia Domit Bittar:</b> <i><span style="font-weight: 400;">“Eu adoro o horror, é o meu gênero preferido. Eu acho que ele é um gênero excelente para fazer comentários sociais. Não considero que Virtuosas seja panfletário. A intenção é que o espectador reflita sobre o assunto através das imagens e das situações que criamos. No âmbito do horror feminista, acho instigante quando ele se propõe a trabalhar mulheres em papéis de vilania ou com ambiguidade moral. O longa se insere em um contexto de horror baseado no real que, acredito, expande para fora da tela. É um terror que faz rir, mas que carrega um desfecho trágico. A narrativa, inclusive, oscila entre ironia e terror psicológico, em alguns momentos aproximando-se do caricato. Esse tom exagerado intensifica o desconforto, tornando a linha entre absurdo e realidade quase indistinta”.</span></i></p>
<p><b>A Virgínia, personagem da Bruna Linzmeyer, é uma </b><b><i>coach</i></b><b> de mulheres conservadoras, e muita coisa que ela fala ali parece caricata, mas ao mesmo tempo é real. Como foi fazer a construção desta personagem?</b></p>
<p><b>Cíntia Domit Bittar:</b> <i><span style="font-weight: 400;">“Tanto a Virgínia quanto as demais figuras partiram de uma pesquisa muito forte. Há diálogos que são quase transcrições de eventos que assistimos. Falas que podem soar como exagero para quem não está dentro desse universo, mas ao mesmo tempo é real. Elas utilizam artifícios como a lógica de que ‘todo mundo é submisso a alguma coisa, por que não ser submisso à família então?’. Isso convence muitas pessoas. Usamos muito dessas frases prontas, de coach, que simplificam a complexidade delas. A Virgínia, por exemplo, é elegantíssima, quebrando o estereótipo de que essas mulheres são bregas ou se vestem mal. A interpretação de Linzmeyer cria uma figura sedutora e ameaçadora, cujo desejo de poder se disfarça de devoção”.</span></i></p>
<figure id="attachment_36499" aria-describedby="caption-attachment-36499" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36499" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-2-800x335.jpg" alt="Cena do filme Virtuosas. Uma mulher com cabelo castanho escuro e liso, vestindo um colete bege sobre uma blusa de gola alta da mesma cor e calça bege, está de frente para a câmera com a boca aberta e os braços levemente erguidos, com os punhos cerrados. Ela está ao ar livre, em meio a palmeiras, e outras duas mulheres de costas para a câmera aparecem nas laterais da imagem." width="800" height="335" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-2-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-2-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-2-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-2-1536x643.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-2-1200x503.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-2.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36499" class="wp-caption-text">Virgínia acaba demonstrando não ser nada do que aparenta e muito menos tendo a vida perfeita que mostra (Foto: Novelo Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro (</span><span style="font-weight: 400;">Cíntia Domit Bittar e Fernanda de Capua</span><span style="font-weight: 400;">), estruturado com tensão crescente e forte simbolismo, é notavelmente elevado por atuações brilhantes. Enquanto Bruna Linzmeyer sustenta a personagem da manipuladora, o elenco de apoio revela as múltiplas faces da opressão. </span></p>
<p><b>As outras personagens – a Lorena, a Bárbara e a Germina – representam diferentes formas de inspirar virtude ou sucesso. Quais foram as escolhas que você fez na construção dessas personagens para que cada uma revelasse aspectos distintos da pressão social nas mulheres?</b></p>
<p><b>Cíntia Domit Bittar</b><span style="font-weight: 400;">: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Nossa maior atenção foi para que as personalidades se destacassem individualmente. A caracterização ajudou imensamente. A Lorena lida com a pressão do cuidado constante do bebê. A Bárbara emula essa pessoa que é ‘cronicamente online’, sentindo-se não pertencente a esses espaços, mas querendo fazer parte a todo custo. Já a Gorete foi concebida para explorar a culpa católica e a repressão dos seus desejos; a atriz (Brisa Marques) a construiu como alguém que tem mais medo de si mesma do que da Virgínia”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><b>A Bárbara representa muito uma parte da população que fica tão focada em uma pessoa das redes sociais que querem se tornar iguais, quase como uma cópia. Qual é a sua visão sobre essa personagem?</b></p>
<p><b>Cíntia Domit Bittar:</b> <i><span style="font-weight: 400;">“Sim, a Bárbara emula essa pessoa que é, como dizem, ‘cronicamente online’. Ela quer ser a Virgínia, acredita nesse ideal. No fundo, ela ainda é uma mulher negra, sentindo-se não pertencente a esses espaços. Mas ela quer fazer parte a todo custo. O filme mostra que ela estava com uma expectativa muito grande, mas percebe no retiro que a atenção da Virgínia não era para todas, era só para a Lorena”.</span></i></p>
<figure id="attachment_36498" aria-describedby="caption-attachment-36498" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36498" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-2-800x534.png" alt=" Cena de premiação na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Em um palco escuro, uma tela grande exibe o título &quot;VIRTUOSAS&quot; e a imagem de uma mulher com os braços erguidos. Em frente à tela, pessoas estão no palco, algumas aplaudindo e outras aguardando, enquanto recebem um prêmio em um púlpito iluminado." width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-2-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-2-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-2.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36498" class="wp-caption-text">O filme foi um dos premiados durante a cerimônia de encerramento da 49º Mostra de Cinema Internacional em São Paulo (Foto: Mario Miranda)</figcaption></figure>
<p><b>O filme foi reconhecido, esteve no </b><b><i>Marché du Film</i></b><b>, em </b><b><i>Cannes</i></b><b>, e ganhou o prêmio </b><b><i>Netflix</i></b><b>. O que essa conquista representa para você?</b></p>
<p><b>Cíntia Domit Bittar:</b> <i><span style="font-weight: 400;">“A maior realização foi ter conseguido filmar com o orçamento baixíssimo que tínhamos. O reconhecimento em festivais, no entanto, é de suma importância. O nosso projeto, ainda em finalização, foi selecionado pelo Festival do Rio para o programa Goes to Cannes no Marché do Filme, e ganhamos um prêmio lá entre 25 títulos de cinco países. O projeto venceu pela intensidade emocional que gerou. O prêmio Netflix, conquistado na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, é um licenciamento global, garantindo que o longa-metragem seja exibido em mais de 190 países. Fico tranquila sabendo que a criação terá uma ótima janela de visibilidade”.</span></i></p>
<p><b>Depois de tudo isso que você está vivenciando com o filme, o que você espera que o público sinta quando assistir </b><b><i>Virtuosas</i></b><b>?</b></p>
<p><b>Cíntia Domit Bittar</b><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Penso que Virtuosas é um filme que dificilmente provocará uma reação morna. Eu acho que ele vai encontrar pessoas que vão gostar muito, ou por apreciarem o gênero, ou por reconhecerem a veracidade das situações que descreve. E quem não gostar, terá seus motivos, mas é uma obra que deve gerar uma discussão intensa. O filme desmonta o mito da mulher virtuosa com o fio afiado do terror psicológico. Ficarei muito satisfeita se a produção motivar a sociedade a falar mais sobre as Mulheres Virtuosas, mais sobre esse movimento, expondo os limites da submissão feminina e o custo de viver sob dogmas”.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O desfecho dramático, aliás, evidencia o impacto de regras arbitrárias sobre mulheres e a perversidade de uma cultura que prefere punir inocentes a confrontar falhas estruturais. O trabalho funciona como um alerta: ao satirizar o ideal da esposa perfeita, desmantela o teatro moral e revela a hipocrisia de quem utiliza a fé como instrumento de dominação. </span><a href="https://youtu.be/kUPxVD9mIXA?si=uP2CjnzoZcR87Rfp"><span style="font-weight: 400;">Cíntia</span></a><span style="font-weight: 400;"> reitera o propósito da obra: “</span><i><span style="font-weight: 400;">O horror é um ótimo gênero para a gente falar do nosso tempo, e é por isso que ele amplia a capacidade de diálogo dele</span></i><span style="font-weight: 400;">”. O desconforto que o longa provoca não surge do distanciamento, mas da proximidade com uma verdade social que muitos escolhem ignorar, garantindo que a força narrativa do medo seja um catalisador para o debate.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Virtuosas | Teaser Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/jjFiOwHfjHU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Um Mundo Triste e Belo nos ensina que quando a ‘Ilha’ é encontrada, ela nunca mais é perdida</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Nov 2025 13:00:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Stephanie Cardoso Exibido na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, na seção Perspectiva Internacional, Um Mundo Triste e Belo, dirigido por Cyril Aris, é um retrato delicado sobre permanência, luto e afeto em tempos de instabilidade. Ambientado no Líbano, o longa acompanha duas vidas que se cruzam e se perdem ao longo de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/um-mundo-triste-e-belo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Um Mundo Triste e Belo nos ensina que quando a ‘Ilha’ é encontrada, ela nunca mais é perdida"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36327" aria-describedby="caption-attachment-36327" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36327" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-13.png" alt="Cena do filme Um Mundo Triste e Belo (2025). À noite, o casal corre de mãos dadas por uma rua iluminada, rindo juntos. A mulher, de cabelos escuros e soltos, usa uma blusa azul escura. O homem, de barba e cabelo cacheado, veste uma camisa vermelha. As luzes da cidade e o desfoque do fundo sugerem liberdade e alegria espontânea" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-13.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-13-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36327" class="wp-caption-text">Durante o filme percebemos o quanto a guerra moldou a visão de mundo dos dois, mesmo que de formas distintas (Foto: Mubi)</figcaption></figure>
<p><b>Stephanie Cardoso</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Exibido na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, na seção Perspectiva Internacional, </span><i><span style="font-weight: 400;">Um Mundo Triste e Belo</span></i><span style="font-weight: 400;">, dirigido por Cyril Aris, é um retrato delicado sobre permanência, luto e afeto em tempos de instabilidade. Ambientado no Líbano, o longa acompanha duas vidas que se cruzam e se perdem ao longo de décadas, explorando como o amor pode nascer do trauma e se tornar, ao mesmo tempo, abrigo e espelho das feridas de um país. Aris filma com uma ternura contida, além de emoldurar o cotidiano ancorado em um olhar atento às pausas, aos gestos e aos silêncios que dizem mais do que qualquer diálogo. </span><span id="more-36326"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nino e Yasmina (vividos por </span><span style="font-weight: 400;">Hasan Akil</span><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://youtu.be/8HjZ2NC5fvo?si=FEeBQJfU3RCn4gPV"><span style="font-weight: 400;">Mounia Akl</span></a><span style="font-weight: 400;">, respectivamente) se </span><span style="font-weight: 400;">conheceram ainda na infância, na sala de aula, quando o mundo ao redor começa a ruir. Ele perde os pais em um acidente; ela, obrigada a escolher entre pai e mãe em meio ao divórcio, carrega o peso de uma decisão impossível. Unidos pela dor, encontram um trem abandonado próximo de casa – um refúgio improvisado no qual podem compartilhar medos e sonhos sem julgamentos. É ali que o menino menciona ‘a ilha’, lugar onde seus pais estariam em paz e que se transforma em metáfora de abrigo. Com o tempo, o sentimento se expande, simbolizando um amor que oferece segurança em meio às incertezas da vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A separação ocorre quando decidem fugir de casa juntos, acreditando que ali poderiam criar um mundo só deles, longe das pressões e dores familiares. Ao sair de casa, a menina é surpreendida pelo barulho de fogos de artifício, que ela confunde com tiros, e entra em pânico. A tensão do momento é palpável: o espectador sente o desespero </span><a href="https://personaunesp.com.br/mirai-no-mirai-critica/"><span style="font-weight: 400;">infantil</span></a><span style="font-weight: 400;">, resultado de seu trauma com as guerras em seu país. Mesmo sendo tão pequena, as memórias desses eventos  ainda a assombram, interferindo em suas ações inconscientemente – assim como várias crianças fora da ficção. Antes que consiga alcançar o amigo, é achada por sua família, interrompendo o encontro que ambos aguardavam. </span></p>
<figure id="attachment_36330" aria-describedby="caption-attachment-36330" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36330" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-3-800x450.jpg" alt="Cena do filme Um Mundo Triste e Belo (2025). Em um ambiente interno com luz amarelada e suave, o homem está em primeiro plano, olhando para baixo de forma pensativa. Ele tem barba escura e usa uma camisa vermelha. Atrás dele, a mulher o observa com um olhar terno, vestindo uma blusa azul. A cena transmite intimidade, reflexão e afeto contido" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-3-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-3.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36330" class="wp-caption-text">O reencontro por acaso é mais um dos momentos em que temos certeza que os dois estão destinados a ficar juntos (Foto: Mubi)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Pouco depois, muda-se com a mãe, deixando para trás não apenas a cidade, mas também o garoto que a esperava no trem, o espaço que simbolizava seu refúgio e suas confidências. O </span><a href="https://youtu.be/TRNfAndWC1I?si=6uUiMl4KUni5z4ck"><span style="font-weight: 400;">diretor</span></a><span style="font-weight: 400;"> filma essa separação com uma delicadeza quase silenciosa, evitando qualquer melodrama, concentrando-se nos olhares perdidos, nas mãos que se soltam e no vazio que se instala. O espectador percebe que o afastamento não é apenas físico, como também emocional: uma ferida que moldará os afetos futuros e fará com que a infância compartilhada se torne memória – dolorosa, porém inesquecível.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Anos mais tarde, o acaso (ou melhor, o </span><a href="https://cinepop.com.br/10-filmes-para-voce-que-gosta-de-pensar-sobre-o-destino-404926/"><span style="font-weight: 400;">destino</span></a><span style="font-weight: 400;">) coloca os dois novamente frente a frente. Ele administra o restaurante da família; ela trabalha em uma multinacional e sonha com a transferência que a levará para longe do país. Um pequeno acidente aproxima suas famílias e desperta memórias adormecidas. O reconhecimento é feito em detalhes sutis: três pintas no pescoço, uma fotografia antiga na parede, um olhar que hesita antes de se prender. Entre jantares, conversas e risos, o afeto amadurece, transformando-se de refúgio infantil em possibilidade de vida compartilhada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, apesar da proximidade, o medo ainda insiste em perseguir. Para Yasmina, entregar-se ao amor significa confrontar a instabilidade da infância – lares que desmoronam, sirenes, explosões e o trauma da </span><a href="https://youtu.be/_2OeDOLOR_A?si=NKV41QTuTCzaA71E"><span style="font-weight: 400;">guerra</span></a><span style="font-weight: 400;">. O sonho de deixar sua terra nasce da necessidade de recomeçar. E a descoberta da gravidez acrescenta outra camada de conflito. A maternidade nunca foi um desejo dela pelo medo de criar uma criança no Líbano e todo o trauma vivido em sua infância.  Nino a ama pelo que se tornou, não pela menina que conheceu, e tenta oferecer acolhimento e confiança. A tensão entre o desejo de permanecer e a necessidade de proteger cria cenas de silêncio carregado, gestos contidos e olhares que revelam mais do que palavras jamais conseguiriam.</span></p>
<figure id="attachment_36329" aria-describedby="caption-attachment-36329" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36329" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-11.png" alt="Cena do filme Um Mundo Triste e Belo (2025). Em um dia ensolarado, uma jovem de cabelos longos e soltos corre sorrindo, com o vento batendo em seu rosto. Ela veste um casaco escuro que faz parte de seu uniforme escolar e carrega uma mochila nos ombros. Ao fundo, um menino de cabelo curto também corre, parcialmente desfocado. A luz suave e o movimento da cena transmitem uma sensação de liberdade, juventude e alegria passageira." width="640" height="244" /><figcaption id="caption-attachment-36329" class="wp-caption-text">Nino e Yasmina tiveram suas vidas influenciadas pela guerra, mesmo que de formas diferentes (Foto: Mubi)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dez anos depois, eles têm uma filha e o Líbano enfrenta ataques, instabilidade política e uma crise econômica profunda. O restaurante luta para sobreviver; a empresa onde ela trabalha decide encerrar a filial local, mas surge uma oportunidade em Dubai. Para o homem, entretanto, partir significaria abandonar a sua nação, o restaurante e o avô que o criou e que agora se encontra acamado. Entre eles, o conflito se intensifica: ela quer garantir segurança e um futuro melhor para a filha; ele insiste em permanecer fiel às </span><a href="https://apnews.com/article/lebanon-poverty-world-bank-crisis-imf-8bf2c6932d4a09d530ebed6c0fb255eb"><span style="font-weight: 400;">raízes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e à terra que ama. A morte do avô acentua ainda mais a dor e a tensão, levando-o a pedir um tempo, criando distância entre o casal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.unicef.org/press-releases/war-lebanon-inflicting-devastating-physical-and-emotional-impacts-children"><span style="font-weight: 400;">guerra</span></a><span style="font-weight: 400;"> atravessa a vida dos dois como uma sombra silenciosa, moldando suas personalidades e o modo como enxergam o amor. Para a mulher, o som das explosões e o medo constante da perda transformaram o afeto em algo frágil, sempre ameaçado – um sentimento que precisa ser controlado para não ferir. Cresceu acreditando que amar é se expor ao perigo. Na perspectiva dela, o conflito deixou cicatrizes diferentes: a ausência dos pais e a necessidade de permanecer firmemente enraizado em sua terra tornaram a estabilidade uma forma de resistência. Enquanto Yasmina deseja fugir para escapar da repetição da dor, Nino se agarra ao país como quem tenta impedir que a memória se desfaça. A guerra, assim, não é apenas um pano de fundo histórico, mas uma presença emocional que define o ritmo, as escolhas e as distâncias entre os dois.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O reencontro final acontece no velho trem que foi seu refúgio na infância. Sentados lado a lado, em silêncio, permitem que tudo o que viveram preencha o espaço: as alegrias, os medos, as perdas e os sonhos interrompidos. O ambiente, carregado de memórias, transforma-se em um elo tangível entre passado e presente, lembrando ao espectador que o amor também é feito de pequenos gestos e lugares compartilhados. Então, ela declara: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Nós sempre seremos a ilha um do outro</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A frase, simples, carrega um peso imenso: revela a resistência do afeto frente à distância, à morte, às escolhas difíceis e às crises que os cercaram. É um momento em que o amor não aparece apenas como sentimento, e sim como refúgio, pacto silencioso e forma de </span><a href="https://artmargins.com/art-as-resistance-in-postwar-lebanon"><span style="font-weight: 400;">sobrevivência</span></a><span style="font-weight: 400;"> – a prova de que a verdadeira intimidade nasce da história compartilhada, das dores superadas e da capacidade de permanecer junto, mesmo quando tudo parece conspirar contra.</span></p>
<figure id="attachment_36328" aria-describedby="caption-attachment-36328" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36328" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-11-800x450.png" alt="Cena do filme Um Mundo Triste e Belo (2025). Na imagem, um casal está sentado ao ar livre, muito próximo, prestes a se beijar. A mulher, de cabelos longos e escuros, veste uma blusa azul e segura o braço do homem com delicadeza. O homem, de cabelo e barba escuros, usa um suéter vermelho e olha para ela com ternura. Ao fundo, há vegetação e um céu claro, criando um clima íntimo e sereno" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-11-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-11-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-11-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-11-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-11-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-11.png 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36328" class="wp-caption-text">Mesmo com todos os seus conflitos, o amor entre Yasmina e Nino nunca é uma questão, mas sempre uma certeza (Foto: Divulgação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://thespiantribune.wixsite.com/thespiantribune/post/building-on-screen-chemistry-tips-for-actors"><span style="font-weight: 400;">química</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre os intérpretes é um dos maiores acertos da obra. As performances transmitem vulnerabilidade e força com naturalidade impressionante: olhares, gestos mínimos e silêncios carregados de significado comunicam emoções complexas sem precisar de artifícios muito apelativos. A protagonista expressa com precisão medo, determinação e a força silenciosa de quem carrega memórias dolorosas, enquanto o ator que vive o rapaz traduz, de maneira contida, a fidelidade às suas raízes e ao mundo que conhece. Juntos, criam uma tensão emocional palpável, tornando cada reencontro, cada gesto e cada silêncio carregados de significado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa intensidade se reflete na narrativa: o longa alterna com </span><a href="https://super.abril.com.br/coluna/turma-do-fundao/7-filmes-sensiveis-sobre-a-dor-humana/"><span style="font-weight: 400;">sensibilidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre momentos de ternura e tensão, equilibrando intimismo e drama. A oscilação entre cenas carregadas de emoção e instantes mais leves ou nostálgicos da infância reforça o impacto das escolhas e traumas dos personagens, tornando o espectador participante de cada decisão, de cada silêncio e da força resiliente do amor que atravessa toda a história.</span></p>
<p><a href="https://youtu.be/ss9vqL9XmB4?si=hWzF8eO-BB2CwdIq"><i><span style="font-weight: 400;">Um Mundo Triste e Belo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> confirma Aris como um cineasta capaz de transformar histórias pessoais em reflexão sobre contextos maiores. Ele transforma o colapso do Líbano em metáfora para os vínculos humanos: frágeis, persistentes e contraditórios. O longa observa o afeto não como salvação, mas como lugar de sobrevivência. No fim, resta a certeza de que, mesmo em meio ao caos, ainda é possível encontrar abrigo – nem que seja apenas no olhar de quem ficou.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="A SAD AND BEAUTIFUL WORLD - Official clip" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/lW7WuVVJiN4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Virtuosas nos mostra uma realidade escondida, porém em ascensão </title>
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		<pubDate>Wed, 12 Nov 2025 14:24:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
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		<category><![CDATA[Cíntia Domit Bittar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Stephanie Cardoso Exibido na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, na seção Mostra Brasil, Virtuosas apresenta um retrato inquietante do conservadorismo contemporâneo. Dirigido por Cíntia Domit Bittar, a produção acompanha Virginia (Bruna Linzmeyer), uma influenciadora que defende a submissão feminina e o cuidado exclusivo com a família como forma de moralidade. Por trás &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/virtuosas-nos-mostra-uma-realidade-escondida-porem-em-ascensao/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Virtuosas nos mostra uma realidade escondida, porém em ascensão "</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36283" aria-describedby="caption-attachment-36283" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36283" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-7.png" alt="Cena do filme Virtuosas (2025). Na imagem, uma mulher está em um ambiente interno, iluminado por uma luz suave. Ela tem o cabelo curto, de um tom loiro meio escuro e veste uma blusa branca de gola alta. Seu olhar está atento e suas mãos estão erguidas" width="800" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-7.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-7-768x576.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36283" class="wp-caption-text">No filme nos é apresentado o movimento Virtuosas, que vem crescendo dentro do conservadorismo feminino (Foto: Novelo Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Stephanie Cardoso</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Exibido na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, na seção Mostra Brasil, </span><i><span style="font-weight: 400;">Virtuosas</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresenta um retrato inquietante do conservadorismo contemporâneo. Dirigido por </span><a href="https://youtu.be/EqalzSUSpjg?si=DgPkcsj7Q4an6E5S"><span style="font-weight: 400;">Cíntia Domit Bittar</span></a><span style="font-weight: 400;">, a produção acompanha Virginia (</span><a href="https://youtu.be/377isCuMPpc?si=-R3q_4-3k8Fel_-b"><span style="font-weight: 400;">Bruna Linzmeyer</span></a><span style="font-weight: 400;">), uma influenciadora que defende a submissão feminina e o cuidado exclusivo com a família como forma de moralidade. Por trás da aparente devoção, a personagem busca controle absoluto: manipula, engana e silencia em nome de princípios ideológicos. Ao reunir três participantes em um retiro voltado para o aperfeiçoamento pessoal, surge um ambiente de tensão crescente, histeria e violência, onde regras de perfeição transformam-se em prisões psicológicas.</span></p>
<p><span id="more-36282"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A residência isolada, com conexão limitada e atividades que simulam espiritualidade, funciona como microcosmo de poder. </span><a href="https://youtu.be/SzawXSTxx7s?si=Hs8US4A9fOewDttC"><span style="font-weight: 400;">Lorena</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Juliana Lourenção), esposa de político, lida com a pressão do cuidado constante do bebê e tenta se adaptar às normas do retiro. Germina (Maria Galant), jornalista infiltrada, mantém ceticismo absoluto e apenas finge conformidade para coletar informações. Bárbara (Sarah Motta), dona de casa e aspirante a celebridade, idolatra a influenciadora e se esforça para seguir cada instrução. Nesse cenário, a suposta devoção torna-se máscara para comportamentos opressivos, revelando uma sociedade que prefere controlar mulheres a questionar estruturas que as restringem.</span></p>
<figure id="attachment_36285" aria-describedby="caption-attachment-36285" style="width: 574px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36285" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-6.jpg" alt="Cena do filme Virtuosas. Uma jovem mulher de cabelos castanhos escuros e lisos usa uma faixa clara na cabeça e uma blusa bege de mangas bufantes. Ela sorri levemente, com os braços erguidos e as mãos abertas, em um ambiente interno com iluminação suave" width="574" height="241" /><figcaption id="caption-attachment-36285" class="wp-caption-text">Germina vai fazer de tudo pela sua matéria, até se infiltrar em um retiro nada convencional – mesmo que isso a deixe em perigo (Foto: Novelo Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa se conecta diretamente ao movimento </span><a href="https://coletivobereia.com.br/o-movimento-antifeminista-cristao-no-brasil-o-que-e-quem-integra-e-como-opera-parte-1/"><span style="font-weight: 400;">Mulher Virtuosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, que ganhou relevância em redes sociais e grupos conservadores no Brasil. A ideologia prega que o ideal feminino é a docilidade, a subserviência e a dedicação exclusiva ao lar. A produção transforma essas crenças em sátiras sombrias, revelando que essas práticas ainda são celebradas em determinados círculos da sociedade. Ao mesmo tempo, evidencia o quanto toleramos passivamente a imposição de padrões antiquados e como escolhemos ignorar suas consequências na vida real.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A narrativa oscila entre ironia e </span><a href="https://cinepop.com.br/12-grandes-filmes-aterrorizantes-de-terror-psicologico-314632/"><span style="font-weight: 400;">terror psicológico</span></a><span style="font-weight: 400;">, em alguns momentos aproximando-se do caricato. O feito nos faz lembrar dos vídeos motivacionais das redes digitais – exatamente o tipo de conteúdo que Virginia poderia produzir. Esse tom exagerado intensifica o desconforto, tornando a linha entre absurdo e realidade quase indistinta. Mesmo nas sequências mais extremas, a obra reflete a maneira como discursos moralistas moldam condutas cotidianas, transformando obediência em obrigação moral.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro, estruturado com tensão crescente e simbolismo, é elevado por interpretações brilhantes. </span><a href="https://youtu.be/e0ZOUmkav04?si=C8jgA37r1JVqUlFB"><span style="font-weight: 400;">Linzmeyer</span></a><span style="font-weight: 400;">, cria uma figura sedutora e ameaçadora, cujo desejo de poder se disfarça de devoção. Juliana Lourenção, no papel de Lorena, retrata o colapso de quem tenta alcançar a perfeição a qualquer custo. </span><a href="https://youtu.be/idjWzLTuVJU?si=mtw8I-QmYBpiXQsQ"><span style="font-weight: 400;">Maria Galant</span></a><span style="font-weight: 400;">, como Germina, equilibra sagacidade, ceticismo e vulnerabilidade, mostrando a perspectiva de quem observa a manipulação de dentro do sistema. As performances alternam entre o trágico e o absurdo com naturalidade impressionante, sustentando a tensão narrativa.</span></p>
<figure id="attachment_36284" aria-describedby="caption-attachment-36284" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36284" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-7-800x335.png" alt="Cena dos bastidores do filme Virtuosas (2025). Três mulheres estão posicionadas lado a lado, enquanto uma claquete é segurada à frente delas. A mulher à esquerda veste um cardigã rosa e um colar de pérolas; a do centro, uma blusa branca de gola alta; e a da direita, um vestido rosa claro com uma tiara. Elas olham concentradas para alguém fora do quadro, em um ambiente elegante e bem iluminado, sugerindo um momento de preparação para a gravação" width="800" height="335" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-7-800x335.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-7-1024x429.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-7-768x322.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-7-1536x643.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-7-1200x503.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-7.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36284" class="wp-caption-text">O filme desmonta o mito da mulher virtuosa com o fio afiado do horror psicológico (Foto: Novelo Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A escalada da </span><a href="https://unicamp.br/unicamp/noticias/2023/03/08/aumento-da-violencia-contra-mulheres-tem-relacao-com-avanco-do-conservadorismo/"><span style="font-weight: 400;">violência</span></a><span style="font-weight: 400;">, das superstições à paranoia coletiva, transforma a produção em um verdadeiro conto de horror moral. Cada elemento simbólico reforça a irracionalidade necessária para justificar comportamentos abusivos. Não há redenção nem catarse: apenas a constatação de que a busca pela virtude, quando imposta de maneira autoritária, conduz à destruição emocional. O desfecho dramático evidencia o impacto de regras arbitrárias sobre mulheres e a perversidade de uma cultura que prefere punir inocentes a confrontar falhas estruturais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Premiado com o Prêmio </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, e detentor do </span><a href="https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2025/05/21/filme-virtuosas-bruna-linzmeyer-florianopolis-cannes.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Goes to Cannes Award</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o filme confirma o reconhecimento internacional de sua força narrativa e da direção precisa. </span><a href="https://youtu.be/kUPxVD9mIXA?si=LmOOVDJEgj0sCuaw"><i><span style="font-weight: 400;">Virtuosas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> funciona como alerta: ao satirizar o ideal da mulher perfeita, desmonta o teatro moral e revela a hipocrisia de quem utiliza a fé como instrumento de dominação. O desconforto que provoca não surge do distanciamento, mas da proximidade com uma realidade que escolhemos ignorar, expondo limites da submissão feminina e o custo de viver sob dogmas que poucos ousam questionar.<br />
</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="VIRTUOSAS | teaser oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/AULzApCYXO0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O Mundo do Amor nos ensina a não sermos definidos pela nossa dor</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Nov 2025 13:00:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[cinema sul-coreano]]></category>
		<category><![CDATA[Jang Hye Jin]]></category>
		<category><![CDATA[O Mundo do Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Perspectiva Internacional]]></category>
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		<category><![CDATA[Stephanie Cardoso]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Stephanie Cardoso Exibido na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, na seção Perspectiva Internacional, O Mundo do Amor confirma Yoon Ga-eun como uma das vozes mais sensíveis e afiadas do cinema sul-coreano. Depois de encantar com O Nosso Mundo (2016) e The House of Us (2019), a diretora volta ao universo adolescente com &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-mundo-do-amor-nos-ensina-a-nao-sermos-definidos-pela-nossa-dor/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Mundo do Amor nos ensina a não sermos definidos pela nossa dor"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36237" aria-describedby="caption-attachment-36237" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36237" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-8-800x533.png" alt="Cena do filme O Mundo do Amor. Uma estudante de uniforme escolar está sentada sozinha em uma sala de aula vazia, lendo uma carta com expressão preocupada. Ela veste uma camisa branca, colete bege e gravata azul escura. Ao redor, há mesas desorganizadas com livros e mochilas." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-8-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-8-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-8-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-8-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-8-1200x800.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-8.png 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36237" class="wp-caption-text">Os bilhetes recebidos durante o filme sempre a questionam ‘você realmente seguiu em frente?’ (Foto:Barunson E&amp;A)</figcaption></figure>
<p><b>Stephanie Cardoso</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Exibido na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, na seção Perspectiva Internacional, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mundo do Amor</span></i><span style="font-weight: 400;"> confirma Yoon Ga-eun como uma das vozes mais sensíveis e afiadas do cinema sul-coreano. Depois de encantar com </span><i><span style="font-weight: 400;">O Nosso Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2016) e </span><i><span style="font-weight: 400;">The House of Us </span></i><span style="font-weight: 400;">(2019), a diretora volta ao universo adolescente com um olhar maduro, quase dolorosamente humano. Aqui, cada silêncio diz mais que qualquer diálogo, e a câmera parece sussurrar o que os personagens não conseguem falar.</span></p>
<p><span id="more-36236"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No filme, acompanhamos Lee Joo-in – interpretada com precisão por </span><a href="https://www.tenasia.com/movie/2025091175264"><span style="font-weight: 400;">Seo Su-bin</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, uma garota de 18 anos que parece ter tudo sob controle: amigos, bom humor e uma pitada de rebeldia. Mas, por trás dessa máscara há um vazio: uma mãe que se afunda na bebida sem perceber, um irmão que pede mais atenção do que ela consegue dar e um pai ausente. O humor adolescente contrasta com uma tensão silenciosa; sentimos que algo maior, invisível, corrói o interior da personagem, mesmo que o mundo ao redor não perceba.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ponto de virada acontece com um abaixo-assinado feito por um colega de sala contra a volta de um criminoso sexual ao bairro. O momento em que se recusa a assinar o documento é o instante em que a produção revela a que veio. Ela se opõe à frase que define vítimas de abuso: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Com almas quebradas para sempre</span></i><span style="font-weight: 400;">”. O público, em primeiro momento, compartilha a confusão dos colegas: o que há de errado nisso? É uma sensação incômoda, um estranhamento que cresce conforme o olhar da personagem se endurece. Nos é plantado ali uma dúvida mais emocional do que lógica – a de que talvez a </span><a href="https://www.cinemaescapist.com/2025/09/review-world-love-korean-movie/"><span style="font-weight: 400;">compaixão</span></a><span style="font-weight: 400;"> também possa ferir.</span></p>
<figure id="attachment_36239" aria-describedby="caption-attachment-36239" style="width: 681px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36239" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-6.png" alt="Cena do filme O Mundo do Amor. Na imagem, duas mulheres estão em um quarto com paredes azuladas decoradas com pôsteres. À esquerda, uma mulher de óculos e cabelo preso fala com expressão séria, gesticulando com a mão enquanto segura um pequeno objeto. À direita, uma jovem sentada na cama escuta, olhando para cima. A iluminação é suave." width="681" height="454" /><figcaption id="caption-attachment-36239" class="wp-caption-text">O cuidado e a delicadeza ao dirigir cada cena é notado em todo instante do filme (Foto: Barunson E&amp;A)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando questionada sobre o </span><a href="https://www.screendaily.com/reviews/the-world-of-love-review-complex-thoughtful-south-korean-drama-deals-with-aftermath-of-assault/5210060.article"><span style="font-weight: 400;">motivo</span></a><span style="font-weight: 400;">, diz ter sido abusada. Pouco depois, desmente. A cena deixa de ser sobre o que é verdade e passa a ser sobre controle – o direito de não ser definida pela própria dor. Essa contradição a molda. Ela fala e recua porque não quer ser reduzida ao trauma. É sua maneira de manter algum poder, ainda que isso a dilacere. O gesto é cruel e profundamente humano, capturando com precisão o paradoxo entre vulnerabilidade e resistência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A verdade vem à tona em uma reunião escolar, quando a protagonista confirma que sua revelação anterior era real. O momento é contido, quase mudo, mas devastador. Cada expressão e pausa carrega o peso da coragem. A </span><a href="https://variety.com/2025/film/news/korea-yoon-ga-eun-toronto-film-the-world-of-love-1236505990/"><span style="font-weight: 400;">câmera</span></a><span style="font-weight: 400;"> filma essa confissão com distanciamento suficiente para que o público sinta a dor sem cair no melodrama. A emoção está nos pequenos atos, não na exposição.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cena mais visceral, no entanto, acontece no carro em uma discussão com a mãe, interpretada por </span><a href="https://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jang Hye Jin</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela grita, chora, exige que seja escutada e, pela primeira vez, é ouvida. O espaço fechado se transforma em um campo de batalha emocional. A câmera, imóvel, captura respirações ofegantes e silêncios que pesam mais do que palavras. É um duelo entre amor e culpa, uma tentativa desesperada de romper anos de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-em-todo-o-lugar-ao-mesmo-tempo-critica/"><span style="font-weight: 400;">incomunicação</span></a><span style="font-weight: 400;">. Essa sequência é um dos momentos mais tocantes do filme, onde o sofrimento se torna a única forma de reconciliação possível.</span></p>
<figure id="attachment_36238" aria-describedby="caption-attachment-36238" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36238" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-8-800x400.jpg" alt="Cena do filme O Mundo do Amor. Uma jovem está sentada em sua cama, com expressão abatida, olhando para o teto. Ela veste uma camiseta branca e seu cabelo escuro cai sobre os ombros. O quarto está iluminado por uma luz azulada que entra pelas cortinas de padrão xadrez amarelo e branco, criando uma atmosfera melancólica e introspectiva." width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-8-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-8-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-8-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-8.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36238" class="wp-caption-text">O sentimento de solidão de Lee Joo-in após revelar seu segredo é sentido em cada momento, e o seu desejo de voltar a normalidade também (Foto: Barunson E&amp;A)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois da revelação, o que resta é o vazio social. O seu maior medo se concretizou: as pessoas agora a olham de modo diferente. O </span><a href="https://www.koreatimes.co.kr/entertainment/films/20251020/the-world-of-love-quietly-powerful-film-that-celebrates-lifes-resilience"><span style="font-weight: 400;">cuidado</span></a><span style="font-weight: 400;"> vem carregado de pena e hesitação. Ela sente o isolamento crescer em torno de si – não há mais neutralidade nos gestos, tudo é mediado por cautela. Esse tratamento a reduz novamente ao que ela mais lutou para escapar: a identidade de vítima. A produção retrata essa solidão com uma frieza comovente, sem sublinhar a dor, apenas observando o vazio que se instala quando o mundo decide quem você é.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre bilhetes e mensagens deixadas anonimamente, a jovem passa a ser julgada em silêncio. Os primeiros questionam suas atitudes, duvidam de suas palavras, comentam suas expressões. Porém, o último recado rompe o padrão: alguém agradece por sua coragem e confessa desejar a mesma força um dia. Esse bilhete é narrado por várias vozes – uma escolha simbólica e poderosa. Ao multiplicar quem fala, a diretora sugere que a coragem de </span><a href="https://sbsstar.net/article/N1008293004/meet-seo-soobin-the-breakout-star-of-the-world-of-love"><span style="font-weight: 400;">Joo-in</span></a><span style="font-weight: 400;"> transcende a individualidade e se tornou coletiva, ecoando por entre aqueles que também carregam feridas caladas. É o instante em que a história se transforma em espelho – o trauma deixa de ser apenas dela e passa a pertencer a todos que a escutam.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O </span></i><a href="https://www.koreatimes.co.kr/entertainment/films/20251101/how-the-world-of-love-and-the-ugly-became-koreas-quiet-box-office-surprises"><i><span style="font-weight: 400;">Mundo do Amor</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é, antes de tudo, uma obra sobre a luta por controle – sobre a tentativa de possuir a própria narrativa quando tudo ao redor tenta roubá-la. Seo Su-bin entrega uma performance precisa, construída nos detalhes: a postura que vacila, o olhar contido, o sorriso que disfarça. A direção de Yoon Ga-eun é de uma sensibilidade desarmante; ela filma o trauma não como espetáculo, mas como cotidiano. Ao fim, o filme não busca respostas ou catarse. Ele fala de sobrevivência, de continuidade e da coragem silenciosa de existir em meio ao julgamento. Porque crescer, aqui, é aprender a habitar a própria dor sem permitir que ela dite quem somos.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="THE WORLD OF LOVE Trailer | TIFF 2025" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/SXLRjxnPAwM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O Agente Secreto: pensado para que o Brasil visse a si mesmo, abriu portas no mundo todo</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Nov 2025 13:10:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagem]]></category>
		<category><![CDATA[2025]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Bezerra e Stephanie Cardoso Na noite de 28 de outubro, o Cultura Artística, em São Paulo, foi tomado por flashes, tapete vermelho e uma plateia ansiosa para a exibição de O Agente Secreto durante a 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. A sessão contou com a presença do elenco e uma recepção &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/reportagem-o-agente-secreto/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Agente Secreto: pensado para que o Brasil visse a si mesmo, abriu portas no mundo todo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36226" aria-describedby="caption-attachment-36226" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36226" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-5-800x456.jpg" alt="Tapete vermelho do filme Agente Secreto. Várias pessoas estão juntas enquanto olham para a câmera, para tirarem uma foto. Ao fundo está o painel da 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo." width="800" height="456" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-5-800x456.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-5-1024x583.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-5-768x438.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-5-1536x875.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-5-1200x684.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-5.jpg 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36226" class="wp-caption-text">Elenco e equipe de O Agente Secreto durante o tapete vermelho em São Paulo (Foto: Mariana Bezerra)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Bezerra e Stephanie Cardoso</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na noite de 28 de outubro, o Cultura Artística, em São Paulo, foi tomado por </span><i><span style="font-weight: 400;">flashes</span></i><span style="font-weight: 400;">, tapete vermelho e uma plateia ansiosa para a exibição de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-agente-secreto-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Agente Secreto</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> durante a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">. A sessão contou com a presença do elenco e uma recepção calorosa – um marco simbólico para um filme que já nasceu com vocação internacional. Depois de brilhar no Festival de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cannes</span></i><span style="font-weight: 400;"> e ser escolhido para representar o Brasil no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, o novo longa de Kleber Mendonça Filho vem consolidando o diretor como uma das vozes mais originais e respeitadas do cinema contemporâneo.</span></p>
<p><span id="more-36225"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção tem chamado a atenção da crítica por sua narrativa envolvente, que mistura fato e ficção. Desde sua estreia, o longa tem provado que o </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-auto-da-compadecida-2-critica/"><span style="font-weight: 400;">Cinema nacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> consegue dialogar com grandes plateias internacionais sem perder sua identidade. Ao revisitar momentos significativos da história brasileira, a obra apresenta personagens complexos e situações que estimulam reflexão, mostrando que produções brasileiras podem ter relevância e impacto globais. A repercussão em festivais, as indicações a prêmios e o interesse crescente do público reforçam a força criativa e narrativa do Cinema do país.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No dia da coletiva de imprensa em São Paulo, o roteirista e o ator protagonista Wagner Moura foram indicados para o </span><a href="https://thegotham.org/press/nominations-announced-for-35th-annual-gotham-film-awards/"><i><span style="font-weight: 400;">Gotham Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> nas categorias de Melhor Roteiro Original e Melhor Performance de Protagonista, respectivamente. Apesar de não influenciar diretamente na nomeação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, essa premiação, cuja votação é feita por críticos e representantes do Cinema Independente, abre a temporada de premiações. Esse bom começo aliado a decisão já estabelecida pela Academia de Cinema Brasileira de que O Agente Secreto será o representante nacional no Oscar pode ser o aval, ainda que incerto, para uma visão otimista em relação a futuras nomeações.</span></p>
<figure id="attachment_36227" aria-describedby="caption-attachment-36227" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36227" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-7-800x347.jpg" alt="Coletiva de imprensa do filme Agente Secreto. O elenco, diretor e a produtora estão sentados em cadeiras enquanto um painel com o nome do filme está atrás. O diretor está falando no microfone" width="800" height="347" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-7-800x347.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-7-1024x444.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-7-768x333.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-7-1536x665.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-7-1200x520.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-7.jpg 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36227" class="wp-caption-text">“Pra mim, regionais eram as novelas da Globo que eu cresci vendo, porque eram na Barra da Tijuca e eu não sabia o que era a Barra da Tijuca”, comentou o diretor sobre o seu ponto de vista cinematográfico (Foto: Stephanie Cardoso)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para o diretor </span><a href="https://personaunesp.com.br/aquarius-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Kleber Mendonça Filho</span></a><span style="font-weight: 400;">, a obra vai muito além do entretenimento imediato, como comentou em entrevista ao </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Para o público mais jovem, eu quero muito que vejam O Agente Secreto, mas não é só O Agente Secreto, eu quero que vejam o cinema brasileiro como um todo, porque é muito bom quando a gente se identifica com uma coisa que foi feita aqui. Quando você vê uma boa história e bem contada do Brasil, acho que isso se torna um elemento extremamente forte</span></i><span style="font-weight: 400;">”. O comentário ressalta não apenas a intenção de atrair novos espectadores, mas também de fortalecer a relação do público com a cultura audiovisual nacional, mostrando que histórias locais podem ser universais em suas emoções e dilemas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produtora Emilie Lesclaux, compartilha essa perspectiva e acrescenta outra dimensão ao sucesso do longa: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Então, fiquei muito feliz. A gente nunca sabe, quando termina um filme, como vai ser esse encontro com o público, com a crítica e com os festivais. Já em Cannes, sentimos que havia algo acontecendo, algo bem interessante. A cada novo festival, é uma nova alegria, porque cada lugar e cada cultura se comunica de um jeito próprio</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Além disso, ela observa que o sucesso do longa de Walter Salles, ganhador do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme Internacional, ajudou a preparar o público para receber esta nova produção: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eles tratam do mesmo período, da mesma década de formas muito diferentes, mas é como se, pelo sucesso gigante de </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/ainda-estou-aqui-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ainda Estou Aqui</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (2024) muita gente já tivesse aprendido sobre essa época da história do Brasil, aqui e fora. Então, é muito interessante chegar um ano depois com essa preparação</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Agente Secreto</span></i><span style="font-weight: 400;"> é composto por um elenco de renome, à começar por </span><a href="https://personaunesp.com.br/marighella-critica/"><span style="font-weight: 400;">Wagner Moura</span></a><span style="font-weight: 400;">, que vem participando ativamente da campanha nacional e internacional de divulgação da produção. Na coletiva de imprensa em São Paulo, o ator reforçou a posição do diretor sobre a importância do cinema nacional: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Um país precisa se ver na sua cultura. Nenhum país se desenvolve sem se olhar [&#8230;] O cinema brasileiro é quase documentarista, que nasce tentando entender &#8216;que país é esse?</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;. Em relação ao trabalho com KMF, o artista se mostrou realizado com o projeto: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu nasci para trabalhar com Kleber [&#8230;] Existem diretores que são muito bons, mas que não são cinéfilos. São ótimos diretores, mas não têm a gramática do cinema. Ele [Kleber] tem</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<figure id="attachment_36229" aria-describedby="caption-attachment-36229" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36229" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-5-800x479.png" alt="Bastidores do filme Agente Secreto. Dois homens brancos estão dentro de uma sala. O primeiro é um homem de cabelos castanhos e bigode está sentado e olhando fixamente para a frente. Ele está com uma camisa azul e tem uma bolsa em sua frente. Ao seu lado está o segundo homem, com cabelos grisalhos, óculos, camisa preta e fone de ouvido. Ele está explicando algo para o primeiro homem. Na frente deles tem uma câmera." width="800" height="479" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-5-800x479.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-5-1024x613.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-5-768x459.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-5.png 1170w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36229" class="wp-caption-text">Kleber e Wagner se conheceram anos atrás no Festival de Cannes, quando o diretor ainda era crítico de cinema (Foto: Victor Jucá)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, Moura ressaltou algo que vem abordando em entrevistas recentes: esse é seu primeiro filme, em 12 anos, falando em português. Ele definiu o processo de não apenas atuar em seu idioma, mas de fazê-lo em Recife como um dos mais felizes de sua vida profissional; “</span><i><span style="font-weight: 400;">Resumindo: foi massa</span></i><span style="font-weight: 400;">”, completou o ator. Durante o evento, a relação entre o elenco pareceu, de fato, ter surgido de uma experiência feliz, especialmente entre Tânia Maria, que interpreta Dona Sebastiana, e Wagner, a quem ela chamou de ‘professor’. Com pouco tempo de experiência nas telas, o nome da potiguar surgiu na lista da </span><a href="https://variety.com/lists/2026-oscars-best-supporting-actress-predictions/1236516692/"><span style="font-weight: 400;">Variety</span></a><span style="font-weight: 400;"> de possíveis indicações ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Dona Tânia, como ficou conhecida após o sucesso nas redes sociais – e na crítica – comentou que Kleber, como diretor, é ‘incomparável’. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo análise feita pela </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/03/media-da-idade-de-atrizes-indicadas-ao-oscar-sobe-dez-anos-em-cinco-decadas.shtml"><span style="font-weight: 400;">Folha de S. Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, em 2023</span><b>,</b><span style="font-weight: 400;"> a média de idade das atrizes indicadas ao Oscar vem aumentando gradativamente nas últimas cinco décadas. É nesse contexto otimista, porém, ainda desafiador, que Dona Tânia se insere; a artista de 78 anos teve a sua estreia na atuação em </span><a href="https://personaunesp.com.br/bacurau-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bacurau</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019), outro filme de Mendonça. Nesse sentido, a sua jornada se torna inspiradora para colegas de profissão, como Alice Carvalho, a Fátima de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Agente Secreto</span></i><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu tô com 29 anos, tenho algumas amigas com 38, 40, 41, 42 [anos] que são, muitas vezes, tomadas pelo sentimento de que a carreira acabou [&#8230;] E pra mim, tem um valor imenso estar aqui nessa sala com vocês querendo saber quem é Dona Tânia. E tenho certeza que ela vai fazer um monte de filme daqui pra frente e isso vai ser muito importante para a minha geração e das meninas [outras atrizes] que estão aqui</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Carvalho, durante o Tapete Vermelho, também comentou, em entrevista ao </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> sobre o sentimento em relação a esse projeto: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Quando eu assisti em Cannes, fiquei tão orgulhosa e tão feliz do tamanho da pessoa que Kleber é, porque tem que ser uma pessoa muito grande para fazer um filme como esse. Para ser um grande artista tem que ser uma grande pessoa. E fiquei muito orgulhosa de estar dentro disso</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A atriz acrescentou que não imaginava a tamanha proporção que a popularidade da produção iria ganhar e que acredita que a obra cumpriu o seu papel de se comunicar com as massas.</span></p>
<figure id="attachment_36228" aria-describedby="caption-attachment-36228" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36228" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-2-800x762.jpg" alt="Tapete vermelho do filme Agente Secreto. Uma mulher, com cabelos cacheados e com um vestido verde está falando ao microfone. O microfone está sendo segurado por uma mão de um homem branco. Ao fundo, está o painel da 49ª Mostra de Cinema em São Paulo com várias pessoas ao redor" width="800" height="762" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-2-800x762.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-2-1024x975.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-2-768x731.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-2-1536x1462.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-2-1200x1142.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-2.jpg 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36228" class="wp-caption-text">Alice Carvalho foi chamada de última hora para o filme, e mesmo assim, entregou uma das melhores e mais marcantes performances do longa (Foto: Stephanie Cardoso)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Representando os antagonistas da trama, estavam no evento Gregório Graziosi, Robério Diógenes e </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/ferrari-filme-critica"><span style="font-weight: 400;">Gabriel Leone</span></a><span style="font-weight: 400;">. O último falou sobre o desafio de interpretar Bobbi, um assassino de aluguel contratado para matar Marcelo, o personagem de Wagner Moura: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Para mim, enquanto ator, é um barato, porque você constrói um outro lado, um lado que, obviamente, eu não me identifico. Mas é o tipo de desafio que eu gosto, que é de você entender que aquele cara ali, como tantos que existiam na época e tantos que existem, com comportamentos e com uma cabeça semelhante à do meu personagem”. </span></i><span style="font-weight: 400;">Leone se refere a atividade criminosa de seu personagem, mas também ao alinhamento dele com figuras que simbolizam a discriminação é xenofobia no filme</span><i><span style="font-weight: 400;">. “Para mim, enquanto ator, é isso que me interessa:  investigar, encontrar o ser humano por trás daquilo; as sutilezas e os detalhes. Isso para um ator é sempre muito interessante</span></i><span style="font-weight: 400;">”, acrescenta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Também marcaram presença nesse evento os atores Geane Albuquerque, Suzy Lopes, Laura Lufési, Isadora Ruppert, o preparador de elenco Leonardo Lacca, entre outros membros da equipe. Outra figura importante que estava tanto no tapete vermelho, como na coletiva foi a ‘</span><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/lenda-perna-cabeluda-agente-secreto/"><span style="font-weight: 400;">perna cabeluda’</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma lenda urbana pernambucana que faz parte da história de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Agente Secreto.</span></i><span style="font-weight: 400;"> O filme estreou no dia 6 de novembro nacionalmente e também em cinemas da Alemanha e de Portugal. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="O AGENTE SECRETO - Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/AOBPXs_euPA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>20 anos de Orgulho e Preconceito: A adaptação que fez Jane Austen brilhar no cinema</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Oct 2025 13:00:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Stephanie Cardoso Em um tempo em que as telonas eram dominadas por sagas adolescentes e efeitos mirabolantes, Orgulho e Preconceito (2005) chegou como quem não quer nada e conquistou tudo. Vinte anos depois, o filme dirigido por Joe Wright continua sendo uma das adaptações mais amadas da literatura – e um dos romances mais bonitos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/orgulho-e-preconceito-20-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "20 anos de Orgulho e Preconceito: A adaptação que fez Jane Austen brilhar no cinema"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35837" aria-describedby="caption-attachment-35837" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35837" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/1759143871982-800x450.jpg" alt="Cena do filme Orgulho e Preconceito (2005). Na imagem, os personagens Elizabeth Bennet e Mr. Darcy estão muito próximos, prestes a se beijar. Elizabeth, uma jovem branca de cabelos castanhos escuros presos, está com os olhos fechados, com as mãos tocando a mão de Darcy. Ela usa um casaco longo escuro. Darcy também tem a cabeça inclinada para frente e os olhos fechados, em um gesto de ternura. Ele veste um casaco escuro com gola alta. Ao fundo, há um campo verde sob um céu esbranquiçado ao entardecer, transmitindo um clima romântico e íntimo" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/1759143871982-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/1759143871982-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/1759143871982-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/1759143871982.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35837" class="wp-caption-text">O livro de Orgulho e Preconceito é base de inspiração para novos romances modernos (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><b>Stephanie Cardoso</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um tempo em que as telonas eram dominadas por sagas adolescentes e efeitos mirabolantes, </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/story/pride-and-prejudice-20th-anniversary-director-joe-wright-interview?srsltid=AfmBOor0WOci5wI-qUgZNfq6ECAtHzBQmKUaX8ApRKVHouJsk9CEr9hu"><i><span style="font-weight: 400;">Orgulho e Preconceito</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2005)</span></a><span style="font-weight: 400;"> chegou como quem não quer nada e conquistou tudo. Vinte anos depois, o filme dirigido por </span><a href="https://www.harpersbazaar.com/culture/film-tv/a64526182/pride-and-prejudice-joe-wright-20th-anniversary-interview/"><span style="font-weight: 400;">Joe Wright</span></a><span style="font-weight: 400;"> continua sendo uma das adaptações mais amadas da literatura – e um dos romances mais bonitos e sinceros já feitos no cinema (e não é um exagero).</span></p>
<p><span id="more-35836"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baseado no livro homônimo de </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/reportagem/jane-austen-curiosa-vida-da-escritora-de-orgulho-e-preconceito.phtml"><span style="font-weight: 400;">Jane Austen</span></a><span style="font-weight: 400;">, publicado em 1813, o longa-metragem poderia ter caído na armadilha das adaptações engessadas, com sotaques forçados e vestidos impecáveis demais. Mas Wright, em sua estreia no cinema, trouxe uma abordagem surpreendentemente íntima para uma história muitas vezes associada à rigidez dos salões aristocráticos. Aqui, os personagens riem alto, correm pelos campos, brigam em jantares, sujam as saias de barro e demonstram uma humanidade palpável. A direção busca menos a pompa e mais a verdade emocional, e é justamente por isso que o longa-metragem ainda permanece tão forte.</span></p>
<figure id="attachment_35838" aria-describedby="caption-attachment-35838" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35838" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/1759143896070.png" alt="Cena do filme Orgulho e Preconceito (2005). Na imagem, vemos uma elegante sala de estar em tons dourados e claros, com vários personagens vestidos com roupas de época. Ao centro, uma mulher ruiva está sentada com um vestido verde e branco, com um pequeno cachorro marrom deitado aos seus pés. Atrás dela, dois homens em pé vestem roupas de época — casacos compridos e calças altas. À esquerda, uma mulher sentada observa a cena, enquanto à direita, um grupo de mulheres com vestidos coloridos e chapéus senta-se em um sofá comprido. A cena transmite formalidade e tensão social" width="800" height="516" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/1759143896070.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/1759143896070-768x495.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35838" class="wp-caption-text">No início do filme, Elizabeth é vista lendo um livro chamado Primeiras Impressões, primeiro nome de Orgulho e Preconceito (Foto: Focus Films/Courtesy Everett Collection)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No centro da narrativa está </span><a href="https://youtu.be/DRNLLZQoX10?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Keira Knightley</span></a><span style="font-weight: 400;">, que aos 20 anos assumiu o papel de Elizabeth Bennet com uma combinação rara de coragem e sutileza, aquela heroína pela qual torcemos desde o primeiro instante. Ao seu lado, o misterioso Mr. Darcy, interpretado por </span><a href="https://youtu.be/02n7Hac0a5Q?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Matthew Macfadyen</span></a><span style="font-weight: 400;">, quebra o clichê do galã convencido. Reservado, um pouco desajeitado para demonstrar emoções e repleto de nuances, o que apenas amplia o magnetismo do personagem. A </span><a href="https://youtu.be/WeCBoYbixEk?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">cena</span></a><span style="font-weight: 400;"> em que ele revela seu amor (apesar de também insultar a sua família) sob a chuva – inexistente no livro original –, tornou-o um ícone, justamente por capturar com perfeição essa emoção contida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a chuva marcou o ápice da confissão dele, a madrugada silenciosa marcou o </span><a href="https://youtu.be/YckaDT9KEI8?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">momento</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Elizabeth. Quando ela finalmente revela seus sentimentos durante aquele passeio ao nascer do sol, não há palavras grandiosas, apenas uma entrega serena, mas arrebatadora. Sem exageros nem discursos grandiosos, só sinceridade, leveza e um toque de nervosismo que torna tudo mais verdadeiro. A troca de olhares, o clima suave e a luz dourada do campo tornam a cena quase etérea. É nesse instante que ela, tão firme e crítica ao longo da história, permite-se ser vulnerável. E o impacto é imediato: o silêncio diz mais que qualquer declaração ensaiada, encerrando a jornada com a mesma delicadeza com que foi construída.</span></p>
<figure id="attachment_35839" aria-describedby="caption-attachment-35839" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35839" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/1759143924849-800x450.jpg" alt="Cena do filme Orgulho e Preconceito (2005). Na imagem, seis mulheres caminham alegremente por uma estrada de terra no campo. Elas usam vestidos longos e coloridos de época, além de chapéus e luvas. Estão sorrindo, transmitindo uma atmosfera de leveza e amizade. Ao fundo, vemos campos abertos e colinas sob um céu nublado. A personagem Elizabeth Bennet, ao centro-direita, veste um vestido cinza e uma capa preta" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/1759143924849-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/1759143924849-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/1759143924849.jpg 970w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35839" class="wp-caption-text">A relação das irmãs e da matriarca Bennet são um dos pontos mais fortes e divertidos do filme (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O que torna </span><i><span style="font-weight: 400;">Pride and Prejudice</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original) ainda mais rico é a </span><a href="https://youtu.be/U7guBEL-ORU?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">família Bennet</span></a><span style="font-weight: 400;">, cheia de personalidades que contrastam e se completam. A Sra. Bennet (Brenda Blethyn), rouba várias cenas com seu jeito desesperado para casar as filhas. Ela é aquele tipo de mãe que não pensa duas vezes antes de transformar qualquer conversa em uma festa de nervos. Em uma cena, que é quase cômica, ela tenta controlar as filhas no baile, mostrando como o casamento era uma questão de sobrevivência para as mulheres da época. Apesar de sua excentricidade, a Sra. Bennet representa uma preocupação real daquele período: o medo de deixar as filhas vulneráveis num mundo onde </span><a href="https://youtu.be/o0vYtSf2iP8?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">segurança financeira</span></a><span style="font-weight: 400;"> era quase sinônimo de casamento bem arranjado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A irmã mais velha, Jane Bennet, interpretada por </span><a href="https://youtu.be/psjjEIrq654?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Rosamund Pike</span></a><span style="font-weight: 400;">, é o oposto da mãe em temperamento: doce, calma e sempre vendo o melhor nas pessoas. A relação dela com Charles Bingley (Simon Woods), é o </span><a href="https://youtu.be/K_ZBhEcuSU0?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">romance</span></a><span style="font-weight: 400;"> mais suave da história, trazendo leveza ao drama das outras personagens. Jane é aquela irmã que, mesmo quietinha, ganha espaço na narrativa pela sua força tranquila, quase um equilíbrio para a energia de Lizzie.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Visualmente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Orgulho e Preconceito</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um deslumbre. A </span><a href="https://youtu.be/5z-0VGxI1x8?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">fotografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Roman Osin aposta em luz natural e movimentos de câmera orgânicos, criando uma atmosfera quase etérea. A cena do baile com o plano-sequência que percorre o salão inteiro é um espetáculo de coreografia visual e se tornou obrigatória em qualquer aula de direção cinematográfica. A estética do filme virou referência para produções de época posteriores, da televisão ao cinema. Já os </span><a href="https://youtu.be/0bVXmS20Teg?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">figurinos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Jacqueline Durran fogem do teatral, com roupas realistas, usadas pelas próprias personagens, o que deixa tudo mais real.  </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Pride &amp; Prejudice | Dancing With Mr. Darcy and Mr. Collins at the Netherfield Ball" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/RPjnatedrm8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.billboard.com/music/chart-beat/pride-prejudice-film-soundtrack-charts-20-year-vinyl-1236017371/"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Dario Marianelli, com foco no piano e nas cordas, acompanha os personagens com delicadeza e profundidade. Em vez de apenas preencher o silêncio, a música o potencializa,  revelando tudo o que os personagens estão tentando esconder. A dança entre Elizabeth e Darcy se transforma em um momento quase metafísico, um diálogo silencioso onde cada nota carrega um peso dramático. Não foi à toa que Marianelli recebeu a indicação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> na categoria de Melhor Trilha Sonora Original pelo trabalho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as curiosidades de </span><a href="https://youtu.be/MSNfl2PUFPc?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">bastidores</span></a><span style="font-weight: 400;">, vale lembrar que Joe Wright optou por escalar atrizes e atores mais jovens para o núcleo principal, indo contra o padrão da época, que costumava envelhecer os personagens em adaptações de Austen. Ele também pediu à figurinista Jacqueline Durran que criasse roupas que os atores pudessem vestir sozinhos, para evitar a artificialidade de figurinos históricos. Essas escolhas contribuíram para uma sensação de espontaneidade que poucas adaptações conseguem alcançar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O final do filme também tem uma história curiosa. A versão exibida nos cinemas britânicos – e na maioria dos países (Brasil incluso!) – termina com o Sr. Bennet dando sua benção ao casamento da filha. Já nos Estados Unidos, o longa recebeu um final alternativo: uma cena extra com Lizzie e Darcy trocando carinhos e, finalmente, um beijo. Dependendo da edição que você viu, o desfecho pode ser bem diferente e essa mudança dividiu os fãs na época. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Pride &amp; Prejudice | Completely, Perfectly, Incandescently Happy" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/f4upyq5QztM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de ser um dos nomes mais importantes da literatura inglesa, Jane Austen já teve seus livros adaptados para diversas telas e com resultados bem variados. Títulos como </span><a href="https://personaunesp.com.br/emma-2020-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Emma</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Razão e Sensibilidade</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Persuasão</span></i><span style="font-weight: 400;"> ganharam versões tanto clássicas quanto modernas – sim, </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-patricinhas-de-beverly-hills-25-anos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">As Patricinhas de Beverly Hills</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é baseada em </span><i><span style="font-weight: 400;">Emma</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mas nenhuma obra foi tão revisitada quanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Orgulho e Preconceito</span></i><span style="font-weight: 400;">. Antes do longa de 2005, a adaptação mais famosa era a minissérie da </span><i><span style="font-weight: 400;">BBC </span></i><span style="font-weight: 400;">de 1995, estrelada por Jennifer Ehle e Colin Firth, que é até hoje um marco para os fãs mais puristas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Comparando as duas, a </span><a href="https://youtu.be/NZKmzkdXPoo?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">minissérie</span></a><span style="font-weight: 400;"> é como uma leitura mais fiel e detalhista do livro. Com quase seis horas de duração, ela recria praticamente tudo o que Austen escreveu, com diálogos textuais, ritmo mais lento e uma ambientação contida. Já a versão de 2005 é feita para ser sentida, não apenas compreendida. Ela condensa a trama, elimina subtramas e aposta em sensações – nos olhares, nos silêncios, nos gestos que falam mais alto do que as palavras. Enquanto a série é uma aula de fidelidade histórica, a produção de Joe Wright é uma experiência emocional e cinematográfica poderosa. E é justamente isso que o torna tão inesquecível. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Duas décadas depois, </span><i><span style="font-weight: 400;">Orgulho e Preconceito</span></i><span style="font-weight: 400;"> continua sendo aquele tipo de filme que você apresenta para alguém especial, assiste em uma tarde chuvosa com cobertor ou coloca na lista de </span><i><span style="font-weight: 400;">comfort movies</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao lado de clássicos modernos. Ele provou que </span><a href="https://ew.com/most-romantic-period-movies-11760791"><span style="font-weight: 400;">romance de época</span></a><span style="font-weight: 400;"> pode ser inteligente, bonito, envolvente e, absolutamente, eterno. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Pride &amp; Prejudice (2005) Official Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Ur_DIHs92NM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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