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	<title>Arquivos Socorro Acioli &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Socorro Acioli &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>A Cabeça do Santo: quando o sagrado perde a cabeça</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Mar 2026 13:00:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Bianca Costa  Uma mãe em seu leito de morte faz um último pedido ao filho: que encontre o pai e a avó que nunca conheceu. É a partir desse pedido que se desenrola A Cabeça do Santo, de Socorro Acioli, um romance onde o sagrado e o profano se entrelaçam por suas páginas e pela &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-cabeca-do-santo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Cabeça do Santo: quando o sagrado perde a cabeça"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37001" aria-describedby="caption-attachment-37001" style="width: 517px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-37001" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/download-11-517x800.jpeg" alt="" width="517" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/download-11-517x800.jpeg 517w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/download-11.jpeg 564w" sizes="(max-width: 517px) 85vw, 517px" /><figcaption id="caption-attachment-37001" class="wp-caption-text">O romance acontece entre o sagrado e o profano, com uma boa dose de brasilidade e um realismo mágico que tem tudo a ver com Gabriel García Márquez (Foto: Companhia Das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Bianca Costa </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma mãe em seu leito de morte faz um último pedido ao filho: que encontre o pai e a avó que nunca conheceu. É a partir desse pedido que se desenrola </span><i><span style="font-weight: 400;">A Cabeça do Santo</span></i><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/colaborador/03573/socorro-acioli?srsltid=AfmBOopg0c0_l00zg6rxNR8Ckafa6dkBFmG0oa8LrBFdDWseqotMwmGr"><span style="font-weight: 400;">Socorro Acioli</span></a><span style="font-weight: 400;">, um romance onde o sagrado e o profano se entrelaçam por suas páginas e pela cidade de Candeia. Essa contemporânea obra brasileira – exemplo de </span><a href="https://www.ufmg.br/espacodoconhecimento/a-solidao-latino-americana-e-o-realismo-magico-na-literatura/"><span style="font-weight: 400;">realismo mágico</span></a><span style="font-weight: 400;"> – entrega tudo aquilo que um verdadeiro clássico da literatura tem direito: uma conexão verdadeira com o leitor, capaz de transcender o tempo.  </span></p>
<p><span id="more-37000"></span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Foi a morte que me ensinou. O tempo de sonhar é em cima da terra” – </span><span style="font-weight: 400;">A Cabeça do Santo</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a angústia causada pela dor da perda de sua mãe, Samuel decide cumprir sua promessa. Assim, deixa Juazeiro do Norte para trás e percorre a pé um sofrido trajeto de dezoito quilômetros, acompanhado apenas pela secura impiedosa do sertão cearense. Alcançando, enfim, o destino traçado por sua mãe – o município de Candeia. Era uma cidade comum, até Samuel precisar se abrigar em uma gruta, refúgio que à luz da manhã revela ser, na verdade, uma cabeça imensa de </span><a href="https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2024-06/dia-de-santo-antonio-renan-dantas-12-junho-2024.html"><span style="font-weight: 400;">Santo Antônio</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas as estranhezas não param aí: Samuel começa a escutar uma confusão de vozes femininas apenas quando está dentro da cabeça. Assustado, se dá conta de que aquilo são orações de </span><a href="https://www.metro1.com.br/noticias/radio-metropole/151452,dia-dos-namorados-historiador-explica-por-que-santo-antonio-e-conhecido-como-casamenteiro"><span style="font-weight: 400;">mulheres que pedem amor ao santo</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><span style="font-weight: 400;">O romance tempera fé, cotidiano e tradição nordestina com uma escrita simples e envolvente, carregada de simbolismos culturais e políticos. </span></p>
<figure id="attachment_37002" aria-describedby="caption-attachment-37002" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37002" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/imagem-2-800x532.jpg" alt="" width="800" height="532" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/imagem-2-800x532.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/imagem-2-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/imagem-2.jpg 995w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37002" class="wp-caption-text">Em Caridade, a cabeça da estátua de Santo Antônio foi montada no chão e nunca unida novamente ao corpo (Foto: Fantástico/Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado em 2014 pela </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535923698/a-cabeca-do-santo?srsltid=AfmBOopHWnUR__jXc2ksctnIKnD04rmHKVyE_qBGji8U0iXuMAwwZuq1"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">A cabeça do Santo</span></i><span style="font-weight: 400;"> conquista críticos e leitores há onze anos por sua originalidade e pela forma como resgata elementos do folclore, montando uma verdadeira dança das cadeiras entre o sagrado e o profano, premissas opostas e mistura ousada que abraça contrastes tão inerentes na cultura popular brasileira.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“[&#8230;] porque às vezes nem Deus livra o homem de enlouquecer. O demônio é artista”</span><span style="font-weight: 400;"> – </span><span style="font-weight: 400;">A Cabeça do Santo</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O toque de realismo mágico que perdura por cada página, clássico de </span><a href="https://mobile.publishnews.com.br/materias/2024/04/16/conheca-seis-obras-essenciais-de-gabriel-garcia-marquez"><span style="font-weight: 400;">Gabriel García Márquez</span></a><span style="font-weight: 400;">, não é por acaso. </span><span style="font-weight: 400;">Em 2006, </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/album/2014/04/18/escritora-brasileira-participou-de-workshop-com-gabriel-garcia-marquez-em-cuba.htm?foto=1"><span style="font-weight: 400;">Socorro Acioli</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi a única mulher e brasileira selecionada para a oficina de </span><i><span style="font-weight: 400;">Como contar um conto</span></i><span style="font-weight: 400;">, que seria mais tarde a última </span><a href="https://g1.globo.com/ceara/noticia/2014/04/apos-oficina-escritora-cearense-fala-de-convivencia-com-garcia-marquez.html"><span style="font-weight: 400;">oficina</span></a><span style="font-weight: 400;"> de escrita ministrada por Márquez. A proposta que apresentou foi baseada em um caso real, uma estátua de </span><a href="https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2015/03/11/estatua-sem-cabeca-leva-culpa-por-divorcios-em-cidade-do-ce.htm?foto=1"><span style="font-weight: 400;">Santo Antônio</span></a><span style="font-weight: 400;"> inacabada, erguida no município de Caridade, também no interior do Ceará, onde a cabeça permanece abandonada há quase quarenta anos. </span></p>
<figure id="attachment_37003" aria-describedby="caption-attachment-37003" style="width: 599px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-37003" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/img-3.png" alt="" width="599" height="336" /><figcaption id="caption-attachment-37003" class="wp-caption-text">A autora Socorro Acioli e Gabriel García Márquez dando luz ao realismo mágico (Foto: Arquivo pessoal de Socorro)</figcaption></figure>
<p><a href="https://g1.globo.com/google/amp/ce/ceara/noticia/2021/11/29/estatua-de-santo-antonio-espera-cabeca-ha-35-anos-no-alto-de-um-monte-em-caridade-no-ceara.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Essa curiosa história</span></a><span style="font-weight: 400;"> que deu origem ao livro, começou em 1984, quando o prefeito da cidade contratou um escultor para erguer uma imensa estátua de Santo Antônio. A obra começou como foco de grande expectativa, mas logo foi interrompida, e a cabeça, já pronta, jamais chegou a ser erguida junto ao corpo. Pesada demais e sem recursos para ser transportada, acabou esquecida no chão, entre ruas e casas, virando parte da paisagem local. Logo, tornou-se alvo de lendas e superstições que associavam a ‘degola’ do santo aos problemas da cidade. Essa imagem poderosa – a cabeça abandonada de um santo, separada do corpo – impressionou Acioli e fez os olhos de García Márquez brilharem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://g1.globo.com/ceara/noticia/2013/10/vencedora-do-jabuti-socorro-acioli-comemora-e-fala-da-proxima-obra.html"><span style="font-weight: 400;">premiada</span></a><span style="font-weight: 400;"> escrita de Acioli é simples, marcada pelo ritmo envolvente, parecendo uma conversa, do jeitinho brasileiro. Mas esse estilo direto não diminui a densidade da obra, pelo contrário, permite que os símbolos e personagens ganhem força sem excessos. Samuel, o protagonista, encontra dentro da cabeça do santo tanto prisão quanto abrigo, uma metáfora para sua busca de identidade e pertencimento. Já as vozes femininas que ele escuta simbolizam a presença coletiva e invisível dessas mulheres, silenciadas na vida pública, porém, persistentes em suas preces. A cidade, por sua vez, é quase um personagem, marcada pela dependência dos milagres e pelo abandono material.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A consciência da solidão doía mais que qualquer outra dor.”</span><span style="font-weight: 400;"> – A Cabeça do Santo</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Os </span><a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/termos/80212-simbolismo-na-literatura"><span style="font-weight: 400;">simbolismos</span></a><span style="font-weight: 400;"> são a chave do romance. A cabeça de Santo Antônio inacabada revela como o divino convive com o ordinário. O sertão, sempre presente, é metáfora da falta material, mas também da resistência. O silêncio de Samuel, contraposto às vozes femininas, mostra como a escuta pode ser mais poderosa do que a palavra. É nessa brincadeira entre o místico e o real que a narrativa encontra sua singularidade. </span></p>
<p><figure id="attachment_37004" aria-describedby="caption-attachment-37004" style="width: 367px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37004" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/imagem-4.png" alt="" width="367" height="486" /><figcaption id="caption-attachment-37004" class="wp-caption-text">Socorro Acioli dentro da verdadeira “cabeça do santo” [Foto: Reprodução Instagram da autora (@socorroacioli)]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">O livro de Acioli, além de contar uma história sobre destino e milagres, também expõe como a fé é usada como instrumento de poder, como o sertão é abandonado pelo Estado e como as mulheres resistem pelo silêncio de suas preces. Com personagens de um realismo que ultrapassa o papel, o cenário reflete a aridez e a esperança do sertão nordestino. </span><span style="font-weight: 400;">Além de se revelar como uma das obras mais marcantes da literatura brasileira contemporânea, A Cabeça do Santo teve seus direitos comprados e vai virar um </span><a href="https://g1.globo.com/google/amp/ce/ceara/noticia/2023/09/17/cabeca-gigante-de-santo-antonio-vai-virar-filme-brasileiro-conheca-a-historia.ghtml"><span style="font-weight: 400;">filme</span></a><span style="font-weight: 400;">, ainda que sem data de estreia</span><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com doze anos desde sua publicação, o romance de Socorro Acioli marcou presença na </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/confira-a-lista-dos-10-livros-mais-vendidos-de-2025/#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">lista</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos livros de ficção mais vendidos no Brasil em 2025, revelando o potencial da literatura nacional, capaz de reinventar tradições, dar voz ao silêncio e transformar uma história local em um ‘suco de brasilidades’, onde até Santo Antônio perde a cabeça.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Maio de 2023</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Jun 2023 20:38:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Depois de apreciar a vida da gente fina Rita Lee, em Rita Lee: uma autobiografia, o Clube do Livro do Persona alçou voo para trajetos marcados por cicatrizes profundas. Em Maio de 2023, nossos leitores tiveram a oportunidade de conhecer os relatos melancólicos do primeiro Romance do poeta Ocean Vuong, Sobre a terra somos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-maio-de-2023/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Maio de 2023"</span></a></p>
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<figure id="attachment_31209" aria-describedby="caption-attachment-31209" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31209" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/estantemaiowp-1-800x420.jpg" alt="" width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/estantemaiowp-1-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/estantemaiowp-1-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/estantemaiowp-1.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31209" class="wp-caption-text">Nas profundezas de um intimismo visceral, Sobre a terra somos belos por um instante foi a leitura do Clube do Livro de Maio (Foto: Rocco/ Arte: / Texto de abertura: Jamily Rigonatto)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de apreciar a vida da gente fina Rita Lee, em </span><a href="https://personaunesp.com.br/rita-lee-uma-autobiografia-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Rita Lee: uma autobiografia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o Clube do Livro do Persona alçou voo para trajetos marcados por cicatrizes profundas. Em Maio de 2023, nossos leitores tiveram a oportunidade de conhecer os relatos melancólicos do primeiro Romance do poeta Ocean Vuong, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sobre a terra somos belos por um instante</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Carregando uma carga emocional de proporções ímpares, o texto chegou ao Brasil em 2021 pela editora Rocco, e conta com tradução de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0jydA7eIN5Y"><span style="font-weight: 400;">Rogério Galindo.</span></a><span style="font-weight: 400;"> Na trama, narrada melodicamente pelo protagonista Cachorrinho, somos apresentados a uma história sobre lembranças familiares, amores silenciados e revelações angustiadas que por muito tempo estiveram em cativeiro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2019/jun/09/ocean-vuong-on-earth-we-are-briefly-gorgeous-interview"><span style="font-weight: 400;">livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> apresenta uma linguagem bastante singular e caminha por um espaço fluido entre a convencionalidade dos romances e a indefinição literária. Através de termos rítmicos e bastante poetizados, a sensação é de fazer parte de um espaço tão consciente quanto imprevisto. As 224 páginas não podem se classificar diretamente como poesia, mas absolutamente repousam sobre os limites de uma vulnerabilidade encantadora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra ainda reflete espectros sociais, econômicos e raciais, já que trata sobre os laços familiares de imigrantes vietnamitas vivendo nos Estados Unidos. Os tons das discussões relacionadas a papéis de </span><a href="https://www.today.com/tmrw/earth-we-re-briefly-gorgeous-author-ocean-vuong-how-queerness-t219397"><span style="font-weight: 400;">gênero e sexualidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> também ganham grandes doses de protagonismo, lembrando que a sinceridade de ser e sentir é bela por muito mais que um instante. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E enquanto o tempo continua seu trabalho marcando as vidas no eterno mistério dos momentos, as palavras continuam compondo a emoção daqueles que as apreciam. Por isso, o</span><b> Estante do Persona de Maio de 2023</b><span style="font-weight: 400;"> segue com suas dicas e opiniões sobre os mais variados temas abordados pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/estante-do-persona/"><span style="font-weight: 400;">Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span id="more-31196"></span></p>
<h3>Livro do Mês</h3>
<figure id="attachment_31206" aria-describedby="caption-attachment-31206" style="width: 539px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31206" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/61ipj1oNg5L._AC_UF10001000_QL80_-539x800.jpg" alt="" width="539" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/61ipj1oNg5L._AC_UF10001000_QL80_-539x800.jpg 539w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/61ipj1oNg5L._AC_UF10001000_QL80_.jpg 674w" sizes="auto, (max-width: 539px) 85vw, 539px" /><figcaption id="caption-attachment-31206" class="wp-caption-text">A leitura do Clube do Livro do Persona é a estreia do premiado autor, por seus livros de poesia, no romance (Foto: Rocco)</figcaption></figure>
<p><b>Ocean Vuong — Sobre a terra somos belos por um instante (</b><b>224 páginas, Rocco)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As <a href="https://personaunesp.com.br/category/literatura/">leituras do Persona</a> já transitaram em vários dos temas que abatem a prosa poética de Ocean Vuong em </span><a href="https://www.rocco.com.br/livro/sobre-a-terra-somos-belos-por-um-instante/"><i><span style="font-weight: 400;">Sobre a terra somos belos por um instante</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">Em sua instância epistolar, Vuong preenche os vazios emocionais e sociais que o separa e, complexamente, o une a sua mãe — uma mulher vietnamita analfabeta, a quem escreve  —; não muito diferente do que </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/annie-ernaux/"><span style="font-weight: 400;">Annie Ernaux</span></a><span style="font-weight: 400;"> faz do retrato paterno em </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-setembro-de-2022/#:~:text=Annie%20Ernaux%20%E2%80%93%20O%20lugar%20(72%20p%C3%A1ginas%2C%20F%C3%B3sforo)"><i><span style="font-weight: 400;">O lugar</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">ou à brutal ficcionalização de si em Marguerite Duras. No entanto, mesmo que os feitos do jovem poeta ressoem a uma memória quase corporal de textos sobre a maternidade e que almejam alcançar o sentido entre o sentimento, ancestralidade e de remorso de relações problemáticas, como os poemas de </span><a href="https://claudiowiller.wordpress.com/2014/06/03/kaddish-de-allen-ginsberg-1926-1997/"><span style="font-weight: 400;">Allen Ginsberg</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/louise-gluck-por-camila-assad/"><span style="font-weight: 400;">Louise Gluck</span></a><span style="font-weight: 400;">, Vuong aprimora o gênero a partir de uma literatura em que a ternura é dimensionada a partir da violência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir de uma maestria na construção de <a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2022/#:~:text=Do%20autor%20lusitano,%E2%80%93%20Raquel%20Freire">imagens poéticas</a> intrincadas, o narrador se utiliza de metáforas como pedras, que afogam o leitor em seu fluxo de rememoração e conciliação com sua história pessoal e sua história política: um estudo do ato de ser estrangeiro nos terrenos da masculinidade e da branquitude estadunidense. Em seu tom evocativo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sobre a terra </span></i><span style="font-weight: 400;">faz suas páginas como um arcabouço de memórias, um espaço onde os traumas de uma guerra, os </span><a href="https://open.spotify.com/episode/2fsqF9NvdDmomoOZBo2vte?si=8FK-Q8E2SFe_M4Rv_htMVw"><span style="font-weight: 400;">mitos de uma nação</span></a><span style="font-weight: 400;"> e as fragilidades individuais se convergem na habilidade única desse sistema: de sentir tudo ao redor de si. E, nisso, de maneira extremamente sensorial, Ocean Vuong faz de sua escrita um próprio corp</span><span style="font-weight: 400;">o.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Sobre a terra somos belos por um instante - Clube do Livro Maio 2023" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/00H1sglaTjWSyV0gJqRfhx?si=a8108e7cacbd4e25&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_31203" aria-describedby="caption-attachment-31203" style="width: 460px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31203" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/o-mundo-perdido-1.jpeg" alt="Capa de O Mundo Perdido. Na imagem há centralizado o título em letras maiúsculas vermelhas contornadas de branco que vão até a metade da capa onde encontram uma ilustração de um fóssil de dinossauro da espécie Velociraptor mongoliensis em uma versão de esboço, abaixo do desenho há nome do autor e o logo da editora, os elementos estão dispostos sobre um fundo vermelho vivo" width="460" height="667" /><figcaption id="caption-attachment-31203" class="wp-caption-text">O Mundo perdido é a única continuação de um romance escrito por Michael Crichton (Foto: Aleph)</figcaption></figure>
<p><b>Michael Crichton &#8211;  O Mundo Perdido (488 páginas, Editora Aleph)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na continuação de seu romance mais famoso, </span><a href="https://editoraaleph.com.br/produto/jurassic-park/"><i><span style="font-weight: 400;">Jurassic Park</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Michael Crichton, a pedido do próprio Steven Spielberg, que almejava a sequência do </span><a href="https://personaunesp.com.br/jurassic-park-30-anos/"><span style="font-weight: 400;">filme homônimo</span></a><span style="font-weight: 400;">, escreveu </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mundo Perdido</span></i><span style="font-weight: 400;"> – nome inspirado na obra de Arthur Conan Doyle. Trazendo de volta o então coadjuvante do livro anterior, Ian Malcom, como protagonista, que após descobrir que não havia apenas uma ilha com dinossauros “ressuscitados” via engenharia genética, tem que organizar uma expedição de resgate a um colega que descobriu a localização dessas terríveis criaturas pré-históricas do pior modo possível.</span></p>
<p><a href="https://editoraaleph.com.br/produto/o-mundo-perdido-2/"><i><span style="font-weight: 400;">O Mundo Perdido</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> tem tons muito mais assustadores que seu predecessor, com passagens brutais, uma ambientação mais sombria e misteriosa, além de um ritmo de ação ainda mais instigante. O romance apresenta novos personagens muito bem desenvolvidos, como Sarah Harding, especialista em comportamento animal que encontra hábitos curiosos e até macabros nos seres da ilha. Crichton mais uma vez mergulha no universo da bioética e explora conceitos inovadores para a época. </span><b>&#8211; Guilherme Dias Siqueira</b></p>
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<figure id="attachment_31202" aria-describedby="caption-attachment-31202" style="width: 395px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-31202" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/sobre-os-ossos-dos-mortos-1.jpg" alt="Capa do livro Sobre os ossos dos mortos. Há uma ilustração ambientada em uma floresta no inverno, coberta de neve e com várias árvores de tons variados com galhos secos, o céu é preto. No fundo da foto há uma pequena cabana de madeira. Na frente, cobrindo grande parte da capa, há vários animais entre as árvores, o primeiro, da esquerda para a direita, é um lobo marrom, que está sobre as duas patas e segura uma corda amarela. Ao seu lado direito, há um pássaro azul sentado, segurando seus joelhos, abaixo dos dois há alguns ossos no sobre a neve. No centro da capa há um crânio de um cervo, e mais acima e a direita, uma cabeça de coelho rosa escorrendo sangue. Em branco, no canto superior esquerdo, há o nome do livro, Sobre os ossos dos mortos, e, acima, em azul claro, há o nome da autora, Olga Tokarczuk." width="395" height="598" /><figcaption id="caption-attachment-31202" class="wp-caption-text">“Não há dúvida de que toda a sabedoria deriva da ira, pois a ira é capaz de ultrapassar quaisquer limites” (Foto: Editora Todavia)</figcaption></figure>
<p><b>Olga Tokarczuk &#8211; Sobre os ossos dos mortos (256, Todavia)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://todavialivros.com.br/livros/sobre-os-ossos-dos-mortos"><span style="font-weight: 400;">Sobre os ossos dos mortos</span></a><span style="font-weight: 400;">, Janina Dusheiko enfrenta o dia-a-dia no interior polonês como uma excêntrica professora de inglês. Um de seus traços mais marcantes se deve a sua singular preferência pela companhia de animais a seres humanos, combinada com sua crença intocável no estudo de astros e negação a se referir aos seus vizinhos pelos próprios nomes. Assim, seu caráter imutável é formado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A rotina na pacata vila polonesa passa por algumas mudanças a partir do momento em que mortes tomam conta do cenário frio e a temática principal do livro passa a girar em torno do existencialismo humano e da convivência com o natural. Na obra, a ganhadora do Nobel de 2018, </span><a href="https://bellamais.correiodopovo.com.br/negociosefinancas/carreira/conhe%C3%A7a-olga-tokarczuk-a-15%C2%AA-mulher-a-receber-o-nobel-de-literatura-1.371747"><span style="font-weight: 400;">Olga Tokarczuk</span></a><span style="font-weight: 400;"> parece compreender e exemplificar com excelência o ditado popular: “a caça se virou contra o caçador”.  </span><b>&#8211; Amabile Zioli</b></p>
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<figure id="attachment_31204" aria-describedby="caption-attachment-31204" style="width: 407px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-31204" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/malibu-renasce-1-713x1024-1-557x800.jpg" alt="A capa do livro de Malibu Renasce é uma fotografia da costa da cidade de Malibu, na Califórnia. A foto tem tons rosados e possui uma angulação bem aberta, dando destaque à paisagem e, principalmente, ao céu. O título “Malibu” tem destaque, está na cor branca e em letra cursiva, enquanto “Renasce” é em um tom marrom com detalhes em verde água, fonte sem serifa e em caixa alta. Quase centralizado, temos o nome da autora “Taylor Jenkins Reid” em caixa alta, e “Autora do best-seller Os Sete Maridos de Evelyn Hugo” seguindo logo abaixo em menor tamanho. A parte inferior da capa é a praia e a costa de Malibu, que possui carros, palmeiras, casas e montanhas." width="407" height="585" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/malibu-renasce-1-713x1024-1-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/malibu-renasce-1-713x1024-1.jpg 713w" sizes="auto, (max-width: 407px) 85vw, 407px" /><figcaption id="caption-attachment-31204" class="wp-caption-text">“Nossas histórias familiares são simplesmente histórias. São mitos que criamos sobre as pessoas que vieram antes de nós, a fim de dar sentido a nós mesmos.” (Foto: Editora Paralela)</figcaption></figure>
<p><b>Taylor Jenkins Reid &#8211; Malibu Renasce (360 páginas, Editora Paralela)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Malibu, além de ser famosa por suas mansões, incêndios e pela canção da Miley Cyrus, é casa de mais um dos livros de </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-sete-maridos-de-evelyn-hugo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Taylor Jenkins Reid</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em uma narrativa cheia de mar, </span><i><span style="font-weight: 400;">surf</span></i><span style="font-weight: 400;"> e ondas, os irmãos Riva mostram como tudo pode mudar em apenas uma noite. Apesar de se diferenciar dos outros livros da autora pela narrativa mais vagarosa, a profundidade e carisma de Nina, Jud, Jay e Kit nos cativa até a última página. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Abordando temas como abandono parental, alcoolismo e traição, a história do quarteto passa longe de ser sobre a busca pelo romance de verão e foca nos laços de família &#8211; que, apesar dos nós, possuem a força para resistirem ao fogo e a beleza de renascer a cada incêndio. </span><b>&#8211; Clara Sganzerla</b></p>
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<figure id="attachment_31200" aria-describedby="caption-attachment-31200" style="width: 433px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31200" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/a-cabeca-do-santo-1.jpg" alt="Capa do livro A cabeça do santo, de Socorro Acioli, publicado pela editora Companhia das Letras. A capa é inteiramente composta por um amarelo vibrante. No centro, há o perfil de uma cabeça preta, parecida com a de um manequim, e ela aparenta estar “apoiada” no chão. Acima dela está o título, centralizado, escrito em letras maiúsculas; cada palavra está em uma linha. Abaixo dela está o nome da autora, que segue a mesma diagramação que o título. Também centralizado, na parte inferior da capa, está o logo da editora." width="433" height="650" /><figcaption id="caption-attachment-31200" class="wp-caption-text">“Era tudo tão lindo que nem coube nos seus pequenos sonhos. Ela precisou aprender a sonhar mais” (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Socorro Acioli &#8211; A cabeça do santo (176 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após vinte dias de caminhada, Samuel chega em Candeia, cidade nordestina quase fantasma para realizar o último pedido de sua mãe: encontrar a avó e o pai que nunca conheceu. Ao chegar, se depara com uma gigantesca cabeça oca, que pertence a estátua inacabada de Santo Antônio e passa a ser seu abrigo por algumas semanas. O protagonista de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535923698/a-cabeca-do-santo"><i><span style="font-weight: 400;">A cabeça do santo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> descobre o dom de escutar as preces feitas ao santo e se une a Francisco, um jovem da cidade, para explorar comercialmente esse dom e trazer vida para aquele lugar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre gargalhadas e revelações icônicas, Socorro Acioli é capaz de enunciar crenças nordestinas, superstições e exploração da fé alheia. Sempre com um toque de absurdo, ela recorre ao amado realismo mágico que se mescla com sentimentos e conflitos inerentes ao ser humano, representados nas várias situações que Samuel e os outros personagens vivem. Além de carregar um tom regional e cultural brasileiríssimo, a obra dialoga, também, com o resto da América Latina, por sua forte referência a outros autores, escritas e obras dessa rica literatura – um exemplo é </span><a href="https://www.amoralivros.com.br/post/Entrevista-com-Socorro-Acioli"><span style="font-weight: 400;">Gabriel García Márquez</span></a><span style="font-weight: 400;">, que admirou e aprovou a criação da autora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro se destaca por garantir uma experiência emocionante, de um drama simples e sutil que, ainda assim, tem o poder de reverberar no leitor por muito tempo. As revelações dos mistérios, causas e segredos são bem trabalhadas e objetivas; aqui, a autora prova que menos é mais. Poucas palavras foram o suficiente para </span><a href="https://www.agenciariff.com.br/autores/socorro-acioli/"><span style="font-weight: 400;">Socorro</span></a><span style="font-weight: 400;"> construir uma história emblemática marcada pela relação entre fé e maldição no sertão cearense. </span><b>&#8211; Raquel Freire</b></p>
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<figure id="attachment_31199" aria-describedby="caption-attachment-31199" style="width: 431px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-31199" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Como-Matei-Minha-Querida-Familia-1-550x800.jpg" alt="No centro da capa, temos o título Como Matei Minha Querida Família, com o eixo centralizado à esquerda, em letras garrafais na cor preta. A frente da palavra “querida”, temos a frase “bizarra, adorável, tóxica”, escrita em letra de mão na cor branca. À direita da palavra “minha”, temos o nome da autora, Bella Mackie, em letras garrafais menores que o título na cor branca. Na parte superior direita, temos um escrito amarelo com letras de mão na cor azul, dizendo “Este livro me trouxe o prazer da leitura depois da pandemia- Jojo Moyes”. Na parte inferior direita, temos o desenho de uma mulher em preto e branco. Ela segura uma pá frente ao que parece ser uma estrutura quebradiça. Ela veste um top e uma calça jeans brancos e sapatos pretos. No centro inferior, encontramos o nome da editora, Darkside, em letras pequenas e brancas. O fundo da capa é rosa." width="431" height="627" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Como-Matei-Minha-Querida-Familia-1-550x800.jpg 550w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Como-Matei-Minha-Querida-Familia-1.jpg 687w" sizes="auto, (max-width: 431px) 85vw, 431px" /><figcaption id="caption-attachment-31199" class="wp-caption-text">A sinopse do livro descreve a narrativa como uma mistura de Kill Bill com Killing Eve (Foto: Darkside)</figcaption></figure>
<p><b>Bella Mackie &#8211; Como Matei Minha Querida Família (256 páginas, Darkside)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://darkside.blog.br/lancamento-como-matei-minha-querida-familia-por-bella-mackie/"><i><span style="font-weight: 400;">Como Matei Minha Querida Família</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a autora </span><a href="https://darkside.blog.br/bella-mackie-para-uma-mulher-ser-agradavel-significa-ser-passada-para-tras/"><span style="font-weight: 400;">Bella Mackie</span></a><span style="font-weight: 400;"> descreve a protagonista Grace Bernard como uma anti-heroína. Nas palavras de Bella, Grace é até mesmo capaz de “</span><i><span style="font-weight: 400;">superar anti-heróis como Patrick Bateman, o Psicopata Americano</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A história do livro não deixa dúvidas disso, pois, o que acompanhamos ao longo das mais de 200 páginas, é uma tórrida jornada de vingança da jovem contra a família que nunca a acolheu, especialmente o pai.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse sentido, o livro impressiona pelas interessantes reviravoltas e um humor ácido. Além disso, a obra concretiza seu espaço no </span><i><span style="font-weight: 400;">hall </span></i><span style="font-weight: 400;">de sátiras atuais da burguesia, uma tendência narrativa que vem sendo chamada de </span><a href="https://www.contagious.com/news-and-views/eat-the-rich-is-the-dominant-creative-narrative-for-advertising"><i><span style="font-weight: 400;">eat the rich</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">devore os ricos</span></i><span style="font-weight: 400;">, na tradução para o português). Inclusive, conforme o decorrer dos acontecimentos, percebemos que Grace toma o nome da tendência como uma ordem e a cumpre sem pestanejar. </span><b>&#8211; Nathan Nunes</b></p>
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<figure id="attachment_31198" aria-describedby="caption-attachment-31198" style="width: 406px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-31198" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/A-vagabunda-1-.jpg" alt="Capa do livro A Vagabunda. Na imagem há a ilustração de uma mulher se olhando no espelho. Ela aparece sombreada, mas no reflexo é possível ver seu rosto completo com feições sérias e marcadas. Em sua penteadeira há um perfume e uma escova de cabelo antigos. O fundo tem tom de rosa salmão. O título está na parte superior grafado em letras pretas. O nome da autora aparece na porção inferior em letras amarelas." width="406" height="599" /><figcaption id="caption-attachment-31198" class="wp-caption-text">Por baixo dos frangalhos da leitura social de uma mulher, A Vagabunda estraçalha os papéis de gênero (Foto:Imã Editorial)</figcaption></figure>
<p><b>Sidonie Gabrielle Colette &#8211;  A Vagabunda (286 páginas, Imã Editorial)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Protagonizado e narrado pela personagem Renée Néré, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Vagabunda</span></i><span style="font-weight: 400;"> explora a história de uma autora que teve seus livros roubados pelo próprio marido. Sem perspectivas ou recursos financeiros, ela parte para o mundo artístico e passa a se apresentar em palcos do </span><a href="https://www.bemparana.com.br/noticias/uma-visita-aos-truques-do-bas-fond-parisiense/"><span style="font-weight: 400;">bas-fond parisiense</span></a><span style="font-weight: 400;">. Chamar atenção como personalidade dos holofotes culmina em reprovação masculina e, a partir disso, Vagabunda se torna quase um codinome. O texto foi publicado pela primeira vez em 1910 sob o nome de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Vagabond</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas só chegou ao Brasil em 2019, com tradução de Julio Silveira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre testemunhos extremamente vívidos e a complexidade das escolhas lexicais, a obra se apoia em pensamentos e reflexões muito a frente do tempo que marca sua estreia, e prova que, para as mulheres, o contexto social nunca optou por demonstrar o mínimo de contentamento. Ao expor a violência do patriarcado com tamanho detalhismo, </span><a href="https://vermelho.org.br/coluna/colette-uma-mulher-extraordinaria/"><span style="font-weight: 400;">Colette</span></a><span style="font-weight: 400;"> marcou as discussões do movimento feminista com uma destreza inigualável. Em um mundo comandado por gravatas pomposas e discursos vazios, ser vagabunda é um ato de resistência. &#8211; <strong>Jamily Rigonatto</strong></span></p>
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