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	<title>Arquivos Sertão &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Sertão &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Os curtas brasileiros do 29º Festival É Tudo Verdade</title>
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		<pubDate>Tue, 07 May 2024 20:59:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A 29ª edição do Festival É Tudo Verdade ocorreu entre os dias 03 e 14 de Abril de 2024, com programações que perduraram até dia 30. Entre mostras online e presenciais, o maior evento de reconhecimento às produções documentais exibiu 77 obras de diferentes países e diretores. Além das tradicionais categorias diversas que envolvem o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-curtas-brasileiros-do-29o-festival-e-tudo-verdade/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os curtas brasileiros do 29º Festival É Tudo Verdade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33369" aria-describedby="caption-attachment-33369" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-33369" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/capawordpress.jpg" alt="" width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/capawordpress.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/capawordpress-768x403.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33369" class="wp-caption-text">Os curtas brasileiros ficaram disponíveis gratuitamente na plataforma de streaming Itaú Cultural Play (Arte: Aryadne Xavier)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A 29ª edição do <a href="https://www.etudoverdade.com.br/">Festival É Tudo Verdade</a> ocorreu entre os dias 03 e 14 de Abril de 2024, com programações que perduraram até dia 30. Entre mostras online e presenciais, o maior evento de reconhecimento às produções documentais exibiu 77 obras de diferentes países e diretores. Além das tradicionais categorias diversas que envolvem o cronograma do festival, este ano, ainda foram celebrados o centenário do brasileiro</span> <span style="font-weight: 400;">Thomaz Farkas e as obras do britânico Mark Cousins. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mergulhado em uma multiplicidade de temáticas, o evento alimentou o <a href="https://personaunesp.com.br/category/cinema/">Cinema</a> com uma curadoria recheada de nomes prontos para a ascensão. Imagens delicadas, relatos sensíveis, terras distantes e até mesmo pontos crus demais para o habitual palatável marcaram presença em salas de cinema de São Paulo e do Rio de Janeiro.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Considerado um dos maiores festivais culturais da América Latina, o </span><i><span style="font-weight: 400;">It&#8217;s All True</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; nome dado para repercussão internacional &#8211; acontece desde 1996 e foi criado pelo crítico de cinema </span><span style="font-weight: 400;"> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=JnjmtxcEWyA">Amir Labaki</a>. Desde então, sua potência reconhece obras com um júri especializado que as premia em categorias específicas, além de tecer comentários sobre seu impacto social e estético. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das categorias é a Competição Brasileira de Curtas-Metragens. Em sua composição, filmes de até 30 minutos dirigidos por cineastas brasileiros fazem parte da mostra competitiva. Este ano, racialidade, identidade sertaneja, ancestralidade indígena e outras pautas ganharam protagonismo, com <a href="https://etudoverdade.com.br/br/filme/52684-As-placas-sao-invisiveis"><em>As Placas são Invisíveis</em></a> levando o título. Com olhar apurado, a editoria do </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> explora as minutagens dos participantes e suas reflexões. </span></p>
<p><span id="more-33356"></span></p>
<h2>Curtas-metragens</h2>
<figure id="attachment_33357" aria-describedby="caption-attachment-33357" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33357" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed.png" alt="Foto do filme Aguyjevete Avaxi’i . Na imagem há três pratos de um prato de palha natural com três tipos de milho diferentes sobre ele um tem cor mais escura, o outro média e o terceiro mais claro. Em cima do milho, há uma mão com uma pulseira artesanal no pulso. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-768x432.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33357" class="wp-caption-text">O cultivo do sagrado milho indígena carrega técnicas geracionais em cada passo do processo (Foto: Instituto Catitu)</figcaption></figure>
<p><b>Aguyjevete Avaxi’i</b><strong> (Kerexu Martim, 21&#8242;, 2023)</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A diretora <a href="https://katahirine.org.br/ela/kerexu-cidinha/">Kerexu Martim</a> registra a retomada do plantio das variedades do milho tradicional do povo Guarani M’bya &#8211; ou &#8220;<em>milho verdadeiro&#8221;,</em> como eles chamam &#8211; na aldeia Kalipety. O cultivo havia se perdido com a degradação da área, consequente de décadas de monocultura de eucalipto. O alimento é considerado uma comida sagrada, deixada por seus ancestrais, por isso, a retomada e preservação da prática é tida como muito importante para manter a memória viva para a geração atual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para a cultura do povo <a href="https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Guarani_Mbya">Guarani M’bya</a>, o milho indígena é respeitado pelo o que oferece: fortalece os corpos, leva felicidade para o espírito e alegra as crianças. O curta mostra como a aldeia se reúne, desde o plantio até a colheita, com rituais, bênçãos e comemorações em que eles pedem força e coragem para manter o cultivo e sabedoria para não deixar a tradição sumir. &#8211; </span><b>Giovanna Freisinger</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_33358" aria-describedby="caption-attachment-33358" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33358" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/noite-das-garrafadas.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/noite-das-garrafadas.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/noite-das-garrafadas-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33358" class="wp-caption-text">A Noite das Garrafadas traz o recorte de um episódio histórico do século XIX e o compara ao século XXI utilizando a vida carioca no centro da cidade como fio-condutor da narrativa (Foto: ClubSoda Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>A Noite das Garrafadas (Elder Gomes Barbosa, 25&#8242;, 2023)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Historicamente, a </span><a href="https://www.todamateria.com.br/noite-das-garrafadas/"><span style="font-weight: 400;">Noite das Garrafadas </span></a><span style="font-weight: 400;"> foi fundamental para a abdicação do trono de Dom Pedro I. Troca de ministérios, repressão aos opositores do governo e revolta por parte da população são alguns dos motivos que levaram ao estopim que expulsou o monarca do Brasil. O ato obteve participação de escravos e ex-escravos, mostrando os principais indícios de rebelião entre o povo brasileiro acerca do colonialismo português. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No curta-metragem</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Noite das Garrafadas</span></i><span style="font-weight: 400;">, dirigido por </span><a href="https://www.rfi.fr/br/podcasts/rfi-convida/20240321-a-noite-das-garrafadas-%C3%A9-tema-de-curta-em-competi%C3%A7%C3%A3o-no-festival-de-toulouse"><span style="font-weight: 400;">Elder Gomes Barbosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, há um paralelo entre a revolta do século XIX e a vida dos trabalhadores autônomos presentes na Rua da Quitanda, no Rio de Janeiro. Com o uso de projeções, sons e narrações, o cineasta compara a opressão vivida no Brasil Imperial às mazelas do sistema capitalista. Utilizando a sociedade carioca como personagem do curta, Gomes Barbosa evidencia problemas históricos do país que são repetidos e vistos através dos séculos.  <strong>&#8211; Guilherme Machado Leal</strong></span></p>
<hr />
<figure id="attachment_33359" aria-describedby="caption-attachment-33359" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33359" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-1.png" alt="Cena do curta documental Sertão, América. Nela vemos um close em uma mão masculina que está segurando um cacto. A imagem está em preto e branco e ao fundo podemos ver ramificações desse pé de cacto e o céu" width="800" height="577" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-1.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-1-768x554.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33359" class="wp-caption-text">Obra comprova a máxima de Euclides da Cunha de que o sertanejo, antes de tudo, é um forte(Foto: Pique-Bandeira Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Sertão, América</b> <b>(Marcela Ilha Bordin, 18’, 2023)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde a época da escola nos é ensinado que o Brasil começa a partir da chegada de Pedro Álvares Cabral, assim como a América se inicia com Colombo ou os outros tantos navegadores que pisaram nesse <a href="https://multirio.rio.rj.gov.br/index.php/historia-do-brasil/america-portuguesa/8711-do-sert%C3%A3o-%C3%A0s-regi%C3%B5es-coloniais">continente</a>. Recentemente há um movimento que vai contra esse conceito e denominação, mas é com </span><i><span style="font-weight: 400;">Sertão, América</span></i><span style="font-weight: 400;"> que ele é trabalhado de forma mais singela e próxima de nós residentes desses pedaços de terra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra gira em torno da criação do Parque Nacional da Serra da Capivara, no coração do Piauí. A diretora </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rq26DqGoQbM&amp;ab_channel=CurtaKinoforum"><span style="font-weight: 400;">Marcela Bordin</span></a><span style="font-weight: 400;"> opta por trabalhar a temática através de quem vive nos entornos da área de preservação e qual o entendimento dessas pessoas sobre sua ancestralidade. A fotografia analógica dá traços de Portinari para a obra e, aliada à narração extremamente bem escrita e pensada, evidencia que, antes de americano, aquele povo foi – e sempre será – sertanejo. </span><b>&#8211; Guilherme Veiga</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_33360" aria-describedby="caption-attachment-33360" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33360" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-2-800x450.png" alt="Cena do documentário Utopia Muda. Na imagem, um homem branco de cabelos escuros observa a instalação da rádio. Ele é fotografado pela câmera a partir dos ombros e veste uma camiseta cinza. Ao fundo, é possível ver uma parte do campus da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-2-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-2-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-2.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33360" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">A Rádio Muda fica localizada dentro de uma caixa d’água na Unicamp (Julio Matos)</span></i></figcaption></figure>
<p><b>Utopia Muda (Julio Matos, 20’, 2023)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Narrativas sobre democratização já foram contadas várias vezes por diversas lentes e perspectivas diferentes. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Utopia Muda</span></i><span style="font-weight: 400;">, no entanto, o registro da história da Rádio Muda – <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/cultura/audio/2022-08/cem-anos-do-radio-no-brasil-radios-livres">meio de comunicação livre</a> operado no interior de uma caixa d’água na Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp –, traz um frescor graças ao fato de ilustrar a coletivização de uma forma tão palpável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o auxílio do acervo pessoal do diretor Julio Matos, três décadas de funcionamento sem o <a href="https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2014/02/sem-autorizacao-da-anatel-pf-fecha-radio-muda-no-campus-da-unicamp.html">reconhecimento do Estado</a> são expostas como uma ferramenta de atuação eficaz pela defesa da liberdade de expressão. Diante de suposições sobre a criação da rádio, entre elas, até mesmo a possibilidade de ameaça ao tráfego aéreo, o documentário resgata e evidencia a atemporalidade de um instrumento democrático desenvolvido dentro do espaço público acadêmico. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_33361" aria-describedby="caption-attachment-33361" style="width: 770px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33361" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-3.png" alt=" Cena do curta-metragem A Edição do Nordeste. Preto e branco. Três homens, virados de frente para a câmera, vestem trajes característicos do cangaço, inclusive chapéus, cintas de couro no peito e lenços de seda no pescoço" width="770" height="434" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-3.png 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-3-768x433.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33361" class="wp-caption-text">A imagem cultural do Nordeste e do povo nordestino que o resto do país reconhece saiu das telas de cinema (Foto: Casa da praia filmes)</figcaption></figure>
<p><b>A Edição do Nordeste (Pedro Fiuza, 20&#8242;, 2023)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirado no livro e peça</span><a href="https://e.correiodobrasil.com.br/a/espetaculo-premiado-a-invencao-nordeste-desembarca-rio"><i><span style="font-weight: 400;"> A Invenção do Nordeste</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o diretor Pedro Fiuza reedita cenas de 28 longas e curtas brasileiros, de 1938 a 1980, de grandes cineastas como Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos e Leon Hirszman. Essa lista é composta por obras que retratam o Nordeste sob diferentes aspectos e que foram essenciais para a fundação do imaginário da região e do seu povo. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Para inventar uma região, é preciso inventar uma cultura – de preferência com ajuda do cinema”</span></i><span style="font-weight: 400;">, diz parte da sinopse do curta. Através de recortes de filmes, Fiuza reflete sobre e critica o papel que o cinema cumpriu, e ainda cumpre, no processo de construção da identidade nordestina. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Edição do Nordeste </span></i><span style="font-weight: 400;">destaca como a opressão vem também através da generalização, no caso, perpetuando <a href="https://www.matinaljornalismo.com.br/rogerlerina/teatro/a-invencao-do-nordeste-grupo-carmin/">arquétipos sociais</a> que restringem um povo diverso a estereótipos, através de imagens como a do sertanejo, do cangaceiro e do cabra-macho. &#8211; </span><b>Giovanna Freisinger</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_33362" aria-describedby="caption-attachment-33362" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33362" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/ate-onde-o-mundo-alcanc.jpeg" alt="Cena do curta documental Até Onde o Mundo Alcança. Nela vemos um homem branco de barba e cabelos brancos. A câmera está próxima de seu rosto, que está de perfil. Ele olha para cima e em sua cabeça há um fone estilo headset com fio na cor preta, da marca Sony, visível em seu tampo. Ao fundo, árvores secas e um céu nublado." width="750" height="421" /><figcaption id="caption-attachment-33362" class="wp-caption-text">Até Onde o Mundo Alcança fez sua estreia no Festival de Clermont (Foto: Jan Van Eyck Academie)</figcaption></figure>
<p><b>Até Onde o Mundo Alcança (Daniel Frota de Abreu, 27’, 2024)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história do Brasil é um telefone sem fio. Nosso processo de criação não nos foi assimilado, mas, sim, imputado a partir de forças maiores, mais autoritárias e sanguinárias. Gravado principalmente na Holanda, </span><a href="https://vimeo.com/836516677"><i><span style="font-weight: 400;">Até Onde o Mundo Alcança</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> passa o pente fino no processo de colonização brasileira, em especial da região de Pernambuco, e se transforma em uma metáfora que documenta o modo de documentar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção acompanha um ornitólogo que busca por canto de pássaros em uma região devastada por uma mineradora e um grupo de etnobotânicos que estudam a fauna pernambucana durante a invasão holandesa de </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/biografia/mauricio-de-nassau.htm"><span style="font-weight: 400;">Maurício de Nassau</span></a><span style="font-weight: 400;"> e os efeitos do colonialismo na história brasileira e na forma como ela foi representada. Misturando o estilo documental com o ficcional, o diretor cria uma atmosfera única e poética que evoca o questionamento se realmente sabemos quem somos e de onde viemos. </span><b>&#8211; Guilherme Veiga</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_33363" aria-describedby="caption-attachment-33363" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33363" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-4-800x450.png" alt=" Cena do documentário Serão. Na imagem, um homem de cabelos escuros está sentado de lado para a câmera que, por sua vez, também captura a costa de uma mulher. Ao fundo, é possível ver uma parte de uma residência bem simples" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-4-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-4-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-4-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-4-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-4.png 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33363" class="wp-caption-text">A extração manual de cal é uma atividade considerada insalubre em grau médio para o trabalhador (Foto: Caio Bernardo)</figcaption></figure>
<p><b>Serão (Caio Bernardo, 15’, 2023)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Serão</span></i><span style="font-weight: 400;">, curta-metragem dirigido por <a href="https://www.youtube.com/watch?v=QZ8ush3CBLc">Caio Bernardo</a>, consegue refletir uma realidade, infelizmente ainda inata a grande parte dos brasileiros, através da perspectiva de uma família localizada no Cariri paraibano. Realizar esse feito é difícil – ainda mais em poucos minutos – porém, Bernardo tira de letra ao se aprofundar em um cotidiano marcado por trabalho árduo e a esperança de dias melhores. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ambiente que o documentário escolhe como registro acaba funcionando como um microcosmo da sociedade em que vivemos. Alternando entre a prática secular e perigosa da extração manual de cal, e as investidas da indústria têxtil, </span><i><span style="font-weight: 400;">Serão</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz o telespectador refletir sobre o quanto as promessas de trabalho realmente proporcionam novas perspectivas, ou apenas ajudam a nos acorrentar em um ciclo vicioso de tentativas de subverter a máquina cruel que move o <a href="https://outraspalavras.net/desigualdades-mundo/a-conta-oculta-da-superexploracao-no-brasil/">mundo capitalista</a>. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_33364" aria-describedby="caption-attachment-33364" style="width: 506px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33364" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/placas-invisiveis.jpg" alt="" width="506" height="283" /><figcaption id="caption-attachment-33364" class="wp-caption-text">Para invisibilizar alguém não é preciso que as linhas sejam palpáveis (Foto: Gabrielle Ferreira)</figcaption></figure>
<p><b>As Placas são Invisíveis (Gabrielle Ferreira, 24&#8242;, 2024)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pertencente a competição brasileira de curtas-metragens da 29ª edição do Festival É Tudo Verdade, </span><i><span style="font-weight: 400;">As Placas são Invisíveis</span></i><span style="font-weight: 400;"> explora uma exclusão social secular: a falta de estudantes negros na universidade pública. A produção nacional dirigida por <a href="https://mostratiradentes.com.br/filme/as-placas-sao-invisiveis/">Gabrielle Ferreira</a> traz como protagonistas cinco jovens mulheres negras e seu embate por permanência em uma das instituições mais prestigiadas e embranquecidas do Brasil, a Universidade de São Paulo (USP) </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme foi gravado em 2015 e carrega muito da luta acerca das cotas raciais em seu contexto, já que a visível integração de pessoas negras na universidade vinha incomodando a confortável posição elitizada e era pauta recorrente na luta do movimento estudantil. Além disso, as meninas ouvidas são parte desse incômodo por estarem lá através da política aprovada dois anos antes, a <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2018-05/cotas-foram-revolucao-silenciosa-no-brasil-afirma-especialista">Lei de cotas</a>. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Apesar de urgente e bem afirmada, não é só na temática que vive a glória da produção. A escolha de imagens que intercalam as personagens expondo suas vivências e elementos estruturais do espaço, criando a alusão com placas físicas e metafísicas, completa a narrativa quando se trata de composição. Sob a ótica singular e o relato sensível de quem segue tendo que lutar o dobro ou o triplo por uma formação, </span><a href="https://etudoverdade.com.br/br/pag/premiacao2024#:~:text=O%20j%C3%BAri%20da%2029%C2%AA%20edi%C3%A7%C3%A3o%20do%20%C3%89%20Tudo%20Verdade%20tem,%2C%20como%20Melhor%20Curta%2DMetragem."><i><span style="font-weight: 400;">As Placas são Invisíveis </span></i></a><span style="font-weight: 400;">mostra que a segregação racial no âmbito acadêmico é enraizada como uma tradição. <strong>&#8211; Jamily Rigonatto</strong></span></p>
<hr />
<figure id="attachment_33365" aria-describedby="caption-attachment-33365" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33365" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-5-800x517.png" alt="" width="800" height="517" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-5-800x517.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-5-1024x662.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-5-768x496.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-5.png 1114w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33365" class="wp-caption-text">A lástima encontra a beleza num campo de papoulas onde a natureza encontra a luta sob a bandeira palestina (Foto: Carlos Adriano)</figcaption></figure>
<p><b>Nem Todas as Flores da Falta (Carlos Adriano, 22&#8242;, 2024)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesclando poesia ao horror de uma guerra incessante, </span><a href="https://mubi.com/pt/br/films/untitled-9-nor-all-flowers-of-foul"><span style="font-weight: 400;">Nem Todas as Flores da Falta</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma produção poética-política-experimental em que Carlos Adriano explora os detalhes escondidos em meio à destruição. Dor, morte e sofrimento são entremeados por intervenções artísticas, floridas e ilusórias. O diretor nos deixa entre Gaza e Israel, no caminho onde a poesia transforma tristeza em beleza, sem esquecer do horror. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É um filme atual, contextualizado, mas que se torna indigesto. Ao levar flores ao </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/ceq71wv10ezo"><span style="font-weight: 400;">desespero de Gaza</span></a><span style="font-weight: 400;">, Adriano bombardeia o espectador com horror e repentinos atos de suavidade. Embora apresente uma perspectiva que referencia grandes nomes da sétima arte, colocar flores como testemunhas da fúria israelense também altera seus perfumes, envenenando-as com o cheiro do horror. Afinal de contas, o curta explora o inóspito, fragmentando-se a cada passo num cenário de Guerra. <strong>&#8211; Ágata Bueno </strong></span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Deus e o Diabo na Terra do Sol: Uma câmera na mão, uma ideia na cabeça e o Cinema Brasileiro nas costas</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Oct 2022 20:08:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Falar em Cinema Brasileiro é naturalmente evocar Glauber Rocha. E é inevitável falar sobre Glauber Rocha sem lembrar de Deus e o Diabo na Terra do Sol. Isto está longe de ser uma máxima unicamente brasileira, pelo contrário: indo de Martin Scorsese, adentrando em Godard, passando por Bong Joon-Ho e chegando em Quentin &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/deus-e-o-diabo-na-terra-do-sol-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Deus e o Diabo na Terra do Sol: Uma câmera na mão, uma ideia na cabeça e o Cinema Brasileiro nas costas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28939" aria-describedby="caption-attachment-28939" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28939" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-Imagem-3.jpg" alt="Cena do filme Deus e o Diabo na Terra do Sol. Nela temos o personagem de Corisco. Com roupas típicas de cangaceiro, ele ergue uma espingarda para o céu, enquanto range os dentes. Ele está em um terreno descampado com uma vegetação rasteira ao fundo. A imagem é em preto e branco." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-Imagem-3.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-Imagem-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-Imagem-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-Imagem-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-Imagem-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-Imagem-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28939" class="wp-caption-text">Em caráter de Apresentação Especial, o primeiro embate entre o Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro é revisitado na 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Copacabana Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Falar em Cinema Brasileiro é naturalmente evocar Glauber Rocha. E é inevitável falar sobre Glauber Rocha sem lembrar de </span><i><span style="font-weight: 400;">Deus e o Diabo na Terra do Sol</span></i><span style="font-weight: 400;">. Isto está longe de ser uma máxima unicamente brasileira, pelo contrário: indo de </span><a href="https://glamurama.uol.com.br/canalenjoy/no-aniversario-de-martin-scorsese-os-5-filmes-preferidos-do-diretor/#:~:text=%E2%80%9CDeus%20e%20o%20Diabo%20na%20Terra%20do%20Sol%E2%80%9D%20(1964)&amp;text=O%20inventor%20do%20Cinema%20Novo,dos%20problemas%20s%C3%B3cio%2Decon%C3%B4micos%20brasileiros."><span style="font-weight: 400;">Martin Scorsese</span></a><span style="font-weight: 400;">, adentrando em </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2021/08/glauber-rocha-morto-ha-40-anos-influenciou-e-brigou-com-gigantes-do-cinema.shtml"><span style="font-weight: 400;">Godard</span></a><span style="font-weight: 400;">, passando por </span><a href="https://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><span style="font-weight: 400;">Bong Joon-Ho</span></a><span style="font-weight: 400;"> e chegando em </span><a href="https://personaunesp.com.br/era-uma-vez-em-hollywood-critica/"><span style="font-weight: 400;">Quentin Tarantino</span></a><span style="font-weight: 400;">; todos exaltam a importância do cineasta e do Cinema Novo para a Sétima Arte, às vezes, mais do que nós mesmos. Após a restauração do longa no Festival de Cannes deste ano, a obra retorna ao seu país de origem, na Apresentação Especial da 46ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-28938"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor aqui traça uma própria dialética tendo como cenário o sertão. Por mais que o título da obra apresente um maniqueísmo, o seu verdadeiro foco está nas últimas palavras dele, a Terra do Sol. Embora já tenha sido representada como esse limbo, essa terra de ninguém, em outras produções do imaginário brasileiro, como em </span><a href="https://jornal.usp.br/cultura/vidas-secas-denuncia-o-descaso-social-e-a-exploracao-humana/"><i><span style="font-weight: 400;">Vidas Secas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é através do longa que nos é impressa uma representação mais palpável de como a definição de Purgatório &#8211; esse espaço vazio entre céu e inferno &#8211; logicamente, residirá na intersecção entre os dois. No caso, em nossa própria existência em terra.</span></p>
<figure id="attachment_28940" aria-describedby="caption-attachment-28940" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28940" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-Imagem-2.png" alt="Cena do filme Deus e o Diabo na Terra do Sol. Aqui, é mostrado o personagem Antônio das Mortes, um homem branco de cabelos pretos e barba preta cheia. Ele veste um sobretudo e segura uma espingarda enquanto grita. Ele usa uma espécie de sobretudo. A imagem é em preto e branco e ao fundo, há vegetação de caatinga." width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-Imagem-2.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-Imagem-2-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-Imagem-2-1024x538.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-Imagem-2-768x403.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28940" class="wp-caption-text">O longa, assim como o diretor, é um dos expoentes do <a href="https://www.aicinema.com.br/cinema-novo/">Cinema Novo</a> (Foto: Copacabana Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como em outras obras que tratam a região do sertão, o descaso é o principal predador do povo que vive no local. Aqui, o Estado, além de omisso, é nefasto. Resta à população angariar seu resto de esperança em espectros antagônicos, o (falso) messianismo, que representa Deus, e o cangaço, representando o Diabo. Porém, o diretor, em uma releitura muito mais lúcida da </span><a href="https://universoracionalista.org/teoria-da-ferradura-e-um-absurdo-a-extrema-direita-e-a-extrema-esquerda-tem-pouco-em-comum/"><span style="font-weight: 400;">Teoria da Ferradura</span></a><span style="font-weight: 400;"> que sequer existia na época, mostra que os conceitos, além de próximos, são bem mais complexos do que se imagina.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história segue os pecadores Manuel (Geraldo Del Rey) e Rosa (Yoná Magalhães). Após o homem cometer um assassinato, ambos buscam a salvação em meio a insalubridade do sertão, ora na religião, ora no cangaço. </span><i><span style="font-weight: 400;">Deus e o Diabo na Terra do Sol</span></i><span style="font-weight: 400;"> é muito consciente ao tratar a redenção além da estrutura de roteiro da qual estamos acostumados pós</span> <a href="http://www.blog.365filmes.com.br/2016/09/o-que-e-jornada-do-heroi-e-como-ela-funciona.html"><span style="font-weight: 400;">jornada do herói</span></a><span style="font-weight: 400;">. No mundo real, não existem heróis, por mais que custemos acreditar. Cada pessoa tem seu meandro de bem e mal bagunçados no próprio ser, e o filme acerta e muito ao explorar a via-crucis desse processo.</span></p>
<figure id="attachment_28941" aria-describedby="caption-attachment-28941" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28941" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-Imagem-1.jpg" alt="Cena do filme Deus e o Diabo na Terra do Sol. Nela, temos o personagem Corisco, um homem branco, jovem, com cabelos longos pretos e barba rala. Ele é um cangaceiro, por isso veste roupa típica, com um chapéu em couro, no formato de meia lua. Na testa, em um dos fios do chapéu, tem 5 medalhas. A imagem é em preto e branco com um close em seu rosto de aparência séria, e ao fundo, vegetação de caatinga." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-Imagem-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-Imagem-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-Imagem-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-Imagem-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-Imagem-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-Imagem-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28941" class="wp-caption-text">Deus e o Diabo na Terra do Sol retornou a Cannes 58 anos após sua estreia no festival, onde disputou a Palma de Ouro (Foto: Copacabana Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Glauber entrega um singelo retrato do sertanejo e de como ele absorve suas indagações. O texto, também dele, juntamente com </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/artistas/walter-lima-jr/biografia/"><span style="font-weight: 400;">Walter Lima Jr.</span></a><span style="font-weight: 400;">, é extremamente inteligente ao despir o povo de toda sua dualidade moral, visto que seus conflitos internos têm infinitas dimensões, e inseri-lo em um </span><i><span style="font-weight: 400;">western spaghetti</span></i><span style="font-weight: 400;"> com tempero brasileiro. Em um mundo de miséria, fome e violência, sobreviver é tão perigoso que tais discussões, na prática, nem acham tempo para analisar seus lados da moeda. Ao trazer esses pontos através de uma perspectiva puramente religiosa, o cineasta enriquece ainda mais a mensagem que quer passar, evidenciando o quanto a prisão em caixas morais é prejudicial.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de roteiro, o diretor, em parceria com Sérgio Ricardo, também é responsável pelas composições musicais da obra. Quando somente a imagem não consegue expressar com certa clareza a mensagem de </span><i><span style="font-weight: 400;">Deus e o Diabo na Terra do Sol</span></i><span style="font-weight: 400;">, são as ótimas letras &#8211; intercaladas com as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pUCuEd1tjCg&amp;ab_channel=Villa-LobosChannel"><span style="font-weight: 400;">Bachianas de Villa-Lobos</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; que a desenham. Outros aspectos técnicos também brilham, como, por exemplo, a fotografia. Driblando as adversidades técnicas da época e invocando mais uma vez o embate entre forças antagônicas, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MJ5oPFhLSwQ&amp;ab_channel=Cinemes"><span style="font-weight: 400;">Waldemar Lima</span></a><span style="font-weight: 400;"> entrega um preto e branco riquíssimo em detalhes, o qual, ao mesmo tempo em que esse yin-yang ressalta as expressões sofridas, sua espiral, quase em um fenômeno da física, dá cor à história.</span></p>
<figure id="attachment_28942" aria-describedby="caption-attachment-28942" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28942" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-Na-Terra-do-Sol-Imagem-4.png" alt="Cena do filme Deus e o Diabo na Terra do Sol. Aqui, temos o personagem de Corisco, um homem branco, jovem, com cabelos longos pretos e barba rala. Ele é um cangaceiro, por isso veste roupa típica. Ele segura uma peixeira com a mão direita enquanto olha fixamente para ela. A imagem é em preto e branco e está envelhecida" width="1200" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-Na-Terra-do-Sol-Imagem-4.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-Na-Terra-do-Sol-Imagem-4-800x600.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-Na-Terra-do-Sol-Imagem-4-1024x768.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-Na-Terra-do-Sol-Imagem-4-768x576.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28942" class="wp-caption-text">&#8220;Eu, José, com a espada de Abraão serei coberto. Eu, José, com o leite da Virgem Maria serei borrifado. Eu, José, com o sangue de Cristo serei batizado&#8221; (Foto: Copacabana Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As atuações também são outro ponto fora da curva. Sem elas, seria impossível transmitir a mensagem do longa com o devido peso. Othon Bastos (</span><i><span style="font-weight: 400;">Império</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Bicho de Sete Cabeças</span></i><span style="font-weight: 400;">) da vida a Corisco, o sanguinário sucessor espiritual de Lampião &#8211; e que também é a marca registrada da obra &#8211; de forma sublime, adicionando várias camadas em um estereótipo que há tempos foi marginalizado. Geraldo Del Rey (</span><a href="https://ufmg.br/comunicacao/noticias/ha-60-anos-o-pagador-de-promessas-ganhou-a-palma-de-ouro-em-cannes"><i><span style="font-weight: 400;">O Pagador de Promessas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Yoná Magalhães (</span><i><span style="font-weight: 400;">Tieta</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Roque Santeiro</span></i><span style="font-weight: 400;">) conseguem construir muito bem os personagens centrais da história, moldados através de sofrimento e dúvida.</span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QEsoB05RjGs&amp;ab_channel=NovaJonia"><i><span style="font-weight: 400;">Deus e o Diabo na Terra do Sol</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, para muito além de um retrato do sertanejo, é também um raio-x da sociedade brasileira que ainda perdura, mesmo analisando um ponto de vista extremamente específico dela. O sertão está muito longe de virar mar e o mar ainda não virou sertão (pelo menos, não por enquanto). Infelizmente, ainda rejeitamos o Deus negro e aceitamos ser comandados pelo Diabo loiro, nas mais diferentes concepções que tais conceitos podem ser aplicados. Porém, a única coisa que ainda nos faz ignorar a ameaça de viver e nos permite seguir em frente por esse solo árido da existência é a esperança.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Deus e o Diabo na Terra do Sol (trailer original) - Glauber Rocha, 1964" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/QEsoB05RjGs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>5 anos de Velho Chico: a novela que foi uma obra de arte</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Mar 2021 18:18:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vanessa Marques Uma história de amor e guerra no sertão nordestino. Há cinco anos, Velho  Chico, do autor Benedito Ruy Barbosa (Rei do Gado e Pantanal), chegava ao horário nobre da Globo. A telenovela, marcada por uma tragédia em sua reta final, rompeu a hegemonia dos centros urbanos para levar o sotaque baiano e a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/velho-chico-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "5 anos de Velho Chico: a novela que foi uma obra de arte"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_18392" aria-describedby="caption-attachment-18392" style="width: 855px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18392 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-1-old-chico.jpg" alt="Cena da novela Velho Chico. Na imagem, vemos a cerimônia de casamento do Coronel Afrânio Sá Ribeiro e Leonor. O Coronel está no altar, trajando um terno marrom, ao lado da sua noiva, que usa um véu transparente sobre o rosto." width="855" height="569" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-1-old-chico.jpg 855w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-1-old-chico-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-1-old-chico-768x511.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18392" class="wp-caption-text">Em retorno inédito à TV nacional, o astro Rodrigo Santoro deu vida ao coronel Afrânio Saruê na melhor fase da trama (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Vanessa Marques</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma história de amor e guerra no sertão nordestino. Há cinco anos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Velho  </span></i><i><span style="font-weight: 400;">Chico</span></i><span style="font-weight: 400;">, do autor Benedito Ruy Barbosa (</span><i><span style="font-weight: 400;">Rei do Gado</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;">), chegava ao horário nobre da </span><i><span style="font-weight: 400;">Globo</span></i><span style="font-weight: 400;">. A telenovela, marcada por uma </span><a href="http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2016/09/morre-o-ator-domingos-montagner.html"><span style="font-weight: 400;">tragédia</span></a><span style="font-weight: 400;"> em sua reta final, rompeu a hegemonia dos centros urbanos para levar o sotaque baiano e a paisagem sertaneja para as noites dos lares brasileiros. Com o forte apelo estético de Luiz Fernando Carvalho (</span><i><span style="font-weight: 400;">Capitu</span></i><span style="font-weight: 400;">), o melodrama desfrutou de uma tríade de peso: elenco, direção de arte e trilha sonora. Ambientada na cidade fictícia de Grotas do São Francisco, a narrativa reuniu a imagem de um Brasil esquecido e devastado pela seca — enquanto as águas do Rio São Francisco banhavam os conflitos de três gerações das famílias Sá Ribeiro e Dos Anjos.</span></p>
<p><span id="more-18390"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A primeira fase foi uma obra sensível e impecável. Entre os ares de tropicália e libertinagem da década de 1960, o jovem Afrânio (Rodrigo Santoro) é forçado a deixar sua vida na capital para assumir as rédeas do império rural de seu falecido pai, o Coronel Jacinto Sá Ribeiro (Tarcísio Meira). Além do comando das terras e da política da região, o antigo Coronel Saruê deixa ao filho uma rivalidade declarada com o íntegro Capitão Ernesto Rosa (Rodrigo Lombardi). O anti-herói de Santoro vai, pouco a pouco, fazendo a transição do universitário carregado de ideais para a postura férrea que o seu destino lhe impõe. Nesse ínterim, ele se casa com Leonor (Marina Nery), união que dá luz a uma primogênita chamada Maria Tereza, para o desgosto da matriarca Dona Encarnação (Selma Egrei).</span></p>
<figure id="attachment_18391" aria-describedby="caption-attachment-18391" style="width: 2362px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18391 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-2-velho-chico.jpg" alt="Fotografia da novela Velho Chico. Sob um céu nublado e levemente acinzentado, os personagens Afrânio e seu capanga, Clemente, cavalgam na plantação de algodão da fazenda. No canto inferior direito, vemos uma camponesa, prostrada de lado, com um lenço que lhe cobre o cabelo." width="2362" height="1573" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-2-velho-chico.jpg 2362w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-2-velho-chico-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-2-velho-chico-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-2-velho-chico-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-2-velho-chico-1536x1023.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-2-velho-chico-2048x1364.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-2-velho-chico-1200x799.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18391" class="wp-caption-text">Esteticamente, Velho Chico era um espetáculo: a paisagem e os demais elementos da vida rural estavam imersos numa fotografia lúdica, barroca e cinematográfica (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Fora a cadência do dialeto nordestino, os personagens possuem os corpos </span><span style="font-weight: 400;">e rostos suados, castigados pelo sol escaldante do sertão. O retrato político da seca e da concentração fundiária emerge no nascimento de Santo dos Anjos. Os seus pais, Piedade (Cyria Coentro) e Belmiro (Chico Diaz), são retirantes que fogem das mazelas do semiárido e buscam uma vida nova nas margens do Velho Chico. É na igreja do Padre Romão (Umberto Magnani) que o menino, enfraquecido pela longa viagem, recebe o sopro de vida do batismo. Logo, o núcleo dos Anjos é acolhido na fazenda do Capitão Rosa e de sua esposa, Eulália (Fabiula Nascimento), que haviam adotado a pequena Luzia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Poucos anos mais tarde, o romance juvenil de Santo (Renato Góes) e Maria Tereza (Julia Dalavia) brota em meio ao rancor e à violência do conflito familiar. O encanto e a sinergia da dupla “novata” de atores ganham a ternura do espectador, pintando o grande pano de fundo da narrativa. Mas a união desejada do casal é inaceitável na visão do Coronel Afrânio, que envia Tereza para um colégio interno. Lá, ela descobre estar grávida do amado, tal qual é praxe no ramo noveleiro. Assim, o assassinato de Belmiro, que seguiu o mesmo fim brutal do heroico Ernesto Rosa, entrecorta o panorama daquela guerra que já se tornava ancestral. Diante da separação arbitrária, os dois amantes tomam rumos distintos, com o fio condutor do rio emblemático. </span></p>
<figure id="attachment_18393" aria-describedby="caption-attachment-18393" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18393 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-3-velho-chico.jpg" alt="Cena da novela Velho Chico. A jovem Tereza, parada, usa um longo vestido branco de noiva, prestes a casar-se com o político Carlos Eduardo. Ao fundo, vemos uma embarcação de pescadores, no Rio São Francisco." width="1280" height="718" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-3-velho-chico.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-3-velho-chico-300x168.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-3-velho-chico-1024x574.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-3-velho-chico-768x431.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-3-velho-chico-1200x673.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18393" class="wp-caption-text">O amor proibido entre Santo e Maria Tereza é uma versão sertaneja de &#8220;Romeu e Julieta&#8221; (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Velho Chico</span></i><span style="font-weight: 400;"> perpassa o tempo embalada em poesia visual e brasilidade, com destaque para a </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/1cH9nUrBelF9gVP1g0eLF8?si=uhH_bCnYSN2lOqzJE3FHMg"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Caetano Veloso </span><i><span style="font-weight: 400;">(</span></i><a href="https://www.politize.com.br/movimento-tropicalia/"><i><span style="font-weight: 400;">Tropicália</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, tema de abertura), Gal Costa, Maria Bethânia, Alceu Valença, Geraldo Vandré (</span><i><span style="font-weight: 400;">Requiém para Matraga</span></i><span style="font-weight: 400;">) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/replay-acabou-chorare-critica/"><span style="font-weight: 400;">Novos Baianos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Era a primeira vez que uma novela tinha pouquíssima “cara de novela”. Num salto para 2016, Maria Tereza (Camila Pitanga), casada com o deputado Carlos Eduardo (Marcelo Serrado), retorna à cidade natal, na companhia do filho, Miguel (Gabriel Leone). Porém, é certo que, a partir do segundo ciclo, o folhetim perdeu o vigor. O que fora uma brilhante </span><a href="http://personaunesp.com.br/o-poderoso-chefao-ainda-uma-oferta-irrecusavel/"><span style="font-weight: 400;">saga familiar</span></a><span style="font-weight: 400;"> virou uma trama irregular, arrastada e lenta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Santo (Domingos Montagner), agora marido de Luzia (Lucy Alves), é um líder progressista da terra, o oposto do Coronel Saruê (Antônio Fagundes), que se transforma em uma figura caricata, retrógrada e inflexível na velhice. Beirando o cômico, Fagundes entregou um Afrânio sem resquícios do homem libertário da juventude. Já Miguel rouba a cena com sensibilidade e postura humanista, mas também protagoniza uma relação especial com Olivia (Giullia Buscacio). O reencontro de Tereza e Santo custa a acontecer, postergando a típica revelação da paternidade. Irandhir Santos é outro nome que enriquece o tom lírico da nova geração, no papel de Bento dos Anjos, irmão mais novo do agricultor.</span></p>
<figure id="attachment_18394" aria-describedby="caption-attachment-18394" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18394 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-4-velho-chico.jpg" alt="Cena da novela Velho Chico. Santo, enquanto cavalga, é alvejado por um tiro no ombro. No fundo, vemos o céu luminoso, entre nuvens, e a paisagem da caatinga." width="1280" height="718" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-4-velho-chico.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-4-velho-chico-300x168.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-4-velho-chico-1024x574.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-4-velho-chico-768x431.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-4-velho-chico-1200x673.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18394" class="wp-caption-text">Com olhar crítico, a novela debateu a politicagem e a exploração do homem da terra (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Elencando realismo mágico, temática ambiental e crítica social, o romance  </span><span style="font-weight: 400;">de Ruy Barbosa — escrito por Edmara Barbosa e Bruno Luperi — terminou com a melancolia de um incidente que embaralhou ficção e realidade. Após o falecimento do ator Domingos Montagner, </span><a href="https://www.purepeople.com.br/noticia/camila-pitanga-descreve-morte-de-domingos-montagner-vi-o-ultimo-olhar-dele_a136211/1"><span style="font-weight: 400;">afogado</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Rio São Francisco, a produção se reinventou para honrar o legado do intérprete de Santo, mantendo a sua presença no desfecho da trama. Dias antes, o personagem estava desaparecido na extensão do rio, sendo resgatado, quase sem vida, por uma tribo indígena do local. Fatalmente, a vida imitou a arte, no sentido mais fatídico da palavra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar dos golpes do destino e da relativa </span><a href="https://www.hojeemdia.com.br/almanaque/velho-chico-agrada-cr%C3%ADtica-apesar-da-baixa-audi%C3%AAncia-1.417312"><span style="font-weight: 400;">baixa audiência</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Velho Chico</span></i><span style="font-weight: 400;"> </span><span style="font-weight: 400;">ocupa o alto patamar da </span><a href="https://medium.com/neworder/velho-chico-com-quantos-quilos-de-arte-se-faz-uma-tradi%C3%A7%C3%A3o-9358c393b134"><span style="font-weight: 400;">teledramaturgia</span></a><span style="font-weight: 400;">, o mesmo de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Bem Amado</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Gabriela</span></i><span style="font-weight: 400;">. Indicada ao </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/emmy-internacional-2020/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;">, a novela passou a compor o catálogo internacional da </span><i><span style="font-weight: 400;">Rede Globo</span></i><span style="font-weight: 400;"> no ano de 2018. Embora não tenha sido deslumbrante do início ao fim, o clássico do sertão provou com sangue e lágrimas a máxima de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ANEpvYuR8Tk"><span style="font-weight: 400;">Euclides da Cunha</span></a><span style="font-weight: 400;">: </span><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;o sertanejo é, antes de tudo, um forte.&#8221;</span></i></p>
<figure id="attachment_18395" aria-describedby="caption-attachment-18395" style="width: 1271px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18395 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-5-velho-chico.jpg" alt="Cena da novela Velho Chico. Tereza, Miguel, Olívia e os demais membros da família Dos Anjos interagem com uma câmera subjetiva, que representa o olhar de Santo. O intérprete do protagonista faleceu na reta final da produção, após um trágico mergulho no Rio São Francisco. Com um leve desfoque, é possível enxergar a composição do rosto de Domingos Montagner." width="1271" height="544" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-5-velho-chico.jpg 1271w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-5-velho-chico-300x128.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-5-velho-chico-1024x438.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-5-velho-chico-768x329.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-5-velho-chico-1200x514.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18395" class="wp-caption-text">O último capítulo reproduziu a presença e o olhar de Santo, através de uma câmera subjetiva (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
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