<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Please Hold &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/please-hold/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/please-hold/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 25 Mar 2022 19:37:42 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0.4</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Please Hold &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/please-hold/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>Os Curtas do Oscar 2022</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/os-curtas-do-oscar-2022/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/os-curtas-do-oscar-2022/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Mar 2022 19:35:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Documentário]]></category>
		<category><![CDATA[2022]]></category>
		<category><![CDATA[A Sabiá Sabiazinha]]></category>
		<category><![CDATA[Affairs of the Art]]></category>
		<category><![CDATA[Ala Kachuu - Take and Run]]></category>
		<category><![CDATA[Audible]]></category>
		<category><![CDATA[Bestia]]></category>
		<category><![CDATA[Boxballet]]></category>
		<category><![CDATA[Bruno Andrade]]></category>
		<category><![CDATA[Curta-Metragem]]></category>
		<category><![CDATA[Curtas]]></category>
		<category><![CDATA[Lead Me Home]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Curta-Metragem de Animação]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Curta-Metragem em Live Action]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Documentário em Curta-Metragem]]></category>
		<category><![CDATA[On My Mind]]></category>
		<category><![CDATA[Onde Eu Moro]]></category>
		<category><![CDATA[Os Curtas do Oscar 2022]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar 2022]]></category>
		<category><![CDATA[Please Hold]]></category>
		<category><![CDATA[Raquel Dutra]]></category>
		<category><![CDATA[Robin Robin]]></category>
		<category><![CDATA[The Dress]]></category>
		<category><![CDATA[The Long Goodbye]]></category>
		<category><![CDATA[The Queen of Basketball]]></category>
		<category><![CDATA[The Windshield Wiper]]></category>
		<category><![CDATA[Three Songs for Benazir]]></category>
		<category><![CDATA[Três Canções Para Benazir]]></category>
		<category><![CDATA[Vitor Evangelista]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória Gomez]]></category>
		<category><![CDATA[When We Were Bullies]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=26950</guid>

					<description><![CDATA[<p>Como forma de condensar a longa e complexa cobertura do Oscar 2022, o Persona decidiu reunir os 15 curtas em um único post, enxugando as informações e entregando a seus leitores uma experiência de imersão dentre a vasta gama de alcance dos títulos reconhecidos pela 94ª edição da cerimônia. Abaixo, você confere comentários, curiosidades, opiniões &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-curtas-do-oscar-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os Curtas do Oscar 2022"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/os-curtas-do-oscar-2022/">Os Curtas do Oscar 2022</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26980" aria-describedby="caption-attachment-26980" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-26980 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/wordpress-curtas.jpg" alt="Arte retangular com fundo preto fosco. No topo da imagem, lê-se “OS CURTAS DO OSCAR 2022” em letras douradas em caixa alta. Abaixo, à esquerda, há uma foto em preto e branco com borda de cor dourada do personagem Riz, do curta-metragem The Long Goodbye, um homem de cabelo escuro curto e barba. Abaixo, ao centro da imagem, há uma foto em preto e branco com borda de cor dourada da personagem sem nome do curta-metragem Bestia, uma boneca pequena de porcelana com cabelo curto e expressões faciais pequenas e sérias. Abaixo, à direita da imagem, há uma foto em preto e branco com borda de cor dourada da personagem Lucy, do curta-metragem The Queen of Basketball, uma mulher negra de cabelo ondulado e curto que sorri. Na extremidade inferior esquerda há uma silhueta dourada da estatueta do Oscar. Na extremidade inferior direita está o logo do Persona, um olho com íris dourada. " width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/wordpress-curtas.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/wordpress-curtas-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/wordpress-curtas-768x404.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26980" class="wp-caption-text">Entre manifestos sociais, denúncias políticas e a celebração de uma figura histórica, os Curtas do Oscar 2022 exploram a vastidão da linguagem cinematográfica (Foto: Reprodução/Arte: Jho Brunhara)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como forma de condensar a longa e complexa cobertura do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><b>Persona </b><span style="font-weight: 400;">decidiu reunir os 15 curtas em um único </span><i><span style="font-weight: 400;">post</span></i><span style="font-weight: 400;">, enxugando as informações e entregando a seus leitores uma experiência de imersão dentre a vasta gama de alcance dos títulos reconhecidos pela 94ª edição da cerimônia. Abaixo, você confere comentários, curiosidades, opiniões e contextualização a respeito das 5 animações, 5 </span><i><span style="font-weight: 400;">live actions</span></i><span style="font-weight: 400;"> e 5 documentários que a Academia prestigiou.</span></p>
<p><span id="more-26950"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, chega a ser ridículo falar sobre o prestígio da organização que, na decisão imprudente e </span><a href="https://www.chippu.com.br/noticias/oscar-2022--decisao-de-cortar-categorias-da-transmissao-veio-da-emissora"><span style="font-weight: 400;">motivada pela emissora</span></a> <i><span style="font-weight: 400;">ABC</span></i><span style="font-weight: 400;">, determinou que oito das vinte e três categorias não seriam reveladas e exibidas ao vivo. </span><a href="https://personaunesp.com.br/oscar-2022-present-all-23-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Se nem a Academia se importa com o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, por que deveríamos nós?</span></a><span style="font-weight: 400;"> Simples: pela qualidade do Cinema, pela oportunidade de premiar profissionais talentosos e, por fim, pela esperança de dias melhores.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ano passado, as vitórias de </span><a href="https://personaunesp.com.br/se-algo-acontecer-te-amo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Se Algo Acontecer… Te Amo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/dois-estranhos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Dois Estranhos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/colette-2020-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Colette</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">mostraram a força da Arte em forma de curta-metragem. Os discursos, recheados de emoção e um senso palpável de reconhecimento e alívio, tocaram em temas como armamento, violência policial, racismo e a luta antinazista. Em 2022, ainda não se sabe como serão transmitidos os recortes de agradecimentos, privados de serem experienciados na íntegra. Por enquanto, aprecie e assista as produções concorrentes, dê valor ao que a Academia insiste em renegar como “menor”, e boa leitura.</span></p>
<hr />
<h3><b>Melhor Curta-Metragem de Animação</b></h3>
<figure id="attachment_26951" aria-describedby="caption-attachment-26951" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-26951" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/sabia.jpg" alt="Cena da animação Robin Robin. Mostra um gato cinza sorrindo e encurralando um pássaro vermelho. Está de noite." width="1280" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/sabia.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/sabia-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/sabia-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/sabia-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/sabia-1200x600.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26951" class="wp-caption-text">Em Robin Robin, Gillian Anderson mostra as garras (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>A Sabiá Sabiazinha (Robin Robin)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um belo dia, o ovo de uma sábia mãe cai do ninho e rola ladeira abaixo, indo parar no lar de ratos do campo. Lá, nasce </span><a href="https://cenasdecinema.com/a-sabia-sabiazinha/"><span style="font-weight: 400;">a pequena Sabiá</span></a><span style="font-weight: 400;">, ou Robin, que logo toma os jeitos da família adotiva e desata a se comportar com uma pequena roedora. Esse é o ponto de partida do curta animado dirigido por Dan Ojari e Michael Please, e escrito pela dupla ao lado de Sam Morrison. Original e disponível no catálogo da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Robin Robin</span></i><span style="font-weight: 400;"> chega ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2022 como favorito, um ano depois da vitória de </span><a href="http://personaunesp.com.br/se-algo-acontecer-te-amo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Se Algo Acontecer… Te Amo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, representando do </span><i><span style="font-weight: 400;">Tudum</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A pegada intimista do filme, que se estende para além de curtos e preciosos trinta e dois minutos, é o que encanta. Os personagens são criados como bonecos de lã e agulha, tem textura de algodão e conversam com a calma que os animais de fábula o faziam nos primórdios do Cinema. Quem dubla a protagonista é uma afetuosa Bronte Carmichael, que tem a companhia do sempre formidável </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UvJIaNsf_bY"><span style="font-weight: 400;">Richard E. Grant</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o antagonismo da barra pesada </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-crown-4a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Gillian Anderson</span></a><span style="font-weight: 400;">, que aqui empresta sua voz para a Gata. Com material suficiente para sustentar um longa-metragem, as desventuras da </span><i><span style="font-weight: 400;">Sabiá Sabiazinha</span></i><span style="font-weight: 400;"> brilham inocentes na disputa pela estatueta.</span><b> &#8211; Vitor Evangelista</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26952" aria-describedby="caption-attachment-26952" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-26952" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/affairs-of-the-art.jpg" alt="Cena do curta-metragem Affairs of the Art. Na imagem retangular colorida, a personagem Beryl está deitada no chão de madeira, olhando em direção à câmera, com as mãos sobre folhas de papéis que parecem ser as representações do marido que está a sua frente, nu, fazendo uma pose. Beryl e o marido são pessoas brancas. Ele é calvo e possui um rosto rosado. Ela é uma mulher loira, utiliza óculos de grau transparentes, uma blusa regata de cor verde e um lenço amarrado na cabeça, de cor azul e vermelho." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/affairs-of-the-art.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/affairs-of-the-art-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/affairs-of-the-art-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/affairs-of-the-art-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/affairs-of-the-art-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/affairs-of-the-art-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26952" class="wp-caption-text">Dirigido e desenhado por Joanna Quinn, com roteiro de Les Mills, Affairs of the Art é um dos favoritos na categoria; o curta recebeu uma distinção do júri no Festival de Cinema de Annecy (Foto: Beryl Productions International)</figcaption></figure>
<p><b>Affairs of the Art</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira”</span></i><span style="font-weight: 400;">. A icônica frase inicial de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14113"><i><span style="font-weight: 400;">Anna Kariênina</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1878), de Liev Tolstói, pode muito bem diagnosticar o que acontece com a família de Beryl (Menna Trussler), embora a única personagem realmente infeliz pareça ser justamente ela, a protagonista. Indicado ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022</span></a><span style="font-weight: 400;"> na categoria Melhor Curta-Metragem de Animação, </span><a href="https://www.newyorker.com/culture/screening-room/an-illustrated-family-of-obsessives"><i><span style="font-weight: 400;">Affairs of the Art</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2021) desenrola-se, ao longo de seus 16 minutos, através da fascinante vontade de Beryl em se tornar uma artista, ofuscada por outras questões familiares. Na pequena história animada, acompanhamos o entorno da personagem principal, junto a sua narração, de forma a compreender as razões pelas quais foi obrigada a deixar de lado seu sonho e conformar-se (somente no início) com um emprego na fábrica próxima a sua casa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No mundo real, a personagem é antiga, e sua história vem sendo retratada pela ilustradora e diretora </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EW9H5Wu2ujg"><span style="font-weight: 400;">Joanna Quinn</span></a><span style="font-weight: 400;"> há mais de 30 anos; </span><i><span style="font-weight: 400;">Girls Night Out</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Body Beautiful</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1987)</span><span style="font-weight: 400;"> é o primeiro filme em que Beryl foi apresentada ao público. À época, foi o trabalho de conclusão de curso de Quinn. Posteriormente, outros 3 pequenos filmes deram vida à personagem; todos – incluindo este </span><i><span style="font-weight: 400;">Affairs of the Art</span></i><span style="font-weight: 400;"> – foram ilustrados à mão e animados em </span><i><span style="font-weight: 400;">2D</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mas a graça do curta consiste na relação forte que a personagem principal, uma mulher da classe trabalhadora britânica, estabelece com a arte, pois, enquanto nos narra a história da sua família e rememora o passado, cria ilustrações – às vezes está desenhando o marido, às vezes pintando a si mesma. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É interessante lembrar que o contexto em que a personagem surgiu, no fim dos anos 1980 na Inglaterra – sob o governo de </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-crown-4a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Margaret Thatcher</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, representa muito sobre suas incertezas, visto que ela deriva da classe operária cujas possibilidades de futuro foram anuladas pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">slogan T.I.N.A. </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">There Is No Alternative</span></i><span style="font-weight: 400;">; em português, </span><i><span style="font-weight: 400;">Não Há Alternativa</span></i><span style="font-weight: 400;">).</span> <span style="font-weight: 400;">Em 2022, a diretora Joanna Quinn concorre pela primeira vez a um </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas as histórias anteriores sobre Beryl venceram o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/bafta/"><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 4 vezes</span><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">O curta também recebeu o Prêmio de Distinção do Júri no </span><a href="https://personaunesp.com.br/bob-cuspe-nos-nao-gostamos-de-gente-critica/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cinema de Animação de Annecy</span></a><span style="font-weight: 400;"> (considerado o mais prestigioso prêmio de animações do mundo), em 2021. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26953" aria-describedby="caption-attachment-26953" style="width: 728px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26953" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/bestia.jpg" alt="Cena do curta-metragem Bestia. Ao centro da imagem, uma animação, vemos a personagem Bestia sentada em um banco dentro de ônibus, ao lado de seu cachorro. Ambos olham pela janela do ônibus. O cachorro é um pastor alemão, usando uma coleira preta. A personagem é uma mulher, com a aparência de uma boneca de porcelana, com cabelos castanhos lisos na altura do queixo, vestindo um casaco vermelho." width="728" height="385" /><figcaption id="caption-attachment-26953" class="wp-caption-text">Bestia é a terceira animação do diretor Hugo Covarrubias e estreou no Annecy International Animation Film Festival de 2021, importante festival de animações da França (Foto: Maleza Studio)</figcaption></figure>
<p><b>Bestia</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inquietante e perturbador são as palavras que definem </span><i><span style="font-weight: 400;">Bestia</span></i><span style="font-weight: 400;">. O curta-metragem, dirigido por Hugo Covarrubias, e roteirizado por ele junto de Martín Erazo, inspira-se em eventos reais de uma agente secreta da ditadura militar chilena. A </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/02/11/ingrid-olderock-a-torturadora-que-inspirou-curta-chileno-indicado-ao-oscar.ghtml"><span style="font-weight: 400;">agente em questão</span></a><span style="font-weight: 400;"> é Íngrid Olderöck, que, durante o regime de Pinochet, foi responsável por torturas e violações de direitos humanos dos presos políticos, inclusive usando seu cachorro para tal. O curta, um dos </span><a href="https://cosmonerd.com.br/outros/colunas/animaland/bestia-o-ganhador-do-grande-premio-animage-de-melhor-curta/"><span style="font-weight: 400;">favoritos</span></a><span style="font-weight: 400;"> para levar o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2022</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Curta-Metragem de Animação, retrata a memória coletiva do período e a figura da agente através de um suspense.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A técnica</span><i><span style="font-weight: 400;"> stop-motion</span></i><span style="font-weight: 400;">, com a personagem animada na aparência de uma bizarra boneca de porcelana, soma-se à trilha sonora tensa, responsabilidade de Ángela Acuña, e tornam os 16 minutos de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5p7dC58RV4A"><i><span style="font-weight: 400;">A Fera</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">ainda mais sombrios e intensos. O filme, ao invés de se ater a fatos históricos tirados de relatórios oficiais da ditadura, opta por construir o cotidiano monótono da </span><a href="https://www.correiodopovo.com.br/arteagenda/bestia-a-macabra-hist%C3%B3ria-chilena-que-concorre-ao-oscar-1.774884"><span style="font-weight: 400;">torturadora</span></a><span style="font-weight: 400;">, com destaque para sua vida pacata, suas assombrações e medos, e sua relação com seu cachorro. As atrocidades cometidas pela personagem aparecem em vislumbres e tornam </span><i><span style="font-weight: 400;">Bestia </span></i><span style="font-weight: 400;">enigmático, ao mesmo tempo que, dada sua devida contextualização, pesado. </span><b>&#8211; Vitória Lopes Gomez</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26954" aria-describedby="caption-attachment-26954" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26954" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/boxballet.jpg" alt="Cena do curta animado Boxballet. A cena mostra uma bailarina magra e de verde em frente a um boxeador forte e de estatura larga, usando camisa branca. Eles olham para um espelho e o cenário ao redor é feito de madeira." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/boxballet.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/boxballet-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/boxballet-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/boxballet-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26954" class="wp-caption-text">Embora apenas o diretor Anton Dyakov seja creditado como produtor na indicação ao Oscar, ele teve o auxílio de Andrey Vasilyev no roteiro (Foto: CTB)</figcaption></figure>
<p><b>Boxballet </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quão brutal é o balé? Qual doce é o boxe? Qual a intersecção dessas manifestações corporais? O russo </span><a href="https://br.rbth.com/cultura/86241-curta-animacao-russo-boxballet-lista-pre-indicados-oscar"><i><span style="font-weight: 400;">Boxballet</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não responde nenhuma dessas questões, mas ao longo de quinze minutos desprovidos de falas mas recheados de deleite visual, o filme passeia pela linha-fina entre as dores de cada modalidade. Na história, um lutador chamado Evgeny, brutamontes metido a mal-humorado, salva o gato da bailarina Oly, uma mulher esguia e timidamente adorável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eles </span><a href="https://www.cineset.com.br/critica-boxballet-anton-dyakov/"><span style="font-weight: 400;">sentem uma atração</span></a><span style="font-weight: 400;"> quase que instantânea um pelo outro, ao passo em que a direção de Anton Dyakov cria paralelos em câmera e em texto a respeito da proximidade desses dois personagens tão distantes no papel. A graça de </span><i><span style="font-weight: 400;">Boxballet </span></i><span style="font-weight: 400;">é observar o traço cartunesco e geométrico digladiar-se em nossa frente, seja nos socos levados pelo homem, seja nas piruetas rodadas pela mulher. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26955" aria-describedby="caption-attachment-26955" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26955" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-windshield-wiper.jpg" alt="Cena do curta animado The Windshield Wiper, mostra duas pessoas mexendo no celular em frente a geladeira de bebidas em uma loja. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-windshield-wiper.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-windshield-wiper-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-windshield-wiper-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-windshield-wiper-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-windshield-wiper-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26955" class="wp-caption-text">As animações do diretor Alberto Mielgo já são prestigiadas e conhecidas: em 2019, ele levou o Emmy de Melhor Série Animada de Curta Duração por Love, Death + Robots (Foto: YouTube)</figcaption></figure>
<p><b>The Windshield Wiper</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">O que é o amor?</span></i><span style="font-weight: 400;">”, pergunta-se a Arte há milhares de anos. Dentre todos os estudos que surgem no Cinema, na Música, na Literatura e em todas as outras expressões artísticas, a questão se encaixa de maneira contundente no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022 através de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=i8MQl7vCkMQ"><i><span style="font-weight: 400;">The Windshield Wiper</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o trabalho mais recente do diretor espanhol Alberto Mielgo. Com estreia na </span><a href="http://www.cinevitor.com.br/cannes-2021-conheca-os-vencedores-da-quinzena-dos-realizadores/"><span style="font-weight: 400;">Quinzena dos Realizadores</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Festival de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cannes</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021, a produção hispano-americana tem como único objetivo analisar uma das perguntas mais antigas da humanidade através de fragmentos de histórias cotidianas em apenas 15 minutos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E a palavra é realmente observar, já que o curta não se preocupa em perseguir o objetivo invencível de responder à questão. Numa identidade visual que só parece inconsistente, o filme se vale das formas &#8211; em todos os sentidos da palavra &#8211; para retratar seu objeto. Seja nos “comos” em que o amor se expressa, nos “ondes” ou nos “porques”. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6JP0xas_Sy8"><span style="font-weight: 400;">O prestígio</span></a><span style="font-weight: 400;"> e ousadia do diretor, já consolidado no campo das animações, consegue surpreender mesmo em uma história naturalmente subjetiva. A sua maior missão, no entanto, já foi concluída: nos mostrar que o amor é tudo e está em todo o lugar. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
<hr />
<h3><b>Melhor Curta-Metragem em Live Action</b></h3>
<figure id="attachment_26956" aria-describedby="caption-attachment-26956" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26956" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ala-kachuu.jpg" alt="Cena do curta Ala Kachuu, mostra uma mulher de roupa roxa em frente a uma paisagem natural a luz do dia." width="1024" height="559" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ala-kachuu.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ala-kachuu-800x437.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ala-kachuu-768x419.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26956" class="wp-caption-text">A diretora suíça acerta o tom de Take and Run, que poderia facilmente cair num olhar preconceituoso para a cultura que critica (Foto: FILMGERBEREI)</figcaption></figure>
<p><b>Ala Kachuu &#8211; Take and Run</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A introdução de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pRhWhNkPdiQ"><i><span style="font-weight: 400;">Ala Kachuu</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">&#8211; Take and Run</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é a apresentação perfeita para a história do filme de Maria Brendle. Ao mostrar uma garota correndo de forma a sugerir uma fuga quando, na verdade, ela está apenas brincando com a sua irmã, é provavelmente a cena mais poderosa do curta, que mostra em sua história o terrível amadurecimento forçado ao qual </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2015/11/06/internacional/1446826338_616784.html"><span style="font-weight: 400;">centenas de milhares de meninas</span></a><span style="font-weight: 400;"> são submetidas pelas culturas mais conservadoras do mundo. A vítima aqui é Sezim (na poderosa Alina Turdumamatova), uma jovem recém-formada na escola que sonha em continuar seus estudos e viver de forma independente bem longe do interior, onde sua família e comunidade a querem manter num casamento arranjado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar do desenvolvimento simples, o filme mantém um ritmo de suspense à medida que avança nas demonstrações de coragem de Sezim pelo seu futuro. Entre fugas bem-sucedidas e outras não tanto assim, a protagonista não cede à sua própria vida, alimentando os 38 minutos do curta e transformando sua atmosfera em seus momentos mais dramáticos. Ao colocar em foco o contexto patriarcal que insiste em sufocar a vida de jovens garotas &#8211; e que </span><a href="https://revistamarieclaire.globo.com/Mulheres-do-Mundo/noticia/2019/06/estudo-aprofunda-causas-e-consequencias-do-casamento-infantil-no-brasil.html"><span style="font-weight: 400;">não está tão distante</span></a><span style="font-weight: 400;"> de nós como pode parecer -, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ala Kachuu &#8211; Take and Run</span></i><span style="font-weight: 400;"> assume, sem dúvidas, uma posição de destaque dentre os curtas do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2022</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26957" aria-describedby="caption-attachment-26957" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26957" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/on-my-mind.jpg" alt="Cena do curta On My Mind, mostra um homem sentado no balcão do bar e uma mulher do outro lado, servindo ele. Ele usa touca e roupa de frio, tem barba e não sorri. Ela usa blusa branca e sorri." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/on-my-mind.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/on-my-mind-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/on-my-mind-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/on-my-mind-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/on-my-mind-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/on-my-mind-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/on-my-mind-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26957" class="wp-caption-text">Em 2003, o diretor venceu o Oscar de Melhor Curta-Metragem em Live Action com Um Sujeito Encantador, prêmio dividido com o produtor Mie Andreasen (Foto: Benzona Film)</figcaption></figure>
<p><b>On My Mind</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Usar a </span><a href="https://personaunesp.com.br/japanese-breakfast-jubilee-critica/"><span style="font-weight: 400;">arte como forma de terapia</span></a><span style="font-weight: 400;"> não é algo novo no pedaço. Por isso, quando o diretor Martin Strange-Hansen, que já venceu essa categoria da Academia vinte anos atrás, perdeu sua filha, a decisão de transformar o luto em Cinema foi uma decisão interessante na carreira. O filme em questão, chamado </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt15289736/"><i><span style="font-weight: 400;">On My Mind</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e produzido por ele ao lado de Kim Magnusson, faz uso de apenas dezoito minutos para retratar a alma de alguém que há muito foi roubado do brilho dos olhos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na história, Henrik (Rasmus Hammerich) deseja cantar uma canção no karaokê do bar e ser gravado enquanto solta a voz. Empecilhos nascem, soluções entram na frente e o roteiro, também assinado pelo realizador dinamarquês, não se importa em mostrar as cartas de primeira. Pela força de vontade do homem e pela resiliência de chegar ao fim da faixa, o breve relato de morte acaba </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-caminho-da-lua-critica/"><span style="font-weight: 400;">eternizando com simpatia</span></a><span style="font-weight: 400;"> seu amor por alguém que já partiu.</span><b> &#8211; Vitor Evangelista </b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26958" aria-describedby="caption-attachment-26958" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26958" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/please-hold.jpeg" alt="Cena do filme Please Hold. Na imagem retangular colorida, o ator Erick Lopez está parado olhando fixamente para a câmera, dentro de uma cela de prisão. Ele é um homem de cabelos pretos lisos ao estilo topete, com descendência latino-americana, e veste um macacão de detento em cor laranja e por baixo uma camiseta branca. Ao fundo vemos uma parede de azulejo amarelado e uma pequena cama arrumada. " width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/please-hold.jpeg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/please-hold-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/please-hold-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/please-hold-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/please-hold-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/please-hold-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26958" class="wp-caption-text">Quase como um episódio de Black Mirror condensado, Please Hold é um alerta aos perigos que podem surgir das tecnologias que dominam nossas vidas (Foto: Scavenger Entertainment)</figcaption></figure>
<p><b>Please Hold</b></p>
<p><a href="https://www.flickfeast.co.uk/reviews/shorts/please-hold-2020-short-film-review/"><i><span style="font-weight: 400;">Please Hold</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2020) se desenrola em um futuro distópico, no qual Mateo Torres (Erick Lopez) é preso por um drone policial, sem saber por qual acusação. O aparelho do sistema evoca sua sentença e o obriga a ir para a delegacia. Nessa trama </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=80017"><span style="font-weight: 400;">kafkiana</span></a><span style="font-weight: 400;">, o personagem não consegue ter acesso a nenhum “ser humano de verdade” – algo que ele implora para conseguir explicar sua situação –, e é encarcerado sem contato com qualquer indivíduo que possa trazer esclarecimentos. Na cela, há uma televisão interativa, com um sistema de inteligência artificial que responde (parcialmente) às perguntas de Torres, e após indagar sobre a possibilidade de um advogado, é transferido para uma página com anúncios em vídeo dos representantes da lei, em um estilo meio político, meio vendedores de carro, que tentam convencer os presos a comprarem seus serviços. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como se pôde perceber, muitas coisas acontecem em um período curto de tempo; afinal, trata-se de um filme de 18 minutos. De todo modo, a diretora e roteirista de origem mexicana </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YZzUGWTZvL0"><span style="font-weight: 400;">Kristen “K.D.” Dávila</span></a><span style="font-weight: 400;"> amarra tudo muito bem, e passa sua crítica de forma pertinente e perspicaz, pois, mesmo sem explicações iniciais, conseguimos entender o que está acontecendo: Mateo Torres é um imigrante latino, e foi confundido pelo sistema de reconhecimento facial com o verdadeiro culpado pelo crime que nem ele e nem nós ficamos sabendo qual foi. Além de Torres ficar distante de qualquer interação humana, ele arca com todos os custos prisionais (para fazer ligações, para comer), cujo pagamento é debitado diretamente de sua conta bancária. Por essa razão, o trabalho se torna obrigatório dentro da cela, onde ele passa a fazer crochê para uma empresa privada, que o paga em centavos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao estilo </span><a href="https://personaunesp.com.br/bandersnatch-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Black Mirror</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o curta traz ressonâncias reais bastante reflexivas, e, mesmo com cenas que apontam desfechos previsíveis, </span><i><span style="font-weight: 400;">Please Hold </span></i><span style="font-weight: 400;">não assustaria se levasse o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">de Melhor Curta-Metragem em </span><i><span style="font-weight: 400;">Live Action</span></i><span style="font-weight: 400;">, justamente pela contundência de sua crítica social. Tudo se torna pior quando lembramos do livro </span><a href="https://www.lojadaruadosabao.com/rua-do-sabao/algoritmos-de-destruicao-em-massa"><i><span style="font-weight: 400;">Algoritmos de Destruição em Massa</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2021), da cientista de dados </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/"><span style="font-weight: 400;">Cathy O’Neil</span></a><span style="font-weight: 400;">, no qual denuncia, entre outros temas, justamente a maneira racista que os algoritmos têm funcionado, pois se retroalimentam da base de dados que os dá vida, replicando ideologias. Por fim, quando ficção e realidade se cruzam de forma tão contundente quanto em </span><i><span style="font-weight: 400;">Please Hold</span></i><span style="font-weight: 400;">, o resultado é quase sempre certeiro. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26959" aria-describedby="caption-attachment-26959" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26959" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-dress.jpg" alt="Cena do curta-metragem The Dress. Na imagem, em um corredor de um hotel com pouca iluminação e portas de madeira à esquerda e a direita, vemos, ao centro e do peito para cima, uma mulher de cabelos loiros lisos, presos em um rabo de cavalo, vestindo um uniforme azul e bege e empurrando um carrinho de limpeza." width="2000" height="835" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-dress.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-dress-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-dress-1024x428.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-dress-768x321.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-dress-1536x641.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-dress-1200x501.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26959" class="wp-caption-text">The Dress, o projeto polonês indicado ao Oscar de Melhor Curta-Metragem em Live Action, impressiona também pela fotografia de Konrad Bloch, que chama a atenção alternando entre provocar sentimentos hostis e acolhedores (Foto: Konrad Bloch)</figcaption></figure>
<p><b>The Dress</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Julka (Anna Dzieduszycka) captura o olhar de Bogdan (Szymon Piotr Warszawski), ela espera uma escapatória para seus dias solitários. No curta-metragem </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gbThHMjNGJw"><i><span style="font-weight: 400;">The Dress</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a personagem principal é uma camareira com nanismo, que tem de conviver com os constantes comentários ofensivos dos hóspedes do motel em que trabalha. Até que um dia, um caminhoneiro hospedado por lá chama sua atenção &#8211; e é recíproco &#8211; e os dois combinam de se encontrar dali a quatro dias. É partindo de uma premissa simples que o filme se aprofunda nas angústias de sua protagonista.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Sukienka</span></i><span style="font-weight: 400;">, no título original, trabalha a solidão de sua personagem principal, que tem poucos amigos e revela não ter tido relações românticas antes, através dos dias pacatos. Já quando Julka se interessa pelo hóspede, o curta explora as expectativas dela, suas angústias e receios (com si mesma e com outra pessoa), e sua vontade de ser amada de forma sutil. Nisso, </span><a href="https://www.filmelier.com/br/noticias/the-dress-shortlist-oscar-entrevista"><span style="font-weight: 400;">a estrela</span></a><span style="font-weight: 400;"> Anna Dzieduszycka tem papel fundamental e transparece os sentimentos de sua personagem. </span><i><span style="font-weight: 400;">The Dress</span></i><span style="font-weight: 400;">, porém, opta por uma reviravolta que foge da mensagem positiva e acolhedora que vinha construindo, e deixa um gosto amargo quando se encerra. </span><b>&#8211; Vitória Lopes Gomez</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26960" aria-describedby="caption-attachment-26960" style="width: 1483px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26960" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/goodbye.png" alt="Cena do curta The Long Goodbye, mostra o ator Riz Ahmed, homem adulto de pele marrom, olhando para a câmera. Está anoitecendo e ele veste um suéter bege." width="1483" height="721" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/goodbye.png 1483w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/goodbye-800x389.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/goodbye-1024x498.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/goodbye-768x373.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/goodbye-1200x583.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26960" class="wp-caption-text">Além de ser o protagonista e escrever o roteiro ao lado do diretor, Riz Ahmed está creditado como produtor na indicação ao Oscar, um ano após disputar a categoria de Melhor Ator por O Som do Silêncio (Foto: Left Handed Films)</figcaption></figure>
<p><b>The Long Goodbye </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora os primos estejam discutindo entre as arrumações para uma celebração e a cozinha seja pequena demais para o número de cozinheiros, tudo parece bem na casa de uma família inglesa de origem paquistanesa. A TV, em volume alto, mostra casos de violência, e não demora muito para que o diretor Aneil Karia transporte a autoridade da telinha para a porta da frente, neste </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Lzz50xENH4g"><span style="font-weight: 400;">curta vencedor do </span><i><span style="font-weight: 400;">BIFA</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA </span></i><span style="font-weight: 400;">do Cinema independente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando percebe o que está tomando parte, Riz (</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-som-do-silencio-critica/"><span style="font-weight: 400;">Riz Ahmed</span></a><span style="font-weight: 400;">) tenta mobilizar os familiares e proteger aqueles que ama, mas é tarde demais. Os vizinhos assistem em silêncio um grupo autoritário raptar as mulheres e crianças e ajoelhar os homens no meio-fio. Um a um, eles são exterminados; um a um, suas vozes são silenciadas. Prestes a seguir o destino de seus semelhantes, Riz pausa a execução, mira na câmera, e recita versos de um manifesto em formato de </span><i><span style="font-weight: 400;">rap </span></i><span style="font-weight: 400;">discursivo, relatando os perigos de se viver como imigrante em um país extremista e racista. A obviedade das falas ensurdece qualquer motivação genuína que venha na concepção da obra, tornando o filme uma peça política que engasga a Arte, sem sucesso. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
<hr />
<h3><b>Melhor Documentário em Curta-Metragem </b></h3>
<figure id="attachment_26961" aria-describedby="caption-attachment-26961" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26961" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/audible-1.jpg" alt="Cena do curta Audible mostra um time de futebol americano se reunindo antes do início do jogo, em um círculo fechado. Eles vestem roupas azuis e laranjas e o céu está preto atrás deles." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/audible-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/audible-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/audible-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/audible-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26961" class="wp-caption-text">O filme abusa de aspectos sonoros, imergindo quem assiste na vida das pessoas surdas e nas maneiras que elas experienciam, por exemplo, a torcida num campo de futebol (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Audible </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Disponível no catálogo da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, o curta-metragem documental </span><i><span style="font-weight: 400;">Audible</span></i><span style="font-weight: 400;"> acompanha um grupo de estudantes da </span><a href="https://estacaonerd.com/critica-audible/"><span style="font-weight: 400;">Escola para Surdos de Maryland</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nosso protagonista é Amaree McKenstry-Hall, um jovem à beira dos 18 anos que, além de ser peça fundamental do time de futebol americano do colégio, navega por um romance com uma colega de classe e ainda lida com a morte do amigo próximo, que se suicidou há pouco tempo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre a casa de Amaree (ele é a única pessoa surda da família), passando pelos corredores do </span><i><span style="font-weight: 400;">high school</span></i><span style="font-weight: 400;">, o campo de futebol e a igreja onde o pai, que esteve longe do garoto em seus anos formativos, a direção de Matthew Ogens consegue </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G5htMIBhdGk"><span style="font-weight: 400;">capturar as minúcias</span></a><span style="font-weight: 400;"> de um elenco rico em histórias e em sensibilidade. No ano em que</span><i><span style="font-weight: 400;"> No Ritmo do Coração</span></i><span style="font-weight: 400;"> voa alto na </span><a href="https://www.ommercato.com/pt/trad/coda-wins-top-prize-at-pga-predicting-oscar-best-picture-win-pga-awards_154817"><span style="font-weight: 400;">onda da aclamação</span></a><span style="font-weight: 400;">, é de bom grado assistir a um curta protagonizado por pessoas surdas, mostrando que as mudanças na indústria não parecem ser passageiras.</span><b> &#8211; Vitor Evangelista</b></p>
<hr />
<p><figure id="attachment_26962" aria-describedby="caption-attachment-26962" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26962" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/onde-eu-moro.jpg" alt="Cena do curta Onde Eu Moro, mostra várias barracas na rua e os prédios da cidade em contraste atrás." width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/onde-eu-moro.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/onde-eu-moro-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/onde-eu-moro-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26962" class="wp-caption-text">Onde Eu Moro é exatamente o tipo de filme que a Academia gosta de notar como forma de (tentar) expressar que seus homens brancos estão preocupados com as questões sociais do mundo contemporâneo [Foto: Netflix]</figcaption></figure><b>Onde Eu Moro (Lead Me Home)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ótica de </span><a href="https://www.netflix.com/watch/81240756?source=35"><i><span style="font-weight: 400;">Onde Eu Moro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> persegue metrópoles por uma razão muito importante: observar a maior crise humanitária da costa oeste dos </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2017/12/30/internacional/1514632186_267085.html"><span style="font-weight: 400;">Estados Unidos</span></a><span style="font-weight: 400;">, que é oriunda de um problema social de moradia encontrado em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UrrJmlnTWPw"><span style="font-weight: 400;">vários outros lugares</span></a><span style="font-weight: 400;"> do mundo. O contexto da maior potência do planeta, no entanto, é singular, e falar de desigualdade social e distribuição de renda no centro do capitalismo se transforma em uma discussão muito maior do que qualquer delimitação territorial. Mas apesar de entender essa perspectiva, o filme dirigido pelo brasileiro Pedro Kos e pelo estadunidense Jon Shenk nunca a compreende de fato. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Valendo-se de uma estrutura documental tradicional &#8211; e muito óbvia &#8211; , o curta </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/oscar/2022/noticia/2022/03/24/da-rua-ao-oscar-indicado-por-curta-documental-sobre-pessoas-sem-teto-brasileiro-pedro-kos-vai-levar-retratados-a-festa.ghtml"><span style="font-weight: 400;">explora a imagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> de pessoas em situação de rua, que ali, se transformam em personagens abusados, violentados, desamparados e abandonados. Com qual finalidade? Muitas, mas nenhuma delas envolve analisar de fato </span><a href="https://periodicos.ufjf.br/index.php/libertas/article/download/27780/18978"><span style="font-weight: 400;">o problema</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; o que acaba, na verdade, deixando seus motivos bem claros. Os contextos retratados em </span><i><span style="font-weight: 400;">Onde Eu Moro</span></i><span style="font-weight: 400;"> podem até estar preocupados com as evidências do problema, mas não em solucionar a sua raiz. E de alguma forma, isso o faz estar no lugar certo dentre as indicações da Academia que conhecemos. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26963" aria-describedby="caption-attachment-26963" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26963" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-queen-of-basketball.jpg" alt="Cena do curta-metragem The Queen of Basketball. Na imagem, em preto e branco, vemos uma cena de um jogo de basquete. Ao fundo, vemos pessoas sentadas em arquibancadas, em desfoque. Em um primeiro plano, do lado direito e esquerdo, vemos mulheres brancas e jovens pulando e com os braços levantados, em movimentos de jogo. Ao centro, vemos uma mulher negra com uma bola de basquete em maõs e, ao seu lado, uma jovem mulher negra segurando sua perna. Todas elas vestem uniformes de jogo de basquete." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-queen-of-basketball.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-queen-of-basketball-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26963" class="wp-caption-text">Ben Proudfoot, diretor de The Queen of Basketball, já havia concorrida na categoria de Melhor Documentário em Curta Metragem em 2021, com A Concerto Is A Conversation (Foto: The New York Times)</figcaption></figure>
<p><b>The Queen of Basketball</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lusia Harris não é um nome internacionalmente famoso. É para isso que vem </span><i><span style="font-weight: 400;">The Queen of Basketball</span></i><span style="font-weight: 400;">, curta-metragem do jornal estadunidense </span><i><span style="font-weight: 400;">The New York Times</span></i><span style="font-weight: 400;"> como parte da série de documentários </span><i><span style="font-weight: 400;">Op-Docs </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Almost Famous</span></i><span style="font-weight: 400;">, que retrata personalidades notáveis, mas que não chegaram a atingir a fama. </span><a href="https://www.nba.com/jazz/news/womens-basketball-pioneer-lusia-harris-left-legacy-wont-be-forgotten"><span style="font-weight: 400;">Harris</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma das pioneiras do basquete feminino, liderou três vitórias consecutivas de seu time no campeonato nacional norte-americano, sendo a única integrante negra da equipe, foi medalhista olímpica e a primeira e única mulher oficialmente convocada pela </span><i><span style="font-weight: 400;">NBA</span></i><span style="font-weight: 400;">, maior e mais importante liga dos Estados Unidos. Ainda assim, seu nome </span><a href="https://www.nba.com/news/the-queen-of-basketball-why-have-we-never-heard-of-lusia-harris"><span style="font-weight: 400;">pouquíssimo é conhecido</span></a><span style="font-weight: 400;"> até pelas pessoas envolvidas com o esporte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No filme, indicado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2022 como Melhor Documentário em Curta-Metragem, </span><a href="https://ge.globo.com/basquete/noticia/morre-lusia-harris-unica-mulher-a-ter-sido-draftada-pela-nba.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Lusia Harris</span></a><span style="font-weight: 400;">, que faleceu no começo do ano, é colocada frente a câmera para contar sua própria trajetória. Durante os 22 minutos, os depoimentos dela são misturados a recortes de notícias e de gravações de jogos e entrevistas da época, no que a montagem de Stephanie Owens e Ben Proudfoot se destaca. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vPFkcoTfr7g"><i><span style="font-weight: 400;">The Queen of Basketball</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">luta contra o apagamento da história da Rainha do Basquete, e venceu em Melhor Curta-Metragem Documental no <em>Critics Choice Documentary Awards</em>, chegando com reconhecimento ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Vitória Lopes Gomez</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26964" aria-describedby="caption-attachment-26964" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26964" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/tres-cancoes-para-benazir.jpg" alt="Cena do curta Três Canções para Benazir. A cena mostra um casal, um homem e uma mulher, sorrindo na chuva. Eles vestem roupas escuras e o cenário é de montanhas e rochas." width="1000" height="563" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/tres-cancoes-para-benazir.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/tres-cancoes-para-benazir-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/tres-cancoes-para-benazir-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26964" class="wp-caption-text">Três Canções Para Benazir é uma das joias dos curtas do Oscar 2022 (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Três Canções Para Benazir (Three Songs for Benazir)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além das costumeiras histórias de guerras e tragédias que são contadas sobre os países não-ocidentais nos cinemas pelo mundo, </span><a href="https://www.netflix.com/watch/81562326?source=35"><i><span style="font-weight: 400;">Três Canções Para Benazir</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se dedica a registrar uma narrativa sobre amor. Em seu país natal, o diretor afegão Gulistan Mirzaei e sua companheira Elizabeth Mirzaei escolhem retratar em 22 minutos de tela a vida de Shaista Khan e Benazir Khan, marcada pela incerteza de existir em um lugar cujo sentimento de identificação é tão profundo quanto o de insegurança.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem precisar de muito, o trabalho próximo e sensível dos diretores constrói um filme indescritivelmente singelo. Em cenas cotidianas, assistimos um contexto do interior do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fFdDSDI5JHw"><span style="font-weight: 400;">Afeganistão</span></a><span style="font-weight: 400;"> através das tentativas de construção de vida de um jovem casal que conserva seus sonhos à mesma medida que contorna seus infortúnios. Assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Três Canções Para Benazir</span></i><span style="font-weight: 400;"> se consolida como uma das composições mais belas da seleção de indicados ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Documentário em Curta-Metragem de 2022. </span><b>&#8211;</b> <b>Raquel Dutra</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26965" aria-describedby="caption-attachment-26965" style="width: 1300px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26965" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/When-We-Were-Bullies.jpeg" alt="Cena do documentário When We Were Bullies. Na fotografia retangular colorida, vemos um homem branco com os dois joelhos apoiados nos vãos de um portão de ferro de cor preta. Ele está escalando esse portão, e segura com as duas mãos em um muro de tijolos lateral. Esse homem possui cabelos brancos, veste camiseta, calça e sapatos de cor preta, e está com a cabeça abaixada, em direção ao muro. Na parte à direita da foto, vemos uma grade metálica em cor cinza. Ao fundo, um prédio de tijolos em cor laranja. " width="1300" height="731" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/When-We-Were-Bullies.jpeg 1300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/When-We-Were-Bullies-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/When-We-Were-Bullies-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/When-We-Were-Bullies-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/When-We-Were-Bullies-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26965" class="wp-caption-text">Revisitando o passado, When We Were Bullies relata um episódio marcante de bullying, através da ótica pessoal de Jay Rosenblatt como um ex-valentão, e mostra as consequências do ato que ocorreu em 1965 (Foto: Stefilm International)</figcaption></figure>
<p><b>When We Were Bullies</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HcFJPTj94aM"><i><span style="font-weight: 400;">When We Were Bullies</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021), trabalho multifacetado e biográfico do documentarista experimental Jay Rosenblatt, o acaso se mistura às memórias dolorosas de um episódio de </span><i><span style="font-weight: 400;">bullying</span></i><span style="font-weight: 400;">, ocorrido há mais de 50 anos. Diferentemente do que se possa imaginar, o curta de 36 minutos se desenvolve através do lado dos agressores, que à época eram apenas crianças sem perspectiva motivadas por um efeito manada. Conforme vamos descobrindo mais sobre o caso – o diretor entrevista, próximo ao final do filme, uma ex-professora com mais de 90 anos –, percebemos a dimensão que a violência causou em todos os envolvidos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O fio da memória foi puxado em 1992, quando Rosenblatt estava desenvolvendo um outro curta-metragem, </span><a href="https://www.jayrosenblattfilms.com/smell_of_burning_ants.php"><i><span style="font-weight: 400;">The Smell of Burning Ants</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1994). Procurando um dublador para o filme, ele encontrou Richard Silberg, um colega de classe na quinta série da escola primária. Além dessas coincidências iniciais, ambos foram marcados pelo episódio específico de violência, no qual a sala, coletivamente, agrediu um outro aluno, também chamado Richard. Sobre esse fato, </span><i><span style="font-weight: 400;">When We Were Bullies </span></i><span style="font-weight: 400;">se propõe a encontrar uma resposta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Visualmente, a história é contada de forma simples. Há uma colagem de imagens de época – um dos truques favoritos do diretor –, com pequenos vídeos de registro e fotos institucionais, intercalados com os depoimentos. A </span><a href="https://personaunesp.com.br/shrek-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">nostalgia</span></a><span style="font-weight: 400;"> propiciada pelo filme se perde em meios ao sentimentalismo inconclusivo, pois, embora seja a tentativa de interpretação de um comportamento que, à época, pareceu espontâneo, o curta também se perde na mesma distância que separa o ocorrido do presente. Essa visão </span><i><span style="font-weight: 400;">assombrológica </span></i><span style="font-weight: 400;">do passado não oferece possibilidade de resolução, tornando o filme apenas uma versão de memórias gravadas, que tem seu impacto destrutivo amortecido pelo efeito do tempo. Paira a sensação de que o diretor queria se sentir bem de novo em relação ao passado, colocando-se em pé de igualdade com a verdadeira vítima. Isso se reflete na conclusão do filme, que parece apontar para uma redenção, embora não dê o devido espaço para o agredido. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/os-curtas-do-oscar-2022/">Os Curtas do Oscar 2022</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/os-curtas-do-oscar-2022/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">26950</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
