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	<title>Arquivos Peter Sarsgaard &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Monstros também amam: os mortos tem algo a dizer, e A Noiva! está nos contando</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Mar 2026 22:49:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Beatriz Zamai Depois de nos entregar uma performance espetacular e merecedora do Oscar de melhor atriz por seu papel em Hamnet (2025), Jessie Buckley aparece irreconhecível e fenomenal em A Noiva!, interpretando três personagens: a autora Mary Shelley, Ida e a Noiva. O filme conta a história de Ida, uma mulher de Chicago dos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-a-noiva/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Monstros também amam: os mortos tem algo a dizer, e A Noiva! está nos contando"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37030" aria-describedby="caption-attachment-37030" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-37030" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-4-800x420.png" alt="Mulher loira com véu preto e vestido vermelho aponta um revólver em um palco, diante de uma plateia em um ambiente com cortinas douradas" width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-4-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-4-1024x538.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-4-768x403.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-4-1536x806.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-4-1200x630.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-4.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37030" class="wp-caption-text">Jessie Buckley interpreta três personagens totalmente distintas entre si (Foto: Warner Bros)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Beatriz Zamai</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de nos entregar uma performance espetacular e merecedora do Oscar de melhor atriz por seu papel em </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/jessie-buckley-aponta-papel-inesperado-como-influencia-para-hamnet/"><i><span style="font-weight: 400;">Hamnet</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2025), Jessie Buckley aparece irreconhecível e fenomenal em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Noiva!</span></i><span style="font-weight: 400;">, interpretando três personagens: a autora Mary Shelley, Ida e a Noiva. O filme conta a história de Ida, uma mulher de Chicago dos anos 1930, que foi assassinada a mando de chefes da máfia, enquanto era possuída pelo espírito fantasmagórico e teatral de Shelley. Em uma mudança de cenários, Frank (Christian Bale), o monstro de dr. Frankenstein, implora pela ajuda da Dra. Euphronious (Annette Bening), cientista especializada em reanimação de organismos, para acabar com sua solidão que já dura um século. O monstro e a doutora desenterram Ida e a trazem de volta à vida, dando início à uma grande história de amor – ou de terror. </span></p>
<p><span id="more-37028"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escrito e dirigido por Maggie Gyllenhaal, a adaptação do clássico conto de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Noiva de Frankenstein</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1935) é uma mistura ousada de gêneros: romance, drama, ficção científica, suspense, terror – e até um </span><i><span style="font-weight: 400;">quê</span></i><span style="font-weight: 400;"> de musical. </span><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/cultura/audio/2024-07/influencia-de-james-whale-no-cinema-de-terror-de-hollywood"><span style="font-weight: 400;">James Whale</span></a><span style="font-weight: 400;">, diretor do clássico, fez o filme a contragosto e, por isso, a obra parece um delírio coletivo: Whale se divertiu e apostou em usar todas as ideias que passassem pela mente. Sendo assim, faz todo sentido que Gyllenhaal também escute as vozes de sua cabeça e crie a história como achar melhor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa mistura não é um fator negativo, mas pode facilmente dividir o público por sua alternância em gêneros tão distantes entre si. A liberdade narrativa da diretora faz sentido, projetando um encontro entre casais criminosos, como </span><a href="https://www.fbi.gov/history/famous-cases/bonnie-and-clyde"><span style="font-weight: 400;">Bonnie e Clyde</span></a><span style="font-weight: 400;">, e uma análise da sociedade através da visão feminina. É um pouco do que </span><a href="https://personaunesp.com.br/coringa-delirio-a-dois-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Coringa: Delírio a Dois</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2024) sonhava ser, uma tentativa de criar mais uma dupla caótica na história do cinema que se torna símbolo de resistência para os oprimidos.</span></p>
<figure id="attachment_37031" aria-describedby="caption-attachment-37031" style="width: 730px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-37031" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-4.png" alt=" Mulher loira com maquiagem preta borrada grita pela janela de um carro em movimento, com os braços abertos e vento no cabelo" width="730" height="365" /><figcaption id="caption-attachment-37031" class="wp-caption-text">Ida/A Noiva busca liberdade feminina enquanto se redescobre (Foto: Warner Bros Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Maggie Gyllenhaal traz a crítica social em várias partes do filme, de forma óbvia ou não. A maneira mais direta é através da luta de Ida/A Noiva de recuperar sua memória da vida anterior, seja apenas com ela mesma, como quando diz em um diálogo entre ela e Frank “</span><i><span style="font-weight: 400;">A noiva de Frankenstein. Não, só A Noiva.</span></i><span style="font-weight: 400;">”, ou com o grupo de mulheres que se inspiram nela e criam uma </span><a href="https://www.politize.com.br/quarta-onda-do-feminismo/"><span style="font-weight: 400;">nova onda</span></a><span style="font-weight: 400;"> de feminismo. A forma mais sútil vem através de outras duas personagens femininas: a investigadora Myrna Mallow (Penélope Cruz) e a dra. Euphronios. Myrna é uma investigadora que segue o casal e é o verdadeiro cérebro da maioria das operações importantes, mas não recebe distintivo de detetive – aliás, é confundida como secretária de seu parceiro Wiles (Peter Sarsgaard). Já a doutora explica para Frank logo no começo como usa apenas o sobrenome na publicação de trabalhos científicos para tentar ser levada mais a sério no meio. O próprio Frank chega perguntando pelo ‘doutor’ Euphronios e é corrigido pela senhora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tanto Gyllenhaal quanto A Noiva tem coisas para falar ao público, e ambas são bem sucedidas nesse quesito. A </span><a href="https://www.ingresso.com/noticias/maggie-gyllenhaal-revela-como-foi-trabalhar-com-irmao-jake-gyllenhaal-em-a-noiva-apos-25-anos"><span style="font-weight: 400;">diretora</span></a><span style="font-weight: 400;"> consegue passar sua mensagem de qual é sua visão do mundo atual sem parecer clichê ou forçado – muito pelo contrário, faz isso de forma gradual e leve. A Noiva fala sobre mulheres sendo silenciadas por homens, o gradual dela, porém, é quando vai recuperando a memória de quem foi na outra vida – Ida – e, dessa forma, se libertando de ser ‘a noiva de Frankenstein’ para se tornar apenas A Noiva. </span></p>
<p><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2024/08/os-3-fatos-surpreendentes-sobre-mary-shelley-a-criadora-da-obra-frankenstein"><span style="font-weight: 400;">Mary Shelley</span></a><span style="font-weight: 400;"> fica em terceiro plano na história. A autora está em um limbo após a morte, frustrada por não ter conseguido escrever uma continuação sobre a Noiva, e, por isso, possui o corpo de Ida. As cenas em que Shelley aparece são formadas por um jogo de luz e sombra, criando uma aparência teatral muito distante dos filmes </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbusters</span></i><span style="font-weight: 400;"> atuais – mas que caiu bem para deixar explícito quando cada personagem estava falando, mesmo que tenha ficado um pouco confuso.</span></p>
<figure id="attachment_37032" aria-describedby="caption-attachment-37032" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37032" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-3-800x420.png" alt="Mulher loira deitada em uma mesa ligada a cabos e equipamentos mecânicos, usando vestido vermelho e peça metálica no peito, em um ambiente industrial com iluminação amarelada. " width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-3-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-3-1024x538.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-3-768x403.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-3-1536x806.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-3-1200x630.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-3.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37032" class="wp-caption-text">Ida é trazida de volta à vida para ser companheira de Frank (Foto: Warner Bros)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma curiosa (mas muito boa!) trilha sonora, que conta com a presença de </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/6GmL39a9OazWtyMkAbJz7v"><span style="font-weight: 400;">Monster Mash</span></a><span style="font-weight: 400;"> no final – o que super combinou com a mistura de gêneros do filme – , assinada por Hildur Guðnadóttir, e fotografia de Lawrence Sher, ambos de </span><a href="https://personaunesp.com.br/coringa-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Coringa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019), </span><i><span style="font-weight: 400;">A Noiva!</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um filme para quem quer sair do básico, comum e esperado. Quem estiver disposto a conhecer algo novo, abraçando a proposta de Gyllenhaal, pode ser presenteado com uma grande obra que, felizmente, não tem medo de correr riscos.  </span></p>
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		<title>O Batman de Matt Reeves se vinga dos filmes de super-heróis</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Mar 2022 15:05:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Oliveira F. Arruda O anúncio de Robert Pattinson como o novo vigilante noturno da DC Comics provocou intensas reações entre os entusiastas mais fanáticos, desinteressados em separar o currículo extenso e impressionante do ator de seu papel como galã da saga Crepúsculo. No entanto, para aqueles de nós maduros o suficiente para não se &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/batman-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Batman de Matt Reeves se vinga dos filmes de super-heróis"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27076" aria-describedby="caption-attachment-27076" style="width: 3860px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27076" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-1.png" alt="Cena do filme Batman. O Batman (Robert Pattinson) olha através de um vidro molhado, para frente. A metade superior de seu rosto é coberta por um capacete preto que mostra apenas os olhos. Ele usa uma capa preta com um colarinho alto. Ele é um homem caucasiano, de olhos azuis. Uma luz amarela vem detrás dele, iluminando as gotas no vidro, fora de foco. Está de noite e tons escuros e amarelos aparecem atrás dele, também fora de foco." width="3860" height="1608" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-1.png 3860w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-1-800x333.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-1-1024x427.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-1-768x320.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-1-1536x640.png 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27076" class="wp-caption-text">O novo Batman pertence aos bissexuais emos que só usam couro (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O anúncio de Robert Pattinson como o novo vigilante noturno da </span><i><span style="font-weight: 400;">DC Comics </span></i><span style="font-weight: 400;">provocou intensas reações entre os entusiastas mais fanáticos, desinteressados em separar o currículo extenso e </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-farol-the-lighthouse-critica/"><span style="font-weight: 400;">impressionante</span></a><span style="font-weight: 400;"> do ator de seu papel como galã da saga </span><a href="https://personaunesp.com.br/sol-da-meia-noite-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Crepúsculo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. No entanto, para aqueles de nós maduros o suficiente para </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/batman-robert-pattinson-defende-crepusculo-apos-critica-de-zoe-kravitz-assista/"><span style="font-weight: 400;">não se importar</span></a><span style="font-weight: 400;"> com tal associação (o que é um morcego para quem já foi vampiro?), a expectativa para o novo longa só aumentou: afinal de contas, o que seria o Batman de Pattinson?</span></p>
<p><span id="more-27075"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É claro, nem sempre essa versão do Cruzado Encapuzado pertenceu a ele. Dizer que o novo filme </span><i><span style="font-weight: 400;">solo </span></i><span style="font-weight: 400;">do protetor de Gotham City teve um desenvolvimento conturbado seria um eufemismo: o que antes seria uma história de ação estrelada e dirigida por </span><a href="https://comicbook.com/movies/news/the-batman-movie-ben-affleck-batman-suit-batsuit-concept-art/"><span style="font-weight: 400;">Ben Affleck</span></a><span style="font-weight: 400;">, após sua introdução no sisudo </span><a href="https://personaunesp.com.br/liga-da-justica-de-zack-snyder-critica/"><span style="font-weight: 400;">universo compartilhado</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Zack Snyder, tornou-se uma nova interpretação de seu protagonista, no embalo de produções como o </span><a href="https://personaunesp.com.br/coringa-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Coringa</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de Todd Phillips, completamente avulsa à qualquer ambição de universos expandidos. A difícil tarefa caiu na mão de Matt Reeves, diretor e roteirista responsável por desenvolver e terminar a trilogia de </span><i><span style="font-weight: 400;">prequels</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QzgWDG4QviU"><i><span style="font-weight: 400;">Planeta dos Macacos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas que ganhou fama pelos terrores </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UYnmdegYBTM"><i><span style="font-weight: 400;">Cloverfield &#8211; Monstro</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1If96wkAZGI"><i><span style="font-weight: 400;">Deixe-me Entrar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Batman</span></i><span style="font-weight: 400;"> (ou, numa tradução mais precisa de seu título original, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Batman</span></i><span style="font-weight: 400;">) nos apresenta um vigilante ainda em </span><a href="https://ovicio.com.br/the-batman-os-quadrinhos-que-servem-de-inspiracao-para-o-filme/"><span style="font-weight: 400;">início de carreira</span></a><span style="font-weight: 400;">, afundado de cabeça em sua própria definição vingativa de justiça, mas que é assolado pelas dúvidas que sua vocação desperta. Tudo isso é intensificado pela aparição do Charada, um misterioso assassino serial que tem a elite de Gotham em sua mira, revelando segredos sobre a cidade que ameaçam destruir seus alicerces e jogá-la no abismo. Nesse cenário, somos introduzidos a algumas das figuras mais icônicas do cânone do Morcegão, tais como o comissário Gordon (aqui ainda tenente), a ladra Mulher-Gato e o criminoso Pinguim. Mas talvez nenhuma iconografia seja tão importante quanto a própria </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HF-wVFTR0fg"><span style="font-weight: 400;">Gotham City</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><figure id="attachment_27078" aria-describedby="caption-attachment-27078" style="width: 3840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27078" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-2.png" alt="Cena do filme Batman. O Batman (Robert Pattinson) está no topo de um edifício em construção, virado para a esquerda, observando a cidade de Gotham à noite. Sua silhueta deixa evidente orelhas pontudas em seu capacete e uma capa esvoaçante para a direita. Atrás dele, à direita da tela e separado por vigas expostas, um holofote aceso aponta para o céu. Outras duas vigas menores, à esquerda, cortam a tela. O chão do edifício parece reflexivo e úmido. A cidade de Gotham é cortada por um rio e, ao longe, uma torre de rádio informa sua estação com um letreiro vertical luminoso." width="3840" height="1608" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-2.png 3840w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-2-800x335.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-2-1024x429.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-2-768x322.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-2-1536x643.png 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27078" class="wp-caption-text">A cidade natal do justiceiro nunca esteve tão suja (e molhada) [Foto: Warner Bros. Pictures]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Desde cedo a Gotham de Reeves se distingue de outras iterações cinematográficas pela </span><a href="https://www.dailymail.co.uk/tvshowbiz/article-10563887/The-Batman-HOUR-rainy-scenes.html"><span style="font-weight: 400;">chuva torrencial</span></a><span style="font-weight: 400;"> que cai toda noite nos telhados dilapidados e arranha-céus retilíneos. Seja como pingos nas janelas ou como gotas escorrendo pelo queixo escultural de Pattinson, há uma umidade intrínseca à essa visão específica que permeia todo o longa e dita os movimentos da fotografia de Greig Fraser (</span><a href="https://personaunesp.com.br/duna-2021-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Duna</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-mandalorian-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Mandalorian</span></i></a><span style="font-weight: 400;">): com uma distinta inspiração em tramas de detetive </span><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i><span style="font-weight: 400;">, a cidade, definida por seus becos escuros e sinais de </span><i><span style="font-weight: 400;">neon </span></i><span style="font-weight: 400;">luminosos, assume uma forma infinitamente mais aterrorizante que versões anteriores sem sacrificar sua verossimilhança. A presença de um bilionário que se veste de morcego para espancar criminosos e de um assassino que deixa charadas nas cenas de crime assume um tom visceral, tornando-se uma extensão natural, mas ainda disruptiva, desse ambiente sombrio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, afinal, “</span><a href="https://www.reddit.com/r/DCcomics/comments/585qr6/when_is_a_man_a_city_secret_origins_special_1989/"><i><span style="font-weight: 400;">quando um homem é uma cidade?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">” Quando Gotham muda, seu guardião silencioso também deve mudar. Diferente do bilionário carismático que estamos acostumados a ver, Pattinson descreve sua versão de Bruce Wayne como um </span><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><a href="https://www.ofuxico.com.br/cinema-e-serie/esquisitao-perdido-diz-robert-pattinson-sobre-novo-batman/"><i><span style="font-weight: 400;">esquisitão perdido</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">”</span></i><span style="font-weight: 400;">, isolado do resto da sociedade em sua caverna de segredos, onde ele planeja maneiras de extravasar sua raiva nos criminosos de Gotham, suas únicas companhias sendo seu leal mordomo, Alfred (Andy Serkis) e o cauteloso tenente Gordon (</span><a href="https://personaunesp.com.br/what-if-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jeffrey Wright</span></a><span style="font-weight: 400;">), seu contato frágil com a polícia de Gotham e parceiro na investigação para achar o Charada. Embora nem </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JdxkKvJIUz8"><span style="font-weight: 400;">tão brutal</span></a><span style="font-weight: 400;"> quanto o Homem-Morcego de Michael Keaton, há uma fúria contida neste que impulsiona sua performance além de qualquer outra interpretação em </span><i><span style="font-weight: 400;">live-action</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Grande parte da trama lida com o propósito de sua identidade secreta e a razão que o leva a pôr a máscara, apesar de misericordiosamente não conter mais uma cena das </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XAyxY5hF3ZE"><span style="font-weight: 400;">pérolas de Martha Wayne</span></a><span style="font-weight: 400;"> se espalhando pelo Beco do Crime. Negando veementemente uma nova história de origem para o personagem, Reeves e seu co-roteirista, Peter Craig, exploram o nascimento do alter ego de Bruce Wayne através das dúvidas internas e de revelações chocantes que as extrapolam, conversando intensamente com o papel do herói como um símbolo de Gotham City, </span><a href="https://ovicio.com.br/batman-robert-pattinson-revela-inspiracao-em-a-mascara-do-fantasma/"><span style="font-weight: 400;">tirando lições</span></a><span style="font-weight: 400;"> do excepcional </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4PK5CYZlHMA"><i><span style="font-weight: 400;">Batman: A Máscara do Fantasma</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_27080" aria-describedby="caption-attachment-27080" style="width: 2559px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27080" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-3.jpg" alt="Cena da animação Batman: A Máscara do Fantasma. O Batman (Kevin Conroy) está virado para a direita, envolto em sombras, na frente de uma parede cavernosa azul escura, segurando o capuz de seu uniforme com as duas mãos. O capuz possui orelhas pontudas, como as de um morcego, e ele usa uma capa por cima do corpo." width="2559" height="1599" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-3.jpg 2559w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-3-800x500.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-3-1024x640.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-3-768x480.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-3-1536x960.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-3-2048x1280.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-3-1200x750.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27080" class="wp-caption-text">Na animação seminal de 1993, disponível no HBO Max, o herói é forçado a confrontar o terrível preço de sua missão (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem as constrições comuns a filmes de origem, </span><i><span style="font-weight: 400;">Batman</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue se aprofundar com clareza em seu elenco coadjuvante, não apenas introduzindo rostos que terão mais desenvolvimento em futuros filmes ou séries, mas lhes dando espaço para agir dentro da trama e serem afetados por ela. Dentro de um gênero cada vez mais definido por </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbusters</span></i> <a href="https://www.independent.co.uk/arts-entertainment/films/features/long-blockbusters-no-time-to-die-b1938980.html"><span style="font-weight: 400;">artificialmente longos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e inchados, o longa de Matt Reeves é um dos raros casos em que sua duração de quase três horas se justifica na ambição por trás de seu tom intimista e sua visão monumental e detalhada de uma Gotham </span><a href="https://www.thewrap.com/the-batman-cinematography-greig-fraser-interview/"><span style="font-weight: 400;">definida por contrastes</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há um incrível </span><a href="https://www.jameschinlund.com/features/the-batman"><span style="font-weight: 400;">elemento tátil</span></a><span style="font-weight: 400;"> em </span><i><span style="font-weight: 400;">Batman</span></i><span style="font-weight: 400;">. Seja o novo capuz costurado (junto de um uniforme marcadamente mais ágil que anteriores), o Batsinal em que o ícone do morcego parece ter sido martelado à força dentro de um holofote, ou o novo Batmóvel saído diretamente de </span><a href="https://personaunesp.com.br/mad-max-estrada-da-furia-o-reboot-da-distopia/"><i><span style="font-weight: 400;">Mad Max</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a produção do longa reforça os elementos mais crus de sua fotografia, criando uma visão suja e incrivelmente fluida do mundo que seus personagens habitam. Indo de contrapartida à muitos dos preceitos visuais do gênero instaurados na última década com a ascensão do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mcu/"><span style="font-weight: 400;">Universo Cinematográfico da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Fraser cria uma identidade única para um filme de super-herói, unindo referências díspares em uma coesão afiada e hipnotizante, catapultando-o diretamente para a vanguarda da próxima temporada de premiações.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa identidade também se estende na </span><a href="https://open.spotify.com/album/18nTX27XXEYARGmWMTgD19?si=9b9afcc7ebe94aaf"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Michael Giacchino, outro aspecto celebrado do longa que vem suscitando burburinho de </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> para 2023. O experiente compositor (que já havia trabalhado com Reeves em </span><i><span style="font-weight: 400;">Planeta dos Macacos: O Confronto</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">A Guerra</span></i><span style="font-weight: 400;">) tece diferentes facetas do Batman, seus aliados e inimigos, bem como a própria cidade que os pariu, em uma procissão rítmica, alucinante e bombástica, refletindo as </span><a href="https://open.spotify.com/track/1NkI8DtCnjcWVCVLF0gB71?si=50805036569b437c"><span style="font-weight: 400;">transformações emocionais</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu bilionário desajustado. O legado de </span><a href="https://open.spotify.com/track/5l2FbSEaZJtQNv6Z2h1DnK?si=39812b4c777e4fcd"><span style="font-weight: 400;">Danny Elfman</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://open.spotify.com/track/5QFdOfeQlX8gp7ick31XRG?si=d3bca09449984f42"><span style="font-weight: 400;">Hans Zimmer</span></a><span style="font-weight: 400;"> continua intacto: ainda havemos de ouvir um tema ruim do Batman no Cinema.</span></p>
<figure id="attachment_27081" aria-describedby="caption-attachment-27081" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27081" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-4.jpg" alt="Cena do filme Batman. O Charada (Paul Dano) estica uma fita adesiva em sua frente, ajoelhado sobre um corpo no chão. Ele usa óculos transparentes por cima de uma máscara verde-escura que cobre seu rosto inteiro, vestido com uma jaqueta verde escura e luvas escuras. Atrás dele, vemos uma casa antiga, com um portal de madeira ornamentado separando seus cômodos e abajures fixados nas paredes, provendo luz. Atrás deste portal, no cômodo atrás do Charada, podemos ver janelas grandes e fechadas, exibindo o céu noturno." width="1200" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-4.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-4-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-4-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-4-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27081" class="wp-caption-text">“O que é, o que é…” (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No coração de sua história, </span><i><span style="font-weight: 400;">Batman</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um mistério, mas um no qual a identidade do antagonista é claramente menos importante do que a máscara que ele usa. Se afastando da energia maníaca de Jim Carrey na galhofa de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ROLvjRB4E_Q"><i><span style="font-weight: 400;">Batman Eternamente</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o Charada de Paul Dano é </span><a href="https://cinepop.com.br/batman-matt-reeves-explica-conexao-entre-o-charada-e-o-assassino-do-zodiaco-329471/"><span style="font-weight: 400;">modelado</span></a><span style="font-weight: 400;"> com base no Assassino do Zodíaco, o infame </span><i><span style="font-weight: 400;">serial killer</span></i><span style="font-weight: 400;"> que assolou a Califórnia ao final dos anos 60. Cobrindo seu rosto com uma máscara e óculos por cima, ele deixa códigos elaborados e cifras que apenas o </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/2022/robert-pattinson-alcunha-detetive-batman.html"><span style="font-weight: 400;">Maior Detetive do Mundo</span></a><span style="font-weight: 400;"> (que finalmente conquista essa alcunha com suas deduções sagazes e um olhar minucioso) pode desvendar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, apesar de suas inspirações realistas, a câmera o captura como vários dos assassinos icônicos do Cinema de Terror: na precisão fria de Michael Myers em </span><a href="https://personaunesp.com.br/halloween-2018-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Halloween</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, os jogos sádicos de Jigsaw em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nBdAwTljr8s"><i><span style="font-weight: 400;">Jogos Mortais</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ou até mesmo nas ligações telefônicas e quizzes inesperados de Ghostface em </span><a href="https://personaunesp.com.br/panico-25-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o filme utiliza esses arquétipos reconhecíveis em uma de suas combinações mais audazes, reintroduzindo um vilão caricato como um adversário temível e imprevisível. Porém, a violência inerente tanto ao </span><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i><span style="font-weight: 400;"> quanto ao </span><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i><span style="font-weight: 400;"> aqui fica de lado devido aos aspectos comerciais do longa e sua classificação </span><i><span style="font-weight: 400;">PG-13</span></i><span style="font-weight: 400;">, impedindo que seu antagonista choque a audiência assim como choca Gotham.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma performance psicopática, Dano faz do Charada um nêmesis à altura de Pattinson, refletindo algumas das piores tendências do herói e servindo como um cúmplice de seus defeitos. À todo momento a direção de Reeves acompanha os movimentos desses personagens com um olhar empático, notando suas semelhanças e criando a dualidade que os une: através de suas máscaras, ambos representam as falhas sociais e morais de Gotham, em níveis distintos, mas complementares, e denunciam suas verdadeiras identidades para o mundo. O </span><a href="https://criticalhits.com.br/cinema-e-tv/conheca-batman-ego-principal-hq-que-inspirou-the-batman/"><span style="font-weight: 400;">conflito interno</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Bruce Wayne ao ter de confrontar essa dicotomia deturpada está no cerne desta versão do personagem, que renega inteiramente sua persona pública em favor do Cruzado Encapuzado.</span></p>
<figure id="attachment_27082" aria-describedby="caption-attachment-27082" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27082 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-5.jpg" alt="Cena do filme Batman. O Batman (Robert Pattinson) agarra o braço esquerdo de Selina (Zoë Kravitz) com sua mão direita, na frente do horizonte urbano de Gotham, no topo de um prédio em construção. O Batman está à direita, de costas, e podemos ver seu capacete preto decorado com orelhas pontudas no topo e sua capa preta com colarinho alto. Ele usa armadura no peito e luvas nas mãos. Selina, à esquerda, é uma mulher negra, magra, de cabelos pretos e curtos, usando uma jaqueta de couro preta e fechada, olhando para o Batman (que é mais alto do que ela). Fora da tela, vemos o sol se pôr e a luz do crepúsculo ilumina a tela., com algumas janelas de prédios refletindo essa luz." width="1920" height="1920" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-5.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-5-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-5-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-5-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-5-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-5-1536x1536.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-5-1200x1200.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27082" class="wp-caption-text">Finalmente descobrimos de onde vem o “B” de LGBTQIA+ (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma abordagem muito mais metódica e calculada que um </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster</span></i><span style="font-weight: 400;"> normal, o longa constrói maravilhosamente bem a tensão entre as figuras peculiares dessa cidade escorregadia. A introdução do submundo criminoso de Gotham não sai desse tom, com figuras como o Pinguim de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-sacrificio-do-cervo-sagrado-critica/"><span style="font-weight: 400;">Colin Farrell</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/historia-hoje/maquiagem-do-pinguim-do-novo-batman-surpreendeu-ate-diretor.phtml"><span style="font-weight: 400;">irreconhecível</span></a><span style="font-weight: 400;"> em sua maquiagem cartunesca) e o Carmine Falcone de John Turturro servindo de ganchos narrativos para macular a visão em preto e branco que Bruce tem do mundo. Aqui, Matt Reeves captura habilmente um humor mórbido que não destoa do resto do longa, mas que reforça seus elementos mais bizarros, ajudando ainda mais em sua caracterização do espaço e das personagens.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É também durante essa introdução que conhecemos a Selina Kyle de </span><a href="https://personaunesp.com.br/big-little-lies-s2-critica/"><span style="font-weight: 400;">Zoë Kravitz</span></a><span style="font-weight: 400;">, que contracena explosivamente com o detetive taciturno de Pattinson (a química entre os dois não ficou apenas nas muitas </span><a href="https://revistamonet.globo.com/Celebridades/noticia/2022/03/zoe-kravitz-e-robert-pattinson-levam-fas-loucura-com-ensaio-fumegante-de-batman-para-revista.html"><span style="font-weight: 400;">capas de revistas</span></a><span style="font-weight: 400;">). Apesar de ainda não ser exatamente a gatuna descolada que conhecemos dos quadrinhos, Kravitz acha a humanidade em suas motivações e, junto de Reeves, traça o arco narrativo mais forte da personagem no Cinema até então. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dona do </span><a href="https://open.spotify.com/track/3Bd12fCAzf7NQHCtb3p2Si?si=4eab0f9710e94235"><span style="font-weight: 400;">tema</span></a><span style="font-weight: 400;"> que mais se assemelha ao </span><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i><span style="font-weight: 400;">, o relacionamento da personagem com o Morcego é, assim como nos quadrinhos, uma aliança tênue de objetivos, ditada pela necessidade, mas que se desenvolve em uma troca honesta de sentimentos. Seja quando lutam ou quando conversam através de suas máscaras, a atração entre os dois estoura em momentos chaves da trama e impulsiona ambos a serem melhores do que o mundo que os criou. Se o Charada é o espelho sombrio de tudo de pior que há no Batman, a Mulher-Gato é a pessoa que finalmente lhe oferece a chance de fazer a diferença e, talvez, salvar alguém.</span></p>
<figure id="attachment_27083" aria-describedby="caption-attachment-27083" style="width: 3860px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27083" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-6.png" alt="Cena do filme Batman. Selina (Zoë Kravitz), de costas, coloca a mão esquerda sobre o rosto do Batman (Robert Pattinson), que fecha os olhos. Selina é uma mulher negra de cabelos pretos e curtos, inclinando a cabeça para a esquerda da tela. Suas unhas são longas e afiadas. O Batman é um homem caucasiano, com a metade superior do rosto coberta por seu capacete preto. Podemos ver o colarinho preto e alto de sua capa. Atrás deles, fora de foco, uma lâmpada branca está acesa, mas uma luz amarela suave vem da esquerda e ilumina seu rosto." width="3860" height="1608" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-6.png 3860w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-6-800x333.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-6-1024x427.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-6-768x320.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-6-1536x640.png 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27083" class="wp-caption-text">“Quem eu quero enganar? Você já tem dona.” (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">Batman</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Matt Reeves é uma colcha de retalhos, uma tapeçaria de diferentes referências, que conversam umas com as outras em virtude da paixão que seus realizadores injetam em cada decisão criativa tomada na construção desta homenagem a uma das figuras mais duradouras da ficção. O </span><a href="https://www.nerdsite.com.br/the-batman-orcamento-do-filme-e-o-mesmo-de-viuva-negra/"><span style="font-weight: 400;">orçamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 200 milhões de dólares não se faz valer em sequências grandiosas de ação, mas no extremo cuidado e deliberação dado à caracterização de seus espaços e as pessoas que o habitam. Foi a primeira vez em muito tempo que, assistindo a um filme de super-heróis fantasiados, me senti conectado não apenas a eles, mas ao mundo que desejam tanto salvar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É estranho, numa cultura tão obcecada com histórias de salvadores, o quão pouco nós os vemos efetivamente salvando pessoas que não sejam figurantes anônimos esquecidos na cena seguinte. Seria </span><i><span style="font-weight: 400;">Batman</span></i><span style="font-weight: 400;"> uma resposta, uma vingança até, a essa apatia pelos mundos que abrigam essas figuras heroicas, mas que tão raramentGe praticam heroísmo, examinada por meio de seu protagonista tão fundamentalmente falho quanto a cidade que ele jura tentar proteger? Mas não, há amor demais, paixão demais, para que essa raiva o defina: quase que impossivelmente, ao final de seu mistério tenebroso, somos deixados com </span><a href="https://valkirias.com.br/the-batman/"><span style="font-weight: 400;">esperança</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>Dopesick é cirúrgica, mas sem anestesia</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Mar 2022 14:55:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Recentemente, um curioso fenômeno tem ocorrido na indústria audiovisual, em que nomes estão saindo do seio cinematográfico hollywoodiano e se aventurando no segmento televisivo. Kate Winslet é um exemplo, com a excelente Mare of Easttown; o diretor Adam McKay é um dos responsáveis pela surpresa que foi Succession; e Nicole Kidman virou figura &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/dopesick-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Dopesick é cirúrgica, mas sem anestesia"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26235" aria-describedby="caption-attachment-26235" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26235" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-1-800x419.jpg" alt="Cena da série Dopesick. Nela, o personagem de Keaton, acompanhado de 3 pessoas, está olhando para frente com a cabeça levemente inclinada para cima, provavelmente para um palco. Keaton é um homem de meia idade, branco, olhos azuis e calvo. Ele usa uma camisa listrada que aparece somente a gola, pois também está usando uma jaqueta bege. As outras pessoas, da esquerda para a direita são respectivamente: uma mulher branca, também de meia idade, de cabelos pretos médios e que está ao lado esquerdo de Keaton. Ela usa um vestido azul-marinho com estampa de flores. Um homem branco também de meia idade que está atrás de Keaton e desfocado, tem cabelos brancos e usa uma camisa e um terno preto. E por último, outro homem de meia idade que aparece na extremidade direita e está cortado, aparecendo somente parte esquerda de seu óculos quadrado e a ponta de seu nariz." width="800" height="419" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-1-800x419.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-1-1024x536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-1-768x402.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-1.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26235" class="wp-caption-text">Estrelada e produzida por Michael Keaton, a minissérie conseguiu 3 indicações ao Globo de Ouro, incluindo a vitória em Melhor Ator em Minissérie, 3 indicações ao Critics Choice Awards e a recente conquista de Michael Keaton no SAG Awards por Melhor Ator em Minissérie ou Filme Para TV (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Recentemente, um </span><a href="https://gq.globo.com/Blogs/Joao-Daniel/noticia/2015/07/curiosa-migracao-de-atores-e-diretores-do-cinema-para-series-parte-1.html"><span style="font-weight: 400;">curioso fenômeno</span></a><span style="font-weight: 400;"> tem ocorrido na indústria audiovisual, em que nomes estão saindo do seio cinematográfico </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodiano</span></i><span style="font-weight: 400;"> e se aventurando no segmento televisivo. Kate Winslet é um exemplo, com a excelente </span><a href="https://personaunesp.com.br/mare-of-easttown-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Mare of Easttown</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; o diretor Adam McKay é um dos responsáveis pela surpresa que foi </span><i><span style="font-weight: 400;">Succession</span></i><span style="font-weight: 400;">; e Nicole Kidman virou </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/series/dama-das-series-nicole-kidman-esta-em-tres-producoes-no-streaming-50249"><span style="font-weight: 400;">figura recorrente</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas séries. Mas qual a razão desse chamariz? Qualidade, sem dúvida, é uma das respostas, o que pode fazer com que categorizemos essa época como uma nova Era de Ouro da TV e do </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">. Outros fatores podem ser listados, como liberdade criativa, roteiros desafiadores, diversidade de histórias e apostas das plataformas no formato. Todos esses ingredientes estão presentes na bula de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dopesick</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-26234"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A minissérie, desenvolvida pelo ator e roteirista Danny Strong (</span><a href="https://personaunesp.com.br/gilmore-girls-20-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Gilmore Girls</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Empire</span></i><span style="font-weight: 400;">) e com direção do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscarizado </span></i><span style="font-weight: 400;">Barry Levinson (</span><i><span style="font-weight: 400;">Rain Man</span></i><span style="font-weight: 400;">), é baseada no livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Dopesick: Dealers, Doctors and the Drug Company That Addicted America</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ambos contam a história da fraude farmacêutica que resultou em uma </span><a href="https://esportes.yahoo.com/noticias/conheca-o-analgesico-a-base-de-opio-que-causou-dependencia-em-pacientes-070052706.html?guccounter=1&amp;guce_referrer=aHR0cHM6Ly93d3cuZ29vZ2xlLmNvbS8&amp;guce_referrer_sig=AQAAAH5Kcq3RDm3B1hY97HSO-3z82bodMboQSRBslSgXNMhvBOBoclZ3_BwMha7HeGQxWfoFB8f7akPs7V71NSJFs8iRG0d2QD-RrVuQ6x1AmvMw_YAEmd-nmHoOyPAz67V8abhSPm-xqecwW6B38W_oUxNACZZuWo6fyTsZ8GmXTDmT"><span style="font-weight: 400;">crise de opióide</span></a><span style="font-weight: 400;">, assolando os EUA do final dos anos 90 e resistindo </span><a href="https://veja.abril.com.br/mundo/a-tragica-escalada-dos-opioides-nos-estados-unidos/"><span style="font-weight: 400;">até hoje</span></a><span style="font-weight: 400;">. Porém, a adaptação do </span><i><span style="font-weight: 400;">Hulu </span></i><span style="font-weight: 400;">opta por explorar ainda mais os meandros das corporações voltadas à saúde e as consequências da corrupção na sociedade. Por conta disso, realidade e ficção se mesclam em uma história desoladora e envolvente.</span></p>
<figure id="attachment_26236" aria-describedby="caption-attachment-26236" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26236 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-2-800x450.jpg" alt="Cena da série Dopesick. Nela, o personagem Richard Stackler, interpretado por Michael Stuhlbarg, aparece centralizado. Ele é um homem branco de meia idade, cabelo preto e olhos azuis. Richard Stackler aparece do peito para cima, veste uma camisa branca com listras cinzas verticais e um sobretudo marrom. Ele está em uma sala, aparentemente na sede de sua empresa. A iluminação da cena faz com que a parte esquerda de seu rosto fique completamente escura, causando contraste com a parte direita." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-2-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-2.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26236" class="wp-caption-text">Com o streaming do Hulu não operante em território brasileiro, a minissérie chegou aqui pelo catálogo do Star+ (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O programa não aborda o vício, como popularmente categorizado, mas os vícios. A </span><a href="https://www.istoedinheiro.com.br/purdue-pharma-se-declara-culpada-por-crise-dos-opiaceos-nos-eua/"><i><span style="font-weight: 400;">Purdue Pharma</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é obcecada por poder e dinheiro. Já grande parte de seus vendedores são mentirosos compulsivos, que, na maior parte do tempo, não têm pudor nenhum em mentir. Os agentes, com seus sensos de justiça extremamente aflorados, são aficionados pelo caso. Mas aquele vício no qual você pensou no começo desse parágrafo, o destrutivo, é mais consequência de uma exploração capitalista do que propriamente uma obsessão, e por conta disso, cai nas mãos das bases da sociedade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E o roteiro passeia pelas vertentes da sociedade, de forma muito engenhosa e sutil. Para isso, ele atribui diferentes características para cada núcleo. A família Sackler, que comanda a </span><i><span style="font-weight: 400;">Purdue Pharma</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, tem toques da família Roy de </span><i><span style="font-weight: 400;">Succession</span></i><span style="font-weight: 400;">. Os poucos momentos de tribunal nos lembram a primeira temporada de </span><a href="https://www.planoaberto.com.br/the-people-v-o-j-simpson-e-o-jogo-de-interesses/"><i><span style="font-weight: 400;">American Crime Story</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">do mesmo modo que a investigação remete aos moldes de seriados policiais. Já no desenvolvimento do núcleo afetado pelo opióide, é notória a identificação com </span><a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-part-1-rue-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> sem seu drama </span><i><span style="font-weight: 400;">teen. Dopesick</span></i><span style="font-weight: 400;">, porém, não se trata de um amontoado de cópias de formatos dramáticos. Pelo contrário, esse cenário é a constatação de que a escrita sabe o que funciona ultimamente e sabe como aplicar isso aos seus personagens de forma natural.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O núcleo em foco na minissérie é justamente o mais mundano. Centrada em uma pequena cidade mineradora, a produção aborda a primeira onda de opióides na época, através do olhar do Dr. Samuel Finnix (Michael Keaton) e de sua paciente, a jovem mineradora Betsy Mallum (</span><a href="https://www.instagram.com/kaitlyndever/"><span style="font-weight: 400;">Kaitlyn Dever</span></a><span style="font-weight: 400;">), durante o período de testes da Oxicodona na cidade. Vendido como não viciante, o remédio foi distribuído como uma droga milagrosa no quesito analgésico, tendo aprovação até da </span><i><span style="font-weight: 400;">Food and Drug Administration </span></i><span style="font-weight: 400;">(FDA), autoridade sanitária americana. Logo, descobre-se que, entre os componentes do remédio, estão a desinformação e manipulação de dados. O roteiro, mais uma vez, tem seus méritos ao saber dosar tais assuntos e inseri-los como uma crítica atual e desenhada ao conceito de </span><a href="https://www.academia.org.br/nossa-lingua/nova-palavra/pos-verdade"><span style="font-weight: 400;">pós-verdade</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_26237" aria-describedby="caption-attachment-26237" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26237" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-3-800x419.jpg" alt="Cena da série Dopesick. A cena é composta de uma mesa de vidro vista de cima para baixo. No canto superior esquerdo dela estão 11 unidades de comprimidos de Oxicodona, nas cores: amarelo, rosa, verde e branco. Mais ao centro, tem uma caixa de remédio tipicamente americana aberta. A caixa é cilíndrica na cor laranja e há um papel indicando a medicação nela. No canto inferior esquerdo, tem um isqueiro na cor roxa. Um pouco centralizado e mais para cima, tem a tampa da caixa de remédio. Ela é branca, circular e está de cabeça para baixo. Abaixo dela, há mais 7 unidades de comprimido nas cores: rosa, amarelo e verde. E bem do lado do último comprimido verde, há uma tampa, provavelmente de algum líquido como água com alguns escritos em verde. Na parte direita, centralizado, há um pó branco espalhado, resultante da quebra de algum desses comprimidos" width="800" height="419" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-3-800x419.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-3-1024x536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-3-768x402.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-3.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26237" class="wp-caption-text">Os opióides são um verdadeiro problema de saúde pública americano e muitos dos casos de overdose são de remédios com a substância em sua composição, como no caso do cantor Prince (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Dopesick</span></i><span style="font-weight: 400;"> não choca só por ser real, mas por tal realidade tangenciar além da discussão ético-farmacêutica. As mentes por trás do </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> sabem que o soco no estômago é necessário. Dessa forma, a escrita desenvolveu uma dinâmica que ora se sabe que será acertado, ora é nocauteado de surpresa. Na construção da série, também é muito fácil a identificação e o exercício de empatia (ou antipatia) com as personagens, mesmo o espectador não tendo nada em comum com eles. Isso se dá porque o roteiro reconhece que as pessoas descritas são seres humanos falhos e não têm medo de expô-los.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal identificação não seria possível somente com um bom trabalho de escrita. É aqui que entra o maior mérito de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dopesick</span></i><span style="font-weight: 400;">: seu elenco. Seguindo a onda do mercado, a minissérie do </span><i><span style="font-weight: 400;">Hulu</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma obra fechada, </span><a href="https://gente.ig.com.br/cultura/2017-11-15/hulu-series.html"><span style="font-weight: 400;">apostou</span></a><span style="font-weight: 400;"> em grandes nomes. Além de Keaton e Kaitlyn, Peter Sarsgaard (</span><i><span style="font-weight: 400;">Jackie, </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/elena-ferrante-a-filha-perdida-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Filha Perdida</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">), </span></i><span style="font-weight: 400;">Rosario Dawson (</span><a href="https://personaunesp.com.br/the-mandalorian-2a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Mandalorian</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Demolidor</span></i><span style="font-weight: 400;">) e Will Poulter (</span><a href="https://personaunesp.com.br/midsommar-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Midsommar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/regresso-bonito-ver-uma-vez/"><i><span style="font-weight: 400;">O Regresso</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) encabeçam a lista estelar. Todos entregam atuações impecáveis e sabem construir suas personas, moldados por uma dor (tanto física quanto psicológica) intermitente pelo longo período de todo o processo. Período esse que a série soube imprimir muito bem, uma vez que é construída através de saltos temporais entre os núcleos, bem executados e nada confusos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, quem merece maior destaque são os personagens que conduzem a história. Kaitlyn Dever (</span><a href="https://pipocanamadrugada.com.br/site/inacreditavel-um-pequeno-incomodo-nova-serie-netflix-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Inacreditável</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">)</span></i><span style="font-weight: 400;"> sabe construir os sofrimentos de Betsy, que tem que lidar com a descoberta da sexualidade em uma cidade conservadora, de forma magistral, fazendo com que o espectador se importe com a figura, principalmente com sua queda no vício. Se essa geração já tem suas atrizes, como Anya Taylor-Joy, Zendaya e </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/julia-garner-ozark-inventando-anna"><span style="font-weight: 400;">Julia Garner</span></a><span style="font-weight: 400;">, Dever chama a atenção e pede passagem para uma próxima. Já Keaton, dispensa apresentações e imprime um Dr. Finnix assolado pela dor do luto e que ama a profissão. Assistir a derrocada do personagem pelas mãos do ator é uma experiência avassaladora e sensacional. Outro que merece seus méritos é o Richard Sackler de Michael Stuhlbarg </span><i><span style="font-weight: 400;">(Um Homem Sério</span></i><span style="font-weight: 400;">), que transmite ódio e ambição incrivelmente através do olhar.</span></p>
<figure id="attachment_26238" aria-describedby="caption-attachment-26238" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26238" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-4-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-4.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26238" class="wp-caption-text">A atuação do elenco como um todo é o grande ápice da minissérie (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Dopesick</span></i><span style="font-weight: 400;"> é extremamente consciente, traduzindo uma história tão densa, real e ainda inacabada para o </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">. As escolhas criativas se provam muito acertadas para dar o tom de todo o caso. Um exemplo disso é o ato final, que, assim como um documentário, utiliza em sua montagem imagens reais do </span><a href="https://brasil.elpais.com/sociedade/2021-09-01/justica-dos-eua-encerra-litigio-contra-purdue-pharma-pela-crise-de-opioides.html"><span style="font-weight: 400;">julgamento</span></a><span style="font-weight: 400;">, para puxar o telespectador para realidade e dar ainda mais ênfase a toda a trajetória da série. De fato, alguns aspectos passaram despercebidos pelo crivo da escrita. Um ponto crucial que a obra não aborda é do processo só ter ido para frente quando a droga chegou nas elites. Mesmo assim, a</span> <span style="font-weight: 400;">produção</span> <span style="font-weight: 400;">é um ótimo estudo de caso de uma adaptação convincente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A minissérie soube moldar sua tensão e seu drama através de duas doenças crônicas da sociedade: o vício e a </span><a href="https://www.wort.lu/pt/sociedade/fake-news-desinformac-o-e-a-doenca-do-seculo-5ec38692da2cc1784e35e135"><span style="font-weight: 400;">desinformação</span></a><span style="font-weight: 400;">. Os paralelos feitos entre o final dos anos 90 e hoje elucidam a persistência desses problemas e catapultam a indignação causada na audiência ao mostrar que, assim como no caso, a sociedade pouco andou para a resolução dos obstáculos, tendo até dado passos para trás. </span><i><span style="font-weight: 400;">Dopesick</span></i><span style="font-weight: 400;"> é necessária e cirúrgica em suas críticas, e as traz ao telespectador de forma muito bem executada, seja em doses homeopáticas ou cavalares.</span></p>
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