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	<title>Arquivos Perspectiva Internacional &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Em Bugonia, Yorgos Lanthimos explora o limite entre a morte e a criação</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Nov 2025 00:00:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Borges Exibida no Festival de Veneza de 2025, Bugonia, nova produção de Yorgos Lanthimos, faz parte da seção Perspectiva Internacional na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. O longa, que acompanha a história de dois jovens primos obcecados por teorias da conspiração, busca trazer uma sátira um pouco grotesca sobre os pensamentos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/bugonia-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Bugonia, Yorgos Lanthimos explora o limite entre a morte e a criação"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36266" aria-describedby="caption-attachment-36266" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-36266" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-4.png" alt="Imagem de Bugonia, filme de Yorgos Lanthimos. Na foto vemos a personagem Michelle, uma mulher branca com a cabeça raspada, olhando para cima. Na região de cima da imagem escorrem dois líquidos sobrepostos, um na cor vermelha e outro na cor amarela." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-4.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-4-768x432.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36266" class="wp-caption-text">Bugonia pode figurar entre os indicados no Oscar de Melhor Filme (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Borges</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Exibida no Festival de Veneza de 2025, </span><a href="https://rollingstone.com.br/cinema/bugonia-yorgos-lanthimos-emma-stone-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bugonia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, nova produção de Yorgos Lanthimos, faz parte da seção Perspectiva Internacional na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">. O longa, que acompanha a história de dois jovens primos obcecados por teorias da conspiração, busca trazer uma sátira um pouco grotesca sobre os pensamentos políticos da esquerda e da direita.</span></p>
<p><span id="more-36261"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conhecido por mergulhar de cabeça em universos absurdos, repletos de humor ácido, sarcasmo e críticas sociais, o diretor grego traz, dessa vez, uma adaptação um pouco diferente do </span><i><span style="font-weight: 400;">cult</span></i> <a href="https://nanossaestante.com.br/2025/11/as-semelhancas-entre-bugonia-e-salve-o-planeta-verde/"><i><span style="font-weight: 400;">Salve o Planeta Verde</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2003), do coreano Jang Joon-Hwan. O título de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bugonia</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um termo que remete à crença antiga de que abelhas poderiam nascer a partir da decomposição de um boi morto, fazendo jus ao filme ao explorar uma narrativa construída em torno de um ciclo que mistura decadência e vitalidade, morte e criação.</span></p>
<figure id="attachment_36265" aria-describedby="caption-attachment-36265" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36265" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-800x450.png" alt="Cena do filme Bugonia. Na imagem vemos a personagem Michelle, uma mulher branca com o cabelo raspado, olhando para algo em sua frente. Ela veste um casaco vermelho e camiseta de botões azul por baixo. Seu rosto está coberto por um creme branco e sua mão esquerda encontra-se ao lado de sua cabeça. Ao fundo, tudo está preto." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image.png 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36265" class="wp-caption-text">Emma Stone volta a protagonizar mais uma produção de Lanthimos (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;"> Com um brilhante elenco, esta ficção científica conta a história de Teddy (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Uxgj7rdG_YE"><span style="font-weight: 400;">Jesse Plemons</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Don (Aidan Delbis), dois primos que acreditam fielmente na existência de alienígenas e na dominação do nosso planeta. Consequentemente, acreditando que ela seja Andromedana, eles sequestram Michelle – CEO de uma empresa farmacêutica bilionária. Interpretada por Emma Stone, a personagem parece esconder um segredo a cada cena em que aparece, bagunçando ainda mais a cabeça do espectador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar do público estar cansado de ver </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emma-stone/"><span style="font-weight: 400;">Stone</span></a><span style="font-weight: 400;"> em mais uma obra do cineasta, parceria que acontece desde </span><i><span style="font-weight: 400;">A Favorita</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2018), é impossível dizer que a atriz não se entrega cem por cento. A americana, que chegou a </span><a href="https://rollingstone.com.br/cinema/bugonia-yorgos-lanthimos-emma-stone-critica/"><span style="font-weight: 400;">raspar seu cabelo</span></a><span style="font-weight: 400;"> durante as gravações para dar mais credibilidade à produção, consegue tirar o papel de letra em sua atuação, com muito sarcasmo e uma frieza que só ela sustenta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Abordando temas como questões ecológicas e destruição do planeta, o roteiro de Will Tracy (</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-menu-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Menu</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) é capaz de manter o frescor do desconforto clássico do diretor de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-sacrificio-do-cervo-sagrado-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Sacrifício do Cervo Sagrado</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o que influencia no uso de enquadramentos fechados na fotografia – que consegue contrastar perfeitamente o desequilíbrio da trama. A trilha sonora assinada por Jerskin Fendrix ainda é um grande acerto por parte da produção, que chegou a incluir faixas de artistas atuais como </span><i><span style="font-weight: 400;">Good Luck, Baby!</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Chappell Roan.</span></p>
<figure id="attachment_36262" aria-describedby="caption-attachment-36262" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36262" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1-800x420.png" alt=" Cena do filme Bugonia. Na foto vemos Teddy, homem branco de cabelos longos loiros, andando de bicicleta vermelha. O personagem veste uma jaqueta cinza com shorts, tênis e mochila, ambos na cor preta, em sua cabeça usa fones de ouvido headset. Ao fundo é possível ver a rua e o que parece ser uma cidade. " width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1-1024x538.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1-768x403.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1-1536x806.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1-1200x630.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1.png 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36262" class="wp-caption-text">O longa-metragem de Yorgos Lanthimos é um dos melhores de 2025 (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como todo filme de Lanthimos, a obra gera desconforto, não só pelos gritos e explosões, mas também com momentos de silêncio e cenas completamente perturbadoras que envolvem coisas muito bizarras. </span><i><span style="font-weight: 400;">Bugonia</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue elevar o Cinema em um novo patamar visual, com </span><a href="https://cineset.com.br/entrevista-bugonia/"><span style="font-weight: 400;">situações viscerais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e pulsantes, como o universo orgânico que o próprio título evoca.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim das contas, é fácil acreditar que a produção nos mostra como alguém que não é um extraterrestre pode viver e salvar as abelhas, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Bugonia</span></i><span style="font-weight: 400;"> transmite essa mensagem melhor do que o título infantil </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-bee-movie-a-historia-de-uma-abelha/"><i><span style="font-weight: 400;">Bee Movie</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, da </span><i><span style="font-weight: 400;">DreamWorks</span></i><span style="font-weight: 400;">. O longa é sobre ousar e apostar que a humanidade precisa ser melhor, tudo pelo bem do mundo e de todos que habitam nele.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais que muitos não compreendam ou que divida opiniões, a trama é uma das mais </span><a href="https://tangerina.uol.com.br/filmes-series/bugonia-melhor-filme-2025-critica/"><span style="font-weight: 400;">divertidas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Yorgos Lanthimos, principalmente por cumprir seu papel em meio ao Cinema da previsibilidade. Em um cenário saturado de narrativas lineares e heróis ‘perfeitinhos’, o diretor grego continua a insistir no que sabe fazer de melhor: apostar na beleza do estranho e na vida que brota no que já parecia morto.</span></p>
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<p>&nbsp;</p>
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		<title>O Mundo do Amor nos ensina a não sermos definidos pela nossa dor</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Nov 2025 13:00:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[cinema sul-coreano]]></category>
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		<category><![CDATA[Perspectiva Internacional]]></category>
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		<category><![CDATA[Stephanie Cardoso]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Stephanie Cardoso Exibido na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, na seção Perspectiva Internacional, O Mundo do Amor confirma Yoon Ga-eun como uma das vozes mais sensíveis e afiadas do cinema sul-coreano. Depois de encantar com O Nosso Mundo (2016) e The House of Us (2019), a diretora volta ao universo adolescente com &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-mundo-do-amor-nos-ensina-a-nao-sermos-definidos-pela-nossa-dor/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Mundo do Amor nos ensina a não sermos definidos pela nossa dor"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36237" aria-describedby="caption-attachment-36237" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36237" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-8-800x533.png" alt="Cena do filme O Mundo do Amor. Uma estudante de uniforme escolar está sentada sozinha em uma sala de aula vazia, lendo uma carta com expressão preocupada. Ela veste uma camisa branca, colete bege e gravata azul escura. Ao redor, há mesas desorganizadas com livros e mochilas." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-8-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-8-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-8-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-8-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-8-1200x800.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-8.png 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36237" class="wp-caption-text">Os bilhetes recebidos durante o filme sempre a questionam ‘você realmente seguiu em frente?’ (Foto:Barunson E&amp;A)</figcaption></figure>
<p><b>Stephanie Cardoso</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Exibido na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, na seção Perspectiva Internacional, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mundo do Amor</span></i><span style="font-weight: 400;"> confirma Yoon Ga-eun como uma das vozes mais sensíveis e afiadas do cinema sul-coreano. Depois de encantar com </span><i><span style="font-weight: 400;">O Nosso Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2016) e </span><i><span style="font-weight: 400;">The House of Us </span></i><span style="font-weight: 400;">(2019), a diretora volta ao universo adolescente com um olhar maduro, quase dolorosamente humano. Aqui, cada silêncio diz mais que qualquer diálogo, e a câmera parece sussurrar o que os personagens não conseguem falar.</span></p>
<p><span id="more-36236"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No filme, acompanhamos Lee Joo-in – interpretada com precisão por </span><a href="https://www.tenasia.com/movie/2025091175264"><span style="font-weight: 400;">Seo Su-bin</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, uma garota de 18 anos que parece ter tudo sob controle: amigos, bom humor e uma pitada de rebeldia. Mas, por trás dessa máscara há um vazio: uma mãe que se afunda na bebida sem perceber, um irmão que pede mais atenção do que ela consegue dar e um pai ausente. O humor adolescente contrasta com uma tensão silenciosa; sentimos que algo maior, invisível, corrói o interior da personagem, mesmo que o mundo ao redor não perceba.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ponto de virada acontece com um abaixo-assinado feito por um colega de sala contra a volta de um criminoso sexual ao bairro. O momento em que se recusa a assinar o documento é o instante em que a produção revela a que veio. Ela se opõe à frase que define vítimas de abuso: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Com almas quebradas para sempre</span></i><span style="font-weight: 400;">”. O público, em primeiro momento, compartilha a confusão dos colegas: o que há de errado nisso? É uma sensação incômoda, um estranhamento que cresce conforme o olhar da personagem se endurece. Nos é plantado ali uma dúvida mais emocional do que lógica – a de que talvez a </span><a href="https://www.cinemaescapist.com/2025/09/review-world-love-korean-movie/"><span style="font-weight: 400;">compaixão</span></a><span style="font-weight: 400;"> também possa ferir.</span></p>
<figure id="attachment_36239" aria-describedby="caption-attachment-36239" style="width: 681px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36239" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-6.png" alt="Cena do filme O Mundo do Amor. Na imagem, duas mulheres estão em um quarto com paredes azuladas decoradas com pôsteres. À esquerda, uma mulher de óculos e cabelo preso fala com expressão séria, gesticulando com a mão enquanto segura um pequeno objeto. À direita, uma jovem sentada na cama escuta, olhando para cima. A iluminação é suave." width="681" height="454" /><figcaption id="caption-attachment-36239" class="wp-caption-text">O cuidado e a delicadeza ao dirigir cada cena é notado em todo instante do filme (Foto: Barunson E&amp;A)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando questionada sobre o </span><a href="https://www.screendaily.com/reviews/the-world-of-love-review-complex-thoughtful-south-korean-drama-deals-with-aftermath-of-assault/5210060.article"><span style="font-weight: 400;">motivo</span></a><span style="font-weight: 400;">, diz ter sido abusada. Pouco depois, desmente. A cena deixa de ser sobre o que é verdade e passa a ser sobre controle – o direito de não ser definida pela própria dor. Essa contradição a molda. Ela fala e recua porque não quer ser reduzida ao trauma. É sua maneira de manter algum poder, ainda que isso a dilacere. O gesto é cruel e profundamente humano, capturando com precisão o paradoxo entre vulnerabilidade e resistência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A verdade vem à tona em uma reunião escolar, quando a protagonista confirma que sua revelação anterior era real. O momento é contido, quase mudo, mas devastador. Cada expressão e pausa carrega o peso da coragem. A </span><a href="https://variety.com/2025/film/news/korea-yoon-ga-eun-toronto-film-the-world-of-love-1236505990/"><span style="font-weight: 400;">câmera</span></a><span style="font-weight: 400;"> filma essa confissão com distanciamento suficiente para que o público sinta a dor sem cair no melodrama. A emoção está nos pequenos atos, não na exposição.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cena mais visceral, no entanto, acontece no carro em uma discussão com a mãe, interpretada por </span><a href="https://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jang Hye Jin</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela grita, chora, exige que seja escutada e, pela primeira vez, é ouvida. O espaço fechado se transforma em um campo de batalha emocional. A câmera, imóvel, captura respirações ofegantes e silêncios que pesam mais do que palavras. É um duelo entre amor e culpa, uma tentativa desesperada de romper anos de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-em-todo-o-lugar-ao-mesmo-tempo-critica/"><span style="font-weight: 400;">incomunicação</span></a><span style="font-weight: 400;">. Essa sequência é um dos momentos mais tocantes do filme, onde o sofrimento se torna a única forma de reconciliação possível.</span></p>
<figure id="attachment_36238" aria-describedby="caption-attachment-36238" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36238" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-8-800x400.jpg" alt="Cena do filme O Mundo do Amor. Uma jovem está sentada em sua cama, com expressão abatida, olhando para o teto. Ela veste uma camiseta branca e seu cabelo escuro cai sobre os ombros. O quarto está iluminado por uma luz azulada que entra pelas cortinas de padrão xadrez amarelo e branco, criando uma atmosfera melancólica e introspectiva." width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-8-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-8-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-8-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-8.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36238" class="wp-caption-text">O sentimento de solidão de Lee Joo-in após revelar seu segredo é sentido em cada momento, e o seu desejo de voltar a normalidade também (Foto: Barunson E&amp;A)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois da revelação, o que resta é o vazio social. O seu maior medo se concretizou: as pessoas agora a olham de modo diferente. O </span><a href="https://www.koreatimes.co.kr/entertainment/films/20251020/the-world-of-love-quietly-powerful-film-that-celebrates-lifes-resilience"><span style="font-weight: 400;">cuidado</span></a><span style="font-weight: 400;"> vem carregado de pena e hesitação. Ela sente o isolamento crescer em torno de si – não há mais neutralidade nos gestos, tudo é mediado por cautela. Esse tratamento a reduz novamente ao que ela mais lutou para escapar: a identidade de vítima. A produção retrata essa solidão com uma frieza comovente, sem sublinhar a dor, apenas observando o vazio que se instala quando o mundo decide quem você é.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre bilhetes e mensagens deixadas anonimamente, a jovem passa a ser julgada em silêncio. Os primeiros questionam suas atitudes, duvidam de suas palavras, comentam suas expressões. Porém, o último recado rompe o padrão: alguém agradece por sua coragem e confessa desejar a mesma força um dia. Esse bilhete é narrado por várias vozes – uma escolha simbólica e poderosa. Ao multiplicar quem fala, a diretora sugere que a coragem de </span><a href="https://sbsstar.net/article/N1008293004/meet-seo-soobin-the-breakout-star-of-the-world-of-love"><span style="font-weight: 400;">Joo-in</span></a><span style="font-weight: 400;"> transcende a individualidade e se tornou coletiva, ecoando por entre aqueles que também carregam feridas caladas. É o instante em que a história se transforma em espelho – o trauma deixa de ser apenas dela e passa a pertencer a todos que a escutam.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O </span></i><a href="https://www.koreatimes.co.kr/entertainment/films/20251101/how-the-world-of-love-and-the-ugly-became-koreas-quiet-box-office-surprises"><i><span style="font-weight: 400;">Mundo do Amor</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é, antes de tudo, uma obra sobre a luta por controle – sobre a tentativa de possuir a própria narrativa quando tudo ao redor tenta roubá-la. Seo Su-bin entrega uma performance precisa, construída nos detalhes: a postura que vacila, o olhar contido, o sorriso que disfarça. A direção de Yoon Ga-eun é de uma sensibilidade desarmante; ela filma o trauma não como espetáculo, mas como cotidiano. Ao fim, o filme não busca respostas ou catarse. Ele fala de sobrevivência, de continuidade e da coragem silenciosa de existir em meio ao julgamento. Porque crescer, aqui, é aprender a habitar a própria dor sem permitir que ela dite quem somos.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="THE WORLD OF LOVE Trailer | TIFF 2025" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/SXLRjxnPAwM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/o-mundo-do-amor-nos-ensina-a-nao-sermos-definidos-pela-nossa-dor/">O Mundo do Amor nos ensina a não sermos definidos pela nossa dor</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Através do Fluxo encontra a beleza da vida por meio da casualidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Nov 2024 17:01:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes Hong Sang-soo é considerado um dos grandes cineastas contemporâneos por conseguir trazer profundidade em meio a diálogos, aparentemente, banais, uma condução discreta e histórias simples. Em Através do Fluxo, filme que fez parte da seção Perspectiva Internacional na 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, ele encontra a beleza da vida por &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/atraves-do-fluxo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Através do Fluxo encontra a beleza da vida por meio da casualidade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34377" aria-describedby="caption-attachment-34377" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34377" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Atraves-do-fluxo-1.jpg" alt="O cenário é uma mesa de um restaurante. Três personagens estão em cena. Na direita está o personagem de Kwon Hae-hyo com uma roupa preta e com a mão no queixo. Na esquerda está Kim Min-hee com uma roupa cor de bege. No centro está Jo Yun-hee com uma blusa rosa. As duas olham para o personagem de Kwon Hae-hyo. Existem três taças na mesa na frente de cada um. Eles estão bebendo alguma bebida alcoólica." width="768" height="432" /><figcaption id="caption-attachment-34377" class="wp-caption-text">Hong Sang-soo é reconhecido por lançar um filme por ano e por ter uma filmografia muito regular (Foto: Jeonwonsa Film)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=38y-jQNrYU0"><span style="font-weight: 400;">Hong Sang-soo</span></a><span style="font-weight: 400;"> é considerado um dos grandes cineastas contemporâneos por conseguir trazer profundidade em meio a diálogos, aparentemente, banais, uma condução discreta e histórias simples. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Através do Fluxo</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme que fez parte da seção Perspectiva Internacional na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, ele encontra a beleza da vida por meio da casualidade.</span></p>
<p><span id="more-34376"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma mesa de bar, de um restaurante ou até de uma casa, a câmera estática capta os diálogos mundanos, que vão levar a algum lugar sem necessariamente falar sobre eles. Essa é uma das características mais marcantes do Cinema de Hong Sang-soo. Enquanto o audiovisual norte-americano usa muito do plano e contraplano nas interações, o cineasta apenas posiciona a filmadora e deixa seus personagens serem espontâneos. Foi assim em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=m5tjH4Di7AE"><i><span style="font-weight: 400;">Na Água</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.chippu.com.br/criticas/in-our-day-hong-sang-soo-quinzaine-cannes-critica-kim-min-hee"><i><span style="font-weight: 400;">Em Nossos Dias</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(filmes que fizeram parte da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/47a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">) e também é assim em </span><i><span style="font-weight: 400;">Suyoocheon.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Novamente, <a href="https://www.instagram.com/kimminheearchive/">Kim Min-hee</a> é a protagonista do longa, dessa vez, interpretando uma professora que reencontra o seu tio depois de muitos anos e o contrata para dirigir uma peça da faculdade. O interessante da obra é como ela fala de amor em suas várias formas, por meio de pequenos gestos e conversas. É sobre o amor entre dois parentes que já não se veem há muito tempo; o carinho construído entre professores e alunos, em que ambos se ensinam para além do acadêmico; o surgimento de um romance. Tudo isso é feito cotidianamente.</span></p>
<figure id="attachment_34378" aria-describedby="caption-attachment-34378" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34378" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Atraves-do-fluxo-2.jpg" alt="Personagem de Kim Min-hee está sentada, sozinha em um degrau. Ela veste uma blusa vermelha por dentro, e por fora uma outra blusa rosada. Ela usa uma calça marrom e tênis preto. Ela está olhando para baixo e anotando algo em um caderno." width="768" height="432" /><figcaption id="caption-attachment-34378" class="wp-caption-text">Kim Min-hee é casada com Hong Sang-soo e protagoniza a maioria de seus filmes (Foto: Jeonwonsa Film)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O </span></i><span style="font-weight: 400;">filme simula tanto a realidade que, por vezes, nem parece ficcional. Os planos médios e estáticos, que enquadram todos os personagens, valorizam esse aspecto, assim como a dilatação do tempo. Dessa forma, é possível enxergar as relações sendo construídas, casualmente, pelos gestos de cada um. Não existe nem mesmo um direcionamento de como o público deve reagir a cada ação. A diretora da faculdade (</span><a href="https://www.instagram.com/mixnutcookie/"><span style="font-weight: 400;">Jo Yun-hee</span></a><span style="font-weight: 400;">) ‘dando em cima’ do diretor da peça (Kwon Hae-hyo) pode causar o riso da plateia, como também o desconforto. No final das contas, a beleza está exatamente no fato de não existir um caminho pré-definido, tudo se constrói naturalmente, assim como a vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Hong Sang-soo, caracterizado por suas narrativas pouco convencionais e, de maneira geral, até mesmo desinteressado pela complexidade da trama, vem se tornando um dos grandes nomes do Cinema mundial, enchendo as salas nas últimas duas Mostras em São Paulo, e sendo comparado até com </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/morre-o-cineasta-frances-eric-rohmer"><span style="font-weight: 400;">Éric Rohmer</span></a><span style="font-weight: 400;">. Talvez, ele não tenha a filmografia mais fácil de digerir, pela falta de acontecimentos e dilatação do tempo – mesmo com filmes tão curtos –, mas, com certeza, é um dos diretores mais interessantes quando se acostuma com o seu preciosismo pela vida mundana e pela Sétima Arte.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="BY THE STREAM Trailer | TIFF 2024" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/XG1FHO4S368?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O Pardal na Chaminé compartilha o desejo de escapar</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Nov 2024 16:45:05 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[2024]]></category>
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		<category><![CDATA[Der Spatz im Kamin]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos  Exibido na seção Perspectiva Internacional da 48ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, O Pardal na Chaminé (Der Spatz im Kamin, no original), é um filme suiço dirigido por Ramon Zürcher e chega para provar que o ditado popular “família não se escolhe&#8221; não é só uma frase jogada ao vento – &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-pardal-na-chamine-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Pardal na Chaminé compartilha o desejo de escapar"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34372" aria-describedby="caption-attachment-34372" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34372" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-9-800x450.png" alt="Cena do filme O Pardal na Chaminé. Cinco pessoas estão lado a lado, com expressões introspectivas e semblantes melancólicos, sugerindo um momento de reflexão ou tristeza. À esquerda, um jovem de cabeça baixa veste uma camisa clara, enquanto ao seu lado está um homem de barba curta, usando um suéter marrom. No centro, uma mulher de cabelos curtos e roupa leve, com uma blusa listrada e shorts roxos, olha para baixo com ar desanimado e rosto sujo de sangue. Ao lado dela, uma mulher de cabelo preso veste uma camisa vermelha, enquanto a última personagem, à direita, usa uma camiseta verde com a palavra &quot;Chicago&quot;. A composição evoca uma atmosfera de tensão emocional, capturando um instante de silêncio e introspecção compartilhada pelo grupo. Ao fundo, há vegetação densa e uma parede clara, próximo a uma casa." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-9-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-9-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-9-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-9-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-9.png 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34372" class="wp-caption-text">A desesperança é o único sentimento que encontramos em O Pardal na Chaminé (Foto: Zürcher Film)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Exibido na seção Perspectiva Internacional da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Pardal na Chaminé</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Der Spatz im Kamin</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original), é um filme suiço dirigido por Ramon Zürcher e chega para provar que o ditado popular “</span><i><span style="font-weight: 400;">família não se escolhe</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221; não é só uma frase jogada ao vento – é uma sentença. Uma casa de campo, que parece um refúgio de tranquilidade, não demora a se mostrar uma prisão emocional onde as </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-nest-critica/"><span style="font-weight: 400;">tensões familiares</span></a><span style="font-weight: 400;"> afloram o pior de cada um.</span></p>
<p><span id="more-34371"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O maior problema da obra é justamente essa transição previsível e mal conduzida </span><a href="https://personaunesp.com.br/minari-critica/"><span style="font-weight: 400;">do bucólico ao caótico</span></a><span style="font-weight: 400;">. Apressado em subverter o cenário idílico em um espetáculo de caos, o resultado se torna mais um choque gratuito do que um desenvolvimento natural dos personagens. Não há tempo para sutilezas, o filme entra de cabeça no desastre sem antes construir, verdadeiramente, o que está sendo destruído. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em contrapartida, o primor técnico é, em partes, reconfortante. A Fotografia de Alex Hasskerl capta com sensibilidade tanto a serenidade superficial da natureza quanto o turbilhão emocional humano. A montagem, também realizada pelo diretor, confere uma fluidez muito bem-vinda à densidade do longa. A construção de som, por <a href="https://mubi.com/en/cast/balthasar-jucker">Balthasar Jucker</a>, é deliciosa; envolve o espectador e ajuda a prender a atenção mesmo diante de tantas atrocidades. Do contrário, a chance de deixar a sala de cinema seria muito maior.</span></p>
<figure id="attachment_34373" aria-describedby="caption-attachment-34373" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34373" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-9-800x295.png" alt="Cena do filme O Pardal na Chaminé. Em um ambiente ao ar livre, duas pessoas desfrutam de um dia ensolarado próximo a uma piscina. À esquerda, uma mulher loira, vestindo biquíni, está relaxada em uma cadeira de praia rosa, apreciando o ambiente ao seu redor. À direita, outra mulher, também de biquíni, está de pé ao lado da piscina, segurando uma toalha enquanto parece se secar após um mergulho. A grama verde cobre o solo, e, ao fundo, há uma área com vegetação alta e uma floresta densa, sob a luz suave do fim de tarde. O cenário transmite tranquilidade e descontração, evocando um momento de calma em meio à natureza." width="800" height="295" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-9-800x295.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-9-1024x378.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-9-768x284.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-9-1536x567.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-9-1200x443.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-9.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34373" class="wp-caption-text">A classificação indicativa de 16 anos para o longa é uma sugestão otimista (Foto: Zürcher Film)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Aparentemente, há tentativas de humanizar os personagens. Em meio às catástrofes subsequentes, Zürcher insere lampejos de vulnerabilidade – pequenos gestos; olhares de dor; silêncios carregados. Contudo, essas fagulhas se perdem no meio da avalanche de negatividade que o filme insiste em despejar. Disputas verbais que escalam para o ódio explícito, sem qualquer aumento no tom de voz, não deixam frestas para justificar essas relações fragmentadas além de um </span><a href="https://personaunesp.com.br/treta-critica/"><span style="font-weight: 400;">ressentimento cego</span></a><span style="font-weight: 400;"> e recorrente. No fim, o espectador se vê em uma posição ingrata: procurar algo de bom ali parece um esforço em vão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Podemos traçar um paralelo com </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-tia-virginia-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Tia Virgínia</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2023), que também explora as relações familiares, mas de uma maneira muito mais compassiva e próxima da nossa realidade. Enquanto o filme suiço nos arrasta para um abismo de desesperança, o longa brasileiro lembra que, apesar dos conflitos e das dores, há a possibilidade de cura, mesmo que parcial. Essa ausência de qualquer ponto de luz é o que nos desanima. Somos confrontados apenas com a escuridão, sem qualquer indicação de que exista uma saída ou uma forma de redenção, e, quando finalmente se debruça em um </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/terror/"><span style="font-weight: 400;">Terror</span></a><span style="font-weight: 400;"> espectral e surrealista, já é tarde demais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A violência é um espetáculo à parte. O diretor não poupa o público dos </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-nao-fale-o-mal-speak-no-evil-2022/"><span style="font-weight: 400;">atos cruéis</span></a><span style="font-weight: 400;"> – sejam eles físicos ou emocionais. Só que, ao invés de dar significado a essa violência, parece que o filme se deleita nela, como se o único objetivo fosse empurrar o espectador para fora da zona de conforto. Somos expostos a maus tratos às crianças e animais; agressões gratuitas; mentiras. Também presenciamos insinuações de pedofilia; humor mórbido; doenças graves como motivos de piada; traição à luz do dia; ameaças de morte a esmo; automutilações; incendiários. Assim, o roteiro se orgulha em incluir um catálogo de perversidades, como se cada elemento fosse uma tentativa de superar o anterior.</span></p>
<figure id="attachment_34374" aria-describedby="caption-attachment-34374" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34374" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-2-800x450.png" alt="Cena do filme O Pardal na Chaminé. Duas mulheres estão em um ambiente fechado, próximas a uma porta parcialmente aberta. A mulher à frente, vestindo uma blusa cinza e camisa vermelha aberta, segura a porta com uma expressão pensativa e reservada, como se estivesse escutando ou prestes a dizer algo importante. Atrás dela, outra mulher, usando uma regata listrada, observa com uma expressão séria e preocupada, transmitindo tensão emocional. A iluminação suave destaca os detalhes das feições e o clima íntimo da cena, sugerindo uma conversa delicada ou um momento de decisão." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-2-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-2.png 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34374" class="wp-caption-text">O diretor também constrói longas-metragens felizes, como A Garota e a Aranha (Foto: Zürcher Film)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não há contexto algum que justifique plenamente tantas cenas perturbadoras – elas estão ali, impiedosas, para garantir que o público saia desconfortável, no entanto sem qualquer porquê. Somente nos fazem querer que acabe logo e nos deixam relativamente felizes de não estarmos nesse ambiente. Nesse ponto, nos conectamos com a única personagem que compartilha dessa visão: a filha que </span><a href="https://personaunesp.com.br/decisao-de-partir-critica/"><span style="font-weight: 400;">decidiu partir</span></a><span style="font-weight: 400;"> porque, segundo ela, </span><i><span style="font-weight: 400;">“tudo nessa casa se quebra</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Ela é a figura mais intrigante simplesmente por ter conseguido escapar desse ciclo tóxico, mas seu tempo de tela é frustrantemente limitado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Pardal na Chaminé</span></i><span style="font-weight: 400;">, não há espaço para que nada floresça. É muito claro que, ali, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-felicidade-das-pequenas-coisas-critica/"><span style="font-weight: 400;">felicidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma ilusão inalcançável. No fim, a única certeza é que, assim como a filha que partiu, talvez, o verdadeiro ato de coragem seja reconhecer o que é irreparável e seguir adiante, deixando para trás o peso de um passado insustentável. Afinal, não precisamos comer a cereja amarga de um bolo que só tem gosto de desespero.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="DER SPATZ IM KAMIN (Official Trailer, Deutsch/d)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/DkK42_fjqlA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Zafari: uma metáfora de fuga e desespero</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Nov 2024 20:30:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2024]]></category>
		<category><![CDATA[48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Borges A produção venezuelana Zafari, presente na seção Perspectiva Internacional da 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, conta a história de uma família em situações precárias vivendo em uma Caracas distópica. Produzido por Mariana Rondón, o longa mostra a cidade dividida entre uma sociedade que está à beira de desmoronar e a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/zafari-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Zafari: uma metáfora de fuga e desespero"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34323" aria-describedby="caption-attachment-34323" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34323" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5.png" alt="Cena do filme Zafari. Na cena vemos Ana, Bruno e Francisco olhando para algo. Ana, mulher branca com cabelos castanhos, veste uma blusa na cor azul. Bruno, adolescente branco de cabelos castanhos, usa uma camiseta de manga longa vermelha e cinza. Francisco, homem branco com cabelos e barba grisalhos, usa uma camiseta de botão listrada branca e amarela. Todos encontram-se na lateral direita da imagem, e, ao fundo, é possível ver árvores e vegetação." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34323" class="wp-caption-text">Zafari também foi exibido no Festival de San Sebastián (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Borges</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção venezuelana </span><i><span style="font-weight: 400;">Zafari</span></i><span style="font-weight: 400;">, presente na seção Perspectiva Internacional da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, conta a história de uma família em situações precárias vivendo em uma Caracas distópica. Produzido por Mariana Rondón, o longa mostra a cidade dividida entre uma sociedade que está à beira de desmoronar e a ânsia pela fuga do país – fazendo uma clara comparação com a situação da Venezuela contemporânea.</span></p>
<p><span id="more-34321"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientado em um nobre apartamento que se encontra em estado de decadência, o filme nos apresenta uma família composta por Ana (Daniela Ramirez), Francisco (Francisco Denis) e Bruno (Varek La Rosa), o filho do casal. Acompanhando o dia a dia do trio que mora nas redondezas de um zoológico, nos deparamos com a chegada de um hipopótamo chamado Zafari, que, de maneira bem </span><a href="https://conectageek.com.br/48a-mostra-zoo-venezuelano-de-mariana-rondon-remonta-miseria-do-pais-em-filme/"><span style="font-weight: 400;">irônica</span></a><span style="font-weight: 400;">, é alimentado em um mundo onde falta comida para as pessoas sobreviverem.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Explorando as nuances e as complexidades da decadência de uma sociedade, </span><i><span style="font-weight: 400;">Zafari </span></i><span style="font-weight: 400;">se assemelha muito bem com outra produção de Mariana Rondón, </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/criticas/329817/pelo-malo-2013-um-garoto-contra-as-convencoes-e-o-machismo/"><i><span style="font-weight: 400;">Pelo Malo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2013), que combina o olhar para a barbárie em uma Caracas marcada pela desigualdade social e a crise econômica. E, que aos trancos e barrancos, tenta se recompor para escapar de um país distópico que está fadado à miséria e pobreza.</span></p>
<figure id="attachment_34322" aria-describedby="caption-attachment-34322" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34322" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-5.png" alt="Cena do filme Zafari. Na imagem vemos Bruno olhando através das árvores. Bruno, adolescente branco de cabelos pretos, veste uma regata branca. Ele parece estar olhando para algo atrás de duas árvores. Ao fundo é possível ver que o garoto está no meio de um matagal." width="1600" height="673" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-5.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-5-800x337.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-5-1024x431.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-5-768x323.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-5-1536x646.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-5-1200x505.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34322" class="wp-caption-text">Em suas produções, Mariana Rondón busca sempre mostrar a pobreza na Venezuela (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa de Mariana Rondón desestabiliza a situação de uma nação inteira, assim, ele erra a mão em querer mostrar esse lado da miséria em um país que passa por acontecimentos muito complexos como a Venezuela. Além disso, à medida que a produção avança entre as cenas, a história se torna mais confusa e incoerente, escapando completamente da </span><a href="https://cineuropa.org/en/newsdetail/467717/"><span style="font-weight: 400;">lógica</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre a fome pela qual os personagens passam.</span></p>
<p><a href="https://thefilmverdict.com/zafari/"><i><span style="font-weight: 400;">Zafari</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é, acima de tudo, uma obra que busca impactar o espectador ao oferecer o retrato de um país em situação de calamidade geral. Ao abordar essa temática de sociedade encurralada entre a necessidade de fuga e o peso da perda de identidade, a produção tenta colocar o público frente a frente com a precariedade vivida pelas pessoas que, ao poucos, estão envolvidas dentro de um espaço sem saída.</span></p>
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		<title>Quando Peter Pan pede Cinderela em casamento, o resultado é Anora</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Nov 2024 19:46:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo No pódio dos filmes mais aguardados pelo público da programação da 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Anora só fica atrás de Ainda Estou Aqui. O novo longa de Sean Baker (Projeto Flórida) faz parte da seção Perspectiva Internacional e narra a história de Anora (Mikey Madison), uma prostituta que é &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/anora-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Quando Peter Pan pede Cinderela em casamento, o resultado é Anora"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34270" aria-describedby="caption-attachment-34270" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34270" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-1.png" alt="Na imagem, Anora está centralizada, ela está dançando em uma balada com iluminação azul e roxa. Ela usa um vestido vermelho com toda região de tórax e peito descobertos. Ela está sorrindo e com os olhos fechados. Ao seu redor há outras pessoas, que seguram copos de bebida. Ela é uma mulher de pele clara, na faixa dos 25 anos, de cabelos longos, ondulados e escuros com algumas mechas de brilho rosa." width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-1.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-1-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-1-1024x538.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-1-768x403.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34270" class="wp-caption-text">O filme foi vencedor da Palma de Ouro da 77ª edição do Festival de Cannes (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No pódio dos filmes mais aguardados pelo público da programação da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48o-mostra-internacional-de-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Anora </span></i><span style="font-weight: 400;">só fica atrás de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ainda Estou Aqui</span></i><span style="font-weight: 400;">. O novo longa de Sean Baker (</span><a href="https://personaunesp.com.br/projeto-florida-critica-resenha/"><i><span style="font-weight: 400;">Projeto Flórida</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) faz parte da seção Perspectiva Internacional e narra a história de Anora (Mikey Madison), uma prostituta que é pedida em casamento por Ivan (Mark Eidelstein), um jovem russo podre de rico que está em temporada de férias nos EUA. Não demora muito para o sonho cor-de-rosa da personagem começar a desbotar. </span></p>
<p><span id="more-34268"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sabe aquela sensação de que tudo está muito bom para ser verdade? A primeira parte de </span><i><span style="font-weight: 400;">Anora </span></i><span style="font-weight: 400;">tem exatamente este sentimento, embora seu </span><a href="https://i-d.co/article/mark-eidelstein-interview-anora-actor-russian/"><span style="font-weight: 400;">príncipe Ivan</span></a><span style="font-weight: 400;"> já dê sinais de desvio de caráter, quando trata ou fala mal dos funcionários de sua casa – a protagonista é da mesma classe social que eles. A dinâmica estabelecida é de tensão, procurando qualquer fagulha que vá expor a falsa felicidade do par. Ora, em uma Comédia romântica sempre há um segredo, uma diferença à la </span><i><span style="font-weight: 400;">Romeu e Julieta</span></i><span style="font-weight: 400;"> para separar um casal. Porém, um anzol com uma picanha suculenta é arremessada para as poltronas do cinema, fazendo todo o público se deliciar com o jeito ‘bobão’ do par romântico e as cenas de ostentação do casal. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste início, o cineasta se afasta de suas origens de </span><a href="https://midianinja.org/conheca-sean-baker-diretor-vencedor-da-palma-de-ouro-em-cannes-2024-por-anora/"><span style="font-weight: 400;">Cinema caseiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, que quase se confundia com documentário; a montagem é sofisticada, com muita rapidez e músicas </span><i><span style="font-weight: 400;">pop,</span></i><span style="font-weight: 400;"> afinal, tudo aquilo é um encantamento que termina à meia-noite. Quando a relação vai por água abaixo, não é uma tradicional rivalidade de família, um intercâmbio ou a maldição de se transformar em ogro que barra o matrimônio, mas o fato concreto de diferenças de classe. </span></p>
<figure id="attachment_34269" aria-describedby="caption-attachment-34269" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34269" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-1.png" alt="Na imagem, Anora, à direita, está sentada no colo de Ivan. Ela é uma mulher de pele clara, na faixa dos 25 anos, de cabelos longos, ondulados e escuros com algumas mechas de brilho rosa. Ivan está usando óculos escuros, com o rosto virado para a esquerda conversando com alguém. Ele é um homem branco, na faixa dos 20 anos, de cabelos lisos, curtos e escuros." width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-1.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-1-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34269" class="wp-caption-text">A personagem não gosta do seu nome, prefere ser chamada de Ani (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste segundo momento, o filme incorpora o espírito de </span><a href="https://www.instagram.com/p/C8pyoJlI8jr/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igsh=MzRlODBiNWFlZA=="><i><span style="font-weight: 400;">Tangerine</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2015), longa que Baker gravou com um </span><a href="https://epoca.globo.com/vida/noticia/2016/01/gravado-com-celular-o-filme-tangerine-conquista-pela-historia-e-pela-imagem.html"><i><span style="font-weight: 400;">Iphone</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Nas ruas e estabelecimentos comerciais do cotidiano, o mundo urbano é </span><i><span style="font-weight: 400;">set</span></i><span style="font-weight: 400;"> de filmagem para a explosiva perseguição por Nova York; Anora junto aos capangas da família de Ivan para encontrar o garoto. São muitos elementos em cena, pessoas falando por cima, gritos e violência, bem semelhante a história de </span><a href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-234143/"><span style="font-weight: 400;">Sin-Dee</span></a><span style="font-weight: 400;"> – e distante de um conto de fadas. Eliminando a decupagem estilizada, Sean Baker dá vida à realidade por meio de seu Cinema real, filmadora  na mão e proximidade dos personagens. Às vezes, a câmera invade a mesa de pausa para o lanche. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O próprio gênero do filme muda, antes um melodrama, depois uma Comédia escrachada com tudo que </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/superbad-e-hoje"><i><span style="font-weight: 400;">SuperBad &#8211; É Hoje</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2007) tem de mais absurdo e escandaloso. Assim, o filme desce do salto alto das produções de grande orçamento de Hollywood e abraça uma estilização e direção de Cinema independente. Nesta história de contradições, personagens diferentes e estilos opostos – um ‘filhinho de papai’ que casa-se com uma mulher que nunca viveu a ficção –, é interessantíssimo o texto, assinado por Baker, contar uma história clássica para um tempo moderno. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ivan é como Peter Pan, um garoto que se recusa a crescer, só quer saber de ‘farra’, </span><i><span style="font-weight: 400;">videogame</span></i><span style="font-weight: 400;"> e não quer trabalhar. Enquanto Anora é Cinderela, mas ao invés de limpar uma casa, ela precisa vender seu corpo. O envolvimento com a história da gata borralheira é tamanha que até um item precioso – como o ‘sapatinho’ de cristal – é perdido, porém, quando devolvido, a mágica não é restaurada e o ‘felizes para sempre’ fica para a </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-61751209"><span style="font-weight: 400;">Disney</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="ANORA | Trailer Oficial (Universal Pictures) - HD" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/K3f7jj8yJTo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Os melhores filmes da </span><a href="https://48.mostra.org"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;"> possuem personagens humanizados, com histórias reais e, por vezes, trágicas. No Cinema contemporâneo, Sean Baker é um nome influente no cenário, seja em forma ou conteúdo. Assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Anora </span></i><span style="font-weight: 400;">é contagiagente, engraçado e até triste, sendo mais uma realidade excelente na prateleira dos novos contos de fadas. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Um Homem Diferente se assemelha nas crises existenciais</title>
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		<pubDate>Thu, 31 Oct 2024 17:25:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Se tem um tema que o Cinema injetou no debate público nos últimos tempos foi o da busca por padrões. Com o sucesso estrondoso de A Substância (2024), Um Homem Diferente chegava às telas da 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo através da seção Perspectiva Internacional com cara de mais do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/um-homem-diferente-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Um Homem Diferente se assemelha nas crises existenciais"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34241" aria-describedby="caption-attachment-34241" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34241" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-6-800x450.png" alt="Cena de Um Homem Diferente. Nela, vemos Edward, interpretado por Sebastian Stan. Edward é um homem branco com o rosto desfigurado. Ele veste uma camisa xadrez e encara a câmera. O fundo está escuro e uma luz foca no rosto do personagem" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-6-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-6-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-6.png 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34241" class="wp-caption-text">Longa teve recepção calorosa em suas exibições na 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se tem um tema que o Cinema injetou no debate público nos últimos tempos foi o da busca por padrões. Com o sucesso estrondoso de </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-substancia-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Substância</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2024), </span><i><span style="font-weight: 400;">Um Homem Diferente </span></i><span style="font-weight: 400;">chegava às telas da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;"> através da seção Perspectiva Internacional com cara de mais do mesmo: alguém insatisfeito com seu corpo, um tratamento milagroso e o mais puro caos. Porém, o longa entrega uma intrigante e curiosa abordagem sobre perda e subversão da identidade.</span></p>
<p><span id="more-34240"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escrito e dirigido por</span><a href="https://www.instagram.com/aaronschimberg/"><span style="font-weight: 400;"> Aaron Schimberg</span></a><span style="font-weight: 400;">, o longa acompanha a história de Edward (Sebastian Stan), um homem com o rosto desfigurado que tenta a vida como ator. Após conhecer e se apaixonar pela sua nova vizinha de corredor Ingrid (Renate Reinsve), que por coincidência é dramaturga, ele se voluntaria para o teste de um tratamento que promete mudar sua vida. Do dia pra noite a pele de seu rosto cai, Edward vira Guy e a única lembrança de sua vida passada é uma máscara que o atormenta e o que o faz assumir secretamente o papel principal na peça de sua paixão, naquela que seria a derrocada do seu ser.</span></p>
<figure id="attachment_34242" aria-describedby="caption-attachment-34242" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34242" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-11-800x384.png" alt="Cena de Um Home Diferente. Nela vemos, Edward, um homem branco com o rosto desfigurado. Ele está deitado em uma maca e feixes de luz fazem um desenho xadrez em seu rosto." width="800" height="384" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-11-800x384.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-11-1024x491.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-11-768x368.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-11-1536x737.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-11-1200x576.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-11.png 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34242" class="wp-caption-text">A obra deu a sorte de chegar no momento em que sua temática está mais em alta (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa é uma espécie de fusão entre o próprio </span><i><span style="font-weight: 400;">A Substância </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/extraordinario-critica"><i><span style="font-weight: 400;">Extraordinário</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2017), porém, não se prende ao maniqueísmo desses dois extremos. Ao transformar a temática em um </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Comédia de humor ácido, a obra tira todo o peso de seus ombros e fica mais leve e livre para pirar em sua própria premissa. O texto, que também fica a cargo do diretor, dosa perfeitamente os momentos cômicos em meio ao suspense para que a risada não seja culposa, mas sim um alívio em meio a epopéia de catástrofes anunciadas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Schimberg transforma um argumento até que simples de roteiro em um exercício intrigante, não de construção, mas de </span><a href="https://mubi.com/en/notebook/posts/mask-off-aaron-schimberg-on-a-different-man"><span style="font-weight: 400;">demolição</span></a><span style="font-weight: 400;"> de um personagem. Chega ser prazeroso acompanhar o desmoronar da personalidade de Guy enquanto o antigo Edward esvai por suas mãos; ele não consegue movimentar um músculo da face sem entregar a teia de mentiras na qual entrou e está preso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O texto encaixa perfeitamente em todo o núcleo principal de atores, mas principalmente em Sebastian Stan. É uma pena que um ator de seu calibre tenha vendido tão precocemente sua alma à </span><a href="https://personaunesp.com.br/falcao-e-o-soldado-invernal-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e seu potencial tenha sido desperdiçado. Porém aqui, temos toda a magnitude e potencialidade na melhor atuação de sua carreira, que catapultam a identificação do protagonista, onde a forma como ele passeia entre as personalidade de Edward e Guy recheiam de complexidade o personagem. Juntam-se a ele uma singela e traiçoeira Renate Reisnve (</span><a href="https://personaunesp.com.br/a-pior-pessoa-do-mundo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Pior Pessoa do Mundo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e o cativante Adam Pearson (</span><i><span style="font-weight: 400;">Sob a Pele</span></i><span style="font-weight: 400;">) que tem </span><a href="https://caras.com.br/cinema/quem-e-adam-pearson-conheca-ator-com-condicao-rara-no-rosto.phtml#:~:text=Adam%20Pearson%20foi%20diagnosticado%20com,disse%20durante%20entrevista%20%C3%A0%20People."><span style="font-weight: 400;">neurofibromatose</span></a><span style="font-weight: 400;">, doença retratada no longa, e rouba a cena no momento em que aparece em cena.</span></p>
<figure id="attachment_34243" aria-describedby="caption-attachment-34243" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34243" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-10-800x450.png" alt="Cena de Um Homem Diferente. Nela vemos Edward após um processo que reconstruiu seu rosto. Ele é um homem branco de olhos azuis e cabelo preto. Ele veste uma camisa xadrez clara e uma jaqueta de couro marrom claro.Ele está encarando um espelho" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-10-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-10-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-10-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-10-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-10-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-10.png 1764w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34243" class="wp-caption-text">Sebastian Stan prova que é mais que um ‘rostinho’ bonito (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.avclub.com/aaron-schimberg-a-different-man-interview-morality-fable"><i><span style="font-weight: 400;">Um Homem Diferente</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é a prova de que a </span><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i><span style="font-weight: 400;">, mesmo mais tímida no mercado, ainda está firme no seu mote de investir em histórias originais. O longa sabe tratar de forma bem incomum o preconceito e a busca por aceitação, envolvendo toda a discussão em uma história eletrizante, que prende desde o primeiro momento e faz as perguntas certas na hora certa, respondendo da forma mais escrachada – e certeira – possível.</span></p>
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		<title>Folhas de Outono é uma comédia romântica sem paixão</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Nov 2023 20:42:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Em um dia cinza, uma trabalhadora de um supermercado é demitida por furtar uma refeição vencida, que iria para o lixo. Pouca diferença faz, já que um serviço tão mecânico poderia ser melhor aplicado em qualquer outro lugar. Na mesma cidade, mas aparentemente sem conexão nenhuma, um homem alcoólatra é dispensado por beber &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/folhas-de-outono-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Folhas de Outono é uma comédia romântica sem paixão"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31892" aria-describedby="caption-attachment-31892" style="width: 1847px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31892" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-6.jpg" alt="" width="1847" height="1039" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-6.jpg 1847w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-6-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-6-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-6-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-6-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-6-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31892" class="wp-caption-text">Vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cannes, Folhas de Outono integrou a seção Perspectiva Internacional da 47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: O2 Play)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um dia cinza, uma trabalhadora de um supermercado é demitida por furtar uma refeição vencida, que iria para o lixo. Pouca diferença faz, já que um serviço tão mecânico poderia ser melhor aplicado em qualquer outro lugar. Na mesma cidade, mas aparentemente sem conexão nenhuma, um homem alcoólatra é dispensado por beber no trabalho. Para ele, a mesma coisa: com exceção do salário no fim do mês, pouco importa. É nesse cenário de desilusão e desesperança total que ambos se encontram, e </span><a href="https://47.mostra.org/filmes/fallen-leaves-47a"><i><span style="font-weight: 400;">Folhas de Outono</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">mostra que é possível fazer comédia romântica sem nenhuma paixão ou graça.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Presente na 47ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e no Festival de Cannes, o longa do finlandês Aki Kaurismäki parte de um lugar comum: uma demissão &#8211; ou melhor, duas demissões. No entanto, com a constante frieza do trabalho assombrando o dia a dia, as risadas se fazem no absurdo e na solidão compartilhada entre dois protagonistas que igualmente buscam por conexão humana (ou animal) em meio a um cotidiano de sobrevivência.</span></p>
<p><span id="more-31891"></span></p>
<figure id="attachment_31894" aria-describedby="caption-attachment-31894" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31894" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-4.jpg" alt="" width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-4.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31894" class="wp-caption-text">Kaurismäki é adepto a colocar cães em seus longas e dessa vez foi a vez de Chaplin roubar a cena (Foto: O2 Play)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O rádio toca notícias da guerra na Ucrânia, dois elementos quase contraditórios. No primeiro encontro de Ansa (<a href="https://www.vogue.com/article/fallen-leaves-alma-poysti-interview">Alma Pöysti</a>) e Holappa (Jussi Vatanen), os dois assistem a </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Mortos não Morrem</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 2019, e a ex-atendente de mercado anota seu número de celular em um pedaço de papel para dar ao alcoólatra. Depois, ela procura emprego em uma </span><i><span style="font-weight: 400;">lan house</span></i><span style="font-weight: 400;">. Para além dessa sequência de elementos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fallen Leaves</span></i><span style="font-weight: 400;"> parece existir em uma realidade semelhante à nossa, mas que não é exatamente igual. Com um design de produção que mistura o </span><i><span style="font-weight: 400;">vintage</span></i><span style="font-weight: 400;"> a referências contemporâneas, o longa cria um tempo próprio, ao passo que se mostra universal e atemporal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso porque o trabalho e a solidão não são experiências individuais. Se a Finlândia foi eleita o país mais feliz do mundo, o cenário em que as vidas de Ansa e Holappa se cruzam são tudo, menos repletas de felicidade. Na verdade, a ânsia de ambos por conexão ultrapassa o limite da tela e contamina o espectador, rendendo risadas a partir de diálogos absurdos, que nem de longe seriam ideias para dois protagonistas interessados um no outro. O <a href="https://www.filmcomment.com/blog/cannes-2023-dog-days-justine-triet-anatomy-of-a-fall-wes-anderson-asteroid-city-review/">afeto</a> não existe, muito menos a paixão, mas a vontade de que o casal ache alento em meio a um cotidiano cinza prevalece.</span></p>
<figure id="attachment_31893" aria-describedby="caption-attachment-31893" style="width: 2362px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31893" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-5.jpg" alt="" width="2362" height="1577" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-5.jpg 2362w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-5-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-5-1024x684.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-5-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-5-1536x1026.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-5-2048x1367.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-5-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31893" class="wp-caption-text">No European Film Awards, os protagonistas concorrem nas categorias de Melhor Atriz e Melhor Ator (Foto: O2 Play)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nisso, Alma Pöysti e Jussi Vatanen têm grande parte. O <a href="https://personaunesp.com.br/conversas-pela-noite-critica/">casal protagonista</a> encara o marasmo do dia a dia sem um sorriso no rosto e demonstra interesse um pelo outro em gestos quase despercebidos. Em alguns momentos, como quando Holappa está em coma no hospital e acorda sem sequer mudar de expressão após um beijo de Ansa, é possível sentir o humor despontando da ausência e do distanciamento. Se os finlandeses são conhecidos pela racionalidade e frieza, </span><i><span style="font-weight: 400;">Folhas de Outono </span></i><span style="font-weight: 400;">parece zombar disso, mas sem fazer nada para mudar essa percepção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inclusive, além da atuação, é a junção da direção e do roteiro do veterano Aki Kaurismäki com a fotografia de Timo Salminen que extrai o <a href="https://personaunesp.com.br/carvao-critica/">cômico do rotineiro</a>. Desde a técnica sóbria do filme, destacando cenários cinzentos e repletos de outras pessoas igualmente solitárias, até a falta de expressividade e dureza na entrega das falas dos atores, toda a aura da obra corrobora com o ar de desesperança. Curiosamente, é o absurdo do contraste entre essa frieza à necessidade de quebrá-la que rendem os momentos mais encantadores e, para uma sessão lotada da 47ª Mostra de São Paulo, altas risadas. </span></p>
<figure id="attachment_31895" aria-describedby="caption-attachment-31895" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31895" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-3.png" alt="" width="2560" height="1379" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-3.png 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-3-800x431.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-3-1024x552.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-3-768x414.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-3-1536x827.png 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31895" class="wp-caption-text">Aki Kaurismäki disputa Melhor Diretor e Melhor Roteirista no European Film Awards; Fallen Leaves foi indicado como Melhor Filme Europeu (Foto: O2 Play)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fallen Leaves </span></i><span style="font-weight: 400;">mostra que o romance, assim como a comédia, vem do corriqueiro. Se o dia a dia é repetitivo, o longa aproveita dessa constância para crescer nos momentos de quebra de rotina e expectativa, arrancando, no mínimo, surpresa. Abocanhando cinco indicações no </span><a href="https://x.com/mubi/status/1721840957010702573?s=46"><i><span style="font-weight: 400;">European Film Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, importante premiação do Cinema europeu, a obra caminha na direção oposta da dramaticidade e destitui da paixão o que ela realmente é: busca por conexão.</span></p>
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		<title>O pesadelo feminino toma forma em The Royal Hotel</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Nov 2023 20:22:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Giovanna Freisinger Um bar fuleiro, na fronteira de uma remota cidade mineradora no deserto australiano, com a população majoritariamente masculina. Essa é a ambientação de The Royal Hotel. Não tem espíritos possessivos nem psicopatas mascarados, mas é um cenário para um filme de terror tão assustador quanto, senão mais. Pergunte a qualquer mulher. A diretora &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-royal-hotel-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O pesadelo feminino toma forma em The Royal Hotel"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31887" aria-describedby="caption-attachment-31887" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31887" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-3.png" alt="Cena do filme The Royal Hotel. Da esquerda para direita, Liv (Jessica Henwick) abraça por trás Hanna (Julia Garner) e descansa a cabeça em seu ombro. As amigas estão em uma sacada, olhando para o lado de fora." width="1200" height="735" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-3.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-3-800x490.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-3-1024x627.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-3-768x470.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31887" class="wp-caption-text">Kitty Green colabora novamente com Julia Garner, estrela do seu filme anterior, A Assistente (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Giovanna Freisinger</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um bar fuleiro, na fronteira de uma remota cidade mineradora no deserto australiano, com a população majoritariamente masculina. Essa é a ambientação de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Royal Hotel</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Não tem espíritos possessivos nem psicopatas mascarados, mas é um cenário para um filme de terror tão assustador quanto, senão mais. Pergunte a qualquer mulher. A diretora </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-assistente-critica/"><span style="font-weight: 400;">Kitty Green</span></a><span style="font-weight: 400;"> aperfeiçoa o pesadelo feminino, comunicando eficientemente a sensação de ser observada como um pedaço de carne fresca, em meio a predadores famintos. O suspense se constrói sobre aquilo que é desconfortável, sinistro e, assustadoramente, familiar. </span></p>
<p><span id="more-31886"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Vocês terão que estar ok com um pouco de atenção masculina</span></i><span style="font-weight: 400;">”. As personagens de </span><a href="https://personaunesp.com.br/inventando-anna-critica/"><span style="font-weight: 400;">Julia Garner</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/punho-de-ferro-serie/"><span style="font-weight: 400;">Jessica Henwick</span></a><span style="font-weight: 400;"> são avisadas antes de seguir para o local do seu emprego de férias, após o dinheiro das amigas acabar no meio do seu mochilão pela Austrália. Lá, elas se veem diante do que é verdade para muitas mulheres em ambientes de trabalho: são forçadas a engolir seco e escutar as piadas machistas, os assédios e insinuações, os olhares e o comportamento bêbado desagradável. Elas são orientadas a sorrir mais, para não afastar os clientes. Green constrói representações fiéis das micro-agressões que acompanham a opressão estrutural e cultural.</span></p>
<figure id="attachment_31889" aria-describedby="caption-attachment-31889" style="width: 841px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31889" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-3.png" alt="Cena do filme The Royal Hotel. Da esquerda para a direita, Matty (Toby Wallace) e Billy (Hugo Weaving) estão sentados em frente ao balcão do bar, olhando para e conversando com Liv, que está atrás do balcão" width="841" height="559" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-3.png 841w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-3-800x532.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-3-768x510.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31889" class="wp-caption-text">A inspiração para o roteiro veio do documentário Hotel Coolgardie, de Pete Gleeson, que acompanha duas amigas mochileiras trabalhando em um bar no Outback Australiano (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sabemos muito pouco sobre a dupla central. Elas comentam que procuraram o lugar mais afastado possível de onde vieram, mentem ser do Canadá e parecem querer deixar algo para trás. O roteiro de Green e </span><a href="https://www.nziff.co.nz/2009/archive/van-diemens-land/"><span style="font-weight: 400;">Oscar Redding</span></a><span style="font-weight: 400;"> não oferece uma janela para as motivações e intenções das protagonistas, ao invés disso, elas servem como avatares para a experiência feminina generalizada. Apesar desse elemento empobrecer o enredo, dificultando a conexão do público com as personagens, Garner e Henwick entregam performances sinceras e intensas, que ajudam a adicionar a profundidade que falta aos papéis.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://www.abc.net.au/news/2017-10-26/royal-hotels-why-are-so-many-pubs-named-curious-central-west/9068572"><span style="font-weight: 400;">Royal Hotel</span></a><span style="font-weight: 400;">, como é chamado o bar, tem seus fregueses habituais. A cada cerveja que as garotas servem sobre a bancada, presenciamos as interações sempre um pouco incômodas. A paisagem da porta para fora é um horizonte vasto que parece infinito, mas lá dentro o ar é claustrofóbico. A câmera espelha a perspectiva de Hanna durante toda a trama, colocando o espectador no mesmo estado mental de constante alerta da personagem, necessário para se manter segura. A atmosfera indica perigo, mas tudo parece normal. Ela é levada a questionar o tempo inteiro se está exagerando, ou imaginando coisas onde não tem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A progressão do desconforto ao medo e, eventualmente, à violência é realizada com maestria. A tensão vai aumentando conforme fica mais certo que algo ruim está prestes a acontecer. As garotas se veem cada vez mais sozinhas, contra a cidade, contra o sistema, contra a cultura. O filme </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2023/10/the-royal-hotel-julia-garner-shot-list-awards-insider"><span style="font-weight: 400;">subverte o terror</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas sabe brincar com os seus elementos. Caminhando para a conclusão, a direção de Green e a cinematografia de Michael Latham incorporam mais recursos clássicos do gênero.</span></p>
<figure id="attachment_31888" aria-describedby="caption-attachment-31888" style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31888" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-2.png" alt="Cena do filme The Royal Hotel. Close no rosto de Hanna. Ela tem sangue escorrendo do lado direito do seu rosto e está olhando o isqueiro aceso que segura próximo ao rosto.]" width="500" height="281" /><figcaption id="caption-attachment-31888" class="wp-caption-text">O filme chegou ao Festival Internacional de Cinema de Toronto, após uma primeira exibição no Festival de Cinema de Telluride (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda a construção da narrativa em torno do gradual acúmulo de tensão pede uma resolução que finalmente compense isso. Porém, o que recebemos é um sentimento frustrado de: é isso? O filme não entrega o final catártico que antecipa, nem se compromete com a decepção intencional de uma dura mensagem pessimista &#8211; à la </span><a href="https://personaunesp.com.br/bela-vinganca-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bela Vingança</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A última cena é o cerne da obra e é tão deslocada do restante que é quase cômica. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse caso, o desfecho compromete todo o enredo. É como se caminhássemos com aquelas personagens durante toda a duração de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Royal Hotel</span></i><span style="font-weight: 400;">, para não chegarmos a lugar nenhum. É evidente que Green </span><a href="https://youtu.be/v00d-9AYEKc?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">tem o que dizer</span></a><span style="font-weight: 400;">. A diretora faz um comentário pertinente sobre a vivência feminina e a cultura do estupro, mas, ao final de tudo, falta coesão narrativa que justifique o tempo de uma hora e meia para passar essa mensagem. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="THE ROYAL HOTEL - Official Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/U9zq_4ED-pI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Tomando Veneza, arte e política andam lado a lado</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Nov 2023 20:28:38 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Arte Moderna]]></category>
		<category><![CDATA[Jamily Rigonatto]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Perspectiva Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Robert Rauschenberg]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  Quando o estalo da ruptura chega, é impossível deixar de ouvir. O som estrondoso carrega um posicionamento, mas nem sempre se insere de forma natural. Na maioria dos casos, o ruído depende de mais artimanhas do que somos capazes de imaginar. Em Tomando Veneza, documentário dirigido por Amei Wallach e pertencente à seção &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/tomando-veneza-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Tomando Veneza, arte e política andam lado a lado"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31809" aria-describedby="caption-attachment-31809" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31809" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/unnamed-800x379.jpg" alt="Cena do filme Tomando Veneza. Na imagem há dois homens segurando uma tela pintada à mão nos tons de cinza e amarelo. Os dois estão em uma lancha branca que é conduzida por um terceiro homem. A lancha flutua em um rio esverdeado de Veneza." width="800" height="379" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/unnamed-800x379.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/unnamed-768x364.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/unnamed.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31809" class="wp-caption-text">Exibido na seção Perspectiva Internacional da 47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Tomando Veneza dissolve um quebra-cabeças (Foto: Gert Films)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando o estalo da ruptura chega, é impossível deixar de ouvir. O som estrondoso carrega um posicionamento, mas nem sempre se insere de forma natural. Na maioria dos casos, o ruído depende de mais artimanhas do que somos capazes de imaginar. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Tomando Veneza</span></i><span style="font-weight: 400;">, documentário dirigido por Amei Wallach e pertencente à seção Perspectiva Internacional da 47ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, os mistérios por trás do som são mais que desvendados. </span><span id="more-31808"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contando a história de como, em 1964, o artista norte-americano </span><a href="https://www.rauschenbergfoundation.org/"><span style="font-weight: 400;">Robert Rauschenberg</span></a><span style="font-weight: 400;"> ganhou o prêmio principal da Bienal de Veneza – um dos maiores festivais de arte do mundo –, o longa-metragem explora os laços que interligam a Arte, a política e a tradição. Em seus 98 minutos, a produção destrincha cada passo por trás do caminho traçado pelos personagens envolvidos nessa história e suas motivações. </span></p>
<figure id="attachment_31812" aria-describedby="caption-attachment-31812" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31812" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/taking-venice-still-3-v2-768x513-1.png" alt="" width="768" height="513" /><figcaption id="caption-attachment-31812" class="wp-caption-text">A fotografia, assinada por Mead Hunt, mistura passado e presente em um misto de cor e sombra (Foto: Gert Films)</figcaption></figure>
<p>Toda movimentação acontece no auge da Guerra Fria e, até hoje, dizem as más línguas – a depender do ponto de vista – que todo o empenho em levar o artista aos holofotes da premiação teria sido um jeito dos Estados Unidos difundirem o capitalismo através da Arte. Nas obras repletas de cultura <em>pop</em> e grandes montagens com coisas que facilmente poderiam ser consideradas ‘lixo’, Rauschenberg pensava estar muito longe de posicionamentos, mas gritava algo a cada pincelada ou colagem.</p>
<p>É com a ajuda do curador Alan Solomon que o artista pouco consolidado chega pronto para, como diz o título, tomar Veneza. Junto da socialmente prestigiada Alice Denney e do negociante bom de lábia Leo Castelli, Solomon cria uma estratégia ousada e leva artistas fora do eixo tradicional para a cidade italiana. Exibindo obras no pavilhão do país no festival e também na embaixada estadunidense, os personagens tornam as exibições pontos de impacto social.</p>
<p>Mesmo conquistando o público e a crítica com os novos ares da inovação, as cartadas escolhidas pela equipe fogem das regras da Bienal de Veneza e é nesse momento que a história real ganha ares de um roteiro de suspense criminal. Fazendo de tudo para tornar Rauncherberg o nome da vez, as montagens recebem ajuda de uma grande força tarefa para irem para o pavilhão e se tornarem válidas para a competição.</p>
<figure id="attachment_31813" aria-describedby="caption-attachment-31813" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31813" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/TakingVenicestill11-800x530.jpg" alt="Cena do filme Tomando Veneza. Na imagem está Robert Rauschenberg, ele é um homem branco com cabelos curtos penteados para o lado e está vestindo um terno claro. Ao fundo há uma de suas telas. A imagem é em preto e branco." width="800" height="530" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/TakingVenicestill11-800x530.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/TakingVenicestill11-1024x678.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/TakingVenicestill11-768x508.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/TakingVenicestill11-1536x1017.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/TakingVenicestill11-2048x1356.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/TakingVenicestill11-1200x794.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31813" class="wp-caption-text">Além de artista, Robert Rauschenberg era dançarino (Foto: Gert Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar do contexto conflitante do momento político, </span><i><span style="font-weight: 400;">Tomando Veneza</span></i><span style="font-weight: 400;"> se apoia nas contradições sem estabelecer escolhas de lado verdadeiramente marcadas. Ao mesmo tempo em que assume os atos fora da moralidade que levaram os EUA a vencer, um grito sobre Arte, resistência e o rompimento com os </span><a href="https://personaunesp.com.br/1922-2022-o-que-e-ser-moderno-no-brasil-artigo/"><span style="font-weight: 400;">ideais conservadores</span></a><span style="font-weight: 400;"> desse meio se esgueira pela tela. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É nesse contato com o novo que o político ganha polifonia e, agora, nem tudo parece tão vil quanto nos primórdios da produção. Em algum momento, uma narrativa não ficcional te faz desejar piamente que o artista segregado das linhas do classicismo artístico vença a Bienal de Veneza. O ganhar vira fato, com o mesmo concretismo presente na maior parte dos desejos dos </span><a href="https://personaunesp.com.br/estados-unidos-vs-billie-holiday-critica/"><span style="font-weight: 400;">Estados Unidos</span></a><span style="font-weight: 400;">, e duas portas se abrem: a difusão do modernismo artístico e o tônus capital da globalização entre arte e política. </span></p>
<figure id="attachment_31816" aria-describedby="caption-attachment-31816" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31816" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/unnamed-1-800x600.jpg" alt="Cena do filme Tomando Veneza. A imagem mostra o rosto de Robert Rauschenberg, ele é um homem branco e olha com expressão séria para a câmera. Ao seu lado há um bode malhado. A imagem é em preto e branco" width="800" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/unnamed-1-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/unnamed-1-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/unnamed-1-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/unnamed-1-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/unnamed-1-1200x900.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/unnamed-1.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31816" class="wp-caption-text">Robert Rauschenberg passou os últimos anos de vida conhecendo outros países e culturas em busca de uma quebra das fronteiras da produção cultural (Foto: Gert Films)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.takingvenice.com/"><i><span style="font-weight: 400;">Tomando Veneza</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> surpreende e o caos intimista de uma artimanha tão bem feita prende o telespectador a cada </span><i><span style="font-weight: 400;">frame</span></i><span style="font-weight: 400;">, só nos resta ansiar por saber quais os próximos passos. O sentimento é paradoxal e o ódio ao americanismo se mistura com a torcida pelo rompimento das amarras que seguram o conservadorismo das construções culturais. Naquele momento, Veneza se comporta sincronamente como um alvo do colonialismo estadunidense e um palco da independência de uma Arte que não vive só da estética, mas de mensagens críticas e espirituosas na busca um futuro socialmente distinto.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Rauschenberg, a sensação é a mesma, e a obra faz questão de mostrar o desconforto que o acompanha quando percebe que, na verdade, sua presença foi apenas uma parte objetificada do discurso nacionalista de seu país. Um uso sociopolítico que sequer representava seus pensamentos e expressões sobre o </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-hostilidades-critica/"><span style="font-weight: 400;">sonho americano</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas que, ainda assim, difundiu seu jeito de experimentar o mundo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para os fãs de uma boa investigação, a produção é um deleite. Caso esse não seja o caso da maioria, ainda é uma grande oportunidade para entender como as coisas funcionam de maneira mais complexa do que aparentam. Seja de um lado, do outro, ou no meio, nenhum dos pontos dessa linha têm o menor talento para a falta de posicionamento. Na minutagem de um <a href="https://personaunesp.com.br/tag/documentario/">documentário</a>, os rompimentos deixam pontas esfarrapadas nos dois lados de uma corda. </span></p>
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