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	<title>Arquivos PcD &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Em busca da liberdade, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho alcança o amor</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Jun 2024 16:07:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Marina Iwashita Canelas Imagine a sua adolescência, todos os mil sentimentos juntos e bagunçados, desde ‘Será que eu sou bonito?’ ou ‘Será que ela gosta de mim?’, até os comentários e palpites sobre aquela pessoa que está ‘ficando’ com quem você gosta. O início da vida adulta, junto ao amadurecimento e as descobertas sobre si &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/hoje-eu-quero-voltar-sozinho-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em busca da liberdade, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho alcança o amor"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33641" aria-describedby="caption-attachment-33641" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-33641" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-2-1-800x477.png" alt=" Cena do Filme “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho&quot;. A imagem mostra três jovens no centro que usam calça jeans e a mesma camiseta manga curta cinza com gola azul e uma coruja como brazão a esquerda. O menino da esquerda é branco, possui cabelos cacheados, castanho escuro e está sorrindo com os olhos fechados. Ele usa uma mochila nas costas, a qual só podemos ver as alças de cor marrom. A menina do meio é branca, usa um relógio lilás no pulso direito, tem cabelos lisos na cor castanho escuro com franjas na altura da sobrancelha. Ela está sorrindo e sua alça de mochila nas costas é cinza claro. O último menino, da direita, é branco, tem cabelo castanho liso e está segurando com a mão direita o braço esquerdo dobrado da menina ao seu lado. Ele está sorrindo e com a sua mão esquerda segura a alça da sua mochila, na cor cinza também. O fundo da imagem é de uma rua, na parte esquerda temos a rua e os jovens andam na calçada, com árvores e grades de casas." width="800" height="477" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-2-1-800x477.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-2-1-768x458.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-2-1.png 862w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33641" class="wp-caption-text">No Festival de Berlim de 2014, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho foi premiado como Melhor Filme pelo Júri da Crítica na Mostra Panorama e com o Prêmio Teddy de Melhor Filme LGBT (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Marina Iwashita Canelas</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Imagine a sua adolescência, todos os mil sentimentos juntos e bagunçados, desde ‘Será que eu sou bonito?’ ou ‘Será que ela gosta de mim?</span><i><span style="font-weight: 400;">’</span></i><span style="font-weight: 400;">, até os comentários e palpites sobre aquela pessoa que está ‘ficando’ com quem você gosta. O início da vida adulta, junto ao amadurecimento e as descobertas sobre si mesmo, não são períodos fáceis. É nessa fase que muitas pessoas passam a experimentar coisas novas, como alguma aventura com amigos ou ser rebelde em casa. Para Leonardo (Ghilherme Lobo) – protagonista do premiado curta-metragem </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1Wav5KjBHbI"><i><span style="font-weight: 400;">Eu Não Quero Voltar Sozinho</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que, com seus infames 17 minutos de duração, encantou muita gente –, essa realidade nunca foi fácil. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Léo é um adolescente cego que descobre a sua sexualidade com a chegada de um novo aluno no colégio. Quatro anos depois, em 2014, o longa-metragem </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/brasileiro-hoje-eu-quero-voltar-sozinho-ganha-dois-premios-no-festival-do-berlim-11607602"><i><span style="font-weight: 400;">Hoje Eu Quero Voltar Sozinho</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foi lançado ao mundo por </span><a href="https://gq.globo.com/Cultura/noticia/2014/02/daniel-ribeiro-uma-nova-cara-para-o-cinema-brasileiro.html"><span style="font-weight: 400;">Daniel Ribeiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, diretor de ambas as obras. Sem perder a leveza da primeira obra, o filme pôde aumentar sua riqueza de detalhes, dando mais foco às personagens e suas particularidades. Ribeiro traz mais discussões referentes ao dia a dia do personagem para a trama, tornando-a muito mais do que apenas um filme com temática LGBTQIA+.</span></p>
<p><span id="more-33640"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Podemos conhecer melhor o protagonista à medida que entendemos a sua rotina e como a criação que tem o sufoca. Sua mãe, </span><a href="https://personaunesp.com.br/thelma-filme-critica/"><span style="font-weight: 400;">superprotetora</span></a><span style="font-weight: 400;">, muitas vezes impede Léo de viver coisas normais de um adolescente. Giovana (Tess Amorim) é a sua melhor amiga desde a infância, e Amorim consegue dar voz ao papel da sua personagem de forma muito clara e fluida. Por vezes ficamos estressados com ela por ter a mesma ideia de que a deficiência visual, de alguma forma, define-o. </span></p>
<figure id="attachment_33643" aria-describedby="caption-attachment-33643" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-33643" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-3-800x422.png" alt="" width="800" height="422" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-3-800x422.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-3-1024x540.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-3-768x405.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-3-1536x810.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-3-1200x633.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-3.png 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33643" class="wp-caption-text">O filme foi escolhido para representar o Brasil na disputa do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2014 (Foto: Pyramide Distribution)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso, porém, muda com a chegada de Gabriel, interpretado por </span><a href="https://www.fabioaudi.com/about"><span style="font-weight: 400;">Fabio Audi</span></a><span style="font-weight: 400;">, um aluno novo de outra cidade e que, por estar alheio à bolha, desperta mais a curiosidade do garoto, além de apoiá-lo em decisões que o mesmo gostaria de tomar. Audi consegue trazer para o seu papel uma alma viva, ele interpreta um jovem livre e cheio de desejos, que conhece bem a si mesmo e também deseja que o protagonista se conheça mais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A relação dos personagens é construída aos poucos, sendo possível acompanhar os </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=MELHORES+AMIGOS#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">melhores amigos</span></a><span style="font-weight: 400;"> se afastarem por ciúmes, devido a sensação de liberdade que Léo tem com Gabriel. Nesse período, é possível observar alguém, que não tinha contato algum com pessoas com deficiência visual, sendo a chave principal para dar mais confiança ao protagonista e entendê-lo como apenas um garoto querendo viver a vida de um jovem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pensando nisso, em alguns momentos, podemos ver a Fotografia de </span><a href="https://pierrekerchove.com/"><span style="font-weight: 400;">Pierre de Kerchove</span></a><span style="font-weight: 400;"> voltada para a perspectiva do Léo, ou seja, </span><a href="https://personaunesp.com.br/perlimps-critica/"><span style="font-weight: 400;">muito sensorial</span></a><span style="font-weight: 400;">. Temos cenas desfocadas com apenas o barulho de conversas e risos, momentos de liberdade e tensão, além de momentos íntimos, à exemplo, os beijos no vidro do box. No quesito tensão, com o decorrer da narrativa, vemos o quão difícil é para o protagonista viver os múltiplos aspectos de seu cotidiano. </span></p>
<figure id="attachment_33642" aria-describedby="caption-attachment-33642" style="width: 630px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33642" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-1-1.png" alt="" width="630" height="247" /><figcaption id="caption-attachment-33642" class="wp-caption-text">O título original provisório do filme foi Todas as coisas mais simples (Foto: Pyramide Distribution)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além da sua família e amiga mais próxima, têm os meninos da sala que fazem </span><a href="https://www.unicamp.br/unicamp/sites/default/files/jornal/paginas/ju_561_paginacor_04_web.pdf"><i><span style="font-weight: 400;">bullying</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">com ele, tirando sarro e planejando algo sacana. Essas infames brincadeiras são muito mais voltadas à cegueira do protagonista do que ao fato dele estar se descobrindo sexualmente. O longa traz consigo uma visão muito leve e delicada sobre a vida, mas principalmente sobre o amor, então, por mais que fiquemos com raiva das falas e gestos errados, isso não pesa na narrativa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É incrível como o filme consegue criar um cenário de cotidiano muito forte. Acompanhamos toda rotina do Léo, sabemos da dinâmica da casa dele, as suas frustrações e algo interessante é a </span><a href="https://personaunesp.com.br/jury-duty-critica/"><span style="font-weight: 400;">naturalidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> com que a personagem trata a sua cegueira com Gabriel. Apesar de o recém chegado na escola, às vezes, fazer comentários indesejados como &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">já viu aquele vídeo famoso?</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;, o protagonista ainda assim se sente confortável perto dele, por vezes, o ‘zomba’, mas existe a vontade de ter experiências novas junto a ele, como ir ao cinema,  sair de casa no meio da madrugada sem avisar ou andar de bicicleta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A criação desse cenário de intimidade que temos com as personagens se dá também pelos seus estilos musicais, que compõem a trilha sonora (</span><a href="https://arthurdecloedt.com/"><span style="font-weight: 400;">Arthur Decloedt</span></a><span style="font-weight: 400;">). Para diferenciar quem está ligando, o celular do protagonista conta com um toque diferente para cada pessoa. A única semelhança entre todos é o estilo musical que ele consome: clássico. Fazendo um paralelo a isso, Gabriel chega na sua vida com </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/7kkDvoGvoVPtLD3Ef61E62?si=2e05010c0484462b"><i><span style="font-weight: 400;">There &#8216;s Too Much Love</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Belle and Sebastian. Chega a ser engraçado como ambos, por mais diferentes que sejam, se completam. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Trailer Oficial - Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (The Way He Looks) English Subtitles" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/lpHKXyko358?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto Léo segue uma vida regrada, porém, cheia de desejos e vontades a serem realizadas, Gabriel é o tipo do adolescente ‘livre’, com pais tranquilos, e poderia ser considerado o ‘alternativo’ da turma, que vira DJ nas festas. </span><span style="font-weight: 400;">O longa trata todas essas questões de uma forma muito leve e delicada. Percebemos, no final, que o amor sentido pelo casal é um </span><a href="https://personaunesp.com.br/feels-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">misto de sentimentos</span></a><span style="font-weight: 400;">; a mistura de algo novo, romântico, sensível e carregado de muito companheirismo.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Hoje Eu Quero Voltar Sozinho</span></i><span style="font-weight: 400;"> é sobre como o amor não encontra barreiras para existir. Em momento algum precisamos ver para sentir ou saber que aquela pessoa é realmente a destinada para você. A obra não é tratada a partir da </span><a href="https://personaunesp.com.br/com-amor-simon-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">aceitação</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos jovens no mundo LGBTQIA+, na verdade, ela retrata uma visão muito romântica e ingênua sobre esse aspecto, o que pode frustrar parte da audiência. Mas, ver a evolução da amizade das personagens, se imaginar no lugar do Léo e refletir sobre as questões trazidas na produção fazem dele um lindo filme de romance.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Freaks ensina: quem vê cara, não vê coração</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Mar 2022 16:12:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gatti A padronização da beleza é um fenômeno muito comum e normalizado na sociedade. Ao longo das décadas, o rótulo daquilo que é bonito ou feio vai se alterando, mas sempre continua vigente para julgar quem vai aparecer diante das telas. Se esse cenário já é tão presente nos dias de hoje, imagine ir &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/freaks-90-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Freaks ensina: quem vê cara, não vê coração"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26291" aria-describedby="caption-attachment-26291" style="width: 1677px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26291" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-3.jpg" alt="Cena em branco e preto do filme freaks apresenta um grupo de dez artistas de circo. Com exceção da mulher branca e loira, que usa um longo vestido branco e apresenta um olhar sério, todos os outros apresentam expressões de descontração." width="1677" height="1258" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-3.jpg 1677w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-3-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-3-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-3-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-3-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-3-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26291" class="wp-caption-text">Ao longo de pouco mais de uma hora de filme, Freaks provoca angústia, revolta e empatia (Foto: Metro-Goldwyn-Mayer)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Gatti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://claudia.abril.com.br/coluna/ana-claudia-paixao-hollywood-cinema-series/o-algoritmo-de-hollywood-fala-muito-sobre-padroes-inalterados/#:~:text=E%20o%20cen%C3%A1rio%20ainda%20%C3%A9,muda%20sua%20rela%C3%A7%C3%A3o%20com%20elas."><span style="font-weight: 400;">padronização da beleza</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um fenômeno muito comum e normalizado na sociedade. Ao longo das décadas, o rótulo daquilo que é bonito ou feio vai se alterando, mas sempre continua vigente para julgar quem vai aparecer diante das telas. Se esse cenário já é tão presente nos dias de hoje, imagine ir ao cinema há 90 anos e, ao invés de ver pessoas como o rosto entupido de pó de arroz, se deparar com um grupo de artistas com deficiência. Esse é justamente o caso de </span><i><span style="font-weight: 400;">Freaks</span></i><span style="font-weight: 400;">, um clássico de Tod Browning, que estreou em 1932 com muita polêmica.</span></p>
<p><span id="more-26290"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os eventos conturbados por trás do filme se dão pelo fato da escolha do diretor em escalar </span><a href="https://revistatrip.uol.com.br/trip/precisamos-falar-sobre-capacitismo"><span style="font-weight: 400;">pessoas com deficiência</span></a><span style="font-weight: 400;"> para estrelarem em sua película. Se ainda no século 21, esse grupo social ainda é marginalizado, quase cem anos atrás as circunstâncias eram ainda mais tensas. </span><i><span style="font-weight: 400;">Freaks</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi rejeitado pela sociedade e se tornou um fracasso de bilheteria, sendo reconhecido apenas durante a década de 1960 no movimento de contracultura dos </span><a href="https://www.pipoca3d.com.br/2019/03/o-que-sao-os-midnight-movies.html"><i><span style="font-weight: 400;">midnight movies</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Esse período serviu para reavivar a relevância da narrativa focada em um grupo de artistas de um circo dos horrores.</span></p>
<figure id="attachment_26292" aria-describedby="caption-attachment-26292" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26292" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-3.jpg" alt="Cena em branco e preto do filme freaks exibe à esquerda um homem anão branco, de cabelos curtos e castanhos, vestindo uma camisa branca e uma calça, agachado embaixo de uma escada e olhando para a no meio da imagem mulher, que é branca, loira e veste um figurino circense preto com uma saia. Sua expressão corporal apresenta desdém ao anão e ao homem à direita, que é branco, de cabelos curtos e penteados e não tem pernas. Ele veste um terno preto e está olhando para a mulher. O fundo da foto exibe trailers de circo bem decorados." width="800" height="600" /><figcaption id="caption-attachment-26292" class="wp-caption-text">Cleo, uma das poucas personagens sem deficiência, trata seus colegas de trabalho com desdém e antipatia (Foto: Metro-Goldwyn-Mayer)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme apresenta </span><span style="font-weight: 400;">Cleópatra (Olga Baclanova), uma trapezista que mantém um relacionamento com Hércules (Henry Victor), um homem forte que ganha a vida exibindo os músculos no circo. No entanto, o casal descobre que Hans (</span><a href="https://vaudeville.sites.arizona.edu/node/10"><span style="font-weight: 400;">Harry Earles</span></a><span style="font-weight: 400;">), um dos anões do local, é herdeiro de uma grande fortuna. Nesse momento, a jovem mulher passa a seduzi-lo para roubar todas as suas posses. O plano ardiloso da dupla funciona de início, porém os outros artistas circenses passam a duvidar das intenções de Cleo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro audacioso de </span><i><span style="font-weight: 400;">Freaks</span></i><span style="font-weight: 400;"> teve como inspiração o conto</span> <a href="http://www.olgabaclanova.com/spurs.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Spurs</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do escritor estadunidense Tod Robbins. A peça literária apresenta a mesma relação abusiva entre um anão e uma trapezista em um pequeno circo. Desse modo, </span><span style="font-weight: 400;">Willis Goldbeck, Leo Gordon e o próprio Tod Robbins beberam dessa fonte para dar vida ao texto do clássico do horror. Em ambos os casos, o mais inovador da trama é a forma inclusiva de tratar as pessoas com deficiência, deixando essa temática explícita em alguns diálogos presentes ao longo da narrativa.</span></p>
<figure id="attachment_26293" aria-describedby="caption-attachment-26293" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26293" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-4.jpg" alt="Cena em branco e preto do filme freaks apresenta um homem branco, anão, de cabelos curtos, loiros e penteados, vestindo roupa social. Suas expressões são de tristeza. O fundo da imagem é escuro, dando destaque apenas para a lamparina na extrema direita da foto." width="800" height="599" /><figcaption id="caption-attachment-26293" class="wp-caption-text">“Não percebem que sou um homem com os mesmos sentimentos dos deles” (Foto: Metro-Goldwyn-Mayer)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, </span><i><span style="font-weight: 400;">Freaks</span></i><span style="font-weight: 400;"> trouxe visibilidade aos atores do filme. Durante o processo de seleção do elenco, Browning, que optou por selecionar uma gama de pessoas ligadas diretamente aos espetáculos de circo, rodou os Estados Unidos junto com o diretor de elenco, Ben Piazza, à procura dos intérpretes ideais para a obra. A busca por feiras e circos rendeu frutos, como Schlitzie, um artista com microcefalia que trabalhou sua vida inteira no ramo do entretenimento, </span><span style="font-weight: 400;">Minnie Woolsey, que foi diagnosticada com </span><a href="https://www.portalsaofrancisco.com.br/saude/sindrome-de-seckel"><span style="font-weight: 400;">síndrome de Virchow-Seckel</span></a><span style="font-weight: 400;">, e </span><span style="font-weight: 400;">Prince Randian, que impressionava com a sua mobilidade mesmo tendo nascido sem os braços e as pernas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A representatividade desses artistas com deficiência em </span><i><span style="font-weight: 400;">Freaks</span></i><span style="font-weight: 400;"> os coloca em plano de igualdade aos demais atores do longa, principalmente ao mostrar que o verdadeiro monstro eram aqueles tomados pelo sentimento da ganância. Mas apesar da lição de moral, a situação dos atores e de outras PCD não era nada favorável. Muitos se exibiam nos chamados </span><a href="https://super.abril.com.br/coluna/turma-do-fundao/as-atracoes-humanas-do-8220-circo-dos-horrores-8221/"><i><span style="font-weight: 400;">freak shows</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que tinha como foco chocar a população com imagens consideradas anormais para o padrão da época. O formato bizarro de entretenimento era muito popular nos Estados Unidos e o </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/tradicional-circo-ringling-bros-fecha-apos-146-anos.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Barnum &amp; Bailey’s</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um circo dos horrores fundado por Phineas Barnum, chegou a apresentar milhares de personalidades. Dentre elas estavam as gêmeas siamesas Daisy e Violet, unidas pelo quadril e nádegas, que chegaram a estrelar no clássico de Browning.</span></p>
<figure id="attachment_26294" aria-describedby="caption-attachment-26294" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26294" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-4.jpg" alt="Cena em branco e preto do filme freaks mostra um grupo de nove artistas de circo reunidos em volta de uma mesa bem comprida. Alguns dos personagens demonstram expressões de alegria e outros de tristeza. A mesa está coberta por uma toalha de piquenique e muita comida. A cerimônia se localiza em uma das tendas do circo." width="628" height="471" /><figcaption id="caption-attachment-26294" class="wp-caption-text">A festa de noivado de Cleo e Hans foi celebrada como um jantar entre as atrações do circo (Foto: Metro-Goldwyn-Mayer)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Partindo desse imaginário popular grotesco da forma com que as PCD eram vistas socialmente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Freaks</span></i><span style="font-weight: 400;"> inicia com a reação do público após sair do espetáculo. O </span><a href="https://super.abril.com.br/coluna/turma-do-fundao/12-filmes-perturbadores-de-terror-psicologico/"><span style="font-weight: 400;">horror</span></a><span style="font-weight: 400;"> provocado pela película apela para a imaginação do telespectador, a quem é transmitida uma angústia sobre algo que ainda não foi exibido. Em antítese ao clima provocado de início, a primeira aparição das atrações do circo os exibe como indivíduos carinhosos, meigos e que apresentam comportamentos infantis, o que atenua ainda mais a crítica sobre quem é a aberração da história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, o rico debate presente no longa não foi altamente explorado da forma que devia. A curta duração do filme, que não chega nem a 70 minutos, faz com que alguns diálogos não sejam muito aprofundados. O motivo para isso se deu pelo fato de os produtores estarem receosos pela reação do público diante da ousadia da trama. Mas ainda assim, o roteiro inovador serviu de grande inspiração para diversas obras.</span></p>
<figure id="attachment_26295" aria-describedby="caption-attachment-26295" style="width: 632px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26295" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5-1.jpg" alt="Cena em branco e preto do filme freaks exibe à esquerda um homem negro e careca sem braços e pernas, vestindo uma roupa adaptada para o seu corpo em cima de uma mesa. À direita está um homem branco, de cabelos curtos e castanhos, vestindo uma camisa branca, um cinto preto e uma calça cinza. Os dois estão conversando em um dos ambientes do circo." width="632" height="474" /><figcaption id="caption-attachment-26295" class="wp-caption-text">Prince Randian, que interpretou o Torso Vivo em Freaks, chegou a fazer shows exibindo suas habilidades de se movimentar sem os braços e as pernas (Foto: Metro-Goldwyn-Mayer)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A escritora Katherine Dunn foi inspirada pelo filme para escrever o livro </span><a href="https://www.momentumsaga.com/2018/11/resenha-geek-love-de-katherine-dunn.html"><i><span style="font-weight: 400;">Amor de Monstro</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 1989. A peça literária narra a vida da família Binewski, que ingerem substâncias tóxicas para darem a luz a crianças fora do padrão esperado e, assim, constroem seu </span><i><span style="font-weight: 400;">freak show</span></i><span style="font-weight: 400;"> itinerante. Além dessa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Simpsons</span></i><span style="font-weight: 400;"> já produziram um episódio inspirado pelo filme. O especial</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Casa da Árvore dos Horrores XXIV</span></i><span style="font-weight: 400;"> trouxe a história </span><i><span style="font-weight: 400;">Freaks No Geeks</span></i><span style="font-weight: 400;"> que apresenta o mesmo roteiro do longa de Browning, porém adaptado com a caracterização dos personagens da série.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Igualmente a essas obras, </span><a href="https://personaunesp.com.br/ahs-1984-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">American Horror Story</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> também se influenciou por </span><i><span style="font-weight: 400;">Freaks</span></i><span style="font-weight: 400;"> e acabou dedicando uma história da antologia exclusiva ao ambiente circense. A quarta temporada da série, intitulada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Freak Show</span></i><span style="font-weight: 400;">, trouxe todo essa atmosfera tensa desses espetáculos sórdidos, com personagens que remetem diretamente às personalidades do longa, como Pepper (</span><span style="font-weight: 400;">Naomi Grossman</span><span style="font-weight: 400;">) e as gêmeas Bette e Dot Tattler (Sarah Paulson). Além disso, o </span><i><span style="font-weight: 400;">showrunner</span></i><span style="font-weight: 400;">, Ryan Murphy, ainda exaltou a película ao referenciar o desfecho de Cleópatra aos gritos de “um de nós”, entoado por seus colegas de trabalho.</span></p>
<figure id="attachment_26296" aria-describedby="caption-attachment-26296" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26296" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-6.jpg" alt="Cena em branco e preto do filme freaks mostra uma mulher branca e loira totalmente desfigurada. Ela veste um terno preto e uma gravata borboleta, que cobre parte do seu corpo repleto de penas. O cenário apresenta uma lona de circo ao fundo e um piso de areia." width="800" height="600" /><figcaption id="caption-attachment-26296" class="wp-caption-text">“Um de nós” (Foto: Metro-Goldwyn-Mayer)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com esse final surpreendente da personagem em </span><i><span style="font-weight: 400;">Freaks</span></i><span style="font-weight: 400;">, o diretor completa sua crítica, questionando a moral e os padrões sociais. A conclusão marcante da obra contribuiu para a consagração da película como um filme </span><i><span style="font-weight: 400;">cult</span></i><span style="font-weight: 400;"> nas salas de cinema dos </span><i><span style="font-weight: 400;">midnight movies.</span></i><span style="font-weight: 400;"> 90 anos após seu lançamento, fica bem claro que a fama do terror dos anos 1930 veio de sua capacidade de dar visibilidade a artistas de circo marginalizados e, ainda, apresentá-los como forma de crítica social.</span></p>
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		<title>Mom acabou :’(</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Aug 2021 18:43:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista A era das grandes comédias da Televisão aberta está chegando ao fim. Enquanto os anos 2000 geraram longas produções, que facilmente alcançaram a lendária marca dos cem capítulos, as décadas de dez e vinte cumpriram a solene tarefa de findar essas jornadas. Quando o assunto é sitcom estadunidense, pode ter certeza que Chuck &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/mom-8a-temporada-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Mom acabou :’("</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22713" aria-describedby="caption-attachment-22713" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22713" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/1-3.jpg" alt="Cena da série Mom que mostra um grupo de mulheres brancas adultas se abraçando. " width="1000" height="727" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/1-3.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/1-3-800x582.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/1-3-768x558.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22713" class="wp-caption-text">Sutilmente se despedindo da TV, Mom recebeu 3 indicações ao Emmy 2021 (Foto: CBS)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A era das </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2016/10/25/interna_diversao_arte,554518/sitcom-formato-classico-do-humor-perdura-ate-os-dias-de-hoje-na-teve.shtml"><span style="font-weight: 400;">grandes comédias da Televisão</span></a><span style="font-weight: 400;"> aberta está chegando ao fim. Enquanto os anos 2000 geraram longas produções, que facilmente alcançaram a lendária marca dos cem capítulos, as décadas de dez e vinte cumpriram a solene tarefa de </span><a href="https://personaunesp.com.br/modern-family-final-critica/"><span style="font-weight: 400;">findar essas jornadas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Quando o assunto é </span><i><span style="font-weight: 400;">sitcom </span></i><span style="font-weight: 400;">estadunidense, pode ter certeza que </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/chuck-lorre-imperio-de-comedias"><span style="font-weight: 400;">Chuck Lorre está no meio</span></a><span style="font-weight: 400;">, e com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tSKzFgS07dI"><i><span style="font-weight: 400;">Mom </span></i><span style="font-weight: 400;">a história não é diferente</span></a><span style="font-weight: 400;">. Dando adeus após 8 temporadas, a série guiada pelo encanto de Allison Janney enfim acabou.</span></p>
<p><span id="more-22712"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Parte fundamental de se manter por tanto tempo na grade americana repousa na capacidade metamórfica dessas comédias de 21 minutos semanais. Além da arquitetura de enredos compridos e que ligam seus anos, são necessárias tramas menores, </span><a href="https://www.domestika.org/pt/blog/5692-10-grandes-episodios-de-garrafa-da-televisao#:~:text=%22Epis%C3%B3dio%20de%20garrafa%22%20%C3%A9%20o,todos%20os%20elementos%20da%20s%C3%A9rie."><span style="font-weight: 400;">episódios-garrafa</span></a><span style="font-weight: 400;"> e uma construção de empatia entre público e conteúdo. Afinal, não há maior combustível para a renovação do que o amor de quem investe tempo na história, se considerando parte das pessoas que assistem religiosamente.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Mom </span></i><span style="font-weight: 400;">começou em 2013, no </span><a href="https://mixdeseries.com.br/two-and-a-half-men-o-motivo-que-fez-charlie-sheen-ser-demitido/"><span style="font-weight: 400;">crepúsculo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Two and a Half Men</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e no </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/entretenimento/por-que-the-big-bang-theory-se-tornou-tao-popular/"><span style="font-weight: 400;">eclipse de</span><i><span style="font-weight: 400;"> The Big Bang Theory</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, os dois maiores sucessos de Lorre. Dessa vez, com mulheres no centro da narrativa, Lorre criou, ao lado de Eddie Gorodetsky e Gemma Baker, um veículo para o talento de duas atrizes opostas. Anna Faris, à época acostumada com o pastelão cômico de </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/20-anos-de-todo-mundo-em-panico-anna-faris-estava-falida-quando-conseguiu-o-papel-principal-do-filme-conheca-historia/"><i><span style="font-weight: 400;">Todo Mundo em Pânico</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">A Casa das Coelhinhas</span></i><span style="font-weight: 400;">, e </span><a href="https://tvline.com/2020/11/03/mom-season-8-anna-faris-leaving-allison-janney-interview/"><span style="font-weight: 400;">Allison Janney</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma artista camaleônica, que triunfa em qualquer jaula de jacarés em que é jogada. </span></p>
<figure id="attachment_22714" aria-describedby="caption-attachment-22714" style="width: 1486px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22714" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/2-1.jpg" alt="Cena da série Mom que mostra um homem e uma mulher sentados um de frente para o outro." width="1486" height="836" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/2-1.jpg 1486w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/2-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/2-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/2-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/2-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22714" class="wp-caption-text">Rainn Wilson, o Dwight de The Office, retorna como o sensacional psicólogo de Bonnie, e ganha tramas maiores neste ano final de Mom (Foto: CBS)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A narrativa mostra, é claro, uma mãe (Farris) em conflito com seus filhos. O clima geracional era ambientado com o retorno da mãe dessa mãe (Janney), uma mulher inconsequente e que muito traumatizou a filha, por conta do alcoolismo e do vício em drogas, herdados em uma poesia triste e que </span><a href="https://minhavisaodocinema.com.br/2019/10/13/critica-mom-1-temporada-atualmente-2013/"><span style="font-weight: 400;">movimenta o ínicio da primeira temporada</span></a><span style="font-weight: 400;">. Christy Plunkett é mãe de dois adolescentes, tem uma relação conturbada com o ex-marido inconsequente e agora precisa lidar com Bonnie, que reaparece anos depois de cortar laços.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aos </span><a href="https://centroterapeuticoadonai.com.br/cinco-filmes-sobre-alcoolismo/"><span style="font-weight: 400;">trancos e barrancos</span></a><span style="font-weight: 400;">, mãe e filha frequentam reuniões do Alcoólicos Anônimos, criam uma poderosa rede de apoio e rumam em direção a uma vida ainda caótica, mas sem as bebidas e as drogas. Sóbrias, as garotas Plunkett foram despejadas, arrumaram novos empregos, novos amores e brigaram um bocado, mas o fizeram juntas e unidas, reconstruindo uma vida inteira de erros e descasos. As temporadas, que contam com uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KqXKppvCiwU"><span style="font-weight: 400;">média de 22 episódios</span></a><span style="font-weight: 400;">, se encarregam de mostrar na prática o quão mutável e irreversível é a imprevisibilidade da vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao lado de um grupo de amigas que acaba </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GTDRg5G77x4"><span style="font-weight: 400;">virando uma família escolhida</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mom </span></i><span style="font-weight: 400;">ficcionaliza o melhor cenário possível: aquele onde as pessoas aprendem com seus erros e crescem. Sem pesar a mão no </span><a href="https://personaunesp.com.br/ted-lasso-critica/"><span style="font-weight: 400;">otimismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ronda as produções da era do </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">, Chuck Lorre manipula situações verdadeiramente arrasadoras, mas que são combatidas com a resiliência de um sexteto de mulheres que se apoiam e se amam incondicionalmente.</span></p>
<figure id="attachment_22715" aria-describedby="caption-attachment-22715" style="width: 1544px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22715" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/3-1.png" alt="Cena da abertura de Mom, que mostra uma fotografia emoldurada e uma caneca branca, com o nome da série escrito com fonte preta." width="1544" height="870" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/3-1.png 1544w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/3-1-800x451.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/3-1-1024x577.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/3-1-768x433.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/3-1-1536x865.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/3-1-1200x676.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22715" class="wp-caption-text">Com 4 episódios a menos que o costumeiro, a oitava temporada de Mom acabou no décimo oitavo capítulo, totalizando 170 ao longo de todos esses anos (Foto: CBS)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por conta desse clima tão amigável, foi </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/tv/tv-news/mom-show-anna-faris-exit-series-finale-interview-1234969133/"><span style="font-weight: 400;">estranha a notícia</span></a><span style="font-weight: 400;"> de que Anna Faris, protagonista da série, sairia do elenco na oitava temporada. Pouco tempo depois, foi anunciado que este ano oito seria, obviamente, o </span><a href="https://deadline.com/2021/02/mom-canceled-end-season-8-cbs-series-finale-1234695849/"><span style="font-weight: 400;">conclusivo para o </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Sem os fracassos de Christy despejando cenas de choro e frustração no roteiro da </span><i><span style="font-weight: 400;">CBS</span></i><span style="font-weight: 400;">, a série precisou realinhar seu foco e colocar Bonnie, de uma vez por todas, no centro da pintura. Para isso, o grupo de amigas ganhou posto de co-protagonista, enriquecido pela lacuna narrativa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Marjorie, papel da calma porém durona </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rrLJ2OSY8oY"><span style="font-weight: 400;">Mimi Kennedy</span></a><span style="font-weight: 400;">, é a bússola moral das amigas. A idosa dona de uma dezena de gatos foi presa, perdeu o contato e o respeito do filho, mas mantém uma porção de afilhadas no A.A., e é a responsável por servir o chá de bom senso ao resto do grupo. No ano final, Marjorie lida com a morte do esposo Victor, e Mimi Kennedy é uma atriz que transborda a simpatia necessária para esse tipo de interpretação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jill é a pilha de nervos do grupo, e o olhar ligado no duzentos e vinte de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=22YAl_L9g2M"><span style="font-weight: 400;">Jamie Pressly</span></a><span style="font-weight: 400;"> transmite com facilidade a energia da personagem, uma ricaça com problemas no antigo casamento e que tenta, ao longo de toda a série, engravidar e construir uma família. O iô-iô que Jill joga para lá e para cá no namoro com o policial Andy (Will Sasso) rende alguns dos melhores capítulos do ano oito, e os atores dominam o </span><i><span style="font-weight: 400;">timing </span></i><span style="font-weight: 400;">cômico ideal para qualquer um dos enredos que </span><i><span style="font-weight: 400;">Mom </span></i><span style="font-weight: 400;">os serve.</span></p>
<figure id="attachment_22716" aria-describedby="caption-attachment-22716" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22716" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/4-3.jpg" alt="Cena da série Mom que mostra 5 mulheres em pé, usando pijamas e escrevendo em cadernos." width="1500" height="844" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/4-3.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/4-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/4-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/4-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/4-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22716" class="wp-caption-text">Para o inferno com o Saturday Night Live, as coadjuvantes de Mom mereciam muito mais aquelas indicações ao Emmy 2021 (Foto: CBS)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Wendy (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jMnfjBBe9nI"><span style="font-weight: 400;">Beth Hall</span></a><span style="font-weight: 400;">) ainda serve como o fim mais fácil e preguiçoso da porção de patadas da série, mas a personagem ganha o suspiro de um arco próprio nesta reta derradeira. A grande surpresa da nova era de </span><i><span style="font-weight: 400;">Mom </span></i><span style="font-weight: 400;">é Tammy (uma inspirada e deliciosa de se assistir </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YSlxwu4s1YM"><span style="font-weight: 400;">Kristen Johnson</span></a><span style="font-weight: 400;">). Irmã postiça de Bonnie na infância, a loura apareceu brevemente no fim da quinta temporada, como uma detenta raivosa e disposta a se vingar da mulher que a apresentou ao mundo das drogas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Integrando o elenco regular a partir do ano seguinte, Tammy sofreu uma bem-vinda metamorfose, e todo seu senso de raiva adormecida se transformou na benevolência juvenil de uma mulher à beira de um ataque de nervos. A química entre Johnson e Janney possui o </span><i><span style="font-weight: 400;">tchan </span></i><span style="font-weight: 400;">extra e transforma as cenas de Tammy e Bonnie num </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">à parte, que não hesita em dar uma chance às segundas chances. Mais que uma série sobre vícios e a reconstrução depois das drogas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mom </span></i><span style="font-weight: 400;">desata a nos mostrar o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9bdLTPNrlEg"><span style="font-weight: 400;">crescimento natural</span></a><span style="font-weight: 400;"> de mulheres quebradas, mas não destruídas. </span></p>
<figure id="attachment_22717" aria-describedby="caption-attachment-22717" style="width: 2028px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22717" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/5-3.jpg" alt="Cena da série Mom que mostra 3 mulheres sentadas e se olhando." width="2028" height="1141" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/5-3.jpg 2028w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/5-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/5-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/5-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/5-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/5-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22717" class="wp-caption-text">“Oi, meu nome é Bonnie e eu sou alcóolatra” “Oi, Bonnie” (Foto: CBS)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além do agora quinteto, quem movimenta e muito o núcleo familiar adorável de </span><i><span style="font-weight: 400;">Mom </span></i><span style="font-weight: 400;">é Adam, o marido de Bonnie, interpretado com um afago devasso por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OcdMfEVhunE"><span style="font-weight: 400;">William Fichtner</span></a><span style="font-weight: 400;">. O personagem foge do arquétipo exaustivo da pessoa que usa cadeira de rodas depressiva e coitadinha, mas a escalação de Fichtner no lugar de um </span><a href="https://talentoincluir.com.br/turismo/a-representatividade-das-pessoas-com-deficiencia-nas-midias/"><span style="font-weight: 400;">ator PcD</span></a><span style="font-weight: 400;"> levanta a </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2017/08/24/interna_diversao_arte,620237/representatividade-de-deficientes-fisicos-na-tv.shtml"><span style="font-weight: 400;">questão da representatividade</span></a><span style="font-weight: 400;"> na TV. E </span><i><span style="font-weight: 400;">Mom </span></i><span style="font-weight: 400;">não desvia dessa bala, considerando que todo seu elenco principal é formado por pessoas brancas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As duas personagens negras que aparecem com destaque na história (vividas por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4bLsuJdqofI"><span style="font-weight: 400;">Octavia Spencer</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6SzvT_Pdfbg"><span style="font-weight: 400;">Yvette Nicole Brown</span></a><span style="font-weight: 400;">) servem de apoio aos dramas das mães protagonistas e nunca ganham sustância ou importância para além de serem auxiliares e facilitadoras narrativas. Questões relacionadas à </span><a href="https://ponte.org/artigo-a-estrutura-faz-com-que-a-bifobia-seja-algo-cotidiano/"><span style="font-weight: 400;">sexualidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, como a atração que Bonnie e Christy sentem por mulheres, são vistas como motivo de piada e fetiche, provando que o machismo impregnado na </span><a href="http://nodeoito.com/machismo-ironico/"><span style="font-weight: 400;">mansão de Malibu</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Charlie Harper e no </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/media/stories/5-momentos-muito-machistas-de-big-bang-theory/"><span style="font-weight: 400;">apartamento </span><i><span style="font-weight: 400;">geek</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de Leonard e Sheldon também se alastrou para os </span><i><span style="font-weight: 400;">sets </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><i><span style="font-weight: 400;">Mom</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_22718" aria-describedby="caption-attachment-22718" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22718" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/6-1.jpg" alt="Cena da série Mom, que mostra 3 pessoas brancas sentada à uma mesa chique, usando roupas de gala e olhando para um palco." width="1000" height="667" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/6-1.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/6-1-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/6-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22718" class="wp-caption-text">Anna Faris não retorna nos últimos episódios, reiterando a máxima de Mom: a vida não tem roteiro de série, imprevistos são rotina e não devemos repousar nossa felicidade em ninguém além de nós mesmos (Foto: CBS)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo de oito anos, Mom somou 13 nomeações ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;">, ganhando 2 vezes na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante em Série de Comédia com Allison Janney, em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ebj7zrhVTMA"><span style="font-weight: 400;">2014</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dlJ62iF8Mj4"><span style="font-weight: 400;">2015</span></a><span style="font-weight: 400;">. A veterana da Academia, vencedora de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EbvmFU4qD5E"><span style="font-weight: 400;">7 dos 15 prêmios</span></a><span style="font-weight: 400;"> que concorreu, ainda conseguiu mais uma menção em Coadjuvante antes de se submeter como protagonista, indicada em 2017, 18 e agora em 21. É óbvio que suas chances de gritar tri são quase nulas. Competir com a ferocidade fresca de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QpE4893PxqE"><span style="font-weight: 400;">Jean Smart</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-flight-attendant-critica/"><span style="font-weight: 400;">Kaley Cuoco</span></a><span style="font-weight: 400;"> não é tarefa fácil, mesmo para alguém com o invejável </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LdHi9awgnus"><span style="font-weight: 400;">prestígio de vencedora do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">por </span><i><span style="font-weight: 400;">Eu, Tônia</span></i><span style="font-weight: 400;">. Na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2021/"><span style="font-weight: 400;">73ª edição do </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mom </span></i><span style="font-weight: 400;">escolheu momentos decisivos para se enfiar na briga.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como já virou costume com grandes comédias se despedindo (vide </span><i><span style="font-weight: 400;">Modern Family </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">The Big Bang Theory</span></i><span style="font-weight: 400;">), </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ud95rb2hUvA"><span style="font-weight: 400;">Melhor Direção</span></a><span style="font-weight: 400;"> guardou uma vaga para </span><a href="https://mom-cbs.fandom.com/wiki/James_Widdoes"><span style="font-weight: 400;">James Widdoes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e seu </span><i><span style="font-weight: 400;">Scooby-Doo Checks and Salisbury Steak</span></i><span style="font-weight: 400;">, décimo sexto episódio do ano, e extremamente focado em conclusões para a porção de personagens da </span><i><span style="font-weight: 400;">sitcom</span></i><span style="font-weight: 400;">. Na categoria de Montagem em Série de Comédia com Múltiplas Câmeras, Joe Bella concorre pelo mesmo </span><i><span style="font-weight: 400;">Scooby-Doo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Allison Janney, por sua vez, </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1431027274955075587"><span style="font-weight: 400;">apelou e submeteu a </span><i><span style="font-weight: 400;">series finale</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Mom</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">como sua fita na disputa de Melhor Atriz em Série de Comédia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No capítulo em questão, o emotivo </span><i><span style="font-weight: 400;">My Kinda People and the Big To-Do</span></i><span style="font-weight: 400;">, Bonnie percebe que já sofreu tudo que tinha para sofrer e pode, depois de uma vida de percalços e punições, aproveitar a mediocridade da felicidade definitiva. Por isso, o roteiro teima em atirar-lhe pepinos escorregadios e encurralá-la em cantos pontiagudos nas diversas discussões que partilha com o marido e as amigas. Na tentativa de exaurir qualquer núcleo de </span><a href="https://www.tvinsider.com/998503/mom-series-finale-recap-bonnie-ending-allison-janney/"><span style="font-weight: 400;">teimosia e intriga</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mom </span></i><span style="font-weight: 400;">se despede da TV equiparando felicidade e conclusão.</span></p>
<figure id="attachment_22719" aria-describedby="caption-attachment-22719" style="width: 1350px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22719" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/7.jpg" alt="Foto do elenco regular da 8a temporada de Mom" width="1350" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/7.jpg 1350w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/7-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/7-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/7-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/7-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22719" class="wp-caption-text">Como boa série tristonha, Mom sabe como vitaminar sua temporada final com enredos simples, mas eficientes, e que nos certificam que há esperança no futuro daquelas mulheres (Foto: CBS)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Mom </span></i><span style="font-weight: 400;">acabou, que pena. Parte da jornada é o fim, mas o tchau choroso a uma série tão rica, tão inteligente e tão subestimada é mais dolorido do que deveria. O final não é triste, </span><a href="https://tvline.com/2016/02/18/mom-jodi-dies-drug-overdose-emily-osment-season-3/"><i><span style="font-weight: 400;">Mom </span></i><span style="font-weight: 400;">como um todo é</span></a><span style="font-weight: 400;">. O final tampouco é aguado, apressado ou mesmo “conclusivo”. Na última reunião dos Alcoólicos Anônimos que temos o prazer de participar, uma nova dinâmica de mãe e filha nasce aos moldes daquela de 2013. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se formos </span><a href="https://personaunesp.com.br/normal-people-critica/"><span style="font-weight: 400;">viver em ciclos</span></a><span style="font-weight: 400;">, que sejam, ao menos, bons ciclos. Deslizes não nos definem, erros não nos definem. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mom </span></i><span style="font-weight: 400;">anota seu ponto final com a leveza de quem contou </span><a href="https://www.vox.com/2014/11/6/7170297/mom-cbs-good-review"><span style="font-weight: 400;">histórias humanas</span></a><span style="font-weight: 400;"> sem a necessidade de julgamento ou aversão, da maneira exata que uma série de comédia, que ia ao ar às quintas da CBS com o gostinho de TV aberta e aspereza clássica de uma titã chamada Allison Janney, deveria contar. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mom </span></i><span style="font-weight: 400;">acabou, mas </span><a href="https://edition.cnn.com/2021/05/13/entertainment/mom-series-finale/index.html"><span style="font-weight: 400;">viveu o suficiente</span></a><span style="font-weight: 400;"> para se tornar celebrada. </span></p>
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