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	<title>Arquivos Oscar 2026 &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Oscar 2026: onde vestir é posicionar-se</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Mar 2026 13:30:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Com looks mais contidos, porém cheios de significado, a passarela revela a memória do cinema e destrincha sobre identidade Livia Queiroz  Ao tratar de uma cerimônia como o Oscar, é impossível não dissertar sobre o mundo fashion que à envolve. Sem figurino, o cenário não se concretiza. Sem glamour, o tapete vermelho desbota. Este é &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/oscar-2026-fashion/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Oscar 2026: onde vestir é posicionar-se"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><span style="font-weight: 400;">Com </span><span style="font-weight: 400;">looks</span><span style="font-weight: 400;"> mais contidos, porém cheios de significado, a passarela revela a memória do cinema e destrincha sobre identidade</span></em></p>
<figure id="attachment_37134" aria-describedby="caption-attachment-37134" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-37134" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/06_EXPORTACAO_ARTE_LIVIA_COLORIDO-800x450.jpg" alt="Na colagem de base dourada com textura semelhante a uma pintura com pincel, é possível identificar ao fundo o ícone do Persona, um olho com íris em formato de ‘play’, pintado de dourado, e a palavra ‘fashion’ contornada em branco translúcido. Em destaque, ícones femininas posam com diferentes facetas. Da esquerda para a direita temos Teyana Taylor em um vestido Chanel preto translúcido no abdômen, com penas na saia e detalhes brancos horizontais; Demi Moore usando um vestido tubo formado por penas preta em toda sua extensão; Chase Infiniti em um vestido reto com saia bufante com camadas; Mia Goth vestida em um traje branco simples com detalhes bordados a mão; Chloé Zhao, com um conjunto de blazer e saia metalizados em preto e um véu da mesma cor cobrindo da cabeça ao tronco e Odessa A’zion em um conjunto preto com recortes semelhantes a um quimono." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/06_EXPORTACAO_ARTE_LIVIA_COLORIDO-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/06_EXPORTACAO_ARTE_LIVIA_COLORIDO-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/06_EXPORTACAO_ARTE_LIVIA_COLORIDO-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/06_EXPORTACAO_ARTE_LIVIA_COLORIDO-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/06_EXPORTACAO_ARTE_LIVIA_COLORIDO-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/06_EXPORTACAO_ARTE_LIVIA_COLORIDO.jpg 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37134" class="wp-caption-text">Apesar da ausência de manifestações, as mulheres do Oscar se destacam na ousadia e diversidade (Foto: Maria Fernanda Cabrera)</figcaption></figure>
<p><b>Livia Queiroz </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao tratar de uma cerimônia como o </span><a href="https://www.vogue.com/tag/event/oscars"><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></a><span style="font-weight: 400;">, é impossível não dissertar sobre o mundo </span><i><span style="font-weight: 400;">fashion</span></i><span style="font-weight: 400;"> que à envolve. Sem figurino, o cenário não se concretiza. Sem </span><i><span style="font-weight: 400;">glamour</span></i><span style="font-weight: 400;">, o tapete vermelho desbota. Este é o lema que encaixa perfeitamente ao momento vivido, com pouco </span><a href="https://www.absurdintelligence.com/fashion-is-political/"><i><span style="font-weight: 400;">political fashion</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e maior referência a suas obras indicadas. A cerimônia apresentou emoção e manifestação, mas será que podemos afirmar o mesmo sobre o</span><i><span style="font-weight: 400;"> red carpet</span></i><span style="font-weight: 400;">? A resposta é sim, porque até onde não há intenção há expressão, formando personalidade, identidade e, consequentemente, a moda. </span></p>
<p><span id="more-37121"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em conjunto, parte do casting de </span><a href="https://www.elle.com/culture/celebrities/a70746672/sinners-cast-photos-red-carpet-photos-oscars-2026/"><i><span style="font-weight: 400;">Sinners</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2025), vencedor de quatro prêmios, chegou para o evento com trajes diversos da </span><i><span style="font-weight: 400;">Louis Vuitton</span></i><span style="font-weight: 400;">, coordenada pelo diretor criativo Pharrell Williams. </span><a href="https://www.dailymail.co.uk/video/tvshowbiz/video-3620067/Video-Sinners-Jack-OConnell-wore-vampire-fangs-2026-Oscars.html"><span style="font-weight: 400;">Jack O’ Connell</span></a><span style="font-weight: 400;">, para destacar seu papel dentro da obra, aparece na passarela com próteses de presas cobertas de sangue, semelhantes aos vampiros do filme. Indo além da roupa que se veste, o diretor do filme, </span><a href="https://www.elle.com/beauty/hair/a70749428/ryan-coogler-braids-photos-oscars-2026/"><span style="font-weight: 400;">Ryan Coogler</span></a><span style="font-weight: 400;">, se manifesta por meio de suas tranças, feitas por Tyzanna B., formando duas guitarras, mais especificamente, do gênero musical </span><i><span style="font-weight: 400;">blues</span></i><span style="font-weight: 400;">. O elenco, sem dúvidas, soube ousar na quietude e prestou seu carinho e gratidão pela cultura e arte negra durante a temporada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A moda brasileira também se fez presente e brilhou. Alice Carvalho, atriz de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-agente-secreto-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Agente Secreto</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2025), surge na passarela em um vestido bege – infelizmente um pouco fora do caimento ideal –, da </span><a href="https://www.normando.co/pages/sobre-a-normando-1"><span style="font-weight: 400;">Normando</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma marca amazônica desenhada por Marco Normando e Emídio Contente. Para acrescentar ainda mais a composição, usa uma bolsa com estatueta dourada, do </span><i><span style="font-weight: 400;">designer</span></i><span style="font-weight: 400;"> catarinense Jay Boggo e um broche representando a América na língua do povo Kuna, originários do Panamá.</span></p>
<blockquote><p><b>“</b><b><i>O tecido escolhido foi uma mistura de duas fibras cultivadas na Amazônia, a juta e a malva amazônica. Fibras cultivadas por diversas famílias nos estados do Amazonas e do Pará, sem uso de agrotóxicos e pesticidas e com irrigação natural dos rios e igarapés da região, e tecidas pela @somoscastanhal no estado do Pará, na cidade de Castanhal, o processo é sustentável e 100% orgânico e da Amazônia brasileira</i></b><b>” –</b> <span style="font-weight: 400;">Normando</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_37123" aria-describedby="caption-attachment-37123" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37123" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/amy-mandigan-800x533.jpg" alt="A foto destaca no centro Amy Madigan, atriz branca de meia idade com os cabelos loiros. Ela usa óculos escuros com lentes marrons, joias cintilantes pratas que contrastam com seu blazer customizado por Dior, simulando escamas em preto e dourado claro. Em sua mão, a mulher segura uma estatueta em ouro apoiada em um base preta. " width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/amy-mandigan-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/amy-mandigan-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/amy-mandigan-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/amy-mandigan-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/amy-mandigan-2048x1365.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/amy-mandigan-1200x800.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37123" class="wp-caption-text">40 anos após sua última indicação, Amy Madigan é indicada e venceu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante (Foto: Chris Pizzello)</figcaption></figure>
<p><b>O vintage sempre volta</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As tradicionais nunca saem de moda.</span><i><span style="font-weight: 400;"> Chanel</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Louis Vuitton</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Dior</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Armani</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Valentino</span></i><span style="font-weight: 400;">; essas são as marcas não só mais vistas este ano como desde que Hollywood é o palco do luxo e da alta costura. Porém, o que mais encanta são as </span><a href="https://www.vogue.com/slideshow/best-vintage-2026-oscars"><span style="font-weight: 400;">homenagens ao </span><i><span style="font-weight: 400;">vintage</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">looks</span></i><span style="font-weight: 400;"> de seus arquivos sendo usados novamente em diferentes modos, silhuetas e ocasiões. Desta vez, as referências foram usadas pelas atrizes e por personalidades fora da passarela cinematográfica, como </span><a href="https://www.vogue.co.uk/gallery/amelia-dimoldenberg-oscars-2026"><span style="font-weight: 400;">Amelia Dimoldenberg</span></a><span style="font-weight: 400;">, que teve uma escolha sólida e minimalista, mas elegante, com um </span><i><span style="font-weight: 400;">Ralph Lauren</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">fall</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2007. A figurinista Miyako Bellizzi, representante de sua categoria por </span><a href="https://stealthelook.com.br/o-filme-mais-fashion-do-ano-entenda-o-impacto-do-figurino-de-marty-supreme/"><i><span style="font-weight: 400;">Marty Supreme</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2025), ousou com o vermelho vibrante e assimétrico de John Galliano para a </span><i><span style="font-weight: 400;">Dior</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 1999. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A vencedora do prêmio de Melhor Atriz, </span><a href="https://personaunesp.com.br/hamnet-a-vida-antes-de-hamlet-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jessie Buckley</span></a><span style="font-weight: 400;"> optou por um vestido </span><i><span style="font-weight: 400;">Chanel</span></i><span style="font-weight: 400;"> que glorificava e rememorava o mesmo utilizado por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UcUWAJD4D9w"><span style="font-weight: 400;">Grace Kelly</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 1956, vencedora do Oscar de sua mesma categoria, naquele ano. A atriz homenageia o amor, visto que esse vestido marca o encerramento da carreira de Grace que viria a casar-se com o príncipe de Mônaco, Rainier III. Na festa da Vanity Fair, mais tarde, Anna Taylor-Joy aparece em um macacão curto preto que, novamente, é assinado por John Galliano para a </span><i><span style="font-weight: 400;">Dior</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 1994. O movimento</span><i><span style="font-weight: 400;"> vintage</span></i><span style="font-weight: 400;"> aplaude, então, homenagens ao passado que ressignificam o presente.</span></p>
<figure id="attachment_37124" aria-describedby="caption-attachment-37124" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37124" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/colagem-2-800x450.jpg" alt="A colagem representa as mulheres que levaram o nome da Chanel ao topo das pesquisas durante a noite do Oscar. Em um fundo de cores neutras com vários letreiros destacando o nome “Oscar” e um tapete vermelho, da esquerda para a direita é possível identificar Nicole Kidman, mulher branca com cabelos loiros, em um vestido branco rosado conforme desce para a saia e com detalhes em pedras cinza e pretas bordadas em um modelo ‘tomara que caia’ com a saia tubo; ao lado, Jessie Buckley, mulher branca e de cabelo loiro curto, usando um vestido rosa bebê e tecido vermelho abraçando o peitoral; e Teyana Taylor, mulher negra de cabelo curto. Ela usa um vestido preto translúcido com saia penada e detalhes em branco." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/colagem-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/colagem-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/colagem-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/colagem-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/colagem-2-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/colagem-2.jpg 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37124" class="wp-caption-text">A Chanel foi a marca destaque do evento, subindo seu power ranking para 28, 5 milhões de dólares em engajamento (Arte: Livia Queiroz)</figcaption></figure>
<p><b>Quem veste a política? </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É inegável que, na ignorância, se encontra a paz. Nesse sentido, apesar da maior parte dos trajes da noite seguir um padrão de referência às obras indicadas e retratar o mundo fantasioso do audiovisual, é prazeroso analisar esta moda que ousa para dentro daquilo que o evento homenageia: o cinema. Porém, visto o </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/"><span style="font-weight: 400;">cenário global</span></a><span style="font-weight: 400;">, em especial envolvendo os </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/cdr56r2r88wt"><span style="font-weight: 400;">Estados Unidos</span></a><span style="font-weight: 400;">, deveria ser esperado que os figurinos apresentassem e falassem – nem que fosse de forma velada – mais sobre as opiniões que acercam pessoas influentes como são os presentes, afinal, a moda sempre foi um espaço de impacto para manifestações políticas sem a necessidade de fala. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Este, com certeza, não é o caso de </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c78j27xpp73o.amp"><span style="font-weight: 400;">Javier Bardem</span></a><span style="font-weight: 400;">, que, desde o início de sua carreira, se mostra disposto a verbalizar e estilizar-se conforme o que pensa. Em situações semelhantes, o ator espanhol revive seu </span><i><span style="font-weight: 400;">look </span></i><span style="font-weight: 400;">do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2003, usando o mesmo broche para pedir o fim da guerra com o Oriente Médio e um novo para a liberdade da Palestina. Além dele, Saja Kilani, atriz palestina de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Voice of Hind Rajab </span></i><span style="font-weight: 400;">(2025), veste</span> <a href="https://www.ziyadbuainain.com/about"><i><span style="font-weight: 400;">Ziyad Buainain</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, designer saudito que revigora a moda feminina com um luxo consciente, além de destacar cor em seu único broche, pedindo o cessar-fogo em Gaza. Rei Ami, cantora vencedora em Melhor Canção Original, assim como nos </span><a href="https://personaunesp.com.br/fashion-grammy-2026/"><i><span style="font-weight: 400;">Grammys</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2026</span></a><span style="font-weight: 400;">, reforça a cultura asiática com um conjunto de vestido e boleira longa com pavões bordados em dourado de </span><a href="https://rahulmishra.in/"><span style="font-weight: 400;">Rahul Mishra</span></a><span style="font-weight: 400;">, designer indiano que busca a sustentabilidade étnica.  </span></p>
<blockquote><p><b>“</b><b><i>Não à guerra e Palestina livre</i></b><b>” – </b><span style="font-weight: 400;">Javier Bardem</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_37125" aria-describedby="caption-attachment-37125" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37125" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Foto-oscar-800x450.jpg" alt="A colagem apresenta alguns trajes no tapete vermelho do Oscar, descrito em um letreiro ao fundo nas cores bege claro e ferrugem. Compondo o primeiro plano da imagem, da esquerda para a direita, estão Saja Kilani em um vestido preto desenhado e drapeado em camadas finas e translúcidas de tecido, Javier Bardem em um terno marrom escuro e gravata borboleta, com dois broches amostra, “Palestina Livre” e “Não à guerra”, Rei Ami, em um vestido que faz referência a cultura coreana, mesclando uma capa preta com detalhes em dourado bordados assim como seu vestido, Chloé Zhao em um conjunto de blazer e saia metalizados em preto e um véu da mesma cor cobrindo da cabeça ao tronco e Michael B. Jordan, usando alta-costura alfaiataria da Louis Vuitton, all black." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Foto-oscar-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Foto-oscar-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Foto-oscar-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Foto-oscar-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Foto-oscar-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Foto-oscar.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37125" class="wp-caption-text">O preto dominou o tapete vermelho como manifestação política no Oscar 2026 (Arte: Livia Queiroz)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2026 fica marcado por um </span><i><span style="font-weight: 400;">red carpet</span></i><span style="font-weight: 400;"> diverso porém pouco colorido, ressaltando a ideia de cores como movimento, solidez artística e adequação social. No fim, o evento prova que a moda nunca é silenciosa, é um espaço que carrega a intensidade estética e narrativa juntos. Não se trata apenas de vestir-se, mas também a posição que revela. Mesmo faltando ousadia, segue impressionando com </span><i><span style="font-weight: 400;">looks</span></i><span style="font-weight: 400;"> glamourosos, </span><i><span style="font-weight: 400;">vintages</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou minimalistas, porque, afinal, a versatilidade e atemporalidade de como se veste e porquê se veste permanece. </span></p>
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		<title>Em Sonhos de Trem, é a cinematografia quem conta a história</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Mar 2026 13:00:04 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Clint Bentley]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: O texto contém alguns spoilers Guilherme Machado Leal A fotografia, recurso técnico que dá tom a cor e a estética de um filme, possui força em obras célebres e, muitas vezes, pode ser o marco mais importante e memorável de uma história retratada em tela. Em Sonhos de Trem, longa-metragem indicado a quatro categorias &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/onhos-de-trem-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Sonhos de Trem, é a cinematografia quem conta a história"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso: </i></b><i><span style="font-weight: 400;">O texto contém alguns spoilers</span></i></p>
<figure id="attachment_37085" aria-describedby="caption-attachment-37085" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37085" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-8-800x420.png" alt="Cena do filme Sonhos de Trem. Na imagem, há um homem branco de cabelos e barba castanho escura. Ele usa três camadas de roupa. Na foto, é possível ver a camisa de botão marrom e uma espécie de jaqueta azul por cima. Atrás dele, há madeiras e árvores. Ele usa um chapéu marrom e está com a feição séria." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-8-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-8-1024x538.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-8-768x403.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-8.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37085" class="wp-caption-text">Sonhos de Trem foi indicado a quatro categorias no Oscar 2026: Melhor Filme, Melhor Fotografia, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Canção Original (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Machado Leal</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A fotografia, recurso técnico que dá tom a cor e a estética de um filme, possui força em obras célebres e, muitas vezes, pode ser o marco mais importante e memorável de uma história retratada em tela. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Sonhos de Trem</span></i><span style="font-weight: 400;">, longa-metragem indicado a quatro categorias do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2026/"><span style="font-weight: 400;">Oscar 2026</span></a><span style="font-weight: 400;"> e baseado no conto homônimo de Denis Johnson, o trabalho de cinematografia é realizado pelo brasileiro </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2026/01/22/adolpho-veloso-diretor-de-fotografia-de-sonhos-de-trem-e-indicado-ao-oscar-2026.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Adolpho Veloso</span></a><span style="font-weight: 400;">, também reconhecido em Melhor Fotografia.</span></p>
<p><span id="more-37083"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa conta a história de um madeireiro estadunidense no início do século XX, que também trabalha como um construtor de ferrovias. Na casa onde mora, Robert Grainier (Joel Edgerton) é casado com Gladys (</span><a href="https://personaunesp.com.br/rogue-one-uma-historia-star-wars-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Felicity Jones</span></a><span style="font-weight: 400;">) e tem uma filha com a dona de casa. Devido à rotina, o protagonista não tem tempo para se dedicar à vida pessoal. Pelo contrário, ele se debruça totalmente à atividade para, um dia, ter paz ao lado da família.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sensação de culpa representada pela aparência cansada de Edgerton é sentida aos poucos pelo telespectador, que acompanha alguns anos da trajetória do personagem. Isso, alinhado à </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/story/joel-edgerton-train-dreams-interview?srsltid=AfmBOoqSz8pLR0CixFjI4H98ByEa7UB2cXPyDFjYbwwjo-FVpcBU3QmA"><span style="font-weight: 400;">atuação</span></a><span style="font-weight: 400;"> mais contida e sufocante de Joel, dá o tom existencialista da produção. Em certo momento, o homem perde a esposa e a bebê durante um incêndio. A partir disso, a desumanização do lenhador se torna o peso emocional da trama por meio da tentativa do homem de seguir em frente e continuar o trabalho.</span></p>
<figure id="attachment_37084" aria-describedby="caption-attachment-37084" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37084" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-6.png" alt="Cena do filme Sonhos de Trem. Na imagem, há uma mulher branca de cabelos dourados que utiliza um vestido roxo claro estampado com flores brancas e amarelas. Ela está olhando para uma bebê, que veste uma roupinha verde e um chapéu azul. A criança está sendo segurada por um homem branco de cabelos e barba castanha escura. Ele também usa um chapéu da cor marrom. Atrás deles, há uma floresta." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-6.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-6-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37084" class="wp-caption-text">Felicity Jones, conhecida por Rogue One: Uma História Star Wars, faz o par romântico do personagem interpretado por Joel Edgerton (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, existe descanso até para aqueles que priorizam o lado profissional. A fotografia do </span><a href="https://www.meioemensagem.com.br/midia/adolpho-veloso-oscar-entrevista-sonhos-de-trem"><span style="font-weight: 400;">brasileiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> acerta ao utilizar tons mais melancólicos voltados para tons de azul. Depois da tragédia, o processo de envelhecimento é sentido duplamente: primeiro devido ao processo natural da chegada da idade e segundo por conta da solidão irreversível provocada pela perda fatal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como acontece quando morre alguém próximo a nós, </span><a href="https://www.otempo.com.br/opiniao/diego-almeida/2025/11/22/sonhos-de-trem-da-netflix-e-baseado-em-historia-real"><span style="font-weight: 400;">Robert Grainier</span></a><span style="font-weight: 400;"> nunca mais será o mesmo. O trabalho adquirá um tom diferente, da mesma maneira que as relações nutridas por ele também irão se adaptar. O mundo continua igual, porém a forma de olhá-lo é estranha, inóspita e distante emocionalmente. Ao final do longa, o personagem principal se olha no espelho – a primeira vez em um período relativamente longo – e percebe, internamente, o quanto a vida foi dura com ele.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra existencialista de </span><a href="https://www.npr.org/2025/11/15/nx-s1-5602865/director-and-co-writer-clint-bentley-talks-about-his-film-train-dreams"><span style="font-weight: 400;">Clint Bentley</span></a><span style="font-weight: 400;"> pode não possuir o tom mais palatável àqueles que a experienciam. Entretanto, é inegável o cuidado e dedicação do trabalho cinematográfico realizado por Adolpho Veloso. A partir das lentes melancólicas escolhidas pelo brasileiro, em algum lugar, entendemos a depressão e a solidão daquele lenhador estadunidense do início do século XX. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Train Dreams | Official Trailer | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/_Nk8TrBHOrA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Embaixo da Luz de Neon mostra o propósito de continuar vivendo, sustentado por um amor inabalável</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Mar 2026 13:00:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Andrea Gibson]]></category>
		<category><![CDATA[Blake Neely]]></category>
		<category><![CDATA[Documentário]]></category>
		<category><![CDATA[Embaixo da Luz de Neon]]></category>
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		<category><![CDATA[Oscar 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Lara Fagundes Como é amar alguém sabendo que essa pessoa vai partir antes do planejado? E como continuar vivendo com os dias contados? Embaixo da Luz de Neon, indicado na categoria de Melhor Documentário do Oscar e dirigido por Ryan White, acompanha os poetas: Andrea Gibson, artista não binário com diagnóstico de câncer terminal no &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/embaixo-da-luz-de-neon-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Embaixo da Luz de Neon mostra o propósito de continuar vivendo, sustentado por um amor inabalável"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37063" aria-describedby="caption-attachment-37063" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37063" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-6-800x427.png" alt="Andrea e Megan estão deitadas em um chão de madeira, com um carpete cinza cheio. Entre elas, estão dois cachorros de pelos loiros dourados. Uma luz bate no pelo de um deles e no rosto de Megan, mulher branca de cabelos castanhos, usando uma blusa branca, que está rindo com os olhos fechados e a cabeça para cima. Andrea, pessoa não binária branca, com cabelos pretos curtos, uma tatuagem no braço e uma camiseta preta estampada, sorri, olhando para o lado. " width="800" height="427" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-6-800x427.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-6-1024x546.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-6-768x409.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-6-1536x819.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-6-1200x640.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-6.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37063" class="wp-caption-text">“Minha história é como a felicidade se torna mais fácil de achar ao percebermos que não temos a eternidade para encontrá-la”, Andrea Gibson (Foto:Apple TV)</figcaption></figure>
<p><b>Lara Fagundes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como é amar alguém sabendo que essa pessoa vai partir antes do planejado? E como continuar vivendo com os dias contados? </span><i><span style="font-weight: 400;">Embaixo da Luz de Neon</span></i><span style="font-weight: 400;">, indicado na categoria de </span><a href="https://www.omelete.com.br/oscar-2026/oscar-2026-indicados"><span style="font-weight: 400;">Melhor Documentário do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e dirigido por Ryan White, </span><span style="font-weight: 400;">acompanha os poetas: Andrea Gibson, artista não binário com diagnóstico de câncer terminal no ovário, e Megan Falley, sua esposa e companheira. Muito mais do que uma história sobre lidar com mortalidade, o longa fala da importância de colocar sentimentos em palavras e celebrar a vida com leveza enquanto ainda a tem.</span></p>
<p><span id="more-37061"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Andrea e Megan se conheceram por meio de espaços para declamação de poemas e essa profissão se mantém como um local de conforto mútuo, fazendo parte da narrativa como guia. Com o diagnóstico, os shows de recitação precisam ser cancelados e a rotina fica parada entre consultas médicas e sessões de quimioterapia, mas nenhuma delas permite que os versos saiam de seus dias. Andrea continuou </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tnq4DVkTWb8"><span style="font-weight: 400;">se expressando com palavras</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelas redes sociais e Megan decidiu escrever um livro contando sua vivência. Esses sentimentos escritos levam para um caminho íntimo, indo mais a fundo na reflexão sobre vida e morte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O objetivo do longa é, não apenas documentar a vivência e a arte de uma das protagonistas, mas também acompanhar sua tentativa de fazer um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kdjEzdS9Y2Y"><span style="font-weight: 400;">último show</span></a><span style="font-weight: 400;"> de recitação, o que quase não é possível por conta de medicamentos que poderiam acabar com sua voz. Como um tipo de celebridade para os poetas, a arte é essencial e, ao escolher sua voz ao invés dos remédios, se pergunta qual o propósito de um</span><span style="font-weight: 400;">a vida sem poesia. Aqui, a identidade é uma parte importante da narrativa, tanto pelo fator </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, quanto pelos poemas que trazem uma perspectiva mais profunda dos sentimentos abordados.</span></p>
<figure id="attachment_37062" aria-describedby="caption-attachment-37062" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37062" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-1-800x450.jpg" alt="Andrea veio a falecer em julho de 2025, poucos meses após o lançamento de Em Baixo da Luz de Neon (Foto: Apple TV)" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-1.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37062" class="wp-caption-text">Andrea veio a falecer em julho de 2025, poucos meses após o lançamento de Em Baixo da Luz de Neon (Foto: Apple TV)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro destaque é a maneira como a câmera constrói intimidade com o público, registrando de perto e conversando com Andrea como se fosse um amigo acompanhando o processo, sem afetar a honestidade emocional de cada momento. Essa escolha, em conjunto com a direção delicada de </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/ryan-white"><span style="font-weight: 400;">Ryan</span></a><span style="font-weight: 400;">, permite que o espectador faça parte da realidade delas com proximidade. Assim, cada cena transmite a sensação de acompanhar não apenas a história, mas todo o processo vivido por elas em tempo real.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao contrário do que se pensa quando o tema surge de uma doença terminal, a história é contada de forma bem humorada por Andrea, o que se torna o </span><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/cinema/documentario-emocionante-acompanha-ultimos-dias-de-vida-de-renomada-poeta-e-deixa-uma-valiosa-licao/"><span style="font-weight: 400;">maior diferencial da obra</span></a><span style="font-weight: 400;">. Tudo fica mais comovente com a recusa do tom angustiado e o foco no tempo que se torna menos abstrato ao saber que vai partir, com esse sentimento fazendo parte do cotidiano como uma forma de resistência. Assim, é mostrado um casal passando por momentos corriqueiros, piadas internas, sentimentos intensos e conversas difíceis, marcados pela vulnerabilidade que cria uma relação mais forte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A visão de </span><a href="https://bravo.abril.com.br/cinema-tv/nao-binario-poesia-megan-falley-andrea-gibson-filme-documentario-appletv-onde-assistir/"><span style="font-weight: 400;">Megan</span></a><span style="font-weight: 400;"> também aparece, com o lado de quem se torna uma cuidadora, além de parceira, e continua com seus objetivos e uma vida própria, enquanto luta para ser forte e apoiar quem ama independente do quão difícil seja. Ela conta a partir de uma perspectiva de quem observa a situação de perto e reforça como esse companheirismo ajuda a lidar com a doença. Juntas, mostram que compartilhar fases difíceis ultrapassa o medo e se torna um motivo para aproveitar mais o tempo que tem uma com a outra. </span></p>
<figure id="attachment_37064" aria-describedby="caption-attachment-37064" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37064" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-5.png" alt="Duas silhuetas escuras aparecem no centro da imagem, são Andrea, pessoa não binária branca, com cabelos pretos curtos, e Megan, uma mulher branca com cabelo castanho médio e franja. Elas olham uma para outra, com os ombros encostados. Ao fundo, vemos uma paisagem em tons azuis de um grande lago e nuvens cobrindo o céu, com algumas árvores aos cantos. Parte do céu aparece rosado como um pôr do Sol, com a luz sendo refletida na água." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-5.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-5-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37064" class="wp-caption-text">A trilha sonora feita por Blake Neely foi premiada no Cinema Eye Award (Foto: Apple TV)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O amor é parte central da rotina, tanto dentro do romance entre elas, quanto com amigos, familiares, animais de estimação e até ex-namoradas, que acompanham tudo desde o diagnóstico. A </span><a href="https://macmagazine.com.br/post/2025/11/14/estreia-no-apple-tv-documentario-embaixo-da-luz-de-neon/"><span style="font-weight: 400;">obra</span></a><span style="font-weight: 400;"> conseguiu trazer para a tela muito mais do que um filme sobre uma pessoa doente, trouxe a mensagem de como transformar dor com risos e muita poesia. Além de ressaltar como amar é a causa de outros sentimentos em relação a alguém, principalmente a tristeza, o luto e a saudade.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Embaixo da Luz de Neon </span></i><span style="font-weight: 400;">foi </span><a href="https://www.termometrooscar.com/cinema-eacute-tudo-isso---blog/embaixo-da-luz-neon-sobre-duas-poetas-que-enfrentam-o-cancer-com-amor-e-parceria-inabalavel-lidera-com-6-indicacoes-o-cinema-eye-honors-2026"><span style="font-weight: 400;">aclamado</span></a><span style="font-weight: 400;"> em festivais como os de Sundance, Seattle e São Francisco, além de já ter ganho as categorias de Melhor Documentário e Melhor Trilha Sonora (Blake Neely) na premiação </span><i><span style="font-weight: 400;">Cinema Eye Honors</span></i><span style="font-weight: 400;"> e recebido uma indicação ao prêmio </span><i><span style="font-weight: 400;">Satellite</span></i><span style="font-weight: 400;">. Agora, é um forte candidato para o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">com uma história que aborda o relacionamento humano com a morte e o luto iminente, enquanto homenageia </span><span style="font-weight: 400;">Andrea como artista e poeta. </span><span style="font-weight: 400;">Ryan White fez um ótimo trabalho com a direção, garantindo ao projeto a delicadeza e profundidade das palavras recitadas, transformando o documentário em poesia visual.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Embaixo da Luz de Neon — Trailer oficial | Apple TV" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/nvEHVyssogA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A Hora do Mal constrói sua força ao instigar curiosidade como uma lenda urbana</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Mar 2026 13:00:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[A Hora do Mal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Lara Fagundes Um desaparecimento em massa assombra uma vizinhança fictícia na Pensilvânia: 17 crianças da mesma sala de aula saem de suas próprias casas no meio da madrugada, todas no mesmo horário, e não voltam mais. Uma voz infantil, como uma menina contando uma história em volta da fogueira, é o que inicia a trama. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-hora-do-mal-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Hora do Mal constrói sua força ao instigar curiosidade como uma lenda urbana"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37038" aria-describedby="caption-attachment-37038" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37038" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/IMG_6679-800x452.jpeg" alt="Em uma imagem escura, aparece a silhueta de um garoto de costas no centro do cenário, abrindo as cortinas de uma janela que podem ser vistas em ambas as extremidades da foto. Ao lado de fora da janela de vidro, é possível enxergar grama, moitas e árvores que cobrem o céu, e a própria criança, em um tom verde azulado." width="800" height="452" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/IMG_6679-800x452.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/IMG_6679-768x434.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/IMG_6679.jpeg 821w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37038" class="wp-caption-text">Cary Christopher, que interpreta Alex, único aluno que não desaparece, foi indicado ao Critics Choice Awards (2026) de Melhor Jovem Ator (Foto: Warner Bros)</figcaption></figure>
<p><b>Lara Fagundes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um desaparecimento em massa assombra uma vizinhança fictícia na Pensilvânia: 17 crianças da mesma sala de aula saem de suas próprias casas no meio da madrugada, todas no mesmo horário, e não voltam mais. </span><span style="font-weight: 400;">Uma voz infantil, como uma menina contando uma história em volta da fogueira, é o que inicia a trama. Com uma ambientação comparável a</span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=it+a+coisa#google_vignette"> <i><span style="font-weight: 400;">It: A coisa</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2017), inspirado na obra de Stephen King, ou</span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-o-telefone-preto-2/"> <i><span style="font-weight: 400;">Telefone Preto</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021), do diretor Scott Derrickson, em uma típica cidade pequena do interior, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Hora do Mal</span></i><span style="font-weight: 400;">, dirigido por Zach Cregger, traz uma narrativa mais próxima dos contos de King, com visões fragmentadas de um único mistério que os entrelaça.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A estética de lenda urbana sustenta o ar de suspense na maior parte do tempo, sem assustar tanto, apenas criando uma atmosfera tensa baseada na violência entre moradores e pelo elemento sobrenatural que envolve o município. Nesse contexto, o nome original do longa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Weapons</span></i><span style="font-weight: 400;">, traduzido de forma literal para ‘armas’, funciona como metáfora para abordar os personagens sendo usados como ferramenta para machucar uns aos outros. Porém, a tradução </span><i><span style="font-weight: 400;">A Hora do Mal</span></i><span style="font-weight: 400;"> também é certeira, trazendo um formato parecido com títulos de</span><a href="https://rollingstone.com.br/cinema/6-contos-do-stephen-king-que-voce-nao-sabia-que-eram-filmes/"> <span style="font-weight: 400;">conto</span></a><span style="font-weight: 400;">, onde os alunos, que somem exatamente às 2:17 da manhã, são o estopim do enredo e, por isso, são o foco desde o nome.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As duas interpretações de título expressam a criatividade por trás de Zach Cregger, um diretor que iniciou sua carreira no cinema da comédia, sendo um dos criadores da série de comediantes <i>The Whitest Kids U’ Know </i>(2007), além de ter estrelado obras do gênero antes de se encontrar no horror. Esse seu histórico com o humor traz um toque especial para seus novos filmes desde<a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-filmes-de-2022/"> <i>Noites Brutais</i> (2022)</a>, conseguindo criar atmosferas únicas e histórias muito originais com uma suavidade que contrasta com as mortes mais grotescas.</span></p>
<figure id="attachment_37046" aria-describedby="caption-attachment-37046" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37046" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/IMG_6681-800x448.jpeg" alt="Imagem de uma mulher branca de cabelos curtos loiros enrolados e olhos azuis, usando brincos dourados e um casaco escuro. Ela olha para frente com uma expressão de assombro. Atrás dela, desfocado, está um carro e, mais atrás, árvores." width="800" height="448" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/IMG_6681-800x448.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/IMG_6681-768x430.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/IMG_6681.jpeg 824w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37046" class="wp-caption-text">O roteiro da produção foi disputado por vários estúdios, até ser comprado pela Warner Bros por U$38 milhões (Foto: Warner Bros)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirado em </span><a href="https://super.abril.com.br/cultura/com-roteiro-ambicioso-terror-a-hora-do-mal-traz-sete-protagonistas/"><i><span style="font-weight: 400;">Magnólia</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1999), drama de Paul Thomas Anderson, Cregger dividiu o suspense em atos, desvendando os acontecimentos por meio da repetição de um dia por perspectivas diferentes. Ou seja, seis pessoas, com funções distintas, ajudam a formular o terror em passos lentos. Indo devagar, apenas com </span><i><span style="font-weight: 400;">jumpscares </span></i><span style="font-weight: 400;">pontuais, o filme não gera tanto medo, mas instiga uma curiosidade inquietante, e a escolha pelos cortes brutos e alguns momentos cômicos nas entrelinhas, escondem o verdadeiro mal por trás do desaparecimento e flertam com um humor que beira o absurdo, não permitindo trazer o horror absoluto até o último minuto. Assim, temos uma obra que traz uma sensação de estranheza até te levar a um ponto mais violento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, os pontos de vista, apesar de tornarem a investigação mais lenta, expandem os personagens em ritmo de episódios, o que alavancou o elenco. </span><span style="font-weight: 400;">A professora Gandy (Julia Garner) e o pai de um dos desaparecidos, Archer (Josh Brolin), são atores que se sobressaem, presentes como lados opostos da situação, na qual apresenta-se uma pessoa que se martiriza e outra que tenta encontrar um culpado o mais rápido possível. Porém, quem chamou mais atenção foi </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/oscar-2026-amy-madigan-quebra-recorde-de-intervalo-entre-indicacoes/"><span style="font-weight: 400;">Amy Madigan</span></a><span style="font-weight: 400;">; mesmo com pouco tempo de tela, foi reconhecida pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas e indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante com sua interpretação de Gladys, tia de Alex, o único menino que não desapareceu.</span></p>
<figure id="attachment_37047" aria-describedby="caption-attachment-37047" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37047" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/IMG_6682-800x440.jpeg" alt="Frame de uma mulher branca de cabelos vermelhos curtos e franja curta sorrindo, como se estivesse no meio de uma risada. Ela usa óculos grandes, quadrados e armação na cor azul, um batom vermelho borrado nos cantos e um casaco listrado lilás, vermelho e azul escuro com uma blusa lilás de gola alta por baixo, sentada em uma sofá cinza. Ao fundo, vemos uma parede bege, lisa, com a parte de baixo revestida em madeira." width="800" height="440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/IMG_6682-800x440.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/IMG_6682-768x422.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/IMG_6682.jpeg 828w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37047" class="wp-caption-text">Grande parte da equipe de Noite Brutais, primeiro terror do diretor, também esteve presente em A Hora do Mal (Foto: Warner Bros)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A vilã, introduzida apenas próxima ao fim do segredo, chega com uma atuação que desempenha um misto de emoções a cada aparição, usando do desconforto para trazer a dose de estranheza que o filme pedia. Porém, o impacto que ela causa com sua performance, não apaga que o desenvolvimento de sua personagem deixa a desejar, o que é amplificado por um final aberto, que responde perguntas enquanto outras surgem, esperando por mais detalhes sobre </span><a href="https://rollingstone.com.br/cinema/diretor-de-a-hora-do-mal-anuncia-prequel-com-personagem-querida-dos-fas/"><span style="font-weight: 400;">Gladys</span></a><span style="font-weight: 400;">. Apenas o arquétipo de bruxa, mesmo que a torne enigmática, não é suficiente para explicar ao espectador o motivo dos desaparecimentos, gerando uma desfecho um pouco apressado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, com o retorno da voz infantil; a menina que iniciou a lenda; a fecha dentro do mesmo aspecto e uma história que fica entre o real e a imaginação – uma assombração que permanece na cidade –, essa névoa gerada pelo tom simples da narração, justifica o encerramento, mas resume um incômodo, como se algo estivesse faltando. As mesmas </span><a href="https://cinepop.com.br/10-filmes-com-criancas-assustadoras-204602/"><span style="font-weight: 400;">crianças</span></a><span style="font-weight: 400;"> que iniciaram tudo, voltam ao foco para fecharem com a cena mais violenta, onde o mal se vira contra si mesmo e entrega uma finalização cheia de sequelas com a última frase: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Algumas [crianças] até começaram a falar de novo este ano</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apoiada em um mistério bem estabelecido e uma narrativa envolvente,</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Hora do Mal </span></i><span style="font-weight: 400;">se baseia na curiosidade típica de crianças narrando contos de terror umas para as outras. Zach Cregger soube usar o conceito de </span><a href="https://macabra.tv/7-filmes-de-terror-inspirados-em-lendas-e-mitos/"><span style="font-weight: 400;">lenda</span></a><span style="font-weight: 400;"> para explorar sua criatividade e, apesar de não conseguir assustar tanto quanto poderia, compensou com uma tensão contínua e, como última pincelada, teve Amy Madigan roubando a cena. Assim, a união de um humor visceral com a violência de um horror sombrio, resulta em um filme de bruxaria que poderia ter contado mais, mas se manteve na segurança do imaginário de uma vizinhança perturbada.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="A Hora do Mal l Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/y_dNdY13mn0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Em tudo, há Valor Sentimental</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Mar 2026 13:00:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: O texto contém alguns spoilers Guilherme Machado Leal Nos filmes de Joachim Trier, a cidade Oslo se torna parte da história que o cineasta gosta de contar. As ruas, estabelecimentos e arquiteturas da capital da Noruega registram por meio das lentes a sensação de como é viver no local. Em Valor Sentimental, o diretor Gustav &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/valor-sentimental-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em tudo, há Valor Sentimental"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso: </i></b><i>O texto contém alguns spoilers</i></p>
<figure id="attachment_37022" aria-describedby="caption-attachment-37022" style="width: 770px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37022" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-3.png" alt="Cena do filme Valor Sentimental. Na imagem, há um homem branco de cabelos louros grisalhos olhando para uma mulher branca de cabelos castanhos. Eles estão em frente a diversos arbustos. Ele veste uma camisa social e ela usa uma blusa preta com uma jaqueta jeans por cima." width="770" height="463" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-3.png 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-3-768x462.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37022" class="wp-caption-text">A ausência do pai moldou a personalidade de Nora e a maneira como ela se envolve com todas as pessoas de sua vida (Foto: Kasper Tuxen)</figcaption></figure>
<p><strong>Guilherme Machado Leal</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos filmes de </span><a href="https://personaunesp.com.br/thelma-filme-critica/"><span style="font-weight: 400;">Joachim Trier</span></a><span style="font-weight: 400;">, a cidade Oslo se torna parte da história que o cineasta gosta de contar. As ruas, estabelecimentos e arquiteturas da capital da Noruega registram por meio das lentes a sensação de como é viver no local. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Valor Sentimental</span></i><span style="font-weight: 400;">, o diretor Gustav Borg (Stellan Skarsgård) retorna à cidade natal para convencer a filha, Nora (</span><a href="https://www.anothermag.com/design-living/16868/renate-reinsve-interview-sentimental-value-joachim-trier"><span style="font-weight: 400;">Renate Reinsve</span></a><span style="font-weight: 400;">), a gravar um filme baseado na vida de sua família após mais de uma década afastado das telas. No entanto, há um fator especial: a primogênita seria a protagonista da narrativa, que entra na ferida mais profunda de um filho: a ausência de um pai.</span></p>
<p><span id="more-37021"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Afastada física e emocionalmente daquele homem, a personagem é uma atriz predominantemente conhecida por peças teatrais e trabalhos esporádicos em outras mídias. Todavia, nos primeiros minutos da </span><a href="https://collider.com/tv-shows-like-sentimental-value/"><span style="font-weight: 400;">produção</span></a><span style="font-weight: 400;">, é notável o pânico da mulher nos momentos em que precisa dominar o palco. Os enfrentamentos mentais alinhados à volta do artista revivem traumas que mal foram varridos propriamente em seu imaginário, mas que agora, se espalharam diante do início do longa-metragem.</span></p>
<figure id="attachment_37025" aria-describedby="caption-attachment-37025" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37025" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4-1.png" alt="Cena do filme Valor Sentimental. Na imagem, há um homem branco de cabelos louros grisalhos e uma mulher branca loira na praia. Eles estão sorrindo e olhando em direção ao mar. Ele veste um terno preto com camisa branca e ela usa um vestido dourado brilhante estampado." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4-1.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4-1-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37025" class="wp-caption-text">Em uma das cenas mais emocionantes de Valor Sentimental, Rachel confessa a Gustav o desejo de fazer filmes que signifiquem algo para ela (Foto: Kasper Tuxen)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após a recusa de Nora, o cineasta convida Rachel Kemp (</span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-predador-terras-selvagens/"><span style="font-weight: 400;">Elle Fanning</span></a><span style="font-weight: 400;">), uma atriz de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;"> que deseja fazer um projeto desafiador em sua carreira. Na Noruega, a artista tenta encontrar o tom correto e acessar as camadas de sua personagem, porém, nesse contexto, há diferenças entre a interpretação de uma estrangeira e uma norueguesa. Por ser um papel que examina aquela família, a língua é muito importante, por isso a norte-americana tem dificuldades de se conectar. Aqui, o sentimento e a melancolia que retratam aquele núcleo familiar expressam muito mais do que meras palavras agrupadas em um roteiro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O fazer Cinema em Valor Sentimental é voltar à carreira de Joachim Trier, indicado a Melhor Diretor no Oscar 2026. Pegando a trilogia de Oslo [que contém os filmes </span><i><span style="font-weight: 400;">Começar de Novo (</span></i><span style="font-weight: 400;">2006), </span><i><span style="font-weight: 400;">Oslo, 31 de Agosto</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2011) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-pior-pessoa-do-mundo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Pior Pessoa do Mundo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021)] como base, focalizar todo o trauma daquelas irmãs a partir dos sentimentos mal resolvidos de Gustav é a maneira que o diretor encontra de conversar sobre a Sétima Arte. Embora não seja um pai presente, o olhar cinematográfico do veterano é capaz de compreender e nomear o mais obscuro que assola a protagonista. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://letterboxd.com/journal/joachim-trier-sentimental-value-interview/"><span style="font-weight: 400;">casa</span></a><span style="font-weight: 400;"> da família também é uma representação de toda a mágoa daquele universo e a rachadura em uma das paredes é muito mais do que uma simples alteração do espaço físico. Aquela falha, na verdade, conta uma história que atravessa gerações. Semelhante à dinâmica entre o diretor e Nora, os metros quadrados que dão firmeza a tudo vivido espelham o sentimentalismo do lar norueguês. Brigas, separações e ressentimentos se juntam aos momentos felizes e aos almoços entre entes queridos. </span></p>
<figure id="attachment_37026" aria-describedby="caption-attachment-37026" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37026" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image5-1-800x432.png" alt="Cena do filme Valor Sentimental. Na imagem, há duas mulheres brancas de cabelos castanhos em uma cama. Enquanto chora, a mulher da esquerda abraça a da direita, que está sorrindo. Elas vestem roupas da cor cinza e azul." width="800" height="432" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image5-1-800x432.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image5-1-1024x554.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image5-1-768x415.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image5-1-1536x830.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image5-1-1200x649.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image5-1.png 1998w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37026" class="wp-caption-text">A dinâmica entre Nora e Agnes sintetiza um sentimento universal: o de irmandade (Foto: Kasper Tuxen)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A montagem, nos filmes de Trier, é facilmente um de seus êxitos. No filme de 2025, o profissional responsável é </span><a href="https://awardsbuzz.com/interview-olivier-bugge-coutte-on-assembling-the-final-edit-and-challenges-of-structuring-a-non-linear-story-in-sentimental-value/"><span style="font-weight: 400;">Olivier Bugge Coutté</span></a><span style="font-weight: 400;">, indicado à categoria na premiação cinematográfica. O início dos longas do diretor carrega uma narração e tipos de ‘resumos’, que apresentam aquele mundo ao espectador, bem como os personagens que iremos acompanhar durante algumas horas. Assim como em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Worst Person In The World</span></i><span style="font-weight: 400;">, a personagem de Renate Reinsve também ganha uma espécie de sinopse de sua personalidade, ambições e defeitos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma boa descrição no universo do norueguês só é possível por conta do roteiro, que Joachim assina ao lado de </span><a href="https://variety.com/2026/awards/awards/sentimental-value-joachim-trier-eskil-vogt-partnership-1236588131/"><span style="font-weight: 400;">Eskil Vogt</span></a><span style="font-weight: 400;">, com quem trabalhou durante toda sua filmografia. O texto, alinhado à atuação propositalmente apática da protagonista e que se amolece conforme o tempo passa, justifica os reconhecimentos em Melhor Atriz e Melhor Roteiro Original na Academia. Nora, que já tentou se suicidar, carregou muito da solidão e rancor após a ida do pai. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, o desgosto não foi capaz de suprir uma de suas capacidades mais especiais: a de cuidar da irmã Agnes (Inga Ibsdotter Lilleaas) na infância das duas. Aliás, a interação entre a dupla tem o clímax, no desfecho do filme, garante a cena mais marcante de </span><i><span style="font-weight: 400;">Valor Sentimental</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ali, desde os filhos únicos àqueles que cresceram com um(a) caçula do lado, vão se identificar com o instinto de irmandade, selado desde a compreensão do que é um núcleo familiar. “</span><i><span style="font-weight: 400;">A vida é muito curta para ficar briga com uma irmã</span></i><span style="font-weight: 400;">”, diz Jo March (</span><a href="https://personaunesp.com.br/lady-bird-critica/"><span style="font-weight: 400;">Saoirse Ronan</span></a><span style="font-weight: 400;">) para Amy March (</span><a href="https://personaunesp.com.br/viuva-negra-critica/"><span style="font-weight: 400;">Florence Pugh</span></a><span style="font-weight: 400;">), em </span><a href="https://personaunesp.com.br/adoraveis-mulheres-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Adoráveis Mulheres</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019).</span></p>
<figure id="attachment_37024" aria-describedby="caption-attachment-37024" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37024" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-2.png" alt="Cena do filme Valor Sentimental. Na imagem, há uma mulher branca de cabelos castanhos e uma mulher branca de cabelos louros. À direita, a moça está tirando uma fotografia na câmera da frente com a moça. Enquanto a mulher de cabelos castanhos usa uma camisa moletom azul escura, a loira utiliza uma blusa manga longa branca com uma jaqueta preta." width="600" height="324" /><figcaption id="caption-attachment-37024" class="wp-caption-text">Inga Ibsdotter Lilleaas e Elle Fanning foram indicadas em Melhor Atriz Coadjuvante no Oscar 2026 (Foto: Kasper Tuxen)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Pois bem, na obra indicada a Melhor Filme e Melhor Filme Internacional, a sororidade é acompanhada de respeito mútuo, apreço e confiança. Com medo da primogênita voltar ao lugar obscuro onde chegou anteriormente, ela cuida da mulher, assim como a mesma fez quando ambas eram pequenas. Em uma jornada marcada pela finitude, o amor por um </span><a href="https://www.abcmais.com/streaming-teve-e-cinema/dia-do-irmao-relembre-algumas-das-duplas-mais-iconicas-da-cultura-pop/"><span style="font-weight: 400;">irmão</span></a><span style="font-weight: 400;"> nunca morre, ele se fortalece, mesmo que precise adquirir novas facetas ao longo da caminhada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro destaque é a </span><a href="https://scriptmag.com/the-polyphonic-nature-of-a-strong-story-joachim-trier-and-eskil-vogt-discuss-sentimental-value"><span style="font-weight: 400;">seleção musical</span></a><span style="font-weight: 400;">  escolhida a dedo por Trier nas cenas de seus personagens. Aqui, as produções musicais dialogam com o interior do quarteto principal, especialmente as faixas </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/14wptXR2xsGAbmbsNwQkQD?si=0bd04270d0ca44ea"><i><span style="font-weight: 400;">Dancing Girl</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Terry Callier, e </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/0WAEGVylZjbe2mQ6Or6HxY?si=16a60b0b403f4df7"><i><span style="font-weight: 400;">Cannock Chase</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Labi Siffre, que encerram a produção. Embora o roteiro de Gustav só possa ser entendido pela família que viveu aquela história, as canções citadas se conectam universalmente com quem acompanha a narrativa. É utilizar a sonoridade </span><i><span style="font-weight: 400;">folk</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos anos 70 e, a partir disso, criar um sentimento de completude ao término do filme. É daquelas experiências que nos fazem salvar as músicas nas nossas playlists e revisitar aquilo que experimentamos durante a primeira assistida. </span></p>
<figure id="attachment_37023" aria-describedby="caption-attachment-37023" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37023" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-3-800x440.png" alt="Cena do filme Valor Sentimental. Na imagem, há uma mulher branca de cabelos castanhos em uma casa. Ela veste uma blusa com tons terrosos e uma bolsa dourada utilizada na transversal." width="800" height="440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-3-800x440.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-3-1024x563.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-3-768x423.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-3-1536x845.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-3-1200x660.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-3.png 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37023" class="wp-caption-text">Renate Reinsve já trabalhou com Joachim Trier em A Pior Pessoa do Mundo e Oslo, 31 de Agosto (Foto: Kasper Tuxen)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo reconhecido como Melhor Ator Coadjuvante na premiação, o trabalho de </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/story/stellan-skarsgard-sentimental-value-mamma-mia?srsltid=AfmBOoowPzQXmIvEw1DHlCau87dq-ul2R189d2gk9t41ekKgZrMxMCnG"><span style="font-weight: 400;">Stellan Skarsgård</span></a><span style="font-weight: 400;"> é de protagonista. Seja por causa dos problemas que se originam com o seu retorno a Oslo ou pela relação de professor e aluno que cria com a artista hollywoodiana, o fato é que todo o drama presente em </span><i><span style="font-weight: 400;">Sentimental Value</span></i><span style="font-weight: 400;"> (título original) vem com a figura do patriarca. As personagens, por exemplo, necessitam da aprovação do veterano. É como se a recognição de seus atos e ‘performances’ (no caso, de Nora e Rachel) apenas fossem de fato algo caso ganhassem a aprovação do cineasta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir disso, Trier apresenta a sua versão do que é o </span><a href="https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2023/08/13/daddy-issues-entenda-termo-usado-nas-redes-para-descrever-herancas-emocionais-deixadas-pela-relacao-paterna.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">daddy issues</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma relação fria, distante e inóspita de níveis mais intensos de amabilidade. Por outro lado, a paixão de Gustav pela Sétima Arte é o que o faz ser um gênio naquele universo. Realmente, o prêmio de melhor pai do ano não foi para ele. O veterano até o perdeu – diversas vezes. No entanto, a dedicação e a excelência com a qual trabalhou para examinar os sentimentos fizeram com que ele alcançasse o patamar que ocupa. E, por ter uma filha que também faz parte do meio, a dinâmica entre a dupla ganha um leque de sentidos. Duas coisas podem ser verdade: a admiração pelo diretor norueguês e o ressentimento ao pai ausente caminham lado a lado e se nutrem de maneira interminável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Transformador e longe de ser unânime, </span><i><span style="font-weight: 400;">Valor Sentimental </span></i><span style="font-weight: 400;">se camufla no seu maior amor ou medo: pelo Cinema, pela omissão patriarcal e pelas questões psicológicas. Lidar com a depressão não é algo corriqueiro, tampouco usual. Mas se ver em tela, após os picos da doença e o abandono de uma figura familiar por meio de Nora, é único e brutalmente aconchegante. O rombo que um laço parental acarreta em um ser humano em construção é irremediável. No entanto, como versa </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/albums/labi-siffre-crying-laughing-loving-lying/"><span style="font-weight: 400;">Labi Siffre</span></a><span style="font-weight: 400;"> no encerramento da narrativa, “</span><i><span style="font-weight: 400;">Parecia que minha alma tinha morrido e ido embora. Mas tá tudo certo, estou de volta à luta</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Valor Sentimental | Trailer Oficial Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/tqvQBmvrCSs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Se Eu Tivesse Pernas, Te Chutaria é o retrato torturante, mas necessário do esgotamento feminino</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Mar 2026 13:00:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[A24]]></category>
		<category><![CDATA[ASAP Rocky]]></category>
		<category><![CDATA[Conan O’Brien]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Isabela Nascimento A ‘histeria feminina’, ou melhor, os sentimentos incompreendidos de mulheres sempre foram abordados nas grandes telas. Por muito tempo, essas emoções eram demonstradas por um olhar masculino extremamente limitado. Porém, agora vemos essas produções lideradas por diretoras que exploram as complexidades e consequências das opressões que as mesmas sofrem ou já presenciaram. Em &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/se-eu-tivesse-pernas-te-chutaria-e-o-retrato-torturante-mas-necessario-do-esgotamento-feminino/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Se Eu Tivesse Pernas, Te Chutaria é o retrato torturante, mas necessário do esgotamento feminino"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36927" aria-describedby="caption-attachment-36927" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36927" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-8-800x450.png" alt="Linda está deitada na cama, com a cabeça apoiada na mão olhando para a filha fora de cena. Sua expressão é cansativa e ela está de regata, mostrando algumas tatuagens no braço em um quarto com uma iluminação " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-8-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-8-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-8-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-8-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-8-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-8.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36927" class="wp-caption-text">O filme já acumula mais de 60 indicações e 32 vitórias na temporada de premiações de 2025 (Créditos: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Isabela Nascimento</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ‘</span><a href="https://saude.abril.com.br/medicina/histeria-entenda-o-diagnostico-controverso-e-por-que-ele-deixou-de-ser-utilizado/"><span style="font-weight: 400;">histeria</span></a><span style="font-weight: 400;"> feminina’, ou melhor, os sentimentos incompreendidos de mulheres sempre foram abordados nas grandes telas. Por muito tempo, essas emoções eram demonstradas por um olhar masculino extremamente limitado. Porém, agora vemos essas produções lideradas por diretoras que exploram as complexidades e consequências das opressões que as mesmas sofrem ou já presenciaram.</span></p>
<p><span id="more-36926"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Se Eu Tivesse Pernas, Te Chutaria</span></i><span style="font-weight: 400;">, há um foco em retratar uma dificuldade conhecida por muitas mulheres: o fantasma do abandono que desgasta os aspectos de suas vidas. Linda (</span><a href="https://goldenglobes.com/person/rose-byrne/"><span style="font-weight: 400;">Rose Byrne</span></a><span style="font-weight: 400;">) é uma terapeuta e mãe de uma criança com uma doença que necessita de cuidados especiais. Ela tem um marido que trabalha à distância e se vê ainda mais sozinha quando o teto de seu apartamento cai, obrigando ela a se mudar para um hotel barato.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem uma rede de apoio e incompreendida pela médica de sua filha e pelo seu próprio terapeuta, a sua sanidade vai se deteriorando a cada minuto do filme. A solidão e o desespero dominam a sua vida, enquanto sua única vontade é receber ajuda, mas ninguém responde às suas súplicas. Nas sessões com o seu médico (</span><a href="https://letterboxd.com/actor/conan-obrien/"><span style="font-weight: 400;">Conan O’Brien</span></a><span style="font-weight: 400;">), o telespectador sente a dor da protagonista, com a ausência de sensibilidade por parte do profissional.</span></p>
<figure id="attachment_36929" aria-describedby="caption-attachment-36929" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36929" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-6-800x323.png" alt="Linda está em na sala de consultório azul de seu terapeuta, que está sentado à esquerda cum uma expressão indiferente, enquanto ela está deitada no sofá à direita com a mão na cabeça e uma expressão triste no rosto." width="800" height="323" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-6-800x323.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-6-1024x413.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-6-768x310.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-6-1536x620.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-6-1200x485.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-6.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36929" class="wp-caption-text">A escolha de Rose Byrne para o papel foi feito após a diretora assistir Physical, série protagonizada por Byrne (Créditos: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Este </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2026/feb/11/rose-byrne-taboo-busting-mother-if-i-had-legs-id-kick-you"><span style="font-weight: 400;">sentimento de incapacidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> é perceptível durante todo o longa. A cada situação, Linda é culpada pelas decisões que toma e suas necessidades são ignoradas, enquanto sua ansiedade e agonia dominam estes momentos. As emoções destas cenas, apesar de torturantes, são verdadeiras e essa semelhança com sentimentos reais ganha um novo significado quando a diretora explica a inspiração para a obra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em entrevista ao </span><a href="https://cinemafemme.com/2025/10/20/its-not-autobiographical-but-its-all-emotionally-true-mary-bronstein-on-if-i-had-legs-id-kick-you/"><i><span style="font-weight: 400;">Cinema Femme</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Mary Bronstein conta que a história não é autobiográfica, porém é emocionalmente honesta. Segundo ela, anos atrás sua filha precisou fazer um tratamento na Califórnia durante oito meses. Apesar de não ter as mesmas atitudes da personagem, a solidão também foi sua companheira nesse período. Enquanto estava sozinha, ela começou a criar a narrativa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro demorou dois anos para ser finalizado e tem uma trama bem delimitada, porém, não é rebuscada ou grandiosa. É notável que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cIIMrzY9Qs8"><span style="font-weight: 400;">o objetivo da criadora</span></a><span style="font-weight: 400;"> era mostrar as dificuldades da vida de Linda que, mesmo cansada, implora por ajuda enquanto é constantemente ignorada. Este foco é tão bem construído que, durante uma hora e cinquenta minutos de filme, o telespectador se sente preso nessa prisão mental que ela se encontra.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="If I Had Legs I&#039;d Kick You | Official First Look | A24" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/JrVRi6qI2cI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A escalação de Rose Byrne como protagonista foi o maior acerto da produção. A dedicação que ela dá para a personagem é extremamente visível e atenciosa. A missão era difícil – envolver o público em uma teia de ansiedade agonizante – e ela faz isso de uma maneira surpreendente. Sua atuação causa um desconforto real em quem assiste, cumprindo o objetivo da diretora. Como recompensa, a atriz está recebendo diversas indicações nesta temporada de premiações, tendo recebido sua primeira indicação ao Oscar de </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c3dmm1047ndo"><span style="font-weight: 400;">Melhor Atriz</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a primeira estatueta do </span><i><span style="font-weight: 400;">Golden Globes</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de Byrne, o elenco coadjuvante também contribui de forma decisiva para a construção do isolamento da protagonista. O psicólogo (Conan O’Brien), a Dra. Spring – curiosamente interpretada pela própria diretora, </span><a href="https://www.vogue.com/article/mary-bronstein-if-i-had-legs-id-kick-you-interview"><span style="font-weight: 400;">Mary Bronstein</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, James (ASAP Rocky) e a filha (Delaney Quinn) entregam atuações sólidas, que reforçam o quanto essa mulher está sozinha e emocionalmente negligenciada.</span></p>
<figure id="attachment_36928" aria-describedby="caption-attachment-36928" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36928" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-7-800x481.png" alt="Linda está deitada na areia com uma expressão triste, a câmera está focada em seu rosto." width="800" height="481" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-7-800x481.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-7-1024x615.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-7-768x461.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-7.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36928" class="wp-caption-text">O filme foi filmado em 27 dias, em Montauk em Nova York (Créditos: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A imersão nessa narrativa sufocante também se constrói por meio das escolhas de imagem (</span><a href="https://letterboxd.com/cinematography/christopher-messina/"><span style="font-weight: 400;">Christopher Messina</span></a><span style="font-weight: 400;">) e da montagem (</span><a href="https://letterboxd.com/editor/lucian-johnston/"><span style="font-weight: 400;">Lucian Johnston</span></a><span style="font-weight: 400;">). Em diversos momentos, a câmera se fixa no rosto da protagonista ou evidencia a ausência da filha em cena, que passa a existir apenas como voz ou por meio de planos fragmentados do aparelho utilizado em seu tratamento. Somam-se a isso as recorrentes imagens do buraco, que funcionam como um símbolo condensador: não apenas um espaço físico, mas a materialização de todas as dores que ela carrega.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após assistir o longa, compreendemos melhor a escolha de seu título. Apesar de Linda reagir e demonstrar seu descontentamento, ela continua sendo ignorada e invalidada. Quando seu marido chega, a oportunidade de descansar e fugir das consequências toma sua mente e ela corre para o mar. O </span><a href="https://www.npr.org/2025/10/05/nx-s1-5497193/mary-bronstein-discusses-motherhood-in-her-movie-if-i-had-legs-id-kick-you"><span style="font-weight: 400;">filme retrata de forma crua as dificuldades enfrentadas por muitas mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;">, marcadas pela solidão e pela incompreensão, frequentemente confundidas com histeria e usadas como mecanismo para forçá-las a retornar a uma realidade torturante.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="If I Had Legs I&#039;d Kick You | Official Trailer HD | A24" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ywFDoT7LBbQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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