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	<title>Arquivos Oliver Jackson-Cohen &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Quem são as mães das filhas perdidas?</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Mar 2022 15:40:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Silva Dos tipos de representações que temos em relação à maternidade no Cinema e na TV, podemos citar vários. A mãe superprotetora, a mandona, a descolada, e, é claro, a clássica mãe que abdica de todas as suas vivências pessoais pelas conquistas dos filhos, ou até mesmo para encontrá-los no mundo. Pense em quantas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-filha-perdida-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Quem são as mães das filhas perdidas?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26968" aria-describedby="caption-attachment-26968" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-26968" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/0534956-800x450.jpg" alt="Cena do filme A Filha Perdida. Nela, a atriz Jessie Buckley, que interpreta Leda, está abraçando duas meninas, em que não é possível ver seus rostos. Jessie é uma mulher branca, de cabelos castanhos claros. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/0534956-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/0534956-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/0534956-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/0534956-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/0534956-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/0534956.jpg 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26968" class="wp-caption-text">Após levar o Leão de Ouro de Melhor Roteiro em Veneza, A Filha Perdida garantiu 3 indicações no Oscar 2022 (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Silva</b></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">Dos tipos de representações que temos em relação à maternidade no Cinema e na TV, podemos citar vários. A mãe superprotetora, a mandona, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/gilmore-girls-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">descolada</span></a><span style="font-weight: 400;">, e, é claro, a clássica mãe que abdica de todas as suas vivências pessoais pelas conquistas dos filhos, ou até mesmo para </span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-de-mae-critica/"><span style="font-weight: 400;">encontrá-los no mundo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Pense em quantas personagens mães você conhece, e quantas delas não estão associadas diretamente ao papel materno que as nutre. E, quando o renegam, na maior parte das vezes são movidas por uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/carrie-a-estranha-45-anos/"><span style="font-weight: 400;">maldade sobrenatural</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou pela construção de um </span><a href="https://personaunesp.com.br/enrolados-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">aspecto vilanesco</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua personalidade. Afinal, que tipo de mãe não amaria seus filhos incondicionalmente?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Transpondo para a realidade, a retórica continua a mesma. Em </span><a href="https://personaunesp.com.br/elena-ferrante-a-filha-perdida-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Filha Perdida</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a misteriosa Elena Ferrante mergulha por inteiro neste que é apenas um dos papéis da feminilidade presentes em sua Literatura. E Maggie Gyllenhaal decide abraçar a mesma narrativa para construir o que seria a sua primeira obra na direção. A trama do filme homônimo segue Leda, interpretada pela magnífica </span><a href="https://personaunesp.com.br/meu-pai-critica/"><span style="font-weight: 400;">Olivia Colman</span></a><span style="font-weight: 400;">, que decide passar um período em uma ilha paradisíaca da Grécia, após deixar suas duas filhas, Bianca e Martha, com o ex-marido no Canadá.</span></p>
<p><span id="more-26967"></span></p>
<figure id="attachment_26974" aria-describedby="caption-attachment-26974" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-26974" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_2-800x453.jpg" alt="Cena do filme A Filha Perdida. Nela, a atriz Olivia Colman, que interpreta Leda, está olhando para trás, por cima do seu ombro direito. Leda é uma mulher branca de meia-idade, de cabelos castanhos curtos; ela veste um maiô azul-marinho. " width="800" height="453" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_2-800x453.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_2-1024x580.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_2-768x435.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_2.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26974" class="wp-caption-text">Olivia Colman é uma das atrizes da atualidade que carrega uma das melhores carreiras pós-vitória no Oscar, somando 3 indicações e 1 vitória nos últimos 4 anos de premiação (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Aproveitando o tempo consigo mesma, suas pacatas férias acabam sendo tomadas por lembranças antigas apenas pela súbita chegada de uma família no local. Nela, conhece Nina (Dakota Johnson) e sua filha Elena (Athena Martin Anderson), que de imediato desencadeiam memórias da protagonista em relação a sua própria experiência materna, o que a leva a uma estranha obsessão pela jovem mãe. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sinopse ou o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=s63AZRGzUtc"><i><span style="font-weight: 400;">trailer</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do filme podem enganar, por também não ser simples traduzir em poucas palavras ou minutos a </span><a href="https://azmina.com.br/colunas/elena-ferrante-por-que-so-se-fala-nela/"><span style="font-weight: 400;">hipnotizante experiência que Elena Ferrante criou</span></a><span style="font-weight: 400;"> com </span><i><span style="font-weight: 400;">A Filha Perdida</span></i><span style="font-weight: 400;">. Assim como o livro, a produção não tem grandes ganchos narrativos, que prendem a atenção pelo desfecho ou em acompanhar as conquistas da personagem. Aliás, o que a obra mais faz é deixar finais de seus capítulos em aberto, o que foi fidelizado nas cenas do longa. Se podemos definir o que de fato fixa nossos olhos na tela, só poderia ser o trabalho de Olivia Colman. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/retrato-omelete-olivia-colman-de-diarista-a-rainha-elizabeth-nas-telas"><span style="font-weight: 400;">vencedora do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> compõe a peculiar Leda de forma que parecemos estar lendo letra por letra das descrições de Ferrante. Unida à atuação de </span><a href="https://personaunesp.com.br/estou-pensando-em-acabar-com-tudo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jessie Buckley</span></a><span style="font-weight: 400;">, que interpreta a versão mais jovem da protagonista, criam, juntas, um dualismo perfeito das mudanças sofridas nas fases da vida da professora. Tudo isso não seria possível sem a condução de Gyllenhaal, tanto pelas lentes quanto pela escrita do roteiro, que consegue traduzir até mesmo as entrelinhas da obra da escritora napolitana em frente aos nossos olhos. O que não é uma tarefa nem um pouco fácil, tendo em vista a composição de fluxos de consciência em que a história original foi construída. </span></p>
<figure id="attachment_26972" aria-describedby="caption-attachment-26972" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-26972" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/The-Lost-Daughter-800x475.jpg" alt="Cena do filme A Filha Perdida. Nela, está a atriz Dakota Johnson, que interpreta Nina, deitada em uma espreguiçadeira na praia, olhando para o lado. Nina é uma mulher branca, de cabelos escuros e compridos; ela veste um maiô colorido." width="800" height="475" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/The-Lost-Daughter-800x475.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/The-Lost-Daughter-1024x608.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/The-Lost-Daughter-768x456.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/The-Lost-Daughter-1536x912.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/The-Lost-Daughter-1200x712.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/The-Lost-Daughter.jpg 1654w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26972" class="wp-caption-text">Enquanto Colman foi deixada para escanteio, Buckley conseguiu uma indicação ao BAFTA como Melhor Atriz Coadjuvante (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não demora muito para a aproximação entre Leda e Nina ter uma virada de chave, quando a protagonista decide roubar a boneca da pequena Elena. E, assim, engata no acontecimento que perdura como pano de fundo durante toda a produção. A recepção para quem assiste </span><i><span style="font-weight: 400;">A Filha Perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode vir como uma avalanche de quebras de expectativas, talvez por esperar que a família de Toni (</span><a href="https://personaunesp.com.br/residencia-hill-critica/"><span style="font-weight: 400;">Oliver Jackson-Cohen</span></a><span style="font-weight: 400;">), marido de Nina, apontada como perigosa por motivos nunca declarados, fosse realizar algum ato direto contra a personagem; alguma filha fosse ser, de fato, perdida, ou qualquer outra reviravolta que em concepções gerais seja considerada crucial para o desenrolar da narrativa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas o resultado final não poderia ser outro. Tanto a obra de Ferrante quanto de Gyllenhaal é composta por dosagens significativas de simbolismos, que, no cerne da palavra, não precisam ser entregues de bandeja. Diante disso, a provocação pela busca de respostas é gritante. Afinal, por que Leda decidiu roubar a boneca? Foi por inveja da relação de Nina com Elena? Como forma de ensinamento por a jovem ter cometido os mesmos erros que ela durante seu casamento? Ou até mesmo para tirar de Elena a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G3yLgETnBBo"><span style="font-weight: 400;">imposição do anseio materno</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ela tanto negou durante a vida? </span></p>
<figure id="attachment_26975" aria-describedby="caption-attachment-26975" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26975" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_5-800x450.jpeg" alt="Cena do filme A Filha Perdida. Nela, vemos uma boneca, que está sendo segurada pelas mãos de Leda. A boneca é branca, com cabelos castanhos claros e veste um vestido azul claro." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_5-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_5-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_5-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_5-1200x675.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_5.jpeg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26975" class="wp-caption-text">Maggie Gyllenhaal já havia sido indicada ao careca dourado anteriormente, mas por sua atuação em Coração Louco, em que interpreta uma mãe solo (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sentir qualquer empatia ou apego pela história da protagonista não é algo natural quando analisamos a narrativa apenas pelo que ela nos entrega explicitamente. Mesmo que com a frieza amenizada pela interpretação de Colman, Leda não é agradável, quem dirá simpática. Não podemos esperar qualquer afeição positiva por uma mulher de meia-idade que decide viajar sozinha apenas para gozar de sua liberdade. Ao decorrer da história, também descobrimos que afeto nenhum poderia vir por uma mãe que abandonou suas filhas por três anos e sentiu que </span><i><span style="font-weight: 400;">“foi maravilhoso”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mesmo que seu ex-marido tivesse realizado feito semelhante somando os finais de semana que precisava viajar a trabalho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A regra é clara, e a personagem Nora Fanshaw, que rendeu um </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">para Laura Dern em </span><a href="https://personaunesp.com.br/historia-de-um-casamento-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">História de um Casamento</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, resume bem: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Nós os amamos (os pais) por suas falhas, mas as pessoas absolutamente não aceitam essas mesmas falhas nas mães. Não a aceitamos estruturalmente e não a aceitamos espiritualmente. Porque a base da nossa baboseira judaico-cristão é Maria, Mãe de Jesus, e ela é perfeita”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Se formos avaliar a cinematografia como um todo, a figura da mulher adulta é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kkM_kbZbRVY"><span style="font-weight: 400;">inerente à questão materna</span></a><span style="font-weight: 400;">. Se ela não tem filhos, por que não quer ter? E, se tem, onde eles estão?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais do que isso, é algo intocável. E, é claro, que o mesmo não é comparável aos pais. Na Televisão, basta contestar o fato do porquê costumam estranhar a falta dos comentários ou ações de Midge (Rachel Brosnahan) em relação aos seus filhos em </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-marvelous-mrs-maisel-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Marvelous Mrs. Maisel</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, enquanto personagens masculinos como Kendall Roy (</span><a href="https://personaunesp.com.br/os-7-de-chicago-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jeremy Strong</span></a><span style="font-weight: 400;">), de </span><i><span style="font-weight: 400;">Succession</span></i><span style="font-weight: 400;">, sequer são lembrados como pai ou contestados por sua presença nada paterna. Mesmo com todas as suas questões, Bianca e Martha continuam sendo a principal referência de Leda para qualquer aspecto. Quando conversa com Will (</span><a href="https://personaunesp.com.br/normal-people-critica/"><span style="font-weight: 400;">Paul Mescal</span></a><span style="font-weight: 400;">) e ele conta a sua idade, a primeira coisa que ela faz é associar a de sua filha. O papel materno que lhe foi empurrado goela abaixo a vida inteira continua sendo intrínseco a ela. </span></p>
<figure id="attachment_26973" aria-describedby="caption-attachment-26973" style="width: 1400px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26973" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-lost-daughter-dancing-1.webp" alt="Cena do filme A Filha Perdida. Nela, Leda, interpretada por Olivia Colman, está dançando em uma festa com Lyle, interpretado por Ed Harris. Leda é uma mulher branca de meia-idade, com cabelos castanhos curtos e escuros, ela usa um vestido rosa de mangas compridas. Lyle é um senhor branco, ele usa uma boina marrom, um casaco marrom escuro, e calças bege claro. É possível ver outros casais dançando ao redor deles. " width="1400" height="700" /><figcaption id="caption-attachment-26973" class="wp-caption-text">Essa edição marca a primeira vez que duas atrizes concorrem ao Oscar pela mesma personagem em um mesmo filme (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em sua estreia, o que Maggie Gyllenhaal faz é digno de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar+2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A primazia com que transpôs a narrativa de Ferrante, e até deu novos significados a ela, ganhou sua merecida indicação em Roteiro Adaptado. A profundidade de Leda em tela também, em dose dupla, com Olivia Colman, que já virou figurinha carimbada na premiação, e Jessie Buckley estreando na categoria. No circuito independente, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Lost Daughter</span></i><span style="font-weight: 400;"> levou a melhor nas principais premiações do meio, o </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-162650/"><i><span style="font-weight: 400;">Spirit</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e o </span><a href="https://ew.com/awards/2022-gotham-awards-winners-list/"><i><span style="font-weight: 400;">Gotham Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. No </span><a href="https://www.omelete.com.br/festival-de-veneza/festival-veneza-vencedores"><span style="font-weight: 400;">Festival de Veneza</span></a><span style="font-weight: 400;">, a diretora ainda ganhou Melhor Roteiro, sinalizando um vindouro reconhecimento da indústria para seu trabalho atrás das câmeras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A genialidade da narrativa nós deixamos para Ferrante, mas o trabalho sagrado de popularizar ela tem o mérito total de Gyllenhaal. Das representações maternas que temos culturalmente, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Filha Perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma das únicas que encara a questão com sinceridade e respeito a quem ocupa aquele lugar. Apesar da falta de representatividade no audiovisual, Leda está em todos os lugares, com as imperfeições, traumas e dificuldades que carrega. Daí a coragem de Olivia, Jessie, Dakota, Maggie e Elena em conseguirem retratar uma figura com tanta honestidade. De mães, e também filhas perdidas. </span></p>
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		<title>O Homem Invisível: quando a ficção encontra a realidade</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Oct 2021 17:00:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Alberto Borges Ao sentar para assistir O Homem Invisível de Leigh Whannell, você pode até imaginar que será mais um filme de Terror com perseguição, mortes e muito sangue. Porém, a produção, lançada em 2020, tem camadas muito mais profundas do que as que passam no imaginário do público enquanto estão entretidos durante as mais &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-homem-invisivel-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Homem Invisível: quando a ficção encontra a realidade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24166" aria-describedby="caption-attachment-24166" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24166" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-1-reproducao.png" alt="Cena do filme O Homem Invisível. A personagem Cecília (Elisabeth Moss), de cabelos loiros, está de lado num box de banheiro, enquanto no segundo plano o foco está na mão do Homem Invisível marcada no vidro do box embaçado." width="700" height="341" /><figcaption id="caption-attachment-24166" class="wp-caption-text">Assim como no mundo real, O Homem Invisível muitas vezes só existe na cabeça das mulheres (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Alberto Borges</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao sentar para assistir </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem Invisível</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Leigh Whannell, você pode até imaginar que será </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-massacre-da-serra-eletrica-critica/"><span style="font-weight: 400;">mais um filme de Terror com perseguição</span></a><span style="font-weight: 400;">, mortes e muito sangue. Porém, a produção, lançada em 2020, tem camadas muito mais profundas do que as que passam no imaginário do público enquanto estão entretidos durante as mais de duas horas de sequências de ação. Baseado no livro de mesmo nome de Herbert George Wells, lançado em 1897, e na primeira versão do filme de 1933, dirigido por James Whale, a trama se prende na visão da personagem principal, Cecília (Elisabeth Moss), que logo no início do filme mostra qual é seu principal objetivo e seu maior inimigo: </span><a href="https://canaltech.com.br/cinema/critica-o-homem-invisivel-161140/"><span style="font-weight: 400;">fugir daquele que se deita ao seu lado</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span id="more-24165"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O drama e a tensão dos primeiros minutos da produção são cativantes e fazem o público ficar sem fôlego, com direito a uma fuga da protagonista que causa temor do início ao fim. O longa não aborda a relação do casal antes de Cecília fugir, o que deixaria o roteiro mais rico e profundo para o espectador entender de onde vieram todos os traumas e a insana obsessão do homem pela figura da mulher. Tudo funciona bem, mesmo sem essa apresentação inicial ou </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> durante o filme. Contudo, a experiência seria diferente com essa adaptação do diretor. </span></p>
<figure id="attachment_24167" aria-describedby="caption-attachment-24167" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24167" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-2-divulgacao-Universal-Pictures.jpg" alt=" Cena do filme O Homem Invisível. Cecília (Elisabeth Moss), de cabelos loiros, está usando uma camisola na frente de um espelho enquanto olha para trás com uma expressão apreensiva." width="700" height="459" /><figcaption id="caption-attachment-24167" class="wp-caption-text">“Eu tenho alguma experiência com personagens que sofreram abusos de diferentes tipos. Seja físico, emocional, psicológico, sexual, é algo que já interpretei muito. Então trouxe um certo conhecimento ao papel”, disse Moss em entrevista (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os relacionamentos abusivos tem ganhado uma crescente de muita influência nas produções culturais nos últimos tempos, porém a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1X_wmD96LPs&amp;ab_channel=JuCirqueira"><span style="font-weight: 400;">versão literária da obra</span></a> <span style="font-weight: 400;">não tem nenhuma ligação com o tema, visto que é apenas focada na figura do Homem Invisível e no modelo de ficção assídua, com experimentos de laboratório que o transformaram e o fizeram ter a busca pelo poder. Quanto ao </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dlr75akeAQU&amp;ab_channel=DalenogareCr%C3%ADticas"><span style="font-weight: 400;">filme de 1933</span></a><span style="font-weight: 400;">, a produtora </span><i><span style="font-weight: 400;">Universal Pictures</span></i><span style="font-weight: 400;"> iria incluir o personagem em seu mundo de monstros, o que acabou não acontecendo e culminou no clássico filme de época, na releitura do livro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na nova adaptação, Elisabeth Moss, já conhecida por seus papéis dramáticos em outras séries e filmes, como em </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-handmaids-tale-4a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Handmaid’s Tale</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, assume o destaque e conquista o público com sua atuação brilhante no papel, passando todo o sentimento de desespero e desamparo que vive enquanto lida com seus traumas do relacionamento. Estes que, como na vida real, trazem o papel da mulher sendo lunática e com falta de empatia, evidenciando que até mesmo quem está no ciclo social pode chegar a desconfiar de sua condição mental, e, no caso de Cecília, sua irmã, seu amigo e até mesmo os policiais começam a desacreditar de seus relatos.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="O Homem Invisível - Trailer Oficial 2 (Universal Pictures) HD" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/OEyTTpP_Mdw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><b>A virada de chave do filme para o Terror</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra carrega na carga emocional da personagem seu ritmo de acontecimentos, como se cada passo de superação dos traumas e da síndrome do pânico adquirida, e representada tão bem por Moss, fosse um impulso para que o terror aumentasse. Assim, ela recebe a notícia de que seu ex-marido se suicidou, de forma trágica, e deixou todo seu patrimônio para ela. Um gancho para que ela se aproximasse novamente de tudo que deixou para trás e ainda trazia más memórias.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Este é o gatilho para o desenrolar da narrativa. Adrian (</span><a href="https://personaunesp.com.br/residencia-hill-critica/"><span style="font-weight: 400;">Oliver Jackson-Cohen</span></a><span style="font-weight: 400;">), o cientista maluco, que sabe se lá como, conseguiu construir uma roupa que o deixa invisível, meio que </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-o-homem-invisivel-de-h-g-wells/"><span style="font-weight: 400;">difere do livro</span></a><span style="font-weight: 400;">, e começa a rondar todos os passos da ex-esposa, com um clima de suspense que o envolve, pois ninguém sabe onde ele está e qual a sua aparência. Essa evidência é mostrada apenas quando o diretor deixa referências de coisas se mexendo sozinhas, respirações, e claro, uma das cenas mais conhecidas do filme, a das mãos no </span><i><span style="font-weight: 400;">box </span></i><span style="font-weight: 400;">do banheiro. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Homem Invisível</span></i><span style="font-weight: 400;"> é cheio de sequências hipnotizantes, e uma das maiores é quando Cecília começa a lutar com o vulto em plena cozinha, momento em que quem assiste fica ansioso para ver o desfecho de tudo, até que a personagem consegue se livrar, e confirma suas paranoias. Consciente de que não é apenas uma insanidade, e sim a realidade, ela começa a confrontar seu ex-cônjuge e tomar atitudes para pôr um ponto final em toda a situação aterrorizante.</span></p>
<figure id="attachment_24168" aria-describedby="caption-attachment-24168" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24168" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/GIF-1-_reproducao_.gif" alt="Cena do filme O Homem Invisível. Cecília (Elisabeth Moss), de cabelos loiros, usando uma camisa social, está num quarto escuro e joga uma lata de tinta branca no homem invisível, o que faz com que seu traje apareça." width="650" height="264" /><figcaption id="caption-attachment-24168" class="wp-caption-text">Os momentos de terror do filme são relacionados ao medo de como é a figura do Homem Invisível (GIF: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O truque de mestre do roteiro é tornar a vítima culpada. Quando ela decide contar para sua irmã Emilly (Harriet Dyer), em uma jogada de psicopatia, o Homem Invisível mata a ex-cunhada no meio de um restaurante, e o que sobra é Cecília, com uma faca na mão e os olhares de acusação dos demais presentes. Tudo nos </span><i><span style="font-weight: 400;">frames</span></i><span style="font-weight: 400;"> se concentra apenas em Elisabeth Moss, em cortes fechados, tendo que lidar com a situação de estar encenando sozinha em momentos de tensão, mesmo com a presença de toda a equipe, o que deixa o filme angustiante e prende nossa atenção.</span></p>
<p><b>A ligação com o trauma e o final de vingança</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como se a situação não estivesse pior, a personagem descobre estar grávida, e esse fator surpresa muda tudo na dinâmica do filme, pois agora Adrian não queria mais vê-la sofrer, e sim ter o filho, fruto de uma relação de objetificação e posse. Na continuidade, Cecília é seguida até mesmo na cadeia onde está presa, pela figura do homem que ninguém vê. O roteiro de Leigh Whannell, </span><a href="https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-97570/filmografia/"><span style="font-weight: 400;">especialista em filmes de Terror</span></a><span style="font-weight: 400;">, nos apresenta o limite que uma mulher fragilizada e assustada pode chegar para se livrar de um maníaco perseguidor: tirar a própria vida. No entanto, o mesmo roteiro tem como objetivo fazer com que Adrian tenha o medo de perder o seu item mais precioso: ela mesma. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todos os pontos de ação e efeitos especiais no longa-metragem são convincentes, como a sucessão de ataques aos policiais da figura que ninguém vê.  As mortes foram coreografadas como se os homens estivessem brigando sozinhos, ao nível de não sabermos qual será o próximo movimento do assassino, o que deixa o fator surpresa de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Invisible Man</span></i><span style="font-weight: 400;"> mais instigante. </span></p>
<figure id="attachment_24169" aria-describedby="caption-attachment-24169" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24169" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/GIF-2-_reproducao_.gif" alt="Cena do filme O Homem Invisível. Cecília (Elisabeth Moss), de cabelos loiros, usando um macacão, rasteja no chão tentando fugir de seu ex-marido enquanto dois policiais tentam segurá-la." width="650" height="271" /><figcaption id="caption-attachment-24169" class="wp-caption-text">A verdade só vem à tona quando outras pessoas sofrem as consequências dos atos da criatura invisível e começam a acreditar na personagem principal (GIF: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando todos já sabem a verdade, o que resta, a não ser procurar quem não se pode ver? É aí que a chave vira, e o ditado de </span><i><span style="font-weight: 400;">“o feitiço virou contra o feiticeiro”</span></i><span style="font-weight: 400;"> se encaixa no filme. Cecília faz com que o jogo se inverta, e se rende à quem mais a maltratou, numa atitude desesperada de resolver a situação. Nada mais romântico do que um jantar à luz de velas, sentada frente a frente com quem tentou matá-la várias vezes, concordam? </span></p>
<p><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/o-homem-invisivel-elizabeth-moss-relacionamentos-abusivos"><span style="font-weight: 400;">Em entrevista à revista </span><i><span style="font-weight: 400;">Empire</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a atriz Elisabeth Moss defendeu a visão de analogia de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem Invisível</span></i><span style="font-weight: 400;"> sobre os relacionamentos abusivos.</span><i><span style="font-weight: 400;"> “</span></i><i><span style="font-weight: 400;">Ela diz que ele está lá, atacando-a, abusando dela, manipulando-a e todos em volta dizem ‘relaxa, está tudo bem’(&#8230;) Ninguém acredita nela, a analogia é clara”</span></i><span style="font-weight: 400;">, diz. </span><span style="font-weight: 400;">No fim, o cientista, que preparou todo seu plano articulado para não ser descoberto e infernizar a vida da mulher, se descuida, deixando com que ela pegue o traje, e inocentemente, o mate, como ele tinha feito com sua irmã, numa constituição de cena que molda para um suicídio, aquele que no começo do filme, ele forjou para segui-la.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em síntese, a caótica e angustiante distopia de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem Invisível </span></i><span style="font-weight: 400;">se aproxima de outros clássicos do Terror de perseguição à vítima, tais como </span><a href="https://personaunesp.com.br/panico-25-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-238622/criticas/espectadores/"><i><span style="font-weight: 400;">Halloween</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-hora-do-pesadelo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Hora do Pesadelo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. No entanto, seu contexto trazido para um drama vivido diariamente no mundo, confere uma sutilidade no tratamento do tema, que poderia ter sido trabalhado de forma mais incisiva, e deixaria o enredo mais verdadeiro, com pés no chão ao abordar a relação do casal principal desde o início. Ao término das duas horas, vem a sensação de um soco no estômago para quem entendeu o recado do filme, ou pior,  já viveu situação parecida.</span></p>
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		<title>A Maldição da Residência Hill rompe com as amarras do terror comum</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Dec 2018 10:40:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Maquiada como uma produção de terror e fantasmas, A Maldição da Residência Hill usa de artifícios do gênero para tratar de uma relação familiar conturbada e extremamente relacionável ao mundo fora das telas. Transitando entre o passado e o presente dos moradores da Hill House, a produção de Mike Flanagan trabalha com alegorias &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/residencia-hill-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Maldição da Residência Hill rompe com as amarras do terror comum"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_11245" aria-describedby="caption-attachment-11245" style="width: 909px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-11245" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem1-300x169.jpg" alt="" width="909" height="512" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem1.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-11245" class="wp-caption-text"><em>O novo drama de suspense e terror da Netflix foi inspirado por Lost, revelou o criador Mike Flanagan (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p>Maquiada como uma produção de <a href="http://personaunesp.com.br/buffy-caca-vampiros-critica/">terror</a> e <a href="http://personaunesp.com.br/a-freira-critica/">fantasmas</a>, <em>A Maldição da Residência Hill </em>usa de artifícios do gênero para tratar de uma <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ibHErzMzp2g">relação familiar conturbada</a> e extremamente relacionável ao mundo fora das telas. Transitando entre o passado e o presente dos moradores da Hill House, a produção de Mike Flanagan trabalha com alegorias e cria a melhor série original do ano da gigante de<em> streaming</em>.<br />
<span id="more-11244"></span></p>
<p>Mesmo pautada nos fundamentos já <a href="http://personaunesp.com.br/maldicao-casa-winchester-critica/">batidos</a> do terror – casa mal-assombrada, crianças, vultos ao fundo –, o seriado acerta a mão em não posicionar sob seu holofote os espíritos que residem na <em>Hill House</em>. Talvez uma das únicas produções que se propõe a estudar e analisar o pós disso tudo: quais feridas psicológicas são deixadas nas pessoas que experienciaram esses horrores?</p>
<p>A trama acompanha a família Crain, que se muda para a Residência Hill com o intuito de reformar a casa para vendê-la por um preço alto no fim do verão. Os pais e os cinco filhos acabam sofrendo com os espíritos que habitam a mansão. Já adultos, os irmãos são forçados a voltar para essa realidade quando uma tragédia une a família mais uma vez.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="THE HAUNTING OF HILL HOUSE Trailer (2018)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/dA2OngsNXXk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>Fator interessante é que as crianças só residiram na mansão durante um verão &#8211; tempo suficiente para que sofressem com consequências que carregaram até a vida adulta. O roteiro tem uma mão cirúrgica para dedilhar temas como abuso de drogas, depressão e até a negação perante o passado. Além de <em>linkar</em> de maneira extremamente limpa e orgânica as duas linhas temporais. Cada um dos irmãos sofre a sua maneira, mesmo tendo passado pelos mesmos eventos traumatizantes.</p>
<p>A abordagem da persona de cada familiar Crain, já detonada na própria infância, evolui exponencialmente. A escolha dos atores mirins é outro feliz acerto da <em><a href="http://personaunesp.com.br/tag/netflix/">Netflix</a></em>. <em>Hill House</em> sai tanto da curva do terror comum que em diversos momentos parecia estar assistindo um episódio da série <em>hit</em> americana <a href="http://personaunesp.com.br/this-is-us-2-critica/"><em>This Is Us</em></a> que, assim como a produção da plataforma de <em>streaming</em>, constrói relações de empatia público-personagens e abusa de linhas cronológicas passeando entre <a href="http://personaunesp.com.br/donnie-darko/">o antes e o agora</a>.</p>
<figure id="attachment_11250" aria-describedby="caption-attachment-11250" style="width: 1021px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-11250" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-2-1-300x169.jpg" alt="" width="1021" height="575" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-2-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-2-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-2-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-2-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-2-1.jpg 1400w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-11250" class="wp-caption-text"><em>A dinâmica infância e vida adulta casa bastante com a de It – A Coisa, livro de Stephen King adaptado pros cinemas nos anos 90 e novamente em 2017 (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p>O escritor Steven (Michiel Huisman) trabalha as nuances no limite entre negação e sanidade; a agente funerária Shirley (Elizabeth Reaser) é uma força da natureza, internaliza mágoa e lida com os frutos de decisões de seu passado; Theo (Kate Siegel) é a psicóloga infantil e também a Crain que carrega a melhor trama de apoio da série. Todos os momentos que envolvem sexualidade e culpa da personagem já valem a empreitada de maratonar os dez episódios.</p>
<p>Os gêmeos Luke (Oliver Jackson-Cohen) e Nell (Victoria Pedretti) complementam a prole de Olívia (Carla Gugino) Devo abrir um parênteses para falar sobre essa atriz: excepcional, que tem um olhar incisivo e uma calma terna que assusta quando a mulher começa a se seduzir pelos males da casa. O pai da casa é Hugh (Henry Thomas, na versão adulta e Timothy Hutton na idosa).</p>
<p>Luke sofre com o vício, e seus fantasmas na casa em momento algum se materializam em figuras pálidas e esguias. O temor que a atuação de Jackson-Cohen transmite é sempre carregado de um medo sobrenatural de si mesmo. Nell é a catapulta da história, é a partir dela que a família volta a ter contato com a casa e, enfim, enfrentar demônios já enraizados. É ela também que tem o melhor <em>plot-twist</em>.</p>
<p><figure id="attachment_11252" aria-describedby="caption-attachment-11252" style="width: 911px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-11252" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-3-1-300x169.jpg" alt="" width="911" height="513" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-3-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-3-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-3-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-3-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-3-1.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-11252" class="wp-caption-text"><em>A série é inspirada no livro A Assombração da Casa da Colina (1953), da autora Shirley Jacskon [Foto: Reprodução]</em></figcaption></figure>O foco da produção na troca entre os membros da família acaba colocando os fantasmas em segundo plano – às vezes, literalmente, já que <em>Hill House</em> é recheado de vultos e convidados indesejados em quase todas as cenas. Houve até um cuidado estratégico em posicionar a cenografia de maneira a qual tudo casasse no plano final. Tanto que o roteiro nem se dá ao trabalho de enumerar as assombrações ou narrar suas origens em diálogos expositivos. Aqui, os fantasmas são alegorias, elementos narrativos que tem como função primária a de mover a trama da família. Mas que, vez ou outra, arrancam um susto enorme. Cuidado com a cena do carro.</p>
<p>Outro grande trunfo de <em>Hill House</em> é sua direção de arte. Desde o <em>design</em> de produção, a construção de cenários grandiosos (os ambientes internos são verdadeiras pinturas), passando pela equipe de iluminação que sabe muito bem como e quando mostrar certos segmentos da mansão. E, finalmente, a fotografia. Magistral, o sexto episódio foi todo gravado em quatro <a href="https://www.youtube.com/watch?v=6XMuUVw7TOM">planos-sequência</a> (tomada sem cortes). O cenário teve de ser construído para que a execução fosse perfeita, com passagens para elenco e equipe se esgueirarem enquanto a câmera de Flanagan transitava entre enormes tempestades.</p>
<figure id="attachment_11254" aria-describedby="caption-attachment-11254" style="width: 875px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-11254" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-4-1-300x200.jpg" alt="" width="875" height="583" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-4-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-4-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-4-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-4-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-11254" class="wp-caption-text"><em>O Quarto Vermelho é a catarse poética que Mike Flanagan usa para selar a história da família Crain (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p>O último episódio é um <em>show</em> a parte, emocionante e dotado de uma paixão efervescente. A direção de Michael Flanagan imprime na conclusão da série a aura necessária para que seja lembrada na posteridade. Assim como <em>Invocação do Mal 2</em> (2016) e <em><a href="http://personaunesp.com.br/critica-hereditario/">Hereditário</a></em>(2018) conseguiram fazer, <em>A Maldição da Residência Hill</em> é um terror de qualidade tão alta que consegue pular barreiras e quebrar correntes de gênero.</p>
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