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	<title>Arquivos Oliver Hermanus &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A História do Som: Paul Mescal e Josh O&#8217;Connor brilham em uma ode ao amor e a música</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Nov 2025 13:00:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Bezerra  Toda história de amor deveria poder ser vivida em alto e bom som, mas, nas trincheiras, resistem aquelas que precisaram criar uma melodia própria – e silenciosa – para si. A História do Som, dirigido por Oliver Hermanus, é baseado em um conto homônimo de Ben Shattuck, responsável pela adaptação do próprio texto &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-historia-do-som-paul-mescal-e-josh-oconnor-brilham-em-uma-ode-ao-amor-e-a-musica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A História do Som: Paul Mescal e Josh O&#8217;Connor brilham em uma ode ao amor e a música"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36143" aria-describedby="caption-attachment-36143" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36143" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-800x450.jpg" alt="Cena do filme A História do Som: Dois homens, Lionel e David ( da esquerda para a direita), brancos e de cabelos castanhos, estão sentados lado a lado em um banco de madeira em uma sala de uma estação de trem antiga. Ambos vestem roupas de época, em tons marrons. Lionel olha para o outro enquanto conversa; David toca o próprio pescoço com a mão e parece pensativo. Ao fundo, há outras pessoas sentadas; um homem lê o jornal e um casal conversa entre si." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4.jpg 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36143" class="wp-caption-text">A História do Som faz um retrato de uma relação rodeada de partituras e acordes (Fonte: Mubi)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Bezerra </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda história de amor deveria poder ser vivida em alto e bom som, mas, nas trincheiras, resistem aquelas que precisaram criar uma melodia própria – e silenciosa – para si. </span><a href="https://mostra.org/filmes/a-historia-do-som"><i><span style="font-weight: 400;">A História do Som,</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">dirigido por Oliver Hermanus, é baseado em um conto homônimo de </span><span style="font-weight: 400;">Ben Shattuck, responsável pela adaptação do próprio texto em roteiro. O longa teve sua primeira exibição no Brasil na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas seções Foco Reino Unido e Perspectiva Internacional. </span><span style="font-weight: 400;">O filme apresenta a música em um lugar quase de protagonista e mergulha na </span><a href="https://abra.com.br/artigos/quais-sao-as-7-artes"><span style="font-weight: 400;">Quarta Arte</span></a><span style="font-weight: 400;"> para contar a história de Lionel (</span><a href="https://personaunesp.com.br/normal-people-critica/"><span style="font-weight: 400;">Paul Mescal</span></a><span style="font-weight: 400;">) e David (</span><a href="https://personaunesp.com.br/rivais-critica/"><span style="font-weight: 400;">Josh O&#8217;Connor</span></a><span style="font-weight: 400;">), dois artistas que se conhecem em Boston, no fim da década de 1910, e cuja relação reverbera para muito além de sua breve duração.</span></p>
<p><span id="more-36139"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The History of Sound,</span></i><span style="font-weight: 400;"> título original, traz dois atores que estão em voga e cuja fama vem acompanhada de uma jornada convincente sobre seus talentos. No longa em questão, ambos conseguem definir bem seus personagens através de suas performances – o que, nesse caso, não significa limitá-los, porém expressar justamente as camadas que os constroem. Lionel foi criado em uma fazenda no Kentucky, onde se apaixonou por música popular</span><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">Ele tem laços muito fortes com a sua família; é um homem doce, que está descobrindo o mundo, de certa forma – e o faz de um modo tímido e com o coração sempre perto de casa. David, por outro lado, cresceu em uma lógica familiar marcada pelo </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-incrivel-eleanor-critica/"><span style="font-weight: 400;">luto</span></a><span style="font-weight: 400;">; órfão desde cedo, foi criado pelo tio, falecido há pouco tempo, e que o influenciou na paixão musical.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os cursos de vida de ambos os protagonistas parecem criar espaços para que um possa completar o outro. O encontro, no primeiro momento, é marcado pela paixão que compartilham e uma coreografia perfeita: uma troca de olhares sensível e um gestual carregado de leveza. Apesar de carnal à princípio, Hermanus nunca deixou que a natureza desse encontro fosse pura, uma vez que ele provoca diálogos que revelam uma conexão que vai além da atração física, mas que explica de onde ela surge. Aqui, a parceria de </span><a href="https://mostra.org/diretores/oliver-hermanus"><span style="font-weight: 400;">Hermanus</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Shattuck carrega algo extraordinário: a capacidade de gritar no silêncio. Durante todo o filme, existe um ar de desejo, um sentimento estranho de que essa relação parece nunca chegar perto de seu ápice. E isso é completamente proposital.</span></p>
<figure id="attachment_36140" aria-describedby="caption-attachment-36140" style="width: 789px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-36140" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-2.png" alt="Cena do filme A História do Som. Lionel, um homem branco de cabelos castanhos, está sentado encostado na parede, ao lado de uma janela. Ele sorri e aparenta estar alegre; veste uma camisa listrada e um suspensório cinza. Os pés de outro homem, calçados com um sapato de couro marrom, estão apoiados na mesma janela." width="789" height="460" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-2.png 789w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-2-768x448.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36140" class="wp-caption-text">Em A História do Som, as cenas íntimas do casal fluem naturalmente e transmitem a segurança dos atores (Fonte: Mubi)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A ambientação nos anos 1920 é feita com maestria. Muito mais do que reconstruir uma época com cenários e caracterização, o longa consegue fazer retratos específicos dos lugares pelos quais percorrem os personagens. Entre eles: a faculdade de música, em Boston, a fazenda no Kentucky onde Lionel foi criado, Roma e Londres, onde esse também vive em alguns períodos, além das vilas, nos Estados Unidos. Nessas pequenas civilizações, ambos os protagonistas passaram coletando canções </span><i><span style="font-weight: 400;">folk</span></i><span style="font-weight: 400;"> em um </span><a href="https://souzalima.com.br/blog/o-que-e-fonografo/"><span style="font-weight: 400;">fonógrafo de cilindro</span></a><span style="font-weight: 400;">, o primeiro aparelho gravador, com o objetivo de guardá-las para a posteridade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O termo em inglês, </span><a href="https://rollingstone.com.br/artigo/alem-de-bob-dylan-o-lado-b-do-folk-gringo/"><i><span style="font-weight: 400;">folk</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, faz referência ao folclore, ao que é popular dentro de uma comunidade e tange muito mais o que é ‘dito’ e ‘por quem’ é dito do que ‘como’ e em que ‘ritmo’. Assim, os dois músicos mergulham na intimidade dessas histórias, através das canções, enquanto estreitam seus laços. Afinal, é nessa jornada, isolada da cidade e das outras partes de suas vidas, que a conexão dos dois ganha espaço físico para se expandir. Esse é um contexto em que ser </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">é, inevitavelmente, algo vivido no silêncio. É nele que, de novo, a coreografia e as atuações encontram um meio para se expressarem sem precisarem de uma única palavra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existe uma sutileza ao transmitir a dor de quem gostaria de abraçar e beijar o parceiro que parte para a </span><a href="https://personaunesp.com.br/nada-de-novo-no-front-critica/"><span style="font-weight: 400;">guerra</span></a><span style="font-weight: 400;">. No entanto, quando Lionel vê David vestido em sua farda, é seu corpo quem fala: sua garganta se movimenta transportando de volta para dentro o choro que insiste em sair. A viagem dos dois é justamente o reencontro após esse momento. Em seguida, depois de um desentendimento, Lionel segue para Roma, e então para Londres, onde exerce funções de prestígio e se envolve em outras relações, inclusive com uma mulher. É claro para o espectador e para os personagens que ilustram essa nova vida do protagonista que existe um resíduo de passado nele, algo que o descola da realidade: o luto por algo que poderia ter sido mais.</span></p>
<figure id="attachment_36141" aria-describedby="caption-attachment-36141" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36141" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-1-800x471.jpg" alt="David, um homem branco, de cabelos castanhos e olhos claros, aparece com um uniforme militar e cabelo penteado com gel. Seus olhos parecem tristes e marejados de lágrimas. " width="800" height="471" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-1-800x471.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-1-1024x603.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-1-768x452.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-1-1536x904.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-1-1200x707.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-1.jpg 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36141" class="wp-caption-text">“Não morra e mande chocolate” &#8211; diz Lionel a David (Fonte: Mubi)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da melancolia que a realidade social força sobre a história do casal, a forma como a conexão entre eles se apresenta é muito genuína e terna. Especialmente, durante a viagem em conjunto ou a qualquer momento em que falam sobre música. Infelizmente, (ou não) nem o texto, nem a direção conseguem impor sobre a narrativa um esquecimento dessa dor que é um fato histórico. Nesse sentido, é interessante que a </span><a href="https://dasartes.com.br/de-arte-a-z/veja-fotografias-dos-seculos-19-e-20-da-vida-gay-quando-o-amor-era-ilegal/"><span style="font-weight: 400;">repressão</span></a><span style="font-weight: 400;"> não seja um tópico discutido diretamente pelo casal, que, com certeza, a sentem, mas se ocupam em falar sobre o universo interno da relação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitas vivências têm o poder de marcar a vida dos envolvidos para sempre, e expressar essa potência nas telas não é uma tarefa fácil. Para cumpri-la com êxito, </span><a href="https://suffolkcommunitylibraries.co.uk/pt/conheca-o-autor-ben-shattuck/"><span style="font-weight: 400;">Shattuck</span></a><span style="font-weight: 400;"> cria uma linha do tempo em que a narrativa de Lionel e David ecoa: após a morte de sua mãe (Molly Price), o primeiro decide ir à cidade em que o ex-parceiro e eterno amor morou, para recuperar os cilindros das gravações que fizeram. No local, ele descobre que essa viagem não havia sido um pedido da universidade em que David trabalhava, como ele havia afirmado – na verdade, tratava-se de um projeto pessoal. Além disso, ele encontra uma personagem inesperada: a esposa do então professor e em uma condição ainda mais perturbadora – a de viúva.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Belle (</span><a href="https://personaunesp.com.br/moxie-critica/"><span style="font-weight: 400;">Hadley Robinson</span></a><span style="font-weight: 400;">) entrega ao personagem de Mescal as cartas que recebeu dele após a morte do marido. Nesse momento, a atriz também se destaca conseguindo retratar esse novo conflito da trama. Entre o ciúme, o luto e a compreensão do amor que aquele homem sentia pelo seu parceiro falecido, ela se expressa de forma confusa e emotiva, completamente natural. Filmes são feitos por humanos para outros humanos, e, portanto, é primordial que seus personagens tenham a liberdade para agir como tal. </span></p>
<figure id="attachment_36142" aria-describedby="caption-attachment-36142" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36142" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-800x450.jpg" alt="Uma mulher negra de cabelos escuros e vestido bege listrado está sentada cantando em frente ao fonógrafo. Ao fundo, aparece um homem olhando a moça cantar." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3.jpg 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36142" class="wp-caption-text">As músicas coletadas carregam a história de um povo e compõem a trajetória pessoal dos protagonistas (Foto: Mubi)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Aquele pedaço de vida compartilhado entre Lionel e David era tão valioso que ele não recebe um desfecho nesse encontro com Belle. Na verdade, ele nunca acontece. Nos anos 80, Lionel, agora interpretado por </span><a href="https://personaunesp.com.br/adoraveis-mulheres-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Chris Cooper</span></a><span style="font-weight: 400;">, se tornou um professor de música e escritor. Ele publica um livro sobre a jornada musical com seu ‘amigo’ – descrição que aponta, ainda que indiretamente, para as questões sociais que circundam essa história. Apenas nesse momento, décadas depois, o músico consegue acesso aos cilindros com as gravações das canções. Muito mais do que isso, aquela caixa com pequenos tubos metálicos materializa algo que estava invisível na sua alma e no ar, assim como as ondas mecânicas que compõem o que chamamos de som.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A História do Som</span></i><span style="font-weight: 400;"> cria uma narrativa que reflete amores e traumas sem deixar as lindas partes de um encontro de lado. Apesar da tragicidade, fica claro que os criadores entendem que uma jornada não precisa durar para sempre para ser considerada importante. Cooper tem uma performance mágica, que transmite tudo que essa relação continua a provocar dentro dele mesmo que tanto tempo depois. Além disso, a presença de canções </span><i><span style="font-weight: 400;">folk</span></i><span style="font-weight: 400;"> incríveis nas </span><a href="https://www.washingtonpost.com/entertainment/movies/2025/05/23/paul-mescal-history-of-sound-cannes/"><span style="font-weight: 400;">vozes</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos atores completa a sensibilidade do enredo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os envolvidos nessa narrativa constroem algo encantador, que emociona pelo amor que se viveu e por tudo mais que lhes foi roubado. Uma das músicas mais marcantes da história é a que David estava escrevendo enquanto vivia em Boston. Nela, uma pessoa chora a morte da amada sob seu túmulo; ela pede para que ele a deixe descansar. Esse desejo do personagem musical nunca foi respeitado. Talvez, David pensasse tal qual sua criação, mas a verdade é que estamos inclinados a fazer como o homem da canção e como Lionel. O que o filme de Hermanus nos mostra é que ser ouvido é um privilégio, e enquanto ele o for, o registro será uma forma de </span><a href="https://youtu.be/gVouPybdACs?si=0vrxD2KA3aGaHAsp&amp;t=80"><span style="font-weight: 400;">amar</span></a><span style="font-weight: 400;"> e de lembrar do que um dia foi a época mais feliz da vida de alguém.</span></p>
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		<title>70 anos depois de Ikiru, a importância de viver continua a mesma em Living</title>
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					<description><![CDATA[<p>Nathan Nunes Em 1952, o cultuado cineasta japonês Akira Kurosawa (Ran) lançou ao mundo Ikiru. 70 anos depois, o pouco conhecido diretor sul-africano Oliver Hermanus (O Rio Sem Fim) se reuniu ao vencedor do prêmio Nobel de Literatura Kazuo Ishiguro, autor de best-sellers como Vestígios do Dia e Não Me Abandone Jamais, para prestar tributo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/living-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "70 anos depois de Ikiru, a importância de viver continua a mesma em Living"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30341" aria-describedby="caption-attachment-30341" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30341" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-11-800x541.jpg" alt="" width="800" height="541" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-11-800x541.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-11-1024x693.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-11-768x520.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-11-1536x1039.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-11-1200x812.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-11.jpg 1596w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30341" class="wp-caption-text">Por Living, Bill Nighy recebeu a primeira indicação ao Oscar de sua carreira, ativa há mais de 40 anos (Foto: Number 9 Films)</figcaption></figure>
<p><b>Nathan Nunes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1952, o cultuado cineasta japonês Akira Kurosawa (</span><i><span style="font-weight: 400;">Ran</span></i><span style="font-weight: 400;">) lançou ao mundo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2VeLN3IDjzQ"><i><span style="font-weight: 400;">Ikiru</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. 70 anos depois, o pouco conhecido diretor sul-africano </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=97uQo0qTLK0"><span style="font-weight: 400;">Oliver Hermanus</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Rio Sem Fim</span></i><span style="font-weight: 400;">) se reuniu ao vencedor do prêmio Nobel de Literatura Kazuo Ishiguro, autor de </span><i><span style="font-weight: 400;">best-sellers</span></i><span style="font-weight: 400;"> como </span><i><span style="font-weight: 400;">Vestígios do Dia </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Não Me Abandone Jamais</span></i><span style="font-weight: 400;">, para prestar tributo ao longa original através de um </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;"> chamado </span><i><span style="font-weight: 400;">Living</span></i><span style="font-weight: 400;">. O resultado dessa empreitada é sentido nas expressivas indicações do filme ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar 2023 </span></i><span style="font-weight: 400;">de Melhor Roteiro Adaptado para o escritor e Melhor Ator para Bill Nighy (</span><i><span style="font-weight: 400;">Simplesmente Amor, Piratas do Caribe</span></i><span style="font-weight: 400;">) no papel principal. </span></p>
<p><span id="more-30340"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa está longe de ser a primeira vez que um filme de Kurosawa é refeito para uma linguagem ocidental. </span><i><span style="font-weight: 400;">Por Um Punhado de Dólares </span></i><span style="font-weight: 400;">(1964), por exemplo, é um </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=e4WtoDB6PTs"><i><span style="font-weight: 400;">Yojimbo</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1961), enquanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Sete Homens e um Destino </span></i><span style="font-weight: 400;">(1960)</span> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/vida-de-inseto-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Vida de Inseto</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1998)</span> <span style="font-weight: 400;">ecoam diretamente </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Sete Samurais </span></i><span style="font-weight: 400;">(1954). Até George Lucas diz ter se inspirado em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Fortaleza Escondida </span></i><span style="font-weight: 400;">(1958)</span> <span style="font-weight: 400;">para conceber </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/star-wars/"><i><span style="font-weight: 400;">Uma Nova Esperança</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1977). Contudo, é apenas agora que estamos presenciando o debute de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ikiru </span></i><span style="font-weight: 400;">nessa mesma linha, pois a maioria dos realizadores sempre esteve ciente da grande dificuldade de adaptá-lo para uma nova roupagem. Felizmente, o tributo que </span><i><span style="font-weight: 400;">Living </span></i><span style="font-weight: 400;">faz ao clássico mantém a sua essência desde o nome, pois ambas as palavras titulares têm o mesmo significado em tradução: viver. </span></p>
<figure id="attachment_30342" aria-describedby="caption-attachment-30342" style="width: 720px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30342" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2-6.jpg" alt="" width="720" height="540" /><figcaption id="caption-attachment-30342" class="wp-caption-text">Akira Kurosawa vê a burocracia com ares extremamente pessimistas em Ikiru (Foto: The Criterion Collection)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os cenários e o período histórico são evidentemente diferentes. </span><i><span style="font-weight: 400;">Living </span></i><span style="font-weight: 400;">troca o Japão pós-guerra onde se passa </span><i><span style="font-weight: 400;">Ikiru </span></i><span style="font-weight: 400;">pela Londres de 1953, no entanto, ambos se situam na mesma estafante burocracia do mercado de trabalho. No que tange a sua representação em cena, talvez o primeiro se saia melhor em como integra a cultura local com a sensação de aprisionamento do protagonista, ao se utilizar dos tradicionais costumes britânicos de educação e da finesse dos figurinos de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-irlandes-critica/"><span style="font-weight: 400;">Sandy Powell</span></a><span style="font-weight: 400;"> para surtir tal efeito. Ainda assim, tanto um quanto o outro recorrem ao mesmo recurso na direção de arte: o ambiente que sufoca os trabalhadores com pilhas gigantes de documentos ao redor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Independente da época de produção, fato é que a história naturalmente começa se voltando para um olhar bastante pessimista da burocracia como uma sugadora de almas. Para ilustrar esse ponto, acompanhamos as diversas tentativas de um grupo de mulheres para conseguir aprovar a construção de um parque infantil numa região desolada de Londres. O que se sucede é uma rápida edição de movimento entre um setor e outro, cujas transições laterais (que também aparecem em </span><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars </span></i><span style="font-weight: 400;">até </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8wnhXORcA9U"><span style="font-weight: 400;">hoje</span></a><span style="font-weight: 400;">), organizadas pelo montador Chris Wyatt em </span><i><span style="font-weight: 400;">Living</span></i><span style="font-weight: 400;">, prestam homenagem as mesmas que Koichi Iwashita organizou em </span><i><span style="font-weight: 400;">Ikiru</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30343" aria-describedby="caption-attachment-30343" style="width: 720px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30343" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3-8.jpg" alt="" width="720" height="540" /><figcaption id="caption-attachment-30343" class="wp-caption-text">Takashi Shimura também colaborou com Akira Kurosawa nos aclamados Rashomon e Os Sete Samurais (Foto: The Criterion Collection)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo nos primeiros minutos de imersão dentro desse universo, somos introduzidos ao personagem principal, um homem idoso que dedicou grande parte de sua vida aos mecanismos do trabalho e se esqueceu de vivê-la no decorrer dos anos. Essa noção fica clara com o diagnóstico de uma doença terminal, que o condena a poucos meses de vida. A cena da descoberta dessa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=alC_vQOV9Bs"><span style="font-weight: 400;">fatalidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> funciona como um meio para entendermos a dicotomia entre os filmes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Ikiru</span></i><span style="font-weight: 400;">, o recebimento dessa notícia pelo burocrata Kanji Watanabe vem acompanhado de uma grande dramaticidade, onde o intérprete </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Nx5M4AkIeTE"><span style="font-weight: 400;">Takashi Shimura</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Rashomon</span></i><span style="font-weight: 400;">) incorpora fortes e notáveis expressões de medo e angústia. Já em </span><i><span style="font-weight: 400;">Living</span></i><span style="font-weight: 400;">, o protagonista, aqui chamado Rodney Williams, reage de maneira melancólica e triste, mas menos intensa. Imediatamente, a câmera de Hermanus o captura quieto nas sombras de sua sala de estar, como se estivesse completamente engolido por esses sentimentos. </span></p>
<figure id="attachment_30344" aria-describedby="caption-attachment-30344" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30344" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-7-800x541.jpg" alt="" width="800" height="541" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-7-800x541.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-7-1024x693.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-7-768x520.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-7-1536x1039.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-7-1200x812.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-7.jpg 1596w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30344" class="wp-caption-text">O distanciamento entre pais e filhos é uma temática que Living herda de Ikiru (Foto: Number 9 Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda obra artística é produto do seu tempo e, assim sendo, do seu próprio </span><a href="https://personaunesp.com.br/retorno-do-cinema-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">. O longa de Kurosawa, por exemplo, é carregado de uma teatralidade que remete às raízes do texto na literatura de Tolstói (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EYn9L8P0Uk8"><i><span style="font-weight: 400;">A Morte de Ivan Ilitch</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é a maior referência). Além disso, também toma liberdades mais expressivas. Uma delas é a poética, através do uso da narração para situar o espectador no estado de espírito do protagonista, nos confidenciando a informação de sua iminente morte antes mesmo dele ter conhecimento dela. A outra é a comercial, tendo em vista a sua longa duração com  ritmo lento, que naturalmente afasta as gerações mais novas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Hermanus</span> <span style="font-weight: 400;">opta por um caminho oposto, apesar de ainda manter essa notável qualidade poética. Ela se faz presente na trilha sonora melódica de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nOQ_rxdoa-g&amp;list=OLAK5uy_kfZe4Zyrtl5fhYbGbNQxvjsp3KHczhoFg"><span style="font-weight: 400;">Emilie Levienaise-Farrouch</span></a><span style="font-weight: 400;"> e na cinematografia de Jamie D. Ramsay, que transita brilhantemente entre a dor da escuridão, o calor da boemia e o sentimento pitoresco de aproveitar um belo passeio no parque. Por outro lado, existe uma concisão tão forte na forma como os temas são explorados que os impede de ecoar de modo tão complexo quanto o clássico. O melhor representante disso são os minutos de farra de Williams nas noitadas londrinas ao lado do Sr. Sutherland de </span><a href="https://personaunesp.com.br/mank-critica/"><span style="font-weight: 400;">Tom Burke</span></a><span style="font-weight: 400;">, que são comprimidos em breves montagens. </span></p>
<figure id="attachment_30345" aria-describedby="caption-attachment-30345" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30345" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-6-800x541.jpg" alt="" width="800" height="541" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-6-800x541.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-6-1024x693.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-6-768x520.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-6-1536x1039.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-6-1200x812.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-6.jpg 1596w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30345" class="wp-caption-text">Living marca a primeira empreitada do cultuado escritor Kazuo Ishiguro na escrita para o Cinema (Foto: Number 9 Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, as aspirações mais sutis de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zNxC6tc3i6Q"><i><span style="font-weight: 400;">Living</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não deixam de ter eficiência própria. A cena do jantar entre Williams, seu filho Michael (Barney Fishwick) e sua nora Fiona (Patsy Ferran) é um ótimo exemplo disso. Desde o início, onde vemos Nighy treinando em frente ao espelho para revelar a verdade e falhando, até o desfecho, em que o silêncio prevalece sobre a mesa e o </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> de som faz rugir cada tilintar dos talheres nos pratos, sente-se perfeitamente o desconforto e as tensões entre os três, tão acumuladas que o simples gesto de pegar uma colher de comida fala mais alto que suas vozes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essas sutilezas são a base da interpretação de Nighy e fazem valer a sua indicação ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O ator britânico trabalha com gestos muito delicados ao longo de toda rodagem, seja em sua fala vagarosa ou em sua hiper postura de cavalheiro inglês. Contudo, há de ser dito que nenhum elemento de sua performance é tão fascinante quanto o seu olhar, principalmente em uma de suas últimas conversas com a amiga Margaret Harris (Aimee Lou Wood), onde ele finalmente se abre sobre o estado de sua saúde. No decorrer da cena, percebemos a transformação orgânica de seu olhar, conforme ele se conforma com a inevitabilidade de seu desfecho e retoma o ânimo para aproveitar o pouco que lhe resta de vida. </span></p>
<figure id="attachment_30346" aria-describedby="caption-attachment-30346" style="width: 720px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30346" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-2.jpg" alt="" width="720" height="540" /><figcaption id="caption-attachment-30346" class="wp-caption-text">O aclamado diretor Martin Scorsese incluiu Ikiru em sua lista de 39 filmes estrangeiros essenciais para qualquer cineasta (Foto: The Criterion Collection)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O que se segue, a partir daí, é um terço final que esmiúça as memórias de seus companheiros de trabalho sobre sua </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QgOm-L7TsEQ"><span style="font-weight: 400;">vida</span></a><span style="font-weight: 400;"> e personalidade. Enquanto todos os burocratas sufocados por ternos e gravatas chiques tentam chegar a uma explicação lógica para o legado que o protagonista deixou, somos pouco a pouco apresentados a uma imagem belíssima e contemplativa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela acontece no parque que tanto Williams em </span><i><span style="font-weight: 400;">Living, </span></i><span style="font-weight: 400;">quanto Watanabe em </span><i><span style="font-weight: 400;">Ikiru </span></i><span style="font-weight: 400;">construíram para as crianças de um bairro carente, conforme os desejos das mulheres que foram apresentadas nos minutos iniciais. Isolados em meio a neve, eles permanecem cantando e sentados em um balanço, num contexto extremamente interessante metaforicamente falando. São homens à beira do fim de suas vidas, que escolheram morrer num local que é símbolo de seus estágios iniciais. A cena encanta na sua versão de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=umLtGRl_WE4"><span style="font-weight: 400;">52</span></a><span style="font-weight: 400;">, e também na atual. Logo, percebemos que, independente do momento histórico, de escolhas estilísticas e de diferentes abordagens cinematográficas, a importância de </span><i><span style="font-weight: 400;">Viver </span></i><span style="font-weight: 400;">continua a mesma. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="LIVING | Official Trailer (2022)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/OVo5kLt_-BU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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