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	<title>Arquivos Odessa Young &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Mothering Sunday vive para os últimos</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Nov 2021 20:31:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Lopes Gomez Em uma linda e ensolarada tarde de folga, um jovem casal se encontra às escondidas para seu último dia juntos. Cortinas esvoaçantes, uma paisagem verde, corpos nus e histórias contadas pela metade. Confissões ao pé do travesseiro, sentimentos à flor da pele, um passado trágico que ninguém ousa mencionar. Mothering Sunday poderia &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/mothering-sunday-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Mothering Sunday vive para os últimos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24278" aria-describedby="caption-attachment-24278" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-24278" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mothering-sunday-1.jpg" alt="Cena do filme Mothering Sunday. Na imagem, vemos a protagonista Jane, uma mulher branca, de cabelos loiros, lisos e longos, aparentando cerca de 25 anos, deitada sem camiseta em um lençol branco. Ela está deitada de perfil e o lado direito do seu rosto está virado para cima. Com a mão direita, ela segura um colar preso em seu pescoço. Uma faixa de luz ilumina somente o seu olho direito." width="700" height="518" /><figcaption id="caption-attachment-24278" class="wp-caption-text">A atenção aos mínimos detalhes é o charme e a sina de Mothering Sunday, produção do Reino Unido presente na seção Perspectiva Internacional da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Number 9 Films)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Lopes Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma linda e ensolarada tarde de folga, um jovem casal se encontra às escondidas para seu último dia juntos. Cortinas esvoaçantes, uma paisagem verde, corpos nus e histórias contadas pela metade. Confissões ao pé do travesseiro, sentimentos à flor da pele, um passado trágico que ninguém ousa mencionar. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mothering Sunday </span></i><span style="font-weight: 400;">poderia ter saído de um poema &#8211; e bom, bateu na trave. Dirigido por Eva Husson e roteirizado por Alice Birch, o longa britânico foi adaptado do romance homônimo de </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2017/jul/14/graham-swift-mothering-sunday-fiction-secretive-award-hawthornden-prize-drue-heinz"><span style="font-weight: 400;">Graham Swift</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, depois de passar pelos Festivais de Cannes e Toronto, estreou no Brasil integrando a 45</span><span style="font-weight: 400;">ª</span> <a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-24277"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Mothering Sunday</span></i><span style="font-weight: 400;">, como todo poema, não é tão simples em sua melancolia. No sol da primavera de 1924 no interior da Inglaterra, o cenário bucólico esconde paixões, mas também tragédias. Só que essas vêm bem antes, e bem depois. Primeiro vem Jane (Odessa Young), uma jovem órfã que trabalha como doméstica na formosa residência do casal Niven, uma das famílias da aristocracia inglesa da época, e que tem um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pAh9V0Yxq-Q"><span style="font-weight: 400;">caso com Paul</span></a><span style="font-weight: 400;"> Sheringham (Josh O&#8217;Connor), o filho dos vizinhos.</span></p>
<figure id="attachment_24279" aria-describedby="caption-attachment-24279" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-24279" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mothering-sunday-2-2.jpg" alt="Cena do filme Mothering Sunday. Em uma sala de uma casa, vemos, ao fundo, uma janela com cortinas, à direita, e uma estante com vasos, à direita. À frente, por detrás de uma mesa posta com alimentos e xícaras, vemos da esquerda para a direita, o Sr. Niven, personagem de Colin Firth, um homem branco, de cabelos grisalhos, aparentando cerca de 60 anos, vestindo terno e sentado à mesa; Jane, personagem de Odessa Young, uma mulher branca, de cabelos loiros presos, aparentando cerca de 25 anos, vestindo um uniforme que é um vestido rosa e branco, de cabeça baixa, segurando as mãos e em pé; e a Sra. Niven, personagem de Olivia Colman, uma mulher branca, de cabelos castanhos curtos, aparentando cerca de 60 anos, vestindo um vestido azul com flores vermelhas e um colar, sentada à mesa e encarando o Sr. Niven" width="2048" height="1365" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mothering-sunday-2-2.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mothering-sunday-2-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mothering-sunday-2-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mothering-sunday-2-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mothering-sunday-2-2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mothering-sunday-2-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24279" class="wp-caption-text">O casal Niven é interpretado pelos veteranos Colin Firth e Olivia Colman (Foto: Number 9 Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O problema vem logo aí: ela é funcionária de uma das famílias tradicionais, já ele nasceu no berço de ouro proporcionado por estas. Como é o charme dos romances, a relação entre um aristocrata e uma empregada é inconcebível, e Paul já tem uma vida toda planejada que não conta com Jane. Mas que inclui Emma (</span><span style="font-weight: 400;">Emma D’Arcy)</span><span style="font-weight: 400;">, também filha de uma das </span><a href="https://www.radiotimes.com/movies/the-crown-cast-mothering-sunday/"><span style="font-weight: 400;">famílias da região</span></a><span style="font-weight: 400;"> e com quem ele deve se casar. No belo domingo de Dia das Mães em que o noivado será celebrado, Jane aproveita a folga para viver seus últimos momentos como amante de </span><a href="https://www.dailymail.co.uk/tvshowbiz/article-9793469/BAZ-BAMIGBOYE-triumph-Charles-Crown-Josh-OConnor-Prince-Tales.html"><span style="font-weight: 400;">Paul</span></a><span style="font-weight: 400;">, antes que tudo mude de vez.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É lado a lado com a protagonista que, aos poucos, tiramos o véu de </span><i><span style="font-weight: 400;">Mothering Sunday</span></i><span style="font-weight: 400;">. As feridas nunca fechadas, os sobreviventes de uma guerra sem vencedores, foram mascaradas sob a classe britânica, mas ainda ressoam nos corredores, nas mesas de jantar e nos habitantes das luxuosas e bem-iluminadas mansões. Entre </span><a href="https://www.dailymotion.com/video/x82njqg"><span style="font-weight: 400;">assuntos evitados</span></a><span style="font-weight: 400;"> e olhares reprovadores, nem as cortinas abertas e o sol da manhã iluminam o que foi enterrado tão fundo a ponto da própria menção da perda desmontar os aristocratas ingleses. Olivia Colman que diga: as pouquíssimas aparições da </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-crown-4a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Rainha</span></a><span style="font-weight: 400;"> são resumidas à apática Sra. Niven, que, sempre à beira do choro, não adere às aparências de seu marido e vizinhos, e, quando explode, encabeça a verdadeira mudança de rumo na vida de Jane.</span></p>
<figure id="attachment_24280" aria-describedby="caption-attachment-24280" style="width: 681px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-24280" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mothering-sunday-3.jpg" alt="Cena do filme Mothering Sunday. Na imagem, deitada de ponta cabeça, vemos Jane, uma mulher branca, de cabelos loiros, aparentando cerca de 25 anos, vestindo uma saia branca e um casaco listrado, com a mão por detrás da cabeça. Sentado no chão à frente dela, vemos Paul, um homem branco, de cabelos castanhos curtos e encaracolados, aparentando cerca de 25 anos, vestindo uma camiseta branca e suspensórios, rindo com a mão esquerda próxima ao rosto." width="681" height="383" /><figcaption id="caption-attachment-24280" class="wp-caption-text">Mothering Sunday fez sua pré-estreia no Festival de Cannes e estreou no Festival de Toronto (Foto: Number 9 Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os ambientes, de tão amplos, parecem </span><a href="https://personaunesp.com.br/coisas-verdadeiras-critica/"><span style="font-weight: 400;">vazios</span></a><span style="font-weight: 400;"> e tornam a calmaria desoladora. Em sintonia, o </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">de produção de Helen Scott e a fotografia de Jamie D. Ramsay andam de mãos dadas na criação da </span><a href="https://personaunesp.com.br/ammonite-critica/"><span style="font-weight: 400;">ambientação melancólica</span></a><span style="font-weight: 400;">, sobretudo, mas também nostálgica e que retumba os ‘últimos’. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mothering Sunday </span></i><span style="font-weight: 400;">imprime uma beleza trágica e amplifica os fins: os últimos momentos da corrida, o último dia da paixão, a frase não dita, o segredo não revelado. Nada teria o mesmo efeito sem o abraço frio da atmosfera confeccionada pelos dois. Porém, se visualmente o filme faz sentir, a condução de </span><a href="https://collider.com/josh-oconnor-eva-husson-mothering-sunday-interview/"><span style="font-weight: 400;">Eva Husson</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a montagem de Emilie Orsini minam a beleza. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com os olhos voltados para Jane, interpretada delicadamente por Odessa Young, a observamos crescer de órfã sozinha para jovem inocente e apaixonada, e daí para mulher livre e independente, ciente de seus reveses e forte apesar (e por causa) deles. A diretora </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WQal9lxfaLg"><span style="font-weight: 400;">enriquece o filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao se preocupar com os detalhes e com os pequenos gestos, mas quando a ternura não cai na lentidão dos momentos, o ir e vir só atrapalha o que poderia ser uma imersão na profundidade poética daquela última primavera antes de tudo mudar. Só que, como em um poema, em um romance ou na própria vida, tudo muda, inclusive Jane. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IKRPT5ue8g8"><i><span style="font-weight: 400;">Mothering Sunday</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">faz questão de deixar claro de que não é uma simples história sobre os ‘últimos’ e sua importância &#8211; e esse é o problema, porque talvez seja. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Mothering Sunday - Official Trailer - Watch at Home Now" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Zcf6GtNvMCQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Shirley‌ ‌é‌ ‌a‌ ‌angústia‌ ‌de‌ ‌mulheres‌ ‌geniais‌ ‌em‌ ‌um‌ ‌mundo‌ ‌de‌ ‌homens‌ ‌medíocres</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Mar 2021 18:40:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caroline Campos Quando a Netflix lançou A Maldição da Residência Hill em 2018, Shirley Jackson voltou aos trendings 53 anos após sua morte por insuficiência cardíaca. A grandiosa série de Mike Flanagan adaptou o romance mais infame da carreira de Jackson, A Assombração da Casa da Colina, escrito em 1959 e, hoje, considerado uma das &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/shirley-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Shirley‌ ‌é‌ ‌a‌ ‌angústia‌ ‌de‌ ‌mulheres‌ ‌geniais‌ ‌em‌ ‌um‌ ‌mundo‌ ‌de‌ ‌homens‌ ‌medíocres"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_18751" aria-describedby="caption-attachment-18751" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18751 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Brody-Shirley.jpg" alt="Cena do filme Shirley. A esquerda, Elizabeth Moss, uma mulher branca de 38 anos, está de perfil olhando para a direita. Ela usa uma blusa branca de mangas compridas e seu cabelo é loiro e comprido e está solto. Ela segura com a mão direita o rosto de Odessa Young, uma mulher branca de 23 anos. Odessa também está de perfil, seu rosto está levemente levantado. Ela usa uma blusa vermelha. Seu cabelo é castanho claro e está solto. No fundo, há árvores. " width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Brody-Shirley.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Brody-Shirley-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Brody-Shirley-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Brody-Shirley-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Brody-Shirley-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Brody-Shirley-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Brody-Shirley-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18751" class="wp-caption-text">Uma cinebiografia de Shirley Jackson não funcionaria sem um pouco de suspense (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Caroline Campos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">lançou </span><a href="https://personaunesp.com.br/residencia-hill-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Maldição da Residência Hill</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 2018, </span><a href="https://monicasanoli.com.br/2019/10/31/shirley-jackson/"><span style="font-weight: 400;">Shirley Jackson</span></a><span style="font-weight: 400;"> voltou aos </span><i><span style="font-weight: 400;">trendings </span></i><span style="font-weight: 400;">53 anos após sua morte por insuficiência cardíaca. A grandiosa série de Mike Flanagan adaptou</span> <span style="font-weight: 400;">o romance mais infame da carreira de Jackson, </span><a href="https://valkirias.com.br/a-assombracao-da-casa-da-colina-o-terror-psicologico-de-shirley-jackson/"><i><span style="font-weight: 400;">A Assombração da Casa da Colina</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, escrito em 1959 e, hoje, considerado uma das maiores obras de terror do século XX. Em 2020, foi a vez da própria autora ganhar uma adaptação de sua vida conturbada, dessa vez pelas mãos habilidosas de </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/conheca-diretoras-que-revolucionam-o-terror-moderno-lista/"><span style="font-weight: 400;">Josephine Decker</span></a><span style="font-weight: 400;"> e com produção executiva de </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-bons-companheiros-30-anos/"><span style="font-weight: 400;">Martin Scorsese</span></a><i><span style="font-weight: 400;">. Shirley</span></i><span style="font-weight: 400;">, que conta com o protagonismo de Elizabeth Moss, é uma biografia desconfortável de uma mulher assustadora &#8211; no melhor dos sentidos. </span></p>
<p><span id="more-18750"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Shirley é (ou, bem, era) casada com Stanley Hyman, um professor universitário cínico e prepotente em relação à esposa, mas extremamente querido pela comunidade acadêmica ao seu redor. Interpretado por </span><a href="https://www.insider.com/elisabeth-moss-praises-michael-stuhlbarg-in-shirley-2020-6"><span style="font-weight: 400;">Michael Stuhlbarg</span></a><span style="font-weight: 400;">, Stanley é um par adequado ao estado de espírito de sua parceira &#8211; os dois são companhias bem desagradáveis, diga-se de passagem, e Rose e Fred Nemser não demoram muito a descobrir. O casal de estudantes, vivido por Logan Lerman e Odessa Young, passa pelo primeiro e agitado ano de casamento quando são convidados a se hospedar na casa de Shirley e Stanley. Em uma dinâmica gato-e-rato, os jovens se vêem vítimas sutis do humor cruel da escritora e de seu marido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Rose inicia o filme lendo, encantada, </span><a href="https://entrecontos.com/2016/10/25/a-loteria-classico-shirley-jackson/"><i><span style="font-weight: 400;">A Loteria</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o conto mais chocante de </span><a href="https://observador.pt/especiais/dona-de-casa-desesperada-cem-anos-de-shirley-jackson/"><span style="font-weight: 400;">Shirley Jackson</span></a><span style="font-weight: 400;">, que foi publicado na revista </span><i><span style="font-weight: 400;">The New Yorker </span></i><span style="font-weight: 400;">em 1948. Ela e Fred já se encaminhavam à residência da autora, de quem Rose é uma grande admiradora, e a jovem se apressa a tentar estabelecer algum tipo de relação com Jackson. No entanto, o futuro lar dos Nemser apresenta suas obscenas limitações, pois enquanto Shirley sofre de um bloqueio criativo e não consegue sair da cama, Stanley se envolve com diversas mulheres da universidade e faz pequenos jogos de submissão com sua esposa. </span></p>
<figure id="attachment_18752" aria-describedby="caption-attachment-18752" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18752 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/25538_1920x1080.jpg" alt="Cena do filme Shirley. A esquerda, Michael Stuhlbarg, um homem branco de 52 anos está sentado. Ele tem cabelos e barba escuros e usa óculos quadrados de aro preto. Ele está com uma camisa branca, uma blusa bege ao redor e usa calças pretas. Em seu colo, possui um livro de capa vermelha. A direita da imagem, Elizabeth Moss, uma mulher branca de 38 anos, está sentada. Ela usa um vestido bege com padrão florido amarelo claro e óculos quadrados com aro preto. Seu cabelo é loiro e está preso. " width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/25538_1920x1080.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/25538_1920x1080-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/25538_1920x1080-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/25538_1920x1080-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/25538_1920x1080-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/25538_1920x1080-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18752" class="wp-caption-text">A caracterização de Elizabeth Moss como Shirley Jackson ficou interessantíssima, apesar das visíveis diferenças físicas entre ambas (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">À medida que Fred se aproxima da mesma vivência do professor, seu </span><i><span style="font-weight: 400;">mestre</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">intelectual</span></i><span style="font-weight: 400;">, Rose se apega ao cotidiano estressante e obsessivo de Shirley, criando um laço no melhor estilo criador-criatura. Sarah Gubbins, roteirista de </span><i><span style="font-weight: 400;">Shirley</span></i><span style="font-weight: 400;">, constrói um suspense pautado numa casa sufocante com personagens agressivos e manipuladores, mas que ainda permite apoio entre duas mulheres que experienciam a </span><a href="https://www.frightlikeagirl.com.br/2019/09/shirley-jackson-sempre-vivemos-no.html"><span style="font-weight: 400;">sociedade patriarcal</span></a><span style="font-weight: 400;"> de formas diferentes. Shirley é maldosa demais, Rose é boazinha demais.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com as melhores encaradas saídas diretamente de </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-handmaids-tale-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Handmaid&#8217;s Tale</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Elizabeth Moss se torna amiga íntima da câmera. O filme se passa no período em que a autora estava escrevendo </span><a href="https://www.literaryladiesguide.com/book-reviews/hangsaman-shirley-jackson-1952-review/"><i><span style="font-weight: 400;">Hangsaman</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, seu segundo romance &#8211; mas tratado como o primeiro pela obra de Decker. Perturbada pelo desaparecimento de uma jovem, que se torna a inspiração para o novo livro, Shirley a funde com Rose, passando a ter visões quase que oníricas de sua personagem perdida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A autora sofria com o mesmo mal de Constance, sua protagonista no perturbador </span><a href="http://valkirias.com.br/sempre-vivemos-no-castelo/"><i><span style="font-weight: 400;">Sempre Vivemos no Castelo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: a <a href="https://www.vittude.com/blog/agorafobia/">agorafobia</a>. Em</span><i><span style="font-weight: 400;"> Shirley</span></i><span style="font-weight: 400;">, o roteiro baseado no livro de Susan Scarf Merrel opta por premeditar o medo da autora de sair de casa. Segundo a crítica </span><a href="https://www.tor.com/2020/06/09/shirley-shirley-jackson-josephine-decker-elisabeth-moss-psychological-horror-film-review/"><span style="font-weight: 400;">Leah Schnelbach</span></a><span style="font-weight: 400;">, Shirley, na verdade, só desenvolveu a fobia nos anos 60, bem depois dos acontecimentos de Decker. Além disso, se no filme a autora é retratada como uma mulher resistente à vida de casada e à maternidade, Shirley já era mãe de três enquanto escrevia </span><i><span style="font-weight: 400;">Hangsaman.</span></i></p>
<figure id="attachment_18753" aria-describedby="caption-attachment-18753" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18753 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/5ee15af2b3430.image_.jpg" alt="Cena do filme Shirley. A esquerda, Logan Lerman, um homem branco de 29 anos, está de pé. Ele usa camisa azul e calça bege com cinto preto. Seu cabelo é rente e preto. A direita e um passo atrás, Odessa Young, uma mulher branca de 23 anos, está de pé. Ela usa uma blusa branca de rende e saia amarela. Em seu ombro direito, há uma bolsa preta pendurada. Seu cabelo é castanho e vai até os ombros. Na sua mão esquerda, ela segura um bolo. " width="1200" height="648" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/5ee15af2b3430.image_.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/5ee15af2b3430.image_-300x162.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/5ee15af2b3430.image_-1024x553.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/5ee15af2b3430.image_-768x415.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18753" class="wp-caption-text">Victoria Pedretti, a Nellie de Maldição da Residência Hill, faz uma participação especial em Shirley; na foto, Logan Lerman e Odessa Young (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As mudanças narrativas ressaltam a confusão de Josephine Decker em definir o tom de sua cinebiografia. As escolhas a fim do drama e do suspense deixam o espectador desorientado quanto a veracidade de algumas situações, mas também estabelecem um ar mais autoral ao longa. </span><i><span style="font-weight: 400;">Shirley</span></i><span style="font-weight: 400;"> se mantém respirando principalmente por conta de Odessa Young que, com seu final ambíguo e libertador, é capaz de despertar a simpatia de quem a assiste, mesmo depois da sucessão de repulsa em que os personagens se envolvem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O breve relacionamento amoroso entre Shirley e Rose chama a atenção de início com seus flertes suaves e seus entrelaçamentos de pés embaixo da mesa de jantar, só para acabar se perdendo na atmosfera aborrecida da casa. A </span><a href="https://emais.estadao.com.br/noticias/tv,bbb-20-buscas-por-sororidade-no-google-sobem-250-apos-fala-de-manu-gavassi,70003193892"><span style="font-weight: 400;">sororidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, palavra que subiu 250% nas suas buscas depois do </span><i><span style="font-weight: 400;">BBB 20</span></i><span style="font-weight: 400;">, sustenta o cotidiano das mulheres de Josephine Decker e orienta as ações que se desenrolam nas últimas cenas. Enquanto Rose está preparada para bater de frente com Fred para o resto da vida, Shirley segue sua relação desarranjada e caótica com Stanley. O equilíbrio perfeito para um filme desequilibrado.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Shirley</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegou ao Brasil pela 44ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema de São Paulo, na seção Perspectiva Internacional, e foi exibido no Festival de Berlim. A vida de </span><a href="https://literaturapolicial.com/2019/08/08/9-curiosidades-sobre-shirley-jackson-icone-da-literatura-de-horror/"><span style="font-weight: 400;">Shirley Jackson</span></a><span style="font-weight: 400;">, que se tornou leitura obrigatória em escolas estadunidenses, pode ser tão assustadora quanto suas histórias. A mulher que influenciou nomes como </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-outsider-critica/"><span style="font-weight: 400;">Stephen King</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-american-gods/"><span style="font-weight: 400;">Neil Gaiman</span></a><span style="font-weight: 400;"> vivia não só da escrita, mas pela escrita. E viver não tem a mesma graça sem um pouquinho de medo.</span></p>
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