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	<title>Arquivos Nacional &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>5 anos depois, Aquarius supera o reacionarismo e envelhece como vinho</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Sep 2021 16:05:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriela Reimberg É impossível falar de Aquarius sem mencionar o caótico frenesi que atravessava a política brasileira em seu ano de seu lançamento. A narrativa de aversão à esquerda, predominante na mídia, recebeu mal o filme quando, em maio de 2016, no Festival de Cinema mais importante da Europa, o elenco tomou a iniciativa de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/aquarius-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "5 anos depois, Aquarius supera o reacionarismo e envelhece como vinho"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22298" aria-describedby="caption-attachment-22298" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-22298" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f1.png" alt="Foto que compõe o pôster de “Aquarius”. Na imagem, temos Clara, a personagem de Sônia Braga, uma mulher de meia idade com a pele clara, o cabelo preso e usa uma blusa preta e cinza de manga comprida.. Clara está olhando para cima, com a cabeça inclinada para a esquerda. Ao fundo, entre ela, temos dois muros: um que parece ser um jardim vertical, à esquerda, e o outro, de concreto, à direita. A foto foi tirada de dia. " width="800" height="512" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f1.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f1-768x492.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-22298" class="wp-caption-text">Em seu ano de lançamento, o filme protagonizado por Sônia Braga não agradou nada os cidadãos de bem (Foto: Victor Jucá)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriela Reimberg</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É impossível falar de </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i><span style="font-weight: 400;"> sem mencionar o caótico frenesi que atravessava a política brasileira em seu ano de seu lançamento. A narrativa de aversão à esquerda, predominante na </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2016/09/02/midia-brasileira-construiu-narrativa-novelizada-do-impeachment"><span style="font-weight: 400;">mídia</span></a><span style="font-weight: 400;">, recebeu mal o filme quando, em maio de 2016, no </span><a href="https://www.festival-cannes.com/en/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;"> mais importante da Europa, o elenco tomou a iniciativa de protestar contra o </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2016/08/31/opinion/1472650538_750062.html"><i><span style="font-weight: 400;">impeachment</span></i><span style="font-weight: 400;"> ilegítimo</span></a><span style="font-weight: 400;"> que levou Michel Temer à presidência. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Assim que Aquarius estrear no Brasil, o dever das pessoas de bem é boicotá-lo”</span></i><span style="font-weight: 400;">, dizia uma </span><a href="https://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/assim-que-aquarius-estrear-no-brasil-o-dever-das-pessoas-de-bem-e-boicota-lo-que-os-esquerdistas-garantam-a-bilheteria/"><span style="font-weight: 400;">matéria</span></a><span style="font-weight: 400;"> da época. Foi no berço desse borbulhante caldeirão de reacionarismo que o segundo longa de Kleber Mendonça Filho veio ao mundo. </span></p>
<p><span id="more-22296"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da recepção hostil em casa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi, talvez, um dos filmes brasileiros da última década </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-121893/"><span style="font-weight: 400;">mais consagrados no exterior</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com temas que </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-36322435"><span style="font-weight: 400;">transpassam</span></a><span style="font-weight: 400;"> barreiras linguísticas e culturais &#8211; ora de forma pragmática -, como os abusos do capital e a desigualdade social &#8211; ora de forma subjetiva -, como a memória e os laços com o passado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i><span style="font-weight: 400;"> é sobre angústias que afligem a todos nós.</span></p>
<figure id="attachment_22299" aria-describedby="caption-attachment-22299" style="width: 1800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-22299" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f2.jpg" alt="Foto do elenco de Aquarius no Festival de Cannes. São dez pessoas, entre homens e mulheres de pele clara que, em fila indiana, sob o tapete vermelho, seguram cartazes em inglês e francês com mensagens de protesto contra o impeachment da ex presidenta Dilma Rousseff. Todos estão usando roupas formais - os homens de terno e as mulheres de vestido. A foto foi tirada de dia. " width="1800" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f2.jpg 1800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f2-1200x800.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22299" class="wp-caption-text">Elenco de Aquarius em Cannes segura cartazes em inglês e francês que dizem: “O Brasil não é mais uma democracia”, “Nós vamos resistir”, “Um golpe de estado está acontecendo no Brasil” e “O mundo não pode aceitar este governo ilegítimo” (Foto: Antonio Barros)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientada em Recife, a trama acompanha a história de Clara, representada pela fascinante </span><a href="http://artecult.com/atuacao-de-sonia-braga-e-destaque-da-revista-rolling-stones/"><span style="font-weight: 400;">Sônia Braga</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma jornalista aposentada que se recusa a sair de seu charmoso apartamento na praia de Boa Viagem, no edifício Aquarius, onde passou toda a sua juventude. Sendo a única moradora ali residente, Clara se vê pressionada pelo insistente Diego, interpretado por Humberto Carrão, representante de uma construtora que pretende tombar o prédio para empreender um condomínio de luxo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É a clássica relação de vilão-herói. O personagem ambicioso de Diego personifica o </span><a href="https://www.ufjf.br/pa8/files/2015/03/7B1_ESPECULA%C3%87%C3%83O-IMOBILI%C3%81RIA.pdf"><span style="font-weight: 400;">capital especulativo</span></a><span style="font-weight: 400;"> que, no espaço urbano, transforma tudo em concreto. Já Clara é a politizada protagonista que luta até o final para defender seus valores. Apesar do relacionamento conflituoso, entretanto, os dois pertencem à mesma classe abastada de Recife e têm muito mais em comum do que a gente imagina. Enquanto Diego não esconde sua presunção de filho herdeiro, que estudou nos Estados Unidos, Clara parece não querer pertencer a essa casta: mesmo sendo dona de cinco outros imóveis, ela insiste em morar no antigo </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i><span style="font-weight: 400;"> e levar uma vida modesta. É a contradição da elite que não se enxerga como tal. </span></p>
<figure id="attachment_22300" aria-describedby="caption-attachment-22300" style="width: 1498px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-22300" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f5.jpeg" alt="Sônia Braga em frente ao edifício Aquarius, cenário do filme que leva o mesmo nome. Ela está de braços abertos, olhando para cima, e usa uma blusa preta de mangas até o cotovelo. Novamente, ela aparece entre os dois muros - o jardim vertical e o de concreto. Atrás, podemos observar a fachada do edifício, azul celeste, com os dizeres “Edf. Aquarius” e “560”. A entrada e a porta têm formatos arredondados. " width="1498" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f5.jpeg 1498w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f5-800x534.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f5-1024x684.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f5-768x513.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f5-1200x801.jpeg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22300" class="wp-caption-text">Sônia Braga apareceu na lista das 25 melhores atuações de 2016 pela Rolling Stones (Foto: Victor Jucá)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Kleber aborda de forma sutil, quase microscópica, essas relações de classe. Em uma reunião com os irmãos, Clara revira os álbuns de fotos da família e encontra um punhado de imagens em que a ex-empregada, Juvenita, aparece ao fundo, como figurante, cuidando das crianças. Ela se lembra perfeitamente de suas habilidades na cozinha, mas não de seu nome. Esse apagamento de identidade também é simbolizado na figura da atual empregada, Ladjane (Zoraide Coleto), uma senhora de idade que mora na periferia de Recife e, ao contrário da protagonista, não teve o privilégio de desfrutar de sua aposentadoria despreocupadamente. Embora o filme pinte a relação entre Ladjane e Clara como amistosa, é possível perceber que existe uma hierarquia de </span><a href="https://www.portalintercom.org.br/anais/nordeste2016/resumos/R52-0022-1.pdf"><span style="font-weight: 400;">patrão e empregado</span></a><span style="font-weight: 400;"> muito bem delimitada entre as duas, causando um quê de desconforto ao telespectador. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É aqui que o diretor se destaca no Cinema nacional. Ao atribuir falhas tão particulares aos seus personagens, Kleber consegue denunciar as anomalias éticas da sociedade brasileira sem precisar apelar ao panfletário e ao caricato. A personagem de Sônia Braga é o puro suco dessas falhas. Ainda que ela se sobressaia por sua feminilidade e personalidade ímpares, Clara é cheia de defeitos: é chata, arrogante, inconveniente, esnobe e muito &#8211; mas muito &#8211; pedante. Mais do que isso, ela é o retrato fiel de uma </span><a href="https://michaelis.uol.com.br/busca?id=9oaPO"><span style="font-weight: 400;">pequena burguesia</span></a><span style="font-weight: 400;"> metida à besta que luta contra uma forma de opressão &#8211; a especulação imobiliária -, enquanto pratica outra &#8211; a exploração por meio do trabalho doméstico. </span></p>
<figure id="attachment_22301" aria-describedby="caption-attachment-22301" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22301" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f3.jpg" alt="Cena do filme Aquarius. Humberto Carrão, que interpreta Diego - um homem branco com barba e bigode -, está conversando, de frente, com a personagem Clara, interpretada por Sônia Braga - uma mulher de pele clara com cabelos pretos e presos. No meio deles, temos Ladjane, a empregada doméstica de Clara, uma mulher idosa de pele clara, com cabelos grisalhos e óculos. Clara e Diego estão olhando um para o outro, de perfil, enquanto Clara é a única que olha para a câmera, com uma expressão aérea. A cena foi gravada de dia e se passa no estacionamento do edifício Aquarius, com árvores circundando todos os personagens. " width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f3-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f3-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f3-768x403.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22301" class="wp-caption-text">Da esquerda para a direita: Diego, Ladjane e Clara (Foto: Cinemascópio)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto aos conflitos subjetivos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i><span style="font-weight: 400;"> também acerta em cheio. Para quem assistiu </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qlheaoLnewE&amp;ab_channel=Ingresso.com"><i><span style="font-weight: 400;">Bacurau</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019), o mais recente filme do diretor pernambucano, é notável o vínculo entre as tramas. A personagem de Sônia Braga é a amálgama da cidade de Bacurau: ambos resistem à tentativa de aniquilação de suas histórias. Além disso, o vínculo afetivo do ser humano com o espaço, seja ele urbano ou não, é uma temática presente nas duas obras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Falando em espaço, é interessante observar como Kleber brinca com a trilha sonora, logo no início do filme. Ao som de </span><a href="https://open.spotify.com/track/14XfK65ySuVy1SHo9Jwi1R?si=2dc22a7d04b74631"><span style="font-weight: 400;">Taiguara</span></a><span style="font-weight: 400;">, somos introduzidos à uma Recife em preto e branco, com um ar saudosista, ainda em processo de urbanização. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Trago em meu corpo as marcas do meu tempo</span></i><span style="font-weight: 400;">”, diz a música. É como se a cidade estivesse falando com a gente. E, de fato, a cidade é personagem em </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i><span style="font-weight: 400;">: ela representa a troca do velho pelo novo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já o apartamento de Clara é um ponto fora da curva. Entre discos de vinil, livros e álbuns de fotos, onde a saudade e a melancolia se emaranham docemente, o apartamento é um museu de memórias imateriais e materiais. Em um mundo cada vez mais permeado pela </span><a href="http://www.estrategiaemfoco.com.br/a-era-do-efemero-ou-da-modernidade-liquida/"><span style="font-weight: 400;">cultura do efêmero</span></a><span style="font-weight: 400;">, onde o consumo excessivo e a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dxbD0pUzjP0"><span style="font-weight: 400;">obsolescência programada</span></a><span style="font-weight: 400;"> reinam, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i><span style="font-weight: 400;"> busca mostrar que o espaço, e os objetos, têm um valor sentimental uno &#8211; quase sacro. </span></p>
<figure id="attachment_22302" aria-describedby="caption-attachment-22302" style="width: 1120px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22302" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f4.jpg" alt="Cena do filme Aquarius. Clara, personagem de Sônia Braga, está sentada com as pernas cruzadas no sofá de sua sala, escrevendo em um caderno que apoia sob o colo. Dessa vez, Clara está com os cabelos soltos e usa um vestido verde. Atrás dela, temos uma estante de livros e uma mesa de canto, com um abajur ligado. Existem outros objetos ao fundo, mas estão desfocados. A cena provavelmente foi gravada à noite. A única luz que existe é a que vem do abajur, dando um ar aconchegante à sala. " width="1120" height="685" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f4.jpg 1120w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f4-800x489.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f4-1024x626.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f4-768x470.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22302" class="wp-caption-text">“Quando você gosta, é vintage. Quando você não gosta, é velho”  (Foto: Cinemascópio)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, calma! Embora o longa aborde temas tão universais e inerentes ao ser humano, não é todo mundo que consegue digeri-lo bem. As duas horas e meia de duração, com uma fotografia pouco dinâmica, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2TIX2Ycc_Vc"><span style="font-weight: 400;">diálogos arrastados</span></a><span style="font-weight: 400;"> e cenas de silêncio absoluto, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i><span style="font-weight: 400;">, para algumas pessoas, pode acabar virando aquele filme que a gente deixa rolando em segundo plano enquanto tira uma sonequinha no sofá. É preciso ter sensibilidade e capacidade de mergulhar nas emoções e nas sensações que a obra provoca. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim, a única conclusão certeira é que temos aqui uma saborosa história de superação. Cinco anos depois, é possível assistir ao filme e tirar as mesmas lições que qualquer outra pessoa em 2016 poderia ter feito: a especulação imobiliária é predatória, os </span><a href="https://screenanarchy.com/2016/10/new-york-2016-review-aquarius-explores-indescreet-charm-of-brazilian-bourgeoisie.html"><span style="font-weight: 400;">ricos são hipócritas</span></a><span style="font-weight: 400;">, as rugas são virtudes e a cidade é um espaço de trocas fraternas. Agora, mais importante que isso, é saber que, mesmo depois de tanta demagogia e reacionarismo, para o desgosto do cidadão de bem, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i><span style="font-weight: 400;"> conseguiu se consolidar como um clássico contemporâneo do Cinema brasileiro. Não é que o tempo realmente cura tudo? </span></p>
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		<title>Colônia: a tocante releitura de Holocausto Brasileiro</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Aug 2021 21:30:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto Livremente inspirada no livro-reportagem Holocausto Brasileiro de Daniela Arbex, Colônia é a nova aposta do Canal Brasil. A série produzida e dirigida por André Ristum é um retrato sensível sobre o hospício em Barbacena, Minas Gerais, que vitimou mais de 60 mil pessoas no último século. Dividida em 10 episódios, a produção explora &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/colonia-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Colônia: a tocante releitura de Holocausto Brasileiro"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22379" aria-describedby="caption-attachment-22379" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22379" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-2-2.jpg" alt="Cena da série Colônia. Na imagem aparecem os personagens Gilberto e Eliza centralizados entre outras duas figuras que estão desfocadas nos cantos. Todos usam a camisola cinza do hospício e tem aparência cansada, a imagem está em preto e branco. " width="1200" height="650" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-2-2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-2-2-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-2-2-1024x555.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-2-2-768x416.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22379" class="wp-caption-text">Colônia foi lançada no dia 25 de junho e está disponível na plataforma Globoplay (Foto: Globoplay)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Livremente inspirada no livro-reportagem </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-holocausto-brasileiro-de-daniela-arbex/"><i><span style="font-weight: 400;">Holocausto Brasileiro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Daniela Arbex, </span><i><span style="font-weight: 400;">Colônia</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a nova aposta do </span><i><span style="font-weight: 400;">Canal Brasil</span></i><span style="font-weight: 400;">. A série produzida e dirigida por </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/colonia-andre-ristum-entrevista"><span style="font-weight: 400;">André Ristum</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um retrato sensível sobre o hospício em Barbacena, Minas Gerais, que vitimou mais de 60 mil pessoas no último século. Dividida em 10 episódios, a produção explora personagens ficcionais que reconstroem o horror vivido pelos internos do </span><a href="https://memoria.ebc.com.br/cidadania/2015/08/mais-de-60-mil-pessoas-morreram-no-maior-manicomio-do-brasil"><span style="font-weight: 400;">maior manicômio do país</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-22378"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um vagão de carga escuro e sem ventilação leva os “doidos” para um destino cruel. Jogados no assoalho, alguns vomitam, urinam, gritam ou choram – ninguém entra ali e volta a ser como era antes. O </span><i><span style="font-weight: 400;">frame </span></i><span style="font-weight: 400;">remete à forma como os </span><a href="https://amp.dw.com/pt-br/h%C3%A1-75-anos-come%C3%A7avam-as-deporta%C3%A7%C3%B5es-de-judeus-para-os-campos-nazistas/a-36078857"><span style="font-weight: 400;">judeus</span></a><span style="font-weight: 400;"> eram encaminhados aos campos de concentração, e o aspecto degradante e impiedoso animaliza cada figura presente na cena. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama nos convida a enxergar pelos olhos de Elisa (Fernanda Marques), uma jovem que foi colocada naquele vagão a mando do próprio pai como castigo por ter engravidado do namorado e recusado se casar com um homem 40 anos mais velho. Desorientada, ela pensa ter sido alvo de um engano, já que seu diagnóstico de esquizofrenia era falso, mas logo percebe que ninguém ia para o Colônia por engano.</span></p>
<figure id="attachment_22380" aria-describedby="caption-attachment-22380" style="width: 645px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22380" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-2-2-1.jpg" alt="Cena da série Colônia. Na fotografia a personagem Valeska está sentada em uma das camas do hospício, a personagem veste a camisola cinza e a imagem é em preto e branco. " width="645" height="388" /><figcaption id="caption-attachment-22380" class="wp-caption-text">Andréia Horta contou que parte do processo de preparação para a série consistia em fazer limpezas no ambiente das gravações (Foto: Globoplay)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na verdade, os internos eram escolhidos a dedo. O prédio descuidado era um depósito de internações injustificadas, a maioria não tinha nenhum problema psiquiátrico, apenas era mais cômodo para os conservadores da sociedade taxá-los de doidos e mantê-los longe de vista. Gilberto (Arlindo Lopes) foi mandado para o hospício por ser </span><a href="https://danielaarbex.com.br/serie-colonia-minha-mae-quer-que-eles-me-curem/"><span style="font-weight: 400;">gay</span></a><span style="font-weight: 400;">; Raimundo (Bukassa Kabengele), um alcoólatra; Valeska (<a href="https://heloisatolipan.com.br/tv/andreia-horta-vive-prostituta-em-colonia-limpava-um-comodo-inteiro-com-um-pano-e-um-balde-com-agua-suja/">Andréia Horta</a>), uma prostituta apaixonada pelo prefeito de Barbacena, e Wanda (Rejane Faria) tinha uma história muito parecida com a de Elisa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de não serem protagonistas, os arcos dos personagens são super bem desenvolvidos, pois os pacientes se tornam a ponte de apoio um do outro e impedem que a loucura de viver naquele lugar os consuma completamente. Em certos momentos, as conversas e sorrisos soltos que eles compartilham amenizam o clima acinzentado.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A interpretação de </span><a href="https://www.otempo.com.br/diversao/magazine/uma-trajetoria-de-solidez-1.1473244"><span style="font-weight: 400;">Rejane Faria</span></a><span style="font-weight: 400;"> constrói a representação mais marcante da série. Wanda já estava aprisionada no Colônia há quase 30 anos, internada pelo patrão por estar grávida e com seu filho arrancado de seus braços dentro daquele edifício frio, ainda sim seu olhar é capaz de transmitir uma serenidade reconfortante. A personagem ajuda Elisa a não tomar decisões precipitadas e é o ponto de paz da protagonista ao longo da trama. As duas criam um laço praticamente maternal que torna impossível não gostar de como as atuações se complementam. </span></p>
<p><figure id="attachment_22381" aria-describedby="caption-attachment-22381" style="width: 790px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22381" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-4-2.jpg" alt="Cena da série Colônia. Na imagem aparecem as personagens Wanda e Elisa sentadas em uma cama, ambas vestem a camisola cinza da internação e a fotografia é em preto e branco. " width="790" height="474" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-4-2.jpg 790w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-4-2-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-22381" class="wp-caption-text">À esquerda Wania (Rejane Faria) e à direita Elisa (Fernanda Marques) [Foto: Globoplay]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Dentro do Colônia, a rotina fazia questão de tirar qualquer traço de humanidade de quem sobrevivia lá. Os internos passavam fome, frio, eram torturados, dopados e até levados para sessões de eletrochoque que, muitas vezes, deixavam sequelas permanentes. Os funcionários do hospício não ouviam opiniões e a direção não se preocupava com quantos iriam morrer, afinal, nenhum deles tinha alguém que se importasse e era fácil se livrar dos corpos como objetos de </span><a href="https://tribunademinas.com.br/noticias/cidade/22-11-2011/comercio-da-morte-so-parou-na-decada-de-80.html"><span style="font-weight: 400;">pesquisa em Universidades</span></a><span style="font-weight: 400;">.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além das críticas visíveis aos comportamentos machistas e racistas da época, </span><i><span style="font-weight: 400;">Colônia </span></i><span style="font-weight: 400;">não deixa de incluir o período da </span><a href="https://www.politize.com.br/ditadura-militar-no-brasil/"><span style="font-weight: 400;">ditadura</span></a><span style="font-weight: 400;"> nesses desabafos. Como a produção se ambienta na década de 70, parte dos rejeitados levados para o hospício eram opositores do governo autoritário da época. Um trato entre os militares e a coordenação do hospital permitia que alguns protestantes recebessem um destino diferente da morte e fossem levados para o hospital como punição. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A narrativa também nos entrega reflexões sobre a ética médica com o confronto interno do médico da instituição, que se sente encurralado pela frustração de tantos anos de contribuição com o sistema. E com a enfermeira Laura, interpretada pela atriz Naruna Costa, que ainda vive com a esperança de fazer do Colônia um hospital que cuidasse dos pacientes com seriedade – esse desejo de mudança faz com que ela colabore com Elisa e Wanda ao longo dos episódios. </span></p>
<figure id="attachment_22382" aria-describedby="caption-attachment-22382" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22382" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Colonia.png" alt="Imagem da série Colônia. Na fotografia aparecem os personagens Natalia, Eduardo e Ivan sentados no porta malas de um carro. Ivan é careca, tem pele clara e usa óculos, camiseta escura e calça jeans. Eduardo é um homem negro e usa camisa de botões branca estampada com uma calça de tom claro. Natalia é branca e tem cabelos médios e castanhos, suas roupas não aparecem na imagem." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Colonia.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Colonia-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Colonia-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Colonia-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22382" class="wp-caption-text">“Apesar de você, amanhã há de ser outro dia” (Foto: Globoplay)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A fotografia é um dos pontos que se destacam, as cenas foram produzidas em preto e branco e isso carrega toda uma genialidade, já que o peso daquelas paredes não poderia ser representado com cores. A trilha sonora e a locação escolhida como cenário também somam os tons sombrios e dramáticos de que a trama precisa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Títulos nacionais, como </span><a href="https://diariodorio.com/critica-os-ultimos-dias-de-gilda/"><i><span style="font-weight: 400;">Os Últimos Dias de Gilda</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.omelete.com.br/amazon-prime-video/criticas/manhas-de-setembro-critica-primeira-temporada"><i><span style="font-weight: 400;">Manhãs de Setembro</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=f-WR_Tugips"><i><span style="font-weight: 400;">Onde Está Meu Coração</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, têm chamado atenção e trazido a esperança de mais reconhecimento para o audiovisual brasileiro. </span><i><span style="font-weight: 400;">Colônia </span></i><span style="font-weight: 400;">não fica de fora dessa lista e facilmente poderia ser classificada como um dos melhores lançamentos de 2021. Tudo é ambientado de forma coerente, com trabalhos de atuação impecáveis que emocionam pelos detalhes. </span><i><span style="font-weight: 400;">Colônia</span></i><span style="font-weight: 400;"> é mais que uma produção audiovisual, é um alerta para a questão da valorização da saúde mental e para o cuidado com os </span><a href="https://estanciabelavista.org.br/saude-mental-e-direitos-humanos-do-debate-a-implementacao/"><span style="font-weight: 400;">direitos humanos</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Brasil. Seu </span><i><span style="font-weight: 400;">script </span></i><span style="font-weight: 400;">sensível e delicado remonta com louvor o marco histórico de uma tragédia brasileira muitas vezes esquecida.</span></p>
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		<title>Em NU, Djonga recua e vira camisa 10 do rap</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Apr 2021 06:00:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[13 de Março]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Eu falei pra minha mãe que eu tenho medo/Eu ainda tenho medo/Ela me disse que eu não tô sozinho/Esse é seu ídolo” Elder John Existem duas certezas na vida: uma é que vamos morrer e a outra é que dia 13/03 tem álbum do Djonga. O rapper emplacou mais uma produção pelo quinto ano seguido. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/djonga-nu-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em NU, Djonga recua e vira camisa 10 do rap"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu falei pra minha mãe que eu tenho medo/Eu ainda tenho medo/Ela me disse que eu não tô sozinho/Esse é seu ídolo”</span></i></p>
<figure id="attachment_19699" aria-describedby="caption-attachment-19699" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19699 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/pasted-image-0.png" alt="Capa do disco NU, de Djonga. A imagem mostra a cabeça de Djonga decepada em uma bandeja de prata, como se estivesse sendo servida. Em volta, pessoas estão apontando celulares para ele como se tirassem fotos, e também apontando o dedo do meio. " width="1080" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/pasted-image-0.png 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/pasted-image-0-300x300.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/pasted-image-0-1024x1024.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/pasted-image-0-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/pasted-image-0-768x768.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19699" class="wp-caption-text">Capa do disco NU (Foto: Djonga/Ceia Ent.)</figcaption></figure>
<p><b>Elder John</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existem duas certezas na vida: uma é que vamos morrer e a outra é que dia 13/03 tem álbum do Djonga. O </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper </span></i><span style="font-weight: 400;">emplacou mais uma produção pelo quinto ano seguido.</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=EWbOkBy0fZU&amp;list=PLEE-L5Au_XzcNkShWGVgd8okAgB0dNv7G&amp;index=1"><i><span style="font-weight: 400;">Heresia</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2017), </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OPqUDOjDJLI&amp;list=PLEE-L5Au_XzcMCaRPfPQNNWS54b6EK7l6"><i><span style="font-weight: 400;">O menino que queria ser Deus</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2018), </span><a href="https://personaunesp.com.br/djonga-ladrao-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ladrão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019), </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=doRcD6DlgsM&amp;list=PLEE-L5Au_Xzdqbmn9zyIWh0e3NBEE-FkH"><i><span style="font-weight: 400;">Histórias da minha área</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2020) e agora </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VO0f5Q99BD8&amp;list=PLEE-L5Au_Xzc1yCm0W6zCBZg41EOfsEzF"><i><span style="font-weight: 400;">NU</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021).</span></p>
<p><span id="more-19698"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção conta com apenas duas participações nas letras, Doug Now e Budah. A capa é mais uma vez um ponto de destaque, a cabeça do artista na bandeja, como ele entende que é o desejo de muitos, principalmente daqueles que o julgam.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sobre a escolha do nome, ficar nu é algo totalmente íntimo e Gustavo nos mostrou mais uma vez seu lado humano, mas dessa vez de uma forma mais direta. O artista trouxe um álbum que é uma obra completa, uma faixa complementa a outra e todas juntas contam uma história.</span></p>
<figure id="attachment_19700" aria-describedby="caption-attachment-19700" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19700 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/pasted-image-0-1.png" alt="Fotografia de Djonga em cima de um cavalo, apontando uma arma em direção a câmera. Ele está com os olhos cerrados. " width="1080" height="1349" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/pasted-image-0-1.png 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/pasted-image-0-1-240x300.png 240w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/pasted-image-0-1-820x1024.png 820w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/pasted-image-0-1-768x959.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19700" class="wp-caption-text">Cena do clipe Nós (Foto: Djonga/Ceia Ent.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra característica marcante no álbum é a questão das referências, tanto nas letras, quanto nos clipes. A principal é o próprio Djonga em cima de um cavalo branco com um revólver na mão, em alusão à </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tivv135aGbc"><i><span style="font-weight: 400;">Django Livre</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Além disso, todas as produções audiovisuais também contam com uma sequência e completam a narrativa contada pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existe muita pressão nos artistas em geral, para não errarem, serem pessoas perfeitas. Ainda mais no </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;">, todo aquele discurso de que o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper </span></i><span style="font-weight: 400;">não pode se vender, tem que ser leal, mas do que vale ganhar o país e perder a si mesmo?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E pensando nisso que Djonga se afastou das redes sociais e buscou ficar mais próximo da família, voltar a ser o Gustavo Pereira da Zona Leste de Belo Horizonte: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Ó, saudade de andar por aí/Vento na cara e ninguém pra assistir/Falar o que penso sem ter que acertar/Sabe a sensação de só existir?”</span></i><span style="font-weight: 400;">, como canta na música </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=FDHO8gNEXw4"><i><span style="font-weight: 400;">Xapralá</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_19701" aria-describedby="caption-attachment-19701" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19701 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/pasted-image-0-2.png" alt="Contracapa do disco NU, de Djonga. A imagem mostra o cantor em uma sala de chão de madeira e paredes na cor grafite. Ele está vestido uma roupa de garçom, mas está sem calças. Na mão direita, segura uma bandeja prateada com tampa. Na parede a sua esquerda, foi adicionado em forma de texto a tracklist do CD. Na parede também foi adicioanda a sombra do cantor, que mostra o dedo do meio." width="1000" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/pasted-image-0-2.png 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/pasted-image-0-2-300x300.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/pasted-image-0-2-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/pasted-image-0-2-768x768.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19701" class="wp-caption-text">Contracapa do disco NU (Foto: Djonga/Ceia Ent.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O estudante de produções audiovisuais, Gustavo Henrique, nos contou sobre o que sentiu ao ouvir o disco:<em> “Ao mesmo tempo que nos dá um choque de realidade, nos alivia deste momento caótico e nos recarrega, chorei do inicio ao fim com este álbum, tanto pela representatividade,  quanto pelo momento vivido por nós e pelo artista. Me trouxe um alívio e limpeza, O Menino Que Queria Ser Deus pra ser mais humano, esta é uma obra de Djonga para o Gustavo Pereira</em>&#8220;.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, Aiza Pereira, estudante de Engenharia Civil, teve uma outra percepção sobre a obra: <em>“Eu curti muito a primeira música, ele começa o disco com uma explosão mas muda o ritmo durante o álbum e você fica esperando mais dessa explosão que só volta na última faixa. Ele trouxe algo mais “leve”, mas ainda sim Djonga. Falaram sobre “mais do mesmo”, mas o mesmo dele é ótimo, não quer dizer que seja ruim&#8221;</em>.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="3. Djonga - Xapralá" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/FDHO8gNEXw4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Djonga entende e até admite essa mudança no ritmo: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Já fui camisa nove, hoje eu faço o meio de campo/Pros manin&#8217; que tá no ataque não tomar nem mei&#8217; pipoco”.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Essa é só mais uma das passagens marcantes da obra, fazendo uma analogia a um movimento corriqueiro no mundo do futebol: atacantes que viraram meias, assim como </span><a href="https://trivela.com.br/espanha/messi-penso-cada-vez-menos-em-fazer-gols-estou-recuando-para-ser-mais-criador-que-finalizador/"><span style="font-weight: 400;">Messi</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.torcedores.com/noticias/2020/01/analise-neymar-meio-campo-psg-selecao"><span style="font-weight: 400;">Neymar</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sim, o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> já foi mais agudo e objetivo, hoje, em </span><i><span style="font-weight: 400;">NU</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele cadencia mais, controla o ritmo. Isso não quer dizer que perdeu a qualidade. Se acostumem com o Djonga camisa 10 que organiza e pensa o jogo, não mais como um finalizador com sede de marcar gols.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="1. Djonga - Nós" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/VO0f5Q99BD8?list=PLEE-L5Au_Xzc1yCm0W6zCBZg41EOfsEzF" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: NU" width="300" height="380" allowtransparency="true" frameborder="0" allow="encrypted-media" src="https://open.spotify.com/embed/album/1BGWFAkM0Oz88Dq7v369eP?si=X3vRxnv4RcerzJYz-OVzQQ"></iframe></p>
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		<title>ANAVITÓRIA pintou nosso ano com COR</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Mar 2021 18:47:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Beatriz Rodrigues Quando o relógio bateu meia-noite do dia primeiro de janeiro, todos estávamos com esperança para esse ano. Depois de um 2020 turbulento, a única coisa que pedíamos era paz nesses meses que nos esperam. Só que o duo ANAVITÓRIA conseguiu nos conceder um ótimo discurso para 2021 e, nos primeiros minutos de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cor-anavitoria-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "ANAVITÓRIA pintou nosso ano com COR"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_19325" aria-describedby="caption-attachment-19325" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19325" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-1-2.jpg" alt="Cena do clipe Amarelo, azul e branco da dupla ANAVITÓRIA. As cantoras estão no centro da imagem, elas são mulheres brancas, com cabelos castanhos presos e vestem juntas um casaco das cores amarelo, azul e branco. Elas estão posicionadas lado a lado, com as mãos unidas, e olham para direções opostas. O fundo da imagem é um marrom claro com um foco de luz no centro. " width="1200" height="669" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-1-2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-1-2-300x167.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-1-2-1024x571.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-1-2-768x428.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19325" class="wp-caption-text">Amarelo, azul e branco está na trilha sonora do especial Falas Femininas da Globo (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Beatriz Rodrigues</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando o relógio bateu meia-noite do dia primeiro de janeiro, todos estávamos com esperança para esse ano. Depois de um 2020 turbulento, a única coisa que pedíamos era paz nesses meses que nos esperam. Só que o </span><i><span style="font-weight: 400;">duo </span></i><span style="font-weight: 400;">ANAVITÓRIA conseguiu nos conceder um ótimo discurso para 2021 e, nos primeiros minutos de janeiro, fomos agraciados com </span><a href="https://open.spotify.com/album/43Q8jiKg8whuFnVCwA1xOC?si=siHLPfoOTjKqWMQmE2LQSg"><i><span style="font-weight: 400;">COR</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. De surpresa, as cantoras lançaram ânimo e felicidade para começarmos o ano do melhor jeito possível.</span></p>
<p><span id="more-19324"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São as 14 faixas de </span><i><span style="font-weight: 400;">COR </span></i><span style="font-weight: 400;">que tiveram o poder de levar ANAVITÓRIA ao </span><a href="https://portalpopline.com.br/cor-anavitoria-estreia-album-na-segunda-posicao-de-chart-global-do-spotify/"><span style="font-weight: 400;">segundo lugar</span></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">chart </span></i><span style="font-weight: 400;">global </span><i><span style="font-weight: 400;">Top Debut Albums</span></i><span style="font-weight: 400;"> no </span><a href="https://www.techtudo.com.br/dicas-e-tutoriais/2018/08/como-usar-o-spotify-charts-conheca-as-musicas-mais-tocadas-no-brasil.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Spotify</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">Além de números, o </span><i><span style="font-weight: 400;">COR </span></i><span style="font-weight: 400;">foi recebido com muito carinho pelos fãs.  Isso não poderia ser diferente, pois a dupla entregou tudo o que um álbum como esse precisava. Não se contentando apenas com as músicas, no mesmo dia as meninas lançaram um clipe e um </span><i><span style="font-weight: 400;">lyric video </span></i><span style="font-weight: 400;">de todas as composições no </span><i><span style="font-weight: 400;">YouTube</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="ANAVITÓRIA - Te amar é massa demais (visualizer)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/XV6sGBwbEcM?list=PLtdF-uXrQ-LVrzbe-JsU4aVzEJPLAp_TK" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><i><span style="font-weight: 400;">COR </span></i><span style="font-weight: 400;">é poético nas letras, nos vídeos e na essência, mas a poesia </span><a href="https://www.instagram.com/p/CJhF2Btlud7/"><span style="font-weight: 400;">já começa no seu nome</span></a><span style="font-weight: 400;">. A mistura de numerologia, espiritualidade e conceito trouxe o álbum de um modo certeiro. Dando significado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">duo </span></i><span style="font-weight: 400;">novamente, </span><i><span style="font-weight: 400;">COR </span></i><span style="font-weight: 400;">extrai a essência de ANAVITÓRIA em apenas três letras e mostra ao mundo que elas não são só cantoras com músicas rasas. A estética de divulgação também surpreendeu e a capa retirada do vídeo</span> <span style="font-weight: 400;">de </span><i><span style="font-weight: 400;">Amarelo, azul e branco </span></i><span style="font-weight: 400;">transmite o ideal do álbum, como se aquela foto traduzisse o que está contido nas faixas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É importante também falar um pouco mais sobre </span><i><span style="font-weight: 400;">Amarelo, azul e branco</span></i><span style="font-weight: 400;">. A música, que recebe o nome de cores, é uma </span><a href="https://diariotocantinense.com.br/noticia/anavitoria-lancam-musica-amarelo-azul-e-branco-cores-da-bandeira-do-tocantins/7656"><span style="font-weight: 400;">linda homenagem ao Tocantins</span></a><span style="font-weight: 400;">, o estado de origem das meninas. Como se não bastasse, a faixa ainda possui a participação da </span><a href="https://personaunesp.com.br/rita-lee-40-anos/"><span style="font-weight: 400;">Rita Lee</span></a><span style="font-weight: 400;"> recitando um poema. Essa presença traz ainda mais paixão para a música. No álbum, ainda há outra colaboração &#8211; Lenine possui vários versos em</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=o3-lzz60iTQ"><i><span style="font-weight: 400;">Lisboa</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></a></p>
<figure id="attachment_19326" aria-describedby="caption-attachment-19326" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19326" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-2-1.jpeg" alt="A imagem é uma fotografia dos bastidores da gravação do clipe Cigarra do duo ANAVITÓRIA. No fundo da imagem há alguns prédios e árvores, além de um céu nublado. As cantoras estão sentadas em um carpete azul e limpam um vidro transparente. Na esquerda da imagem, Ana, mulher branca, veste um macacão longo na cor azul claro e está com o cabelo preso em um coque. Ao seu lado está Vitória, mulher branca que usa o cabelo preso em tranças e veste um macacão na cor roxa." width="1080" height="716" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-2-1.jpeg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-2-1-300x199.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-2-1-1024x679.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-2-1-768x509.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19326" class="wp-caption-text">As cantoras produziram o álbum e os visualizers durante a pandemia (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">COR</span></i><span style="font-weight: 400;">, a evolução de ANAVITÓRIA é visível. As composições são limpas e aqui podemos ver um trabalho coeso e sólido. Ainda discutindo sobre o amor, nesse álbum ele é intercalado entre o sofrimento e o lado bom de amar. Mas o maior desenvolvimento no disco é a abertura vocal das meninas, principalmente de Ana, mostrando que, além de ser uma ótima compositora, é uma excelente cantora, com excepcionais técnicas vocais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todas essas características fizeram </span><i><span style="font-weight: 400;">COR</span></i><span style="font-weight: 400;"> ser muito elogiado e aclamado pelo público. Não querendo ser precipitada, o </span><i><span style="font-weight: 400;">duo </span></i><span style="font-weight: 400;">pode receber indicações ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy Latino</span></i><span style="font-weight: 400;"> com esse trabalho realizado durante a pandemia. Depois de</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=hC0EQGIcbUI"><i><span style="font-weight: 400;">Me conta da tua janela</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, as tocantinenses produziram bons trabalhos e não seria novidade elas serem reconhecidas por isso.</span></p>
<figure id="attachment_19327" aria-describedby="caption-attachment-19327" style="width: 984px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19327" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-3-1.jpg" alt="A imagem é uma fotografia da dupla ANAVITÓRIA no palco do Grammy Latino em 2019. Vitória veste um vestido preto, está com o cabelo cacheado solto. Ela segura o prêmio do Grammy, um gramofone na cor dourada . Ao seu lado, Ana usa um vestido no mesmo modelo, só que na cor branca, e o seu cabelo está preso com algumas mechas soltas. O fundo está desfocado e elas estão posicionadas atrás de um microfone." width="984" height="656" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-3-1.jpg 984w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-3-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-3-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19327" class="wp-caption-text">ANAVITÓRIA possui 4 indicações ao Grammy Latino com 2 vitórias (Foto: Greg Doherty)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O álbum começa com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GtvS897PiyQ"><i><span style="font-weight: 400;">Amarelo, azul e branco</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que virou </span><i><span style="font-weight: 400;">trend </span></i><span style="font-weight: 400;">no </span><i><span style="font-weight: 400;">TikTok </span></i><span style="font-weight: 400;">e está sendo usada em vários vídeos. Nessa música, como já dito anteriormente, é possível ver uma conexão da dupla e suas escritas (pois a Vitória também compôs essa) com a sua terra natal. A próxima faixa também segue com um ritmo mais animado e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XV6sGBwbEcM"><i><span style="font-weight: 400;">Te amar é massa demais</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é encaixado certamente nessa posição. Essa canção possui uma melodia feliz e uma letra animadora sobre como é bom amar, além de usar algumas metáforas que já são comuns para as cantoras. Essa técnica também é utilizada em </span><a href="https://open.spotify.com/track/3TsW3BHnYVtzpaViaHWX9r?si=169c8e261f0842f1"><i><span style="font-weight: 400;">Selva</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, outra composição da parte “alegre” de </span><i><span style="font-weight: 400;">COR</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A terceira faixa, </span><a href="https://open.spotify.com/track/20hgA0b2k5RUCgORJmu92T?si=452dc7e7adf64db2"><i><span style="font-weight: 400;">Tenta acreditar</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma daquelas que é fácil de ser ouvida após um término de relacionamento, só que não para chorar e, sim, encarar a realidade com a cabeça erguida. Um ótimo acompanhamento para essa música é encontrado quase lá no fim do álbum. A música que mais se assemelha aos antigos projetos das cantoras, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_Q9dU4avyQc"><i><span style="font-weight: 400;">Te procuro</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> possui um tom melancólico e uma letra que revela tristeza após várias tentativas de desapego. </span></p>
<figure id="attachment_19328" aria-describedby="caption-attachment-19328" style="width: 766px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19328" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-4.jpg" alt="A imagem é uma fotografia de divulgação do álbum COR do duo ANAVITÓRIA. Da esquerda para a direita, Ana e Vitória usam coque no cabelo e olham fixamente para a frente. A imagem possui uma espécie de filtro amarelo e o fundo da imagem é um degradê de marrom ao amarelo." width="766" height="526" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-4.jpg 766w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-4-300x206.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-19328" class="wp-caption-text">As cantoras afirmaram que grandes inspirações para esse álbum foram Coldplay, Los Hermanos e Hillsong (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Já </span><a href="https://youtu.be/nbZTVUduKBY"><i><span style="font-weight: 400;">Explodir</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é sobre o encontro do amor e como ele pode ser bonito sem complicações. A erupção de sentimentos nessa música pode causar vontade de presenciar uma história que não se resume em falar de amor, mas sim viver. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Zl2-3NcoxQY"><i><span style="font-weight: 400;">Cigarra</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> também pode ser lembrada como uma grande carta aberta ao sentimento, porém não só romântico. Essa composição revela admiração. </span><a href="https://open.spotify.com/track/66rU4Dff6qFAhia56xRs8E?si=14fa926e417142ab"><i><span style="font-weight: 400;">Abril</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é outra grande canção e junto com </span><i><span style="font-weight: 400;">Explodir </span></i><span style="font-weight: 400;">ganhou meu favoritismo neste álbum. O interlúdio </span><a href="https://open.spotify.com/track/1p9G2aRIbIPQGVXeJgLE4Z?si=7dfe1d74d2fe4269"><i><span style="font-weight: 400;">(dia 34)</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e a canção </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Fiv6Ru1F77Y"><i><span style="font-weight: 400;">Ainda é tempo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> são os complementos perfeitos na fórmula de </span><i><span style="font-weight: 400;">COR</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As outras faixas como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UmawdzFlfZM"><i><span style="font-weight: 400;">Eu sei quem é você</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OajMxwmi88c"><i><span style="font-weight: 400;">Terra</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LmXZqH5nK9g"><i><span style="font-weight: 400;">Carvoeiro </span></i></a><span style="font-weight: 400;">compõem o álbum e o transformam em uma harmonia. Depois de </span><a href="https://personaunesp.com.br/n-anavitoria-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">N</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, as cantoras conseguiram um trabalho limpo e leve com a nova produção. O </span><i><span style="font-weight: 400;">COR </span></i><span style="font-weight: 400;">é singelo e ao mesmo tempo complexo. ANAVITÓRIA conseguiu começar um novo ciclo de carreira e um novo início de ano de um ótimo jeito.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: COR" width="300" height="380" allowtransparency="true" frameborder="0" allow="encrypted-media" src="https://open.spotify.com/embed/album/43Q8jiKg8whuFnVCwA1xOC?si=8ab3fb47a2df4c08"></iframe></p>
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		<title>Em tempos de amnésia seletiva, Cidade Invisível entrega esperança e suscita discussões</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Mar 2021 15:58:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Júlia Paes de Arruda Como seria se o nosso folclore se materializasse e convivesse todos os dias conosco, com seus personagens despercebidos e infiltrados na sociedade? Se as histórias de infância fossem realmente verdade? Essa é a proposta de Carlos Saldanha (diretor das franquias Rio e A Era do Gelo) em Cidade Invisível. Diferentemente do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cidade-invisivel-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em tempos de amnésia seletiva, Cidade Invisível entrega esperança e suscita discussões"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_18845" aria-describedby="caption-attachment-18845" style="width: 793px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18845" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Foto-1.jpg" alt="Cena da série Cidade Invisível. Fotografia retangular do ator Marcos Pigossi, dos ombros até o topo da cabeça. Ele é um homem de cabelos castanhos, barba e bigode. Ele está sentado numa poltrona azul claro e possui uma borboleta sobre os olhos. Ela é roxa azulada com manchas pretas nas bordas das asas. Na parte inferior de cada asa, tem um círculo branco com um círculo roxo dentro, imitando dois olhos. Marcos possui a boca semiaberta, com a parte debaixo dos dentes da frente aparecendo, como se estivesse num cochilo. Ao fundo, há um aparador de madeira. A imagem possui uma tonalidade amarela acentuada. " width="793" height="448" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Foto-1.jpg 793w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Foto-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Foto-1-768x434.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18845" class="wp-caption-text">“As pessoas são cruéis, elas têm medo de tudo que é diferente porque a gente revela como elas são absurdamente iguais e entediantes” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Júlia Paes de Arruda</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como seria se o nosso folclore se materializasse e convivesse todos os dias conosco, com seus personagens despercebidos e infiltrados na sociedade? Se as histórias de infância fossem realmente verdade? Essa é a proposta de Carlos Saldanha (diretor das franquias </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hNVoO6doPuk"><i><span style="font-weight: 400;">Rio</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gbipuaW6ncw"><i><span style="font-weight: 400;">A Era do Gelo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) em </span><a href="https://www.netflix.com/br/title/80217517"><i><span style="font-weight: 400;">Cidade Invisível</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Diferentemente do que estamos acostumados, o </span><a href="https://vejario.abril.com.br/programe-se/serie-cidade-invisivel-netflix-sucesso/"><span style="font-weight: 400;">novo sucesso</span></a><span style="font-weight: 400;"> da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/netflix/"><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ganha um teor adulto ao unir-se com um suspense investigativo. Apesar da narrativa envolvente e provocante, a execução das ideias traz algumas problemáticas que merecem ser destacadas. </span></p>
<p><span id="more-18844"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem espera algo na mesma linha do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SSJeLs3vekE"><i><span style="font-weight: 400;">Sítio do Picapau Amarelo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, está muito enganado. A história é contada na visão de Eric (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1CIdcHAVe3A"><span style="font-weight: 400;">Marco Pigossi</span></a><span style="font-weight: 400;">), um detetive da polícia ambiental que acaba perdendo sua esposa, a antropóloga Gabriela (Julia Konrad) num incêndio na Vila Toré, no Rio de Janeiro, onde ela trabalhava. Em luto e cheio de questionamentos, ele se depara com circunstâncias inusitadas e imprevisíveis que desafiam seus princípios e sua própria identidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O resgate das narrativas orais em </span><a href="https://www.uol.com.br/ecoa/ultimas-noticias/2020/08/19/comunidades-de-tradicao-oral-vivem-desafio-adicional-com-mortes-por-covid.htm"><span style="font-weight: 400;">risco de extinção</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um ótimo ponto de partida para a criação da série. Porém, a preservação de pontos chaves é fundamental para a autenticidade das histórias. O erro de Saldanha nesse caso é introduzi-las no Rio de Janeiro, sendo que as paisagens nortistas eram o principal cenário das originais. Afinal, é realmente estranho achar um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3v2ZXWF8poo"><span style="font-weight: 400;">boto-cor-de-rosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, natural de águas doces, encalhado numa praia, não é? O que pode ser considerado positivo dessa alteração é que os personagens são colocados numa capital carioca pouco apresentada aos turistas. A situação de vulnerabilidade em que estão os seres folclóricos também alavanca a ideia de &#8220;infiltrados&#8221; dentro da sociedade brasileira, evidenciando uma sensação de deslocamento que uma parte da nossa cultura enfrenta dentro da própria comunidade.</span></p>
<figure id="attachment_18848" aria-describedby="caption-attachment-18848" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18848" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/cidade-inv.jpg" alt="Cena da série Cidade Invisível. Fotografia retangular de uma praia do Rio de Janeiro com os morros do Pão de Açúcar e da Urca ao fundo, no canto superior esquerdo. Mais abaixo dos morros, há uma praça arborizada com dois postes de iluminação, um mais afastado que o outro. No canto inferior direito, mais próximo a câmera, está o ator Marco Pigossi agachado na areia da praia. Ele é um homem de cabelos castanhos com barba e bigode. Ele veste uma camisa azul marinho com as mangas em azul mais escuro e uma bermuda preta. Ele usa um tênis de corrida preto com três faixas verticais e brancas na lateral. Possui uma pulseira no pulso direito e um relógio no pulso esquerdo. A mão direita está apoiada em suas coxas com a mão entre suas pernas. Com a mão esquerda, ele fala ao telefone. Próximo a ele, está um boto-cor-de-rosa morto estirado na areia. " width="768" height="512" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/cidade-inv.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/cidade-inv-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18848" class="wp-caption-text">“Eu tô com um boto na caçamba do meu carro!” “Mas hoje é jogo do Flamengo. Eu tenho que ir” (Foto: Alisson Louback)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> policial é o que prende a atenção do público e o instiga a pular para o próximo episódio. Isso se deve à atuação de Pigossi, que traduz com sinceridade a carga dramática do personagem. Mas apesar do suspense instigante, incomoda a falta de aprofundamento nas entidades. Enquanto a </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/cidade-invisivel-por-que-cuca-aparece-diferente-na-serie-da-netflix.phtml"><span style="font-weight: 400;">Cuca</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Alessandra Negrini) vai e vem de uma forma que é possível compreender sua história, o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=923nsj_V2Q4"><span style="font-weight: 400;">Saci</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Wesley Guimarães) serve apenas de porta de entrada para o universo folclórico, sendo deixado de lado em grande parte da narrativa. Uma boa sacada para seu disfarce entre as pessoas é a utilização de uma prótese em uma das pernas. Aliás, talvez seja um pouco óbvio, mas o roteiro deixa implícito sua verdadeira identidade ao batizá-lo de Isac &#8211; um anagrama para Saci.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de, claro, ter a função comercial, a história original de </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2015/08/18/carolina-munhoz-e-raphael-draccon-conheca-o-casal-da-literatura-fantastica.htm"><span style="font-weight: 400;">Raphael Draccon e Carolina Munhóz</span></a><span style="font-weight: 400;"> promove uma mensagem importante a respeito de prioridades. </span><i><span style="font-weight: 400;">Cidade Invisível</span></i><span style="font-weight: 400;"> entrega uma oposição entre a falsa ideia de </span><a href="https://correiodoestado.com.br//opiniao/alysson-moreira-e-josilene-di-pietro-progresso-e-meio-ambiente-um/327060"><span style="font-weight: 400;">progresso</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a preservação do que é </span><a href="http://www.revistacapitolina.com.br/tradicao-oral-e-a-preservacao-de-culturas/"><span style="font-weight: 400;">ancestral</span></a><span style="font-weight: 400;">. Isso é válido tanto para as narrativas orais, que acabam </span><a href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0103-40142005000300027"><span style="font-weight: 400;">se perdendo</span></a><span style="font-weight: 400;"> no volátil mundo </span><i><span style="font-weight: 400;">online</span></i><span style="font-weight: 400;">, quanto para as de preservação da natureza. No enredo, a construção de um novo empreendimento (obviamente, extremamente lucrativo) é motivo suficiente para destruir a biodiversidade nativa, obrigando os moradores da Vila Toré, até mesmo os mais persistentes, a se mudarem da região para sobreviver. Esse tópico poderia até ser uma farpa para o <a href="https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2020/09/4876493-governo-espalha-cortina-de-fumaca.html">descaso</a> com as <a href="https://www.dw.com/pt-br/brasil-encerra-2020-com-maior-n%C3%BAmero-de-focos-de-queimadas-em-uma-d%C3%A9cada/a-56119157#:~:text=Brasil%20encerra%202020%20com%20maior%20n%C3%BAmero%20de%20focos%20de%20queimadas%20em%20uma%20d%C3%A9cada,-Pantanal%20registrou%20maior&amp;text=O%20Brasil%20encerrou%202020%20com,aumento%20de%2012%2C7%25.">queimadas</a> que ocorreram em nosso país nos últimos meses.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, é importante falar que a produção nacional da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netlfix</span></i><span style="font-weight: 400;"> gerou </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/televisao/cidade-invisivel-gera-polemica-por-ausencia-de-indigenas-no-elenco"><span style="font-weight: 400;">polêmicas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Entre os pontos abordados, o mais discutido foi a falta de </span><a href="https://twitter.com/alice_pataxo/status/1361391841158004738?s=20"><span style="font-weight: 400;">representatividade indígena</span></a><span style="font-weight: 400;"> dentro e fora das gravações. Além disso, surgiram também críticas sobre a forma tratada de uma </span><a href="https://twitter.com/PataxoThyara/status/1361736504343748610?s=20"><span style="font-weight: 400;">religião não-cristã</span></a><span style="font-weight: 400;">, como se suas crenças fossem mera fantasia. Nas </span><a href="https://twitter.com/Tdetravesti/status/1362456311288496130"><span style="font-weight: 400;">repercussões</span></a><span style="font-weight: 400;">, muitos salientaram a importância de consultar os povos originários para frisar as suas versões e não as folclóricas dentro do roteiro. Isso os daria visibilidade suficiente para evitar julgamentos incoerentes e distorcidos que apenas reforçam estereótipos.</span></p>
<figure id="attachment_18849" aria-describedby="caption-attachment-18849" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-18849" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Foto-3-1024x576.jpg" alt="Cena da série Cidade Invisível. Fotografia retangular dos atores Alessandra Negrini, Marco Pigossi e Áurea Maranhão, respectivamente. Eles estão numa sala de interrogatório, com três janelas com persianas. Alessandra é uma mulher de cabelos cacheados pretos soltos com tererês nas mechas frontais. Ela veste um vestido preto com renda nas mangas e no colo. Ela está sentada numa cadeira preta com as mãos entrelaçadas sobre a mesa verde. Ela usa uma luva preta de renda que não cobre os dedos, unhas pintadas e pulseiras na mão direita. Ela possui olhos escuros e olha diretamente para a câmera. Marco é um homem de cabelos castanhos com barba e bigode. Sua expressão facial está enfurecida. Ele veste uma blusa cinza, uma camiseta de botões cinza por cima e calça jeans preta. Pendurado em seu pescoço, está um distintivo. Ele está ao lado de Alessandra, em pé com o corpo à frente e a mão esquerda apoiada na cadeira de Alessandra e a direita na mesa. No pulso direito, há um relógio preto. Áurea é uma mulher de cabelos castanhos escuros presos em um rabo. Ela está de perfil, virado para a esquerda. Ela veste uma camisa cinza de manga curta, possui um brinco prateado na orelha esquerda e um relógio preto no pulso esquerdo. Com a mão direita, ela segura uma caneta bic azul. Ela está sentada na mesa interrogando Alessandra. Na frente de Áurea, existem papéis presos por um clips e um caderno com espiral pequeno aberto embaixo da sua mão direita. Ao fundo, pendurado na parede amarela, um cartaz com uma foto de um cachorro malhado, faixa preta na parte inferior com o texto “Maltratar animais é” em vermelho e letras maiúsculas seguido de um retângulo vermelho entortado para a esquerda com “crime” escrito em letras brancas e maiúsculas. Abaixo, parênteses brancos em tamanho decrescente seguido de “DENUNCIE” em letras maiúsculas e brancas e o telefone 456 9989 em vermelho. " width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Foto-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Foto-3-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Foto-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Foto-3.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18849" class="wp-caption-text">A série foi renovada para sua segunda temporada e o serviço de streaming <a href="https://twitter.com/lauromanoel/status/1366744155108618240">afirmou</a> ter noção da responsabilidades que tem nas mãos (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A atuação do elenco de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cidade Invisível</span></i><span style="font-weight: 400;"> é impecável. Marco Pigossi pode até ser o protagonista, mas não supera o desempenho de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=97SinB7Cw4k"><span style="font-weight: 400;">Alessandra Negrini</span></a><span style="font-weight: 400;"> como a Cuca. A sensualidade da atriz transita com a da personagem e entrega uma caracterização poderosa e intensa. O jogo de câmeras, juntamente com a iluminação dos espaços, faz com que o público tenha dúvida do lado em que ela está, o que torna a bruxa extremamente instigante. O destaque também vai para Fábio Lago como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2-W2LmqjHSI"><span style="font-weight: 400;">Curupira</span></a><span style="font-weight: 400;">. O amadurecimento do guerreiro é realmente magnífico na tela e (literalmente) pega fogo com a </span><a href="https://observatoriog.bol.uol.com.br/noticias/fabio-lago-fala-sobre-personagem-nick-cabeleireiro-gay-em-o-outro-lado-do-paraiso-exibe-seu-lado-humano"><span style="font-weight: 400;">dedicação</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a </span><a href="https://www.purepeople.com.br/famosos/fabio-lago_p356881"><span style="font-weight: 400;">destreza</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Lago em incorporar com garra seus papéis. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A menção honrosa é de Jessica Cores como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=teeGNR2hr14"><span style="font-weight: 400;">Iara</span></a><span style="font-weight: 400;">, que soube encarnar com aptidão as características mais marcantes da conhecida sereia. O encanto da personagem é perceptível tanto pelos seus traços físicos quanto pelos trejeitos, especialmente pelo olhar hipnotizante. Obviamente, não poderia deixar de lado a voz sedutora. Ao cantar </span><i><span style="font-weight: 400;">Sangue Latino</span></i><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/bloco-na-rua-critica/"><span style="font-weight: 400;">Secos &amp; Molhados</span></a><span style="font-weight: 400;">, a atriz mostra sua versatilidade e fascina os ouvintes, tanto do bar quanto dos que assistem a cena. Além disso, a canção ilustra o sentimento da entidade, que é obrigada a levar os homens ao mar para matá-los. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trilha sonora de <em>Cidade Invisível</em> é essencial para construir a narrativa. Já no primeiro episódio, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3ABe9q_gB6M"><i><span style="font-weight: 400;">Tu Tá na Gaiola</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Kevin O Chris é utilizada para projetar o Saci, demarcando a vivência de Isac. A própria </span><i><span style="font-weight: 400;">Nana Neném </span></i><span style="font-weight: 400;">traça os poderes da Cuca que, juntamente com uma fotografia predominantemente de cores escuras, carrega o ar de mistério que as cenas exigem. Para definir Manaus (Victor Sparapane), o boto, os clássicos </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/samba/"><span style="font-weight: 400;">sambas brasileiros</span></a><span style="font-weight: 400;"> delineiam a malícia e a malandragem que o personagem tem, ainda mais quando está agregada ao chapéu característico e às doses de bebida.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Sangue Latino - O canto da Sereia | Cidade Invisível" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/OEYLZtOzsEI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Cidade Invisível</span></i><span style="font-weight: 400;"> não começou totalmente com o pé direito, mas o enredo atrativo e emocionante conquistou o coração do público. Além disso, trata-se de uma produção nacional, mérito que, recentemente, vem sendo </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/09/em-ofensiva-contra-ancine-bolsonaro-corta-43-de-fundo-do-audiovisual.shtml"><span style="font-weight: 400;">alvo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de ataques e desmanches, mesmo tendo grande impacto </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2019-12-27/sob-ataque-de-bolsonaro-cultura-defende-seu-impacto-na-economia-com-receita-de-170-bilhoes-de-reais.html"><span style="font-weight: 400;">econômico</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://jornaljr.com.br/2018/06/19/escrito-precisamos-falar-sobre-o-cinema-brasileiro/"><span style="font-weight: 400;">cultural</span></a><span style="font-weight: 400;"> no país. Em tempos sombrios, apreciar o resgate às </span><a href="https://educacaointegral.org.br/reportagens/a-importancia-da-tradicao-oral-para-o-multiletramento/"><span style="font-weight: 400;">tradições orais nacionais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a tentativa de engrandecer as nossas produções dá aquela ponta de esperança que não é tão ruim ser brasileiro. E se ela abranger nossos povos de maneira a eliminar estereótipos e a trazer visibilidade, melhor ainda! </span></p>
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		<title>Pai em Dobro é &#8216;gratiluz’ para os momentos de crise</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Feb 2021 20:51:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Júlia Paes de Arruda Nem todos têm a mesma sorte de Maísa, que começou o ano sendo protagonista de seu primeiro filme na tão sonhada “firma” Netflix. A adaptação do livro de Thalita Rebouças chegou ao serviço de streaming com nomes já conhecidos pelo público, como Eduardo Moscovis (Bom dia, Verônica e O Cravo e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pai-em-dobro-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Pai em Dobro é &#8216;gratiluz’ para os momentos de crise"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_18241" aria-describedby="caption-attachment-18241" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18241" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/img_1_2_3022.jpg" alt="Cena do filme Pai em Dobro. Fotografia retangular de Eduardo Moscovis, Maísa e Marcelo Médici, respectivamente, que os três se abraçam. Eduardo é um homem de cabelos grisalhos, barba e bigode branco. Ele veste uma camisa preta de gola, com um bolso próximo ao peito direito. Ele apoia a mão direita no ombro esquerdo e o queixo na cabeça de Maísa. Ela é uma garota de 18 anos de cabelos castanhos. Ele veste uma blusa rosada. Está com uma maquiagem e lantejoulas azuis e brancas nas têmporas. Marcelo Médici é um homem de cabelos grisalhos. Ele veste uma camisa azul marinho e encontra o lado direito das têmporas na cabeça de Maísa. No fundo, acontece um bloco de Carnaval e, por isso, confetes coloridos caem sobre os atores." width="700" height="394" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/img_1_2_3022.jpg 700w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/img_1_2_3022-300x169.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18241" class="wp-caption-text">Pai em Dobro marca o encontro de gerações televisivas (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Júlia Paes de Arruda</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nem todos têm a mesma sorte de Maísa, que começou o ano sendo protagonista de seu primeiro filme na tão sonhada “firma” </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. A adaptação do livro de </span><a href="http://www.editoraarqueiro.com.br/autores/thalita-reboucas"><span style="font-weight: 400;">Thalita Rebouças</span></a><span style="font-weight: 400;"> chegou ao serviço de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> com nomes já conhecidos pelo público, como Eduardo Moscovis (</span><a href="https://personaunesp.com.br/bom-dia-veronica-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bom dia, Verônica</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://memoriaglobo.globo.com/entretenimento/novelas/o-cravo-e-a-rosa/"><i><span style="font-weight: 400;">O Cravo e a Rosa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Marcelo Médici (</span><i><span style="font-weight: 400;">Vai que Cola</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="http://teledramaturgia.com.br/haja-coracao/#:~:text=A%20ing%C3%AAnua%20feirante%20Tancinha%20(Mariana,princ%C3%ADpio%2C%20para%20ganhar%20uma%20aposta."><i><span style="font-weight: 400;">Haja Coração</span></i></a><span style="font-weight: 400;">). Trabalhando na mesma base de </span><i><span style="font-weight: 400;">Mamma Mia, Pai em Dobro </span></i><span style="font-weight: 400;">saúda e aflora uma memória da criança interior adormecida. </span></p>
<p><span id="more-18240"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O enredo gira em torno de Vicenza, uma garota que vive numa vila </span><i><span style="font-weight: 400;">hippie</span></i><span style="font-weight: 400;"> e que acaba de completar dezoito anos, ainda desejando saber quem é seu verdadeiro pai. Porém, como em todos os aniversários, sua mãe, Raion (Laila Zaid), insiste que não é o momento certo para revelar a identidade dele. Disposta a encontrar respostas, a jovem aproveita a viagem da mãe para um retiro na Índia e parte para Santa Tereza, no Rio de Janeiro, para encontrar os suspeitos para tal cargo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A aventura da menina é divertida e um pouco inusitada. Ela se mostra muito independente para comprar passagens de ônibus, mas se atrapalha quando fica de frente com um elevador. Ela aprecia chás dos mais diversos tipos, mas vomita ao saborear um hambúrguer. Essa inversão de personalidade vem das suas origens, mas acaba se tornando engraçada ao se deparar com o cotidiano de uma adolescente comum no Rio de Janeiro. As cenas da escada rolante, especialmente, me fizeram lembrar do episódio da </span><i><span style="font-weight: 400;">Turma da Mônica</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que o Chico Bento vai com o primo ao </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ffKjDBFvPxY"><i><span style="font-weight: 400;">shopping</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_18242" aria-describedby="caption-attachment-18242" style="width: 1300px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18242" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/pai-em-dobro-ok.jpg" alt="Cena do filme Pai em Dobro. Fotografia retangular de Maísa e Laila Zaid. Maísa é uma garota de 18 anos, de cabelos compridos castanho claro com uma pequena trança raiz. Ela veste uma camisola bege clara e está sentada sobre a cama, com as cobertas cor de vinho e lilás. Ela está apoiada sobre dois travesseiros em tons de vinho e verde. Ela está com as mãos juntas em frente ao peito como forma de agradecimento, com os olhos fechados e a cabeça inclinada um pouco inclinada para frente. Laila é uma mulher de cabelos compridos ruivos. Ela sorri, com os dentes à mostra. Ela usa um vestido laranja metálico com uma corda amarrada na cintura e um véu amarelo sob os ombros. Ela segura uma travessa em forma de flor de vitória régia marrom metalizada com uma vela branca em cima. Ela também está sentada na cama, ao lado direito de Maísa. No fundo, possui um pedaço de uma parede vermelha no lado esquerdo com beija-flores estampados mais abaixo. Há um voil roxo bordado pendurado sob a cama com adereços pendurados." width="1300" height="867" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/pai-em-dobro-ok.jpg 1300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/pai-em-dobro-ok-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/pai-em-dobro-ok-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/pai-em-dobro-ok-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/pai-em-dobro-ok-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18242" class="wp-caption-text">“Vicenza Shakti Pravananda Oxalá Sarahara Zalala da Silva, isso é tom pra falar com sua mãe? Aliás, isso é tom pra falar da Índia?” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro de Rebouças e Renato Fagundes (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aywJ39-0l9I"><i><span style="font-weight: 400;">Modo Avião</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) é fluído, orgânico e leve, fazendo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pai</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">em Dobro</span></i><span style="font-weight: 400;"> um filme gostoso de se ver. Por não ter antagonistas, tudo se desenrola de uma forma objetiva e previsível, mas isso não o torna monótono e cansativo. A proposta não é trazer revelações fotográficas, mas sim uma sensação alto astral para dentro de casa com os momentos cômicos e os emotivos. Funciona na mesma fórmula de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-QqVnpp9GDw"><i><span style="font-weight: 400;">Zathura: Uma Aventura Espacial</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Yws4xOE5rDU"><i><span style="font-weight: 400;">As Aventuras de Sharkboy e Lavagirl</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. É quase impossível não pensar na época em que ficar de olho no horário para começar a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aU8mCfmH6fU"><span style="font-weight: 400;">Sessão da Tarde</span></a><span style="font-weight: 400;"> era nossa única obrigação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, a obra peca em muitos estereótipos, principalmente envolvendo a vila. A </span><i><span style="font-weight: 400;">Universo Cósmico</span></i><span style="font-weight: 400;"> mistura elementos do </span><a href="http://g1.globo.com/Sites/Especiais/Noticias/0,,MUL1267354-16107,00-MOVIMENTO+HIPPIE+CONSOLIDOU+REBELDIA+PACIFICA+DA+GERACAO+DE.html"><span style="font-weight: 400;">movimento </span><i><span style="font-weight: 400;">hippie</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> com a cultura indiana, de forma um pouco forçada. Permanecer em questões superficiais e, de certa forma, preconceituosas, poderia trazer uma visão negativa do Brasil para os espectadores estrangeiros da plataforma, ainda mais se tratando do alcance da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por se falar em alcance, Maísa, que um dia já foi a adolescente mais </span><a href="https://www.folhape.com.br/cultura/maisa-e-a-adolescente-mais-seguida-do-mundo-no-instagram/90713/"><span style="font-weight: 400;">seguida</span></a><span style="font-weight: 400;"> do mundo, se mostra muito mais confortável frente às câmeras que em </span><a href="https://globofilmes.globo.com/filme/ela-disse-ele-disse/"><i><span style="font-weight: 400;">Ela Disse, Ele Disse</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; </span></i><span style="font-weight: 400;">talvez pelo próprio amadurecimento da atriz que, atualmente, possui a mesma idade de Vicenza. No filme de 2019, a incompatibilidade de faixa etária entre a da personagem e a real acabou sendo um empecilho para que ela agisse de forma natural. Vicenza, no caso, compartilha das mesmas vivências que ela. Isso fez que a atriz pudesse entregar um papel mais compatível ao seu carisma e a sua espontaneidade.</span></p>
<figure id="attachment_18245" aria-describedby="caption-attachment-18245" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18245" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/138996507_774243080106138_1885988191282984438_n.jpg" alt="Fotografia retangular de Marcelo Médici, Maísa e Eduardo Moscovis, respectivamente. Marcelo está na esquerda e está fantasiado de palhaço, com chapéu de bobo da corte em azul, roxo e amarelo. Há um tule roxo com bordas rosas em volta do pescoço. Ele veste um paletó azul marinho e uma blusa listrada vermelha e laranja por baixo. Ele possui maquiagem branca no rosto e um nariz vermelho de palhaço no nariz. Sua mão direita está levemente dobrada na frente do corpo. Maísa está ao centro, com uma blusa laranja de manga ¾ e uma blusa tomara que caia vermelha por cima. Ela também usa um tutu rosa e máscara de carnaval rosa nos olhos. A garota está com os braços cruzados em frente ao corpo e a mão direita segura a máscara com um apoio. Ela está com o cabelo castanho preso atrás da cabeça. Eduardo Moscovis está à direita, ao lado de Maísa. Ele veste uma camisa larga ombro a ombro amarela e cobre a parte de baixo nariz até o pescoço com um tule rosa com bolinhas douradas fazendo o contorno na parte superior, próxima ao nariz. Ele também usa uma touca verde na cabeça. Seu braço esquerdo está apoiado na frente do corpo.No fundo, há metade de uma porta com várias janelas no canto direito. Atrás dos atores, há uma parede de madeira e luzes coloridas penduradas. " width="1080" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/138996507_774243080106138_1885988191282984438_n.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/138996507_774243080106138_1885988191282984438_n-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/138996507_774243080106138_1885988191282984438_n-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/138996507_774243080106138_1885988191282984438_n-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18245" class="wp-caption-text">Vicenza fica em dúvida: foi Paco ou Giovanne que engravidou sua mãe?(Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Eduardo Moscovis, o boêmio e amargurado pintor Paco, inicialmente, parece estar um pouco perdido em relação ao seu personagem. Entretanto, como já é de se esperar, o ator entra em sintonia com o enredo e mostra com destreza sua versatilidade em encarnar o papel com muito fôlego. Já Marcelo Médici, acostumado com a comédia, investe numa personalidade totalmente oposta ao viver Giovanne, um bem sucedido &#8211; porém, infeliz &#8211; agente de mercado financeiro. De maneira imprevisível, ele se mostra muito à vontade e encara o cargo com perfeição. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar do elenco admirável, tendo participações de Fafá de Belém e Thaynara OG, as personagens possuem pouco aprofundamento. É o caso de Cadu (Pedro Ottoni), o par romântico da protagonista. A atuação de Pedro é genuína. De cara, já é possível criar afinidade com o garoto. Porém, devido ao foco maior girar em torno de Vicenza, pouco tempo em tela lhe foi designado, deixando o potencial de Ottoni de lado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trilha sonora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pai em Dobro</span></i><span style="font-weight: 400;"> é realmente fantástica. Tendo brasilidades como o foco principal, nomes como </span><a href="https://personaunesp.com.br/n-anavitoria-critica/"><span style="font-weight: 400;">Anavitória</span></a><span style="font-weight: 400;">, Lulu Santos e Tiago Iorc fazem o contraste relaxante em meio à temática carnavalesca do enredo. Pessoalmente, dentre as selecionadas pelo produtor musical Fábio Góes, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xrMX9mjC1BY"><i><span style="font-weight: 400;">Casa</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WkLpoUiasZ8"><i><span style="font-weight: 400;">Partilhar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> são as que mais transmitem a mensagem do filme. O verso </span><i><span style="font-weight: 400;">“Que amor tão grande tem que ser vivido a todo instante”</span></i><span style="font-weight: 400;"> chega a ser emocionante acompanhado do cenário.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Pai em Dobro | Trailer Oficial | Netflix Brasil" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/9ZpI9YSf21k?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A estética colorida dá vida para as cenas das festividades e demarca muito bem o sentimentalismo envolvendo uma tradição tão marcante em nosso país. Em harmonia com o Rio de Janeiro, os blocos de rua transmitem a alegria que acoberta os mais aficionados pelo feriado e nos lembram de um momento divertido da vida. Apesar do lançamento do filme ter sido esse ano, as gravações foram feitas no período pré-pandemia, em que as aglomerações corriam soltas. Isso, apesar de ser bonito, pode tornar-se deprimente por se tratar de um futuro ainda distante de acontecer. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pai em Dobro </span></i><span style="font-weight: 400;">transmite uma mensagem muito bonita a respeito das relações para além de laços sanguíneos, o que o distingue das </span><a href="https://personaunesp.com.br/sen-cal-kapimi-critica/"><span style="font-weight: 400;">comédias românticas</span></a><span style="font-weight: 400;"> tradicionais. O jeito leve e agradável da construção da narrativa é solução para aqueles momentos em que sentar em frente à TV com um balde de pipoca é sinal de relaxamento. Além disso, marca mais um degrau para a carreira da “prima” Maísa, que só dá sinais de seu amadurecimento profissional.</span></p>
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		<title>Bom dia, Verônica: sangue se paga com sangue</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Oct 2020 18:56:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caroline Campos Feminicídio, necrofilia, violência doméstica e golpes virtuais. É essa série de crimes que Ilana Casoy e Raphael Montes escolhem para desenvolver o mundo do sistema penal de Verônica Torres, escrivã na Delegacia de Homicídios da cidade de São Paulo. Bom dia, Verônica, o resultado final, foi lançado pela Darkside Books em 2016, quando &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/bom-dia-veronica-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Bom dia, Verônica: sangue se paga com sangue"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_16035" aria-describedby="caption-attachment-16035" style="width: 1620px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16035" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Bom-Dia-Veronica-1.jpg" alt="" width="1620" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Bom-Dia-Veronica-1.jpg 1620w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Bom-Dia-Veronica-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Bom-Dia-Veronica-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Bom-Dia-Veronica-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Bom-Dia-Veronica-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Bom-Dia-Veronica-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16035" class="wp-caption-text">Depois do sucesso de Bom dia, Verônica, Tainá Müller fará mais duas séries policiais (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Caroline Campos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Feminicídio, necrofilia, violência doméstica e golpes virtuais. É essa série de crimes que Ilana Casoy e </span><a href="http://personaunesp.com.br/o-vilarejo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Raphael Montes</span></a><span style="font-weight: 400;"> escolhem para desenvolver o mundo do sistema penal de Verônica Torres, escrivã na Delegacia de Homicídios da cidade de São Paulo. </span><i><span style="font-weight: 400;">Bom dia, Verônica</span></i><span style="font-weight: 400;">, o resultado final, foi lançado pela </span><a href="http://personaunesp.com.br/hex-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Darkside Books</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 2016, quando seus autores ainda se</span> <a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,estado-revela-quem-e-a-dupla-que-escreveu-bom-dia-veronica,70002990216"><span style="font-weight: 400;">escondiam sob o pseudônimo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Andrea Killmore. Identidades reveladas, não demorou muito para conseguirmos uma adaptação – e ela chegou em outubro de 2020, pelas mãos da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-16034"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A vida de Verônica se transformou completamente depois que seu pai, o delegado Júlio Torres, foi descoberto envolvido em um esquema de corrupção e, na hora de sua captura, foi baleado junto com sua esposa. A escrivã carrega nos pulsos o efeito que esse evento causou, mesmo que, na surdina, seu pai tenha sobrevivido – em estado vegetativo. Desde então, Verônica, que é interpretada por Tainá Müller na série, passa seus dias protocolando documentos e todas as burocracias que Wilson Carvana, delegado titular e amigo íntimo de seu pai, a pede. Frustrada com o cargo, não demora muito para nossa (anti?) heroína se deparar com um caso que a arrasta para o submundo das escórias de São Paulo.</span></p>
<figure id="attachment_16036" aria-describedby="caption-attachment-16036" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16036" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/2960480.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="" width="1600" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/2960480.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/2960480.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/2960480.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/2960480.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/2960480.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/2960480.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16036" class="wp-caption-text">Wilson Carvana é interpretado pelo experiente Antonio Grassi (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O estopim ocorre logo no início da obra. Marta Campos surge na delegacia aos prantos para falar com o delegado titular. Depois de ser desacreditada e ignorada, deixando claro a ineficiência do Estado em lidar com mulheres violentadas, Marta comete suicídio bem na frente de Verônica, que resolve tomar o caso para si, com ou sem aval de seu chefe. E é logo nesse momento que visualizamos a sede de justiça da protagonista no combate ao tratamento hostil que essas vítimas são obrigadas a encarar no momento da denúncia. Mesmo que </span><i><span style="font-weight: 400;">Bom dia, Verônica</span></i><span style="font-weight: 400;"> se perca em suas próprias escolhas narrativas, ambas as Verônicas – do livro e da série – tomam para si a necessidade de vingar os casos que cruzam o seu caminho, na mesma moeda em que são cometidos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> Com o decorrer da trama, entram em cena Janete e seu marido, Tenente Coronel Cláudio Brandão. No livro, Janete é a única que divide a narrativa com Verônica, e não seria por menos – Brandão é um </span><a href="http://personaunesp.com.br/ted-bundy-filme-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">serial killer</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> tirado direto das produções </span><a href="https://exitoina.uol.com.br/noticias/cinema/ted-bundy-a-irresistivel-face-do-mal-e-outros-filmes-baseados-em-assassinos.phtml"><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodianas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Depois que sua mulher atrai com propostas de emprego garotas jovens que acabaram de chegar na rodoviária, todas vindas do Norte do país, Brandão as leva para um </span><i><span style="font-weight: 400;">bunker </span></i><span style="font-weight: 400;">no meio da Serra da Cantareira e as tortura enquanto são penduradas por ganchos direto na pele. Janete ouve tudo com uma grande caixa de madeira em sua cabeça, que só tem buracos na direção dos ouvidos. O arco do casal é o mais envolvente de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bom dia, Verônica</span></i><span style="font-weight: 400;">, abrindo feridas gigantescas na memória brasileira – um país </span><a href="https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2019/03/08/no-brasil-uma-mulher-e-morta-a-cada-duas-horas-vitima-da-violencia.ghtml"><span style="font-weight: 400;">onde</span></a><span style="font-weight: 400;">, a cada duas horas, uma mulher é morta vítima de violência.</span></p>
<figure id="attachment_16037" aria-describedby="caption-attachment-16037" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16037" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/bom-dia-veronica-2.jpg" alt="" width="1080" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/bom-dia-veronica-2.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/bom-dia-veronica-2-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/bom-dia-veronica-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/bom-dia-veronica-2-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16037" class="wp-caption-text">Janete se torna uma prisioneira dentro da própria casa, da própria vida (Foto: SUZANNA TIERIE/NETFLIX)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Camila Morgado foi a escolhida para dar vida a Janete na adaptação da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, dirigida por  Izabel Jaguaribe, Rog de Souza e José Henrique Fonseca. A submissão e o medo da esposa, que é constantemente agredida e humilhada, está em cada olhar de esguelha ou postura curvada que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=j8R_iNq-hTc"><span style="font-weight: 400;">Morgado</span></a><span style="font-weight: 400;"> imprimi em tela, gerando a empatia e o desespero do espectador – ou, de forma mais íntima, da espectadora. Janete é mais uma vítima de uma sociedade machista, com um marido que a afastou de sua família e de qualquer fonte de confiança para quem ela poderia denunciar. Não é surpresa que a mulher veja Verônica como um porto seguro, repleta da paciência e sensibilidade necessárias para lidar com uma situação desse nível de perigo.</span></p>
<p><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/eduardo-moscovis-o-machismo-e-cruel-e-doloroso/"><span style="font-weight: 400;">Eduardo Moscovis</span></a><span style="font-weight: 400;"> divide as cenas com Morgado, interpretando o sádico Brandão. Sua crueldade é impressionante, e cada vez que Moscovis entra em cena, a tensão o acompanha intrinsecamente. Não há como relaxar com Brandão ao seu lado. Todo diálogo com Janete vira um jogo entre gato e rato – ele a encurrala, oprimi, diminui. A calma assustadora e controlada que cerca Brandão foi um desafio difícil para o ator, que não podia extravasar em decorrência do espectro comedido e covarde do personagem, que mal sobe o tom de voz ameaçador que dirige a esposa.</span></p>
<figure id="attachment_16039" aria-describedby="caption-attachment-16039" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16039" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/bom-dia-veronica-920-1400x800-2.jpg" alt="" width="1400" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/bom-dia-veronica-920-1400x800-2.jpg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/bom-dia-veronica-920-1400x800-2-300x171.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/bom-dia-veronica-920-1400x800-2-1024x585.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/bom-dia-veronica-920-1400x800-2-768x439.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/bom-dia-veronica-920-1400x800-2-1200x686.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16039" class="wp-caption-text">A Caixa que assombra todos os pesadelos de Janete (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É com essa figura imponente da Polícia Militar que Verônica resolve bater de frente. No entanto, durante a leitura da obra, podemos ver uma policial que está mais preocupada em concluir o caso sozinha do que salvar Janete, de fato. A atitude irresponsável e egocêntrica da Verônica literária em diversas situações coloca ainda mais em risco a vida de quem ela tenta proteger a todo custo. Tainá Müller com certeza deu mais carisma para a personagem, mas a mudança foi brusca, como se para transformar a protagonista em uma versão mais “limpa” do que era, mais atrativa para os espectadores. Na adaptação, Verônica tem um bom relacionamento com a família, rejeita as investidas de companheiros de trabalho e preza, acima de tudo, pela segurança das vítimas que conhece. Atitudes que a escrivã do livro está muito longe de ter.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As obras dialogam bem entre si, com </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/colunas/fefito/2020/10/05/bom-dia-veronica-conheca-as-diferencas-entre-o-livro-e-a-serie.htm"><span style="font-weight: 400;">mudanças</span></a><span style="font-weight: 400;"> pontuais que excluíram arcos toscos e mal trabalhados. Nas páginas, Gregório, o golpista do </span><i><span style="font-weight: 400;">site Amor Ideal</span></i><span style="font-weight: 400;">, é um adepto da necrofilia – fato que, de início, causa grande impacto no leitor, mas, no fim, só serve para certas escolhas serem mais fáceis e convenientes para Verônica. Colocar um assunto tão desconfortável e incômodo, sabendo que mulheres não alcançam a paz nem depois de mortas, e, depois, descartá-lo de maneira extremamente pobre sem muitas consequências é uma atitude curiosa de Casoy e Montes, ambos escritores já reconhecidos quando se trata de literatura policial e de terror.</span></p>
<figure id="attachment_16040" aria-describedby="caption-attachment-16040" style="width: 1016px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16040" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Bom-Dia-Capa-Livro.jpg" alt="" width="1016" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Bom-Dia-Capa-Livro.jpg 1016w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Bom-Dia-Capa-Livro-298x300.jpg 298w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Bom-Dia-Capa-Livro-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Bom-Dia-Capa-Livro-768x774.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16040" class="wp-caption-text">A capa original do livro, com foco nos passarinhos de Brandão (Foto: DarksideBooks)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Pelos méritos do roteiro, a necrofilia foi removida e a história de Gregório deixada um pouco de escanteio, com um final semelhante, mas muito mais satisfatório e inteligente. A própria trama que envolve o esquema de corrupção de diversas fontes de poder não existe no livro, mas foi uma adição bem sacada à série, que garantiu que o final dos oito episódios fosse muito mais condizente do que o final das 256 páginas. Por outro lado, Anita, interpretada pela belíssima e competente Elisa Volpatto, destoa um pouco desse lado positivo. Criada para a série, parece que a personagem só foi adicionada para, constantemente, fazer oposição a Verônica, sendo uma antagonista sem nenhuma faceta além da aparente maldade e falta de comprometimento com seu cargo de delegada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trilha sonora escolhida para a trajetória da escrivã não poderia ter sido melhor. Se em </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/a-musica-serve-para-denunciar-para-gritar/"><i><span style="font-weight: 400;">Maria da Vila Matilde</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, hino contra o feminicídio, Elza Soares afirma que </span><i><span style="font-weight: 400;">cê vai se arrepender de levantar a mão pra mim</span></i><span style="font-weight: 400;">, Verônica está determinada a marcar esse arrependimento em seus demônios. As músicas complementam cada final de episódio, desde </span><i><span style="font-weight: 400;">Cabeça-Dinossauro</span></i><span style="font-weight: 400;">, clássico do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">nacional dos Titãs, até a romântica </span><i><span style="font-weight: 400;">Coração Selvagem</span></i><span style="font-weight: 400;">, do mestre </span><a href="http://personaunesp.com.br/belchior-quarenta-anos-alucinacao/"><span style="font-weight: 400;">Belchior</span></a><span style="font-weight: 400;">. As faixas contam histórias em parceria com os grandes momentos que elas entoam. </span></p>
<figure id="attachment_16043" aria-describedby="caption-attachment-16043" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-16043 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/1600722222735.jpg" alt="" width="1200" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/1600722222735.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/1600722222735-300x225.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/1600722222735-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/1600722222735-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16043" class="wp-caption-text">Montes e Casoy na delegacia da série, ambos participaram da criação da adaptação (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A segunda temporada da série ainda não foi confirmada, mas, devido à grande aceitação do público, podemos esperar que a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">dê uma chance para fortalecer as produções nacionais, visto que Ilana Casoy e Raphael Montes já confirmaram uma sequência para o livro. Acompanharemos uma Verônica loira e justiceira lidando com seus inimigos do próprio jeito, independente do sangue derramado. Se a continuação é necessária, cabe a cada um a resposta. Mas o cenário policial brasileiro é, com certeza, um bom palco para tramas mirabolantes de ficção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para os ferrenhos defensores que acreditam que o livro é sempre melhor que sua adaptação, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bom dia, Verônica</span></i><span style="font-weight: 400;"> prova o contrário. Apesar de ser uma obra literária rica, o formato de série conseguiu deixar a narrativa mais interessante com suas mudanças e minimizar os defeitos marcantes que estão presentes em suas páginas. A violência contra a mulher é um problema de todos e deve ser combatida enfaticamente. Se você está ou conheça alguém que esteja nessa situação, denuncie. Não se cale, porque, mesmo na ficção, </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2020/10/10/janete-te-deixou-com-raiva-em-bom-dia-veronica-entao-voce-nao-entendeu.htm"><span style="font-weight: 400;">Janete</span></a><span style="font-weight: 400;"> não é um caso isolado. </span><a href="https://www.gov.br/pt-br/servicos/denunciar-e-buscar-ajuda-a-vitimas-de-violencia-contra-mulheres"><span style="font-weight: 400;">Disque 180</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>Boca a Boca e seus vírus: série combina cor com beijo de língua e epidemia</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Aug 2020 00:03:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Victória Rangel Línguas, línguas e mais línguas… É o que você vai ver logo no primeiro episódio de Boca a Boca. A série fala de um grupo que, como bons jovens de cidade pequena, tem que escapar atrás de diversão para uma região próxima, mas proibida pelos pais &#8211; a chamada Vila, cujos habitantes são &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/boca-a-boca-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Boca a Boca e seus vírus: série combina cor com beijo de língua e epidemia"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_14533" aria-describedby="caption-attachment-14533" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-14533 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem-1-boca-a-boca.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem-1-boca-a-boca.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem-1-boca-a-boca-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem-1-boca-a-boca-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem-1-boca-a-boca-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem-1-boca-a-boca-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14533" class="wp-caption-text">(Foto: Netflix/Divulgação)</figcaption></figure>
<p><b>Victória Rangel</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Línguas, línguas e mais línguas… É o que você vai ver logo no primeiro episódio de <em>Boca a Boca</em>. A série fala de um grupo que, como bons jovens de cidade pequena, tem que escapar atrás de diversão para uma região próxima, mas proibida pelos pais &#8211; a chamada Vila, cujos habitantes são tão diferenciados que existe até uma versão brasileira do cantor </span><a href="https://www.vagalume.com.br/will-i-am/"><span style="font-weight: 400;">Will.i.am</span></a><i><span style="font-weight: 400;"> (</span></i><span style="font-weight: 400;">do</span><span style="font-weight: 400;"> Black Eyed Peas</span><i><span style="font-weight: 400;">)</span></i><span style="font-weight: 400;"> morando lá. Dá para imaginar uma festa regada a drogas e luzes psicodélicas acontecendo? É nesse contexto mesmo que aparece a principal motivação da série &#8211; por meio de muitos e muitos beijos no calor dessa aglomeração, começa a se espalhar a doença misteriosa.</span></p>
<p><span id="more-14532"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muito diferente desse cenário é o lugar de tons pastéis em que esses adolescentes acordam no dia seguinte, de volta a sua origem: a cidade de Progresso, em que o único colégio existente é militar e gerido por </span><a href="http://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-544082/"><span style="font-weight: 400;">Denise Fraga</span></a><span style="font-weight: 400;">, que incorporou tão bem Guiomar, uma mulher amargurada e controladora, que logo se nota, em sua forma de gargalhar, que vai ser difícil gostar da sua personagem. É ela quem assegura as regras severas e o monitoramento dos alunos de uniforme cor-de-rosa.</span></p>
<figure id="attachment_14534" aria-describedby="caption-attachment-14534" style="width: 1480px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-14534 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem-2-boca-a-boca.jpg" alt="" width="1480" height="934" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem-2-boca-a-boca.jpg 1480w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem-2-boca-a-boca-300x189.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem-2-boca-a-boca-1024x646.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem-2-boca-a-boca-768x485.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem-2-boca-a-boca-1200x757.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14534" class="wp-caption-text">Alex sendo inspecionado pela mãe (Foto: Netflix/Divulgação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ah, mas é nacional? Sim, é nacional! E o Brasil está sempre ali, aliado a aspectos da ficção científica cinematográfica. É um Brasil quente, ambientado no Velho Goiás, com janelas de madeira, em que a economia gira em torno da pecuária. É por isso também que a figura do boi está presente em muitos e muitos quadros da série, e que merece destaque a releitura da canção boi da cara preta, que embala algumas cenas da obra. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Num lugar de muita riqueza, evidenciam-se, é claro, as camadas sociais impostas pela renda &#8211; os criadores da série utilizam, inclusive, o nome de Colônia para nomear a moradia dos trabalhadores da fazenda Nero. É esse o sobrenome da personagem muito bem interpretada por </span><a href="http://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-71877/biografia/"><span style="font-weight: 400;">Bruno Garcia</span></a><span style="font-weight: 400;">, homem de cabelos penteados para trás e barba longa, que coordena a economia da cidade com sua criação de gado. Como um bom representante da elite agrária brasileira, Doni Nero é um daqueles conservadores que acredita em meritocracia, defensor do discurso <em>“</em>a gente dá moradia, mas eles tem que trabalhar<em>”</em> &#8211; essa fala está mesmo presente em uma cena de Garcia e que ele, curiosamente, fecha com a expressão <em>“</em>tá ok?<em>”</em>.</span></p>
<figure id="attachment_14535" aria-describedby="caption-attachment-14535" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-14535 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem-3-boca-a-boca.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem-3-boca-a-boca.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem-3-boca-a-boca-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem-3-boca-a-boca-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem-3-boca-a-boca-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem-3-boca-a-boca-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14535" class="wp-caption-text">Guiomar interrogando Chico na diretoria (Foto: Netflix/Divulgação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma fotografia potente, uma câmera bem conduzida e uma edição de dar inveja em qualquer videoclipe de música alternativa, <em>Boca a Boca</em> une a temática do filme </span><i><span style="font-weight: 400;">Corrente do Mal</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2014), cujo suspense se dá no contágio por meio sexual, com o audiovisual do nacional </span><i><span style="font-weight: 400;">Paraísos Artificiais </span></i><span style="font-weight: 400;">(2012), que ilustra festivais de música eletrônica, drogas e psicodelia. E, falando em música, a trilha sonora da série também é tão boa que ela mal tinha sido lançada na </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> e já possuía uma </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/7eGoW5eYqX2COUZvyn7yoE?si=J79OVXYKTveCDpX2orWqHQ"><span style="font-weight: 400;"><em>playlist</em> de destaque no <em>Spotify</em></span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Letrux, Trupe Chá de Boldo </span></i><span style="font-weight: 400;">e</span><i><span style="font-weight: 400;"> Baco Exú do Blues</span></i><span style="font-weight: 400;"> se unem ao som de sintetizadores para compor o ritmo contemporâneo da narrativa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No meio desses 6 episódios de 40 minutos cada, existem momentos em que podemos visualizar a epidemia para além de seus sintomas físicos, como num batom compartilhado entre meninas na escola. A doença é assustadora, mas não é feia. É tão colorida quantos as festas na Vila, de um lilás e um azul sedutores &#8211; tudo contrastando muito bem com o azul dos olhos de </span><a href="https://www.instagram.com/micheljoelsas/"><span style="font-weight: 400;">Michel Joelsas</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; o Fabinho de </span><i><span style="font-weight: 400;">Que Horas Ela Volta?</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o Chico de </span><i><span style="font-weight: 400;">Boca a Boca</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_14536" aria-describedby="caption-attachment-14536" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14536" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem-4-boca-a-boca.jpg" alt="" width="1200" height="700" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem-4-boca-a-boca.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem-4-boca-a-boca-300x175.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem-4-boca-a-boca-1024x597.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem-4-boca-a-boca-768x448.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14536" class="wp-caption-text">Fran, Alex e Chico (Foto: Netflix/Divulgação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O Chico? Ah, o Chico… Ele é aquele alguém carismático, com quem, muito provavelmente, você gostaria de conviver. Sabe aquela pessoa que incorpora a festa na alma e leva ela pra todo lugar? Então, esse é o Chico, amigo de Alex Nero (</span><a href="https://www.instagram.com/caiohoro/"><span style="font-weight: 400;">Caio Horowicz</span></a><span style="font-weight: 400;">), o filho vegetariano do dono dos bois. Alex, para fechar o círculo de protagonistas, une a amiga Fran ao trio que conduz a série. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No caso dos dois, você conhece aquela história das crianças de diferentes classes sociais, que crescem brincando juntas, mas são atrapalhadas pela delimitação de sua renda? Então, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Boca a Boca</span></i><span style="font-weight: 400;">, Fran é uma menina negra, interpretada por </span><a href="https://www.instagram.com/coredaiza/"><span style="font-weight: 400;">Iza Moreira</span></a><span style="font-weight: 400;">, que mora na colônia da fazenda Nero. Ela, além de melhor amiga de Bel &#8211; a primeira jovem infectada pelo novo vírus -, também se divide entre a escola e os cuidados com sua mãe, uma mulher explorada pelo trabalho duro na fazenda de Alex. </span></p>
<figure id="attachment_14537" aria-describedby="caption-attachment-14537" style="width: 2010px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-14537" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem-5-boca-a-boca.png" alt="" width="2010" height="890" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem-5-boca-a-boca.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem-5-boca-a-boca-300x133.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem-5-boca-a-boca-1024x453.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem-5-boca-a-boca-768x340.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem-5-boca-a-boca-1536x680.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem-5-boca-a-boca-1200x531.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14537" class="wp-caption-text">Cidadãos de Progresso (Foto: Netflix/Divulgação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A série oscila entre pinceladas de naturalidade cotidiana, como no simples oferecer de uma maçã a um amigo, e a apresentação de uma realidade quase distópica, em que os pais da cidade fazem academia juntos, ouvindo passagens da </span><i><span style="font-weight: 400;">Bíblia</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo. Uma tendência a que a </span><i><span style="font-weight: 400;">Gullane Entretenimento</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a </span><i><span style="font-weight: 400;">Fetiche Features</span></i><span style="font-weight: 400;">, produtoras da série, seguem, e que está aumentando nos últimos anos nas produções audiovisuais, é a de utilizar a tecnologia das redes sociais como um elemento da cena. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Boca a Boca</span></i><span style="font-weight: 400;">, eles imitam aplicativos como </span><i><span style="font-weight: 400;">Facebook, WhatsApp </span></i><span style="font-weight: 400;">e</span><i><span style="font-weight: 400;"> Instagram</span></i><span style="font-weight: 400;">, com suas <em>lives</em> e <em>stories</em> (uma boa analogia para a nova era das <em>lives</em> que estamos vivendo atualmente, né?)</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aliás, é válido informar que a série foi pensada por Esmir Filho há cerca de dois anos e a epidemia que inspirou o criador, diretor e roteirista foi a do vírus </span><i><span style="font-weight: 400;">HIV</span></i><span style="font-weight: 400;">. O que a produção não imaginava era em que pé estaria o mundo durante a estreia de </span><i><span style="font-weight: 400;">Boca a Boca</span></i><span style="font-weight: 400;">. A temática, surpreendentemente, não poderia ter caído em melhor hora pois, ao falar de epidemia, também nos mostra o conservadorismo, a homofobia, a exploração de classes que parecem ser </span><a href="https://porem.net/2020/05/04/neoliberalismo-pandemia-e-a-crise-do-capitalismo/"><span style="font-weight: 400;">evidenciados em situações extremas</span></a>.</p>
<figure id="attachment_14538" aria-describedby="caption-attachment-14538" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-14538 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem-6-boca-a-boca.jpg" alt="" width="1000" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem-6-boca-a-boca.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem-6-boca-a-boca-300x180.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem-6-boca-a-boca-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14538" class="wp-caption-text">Festas na Vila (Foto: Netflix/Divulgação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro aspecto relevante é que a série, além de mostrar uma situação semelhante a da nossa realidade com o surgimento do Coronavírus, também acentua a falta que faz a liberdade para andar nas ruas e nos escancara uma juventude que, por enquanto, não podemos viver. </span><i><span style="font-weight: 400;">Boca a Boca</span></i><span style="font-weight: 400;"> precisa é ser sentida. </span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Boca a Boca Netflix Soundtrack" width="300" height="380" allowtransparency="true" frameborder="0" allow="encrypted-media" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/7eGoW5eYqX2COUZvyn7yoE?si=J79OVXYKTveCDpX2orWqHQ"></iframe></p>
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		<title>Elena: um retrato sensível e necessário para debater suicídio e depressão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Oct 2019 21:41:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso de Gatilho: Elena pode conter elementos prejudiciais àqueles sofrendo com depressão ou pensamentos suicidas. Raquel Dutra  O segundo longa-metragem de Petra Costa leva o nome de sua irmã mais velha, a atriz Elena Andrade. Sob a premissa de retratar a história da jovem e os sentimentos que a família conserva por sua memória, Elena &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/elena-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Elena: um retrato sensível e necessário para debater suicídio e depressão"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Aviso de Gatilho: Elena pode conter elementos prejudiciais àqueles sofrendo com depressão ou pensamentos suicidas.</em></p>
<figure id="attachment_23479" aria-describedby="caption-attachment-23479" style="width: 2100px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23479 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-1.jpg" alt="Cena do filme Elena. A imagem mostra duas mulheres flutuando num rio de águas escuras. As duas mulheres estão do lado esquerdo da imagem, e a primeira está na parte de baixo, na horizontal, com a cabeça para o lado direito e os pés em direção ao centro da imagem, virados para o lado esquerdo; e a segunda na parte de cima, de cabeça para baixo, na diagonal. As duas usam vestidos longos em tons de bege. O fundo é preto." width="2100" height="1181" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-1.jpg 2100w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-1-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23479" class="wp-caption-text">O documentário Elena mistura realidade e ficção para contar a história de vida da irmã da cineasta Petra Costa, diretora de Democracia em Vertigem (Foto: Busca Vida Filmes)</figcaption></figure>
<p><strong>Raquel Dutra </strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O segundo longa-metragem de <a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2020/02/quem-e-petra-costa-cineasta-brasileira-indicada-ao-oscar.html">Petra Costa</a> leva o nome de sua irmã mais velha, a atriz Elena Andrade. Sob a premissa de retratar a história da jovem e os sentimentos que a família conserva por sua memória, <em>Elena</em> toca em debates ultra sensíveis acerca de <a href="https://pebmed.com.br/setembro-amarelo-a-depressao-e-a-ligacao-com-o-suicidio/">suicídio e depressão</a>, ao mesmo tempo em que carrega o valor de ser considerada como uma obra marcante da documentarista. No filme, tudo tem um único fim: construir um retrato íntimo e profundo da <a href="http://www.elenafilme.com/blog/a-historia-de-elena/">vida de Elena</a>, que aos vinte anos, tratando de doenças psicológicas e tentado se reerguer de desilusões profissionais, findou a sua própria vida.</span></p>
<p><span id="more-13003"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aclamado pela crítica, <em>Elena</em> abriu o caminho para o sucesso que sua diretora encontraria em suas produções posteriores. Com sua estreia no <em>IDFA</em> (Festival Internacional de Documentários de Amsterdã) de 2012, o filme foi premiado como o </span><span style="font-weight: 400;">Melhor Documentário pelo Júri Popular, Melhor Direção, Montagem e Direção de Arte e todos os prêmios na </span><span style="font-weight: 400;">categoria documentário</span><span style="font-weight: 400;"> no 45º Festival de Brasília</span><span style="font-weight: 400;">. Em 2014, o filme também foi <a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-110134/">pré-selecionado para o <em>Oscar 2015</em></a> na categoria de Melhor Documentário.</span></p>
<p>Considerado uma experiência única no Cinema contemporâneo, <em>Elena</em> comprova que trabalhar com questões íntimas faz parte da identidade artística de Petra Costa. Identificamos <a href="https://hhmagazine.com.br/a-estetica-do-mal-estar-ou-o-estranhamente-familiar-em-democracia-em-vertigem/">o traço personalista</a> em sua produção mais recente e conhecida, <a href="http://personaunesp.com.br/critica-democracia-em-vertigem/"><i>Democracia em Vertigem</i></a>, mas desde o começo de sua carreira no Cinema a documentarista faz com que essa característica seja marcada. Neste caso, o tema é ainda mais pessoal, caindo na morte precoce da sua irmã mais velha. O enredo, por sua vez, é desenrolado a partir de registros das vivências de Elena em busca de seu sonho de ser atriz de Cinema, com os quais Petra estabelece um profundo sentimento de identificação.</p>
<figure id="attachment_23480" aria-describedby="caption-attachment-23480" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23480 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-2-e1633021772855.jpg" alt="Cena do filme Elena. A imagem mostra um momento familiar entre Elena, Petra e a mãe. Primeiro, à esquerda, está Elena, uma adolescente branca de cabelos longos lisos e que veste uma camisa xadrez. Ela está de frente para a câmera mas olha para o lado, em direção ao centro da imagem, onde está a irmã Petra, ainda bebê, no colo da mãe, que está no lado direito da imagem. Ela usa uma camiseta amarela e o seu cabelo está preso num rabo no topo da cabeça. Petra olha para a irmã e aponta seu dedinho indicador em direção ao rosto dela. A mãe tem cabelos lisos curtos e usa uma camisa branca, segurando Petra no colo e olhando para o lado esquerdo, onde está Elena. Ao fundo, pode-se observar a estante de uma casa e uma planta pendurada na parede, tudo em desfoque. A imagem é colorida mas predomina em tons amarelados e alaranjados." width="1600" height="1056" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-2-e1633021772855.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-2-e1633021772855-800x528.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-2-e1633021772855-1024x676.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-2-e1633021772855-768x507.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-2-e1633021772855-1536x1014.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-2-e1633021772855-1200x792.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23480" class="wp-caption-text">Antes de Elena, Costa dirigiu o curta Olhos de Ressaca, de 2009 (Foto: Busca Vida Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Numa eterna oscilação entre o objetivo e o abstrato, o prazer e a dor, <a href="http://centrocultural.sp.gov.br/2020/03/05/a-ficcao-documentada-ou-o-documentario-ficcionalizado/">o real e o ficcional</a>, o pessoal e o universal, Petra dá voz as cartas da sua irmã, refaz seus passos, encenações, revive memórias e até mesmo seus sonhos. É uma brincadeira tão profunda com elementos ditos opostos que, em alguns momentos, eles se tornam surpreendentemente similares. </span><span style="font-weight: 400;">E todos os aspectos do filme trabalham para essa fusão de sentimentos conflitantes, a se destacar, primeiro a trilha. A diretora traz toda a complexidade da música clássica de uma forma tão tátil que se torna simples a rendição do espectador aos sentimentos que a Petra deseja despertar. Alegria e melancolia são os principais, algumas vezes dentro de uma mesma faixa, outras vezes em diferentes, que se conversam maravilhosamente bem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À fotografia e edição do filme competiam a difícil tarefa de combinar os registros antigos de Elena com as novas imagens filmadas por Petra. Buscando também seguir a mesma linha de conciliação entre os opostos, o visual da produção faz o possível com os filmes antigos e com a harmonização das imagens e cores, mas este é um ponto que deixa a desejar. Entretanto, para reforçar a experiência de imersão no mundo de Elena e seu olhar sobre ela, Petra acerta ao misturar os diferentes registros de forma a confundir o espectador sobre suas autorias. Em muitas imagens, inclusive, o rosto das irmãs se confundiam, e o documentário é repleto destes detalhes sutis que entregam <a href="http://www.enecult.ufba.br/modulos/submissao/Upload-568/132323.pdf">a influência de Elena</a> na vida, sonhos, emoções, medos e personalidade de Petra.</span></p>
<figure id="attachment_13005" aria-describedby="caption-attachment-13005" style="width: 1883px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-13005 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-2.png" alt="Cena do filme Elena. A imagem mostra Elena e sua irmã Petra ainda bebê deitadas numa cama, num close nos rostos das irmãs. Elena é uma adolescente branca de cabelos lisos, e observa a irmã, no lado esquerdo da imagem, ao mesmo tempo em que segura a sua mãozinha próxima a sua bochecha esquerda. Petra, uma bebê, está deitada, de olhos fechados, abraçada com a irmã, e usa uma chupeta na boca." width="1883" height="1073" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-2.png 1883w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-2-300x171.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-2-768x438.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-2-1024x584.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-2-1200x684.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-13005" class="wp-caption-text">Petra ainda bebê com Elena; combinado com a sonorização e a narração de Petra, o trecho é um dos momentos mais emocionantes do filme (Foto: Busca Vida Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As escolhas arriscadas de roteiro também são características fortes da diretora.</span><span style="font-weight: 400;"> Para <a href="https://www.aicinema.com.br/como-fazer-um-documentario/">os efeitos de sentido</a> buscados em um documentário, estabelecer a narração de <em>Elena</em> como um diálogo com a irmã é incomum e falha algumas vezes. Por se tratar de fatos tão íntimos, o espectador, conhecendo apenas o momento, necessita de uma contextualização um pouco mais abrangente. Contudo, a predominância dessa construção de narrativa é admirável porque revela muitos outros efeitos de sentido, como o de não invadir totalmente a intimidade de Elena.  Em momentos pontuais, Petra deixa de conversar com a irmã e tira de cena a narração escolhida para dar espaço a curtos (e emocionantes) depoimentos de pessoas que conviveram com ela, como um amigo que esteve próximo da atriz no dia de seu suicídio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A reconstrução da figura de Elena é um dos aspectos mais surpreendentes no roteiro e no filme como um todo. A diretora caracteriza a irmã de uma forma tão próxima e profunda que acompanhá-la ao decorrer do filme se torna uma experiência aflitiva, impressionante e dolorosa. Durante os 80 minutos, o espectador convive intimamente com as manifestações suicidas da jovem depressiva, repleta de sonhos e decepções. Assistimos através de lembranças esmaecidas a tristeza tomar conta da atriz cada vez mais, <a href="https://www.paho.org/pt/topicos/depressao">sufocando cada respiro de esperança</a> diante da vida. Acompanhamos com pesar Elena admitindo a falta de amor para consigo mesma, exigindo o máximo de si como atriz mesmo não estando saudável emocionalmente, se levando assim à exaustão</span> física e psicológica.</p>
<figure id="attachment_13006" aria-describedby="caption-attachment-13006" style="width: 1875px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-13006 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-3.png" alt="Cena do filme Elena. A imagem mostra Elena adolescente através de um espelho, quando ela se aprontava para uma apresentação de teatro. A imagem é um close em seu rosto, e ela é uma jovem branca, com os cabelos presos, e está fazendo uma maquiagem preta nos olhos." width="1875" height="1077" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-3.png 1875w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-3-300x172.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-3-768x441.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-3-1024x588.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-3-1200x689.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-13006" class="wp-caption-text">Elena em uma de suas apresentações teatrais, com cerca de 17 anos; quando ela morreu, Petra tinha sete anos (Foto: Busca Vida Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Através de entrevistas com familiares e amigos de Elena, sentimos a dor, o desespero e a preocupação antes, “durante” e depois do <a href="https://www.paho.org/pt/topicos/suicidio">suicídio</a>. Petra possui uma capacidade transcendental de criar identificações entre as narrativas, o espectador e ela mesma. Mesmo retratando eventos tão pessoais, a humanidade escancarada dos fatos capta toda a nossa empatia. Sendo este um de seus objetivos ou não, Petra mostra que nossas angústias, dores, belezas, prazeres, necessidades, urgências e fraquezas na verdade podem ser radicalmente convergentes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando lançado, o filme </span><a href="http://www.elenafilme.com/debates/"><span style="font-weight: 400;">movimentou debates</span></a><span style="font-weight: 400;"> acerca do tabu do suicídio no Brasil inteiro e o mesmo aconteceu quando chegou no catálogo da <em>Netflix</em> no começo de setembro, o mês de prevenção ao suicídio, em 2019. Desde 1990, ano da morte de Elena, o número de suicídios no Brasil teve um aumento de 30%. Hoje, entre os jovens, o suicídio é uma das maiores causas de morte e apresenta um o aumento de 2000%. Falar sobre o assunto livre de tabus </span><a href="https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/09/10/na-contramao-da-tendencia-mundial-taxa-de-suicidio-aumenta-7percent-no-brasil-em-seis-anos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">nunca foi tão necessário</span></a><span style="font-weight: 400;">, e segundo as perspectivas, será cada vez mais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Principalmente quando fora de ambientes privilegiados como o núcleo retratado em <em>Elena</em>, o debate sobre saúde mental precisa ser colocado como uma questão de saúde pública, e por isso, precisamos também enxergar </span><a href="http://www.epsjv.fiocruz.br/noticias/entrevista/o-suicidio-esta-associado-inclusive-a-crise-socioeconomica-que-nosso-pais"><span style="font-weight: 400;">as relações disso com o nosso contexto nacional</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ele é resultado de crises econômicas, altas taxas de desemprego, saúde e educação precarizadas, e as políticas de prevenção ao suicídio perpassam todas essas esferas da sociedade.</span></p>
<figure id="attachment_13007" aria-describedby="caption-attachment-13007" style="width: 564px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-13007 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-4.jpg" alt="Cena do filme Elena. A imagem mostra um registro de um dos diários de Elena, que diz, escrito em tinta preta e letra cursiva sob um papel branco, a seguinte frase: &quot;Se a vida é simples, do que eu tenho medo?&quot;" width="564" height="256" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-4.jpg 564w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-4-300x136.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 564px) 85vw, 564px" /><figcaption id="caption-attachment-13007" class="wp-caption-text">&#8220;Se a vida é simples, do que eu tenho medo?&#8221; (Foto: Busca Vida Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O documentário levanta a importância de estarmos atentos aos </span><a href="https://www.instagram.com/p/B2mmZCIFcTD/"><span style="font-weight: 400;">aspectos não-óbvios do suicídio</span></a><span style="font-weight: 400;"> e de se </span><a href="https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/09/09/setembro-amarelo-como-conversar-com-alguem-que-esta-pensando-em-cometer-suicidio.ghtml"><span style="font-weight: 400;">aprender a lidar</span></a><span style="font-weight: 400;"> com ele e </span><a href="https://eurekka.me/como-ajudar-alguem-com-depressao/"><span style="font-weight: 400;">com a depressão</span></a><span style="font-weight: 400;">. Também é uma obra importante para nos ajudar a debater e esclarecer a linha tênue que difere um retrato sensível da romantização. </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/petra-costa-faz-retrato-afetivo-da-irma-morta-precocemente-em-documentario-8343197"><span style="font-weight: 400;">Como diz a própria cineasta</span></a><span style="font-weight: 400;">, Elena tem uma história que valia a pena contar. Sem intenção de ser uma biografia, uma homenagem ou apontar culpados. Mas sim conhecer e apresentar várias faces da irmã, sua “memória inconsolável”. Petra também faz questão de a destacar como parte do elenco do longa, honrando seu sonho de ser atriz de cinema. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da importância de todo o debate, </span><i><span style="font-weight: 400;">Elena</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostra um movimento belíssimo de criar uma obra de Arte a partir das dores e perdas que nos rasgam o peito, por mais cruéis que elas sejam. Aliás, talvez a Arte seja exatamente isso: a transformação.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">No Brasil, o </span></i><a href="https://www.cvv.org.br/"><i><span style="font-weight: 400;">Centro de Valorização da Vida</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (CVV) promove apoio emocional atendendo gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone (discando 188), e-mail e chat 24 horas todos os dias, além de postos de atendimento presencial.</span></i></p>
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