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	<title>Arquivos Mostra SP &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Em Bugonia, Yorgos Lanthimos explora o limite entre a morte e a criação</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Nov 2025 00:00:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Borges Exibida no Festival de Veneza de 2025, Bugonia, nova produção de Yorgos Lanthimos, faz parte da seção Perspectiva Internacional na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. O longa, que acompanha a história de dois jovens primos obcecados por teorias da conspiração, busca trazer uma sátira um pouco grotesca sobre os pensamentos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/bugonia-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Bugonia, Yorgos Lanthimos explora o limite entre a morte e a criação"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36266" aria-describedby="caption-attachment-36266" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-36266" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-4.png" alt="Imagem de Bugonia, filme de Yorgos Lanthimos. Na foto vemos a personagem Michelle, uma mulher branca com a cabeça raspada, olhando para cima. Na região de cima da imagem escorrem dois líquidos sobrepostos, um na cor vermelha e outro na cor amarela." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-4.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-4-768x432.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36266" class="wp-caption-text">Bugonia pode figurar entre os indicados no Oscar de Melhor Filme (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Borges</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Exibida no Festival de Veneza de 2025, </span><a href="https://rollingstone.com.br/cinema/bugonia-yorgos-lanthimos-emma-stone-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bugonia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, nova produção de Yorgos Lanthimos, faz parte da seção Perspectiva Internacional na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">. O longa, que acompanha a história de dois jovens primos obcecados por teorias da conspiração, busca trazer uma sátira um pouco grotesca sobre os pensamentos políticos da esquerda e da direita.</span></p>
<p><span id="more-36261"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conhecido por mergulhar de cabeça em universos absurdos, repletos de humor ácido, sarcasmo e críticas sociais, o diretor grego traz, dessa vez, uma adaptação um pouco diferente do </span><i><span style="font-weight: 400;">cult</span></i> <a href="https://nanossaestante.com.br/2025/11/as-semelhancas-entre-bugonia-e-salve-o-planeta-verde/"><i><span style="font-weight: 400;">Salve o Planeta Verde</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2003), do coreano Jang Joon-Hwan. O título de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bugonia</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um termo que remete à crença antiga de que abelhas poderiam nascer a partir da decomposição de um boi morto, fazendo jus ao filme ao explorar uma narrativa construída em torno de um ciclo que mistura decadência e vitalidade, morte e criação.</span></p>
<figure id="attachment_36265" aria-describedby="caption-attachment-36265" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36265" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-800x450.png" alt="Cena do filme Bugonia. Na imagem vemos a personagem Michelle, uma mulher branca com o cabelo raspado, olhando para algo em sua frente. Ela veste um casaco vermelho e camiseta de botões azul por baixo. Seu rosto está coberto por um creme branco e sua mão esquerda encontra-se ao lado de sua cabeça. Ao fundo, tudo está preto." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image.png 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36265" class="wp-caption-text">Emma Stone volta a protagonizar mais uma produção de Lanthimos (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;"> Com um brilhante elenco, esta ficção científica conta a história de Teddy (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Uxgj7rdG_YE"><span style="font-weight: 400;">Jesse Plemons</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Don (Aidan Delbis), dois primos que acreditam fielmente na existência de alienígenas e na dominação do nosso planeta. Consequentemente, acreditando que ela seja Andromedana, eles sequestram Michelle – CEO de uma empresa farmacêutica bilionária. Interpretada por Emma Stone, a personagem parece esconder um segredo a cada cena em que aparece, bagunçando ainda mais a cabeça do espectador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar do público estar cansado de ver </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emma-stone/"><span style="font-weight: 400;">Stone</span></a><span style="font-weight: 400;"> em mais uma obra do cineasta, parceria que acontece desde </span><i><span style="font-weight: 400;">A Favorita</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2018), é impossível dizer que a atriz não se entrega cem por cento. A americana, que chegou a </span><a href="https://rollingstone.com.br/cinema/bugonia-yorgos-lanthimos-emma-stone-critica/"><span style="font-weight: 400;">raspar seu cabelo</span></a><span style="font-weight: 400;"> durante as gravações para dar mais credibilidade à produção, consegue tirar o papel de letra em sua atuação, com muito sarcasmo e uma frieza que só ela sustenta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Abordando temas como questões ecológicas e destruição do planeta, o roteiro de Will Tracy (</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-menu-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Menu</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) é capaz de manter o frescor do desconforto clássico do diretor de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-sacrificio-do-cervo-sagrado-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Sacrifício do Cervo Sagrado</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o que influencia no uso de enquadramentos fechados na fotografia – que consegue contrastar perfeitamente o desequilíbrio da trama. A trilha sonora assinada por Jerskin Fendrix ainda é um grande acerto por parte da produção, que chegou a incluir faixas de artistas atuais como </span><i><span style="font-weight: 400;">Good Luck, Baby!</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Chappell Roan.</span></p>
<figure id="attachment_36262" aria-describedby="caption-attachment-36262" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36262" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1-800x420.png" alt=" Cena do filme Bugonia. Na foto vemos Teddy, homem branco de cabelos longos loiros, andando de bicicleta vermelha. O personagem veste uma jaqueta cinza com shorts, tênis e mochila, ambos na cor preta, em sua cabeça usa fones de ouvido headset. Ao fundo é possível ver a rua e o que parece ser uma cidade. " width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1-1024x538.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1-768x403.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1-1536x806.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1-1200x630.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1.png 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36262" class="wp-caption-text">O longa-metragem de Yorgos Lanthimos é um dos melhores de 2025 (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como todo filme de Lanthimos, a obra gera desconforto, não só pelos gritos e explosões, mas também com momentos de silêncio e cenas completamente perturbadoras que envolvem coisas muito bizarras. </span><i><span style="font-weight: 400;">Bugonia</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue elevar o Cinema em um novo patamar visual, com </span><a href="https://cineset.com.br/entrevista-bugonia/"><span style="font-weight: 400;">situações viscerais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e pulsantes, como o universo orgânico que o próprio título evoca.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim das contas, é fácil acreditar que a produção nos mostra como alguém que não é um extraterrestre pode viver e salvar as abelhas, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Bugonia</span></i><span style="font-weight: 400;"> transmite essa mensagem melhor do que o título infantil </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-bee-movie-a-historia-de-uma-abelha/"><i><span style="font-weight: 400;">Bee Movie</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, da </span><i><span style="font-weight: 400;">DreamWorks</span></i><span style="font-weight: 400;">. O longa é sobre ousar e apostar que a humanidade precisa ser melhor, tudo pelo bem do mundo e de todos que habitam nele.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais que muitos não compreendam ou que divida opiniões, a trama é uma das mais </span><a href="https://tangerina.uol.com.br/filmes-series/bugonia-melhor-filme-2025-critica/"><span style="font-weight: 400;">divertidas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Yorgos Lanthimos, principalmente por cumprir seu papel em meio ao Cinema da previsibilidade. Em um cenário saturado de narrativas lineares e heróis ‘perfeitinhos’, o diretor grego continua a insistir no que sabe fazer de melhor: apostar na beleza do estranho e na vida que brota no que já parecia morto.</span></p>
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<p>&nbsp;</p>
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		<title>Boy From Heaven desnuda a política por trás da religião</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Nov 2022 20:22:57 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29173" aria-describedby="caption-attachment-29173" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29173" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29173" class="wp-caption-text">Vencedor do prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Cannes, Boy From Heaven integrou a seção Perspectiva Internacional da 46ª Mostra SP (Foto: Pandora)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há sempre um suspense em torno de tramas políticas. Talvez o mistério seja o formato mais funcional em atrair a atenção do público para o assunto – mais do que serena, a política é sempre mortalmente séria. Ainda assim, é através das eleições que os indivíduos percebem sua importância social; é a manifestação contemporânea que, apesar dos ataques, mais tem resistido às mudanças pós-modernas, mesmo que a maneira e os motivos pelos quais se vote sejam diametralmente outros. Em períodos normais, se vota pelo futuro; em momentos perigosos, se vota para cessar a destruição. Sob essa perspectiva, </span><a href="https://www.screendaily.com/reviews/boy-from-heaven-cannes-review/5170901.article"><span style="font-weight: 400;">Tarik Saleh</span></a><span style="font-weight: 400;">, diretor e roteirista do premiado </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2022/may/20/boy-from-heaven-review-cannes-2022"><i><span style="font-weight: 400;">Boy From Heaven</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, longa que integrou a seção Perspectiva Internacional da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, vislumbra como o mundo está constantemente inventando maneiras de garantir o resultado desejado.</span></p>
<p><span id="more-29172"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Adam Tala (Tawfeek Barhom), filho de um pescador, recebe o priviégio de estudar na Universidade de Al-Azhar do Cairo – instituição anexada à mesquita de mesmo nome –, o epicentro político do islamismo sunita. Pouco após sua chegada na cidade, a maior liderança religiosa da universidade, o </span><a href="https://super.abril.com.br/historia/quais-sao-os-principais-cargos-religiosos-e-politicos-do-mundo-islamico/"><span style="font-weight: 400;">Grande Imã</span></a><span style="font-weight: 400;">, morre repentinamente. Entre as figuras religiosas e a elite egípcia, Tala logo se torna uma peça central em torno dessa morte. Contudo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Boy From Heaven</span></i><span style="font-weight: 400;"> aponta que o processo eleitoral no país sequer finge ser democrático: o candidato escolhido é selecionado por um pequeno Conselho Supremo de Acadêmicos, cujas considerações e motivações do voto jamais serão exteriorizadas para o mundo.</span></p>
<figure id="attachment_29177" aria-describedby="caption-attachment-29177" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29177 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-3-683x1024.jpg" alt="" width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-3-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-3-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-3-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-3-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-3-1365x2048.jpg 1365w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-3-1200x1800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-3-scaled.jpg 1707w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29177" class="wp-caption-text">Boy From Heaven, de Tarik Saleh, foi indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes (Foto: Pandora)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tarik Saleh, que desde de 2017 <a href="https://www.aljazeera.com/news/2022/5/28/boy-from-heaven-cannes-film-festival-tarik-saleh-egypt-al-azhar">não pode entrar no Egito</a> sob risco de ser preso, depois do lançamento de seu penúltimo filme, </span><a href="http://43.mostra.org/br/filme/9392-O-INCIDENTE-NO-NILE-HILTON"><i><span style="font-weight: 400;">O Incidente no Nile Hilton</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – que discute também a corrupção política no país –, dobra a aposta no novo lançamento. Devido a essa restrição pessoal, as gravações do longa precisaram ser feitas em Istambul, na Turquia, e a Universidade de Al-Azhar na verdade é a Mesquita Süleymanye. Ao longo do filme, o diretor amplia sua discussão sobre os desvios governamentais para preencher o cargo religioso mais alto da nação, mostrando os interesses por trás da eleição do candidato escolhido pelo presidente. “</span><i><span style="font-weight: 400;">A terra não pode sustentar dois faraós</span></i><span style="font-weight: 400;">”, diz o general Al Sakran (Mohammad Bakri), ordenando ao coronel Ibrahim (Fares Fares) que torne o seu concorrente pessoal eleito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas o que deixa </span><i><span style="font-weight: 400;">Boy From Heaven</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda mais interessante é que, sob nenhuma perspectiva, Tarik Saleh tenta manchar a fé do </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-noiva-critica/"><span style="font-weight: 400;">Islã</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seu roteiro desenvolto mostra como o perigo reside, sempre, nas apropriações egoístas e delirantes pelo poder, que na prática não obedecem aos ensinamentos dogmáticos. Esse tratamento, por si só, aponta a grande diferença que o mesmo tema vem recebendo de cineastas ocidentais ao longo dos anos. Submissão da Suécia no <em>Oscar</em> 2023, o longa chegou aos cinemas da América do Norte sob o título <em><a href="https://deadline.com/2022/11/samuel-goldwyn-films-acquires-cairo-conspiracy-boy-from-heaven-sweden-oscar-1235161352/">Cairo Conspiracy</a> – </em>talvez numa tentativa de deixá-lo mais comercial. </span></p>
<figure id="attachment_29175" aria-describedby="caption-attachment-29175" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29175" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-2.jpg" alt="" width="2048" height="1152" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-2.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29175" class="wp-caption-text">Com o título original Walad Min Al Janna, o longa chegou à Mostra SP sob seu título em inglês, Boy From Heaven (Foto: Pandora)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na história, Ibrahim tem um infiltrado dentro da universidade há tempos, que é assassinado logo no início, devido a sua falta de discrição e erros consecutivos. Em busca de um novo “anjo”, o coronel cruza com o protagonista Adam – um calouro nos estudos e também na vida adulta, distante da própria casa. Em muitos aspectos, a trama desse personagem se assemelha à narrativa de </span><a href="https://www.newyorker.com/books/page-turner/the-greatest-american-novel-youve-never-heard-of"><i><span style="font-weight: 400;">Stoner</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1965), romance de </span><a href="https://www.newyorker.com/magazine/2019/03/18/john-williams-and-the-canon-that-might-have-been"><span style="font-weight: 400;">John Williams</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre um jovem de família rural aceito na Universidade do Missouri para estudar Ciências Agrárias (após uma aula de Literatura, ele muda seu curso para se dedicar à escrita, de forma silenciosa e escondida, com medo da reação do pai). No longa, Adam é aceito na universidade e seu progenitor, um indivíduo conservador e abusivo – que bate nos três filhos pelo erro de um –, aceita com ressalvas, apenas porque “</span><i><span style="font-weight: 400;">não se pode ir contra as vontades de Alláh</span></i><span style="font-weight: 400;">”. É nesse contexto que Adam Tala se torna o espião perfeito para o coronel Ibrahim: um indivíduo descartável em todos os aspectos, um simples pescador invisível aos olhos do governo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na verdade, </span><i><span style="font-weight: 400;">Boy From Heaven</span></i><span style="font-weight: 400;"> se desenvolve como um </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> político funcional e interligado, com o islamismo e as conveções estadistas do país como pano de fundo. Nesse sentido, lembra </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0303201009.htm"><i><span style="font-weight: 400;">O Profeta</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2009) – vencedor do Grande Prêmio do Júri em Cannes e que concorreu ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme Internacional em 2010 –, sobre o jovem muçulmano Malik El Djebena (Tahar Rahim), que tenta sobreviver em uma prisão francesa. A similaridade entre ambas as produções está no que o longa de 2022 evidencia no seu título: trata-se da construção mítica de um personagem que, oculto, segregado à pobreza e escolhido diante de muitos, é destinado a mudar os rumos de uma nação, como a própria escolha de uma figura divina.</span></p>
<figure id="attachment_29176" aria-describedby="caption-attachment-29176" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29176" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-2.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-2.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29176" class="wp-caption-text">Boy From Heaven, cuja trama é ambientada no Egito, foi filmado na Turquia e Suécia, e teve produção na França, Finlândia e Dinamarca (Foto: Pandora)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo que o suspense em torno da trama seja, em muitos níveis, convencional, o entorno e o tratamento previsto no roteiro – merecidamente premiado – guarda o verdadeiro mérito do filme. Além desse cuidado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Boy From Heaven </span></i><span style="font-weight: 400;">se trata também de uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/aftersun-critica/"><span style="font-weight: 400;">história sobre amadurecimento</span></a><span style="font-weight: 400;">, um </span><i><span style="font-weight: 400;">coming of age</span></i><span style="font-weight: 400;"> repaginado que, diferente do que se convencionou a fazer nas produções do gênero, mostra o protagonista entendendo a vida adulta sob a ótica corrupta e perigosa. Não se trata de melancolia ou de sofrimento, propriamente, mas da percepção de que a vida agora é como está, e sua única alternativa é se tornar mais esperto do que aqueles que pretendem te dominar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso Adam Tale perde, paulatinamente, sua inocência. Mais próximo ao fim, no qual todo o clímax da trama está guardado, após negociar com o cego Sheik Negm (Makram Khoury) – evitando, assim, sua morte –, todos, inclusive o general, olham para Adam como se ele próprio fosse o Grande Imã. Iluminado pela sabedoria, ele retorna ao campo e é questionado sobre o que aprendeu na universidade, sem poder jamais dizer tudo o que fez. Talvez a moral seja essa: não é sobre o que se aprende, mas sobre o que se ensina – essa é a nossa marca no mundo.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="BOY FROM HEAVEN (Trailer)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/JECJOn0DT90?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Objetos de Luz materializa a reflexão dos raios</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Nov 2022 22:47:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto Para a Física, a luz é uma onda eletromagnética com frequência suficiente para ser visível aos olhos humanos. Em Objetos de Luz, ela ganha esse e outros milhões de significados incabíveis em definições exatas e numerológicas. No documentário, dirigido por Acácio de Almeida e Maria Carré, a luz é o ponto que amarra &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/objetos-de-luz-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Objetos de Luz materializa a reflexão dos raios"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29157" aria-describedby="caption-attachment-29157" style="width: 1800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29157 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-1.jpeg" alt="Cena do filme Objetos de Luz. Na imagem, o Homem da Luz colocando a mão em frente a um projetor de imagens. O personagem é um homem branco de barba branca, seu rosto apresenta algumas rugas. Ele veste uma blusa de mangas longas na cor cinza, além de um boné preto e óculos arredondados. O projetor exibe partículas de brilho amarelas e laranjas" width="1800" height="1013" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-1.jpeg 1800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-1-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-1-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-1-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-1-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-1-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29157" class="wp-caption-text">Documentando as luzes cinematográficas, Objetos de Luz fez parte da Competição Novos Diretores da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Bando à Parte)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para a Física, a luz é uma onda eletromagnética com frequência suficiente para ser visível aos olhos humanos. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Objetos de Luz</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela ganha esse e outros milhões de significados incabíveis em definições exatas e numerológicas. No documentário, dirigido por Acácio de Almeida e Maria Carré, a luz é o ponto que amarra o início e o fim. Pertencente à Competição Novos Diretores da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, o filme nos dá a certeza de que a luz nos eterniza.</span></p>
<p><span id="more-29154"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário não poderia ser mais metalinguístico: uma produção cinematográfica construída em meio a pilhas e mais pilhas de bobinas de vídeo. Os retroprojetores indicam a que vieram e se tornam protagonistas de uma narrativa singular. </span><a href="https://46.mostra.org/filmes/objetos-de-luz"><i><span style="font-weight: 400;">Objetos de Luz</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é, entre muitas coisas, um filme sobre memória. Lembranças guardadas uma a uma por lentes que captam imagens além do tempo e as sintetizam em maquinários para o futuro.</span></p>
<figure id="attachment_29156" aria-describedby="caption-attachment-29156" style="width: 1570px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29156 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-2.jpg" alt="Cena do filme Objetos de Luz. Na imagem, uma das pessoas do filme em frente a uma tela de cinema. O personagem é um homem branco com cabelos brancos que apresenta algumas rugas. Ele veste uma camisa cinza de mangas longas. Atrás há uma imagem preta e branca do mesmo homem mais jovem" width="1570" height="883" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-2.jpg 1570w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29156" class="wp-caption-text">Objetos de Luz ou Objectos de Luz – nome original – é uma obra portuguesa, e a estreia de Maria Carré como diretora (Foto: Bando à Parte)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção ganha uma voz, o Homem da Luz. Enquanto a fotografia – também responsabilidade de </span><a href="https://comunidadeculturaearte.com/entrevista-acacio-de-almeida-em-objectos-de-luz-estao-coisas-do-meu-passado-mas-tambem-esta-o-passado-do-filme/"><span style="font-weight: 400;">Acácio de Almeida</span></a><span style="font-weight: 400;"> – desemboca em uma viagem a múltiplos destinos, o narrador expõe reflexões mais plurais ainda. Assim, a história de </span><i><span style="font-weight: 400;">Objetos de Luz</span></i><span style="font-weight: 400;"> se dedica a esclarecer os intimismos da iluminação. São citados os fótons, as estrelas, os reflexos e tudo que há de teórico na função da luz. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, o destaque fica para aquilo que não é teórico, as partes difíceis de mensurar em qualquer conceito pronto. Do dar à luz ao ir para a mesma, a existência humana é atravessada por raios presentes até na formação das imagens a partir da </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-olhos-de-tammy-faye-critica/"><span style="font-weight: 400;">visão</span></a><span style="font-weight: 400;">. Os efeitos que transformam nossas vivências em cenas vívidas transgredindo para todos os aspectos de ser humano. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No </span><a href="https://personaunesp.com.br/cinema-almanac-critica/"><span style="font-weight: 400;">Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">, a luz faz parte do processo da captação da imagem, ilumina os rostos que dão vida aos roteiros e é dimensionada em um objeto que precisa dela para reproduzir o que gravou. Um ciclo capaz de congelar o tempo em imagens incapazes de serem vividas novamente, mas passíveis de serem assistidas infinitas vezes e causar efeitos em todas as histórias que as cruzarem.</span></p>
<figure id="attachment_29158" aria-describedby="caption-attachment-29158" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29158 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-3-.jpg" alt="Descrição de imagem: Cena do filme Objetos de Luz. Na imagem, uma das personagens do filme olhando no espelho. Ela é uma mulher branca mais velha, tem cabelos curtos em castanho escuro. A mulher veste um vestido claro com detalhes transparentes. A sua frente há uma imagem dela mais jovem. No reflexo do espelho aparece a figura da morte em vestes pretas." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-3-.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-3--800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-3--1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-3--768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-3--1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29158" class="wp-caption-text">O filme foi exibido esse ano no Festival de Locarno (Foto: Bando à Parte)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa se dispõe a muitas coisas; com certeza, homenagear o </span><a href="https://www.brasilparalelo.com.br/artigos/por-que-o-cinema-e-a-setima-arte"><span style="font-weight: 400;">Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma delas. Assim, suas montagens imprimem em imagens cinéticas a capacidade brilhante dos enredos memoriais como um dos mais importantes produtos da luz. Sejam interpretadas ou fruto da espontaneidade, tudo que é gravado e abrigado em um filme ganha uma passagem para a vida eterna. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mostrar essa fascinação à luminescência das produções audiovisuais retoma uma questão muito pessoal para Acácio de Almeida, já que sua trajetória na fotografia cinematográfica é de longa data. O português tem um histórico vasto em colaborações com diretores como António da Cunha Telles, Paulo Rocha e Rita Azevedo Gomes, e agora traz sua esposa, a atriz </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/filmes/a-vinganca-de-uma-mulher/"><span style="font-weight: 400;">Maria Carré</span></a><span style="font-weight: 400;">, à espreita desses holofotes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E é essa intimidade que faz </span><i><span style="font-weight: 400;">Objetos de Luz</span></i><span style="font-weight: 400;"> perder a força nos interesses dos telespectadores. A obra é uma ode às contemplações, mas se perde nos subjetivismos de </span><a href="https://novaresearch.unl.pt/en/publications/the-role-of-directors-of-photography-in-cinema-interview-with-aca"><span style="font-weight: 400;">Acácio</span></a><span style="font-weight: 400;">. São precisos poucos minutos para ficar óbvio que o filme é muito mais relevante para ele e seu universo pessoal do que para quem chega de surpresa procurando uma narrativa por passatempo. Dessa forma, nos sentimos de fora, invasores de pensamentos particulares demais.</span></p>
<figure id="attachment_29155" aria-describedby="caption-attachment-29155" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29155 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-4.jpg" alt="Cena do filme Objetos de Luz. Na imagem, pequenas partículas de brilho em tons de vermelho e laranja passam por um buraco escuro." width="1024" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-4.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-4-800x500.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-4-768x480.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29155" class="wp-caption-text">“O que somos então, em relação à luz?” (Foto: Bando à Parte)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem diálogos corridos e uma disposição temporal lógica, a proposta é incitar algum pensamento – talvez até fazer o público enxergar a luz de novas maneiras. Em cerca de uma hora, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-noiva-critica/"><span style="font-weight: 400;">documentário</span></a><span style="font-weight: 400;"> esmiúça cada partícula da iluminação em suas singularidades e infinitudes. Aquilo que vemos e o que não, fundidos em imagens colocadas lado a lado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é como se </span><i><span style="font-weight: 400;">Objetos de Luz</span></i><span style="font-weight: 400;"> fosse um filme apaixonante, mas carrega consigo sinceridade e delicadeza. O retrato é sensível e nos coloca para pensar na luz para além das lâmpadas. Seja no nascer ou no </span><a href="https://personaunesp.com.br/eu-era-um-homem-comum-critica/"><span style="font-weight: 400;">morrer</span></a><span style="font-weight: 400;">, nossas vidas não passam de raios luminosos caminhando de um lado a outro na espera de algo que nos torne imortais.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="OBJECTOS DE LUZ | LOVE LIGHTS - TRAILER" src="https://player.vimeo.com/video/706158024?dnt=1&amp;app_id=122963" width="840" height="473" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write"></iframe></div>
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		<title>Terra e tradição se abrem sob os pés da família de Alcarràs</title>
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					<description><![CDATA[<p>Nathália Mendes “Eu não canto pela voz, [&#8230;] por quem canto é por minha terra, terra firme, casa amada”, dizem os versos cantados por Rogelio (Josep Abad), patriarca dos Solés que protagonizam Alcarràs, longa de Carla Simón exibido na 46ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, na Competição Novos Diretores. A obra, uma coprodução &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/alcarras-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Terra e tradição se abrem sob os pés da família de Alcarràs"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29148" aria-describedby="caption-attachment-29148" style="width: 1960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29148 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4.jpg" alt="Imagem retangular que mostra uma cena do filme Algarràs. Uma família branca está em pé, todos virados de lado, olhando na direção esquerda da imagem. O fundo tem montanhas e plantações verdes." width="1960" height="1103" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4.jpg 1960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29148" class="wp-caption-text">Exibido na Competição Novos Diretores da 46ª Mostra Internacional de São Paulo, o longa não esquece que uma tradicional família agricultora na Europa sempre conta com o trabalho braçal de imigrantes pretos (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><strong>Nathália Mendes</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu não canto pela voz, [&#8230;] por quem canto é por minha terra, terra firme, casa amada</span></i><span style="font-weight: 400;">”, dizem os versos cantados por Rogelio (Josep Abad), patriarca dos Solés que protagonizam </span><i><span style="font-weight: 400;">Alcarràs</span></i><span style="font-weight: 400;">, longa de Carla Simón exibido na 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema de São Paulo, na Competição Novos Diretores. A obra, uma coprodução espanhola e italiana, conta como uma família de agricultores no interior da Catalunha se vê sendo expulsa de sua propriedade após anos cultivando pêssegos naquela terra. E não há nada que se possa fazer. Diante das perdas inevitáveis, Rogelio acompanha em silêncio, assistindo com olhos carregados de tristeza a tradição de gerações se desfazer, bem como sua própria família.</span></p>
<p><span id="more-29147"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem documento formalmente escrito e assinado, o terreno foi “dado” aos Solés há muitos anos, um agradecimento dos Pinyols por terem sido protegidos durante a guerra espanhola. Este é </span><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/cinema/em-cartaz-no-brasil-drama-catalao-alcarras-expoe-o-desafio-das-mudancas/"><span style="font-weight: 400;">o cânone que fundamenta a narrativa</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com o passar do tempo e as mudanças geracionais, o novo primogênito que comanda a família não se contenta mais com plantações de pêssegos, mas quer o dinheiro que a energia gerada por painéis solares pode prover. Agora, o vínculo que um dia tiveram não importa mais. Sem compreender como os simbolismos são tão importantes para si e tão desprezíveis ao outro, o que resta ao avô Solé é tentar guardar os laços que mantém a tradição até o fim da colheita.</span></p>
<figure id="attachment_29149" aria-describedby="caption-attachment-29149" style="width: 1788px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29149 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998.jpeg" alt="Imagem retangular que mostra uma cena do filme Algarràs. Uma família branca está reunida, sentada em uma mesa repleta de comidas. Eles estão virados para a direção da foto. Todos sorriem, se movimentam ou conversam uns com os outros." width="1788" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998.jpeg 1788w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998-800x483.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998-1024x619.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998-768x464.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998-1536x928.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998-1200x725.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29149" class="wp-caption-text">O sentimentalismo de Rogelio mistura decepção e relutância com a transição de gerações, de forma que mal assume o erro que levou os Solé àquela situação (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Alcarràs</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um longa da vida real. Não só por levar o nome da pequena cidade da Catalunha onde a própria família da diretora cultivava pêssegos, mas também pelo seu </span><a href="https://youtu.be/GM5-UtbZrQE?t=166"><span style="font-weight: 400;">elenco de atores amadores</span></a><span style="font-weight: 400;">, residentes daquele mesmo interior espanhol. O protagonismo é horizontal, todos ganham luz por completo, de forma igualitária; esta característica brilhante exemplifica como a vida simplesmente acontece. Além de Josep como o patriarca Solé, conhecemos seu sucessor e único filho homem Quimet (Jordi Pujol), a mulher dele, Dolors (Anna Otín), e seus filhos Roger (Albert Bosch), Mariona (Xènia Roset) e Iris (Ainet Jounou). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Compondo os Solé, ainda, estão as irmãs de Quimet, Glòria (Berta Pipó) e Nati (Montse Oró), com seu marido Cisco (Carles Cabós) e filhos, os gêmeos Pau (Isaac Rovira) e Pere (Joel Rovira). Como uma família tradicional, os membros se relacionam uns com os outros de acordo com suas idades, o machismo geracional e o tradicionalismo aparecem, dando mais palco para os homens do que para as mulheres, mas sem caracterizar tais contrastes como tóxicos ou necessariamente opressores. Aos poucos, </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-reviews/alcarras-berlin-2022-1235094690/"><span style="font-weight: 400;">os conflitos explodem</span></a><span style="font-weight: 400;">, exatamente como deve ser. É quase como se eu estivesse assistindo a minha própria família.</span></p>
<figure id="attachment_29150" aria-describedby="caption-attachment-29150" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29150 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-scaled.jpg" alt="Imagem retangular que mostra uma cena do filme Algarràs. Na imagem um jovem branco está deitado em uma cama, uma criança de cabelos castanhos está deitada em seu peito e tem um braço transpassado por ele. Ambos olham na direção esquerda onde uma jovem está agachada atrás da cama, apenas seu pescoço e cabeça aparecem, olhando de volta para os dois." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29150" class="wp-caption-text">O protagonismo horizontal permite que cada personagem transmita frustração à sua maneira: enquanto Roger toma porre e deixa a plantação encharcar até que os pés das pessegueiras virem pura lama, Íris toca flauta nos ouvidos do pai o dia todo (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É curioso que a narrativa linear de </span><i><span style="font-weight: 400;">Alcarràs </span></i><span style="font-weight: 400;">seja, ao mesmo tempo, um ponto fraco e um ponto positivo. Sua semelhança com a realidade é tamanha que até a </span><a href="https://variety.com/2022/film/reviews/alcarras-review-1235182126/"><span style="font-weight: 400;">progressão de acontecimentos</span></a><span style="font-weight: 400;"> imita a vida: não abrimos os olhos todos os dias aguardando o clímax, a chegada de problemas ou da vitória. Na verdade, vivemos na simplicidade com que os segundos correm. Tal lentidão do cotidiano enfraquece o longa tanto quanto o constrói artisticamente, tecendo as teias de uma família silenciosamente frustrada. A inevitabilidade da desgraça que virá provoca fervor interno em suas personagens, esses que, tendo pouco direito de externalizá-lo, se mantêm quietos, transparecendo a raiva e a decepção em momentos específicos e de formas diferentes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se em </span><a href="https://www.cineset.com.br/verao-1993-longa-sensivel-e-pessoal-e-estreia-digna-do-cinema-espanhol/"><i><span style="font-weight: 400;">Verão 1993</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> Simón estreou na direção narrando sua própria história, agora, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Alcarràs, </span></i><span style="font-weight: 400;">ela transbordou realidade cultural. A iniciativa inteligentíssima de levar pessoas comuns para contar a obra fictícia que escreveu ao lado de Arnau Vilaró, este que também cresceu em uma família agricultora na Espanha, é o que dá brilhantismo à composição. A empreitada trabalhosa e brilhante trouxe a conquista do </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/filme-espanhol-alcarras-ganha-urso-de-ouro-em-berlim/"><span style="font-weight: 400;">Urso de Ouro de Melhor Filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Festival de Berlim de 2022. Mas, para além dos prêmios, a produção faz mais do que é possível medir através de estatuetas: transborda verdade. Assim, ao lado de um elenco com pertencimento, sua ficção é dotada de realismo, um retrato fielmente protagonizado por quem está inserido naquele contexto. </span></p>
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		<title>Cuidado: Aftersun causa enjoo emocional</title>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Trabalhar o conceito da memória na Arte é uma artimanha e tanto. Para evocar o sentimento que viveu há cerca de duas décadas, é atrás das lembranças que vai a cineasta Charlotte Wells na confecção de Aftersun. A trama reflete um episódio experienciado pela irlandesa no fim dos anos noventa: uma viagem de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/aftersun-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Cuidado: Aftersun causa enjoo emocional"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29143" aria-describedby="caption-attachment-29143" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29143 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1.png" alt="Cena do filme Aftersun, mostra pai e filha dançando abraçados. Ao fundo, vemos pessoas desfocadas. " width="1200" height="627" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-800x418.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1024x535.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-768x401.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29143" class="wp-caption-text">Irlandesa radicada em Nova Iorque, Charlotte Wells impressionou Cannes e Toronto antes de trazer Aftersun para vencer a Competição Novos Diretores da 46ª Mostra de SP (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><b>Vitor Evangelista</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Trabalhar o conceito da memória na Arte é uma artimanha e tanto. Para evocar o sentimento que viveu há cerca de duas décadas, é atrás das lembranças que vai a cineasta Charlotte Wells na confecção de </span><i><span style="font-weight: 400;">Aftersun</span></i><span style="font-weight: 400;">. A trama reflete um episódio experienciado pela irlandesa no fim dos anos noventa: </span><a href="https://a24films.com/notes/2022/10/a-note-from-charlotte-wells"><span style="font-weight: 400;">uma viagem de férias à Turquia</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao lado do pai, e seu apreço pela imagem como instrumento de ternura e captura do tempo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A pequena Sophie (Frankie Corio) é a bússola do longa de estreia de Wells, parte da Competição Novos Diretores da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo e </span><a href="https://mulhernocinema.com/noticias/aftersun-de-charlotte-wells-ganha-principal-premio-da-mostra-de-cinema-de-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">eleito o Melhor Filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo Júri com o Troféu Bandeira Paulista. Ao lado do pai Calum (Paul Mescal), ela comemora o aniversário de 11 anos entre o quarto de hotel, a piscina, o oceano e as muitas caminhadas pelo ensolarado país euro-asiático, gravando as aventuras por meio de uma filmadora </span><i><span style="font-weight: 400;">miniDV</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-29140"></span></p>
<figure id="attachment_29142" aria-describedby="caption-attachment-29142" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29142 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-2.jpg" alt="Foto da diretora e de seu pai nas férias que inspiraram o filme. Está de noite e o flash ilumina o rosto deles. A menina sorri com um copo na mão e uma colher na boca e o pai também sorri, segurando um copo." width="1080" height="1350" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-2.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-2-640x800.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-2-819x1024.jpg 819w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-2-768x960.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29142" class="wp-caption-text">Sophie é escrita com a força e a curiosidade de uma criança nada estereotipada ou clichê, e elevada pela performance memorável de Frankie Corio; na foto, Charlotte Wells e seu pai nas férias que inspiraram o filme (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O aspecto </span><i><span style="font-weight: 400;">vintage </span></i><span style="font-weight: 400;">das gravações caseiras é o que aclima </span><i><span style="font-weight: 400;">Aftersun</span></i><span style="font-weight: 400;">, com destaque imediato para o trabalho de mescla que o diretor de fotografia Gregory Oke realiza ao longo dos quase cem minutos. Aliado ao som etéreo de Jovan Ajder e a montagem sentimentalmente carregada de Blair McClendon, o texto e a direção de Wells tomam forma pela </span><a href="https://blockbusteronline.com.br/escrevendo-de-dentro-para-fora-charlotte-wells-em-aftersun-entrevistas/"><span style="font-weight: 400;">veia nostálgica</span></a><span style="font-weight: 400;"> da infância.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No tempo em que virou moda o exercício de transformar em filmes de ‘prestígio’ os  anos formadores da adolescência, tendência refletida no arrojado </span><a href="http://personaunesp.com.br/critica-roma/"><i><span style="font-weight: 400;">Roma</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e no enfadonho </span><a href="https://personaunesp.com.br/belfast-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Belfast</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Charlotte realiza um trabalho de afeto nada gratuito. Para analisar sua guinada artística e o papel que ocupa aos 30 anos e em emergente estado de ebulição criativa, ela revisita as férias na Turquia, um conjunto isolado de eventos banais e corriqueiros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O fator decisivo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Aftersun </span></i><span style="font-weight: 400;">é a </span><a href="https://cinepop.com.br/normal-people-a-arte-de-levar-a-banalidade-a-serio-entrevista-258385/"><span style="font-weight: 400;">contratação de Paul Mescal</span></a><span style="font-weight: 400;"> no protagonismo e as escolhas de atuação que o astro irlandês opta por seguir na pele de Calum. Silencioso, extremamente observativo e calmo, também na casa dos trinta, ele transmite no olhar e na linguagem corporal retraída todo o medo que acumula.</span></p>
<figure id="attachment_29145" aria-describedby="caption-attachment-29145" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29145 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3.jpg" alt="Cena do filme Aftersun, mostra pai e filha numa piscina de lama, se sujando. Eles sorriem um para o outro e está de dia e ensolarado. " width="2560" height="1211" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-800x378.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1024x484.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-768x363.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1536x727.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-2048x969.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1200x568.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29145" class="wp-caption-text">Com produção de Barry Jenkins e Adele Romanski, de Moonlight, <a href="https://personaunesp.com.br/the-underground-railroad-critica/">The Underground Railroad</a> e <a href="http://personaunesp.com.br/never-rarely-sometimes-always-critica/">Never Rarely Sometimes Always</a>, Aftersun tem dedo internacional da BBC e da A24 (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para a filha Sophie, Calum é farol de </span><a href="https://laestatuilla.com/columnas/entrevista-con-charlotte-wells-directora-de-aftersun/"><span style="font-weight: 400;">segurança, austeridade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e companheirismo. Ela, que vive em um mundo constantemente povoado por figuras masculinas, enxerga na ternura e na amizade dele o exato oposto do que sua mãe viu. Presente em linhas rápidas do roteiro de Wells e numa sequência singela gravada no estiloso telefone público cor de tomate, a mãe do filme é ausente de espaço físico, mas presente na aura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando questionado pela garota o motivo de trocar alguns </span><i><span style="font-weight: 400;">“eu te amo” </span></i><span style="font-weight: 400;">com a ex-esposa, Calum justifica que, independente da separação, ela faz parte de sua família. Sentimento conjurado pela afetuosidade que Charlotte Wells dirige Paul Mescal, um profissional recente do mundo cinematográfico, mas que descolou em </span><a href="https://personaunesp.com.br/sally-rooney-pessoas-normais-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Normal People</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> uma vitrine de seus talentos e alcance, e mesmo com pinta de astro comercial, ainda pensa com carinho e cuidado a respeito dos papéis que escolhe dedicar seu tempo e ofício.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As memórias da diretora, que perdeu o pai quando tinha dezesseis anos, não se curam com facilidade, tal qual o gesso molhado que Mescal empunha como armadura. Ele não se preocupa em mergulhar o braço no cloro da piscina ou nem mesmo liga de dar braçadas na água salgada do mar. A restauração da ferida, nebulosa nas explicações quando Sophie pergunta como aconteceu, se dá por meio da </span><a href="https://www.cinemadebuteco.com.br/criticas/aftersun-paul-mescal-entra-para-o-time-dos-grandes-pais-do-cinema-em-filme-pessoal-da-diretora-estreante-charlotte-wells/"><span style="font-weight: 400;">persistência e do esquecimento</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_29141" aria-describedby="caption-attachment-29141" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29141 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-1-e1667501857381.jpg" alt="Cena do filme Aftersun, mostra pai e filha posando para uma foto, sorrindo. Por trás da menina, ele faz “chifrinho” com a mão na cabeça dela." width="1920" height="1036" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-1-e1667501857381.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-1-e1667501857381-800x432.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-1-e1667501857381-1024x553.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-1-e1667501857381-768x414.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-1-e1667501857381-1536x829.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-1-e1667501857381-1200x648.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29141" class="wp-caption-text">Grande lançamento independente do ano, o filme é uma co-produção entre EUA e Reino Unido e recebeu 4 indicações ao <a href="https://www.screendaily.com/news/aftersun-in-contention-for-four-prizes-as-us-gotham-awards-unveils-nominees/5175805.article">Gotham Awards</a>, destacando as performances de Mescal e Corio, e a direção de Wells (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma hora, ele corta a branquidão dura com uma tesoura sem ponta; na outra, o machucado sumiu, por mais que o aspecto cru da pele sem o calor do sol apareça. </span><i><span style="font-weight: 400;">Aftersun </span></i><span style="font-weight: 400;">é assim: como maré branda, começa algo, termina outro, </span><a href="https://www.rottentomatoes.com/m/aftersun"><span style="font-weight: 400;">não se atenta a linearidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> assim como evoca os </span><i><span style="font-weight: 400;">flashes </span></i><span style="font-weight: 400;">temporais nas sequências noturnas de uma espécie de balada. Entre as luzes da boate, Calum e uma Sophie adulta (Celia Rowlson-Hall) se misturam como água e açúcar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assistir a essa experimentação com </span><a href="https://personaunesp.com.br/conversas-entre-amigos-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">20 anos</span></a><span style="font-weight: 400;"> é prova do poder do filme de Wells. Aos 11, Sophie enxerga o pai como uma figura de autoridade e amparo. Aos 31, Calum vê na filha alguém a ser guiada e defendida, com muito a aprender na jornada. No meio termo entre as duas caminhadas da vida, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aftersun </span></i><span style="font-weight: 400;">brinca com as expectativas e com os pontos de vista de um espectador no limiar entre a juventude e a vida adulta em sua complexa integridade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez, por isso, evocar um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9sfYpolGCu8"><span style="font-weight: 400;">enjoo emocional</span></a><span style="font-weight: 400;"> seja a maneira mais compatível para definir o sentimento. É como viajar de carro com os vidros fechados e sentir o estômago embrulhar, mas ao invés do motivo ser um sanduíche de presunto duvidoso, o mal-estar nasce de uma situação não resolvida, um amor esfarelado ou a mera sensação de crescer para além dos moldes em que nos encontramos.</span></p>
<figure id="attachment_29144" aria-describedby="caption-attachment-29144" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29144 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5.png" alt="Cena do filme Aftersun, mostra o pai sozinho em um corredor vazio, segurando uma alça da mochila no ombro e olhando para a câmera." width="2000" height="1125" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5.png 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29144" class="wp-caption-text">“Eu tenho enjoo emocional, alguém abra as janelas, não existem palavras na língua inglesa que eu poderia gritar para te calar”, canta Phoebe Bridgers em Motion Sickness, numa passagem que muito se relaciona com o filme de Wells (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sophie não ressente propriamente o pai, mas entende que o homem que conhece não é Calum </span><a href="https://personaunesp.com.br/ted-lasso-2a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">em sua totalidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas, quando confessa para ele as artes que aprontou no local, desde a troca de primeiros beijos até uma pulseira com créditos infinitos no bar, a garota espera essa troca mútua de confidências. Ou, por mais que a menina do filme não espere, a mulher que dirige essa quase biografia o faz. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Forma de examinar o não tão distante ontem e compreender o muito ascendente hoje, o trabalho de Charlotte Wells em </span><i><span style="font-weight: 400;">Aftersun </span></i><span style="font-weight: 400;">é digno de menção nas proficiências que executa com ilustre e célebre aptidão. Um drama de amadurecimento, uma história sensorial sobre um pai e uma filha em constante processo de conexão e apego, uma aventura europeia com pique de verão e um </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-ghost-story-critica/"><span style="font-weight: 400;">estudo sobre o luto</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o que fazer com todo o amor que não possui mais remetente físico. O que vem depois do sol é tudo isso e um bocado mais, e fica a congratulação de Sophie: que mágico e virtuoso é poder viver tudo isso e, no processo, dividir com nossos queridos o mesmo céu.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="AFTERSUN | Official Trailer | Now Streaming on MUBI" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/vXKcWRu8K_U?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A morte é corporativa em Plano 75</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Nov 2022 21:19:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade Em um Japão não muito distante, na tentativa de lidar com o envelhecimento da sociedade e aliviar o sufocamento econômico promovido pela política neoliberal, é criado um programa que encoraja cidadãos idosos a serem voluntários de eutanásia. A política em torno do projeto é simples: encurtar institucionalmente a vida dessas pessoas, oferecendo uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/plano-75-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A morte é corporativa em Plano 75"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29118" aria-describedby="caption-attachment-29118" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29118 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-1.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29118" class="wp-caption-text">Com uma menção especial do prêmio Camera d&#8217;Or na seção Um Certo Olhar do Festival de Cannes, Plano 75 integrou a Competição Novos Diretores da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Loaded Films)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um Japão não muito distante, na tentativa de lidar com o envelhecimento da sociedade e aliviar o sufocamento econômico promovido pela política neoliberal, é criado um programa que encoraja cidadãos idosos a serem voluntários de eutanásia. A política em torno do projeto é simples: encurtar institucionalmente a vida dessas pessoas, oferecendo uma recompensa de 100 mil ienes pelo sacrifício, que podem ser gastos livremente com o objetivo de fornecer o necessário para um “último desejo”. Esse é o enredo de </span><a href="https://variety.com/2022/film/reviews/plan-75-review-1235403356/"><i><span style="font-weight: 400;">Plano 75</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (<em>Plan 75</em>), a distopia necropolítica dirigida e roteirizada por </span><a href="https://www.festival-cannes.com/en/artist/chie-hayakawa-4"><span style="font-weight: 400;">Chie Hayakawa</span></a><span style="font-weight: 400;">, que integra a Competição Novos Diretores da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-29117"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Submissão do Japão na corrida pelo </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/cinema,oscar-2023-filme-marte-um-vai-representar-o-brasil-na-categoria-melhor-longa-internacional,70004142320"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2023</span></a><span style="font-weight: 400;">, o filme tem poucos diálogos e longos silêncios, nos quais se revela de forma pungente a maneira a qual os mais velhos têm sido esquecidos em governos neoliberais e suas políticas “jovens”. Em uma das cenas, Michi (Chieko Baisho), uma idosa demitida de seu emprego como camareira de hotel, questiona, ao utilizar um computador compartilhado, o porquê ele não está funcionando. Ao chegar para “ajudá-la”, a funcionária mais jovem, com apenas alguns cliques, diz que “</span><i><span style="font-weight: 400;">está tudo funcionando normalmente</span></i><span style="font-weight: 400;">”, e dá as costas. Sem explicações, Michi pergunta-se: “</span><i><span style="font-weight: 400;">o que estava errado</span></i><span style="font-weight: 400;">?”. Nessa cena, Hayakawa sintetiza toda a força por trás da história: vistos como párias e pesos nessa sociedade distópica – que, como toda distopia, guarda muitas similaridades com a realidade –, não há tempo ou interesse para explicar qualquer mudança social. O ritmo é, simplesmente, outro.</span></p>
<figure id="attachment_29119" aria-describedby="caption-attachment-29119" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29119 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-3.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29119" class="wp-caption-text">Produzido no Japão, França, Filipinas e Catar, o longa também foi exibido nos festivais de Toronto e Karlovy Vary (Foto: Loaded Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com respostas sempre hostis aos seus pedidos de ajuda, a personagem entrega-se totalmente à solidão. Sem conseguir encontrar outro emprego, a idosa é seduzida pelo Plano 75, o projeto governamental que recebe pessoas a partir de 75 anos para o </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/09/13/jean-luc-godard-recorreu-ao-suicidio-assistido-diz-jornal.ghtml"><span style="font-weight: 400;">suícidio assistido</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com o “sucesso” do programa, em pouco tempo idosos de 65 anos também começam a ser aceitos. O roteiro permite entender que, uma vez instaurada, a política de mortes é cada vez mais abrangente, visando conquistar toda a sociedade mais pobre, independentemente da idade. O que se torna evidente na trama de Michi é que ela precisa, na verdade, de companhia e amizade, mas o governo oferece ainda mais isolamento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A solidão cortante de </span><i><span style="font-weight: 400;">Plano 75</span></i> <span style="font-weight: 400;">concentra-se nas necropolíticas </span><a href="https://autonomialiteraria.com.br/loja/teoria-politica/realismo-capitalista/"><span style="font-weight: 400;">neoliberais</span></a><span style="font-weight: 400;">, em que a morte e a vida tornam-se, elas próprias, objetos de mercadoria e privatização. Com inscrições apenas presencialmente e via telefone, com atendimento 24 horas por dia, sete dias por semana – já que os idosos encontram dificuldades em inscrições pelo computador –, o projeto revela uma cultura mobilizada em empurrar corporativamente a morte aos indivíduos mais pobres, visto que esse esforço para atender suas solicitações de encerramento da vida não chega nem perto das integrações tecnológicas promovidas pelo Estado.</span></p>
<figure id="attachment_29120" aria-describedby="caption-attachment-29120" style="width: 990px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29120 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Chie-Hayakawa-2.jpeg" alt="" width="990" height="660" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Chie-Hayakawa-2.jpeg 990w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Chie-Hayakawa-2-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Chie-Hayakawa-2-768x512.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29120" class="wp-caption-text">Plano 75 é o primeiro longa-metragem da japonesa Chie Hayakawa (Foto: Julie Sebadelha/AFP)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa necropolítica também foi explorada recentemente em </span><a href="https://www.omelete.com.br/hbo-max/tokyo-vice-segunda-temporada-hbo-max"><i><span style="font-weight: 400;">Tokyo Vice</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2022), série do </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Max </span></i><span style="font-weight: 400;">baseada no livro </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535918472/toquio-proibida"><i><span style="font-weight: 400;">Tóquio Proibida</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2009), do jornalista investigativo Jake Adelstein. O que parece ser uma diferença nas duas obras na verdade aponta para uma realidade incômoda entre elas. Enquanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Tokyo Vice</span></i><span style="font-weight: 400;"> trata da investigação acerca dos suicídios de idosos nas ruas da capital do Japão, e a ligação dessas mortes com a Yakuza (a fim de proteger a família, os idosos se matam para pagar, com o seguro de vida, as dívidas que a máfia construiu com os juros, descobrindo-se posteriormente que, pelo valor pago, o seguro de vida desses idosos sempre foi o foco dos </span><i><span style="font-weight: 400;">gangsters</span></i><span style="font-weight: 400;">)</span><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Plano 75</span></i><span style="font-weight: 400;"> aponta para as políticas públicas que têm o mesmo objetivo da máfia japonesa: exterminar os idosos, cujo movimento compartilha de forma similar obter os mesmos fins econômicos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso grande parte do enredo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Plano 75</span></i><span style="font-weight: 400;"> consiste na representação da frieza dos sistemas corporativistas. Chie Hayakawa evita o sentimentalismo no roteiro, e reflete as personagens como simples </span><a href="https://personaunesp.com.br/jamais-o-fogo-nunca-critica/"><span style="font-weight: 400;">corpos em dominação</span></a><span style="font-weight: 400;">. Há outras duas histórias paralelas às de Michi: a de Hiromi (Hayato Isomura), um funcionário do programa que oficializa os contratos com os idosos e se vê atingido pessoalmente quando seu tio inscreve-se no Plano 75 – alimentando sua autoconsciência de que o abandonou quando chegou à vida adulta –, e Maria (Stefanie Arianne), uma imigrante filipina que trabalha efetivamente no necrotério dos idosos.</span></p>
<figure id="attachment_29121" aria-describedby="caption-attachment-29121" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29121 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-54.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-54.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-54-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-54-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-54-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-54-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-54-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29121" class="wp-caption-text">Embora Plano 75 pareça ser sobre o envelhecimento, na verdade alerta para a importância da comunidade (Foto: Loaded Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, é a relação entre Michi e Yoko (Yuumi Kawai), uma das telefonistas de atendimento ao programa, que estabelece a possível moral do longa de 105 minutos. Preservando um diálogo constante com Yoko, visto que as telefonistas mantém o contato frequente com os interessados até a consolidação das mortes, Michi – sem filhos ou parentes, e que encontra sua única amiga, também idosa, morta na cozinha de casa – sugere que as duas se conheçam pessoalmente. Ela é informada que clientes e funcionários não têm permissão para isso, na tentativa de evitar que se </span><a href="https://personaunesp.com.br/madeira-e-agua-critica/"><span style="font-weight: 400;">apeguem emocionalmente</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou, pior, que os idosos mudem de ideia sobre a eutanásia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da resistência, próximo ao fim do filme, Yoko, que sempre foi uma ouvinte disposta a realmente escutar as infinitas histórias de Michi, se encontra com ela. Michi entrega todo o dinheiro que recebeu, e diz que esse foi seu “</span><i><span style="font-weight: 400;">último desejo</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Os encontros hiper controlados e cronometrados entre a idosa e a representante normalmente impassível do Estado e da própria morte – que, sob o contexto do filme, são a mesma coisa – dão lugar a uma felicidade genuína, embora pouco duradoura. Alertando para a </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/05/triangle-of-sadness-de-ruben-ostlund-vence-a-palma-de-ouro-em-cannes.shtml"><span style="font-weight: 400;">importância da comunidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> – mais do que para as políticas de extermínio dos governos –, </span><i><span style="font-weight: 400;">Plano 75</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostra que, a despeito de Michi desistir da eutanásia ou não, sempre será tarde demais para ela; todas as coisas não ditas entre gerações, agora, foram institucionalizadas.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="‘Plan 75’: first trailer for Japanese Cannes Un Certain Regard title" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/12tjqwfuzDg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Em Triângulo da Tristeza, ricaços escrevem ‘Deus’ com ‘d’ minúsculo e caem em tentação</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Nov 2022 20:02:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Ruben Östlund não se preocupa em soar presunçoso ou em talhar o discurso com o intuito de mastigar a jugular que atinge. O sueco, que levou para casa sua segunda Palma de Ouro meses atrás, chega em Triângulo da Tristeza num patamar de sátira e escárnio para além do já apresentado em seu &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/triangulo-da-tristeza-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Triângulo da Tristeza, ricaços escrevem ‘Deus’ com ‘d’ minúsculo e caem em tentação"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29107" aria-describedby="caption-attachment-29107" style="width: 2015px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29107 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1.jpg" alt="Cena do filme Triângulo da Tristeza, mostra um homem branco, sarado e sem camisa, tirando uma foto com um celular em posição horizontal. Ao fundo, vemos o céu e está de dia. " width="2015" height="842" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1.jpg 2015w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1024x428.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-768x321.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1536x642.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1200x501.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29107" class="wp-caption-text">Depois de vencer Cannes com The Square, Ruben Östlund repete o feito com Triângulo da Tristeza, exibido na Perspectiva Internacional da 46ª Mostra de SP (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><b>Vitor Evangelista</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ruben Östlund não se preocupa em soar presunçoso ou em talhar o discurso com o intuito de mastigar a jugular que atinge. O sueco, que levou para casa sua </span><a href="https://www.dn.pt/lusa/amp/filme-the-square-do-sueco-ruben-ostlund-vence-palma-de-ouro-em-cannes-8514053.html"><span style="font-weight: 400;">segunda Palma de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> meses atrás, chega em </span><i><span style="font-weight: 400;">Triângulo da Tristeza</span></i><span style="font-weight: 400;"> num patamar de sátira e escárnio para além do já apresentado em seu currículo no Cinema. Parte da Perspectiva Internacional da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, seu premiado filme está interessado em caçoar.</span></p>
<p><span id="more-29106"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma porção de jovens adultos sarados aparecem descamisados, sendo entrevistados por um repórter bem-humorado que os cutuca a respeito dos modelos homens receberem um terço do salário de uma mulher na mesma profissão. O protagonista Carl (</span><a href="https://letterboxd.com/actor/harris-dickinson/"><span style="font-weight: 400;">Harris Dickinson</span></a><span style="font-weight: 400;">) tenta contornar a situação, mas logo é chamado para uma sala, onde um grupo de empregadores ordena que ele desfile, sem sorrir ou parar. Uma simples caminhada se transforma em lição de casa: tudo precisa de um ritmo, uma batida. Carl aceita o conselho, refaz a tarefa, e logo é mandado embora. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Próximo</span></i><span style="font-weight: 400;">”, chama a assistente de elenco.</span></p>
<figure id="attachment_29110" aria-describedby="caption-attachment-29110" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29110 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2.jpg" alt="Cena do filme Triângulo da Tristeza, mostra uma modelo desfilando. Ela é branca, tem cabelos escuros, franja e usa um vestido branco. Ela está numa passarela escura, iluminada em luz vermelha." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29110" class="wp-caption-text">Poucos meses depois de estrelar o filme, a atriz Charlbi Dean faleceu de um mal súbito, aos 32 anos (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário muda. Agora somos espectadores de um jantar caríssimo dos modelos e namorados Carl e Yaya (</span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/08/30/charlbi-dean-atriz-da-serie-raio-negro-morre-aos-32-anos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Charlbi Dean</span></a><span style="font-weight: 400;">). Restaurante grã-fino, talheres de prata, champanhe fresco e uma torta de climão sobre quem vai arcar com a conta. Sendo mulher, ela definitivamente tem mais recursos financeiros que ele, entretanto, insiste em se fazer de desentendida e não paga a comida superfaturada que agora repousa em seu estômago. Ele saca o cartão, mas o bate-boca continua até o elevador, onde Carl, como uma assombração, para na linha da porta, não se importando com o apito do sensor de presença e gesticula enfaticamente contra a amada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando encontram um ponto de paz na intriga, os personagens aparecem em outra zona de luxo, dessa vez um iate que navega por águas cristalinas. Momentaneamente eclipsando o foco do casal, o roteiro de Östlund abraça o elenco de apoio, com grande destaque para um russo capitalista, um casal de idosos dono do império de granadas e o capitão do navio. Interpretado com o balaio de </span><a href="https://gshow.globo.com/tudo-mais/pop/noticia/festival-de-cannes-woody-harrelson-ganha-o-trofeu-figuraca.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Woody Harrelson</span></a><span style="font-weight: 400;">, o homem é um bêbado irrepreensível, marxista de coração e desiludido com a vida de luxúria que leva.</span></p>
<figure id="attachment_29114" aria-describedby="caption-attachment-29114" style="width: 3620px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29114 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1.png" alt="Cena dos bastidores do filme Triângulo da Tristeza, mostra o ator Woody Harrelson e o diretor Ruben Ostlund conversando no cenário do restaurante do iate. Ao fundo, vemos as câmeras e aparelhos usando nas filmagens. " width="3620" height="2139" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1.png 3620w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1-800x473.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1-1024x605.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1-768x454.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1-1536x908.png 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29114" class="wp-caption-text">Nada de um local real, o tal Triângulo da Tristeza que batiza o filme é um expressão que diz respeito à área entre as sobrancelhas, geralmente preenchida com botox pelos modelos (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na construção de cenários, o filme encontra com eficiência o meio-termo entre os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TnsWeoZfxlM"><span style="font-weight: 400;">diversos potenciais</span></a><span style="font-weight: 400;"> que um iate proporciona. O </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">de produção, departamento sob o comando de Josefin Åsberg, junto da fotografia de Fredrik Wenzel, brinca com as locações. Uma hora assumindo o caráter claustrofóbico dos corredores entre quartos, para depois se refrescar no deque e em suas cadeiras de sol, viajar para a metalizada e minúscula cozinha e finalmente atracar no refeitório onde </span><i><span style="font-weight: 400;">Triangle of Sadness</span></i><span style="font-weight: 400;"> é catalisador de enjoo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Prato vai, prato vem, a maré não dá trégua e o sistema digestivo dos endinheirados se vira do avesso, </span><a href="https://variety.com/2022/artisans/awards/how-triangle-of-sadness-pulled-off-15-minute-vomiting-diarrhea-sequence-1235412313/"><span style="font-weight: 400;">botando para fora</span></a><span style="font-weight: 400;"> cada gota de vinho branco e colherada de caviar. No limite do humor escatológico, o desenho de som de Andreas Franck e Bent Holm espreme e aperta cada nota e sinfonia de terror, causando gargalhadas em uma plateia de cinema que não parou de comprimir o bucho até as sequências da ilha perdida.</span></p>
<figure id="attachment_29112" aria-describedby="caption-attachment-29112" style="width: 718px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29112 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4.jpg" alt="Pôster do filme Triângulo da Tristeza, mostra uma mulher idosa branca e loira vomitando um líquido dourado. " width="718" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4.jpg 718w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-561x800.jpg 561w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29112" class="wp-caption-text">Co-produção entre Suécia, Alemanha, França e Reino Unido, o filme é dono de um dos melhores e mais marcantes pôsteres de 2022 (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Território metafórico para a selvageria, a praia apresenta a enunciação do diretor em aplicação e traz à tona a figura messiânica de </span><a href="https://awardswatch.com/interview-dolly-de-leon-on-her-triangle-of-sadness-breakout-her-must-have-stranded-island-snack-and-what-she-wants-to-do-next/"><span style="font-weight: 400;">Dolly De Leon</span></a><span style="font-weight: 400;">, membro do elenco que mais recebeu atenção do público depois da vitória do filme em Cannes. Sua Abigail sacode a dinâmica da obra, e por mais que seu reinado de poder nasça com os dias contados, a atriz filipina saboreia cada pedaço de diálogo, criado especialmente para seu calibre, autoconsciente da ironia que a cerca.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, a discussão levantada pelo </span><a href="https://www.publico.pt/2017/11/23/culturaipsilon/entrevista/o-terreno-armadilhado-de-ruben-ostlund-1793184"><span style="font-weight: 400;">roteiro original de Ruben Östlund</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma tese de sua ideia de desigualdade e cisão entre o mundo dos ricos e o mundo real. A briga no restaurante apresenta o conflito de renda e classes, o iate dialoga com a teoria que cerca a discussão e a ilha é a prova viva e prática das equações desenhadas. A escolha de canalizar a energia protagonista em dois </span><i><span style="font-weight: 400;">influencers</span></i><span style="font-weight: 400;">, profissão esvaziada de propósito, condensa </span><i><span style="font-weight: 400;">Triângulo da Tristeza</span></i><span style="font-weight: 400;"> na forma de um filme idealizado para pessoas cultas darem boas risadas e satisfazer sua ambição de mudar a realidade.</span></p>
<figure id="attachment_29113" aria-describedby="caption-attachment-29113" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29113 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5.jpg" alt="Cena do filme Triângulo da Tristeza, mostra a atriz Dolly De Leon arqueada para a frente e segurando algo com as mãos, nas costas e escondida da câmera. Ela tem a maquiagem borrada e os cabelos na frente do rosto, e veste roupas pretas com um colar brilhante no pescoço." width="2000" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29113" class="wp-caption-text">Com a recente atenção da Academia para filmes de Cannes, não seria impossível imaginar um reconhecimento em 2023 nas disputas de Roteiro Original e Atriz Coadjuvante, para Dolly De Leon (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Ruben, a solução é simples: tirar sarro e </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-white-lotus-critica/"><span style="font-weight: 400;">construir seu </span><i><span style="font-weight: 400;">White Lotus</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> à beira-mar, povoá-lo com leitores de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ulysses </span></i><span style="font-weight: 400;">e infectá-lo de moscas zombeteiras, posicionar personagens numa batalha de rimas política e não hesitar em mostrar uma senhora capitalista de idade expelindo fluidos por cima e por baixo. A receita está pronta para divertir audiências, </span><a href="https://observador.pt/2022/05/28/triangle-of-sadness-de-ruben-ostlund-vence-palma-de-ouro-no-festival-de-cannes/#:~:text=%E2%80%9CTriangle%20of%20Sadness%E2%80%9D%2C%20de%20Ruben%20%C3%96stlund%2C%20venceu%20a,pelo%20filme%20%E2%80%9CFor%C3%A7a%20Maior%E2%80%9D."><span style="font-weight: 400;">vencer a Palma de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela segunda vez em 5 anos e sair de cena com a fama de um cineasta de grife.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="TRIANGLE OF SADNESS - Official Trailer - In Theaters October 7" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/VDvfFIZQIuQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Os Irmãos de Leila herdam a miséria</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Nov 2022 21:08:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista  Imagine a família Roy de Succession, mas ao invés de magnatas bilionários, eles são pobretões, sem um tostão furado no bolso e em constante pé de guerra pela mísera das migalhas. Essa é a ambientação do iraniano Os Irmãos de Leila, premiado com o louro da crítica em Cannes e apresentado na 46ª &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-irmaos-de-leila-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os Irmãos de Leila herdam a miséria"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29083" aria-describedby="caption-attachment-29083" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29083" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-2-scaled.jpg" alt="Cena do filme Os Irmãos de Leila, mostra uma mulher olhando para um homem. A mulher tem cabelos pretos e usa roupas escuras e olha de lado para o homem, que está encostado e fora de foco. " width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-2-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-2-1536x1024.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29083" class="wp-caption-text">Protagonista do vencedor do Oscar O Apartamento, Taraneh Alidoosti é figura central de Os Irmãos de Leila, parte da Perspectiva Internacional da 46ª Mostra de SP (Foto: Iris Film)</figcaption></figure>
<p><b>Vitor Evangelista</b><b><i> </i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Imagine a </span><a href="https://personaunesp.com.br/succession-3a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">família Roy de </span><i><span style="font-weight: 400;">Succession</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas ao invés de magnatas bilionários, eles são pobretões, sem um tostão furado no bolso e em constante pé de guerra pela mísera das migalhas. Essa é a ambientação do iraniano </span><a href="https://www.festival-cannes.com/en/festival/films/leilas-brothers"><i><span style="font-weight: 400;">Os Irmãos de Leila</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, premiado com o louro da crítica em Cannes e apresentado na 46ª <a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/">Mostra Internacional</a> de Cinema em São Paulo na seção Perspectiva Internacional. </span></p>
<p><span id="more-29082"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem dá nome ao </span><a href="https://deadline.com/2022/05/leilas-brothers-film-review-cannes-1235032470/"><span style="font-weight: 400;">longa de Saeed Roustaee</span></a><span style="font-weight: 400;"> é Leila (Taraneh Alidoosti), uma mulher de quarenta anos que passou a vida tentando ordenar a casa, a família e a sua própria existência. Com ela, moram os dogmáticos pais, vividos por Nayereh Farahani e Saeed Poursamimi, e seus quatro irmãos. Aos poucos, o prólogo do filme vai desvendando os traços de personalidade de cada um: Alireza (Navid Mohammadzadeh) é o mais desgastado pela dinâmica rotineira e clama por uma saída do buraco, enquanto Manouchehr (Payman Maadi) juntou forças suficientes para escalar o poço e morar num apartamento caindo aos pedaços, mas longe dos idosos.</span></p>
<figure id="attachment_29084" aria-describedby="caption-attachment-29084" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29084" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-1-scaled.jpg" alt="Cena do filme Os Irmãos de Leila, mostra uma festa de casamento e vários homens dançando. No centro da imagem, estão um homem idoso e um homem adulto, os dois usam terno e gravata pretos com camisa branca. O idoso não usa paletó e tem os braços abertos. " width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-1-1536x1024.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29084" class="wp-caption-text">No papel do Pai, o ator Saeed Poursamimi brilha entre momentos de alegria extrema e tensão pulsante (Foto: Iris Film)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O hiperativo Parviz (Farhad Aslani) é pai de várias meninas, e o caçula Farhad (Mohammad Ali Mohammadi) pensa com os músculos e tem mais interesse nas lutas que assiste na TV do que no cotidiano de bicos e trabalhos informais. O circo é armado no hospital, local de nascimento da nova criança de Parviz, e a ida conturbada do avô até o local, para ter certeza de que </span><a href="https://personaunesp.com.br/joyland-critica/"><span style="font-weight: 400;">o bebê é menino</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sim, nasceu um homem e o novo conflito vem na hora do batismo, já que o idoso quer que o filho homenageie um primo recém-falecido, o que obviamente não ocorre. Acontece que o parente já morto desempenhava o papel de patriarca do clã familiar, passível de exímio prestígio na comunidade persa que protagoniza o filme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Intrigas familiares são criadas e, entre uma porção de reviravoltas, </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt19653180/"><i><span style="font-weight: 400;">Leila’s Brothers</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> assenta o pé na guerra. Tem filho que quer seguir o pai, tem filho que quer o oposto e existe, no meio, a figura de Leila, central para que a trama prossiga e seja constantemente amolada. Afinal, por duas horas e quarenta minutos, o roteiro e a direção de Saeed Roustaee fatiam uma leguminosa de dívidas e revelações.</span></p>
<figure id="attachment_29090" aria-describedby="caption-attachment-29090" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29090" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1-scaled.jpg" alt="Cena do filme Os Irmãos de Leila, mostra seis pessoas enfileiradas, sorrindo e olhando para a frente. A imagem mostra uma visão lateral das pessoas, que posam para a foto, lado a lado. " width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1-1536x1024.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29090" class="wp-caption-text">Batalhando pelo sonho de ser o patriarca da família, o idoso se coloca entre as 40 moedas de ouro que podem salvar a família da miséria (Foto: Iris Film)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O que não significa que a rodagem seja excessivamente carregada nas discussões e nos enfrentamentos, já que o filme reconhecido com o prêmio da crítica em Cannes tem um dos textos mais ágeis e bem humorados de 2022. O roteiro de Roustaee brilha nas entrelinhas da multifacetada dinâmica entre os irmãos, respingando acenos de afeto e companheirismo que acompanha o quinteto por toda sua vida. Os mil e um acontecimentos dos Roy do Mundo Invertido são de tirar o fôlego, mas o </span><a href="https://personaunesp.com.br/um-heroi-asghar-farhadi-critica/"><span style="font-weight: 400;">Cinema iraniano</span></a><span style="font-weight: 400;"> já se mostrou mestre no jogo de cintura de abarrotar uma cena sem nunca confundir sua audiência cativa.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Trailer de Leila&#039;s Brothers — Leila et ses frères — برادران لیلا subtitulado en francés (HD)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ML9uQjcda4Q?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Joyland aponta a esperança, mas não consegue alcançá-la</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Oct 2022 23:31:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Sozinhos em um quarto escuro da noite paquistanesa e iluminados apenas pela luz neon em formato de flores e borboletas que beijam seus corpos, Haider (Ali Junejo) e Biba (Alina Khan) não conseguem encostar um no outro. A tensão que os envolve é forte demais para isso. Mas, quando o homem toma coragem &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/joyland-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Joyland aponta a esperança, mas não consegue alcançá-la"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29049" aria-describedby="caption-attachment-29049" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29049" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/1-1-1.jpg" alt="Cena do filme Joyland, mostra uma mulher e um homem em frente a um pôster de papelão com o desenho de outra mulher. Eles estão usando roupas claras e dobram um tecido branco. O papelão mostra uma mulher de vermelho, com as mãos na cintura e olhando para frente." width="1920" height="1078" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/1-1-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/1-1-1-800x449.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/1-1-1-1024x575.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/1-1-1-768x431.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/1-1-1-1536x862.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/1-1-1-1200x674.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29049" class="wp-caption-text">Escolha do Paquistão para a disputa do Oscar 2023, Joyland integra a Competição Novos Diretores da 46ª Mostra de SP (Foto: Khoosat Films)</figcaption></figure>
<p><b>Vitor Evangelista</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sozinhos em um quarto escuro da noite paquistanesa e iluminados apenas pela luz </span><i><span style="font-weight: 400;">neon </span></i><span style="font-weight: 400;">em formato de flores e borboletas que beijam seus corpos, Haider (Ali Junejo) e Biba (Alina Khan) não conseguem encostar um no outro. A tensão que os envolve é forte demais para isso. Mas, quando o homem toma coragem e estica o braço a fim de pegar um copo d’água da mulher, uma </span><a href="https://www.festival-cannes.com/en/festival/films/joyland"><span style="font-weight: 400;">faísca atravessa o ambiente</span></a><span style="font-weight: 400;">, quebrando o vidro e, junto dos cacos, a barreira que existe entre ambos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa é apenas uma pequena porção do que serve </span><i><span style="font-weight: 400;">Joyland</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme presente na Competição Novos Diretores da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo e representante do Paquistão no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2023. Primeira produção do país a integrar a seleção de Cannes, ele foi além das expectativas e venceu dois prêmios em terras francesas: o Grande Prêmio do Júri da seção Um Certo Olhar e a </span><a href="https://www.guiagaysaopaulo.com.br/noticias/cultura/queer-palm-filme-trans-paquistanes-joyland-vence-cannes"><span style="font-weight: 400;">Palma </span><i><span style="font-weight: 400;">Queer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, destinada a obras que articulam temas e personagens LGBQIA+ com maestria. </span></p>
<p><span id="more-29048"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O motivo é a inserção central de </span><a href="https://economictimes.indiatimes.com/magazines/panache/pakistans-trans-themed-film-joyland-bags-cannes-queer-palm-award/articleshow/91848392.cms"><span style="font-weight: 400;">Madame Biba</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma dançarina trans que emprega Haider e, no caminho, invoca sua atenção romântica. Com o triunfo de trabalhar diversidade e representatividade </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">dentro de uma cultura cinematográfica não muito interessada nos assuntos, o exitoso </span><i><span style="font-weight: 400;">Joyland </span></i><span style="font-weight: 400;">é apenas o 12º filme submetido pelo Paquistão ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">. Para começar, o homem faz parte de um clã familiar majoritariamente feminino e o patriarca, um senhor de idade avançada e bons modos inexistentes, clama pelo nascimento de um menino para continuar a linhagem e o sobrenome para futuras gerações. </span></p>
<figure id="attachment_29050" aria-describedby="caption-attachment-29050" style="width: 1818px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29050" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2-1.jpg" alt="Cena do filme Joyland, mostra uma estrada de noite com um homem andando de moto, de costas para a câmera. Ele leva um papelão recortado no formato de uma mulher, usando roupas vermelhas e com a mão na cintura." width="1818" height="1023" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2-1.jpg 1818w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29050" class="wp-caption-text">Recipiente da Palma Queer, o filme recebeu 8 minutos de aplausos no Festival de Cannes (Foto: Khoosat Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Haider é o irmão mais novo de Saleem (Sohail Sameer), que acaba de receber uma nova filhinha nos braços. Sem emprego e sustentado pela esposa Mumtaz (Rasti Farooq), o protagonista aceita a oportunidade de trabalhar num teatro de dança erótica. Para a família, ele mente dizendo que atuará como gerente do local, mas na verdade o cargo é de dançarino da fascinante Madame Biba, uma jovem artista que luta com unhas e dentes para conquistar seu local sob o holofote. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Marcando a estreia de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VfTFXVMf720"><span style="font-weight: 400;">Saim Sadiq</span></a><span style="font-weight: 400;"> no comando de longas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Joyland </span></i><span style="font-weight: 400;">nasce com a premissa de liberar seus personagens para os diversos desejos que inundam seus corações. As faíscas emitidas por Biba e Haider são peixe pequeno perto da labareda que lambe as ruas abarrotadas de gente e poeira. Para além da dupla, o filme vai abrindo as fechaduras e derrubando os cadeados que pesam os braços e ombros dos demais, seja por meio do êxtase do corpo, da alma e até da morte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Afinal, recusar </span><a href="https://personaunesp.com.br/x-ti-west-critica/"><span style="font-weight: 400;">uma vida que não te pertence</span></a><span style="font-weight: 400;"> é motivo suficiente para partir em busca de um novo horizonte. A terra da alegria que dá nome ao filme é visitada em formato de parque de diversões, local onde Mumtaz estuda as possibilidades do amanhã. Observando o luar fluorescente do bairro em que mora, a maquiadora passa a mão por sobre a barriga, onde carrega, com sorte, o menino que dará prosseguimento à linha de sangue que o sogro tanto martela na cabeça de todos com que divide o teto.</span></p>
<figure id="attachment_29051" aria-describedby="caption-attachment-29051" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29051 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3-2.jpg" alt="Cena do filme Joyland, mostra duas mulheres sorrindo e segurando as mãos. Uma delas está deitada numa maca, com roupas verdes, e a outra está sentada ao seu lado, usando roupas vermelhas." width="1920" height="1078" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3-2.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3-2-800x449.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3-2-1024x575.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3-2-768x431.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3-2-1536x862.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3-2-1200x674.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29051" class="wp-caption-text">A terra de prosperidade do filme é lar de escassez e penúria (Foto: Khoosat Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto isso, seu marido está buscando sua própria maneira de limpar a mente dos preceitos e opiniões do pai. Haider, que sempre se enxergou como alguém passivo a tudo que enfrenta (desde o papel de irmão mais novo de alguém “superior”, até viver às custas do salário da esposa em uma cultura que valoriza o homem como provedor), olha para Biba e vê o mar se abrir ao seu comando. Costumeiramente ácida e nem aí para o que os outros pensam, a personagem é interpretada como alguém resiliente e inquebrável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O papel desempenhado por Alina Khan, que tem no currículo o </span><a href="https://letterboxd.com/film/darling-2019/"><span style="font-weight: 400;">protagonismo do curta</span></a><span style="font-weight: 400;"> anterior do diretor, é uma cebola de vulnerabilidade e autocontrole. Uma mulher trans vivendo em uma sociedade que, além de condenar sua existência, duvida de quem ela é, Madame Biba foi colocada na ação de ativa pelo mundo que a moldou, comandando seus dançarinos, o gerente do teatro e o coração de Haider, enamorado pela liberdade que ela depreende. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tamanha é a paixão dele pela ideia de emancipação e auto suficiência que, na chegada dos finalmentes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Joyland</span></i><span style="font-weight: 400;">, o diretor e roteirista </span><a href="https://letterboxd.com/director/saim-sadiq/"><span style="font-weight: 400;">Saim Sadiq</span></a><span style="font-weight: 400;"> abdica da figura de Madame Biba e, como o mundo em que vive, torna ela invisível, e liquidifica as ascensões sensoriais que ela e Haider lutaram para viver em harmonia. As liberdades do protagonista, colocadas em cheque a respeito do seu papel como homem, como comandante da família e como futuro pai, iluminam o centro do palco, sem espaço para que Biba, dona dos temas mais significativos da trama e regente do espetáculo, dance sem medo de quem assiste.  </span></p>
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		<title>Delírio e desobediência em Das Tripas Coração</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Oct 2022 20:56:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[46 Mostra]]></category>
		<category><![CDATA[46ª Mostra]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Juliana Boaventura As transformações físicas, descobertas sexuais e emoções intensas que fazem parte da transição da infância para a adolescência povoam e intrigam o imaginário popular. Muitos artistas buscam examinar isso em suas obras, partindo de suas experiências íntimas. Em Das Tripas Coração (1982) &#8211; em inglês, Heart and Guts &#8211;, a cineasta Ana Carolina &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/das-tripas-coracao-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Delírio e desobediência em Das Tripas Coração"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29033" aria-describedby="caption-attachment-29033" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29033" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem1.jpg" alt="Cena do filme Das Tripas Coração (1982), em frente ao prédio da escola, na foto estão algumas alunas, vestidas de saia e camisa escolar, entre outros personagens, aglomerados, sem olhar para a câmera. Na direita da imagem, Guido (Antônio Fagundes) segura a professora de química do colégio enquanto ela vomita, abaixada, vestindo uma saia xadrez e camisa branca" width="512" height="267" /><figcaption id="caption-attachment-29033" class="wp-caption-text">Das Tripas Coração foi exibido na seção Apresentação Especial da 46ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo juntamente com outras produções da cineasta Ana Carolina, vencedora do Prêmio Humanidade (Foto: Crystal Cinematográfica)</figcaption></figure>
<p><b>Juliana Boaventura</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As transformações físicas, descobertas sexuais e emoções intensas que fazem parte da transição da infância para a adolescência povoam e intrigam o imaginário popular. Muitos artistas buscam examinar isso em suas obras, partindo de suas experiências íntimas. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Das Tripas Coração </span></i><span style="font-weight: 400;">(1982) &#8211; em inglês, </span><i><span style="font-weight: 400;">Heart and Guts &#8211;</span></i><span style="font-weight: 400;">, a cineasta Ana Carolina constrói um microcosmo que expõe aspectos dessa transição de forma cômica e teatral, valendo-se de uma narrativa onírica não-linear, declamações inflamadas e murmúrios fora de cena. Uma inclinação à rebeldia e à desobediência permeia o longa-metragem, que desenrola-se dentro de um colégio feminino, austero, religioso e falido. O filme compõem a seção Apresentação Especial na programação da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-29032"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A diretora e roteirista iniciou sua produção cinematográfica com um documentário sobre </span><i><span style="font-weight: 400;">Getúlio Vargas</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1974). Em seguida, ela concebe </span><i><span style="font-weight: 400;">Mar de Rosas</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1977) e mais dois longas que abordam a condição feminina, </span><i><span style="font-weight: 400;">Das Tripas Coração</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1982) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Sonho de Valsa</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1987); compondo uma trilogia. Seu trabalho mais recente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Paixões Recorrentes</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2022), também foi exibido na Apresentação Especial  da 46ª Mostra. Ao longo de sua carreira, ela tem exposto acerca da dificuldade em financiar e executar seus projetos, como em uma entrevista ao </span><a href="https://youtu.be/lphpUOvuH3I"><i><span style="font-weight: 400;">Roda Viva</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 1994. Ela menciona também a necessidade de renovação do aparato de produção cinematográfico brasileiro e suas perspectivas e ideias para o cinema nacional, colocando-o como um meio de mudança social.</span></p>
<figure id="attachment_29034" aria-describedby="caption-attachment-29034" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29034 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem2-800x604.jpeg" alt="Fotografia que retrata a cineasta Ana Carolina, olhando para o lado, ela segura a gola de um casaco cinza com as duas mãos, de punhos cerrados. No fundo está o pôster do filme Mar de Rosas, no qual há uma ilustração de uma menina com as mãos na cintura, usando um vestido com a tipografia do título do filme. Trata-se de uma das personagens principais do longa, Betinha (Cristina Pereira), e em seu nariz há o que parece ser um prendedor de roupas vermelho" width="800" height="604" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem2-800x604.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem2-1024x773.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem2-768x580.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem2-1536x1160.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem2-1200x906.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem2.jpeg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29034" class="wp-caption-text">Ana Carolina em frente ao pôster de Mar de Rosas, estrelado por Norma Bengell e Cristina Pereira como mãe e filha (Foto: Tasso Marcelo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Das Tripas Coração</span></i><span style="font-weight: 400;">, há um uso provocativo de superposição das vozes dos atores, os sons se misturam espacialmente conforme a câmera se move. Isso evoca uma rejeição à ordem, como durante a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=90QrscVHL0k"><span style="font-weight: 400;">aula</span></a><span style="font-weight: 400;"> do professor Guido (Antônio Fagundes), em que os murmúrios das alunas vão de provocações a questionamentos sobre o estado civil do professor. A confusão de vozes agrega à comicidade dos diálogos e ao aspecto surreal do filme, um recurso que a diretora reconhece causar estranhamento no público. Em </span><a href="http://memoria.bn.br/docreader/DocReader.aspx?bib=154083_04&amp;pagfis=1114"><span style="font-weight: 400;">entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> à Tribuna da Imprensa em 1980, afirma: “</span><i><span style="font-weight: 400;">o delírio, as coisas que a gente pensa e não diz, aquelas de que a gente ri e outros não, isto é o que vale no meu cinema. Interesso-me pelo não-dito, pelo mal-dito, que tem mais graça, é mais possível e mais interessante</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O colégio em que a trama se passa é como um espaço fechado que encapsula os fenômenos da sociedade, conflitos geracionais, de classe social e a sexualidade em todas as fases da vida. Alguns diálogos entre as faxineiras, as inspetoras, o professor e as diretoras da escola, Miriam (Xuxa Lopes) e Renata (Dina Sfat), reforçam a ideia de que as alunas adolescentes representam uma força da natureza, incontroláveis. Há um </span><a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra67312/das-tripas-coracao"><span style="font-weight: 400;">espírito de rebelião</span></a><span style="font-weight: 400;">, de desobediência à ordem vigente, que atinge seu ponto máximo quando uma das alunas (Maria Padilha) urina em meio à uma missa, sendo punida em seguida.</span></p>
<figure id="attachment_29035" aria-describedby="caption-attachment-29035" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29035 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem3-800x544.jpeg" alt="Cena do filme Das Tripas Coração em que Renata abraça Guido. Ela usa um vestido cinza de mangas compridas, tem o cabelo cacheado na altura dos ombros e olha para além da câmera, assim como Guido, que usa uma blusa cinza, tem cabelos pretos e barba cheia" width="800" height="544" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem3-800x544.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem3-1024x696.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem3-768x522.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem3-1536x1044.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem3-1200x816.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem3.jpeg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29035" class="wp-caption-text">As diretoras do colégio Renata e Miriam vivem um triângulo amoroso com Guido (Foto: Crystal Cinematográfica)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio ao ritmo acelerado dos acontecimentos, o desejo sexual dos personagens é a força motriz dos conflitos. Tanto revelações íntimas das personagens quanto declamações poéticas e reflexões filosóficas evocam o inconsciente, as classes sociais e as estruturas políticas. Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=90QrscVHL0k"><i><span style="font-weight: 400;">Das Tripas Coração</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Ana Carolina explora o estranhamento, e a maneira como a narrativa acontece acrescenta ao aspecto delirante e cômico da narrativa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O segundo filme da trilogia sobre a condição feminina, </span><a href="https://www.prppg.ufpr.br/siga/visitante/trabalhoConclusaoWS?idpessoal=79015&amp;idprograma=40001016001P0&amp;anobase=2021&amp;idtc=1703"><span style="font-weight: 400;">segundo ela</span></a><span style="font-weight: 400;">, traz uma tentativa de explorar o sexo e a culpa, a visão masculina do desejo feminino. Em um discurso que explora tanto a insubmissão e a desobediência características da transição da infância para a adolescência quanto diversas contradições ao longo das gerações, a produção acaba por abarcar (quase) toda a vida.</span></p>
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