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	<title>Arquivos Mostra Cinema é Direito &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Circuito Cineclube Sesc &#8211; Infiltrado na Klan e as veias abertas da América racista</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Apr 2023 15:47:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Em 2017, quando aconteceu a passeata de Charlottesville, Infiltrado na Klan provavelmente estava finalizando seu processo de pesquisa e escrita ou começando suas filmagens. Talvez Spike Lee não esperasse que sua história, apesar de latente na sociedade contemporânea, se manteria tão atual. Muito além de apenas tocar na ferida do racismo, a obra &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/infiltrado-na-klan-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Circuito Cineclube Sesc &#8211; Infiltrado na Klan e as veias abertas da América racista"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30631" aria-describedby="caption-attachment-30631" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-30631 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-1.jpg" alt="Cena de Infiltrado na Klan. Nela vemos os personagens Ron, um homem negro de cabelo black power e barba cheia e Patrice, uma mulher negra de cabelo black power. Ron veste uma camisa vermelha e um relógio na mão direita. Patrice veste uma espécie de poncho, com algumas pedrarias em seus dois punhos. Os dois apontam uma arma para a câmera. Eles estão em um corredor de apartamentos e a fotografia está granulada." width="1200" height="503" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-1-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-1-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-1-768x322.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30631" class="wp-caption-text">A exibição do longa no Sesc Bauru encerrou a Mostra “Cinema é Direito”, e contou com a participação do Prof. Dr. Juarez Xavier, referência no ativismo antirracista, no debate após a apresentação do filme (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2017, quando aconteceu a </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-40913908"><span style="font-weight: 400;">passeata de Charlottesville</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Infiltrado na Klan</span></i><span style="font-weight: 400;"> provavelmente estava finalizando seu processo de pesquisa e escrita ou começando suas filmagens. Talvez Spike Lee não esperasse que sua história, apesar de latente na sociedade contemporânea, se manteria tão atual. Muito além de apenas tocar na ferida do racismo, a obra também assumiu o papel de estancar um sangramento que, em sua esmagadora maioria, continua derramando sangue negro. De acordo com a mensagem que antecede o logo do filme, “</span><i><span style="font-weight: 400;">essa parada é baseada em merdas reais pra caralho</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa, que no seu aniversário de cinco anos encerrou a Mostra </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-cinema-e-direito/"><i><span style="font-weight: 400;">Cinema é Direito</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><a href="https://www.instagram.com/p/CpN2Cb7uTur/"><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> no Sesc Bauru</span></a><span style="font-weight: 400;">, conta a história de </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/historia-ron-stallworth-o-policial-negro-se-que-infiltrou-na-ku-klux-klan.phtml"><span style="font-weight: 400;">Ron Stallworth</span></a><span style="font-weight: 400;"> (John David Washington), um policial negro da extremamente branca cidade de Colorado Springs. No local, em um momento de ebulição social americana, ele descobre uma célula da Ku Klux Klan ativa na cidade e decide se infiltrar na organização, dividindo sua identidade com o detetive branco ‘Flip’ Zimmerman (Adam Driver). Mas é no teor dessa mesma mensagem que está escondida a intenção de </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/spike-lee"><span style="font-weight: 400;">Spike Lee</span></a><span style="font-weight: 400;"> de, na verdade, trazer um meio termo entre fato e ficção para transmitir a ótica do diretor para o público. Tal aspecto transforma </span><i><span style="font-weight: 400;">Infiltrado na Klan</span></i><span style="font-weight: 400;"> em uma das obras mais conscientes e contundentes da extensa carreira do cineasta.</span></p>
<p><span id="more-30628"></span></p>
<figure id="attachment_30632" aria-describedby="caption-attachment-30632" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-30632 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-2.jpg" alt="Cena de Infiltrado na Klan. Nela vemos um discurso feito em uma associação de estudantes negros. Nela temos o personagem Stokely Carmichael, um homem negro de cabelo curto. Ele veste um terno preto uma camisa branca e um óculos preto. Ao seu lado direito, está Patrice, uma mulher negra de cabelo black power. Ela veste uma jaqueta de couro preta, um vestido preto e um óculos. Ao lado dos dois, há mais duas pessoas negras, mas somente uma é visível: um homem que veste uma jaqueta verde e uma camiseta preta. No palco, há um púlpito com os dizeres “POWER” e ao fundo, um cartaz escrito “COLORADO COLLEGE BLACK STUDENT UNION”. Todos estão com o punho erguido." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-2-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30632" class="wp-caption-text">“Todo o poder para todas as pessoas” (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra, ao mesmo tempo que retoma as raízes do idealizador, que levou referências do Cinema </span><a href="https://darkside.blog.br/o-que-e-blaxploitation-veja-5-exemplos-de-filmes-do-genero/"><i><span style="font-weight: 400;">blaxploitation</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">para Hollywood com </span><a href="https://ultraverso.com.br/garimpo-faca-a-coisa-certa/"><i><span style="font-weight: 400;">Faça a Coisa Certa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1989), revitaliza o diretor. A ideia é de Jordan Peele, que um ano antes despontava como o novo e excelente nome do Cinema negro, mas que, diante de uma absurda história real, repleta de meandros factíveis com a atualidade, só via um nome capaz de traduzir essa crítica para as telas: Spike Lee.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Stallworth, de fato, existiu, assim como o execrável </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-45874344"><span style="font-weight: 400;">simpatizante de certos políticos</span></a><span style="font-weight: 400;"> brasileiros, David Duke. ‘Flip’ Zimmerman, detetive parceiro de Ron nas telas, na verdade é Chuck. Não se tem noção se ele realmente era judeu, mas nessa história fazia total sentido atribuir ao personagem cético de Adam Driver à parcela étnico-religiosa que também era odiada pelo grupo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história também tem um choque de datas: Ron só se infiltrou na organização seis anos após se tornar policial, em 1978, diferente de </span><i><span style="font-weight: 400;">Infiltrado na Klan </span></i><span style="font-weight: 400;">(<em>BlacKkKlansman</em>, no original)</span><span style="font-weight: 400;">, em que toda a narrativa se passa em 1972. Porém, era essencial atribuir um período que tanto a Ku Klux Klan como o Movimento Negro Americano estavam marginalizados, para, assim, traçar um paralelo de origem e suas ressonâncias atualmente. Por tais aspectos, a obra é uma pérola de adaptação, que não a toa rendeu o </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=oscar"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de Melhor Roteiro Adaptado, sendo também um respiro de esperança na lamentável edição da premiação em 2019, que premiou o &#8211; antirracista até a página dois &#8211; </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2019/02/por-que-green-book-e-criticado-por-ativistas-e-familiares-de-don-shirley.html"><i><span style="font-weight: 400;">Green Book</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> como Melhor Filme.</span></p>
<figure id="attachment_30629" aria-describedby="caption-attachment-30629" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-30629 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-3.jpg" alt="Cena de Infiltrado na Klan. Nela vemos Ron Stallworth, interpretado por John David Washington, um homem negro,d e cabelo black power e barba cheia. Ele veste uma jaqueta marrom em couro e uma camisa listrada branca. Ao seu fundo,há uma parede de madeira e um mapas cidade de Colorado Springs" width="1400" height="787" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-3.jpg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30629" class="wp-caption-text">O longa venceu o Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 2018 (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Parece que a sensação que </span><i><span style="font-weight: 400;">Infiltrado na Klan</span></i><span style="font-weight: 400;"> quer provocar é aquela de quando rimos de algo questionável e o riso, a princípio de alegria, se transforma em nervosismo. Ele começa flertando com a comédia sarcástica e termina na crítica, justamente para evidenciar que esses formatos de ódio, assim como as fantasias brancas e pontudas, são tão repugnantes que passam por períodos em disfarces. Quando os indivíduos ali sentirem-se seguros, se exibem sem pudor. E com o cineasta tendo mesclado esses dois gêneros durante toda sua filmografia, nesse longa, mais uma vez ele se sente em casa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A genialidade tanto do diretor como do roteiro, encabeçado por Lee e acompanhado de Kevin Willmott, David Rabinowitz e Charlie Wachtel, são traduzidos em tela através de uma montagem espetacular, guiadas por </span><a href="https://www.instagram.com/barryalexanderbrown/"><span style="font-weight: 400;">Barry Alexander Brown</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela abusa do </span><i><span style="font-weight: 400;">blaxploitation</span></i><span style="font-weight: 400;"> para dar vida à ideia das mentes criadoras e desenvolver um ritmo delicioso de se acompanhar, intercalando passagens mais calmas com o desenvolvimento dos personagens, de cortes rápidos e cheios de invencionismos como telas divididas ou inserção de pôsteres. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esses aspectos nos presenteiam com cenas lindas, como a da Associação de Estudantes Negro do Colorado, na qual o discurso sobre a beleza negra é sobreposto com </span><i><span style="font-weight: 400;">closes</span></i><span style="font-weight: 400;"> da plateia atenta acompanhando. Mas a passagem que resume o primor da montagem é o momento em que Jerome, interpretado por Harry Belafonte (</span><a href="https://personaunesp.com.br/destacamento-blood-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Destacamento Blood</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) conta a história do </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-51657141"><span style="font-weight: 400;">Linchamento de Waco</span></a><span style="font-weight: 400;">, em 1916. Nesse momento, a cena é divida com a Ku Klux Klan se preparando para assistir uma sessão de </span><a href="https://incinerrante.com/textos/o-nascimento-de-uma-nacao-estetica-ideologia-mascaras/"><i><span style="font-weight: 400;">O Nascimento de uma Nação</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, filme de 1915 (um ano antes da tragédia) que é uma das bases simbólicas da KKK e do movimento supremacista americano.</span></p>
<figure id="attachment_30633" aria-describedby="caption-attachment-30633" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30633 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-4.jpg" alt="Cena de Infiltrado na Klan. Nela vemos, da esquerda para a direita, David Duke, um homem branco de cabelos e bigode castanho claro e olhos azuis. Ele veste um terno marrom, um colete preto, uma camisa branca e uma gravata listrada em preto. Ele segura uma taça de espumante. Ron Stallworth, um homem branco de cabelo black power e barba cheia está abraçado em Duke. Ele veste uma camisa jeans e uma camiseta preta. Ao seu lado há um homem branco de cabelos castanhos. Ele veste um suéter preto e uma camisa marrom. Os três posam para uma foto, de forma que os dois brancos estão visivelmente incomodados pelo abraço do homem negro." width="1280" height="536" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-4.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-4-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-4-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-4-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-4-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30633" class="wp-caption-text">A cena em que o verdadeiro Ron Stallworth é designado para fazer a segurança de David Duke realmente aconteceu (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Todo o primor do longa por trás das câmeras consegue ser replicado à frente delas. O grande nome que carregava o longa era do próprio Spike Lee, porém o elenco entrou afiadíssimo no projeto. John David Washington (</span><a href="https://personaunesp.com.br/tenet-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tenet</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Malcolm &amp; Marie</span></i><span style="font-weight: 400;">), filho de Denzel Washington, emula perfeitamente o deslocamento de uma figura que não é bem-vinda em seus espaços, seja a polícia da época (uma espécie de Klan) ou a Ku Klux Klan. Já Adam Driver, que ganhava relevância com a nova trilogia de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-despertar-da-forca-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, faz de </span><i><span style="font-weight: 400;">Infiltrado na Klan</span></i><span style="font-weight: 400;"> mais um na sua sequência de escolhas acertadas. Ele é um retrato preciso da branquitude que, por muito tempo, escanteou o problema da propagação de ódio por acreditar não ser afetada, e sutilmente demonstra um ódio genuíno por fazer parte daquele grupo e perceber sua negligência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do lado da organização nefasta, Topher Grace (</span><i><span style="font-weight: 400;">That ‘70s Show</span></i><span style="font-weight: 400;">) impressiona pela semelhança com David Duke, desde sua postura assustadoramente serena e até mesmo pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6Yx3c0i5Fyk&amp;ab_channel=APArchive"><span style="font-weight: 400;">voz</span></a><span style="font-weight: 400;"> do supremacista ter timbres de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=65p80XAMxhw&amp;ab_channel=That%2770sShow"><span style="font-weight: 400;">Eric Forman</span></a><span style="font-weight: 400;">. Jasper Pääkkönen (</span><a href="https://personaunesp.com.br/vikings-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Vikings</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Ryan Eggold (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hjw_QTKr2rc&amp;ab_channel=FocusFeatures"><i><span style="font-weight: 400;">Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) também são extremamente convincentes e cada um atribui uma persona típica desse tipo de grupo: o primeiro, um lunático imprevisível, enquanto o segundo, uma figura “boa pinta” que pontualmente destila ódio.</span></p>
<figure id="attachment_30630" aria-describedby="caption-attachment-30630" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30630 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-5.jpg" alt="Cena de Infiltrado na Klan. Nela vemos uma reunião da Ku Kux Klan. Há um certo número de homens sentados com a fantasia do grupo: uma túnica branca e um chapéu branco pontudo. Todos estão sentados e seguram uma vela. No meio deles. de costas para a câmera, há seu líder, com a roupa branca, sem o chapéu e com uma túnica azul nas costas. Há também uma espécie de altar, com velas e cálices dourados." width="1440" height="596" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-5.jpg 1440w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-5-800x331.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-5-1024x424.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-5-768x318.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-5-1200x497.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30630" class="wp-caption-text">No Brasil, grupos neonazistas e simpatizantes da Ku Klux Klan tiveram um crescimento de <a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2022/01/16/grupos-neonazistas-crescem-270percent-no-brasil-em-3-anos-estudiosos-temem-que-presenca-online-transborde-para-ataques-violentos.ghtml">270%</a> nos últimos anos (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse museu de grandes novidades, </span><i><span style="font-weight: 400;">Infiltrado na Klan</span></i><span style="font-weight: 400;"> constata que, mais uma vez, o futuro está repetindo o passado, sem deixar de explicitar que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VYOjWnS4cMY&amp;ab_channel=ChildishGambinoVEVO"><span style="font-weight: 400;">essa é a América</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma nação arrebatadora que expropria de qualquer minoria para estabelecer seu conceito de supremacia, nos sentidos mais asquerosos da palavra. Por isso Spike Lee, conhecido pelo Cinema crítico, inverte os papéis, e mesmo assim consegue abordar as dores do povo negro. Mas aqui, a queima de cruzes troca lugar com uma reflexão que cauteriza à força uma ferida que insistimos em deixar aberta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra renova os estudos de </span><a href="https://www.palmares.gov.br/?p=49121"><span style="font-weight: 400;">W. E. B. Du Bois</span></a><span style="font-weight: 400;">, primeiro negro a se tornar PhD em Harvard. Du Bois, através de seu livro </span><i><span style="font-weight: 400;">As Almas da Gente Negra </span></i><span style="font-weight: 400;">(1903), discutiu a dificuldade existencial das minorias, desenvolvendo o conceito de “dupla consciência”, ou a necessidade de entender como tais grupos se enxergam e como o mundo os enxerga; o longa tem êxito ao tratar essa dualidade. Além disso, </span><i><span style="font-weight: 400;">Infiltrado na Klan </span></i><span style="font-weight: 400;">é um grito de ‘não’ e ‘basta’: NÃO podemos aceitar essa formas de ódio, e BASTA de racismo. Mais do que isso, o filme é um lembrete de que somente não ser racista, não basta.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Infiltrado Na Klan - Trailer 1 (Universal Pictures) HD" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/bbOJwWSEUmo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/infiltrado-na-klan-critica/">Circuito Cineclube Sesc &#8211; Infiltrado na Klan e as veias abertas da América racista</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Circuito Cineclubes Sesc &#8211; Onde está Ana?</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Mar 2023 19:57:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Clara Sganzerla Viajamos, todos os dias, do passado ao futuro. Seja por meio de memórias, lembranças, fatos históricos ou até mesmo dentro de nossos planejamentos; desaparecemos em uma inércia pendular difícil de desvencilhar &#8211; nunca vivemos propriamente no presente. No entanto, a atriz brasileira Stella Rabello consegue parar por alguns momentos em algumas dessas duas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ana-sem-titulo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Circuito Cineclubes Sesc &#8211; Onde está Ana?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30593" aria-describedby="caption-attachment-30593" style="width: 2160px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30593 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1.png" alt="Cena do filme Ana. Sem Título. Na imagem, há seis fotografias de uma mulher negra. As fotos trabalham de forma documental, registrando as mudanças físicas da personagem em uma organização linear - três fotografias em cima e mais três fotografias em baixo. As mudanças físicas são principalmente no cabelo: na primeira imagem, ele permanece preso em um coque alto, e acompanhamos sua transformação até o penteado em estilo afro" width="2160" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1.png 2160w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-800x400.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-1024x512.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-768x384.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-1536x768.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-2048x1024.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-1200x600.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30593" class="wp-caption-text">Em Ana. Sem título, exibido na Mostra “Cinema é Direito” no Sesc Bauru, entramos em uma jornada sobre governos totalitários, o feminismo nos anos 70 e 80 e sobre a Arte como forma de denúncia (Foto: Imovision/Taiga Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Clara Sganzerla</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Viajamos, todos os dias, do passado ao futuro. Seja por meio de memórias, lembranças, fatos históricos ou até mesmo dentro de nossos planejamentos; desaparecemos em uma inércia pendular difícil de desvencilhar &#8211; nunca vivemos propriamente no presente. No entanto, a atriz brasileira Stella Rabello consegue parar por alguns momentos em algumas dessas duas realidades para ir em uma jornada que ultrapassa as </span><a href="https://personaunesp.com.br/argentina-1985-critica/"><span style="font-weight: 400;">fronteiras</span></a><span style="font-weight: 400;"> de nosso país, esbarrando em uma história sangrenta que, infelizmente, também nos pertence. Em </span><a href="http://taigafilmes.com/ana/"><i><span style="font-weight: 400;">Ana. Sem Título</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2020), longa que integrou a Mostra </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-cinema-e-direito/"><i><span style="font-weight: 400;">Cinema é Direito</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> no Sesc Bauru, a cineasta Lúcia Murat nos transporta para o passado latino-americano marcado pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/meu-tio-jose-critica/"><span style="font-weight: 400;">ditadura militar</span></a><span style="font-weight: 400;">, atrás, apenas, de uma resposta: onde está Ana? </span></p>
<p><span id="more-30590"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Definida como livre, talentosa, bonita e até mesmo perigosa, o grande mistério acerca da artista brasileira é o que nos envolve na trama. Através de uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-curtas-do-oscar-2023/"><span style="font-weight: 400;">metalinguagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> muito bem feita, a sensação do telespectador é similar a estar fisicamente presente com a equipe de filmagem, apurando as poucas pistas que Ana nos deixou, na tentativa de montar um quebra-cabeça em que faltam muitas peças. Durante essa viagem, temos o prazer de conhecer a beleza de Cuba, México, Argentina e </span><a href="https://personaunesp.com.br/la-francisca-uma-juventude-chilena-critica/"><span style="font-weight: 400;">Chile</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelos olhos do diretor de fotografia </span><span style="font-weight: 400;">Léo Bittencourt, e ouvir até mesmo o som dos passarinhos através do trabalho da técnica de som Andressa Clain Neves.</span></p>
<figure id="attachment_30591" aria-describedby="caption-attachment-30591" style="width: 1313px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30591 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2.jpg" alt="Cena do filme Ana. Sem Título. Na imagem temos, à esquerda, a atriz brasileira Stella Rabello. Ela tem cabelos loiros um pouco acima do busto, usa uma jaqueta na cor cinza e uma blusa vermelha. Do lado direito, temos a cineasta Lúcia Murat. Ela tem cabelos grisalhos e curtos e usa uma blusa de manga longa azul. O cenário da foto é em uma arquibancada à luz do dia. Ambas estão com expressões concentradas, com olhares atentos ao horizonte." width="1313" height="758" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2.jpg 1313w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-800x462.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-1024x591.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-768x443.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-1200x693.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30591" class="wp-caption-text">Lúcia e Stella buscam respostas em nossos vizinhos latinos através de um road-movie (Foto: Imovision/Taiga Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirado na exposição </span><a href="https://pinacoteca.org.br/programacao/exposicoes/mulheres-radicais-arte-latino-americana-1960-1985/"><i><span style="font-weight: 400;">Mulheres Radicais: Arte Latino-Americana</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, realizada na Pinacoteca de São Paulo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ana. Sem Título </span></i><span style="font-weight: 400;">é um mergulho em muitas questões, como o racismo, a opressão e o feminismo como forma revolucionária, mas destaca-se na maneira de retratar as cicatrizes ainda abertas que as </span><a href="https://www.politize.com.br/operacao-condor/"><span style="font-weight: 400;">ditaduras militares latinas</span></a><span style="font-weight: 400;"> deixaram. O olhar de </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/entrevistas/ana-sem-titulo-se-nao-fosse-a-existencia-dos-movimentos-feminista-e-negro-esse-filme-nao-existiria-diz-lucia-murat/"><span style="font-weight: 400;">Lúcia Murat</span></a><span style="font-weight: 400;">, nesse contexto, é mais do que simbólico, principalmente pela sua trágica experiência como ex-presa política durante o regime militar brasileiro. O longa é, acima de tudo, um lembrete da importância de não nos esquecermos sobre um passado ainda tão recente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E Ana? Criada para ser uma representação da mulher latino-americana artista das </span><a href="https://conversacomelas.com/2021/03/02/movimentos-feministas-na-decada-de-70-e-80-no-brasil/"><span style="font-weight: 400;">décadas de 1970 e 1980</span></a><span style="font-weight: 400;">, através do roteiro da escritora Tatiana Salem Levy e da própria Murat, com atuação de Roberta Estrela D&#8217;Alva, a beleza da personagem mora exatamente no fato de que ela não é real. A narrativa criada em cima de seu desaparecimento, as cartas trocadas com outras artistas, a busca da equipe em solos estrangeiros para o documentário e todas as conversas sobre resistência, irmandade, liberdade e direitos, deixam a sensação de que Ana, mesmo com provas contrárias, existiu. O longa a eleva como uma entidade, aproveita-se do interesse natural do ser humano ao desconhecido para captar nossa atenção e nos enriquece com trocas reais sobre uma cultura tão complexa, rica e triste.</span></p>
<figure id="attachment_30592" aria-describedby="caption-attachment-30592" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30592 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3.png" alt="Cena do filme Ana. Sem Título. Na fotografia, há uma mulher negra, de cabelo crespo. Ela usa uma blusa de gola alta. A mulher sorri e olha para o horizonte à sua esquerda. A foto tem tons sépia." width="600" height="315" /><figcaption id="caption-attachment-30592" class="wp-caption-text">Ana é algo maior que o plano físico e transforma-se na representação de milhares de mulheres do nosso passado (Foto: Imovision/Taiga Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Através de filmagens em câmeras analógicas, fotografias em preto e branco e relatos em espanhol, conhecemos por meio de Ana a história de milhares de mulheres que gostariam de ter sido ouvidas mas que, infelizmente, já caíram no esquecimento. </span><i><span style="font-weight: 400;">Ana. Sem Título</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um resgate da importância de ouvir as gerações passadas, de valorizar nossa história, de apreciar a </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-mulheres-da-semana-de-22-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Arte nacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> e de não nos esquecermos de, às vezes, olhar para trás.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Ana. Sem Título - Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/IRtjlcD_0qI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Circuito Cineclubes Sesc – Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos ecoa sua voz na espiritualidade</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Mar 2023 18:11:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  Por muito tempo, o Cinema retratou os povos indígenas moldados por óticas brancas, completamente envoltas de estigmas e equívocos. Essas imagens se fixaram no imaginário popular e, muitas vezes, a descrição que temos dos nativos é animalizada, preconceituosa e intolerante. Fugindo desse movimento, os diretores Renné Messora e João Salaviza trouxeram às telas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/chuva-e-cantoria-na-aldeia-dos-mortos-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Circuito Cineclubes Sesc – Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos ecoa sua voz na espiritualidade"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30528" aria-describedby="caption-attachment-30528" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30528 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1..jpg" alt="Cena do filme Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos. Na imagem está o protagonista, Inhac Krahô. Ele é um homem indígena de cabelos pretos lisos na altura dos ombros. Ao fundo há uma cachoeira. A imagem é azulada e se passa a noite." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1..jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1.-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1.-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1.-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1.-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1.-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30528" class="wp-caption-text">Apresentado no Festival de Cannes em 2018 e vencedor do Prêmio Especial do Júri, Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos dá protagonismo ao povo Krahô (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por muito tempo, o </span><a href="https://tribunadepetropolis.com.br/noticias/a-figura-do-indigena-no-cinema-de-objeto-a-sujeito-das-telas/"><span style="font-weight: 400;">Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;"> retratou os povos indígenas moldados por óticas brancas, completamente envoltas de estigmas e equívocos. Essas imagens se fixaram no imaginário popular e, muitas vezes, a descrição que temos dos nativos é animalizada, preconceituosa e intolerante. Fugindo desse movimento, os diretores Renné Messora e João Salaviza trouxeram às telas </span><i><span style="font-weight: 400;">Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos </span></i><span style="font-weight: 400;">(2018). O filme, gravado na Aldeia da Pedra Branca em Tocantins, é um registro contemplativo e profundo dos Krahô e sua grandeza espiritual, e integrou a Mostra </span><a href="https://www.sescsp.org.br/circuito-cineclubes-na-tela-do-sesc-bauru/"><i><span style="font-weight: 400;">Cinema é Direito</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><span style="font-weight: 400;">Sesc Bauru</span><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span id="more-30526"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na produção, somos guiados por Inhãc </span><a href="https://g1.globo.com/to/tocantins/noticia/2015/09/povo-kraho-mantem-grande-parte-da-cultura-preservada-no-tocantins.html"><span style="font-weight: 400;">Krahô</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Henrique Inhãc Krahô), que acaba de perder o pai e enfrenta um dilema sobre despedida e futuro. Vitimado pelo próprio sentir, ele acaba saindo da linha definida pela obrigação e passando por uma jornada em busca da cura. Como filho mais velho, é seu dever realizar a festa de fim de luto do patriarca e permitir que a alma se encaminhe para a Aldeia dos Mortos; no entanto, os sentimentos do jovem contrariam os caminhos da própria ancestralidade e dos costumes tradicionais.</span></p>
<figure id="attachment_30529" aria-describedby="caption-attachment-30529" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30529 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2..jpg" alt="Cena do filme Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos. Na imagem está Inhac Krahô. Ele é um homem indígena de cabelos pretos lisos na altura dos ombros e está vestindo uma camiseta bege. O personagem está na caçamba de um carro e ao fundo há uma estrada de terra e árvores." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2..jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2.-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2.-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2.-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2.-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30529" class="wp-caption-text">Messora faz trabalhos de registro na Aldeia da Pedra Branca desde 2009, e Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos é seu primeiro trabalho de direção (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de ter um roteiro – também escrito pelos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iveKAVD2xpA"><span style="font-weight: 400;">diretores</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, o que torna </span><i><span style="font-weight: 400;">Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos </span></i><span style="font-weight: 400;">especial é a forma como a narrativa mistura o mundo ficcional e documental. Enquanto somos levados pela jornada do protagonista, também acompanhamos o ritmo natural da vida na Aldeia da Pedra Branca. As cenas carregam consigo uma autonomia gerada pela própria existência das pessoas naquele espaço. As plantações, casas, ritos e brincadeiras são honestas e em nenhum momento parecem invadidas pela filmagem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse ponto tem muito a ver com a forma escolhida por Renné no </span><a href="https://www.esquinadacultura.com.br/post/diretores-falam-sobre-desafios-de-chuva-e-cantoria-na-aldeia-dos-mortos"><span style="font-weight: 400;">processo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinegrafia. Captadas por uma só câmera ao longo de nove meses, as imagens não são apressadas e carregam um ar de observação. O formato nos coloca em um papel literal de telespectadores; não nos é e nem deve ser permitido interferir no que acontece na aldeia. Assim, a natureza e o envolvimento espiritual dos indivíduos com aquele universo são retratados com respeito e fidelidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Natureza essa que poderia muito bem ser classificada como uma personagem. Entre pássaros e vegetação, a fauna e a flora representam grande parte dos componentes da produção. A cultura de </span><a href="https://akatu.org.br/povos-indigenas-muito-mais-que-guardioes-das-florestas/"><span style="font-weight: 400;">plantação familiar</span></a><span style="font-weight: 400;"> e outras questões do gênero se mostram essenciais, mesmo que os diálogos não se pautem nisso. Em um aspecto geral, a conversação quase sempre é secundária e deixa o primordial para o imagético.</span></p>
<figure id="attachment_30530" aria-describedby="caption-attachment-30530" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30530 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3..jpg" alt="Cena do filme Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos. Na imagem estão Kôtô e Tepto. Ela é uma mulher indígena de cabelos lisos pretos longos. Ele é uma criança indígena de cabelos pretos lisos na altura dos ombros. Os dois estão na caçamba de um caminhão. Ao fundo há uma estrada de terra e árvores." width="1024" height="613" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3..jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3.-800x479.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3.-768x460.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30530" class="wp-caption-text">Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos ganhou força no cenário internacional com o nome de The Dead and The Others (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Inhãc, a morte também representa um novo início. Com o devido adeus, ele deve se tornar Pajé. O título não o agrada e essa insatisfação gera sintomas físicos, a ponto de serem sentidos como uma doença. Em sua percepção, é possível fugir disso, mesmo com essas dores indo muito além do plano físico. Nessa movimentação, acontece a mudança de cenário da </span><a href="https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/4172"><span style="font-weight: 400;">aldeia</span></a><span style="font-weight: 400;"> para a cidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No mundo urbano, o racismo da população e a indiferença do Estado em relação aos indígenas ficam escancarados. A busca por ajuda não é levada a sério e o despreparo dos </span><a href="https://terrasindigenas.org.br/pt-br/noticia/212610"><span style="font-weight: 400;">profissionais</span></a><span style="font-weight: 400;"> para receber um Krahô causam um incômodo ímpar. Os </span><i><span style="font-weight: 400;">frames</span></i><span style="font-weight: 400;"> ganham um tom muito diferente do que tinham até então, dando lugar a uma violência velada. Ainda assim, os autores do desprezo não ganham destaque e seus rostos nunca aparecem com clareza, como se a branquitude fosse apagada pela própria hostilidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da tentativa, a fuga é falha e o </span><a href="https://personaunesp.com.br/japanese-breakfast-jubilee-critica/"><span style="font-weight: 400;">luto</span></a><span style="font-weight: 400;"> vence a corrida contra Inhãc, que retorna para casa. A cantoria, esperada por todo o longa-metragem, se concretiza e olhar não pode mais se direcionar ao passado. Ao não conseguir deixar o apego pelo pai em páginas anteriores, o jovem não tem escolha a não ser se encaminhar para a Aldeia dos Mortos. O destino se mostra implacável e escapar das forças guias não é uma escolha.</span></p>
<figure id="attachment_30527" aria-describedby="caption-attachment-30527" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30527 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4..jpg" alt="Cena do filme Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos. Na imagem estão Inhac, Kôtô e Tepto. Os três estão deitados no chão, Inhac é o único acordado e encara o céu. A imagem é escura e se passa à noite." width="1920" height="1151" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4..jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4.-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4.-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4.-768x460.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4.-1536x921.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4.-1200x719.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30527" class="wp-caption-text">O elenco de Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos é formado por indígenas Krahô e o filme é uma coprodução luso brasileira (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme trata de muitos assuntos, partindo do universo da espiritualidade e chegando até a influência branca na vivência indígena. Entre a dor da perda e os </span><a href="https://terrasindigenas.org.br/pt-br/noticia/6521"><span style="font-weight: 400;">fantasmas</span></a><span style="font-weight: 400;"> deixados pela colonização, os que da terra são pioneiros performam a pluralidade em suas muitas significações. Talvez a produção não agrade todos os públicos, mas é inegavelmente um tesouro do Audiovisual. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um mundo onde a importância da </span><a href="https://cimi.org.br/terras-indigenas/demarcacao/"><span style="font-weight: 400;">demarcação</span></a><span style="font-weight: 400;"> territorial é negada e os povos nativos são despersonalizados, </span><i><span style="font-weight: 400;">Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos</span></i><span style="font-weight: 400;"> retoma uma resistência que nunca perdeu força e tem suas raízes firmadas em espaços além dos carnais. Sob os pingos de chuva, a cantoria nunca pôde ser silenciada.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos | Trailer Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/WeZp8_BX0Jk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Circuito Cineclubes Sesc &#8211; Desamparados, os mais fracos fazem a própria lei no Brasil de Pixote</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Mar 2023 19:34:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathan Nunes Em 25 de Agosto de 1987, morreu Pixote. Fernando Ramos da Silva tinha 19 anos, era casado e pai de uma filha pequena quando foi morto por policiais militares, após ter supostamente assaltado uma empresa em Piraporinha, na região de São Bernardo do Campo. A família viveu para contestar a versão dos agentes, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pixote-a-lei-do-mais-fraco-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Circuito Cineclubes Sesc &#8211; Desamparados, os mais fracos fazem a própria lei no Brasil de Pixote"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30110" aria-describedby="caption-attachment-30110" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30110 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1.jpg" alt="" width="1920" height="1038" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30110" class="wp-caption-text">O longa figurou em 12º na lista dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos, feita pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema, a Abraccine, e abriu a Mostra “Cinema é Direito” no Sesc Bauru (Foto: Embrafilme)</figcaption></figure>
<p><b>Nathan Nunes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 25 de Agosto de 1987, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=t5NCOuSEJSU"><span style="font-weight: 400;">morreu</span></a><span style="font-weight: 400;"> Pixote. Fernando Ramos da Silva tinha 19 anos, era casado e pai de uma filha pequena quando foi morto por policiais militares, após ter supostamente assaltado uma empresa em Piraporinha, na região de São Bernardo do Campo. A família viveu para contestar a versão dos agentes, que foram apenas demitidos, mas nunca condenados. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Anos antes, em 26 de Setembro de 1980, Fernando estava alcançando fama e reconhecimento pelo seu desempenho no papel que dá título a </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixote, a Lei do Mais fraco, </span></i><span style="font-weight: 400;">de Hector Babenco (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BdLvrNz9tUk"><i><span style="font-weight: 400;">Carandiru</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, 2003). O longa, que abriu a </span><a href="https://www.sescsp.org.br/circuito-cineclubes-na-tela-do-sesc-bauru/"><span style="font-weight: 400;">Mostra </span><i><span style="font-weight: 400;">Cinema é Direito</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> em parceria com o Sesc Bauru na quinta-feira, dia 2 de Março, não poderia ter se misturado à realidade de forma mais trágica, pois o que aconteceu com o intérprete de seu protagonista pouco se difere do descaso do Estado com a vulnerabilidade social denunciada pelos realizadores. </span></p>
<p><span id="more-30106"></span></p>
<figure id="attachment_30108" aria-describedby="caption-attachment-30108" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30108 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2.jpg" alt="" width="1920" height="1038" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30108" class="wp-caption-text">Para Fernando Ramos da Silva, a vida imitou a Arte da pior forma possível (Foto: Embrafilme)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde os minutos iniciais da rodagem, Pixote está imerso na difícil realidade das crianças moradoras das ruas de São Paulo, presas por transgressão juvenil e enviadas para se reajustar a sociedade em um reformatório nos moldes da antiga FEBEM. Logo em sua primeira noite no local, ele presencia o estupro de um de seus colegas de quarto. Quando o frio inspetor Sapatos Brancos (Jardel Filho, de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hkITr_eK9Vc"><i><span style="font-weight: 400;">Terra em Transe</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, 1967) lhe pergunta se viu alguma coisa do ocorrido, o menino se cala, ciente das escolhas que deve tomar para sobreviver em um ambiente tão hostil.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Babenco, juntamente com o roteirista Jorge Durán (</span><i><span style="font-weight: 400;">Não Se Pode Viver Sem Amor</span></i><span style="font-weight: 400;">, 2011</span><i><span style="font-weight: 400;">)</span></i><span style="font-weight: 400;">, posiciona Pixote inicialmente sozinho, mas logo o coloca para dividir cena com outros detentos, como Fumaça (Zenildo Oliveira Santos) e Lilica (Jorge Julião). Ecos do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=g0uClqmKU28&amp;t=1s"><span style="font-weight: 400;">neorrealismo italiano</span></a><span style="font-weight: 400;"> podem ser sentidos na captura da realidade nua e crua dessas pessoas, com a câmera sempre muito próxima e a iluminação sombria da fotografia de Rodolfo Sanchez, que também trabalhou com Babenco em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Beijo da Mulher-Aranha </span></i><span style="font-weight: 400;">(1985).  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, há espaço para pontas de poesia e ternura que também eclodem vez ou outra. Notoriamente, temos um belíssimo momento em que Pixote olha para uma figura de Nossa Senhora Aparecida, iluminada por luzes em neon. Poderia a santa lhe tirar dessa situação tão cruel? Poderia ela ser a mãe da qual o garoto sente tanta falta? Poderia ela dar esperança de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YkJU6BoGgWk"><span style="font-weight: 400;">uma vida melhor</span></a><span style="font-weight: 400;">?</span></p>
<figure id="attachment_30112" aria-describedby="caption-attachment-30112" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30112 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3.jpg" alt="" width="1920" height="1038" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30112" class="wp-caption-text">Uma confusão quanto a tradução da palavra em inglês “preview” desclassificou Pixote da corrida pelo Oscar 1982 de Melhor Filme Estrangeiro, segundo pesquisa do crítico de Cinema e historiador Waldemar Dalenogare Neto (Foto: Embrafilme)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais adiante, Pixote, Lilica e seus companheiros Chico (Edilson Lino) e Dito (Gilberto Moura) fogem da instituição, e o filme foge junto. A narrativa se distancia da dureza desse Cinema quase documental e busca ares de maior e surpreendente alinhamento com o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uJucZ-NxpN8"><i><span style="font-weight: 400;">coming-of-age</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, isto é, o amadurecimento infanto-juvenil. Babenco e Duran entendem que, antes de serem estigmatizados como criminosos pelo Estado, todas essas pessoas são crianças e adolescentes, sujeitos dignamente ao turbilhão de emoções dessa fase da vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para reforçar esse ponto, o longa explora muito o desenvolvimento da sexualidade desses jovens, seja em sua forma mais bruta ou sutil. No primeiro sentido, destacam-se as suas próprias reações em exposição ao sexo, como na cena em que assistem um filme erótico na casa do traficante Cristal (Tony Tornado, de </span><i><span style="font-weight: 400;">Carcereiros</span></i><span style="font-weight: 400;">, 2017). Já no segundo, chama atenção o relacionamento complexo entre </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2RimPQUhVUk"><span style="font-weight: 400;">Lilica e Dito</span></a><span style="font-weight: 400;">, no qual o segundo está quase sempre confuso quanto à própria condição, uma vez que o fato da primeira ser uma mulher trans evidentemente o faz questionar suas compreensões de masculinidade.</span></p>
<figure id="attachment_30107" aria-describedby="caption-attachment-30107" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30107 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4.jpg" alt="" width="1920" height="1038" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30107" class="wp-caption-text">Recentemente, o longa foi restaurado pela organização World Cinema Project, fundada por ninguém menos que Martin Scorsese (Foto: Embrafilme)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Lilica, em especial, é uma personagem que se destaca profundamente. Diante do aniversário de 18 anos que marca a sua emancipação e os perigos de sobreviver nas ruas do país mais transfóbico do mundo, ela se pergunta, em um determinado </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OZ-8CPA91dI"><span style="font-weight: 400;">momento</span></a><span style="font-weight: 400;">: </span><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">O que pode uma bicha esperar do mundo?</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span><span style="font-weight: 400;">. A cena acontece em um estado de pausa do filme, que troca a sujeira e a criminalidade da noite pelo pôr-do-sol ensolarado da praia do Arpoador, no Rio de Janeiro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que a sucede é um daqueles milagres da cinematografia nacional, pois, durante as gravações, Julião estava escalado para cantar </span><i><span style="font-weight: 400;">Debaixo dos caracóis de seus cabelos</span></i><span style="font-weight: 400;">, música escrita por Caetano Veloso para Roberto Carlos. Ele sentiu que a canção não encaixava na cena e optou por cantar </span><i><span style="font-weight: 400;">Força estranha</span></i><span style="font-weight: 400;">, também de Veloso. Logo, o ator foi surpreendido com um abraço de Fernando, que permaneceu no corte final. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Ficou tão bonito, tão terno</span></i><span style="font-weight: 400;">”, lembrou o ator, em entrevista à reportagem do </span><a href="https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2020/09/27/pixote-um-filme-que-nao-acaba-ha-40-anos-longa-de-babenco-segue-atual.htm"><span style="font-weight: 400;"><em>TAB UOL</em></span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30111" aria-describedby="caption-attachment-30111" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30111 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5.jpg" alt="" width="1920" height="1038" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30111" class="wp-caption-text">Anos antes de Fernanda Montenegro e Central do Brasil, Marília Pêra quase adentrou a corrida pelo Oscar de Melhor Atriz em 1982, com reconhecimento em importantes prêmios da crítica americana (Foto: Embrafilme)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O terço final apresenta ao público a prostituta Sueli, interpretada por Marília Pêra (</span><i><span style="font-weight: 400;">Dias Melhores Virão</span></i><span style="font-weight: 400;">, 1989), em performance tão impactante que lhe rendeu prêmios </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TeSVIOiDocU&amp;t=22s"><span style="font-weight: 400;">internacionais</span></a><span style="font-weight: 400;">, como o estadunidense </span><i><span style="font-weight: 400;">National Society of Film Critics Awards </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">NSFC</span></i><span style="font-weight: 400;">), em 1982. Logo em sua primeira cena, a atriz prova os motivos de tanto reconhecimento, ao contracenar com Pixote dentro de um banheiro onde, horas antes, realizou um procedimento de aborto. A desilusão de seu olhar, o peso em sua cabeça e o cansaço de seu corpo são sentidos na rejeição que ela pratica de imediato com o garoto, apenas para lhe pedir desculpas depois e, posteriormente, construir laços com ele e seus amigos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Pixote, estar próximo de Sueli equivale a estar o mais perto possível em sua vida de uma figura materna, por mais estranha que essa relação possa parecer. Nessa linha, o momento mais representativo acontece quando o menino passa mal e ela o coloca em seu colo, numa imagem que evoca a </span><i><span style="font-weight: 400;">Pietà</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Michelangelo, mas apenas na superfície. Alguns minutos depois, a prostituta o desprende de seu seio e o manda embora de sua casa, sob constatação repentina de que não quer ser </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_bz1DB6gSxQ"><span style="font-weight: 400;">mãe</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30109" aria-describedby="caption-attachment-30109" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30109 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6.jpg" alt="" width="1920" height="1038" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30109" class="wp-caption-text">Ao redor do mundo, Pixote é reverenciado por grandes diretores, como Spike Lee e Quentin Tarantino (Foto: Embrafilme)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, Pixote </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Oasmf_5K8qQ"><span style="font-weight: 400;">termina</span></a><span style="font-weight: 400;"> o filme novamente sozinho, depois de ter visto tantas pessoas cruzarem sua jornada, apenas para que a vida as tirasse depois. Seu último registro em cena o encontra andando sob um trilho de trem rumo ao desconhecido. Como única certeza, está sozinho e abandonado à própria sorte, não apenas pelos antigos amigos e colegas, mas também pelo Estado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A vida de seu </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HXxfYSqQ5sk"><span style="font-weight: 400;">intérprete</span></a><span style="font-weight: 400;"> não teve um caminho tão diferente. Fernando tentou ser ator depois do sucesso do filme, com participações em </span><i><span style="font-weight: 400;">Eles Não Usam Black-Tie </span></i><span style="font-weight: 400;">(1981) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Gabriela, Cravo e Canela </span></i><span style="font-weight: 400;">(1983), mas não conseguiu progredir na carreira, obrigado a abandonar a atuação devido a pressão de um mercado que não aceita profissionais pouco instruídos. Com amparo do Estado, educação e qualidade de vida bem estruturada, as possibilidades de futuro para Fernando teriam outras portas, mas, sem qualquer previsão, só é fato que seu caminho seria mais justo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, vale lembrar que, 42 anos depois do lançamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixote</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2022/08/02/numero-de-criancas-e-adolescentes-em-situacao-de-rua-em-sao-paulo-dobra-em-15-anos"><span style="font-weight: 400;">pouco mudou</span></a><span style="font-weight: 400;">. Segundo o Censo de Crianças e Adolescentes em Situação de Rua, realizado em São Paulo em Maio de 2022, há mais de 3 mil crianças vivendo nas mesmas condições que o protagonista. Seja no passado ou no presente, o Brasil continua sendo um país que, por meio do desamparo, obriga os mais fracos a fazerem a própria lei.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="1981 Pixote Official Trailer 1 Embrafilme" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/t6VqAOaWZD8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O deserto coletivo assola Paloma</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Oct 2022 20:25:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Paloma trabalha colhendo mamões em uma plantação, faz bico de cabeleireira, namora com Zé e, junto dele, cria a pequena Jenifer no interior do Pernambuco. Ela é espirituosa, bondosa e amada por todos da cidadezinha, e no fundo, tem um desejo próximo ao coração: se casar na igreja, vestida de noiva, com buquê &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/paloma-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O deserto coletivo assola Paloma"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29002" aria-describedby="caption-attachment-29002" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29002" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/01.jpg" alt="Cena do filme Paloma, mostra a protagonista, uma mulher negra, sorrindo com um véu branco na cabeça. " width="2000" height="1048" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/01.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/01-800x419.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/01-1024x537.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/01-768x402.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/01-1536x805.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/01-1200x629.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29002" class="wp-caption-text">Entre grandes títulos nacionais, Paloma faz parte da rica seleção da 46ª Mostra de São Paulo, na seção Mostra Brasil (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Vitor Evangelista</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Paloma trabalha colhendo mamões em uma plantação, faz bico de cabeleireira, namora com Zé e, junto dele, cria a pequena Jenifer no interior do Pernambuco. Ela é espirituosa, bondosa e amada por todos da cidadezinha, e no fundo, tem um desejo próximo ao coração: </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-paloma-2022/"><span style="font-weight: 400;">se casar na igreja</span></a><span style="font-weight: 400;">, vestida de noiva, com buquê e chuva de arroz. Mas, quando enfim toma coragem e chega ao padre com o singelo pedido, ouve um sonoro ‘não’. Por ser uma mulher trans, o sonho de Paloma não pode ser concretizado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama, presente na seção Mostra Brasil da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo e inspirada por acontecimentos reais, quem interpreta Paloma é a grandiosa </span><a href="https://mulhernocinema.com/especiais/kika-sena-escreve-sobre-paloma-perspectiva-complexa-da-vida-de-uma-mulher-trans/"><span style="font-weight: 400;">Kika Sena</span></a><span style="font-weight: 400;">. Arte-educadora, diretora teatral, poeta e </span><i><span style="font-weight: 400;">performer</span></i><span style="font-weight: 400;">, graduada em Licenciatura em Artes Cênicas pela Universidade de Brasília (UnB) e mestranda em Teoria em Prática das Artes Cênicas pela Universidade Federal do Acre, Sena é pesquisadora nas áreas de gênero, sexualidade, raça e classe, e autora dos livros </span><i><span style="font-weight: 400;">Marítima</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2016) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Periférica</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2017) e da </span><i><span style="font-weight: 400;">zine</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Subterrânea</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2019).</span></p>
<p><span id="more-29001"></span></p>
<figure id="attachment_29003" aria-describedby="caption-attachment-29003" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29003" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/02.jpg" alt="Cena do filme Paloma, mostra uma mulher negra carregando no colo uma criança de cabelos na altura dos ombros. A mulher usa blusa branca e a criança usa roupas rosas, com a mochila pendurada nas costas da mulher. Ao fundo, vemos muros brancos. " width="1280" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/02.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/02-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/02-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/02-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/02-1200x720.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29003" class="wp-caption-text">O diretor Marcelo Gomes já passou pela Mostra de SP com Cinema, Aspirinas e Urubus; Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo; Era Uma Vez Eu, Verônica; e O Homem das Multidões, além de dirigir o elogiado Estou me Guardando para Quando o Carnaval Chegar (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sena fez história no mês de Outubro, quando se tornou a </span><a href="https://gshow.globo.com/tudo-mais/pop/noticia/festival-do-rio-kika-sena-e-a-primeira-artista-trans-a-receber-trofeu-redentor-de-melhor-atriz.ghtml"><span style="font-weight: 400;">primeira pessoa trans</span></a><span style="font-weight: 400;"> a vencer o Troféu Redentor de Melhor Atriz no Festival do Rio 2022, premiação que também agraciou o longa com a honraria máxima da </span><a href="https://cosmonerd.com.br/filmes/noticias/paloma-longa-vencedor-do-festival-do-rio-estara-na-46a-mostra/"><span style="font-weight: 400;">Première Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;">. O diretor Marcelo Gomes subiu ao palco e agradeceu, e depois da passagem de </span><i><span style="font-weight: 400;">Paloma </span></i><span style="font-weight: 400;">por Munique e pela Cidade Maravilhosa, a Mostra de São Paulo recebe de braços abertos esse que foi um dos finalistas para </span><a href="https://www.omelete.com.br/oscar/oscar-2023-filmes-pre-selecionados-brasil"><span style="font-weight: 400;">representar o Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2023.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história, escrita a seis mãos por Gomes, Armando Praça e Gustavo Campos, é um mergulho no </span><a href="https://www.instagram.com/sereiavulcanica/"><span style="font-weight: 400;">cotidiano de Paloma</span></a><span style="font-weight: 400;"> e nas tentativas de revolucionar sua vivência batalhando pelo mínimo de respeito e pelo básico de direitos. Embebidos pelo íntimo da protagonista e de seu amado, o pedreiro Zé (Ridson Reis), de cara somos apresentados à imagem de uma mulher apaixonada pela filha Jenifer (Anita de Souza Macedo), a quem carinhosamente se refere como ‘coração’, e pela vida que construiu ao lado do companheiro.</span></p>
<figure id="attachment_29004" aria-describedby="caption-attachment-29004" style="width: 1580px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29004" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/03.jpg" alt="Cena do filme Paloma, mostra uma mulher negra sorrindo e olhando para baixo. Ela está à frente de uma parede azul e usa roupas de casamento. Um vestido branco de noiva, com véu e colar na mesma cor." width="1580" height="804" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/03.jpg 1580w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/03-800x407.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/03-1024x521.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/03-768x391.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/03-1536x782.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/03-1200x611.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29004" class="wp-caption-text">Além de Paloma, Kika Sena protagoniza outro filme presente na Mostra de 2022: Noites Alienígenas, grande vencedor do Festival de Gramado (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O sonho de casamento, que estampa tanto a sinopse quanto o </span><a href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-292991/fotos/detalhe/?cmediafile=21929725"><span style="font-weight: 400;">belíssimo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e refinado pôster do filme, surge como motivação e agente de consequência na direção de Gomes, cineasta que tem envolvimento nos roteiros dos recentes </span><a href="https://personaunesp.com.br/acqua-movie-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Acqua Movie</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Divino Amor</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Paloma</span></i><span style="font-weight: 400;">, a força de Sena se dá no carisma e na primazia de esconder muito de suas verdadeiras emoções e empatias por baixo de um sorriso e uma expressão de entendimento tristonho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, quando o pavio está em completo estado de combustão, a artista convence como alguém levada para além do ponto de retorno. Afinal, para alguém </span><a href="https://www.camara.leg.br/tv/571768-a-poesia-critica-de-nicolas-behr-e-kika-sena/"><span style="font-weight: 400;">querida e amada</span></a><span style="font-weight: 400;"> na cidade que habita, de que maneira ela deve encarar o cerceamento de sua individualidade e de seus almejos se não expressando angústia, medo e um bocado de raiva? A dita má fama que recai sobre o local assim que a notícia do matrimônio rompe a grande mídia é o suficiente para que a simpatia dos residentes se transforme no ódio presente na </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2022/01/23/ha-13-anos-no-topo-da-lista-brasil-continua-sendo-o-pais-que-mais-mata-pessoas-trans-no-mundo"><span style="font-weight: 400;">vida brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;"> longe da ficção.</span></p>
<figure id="attachment_29005" aria-describedby="caption-attachment-29005" style="width: 984px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29005" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/04.png" alt="Foto da atriz Kika Sena, uma mulher negra, segurando o troféu de Melhor Atriz no Festival do Rio. Ela usa roupas claras com um lenço marrom em volta do pescoço e sorri. O troféu é cor de cobre e tem o formato parecido com o do Cristo Redentor." width="984" height="657" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/04.png 984w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/04-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/04-768x513.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29005" class="wp-caption-text">Incomparável no papel-título, Kika Sena fez história ao vencer o Prêmio de Melhor Atriz no Festival do Rio (Foto: Fabio Cordeiro/gshow)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Transferindo </span><a href="https://observatoriomorteseviolenciaslgbtibrasil.org/canal-de-denuncia/lgbtfobia/?gclid=Cj0KCQjwteOaBhDuARIsADBqRei064EGmGZ_DCWhqoWg-FjVpMMJx7SnBJ-30Vw9yzyJnK7Lt2LFb1oaAtZSEALw_wcB"><span style="font-weight: 400;">violências</span></a><span style="font-weight: 400;"> para as vidas e os corpos que circulam Paloma, o filme ganha forma na amargura da felicidade, na virada do sorriso para as lágrimas e, principalmente, na descarga de terror que preenche a meia-hora final. Temas de exercício da religião, </span><a href="https://personaunesp.com.br/luana-muniz-filha-da-lua-critica/"><span style="font-weight: 400;">extensão da liberdade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e desejo são a trinca que guia a mulher pelos campos de mamoeiros, trajetos esburacados e pelo deserto coletivo em que se localiza, assolada e atingida por todas as frentes, mas nunca em completo estado de devoração, como captura a fotografia de Pierre de Kerchove e ordena a montagem de Rita M. Pestana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente de um específico </span><a href="https://personaunesp.com.br/deserto-particular-critica/"><span style="font-weight: 400;">deserto particular</span></a><span style="font-weight: 400;"> que evoca margem para a existência do outro em estado de independência e permissão, o coletivo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Paloma</span></i><span style="font-weight: 400;"> é espaço para descascar um país imutável, impassível. E ela tem sede nesta seca. Sede de amor, de afeto, de trocas recíprocas e de respeito. Ela começa sua jornada clamando em um silêncio sorridente na estrada doce em que caminha, para logo se sentir literal e figurativamente atravessada pela amargura e pelo azedume, levando consigo todos aqueles que se emocionaram com sua história de feitos e invenções em nome do otimismo. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Paloma | Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/TnnM7-XZrDk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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