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	<title>Arquivos Mostra Brasil &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A Procura de Martina busca a memória coletiva</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Nov 2024 16:06:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto Desde seu surgimento, a humanidade tenta se fazer eterna de alguma maneira. De registros em paredes de cavernas a imagens perfeitamente impressas em papel filme, o objetivo é tentar manter um dos bens imateriais mais importantes vivo: a memória. No longa-metragem A Procura de Martina, exibido na seção Mostra Brasil da 48ª Mostra &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-procura-de-martina-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Procura de Martina busca a memória coletiva"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34449" aria-describedby="caption-attachment-34449" style="width: 574px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-34449" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/a-procura-de-martina-1.jpg" alt=" Cena do filme A Procura de Martina. Na imagem, está Martina, uma mulher branca de cabelos castanhos curtos. Ela tem mais de 60 anos e aparenta marcas de expressão no canto dos olhos e no entorno da boca. Usa um óculos dourado com um cordão também dourado e veste um casaco de frio bege de lona sintética. Ela está em frente a uma foto em preto e branco. " width="574" height="324" /><figcaption id="caption-attachment-34449" class="wp-caption-text">Pertencente à seção Mostra Brasil da 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, A Procura de Martina faz um manifesto (Foto: Bretz Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b><b><br />
</b><b><br />
</b><span style="font-weight: 400;">Desde seu surgimento, a humanidade tenta se fazer eterna de alguma maneira. De registros em paredes de cavernas a imagens perfeitamente impressas em papel filme, o objetivo é tentar manter um dos bens imateriais mais importantes vivo: a memória. No longa-metragem</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Procura de Martina</span></i><span style="font-weight: 400;">, exibido na seção Mostra Brasil da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo,</span></a><span style="font-weight: 400;"> isso é amplificado com uma viagem particular pela lembrança que se universaliza para milhares de outras pessoas.</span></p>
<p><span id="more-34445"></span><span style="font-weight: 400;">Protagonizado por Martina (Mercedes Morán), o filme conta a história da viúva que carrega uma cicatriz traumática: a perda de uma filha durante a </span><a href="https://memoriasdaditadura.org.br/ditadura-na-argentina/"><span style="font-weight: 400;">Ditadura Argentina</span></a><span style="font-weight: 400;">. A jovem militante foi assassinada, mas antes, teve um filho dentro de um cativeiro. O bebê foi levado pelos militares e criado em uma das famílias, perdendo qualquer chance de laço afetivo com a família biológica. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Com esse fio solto desatando as pontas de sua história, a personagem viveu uma vida de </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> acompanhados pelo desejo de </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/especiais/maes-da-praca-de-maio-na-argentina-42-anos-de-maternidade-politica"><span style="font-weight: 400;">encontrar o neto</span></a><span style="font-weight: 400;">. No entanto, a narrativa caminha como a vida, em linhas tortas, e a mulher só recebe notícias do possível paradeiro do familiar quando trava uma luta interna com sua própria identidade ao receber um diagnóstico de Alzheimer. Apostando na última chance, Martina parte para o Brasil para tentar materializar o encontro.</span></p>
<figure id="attachment_34448" aria-describedby="caption-attachment-34448" style="width: 574px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34448" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/a-procura-de-martina-2.jpg" alt="Cena do filme A procura de Martina. Na imagem está a mãe adotiva do neto de Martina. Ela é uma mulher com mais de cinquenta anos, de pele branca e marcas de expressão no rosto. Ela está com uma touca e um avental de cozinheira em frente a uma parede cor de rosa pálido." width="574" height="324" /><figcaption id="caption-attachment-34448" class="wp-caption-text">Antes da Mostra, o filme foi apresentado no Festival do Rio (Foto: Bretz Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Colaboração entre Brasil e Uruguai, a obra assinada por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_tn80vgkTPg"><span style="font-weight: 400;">Márcia Faria </span></a><span style="font-weight: 400;">é sensível ao nível máximo, com diversos momentos contemplativos em que a escolha são imagens que expressam mais elementos que as próprias falas emitidas pelo elenco. Ao encarar o Rio de Janeiro com seus próprios olhos, Martina exala esperança ao mesmo tempo em que o temor se faz palpável. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">A falta de diálogos deixa uma sensação mista. Em partes, o telespectador sente um certo buraco, com a falta de contexto sobre o momento temporal, história e retratos escolhidos pela narrativa. De outro ponto de vista, isso cria uma sensação de reconhecimento quanto aos relatos, afinal, o cenário de viver uma ditadura com repressão, assassinatos e movimentação social, infelizmente, não é exclusividade de um país da </span><a href="https://www.politize.com.br/operacao-condor/"><span style="font-weight: 400;">América Latina</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No meio disso, o Alzheimer se insere de forma pontual no roteiro de Gabriela Amaral Almeida e Márcia Faria. A doença degenerativa é tratada com delicadeza e um visível estudo acerca dos comportamentos que rodeiam pessoas afetadas por ela. Em um enredo tão focado no resgate como é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mlZKmh20CMc"><i><span style="font-weight: 400;">A Procura de Martina</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, fica impossível não ser tomado pela angústia que envolve a fragilidade da lembrança; o quanto, por mais tentativas que tenham, é impossível assegurar a integridade do testemunho. </span></p>
<figure id="attachment_34446" aria-describedby="caption-attachment-34446" style="width: 574px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34446" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/aprocur_f01cor_2024113107.jpg" alt="Cena do filme A Procura de Martina. Na imagem, está Martina, uma mulher branca de cabelos castanhos curtos. Ela tem mais de 60 anos e aparenta marcas de expressão no canto dos olhos e no entorno da boca. Usa um óculos dourado com um cordão também dourado e veste um vestido azul com gola detalhada em branco. Ela está olhando de perfil para o horizonte. " width="574" height="324" /><figcaption id="caption-attachment-34446" class="wp-caption-text">Martina é uma das “Avós da Praça de Maio”, uma instituição que busca encontrar crianças sequestradas na Ditadura Argentina (Foto: Bretz Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa situação quase irônica acompanha a totalidade da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MzTinmUBNNs"><span style="font-weight: 400;">produção</span></a><span style="font-weight: 400;"> que, muitas vezes, se calça em contrapontos. Extremos que se complementam tomam posse da sequência de acontecimentos, à exemplo de: juventude e velhice; presente e passado; esperança e desilusão… Efeitos tão inerentes à existência que, quando colocados em tela, expõem uma estranheza rotineira. Assim, frequentemente, a obra causa a sensação de algo já visto antes; parece não haver tanta novidade.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é como se isso pudesse ser lido como uma crítica. Pelo menos não uma direcionada ao produto cinematográfico. A realidade é única: catástrofes, vidas perdidas, rivalidade sem humanidade e tudo mais que define uma ditadura se normalizaram no que é chamado sociedade contemporânea. Tal denúncia acaba presente nas entrelinhas desta e de </span><a href="http://personaunesp.com.br/colonia-critica/"><span style="font-weight: 400;">outras produções</span></a><span style="font-weight: 400;"> que trazem o tema à tona. </span><span style="font-weight: 400;"></p>
<p></span></p>
<figure id="attachment_34447" aria-describedby="caption-attachment-34447" style="width: 574px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34447" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/aprocur_f04cor_2024113107.jpg" alt="Cena do filme A Procura de Martina. Na imagem estão Matina e sua amiga. As duas são mulheres com mais de 60 anos, brancas e com cabelos castanhos. Elas estão na piscina com toucas de natação fazendo hidroginástica. " width="574" height="324" /><figcaption id="caption-attachment-34447" class="wp-caption-text">As ditaduras foram um fenômeno que se espalhou por diversos países da América Latina, deixando milhares de vítimas por todo o continente (Foto: Bretz Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Cabe desmembrar elogios a dois aspectos da obra: atuação e cinematografia. Com Morán em primeiro plano, uma extensão de emoções, fisionomia e gestos estampam a tela de uma maneira extremamente singular. A atriz emociona no silêncio e faz qualquer</span><i><span style="font-weight: 400;"> frame</span></i><span style="font-weight: 400;"> valer a pena. As companheiras de cenas, Adriana Aizemberg e </span><a href="https://personaunesp.com.br/ainda-estou-aqui-critica/"><span style="font-weight: 400;">Carla Ribas</span></a><span style="font-weight: 400;">, também exalam momentos marcantes, seja com a comicidade de uma ou com a dramaticidade da outra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já na Fotografia, coordenada por </span><a href="https://abcine.org.br/socios/leo-bittencourt/"><span style="font-weight: 400;">Léo Bittencourt,</span></a><span style="font-weight: 400;"> as cenas são leves e trazem um jogo de luz muito interessante para representar aspectos mais emocionais da produção. Os planos focados nas feições valorizam o ponto subjetivo e o caráter humano do longa, estabelecendo uma conexão entre personagens e público. Além disso, algo na captação torna o registro atemporal, como se pudesse ser descrito como passado, presente e futuro. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Ao final, sobram questionamentos sobre como um filme tão familiar rememora uma ferida de décadas. Cabe questionar a nós mesmos enquanto pessoas em que momento uma dor tão imensurável se tornou parte do simples cotidiano, capaz de se camuflar no dia a dia. Em meio a fragmentos de uma vida que representa muitas, </span><a href="https://48.mostra.org/filmes/48a-a-procura-de-martina"><i><span style="font-weight: 400;">A Procura de Martina</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não é uma jornada solo.  </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
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		<title>Fernando Coimbra mistura filmes de gangue com Macbeth em Os Enforcados</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Nov 2024 19:36:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes Após um hiato de mais de dez anos, depois de lançar O Lobo Atrás da Porta, Fernando Coimbra retorna na direção de Os Enforcados, filme que debutou na 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo na seção Mostra Brasil. Na trama, Regina (Leandra Leal) influencia o marido a cometer um crime na &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-enforcados-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Fernando Coimbra mistura filmes de gangue com Macbeth em Os Enforcados"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34402" aria-describedby="caption-attachment-34402" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34402" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-11-800x533.png" alt="O cenário é uma cozinha. Na cena, Valério está sentado com um canivete na mão, chorando, e com a cabeça deitada no peito de Regina. Ele veste uma camisa preta. Regina segura a cabeça de Valério contra o seu peito. Ela está com uma roupa branca manchada nas mangas." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-11-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-11-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-11.png 924w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34402" class="wp-caption-text">Fernando Coimbra já trabalhou com Leandra Leal em O Lobo Atrás da Porta (Foto: Gullane Filmes)</figcaption></figure>
<p><strong>Guilherme Moraes</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após um hiato de mais de dez anos, depois de lançar </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VKTteIdlEDI"><i><span style="font-weight: 400;">O Lobo Atrás da Porta</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://www.institutodecinema.com.br/mais/conteudo/fernando-coimbra-um-brasileiro-em-hollywood"><span style="font-weight: 400;">Fernando Coimbra</span></a><span style="font-weight: 400;"> retorna na direção de </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Enforcados</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme que debutou na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;"> na seção Mostra Brasil. Na trama, Regina (</span><a href="https://www.instagram.com/leandraleal/?hl=pt-br"><span style="font-weight: 400;">Leandra Leal</span></a><span style="font-weight: 400;">) influencia o marido a cometer um crime na busca por tomar o comando dos negócios, ao melhor estilo Lady Macbeth. No entanto, os planos dão errado e, conforme a narrativa avança, Valério (</span><a href="https://www.instagram.com/irandhirsan/"><span style="font-weight: 400;">Irandhir Santos</span></a><span style="font-weight: 400;">) vai assumindo cada vez mais a postura de </span><i><span style="font-weight: 400;">gangster</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-34400"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Obra-prima de Shakespeare, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8LLLTwQNLT0"><i><span style="font-weight: 400;">Macbeth</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> conta a história de um homem que decide usurpar o trono influenciado pela sua mulher. Fernando Coimbra faz uma releitura desse enredo e de elementos tipicamente shakespearianos e leva tudo para um lado mais cômico. As aparições fantasmagóricas com profecias são substituídas pela presença da mãe golpista de Regina, que faz falsas predições por meio de um jogo de tarô. Os conselhos da protagonista para o marido não são friamente calculados, como faz Lady Macbeth, mas sim desesperados e que levam a graves consequências.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, existe um aspecto de </span><a href="https://canaltech.com.br/entretenimento/melhores-filmes-de-mafia-156391/"><span style="font-weight: 400;">filme de máfia</span></a><span style="font-weight: 400;"> bem forte. A partir do momento em que Valério precisa assumir o posto de chefe do negócio, as decisões tomadas precisam ser frias e violentas. Os personagens se vestem e se comportam como mafiosos das obras de </span><a href="https://personaunesp.com.br/assassinos-da-lua-das-flores-critica/"><span style="font-weight: 400;">Martin Scorsese</span></a><span style="font-weight: 400;"> e da trilogia </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0v6MO0EB7UY"><i><span style="font-weight: 400;">O Poderoso Chefão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1972), com um sorriso que é, ao mesmo tempo, sádico e natural. Ainda existe uma certa comicidade já citada, pelo fato do golpe ser mal sucedido. O protagonista mata seu tio, Linduarte (</span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/stepan-nercessian-pede-ajuda-para-conseguir-papel-preciso-de-seguidores/"><span style="font-weight: 400;">Stepan Nercessian</span></a><span style="font-weight: 400;">), para pegar a sua parte do jogo do bicho, mas, no final, descobre que havia apenas dívidas.</span></p>
<figure id="attachment_34403" aria-describedby="caption-attachment-34403" style="width: 770px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34403" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-11.png" alt="O cenário é de um cais. Nele está uma mesa cheia de comida. Na esquerda está o personagem de Ernani Moraes com uma camisa verde, olhando boquiaberto para o centro da mesa. Na direita o personagem de Pêpê Rapazote com uma blusa marrom, olhando para o centro da mesa. No centro está Valério com uma camisa azul e em pé, mexendo com as mãos em um prato de comida. Mais a fundo dele estão dois seguranças. O da esquerda está com camisa azul, e o da direita está com uma camisa preta." width="770" height="416" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-11.png 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-11-768x415.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34403" class="wp-caption-text">“Regina, você vai precisar saber negociar para sair dessa situação” (Foto: Gullane Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse lado da trama vai transformando Valério que, inicialmente, usava uma máscara de bandido para assumir uma nova persona e cometer os crimes que ele não tem coragem de fazer. “</span><i><span style="font-weight: 400;">O seu marido é um frouxo</span></i><span style="font-weight: 400;">”, essa é uma das frases proferidas durante as fantasias sexuais do casal. Contudo, a realidade se choca com os desejos fetichistas de ambos. Se Regina, idealmente se imaginava com um homem mais violento e imponente, ela se encontra </span><a href="https://institutoling.org.br/explore/licoes-sobre-ambicao-e-poder-em-macbeth"><span style="font-weight: 400;">desesperada</span></a><span style="font-weight: 400;"> para fugir quando a agressividade e o estupro passam a ser reais. Paralelamente, Valério vai assumindo cada vez mais essa persona, até chegar o momento em que nem mesmo usa sua máscara, pois ele e o bandido já são a mesma pessoa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se não existe a inteligência e a sutileza de </span><a href="https://deliriumnerd.com/2024/06/26/akira-kurosawa-shakespeare-lady-macbeth/"><span style="font-weight: 400;">Lady Macbeth</span></a><span style="font-weight: 400;"> em Regina, sobra a frieza e o instinto de sobrevivência. Durante todo o longa, ela encarava a parede que escondia o corpo do tio de Valério e tinha medo de que descobrissem, mas isso não passava de uma representação da própria personagem, que entendia aquilo como um retrato da própria podridão e morria de medo do que iria sair dali. A última cena finalmente a liberta e revela quem ela é, junto com todos os seus segredos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Certamente, </span><a href="https://www.instagram.com/cinemafilia/p/DB4Hd6ZJ8HC/?img_index=1"><i><span style="font-weight: 400;">Os Enforcados</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">foi um dos grandes filmes da Mostra SP deste ano, com humor bem dosado e a construção de personagens bem interessantes. Para aqueles que estiveram nas sessões do evento, ainda tiveram o prazer da presença do diretor para falar sobre o filme. Ainda que dez anos seja muito tempo, Fernando Coimbra fez valer a espera para lançar um novo filme nacional.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Os Enforcados | Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/hDUqnjNWGic?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O Palhaço de Cara Limpa é ‘faz-me rir’ para quem nunca perde</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Nov 2024 18:46:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2024]]></category>
		<category><![CDATA[48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto Estamos em Agosto de 2016. Depois de tanto pegar fogo, as grandes capitais percebem que lutar pela diminuição da tarifa dos circulares deu certo e decidem se engajar politicamente em outros espaços. O movimento amplificado em milhares de vezes chegou ao Congresso Nacional e a atual presidente, Dilma Rousseff, perde seu cargo por &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-palhaco-de-cara-limpa-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Palhaço de Cara Limpa é ‘faz-me rir’ para quem nunca perde"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34382" aria-describedby="caption-attachment-34382" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34382" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-2-800x296.jpg" alt="Cena de O Palhaço de cara limpa. Na imagem, um homem pardo aparece olhando para o céu. Ele veste camiseta vermelha e está no meio de uma manifestação que acontece a noite entre diversas pessoas. Sua feição é triste e tem lágrimas no canto do olho. " width="800" height="296" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-2-800x296.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-2-1024x378.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-2-768x284.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-2-1536x567.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-2-1200x443.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-2.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34382" class="wp-caption-text">Retratando os reflexos das crises políticas na sociedade, O Palhaço de Cara Limpa fez parte da 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, na seção Mostra Brasil (Foto: Lira Filmes)</figcaption></figure>
<p><strong>Jamily Rigonatto</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estamos em Agosto de 2016. Depois de tanto </span><a href="https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2016/01/manifestantes-protestam-contra-aumento-das-passagens-de-onibus.html"><span style="font-weight: 400;">pegar fogo,</span></a><span style="font-weight: 400;"> as grandes capitais percebem que lutar pela diminuição da tarifa dos circulares deu certo e decidem se engajar politicamente em outros espaços. O movimento amplificado em milhares de vezes chegou ao Congresso Nacional e a atual presidente, Dilma Rousseff, perde seu cargo por meio de um </span><i><span style="font-weight: 400;">Impeachment</span></i><span style="font-weight: 400;"> feito às pressas e com consideráveis buracos constitucionais. O momento parece estranho, pessoas comemoram ativamente nas ruas e outras se preocupam. Estas, previam um futuro que sacrificaria muitos e, entre Arte e cotidiano, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Palhaço da Cara Limpa </span></i><span style="font-weight: 400;">remonta uma partícula de pólvora dessa explosão catastrófica. </span></p>
<p><span id="more-34381"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa-metragem ficcional fez parte da seção Mostra Brasil na 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e é assinado pelo diretor </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://camilocavalcante.art/sobre/">Camilo Cavalcante</a></span><span style="font-weight: 400;">. Protagonizada por um ator em decadência e em crise conjugal Flávio (Flávio Renovatto) – que também assina o roteiro junto do diretor e de Caio Zatti –, a produção explora a incerteza trepidante de viver de algo que perde valorização a cada dia e em um país que estimula ideais mais conservadores, capitalistas e, sinceramente, lunáticos – à exemplo do “</span><i><span style="font-weight: 400;">Kit Gay</span></i><span style="font-weight: 400;">”, que também ganhou seus minutos de tela. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Em uma cena semelhante a uma vídeoarte, estímulos visuais remontam uma atmosfera carregada usando vídeos populares durante a pré-campanha e o governo de Jair Bolsonaro. Juntas, as cenas são um sonho, um lembrete e um reflexo inconsciente que se insere como uma cicatriz. </span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Um ponto interessante de </span><a href="https://48.mostra.org/filmes/48a-o-palhaco-de-cara-limpa"><i><span style="font-weight: 400;">O Palhaço de Cara Limpa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é explorar essa simplicidade do rotineiro para criar momentos de proximidade. Assim, nos sentimos vivendo exatamente no mesmo ciclo temporal que os personagens e compartilhando todas as sensações com uma vivacidade extremamente sincera. Ver a relação doce entre a mãe e o protagonista é um afago, assim como encarar o compilado de Jair Bolsonaro e suas falas causa nervoso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa capacidade de identificação é tão bem feita que, depois de rir, se entreter e ter raiva, o sentimento que sobra no final é um grande… vazio. Não que esse vazio seja simplesmente despropositado ou o resultado de uma narrativa sem corpo, pelo contrário, é uma afirmação de que o filme cumpriu seu propósito: tocar na ferida. Assistir do telão de um cinema os movimentos que colocaram tantos em vulnerabilidade causa certa angústia; nos lembra da <a href="https://www.cofen.gov.br/brasil-enfrenta-uma-segunda-pandemia-agora-na-saude-mental/">parte que falta</a>.</span></p>
<blockquote class="instagram-media" data-instgrm-captioned data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/DBy3rK3M33o/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14" style=" background:#FFF; border:0; border-radius:3px; box-shadow:0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width:658px; min-width:326px; padding:0; width:99.375%; width:-webkit-calc(100% - 2px); width:calc(100% - 2px);">
<div style="padding:16px;"> <a href="https://www.instagram.com/p/DBy3rK3M33o/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" background:#FFFFFF; line-height:0; padding:0 0; text-align:center; text-decoration:none; width:100%;" target="_blank"> </p>
<div style=" display: flex; flex-direction: row; align-items: center;">
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<p></a></p>
<p style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; line-height:17px; margin-bottom:0; margin-top:8px; overflow:hidden; padding:8px 0 7px; text-align:center; text-overflow:ellipsis; white-space:nowrap;"><a href="https://www.instagram.com/p/DBy3rK3M33o/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:normal; line-height:17px; text-decoration:none;" target="_blank">A post shared by Aurora Cinema (@auroracinemanovo)</a></p>
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</blockquote>
<p><script async src="//platform.instagram.com/en_US/embeds.js"></script></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientado em Recife, o longa-metragem explora uma certa poluição de tela para espelhar a experiência individual no contexto coletivo. Espaços repletos de pessoas, objetos ou até lixo, como é o caso do cômodo em que <a href="https://www.instagram.com/flaviorenovatto/">Flávio</a> ensaiava seu projeto cenográfico, aparecem com frequência na tela. Essa imagem replicada causa uma ansiedade que se distribui conforme a progressão dos acontecimentos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das estratégias da montagem – também assinada por <a href="https://www.mapacultural.pe.gov.br/agente/3688/">Caio Zatti</a> – é usar gravações e recortes da época dos acontecimentos para ilustrar a crise política estabelecida. Em uma pequena televisão de tubo, cenas da votação do <i>Impeachment</i> se inserem. Apesar de cumprirem seu papel na localização temporal do longa, são em partes cansativas, já que alguns trechos se estendem por bons minutos. </span></p>
<figure id="attachment_34383" aria-describedby="caption-attachment-34383" style="width: 276px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-34383" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/images-12.jpg" alt="Poster do filme O Palhaço de Cara Limpa. Na imagem há um homem com nariz vermelho de palhaço e chapéu preto. A imagem é borrada e tem fundo preto. " width="276" height="345" /><figcaption id="caption-attachment-34383" class="wp-caption-text">Posicionado politicamente, O Palhaço de Cara Limpa não agrada quem está a direita (Foto: Lira Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez pela sensação contraditória, esses</span><i><span style="font-weight: 400;"> takes</span></i><span style="font-weight: 400;"> retomem a tal ansiedade ao assistir o filme. Ao mesmo tempo em que há movimento nas cenas, elas parecem muito monótonas, um quase ciclo que vai se expandindo e consumindo grande parte do enredo. As quebras ocorrem por meio dos monólogos do protagonista, que, por vezes, inserem um tom mais cômico que alivia o peso causado pelo contexto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos pontos mais altos da narrativa é o uso da Música como ponte entre os cenários e momentos. Com letras inteiras em evidência, os sentimentos não expressos do protagonista aparecem nos tons melodiosos escolhidos por </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.instagram.com/moabefilho/">Moabe Filho</a> e Lucas Ramalho</span><span style="font-weight: 400;">. A </span><i><span style="font-weight: 400;">soundtrack </span></i><span style="font-weight: 400;">se torna parte indispensável de uma produção que parece ter pouco investimento em cenografia, mas preenche as lacunas com elementos não palpáveis. </span></p>
<blockquote><p>Flávio Renovatto atua em uma formato de quase monólogo em quase todo o longa-metragem. Parecendo ter um universo particular até quando interage com terceiros.</p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Os discursos solitários de Fábio são companhia para o silêncio que sobra na alma no fim da exibição. Com a solidez desesperadora que a parte mais ligada ao contemporâneo da narrativa dimensiona na tela, a pontada no peito e a boca seca se instalam de forma quase compulsória nos telespectadores, que performam certa solidariedade e empatia com os outros indivíduos que partilham aquele momento.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Agregando mais um ponto positivo para o cenário nacional, o longa-metragem é o tipo de produção que relembra alguns fantasmas que não morreram, só se esconderam no subconsciente. Ao fim, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Palhaço de Cara Limpa</span></i><span style="font-weight: 400;"> parodia a vida com uma franqueza assustadora. Entre crise, riso, sarcasmo, medo, desigualdade, rivalidade partidária e muito mais do que constitui a política brasileira, sobra pano na manga para saber que os palhaços da vida real vêm todos com caras limpas, ternos caros e grandes <a href="https://www.brasildefatomg.com.br/2021/07/30/bolsonaro-nao-e-um-palhaco-e-um-monstro">campanhas eleitorais</a>. </span></p>
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		<title>Enterre Seus Mortos quase soterra sua própria ambição</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Nov 2024 20:56:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo Marco Dutra é conhecido por suas colaborações com Juliana Rojas, mas, na 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o diretor encara sozinho a missão de contar a história de Edgar Wilson (Selton Mello) e a cidade de Abalurdes, que está prestes a passar pelo apocalipse. Enterre Seus Mortos faz parte da &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/enterre-seus-mortos-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Enterre Seus Mortos quase soterra sua própria ambição"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34326" aria-describedby="caption-attachment-34326" style="width: 770px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34326" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-6.png" alt="Na imagem, Nete está encostada na cabeceira de uma cama, com os dois braços apoiando a cabeça. Ela está com expressão de confiança. Nete é uma mulher na faixa dos 40 anos, de pele clara e cabelos longos de cor castanho escuro. No muque, ela possui uma tatuagem escrita. " width="770" height="323" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-6.png 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-6-768x322.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34326" class="wp-caption-text">O filme participou da Mostra Competitiva do Festival do Rio 2024 (Foto: Globoplay)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Marco Dutra é conhecido por suas colaborações com Juliana Rojas, mas, na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, o diretor encara sozinho a missão de contar a história de Edgar Wilson (Selton Mello) e a cidade de Abalurdes, que está prestes a passar pelo apocalipse. </span><i><span style="font-weight: 400;">Enterre Seus Mortos</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz parte da seção Mostra Brasil e é uma produção </span><i><span style="font-weight: 400;">Globoplay</span></i><span style="font-weight: 400;"> que adapta o romance homônimo de Ana Paula Maia. </span></p>
<p><span id="more-34325"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No longa mais popular em parceria com Rojas, </span><a href="https://culturadoria.com.br/9-filmes-de-terror-dirigidos-por-mulheres/"><i><span style="font-weight: 400;">As Boas Maneiras</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2017), a dupla se inspira no interior rural e usa efeitos práticos para dar vida à história do lobisomem. Nesse novo terror, Dutra se apega mais uma vez a elementos brasileiros para sua fábula apocalíptica que, infelizmente, apesar de muita estilização e personagens interessantes, soa confuso em meio a tantas histórias que quer colocar dentro dessa cova. </span></p>
<p><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2019/12/bases-filosoficas-do-horror-cosmico-na-literatura.html"><span style="font-weight: 400;">Terror cósmico</span></a><span style="font-weight: 400;">, história de </span><i><span style="font-weight: 400;">serial killer</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma nova religião, crianças exiladas em ilhas, o fim do mundo se aproximando e uma médica colecionadora de corpos humanos são subtramas que não cessam. Ainda que todas elas sejam intrigantes, parecem não convergir em um ponto comum de coesão e, quando chega ao final, em termos de trama, essa experiência de 120 minutos não é satisfatória. Inclusive, o filme estrelado por Marjorie Estiano e Isabél Zuaa sofre basicamente do mesmo calcanhar de Aquiles: a ausência de manejo em conciliar mais de uma história.</span></p>
<figure id="attachment_34327" aria-describedby="caption-attachment-34327" style="width: 770px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34327" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-6.png" alt="Cena do filme Enterre Seus Mortos Na imagem, Edgar Wilson está no canto direito, ele segura um copo de coca-cola, na altura do rosto, enquanto encara a sua frente com expressão séria. Do lado esquerdo, em cima de um balcão, há uma garrafa de vidro da coca-cola, bebida pela metade. Edgar Wilson veste uma jaqueta de coloração escura e usa um band-aid no nariz. O copo é no estilo americano. Edgar Wilson é um homem na faixa dos 50 anos, de pele clara e cabelos escuros curtos. Ele está num bar, com iluminação vermelha neon. 
" width="770" height="325" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-6.png 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-6-768x324.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34327" class="wp-caption-text">Selton Mello protagoniza outra produção do streaming que também faz parte da programação da Mostra SP: Ainda Estou Aqui (Foto: Globoplay)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, se é para a história ser uma tremenda viagem esquisita que coloca em xeque questões estabelecidas ao protagonista e seus companheiros, então, Marco Dutra faz um perfeito trabalho. Acima de tudo, seu comando com a Fotografia de Rui Poças e a direção de Arte de </span><a href="https://www.itaucultural.org.br/secoes/colunistas/alem-da-direcao-outras-mulheres-que-fazem-cinema"><span style="font-weight: 400;">Ana Paula Cardoso</span></a><span style="font-weight: 400;"> lidam muito bem com as iconografias do Terror brasileiro e não deixam a peteca cair por momento algum. O filme vai ganhando tons de cor e intenção mais pesados conforme vai chegando ao seu clímax pavoroso e enigmático. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentre esses elementos do país, há as procissões, religiões, padres excomungados, a promessa de um fim do mundo e uma sensação de </span><a href="https://personaunesp.com.br/bacurau-critica/"><span style="font-weight: 400;">abandono </span></a><span style="font-weight: 400;">sentida por cidades pequenas. É uma produção de cenas bem fortes e sanguinolentas que colocam o espectador dentro da atmosfera. Se o objetivo é fazer o apocalipse provocar-lhe algo, uma mínima mudança e desconforto, o filme não deixará você sentir indiferença. </span></p>
<p><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-1000109532/"><i><span style="font-weight: 400;">Enterre Seus Mortos</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é uma experiência catalisadora de sentimentos mistos, frustração e empolgação. É um projeto muito grande, mas com a insuficiência de uma história que aguente seu tamanho, embora o visual transborde essa ambição. Com certeza, vale revisões ao longo dos anos, talvez com mais amadurecimento de quem vê e porquê vê. </span></p>
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		<title>Lispectorante é um espetáculo espectral</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Nov 2024 15:51:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos Em competição na seção Mostra Brasil da 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Lispectorante se destaca como um delírio surrealista, cheio de luzes esverdeadas e paralelos poéticos. A diretora Renata Pinheiro nos entrega um Recife que é mais do que um cenário – é um ser vivo, em estado de abandono &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/lispectorante-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Lispectorante é um espetáculo espectral"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34278" aria-describedby="caption-attachment-34278" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34278" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-1-800x295.png" alt="Cena do filme Lispectorante. Vista aérea de duas pessoas deitadas no fundo de um barco pequeno, com pintura verde central e madeira clara nas laterais. À esquerda está Glória, uma mulher de meia-idade, de cabelos curtos e ondulados, vestindo uma blusa escura e shorts vermelhos. À direita está Guitar, um homem branco com cabelo raspado dos lados e mais longo em cima, usando uma camisa aberta e calça dourada, exibindo uma expressão relaxada. Objetos como cordas e um salva-vidas branco estão espalhados ao redor. A água ao fundo e o verde vibrante da pintura evocam uma sensação de tranquilidade e liberdade." width="800" height="295" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-1-800x295.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-1-1024x378.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-1-768x284.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-1-1536x567.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-1-1200x443.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-1.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34278" class="wp-caption-text">Assim como a protagonista, a diretora do longa-metragem também é uma artista plástica (Foto: Amora Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em competição na seção Mostra Brasil da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Lispectorante</span></i><span style="font-weight: 400;"> se destaca como um delírio surrealista, cheio de luzes esverdeadas e paralelos poéticos. A diretora Renata Pinheiro nos entrega um Recife que é mais do que um cenário – é um ser vivo, em estado de abandono e renascimento.</span></p>
<p><span id="more-34277"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No centro da narrativa encontramos Glória, interpretada por Marcélia Cartaxo, cuja crise existencial e financeira a leva de volta à sua cidade natal. Recife, nesta fábula, se transforma em um campo de tensão entre passado e futuro, explorado por meio da </span><a href="https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2024/04/11/casa-onde-clarice-lispector-passou-infancia-no-recife-vai-abrigar-museu-conheca-o-projeto.ghtml"><span style="font-weight: 400;">casa de Clarice Lispector</span></a><span style="font-weight: 400;">. A residência é uma fenda temporal que conecta Glória a visões fantásticas e assustadoras do que poderia ser seu destino.</span></p>
<figure id="attachment_34279" aria-describedby="caption-attachment-34279" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34279" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-3-800x400.png" alt="Cena do filme Lispectorante. Glória, uma mulher de meia-idade com cabelos curtos e ondulados, está deitada de lado, apoiando o rosto contra uma superfície macia em um ambiente iluminado por uma luz quente e difusa. Seu cabelo está ligeiramente despenteado, e um sorriso discreto, quase melancólico, surge em seu rosto. A iluminação dourada realça a textura dos objetos e do cenário ao fundo, que parece ser um quarto, com detalhes de móveis e cortinas visíveis. O momento captura uma mistura de serenidade e vulnerabilidade, imersa em uma atmosfera introspectiva." width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-3-800x400.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-3-1024x512.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-3-768x384.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-3-1536x768.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-3-1200x600.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-3.png 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34279" class="wp-caption-text">“A salvação é pelo risco” é a frase de Clarice Lispector que a diretora acredita resumir o filme (Foto: Amora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A Fotografia de </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/wilssa-esser"><span style="font-weight: 400;">Wilssa Esser</span></a><span style="font-weight: 400;"> destaca um Recife, ao mesmo tempo, onírico e distópico. As luzes esverdeadas e os tons pós-industriais nos transportam a um futuro que lembra obras de </span><a href="https://personaunesp.com.br/cowboy-bebop-25-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">cyberpunk</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas que também está profundamente enraizado na realidade brasileira. Esse jogo de luz e sombra é o que dá à obra sua atmosfera de inquietação – por vezes, nos sentimos em uma metáfora do Recife do presente, em outras, em uma dimensão paralela de um futuro incerto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A casa de Lispector não é a única a ganhar protagonismo. O quarto onde </span><a href="https://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2024/07/6883315-em-forma-de-protesto-filme-de-carmen-miranda-sera-exibido-na-fachada-da-casa-onde-artista-viveu.html"><span style="font-weight: 400;">Carmen Miranda</span></a><span style="font-weight: 400;"> costumava se hospedar no </span><a href="https://revistacontinente.com.br/secoes/extra/o-tempero-do-historico-hotel-central#:~:text=O%20Hotel%20Central%2C%20inaugurado%20em,mais%20ilustres%20se%20hospedavam%20ali."><span style="font-weight: 400;">Hotel Central</span></a><span style="font-weight: 400;"> é mais um espaço repleto de memórias, narradas com humor pela atendente do espaço. Esse apego aos locais ressoa o conceito de </span><a href="https://personaunesp.com.br/aquarius-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2016), em que as casas são um porto seguro e, ao mesmo tempo, uma prisão em uma sociedade na qual o dinheiro dita os valores. A diretora faz questão de tornar essa relação entre pessoas e lugares uma das bases do filme, mostrando o dinheiro como o carcereiro ético que faz da liberdade uma mercadoria.</span></p>
<p><figure id="attachment_34280" aria-describedby="caption-attachment-34280" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34280" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-3.png" alt="Cena do filme Lispectorante. Glória, uma mulher de meia-idade com cabelos curtos e ondulados, veste uma camisa colorida com estampas florais enquanto sorri de forma leve e confiante. Ela parece estar em um ambiente festivo, cercada por pessoas que aplaudem ao fundo, envoltas por uma iluminação quente e suave, composta por luzes amarelas e vermelhas que conferem um clima íntimo e acolhedor. A expressão no rosto de Glória sugere um momento de triunfo ou celebração, com um toque de satisfação pessoal, capturando um instante de leveza e alegria compartilhada." width="640" height="320" /><figcaption id="caption-attachment-34280" class="wp-caption-text">Cartaxo já estava inserida no universo lispectoriano ao interpretar a protagonista de <a href="https://personaunesp.com.br/a-hora-da-estrela-critica/">A Hora da Estrela</a> (1986) [Foto: Amora Filmes]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Marcélia Cartaxo e </span><a href="https://personaunesp.com.br/cangaco-novo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Pedro Wagner</span></a><span style="font-weight: 400;"> dão vida a personagens complexos (Glória e Guitar) e, ainda assim, acessíveis. As atuações passam longe de qualquer amadorismo, que acompanham o ritmo lento e ponderado do início da obra. A própria cidade é retratada como um lugar de resistência e contrastes, entre a decadência e a esperança.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, na reta final, a urgência toma conta. O ritmo muda, acelerando fora do ponto. Uma mudança que, embora traga energia ao desfecho, acaba sacrificando a calma necessária para digerir toda a profundidade que o longa construiu. </span><i><span style="font-weight: 400;">Lispectorante</span></i><span style="font-weight: 400;"> pede uma certa </span><a href="https://personaunesp.com.br/la-parle-critica/"><span style="font-weight: 400;">serenidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> para que o espectador entre em sintonia, e, por isso, esse final abrupto parece destoante – mas não menos impactante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Renata Pinheiro e o corroteirista </span><a href="https://embaubaplay.com/diretor_s/sergio-oliveira/"><span style="font-weight: 400;">Sérgio Oliveira</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos entregam incógnitas que não se encaixam em fórmulas. É uma exploração do surrealismo que mora em cada detalhe do cotidiano e uma reflexão sobre a fabulação humana; a capacidade de imaginar uma vida diferente mesmo quando todos os elementos dizem o contrário. Entre a beleza das luzes e a densidade das sombras, queremos saber o que há do outro lado dessa fenda. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Lispectorante, de Renata Pinheiro" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/wYrsC7H2i34?start=2&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Continente e sua perturbadora sede de sangue</title>
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		<pubDate>Thu, 31 Oct 2024 18:24:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[Análise]]></category>
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		<category><![CDATA[Novos Rumos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Borges Exibida nos prestigiados Festival Internacional de Cinema de Munich e Festival do Rio, a produção brasileira Continente faz parte da seção Mostra Brasil na 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. O longa, que acompanha a história de um simples vilarejo nas planícies do Sul do país, mostra uma narrativa muito distópica &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/continente-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Continente e sua perturbadora sede de sangue"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34255" aria-describedby="caption-attachment-34255" style="width: 574px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34255" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-12.png" alt="Cena do filme Continente. Na imagem vemos o rosto de Amanda coberto de sangue. Amanda, mulher branca com olhos e cabelos castanhos, encontra-se boquiaberta e com muito sangue ao redor de sua boca. Ao fundo da foto está escuro." width="574" height="324" /><figcaption id="caption-attachment-34255" class="wp-caption-text">Davi Pretto recebeu o prêmio de Melhor Direção na categoria Novos Rumos do Festival do Rio 2024 (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Borges</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Exibida nos prestigiados Festival Internacional de Cinema de Munich e Festival do Rio, a produção brasileira </span><i><span style="font-weight: 400;">Continente </span></i><span style="font-weight: 400;">faz parte da seção Mostra Brasil na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">. O longa, que acompanha a história de um simples vilarejo nas planícies do Sul do país, mostra uma narrativa muito distópica que aborda o colonialismo, misturando drama com horror. </span></p>
<p><span id="more-34253"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Produzido por </span><a href="https://www.festivaldorio.com.br/br/noticias/continente-novos-rumos-festival-do-rio-2024"><span style="font-weight: 400;">Davi Pretto</span></a><span style="font-weight: 400;"> e distribuído pela Vitrine Filmes, </span><i><span style="font-weight: 400;">Continente </span></i><span style="font-weight: 400;">mergulha na vida de Amanda (interpretada por Olivia Torres) que está de volta ao Brasil após passar 15 longos anos morando na França com seu namorado Martin (Corentin Fila). Na trama, a jovem retorna ao país pois seu pai, Agenor, adoece e está à beira da morte, o que acarreta diversos rumores a respeito da saúde do velho fazendeiro que comanda a pequena cidade pacata sulista.</span></p>
<figure id="attachment_34254" aria-describedby="caption-attachment-34254" style="width: 770px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34254" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-11.png" alt="Cena do filme Continente. Na foto vemos Helô fechando um container. Helô, mulher negra de cabelos castanhos curtos, usa uma blusa azul bebê. Sua mão esquerda e o restante de seu corpo estão apoiados na porta de um grande container de metal." width="770" height="434" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-11.png 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-11-768x433.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34254" class="wp-caption-text">Continente apresenta uma visão colonialista do mundo (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma estética ruralista que se aproxima a </span><a href="https://personaunesp.com.br/bacurau-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bacurau</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019), a obra de Davi Pretto carrega muito suspense e mistério, que fazem parte da construção narrativa, criando uma atmosfera de tensão e expectativa no espectador. Personificando os trabalhadores rurais através de atos vampirescos, os zumbificando e deixando à mercê de seu patrão – que explora sua mão de obra –, os moradores da pequena cidade se veem em uma posição que remete a escravidão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sobrepondo o peso de que “</span><i><span style="font-weight: 400;">a mentira corrói a alma de quem mente</span></i><span style="font-weight: 400;">”, a Fotografia de Luciana Baseggio adota um tom sombrio, com cores escuras e elementos filmados pela câmera que nos deixam desconfortáveis. Apesar de ter uma ótima trama, seu ritmo delibera sua atmosfera e acaba tornando-a muito lenta, o que deixa a desejar em determinados </span><i><span style="font-weight: 400;">frames </span></i><span style="font-weight: 400;">do longa, abrindo abas para a falta de clareza e </span><a href="https://cinepop.com.br/critica-continente-terror-rural-com-ares-vampirescos-festival-do-rio-2024-580762/"><span style="font-weight: 400;">entendimentos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de certos acontecimentos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Através de componentes que remetem a </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-desejo-e-obsessao-2001/"><i><span style="font-weight: 400;">Desejo e Obsessão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2001) de Claire Denis, a sonoridade é o que mais chama atenção dentro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Continente</span></i><span style="font-weight: 400;">. O prazer no apetite voraz dos personagens pelo sangue e o perturbador ‘acordo’ que os moradores possuem com dono da grande propriedade cumprem com seu objetivo de abordar um lado feroz e metafórico, ressaltando a crítica sobre  ‘dar o sangue pelo trabalho’ feita pelo longa.  </span></p>
<figure id="attachment_34256" aria-describedby="caption-attachment-34256" style="width: 770px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34256" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-7.png" alt="Cena do filme Continente. Na imagem vemos Amanda olhando para o horizonte. Amanda, mulher branca de cabelos castanhos, usa camisa de botão bege. Ela está olhando através de uma janela à sua esquerda. Ao fundo é possível observar o interior de sua casa." width="770" height="434" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-7.png 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-7-768x433.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34256" class="wp-caption-text">A produção do filme teve colaboração de cinco países (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de buscar um apelo para o lado visceral do Cinema, </span><i><span style="font-weight: 400;">Continente </span></i><span style="font-weight: 400;">apresenta uma história um tanto </span><a href="https://conectageek.com.br/critica-continente/"><span style="font-weight: 400;">macabra</span></a><span style="font-weight: 400;"> e selvagem. Em um ato metafórico e explícito que caminha entre a persistência de um sistema hierárquico e as marcas do colonialismo, o longa se sobrepõe como uma excelente produção de horror brasileira.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Continente </span></i><span style="font-weight: 400;">entrega um enredo profundo, em que as relações de poder são tanto elementos de conflito quanto de reflexão, ecoando as vozes do presente e do passado em um Brasil que é, ao mesmo tempo, uma </span><a href="https://enlatado.com.br/tag/davi-pretto/"><span style="font-weight: 400;">herança</span></a><span style="font-weight: 400;"> e uma prisão. Os símbolos e valores se rompem em um grande mar de sangue, nos deixando uma reflexão: no fim, quem suga o sangue de quem?</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="CONTINENTE | Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/7FqR9GOCFyM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Entre passado e futuro, o presente em Sem Vergonha é a Arte</title>
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		<pubDate>Thu, 31 Oct 2024 17:56:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto O que faz um artista ser reconhecido como transgressor? Caso seu pensamento tenha sido direcionado a elementos como roupas, maquiagens e outros compositores estéticos, repense todas as suas certezas, pois Sem Vergonha te mostra que o segredo está na alma livre. Estrelado por Maria Alcina, o musical biográfico fez parte da 48ª Mostra &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/sem-vergonha-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Entre passado e futuro, o presente em Sem Vergonha é a Arte"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34247" aria-describedby="caption-attachment-34247" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-34247 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/1-800x296.jpg" alt="Cena de Sem Vergonha. Na imagem, a cantora Maria Alcina aparece com o rosto pintado de branco, sombra preta e batom vermelho. Ela veste uma roupa vermelha cheia de babados. Está se apresentando em um palco em frente a uma cortina azul." width="800" height="296" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/1-800x296.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/1-1024x378.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/1-768x284.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/1-1536x567.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/1-1200x443.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/1.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34247" class="wp-caption-text">Pertencente à seção Mostra Brasil da 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Sem Vergonha é musical, biografia e saldo positivo para o Cinema brasileiro (Foto: Dilúvio Produções)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto</b></p>
<p><b></b><span style="font-weight: 400;">O que faz um artista ser reconhecido como transgressor? Caso seu pensamento tenha sido direcionado a elementos como roupas, maquiagens e outros compositores estéticos, repense todas as suas certezas, pois</span><i><span style="font-weight: 400;"> Sem Vergonha </span></i><span style="font-weight: 400;">te mostra que o segredo está na alma livre. Estrelado por Maria Alcina, o musical biográfico fez parte da <a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</a>, na seção Mostra Brasil, e, como a artista que o protagoniza, estabeleceu que limites não são uma opção válida. Afinal, se não for para ultrapassar as barreiras, de que vale fazer qualquer coisa nessa vida?</span></p>
<p><span id="more-34246"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Operária de nascença e com todos os ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">nãos</span></i><span style="font-weight: 400;">’</span> <span style="font-weight: 400;">apontados para o seu rosto, a cantora nadou contra a corrente para crescer no meio musical nacional. Agora, seguindo o fluxo de uma vida, ousa entregar algo único na produção de 79 minutos que se classifica oficialmente como documentário, mas tem um formato tão singular que, novamente, se amplifica em possibilidades. Performático, teatral, sonoplasta e cenográfico são alguns dos vocábulos que definem a deliciosa narrativa roteirizada por <a href="https://mubi.com/pt/cast/thiago-brito">Thiago Brito</a>. </span></p>
<figure id="attachment_34248" aria-describedby="caption-attachment-34248" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34248" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/2-800x533.jpg" alt="Cena de Sem Vergonha. Na imagem, a cantora Maria Alcina está com o rosto pintado de branco, sombra azul e verde e um batom vermelho. Ela veste um casaco verde florescente com plumas e um chapéu de bobo da corte roxo. Ao fundo, há uma cortina vermelha e luzes amarelas." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/2-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/2-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/2.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34248" class="wp-caption-text">Maria Alcina estourou na Música ao se apresentar no Festival Internacional da Canção do Rio de Janeiro em 1972 com a interpretação de Fio Maravilha, de Jorge Ben Jor (Foto: Dilúvio Produções)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra, duas versões de Maria Alcina se encontram: a jovem sonhadora, representada ficcionalmente, e a própria, em carne e osso, que invade as cenas com relatos e cantoria à la brasileira – representando, com propriedade, a cultura que sempre se orgulhou de ter.  Apesar de inspiradora, essa história não ficcional remonta a dificuldade de ascensão quando se trata de Arte no país e não deixa de destacar uma das grandes vilãs do cenário: a <a href="https://www.gov.br/memoriasreveladas/pt-br/assuntos/destaques/a-ditadura-as-artes-e-a-cultura#:~:text=Em%20seu%20primeiro%20governo%20a,e%20denunciavam%20o%20terrorismo%20cultural%20.">Ditadura Militar</a>. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Na levada enérgica, bem humorada e, como o nome da obra diz, sem vergonha, da cantora, as denúncias nunca ficam de lado, nem que seja para se inserirem de maneira ácida ou ilustrada, à exemplo da performance atrevida com <a href="https://www.youtube.com/watch?v=kFmIgdzKRPQ">Ney Matogrosso</a>. Na década de 1970, esses comportamentos eram fortemente repreendidos e chegaram a ser punidos com a voz da personalidade sendo calada pela censura por 20 dias, o que fez com que ela voltasse ainda mais focada em ser autêntica. As músicas com duplo sentido e grandes doses de conotação sexual são interpretadas durante a obra, relembrando um Brasil quente, sensual e, acima de tudo, vivo.  </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Essa dificuldade de ser Arte em um país de pão e circo, reverbera na decaída de Alcina dos holofotes, algo que afeta diretamente o reconhecimento da persona como um marco da história até hoje. Em reflexo, o orçamento do longa-metragem é visivelmente baixo, mas com o ‘jeitinho’ brasileiro, tecidos variados e coloridos se tornam parte da cenografia assinada pelo diretor de arte <a href="https://www.instagram.com/uiraclemente/">Uirá Clemente</a>. A saída entra como uma jogada de mestre, fazendo com que mais uma linguagem, o Teatro, entre em cena. A sensação é de que tudo se consolida em cima de um palco, uma verdade quando se trata de Maria Alcina. </span></p>
<figure id="attachment_34249" aria-describedby="caption-attachment-34249" style="width: 453px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-34249" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/3.jpg" alt="Cena de Sem Vergonha. Na imagem, Maria Alcina aparece com a pele negra exposta, acompanhada uma sombra roxa e batom vermelho. Ela também usa cabelo colorido de três tons. " width="453" height="238" /><figcaption id="caption-attachment-34249" class="wp-caption-text">&#8220;Naquela época, naquele momento, as pessoas achavam que ser feliz era um insulto&#8221; (Foto: Dilúvio Produções)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em movimentos bastante transitórios e alinhados, a direção de Rafael Saar escolhe passear entre registros reais da época mais jovem de Alcina, cortes de jornal, revistas, gravações, recriações fictícias de cenas, representação de performances e muito mais para amarrar a montagem. Caso </span><i><span style="font-weight: 400;">Sem Vergonha</span></i><span style="font-weight: 400;"> fosse um livro, com certeza entraria no ramo das chamadas <a href="https://www.nostalgiacinza.com.br/2020/05/o-que-e-narrativa-epistolar.html">narrativas epistolares</a>, misturando materiais para chegar a um registro consolidado de mais de 50 anos de carreira. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro aspecto extremamente presente nos </span><i><span style="font-weight: 400;">frames</span></i><span style="font-weight: 400;"> da <a href="https://48.mostra.org/filmes/48a-sem-vergonha">produção</a> é a dança. Esta, se impõe de maneiras coreografadas, mas também sem nenhuma via de regra, representando a corporeidade solta da artista que relata:  “</span><i><span style="font-weight: 400;">eu só consigo cantar com o corpo todo</span></i><span style="font-weight: 400;">”. O misto de Música e ritmo transforma a coisa toda em um espetáculo de sons, onde os passos e notas criam aquela sensação de satisfação em quem assiste. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez pelo tempo curto de um filme ou pela longa história de <a href="https://jornalopharol.com.br/2022/02/a-mulher-veado-repensando-o-brasil-na-voz-de-maria-alcina-parte-i/">Maria Alcina</a>, alguns </span><i><span style="font-weight: 400;">takes</span></i><span style="font-weight: 400;"> parecem ter mais assunto do que espaço para se encaixarem, algo que deixa o telespectador perdido no viés cronológico da coisa. Não é como se não fosse possível chegar no meio da sessão e aproveitar o carisma, no entanto, se o objetivo for entender a carreira da artista, assistir duas vezes acompanhado de um ‘bloquinho’ de notas e uma aba de pesquisas vai se fazer necessário. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Sem Vergonha" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/EY1nkOu0Bw0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Sem Vergonha</span></i><span style="font-weight: 400;"> é quase uma viagem: psicodélica, engraçada, crítica, ácida e com gosto de chanchada. Sinceramente, relembrar o motivo de Maria Alcina ser uma pedra no sapato do conservadorismo e uma referência musical nesse país é um deleite ou, adentrando a ousadia, um sonho molhado. <a href="https://www.esquerdadiario.com.br/Arte-e-transgressao">Transgressão</a> definitivamente ganha um novo significado depois de vislumbrar a obra. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Nas linhas de uma singularidade ímpar, um filme sobre uma artista nunca foi tão irreverente e esse viés se encaixa como uma luva para retratar alguém tão indimensionável quanto Alcina. Nos antros de pessoas, arte, obras, músicas e performances mornas e repetitivas, não ter vergonha de ser é corajoso e memorável. </span><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu era o que eu era porque eu nasci assim</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span> <span style="font-weight: 400;"> é mais que uma aspas, uma lição para aqueles que se fogem do inescondível: o eu. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/sem-vergonha-critica/">Entre passado e futuro, o presente em Sem Vergonha é a Arte</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Às vezes, nós não Precisamos Falar…</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Oct 2024 22:00:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Borges Nenhuma visão de mundo é igual. É isso que a produção brasileira Precisamos Falar mostra. O longa, exibido na seção Mostra Brasil da 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, aborda os limites da moralidade e acompanha as turbulências no relacionamento intrafamiliar de duas famílias do Rio de Janeiro. Inspirado no livro &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/precisamos-falar-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Às vezes, nós não Precisamos Falar…"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34235" aria-describedby="caption-attachment-34235" style="width: 770px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34235" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-9.png" alt="Cena do filme Precisamos Falar. Na imagem vemos Sandra e Paulo pensando em algo. Sandra, mulher branca com cabelos castanhos, veste um top azul e corta-vento cinza, seus cabelos estão presos em um rabo de cavalo. Celso, homem branco com barba e cabelos grisalhos, veste uma camisa de botão listrada branca e vinho. Ao fundo dos dois é possível ver uma geladeira." width="770" height="529" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-9.png 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-9-768x528.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34235" class="wp-caption-text">Precisamos Falar aborda negacionismo e narcisismo (Foto: Conspiração Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Borges</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nenhuma visão de mundo é igual. É isso que a produção brasileira </span><i><span style="font-weight: 400;">Precisamos Falar</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostra. O longa, exibido na seção Mostra Brasil da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, aborda os limites da moralidade e acompanha as turbulências no relacionamento intrafamiliar de duas famílias do Rio de Janeiro. Inspirado no livro </span><i><span style="font-weight: 400;">O Jantar</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Herman Koch, o filme mostra a reflexão sobre até onde os pais vão para proteger seus filhos.</span></p>
<p><span id="more-34234"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Produzido por Pedro Waddington e Rebeca Diniz, o </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller </span></i><span style="font-weight: 400;">psicológico</span> <span style="font-weight: 400;">explora o pior do alto escalão da classe média carioca. Acompanhando os casais Sandra (</span><a href="https://istoe.com.br/marjorie-estiano-celebra-novo-trabalho-com-alexandre-nero-e-critica-personagem-negacionista/"><span style="font-weight: 400;">Marjorie Estiano</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Paulo (Alexandre Nero), e Celso (Emílio de Mello) e Anna (Hermila Guedes), a trama gira em torno da descoberta de um terrível homicídio cometido por seus filhos adolescentes – o que acaba ocasionando tensões nas relações das famílias.</span></p>
<figure id="attachment_34236" aria-describedby="caption-attachment-34236" style="width: 574px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34236" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-10.png" alt="Cena do filme Precisamos Falar. Na imagem vemos Jefferson e Rick caminhando em um parque. Jefferson, adolescente negro com cabelo preto, usa blusa manga longa verde, calça preta e um tênis branco. Rick, adolescente branco de cabelos castanhos, veste camisa xadrez, calça e tênis ambos preto. Os dois estão caminhando de costas para a câmera." width="574" height="324" /><figcaption id="caption-attachment-34236" class="wp-caption-text">A dupla Jefferson e Rick procura incriminar o primo Michel (Foto: Conspiração Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Abordando a </span><a href="https://telaviva.com.br/29/08/2023/conspiracao-filmes-roda-o-longa-precisamos-falar-sobre-nossos-filhos/"><span style="font-weight: 400;">banalidade do mal</span></a><span style="font-weight: 400;">, sobre os direitos humanos para humanos direitos, o longa nos convida a uma dolorosa introspecção sobre a natureza da nossa responsabilidade. Apesar de tratar de um assunto muito batido e que bate sempre na mesma tecla de ‘criticar a elite brasileira’, a produção de Waddington e Diniz foi bastante perspicaz ao abordar o negacionismo justamente em um período pós-governo bolsonarista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A maturidade artística dos atores mais novos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Precisamos Falar</span></i><span style="font-weight: 400;"> propõe uma construção muito bem interpretada, já os adultos deixam um pouco a desejar. O personagem de Alexandre Nero é intragável, um homem nazifacista que é contra todos os direitos da população pobre, que se vê na posição de julgar o que acha certo e errado dentro da sociedade. Já o núcleo adolescente da produção contempla um </span><a href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-1000011295/criticas-adorocinema/"><span style="font-weight: 400;">desenvolvimento</span></a><span style="font-weight: 400;"> excelente, além de alimentar a curiosidade do público sobre os acontecimentos da trama. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apostando em ângulos que enfatizam o desconforto moral dos personagens, o longa permite a escolha de uma narrativa que contemple a incerteza. Em meio a diversas chantagens, a cultura contemporânea brasileira é apresentada de forma extremamente provocativa e fragmentada. Como em</span> <a href="https://personaunesp.com.br/taxi-driver-completa-40-anos-permanece-extremamente-atual/"><i><span style="font-weight: 400;">Taxi Driver &#8211; Motorista de Táxi</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1976), a ‘libertação’ que Michel (Thiago Voltolini) tanto fala e reproduz está pautada no seu senso de exclusão e eliminação do outro, como um paradoxo aos pactos conservadores de direita, que utilizam de atos de violência como forma de ‘limpar’ o ambiente ao seu redor.</span></p>
<figure id="attachment_34237" aria-describedby="caption-attachment-34237" style="width: 574px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34237" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-5.png" alt="Cena do filme Precisamos Falar. Na foto vemos Rick, Anna e Celso se despedindo. Rick, adolescente branco com cabelos castanhos, veste um moletom cinza e em suas costas carrega uma mochila preta. Anna, mulher branca de cabelos castanhos, veste uma camisa clara. Sua mão esquerda segura o peito de seu filho Rick. Celso, homem branco com barba e cabelos grisalhos, veste uma camiseta cinza sobreposta por uma camisa de botões azul. Anna e Celso estão se despedindo de Rick. No fundo é possível ver uma parede branca com um quadro ao centro." width="574" height="383" /><figcaption id="caption-attachment-34237" class="wp-caption-text">O filme estreou no Festival do Rio em 2024 (Foto: Conspiração Filmes)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Precisamos Falar</span></i><span style="font-weight: 400;"> encara o lado direitista, negacionista e narcisista da população brasileira. A obra, que causa </span><a href="https://caras.com.br/atualidades/marjorie-estiano-retrata-relacoes-familiares-no-cinema-uma-provocacao.phtml"><span style="font-weight: 400;">desconforto</span></a><span style="font-weight: 400;"> no espectador do início ao fim,  vai além do entretenimento e nos faz questionar sobre até que ponto a impunidade é dada às riscas para o ser humano. O que nos resta, é esperar sentados e aguardar por uma resposta. Afinal, “</span><i><span style="font-weight: 400;">a verdade ama se esconde</span></i><span style="font-weight: 400;">r” – como mostra o </span><i><span style="font-weight: 400;">slogan </span></i><span style="font-weight: 400;">do filme.</span></p>
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		<title>A ruína dos homens em Oeste Outra Vez</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Oct 2024 20:00:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo Já tem alguns anos que o Cinema, principalmente o western, tem desconstruído os mitos que solidificaram gêneros. Oeste Outra Vez, de Erico Rassi, segue pela mesma boiada, colocando em duelo os homens e seus relacionamentos. Nesse sertão, Toto (Ângelo Antônio) contrata um pistoleiro para dar um fim no homem que conquistou sua mulher. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/oeste-outra-vez-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A ruína dos homens em Oeste Outra Vez"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34231" aria-describedby="caption-attachment-34231" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34231" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-9.png" alt="Na imagem, em formato horizontal, Toto e Jerominho cavalgam por uma paisagem de mato amarelado e morros ao fundo. O fundo é azul com árvores. Toto está do lado esquerdo, mais atrás de Jerominho, em cima de um cavalo com pelagem cinza. Ele veste uma camisa de botão na cor branca e calça jeans. Ele é um homem na faixa dos 60 anos, de pele escura e cabelos grisalhos. Jerominho está mais à frente, montado em um cavalo branco, bem sujo. Ele veste uma jaqueta azul e calça cinza, Usa na cabeça um chapéu preto. Ele é um homem na faixa dos 80 anos. " width="1920" height="709" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-9.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-9-800x295.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-9-1024x378.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-9-768x284.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-9-1536x567.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-9-1200x443.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34231" class="wp-caption-text">As filmagens foram feitas no sertão de Goiás (Foto: O2 Play)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já tem alguns anos que o Cinema, principalmente o </span><i><span style="font-weight: 400;">western</span></i><span style="font-weight: 400;">, tem desconstruído os mitos que solidificaram gêneros. </span><i><span style="font-weight: 400;">Oeste Outra Vez</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Erico Rassi, segue pela mesma boiada, colocando em duelo os homens e seus relacionamentos. Nesse sertão, Toto (Ângelo Antônio) contrata um pistoleiro para dar um fim no homem que conquistou sua mulher. O filme faz parte da seção Mostra Brasil da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-34230"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é exagero afirmar que o trabalho de </span><a href="https://telaviva.com.br/23/10/2024/erico-rassi-e-rafaela-camelo-diretores-do-centro-oeste-crescem-no-cinema-nacional/"><span style="font-weight: 400;">Rassi</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um dos melhores desta edição da Mostra; diálogos assombrosos, </span><i><span style="font-weight: 400;">takes </span></i><span style="font-weight: 400;">riquíssimos e a perfeita escolha de cores são os destaques no mar de qualidades deste clima árido. O longa é muito duro, são poucos cortes, quase nenhuma movimentação de câmera e planos que se estendem, simulando a vida desses personagens chucros, que convivem com muita sujeira e precariedade: dividem um mesmo prato com três colheres. No início, a primeira coisa que se ouve é o zumbido de uma mosca e o que se vê é um campo árido cheio de lixo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A casa do protagonista, dos coadjuvantes e os espaços que todos frequentam expressam a falta de alguma coisa. Um caco de vidro é usado como espelho, quase nada aparenta limpeza – nem roupas ou louça –, os bares estão vazios, se cheios, sem mulheres e o jogo de sinuca não tem vencedor. Se estamos no oeste </span><a href="https://cinemaemcena.com.br/coluna/ler/524/nos-rastros-do-western"><span style="font-weight: 400;">outra vez</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que mudou desde a primeira vez que um caubói marcou a pegada de sua bota? </span></p>
<figure id="attachment_34232" aria-describedby="caption-attachment-34232" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34232" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-8.png" alt="Na imagem, Durval está sentado no balcão de um bar, segurando entre as mãos um copo de cerveja. Ele é um homem negro na faixa dos 40 anos, de cabelos crespos. Ele veste uma camisa de botões xadrez na cor vermelha e um relógio de pulso na cor dourada. As paredes são metade azul e metade vermelha. Ao fundo há dois carros estacionados. Um branco e o outro vermelho. " width="750" height="394" /><figcaption id="caption-attachment-34232" class="wp-caption-text">O filme ganhou o prêmio de Melhor Longa-Metragem Brasileiro no Festival de Gramado de 2024 (Foto: O2 Play)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os homens do diretor goiano não são heróis, grandes pistoleiros ou símbolos de honra. Mas, sim, sórdidos; o que sabem fazer melhor é beber e pouco conversam. Porém, são muito parecidos, não existem vilões ou maniqueísmos, todos estão ligados pela ausência do amor e a incapacidade de viver sozinho. Em certo momento, Toto, ao telefone, diz que Jerominho (</span><a href="https://personaunesp.com.br/bacurau-critica/"><span style="font-weight: 400;">Rodger Rogério</span></a><span style="font-weight: 400;">) não é seu amigo, mesmo que ambos atravessem um sertão juntos, eles não reconhecem nesses homens um senso de irmandade e de afeto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Toto, Durval (</span><a href="https://personaunesp.com.br/falas-negras-critica/"><span style="font-weight: 400;">Babu Santana</span></a><span style="font-weight: 400;">) e todos os personagens tratam as mulheres como posses, algo que foi roubado, perdido ou tirado deles por alguém. Não como uma pessoa que optou em ir embora. Esse comportamento, faz sentido na construção desta história, afinal, é uma das poucas realizações que eles têm na vida. Outros nem possuem e só viveram uma paixão de “</span><i><span style="font-weight: 400;">longe</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A única mulher que aparece em todo filme, sem aparecer seu rosto, é a razão para todos os confrontos existirem, mas ela dá as costas e vai embora, deixando que os homens briguem. Eles continuam repetindo ciclos de violência até quando quem estava ali não vai voltar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mpfIuJh_skU"><span style="font-weight: 400;">Erico Rassi</span></a><span style="font-weight: 400;"> é seca como o deserto, dura como o cacto e ardida como o sol. Ele não é pomposo ao contar a história de homens perdidos em suas masculinidades, com poucas falas e muitos momentos silenciosos. O </span><i><span style="font-weight: 400;">western </span></i><span style="font-weight: 400;">brasileiro mantém eles no mesmo lugar que saíram, distanciando a câmera cada vez mais; não há planos detalhe, os horizontes são muito maiores que eles e as cenas de ação escassas. As escolhas narrativas de Rassi não dão margem para salvação dos personagens e levam-nos ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oeste Outra Vez</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>Mussum, o Filmis: o samba e o humor brasileiro agradecem</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Nov 2023 19:44:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Mussum, o Filmis chegou às telas em uma safra fértil para as personalidades brasileiras: alguns meses depois de Nosso Sonho, junto do documentário Elis e Tom, Só Tinha de Ser com Você e Meu Nome é Gal, e pouco antes de Meu Sangue Ferve por Você. Haja cultura e diversidade em um ano &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/mussum-o-filmis-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Mussum, o Filmis: o samba e o humor brasileiro agradecem"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31839" aria-describedby="caption-attachment-31839" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31839" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586.jpg" alt="" width="1280" height="531" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586-800x332.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586-1024x425.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586-768x319.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586-1200x498.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31839" class="wp-caption-text">Maior estreia nacional em 2023, Mussum, o Filmis integrou a programação da 47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Downtown Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegou às telas em uma safra fértil para as personalidades brasileiras: alguns meses depois de </span><a href="https://personaunesp.com.br/nosso-sonho-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nosso Sonho</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, junto do documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">Elis e Tom, Só Tinha de Ser com Você </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eV1cJ560K2E"><i><span style="font-weight: 400;">Meu Nome é Gal</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e pouco antes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Meu Sangue Ferve por Você</span></i><span style="font-weight: 400;">. Haja cultura e diversidade em um ano em que, independentemente dos desempenhos individuais de cada obra, o Cinema nacional mostrou a potência que é &#8211; e que poderia ser ainda maior com </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/08/as-cotas-de-tela-sao-positivas-para-o-cinema-brasileiro-e-precisam-ser-retomadas.shtml"><span style="font-weight: 400;">políticas públicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que verdadeiramente valorizassem esse potencial. Para melhorar, a envolvente cinebiografia do sambista, ator e comediante Mussum, eternamente conhecido pelo seu papel como um dOs Trapalhões, arranca risadas fáceis e, não por menos, estreou com seis Kikitos do Festival da Gramado na bagagem, além de passagens pelo Festival do Rio 2023 e pela 47ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, na seção Mostra Brasil.</span></p>
<p><span id="more-31833"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">veio com um desafio: adaptar para as telas, em pouco menos de duas horas, a vida de uma personalidade polivalente, que se destacou na Música, na TV e no Cinema. Logo aqui, o roteiro de Paulo Cursino toma uma decisão importante de focar menos no extenso currículo pelo qual o profissional é conhecido e mais em Antônio Carlos Bernardes Gomes, nome real de </span><a href="https://gshow.globo.com/tudo-mais/tv-e-famosos/noticia/ailton-graca-explica-origem-do-apelido-mussum-e-um-peixe.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Mussum</span></a><span style="font-weight: 400;">. É por esse título (ou melhor, Carlinhos) que ele era conhecido em sua faceta artística preferida, a de sambista, e o apelido da Televisão vira coadjuvante em uma história que mostra os bastidores pessoais do Trapalhão.</span></p>
<figure id="attachment_31834" aria-describedby="caption-attachment-31834" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31834" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-2.jpg" alt="" width="750" height="421" /><figcaption id="caption-attachment-31834" class="wp-caption-text">Estreando na direção de longas-metragem em Mussum, Silvio Guindane é mais conhecido por seu trabalho como ator, tendo participado Bom Dia, Verônica e É Fada (Foto: Downtown Filmes)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">é pau para toda obra: entre comédia e drama, a obra entrega excelência, risadas e emoções. Além de transitar entre os dois gêneros, o longa-metragem &#8211; o primeiro de Silvio Guindane na direção -, passeia entre a </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/noticia/2023/10/22/ailton-graca-mussum-e-um-personagem-tao-grande-que-precisa-de-tres-atores-para-dar-vida.ghtml"><span style="font-weight: 400;">vida pessoal de Carlinhos</span></a><span style="font-weight: 400;"> desde a infância até o auge da carreira na Rede Globo, esquivando até de alguns clichês. Por exemplo, a origem humilde do menino, que cresceu com uma mãe solo diarista e sem pai por perto no Rio de Janeiro, ganha tons de comédia com uma mãe mestre em arrancar sorrisos. Interpretada por Cacau Protásio em um primeiro momento, Malvina ensina o filho que estudar é o mais importante na vida e que, como jogador de futebol ou sambista, ele não vai dar certo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O erro é claro. O doce Carlinhos, até aqui vivido por um carismático Thawan Lucas Bandeira, vai para um colégio interno e vira militar. Pelo menos, isso é o que a versão jovem adulta de </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/entrevistas/mussum-o-filmis-todo-mundo-brinca-que-foi-uma-parada-espiritual-que-o-mussum-baixou-em-mim-naquele-momento-revela-yuri-marcal/"><span style="font-weight: 400;">Yuri Marçal</span></a><span style="font-weight: 400;"> conta. Cheio de caras e bocas, o protagonista é apresentado como um sambista de primeira e, mesmo que minta para mãe sobre seu paradeiro, ganha a vida tocando junto de Elza Soares e fazendo mais dinheiro do que ele poderia imaginar, o que o faz largar o Exército e investir de vez na carreira. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">é econômico em como ele chegou até ali, mas, mais para frente, mostra que a economia na verdade era sucintez.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fato é: a formação que tocou com a rainha da Música brasileira era </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rvuNLJX1Pt8&amp;pp=ygUZb3JpZ2luYWlzIGRvIHNhbWJhIHRlcmV6YQ%3D%3D"><span style="font-weight: 400;">Os Originais do Samba</span></a><span style="font-weight: 400;">, grupo de Antônio Carlos que se tornou notório no gênero musical. No entanto, por mais que Carlinhos estivesse satisfeito com o título de musicista dividindo uma roda de samba com Cartola, a sorte (ou o acaso) o chamou. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mussum</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostra como, em uma apresentação na Rede Globo, o artista foi notado pelo diretor e, de um segundo para o outro, estava dividindo o palco com Grande Otelo e ganhando o apelido que o acompanharia pelo resto de seus dias.</span></p>
<figure id="attachment_31835" aria-describedby="caption-attachment-31835" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31835" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-4.jpg" alt="" width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-31835" class="wp-caption-text">O longa-metragem foi sucesso de bilheteria e, logo no dia da estreia, arrecadou R$ 640 mil, se tornando a maior estreia nacional do ano (Foto: Downtown Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse momento, Carlinhos já é </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/ailton-graca-sobre-mussum-o-racismo-cria-estereotipos-para-homem-preto"><span style="font-weight: 400;">Ailton Graça</span></a><span style="font-weight: 400;">. As transições cheias de estilo, que combinam com o tom descontraído que o longa propõe, engolem alguns eventos importantes da vida de Mussum, sem um controle certo do tempo. Porém, o roteiro admite (e acerta) que não tenta abraçar o mundo com as mãos. Passagens como o primeiro e o segundo casamento do artista, sua relação com os filhos e até o início da colaboração com a </span><a href="https://oglobo.globo.com/blogs/ancelmo-gois/post/2023/10/mussum-o-filmis-sera-exibido-na-quadra-da-mangueira-grande-paixao-do-humorista.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Estação Primeira de Mangueira</span></a><span style="font-weight: 400;"> passam batido, mas compensam o espectador com outros momentos igualmente emocionantes. É impossível não se emocionar com o pequeno ensinando a mãe a escrever o nome ou sentir que está vendo a história se desenrolando ao testemunhar o comediante e a cantora Alcione (</span><span style="font-weight: 400;">Clarice Paixão</span><span style="font-weight: 400;">) no mesmo quadro, ou Chico Anysio (Vanderlei Bernardino) criando o dialeto que deixou o personagem caricato na Escolinha do professor Raimundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem carrega toda essa emoção é Graça. O veterano da TV e do Cinema fecha o trio de ouro com a versão mais velha de Mussum, vivendo sua ascensão na frente das câmeras e na Música, desde a descoberta até a crise no grupo de samba e a entradas n</span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/televisao/em-1983-lucro-exorbitante-de-renato-aragao-provocou-rebeliao-em-os-trapalhoes-39202"><span style="font-weight: 400;">Os Trapalhões</span></a><span style="font-weight: 400;">. O filme deixa claro como o carisma e o bom humor de Antônio Carlos &#8211; e não Mussum &#8211; o alçou ao estrelato, chamando atenção inclusive de Anysio e Renato Aragão (Gero Camilo), que posteriormente o convidaria para integrar o quarteto mais famoso do domingo. Nisso, o ator igualmente carismático usa da sua maestria para preencher todos os espaços em que adentra, seja pela extravagância de sua risada, seu jeito cômico e magnético de falar ou por sua personalidade real, que o levaria a conflitos pessoais.</span></p>
<p><figure id="attachment_31837" aria-describedby="caption-attachment-31837" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31837" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-2.jpg" alt="" width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-31837" class="wp-caption-text">No Festival de Gramado, as atuações de Mussum, o Filmis renderam ao longa os troféus de Melhor Ator (Ailton Graça), Melhor Atriz Coadjuvante (Neusa Borges) e Melhor Ator Coadjuvante (Yuri Marçal) [Foto: Downtown Filmes]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Tais conflitos, inclusive, ganham mais ou menos importância dentro das quase duas horas. A trama elege o que prioriza, deixando um quê de dúvida sobre o que ficou de fora e o que foi </span><a href="https://gshow.globo.com/tudo-mais/tv-e-famosos/noticia/silvio-guindane-diz-que-fora-das-telas-mussum-nao-bebia-como-personagem-nao-era-a-parada-dele-nunca-foi.ghtml"><span style="font-weight: 400;">romantizado</span></a><span style="font-weight: 400;"> na vida de Mussum para as telas. A crise no primeiro casamento e a paternidade do artista, por exemplo, recebem menos atenção do que as brigas dentro do grupo musical ou entre Trapalhões em ascensão. Já o </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/entrevistas/mussum-o-filmis-quem-filma-o-preto-como-sofredor-e-o-branco-a-gente-nao-se-acha-coitado-por-isso-queria-falar-desse-amor-de-mae-e-filho-revela-o-diretor-silvio-guindane/"><span style="font-weight: 400;">racismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> aparece de forma sutil, mas a comédia não esquece do tom social: Carlinhos tem um letramento racial desde a infância, graças à mãe, e já mais velho pontua situações incômodas às quais é submetido dentro do programa de TV no domingo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa se balanceia e se redime em outros pontos. Recriando as cenas do programa na TV e das performances dOs Originais do Samba, trazendo figurinos da época e incluindo grandes nomes da cultura popular brasileira, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">acerta na nostalgia, na identificação da cultura nacional e na dinamicidade, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=d2qyEAzpBso"><span style="font-weight: 400;">deixando a própria história se contar</span></a><span style="font-weight: 400;">. Afinal, até os mais novos sabem quem é Didi, Boni ou Alcione. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já um dos pontos altos da sucintez do roteiro é o foco especial entre o conflito de interesses de Antônio Carlos e a relação com a mãe. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">faz jus à carreira de sambista do comediante e mostra como ele optou continuar na TV, mas sempre sonhando em retornar ao samba. Já na relação com a matriarca, a transição da juventude para a idade adulta traz Neusa Borges como a versão mais velha de Malvina. O retrato do afeto entre mãe e filho, com </span><a href="https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2023/08/20/mussum-o-filmis-e-o-grande-vencedor-do-51o-festival-de-cinema-de-gramado.ghtml"><span style="font-weight: 400;">cenas comoventes</span></a><span style="font-weight: 400;"> toda vez que Graça e Borges contracenam, mostram que o </span><i><span style="font-weight: 400;">Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">realmente não é sobre a carreira de Mussum, mas quem sempre esteve por trás dela.</span></p>
<p><figure id="attachment_31836" aria-describedby="caption-attachment-31836" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31836" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-3.jpg" alt="" width="750" height="421" /><figcaption id="caption-attachment-31836" class="wp-caption-text">Mussum, o Filmis foi o grande vencedor de Gramado e, além dos prêmios de atuação, levou Melhor Filme, Melhor Trilha Musical (Max de Castro) e Melhor Filme do júri popular [Foto: Downtown Filmes]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Alguns clichês são inevitáveis em todos os gêneros e, em cinebiografias, a tentativa de conectar a vida do artista retratado com o público pode enforcar a obra, criando momentos de emoção que simplesmente não vão para frente. Talvez por se tratar de uma história nacional e tão próxima de casa (ou melhor, da TV da sala), </span><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">tem tudo para encantar qualquer audiência &#8211; ela só tem que ser corajosa o suficiente para deixar a </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;"> de lado e </span><a href="https://almapreta.com.br/sessao/cultura/mussum-o-filmis-tem-a-maior-estreia-no-cinema-nacional-em-2023/"><span style="font-weight: 400;">valorizar o Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;"> e as personalidades brasileiras. </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/mussum-o-filmis-critica/">Mussum, o Filmis: o samba e o humor brasileiro agradecem</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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