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	<title>Arquivos Michelle Obama &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Eles podem até ser os presidentes, mas quem manda são as primeiras-damas!</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Sep 2022 21:11:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto Trazer figuras importantes diretamente do cenário político-social norte-americano para os holofotes dos palcos do audiovisual tem sido uma estratégia explorada pelos roteiristas e diretores da indústria cinematográfica. Seguindo a linha de produções como Mrs. América e Gaslit, The First Lady escolhe retratar os eventos de três presidências dos Estados Unidos pelo outro lado &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-first-lady-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Eles podem até ser os presidentes, mas quem manda são as primeiras-damas!"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28663" aria-describedby="caption-attachment-28663" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-28663" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-1.jpeg" alt="Foto da série The First Lady. Na imagem está a personagem Michelle Obama, interpretada pela atriz Viola Davis. Michelle é uma mulher negra, tem cabelos pretos ondulados de comprimento médio e está usando um vestido frente única com estampas geométricas em preto e branco. Ela está sentada com uma mão sob o queixo e a outra segurando a perna, seu rosto é sério com um leve bico nos lábios. Ao fundo, há uma parede branca e bege com textura listrada." width="640" height="468" /><figcaption id="caption-attachment-28663" class="wp-caption-text">Mesmo com o elenco de peso, The First Lady não chegou a ser citada nas categorias principais do Emmy de 2022 (Foto: Showtime)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Trazer figuras importantes diretamente do cenário político-social norte-americano para os holofotes dos palcos do audiovisual tem sido uma estratégia explorada pelos roteiristas e diretores da indústria cinematográfica. Seguindo a linha de produções como </span><a href="https://personaunesp.com.br/mrs-america-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Mrs. América</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/gaslit-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Gaslit</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> The First Lady </span></i><span style="font-weight: 400;">escolhe retratar os eventos de três presidências dos Estados Unidos pelo outro lado da moeda. Na antologia lançada em 2022 pela emissora </span><i><span style="font-weight: 400;">Showtime</span></i><span style="font-weight: 400;">, a Casa Branca abre os portões para visitas com anfitriãs que não poderiam ser mais ilustres. </span></p>
<p><span id="more-28662"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eleanor Roosevelt, Betty Ford e </span><a href="https://harpersbazaar.uol.com.br/estilo-de-vida/oprah-entrevista-michelle-obama-sobre-infancia-dificil/"><span style="font-weight: 400;">Michelle Obama</span></a><span style="font-weight: 400;"> são as damas que nos convidam a adentrar os bastidores de suas vidas. Em um novo ponto de vista, as personagens se eximem do peso de serem traduzidas pela simplicidade de existir como coadjuvantes da história estadunidense. Assim, no enredo assinado por </span><a href="https://www.oregonlive.com/entertainment/2022/04/portland-native-aaron-cooley-on-showtimes-the-first-lady-and-tvs-true-stories-trend.html"><span style="font-weight: 400;">Aaron Cooley</span></a><span style="font-weight: 400;">, mostrar pouco dos governos de Franklin Roosevelt, Gerald Ford e Barack Obama, mas muito das perspectivas de suas esposas, é o maior propósito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com produção executiva da também protagonista </span><a href="https://noticiapreta.com.br/viola-davis-interpreta-michelle-obama-em-the-first-lady/"><span style="font-weight: 400;">Viola Davis</span></a><span style="font-weight: 400;">, a narrativa aborda uma linha temporal múltipla com variações entre as épocas em que cada uma das primeiras-damas vive dentro do universo dos governantes. O foco é mostrar o contraste das personalidades, buscando respaldo em </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> curtos das juventudes das personagens. Além disso, há a inserção de elementos opressores, com o intuito de demonstrar o embate entre a força de seus ideais e a pressão social que as impacta, diante da importância da </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/estilo/a-transformacao-da-imagem-de-uma-primeira-dama-em-arma/"><span style="font-weight: 400;">representação</span></a><span style="font-weight: 400;"> que exercem.</span></p>
<figure id="attachment_28664" aria-describedby="caption-attachment-28664" style="width: 1240px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-28664" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2.jpeg" alt="Foto da série The First Lady. Na imagem estão os personagens Michelle Obama, interpretada por Viola Davis, e Barack Obama, interpretado por O-T Fagbenle. Michelle é uma mulher negra de cabelos pretos curtos, está vestindo um vestido vermelho de manga 3/4 e está sorrindo com os lábios fechados. Barack é um homem negro com cabelos escuros raspados, ele veste um terno preto com uma gravata azul. Os dois estão lado a lado, enquanto ele cumprimenta alguém com um aperto de mão. No plano de fundo, aparece um homem negro e uma mulher branca próximos a uma parede branca com detalhes dourados" width="1240" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2.jpeg 1240w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-800x581.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-1024x743.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-768x557.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-1200x871.jpeg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28664" class="wp-caption-text">De The Handmaid&#8217;s Tale a The First Lady, O-T Fagbenle se mostra um ator marcado pela versatilidade (Foto: Showtime)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da nobreza no intuito de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Primeira-Dama </span></i><span style="font-weight: 400;">(como a obra chegou no Brasil), não é necessário nem meio episódio para mostrar que algo está fora do lugar. Começando pelo destaque de Michelle Obama (Viola Davis) e a percepção de que pensar como quem tem o jogo ganho é a receita certa para perder. Ao longo da progressão da série, a ideia de misturar a força de uma figura tão conhecida e marcada por uma presença de tamanha singularidade como a de Michelle, a grandeza proporcionalmente original da </span><a href="https://vogue.globo.com/sua-idade/noticia/2022/05/sobre-viola-davis-e-impostora-que-vive-em-todas-nos.html"><span style="font-weight: 400;">ganhadora do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, parece incompatível. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com a atriz envolta por uma forte caracterização e um visível estudo dos trejeitos da ex-primeira-dama, ainda não conseguimos vê-la nas telas. Fica para o telespectador o resultado frustrante de algo teoricamente perfeito ruindo bem em frente às câmeras. A qualidade da atuação de </span><a href="https://vogue.globo.com/lifestyle/cultura/noticia/2021/04/10-melhores-filmes-e-series-de-viola-davis-indicada-ao-oscar-2021-para-assistir-agora.html"><span style="font-weight: 400;">Davis</span></a><span style="font-weight: 400;"> é inegável, mas seu grande empecilho é o frescor da memória da senhorita Obama nas nossas memórias &#8211; afinal, </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-55958325"><span style="font-weight: 400;">2017</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi ontem. Dessa forma, assistir as cenas deixa para trás a sensação de comer um doce queimado, mesmo com todo o açúcar, o fundo continua amargo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ponto mais forte da presença de Michelle na produção está em suas interações com o abismo social criado pela racialidade e o peso de ser a </span><a href="https://www.poder360.com.br/opiniao/michelle-obama-uma-mulher-que-rejeitou-o-papel-de-coadjuvante-escreve-adriana-vasconcelos/"><span style="font-weight: 400;">primeira mulher negra</span></a><span style="font-weight: 400;"> a ocupar o lugar de primeira-dama. Testemunhar o medo, as ameaças e a segregação espalhada por todos os espaços nos quais ela adentrava faz com que seja possível sentir o desconforto de chegar como quem invade uma festa na surdina. O grande alívio é ver a figura resistindo ao enfrentar o presidente e o mundo pelo direito de continuar inteira em um país construído pelo genocídio do povo preto. Nos diálogos com o marido, interpretado por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SPY1ATMT_LU"><span style="font-weight: 400;">O-T Fagbenle</span></a><span style="font-weight: 400;">, fica constatado que não há poder suficiente no mundo para comprar autenticidade.</span></p>
<figure id="attachment_28665" aria-describedby="caption-attachment-28665" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-28665" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-3.jpeg" alt="Foto da série The First Lady. Na imagem está a personagem Eleanor Roosevelt, interpretada por Gillian Anderson. Eleanor é uma mulher branca, tem cabelos loiros curtos e olhos azuis. Ela veste uma blusa vermelha com um blazer vermelho com bordados espiralados, e em seu pescoço tem um colar de pérolas que dá três voltas. Ao fundo está uma parede azul desfocada." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-3.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-3-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-3-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-3-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-3-1200x675.jpeg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28665" class="wp-caption-text">Depois do papel de destaque em Sex Education, Eleanor Roosevelt parece apagar Gillian Anderson (Foto: Showtime)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A introdução das perspectivas de </span><a href="https://www.unidospelosdireitoshumanos.org.br/voices-for-human-rights/eleanor-roosevelt.html#:~:text=Eleanor%20Roosevelt%20(1884%20%E2%80%931962),Declara%C3%A7%C3%A3o%20Universal%20dos%20Direitos%20Humanos."><span style="font-weight: 400;">Eleanor Roosevelt</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Gillian Anderson) pode ter sido outra pedra no caminho do desenvolvimento da Família Obama. Quando Franklin chega ao governo, a atmosfera estadunidense performa um verdadeiro apocalipse, já que sua primeira presidência sucede a quebra da bolsa de valores de Nova York em </span><a href="https://g1.globo.com/economia/noticia/2019/10/24/quebra-da-bolsa-de-nova-york-completa-90-anos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">1929</span></a><span style="font-weight: 400;">. Esse momento caótico acaba tornando os problemas de Eleanor mais comoventes em comparação aos das outras protagonistas. O forte enfoque nas atitudes da personagem em relação ao meio social e em suas frequentes afirmações pela defesa da população em maior vulnerabilidade tiram o ar caricato e atribuem um aspecto sensivelmente humanizado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, quando há transições entre os </span><i><span style="font-weight: 400;">frames </span></i><span style="font-weight: 400;">de Eleanor e Michelle, os contrastes se tornam ainda mais visíveis e incômodos. As narrativas não cumprem o papel de diferenciar as épocas sem sacrificar a uniformidade da história, fazendo com que até mesmo a Fotografia, comandada por </span><a href="https://variety.com/2015/artisans/news/d-p-amir-mokri-fills-in-the-blanks-with-imagination-1201477816/"><span style="font-weight: 400;">Amir Mokri</span></a><span style="font-weight: 400;">, perca em termos de continuidade. Essas rupturas também são evidenciadas pela presença das </span><a href="https://www.papelpop.com/2021/01/the-first-lady-kristine-froseth-e-jayme-lawson-sao-adicionadas-ao-elenco-da-serie/"><span style="font-weight: 400;">jovens primeiras-damas</span></a><span style="font-weight: 400;">, viajar por tantos planos temporais tira, desnecessariamente, o ritmo da passagem dos 10 episódios da obra. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda com a capacidade de identificação e empatia atribuída a </span><i><span style="font-weight: 400;">Lady</span></i><span style="font-weight: 400;"> Roosevelt, a direção – responsabilidade de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-J4N71dWzr4"><span style="font-weight: 400;">Ellen Burstyn</span></a><span style="font-weight: 400;"> – não consegue exprimir todo o potencial de Gillian. Assim, a representação é satisfatória, porém, fica aprisionada a uma monotonia tibia. Mostrando a falha de escolher tantos focos e não dar a devida atenção a nenhum deles, cada episódio de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-ZoIHr45Yfw"><i><span style="font-weight: 400;">The First Lady</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se emaranha em mais labirintos que não levam a lugar algum. </span></p>
<figure id="attachment_28666" aria-describedby="caption-attachment-28666" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28666" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-4-1.jpg" alt="Foto da série The First Lady. Na imagem está a personagem Betty Ford, interpretada por  Michelle Pfeiffer. Betty é uma mulher branca com cabelos castanho claros e está vestindo um casaco de pele bege sobreposto a uma camisa branca. Ela tem uma taça de bebida alcoólica em sua mão direita e está encostada em um balcão de bar. Ao fundo há um funcionário negro de uniforme vermelho" width="1024" height="759" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-4-1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-4-1-800x593.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-4-1-768x569.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28666" class="wp-caption-text">Dando um show de interpretação, a eterna mulher gato Michelle Pfeiffer reafirma que seu talento não ficou no século passado (Foto: Showtime)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de tantos desacertos, Betty Ford (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BcfjVnZxjBs"><span style="font-weight: 400;">Michelle Pfeiffer)</span></a><span style="font-weight: 400;"> chega com a altivez de uma rainha. A primeira-dama do sucessor de </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-62486690"><span style="font-weight: 400;">Richard Nixon</span></a><span style="font-weight: 400;"> ganhou a interpretação de mais destaque na produção. Construída como uma mulher real do tipo que expõe suas fraquezas e vantagens, Pfeiffer conseguiu criar uma ligação sincera entre a ficção e a realidade. Muito desse feito pode ter sido ocasionado pela pouca pressão e liberdade na composição de Betty, que além de ser a menos popular entre as três personalidades, é também a menos explorada pela espetacularização midiática.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo tendo tudo para ser o tipo de série que aparece todos os anos como uma das favoritas do </span><a href="https://vogue.globo.com/lifestyle/cultura/noticia/2022/08/termometro-oscar-2023-data-apostas-e-previsoes-da-premiacao.html"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> The First Lady</span></i><span style="font-weight: 400;"> se perdeu nos cálculos. Entre tantos cenários bem feitos e investimento em caracterizações, a narrativa tenta agarrar mais do que consegue. Esses pequenos deslizes se tornam grandes quando falamos de uma </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/the-first-lady-showtime"><span style="font-weight: 400;">primeira temporada</span></a><span style="font-weight: 400;">, e acabam sendo os detalhes que distanciam uma obra digna de ocupar a presidência de um enredo esquecível. </span></p>
<p><strong><span style="font-weight: 400;">Na premiação do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">2022</span></a><span style="font-weight: 400;">, a Academia de Televisão não deixou os pormenores passarem despercebidos e acabou indicando a série em apenas 3 categorias técnicas. Nas </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1567664255872245760"><span style="font-weight: 400;">primeiras noites da premiação</span></a><span style="font-weight: 400;">, ocorridas nos dias 3 e 4 de setembro deste ano, </span><i><span style="font-weight: 400;">The First Lady</span></i><span style="font-weight: 400;"> concorria por Melhor Figurino de Época e Melhor Maquiagem de Época e/ou de Personagem (Não-Prostética) pelo episódio </span><i><span style="font-weight: 400;">Vaso Rachado</span></i><span style="font-weight: 400;">. A produção também estava no páreo pela estatueta de Melhor Penteado de Época e/ou de Personagem, pelo episódio </span><i><span style="font-weight: 400;">Gangorra</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mesmo com a caracterização tendo sido um dos aspectos mais marcantes das cenas do trabalho audiovisual, não foi o suficiente para superar a pompa de</span> <a href="https://personaunesp.com.br/bridgerton-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bridgeton</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ou a sensualidade de </span><a href="https://personaunesp.com.br/pam-tommy-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pam &amp; Tommy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></strong></p>
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<p><span style="font-weight: 400;">Não é como se sentar e assistir</span><i><span style="font-weight: 400;"> The First Lady</span></i><span style="font-weight: 400;"> fosse uma completa perda de tempo: ver </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-mulheres-da-semana-de-22-artigo/"><span style="font-weight: 400;">mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;"> que conseguem espaço para suas vozes ecoarem é sempre, de uma maneira ou de outra, um deleite. A infelicidade fica no desperdício ilustrado de tanto potencial, presenciar o sucesso de uma produção tão bem intencionada descendo pelo ralo parece injusto. Mas no fim, vale a pena dar uma chance para os pontos de vista de quem foi </span><a href="https://brasil.elpais.com/sociedad/2021-03-08/as-mulheres-esquecidas-pela-historia-na-america.html"><span style="font-weight: 400;">secundarizada</span></a><span style="font-weight: 400;"> a vida toda. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As primeiras-damas não representam todas as mulheres do mundo, seus privilégios as tornaram parte de algo à parte. Ainda assim, nos mais luxuosos corredores da </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/tudo-sobre/casa-branca/"><span style="font-weight: 400;">Casa Branca</span></a><span style="font-weight: 400;">, moram as essências do machismo e da misoginia. Eleanor, Betty e Michelle só nos mostram que os maridos e seus status de poder são verdadeiros acessórios de incentivo a uma sociedade de exclusão. Já não é segredo para ninguém que passou da hora daquela faixa presidencial ganhar uma </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-36495798"><span style="font-weight: 400;">dona</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
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		<title>Crip Camp: Revolução pela Inclusão e porque a mudança é mais acessível do que se imagina</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Apr 2021 20:35:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra Esta é a temporada em que o Cinema mainstream se ocupa em reconstituir trechos da história da luta por igualdade e liberdade na América ao mesmo tempo em que inicia a concretização da exaustiva cobrança por diversidade e inclusão. De 12 meses pra cá, surgiram em nossas telas retratos memorando períodos e movimentos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/crip-camp-revolucao-pela-inclusao-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Crip Camp: Revolução pela Inclusão e porque a mudança é mais acessível do que se imagina"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_19860" aria-describedby="caption-attachment-19860" style="width: 990px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19860 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/activism-cc-e1618259593462.jpg" alt="Imagem em preto e branco do filme Crip Camp: Revolução pela Inclusão. A fotografia registra uma passeata de um grupo de jovens. Eles estão em cerca de 10 pessoas e seguram cartazes de protesto enquanto caminham numa calçada. A imagem os registra de lado, enquanto caminham para o lado direito, e ao fundo existem muitas árvores e uma cerca de portão." width="990" height="667" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/activism-cc-e1618259593462.jpg 990w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/activism-cc-e1618259593462-300x202.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/activism-cc-e1618259593462-768x517.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19860" class="wp-caption-text">O filme é mais uma das produções assinadas pelo casal Obama a ser indicada ao Oscar de Melhor Documentário (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta é a temporada em que o Cinema </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;"> se ocupa em reconstituir trechos da história da luta por igualdade e liberdade na América ao mesmo tempo em que inicia a concretização da exaustiva cobrança por diversidade e inclusão. De 12 meses pra cá, surgiram em nossas telas retratos memorando períodos e movimentos que determinaram o que nossa realidade é hoje e os avanços que conquistamos, pintados por cineastas que hoje compõem </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-157993/"><span style="font-weight: 400;">as premiações mais diversas da história</span></a><span style="font-weight: 400;">. No gênero que se ocupa em registrar a nossa existência, o cenário não poderia ser diferente, e </span><a href="https://www.netflix.com/br/title/81001496?source=35"><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp: Revolução pela Inclusão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é mais um encontro de todas as pautas que tomaram o ambiente de debate sobre as produções audiovisuais nos últimos meses. </span></p>
<p><span id="more-19859"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://www.sundance.org/blogs/festival/crip-camp-traces-disability-rights-movement-origins-to-a-70s-camp-for-teens-where-radical-acceptance-was-the-norm"><span style="font-weight: 400;">documentário</span></a><span style="font-weight: 400;"> se volta para os anos 50 acompanhando inicialmente a história do </span><i><span style="font-weight: 400;">Camp Jened</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">um acampamento para jovens com deficiência, até chegar no começo dos anos 60 e continuar pelas próximas três décadas assistindo o nascimento e consolidação de um movimento em busca de direitos para aquela população, que na época formava a maior minoria dos Estados Unidos. A ligação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp</span></i><span style="font-weight: 400;"> entre esses dois extremos temporais se dá pelos efeitos gerados no acampamento, que motivou </span><a href="https://people.com/movies/how-a-free-spirited-summer-camp-for-disabled-teens-in-the-70s-changed-the-world/"><span style="font-weight: 400;">a organização coletiva por igualdade</span></a><span style="font-weight: 400;"> a partir de sua principal premissa: constituir um lugar seguro para que pessoas com deficiência pudessem viver livremente sua juventude, longe dos preconceitos da sociedade e da superproteção dos pais, ainda que por apenas alguns dias.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo dos 100 minutos, o epicentro da história se constrói sob o fato de que os jovens livres de </span><i><span style="font-weight: 400;">Jened</span></i><span style="font-weight: 400;"> se tornaram ativistas que </span><span style="font-weight: 400;">mudaram a estrutura segregacionista</span><span style="font-weight: 400;"> dos Estados Unidos junto dos demais movimentos por </span><a href="https://www.google.com/aclk?sa=L&amp;ai=DChcSEwjIpor76vfvAhWHDZEKHX3SACsYABAAGgJjZQ&amp;ae=2&amp;sig=AOD64_1XCoC0l6FWXSuMQtMYwjZRy7_bCw&amp;q&amp;adurl&amp;ved=2ahUKEwi48IP76vfvAhW-ILkGHRNzDKIQ0Qx6BAgDEAE"><span style="font-weight: 400;">direitos civis</span></a><span style="font-weight: 400;">. Assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp </span></i><span style="font-weight: 400;">não funciona somente como uma cápsula do tempo de memórias juvenis nem “apenas” (com muitas aspas) como um histórico da luta pelos direitos das pessoas com deficiência no país, mas tece também uma reflexão poderosa sobre auto-estima e a potência que existe na simplicidade do sentir-se pleno enquanto ser humano.</span></p>
<figure id="attachment_19861" aria-describedby="caption-attachment-19861" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19861 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/crip-camp-netflix-1024x595.jpg" alt="Imagem colorida do filme Crip Camp: Revolução pela Inclusão. A foto registra quatro jovens que posam de frente e sorrindo. Ao centro, está um adolescente branco de óculos de grau e camisa listrada laranja de pé. Ele apoia as mãos em duas cadeiras de rodas, uma de cada lado, cada uma ocupada por um jovem, ambos são brancos, tem cabelos curtos e vestem roupas claras. Atrás do jovem que está no lado esquerdo da imagem, existe um outro que também posa para a foto. Ele é negro, usa óculos de grau e camiseta azul clara, e está de pé, apoiado em um andador. Ao fundo, pode-se observar um campo e uma árvore, onde muitos outros jovens se reúnem." width="840" height="488" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/crip-camp-netflix-1024x595.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/crip-camp-netflix-300x174.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/crip-camp-netflix-768x446.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/crip-camp-netflix-1536x892.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/crip-camp-netflix-1200x697.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/crip-camp-netflix.jpg 1822w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19861" class="wp-caption-text">“Você não era escolhido para times em casa. Mas no Jened, você usava o taco, e se errasse a bola, você estava fora” (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É por isso que o ex-campista </span><a href="https://www.imdb.com/name/nm0495898/"><span style="font-weight: 400;">James LeBrecht</span></a><span style="font-weight: 400;"> defende logo no início que o acampamento “</span><i><span style="font-weight: 400;">mudou o mundo</span></i><span style="font-weight: 400;">” e decidiu contar a história como um dos principais personagens e colaboradores do filme, além de também dirigi-lo, roteirizá-lo e produzi-lo junto de </span><a href="https://www.imdb.com/name/nm1011820/"><span style="font-weight: 400;">Nicole Newnham</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com muita memória afetiva, ele engata a narrativa a partir de suas lembranças pessoais</span><span style="font-weight: 400;"> n</span><span style="font-weight: 400;">um lugar que de início </span><span style="font-weight: 400;">pode parecer com qualquer outro acampamento para jovens na era </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/musica/woodstock-completa-50-anos"><i><span style="font-weight: 400;">Woodstock</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. E justamente por ser tão normal é que ele era tão especial. No </span><i><span style="font-weight: 400;">Camp Jened</span></i><span style="font-weight: 400;">, não existia tratamento diferenciado para as</span> <span style="font-weight: 400;">dezenas de jovens e adultos com deficiência física ou intelectual, que se encontravam em todos os verões entre a década de 50 até o final dos anos 70 nas montanhas do estado de Nova Iorque. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As únicas determinações eram a liberdade e o respeito, e a única coisa que todos tinham em comum era a falta de convívio social, alguns porque eram obrigados institucionalmente pela <a href="https://diariodainclusaosocial.com/2017/08/31/inclusao-das-pessoas-com-deficiencia-da-segregacao-as-novas-conquistas/">segregação</a>, outros para evitar a exposição ao <a href="https://politike.cartacapital.com.br/a-maldicao-do-preconceito-as-pessoas-com-deficiencia/">preconceito</a>. Quem coordenava tudo eram os monitores do acampamento, jovens integrantes de outros movimentos sociais, sem deficiência e sem formação para atender as necessidades especiais dos campistas, o que acabava por intensificar a sensação de liberdade, autonomia e confiança nas brincadeiras, festas e rodas de conversa promovidas no </span><i><span style="font-weight: 400;">Camp Jened</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_19862" aria-describedby="caption-attachment-19862" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19862 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/crip-camp-2020-003-jened-1968-69-patti-smolian_1000x750.jpg" alt="Imagem do filme Crip Camp: Revolução pela Inclusão. No lado esquerdo do registro, está um jovem negro vestindo um chapéu de palha e uma camisa de bolinhas vermelhas. Ele faz careta para imagem. No lado direto, atrás do primeiro jovem, está um casal de jovens. Ambos são brancos e usam cadeiras de roda enquanto se beijam. Ao fundo, pode-se observar um gramado e muitos outros jovens." width="1000" height="750" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/crip-camp-2020-003-jened-1968-69-patti-smolian_1000x750.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/crip-camp-2020-003-jened-1968-69-patti-smolian_1000x750-300x225.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/crip-camp-2020-003-jened-1968-69-patti-smolian_1000x750-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19862" class="wp-caption-text">“Era uma utopia. Quando estávamos lá, não havia mundo externo” (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A energia da convivência no acampamento é trazida para </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp</span></i><span style="font-weight: 400;"> através de alguns registros que James LeBrecht fez de seus verões em </span><i><span style="font-weight: 400;">Jened</span></i><span style="font-weight: 400;">, buscando vazão para para suas inspirações audiovisuais enquanto vivia sua juventude com uma deficiência física. Ali, exceto pelos momentos reservados para cada um compartilhar suas dores na intenção de encontrar apoio e identificação, não era lugar de se definir pelas suas condições físicas ou intelectuais. O clima era tomado por uma vibração intensa de amizade e diversão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que reflete num filme leve, bem-humorado e natural, exatamente da mesma maneira que as coisas eram encaradas em </span><i><span style="font-weight: 400;">Jened</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mesmo nas ocasionais imagens em preto e branco, </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp</span></i><span style="font-weight: 400;"> é colorido pela contagiante vivacidade de seus protagonistas e especialmente iluminado pela trilha construída com as músicas enérgicas dos <a href="https://www.sparflex.com.br/a-musica-dos-anos-60-mudou-a-cultura-mundial/#:~:text=Os%20anos%2060%20foram%20marcados,por%20isso%20os%20influenciava%20tanto.&amp;text=Pois%20com%20a%20chegada%20do,m%C3%BAsica%20criava%20um%20novo%20trajeto.">anos 60</a> celebrando o amor e pedindo por liberdade e paz. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mérito disso também é de seus personagens, que dividem suas vivências, das mais gostosas às mais difíceis, com a paixão da saudade e brilho no olho da satisfação, algo que só transforma o filme em algo ainda mais especial. Além de acender uma luz em memórias deliciosas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp</span></i><span style="font-weight: 400;"> coloca pessoas com deficiência como fontes de informação em uma narrativa maravilhosa sobre elas, onde elas são ouvidas, respeitadas e consideradas como o que de fato são: uma parte importante da história.</span></p>
<figure id="attachment_19863" aria-describedby="caption-attachment-19863" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19863 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/EUY1-QbU4AA3FzJ-1024x668.jpg" alt="Imagem em preto e branco do filme Crip Camp: Revolução pela Inclusão. A fotografia registra um grupo de quatro jovens, um deles com deficiência física usando uma cadeira de rodas, que está mais à esquerda e acima da imagem. Os demais estão sentados numa passarela de madeira sob o chão de gramado, tocando violão e cantando." width="840" height="548" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/EUY1-QbU4AA3FzJ-1024x668.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/EUY1-QbU4AA3FzJ-300x196.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/EUY1-QbU4AA3FzJ-768x501.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/EUY1-QbU4AA3FzJ.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19863" class="wp-caption-text">“O problema não existia com as pessoas com deficiência, o problema era com as pessoas sem deficiência” (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Organicamente, esse movimento origina o segundo ato do filme de </span><a href="https://calhum.org/a-conversation-with-crip-camp-co-directors/"><span style="font-weight: 400;">LeBrecht e Newnham</span></a><span style="font-weight: 400;">, que se destina exclusivamente a explorar o nascimento dos movimentos pelos direitos das pessoas com deficiência. E inteligentemente, isso é o que cria uma distanciação entre </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp</span></i><span style="font-weight: 400;"> e uma possível romantização perigosa da luta exaustiva que aqueles grupos tiveram que enfrentar enquanto buscavam direitos básicos e do tratamento humilhante que tiveram que encarar até chegar lá. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com um objetivo muito bem definido e ciente do poder que tem nas mãos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp</span></i><span style="font-weight: 400;"> não usa sua história divertida sobre juventude de forma irresponsável, pintando tudo às mil maravilhas como algo que só é sobre festa e curtição. O documentário não hesita em mostrar também a realidade cruel vigente pelo preconceito através de imagens fortes, denunciando o tratamento desumano que outros locais de “assistência” reservavam às pessoas com deficiência. Elas, inclusive, </span><span style="font-weight: 400;">infelizmente não estão todas vivas para dar voz às suas experiências na tela, mas as figuras centrais do documentário encontram espaço ali, presentes e contundentes para contar sua própria história. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A principal delas é </span><a href="https://www.shondaland.com/inspire/a31946513/judy-heumann-crip-camp-netflix/"><span style="font-weight: 400;">Judy </span><span style="font-weight: 400;">Heumann</span></a><span style="font-weight: 400;">, estrela de </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp</span></i><span style="font-weight: 400;"> e uma das melhores oradoras e líderes que teremos a chance de conhecer. Na época, a jovem campista, convivendo com as sequelas da poliomielite que teve ainda quando bebê, logo se revelou uma liderança dentro da bagunça boa do acampamento. Fora dele, sua habilidade de articulação a transformaria numa das figuras mais importantes na luta pelos direitos das pessoas com deficiência nos Estados Unidos, iniciada com a </span><a href="https://share.america.gov/pt-br/150-americans-took-building-changed-disability-law/"><span style="font-weight: 400;">Ocupação 504</span></a><span style="font-weight: 400;">, quando 150 pessoas ocuparam o Departamento de Saúde de São Francisco até que fossem aprovadas leis locais de acessibilidade.</span></p>
<figure id="attachment_19864" aria-describedby="caption-attachment-19864" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19864 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/fd9f41e8-fc90-4c0c-85e2-b199a34e3da0-1024x683.jpeg" alt="Imagem do filme Crip Camp: Revolução pela Inclusão. A imagem registra uma passeata do movimento pelos direitos das pessoas com deficiência na frente de um órgão do governo. Ao centro da imagem, pode-se observar a ativista Judy Heumann, uma mulher branca de cabelos curtos e óculos de grau numa cadeira de rodas e segurando um cartaz de protesto de frente para a câmera. Atrás dela, existem outros protestantes passando na calçada, incluindo outras pessoas com deficiência." width="840" height="560" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/fd9f41e8-fc90-4c0c-85e2-b199a34e3da0-1024x683.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/fd9f41e8-fc90-4c0c-85e2-b199a34e3da0-300x200.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/fd9f41e8-fc90-4c0c-85e2-b199a34e3da0-768x512.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/fd9f41e8-fc90-4c0c-85e2-b199a34e3da0.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19864" class="wp-caption-text">“Você pode aprovar uma lei, mas até você mudar as atitudes da sociedade, a lei pouco significará” (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Judy também foi conselheira internacional para os direitos das pessoas com deficiência no Departamento de Estado dos EUA no governo de Barack Obama, e talvez seja a responsável por fazer a ponte entre o filme e sua produção, assinada pela </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/oscar-2020-produtora-dos-obama-ja-tem-varios-projetos-caminho-1-24239558"><i><span style="font-weight: 400;">Higher Ground</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A produtora do ex-presidente e de sua esposa, Michelle Obama é </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/oscar/2020/noticia/2020/02/09/industria-americana-leva-o-oscar-de-melhor-documentario-e-derrota-democracia-em-vertigem.ghtml"><span style="font-weight: 400;">queridinha da Academia</span></a><span style="font-weight: 400;"> desde seu primeiro filme, estreando na indústria cinematográfica já com uma estatueta de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-documentario/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Documentário</span></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> do ano passado. O fenômeno foi atingido com </span><a href="https://www.netflix.com/watch/81090071?source=35"><i><span style="font-weight: 400;">Indústria Americana</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; intragável e apático, diga-se de passagem -, filme também distribuído pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> que causou o terror da categoria repleta de produções incríveis em 2020.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, os erros do ano passado não se repetem desta vez com </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp</span></i><span style="font-weight: 400;">. O </span><i><span style="font-weight: 400;">hit</span></i><span style="font-weight: 400;"> da penúltima edição do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/sundance/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cinema de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sundance</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um pouco mais sutil que </span><a href="https://personaunesp.com.br/judas-e-o-messias-negro-critica/"><span style="font-weight: 400;">as ficções indicadas</span></a><span style="font-weight: 400;">, um pouco menos incisivo do que alguns companheiros de categoria (</span><a href="https://personaunesp.com.br/time-documentario-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Time</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo) e ofusca seus concorrentes igualmente merecedores que não possuem o poder econômico e simbólico da produtora dos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jG8Vvkn7iPw"><span style="font-weight: 400;">Obama</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas a indicação da vez é merecida e o favoritismo não é apenas justificável como também bem-vindo no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2021</span></a><span style="font-weight: 400;">, considerando todo o seu significado no reconhecimento que traz aos profissionais com deficiência, contemplados no nome de James LeBrecht, e à história de inquestionável importância.</span></p>
<figure id="attachment_19865" aria-describedby="caption-attachment-19865" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19865 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2020_CripCamp-1024x683.jpg" alt="Fotografia dos diretores e os principais personagens de Crip Camp na estreia do filme no Festival de Sundance. Ao centro, está a diretora Nicole Newnham, uma mulher branca, de cabelos castanhos curtos e lisos, sem deficiência, que usa um vestido preto. À direita dela está o outro diretor, James LeBrecht, um homem granco, de cabelos loiros cacheados e com deficiência física. À direita de James, está a ativista Denise Sherer Jacobson, uma mulher branca de cabelos castanhos curtos e com deficiência física. No lado direito, estão os ativistas Stephen Hofmann, um homem branco também numa cadeira de rodas, e Judy Heumann, uma mulher branca de cabelos curtos castanhos também que também faz uso de uma cadeira de rodas. Atrás deles, existe um painel lilás do festival, e eles posam no carpete bege do evento." width="840" height="560" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2020_CripCamp-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2020_CripCamp-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2020_CripCamp-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2020_CripCamp.jpg 1110w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19865" class="wp-caption-text">Os diretores e os principais personagens de Crip Camp na estreia do filme no Festival de Sundance (da esquerda para a direita: Stephen Hofmann, Judy Heumann, Nicole Newnham, James Le Brecht e Denise Sherer Jacobson) (Foto: <em>Lauren Wester/Sundance Institute</em>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso é o que se sobressai em </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp</span></i><span style="font-weight: 400;">, aliás. Ao nos colocar diante de uma história onde os que eram vistos como os mais frágeis e fracos da sociedade enfrentaram o mais alto escalão de seu governo com sucesso, o documentário transcende seu nicho &#8211; já de formação obrigatória para qualquer cidadão do século XXI -, pauta o <a href="https://emais.estadao.com.br/noticias/comportamento,capacitismo-pessoas-com-deficiencia-explicam-o-que-e-e-como-evita-lo,70003478130">anticapacitismo</a> e cria algo muito poderoso sobre a potência do sentir-se digno.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Reflexão que se desdobra e se manifesta em diversos aspectos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp</span></i><span style="font-weight: 400;">. No Cinema, ele sublinha a importância de se representar pessoas iguais às que vemos na vida real, que </span><a href="https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2015/12/04/negros-representam-54-da-populacao-do-pais-mas-sao-so-17-dos-mais-ricos.htm"><span style="font-weight: 400;">de minoria, às vezes, não têm nada</span></a><span style="font-weight: 400;">, e que </span><a href="https://coletiva.net/artigos-home/cinema-feito-por-pessoas-com-deficiencia-por-que-tao-incomum-,301939.jhtml"><span style="font-weight: 400;">estão por aí</span></a><span style="font-weight: 400;">, contando suas histórias com maestria, transformando assim o reconhecimento como algo que precisa apenas de uma oportunidade para acontecer. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No íntimo, ele toca na verdade simples e subestimada que prova que mudar o micro transforma o macro. É fato que as vigências do nosso mundo são muito grandiosas e muito bem instauradas, mas </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos lembra através de um exemplo concreto que as coisas começam por algum lugar. Pelas pessoas, mais especificamente, que por sua vez, também precisam ser transformadas numa realidade que apaga sua autonomia em benefício de suas próprias estruturas.</span></p>
<figure id="attachment_19866" aria-describedby="caption-attachment-19866" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19866 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/camp5-e1618259504913.jpg" alt="Imagem em preto e branco do filme Crip Camp: Revolução pela Inclusão. A fotografia registra um grupo de jovens mulheres campistas, que posam sorridentes para a câmera em um gramado." width="1000" height="510" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/camp5-e1618259504913.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/camp5-e1618259504913-300x153.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/camp5-e1618259504913-768x392.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19866" class="wp-caption-text">A mensagem é arrematada ao final do filme, com o retorno de nossos personagens históricos ao local onde tudo começou, quando eram apenas adolescentes buscando normalidade encontrando uma enorme pulsão de vida (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com essas peças em mãos, tudo se encaixa. O que </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp</span></i><span style="font-weight: 400;"> constrói é exatamente uma demonstração da transformação que pode surgir de um sentimento ‘simples’ e individual, que acaba por ser poderoso e coletivo. Através do sentir-se capaz e digno de sua existência, digno de sua voz, digno de sua história, e, neste caso em especial, digno de sua arte e de seu cinema, o documentário chega na motivação de tudo o que fazemos na coletividade: lutar pela vida e para que todos tenham direito de vivê-la.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="CRIP CAMP: A DISABILITY REVOLUTION | Official Trailer | Netflix | Documentary" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/XRrIs22plz0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Minha História: Documentário sobre Michelle Obama é um ato político e de liberdade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 May 2020 20:59:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Documentário]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Michelle Obama]]></category>
		<category><![CDATA[Minha História]]></category>
		<category><![CDATA[Natália Santos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No site oficial da Casa Branca, Michelle é a única primeira-dama que, ao ser descrita, tem a sua profissão citada antes de ser nomeada como “esposa do 44º presidente dos Estados Unidos” (Foto: Netflix) Natália Santos Depois de levar a estatueta do Oscar de melhor documentário com “Indústria Americana” (2019), a Higher Ground Productions, produtora &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/minha-historia-documentario-sobre-michelle-obama-e-um-ato-politico-e-de-liberdade/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Minha História: Documentário sobre Michelle Obama é um ato político e de liberdade"</span></a></p>
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<figure class="wp-block-image is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://lh6.googleusercontent.com/1fCn8yUcP3YHis_ZhvDsYQqbEgAxq1eOJ2ncbUCehV7-hFmTXU8bFIJT2b40jnNKcAa0tVoH67tLbS6xJq5oZv1k4g6ViLap9BX3p5ugC41t7I_J_PoeFoTwY506XxH8JEIyc-4" alt="" width="730" height="310"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:12px"><em>No site oficial da Casa Branca, Michelle é a única primeira-dama que, ao ser descrita, tem a sua profissão citada antes de ser nomeada como “esposa do 44º presidente dos Estados Unidos” (Foto: Netflix</em>)</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Natália Santos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Depois de levar a estatueta do Oscar de melhor documentário com <a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2020/02/filme-do-casal-obama-faz-cronica-emocional-da-guerra-comercial-eua-china.shtml">“Indústria Americana” (2019)</a>, a <a href="https://tbivision.com/tag/higher-ground-productions/">Higher Ground Productions</a>, produtora do casal 20 Michelle e Barack Obama, retomou a parceria com a Netflix para dar continuidade ao que prometeu ao abrir a empresa: “<a href="https://tbivision.com/2018/05/22/obamas-enter-the-tv-business-via-partnership-with-netflix/">cultivar vozes criativas e auxiliá-las no processo de contar suas histórias</a>”. Dessa vez, a escolhida para compartilhar algo, na nova produção do casal, foi 46ª primeira-dama dos Estados Unidos, conhecida também como Michelle Obama.&nbsp;</p>



<span id="more-13947"></span>



<p class="wp-block-paragraph">O <a href="https://media.netflix.com/pt_br/press-releases/netflix-higher-ground-productions-announce-original-documentary-becoming">anúncio</a> foi feito no final de abril, exatamente nove dias antes da estreia e distribuição na plataforma da Netflix, gerando grande alvoroço nas redes da ex-primeira-dama. Intitulado “Minha História”, o novo produto da Higher Ground, recebeu a direção de Nadia Hallgren, outra conhecida do streaming pelo curta-metragem <a href="https://www.youtube.com/watch?v=gL3KgfHnJwI">“Após o Furacão Maria” (2019)</a>. Mas, diferente de outros lançamentos da plataforma, a grande propaganda e divulgação ficou em segundo plano. Nem destaque na tela inicial o filme do casal recebeu no dia do lançamento (06/05).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A proposta era simples: um documentário com imagens do backstage da turnê norte-americana de divulgação do livro “Minha História” (Becoming, 2018) de Michelle Obama. Além disso, a produção ainda prometeu um <a href="https://media.netflix.com/pt_br/press-releases/netflix-higher-ground-productions-announce-original-documentary-becoming">olhar íntimo</a> sobre a vida da ex-primeira-dama que, agora, vive um processo de transição pós-Casa Branca. Entretanto, o resultado seguiu um caminho diferente: “Minha História” tornou-se um filme promocional, mas ainda assim político.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Minha História | Trailer oficial| Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/pXs40bc40fc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Não é novidade que Michelle Obama foi uma primeira-dama diferente para os Estados Unidos e não digo isso restringindo-a somente ao fato de que foi a primeira afro-descendente a ocupar o cargo. Michelle foi uma peça <a href="https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2009/10/546674-parece-que-sou-a-primeira-pessoa-desse-tipo-neste-pais-diz-michelle-obama.shtml">importante e extremamente fundamental nas campanhas</a> de Barack Obama, discursando em comícios e estando cara a cara com os votantes. Posteriormente, durante os oito anos do governo de seu marido, foi <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2016/10/27/internacional/1477592368_425395.html">ativista</a> em inúmeras causas sociais como em trabalhos com os veteranos de guerra e suas família e na defesa da educação das meninas em todo o mundo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, nem tudo são flores e isso faz questão de ser mostrado no filme. Por meio de uma narrativa em primeira pessoa com <em>inserts</em> da Michelle em entrevistas ou conversando com jovens, também foco de trabalho da advogada, o documentário, até certo ponto intimista, coloca em questão toda a pressão e a ausência de liberdade existente na escolha de ser uma figura pública.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa oposição entre pressão e liberdade é simbolizada no filme por cenas de público e o privado da vida da autora. Assim, em situações públicas como em entrevistas, é possível encontrar uma mulher que assume um roteiro rígido a ser seguido, segurando uma performance que não pode ter falhas, afinal está sendo vigiada em todos os movimentos. Enquanto, ao se tratar de liberdade, o espectador encontra uma versão leve de Michelle no ambiente privado como, por exemplo, com a família vendo fotos da infância. E é nesse jogo de público e privado, liberdade e pressão, que as críticas suprimidas nos oito anos de Era Obama saem pela boca de Michelle.<br></p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://lh5.googleusercontent.com/iomKpPTAfl7rVCIbeWUdqylftLMIuyk9AwZG61cy5WcIEBgXCLOwqf432ecQRBmNqoA4Lkpqq4gguq23KQetVQRpWTFZNjrkn7mtQda9ITFMYozk_0UAuNj2NPJsQ4Y7rRmHTCE" alt=""/></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:12px"><em>O livro de memórias de Michelle bateu o recorde de vendas em 15 dias com dois milhões de exemplares, tornando-se o título mais vendido nos Estados Unidos em 2018 (Foto: Ashlee Rezin/Chicago Sun-Times via AP</em>)<br></p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao todo, a tour de divulgação do livro passou por 34 cidades no território norte americano. Michelle foi recebida e entrevistada por grandes nomes da televisão como Oprah Winfrey, Gayle King e Stephen Colbert em grandes arenas lotadas. Nesses momentos, os momentos de pressão no espaço público, a ex-primeira-dama mostra que não foi apenas um rostinho bonito na Casa Branca ao posicionar-se em relação a momentos históricos do país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Michelle retoma a perseguição que sofreu da imprensa norte-americana durante a primeira campanha de Barack Obama, mostra-se contrária e cética à ideia de que os Estados Unidos estaria vivendo uma era “Pós-Racial” por ter tido um presidente negro, como se todas as problemáticas raciais tivessem sido supridas com esse fato; e, por fim, ainda explana sem constrangimentos que está feliz e liberta em deixar a vida da Casa Branca.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, nessa combinação entre cenas de entrevistas e fotos de família, algo fica claro: Nadia Hallgren, ao assumir o comando do documentário, presumiu que os espectadores já tinham lido as memórias de Michelle, o que transformou o filme em um produto bônus da obra literária. Mas como bônus, algo novo teria que ser oferecido, e esse especial foi uma imagem totalmente nova da, agora, escritora Michelle: uma mulher sem os trajes assinados por grandes estilistas e com os cabelos cacheados, naturais.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://lh3.googleusercontent.com/1FcozPUi0etdpziAMQqb8ILKU0wp_jaCk19VV14QyZAnRHSlJB-3hPkJAnCVo7RcbphnUUGRpXizQH6DFQrjRSCM39o6ymIDTKVDwlAZHcTJoCTH6FWCxdXqob_uwW6ixF9hctw" alt=""/></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:12px"><em>Para lidar com as pressões da vida política e com falsas informações sobre sua família, Michelle desenvolveu um mantra: “Quando eles caem, nós subimos” (Foto: Reprodução</em>)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo acabando por passar grande tempo divulgando o livro, o longa busca refletir aquilo existente em Michelle que é capaz de lotar grandes arenas e livrarias com fãs aos prantos. Esse algo é a potencialidade da ex-primeira-dama em inspirar e envolver os seus ouvintes, afinal não é atoa que ela foi considerada a <a href="https://www.independent.co.uk/news/world/americas/michelle-obama-most-admired-woman-gallup-poll-melania-trump-a9265191.html">mulher mais admirada do mundo</a>, passando o casal Trump em popularidade. Assim, claramente, se não tivessem discursos inspiradores, esse não seria um filme sobre as memórias de Michelle LaVaughn Robinson Obama.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A principal mensagem que Michelle deixa é a de que, assim como ela &#8211; uma garota do sul de Chicago, originária da classe trabalhadora e negra &#8211; outros jovens podem seguir seu sonho, independente de tão alto que seja. Ao dizer no microfone “<em>minha história também pode ser a de vocês</em>”, Michelle não recebe apenas uma salva de palmas, mas consegue reacender uma ponta de esperança em cada ouvinte. “<em>Esperança”</em>, a sensação e o termo mais utilizado nos 8 anos de governo Obama.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, mesmo que sutil e com teor crítico, a ex-primeira-dama levanta uma reflexão: como o processo de votação nos Estados Unidos pode ser uma forma de fazer com que pequenas vozes tomem proporções maiores, contribuindo com a mudança de uma nação que, até pouco tempo, tinha bebedouros diferenciados para pessoas brancas e pessoas pretas. E, assim, o documentário de proposta intimista, transforma-se em um ato político e de libertação, ao oferecer visibilidade midiática aos pensamentos e opiniões que passaram oito anos apenas na cabeça de Michelle Obama.<br></p>
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