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	<title>Arquivos Maria Gladys &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Pearl sangra até o próprio estrelato</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Mar 2023 20:26:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos e Vitória Vulcano Favorecido pela liberdade do anonimato, o território dos pensamentos não vive para impor limites no dilema “ser ou não ser”; ele simplesmente é. A introspecção, nessa toada, pode ser a principal contextualização da oficina do diabo, especialmente no fantasioso universo do Terror. Direcionando seu tato experiente no gênero cinematográfico à &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pearl-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Pearl sangra até o próprio estrelato"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30580" aria-describedby="caption-attachment-30580" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-30580" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/image3-800x341.png" alt="Cena do filme Pearl. Na imagem, uma mulher branca de cabelos castanhos presos para trás. Ela possui rímel escorrendo em direção à parte de baixo do rosto e uma expressão de raiva, além de usar um vestido vermelho em renda, com mangas bufantes. Suas mãos seguram um machado de tons terrosos ao topo de sua cabeça. Ao fundo, um céu azul e uma árvore de galhos verdes desfocada." width="800" height="341" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/image3-800x341.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/image3-1024x436.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/image3-768x327.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/image3.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30580" class="wp-caption-text">Gravada em sigilo midiático, a segunda parceria entre Ti West e Mia Goth estreou em Setembro de 2022, no 79º Festival Internacional de Cinema de Veneza (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos e Vitória Vulcano</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Favorecido pela liberdade do anonimato, o território dos pensamentos não vive para impor limites no dilema “</span><i><span style="font-weight: 400;">ser ou não ser</span></i><span style="font-weight: 400;">”; ele simplesmente é. A introspecção, nessa toada, pode ser a principal contextualização da oficina do diabo, especialmente no fantasioso universo do Terror. Direcionando seu tato experiente no gênero cinematográfico à agente dos assassinatos de </span><a href="https://personaunesp.com.br/x-ti-west-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">X: A Marca da Morte</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o diretor e produtor </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ujEIsQdHPXc"><span style="font-weight: 400;">Ti West</span></a><span style="font-weight: 400;"> se une novamente à atriz Mia Goth em </span><i><span style="font-weight: 400;">Pearl</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://canaltech.com.br/entretenimento/o-que-e-o-prequel-de-um-filme-ou-uma-serie-220426/"><span style="font-weight: 400;">filme-sequência</span></a><span style="font-weight: 400;"> concentrado em estudar a mente de uma mulher que cansou de existir plenamente apenas no mundo das ideias. </span></p>
<p><span id="more-30578"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/09/21/x-pearl-e-maxxxine-conheca-a-trilogia-de-terror-que-viralizou-no-tiktok.htm"><span style="font-weight: 400;">prequela</span></a><span style="font-weight: 400;"> dimensiona a juventude da idosa tida inicialmente como a pervertida responsável pela morte de uma equipe de cineastas pornográficos. De volta a 1918, na mesma fazenda do Texas, Pearl ainda não carrega rugas, mas já conserva suas primeiras frustrações. Filha de imigrantes alemães &#8211;  uma mãe tão autoritária quanto cética (</span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-e-monstros-critica/"><span style="font-weight: 400;">Tandi Wright</span></a><span style="font-weight: 400;">) e um pai inválido que vegeta com o auxílio de seus cuidados paliativos (Matthew Sunderland) -, a garota só encontra consolo na rotina campestre ao performar danças para os animais do local. No misto de rejeição, silêncio e devaneio, ela também questiona a sobrevivência do marido Howard (</span><a href="https://personaunesp.com.br/ataque-dos-caes-critica/#more-24959"><span style="font-weight: 400;">Alistair Sewell</span></a><span style="font-weight: 400;">), soldado incomunicável no recente término da Primeira Guerra Mundial.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Resistindo em um período igualmente marcado por uma </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/entre-telas/pearl-prologo-elogiado-de-x-a-marca-da-morte-so-existe-devido-a-pandemia,9472162dcedcac82d7c35eae899fc1e3bjmu0tme.html"><span style="font-weight: 400;">epidemia de gripe espanhola</span></a><span style="font-weight: 400;">, a jovem se move pela propulsão do sonho de se tornar uma estrela de Cinema. Sob a pele de um Horror </span><a href="https://br.ign.com/terror-1/95881/feature/terror-slasher-o-que-e-por-que-voltou"><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o longa, então, constrói a imaginação da protagonista no ritmo em que sinaliza seus vestígios de maldade, anteriores a qualquer banho de sangue e muito mais primitivos do que rancorosos. Pearl ensaia mentiras, tenta manipular situações e até mata gansos se for preciso: qualquer traço de insanidade a desliga da monotonia e a faz ser diferente do comum. Caminhando nessa </span><a href="https://www.nytimes.com/2022/09/15/movies/pearl-review.html"><span style="font-weight: 400;">espiral comportamental constante</span></a><span style="font-weight: 400;">, a história vai do incômodo ao fascínio, valorizando a brutalidade dos sentimentos.</span></p>
<figure id="attachment_30581" aria-describedby="caption-attachment-30581" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-30581" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/image5-800x559.jpg" alt="Cena do filme Pearl, que retrata uma família composta por mãe, pai e filha jantando. Ao lado esquerdo, uma garota branca de cabelos castanhos presos, com laços brancos, em penteado maria-chiquinha. Sentada em uma cadeira de madeira, ela veste uma camiseta verde e um macacão jeans. Ao centro, um homem branco de cabelos castanhos repousa, com os olhos fechados e a boca aberta, no canto esquerdo da cadeira em que está sentado. Ele veste camisa vermelha e um babador bege. Ao lado direito, uma mulher branca de cabelos castanhos tem os olhos fechados e está em oração. Ela veste um vestido parte cinza, parte branco, com mangas bufantes. Entre os três personagens, há uma mesa de jantar. Ao fundo, duas janelas da casa em destaque." width="800" height="559" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/image5-800x559.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/image5-1024x716.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/image5-768x537.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/image5-1536x1073.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/image5-1200x839.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/image5.jpg 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30581" class="wp-caption-text">Com o subtítulo An X-traordinary Origin Story, a sequência rodou suas filmagens na Nova Zelândia durante a pós-produção de X (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Às avessas de seu precursor, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pearl</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem um núcleo reduzido de personagens, que despontam em cena atrelados a cada camada emocional extrapolada pela personagem principal. Entre os encontros com o projetista (</span><a href="https://personaunesp.com.br/hollywood-netflix-critica/"><span style="font-weight: 400;">David Corenswet</span></a><span style="font-weight: 400;">) – que desperta sua esperança e sexualidade –, e os desabafos pingados na relação inevitável com a cunhada (Emma Jenkins-Purro), a jovem escancara, no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dOfXsre93Ow"><span style="font-weight: 400;">olhar</span></a><span style="font-weight: 400;"> e nos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NDS2cN4gyjk"><span style="font-weight: 400;">gritos</span></a><span style="font-weight: 400;">, aprisionamentos que sufocam a base da </span><a href="https://personaunesp.com.br/sorria-critica/"><span style="font-weight: 400;">psique humana</span></a><span style="font-weight: 400;"> desde o início dos tempos. Por questionamentos silenciosos, sabemos que mais do que ser vista ou desejada, ela implora por sentir qualquer migalha de amor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a investigação de uma </span><a href="https://www.urgesite.com.br/2022/10/24/resenha-pearl-2022/"><span style="font-weight: 400;">alma insatisfeita</span></a><span style="font-weight: 400;"> é o que move as engrenagens sanguinárias do longa, engolir o processo sem o primor de Mia Goth seria princípio de indigestão. A </span><a href="https://glamour.globo.com/entretenimento/filmes-e-series/noticia/2023/01/oscar-2023-brasileiros-reclamam-por-mia-goth-nao-estar-na-lista.ghtml"><span style="font-weight: 400;">britânico-brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;"> mastiga toda tragédia e qualquer desequilíbrio com força genuína, sendo capaz de aproximar a racionalidade da ironia em um rito digno do expansivo cinema de Terror. Com grande liberdade criativa, além de barbarizar em um </span><a href="https://twitter.com/twkhalessi/status/1618060322342076416?s=20&amp;t=sKnAMDGGI3ZqjbJgUjC8hw"><span style="font-weight: 400;">monólogo de oito minutos</span></a><span style="font-weight: 400;"> em plano-sequência, a intérprete também foi figurinha carimbada na </span><a href="https://bloody-disgusting.com/exclusives/3739962/pearl-ti-west-exclusive-clip/"><span style="font-weight: 400;">roteirização e produção</span></a><span style="font-weight: 400;"> da prequela.</span></p>
<figure id="attachment_30582" aria-describedby="caption-attachment-30582" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-30582" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/image4-800x392.png" alt="A imagem mostra, do lado esquerdo, Ti West, um homem branco de cabelos e barba castanhos, e, do lado direito, Mia Goth, uma mulher branca de cabelos castanhos presos, com um laço branco, em um coque. Ele veste boné e moletom pretos, falando e com as duas mãos direcionadas para Mia. Ela está sentada, usando um vestido vermelho longo, com mangas bufantes, e prestando atenção em Ti West. Ao fundo, uma parede vermelha e uma cortina de renda branca." width="800" height="392" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/image4-800x392.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/image4-1024x502.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/image4-768x376.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/image4-1536x753.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/image4-1200x588.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/image4.png 1671w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30582" class="wp-caption-text">Kevin Turen, produtor de <a href="https://personaunesp.com.br/pieces-of-a-woman-critica/">Pieces of a Woman</a>, Sam Levinson, idealizador de <a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-2a-temp-critica/">Euphoria</a>, e Ben Milsom, diretor de arte de <a href="https://personaunesp.com.br/avatar-o-caminho-da-agua-critica/">Avatar: Caminho das Águas</a>, são outros nomes de peso que participam da manufatura do filme (Foto: Bloody Disgusting)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quase desprovido de </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2021/08/28/segredos-do-cinema-jump-scare/"><i><span style="font-weight: 400;">jumpscares</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pearl</span></i><span style="font-weight: 400;"> ganha destaque ao se modelar usando compassos mega dramáticos, em uma ousadia familiar a outras criações com </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/entre-telas/filmes/conheca-a-historia-do-a24-estudio-com-mais-indicacoes-ao-oscar-2023,435ebad9c2c77fb1abe6cef925bc56ecjrwug9mn.html"><span style="font-weight: 400;">selo dos estúdios </span><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A trilha sonora de </span><a href="https://personaunesp.com.br/guardioes-da-galaxia-vol-2-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Tyler Bates</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Tim Williams coreografa as escapadas da protagonista à cidade mais próxima, como se rebobinasse a fita de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mágico de Oz</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1939), clássico musical que permeia a produção dos figurinos ao resgate da saudosa técnica </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/expresso/2018/05/20/Os-filmes-em-Technicolor-redescobertos.-E-o-impacto-do-processo-no-cinema"><i><span style="font-weight: 400;">technicolor</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A fotografia solar, a distância do convívio social e principalmente o sarcasmo em tantas críticas atuais integram essa </span><a href="https://ew.com/movies/pearl-ti-west-mia-goth-x-prequel-horror-melodrama-golden-age-hollywood/"><span style="font-weight: 400;">realidade tão distorcida e espetacular</span></a><span style="font-weight: 400;">. Através da visão otimista de Pearl, as imagens saturadas de cor contrastam com a desesperança apresentada em um clímax que nos impede de desviar as atenções. A cinematografia criada por Eliot Rockett, aos poucos, só alimenta o ciclo vicioso de uma vida que se esbalda nos assassinatos, para contornar a perda da inocência e brindar o encontro nada simplista com a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eDPC8yprVpk"><span style="font-weight: 400;">epifania histérica</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30579" aria-describedby="caption-attachment-30579" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30579" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/image1-800x450.jpg" alt="Cena do filme Pearl. Na imagem, uma mulher branca de cabelos castanhos presos para trás. Ela possui rímel escorrendo em direção à parte de baixo do rosto e uma expressão de serenidade, além de usar um vestido vermelho em renda, com mangas bufantes. Suas mãos estão juntas e ensanguentadas, seus olhos estão fechados como quem realiza uma oração. Ao fundo, uma parede escura com poucos adereços." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/image1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/image1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/image1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/image1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/image1.jpg 1248w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30579" class="wp-caption-text">“Uma das partes mais legais desse filme é a noção de que há algo maior por trás de tudo isso”, explicou West, em comunicado (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os ferozes 102 minutos do </span><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i><span style="font-weight: 400;"> também colocam a </span><a href="https://gamerant.com/evolution-slasher-movies-explained/#:~:text=In%201984%2C%20Wes%20Craven%20would%20bring%20horror%20into%20a%20new%20era%20and%20resuscitate%20the%20slasher%20subgenre.%20A%20director%20who%20began%20his%20career%20bulldozing%20through%20the%20seedy%20topics%20of%20horror%2C%20Craven%20understood%20horror%20was%20about%20dealing%20with%20the%20unsightly%20and%20the%20things%20that%20were%20difficult%20to%20address."><span style="font-weight: 400;">violência gráfica</span></a><span style="font-weight: 400;"> pura e crua em segundo plano. Assim, pela desenvoltura e complexidade, o imaginário popular do que o Terror representa se confunde na loucura aberta ao público. Ganhando fama como a versão feminina do </span><a href="https://personaunesp.com.br/coringa-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Coringa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pearl</span></i><span style="font-weight: 400;"> sobrepõe as consequências de suas maquinações em uma dinâmica similar ao vilão de Gotham City: abraçando a enxurrada de desgostos que transformam o caráter de sua protagonista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aqui, o retrato das </span><a href="https://www.monash.edu/arts/philosophical-historical-international-studies/eras/past-editions/edition-three-2002-june/female-film-stars-and-the-dominant-ideologies-of-1950s-america#:~:text=There%20was%20an,of%201950s%20America."><span style="font-weight: 400;">mulheres na Era de Ouro do Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi uma das muitas inspirações de estilo, algo que West sempre busca incluir em suas produções. Em entrevistas, o diretor revelou que, na prequela, seu comprometimento com a estética e suas pesquisas filmográficas relacionadas não eram para cenas específicas, mas para deixarem seus empreendimentos “</span><a href="https://www.polygon.com/23353620/pearl-ti-west-disney-inspirations"><i><span style="font-weight: 400;">exaustivamente esotéricos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">” &#8211; como na aplicação de tons avermelhados emprestados de </span><a href="https://cinemaemcena.com.br/coluna/ler/498/os-sapatinhos-vermelhos"><i><span style="font-weight: 400;">Os Sapatinhos Vermelhos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1948).</span></p>
<figure id="attachment_30583" aria-describedby="caption-attachment-30583" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30583" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/image2-800x450.jpg" alt="Cena do filme Pearl. Na imagem, uma mulher branca de cabelos castanhos presos para trás. Ela está sendo iluminada por uma luz circular em um palco enquanto sorri e levanta seus braços, além de usar um vestido azul sem mangas, e um laço da mesma cor em seu cabelo. Ao fundo, uma cortina e à frente, silhuetas da plateia que a assiste." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/image2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/image2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/image2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/image2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/image2-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/image2.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30583" class="wp-caption-text">Vítima de uma série de descasos destinados às produções de Horror, a filha do meio da saga X chegou aos cinemas brasileiros no dia 9 de Fevereiro de 2023 (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Descrito pelo cineasta Martin Scorsese como “</span><i><span style="font-weight: 400;">profundamente perturbador, hipnotizante e selvagem</span></i><span style="font-weight: 400;">”, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pearl</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi lançado em um </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/noticias/614391/festival-de-veneza-2022-tera-estreias-de-blonde-nao-se-preocupe-querida-e-novos-filmes-de-inarritu-e-aronofsky/"><span style="font-weight: 400;">circuito credibilizado</span></a><span style="font-weight: 400;"> da sétima arte e acumulou uma </span><a href="https://www.digitaltrends.com/movies/pearl-2022-movie-review/"><span style="font-weight: 400;">onda avantajada de aclamações</span></a><span style="font-weight: 400;">. Entretanto, a resistência da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas em reconhecer </span><a href="https://www.instagram.com/p/Cox-_5rLhF4/"><span style="font-weight: 400;">filmes de Terror</span></a><span style="font-weight: 400;">, vide </span><a href="https://personaunesp.com.br/nao-nao-olhe-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Não! Não Olhe!</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Jordan Peele, e o próprio filme de West, continua reforçando que </span><a href="https://personaunesp.com.br/corra-filme-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Corra!</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Sexto Sentido</span></i><span style="font-weight: 400;"> são, na verdade, exceções à regra. Goth, inclusive, chegou a reagir às </span><a href="https://variety.com/2023/film/news/mia-goth-oscars-ignore-horror-pearl-snub-1235503214/"><span style="font-weight: 400;">não-indicações</span></a><span style="font-weight: 400;"> da 95ª edição do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: “[A premiação] </span><i><span style="font-weight: 400;">não é totalmente baseada na qualidade do projeto em si,</span></i><span style="font-weight: 400;"> [&#8230;] </span><i><span style="font-weight: 400;">acho que muitas pessoas pensam assim</span></i><span style="font-weight: 400;"> [&#8230;] </span><i><span style="font-weight: 400;">e teria um bom efeito</span></i><span style="font-weight: 400;"> [indicar obras de Terror]”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Colecionando contragostos dentro e fora de cena, o longa, sobretudo, persiste na memória de todo fã do gênero sanguinolento e sucateado por sua meticulosidade. Mesmo não sendo fundamental para compreensão da primeira sessão de matanças, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pearl</span></i><span style="font-weight: 400;"> dá à </span><a href="https://collider.com/maxxxine-ti-west-x-pearl-connection-comments/"><span style="font-weight: 400;">atmosfera de </span><i><span style="font-weight: 400;">X</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> uma espécie de </span><a href="https://www.latimes.com/entertainment-arts/movies/story/2022-03-14/x-prequel-pearl-mia-goth-ti-west"><span style="font-weight: 400;">anti-heroína</span></a><span style="font-weight: 400;">, que, antes de estar fadada ao fracasso, foi precursora de revoltas e anseios naturais aos vilões, sonhadores e seres humanos. Implacável, ela rompe as barreiras do imaginário e se materializa para além das tormentas que a consumiram.</span></p>
<p><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-165715/"><i><span style="font-weight: 400;">MaXXXine</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que seguirá os passos da destemida </span><i><span style="font-weight: 400;">final girl</span></i><span style="font-weight: 400;"> em Hollywood, recebe a função de completar a trilogia elevando ainda mais o nível escalado nas tramas passadas. Entretanto, com o retorno do protagonismo de Mia Goth, as expectativas criadas não poderiam diferir do estratosférico. Certamente, Pearl estaria orgulhosa de tanto talento reunido em uma única juventude. Isso porque, vivendo as piores facetas do medo, a </span><a href="https://www.ibahia.com/nem-te-conto/mia-goth-e-brasileira-web-resgata-video-da-atriz-de-pearl-falando-portugues-com-avo"><span style="font-weight: 400;">neta de Maria Gladys</span></a><span style="font-weight: 400;"> sangrou até às ruínas de seu próprio estrelato.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><span class="embed-youtube" style="text-align:center; display: block;"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/fYpF_P00zNo?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></span></div>
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		<title>Já que Ninguém me Tira pra Dançar: eu também quero ser Leila Diniz</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Oct 2021 20:15:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Júlia Trevisan “Toda mulher quer ser amada/Toda mulher quer ser feliz/Toda mulher se faz de coitada/Toda mulher é meio Leila Diniz.” Os trechos compostos por Rita Lee pressupõem toda a graça e grandiosidade de Leila Diniz. Atriz brasileira, Rainha das Vedetes e transgressora pela liberdade feminina, Leila é representante de Todas as Mulheres do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ja-que-ninguem-me-tira-pra-dancar-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Já que Ninguém me Tira pra Dançar: eu também quero ser Leila Diniz"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24154" aria-describedby="caption-attachment-24154" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24154" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila01.jpg" alt="Cena do documentário Já que Ninguém me Tira pra Dançar. Ao centro está Leila Diniz. Uma mulher branca de cabelos curtos. Ela está de braços abertos. Veste um sutiã com lantejoulas e ombreiras também com lantejoulas e fios. Em segundo há dezenas de homens. A imagem está em preto e branco" width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila01.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila01-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila01-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila01-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila01-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24154" class="wp-caption-text">Realizado em 1982 e remasterizado em 2021, o documentário inédito tem sua estreia na seção Mostra Brasil da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Nova Era Produções)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Júlia Trevisan</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Toda mulher quer ser amada/Toda mulher quer ser feliz/Toda mulher se faz de coitada/</span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bwf3UnacXuw&amp;ab_channel=RitaLee"><i><span style="font-weight: 400;">Toda mulher é meio Leila Diniz</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">.”</span></i><span style="font-weight: 400;"> Os trechos compostos por </span><a href="https://personaunesp.com.br/rita-lee-40-anos/"><span style="font-weight: 400;">Rita Lee</span></a><span style="font-weight: 400;"> pressupõem toda a graça e grandiosidade de Leila Diniz. Atriz brasileira, Rainha das Vedetes e transgressora pela liberdade feminina, Leila é representante de </span><i><span style="font-weight: 400;">Todas as Mulheres do Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com estreia marcada para acontecer durante a 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Já que Ninguém me Tira pra Dançar</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o documentário sobre Leila Diniz dirigido por sua amiga e também atriz Ana Maria Magalhães. </span></p>
<p><span id="more-24153"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nascida em Niterói em 1945, Leila Diniz possuía um carisma único, uma espontaneidade natural e uma paixão pela liberdade que vinham do berço. </span><i><span style="font-weight: 400;">Já que Ninguém me Tira pra Dançar</span></i><span style="font-weight: 400;"> reúne depoimentos saudosos sobre a estrela, as entrevistas foram realizadas em 1982, quando a partida de Leila completava 10 anos. Encontradas por </span><a href="https://abcine.org.br/site/o-sol-picando-o-coco-dos-caipiras/"><span style="font-weight: 400;">Fábio Fraccarolli</span></a><span style="font-weight: 400;">, ele convidou </span><a href="https://www.memoriascinematograficas.com.br/2020/01/por-onde-anda-atriz-ana-maria-magalhaes.html"><span style="font-weight: 400;">Ana Maria Magalhães</span></a><span style="font-weight: 400;"> para restaurar as gravações, complementar com novos arquivos e mais uma vez trazer à tona a memória de uma peça chave para a cultura brasileira.</span></p>
<figure id="attachment_24155" aria-describedby="caption-attachment-24155" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24155" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila02.jpg" alt="Cena do documentário Já que Ninguém me Tira pra Dançar. Ao centro está o desenho de um beija flor azul. À esquerda há o desenho flores amarelas e folhas verdes. À direita temos o desenho flores rosas e folhas verdes. Na parte superior lê-se em azul ‘Para Leila Diniz’. Na parte inferior lê-se em azul ‘Todo amor, Ana’. O fundo do desenho é bege." width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila02.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila02-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila02-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila02-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila02-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24155" class="wp-caption-text">“As flores do jardim da nossa casa renascem como se fosse chegar de uma breve ausência” (Foto: Nova Era Produções)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O esquadrão que faz declarações para Leila é digno de frente de batalha. Nomes como Marieta Severo, </span><a href="https://personaunesp.com.br/lancamentos-musicais-maio-2021/"><span style="font-weight: 400;">Nelson Sargento</span></a><span style="font-weight: 400;">, Betty Faria, Maria Gladys, </span><a href="https://personaunesp.com.br/cineclube-persona-agosto-de-2021/"><span style="font-weight: 400;">Paulo José</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Luiz Carlos Lacerda relembram com carinho o carimbo onipotente que Leila Diniz deixou em suas vidas. A atriz estava à frente de seu tempo, dando a cara a tapa com tabus que mal podiam ser levantados como pauta na época. Libertária, Leila precisou lutar contra duas forças que a oprimiam com fulgor: o machismo e a ditadura</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pelos colegas de ofício, Leila é descrita como uma profissional nata. Intensamente perfeccionista em seu trabalho, ela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=T4PkifEZtY8&amp;ab_channel=ORionoCinema"><span style="font-weight: 400;">dominava a cena</span></a><span style="font-weight: 400;"> lidando com grandes diretores no auge de sua adolescência, e se tornando uma garotinha apenas depois do grito de “</span><i><span style="font-weight: 400;">corta!</span></i><span style="font-weight: 400;">”. À frente de seu tempo e conhecedora de si própria, ela valorizava o corpo e o gestual, sendo uma atriz que transcendia os ensinos de qualquer academia de atuação. Leila Diniz compreendia que a atuação era uma aventura e se entregava de corpo e alma para o ato.</span></p>
<figure id="attachment_24156" aria-describedby="caption-attachment-24156" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24156" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila03.jpg" alt="Cena do documentário Já que Ninguém me Tira pra Dançar. À direita está Leila Diniz. Uma mulher branca de cabelos curtos. Ela sorrindo e sentada num banquinho. Sua mão direita está em sua cintura e sua mão esquerda está esticada em seu joelho esquerdo. Ela está usando um vestido longo de mangas longas e estampado. À esquerda está um homem usando camisa, calça e sapato social. Ele está numa câmera. O fundo é desfocado, vemos uma escada à direita e pessoas à esquerda. A imagem é em preto e branco." width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila03.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila03-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila03-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila03-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila03-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24156" class="wp-caption-text">&#8220;A liberdade sexual feminina é muito limitada, o que me entristece muito&#8221; (Foto: Nova Era Produções)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, </span><a href="https://www.casadocinemabrasileiro.com/ja-que-ninguem-me-tira-pra-dancar-na-mostra-sp/"><i><span style="font-weight: 400;">Já que Ninguém me Tira pra Dançar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não se limita em mostrar apenas uma atriz, descansando o rótulo de sua profissão, o documentário mostra a mulher por trás da persona, um ser humano que fazia Cinema e por consequência fazia Arte. Leila não se prendia ao simples ato de atuar, ela era descontraída, gostava de se envolver em tudo que acontecia nos bastidores e na pós-produção, reconhecendo a imensa importância dos trabalhadores das respectivas etapas. Advérbios de intensidade não faltam para descrever a atriz. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1lIT0XSWrJ8&amp;ab_channel=AstridFontenelle"><span style="font-weight: 400;">Leila Diniz</span></a><span style="font-weight: 400;"> era muito: muito aberta, muito sincera, muito viva.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da Leila atriz, quem ganha o maior espaço é a Leila amiga, a que aconselhava até alta madrugada e tinha o afeto como sentimento mais importante dentro de suas relações. </span><i><span style="font-weight: 400;">Já que Ninguém me Tira pra Dançar</span></i><span style="font-weight: 400;"> transforma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lsMXzz3fcx0&amp;ab_channel=MoacirSimpatia"><span style="font-weight: 400;">Leila Diniz em verdade absoluta</span></a><span style="font-weight: 400;">, colocando a artista, por merecimento próprio, na coluna dos imortais. A serenidade da voz de Ana Maria Magalhães arrebata, dando um contorno sentimental intransmutável, envolvendo o espectador num enlace íntimo e resplandecendo de carinho à memória da amiga, que permanece viva nas lembranças mais bonitas do Rio de Janeiro.</span></p>
<figure id="attachment_24157" aria-describedby="caption-attachment-24157" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24157" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila04.jpg" alt="Cena do documentário Já que Ninguém me Tira pra Dançar. Nela vemos Leila Diniz. Uma mulher branca de cabelos lisos na altura do ombro. Ela está com leve sorriso, seus olhos fixos na câmera. Sua mão direita está apoiada em sua cabeça na altura da orelha. Ela usa uma camisa. Na parte superior direita lê-se em branco VOZ NELSON PEREIRA DOS SANTOS. A imagem está em preto e branco." width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila04.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila04-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila04-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila04-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila04-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24157" class="wp-caption-text">Vieram os ataques orquestrados, revestidos de falso moralismo com o intuito de fragilizar-lá, testavam quão vulnerável seria uma mulher linda e livre como você (Foto: Nova Era Produções)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma mulher libertina feito Leila Diniz jamais passaria batida aos olhos sangrentos da ditadura. Entrevista pelo jornal </span><a href="http://www.abi.org.br/pasquim-50-anos-da-prisao-de-uma-redacao-de-craques/"><i><span style="font-weight: 400;">O Pasquim</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ela não poupou palavrões nas respostas, escancarando sua verdade particular sobre as pautas: relacionamento, sexo e fidelidade. Meses depois da entrevista, o </span><a href="https://catracalivre.com.br/cidadania/leila-diniz-jovem-que-contestou-o-machismo-nos-anos-60/"><span style="font-weight: 400;">Decreto 1.077</span></a><span style="font-weight: 400;">, batizado com o nome da atriz, instaurava a censura prévia à imprensa em todo o país. Eram os </span><a href="https://personaunesp.com.br/falso-brilhante-45-anos/"><span style="font-weight: 400;">Anos de Chumbo</span></a><span style="font-weight: 400;"> dando luz a uma de suas piores facetas. Leila sofreu duras penas por conta da ditadura, acumulando problemas dentro da </span><i><span style="font-weight: 400;">Globo</span></i><span style="font-weight: 400;">, que cortou a vedete de seus papéis.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Poética e apaixonada pela liberdade, Leila Diniz viveu intensamente seus </span><a href="https://acervo.oglobo.globo.com/fatos-historicos/atriz-leila-diniz-musa-da-liberacao-feminina-no-pais-morre-na-india-em-72-9200205"><span style="font-weight: 400;">27 anos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Entre todos os entrevistados a ideia é unânime: ela era a personificação do amor. Leila Diniz faz parte de qualquer contexto que seja Brasil. Sua brasilidade e sua alma insubmissa abriu os caminhos para a revolução sexual no país. Os filhos da santa devem muito a essa mulher intensa, sagrada e profana que com sua feminilidade encarou a ditadura e a estrutura patriarcal da sociedade. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Leila, você acertou no tabu. A falta que você nos faz. Seu amor, força e encantado.”</span></i></p>
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