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	<title>Arquivos Los Hermanos &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Sem Carnaval, Bloco do Eu Sozinho completa 20 anos</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Jul 2021 20:40:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Júlia Trevisan Como continuar a carreira após um hit? Como produzir o segundo álbum quando o   primeiro conta com a música que estourou nas rádios e marcou toda a trajetória da discografia? Era nesse embate que os Los Hermanos se encontravam após seu disco de estreia ter emplacado Anna Júlia, a famigerada fim &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/bloco-do-eu-sozinho-20-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Sem Carnaval, Bloco do Eu Sozinho completa 20 anos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_21511" aria-describedby="caption-attachment-21511" style="width: 1001px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-21511 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/los-imagem-1.jpg" alt="Capa do disco Bloco do Eu Sozinho. Há uma borda cinza. Dentro do borda o fundo é ocre, como folha de papel reciclado. Na parte superior lê-se LOS HERMANOS em azul. No centro há o desenho de um boneco. Os cabelo, os olhos e a camiseta são verdes, a calça é azul escuro, os sapatos são violetas e há uma sombra azul clara. À esquerda lê-se em preto BLOCO SOZINHO. À esquerda lê-se em preto DO EU." width="1001" height="998" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/los-imagem-1.jpg 1001w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/los-imagem-1-800x798.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/los-imagem-1-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/los-imagem-1-768x766.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21511" class="wp-caption-text">É com o amor e a alegria, de quem tem o coração como guia, que este bloco se anuncia (Foto: Zoy Anastassakis e Ludmila Ayres)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Júlia Trevisan</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como continuar a carreira após um </span><i><span style="font-weight: 400;">hit</span></i><span style="font-weight: 400;">? Como produzir o segundo álbum quando o   primeiro conta com a música que estourou nas rádios e marcou toda a trajetória da discografia? Era nesse embate que os Los Hermanos se encontravam após seu disco de estreia ter emplacado </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=umMIcZODm2k"><i><span style="font-weight: 400;">Anna Júlia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a famigerada fim de festa que tirou o </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://personaunesp.com.br/chico-buarque-construcao-50-anos/"><span style="font-weight: 400;">Chico Buarque</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, até hoje, é responsável por registros em cartório (vide a pessoa que vos escreve).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É em meio às brigas da banda, confusão com a gravadora e uma aliança fiel com fãs que, em 2001, nasce </span><a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra71058/bloco-do-eu-sozinho"><i><span style="font-weight: 400;">Bloco do Eu Sozinho</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, reforçando ainda mais a parceria musical entre Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante, e marcando toda a escola de </span><i><span style="font-weight: 400;">MPB</span></i><span style="font-weight: 400;"> unida ao </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> alternativo construída pelos cariocas. Quebrando os próprios padrões, um dos discos mais importantes da música nacional alternativa foi criado e dita até hoje o rumo do gênero, servindo como fonte, direta ou indiretamente, dos trabalhos nacionais que o sucedem. </span></p>
<p><span id="more-21510"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se no começo de </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2019/05/08/los-hermanos-foo-fighters-maracana/"><span style="font-weight: 400;">Los Hermanos</span></a><span style="font-weight: 400;"> o </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> se faz presente e memorável, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Bloco do Eu Sozinho</span></i><span style="font-weight: 400;"> a banda aposta na poesia com um leve toque de samba. Mesmo sem abandonar as guitarras e bateria, o álbum se desprende daquilo que havia sido proposto no anterior, não forçando a repetição da fórmula mágica dos </span><i><span style="font-weight: 400;">singles</span></i><span style="font-weight: 400;"> que os levaram para as paradas nacionais e para os principais programas de TV. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Los Hermanos - Retrato Para Iaiá (Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/wnfeeq6k4c8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Solidão, términos conturbados, paixões, indiretas, são esses os cordões que o </span><i><span style="font-weight: 400;">Bloco</span></i><span style="font-weight: 400;"> segue. Os sentimentos, tratados de maneira menos mercadológica, passam a sensação de liberdade em amplos aspectos. Se, em </span><a href="http://lounge.obviousmag.org/ha_algo_de_novo_no_front/2015/02/1-disco-do-los-hermanos-foi-o-ultimo-classico-nacional-dos-anos-90.html"><span style="font-weight: 400;">1999</span></a><span style="font-weight: 400;">, a primavera se foi levando o amor, em 2001 somos tomados pelas cicatrizes e traumas desse fim. As canções crescem conforme o álbum avança, e a melancolia envolvida aos sons do baixo se mantém do início ao fim.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os instrumentos de </span><a href="https://kogut.oglobo.globo.com/noticias-da-tv/noticia/2019/07/bruno-medina-da-banda-los-hermanos-estreia-como-ator-na-globo.html"><span style="font-weight: 400;">Bruno Medina</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Rodrigo Barba tem sua incontestável importância dentro da produção. Não é qualquer um que faz o trabalho de Barba, que tocou o samba miudinho na bateria. Mas, são Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante que constroem toda a imensidão do disco. Juntos, a dupla divide as composições, guitarras e os vocais, que são a peça-chave do diferencial irresistível de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bloco do Eu Sozinho</span></i><span style="font-weight: 400;">. É o desalento misturado ao amargo sabor da saudade e traduzida nos exatos arranjos que nos aproxima das lembranças de Los Hermanos.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Sentimental</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a canção que melhor explica a tese. Marcada como um dos momentos mais tensos do álbum, a letra quase biográfica nos invade a cada belo verso melodramático e cresce exponencialmente até chegar em seu refrão, que é o grito dos sofridos e apaixonados. É na pergunta </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HTU4nUQm_oA"><i><span style="font-weight: 400;">“Quem é mais sentimental que eu?”</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que fãs e artistas se misturam em um ser só. É a exatidão da música explicando aquilo que não temos palavras para definir.</span></p>
<figure id="attachment_21513" aria-describedby="caption-attachment-21513" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-21513 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/los-imagens-2.jpg" alt="Foto retangular da banda Los Hermanos. À direita está Rodrigo Amarante. Um homem branco de cabelos, barba e bigode castanhos. Ele veste uma camiseta verde. Do seu lado direito está Marcelo Camelo. Um homem branco de cabelos, barba e bigode castanhos. Ele veste uma camiseta amarela. Do seu lado direito está Rodrigo Barba. Um homem branco de cabelos, barba e bigode pretos. Ele veste uma camiseta preta. E a sua direita está Bruno Medina. Um homem branco de cabelos, barba e bigode castanhos. Ele veste uma camiseta listrada de verde e branco. O fundo da imagem é bege." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/los-imagens-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/los-imagens-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/los-imagens-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/los-imagens-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/los-imagens-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21513" class="wp-caption-text">Eu só aceito a condição de ter você só pra mim (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A gritante ruptura de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bloco do Eu Sozinho</span></i><span style="font-weight: 400;"> começa logo em sua primeira faixa. Quem esperava por uma música seguindo todos os padrões do </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;"> e  intitulada com nome feminino foi surpreendido por </span><i><span style="font-weight: 400;">Todo Carnaval Tem Seu Fim</span></i><span style="font-weight: 400;">. Nela, o </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">indie</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o </span><a href="https://memoria.ebc.com.br/infantil/voce-sabia/2015/02/como-surgiram-os-blocos-de-carnaval"><span style="font-weight: 400;">ritmo carnavalesco</span></a><span style="font-weight: 400;"> se mesclam para formar uma das melhores canções da banda. Ela chega com os dois pés na porta mostrando para que o álbum veio ao mundo, encerrando toda a produção do disco de 1999 e declarando que, a partir dela, os instrumentais serão mais completos, complementares e melódicos.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Todo Carnaval Tem Seu Fim</span></i><span style="font-weight: 400;"> é seguida por </span><i><span style="font-weight: 400;">A Flor</span></i><span style="font-weight: 400;">, que, carregada de beleza, traz uma sonoridade diferente, reiterando a dedicação e a destreza que a banda teve em construir o </span><i><span style="font-weight: 400;">Bloco</span></i><span style="font-weight: 400;">. Os metais que abrem a música ajudam a composição da letra a explodir. O choque entre o coração de Marcelo Camelo e a razão de </span><a href="https://m.folha.uol.com.br/tv/ilustrada/2016/09/1809786-rodrigo-amarante-musica-coracao-de-escobar-em-tema-de-narcos.shtml"><span style="font-weight: 400;">Rodrigo Amarante</span></a><span style="font-weight: 400;"> reverbera em seus versos nada sutis, que contam a história de uma desilusão amorosa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após as duas canções deixarem suas digitais, quem ganha espaço é a absurda </span><a href="https://www.leiaja.com/cultura/2018/12/14/10-musica-para-entender-los-hermanos/"><i><span style="font-weight: 400;">Retrato Pra Iaiá</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Com sua simplicidade, ela é o primeiro respiro do álbum, trazendo uma melodia mais despojada, sem perder toda a beleza que é marca registrada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bloco do Eu Sozinho</span></i><span style="font-weight: 400;">. É essa tríade que abre o disco e prende o ouvinte de maneira intimista, dançando entre personalidades e fazendo brotar todos os questionamentos da dualidade entre presente e futuro.</span></p>
<figure id="attachment_21512" aria-describedby="caption-attachment-21512" style="width: 1484px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21512 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/los-imagem-3.jpg" alt="Imagem quadrada da contra capa de Bloco do Eu Sozinho. Há uma borda cinza. Dentro da borda a cor é ocre, assim como textura de papel reciclado. Na parte superior central lê-se em preto BLOCO DO EU SOZINHO. Abaixo lê-se em preto DISCO 1 E DISCO 2 e abaixo a discografia do disco. Lê-se em preto também a ficha técnica e os agradecimentos do álbum. " width="1484" height="1500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/los-imagem-3.jpg 1484w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/los-imagem-3-791x800.jpg 791w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/los-imagem-3-1013x1024.jpg 1013w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/los-imagem-3-768x776.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/los-imagem-3-1200x1213.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21512" class="wp-caption-text">Todo Carnaval Tem Seu Fim coloca, com destreza, um ponto final na era mercadológica de Los Hermanos (Foto: Zoy Anastassakis e Ludmila Ayres)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O desamor também é decorrente do</span><i><span style="font-weight: 400;"> Bloco do Eu Sozinho</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_YXgMAb72C4"><i><span style="font-weight: 400;">Assim Será</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Adeus Você</span></i><span style="font-weight: 400;"> doem em lugares diferentes. A falsa superação de alguém que não consegue enganar a si próprio é um tapa na cara de quem se envolve na suave sonoridade das duas canções. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bmi6A1g-LMQ"><i><span style="font-weight: 400;">Tão Sozinho</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> traz o mesmo tema de forma mais drástica. A mão pesa no instrumental e o </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> vem veloz e furioso. Aos que já estavam se sentindo viúvos de um bom barulho dos Los Hermanos, a música, que destoa do resto do álbum, é encarada como um presente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas é na leveza que o </span><i><span style="font-weight: 400;">Bloco</span></i><span style="font-weight: 400;"> se encontra. A letra de </span><i><span style="font-weight: 400;">Casa Pré-Fabricada</span></i><span style="font-weight: 400;"> revela toda a </span><a href="https://personaunesp.com.br/segundo-maria-rita-15-anos/"><span style="font-weight: 400;">sensibilidade de Marcelo Camelo</span></a><span style="font-weight: 400;">. De forma simples e direta, a guitarra serve apenas de adereço para a poesia da canção. Já no sambinha </span><i><span style="font-weight: 400;">Veja Bem Meu Bem</span></i><span style="font-weight: 400;">, o eu-lírico conversa diretamente com o ouvinte. Somos descaradamente trocados pela saudade, que ganha seu desprazeroso espaço causando uma quebra inesperada na letra da canção, reafirmando que o disco é composto por versos ímpares.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Los Hermanos - Todo Carnaval tem seu fim (Video Clipe)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/GO2i5_XJ8NU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Com um álbum tão pessoal e de desagrado do mercado, o Los Hermanos não perde a oportunidade de criticar a indústria fonográfica. </span><a href="http://hbfotos.blogspot.com/2006/09/releitura-cad-teu-suin.html"><i><span style="font-weight: 400;">Cadê Teu Suin?</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é uma das mais sagazes da banda. Com uma letra rápida e recheada de jogo de palavras, a música pode soar estranha na primeira vez, mas ganha seu sentido quando conhecemos a história de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Bloco do Eu Sozinho</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com a primeira versão do disco </span><a href="https://www.musicontherun.net/2016/09/discos-para-historia-bloco-do-eu-sozinho-los-hermanos-2001.html"><span style="font-weight: 400;">rejeitada</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Abril Music</span></i><span style="font-weight: 400;">, os Los acertam em criticar o andamento insano da gravadora, que prejudica a originalidade dos compositores.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os caras ainda fazem bonito e cantam alguns versos em francês (aposto um rim que essa foi ideia do Rodrigo Barba). Ok que o francês de Amarante beira a precariedade, mas a engraçada </span><i><span style="font-weight: 400;">Cher Antoine</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um alívio na porradaria emocional que o conjunto dessa obra representa. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mais uma Canção</span></i><span style="font-weight: 400;"> tenta lidar com todo o sentimentalismo de uma maneira mais sóbria. Os sopros quase esquecidos durante o álbum servem para acalmar a melodia dessa faixa, que conta a história de maneira literária e simbólica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para entender todo o </span><a href="https://monkeybuzz.com.br/materias/los-hermanos-e-impossivel-ser-feliz-sozinho/"><span style="font-weight: 400;">dinamismo do álbum</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o porquê dele ter mudado o rumo da Música brasileira em 2001, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fingi na Hora de Rir</span></i><span style="font-weight: 400;"> basta. A música sintetiza o jogo instrumental em letras românticas &#8211; com intenso toque sombrio &#8211; que é proposto nesse trabalho de Los Hermanos. Com uma composição que facilmente se encaixaria num samba, os arranjos não lineares e com forte apoio no baixo resumem a transformação provocada por </span><i><span style="font-weight: 400;">Bloco do Eu Sozinho</span></i><span style="font-weight: 400;"> no dito </span><i><span style="font-weight: 400;">indie</span></i><span style="font-weight: 400;"> brasileiro.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Los Hermanos - Fingi na hora de rir (Video Clip)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/dCpnAq5-eg8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">O que hoje entendemos como </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> alternativo brasileiro &#8211; ou, até mesmo, como a </span><i><span style="font-weight: 400;">nova</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">MPB</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; deriva desse álbum carnavalesco melancólico, que completa seus vigésimo aniversário em um ano que não enchemos nosso corpo de </span><i><span style="font-weight: 400;">glitter</span></i><span style="font-weight: 400;"> nem fomos para a rua, beijar e comprar quatro latas de cerveja por dez reais. É, mais uma vez, o destino gostando de ser poético com um povo sofrido. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Los Hermanos criaram </span><a href="http://miojoindie.com.br/cozinhando-discografias-los-hermanos/"><span style="font-weight: 400;">quatro álbuns</span></a><span style="font-weight: 400;"> distintos, fugindo da sonoridade das </span><i><span style="font-weight: 400;">Primaveras</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Anna Júlias</span></i><span style="font-weight: 400;">. Cada trabalho da banda tem seus destaques com efeito de suas particularidades, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Bloco do Eu Sozinho</span></i><span style="font-weight: 400;"> conquista seu espaço por ser um disco definitivo da carreira. Quem decidiu acompanhar os Los mesmo depois desse álbum, fugiu das mesmices do rádio e presenciou a supremacia das rimas amorosas que </span><a href="https://amazonasatual.com.br/los-hermanos-dava-voz-a-geracao-pos-ditadura/"><span style="font-weight: 400;">influenciaram toda uma geração</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Bloco do Eu Sozinho</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda é responsável por abrir as portas para aquele que é o melhor disco da banda: </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/musica/jukebox-sentimental-ventura-do-los-hermanos-mudou-o-rock-nacional"><i><span style="font-weight: 400;">Ventura</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Bloco Do Eu Sozinho" width="100%" height="380" allowtransparency="true" frameborder="0" allow="encrypted-media" src="https://open.spotify.com/embed/album/002IhaQrqlVoyLhsTlzLd8?si=Rmd401TPQiOh5AciMut7uA&#038;utm_source=copy-link&#038;dl_branch=1"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>45 anos de Falso Brilhante: a vida de Elis Regina é a nossa joia mais preciosa</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Mar 2021 20:06:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra O legado na música brasileira não é o suficiente para eu me conformar. Vez ou outra, ainda me pergunto como é que alguém conseguiu convencer o sofrido povo brasileiro de que “viver é melhor que sonhar”. O sentido ensaia desenhar-se segundos depois, quando eu me lembro que quem cantou isso foi a sonhadora &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/falso-brilhante-45-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "45 anos de Falso Brilhante: a vida de Elis Regina é a nossa joia mais preciosa"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_19092" aria-describedby="caption-attachment-19092" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-19092" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/EaEvgYJX0AIk89R-1024x819.jpg" alt="Fotografia de Elis Regina apresentando seu espetáculo Falso Brilhante. A artista está ao centro da imagem, numa passarela, cercada pelo público. Ela está de frente para a câmera mas contra a luz, que impede de exergarmos seu rosto. Ela segura uma bandeira grande na mão direita e um microfone na mão esquerda. Elis usa um vestido lingo, branco, de alças finas e estampado por estrelas prateadas. Ela também usa uma chapéu com uma pena grande e seus cabelos são curtos. A fotografia está colorida em tons de amarelo e um cinza azulado." width="840" height="672" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/EaEvgYJX0AIk89R-1024x819.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/EaEvgYJX0AIk89R-300x240.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/EaEvgYJX0AIk89R-768x614.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/EaEvgYJX0AIk89R.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19092" class="wp-caption-text">O disco que nasceu do espetáculo sobre a vida de Elis Regina é considerado um dos mais importantes da música brasileira e da carreira da artista (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O legado na música brasileira não é o suficiente para eu me conformar. Vez ou outra, ainda me pergunto como é que alguém conseguiu convencer o sofrido povo brasileiro de que “</span><i><span style="font-weight: 400;">viver é melhor que sonhar</span></i><span style="font-weight: 400;">”. O sentido ensaia desenhar-se segundos depois, quando eu me lembro que quem cantou isso foi a sonhadora que é a concretização da ideia mais pura e completa do que pode vir a ser a vida. Mas mesmo assim, ainda é instigante, já que ela, em toda sua grandiosidade e relevância, ainda acrescenta que “</span><i><span style="font-weight: 400;">qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa</span></i><span style="font-weight: 400;">”.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quer profundidade mais condizente com a maior artista do Brasil do que a que ela mesma cria na obra que conta a sua história de vida, realiza seus maiores </span><a href="https://www.letras.com/elis-regina/1012329/"><span style="font-weight: 400;">sonhos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e desmistifica sua própria arte? Muito significado, muita intensidade e muita pulsão de vida: assim foi <a href="http://www.elisregina.com.br/index.php">Elis Regina</a>, e assim foi </span><a href="http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra70098/falso-brilhante"><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">cuja riqueza era autoexplicativa em 1976 e assim permanece até os dias de hoje &#8211; e muito provavelmente, assim será por todo o resto da nossa história.</span></p>
<p><span id="more-19091"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há 45 anos, o disco é responsável por confirmar a preciosidade da artista e abrigar algumas das canções mais atemporais da música brasileira. Considerado um dos álbuns mais importantes dentre todas as coletâneas mais maravilhosas que um dia já surgiram dos nossos artistas, <em>Falso Brilhante</em> é também a obra mais relevante da vasta discografia e carreira de Elis.</span></p>
<figure id="attachment_19093" aria-describedby="caption-attachment-19093" style="width: 564px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19093" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/71e3d578aecd93c7294f248ddc7377e8.jpg" alt="Fotografia de Elis Regina no espetáculo Falso Brilhante. Na imagem, a artista segura uma barra com as mãos e parece estar pendurada. Ela olha para baixo, com os olhos quase fechados, e veste uma roupa branca. " width="564" height="660" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/71e3d578aecd93c7294f248ddc7377e8.jpg 564w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/71e3d578aecd93c7294f248ddc7377e8-256x300.jpg 256w" sizes="auto, (max-width: 564px) 85vw, 564px" /><figcaption id="caption-attachment-19093" class="wp-caption-text">Quando questionada sobre o conceito do espetáculo, Elis afirmava com certeza: “Não há brilhante mais falso que a vida de artista” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O projeto </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i><span style="font-weight: 400;"> nasceu no coração e mente de Elis misturando influências circenses com a sua história de vida e uma carga política sagaz em plena <a href="http://memoriasdaditadura.org.br/">ditadura militar</a>. Ainda bem, a pisciana nunca teve medo de apostar em seus sonhos e nas ideias mirabolantes que surgiam dos seus botões de artista. Ela investiu tudo o que tinha, armou o circo e colocou no mundo um <a href="https://www.looke.com.br/filmes/elis-regina-falso-brilhante">espetáculo grandioso</a>, que permaneceu em cartaz no Teatro Bandeirante na cidade de São Paulo entre dezembro de 1975 e fevereiro de 1977, em mais de 300 apresentações apreciadas por cerca de 280 mil pessoas, que ocupavam as mil cadeiras do teatro de quarta à domingo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ponto chave não era o conteúdo em si, já que a estrela havia crescido junto com o Brasil e <a href="https://elainectimm.medium.com/elis-regina-o-sentimento-entre-as-notas-6e12cfe4549">sua história</a>, origem humilde e percalços até engatar a carreira eram de conhecimento do público tanto quanto suas mais bem-sucedidas canções. Para contar sua trajetória em </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i><span style="font-weight: 400;">, Elis foi além. Não buscando uma narrativa de ascensão e realização plena de sonhos, mas subvertendo as expectativas e obviedades para ser, como sempre, verdadeira com o que sentia. E naquele momento, a dimensão sensível da artista era tomada pela decepção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como todo fenômeno conduzido por uma alma vivaz, a relevância de </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i><span style="font-weight: 400;">, que ainda tinha a direção cênica de <a href="http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa109259/myrian-muniz">Myriam Muniz</a> e musical de seu esposo, o pianista <a href="https://www.cesarcamargomariano.com/biografia/">Cesar Camargo Mariano</a>, superou todas as expectativas e transcendeu qualquer rotulação possível. O que de início tratava sobre os sentimentos pessoais de Elis quanto ao país e sua profissão se tornou um registro histórico e denunciante da situação do artista brasileiro e da sociedade como um todo da década de 70, que ainda sentia o reverberar dos <a href="https://www.camara.leg.br/radio/programas/279778-periodo-da-historia-do-brasil-conhecido-como-os-anos-de-chumbo/#:~:text=Nos%20%C3%BAltimos%20anos%20da%20d%C3%A9cada,chamados%20%22anos%20de%20chumbo%22.">anos de chumbo</a> do regime militar. </span></p>
<figure id="attachment_19094" aria-describedby="caption-attachment-19094" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-19094" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/capa-do-disco-e1616005157699-1024x509.jpg" alt="Capa e contracapa do disco Falso Brilhante, de Elis Regina. A imagem tem o fundo amarelo suave e é decorada por arabescos e pequenos elefantes, ilustrações com referências circenses que contornam a imagem. No lado direito, que compõe a capa do disco, está escrito o nome da artista em fonte circense colorida em branco e vermelho, em caixa alta. Embaixo do nome de Elis, está o nome do disco, numa fonte mais fina ainda clássica e em caixa alta, em preto. No lado esquerdo, que é a contracapa, existe uma ilustração de uma boneca segurando um ovo grande ao centro. Na lateral esquerda, pequeno, está a lista das músicas do disco." width="840" height="418" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/capa-do-disco-e1616005157699-1024x509.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/capa-do-disco-e1616005157699-300x149.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/capa-do-disco-e1616005157699-768x382.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/capa-do-disco-e1616005157699-1536x764.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/capa-do-disco-e1616005157699-1200x597.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/capa-do-disco-e1616005157699.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19094" class="wp-caption-text">O nome do projeto foi retirado do bolero Dois Pra Lá, Dois Pra Cá, letra de Aldir Blanc famosa na voz de Elis que nada tinha a ver com a temática que a artista queria explorar, mas caiu como uma luva (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> era impossível de se parar, e quando a ideia de registrar parte do repertório de </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i><span style="font-weight: 400;"> em estúdio surgiu, o tempo que Elis e sua equipe encontraram para gravar e </span><i><span style="font-weight: 400;">mixar </span></i><span style="font-weight: 400;">o disco foi um dos intervalos de folga das exibições, com a produção de <a href="https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2011/08/21/interna_diversao_arte,266412/marco-mazzola-o-homem-que-testemunhou-e-fez-acontecer-a-historia-da-mpb.shtml">Marcos Mazzola</a>. E a aura do disco é especial desde sua mais inicial concepção. Gravado sob a produção entre as apresentações do espetáculo, o álbum tem o gosto raro da energia de Elis nos palcos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos maiores triunfos acaba por ser também um dos seu único defeitos. A rotina pesada do </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> obviamente desgastou a artista e a disposição da banda, e é por isso que, numa análise unicamente técnica, o álbum é considerado inferior às obras anteriores &#8211; o maravilhoso </span><a href="https://open.spotify.com/album/3SE9n6EaVOJ81KA1KPLUWS?si=3fIdrnp4SgW9NVT1hdow6g"><i><span style="font-weight: 400;">Elis &amp; Tom</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 1974 &#8211; e posteriores &#8211; o memorável </span><a href="https://open.spotify.com/album/67UdOjU4vLZx8yoHgXkNes?si=7IGHsz2VTSqsJGm9cKZDqg"><i><span style="font-weight: 400;">Elis</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 1977, que carrega a canção que inspirou seu próximo espetáculo, </span><a href="http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra67781/transversal-do-tempo"><i><span style="font-weight: 400;">Transversal do Tempo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O repertório também estava longe de ser leviano e exigia tudo e mais um pouco da artista. As 42 canções do </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> dividiam-se em dois atos, passeando entre diferentes gêneros, tons, arranjos, </span><i><span style="font-weight: 400;">performances</span></i><span style="font-weight: 400;"> e línguas. Para o disco, a lista se condensou em 10 canções escolhidas a dedo para resumir perfeitamente o que era a ideia e execução de </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i><span style="font-weight: 400;">, contando ainda com algumas inéditas. Delas, surgem cantos de amor e versos apaixonados, protestos políticos, hinos de resistência evocando irmandade e expressões de sonhos e idealismo, ritmados no </span><i><span style="font-weight: 400;">samba</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">bolero</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> e interpretados em português e espanhol.</span></p>
<figure id="attachment_19095" aria-describedby="caption-attachment-19095" style="width: 540px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19095" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Elis.jpg" alt="Fotografia de Elis Regina apresentando seu espetáculo Falso Brilhante. A artista está ao centro da imagem, ajoelhada no palco, segurando um microfone com a mão esquerda e esticando a direita para o lado. Elis olha para baixo, usando um chapéu com uma pena e um vestido branco estampado por estrelas prateadas. Ao fundo, é possível observar parte do cenário do show desfocado. A imagem está em preto e branco e Elis é iluminada por um foco de luz." width="540" height="525" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Elis.jpg 540w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Elis-300x292.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 540px) 85vw, 540px" /><figcaption id="caption-attachment-19095" class="wp-caption-text">Reza a lenda que quando os músicos e demais profissionais envolvidos no show, preocupados com Elis, alertaram-na sobre os riscos de forçar tanto as cordas vocais, ela respondeu: “Não se preocupe, não é a voz que canta” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro contato que </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i><span style="font-weight: 400;"> estabelece com o ouvinte já é irresistível de tamanha honra. Com o grande prazer que é ser chamado de “</span><i><span style="font-weight: 400;">meu grande amor</span></i><span style="font-weight: 400;">” por Elis Regina, somos convidados ao disco com uma das últimas músicas da </span><i><span style="font-weight: 400;">setlist</span></i><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> que se encaixa perfeitamente em sua abertura. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Não quero lhe falar (…) /Das coisas que aprendi nos discos/Quero lhe falar como eu vivi/E tudo que aconteceu comigo</span></i><span style="font-weight: 400;">”, ela explica suas intenções com o projeto sob um acordes de um violão calmo e certeiro. Estamos na inconfundível </span><a href="https://genius.com/Elis-regina-como-nossos-pais-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Como Nossos Pais</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não existe nada mais especial do que ser apresentado à obra da vida de Elis Regina &#8211; em todos os sentidos possíveis da expressão &#8211; do que através da canção que é uma das mais marcantes de sua carreira e de toda a história da música brasileira. Escrita por <a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa101849/belchior">Belchior</a>, o gênio que ela descobriu e impulsionou, a canção fez história na interpretação da artista, que externalizava suas maiores desilusões numa universalidade e identificação que só pode ser atingida pelo artista que é tomado de sinceridade e coragem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aqui, já é possível concluir a adoração que a artista mantinha pela vida &#8211; a sua, a do próximo, da arte, da música e do Brasil. A Elis refletida em </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i><span style="font-weight: 400;"> é assim, fincada no presente, sempre visionária e nunca nostálgica. Seu inferno era o passado e o retrocesso, como ela continua a confessar “</span><i><span style="font-weight: 400;">Minha dor é perceber/Que apesar de termos feito tudo o que fizemos/Ainda somos os mesmos/E vivemos (…)Como os nossos pais</span></i><span style="font-weight: 400;">” em um dos versos mais conhecidos e atemporais da música brasileira.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Elis Regina - Como Nossos Pais" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/2qqN4cEpPCw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Da sua maior paixão nasce seu maior protesto, residente nos versos mais marcantes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i><span style="font-weight: 400;">. A artista que não chegou a viver seu futuro ousava vislumbrá-lo e pregar as possibilidades como forma de incentivar as pessoas a enfrentarem a situação do país e jamais se curvarem diante dela. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Mas é você que ama o passado e que não vê (&#8230;)/Que o novo sempre vem”</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">“Vejo vir vindo no vento o cheiro da nova estação”</span></i><span style="font-weight: 400;"> e demais profecias esperançosas era o que mais se ouvia da obra da vida de Elis. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo continua em </span><a href="https://genius.com/Elis-regina-velha-roupa-colorida-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Velha Roupa Colorida</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mais uma composição de Belchior que decolou na voz da artista. Desafiada por um arranjo numa escala um pouco mais alta que o comum e com os vocais já arranhados da rotina intensa dos espetáculos, a <em>Pimentinha </em>canta com rouquidão “</span><i><span style="font-weight: 400;">Você não sente, não vê/Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo/ Que uma mudança em breve/Vai acontecer</span></i><span style="font-weight: 400;">” em um dos </span><i><span style="font-weight: 400;">rocks</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mudanças essas que se não acontecessem por si só, ela fazia acontecer, como foi com a sua existência vasta embora curta no planeta Terra e com </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i><span style="font-weight: 400;">. Elis ia atrás do novo. <a href="https://personaunesp.com.br/elis-viver-e-melhor-que-sonhar-critica/">Inaugurar</a> gêneros, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=f0uOI__Gno8"><span style="font-weight: 400;">descobrir</span></a><span style="font-weight: 400;"> artistas, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ghUnVxgXvus"><span style="font-weight: 400;">impulsionar</span></a><span style="font-weight: 400;"> carreiras… Sua potência criativa já era conhecida e fascinante, então, quando ela propôs inverter a lógica do mercado musical &#8211; que primeiro pensava no disco e depois nos </span><i><span style="font-weight: 400;">shows</span></i><span style="font-weight: 400;"> e não o contrário, como ela fez ao arquitetar primeiro o espetáculo sem ter um material sonoro em processo de divulgação &#8211; o público, ou melhor dizendo, </span><i><span style="font-weight: 400;">o grande amor de Elis</span></i><span style="font-weight: 400;">, comprou a ideia de imediato. Juntos, eles transformaram o projeto sobre a sua vida no sucesso que foi, um recorde de bilheteria e até hoje <a href="https://genius.com/albums/Elis-regina/Falso-brilhante">o maior espetáculo do Brasil</a>. </span></p>
<figure id="attachment_19097" aria-describedby="caption-attachment-19097" style="width: 686px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19097 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/3482d60b372fe1c45bc9c88659fde7c7.jpg" alt="Fotografia de Elis Regina apresentando seu espetáculo Falso Brilhante. Na imagem, ela está à direita, sorridente e fantasiada de Carmem Miranda, com um adereço de frutas na cabeça. Ela veste uma outra fantasia junto com um de seus bailarinos, que está à sua frente, à esquerda da imagem. Eles estão de lado e a fotografia é em preto e branco." width="686" height="472" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/3482d60b372fe1c45bc9c88659fde7c7.jpg 686w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/3482d60b372fe1c45bc9c88659fde7c7-300x206.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-19097" class="wp-caption-text">“No presente, a mente, o corpo é diferente/E o passado é uma roupa/Que não nos serve mais” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ecoar sua verdade, denúncias, coragem, história e pulsão de vida pelo Brasil inteiro ainda não saciava a sede de justiça e de verdade de Elis. Enxergando a amplitude e complexidade da <a href="http://memoriasdaditadura.org.br/sequencias-didaticas/ditaduras-militares-na-america-sul/">situação política da América Latina</a> naquele momento, ela sentiu a dor dos outros países que também vivam um dos momentos mais sombrios de suas histórias protagonizadas por regimes militares através de </span><a href="https://genius.com/Elis-regina-los-hermanos-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Los Hermanos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a primeira das canções em espanhol de </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i><span style="font-weight: 400;">. Nela, a artista veste um </span><i><span style="font-weight: 400;">flamenco</span></i><span style="font-weight: 400;"> cheio de identidade da resistência popular latino-americana e canta com sua força característica pelos muitos irmãos que se perdiam entre a repressão, exílio e a morte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No português, Elis disse o que tinha que dizer em </span><a href="https://genius.com/Elis-regina-um-por-todos-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Um Por Todos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Além de incentivar a união que a sociedade brasileira e a classe artística tanto precisavam exercitar naquele momento, ela também reconhecia o fatídico dia em que <a href="https://globoplay.globo.com/v/7289328/">sucumbiu ao medo</a> e abaixou a cabeça para a ditadura militar. Ligando isso com a decepção da vida de artista que é o tema central de </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela canta quase em tom de confissão e arrependimento: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu te conheço, sei o preço da fama/E não esqueço/Que deitei em tua cama, em teu berço/Eu sei teu preço, eu te conheço”</span></i><span style="font-weight: 400;"> e revela a forma como lidou com seus próprios erros, reconhecendo sua responsabilidade e o apoio que encontrou: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Lavo as mãos e prossigo adiante/Eu por mim mesma/Todos por mim”.</span></i></p>
<figure id="attachment_19096" aria-describedby="caption-attachment-19096" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19096" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/18218_show-falso-brilhante-1976-acervo-pessoal.jpeg" alt="Fotografia de Elis Regina apresentando seu espetáculo Falso Brilhante. Na imagem, a artista está de lado, segurando uma bandeira com a mão direita virada para trás, e um microfone com a mão esquerda. Ela também usa um vestido branco estampado com estrelas prateadas e um chapéu com uma pena. O fundo da imagem é escuro e está em preto e branco." width="650" height="433" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/18218_show-falso-brilhante-1976-acervo-pessoal.jpeg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/18218_show-falso-brilhante-1976-acervo-pessoal-300x200.jpeg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-19096" class="wp-caption-text">“Nos perdemos pelo mundo/Voltamos a nos encontrar/E assim nos reconhecemos/Pelo longínquo olhar/Pelas estrofes que mordemos/Sementes de imensidão/E assim seguimos andando/Habituados à solidão/E em nós nossos mortos/Para que ninguém fique para trás” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A arte de Elis sentia tanto a vida e enxergava a realidade com tanta lucidez que, às vezes, sua criadora precisava escapar. E ciente de seu inferno, ela também sabia muito bem como era o seu paraíso, dividindo as paisagens dos seus sonhos em </span><a href="https://genius.com/Elis-regina-quero-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Quero</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Guiada por flautas doces e coros suaves, a artista flutua na imaginação dos seus desejos, construídos em “</span><i><span style="font-weight: 400;">um mundo sem portas ou vidraças”</span></i><span style="font-weight: 400;"> e com “</span><i><span style="font-weight: 400;">floresta no lugar da cidade”</span></i><span style="font-weight: 400;">, incluindo “</span><i><span style="font-weight: 400;">beijar a face da lua”</span></i><span style="font-weight: 400;"> e acabar com tudo de ruim ao “</span><i><span style="font-weight: 400;">cobrir com flores campos de aço”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nem toda a vida e fisicalidade do mundo era o suficiente para Elis. Ela precisava atingir o que estava além, e dentro das canções oníricas, ela também criava algo a mais e desenhava algo muito belo sobre as almas sonhadoras. As imaginações de </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i><span style="font-weight: 400;"> abraçam uma imensidão de pessoas que não são menos determinadas, corajosas ou firmes por ousar ir além da realidade, e </span><a href="https://genius.com/Elis-regina-o-cavaleiro-e-os-moinhos-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">O Cavaleiro E Os Moinhos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> comprova a tese. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A composição dos consagradíssimos <a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2020-05-04/aldir-blanc-compositor-de-grandes-hinos-da-luta-contra-a-ditadura-brasileira-morre-pelo-coronavirus.html">Aldir Blanc</a> e <a href="http://www.joaobosco.com.br/">João Bosco</a>, dupla frequente na música de Elis Regina, é um retrato de quem está pronto para ir à luta pela revolução porque já imaginou como tudo vai ser. Exaltando a capacidade de olhar além e imaginar o futuro, a artista defende a relevância do ser sonhador, que consiste, como ela mesma bem representou, em contar as possibilidades para as outras pessoas, torná-lo um pouco mais palpável e assim, motivar a luta por ele.</span></p>
<figure id="attachment_19098" aria-describedby="caption-attachment-19098" style="width: 463px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19098" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/bd12c2110d3b5c93fb88607dd1b77ae2.jpg" alt="Fotografia de Elis Regina apresentando seu espetáculo Falso Brilhante. Na imagem, a artista está sentada em um balanço de madeira suspenso no palco, decorado por flores. Ela segura um microfone com a mão esquerda e olha para o público, cantando. Elis usa um vestido branco de mangas e o fundo da imagem é preto. A imagem é em preto e branco." width="463" height="718" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/bd12c2110d3b5c93fb88607dd1b77ae2.jpg 463w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/bd12c2110d3b5c93fb88607dd1b77ae2-193x300.jpg 193w" sizes="auto, (max-width: 463px) 85vw, 463px" /><figcaption id="caption-attachment-19098" class="wp-caption-text">Acreditar na existência dourada do sol/Mesmo que em plena boca/Nos bata o açoite contínuo da noite/Arrebentar a corrente que envolve o amanhã/Despertar as espadas/(&#8230;)/Sem fazer movimento/Mas tecendo o fio da água e do vento” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Voltando à vida, </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i><span style="font-weight: 400;"> também a adora. As músicas profundas em <a href="https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/08/arte-e-cultura-desafiaram-os-anos-de-chumbo-ao-propor-nas-entrelinhas-novos-modos-de-vida.shtml">significado e vivacidade</a> eram a forma que os artistas encontravam de se opor aos governos e políticas de morte, e em </span><a href="https://genius.com/Elis-regina-gracias-a-la-vida-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Gracias a La Vida</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que abria o segundo ato do </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">, Elis explode a paixão que sentia por viver com uma riqueza enorme nas estrelinhas. A canção foi escrita e originalmente interpretada pela chilena <a href="https://www.youtube.com/watch?v=Y9OLbzGOxWY">Violeta Parra</a>, fundadora da música popular chilena e compositora de muitas das <a href="http://memoriasdaditadura.org.br/artistas/violeta-parra/">canções de resistência</a> que ecoaram pelo país na época.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem separar suas celebrações de seus protestos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante </span></i><span style="font-weight: 400;">geniosamente aniquila qualquer noção de oposição que pudesse surgir entre os dois elementos e grita da melhor maneira que nossa mera existência é política. Até brincando, Elis conseguia espalhar sua mensagem, inovando nas maneiras de driblar a <a href="http://memoriasdaditadura.org.br/sequencias-didaticas/censura/">censura</a>. A canção mais divertida do repertório, </span><i><span style="font-weight: 400;"><a href="https://genius.com/Elis-regina-jardins-de-infancia-lyrics">Jardins De Infância</a>, </span></i><span style="font-weight: 400;">critica o governo </span><span style="font-weight: 400;">de forma teatral e narrativizada, camuflada em um toque de </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_19106" aria-describedby="caption-attachment-19106" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19106" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/9.png" alt="Fotografia de Elis Regina apresentando seu espetáculo Falso Brilhante. A artista está sentada no palco, ao centro da imagem, e apenas ela está iluminada. Ela está de lado, segura um microfone com a mão esquerda e olha para o lado esquerdo da imagem. Elis usa um vestido branco come strelas prateadas e um chapéu com uma pena azul." width="800" height="899" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/9.png 854w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/9-267x300.png 267w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/9-768x863.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-19106" class="wp-caption-text"><span style="font-weight: 400;">Registros de jornais disponibilizados no site oficial da artista contam que, nos bastidores de Falso Brilhante,  Elis era encontrada costurando as próprias roupas, em grande parte reaproveitadas de outros </span><i><span style="font-weight: 400;">shows</span></i><span style="font-weight: 400;">, fazendo a própria maquiagem e coordenando a montagem junto do resto da equipe, o que reforçava seu apelido de </span><span style="font-weight: 400;">a “</span><i><span style="font-weight: 400;">anti estrela</span></i><span style="font-weight: 400;">” da música brasileira </span>(Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A militante só descansava no amor. Ali, não tinha jeito, Elis se derretia na presença daquele que acordava sua veia romântica, sempre marcada na paixão das interpretações e nos arranjos musicais. A primeira declaração de <em>Falso Brilhante</em> é </span><a href="https://genius.com/Elis-regina-fascinacao-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Fascinação</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span><span style="font-weight: 400;"> popular valsa francesa traduzida para o português por Armando Louzada para que Elis e Cesar pudessem dançar entre as notas doces que cada um expressava à sua maneira, sob o cenário rico preparado pelos instrumentos clássicos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://genius.com/Elis-regina-tatuagem-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Tatuagem</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o deleite é ainda mais especial. Nela, Elis só conversa com o piano do amado, numa profunda intimidade e marcante sensualidade. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Quero brincar no teu corpo feito bailarina/Que logo te alucina, salta e te ilumina quando a noite vem/E nos músculos exaustos do teu braço/Repousar frouxa, farta, murcha, morta de cansaço”, </span></i><span style="font-weight: 400;">ela canta a letra de Chico Buarque olhando nos olhos de Cesar ao piano, de modo a deixar qualquer um que assistisse a cena constrangido por tamanha intensidade. Elis, no entanto, por nada conservava timidez. Muito menos da arte, muito menos do amor.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Elis Regina - &quot;Tatuagem&quot;" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/sQGX1BmsLJk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A intensidade que a viagem pela vida e sentimentos de Elis trazia era numa narrativa por si só disruptiva. A mensagem de </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante </span></i><span style="font-weight: 400;">era clara, e o </span><i><span style="font-weight: 400;">glamour </span></i><span style="font-weight: 400;">e a idealização &#8211; que não fosse de um sonho revolucionário &#8211; não cabiam na verdade de Elis</span><span style="font-weight: 400;">. Os que esperavam assistir algo melodramático sobre as lamentações de uma artista arrependida eram surpreendidos, já que a decepção, matéria-prima principal do projeto, não era algo romantizado, exaltado ou pintado como paralisante. O que Elis queria era superá-la, com a urgência de quem <a href="https://documentosrevelados.com.br/interrogatorio-de-elis-regina-pela-ditadura-militar-inspirou-sua-interpretacao-de-agnus-sei/">sentiu na pele</a> e viu de perto as ameaças contundentes ao que ela mais valorizava: a vida e a arte.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que ela criou como forma de se opor a isso tudo é o que se vê em </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com sua história de plano de fundo, ela desabafa, profetiza, imagina, desmente, celebra, denuncia, cuida, representa e sente. Vasta, ativa e complexa, ela mudou pra sempre a arte ao criar dentro de sua música algo que ilustra a própria vida, </span><span style="font-weight: 400;">motivada pela coragem, que nos faz continuar mesmo com o arrepio na espinha de medo do que virá pela frente, e na ousadia de tomar o coração como razão, de assumir sua personalidade, sua identidade, acertar e errar, se desculpar e continuar.</span></p>
<figure id="attachment_19100" aria-describedby="caption-attachment-19100" style="width: 990px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19100" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/elis_falso_brilhante-1.jpg" alt="Fotografia de Elis Regina apresentando seu espetáculo Falso Brilhante. Na imagem, aparece apenas o rosto da artista, de perfil. Ela canta com as mãos no peito e olha para fora da imagem. Elis veste uma camiseta branca, seus cabelos são curtos." width="990" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/elis_falso_brilhante-1.jpg 990w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/elis_falso_brilhante-1-300x218.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/elis_falso_brilhante-1-768x559.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19100" class="wp-caption-text">“Graças à vida, que tem me dado tanto/Tem me dado o sorriso e tem me dado o choro/Assim eu diferencio felicidade de dor/Os dois materiais que formam o meu canto/E o vosso canto que é o mesmo canto/E o canto de todos que é o meu próprio canto” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><a href="https://tvcultura.com.br/videos/52486_elis-regina-jogo-da-verdade.html"><i><span style="font-weight: 400;">Eu queria morrer sendo eu</span></i></a><span style="font-weight: 400;">” ela disse em sua última entrevista em janeiro de 1982, seis anos depois de </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i><span style="font-weight: 400;"> e duas semanas antes de um dos eventos mais tristes que o calendário brasileiro já viu, o dia de sua morte. Nunca se contentando com nada menos do que ela tinha exatamente em mente, esse foi o maior feito que Elis Regina atingiu: ficar marcada na nossa história sendo ela. Sendo presente, sendo atemporal, sendo relevante, sendo transformadora, sendo corajosa, sendo expressiva, sendo sonhadora e sendo viva. E se ela disse que viver é melhor que sonhar, é melhor a gente acreditar.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Falso Brilhante" width="300" height="380" allowtransparency="true" frameborder="0" allow="encrypted-media" src="https://open.spotify.com/embed/album/18p3b48JyIK5XY90JmWxET?si=VHA2B3-ZSxaa87ErSrF4WA"></iframe></p>
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		<title>Em Shippados, o amor não precisa ser perfeito</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Jan 2021 03:01:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Silva O amor em tempos modernos. As primeiras trocas de olhares foram substituídas por matches em aplicativos de relacionamento. As conversas deram espaço para emojis e figurinhas do Whatsapp. Chegamos num ponto em que até ouvir a voz da outra pessoa se tornou um grande ato de intimidade à primeira vista. Essa digitalização do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/shippados-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Shippados, o amor não precisa ser perfeito"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_18049" aria-describedby="caption-attachment-18049" style="width: 990px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18049 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/shippados-tata-werneck-eduardo-sterblitch-foto-paulo-belote-tv-globo_fixed_large.jpg" alt="A imagem é de uma das cenas da série Shippados. Nela, os personagens de Tatá Werneck, à esquerda, e Eduardo Sterblitch, à direita, estão caminhando juntos em uma praça, é possível visualizar o corpo deles da cintura para cima. Tatá é uma mulher branca, de cabelos castanhos escuros e compridos, ela está vestindo uma blusa branca com detalhes azuis e está usando uma mochila da cor vinho. Tatá está com o olho esquerdo fechado e o rosto virado em direção ao Eduardo, e segurando as duas alças de sua mochila. Eduardo é um homem branco de cabelos castanhos escuros ondulados, ele veste uma camisa cinza de manga curta e está usando uma mochila preta nas costas. Eduardo está com o rosto virado em direção à Tatá." width="990" height="619" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/shippados-tata-werneck-eduardo-sterblitch-foto-paulo-belote-tv-globo_fixed_large.jpg 990w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/shippados-tata-werneck-eduardo-sterblitch-foto-paulo-belote-tv-globo_fixed_large-300x188.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/shippados-tata-werneck-eduardo-sterblitch-foto-paulo-belote-tv-globo_fixed_large-768x480.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18049" class="wp-caption-text">Série do Globoplay aponta as falhas da conectividade virtual a partir de uma perspectiva romântica e bem-humorada (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitória Silva</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O amor em tempos modernos. As primeiras trocas de olhares foram substituídas por </span><i><span style="font-weight: 400;">matches</span></i><span style="font-weight: 400;"> em aplicativos de relacionamento. As conversas deram espaço para </span><i><span style="font-weight: 400;">emojis</span></i><span style="font-weight: 400;"> e figurinhas do </span><i><span style="font-weight: 400;">Whatsapp.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Chegamos num ponto em que até ouvir a voz da outra pessoa se tornou um grande ato de intimidade à primeira vista. Essa digitalização do romance é apenas mais um exemplo de como nos reconstruímos no meio virtual e somos cada vez mais </span><a href="https://brasil.elpais.com/estilo/2020-10-12/vicio-em-redes-sociais-dispara-na-pandemia-cinco-jeitos-de-recuperar-o-controle-e-se-desintoxicar.html"><span style="font-weight: 400;">dependentes</span></a><span style="font-weight: 400;"> dele para criar e manter nossas relações. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há quem diga que essa mediação tecnológica não é tão vantajosa quanto parece, Fernanda Young e Alexandre Machado decidiram mostrar isso. O casal de roteiristas que deu origem a séries grandiosas, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Aspones</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Normais</span></i><span style="font-weight: 400;">, decidiu encarar uma comédia-romântico-dramática no contexto dos tempos atuais. Quase que sucessores da dupla Vani e Rui, surgiram Rita (Tatá Werneck) e Enzo (Eduardo Sterblitch). E, dessa combinação, nasceu </span><i><span style="font-weight: 400;">Shippados</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-18039"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientada num Rio de Janeiro mais melancólico do que estamos acostumados, sob a direção artística de </span><a href="https://claudia.abril.com.br/famosos/patricia-pedrosa-diretora-em-ascensao-conversa-sobre-carreira-e-machismo/"><span style="font-weight: 400;">Patricia Pedrosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, a produção do </span><i><span style="font-weight: 400;">Globoplay</span></i><span style="font-weight: 400;"> trata de uma história de amor que surgiu de um desencontro. Rita e Enzo são dois solitários que buscam incansavelmente pela felicidade em outro parceiro para se sentirem completos, e fazem isso, claro, por meio de um aplicativo de relacionamentos. Afinal, como diz a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_mCvW2_1mXg"><span style="font-weight: 400;">música</span></a><span style="font-weight: 400;"> que dá abertura ao primeiro episódio: </span><i><span style="font-weight: 400;">o que mais alguém pode querer além de amar e ser amado?</span></i></p>
<figure id="attachment_18041" aria-describedby="caption-attachment-18041" style="width: 1364px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18041 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Shippados-2019.jpg" alt="A imagem é de uma das cenas da série Shippados. Nela, os personagens de Tatá Werneck, à direita, e Eduardo Sterblitch, à esquerda, estão no quarto da personagem de Tatá, sentados na cama e virados em direção à câmera, é possível visualizar o corpo deles da cintura para cima. Tatá é uma mulher branca, de cabelos castanhos escuros e compridos, ela está vestindo uma blusa listrada nas cores branca, laranja e branca. Tatá está com o queixo apoiado na mão direita, e o cotovelo direito apoiado em uma mesa. Eduardo é um homem branco de cabelos castanhos escuros ondulados, ele veste uma camiseta cinza de mangas curtas com o escrito BORN TO FLY. Eduardo está sorrindo e com o olhar voltado para baixo." width="1364" height="786" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Shippados-2019.jpg 1364w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Shippados-2019-300x173.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Shippados-2019-1024x590.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Shippados-2019-768x443.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Shippados-2019-1200x691.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18041" class="wp-caption-text">Assim como Os Normais quebrava a quarta parede, Rita conversa com o público por meio dos vídeos que ela grava para a internet (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir de um primeiro encontro desastroso com outras pessoas, eles, por acaso, acabam se encontrando. Assim se inicia uma história sobre relações virtuais, contada a partir de um namoro nada virtual. Desde o início, Machado e Young não pretendem mostrar um </span><a href="https://personaunesp.com.br/para-todos-os-garotos-2-critica/"><span style="font-weight: 400;">romance idealizado</span></a><span style="font-weight: 400;">, Rita e Enzo se complementam por suas loucuras e defeitos. Rita é uma pessoa antipática, sincera e com um humor sarcástico que se encontra perfeitamente em </span><a href="https://gshow.globo.com/series/shippados/noticia/tata-werneck-conta-sobre-desafio-de-viver-casal-com-amigo-eduardo-sterblitch-em-shippados.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Tatá Werneck</span></a><span style="font-weight: 400;">, além de apresentar uma série de traumas causados por sua mãe, Dolores (Yara de Novaes), com quem ela mora até hoje. Enquanto Enzo é um rapaz ansioso, com um jeito esquisitão e várias dificuldades de socialização, mas que tem uma ternura que se balanceia com o mau humor de sua companheira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O carioca divide apartamento com Valdir (Luis Lobianco) e sua namorada Brita (Clarice Falcão), ambos adeptos do </span><a href="https://www.infoescola.com/movimentos-culturais/naturismo/"><span style="font-weight: 400;">naturismo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Eles vivenciam uma relação completamente oposta a de Enzo e Rita, ao invés de se completarem, o casal nudista age como se fosse um só, se entendendo nos mais diversos delírios. O grupo de amigos se conclui com Suzete (Júlia Rabello) e Hélio (Rafael Queiroga), casal que surge quase que de imediato por intermédio dos protagonistas. Estes apresentam um amor mais carnal do que qualquer coisa, e mostram muito sobre a superficialidade das relações do mundo atual. </span></p>
<figure id="attachment_18043" aria-describedby="caption-attachment-18043" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18043 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/vlcsnap-2020-03-26-20h01m07s945.jpg" alt="A imagem é de uma das cenas da série Shippados. Nela, os personagens de Tatá Werneck, à esquerda, e Eduardo Sterblitch, à direita, estão sentados em uma cama de casal em um quarto de hotel. Tatá é uma mulher branca, de cabelos castanhos escuros e compridos, ela está vestindo uma blusa laranja e um shorts jeans. Tatá está sentada com as pernas cruzadas e as mãos apoiadas no rosto, que está virado em direção ao Eduardo, com uma expressão assustada. Eduardo é um homem branco de cabelos castanhos escuros ondulados, ele veste uma camisa cinza com detalhes e uma calça jeans. Eduardo está com as pernas esticadas e com as duas mãos segurando o seu rosto, ele também tem uma expressão assustada e está com o rosto virado para Tatá." width="1280" height="634" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/vlcsnap-2020-03-26-20h01m07s945.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/vlcsnap-2020-03-26-20h01m07s945-300x149.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/vlcsnap-2020-03-26-20h01m07s945-1024x507.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/vlcsnap-2020-03-26-20h01m07s945-768x380.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/vlcsnap-2020-03-26-20h01m07s945-1200x594.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18043" class="wp-caption-text">O nome da série deriva do conceito de shippar, que consiste na ideia de torcer para o relacionamento entre duas pessoas (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente de </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Normais</span></i><span style="font-weight: 400;">, a narrativa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Shippados</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é composta por episódios independentes. Além do surgimento dos novos casais, o arco principal da temporada se dá na jornada de Rita em tentar encontrar seu pai, cuja identidade tentou ser ocultada ao máximo por Dolores, por interesse em manter a pensão que ele enviava para sustentar as duas. Nessa aventura, partem o grupo de seis amigos e a mãe desequilibrada para Maricá.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A dupla de roteiristas já é especialista em trazer a comicidade para momentos desconfortáveis entre os seus personagens, e dessa vez não poderia ser diferente. O humor surge nas situações mais escatológicas e constrangedoras possíveis, como quando uma excursão escolar chega na suposta praia de nudismo. Os diálogos sobre tópicos mundanos e aleatórios também são outro ingrediente comum do casal, e se encaixam perfeitamente aqui. Não é uma história forçada para nos fazer rir, com tiradas e clichês previsíveis. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Shippados</span></i><span style="font-weight: 400;">, nós rimos das situações e das pessoas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As redes sociais são o alvo de boa parte do humor sarcástico e afiado da série. Em diversos momentos, os diálogos entre os personagens exemplificam a superficialidade do meio virtual e as falhas comunicativas que ele proporciona, em que até um </span><i><span style="font-weight: 400;">emoji</span></i><span style="font-weight: 400;"> errado pode alterar o tom de uma conversa. E acabam por tirar sarro da supervalorização das coisas na </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">, como os testes de compatibilidade entre namorados e o <em>status</em> de relacionamento no </span><i><span style="font-weight: 400;">Facebook</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_18044" aria-describedby="caption-attachment-18044" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18044 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/7563155_x720.jpg" alt="A imagem é de uma das cenas da série Shippados. Nela, estão os personagens de Luis Lobianco, Clarice Falcão, Tatá Werneck e Eduardo Sterblitch. Na imagem eles estão tirando uma foto no que seria o apartamento dos personagens Enzo e Valdir. Na imagem, Clarice Falcão está abraçando Tatá Werneck. Clarice é uma mulher branca de cabelos castanhos claros compridos, ela está sorrindo e com o braço em volta do pescoço de Tatá, não é possível ver suas roupas. Tatá é uma mulher branca de cabelos castanhos escuros, ela veste uma blusa listrada nas cores laranja, amarelo e branco, e está com uma cara de desconforto. Os meninos estão atrás das duas personagens, lado a lado. Luis Lobianco é um homem branco, de cabelos castanhos escuros curtos, barba e bigode castanhos, não é possível ver suas roupas pois ele está atrás de Clarice. Luis está sorrindo e com o braço esquerdo em volta de Eduardo. Eduardo é um homem branco de cabelos castanhos escuros ondulados, ele veste uma camiseta cinza de manga curta com um desenho e o escrito BORN TO FLY." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/7563155_x720.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/7563155_x720-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/7563155_x720-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/7563155_x720-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/7563155_x720-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18044" class="wp-caption-text">Com o <a href="https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2019/08/25/fernanda-young-morre-em-sp.ghtml">falecimento</a> de Fernanda Young, o futuro de Shippados permanece um tanto incerto, apesar da autora já ter escrito alguns episódios da segunda temporada ainda em vida (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após descobertas decepcionantes na viagem para Maricá, e as diversas tentativas de sabotagem por parte de Dolores, a narrativa se vira completamente para a evolução do namoro de Enzo e Rita. Nenhum relacionamento é perfeito, muito menos nos roteiros de Young e Machado. A partir de uma sequência de desentendimentos, surgem as primeiras discussões, os conflitos iniciais e o primeiro término, como toda relação de </span><a href="https://personaunesp.com.br/normal-people-critica/"><span style="font-weight: 400;">pessoas normais</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais que esse talvez não seja o primeiro relacionamento sério da vida dos personagens, é a sensação que transparece para nós. Vemos a relação de Enzo e Rita como aquele namoro de adolescência, em que ambos precisam aprender a se entender antes para conseguirem, de fato, entender o outro. Erram como adolescentes, mas também amam como se fossem iniciantes nesse ramo. </span></p>
<figure id="attachment_18045" aria-describedby="caption-attachment-18045" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18045 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/pZ4eed9tNbH1fk9lUiAywzGpNUx.jpg" alt="A imagem é de uma das cenas da série Shippados. Nela, os personagens estão em uma praia deserta, virados de costas para a câmera e em direção ao mar. Da esquerda para direita vemos os personagens de Júlia Rabello, Rafael Queiroga, Clarice Falcão, Luis Lobianco, Tatá Werneck e Eduardo Sterblitch." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/pZ4eed9tNbH1fk9lUiAywzGpNUx.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/pZ4eed9tNbH1fk9lUiAywzGpNUx-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/pZ4eed9tNbH1fk9lUiAywzGpNUx-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/pZ4eed9tNbH1fk9lUiAywzGpNUx-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/pZ4eed9tNbH1fk9lUiAywzGpNUx-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18045" class="wp-caption-text">Shippados já tinha estreado no Globoplay em 2019, mas teve seus episódios exibidos na TV aberta apenas este mês (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A dramaticidade ainda surge como um tempero adicional na narrativa. Seria difícil falar sobre o mundo da conectividade e do imediatismo sem abordar o lado daqueles esquisitões que não se encaixam por entre as bolhas virtuais. E, mais do que isso, mostrar as dificuldades que os relacionamentos do mundo digital ocultam, em saber lidar com o outro. Nesses momentos, o temperamento difícil de Rita e seu grande potencial de auto sabotagem, unido ao nervosismo de Enzo em tentar ao máximo que as coisas deem certo não poderiam ser mais compreensíveis. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A transição para as cenas dramáticas não nos pega desprevenidos em nenhum momento, sentimos cada pontada da dor que é ser um estranho em um ambiente onde todas as relações são tão parecidas e simples, e da dificuldade em lutar por algo que não depende apenas de nós mesmos. A trilha sonora ainda é perfeitamente escolhida para nos derrubar de vez, com faixas de nomes como O Terno, Vanguart, Rubel e </span><a href="https://personaunesp.com.br/los-hermanos-amor-e-odio/"><span style="font-weight: 400;">Los Hermanos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ou seja, tudo de mais triste que existe na cena atual da música brasileira. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se fosse necessário dar nome aos bois, Dolores com certeza seria a maior antagonista da série, por suas sucessivas tentativas em destruir o namoro da filha, visando apenas o seu próprio benefício. Mas também poderia ser considerada a personificação do verdadeiro vilão do mundo real: o imprevisível (ou melhor, </span><i><span style="font-weight: 400;">os</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">absurdos idiotas da vida)</span></i><span style="font-weight: 400;">. Aquele acontecimento que vai além do nosso próprio controle e o maior obstáculo dos verdadeiros relacionamentos. Para se manter uma relação é preciso muito mais que amar, ou ter um endereço próximo, é necessário lidar com as adversidades da vida, e também lutar contra elas. Essa talvez seja a maior lição que o primeiro ano de </span><i><span style="font-weight: 400;">Shippados</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos deixa.</span></p>
<figure id="attachment_18046" aria-describedby="caption-attachment-18046" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18046 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/wfq03pnOBcgQrms4mbaatRGLKwH.jpg" alt="A imagem é de uma das cenas da série Shippados. A imagem foi tirada de baixo para cima. Nela, os personagens estão em roda olhando para baixo, em direção à câmera. Nesse círculo estão, nessa ordem, os personagens de Luis Lobianco, Eduardo Sterblitch, Júlia Rabello, Clarice Falcão, Tatá Werneck e Rafael Queiroga." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/wfq03pnOBcgQrms4mbaatRGLKwH.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/wfq03pnOBcgQrms4mbaatRGLKwH-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/wfq03pnOBcgQrms4mbaatRGLKwH-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/wfq03pnOBcgQrms4mbaatRGLKwH-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/wfq03pnOBcgQrms4mbaatRGLKwH-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18046" class="wp-caption-text">O primeiro trabalho de Alexandre <a href="https://cultura.estadao.com.br/blogs/direto-da-fonte/sentimos-falta-da-loucura-e-da-diversao-dela-diz-alexandre-machado-sobre-a-mulher-fernanda-young/">após a morte</a> de Fernanda foi na série <a href="https://personaunesp.com.br/amor-e-sorte-critica/">Amor e Sorte</a> (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Shippados</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um atestado das falsas promessas do meio virtual, que nos distancia, ao mesmo passo que busca nos aproximar. E também é um abraço caloroso para mostrar que ainda devemos ter esperança no amor, em encontrar alguém mesmo em meio a um mar de individualismo e das dificuldades repentinas da vida. Apenas mais um dos milhares de exemplos do grandioso </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/normais-shipados-partida-de-fernanda-young"><span style="font-weight: 400;">legado</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Fernanda Young, que não poderia ter se despedido de uma forma melhor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A tecnologia vai precisar evoluir muito para conseguir transparecer as trocas de olhares apaixonadas, o nervosismo do toque acidental de mãos e as borboletas no estômago que a vida real nos proporciona. E não importa o quanto ela lute para conectar cada vez mais as pessoas, nunca conseguirá causar um encontro de almas tão bonito como o simples acaso. </span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Trilha Sonora Shippados" width="300" height="380" allowtransparency="true" frameborder="0" allow="encrypted-media" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/0IoghNokIwpXHKLc8pnLgG?si=Tdb42FZyRhqOMlY10r77oQ"></iframe></p>
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