<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Lázaro Ramos &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/lazaro-ramos/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/lazaro-ramos/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 05 May 2026 15:42:12 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0.4</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Lázaro Ramos &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/lazaro-ramos/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>Velhos Bandidos: os gigantes Fernanda Montenegro e Ary Fontoura salvam a si mesmos – e ao próprio filme</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/critica-velhos-bandidos/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/critica-velhos-bandidos/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 May 2026 13:00:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Ary Fontoura]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Bruna Marquezine]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Torres]]></category>
		<category><![CDATA[Fábio Mendes]]></category>
		<category><![CDATA[Fernanda Montenegro]]></category>
		<category><![CDATA[Filme de Comédia]]></category>
		<category><![CDATA[Lançamento 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Lázaro Ramos]]></category>
		<category><![CDATA[Mariana Bezerra]]></category>
		<category><![CDATA[Paris Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[Renan Flumian]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Vladmir Brichta]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=37232</guid>

					<description><![CDATA[<p>Aviso: O texto contém alguns spoilers Mariana Bezerra  O filme brasileiro Velhos Bandidos, dirigido por Cláudio Torres, chega às telonas com um elenco de peso, a começar por Fernanda Montenegro, que diz esse ser o seu último filme. Inclusive, em uma de suas apresentações de Fernanda Montenegro lê Simone de Beauvoir, a atriz deixou claro &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-velhos-bandidos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Velhos Bandidos: os gigantes Fernanda Montenegro e Ary Fontoura salvam a si mesmos – e ao próprio filme"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/critica-velhos-bandidos/">Velhos Bandidos: os gigantes Fernanda Montenegro e Ary Fontoura salvam a si mesmos – e ao próprio filme</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso: </i></b><i><span style="font-weight: 400;">O texto contém alguns spoilers</span></i></p>
<figure id="attachment_37233" aria-describedby="caption-attachment-37233" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-37233 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/critica_velhos_bandidos-800x533.jpg" alt="Marta e Rodolfo aparecem em primeiro plano, lado a lado, olhando para a câmera. Ela tem cabelos brancos curtos, usa roupas escuras e segura as mãos próximas ao peito; ele veste terno e gravata e sorri levemente. Ao fundo, desfocados, estão Syd e Nancy, um casal mais jovem observando a cena. " width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/critica_velhos_bandidos-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/critica_velhos_bandidos-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/critica_velhos_bandidos-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/critica_velhos_bandidos.jpg 1170w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37233" class="wp-caption-text">Fernanda Montenegro diz que a nova comédia é seu último filme (Fonte: Paris Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Bezerra </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme brasileiro </span><i><span style="font-weight: 400;">Velhos Bandidos</span></i><span style="font-weight: 400;">, dirigido por Cláudio Torres, chega às telonas com um elenco de peso, a começar por </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=Fernanda+Montenegro#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">Fernanda Montenegro</span></a><span style="font-weight: 400;">, que diz esse ser o seu último filme. Inclusive, em uma de suas apresentações de </span><i><span style="font-weight: 400;">Fernanda Montenegro lê Simone de Beauvoir</span></i><span style="font-weight: 400;">, a atriz deixou claro que a obra não se tratava de um drama social, mas de uma comédia. Além dela, apenas para começar a citar o restante do elenco, estão em cena Ary Fontoura, Lázaro Ramos, Bruna Marquezine e Vladimir Brichta. Apesar dos estigmas existentes sobre as comédias nacionais – alguns verdadeiros, outros nem tanto – havia uma expectativa natural em relação a esse lançamento diante da força dos nomes envolvidos.</span></p>
<p><span id="more-37232"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De fato, o </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/elenco-de-velhos-bandidos-diz-se-e-mais-facil-fazer-publico-rir-ou-chorar/"><span style="font-weight: 400;">elenco</span></a><span style="font-weight: 400;"> se dá muito bem com a trama. Marta (Fernanda Montenegro) e Rodolfo (Ary Fontoura) são um casal de nonagenários que sofrem uma tentativa de assalto arquitetada por Nancy (Bruna Marquezine) e Syd (Vladimir Brichta). O plano do jovem casal parecia perfeito: invadir a casa de idosos que estavam em uma viagem de cruzeiro organizada pela própria personagem de Marquezine. No entanto, o esquema logo se revela um tiro no próprio pé. Inesperadamente, Marta e Rodolfo retornam a casa por causa de um passaporte esquecido, surpreendendo os invasores e – pasmem – sequestrando-os. A partir desse momento, a narrativa revela o seu diferencial: por trás da aparência frágil, os dois idosos subvertem as expectativas e assumem o controle da situação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O casal mais jovem é forçado a se tornar uma engrenagem essencial em um plano mirabolante dos velhinhos: o roubo de um banco. Aqui, a trama constrói uma dimensão social com a ideia do ‘bom bandido’, quase um justiceiro à la Robin Hood. Isso porque a motivação do assalto nasce de uma injustiça sofrida pelo casal décadas antes: Rodolfo foi demitido sem receber os seus direitos trabalhistas após denunciar a corrupção dentro da construtora responsável pela obra do banco. Além disso, para completar esse arquétipo, há a figura do Osvaldo (</span><a href="https://personaunesp.com.br/medida-provisoria-critica/"><span style="font-weight: 400;">Lázaro Ramos</span></a><span style="font-weight: 400;">), um investigador da polícia, cuja filha se encontra em estado de saúde crítico e que depende de um medicamento de alto custo que demora a ser disponibilizado devido aos trâmites e burocracias do plano de saúde. </span></p>
<figure id="attachment_37236" aria-describedby="caption-attachment-37236" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37236" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/fernanda-montenegro-e-ary-fontoura-chegam-as-telas0329254900202603251545-800x420.jpg" alt="Marta, uma idosa de pele e cabelos brancos, usando óculos vermelhos e roupa elegante em preto e branco, está ao lado de Rodolfo, um idoso de pele e cabelos brancos que usa um terno marrom. Os dois aparecem com expressões atentas e surpresas, em um ambiente interno bem iluminado." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/fernanda-montenegro-e-ary-fontoura-chegam-as-telas0329254900202603251545-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/fernanda-montenegro-e-ary-fontoura-chegam-as-telas0329254900202603251545-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/fernanda-montenegro-e-ary-fontoura-chegam-as-telas0329254900202603251545-768x403.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/fernanda-montenegro-e-ary-fontoura-chegam-as-telas0329254900202603251545-1536x806.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/fernanda-montenegro-e-ary-fontoura-chegam-as-telas0329254900202603251545-1200x630.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/fernanda-montenegro-e-ary-fontoura-chegam-as-telas0329254900202603251545.jpg 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37236" class="wp-caption-text">Os figurinos (Valeria Stephanie) do casal são importantes para a construção desses personagens (Foto: Paris Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora o tecido narrativo seja construído com alguns clichês, a história ainda consegue ser envolvente. Por um lado, o roteiro (Cláudio Torres,  Fabio Mendes e Renan Flumian) traz uma justificativa para o plano ardiloso de Marta e Rodolfo, por outro, Fontoura e Montenegro garantem que a sagacidade e a química marquem presença graças às suas performances, como sempre, brilhantes. Nesse sentido, </span><i><span style="font-weight: 400;">Velhos Bandidos</span></i><span style="font-weight: 400;"> contribui para uma onda ainda jovem de uma nova perspectiva sobre a </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-incrivel-eleanor-critica/"><span style="font-weight: 400;">velhice</span></a><span style="font-weight: 400;">. Enquanto esses dois personagens se mostram fortes e independentes uma série de estigmas e preconceitos é colocada à prova, haja vista a representação em tela da sexualidade dos nonagenários e a forma como são capazes de desbancar os invasores utilizando as habilidades certas, ainda que estivessem em desvantagem no que tange a força física.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além do núcleo do casal, o filme traz outros grandes nomes brasileiros que compõem uma equipe da terceira idade dotada das mais inusitadas habilidades, como a produção de gás sonífero e um laser extremamente poderoso, que se tornam essenciais na execução do roubo. Em oposição desse frescor trazido para o público, há o casal mais jovem, que carrega clichês em excesso, ultrapassando o limite confortável e beirando uma caricatura nada relevante – a exemplo de Nancy executando o roubo em um traje de </span><a href="https://graziamagazine.com/us/articles/catwomans-catsuit-evolution/"><span style="font-weight: 400;">mulher gato</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar desse retrato desinteressante, os dois casais principais desenvolvem uma química agradável e reconfortante de se assistir enquanto planejam o grande crime. Os comparsas desenvolvem uma amizade natural e acabam compartilhando entre si questões íntimas, como o câncer raro e praticamente intratável do personagem de </span><a href="https://youtu.be/9-pRGbBvgCw?si=KXTgFsxNiSwuG12H&amp;t=70"><span style="font-weight: 400;">Fontoura</span></a><span style="font-weight: 400;">, que precisa do dinheiro do roubo para custear um tratamento experimental no exterior. Esse fator, definitivamente, traz mais uma camada de calor humano à trama e intensifica a torcida pelos personagens. </span></p>
<figure id="attachment_37234" aria-describedby="caption-attachment-37234" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-37234" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/VELHOS-BANDIDOS-Credito-Laura-Campanella-Divulgacao-5.jpeg.jpg.webp" alt="Grupo de cinco idosos posa junto em um ambiente com iluminação colorida e decoração descontraída. Vestem roupas estilosas e variadas, alguns usando óculos escuros, transmitindo atitude confiante e irreverente." width="650" height="433" /><figcaption id="caption-attachment-37234" class="wp-caption-text">Tony Tornado, Vera Fischer, Teca Pereira, Hamilton Vaz Pereira e Reginaldo Faria formam um quinteto fantástico na trama (Foto: Paris Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O desenrolar do enredo é cercado de reviravoltas e culmina em um </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twist </span></i><span style="font-weight: 400;">sensacional: o casal de </span><a href="https://youtu.be/liiEk_MSfLc?si=BO5Ly3yT-4JFUORf"><span style="font-weight: 400;">velhos bandidos</span></a><span style="font-weight: 400;"> se uniu a seus amigos de longa data e ao policial Oswaldo para darem uma lição em Nancy e Syd. Os aliados forjaram desde intrigas entre si até a morte de Rodolfo, que envolveu tiro e sangue falsos. Assim, os jovens fogem pensando ter deixado os pobres velhinhos para trás, sendo obrigados a carregar todo o ouro consigo &#8211; o que, na verdade, já planejavam fazer &#8211; apenas para descobrirem que a mala que os tornaria milionários estava preenchida com chumbo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse final não é necessariamente cativante pela sua imprevisibilidade, mas pela carga irônica e sagaz que acrescenta, novamente, às figuras de Marta e Rodolfo. Esse aspecto reforça que o maior mérito de </span><i><span style="font-weight: 400;">Velhos Bandidos</span></i><span style="font-weight: 400;"> está nos retratos desses personagens e nas interações entre eles. Isso porque o planejamento do crime em si não faz muito sentido e recorre a todo momento às conveniências do roteiro, além de ser apresentado como simplificado demais para ser credível. Assim, o longa passa a depender inteiramente dos conflitos dramáticos, quando deveria haver um equilíbrio entre as temáticas abordadas, especialmente se tratando de um </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-truque-de-mestre-o-3-ato/"><span style="font-weight: 400;">filme de assalto</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_37235" aria-describedby="caption-attachment-37235" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37235" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Velhos-Bandidos-2.jpg.jpg-750x500-1.jpeg" alt="Sid, um homem branco de cabelo curto castanho e bigode escuros e Nancy, mulher branca de cabelo castanho e ondulado, estão presas com fita adesiva envolvendo o corpo. Eles se olham e parecem confusos. Ambos usam jaquetas de tons escuros. O ambiente apresenta uma janela ao fundo e vegetação do lado de fora do ambiente." width="750" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-37235" class="wp-caption-text">Velhos Bandidos conta com um elenco renomado, o que provoca grandes expectativas no público (Foto: Paris Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Infelizmente, nem mesmo a grande e revigorante surpresa narrativa é sustentada, já que é seguida de um outro </span><a href="https://www.vogue.in/content/best-plot-twist-movies-that-will-shock-and-compel-you"><i><span style="font-weight: 400;">plot twist</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">moralmente correto – pelo menos a partir de uma perspectiva clichê e romantizada – e consideravelmente mais sem graça; após o tratamento bem sucedido do personagem de Fontoura, Marta e Rodolfo retornam ao Brasil para se reconciliarem com o casal que os enganaram e que agora espera a chegada de um bebê. Nesse sentido, há uma grande quebra de expectativas ao final. Infelizmente, Marta e Rodolfo, que mereciam um final controverso, engraçado e ambíguo, ganham um desfecho convencional e arrependido nas posições de ‘vovó’ e ‘vovô’, enquanto poderiam ter tido um ‘quê’ vilanesco mais coerente com a construção narrativa. E, claro, isso não é um demérito a essas posições familiares tão prestigiadas, mas uma ressalva as decisões contraditórias e pouco elaboradas adotadas em um momento decisivo da trama. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar dessas questões, o filme não deixa de ser agradável – pelo menos até que o clímax seja interrompido – e há espaço para o riso e a emoção diante uma obra para toda a família. Infelizmente, Velhos Bandidos cai na tediosa posição de uma produção que não é reconhecida pela primazia, mas que, com o manejo da expectativa, pode se tornar uma boa experiência. De qualquer forma, mais uma vez, os louvores aos protagonistas </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/fernanda-montenegro-fala-a-veja-com-quase-cem-anos-ainda-raciocino/"><span style="font-weight: 400;">veteranos</span></a><span style="font-weight: 400;"> são mais do que necessários devido à responsabilidade que carregam consigo. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Nunca subestime os velhos</span></i><span style="font-weight: 400;">” é o que Marta diz no fim do longa. Aqui, eles – personagens e elenco – não apenas não devem ser subestimados como merecem todos os aplausos por fazerem a ida ao cinema valer a pena.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Velhos Bandidos | Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/FWIX2wi9nNU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/critica-velhos-bandidos/">Velhos Bandidos: os gigantes Fernanda Montenegro e Ary Fontoura salvam a si mesmos – e ao próprio filme</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/critica-velhos-bandidos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">37232</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Medida Provisória: uma distopia iminente se anuncia</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/medida-provisoria-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/medida-provisoria-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 May 2022 15:00:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2022]]></category>
		<category><![CDATA[Adrian Teijido]]></category>
		<category><![CDATA[Adriana Esteves]]></category>
		<category><![CDATA[África]]></category>
		<category><![CDATA[Alfred Enoch]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema Brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Distopia]]></category>
		<category><![CDATA[Emicida]]></category>
		<category><![CDATA[Flávia Lacerda]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Gomes Santana]]></category>
		<category><![CDATA[Jéssica Ellen]]></category>
		<category><![CDATA[Lázaro Ramos]]></category>
		<category><![CDATA[Medida Provisória]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo]]></category>
		<category><![CDATA[Renata Sorrah]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Rincon Sapiência]]></category>
		<category><![CDATA[Seu Jorge]]></category>
		<category><![CDATA[Taís Araujo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=27677</guid>

					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gomes Santana Em um Brasil distópico, mas não muito distante da presente realidade, resgatar as origens deixa de ser uma opção e passa a ser uma lei. É diante desse bizarro cenário que Medida Provisória, primeiro longa dirigido por Lázaro Ramos, se desenvolve e quebra recordes de bilheteria nacional. O filme trata de uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/medida-provisoria-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Medida Provisória: uma distopia iminente se anuncia"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/medida-provisoria-critica/">Medida Provisória: uma distopia iminente se anuncia</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27678" aria-describedby="caption-attachment-27678" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27678" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-MP.png" alt="Cena do filme Medida Provisória. A foto exibe dois atores negros com olhares atentos em um ambiente noturno, cena de um momento de tensão do filme. À esquerda aparece o personagem Antônio, interpretado pelo ator Alfred Enoch. Ele é um rapaz alto, com cerca de 1,90 de altura, usa barba e cavanhaque e está encapuzado com uma jaqueta preta. Ao lado esquerdo da imagem temos o personagem André, interpretado pelo ator Seu Jorge. Ele é um pouco menor que Antônio, usa bigode e cavanhaque, carrega um colar por cima de uma jaqueta preta. Diferente de Antônio, André não veste um capuz. " width="800" height="467" /><figcaption id="caption-attachment-27678" class="wp-caption-text">Conduzido por uma direção inédita e uma trilha sonora composta por nomes como Elza Soares, Rincon Sapiência, Baco Exu do Blues, Cartola e Liniker, Medida Provisória chega aos cinemas quebrando paradigmas, emocionando e alarmando para um futuro não tão distante (Foto: Elo Company)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Gomes Santana</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um Brasil distópico, mas não muito distante da presente realidade, resgatar as origens deixa de ser uma opção e passa a ser uma lei. É diante desse bizarro cenário que </span><i><span style="font-weight: 400;">Medida Provisória</span></i><span style="font-weight: 400;">, primeiro longa dirigido por </span><a href="https://personaunesp.com.br/falas-negras-critica/"><span style="font-weight: 400;">Lázaro Ramos</span></a><span style="font-weight: 400;">, se desenvolve e quebra recordes de bilheteria nacional. O filme trata de uma tragicomédia, que aborda o que há de pior em nosso jeitinho brasileiro de mascarar problemas profundos dos porões racistas e cordiais, nos quais Gilberto Freyre de maneira dualista e polêmica tanto criticou em </span><a href="https://www.anpocs.com/index.php/papers-39-encontro/gt/gt28/9704-casa-grande-e-senzala-e-o-mito-da-democracia-racial/file"><i><span style="font-weight: 400;">Casa Grande e Senzala</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-27677"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se procurarmos no dicionário jurídico, uma </span><a href="https://www.politize.com.br/medida-provisoria/"><span style="font-weight: 400;">Medida Provisória (MP)</span></a><span style="font-weight: 400;"> nada mais é do que uma ação emergencial que tem uma força representativa de lei, sem necessariamente a aprovação do Poder Legislativo. Ela só entrará como lei oficial da nação a partir de uma posterior votação na Câmara; e é justamente através desse artifício de poder, sem a consulta daqueles que serão impactados, que a narrativa apresenta, na ficção, a decisão do governo brasileiro em deportar todas as pessoas consideradas negras, ou como o próprio filme cita, </span><i><span style="font-weight: 400;">“pessoas de melanina acentuada”</span></i><span style="font-weight: 400;">, para o continente africano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ideia de trazer essa história para as telonas surgiu do próprio Lázaro Ramos, mas o diretor admite que o roteiro foi inspirado, em grande parte, numa adaptação da peça teatral</span> <a href="https://www.researchgate.net/publication/270404417_Back_to_the_roots_-_Namibia_Nao_de_Aldri_Anunciacao"><i><span style="font-weight: 400;">Namíbia Não!</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, obra escrita por Aldri Anunciação (que também é roteirista do filme) e dirigida por Lázaro. Na peça, André é um advogado que entra com um processo contra o Estado Brasileiro pelo tempo de escravidão e ganha uma indenização bizarra: passagem só de ida para Namíbia. Apesar de sofrer algumas alterações, sobretudo no que diz respeito ao elenco, a película representou fielmente a essência bizarra e espetacular da peça.</span></p>
<figure id="attachment_27679" aria-describedby="caption-attachment-27679" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27679" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-2-MP.png" alt="Foto do ator Lázaro Ramos. Ele é um homem negro, barbudo, de estatura média. Ele aparece de camisa branca e boné azul e branco. Na imagem, Lázaro aparece atrás de uma tela que faz parte dos equipamentos de filmagem. Ao fundo, em segundo plano, uma mulher negra que usa óculos e que, provavelmente trabalha junto à equipe, aparece conversando com um rapaz de boné." width="800" height="533" /><figcaption id="caption-attachment-27679" class="wp-caption-text">Em seu primeiro trabalho como diretor de Cinema, Lázaro Ramos admitiu em entrevista ao Podpah que a princípio não tinha nenhuma pretensão de comandar Medida Provisória, pois o artista considera que seu maior trunfo está na arte da atuação (Foto: GQ Brasil)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Composto por um núcleo de estrelas nacionais e internacionais, </span><i><span style="font-weight: 400;">Medida Provisória </span></i><span style="font-weight: 400;">conta com 77 atores e atrizes negros, se destacando assim como a produção cinematográfica com maior representatividade negra da história do Cinema nacional. Além disso, a equipe técnica dos bastidores também é predominantemente preta. No time principal, nomes como Alfred Enoch (Antonio), Taís Araújo (Capitú), Seu Jorge (André), Aldri Anunciação (Ivan), Adriana Esteves (Isabel) e Renata Sorrah (Dona Izildinha) protagonizam o longa-metragem. Há também diversas participações especiais, como é o caso de figuras como </span><a href="https://personaunesp.com.br/amarelo-emicida-critica/"><span style="font-weight: 400;">Emicida</span></a><span style="font-weight: 400;">, Tia Má e Luis Miranda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Basicamente, podemos dividir o enredo em três partes: cômica, trágica e dramática, em uma narrativa que prende a atenção do espectador do início ao fim. Seja pelos absurdos, como também pelo apego sentimental aos personagens, </span><i><span style="font-weight: 400;">Medida Provisória</span></i><span style="font-weight: 400;"> acaba nos colocando como torcida da resistência de Antônio e André. No filme, ambos são irmãos inseparáveis que protestam contra todas as terríveis </span><a href="https://technewsbrasil.com.br/historia-real-que-inspirou-olhos-que-condenam-da-netflix/"><span style="font-weight: 400;">ações estatais racistas</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas apesar de serem indivíduos combativos, suas personalidades diferem bastante, o que traz maior sinergia para as cenas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Caso a abordagem crítica de Lázaro apontasse apenas uma perspectiva de narrativa dramática, o filme por si só já seria digno de boas avaliações. No entanto, impressiona positivamente a maneira como a narrativa consegue alarmar assuntos sérios e importantes, de um jeito leve e descontraído. Essa mescla é feita à perfeição, já que instiga a refletir a respeito de uma autocrítica coletiva, sem desrespeitar causas tão relevantes, quanto a questão do </span><a href="https://www.politize.com.br/equidade/blogpost/o-que-e-racismo-estrutural/"><span style="font-weight: 400;">racismo estrutural</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_27680" aria-describedby="caption-attachment-27680" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27680" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3-MP.png" alt="Foto dos bastidores do filme Medida Provisória. Antônio, Capitu (Taís Araújo) e André se divertem em um bar. A imagem ilustra uma mesa cheia de canecas de chopp e alguns petiscos. O casal Antônio e Capitu está abraçado e sentado, enquanto André está de pé, se curvando para conversar com o casal," width="800" height="450" /><figcaption id="caption-attachment-27680" class="wp-caption-text">Os olhares desse trio nesta cena dizem muito a respeito da conexão dos atores nas gravações, chave fundamental para o sucesso de qualquer filmagem (Foto: Elo Company)</figcaption></figure>
<p><b>A terrível semelhança entre ficção e realidade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É bem perceptível que </span><i><span style="font-weight: 400;">Medida Provisória </span></i><span style="font-weight: 400;">explora temáticas sensíveis de nossa cruel e preconceituosa contemporaneidade. É válido destacar, porém, que o filme não denuncia exclusivamente as mazelas do racismo estrutural, já que o roteiro também aponta características ligadas aos demais estigmas e comportamentos preocupantes. A exemplo disso podem ser citados os obstáculos enfrentados pela personagem </span><a href="https://personaunesp.com.br/falas-femininas-critica/"><span style="font-weight: 400;">Capitu (Taís Araújo)</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por ser uma mulher negra, médica de um hospital particular, a mesma tem de lidar com diversos preconceitos que, assim como a questão racial, também estão enraizados em nossa sociedade. Outro ponto se dá pelas semelhanças envolvendo as duas antagonistas brancas da narrativa: Isabel (Adriana Esteves) e Dona Izildinha (Renata Sorrah). Enquanto Isabel inferniza a vida daqueles que são considerados de </span><i><span style="font-weight: 400;">“melanina acentuada”</span></i><span style="font-weight: 400;">, Izildinha busca a todo momento se sentir útil e notável para as pessoas (da maneira errada, é claro).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tanto Isabel quanto Izildinha representam o perfil de indivíduos que têm o prazer em constranger outrem. São pessoas ressentidas e preocupadas com o mal estar alheio que, ao depositarem todo o seu ódio em terceiros, tentam mascarar os assuntos pessoais mal resolvidos. Isabel possui uma </span><a href="https://blogbr.clear.sale/contas-falsas#:~:text=Para%20as%20plataformas%20de%20m%C3%ADdias,em%20preju%C3%ADzos%20financeiros%20e%20psicol%C3%B3gicos."><span style="font-weight: 400;">conta </span><i><span style="font-weight: 400;">fake</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">na </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde expõe amarguradamente comentários racistas. Ao mesmo tempo, a personagem se vê refém de si mesma quando passa a ser desprezada e ignorada por seu chefe e por seu assessor. Já Izildinha não vê sua família há anos, algo que diz bastante sobre o seu </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-52922015"><span style="font-weight: 400;">comportamento repugnante</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_27681" aria-describedby="caption-attachment-27681" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27681" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-MP.png" alt="Cena do filme Medida Provisória. Capitu (Taís Araújo) está centralizada à frente de uma multidão que a observa com olhares desconfiados e surpresos. Ela veste uma regata branca e uma saia de estampa. Ao seu lado esquerdo, há dois soldados com trajes pretos (um deles porta uma metralhadora). À direita, Isabel (Adriana Esteves) aparece com um paletó executivo roxo. Capitu está com uma expressão facial de angústia e forte emoção." width="800" height="420" /><figcaption id="caption-attachment-27681" class="wp-caption-text">As expressões faciais dessa cena são autoexplicativas e ricas em detalhes (Foto: Elo Company)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais esdrúxula que seja a Medida Provisória que intitula o filme, ela infelizmente não está tão longe de nossa realidade. Com um Estado que </span><a href="https://www.cartacapital.com.br/cultura/crise-na-ancine-impede-que-centenas-de-novos-filmes-sejam-lancados/"><span style="font-weight: 400;">ameaça e boicota</span></a><span style="font-weight: 400;"> o campo da Cultura, que incentiva a prática violenta das polícias, reprime movimentos sociais e legitima ataques de ódio e mentira, sobretudo pelas redes sociais, certamente um futuro semelhante ao da ficção se torna um risco cada vez mais iminente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, felizmente ainda prevalece uma esperança em meio ao caos. Antes mesmo de sua estreia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Medida Provisória </span></i><span style="font-weight: 400;">foi indicada a diversos</span><a href="https://gshow.globo.com/Famosos/noticia/lazaro-ramos-ganha-seu-primeiro-premio-internacional-com-medida-provisoria.ghtml"><span style="font-weight: 400;"> prêmios internacionais</span></a><span style="font-weight: 400;">. Saiu vencedor do Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa (FESTin) nas categorias de Melhor Realizador e Melhor Ator; foi o Melhor Roteiro </span><i><span style="font-weight: 400;">Indie do </span></i><span style="font-weight: 400;">Memphis Film Festival; e ainda campeão do Prêmio Manuel Barba, do Festival de Cinema Ibero-americano de Huelva. Diante dessa maravilhosa repercussão, é possível enxergar com bons olhos o impacto de milhares de pessoas que prestigiam o Cinema nacional.</span></p>
<figure id="attachment_27682" aria-describedby="caption-attachment-27682" style="width: 716px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27682" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-5-MP.png" alt="Cena do filme Medida Provisória. Os atores Aldri Anunciação e Diva Guimarães aparecem juntos em um dos momentos mais marcantes do filme. O enquadramento da imagem reflete uma luz potente emergindo em um ambiente escuro. Diva é uma senhora idosa negra, na casa de seus 80 anos, com cabelo crespo grisalho. Ela veste uma camisa amrela tom mostarda e usa colar.Aldri é um homem negro, na casa de seus 45 anos, com cabelo dread. Ele veste um colete verde escuro. Aldri é mais alto que Diva e leva uma tatuagem no pescoço." width="716" height="800" /><figcaption id="caption-attachment-27682" class="wp-caption-text">É como diz o poeta Jorge Aragão: “E quando pisar no terreiro, procure primeiro saber quem eu sou, respeite quem pôde chegar aonde a gente chegou” (Foto: Elo Company)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para entender melhor sobre as propostas críticas dessa obra, nada melhor do que interpretar as falas de </span><a href="https://elastica.abril.com.br/especiais/medida-provisoria-filme-racismo-tais-araujo-lazaro-ramos-alfred-enoch/"><span style="font-weight: 400;">Lázaro Ramos</span></a><span style="font-weight: 400;"> a respeito do contexto com o qual ela se insere: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Estamos falando de um filme que foi baseado em uma peça de teatro escrita em 2011. O roteiro foi escrito em 2015 com o propósito de alertar sobre problemas e questões que a gente não gostaria que acontecesse. Depois disso, várias delas aconteceram. É um sinal de que não podemos calar debates importantes para a gente melhorar enquanto sociedade e comunidade”.</span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Medida Provisória</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um grito de alerta, mas também de </span><a href="https://mundonegro.inf.br/lazaro-ramos-explica-a-presenca-de-dona-diva-em-medida-provisoria-um-simbolo-de-potencia/"><span style="font-weight: 400;">esperança </span></a><span style="font-weight: 400;">em meio ao caos. Não podemos desconsiderar que se trata de uma dramatização surgida num momento de rivalidades, disputas eleitorais e todo chorume desse desgoverno que flerta com situações antes consideradas impensáveis (no pior sentido da palavra). Nada é mais mirabolante que uma bela dramatização que escracha nossa condição. Os problemas são apresentados de maneira confortavelmente incômoda. É rir de si mesmo, sabendo os defeitos que precisam ser superados, sobretudo em momentos de transição. É daí que vem a esperança.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/medida-provisoria-critica/">Medida Provisória: uma distopia iminente se anuncia</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/medida-provisoria-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">27677</post-id>	</item>
		<item>
		<title>A segunda temporada de Aruanas pergunta: quem se beneficia com a devastação?</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/aruanas-2a-temp-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/aruanas-2a-temp-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 May 2022 18:06:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Televisão]]></category>
		<category><![CDATA[2021]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Aruana]]></category>
		<category><![CDATA[Aruanas]]></category>
		<category><![CDATA[Ativismo]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Daniel de Oliveira]]></category>
		<category><![CDATA[Denúncia Social]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Elisa Volpatto]]></category>
		<category><![CDATA[Estela Renner]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Gomes Santana]]></category>
		<category><![CDATA[Globoplay]]></category>
		<category><![CDATA[Joaquim de Almeida]]></category>
		<category><![CDATA[José Padilha]]></category>
		<category><![CDATA[Lázaro Ramos]]></category>
		<category><![CDATA[Lima Duarte]]></category>
		<category><![CDATA[Marcos Nisti]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Série]]></category>
		<category><![CDATA[Streaming]]></category>
		<category><![CDATA[TV]]></category>
		<category><![CDATA[TV Globo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=27473</guid>

					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gomes Santana Como você reagiria se soubesse que a água usada para abastecer sua casa foi contaminada? É a partir desse revoltante cenário, que a segunda temporada de Aruanas traz mais uma denúncia, de um jeito que só a série mais ativista do Globoplay sabe fazer. Nos novos episódios, a ONG unirá forças para impedir &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/aruanas-2a-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A segunda temporada de Aruanas pergunta: quem se beneficia com a devastação?"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/aruanas-2a-temp-critica/">A segunda temporada de Aruanas pergunta: quem se beneficia com a devastação?</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27474" aria-describedby="caption-attachment-27474" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27474" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-Aruanas.png" alt="A foto mostra um grande cartaz amarelo pendurado na cobertura de um estádio de futebol, mais precisamente, na Arena Allianz Parque. A foto foi tirada de uma perspectiva da arquibancada (de um ângulo inferior em direção ao cartaz). Neste cartaz está estampada a frase em letras garrafais: “Energia limpa, um trilhão de motivos para lutar #PetroCrime”." width="800" height="450" /><figcaption id="caption-attachment-27474" class="wp-caption-text">Como toda boa obra de ficção, Aruanas alerta para uma discussão real e emergencial acerca da exploração insustentável dos recursos naturais (Foto: Globoplay)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Gomes Santana</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como você reagiria se soubesse que a água usada para abastecer sua casa foi contaminada? É a partir desse revoltante cenário, que a segunda temporada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Aruanas</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz mais uma denúncia, de um jeito que só a série mais ativista do <em>Globoplay</em></span><span style="font-weight: 400;"> sabe fazer. </span><span style="font-weight: 400;">Nos novos episódios, a ONG unirá forças para impedir a implementação de uma </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/04/12/atraso-e-boicote-medida-provisoria-sofreu-ataques-antes-da-estreia.htm"><span style="font-weight: 400;">Medida Provisória</span></a><span style="font-weight: 400;"> responsável por isentar os impostos das maiores empresas de petróleo instaladas no Brasil.</span></p>
<p><span id="more-27473"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob a direção de Estela Renner e Marcos Nisti (também roteiristas da série), a continuação da trama nos apresenta uma perspectiva mais profunda e detalhada sobre crimes ambientais. Ainda que na primeira temporada a sensibilidade dessa narrativa se evidencie com maior nitidez através do </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2022/02/desmatamento-na-amazonia-brasileira-bate-recorde-em-janeiro.shtml#:~:text=Em%20novembro%2C%20o%20Inpe%20anunciou,2021%2C%20maior%20valor%20desde%202006."><span style="font-weight: 400;">desmatamento </span></a><span style="font-weight: 400;">e mineração ilegal, nesse segundo ano, o espectador é posto, com sutileza, nos meandros de crimes mascarados pelo poder público e financiados por interesses privados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A nova queixa trazida pela Aruana dialoga com o tema da poluição. Para explicar melhor como esse agravante é estruturado, mais uma vez, as ativistas Natalie, Luiza, Verônica e Clara se reúnem em prol de um embate travado entre </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-161445/#:~:text=De%20volta%20ao%20enredo%20de,de%20Almeida%20e%20Lima%20Duarte."><span style="font-weight: 400;">diversos arrebatamentos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Na linha tênue entre legalidade e moralidade, desta vez, obstáculos como: milícias, </span><i><span style="font-weight: 400;">lobbies</span></i><span style="font-weight: 400;"> empresariais, alienações, articulações políticas e esquemas de corrupção pautam a batalha da preservação ambiental.</span></p>
<figure id="attachment_27475" aria-describedby="caption-attachment-27475" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27475" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-2-Aruanas.png" alt="Foto aérea da cidade fictícia de Arapós exibe o horizonte contrastante entre a indústria química em primeiro plano (central) e um extenso rio ao fundo (segundo plano). Além desse retrato da cidade, a palavra “Arapós” se sobrepõem perante a imagem da paisagem como se fosse uma legenda da imagem. " width="800" height="450" /><figcaption id="caption-attachment-27475" class="wp-caption-text">A cidade de Cubatão &#8211; considerada pela ONU nos anos 1980 como a cidade mais poluída do mundo &#8211; foi usada como cenário da fictícia Arapós (Foto: <span style="font-weight: 400;"><em>Globoplay</em></span>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas a pergunta que não quer calar: a segunda temporada é tão envolvente quanto a primeira? De imediato, é possível assegurar: sim. As investigações mudaram, assim como a ambientação da trama, porém, </span><a href="https://tvhistoria.com.br/nova-temporada-aruanas-prende-trama-suspense/"><span style="font-weight: 400;">os climas de suspense</span></a><span style="font-weight: 400;">, drama e aventura permanecem fiéis aos fãs que procuram tais sensações na série. Mesmo assim, não crie expectativas sobre os destinos reservados a cada personagem. É o único conselho aos desavisados de plantão. Essa é definitivamente uma regra que deve ser cumprida por quem acompanha o seriado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Afinal, quem se quer enganar? Como seria possível deixar de depositar expectativas quando se tem, num mesmo elenco, joias da </span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-e-sorte-critica/"><span style="font-weight: 400;">dramaturgia brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;"> contracenando em cenas de tensão e porradaria? Sem dúvidas, a atuação das personagens é um elemento chave neste enredo. A participação especial de Lima Duarte e a inserção de Lázaro Ramos, </span><span style="font-weight: 400;">Daniel de Oliveira, Elisa Volpatto e Joaquim de Almeida, dá um toque especial nas novas intrigas desse caótico cenário.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esqueça o maniqueísmo clichê presente no discurso “</span><i><span style="font-weight: 400;">nós</span></i><span style="font-weight: 400;">” contra “</span><i><span style="font-weight: 400;">eles</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Aruanas</span></i><span style="font-weight: 400;">, o que se vê é um complexo panorama no qual todos são responsáveis pela devastação, ainda que alguns sejam peças fundamentais para que isso aconteça. Semelhante às obras de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bWZbMjq8rOA"><span style="font-weight: 400;">José Padilha</span></a><span style="font-weight: 400;">, cineasta pioneiro das narrativas policiais brasileiras, os episódios retratam as profundezas de esquemas políticos milionários que lucram através da irresponsável gestão de recursos públicos. Mais do que apontar as cartas marcadas desse tabuleiro, os roteiristas apelam para a inevitável e necessária ferramenta de mobilização social: a indignação.</span></p>
<figure id="attachment_27476" aria-describedby="caption-attachment-27476" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27476" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3-Aruanas.png" alt="A foto exibe dois homens de terno sentados em uma mesa de restaurante. Os homens se encaram frente a frente. Ao lado esquerdo da imagem há um homem branco e aparentemente idoso. À direita está Lázaro Ramos, um homem negro, de quarenta anos de idade, careca. Lázaro expressa preocupação em seu rosto. O enquadramento da foto foca nos dois personagens conversando em primeiro plano, mas percebemos que há outras pessoas sentadas no restaurante desfocadas em segundo plano." width="800" height="450" /><figcaption id="caption-attachment-27476" class="wp-caption-text">Lázaro Ramos vive o papel de Enzo Costa, prefeito de Arapós que tem boas intenções mas que também se vê refém do xadrez político sistematicamente corrupto (Foto: <span style="font-weight: 400;"><em>Globoplay</em></span>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como se não bastasse isso, qualquer semelhança com a realidade certamente </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-39204054"><span style="font-weight: 400;">não é mera coincidência</span></a><span style="font-weight: 400;">. Talvez, seja essa a razão da produção ter feito tanto sucesso por seu teor crítico. O grau de aproximação verídico que permeia esta ficção chega ser </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/brasil-e-o-3-em-mortes-de-ativistas-ambientais-e-dos-direitos-humanos-diz-ong/"><span style="font-weight: 400;">alarmante e assustador</span></a><span style="font-weight: 400;">, porém pouco surpreendente. Não é como se os acontecimentos fossem previsíveis, no entanto quando se trata sobre o Brasil, não é difícil encontrar lacunas mal resolvidas que se repetem. E o descarte de resíduos tóxicos na natureza esboça isso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim das contas, esta segunda temporada lança uma pergunta essencial: quem se beneficia com a devastação? Quem faz parte dos bastidores desse processo lucrativo e criminoso talvez não tenha um só perfil, mas vê vantagens nos processos de desinformação e alienação da opinião pública. Por isso, a</span><a href="https://tecnoarte.eco.br/qual-a-importancia-das-ongs-para-a-sociedade/?doing_wp_cron=1649858161.4561541080474853515625#:~:text=As%20ONGs%20trabalham%20para%20aumentar,que%20buscam%20o%20mesmo%20prop%C3%B3sito."><span style="font-weight: 400;"> importância das ONGs</span></a><span style="font-weight: 400;"> como órgãos que, mesmo cumprindo papéis que deveriam ser designados ao Estado, são reparadores e fiscalizadores do ecossistema. Porém, para que tais instituições consigam ter efetividade, a série estampa também a necessidade de uma mídia alternativa, que se preocupe com as questões socioambientais.</span></p>
<figure id="attachment_27477" aria-describedby="caption-attachment-27477" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27477" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-Aruanas.png" alt="A foto ilustra dois homens sentados em uma mesa redonda, um ao lado do outro, em frente a tela de um notebook. O homem à esquerda é um jovem branco, na casa de seus 25 anos, magro. Ele aparenta estar apreensivo com a presença do homem que está ao seu lado (esquerdo), já que o mesmo tem uma arma ao seu lado. O homem à direita é um senhor, na casa de seus 43 anos de idade, de bigode e camisa listrada. Na série ele interpreta um delegado miliciano da cidade. Na foto ele aparece com dois objetos que chama a atenção: um copo de whisky e um revólver. Este senhor está com o braço direito apoiado nos ombros do rapaz à esquerda." width="800" height="450" /><figcaption id="caption-attachment-27477" class="wp-caption-text">Um trunfo sabiamente utilizado nessa temporada é a ligação entre empresários e milicianos envolvidos no esquema de desinformação pública e descarte ilegal de lixo industrial (Foto: <span style="font-weight: 400;"><em>Globoplay</em></span>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em determinado momento da narrativa, todos os envolvidos escancaram seu descontentamento com o que se passa em Arapós. Os mercenários temem ser desmascarados, os alienados percebem que algo está errado e os justiceiros, intrometidos onde não são chamados, são ameaçados. E é nesse tom de ameaças que os capítulos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Aruanas</span></i><span style="font-weight: 400;"> se desenvolvem para um desfecho nada agradável. Apesar disso, ele não chega a ser ruim, mas deixa a desejar em muitas explicações que, provavelmente, estarão presentes em uma </span><a href="https://observatoriodatv.uol.com.br/noticias/globo-ja-planeja-terceira-temporada-de-aruanas"><span style="font-weight: 400;">terceira temporada</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/aruanas-2a-temp-critica/">A segunda temporada de Aruanas pergunta: quem se beneficia com a devastação?</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/aruanas-2a-temp-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">27473</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Especial Falas Negras é um respiro em meio ao negacionismo do racismo</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/falas-negras-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/falas-negras-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 22 Nov 2020 19:19:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Televisão]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Falas Negras]]></category>
		<category><![CDATA[Giovanne Ramos]]></category>
		<category><![CDATA[Lázaro Ramos]]></category>
		<category><![CDATA[Manuela Dias]]></category>
		<category><![CDATA[Rede Globo]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://personaunesp.com.br/?p=16804</guid>

					<description><![CDATA[<p>Giovanne Ramos Para não deixar o Dia da Consciência Negra passar despercebido sem nenhuma contribuição para o debate do racismo, em meados de outubro, a Rede Globo anunciou o especial Falas Negras, projeto idealizado pela autora Manuela Dias. Lançada no dia 20 de novembro, data emblemática, o projeto levantou expectativas, principalmente, dos negros pela sua &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/falas-negras-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Especial Falas Negras é um respiro em meio ao negacionismo do racismo"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/falas-negras-critica/">Especial Falas Negras é um respiro em meio ao negacionismo do racismo</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_16805" aria-describedby="caption-attachment-16805" style="width: 1008px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-16805 size-full" style="font-weight: bold; background-color: transparent; text-align: inherit;" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-1-5.jpg" alt="" width="1008" height="567" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-1-5.jpg 1008w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-1-5-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-1-5-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16805" class="wp-caption-text">Dirigido por Lázaro Ramos e com elenco de peso, o especial destaca símbolos da negritude (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Giovanne Ramos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para não deixar o Dia da Consciência Negra passar despercebido sem nenhuma contribuição para o debate do racismo, em meados de outubro, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Rede Globo</span></i><span style="font-weight: 400;"> anunciou o especial </span><i><span style="font-weight: 400;">Falas Negras</span></i><span style="font-weight: 400;">, projeto idealizado pela autora </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/tv/noticia/2019/11/quem-e-manuela-dias-autora-de-amor-de-mae-ck3go5yez009n01rz0c88qr2y.html"><span style="font-weight: 400;">Manuela Dias</span></a><span style="font-weight: 400;">. Lançada no dia 20 de novembro, data emblemática, o projeto levantou expectativas, principalmente, dos negros pela sua proposta de composição totalmente negra, desde os atores até cargos mais elevados dentro de um projeto audiovisual, como é o caso de </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/blogs/sem-intervalo/diretor-de-falas-negras-lazaro-ramos-reflete-sobre-a-importancia-do-especial/"><span style="font-weight: 400;">Lázaro Ramos</span></a><span style="font-weight: 400;">, que assumiu o posto de diretor. Um ineditismo desagradável na maior emissora do país e sequer, no momento, concebível nas outras concorrentes.</span></p>
<p><span id="more-16804"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Violência e temas sensíveis. Assim é categorizado o especial na plataforma </span><i><span style="font-weight: 400;">Globoplay</span></i><span style="font-weight: 400;">, e sem dúvidas, são palavras-chaves do cenário que cerca a sua estreia. A luta antirracista definitivamente não é </span><a href="https://almapreta.com/editorias/realidade/conheca-a-trajetoria-do-movimento-negro-brasileiro-na-luta-por-direitos"><span style="font-weight: 400;">atual</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas por diversos motivos, entre eles o esgotamento da população negra diante de opressões e ataques racistas de diversos níveis, tornou inviável de ser digna de cobertura nas mídias hegemônicas. Em maio, por exemplo, o estadunidense George Floyd se tornou combustível para manifestações após ser </span><a href="https://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,entenda-o-caso-george-floyd,70003323879"><span style="font-weight: 400;">assassinado</span></a><span style="font-weight: 400;"> por um policial. No Brasil, a insatisfação foi acumulada desde o caso dos jovens negros </span><a href="https://brasil.elpais.com/sociedade/2020-05-19/jovem-de-14-anos-e-morto-durante-acao-policial-no-rio-e-familia-fica-horas-sem-saber-seu-paradeiro.html"><span style="font-weight: 400;">João Pedro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-52932110"><span style="font-weight: 400;">Miguel</span></a><span style="font-weight: 400;"> e teve como um ponto de basta após João Alberto Freitas ser brutalmente espancado até a </span><a href="https://brasil.elpais.com/opiniao/2020-11-20/exterminio-de-negros-o-empreendimento-mais-bem-sucedido-do-brasil.html"><span style="font-weight: 400;">morte</span></a><span style="font-weight: 400;">, na porta do Carrefour Porto Alegre, nas vésperas da Consciência Negra, desencadeando </span><a href="https://almapreta.com/editorias/realidade/bloqueio-de-rua-pela-pm-marca-fim-de-ato-contra-assassinato-de-cliente-negro-no-carrefour"><span style="font-weight: 400;">manifestações</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo país.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas o que tem a ser discutido sobre </span><i><span style="font-weight: 400;">Falas Negras</span></i><span style="font-weight: 400;">? Primeiramente, o pioneirismo tardio de tantas figuras negras </span><a href="https://gshow.globo.com/series/falas-negras/noticia/falas-negras-equipe-reforca-orgulho-em-fazer-parte-do-especial-do-dia-da-consciencia-negra.ghtml"><span style="font-weight: 400;">envolvidas</span></a><span style="font-weight: 400;"> numa obra audiovisual brasileira na maior emissora do país, inclusive em cargos técnicos &#8211; caso do Lázaro Ramos como diretor e </span><a href="https://www.youtube.com/c/UNOVFX/featured"><span style="font-weight: 400;">Uno de Oliveira</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos efeitos visuais. É questionável o fato deste ser um feito de 2020, ainda mais quando é levado em consideração a idade da televisão nacional e a porcentagem de negros retratados nas telinha, ponto já </span><a href="https://youtu.be/S5bgipo2Dic"><span style="font-weight: 400;">problematizado</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2000, pelo cineasta e comunicólogo Joel Zito Araújo. O especial abre portas esperançosas para que no futuro o cenário de obras como telenovelas e séries sejam cada vez mais diversas em personagens de destaque.</span></p>
<figure id="attachment_16806" aria-describedby="caption-attachment-16806" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16806" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-2-5.jpg" alt="" width="1024" height="627" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-2-5.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-2-5-300x184.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-2-5-768x470.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16806" class="wp-caption-text">Falas proferidas ressaltam o quanto o racismo continua presente e atual (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando a premissa conceitual foi divulgada &#8211; interpretação de personagens negras históricas e suas falas -, a produção correu dois riscos, da seleção não agradar, ainda mais tendo escolhas de figuras estrangeiras entre as 22 personalidades. A representação também foi uma preocupação, pelas chances de convencer o público através de atuações carrascas, uma vez que parte das personagens são conhecidas. No fim, não foi um problema, pois o elenco de peso emocionou com excelência em suas encenações. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://www.otempo.com.br/diversao/falas-negras-conheca-os-personagens-do-especial-que-a-globo-exibe-nesta-sexta-1.2415050"><span style="font-weight: 400;">elenco</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 22 intérpretes, assim como o talento, é gigante: nomes de peso e conhecidos pelo grande público como Taís Araújo (Marielle Franco), Babu Santana (Muhammad Ali), Aílton Graça (Milton Santos), Flávio Bauraqui (Luiz Gama) e Fabrício Boliveira (Olaudah Equiano) se encontram com artistas renomados do teatro como </span><a href="https://mdemulher.abril.com.br/famosos-e-tv/naruna-costa-conheca-a-inspiradora-trajetoria-da-atriz-de-irmandade/"><span style="font-weight: 400;">Naruna Costa</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Angela Davis), Reinaldo Júnior (Mahommah Gardo Baquaqua), Heloísa Jorge (Nzinga Mbandi) entre outros que compõe o espetáculo televisivo. Mas entre a leva, alguns se destacaram positivamente: </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2020/11/19/nelson-mandela-falas-negras-bukassa-kabengele.htm"><span style="font-weight: 400;">Bukassa Kabengele</span></a><span style="font-weight: 400;"> que trouxe para a ficção o carisma de Nelson Mandela e Olívia Araújo intérprete da ativista </span><a href="https://epoca.globo.com/tempo/noticia/2016/04/quem-foi-harriet-tubman-nova-cara-da-nota-de-20-dolares.html"><span style="font-weight: 400;">Harriet Tubman</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A seleção foi balanceada entre figuras populares e outras apagadas pela história, mas felizmente resgatadas no drama. Outros nomes, principalmente brasileiros, ficaram de fora, o que é compreensível já que se todos os nomes negros de importância fossem retratados, seria necessário no mínimo três temporadas de uma série. Talvez seja uma crítica, o tempo curto de apenas uma hora, limitou tanto a seleção de personalidades quanto os aprofundamentos necessários, como contextualizações mais ricas para além das falas. Um seriado com episódios de vinte minutos, abordando cada uma das histórias por trás das célebres frases &#8211; “Eu tenho um sonho” (de Martin Luther King Jr.), “Liberdade é não ter medo” (de Nina Simone) e “Eu não sou seu negro” (de James Baldwin) são apenas algumas -, com certeza daria uma contribuição inigualável para a história da raça e do audiovisual.</span></p>
<figure id="attachment_16807" aria-describedby="caption-attachment-16807" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16807" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-3-4.jpg" alt="" width="1024" height="627" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-3-4.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-3-4-300x184.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-3-4-768x470.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16807" class="wp-caption-text">Relatos emocionantes contrapõe o mito da democracia racial no país (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao invés disso, a simplicidade pareceu ser um objetivo. Cenário único com suas devidas caracterizações, contraposição de luzes entre o fundo preto e partes do ambiente iluminadas. Todo esse minimalismo ajudou a destacar a atuação e a força de cada fala proferida entre as figuras, escaladas numa espécie de linha cronológica. Dividido entre três blocos, construiu-se uma narrativa linear da pré-escravatura, passando por aqueles que sofreram as dores do sistema escravista, os teóricos e os precursores da resistência que são hoje lembrados como símbolos da luta e por fim vítimas atuais. Tudo funcionou, desde as mensagens de autoestima até as de encorajamento e por fim depoimentos, onde se tornou impossível não se emocionar com Tatiana Tiburcio, encarnando o papel de Mirtes, mãe do menino Miguel, morto aos 5 anos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre trilhas sonoras empoderadoras, </span><i><span style="font-weight: 400;">Falas Negras</span></i><span style="font-weight: 400;"> se encerra com um gosto agridoce. Satisfação das pautas negras estarem ganhando aos poucos destaque nas telas, sem ser através da violência e do crime, apesar de ter dividido atenções com o ocorrido na noite anterior. Mas amarga, ao se deparar num país escondido por trás do mito da democracia racial e de desculpas fáceis como o racismo estrutural. O que torna o especial mais marcante é como frases, muitas em parte de séculos anteriores, continuam tão atuais, e ao invés de caminharmos para frente com os nossos líderes, os mesmos demonstram grande </span><a href="https://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,apos-morte-de-negro-em-supermercado-bolsonaro-diz-ser-daltonico-todos-tem-a-mesma-cor,70003522792"><span style="font-weight: 400;">retrocesso</span></a><span style="font-weight: 400;"> e negação de um problema escancarado em nossa sociedade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para os mais habituados e conhecedores da história do movimento negro, talvez sinta de primeira a falta de ativistas, teóricos e pessoas que também são de grande </span><a href="https://almapreta.com/editorias/realidade/conheca-15-personalidades-negras-com-potencial-para-serem-homenageadas-em-monumentos"><span style="font-weight: 400;">importância</span></a><span style="font-weight: 400;"> para exaltar. Mas temos de lembrar que ainda há uma grande parcela da comunidade que não possui acesso a muitos do que foi destacado pela direção de Lázaro, e são esses que têm de ser inseridos nesse contexto para que cobrem por mais obras como essa. Apesar de atrasada, </span><i><span style="font-weight: 400;">Falas Negras</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz parte de uma trajetória de lutas por espaços que, com muita garra e inspiração estão sendo aos poucos conquistados e sendo notados.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Falas Negras: confira a apresentação especial do especial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/79PgRow20Uw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/falas-negras-critica/">Especial Falas Negras é um respiro em meio ao negacionismo do racismo</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/falas-negras-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">16804</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
