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	<title>Arquivos Kristen Roupenian &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Do vexame à morte, Bodies Bodies Bodies não tem pudor de si mesmo</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Jan 2023 15:10:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Nicastro e Vitória Vulcano “Morte. Morte. Morte.” É o que você deve gritar se achar um corpo. O slasher do estúdio A24 aborda o reencontro de antigos amigos que decidem confraternizar em uma noite tempestuosa. Porém, o choque do presente estremece o grupo, que sempre se escondeu sob um véu de mistérios e mentiras. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/bodies-bodies-bodies-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Do vexame à morte, Bodies Bodies Bodies não tem pudor de si mesmo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29595" aria-describedby="caption-attachment-29595" style="width: 4500px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-29595 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-1.jpeg" alt="Imagem do filme Bodies Bodies Bodies. A foto é retangular e bastante escura. Ela mostra, no centro, quatro das cinco protagonistas do filme. As quatro estão mexendo em uma mala sobre uma cama, o ângulo da câmera as captura da cintura para cima. Da esquerda para a direita: A primeira é Bee, personagem de Maria Bakalova. Maria é uma mulher branca, cabelos loiros que estão presos em um rabo de cavalo. Ela é a que menos aparece na imagem, parcialmente escondida pelos corpos das demais, e segura uma lanterna que é uma das poucas fontes de luz da cena. Ao seu lado está Sophie, interpretada por Amandla Stenberg. Ela é uma mulher negra, com cabelos longos em tranças e luzes loiras. A próxima, ao lado, é Jordan, papel de Myha'la Herrold. Ela é uma mulher negra, usa os cabelos escuros presos no alto da cabeça e segura outra lanterna sob um dos braços. A última, no canto direito, é Alice, personagem de Rachel Sennott. Rachel é uma mulher branca, de cabelos castanhos cacheados. Ela segura um copo com uma das mãos e tem vários colares neon, de festa, no pescoço." width="4500" height="2532" /><figcaption id="caption-attachment-29595" class="wp-caption-text">Registrando 86% de aprovação no Rotten Tomatoes, o longa é uma das produções de Terror mais bem avaliadas de 2022 (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Nicastro e Vitória Vulcano</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Morte. Morte. Morte.</span></i><span style="font-weight: 400;">” É o que você deve gritar se achar um corpo. O </span><a href="https://www.clapper.com.br/artigo/slashers-analise"><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">do estúdio </span><i><span style="font-weight: 400;">A24 </span></i><span style="font-weight: 400;">aborda o reencontro de antigos amigos que decidem confraternizar em uma noite tempestuosa. Porém, o choque do presente estremece o grupo, que sempre se escondeu sob um véu de mistérios e mentiras. Então, o que seria melhor do que juntar álcool e drogas a um intenso jogo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bodies Bodies Bodies</span></i><span style="font-weight: 400;"> – uma mistura de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Cidade Dorme</span></i><span style="font-weight: 400;"> com </span><i><span style="font-weight: 400;">Among Us</span></i><span style="font-weight: 400;"> da vida real – na companhia de um verdadeiro homicida?</span></p>
<p><span id="more-29585"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo começa com um assassino que será sorteado em segredo e terá que perseguir os demais participantes no escuro. Já os últimos caminham pela mansão em que estão e, caso se deparem com um corpo, devem bradar “</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-LCRDBru_oE"><i><span style="font-weight: 400;">Morte, morte, morte</span></i></a><span style="font-weight: 400;">” para, então, acenderem as luzes e darem início a investigação do fictício crime. Quando a brincadeira perde lugar para o sangue e, de fato, óbitos, os jovens passam a se proteger do responsável trepidando no pânico instaurado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado no Brasil em outubro de 2022, &#8211; mais de um mês após a estreia mundial e vários dias de descaso na conta da distribuição nacional de produções do gênero &#8211; </span><i><span style="font-weight: 400;">Bodies Bodies Bodies</span></i><span style="font-weight: 400;"> é dirigido por Halina Reijn, que já explorou a função no </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> psicológico</span><i><span style="font-weight: 400;"> Instinct </span></i><span style="font-weight: 400;">(2019). </span><span style="font-weight: 400;">Inspirada pela filmografia de </span><a href="https://ims.com.br/mostra/o-cinema-em-john-cassavetes-ims-pc/"><span style="font-weight: 400;">John Cassavetes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e pelos icônicos </span><a href="https://www.wakabara.com/blog/im-not-a-heather-im-a-veronica-heathers-que-inspirou-ryan-murphy-que-inspirou-heathers"><i><span style="font-weight: 400;">Heathers</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1988), </span><i><span style="font-weight: 400;">Quem Tem Medo de Virginia Woolf?</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">A Professora de Piano</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2001), a holandesa abraçou o óbvio ao admitir que os infortúnios de sua trama precedem a Geração Z e todo o universo tecnológico permeado pelas redes sociais. Ainda assim, o trabalho desenvolvido pela cineasta, cutucando a complexidade dessa ferida em expansão, proporciona um salto construtivo no terreno que o novo “</span><a href="https://anticult.com.br/terrir-10-filmes-para-voce-se-assustar-e-rir/"><span style="font-weight: 400;">terrir</span></a><span style="font-weight: 400;">” deseja adubar.</span></p>
<figure id="attachment_29591" aria-describedby="caption-attachment-29591" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-29591" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-2.png" alt="Imagem do filme Bodies Bodies Bodies. A foto é retangular e mostra sete personagens comemorando em pé e rindo, na borda de uma piscina. É dia e, ao fundo, há um jardim repleto de trepadeiras e colunas gregas. Da esquerda para a direita: O primeiro é Greg, personagem de Lee Pace. Lee é um homem branco com cabelos castanhos e lisos na altura dos ombros, barba e bigode. Ele está sem camisa e de shorts verde. Ao seu lado está Jordan, papel de Myha'la Herrold. Ela é uma mulher negra, usa os cabelos escuros presos no alto da cabeça e está com um roupão branco. Do lado de Jordan está Bee, personagem de Maria Bakalova. Maria é uma mulher branca, de cabelos loiros que estão presos em um rabo de cavalo. Ela usa shorts e uma camisa azul de botão. Sophie está ao seu lado, de braços dados com a primeira. Ela é interpretada por Amandla Stenberg, uma mulher negra, com cabelos longos em tranças e luzes loiras. Em sequência e mais à frente do grupo está David, personagem de Pete Davidson. Pete é um homem branco, de cabelos curtos, quase raspados, e escuros, olhos e narizes grandes. Ele usa um roupão branco e abre uma garrafa de champanhe. Em seguida, e mais ao fundo estão as duas personagens restantes. A primeira é Emma, personagem de Chase Sui Wonders. Ela é uma mulher branca, de olhos pequenos, cabelos longos e lisos. Ela usa um biquíni e um roupão branco por cima dele. A última, mais à direita, é Alice, interpretada por Rachel Sennott. Rachel é uma mulher branca, de cabelos castanhos cacheados. Ela usa um maiô vermelho e segura uma taça em uma das mãos." width="2000" height="1244" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-2.png 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-2-800x498.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-2-1024x637.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-2-768x478.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-2-1536x955.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-2-1200x746.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29591" class="wp-caption-text">As filmagens que instigam o terror em torno dos super ricos tomaram forma em uma luxuosa mansão georgiana de Nova Iorque (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Semelhante à singularidade de </span><a href="https://personaunesp.com.br/panico-25-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1996) nos anos 90, a obra se vale do </span><a href="https://www.esqueletosnoarmario.com/post/010-esqueletos-em-p%C3%A2nico-a-metalinguagem-e-subvers%C3%A3o-do-slasher"><span style="font-weight: 400;">subgênero mais subversivo do Horror</span></a> <span style="font-weight: 400;">para escrachar a superficialidade de seu grupo de protagonistas. A essência de cada jovem é sufocada pelas máscaras que assumem socialmente e, mesmo quando um assassino não espreita os corredores, o padrão se autocritica pelo cinismo e pela visceralidade. Todos estão presos na tal mansão sem necessidade, se repelindo emocionalmente na constância de seus vícios e tão perdidos em sua própria incredulidade que sequer se dão conta da babaquice coletiva reunida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro avesso é responsabilidade da estreante </span><a href="https://www.concordtheatricals.com/p/62099/the-wolves"><span style="font-weight: 400;">Sarah DeLappe</span></a><span style="font-weight: 400;">, que remodelou uma criação de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=06026"><span style="font-weight: 400;">Kristen Roupenian</span></a><span style="font-weight: 400;">. A história original, </span><a href="https://personaunesp.com.br/rua-do-medo-1978-parte-2-critica/"><span style="font-weight: 400;">propriamente </span><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, também tinha sido projetada em um cenário de catástrofe natural – uma tempestade de neve. Com a adaptação para os cinemas, a trama foi ressignificada e, o que antes beberia de </span><a href="https://www.planocritico.com/fora-de-plano-panico-2022-o-slasher-satirico-esta-de-volta-mas-vai-vingar/"><span style="font-weight: 400;">fontes diretas do subgênero</span></a><span style="font-weight: 400;">, transformou-se em uma </span><a href="https://cinepop.com.br/os-40-anos-do-auge-do-terrir-no-cinema-conheca-os-primeiros-slasher-comicos-do-cinema-331063/"><span style="font-weight: 400;">criativa sátira</span></a><span style="font-weight: 400;"> aos privilégios e angústias de adolescentes ricos, em uma corrompida Geração Z.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Incentivadas em doses cavalares, a revolta e a ansiedade viram guias pontuais no projeto. O texto propositalmente afiado faz a realidade bater bem nas nossas portas e não gostamos de nos identificar com ninguém retratado no banho de sangue. Não por recusarmos a verdade, mas porque todos em cena são </span><a href="https://reporternewspapers.net/2022/08/19/film-review-bodies-bodies-bodies-brings-old-wounds-to-the-surface-for-a-bloody-good-time/"><span style="font-weight: 400;">tão niilistas quanto irritantes</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Bodies Bodies Bodies</span></i><span style="font-weight: 400;"> reflete uma casca do que muito provavelmente somos, se não em todas as horas do dia, certamente nos períodos </span><i><span style="font-weight: 400;">on-line</span></i><span style="font-weight: 400;">: seres engajados, munidos de debates vazios e opiniões replicadas sobre tudo.</span></p>
<figure id="attachment_29590" aria-describedby="caption-attachment-29590" style="width: 540px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-29590" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-3-1.gif" alt="Gif do filme Bodies Bodies Bodies. O gif é retangular e mostra a personagem Alice, de Rachel Sennott em close. Rachel é uma mulher branca, de cabelos castanhos cacheados, que estão molhados. Ela usa um biquíni e tem vários colares neon, de festa, no pescoço. Durante o gif, ela diz: “...Ele tem a lua em Libra. Isso diz muito!” e é bastante expressiva. O fundo está escuro e desfocado." width="540" height="370" /><figcaption id="caption-attachment-29590" class="wp-caption-text">“&#8230;Ele tem a lua em Libra. Isso diz muito!” (GIF: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma maioria de personagens estadunidenses, o filme brinca com uma festa realizada &#8211; literalmente &#8211; no olho de um furacão. Os amigos em questão não se unem por sobrevivência ou afeto, e seus diálogos são construídos entre o superficial e o insano. Como se retirada diretamente do </span><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i><span style="font-weight: 400;">, a trupe de </span><i><span style="font-weight: 400;">Morte Morte Morte</span></i><span style="font-weight: 400;">, no título traduzido, ama repetir </span><a href="https://www.unicef.org/brazil/blog/influencia-das-redes-sociais-na-banalizacao-de-psicopatologias"><span style="font-weight: 400;">expressões usadas e banalizadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> no território midiático, ausentando os termos de contextos e sentidos que, algumas vezes, nem chegaram a existir. No saldo final, todos se esmagam entre si em um rito deliciosamente cômico, tentando reforçar suas personalidades depreciativas e deprimentes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alice, interpretada pela incansavelmente expressiva </span><a href="https://personaunesp.com.br/shiva-baby-critica/"><span style="font-weight: 400;">Rachel Sennott</span></a><span style="font-weight: 400;">, é uma típica patricinha fútil e mimada que desconta suas frustrações em narcóticos e relacionamentos precipitados. O amigo David (</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-esquadrao-suicida-critica/"><span style="font-weight: 400;">Pete Davidson</span></a><span style="font-weight: 400;">) vive no egocentrismo, inconsequente e cheio de si. Emma (</span><a href="https://personaunesp.com.br/generation-critica/"><span style="font-weight: 400;">Chase Sui Wonders</span></a><span style="font-weight: 400;">) traz a faceta mais melodramática e emocionalmente dependente do time, enquanto Jordan (Myha&#8217;la Herrold) tem o pavio curto e parece disposta a deixar o recém casal Sophie (</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-odio-que-voce-semeia-critica/"><span style="font-weight: 400;">Amandla Stenberg</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Bee (</span><a href="https://personaunesp.com.br/borat-2-critica/"><span style="font-weight: 400;">Maria Bakalova</span></a><span style="font-weight: 400;">) o mais desconfortável possível.</span></p>
<figure id="attachment_29589" aria-describedby="caption-attachment-29589" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29589" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-4-6-scaled.jpg" alt="Imagem do filme Bodies Bodies Bodies. A foto é retangular e mostra duas personagens deitadas na grama, da cintura para cima, enquanto se olham. A da esquerda é Sophie, interpretada por Amandla Stenberg. Ela é uma mulher negra, com cabelos longos em tranças e luzes loiras. Ela usa uma regata amarela e um casaco preto. À direita da imagem está Bee, personagem de Maria Bakalova. Maria é uma mulher branca, de cabelos loiros que estão presos em um rabo de cavalo. Ela usa uma camiseta branca estampada e, por cima, uma camisa azul de botões." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-4-6-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-4-6-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-4-6-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-4-6-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-4-6-1536x864.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29589" class="wp-caption-text">Para além do tom julgador, a produção também sabe valorizar a ânsia dos 20 e poucos anos, momento em que tudo parece contornável e o mundo sempre está ao alcance (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Curiosamente, Bee é a </span><a href="https://www.vulture.com/article/maria-bakalova-bodies-bodies-bodies-borat-marvel.html"><span style="font-weight: 400;">única estrangeira</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; de sangue e espírito &#8211; em </span><i><span style="font-weight: 400;">Bodies Bodies Bodies</span></i><span style="font-weight: 400;">, agindo como os olhos questionadores do público durante toda a tensão. Sua nacionalidade não entra em pauta nos conflitos e a visão “não classificatória” colabora para um sentimento coletivo que cresce ao longo do filme. Afinal, quem é essa garota? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo que a minuciosa coadjuvante de Bakalova seja apresentada como uma provável </span><a href="https://newronio.espm.br/a-evolucao-do-estereotipo-da-final-girl-dos-filmes-de-terror/"><i><span style="font-weight: 400;">final girl</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é Sophie quem carrega o mistério com as chaves de uma protagonista. Caminhando em uma interessante corda bamba moral, a garota recém-saída de uma clínica de reabilitação nunca revela seus verdadeiros anseios, segredos ou intenções. Já Greg (</span><a href="https://www.theguardian.com/film/2012/dec/09/hobbit-an-unexpected-journey-review"><span style="font-weight: 400;">Lee Pace</span></a><span style="font-weight: 400;">), o único adulto de verdade do grupo, tem a missão de sustentar o choque entre a jovialidade e seus públicos antecessores.</span></p>
<figure id="attachment_29588" aria-describedby="caption-attachment-29588" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29588" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-5-2.jpg" alt="Imagem do filme Bodies Bodies Bodies. A imagem é retangular e mostra os personagens Bee, Sophie, Jordan, Alice, Emma e Greg, único que está deitado no chão, em uma quadra de esportes. As demais garotas caminham em volta de Greg. A cena é quase inteiramente escura, com luzes brancas vindas apenas do celular segurados pelas personagens e do sinal de “saída” vermelho que está ao fundo do ginásio. " width="1280" height="535" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-5-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-5-2-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-5-2-1024x428.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-5-2-768x321.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-5-2-1200x502.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29588" class="wp-caption-text">Esnobado nas listas de grandes premiações, Morte Morte Morte recebeu indicações a Melhor Roteiro Estreante e Melhor Diretor no Film Independent Spirit Awards, que consagra o circuito alternativo de filmes (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No ritmo do surgimento dos homicídios, o longa se matura como um </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/colunas/566940/whodunnit-da-literatura-as-telonas-o-poder-do-quem-matou-no-cinema/"><i><span style="font-weight: 400;">whodunnit</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> clássico, estilizado pelo </span><a href="http://outtakemag.co.uk/reviews/2022/09/05/bodies-bodies-bodies-a24-amandla-stenberg/"><span style="font-weight: 400;">caos das redes sociais</span></a><span style="font-weight: 400;">. Quanto ao Terror propriamente dito: o gênero não é o foco principal da obra, mas dita as veias cômicas e críticas que sua direção decide assumir. Quanto mais carnificina, maior hostilidade preenche o ambiente &#8211; ao passo em que o mistério da história se alimenta do real horror aqui levantado. Tratando-se dos Estados Unidos, alguns temas implícitos, no ar e no suspense, são a posse descabida de armas, os perigos por trás das relações </span><i><span style="font-weight: 400;">on-line</span></i><span style="font-weight: 400;">, a alienação na realidade neoliberal e o uso ostensivo de álcool e drogas. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Bodies Bodies Bodies</span></i><span style="font-weight: 400;"> constantemente catapulta seu ato inicial pelo sabor da desconfiança. A </span><a href="https://personaunesp.com.br/entre-facas-e-segredos-critica/"><span style="font-weight: 400;">brincadeira </span><i><span style="font-weight: 400;">à la</span></i><span style="font-weight: 400;"> “detetive”</span></a><span style="font-weight: 400;"> não só dá corda ao filme, como também retorna cada vez que um novo corpo é adicionado à pilha. Quase todas as </span><a href="https://personaunesp.com.br/assassinato-no-expresso-do-oriente-critica/"><span style="font-weight: 400;">vítimas são assassinadas fora das câmeras</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que facilita o trabalho ardiloso e recorrente de cada personagem na vilanização do restante do grupo. Aos poucos, uma rede de culpa é formada quando todos têm seus instrumentos de defesa, mas deixam dezenas de rastros que os incriminam na força do ego.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Chegando no terceiro corte da trama, a seleta turma descarrila a si própria tão profundamente que a única escapatória se torna denunciar uns aos outros pelo sangue, ódio ou descaramento. O drama e a aversão, somados ao medo do desconhecido, movem os momentos mais impactantes em cena, como feito nos</span><i><span style="font-weight: 400;"> Jogos Mortais</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2005) de </span><a href="https://personaunesp.com.br/maligno-critica/"><span style="font-weight: 400;">James Wan</span></a><span style="font-weight: 400;">. As ações falam pelos donos, e o puro suco do entretenimento está na ausência de monólogos complexos e rebuscados para consolidar o tribunal de pecados.</span></p>
<figure id="attachment_29587" aria-describedby="caption-attachment-29587" style="width: 540px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29587" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-6.gif" alt="Gif do filme Bodies Bodies Bodies. O gif é retangular e mostra a personagem Emma, de Chase Sui Wonders. Emma é uma mulher amarela, de cabelos pretos, lisos e longos, que também estão molhados. Ela usa um vestido amarelo ensanguentado. Seu rosto e suas mãos também têm sangue à mostra. Durante o gif, quando outro personagem diz: “Você atirou em mim, p*rra?”; ela responde: “Eu não acredito que você está fazendo isso ser sobre você”. Ao fundo, está a sala escura de uma mansão." width="540" height="343" /><figcaption id="caption-attachment-29587" class="wp-caption-text">“Você atirou em mim, porra?” “Eu não acredito que você está fazendo isso ser sobre você” (GIF: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como em </span><a href="https://personaunesp.com.br/casamento-sangrento-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Casamento Sangrento</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019), a produção tem o valor da perseguição de gato-e-rato nos pulmões, e em </span><i><span style="font-weight: 400;">Bodies Bodies Bodies</span></i><span style="font-weight: 400;"> desencadeia um fluxo intenso, divertido e curioso. O fator também ganha atmosfera pela contundente</span> <a href="https://open.spotify.com/playlist/4KsVLKm1zLeGukc0JuWMD3"><span style="font-weight: 400;">sonoplastia</span></a><span style="font-weight: 400;"> elaborada por Disasterpeace, artista experimental que já trabalhou em </span><i><span style="font-weight: 400;">Corrente do Mal</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://republicadomedo.com.br/critica-it-follows/"><i><span style="font-weight: 400;">It Follows</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2014) e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mistério de Silver Lake</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2018).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Retirada diretamente das </span><i><span style="font-weight: 400;">playlists </span></i><span style="font-weight: 400;">dos atores do longa, a trilha sonora não perde fôlego e carrega gêneros eletrônicos do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap </span></i><span style="font-weight: 400;">ao </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">. A coletânea enfileira ShyGirl, Princess Nokia, Kilo Kish, Azealia Banks e Tommy Genesis, além de Charli XCX, que lançou </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vKIU3Q5oiMg"><i><span style="font-weight: 400;">Hot Girl</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> como tema</span> <span style="font-weight: 400;">oficial do filme. Em uma estética identitária crescente, análoga ao universo de </span><a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019), o figurino e a fotografia de </span><i><span style="font-weight: 400;">Morte Morte Morte</span></i><span style="font-weight: 400;"> introjetam cores </span><i><span style="font-weight: 400;">neon</span></i><span style="font-weight: 400;"> e estilos de roupas ligados à geração atual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em contraste estudado, o filme ainda é pontual e sugestivamente escuro, tendo jogos de luzes desenvolvidos pelo próprio elenco durante as gravações. O processo foi coordenado pelo diretor de fotografia </span><a href="https://filmmakermagazine.com/117162-interview-cinematographer-jasper-wolf-bodies-bodies-bodies/#.Y5LIqXbMLrc"><span style="font-weight: 400;">Jasper Wolf</span></a><span style="font-weight: 400;">, que operou câmeras portáteis de movimentos inquietos e ágeis para ampliar o clima da carnificina. Frequentemente usada em composição fechada, a cinematografia acompanha as emoções à flor da pele e enriquece o trato de uma história que se desenrola em um único cenário.</span></p>
<figure id="attachment_29586" aria-describedby="caption-attachment-29586" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29586" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-7-1.jpg" alt="Imagem do filme Bodies Bodies Bodies. A imagem é retangular e mostra a personagem Alice, interpretada por Rachel Sennott, deitada com as costas voltadas para o chão. Alice é uma mulher branca de cabelos curtos, castanhos e cacheados. Ela veste cropped de tricot com tons azuis, laranjas e beges, além de colares e pulseiras em cores neon. Em das mãos, a garota também segura um pirulito vermelho na altura de sua boca. " width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-7-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-7-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-7-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-7-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-7-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/IMAGEM-7-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29586" class="wp-caption-text">As personalidades de “BBB” são cuidadosamente performáticas e nasceram da liberdade que seus atores tiveram para improvisar nas filmagens (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De tempos em tempos, o Terror </span><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i><span style="font-weight: 400;"> reestrutura suas metas inversamente didáticas e estapeia &#8211; com bons baldes de sangue &#8211; as forças que regulam a </span><a href="https://personaunesp.com.br/x-ti-west-critica/"><span style="font-weight: 400;">moeda da moralidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Morte Morte Morte</span></i><span style="font-weight: 400;"> não foge da inventividade e, nada confortável com o que o </span><i><span style="font-weight: 400;">TikTok</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a classe média ascendente têm evocado de pior no mundo, faz sua fama esfaqueando dos incitadores aos alvos da </span><a href="https://personaunesp.com.br/territorio-lovecraft-livro-critica/"><span style="font-weight: 400;">cultura do cancelamento</span></a><span style="font-weight: 400;">. Consciência e incredulidade são o que falta na realidade da </span><i><span style="font-weight: 400;">Gen Z</span></i><span style="font-weight: 400;"> e sobra para o elenco convincente e estrelado da trama, nomes alinhadíssimos à combustão de bons subtextos que </span><a href="https://www.aficionados.com.br/os-melhores-filmes-de-terror-2022/"><span style="font-weight: 400;">o Horror rendeu em 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O destaque no ano, como de costume, é delas. </span><a href="https://www.cinematorio.com.br/2022/08/critica-filme-nao-nao-olhe-nope-jordan-peele/"><span style="font-weight: 400;">Keke Palmer</span></a><span style="font-weight: 400;">, Mia Goth, </span><a href="https://collider.com/jenna-ortega-scream-queen/"><span style="font-weight: 400;">Jenna Ortega</span></a><span style="font-weight: 400;">, Anya Taylor Joy… estamos cercados e obcecados pelo brilhantismo das novas </span><i><span style="font-weight: 400;">scream queens</span></i><span style="font-weight: 400;"> do pedaço. Engenhosas e transcendentais, as mulheres sabem o peso de dar vida às muitas maneiras de encenar o encontro com a morte. O quinteto de Halina Reijn, por sua vez, assume o humano e o brutal do papel sem titubear, e ainda tomando os </span><a href="https://cinepop.com.br/morte-morte-morte-slasher-da-a24-surpreende-em-estreia-nas-bilheterias-355750/"><span style="font-weight: 400;">números das bilheterias</span></a><span style="font-weight: 400;">. Graças a elas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bodies Bodies Bodies</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a acidez que você espera, a violência morando dentro do seu celular e a sátira infinita ao fantasma da nossa futilidade.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Bodies Bodies Bodies | Official Trailer 2 HD | A24" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/cTzGKsZjBOY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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