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	<title>Arquivos Jacob Elordi &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Jogar a obra prima de Brontë na fogueira foi só o início, a ‘não adaptação’ de Emerald Fennell entrega quase nada além da estética</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Feb 2026 13:00:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: O texto contém spoilers Mariana Bezerra O novo filme de Emerald Fennell, diretora de Saltburn (2023) e Bela Vingança (2020), provocou agitação nas redes sociais desde o primeiro anúncio. Inspirado no homônimo clássico da literatura inglesa de Emily Brontë, publicado em 1847, o nome na direção gerou estranheza, afinal, a diretora é conhecida pela &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-o-morro-dos-ventos-uivantes/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Jogar a obra prima de Brontë na fogueira foi só o início, a ‘não adaptação’ de Emerald Fennell entrega quase nada além da estética"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso: </i></b><i><span style="font-weight: 400;">O texto contém spoilers</span></i></p>
<figure id="attachment_36914" aria-describedby="caption-attachment-36914" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36914" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-1-800x450.jpg" alt="Cena de “O Morro dos Ventos Uivantes” Heathcliff, um homem branco de roupa preta de época, encosta-se à parede segurando uma bengala e olha para o lado. Ao seu lado, Catherine, uma mulher branca e loira, atravessa a porta usando um vestido volumoso vermelho brilhante com mangas brancas bufantes. O ambiente é o interior de uma casa com portas brancas e paredes brancas." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-1.jpg 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36914" class="wp-caption-text">Em “O Morro dos Ventos Uivantes”, Emerald Fennell se aproveita de parcerias anteriores, tanto em cena, como nos bastidores (Foto: Warner Bros)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Bezerra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O novo filme de Emerald Fennell, diretora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Saltburn</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2023) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/bela-vinganca-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bela Vingança</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2020), provocou agitação nas redes sociais desde o primeiro anúncio. Inspirado no homônimo clássico da literatura inglesa de Emily </span><span style="font-weight: 400;">Brontë</span><span style="font-weight: 400;">, publicado em 1847, o nome na direção gerou estranheza, afinal, a diretora é conhecida pela estética e erotismo extravagantes, que pouco conversam – ao menos à primeira vista – com o estilo gótico do livro. No entanto, foi o anúncio do elenco que aqueceu o debate: Jacob Elordi foi escalado para interpretar Heathcliff, um personagem descrito como não branco – cuja etnia é incerta – e a sua cor e origem são motivos de uma série de abusos, que o tornaram um homem cruel e violento.</span></p>
<p><span id="more-36917"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A diretora e roteirista explicou que o longa não era de fato uma adaptação, mas a sua interpretação da história, o que poderia explicar as </span><a href="https://youtube.com/shorts/BoWcFhRMQAE?si=mhC_tLd7OXuJHDHL"><span style="font-weight: 400;">aspas</span></a><span style="font-weight: 400;"> no título. No entanto, o recurso gramatical nesse caso não funciona como algo sofisticado e respeitoso à obra original, e sim como uma estratégia defensiva. Ela parece justificar o esvaziamento do filme diante das mudanças no enredo, que não servem para facilitar a sua adaptação, por exemplo, e sim reduzir discussões centrais de uma narrativa extremamente potente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A primeira parte do longa, assim como a do livro, é voltada para a infância dos protagonistas Heathcliff (</span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-adolescencia/"><span style="font-weight: 400;">Owen Cooper</span></a><span style="font-weight: 400;">) – que não possui sobrenome – e Catherine Earnshaw (Charlotte Mellington), que dividem a infância no Morro dos Ventos Uivantes. Apesar de ela ser a filha do dono da casa e ele, um empregado, ambos desenvolvem um forte laço de amizade e afeto fortalecido pelo sentimento de proteção nutrido diante das violências, sofridas por ambos, de formas distintas, e pelo clima hostil desse ambiente marcado por tons agressivos, abuso de álcool e problemas financeiros.</span></p>
<figure id="attachment_36916" aria-describedby="caption-attachment-36916" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36916" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4-2-800x450.png" alt="Cena de “O Morro dos Ventos Uivantes”. A versão infantil de Catherine, uma jovem loira observa Heathcliff preocupada. O garoto está deitado de lado na cama, com a face avermelhada, chorando. Ambos vestem roupas simples de época, e o fundo da cena é pouco iluminado." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4-2-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4-2-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4-2.png 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36916" class="wp-caption-text">Apesar da personalidade problemática da menina, as crianças compartilham entre si um refúgio emocional e afetivo (Foto: Warner Bros)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em ambas as obras, a união entre os dois, durante a infância e a adolescência, não anula o caráter mimado e egoísta de Catherine, cujas versões adolescente e adulta são interpretadas por </span><a href="https://personaunesp.com.br/eu-tonya-5-anos-critica/"><span style="font-weight: 400;">Margot Robbie</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seu jeito caprichoso coloca em evidência a posição de inferioridade do companheiro e o desejo dela de ascender socialmente e garantir um maior status social, que claramente não seria atingido com o homem que desejava. Nesse cenário, a cenografia (Suzie Davies) e os figurinos (Jacqueline Durran) são fiéis à época, a iluminação é baixa, não há nada de alarmante. Diante disso, no início do filme, Fennell imprimiu o seu DNA através do erotismo: alimentos e movimentos sugestivos entram em jogo, acompanhados de uma cena de masturbação e uma tensão sexual entre os protagonistas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse primeiro momento, há sim uma discussão interessante sobre classe, algo que a roteirista havia feito anteriormente em </span><i><span style="font-weight: 400;">Saltburn</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma outra parceria entre ela, Elordi e Robbie, a qual atua na produção. Além disso, o afeto entre os protagonistas gera empatia no espectador e, inclusive, o </span><a href="https://youtu.be/WD3vluuGIiA?si=KiRxDu0m8PUl8FfB"><span style="font-weight: 400;">tom sexual</span></a><span style="font-weight: 400;"> cai muito bem à narrativa original, carregada de tensões e provocações – em que nada erótico é citado explicitamente. No entanto, as mudanças adotadas para a primeira parte começam a cobrar o seu preço a partir do momento em que os novos personagens, Edgar (Shazad Latif) e Isabella (Alison Oliver), entram em cena. Ele, um homem sem origem nobre, que fez fortuna no ramo dos tecidos; ela, sua pupila, e possivelmente irmã, o que no filme não fica claro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Insatisfeita com a indiferença dos novos vizinhos, a jovem mulher interpretada por Robbie vai até a Granja dos Tordos, desafiando as normas impostas a uma dama, e encanta Edgar, que a pede em casamento. Nesse momento, há um contraste gritante entre o novo cenário, marcado por tecidos marcantes, cores intensas e elementos absurdos, quase psicodélicos, no estilo </span><a href="https://personaunesp.com.br/15-anos-de-alice-no-pais-das-maravilhas-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Alice no País das Maravilhas</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2010)</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">à exemplo de um morango gigante e uma casa de bonecas aos moldes da granja.</span></p>
<figure id="attachment_36913" aria-describedby="caption-attachment-36913" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36913" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-3-800x533.jpg" alt="Cena de “O Morro dos Ventos Uivantes”. À esquerda, Catherine, uma mulher de pele clara e cabelo loiro preso usa vestido branco volumoso com mangas bufantes e óculos de lentes vermelhas. À direita, um homem de pele mais escura, cabelo e bigode castanhos veste terno bege com detalhes dourados, colete e cartola. Eles seguram taças que contém um líquido azul. Ao fundo, a decoração é composta por fios de pérolas sobre parede azul. Na mesa à frente deles, há uma espécie de caranguejo servido em um recipiente de vidro." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-3-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-3-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-3-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-3.jpg 2000w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36913" class="wp-caption-text">A estética não fidedigna à época é o menor dos problemas do filme, se não a sua maior qualidade (Foto: Warner Bros)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da inadequação à época, os figurinos (incluindo um de plástico) e a direção de arte, de Suzie Davies, são um deleite para os olhos. Além disso, a trilha sonora, também fora da caixa, assinada por Anthony Willis, e composta por músicas originais de </span><a href="https://youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_lT54f3kMlnn8x7ijp7HeWwatHtFkjIX60&amp;si=aSN55qpFbkw2YBtR"><span style="font-weight: 400;">Charli XCX</span></a><span style="font-weight: 400;"> figura uma escolha interessante, que orna bem com o contraste envolvente. Além disso, a cinematografia (Linus Sandgren) também é um destaque, que, em um primeiro momento capta os sentimentos intensos e o estado emocional dos personagens.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Heathcliff retorna após um período de fuga e distanciamento diante da notícia do casamento, ele parece um novo homem: rico, debochado e perverso, um perfil que destoa muito do homem bruto, porém sensível visto no início, graças a performance precisa de </span><a href="https://personaunesp.com.br/frankenstein-critica/"><span style="font-weight: 400;">Elordi</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, novamente, a caracterização impecável. O roteiro (Emerald Fennell) não explora a dimensão da humilhação e do aniquilamento social sofrido por Heathcliff e reduz a sua crueldade à dinâmica de um relacionamento tóxico.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O protagonista se casa com Isabella apenas para atormentar Catherine, e os abusos psicológicos e sexuais são fetichizados com um ar de </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2015/02/13/opinion/1423857401_027273.html"><i><span style="font-weight: 400;">50 Tons de Cinza</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2015). É ultrajante que Fennell tenha transformado Isabella em uma caricatura estereotipada de uma mulher irritante, enquanto, na visão de </span><span style="font-weight: 400;">Brontë</span><span style="font-weight: 400;">, no século XIX, ela, apesar de ingênua no início, é destemida a ponto de fugir para criar sozinha o filho do seu marido violento. Aqui, isso não é complexo; é cruel.</span></p>
<figure id="attachment_36915" aria-describedby="caption-attachment-36915" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36915" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-6-800x432.png" alt="Cena de “O Morro dos Ventos Uivantes”. Isabella, uma mulher de pele clara e cabelos escuros, usa um vestido claro com mangas bufantes e detalhes dourados. Ela está inclinada para frente, apoiada nas mãos e mantém a boca aberta, língua para fora e os olhos voltados para cima. Além disso, há um uma espécie de coleira de ferro em seu pescoço. A iluminação é baixa no fundo e aparecem apenas um barril e algumas garrafas de vidro empilhadas no chão." width="800" height="432" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-6-800x432.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-6-768x415.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-6.png 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36915" class="wp-caption-text">A diretora afirma que a nova versão tem muito dos diálogos do clássico, mas nesse caso eles possuem pouco efeito diante da banalização generalizada da trama (Foto: Warner Bros)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da improbabilidade da combinação entre a diretora e a escritora, era de se esperar que a </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/emerald-fennell"><span style="font-weight: 400;">cineasta</span></a><span style="font-weight: 400;"> conseguisse trabalhar a ambiguidade dos seres humanos, uma vez que, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Bela Vingança</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresentou uma personagem moralmente complicada. Infelizmente, Fennell almeja, de certa forma, inocentar o seu Heathcliff ao romantizar e justificar suas atitudes, além de não deixá-lo atingir o seu máximo potencial. Nessa supérflua toada romântica, é construído quase um arco de redenção, um apelo emocional, que cria uma armadilha barata para que os protagonistas sejam vistos mais como Romeu e Julieta, do que como os seres detestáveis que são – no filme e na obra original.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa apresenta a figura de uma vilã na personagem de Nelly (Hong Chao), a dama de companhia de Cathy, que é usada por Fennell como uma peça desse xadrez maluco, que parece estar sempre interrompendo a felicidade da ama, ou mesmo desejando o seu mal, enquanto no livro, ela é uma narradora enviesada, que envolve seus julgamentos pessoais e preconceitos em seus relatos. No entanto, </span><a href="https://time.com/7373005/wuthering-heights-adaptations-differences-from-book/"><i><span style="font-weight: 400;">O Morro dos Ventos Uivantes</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> nunca precisou de um vilão, pois a maldade e a discriminação sistemáticas para com uma crianca já é suficentemente cruel. Até porque, independente do desejo de Nelly, o casal não poderia ficar junto.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Emerald Fennell on directing &quot;Wuthering Heights&quot;, Promising Young Woman and *that* scene in Saltburn" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/_tqqhcoQdeQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A diretora tem direito a liberdade criativa, evidentemente – e a ser julgada pelo trabalho que entregou. O problema é que foi entregue um material superficial. Ela insiste na construção de um grande romance sobre um terreno instável de uma história trágica. Não somente a do livro, mas também as partes dela presentes em seu roteiro. Fennell ignora as nuances da trama que escolheu contar e se perde na própria narrativa. Quanto a sua proposta revolucionária,</span> <span style="font-weight: 400;">as cenas de sexo, uma atrás da outra, na segunda parte do filme, não </span><a href="https://www.gq-magazine.co.uk/article/emerald-fennell-saltburn-interview-2023"><span style="font-weight: 400;">desafiam</span></a><span style="font-weight: 400;"> qualquer padrão e pouco acrescentam ao conflito central. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O erotismo serve muito bem em outras produções como o próprio </span><i><span style="font-weight: 400;">Saltburn</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2023), mas aqui é usado como uma forma de preencher lacunas. É possível fazer algo inovador com uma proposta coerente, como prova </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-patricinhas-de-beverly-hills-25-anos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">As Patricinhas de Beverly Hills</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1995)</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">inspirado em </span><i><span style="font-weight: 400;">Emma</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1815), de Jane Austen. A cineasta explica que a obra de </span><span style="font-weight: 400;">Brontë</span><span style="font-weight: 400;"> não pode ser, de fato, adaptada. Não que seja fácil, mas para transmutar algo desse tipo para o cinema é preciso um mergulho profundo em seus labirintos morais. O que vemos aqui é a busca por atalhos fáceis, que pouco dizem respeito aos conflitos da existência humana.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="&quot;O Morro Dos Ventos Uivantes&quot; l Trailer Oficial Dublado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/lW38pAKlzhU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Frankenstein, de Guillermo del Toro, é uma invenção eclesiástica demais para ser eternizada</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Oct 2025 15:20:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo O diretor mexicano tem afinidade com temas e estilos: a criatura que não é aceita pela humanidade, o trabalho artesanal (do stop motion à criação de equipamentos) e a influência de movimentos artísticos, como o gótico, o ultraromântico e o neoclássico. Frankenstein, que faz parte da seção Apresentação Especial na 49ª Mostra Internacional &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/frankenstein-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Frankenstein, de Guillermo del Toro, é uma invenção eclesiástica demais para ser eternizada"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35970" aria-describedby="caption-attachment-35970" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35970" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-3-800x450.jpg" alt="Cena do filme Frankenstein Na imagem, o personagem Frankenstein está no canto direito, olhando para a mesma direção, com o rosto virado. Ele veste um casaco de pele escura e capuz. No rosto, ele usa uma faixa que cobre boca e nariz. Pequenos flocos de neve caem. Sua pele tem tom esverdeado e possui costuras. Na esquerda, uma luz laranja ilumina o personagem, que está em um cenário noturno. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-3.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35970" class="wp-caption-text">O filme foi exibido no Festival de Veneza e recebeu 14 minutos de aplausos (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor mexicano tem afinidade com temas e estilos: a criatura que não é aceita pela humanidade, o trabalho artesanal (do </span><i><span style="font-weight: 400;">stop motion</span></i><span style="font-weight: 400;"> à criação de equipamentos) e a influência de movimentos artísticos, como o gótico, o ultraromântico e o neoclássico. </span><i><span style="font-weight: 400;">Frankenstein</span></i><span style="font-weight: 400;">, que faz parte da seção Apresentação Especial na <a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</a>, prossegue a parceria de Guillermo del Toro com a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> em </span><a href="https://personaunesp.com.br/pinoquio-guillermo-del-toro-critica/"><span style="font-weight: 400;">mais um filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> que adapta um clássico da literatura sobre um ser trazido à vida com todos os símbolos que remetem ao Cinema do artista. </span><span id="more-35969"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, à medida que o cineasta, que assina a produção e o roteiro, articula seu estilo e sua visão sobre a obra, também tenta manter-se fiel à trama e aos subtextos de </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2024/"><span style="font-weight: 400;">Mary Shelley</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, diante disso, assim como um escultor de </span><a href="https://personaunesp.com.br/better-man-a-historia-de-robbie-williams-critica/"><span style="font-weight: 400;">cinebiografias</span></a><span style="font-weight: 400;"> de astros da música, o diretor se atrapalha entre tantas ideias disponíveis, pincelando passagens importantes com pouquíssima profundidade. Não se trata da relevância existir somente no livro, mas para a própria história do longa – ora, se del Toro escolheu para as telas tal capítulo, ele o considera importante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O enredo se divide em três partes: Prelúdio, A história de Victor Frankenstein e a versão do monstro. Nesta última, há a tentativa de se aprofundar no personagem interpretado por </span><a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jacob Elordi</span></a><span style="font-weight: 400;">, contudo a escolha da </span><i><span style="font-weight: 400;">voz over</span></i><span style="font-weight: 400;"> para narrar a descoberta do mundo, da humanidade, do amor e da violência acaba por apressar a relação de Frankenstein com seu redor e, portanto, com o público também. A culpa do criador, a tragédia que cai sobre a família do cientista e a solidão da criatura são elementos postos na trama que soam apenas como um aceno aos fãs da literatura, sem atingir o âmago do espectador. </span></p>
<figure id="attachment_35971" aria-describedby="caption-attachment-35971" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35971" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-2-800x450.jpg" alt="Cena do filme Frankenstein Na imagem, Elizabeth olha com surpresa para á frente. Ela veste um vestido branco de noiva e um terço vermelho no pescoço. O vestido é bem volumoso e possui detalhes em prata na região da clavícula. A cena é noturna, se passa num quarto, atrás dela há uma porta com janelas de vidro. Elizabeth é uma mulher branca, na faixa dos 35 anos, de cabelos longos na cor ruiva. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-2-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-2.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35971" class="wp-caption-text">A joalheria Tiffany &amp; Co. fez uma parceria com a Netflix para promover o filme e a marca (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Datado de 1818, o texto da britânica é extremamente melancólico e autodepreciativo. O monstro, Victor e o capitão Robert Walton, os três narradores do romance, são embargados por uma escrita poética e falas sobre solidão, que afluem em dilemas sociais do século XIX – embora a narrativa tenha conseguido resistir ao tempo e se </span><a href="https://orathiago.com/blog/frankenstein-um-monstro-no-armario"><span style="font-weight: 400;">atualizar</span></a><span style="font-weight: 400;">. Esse exagero respira o </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-a-colina-escarlate/"><span style="font-weight: 400;">Cinema do mexicano</span></a><span style="font-weight: 400;">, que rebusca o sentimentalismo em suas obras, seja pelas trilhas sonoras, as fotografias com baixa luz ou até pelos roteiros que sempre deixam bem claro, até pela exposição nos diálogos, as metáforas e subtextos, com pouca </span><a href="https://www.facebook.com/diversidadnerd/posts/o-que-voc%C3%AA-interpreta-dessa-cena-do-pin%C3%B3quio-de-guillermo-del-toro-acho-que-ela-/1078207834109279/"><span style="font-weight: 400;">sutileza</span></a><span style="font-weight: 400;">. O roteirista vai direcionar a principal questão do longa para os </span><a href="https://personaunesp.com.br/guardioes-da-galaxia-vol-2-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">daddy issues</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um movimento bem presente em Hollywood. Conflitos éticos da ciência são substituídos pela narrativa de um filho que não atende às expectativas do pai. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, se a falta de discrição está presente, os visuais expressivos da filmografia do diretor estão em eclipse. Há um ou outro elemento no cenário que chama atenção, a maioria das cenas remete ao Tim Burton em sua pior fase, a partir de 2010. Nada é tão marcante quanto o Homem Pálido em </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-labirinto-do-fauno-dez-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">O Labirinto do Fauno</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2006) e o Homem-Anfíbio em </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-forma-da-agua-poesia-resenha/"><i><span style="font-weight: 400;">A Forma da Água</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2017), ambos personagens interpretados por Doug Jones. A aparência do Frankenstein se associa mais às descrições de Mary Shelley, um homem alto, forte, de cabelos escuros e pele pálida, em relação ao </span><a href="https://www.megacurioso.com.br/artes-cultura/120132-frankenstein-por-que-o-monstro-ganhou-a-cor-verde-nos-filmes.htm"><span style="font-weight: 400;">clássico de 1931</span></a><span style="font-weight: 400;">, eternizado no imaginário coletivo por Boris Karloff. Talvez tenha uma funcionalidade maior no filme, tanto para valorizar as expressões de Jacob Elordi quanto para a reiterar a rejeição de Victor, que é muito mais sobre a inteligência do que aparência. Contudo, ainda que seja cedo para cravar, isto tem um preço: não entrará para a história. </span></p>
<figure id="attachment_35972" aria-describedby="caption-attachment-35972" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35972" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-3-800x451.jpg" alt="Cena do filme FrankensteinNa imagem, o personagem Victor segura uma pequena bateria elétrica com a mão esquerda. Ele está em uma sala redonda com vários homens sentados olhando ele apresentar sua invenção. Ele está falando com bastante expressividade, os olhos arregalados e a mão esquerda apontando em direção a algo. Atrás dele, há uma luz que vem de cima e o ilumina. Victor veste um colete preto e uma camisa esvoaçada de mangas longas, uma roupa do século 19. Ele é um homem de pele clara, cabelos escuros na altura do pescoço e tem aproximadamente 45 anos. " width="800" height="451" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-3-800x451.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-3-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-3-768x433.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-3-1536x865.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-3-1200x676.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-3.jpg 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35972" class="wp-caption-text">O filme vai estrear em alguns cinemas selecionados e depois vai para o streaming (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/cavaleiro-da-lua-critica/"><span style="font-weight: 400;">Oscar Isaac</span></a><span style="font-weight: 400;"> como Victor Frankenstein é trágico. del Toro tem uma visão específica sobre o protagonista, diferente de Shelley. Para a autora, ele soa como um </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/lord-byron-o-poeta-endiabrado-que-foi-o-primeiro-popstar-da-historia/"><span style="font-weight: 400;">Lord Byron</span></a><span style="font-weight: 400;"> que carrega uma maldição, porém para o diretor, ele é um ser desprezível, mesquinho. Isaac é canastrão e parece um cientista louco, no sentido mais pobre do arquétipo. Pelo menos, Elordi e Mia Goth conseguem unir os dois aspectos que faltam no longa: sensações e estilo. A estrela de </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2019-) passeia entre a inocência e a violência de forma adequada. Nos primeiros dias de vida da criatura, seu olhar e gestos se assemelham aos de uma criança, enquanto na fase adulta consegue trazer imponência com sua voz grave. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já Elizabeth (<a href="https://personaunesp.com.br/pearl-critica/">Mia Goth</a>) garante a elegância que remete ao romantismo, como se ela</span><span style="font-weight: 400;"> estivesse filmando uma adaptação de </span><a href="https://personaunesp.com.br/orgulho-e-preconceito-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">Jane Austen</span></a><span style="font-weight: 400;">. Suas linhas de fala são exageradas e poéticas, assim como sua química com Frankenstein tem resquícios de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Bela e a Fera</span></i><span style="font-weight: 400;"> – um caminho óbvio a se seguir e repetitivo na filmografia de del Toro, mas que talvez fosse o melhor a fazer. Sua trama é melodramática, é uma personagem que faz sacrifícios românticos, age como heroína e tem sua tragicidade. A Direção de Arte de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-beco-do-pesadelo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Tamara Deverell</span></a><span style="font-weight: 400;"> trata especialmente  as aparições de Elizabeth com mais ferocidade, injetando o exagero e o gótico; nelas há um retorno da ideia do que é ver um filme do cineasta mexicano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O novo </span><i><span style="font-weight: 400;">Frankenstein </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma invenção que não deu certo. Uma colcha de remendos de inspirações artísticas castradas, autoria no enredo misturado com fidelidade ao material original e atores que não parecem fazer o mesmo projeto, inclusive o estimado </span><a href="https://personaunesp.com.br/007-sem-tempo-para-morrer-critica/"><span style="font-weight: 400;">Christoph Waltz</span></a><span style="font-weight: 400;"> não está na sua melhor forma. É árduo não compará-lo com </span><i><span style="font-weight: 400;">Nosferatu</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2024), de </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=robert+eggers#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">Robert Eggers</span></a><span style="font-weight: 400;">, que foi humilde em assumir sua paixão pelo clássico de 1922 e não fez grandes mudanças, mantendo um trabalho mais coeso, inspirado e polêmico. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Frankenstein | Guillermo del Toro | Trailer oficial | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/IZ4qobQAto8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Nada de Graceland: Priscilla mora nos detalhes</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Oct 2023 20:18:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez  Sofia Coppola é mestre em retratar mulheres jovens adultas enclausuradas em residências enormes sob o controle de terceiros. No entanto, se Maria Antonieta terminou com a cabeça na guilhotina, Priscilla Presley quebrou o ciclo de solidão e escapou de sua prisão em Graceland, a segunda casa mais famosa dos Estados Unidos. Em Priscilla, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/priscilla-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Nada de Graceland: Priscilla mora nos detalhes"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31654" aria-describedby="caption-attachment-31654" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31654" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image7-1.png" alt="Cena do filme Priscilla. A cena mostra os dois atrás de uma mesa com um bolo de casamento. Priscilla, à esquerda, veste um vestido de casamento branco. Elvis, à direita, vestre um terno preto e fuma um cigarro. Os dois olham para a câmera. " width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image7-1.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image7-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image7-1-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31654" class="wp-caption-text">Priscilla chegou ao Brasil pelo Festival do Rio 2023 e foi um dos filmes exibidos na Gala de Encerramento (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sofia Coppola é mestre em retratar mulheres jovens adultas enclausuradas em residências enormes sob o controle de terceiros. No entanto, se </span><i><span style="font-weight: 400;">Maria Antonieta </span></i><span style="font-weight: 400;">terminou com a cabeça na guilhotina, Priscilla Presley quebrou o ciclo de solidão e escapou de sua prisão em Graceland, a segunda </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-64286114"><span style="font-weight: 400;">casa mais famosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos Estados Unidos. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma adaptação do livro de memórias </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis and Me</span></i><span style="font-weight: 400;">, a diretora e roteirista deixa o nome do Rei do Rock de lado para direcionar o olhar à personagem-título.</span></p>
<p><span id="more-31647"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já sabemos o que precisamos sobre Elvis Presley. Para além da cultura popular, a </span><span style="font-weight: 400;">recente cinebiografia</span><span style="font-weight: 400;"> indicada ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de Baz Luhrmann mostra a ascensão e queda do cantor, incluindo seu relacionamento com Priscilla Presley e com a fama. </span><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla </span></i><span style="font-weight: 400;">existe no mesmo contexto, mas Coppola &#8211; </span><span style="font-weight: 400;">que esclareceu que fez o </span><a href="https://www.vogue.com/article/sofia-coppola-priscilla-instagram"><span style="font-weight: 400;">filme para ela mesma</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; procura o lado da menina que chegou perto demais do brilho de uma estrela e teve o seu próprio apagado.</span></p>
<figure id="attachment_31650" aria-describedby="caption-attachment-31650" style="width: 828px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31650" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-2.png" alt="" width="828" height="550" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-2.png 828w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-2-800x531.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-2-768x510.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31650" class="wp-caption-text">A direção de arte e departamentos de figurino e maquiagem de Priscilla fizeram de Jacob Elordi um Elvis Presley digno de estampar capas de discos e revistas (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra, Elvis (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RYhCj2J4gJo"><span style="font-weight: 400;">Jacob Elordi</span></a><span style="font-weight: 400;">) conhece a protagonista &#8211; ainda então Priscilla Beaulieu (Cailee Spaeny) &#8211; na Alemanha, quando servia o exército. Na época, ele já era um astro da Música, tendo todos os olhos voltados para ele mesmo no exterior. Casualmente, a menina é convidada para um evento na casa dele e prova um pouco de sua atenção, que não seria constante pelo resto do casamento dos dois. Presley era a típica celebridade cercada de pessoas a seu dispor, dando palhinhas de seu talento e usando seu charme para questionar à protagonista qual era sua canção favorita dele.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como toda adolescente dos anos 1960, Priscilla era fã de Elvis Presley e seus pôsteres na parede não a deixam mentir. Mesmo no nono ano da escola, como o cantor rapidamente descobre &#8211; e </span><a href="https://observatoriodosfamosos.uol.com.br/musica/destaques/elvis-presley-e-dixie-a-polemica-relacao-sexual-adolescente-do-rei-do-rock"><span style="font-weight: 400;">não parece ligar</span></a><span style="font-weight: 400;"> -, ela ganha a afeição do artista e conhece seu lado mais frágil e carinhoso. Ele estava de luto pela mãe, precisava de companhia e não media esforços para conquistar ela e os pais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já no primeiro ato, Sofia Coppola mostra um Elvis Presley apaixonado. Se a história do casal se desdobrou para um divórcio conturbado, o início não se mostrava assim. A cineasta</span> <span style="font-weight: 400;">não vê necessidade em discorrer sobre a carreira do Rei antes da entrada da protagonista em sua vida e, acertadamente, distorce o título do livro adaptado: </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis e Eu</span></i><span style="font-weight: 400;"> se torna apenas </span><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, quem quiser assistir sobre a vida completa do astro, pode procurar essa </span><a href="https://personaunesp.com.br/elvis-critica/"><span style="font-weight: 400;">história em outras obras</span></a><span style="font-weight: 400;">. Aqui, o antes, durante e depois do casamento deles se torna a trama principal e a mudança de tom no relacionamento entre os dois, o grande chamativo.</span></p>
<figure id="attachment_31652" aria-describedby="caption-attachment-31652" style="width: 818px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31652" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-2.png" alt="" width="818" height="459" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-2.png 818w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-2-800x449.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-2-768x431.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31652" class="wp-caption-text">O selo que detém os direitos das músicas de Elvis Presley não liberou seu uso para Priscilla; como resposta, a curadoria de Thomas Mars, vocalista da banda Phoenix e marido de Coppola, tornou o longa ainda mais original (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo de cara, é palpável a influência que Elvis Presley exerce sobre Priscilla &#8211; e, diga-se de passagem, todos a seu redor. Com uma atuação contida e inquietante de Jacob Elordi, o artista usa todo seu charme para provar à protagonista que, por trás do </span><a href="https://personaunesp.com.br/melhor-figurino-oscar-artigo/"><span style="font-weight: 400;">topete invejáve</span></a><span style="font-weight: 400;">l, bate um coração. No entanto, é só dele mesmo que Elvis sabe falar e todas as pessoas ao seu entorno parecem estar ali para meramente entretê-lo ou servi-lo, como a bizarra </span><i><span style="font-weight: 400;">Memphis Mafia </span></i><span style="font-weight: 400;">de urubus que nunca sai de perto. Ela aparenta ser a exceção, até não ser mais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para impor o desenrolar da narrativa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla </span></i><span style="font-weight: 400;">se preocupa mais em contextualizar como a personagem foi parar em </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/o-que-aconteceu-com-graceland-famosa-mansao-de-elvis-presley.phtml"><span style="font-weight: 400;">Graceland</span></a><span style="font-weight: 400;"> e trocou o Beaulieu por Presley do que o que vem depois. Também a partir da influência do futuro marido, a menina vai e vem entre os Estados Unidos e a Alemanha, até que ele convence os pais dela a aprovarem a mudança para Memphis, sob </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/07/18/por-tras-de-elvis-presley-quem-era-colonel-tom-parker-tirano-e-psicopata.htm"><span style="font-weight: 400;">tutoria</span></a><span style="font-weight: 400;"> do pai de Elvis e estudando em uma escola católica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, como seria no restante do relacionamento, a protagonista deve se encaixar se quiser pertencer à vida do cantor. Ele está sempre entre trabalhos, seja na gravação de um filme com fofocas de envolvimento com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hzPSldehZJw"><span style="font-weight: 400;">alguma atriz da época</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou projetos musicais &#8211; e o artista faz questão de lembrá-la o quão sortuda ela é pelo privilégio de estar com o Rei do Rock. Até quando o astro não quer aprofundar a relação íntima dos dois, ele faz questão de lembrá-la que, se ela não for a mulher que ele precisa, haverão outras.</span></p>
<figure id="attachment_31655" aria-describedby="caption-attachment-31655" style="width: 1210px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31655" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6-1.png" alt="" width="1210" height="544" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6-1.png 1210w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6-1-800x360.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6-1-1024x460.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6-1-768x345.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6-1-1200x540.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31655" class="wp-caption-text">Em Priscilla, a trilha musical funciona como contadora de histórias e, segundo Thomas Mars, a canção Crimson &amp; Clover revela as emoções adolescentes de uma protagonista apaixonada (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para apresentar as nuances do relacionamento dos dois, a direção de Coppola se une ao trabalho primoroso de Cailee Spaeny e Jacob Elordi. Presley poderia ser o homem mais apaixonado do mundo, mas sua demonstração iria apenas até a página dois. Elordi incorpora a visão da cineasta em mostrar como o cantor passou a usar o carinho pela namorada como uma forma de controlá-la, dizendo a como </span><a href="https://www.revistalofficiel.com.br/pop-culture/ex-esposa-de-elvis-presley-entra-em-disputa-milionaria-por-heranca-da-familia"><span style="font-weight: 400;">se portar</span></a><span style="font-weight: 400;">, sentir e vestir. Em uma das cenas mais emblemáticas, Elvis convence a menina a trocar os cabelos castanhos por uma tintura preta e a maquiagem suave por um lápis escuro que destacaria os olhos, uma imagem que estamparia o álbum de casamento dos dois e as revistas da época.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em menos de duas horas, o ator conduz um homem misterioso e apaixonado a um marido distante, indiferente e violento em todos os sentidos. Ao contrário de sua outra versão no Cinema, o Elvis de </span><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla </span></i><span style="font-weight: 400;">não ganha tons extravagantes, mas uma aura de intocabilidade e fascínio envolvente, principalmente ao reconhecer seu verdadeiro caráter e assistir </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/07/11/12-mil-remedios-e-autopsia-em-segredo-os-misterios-da-morte-de-elvis.htm"><span style="font-weight: 400;">seu declínio</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já </span><a href="https://variety.com/2023/scene/news/priscilla-cailee-spaeny-sofia-coppola-nyff-1235747399/"><span style="font-weight: 400;">Spaeny</span></a><span style="font-weight: 400;"> é o contrário. De uma menina inocente que saiu de casa para doar sua vida a Presley e se gabava de namorar o ídolo na escola, Priscilla cativa ao finalmente levantar a voz, mesmo que isso signifique ser calada e repreendida. No entanto, antes disso tudo, ela se entrega à própria solidão e quietude de forma gritante, apenas no interior. Andando perdida e solitária por uma Graceland vazia na ausência de Elvis Presley ou cheia de gente indiferente em sua presença, ela é acompanhada da própria solidão e da fantasia de estar do lado de um astro, retrato que a rendeu o prêmio de </span><a href="https://www.france24.com/en/live-news/20230909-cailee-spaeny-wins-venice-best-actress-for-priscilla"><span style="font-weight: 400;">Melhor Atriz</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Festival de Veneza.</span></p>
<figure id="attachment_31653" aria-describedby="caption-attachment-31653" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31653" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2.png" alt="" width="1999" height="1999" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2.png 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-1024x1024.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-768x768.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-1536x1536.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-1200x1200.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31653" class="wp-caption-text">Priscilla Presley fez parte da concepção de Priscilla; além do livro adaptado, ela participou como produtora executiva (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como é marca registrada em outras obras, Sofia Coppola abusa dos detalhes. A visão do universo feminino de uma maneira sensível se une à </span><a href="https://www.billboard.com/culture/tv-film/sofia-coppola-priscilla-movie-songs-elvis-1235439666/"><span style="font-weight: 400;">atenção</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelas pequenas coisas. Unida a uma direção de arte e uma fotografia cuidadosa &#8211; essa segunda por responsabilidade de Philipe Le Sourd -, os pôsteres nas paredes, o quarto do casal decorado pelo cantor (sem um detalhe sequer lembrando a esposa), a recriação das capas de álbuns e revistas, e as pílulas cada vez em maior quantidade ganham atenção especial da câmera, como se naquele casamento, o diabo realmente estivesse nos detalhes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, a sensibilidade do retrato de </span><a href="https://www.instagram.com/reel/CyTLVQ0uGMh/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igshid=MzRlODBiNWFlZA=="><span style="font-weight: 400;">Priscilla Presley</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; apoiado, inclusive, pela própria celebridade, que exerceu o cargo de </span><a href="https://people.com/sofia-coppola-was-really-nervous-to-meet-priscilla-presley-exclusive-7970326"><span style="font-weight: 400;">produtora executiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> do filme &#8211; encontra seu fraco no roteiro, também realizado por Coppola. O relacionamento dos artistas e como ambos se desenvolvem para melhor ou pior dentro dele cria a atmosfera envolvente de observar duas pessoas reais, cegadas pelos holofotes e pela atenção, em uma situação já conhecida na cultural popular, mas vista de dentro. É aliada à montagem de Sarah Flack (colaboradora da cineasta desde </span><i><span style="font-weight: 400;">Encontros e Desencontros</span></i><span style="font-weight: 400;">) que a narrativa se dedica demais a alguns pontos, enquanto esquece outros.</span></p>
<figure id="attachment_31651" aria-describedby="caption-attachment-31651" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31651" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-2.png" alt="" width="1999" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-2.png 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-2-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-2-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-2-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-2-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-2-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31651" class="wp-caption-text">Priscilla integrou a programação do Festival de Veneza e recebeu o sinal verde para divulgar o filme no evento, mesmo em meio à greve dos atores e roteiristas (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, enquanto roteirista, </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2023/aug/27/sofia-coppola-archive-memoir-memories-book-extract-lost-translation-virgin-suicides"><span style="font-weight: 400;">Coppola</span></a><span style="font-weight: 400;"> passa mais tempo pintando o quadro de Priscilla como uma doce menina submissa do que mostrando os momentos em que a jovem cresce para além da sombra perversa do marido. Inclusive, a cineasta acena para aqueles da </span><i><span style="font-weight: 400;">internet </span></i><span style="font-weight: 400;">que decidiram que as cenas de sexo não agregam à narrativa como um de seus maiores pecados: depois de anos desejando a atenção do marido, quando Priscilla e Elvis finalmente concretizam o casamento, a cena que poderia ser a mais íntima e reveladora de como o matrimônio dos dois seguiria é esquecida &#8211; ou simplesmente deixada de lado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aqui, não há espaço para interpretações errôneas e é notável o quanto, ao longo dos mais de seis anos que passaram juntos, os Presleys mudaram &#8211; inclusive um ao outro. Sem esconder os abusos físicos, verbais e psicológicos de Elvis, </span><a href="https://www.wmagazine.com/culture/sofia-coppola-priscilla-cover-story-interview"><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não romantiza, mas também não desrespeita a biografia da protagonista e passa a mensagem de que, para além de um vilão maniqueísta, Elvis fez parte de sua vida. Apesar do ponto de virada acontecer durante todo o tempo em que estiveram juntos e não do dia para a noite, ainda é amarga a sensação de que são poucos os minutos dedicados à emancipação de Priscilla, agora uma mulher junto da </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2023/07/14/lisa-marie-presley-filha-de-elvis-morreu-por-complicacoes-de-cirurgia-bariatrica.ghtml"><span style="font-weight: 400;">filha</span></a><span style="font-weight: 400;">, das garras da fama, luxo e falsidade dos jardins de Graceland, deixando um gosto de quero mais para um clímax curto demais.</span></p>
<figure id="attachment_31649" aria-describedby="caption-attachment-31649" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31649" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3.png" alt="" width="1200" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-800x333.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-1024x427.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-768x320.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31649" class="wp-caption-text">Cailee Spaeny foi indicada como Melhor Performance Principal ao Gotham Awards, premição que se tornou um termômetro do Oscar (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Exibido com uma sessão lotada na Gala de Encerramento da 25ª edição do </span><a href="https://www.festivaldorio.com.br/br/filmes/priscilla"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla </span></i><span style="font-weight: 400;">prova novamente e mais uma vez o talento de Sofia Coppola em tornar narrativas peculiares, universais. Sob sua visão única, até a trilha sonora encabeçada por Phoenix, que de Elvis Presley não tem nada, vira uma grande contadora de histórias. De comum os Presley não entendem, mas a cineasta sim: a solidão e o enclausuramento são os mesmo em Memphis da década de 1960 ou na França do século 18. O que muda é que, de repetido, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DBWk6BohVXk"><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não tem nem o título.</span></p>
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		<title>A segunda temporada de Euphoria e a vingança da alquimia desperdiçada</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Aug 2022 17:01:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Vulcano Dê a Sam Levinson a chance de borrar as linhas entre o drama e o escárnio humanos, e ele voltará escrachando toda e qualquer camada da vida. Da produção de X, passando pela roteirização de Malcolm &#38; Marie e atingindo a direção de País da Violência, essa tática marca seus passos em Hollywood. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/euphoria-2a-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A segunda temporada de Euphoria e a vingança da alquimia desperdiçada"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28494" aria-describedby="caption-attachment-28494" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28494 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMG_0861.jpg" alt="Cena da série Euphoria. Nela, em desfoque e na parte frontal, aparecem as personagens Cassie, uma mulher branca de cabelos loiros e médios, e Maddy, uma mulher branca de cabelos pretos e longos. Cassie carrega um olhar deprimido e direcionado para o canto inferior esquerdo da imagem. Maddy está sorrindo e dançando, com a cabeça levemente para cima. Cassie usa um vestido de alcinha azul, já Maddy, um vestido preto com recortes e argolas prateadas nas orelhas. Elas estão em uma festa e rodeadas de pessoas. Ao fundo, no centro, está o personagem Nate, um homem branco de cabelos curtos e castanhos. Ele veste camiseta cinza e jaqueta preta, além de estar com os braços cruzados encarando as duas amigas." width="1440" height="777" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMG_0861.jpg 1440w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMG_0861-800x432.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMG_0861-1024x553.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMG_0861-768x414.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMG_0861-1200x648.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28494" class="wp-caption-text">Expressiva em mais uma edição da premiação, a série concorre em 16 categorias do Emmy 2022 (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Vulcano</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dê a Sam Levinson a chance de borrar as linhas entre o drama e o escárnio humanos, e ele voltará escrachando toda e qualquer camada da vida. Da produção de </span><a href="https://personaunesp.com.br/x-ti-west-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">X</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, passando pela roteirização de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=x24-QURldsE"><i><span style="font-weight: 400;">Malcolm &amp; Marie</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e atingindo a direção de </span><a href="https://pipocamoderna.com.br/2020/06/critica-pais-da-violencia-transforma-falso-moralismo-em-banho-de-sangue/"><i><span style="font-weight: 400;">País da Violência</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, essa tática marca seus passos em Hollywood. E foi participando dos três pilares da Sétima Arte, conjuntamente e pela primeira vez, que o cineasta criou a singular </span><a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-hbo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Vira e mexe empilhando aclamação e burburinho nas portas dos estúdios </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;">, desde sua </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/televisao/5-motivos-para-entender-como-euphoria-virou-grande-sucesso-da-hbo"><span style="font-weight: 400;">estreia avassaladora</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2019, a série redefiniu o sucesso televisivo e cultivou expectativas de sobra para sua </span><a href="https://www.telasporelas.com/post/segunda-temporada-euphoria"><span style="font-weight: 400;">segunda temporada</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-28482"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A continuação chegou em Janeiro deste ano, no já conhecido (e nunca exatamente familiar) clima de barbaridade juvenil. Isso porque, após elaborar episódios </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2020/12/4893477-episodios-especiais-de-euphoria-gravados-na-pandemia-revelam-outro-lado-da-serie.html"><span style="font-weight: 400;">especiais</span></a><span style="font-weight: 400;"> a partir dos impasses pandêmicos para revelar transcendentalmente as jornadas individuais de </span><a href="https://variety.com/2020/tv/reviews/euphoria-trouble-dont-last-always-recap-review-1234846069/"><span style="font-weight: 400;">Rue</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Zendaya) e </span><a href="https://www.indiewire.com/2021/01/euphoria-jules-episode-review-fuck-anyone-not-a-sea-blob-spoilers-1234611235/"><span style="font-weight: 400;">Jules</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Hunter Schafer), e o embaralho sentimental que se transformaram uma para outra, </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i><span style="font-weight: 400;"> retorna ao macro bem mais carregada de si mesma. Nenhuma ferida exposta anteriormente cicatrizou, ninguém consegue se acostumar com tanta tragédia e esse é o terreno perfeito para banhar de sal a nova versão de uma narrativa essencialmente sentida pelas dores. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Palco de uma caótica </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=D8-fMRf7Z8c"><span style="font-weight: 400;">festa de ano novo</span></a><span style="font-weight: 400;">, o episódio inicial da segunda safra faz a premissa se desenrolar em uma sequência de eventos curtos e, seguindo o pique da primeira temporada, impactantes pelos sete capítulos à frente. Inevitavelmente, </span><a href="https://euphoria.fandom.com/wiki/Trying_to_Get_to_Heaven_Before_They_Close_the_Door"><i><span style="font-weight: 400;">Trying to Get to Heaven Before They Close the Door</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> proclama que a provocação segue sendo o coração construtivo da fabricação de Levinson. É a sensação que enviesa as questões-chave da segunda leva</span> <span style="font-weight: 400;">de </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria </span></i><span style="font-weight: 400;">e as configura na altura do polêmico &#8211; que quase nunca é a </span><a href="https://www.nytimes.com/2022/02/21/style/euphoria-series-doom-watching.html"><span style="font-weight: 400;">mesma vibração do espectador</span></a><span style="font-weight: 400;"> -, aproximando todos os núcleos da história na unha e na vontade de fazê-los mais expansivos do que as telas que os transmitem.</span></p>
<figure id="attachment_28484" aria-describedby="caption-attachment-28484" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28484" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-2-7.jpg" alt="Cena da série Euphoria. Nela, aparecem os personagens Fezco, à esquerda, e Nate, à direita. Os garotos encaram um ao outro, brindando com copos de plásticos. Fezco é branco, tem cabelos raspados e barba curta e ruiva, além de vestir uma camisa branca de mangas longas e corrente prateada no pescoço. Nate é branco, tem cabelos curtos e castanhos e veste camisa acinzentada sobreposta por uma jaqueta preta. Ao fundo da imagem, pessoas se divertem em uma festa." width="1920" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-2-7.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-2-7-800x500.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-2-7-1024x640.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-2-7-768x480.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-2-7-1536x960.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-2-7-1200x750.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28484" class="wp-caption-text">Com disparo semanais de episódios, Euphoria se tornou a segunda série mais assistida da história do HBO Max e a mais comentada da década no Twitter (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sinestésica e ressentida com o universo em que respira, </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem um ano dois ainda mais distante do didático, graças à atividade árdua e recorrente que é viver </span><a href="https://personaunesp.com.br/nao-olhe-para-cima-critica/"><span style="font-weight: 400;">sem enlouquecer</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/politica/alienacao-eleitoral-cresce-no-brasil-especialmente-entre-jovens-e-no-sudeste/"><span style="font-weight: 400;">se alienar</span></a><span style="font-weight: 400;"> no pós-pandemia. Rue recai no vício e, mesmo que decepcionados e não surpreendidos com a postura, o silêncio é nosso consentimento enquanto audiência. Sobretudo quando a garota lista seus motivos para fugir da realidade e perfura a passividade do público: não necessariamente nos drogamos, mas assistimos adolescentes serem aditivos e repulsivos em um plano paralelo. Queremos alguns minutos fugindo de </span><a href="https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2022/08/04/se-superar-ameaca-golpista-brasil-sera-visto-como-esperanca-de-resistencia.htm"><span style="font-weight: 400;">atentados à democracia</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/saude/nos-150-anos-do-nascimento-de-oswaldo-cruz-brasil-enfrenta-desafios-em-saude-publica/"><span style="font-weight: 400;">negacionismo científico</span></a><span style="font-weight: 400;"> e outros males absurdos nem que seja acompanhando uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/ruptura-severance-critica/"><span style="font-weight: 400;">ficcionalização da aflição</span></a><span style="font-weight: 400;">, sem paz iminente e que nunca prometeu finais felizes. Afinal, “</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oG5bzFU1u94"><i><span style="font-weight: 400;">as pessoas só querem encontrar esperança</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa ironia melancólica não sustenta apenas a dualidade contida na protagonista &#8211; que é um </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> a parte &#8211; mas caracteriza os ganchos agridoces da série na temporada atual. Comparada ao pioneirismo de </span><a href="https://personaunesp.com.br/skins-uk-15-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Skins</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e às controvérsias escalares de </span><a href="https://personaunesp.com.br/13-reasons-why-segunda-temporada/"><i><span style="font-weight: 400;">13 Reasons Why</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i><span style="font-weight: 400;"> equilibrou seu charme, nas origens, encabeçando episódios com o </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/yin-yang.htm#:~:text=O%20Yin%20representa%20a%20escurid%C3%A3o,%2C%20masculino%2C%20quente%20e%20claro."><i><span style="font-weight: 400;">yin-yang</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> existencial de cada personagem e projetando esses arcos particulares na efervescência do coletivo. Contornando a </span><a href="https://dmtalkies.com/rue-zendaya-of-euphoria-the-unreliable-narrator-2019/"><span style="font-weight: 400;">narração onisciente</span></a><span style="font-weight: 400;"> e não mais única da irmã Bennett mais velha, os capítulos, agora, não possuem linha de roteiro traçada ou sugestiva para o futuro destrutivo de alguém. No entanto, a confusão faz três </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/series/euphoria-2-temporada-humaniza-rue-e-pega-fogo-com-dramas-de-coadjuvantes-76170"><span style="font-weight: 400;">nomes ofuscados</span></a><span style="font-weight: 400;"> até então passarem a infiltrar a história, através da tratativa anterior. </span></p>
<p><figure id="attachment_28485" aria-describedby="caption-attachment-28485" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28485" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-3-9.jpg" alt="Cena da série Euphoria. A imagem mostra o ator Algee Smith interpretando seu personagem na série Euphoria. Ele é um homem negro, de cabelos curtos e trançados para trás. Na cena, ele usa barba aparada e uma camisa preta de mangas longas. As feições do ator indicam insatisfação, ao passo que seus olhos encaram o canto direito da imagem. " width="1200" height="690" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-3-9.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-3-9-800x460.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-3-9-1024x589.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-3-9-768x442.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28485" class="wp-caption-text">Dono de poucos minutos de tela no episódio de estreia, Chris McKay (Algee Smith) desapareceu pelo resto da temporada sem maiores explicações [Foto: HBO Max]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Angus Cloud finalmente saiu das beiradas que seu papel costumava habitar apenas nos lapsos e desabafos de Rue. Mostrando sua infância recheada pelo abandono e norteada pelo tráfico de narcóticos, realizado pela única figura materna presente, sua avó, a produção faz do </span><a href="https://epipoca.com.br/euphoria-fezco-morreria-nos-primeiros-episodios-da-1a-temporada/"><span style="font-weight: 400;">instituto protetor e carismático</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Fezco antídotos para sua sobrevivência e, sobretudo, resistência. Embora estrelando a </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/entretenimento/euphoria-jacob-elordi-detalha-experiencia-brutal-de-briga-entre-fez-e-nate/"><span style="font-weight: 400;">pancadaria simbólica e colossal em Nate</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Jacob Elordi), o ruivo cresce para valer, transbordando seu lado afetuoso, dividido com o irmão mais novo, Ash (Javon Walton), e com Lexi (Maude Apatow), seu recíproco interesse amoroso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Falando em sensibilidade aproveitada, a personagem de Apatow é um verdadeiro banquete. Se antigamente a jovem seguia um caminho contrário para chegar ao mesmo fim de seus colegas de cena, blindando-se da hostilidade sem uso de alucinógenos, mas retificando a si própria como coadjuvante, a caçula das Howard vence os panos de fundo da trama pelo cansaço de </span><a href="https://observatoriodatv.uol.com.br/series/hbo-max/cassie-lexi-ou-rue-quem-e-a-mvp-da-2a-temporada-de-euphoria"><span style="font-weight: 400;">seu brilhantismo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Corajosa e amistosa, da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZlHFFJM5loQ"><span style="font-weight: 400;">reconstituição da amizade com Rue</span></a><span style="font-weight: 400;"> à modelação da </span><a href="https://www.vulture.com/article/how-euphoria-created-lexis-play-the-theater-and-its-double.html"><span style="font-weight: 400;">peça teatral</span></a><span style="font-weight: 400;"> despudorada e frenética &#8211; que estatelou os nervos e músculos da narrativa nos episódios finais &#8211; ela foi a </span><a href="https://www.reddit.com/r/euphoria/comments/s28fom/what_is_a_motherfucking_g/"><i><span style="font-weight: 400;">motherfuckin’ G</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_28486" aria-describedby="caption-attachment-28486" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28486" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMG_0837.jpg" alt="A imagem mostra cenas da série Euphoria. No retrato disposto do lado esquerdo estão as personagens Jules, uma mulher branca de cabelos curtos, lisos e loiros, e Rue, uma mulher negra de cabelos castanhos, cacheados e longos. Elas estão com os rostos extremamente próximos após um beijo. Jules, à esquerda, usa gargantilha preta com desenhos cor de rosa e camiseta lilás aberta nas costas. Rue, à direita, sorri com os olhos fechados e veste roupa preta. No retrato disposto ao lado direito estão as personagens Rue e Lexi, uma mulher branca de cabelos castanhos e médios. Uma ao lado da outra, Rue abraça Lexi de olhos fechados, enquanto a outra garota chora. Rue veste camiseta vermelha estampada e calça preta, já Lexi, uma camisa branca de mangas longas e calça marrom. Ao fundo, uma cama com almofadas." width="2048" height="1152" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMG_0837.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMG_0837-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMG_0837-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMG_0837-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMG_0837-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMG_0837-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28486" class="wp-caption-text">Ao passo em que uma das relações mais delicadas da produção renasce, Rules enfrenta dias de luta sem glória alguma (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A tríade que salta aos holofotes é completada pelo temeroso pai de Nate (</span><a href="https://personaunesp.com.br/greys-anatomy-17a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Eric Dane</span></a><span style="font-weight: 400;">). Fechando um capítulo inteiro para desmascarar sua existência forjada na tradicional família americana, a série remonta à juventude do homem, arrasada pela paixão homoafetiva não consumada e pela gravidez repentina de sua namorada na época. Por trás do emaranhado de desejos suprimidos que formam o </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/series-e-tv/2022/01/euphoria-comete-erro-ao-tentar-criar-simpatia-por-personagem-terrivel"><span style="font-weight: 400;">predador sexual retratado</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i><span style="font-weight: 400;"> tenta dizer que a agressividade compulsória e o sadismo de criar filhos à sombra de seu mais repugnante reflexo são a armadura de Cal. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que a produção nunca tenha materializado </span><a href="https://niisansproducoesgeek.com/por-que-as-personagens-femininas-raramente-obtem-arcos-de-redencao/"><span style="font-weight: 400;">arcos de redenção</span></a><span style="font-weight: 400;">, o experimento de </span><a href="https://twitter.com/seriesbrasil/status/1498460868014751745"><span style="font-weight: 400;">humanização do Jacobs mais velho</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos faz perguntar quem consegue revelar </span><a href="https://www.eonline.com/br/photos/34074/euphoria-temporada-2-as-declaracoes-do-elenco-sobre-momentos-controversos"><span style="font-weight: 400;">a revolta por trás de suas contradições</span></a><span style="font-weight: 400;">, recebendo chances de atenuação pelo júri do público. A manobra da trama traz estereótipos da mais brutal ordem, já que acusações de pedofilia e estupro, como as que rondam a trajetória do genitor, sempre foram relacionadas à </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2017/10/30/interna_diversao_arte,637361/kevin-spacey-revela-que-e-gay-e-se-desculpa-por-assedio-sexual.shtml"><span style="font-weight: 400;">comunidade LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;">. E não é errado dimensionalizar vilões desvendando o que impulsionou aqueles traços de amargura e bestialidade. Entretanto, tratar sua identidade, fruto de uma forma subjetiva e insalubre de lidar com a realidade através de um labirinto que pode se resumir a orientações sexuais é, no mínimo, problemático (</span><a href="https://www.cartel011.com.br/news/euphoria"><span style="font-weight: 400;">especialmente para </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i></a><span style="font-weight: 400;">). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Retomando o </span><i><span style="font-weight: 400;">modus operandi </span></i><span style="font-weight: 400;">da história, temos a fórmula de escandalização do </span><a href="https://personaunesp.com.br/dopesick-critica/"><span style="font-weight: 400;">moralismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, que apregoa a mente de quem se pega canalizando a barra não só da exposição de Cal, mas de milhares de momentos. Infelizmente, não vivemos em um planeta evoluído o bastante para a ridicularização de nossas mazelas servir como ferramenta de conscientização ou instigar qualquer mudança. E, caramba, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i><span style="font-weight: 400;"> brincou incansável e assertivamente com isso em </span><a href="https://www.vox.com/culture/2019/6/23/18701226/euphoria-premiere-pilot-episode-1-recap-zendaya-hbo"><span style="font-weight: 400;">seus primórdios nada ortodoxos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas, com o avanço do Ensino Médio e a necessidade de um amadurecimento à altura, a progressão narrativa parece se apossar de uma ânsia de gente grande, incapaz de processar </span><a href="https://www.nationalworld.com/culture/euphoria-season-2-review-overwrought-zendaya-drama-loses-sight-of-its-own-strengths-in-sky-atlantic-series-3519496"><span style="font-weight: 400;">a essência que o básico dá à conjuntura</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="EUPHORIA. &quot;I&#039;m tired&quot; - Labrinth feat. Zendaya | #MomentoHBO" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/gDlYHzhpmEs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Se na primeira leva toda a genialidade da ficção partia de um cadenciamento, em que, apesar das cenas performáticas e fugazes, o raciocínio prevalecia, o presente entrega uma </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i><span style="font-weight: 400;"> refém do ímpeto de chocar a qualquer custo. O tal </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/tela-plana/euphoria-com-zendaya-e-o-retrato-mais-honesto-das-dores-juvenis-na-tv/"><span style="font-weight: 400;">realismo emocional</span></a><span style="font-weight: 400;">, que antes era compartilhado não somente pelo criador da obra, mas igualmente por outros nomes vinculados ao propósito artístico, agora passa a se centralizar nas mãos de Sam Levinson em uma demonstração típica de como </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2019/05/20/final-de-game-of-thrones-sofreu-dos-mesmos-problemas-que-o-resto-da-temporada.htm"><span style="font-weight: 400;">impérios caem pela ambição</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferentemente de séries que definharam em qualidade </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/listas/2018/01/10-series-que-decairam-em-qualidade-apos-serem-abandonadas-pelos-criadores"><span style="font-weight: 400;">sem seus fundadores</span></a><span style="font-weight: 400;">, a presença excessiva do cineasta pode ser culpabilizada por várias deficiências e armadilhas geradas na produção do </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;">. Todos os episódios da segunda temporada são unicamente dirigidos e escritos por Levinson, que obviamente </span><a href="https://frenezirevista.com/2022/03/06/critica-apesar-dos-esforcos-a-segunda-temporada-de-euphoria-nao-atende-as-expectativas/"><span style="font-weight: 400;">não conseguiria atender às expectativas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de escandalização, nem dar ritmo e coesão às múltiplas vertentes da história, sozinho. Às avessas da complexidade outrora construída, a safra se </span><a href="https://www.bcheights.com/2022/02/13/euphoria-season-two-review/"><span style="font-weight: 400;">contenta</span></a><span style="font-weight: 400;"> em sonhar raso no </span><a href="https://www.pedestrian.tv/entertainment/euphoria-sam-levinson-season-three-writers-room/"><span style="font-weight: 400;">desenvolvimento figurativo e psicológico</span></a><span style="font-weight: 400;">, mirando em erros de principiante ao não saber adicionar rostos novatos à trama &#8211; ou mesmo trabalhar os veteranos &#8211; sem perdê-los de vista. </span></p>
<figure id="attachment_28487" aria-describedby="caption-attachment-28487" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28487" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/rue.jpg" alt="Cena da série Euphoria. Nela, a personagem Rue, uma mulher negra de cabelos longos, cacheados e castanhos, aparece de olhos fechados e expressando sofrimento. Ela veste camiseta preta e está com seu corpo e sua cabeça encostados em uma parede bege." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/rue.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/rue-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/rue-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/rue-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/rue-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28487" class="wp-caption-text">Em entrevista ao Entertainment Weekly, Zendaya defendeu a série de <a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/02/09/zendaya-rebate-associacao-que-criticou-euphoria-por-glorificar-as-drogas.htm">novas acusações</a> envolvendo a glorificação do uso de drogas: “&#8217;Euphoria&#8217; não quer, de forma alguma, ser um código de moral e ensinar as pessoas como viver suas vidas ou o que elas deveriam fazer” (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com exceção da abordagem recebida pelo trio mencionado e pela protagonista de Zendaya, as principais afetadas são as </span><a href="https://saladadecinema.com.br/2022/03/12/as-mulheres-de-euphoria-e-suas-complexidades/"><span style="font-weight: 400;">personagens femininas</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; que sempre corporificaram o primor do universo eufórico. Jules fica restrita a uma trilha de inconveniências alheias à sua notável evolução, dando advertências e tapinhas nas costas de Rue aqui, aleatoriamente tendo um caso com o melhor amigo de ambas ali. Abrilhantadas com a participação da escrita aguçada de Hunter Schafer em </span><a href="https://www.papelpop.com/2020/12/segundo-especial-de-euphoria-sera-escrito-por-hunter-schafer-e-estreia-em-janeiro-de-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">F**k Anyone Who&#8217;s Not a Sea Blob</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, as práticas da garota, na atual temporada, se tornam tristemente programadas para </span><a href="https://www.digitalspy.com/tv/ustv/a39264077/euphoria-season-3-jules-hunter-schafer/"><span style="font-weight: 400;">reduzirem suas nuances ao egoísmo</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em contrapartida, falas e ações são tudo que o </span><i><span style="font-weight: 400;">plot </span></i><span style="font-weight: 400;">acaba devendo para </span><a href="https://www.instagram.com/p/CasoEZPPLlW/"><span style="font-weight: 400;">Kat</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Barbie Ferreira). Ela não se sobressai no namoro, nas amizades e menos ainda na própria história, pintando como alívio cômico nos perrengues gerais do ano e martelando incapacidade em seus dramas pessoais. A </span><a href="https://www.teenvogue.com/story/in-euphoria-season-2-kat-transformed-from-icon-to-ornament"><span style="font-weight: 400;">desatenção</span></a><span style="font-weight: 400;"> é tão extrema que até os </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/entretenimento/euphoria-barbie-ferreira-explica-ausencia-de-kat-em-cenas-da-2-temporada/"><span style="font-weight: 400;">rumores supondo o que ocasionou a situação</span></a><span style="font-weight: 400;"> foram melhor elaborados do que a atuação obtida pela personagem.</span></p>
<figure id="attachment_28488" aria-describedby="caption-attachment-28488" style="width: 1014px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28488" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-4-7.jpg" alt="Cena da série Euphoria. Nela, as personagens Cassie, Maddy e Kat aparecem, respectivamente, em meio a uma discussão. Cassie, uma mulher branca de cabelos loiros e presos em coque, veste um moletom rosa bebê e encara Maddy com feições de choro. À frente dela, Maddy, uma mulher branca de cabelos pretos, longos e soltos, usa camiseta acinzentada e maquiagem escura, enquanto grita no rosto da personagem anterior com raiva. Ao fundo, Kat, uma mulher branca de cabelos castanhos e presos em coque, tem expressão apreensiva. Ela veste brincos com pingentes e camiseta de mangas longas com estampa tigrada" width="1014" height="570" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-4-7.jpg 1014w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-4-7-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-4-7-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28488" class="wp-caption-text">Após passar o ano dois sendo o agente apaziguador do gato e rato entre Cassie e Maddy, Barbie Ferreira anunciou que não participará da terceira rodada da série (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto as suposições de </span><a href="https://portalpopline.com.br/bastidores-euphoria-2a-temporada-polemicas/"><span style="font-weight: 400;">desavenças e descuidos nos bastidores</span></a><span style="font-weight: 400;"> da temporada funcionavam como suporte externo para o apetite que </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i><span style="font-weight: 400;"> não saciava em cena, o trato omisso se consolidava com os novos intérpretes. Os arcos de Elliot (Dominic Fike) e Laurie (</span><a href="https://personaunesp.com.br/hacks-critica/"><span style="font-weight: 400;">Martha Kelly</span></a><span style="font-weight: 400;">), embora espontaneamente divertidos ou revoltantes na coletividade do drama, quando isolados das trupicadas e levantadas de Rue, não preenchem uma página de significado consistente. Apesar de similarmente limitada ao beabá das drogas, a adesão de Faye (</span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/lista/chloe-cherry-fatos-curiosidades-euphoria.html#list-item-1"><span style="font-weight: 400;">Chloe Cherry</span></a><span style="font-weight: 400;">, que aqui estreia na TV) se conecta a outros pontos de riso e tensão. Levemente do outro lado da moeda, Ali (</span><a href="https://personaunesp.com.br/a-lenda-de-candyman-critica/"><span style="font-weight: 400;">Colman Domingo</span></a><span style="font-weight: 400;">) engrandece sua performance iniciada em </span><a href="https://espalhafactos.com/2020/12/05/euphoria-regressa-com-uma-reflexao-ambiciosa-sobre-toxicodependencia/"><i><span style="font-weight: 400;">Trouble Don’t Last Always</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e dá merecido fôlego ao conforto ácido da narrativa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seguindo essa eterna brincadeira de espaço e tempo no macro, a segunda leva da produção busca um encaminhamento inusitado se concentrando &#8211; aos trancos e barrancos &#8211; no eixo dividido por Cassie (Sydney Sweeney), Maddy (Alexa Demie) e Nate. O </span><a href="https://screenrant.com/euphoria-maddy-cassie-nate-rue-intervention-story/"><span style="font-weight: 400;">triângulo amoroso</span></a><span style="font-weight: 400;"> é purgatório de si mesmo em inúmeros sentidos, sobretudo para as melhores amigas que descarrilam suas respectivas individualidades em troca de um romance duvidoso, com um sujeito de caráter mais questionável ainda. Só que, no final do trauma, a verdadeira discussão não reside nos </span><a href="https://dailytargum.com/article/2022/02/analyzing-nate-jacobs-toxic-masculinity-incarnate"><span style="font-weight: 400;">trejeitos voláteis e objetificadores de Jacobs</span></a><span style="font-weight: 400;">; o que permite as idas e vindas cruéis do atleta na psique das garotas é uma fragilização sentimental predisposta que ele não criou, porém, aprendeu a controlar maliciosamente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessa toada, a história acerta ao duplicar </span><a href="https://www.esquire.com/uk/culture/a39258052/maddy-this-is-only-the-beginning-meaning-euphoria-final-episode/"><span style="font-weight: 400;">a dor de Maddy</span></a><span style="font-weight: 400;"> em um processo de maturação gradativo. A garota descobre plenamente a toxicidade de estar com Nate quando perde um </span><a href="https://www.cheatsheet.com/entertainment/euphoria-sydney-sweeney-addresses-cassie-maddy-team-up-against-nate.html/"><span style="font-weight: 400;">laço afetivo</span></a><span style="font-weight: 400;"> tido como inabalável e baseado na confiança, sensação que ela pensava dominar tanto no namoro e na amizade quanto em si própria e, na reviravolta, passa a aprender o valor na marra. Já para Cassie, os dias de crescimento permanecem como miragem à medida em que sua </span><a href="https://tracklist.com.br/sydney-sweeney-euphoria/131280"><span style="font-weight: 400;">combustão emocional</span></a><span style="font-weight: 400;"> e tendência de </span><a href="https://featurefemale.com/cassie-howards-downfall-and-the-internal-male-gaze/"><span style="font-weight: 400;">procura por aprovação masculina</span></a><span style="font-weight: 400;"> ramificam debates pontiagudos que conduzem a série.</span></p>
<figure id="attachment_28489" aria-describedby="caption-attachment-28489" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28489" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMG_0841.jpg" alt=" A imagem mostra cenas da série Euphoria. No retrato disposto do lado esquerdo está a personagem Laurie, uma mulher branca de cabelos longos, lisos e castanhos. Ela veste camiseta rosa e usa batom de tom semelhante nos lábios. Sua expressão denota atenção, estando seu olhar voltado para o canto esquerdo da imagem. Ao fundo, uma geladeira repleta de imãs. No retrato disposto do lado direito está o personagem Ali, um homem negro de barba curta. Ele veste um gorro preto e camisa xadrez com tons pretos e marrons. Sua mão esquerda segura uma faca prateada acima de uma mesa, enquanto seu olhar apresenta calma e é acompanhado por um leve sorriso de lábios." width="2048" height="1152" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMG_0841.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMG_0841-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMG_0841-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMG_0841-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMG_0841-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMG_0841-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28489" class="wp-caption-text">No Emmy 2022, Martha Kelly e Colman Domingo receberam indicações como Melhor Atriz Convidada e Melhor Ator Convidado em Drama (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos discursos batidos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i><span style="font-weight: 400;"> é expor que as escolhas de seus personagens não existem em bolhas e, por isso, podem esvair para todos os núcleos da narrativa constantemente. Aspecto esse que poderia unir </span><a href="https://festivalteen.com.br/as-pontas-soltas-de-euphoria-2-que-precisam-de-resposta-na-terceira-temporada.html"><span style="font-weight: 400;">dramas soltos</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao longo da temporada, mas não encontra respaldo para acompanhar a entrada de Rue no tráfico, a rivalidade eclodida entre Fezco e Nate, e principalmente o </span><a href="https://www.cheatsheet.com/entertainment/euphoria-sydney-sweeney-completely-thrown-off-cassies-season-2-turn.html/"><span style="font-weight: 400;">espiralar de Cassie</span></a><span style="font-weight: 400;"> no remorso de perder Maddy e na humilhação de amar quem a rejeita (tudo vivido por ela após a realização de um </span><a href="https://cm-ob.pt/is-sydney-sweeney-s-cassie-pregnant-euphoria"><span style="font-weight: 400;">aborto</span></a><span style="font-weight: 400;">, que não entra em pauta após a primeira </span><i><span style="font-weight: 400;">season finale</span></i><span style="font-weight: 400;">). Ao mesmo tempo em que alucinamos com a instabilidade da loira &#8211; fruto da dedicação excepcional de Sweeney -, pouco esforço existe para fazê-la transpor sua ruína além de rituais de beleza aflitivos e muitas cenas de nudez. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Novamente navegando na obsessão em desfilar absurdos, </span><a href="https://www.independent.co.uk/arts-entertainment/tv/features/euphoria-nudity-sam-levinson-b2021297.html"><span style="font-weight: 400;">corpos sem roupas</span></a><span style="font-weight: 400;"> são a fagulha da ficção que se volta propositalmente para a desnivelação social entre o nu masculino e feminino. Sem perder o trem, a segunda safra já começa com um pênis escancarado na tela do espectador &#8211; só não se engane, não é sexy, é só um pedaço de carne. E </span><a href="https://english.elpais.com/culture/2022-02-07/the-stigma-surrounding-cassie-on-euphoria-can-a-nude-scene-impact-an-actresss-career-forever.html"><span style="font-weight: 400;">por que a nudez deveria ser vista de outra forma</span></a><span style="font-weight: 400;">? Ninguém te dá a resposta, mas exageram na dose de pele de Cassie à mostra para, surpresa!, provocar a dúvida. Como </span><a href="https://deadline.com/2019/11/emilia-clarke-dax-shepard-game-of-thrones-nudity-1202790225/"><span style="font-weight: 400;">Emilia Clarke</span></a><span style="font-weight: 400;"> provou no passado, obviamente a escolha pesa quando falamos das mulheres: o nu estraçalha o angelical e as vulnerabiliza na vilania, ainda que devesse passar longe disso. Nesse espectro, </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/entretenimento/sydney-sweeney-se-orgulha-de-euphoria-mas-nao-falam-sobre-isso-porque-ela-esta-nua/"><span style="font-weight: 400;">a consciência da atriz americana</span></a><span style="font-weight: 400;"> no assunto a coloca acima de todas as limitações narrativas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou do mundo &#8211; o que não absolve a série da prepotência de achar que </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/series-e-tv/2022/01/obsessao-de-euphoria-com-nudez-pode-ser-mais-importante-do-que-fas-imaginam"><span style="font-weight: 400;">nudez subversiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobrepõe ausência ou desvirtuamento de conteúdo.</span></p>
<figure id="attachment_28490" aria-describedby="caption-attachment-28490" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28490" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-7.png" alt=" Cena da série Euphoria. Nela, a personagem Cassie chora e encara o canto superior esquerdo da imagem. Cassie é uma mulher branca e jovem. Ela usa maquiagem rosada leve e seu cabelo, loiro e levemente ondulado, está solto e com duas trancinhas finas na parte frontal. Ao fundo, ramos de rosas brancas, amarelas e cor de rosa estão pendurados. " width="2000" height="1125" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-7.png 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-7-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-7-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-7-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-7-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-7-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28490" class="wp-caption-text">Além de Sydney, a atriz Minka Kelly, intérprete de Samantha, também viveria cenas de nudez na temporada, mas acabou recusando por se sentir desconfortável (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Fato é que a gama de inventividades e rebuliços da segunda leva caminha obrigatoriamente para o inigualável estrelato de Zendaya. Agora </span><a href="https://elle.com.br/cultura/euphoria-2-temporada"><span style="font-weight: 400;">produtora executiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> da série, a artista desbrava, sem qualquer melindre, profundidades cruas e hipersensíveis para a lapidação de sua personagem. Se Rue era impiedosa com seu modo de vida e os olhares externos destinados a este, ela usa os novos capítulos para assumir o máximo de cada impressão não verbalizada que experienciamos ao vê-la em cena, literalmente do amor ao ódio. As dicotomias mais arrasadoras acontecem na abstinência de Bennett em </span><a href="https://www.vulture.com/article/euphoria-stand-still-like-the-hummingbird-episodic-storytelling.html"><i><span style="font-weight: 400;">Stand Still Like the Hummingbird</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">em que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=r5-cO_cFRwg"><span style="font-weight: 400;">perseguições</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lJ5erBqr1PU"><span style="font-weight: 400;">confissões</span></a><span style="font-weight: 400;"> solidificam quem protagoniza </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria </span></i><span style="font-weight: 400;">e se projetam para a </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/zendaya-recordes-emmy-2022"><span style="font-weight: 400;">história cinematográfica</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com essa aspiração na ativa, a atriz merecidamente estende seu currículo no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Primetime Emmy Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Na 74ª edição da premiação, Zendaya foi nomeada como Melhor Atriz em Série de Drama, categoria que sua Rue já </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ze7rqVSGYV8"><span style="font-weight: 400;">venceu em 2020</span></a><span style="font-weight: 400;">. Esse ano, ela é euforicamente acompanhada por Sydney Sweeney, que aparece tanto na lista de Melhor Atriz Coadjuvante em Drama, quanto se destaca nas indicações em Melhor Atriz Coadjuvante em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme por sua performance em </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-white-lotus-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">White Lotus</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio às ressalvas estruturais, </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i><span style="font-weight: 400;"> preenche outra vez as nomeações em Melhor Série de Drama, competindo com a ganhadora do </span><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-melhores-series-de-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Succession</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e outras produções chamativas dos últimos meses, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/better-call-saul-5a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Better Call Saul</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, Severance</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/round-6-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Squid Game</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Aguentando um roteiro débil e ainda sendo excepcionais, as interpretações gerais também foram lembradas e emplacadas em Melhor Elenco em Série de Drama. Por outro lado, Sam Levinson não conquistou nenhuma indicação nas seções especializadas em direção do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> da TV. </span></p>
<figure id="attachment_28491" aria-describedby="caption-attachment-28491" style="width: 696px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28491" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-6.jpg" alt="A imagem mostra uma cena da série Euphoria e uma cena do filme O Segredo de Brokeback Mountain, respectivamente. No retrato disposto do lado esquerdo estão as personagens Rue, uma mulher negra, e Jules, uma mulher branca, ambas da série Euphoria. Rue veste camisa azul sobreposta por um casaco preto e chapéu preto na cabeça. Jules usa chapéu bege e está com seu queixo posicionado no ombro direito de Rue, encarando a última com atenção. Ao fundo, uma paisagem verde desfocada. No retrato disposto do lado direito estão os personagens Jack e Ennis, ambos homens brancos. Eles vestem roupas similares às de Rue e Jules e estão na mesma posição de ambas, estando Jack representado pela primeira e Ennis pela última personagem. " width="696" height="392" /><figcaption id="caption-attachment-28491" class="wp-caption-text">A cargo principal de <a href="https://news.artnet.com/art-world/euphoria-director-of-photography-marcell-rev-interview-2078090">Marcell Rév</a>, a estética da segunda safra homenagou artistas de Nan Goldin a Frida Kahlo, e recriou cenas de filmes como Titanic e <a href="https://personaunesp.com.br/o-segredo-de-brokeback-mountain-critica/">O Segredo de Brokeback Mountain</a> (Foto: HBO Max/Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As menções honrosas ficam para a contextualização técnica da ficção, que figura em </span><a href="https://www.emmys.com/shows/euphoria"><span style="font-weight: 400;">nove categorias</span></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022. </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i><span style="font-weight: 400;"> sempre se ofereceu pelos olhos, e a atmosfera que arquitetou seu princípio foi fatal para torná-la um </span><a href="https://www.businessoffashion.com/articles/marketing-pr/the-euphoria-effect/"><span style="font-weight: 400;">fenômeno estético</span></a><span style="font-weight: 400;"> pontilhado pelo trauma. Agora, demolindo as </span><a href="https://www.bitchmedia.org/article/glitter-tears-fashion-in-euphoria"><span style="font-weight: 400;">sobrecargas de </span><i><span style="font-weight: 400;">glitter</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">neon</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que climatizavam o passado da narrativa, a segunda temporada se faz pela infiltração sóbria de violência e soturnidade. Descamada em jogos de luzes, ora sólidos, ora rápidos, a </span><a href="https://www.instagram.com/p/CaatCqmlk9M/"><span style="font-weight: 400;">fotografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> engenhosamente expõe os embates e pensamentos pela brutalidade da própria existência, rendendo à série a participação na categoria Melhor Fotografia em Série de Câmera Única (Uma Hora). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A crueza é estabelecida pelo enquadramento de câmeras analógicas, que captam os figurinos e as </span><a href="https://britishbeautycouncil.com/euphoria-outstanding-contemporary-makeup-winner/"><span style="font-weight: 400;">maquiagens</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; refletores do </span><a href="https://revistamarieclaire.globo.com/Beleza/noticia/2022/02/euphoria-como-maquiagem-ajuda-contar-historia-da-serie.html"><span style="font-weight: 400;">estado mental</span></a><span style="font-weight: 400;"> de cada personagem. Todos os tons obscurecem com os rumos da história, especialmente nos desdobramentos de Cassie, Jules, Lexi e Maddy. A </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/cinema-e-series/2022/02/saiba-por-que-jovens-de-euphoria-ouvem-sinead-oconnor-tupac-e-selena.shtml"><span style="font-weight: 400;">musicalidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> é outro fator dimensionante de </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i><span style="font-weight: 400;">, atravessando temas </span><i><span style="font-weight: 400;">underground</span></i><span style="font-weight: 400;">, sucessos já assimilados pelo público e canções encomendadas para a série. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uníssono anteriormente, no ano dois, Labrinth se divide com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=sRvNx7eRRqg"><span style="font-weight: 400;">Dominic Fike</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mN0iGTAB8tU"><span style="font-weight: 400;">James Blake</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZSS682kd6is"><span style="font-weight: 400;">Lana Del Rey</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5FNCukepaS8"><span style="font-weight: 400;">Tove Lo</span></a><span style="font-weight: 400;"> no lançamento de catarses exclusivas. Invadindo ouvidos e corações, a visceralidade das notas está no luto de Rue, nas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=J1TLkbYHenU"><span style="font-weight: 400;">frustrações coreografadas de Cal e Cassie</span></a><span style="font-weight: 400;"> e nas aversões mais memoráveis dos episódios. Nesse ritmo, a segunda temporada da produção concorre a Melhores Músicas e Letras Originais e Melhor Supervisão Musical, esta última pelo trabalho de Jen Malone e Adam Leber.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Euphoria - 2ª Temporada | Trailer Oficial | HBO Max" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/dt-cA0u6Png?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Prestigiada pela </span><a href="https://vogue.globo.com/lifestyle/cultura/noticia/2022/01/na-onda-de-euphoria-4-series-que-mostram-representatividade-lgbtqiap-de-verdade.html"><span style="font-weight: 400;">honestidade identitária</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seus visuais e dramas iniciais, </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria </span></i><span style="font-weight: 400;">escalou o </span><a href="https://www.polygon.com/22950817/euphoria-recaps-memes-social-media-internet-watch-party"><i><span style="font-weight: 400;">hall</span></i><span style="font-weight: 400;"> da fama</span></a><span style="font-weight: 400;"> tão rapidamente que superestimou a si mesma. Como seus personagens que são espelhos, a trama também faz tudo o que a transtorna no interior da segunda temporada se sobressair em marcas visíveis. Subjugar suas riquezas ao </span><a href="https://www.nytimes.com/2022/02/28/arts/television/euphoria-season-finale-sam-levinson.html"><span style="font-weight: 400;">monopólio criativo de Sam Levinson</span></a><span style="font-weight: 400;"> custou rachaduras intensas, porque barbarizar demais e despreparado tem um preço. A superação positiva de tabus e nuances só existe se entendemos porquê e para onde vamos, e a insuficiência lógica pode até satisfazer ao mostrar onde perdemos nossa humanidade, mas não combina com um universo dedicado a examinar a miscelânea existencial que nos caracteriza como humanos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Crescer na produção do </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;"> permanece uma revolução física e emocional, não apenas na ideologia, mas principalmente na ultrapassagem de negligências narrativas. Depois de </span><a href="https://www.eonline.com/br/news/1319211/os-comportamentos-autodestrutivos-em-euphoria"><span style="font-weight: 400;">autoafirmar</span></a><span style="font-weight: 400;"> seu potencial destrutivo, </span><a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-part-1-rue-critica/"><span style="font-weight: 400;">radicalizar</span></a><span style="font-weight: 400;"> sua maior anti-heroína e </span><a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-part-2-jules-critica/"><span style="font-weight: 400;">renovar as esperanças</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua personagem mais emblemática, a série parece ter perdido o dom da </span><a href="https://www.metropoles.com/bela-jornada/alquimia-o-que-significa-e-que-ensinamento-nos-traz-neste-novo-ano"><span style="font-weight: 400;">alquimia</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; a habilidade de unir ciência, arte e magia para transformar o comum em ouro. Ainda que pouco da </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/veja-gente/a-opiniao-de-zendaya-sobre-a-glamurizacao-das-drogas-em-euphoria/"><span style="font-weight: 400;">geração Z</span></a><span style="font-weight: 400;"> retratada seja ordinário ou factual, </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i><span style="font-weight: 400;"> sempre soube abrir mão da pretensão, que agora a assola, para fascinar. E, assim como Rue toma o </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/euphoria-queremos-respostas"><span style="font-weight: 400;">episódio final</span></a><span style="font-weight: 400;"> para ficar sóbria inesperadamente, sua ficção merece uma </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/euphoria-3a-temporada-tudo-sobre"><span style="font-weight: 400;">terceira leva</span></a><span style="font-weight: 400;"> surpreendentemente próspera e </span><a href="https://portalpopline.com.br/zendaya-dirigir-euphoria/"><span style="font-weight: 400;">multifacetada</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
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		<title>Na Parte 2 do Especial, Euphoria transforma a culpa de Jules em combustível fóssil</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Jan 2021 18:46:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Jules é a personagem mais interessante de Euphoria. São muitos os fatores que confirmam essa máxima, e o principal deles recai no carisma de Hunter Schafer, a jovem modelo que debutou atuando na série da HBO. Podendo ser facilmente ofuscada pelo estrelato e pelo nome de Zendaya, ela construiu sua adolescente fragilizada pelas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/euphoria-part-2-jules-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Na Parte 2 do Especial, Euphoria transforma a culpa de Jules em combustível fóssil"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_17975" aria-describedby="caption-attachment-17975" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-17975 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/1-5.jpg" alt="Cena do episódio Part 2: Jules de Euphoria. Jules está sentada na cama com as pernas em posição de índio. Jules é uma adolescente de pele clara e cabelos loiros quase brancos. Ela os tem preso num coque, e usa uma camiseta verde com detalhes azuis que formam uma rua na estampa. Ela veste shorts curtos e claros, e tem as mãos em cima dos pés. Ao fundo, vemos um abajur branco, um travesseiro branco e a janela do quarto, está de noite." width="1920" height="1280" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/1-5.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/1-5-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/1-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/1-5-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/1-5-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/1-5-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17975" class="wp-caption-text">O episódio especial de Euphoria, Part 2: Jules, recebeu o título oficial de Fuck Anyone Who’s Not a Sea Blob, nome inspirado num poema escrito por Hunter Schafer (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jules é a personagem mais interessante de </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i><span style="font-weight: 400;">. São muitos os fatores que confirmam essa máxima, e o principal deles recai no </span><a href="https://www.purebreak.com.br/noticias/hunter-schafer-de-euphoria-e-as-curiosidades-sobre-a-atriz-que-interpreta-jules/90631"><span style="font-weight: 400;">carisma de Hunter Schafer</span></a><span style="font-weight: 400;">, a jovem modelo que debutou atuando na série da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;">. Podendo ser facilmente ofuscada pelo estrelato e pelo nome de Zendaya, ela construiu sua adolescente fragilizada pelas beiradas, sempre mostrada pelos olhos de Rue. Tanto é que, quando </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria </span></i><span style="font-weight: 400;">transmitiu seu final de temporada, Jules saiu como a vilã da coisa toda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Num mundo ideal sem a pandemia e os </span><a href="https://espalhafactos.com/2020/09/23/euphoria-gravacoes-da-nova-temporada-so-arrancam-em-2021-mas-havera-um-episodio-especial/"><span style="font-weight: 400;">atrasos de gravação</span></a><span style="font-weight: 400;">, o ano dois da narrativa</span> <span style="font-weight: 400;">lidaria com o pepino de prosseguir sua estreia fenomenal. Para isso, além da escrita e direção precisas de Sam Levinson, a série precisaria sair do comum e cortar sua trama na carne. Para sentirmos a ausência de Jules como Rue a sente, a produção deveria tirar Hunter de vista. O que não aconteceu, é claro que estamos longe de viver num mundo ideal. </span></p>
<p><span id="more-17974"></span></p>
<figure id="attachment_17976" aria-describedby="caption-attachment-17976" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-17976 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/2-3-1024x858.jpg" alt="Arte do episódio Part 2: Jules de Euphoria. Vemos a página inicial do roteiro do episódio. No topo, está escrito euphoria, em letras minúsculas e as letras tem rabiscos por cima. A letra p tem um olho desenhado dentro, a letra h foi contornada como a cabeça de um pênis, com semên jorrando da parte de cima, e a letra o teve uma vagina e pelos pubianos desenhados dentro. Abaixo, vemos um quadro menor, com uma pulseira de contas, com cada conta sendo uma letra da palavra Euphoria. Todas as letras são pretas num cubo branco, com exceção do R, que é branco num cubo rosa. Abaixo, está escrito o nome do episódio, Part 2: Jules e abaixo Fuck Anyone Who’s Not a Sea Blob. Depois Written by Sam Levinson &amp; Hunter Schafer e Directed By: Sam Levinson. Abaixo, a imagem corta no início do roteiro, e as últimas palavras que vemos são Revised Script Starring. Ao lado do quadro, à esquerda, está um desenho de placa de banheiro com o homem e a mulher e um dedo do meio em direção à placa. À direita está o desenho de uma mulher. Por cima da arte, está uma pulseira, que tampa algumas palavras e se estende do começo ao fim da página em formato de S." width="840" height="704" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/2-3-1024x858.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/2-3-300x251.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/2-3-768x644.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/2-3.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17976" class="wp-caption-text">Arte de divulgação do episódio, com os créditos de Hunter Schafer no roteiro, ao lado do criador e diretor Sam Levinson (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tendo estreado no meio pro fim de 2019, </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria </span></i><span style="font-weight: 400;">conseguiu </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/televisao/euphoria-polemica-serie-da-hbo-encerra-primeira-temporada"><span style="font-weight: 400;">se manter na boca do povo</span></a><span style="font-weight: 400;">. A produção da segunda temporada tinha data marcada para março do ano seguinte, mas o coronavírus estourou uma semana antes, acabando com quaisquer planos de capítulos inéditos no futuro próximo. Meses adentro da pandemia, </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2020/09/4876793-conheca-a-trajetoria-de-zendaya-a-atriz-mais-jovem-a-ganhar-o-emmy.html#:~:text=Aos%2024%20anos%2C%20a%20atriz,papel%20em%20'Euphoria'%20da%20HBO&amp;text=O%20pr%C3%AAmio%20recebido%20pela%20atriz,na%20s%C3%A9rie%20Euphoria%2C%20da%20HBO."><span style="font-weight: 400;">Zendaya ganhou o </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de Melhor Atriz em Drama, dando mais fôlego para o seriado da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;">. Então, Levinson anunciou que lançaria </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/205522-euphoria-hbo-dois-episodios-especiais-serie.htm"><span style="font-weight: 400;">dois episódios especiais</span></a><span style="font-weight: 400;"> de fim de ano, esses que funcionariam como uma ponte entre os anos 1 e 2. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim nasceu a melhor solução para, como dito acima, </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria </span></i><span style="font-weight: 400;">sair do padrão comum e sangrar na carne, como já havia se acostumado na estreia. Solução essa na forma de </span><i><span style="font-weight: 400;">Part 1: Rue </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Part 2: Jules</span></i><span style="font-weight: 400;">, opostos complementares e irmãos de alma, episódios inventivos, refrescantes, aterradores e bem bolados. Filmados na pandemia, provando que o essencial para uma história ser contada é ela </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/euphoria-episodio-especial-trailer"><span style="font-weight: 400;">ser realmente boa</span></a><span style="font-weight: 400;">. Técnicas de escrita e filmagem foram usadas para driblar as limitações do isolamento, e Sam Levinson dirigiu dois domos artísticos que não poderiam ser mais distintos um do outro e, ao mesmo tempo, cruelmente similares.</span></p>
<figure id="attachment_17977" aria-describedby="caption-attachment-17977" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-17977 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/3-4.jpg" alt="Cena do episódio Part 2: Jules de Euphoria. Jules está com um olhar penetrante para sua psicóloga. Jules é uma adolescente de pele clara e cabelos loiros quase brancos, a raiz do cabelo é preta e ela não usa maquiagem. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/3-4.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/3-4-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/3-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/3-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/3-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17977" class="wp-caption-text">“Para mim, ser trans é espiritual. Sabe, não é religioso. Não é para alguma congregação. É para mim. É meu. Pertence a mim” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><a href="http://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-156703/"><i><span style="font-weight: 400;">Trouble Don’t Last Always</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, focado inteiramente na figura de Rue, surpreendeu pela clausura da dependência e da solidão. Os vícios da personagem foram estudados com lupa e microscópio numa lanchonete em pleno dia de Natal. Zendaya foi fundo na hora de canalizar a depressão de sua protagonista, atestando o talento que </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/com-serie-hit-euphoria-zendaya-faz-historia-no-emmy/"><span style="font-weight: 400;">fez história</span></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">da TV, se tornando a mulher mais jovem a vencer a estatueta e apenas a segunda atriz negra a bater tal feito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais de um mês depois do balde de água fria sentimental, </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria </span></i><span style="font-weight: 400;">estreou </span><a href="http://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-156757/"><i><span style="font-weight: 400;">Fuck Anyone Who’s Not a Sea Blob</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Mas esse não se trata somente de uma ‘resposta’ à aventura de Rue, ou apenas um cumpre cota enquanto a pandemia continua </span><a href="https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2021/01/24/eua-superam-25-milhoes-de-casos-de-covid-19-apontam-dados-da-johns-hopkins.ghtml"><span style="font-weight: 400;">degradando os Estados Unidos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Coescrito pela própria Hunter Schafer, o capítulo natalino de Jules é um exorcismo da primeira temporada e do julgamento com que a personagem arcava.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo começou com Hunter dirigindo pelo país, exausta mental e fisicamente do isolamento social. Ela cogitou se internar numa clínica psiquiátrica, até que Sam Levinson sugeriu que eles escrevessem um roteiro de <em>Euphoria</em> no lugar. Ela aceitou sorrindo, como contou numa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=prgQxL5wHyE"><span style="font-weight: 400;">entrevista à Jimmy Fallon</span></a><span style="font-weight: 400;">, dias antes da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO </span></i><span style="font-weight: 400;">exibir </span><i><span style="font-weight: 400;">Part 2: Jules</span></i><span style="font-weight: 400;">. Na mesma conversa, Schafer </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/series-e-tv/2021/01/euphoria-precisa-agradecer-shonda-rhimes-de-greys-anatomy"><span style="font-weight: 400;">agradeceu à Shonda Rhimes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e seu </span><i><span style="font-weight: 400;">Grey’s Anatomy</span></i><span style="font-weight: 400;">, que ajudaram-na no processo de escrita.</span></p>
<figure id="attachment_17978" aria-describedby="caption-attachment-17978" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-17978 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/4.jpeg" alt="Cena do episódio Part 2: Jules de Euphoria. Jules e Rue estão deitadas no pé da cama, sorrindo e olhando diretamente para a câmera. Jules é uma adolescente de pele clara e cabelos loiros quase brancos, ela não usa maquiagem. Rue é uma adolescente negra de pele clara e cabelos castanhos presos num coque, ela sorri com a mão no queixo. Ao fundo, vemos uma parede de tijolos verde musgo e cabeceira branca da cama. As duas meninas estão de roupas claras e o edredom da cama é branco também. Desfocados e à frente delas, vemos um copo com várias canetas, uma caneca com canudo e uma porção de cadernos. O quarto está uma zona. " width="2000" height="1125" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/4.jpeg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/4-300x169.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/4-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/4-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/4-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/4-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17978" class="wp-caption-text">“Se eu não fosse importante, então por que você gastaria todo seu veneno?” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O título do capítulo vem de um </span><a href="https://www.papelpop.com/2020/12/segundo-especial-de-euphoria-sera-escrito-por-hunter-schafer-e-estreia-em-janeiro-de-2021/"><span style="font-weight: 400;">poema</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a atriz escreveu na adolescência, e toda a pegada da trama ressoa tons poéticos e latentes de uma alma desacordada e, ao mesmo tempo, enérgica. Jules está na terapia, é sua primeira consulta e ela hesita em se abrir com a mulher do outro lado da sala. Quando perguntada sobre o que a levou àquela posição, a câmera se desloca para filmar o reflexo nos olhos claros de Jules.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vemos então, finalmente, o seu lado da história, mas com o toque </span><i><span style="font-weight: 400;">gourmet </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i><span style="font-weight: 400;">. A cena </span><a href="https://portalpopline.com.br/liability-de-lorde-toca-em-episodio-de-euphoria-e-entra-para-os-trend-topics-emocoes-logo-de-cara/"><span style="font-weight: 400;">bota Lorde pra tocar</span></a><span style="font-weight: 400;">, e sua sombria </span><i><span style="font-weight: 400;">Liability </span></i><span style="font-weight: 400;">é que conduz os eventos do ano de estreia da série. A música é cantada na íntegra, cores nascem e morrem na íris da garota, Jules não abre a boca para falar um &#8216;a&#8217; e mesmo assim entendemos tudo. Ela se considera um fardo, como a letra da </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-lorde-melodrama/"><span style="font-weight: 400;">neozelandesa</span></a><span style="font-weight: 400;"> martela, ela se vê quebrada, remendada, atropelada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E, sem prometer nada, a série desata a nos justificar os comportamentos de Jules. Hunter Schafer se apossa dos </span><i><span style="font-weight: 400;">close-ups</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela abraça a vulnerabilidade reprimida de todas as deixas que </span><a href="https://capricho.abril.com.br/entretenimento/criador-de-euphoria-revela-o-que-podemos-esperar-do-2o-episodio-especial/"><span style="font-weight: 400;">roteirizou junto de Sam Levinson</span></a><span style="font-weight: 400;">. Se </span><i><span style="font-weight: 400;">Part 1: Rue</span></i><span style="font-weight: 400;"> certificava o talento digno do </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">de Zendaya, </span><i><span style="font-weight: 400;">Part 2: Jules</span></i><span style="font-weight: 400;"> coloca Schafer no mapa, e ela veio para ficar. A personagem chora, grita, assente e consente com os temores que a pressionam cada vez mais para baixo. Ela só gostaria de ser o mar, esse é seu maior sonho, por mais distante que esteja.</span></p>
<figure id="attachment_17979" aria-describedby="caption-attachment-17979" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-17979 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/5-1.jpg" alt="Cena do episódio Part 2: Jules de Euphoria. A cena filma a janela da casa de Jules e o vidro está embaçado e desfocado por conta da chuva. Vemos apenas o contornos da garota, sua pele clara, cabelos brancos e blusa verde. Ela está deitada na cama, chorando e olhando para o teto. " width="1200" height="660" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/5-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/5-1-300x165.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/5-1-1024x563.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/5-1-768x422.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17979" class="wp-caption-text">“Ela é tão difícil de agradar, mas ela é uma fogueira na floresta” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Algo que transformou Jules num ícone instantâneo, fora as tendência de guarda-roupa e </span><a href="https://www.beauty4share.com.br/tudo-sobre-as-maquiagens-da-serie-euphoria-se-inspire/"><span style="font-weight: 400;">maquiagem</span></a><span style="font-weight: 400;">, foi sua posição de personagens trans que não tinha um arco narrativo modelado em volta de sexualidade, aceitação ou incertezas. A questão de seu gênero ou preferência sexual quase não é verbalizada na série, o que chama atenção no </span><a href="http://mediabox.observatoriodoaudiovisual.com.br/2019/10/euphoria-efeitos-performaticos-de.html"><span style="font-weight: 400;">aspecto narrativo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e também no plano maior, reafirmando que é muito possível </span><a href="https://personaunesp.com.br/pose-segunda-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">retratar minorias na TV</span></a><span style="font-weight: 400;"> sem prendê-las em labirintos limitadores.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E a </span><i><span style="font-weight: 400;">vibe </span></i><span style="font-weight: 400;">despojada de Jules se reflete piamente no ritmo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Fuck Anyone Who’s Not a Sea Blob</span></i><span style="font-weight: 400;">, bloqueando a monotonia de ambientes únicos e da câmera transitando sem vigor. Assistimos </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks </span></i><span style="font-weight: 400;">da primeira temporada sobre sua perspectiva, conhecemos momentos de seu passado antes de transicionar, suas questões com a mãe viciada e com o pai desesperado em remendar os buracos da família. Mas o melhor de tudo fica à cargo das </span><a href="https://www.purebreak.com.br/noticias/-euphoria-hunter-schafer-a-jules-fala-sobre-a-importancia-de-retratar-a-vida-de-transsexuais/87718"><span style="font-weight: 400;">fantasias de Jules</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sua imaginação é a responsável por construir as sequências mais ferozes do capítulo, a fantasia do homem da </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">, as cenas de intimidade e de prazer. A </span><a href="https://www.refinery29.com/en-us/2021/01/10275634/jules-tyler-sex-scene-euphoria-episode-rue"><span style="font-weight: 400;">escalação de Jayden Marcos</span></a><span style="font-weight: 400;">, ator de filmes pornográficos, apenas evidencia o caráter disruptivo da série de Sam Levinson, sempre interessada em trazer o bruto e o carnal para os holofotes, denunciando temas tabus no percurso. Ao lado das partes românticas e sexuais, as fantasias irreais de um futuro não tão próximo ao lado de Rue colocam Jules em uma posição melindrosa, de cautela e culpa.</span></p>
<figure id="attachment_17980" aria-describedby="caption-attachment-17980" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-17980 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/6-1.jpg" alt="Cena do episódio Part 2: Jules de Euphoria. Jules está deitada na areia da praia e o mar a acolhe, molhando todo seu corpo. Seus cabelos loiros brancos estão soltos e ela olha pra cima. As ondas quebram e o céu é azul." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/6-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/6-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/6-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/6-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17980" class="wp-caption-text">“Eu quero ser tão bonita quanto o oceano, porque o oceano é forte pra porra, e feminino pra porra. E, tipo, é isso que faz o oceano ser o oceano” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A culpa, de fato, é o motor de </span><i><span style="font-weight: 400;">Part 2: Jules</span></i><span style="font-weight: 400;">. Fossilizando os medos, traumas, remorsos e atitudes da menina, ela própria se ataca involuntariamente. Algo diagnosticado logo de cara pela Dra. Mandy Weedman, papel de Lauren Weedman, que entrega todas as deixas para Schafer brilhar. O momento em que Jules admite querer parar com os hormônios e com os bloqueadores é equivalente à personagem se despir frente às câmeras. Ela não fica literalmente pelada (como faz alguns minutos depois no capítulo), mas admite que, para seguir em frente, ela precisa deixar parte da bagagem de pesar pelo caminho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se tratando do </span><i><span style="font-weight: 400;">flamboyant </span></i><span style="font-weight: 400;">de Jules, todos os aspectos construtivos do episódio despejam esse caminho para quem assiste. Os figurinos de cores lavadas são sinônimo de sobriedade e vulnerabilidade, ela não usa maquiagem e tem nos olhos uma tristeza transmissível. A câmera opera em respiros chorosos, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=s1P5czi0H_g"><span style="font-weight: 400;">vemos o mar de longe</span></a><span style="font-weight: 400;">, vemos seus cabelos molhados, vemos-na deitada no meio de uma bagunça do quarto, vemos-na sentada com as pernas abertas. Pela primeira vez, entramos em contato com a Jules de verdade, sem camadas falsas, interpretações de mentira ou olhares moldados pelos homens. Apenas a Jules.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trilha sonora é a vacina para o mal que assola a personagem e, se não a curar de fato, é o momento perfeito para criar seus anticorpos. Abrindo com o mais indefeso que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=86s_1hpX4Yc"><span style="font-weight: 400;">Lorde</span></a><span style="font-weight: 400;"> ousou ser, somos transportados pelo vácuo sentimental de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8TsWkuWWXgc"><i><span style="font-weight: 400;">Lo Vas A Olvidar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, parceria inédita de Billie Eilish e ROSALÍA, encomendada para o Especial de </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i><span style="font-weight: 400;">. A composição é mestra em encontrar um intervalo entre pensamentos, com a voz das artistas se abraçando no exílio da felicidade. Perto do clímax,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Part 2: Jules</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda dá voz à </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2020/02/20/arca-musica-nova-62-minutos/#:~:text=A%20produtora%2C%20cantora%20e%20compositora,goste%20de%20testar%20coisas%20novas."><span style="font-weight: 400;">Arca</span></a><span style="font-weight: 400;"> e sua recém saída do forno </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dCDd03VO-9c"><i><span style="font-weight: 400;">Madre Acapella</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma graúda ópera moderna.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Billie Eilish, ROSALÍA - Lo Vas A Olvidar (Official Music Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/8TsWkuWWXgc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria </span></i><span style="font-weight: 400;">está subindo pelas paredes, aguardando o momento seguro de voltar à grade de domingo à noite na </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;">. Os episódios especiais mostraram ser tira gostos essenciais e muito bem cozinhados, mas ainda recheados de propósito. Se tratando de Sam Levinson, Zendaya e Hunter Schafer, </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2021/01/4899147-filme-de-sam-levinson-com-zendaya-estreia-em-fevereiro-na-netflix.html"><span style="font-weight: 400;">nada é por acaso</span></a><span style="font-weight: 400;">. Acompanhar o desenrolar de nós narrativos da primeira temporada serem corrigidos e desatados nos capítulos extras apenas atiça a curiosidade para o que está guardado para o futuro. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Trouble Don’t Last Always</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Fuck Anyone Who’s Not A Sea Blob</span></i><span style="font-weight: 400;">, acima de tudo, nos deram saudades do elenco de apoio que faz a série alcançar, semana após semana, seu máximo potencial. O atrevimento de Maddy (Alexa Demie), a fúria moral de Kat (Barbie Ferreira), os olhares complacentes de Lexi (Maude Apatow) e, Deus me perdoe, fez sentir falta até dos dramas, ataques e birras do rato do Nate (Jacob Elordi). Para os próximos meses, nos resta assistir às sessões de terapia que a série escreveu no Especial, enquanto lidamos com nossos próprios demônios, sejam eles palpáveis, como o vício de Rue, ou etéreos, como a resistência de Jules. Qualquer que seja o diagnóstico, </span><a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-hbo-critica/"><span style="font-weight: 400;">com </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i><span style="font-weight: 400;"> estamos bem acompanhados</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/euphoria-part-2-jules-critica/">Na Parte 2 do Especial, Euphoria transforma a culpa de Jules em combustível fóssil</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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