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	<title>Arquivos Iggy Pop &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Iggy Pop &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Quem é Hedwig?</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Jun 2022 18:01:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caio Machado A primeira divisão binária que um ser humano encontra ao chegar no mundo é a de gênero. Menino e menina. O primeiro brinca de carrinho, a segunda brinca de casinha. Um veste azul, outra usa rosa, como disse uma figura execrável em Brasília certa vez. Mas por que essa divisão existe? Quem foi &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/hedwig-rock-amor-e-traicao-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Quem é Hedwig?"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/hedwig-rock-amor-e-traicao-critica/">Quem é Hedwig?</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27942" aria-describedby="caption-attachment-27942" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-27942" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_1.jpeg" alt="Cena do filme Hedwig: Rock, Amor e Traição exibe uma mulher transgênero cantando, com um microfone em mãos. Ela é branca, usa uma peruca loira, usa sombra azul ao redor dos olhos e um batom vermelho intenso na boca. Ela usa um colar prateado no pescoço. No fundo, desfocados, estão dois membros da banda dela. À direita, vemos um homem branco com cabelo vermelho arrepiado e à esquerda vemos um homem branco com cabelo preto mais longo. Ele usa óculos escuros. Mais ao fundo, podemos ver luzes neon do bar onde estão se apresentando. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_1.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_1-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_1-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_1-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_1-1200x675.jpeg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27942" class="wp-caption-text">Hedwig: Rock, Amor e Traição foi o primeiro filme dirigido por John Cameron Mitchell, lançado em 2001 (Foto: New Line Cinema)</figcaption></figure>
<p><b>Caio Machado</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A primeira divisão binária que um ser humano encontra ao chegar no mundo é a de gênero. Menino e menina. O primeiro brinca de carrinho, a segunda brinca de casinha. Um veste azul, outra usa rosa, como disse uma </span><a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2019/01/03/em-video-damares-alves-diz-que-nova-era-comecou-no-brasil-meninos-vestem-azul-e-meninas-vestem-rosa.ghtml"><span style="font-weight: 400;">figura execrável em Brasília</span></a><span style="font-weight: 400;"> certa vez. Mas por que essa divisão existe? Quem foi que a criou? Deus ou o ser humano? São todos questionamentos que permeiam </span><i><span style="font-weight: 400;">Hedwig: Rock, Amor e Traição </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Hedwig and the Angry Inch</span></i><span style="font-weight: 400;">), filme que quebra esse muro tão precário com ousadia, Música e revolta.  </span></p>
<p><span id="more-27941"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama, acompanhamos Hedwig (John Cameron Mitchell), uma mulher transgênero que lidera uma banda de </span><a href="https://personaunesp.com.br/punk-rock-nao-e-so-pro-seu-namorado/"><i><span style="font-weight: 400;">punk rock</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a The Angry Inch. Enquanto percorrem os Estados Unidos, seguindo a turnê do astro Tommy Gnosis (Michael Pitt), temos um vislumbre do passado da protagonista, passando pela infância vivida na Berlim Oriental, sua cirurgia de redesignação de gênero forçada (e mal-sucedida) e a vinda aos EUA.  </span></p>
<figure id="attachment_27943" aria-describedby="caption-attachment-27943" style="width: 1100px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-27943" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_4.jpg" alt="Cena do filme Hedwig: Rock, Amor e Traição exibe uma mulher com a cabeça enfiada no que parece um forno de um fogão. Ela usa uma peruca loira, tem delineado nos olhos e um batom vermelho intenso na boca. Dentro do forno, vemos algumas imagens de artistas do rock famosos nos anos 80 e alguns objetos. A mulher utiliza aquele local como um refúgio. " width="1100" height="619" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_4.jpg 1100w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_4-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27943" class="wp-caption-text">A Música sempre esteve presente na vida da protagonista, desde a infância (Foto: New Line Cinema)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como Todd Haynes fez em </span><i><span style="font-weight: 400;">Velvet Goldmine</span></i><span style="font-weight: 400;">, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Hedwig</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><span style="font-weight: 400;"> o ator e diretor John Cameron Mitchell compreende a Música, especificamente o </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;">, como um meio de acolhimento para vidas </span><a href="https://personaunesp.com.br/crush-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> carregados de delicadeza e humor, o filme mostra a importância que figuras importantes do gênero, como Lou Reed e Iggy Pop, tiveram na formação da protagonista e seu autodescobrimento. O sentimento de identificação com essas personalidades foi fundamental para que se aceitasse como alguém fora do padrão heteronormativo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Através de uma cena curta, onde Hedwig ainda criança dança na cama enquanto </span><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gGfkLp9Lb6k"><i><span style="font-weight: 400;">we are freaks</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">”</span></i><span style="font-weight: 400;"> ecoa do rádio, o filme consegue demonstrar a melhor sensação que a Música é capaz de proporcionar: a de pertencimento. Sentir que você não está só no mundo e que aqueles versos, naquela melodia, estão conversando diretamente contigo. É um sentimento tão poderoso que devolve cor e força para vidas cinzentas e monótonas. </span></p>
<figure id="attachment_27944" aria-describedby="caption-attachment-27944" style="width: 2075px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-27944" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/hedwig_3.jpg" alt="Cena do filme Hedwig: Rock, Amor e Traição exibe uma mulher branca cantando em um bar. Ela usa uma peruca loira, tem glitter ao redor dos olhos e batom vermelho na boca. Ela veste uma blusinha branca onde lê-se “punk rock” em preto com contorno vermelho e uma calça com a estampa de zebra. Ao fundo, vemos dois membros de sua banda tocando e as luzes do bar onde apresentam, desfocadas. " width="2075" height="1376" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/hedwig_3.jpg 2075w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/hedwig_3-800x531.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/hedwig_3-1024x679.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/hedwig_3-768x509.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/hedwig_3-1536x1019.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/hedwig_3-2048x1358.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/hedwig_3-1200x796.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27944" class="wp-caption-text">Independentemente da quantidade de pessoas na plateia, Hedwig dá tudo de si em cada apresentação (Foto: New Line Cinema)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A própria vida de Hedwig não foi nada fácil. Desde a infância, o sofrimento e a decepção sempre se mantiveram presentes. Mesmo assim, ela colocava a peruca, passava a maquiagem e seguia em frente, com a cabeça em pé e liderando sua banda. Nenhum personagem precisa falar para ela o quanto é forte pois qualquer momento onde Hedwig canta já diz isso. Performa sempre com uma intensidade capaz de mover multidões, mas seu público é pequeno. O filme faz questão de ressaltar o quanto ela e a banda destoam do ambiente e de quem frequenta o lugar onde se apresentam, mas não entende isso como motivo para chacota. Pelo contrário, vê como símbolo de </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-mulheres-da-semana-de-22-artigo/"><span style="font-weight: 400;">força</span></a><span style="font-weight: 400;">, de resistência. Não só Hedwig, mas todos do grupo têm uma confiança que é muito inspiradora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse espírito tão vibrante, tão corajoso permeia os 93 minutos da produção. Nela, as diferenças, sejam elas de aparência, comportamento ou o que for, são vistas como algo mágico. A magia, repleta de </span><a href="https://personaunesp.com.br/drag-race-uk-canada-italia-artigo/"><i><span style="font-weight: 400;">glitter</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, está presente tanto na vivacidade da fotografia quanto nas cenas onde a obra abraça seu lado fantasioso, como na inserção das letras de uma das músicas para que o espectador cante junto, igual a um karaokê, e nas animações, cheias de personalidade e que servem para ilustrar  as canções e histórias de vida da protagonista. </span></p>
<figure id="attachment_27945" aria-describedby="caption-attachment-27945" style="width: 1775px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27945" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_2.jpg" alt="Cena do filme Hedwig: Rock, Amor e Traição exibe uma mulher branca e um homem branco loiro cantando juntos em um mesmo microfone. Ela usa uma peruca loira longa e veste uma blusa preta com linhas douradas. Está com os olhos fechados enquanto canta. O homem veste uma blusa preta com letras brancas na frente. " width="1775" height="1331" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_2.jpg 1775w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_2-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_2-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_2-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_2-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_2-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27945" class="wp-caption-text">O envolvimento da protagonista com Tommy Gnosis traz parte das cenas mais tocantes do longa (Foto: New Line Cinema)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre essas histórias, está o relacionamento conturbado com Tommy Gnosis. Há uma inocência muito bonita que acompanha as cenas no início da relação dos dois, onde o amor dela faz com que descubra mais sobre ele. À medida que Gnosis desbrava a própria </span><a href="https://personaunesp.com.br/benedetta-critica/"><span style="font-weight: 400;">sexualidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e não a aceita, o clima das interações entre os dois se torna profundamente melancólico e o filme se aproveita do drama gerado para ressaltar a ironia: é o que Tommy carrega no nome artístico, o conhecimento (gnosis), que causou a ruína de seu relacionamento com Hedwig. Mais uma vez, dor e decepção passaram pela vida da protagonista.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À medida que a narrativa avança, a cantora e a banda têm seu instante de fama. A própria montagem do filme fica mais frenética para acompanhar a maior atenção que o grupo passa a receber. O ambiente onde apresentam muda, o antigo </span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-sublime-amor-critica/"><span style="font-weight: 400;">amor</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Hedwig retorna, desta vez para pedir desculpas pelo erro do passado. A linearidade da trama é abandonada e a obra toma para si o caos, cheio de guitarras raivosas e ruído de amplificadores, para representar outra metamorfose da protagonista. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem a peruca loira e sem roupas, a aceitação desta nova fase é chocante, mas também traz a liberdade. Agora, é um homem? Mulher? Nenhum dos dois e ambos. Definir sua existência nesses termos é muito simplista. De qualquer forma, continua caminhando. No Mês do Orgulho, sua história é uma incrível fonte de inspiração para todos que fazem parte da comunidade LGBTQIA+. É um incentivo maravilhoso para ser quem você é, sem medo, porque viver de acordo com as divisões que a sociedade impõe desde a infância só traz angústia. Somente abandonando esses “padrões” do século passado é que seremos </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2019/06/hedwig-and-the-angry-inch-criterion-release-john-cameron-mitchell-interview"><span style="font-weight: 400;">livres</span></a><span style="font-weight: 400;"> de verdade. </span></p>
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		<title>O poder cru dos Stooges completa 45 anos</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Feb 2018 13:04:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Leite Ferreira Raw Power era o disco favorito de Kurt Cobain. Não à toa: lançado em 1973, o manifesto definitivo dos Stooges pode ser considerado o primeiro álbum punk da história, anos antes das bíblias do gênero. Mas nem isso, nem o axioma recorrente “trilha sonora do fim do mundo” fazem jus a ele. Não totalmente. Eu &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/stooges-raw-power-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O poder cru dos Stooges completa 45 anos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-9434 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/02/71BU78VXJuL._SL1500_-1024x1024.jpg" alt="" width="840" height="840" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/02/71BU78VXJuL._SL1500_-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/02/71BU78VXJuL._SL1500_-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/02/71BU78VXJuL._SL1500_-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/02/71BU78VXJuL._SL1500_-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/02/71BU78VXJuL._SL1500_-1200x1200.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/02/71BU78VXJuL._SL1500_.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p><strong>Gabriel Leite Ferreira</strong></p>
<p><a href="http://nirvana.wikia.com/wiki/Kurt_Cobain%27s_Top_50_Albums"><em>Raw Power </em>era o disco favorito de Kurt Cobain</a>. Não à toa: lançado em 1973, o manifesto definitivo dos Stooges pode ser considerado o primeiro álbum <a href="http://personaunesp.com.br/?s=punk+rock"><em>punk</em></a> da história, anos antes das bíblias do gênero. Mas nem isso, nem o axioma recorrente <a href="https://whiplash.net/materias/biografias/000403-stooges.html">“trilha sonora do fim do mundo”</a> fazem jus a ele. Não totalmente.</p>
<p><span id="more-9429"></span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>Eu sou um guepardo caminhando com um coração cheio de napalm</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Eu sou um filho fugitivo da bomba atômica</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Eu sou o garoto esquecido do mundo</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Aquele que persegue e destrói</strong></p>
</blockquote>
<p>Entre as bandas norte-americanas clássicas dos anos 70, o Stooges é certamente a mais errática. O grupo teve duas encarnações entre 1967 e 1974, gravou três obras-primas regadas a quantidades homéricas de drogas e acabou engolido pela decadência do vício. Porém, a semente resistiu às intempéries e hoje, olhando em retrospecto, é impossível contar a história do <em>rock</em> sem mencionar o quarteto liderado por <a href="http://personaunesp.com.br/iggy-pop-o-idiota-com-tesao-pela-vida/">Iggy Pop</a> ao menos um par de vezes.</p>
<p>Como é de praxe na arte de vanguarda, os delinquentes juvenis de Michigan não conquistaram sucesso comercial algum durante sua primeira encarnação. <em>The Stooges </em>e <em>Fun House</em> fizeram a cabeça da crítica, mas não ecoaram com intensidade no público. Pra completar, os sérios problemas com drogas dos integrantes forçaram sua gravadora, a Elektra, a demiti-los após o lançamento de <em>Fun House</em>. Com isso os Stooges se separaram, e embarcariam diretamente para a obscuridade não fosse a intervenção de David Bowie.</p>
<figure id="attachment_9435" aria-describedby="caption-attachment-9435" style="width: 840px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-9435 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/02/49303_stooges_RHM_small-1024x1024.jpeg" alt="" width="840" height="840" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/02/49303_stooges_RHM_small-1024x1024.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/02/49303_stooges_RHM_small-150x150.jpeg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/02/49303_stooges_RHM_small-300x300.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/02/49303_stooges_RHM_small-768x768.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/02/49303_stooges_RHM_small.jpeg 1100w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-9435" class="wp-caption-text">Scott, Ron, Dave e Iggy. As carinhas de criança não enganam (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>Um grande admirador da banda maldita, Bowie levou um Iggy afundado no vício em heroína à Inglaterra e conseguiu um contrato como artista solo para ele. De início, Pop pretendia compor um álbum com James Williamson, guitarrista incorporado à sua antiga banda pouco antes do fim. Mas logo ficou claro de quem eles precisavam. Em setembro de 1972, o núcleo dos Stooges – Iggy Pop, James Williamson, Ron Asheton e Scott Asheton – estava novamente reunido e, contrariando todas as expectativas, gravando seu vindouro terceiro disco.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>Dance com a batida dos mortos-vivos</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Lucy, querida, fique longe da cama</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Poder cru vai vir correndo atrás de você</strong></p>
</blockquote>
<p>A estreia homônima de 1969, com sua distorção tosca, hinos ao tédio juvenil e apatia à <a href="http://personaunesp.com.br/the-velvet-underground-nico/">Velvet Underground</a>, soava como os <a href="http://(http://personaunesp.com.br/50-anos-sgt-peppers-beatles/">Beatles</a><strong> </strong>se eles tivessem começado a usar drogas pesadas já na fase iê-iê-iê. <em>Fun House</em> transformava o tédio em pura insanidade chapada, incluindo aí influências de <em>free jazz</em> e urros selvagens jamais igualados. Em <em>Raw Power, </em>os dois lados encontram um equilíbrio por meio dos riffs de Williamson, mais encorpados que os de Ron Asheton, guitarrista original. Some isso à pressão da gravadora CBS por pelo menos uma balada em cada lado do vinil e quatro viciados sob relativo controle, e temos o álbum mais coeso da curta história dos Stooges.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/k0mRfECsHrc" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe><br />
<em>O primeiro single da banda, tão ingênuo quanto drogado</em></p>
<p>Curta – e extenuante história. Desde os primórdios, Iggy ganhou notoriedade por suas performances violentas, que incluíam se cortar com cacos de vidro, se cobrir de pasta de amendoim e o famigerado <em>stage diving</em>. A evolução do abuso de drogas só fez dele mais imprevisível, dentro e fora do palco – e os outros membros também não eram flor que se cheire. O “<em>dance to the beat of the living dead</em>” da faixa-título não é apenas uma frase espirituosa sobre a música de <em>Raw Power</em>, é também uma constatação: sem garantias de sucesso comercial, os Stooges reformados eram mortos-vivos.</p>
<p>Mais vivos do que mortos, diga-se. Vítima da mixagem apressada de Bowie a fim de corrigir o parco trabalho do próprio Iggy, <em>Raw Power </em>soa como se estivesse no limite da sanidade: vocal e guitarra compõem a ensurdecedora linha de frente, enquanto baixo e bateria formam a base, discreta mas eficiente. Não é preciso dizer que as vendas foram pífias de novo. Eles seriam demitidos pouco tempo depois e encerrariam a caótica carreira em 1974, <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Metallic_K.O.">aos trancos e barrancos</a>. Mas sua missão estava cumprida.</p>
<figure id="attachment_9438" aria-describedby="caption-attachment-9438" style="width: 571px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-9438 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/02/C9753ksXcAAqVwV.jpg" alt="" width="571" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/02/C9753ksXcAAqVwV.jpg 571w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/02/C9753ksXcAAqVwV-214x300.jpg 214w" sizes="auto, (max-width: 571px) 85vw, 571px" /><figcaption id="caption-attachment-9438" class="wp-caption-text">Iggy Pop despirocando no <em>show</em>: um dos maiores gênios da Humanidade (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>Um ano antes do disco definitivo, a banda já teve sua marca cravada na música <em>pop</em> com <a href="http://personaunesp.com.br/critica-ziggy-stardust-bowie/" target="_blank" rel="noopener"><em>The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars</em></a>. O personagem do divisor de águas de David Bowie era fortemente baseado em Iggy, desde o nome à (falta de) roupa. Bowie refinou a androginia animalesca do amigo para dar forma ao arquétipo definitivo do <em>rock</em> setentista.</p>
<p>No final daquela década, <a href="http://personaunesp.com.br/40-anos-ramones-reacionarismo-revolucao/" target="_blank" rel="noopener">a primeira geração do <em>punk</em></a> surgiria destilando a mesma energia autodestrutiva dos riffs de Williamson, pais tanto da imundície dos <a href="https://www.youtube.com/watch?v=3K3uAlyNL5o">Sex Pistols</a> quanto da pompa barulhenta do <a href="https://www.youtube.com/watch?v=OvSId5xqP2I)">Guns N’Roses</a>. Nos anos 90, o <a href="http://personaunesp.com.br/?s=nirvana">Nirvana</a> reafirmaria o vanguardismo de <em>Raw Power </em>com <em>In Utero</em>, um dos álbuns mais cáusticos já gravados por um grupo <em>mainstream</em>. A escolha de Cobain pela produção sem concessões e a interpretação visceral tem raiz direta na sonoridade agressiva do seu disco preferido.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>Dê-me perigo, estranha</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>E eu sentirei sua doença</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Não há nada em meus sonhos</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Só memórias feias</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Beije-me como a brisa do oceano</strong></p>
</blockquote>
<p>É fácil e até mesmo lógico resumir o poder da obra-prima dos Stooges à guitarra de Williamson em conjunção com o vocal de Pop. Comete-se aí uma falha comum: as letras são ignoradas. Os versos de <em>Raw Power </em>contam muito sobre a trajetória dos Stooges e sobre o próprio Iggy, mas sem a couraça de inconsequência juvenil dos álbuns anteriores &#8211; em <em>Fun House</em>, sua interpretação já ganhara tons mais dolorosos, mas a proposta era mais descontraída. Aqui, sangra para ser amado, expondo uma ferida aberta e sem cura.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/EDNzQ3CXspU" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Já no hino “Search and Destroy” a faceta sensível é explícita: <em>Querida, você tem que me ajudar, por favor / Alguém salve minha alma</em>. A faixa-título transborda ansiedade, desde o riff engasgado aos clamores finais: <em>Eu só quero saber /</em> <em>Você consegue sentir?!</em>. A crueza com que Iggy canta confirma, mais uma vez, a complementaridade entre voz e guitarra. As cordas de Williamson sangram tanto quanto as palavras. O poder cru é sentimental.</p>
<p>A urgência é palpável em cada um dos trinta minutos de música. Nos momentos mais violentos, como “Your Pretty Face Is Going To Hell” e “Penetration”, o mote sexo, drogas e rock’ n’ roll chega a seu auge: sexo selvagem, drogas pesadas e rock ’n’ roll ensurdecedor como forma de escapar da irremediável solidão.</p>
<p>Nas duas baladas supracitadas, Iggy se entrega à carência, e os pedidos de socorro não cessam. Em “I Need Somebody”, um <em>blues</em> paranoico, clama por uma companheira, mas avisa:<em> Querida, eu vou te manobrar errado</em>. Em “Gimme Danger”, a autodepreciação é ainda mais profunda e a vontade do eu lírico chega às raias do sadomasoquismo: <em>Se você for minha mestra / Eu farei qualquer coisa</em>. A obliteração do sujeito é sintomática do estilo de vida que Iggy levava à época, que quase o matou.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/1tp4srXRZDI" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Montanhas de drogas e turnês caóticas eram comuns até o padecimento da banda em 1974. Depois, o <em>frontman</em> se transformou em uma parte viva do folclore da cena de Nova York, mal sobrevivendo com a ajuda de alguns poucos amigos, entre eles o próprio <a href="http://personaunesp.com.br/david-bowie-low-heroes-berlim/" target="_blank" rel="noopener">Bowie</a>. Não fosse o auxílio do camaleão, seria difícil imaginar uma vida longa para Pop. Felizmente, ele ressurgiu e segue trabalhando com o mesmo tesão no alto dos seus 70 anos.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>Querida, nós estamos entrando pra história</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Venha comigo na minha viagem de morte</strong></p>
</blockquote>
<p>Ninguém, nem mesmo Iggy, imaginava que os Stooges sobreviveriam para contar sua história no século 21. “Death Trip”, a última canção de <em>Raw Power</em>, seria cômica se não fosse trágica. Nas palavras do vocalista: <a href="https://genius.com/The-stooges-death-trip-lyrics">“A letra sou eu dizendo ‘eu sei o que vai acontecer com a gente, eu sei o que a gente tá fazendo, e eu vou cantar sobre isso’” </a>. Um epitáfio muito adequado para os Stooges.</p>
<p>Eles sobreviveram relativamente incólumes às décadas seguintes, com exceção dos baixistas Dave Alexander e Zeke Zettner, mortos ainda na década de 1970. Iggy se tornou um artista solo produtivo, os irmãos Asheton seguiram tocando em diversas bandas da cena de Detroit e Williamson se formou em engenharia elétrica. Em 2007, o trio original e o baixista Mike Watt (Minutemen) se reuniu e gravou <em>The Weirdness</em>. Dois anos depois, Ron Asheton faleceu devido às complicações de um ataque cardíaco e Williamson retornou a seu posto. Em 2013, a banda gravou seu último disco, <em>Ready to Die</em>.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Gimme Danger Official Trailer 1 (2016) - Documentary" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ruqmemgLc2E?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>Nos anos seguintes, as mortes de Scott Asheton e Steve Mackay, saxofonista que participou de <em>Fun House</em>, colocaram um ponto final definitivo nessa história, coroada com o documentário <em>Gimme Danger</em>, de Jim Jarmusch.</p>
<p>Levando isso em conta, não é surpreendente a sobrevida de <em>Raw Power</em>. De fiasco a clássico incontestável bastaram alguns anos, mas Iggy ainda não havia descansado de sua <em>death trip</em>. Para o relançamento do álbum em 1997, tratou de remixá-lo da maneira como havia feito originalmente, sem a mão de Bowie. <a href="http://dr.loudness-war.info/album/list?artist=Iggy%20and%20the%20Stooges">O resultado estabeleceu novos parâmetros para a infame <em>loudness war</em></a>. Se antes a banda soava à beira da insanidade, a nova versão, com vocal e guitarra no talo, soa como um psicopata terminal. Hipérboles à parte, o <em>remix</em> foi uma evolução e tanto, e é a melhor pedida para experimentar o poder cru em toda sua plenitude. Anárquicos 45 anos depois, continua irretocável. <em>Can you feel it</em>?!</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/6mxbG8KrOTZIxlP4gzaliM%23_%3D_" width="300" height="380" frameborder="0" allowtransparency="true"></iframe></p>
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		<title>Iggy Pop, o idiota com tesão pela vida</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Mar 2017 22:40:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Bárbara Alcântara]]></category>
		<category><![CDATA[David Bowie]]></category>
		<category><![CDATA[Iggy Pop]]></category>
		<category><![CDATA[Punk]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Bárbara Alcântara Quem teve a chance de ver Iggy &#38; the Stooges no Claro Q É Rock, em 2005, ou no Planeta Terra, em 2009, ficou no mínimo abismado com a desenvoltura e a energia ainda exibidas pelo vocalista, mesmo aos mais de 60 anos de idade. Usando apenas um jeans feminino e um par &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/iggy-pop-o-idiota-com-tesao-pela-vida/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Iggy Pop, o idiota com tesão pela vida"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-7388 alignnone" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/03/Imagem-1.png" alt="" width="599" height="300" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/03/Imagem-1.png 599w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/03/Imagem-1-300x150.png 300w" sizes="auto, (max-width: 599px) 85vw, 599px" /></p>
<p><strong>Bárbara Alcântara</strong></p>
<p>Quem teve a chance de ver Iggy &amp; the Stooges no Claro Q É Rock, em 2005, ou no Planeta Terra, em 2009, ficou no mínimo abismado com a desenvoltura e a energia ainda exibidas pelo vocalista, mesmo aos mais de 60 anos de idade. Usando apenas um <i>jeans</i> feminino e um par de botas, Iggy Pop subiu nos amplificadores, fez danças inusitadas, abaixou as calças e ainda chamou o público para subir no palco – tudo isso enquanto cantava, a plenos pulmões, os clássicos da banda. No entanto, os caminhos até o topo foram ardilosos.<span id="more-7387"></span></p>
<p>Ao lado de seus companheiros de banda, fez história com álbuns clássicos como o homônimo “The Stooges” (1969), o “Funhouse” (1970) e o “Raw Power” (1973), mas não passou incólume à intensa vida <i>à la</i> “Blank Generation” da cidade grande: quando a banda se desfez, em 1974, ele estava afundado nas drogas, sem dinheiro e sem contrato. <a href="http://universoretro.com.br/david-bowie-e-iggy-pop-a-real-saga-de-1977/">Foi graças a David Bowie que se salvou</a>. O amigo tirou Iggy do fundo do poço, o levou para a Europa e, em 1977, produziu os dois primeiros e aclamados álbuns em carreira solo do cantor: <em>The Idiot</em>, em março, e <em>Lust for Life</em>, em agosto.</p>
<figure id="attachment_7389" aria-describedby="caption-attachment-7389" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-7389" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/03/Imagem-2-1.jpg" alt=" “A amizade basicamente era que esse cara me salvou de certo aniquilamento profissional e talvez pessoal, simples assim”, Iggy sobre Bowie. (Foto: Reprodução)" width="700" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/03/Imagem-2-1.jpg 700w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/03/Imagem-2-1-300x171.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-7389" class="wp-caption-text">“A amizade basicamente era que esse cara me salvou de certo aniquilamento profissional e talvez pessoal, simples assim”, Iggy sobre Bowie. (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Um completo idiota</b></p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/7vCU9jvSESwQNQr6SB9JyS" width="300" height="380" frameborder="0" allowtransparency="true"></iframe></p>
<p><em>The Idiot</em> chegou como uma afronta aos fãs do extinto Stooges. Trazia uma nítida influência de Bowie, com quem escreveu a maior parte das músicas em parceria, e isso definitivamente não agradou a quem estava acostumado com o som arcaico e visceral dos primórdios. Mesmo com todas as mudanças, a assinatura de Iggy estava lá: as faixas exprimiam o seu sentimento em relação ao mundo, fosse pelas letras autobiográficas, fosse pelas melodias densas e quase fúnebres.</p>
<p>Tudo começou em 1947, no estado de Michigan, quando nasceu James Newell Osterberg Jr. Uma criança comum, alegre e sorridente, que tinha um desempenho impecável na escola. Aos poucos, o menino foi revelando seus dons artísticos e um grande apreço pela música. No auge da adolescência, formou a sua primeira banda, The Iguanas (daí veio seu apelido, Iggy) e, a partir de então, começou a desandar nos estudos.</p>
<p>Como todo jovem rebelde, sentia que seu pai era superprotetor. Quando começaram as reclamações em casa sobre a influência negativa da sua carreira musical sobre a acadêmica, ele chegou a “se mudar para as ruas” – mas foi acolhido pela família novamente.</p>
<figure id="attachment_7390" aria-describedby="caption-attachment-7390" style="width: 900px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-7390" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/03/Imagem-3-1.jpg" alt="Foto do grupo The Iguanas, com o jovem Iggy Pop ao centro (Foto: Reprodução)" width="900" height="504" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/03/Imagem-3-1.jpg 900w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/03/Imagem-3-1-300x168.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/03/Imagem-3-1-768x430.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-7390" class="wp-caption-text">The Iguanas, com o jovem Iggy Pop, nas baquetas, ao centro (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>A música de abertura do álbum, “Sister Midnight”, conta um episódio de sua juventude em que foi pego no flagra pelo pai com a filha de uma família vizinha e, a partir de então, proibido de sequer se aproximar da garota. Nela, ele fala sobre o sentimento que foi reprimido por anos. Posteriormente, a música foi regravada por Bowie sob o nome de “Red Money”, com a letra modificada.</p>
<blockquote><p><i>“Calling Sister Midnight | Chamando a Irmã da Meia Noite</i></p>
<p><i>Can you hear me call?  | Você pode me ouvir chamar?</i></p>
<p><i>Can you hear me well? | Você pode me ouvir bem?</i></p>
<p><i>Can you hear me at all? | Você pode simplesmente me ouvir?</i></p>
<p><i>Calling Sister Midnight | Chamando a Irmã da Meia Noite</i></p>
<p><i>I&#8217;m an Idiot for you | Sou um idiota por você”</i></p></blockquote>
<p>Entrou na universidade apenas para ter o primeiro contato com o que viria a ser o seu mundo. Assistiu a apresentações do <a href="http://personaunesp.com.br/the-velvet-underground-nico/">Velvet Underground</a>, MC5 e The Doors, e com o tempo passou a se identificar com a postura insolente dessas bandas, que iam contra o flower power dos <i>hippies</i>. Isso fascinou o jovem que, na época, preferia “My Generation”, do Who, a “Help!”, dos Beatles. Abandonou a faculdade para abraçar a sua verdadeira paixão: a música!</p>
<p>Após passar por uma série de bandas, em 1967, conheceu os irmãos Scott e Ron Asheton, e formou o que um dia seria os Stooges. Dave Alexander era, a princípio, roadie, mas terminou como baixista. Ron assumiu a guitarra e Scott, a bateria. Iggy Pop ficou a cargo dos vocais e, inspirado nas apresentações de Jim Morrison, passou a fazer performances intensas e audaciosas – que terminavam, geralmente, com o cantor nu ou coberto por seu próprio sangue.</p>
<figure id="attachment_7391" aria-describedby="caption-attachment-7391" style="width: 988px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-7391" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/03/Imagem-4-1.jpg" alt="Era normal Iggy se cortar com cacos de vidro durante os shows, pular nos instrumentos e se jogar em cima do público (atitude essa que ficou conhecida como stage dive) (Foto: Reprodução)" width="988" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/03/Imagem-4-1.jpg 988w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/03/Imagem-4-1-296x300.jpg 296w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/03/Imagem-4-1-768x777.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-7391" class="wp-caption-text">Era normal Iggy se cortar com cacos de vidro durante os shows, pular nos instrumentos e se jogar em cima do público (atitude essa que ficou conhecida como stage dive) (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>A segunda faixa de <em>The Idiot</em>, “Nightclubbing”, é a música que, com uma <i>vibe</i> vampiresca, melhor retrata as madrugadas excursionando por festas e <i>gigs</i> ao redor da cidade. Noites varadas à base de álcool e entorpecentes, que fizeram com que os Stooges entrassem em um submundo que, cada vez mais, se mostrava sem futuro algum e, principalmente, sem volta.</p>
<blockquote><p><i>Nightclubbing we&#8217;re nightclubbing | <i>Festejando</i>, nós estamos <i>festejando</i><br />
</i></p>
<p><i>We&#8217;re walking through town | Nós estamos andando pela cidade</i></p>
<p><i>Nightclubbing we&#8217;re nightclubbing | <i>Festejando</i>, nós estamos <i>festejando</i></i></p>
<p><i>We walk like a ghost | Nós andamos como fantasmas</i></p>
<p><i>We learn dances brand new dances | Nós aprendemos danças, novas danças</i></p>
<p><i>Like the nuclear bomb | Como a bomba nuclear</i></p></blockquote>
<p>Enfim, em 1969, assinaram contrato com a Elektra Records e gravaram o primeiro álbum, <em>The Stooges</em>, produzido por John Cale do Velvet Underground. Um ano depois lançaram <em>Fun House</em>, esse por Don Gallucci do Kingsmen. Infelizmente, ambos os álbuns não foram bem sucedidos comercialmente na época e receberam muitas críticas.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Iggy Pop &amp; The Stooges - 1970 (Goose Lake 1970)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/WRuN2ayttsY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>Entre 1971 e 1972, a banda passou por um hiato: Iggy estava lutando contra o vício em heroína. Mais ou menos nesse período, conheceu David Bowie e foi com ele para Londres, na tentativa de gravar um álbum solo (que não rolou). No fim, acabou reunindo os Stooges e juntos gravaram o aclamado <em>Raw Power</em>, com Ron no baixo, Scott novamente na bateria e James Williamson na guitarra. O errado deu certo: a pegada mais agressiva do álbum, produzido pelo próprio Bowie, não só foi bem aceita pelo público como também acabou rendendo a Iggy Pop o status de “pai do <i>punk</i>”.</p>
<p>Nos anos seguintes, a vida desregrada acabou tendo sérios desdobramentos para ex-companheiros de banda: Zeke Zettner e Dave Alexander falecem, o primeiro devido à overdose de heroína e o segundo por um edema pulmonar, causado por excesso de álcool. “Dum Dum Boys”, a sexta faixa do álbum solo, fala abertamente sobre isso e se refere a eles como “garotos tolos” – lamentando o fato de terem sido ingênuos ao ponto de perderem suas vidas por pura luxúria:</p>
<blockquote><p><i>What happened to Zeke? | O que aconteceu com Zeke?</i></p>
<p><i>He&#8217;s dead on jones, man | Ele morreu de heroína, cara</i></p>
<p><i>How about Dave? | E Dave?</i></p>
<p><i>OD&#8217;d on alcohol | Overdose de álcool</i></p>
<p><i>(&#8230;)</i></p>
<p><i>Well, things have been tough  | As coisas têm sido difíceis</i></p>
<p><i>Without the Dum Dum Boys  | Sem os Dum Dum Boys (garotos tolos)</i></p></blockquote>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="IGGY POP   DUM DUM BOYS Live in Toronto 1981" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/GxvC8g4hQpI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>Ao fim de 1976, Iggy Pop estava em um estado tão deplorável que ele se internou por livre e espontânea vontade em uma clínica de reabilitação, o Instituto de Neuropsiquiatria da Universidade da Califórnia (UCLA). Durante o período em que esteve lá, seu único visitante foi o amigo Bowie.</p>
<p><b>Recuperando o tesão pela vida</b></p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/7ynKEunH8LSit4TR3foMVC" width="300" height="380" frameborder="0" allowtransparency="true"></iframe></p>
<p><em>Lust for Life</em> alcançou um lado mais positivo e dançante do cantor. É um retrato do momento em que aceita a segunda chance oferecida pela vida (e pelo amigo), e deixa para trás um passado lúgubre, macabro, de um período insano regado a, literalmente, muito sexo, drogas e <i>rock’n’roll</i>.</p>
<p>David Bowie “ressuscitou” Iggy Pop ao convidá-lo, em 1976, para acompanhar sua turnê de lançamento do álbum <em>Station to Station</em>. A seriedade com que tratava cada minuciosidade, deixou o amigo boquiaberto! “Ele fazia um grande show toda noite. Não importa onde fosse”, <a href="http://oglobo.globo.com/cultura/musica/iggy-pop-relembra-amizade-com-david-bowie-ele-me-ressuscitou-18471693">conta Iggy em entrevista.</a> Durante a viagem pela europa, entre a França e Alemanha, produziram juntos o <em>The Idiot</em> – mas foi especificamente na cidade de Berlim que <em>Lust for Life</em> nasceu.</p>
<p>Além de ter a sua vontade de viver recuperada, na segunda obra em carreira solo, o cantor retoma também as raízes no rock. Com vocais mais guturais, ele deixa a personalidade selvagem tomar conta de seu trabalho. Algumas faixas, entretanto, ainda têm muito do companheiro, como por exemplo “Turn Blue” e “Fall In Love With Me”.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Iggy Pop - Sixteen" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/QvcKX4gK18Q?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>Em “The Passenger” (que muita gente aqui pelo Brasil conhece como <a href="https://www.youtube.com/watch?v=-6oj0iy1JKs">“O Passageiro”, na voz de Dinho Ouro Preto</a>), mostra que, até mesmo para falar dos períodos mais sombrios, havia amadurecido. Com um ar nostálgico, atravessa as ruas de uma metrópole e narra situações fictícias baseadas em memórias de um passado <i>junkie</i>. Consegue ver a beleza da vida que um dia o consumiu.</p>
<p>O álbum estourou, de fato, em 1996, quando teve a faixa homônima escolhida por Danny Boyle para se tornar carro-chefe da trilha sonora de <em>Trainspotting &#8211; Sem Limites</em> (que ganhou uma sequência esse ano, e <a href="https://jovemnerd.com.br/nerdnews/t2-trainspotting-ganha-data-de-estreia-no-brasil/">chega ao Brasil no dia 23</a>). O filme tem muito a ver com a vida do próprio cantor: conta a trajetória de Mark Renton e seus amigos, todos drogados tentando se livrar do vício em heroína, encontrar emprego e se estabelecer afetivamente. A letra da música logo foi associada às falas iniciais do protagonista:</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><span class="embed-youtube" style="text-align:center; display: block;"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/VNPXTEAIvKQ?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></span></div>
<p>O ano de 1977 foi frutífero não apenas para Iggy. Bowie lançou dois pontos altos de sua carreira: <em>Low</em>, em janeiro, e <em>“Heroes”</em>, em outubro. A influência de um na carreira do outro é nítida, sobretudo nesse período em que estiveram juntos em Berlim. Bowie excursionou com Iggy, tocando teclado durante os shows, enquanto o segundo ajudou na gravação de alguns <i>backing vocals </i>de <em>Low</em>.</p>
<figure id="attachment_7392" aria-describedby="caption-attachment-7392" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-7392" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/03/Imagem-5-1.jpg" alt="Os amigos se apresentando juntos. Não é fofo? (Foto: Reprodução)" width="700" height="394" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/03/Imagem-5-1.jpg 700w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/03/Imagem-5-1-300x169.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-7392" class="wp-caption-text">Os amigos se apresentando juntos. Não é fofo? (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>Após os dois álbuns solos, Iggy ainda lançou mais 18. Mas nunca escondeu o protagonismo de Bowie em sua vida e carreira, tanto que <a href="http://rollingstone.uol.com.br/noticia/nunca-encontrei-uma-pessoa-tao-brilhante-diz-iggy-pop-sobre-david-bowie/">se pronunciou publicamente diversas vezes após a morte do amigo</a>, em 2016.</p>
<p>A relação profunda entre os dois chamou tanto a atenção que, em 1998, foi enredo do filme <em>Velvet Goldmine</em>, de Todd Haynes. Sob os pseudônimos de Brian Slade (Jonathan Rhys Meyers) e Curt Wild (Ewan McGregor), o longa narra, entre muitos floreios e muita romantização, desde o primeiro encontro dos dois, até o que ficou conhecido como a “fase Berlim” de Bowie.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-7394" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/03/6867449000695.jpg" alt="6867449000695" width="600" height="850" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/03/6867449000695.jpg 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/03/6867449000695-212x300.jpg 212w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p>Iggy Pop também ficou famoso por quebrar os estereótipos de gênero e chocar a sociedade, <a href="http://personaunesp.com.br/liniker-remontar-vai-alem-maquiagem/">muito antes do Liniker e a geração do tombamento sonhar em existir</a>. Já apanhou muito por ter a mania de andar de vestido pela cidade de Ann Arbor, em Michigan, e <a href="https://www.youtube.com/watch?v=eP7tURQX1xc">inclusive chegou a ter os dentes da frente quebrados por conta disso</a>. Sempre preferiu roupas mais apertadas e espalhafatosas (de preferência no modelo feminino), era assumidamente bissexual, usava maquiagem e nunca demonstrou qualquer problema com isso.</p>
<figure id="attachment_7395" aria-describedby="caption-attachment-7395" style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-7395" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/03/Imagem-7-1.jpg" alt="Visual andrógino para um ensaio fotográfico nos anos 70 (Foto: Reprodução)" width="500" height="624" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/03/Imagem-7-1.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/03/Imagem-7-1-240x300.jpg 240w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /><figcaption id="caption-attachment-7395" class="wp-caption-text">Visual andrógino para um ensaio fotográfico nos anos 70 (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>Com uma disposição de dar inveja até nos mais jovens, em 2007 e 2013 reuniu os Stooges e lançou mais dois álbuns, <em>The Weirdness</em> e <em>Ready to Die</em>. Em 2010, <a href="http://gq.globo.com/Cultura/noticia/2015/04/10-nomes-que-ja-deveriam-estar-no-hall-da-fama-do-rock.html">foi induzido ao Rock’n’Roll Hall of Fame</a>. Em 2015 retornou ao Brasil para mais uma apresentação, dessa vez sem a banda e, no ano seguinte, lançou mais um álbum, junto com o vocalista da Queens of the Stone Age, Josh Homme. Atualmente, continua fazendo participações especiais em shows, filmes e entrevistas, e não seria estranho se resolvesse sair em uma outra turnê mundial.</p>
<p>Além de toda a contribuição musical, atuou em filmes como <em>Cry-baby</em> (1990), de John Waters, <em>Tank Girl</em> (1995), de Rachel Talalay, <em>O Corvo &#8211; A cidade dos anjos</em> (1996), de Alex Proyas. Até dublagem ele fez, em <em>Persépolis</em> (2007), de Marjane Satrapi, e (pasmem!) na animação da Nickelodeon, <em>Rugrats &#8211; Os Anjinhos</em> (1998).</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="PEACHES-Kick It (feat Iggy Pop)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/M-PO8nbE4nM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>Enfim, Iggy Pop foi um visionário: se o som pesado e intenso dos Stooges deu origem ao que ficou conhecido como o <i>punk rock</i>, a morbidez de seu primeiro álbum solo previu o que viria a se tornar o <i>pós-punk </i>(o disco ganharia uma aura ainda mais sinistra três anos dep<i>ois, ao ser descoberto que foi a trilha sonora do suicídio de Ian Curtis, do Joy Division)</i>. A onda pesada de <em>The Idiot</em> serviu como um ponto de descarga emocional, abrindo espaço para a leveza e bom humor de <em>Lust for Life</em>, que se estendeu até os dias atuais. Sua genialidade <a href="http://rollingstone.uol.com.br/edicao/2/iggy-rock#imagem0">influenciou e continua influenciando grandes nomes</a>, entre eles Kurt Cobain, do Nirvana, Anthony Kiedis, do Red Hot Chili Peppers, e Thurston Moore, do Sonic Youth.</p>
<p>Quem diria que um idiota com sérios problemas com drogas seria capaz de alcançar tudo isso?</p>
<p><b>    </b></p>
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