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	<title>Arquivos Grande Prêmio do Júri &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Circuito Cineclube Sesc &#8211; Infiltrado na Klan e as veias abertas da América racista</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Apr 2023 15:47:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Em 2017, quando aconteceu a passeata de Charlottesville, Infiltrado na Klan provavelmente estava finalizando seu processo de pesquisa e escrita ou começando suas filmagens. Talvez Spike Lee não esperasse que sua história, apesar de latente na sociedade contemporânea, se manteria tão atual. Muito além de apenas tocar na ferida do racismo, a obra &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/infiltrado-na-klan-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Circuito Cineclube Sesc &#8211; Infiltrado na Klan e as veias abertas da América racista"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30631" aria-describedby="caption-attachment-30631" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-30631 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-1.jpg" alt="Cena de Infiltrado na Klan. Nela vemos os personagens Ron, um homem negro de cabelo black power e barba cheia e Patrice, uma mulher negra de cabelo black power. Ron veste uma camisa vermelha e um relógio na mão direita. Patrice veste uma espécie de poncho, com algumas pedrarias em seus dois punhos. Os dois apontam uma arma para a câmera. Eles estão em um corredor de apartamentos e a fotografia está granulada." width="1200" height="503" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-1-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-1-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-1-768x322.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30631" class="wp-caption-text">A exibição do longa no Sesc Bauru encerrou a Mostra “Cinema é Direito”, e contou com a participação do Prof. Dr. Juarez Xavier, referência no ativismo antirracista, no debate após a apresentação do filme (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2017, quando aconteceu a </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-40913908"><span style="font-weight: 400;">passeata de Charlottesville</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Infiltrado na Klan</span></i><span style="font-weight: 400;"> provavelmente estava finalizando seu processo de pesquisa e escrita ou começando suas filmagens. Talvez Spike Lee não esperasse que sua história, apesar de latente na sociedade contemporânea, se manteria tão atual. Muito além de apenas tocar na ferida do racismo, a obra também assumiu o papel de estancar um sangramento que, em sua esmagadora maioria, continua derramando sangue negro. De acordo com a mensagem que antecede o logo do filme, “</span><i><span style="font-weight: 400;">essa parada é baseada em merdas reais pra caralho</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa, que no seu aniversário de cinco anos encerrou a Mostra </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-cinema-e-direito/"><i><span style="font-weight: 400;">Cinema é Direito</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><a href="https://www.instagram.com/p/CpN2Cb7uTur/"><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> no Sesc Bauru</span></a><span style="font-weight: 400;">, conta a história de </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/historia-ron-stallworth-o-policial-negro-se-que-infiltrou-na-ku-klux-klan.phtml"><span style="font-weight: 400;">Ron Stallworth</span></a><span style="font-weight: 400;"> (John David Washington), um policial negro da extremamente branca cidade de Colorado Springs. No local, em um momento de ebulição social americana, ele descobre uma célula da Ku Klux Klan ativa na cidade e decide se infiltrar na organização, dividindo sua identidade com o detetive branco ‘Flip’ Zimmerman (Adam Driver). Mas é no teor dessa mesma mensagem que está escondida a intenção de </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/spike-lee"><span style="font-weight: 400;">Spike Lee</span></a><span style="font-weight: 400;"> de, na verdade, trazer um meio termo entre fato e ficção para transmitir a ótica do diretor para o público. Tal aspecto transforma </span><i><span style="font-weight: 400;">Infiltrado na Klan</span></i><span style="font-weight: 400;"> em uma das obras mais conscientes e contundentes da extensa carreira do cineasta.</span></p>
<p><span id="more-30628"></span></p>
<figure id="attachment_30632" aria-describedby="caption-attachment-30632" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-30632 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-2.jpg" alt="Cena de Infiltrado na Klan. Nela vemos um discurso feito em uma associação de estudantes negros. Nela temos o personagem Stokely Carmichael, um homem negro de cabelo curto. Ele veste um terno preto uma camisa branca e um óculos preto. Ao seu lado direito, está Patrice, uma mulher negra de cabelo black power. Ela veste uma jaqueta de couro preta, um vestido preto e um óculos. Ao lado dos dois, há mais duas pessoas negras, mas somente uma é visível: um homem que veste uma jaqueta verde e uma camiseta preta. No palco, há um púlpito com os dizeres “POWER” e ao fundo, um cartaz escrito “COLORADO COLLEGE BLACK STUDENT UNION”. Todos estão com o punho erguido." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-2-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30632" class="wp-caption-text">“Todo o poder para todas as pessoas” (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra, ao mesmo tempo que retoma as raízes do idealizador, que levou referências do Cinema </span><a href="https://darkside.blog.br/o-que-e-blaxploitation-veja-5-exemplos-de-filmes-do-genero/"><i><span style="font-weight: 400;">blaxploitation</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">para Hollywood com </span><a href="https://ultraverso.com.br/garimpo-faca-a-coisa-certa/"><i><span style="font-weight: 400;">Faça a Coisa Certa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1989), revitaliza o diretor. A ideia é de Jordan Peele, que um ano antes despontava como o novo e excelente nome do Cinema negro, mas que, diante de uma absurda história real, repleta de meandros factíveis com a atualidade, só via um nome capaz de traduzir essa crítica para as telas: Spike Lee.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Stallworth, de fato, existiu, assim como o execrável </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-45874344"><span style="font-weight: 400;">simpatizante de certos políticos</span></a><span style="font-weight: 400;"> brasileiros, David Duke. ‘Flip’ Zimmerman, detetive parceiro de Ron nas telas, na verdade é Chuck. Não se tem noção se ele realmente era judeu, mas nessa história fazia total sentido atribuir ao personagem cético de Adam Driver à parcela étnico-religiosa que também era odiada pelo grupo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história também tem um choque de datas: Ron só se infiltrou na organização seis anos após se tornar policial, em 1978, diferente de </span><i><span style="font-weight: 400;">Infiltrado na Klan </span></i><span style="font-weight: 400;">(<em>BlacKkKlansman</em>, no original)</span><span style="font-weight: 400;">, em que toda a narrativa se passa em 1972. Porém, era essencial atribuir um período que tanto a Ku Klux Klan como o Movimento Negro Americano estavam marginalizados, para, assim, traçar um paralelo de origem e suas ressonâncias atualmente. Por tais aspectos, a obra é uma pérola de adaptação, que não a toa rendeu o </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=oscar"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de Melhor Roteiro Adaptado, sendo também um respiro de esperança na lamentável edição da premiação em 2019, que premiou o &#8211; antirracista até a página dois &#8211; </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2019/02/por-que-green-book-e-criticado-por-ativistas-e-familiares-de-don-shirley.html"><i><span style="font-weight: 400;">Green Book</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> como Melhor Filme.</span></p>
<figure id="attachment_30629" aria-describedby="caption-attachment-30629" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-30629 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-3.jpg" alt="Cena de Infiltrado na Klan. Nela vemos Ron Stallworth, interpretado por John David Washington, um homem negro,d e cabelo black power e barba cheia. Ele veste uma jaqueta marrom em couro e uma camisa listrada branca. Ao seu fundo,há uma parede de madeira e um mapas cidade de Colorado Springs" width="1400" height="787" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-3.jpg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30629" class="wp-caption-text">O longa venceu o Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 2018 (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Parece que a sensação que </span><i><span style="font-weight: 400;">Infiltrado na Klan</span></i><span style="font-weight: 400;"> quer provocar é aquela de quando rimos de algo questionável e o riso, a princípio de alegria, se transforma em nervosismo. Ele começa flertando com a comédia sarcástica e termina na crítica, justamente para evidenciar que esses formatos de ódio, assim como as fantasias brancas e pontudas, são tão repugnantes que passam por períodos em disfarces. Quando os indivíduos ali sentirem-se seguros, se exibem sem pudor. E com o cineasta tendo mesclado esses dois gêneros durante toda sua filmografia, nesse longa, mais uma vez ele se sente em casa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A genialidade tanto do diretor como do roteiro, encabeçado por Lee e acompanhado de Kevin Willmott, David Rabinowitz e Charlie Wachtel, são traduzidos em tela através de uma montagem espetacular, guiadas por </span><a href="https://www.instagram.com/barryalexanderbrown/"><span style="font-weight: 400;">Barry Alexander Brown</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela abusa do </span><i><span style="font-weight: 400;">blaxploitation</span></i><span style="font-weight: 400;"> para dar vida à ideia das mentes criadoras e desenvolver um ritmo delicioso de se acompanhar, intercalando passagens mais calmas com o desenvolvimento dos personagens, de cortes rápidos e cheios de invencionismos como telas divididas ou inserção de pôsteres. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esses aspectos nos presenteiam com cenas lindas, como a da Associação de Estudantes Negro do Colorado, na qual o discurso sobre a beleza negra é sobreposto com </span><i><span style="font-weight: 400;">closes</span></i><span style="font-weight: 400;"> da plateia atenta acompanhando. Mas a passagem que resume o primor da montagem é o momento em que Jerome, interpretado por Harry Belafonte (</span><a href="https://personaunesp.com.br/destacamento-blood-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Destacamento Blood</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) conta a história do </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-51657141"><span style="font-weight: 400;">Linchamento de Waco</span></a><span style="font-weight: 400;">, em 1916. Nesse momento, a cena é divida com a Ku Klux Klan se preparando para assistir uma sessão de </span><a href="https://incinerrante.com/textos/o-nascimento-de-uma-nacao-estetica-ideologia-mascaras/"><i><span style="font-weight: 400;">O Nascimento de uma Nação</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, filme de 1915 (um ano antes da tragédia) que é uma das bases simbólicas da KKK e do movimento supremacista americano.</span></p>
<figure id="attachment_30633" aria-describedby="caption-attachment-30633" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30633 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-4.jpg" alt="Cena de Infiltrado na Klan. Nela vemos, da esquerda para a direita, David Duke, um homem branco de cabelos e bigode castanho claro e olhos azuis. Ele veste um terno marrom, um colete preto, uma camisa branca e uma gravata listrada em preto. Ele segura uma taça de espumante. Ron Stallworth, um homem branco de cabelo black power e barba cheia está abraçado em Duke. Ele veste uma camisa jeans e uma camiseta preta. Ao seu lado há um homem branco de cabelos castanhos. Ele veste um suéter preto e uma camisa marrom. Os três posam para uma foto, de forma que os dois brancos estão visivelmente incomodados pelo abraço do homem negro." width="1280" height="536" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-4.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-4-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-4-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-4-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-4-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30633" class="wp-caption-text">A cena em que o verdadeiro Ron Stallworth é designado para fazer a segurança de David Duke realmente aconteceu (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Todo o primor do longa por trás das câmeras consegue ser replicado à frente delas. O grande nome que carregava o longa era do próprio Spike Lee, porém o elenco entrou afiadíssimo no projeto. John David Washington (</span><a href="https://personaunesp.com.br/tenet-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tenet</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Malcolm &amp; Marie</span></i><span style="font-weight: 400;">), filho de Denzel Washington, emula perfeitamente o deslocamento de uma figura que não é bem-vinda em seus espaços, seja a polícia da época (uma espécie de Klan) ou a Ku Klux Klan. Já Adam Driver, que ganhava relevância com a nova trilogia de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-despertar-da-forca-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, faz de </span><i><span style="font-weight: 400;">Infiltrado na Klan</span></i><span style="font-weight: 400;"> mais um na sua sequência de escolhas acertadas. Ele é um retrato preciso da branquitude que, por muito tempo, escanteou o problema da propagação de ódio por acreditar não ser afetada, e sutilmente demonstra um ódio genuíno por fazer parte daquele grupo e perceber sua negligência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do lado da organização nefasta, Topher Grace (</span><i><span style="font-weight: 400;">That ‘70s Show</span></i><span style="font-weight: 400;">) impressiona pela semelhança com David Duke, desde sua postura assustadoramente serena e até mesmo pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6Yx3c0i5Fyk&amp;ab_channel=APArchive"><span style="font-weight: 400;">voz</span></a><span style="font-weight: 400;"> do supremacista ter timbres de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=65p80XAMxhw&amp;ab_channel=That%2770sShow"><span style="font-weight: 400;">Eric Forman</span></a><span style="font-weight: 400;">. Jasper Pääkkönen (</span><a href="https://personaunesp.com.br/vikings-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Vikings</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Ryan Eggold (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hjw_QTKr2rc&amp;ab_channel=FocusFeatures"><i><span style="font-weight: 400;">Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) também são extremamente convincentes e cada um atribui uma persona típica desse tipo de grupo: o primeiro, um lunático imprevisível, enquanto o segundo, uma figura “boa pinta” que pontualmente destila ódio.</span></p>
<figure id="attachment_30630" aria-describedby="caption-attachment-30630" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30630 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-5.jpg" alt="Cena de Infiltrado na Klan. Nela vemos uma reunião da Ku Kux Klan. Há um certo número de homens sentados com a fantasia do grupo: uma túnica branca e um chapéu branco pontudo. Todos estão sentados e seguram uma vela. No meio deles. de costas para a câmera, há seu líder, com a roupa branca, sem o chapéu e com uma túnica azul nas costas. Há também uma espécie de altar, com velas e cálices dourados." width="1440" height="596" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-5.jpg 1440w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-5-800x331.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-5-1024x424.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-5-768x318.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-5-1200x497.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30630" class="wp-caption-text">No Brasil, grupos neonazistas e simpatizantes da Ku Klux Klan tiveram um crescimento de <a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2022/01/16/grupos-neonazistas-crescem-270percent-no-brasil-em-3-anos-estudiosos-temem-que-presenca-online-transborde-para-ataques-violentos.ghtml">270%</a> nos últimos anos (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse museu de grandes novidades, </span><i><span style="font-weight: 400;">Infiltrado na Klan</span></i><span style="font-weight: 400;"> constata que, mais uma vez, o futuro está repetindo o passado, sem deixar de explicitar que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VYOjWnS4cMY&amp;ab_channel=ChildishGambinoVEVO"><span style="font-weight: 400;">essa é a América</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma nação arrebatadora que expropria de qualquer minoria para estabelecer seu conceito de supremacia, nos sentidos mais asquerosos da palavra. Por isso Spike Lee, conhecido pelo Cinema crítico, inverte os papéis, e mesmo assim consegue abordar as dores do povo negro. Mas aqui, a queima de cruzes troca lugar com uma reflexão que cauteriza à força uma ferida que insistimos em deixar aberta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra renova os estudos de </span><a href="https://www.palmares.gov.br/?p=49121"><span style="font-weight: 400;">W. E. B. Du Bois</span></a><span style="font-weight: 400;">, primeiro negro a se tornar PhD em Harvard. Du Bois, através de seu livro </span><i><span style="font-weight: 400;">As Almas da Gente Negra </span></i><span style="font-weight: 400;">(1903), discutiu a dificuldade existencial das minorias, desenvolvendo o conceito de “dupla consciência”, ou a necessidade de entender como tais grupos se enxergam e como o mundo os enxerga; o longa tem êxito ao tratar essa dualidade. Além disso, </span><i><span style="font-weight: 400;">Infiltrado na Klan </span></i><span style="font-weight: 400;">é um grito de ‘não’ e ‘basta’: NÃO podemos aceitar essa formas de ódio, e BASTA de racismo. Mais do que isso, o filme é um lembrete de que somente não ser racista, não basta.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Infiltrado Na Klan - Trailer 1 (Universal Pictures) HD" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/bbOJwWSEUmo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O olhar de EO: a sensibilidade animal no Cinema</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Mar 2023 22:38:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enzo Caramori A simbiose entre a ficção com a representação da vida animal, não humana, poucas vezes se destitui da essência do bicho Homo sapiens. É como se não existisse, em uma contaminação da prática artística a um obrigatório humanismo, uma forma de evocação de sentimento e empatia senão por uma figura antropomorfa, ou então, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/eo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O olhar de EO: a sensibilidade animal no Cinema"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30225" aria-describedby="caption-attachment-30225" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30225 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo1.jpg" alt="Sob o fundo de um céu azul, o burro Eo, de cor cinza, branca e leves tons marrons, olha diretamente à câmera. Suas orelhas estão levantadas e sua boca enlaçada." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo1.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30225" class="wp-caption-text">Em Cannes, na competição do Grande Prêmio do Júri, EO empatou com o longa The Eight Mountains, dirigido por Felix van Groeningen e Charlotte Vandermeersch (Foto: Skopia Film)</figcaption></figure>
<p><b>Enzo Caramori</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A simbiose entre a ficção com a representação da vida animal, não humana, poucas vezes se destitui da essência do bicho </span><i><span style="font-weight: 400;">Homo sapiens</span></i><span style="font-weight: 400;">. É como se não existisse, em uma contaminação da prática artística a um obrigatório humanismo, uma forma de evocação de sentimento e empatia senão por uma figura antropomorfa, ou então, uma figura humanizada por sua trajetória ou pelo próprio espectador</span><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">Daí nascem as fábulas e desenhos infantis com animais falantes e impasses morais, ou até mesmo </span><a href="https://apaladewalsh.com/2020/05/au-hasard-balthazar-peregrinacao-acidentada/"><i><span style="font-weight: 400;">A Grande Testemunha</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1966), de Robert Bresson. Pela sua câmera minimalista, </span><i><span style="font-weight: 400;">Au Hasard Balthazar</span></i><span style="font-weight: 400;">, título original da obra, acompanha a tortuosa trajetória — análoga até mesmo à renúncia de Jesus Cristo — da vida de um burro; implicando em seu caminho as brutais relações de poder, classe, gênero, mas, acima de tudo, entre os </span><a href="https://www.slashfilm.com/870967/eo-review-a-damning-take-on-humanitys-relationship-with-animals-cannes/"><span style="font-weight: 400;">humanos e animais</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-30221"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, mesmo que as emoções, suscitadas por Bresson ao contar as aflições de Balthazar, se deem por seu caráter de comparação à figura histórica e cultuada de Cristo, ele também inaugura uma visão própria desse animal, acometido por castigos e maus tratos, ao imaginário dessas narrativas. É desse ponto que </span><i><span style="font-weight: 400;">EO </span></i><span style="font-weight: 400;">(2022)</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">o mais recente filme do diretor experimental </span><a href="https://www.bfi.org.uk/features/where-begin-jerzy-skolimowski"><span style="font-weight: 400;">Jerzy Skolimowski</span></a><span style="font-weight: 400;">, procura partir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao retratar, no burro de circo Eo, uma travessia </span><a href="https://www.slantmagazine.com/film/eo-review-jerzy-skolimowski/"><span style="font-weight: 400;">inspirada</span></a><span style="font-weight: 400;"> na de Balthazar, mas no contexto da Europa contemporânea — tomada de contrastes entre o tecnológico e o natural — Skolimowski constrói uma linguagem inovadora para equiparar as lentes do Cinema as de outras formas de vida. Sua tentativa é, em um filme vencedor em um empate no Prêmio do Júri em </span><a href="https://www.instagram.com/p/CgnO52sOQ9w/?utm_source=ig_web_copy_link"><span style="font-weight: 400;">Cannes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e indicado a Melhor Filme Internacional no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2023</span></a><span style="font-weight: 400;">, de projetar essa narrativa não aos olhos humanos, mas sim, ao olhar de um burro e de outros animais que habitam o bioma de seu filme.</span></p>
<figure id="attachment_30226" aria-describedby="caption-attachment-30226" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30226 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo2-1-scaled.jpg" alt=" Em uma planície escurecida pelo ambiente, que está amanhecendo, em um céu azul mais escuro e tomado de nuvens, se observa, mais longe ao plano, apenas a silhueta do burro Eo, também escurecido pela luz." width="2560" height="1439" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo2-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo2-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo2-1-1024x575.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo2-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30226" class="wp-caption-text">EO é filmado majoritariamente filmado na cidade de Bukowsko, na Polônia (Foto: Skopia Film)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Contando com um papel coadjuvante da magnânima </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/entre-telas/filmes/isabelle-huppert-o-que-me-leva-a-seguir-adiante-nas-telas-sao-ideias-cheias-de-frescor,be784308eeaeddddb7558f6bb01e8823wktaturl.html"><span style="font-weight: 400;">Isabelle Huppert</span></a><span style="font-weight: 400;">, o longa não é exatamente uma </span><i><span style="font-weight: 400;">masterclass</span></i><span style="font-weight: 400;"> de atuação de seu protagonista, um papel exercido por seis burros diferentes (não feridos na árdua trajetória da interpretação). Entretanto, o manifesto interespécie de Skolimowski é um exercício exemplar de montagem e pós-produção, principalmente no que concerne ao potencial da edição de Agnieszka Glinska em salientar os aspectos expressivos e conceituais de uma obra. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A perspectiva colocada pelo </span><a href="https://mubi.com/cast/jerzy-skolimowski"><span style="font-weight: 400;">diretor</span></a><span style="font-weight: 400;"> e traduzida pela cinematografia, encabeçada por Michael Dymek, se materializa em imagens distorcidas, com a janela e o enquadramento cinematográfico comprometidos ou em tons de contraste: entre um azul anil, indicativo de pontos de calmaria na fuga de Eo, e um vermelho sangue que estardalhaça a tela e constantemente reconstrói o tom do filme.  A sequência inicial, em que o burro ainda é o centro de atração de um espetáculo circense, é acometida por essa colorização, indicativa da violência do ato que poderia, por outros retratos, ser de grande singeleza e até mesmo passional ao que é, essencialmente, uma exploração da vida animal. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A uma filmografia contemplada pelo experimentalismo</span><i><span style="font-weight: 400;">, EO </span></i><span style="font-weight: 400;">funciona tanto enquanto um suspiro de leveza, — mesmo que carregue, em sua estrutura, esses momentos de brutalidade e tensão — quanto um gesto decisivo de maturidade de seu diretor. Afinal, com 84 anos, Jerzy Skolimowski parece se comprometer a uma </span><a href="https://www.nytimes.com/2023/01/03/movies/eo-donkey-escape.html"><span style="font-weight: 400;">ternura crítica</span></a><span style="font-weight: 400;">, que busca tanto se colocar no espaço de um </span><a href="https://razaoinadequada.com/2016/04/05/devir-animal/"><span style="font-weight: 400;">devir animal</span></a><span style="font-weight: 400;">, um conceito amparado na teoria do filósofo Gilles Deleuze e da pensadora Donna Haraway, quanto denunciar o mundo contemporâneo e os arcabouços criados pela Humanidade. </span></p>
<figure id="attachment_30223" aria-describedby="caption-attachment-30223" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30223 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo3.jpg" alt="Próximo à câmera, apenas uma parte da cabeça, em perfil, de Eo é captada, como eus olhos negros e uma tira da fivela que enlaça sua boca. O fundo e toda a colorização da imagem é vermelha, sendo seu pelo, pela luz, de algo como um laranja escuro." width="1024" height="682" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo3.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo3-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30223" class="wp-caption-text">Skolimowski se utiliza do popular recurso POV — no qual adere um ponto de vista em primeira pessoa — para aproximar seu personagem do público (Foto: Skopia Film)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É assim que segue Eo. Assim como no elogiado </span><i><span style="font-weight: 400;">Okja</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">do diretor vencedor do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i> <a href="https://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><span style="font-weight: 400;">Bong Joon-Ho</span></a><span style="font-weight: 400;">, a trajetória animal, para além de pontos de reviravolta ou de suspense, dada a vulnerabilidade que lhe é atribuída, é feita desses instantes quiméricos e espontâneos de leveza ou de desterramento pela civilização. Na Europa em que são marcados os seus passos equinos, também habita um complexo vivo de tecnologias, onde até mesmo moinhos eólicos parecem monstros para os olhos de um burro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://apaladewalsh.com/2023/02/eo-efeito-burreshov/"><span style="font-weight: 400;">diálogo</span></a><span style="font-weight: 400;"> estabelecido por Skolimowski entre o naturalismo de Bresson e a transgressão de Haraway, fundadora de um pensamento </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/os-melhores-livros-de-2022/o-futuro-e-multiespecie#:~:text=Bi%C3%B3loga%20molecular%20de,a%20nossa%20interioridade."><span style="font-weight: 400;">ciborgue</span></a><span style="font-weight: 400;"> — no qual são desafiados os limites entre natural e tecnológico —, é constante na mensagem de </span><i><span style="font-weight: 400;">EO</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Representados nas filmagens como se fossem bichos, drones são personagens e técnicas dessa narrativa, por serem também utilizados para a captura de sequências do filme. O fluxo do natural ao artificial e mecânico se exalta na direção do som e da trilha sonora do filme (responsabilidade, respectivamente, de </span><span style="font-weight: 400;">Radoslaw Ochnio e Pawel Juzwuk), </span><span style="font-weight: 400;">em que a delicadeza de fundos musicais que parecem ter saído diretamente de um longa da Disney tornam-se pesadelos industriais, em batidas eletrônicas agressivas e metálicas.</span></p>
<figure id="attachment_30222" aria-describedby="caption-attachment-30222" style="width: 1240px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30222 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo4.jpg" alt="A foto captura apenas uma parte do perfil de Eo. Observam-se seus olhos negros, a coloração esbranquiçada perto dos olhos e do focinho e da tira preta de tecido que o enlaça e é presa por um aro metálico em sua face. Ao fundo, uma floresta esverdeada borrada, e borrões azulados tomam a superfície da imagem." width="1240" height="698" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo4.jpg 1240w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30222" class="wp-caption-text">EO é o primeiro filme do diretor a ser indicado na premiação da Academia (Foto: Skopia Film)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Contra </span><a href="https://personaunesp.com.br/close-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Close</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> na categoria de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-filme-estrangeiro/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Filme Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2023, </span><i><span style="font-weight: 400;">EO </span></i><span style="font-weight: 400;">também direciona seu olhar aos tumultos contemporâneos da atualidade. O ativismo contra a crueldade animal, a relação de poder entre homens e mulheres, o ambientalismo e até mesmo as tensões entre grupos políticos extremistas são como interlúdios à centralidade das relações dos animais com a exterioridade. Das cidades, passando pelas tralhas de um lixão tecnológico, até chegar às florestas, os cenários são percebidos em planos majoritariamente fechados e focados na figura de Eo, que tem seus olhos e corpo capturados com proximidade pela câmera. Que isso é uma tentativa máxima de se aproximar de sua experiência e subjetividade, é claro; mas até a presença de seus grunhidos e da maneira em que se comporta diante de outros animais abre, às lacunas obrigatórias de toda história, a possibilidade de se imaginar: ‘‘</span><a href="https://mubi.com/notebook/posts/the-donkey-s-eyes-jerzy-skolimowski-discusses-eo#:~:text=At%20that%20very,the%20film%E2%80%99s%20situation."><span style="font-weight: 400;">o que ele sente?</span></a><span style="font-weight: 400;">’’</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No terceiro roteiro de longa-metragem que escreve juntamente de sua esposa, Ewa Piaskowska, Jerzy Skolimowski não abandona sua </span><a href="https://www.magazine-hd.com/apps/wp/eo-critica-analise/"><span style="font-weight: 400;">tônica crítica</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas a desenvolve a partir de um padrão visual. São recorrentes as imagens do olho de Eo, deslumbrado pelo mundo que o cerca, distorcido e fantasioso. Essas imagens são uma abordagem radical, </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/cinema/cannes-eo-de-jerzy-skolimowski"><span style="font-weight: 400;">na forma do Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">, ao treinamento linguístico que o filósofo Jacques Derrida se submeteu, ao se questionar da maneira como ele deveria retornar ao </span><a href="https://grattoncourses.files.wordpress.com/2016/12/the-animal-that-therefore-i-am-jacques-derrida-ed-marie-louis-mallet-tr-david-wills.pdf"><span style="font-weight: 400;">olhar ruminativo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu animal de estimação, um gato. </span><span style="font-weight: 400;">Nisso, o diretor polônes tenta se aproximar do ver e do sentir animal sugerindo, em suas passagens oníricas, até mesmo a possibilidade do sonho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que distingue </span><i><span style="font-weight: 400;">EO </span></i><span style="font-weight: 400;">da fábula e do conto moral de Robert Bresson, o qual se inspira, é nunca assumir certeza acerca dessa </span><a href="https://www.latimes.com/entertainment-arts/movies/story/2022-12-02/eo-review-donkey-movie-jerzy-skolimowski"><span style="font-weight: 400;">sensibilidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Essa aproximação é um ato enigmático, um desafio que apenas as dúvidas e improbabilidades da metáfora, trazida pela Arte, é capaz de compreender. O burro de Skolimowski é um personagem enigmático, que revela uma filosofia própria de entendimento do mundo até em seu próprio fim, enigmático e brutal demais para ser uma simples coincidência ou fatalidade do destino. Na experiência de mergulhar-se em outra possibilidade de perceber o mundo, o cineasta não trai o seu objetivo. A </span><a href="https://revistadesvioblog.files.wordpress.com/2018/03/ismail-xavier-o-discurso-cinematogrc3a1fico.pdf"><span style="font-weight: 400;">opacidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Cinema experimental, que ressalta o trabalho da técnica e da linguagem cinematográfica, cede lugar ao ilusionismo de uma perspectiva que renuncia o trabalho humano. </span><i><span style="font-weight: 400;">EO </span></i><span style="font-weight: 400;">é, para além de um filme, uma pesquisa sobre </span><a href="https://airmail.news/issues/2022-12-3/animal-instinct"><span style="font-weight: 400;">outras maneiras de representar e sentir</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="EO [2022] Official Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ii0gjj963ZY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Compartment Nº 6 desliza nos trilhos da desesperança</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Nov 2021 20:50:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Bem recebido e premiado com o Grand Prix em Cannes, o finlandês Compartment Nº 6 passa pela 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo provando que, às vezes, a jornada é mais importante que o destino. De fato, o filme de Juho Kuosmanen, parte da Competição Novos Diretores, esbanja um nível técnico &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/compartment-no-6-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Compartment Nº 6 desliza nos trilhos da desesperança"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_24334" aria-describedby="caption-attachment-24334" style="width: 1247px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24334" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-1.jpg" alt="Cena do filme Compartment Nº 6. Nela vemos um homem e uma mulher, ambos brancos, sentados em um banco de trem, se olhando. Ele é careca e usa blusa azul, enquanto ela tem cabelos castanhos claros na altura dos ombros e usa uma blusa verde." width="1247" height="702" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-1.jpg 1247w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-1-1200x676.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24334" class="wp-caption-text">Depois de vencer o Grande Prêmio do Júri em Cannes (em um empate com Um Herói), o longa finlandês chega à Mostra de SP pela Competição Novos Diretores [Foto: Sony]</figcaption></figure><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Bem recebido e </span><a href="https://cenasdecinema.com/74o-festival-de-cannes-anuncia-vencedores/"><span style="font-weight: 400;">premiado com o </span><i><span style="font-weight: 400;">Grand Prix</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em Cannes, o finlandês </span><i><span style="font-weight: 400;">Compartment Nº 6</span></i><span style="font-weight: 400;"> passa pela 45ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo provando que, às vezes, a jornada é mais importante que o destino. De fato, o filme de Juho Kuosmanen, parte da Competição Novos Diretores, esbanja um nível técnico invejável para um cineasta “iniciante”, repleto de discussões interessantes e do clássico trunfo de não dizer, e sim mostrar.</span></p>
<p><span id="more-24333"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na história, acompanhamos uma jovem finlandesa (Seidi Haarla) que se distancia de um caso amoroso em Moscou, embarca em um trem e parte em busca de rochas especiais, que contam com inscrições muito antigas e enriquecedoras para seus trabalhos como historiadora. No </span><a href="https://variety.com/2021/film/reviews/compartment-no-6-review-hytti-nro-6-1235016423/"><span style="font-weight: 400;">vagão meia-dúzia</span></a><span style="font-weight: 400;">, ela conhece um minerador russo (Yuriy Borisov), escroto e inconveniente, mas aos poucos amolecido pelo álcool no sangue e pela companheira de dormitório.</span></p>
<figure id="attachment_24335" aria-describedby="caption-attachment-24335" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24335" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-1-scaled.jpg" alt="Cena do filme Compartment Nº 6. Nela vemos dois jovens brancos parados ao redor de um carro verde. Cada um está de um lado do veículo, abrindo as portas. Está de dia e muita neve cobre o ambiente." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-1-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24335" class="wp-caption-text">Dentro do vagão, Compartment Nº 6 encontra espaço para nos transportar pelo tempo e pela emoção dos jovens protagonistas (Foto: Sony)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro de Andris Feldmanis, Livia Ulman e de Kuosmanen, baseado no livro de Rosa Liksom, investe no </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2021/jul/10/compartment-no-6-review-meet-uncute-train-romance-is-a-finnish-before-sunrise"><span style="font-weight: 400;">jogo de gato e rato</span></a><span style="font-weight: 400;"> que os protagonistas se metem, partindo de situações de extremo alerta (como a sequência ambientada no banheiro da locomotiva) até momentos mais sutis e divertidos (a mini-viagem que toma parte lá pelo segundo ato). Ao invés de colocar na boca dos personagens suas ações e seus passados, o brilhante texto nos mostra essas virtudes em ação, em gestos, olhares e reações.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Imagine o cruzamento ideal da ambientação da </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/antes-da-meia-noite-critica"><span style="font-weight: 400;">trilogia romântica de Richard Linklater</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o niilismo mais classudo que o Cinema pensa em ostentar. </span><i><span style="font-weight: 400;">Hytti nro 6</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos mantém na ponta dos pés, nunca revelando suas reais intenções. Devemos nos preocupar? Ou apenas aproveitar a viagem? São quase duas horas de uma jornada inquieta e extremamente viciante, o que causa um estranhamento quase que latente por baixa da primeira camada do </span><i><span style="font-weight: 400;">voyeurismo</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_24336" aria-describedby="caption-attachment-24336" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24336" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3.jpg" alt="Cena do filme Compartment Nº 6. Nela vemos duas mulheres brancas sentadas à mesa, que está cheia de comidas e bebidas. Cada uma segura um cigarro aceso e elas se olham nos olhos. A da esquerda é mais velha e a da direita é jovem. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24336" class="wp-caption-text">O frio europeu congela tudo, menos o sentimento e o calor da juventude (Foto: Sony)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Acompanhar tanto da intimidade dessas pessoas, dos vídeos caseiros da garota até o sono grosseiro do homem, pode ser intrusivo até demais. Porém, o diretor não força a barra ou penetra demais a psique atormentada e </span><i><span style="font-weight: 400;">millennial </span></i><span style="font-weight: 400;">dessa dupla do barulho. Respeitando limites e dando espaço para que seus objetos de estudo respirem, Kuosmanen é maquinista de um veículo que tem total ciência de </span><a href="https://www.screendaily.com/reviews/compartment-no-6-cannes-review/5161474.article"><span style="font-weight: 400;">onde quer ir</span></a><span style="font-weight: 400;">. O destino vive no amanhã, ele sabe, e nós só temos o hoje. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O frio que congela a Rússia não é o bastante para que Vadim e Laura se prendam a quaisquer definições que os estereótipos de uma estudiosa e de um estúpido poderiam carregar. A </span><a href="https://www.facebook.com/termometrooscar/posts/4854557347906550/"><span style="font-weight: 400;">escolha da Finlândia</span></a><span style="font-weight: 400;"> para a corrida do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022 possui o </span><i><span style="font-weight: 400;">fleur </span></i><span style="font-weight: 400;">que costuma favorecer os grandes filmes internacionais: uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/druk-mais-uma-rodada-critica/"><span style="font-weight: 400;">história “universal”</span></a><span style="font-weight: 400;"> recheada de </span><a href="https://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><span style="font-weight: 400;">pormenores culturais específicos</span></a><span style="font-weight: 400;">. A receita do sucesso é a honestidade, e, capturado pela meticulosa montagem de Jussi Rautaniemi, pela gélida fotografia de J-P Passi e pelo rústico </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">de produção de Kari Kankaanpää, </span><i><span style="font-weight: 400;">Compartment Nº 6</span></i><span style="font-weight: 400;"> é brutalmente verdadeiro.</span></p>
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		<title>Os 45 anos de Cría Cuervos perpetuam uma narrativa melancólica, psicológica e política</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Aug 2021 19:00:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gatti O corvo é uma ave comumente apresentada como algo negativo. Na Espanha, por exemplo, a frase “cría cuervos y te sacarán los ojos”, utilizada para designar ingratidão, é muito conhecida. Nesse raciocínio, o diretor Carlos Saura faz alusão ao dito popular em Cría Cuervos, que conta a história de três irmãs criadas pela &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cria-cuervos-45-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os 45 anos de Cría Cuervos perpetuam uma narrativa melancólica, psicológica e política"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22323" aria-describedby="caption-attachment-22323" style="width: 630px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22323" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-4.jpg" alt="A imagem apresenta Ana Torrent, uma criança branca, de cabelos castanhos, lisos e curtos, usando um casaco vermelho. Um pouco atrás, mais para a esquerda da foto está Geraldine Chaplin, uma mulher branca, de cabelos castanhos, lisos, na altura dos ombros, que usa uma vestimenta verde. A expressão de ambas é neutra e o fundo exibe uma parede cinza." width="630" height="378" /><figcaption id="caption-attachment-22323" class="wp-caption-text">Carlos Saura mistura o passado e o presente da personagem Ana em Cría Cuervos (Foto: Elías Querejeta Producciones Cinematográficas S.L.)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Gatti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O corvo é uma ave comumente apresentada como algo </span><a href="https://meusanimais.com.br/o-corvo-na-cultura-popular/"><span style="font-weight: 400;">negativo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Na Espanha, por exemplo, a frase “</span><a href="https://www.imer.mx/tropicalisima/cria-cuervos-y-te-sacaran-los-ojos/"><i><span style="font-weight: 400;">cría cuervos y te sacarán los ojos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, utilizada para designar ingratidão, é muito conhecida. Nesse raciocínio, o diretor Carlos Saura faz alusão ao dito popular em </span><i><span style="font-weight: 400;">Cría Cuervos</span></i><span style="font-weight: 400;">, que conta a história de três irmãs criadas pela tia após o falecimento dos pais. O longa, de 1976, foi lançado no período da redemocratização espanhola, após 36 anos sob domínio da Ditadura Franquista. Esse contexto histórico serviu de inspiração para Saura na produção do filme. </span></p>
<p><span id="more-22322"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa, que se constrói de forma não-linear, narra a vida de Irene (Conchita Pérez), Ana (Ana Torrent) e Maite (Mayte Sanchez), que passam a ser criadas pela tia Paulina (Mónica Randall) após o falecimento do pai (Héctor Alterio). A trama se alterna entre o presente com </span><a href="https://vounoflash.com.br/2021/01/12/o-que-e-o-flashback/"><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de quando a mãe (Geraldine Chaplin) ainda estava viva e depoimentos de Ana (Geraldine Chaplin) já adulta refletindo sobre sua infância triste.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ambiente familiar de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cría Cuervos </span></i><span style="font-weight: 400;">também era habitado por outras duas pessoas. A avó (Josefina Diaz), é uma idosa com a saúde debilitada e muda, que passa seus dias contemplando com nostalgia suas fotos, de um passado feliz e próspero. A outra moradora é Rosa (Florinda Chico), empregada da casa, à quem Ana recorre para sanar suas dúvidas sobre a vida de sua mãe.</span></p>
<figure id="attachment_22324" aria-describedby="caption-attachment-22324" style="width: 713px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22324" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-2-4.jpg" alt="Cena do filme Cría Cuervos em que a família está sentada à mesa se alimentando. A tia Paulina, que é uma mulher branca, de cabelos castanhos claros e curtos, aparece usando uma camisa rosa claro, sentada de costas para a imagem. Irene, a irmã mais velha, que é branca, de cabelos castanhos, lisos, na altura dos ombros, aparece comendo no fundo da foto. Rosa, uma mulher branca de cabelos castanhos claros e curtos, que usa um vestido rosa florido e um avental branco, serve água à Maite, a irmã mais nova, que é branca de cabelos castanhos e curtos. No canto bem a direita está Ana, branca, de cabelos castanhos, lisos e curtos. No centro está a mesa, repleta de taças e pratos com comida e no fundo há um abajur, uma cortina e uma lâmpada fixada na parede." width="713" height="428" /><figcaption id="caption-attachment-22324" class="wp-caption-text">A primeira vista, Cría Cuervos se apresenta apenas como uma narrativa psicológica sobre uma família ceifada pela morte dos pais (Foto: Elías Querejeta Producciones Cinematográficas S.L.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas cenas de </span><i><span style="font-weight: 400;">flashback</span></i><span style="font-weight: 400;">, é possível perceber a angústia que a mãe vivia dentro do matrimônio. O pai, por sua vez, é um militar que trai sua esposa até mesmo dentro de casa. O falecimento prematuro da mãe, com quem Ana tinha uma relação estreita, fez com que a criança passasse a desenvolver uma fascinação pela morte. Tudo se complica no momento em que as três irmãs passam para a tutela da tia Paulina, por quem a filha do meio possui grande desconfiança e ingratidão. As ordens da nova tutora transformam o ambiente familiar em uma convivência intragável, pela qual Ana relembra na vida adulta como a </span><a href="https://epocanegocios.globo.com/Vida/noticia/2017/09/estudo-mostra-qual-e-fase-mais-triste-da-vida.html"><span style="font-weight: 400;">fase mais triste</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cría Cuervos</span></i><span style="font-weight: 400;"> se mostra ainda mais complexa no momento em que a narrativa se divide em duas interpretações da obra. A primeira e mais óbvia é a psicológica. O filme se desenvolve com uma história que analisa os efeitos psicológicos da </span><a href="https://bebe.abril.com.br/familia/luto-infantil-como-falar-sobre-morte-com-criancas-pequenas/"><span style="font-weight: 400;">morte</span></a><span style="font-weight: 400;"> na vida de uma criança. A mãe sofre com os rumos do seu casamento, se mostrando sentimental e triste. O pai, por sua vez, é insensível, grosseiro e se importa apenas consigo mesmo. O desenrolar mostra a tentativa de adaptação das irmãs à nova realidade, focando no lado emocional e desmistificando a infância como a fase mais feliz da vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, ao considerar os aspectos políticos e históricos, o longa apresenta sua segunda narrativa, mais profunda e complexa. Desse modo, todos os personagens seriam alegorias representando grupos da história espanhola no crepúsculo da </span><a href="https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/francisco-franco.htm"><span style="font-weight: 400;">Ditadura Franquista</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seguindo esse raciocínio, Ana seria a própria Espanha, que olha para o seu passado triste em que foi submetida ao governo de Francisco Franco. Agora adulta, ela compreende sua trajetória e pode seguir sua vida, porém as cicatrizes de seu passado serão permanentes. A mãe, por sua vez, representa o povo espanhol, o pai, o governo ditatorial, e a tia, a elite interesseira que ameniza os erros cometidos pelo gestor tirano. A avó emudecida é a população madura, que lembra do passado rico e silencia com a opressão do presente.</span></p>
<figure id="attachment_22325" aria-describedby="caption-attachment-22325" style="width: 1793px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22325" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-4.jpg" alt="Cena do filme Cría Cuervos exibe Ana, uma criança branca, de cabelos castanhos, lisos e curtos, empurrando sua avó, uma idosa branca, de cabelos curtos grisalhos, na cadeira de rodas. Elas estão em um jardim repleto de árvores, em que há uma piscina vazia e embolorada." width="1793" height="1076" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-4.jpg 1793w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-4-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-4-1024x615.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-4-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-4-1536x922.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-4-1200x720.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22325" class="wp-caption-text">O silêncio da avó debilitada diz muito (Foto: Elías Querejeta Producciones Cinematográficas S.L.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para desenvolver essa narrativa rica com interpretações dualistas, Saura utiliza diversos recursos audiovisuais. Nos monólogos, em que Ana já adulta discorre sobre seu passado, ocorre a </span><a href="https://www.spescoladeteatro.org.br/noticia/o-que-e-quarta-parede"><span style="font-weight: 400;">quebra da quarta parede</span></a><span style="font-weight: 400;">. Além disso, os </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> presentes em toda a narrativa permitem ao telespectador um vislumbre das memórias da criança, demonstrando que alguns fatos de seu passado estão falhos na sua mente. Esses efeitos de montagem não-linear, realizados brilhantemente por Pablo del Amo, que embaralham a percepção, favorecem a dramaticidade da trama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre essas idas e voltas no tempo, o que chama atenção é a trilha sonora do filme. Em diversos momentos da vida de Ana, a canção </span><a href="https://youtu.be/TjUhXbGdLYo"><i><span style="font-weight: 400;">Porque te vas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://joseluisperales.net/"><span style="font-weight: 400;">José Luis Perales</span></a><span style="font-weight: 400;"> interpretada por </span><a href="https://www.mgtradio.net/artista/jeanette"><span style="font-weight: 400;">Jeanette</span></a><span style="font-weight: 400;">, é repetida incansavelmente. A melodia chiclete servia como um refúgio para a triste infância da criança, que ouvia a música enquanto brincava com suas irmãs.</span></p>
<figure id="attachment_22326" aria-describedby="caption-attachment-22326" style="width: 998px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22326" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-4-3.jpg" alt="Cena do filme Cría Cuervos em que Maite, uma criança branca, de cabelos castanhos, lisos e curtos, se inclina para beijar o cadáver do pai, que é branco e careca. O homem está deitado em um caixão." width="998" height="599" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-4-3.jpg 998w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-4-3-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-4-3-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22326" class="wp-caption-text">De um ímpeto, Ana se recusa a beijar o corpo do pai falecido (Foto: Elías Querejeta Producciones Cinematográficas S.L.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um longa bem elaborado assim, só poderia ser assinado por um diretor experiente, assim como Carlos Saura. O cineasta acumulou admiradores ao longo de sua carreira, como </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/stanley-kubrick-o-cineasta-das-obras-primas/"><span style="font-weight: 400;">Stanley Kubrick</span></a><span style="font-weight: 400;">, grande apreciador dos filmes </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-peppermint-frappe/"><i><span style="font-weight: 400;">Peppermint Frappé</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="http://cms.hojeemdia.com.br/preview/www/2.917/2.918/1.494513"><i><span style="font-weight: 400;">Bodas de Sangue</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Além disso, como veterano na indústria do Cinema, Saura ganhou diversos prêmios, como o </span><a href="https://www.berlinale.de/en/home.html"><span style="font-weight: 400;">Urso de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nOu1MuxC_Pc&amp;t=5s"><span style="font-weight: 400;">Prémio Goya de Melhor Realizador</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas </span><i><span style="font-weight: 400;">Cría Cuervos</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi o grande feito em sua carreira. O filme foi indicado ao </span><a href="https://agora.folha.uol.com.br/sao-paulo/2021/04/conheca-a-historia-do-oscar-de-melhor-filme-estrangeiro.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme Estrangeiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, ao </span><a href="https://www.bfi.org.uk/"><i><span style="font-weight: 400;">London Film Festival</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e ganhou o </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2019/05/25/como-o-juri-do-festival-de-cannes-escolhe-seus-vencedores.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Grande Prêmio do Júri no Festival de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cannes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dentre outros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da direção exitosa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cría Cuervos</span></i><span style="font-weight: 400;"> é formado por um grande elenco. </span><span style="font-weight: 400;">A interpretação de </span><a href="https://www.alohacriticon.com/cine/actores-y-directores/ana-torrent/"><span style="font-weight: 400;">Ana Torrent</span></a><span style="font-weight: 400;"> guia os telespectadores pela mente conturbada da protagonista Ana enquanto criança</span><span style="font-weight: 400;">. A atriz já havia brilhado no longa </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-o-espirito-da-colmeia/"><i><span style="font-weight: 400;">O Espírito da Colmeia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que conta a história de duas irmãs que, após assistirem ao filme </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-frankenstein-1931/"><i><span style="font-weight: 400;">Frankenstein</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ficam obcecadas pelo monstro. Outro destaque de atuação vai para </span><a href="https://cinemaclassico.com/biografias/biografia-de-geraldine-chaplin/"><span style="font-weight: 400;">Geraldine Chaplin</span></a><span style="font-weight: 400;">, filha do renomado </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/relembre-trajetoria-de-charlie-chaplin-maior-ator-do-cinema-mudo/"><span style="font-weight: 400;">Charlie Chaplin</span></a><span style="font-weight: 400;">, que interpretou Ana adulta e a mãe. Sua interpretação reflete a angústia das personagens, principalmente no caso da filha, que depois de crescida  relembra sua infância melancólica.</span></p>
<figure id="attachment_22327" aria-describedby="caption-attachment-22327" style="width: 998px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22327" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-5.jpg" alt="Cena do filme Cría Cuervos que mostra Ana, Maite e Irene ouvindo os conselhos da Tia Paulina. O fundo da imagem é o quarto das meninas." width="998" height="599" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-5.jpg 998w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-5-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-5-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22327" class="wp-caption-text">Sob punhos de ferro, tia Paulina dá continuidade a educação autoritária das irmãs (Foto: Elías Querejeta Producciones Cinematográficas S.L.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda essa construção permitiu com que Saura, através de uma narrativa pouco convencional, construísse uma metáfora da Ditadura Franquista como uma infância triste. A temática do governo tirano também foi abordada pelo diretor em </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-ana-e-os-lobos/"><i><span style="font-weight: 400;">Ana e os Lobos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-mamae-faz-100-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Mamãe faz Cem Anos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que, juntos com </span><i><span style="font-weight: 400;">Cría Cuervos</span></i><span style="font-weight: 400;">, formam uma trilogia sobre as relações familiares ceifadas pelo autoritarismo de Francisco Franco. Entre analogias e simbolismos, Carlos Saura construiu um filme emblemático e único com uma história contada sob o ponto de vista de uma criança.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/cria-cuervos-45-anos/">Os 45 anos de Cría Cuervos perpetuam uma narrativa melancólica, psicológica e política</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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