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	<title>Arquivos Filmar ou Morrer &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Persona Entrevista: Lúcia Nagib</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Nov 2025 15:30:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Eduardo Dragoneti Com o documentário Filmar ou Morrer, exibido na 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, a pesquisadora, professora e cineasta Lúcia Nagib revisita um momento crítico da história do Cinema internacional. A partir de O Estado das Coisas (1982), de Wim Wenders, ela costura uma constelação de influências que atravessa Portugal, Hollywood &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/persona-entrevista-lucia-nagib/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Persona Entrevista: Lúcia Nagib"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36412" aria-describedby="caption-attachment-36412" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36412" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-1-1-800x450.png" alt="Cartaz de divulgação para a 'Persona Entrevista' com Lúcia Nagib, parte da 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. À direita, uma foto de Lúcia Nagib, uma mulher de pele clara e cabelo escuro curto, sorrindo e vestindo uma camisa branca de botões, sentada em uma poltrona. O fundo é verde-escuro com um padrão abstrato de ondas e olhos." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-1-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-1-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-1-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-1-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-1-1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-1-1.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36412" class="wp-caption-text">A produção compõe as sessões Foco Reino Unido e Perspectiva Internacional (Arte: Arthur Caires)</figcaption></figure>
<p><b>Eduardo Dragoneti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">Filmar ou Morrer</span></i><span style="font-weight: 400;">, exibido na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, a pesquisadora, professora e cineasta Lúcia Nagib revisita um momento crítico da história do Cinema internacional. A partir de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Estado das Coisas </span></i><span style="font-weight: 400;">(1982), de Wim Wenders, ela costura uma constelação de influências que atravessa Portugal, Hollywood e o Brasil, culminando na morte de Glauber Rocha em Sintra, evento que ecoado de forma quase fantasmática no filme de Wenders e na memória cinéfila posterior.</span></p>
<p><span id="more-36406"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após acaloradas palmas e congratulações do público à Lúcia na sessão realizada na </span><i><span style="font-weight: 400;">Reserva Cultural</span></i><span style="font-weight: 400;">, escondida na Avenida Paulista, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/category/entrevista"><span style="font-weight: 400;">Persona conversou</span></a><span style="font-weight: 400;"> com a diretora sobre o gesto metalinguístico de filmar um filme que fala sobre filmes e, também, sobre como esse movimento pode revelar a própria sobrevivência do Cinema.</span></p>
<figure id="attachment_36407" aria-describedby="caption-attachment-36407" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36407" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-13-800x450.jpg" alt="Cena e preto e branco do filme O Estado das Coisas. Dois homens se abraçam no meio da rua. Um deles está um buraco de tiro nas costas, com sangue na camisa. Já o outro, está gritando assustado com o disparo. Ao fundo, estão outdoors e letreiros de estabelecimentos, além de palmeiras." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-13-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-13-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-13-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-13-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-13-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-13.jpg 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36407" class="wp-caption-text">A diretora entrevistou grandes nomes do Cinema mundial, como o próprio Wim Wenders, Paulo Branco, Walter Salles e Laura Mulvey (Foto: Axiom Films)</figcaption></figure>
<p><b>De onde surgiu a ideia de trabalhar essa metalinguagem e de usar O Estado das Coisas e a morte do Glauber Rocha como ponto de partida da produção?</b></p>
<p><b>Lúcia Nagib: </b><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">A origem de Filmar ou Morrer é longa. Eu me dedico ao cinema alemão desde os anos 1980. Já traduzi </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/paris-texas-40-anos"><i><span style="font-weight: 400;">Wenders</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> e Lotte Eisner, escrevi sobre o Herzog. Sou apaixonada por esse universo. No meu último livro, de 2020, o primeiro capítulo é justamente sobre O Estado das Coisas, que chamei de ‘Morte de Um Cinema’</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lúcia explica que a produção pertence a um gênero já consolidado: os </span><a href="https://www.avmakers.com.br/blog/o-que-e-um-video-ensaio"><span style="font-weight: 400;">ensaios videográficos</span></a><span style="font-weight: 400;"> (ou vídeo-ensaios) – obras que analisam e dialogam com outras a partir da própria linguagem cinematográfica –  e que o formato é o ideal para costurar as histórias dispersas que o longa explora. Para ela, esse formato permite que reflexões complexas circulem para além da academia, alcançando espectadores que talvez nunca leiam seus livros, mas que reconhecem no Cinema um meio mais acessível e afetivo de entender essas ligações entre obras, autores e seus tempos. Já sobre a questão central do filme, Sintra, a diretora diz:</span></p>
<p><b>Lúcia Nagib:</b><span style="font-weight: 400;"> “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu conhecia a história do </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/deus-e-o-diabo-na-terra-do-sol-critica"><i><span style="font-weight: 400;">Glauber</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> ter dito ao Patrick Bauchau: ‘Sintra é um lindo lugar para morrer’, e isso ficou comigo. Bauchau, por sua vez, tinha uma relação fortíssima com a Laura Mulvey, que também é muito próxima a mim. Essas conexões estavam todas ali, esperando para serem reunidas. O filme do Raúl Ruiz, rodado quase simultaneamente, também fazia parte desse universo. Então havia uma teia pronta para ser ativada e </span></i><a href="https://www.rua.ufscar.br/a-memoria-intraduzivel-de-paula-gaitan-em-diario-de-sintra-2008"><i><span style="font-weight: 400;">Sintra</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> era o centro desse enredo</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<figure id="attachment_36408" aria-describedby="caption-attachment-36408" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36408" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-15-800x450.jpg" alt="Cena do ensaio videográfico Filmar ou Morrer. O cineasta Wim Wenders está sentado diante de uma mesa, olhando com expressão séria para alguém atrás da câmera. Ele veste um casaco escuro e camisa branca, e seus óculos arredondados chamam atenção. Ao fundo, uma parede clara com um quadro e uma janela iluminam suavemente o ambiente." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-15-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-15-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-15-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-15-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-15-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-15.jpg 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36408" class="wp-caption-text">Lúcia Nagib colaborou na direção do filme Passagens (2019) com Samuel Paiva (Foto: Reprodução/Distribuição)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir disso, a cineasta percebeu que era possível construir um percurso sobre a morte real de uma figura-chave do Cinema mundial – o Glauber – e, também, sobre a ideia de uma morte simbólica da cinematografia naquele período, atravessado por crises industriais, teóricas e estéticas. Essa convergência de ideias permitiu que </span><i><span style="font-weight: 400;">Filmar ou Morrer</span></i><span style="font-weight: 400;"> dialogasse com linhagens cinematográficas distintas e que revisitasse, ainda, questões que continuam inquietando quem idealiza o colapso da </span><a href="https://youtu.be/ccfzilqUzpQ?si=aEVwTK9Xy3txh1FH"><span style="font-weight: 400;">cinefilia</span></a><span style="font-weight: 400;"> tradicional e as tentativas de reinvenção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de concluir, Lúcia destacou que, embora o documentário parta dessa atmosfera de fim, ela também enxerga nos próprios cineastas retratados, uma insistência vital em seguir criando, mesmo diante de fraturas históricas. Para ela, o </span><a href="https://revistausina.com/2016/07/17/entrevista-com-lucia-nagib"><span style="font-weight: 400;">Cinema nunca vai morrer</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas sim se transformar e encontrar novas formas de se reafirmar como linguagem e como espaço de troca. </span></p>
<blockquote><p><b><i>“Me interessava muito saber sobre como o cinema encontra essas maneiras de sobreviver. E, pelo visto, deu um belo filme.”</i></b></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
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