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	<title>Arquivos Festival de Gramado &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A ruína dos homens em Oeste Outra Vez</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Oct 2024 20:00:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo Já tem alguns anos que o Cinema, principalmente o western, tem desconstruído os mitos que solidificaram gêneros. Oeste Outra Vez, de Erico Rassi, segue pela mesma boiada, colocando em duelo os homens e seus relacionamentos. Nesse sertão, Toto (Ângelo Antônio) contrata um pistoleiro para dar um fim no homem que conquistou sua mulher. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/oeste-outra-vez-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A ruína dos homens em Oeste Outra Vez"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34231" aria-describedby="caption-attachment-34231" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-34231" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-9.png" alt="Na imagem, em formato horizontal, Toto e Jerominho cavalgam por uma paisagem de mato amarelado e morros ao fundo. O fundo é azul com árvores. Toto está do lado esquerdo, mais atrás de Jerominho, em cima de um cavalo com pelagem cinza. Ele veste uma camisa de botão na cor branca e calça jeans. Ele é um homem na faixa dos 60 anos, de pele escura e cabelos grisalhos. Jerominho está mais à frente, montado em um cavalo branco, bem sujo. Ele veste uma jaqueta azul e calça cinza, Usa na cabeça um chapéu preto. Ele é um homem na faixa dos 80 anos. " width="1920" height="709" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-9.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-9-800x295.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-9-1024x378.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-9-768x284.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-9-1536x567.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-9-1200x443.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34231" class="wp-caption-text">As filmagens foram feitas no sertão de Goiás (Foto: O2 Play)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já tem alguns anos que o Cinema, principalmente o </span><i><span style="font-weight: 400;">western</span></i><span style="font-weight: 400;">, tem desconstruído os mitos que solidificaram gêneros. </span><i><span style="font-weight: 400;">Oeste Outra Vez</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Erico Rassi, segue pela mesma boiada, colocando em duelo os homens e seus relacionamentos. Nesse sertão, Toto (Ângelo Antônio) contrata um pistoleiro para dar um fim no homem que conquistou sua mulher. O filme faz parte da seção Mostra Brasil da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-34230"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é exagero afirmar que o trabalho de </span><a href="https://telaviva.com.br/23/10/2024/erico-rassi-e-rafaela-camelo-diretores-do-centro-oeste-crescem-no-cinema-nacional/"><span style="font-weight: 400;">Rassi</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um dos melhores desta edição da Mostra; diálogos assombrosos, </span><i><span style="font-weight: 400;">takes </span></i><span style="font-weight: 400;">riquíssimos e a perfeita escolha de cores são os destaques no mar de qualidades deste clima árido. O longa é muito duro, são poucos cortes, quase nenhuma movimentação de câmera e planos que se estendem, simulando a vida desses personagens chucros, que convivem com muita sujeira e precariedade: dividem um mesmo prato com três colheres. No início, a primeira coisa que se ouve é o zumbido de uma mosca e o que se vê é um campo árido cheio de lixo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A casa do protagonista, dos coadjuvantes e os espaços que todos frequentam expressam a falta de alguma coisa. Um caco de vidro é usado como espelho, quase nada aparenta limpeza – nem roupas ou louça –, os bares estão vazios, se cheios, sem mulheres e o jogo de sinuca não tem vencedor. Se estamos no oeste </span><a href="https://cinemaemcena.com.br/coluna/ler/524/nos-rastros-do-western"><span style="font-weight: 400;">outra vez</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que mudou desde a primeira vez que um caubói marcou a pegada de sua bota? </span></p>
<figure id="attachment_34232" aria-describedby="caption-attachment-34232" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34232" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-8.png" alt="Na imagem, Durval está sentado no balcão de um bar, segurando entre as mãos um copo de cerveja. Ele é um homem negro na faixa dos 40 anos, de cabelos crespos. Ele veste uma camisa de botões xadrez na cor vermelha e um relógio de pulso na cor dourada. As paredes são metade azul e metade vermelha. Ao fundo há dois carros estacionados. Um branco e o outro vermelho. " width="750" height="394" /><figcaption id="caption-attachment-34232" class="wp-caption-text">O filme ganhou o prêmio de Melhor Longa-Metragem Brasileiro no Festival de Gramado de 2024 (Foto: O2 Play)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os homens do diretor goiano não são heróis, grandes pistoleiros ou símbolos de honra. Mas, sim, sórdidos; o que sabem fazer melhor é beber e pouco conversam. Porém, são muito parecidos, não existem vilões ou maniqueísmos, todos estão ligados pela ausência do amor e a incapacidade de viver sozinho. Em certo momento, Toto, ao telefone, diz que Jerominho (</span><a href="https://personaunesp.com.br/bacurau-critica/"><span style="font-weight: 400;">Rodger Rogério</span></a><span style="font-weight: 400;">) não é seu amigo, mesmo que ambos atravessem um sertão juntos, eles não reconhecem nesses homens um senso de irmandade e de afeto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Toto, Durval (</span><a href="https://personaunesp.com.br/falas-negras-critica/"><span style="font-weight: 400;">Babu Santana</span></a><span style="font-weight: 400;">) e todos os personagens tratam as mulheres como posses, algo que foi roubado, perdido ou tirado deles por alguém. Não como uma pessoa que optou em ir embora. Esse comportamento, faz sentido na construção desta história, afinal, é uma das poucas realizações que eles têm na vida. Outros nem possuem e só viveram uma paixão de “</span><i><span style="font-weight: 400;">longe</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A única mulher que aparece em todo filme, sem aparecer seu rosto, é a razão para todos os confrontos existirem, mas ela dá as costas e vai embora, deixando que os homens briguem. Eles continuam repetindo ciclos de violência até quando quem estava ali não vai voltar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mpfIuJh_skU"><span style="font-weight: 400;">Erico Rassi</span></a><span style="font-weight: 400;"> é seca como o deserto, dura como o cacto e ardida como o sol. Ele não é pomposo ao contar a história de homens perdidos em suas masculinidades, com poucas falas e muitos momentos silenciosos. O </span><i><span style="font-weight: 400;">western </span></i><span style="font-weight: 400;">brasileiro mantém eles no mesmo lugar que saíram, distanciando a câmera cada vez mais; não há planos detalhe, os horizontes são muito maiores que eles e as cenas de ação escassas. As escolhas narrativas de Rassi não dão margem para salvação dos personagens e levam-nos ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oeste Outra Vez</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>Mussum, o Filmis: o samba e o humor brasileiro agradecem</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Nov 2023 19:44:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Mussum, o Filmis chegou às telas em uma safra fértil para as personalidades brasileiras: alguns meses depois de Nosso Sonho, junto do documentário Elis e Tom, Só Tinha de Ser com Você e Meu Nome é Gal, e pouco antes de Meu Sangue Ferve por Você. Haja cultura e diversidade em um ano &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/mussum-o-filmis-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Mussum, o Filmis: o samba e o humor brasileiro agradecem"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31839" aria-describedby="caption-attachment-31839" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31839" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586.jpg" alt="" width="1280" height="531" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586-800x332.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586-1024x425.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586-768x319.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586-1200x498.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31839" class="wp-caption-text">Maior estreia nacional em 2023, Mussum, o Filmis integrou a programação da 47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Downtown Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegou às telas em uma safra fértil para as personalidades brasileiras: alguns meses depois de </span><a href="https://personaunesp.com.br/nosso-sonho-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nosso Sonho</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, junto do documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">Elis e Tom, Só Tinha de Ser com Você </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eV1cJ560K2E"><i><span style="font-weight: 400;">Meu Nome é Gal</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e pouco antes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Meu Sangue Ferve por Você</span></i><span style="font-weight: 400;">. Haja cultura e diversidade em um ano em que, independentemente dos desempenhos individuais de cada obra, o Cinema nacional mostrou a potência que é &#8211; e que poderia ser ainda maior com </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/08/as-cotas-de-tela-sao-positivas-para-o-cinema-brasileiro-e-precisam-ser-retomadas.shtml"><span style="font-weight: 400;">políticas públicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que verdadeiramente valorizassem esse potencial. Para melhorar, a envolvente cinebiografia do sambista, ator e comediante Mussum, eternamente conhecido pelo seu papel como um dOs Trapalhões, arranca risadas fáceis e, não por menos, estreou com seis Kikitos do Festival da Gramado na bagagem, além de passagens pelo Festival do Rio 2023 e pela 47ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, na seção Mostra Brasil.</span></p>
<p><span id="more-31833"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">veio com um desafio: adaptar para as telas, em pouco menos de duas horas, a vida de uma personalidade polivalente, que se destacou na Música, na TV e no Cinema. Logo aqui, o roteiro de Paulo Cursino toma uma decisão importante de focar menos no extenso currículo pelo qual o profissional é conhecido e mais em Antônio Carlos Bernardes Gomes, nome real de </span><a href="https://gshow.globo.com/tudo-mais/tv-e-famosos/noticia/ailton-graca-explica-origem-do-apelido-mussum-e-um-peixe.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Mussum</span></a><span style="font-weight: 400;">. É por esse título (ou melhor, Carlinhos) que ele era conhecido em sua faceta artística preferida, a de sambista, e o apelido da Televisão vira coadjuvante em uma história que mostra os bastidores pessoais do Trapalhão.</span></p>
<figure id="attachment_31834" aria-describedby="caption-attachment-31834" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31834" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-2.jpg" alt="" width="750" height="421" /><figcaption id="caption-attachment-31834" class="wp-caption-text">Estreando na direção de longas-metragem em Mussum, Silvio Guindane é mais conhecido por seu trabalho como ator, tendo participado Bom Dia, Verônica e É Fada (Foto: Downtown Filmes)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">é pau para toda obra: entre comédia e drama, a obra entrega excelência, risadas e emoções. Além de transitar entre os dois gêneros, o longa-metragem &#8211; o primeiro de Silvio Guindane na direção -, passeia entre a </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/noticia/2023/10/22/ailton-graca-mussum-e-um-personagem-tao-grande-que-precisa-de-tres-atores-para-dar-vida.ghtml"><span style="font-weight: 400;">vida pessoal de Carlinhos</span></a><span style="font-weight: 400;"> desde a infância até o auge da carreira na Rede Globo, esquivando até de alguns clichês. Por exemplo, a origem humilde do menino, que cresceu com uma mãe solo diarista e sem pai por perto no Rio de Janeiro, ganha tons de comédia com uma mãe mestre em arrancar sorrisos. Interpretada por Cacau Protásio em um primeiro momento, Malvina ensina o filho que estudar é o mais importante na vida e que, como jogador de futebol ou sambista, ele não vai dar certo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O erro é claro. O doce Carlinhos, até aqui vivido por um carismático Thawan Lucas Bandeira, vai para um colégio interno e vira militar. Pelo menos, isso é o que a versão jovem adulta de </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/entrevistas/mussum-o-filmis-todo-mundo-brinca-que-foi-uma-parada-espiritual-que-o-mussum-baixou-em-mim-naquele-momento-revela-yuri-marcal/"><span style="font-weight: 400;">Yuri Marçal</span></a><span style="font-weight: 400;"> conta. Cheio de caras e bocas, o protagonista é apresentado como um sambista de primeira e, mesmo que minta para mãe sobre seu paradeiro, ganha a vida tocando junto de Elza Soares e fazendo mais dinheiro do que ele poderia imaginar, o que o faz largar o Exército e investir de vez na carreira. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">é econômico em como ele chegou até ali, mas, mais para frente, mostra que a economia na verdade era sucintez.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fato é: a formação que tocou com a rainha da Música brasileira era </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rvuNLJX1Pt8&amp;pp=ygUZb3JpZ2luYWlzIGRvIHNhbWJhIHRlcmV6YQ%3D%3D"><span style="font-weight: 400;">Os Originais do Samba</span></a><span style="font-weight: 400;">, grupo de Antônio Carlos que se tornou notório no gênero musical. No entanto, por mais que Carlinhos estivesse satisfeito com o título de musicista dividindo uma roda de samba com Cartola, a sorte (ou o acaso) o chamou. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mussum</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostra como, em uma apresentação na Rede Globo, o artista foi notado pelo diretor e, de um segundo para o outro, estava dividindo o palco com Grande Otelo e ganhando o apelido que o acompanharia pelo resto de seus dias.</span></p>
<figure id="attachment_31835" aria-describedby="caption-attachment-31835" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31835" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-4.jpg" alt="" width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-31835" class="wp-caption-text">O longa-metragem foi sucesso de bilheteria e, logo no dia da estreia, arrecadou R$ 640 mil, se tornando a maior estreia nacional do ano (Foto: Downtown Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse momento, Carlinhos já é </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/ailton-graca-sobre-mussum-o-racismo-cria-estereotipos-para-homem-preto"><span style="font-weight: 400;">Ailton Graça</span></a><span style="font-weight: 400;">. As transições cheias de estilo, que combinam com o tom descontraído que o longa propõe, engolem alguns eventos importantes da vida de Mussum, sem um controle certo do tempo. Porém, o roteiro admite (e acerta) que não tenta abraçar o mundo com as mãos. Passagens como o primeiro e o segundo casamento do artista, sua relação com os filhos e até o início da colaboração com a </span><a href="https://oglobo.globo.com/blogs/ancelmo-gois/post/2023/10/mussum-o-filmis-sera-exibido-na-quadra-da-mangueira-grande-paixao-do-humorista.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Estação Primeira de Mangueira</span></a><span style="font-weight: 400;"> passam batido, mas compensam o espectador com outros momentos igualmente emocionantes. É impossível não se emocionar com o pequeno ensinando a mãe a escrever o nome ou sentir que está vendo a história se desenrolando ao testemunhar o comediante e a cantora Alcione (</span><span style="font-weight: 400;">Clarice Paixão</span><span style="font-weight: 400;">) no mesmo quadro, ou Chico Anysio (Vanderlei Bernardino) criando o dialeto que deixou o personagem caricato na Escolinha do professor Raimundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem carrega toda essa emoção é Graça. O veterano da TV e do Cinema fecha o trio de ouro com a versão mais velha de Mussum, vivendo sua ascensão na frente das câmeras e na Música, desde a descoberta até a crise no grupo de samba e a entradas n</span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/televisao/em-1983-lucro-exorbitante-de-renato-aragao-provocou-rebeliao-em-os-trapalhoes-39202"><span style="font-weight: 400;">Os Trapalhões</span></a><span style="font-weight: 400;">. O filme deixa claro como o carisma e o bom humor de Antônio Carlos &#8211; e não Mussum &#8211; o alçou ao estrelato, chamando atenção inclusive de Anysio e Renato Aragão (Gero Camilo), que posteriormente o convidaria para integrar o quarteto mais famoso do domingo. Nisso, o ator igualmente carismático usa da sua maestria para preencher todos os espaços em que adentra, seja pela extravagância de sua risada, seu jeito cômico e magnético de falar ou por sua personalidade real, que o levaria a conflitos pessoais.</span></p>
<p><figure id="attachment_31837" aria-describedby="caption-attachment-31837" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31837" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-2.jpg" alt="" width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-31837" class="wp-caption-text">No Festival de Gramado, as atuações de Mussum, o Filmis renderam ao longa os troféus de Melhor Ator (Ailton Graça), Melhor Atriz Coadjuvante (Neusa Borges) e Melhor Ator Coadjuvante (Yuri Marçal) [Foto: Downtown Filmes]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Tais conflitos, inclusive, ganham mais ou menos importância dentro das quase duas horas. A trama elege o que prioriza, deixando um quê de dúvida sobre o que ficou de fora e o que foi </span><a href="https://gshow.globo.com/tudo-mais/tv-e-famosos/noticia/silvio-guindane-diz-que-fora-das-telas-mussum-nao-bebia-como-personagem-nao-era-a-parada-dele-nunca-foi.ghtml"><span style="font-weight: 400;">romantizado</span></a><span style="font-weight: 400;"> na vida de Mussum para as telas. A crise no primeiro casamento e a paternidade do artista, por exemplo, recebem menos atenção do que as brigas dentro do grupo musical ou entre Trapalhões em ascensão. Já o </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/entrevistas/mussum-o-filmis-quem-filma-o-preto-como-sofredor-e-o-branco-a-gente-nao-se-acha-coitado-por-isso-queria-falar-desse-amor-de-mae-e-filho-revela-o-diretor-silvio-guindane/"><span style="font-weight: 400;">racismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> aparece de forma sutil, mas a comédia não esquece do tom social: Carlinhos tem um letramento racial desde a infância, graças à mãe, e já mais velho pontua situações incômodas às quais é submetido dentro do programa de TV no domingo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa se balanceia e se redime em outros pontos. Recriando as cenas do programa na TV e das performances dOs Originais do Samba, trazendo figurinos da época e incluindo grandes nomes da cultura popular brasileira, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">acerta na nostalgia, na identificação da cultura nacional e na dinamicidade, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=d2qyEAzpBso"><span style="font-weight: 400;">deixando a própria história se contar</span></a><span style="font-weight: 400;">. Afinal, até os mais novos sabem quem é Didi, Boni ou Alcione. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já um dos pontos altos da sucintez do roteiro é o foco especial entre o conflito de interesses de Antônio Carlos e a relação com a mãe. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">faz jus à carreira de sambista do comediante e mostra como ele optou continuar na TV, mas sempre sonhando em retornar ao samba. Já na relação com a matriarca, a transição da juventude para a idade adulta traz Neusa Borges como a versão mais velha de Malvina. O retrato do afeto entre mãe e filho, com </span><a href="https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2023/08/20/mussum-o-filmis-e-o-grande-vencedor-do-51o-festival-de-cinema-de-gramado.ghtml"><span style="font-weight: 400;">cenas comoventes</span></a><span style="font-weight: 400;"> toda vez que Graça e Borges contracenam, mostram que o </span><i><span style="font-weight: 400;">Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">realmente não é sobre a carreira de Mussum, mas quem sempre esteve por trás dela.</span></p>
<p><figure id="attachment_31836" aria-describedby="caption-attachment-31836" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31836" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-3.jpg" alt="" width="750" height="421" /><figcaption id="caption-attachment-31836" class="wp-caption-text">Mussum, o Filmis foi o grande vencedor de Gramado e, além dos prêmios de atuação, levou Melhor Filme, Melhor Trilha Musical (Max de Castro) e Melhor Filme do júri popular [Foto: Downtown Filmes]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Alguns clichês são inevitáveis em todos os gêneros e, em cinebiografias, a tentativa de conectar a vida do artista retratado com o público pode enforcar a obra, criando momentos de emoção que simplesmente não vão para frente. Talvez por se tratar de uma história nacional e tão próxima de casa (ou melhor, da TV da sala), </span><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">tem tudo para encantar qualquer audiência &#8211; ela só tem que ser corajosa o suficiente para deixar a </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;"> de lado e </span><a href="https://almapreta.com.br/sessao/cultura/mussum-o-filmis-tem-a-maior-estreia-no-cinema-nacional-em-2023/"><span style="font-weight: 400;">valorizar o Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;"> e as personalidades brasileiras. </span></p>
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		<title>Atravessando gerações, O Homem Cordial está sempre à espreita</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Jul 2023 14:54:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Na tentativa de entender o Brasil da década de 1930, com as aspirações nacionalistas e a valorização da cultura brasileira, o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda propõe a ideia do “homem cordial”. O conceito definia um cidadão movido pelo coração, afeto e pelo sentimentalismo em detrimento da razão, que extrapola o âmbito pessoal &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-homem-cordial-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Atravessando gerações, O Homem Cordial está sempre à espreita"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31275" aria-describedby="caption-attachment-31275" style="width: 2154px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31275" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_02.png" alt="Cena do filme O Homem Cordial. A cena se passa durante a noite em um bar, desfocado ao fundo. No primeiro plano, vemos à esquerda um homem branco de cerca de 50 anos, com cabelos e barba grisalhos, vestindo uma jaqueta preta e com a mão apoiada em um balcão. Do lado esquerdo, vemos uma mulher negra de cerca de 25 anos, com cabelos escuros presos em tranças, vestindo uma jaqueta jeans. Os dois olham para frente, para algo que está fora do quadro." width="2154" height="914" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_02.png 2154w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_02-800x339.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_02-1024x435.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_02-768x326.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_02-1536x652.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_02-2048x869.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_02-1200x509.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31275" class="wp-caption-text">A semelhança do título com o conceito sociológico do Homem Cordial não é mera coincidência (Foto: O2 Play)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na tentativa de entender o Brasil da década de 1930, com as aspirações nacionalistas e a valorização da cultura brasileira, o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda propõe a ideia do “homem cordial”. O conceito definia um cidadão movido pelo coração, afeto e pelo sentimentalismo em detrimento da razão, que extrapola o âmbito pessoal e o aplica no coletivo. Para Buarque de Holanda, essa seria a razão pela qual o brasileiro adota uma figura paternalista, familiar e passional. No entanto, é a mesma pessoa que se esconde por trás da face da cordialidade até que a hostilidade tome conta. Mais de oito décadas depois, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem Cordial </span></i><span style="font-weight: 400;">busca a </span><a href="https://ciceronogueira.com.br/homem-cordial-9df1a2f48ff3"><span style="font-weight: 400;">revitalização dessa ideia</span></a><span style="font-weight: 400;"> durante uma única e violenta noite em São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-31269"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama, Aurélio (</span><a href="https://jornaldebrasilia.com.br/blogs-e-colunas/hashtag-cinema/ibere-carvalho-e-paulo-miklos-falam-sobre-o-filme-o-homem-cordial/"><span style="font-weight: 400;">Paulo Miklos</span></a><span style="font-weight: 400;">) é vocalista de uma banda de </span><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">que fez sucesso nos anos 1980, mas, no </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">de reencontro do grupo, é linchado ao entoar canções de cunho social. Mais cedo, ele havia defendido um menino negro de uma acusação de assalto, que culminou na morte de um policial. O vídeo da abordagem viralizou e, de um lado, o artista é rechaçado pelo público, em defesa do suposto agente da lei. Do lado contrário, o menor de idade está desaparecido e não recebe a mesma comoção. Nas próximas horas, o personagem de Miklos enfrenta a pressão social, o radicalismo, a dor da família do garoto e, ele mesmo, a violência policial.</span></p>
<figure id="attachment_31271" aria-describedby="caption-attachment-31271" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31271" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_16.jpg" alt="Cena do filme O Homem Cordial. Ao centro da imagem, vemos Aurélio do peito para cima durante um show. Ele é um homem branco, aparentando cerca de 50 anos, com cabelos e barba grisalhos. Ela usa uma camiseta branca e está suado enquanto canta em um microfone. Vemos uma bateria desfocada atrás dele." width="1920" height="802" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_16.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_16-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_16-1024x428.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_16-768x321.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_16-1536x642.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_16-1200x501.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31271" class="wp-caption-text">O longa estreou em 2019 no Cairo International Film Festival e chegou aos cinemas brasileiros em maio de 2023 (Foto: O2 Play)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Homem Cordial </span></i><span style="font-weight: 400;">foi mais uma das obras brasileiras que sofreu com o </span><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/cinema-brasileiro-desejado-ou-rejeitado/"><span style="font-weight: 400;">atraso no lançamento</span></a><span style="font-weight: 400;">: o filme estreou em 2019, mas só alcançou as telas nacionais em 2023. À época, o extremismo que permeava o país, fruto da recente eleição de Jair Bolsonaro, normalizava a barbárie e o ódio, sobretudo nas redes sociais. Afinal, é a partir de um vídeo viral na </span><i><span style="font-weight: 400;">internet </span></i><span style="font-weight: 400;">que Aurélio se torna o novo alvo de um grupo radical, que fará de tudo para culpabilizá-lo por ter o mínimo de humanidade diante da injustiça social.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na produção, o </span><a href="https://www.cartacapital.com.br/politica/a-ira-dos-bolsonaristas-nao-poupa-nem-os-influenciadores-da-direita/"><span style="font-weight: 400;">linchamento</span></a><span style="font-weight: 400;">, tanto ao cantor quanto à vítima, é o ponto de partida. A ação é simbólica em externalizar o ódio e preconceito (antes) contido e que, no governo passado, ganhava tons de normalidade em prol de uma falsa proteção à pátria e aos valores tradicionais. A situação em que o menino é repetidamente hostilizado acontece justamente em um bairro de classe média alta de São Paulo, onde sua presença é vista como ameaçadora. Ali, ele é culpado até que se prove o contrário &#8211; e nem assim.</span></p>
<figure id="attachment_31273" aria-describedby="caption-attachment-31273" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31273" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_10.jpg" alt="Cena do filme O Homem Cordial. A imagem é uma avenida vazio durante a noite. Do lado esquerdo, em segundo plano, vemos um carro amarelo com os faróis ligados. Ao centro, em um primeiro plano, vemos uma pessoa com jaqueta vermelha e capacete preto dirigindo uma moto, como se estivesse sendo perseguida pelo carro." width="1920" height="805" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_10.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_10-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_10-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_10-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_10-1536x644.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_10-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31273" class="wp-caption-text">Os roteiristas contaram que o filme estava praticamente pronto, mas jogaram o roteiro fora e começaram do zero após ataques contra o cantor Chico Buarque em um restaurante no Rio de Janeiro, em 2015 (Foto: O2 Play)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se tivesse sido lançado no ano em que estreou, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem Cordial </span></i><span style="font-weight: 400;">assumiria um tom de urgência ao retratar uma parcela da sociedade que se sentia confortável com a </span><a href="https://personaunesp.com.br/alvorada-critica/"><span style="font-weight: 400;">violência</span></a><span style="font-weight: 400;">, inclusive encorajada a usá-la como meio e fim &#8211; e tendo o </span><a href="https://personaunesp.com.br/medida-provisoria-critica/"><span style="font-weight: 400;">aval das autoridades</span></a><span style="font-weight: 400;"> para fazê-la. Quatro anos e uma eleição depois, a história escrita pelo sociólogo e diretor Iberê Carvalho e pelo cineasta Pablo Stoll permanece relevante de ser discutida (com os ecos da eleição de 2018 e do que a seguiu, nunca deixará de ser), mas perde parte do seu impacto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Resultado esse que, com o lançamento em seu devido ano, seria potencializado pela condução frenética da obra, já que horas de uma única noite são suficientes para </span><a href="https://www.nytimes.com/2023/01/08/world/americas/brazil-election-protests-bolsonaro.html?unlocked_article_code=Iap5HJeAXfc5QEjc1a60YQadCauvMeMb30GFcRXvKyqdlJesf4hxjd6Zr_5gAZXYub8NHHOk0MgVqxWBFhWk_d--TYHt7afjSmzUEo8J3FAYmX_hYBN9jamnGa49XALvdwEINhLx-Ho_F9-FHpLycHrIthmD8XTZUA-HrJ_SBsINGiMuZGRTrGoHKBG9Q3f0j3LZy4VJaWzmvLgzbetQOIyxu6TM62T45kjbLKiqNWBmnt2JpVnyGJHKEPNfR3U5VEvshy1am-UkXu_-kbx5O_7efzCUSrd_pg4XeyBWzniX3bP0bPBvfXYUsuZi4rjO2ZjQ_sb_7KGl-9kQdRrcP19Te5fzVVT2yCWQh_xzK8k_9DB6"><span style="font-weight: 400;">levar a situação ao extremo</span></a><span style="font-weight: 400;">. No decorrer da trama, Aurélio vai de um artista bem-sucedido em um </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">de reencontro a perder contratos e ser seguido por civis enraivecidos, defensores de uma autoridade criminosa. Quando uma jornalista o aborda para saber do paradeiro do menino desaparecido, ele se envolve na investigação jornalística e passa a, ele mesmo, ser alvo da polícia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na pele do ator e </span><a href="https://personaunesp.com.br/cabeca-dinossauro-35-anos/"><span style="font-weight: 400;">Titã</span></a><span style="font-weight: 400;"> Paulo Miklos, o musicista surge como uma tela em branco. As informações acerca de seu passado e do envolvimento com o acontecido vêm aos poucos, e somos inseridos na caoticidade junto do cantor &#8211; exceto que ele sabe do que tudo se trata. Com a breve contextualização, a atenção é dividida entre acompanhar o rumo do artista durante aquela noite e se situar no próprio espaço e tempo, uma vez que, durante a primeira metade do filme, a frenética câmera na mão de Pablo Baião nunca tira os olhos do personagem.</span></p>
<figure id="attachment_31272" aria-describedby="caption-attachment-31272" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31272" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_12.jpg" alt="Cena do filme O Homem Cordial. A cena se passa no que aparenta ser uma praça, durante a noite. Do lado esquerdo, vemos uma mulher de perfil. Ela é negra, tem os cabelos presos em uma trança e aparenta ter cerca de 25 anos. Ela encara um homem que está à direita do quadro. Também de perfil, ele é branco, aparenta ter cerca de 50 anos, tem cabelo castanho curto e barba grisalha." width="1920" height="807" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_12.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_12-800x336.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_12-1024x430.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_12-768x323.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_12-1536x646.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_12-1200x504.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31272" class="wp-caption-text">O trabalho da Dandara de Morais como a jornalista Helena é um destaques da atuação junto de Paulo Miklos (Foto: O2 Play)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Experiente, Miklos não coloca o carro na frente dos bois, em uma performance reconhecida como Melhor Ator no Festival de Cinema de Gramado. O ator sabe como a banda toca e, mesmo com o desenvolvimento desordenado de seu protagonista, dá espaço suficiente para a trama prevalecer. </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem Cordial </span></i><span style="font-weight: 400;">é menos sobre Aurélio e mais sobre o </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2023/04/18/erika-hilton-sao-paulo-vive-crise-humanitaria-sob-gestao-de-tarcisio-e-ricardo-nunes"><span style="font-weight: 400;">contexto social</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a própria cidade de </span><a href="https://g1.globo.com/globonews/conexao-globonews/video/padre-julio-lancellotti-situacao-da-populacao-de-rua-e-uma-crise-humanitaria-em-sao-paulo-10235483.ghtml"><span style="font-weight: 400;">São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, que, segundo o próprio diretor, é uma dos personagens principais da história: a metrópole que nunca dorme está sempre de olho no que todos fazem e é impossível fugir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É a partir do envolvimento com a família e a comunidade do menino desaparecido que o filme</span> <span style="font-weight: 400;">aprofunda a relação com o </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/cinema/protagonista-de-o-homem-cordial-paulo-miklos-reforca-que-toda-arte-e-politica"><span style="font-weight: 400;">presente da época</span></a><span style="font-weight: 400;">. Inicialmente uma narrativa sobre discursos de ódio e como as redes sociais criam um ambiente propício para a violência, que passa a se materializar na vida real, os roteiristas se viram obrigados a tratar também sobre o racismo, já que a normalização da barbárie tem impactos diferentes de acordo com o grupo étnico-racial e social.</span></p>
<figure id="attachment_31276" aria-describedby="caption-attachment-31276" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31276" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_28_Foto-de-Marcello-Vitorino-1-scaled.jpg" alt="Cena do filme O Homem Cordial. A imagem se passa em um ambiente de uma casa. À esquerda, vemos um homem branco, aparentando ter cerca de 50 anos, com cabelo castanho e barba grisalha, vestindo uma jaqueta preta e camiseta branca em pé e com a mão apoiada em uma mesa. Ele olha para o jovem ao centro da imagem, um homem de cerca de 25 anos, vestindo uma camisa e touca e que mexe em um laptop. À direita, uma mulher também encara o computador. Ela é negra, aparenta ter cerca de 25 anos, tem cabelos pretos presos em tranças e veste uma jaqueta jeans." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_28_Foto-de-Marcello-Vitorino-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_28_Foto-de-Marcello-Vitorino-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_28_Foto-de-Marcello-Vitorino-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_28_Foto-de-Marcello-Vitorino-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_28_Foto-de-Marcello-Vitorino-1-1536x1024.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31276" class="wp-caption-text">No Festival de Gramado, O Homem Cordial também levou o troféu de Trilha Musical (Foto: O2 Play)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com Paulo Miklos, eles optam pela perspectiva de um homem branco. Por um lado, a escolha permite que nos coloquemos como espectadores da violência e não o alvo dela. Para os realizadores, aqui a intenção é discutir qual o papel da branquitude na luta antirracista, ponto no qual </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem Cordial </span></i><span style="font-weight: 400;">sucede: apesar da perseguição inicial, o linchamento de Aurélio após sair em defesa do menino vira o foco, enquanto a dor e dúvida da família quanto ao paradeiro do garoto não ganha nenhuma atenção. É só ao cutucar a </span><a href="https://ponte.org/somos-o-legado-de-marielle-afirma-angela-davis-icone-do-feminismo-negro-e-da-luta-antirracista/"><span style="font-weight: 400;">impunidade da força policial</span></a><span style="font-weight: 400;"> durante a investigação jornalística que o musicista entra na mira das autoridades. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, o personagem de Béstia (Thaíde), um velho amigo do protagonista, lembra que “</span><i><span style="font-weight: 400;">o mundo visto pelos olhos de branco devem ser lindos</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Afinal, Aurélio só se envolve com o caso depois de muita insistência e da perturbação de sua própria paz. O trunfo do diretor se apoia em justamente admitir que não entende a </span><a href="https://personaunesp.com.br/falas-negras-critica/"><span style="font-weight: 400;">perspectiva do outro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, no final das contas, realmente vê o mundo por trás de seus privilégios até que estes são abalados, sem pretensão de equiparar a falta de sossego com a dor de uma família. </span></p>
<figure id="attachment_31274" aria-describedby="caption-attachment-31274" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31274" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_07.jpg" alt="Cena do filme O Homem Cordial. A cena se passa a noite e os personagens no quadro estão contra a luz de um automóvel, desfocado em segundo plano. Do lado esquerdo, vemos dos ombros para cima um homem branco careca, aparentando cerca de 50 anos. Ao centro, vemos uma arma encostada no pescoço do personagem à direita, um homem branco de cerca de 50 anos, com cabelos e barba grisalhos." width="1920" height="809" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_07.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_07-800x337.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_07-1024x431.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_07-768x324.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_07-1536x647.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_07-1200x506.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31274" class="wp-caption-text">O “cordial” do conceito de Buarque de Holanda vem do latim Cordis, que significa coração (Foto: O2 Play)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sérgio Buarque de Holanda propôs a ideia do homem cordial em 1936. Quase uma década depois, a observação do conceito na prática soa pertinente &#8211; afinal, o filme partiu do </span><a href="https://www.metropoles.com/brasil/chico-buarque-bate-boca-com-jovens-em-frente-a-restaurante-no-rio-de-janeiro"><span style="font-weight: 400;">episódio de linchamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> do seu descente direto, </span><a href="https://personaunesp.com.br/chico-buarque-construcao-50-anos/"><span style="font-weight: 400;">Chico Buarque</span></a><span style="font-weight: 400;">. Inegavelmente a obra foi prejudicada pela dinâmica de lançamento, que já submeteu outras </span><a href="https://personaunesp.com.br/marighella-critica/"><span style="font-weight: 400;">produções brasileiras</span></a><span style="font-weight: 400;"> à mesma condição e chegou sem o senso de urgência que a própria história almeja. No final, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem Cordial </span></i><span style="font-weight: 400;">soa como um estudo de anos passados, mas também como um alerta: não nos livramos de nada e a parcela da sociedade que normaliza a selvageria está sempre à espreita.</span></p>
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		<title>A Mãe: nas periferias de São Paulo, a ditadura nunca acabou</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Nov 2022 18:41:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez “A ditadura nunca acabou. A ditadura só vai acabar com o fim da Polícia Militar, porque ela é muito presente dentro do cotidiano da periferia”, defende Débora Maria da Silva, fundadora do grupo Mães de Maio, em sua participação em A Mãe. Integrante da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, na &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-mae-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Mãe: nas periferias de São Paulo, a ditadura nunca acabou"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29195" aria-describedby="caption-attachment-29195" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29195" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-1.jpg" alt="" width="1024" height="511" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-1-800x399.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-1-768x383.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29195" class="wp-caption-text">Presente na seção Mostra Brasil da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, A Mãe estreou nacionalmente no Festival de Gramado (Foto: CUP Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">A ditadura nunca acabou. A ditadura só vai acabar com o fim da Polícia Militar, porque ela é muito presente dentro do cotidiano da periferia</span></i><span style="font-weight: 400;">”, defende Débora Maria da Silva, fundadora do grupo Mães de Maio, em sua participação em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Mãe</span></i><span style="font-weight: 400;">. Integrante da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, na seção Mostra Brasil, o longa mescla ficção à realidade para escancará-la: para Maria (Marcélia Cartaxo), mãe solo e residente da periferia, o desaparecimento do seu filho pelas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uqxYLi6rLWo"><span style="font-weight: 400;">mãos da polícia</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a burocracia para encontrá-lo se assemelha a incontáveis outros casos do cotidiano da Grande São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-29194"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Moradora do extremo leste &#8211; como o filho adolescente canta em suas rimas -, a protagonista sustenta a casa sozinha com o trabalho de camelô, no centro da cidade. Quando retorna ao lar, Valdo (Dunstin Farias) não voltou. Não há notícias dele na escola, entre os amigos próximos ou no boca a boca da vizinhança. Daí em diante, a personagem, interpretada visceralmente por Cartaxo, inicia uma incansável jornada de investigação e busca para encontrar o primogênito &#8211; ou, pelo menos, saber de seu paradeiro. Recorrendo até ao traficante do bairro, Maria descobre que a </span><a href="https://ponte.org/o-estado-no-banco-dos-reus-mp-pede-indenizacao-a-564-vitimas-dos-crimes-de-maio/"><span style="font-weight: 400;">polícia</span></a><span style="font-weight: 400;"> pode ter sido a responsável pelo desaparecimento do filho.</span></p>
<figure id="attachment_29197" aria-describedby="caption-attachment-29197" style="width: 2362px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29197" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Marcelia-13.jpg" alt="" width="2362" height="1329" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Marcelia-13.jpg 2362w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Marcelia-13-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Marcelia-13-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Marcelia-13-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Marcelia-13-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Marcelia-13-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Marcelia-13-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29197" class="wp-caption-text">Marcélia Cartaxo já venceu o Urso de Prata de Melhor Atriz no Festival de Berlim por A Hora da Estrela, em 1986, e o Kikito de Melhor Atriz em 2019, por Pacarrete (Foto: CUP Filmes)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Mãe </span></i><span style="font-weight: 400;">não dá trégua. </span><a href="https://ponte.org/cristiano-burlan-uma-mae-que-perde-o-filho-deve-ter-direito-ao-enterro-e-ao-luto/"><span style="font-weight: 400;">Atormentada</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo desaparecimento do filho, o cotidiano de Maria se torna ainda mais cansativo com o peso esmagador da dúvida e da incerteza. A protagonista roda a vizinhança e os locais que Valdo frequentava até partir para as delegacias, onde tira as mesmas conclusões: nem a polícia, instituição supostamente encarregada de proteger o adolescente, está disposta a ajudá-la. Para piorar, denunciando à PM que a própria organização pode ter encabeçado o desaparecimento do jovem, Maria arruma um novo problema.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Graças ao </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">de produção de Karla Salvoni, as residências e arredores em que </span><i><span style="font-weight: 400;">A Mãe </span></i><span style="font-weight: 400;">passa são familiares, amplificando ainda mais o desespero com os rumos que a investigação toma. Desde o centro de São Paulo, com suas inconfundíveis galerias e assentos de ônibus, até a casa da personagem principal, o cenário é o de uma família brasileira &#8211; esta, formada por mãe e filho. Quando o enquadro da polícia invade porta adentro, o refúgio em que Maria poderia encontrar paz e descanso, o único em que Valdo poderia estar a salvo, mas não está, é violado. Nem dentro de suas quatro paredes ambos estão seguros, o sentimento de impotência cresce, e o trabalho de direção de </span><a href="https://www.esquinadacultura.com.br/post/nao-podia-estetizar-a-morte-de-minha-mae-diz-diretor-cristiano-burlan"><span style="font-weight: 400;">Cristiano Burlan</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos angustia junto dà Mãe.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na pele da protagonista, </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/entrevistas/26o-festival-de-vitoria-duas-vezes-marcelia-cartaxo/"><span style="font-weight: 400;">Marcélia Cartaxo</span></a><span style="font-weight: 400;"> canaliza a inquietação e a desesperança de uma matriarca que não sabe o paradeiro da sua criança. Ela externaliza sua dor gritando com os negligentes agentes militares, desafiando os moradores locais por informações e rindo ao, de frente para um corpo morto no Instituto Médico Legal, constatar que aquele não é seu filho. Há esperança? Se sim, o sentimento está adormecido. Depois de dias sem ter sinal de Valdo, o roteiro de Cristiano e Ana Carolina Marinho faz a personagem procurar alento de outra maneira: Maria recorre às instituições de mães de </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2016/05/13/surgido-da-dor-maes-de-maio-se-tornam-referencia-no-combate-a-violencia-do-estado/"><span style="font-weight: 400;">filhas e filhos desaparecidos</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_29196" aria-describedby="caption-attachment-29196" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29196 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-2.jpg" alt="" width="1200" height="617" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-2-800x411.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-2-1024x527.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-2-768x395.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29196" class="wp-caption-text">As rimas cantadas por Valdo são de autoria do seu intérprete, Dunstin Farias (Foto: CUP Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A impotência frente à atuação da polícia e a dificuldade em enfrentar as burocracias da máquina militar levam Maria e as integrantes dos grupos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nJ1xIZr5LEI"><span style="font-weight: 400;">Mães da Sé</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Mães de Maio &#8211; e muitas outras no Brasil &#8211; a resistirem juntas à opressão do Estado em localizar essas pessoas. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Como mãe pobre e mãe negra, a gente não pode perder as forças jamais</span></i><span style="font-weight: 400;">”, diz Débora Maria da Silva, que interpreta a si mesma no longa-metragem. Símbolo de força, ambas mulheres, a fundadora da organização e A Mãe que dá nome ao filme, cutucam e lutam contra a atuação assassina da Polícia Militar nas periferias de São Paulo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inclusive, o diretor Cristiano Burlan não surgiu com a ideia de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Mãe </span></i><span style="font-weight: 400;">da observação de outras realidades. Criado no Capão Redondo, ele próprio viu o irmão ser assassinado por agentes policiais, o que rendeu o documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">Mataram Meu Irmão </span></i><span style="font-weight: 400;">(2013). Antes, </span><i><span style="font-weight: 400;">Construção </span></i><span style="font-weight: 400;">investigava a morte do pai, falecido em uma obra em que trabalhava por descuidos do local. Em 2017, fechando a série de produções documentais que ficou conhecida como </span><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/trilogia-do-luto-filme-como-instrumento-de-vinganca/"><span style="font-weight: 400;">Trilogia do Luto</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Elegia de Um Crime </span></i><span style="font-weight: 400;">reconstitui a morte da mãe, assassinada pelo parceiro. Assim como nas obras passadas, o longa mais recente de Burlan segue trazendo humanidade às populações periféricas.</span></p>
<figure id="attachment_29198" aria-describedby="caption-attachment-29198" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29198" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae.png" alt="" width="1000" height="622" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae.png 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-800x498.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-768x478.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29198" class="wp-caption-text">Exibido no Festival de Málaga, A Mãe foi filmado no centro de São Paulo e no bairro Jardim Romano, na zona leste (Foto: CUP Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a </span><a href="https://almapreta.com/sessao/cotidiano/maes-maio"><span style="font-weight: 400;">violência policial</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas periferias é constante no cotidiano das populações, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Mãe </span></i><span style="font-weight: 400;">escancara a realidade. O filme pouco se preocupa em mascarar a história em prol de uma narrativa facilmente digerida &#8211; a conclusão nos minutos finais é tão desesperadora quanto os primeiros 90 -, e projeta a realidade nua e crua da vulnerabilidade nas mãos daqueles que juraram proteger as comunidades. A máquina militar, além de matar, acoberta os assassinatos e as investigações em nome dos seus. Mas </span><i><span style="font-weight: 400;">A Mãe </span></i><span style="font-weight: 400;">sabe disso. E nós também.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Trailer Oficial A MÃE, de Cristiano Burlan" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/WZRMi30Q5G8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Exercitando o sonhar, Marte Um mira nas estrelas</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Sep 2022 17:29:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Uma família negra de Minas Gerais navega por um Brasil incerto e nebuloso, afetado pela eleição de um presidente que representa o oposto de quem são. O véu de mundanidade da trama, escrita e dirigida por Gabriel Martins, chamou atenção por onde passou, sendo condecorada em Sundance e em Gramado, chegando, enfim, às &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/marte-um-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Exercitando o sonhar, Marte Um mira nas estrelas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28742" aria-describedby="caption-attachment-28742" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28742 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-1-1.jpg" alt="Cena do filme Marte Um, a imagem mostra duas pessoas sentadas lado a lado na calçada. À esquerda está um homem idoso, de camisa azul e laranja. À direita está uma mulher adulta, de roupa amarela. Os dois são negros e está de noite." width="750" height="313" /><figcaption id="caption-attachment-28742" class="wp-caption-text">Longe da corrida de Filme Internacional desde os tempos de Central do Brasil, o país escolhe pela primeira vez um longa dirigido por um homem negro para nos representar no Oscar (Foto: Filmes de Plástico)</figcaption></figure>
<p><b>Vitor Evangelista</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma família negra de Minas Gerais navega por um Brasil incerto e nebuloso, afetado pela eleição de um presidente que representa o oposto de quem são. O véu de mundanidade da trama, escrita e dirigida por </span><a href="https://academiabrasileiradecinema.com.br/oscar2023/filme-indicado.php"><span style="font-weight: 400;">Gabriel Martins</span></a><span style="font-weight: 400;">, chamou atenção por onde passou, sendo condecorada em Sundance e em Gramado, chegando, enfim, às portas da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que escolheu a obra como a representante nacional na corrida pela estatueta de Melhor Filme Internacional no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2023.</span></p>
<p><span id="more-28741"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para quem teve o prazer de assistir </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jFMBb7Z5N24"><i><span style="font-weight: 400;">Marte Um</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que se encontra em cartaz em pouquíssimas salas de cinema do país que representará no ano que vem, os motivos são óbvios. De maneira quase familiar para o Cinema nacional, e </span><a href="https://sitenocenaculo.com.br/cinema-mineiro-recente/"><span style="font-weight: 400;">em especial o mineiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, Martins costura uma trama de seres humanos à beira de um ataque de nervos, cenário comum e habitual para a população que enxerga em Jair Bolsonaro um mal a ser excomungado de Brasília desde o dia seguinte ao fim de 2018.</span></p>
<p><figure id="attachment_28743" aria-describedby="caption-attachment-28743" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28743 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-1.jpeg" alt="Cena do filme Marte Um, a imagem mostra um homem idoso negro sorrindo e parado em frente a um canteiro de jardim, com as mãos na cintura. Ao fundo, vemos prédios e o parapeito de vidro verde do pátio onde ele se encontra." width="2560" height="1384" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-1.jpeg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-1-800x433.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-1-1024x554.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-1-768x415.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-1-1536x830.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-1-2048x1107.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-1-1200x649.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28743" class="wp-caption-text">Antes de Marte Um, Gabriel Martins trabalhou em uma porção curtas e longas; entre eles O Nó do Diabo (2018) e No Coração do Mundo (2019) [Foto: Filmes de Plástico]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Produzido pela Filmes de Plástico com coprodução do Canal Brasil, e financiado por um </span><a href="https://twitter.com/tatianacarvalho/status/1566889046391115779"><span style="font-weight: 400;">edital</span></a><span style="font-weight: 400;"> que trouxe ao mundo o igualmente excepcional </span><i><span style="font-weight: 400;">Cabeça de Nêgo</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Marte Um</span></i><span style="font-weight: 400;"> começou sua caminhada pelas salas de cinema no </span><a href="https://variety.com/2022/film/reviews/mars-one-review-marte-um-1235154101/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Sundance</span></a><span style="font-weight: 400;">, onde disputou o Prêmio do Júri. A história, embora </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6i-9JT_eSRY"><span style="font-weight: 400;">enraizada em uma realidade brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;">, estampando uma família da periferia que enfrenta o salário curto, o mercado caro e o país se engolindo, ressoa pelas notas de simpatia e, antagonicamente a ideia do governo atual, otimismo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O responsável por capturar essa aura do sonhar, presente desde a esperança de Deivinho (Cícero Lucas) até a voracidade de Eunice (Camilla Damião), é Daniel Simitan e sua trilha sonora espectral, reconhecida com um dos quatros Kikitos que o filme levou para casa no </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/grande-vencedor-do-festival-de-cinema-de-gramado-marte-um-nos-convida-a-sonhar/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Gramado</span></a><span style="font-weight: 400;">. Isso por conta da suavidade que o texto de Martins emprega na criação de suas cenas e ambientações, primeiro isolando sua família protagonista para então agrupá-los, fortalecendo uma das mensagens do filme: unidos, viver é mais descomplicado, ainda que o processo continue árduo e nada valorizador a quem o enfrenta.</span></p>
<figure id="attachment_28744" aria-describedby="caption-attachment-28744" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28744 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-3.jpg" alt="Cena do filme Marte Um, a imagem mostra uma mulher adulta negra dormindo de lado numa cadeira de praia vermelha. Ela usa brincos e relógio brilhantes e uma camiseta vermelha com detalhes em branco e azul." width="1200" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-3-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-3-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-3-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28744" class="wp-caption-text">Encontrando suspiros de alívio e felicidade, o filme conta com a presença irreverente de Tokinho (Foto: Filmes de Plástico)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O pontapé vem na figura de Tércia (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KK2cIKwcv4o"><span style="font-weight: 400;">Rejane Faria</span></a><span style="font-weight: 400;">), a matriarca em constante estado de alerta, já que, após alguns infortúnios bombásticos, passa a acreditar que tem uma maldição lhe mordendo o calcanhar e tenta a todo custo se afastar da família e poupá-los de eventuais tragédias. Na interpretação de Faria, a personagem ganha o coração de quem assiste suas desventuras, e obtém pontos na forma em que doma seus arredores, apaziguando o marido, colocando juízo na cabeça da filha mais velha e apoiando os sonhos do caçula. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Wellington (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=j-Tfc0zaTzY"><span style="font-weight: 400;">Carlos Francisco</span></a><span style="font-weight: 400;">, de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bacurau</span></i><span style="font-weight: 400;">) é a peça mais descompassada da equação. Pai amoroso mas um tanto impaciente, é ele quem leva nas costas os maiores traumas do filme, todos condensados e enclausurados na ficha do Alcóolicos Anônimos que representa tanto uma vitória quanto um lembrete para o torcedor fanático do Cruzeiro. Nas trocas com Eunice, Francisco eletriza o ambiente, e, nas cenas com Deivinho, luta para não atolar o jovem com sonhos próprios, adormecidos pelo curso da vida.</span></p>
<figure id="attachment_28745" aria-describedby="caption-attachment-28745" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28745 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-4-2.jpg" alt="Cena do filme Marte Um, a imagem mostra uma mulher adulta e uma criança negras dormindo sob a luz azul do luar." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-4-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-4-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-4-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-4-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-4-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28745" class="wp-caption-text">A direção de fotografia de Leonardo Feliciano usa e abusa de planos dos familiares banhados pela luz azul da Lua (Foto: Filmes de Plástico)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Eunice, resta a Damião o ato de extravasar </span><i><span style="font-weight: 400;">Marte Um</span></i><span style="font-weight: 400;"> e oxigenar o filme para além dos dramas de meia-idade e da adolescência. Buscando um refúgio da aconchegante casa em que nasceu e cresceu, chega a hora de exercitar sua identidade como adulta, como pessoa </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> e como alguém há muito ofegante em se colocar como prioridade da história. Na conjectura de </span><a href="https://www.z1portal.com.br/diretor-de-marte-um-comemora-pre-selecao-para-o-oscar-nunca-tinha-ido-pra-um-diretor-negro/"><span style="font-weight: 400;">um Brasil utópico e distópico</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao mesmo tempo, o diretor molda a narrativa da filha mais velha longe dos arquétipos de preconceito e revolta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De fato, </span><i><span style="font-weight: 400;">Marte Um</span></i><span style="font-weight: 400;"> se centra em personagens complexos e multifacetados, protagonizando uma trama que não se limita em momento algum. Deivinho, o elo que conecta o distante planeta vermelho ao Brasil da família mineira, não se acanha em sonhar. Visitando o reino em que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fUg4xE-7LyM"><span style="font-weight: 400;">tudo é possível</span></a><span style="font-weight: 400;">, o garoto não quer saber de marcar gol e dar carrinho (por mais que tenha talento para tal). Ele quer colonizar a galáxia, mas para isso precisa enfrentar as expectativas daqueles que o criaram sob um molde. Quebrar a ordem das coisas é um processo custoso, e Gabriel Martins, que executa a montagem ao lado de Thiago Ricarte, não cansa de nos lembrar disso.</span></p>
<figure id="attachment_28746" aria-describedby="caption-attachment-28746" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28746 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-5.jpg" alt="Cena do filme Marte Um, a imagem mostra quatro pessoas negras da mesma família de pé e reunidas ao redor de um telescópio. Está de noite e a luz azul da lua reflete neles." width="1200" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-5.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-5-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-5-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-5-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28746" class="wp-caption-text">Com um novo método e equipe selecionando o filme brasileiro para o Oscar em 2022, o país tem no histórico as submissões de Deserto Particular, Babenco e A Vida Invisível (Foto: Filmes de Plástico)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Considerando os exemplos recentes de longas nacionais deixados de lado pelos votantes estrangeiros, a </span><a href="https://academiabrasileiradecinema.com.br/academia-brasileira-de-cinema-e-artes-audiovisuais-anuncia-os-seis-filmes-brasileiros-pre-selecionados-para-concorrer-a-indicacao-ao-oscar2023%ef%bf%bc/"><span style="font-weight: 400;">Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais</span></a><span style="font-weight: 400;"> decidiu reformular sua equipe e método de seleção da obra que representará o país no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com um corpo votante composto por dezenove profissionais da área, Bárbara Cariry presidiu a comissão em 2022, e uma </span><a href="https://www.omelete.com.br/oscar/oscar-2023-filmes-pre-selecionados-brasil#:~:text=Montada%20por%2019%20membros%2C%20a,Paloma%20(de%20Marcelo%20Gomes)."><span style="font-weight: 400;">pré-lista</span></a><span style="font-weight: 400;"> com 6 produções foi divulgada. Ao lado de </span><i><span style="font-weight: 400;">Marte Um</span></i><span style="font-weight: 400;">, estavam </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CtLsCjQ01q4"><i><span style="font-weight: 400;">A Mãe</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (de Cristiano Burlan), </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jAhGhqdMc1c"><i><span style="font-weight: 400;">A Viagem de Pedro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (de Laís Bodanzky), </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qaxw60-NW4U"><i><span style="font-weight: 400;">Carvão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (de Carolina Markowicz), </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=74kfPQVKbzY"><i><span style="font-weight: 400;">Pacificado</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (de Paxton Winters) e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zQzRA3fvnZI"><i><span style="font-weight: 400;">Paloma</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (de Marcelo Gomes). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final das quase duas horas, a breve sinopse do longa ecoa como uma maneira de vender um filme que não se delimita como simples reimaginação ficcional de uma realidade extremamente desgastante, que diariamente </span><a href="https://www.poder360.com.br/coronavirus/2-anos-de-covid-relembre-30-frases-de-bolsonaro-sobre-pandemia/"><span style="font-weight: 400;">estampa capas de jornais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e preenche VTs da televisão no horário nobre. Mais que uma crônica sobre uma família nada endinheirada lidando com a eleição de um presidente abominável, </span><i><span style="font-weight: 400;">Marte Um</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz o retrato de como a Arte no Brasil resistiu e ainda reage.</span></p>
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		<title>O Pai da Rita celebra um reencontro de gerações</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Nov 2021 19:30:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>João Batista Signorelli “A Rita levou meu sorriso/No sorriso dela/Meu assunto/Levou junto com ela/E o que me é de direito/Arrancou-me do peito/E tem mais…” cantava Chico Buarque em uma de suas primeiras gravações. Mas, afinal, quem foi essa Rita que arrasou os sentimentos do artista? Em O Pai da Rita, novo longa de Joel Zito &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-pai-da-rita-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Pai da Rita celebra um reencontro de gerações"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24464" aria-describedby="caption-attachment-24464" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24464" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/pai-da-rita-1.jpg" alt="Imagem de divulgação do filme O Pai da Rita. A imagem mostra da esquerda para a direita, Pudim, Ritinha e Roque. Pudim é um homem negro de barba grisalha, boina, e jaqueta jeans sobre uma camisa estampada. Ritinha é uma mulher negra de cabelo afro, brincos dourados e vestido vermelho estampado de flores. Roque é um homem negro de cabelos brancos, chapéu panamá branco, camisa beje e marrom, e calça branca." width="1000" height="628" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/pai-da-rita-1.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/pai-da-rita-1-800x502.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/pai-da-rita-1-768x482.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24464" class="wp-caption-text">O Pai da Rita foi exibido na Mostra Brasil da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: O2 Play)</figcaption></figure>
<p><b>João Batista Signorelli</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“A Rita levou meu sorriso/No sorriso dela/Meu assunto/Levou junto com ela/E o que me é de direito/Arrancou-me do peito/E tem mais…” </span></i><span style="font-weight: 400;">cantava Chico Buarque em uma de suas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xP_2lD8-6Yc"><span style="font-weight: 400;">primeiras gravações</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas, afinal, quem foi essa Rita que arrasou os sentimentos do artista? Em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Pai da Rita</span></i><span style="font-weight: 400;">, novo longa de Joel Zito Araújo que estreou na Mostra Brasil da 45ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, a tal da Rita não roubou somente o coração de Chico, como também de dois sambistas da Vai-Vai, em um filme leve e divertido, que celebra a paternidade e o reencontro de gerações.</span></p>
<p><span id="more-24462"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Joel Zito Araújo, que neste ano também participa do júri da Mostra, tem uma vasta experiência em curtas e longas documentais, além de já ter realizado um outro filme de ficção, </span><i><span style="font-weight: 400;">Filhas do Vento</span></i><span style="font-weight: 400;">, que levou vários Kikitos no </span><a href="http://festivaldegramado"><span style="font-weight: 400;">Festival de Gramado</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2004. Preservando seu interesse em </span><a href="https://revistacontinente.com.br/secoes/entrevista/-nos-negros-fazemos-um-autentico-cinema-brasileiro-"><span style="font-weight: 400;">representar na tela</span></a><span style="font-weight: 400;"> a população negra brasileira, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Pai da Rita</span></i><span style="font-weight: 400;"> é seu segundo longa de ficção, em que se aproxima, pela primeira vez, da comédia e do Cinema popular, tendo as locações do tradicional bairro do Bixiga na capital paulista como pano de fundo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto lidam com uma nova geração ganhando espaço dentro e fora das escolas de samba, Roque (Wilson Rabelo) e Pudim (Ailton Graca), dois compositores solteiros da velha guarda da tradicional </span><a href="https://www.vaivai.com.br/"><span style="font-weight: 400;">Escola de Samba Vai-Vai</span></a><span style="font-weight: 400;">, têm sua amizade abalada quando Ritinha (Jéssica Barbosa), a filha de Rita, um antigo amor de ambos, surge em suas vidas. Estando cada um convicto de ser o pai da jovem, a relação dos dois corre risco de ruir quando eles passam a competir um com o outro no desejo de assumir a paternidade legítima de Ritinha. </span></p>
<figure id="attachment_24463" aria-describedby="caption-attachment-24463" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24463" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/pai-da-rita-3.jpg" alt="Cena do filme O Pai da Rita. A imagem mostra Pudim e Ritinha em um parque, diante de um busto de Adoniran Barbosa. Pudim veste chapéu branco, camisa vermelha e um grande colar, e Ritinha veste uma camisa clara estampada, com uma bolsa no ombro." width="1280" height="535" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/pai-da-rita-3.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/pai-da-rita-3-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/pai-da-rita-3-1024x428.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/pai-da-rita-3-768x321.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/pai-da-rita-3-1200x502.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24463" class="wp-caption-text">O filme terá distribuição pela O2 Play, e ainda não tem data de estreia nos cinemas divulgada (Foto: O2 Play)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme não se apressa em introduzir o conflito principal, aproveitando todo o primeiro ato para apresentar a dinâmica entre os personagens, as subtramas, e as informações-chave para que a história fluísse naturalmente assim que a potencial filha surgisse na vida de Roque e Pudim. Nesse meio tempo, somos também apresentados a um formidável elenco de coadjuvantes que habitam o bairro do Bixiga, com destaques para Paulo Betti fazendo um divertido garçom de uma cantina italiana, Elisa Lucinda interpretando uma prostituta que se distanciou de seu seio familiar, e Lea Garcia, que brilha como uma figura matriarcal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas o grande coração da obra está em Wilson Rabelo e Ailton Graça, que encarnam Roque e Pudim com leveza e vivacidade. Um é a antítese do outro: enquanto Roque é introvertido mas sempre elegante e arrumado com sua camisa bem passada e chapéu, Pudim é desleixado, piadista, e o melhor tiozão que alguém poderia ter. Rabelo e Graça trabalham muito bem o entusiasmo e os contrastes de seus personagens, fazendo deles os perfeitos opostos que se complementam. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro assinado por </span><span style="font-weight: 400;">Di Moretti faz dessa história sobre uma paternidade restituída também uma narrativa de conciliação de diferenças culturais e geracionais. Ao longo do filme, Roque e Pudim são recebidos com louvores pela juventude negra, os velhos sambistas fazem as pazes com a nova geração do samba, e, em uma das mais belas cenas da produção, vemos a celebração de uma colorida e vibrante </span><a href="https://globoplay.globo.com/v/7176705/"><span style="font-weight: 400;">missa afro</span></a><span style="font-weight: 400;">, mostrando que tradições de origens tão diferentes podem harmonizar uma com a outra. Celebrando a cultura negra brasileira na tela, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Pai da Rita </span></i><span style="font-weight: 400;">é, nas palavras do diretor antes da exibição na Mostra, um filme </span><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;pretensiosamente despretensioso”</span></i><span style="font-weight: 400;">, e que concilia o novo e o velho, o humor e o drama, o passado e o presente. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Bastidores de O PAI DA RITA com AÍLTON GRAÇA, WILSON RABELO e JÉSSICA BARBOSA" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/rzntwBVbbCI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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