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	<title>Arquivos Emma Stone &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Em Bugonia, Yorgos Lanthimos explora o limite entre a morte e a criação</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Nov 2025 00:00:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Borges Exibida no Festival de Veneza de 2025, Bugonia, nova produção de Yorgos Lanthimos, faz parte da seção Perspectiva Internacional na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. O longa, que acompanha a história de dois jovens primos obcecados por teorias da conspiração, busca trazer uma sátira um pouco grotesca sobre os pensamentos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/bugonia-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Bugonia, Yorgos Lanthimos explora o limite entre a morte e a criação"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36266" aria-describedby="caption-attachment-36266" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-36266" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-4.png" alt="Imagem de Bugonia, filme de Yorgos Lanthimos. Na foto vemos a personagem Michelle, uma mulher branca com a cabeça raspada, olhando para cima. Na região de cima da imagem escorrem dois líquidos sobrepostos, um na cor vermelha e outro na cor amarela." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-4.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-4-768x432.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36266" class="wp-caption-text">Bugonia pode figurar entre os indicados no Oscar de Melhor Filme (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Borges</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Exibida no Festival de Veneza de 2025, </span><a href="https://rollingstone.com.br/cinema/bugonia-yorgos-lanthimos-emma-stone-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bugonia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, nova produção de Yorgos Lanthimos, faz parte da seção Perspectiva Internacional na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">. O longa, que acompanha a história de dois jovens primos obcecados por teorias da conspiração, busca trazer uma sátira um pouco grotesca sobre os pensamentos políticos da esquerda e da direita.</span></p>
<p><span id="more-36261"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conhecido por mergulhar de cabeça em universos absurdos, repletos de humor ácido, sarcasmo e críticas sociais, o diretor grego traz, dessa vez, uma adaptação um pouco diferente do </span><i><span style="font-weight: 400;">cult</span></i> <a href="https://nanossaestante.com.br/2025/11/as-semelhancas-entre-bugonia-e-salve-o-planeta-verde/"><i><span style="font-weight: 400;">Salve o Planeta Verde</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2003), do coreano Jang Joon-Hwan. O título de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bugonia</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um termo que remete à crença antiga de que abelhas poderiam nascer a partir da decomposição de um boi morto, fazendo jus ao filme ao explorar uma narrativa construída em torno de um ciclo que mistura decadência e vitalidade, morte e criação.</span></p>
<figure id="attachment_36265" aria-describedby="caption-attachment-36265" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36265" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-800x450.png" alt="Cena do filme Bugonia. Na imagem vemos a personagem Michelle, uma mulher branca com o cabelo raspado, olhando para algo em sua frente. Ela veste um casaco vermelho e camiseta de botões azul por baixo. Seu rosto está coberto por um creme branco e sua mão esquerda encontra-se ao lado de sua cabeça. Ao fundo, tudo está preto." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image.png 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36265" class="wp-caption-text">Emma Stone volta a protagonizar mais uma produção de Lanthimos (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;"> Com um brilhante elenco, esta ficção científica conta a história de Teddy (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Uxgj7rdG_YE"><span style="font-weight: 400;">Jesse Plemons</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Don (Aidan Delbis), dois primos que acreditam fielmente na existência de alienígenas e na dominação do nosso planeta. Consequentemente, acreditando que ela seja Andromedana, eles sequestram Michelle – CEO de uma empresa farmacêutica bilionária. Interpretada por Emma Stone, a personagem parece esconder um segredo a cada cena em que aparece, bagunçando ainda mais a cabeça do espectador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar do público estar cansado de ver </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emma-stone/"><span style="font-weight: 400;">Stone</span></a><span style="font-weight: 400;"> em mais uma obra do cineasta, parceria que acontece desde </span><i><span style="font-weight: 400;">A Favorita</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2018), é impossível dizer que a atriz não se entrega cem por cento. A americana, que chegou a </span><a href="https://rollingstone.com.br/cinema/bugonia-yorgos-lanthimos-emma-stone-critica/"><span style="font-weight: 400;">raspar seu cabelo</span></a><span style="font-weight: 400;"> durante as gravações para dar mais credibilidade à produção, consegue tirar o papel de letra em sua atuação, com muito sarcasmo e uma frieza que só ela sustenta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Abordando temas como questões ecológicas e destruição do planeta, o roteiro de Will Tracy (</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-menu-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Menu</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) é capaz de manter o frescor do desconforto clássico do diretor de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-sacrificio-do-cervo-sagrado-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Sacrifício do Cervo Sagrado</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o que influencia no uso de enquadramentos fechados na fotografia – que consegue contrastar perfeitamente o desequilíbrio da trama. A trilha sonora assinada por Jerskin Fendrix ainda é um grande acerto por parte da produção, que chegou a incluir faixas de artistas atuais como </span><i><span style="font-weight: 400;">Good Luck, Baby!</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Chappell Roan.</span></p>
<figure id="attachment_36262" aria-describedby="caption-attachment-36262" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36262" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1-800x420.png" alt=" Cena do filme Bugonia. Na foto vemos Teddy, homem branco de cabelos longos loiros, andando de bicicleta vermelha. O personagem veste uma jaqueta cinza com shorts, tênis e mochila, ambos na cor preta, em sua cabeça usa fones de ouvido headset. Ao fundo é possível ver a rua e o que parece ser uma cidade. " width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1-1024x538.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1-768x403.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1-1536x806.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1-1200x630.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1.png 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36262" class="wp-caption-text">O longa-metragem de Yorgos Lanthimos é um dos melhores de 2025 (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como todo filme de Lanthimos, a obra gera desconforto, não só pelos gritos e explosões, mas também com momentos de silêncio e cenas completamente perturbadoras que envolvem coisas muito bizarras. </span><i><span style="font-weight: 400;">Bugonia</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue elevar o Cinema em um novo patamar visual, com </span><a href="https://cineset.com.br/entrevista-bugonia/"><span style="font-weight: 400;">situações viscerais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e pulsantes, como o universo orgânico que o próprio título evoca.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim das contas, é fácil acreditar que a produção nos mostra como alguém que não é um extraterrestre pode viver e salvar as abelhas, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Bugonia</span></i><span style="font-weight: 400;"> transmite essa mensagem melhor do que o título infantil </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-bee-movie-a-historia-de-uma-abelha/"><i><span style="font-weight: 400;">Bee Movie</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, da </span><i><span style="font-weight: 400;">DreamWorks</span></i><span style="font-weight: 400;">. O longa é sobre ousar e apostar que a humanidade precisa ser melhor, tudo pelo bem do mundo e de todos que habitam nele.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais que muitos não compreendam ou que divida opiniões, a trama é uma das mais </span><a href="https://tangerina.uol.com.br/filmes-series/bugonia-melhor-filme-2025-critica/"><span style="font-weight: 400;">divertidas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Yorgos Lanthimos, principalmente por cumprir seu papel em meio ao Cinema da previsibilidade. Em um cenário saturado de narrativas lineares e heróis ‘perfeitinhos’, o diretor grego continua a insistir no que sabe fazer de melhor: apostar na beleza do estranho e na vida que brota no que já parecia morto.</span></p>
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<p>&nbsp;</p>
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		<title>Açúcar e violência: Pobres Criaturas é sobre devorar o mundo para experimentá-lo</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Mar 2024 18:11:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Giovanna Freisinger “Eu me aventurei e não encontrei nada além de açúcar e violência”. Essas são as palavras de Bella Baxter em Pobres Criaturas após andar pelas ruas de Lisboa sozinha, vendo o mundo com os próprios olhos pela primeira vez. Adaptado do romance vitoriano Pobres Criaturas de Alasdair Gray, com o roteiro assinado por &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pobres-criaturas-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Açúcar e violência: Pobres Criaturas é sobre devorar o mundo para experimentá-lo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32555" aria-describedby="caption-attachment-32555" style="width: 980px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32555" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4.png" alt="Cena do filme Pobres Criaturas. A personagem Bella Baxter (branca e com os cabelos pretos e compridos até o quadril e as sobrancelhas cheias) está vestindo ombreiras grandes em azul claro sobre a blusa branca, combinadas com um shorts alto amarelo claro. A personagem olha para cima com um olhar curioso. Atrás dela, a cidade é decorada com o comércio de pães e outros alimentos na rua" width="980" height="653" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4.png 980w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32555" class="wp-caption-text">Pobres Criaturas prova que histórias livres para imaginar, ousar e ser um pouco estranhas ainda movimentam audiências (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Giovanna Freisinger</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu me aventurei e não encontrei nada além de açúcar e violência</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Essas são as palavras de Bella Baxter em </span><i><span style="font-weight: 400;">Pobres Criaturas </span></i><span style="font-weight: 400;">após andar pelas ruas de Lisboa sozinha, vendo o mundo com os próprios olhos pela primeira vez. Adaptado do romance vitoriano </span><a href="https://www.nytimes.com/2024/02/21/books/review/poor-things-alasdair-gray-novel.html"><i><span style="font-weight: 400;">Pobres Criaturas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Alasdair Gray, com o roteiro assinado por </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-great-3a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">Tony McNamara</span></a><span style="font-weight: 400;">, a nova obra de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-sacrificio-do-cervo-sagrado-critica/"><span style="font-weight: 400;">Yorgos Lanthimos</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um banquete sensorial. </span></p>
<p><span id="more-32551"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com cores vibrantes, arranjos musicais provocantes, caracterizações exageradas e elementos surrealistas de ficção científica, o longa é uma experiência audiovisual como nenhuma outra, principalmente diferente de qualquer coisa que vemos nas salas de cinema há tempos. Não à toa, está concorrendo ao troféu de Melhor Filme no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2024, junto a outras 10 indicações, que também incluem Lanthimos em Melhor Direção e McNamara em Melhor Roteiro Adaptado. </span></p>
<figure id="attachment_32552" aria-describedby="caption-attachment-32552" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32552" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1.png" alt="Cena do filme Pobres Criaturas. Preto e branco. Em meio a nuvens brancas, Bella Baxter caminha com uma mala de mão sobre uma ponte que se forma sustentada por cinco globos oculares gigantes" width="1999" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1.png 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32552" class="wp-caption-text">O visual surrealista e imersivo do filme te transporta para um universo fantástico durante as suas duas horas e vinte minutos de duração (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor tem um olho particularmente bom para reconhecer talentos e, mais do que isso, enxergar o potencial de um ator para ir onde ainda não teve a oportunidade de explorar. Essa não é a sua primeira colaboração com Emma Stone, que encarna a protagonista nada comum Bella Baxter. Ela teve um papel importante em </span><a href="https://youtu.be/7U6if0KGvIM?feature=shared"><i><span style="font-weight: 400;">A Favorita</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">em 2018, que também recebeu muita atenção das grandes premiações. Os dois trabalharam juntos novamente no curta-metragem </span><a href="https://www.carocineasta.com.br/2023/10/yorgos-lanthimos-e-emma-stone-sobre-o.html"><i><span style="font-weight: 400;">Bleat</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 2022. É arrebatador o encontro entre dois criativos que falam a mesma língua e, assim, expandem a sua Arte com a parceria. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Interpretar Baxter garantiu à atriz a sua quarta indicação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> por atuação, concorrendo como uma das favoritas ao prêmio de </span><a href="https://www.vogue.com/article/2024-oscars-best-actress-race"><span style="font-weight: 400;">Melhor Atriz</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que pode significar sua segunda vitória. Stone participou da concepção do longa também como produtora executiva, o que coloca seu nome na corrida pelo troféu de Melhor Filme, sua quinta indicação da carreira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A personagem é o resultado de um experimento do brilhante cientista Dr. Godwin Baxter, a quem ela se refere apenas como God &#8211; uma simbologia bem escancarada. O especialista, interpretado com maestria por </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-farol-the-lighthouse-critica/"><span style="font-weight: 400;">Willem Dafoe</span></a><span style="font-weight: 400;">, se preocupa muito pouco com as considerações éticas envolvendo os seus projetos. Stone alcança um novo patamar em sua carreira ao desenvolver em detalhe, junto ao diretor, os modos de caminhar, se portar e falar de Bella do zero, para então se desprender deles de maneira tão orgânica que a criatura amadurece como uma nova mulher diante dos nossos olhos, sem percebermos a mudança abrupta. </span></p>
<figure id="attachment_32557" aria-describedby="caption-attachment-32557" style="width: 950px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32557" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image5.png" alt="Cena do filme Pobres Criaturas. Bella Baxter está deitada em uma  maca de metaç, dos ombros para cima, com os olhos abertos e um olhar vazio. Sua cabeça está inserida em um meio globo transparente, conectando a metais e fios a personagem" width="950" height="554" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image5.png 950w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image5-800x467.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image5-768x448.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32557" class="wp-caption-text">Stone compete pelo Oscar de Melhor Atriz com Annette Bening (NYAD), Lily Gladstone (Assassinos da Lua das Flores), Sandra Hüller (Anatomia de Uma Queda) e Carey Mulligan (Maestro) (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">Poor Things </span></i><span style="font-weight: 400;">(no original) se passa durante o século XIX, mas o compromisso assumido não é com a precisão histórica, e sim com a construção de um mundo através das lentes da visão da Bella, que está o conhecendo pela primeira vez. A distorção dos cenários e os demais efeitos conquistados pela fotografia de </span><a href="https://youtu.be/L-sZZzsVw0A?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Robbie Ryan</span></a><span style="font-weight: 400;"> através de lentes amplas, com efeito olho de peixe, conversam com o </span><a href="https://www.architecturaldigest.com/story/inside-the-surreal-universe-of-poor-things"><span style="font-weight: 400;">design do set</span></a><span style="font-weight: 400;"> de cores saltadas e elementos futuristas, criado pela direção de arte de James Price, Shona Heath e Zsuzsa Mihalek. Juntos, somam mais duas indicações ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> em suas respectivas categorias: Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todos os elementos do filme também acompanham a evolução do arco da protagonista, o mais evidente sendo a transição do preto e branco da sua criação para o colorido vibrante das novas descobertas. Os figurinos extravagantes e cativantes de </span><a href="https://www.nytimes.com/2024/01/02/movies/emma-stone-bella-baxter-costumes-poor-things.html"><span style="font-weight: 400;">Holly Waddington</span></a><span style="font-weight: 400;">, que trazem uma leitura moderna à moda da época, e as maquiagens e penteados de </span><a href="https://www.wallpaper.com/fashion-beauty/poor-things-hair-and-make-up-yorgos-lanthimos-film"><span style="font-weight: 400;">Nadia Stacey</span></a><span style="font-weight: 400;">, Mark Coulier e Josh Weston são ferramentas para a expressão vibrante da personalidade e estado mental dos personagens ao longo do enredo. A trilha sonora de Jerskin Fendrix não é diferente: as composições se transformam e se expandem em complexidade conforme Bella amadurece e encontra o seu lugar no mundo como mulher. Todas essas categorias também foram notadas pela Academia e concorrem à premiação. </span></p>
<figure id="attachment_32553" aria-describedby="caption-attachment-32553" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32553" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2.png" alt="Cena do filme Pobres Criaturas. Visão de baixo para cima da cidade de Lisboa no filme. Prédios altos e amarelados. Um transporte passa ao alto suspenso por fios entre os prédios. O céu azul claro é coberto por nuvens rosas" width="1600" height="966" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-800x483.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-1024x618.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-768x464.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-1536x927.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-1200x725.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32553" class="wp-caption-text">Ryan e Lanthimos compartilharam em entrevista à Variety que construir Lisboa foi um de seus maiores desafios (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Lanthimos definiu, em </span><a href="https://vogue.globo.com/cultura/noticia/2024/02/pobres-criaturas-de-yorgos-lanthimos-e-um-convite-a-experimentacao-da-vida.ghtml"><span style="font-weight: 400;">entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> à Vogue Brasil, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pobres Criaturas</span></i><span style="font-weight: 400;"> como &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">um filme sobre o que um ser humano é capaz de fazer em um novo começo, com uma tela em branco, e o que experimenta a partir daí de uma maneira diferente do que já foi feito</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Bella Baxter é uma personagem extremamente interessante de assistir por ser completamente livre de quaisquer convenções sociais ou morais. Por questionar tudo, ela expõe ao ridículo regras fúteis da sociedade ao seu redor, como as de etiqueta, e nos faz olhar para o modus operandi em que vivemos. A mulher-criança decide o que quer a partir do que lhe dá prazer e, fazendo isso, planta a pergunta em nós: o que está nos impedindo de fazer o mesmo?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse processo, a protagonista esbarra em uma de suas descobertas mais fascinantes: </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2024/jan/30/poor-things-sex-scenes-intimacy-coordinator-elle-mcalpine-yorgos-lanthimos"><span style="font-weight: 400;">o orgasmo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Começa como uma curiosidade sensorial, de revelação do próprio corpo e suas sensações de prazer, como uma jovem na puberdade com a inocência de acreditar que é a primeira a descobrir isso. Eventualmente, a sua busca se estende a outros corpos e as possibilidades ao se relacionar com eles, não só restritas ao desejo, mas também à vontade de conhecer de perto as inúmeras formas de relações interpessoais. </span></p>
<figure id="attachment_32554" aria-describedby="caption-attachment-32554" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32554" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3.png" alt="Cena do filme Pobres Criaturas. Ao centro de um salão de festas, Bella Baxter dança com os braços para cima. A personagem está usando uma regata branca e uma saia longa rosa. Ao fundo, dois casais dançam e pessoas assistem sentadas em mesas de jantar" width="1999" height="1208" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3.png 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-800x483.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-1024x619.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-768x464.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-1536x928.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-1200x725.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32554" class="wp-caption-text">Bella Baxter arranca risadas falando sem filtro coisas que todos pensamos e não temos coragem de falar (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Duncan Wedderburn, personagem de </span><a href="https://personaunesp.com.br/i-know-this-much-is-true-critica/#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">Mark Ruffalo</span></a><span style="font-weight: 400;">, aparece como uma porta para o mundo afora e seus deslumbres. Bella se deixa ser guiada pelo advogado arrogante em seus primeiros passos em direção à independência, mas não permite que ele determine o caminho. O horizonte de sua curiosidade se expande para além de sensações e momentos, através de livros e pessoas que, assim como ela, questionam o que é estabelecido. O relacionamento dos dois desmorona conforme ela aprende a andar com os seus próprios pés.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É aí que, de repente, a criança é Duncan: birrento e perdido, representação de um homem que não só não está acostumado com frustrações, mas que também não consegue conceber em sua mente a noção de uma mulher que talvez queira experimentar o mundo, muito como o próprio, e não tenha interesse em se restringir às suas promessas, não importa o quão sinceras. O que Ruffalo conquista em cena é espetacular. A performance charmosa e hilária de um sedutor dramático é um dos pontos mais altos do filme, o que o levou ao reconhecimento muito merecido com a indicação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://variety.com/feature/2024-oscars-best-supporting-actor-predictions-1235678122/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Ator Coadjuvante</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em defesa do galã desiludido, não é só Wedderburn que demonstra não saber como reagir a uma mulher como Bella. Quase todos ao redor da protagonista querem encontrar formas de controlá-la e moldá-la de acordo com suas crenças e interesses pessoais. Uma eventual exceção é o seu criador, God, que passa a abrir mão do controle sobre o seu experimento para deixá-la seguir sua própria caminhada. Com isso, ele se torna um pai ao qual ela retorna, como uma redenção de </span><a href="https://time.com/6344025/poor-things-frankenstein-mary-shelley-feminist/"><span style="font-weight: 400;">Frankenstein</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o seu monstro. </span></p>
<figure id="attachment_32556" aria-describedby="caption-attachment-32556" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32556" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image6.png" alt="Cena do filme Pobres Criaturas. Bella Baxter, vestida com camadas de tule rosa sobre os ombros, está sentada escrevendo algo sobre o colo. Duncan Wedderburn abraça a personagem de lado, olhando para ela enquanto ela não desvia o olhar para encará-lo de volta" width="1500" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image6.png 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image6-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image6-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image6-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image6-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32556" class="wp-caption-text">“Eu estou tão cansado de ser tão bem comportado”: Ruffalo falou sobre sair da caixinha de bom moço para Deadline (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O cerne de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Pobres Criaturas </span></i><span style="font-weight: 400;">é a quebra da ilusão, a saída da caverna para Bella. A vida é, sim, sobre doces deliciosos, viagens, dança e sexo, mas também é sobre violência, injustiça e miséria. Quando o amigo que ela conhece no cruzeiro, interpretado por </span><a href="https://www.newyorker.com/culture/on-television/rothaniel-reviewed-jerrod-carmichaels-vital-coming-out"><span style="font-weight: 400;">Jerrod Carmichael</span></a><span style="font-weight: 400;">, se revolta com a sua ingenuidade e decide a expor ao mundo real, ela experimenta a culpa. Até então ignorante a essa realidade, ela é colocada diante da parte feia do que torna o seu estilo de vida possível. Esse é um ponto crucial no seu desenvolvimento, o impulso necessário para começar a perceber as estruturas sobre as quais a sociedade se apoia e entender que conhecer a verdade pode ser doloroso, mas é o único caminho para a liberdade. </span></p>
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		<title>A verdade é que Cruella surpreende os desfiles, impressiona os críticos e conquista os holofotes</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Jun 2021 16:00:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Júlia Paes de Arruda Pensar na existência de um segundo live action da vilã de 101 Dálmatas não era muito animador. Seria à altura da icônica performance de Glenn Close na adaptação de 1996? Pois é, quando Emma Stone apareceu num look exuberante, já deu pra notar que não seria igual ao outro. De protagonistas, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cruella-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A verdade é que Cruella surpreende os desfiles, impressiona os críticos e conquista os holofotes"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_21060" aria-describedby="caption-attachment-21060" style="width: 1170px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21060 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-1-Cruella.jpeg" alt="Foto retangular de uma cena de Cruella. A atriz Emma Stone está no centro, em pé, com braços e pernas abertas, com o corpo inclinado para a esquerda. Ela é branca e possui os cabelos presos no alto, metade branco (lado esquerdo dela) e metade preto (lado direito dela). Ela usa um vestido comprido metade preto (do lado direito) e metade branco com manchas pretas (lado esquerdo), como um dálmata. Próximo ao peito, tem três fivelas pretas. O vestido possui um capuz preto. Ela usa botas pretas compridas e luvas curtas pretas de renda. Ela segura uma bengala preta na mão direita. Emma está numa passarela. Ao fundo, tem fumaça colorida e fogos de artifício. Em ambos os lados da passarela, estão a plateia, com pessoas aplaudindo e fotógrafos." width="1170" height="780" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-1-Cruella.jpeg 1170w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-1-Cruella-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-1-Cruella-1024x683.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-1-Cruella-768x512.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21060" class="wp-caption-text">“Eu sou mulher, me ouça rugir” (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><b>Júlia Paes de Arruda</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pensar na existência de um segundo </span><i><span style="font-weight: 400;">live action</span></i><span style="font-weight: 400;"> da vilã de </span><i><span style="font-weight: 400;">101 Dálmatas</span></i><span style="font-weight: 400;"> não era muito animador. Seria à altura da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VApVpvcGW1A"><span style="font-weight: 400;">icônica performance de Glenn Close</span></a><span style="font-weight: 400;"> na adaptação de 1996? Pois é, quando Emma Stone apareceu num </span><i><span style="font-weight: 400;">look</span></i><span style="font-weight: 400;"> exuberante, já deu pra notar que não seria igual ao outro. De protagonistas, os cachorros passaram a ser meros figurantes. A antagonista invade a Londres da década de 70 carregada pela moda, cheia de frustrações e mágoas de um passado solitário. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AX2Bj-_Jc10"><i><span style="font-weight: 400;">Original, criminosa, vestida para matar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. É assim que </span><i><span style="font-weight: 400;">Cruella</span></i><span style="font-weight: 400;"> se apresenta para nós. </span></p>
<p><span id="more-21059"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A nova produção do </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney+</span></i><span style="font-weight: 400;"> acompanha a jornada de Estella (Emma Stone), uma criança geniosa e determinada, até a fase adulta de pequenos crimes, ao lado de Gaspar (Joel Fry, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/game-of-thrones-quinta-temporada-briga-pelo-trono-pormenor-ser-superado/"><i><span style="font-weight: 400;">Game of Thrones</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Horácio (Paul Walter Hauser, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobra-kai-netflix-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Cobra Kai</span></i></a><span style="font-weight: 400;">). Inspirada pela mãe, a jovem mantém o desejo de um dia se tornar uma grande estilista. Seu talento chama a atenção da Baronesa Von Hellman (Emma Thompson), dona de uma influente grife e, a partir daí, uma sucessão de eventos farão com que Estella desapareça para que Cruella se materialize. É como se enxergássemos duas personalidades: enquanto Cruella esbanja poder, Estella é uma garota tímida e sonhadora.</span></p>
<figure id="attachment_21061" aria-describedby="caption-attachment-21061" style="width: 1906px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21061" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-2-Cruella.jpg" alt="Foto retangular de uma cena de Cruella. A atriz Emma Stone está no centro, do peito para cima, como Estella. Ela é branca, possui olhos azuis claros e contornados com lápis e cabelos vermelhos escuros. Ela usa uma boina preta, um casaco preto e segura uma mochila preta nas costas. O fundo está desfocado, mas se trata de uma rua de Londres." width="1906" height="1011" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-2-Cruella.jpg 1906w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-2-Cruella-800x424.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-2-Cruella-1024x543.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-2-Cruella-768x407.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-2-Cruella-1536x815.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-2-Cruella-1200x637.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21061" class="wp-caption-text">Será que estamos de frente com uma nova versão de O Diabo Veste Prada? (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O mérito de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cruella</span></i><span style="font-weight: 400;"> é de Emma Stone. A atriz sai da cômica Hannah de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WAZOAm3aiVM"><i><span style="font-weight: 400;">Amor à Toda Prova</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e da dramática Mia de </span><a href="https://personaunesp.com.br/la-la-land-o-sabor-agridoce-da-nostalgia/"><i><span style="font-weight: 400;">La La Land</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">para despertar a brilhante Cruella De Vil. Seu visual monocromático vibra, grita e abala os olhares gélidos e neblinosos da tediosa capital britânica. Stone se sente à vontade no papel visto que entrega cargas dramáticas com muito fôlego ao mesmo tempo que se solta para performar uma complexa e surpreendente vilã. Ela consegue transitar do ácido ao engraçado em segundos de cenas. Nossos olhos ficam fixos na sua transformação cheia de </span><i><span style="font-weight: 400;">glamour </span></i><span style="font-weight: 400;">e nem um pouco entediante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cereja do bolo é Emma Thompson, que se desprende da boba professora </span><a href="https://harrypotter.fandom.com/pt-br/wiki/Sibila_Trelawney"><span style="font-weight: 400;">Sibila Trelawney</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban </span></i><span style="font-weight: 400;">para dar lugar à egocêntrica Baronesa. Sua versatilidade é magnífica, incorporando uma solidão e obscuridade dignos de uma elite hipócrita da época. Aderindo somente a tons clássicos da alta costura, Thompson constrói uma personagem megalomaníaca, capaz de descartar tudo e todos para se manter no </span><i><span style="font-weight: 400;">status </span></i><span style="font-weight: 400;">da grandeza.</span></p>
<figure id="attachment_21066" aria-describedby="caption-attachment-21066" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21066" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-3-Cruella-1.png" alt="Foto retangular de uma cena de Cruella. A atriz Emma Stone está no centro, do peito para cima, como Cruella. Ela é branca, possui olhos azuis claros com sombra preta e usa um batom vermelho na boca. O cabelo é curto e ondulado, metade branco (lado esquerdo dela) e metade preto (lado direito dela). Ela veste uma jaqueta de couro preta e uma gargantilha também preto. O fundo está desfocado, mas ela está num campo verde. Ao seu lado, está o ator Paul Walter Hauser. Ele é branco, possui cabelos curtos e usa um chapéu preto. Ele veste uma camisa preta. Ao lado esquerdo de Emma, está uma silhueta de uma pessoa. Ela veste um chapéu e roupa preta. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-3-Cruella-1.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-3-Cruella-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-3-Cruella-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-3-Cruella-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-3-Cruella-1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21066" class="wp-caption-text">A vilã monocromática já apareceu na série Once Upon a Time e foi tema de um <a href="https://www.youtube.com/watch?v=Je9ZfezquCI">clipe</a> de Selena Gomez (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao lado de Baronesa, temos John (</span><a href="http://personaunesp.com.br/shazam-critica/"><span style="font-weight: 400;">Mark Strong</span></a><span style="font-weight: 400;">) que é basicamente o </span><a href="https://www.geekproject.com.br/2020/04/20-famosos-que-sao-incrivelmente-parecidos/"><span style="font-weight: 400;">próprio Nigel de Miranda Priestly</span></a><span style="font-weight: 400;">. Além de ser o mordomo/assistente, John tem papel fundamental para que Cruella se defina e se estruture como a personagem que conhecemos. O filme </span><i><span style="font-weight: 400;">solo</span></i><span style="font-weight: 400;"> da vilã de </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-159075/"><i><span style="font-weight: 400;">101 Dálmatas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> também nos apresenta Anita e Roger, os donos de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fuYZ21R8-bQ"><span style="font-weight: 400;">Pongo e Perdita</span></a><span style="font-weight: 400;">. O diferencial é que, no </span><i><span style="font-weight: 400;">live-action</span></i><span style="font-weight: 400;">, os dois não são um casal. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Anita (</span><a href="https://personaunesp.com.br/por-que-as-mulheres-matam-critica/"><span style="font-weight: 400;">Kirby Howell-Baptiste</span></a><span style="font-weight: 400;">) é uma jornalista, que auxilia Cruella a se destacar nas manchetes londrinas. Já Roger (</span><a href="https://personaunesp.com.br/what-we-do-in-the-shadows-critica/"><span style="font-weight: 400;">Kayvan Novak</span></a><span style="font-weight: 400;">) é o mero advogado da Baronesa. Ambos não desempenham uma função de proeminência, porém se tornam referências icônicas do desenho animado. A mudança para uma </span><a href="https://exame.com/casual/remakes-de-filmes-e-series-ha-limite-para-troca-de-etnias/"><span style="font-weight: 400;">atriz negra</span></a><span style="font-weight: 400;"> e um </span><a href="https://www.correiodopovo.com.br/arteagenda/sete-filmes-para-conhecer-o-cinema-iraniano-1.391829"><span style="font-weight: 400;">ator descendente de iranianos</span></a><span style="font-weight: 400;"> busca trazer a representatividade, mas, pelos poucos momentos dos personagens em tela, a proposta acaba se tornando mais uma estratégia comercial.</span></p>
<figure id="attachment_21062" aria-describedby="caption-attachment-21062" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21062" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-3-Cruella.png" alt="Foto retangular de uma cena de Cruella. A atriz Emma Stone está no centro, do peito para cima, como Cruella. Ela é branca, possui olhos azuis claros e cabelos presos para cima, metade branco (lado esquerdo dela) e metade preto (lado direito dela). Ela possui uma maquiagem preta sobre o rosto como fundo e os escritos “THE FUTURE” e um batom vermelho brilhante. Ela veste uma jaqueta preta de couro, com gola. O fundo está um pouco desfocado, mas do lado esquerdo de Emma se vê vários fotógrafos segurando câmeras antigas pretas. O lado direito de Emma está com uma fumaça branca." width="1200" height="799" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-3-Cruella.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-3-Cruella-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-3-Cruella-1024x682.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-3-Cruella-768x511.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21062" class="wp-caption-text">Cruella abraça a estética rebelde, abusando de ornamentos ousados e excêntricos, como o longo vestido feito de antigas produções de Baronesa espalhados pelo lixo (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não se pode falar de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cruella </span></i><span style="font-weight: 400;">sem explorar a ousadia e a vaidade de seus figurinos. A </span><i><span style="font-weight: 400;">designer </span></i><span style="font-weight: 400;">Jenny Beavan, ganhadora de dois </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscars</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; um deles por </span><a href="https://personaunesp.com.br/mad-max-estrada-da-furia-o-reboot-da-distopia/"><i><span style="font-weight: 400;">Mad Max: Estrada da Fúria</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2015), se inspirou no movimento </span><i><span style="font-weight: 400;">punk </span></i><span style="font-weight: 400;">da década de 70 para demonstrar a rebeldia que a personagem precisava. Em meio ao ambiente urbano, Cruella é a própria visão do futuro. </span></p>
<p><a href="https://theshoppers.com/pt-br/moda/moda-anos-70/"><span style="font-weight: 400;">Nesse período</span></a><span style="font-weight: 400;">, a alta costura deixou de ser algo exclusivo e começou o processo de democratização da moda. Visuais </span><a href="https://revistamonet.globo.com/Celebridades/noticia/2021/06/john-stamos-ironiza-politico-que-reclamou-de-personagem-gay-extravagante-em-cruella.html"><span style="font-weight: 400;">andróginos</span></a><span style="font-weight: 400;"> estavam em alta, fazendo transparecer a sexualidade, a liberdade e a criatividade. O </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/punk-na-moda/"><span style="font-weight: 400;">movimento </span><i><span style="font-weight: 400;">punk</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, muitas vezes incompreendido, substituiu o colorido e o </span><i><span style="font-weight: 400;">glitter</span></i><span style="font-weight: 400;"> da discoteca pelas jaquetas de couro pretas, um visual grotesco e as tachas pontiagudas. A vilã abusa da extravagância e de maquiagens carregadas. A fúria e o desejo de vingança se revelam através de suas roupas e, assim, Estella transforma-se em Cruella. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A audácia da personagem também se reflete nas suas atrevidas exibições. No meio de um monótono baile preto e branco, Cruella encarna uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6zYJQoDUFHo"><span style="font-weight: 400;">Katniss Everdeen</span></a><span style="font-weight: 400;"> e abre espaço para o vermelho vivo tomar conta da celebração. Ela não tem medo de se arriscar e não nega o grandioso talento que possui em mãos. Ousa em tecidos, cortes e costuras exóticas para sacudir as passarelas dominadas pela Baronesa. É assim que ela conquista seu espaço.</span></p>
<figure id="attachment_21063" aria-describedby="caption-attachment-21063" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21063" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-4-Cruella.jpg" alt="Foto retangular de uma cena de Cruella. A atriz Emma Stone está no centro, em cima de um carro antigo prata. Ela é branca e possui cabelo metade branco (lado esquerdo dela) e preto (lado direito dela). Ela usa um vestido comprido, com a parte superior preta com adereços em dourado e uma saia longa de pétalas de flores, num degradê, de cima para baixo, do vermelho ao preto. Sua mão direita está levantada, com os dedos para cima, e sua mão esquerda, levemente levantada com os dedos apontando para a esquerda. Ao fundo, está um muro cinza, com três janelas grandes e arredondadas na parte superior. No centro da terceira janela (ao lado direito), um vidro está aberto. Em frente a esse muro, estão diversas pessoas paradas olhando para Cruella, algumas com câmeras antigas pretas tirando fotos (próximas ao lado esquerdo da imagem) e outras apenas em pé, parados com mãos no bolso e cruzadas na frente do corpo. Na parte inferior da imagem, é possível ver cabeças de pessoas tirando fotos de Cruella. " width="1000" height="667" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-4-Cruella.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-4-Cruella-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-4-Cruella-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21063" class="wp-caption-text">Esse <a href="https://exame.com/casual/referencias-de-moda-constroem-a-narrativa-vingativa-em-cruella/">vestido de Cruella</a> foi costurado a mão, feito com mais de 5.000 pétalas de flores e com uma saia tão longa que possibilitou cobrir um carro (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferentemente de </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/malevola-critica"><i><span style="font-weight: 400;">Malévola</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o filme de Craig Gillespie (</span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/fogo-em-gelo-o-que-e-verdade-ou-quase-isso-no-filme-eu-tonya.phtml"><i><span style="font-weight: 400;">Eu, Tonya</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">) </span></i><span style="font-weight: 400;">é um acerto. Talvez pela participação de Emma Stone e de Glenn Close na produção executiva, unindo gerações de atrizes incríveis num trabalho que prometia muito. A diretora de arte </span><a href="https://variety.com/2021/artisans/news/cruella-production-designer-fiona-crombie-1234984410/"><span style="font-weight: 400;">Fiona Crombie</span></a><span style="font-weight: 400;"> também merece os cumprimentos, já que ela consegue transparecer ambas as personalidades da personagem de Stone de maneira sutil, mas decisiva. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto estamos com o olhar em Estella, as cenas escritas por Dana Fox e </span><a href="https://spinoff.com.br/tony-macnamara-de-a-favorita-fala-sobre-os-desafios-da-serie-the-great/"><span style="font-weight: 400;">Tony McNamara</span></a><span style="font-weight: 400;"> (juntamente com Aline Brosh McKenna, Kelly Marcel e Steve Zissis adaptando a história de Dodie Smith) se desenrolam com mais suavidade, acompanhando o desempenho da jovem compartilhando a vida com seus novos parceiros. Quando Cruella toma posse, tudo acaba virando caótico: a organização do apartamento, os desenhos nas modelos, a relação entre a vilã e seus (agora) capangas. A iluminação dos cenários também acompanha esse desenrolar, transitando de uma paleta mais amarelada para uma mais avermelhada, quase um vinho, mais sombrio.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É em seu filme </span><i><span style="font-weight: 400;">solo </span></i><span style="font-weight: 400;">que conhecemos a obsessão da antagonista por dálmatas, tão evidente na elegante atuação de Glenn Close. Os cachorros demarcam um momento de dor da personagem, ao mesmo tempo que reforçam seu poder, sua ascensão num novo patamar. Seu alter ego maléfico assume a nova posição e nos confrontamos com uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/aves-de-rapina-critica/"><span style="font-weight: 400;">anti-heroína</span></a><span style="font-weight: 400;"> extraordinária e destemida.  </span></p>
<figure id="attachment_21067" aria-describedby="caption-attachment-21067" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21067 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/CRUELLA-2021-70.jpg.jpg" alt="Pôster retangular de divulgação de Cruella. Nela, estão presentes os atores Paul Walter Hauser, Emma Stone e Joel Fry, respectivamente. Paul está de frente, apoiado numa moto prata antiga. Ele veste uma boina marrom, camisa marrom, um casaco comprido verde, uma calça jeans com barra e botas marrons. Ao seu lado, sentado no banco da moto, está um cachorro caramelo peludo. À frente de Paul, próxima da câmera, está Emma como Cruella. Ela possui os cabelos metade branco (lado esquerdo dela) e preto (lado direito dela) e maquiagem preta carregada nos olhos. Ela veste uma blusa de manga comprida preta de couro e uma calça também preta. Elas está com as duas mãos na frente do corpo, segurando três coleiras com três dálmatas, que estão na sua frente. Ao lado de Emma, mas atrás, está o ator Joel. Ela veste um chapéu marrom, uma blusa vinho e uma jaqueta marrom. Os três estão num terreno de demolição, com uma construção grande e aos pedaços ao fundo. " width="1500" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/CRUELLA-2021-70.jpg.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/CRUELLA-2021-70.jpg-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/CRUELLA-2021-70.jpg-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/CRUELLA-2021-70.jpg-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/CRUELLA-2021-70.jpg-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21067" class="wp-caption-text">“Acho que eles sempre tiveram medo que eu fosse uma psicopata” (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A pegada </span><i><span style="font-weight: 400;">punk</span></i><span style="font-weight: 400;"> não se limita aos trajes de Cruella. Esse estilo também se faz presente dentro da </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/5rOJpiF22y62zZWQJswegW?si=a49e85fdda6743d0"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> do filme, o que contribuiu para essa áurea mais sombria. Além das </span><a href="https://personaunesp.com.br/lancamentos-musicais-maio-2021/"><span style="font-weight: 400;">criações de Nicholas Britell</span></a><span style="font-weight: 400;"> (indicado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">por </span><a href="https://open.spotify.com/album/5evArWgt3lYByavFqzbo5x?si=Ns1cYwgESfmQFvVz1Meq0g"><i><span style="font-weight: 400;">Moonlight: Sob a Luz do Luar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://open.spotify.com/album/0fJDCdcog8975mFnYSCKZT?si=l1mEW9aZRa6CAulHi2zt3A"><i><span style="font-weight: 400;">Se a Rua Beale Falasse</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">)</span></i><span style="font-weight: 400;">, músicas de </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/as-inspiracoes-punks-de-cruella-de-vivienne-westwood-ao-the-clash/"><span style="font-weight: 400;">The Clash</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-night-at-the-opera-45-anos/"><span style="font-weight: 400;">Queen</span></a><span style="font-weight: 400;">, Black Sabbath e Deep Purple criam a atmosfera do lado ácido da vilã. Entretanto, existem quebras de ritmos mais pesados com as divertidas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BN1WwnEDWAM"><i><span style="font-weight: 400;">Should I Stay or Should I Go</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_zBwRDEFMRY"><i><span style="font-weight: 400;">One Way or Another</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que espelham a ironia e o deboche da antagonista. Tudo foi milimetricamente pensado para que as duas particularidades de Cruella pudessem transparecer para o público. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Juntamente com uma instrumentalidade espetacular, o diretor Craig Gillespie une uma narrativa primordialmente vinda do público infantil com o adulto, trazendo o equilíbrio entre o drama e a comédia. Ele procura dar profundidade aos capangas de Cruella para que eles possam acrescentar aos arcos da vilã e não servir apenas como burros de carga. Enquanto Gaspar é inteligente, Horácio é o alívio cômico, dono das cenas mais divertidas. Os dois funcionam como questionadores da vilania da amiga. Dessa forma, o trio não forma apenas uma gangue, mas sim uma família.</span></p>
<figure id="attachment_21068" aria-describedby="caption-attachment-21068" style="width: 979px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21068 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/cru-e1622921997306.jpg" alt="Foto retangular de uma cena de Cruella. A atriz Emma Stone está no centro, dos ombros para cima, como Cruella. Ela é branca de olhos azuis claros e usa maquiagem preta nos olhos e batom vermelho na boca. Ela está com o cabelo curto, ondulado, metade branco (lado esquerdo dela) e metade preto (lado direito dela). Ela veste uma jaqueta preta e uma gargantilha também preta. O fundo está desfocado. No lado esquerdo da imagem, é possível ver cinco luzes redondas amarelas acesas (duas em cima e três embaixo). Atrás de Cruella, se vê uma lareira. No lado direito da imagem, se vê um homem em pé, de terno e gravata, com os braços na frente do corpo. Atrás dele é possível ver duas luzes redondas amarelas acesas." width="979" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/cru-e1622921997306.jpg 979w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/cru-e1622921997306-800x588.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/cru-e1622921997306-768x565.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21068" class="wp-caption-text">A famosa piteira de cigarros de Cruella não foi adicionado no live action pois, desde 2007, <a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/feitos-desfeitas/disney-proibe-cigarro-em-seus-filmes/">a Disney proíbe cenas de fumo</a> em todas as suas produções (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Cruella </span></i><span style="font-weight: 400;">reinventa a fórmula de sucesso do desenho animado e faz com que Emma Stone deixe sua marca, tanto que já acumula mais de </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2021/05/31/cruella-assume-a-lideranca-na-bilheteria-nacional-e-arrecada-r-16-milhao.ghtml"><span style="font-weight: 400;">um milhão e meio de dólares</span></a><span style="font-weight: 400;"> de arrecadação nos cinemas. Incorporando novos aspectos, mas ainda mantendo-se na tradicionalidade, o filme é completo e dinâmico. Com uma cena pós-créditos (</span><i><span style="font-weight: 400;">obrigada pelos feitos, Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;">) curiosa, a trajetória de Cruella começa de maneira majestosa. Se depender de Craig Gillespie para criar </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-158981/"><span style="font-weight: 400;">novos filmes </span><i><span style="font-weight: 400;">solos </span></i><span style="font-weight: 400;">de vilãs queridas</span></a><span style="font-weight: 400;">, temos uma próxima onda de </span><i><span style="font-weight: 400;">live-actions </span></i><span style="font-weight: 400;">belíssimos da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> para degustar. </span></p>
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