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	<title>Arquivos Cowboy &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Persona Entrevista: Gabeu</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Jun 2022 21:16:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nome por trás do fabuloso e singular AGROPOC, o cantor fala sobre as origens de sua Música, parcerias dos sonhos e o papel do sertanejo no mundo de hoje Raquel Dutra e Vitor Evangelista Dono de um dos Melhores Discos de 2021, Gabeu tomou conta do ano passado no cenário do queernejo. Como parte do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/entrevista-gabeu/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Persona Entrevista: Gabeu"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right"><span style="font-weight: 400"><i>Nome por trás do fabuloso e singular AGROPOC, o cantor fala sobre as origens de sua Música, parcerias dos sonhos e o papel do sertanejo no mundo de hoje</i></span></p>
<figure id="attachment_28084" aria-describedby="caption-attachment-28084" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/entrevista_gabeu_wordpress.jpg" class="size-full wp-image-28084" alt="Arte retangular horizontal de fundo vermelho. No lado esquerdo, foi adicionado o texto " width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/entrevista_gabeu_wordpress.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/entrevista_gabeu_wordpress-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/entrevista_gabeu_wordpress-768x404.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28084" class="wp-caption-text">Em mais um conteúdo especial do Mês do Orgulho LGBTQIA+, o Persona recebe o cantor Gabeu, em nossa primeira entrevista no campo da Música (Foto: Gabeu/Arte: Vitória Vulcano)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra e Vitor Evangelista</b></p>
<p><span style="font-weight: 400">Dono de um dos </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-discos-de-2021/">Melhores Discos de 2021</a></span><span style="font-weight: 400">, Gabeu tomou conta do ano passado no cenário do </span><span style="font-weight: 400"><i>queernejo</i></span><span style="font-weight: 400">. Como parte do Especial do Mês do Orgulho, o </span><span style="font-weight: 400"><strong>Persona</strong></span><span style="font-weight: 400"> retoma o quadro de </span><span style="font-weight: 400"><strong>entrevistas</strong></span><span style="font-weight: 400"> e inaugura a editoria de conversas musicais para receber a estrela em ascensão, em um papo que viaja de suas raízes no gênero musical até as mais diversas influências que fizeram de </span><span style="font-weight: 400"><i>AGROPOC</i></span><span style="font-weight: 400">, seu trabalho de estreia, um dos destaques musicais mais instigantes e criativos da cena atual.&nbsp;</span></p>
<p><span id="more-28071"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400">“</span><span style="font-weight: 400"><i>Eu sempre tive a certeza de que eu queria fazer Música de alguma forma</i></span><span style="font-weight: 400">”, começa Gabeu, que conversa conosco sorridente, frente a um cenário composto pelo saudoso vinil do </span><span style="font-weight: 400"><i>AGROPOC</i></span><span style="font-weight: 400">, um cavalo de brinquedo que serviu de companheiro na composição visual do disco e uma máscara com estampa de vaquinha malhada. Filho do cantor Solimões, ele sempre encontrou no </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://revistaquem.globo.com/Entrevista/noticia/2021/05/gabeu-filho-de-solimoes-sobre-sertanejo-para-lgbtq-acabei-alcancando-um-publico-tradicional.html">sertanejo a base de toda sua formação</a></span><span style="font-weight: 400">, mas o trajeto até o gênero em que hoje triunfa não foi tão simples quanto pode-se pensar.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Seja frequentando os </span><span style="font-weight: 400"><i>shows </i></span><span style="font-weight: 400">do pai ao lado de Rio Negro ou mesmo ouvindo canções em casa, o jovem artista sempre se sentiu deslocado ali, e demorou a aceitar que poderia trabalhar na mesma linha que cresceu consumindo, incrementando-a com a expressividade e a bagagem que ele, como homem gay, carrega. “</span><span style="font-weight: 400"><i>Então, isso é uma coisa muito recente</i></span><span style="font-weight: 400">”, ele define, sobre a ideia de entender que o sertanejo, um local carregado por </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/musica/sertanejo-ainda-naturaliza-o-machismo-apesar-do-feminejo-aponta-pesquisa">padrões de gênero</a></span><span style="font-weight: 400">, masculinidade e heteronormatividade, poderia também ser um espaço de atuação seu.</span></p>
<figure id="attachment_28073" aria-describedby="caption-attachment-28073" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-2.jpg" class="size-full wp-image-28073" alt="Fotografia de divulgação de Gabeu para o disco AGROPOC. Ele está duplicado na imagem, aparecendo do lado esquerdo e do lado direito. O artista é um jovem branco, e usa um chapéu de cowboy marrom, camisa de franjas alaranjada e maquiagem preta delineando os olhos em formato gateado. A sua primeira figura, à esquerda, está de lado, usando uma máscara de strass sobre o rosto, do qual se pode ver apenas os olhos. Já a figura do lado direito está segurando um chicote preto. O fundo da imagem é dourado claro cintilante." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28073" class="wp-caption-text">“Ah, por quanto tempo mais vamos amar no escuro?/A noite é ousadia e o dia é turvo/&#8217;Cê&#8217; puxa as minhas rédeas e eu obedeço” (Foto: Gabeu)</figcaption></figure>
<p><b>Como foi o seu caminho até a Música? Você teve contato pessoal com o meio desde criança? Sempre quis ser músico? Ou foi uma vontade que só surgiu depois?</b></p>
<p><b>Gabeu: </b><span style="font-weight: 400">“</span><span style="font-weight: 400"><i>Eu sempre tive a certeza de que eu queria fazer Música de alguma forma. Acho que uma das coisas que eu mais brinquei na minha infância era de pegar o microfonezinho lá e ficar horas e horas fazendo show, então eu sabia que de alguma forma a Música ia estar presente na minha vida, seja como um hobby ou como uma coisa mais profissional.&nbsp;</i></span></p>
<p><span style="font-weight: 400"><i>Mas eu acho que essa coisa também de ter o meu pai como a principal referência, sendo ele um cantor sertanejo, e ocupando esse lugar de um homem hétero, coisas que eu não me identificava muito, foi decisivo para eu tentar explorar outras coisas e achar durante um tempo que a Música não era realmente uma possibilidade profissional pra mim. Porque eu pensava, ‘ah, eu não quero fazer sertanejo, porque eu acho que não tem nada a ver’, mas a Música pop que eu gosto, a Música pop gringa, também não é uma coisa que rola muito no Brasil, na época, quando eu era criança, não era uma coisa muito expressiva, aí depois que veio </i></span><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://gshow.globo.com/tudo-mais/pop/noticia/anitta-chega-ao-top-1-do-ranking-global-do-spotify-com-envolver.ghtml">a Anitta</a></i></span><span style="font-weight: 400"><i>, </i></span><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/04/17/pabllo-vittar-faz-historia-no-coachella-como-primeira-drag-queen-a-se-apresentar-em-festival.ghtml">a Pabllo</a></i></span><span style="font-weight: 400"><i>, aí eu falei ‘hum, acho que existe uma possibilidade’.&nbsp;</i></span></p>
<p><span style="font-weight: 400"><i>Então quando eu comecei a pensar de fato em me profissionalizar e me lançar como cantor, ainda não era assim com o queernejo. Eu até cheguei a entrar no estúdio, gravei uma música popzinha, mas que hoje eu escuto e falo ‘nada a ver, ainda bem que eu realmente fui por outro caminho, porque não ia rolar’. Mas passei por esses processos, de pensar ‘vou me lançar como cantor, mas vai ser pop? Será que eu tento fazer alguma coisa sertaneja?’. Então eu fiquei meio nessa, durante muito tempo, pensando e pensando pra de fato chegar nessa ideia de </i></span><span style="font-weight: 400">Amor Rural</span><span style="font-weight: 400"><i>”</i></span><span style="font-weight: 400">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Gabeu - Amor Rural (Clipe Oficial)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/0U-CxqgzCPU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://open.spotify.com/track/37GyZOnB6BprszwHjI2y8F?si=1a36985e5eb34c64">Amor Rural</a></i></span><span style="font-weight: 400">, sua faixa de estreia, foi lançada há apenas 3 anos, provando que essa jornada está apenas no início. “</span><span style="font-weight: 400"><i>Eu fui crescendo, fui passando por esse processo de descoberta da sexualidade, fui, enfim, me encontrando em outros rolês, me encontrando num rolê mais de Música pop, num rolê LGBTQIA+ e fui me desprendendo, me desprendendo desse universo sertanejo</i></span><span style="font-weight: 400">”.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Na adolescência, Gabeu chegou a renegar esse espaço: “</span><span style="font-weight: 400"><i>eu tive um tempo de parar um pouco de ir nos shows do meu pai e agora, um pouquinho antes de </i></span><span style="font-weight: 400">Amor Rural</span><span style="font-weight: 400"><i>, que eu venho fazendo esse processo de fazer as pazes com as minhas raízes e olhar com um pouquinho mais de carinho, de ver o quê desses lugares, desses ambientes, dessa musicalidade, eu consigo aproveitar, transformar e fazer com que faça sentido pra mim</i></span><span style="font-weight: 400">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">É uma coisa que ele ainda está entendendo, toda essa ideia de se apropriar de um gênero que antes ele não se via representado, “</span><span style="font-weight: 400"><i>e eu acho que isso é gostoso também, de eu não ter uma resposta pronta</i></span><span style="font-weight: 400">”. Considerando estar em um período fértil de criatividade, Gabeu enxerga com otimismo esse “</span><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://www.metropoles.com/colunas/leo-dias/saiba-o-que-e-queernejo-o-sertanejo-feito-para-o-publico-lgbtqia">início do queernejo</a></i></span><span style="font-weight: 400">”, com as ideias borbulhando e a Música tomando vida nesse processo criativo aflorado.&nbsp;</span></p>
<figure id="attachment_28074" aria-describedby="caption-attachment-28074" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-3-800x800.jpg" class="size-medium wp-image-28074" width="800" height="800" alt="Fotografia de divulgação de Gabeu para o disco AGROPOC.. O artista é um jovem branco, e usa um chapéu de cowboy marrom, camisa de franjas alaranjada, calça jeans azul clara, cinto preto de fivela prateada e maquiagem preta delineando os olhos em formato gateado. Ele está de frente, montado em um cavalo de cabo de vassoura. O fundo da imagem é dourado claro cintilante." srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-3-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-3-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-3-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-3-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-3-1200x1200.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-3.jpg 1440w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28074" class="wp-caption-text">Além de cantar Cowboy da Banda Uó, Gabeu também regravou outro sucesso com a palavra no título: Cowboy Fora da Lei, de Raul Seixas (Foto: Gabeu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400">Repleto de misturas, o trabalho musical de Gabeu se inspira em artistas como a </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.whatelsemag.com/banda-uo-legado-pop/">Banda Uó</a></span><span style="font-weight: 400">, precursores na arte de incorporar o </span><span style="font-weight: 400"><i>queer </i></span><span style="font-weight: 400">à estética nacional. Além disso, o repertório de </span><span style="font-weight: 400"><i>AGROPOC</i></span><span style="font-weight: 400"> conta com canções narrando casos amorosos para lá de específicos e chamativos (caso de </span><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://open.spotify.com/track/5QaR2ij3qs08IFpiosMwhE?si=9e2c329741484e7a">Esconde-Esconde</a></i></span><span style="font-weight: 400">). Quanto ao processo de composição, o cantor revela que percebeu que estava explorando a criação de histórias, portanto, os relatos não necessariamente aconteceram em sua vida.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Admitindo ter ouvido muita Música caipira, onde os intérpretes não viviam o que colocavam nas letras, ele destaca a ideia de “</span><span style="font-weight: 400"><i>adotar um eu-lírico, um personagem, e cantar como se fosse aquele personagem</i></span><span style="font-weight: 400">”. Nenhuma novidade para quem tem aproximação e formação formal em Teatro e o Cinema: “</span><span style="font-weight: 400"><i>é uma coisa até meio teatral, porque eu gosto muito. Então, em </i></span><span style="font-weight: 400"><a href="https://open.spotify.com/track/2ai3faoOrIHffFE5Q13skt?si=8dbb21321a4c4403">Bandoleiro e Atacante</a></span><span style="font-weight: 400"><i>, por exemplo, não, eu nunca roubei banco com um cowboy, nunca tive um sugar daddy</i></span><span style="font-weight: 400">”.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Gabeu - Sugar Daddy (Clipe Oficial)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/PZVaOifIHAM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><b>No disco, você traz em Cowboy um cover da Banda Uó, que foram artistas muito marcantes para a cena nacional, levando uma roupagem queer para sonoridades tipicamente brasileiras. Você os considera uma inspiração para a criação do AGROPOC?</b></p>
<p><b>G: </b><span style="font-weight: 400"><i>“Obviamente eles são uma referência muito grande, e eu acho que não só pra mim, mas eu acho que pra todos esses artistas pop LGBTs, que estão aí sabe, fazendo sucesso hoje. Eu acho que a Banda Uó é uma das principais inspirações, eu considero que todos esses artistas de hoje são os filhos da Banda Uó, porque é isso, eles foram muito pioneiros mesmo nessa coisa de misturar o pop com uma estética diferente, com coisas regionais, eles brincavam muito com os gêneros no geral, tem uma música deles sertaneja, </i></span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=S2cBwOf_Uww">Cowboy</a></span><span style="font-weight: 400"><i>, eles brincavam com tecnobrega, forró, enfim, várias coisas que eles exploravam. Então eu considero muito eles uma referência, e eu escolhi </i></span><span style="font-weight: 400">Cowboy </span><span style="font-weight: 400"><i>porque, enfim, era a faixa sertaneja deles, é uma das faixas que eu mais ouvi da carreira deles.&nbsp;</i></span></p>
<p><span style="font-weight: 400"><i>Quando eu descobri eu fiquei maravilhado, eu nunca tinha sentido aquilo, eu acho que foi o primeiro sinal de vida do queernejo de fato ali, sabe? Porque é isso, dois caras gays, uma mulher trans, fazendo Música sertaneja, se eu não me engano eles são do Goiás, então eles têm essa raiz também, por mais que eles não trabalharam isso durante toda a carreira, eles carregam isso também. Então, sabe, muitas coisas que me fazem olhar pra eles e falar ‘faz sentido essa música estar no meu repertório’. É uma música que eu cantava nos meus shows antes de pensar no álbum, e aí no meio desse processo de produção do álbum eu falei ‘ah, acho que ela cabe muito bem aqui no meio dessas faixas’, e aí eu regravei e coloquei, e a galera super curtiu, super achou que fez sentido também”</i></span><span style="font-weight: 400">.&nbsp;</span></p>
<figure id="attachment_28075" aria-describedby="caption-attachment-28075" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-5.jpg" class="size-full wp-image-28075" alt="Fotografia de divulgação de Gabeu para o disco AGROPOC. O artista é um jovem branco, e usa camisa de franjas alaranjada e maquiagem preta delineando os olhos em formato gateado. Ele está sentado na frente de muitas garrafas de vidro vazias e seu rosto está repleto de marcas de beijo. Ele apoia o rosto com a mão esquerda e tem uma expressão de tristeza. O fundo da imagem é dourado claro cintilante." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-5.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-5-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-5-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28075" class="wp-caption-text">“Eu tô nesse processo de descoberta do que eu posso fazer e do que eu quero fazer dentro da Música sertaneja, que é um gênero e um lugar social também” (Foto: Gabeu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400">Os diálogos com outras obras do universo </span><span style="font-weight: 400"><i>pop</i></span><span style="font-weight: 400"> não param por aí, já que ele também viveu a experiência de viajar pela sua capacidade de criação em plena </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.band.uol.com.br/entretenimento/de-taylor-swift-a-marcelo-d2-oito-artistas-que-lancaram-albuns-durante-o-isolamento-16320119">pandemia</a></span><span style="font-weight: 400">. Agora, no entanto, o momento é de viver a sua música junto do seu público, que desde maio vem mantendo encontros com Gabeu em cima do palco: “</span><span style="font-weight: 400"><i>eu tô vivendo esse momento de sair de casa pela primeira vez pra cantar o álbum, encontrar as pessoas e </i></span><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://www.instagram.com/p/CdqyIEIj9uD/">ver as pessoas cantando as músicas</a></i></span><span style="font-weight: 400"><i>, e ter essa troca, das pessoas virem até mim e falarem que elas acharam do álbum, qual a faixa favorita delas, o que elas sentiram, como o álbum foi importante pra elas na pandemia&#8230; eu ouvi muito isso.</i></span><span style="font-weight: 400">”&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Em época de celebrações essencialmente ligadas à cultura caipira, ele vivencia tudo o que sonhou para o disco, planos que, assim como todo o resto do mundo, foram paralisados pela crise sanitária advinda do covid-19: “</span><span style="font-weight: 400"><i>Sinceramente, foi uma loucura lançar o álbum na pandemia. Produzir ele foi muito gostoso, mas eu tinha muitos planos grandes pra ele, obviamente não contando com a pandemia. Era pra ele sair no comecinho de 2020, e aí veio todo esse desastre, enfim, e aí agora reencontrar as pessoas e ter essa troca com elas é muito, muito, muito gratificante e me faz lembrar de como foi importante pra mim produzir e mergulhar nesse universo de fato e ter realmente a coragem de não abandonar a ideia do queernejo</i></span><span style="font-weight: 400">.”</span></p>
<figure id="attachment_28076" aria-describedby="caption-attachment-28076" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-1.jpg" class="size-full wp-image-28076" alt="Fotografia de divulgação de Gabeu para o disco AGROPOC. O artista é um jovem branco, e usa um chapéu de cowboy marrom, camisa de franjas alaranjada e maquiagem preta delineando os olhos em formato gateado. A imagem é um close de seu rosto, que está inclinado para o lado direito. Ele acende com um isqueiro algo que imita um charuto de dinheiro. O fundo da imagem é dourado claro cintilante." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28076" class="wp-caption-text">As composições sagazes são a marca registrada de Gabeu desde o seu single de estreia, o espertinho Amor Rural (Foto: Gabeu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400">O carinho pelo gênero que está no centro do seu seio familiar reluz no olhar de Gabeu quando ele avalia os ônus e os bônus de construir o seu lugar em um espaço que inicialmente lhe era hostil. Agora, ao ver um aspecto tão importante para a formação da sua identidade </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.uai.com.br/app/noticia/musica/sertaneja/2022/05/30/sertaneja,286521/cpi-do-sertanejo-entenda-porque-shows-estao-sendo-cancelados.shtml">na boca da mídia</a></span><span style="font-weight: 400"> por conta das recentes denúncias de superfaturamento em </span><span style="font-weight: 400"><i>shows </i></span><span style="font-weight: 400">sertanejos pelas cidades do Brasil, a sua voz representativa, crítica e reflexiva não se desvia das polêmicas.&nbsp;</span></p>
<p><b>Nesse momento em que o sertanejo passa por uma série de investigações e denúncias, como você, que tem tanto carinho, identificação e proximidade com o meio, mas também esse olhar mais crítico, se relaciona e encara essas problematizações?&nbsp;</b></p>
<p><b>G: </b><span style="font-weight: 400">“</span><span style="font-weight: 400"><i>Eu acho que muitas coisas dentro do meio sertanejo nunca foram questionadas, em relação à qualquer tipo de pauta, à qualquer tipo de discussão mais séria e mais profunda, em relação à representatividade, à política, ao cenário que a gente está vivendo hoje. Eu acho que as pessoas não se aprofundam em muitas coisas nesse meio, e eu acho que o que tá rolando agora talvez seja um sinal para que a gente comece a debater alguns assuntos importantes no meio, como essa coisa mais contratual, mais financeira, bem polêmica que tá rolando, mas também de pautas identitárias, que é uma coisa que a gente vem reiterando no queernejo, vem tentando trazer as discussões, e não só em relação à comunidade LGBTQIA+</i></span><span style="font-weight: 400">.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400"><i>No ano retrasado, a gente fez o </i></span><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://www.instagram.com/fivelafest/">Fivela Fest</a></i></span><span style="font-weight: 400"><i>, o Festival de Queernejo, que rolou on-line também, e a gente propôs várias mesas de debate, sobre masculinidade tóxica no sertanejo, sobre negritude no sertanejo. E fazendo essa pesquisa, de ir mais a fundo no sertanejo raiz, a gente consegue encontrar mais cantores e artistas negros lá nos anos 20 e 30 do que hoje, então é uma coisa a se discutir também. Eu dou esses exemplos mais pra falar sobre isso: que o mercado sertanejo não gosta de se aprofundar em discussões, eles gostam muito de ficar na superficialidade, eles têm muito medo de se comprometer, têm muito rabo preso com várias questões políticas. Enfim, eu acho que o queernejo está aqui também pra questionar esse tipo de coisa.”</i></span></p>
<p><figure id="attachment_28077" aria-describedby="caption-attachment-28077" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-8-800x800.jpg" class="size-medium wp-image-28077" width="800" height="800" alt="Fotografia de divulgação de Gabeu para o disco AGROPOC. O artista é um jovem branco, e usa um chapéu de cowboy marrom, que ele segura à frente de seu rosto, camisa alaranjada e maquiagem preta delineando os olhos em formato gateado. A imagem é um close de seu rosto, que está inclinado para o lado esquerdo. Ele faz um sinal de silêncio com o dedo indicador na frente dos lábios. O fundo da imagem é dourado claro cintilante." srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-8-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-8-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-8-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-8-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-8-1200x1200.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-8.jpg 1440w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28077" class="wp-caption-text">“É uma ideia que me passou pela cabeça em alguns momentos [desistir do sertanejo], lá no começo, quando eu lancei Amor Rual e Sugar Daddy, por várias inseguranças, várias coisas internas aqui também” (Foto: Gabeu)</figcaption></figure><span style="font-weight: 400">A mesma ponderação é expressa quando ele fala sobre a sua </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://tvefamosos.uol.com.br/noticias/redacao/2018/07/03/solimoes-comenta-foto-do-filho-com-namorado-e-cai-nas-gracas-da-web.htm">família</a></span><span style="font-weight: 400">, que foi assunto na mídia em 2018 por conta dos comentários carinhosos que o pai Solimões deixava nas publicações de Gabeu nas redes sociais. “</span><span style="font-weight: 400"><i>Chamou muita atenção o fato de um pai ter uma boa relação com seu filho gay. Aquilo me deixou muito feliz pela repercussão, mas também, ao mesmo tempo, eu fiquei refletindo sobre isso, porque se chamou tanta atenção é porque de fato é uma coisa muito incomum. E aí eu parei pra pensar e voltar atrás no momento que eu me assumi, pra minha família, pro meu pai, pra minha mãe, pra minha irmã e eu fiquei lembrando de como foi.”</i></span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Sobre esse </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://revistaquem.globo.com/QUEM-News/noticia/2020/10/filho-de-solimoes-sobre-reacao-do-pai-ao-revelar-homossexualidade-sempre-me-apoiou.html">momento delicado</a></span><span style="font-weight: 400">, ele compartilha que foi tranquilo de forma externa e conflituoso de forma interna, mas que o pai foi a primeira pessoa da família a saber: “</span><span style="font-weight: 400"><i>A reação dele foi muito natural, ele tava meio sem saber o que dizer, mas ele teve uma preocupação de demonstrar acolhimento. E foi a mesma coisa com a minha mãe, a minha irmã, depois de um tempinho que eu contei pro meu pai”</i></span><span style="font-weight: 400">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Os conflitos geracionais, no entanto, não deixaram de aparecer no meio da aceitação familiar. “</span><span style="font-weight: 400"><i>Às vezes rola uns embates de geração mesmo, de não entender o porquê de ficar sempre reiterando a sexualidade, a identidade de gênero, de estar sempre falando sobre isso, de estar sempre levantando essa bandeira</i></span><span style="font-weight: 400">”, ele compartilha, reforçando o carinho e acolhimento que encontrou dentro de casa.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Gabeu - Cowboy Fora da Lei (Video Performance)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/95OG3B_efl0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><b>Quais são os seus discos favoritos da vida? Um brasileiro e um internacional?</b></p>
<p><b>G:</b> <span style="font-weight: 400"><i>“Dois? Ai meu Deus. Só 2 é difícil. Bom, esse aqui tá bem aqui do meu lado, é o </i></span><span style="font-weight: 400"><a href="https://personaunesp.com.br/born-this-way-10-anos/">Born This Way</a></span><span style="font-weight: 400"><i> da Gaga. Pra mim é o maior disco da História, tipo pra mim realmente é uma obra de arte. Eu gosto muito de um álbum recente que é um cantor country gay, estadunidense ou canadense se eu não me engano, ele chama Orville Peck, e ele lançou nesse ano, chama </i></span><span style="font-weight: 400"><a href="https://open.spotify.com/album/2hCcPHWTbvF81CiXPUrM6I?si=j8rkcxTGRLGMFdk-t6szdA">Bronco</a></span><span style="font-weight: 400"><i>, e é um álbum muito, muito, muito bom, tipo muito countryzão raiz que eu me identifico muito. E brasileiros assim eu gosto muito do </i></span><span style="font-weight: 400"><a href="https://open.spotify.com/album/2VdGX4c99Au3aGtR1HJAIm?si=W86XGKNiQqSC0_4f9VeS1A">Rito de Passá</a></span><span style="font-weight: 400"><i>, da MC Tha, sou muito, muito fã da MC Tha, gosto muito do </i></span><span style="font-weight: 400"><a href="https://open.spotify.com/album/1ly3ZOMmBJdbx94pftr70g?si=REf9kOypRviOACrGE9bhgA">Simulacre</a></span><span style="font-weight: 400"><i> da Potyguara Bardo e, ah, enfim, eu poderia listar dez milhões de álbuns aqui. A gente pode depois fazer uma entrevista só de álbuns, só pra falar de álbuns dos outros”</i></span><span style="font-weight: 400">.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Nós também acompanhamos o Orville Peck, e quando alguém comenta que está ‘ouvindo um CD de um cowboy LGBTQIA+’ a primeira reação é perguntar se é o Gabeu. E esses dias você compartilhou que estava ouvindo uma música dele.</b></p>
<p><b>G:</b> <span style="font-weight: 400"><i>“Nossa é impressionante, quando eu descobri o Orville Peck eu fiquei embasbacado, eu fiquei tipo, não só pela figura dele, pela representatividade que ele traz pro country, que eu acho que a Música country também enfrenta muitas coisas como o sertanejo, num lugar parecido ali, mas pela estética dele, eu acho ele incrível, maravilhoso. [&#8230;] Tem uma cena country queer lá na América do Norte, na Europa também tem uma galera. Enfim, será que vem aí uma carreira internacional?”</i></span></p>
<figure id="attachment_28078" aria-describedby="caption-attachment-28078" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-7-800x800.jpg" class="size-medium wp-image-28078" width="800" height="800" alt="Contracapa do disco AGROPOC de Gabeu. A imagem apresenta a lista de faixas do disco sob um fundo dourado claro, em fonte cursiva de cor branca. No lado superior direito, existe o desenho de um chapéu de cowboy, também imitando um traço feito à mão e em branco." srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-7-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-7-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-7-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-7-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-7.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28078" class="wp-caption-text">Ao lado de nomes como Reddy Allor e Bemti, AGROPOC conta histórias de amores escondidos, riquezas avantajadas e até um assalto perigoso (Foto: Gabeu)</figcaption></figure>
<p><b>E tem algum filme ou série que você queira recomendar? Pode ser algo que tenha te inspirado na criação do disco.</b></p>
<p><b>G:</b> <span style="font-weight: 400"><i>“Olha, eu sou uma pessoa que não assiste muitos filmes e muitas séries, eu sou meio preguiçoso pra isso, e o que eu assisto geralmente não tem muito a ver com o que eu tenho feito na Música e se eu falar </i></span><span style="font-weight: 400"><a href="https://medium.com/cinecr%C3%ADtica/a-iconicidade-de-brokeback-mountain-na-hist%C3%B3ria-lgbt-do-cinema-4619ab8d6c93">O Segredo de Brokeback Mountain</a></span><span style="font-weight: 400"><i> vai ser muito clichê eu acho, mas é um filme que eu amo muito e já até fizeram um edit um dia de </i></span><span style="font-weight: 400">Amor Rural </span><span style="font-weight: 400"><i>com as cenas do filme, eu achei uma gracinha, se bem que aquele filme é muito triste. Mas, deixa eu pensar, eu gosto muito dos </i></span><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://www.museumazzaropi.org.br/filmes/">filmes do Mazzaropi</a></i></span><span style="font-weight: 400"><i>, os filmes antigos do Mazzaropi, por conta do meu pai.&nbsp;</i></span></p>
<p><span style="font-weight: 400"><i>Obviamente tem muitas coisas questionáveis hoje em dia, tem coisas muito machistas, muito homofóbicas, mas eu acho que é aquilo tipo, eu assisto algumas coisas hoje em dia do Mazzaropi e eu tento pincelar as coisas que me seriam úteis, para minha carreira e que são inspiradoras pra mim, sabe. Então os números musicais dos filmes eu gosto muito, quando ele canta, e o tom de comédia, o tom dramático também, porque ele vai do drama ao cômico, ele ia do drama ao cômico rápido e de uma forma que eu achava que era interessante. Enfim, não é um filme específico, mas é a filmografia toda do Mazzaropi. [..] Eu tô numa vibe de produções sul-coreanas da </i></span><span style="font-weight: 400">Netflix</span><span style="font-weight: 400"><i>, eu tenho assistido umas coisas interessantes. Assisti uma que chama </i></span><span style="font-weight: 400">Profecia do Inferno</span><span style="font-weight: 400"><i>, que eu amei muito. E tem outra que se chama</i></span><span style="font-weight: 400"> Juvenile Justice</span><span style="font-weight: 400"><i>, muito legal. Recomendo”</i></span><span style="font-weight: 400">. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>E agora de volta à Música, se você pudesse escolher algum artista para trabalhar junto, quem seria?</b></p>
<p><b>G:</b> <span style="font-weight: 400"><i>“Um só? Uma coisa mais atual, mais do momento, eu gostaria muito de um dia fazer uma colaboração com a </i></span><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://extra.globo.com/tv-e-lazer/gloria-groove-celebra-sucesso-caminhada-para-contratos-milionarios-furei-bolha-rv1-1-25428832.html">Gloria Groove</a></i></span><span style="font-weight: 400"><i>. Acho que ela é o momento e ela é uma artista que consegue explorar bem vários gêneros musicais, eu acho que ela canta muito bem pop, acho que ela explora muito bem o funk e o rap. Acho que ela poderia fazer uma coisa meio sertanejinha. Ela fez né, </i></span><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://portalpopline.com.br/show-dos-famosos-gloria-groove-faz-novo-cover-marilia-mendonca-bastidores/">ela cantou Marília Mendonça</a></i></span><span style="font-weight: 400"><i> lá no programa, ela fez o cover de Marília Mendonça, e foi muito bom, ela canta muito bem, acho que ela cantando uma música sertaneja seria muito interessante. Comigo então, nossa senhora”</i></span><span style="font-weight: 400">.</span></p>
<figure id="attachment_28079" aria-describedby="caption-attachment-28079" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-4-800x800.jpg" class="size-medium wp-image-28079" width="800" height="800" alt="Fotografia de Gabeu no clipe de Bailão. O artista é um jovem branco, que usa uma roupa de brilhos vermelhos e chapéu de cowboy na mesmo estilização. Ele tem maquiagem preta nos olhos e adesivos vermelhos brilhantes no centro do rosto, e usa colares e brincos brilhantes. Gabeu está olhando para cima, fora da imagem, levemente inclinado para o lado direito. Seu rosto é sutilmente iluminado e a imagem tem efeito de prisma." srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-4-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-4-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-4-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-4.jpg 900w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28079" class="wp-caption-text">Quem é esse menino de vermelho? É o Gabeu no clipe de Bailão! (Foto: Gabeu)</figcaption></figure>
<p><b>Agora que o disco foi lançado como o primeiro passo da sua consolidação como artista de queernejo, quais são suas expectativas para o futuro?</b></p>
<p><b>G:</b> <span style="font-weight: 400"><i>“Em primeiro lugar, eu quero muito dar continuidade nisso que a gente começou mês passado com os shows. Eu quero muito fazer show, eu preciso estar em cima do palco, eu preciso subir e </i></span><span style="font-weight: 400"><i><a href="http://musicainstantanea.com.br/critica-gabeu-agropoc/#:~:text=S%C3%A3o%20fragmentos%20instrumentais%20e%20po%C3%A9ticos,Batid%C3%A3o%20Tropical%20(2021)%2C%20de">cantar o </a></i></span><span style="font-weight: 400"><a href="http://musicainstantanea.com.br/critica-gabeu-agropoc/#:~:text=S%C3%A3o%20fragmentos%20instrumentais%20e%20po%C3%A9ticos,Batid%C3%A3o%20Tropical%20(2021)%2C%20de">AGROPOC</a></span><span style="font-weight: 400"><i> pra galera e ter essa troca com o público. Eu tô muito nesse estágio, então essa é a primeira coisa que eu penso quando as pessoas me perguntam o que eu quero pro futuro: fazer shows. Obviamente, eu tô sempre compondo, tô sempre tendo muitas ideias de próximas músicas, de próximos lançamentos, de próximos discos… Eu já tenho ideia para 10 discos diferentes na minha cabeça, que eu só preciso colocar no papel direitinho, porque às vezes vira uma bagunça.&nbsp;</i></span></p>
<p><span style="font-weight: 400"><i>Eu tenho planos também de começar a produzir algumas coisas novas, entrar em estúdio. Eu amo muito a energia de estúdio também, gosto muito de estar dentro do estúdio, de trocar experiências com quem tá produzindo comigo, de estar ali, enfim, pensando a música, pensando arranjos, essa é uma coisa que me dá realmente muito prazer, então eu quero muito voltar pro estúdio logo pra produzir coisa nova. Com isso tudo, eu quero também que muitas pessoas, mais e mais pessoas, se identifiquem com o queernejo, e eu gostaria muito de ver mais artistas surgindo, novos artistas queer fazendo sertanejo, pra cena crescer.&nbsp;</i></span></p>
<p><span style="font-weight: 400"><i>Eu acho que isso é importante porque a gente ainda é uma cena muito pequena se comparada aos outros gêneros musicais que tão rolando. Então, acho que quanto mais artista tiver mais fortalecimento a gente vai ter, e mais as pessoas de fora vão começar a levar a sério, porque uma coisa que eu vejo é que muita gente não leva a sério, encara como uma coisa engraçada, uma piadinha, enfim, uma galera LGBT querendo fazer graça, sei lá. Então eu gostaria que isso acontecesse, que a gente crescesse cada vez mais”</i></span><span style="font-weight: 400">.&nbsp;</span></p>
<hr>
<p><span style="font-weight: 400">Pouco menos de um ano depois de lançar o disco, Gabeu está viajando, cantando e realizando os </span><span style="font-weight: 400"><i>shows </i></span><span style="font-weight: 400">da </span><span style="font-weight: 400"><i>AGROPOC Tour</i></span><span style="font-weight: 400">.&nbsp;</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: AGROPOC" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/4WRJS8GKvCdoPpKgZUltBU?si=A5DWu6A_QaWcBBa3a4PWFw&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Ataque dos Cães adestra caubói na marra</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Dec 2021 20:54:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Vinte e um anos atrás, Bronco Henry morreu. Estamos em 1925 e Phil (Benedict Cumberbatch), seu aprendiz, amigo e muito provavelmente amante, ainda não superou essa perda. Sua maneira de lidar com o luto é se tornando um completo babaca, abusivo com o irmão mais jovem e tóxico com seus funcionários do rancho &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ataque-dos-caes-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Ataque dos Cães adestra caubói na marra"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24960" aria-describedby="caption-attachment-24960" style="width: 1392px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24960" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/01.jpg" alt="Cena do filme Ataque dos Cães, mostra o caubói Phil com a mão no pescoço do jovem Peter. Phil é um homem branco, com barba escura e chapéu marrom, ele tem a pele suja. Peter, de costas, tem pele branca e cabelos pretos, e usa uma camisa branca." width="1392" height="795" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/01.jpg 1392w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/01-800x457.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/01-1024x585.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/01-768x439.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/01-1200x685.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24960" class="wp-caption-text">Ataque dos Cães é um faroeste psicológico (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vinte e um anos atrás, Bronco Henry morreu. Estamos em 1925 e Phil (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=A7DKGcp-wxU"><span style="font-weight: 400;">Benedict Cumberbatch</span></a><span style="font-weight: 400;">), seu aprendiz, amigo e muito provavelmente amante, ainda não superou essa perda. Sua maneira de lidar com o luto é se tornando um completo babaca, abusivo com o irmão mais jovem e tóxico com seus funcionários do rancho em Montana. Sob a direção sempre alerta e nada ociosa de </span><a href="https://noticias.plu7.com/111922/internacional/grande-entrevista-jane-campion-sobre-the-power-of-the-dog/"><span style="font-weight: 400;">Jane Campion</span></a><span style="font-weight: 400;">, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">constrói no íntegro </span><i><span style="font-weight: 400;">Ataque dos Cães</span></i><span style="font-weight: 400;"> um drama acrônico, atemporal.</span></p>
<p><span id="more-24959"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na história adaptada do clássico </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZwXNDdiSAsE"><i><span style="font-weight: 400;">The Power of the Dog</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, escrito por Thomas Savage, dois irmãos administram juntos um negócio envolvendo o pastoreio de gado, até que o mais jovem conhece uma viúva e acaba trazendo ela e o filho para morarem todos debaixo do mesmo teto. Phil, personagem de Cumberbatch, é avesso à ideia da noiva recém-chegada na família e faz de tudo para que ela se sinta desconfortável.</span></p>
<figure id="attachment_24961" aria-describedby="caption-attachment-24961" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24961" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/02.jpeg" alt="Cena do filme Ataque dos Cães, mostra o jovem Peter olhando para Phil, o caubói de chapéu. Peter é um homem branco, tem cabelos pretos e Phil é mais velho, tem a pele suja e barba. " width="1000" height="398" /><figcaption id="caption-attachment-24961" class="wp-caption-text">O embate entre Kodi Smit-McPhee e Benedict Cumberbatch é o núcleo de tensão do filme (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com essa sinopse, é esperado que o longa, uma das apostas da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">para a vindoura </span><a href="https://www.termometrooscar.com/oscar-2022---candidatos.html"><span style="font-weight: 400;">temporada de premiações</span></a><span style="font-weight: 400;">, caia em um supérfluo jogo de gato e rato. Porém, Jane Campion escreve e dirige sem a pressa do imediatismo clichê, mas com a ideia de contar uma história rica em detalhes, nuances e significados. Comecemos então pelos de Phil. A carcaça de sujeira que lhe cobre cada fatia exposta de pele não foi apenas maquiagem, já que seu intérprete se rendeu ao mítico </span><a href="https://revistamonet.globo.com/Listas/noticia/2016/09/atores-e-atrizes-que-tocaram-o-terror-nos-bastidores-com-seu-metodo-de-atuacao.html"><span style="font-weight: 400;">Método de Atuação</span></a><span style="font-weight: 400;"> para dar vida ao protagonista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de não se banhar com frequência, Cumberbatch revelou que teve </span><a href="https://br.vida-estilo.yahoo.com/benedict-cumberbatch-sofreu-envenenamento-por-nicotina-em-western-191209711.html"><span style="font-weight: 400;">envenenamento por nicotina</span></a><span style="font-weight: 400;"> três vezes, que procurava se manter distante de Kirsten Dunst nas gravações, aprendeu a tocar banjo e que ficou “no personagem” por todo o período de filmagens. A rodagem na Nova Zelândia, terra natal da já </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscarizada </span></i><span style="font-weight: 400;">Campion, recria com primazia as planícies desérticas e o tempero rochoso que a Montana estadunidense exalava nesse Velho Oeste.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como o </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">de cenários, Phil vive no passado. Ele passa boa parte da história apenas rememorando acontecimentos e se fechando nessa jaula temporal que o mantém seguro. Bronco Henry vive em sua memória, o tempo é bom lá. Quando George (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XnqHGqhhKUs"><span style="font-weight: 400;">Jesse Plemons</span></a><span style="font-weight: 400;">) conhece a futura esposa Rose (Dunst), Phil percebe que o irmão, enfim, escapou do ontem, tornando sua solitária estadia ali dentro cada vez mais insustentável.</span></p>
<figure id="attachment_24962" aria-describedby="caption-attachment-24962" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24962" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/03.jpg" alt="Cena do filme Ataque dos Cães, que mostra Kirsten Dunst, uma mulher branca e loira, parada em um campo de mato, usando uma blusa vermelha e de braços cruzados, com o vento jogando seus cabelos loiros para trás." width="1440" height="603" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/03.jpg 1440w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/03-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/03-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/03-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/03-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24962" class="wp-caption-text">Kirsten Dunst dá vida a uma mulher ressentida e atormentada (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A saída é a violência, verbal, física, emocional. A certeza de que, falando grosso, todos o obedecerão. O que Jane Campion não esconde, todavia, é o caráter comportamental de seu hábil protagonista. Metido entre os bois e vacas, assobiando, castrando animais e arrancando suas peles, Phil é, ele mesmo, </span><a href="https://www.omelete.com.br/netflix/ataque-dos-caes-cumberbatch-metodo"><span style="font-weight: 400;">uma cabeça de gado</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ele opera sistemática e mecanicamente, tem medo do desconhecido, segue regras criadas por si mesmo para que a segurança e a ordem sejam mantidas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando filma o homem se afogando num </span><a href="https://mulhernocinema.com/criticas/com-ataque-dos-caes-jane-campion-faz-seu-melhor-filme-desde-o-piano/"><span style="font-weight: 400;">mar de bovinos e de poeira</span></a><span style="font-weight: 400;">, a direção de fotografia de Ari Wegner diz muito. Tudo muda quando, além da chegada de Rose, vem junto no pacote o tímido Peter (Kodi Smit-McPhee). Primeiro feito de trouxa por Phil, o jovem acaba despertando sentimentos conflitantes no caubói. A relação da dupla constitui o coração de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ataque dos Cães</span></i><span style="font-weight: 400;">, mesmo que o filme demore um pouco para chegar nesse clímax. </span></p>
<figure id="attachment_24964" aria-describedby="caption-attachment-24964" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24964" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/MCDPOOF_ZX004-scaled.jpg" alt="Cena do filme Ataque dos Cães, mostra Kirsten Dunst, mulher branca e loira, sentada à mesa de jantar. A cena é iluminada por velas, a mulher usa um vestido cor de creme e olha para baixo, em sinal de tristeza. Ao fundo, estão desfocadas da imagem um grupo de pessoas." width="2560" height="1708" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/MCDPOOF_ZX004-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/MCDPOOF_ZX004-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/MCDPOOF_ZX004-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/MCDPOOF_ZX004-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/MCDPOOF_ZX004-1536x1025.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24964" class="wp-caption-text">Rose aluga um triplex na cabeça de Phil (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dividido em atos “temáticos”, o foco, a princípio, é a tensão entre Rose e sua nova moradia. A morte de seu primeiro marido, que compartilha ecos da violência de Phil, guarda sequelas dormentes na existência da personagem de Kirsten Dunst, atriz que internaliza muitas de suas dores, dando veracidade e afeto ao estado de, sem mais nem mesmo, estar deprimida. Papel que cai como luva para a artista que deu vida ao suprassumo da tristeza em filmes como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YRPXQ3XcpKc"><i><span style="font-weight: 400;">As Virgens Suicidas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/melancolia-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Melancolia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dessa vez, Dunst é peça coadjuvante de toda a ação, por mais que sua estadia no rancho e no cotidiano de Phil seja catalisadora para a relação nascente entre o cunhado e seu filho. Contracenando com seu </span><a href="https://br.vida-estilo.yahoo.com/kirsten-dunst-elogia-noivo-jesse-111500336.html"><span style="font-weight: 400;">companheiro na vida real</span></a><span style="font-weight: 400;">, Jesse Plemons, Dunst assegura que </span><i><span style="font-weight: 400;">Ataque dos Cães</span></i><span style="font-weight: 400;"> não concentre apenas machos famintos, adicionando uma densa abundância de emoção, dureza e, mais perto do fim, um alívio que vem de bom grado depois de uma jornada tão carregada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Plemons parece estar na sua zona de conforto, em mais um papel do cara legal, silencioso e </span><a href="https://personaunesp.com.br/el-camino-critica/"><span style="font-weight: 400;">meio banana</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas seu personagem serve, como tudo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ataque dos Cães</span></i><span style="font-weight: 400;">, em favor do protagonista. As omissões e a submissão de George falam bastante sobre a criação dos irmãos e, ao passo que Phil abraçou a grandiloquência da má educação, o caçula busca sobreviver pelas beiradas. Por isso, cenas de troca entre os atores causam tamanho desconforto, ninguém deveria ter a liberdade de tratar o outro daquela maneira. Mas Phil tem.</span></p>
<figure id="attachment_24966" aria-describedby="caption-attachment-24966" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24966" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/05.jpg" alt="Cena do filme Ataque dos Cães, mostra o ângulo de trás de Phil montando em um cavalo. Ele usa roupas de cowboy e olha para baixo, montado no animal marrom. Na frente deles, vemos o céu azul cheio de nuvens." width="2560" height="1737" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/05.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/05-800x543.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/05-1024x695.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/05-768x521.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/05-1536x1042.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/05-2048x1390.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/05-1200x814.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24966" class="wp-caption-text">Ataque dos Cães passou por uma série de festivais ao longo de 2021, e venceu o Leão de Prata de Direção em Veneza (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Cão que ladra, não morde. Jane Campion fez seu nome imprimindo autenticidade em visões banais do mundo. Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=61ooIf1QDZo"><i><span style="font-weight: 400;">O Piano</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, filme que lhe rendeu uma </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc010607.htm"><span style="font-weight: 400;">Palma de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ACtgJaUlwl0"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Roteiro Original</span></a><span style="font-weight: 400;">, o objeto de estudo é a Música e a libertação. Já em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=R8josOPbNb8"><i><span style="font-weight: 400;">Em Carne Viva</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ela coloca suas apuradas lentes sob uma mulher agoniada e um policial fanfarrão, desconstruindo o papel do romance na década de noventa. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Ataque dos Cães</span></i><span style="font-weight: 400;"> marca seu retorno ao formato do qual esteve afastada desde 2009, quando realizou </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LZ2mymWs6j4"><i><span style="font-weight: 400;">O Brilho de uma Paixão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e rumou para a TV, criando a limitada </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wGWSB_ezYzs"><i><span style="font-weight: 400;">Top of the Lake</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um dos passos de </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/noticias/544127/the-power-of-the-dog-benedict-cumberbatch-e-elisabeth-moss-irao-estrelar-novo-drama-de-jane-campion/"><span style="font-weight: 400;">Elisabeth Moss</span></a><span style="font-weight: 400;"> pós-</span><i><span style="font-weight: 400;">Mad Men</span></i><span style="font-weight: 400;"> e pré-</span><i><span style="font-weight: 400;">The Handmaid’s Tale</span></i><span style="font-weight: 400;">. Não importa de que maneira Campion queira contar a história, é certo que a abordagem será diferenciada. Homenageada com um prêmio Tributo por seu trabalho como Diretora no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3BPqQbNh9H8"><i><span style="font-weight: 400;">Gotham Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">, a neozelandesa enfatizou a singularidade do projeto atual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Power of the Dog</span></i><span style="font-weight: 400;">, Jane Campion quer </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YPlNBb6I8qU"><span style="font-weight: 400;">colocar caubói na linha</span></a><span style="font-weight: 400;">, quer impor limites, quer ressignificar o que a masculinidade tóxica significa e como é representada. Ela vai além, servindo a Benedict Cumberbatch seu papel mais suculento, prestes a ser banqueteado, com camadas de emoções escondidas, palavras não ditas e uma relação entre mentor e aprendiz que enriquece o escopo do que significa um relacionamento amoroso.</span></p>
<figure id="attachment_24967" aria-describedby="caption-attachment-24967" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24967" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/06.jpg" alt="Cena dos bastidores de Ataque dos Cães, mostra a diretora Jane Campion e a atriz Thomasin McKenzie sentadas em um ambiente fechado do set de gravações." width="1080" height="668" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/06.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/06-800x495.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/06-1024x633.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/06-768x475.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24967" class="wp-caption-text">Além da rápida participação de Frances Conroy, o elenco ainda conta com a talentosa Thomasin McKenzie (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">À sua maneira de brincar com a tentação, o filme impossibilita que Phil e Peter se entreguem ao corpóreo, apenas petiscando interações mais próximas. Seja na maneira como o rancheiro finca uma vistosa viga de madeira no chão, ou ainda na tenacidade do toque ao trançar a pele de boi em um chicote, os símbolos fálicos rodeiam a percepção humana, acompanhada, primorosamente, pela trilha sonora estoica de </span><a href="https://open.spotify.com/album/57sTbZK2X2uZZv3Kqn57hK"><span style="font-weight: 400;">Jonny Greenwood</span></a><span style="font-weight: 400;">, em apenas um de sua trinca de trabalhos fílmicos em 2021. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por definição, o caubói é alguém que pastoreia, que cuida e supervisiona, intervém bruscamente quando há necessidade e tem um senso aguçado de proteção. Nos anos em que a relação dos vaqueiros com os indígenas perpassava </span><a href="https://tribunadepetropolis.com.br/noticias/a-figura-do-indigena-no-cinema-de-objeto-a-sujeito-das-telas/"><span style="font-weight: 400;">conflitos</span></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">cowboy</span></i><span style="font-weight: 400;"> Phil equilibra a violência e o trabalho de audição. Ele é gerente de um negócio povoado por medo, inquietação e preconceito. Quando recebe os pais, nas participações quase que relâmpago de Frances Conroy e Peter Carroll, ele não demonstra amor ou afeto.</span></p>
<figure id="attachment_24968" aria-describedby="caption-attachment-24968" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24968" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/7.jpg" alt="Cena do filme Ataque dos Cães, mostra a silhueta distante de Phil e Peter, montando em uma sela de cavalo." width="1280" height="536" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/7.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/7-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/7-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/7-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/7-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24968" class="wp-caption-text">Jane Campion venceu o Oscar de Roteiro Original em 94, mesmo ano quando se tornou a <a href="https://revistaquem.globo.com/Series-e-filmes/noticia/2021/04/oscar-2021-chloe-zhao-e-segunda-mulher-ganhar-melhor-direcao.html#:~:text=Considerada%20uma%20das%20categorias%20mais,Greta%20Gerwig%20por%20Lady%20Bird.">segunda mulher</a> na história indicada em Melhor Direção (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A aversão a qualquer afago que não seja o de Bronco Henry o repele. Peter é a exceção, mas demoramos a enxergar essa brusca inversão de valores. O salto temporal entre os capítulos que dividem o escrutínio e a atenção não se encarrega de mastigar o que Phil pensa, como age ou porque o faz. Kodi Smit-McPhee pode passar despercebido por quem está em busca de uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AlVgrNZxNuc"><span style="font-weight: 400;">interpretação barulhenta ou reativa</span></a><span style="font-weight: 400;">. O mesmo vale para a Rose de Kirsten Dunst, papel que coloca a prova as capacidades de instinto protetivo da atriz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jane Campion mantém todos fora de suas respectivas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ab0d1AT6XIo"><span style="font-weight: 400;">zonas de conforto</span></a><span style="font-weight: 400;">, repetindo o exercício que já é característico de sua relação com o público. Do lado de fora da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, não sabemos se Phil é mocinho ou vilão, se merece nossa torcida ou nosso asco. Quando conversa com Peter sobre as montanhas que cercam sua vida, o personagem se assusta no momento em que o jovem enxerga, com clareza, a forma do cão nas construções rochosas. Mais cedo, um dos trabalhadores questiona Phil sobre a mesma porção de natureza (“</span><i><span style="font-weight: 400;">Tem algo lá?</span></i><span style="font-weight: 400;">”), ao que ele rapidamente responde: &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Não, se você não consegue ver, não tem</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Ainda bem que </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2021/nov/07/jane-campion-the-power-of-the-dog-interview"><span style="font-weight: 400;">Jane Campion consegue</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>Em Cry Macho: O Caminho para Redenção, Clint Eastwood desmantela o símbolo que já representou um dia</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Oct 2021 03:18:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[Adaptação Literária]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Fonseca O Cinema sempre contribuiu para a construção de heróis que fizeram parte do imaginário popular. Alguns duraram pouco e outros atravessaram gerações, como é o caso de Clint Eastwood com o seu tipo durão, para os clássicos de faroeste. Conhecendo a imagem que projetou de si mesmo nas telas, o ator e diretor &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cry-macho-o-caminho-para-redencao-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Cry Macho: O Caminho para Redenção, Clint Eastwood desmantela o símbolo que já representou um dia"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23727" aria-describedby="caption-attachment-23727" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23727" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem1-1.jpg" alt="Vemos os personagens Mike e Rafael, interpretados por Clint Eastwood e Eduardo Milett, em uma cena do filme Cry Macho: O caminho para redenção. À esquerda, temos Mike, um homem branco e idoso. Ele veste um chapéu de cowboy, jaqueta marrom, camisa de botões azul claro e calça jeans. Ao seu lado, está Rafael, um adolescente branco, com o tom da pele moreno, cabelos na altura das orelhas e veste uma jaqueta vermelha sobre uma camiseta amarela, além de uma calça bege. Atrás dos dois, vemos um carro grande e laranja." width="1500" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem1-1.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem1-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem1-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem1-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem1-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23727" class="wp-caption-text">Clint Eastwood tem uma longa trajetória no Cinema, atuando em mais de 60 filmes e dirigindo mais de 40 (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Fonseca</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Cinema sempre contribuiu para a construção de heróis que fizeram parte do imaginário popular. Alguns duraram pouco e outros atravessaram gerações, como é o caso de Clint Eastwood com o seu </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BoAbEVRHdZA"><span style="font-weight: 400;">tipo durão</span></a><span style="font-weight: 400;">, para os clássicos de faroeste. Conhecendo a imagem que projetou de si mesmo nas telas, o ator e diretor aproveitou mais de uma oportunidade para se desconstruir, ao mesmo tempo em que conta uma bela história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Cry Macho: O Caminho para Redenção</span></i><span style="font-weight: 400;">, vemos uma versão atualizada dos heróis que protagonizaram o mito de criação dos Estados Unidos, no qual eles são trazidos para o século XX e se mostram mais humanos. O longa também explora um tom leve, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xAPN9tdaCow&amp;ab_channel=MundodosTrailers"><span style="font-weight: 400;">pouco trabalhado</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos filmes que Eastwood dirigiu e revela que o diretor ainda está aberto a novas experiências, mesmo que não precise inovar a sua forma de contar histórias.</span></p>
<p><span id="more-23726"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de declarar a aposentadoria em 2019 com </span><a href="https://www.planoaberto.com.br/critica/a-mula/"><i><span style="font-weight: 400;">A Mula</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Clint anunciou em 2021 </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/clint-eastwood-iconico-diretor-de-91-anos-nega-desejo-de-se-aposentar-entenda/"><span style="font-weight: 400;">o retorno como diretor e ator</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Cry Macho</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele é Mike Milo, um domador de cavalos mal sucedido que já viveu tempos de glória como astro de rodeios. A trama se inicia graças à relação de dependência entre Mike e seu ex-patrão, Howard Polk (Dwight Yoakam), que lhe impõe a missão de viajar do Texas ao México para encontrar o filho, que vive sob os maus cuidados da mãe.</span></p>
<figure id="attachment_23728" aria-describedby="caption-attachment-23728" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23728" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-2-4.jpg" alt="Vemos o personagem sem nome, interpretado por Clint Eastwood no filme Por um punhado de dólares. Ele é um homem branco de barba, chapéu de cowboy marrom e tem um charuto na boca" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-2-4.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-2-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-2-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-2-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-2-4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-2-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23728" class="wp-caption-text">Eastwood ganhou notoriedade com filmes de bang bang nos anos 60 (Foto: MGM Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mike não consegue argumentar contra o plano de Howard e se vê obrigado a retribuir favores antigos. Assim, ele parte em uma jornada para buscar o garoto, enquanto é perseguido pela polícia e os capangas da mãe de Rafael, um garoto de 13 anos que cresceu em meio à ilegalidade. A relação entre o protagonista e o personagem de Eduardo Minett é o que orienta a trama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo no início, vemos uma relação improvável entre o menino e o ex-</span><i><span style="font-weight: 400;">cowboy</span></i><span style="font-weight: 400;">. As diferenças culturais, de idade e personalidades extremas são fontes de conflito e dão profundidade à relação, que se desenvolve aos poucos, como se cada um contribuísse para a jornada de autoconhecimento e redenção do outro. Para Mike, o que importa é garantir a segurança de Rafael, que, por sua vez, tem conflitos internos e dúvidas sobre a própria identidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de ser o motor da narrativa, não encontramos equilíbrio entre as performances de Eastwood e Minett. O veterano consegue se exprimir pelo andar debilitado, a voz rouca, diferentes tons e expressões discretas &#8211; sua característica principal -, enquanto o aprendiz parece sair do elenco de uma novela do </span><i><span style="font-weight: 400;">SBT</span></i><span style="font-weight: 400;">.  Suas expressões e falas são teatrais, manjadas. Um ótimo exemplo, e contrário ao</span><i><span style="font-weight: 400;"> duo</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cry Macho</span></i><span style="font-weight: 400;">, é a dupla Josué (Vinícius de Oliveira) e Dora (Fernanda Montenegro), do longa brasileiro </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=L8KFrftda6w"><i><span style="font-weight: 400;">Central do Brasil</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_23729" aria-describedby="caption-attachment-23729" style="width: 1960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23729" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-3-4.jpg" alt="Vemos uma cena de As Pontes de Madison. À esquerda, a atriz Meryl Streep interpreta Francesca. Ela é uma mulher branca, de cabelo comprido castanho, camisa branca, calça azul e segura algumas fotos enquanto está deitada. À direita, Clint Eastwood interpreta Robert. Ele é um homem branco, de cabelo branco, usa uma blusa verde e uma calça jeans. Robert está fotografando Francesca, enquanto os dois estão sobre um lençol no chão gramado." width="1960" height="1103" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-3-4.jpg 1960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-3-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-3-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-3-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-3-4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-3-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23729" class="wp-caption-text">Depois da queda dos filmes de velho oeste, Eastwood transitou por diferentes gêneros, como o drama e o romance (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A conexão com a história só acontece depois da metade, quando Mike e Rafael fogem da polícia federal mexicana e se abrigam em uma pequena cidade, com a ajuda de Marta. Natalia Traven interpreta a dona de um restaurante que se envolve com o protagonista e revela mais camadas de sua personalidade. Ele se mostra um homem amável e com talento para lidar com animais, o que nos passa uma impressão de pureza e reflete até a forma como o romance é construído.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O amor entre Mike e Marta é um amor contido, que se manifesta nos detalhes, nas interações cotidianas, sem que eles verbalizem, o que condiz com o perfil de direção de Eastwood, lembrando até mesmo </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-pontes-de-madison-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">As Pontes de Madison</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1995), romance em que o diretor contracenou com Meryl Streep, dando vida a um romance idealizado, contemplativo e platônico. Porém, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Cry Macho</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">essa relação é concretizada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao contrário dos grandes sucessos de Eastwood, neste filme não temos Morgan Freeman, Meryl Streep ou </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-menina-de-ouro/"><span style="font-weight: 400;">Hilary Swank</span></a><span style="font-weight: 400;">. O que o torna especial é o seu aspecto revisionista, coisa que já foi trabalhada em 1992 com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HrAPfDOhnj4"><i><span style="font-weight: 400;">Os Imperdoáveis</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Assim, como no clássico do faroeste, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cry Macho </span></i><span style="font-weight: 400;">dialoga com os paradigmas do gênero e apresenta uma visão nova. Notamos isso na apresentação do protagonista, que encarna a figura do </span><i><span style="font-weight: 400;">cowboy</span></i><span style="font-weight: 400;"> fora de seu tempo, trazendo-o para a nossa realidade.</span></p>
<figure id="attachment_23730" aria-describedby="caption-attachment-23730" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23730" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-4-2.jpg" alt="Vemos Earl Stone, interpretado por Clint Eastwood no filme A Mula. Ele é um homem branco, idoso, de boné cinza, jaqueta bege e camiseta marrom." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-4-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-4-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-4-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-4-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-4-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23730" class="wp-caption-text">Aos 91 anos, o diretor diz que retornou ao Cinema por não ter o que fazer em sua aposentadoria (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, a imagem que a </span><a href="https://www.slashfilm.com/562942/clint-eastwood-persona/"><span style="font-weight: 400;">indústria construiu</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre Clint é desmistificada e dá lugar a um herói frágil, sensível e nada letal. Esta subversão do gênero acontece tanto na personalidade de Mike, quanto no enredo. Ao invés de utilizar a violência plástica nos embates, temos soluções simples como fugir, ou conversar, sem a bravura e os tiroteios atordoantes. O que desenvolve a história é o diálogo, impondo um ritmo lento e contemplativo. Até a imagem dos mexicanos é desmontada. Se, de início pareciam um povo hostil e desonesto &#8211; graças às rinhas de galo, capangas e bandidos -, depois se transformam em pessoas simples e generosas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É neste tipo de revisão que o gênero </span><i><span style="font-weight: 400;">western</span></i><span style="font-weight: 400;"> sobrevive no Cinema atual. Tantas histórias de mesma temática foram contadas, que a indústria tem apostado em obras que subvertem ou dialogam com a linguagem própria do faroeste. Filmes como </span><a href="https://personaunesp.com.br/bravura-indomita-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Bravura Indômita</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2010)</span> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/relatos-do-mundo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Relatos do Mundo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2020) são exemplos de releituras mais sérias, que tratam o heroísmo com sobriedade. Quando não se desfazem da assinatura do gênero, estes filmes elevam os seus padrões ao exagero cômico, como o excelente </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rJqOKGLH_mw&amp;ab_channel=NetflixBrasil"><i><span style="font-weight: 400;">A Balada de Busters Scruggs</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dos irmãos Coen. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de não ter um caráter inovador, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cry Macho: O Caminho para Redenção</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue despertar empatia e sua maior qualidade é a simplicidade. Sem reviravoltas surpreendentes, o enredo é despretensioso mas prioriza o desenvolvimento dos personagens. Além da lógica que orienta a narrativa e a forma como ela é contada: a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oRrdiRzdIXg&amp;ab_channel=omeleteve"><span style="font-weight: 400;">ressignificação do conceito de masculinidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> muitas vezes representado pela Sétima Arte.</span></p>
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