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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Até que ponto Po-Wing e Lai Yiu-Fai estão Felizes Juntos?</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Jun 2024 19:14:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Eloah Kaway Felizes Juntos, dirigido por Wong Kar-Wai, é um retrato fascinante e complicado sobre relacionamentos e descoberta pessoal. O filme mostra a relação tumultuada entre Ho Po-Wing (Leslie Cheung) e Lai Yiu-Fai (Tony Leung), um casal gay de Hong Kong perdido na melancolia de Buenos Aires. Com suas cenas ambientadas nas ruas da cidade &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/felizes-juntos-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Até que ponto Po-Wing e Lai Yiu-Fai estão Felizes Juntos?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33587" aria-describedby="caption-attachment-33587" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-33587" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-5.png" alt="Dois homens abraçados dançam ao som de tango na cozinha de casa, em um momento íntimo. Leslie Cheung, à esquerda, veste uma camisa neutra e calças bege, enquanto Tony Leung, à direita, usa camisa neutra com calças jeans azuis." width="700" height="350" /><figcaption id="caption-attachment-33587" class="wp-caption-text">Tony Leung e Leslie Cheung protagonizam uma icônica cena de tango (Foto: Golden Harvest Company)</figcaption></figure>
<p><b>Eloah Kaway</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Felizes Juntos</span></i><span style="font-weight: 400;">, dirigido por </span><a href="https://youtu.be/wDkTPT-cgvk?si=jTIWmpnLhD0HC9-o"><span style="font-weight: 400;">Wong Kar-Wai</span></a><span style="font-weight: 400;">, é um retrato fascinante e complicado sobre relacionamentos e descoberta pessoal. O filme mostra a relação tumultuada entre Ho Po-Wing (Leslie Cheung) e Lai Yiu-Fai (Tony Leung), um casal gay de Hong Kong perdido na melancolia de Buenos Aires. Com suas cenas ambientadas nas ruas da cidade e nas impressionantes </span><a href="https://www.visitefoz.com.br/pontos-turisticos/cataratas-do-iguacu/"><span style="font-weight: 400;">Cataratas do Iguaçu</span></a><span style="font-weight: 400;">, Kar-Wai cria uma história visualmente incrível que nos faz pensar no amor em todas suas formas.</span></p>
<p><span id="more-33584"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No longa, os protagonistas são retratados em um relacionamento tumultuado, marcado por intensas oscilações. Em uma tentativa desesperada de reviver o amor que compartilham, decidem viajar para a </span><a href="https://www.britannica.com/place/Argentina"><span style="font-weight: 400;">Argentina</span></a><span style="font-weight: 400;">, buscando um afastamento radical de suas vidas anteriores. O objetivo deles é visitar as Cataratas do Iguaçu, uma jornada que adquire uma dimensão simbólica à medida que o longa avança e o vínculo entre eles se desfaz mais uma vez.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A escolha da música </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xVggBkYKGsQ"><i><span style="font-weight: 400;">Cucurrucucu Paloma</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Caetano Veloso, como pano de fundo para a cena no Patrimônio Natural da Humanidade, não apenas complementa as imagens panorâmicas como também estabelece a abertura do filme de maneira poética. O uso das cores e da canção funciona como uma metáfora das emoções turbulentas dos protagonistas. Inicialmente imersa em cores saturadas que refletem a intensidade do amor entre Po-Wing e Yiu-Fai, a obra transita para tons mais sombrios de preto e branco à medida em que o relacionamento se desintegra, capturando habilmente os altos e baixos emocionais do casal.</span></p>
<figure id="attachment_33589" aria-describedby="caption-attachment-33589" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33589" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-6.png" alt="Em uma imagem em preto e branco, Leslie Cheung e Tony Leung se abraçam, seus olhares revelando confusão diante das adversidades do relacionamento." width="1280" height="690" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-6.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-6-800x431.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-6-1024x552.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-6-768x414.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-6-1200x647.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33589" class="wp-caption-text">Leslie Cheung e Tony Leung vivem um amor conturbado e belo (Foto: Golden Harvest Company)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Através das performances de </span><a href="https://youtu.be/gr01rovvIfU?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Leslie Cheung</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Tony Leung, </span><i><span style="font-weight: 400;">Felizes Juntos</span></i><span style="font-weight: 400;"> oferece uma exploração crua e honesta da complexidade humana, tecendo um retrato comovente de um amor apaixonado, porém, turbulento, que desafia as definições convencionais. Cheung e Leung capturam com maestria a dinâmica destrutiva entre Ho Po-Wing, impulsivo e errático, e Lai Yiu-Fai, mais reservado e contemplativo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A reflexão sobre o título do filme ganha mais sentido conforme a história se desenvolve. </span><a href="https://youtu.be/j-Qum-HQVM4?si=gkPNepVLSyWgtwN5"><i><span style="font-weight: 400;">Chun Gwong Cha Sit</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (no original) vai além da relação complicada entre dois indivíduos que, claramente, não estão felizes, explorando também a reconciliação interior e a aceitação do passado de cada um. Essa jornada emocional ressoa profundamente, oferecendo uma nova visão sobre o que realmente significa amar e se separar. O futuro é incerto; pode haver mais noites solitárias e desesperadoras pela frente mas, agora, eles estão livres das amarras que os prendiam. É um novo começo, mesmo que não seja juntos lado a lado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Wong Kar-Wai utiliza Buenos Aires como um contraponto ao seu habitual cenário em Hong Kong, explorando semelhanças e contrastes entre essas duas metrópoles. A cidade se torna um cenário simbólico para a desorientação e a busca por identidade dos personagens, evocando uma sensação de exílio emocional e físico. A transição gradual do filme, passando do preto e branco para cores vivas, reflete não apenas a evolução do relacionamento de </span><a href="https://youtu.be/d8po9qolv7Y?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Po-Wing e Yiu-Fai</span></a><span style="font-weight: 400;">, como também o próprio processo de crescimento pessoal deles.</span></p>
<figure id="attachment_33586" aria-describedby="caption-attachment-33586" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33586" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-6.png" alt="Ao fundo da agitada Buenos Aires, as luzes neon iluminam a cidade enquanto um relógio marca 20h43" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-6.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-6-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-6-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-6-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-6-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-6-1200x675.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33586" class="wp-caption-text">O Fotógrafo Christopher Doyle transita drasticamente entre o preto e branco, e um colorido extremamente saturado (Foto: Golden Harvest Company)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um método notável do jogo de câmera é o deslocamento de foco entre os personagens, que é efetivamente utilizado pelo diretor de Fotografia, </span><a href="https://x.com/dukefeng52"><span style="font-weight: 400;">Christopher Doyle</span></a><span style="font-weight: 400;">, para enfatizar a distância emocional e desconexão entre eles. Por exemplo, em uma cena em que Lai Yiu-Fai trabalha como porteiro e Ho Po-Wing ostenta seus novos relacionamentos, a lente se afasta de Yiu-Fai para focar em Po-Wing, o deixando desfocado e em segundo plano; à medida que ele se afasta da vida do parceiro tanto de forma literal quanto metaforicamente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra técnica é o uso de movimentos circulares da câmera, que espelham a natureza cíclica do relacionamento dos personagens. Durante um passeio de táxi, que simboliza mais uma reconciliação, a máquina se move em padrões giratórios, ecoando o padrão repetitivo e vertiginoso de suas separações e retornos. Este movimento circular não apenas aprimora a </span><a href="https://youtu.be/j-Qum-HQVM4?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">experiência visual</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas também aprofunda a compreensão do espectador sobre os estados emocionais estagnados e repetitivos dos personagens.</span></p>
<figure id="attachment_33585" aria-describedby="caption-attachment-33585" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33585" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-6.png" alt="Ho Po-Wing e Lai Yiu-Fai dentro do carro, com expressões magoadas após uma discussão." width="600" height="384" /><figcaption id="caption-attachment-33585" class="wp-caption-text">O filme rendeu ao diretor o prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cannes (Foto: Golden Harvest Company)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos aspectos notáveis em </span><i><span style="font-weight: 400;">Felizes Juntos</span></i><span style="font-weight: 400;"> é Chang, interpretado por </span><a href="https://mydramalist.com/people/678-chang-chen"><span style="font-weight: 400;">Chang Chen</span></a><span style="font-weight: 400;">, que surge de maneira discreta e gradualmente se torna amigo de Lai Yiu-fai, que estava enfrentando a solidão. Ele é como uma luz radiante em meio às dificuldades e sua personalidade curiosa, às vezes, intrometida, traz um humor peculiar ao filme, ao mesmo tempo em que revela uma tristeza subjacente, como se houvesse um vazio difícil de preencher.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Chang aspira viajar por diversos lugares antes de retornar a </span><a href="https://oglobo.globo.com/tudo-sobre/pais/taiwan/"><span style="font-weight: 400;">Taiwan</span></a><span style="font-weight: 400;">, sua terra natal. Em uma jornada em busca pela felicidade, revela-se um homem cujas motivações são desconhecidas, mas que a breve passagem pela vida de Yiu-fai é suficiente para conectar o público profundamente a esse indivíduo simples, acolhedor e repleto de histórias por descobrir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas cenas finais, Lai Yiu-fai finalmente consegue sair de Buenos Aires e viaja não para </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/tudo-sobre/hong-kong/"><span style="font-weight: 400;">Hong Kong</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas para Taipei. Ele vai ao mercado noturno onde a família de Chang Chen tem uma barraca de comida. Contudo, ele não está lá por viajar pelo mundo. &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Finalmente entendi como ele poderia ser feliz correndo livre assim</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;, diz Yiu-fai em seu tom de voz narrativo, baixo e triste. &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">É porque ele tem um lugar para onde sempre pode voltar</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;. </span><span style="font-weight: 400;">É um momento de introspecção, onde Yiu-fai reconhece a dificuldade de encontrar um sentido de pertencimento e liberdade verdadeiros, mesmo em meio às descobertas pessoais e às mudanças de cenário.</span></p>
<figure id="attachment_33588" aria-describedby="caption-attachment-33588" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33588" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image5-2.png" alt="À esquerda, Chang, um homem asiático com um boné cinza e jaqueta jeans, está ao lado de Yiu-fai, outro homem asiático vestindo uma blusa branca de algodão. O ambiente ao redor deles é preenchido por garrafas de cerveja." width="1280" height="690" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image5-2.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image5-2-800x431.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image5-2-1024x552.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image5-2-768x414.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image5-2-1200x647.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33588" class="wp-caption-text">A trilha sonora melancólica de Felizes Juntos, composta por Zhang Hongzhi, complementa perfeitamente a narrativa, intensificando as emoções do filme (Foto: Golden Harvest Company)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A crítica internacional elogia </span><i><span style="font-weight: 400;">Felizes Juntos</span></i><span style="font-weight: 400;"> como uma obra-prima do Cinema contemporâneo. O filme recebeu aclamação em importantes festivais ao redor do mundo, incluindo uma indicação à Palma de Ouro e o prêmio de Melhor Diretor no Festival de</span> <a href="https://www.festival-cannes.com/en/"><i><span style="font-weight: 400;">Cannes</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de 1997. Esse reconhecimento não só celebra a habilidade de Wong Kar-Wai como um cineasta inovador, mas também destaca como o longa continua relevante ao explorar profundamente temas de identidade e busca por conexão humana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um ponto forte do filme é como ele trata a sexualidade e a identidade de seus personagens sem clichês ou simplificações. Kar-Wai mostra um grande respeito pela complexidade e singularidade das jornadas pessoais de </span><a href="https://youtu.be/eEzHOmSTYDY?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Ho Po-Wing e Lai Yiu-Fai</span></a><span style="font-weight: 400;">, retratando suas lutas e vitórias de maneira genuína e humana. </span><i><span style="font-weight: 400;">Felizes Juntos</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma obra em que o cineasta ressoa além das fronteiras culturais e sexuais. É um lembrete de que, em de todas as lutas e triunfos, está a busca incansável pela felicidade e pela compreensão de nós mesmos e dos outros.</span></p>
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		<title>A Baleia é um retrato sobre tudo o que nos faz humanos</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Mar 2023 12:39:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Clara Sganzerla  Moby-Dick, ou The Whale, é um famoso romance publicado em 1851 pelo escritor estadunidense Herman Melville, que conta a famosa saga do capitão Ahab atrás da baleia que arrancou sua perna. A semelhança com A Baleia, um dos filmes mais comentados do Oscar 2023, não é apenas no nome. A nova obra do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-baleia-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Baleia é um retrato sobre tudo o que nos faz humanos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30290" aria-describedby="caption-attachment-30290" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30290" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-1.jpg" alt="Cena do filme The Whale. Na imagem, o personagem do ator Brendan Fraser está dentro de uma casa. Ele está sentado em um sofá, usa uma camiseta cinza e sorri. Ao seu lado direito, há um abajur de luz amarela. A iluminação é baixa e os tons são frios." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30290" class="wp-caption-text">Além de indicações no Oscar, The Whale recebeu indicações em premiações como Critics Choice Award, Cannes, Globo de Ouro e SAG Awards (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Clara Sganzerla </b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Moby-Dick</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou </span><i><span style="font-weight: 400;">The Whale</span></i><span style="font-weight: 400;">, é um famoso romance publicado em 1851 pelo escritor estadunidense Herman Melville, que conta a famosa saga do capitão Ahab atrás da baleia que arrancou sua perna. A semelhança com </span><i><span style="font-weight: 400;">A Baleia</span></i><span style="font-weight: 400;">, um dos filmes mais comentados do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2023, não é apenas no nome. A nova obra do diretor </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nL6vuRrF61w"><span style="font-weight: 400;">Darren Aronofsky</span></a> <span style="font-weight: 400;">nos leva em uma triste trajetória de um outro protagonista atrás de algo que vai além da forma física: uma redenção para si mesmo.</span></p>
<p><span id="more-30287"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na aclamada produção do estúdio </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/a24/"><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, somos apresentados a Charlie (Brendan Fraser), um professor universitário que passa seus dias corrigindo redações e suprindo sua falta de perspectiva, afeto e esperança com compulsão alimentar. Em uma jornada acelerada para o seu inevitável fim, acompanhamos o personagem em seus suspiros finais: consumido pela culpa de ter abandonado sua filha para viver um romance, Charlie tira tudo o que resta em si para dar à Ellie (</span><a href="https://personaunesp.com.br/stranger-things-4-critica/"><span style="font-weight: 400;">Sadie Sink</span></a><span style="font-weight: 400;">), uma adolescente submersa na contradição de sentir-se injustiçada pelo abandono paterno e, ainda assim, querer o que lhe foi arrancado tão nova. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao dizer tudo de si, é de forma literal. Sobrevivendo com severas consequências de uma condição de obesidade mórbida, o personagem recusa-se a procurar ajuda médica para, no lugar, destinar todas as suas economias ao futuro de sua filha. O que parece ser uma crítica ao </span><a href="https://www.politize.com.br/sistema-de-saude-dos-estados-unidos/"><span style="font-weight: 400;">sistema de saúde</span></a><span style="font-weight: 400;"> público dos Estados Unidos acaba por ser, na verdade, a solução mais plausível que Charlie encontra &#8211; uma conta bancária com mais de 100 mil dólares a fim de colocar um curativo em cima das feridas que ele mesmo causou, mas tentou evitar. Ellie torna-se, então, uma jovem problemática que se esforça para ser apática com toda a sua situação familiar, mas acaba por cair na grosseria e raiva como maquiagem para sua enorme carência.</span></p>
<figure id="attachment_30289" aria-describedby="caption-attachment-30289" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30289" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-2.png" alt="Uma fotografia do ator Brendan Foster e da atriz Sadie Sink. À direita, Sadie usa brincos e um colar prata, seu cabelo ruivo está solto e ela sorri. À esquerda, temos Brendan vestindo um terno azul marinho com listras douradas, camiseta social branca, gravata azul marinho e um óculos preto de grau de armação quadrada. Brendan também sorri sem mostrar os dentes. Ao fundo, um pôster com as palavras The Whale e A24 em branco. " width="1000" height="563" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-2.png 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-2-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30289" class="wp-caption-text">A relação conturbada de pai e filha entre os personagens de Fraser e Sink traz diversas reflexões sobre as marcas do abandono parental (Foto: Kristina Bumphrey)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto isso, vemos nos olhos de Liz (interpretada brilhantemente por </span><a href="https://www.nytimes.com/2023/02/22/movies/hong-chau-the-whale-oscars.html"><span style="font-weight: 400;">Hong Chau</span></a><span style="font-weight: 400;">) o desespero palpável de não conseguir salvar seu amigo de sua jornada de autodestruição para vê-lo afundar em uma dor que também é sua: o luto pelo seu irmão Alex, namorado de Charlie. O motivo da morte acende uma importante e dolorosa discussão sobre a aversão de determinadas </span><a href="https://tab.uol.com.br/gays-e-religiao/"><span style="font-weight: 400;">igrejas</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao grupo </span><a href="https://personaunesp.com.br/close-critica/"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIAP+</span></a><span style="font-weight: 400;">. Isso porque a recusa do relacionamento homoafetivo entre os dois pela família foi um dos motivos para o suicídio de Alex, que fugiu de um casamento arranjado pelo pai para viver seu verdadeiro amor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção de </span><a href="https://personaunesp.com.br/mae-filme-critica/"><span style="font-weight: 400;">Aronofsky</span></a><span style="font-weight: 400;">, como de costume, divide opiniões. Desde a maneira de retratar os episódios de compulsão alimentar até o próprio olhar ao protagonista, entramos em uma linha tênue. Para uns, faltou sensibilidade e respeito ao retratar Charlie. Para outros, não haveria outra forma de tê-lo tornado mais humano do que mostrando tudo aquilo que ele quer esconder. No entanto, talvez essa tenha sido a intenção do diretor: polemizar o suficiente para pensarmos sobre o assunto, para a discussão perdurar além dos cinco minutos após o fim de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Baleia</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; o que, com certeza, funcionou. </span></p>
<figure id="attachment_30288" aria-describedby="caption-attachment-30288" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30288" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-3.png" alt=" Foto do ator Brendan Fraser e do diretor Darren Aronofsky. Ambos estão em uma premiação, e usam ternos na cor preta, camisa social branca e gravata. Eles sorriem um para o outro e Darren está com sua mão direita no ombro de Brendan. " width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-3.png 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-3-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-3-2048x1152.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-3-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30288" class="wp-caption-text">Aronofsky sempre chama atenção da crítica por sua direção peculiar e impactante, como em Réquiem para um Sonho, Cisne Negro e Mother! (Foto: Elisabetta A. Villa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O</span><span style="font-weight: 400;"> impacto do longa deu-se muito antes de chegar ao público nos cinemas. Em quase uma década recluso após ser </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/entre-telas/filmes/a-incrivel-historia-de-superacao-de-brendan-fraser-de-a-baleia,2fa311be0851846beda6a6926a586de2ktvvgnly.html"><span style="font-weight: 400;">vítima de assédio</span></a><span style="font-weight: 400;"> por Philip Berk, Brendan Fraser voltou às telas recebendo o reconhecimento que merece: teve sua primeira indicação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">na categoria de Melhor Ator. Além disso, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Whale</span></i><span style="font-weight: 400;"> esteve presente em outras modalidades, como Melhor Maquiagem e Cabelo, pelo trabalho de </span><a href="https://www.motionpictures.org/2023/03/the-whale-oscar-nominated-prosthetics-artist-adrien-morot/"><span style="font-weight: 400;">Adrien Morot</span></a><span style="font-weight: 400;">, e pela sensível atuação de Hong Chau, na categoria Melhor Atriz Coadjuvante. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E estamos ansiosos: em uma disputa acirrada com </span><a href="https://personaunesp.com.br/elvis-critica/"><span style="font-weight: 400;">Austin Butler</span></a><span style="font-weight: 400;">, fica a dúvida sobre quem receberá a estatueta de ouro. Após Fraser vencer a categoria de Melhor Ator no </span><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choice Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, surpreendentemente, no </span><i><span style="font-weight: 400;">SAG Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">, tivemos também o intérprete de Elvis Presley sendo destaque no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/globo-de-ouro/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;">, no prêmio BAFTA e no </span><i><span style="font-weight: 400;">Satellite Award </span></i><span style="font-weight: 400;">na mesma posição de Brendan &#8211; a competição para o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, que estava quase que decidida para Butler, agora, segue indefinida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De qualquer forma, entre polêmicas e </span><a href="https://www.omelete.com.br/festival-de-veneza/brendan-fraser-the-whale-impressoes-festival-veneza"><span style="font-weight: 400;">emoções</span></a><span style="font-weight: 400;">, a incrível performance de todo o elenco torna inesquecível a experiência de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Baleia</span></i><span style="font-weight: 400;">. Apesar de ser doloroso, longo e sofrido, o que vale a pena na obra é enxergar a bondade nos olhos de Charlie e emocionar-se com o retrato sincero, dentro de todos os nossos defeitos e arrependimentos, sobre tudo aquilo que nos faz humanos.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Whale | Official Trailer HD | A24" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/nWiQodhMvz4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Em Nova Deli, dois irmãos curam Tudo o Que Respira</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Feb 2023 16:34:12 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Documentário]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Freire Tudo o Que Respira começa com uma paisagem escura enquanto uma câmera se move sobre o solo repleto de lixo na cidade de Nova Deli. Enquanto outros animais se espreitam no fundo, a imundície da rua serve como alimento para os ratos que se apressam em uma moldura desfocada, e o barulho que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/tudo-o-que-respira-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Nova Deli, dois irmãos curam Tudo o Que Respira"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29907" aria-describedby="caption-attachment-29907" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29907" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-11-1.jpg" alt="Cena do documentário Tudo o Que Respira. Na imagem, vemos Salik Rehman de frente com um milhafre-preto, uma ave de rapina preta com o peito branco, e os dois se encaram. Ambos estão dentro de um depósito, que serve como um espaço de trabalho. O animal está em cima de uma bancada com vários utensílios utilizados pelos homens que se dedicam ao cuidado dessa espécie. Salik tem cabelos e barba na cor preta e veste uma camisa social preta com listras brancas e óculos de grau." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-11-1.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-11-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-11-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-11-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-11-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-11-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29907" class="wp-caption-text">Com estreia no Festival Sundance de Cinema, Tudo o Que Respira é o segundo documentário do cineasta indiano Shaunak Sen (Foto: Submarine Deluxe)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Freire</b></p>
<p><a href="https://www.allthatbreathes.com/trailer"><i><span style="font-weight: 400;">Tudo o Que Respira</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">começa com uma paisagem escura enquanto uma câmera se move sobre o solo repleto de lixo na cidade de Nova Deli. Enquanto outros animais se espreitam no fundo, a imundície da rua serve como alimento para os ratos que se apressam em uma moldura desfocada, e o barulho que eles fazem fica mais alto à medida que mais deles se alimentam. Ao que o ruído faminto cresce em volume, os faróis dos carros ficam mais brilhantes à distância – um sinal de humanidade que impacta diretamente a existência deles, e a cena termina ao passo que é dominada pela ultrapassagem de uma luz branca. Essa é apenas a primeira de muitas imagens de tirar o fôlego que estão presentes no mais recente documentário de Shaunak Sen.</span></p>
<p><span id="more-29905"></span></p>
<p><a href="https://thefilmstage.com/all-that-breathes-director-shaunak-sen-on-capturing-new-delhi-bird-rescuers-with-a-majestic-cinematic-vision/"><span style="font-weight: 400;">Sen</span></a><span style="font-weight: 400;"> foca no cotidiano de Nadeem Shehzad e Mohammad Saud, dois irmãos que têm dedicado duas décadas de suas vidas ao cuidado de aves feridas, especificamente daquelas conhecidas como milhafre-preto. Nova Deli é uma das cidades </span><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/fotografia/2017/06/como-e-viver-na-cidade-mais-poluida-do-mundo"><span style="font-weight: 400;">mais poluídas</span></a><span style="font-weight: 400;"> do planeta e a presença da indústria, juntamente com o processo de urbanização, são fatores que afetam profundamente a vida selvagem. Com a qualidade e a visibilidade do ar extremamente impróprias, os milhafres foram obrigados a se esforçar para fazer o que nunca exigiu esforço: voar. O diretor enquadra regularmente as aves contra uma nuvem de fumaça ou uma paisagem urbana coberta pela névoa, de forma a tornar essa situação tão visível como observar um animal que se afoga.</span></p>
<figure id="attachment_29908" aria-describedby="caption-attachment-29908" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29908" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-1-8.jpg" alt="Cena do documentário Tudo o Que Respira. Na imagem, fotografada de baixo para cima, vemos um homem vestido inteiramente de branco à distância, quase no topo da escadaria de um monumento. Ele está alimentando as aves, e muitas delas voam no céu. Há algumas outras construções ao redor. O céu está azul e é um dia ensolarado." width="800" height="449" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-1-8.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-1-8-768x431.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29908" class="wp-caption-text">A Wildlife Rescue, organização dos dois irmãos, cuidou de mais de vinte mil aves e animais desde seu surgimento em 2010 (Foto: Submarine Deluxe)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O destaque do documentário gira totalmente em torno da direção e fotografia. </span><i><span style="font-weight: 400;">Tudo o Que Respira</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é uma produção tradicional sobre a vida selvagem ou sobre a mudança climática e não conta com a presença de especialistas nem com fatos dispostos na tela. As informações obtidas sobre a situação dos milhafres vêm de </span><a href="https://www.nytimes.com/2020/02/07/science/kites-birds-conservation-india.html"><span style="font-weight: 400;">Nadeem e Saud</span></a><span style="font-weight: 400;">, que enfrentam seus próprios desafios ao mesmo tempo que tentam permanecer alertas em uma região do mundo cada vez mais tensa quando se trata de questões sociais, políticas e de classe. A obra entende profundamente que cuidar de tudo o que respira não é tão fácil quanto uma boa intenção faz parecer. Muitas vezes, o cuidado requer sacrifício e compromisso intensos; apesar de tudo, isso não é uma tarefa impossível.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante todo o documentário, os diretores de fotografia Ben Bernhard e Riju Das fazem uso da técnica conhecida como </span><a href="https://www.backstage.com/magazine/article/what-is-cinema-verite-examples-75673/"><i><span style="font-weight: 400;">cinéma vérité</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ou cinema verdade, que combina a improvisação com o uso da câmera para mostrar a verdade ou enfatizar assuntos que se escondem por trás da realidade. Além disso, </span><i><span style="font-weight: 400;">All That Breathes </span></i><span style="font-weight: 400;">(no original)</span> <span style="font-weight: 400;">é formalmente projetado em uma horizontal, para que se possa ver panoramicamente o que acontece quando toda a natureza se reúne ao nível da rua. Essa junção faz com que aquilo que está sendo observado dê lugar a algo a mais, seja em primeiro ou segundo plano, enfatizando como, em nenhum momento, é insinuado uma hierarquia de importância entre o </span><a href="https://www.raptorrescue.org/"><span style="font-weight: 400;">trabalho</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Nadeem e Saud e as crises enfrentadas pelo país, como a poluição crônica do ar e a crescente violência islamofóbica.</span></p>
<figure id="attachment_29906" aria-describedby="caption-attachment-29906" style="width: 1873px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29906" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-3-1.png" alt="Cena do documentário Tudo o Que Respira. Na imagem, vemos Mohammad Saud dentro de uma das gaiolas voltadas para o cuidado dos milhafres-preto, feitas de pedaços de cano e tecido. Ele está agachado no chão e veste uma camiseta cinza, uma calça bege e óculos de grau. Ao seu redor, podemos ver seis aves de rapina. Apesar da foto estar um pouco escura, ainda é dia e é possível ver a silhueta de prédios através do tecido." width="1873" height="985" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-3-1.png 1873w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-3-1-800x421.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-3-1-1024x539.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-3-1-768x404.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-3-1-1536x808.png 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29906" class="wp-caption-text">All That Breathes teve uma ótima recepção pela crítica e conquistou os principais prêmios da temporada (Foto: Submarine Deluxe)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sendo o primeiro a ganhar o prêmio de Melhor </span><a href="https://personaunesp.com.br/category/documentario/"><span style="font-weight: 400;">Documentário</span></a><span style="font-weight: 400;"> tanto em Sundance quanto em Cannes, não é de se surpreender que a direção de Shaunak Sen esteja na disputa pelo mesmo reconhecimento no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2023</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TJ73sYkpisY"><i><span style="font-weight: 400;">A House Made of Splinters</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?app=desktop&amp;v=kTKL5P_69e8"><i><span style="font-weight: 400;">All The Beauty and The Bloodshed</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/navalny-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Navalny</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kz95Xjd3l00"><i><span style="font-weight: 400;">Vulcões: A Tragédia de Katia e Maurice Krafft</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">são os longas que também buscam levar a estatueta dourada para casa. Apesar de não ser o favorito ao troféu, os poéticos 96 minutos de duração de </span><i><span style="font-weight: 400;">Tudo o Que Respira </span></i><span style="font-weight: 400;">são essenciais e de extrema importância na medida em que uma história micro é utilizada para fazer uma crítica relevante e valiosa sobre um contexto macro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há muitas boas razões para que o documentário seja considerado como um dos </span><a href="https://variety.com/lists/best-documentaries-2022/"><span style="font-weight: 400;">melhores</span></a><span style="font-weight: 400;"> lançados no ano de 2022. A obra leva seu próprio tempo para passar por todo o conteúdo apresentado, e a paciência de Sen é essencial para capturar momentos tão mundanos (e tão bonitos) que fazem da obra o que ela é. Apesar do esgoto que inunda o chão dos irmãos e a ameaça de uma guerra nuclear que ecoa das televisões, o longa se mostra como um retrato vivo de que a vida deve continuar. E continua, deixando uma faísca de esperança sobre o futuro, no que eles continuam a marchar e resgatar aves que caem do céu.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Tudo O Que Respira | Trailer Legendado | HBO Max" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ZdBd8xjXgKA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Boy From Heaven desnuda a política por trás da religião</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Nov 2022 20:22:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade Há sempre um suspense em torno de tramas políticas. Talvez o mistério seja o formato mais funcional em atrair a atenção do público para o assunto – mais do que serena, a política é sempre mortalmente séria. Ainda assim, é através das eleições que os indivíduos percebem sua importância social; é a manifestação &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/boy-from-heaven-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Boy From Heaven desnuda a política por trás da religião"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29173" aria-describedby="caption-attachment-29173" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29173" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29173" class="wp-caption-text">Vencedor do prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Cannes, Boy From Heaven integrou a seção Perspectiva Internacional da 46ª Mostra SP (Foto: Pandora)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há sempre um suspense em torno de tramas políticas. Talvez o mistério seja o formato mais funcional em atrair a atenção do público para o assunto – mais do que serena, a política é sempre mortalmente séria. Ainda assim, é através das eleições que os indivíduos percebem sua importância social; é a manifestação contemporânea que, apesar dos ataques, mais tem resistido às mudanças pós-modernas, mesmo que a maneira e os motivos pelos quais se vote sejam diametralmente outros. Em períodos normais, se vota pelo futuro; em momentos perigosos, se vota para cessar a destruição. Sob essa perspectiva, </span><a href="https://www.screendaily.com/reviews/boy-from-heaven-cannes-review/5170901.article"><span style="font-weight: 400;">Tarik Saleh</span></a><span style="font-weight: 400;">, diretor e roteirista do premiado </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2022/may/20/boy-from-heaven-review-cannes-2022"><i><span style="font-weight: 400;">Boy From Heaven</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, longa que integrou a seção Perspectiva Internacional da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, vislumbra como o mundo está constantemente inventando maneiras de garantir o resultado desejado.</span></p>
<p><span id="more-29172"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Adam Tala (Tawfeek Barhom), filho de um pescador, recebe o priviégio de estudar na Universidade de Al-Azhar do Cairo – instituição anexada à mesquita de mesmo nome –, o epicentro político do islamismo sunita. Pouco após sua chegada na cidade, a maior liderança religiosa da universidade, o </span><a href="https://super.abril.com.br/historia/quais-sao-os-principais-cargos-religiosos-e-politicos-do-mundo-islamico/"><span style="font-weight: 400;">Grande Imã</span></a><span style="font-weight: 400;">, morre repentinamente. Entre as figuras religiosas e a elite egípcia, Tala logo se torna uma peça central em torno dessa morte. Contudo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Boy From Heaven</span></i><span style="font-weight: 400;"> aponta que o processo eleitoral no país sequer finge ser democrático: o candidato escolhido é selecionado por um pequeno Conselho Supremo de Acadêmicos, cujas considerações e motivações do voto jamais serão exteriorizadas para o mundo.</span></p>
<figure id="attachment_29177" aria-describedby="caption-attachment-29177" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29177 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-3-683x1024.jpg" alt="" width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-3-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-3-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-3-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-3-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-3-1365x2048.jpg 1365w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-3-1200x1800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-3-scaled.jpg 1707w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29177" class="wp-caption-text">Boy From Heaven, de Tarik Saleh, foi indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes (Foto: Pandora)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tarik Saleh, que desde de 2017 <a href="https://www.aljazeera.com/news/2022/5/28/boy-from-heaven-cannes-film-festival-tarik-saleh-egypt-al-azhar">não pode entrar no Egito</a> sob risco de ser preso, depois do lançamento de seu penúltimo filme, </span><a href="http://43.mostra.org/br/filme/9392-O-INCIDENTE-NO-NILE-HILTON"><i><span style="font-weight: 400;">O Incidente no Nile Hilton</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – que discute também a corrupção política no país –, dobra a aposta no novo lançamento. Devido a essa restrição pessoal, as gravações do longa precisaram ser feitas em Istambul, na Turquia, e a Universidade de Al-Azhar na verdade é a Mesquita Süleymanye. Ao longo do filme, o diretor amplia sua discussão sobre os desvios governamentais para preencher o cargo religioso mais alto da nação, mostrando os interesses por trás da eleição do candidato escolhido pelo presidente. “</span><i><span style="font-weight: 400;">A terra não pode sustentar dois faraós</span></i><span style="font-weight: 400;">”, diz o general Al Sakran (Mohammad Bakri), ordenando ao coronel Ibrahim (Fares Fares) que torne o seu concorrente pessoal eleito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas o que deixa </span><i><span style="font-weight: 400;">Boy From Heaven</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda mais interessante é que, sob nenhuma perspectiva, Tarik Saleh tenta manchar a fé do </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-noiva-critica/"><span style="font-weight: 400;">Islã</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seu roteiro desenvolto mostra como o perigo reside, sempre, nas apropriações egoístas e delirantes pelo poder, que na prática não obedecem aos ensinamentos dogmáticos. Esse tratamento, por si só, aponta a grande diferença que o mesmo tema vem recebendo de cineastas ocidentais ao longo dos anos. Submissão da Suécia no <em>Oscar</em> 2023, o longa chegou aos cinemas da América do Norte sob o título <em><a href="https://deadline.com/2022/11/samuel-goldwyn-films-acquires-cairo-conspiracy-boy-from-heaven-sweden-oscar-1235161352/">Cairo Conspiracy</a> – </em>talvez numa tentativa de deixá-lo mais comercial. </span></p>
<figure id="attachment_29175" aria-describedby="caption-attachment-29175" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29175" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-2.jpg" alt="" width="2048" height="1152" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-2.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29175" class="wp-caption-text">Com o título original Walad Min Al Janna, o longa chegou à Mostra SP sob seu título em inglês, Boy From Heaven (Foto: Pandora)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na história, Ibrahim tem um infiltrado dentro da universidade há tempos, que é assassinado logo no início, devido a sua falta de discrição e erros consecutivos. Em busca de um novo “anjo”, o coronel cruza com o protagonista Adam – um calouro nos estudos e também na vida adulta, distante da própria casa. Em muitos aspectos, a trama desse personagem se assemelha à narrativa de </span><a href="https://www.newyorker.com/books/page-turner/the-greatest-american-novel-youve-never-heard-of"><i><span style="font-weight: 400;">Stoner</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1965), romance de </span><a href="https://www.newyorker.com/magazine/2019/03/18/john-williams-and-the-canon-that-might-have-been"><span style="font-weight: 400;">John Williams</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre um jovem de família rural aceito na Universidade do Missouri para estudar Ciências Agrárias (após uma aula de Literatura, ele muda seu curso para se dedicar à escrita, de forma silenciosa e escondida, com medo da reação do pai). No longa, Adam é aceito na universidade e seu progenitor, um indivíduo conservador e abusivo – que bate nos três filhos pelo erro de um –, aceita com ressalvas, apenas porque “</span><i><span style="font-weight: 400;">não se pode ir contra as vontades de Alláh</span></i><span style="font-weight: 400;">”. É nesse contexto que Adam Tala se torna o espião perfeito para o coronel Ibrahim: um indivíduo descartável em todos os aspectos, um simples pescador invisível aos olhos do governo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na verdade, </span><i><span style="font-weight: 400;">Boy From Heaven</span></i><span style="font-weight: 400;"> se desenvolve como um </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> político funcional e interligado, com o islamismo e as conveções estadistas do país como pano de fundo. Nesse sentido, lembra </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0303201009.htm"><i><span style="font-weight: 400;">O Profeta</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2009) – vencedor do Grande Prêmio do Júri em Cannes e que concorreu ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme Internacional em 2010 –, sobre o jovem muçulmano Malik El Djebena (Tahar Rahim), que tenta sobreviver em uma prisão francesa. A similaridade entre ambas as produções está no que o longa de 2022 evidencia no seu título: trata-se da construção mítica de um personagem que, oculto, segregado à pobreza e escolhido diante de muitos, é destinado a mudar os rumos de uma nação, como a própria escolha de uma figura divina.</span></p>
<figure id="attachment_29176" aria-describedby="caption-attachment-29176" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29176" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-2.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-2.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29176" class="wp-caption-text">Boy From Heaven, cuja trama é ambientada no Egito, foi filmado na Turquia e Suécia, e teve produção na França, Finlândia e Dinamarca (Foto: Pandora)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo que o suspense em torno da trama seja, em muitos níveis, convencional, o entorno e o tratamento previsto no roteiro – merecidamente premiado – guarda o verdadeiro mérito do filme. Além desse cuidado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Boy From Heaven </span></i><span style="font-weight: 400;">se trata também de uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/aftersun-critica/"><span style="font-weight: 400;">história sobre amadurecimento</span></a><span style="font-weight: 400;">, um </span><i><span style="font-weight: 400;">coming of age</span></i><span style="font-weight: 400;"> repaginado que, diferente do que se convencionou a fazer nas produções do gênero, mostra o protagonista entendendo a vida adulta sob a ótica corrupta e perigosa. Não se trata de melancolia ou de sofrimento, propriamente, mas da percepção de que a vida agora é como está, e sua única alternativa é se tornar mais esperto do que aqueles que pretendem te dominar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso Adam Tale perde, paulatinamente, sua inocência. Mais próximo ao fim, no qual todo o clímax da trama está guardado, após negociar com o cego Sheik Negm (Makram Khoury) – evitando, assim, sua morte –, todos, inclusive o general, olham para Adam como se ele próprio fosse o Grande Imã. Iluminado pela sabedoria, ele retorna ao campo e é questionado sobre o que aprendeu na universidade, sem poder jamais dizer tudo o que fez. Talvez a moral seja essa: não é sobre o que se aprende, mas sobre o que se ensina – essa é a nossa marca no mundo.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="BOY FROM HEAVEN (Trailer)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/JECJOn0DT90?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Em Triângulo da Tristeza, ricaços escrevem ‘Deus’ com ‘d’ minúsculo e caem em tentação</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Nov 2022 20:02:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Ruben Östlund não se preocupa em soar presunçoso ou em talhar o discurso com o intuito de mastigar a jugular que atinge. O sueco, que levou para casa sua segunda Palma de Ouro meses atrás, chega em Triângulo da Tristeza num patamar de sátira e escárnio para além do já apresentado em seu &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/triangulo-da-tristeza-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Triângulo da Tristeza, ricaços escrevem ‘Deus’ com ‘d’ minúsculo e caem em tentação"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29107" aria-describedby="caption-attachment-29107" style="width: 2015px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29107 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1.jpg" alt="Cena do filme Triângulo da Tristeza, mostra um homem branco, sarado e sem camisa, tirando uma foto com um celular em posição horizontal. Ao fundo, vemos o céu e está de dia. " width="2015" height="842" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1.jpg 2015w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1024x428.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-768x321.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1536x642.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1200x501.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29107" class="wp-caption-text">Depois de vencer Cannes com The Square, Ruben Östlund repete o feito com Triângulo da Tristeza, exibido na Perspectiva Internacional da 46ª Mostra de SP (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><b>Vitor Evangelista</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ruben Östlund não se preocupa em soar presunçoso ou em talhar o discurso com o intuito de mastigar a jugular que atinge. O sueco, que levou para casa sua </span><a href="https://www.dn.pt/lusa/amp/filme-the-square-do-sueco-ruben-ostlund-vence-palma-de-ouro-em-cannes-8514053.html"><span style="font-weight: 400;">segunda Palma de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> meses atrás, chega em </span><i><span style="font-weight: 400;">Triângulo da Tristeza</span></i><span style="font-weight: 400;"> num patamar de sátira e escárnio para além do já apresentado em seu currículo no Cinema. Parte da Perspectiva Internacional da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, seu premiado filme está interessado em caçoar.</span></p>
<p><span id="more-29106"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma porção de jovens adultos sarados aparecem descamisados, sendo entrevistados por um repórter bem-humorado que os cutuca a respeito dos modelos homens receberem um terço do salário de uma mulher na mesma profissão. O protagonista Carl (</span><a href="https://letterboxd.com/actor/harris-dickinson/"><span style="font-weight: 400;">Harris Dickinson</span></a><span style="font-weight: 400;">) tenta contornar a situação, mas logo é chamado para uma sala, onde um grupo de empregadores ordena que ele desfile, sem sorrir ou parar. Uma simples caminhada se transforma em lição de casa: tudo precisa de um ritmo, uma batida. Carl aceita o conselho, refaz a tarefa, e logo é mandado embora. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Próximo</span></i><span style="font-weight: 400;">”, chama a assistente de elenco.</span></p>
<figure id="attachment_29110" aria-describedby="caption-attachment-29110" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29110 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2.jpg" alt="Cena do filme Triângulo da Tristeza, mostra uma modelo desfilando. Ela é branca, tem cabelos escuros, franja e usa um vestido branco. Ela está numa passarela escura, iluminada em luz vermelha." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29110" class="wp-caption-text">Poucos meses depois de estrelar o filme, a atriz Charlbi Dean faleceu de um mal súbito, aos 32 anos (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário muda. Agora somos espectadores de um jantar caríssimo dos modelos e namorados Carl e Yaya (</span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/08/30/charlbi-dean-atriz-da-serie-raio-negro-morre-aos-32-anos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Charlbi Dean</span></a><span style="font-weight: 400;">). Restaurante grã-fino, talheres de prata, champanhe fresco e uma torta de climão sobre quem vai arcar com a conta. Sendo mulher, ela definitivamente tem mais recursos financeiros que ele, entretanto, insiste em se fazer de desentendida e não paga a comida superfaturada que agora repousa em seu estômago. Ele saca o cartão, mas o bate-boca continua até o elevador, onde Carl, como uma assombração, para na linha da porta, não se importando com o apito do sensor de presença e gesticula enfaticamente contra a amada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando encontram um ponto de paz na intriga, os personagens aparecem em outra zona de luxo, dessa vez um iate que navega por águas cristalinas. Momentaneamente eclipsando o foco do casal, o roteiro de Östlund abraça o elenco de apoio, com grande destaque para um russo capitalista, um casal de idosos dono do império de granadas e o capitão do navio. Interpretado com o balaio de </span><a href="https://gshow.globo.com/tudo-mais/pop/noticia/festival-de-cannes-woody-harrelson-ganha-o-trofeu-figuraca.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Woody Harrelson</span></a><span style="font-weight: 400;">, o homem é um bêbado irrepreensível, marxista de coração e desiludido com a vida de luxúria que leva.</span></p>
<figure id="attachment_29114" aria-describedby="caption-attachment-29114" style="width: 3620px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29114 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1.png" alt="Cena dos bastidores do filme Triângulo da Tristeza, mostra o ator Woody Harrelson e o diretor Ruben Ostlund conversando no cenário do restaurante do iate. Ao fundo, vemos as câmeras e aparelhos usando nas filmagens. " width="3620" height="2139" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1.png 3620w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1-800x473.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1-1024x605.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1-768x454.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1-1536x908.png 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29114" class="wp-caption-text">Nada de um local real, o tal Triângulo da Tristeza que batiza o filme é um expressão que diz respeito à área entre as sobrancelhas, geralmente preenchida com botox pelos modelos (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na construção de cenários, o filme encontra com eficiência o meio-termo entre os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TnsWeoZfxlM"><span style="font-weight: 400;">diversos potenciais</span></a><span style="font-weight: 400;"> que um iate proporciona. O </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">de produção, departamento sob o comando de Josefin Åsberg, junto da fotografia de Fredrik Wenzel, brinca com as locações. Uma hora assumindo o caráter claustrofóbico dos corredores entre quartos, para depois se refrescar no deque e em suas cadeiras de sol, viajar para a metalizada e minúscula cozinha e finalmente atracar no refeitório onde </span><i><span style="font-weight: 400;">Triangle of Sadness</span></i><span style="font-weight: 400;"> é catalisador de enjoo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Prato vai, prato vem, a maré não dá trégua e o sistema digestivo dos endinheirados se vira do avesso, </span><a href="https://variety.com/2022/artisans/awards/how-triangle-of-sadness-pulled-off-15-minute-vomiting-diarrhea-sequence-1235412313/"><span style="font-weight: 400;">botando para fora</span></a><span style="font-weight: 400;"> cada gota de vinho branco e colherada de caviar. No limite do humor escatológico, o desenho de som de Andreas Franck e Bent Holm espreme e aperta cada nota e sinfonia de terror, causando gargalhadas em uma plateia de cinema que não parou de comprimir o bucho até as sequências da ilha perdida.</span></p>
<figure id="attachment_29112" aria-describedby="caption-attachment-29112" style="width: 718px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29112 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4.jpg" alt="Pôster do filme Triângulo da Tristeza, mostra uma mulher idosa branca e loira vomitando um líquido dourado. " width="718" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4.jpg 718w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-561x800.jpg 561w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29112" class="wp-caption-text">Co-produção entre Suécia, Alemanha, França e Reino Unido, o filme é dono de um dos melhores e mais marcantes pôsteres de 2022 (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Território metafórico para a selvageria, a praia apresenta a enunciação do diretor em aplicação e traz à tona a figura messiânica de </span><a href="https://awardswatch.com/interview-dolly-de-leon-on-her-triangle-of-sadness-breakout-her-must-have-stranded-island-snack-and-what-she-wants-to-do-next/"><span style="font-weight: 400;">Dolly De Leon</span></a><span style="font-weight: 400;">, membro do elenco que mais recebeu atenção do público depois da vitória do filme em Cannes. Sua Abigail sacode a dinâmica da obra, e por mais que seu reinado de poder nasça com os dias contados, a atriz filipina saboreia cada pedaço de diálogo, criado especialmente para seu calibre, autoconsciente da ironia que a cerca.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, a discussão levantada pelo </span><a href="https://www.publico.pt/2017/11/23/culturaipsilon/entrevista/o-terreno-armadilhado-de-ruben-ostlund-1793184"><span style="font-weight: 400;">roteiro original de Ruben Östlund</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma tese de sua ideia de desigualdade e cisão entre o mundo dos ricos e o mundo real. A briga no restaurante apresenta o conflito de renda e classes, o iate dialoga com a teoria que cerca a discussão e a ilha é a prova viva e prática das equações desenhadas. A escolha de canalizar a energia protagonista em dois </span><i><span style="font-weight: 400;">influencers</span></i><span style="font-weight: 400;">, profissão esvaziada de propósito, condensa </span><i><span style="font-weight: 400;">Triângulo da Tristeza</span></i><span style="font-weight: 400;"> na forma de um filme idealizado para pessoas cultas darem boas risadas e satisfazer sua ambição de mudar a realidade.</span></p>
<figure id="attachment_29113" aria-describedby="caption-attachment-29113" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29113 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5.jpg" alt="Cena do filme Triângulo da Tristeza, mostra a atriz Dolly De Leon arqueada para a frente e segurando algo com as mãos, nas costas e escondida da câmera. Ela tem a maquiagem borrada e os cabelos na frente do rosto, e veste roupas pretas com um colar brilhante no pescoço." width="2000" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29113" class="wp-caption-text">Com a recente atenção da Academia para filmes de Cannes, não seria impossível imaginar um reconhecimento em 2023 nas disputas de Roteiro Original e Atriz Coadjuvante, para Dolly De Leon (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Ruben, a solução é simples: tirar sarro e </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-white-lotus-critica/"><span style="font-weight: 400;">construir seu </span><i><span style="font-weight: 400;">White Lotus</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> à beira-mar, povoá-lo com leitores de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ulysses </span></i><span style="font-weight: 400;">e infectá-lo de moscas zombeteiras, posicionar personagens numa batalha de rimas política e não hesitar em mostrar uma senhora capitalista de idade expelindo fluidos por cima e por baixo. A receita está pronta para divertir audiências, </span><a href="https://observador.pt/2022/05/28/triangle-of-sadness-de-ruben-ostlund-vence-palma-de-ouro-no-festival-de-cannes/#:~:text=%E2%80%9CTriangle%20of%20Sadness%E2%80%9D%2C%20de%20Ruben%20%C3%96stlund%2C%20venceu%20a,pelo%20filme%20%E2%80%9CFor%C3%A7a%20Maior%E2%80%9D."><span style="font-weight: 400;">vencer a Palma de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela segunda vez em 5 anos e sair de cena com a fama de um cineasta de grife.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="TRIANGLE OF SADNESS - Official Trailer - In Theaters October 7" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/VDvfFIZQIuQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Os Irmãos de Leila herdam a miséria</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Nov 2022 21:08:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista  Imagine a família Roy de Succession, mas ao invés de magnatas bilionários, eles são pobretões, sem um tostão furado no bolso e em constante pé de guerra pela mísera das migalhas. Essa é a ambientação do iraniano Os Irmãos de Leila, premiado com o louro da crítica em Cannes e apresentado na 46ª &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-irmaos-de-leila-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os Irmãos de Leila herdam a miséria"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/os-irmaos-de-leila-critica/">Os Irmãos de Leila herdam a miséria</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29083" aria-describedby="caption-attachment-29083" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29083" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-2-scaled.jpg" alt="Cena do filme Os Irmãos de Leila, mostra uma mulher olhando para um homem. A mulher tem cabelos pretos e usa roupas escuras e olha de lado para o homem, que está encostado e fora de foco. " width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-2-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-2-1536x1024.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29083" class="wp-caption-text">Protagonista do vencedor do Oscar O Apartamento, Taraneh Alidoosti é figura central de Os Irmãos de Leila, parte da Perspectiva Internacional da 46ª Mostra de SP (Foto: Iris Film)</figcaption></figure>
<p><b>Vitor Evangelista</b><b><i> </i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Imagine a </span><a href="https://personaunesp.com.br/succession-3a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">família Roy de </span><i><span style="font-weight: 400;">Succession</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas ao invés de magnatas bilionários, eles são pobretões, sem um tostão furado no bolso e em constante pé de guerra pela mísera das migalhas. Essa é a ambientação do iraniano </span><a href="https://www.festival-cannes.com/en/festival/films/leilas-brothers"><i><span style="font-weight: 400;">Os Irmãos de Leila</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, premiado com o louro da crítica em Cannes e apresentado na 46ª <a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/">Mostra Internacional</a> de Cinema em São Paulo na seção Perspectiva Internacional. </span></p>
<p><span id="more-29082"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem dá nome ao </span><a href="https://deadline.com/2022/05/leilas-brothers-film-review-cannes-1235032470/"><span style="font-weight: 400;">longa de Saeed Roustaee</span></a><span style="font-weight: 400;"> é Leila (Taraneh Alidoosti), uma mulher de quarenta anos que passou a vida tentando ordenar a casa, a família e a sua própria existência. Com ela, moram os dogmáticos pais, vividos por Nayereh Farahani e Saeed Poursamimi, e seus quatro irmãos. Aos poucos, o prólogo do filme vai desvendando os traços de personalidade de cada um: Alireza (Navid Mohammadzadeh) é o mais desgastado pela dinâmica rotineira e clama por uma saída do buraco, enquanto Manouchehr (Payman Maadi) juntou forças suficientes para escalar o poço e morar num apartamento caindo aos pedaços, mas longe dos idosos.</span></p>
<figure id="attachment_29084" aria-describedby="caption-attachment-29084" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29084" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-1-scaled.jpg" alt="Cena do filme Os Irmãos de Leila, mostra uma festa de casamento e vários homens dançando. No centro da imagem, estão um homem idoso e um homem adulto, os dois usam terno e gravata pretos com camisa branca. O idoso não usa paletó e tem os braços abertos. " width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-1-1536x1024.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29084" class="wp-caption-text">No papel do Pai, o ator Saeed Poursamimi brilha entre momentos de alegria extrema e tensão pulsante (Foto: Iris Film)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O hiperativo Parviz (Farhad Aslani) é pai de várias meninas, e o caçula Farhad (Mohammad Ali Mohammadi) pensa com os músculos e tem mais interesse nas lutas que assiste na TV do que no cotidiano de bicos e trabalhos informais. O circo é armado no hospital, local de nascimento da nova criança de Parviz, e a ida conturbada do avô até o local, para ter certeza de que </span><a href="https://personaunesp.com.br/joyland-critica/"><span style="font-weight: 400;">o bebê é menino</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sim, nasceu um homem e o novo conflito vem na hora do batismo, já que o idoso quer que o filho homenageie um primo recém-falecido, o que obviamente não ocorre. Acontece que o parente já morto desempenhava o papel de patriarca do clã familiar, passível de exímio prestígio na comunidade persa que protagoniza o filme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Intrigas familiares são criadas e, entre uma porção de reviravoltas, </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt19653180/"><i><span style="font-weight: 400;">Leila’s Brothers</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> assenta o pé na guerra. Tem filho que quer seguir o pai, tem filho que quer o oposto e existe, no meio, a figura de Leila, central para que a trama prossiga e seja constantemente amolada. Afinal, por duas horas e quarenta minutos, o roteiro e a direção de Saeed Roustaee fatiam uma leguminosa de dívidas e revelações.</span></p>
<figure id="attachment_29090" aria-describedby="caption-attachment-29090" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29090" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1-scaled.jpg" alt="Cena do filme Os Irmãos de Leila, mostra seis pessoas enfileiradas, sorrindo e olhando para a frente. A imagem mostra uma visão lateral das pessoas, que posam para a foto, lado a lado. " width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1-1536x1024.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29090" class="wp-caption-text">Batalhando pelo sonho de ser o patriarca da família, o idoso se coloca entre as 40 moedas de ouro que podem salvar a família da miséria (Foto: Iris Film)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O que não significa que a rodagem seja excessivamente carregada nas discussões e nos enfrentamentos, já que o filme reconhecido com o prêmio da crítica em Cannes tem um dos textos mais ágeis e bem humorados de 2022. O roteiro de Roustaee brilha nas entrelinhas da multifacetada dinâmica entre os irmãos, respingando acenos de afeto e companheirismo que acompanha o quinteto por toda sua vida. Os mil e um acontecimentos dos Roy do Mundo Invertido são de tirar o fôlego, mas o </span><a href="https://personaunesp.com.br/um-heroi-asghar-farhadi-critica/"><span style="font-weight: 400;">Cinema iraniano</span></a><span style="font-weight: 400;"> já se mostrou mestre no jogo de cintura de abarrotar uma cena sem nunca confundir sua audiência cativa.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Trailer de Leila&#039;s Brothers — Leila et ses frères — برادران لیلا subtitulado en francés (HD)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ML9uQjcda4Q?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Joyland aponta a esperança, mas não consegue alcançá-la</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Oct 2022 23:31:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Sozinhos em um quarto escuro da noite paquistanesa e iluminados apenas pela luz neon em formato de flores e borboletas que beijam seus corpos, Haider (Ali Junejo) e Biba (Alina Khan) não conseguem encostar um no outro. A tensão que os envolve é forte demais para isso. Mas, quando o homem toma coragem &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/joyland-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Joyland aponta a esperança, mas não consegue alcançá-la"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29049" aria-describedby="caption-attachment-29049" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29049" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/1-1-1.jpg" alt="Cena do filme Joyland, mostra uma mulher e um homem em frente a um pôster de papelão com o desenho de outra mulher. Eles estão usando roupas claras e dobram um tecido branco. O papelão mostra uma mulher de vermelho, com as mãos na cintura e olhando para frente." width="1920" height="1078" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/1-1-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/1-1-1-800x449.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/1-1-1-1024x575.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/1-1-1-768x431.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/1-1-1-1536x862.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/1-1-1-1200x674.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29049" class="wp-caption-text">Escolha do Paquistão para a disputa do Oscar 2023, Joyland integra a Competição Novos Diretores da 46ª Mostra de SP (Foto: Khoosat Films)</figcaption></figure>
<p><b>Vitor Evangelista</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sozinhos em um quarto escuro da noite paquistanesa e iluminados apenas pela luz </span><i><span style="font-weight: 400;">neon </span></i><span style="font-weight: 400;">em formato de flores e borboletas que beijam seus corpos, Haider (Ali Junejo) e Biba (Alina Khan) não conseguem encostar um no outro. A tensão que os envolve é forte demais para isso. Mas, quando o homem toma coragem e estica o braço a fim de pegar um copo d’água da mulher, uma </span><a href="https://www.festival-cannes.com/en/festival/films/joyland"><span style="font-weight: 400;">faísca atravessa o ambiente</span></a><span style="font-weight: 400;">, quebrando o vidro e, junto dos cacos, a barreira que existe entre ambos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa é apenas uma pequena porção do que serve </span><i><span style="font-weight: 400;">Joyland</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme presente na Competição Novos Diretores da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo e representante do Paquistão no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2023. Primeira produção do país a integrar a seleção de Cannes, ele foi além das expectativas e venceu dois prêmios em terras francesas: o Grande Prêmio do Júri da seção Um Certo Olhar e a </span><a href="https://www.guiagaysaopaulo.com.br/noticias/cultura/queer-palm-filme-trans-paquistanes-joyland-vence-cannes"><span style="font-weight: 400;">Palma </span><i><span style="font-weight: 400;">Queer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, destinada a obras que articulam temas e personagens LGBQIA+ com maestria. </span></p>
<p><span id="more-29048"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O motivo é a inserção central de </span><a href="https://economictimes.indiatimes.com/magazines/panache/pakistans-trans-themed-film-joyland-bags-cannes-queer-palm-award/articleshow/91848392.cms"><span style="font-weight: 400;">Madame Biba</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma dançarina trans que emprega Haider e, no caminho, invoca sua atenção romântica. Com o triunfo de trabalhar diversidade e representatividade </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">dentro de uma cultura cinematográfica não muito interessada nos assuntos, o exitoso </span><i><span style="font-weight: 400;">Joyland </span></i><span style="font-weight: 400;">é apenas o 12º filme submetido pelo Paquistão ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">. Para começar, o homem faz parte de um clã familiar majoritariamente feminino e o patriarca, um senhor de idade avançada e bons modos inexistentes, clama pelo nascimento de um menino para continuar a linhagem e o sobrenome para futuras gerações. </span></p>
<figure id="attachment_29050" aria-describedby="caption-attachment-29050" style="width: 1818px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29050" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2-1.jpg" alt="Cena do filme Joyland, mostra uma estrada de noite com um homem andando de moto, de costas para a câmera. Ele leva um papelão recortado no formato de uma mulher, usando roupas vermelhas e com a mão na cintura." width="1818" height="1023" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2-1.jpg 1818w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29050" class="wp-caption-text">Recipiente da Palma Queer, o filme recebeu 8 minutos de aplausos no Festival de Cannes (Foto: Khoosat Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Haider é o irmão mais novo de Saleem (Sohail Sameer), que acaba de receber uma nova filhinha nos braços. Sem emprego e sustentado pela esposa Mumtaz (Rasti Farooq), o protagonista aceita a oportunidade de trabalhar num teatro de dança erótica. Para a família, ele mente dizendo que atuará como gerente do local, mas na verdade o cargo é de dançarino da fascinante Madame Biba, uma jovem artista que luta com unhas e dentes para conquistar seu local sob o holofote. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Marcando a estreia de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VfTFXVMf720"><span style="font-weight: 400;">Saim Sadiq</span></a><span style="font-weight: 400;"> no comando de longas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Joyland </span></i><span style="font-weight: 400;">nasce com a premissa de liberar seus personagens para os diversos desejos que inundam seus corações. As faíscas emitidas por Biba e Haider são peixe pequeno perto da labareda que lambe as ruas abarrotadas de gente e poeira. Para além da dupla, o filme vai abrindo as fechaduras e derrubando os cadeados que pesam os braços e ombros dos demais, seja por meio do êxtase do corpo, da alma e até da morte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Afinal, recusar </span><a href="https://personaunesp.com.br/x-ti-west-critica/"><span style="font-weight: 400;">uma vida que não te pertence</span></a><span style="font-weight: 400;"> é motivo suficiente para partir em busca de um novo horizonte. A terra da alegria que dá nome ao filme é visitada em formato de parque de diversões, local onde Mumtaz estuda as possibilidades do amanhã. Observando o luar fluorescente do bairro em que mora, a maquiadora passa a mão por sobre a barriga, onde carrega, com sorte, o menino que dará prosseguimento à linha de sangue que o sogro tanto martela na cabeça de todos com que divide o teto.</span></p>
<figure id="attachment_29051" aria-describedby="caption-attachment-29051" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29051 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3-2.jpg" alt="Cena do filme Joyland, mostra duas mulheres sorrindo e segurando as mãos. Uma delas está deitada numa maca, com roupas verdes, e a outra está sentada ao seu lado, usando roupas vermelhas." width="1920" height="1078" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3-2.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3-2-800x449.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3-2-1024x575.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3-2-768x431.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3-2-1536x862.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3-2-1200x674.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29051" class="wp-caption-text">A terra de prosperidade do filme é lar de escassez e penúria (Foto: Khoosat Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto isso, seu marido está buscando sua própria maneira de limpar a mente dos preceitos e opiniões do pai. Haider, que sempre se enxergou como alguém passivo a tudo que enfrenta (desde o papel de irmão mais novo de alguém “superior”, até viver às custas do salário da esposa em uma cultura que valoriza o homem como provedor), olha para Biba e vê o mar se abrir ao seu comando. Costumeiramente ácida e nem aí para o que os outros pensam, a personagem é interpretada como alguém resiliente e inquebrável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O papel desempenhado por Alina Khan, que tem no currículo o </span><a href="https://letterboxd.com/film/darling-2019/"><span style="font-weight: 400;">protagonismo do curta</span></a><span style="font-weight: 400;"> anterior do diretor, é uma cebola de vulnerabilidade e autocontrole. Uma mulher trans vivendo em uma sociedade que, além de condenar sua existência, duvida de quem ela é, Madame Biba foi colocada na ação de ativa pelo mundo que a moldou, comandando seus dançarinos, o gerente do teatro e o coração de Haider, enamorado pela liberdade que ela depreende. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tamanha é a paixão dele pela ideia de emancipação e auto suficiência que, na chegada dos finalmentes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Joyland</span></i><span style="font-weight: 400;">, o diretor e roteirista </span><a href="https://letterboxd.com/director/saim-sadiq/"><span style="font-weight: 400;">Saim Sadiq</span></a><span style="font-weight: 400;"> abdica da figura de Madame Biba e, como o mundo em que vive, torna ela invisível, e liquidifica as ascensões sensoriais que ela e Haider lutaram para viver em harmonia. As liberdades do protagonista, colocadas em cheque a respeito do seu papel como homem, como comandante da família e como futuro pai, iluminam o centro do palco, sem espaço para que Biba, dona dos temas mais significativos da trama e regente do espetáculo, dance sem medo de quem assiste.  </span></p>
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		<title>Drive My Car: nada dói mais do que a verdade não dita</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Mar 2022 20:01:41 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Tôko Miura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ayra Mori Desde a vitória histórica da produção sul-coreana de Bong Joon-Ho, Parasita, na categoria de Melhor Filme no Oscar 2020, a Academia tem-se tornado, ainda que bastante acanhadamente, aberta para a quebra dos paradigmas além-Hollywood. Em 2021 vimos a segunda diretora e primeira mulher não-branca, Chloé Zhao, a levar a estatueta de Melhor Direção, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/drive-my-car-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Drive My Car: nada dói mais do que a verdade não dita"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26984" aria-describedby="caption-attachment-26984" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26984" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img1.jpg" alt="Cena do filme Drive My Car. Nela estão Yûsuke e Misaki sentados no banco da frente de um carro vermelho, em ordem. Yûsuke é um homem nipônico de meia-idade com cabelo curto preto. Misaki é uma jovem nipônica com cabelos pretos. O carro está andando sobre uma estrada. No fundo estão montanhas e postes de sinalização." width="1920" height="1039" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img1-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img1-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img1-768x416.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img1-1536x831.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img1-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26984" class="wp-caption-text">Destaque do círculo de críticos de Cinema em 2021, Drive My Car teve estreia mundial no Festival de Cannes 2021, tornando-se a primeira produção nipônica a disputar o prêmio de Melhor Filme no Oscar, além de ser o filme japonês com mais indicações na história da cerimônia (Foto: C&amp;I Entertainment/MUBI)</figcaption></figure>
<p><b>Ayra Mori</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde a vitória histórica da produção sul-coreana de Bong Joon-Ho, </span><a href="https://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Parasita</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, na categoria de Melhor Filme no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2020, a Academia tem-se tornado, ainda que bastante acanhadamente, aberta para a quebra dos paradigmas além-Hollywood. Em </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-vencedores-do-oscar-2021/"><span style="font-weight: 400;">2021</span></a><span style="font-weight: 400;"> vimos a segunda diretora e primeira mulher não-branca, </span><a href="https://personaunesp.com.br/nomadland-critica/"><span style="font-weight: 400;">Chloé Zhao</span></a><span style="font-weight: 400;">, a levar a estatueta de Melhor Direção, e em 2022, parece ser a vez de </span><i><span style="font-weight: 400;">Drive My Car</span></i><span style="font-weight: 400;"> (do original </span><i><span style="font-weight: 400;">Doraibu mai kâ</span></i><span style="font-weight: 400;">, sem título traduzido no Brasil), submissão oficial do Japão indicada a quatro categorias na premiação desse ano, incluindo Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Direção para </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/ryusuke-hamaguchi/"><span style="font-weight: 400;">Ryûsuke Hamaguchi</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><span style="font-weight: 400;">Melhor Roteiro Adaptado, co-escrito pelo diretor com Takamasa Oe</span><span style="font-weight: 400;">. Mas não se engane, </span><i><span style="font-weight: 400;">Drive My Car</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é o novo </span><i><span style="font-weight: 400;">Parasita</span></i><span style="font-weight: 400;"> (!).</span></p>
<p><span id="more-26983"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os filmes compartilham nada além do fato de que ambas são produções originárias de países do leste asiático a receber a grande indicação da noite pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Apenas. A primeira evidência disso é o ritmo pacato da produção nipônica adaptada de um </span><a href="https://mubi.com/pt/notebook/posts/on-the-road-ryusuke-hamaguchi-on-drive-my-car"><span style="font-weight: 400;">conto homônimo</span></a><span style="font-weight: 400;"> do escritor Haruki Murakami e com inspiração em outros dois contos do </span><a href="https://www.escritacriativa.com.br/?cid=5411&amp;wd=Reflex%F5es"><span style="font-weight: 400;">mesmo livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> – </span><i><span style="font-weight: 400;">Sherazade </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Kino</span></i><span style="font-weight: 400;">. São quase três horas de duração que, a princípio, parecem ser injustificáveis. Contudo, passados quarenta minutos do preâmbulo, o final do longo túnel começa a se revelar, sem pressa.</span></p>
<figure id="attachment_26985" aria-describedby="caption-attachment-26985" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26985" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img2-1.png" alt="Cena do filme Drive My Car. Nela está o reflexo do olhar de Misaki pelo retrovisor. Misaki é uma jovem nipônica com cabelos pretos. O fundo do retrovisor é o céu da noite, completamente preto." width="2048" height="1094" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img2-1.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img2-1-800x427.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img2-1-1024x547.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img2-1-768x410.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img2-1-1536x821.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img2-1-1200x641.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26985" class="wp-caption-text">Adaptação de um conto homônimo de Haruki Murakami que faz parte da coletânea Homens Sem Mulheres, o título de Drive My Car, assim como o de Norwegian Wood, são inspirados em canções dos Beatles (Foto: C&amp;I Entertainment/MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na cama, somos apresentados à dinâmica íntima do casal formado por Yûsuke Kafuku (Hidetoshi Nishijima), um veterano ator e dramaturgo, e Oto (Reika Kirishima), uma roteirista de TV. Na cena, Oto murmura para o marido, em transe, curtas histórias inventadas por ela. Como uma </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-drive-my-car-sherazade-e-kino-de-haruki-murakami/"><span style="font-weight: 400;">Sherazade</span></a><span style="font-weight: 400;"> contemporânea, o ritual silencioso se revela um hábito pós-sexo dos cônjuges, amarrados em interdependência um ao outro na impassibilidade do cotidiano rígido. Na superfície, a vida deles juntos é tranquila e parece ser feliz; enquanto nas entranhas, borbulham ânsias reprimidas: Kafuku precisa das histórias da esposa, então convenientemente cobre a vista. Ela, as narra encarando o vazio da parede com os olhos bem abertos.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;">Ela inspira. Ela ouve com atenção. Ela ouve o silêncio. Um silêncio amplificado, como o som através de um aparelho auditivo, enche a sala. Ela se deita na cama de Yamaga. Ela segura a vontade de se masturbar.</span><span style="font-weight: 400;">”</span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela é infiel e ele sabe – ao mesmo tempo que não sabe de nada. O casamento deles se definha e como um completo mistério, prestes a encarar a verdade, Oto subitamente falece, deixando Kafuku sem qualquer resposta. A partir disso, após dois anos, se inicia de fato o caminho penoso de </span><i><span style="font-weight: 400;">Drive My Car</span></i><span style="font-weight: 400;">. O viúvo, ainda adormecido pela perda da esposa, chega em Hiroshima a convite, dirigindo o seu querido Saab 900 vermelho, para conduzir uma nova produção de </span><a href="https://ims.com.br/blog-do-cinema/drive-my-car-por-jose-geraldo-couto/"><i><span style="font-weight: 400;">Tio Vânia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do russo Anton Chekhov, no festival de artes da cidade.</span></p>
<figure id="attachment_26986" aria-describedby="caption-attachment-26986" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26986" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img3-1.png" alt="Cena do filme Drive My Car. Nela estão Yûsuke e Lee Yoo-na de costas para a câmera, sobre um palco cenográfico. Yûsuke é um homem nipônico de meia-idade com cabelo curto preto. Ele está sentado e veste um paletó ocre. Lee Yoo-na é uma mulher adulta coreana com cabelos pretos. Ela está levantada atrás de Yûsuke, abraçando-o. Ela veste um vestido azul comprido com detalhes em renda. O piso do palco é de madeira e no centro está uma mesa de madeira e uma cadeira de madeira do lado direito. Na parte inferior direita estão um punhado de capim e outra mesa e cadeira de madeira. Ao fundo está a plateia de uma peça, sem iluminação." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img3-1.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img3-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img3-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img3-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img3-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img3-1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26986" class="wp-caption-text">No Brasil, o longa ganhou exibição em salas de cinema selecionadas e na plataforma de streaming MUBI, exclusivamente (Foto: C&amp;I Entertainment/MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com risco de perda da visão, </span><span style="font-weight: 400;">Kafuku</span><span style="font-weight: 400;">, em Hiroshima, conhece a introspectiva Misaki (Tôko Miura), jovem motorista incumbida da missão de conduzir o dramaturgo pela palidez da cidade enquadrada. Pelas vias, a companhia é assombrosamente muda. Nenhuma palavra se levanta, com exceção da voz morta de Oto que ecoa pelo automóvel através de falas de ensaio gravadas por ela como um último totem para o marido. Dentro do carro estão </span><span style="font-weight: 400;">Kafuku</span><span style="font-weight: 400;">, Misaki e o </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2022/03/14/drive-my-car-leva-japao-a-disputa-pelo-oscar-de-melhor-filme-com-olhar-sensivel-sobre-luto-g1-ja-viu.ghtml"><span style="font-weight: 400;">fantasma de Oto</span></a><span style="font-weight: 400;">. Porém, diante do enigma interminável dos segredos sepultados pela falecida, Hamaguchi se afasta do espírito especulativo para mirar fixamente o palco no qual se dará a montagem multilíngue em produção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No reencontro com Chekhov, a atuação obriga cada protagonista a encarar as próprias emoções pelo reflexo de suas personagens a serem interpretadas. Na incomunicabilidade dos atores, a </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2022/03/the-plays-the-thing-in-ryusuke-hamaguchis-drive-my-car"><span style="font-weight: 400;">Arte</span></a><span style="font-weight: 400;"> assume o papel determinante para exteriorizar tudo aquilo que não se ousa dizer. Durante a rotina de ensaios metódicos da peça, as tramas se ramificam em expansão entre os atores: o impulsivo galã Takatsuki (Masaki Okada), que foi amante de Oto, também atormenta-se pela busca frustrada por resoluções; a atriz muda </span><span style="font-weight: 400;">Lee Yoo-na (Park Yu-rim), que para superar seus traumas com a maternidade volta a atuar, comunicando-se por sinais; até a motorista, que lida com as próprias angústias.</span></p>
<figure id="attachment_26987" aria-describedby="caption-attachment-26987" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26987" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img4-1.png" alt="Cena do filme Drive My Car. Nela está Takatsuki, um jovem nipônico com cabelo curto preto. Ele está dentro de um carro completamente preto pela sombra da noite. A única fonte de luz vem da janela, fraca e em tom esverdeado. O rosto de Takatsuki está em foco, quase se esvaindo pela escuridão das sombras. Ele encara a câmera." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img4-1.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img4-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img4-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img4-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img4-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img4-1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26987" class="wp-caption-text">No mesmo ano de Drive My Car, Hamaguchi também dirigiu Roda do Destino, que chegou a integrar a 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: C&amp;I Entertainment/MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com palavras ditas ou não, cada sentença de </span><i><span style="font-weight: 400;">Tio Vânia</span></i><span style="font-weight: 400;"> processa os traumas de cada agente da peça. O idioma dos atores vai do japonês, inglês, mandarim, coreano, russo até língua coreana de sinais </span><span style="font-weight: 400;">– n</span><span style="font-weight: 400;">enhum ator fala a mesma língua. Essa barreira linguística, porém, é burlada pela atuação e pela universalidade da Arte como uma </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/03/drive-my-car-constroi-em-hiroshima-um-belo-monumento-a-destruicao.shtml"><span style="font-weight: 400;">Torre de Babel</span></a><span style="font-weight: 400;"> bem-sucedida. No palco, cada fala de Chekhov dita “</span><i><span style="font-weight: 400;">arrasta o verdadeiro você</span></i><span style="font-weight: 400;">”, comunicando toda a confusão, raiva, lamentação sobre o tempo perdido que jamais será reconquistado e, em contrapartida, à redenção exorcizante dos demônios montados sobre as costas dos protagonistas.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Drive My Car</span></i> <a href="https://veja.abril.com.br/coluna/isabela-boscov/drive-my-car-filme-japones-no-oscar-tem-3-horas-que-valem-cada-minuto/"><span style="font-weight: 400;">não se apressa</span></a><span style="font-weight: 400;">, esbarrando, gradativamente, por breves relances de beleza encontrados pelo ordinário da paisagem acinzentada. Dentro do carro, o tempo para. O aparato avermelhado dilata os limites do espaço-tempo, transfigurando-se em um confessionário para as almas solitárias que ousam sentar-se nos seus quatro bancos. Nele, em uma longa sequência claustrofóbica, Takatsuki conta para </span><span style="font-weight: 400;">Kafuku</span><span style="font-weight: 400;">, a </span><a href="https://www.b9.com.br/158023/drive-my-car-critica-review-hamaguchi-mubi-o2-play/"><span style="font-weight: 400;">última história</span></a><span style="font-weight: 400;"> narrada por Oto. Atravessando um túnel em um duelo taciturno, viúvo e amante se confrontam, para que a escuridão quase total da noite permitisse penetrar-se por feixes de luz esmaecidos, próximos do fim do caminho.</span></p>
<figure id="attachment_26988" aria-describedby="caption-attachment-26988" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26988" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img5-1.png" alt="Cena de Drive My Car. Nela estão duas mãos, cada uma segurando um cigarro aceso para fora do teto solar de um carro. O fundo é o céu da noite preta com feixes de luz arredondados." width="1920" height="1041" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img5-1.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img5-1-800x434.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img5-1-1024x555.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img5-1-768x416.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img5-1-1536x833.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img5-1-1200x651.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26988" class="wp-caption-text">Sem nenhuma indicação para o elenco nas grandes premiações, as atuações em Drive My Car potencializam sublimemente o espaço negativo preenchido pelo silêncio (Foto: C&amp;I Entertainment/MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E revelado o mistério, pela primeira vez, </span><span style="font-weight: 400;">Kafuku </span><span style="font-weight: 400;">ultrapassa a </span><a href="https://mubi.com/pt/notebook/posts/on-the-road-ryusuke-hamaguchi-on-drive-my-car"><span style="font-weight: 400;">barreira invisível</span></a><span style="font-weight: 400;"> que separa o banco do motorista com o do passageiro. Assim, desafiados os limites e sozinhos no carro, os estranhos podem finalmente compartilhar um fugaz momento de calor. Duas mãos se levantam para o teto solar a 10 centímetros uma da outra. E por mais singelo que o enquadramento pareça, ele é carregado de ânsia. Uma ânsia angustiante de se conectar entre o oceano de desconhecidos, nem que esse momento dure curtos trinta segundos. Para aqueles que sobrevivem pensando nos mortos, com o tempo, </span><i><span style="font-weight: 400;">tudo passará</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Drive My Car</span></i><span style="font-weight: 400;"> a verdade dói, mas nada dói mais do que a verdade não dita.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Drive My Car | 17 de março nos cinemas, 1 de abril na Mubi" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/GEXNQMMj0_4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Melancolia: 10 anos de colisão emocional</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Nov 2021 19:34:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gatti A melancolia é um estado de morbidez em que a pessoa apresenta abatimento físico e emocional. Esse sentimento tão comum é capaz de afetar qualquer pessoa independente das condições em que esta se encontra. Com o pensamento na escatologia, a trama se aproveita dessa condição emocional abstrata objetificando-a em um gigante planeta azul &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/melancolia-10-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Melancolia: 10 anos de colisão emocional"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24126" aria-describedby="caption-attachment-24126" style="width: 757px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24126" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-1-1-2.jpg" alt="Cena do filme Melancolia em que há uma mulher vestida de noiva à esquerda, uma criança de terno preto no centro e uma mulher de vestido cinza à direita. Os três estão em um gramado e ao fundo há uma mansão." width="757" height="426" /><figcaption id="caption-attachment-24126" class="wp-caption-text">Melancolia aborda em sua narrativa a objetificação das emoções (Foto: Zentropa Entertainments)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Gatti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2020/12/26/melancolia-o-que-e-e-como-lidar-com-ela.htm"><span style="font-weight: 400;">melancolia</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um estado de morbidez em que a pessoa apresenta abatimento físico e emocional. Esse sentimento tão comum é capaz de afetar qualquer pessoa independente das condições em que esta se encontra. Com o pensamento na </span><a href="https://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras/a-diferenca-entre-a-escatologia-e-a-escatologia/"><span style="font-weight: 400;">escatologia,</span></a><span style="font-weight: 400;"> a trama se aproveita dessa condição emocional abstrata objetificando-a em um gigante planeta azul em rota de colisão com a Terra. A partir dessa premissa, a obra apresenta uma análise comportamental sobre duas irmãs e suas percepções com o fim da vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa aproximação entre psicologia, morbidez e arte é muito comum na cinematografia do repulsivo diretor dinamarquês Lars Von Trier, que ficou conhecido por suas polêmicas. Seus filmes costumam representar mulheres em estado de vulnerabilidade e inferioridade aos homens, sendo retratado diversas vezes de forma asquerosa o abuso e a violência contra a figura feminina.</span></p>
<p><span id="more-24125"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A misoginia do diretor já rendeu muitos problemas e sérios relatos de assédio </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/bjork-relata-assedio-sexual-cometido-por-diretor-dinamarques.ghtml"><span style="font-weight: 400;">sexual</span></a><span style="font-weight: 400;">. Como se não fosse o suficiente, o criador do movimento </span><a href="https://www.institutodecinema.com.br/mais/conteudo/movimentos-do-cinema-o-que-foi-o-dogma-95"><span style="font-weight: 400;">Dogma 95</span></a><span style="font-weight: 400;"> já causou polêmica ao referenciar o nazismo com </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/declaracao-nazista-de-lars-von-trier-choca-o-festival-de-cannes/"><span style="font-weight: 400;">declarações antissemitas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Os discursos sórdidos fizeram com que o Festival de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cannes</span></i><span style="font-weight: 400;"> vetasse sua participação, no ano em que </span><i><span style="font-weight: 400;">Melancolia </span></i><span style="font-weight: 400;">foi lançado. Mesmo com essa situação horrível, Kirsten Dunst ganhou o Copa Volpi de Melhor Atriz, enquanto que o cineasta recebeu o título de </span><a href="http://g1.globo.com/festival-de-cannes/2011/noticia/2011/05/cannes-declara-von-trier-persona-non-grata-apos-citacao-nazista.html"><i><span style="font-weight: 400;">persona non grata</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> pela Academia.</span></p>
<figure id="attachment_24127" aria-describedby="caption-attachment-24127" style="width: 757px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24127" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-2-1-2.jpg" alt="Cena do filme Melancolia que apresenta uma mulher branca, loira, vestida de noiva correndo. Há diversas raízes que a prendem pela perna, dificultando sua fuga. No fundo da imagem aparecem mais árvores com cipó." width="757" height="426" /><figcaption id="caption-attachment-24127" class="wp-caption-text">A frustração com o casamento transborda por meio do sentimento melancólico de Justine (Foto: Zentropa Entertainments)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa postura repugnante do diretor se reflete em seus filmes. </span><i><span style="font-weight: 400;">Melancolia</span></i><span style="font-weight: 400;">, no caso, que é dividido em capítulos, se inicia com um prólogo em </span><a href="https://www.8milimetros.com.br/super-slow-motion/"><i><span style="font-weight: 400;">super slow motion</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A cena já apresenta a amplitude da devastação que será abordada no decorrer da obra. Com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=m9PiX0pMQMg"><i><span style="font-weight: 400;">Tristão e Isolda</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> da ópera de Richard Wagner como trilha sonora, o longa trabalha a introdução de seu filme de forma dramática com Justine (Kirsten Dunst) vestida de noiva e presa a raízes e Claire (Charlotte Gainsbourg) desesperada com a colisão do planeta Melancolia com a Terra. O drama prepara o telespectador para as questões emocionais a respeito do medo da morte e a prisão ao casamento, que são abordadas por partes na película.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após o prólogo introdutório, começa a parte um do filme, nomeada como Justine. O primeiro ato de </span><i><span style="font-weight: 400;">Melancolia</span></i><span style="font-weight: 400;"> trata de uma mulher depressiva em seu casamento organizado pela sua irmã, Claire, que tenta contagiar a festa com sua felicidade. Durante o evento, a noiva não consegue se conter diante de sua frustração emocional, o que a distancia do convívio social. A cena demonstra o tratamento que pessoas no mesmo estado de Justine recebem da sociedade por meio do olhar de desprezo dos convidados. Outro </span><a href="https://www.planocritico.com/entenda-melhor-cores-e-filmes-simbologia-e-expressividade/"><span style="font-weight: 400;">simbolismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> apresentado na história de Justine são as amarras do casamento, representadas pelas raízes na introdução do longa. Toda essa situação, que torna a vida da personagem melancólica, se desenvolve bem lentamente, quase como se  a obra quisesse contaminar o telespectador com o estado emocional da protagonista, mas esse ritmo se altera conforme o foco da trama passa a ser Claire.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O segundo ato, chamado de Claire, dá um novo rumo para a história. Focado na outra irmã, a história ganha um rumo interessante ao mostrar como esta lida com a ameaça do planeta Melancolia colidir com a Terra. O estado emocional de Claire passa da alegria para uma ansiedade melancólica, enquanto que Justine, já conformada com o fim súbito, se mantém serena frente a situação. Esse jogo psicológico do roteiro, em que as protagonistas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1NokYc8nn-k"><span style="font-weight: 400;">mudam de papéis</span></a><span style="font-weight: 400;">, projeta como as emoções são voláteis diante dos obstáculos enfrentados.</span></p>
<figure id="attachment_24128" aria-describedby="caption-attachment-24128" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24128" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-10.jpg" alt="Cena do filme Melancolia exibe uma mulher branca de cabelos castanhos, que veste uma camiseta cinza, e um homem branco de cabelos castanhos, que veste um paletó, observando o céu com um olhar de preocupação. Ao lado direito da cena há um telescópio branco e ao fundo se exibe um jardim." width="1000" height="562" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-10.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-10-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-10-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24128" class="wp-caption-text">Mesmo com medições constantes, John afirma que os planetas não irão colidir (Foto: Zentropa Entertainments)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro personagem na trama é John (Kiefer Sutherland), marido de Claire. O cientista, frio e apático, apresenta-se sempre cético frente à órbita do planeta Melancolia cruzar com a da Terra. Esse movimento interplanetário, chamado de dança da morte, parece inconcebível para o homem convicto de seus cálculos. Por meio de suas certezas, ele tenta consolar a esposa, o que funciona até certo ponto, porém sua postura frívola acaba sendo ainda mais desestabilizante. Através do ceticismo de John, o filme se assemelha com outros do diretor, ao trabalhar a rigidez humana que se nega a enxergar o óbvio. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de contemplar a extinção humana com uma colisão espacial, a cinematografia do dinamarquês já havia trabalhado a questão da escatologia em</span> <a href="https://www.planocritico.com/critica-o-anticristo/"><i><span style="font-weight: 400;">Anticristo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o primeiro longa da Trilogia da Depressão, sucedido por </span><i><span style="font-weight: 400;">Melancolia</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2014/02/03/opinion/1391428140_828590.html"><i><span style="font-weight: 400;">Ninfomaníaca</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Os três filmes não apresentam uma narrativa contínua, mas seu conteúdo apresenta certas similaridades, como a relação dos personagens com a violência, o niilismo e a animalização humana. Com o ideal pessimista da trilogia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Melancolia</span></i><span style="font-weight: 400;"> surge de </span><i><span style="font-weight: 400;">Anticristo</span></i><span style="font-weight: 400;"> como marco da saída do diretor da depressão. Desse modo, a segunda película apresenta todo o ideal deprimente do cineasta, mas sem ser perturbador assim como os demais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desse modo, na ausência do sentimento de agonia e desconforto tão comuns nos filmes, </span><i><span style="font-weight: 400;">Melancolia</span></i><span style="font-weight: 400;"> se arrisca pela antítese emocional das personagens para narrar sua história. A trilha sonora repleta de músicas clássicas, a fotografia de Manuel Alberto Claro e os efeitos visuais de Peter Hjorth contribuíram para elevar o sentimento dualístico abordado na obra. Mas apesar de todos esses êxitos na elaboração da peça audiovisual, a produção não atinge um nível profundamente psicológico esperado. O aspecto da exploração da mente humana já havia sido melhor trabalhado anteriormente em </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/idogvillei"><i><span style="font-weight: 400;">Dogville</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/dancando-no-escuro-20-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Dançando no Escuro</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas o segundo filme da Trilogia da Depressão não vai além do jogo entre razão e emoção.</span></p>
<figure id="attachment_24129" aria-describedby="caption-attachment-24129" style="width: 710px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24129" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-6.jpg" alt="Tela do pintor John Everett Millais apresenta uma mulher branca, usando um vestido longo. O fundo e as laterais da imagem são repletas de vegetação e, ao centro, há um lago em que a jovem está afundando." width="710" height="399" /><figcaption id="caption-attachment-24129" class="wp-caption-text">A tela Ophelia, de John Everett Millais, foi a inspiração para o pôster de divulgação de Melancolia (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas apesar de não apresentar grande profundidade de simbolismos psicológicos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Melancolia</span></i><span style="font-weight: 400;"> constrói uma narrativa coesa repleta de similaridades com outras obras. A começar pelo prólogo dramático em </span><i><span style="font-weight: 400;">super slow motion</span></i><span style="font-weight: 400;"> com uma colisão de planetas guiado pelas notas vibrantes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Tristão e Isolda</span></i><span style="font-weight: 400;">, que apresentam grande similaridade com as características de filmagem utilizadas por Stanley Kubrick em </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/2001-uma-odisseia-no-espaco-45-anos"><i><span style="font-weight: 400;">2001: Uma Odisseia no Espaço</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Outro ponto é a similaridade na construção da personalidade Justine com Ofélia de </span><a href="https://resenhandosonhos.com/hamlet-william-shakespeare/"><i><span style="font-weight: 400;">Hamlet</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Ambas as personagens flertam com o niilismo e com a atração pela morte, sendo esse o motivo da calmaria da protagonista de </span><i><span style="font-weight: 400;">Melancolia</span></i><span style="font-weight: 400;"> com a aproximação do planeta desconhecido. Esse alinhamento cósmico, chamado de dança da morte, se aproxima também do conceito apresentado em </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-o-setimo-selo/"><i><span style="font-weight: 400;">O Sétimo Selo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Na película de Ingmar Bergman, em que a morte joga xadrez com um soldado das cruzadas que busca viver, o fim inevitável do ser humano recebe o mesmo nome que o cruzamento das órbitas da obra do dinamarquês. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa aproximação com a Arte é muito presente nas produções de Von Trier, que sempre conciliou o lado artístico com a morbidez de seus </span><a href="http://jornalismojunior.com.br/o-estranho-mundo-de-lars-von-trier/"><span style="font-weight: 400;">filmes</span></a><span style="font-weight: 400;">, repletos de violência extrema, sexo explicito e mutilação. Mas, apesar dos êxitos, é importante não separar o artista da obra, como no caso no caso do diretor, que sempre refletiu seu lado sórdido em seus trabalhos. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Melancolia</span></i><span style="font-weight: 400;">, mais especificamente, não há cenas chocantes como essas. O rito de passagem que ele criou como saída da depressão fez com que um longa tão pessimista fosse, ao mesmo tempo, um de seus trabalhos mais artísticos, com a fotografia de Manuel Alberto Claro impecável e uma trilha sonora comovente. A tragédia já anunciada no prólogo permite ao menos a contemplação da imensidão azul do planeta Melancolia.</span></p>
<figure id="attachment_24130" aria-describedby="caption-attachment-24130" style="width: 638px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24130" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-5-5.jpg" alt="Cena do filme Melancolia em que há duas mulheres e uma criança distantes, sentados dentro de uma cabana de gravetos montada em um gramado. Ao fundo da imagem há um planeta azul em rota de colisão com a Terra." width="638" height="359" /><figcaption id="caption-attachment-24130" class="wp-caption-text">A dança da morte leva Melancolia ao seu fatídico fim (Foto: Zentropa Entertainments)</figcaption></figure>
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		<title>Ahed’s Knee tem os olhos maiores que a boca</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Nov 2021 21:58:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Nascido como um exercício de autorreflexão e uma carga exorbitante de sentimentos, o filme Ahed’s Knee chama atenção por uma série de fatores. Primeiro, vem da mente de Nadav Lapid, cineasta que viu seu longa anterior, Synonymes, vencer dois importantes prêmios de Berlim. Segundo, pois o indeciso Júri de Cannes 2021 o condecorou &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/aheds-knee-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Ahed’s Knee tem os olhos maiores que a boca"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24474" aria-describedby="caption-attachment-24474" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24474" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ahed-s_knee_01.jpg" alt="Cena do filme Ahed's Knee mostra o close-up de um homem e uma mulher muito próximos um do outro, se olhando nos olhos." width="1200" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ahed-s_knee_01.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ahed-s_knee_01-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ahed-s_knee_01-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ahed-s_knee_01-768x384.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24474" class="wp-caption-text">Coprodução entre Itália, Alemanha e Israel, Ahed’s Knee faz parte da Perspectiva Internacional de Mostra de SP (Foto: Fênix Filmes)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nascido como um exercício de autorreflexão e uma carga exorbitante de sentimentos, o filme</span><i><span style="font-weight: 400;"> Ahed’s Knee</span></i><span style="font-weight: 400;"> chama atenção por uma série de fatores. Primeiro, vem da mente de Nadav Lapid, cineasta que viu seu longa anterior, </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/02/16/cultura/1550339880_815522.html#:~:text=Synonymes%2C%20do%20israelense%20Nadav%20Lapid,de%20Ouro%20na%20Berlinale%202019."><i><span style="font-weight: 400;">Synonymes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, vencer dois importantes prêmios de Berlim. Segundo, pois o indeciso </span><a href="https://www.timesofisrael.com/israeli-director-nadav-lapids-aheds-knee-wins-jury-prize-at-cannes/#:~:text=Israeli%20director%20Nadav%20Lapid's%20%E2%80%9CHaberech,Cannes%20Film%20Festival%20on%20Saturday."><span style="font-weight: 400;">Júri de Cannes 2021</span></a><span style="font-weight: 400;"> o condecorou em um empate com </span><i><span style="font-weight: 400;">Memoria</span></i><span style="font-weight: 400;">. Terceiro, pois sua chegada no Brasil pela 45ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo carimba o passaporte já lotado de festivais por onde viajou.</span></p>
<p><span id="more-24473"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama, o </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2021/jul/07/aheds-knee-review-patchily-brilliant-account-of-israeli-trauma"><span style="font-weight: 400;">cineasta</span></a><span style="font-weight: 400;"> Y (papel do chatonildo Avshalom Pollak) viaja até uma cidadezinha para a exibição de seu mais recente projeto (premiado em Berlim, haha), e precisa lidar com a repressão e a censura do governo ao mesmo tempo em que batalha o luto pela morte da mãe. Chegando ao local, Y conhece Yahalom, vivida por Nur Fibak, uma representante do Ministério da Cultura profundamente interessada no trabalho e na Arte do homem.</span></p>
<figure id="attachment_24475" aria-describedby="caption-attachment-24475" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24475" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ahed-s_knee_02.jpg" alt="Cena do filme Ahed's Knee mostra um casal de mãos dadas, descendo uma colina. Ele usa roupas pretas e ela usa um vestido claro." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ahed-s_knee_02.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ahed-s_knee_02-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ahed-s_knee_02-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ahed-s_knee_02-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ahed-s_knee_02-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ahed-s_knee_02-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24475" class="wp-caption-text">A câmera de Shaï Goldman, aliada à montagem de Nili Feller, é como um chicote, se aproveitando da liberdade criativa e da mente em constante estado de transe do protagonista (Foto: Fênix Filmes)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Ahed’s Knee</span></i><span style="font-weight: 400;">, na verdade, se cerca de </span><a href="https://www.rottentomatoes.com/m/aheds_knee#:~:text=musical%20set%20pieces.-,July%208%2C%202021%20%7C%20Rating%3A,3%2F5%20%7C%20Full%20Review%E2%80%A6&amp;text=It's%20a%20film%20that%20is,will%20win%20over%20an%20audience.&amp;text=Quite%20possibly%20brilliant%2C%20and%20very,is%20filmmaking%20as%20hostage%2Dtaking."><span style="font-weight: 400;">metalinguagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao passo que o cineasta fictício Y está escalando o elenco do seu próximo longa, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Joelho de Ahed</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/08/02/internacional/1533229530_063403.html"><span style="font-weight: 400;">Ahed Tamimi</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma cidadã palestina que bateu na cara de um soldado israelense e foi presa por isso. Seu joelho, objeto de estudo dos minutos iniciais do longa, é a região onde um homem apontou em um </span><i><span style="font-weight: 400;">tweet </span></i><span style="font-weight: 400;">que ela deveria levar um tiro, a fim da garota não conseguir andar nunca mais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nadav Lapid usa desse acontecimento real de sua terra natal para construir um </span><a href="https://variety.com/2021/film/reviews/aheds-knee-review-haberech-1235013191/"><span style="font-weight: 400;">longa-metragem de revolta</span></a><span style="font-weight: 400;">. Enlutado pela morte da própria mãe, que era montadora de todos seus projetos, o diretor canaliza todo o escárnio e a dor em seu protagonista, um homem fechado, debochado, cabeça quente e de saco cheio. Quando mija em círculo no deserto, ou mesmo quando se deita no sofá todo molhado da água da pia, Y revela que a imprudência virou traço de personalidade.</span></p>
<figure id="attachment_24477" aria-describedby="caption-attachment-24477" style="width: 1696px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24477 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/aheds-knee-trailer.jpg" alt="Cena do filme Ahed's Knee mostra um homem se jogando no colo de uma mulher, que tem uma expressão de dor e tristeza no rosto." width="1696" height="712" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/aheds-knee-trailer.jpg 1696w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/aheds-knee-trailer-800x336.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/aheds-knee-trailer-1024x430.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/aheds-knee-trailer-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/aheds-knee-trailer-1536x645.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/aheds-knee-trailer-1200x504.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24477" class="wp-caption-text">O filme tem um trabalho muito apurado no departamento de som, sob o comando de Aviv Aldema, Marina Kertesz e Bruno Mercere, imergindo quem assiste em uma experiência para lá de palpável e sensorial (Foto: Fênix Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, na progressão das quase duas horas de rodagem, o roteiro de Lapid vai gastando seus </span><a href="https://www.indiewire.com/2021/07/aheds-knee-review-1234649160/"><span style="font-weight: 400;">momentos elétricos</span></a><span style="font-weight: 400;"> em sequência mais lúdicas, renegando os extensos monólogos à exaustão da monotonia. Por que diabos estaríamos mais interessados em longos planos comuns de Y vociferando suas indignações, se no mesmo filme somos banhados em cenas inteiras onde soldados dançam se batendo e mulheres armadas posam sensualmente com armas, o símbolo mais másculo de todos? A conta não fecha.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pedindo no cardápio muito mais do que tem capacidade de digerir, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ahed’s Knee</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um potente manifesto em </span><a href="https://thespool.net/reviews/aheds-knee-movie-review/"><span style="font-weight: 400;">favor da liberdade</span></a><span style="font-weight: 400;">, seja ela a de expressão ou a individual. Nadav Lapid sente dor, sente medo, sente angústia e sente raiva, e fazer um filme que equipare uma joelho estourado à ausência materna não é o suficiente. Ele quer mais, ele quer o exército em chamas, o deserto inundado e as feridas curadas. É uma pena que ele não consiga se decidir.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="AHED&#039;S KNEE (2021) - Nadav Lapid - HD Trailer - English Subtitles" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/G-nAB3wH1gY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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