<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Berlim &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/berlim/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/berlim/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Wed, 03 Nov 2021 20:13:50 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0.4</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Berlim &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/berlim/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>A Roda do Destino é feita de acasos</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/roda-do-destino-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/roda-do-destino-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Nov 2021 20:13:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2021]]></category>
		<category><![CDATA[45 Mostra]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Aoba Kawai]]></category>
		<category><![CDATA[Ayumu Nakajima]]></category>
		<category><![CDATA[Berlim]]></category>
		<category><![CDATA[Caio Machado]]></category>
		<category><![CDATA[Cobertura]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Festival de Berlim]]></category>
		<category><![CDATA[Festival de Karlovy Vary]]></category>
		<category><![CDATA[Fusako Urabe]]></category>
		<category><![CDATA[Grande Prêmio do Júri no Festival de Berlim]]></category>
		<category><![CDATA[Guzen To Sozo]]></category>
		<category><![CDATA[Japão]]></category>
		<category><![CDATA[Karlovy Vary]]></category>
		<category><![CDATA[Katsuki Mori]]></category>
		<category><![CDATA[Kiyohiko Shibukawa]]></category>
		<category><![CDATA[Kotone Furukawa]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra SP]]></category>
		<category><![CDATA[Perspectiva Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Roda do Destino]]></category>
		<category><![CDATA[Ryusuke Hamaguchi]]></category>
		<category><![CDATA[Wheel of Fortune and Fantasy]]></category>
		<category><![CDATA[Yukiko Iioka]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=24408</guid>

					<description><![CDATA[<p>Caio Machado A vida é imprevisível demais para ser controlada, por mais que tentemos dar ordená-la através da rotina. Com o passar dos dias, nos deparamos com surpresas que podem ser boas ou ruins, como reencontrar uma velha amiga da época da escola ou descobrir que um conhecido está melhor de vida do que você. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/roda-do-destino-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Roda do Destino é feita de acasos"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/roda-do-destino-critica/">A Roda do Destino é feita de acasos</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24409" aria-describedby="caption-attachment-24409" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-24409" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/RODA-1.jpg" alt="Cena do filme Roda do Destino exibe duas mulheres japonesas paradas em frente a uma porta de vidro. A mulher à direita veste uma camiseta azul larga e tem cabelo curto. A mulher à esquerda tem cabelo preto de tamanho médio e veste uma blusa branca. " width="1200" height="510" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/RODA-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/RODA-1-800x340.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/RODA-1-1024x435.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/RODA-1-768x326.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24409" class="wp-caption-text">As mulheres são surpreendidas por coincidências no longa que faz parte da Perspectiva Internacional da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Neopa)</figcaption></figure>
<p><b>Caio Machado</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A vida é imprevisível demais para ser controlada, por mais que tentemos dar ordená-la através da rotina. Com o passar dos dias, nos deparamos com surpresas que podem ser boas ou ruins, como reencontrar uma velha amiga da época da escola ou descobrir que um conhecido está melhor de vida do que você. </span><i><span style="font-weight: 400;">Roda do Destino</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme exibido na 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, se aproveita da imprevisibilidade da vida para proporcionar belíssimos diálogos, carregados de uma intensidade que expõe os sentimentos de seus personagens com uma sinceridade encantadora. </span></p>
<p><span id="more-24408"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na produção japonesa, acompanhamos três histórias distintas sobre relacionamentos: Meiko (Kotone Furukawa) se surpreende ao perceber que sua melhor amiga, Tsugumi (Hyunri), se apaixonou por seu ex-namorado, Kazuaki (Ayumu Nakajima); Sasaki (Shouma Kai) se aproveita de uma colega de classe, Nao (Katsuki Mori), para se vingar de seu professor da universidade; e Natsuko (Fusako Arabe) encontra uma mulher que acredita ser alguém do seu passado, o que leva as duas a desabafarem sobre sentimentos guardados profundamente. </span></p>
<figure id="attachment_24411" aria-describedby="caption-attachment-24411" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-24411" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/RODA-2.jpg" alt=" Cena do filme Roda do Destino exibe um homem e uma mulher em um escritório. Ambos são japoneses. A mulher tem cabelo de tamanho médio, veste uma blusa marrom e uma saia. Ela está com um livro aberto em mãos e olha para o homem, que está sentado numa cadeira. O homem, por sua vez, é mais velho e tem alguns fios brancos no cabelo e na barba. Ele veste uma camisa branca. " width="800" height="432" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/RODA-2.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/RODA-2-768x415.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-24411" class="wp-caption-text">No filme, a leitura de uma passagem de um livro possui uma tensão impressionante (Foto: Neopa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Basear um filme em longos diálogos não é algo fácil e, em muitos casos, pode resultar numa experiência verborrágica, digna de uma palestra. No caso de </span><i><span style="font-weight: 400;">Roda do Destino</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Guzen To Sozo</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original), longa-metragem vencedor do Grande Prêmio do Júri do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/festival-de-berlim/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Berlim</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que ocorre é exatamente o contrário. O diretor Ryusuke Hamaguchi, que também assume o roteiro, utiliza as conversas entre seus poucos personagens para refletir sobre como o amor marca a vida de alguém para sempre, como uma atitude errada pode custar um emprego e um sentimento guardado por tempo demais pode impedir que uma pessoa seja feliz. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A câmera, quase sempre sempre parada nas cenas, serve para transformar aquelas situações, tão mundanas em sua superfície, em confissões íntimas das mulheres que protagonizam cada segmento. Aos poucos e com certo </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-cemiterio-stephen-king-enterra-receios-autor-ressuscita-historia-sobria-intensa-muito-assustadora/"><span style="font-weight: 400;">receio</span></a><span style="font-weight: 400;">, Meiko, Nao e Natsuko despejam os sentimentos que têm guardado dentro de si para o espectador, que serve como o ouvinte perfeito para um desabafo. Graças ao excelente elenco feminino, sentimos que cada palavra dita carrega uma história por trás, que não conseguimos ver em cena, mas temos a oportunidade de vislumbrá-la por meio da conversa. </span></p>
<figure id="attachment_24414" aria-describedby="caption-attachment-24414" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-24414" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/RODA-3.jpg" alt="Cena do filme Roda do Destino exibe um homem e uma mulher em um escritório repleto de computadores. Ambos são japoneses. A mulher tem cabelo curto, com franja, e veste uma blusa de moletom branca e com estampa. O homem de cabelo preto, à direita, olha para ela. Ele veste uma camisa verde. " width="800" height="432" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/RODA-3.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/RODA-3-768x415.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-24414" class="wp-caption-text">O amor é um dos maiores temas da obra (Foto: Neopa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por trás da simplicidade de suas cenas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Wheel of Fortune and Fantasy </span></i><span style="font-weight: 400;">carrega uma força enorme em suas interações humanas. Nas mãos de Ryusuke Hamaguchi, as coincidências da vida são utilizadas para dar voz a personagens femininas complexas, cheias de angústias numa cidade tão grande que chega a ser intimidadora. Observar os encontros e desencontros que elas têm naquele ambiente enquanto refletem sobre a vida em sociedade, amores passados e a passagem do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tempo-critica/"><span style="font-weight: 400;">tempo</span></a><span style="font-weight: 400;"> deixa um questionamento: será mesmo que destino existe? Se não existe, então é tudo obra do acaso? De qualquer forma, a beleza está no imprevisível, e não no controle. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Wheel of Fortune and Fantasy | Official Trailer | Berlinale 2021" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/8pr7rZV1f3w?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/roda-do-destino-critica/">A Roda do Destino é feita de acasos</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/roda-do-destino-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">24408</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Cidade Pássaro: os desencantos da metrópole</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/cidade-passaro-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/cidade-passaro-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 31 Oct 2020 16:43:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2020]]></category>
		<category><![CDATA[44 Mostra]]></category>
		<category><![CDATA[Berlim]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Chukwudi Iwuji]]></category>
		<category><![CDATA[Cidade Pássaro]]></category>
		<category><![CDATA[Cobertura]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[França]]></category>
		<category><![CDATA[Matias Mariani]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra SP]]></category>
		<category><![CDATA[O.C. Ukeje]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Shine Your Eyes]]></category>
		<category><![CDATA[Vitor Evangelista]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://personaunesp.com.br/?p=16216</guid>

					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Tateando uma São Paulo incomum na grande mídia, Cidade Pássaro é um filme singular. Por quase duas horas somos conduzidos por uma cidade poluída, imunda física e espiritualmente pelo bafo do capitalismo e da pobreza. Imigrantes tomam o posto de protagonista e a seriedade de Amadi (O.C. Ukeje) é a régua moral da &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cidade-passaro-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Cidade Pássaro: os desencantos da metrópole"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/cidade-passaro-critica/">Cidade Pássaro: os desencantos da metrópole</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_16217" aria-describedby="caption-attachment-16217" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16217" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/SYE_STILL-FRAME_12-red.jpg" alt="" width="1600" height="1028" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/SYE_STILL-FRAME_12-red.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/SYE_STILL-FRAME_12-red-300x193.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/SYE_STILL-FRAME_12-red-1024x658.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/SYE_STILL-FRAME_12-red-768x493.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/SYE_STILL-FRAME_12-red-1536x987.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/SYE_STILL-FRAME_12-red-1200x771.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16217" class="wp-caption-text">Cidade Pássaro marca o retorno de Matias Mariani à Mostra de SP (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tateando uma São Paulo incomum na grande mídia, </span><a href="https://44.mostra.org/filmes/cidade-passaro"><i><span style="font-weight: 400;">Cidade Pássaro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um filme singular. Por quase duas horas somos conduzidos por uma cidade poluída, imunda física e espiritualmente pelo bafo do capitalismo e da pobreza. Imigrantes tomam o posto de protagonista e a seriedade de Amadi (O.C. Ukeje) é a régua moral da narrativa, na incessante busca pelo irmão Ikenna. Parte da Mostra Brasil da 44ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, <em>Cidade Pássaro</em> voa sem amarras, com a corrente do ar à seu favor.</span></p>
<p><span id="more-16216"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Coprodução do Brasil e da França, o filme é falado tanto em português e inglês quanto na língua natal de Amadi, <a href="https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2237-26602019000100200&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=pt">igbo</a>, natural da Nigéria. Ele é um músico sensível mas obstinado, que chega em São Paulo na procura do irmão mais velho, que se bandeou para cá para trabalhar como matemático em um instituto de tecnologia, deixando a família e a noiva no continente africano. </span><i><span style="font-weight: 400;">Cidade Pássaro </span></i><span style="font-weight: 400;">já mostra à que veio quando desnuda as mentiras de Ikenna, papel de Chukwudi Iwuji, logo de cara. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Amadi descobre as falácias do familiar, que inventou até mesmo a empresa que dizia trabalhar. Além disso, o homem está desaparecido e não há uma alma viva que saiba do seu paradeiro. A direção do </span><a href="http://www.filmeb.com.br/quem-e-quem/diretor-documentarista-produtor-roteirista/matias-mariani#:~:text=Nascido%20em%20S%C3%A3o%20Paulo%2C%20em,longa%20Carandiru%2C%20de%20Hector%20Babenco."><span style="font-weight: 400;">veterano</span></a><span style="font-weight: 400;"> Matias Mariani guia o espectador no banco do passageiro de Amadi, e sua abordagem moderna da cidade de SP é vital para que nós, junto do protagonista, entendamos as circunstâncias da história. São Paulo mata sonhos, joga esperanças no rolo compressor e quem sair respirando desse ecossistema já é por si só um vencedor.</span></p>
<figure id="attachment_16218" aria-describedby="caption-attachment-16218" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16218" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/SYE_STILL-FRAME_09-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1751" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/SYE_STILL-FRAME_09-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/SYE_STILL-FRAME_09-300x205.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/SYE_STILL-FRAME_09-1024x700.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/SYE_STILL-FRAME_09-768x525.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/SYE_STILL-FRAME_09-1536x1050.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/SYE_STILL-FRAME_09-2048x1401.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/SYE_STILL-FRAME_09-1200x821.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16218" class="wp-caption-text">Cidade Pássaro foi exibido e aclamado no Festival de Berlim (Foto: Divulgação Imprensa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As duas vidas do irmão são descobertas numa caça ao tesouro, ao mesmo tempo física e emocional. Amadi vai se deslocando pelas vielas da cidade, pelas pastelarias e</span><i><span style="font-weight: 400;"> lan houses</span></i><span style="font-weight: 400;">. A ambientação do filme grita a mundanidade que constrói, são cenários ordinários e relacionáveis, habitados por personagens que parecem igualmente reais. Ao passo que o homem busca e encontra suas pistas, o longa recompensa o espectador, colocando-o também na solução do mistério do desaparecimento de Ikenna.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais interessado em perguntar do que responder, o roteiro, escrito à muitas mãos, em momento algum deixa a peteca cair. Além de ser assinado pelo diretor, o texto é creditado à Chika Anadu, Francine Barbosa, Júlia Murat, Maíra Bühler e Roberto Winter. Ao contrário do que possa parecer, a aglomeração na sala de escrita não embanana os </span><a href="https://entrecultura.com.br/2020/07/29/cidade-passaro-de-matias-mariani-tera-lancamento-mundial-na-netflix/"><span style="font-weight: 400;">acontecimentos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o passo rítmico da trama. Foram chamados roteiristas nigerianos para consultar e injetar vitalidade real na proposta do filme, auxiliando na criação de representações culturais que fujam de estereótipos.</span></p>
<figure id="attachment_16219" aria-describedby="caption-attachment-16219" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16219" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/SYE_STILL-FRAME_05-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1929" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/SYE_STILL-FRAME_05-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/SYE_STILL-FRAME_05-300x226.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/SYE_STILL-FRAME_05-1024x771.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/SYE_STILL-FRAME_05-768x579.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/SYE_STILL-FRAME_05-1536x1157.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/SYE_STILL-FRAME_05-2048x1543.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/SYE_STILL-FRAME_05-1200x904.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16219" class="wp-caption-text">O filme, que tem distribuição mundial (menos no Brasil) pela Netflix, ganhou o título estrangeiro Shine Your Eyes (Foto: Divulgação Imprensa)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Cidade Pássaro</span></i> <a href="https://www.herdeironerd.com/2020/07/cidade-passaro-de-matias-mariani-tera.html"><span style="font-weight: 400;">acerta na mosca</span></a><span style="font-weight: 400;"> em saber motivar Amadi na busca pelo irmão. Chega um ponto que o paradeiro físico de Ikenna não importa, ele apenas quer respostas, essas que são estocadas na Caixa de Pandora até o derradeiro desfecho da obra. Menos catártica que deveria ser, a finalização do filme ainda ressoa com imponência. O ancestral se choca com o moderno, e leves flertes com o realismo fantástico laceiam os argumentos e conclusões.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Digno de ser destrinchado, não por acontecimentos misteriosos, mas por seus temas e abordagens, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cidade Pássaro</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um achado e tanto. São pequenas nuances inéditas ao cinema mais comercial, que enriquecem quem assiste. Sofia Coppola nos contou em 2003 os perigos e dores de não conseguir ser </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2018/08/28/sofia-coppola-fala-bill-murray-e-sussurro-final-em-encontros-e-desencontros.htm"><span style="font-weight: 400;">entendida</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, em 2020, Matias Mariani escancara esse terror. </span><i><span style="font-weight: 400;">Cidade Pássaro</span></i><span style="font-weight: 400;"> não hesita ao afirmar que a dúvida é melhor que a resposta.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Shine Your Eyes (2020) Netflix Movie (Cidade Pássaro)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/tZz0As_WVk8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/cidade-passaro-critica/">Cidade Pássaro: os desencantos da metrópole</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/cidade-passaro-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">16216</post-id>	</item>
		<item>
		<title>O homem que caiu em Berlim</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/david-bowie-low-heroes-berlim/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/david-bowie-low-heroes-berlim/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Jan 2017 17:46:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Berlim]]></category>
		<category><![CDATA[David Bowie]]></category>
		<category><![CDATA[Nilo Vieira]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://personaunesp.com.br/?p=7106</guid>

					<description><![CDATA[<p>Nilo Vieira Em 1976, David Bowie fez sua primeira grande aparição no cinema, no papel do alienígena Thomas Jerome Newton, em O Homem Que Caiu Na Terra. Nenhuma grande novidade, visto que encarnar um extraterrestre já havia lhe rendido o estrelado anos antes e sempre fora, em essência, um artista visual. No entanto, o filme &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/david-bowie-low-heroes-berlim/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O homem que caiu em Berlim"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/david-bowie-low-heroes-berlim/">O homem que caiu em Berlim</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-7107 aligncenter" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/2a09604e.jpg" alt="david bowie low capa brian eno" width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/2a09604e.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/2a09604e-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/2a09604e-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /></p>
<p><strong>Nilo Vieira</strong></p>
<p>Em 1976, David Bowie fez sua primeira grande aparição <a href="http://personaunesp.com.br/camaleao-telas/" target="_blank" rel="noopener">no cinema</a>, no papel do alienígena Thomas Jerome Newton, em <i>O Homem Que Caiu Na Terra</i>. Nenhuma grande novidade, visto que encarnar um extraterrestre já havia lhe rendido o estrelado anos antes e sempre fora, em essência, um <a href="http://personaunesp.com.br/tempo-espaco-david-bowie/" target="_blank" rel="noopener">artista visual</a>. No entanto, o filme dirigido por Nicolas Roeg adiantaria não apenas a capa do próximo disco do britânico, como também realçou um aspecto peculiar em sua carreira até então: a fragilidade humana.<span id="more-7106"></span></p>
<p>Confrontado com um território novo e estranho, Newton acaba alienado pela tecnologia e entediado, embora sua inteligência seja muito acima da média. Essa mesma relação também se deu entre Bowie e a cidade de Berlim, e resultou em um de seus álbuns mais aclamados, <i>Low</i>.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/8e3j1X18TkA?rel=0" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Embora abertamente inspirado pelos compassos fragmentados e texturas futuristas do <i>krautrock</i> de bandas como Neu! e Kraftwerk, esta primeira colaboração do camaleão com Brian Eno passa longe de uma emulação banal. A identidade bipolar do LP fica ainda mais clara considerando o formato do vinil: enquanto o lado A investe em experimentos mais compactos com o rock tradicional, a face B explora composições mais longas e majoritariamente instrumentais.</p>
<p>A abertura com “The Speed of Life” pode soar como uma alucinação alien, mas logo “Breaking Glass” quebra o fluxo e parece trazer às coisas de volta ao planeta Terra.  Embora seja a mais curta do álbum, é recheada de detalhes: a guitarra solo executa <i>bends</i> como se estivesse de ressaca, aparece um riff grave e, logo em seguida, Bowie invoca um pequeno barulho &#8211; tanto após proferir o verbo “ouça!” como depois de dizer “veja!”; é como se usasse da sinestesia para dizer, nas entrelinhas, que ainda está desnorteado, contrastando com o aparente realismo nu das letras. Então, aparece um trecho que diz “<i>você é uma pessoa maravilhosa/ mas tem problemas</i>”, onde não é possível distinguir se é um desabafo de outra personagem ou do próprio eu-lírico. Isso tudo em uma música de menos de dois minutos.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/0Oqi3Mm316FRX5H9mHjF0b" width="300" height="380" frameborder="0" allowtransparency="true"></iframe></p>
<p>E <i>Low</i> não para por aí. A frenética “What in the World”, com a participação do companheiro Iggy Pop (que teria ajuda de David nos dois álbuns que lançaria naquele mesmo ano), é um belo exemplo de como ir além dos padrões pop e permanecer palatável, enquanto “Be My Wife” é Bowie mostrando ser possível permanecer fiel à uma essência, mesmo sob constantes experimentos. “Always Crashing in the Same Car” e “A New Career in a New Town” equilibram as coisas ao adotar ritmos mais cadenciados.</p>
<p>Todavia, a peça mais comentada da primeira metade do álbum, com justiça, é o <i>single</i> “Sound and Vision”. Nela, cada instrumento parece executar um estilo musical diferente, e o resultado final é de uma consistência invejável: apesar da natureza roqueira, o baixo toca funk, os vocais brincam de soul e o teclado é puro pop. Bowie entoa “<i>E vou cantar/ esperando pelo presente do som e visão</i>”. Humildade é um atributo de poucos gênios, afinal.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/QVCk6KEtbVc?rel=0" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Mas é no lado B onde o título do álbum se justifica (“baixo”). Formado por quatro faixas ambientais, reflete bem a situação sombria do artista na época. Após desenvolver um vício severo em cocaína, Bowie e Iggy se mudaram para Berlim no intuito de fugir da droga. Assim, a aura claustrofóbica invocada serve tanto como metáfora para as consequências do abuso da substância quanto para a escuridão que pairava na capital dividida por um muro, e essa ambivalência sonora bem demarcada no bolachão acaba ganhando até ares políticos. E David ainda tinha mais uma carta na manga.</p>
<figure id="attachment_7109" aria-describedby="caption-attachment-7109" style="width: 807px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-7109" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/screen-shot-2016-01-13-at-2-48-46-pm.png" alt="Iggy &amp; Ziggy: na arte e no vício" width="807" height="470" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/screen-shot-2016-01-13-at-2-48-46-pm.png 807w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/screen-shot-2016-01-13-at-2-48-46-pm-300x175.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/screen-shot-2016-01-13-at-2-48-46-pm-768x447.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-7109" class="wp-caption-text">Iggy &amp; Ziggy: na arte e no vício</figcaption></figure>
<p>Para se ter uma noção da influência de <i>Low</i>, basta pensar que <i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I1wg1DNHbNU" target="_blank" rel="noopener">Remain in Ligh</a>t</i> não seria o mesmo sem seu lado A, enquanto <a href="https://www.youtube.com/watch?v=zuuObGsB0No" target="_blank" rel="noopener"><i>Closer</i></a> não existiria sem a parte B &#8211; e esses são apenas dois dos álbuns mais influentes da década de 80. Enquanto o Talking Heads também trabalharia com Brian Eno na sua obra-prima, o nome original do Joy Division, Warsaw, viria da oitava faixa do álbum. Mas a grande popularidade da fusão entre Bowie e Berlim se solidificaria mesmo em outubro de 77, quando saiu o segundo capítulo da história, <i>“Heroes”</i>.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-7110 aligncenter" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/tumblr_mhmx2mScO51rtf0sc_1359878922_cover.jpg" alt="david bowie heroes" width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/tumblr_mhmx2mScO51rtf0sc_1359878922_cover.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/tumblr_mhmx2mScO51rtf0sc_1359878922_cover-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/tumblr_mhmx2mScO51rtf0sc_1359878922_cover-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /></p>
<p>Desde a icônica capa, o irmão mais novo de <i>Low</i> é repleto de referências à cultura alemã. A foto é inspirada na <a href="http://www.feelnumb.com/2011/12/22/iggy-pops-the-idiot-david-bowies-heroes-album-cover-photos-were-inspired-by-the-same-painting/" target="_blank" rel="noopener">pintura <i>Roquairol</i></a>, de Erich Reckel, o título é uma homenagem ao grupo Neu!, e “V-2 Schneider” tem esse nome graças à Florian Schneider, do Kraftwerk. Sem esquecer, é claro, da faixa-título, um dos maiores clássicos de Bowie: “<i>Eu, eu me lembro/ De ficar em pé, próximo ao muro/ E as armas, dispararam sobre nossas cabeças</i>”.</p>
<p>Estranho notar que, mesmo com a canção estando entre as três mais populares do cantor &#8211; incluindo várias aparições em trilhas sonoras de filmes, como em <em>As Vantagens de Ser Invisível</em> (2012) -, o álbum não tenha chegado na mesma aclamação crítica do antecessor. Apesar de não soar igualmente vanguardista numa primeira ouvida, <a href="http://entretenimento.r7.com/blogs/andre-barcinski/heroes-como-fazer-um-classico-de-bowie/2016/02/12/" target="_blank" rel="noopener">só o processo de gravação da música</a> já mostra que <em>&#8220;Heroes&#8221; </em>passa longe de ser um projeto simples.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/Tgcc5V9Hu3g?rel=0" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Esta, aliás, é a maior vantagem que o irmão mais novo possui sobre <em>Low</em>. Com maior sutileza pop, os experimentos tendem a se situar de maneira mais homogênea e o disco soa, além de amigável, mais consistente no resultado final. A transição entre o dançante e o meditativo é desenvolvida com maior paciência, e assim o choque entre os lados do álbum se torna menor ao ouvinte casual.</p>
<p>Conquanto, o potencial radiofônico do álbum é mesclado com a tensão política da Guerra Fria, e lhe rende um diferencial soberbo. Quem diz que <em>hits</em> dançantes são mera massa de manobra para as rádios certamente nunca ouviu &#8220;Beauty and the Beast&#8221;, onde o groove serve de pano de fundo para versos carregados: &#8220;<em>Há matança no ar/ Protesto nos ventos/ Alguém dentro de mim(&#8230;)</em>&#8221; e &#8220;<em>Eu queria ser bom/ Queria não ter distrações/ Como todo bom menino deve</em>&#8220;. &#8220;Sons of the Silent Age&#8221; até inspira alguma esperança (&#8220;<em>Faça amor apenas uma vez, mas sonhe e sonhe</em>&#8220;), porém não sem uma desconfiança orwelliana por trás (&#8220;<em>Eles nunca morrem, apenas vão dormir um dia</em>&#8220;). O mesmo acontece com &#8220;&#8221;Heroes&#8221;&#8221;, cujas aspas aparentam balancear a utopia de uma insurreição com a realidade cruel.</p>
<figure id="attachment_7113" aria-describedby="caption-attachment-7113" style="width: 720px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-7113 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/97783919_restricted_bowie-large_transeo_i_u9APj8RuoebjoAHt0k9u7HhRJvuo-ZLenGRumA.jpg" alt="bowie muro de berlin brian eno low" width="720" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/97783919_restricted_bowie-large_transeo_i_u9APj8RuoebjoAHt0k9u7HhRJvuo-ZLenGRumA.jpg 720w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/97783919_restricted_bowie-large_transeo_i_u9APj8RuoebjoAHt0k9u7HhRJvuo-ZLenGRumA-300x188.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-7113" class="wp-caption-text">Dez anos depois: Bowie no Muro de Berlim</figcaption></figure>
<p>Os traços de <em>world music </em>ganhariam ainda mais destaque no último álbum gravado pelo time formado por Bowie, Eno e Tony Visconti, o ainda mais sacolejante <em>Lodger</em> (1979). Mas este é, de fato, um LP de menor poder comparado aos seus parceiros de trilogia e sua recepção menos acalorada é compreensível. Já <em>Low</em> e <em>&#8220;Heroes&#8221;</em>, mesmo quarenta anos depois, ainda soam modernos e refrescantes. Destaques em uma discografia absurda, comprovam que, mesmo assumindo sua vulnerabilidade, um ser humano comum teria potencial para criar coisas incríveis &#8211; ainda que só por um dia.</p>
<figure id="attachment_7114" aria-describedby="caption-attachment-7114" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-7114" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/heroes_adverts_montage_1000sq.jpg" alt="Propaganda da época do disco: bajulações nunca foram mais justificadas" width="600" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/heroes_adverts_montage_1000sq.jpg 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/heroes_adverts_montage_1000sq-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/heroes_adverts_montage_1000sq-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-7114" class="wp-caption-text">Propaganda da época do disco: bajulações nunca foram mais justificadas</figcaption></figure>
<p><iframe loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/3lFioPGhn7x5Y3H3YbPV83" width="300" height="380" frameborder="0" allowtransparency="true"></iframe></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/david-bowie-low-heroes-berlim/">O homem que caiu em Berlim</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/david-bowie-low-heroes-berlim/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">7106</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
