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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Barry não redime Barry: a quarta e última temporada concebe um manifesto anti-anti-herói</title>
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					<description><![CDATA[<p>Giovanna Freisinger A quarta e última temporada de Barry responde às perguntas existenciais levantadas pela obra até então e leva a história, que parecia estar em uma rua sem saída, ao seu desfecho. Seus momentos finais a consolidam como uma das melhores produções de televisão dos anos recentes. Os fãs da série estão na torcida &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/4a-temp-barry-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Barry não redime Barry: a quarta e última temporada concebe um manifesto anti-anti-herói"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31563" aria-describedby="caption-attachment-31563" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-31563" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1.png" alt="Cena da série Barry. Imagem em close do protagonista olhando para frente, dos ombros para cima e à frente de um fundo preto. O rosto dele está com sangue e machucados espalhados, além de um curativo sobre o nariz e um dos olhos inchado, quase fechado." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-1200x675.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31563" class="wp-caption-text">Barry chegou ao fim em uma nota fria, dura e irônica, que garantiu o lugar da série na corrida pelo Emmy 2023 (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><b>Giovanna Freisinger</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A quarta e última temporada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Barry</span></i><span style="font-weight: 400;"> responde às perguntas existenciais levantadas pela obra até então e leva a história, que parecia estar em uma rua sem saída, ao seu desfecho. Seus momentos finais a consolidam como uma das melhores produções de televisão dos anos recentes. Os fãs da série estão na torcida para que esse seja o ano em que ela finalmente conquiste o título de Melhor Série de Comédia no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-sobre-os-vencedores-do-emmy-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">2023, após três indicações nesta categoria, mas nenhuma vitória até então. O obstáculo é a concorrência pesadíssima da categoria, com </span><a href="https://personaunesp.com.br/abbott-elementary-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Abbott Elementary</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-marvelous-mrs-maisel-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Maravilhosa Sra. Maisel</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Jury Duty</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/only-murders-in-the-building-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Only Murders in the Building</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/ted-lasso-2a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ted Lasso</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-bear-1a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Bear</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/wandinha-1a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Wandinha</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-31562"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A premissa boba da série, sobre um assassino de aluguel que descobre uma paixão avassaladora pelo teatro, não deixa transparecer as profundidades que Bill Hader, protagonista e co-criador, é capaz de levar a narrativa nos anos seguintes. A conclusão assume um tom bem mais sombrio do que quando começou &#8211; sem clima nem para manter a música de abertura descontraída. </span><a href="https://personaunesp.com.br/barry-3a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Barry</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> aproveita ao máximo a tragédia e a comédia de seu niilismo, orquestrando metodicamente os sentimentos infligidos na audiência para transitar, de um instante para outro, dos altos da sua natureza cômica à tensão e angústia consequentes da sua violência, sem parecer apática com o conteúdo nem comprometer seu ritmo impaciente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma </span><a href="https://www.vogue.com/article/barry-season-four-bill-hader-interview"><span style="font-weight: 400;">comédia ácida</span></a><span style="font-weight: 400;">, com elementos de suspense, drama psicológico e crime, poderia facilmente se perder, mas a produção</span> <span style="font-weight: 400;">prova que revelar as nuances e contradições da vida e da condição humana, quando bem feito, pode criar algo que transcende as restrições dos gêneros narrativos. A série evoluiu ano após ano, com o estilo e o tom se tornando mais bem definidos e ambiciosos conforme progredia, caminhando em direção ao surrealismo, que acrescenta para uma experiência audiovisual ainda mais imersiva. </span></p>
<figure id="attachment_31564" aria-describedby="caption-attachment-31564" style="width: 620px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31564" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2.png" alt=" Cena da série Barry. A esquerda, Sally Reed e a direita, Barry. O casal está sentado à mesa de jantar, olhando para frente com expressões vazias. Sally está usando uma peruca de cor castanha e Barry um óculos junto a sua barba rala e grisalha." width="620" height="420" /><figcaption id="caption-attachment-31564" class="wp-caption-text">Enquanto pode parecer uma história com um rumo completamente diferente de quando começou, Barry mantém os temas originais e os explora de modo mais amplo e reflexivo do que poderia, preservando o escopo inicial (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A temporada anterior introduziu a linguagem mais introspectiva que a série adotou em diante. Isso aconteceu quando Hader começou a dirigir mais do que apenas alguns episódios e começamos a ter contato com as montagens surreais e minimalistas que ele aperfeiçoa nesse novo ano &#8211; ele dirige a totalidade dos oito capítulos. Podemos observar o diretor pegando gosto pela prática, desenvolvendo e aperfeiçoando o seu estilo próprio por trás das câmeras. Com razão, já recebeu, por </span><i><span style="font-weight: 400;">Barry</span></i><span style="font-weight: 400;">, três indicações ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> nas categorias de Melhor Direção em Série de Comédia e Melhor Roteiro em Série de Comédia. Esse ano, ele concorre novamente às duas categorias, ambas pelo episódio final da série, </span><a href="https://youtu.be/CIBekdhTrdA?si=B6pGkPEh_rABCFOT"><span style="font-weight: 400;">wow</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A liberdade tomada por Hader com as sequências experimentais é restrita ao seu comprometimento com os 30 minutos semanais. A quarta temporada pode ser considerada apressada, por vezes até atropelada, principalmente em consequência do divisivo </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/tv/tv-features/barry-bill-hader-time-jump-season-4-1235481717/"><span style="font-weight: 400;">salto temporal</span></a><span style="font-weight: 400;">. No entanto, esse foi o melhor caminho para manter o passo da história e a resolução de todos os conflitos em um ritmo rápido que acompanha a urgência da narrativa. </span><i><span style="font-weight: 400;">Barry </span></i><span style="font-weight: 400;">é a estreia diretorial do ator e comediante e, agora que acabou, fica a ansiedade para ver o que ele planeja fazer em seguida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dessa vez, a performance de Bill Hader é mais brutal do que nunca, interpretando Barry como uma bomba relógio. Com sua entrega ao personagem, o ator se provou desde o primeiro momento, foi indicado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">como Melhor Ator em Série de Comédia por todas as temporadas e ganhou em </span><a href="https://youtu.be/_9agY_xyuyc?si=WVGy6sbDHcTavpCJ"><span style="font-weight: 400;">2018</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://youtu.be/n0BUUGzPjIg?si=Mk3JibOm8Iw7tYax"><span style="font-weight: 400;">2019</span></a><span style="font-weight: 400;">. Agora, para fechar a série com um terceiro troféu em casa, concorre com Jason Segel (</span><i><span style="font-weight: 400;">Shrinking</span></i><span style="font-weight: 400;">), Martin Short (</span><i><span style="font-weight: 400;">Only Murders in the Building</span></i><span style="font-weight: 400;">), Jason Sudeikis (</span><i><span style="font-weight: 400;">Ted Lasso</span></i><span style="font-weight: 400;">) e Jeremy Allen White (</span><i><span style="font-weight: 400;">The Bear</span></i><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<figure id="attachment_31565" aria-describedby="caption-attachment-31565" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31565" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3.png" alt="Foto dos bastidores das filmagens. A esquerda, Bill Hader, de camiseta vermelha e máscara preta sobre a boca e o nariz, está voltado para Henry Winkler (Gene Cousineau) e com a mão sobre seu ombro. Henry está caracterizado, com uma camisa roxa e uma jaqueta cinza, e voltado para o diretor. Eles estão em uma calçada, durante o dia." width="1999" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3.png 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-1200x800.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31565" class="wp-caption-text">Bill Hader dirigiu, ao todo, mais da metade dos episódios da série (Foto: Merrick Morton/HBO Max)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Barry </span></i><span style="font-weight: 400;">desenvolveu uma marca registrada com a sua </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/tv/tv-features/bill-hader-interview-barry-final-season-emmys-2023-1235559455/"><span style="font-weight: 400;">linguagem visual</span></a><span style="font-weight: 400;"> que prende o olhar do espectador na tela, mesmo diante de cenas violentas ou perturbadoras: uma câmera impessoal e observadora, que tende a enfatizar as reações dos personagens, independente do quão mirabolante os acontecimentos ao seu entorno sejam. Isso dá aos atores mais espaço para explorar suas performances. Grande parte do que eleva a série a algo realmente especial são as interpretações que eles entregam a essas figuras, contemplando as dualidades e conflitos internos de cada um. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse ano, Anthony Carrigan (NoHo Hank) e Henry Winkler (Gene Cousineau) disputam novamente o </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">de Melhor Ator Coadjuvante em Série de Comédia. É a terceira indicação para ambos e Winkler levou o troféu em 2018 pela primeira temporada. Vale notar, contudo, a inexplicável insistência da Academia de Televisão em esnobar a contribuição de </span><a href="https://www.theguardian.com/tv-and-radio/2023/jul/12/emmy-nominations-2023-snubs-surprises"><span style="font-weight: 400;">Sarah Goldberg</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Sally Reed), desde 2019 sem a indicar, apesar de seu imenso talento e inegável impacto para o sucesso da série. </span></p>
<figure id="attachment_31566" aria-describedby="caption-attachment-31566" style="width: 959px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31566" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4.png" alt="Cena da série Barry. Dentro de uma casa, com duas janelas amplas, à esquerda, um homem coberto inteiro de preto está parado de pé atrás da Sally Reed, a observando. Ela está de costas para o homem, olhando por uma das janelas." width="959" height="612" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4.png 959w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-800x511.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-768x490.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31566" class="wp-caption-text">Em seus episódios finais, a narrativa leva o elenco mais adentro do caminho sombrio que Barry Berkman os colocou (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A quarta temporada chegou para subverter expectativas, reunindo todos os temas abordados nos anos anteriores da obra de maneira mais audaciosa e definitiva. Sua abordagem mais intensa não vai ser para todos, mas as decisões ousadas, performances estelares e habilidades técnicas fazem desse encerramento uma inegável jogada de mestre. Os primeiros episódios demoram um pouco para pegar no embalo, mas, quando as coisas começam a sair dos eixos, a produção te prende e não solta mais. </span><i><span style="font-weight: 400;">Barry </span></i><span style="font-weight: 400;">sempre foi boa em manter a audiência na beirada do sofá e, caminhando para a sua conclusão, domina isso em seu potencial máximo. Nunca se sabe qual o </span><a href="https://youtu.be/77pHZ0crXV0?si=ETm5IguSqnLmoyIG"><span style="font-weight: 400;">próximo passo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de nenhum dos personagens. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A série rejeita as nossas tendências de simpatizar com </span><a href="https://www.diariodocentrodomundo.com.br/por-que-ha-tantos-anti-herois-na-televisao/"><span style="font-weight: 400;">anti-heróis</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em sua reta final, apresenta uma exploração angustiante dos danos causados por um homem violento. A essa altura, Barry já não é mais o protagonista. O drama se dá ao examinar todas as vidas que ele comprometeu, direta ou indiretamente. A escolha ousada de descentralizá-lo da narrativa tem um efeito em fazer a audiência enxergá-lo por quem ele é, assim como os outros personagens começam a fazer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A angústia da história vem da vontade que o personagem expressa em mudar, mas nunca muda. No último episódio, ele enfim toma uma decisão que pode ser considerada uma mudança, mas já é tarde demais. Ele não é oferecido redenção, nem vingança: o roteiro não recompensa Barry de qualquer maneira. Há um argumento, desde a terceira temporada, de que o arrependimento, não importa o quão sincero, não têm valor algum sem </span><a href="https://www.npr.org/2019/06/20/734356166/on-hbos-barry-bill-hader-asks-can-you-change-your-nature"><span style="font-weight: 400;">mudanças de comportamento</span></a><span style="font-weight: 400;">. O protagonista cruza todos os limites que traça para si mesmo. Ele sente culpa, mas, ainda assim, prefere cometer atos injustificáveis a sacrificar a vida que reivindica para si. </span></p>
<figure id="attachment_31567" aria-describedby="caption-attachment-31567" style="width: 540px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31567" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5.png" alt="Cena da série Barry. A imagem mostra as costas de Barry, que está carregando duas armas apoiadas em seus ombros, enquanto ele anda entre corredores de uma loja cheios de brinquedos infantis." width="540" height="367" /><figcaption id="caption-attachment-31567" class="wp-caption-text">Barry nunca perde a sua comédia, com muitas de suas melhores sacadas graças às articulações visuais que Hader conquista por trás da câmera (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Barry se agarra a suas boas intenções &#8211; apesar de autocentradas &#8211; para não ter que admitir para si mesmo que tem controle sobre essas situações, e os danos que causa são uma escolha egoísta e calculada. Ele é definido por suas ações e, nesse sentido, é uma resposta a todos os anti-heróis. O </span><a href="https://www.writersroom51.com/post/diferen%C3%A7a-entre-convences-e-tropos-narrativos"><i><span style="font-weight: 400;">trope</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é dominado por histórias de homens que fazem coisas terríveis, só para depois serem representados como vítimas mal compreendidas de más circunstâncias. É nesse ponto que </span><i><span style="font-weight: 400;">Barry </span></i><span style="font-weight: 400;">escolhe seguir por outro caminho e, fazendo isso, configura uma história anti-anti-heróis, que não deixa o seu protagonista, nem a audiência, escapar das duras consequências da realidade. A série finalmente responde a sua questão central: o remorso é o suficiente para a redenção? Claro que não.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O final, apesar de imprevisível, é anticlimático &#8211; de propósito. Em seus últimos momentos, a série</span> <span style="font-weight: 400;">compõe sua última piada, ao mesmo tempo que consegue sintetizar a sua mensagem, retornando os temas que expandiu nesta temporada para onde tudo começou: a indústria do teatro, cinema e televisão. </span><i><span style="font-weight: 400;">Barry</span></i><span style="font-weight: 400;"> sempre usou a paixão do personagem pela atuação como sua </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/streaming/hbo-max/barry-nasceu-da-inseguranca-e-sindrome-de-impostor-de-bill-hader/"><span style="font-weight: 400;">metáfora central</span></a><span style="font-weight: 400;">, para tratar das mentiras que contamos a nós mesmos. A tese da série é expressa, surpreendentemente, por Fuches (Stephen Root), quando ele compreende que ninguém se torna melhor do que é por negar a verdade.  </span></p>
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		<title>Crime e castigo são o veredito da 3ª temporada de Barry</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Sep 2022 19:08:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade É sempre curioso observar a forma como a violência é veiculada no Audiovisual. Historicamente, a ideia de um assassino de aluguel deprimido não é tão inovadora; na realidade, continua explorada após décadas de representação em videogames e filmes de adaptação. A bem da verdade, é algo sempre deixado nas entrelinhas dos roteiros do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/barry-3a-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Crime e castigo são o veredito da 3ª temporada de Barry"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28547" aria-describedby="caption-attachment-28547" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28547" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Barry-series-season-3-episode-8-with-subtitles.webp" alt="" width="1920" height="960" /><figcaption id="caption-attachment-28547" class="wp-caption-text">Indicada ao <a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2022/">Emmy 2022</a>, Barry se distancia ainda mais da Comédia em seu terceiro ano (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É sempre curioso observar a forma como a violência é veiculada no Audiovisual. Historicamente, a ideia de um </span><a href="https://personaunesp.com.br/minority-report-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">assassino</span></a><span style="font-weight: 400;"> de aluguel deprimido não é tão inovadora; na realidade, continua explorada após décadas de representação em </span><i><span style="font-weight: 400;">videogames</span></i><span style="font-weight: 400;"> e filmes de adaptação. A bem da verdade, é algo sempre deixado nas entrelinhas dos roteiros do gênero, cujas cenas finais giram em torno das redenções platônicas e apaixonadas dos frios matadores, que se rendem ao sentimentalismo e à reivindicação das próprias condições individuais (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Justiceiro</span></i><span style="font-weight: 400;"> [2004], </span><i><span style="font-weight: 400;">Hitman </span></i><span style="font-weight: 400;">[2007], </span><i><span style="font-weight: 400;">Max Payne</span></i><span style="font-weight: 400;"> [2008]).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Parece estar imposta, de forma silenciosa, uma condição depressiva na qual o sentido reside na incansável busca pela “justiça” – improvável, abstrata, distante e egoísta. Mas é aqui que </span><a href="https://www.theatlantic.com/culture/archive/2022/06/barry-season-3-hbo-finale-review/661284/"><i><span style="font-weight: 400;">Barry</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se distancia de todas essas realizações: a condição melancólica do protagonista se estabelece, desde o princípio, como o mote para suas ações, e o ato de cometer os crimes visa, na verdade, preencher seus dias para que ele não pense nos problemas que envolvem sua condição existencial.</span></p>
<p><span id="more-28546"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais do que humanizar aquilo que a cultura dos filmes </span><a href="https://www.teclasap.com.br/blockbuster/"><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> transformou num ideal mítico, </span><i><span style="font-weight: 400;">Barry</span></i><span style="font-weight: 400;"> sempre tentou apontar para as diversas facetas da tristeza, sentimento que perpassa todos os papéis da trama, mas que parece oculto pelo rótulo de “Comédia” – a verdade é que o humor está na linha tênue entre a tristeza e a </span><a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">euforia</span></a><span style="font-weight: 400;">. O curioso, porém, é a premissa do personagem homônimo: deprimido e insatisfeito com a própria vida, Barry (</span><a href="https://pitchfork.com/features/5-10-15-20/bill-hader-on-the-music-that-made-him/"><span style="font-weight: 400;">Bill Hader</span></a><span style="font-weight: 400;">) se transforma em um assassino de aluguel. Assim, em seu ano mais sombrio, o seriado inicia-se pouco tempo depois do massacre que finalizou a temporada anterior, e após romper com Fuches (Stephen Root), seu “empresário dos crimes”, o protagonista está numa fase ruim, num esquema de “assassinato por aplicativo”.</span></p>
<figure id="attachment_28548" aria-describedby="caption-attachment-28548" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28548" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/maxresdefault.webp" alt="" width="1920" height="960" /><figcaption id="caption-attachment-28548" class="wp-caption-text">O episódio <a href="https://www.youtube.com/watch?v=JuXBHfzqszE&amp;ab_channel=RandoSchmando">710N</a>, 6º da terceira temporada, é responsável por 3 indicações de Barry ao Emmy (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde o começo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Barry</span></i><span style="font-weight: 400;"> apostou na exploração da melancolia do protagonista, e em diversas cenas focou nas ligações com seu próprio passado, marcado pela violência. Isso porque, diferente do que se possa imaginar, não se trata somente de uma forma de ganhar a vida – e, como ex-fuzileiro, essa seria a atividade que melhor se aplica às habilidades de Barry –, mas porque, justamente, o personagem precisa encontrar um sentido para viver; a violência, de certa forma, estava ali. Com o passar do tempo, outros horizontes se tornam possíveis, porém parecem contaminados desde o início.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Transfigurado em uma figura </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2021/11/dostoievski-e-flaubert-implodiram-o-narrador-tradicional-e-criaram-o-romance-moderno.shtml"><span style="font-weight: 400;">dostoievskiana</span></a><span style="font-weight: 400;">, ele começa, então, a questionar se sua essência clama somente pela violência – há espaço para a contemplação artística (através do Teatro e atuação, em seu caso) e a paz, afinal? Aos moldes do protagonista de </span><a href="https://www.bonslivrosparaler.com.br/livros/resenhas/memorias-do-subsolo/4426"><i><span style="font-weight: 400;">Memórias</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">do Subsolo</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1864) – ou Raskólnikov, de </span><a href="https://todavialivros.com.br/livros/crime-e-castigo"><i><span style="font-weight: 400;">Crime e Castigo</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1866) –, Barry vive sob uma condenação imposta por ele próprio. Ainda assim, o enredo da terceira temporada gira em torno de uma reviravolta: agora, as famílias das vítimas do anti-herói sabem que ele é o assassino e querem matá-lo. Parte significativa da trama – em certo sentido, até mesmo aquilo que a sustenta – são esses familiares numa busca implacável pela morte de Barry. É como se, num emaranhado de situações complexas ao estilo </span><a href="https://personaunesp.com.br/estou-pensando-em-acabar-com-tudo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Charlie Kaufman</span></a><span style="font-weight: 400;">, o jogo virasse.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é por acaso que, em 2022, </span><i><span style="font-weight: 400;">Barry</span></i><span style="font-weight: 400;"> chega aclamado no </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;">. O seriado disputa 12 categorias, somando 14 indicações, e embora com menos indicações que na temporada anterior, pela qual venceu 3 das 17 delas, segue como uma das favoritas nas principais categorias da lista: Melhor Direção em Comédia, Melhor Roteiro em Comédia, Melhor Ator em Comédia e Melhor Ator Coadjuvante em Comédia. No meio do embate entre as favoritas </span><a href="https://personaunesp.com.br/ted-lasso-2a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ted Lasso</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/hacks-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Hacks</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-165088/"><i><span style="font-weight: 400;">Abbott Elementary</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Barry</span></i><span style="font-weight: 400;"> também concorre na principal categoria do seu gênero, como Melhor Série de Comédia.</span></p>
<figure id="attachment_28549" aria-describedby="caption-attachment-28549" style="width: 1584px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28549 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/sarah-goldberg-bill-hader.jpg" alt="" width="1584" height="1072" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/sarah-goldberg-bill-hader.jpg 1584w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/sarah-goldberg-bill-hader-800x541.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/sarah-goldberg-bill-hader-1024x693.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/sarah-goldberg-bill-hader-768x520.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/sarah-goldberg-bill-hader-1536x1040.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/sarah-goldberg-bill-hader-1200x812.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28549" class="wp-caption-text">Esnobada no Emmy 2022, Sarah Goldberg é uma das estrelas no terceiro ano de Barry (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além do fato das indicações jogarem luz ao episódio </span><i><span style="font-weight: 400;">710N</span></i><span style="font-weight: 400;">, no qual há um plano-sequência de fôlego com Barry fugindo de motoqueiros assassinos, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022 também parece notar a cabeça pensante que, invariavelmente, evidenciou-se no terceiro ano da produção: Bill Hader. Duas vezes </span><a href="https://www.emmys.com/bios/bill-hader"><span style="font-weight: 400;">vencedor do </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Ator em Comédia – as duas em que concorreu –, o ator é novamente o favorito da categoria.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste ano, Hader estreou na direção de </span><i><span style="font-weight: 400;">Barry</span></i><span style="font-weight: 400;">, e se desdobrou entre a atuação mais sombria do protagonista e a primorosa condução das diversas nuances que outros papéis precisaram realizar para acompanhar o novo ritmo ditado por ele. Sua condução é tão boa que, além da série ter sido renovada para uma quarta temporada, </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/238987-barry-serie-renovada-hbo-4-temporada.htm"><span style="font-weight: 400;">Bill Hader será o diretor de todos os novos episódios</span></a><span style="font-weight: 400;">. Um dos exemplos mais gritantes de sua visão como comandante das escolhas narrativas do seriado está na atuação de </span><a href="https://www.cheatsheet.com/entertainment/barry-fans-disappointed-sarah-goldbergs-emmy-snub-calling-season-3-performance-breathtaking.html/"><span style="font-weight: 400;">Sarah Goldberg</span></a><span style="font-weight: 400;">, que, a partir da liberdade proporcionada sob a nova direção, entrega uma Sally Reed dramática e visceral, protagonizando uma das cenas mais impactantes de toda a </span><i><span style="font-weight: 400;">season 3</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sem qualquer razão factível, ela é um dos nomes esquecidos no </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">2022.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez o que mais chame a atenção em sua ausência nas indicações seja o fato de que a cena, estrelada por Goldberg, diga bem mais do que parece dizer. Enquanto </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pDds99rLsBk&amp;ab_channel=JohnnyWestside"><span style="font-weight: 400;">espanca o homem que tentou matá-la</span></a><span style="font-weight: 400;"> – após a tentativa falha de executar Barry –, o personagem de Bill Hader se levanta e assiste em um silêncio abismal a agressividade com que Sally Reed se defende. A Edição de Som, que insere e abafa o áudio à medida em que a porta do quarto onde Sally e o motoqueiro assassino estão, faz com que se tenha uma imersão angustiante. Mas o que essa sequência diz, na verdade, é que Barry – provavelmente pela primeira vez – se dá conta que falhou em proteger aqueles que ama. Em algum momento, o </span><i><span style="font-weight: 400;">castigo</span></i><span style="font-weight: 400;"> por seus </span><i><span style="font-weight: 400;">crimes</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegaria.</span></p>
<figure id="attachment_28550" aria-describedby="caption-attachment-28550" style="width: 1100px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28550" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/b4922856d83bcb962ff59136c2fc004657-barry-lede.rhorizontal.w1100.webp" alt="" width="1100" height="733" /><figcaption id="caption-attachment-28550" class="wp-caption-text">Bill Hader também concorre ao Emmy 2022 como Melhor Ator Convidado em Comédia por sua atuação em <a href="https://personaunesp.com.br/zoeys-extraordinary-christmas-critica/">Curb Your Enthusiasm</a> (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas duas primeiras temporadas, Sally Reed foi a personificação da cultura egocêntrica de Hollywood, na qual prevalece o estilo “faça-você-mesmo” e as formas rasas de se compreender os dilemas sociais – a típica personagem das Comédias que faz tudo pela fama. Como se tivesse saído de um </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i><span style="font-weight: 400;"> de auto-ajuda, Reed dizia frases prontas e se colocava à frente de situações apenas para benefício próprio. O amadurecimento da personagem demonstra o poder que uma </span><a href="https://variety.com/2022/tv/reviews/barry-season-3-review-hbo-bill-hader-1235233996/"><span style="font-weight: 400;">boa direção e uma atuação primorosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> podem ter ao conceber uma catarse tão estarrecedora quanto a que assistimos. Não somente na cena já citada, mas em uma espécie de insatisfação carregada por ela durante toda a temporada, deixando bem mais evidente o Drama do que a Comédia em si. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que Bill Hader conseguiu observar e representar nos episódios dirigidos por ele foi a condição desses personagens coadjuvantes, que tem suas vidas marcadas negativamente pelos relacionamentos com Barry. Sally Reed, por exemplo, se vê vítima de um relacionamento abusivo com o protagonista bem antes do momento em que quase é assassinada por um criminoso que, a princípio, não chegaria a ela se não fosse pelo namorado. Hader, por sua vez, transforma Barry num indivíduo que oscila entre o maníaco frenético e o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hldxuOwpdwA&amp;ab_channel=JohnnyWestside"><span style="font-weight: 400;">depressivo existencialista</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_28551" aria-describedby="caption-attachment-28551" style="width: 1296px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28551" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/anthony-carrigan_2-h-2022.webp" alt="" width="1296" height="730" /><figcaption id="caption-attachment-28551" class="wp-caption-text">Após entregar uma atuação potente como mafioso que vive um amor proibido com outro homem, Anthony Carrigan, no papel de NoHo Hank, disputa com fortes chances a categoria de Melhor Ator Coadjuvante em Comédia (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A verdade é que há pouco espaço para piadas na terceira temporada, e o grande mérito talvez seja, pela primeira vez, a condução da série para um caminho no qual paramos de </span><a href="http://personaunesp.com.br/graca-infinita-critica/"><span style="font-weight: 400;">sentir empatia</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o assassino frio que o protagonista sempre foi. Neste ano, </span><i><span style="font-weight: 400;">Barry </span></i><span style="font-weight: 400;">se estabeleceu através de uma forte sensação de contenção. Nós não vemos o estado do homem que Reed espanca com um taco, nem sabemos qual é o animal misterioso que está devorando os amigos de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3wFHN1DPovw&amp;ab_channel=JohnnyWestside"><span style="font-weight: 400;">NoHo Hank</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Anthony Carrigan) na cela ao lado da sua. É um ano marcado pelos fantasmas da vida de Barry, e isso se reflete na direção fotográfica, que projeta os episódios com um tom mais escuro em comparação aos anos anteriores. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Próximo ao final, quando parece que Barry vai realmente morrer, ele vê Sally Reed e Gene Cousineau (interpretado por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mKSz4lD7N-o&amp;ab_channel=TelevisionAcademy"><span style="font-weight: 400;">Henry Winkler</span></a><span style="font-weight: 400;">, indicado novamente na categoria de Melhor Ator Coadjuvante em Comédia, a qual venceu pela primeira temporada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Barry</span></i><span style="font-weight: 400;">) numa praia repleta por suas antigas vítimas – uma espécie de representação do “</span><a href="https://www.seculodiario.com.br/cultura/o-livro-tibetano-dos-mortos"><span style="font-weight: 400;">bardo</span></a><span style="font-weight: 400;">”. Embora ele e esses dois personagens não estejam mortos como os demais, o dano que Barry causou em suas vidas parece mais irreparável do que ele realmente acredita. O fim da temporada sintetiza isso: enquanto Reed foge de seu horizonte, tudo o que ele quer é o perdão de Cousineau por ter matado sua esposa – algo que ele, efetivamente, não tem.</span></p>
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		<title>PIRATA: o sacrifício e o consolo de estar à deriva da vida</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Nov 2021 19:35:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Vulcano Quando 2021 ainda era uma esperança requisitada, a numerologia já o denominava ano cinco. Representante da versatilidade vinda das novas oportunidades e regido pela deusa Vênus, esse reinício precisava ser marcado pelo amor – e recheado de explorações e metamorfoses. O marketing era de impacto, e um antigo Anti-Herói fez a boa sorte &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/jao-pirata-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "PIRATA: o sacrifício e o consolo de estar à deriva da vida"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24779" aria-describedby="caption-attachment-24779" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24779" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-1-10.jpg" alt="Capa do álbum Pirata. Jão, um homem jovem e branco, está posicionado ao centro da imagem. Ele está usando uma blusa vermelha de gola alta e um tapa-olho preto no olho direito. O fundo da foto é de cor azul clara." width="2048" height="2048" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-1-10.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-1-10-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-1-10-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-1-10-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-1-10-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-1-10-1536x1536.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-1-10-1200x1200.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24779" class="wp-caption-text">As marés turbulentas do passado se abrem e deixam a venturosa liberdade de Jão passar (Foto: Universal Music Brasil)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Vulcano</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando 2021 ainda era uma esperança requisitada, a numerologia já o denominava </span><a href="https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/horoscopo/numerologia-2021-o-ano-da-mudanca,f7ab05f1be8824934bf9e4c349b797f53181i3bn.html"><span style="font-weight: 400;">ano cinco</span></a><span style="font-weight: 400;">. Representante da versatilidade vinda das novas oportunidades e regido pela deusa Vênus, esse reinício precisava ser marcado pelo amor </span><i><span style="font-weight: 400;">–</span></i><span style="font-weight: 400;"> e recheado de explorações e metamorfoses. O </span><i><span style="font-weight: 400;">marketing</span></i><span style="font-weight: 400;"> era de impacto, e um antigo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BHy11BEe4m8"><span style="font-weight: 400;">Anti-Herói</span></a><span style="font-weight: 400;"> fez a boa sorte implantada virar refém de suas composições. Entre o alto-mar e solo firme de um outubro ligeiramente retrógrado, Jão se transforma em </span><a href="https://observatoriog.bol.uol.com.br/noticias/cultura/jao-anuncia-nome-do-novo-album-com-desabafo-sobre-relacionamento"><span style="font-weight: 400;">pirata</span></a><span style="font-weight: 400;"> e embarca nas nuances mais virtuosas de sua carreira.</span></p>
<p><span id="more-24778"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Composto por 11 faixas, o terceiro álbum de estúdio do jovem entrega emoções familiares sob perspectivas aprimoradas da diversidade do </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2020/10/4881805-conheca-artistas-que-integram-a-nova-geracao-do-pop-brasileiro.html"><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> brasileiro atual</span></a><span style="font-weight: 400;">. Contracenando com os típicos sintomas e desdobramentos de um coração partido, a sonoridade do projeto se debruça em ritmos experimentais e letras (bem mais) intimistas, buscando amadurecer a figura de Jão. Se a energia envolvente do </span><a href="https://portalpopline.com.br/first-listen-jao-coringa/"><span style="font-weight: 400;">primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> da era já indicava maior espontaneidade, o trabalho final é um mergulho nas multifaces do artista e no mar de identificação invocado em nós.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tendo sido construída desde o ano passado, a obra também reflete o sentimento coletivo mais cobiçado da pandemia: liberdade. Mas essa condição é muito mais complexa do que o poder de ir e vir, principalmente para Jão. Nas palavras do mesmo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pirata</span></i><span style="font-weight: 400;"> “</span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2021/10/19/pirata-album-jao.htm"><i><span style="font-weight: 400;">é muito sobre quem eu quero e quem eu almejo ser</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”. Assim, percorrendo temas como amor, sexo, descobertas e despedidas, o conjunto musical não pretende nada além da honestidade de recomeçar. E narrativas não-lineares, </span><a href="https://www.instagram.com/p/CU-_z6EJrK0/?utm_source=ig_web_copy_link"><span style="font-weight: 400;">iguais as celebradas pelo cantor</span></a><span style="font-weight: 400;">, fazem parte do trajeto.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Jão - PIRATA (Trailer)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/W8Yqw5-ldMU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A aventura é introduzida &#8211; e até parece naufragar </span><i><span style="font-weight: 400;">– </span></i><span style="font-weight: 400;">pela melodia psicodélica de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=E-3NTWMFgp0"><i><span style="font-weight: 400;">Clarão</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Produzida, junto a outras oito músicas do disco, em parceria com o renomado </span><a href="https://monkeybuzz.com.br/materias/a-alquimia-pop-de-zebu-mente-por-tras-dos-hits-de-pabllo-vittar/"><span style="font-weight: 400;">Zebu</span></a><span style="font-weight: 400;">, a faixa estridente abafa os vocais e a euforia inicial de Jão. Mesmo que condizentes com o ritmo eletrônico, o saudosismo no relato das memórias e a excitação diante do futuro acabam se reduzindo à uma estranha confusão sonora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, o </span><i><span style="font-weight: 400;">electropop</span></i><span style="font-weight: 400;"> não demora a surgir como um acerto, logo na música seguinte. </span><a href="https://youtu.be/9mmWVXaXsY8"><i><span style="font-weight: 400;">Não Te Amo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é repleta de controvérsias melódicas e escritas, retratando o caos e entorpecimento corrosivo de uma paixão mal resolvida. Apesar da audácia em negar a intensidade de seus afetos no título da canção, as reflexões, inteligentemente bagunçadas na melancolia do cantor, impedem sua consciência de seguir em frente: “</span><i><span style="font-weight: 400;">E se eu te esquecer, quem vai lembrar de nós, amor?</span></i><span style="font-weight: 400;">”, contempla ele.</span></p>
<figure id="attachment_24780" aria-describedby="caption-attachment-24780" style="width: 4096px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24780 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-2-11.jpg" alt="Cena do clipe de Não Te Amo. Jão, um homem branco e jovem de cabelo castanho, usa um suéter vermelho. Ele está de frente para Enrique Espinosa, um homem branco e jovem de cabelo loiro, em regata branca. Ambos se encaram sob luzes neon. Está de noite e, ao fundo, há uma praia." width="4096" height="2831" /><figcaption id="caption-attachment-24780" class="wp-caption-text"><i>O clipe da segunda faixa de Pirata mostra o fim do mundo sendo vivido de forma intensa, além do </i><a href="https://twitter.com/jaoromania/status/1450867544760463360?s=21"><i>primeiro beijo na filmografia de Jão</i></a><i> (Foto: Breno Galtier)</i></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A continuidade do projeto investe grande vigor na ambiguidade lírica. Esbaldando-se na agonia festejante de ser </span><a href="https://youtu.be/r2gppKSvBLE"><i><span style="font-weight: 400;">Idiota</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> por amor e cantando o vislumbre sedutor de um falso </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BwcfesZoB8I"><i><span style="font-weight: 400;">Santo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a ousadia franca de Jão carrega a obra de dimensão plural, se consagrando por exaltar a tão comum e humana dualidade romântica. A conclusão? Machucar e se deixar ferir são premissas da vida. Um dia é da caça, outro do caçador </span><i><span style="font-weight: 400;">–</span></i><span style="font-weight: 400;"> mas todo é o calendário para o artista corajoso que expõe suas cicatrizes e perversidades na mesma constância.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, ser livre também exige </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/10/quem-e-jao-que-se-inspira-em-cazuza-e-desponta-no-pop-com-sofrencia-brega.shtml"><span style="font-weight: 400;">perder o que deixou de te representar</span></a><span style="font-weight: 400;">. Colidindo o passado ao presente, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mPabpnxID2w"><i><span style="font-weight: 400;">Acontece</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> constrói fluxos agridoces de pensamento e sonoridade que, altamente harmonizados, geram compreensões duras e inevitáveis: “</span><i><span style="font-weight: 400;">O que o amor vira quando chega o fim?/É só que dói um pouco quando eu lembro assim/Mas enfim, acontece</span></i><span style="font-weight: 400;">”, deduz o cantor. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JyniEkpD-HE"><i><span style="font-weight: 400;">Você Me Perdeu</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, por outro lado, é uma lavagem de alma. Em resposta mais resignada e autoconstrutiva à </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ziMc-JYxtfY"><i><span style="font-weight: 400;">Nota de Voz 8</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, os arranjos suaves ultrapassam as lembranças de Jão e, no compasso de dois minutos e meio, desenlaçam a antiga dor de sua voz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O adolescente interiorano que começou a desbravar o mundo pelos </span><a href="https://extra.globo.com/noticias/educacao/vida-de-calouro/aposta-do-pop-jao-cursa-publicidade-na-usp-para-brilhar-como-cantor-22486360.html"><span style="font-weight: 400;">corredores da Universidade de São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;"> também ganha espaço em </span><i><span style="font-weight: 400;">Pirata</span></i><span style="font-weight: 400;">. Compilação de histórias, diversões, imensidões sentimentais e autodescobertas: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I4szEiMRfLQ"><i><span style="font-weight: 400;">Meninos e Meninas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um </span><a href="http://www.cinemaepipoca.com.br/o-que-e-genero-coming-of-age/"><i><span style="font-weight: 400;">coming-of-age</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> rítmico contagiante, protagonizado por recordações de 2013 e coroado pela carta pessoal e sensível à </span><a href="https://hugogloss.uol.com.br/famosos/jao-fala-sobre-bissexualidade-na-tv-as-pessoas-subestimam-um-pouco-a-minha-inteligencia-assista/"><span style="font-weight: 400;">bissexualidade do artista</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_24782" aria-describedby="caption-attachment-24782" style="width: 1524px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24782" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-3-9.jpg" alt="A imagem mostra o cantor Jão, um homem jovem e branco, sentado em uma poltrona verde. Ele está em sua casa, usando uma regata vermelha e calça jeans. Seu rosto está virado para a direita, direcionando seu olhar para o vinil segurado por sua mão." width="1524" height="857" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-3-9.jpg 1524w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-3-9-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-3-9-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-3-9-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-3-9-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24782" class="wp-caption-text"><i> “Não sei se é um álbum de estreia, mas de reestreia com certeza”, declarou Jão para o portal Splash (Foto: </i><a href="https://www.instagram.com/p/CVOsWylsXTg/"><i>Instagram</i></a><i>/Jão)</i></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após navegar pela descontração sonora e letra chiclete de </span><a href="https://youtu.be/KDTmmoSdqac"><i><span style="font-weight: 400;">Coringa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o disco encontra seu último suspiro pop-eletrônico. Em atmosfera alucinógena, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=c2sK_kEoGhI"><i><span style="font-weight: 400;">Doce</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> mescla constatações a angústias e se afunda em momentos magnéticos de epifania: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu sou a soma do que eu não consigo</span></i><span style="font-weight: 400;">/</span><i><span style="font-weight: 400;">Algo em mim ainda tá perdido</span></i><span style="font-weight: 400;">/</span><i><span style="font-weight: 400;">E eu preciso encontrar</span></i><span style="font-weight: 400;">”, afirma, extasiado, o cantor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Materializando-se como um diário de bordo, ao avistar o cais, as faixas restantes adormecem os </span><a href="https://revistaquem.globo.com/amp/Entrevista/noticia/2020/11/jao-o-artista-era-muito-blindado-e-hoje-tem-uma-galera-na-sua-cara-falando-se-mata.html"><span style="font-weight: 400;">vinte e seis anos de vida</span></a><span style="font-weight: 400;"> destrinchados para admirar o horizonte inexplorado e a paz iminente, ambos conquistados – por e para Jão – ao longo da viagem. A alegoria nutrida de sentimentos reais, em sintonia aos casuais solos de guitarra, preenche e enobrece </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KawAXixp-k8"><i><span style="font-weight: 400;">Tempos de Glória</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Finalmente, interligando composição e produção feitas unicamente pelo jovem, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uDScG7_uofY"><i><span style="font-weight: 400;">Olhos Vermelhos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> evoca toda a complexidade necessária para sintetizar o propósito locomotor do álbum: liberdade e solidão fazem as pazes em um convite tentador para nadar além de nosso oceano particular.</span></p>
<figure id="attachment_24783" aria-describedby="caption-attachment-24783" style="width: 576px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24783" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-4-8.jpg" alt="A imagem mostra o cantor Jão, um homem jovem e branco, em pé e segurando uma corda à frente de seu corpo. Ele usa uma regata colorida e tem o rosto levemente direcionado para direita. Ao fundo, há um mar e um céu azul com nuvens." width="576" height="768" /><figcaption id="caption-attachment-24783" class="wp-caption-text">A combustão emocional foi um bom ponto de partida, mas a desaceleração na linha de chegada concretiza a prosperidade da obra (Foto: Gabriela Schmidt)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Da nostalgia à reinvenção, o projeto reforça uma realidade: </span><span style="font-weight: 400;">ninguém descreve o peso e o gosto de uma desilusão, amorosa ou existencialista, como Jão. Deixando-se influenciar por dezenas de estilos, o cantor habita sua </span><a href="https://gq.globo.com/GQ-Vozes/noticia/2021/05/jao-e-meu-album-com-mais-nuances-ate-agora.html"><span style="font-weight: 400;">própria aura musical</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, mesmo nos equívocos, mostra a pluralidade exigida para se destacar. Firmando um elo valioso entre águas passadas e terras à vista, </span><i><span style="font-weight: 400;">PIRATA</span></i><span style="font-weight: 400;"> é símbolo de crescimento inquieto e evolução constante. </span><span style="font-weight: 400;">E, quase às vésperas de 2022, não é possível mensurar se alcançamos todo o potencial que o ano vigente teria. Mas, definitivamente, presenciamos uma incrível ascensão artística.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: PIRATA" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/2LeCiUHBSmUMyrclDEEBly?si=Ot9BesXvSvmAxPyHEPlQbA&#038;nd=1&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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