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	<title>Arquivos Angeli &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Persona Entrevista: César Cabral</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Nov 2021 22:36:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Diretor de Bob Cuspe &#8211; Nós Não Gostamos de Gente conta de seu trabalho com a obra do cartunista Angeli, e explica porque o punk permanece relevante até hoje João Batista Signorelli Raro exemplar de longa-metragem realizado com a técnica de stop-motion no Brasil, Bob Cuspe &#8211; Nós Não Gostamos de Gente foi um dos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/entrevista-cesar-cabral/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Persona Entrevista: César Cabral"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><i><span style="font-weight: 400;">Diretor de Bob Cuspe &#8211; Nós Não Gostamos de Gente conta de seu trabalho com a obra do cartunista Angeli, e explica porque o punk permanece relevante até hoje</span></i></p>
<figure id="attachment_24862" aria-describedby="caption-attachment-24862" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-24862 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-persona-entrevista-wordpress.jpg" alt="Arte do Persona Entrevista com César Cabral. À esquerda, o nome do quadro está na vertical em quatro linhas, duas brancas e pretas. No centro, há uma fotografia recortada em preto e branco de César, um homem branco que tem por volta de 50 anos, que usa uma camisa social preta. À direita, há o poster do filme Bob Cuspe - Nós Não Gostamos de Gente, e, em cima, o nome do diretor em preto." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-persona-entrevista-wordpress.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-persona-entrevista-wordpress-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-persona-entrevista-wordpress-768x404.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24862" class="wp-caption-text">O Persona entrevista César Cabral, diretor da premiada animação em stop-motion Bob Cuspe &#8211; Nós Não Gostamos de Gente (Foto: Vitrine Filmes/Arte: Jho Brunhara)</figcaption></figure>
<p><b>João Batista Signorelli</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Raro exemplar de longa-metragem realizado com a técnica de </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion</span></i><span style="font-weight: 400;"> no Brasil, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bob Cuspe &#8211; Nós Não Gostamos de Gente </span></i><span style="font-weight: 400;">foi um dos grandes destaques da 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, chegando ao Brasil já com um prêmio em mãos, da Mostra Contraponto do Festival de Cinema de Animação Annecy. O Persona </span><a href="https://personaunesp.com.br/bob-cuspe-nos-nao-gostamos-de-gente-critica/"><span style="font-weight: 400;">assistiu ao filme</span></a><span style="font-weight: 400;">, e com muito prazer retoma o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/persona-entrevista/"><span style="font-weight: 400;">quadro de entrevistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> para conversar com o diretor César Cabral, que também é sócio-fundador da </span><a href="http://www.coalafilmes.com.br/Home.aspx"><span style="font-weight: 400;">Coala Filmes</span></a><span style="font-weight: 400;">, produtora paulistana focada em produzir animações em </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion. </span></i></p>
<p><span id="more-24852"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de explorar a obra do cartunista </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IbSL_7Gms2Y&amp;"><span style="font-weight: 400;">Angeli</span></a><span style="font-weight: 400;"> em vários de seus projetos, antes de fundar uma produtora de animação, e antes mesmo de receber o seu diploma em Cinema pela Universidade de São Paulo, Cabral estudou Física por cerca de três anos. Foi o tempo que levou para perceber que não era aquilo que queria levar como trabalho e  profissão, o que o fez largar aquela graduação e prestar para o curso de Cinema (atualmente chamado de Audiovisual), onde teve aula com excelentes professores e grandes nomes como </span><a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/jean-claude-bernardet-um-critico-contra-estetica-da-miseria/"><span style="font-weight: 400;">Jean-Claude Bernardet</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/visoes-em-cena/"><span style="font-weight: 400;">Ismail Xavier</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ainda sem recursos digitais, César Cabral iniciou seu primeiro experimento em </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion </span></i><span style="font-weight: 400;">com um rolinho de película que recebera da faculdade para um exercício de filmagem. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“É engraçado como as coisas dão voltas: eu lia muito histórias em quadrinhos, gostava muito de desenhar, mas nunca imaginava trabalhar diretamente com (&#8230;) o universo da animação.” </span></i><span style="font-weight: 400;">Da animação em </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion </span></i><span style="font-weight: 400;">brasileira, dois curtas marcaram e influenciaram o seu trabalho: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CTj_oR4QamU"><i><span style="font-weight: 400;">Frankenstein Punk</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=v0NgsfkvLVE&amp;t=4s"><i><span style="font-weight: 400;">Garota das Telas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ambos realizados por Cao Hamburger e Eliane Fonseca. </span><i><span style="font-weight: 400;">“‘Se eles fizeram isso lá nos anos 80’, eu pensava assim &#8211; a ingenuidade &#8211; ‘eu consigo fazer isso nos anos 90’”</span></i> <span style="font-weight: 400;">relembra o diretor. Procurando pessoas que gostavam de modelar, ele acabou conhecendo Olyntho Tahara, seu futuro sócio na produtora Coala Filmes. Já nesse primeiro exercício que se tornou um ‘curtinha’, César começou a explorar o mundo dos quadrinhos da </span><a href="https://revistas.pucsp.br/index.php/revph/article/view/30326"><i><span style="font-weight: 400;">Chiclete com Banana</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que lia em sua adolescência, criando um duelo de faroeste entre os palhaços mudos, criação da cartunista </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-laerte-netflix/"><span style="font-weight: 400;">Laerte</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<blockquote class="instagram-media" data-instgrm-captioned data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/CWa94lHrUij/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14" style=" background:#FFF; border:0; border-radius:3px; box-shadow:0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width:658px; min-width:326px; padding:0; width:99.375%; width:-webkit-calc(100% - 2px); width:calc(100% - 2px);">
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<p style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; line-height:17px; margin-bottom:0; margin-top:8px; overflow:hidden; padding:8px 0 7px; text-align:center; text-overflow:ellipsis; white-space:nowrap;"><a href="https://www.instagram.com/p/CWa94lHrUij/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:normal; line-height:17px; text-decoration:none;" target="_blank">A post shared by Coala Filmes (@coalafilmes_)</a></p>
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</blockquote>
<p><script async src="//platform.instagram.com/en_US/embeds.js"></script></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante o final do curso, ele já começou a ir atrás de trabalhos em publicidade, onde, prestando serviços de assistência em produtoras, encontrava espaço para a construção de maquetes, cenários, bonecos, ou até mesmo animação. Foi um período para aprender e descobrir como fazer </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma área que não tem mercado e poucos profissionais atuantes. Entre 2004 e 2005, começou a se desenvolver a Coala Filmes, onde escreveu o projeto para o curta-metragem </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kChPtNfGQGI"><i><span style="font-weight: 400;">Dossiê Rê Bordosa</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">O Dossiê é o início do que virou o Bob Cuspe de certa maneira.” </span></i><span style="font-weight: 400;">E foi ali que César Cabral enveredou para o audiovisual, se afastando da publicidade e acompanhando a alavancada que a ANCINE iniciava naquele momento. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Foi um período que o fundo setorial entra e começa a fomentar toda a produção audiovisual, acabou possibilitando que a gente fizesse séries e o longa. A gente vai fazer um segundo mas… estamos no primeiro” </span></i><span style="font-weight: 400;">sinaliza o diretor, já gerando a expectativa para uma sequência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somando referências que vão dos </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbusters </span></i><span style="font-weight: 400;">americanos que cresceu assistindo, aos lançamentos que acompanhou nos cinemas como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=s7EdQ4FqbhY"><i><span style="font-weight: 400;">Pulp Fiction</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, além de clássicos da </span><i><span style="font-weight: 400;">Nouvelle Vague </span></i><span style="font-weight: 400;">que via na Cinemateca na época da faculdade, César Cabral recheou </span><i><span style="font-weight: 400;">Bob Cuspe</span></i><span style="font-weight: 400;"> de homenagens de forma consciente e inconsciente. Se citações a filmes como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oR_e9y-bka0&amp;"><i><span style="font-weight: 400;">2001 &#8211; Uma Odisseia no Espaço</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=S014oGZiSdI"><i><span style="font-weight: 400;">O Iluminado</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">são mais explícitas, o diretor se surpreendeu ao re-assistir </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9eZgEKjYJqA"><i><span style="font-weight: 400;">Poltergeist &#8211; O Fenômeno</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e descobrir um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=03lup3cS6GY"><i><span style="font-weight: 400;">zoom </span></i><span style="font-weight: 400;">com </span><i><span style="font-weight: 400;">travelling</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em um corredor muito igual ao que fez na cena em que Angeli se aproxima de uma porta para encontrar Laerte. </span><i><span style="font-weight: 400;">“É engraçado como essa coisa inconsciente que a gente vai construindo na nossa cabeça &#8211; o nosso repertório (&#8230;) &#8211; fica, e acaba saindo de um modo natural, sem um planejamento óbvio.”</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seu primeiro contato real com o cartunista Angeli foi no mundo da revista </span><i><span style="font-weight: 400;">Chiclete com Banana</span></i><span style="font-weight: 400;">, que foi essencial para a formação do diretor ao trazer muito material não apenas de quadrinhos, mas de Música, Cultura e variedades, em um mundo onde a </span><i><span style="font-weight: 400;">internet </span></i><span style="font-weight: 400;">ainda não existia. Quando foi realizar o curta </span><i><span style="font-weight: 400;">Dossiê Rê Bordosa</span></i><span style="font-weight: 400;">, entrou em contato com o Angeli, que de início relutou, pois havia matado a personagem em suas tiras para justamente não precisar mais falar sobre ela, mas que ao final acabou topando. A partir de entrevistas com Angeli e outras pessoas, César Cabral realizou o curta animado documental, e temendo uma reação negativa do artista ao mexer com sua obra, foi surpreendido por uma reação positiva.</span></p>
<figure id="attachment_24853" aria-describedby="caption-attachment-24853" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-24853" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-2-scaled.jpg" alt="Foto de sessão do filme Bob Cuspe - Nós Não Gostamos de Gente. A imagem mostra em plano médio o diretor César Cabral, um homem branco de cabelos grisalhos, usando máscara e uma camisa preta, diante de um microfone em um suporte. Ele tem antebraços assimétricamente estendidos para frente, e as mãos abertas. Atrás, em desfoque, vemos uma parte da tela, mostrando um desenho do artista Ziraldo, de uma pessoa branca de roupa azul deitada de bruços sobre estrelas." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-2-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-2-2048x1365.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24853" class="wp-caption-text">O diretor introduzindo o público ao filme na sessão no vão do Masp, realizada durante a 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto se aprofundava ainda mais no mundo da </span><i><span style="font-weight: 400;">Chiclete com Banana </span></i><span style="font-weight: 400;">na série </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qwkojuafGZg"><i><span style="font-weight: 400;">Angeli &#8211; The Killer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, produzida para o </span><i><span style="font-weight: 400;">Canal Brasil</span></i><span style="font-weight: 400;">, Angeli comentou com Cabral que sempre achou que o Bob Cuspe renderia um longa. E ali foi lançada  a sementinha do que viria a se tornar o longa </span><i><span style="font-weight: 400;">Bob Cuspe &#8211; Nós Não Gostamos de Gente</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Pensar num longa-metragem de certa maneira é uma loucura (&#8230;) parece uma coisa impossível de acontecer.” </span></i><span style="font-weight: 400;">Gravando uma série de entrevistas com Angeli, César foi se aprofundando em seu processo criativo. </span><i><span style="font-weight: 400;">“O Angeli, como a gente sabe, é famoso por ser o Angeli em crise, né? (&#8230;) É um cara que nunca para no trabalho, ele quer ir à frente. (&#8230;) o processo criativo dele vem muito disso, de não se estabelecer com algo que já tá definido. (&#8230;) E de certa maneira, ele agora, com 60 anos, ‘tá’ nesse lugar de procurar e tentar encontrar um novo caminho pro trabalho dele.”</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ponto de partida da narrativa principal do filme veio do próprio Angeli, que tinha esboçado uma morte do Bob Cuspe devorado por mini </span><a href="https://personaunesp.com.br/rocketman-critica/"><span style="font-weight: 400;">Elton Johns</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Ele é meio que um símbolo do pop, do glitter, que de certa forma é o oposto à postura punk. Então o que melhor mata um punk? Qual é a pior morte que um punk pode ter? É o pop devorando ele, fisicamente ou metaforicamente.” </span></i><span style="font-weight: 400;">A partir dessa ideia, a equipe desenvolveu um mundo pós-apocalíptico dentro da cabeça do Angeli, onde o Bob Cuspe, ao perceber que seu criador está desenhando sua morte, vai atrás dele para enfrentá-lo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos desafios da produção foi transpor o traço do lápis no papel em duas dimensões dos desenhos consagrados de Angeli, e transportá-lo para o </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion</span></i><span style="font-weight: 400;"> tridimensional, e nesse empreitada, César destaca o trabalho do diretor de arte Daniel Bruson, que também trabalhou no curta </span><i><span style="font-weight: 400;">Dossiê Rê Bordosa</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sobre a técnica utilizada, ele destaca como sendo a que mais se aproxima do </span><i><span style="font-weight: 400;">live-action</span></i><span style="font-weight: 400;">, pois há o espaço físico do estúdio, a maquete que é o cenário, o </span><i><span style="font-weight: 400;">set </span></i><span style="font-weight: 400;">de filmagem, e os bonecos que são os atores do filme. A única diferença seria a captura quadro a quadro. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Não tem um ‘gravando’, tem ‘vamo lá, rodando o plano’, e esse plano vai levar dez, vinte horas pra ser produzido’</span></i><span style="font-weight: 400;">, brinca o diretor. O ritmo da produção, realizada em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IBV-SeeOCwc&amp;"><span style="font-weight: 400;">6 </span><i><span style="font-weight: 400;">sets</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de filmagem, era de três/quatro segundos por dia, por </span><i><span style="font-weight: 400;">set </span></i><span style="font-weight: 400;">de filmagem.</span></p>
<figure id="attachment_24854" aria-describedby="caption-attachment-24854" style="width: 1918px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-24854" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-3.jpg" alt="Cena da animação Bob Cuspe Nós não gostamos de gente. A imagem mostra 9 pequenos Elton Johns monstruosos alinhados, todos brancos, de máscaras nos olhos de diversas cores, bocas circulares com dentes pontudos, e roupas coloridas cheias de glitter. Eles se encontram no topo de uma ladeira de cimento com pichações. " width="1918" height="804" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-3.jpg 1918w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-3-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-3-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-3-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-3-1536x644.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-3-1200x503.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24854" class="wp-caption-text">Então o que melhor mata um punk? Qual é a pior morte que um punk pode ter? (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro desafio foi construir uma estrutura para a produção do filme, com espaço físico e profissionais. A falta de um mercado consolidado de animação </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion</span></i><span style="font-weight: 400;"> no Brasil e no mundo fez com que houvesse um forte trabalho de formação na produção de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bob Cuspe</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde as pessoas aprenderam a fazer coisas como construir os bonecos, manipular a sua estrutura interna, e como animá-los. Da pequena produção de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dossiê Rê Bordosa</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que César Cabral animou sozinho com uma equipe bastante reduzida, ao longa de 90 minutos, a produção da animação tornou-se bastante complexa. </span><i><span style="font-weight: 400;">“No stop-motion as coisas andam meio em paralelo, é tudo meio escalonado, sabe? A gente tá animando no set, mas a equipe já tá pós-produzindo o que foi animado. E a equipe de pré-produção já tá preparando o próximo cenário (&#8230;). Então é tudo muito amarradinho pra funcionar.” </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Comentando a </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/10/crise-na-ancine-espanta-grandes-estudios-que-fazem-filmes-sem-dinheiro-publico.shtml"><span style="font-weight: 400;">situação atual</span></a><span style="font-weight: 400;"> do audiovisual no Brasil e o que diria para alguém que está se introduzindo na área do audiovisual, com enfoque em animação, César chama a atenção para o momento difícil que o audiovisual tem passado com o governo atual, mas também destaca produções que vêm acontecendo apoiadas por canais de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> e TV, sem depender de um incentivo governamental. Ressalta também os desafios de fazer Animação, o que a princípio pode parecer algo maravilhoso, “</span><i><span style="font-weight: 400;">bonitinho</span></i><span style="font-weight: 400;">”, mas que exige muito trabalho e dedicação, para muitas vezes apresentar um resultado final muito pequeno. </span><i><span style="font-weight: 400;">“É um processo muito custoso. Ao mesmo tempo, é muito gratificante.”</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">César destaca a preocupação em atingir um público mais amplo com o longa. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu não queria fazer um filme fechado só pro cara de 40, 50 anos que lia Chiclete com Banana. Então a gente foi tentando não ser didático, mas deixar palatável para que a pessoa entre e conheça quem é o Angeli (&#8230;) e esse universo dele. (&#8230;) Claro que é difícil a gente saber o limiar pra não passar a mão e fazer um filme que fica muito explicativo, mas tivemos um cuidado.”</span></i><span style="font-weight: 400;"> Foi quando o longa estreou no Festival de Annecy que ele recebeu o primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">feedback </span></i><span style="font-weight: 400;">de alguém de fora, que o fez saber que o filme havia dado certo. Foi de uma estudante vietnamita da Escola Gobelins, a maior escola de animação da França, que escreveu um texto para o diretor, que trocando ideia com ela, e vendo que tinha entendido a narrativa e quem é o Angeli, percebeu que o projeto tinha realmente dado certo.</span></p>
<figure id="attachment_24856" aria-describedby="caption-attachment-24856" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24856" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-4-1.jpg" alt="A foto tirada antes da sessão de Bob Cuspe no vão do Masp mostra em plano médio o diretor César, o diretor do filme, um homem branco de cabelos grisalhos, vestindo máscara azul escura e camisa preta, e olhando para a câmera. Ao fundo vemos diversas cadeiras viradas para uma tela mais atrás. " width="1999" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-4-1.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-4-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-4-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-4-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-4-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-4-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24856" class="wp-caption-text">O primeiro longa de César Cabral no universo de Angeli certamente não será o único: “A gente vai fazer um segundo&#8230;” (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Você tem alguma tira favorita do Bob Cuspe?</b></p>
<p><b>César:</b><span style="font-weight: 400;"> “</span><i><span style="font-weight: 400;">Tem uma muito boa em que o Bob Cuspe ‘tá’ no meio do cinema, e que ninguém ‘tá’ perto dele, sabe? Acho que o Bob Cuspe &#8211; Nós Não Gostamos de Gente, representa um pouco essa imagem, porque as pessoas ficam meio com medo da figura dele na cena. (&#8230;) O Bob Cuspe não é um personagem que fala muito, ele vai lá e cospe, dá porrada nas pessoas, no sentido não-físico, mas tá sempre ali peitando, é muito boa”.</span></i></p>
<p><b>Se você pudesse escolher três pessoas para trabalhar em um filme, vivas ou mortas, quem você escolheria e por quê?</b></p>
<p><b>César: </b><i><span style="font-weight: 400;">“Pergunta difícil essa hein&#8230;. Tim Burton é um cara que eu gosto muito, o universo que ele cria, pensando com foco em animação. (&#8230;) Gosto muito do Wes Anderson também, como diretor e com a aproximação com a animação que ele tá cada vez mais. É um cara que vem do live, e tem um universo muito particular na forma de filmar. Pô, quem mais? Acho que uma delas seria o Angeli mesmo, que eu me aproximei e que eu acho que de certa forma era uma grande referência sempre na minha formação, então eu acho que uma eu consegui assim que seria trabalhar com o universo dele. Gosto muito do Crumb também, que seria um deus desse universo underground dos quadrinhos”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><b>E se você pudesse levar três filmes para uma ilha deserta, quais seriam?</b></p>
<p><b>César:</b><span style="font-weight: 400;"> “</span><i><span style="font-weight: 400;">Vou falar dos filmes que eu gostava e gosto muito ainda. </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=i89oN8v7RdY"><i><span style="font-weight: 400;">Os Incompreendidos</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> é um filme que eu gosto muito do Truffaut, vi muitas vezes&#8230; Claro que meu trabalho não tem nada a ver com ele, com esse universo do Truffaut, mas é um filme de formação. Falei do </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vayksn4Y93A"><i><span style="font-weight: 400;">Cães de Aluguel</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, gosto muito de Pulp Fiction mas gosto muito de Cães de Aluguel, se fosse pra colocar um filme do Tarantino (&#8230;), </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dfeUzm6KF4g"><i><span style="font-weight: 400;">Clube da Luta</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> é um filme que eu gosto também. Gosto bastante. Mas falando sem pensar muito assim, certamente teriam outros tantos”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><b>Você tem algum filme nacional favorito?</b></p>
<p><b>César:</b><span style="font-weight: 400;"> “</span><i><span style="font-weight: 400;">Tenho, alguns… Mas um que eu gosto muito é </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SDs62rXX9Wo&amp;t=3727s"><i><span style="font-weight: 400;">Bangue-Bangue</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, do Andrea Tonacci. Eu acho o filme foda demais. </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5d1C2sMbYNo"><i><span style="font-weight: 400;">O Bandido da Luz Vermelha</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> do Sganzerla também é outro filme que pra mim marcou muito, inclusive o próprio Dossiê Rê Bordosa bebe muito naquela construção de investigação de uma certa maneira jornalística, uma rádio que faz esse jornalismo espreme-sai-sangue, (&#8230;) o Dossiê é muito construído dessa forma, e veio muito do próprio Bandido da Luz Vermelha”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_24857" aria-describedby="caption-attachment-24857" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24857" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-5-1.jpg" alt="A foto mostra a sessão do filme Bob Cuspe no vão do MASP. À esquerda vemos o público disposto em cadeiras, à direita vemos a tela, com uma cena do filme. " width="2000" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-5-1.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-5-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-5-1-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-5-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-5-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-5-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24857" class="wp-caption-text">“A gente não quer falar só de um mundinho fechado que foi passado. Eu acho que o filme é pro jovem de hoje.” (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Chegando ao fim da entrevista, o diretor falou sobre o espírito </span><i><span style="font-weight: 400;">punk </span></i><span style="font-weight: 400;">presente em </span><i><span style="font-weight: 400;">Bob Cuspe</span></i><span style="font-weight: 400;">, e sua relevância hoje. </span><i><span style="font-weight: 400;">“A gente não quer falar só de um mundinho fechado que foi passado. Eu acho que o filme é pro jovem de hoje. A gente fala de punk, mas o punk é em um sentido amplo. O punk é uma postura do jovem perante esse mundo, perante o mundo que virá. A gente está sempre em um embate, o jovem tem esse papel de não aceitar esse mundo estabelecido. Se ali é o punk, talvez o punk hoje é essa postura que permanece. De certa forma, é universal. Estou muito feliz com o resultado, que é muito gratificante mesmo.” </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E para a alegria daqueles que perderam as sessões do longa na 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o filme estreou nos cinemas no dia 11 de novembro, levando sua postura </span><i><span style="font-weight: 400;">punk </span></i><span style="font-weight: 400;">para várias capitais do país, e permanece em cartaz até a publicação desta entrevista. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Bastidores de BOB CUSPE - NÓS NÃO GOSTAMOS DE GENTE" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/IBV-SeeOCwc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O punk é pop em Bob Cuspe &#8211; Nós Não Gostamos de Gente</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Nov 2021 03:39:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>João Batista Signorelli Estrela da revista underground Chiclete com Banana, que reunia o trabalho de cartunistas como Laerte e Glauco, Bob Cuspe é um dos mais icônicos personagens de Angeli, que também povoou o imaginário dos quadrinhos brasileiros com Rê Bordosa, Wood &#38; Stock, Mara Tara, e tantos outras. Ácido e subversivo, Bob, que estrela &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/bob-cuspe-nos-nao-gostamos-de-gente-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O punk é pop em Bob Cuspe &#8211; Nós Não Gostamos de Gente"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24363" aria-describedby="caption-attachment-24363" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24363" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/bob-cuspe-1-scaled.jpg" alt="Cena do filme Bob Cuspe - Nós Não Gostamos de Gente. A imagem da animação em stop-motion mostra Bob Cuspe, um homem de pele verde, nariz gigante, óculos escuro e roupas pretas de couro, em um elevador diante de Angeli, um homem branco de meia idade, cabelo curto branco, e camiseta roxa, que está de braços abertos estendidos. Eles estão em um elevador, e o espelho atrás de Angeli, com o vidro quebrado, reflete a imagem dos dois. " width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/bob-cuspe-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/bob-cuspe-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/bob-cuspe-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/bob-cuspe-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/bob-cuspe-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/bob-cuspe-1-2048x1365.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/bob-cuspe-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24363" class="wp-caption-text">Bob Cuspe &#8211; Nós Não Gostamos de Gente teve exibições presenciais na 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, incluindo uma gratuita no vão livre do Masp (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>João Batista Signorelli</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estrela da revista </span><i><span style="font-weight: 400;">underground </span></i><a href="https://revistas.pucsp.br/index.php/revph/article/view/30326"><i><span style="font-weight: 400;">Chiclete com Banana</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que reunia o trabalho de cartunistas como Laerte e Glauco, Bob Cuspe</span> <span style="font-weight: 400;">é um dos mais icônicos personagens de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IbSL_7Gms2Y&amp;t"><span style="font-weight: 400;">Angeli</span></a><span style="font-weight: 400;">, que também povoou o imaginário dos quadrinhos brasileiros com Rê Bordosa, Wood &amp; Stock, Mara Tara, e tantos outras. Ácido e subversivo, Bob, que estrela a animação de grande destaque na 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, representava nos anos 80 a anarquia subversiva da geração </span><i><span style="font-weight: 400;">punk</span></i><span style="font-weight: 400;">, ao mesmo tempo que era uma espécie de alter ego exagerado do próprio autor. </span></p>
<p><span id="more-24362"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Corta para os anos 2020, onde o </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">devorou o </span><i><span style="font-weight: 400;">punk</span></i><span style="font-weight: 400;">, e o humor politicamente incorreto da revista passou a ser coisa do passado. É nesse contexto que Angeli reflete sobre sua obra e transformações criativas, e Bob Cuspe deixa a juventude para trás, parecendo-se quase com um tiozão que se recusou a se adaptar às mudanças do tempo. Em meio à gravação de um documentário e em um deserto de ideias de uma São Paulo pós-apocalíptica, Angeli e Bob Cuspe se confrontam com o passado e o presente em </span><i><span style="font-weight: 400;">Bob Cuspe &#8211; Nós Não Gostamos de Gente</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_24364" aria-describedby="caption-attachment-24364" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24364" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/bob-cuspe-2.jpg" alt="Cena do filme Bob Cuspe - Nós Não Gostamos de Gente. A imagem da animação em stop-motion mostra Bob Cuspe, um homem de pele verde, nariz gigante, óculos escuros, cabelo moicano e roupa preta com broches, segurando uma arma com as duas mãos. Atrás, em desfoque, há um posto de gasolina abandonado, com o teto quebrado e pichações nas colunas. " width="2048" height="840" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/bob-cuspe-2.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/bob-cuspe-2-800x328.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/bob-cuspe-2-1024x420.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/bob-cuspe-2-768x315.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/bob-cuspe-2-1536x630.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/bob-cuspe-2-1200x492.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24364" class="wp-caption-text">“Punk is not dead!” (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é a primeira vez que o diretor César Cabral realiza um mergulho audiovisual na obra do cartunista Angeli com a técnica de </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=75txxLyGnJ8"><i><span style="font-weight: 400;">Dossiê Rê Bordosa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ele já apresentava a mesma mistura de documentário e ficção ao investigar as causas da morte da icônica personagem do cartunista. Já na série </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qwkojuafGZg"><i><span style="font-weight: 400;">Angeli &#8211; The Killer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, exibida no </span><i><span style="font-weight: 400;">Canal Brasil</span></i><span style="font-weight: 400;">, Cabral preservava a mistura de formatos explorando a obra do autor a partir de recortes temáticos. Dando continuidade aos projetos anteriores, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bob Cuspe &#8211; Nós Não Gostamos de Gente </span></i><span style="font-weight: 400;">é talvez o mais ambicioso até então, e já abriu a temporada de festivais consagrado merecidamente, </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/noticias/bob-cuspe-nos-nao-gostamos-de-gente-e-premiado-no-festival-de-annecy-2021/"><span style="font-weight: 400;">recebendo o prêmio</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Longa-Metragem da Mostra </span><i><span style="font-weight: 400;">Contrechamp</span></i><span style="font-weight: 400;"> do Annecy, o festival de animação mais relevante do mundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Até se confrontarem no ato final, Angeli e Bob Cuspe precisam lidar com embates internos e externos. Angeli, em plena crise criativa, se sente impelido a dar um fim a Bob Cuspe, assim como havia feito a Rê Bordosa, marcando com um ponto final no que o seu personagem representava para sua carreira. Paralelamente, Bob Cuspe, o </span><i><span style="font-weight: 400;">punk</span></i><span style="font-weight: 400;"> e tudo mais correm risco de morte pela constante perseguição do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, sintetizado na imagem de hilários mini Elton Johns homicidas. Acompanhado pelos Skrotinhos, que veem nele uma espécie de símbolo mítico profetizado nas escrituras das </span><i><span style="font-weight: 400;">HQs Chiclete com Banana</span></i><span style="font-weight: 400;">, criador e criatura são conduzidos a um confronto para dar uma resolução aos seus conflitos. </span></p>
<figure id="attachment_24365" aria-describedby="caption-attachment-24365" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24365" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Bob_C92P06_01_X3_0009-scaled.jpg" alt="Cena do filme Bob Cuspe - Nós Não Gostamos de Gente. A imagem da animacao em stop-motion mostra ao longe Rê Bordosa, uma mulher branca, com cabelo acima da cabeca armado vermelho e curto, e atrás da cabeça liso, comprido e castanho, presa a correntes e segurando uma taça de vidro em uma banheira branca. É um ambiente escuro, e o chão apresenta largas rachaduras da onde sai luz. Em primeiro plano desfocado, vemos a lateral sombreada do corpo de um homem branco vestido com camiseta e calça. " width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Bob_C92P06_01_X3_0009-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Bob_C92P06_01_X3_0009-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Bob_C92P06_01_X3_0009-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Bob_C92P06_01_X3_0009-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Bob_C92P06_01_X3_0009-1536x1024.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24365" class="wp-caption-text">Integrando a Mostra Brasil e a Competição Novos Diretores, Bob Cuspe foi escolhido pelo público como um dos 13 filmes que concorrem ao Troféu Bandeira Paulista (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Raro exemplar da técnica de </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion</span></i><span style="font-weight: 400;"> na filmografia brasileira, o longa é um deleite visual do início ao fim. Do escritório realista de Angeli, às viagens psicodélicas que remetem ao final de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oR_e9y-bka0"><i><span style="font-weight: 400;">2001 &#8211; Uma Odisseia no Espaço</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, passando por escombros desérticos e tubulações subterrâneas, a direção de arte de Daniel Bruson e Olyntho Tahara traduz o imaginário de Angeli ao tridimensional, com grande atenção aos detalhes, e preenchendo os espaços de referências ao universo das tiras de Angeli.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de sua origem no </span><i><span style="font-weight: 400;">punk</span></i><span style="font-weight: 400;">, Bob Cuspe e outras criações de Angeli viraram cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mesmo estando banhado de referências, o longa não depende delas para funcionar, e pode funcionar como uma ótima introdução para aqueles que, assim como eu, são pouco familiarizados com o trabalho de Angeli. Em um mundo onde as telas estão dominadas por </span><a href="https://personaunesp.com.br/vingadores-critica/"><span style="font-weight: 400;">super-heróis norte-americanos</span></a><span style="font-weight: 400;"> saídos dos quadrinhos e outros símbolos da cultura popular estrangeira, Bob Cuspe vem para mostrar que o </span><i><span style="font-weight: 400;">punk </span></i><span style="font-weight: 400;">é </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, e que a animação nacional também pode ser.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="BOB SPIT - WE DO NOT LIKE PEOPLE (Official Trailer)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/OJ4oJQXHf_I?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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